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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR FEDERAL RELATOR DA

APELAÇÃO CÍVEL Nº 0002590-13.2013.4.01.3400 EM TRÂMITE NA SEXTA


TURMA DO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO

ADELIA LUZIA VIZEU FERNANDES E OUTROS, já devidamente


qualificados nos autos do processo em epígrafe, vêm por seu advogado infrafirmado, à
presença de Vossa Excelência, apresentar o presente memorial, expondo o que se
segue para ao final requerer.

Os peticionantes participaram do concurso para provimento do cargo de


Agente de Polícia Federal regido pelo edital 01/2012, que ofereceu 500 vagas para o
referido cargo, sendo aprovados em todas as fases e figurando como excedentes,
aguardando a convocação para a segunda etapa do certame, denominada curso de
formação profissional.

DO PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME

Ocorre que o Departamento de Polícia Federal, inovando de forma


injustificável, atribuiu para o concurso em comento, o exíguo, irrazoável, absurdo,
antieconômico e ilógico prazo de validade de trinta dias, improrrogável.

Desta forma, ainda que os autores tenham sido aprovados em todas as


fases do certame e figurassem como excedentes, não foram convocados para o curso
de formação profissional, tendo sido considerados não aprovados pela Administração e,
consequentemente, alijados do processo seletivo.

É indubitável que se fosse respeitado um prazo razoável de validade do


processo seletivo, os autores seriam convocados para o curso de formação profissional,
segunda etapa do certame, dada a necessidade da Administração em prover os cargos
concorridos, consoante se delineará à frente.

A tese ora defendida possui considerável amparo no irretocável parecer do


Ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Ayres Britto que menciona que, “a
drástica redução do prazo de validade do certame deverá ser motivada pela
Administração, pena de se configurar abuso de poder, pela violação dos princípios da
razoabilidade, moralidade e economicidade”, o que, in casu¸não ocorreu.

Leciona ainda o eminente parecerista que:

“o prazo editalício de até dois anos, prorrogável uma única vez por igual período, já
corresponde a uma ponderação de razoabilidade que a própria Constituição diretamente
faz. E como se cuida de prazo nítida e imediatamente fortalecedor dos princípios da
eficiência, da economicidade e da acessibilidade aos cargos públicos efetivos, sua
drástica redução por via administrativa é de ser motivada. Motivação que se faz
necessária para demonstrar uma outra espécie de razoabilidade: aquela ditada por
imperativos de ordem empírico-administrativa. Implicando a não-motivação um dar as
costas à Constituição que passa a configurar, automaticamente, abuso de poder. Abuso
de poder administrativo, violação de direito alheio. Afinal, a razoabilidade é figura de
Direito Constitucional que, no caso, opera como limite à discricionariedade dos
aplicadores do Direito em geral (os administradores no meio). Ela corresponde à lógica
da equidade ou do justo material, que é o justo em concreto. O justo que se dá na vida
vivida, e não simplesmente na vida pensada. E que opera por oposição à lógicado
friamente racional, sabido que a pura racionalidade é diretriz ou base de inspiração
normativa que serve para todos os casos. Em abstrato, portanto. E é justamente pela
via ou pela ponte da razoabilidade (não da racionalidade) que se realiza, em concreto,
o princípio igualmente constitucional da“justiça”. Esse valor objetivo que o preâmbulo da
Constituição nomina por modo expresso como pilar de “uma sociedade fraterna,
pluralista e sem preconceitos”;

Uma drástica e imotivada redução dos prazos constitucionalmente ponderados pela


Constituição como objetivamente razoáveis para o edital de concurso faz a
Administração Pública se aproximar, temerariamente, de conduta violadora do princípio
da moralidade. É que o radical encurtamento de tais prazos força o Estado
administração a recorrer à abertura de mais e mais certames, todos eles onerosos por
definição, de maneira a propiciar o surgimento de uma mal disfarçada indústria do
concurso. Vale dizer: podendo adotar como cultura procedimental o aproveitamento ao
máximo dos concursos públicos já abertos, o Estado-administração segue um canhestro
itinerário inverso: descarta-se com toda rapidez de concursos já instaurados e assim
passa a estimular a formação de empresas ou instituições produtoras de concursos a
três por quarto ou num estalar de dedos. A preços cada vez mais altos, por certo;

No caso em tela, não houve qualquer motivação que justificasse a


estipulação do prazo ínfimo de trinta dias para validade do certame, sendo certo o
conhecimento da Administração da carência de servidores, o que daria ensejo à
convocação dos demais aprovados.

Em comunhão ao referido parecer do eminente Ministro aposentado do STF,


destaca-se trecho de voto do ilustre Desembargador Federal João Batista Moreira, do
Eg. TRF 1ª Região, que rechaça a razoabilidade de concurso com prazo de validade tão
comprimido, verbis:

“a fixação de prazo tão exíguo é frustração indireta do direito assegurado no


art. 37, inciso IV, da Constituição, que diz: “durante o prazo improrrogável previsto no
edital de convocação, aquele aprovado em concurso público de provas ou de provas e
títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou
emprego, na carreira”. O candidato aprovado em concurso tem direito de ficar na fila
aguardando oportunidade para ser nomeado.

Volto a insistir que a Constituição não prevê prazo de validade mínima para
os concursos; só prevê o prazo máximo, que é de dois anos. Mas está implícito, é
razoável que esse prazo mínimo deva ser um prazo compatível com a situação. Esse
prazo mínimo não deve esvaziar a necessidade, a conveniência, de que o concurso
tenha prazo de validade razoável, seja para atender aos interesses dos candidatos que
se sacrificam para se submeter ao concurso, seja para atender ao próprio interesse
público, uma vez que a Administração não pode ficar despendendo recursos, gastando
com a realização de concursos e fixando prazo tão exíguo, para, logo em seguida, abrir
novo concurso. É o que se pode imaginar em uma situação dessas: fixação de prazo
tão exíguo para poder, passados os 45 dias, abrir outro concurso. Não é justificável.”
2000.01.00.045079-0

Deste modo, não subsiste dúvida de que o Poder Judiciário pode e deve se
manifestar para afastar tão sinóptico prazo, fazendo valer o prazo de validade de dois
anos, de acordo com a Constituição Federal.

Ultrapassado com clareza o óbice da expiração do prazo de validade,


detém-se na necessidade de comprovação da aprovação dos demandantes.

DECRETO 6.944/2009 – APROVAÇÃO NO CERTAME

Com a eliminação imediata dos demandantes, como ocorreu, a


Administração violou frontalmente o artigo 11 o Decreto 6.944 de 21 de agosto de 2009,
que de maneira expressa autoriza a convocação dos excedentes.

Pode-se concluir inequivocamente que os autores aprovados fora do


número das vagas previamente previstas no edital convocatório devem ser
considerados não eliminados, podendo ser convocados nos casos de necessidade da
Administração, como vacâncias, aposentadorias, demissões, exonerações, etc.

O edital convocatório foi de encontro ao Decreto presidencial quando


mencionou que não seria mantido cadastro de reserva, como se fosse
discricionariedade da Administração formar cadastro de reserva ou não, ao seu critério.

Nem se alegue acerca da necessidade de motivação para a convocação


para o curso de formação dos aprovados (excedentes), eis que a justificação para esta
convocação restará cabalmente demonstrada no tópico a seguir.

Destaca-se desta premissa legal que os autores foram aprovados e não


eliminados, classificando-se em até cinquenta por cento do número original de
vagas, ou seja, até a 750ª posição.

Subsumindo-se à situação em tela, considerar-se-ão aprovados os


candidatos que ultrapassaram as fases do certame em duas vezes o número de vagas
previstas no edital convocatório. Assim, por se tratar de 500 vagas inicialmente
previstas, são considerados aprovados 750 candidatos, no caso, todos os peticionantes.

Faz-se, neste ponto, referência ao brilhante parecer do insigne ex-


presidente do STF que menciona que a Constituição Federal simplesmente apõe o
termo “aprovado” e não “aprovado até o limite de vagas inicialmente aberto pelo edital”,
“sendo certo que aprovação, por se definir como instituto oposto ao da reprovação ou
eliminação, implica o direito subjetivo à classificação”.

Continua o brilhante jurista enfatizando que “Se todo candidato que é


aprovado em concurso público já detém a situação jurídica ativa de quem “passou nele”
— como se diz coloquialmente -, o que resulta com imediatidade é o direito de figurar
em lista de classificação. Uma lista includente de todos os aprovados, sem exceção.
Mas, se por acaso o número de aprovados for maior que o número de cargos nominados
e quantificados no respectivo edital (edital do concurso), certo é que as primeiras
nomeações se farão apenas em conformidade com aquele número inicial de cargos
vagos. Parte dos aprovados ficará de fora da primeira leva de nomeados, embora o
número inteiro deles, aprovados, conste da relação oficial dos classificados.

Sem dúvida, esse prazo de validade do edital, assim previsto em ordem a alcançar o
dilatado tempo de até 48 meses (dois anos vezes dois) é intencionalmente favorecedor
do concurso. Aproveita-o como processo que demanda tempo, dinheiro e fosfato para a
sua realização. Propicia a concreção de princípios encartados na Constituição mesma,
como o citado princípio da eficiência e mais o da “economicidade” (cabeça do art. 70),
este último a significar obrigatória otimização de gastos com a gestão “contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial” (mesmo art. 70, caput) dos órgãos
e entidades da Administração Pública. Também o princípio, justamente, da
acessibilidade aos cargos públicos de provimento efetivo, inscrito no inciso Ido art. 37.
Princípio tanto mais passível de incidência quanto maior o prazo de validade do edital
de concurso, porquanto passa a incidir em duas marcantes ou estratégicas
oportunidades:

a) para viabilizar a nomeação dos candidatos aprovados no limite quantitativo das vagas
abertas pelo edital;

b) para aproveitar, ainda no plano da nomeação, os candidatos que satisfizeram a


exigência da nota mínima, porém classificados para além daquele número de cargos
editaliciamente prefixados.”

Explica ainda que “assim como assiste aos candidatos aprovados no limite
das vagas editalícias o direito à imediata nomeação para tais vagas..., também é de se
reconhecer o direito dos candidatos excedentes às vagas igualmente excedentes.”

Continua a defesa de sua tese apontando que: “Se a aprovação é figura de


Direito geradora de uma classificação, a classificação é figura de Direito geradora de
um cadastro de reserva, nas situações em que o número dos candidatos aprovados é
superior ao número das vagas disputadas. Cadastro de reserva tanto mais
funcionalmente prestante quanto mais dilatado o prazo de validade do edital. O que
traduz, em última análise, vitalização dos mencionados princípios da economicidade e
da acessibilidade aos cargos públicos de provimento efetivo”.

Inequívoca, portanto, a aprovação e a constatação de que os peticionantes


perfazem o rol dos excedentes ou cadastro de reservas, que, embora devidamente
aprovados, não o foram no número de vagas inicialmente previstos.

A conduta da Administração conjugando as ilegalidades de atribuir um prazo


de validade irrazoavelmente curto e a arbitrária eliminação dos candidatos que não
fossem aprovados dentro do número de vagas inicialmente previstos foi incongruente
com o próprio edital, uma vez que não participaram 500 candidatos do curso de
formação profissional.
Conclui o Ministro aposentado Ayres Britto que “no caso específico do Edital
n° 01/2012 - DGP/DPF, a inadmissibilidade prima facie do cadastro de reserva terminou
por impedir que a Administração fosse coerente até mesmo com a sua decisão de fazer
do curso de formação uma necessária etapa do concurso. É que somente foram
aprovados nesse curso 482 inscritos, sem que ela, Administração, pudesse recorrer a
candidatos substitutos. E já não teve como recorrer a candidatos substitutos, à falta,
precisamente, de um cadastro de reserva. O que me autoriza a ajuizar que o certame já
nasceu fadado ao não preenchimento sequer das 500 vagas editaliciamente
prefixadas”;

NECESSIDADE DA ADMINISTRAÇÃO – CARGOS VAGOS -CESSSÃO DE


SERVIDORES

Quanto à necessidade da Administração em prover os cargos de Agente de


Polícia Federal, cabe destacar a mensagem eletrônica nº 020/2015 – SIC/DGP/DPF, ao
responder consulta formulada por cidadão, em obediência à Lei de Acesso à
Informação, que informa o expressivo número de cargos vagos de Agente de Polícia
Federal, verbis:

“I. Atualmente há 2198 cargos vagos de Agente de Polícia Federal.

II. Este quantitativo não leva em consideração processos de aposentadoria,


vacância e exoneração ainda em trâmite...”

De maneira correlata ao que foi narrado prefacialmente no que se refere à


necessidade da Administração devido à carência de servidores, cabe fazer menção aos
relatórios de auditoria do Tribunal de Contas da União, nos processo de Tomada de
Contas que verificaram a deficiência no quadro de pessoal da Polícia Federal nos
aeroportos internacionais.

Insta rememorar ainda o ofício expedido pelo Diretor Geral da Polícia


Federal solicitando a cessão de 300 servidores da Infraero com o fim de realizar as
atividades e atribuições inerentes ao cargo de Agente de Polícia Federal nos aeroportos,
após apontamento do TCU. De se observar que referido pedido se deu no prazo de
validade inicial do certame, de trinta dias.

Conclui-se que durante o ínfimo prazo de validade do certame, o


Departamento de Polícia Federal oficialmente requereu a cessão de 300 (trezentos)
servidores de outro órgão público para atuarem nos aeroportos, dada a carência de
Agentes de Polícia Federal, sendo que ainda havia candidato aprovado no certame.

NECESSIDADE DA ADMINISTRAÇÃO – TERCEIRIZADOS – ACÓRDÃO TCU

Ainda no tema necessidade da Administração, deve ser pautada a situação


eternizada dos terceirizados nos quadros da Polícia Federal, que realizam atividades
cujas atribuições estão essencialmente ligadas e delimitadas para os servidores
ocupantes dos cargos de Agente de Polícia Federal.

Referida situação foi objeto de análise e constatação pelo Tribunal de


Contas da União, constando em relatório de auditoria em processo de Tomada de
Contas.
Merece destaque a determinação do TCU:

“... elabore e encaminhe a este Tribunal, no prazo de 180 (cento e oitenta)


dias a contar da ciência, plano de ação para regularizar a terceirização de serviços
relacionados diretamente ao controle migratório, de modo a substituir, gradualmente e
sem prejuízo à continuidade do serviço, os terceirizados que executam tarefas típicas
do controle migratório por servidores do seu quadro permanente, porquanto se trata de
atividade tipicamente finalística desse órgão, cuja terceirização é vedada nos termos do
art. 1º, parágrafo 2º, do Decreto 2271/97”;

Temos, portanto, duas situações irregulares que dariam ensejo à


convocação dos autores para o curso de formação profissional: a cessão de servidores
de outros órgãos públicos e a admissão de terceirizados, sendo que, nas duas
situações, as atividades realizadas são inerentes e finalísticas do cargo de Agente de
Polícia Federal.

Para reforçar a justificativa que permitiria a convocação dos excedentes para


o curso de formação profissional, dada a manutenção da carência de servidores nos
quadros do DPF, destacam-se trechos de recente sentença proferida nos autos de ação
civil pública, onde o Ministério Público questiona a fragilidade da segurança fronteiriça
determinando o incremento de policiais federais na localidade:

“Com a presente ação, visa o Ministério Público Federal que a União elabore
planos específicos, com metas e cronogramas, para as efetivas fiscalizações do lago de
Itaipu, bem como do trecho compreendido entre a barragem da Itaipu Binacional e o
Marco das Três Fronteiras, passando necessariamente pelo incremento real de efetivo,
seja por lotação ou formação de forças tarefas com outros órgãos federais, da Receita
Federal, Força Nacional de Segurança, Delegacia da Policia Federal de Foz do Iguaçu
e DEPOM.

Da análise das provas produzidas durante a instrução do inquérito civil


público nº 1.25.003.009898/2007-10, é possível concluir que há carência de servidores
na Delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, impossibilitando, assim, o controle
do tráfico antes da chegada das drogas, armas e munições aos seus destinos no
grandes centros urbanos brasileiros.

Já o Delegado da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, testemunha arrolada


pela União, explicou em seu depoimento que efetivamente a Polícia Federal tem
problema crônico de efetivos, com 14 (quatorze) mil homens atualmente, contra 120
(cento e vinte) mil da Polícia Federal Argentina. ... Defende a necessidade de uma
política de governo para a questão das fronteiras, o que não acontece atualmente no
Brasil (razão pela qual a cidade não tem sido beneficiada nas últimas remoções/lotações
de servidores):

Destarte, do conjunto probatório carreado aos autos, é possível concluir que


efetivamente o número de servidores na Delegacia da Polícia Federal em Foz do
Iguaçu/PR não é ideal. De outro lado, quando se chega a conclusão de que a Delegacia
da Polícia Federal de Foz do Iguaçu só consegue atingir determinado nível operacional,
por força de convênios e parcerias com a Itaipu e outras instituições privadas, não há
dúvida da existência de omissão estatal.
Ante o exposto, julgo procedente o pedido (CPC, art. 487, I), para condenar
a União na obrigação de elaboração de um plano específico, com metas e cronograma:

3.3.1.2) o acréscimo de policiais em atuação na referida unidade não poderá


implicar na redução do efetivo atual lotado na Delegacia da Polícia Federal de Foz do
Iguaçu.

(AÇÃO CIVIL PÚBLICA Nº 5010354-05.2014.4.04.7002/PR AUTOR: IDESF - INSTITUTO DE


DESENVOLVIMENTO ECONOMICO SOCIAL DE FRONTEIRA AUTOR: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
AUTOR: ASSOCIACAO NACIONAL DOS DELEGADOS DE POLICIA FEDERAL RÉU: UNIÃO -
ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO)

Não restam dúvidas, pois, de que a necessidade em prover novos cargos é


premente e urgente e se mantém até o presente momento.

NECESSIDADE DA ADMINISTRAÇÃO – NOVOS CERTAMES

Tanto o é, que a Polícia Federal realizou novo concurso para o provimento


de cargos de Agente de Polícia Federal, já com a presente ação em curso, convocando,
seiscentos candidatos para o curso de formação profissional, sendo que no concurso
pretérito havia candidatos devidamente aprovados e que foram preteridos pelo já
malfadado prazo de validade do concursopúblico anterior.

De se observar que o pedido para a realização de novo certame já estava


registrado no MPOG durante a vigência do processo seletivo que ora se questiona.

Ora, Excelência, com a devida vênia, não resta outra conclusão senão a de
que existe uma indústria para a realização de concursos públicos como narrado e
demonstrado na petição inicial, ignorando os aprovados no certame anterior para a
contratação de organizadora de certame despendendo milhões de reais para a
realização de novo processo seletivo para o provimento de vagas em cargos que já
existiam aprovados regulares anteriormente.

Apenas a título de complementação, juntou-se aos autos cartas da


associação dos Delegados de Polícia Federal e da Federação Nacional dos Policiais
Federais informando acerca da necessidade de provimento das milhares de vagas de
Agente de polícia Federal.

Relata-se, por oportuno e em destaque nos vídeos disponibilizados no sítio


youtube.com, cujos endereços eletrônicos se colaciona abaixo, o apoio de diversos
parlamentares, em audiência pública, pela convocação dos excedentes, ora autores,
para o curso de formação profissional, bem como da manifestação do então Ministro da
Justiça não se opondo à convocação.

Estes os endereços citados:

HTTP://youtu.be/cBRazzGX_wg

HTTP://youtu.be/2gmShW6tRF0

HTTP://youtu.be/W8WUcGn1fPw
Relata-se, por derradeiro, recente jurisprudência do C. STF que determinou
a nomeação de defensores públicos no Piauí, negando provimento ao recurso
extraordinário (RE 837311) interposto pelo Estado do Piauí.

O eminente Ministro Relator Luiz Fux pontuou “ que, salvo em situações


excepcionais, que devem ser devidamente justificadas pela administração pública, os
candidatos aprovados em certame prévio devem ter preferência na convocação em
relação aos aprovados em concurso realizado posteriormente.”

Destacando que “a aprovação além do número de vagas previstas em edital,


passando o candidato a integrar cadastro de reserva, embora não gere a obrigação do
Estado, configura expectativa de direito à nomeação. Entretanto, a partir do momento
em que “o Estado manifesta inequívoco interesse, inclusive com previsão orçamentária,
de realizar novo concurso, o que era mera expectativa de direito tornou-se direito líquido
e certo”.

Ministrou ainda que, “embora a nomeação de candidatos além das vagas


previstas esteja sujeita à discricionariedade da administração pública, deve ser exercida
legitimamente de forma a se evitar condutas que, deliberadamente, deixem esgotar o
prazo fixado no edital de concurso público para nomear os aprovados em novo certame.”

Segundo ele, “se a administração decide preencher imediatamente


determinadas vagas e existem candidatos em cadastro de reserva de concurso ainda
válido, o princípio da boa-fé impõe o preenchimento das vagas com esses candidatos.”

O ministro salientou que não se trata de impedir a abertura de novo


concurso enquanto houver candidatos ainda não convocados de certame anterior.
Segundo ele, o que fica vedada é a convocação, durante o prazo de validade do
primeiro, dos candidatos aprovados no certame seguinte, sob pena de se configurar
preterição e consequente ofensa ao preceito do artigo 37, inciso IV da Constituição
Federal que assegura prioridade de nomeação aos aprovados em concurso anterior
ainda em prazo de validade.

Ante a todo o exposto e mediante a extensa documentação comprobatória,


serve o presente memorial para subsidiar a formação de convencimento de Vossa
Excelência, requerendo, após análise, o provimento da apelação.

Brasília-DF, 20 de abril de 2018

MARCELO MARTINS NARDELLI

OAB-DF 19.759