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LITOSFERA

Do grego lithos = rocha, significando esfera rochosa, é a parte externa do planeta Terra,
composta por material rochoso e rígido. A litosfera é formada pela crosta terrestre
(crosta continental e crosta oceânica) e pela parte superior e rígida do manto. É o local
onde ocorrem as rupturas capazes de provocar os terremotos.
Crosta continental
-Camada onde se situam os continentes (40% da superfície do planeta).
-Composta por rochas graníticas, ígneas e metamórficas, e rochas sedimentares,
estendendo-se até a plataforma continental sob os oceanos.
-Composição: predominam rochas com alto teor de sílica (SiO2) e portanto sua
densidade é menor do que o manto e da crosta oceânica.

Crosta oceânica
-Formada pelo assoalho oceânico, composto por rochas basálticas.
-Sua espessura média é de 10km e sua densidade média igual 3,3, é maior do que a
densidade média da crosta continental.
-Reciclagem geologicamente rápida, as rochas do assoalho oceânico são relativamente
novas, tendo as mais antigas., 200 milhões de anos.
SOLO – DEFINIÇÕES
Engenharia civil: material escavável, que perde sua resistência quando em contato com a
água.

Agronomia: camada superficial de terra arável, possuidora de vida microbiana.

Arqueologia: material no qual se encontram registros de civilizações e organismos fósseis.

Geologia: produto do intemperismo físico e químico das rochas.

Pedologia: camada viva que recobre a superfície da terra, em evolução permanente, por
meio da alteração das rochas e de processos pedogenéticos comandados por agentes
físicos, biológicos e químicos Esta é a ciência que estuda a formação do solo, e foi iniciada
na Rússia por Dokuchaiev no ano de 1880.

http://educar.sc.usp.br/ciencias/recursos/solo.html
SOLO
O solo pode ser representado como um ciclo natural em que participam fragmentos
de rochas, minerais, água, ar, seres vivos e seus detritos em decomposição. Estes
resultam de fatores climáticos no decorrer do tempo e da atividade combinada de
microorganismos decompondo restos de animais/vegetação, respectivamente.

O solo é considerado resultado das interações da litosfera,


hidrosfera, atmosfera e biosfera.

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


PROCESSOS DE FORMAÇÃO DO SOLO

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


COMPOSIÇÃO DO SOLO
Os solos possuem três fases – sólida, líquida e gasosa -, cujas proporções relativas
variam de solo para solo e, em um mesmo solo, com as condições climáticas, a
presença de plantas e manejo.

Fase sólida (origem mineral + origem orgânica)

Os quatro componentes (mineral, orgânica, líquida e gasosa) estão intimamente


misturados, permitindo a ocorrência de reações e constituindo um ambiente
adequado para a vida vegetal.

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


Fase Percentual Composição
Sólida 50 (45% de Mineral → resultante da desagregação física das rochas.
origem mineral e Portanto, possui dimensões bem menores, porém
5% de orgânica) composição química idêntica à da rocha-mãe, da qual
originou-se.
Orgânica → constituída pela porção do solo formada de
substâncias provenientes de plantas e animais mortos,
bem como por produtos intermediários de sua
degradação biológica, realizadas por bactérias e fungos.
Líquida 25 “Uma solução de eletrólitos quase em equilíbrio, que
ocorre no solo em condições de não-saturação de
umidade” (substâncias orgânicas e inorgânicas dissolvidas
da fase sólida)
Gasosa 25 Composição qualitativa semelhante ao do ar atmosférico,
porém em proporções diferentes.
Consumo O2 e liberação de CO2
-respiração das raízes e microorganismos
-decomposição da MO
-reações

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


Fase Percentual Composição
Sólida 50 (45% de Mineral → resultante da desagregação física das rochas.
origem mineral e Portanto, possui dimensões bem menores, porém
5% de orgânica) composição química idêntica à da rocha-mãe, da qual
originou-se.
Orgânica → constituída pela porção do solo formada de
substâncias provenientes de plantas e animais mortos,
bem como por produtos intermediários de sua
degradação biológica, realizadas por bactérias e fungos.
Líquida 25 “Uma solução de eletrólitos quase em equilíbrio, que
ocorre no solo em condições de não-saturação de
umidade”para
-Fator importante (substâncias orgânicas
fornecimento e inorgânicas
de nutrientes paradissolvidas
as
da fase sólida)
plantas
Gasosa 25 Composição qualitativa semelhante ao do ar atmosférico,
-Meio para a maioria dos processos químicos e biológicos que
porém em proporções diferentes.
Consumo O2ocorrem no solo
e liberação de CO2
-respiração
-Principal para odas raízes e microorganismos
transporte de materiais no solo
-decomposição da MO
-reações

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


Fase Percentual Composição
Sólida 50 (45% de Mineral → resultante da desagregação física das rochas.
origem mineral e Portanto, possui dimensões bem menores, porém
5% de orgânica) composição química idêntica à da rocha-mãe, da qual
originou-se.
Orgânica → constituída pela porção do solo formada de
substâncias provenientes de plantas e animais mortos,
bem como por produtos intermediários de sua
degradação biológica, realizadas por bactérias e fungos.
Líquida 25 “Uma solução de eletrólitos quase em equilíbrio, que
ocorre no solo em condições de não-saturação de
umidade” (substâncias orgânicas e inorgânicas dissolvidas
da fase sólida)
Gasosa 25 Composição qualitativa semelhante ao do ar atmosférico,
porém em proporções diferentes.
Consumo O2 e liberação de CO2
-respiração das raízes e microorganismos
-decomposição da MO
-reações

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


Fase Percentual Composição
Sólida 50 (45% de Mineral → resultante da desagregação física das rochas.
origem mineral e Portanto, possui dimensões bem menores, porém
5% de orgânica) composição química idêntica à da rocha-mãe, da qual
originou-se.
Orgânica → constituída pela porção do solo formada de
substâncias provenientes de plantas e animais mortos,
bem como por produtos intermediários de sua
degradação biológica, realizadas por bactérias e fungos.
Líquida 25 “Uma solução de eletrólitos quase em equilíbrio, que
ocorre no solo em condições de não-saturação de
Os sintomasumidade”
de falta de(substâncias
O2 aparecem quandoeainorgânicas
orgânicas concentração de
dissolvidas
da nos
oxigênio faseespaços
sólida) porosos é muito inferior a 15%.
Gasosa 25 Composição
> 21%qualitativa semelhante ao do ar atmosférico,
- não há benefício
porém em proporções diferentes.
Consumo O2 e liberação de CO2
-respiração das raízes e microorganismos
-decomposição da MO
-reações

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


COMPOSIÇÃO DO SOLO
Composição típica da solução do solo

Composição média dos principais componentes presentes no ar atmosférico e no ar do solo

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS
Classificação genérico-natural baseada nas características e fatores que levaram à
formação do solo.
Latossolos: formados sob a ação de lavagens alcalinas em regiões quentes e úmidas
florestadas. Isso determinou a perda de parte de sílica (eluviação) do material original,
permanecendo os óxidos de ferro e de alumínio. A argila silicatada presente é a
caolinita.
Litossolos: são solos jovens, pouco desenvolvidos e de pequena espessura, assentados
diretamente sobre as rochas consolidadas ou, às vezes, aflorando à superfície.
Regossolos: solos profundos, ainda que em início de formação arenosa, e, portanto,
com drenagem excessiva. Apresentam camada superficial mais escurecida, devido à
presença de MO.

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS
Hidromórficos: solos formados sob excesso de água em condições de aeração
deficiente. Esses solos, de coloração acinzentada, geralmente são ácidos, pobres em
cálcio e magnésio e possuem acúmulo de MO nas camadas superficiais.

Podzólicos e podzolizados: formados sob processo de lavagens ácidas sobre material


de origem arenosa, em regiões úmida e florestadas. Como conseqüência de tais
lavagens, as argilas são arrastadas para o interior do solo, ficando as camadas
superficiais mais arenosas.

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


PERFIL DO SOLO
As características do solo variam com a profundidade, por causa da maneira pela qual
ele se formou ou depositou, em razão das diferenças de temperatura, teor de água,
concentração de gases (CO2 e O2) e movimento descendente de solutos e de
partículas. Ou seja, trata-se de fluxos de material formando diferentes camadas
(denominadas horizontes), as quais podem ser identificadas a partir do exame de uma
seção vertical do solo denominada perfil do solo.

Os horizontes são designados por letras maiúsculas. Assim A, B e C representam os


principais horizontes do solo.
As letras O e R são também utilizadas, para identificar um horizonte orgânico em solos
minerais e a rocha inalterada, respectivamente.

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


PERFIL DO SOLO

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


CARACTERÍSTICAS DOS HORIZONTES
Horizonte O: horizonte orgânico com MO fresca ou em decomposição. Em condições de má
drenagem, é denominado horizonte H.
Horizonte A: resultante do acúmulo de MO misturada com material mineral. Geralmente
apresentação coloração mais escura, devido à MO humificada. Em solos em que há eluviação
muito intensa, forma-se uma camada de cores claras, com menor contracepção de argila abaixo
do horizonte A.
Horizonte B: acúmulo de argila, ferro, alumínio e pouca MO. É denominado horizonte de acúmulo
ou iluvial. O conjunto dos horizontes A e B caracteriza a parte do solo que sofre a influência das
plantas e dos animais.
Horizonte C: camada de material não-consolidado, com pouca influência de organismos,
geralmente apresentando composição química, física e mineralógica similar à do material em que
se desenvolve o solo.
Rocha (R): rocha inalterada, que poderá ser, ou não, a rocha matriz a partir da qual o solo se
desenvolveu.
Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.
ARGILAS
Fração argila do solo: nem todas são estritamente colidais, porém suas partículas
maiores possuem características do tipo coloidal.

As pequenas partículas de argila coloidais possuem uma contra camada de cátions,


que estão ligados por via eletrostática a uma camada interna carregada eletricamente.
Dependendo da concentração de cátions na água que circunda a partícula de argila,
os cátions no interior da partícula são capazes de efetuar troca com aqueles em seu
exterior.
Quanto > a carga + do cáUon → mais fortemente ele está ligado
ARGILAS
Estrutura dos minerais de argila:
Tetraedro de silício

Octaedros de alumínio ou magnésio: São representados por seis íons dispostos em


formato de octaedro, tendo no centro um íon de alumínio ou magnésio

Gibbsita (Al2(OH)6) Brucita (Mg3(OH)6)

http://mrsec.wisc.edu/Edetc/pmk/esp/gibbsite.html
http://mrsec.wisc.edu/Edetc/pmk/esp/brucite.html
ARGILAS
Caulinita

Estrutura da gibbsita (a), sílica (b), o processo de montagem da estrutura ideal da caulinita
(c) e a estrutura final da caulinita (d)

GARDOLINSKI, J. E.; MARTINS FILHO, H. P. and WYPYCH, F. Comportamento térmico da caulinita


hidratada. Quím. Nova. 2003, 26 (1) 30-35.
ARGILAS
Montmorilonita

PAIVA, L. B. de; MORALES, A. R. and DIAZ, F. R. V.. Argilas organofílicas: características, metodologias
de preparação, compostos de intercalação e técnicas de caracterização. Cerâmica. 2008, 54(330) 213-226.
SEDIMENTOS
São camadas de partículas minerais e orgânicas, com freqüência finamente granuladas, que
se encontram em contato com a parte inferior dos corpos de água natural, como lagos, rios
e oceanos. A proporção de MO varia substancialmente.

•Os fundos dos oceanos e lagos são, em grande parte, cobertos por sedimentos que
formam um substrato que pode suportar ecossistemas complexos.
•Na zona eufótica, os sedimentos podem ancorar plantas que servem de alimento e refúgio
a muitos animais; nas zonas mais profundas, são as bactérias que formam a base da cadeia
alimentar destes ecossistemas bênticos.
•No Brasil o estudo dos sedimentos tem grande importância por causa de interferências
antrópicas, como por exemplo, mau uso do solo, causando diversos problemas pela erosão,
transporte de sedimentos nos rios, depósitos em locais indesejáveis e assoreamento das
barragens.
SEDIMENTOS
Poluentes orgânicos hidrofóbicos
Os compostos orgânicos hidrofóbicos encontram-se adsorvidos nas partículas sólidas e em
equilíbrio com a água intersticial (água presente nos poros microscópicos no material que
compõem o sedimento). Pode ocorrer transferência destes compostos para a água
intersticial expondo a biota.

A qualidade do sedimento é um componente do gerenciamento global da água.


QUÍMICA DOS SOLOS E SEDIMENTOS
A maior parte dos solos é composta por partículas pequenas provenientes das rochas
expostas ao intemperismos → silicatos minerais

Silicatos minerais
Estruturas poliméricas nas quais a unidade fundamental é constituída por um átomo de
silício rodeado por um conjunto tetraédrico constituído por quatro átomos de oxigênio,
cada um desses oxigênios ligado a outro silício, e assim por diante, resultando em um
retículo estendido.
Em algumas estruturas, os vazios tetraédricos são ocupados por íons Al3+. A carga negativa
extra é neutralizada pela presença de outros cátions, como: H+, Na+, K+, Mg2+, Ca2+ e Fe3+.
QUÍMICA DOS SOLOS E SEDIMENTOS
Dependendo da espécie mineralógica que deu origem e dos mecanismos de
intemperismo e transporte, o solo apresenta diferentes conteúdos das frações: areias,
siltes ou argilas.
O tamanho relativo dos grãos do solo é chamado de textura e sua medida de
granulometria (escala granulométrica ), para classificação da textura do solos.

http://www.cetesb.sp.gov.br/solo/solo/propriedades.asp
OUTROS COMPONENTES DOS SOLOS
Além dos minerais outros componentes do solo são: MO, água e ar. A proporção destes
componentes varia grandemente de um solo para outro.

MO → conferi coloração escura ao solo. É constituída principalmente de um material


chamado húmus (substâncias húmicas e não húmicas), que deriva principalmente das
plantas que realizam fotossíntese.

Húmus → MO presente nos solos, turfas e sedimentos, consiste de uma mistura de


produtos, em vários estágios de decomposição, resultantes da degradação química e
biológica de resíduos vegetais/animais e de atividades de síntese de microorganismos.

Turfas → material não consolidado do solo, que consiste, em grande parte, em matéria
vegetal levemente decomposta, acumulada em condições de umidade excessiva.
OUTROS COMPONENTES DOS SOLOS
Substâncias húmicas:
Consistem de uma mistura complexa de restos de animais e vegetais, em vários estágios
de decomposição.
No solo, essas substâncias possuem grande capacidade de retenção de calor,
influenciando na germinação de raízes, além de possuírem papel importante no
transporte de compostos orgânicos no ambiente. Devido a diferentes condições de
formação, sua estrutura é indefinida podendo variar de região para região.
ta permeabilidade.
As substâncias húmicas podem ser classificadas de acordo com a solubilidade em meio
aquoso: ácido húmico, insolúvel em meio ácido e solúvel em meio alcalino; ácido fúlvico,
solúvel em meio alcalino e em meio ácido e humina, insolúvel em ambos os meios12,13.
Dentre essas frações, o ácido húmico (HA) está presente em maior quantidade.

Rauen, Thalita Grando et al. Tensoatividade de ácidos húmicos de procedências distintas. Quím. Nova,
Nov 2002, 25 (6a), 909-913.
OUTROS COMPONENTES DOS SOLOS
Substâncias não-húmicas:
Natureza definida. Ex: aminoácidos, carboidratos, proteínas, ácidos orgânicos

O material de origem vegetal não decomposto presente no húmus é principalmente


composto de proteína e lignina, substâncias poliméricas insolúveis em água.

A MO pode ajudar no aquecimento do solo, no suprimento de nutriente para as plantas,


permite troca de gases, estabiliza a estrutura e aumenta permeabilidade.

http://www.cetesb.sp.gov.br/solo/solo/propriedades.asp
PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS
As propriedades físico-químicas dos solos se devem principalmente à elevada superfície
específica e à alta reatividade apresentadas pelos componentes da fração argila. Esta geralmente
é constituída por minerais secundários, óxidos de ferro e de alumínio cristalinos ou amorfos e
MO.

Área superficial específica


É a superfície das partículas por unidade de peso (m2 g-1), é inversamente proporcional ao
diâmetro das partículas e determina a amplitude das reações químicas no solo. Em geral,
partículas coloidais como argilominerais e matéria orgânica apresentam alta ASE.
Está diretamente relacionada com:
•CTC, retenção de água e nutrientes;
•retenção e liberação de poluentes;
•expansão / contração;
•propriedades mecânicas;
•coesão, resistência, plasticidade.
PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS
Capacidade de troca catiônica (CTC) de solos
Quantidade de cátions adsorvidos reversivelmente por unidade de massa de material seco
e expressa a capacidade do solo de trocar cátions. A quantidade destes é fornecida pelo
número de cargas positivas (centimol ou milimol) e a massa de solo seca, geralmente 100g
ou 1kg.
Minerais argilosos → 1 a 150 centimol kg-1
CTC para MO pode atingir 400 centimol kg-1 (grande número de grupos oxigenados, -COOH,
os quais podem ligar e trocar cátions)

A importância da CTC refere-se não só a retenção de cátions, mas também de água, além
de ter direta relação com a estruturação e consistência dos solos.

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS
Capacidade de troca catiônica (CTC) de solos
Quantidade de cátions adsorvidos reversivelmente por unidade de massa de material seco
e expressa a capacidade do solo de trocar cátions. A quantidade destes é fornecida pelo
número de cargas positivas (centimol ou milimol) e a massa de solo seca, geralmente 100g
ou 1kg.
Minerais argilosos → 1 a 150 centimol kg-1
CTC para MO pode atingir 400 centimol kg-1 (grande número de grupos oxigenados, -COOH,
os quais podem ligar e trocar cátions)

A importância da CTC refere-se não só a retenção de cátions, mas também de água, além
de ter direta relação com a estruturação e consistência dos solos.

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS
Acidez do solo
Duas frações:
Fração trocável – corresponde principalmente ao alumínio (Al) adsorvido no complexo de
troca
Fração titulável – corresponde principalmente ao H+ ligado covalentemente a compostos da
MO (grupos carboxílicos e fenólicos) e, possivelmente, ao alumínio ligado aos complexos
argila-MO.

Como a fração titulável se deve aos íons Al3+ e H3O+, fortemente retidos aos minerais da
argila e MO, evidenciando-se somente por extração em pH mais elevado, pode-se aceitar
que, nas condições normais dos solos, o alumínio é o principal responsável pela acidez.

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS
Processos de oxidação e redução
Solos podem sofrer variações em seus estados de oxidação-redução, influenciando
principalmente as características de elementos como C, N, O, S, Fe e Mn, além das de
elementos como Ag, As, Cr, Cu, Hg e Pb.

Os equilíbrios redox são controlados pela atividade de elétron livre, podendo se expressos
pelos valores de pE.
Altos valores de pE → favorecem a existência de espécies oxidadas
Baixos ou negativos valores de pE → estão associados à presença de espécies reduzidas

Algumas espécies podem ser influenciadas, indiretamente, por mudanças nas condições
redox de solos. Ex: SO42- podem ser reduzidos a S2- com valores de pE abaixo de -2,0 →
formação de precipitados (FeS, HgS, CdS, CuS, MnS e ZnS)
Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.
PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS
Adsorção de metais em solos
O mais importante processo químico a influenciar o comportamento e a biodisponibilidade
de metais em solos está associado à adsorção de metais da fase líquida na fase sólida.

Esses processos controlam a concentração de íons metálicos e seus complexos na solução


do solo e exercem grande influência no seu acúmulo em plantas.

A adsorção específica é fortemente dependente do pH e está relacionada à hidrólise dos


metais. Os metais com maiores possibilidades de formar hidroxocomplexos são mais
adsorvíveis. Os valores de pK da reação determinam o comportamento de adsorção de
diferentes metais em solos.→ ↑adsorção específica ↓pK
Cd (pK=10,1) < Ni (pK = 9,9) < Co (pK=9,7) <....< Hg (pK = 3,4)

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS
Adsorção de metais em solos
Difusão no solo → a velocidade de difusão relativa aumenta com o pH até um valor máximo
correspondente ao valor de pK, quando a velocidade de difusão relativa diminui. Também
essa última está associada ao diâmetro iônico, sendo que, quanto menor este, maior será a
velocidade de difusão.
Cd (0,97nm)
Zn (0,74nm) Ni > Zn > Cd
Ni (0,60nm)

Rocha et. al., Introdução à química ambiental, Bookman, 2004.


REMEDIAÇÃO DE SOLOS
CONTAMINADOS
Recuperação ou remediação de solos contaminados e/ou degradados baseia-se nas propriedades
químicas de substâncias e/ou processos físicos que são utilizados para retenção, mobilização ou
destruição de um determinado contaminante presente no solo.

Retenção → isolamento dos resíduos do ambiente circundante. Cobertura do local contaminado


(argila), colocação de muros, colocação de solos escavados em um aterro especial.

Mobilização → lavagem dos solos (agentes complexantes), aquecimento do solo para aumentar a
evaporação.

Destruição → incineração e biorremediação, resultam na eliminação permanente, já que ocorre


uma transformação por vias químicas ou bioquímicas.
PÁGINAS PARA LEITURA
http://www.cnps.embrapa.br/sibcs/

http://www.cetesb.sp.gov.br/solo/solo/propriedades.asp

http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/sed.htm
DEFINIÇÃO DE LIXO E
RESÍDUOS SÓLIDOS
Derivada do termo latim lix, a palavra lixo significa "cinza" e recebe a interpretação de
sujeira, imundice, coisa inúteis e sem valor.

Segundo o Dicionário Aurélio, lixo é "Tudo o que não presta e se joga fora; Coisa ou
coisas inúteis, velhas, sem valor; Resíduos que resultam de atividades domésticas,
industriais, comerciais."

Já, de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), lixo é definido
como os "restos das atividades humanas, consideradas pelos geradores como inúteis,
indesejáveis ou descartáveis."

http://www.webartigos.com/articles/10708/1/a-problematica-do-lixo/pagina1.html
CLASSIFICAÇÃO
O lixo pode ser classificado quanto ao seu estado físico (sólido, líquido e gasoso) e quanto à
sua origem (doméstico, comercial, industrial, hospitalar, espacial, etc.)

O lixo doméstico e industrial tende a ser cada vez mais perigosos. Carburantes, produtos
inflamáveis, irritantes, cancerígenos, corrosivos, tóxicos, infecciosos, perturbadores dos
processos reprodutivos: está é apenas uma lista incompleta dos males que eles podem
causar. Apesar desses perigos comprovados, sua produção não pára de crescer como um
subproduto da industrialização de da urbanização.

Com o advento da era industrial, a natureza dos dejetos tornou-se muito mais complexas:
novos materiais são empregados e se observa uma enorme diversificação dos bens
fabricados com metais, plásticos, materiais usados na eletrônica e na fabricação de
eletrodomésticos, os quais contêm metais pesados e se degradam mal (muitas vezes não se
degradam).
CLASSIFICAÇÃO
Por composição:

-Resíduos orgânicos:
O chamado lixo orgânico tem origem animal ou vegetal. Nessa categoria inclui-se grande
parte do lixo doméstico, restos de alimentos, folhas, sementes, restos de carne e ossos,
etc.
Quando acumulado ou disposto inadequadamente, o lixo orgânico pode tornar-se
altamente poluente do solo, das águas e do ar. Ademais, a disposição inadequada desses
resíduos cria um ambiente propício ao desenvolvimento de organismos patogênicos. O lixo
orgânico pode entretanto ser objeto de compostagem para a fabricação de adubos ou
utilizado para a produção de combustíveis como biogás, que é rico em metano.
CLASSIFICAÇÃO
Por composição:

-Outros resíduos:
Resíduos de plásticos, metais e ligas, vidro, material de construção etc. quando
lançados diretamente no ambiente, sem tratamento prévio, demoram muito tempo
para se decompor. O plástico por exemplo, é constituído por uma complexa estrutura
de moléculas fortemente ligadas entre si, o que torna difícil a sua degradação e
posterior biodigestão por agentes decompositores (primariamente bactérias). Para
solucionar este problema, diversos produtos industrializados são biodegradáveis.
CLASSIFICAÇÃO
Por composição:

-Lixo tóxico:
Lixo nuclear e hospitalar entram nesta categoria. Esses resíduos precisam receber
tratamento especial, antes da disposição final, de modo a evitar danos ambientais e à
saúde das pessoas. O lixo nuclear deve ser isolado, enquanto lixo hospitalar deve ser
incinerado.
ACIDENTE - CÉSIO 137
O acidente radiológico de Goiânia foi um grave episódio de contaminação por
radioatividade ocorrido no Brasil. A contaminação teve início em 13 de Setembro de 1987,
quando um aparelho utilizado em radioterapias das instalações de um hospital
abandonado foi encontrado, na zona central de Goiânia.
O instrumento roubado foi, posteriormente, desmontado e repassado para terceiros,
gerando um rastro de contaminação o qual afetou seriamente a saúde de centenas de
pessoas.
Foi o maior acidente radioativo do Brasil e o maior do mundo ocorrido fora das usinas
nucleares.
POR ORIGEM
Os Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) são os detritos gerados em decorrência das
atividades humanas nos aglomerados urbanos. Ou seja, são os resíduos produzidos no
ambiente urbano e constituídos por materiais de origem domiciliar, de estabelecimentos
comerciais, de prestação de serviços, de varrição, de feiras livres, etc.

Existem diversas classificações para os resíduos sólidos, de acordo com critérios como
fonte geradora, constituição e propriedades dos materiais. No entanto vamos nos
concentrar na classificação por fontes geradoras para os RSU. Dessa forma os RSU
poderiam ser classificados em:

- Resíduos Sólidos Domiciliares (RSD): provenientes de atividades diárias em casas,


apartamentos e demais edificações residenciais. Têm conteúdo diversificado, com grande
presença de matéria orgânica.
-Resíduos de Construção e Demolição (RCD): gerados pelas atividades de construção
civil. São constituídos por materiais como concreto, argamassa, madeira, plásticos,
vidros, cerâmica e terra.

-Resíduos Sólidos Volumosos (RSV): resíduos geralmente abandonados pela população


em locais públicos e que apresentam grandes volumes e dificuldade de manejo. São
compostos principalmente por móveis, eletrodomésticos, pneus, animais mortos,
sucatas de veículos, etc.

-Resíduos Sólidos Públicos (RSP): resultantes de podas, capinação e varrição de ruas,


limpeza de bueiros e praças públicas, cemitérios e aqueles provenientes de lixeiras
públicas.
-Resíduos Comerciais e Institucionais (RCI): gerados em atividades comerciais e
instituições públicas. Suas características dependem do tipo de atividade geradora.

-Resíduos de Serviços de Saúde (RSS): provenientes de hospitais, clínicas médicas,


odontológicas e veterinárias, postos de saúde e laboratórios. Podem conter materiais
infectantes e/ou tóxicos.

Esse tipo de classificação separa os RSU em classes com características próprias que
ajudam a determinar as melhores formas de tratamento e destinação final.
Atualmente as formas mais utilizadas têm sido os lixões ou vazadouros a céu aberto, os
aterros controlados, os aterros sanitários, a incineração, a reciclagem e a compostagem.
DESTINAÇÃO DO LIXO - LIXÃO
Local onde o lixo urbano ou industrial é acumulado de forma rústica, a céu aberto, sem
qualquer tratamento. Em sua maioria são clandestinos.

Vantagens: Em curto prazo, é o meio mais barato de todos, pois não implica em custos de
tratamento, nem controle quanto aos tipos de resíduos depositados.
Desvantagens: Contamina água, o ar e o solo, pois a decomposição do lixo sem tratamento
produz chorume, gases e favorece a proliferação de insetos (baratas e moscas), ratos e
germes patológicos, que são vetores de doenças. A presença de catadores, que geralmente
residem no local, e de animais (inclusive a criação de porcos), os riscos de incêndios causados
pelos gases gerados pela decomposição dos resíduos constituem riscos associados aos lixões.
Chorume é o líquido que escoa de locais de disposição final do lixo. É um líquido com alto
teor de matéria orgânica e que pode apresentar metais pesados provenientes da
decomposição de embalagens metálicas e pilhas.
DESTINAÇÃO DO LIXO –
ATERRO SANITÁRIO
É um espaço destinado à deposição final de resíduos sólidos gerados pela atividade humana. Nele são
dispostos resíduos domésticos, comerciais, de serviços de saúde, da indústria de construção, ou
dejetos sólidos retirados do esgoto.

A base do aterro sanitário deve ser constituída por um sistema de drenagem de efluentes líquidos
percolados (chorume) acima de uma camada impermeável de polietileno de alta densidade, sobre
uma camada de solo compactado para evitar o vazamento de material líquido para o solo, evitando
assim a contaminação de lençóis freáticos. O chorume deve ser tratado e/ou recirculado (reinserido
ao aterro) causando assim uma menor poluição ao meio ambiente.

Seu interior deve possuir um sistema de drenagem de gases que possibilite a coleta do biogás, que é
constituído por metano, CO2 e água (vapor), entre outros, e é formado pela decomposição dos
resíduos. Este efluente deve ser queimado ou beneficiado. Estes gases podem ser queimados na
atmosfera ou aproveitados para geração de energia.
VANTAGENS E DESVANTAGENS
Vantagens: Solução mais econômica, pode ocupar áreas já degradadas, como antigas
minerações.

Desvantagens: Tem vida útil curta; se não houver controle pode receber resíduos
perigosos como lixo hospitalar e nuclear. Se não for feito com critérios de engenharia,
pode causar os mesmos problemas do lixão; os materiais recicláveis não são
aproveitados.
DESTINAÇÃO DO LIXO – INCINERAÇÃO
É a queima do lixo em fornos e usinas próprias.

Vantagens: Propicia uma redução no volume do lixo; destrói a maioria do material


orgânico e do material perigoso, que no aterro causa problemas; não necessita de áreas
muito grandes; pode gerar energia através do calor.

Desvantagens: É um sistema caro que necessita de manutenção rigorosa e constante.


Pode lançar diversos gases poluentes e fuligem na atmosfera (dioxinas e furanos). Suas
cinzas concentram substâncias tóxicas com potencial de contaminação do ambiente.
DESTINAÇÃO DO LIXO –
COMPOSTAGEM
É o conjunto de técnicas aplicadas para controlar a decomposição de materiais orgânicos,
com a finalidade de obter, no menor tempo possível, um material estável, rico em húmus
e nutrientes minerais; com atributos físicos, químicos e biológicos superiores (sob o
aspecto agronômico) àqueles encontrados na(s) matéria(s) prima(s).

Vantagens: O composto originado pode vir a ser usado como adubo na agricultura ou na
ração para animais, e poderá ser comercializado. Reduz a quantidade de resíduos a ser
disposto no aterro sanitário.

Desvantagens: Quando implantado com técnicas incorretas pode causar transtornos às


áreas vizinhas, como mau cheiros e proliferação de insetos e roedores, produzindo
compostos de baixa qualidade e contaminados com metais pesados, se houver falha na
separação.
DESTINAÇÃO DO LIXO –
ATERRO INDUSTRIAL
É uma técnica de disposição final no solo, que utiliza princípios de engenharia para
confinar os materiais residuais a uma menor área possível e reduzí-los ao menor volume
permissível, cobrindo-os com uma camada de terra, na conclusão do trabalho, ou a
intervalos menores, se necessário. Os aterros devem ser providos de sistemas de
drenagem e de coleta de líquidos percolados.

O aterro industrial é classificado como l, ll ou III, de acordo com o tipo de resíduo para o
qual ele foi licenciado a receber.

Célula é módulo de um aterro industrial que contempla isoladamente todas as etapas de


construção, operação e controle exigidas para um aterro industrial.
PRINCIPAIS MÉTODOS DE TRATAMENTO DE
MATERIAIS RESIDUAIS

Tratamento químico: - Neutralização ácido-base


- Precipitação química
- Oxidação-redução
- Absorção em carvão ativado
- Troca iônica

Tratamento físico: - Destilação


- Evaporação
- Extração por solvente
- Troca iônica
- Cristalização
- Filtração...
Tratamento térmico: - Incineração
- Co-processamento
- Combustão em caldeiras e fornos
- Detonação
- Vitrificação

Tratamento biológico:- Bioremediação

Disposição no solo: - Aterro industrial


MODALIDADES DE TRATAMENTO
Os materiais residuais podem ser submetidos a 2 modalidades de tratamento:
-Tratamento interno: é qualquer ação realizada no interior da instituição que possibilite
o reaproveitamento de resíduos para reuso ou que reduza o volume e/ou a toxicidade
dos rejeitos a serem dispostos no ambiente.
-Tratamento externo: é qualquer ação realizada fora dos limites da instituição que
reaproveite energia ou materiais ou reduza a toxicidade dos rejeitos para que a sua
disposição final no ambiente ocorra dentro dos níveis estabelecidos na legislação
ambiental.

A opção por uma ou outra modalidade de tratamento depende da quantidade de


material residual produzido, da complexidade do tratamento, da disponibilidade de
recursos financeiros e da política institucional.
TRATAMENTO INTERNO
Tratamento pelo gerador: prevê o tratamento, reaproveitamento e disposição final,
pelo próprio gerador ou pessoa por ele indicada; o tratamento pode ser feito no
laboratório ou pelo próprio laboratório no setor ou numa central institucional de
tratamento.

Tratamento pela instituição: prevê o tratamento, reaproveitamento e disposição final,


por uma equipe especializada da instituição, que vai até o laboratório gerador e recolhe
os materiais que podem ser reaproveitados em nível institucional ou que requerem
procedimentos de tratamento e disposição mais complexos, ou que devem ainda ser
encaminhados para tratamento e disposição final em instalações comerciais externas.
TRATAMENTO INTERNO
O tratamento interno pode ser realizado em 3 níveis hierárquicos:
-No laboratório gerador: apropriado para tratamentos simplificados de volumes
maiores de materiais residuais, como recuperação de solventes, neutralização ácido-
base, precipitação de metais tóxicos e de sais inorgânicos e a oxidação de cianetos e
sulfetos inorgânicos.

-No setor gerador: apropriado para tratamento de pequenos volumes diários de


materiais residuais, onde é mais conveniente reunir e tratar, em conjunto, os resíduos
ou rejeitos de vários laboratórios, agendando uma escala onde os diversos geradores
estariam exercendo sua responsabilidade no tratamento.

-Numa central institucional: apropriada para tratamento de materiais residuais não


desejados ou não passíveis de tratamento local ou setorial.
TRATAMENTO EXTERNO
A responsabilidade pelo material residual é do gerador até a sua completa destruição ou
disposição final segura.

O envio do material residual para destinação final impões responsabilidades específicas


ao gerador. Cabe a ele obter classificação do material, ou seja, sua identificação como
perigoso, inerte ou não-inerte, conforme a norma NBR 10.004 da ABNT. Em segundo
lugar, deve providenciar o acondicionamento dos rejeitos em embalagens seguras para
manipulação e transporte, obedecendo ao Decreto no 96.044/88 e à Resolução ANTT no
420/04.
TRATAMENTO QUÍMICO
A neutralização é um procedimento relativamente simples usado para reduzir a
corrosividade de um material por meio da elevação ou redução do pH, atingindo uma
faixa considerada neutra, geralmente entre 6 e 9.

A oxidação-redução é um método que transforma quimicamente materiais perigosos em


outros menos perigosos através da quebra de ligações químicas por transferência de
elétrons de uma substância para outra.

A precipitação química remove os constituintes perigosos solúveis ou em suspensão


presentes nos materiais residuais, convertendo-os à forma insolúvel por meio de
reações químicas freqüentemente realizadas através da adição de um material alcalino,
como a cal, soda ou hidróxido de magnésio, ou por meio de mudanças na composição
do solvente.
TRATAMENTO QUÍMICO
A absorção em carvão ativado é uma técnica que pode ser usada para extrair certos
solventes de soluções aquosas. Isto é realizado pela passagem da solução residual
através de um leito estacionário de carvão ativado.

A troca iônica é um processo útil para extrair metais de soluções aquosas,


principalmente metais preciosos, fazendo uso de resinas catiônicas e aniônicas, seletivas
na remoção dos íons de interesse presentes na solução. Inicialmente, os íons são
transferidos da solução residual para a resina (carregamento) e, em seguida, passam
para uma solução aquosa, livre dos demais contaminantes, onde o metal é concentrado
(eluição).
NEUTRALIZAÇÃO – intensidade de ácidos e bases
NEUTRALIZAÇÃO – exemplo de cálculo
TRATAMENTO FÍSICO
Os métodos de tratamento físico envolvem a remoção física, a microencapsulação e a
estabilização.

A destilação é muito usada para reciclar solventes orgânicos gastos.

A microencapsulação é um processo que recobre a superfície de um material residual


com uma fina camada de plástico ou resina para impedir a lixiviação de constituintes
perigosos do material.

A estabilização é um processo que reduz a mobilidade dos constituintes perigosos do


material residual ou os torna mais fáceis de serem manuseados.
TRATAMENTO TÉRMICO
É todo processo cuja operação é realizada acima da temperatura mínima de 800oC (Resolução
CONAMA, no. 316/02).

A incineração é um processo de decomposição térmica, via oxidação a altas temperaturas –


geralmente maiores que 900oC – usado para destruir a fração orgânica do material residual, e
diminuir o seu volume, enquanto a fração inorgânica, notadamente metais pesados, é
recolhida pelos equipamentos de controle de poluição e disposta em aterros industriais.

O coprocessamento é a técnica de queimar rejeitos, concomitantemente com a produção de


cimento, em fornos de fabricação de clínquer. Os compostos orgânicos são queimados com
alta eficiência devido à elevada temperatura de operação do forno – da ordem de 1400oC –
enquanto que os materiais inorgânicos reagem com as matérias primas passando a fazer parte
da estrutura cristalina do clinquer, sem prejudicar a qualidade do cimento.
A combustão em fornos industriais é normalmente realizada com o objetivo de
recuperar materiais ou energia.

A detonação é um método usado para tratar materiais explosivos e altamente reativos,


principalmente orgânicos, os quais sofrem separação molecular nas temperaturas
extremamente altas geradas durante a detonação.

A vitrificação, outro processo de tratamento térmico, usa as altas temperaturas para


transformar o resíduo em um material vítreo fundido. O subseqüente resfriamento do
material fundido resulta em blocos sólidos que são resistentes à lixiviação de
constituintes perigosos.
INCINERAÇÃO
As aplicações da incineração se estendem aos rejeitos de origem industrial, urbana,
serviços de saúde, agrícola, incluindo agrotóxicos, e comercial (Resolução CONAMA no
316/02).

Os rejeitos típicos para incineração são os combustíveis e os materiais com conteúdo


significativo de compostos orgânicos.

Não é recomendável a incineração de rejeitos contendo teores elevados de metais


devido aos riscos de ocorrência de câncer associados às emissões eventualmente não
controladas de As, Cd, Cr e Be e outros problemas de saúde pública entre os não
carcinogênicos como o Sb, Ba, Pb, Hg, Ni, Ag, Se e Tl.

Os incineradores tratam materiais residuais líquidos e sólidos, lamas e lodos perigosos.


INCINERAÇÃO
É um processo extremamente complexo que engloba quatro grandes subsistemas:
(1) Preparação e alimentação do material residual
(2) Combustão do material residual
(3) Controle dos poluentes atmosféricos
(4) Manuseio da cinza / rejeito
TRATAMENTO BIOLÓGICO
O tratamento biológico pode ser entendido como um conjunto de técnicas e processos
que utilizam organismos vivos (bactérias, fungos, algas, leveduras, plantas) ou parte
deles para recuperar produtos de interesse econômico ou para remover e degradar os
constituintes perigosos de um rejeito.

A bioremediação é uma técnica de tratamento biológico que fornece nutrientes para o


meio contaminado no sentido de encorajar uma natural biodegradação ou introduz
culturas de bactérias não nativas que aumentam a biodegradação natural. Os
microrganismos podem usar como fonte de alimento o próprio poluente, consumindo-o
à medida que crescem, e transformando-o em tecido celular e em compostos, como
CO2. Se o processo ocorrer na ausência de O2 forma-se ainda metano.
TRATAMENTO BIOLÓGICO
A bioacumulação é a retenção e concentração de metais pelo sistema celular ativo de
organismos vivos para que estes sejam transportados do meio externo para dentro do
citoplasma, onde são seqüestrados e imobilizados. É um processo mais lento de retirada de
metal do meio e pode ser inibido por vários fatores como a falta de nutrientes (glicose,
nitrogênio e fósforo), a ação de inibidores metabólicos, as baixas temperaturas e outros
fatores ambientais. A principal desvantagem é a necessidade de se manter o processo
viável durante o processo de adosrção de metal, com suplementação contínua de
nutrientes, problema que poderia ser minimizado, caso se encontrasse microrganismos
mais resistentes.

A biossorção consiste na acumulação de materiais por interações independentes do


metabolismo causado pela interação entre os íons metálicos e os grupos funcionais das
superfícies das células.
DISPOSIÇÃO NO SOLO
A disposição no solo representa uma estocagem de longo prazo, dentro ou acima do solo.

A barragem de rejeitos é usada para resíduos líquidos e pastosos, com teor de umidade
acima de 80%. Esses aterros possuem pequena profundidade e necessitam de bastante
área. São dotados de uma camada dupla de impermeabilização na base e de um sistema
de filtração e drenagem no fundo para captar e tratar a parte líquida não evaporada,
deixando a matéria sólido no interior da barragem.

Aterro industrial
ATERRO INDUSTRIAL
Os elementos industriais de um aterro são a criteriosa segregação dos rejeitos
incompatíveis na área de disposição e a implantação, manutenção e monitoramento
constante dos sistemas de drenagem pluvial e de impermeabilização do leito do aterro.
TAREFA
Encontre 3 empresas brasileiras que prestam serviços vinculados ao aterramento de
rejeitos industriais.

Empresa Localidade Atividade

Bayer S/A Belford Roxo / RJ A Bayer possui uma estação de


tratamento de efluentes industriais, um
incinerador rotativo, um aterro industrial e
um laboratório. Antigamente, além de
seus rejeitos, também eram tratados os
rejeitos de diversas outras empresas.
PROGRAMA 3r (redução, reutilização e reciclagem)
A Agenda 21 trata, em seu capítulo 21, do manejo ambiental saudável de resíduos sólidos e
questões relacionadas com os esgotos e, no item 21.5 aponta a necessidade de ações e
formulação de objetivos centrando-se em 4 principais áreas de programas relacionados com
resíduos, a saber:

- Redução ao mínimo de resíduos;

- Aumento ao máximo da reutilização e reciclagem ambientalmente saudáveis dos resíduos;

- Promoção do depósito e tratamento ambientalmente saudáveis dos resíduos;

- Ampliação do alcance dos serviços que se ocupam dos resíduos.


1 - REDUÇÃO

REDUÇÃO DO CONSUMO E DO DESPERDÍCIO!

Esta é a primeira ação a ser incorporada ao seu cotidiano, tendo em mente o velho
ditado: "melhor prevenir do que remediar".
2 - REUTILIZAÇÃO

RESÍDUOS INDUSTRIAIS PODEM GANHAR NOVAS UTILIZAÇÕES, MATERIAS


“DESCARTÁVEIS” QUANDO DE BOA QUALIDADE PODEM CERTAMENTE SEREM UTILIZADOS
MAIS VEZES.
3 - RECICLAGEM
Aquilo que é considerado resíduo hoje pode não sê-lo amanhã. É a recuperação do valor
de um material já utilizado, recuperando suas propriedades ou alterando-as de forma a
transformá-lo em novo produto.
COLETA SELETIVA
4 - RECUSA
Podemos nos habituar enquanto consumidores a exercer determinados tipos de escolha
de embalagens de produtos rejeitando aqueles que possuem invólucros múltiplos e às
vezes desnecessários e dando preferência a embalagens retornáveis em detrimento a
descartáveis. A consolidação deste 4º R poderia forçar a indústria a ter uma atitude
ambientalmente responsável por pressão do consumidor.
PÁGINAS INTERESSANTES
http://www.cenedcursos.com.br/textos-ambientais.html

http://www.brasilescola.com

LIVROS RECOMENDADOS
Manual para gestão de resíduos químicos perigosos de instituições de ensino e de
pesquisa – Débora Vallory Figuerêdo