Você está na página 1de 47

Cálculo de necessidades calóricas

e de nutrientes

Prof. Mestranda Talita Kizzy Barbosa Barreto


VERIFICAÇÃO DIETÉTICA

- Cálculo das calorias e proteínas ingeridas ou infundidas no


paciente.

- Pct internado recebendo dieta VO: cálculo deve ser


elaborado através da ficha de recordatório alimentar de
24h, pelo acompanhante do paciente, pelo nutricionista ou
pelo próprio paciente.

- O cálculo da quantidade de calorias e ptns da ingestão


VO do paciente deve ser feito através de uma lista
resumida das calorias e ptns contidas nos alimentos.
VERIFICAÇÃO DIETÉTICA

 Cuidados na entrevista do paciente internado:

- Evitar questionar sobre alimentos específicos.


- Evitar sinais de surpresa, aprovação ou
desaprovação do padrão alimentar relatado.
- Insistir nos detalhes sem induzir (quantidade).
- Questionar sobre a ingestão de outros alimentos,
além dos fornecidos pelo hospital.
- Verificar se o consumo daquele dia não foi
atípico.
VERIFICAÇÃO ANTROPOMÉTRICA

 Antropometria: indicador direto do


estado nutricional.

 Medidas antropométricas indicadas,


quando possível a realização: peso,
altura, IMC, a circunferência do braço, as
pregas cutâneas (tricipital e bicipital) e a
circunferência média do músculo do
braço.
VERIFICAÇÃO ANTROPOMÉTRICA

Peso

- Peso atual: obtido em uma balança


calibrada de plataforma ou eletrônica; o
indivíduo deve posicionar-se em pé no
centro da base da balança, descalço e
com roupas leves. Para o paciente
acamado, utilizar, quando disponível,
uma cama ou cadeira balança para a
obtenção do peso.
VERIFICAÇÃO ANTROPOMÉTRICA

- Peso usual: referência nas mudanças


recentes de peso ou quando não há
possibilidade de se medir o peso atual.

- Peso ideal ou desejável: para o cálculo


das necessidades energético-protéicas
quando o pct está restrito ao leito e não
se dispõe de cama balança no setor, e o
paciente ou familiar não informam a
altura e o peso usual.
VERIFICAÇÃO ANTROPOMÉTRICA

 Mudança de peso: A perda de peso involuntária


constitui-se num dado importante para a avaliação do
estado nutricional.

Perda de peso (%) = (peso usual – peso atual) x 100 / peso usual
VERIFICAÇÃO ANTROPOMÉTRICA

 Significância da perda de peso

Tempo Perda Perda grave de


significativa de peso (%)
peso (%)
1 semana 1–2 >2
1 mês 5 >5
3 meses 7,5 > 7,5
6 meses 10 > 10
VERIFICAÇÃO ANTROPOMÉTRICA

 Índice de massa corporal (IMC): é o indicador mais


simples do estado nutricional.
IMC (kg/m2) Classificação
< 16 Magreza grau III
16,0 – 16,9 Magreza grau II
17,0 – 18,4 Magreza grau I
18,5 – 24,9 Eutrofia
25,0 – 29,9 Pré-obeso
30 – 34,9 Obesidade grau I

35,0 – 39,9 Obesidade grau II


40 Obesidade grau III

World Health Organization (WHO), 1997.


VERIFICAÇÃO ANTROPOMÉTRICA

 Como o IMC não distingue o peso


associado ao músculo ou à gordura
corporal: composição corporal,
principalmente quando os valores de
IMC estiverem nos limites ou fora da
normalidade (18,5 ou 24,9).

 Também é importante a interpretação


dos pontos de corte do IMC em
associação com outros fatores de risco.
EXAME FÍSICO

 Detectar sinais e sintomas associados à


desnutrição.

 Se desenvolvem em estágios avançados de


depleção nutricional.

 Diagnóstico da deficiência nutricional não deve


basear-se exclusivamente neste método.

 Algumas doenças apresentam sinais e sintomas


semelhantes aos apresentados na desnutrição.
EXAME FÍSICO

 Sinais físicos indicativos de desnutrição e carências de nutrientes:

Local Sinais associados à desnutrição Possível deficiência ou


doença

Cabelo Perda do brilho natural, seco; fino e esparso; Kwashiorkor e marasmo


despigmentado; fácil de arrancar sem dor.

Olhos Cegueira noturna, Manchas de Bitot, xerose Vitamina A, zinco


conjuntival e córnea, Ceratomalácia, Inflamação Vitamina A
conjuntival, Vermelhidão e fissuras nos Riboflavina, vitamina A
epicantos, Defeito no campo da retina Riboflavina, vitamina A
Riboflavina, piridoxina
Vitamina E
Local Sinais associados à desnutrição Possível deficiência ou doença

Boca Estomatite angular, queilose, Língua Riboflavina, piridoxina, niacina


inflamada, Fissura na língua, Atrofia Ácido nicotínico, ácido fólico,
das papilas, Redução da riboflavina, vitamina B12, piridoxina e
sensibilidade ao sabor, Hemorragia Ferro, Riboflavina, Niacina,
gengival, Perda do esmalte do dente Riboflavina, niacina, ferro, Zinco
Vitamina C, riboflavina, Flúor, zinco

Glândulas Aumento da tireóide Iodo


Aumento da paratireóide Inanição

Pele Xerose, hiperqueratose folicular, Vitamina A, Vitamina C, Niacina


Petéquias (pequenas hemorragias), Ferro, vitamina B12, folato,
Hiperpigmentação, Palidez, Seborréia Riboflavina, ácidos graxos essenciais,
nasolabial, Dermatose vulvar e Riboflavina
escrotal, Dermatose cosmética Kwashiorkor, Ácido nicotínico,
descamativa, Pelagra, Machuca Vitamina K ou vitamina C
facilmente

Unhas Quebradiças, rugosas, coiloníquas Ferro

Tecido Edema Kwashiorkor


subcutâneo Gordura abaixo do normal Inanição, marasmo
Local Sinais associados à desnutrição Possível deficiência ou doença
Tórax Fraqueza do músculo respiratório Proteína, fósforo

Sistema Hepatoesplenomegalia Kwashiorkor


GI
Sistema Desgaste muscular, Ossos do crânio Inanição
Músculo- frágeis, fossa frontoparietal, Alargamento Kwashiorkor
esquelético epifisário, Frouxidão das panturrilhas Vitamina D
Vitamina D ou vitamina C
Tiamina
Sistema Alteração psicomotora, Perda do senso de Kwashiorkor
nervoso posição e da capacidade de contração do Tiamina, vitamina B12
punho; fraqueza motora; parestesia, Niacina, vitamina B12, tiamina
Demência, Neuropatia periférica, Tetania Tiamina, piridoxina, vitamina E
Desorientação aguda Cálcio, magnésio
Fósforo, niacina
Sistema Aumento do coração, taquicardia Tiamina
CardioVasc
VERIFICAÇÃO BIOQUÍMICA

Limitações do uso dos indicadores bioquímicos:

- utilização de algumas drogas,


- condições ambientais,
- estado fisiológico,
- estresse,
- lesão,
- inflamação.

 Embora os parâmetros bioquímicos sejam importantes na identificação


precoce de alterações nutricionais  não devem, de maneira nenhuma, ser
utilizados isoladamente para estabelecer um diagnóstico nutricional.
VERIFICAÇÃO BIOQUÍMICA

CFN: Resolução 306/2003  critérios sobre as solicitações de exames


laboratoriais na área de nutrição clínica:

Art. 1° “compete ao nutricionista a solicitação de exames


laboratoriais necessários à avaliação, à prescrição e à
evolução nutricional do paciente;
Parágrafo único: II – considerar diagnósticos, laudos e
pareceres dos demais membros da equipe
multiprofissional, definindo com estes, sempre que
pertinente, outros exames laboratoriais; V – solicitar
exames laboratoriais cujos métodos e técnicas tenham
sido aprovados cientificamente.”
VERIFICAÇÃO BIOQUÍMICA

Proteínas plasmáticas

A diminuição da [ ] sérica das proteínas


decorrentes de síntese hepática: bom
indicador de desnutrição energético-protéica.

Porém  vários fatores, além dos nutricionais,


podem interferir na concentração das
proteínas séricas (hidratação, hepatopatias,
aumento no catabolismo, infecção ou
inflamação, entre outros).
Proteína Valores de Vida Função Limitação de uso Frequência
Sérica Referência Média
(dias)
Albumina Normal: > 3,5 18 – 20 Manter a pressão Reduzida nas 1 vez /
(g/dl) Depleção leve: 3,0 – coloidosmótica do doenças semana
3,5 plasma hepáticas e, por
Depleção. moderada: Carrear pequenas ser uma
2,4 – 2,9 moléculas proteína de fase
Depleção grave: < 2,4 aguda
negativa, na
presença de
infecção e
inflamação.
Pré – Normal: 20 2–3 Transportar Elevada na 1 vez /
Albumina Depleção leve: 10 - 15 hormônios da insuficiência semana
(mg/dl) Depleção moderada: 5 tireóide, mas renal. Reduzida
- 10 geralmente é nas
Depleção grave: < 5 saturada com a Doenças
proteína hepáticas e na
carreadora do presença de
retinol e com a inflamação e
vitamina A infecção.
Tb é influenciada
pela
disponibilidade da
tiroxina,
onde funciona
como proteína de
transporte
Proteína Valores de Vida Função Limitação de uso Frequência
Sérica Referência Média
(dias)
Transferrina Depleção leve: 150 7 – 8 Transportar Fe Elevada na carência 1 vez /
(mg/dl) - 120 do plasma de ferro, gravidez, semana
Depleção. hepatite aguda e
moderada:100 - sangramento
150 crônico.
Depleção grave: < Reduzida em várias
100 anemias, doenças
hepáticas crônicas,
neoplasias,
sobrecarga de ferro.
Reduzida na
presença de
inflamação e
infecção por ser
proteína de fase
aguda.
VERIFICAÇÃO BIOQUÍMICA

Avaliação da competência imunológica (CTL):

 Relação entre estado nutricional e imunidade.

 A alimentação inadequada  diminuição do


substrato para a produção de Ig e células de
defesa.

 Com isso, a avaliação imunológica pode auxiliar


na identificação das alterações nutricionais.
VERIFICAÇÃO BIOQUÍMICA

Avaliação da competência imunológica:

CTL = % de linfócitos x leucócitos / 100

Resultados CTL
Depleção leve 1200 – 2000/mm3
Depleção moderada 800 – 1199/mm3
Depleção grave < 800/ mm3

Limitação = a CTL sofre influência de fatores não nutricionais como infecções,


doenças (cirrose, hepatite, queimaduras, entre outros) e medicações.
VERIFICAÇÃO BIOQUÍMICA

Balanço nitrogenado

 Avalia o grau de catabolismo protéico:


determinar a quantidade de proteína a
se ofertar para pacientes.

 Diferença entre o nitrogênio que foi


ingerido ou infundido (Ni) e o nitrogênio
excretado (Ne)

BN = Ni – Ne
VERIFICAÇÃO BIOQUÍMICA

 Ni  N fornecido na proteína ingerida ou infundida no


paciente. Como 16% da proteína corresponde ao
nitrogênio, calcula-se o Ni através da fórmula:

Ni = g.proteína (VO/NE/NP)
6,25
VERIFICAÇÃO BIOQUÍMICA

 Ne  nitrogênio excretado na urina, nas fezes, no


suor e nas perdas de líquido digestivo (SNG, fístula).

 Nitrogênio urinário: dosado ou estimado a partir da


dosagem da uréia urinária de 24 horas.

 Nitrogênio fecal: estimado conforme o número de


evacuações.
VERIFICAÇÃO BIOQUÍMICA

 Após a obtenção do BN, avalia-se o grau de catabolismo


protéico como:

 0 a - 05 = metabolismo normal.
 05 a - 10 = hipermetabolismo leve ou nível de estresse 1.
 10 a - 15 = hipermetabolismo moderado ou nível de estresse 2.
 < -15 = hipermetabolismo severo ou nível de estresse 3.
Cálculo de necessidades
calóricas e de nutrientes
Cálculo de necessidades calóricas e de nutrientes

 Comparação entre calorimetria indireta e Harris e Benedict

Superestimativa do GER pelas equações em relação à


calorimetria indireta

Anos 80: calorimetria indireta para a estimativa de necessidades


energéticas em pacientes graves em TNE ou TNP.
Cálculo de necessidades calóricas e de nutrientes

 Alguns fatores podem influenciar o resultado do GER

Tecido muscular e adiposo, peso corpóreo, altura,


estado nutricional, idade, atividade física, clima, sexo,
genética, estado fisiológico e a existência de patologias.
Cálculo de necessidades calóricas e de nutrientes

 O equilíbrio entre o gasto e o consumo energético é que


promove a homeostase do peso corporal.

 Gasto energético:
 direto (calorimetria direta),
 indireto (calorimetria indireta e água duplamente marcada),
 duplamente indireto (equações de predição).

 Consumo de energia:
 prospectivos (Reg. Alim. estimado; Reg. Alim. pesado).
 retrospectivos (recordatório 24h; FA; Hist. Dietética).
Cálculo de necessidades calóricas e de nutrientes

 GEB: 60 a 75% das necessidades energéticas diárias

 Inclui a energia necessária para:

• Equilíbrio termodinâmico,
• Manutenção dos sistemas cardiovascular e respiratório,
• Síntese de componentes do organismo.
Cálculo de necessidades calóricas e de nutrientes

 GEB  energia necessária para a manutenção das


funções vitais em condições padronizadas (jejum, repouso
físico e mental em ambiente controlado em relação à
temperatura, iluminação e ruído).

 Na prática: GER (ou TMR).

 Diferenças na determinação de GEB e GER:

o GER: última refeição há 3 ou 4 h; repouso por 30 min antes


de realizar o teste.
o Estima-se que GER seja ~10% maior que o GEB.
Cálculo de necessidades calóricas e de nutrientes

 Fórmulas para a predição da Necessidade Energética

1) Harris e Benedict:

Mulheres:

GER (Kcal) = 655 + 9,56 x peso + 1,85 x altura – 4,68 x idade

Homens:

GER (Kcal) = 66,5 + 13,75 x peso + 5,0 x altura – 6,78 x idade


Cálculo de necessidades calóricas e de nutrientes

1) Harris e Benedict:

Para calcular o VET: FA


Cálculo de necessidades calóricas e de nutrientes

1) Harris e Benedict:
Cálculo de necessidades calóricas e de nutrientes

2) Dietary Reference Intakes (DRI’s) - EER:

Estimated Energy Requiriment: valor médio de


ingestão de energia proveniente da alimentação
necessária para a manutenção do balanço energético de
indivíduos saudáveis.
Cálculo de necessidades calóricas e de nutrientes

2) Dietary Reference Intakes (DRI’s) - EER:


Cálculo de necessidades calóricas e de nutrientes

2) Dietary Reference Intakes (DRI’s) - EER:


Cálculo de necessidades calóricas e de nutrientes

2) Dietary Reference Intakes (DRI’s) - EER:


Cálculo de necessidades calóricas e de nutrientes

3) Regra de bolso:

 25 a 35 calorias / kg / dia, lembrando que


em situações especiais deveremos usar
números mais próximos de 25 (paciente
criticamente enfermo), ou 20 a 40% além
do calculado, quando o objetivo é o ganho
de peso, em paciente sem “estresse”
metabólico.
Necessidades Protéicas:

 Um aporte protéico adequado é


necessário para a síntese de proteínas
para defesa e recuperação celular,
poupança de massa corporal magra e
redução do nível de catabolismo da
proteína endógena (neoglicogênese).
 Necessidades Protéicas:

 Variam de acordo o com o “estresse” metabólico,


sendo mais altas quanto maior for o grau de estresse:

 Sem estress: 0,5 a 1 g/kg/dia


 Estresse Moderado (pós-operatório) : 1 a 1,5g/kg/d
 Estresse grave (politraumatizado, sepse grave):
1,5 a 2 g/kg/d
 Estress severo (grande queimado): >2g/kg/d
Necessidades de micronutrientes

• A prescrição dietética deve incluir, além da adequação dos


macronutrientes, a adequação dos micronutrientes, que deve,
pelo menos, contemplar as necessidades mínimas do
indivíduo orientadas nas DRIs.

• Para planejamento e avaliação nutricional e dietética deve


ser utilizado a RDA, lembrando que esses parâmetros foram
elaborados para indivíduos saudáveis podendo ser
insuficientes para pacientes com patologias específicas,
(cicatrização, recuperação tecidual, combate à produção de
radicais livres).