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Olhou para as ruas logo abaixo de si, ela podia ver como o povo estava assustado com

mães segurando seus filhos e filhas, pais brigando com os oficiais e algumas pessoas
mais jovens usando mascaras para ocultarem suas faces atacavam usando armas tocas.
Como Coquetel Molotov e pedaços de maneira, como se isso fosse fazer qualquer efeito
nas armas projetas por sua tecnologia. Mas ela podia admirar a coragem daquele povo
pobre e sem recursos de lutarem pelo o que acreditava, mesmo que fosse a algo errado.
Completamente errado.

Contudo Satya não esperava que aquele povo tosco conseguisse entender o que estava
fazendo ali, o que estava tentando fazer por aquela terra devastada por uma guerra que
não estavam prontos para encarar. Embora ela soubesse muito bem que o mundo como
um todo não estava preparado para o ataque que ocorrera e a devastação que se seguiu.
Mas países como esses países do terceiro mundo, sofreram bem mais do que todos os
outros. Era por isso que estava ali, para ajudá-los, para levá-los de volta a ordem.

A porta abriu-se atrás de si quando um homem entrou, Sanjay era o atual prefeito da
cidade, sendo posto por ela mesma depois que lhe ajudara com a invasão de Calado,
obviamente havia uma prefeita de “verdade”, mas pouco podia fazer para impedi-los.

- Os sensores indicam que alguém invadiu nosso cofre de armas.

Virou-se sorrindo para o homem, que só levantou uma sobrancelha para ela, eles tinham
uma espécie de amizade forjada pelos ideais comuns, mesmo que soubesse que o outro
não conseguisse enxergar a beleza do que estava fazendo. Mas era só uma questão de
tempo até que conseguisse. Até que todo mundo conseguisse.

- Eu sei, meus sensores foram avisados assim que a confusão começou lá embaixo.

- E não vai fazer nada?

Caminhou pela sala enquanto colocava a mão por cima do sensor na palma de sua mão
mecânica, ativando assim a tecnologia que lhe permitia modificar a realidade que estava
ao seu redor. Puxando uma tela e jogando-a na parede a frente deles, como sempre caiu
exatamente no local desejado, um retângulo marcado para esse propósito. Tudo tinha
seu devido lugar e sua ordem. Como tinha que ser.

Viu quando a imagem de um homem, não muito mais velho do que ela mesma, corria
pelos corredores sem saber que estava sendo observado pelas suas câmeras e por seus
pequenos Sentry Turret que estavam no local. Só conseguia produzir poucos desses
pequenos, mas eram o suficiente para acabar com intrusos antes que fosse uma real
ameaça. Além de um portal que podia usar caso tudo desse errado. O que duvidava.
Não tinha chego até onde estava dando chance para o Caos.

Sanjay acompanhava com seus olhos a cena desenrolar, podia perceber que ele não
entendia como aquele homem tinha chego tão longe. Afinal, era apenas um músico sem
treinamento formal de qualquer tipo, para alguém como o loiro, podia ter sido só sorte.
Satya não acreditava nisso, no entanto. Sorte era algo inconstante. Caótico de mais.
- Ele é um símbolo, Sanjay. Um símbolo de paz e ordem, mesmo que siga esse caminho
por meios tortuosos.

O homem voltou-se na sua direção parecendo confuso, ela suspirou enquanto sentava
atrás de sua mesa e cruzava as pernas. Seus olhos castanhos fitaram-no com displicência.

- Você realmente acha que nossa organização não tem capacidade para dar a eles o que
eles querem?

- Eu sei que nós temos, mas não faço idéia do que porque não fazemos.

Acenou com a cabeça, sabendo que não era o primeiro a ter essa dúvida, até mesmo
seus “superiores” tinham questionado suas ações. Mas ela não tinha a paciência para
mentes tolas, mas Sanjay já tinha demonstrado algum bom senso antes.

- Porque temos que ensiná-los a pescar, se fizermos isso por eles não estarão prontos
para quando um novo ataque ocorrer ou caso outro imprevisto aconteça. Assim, nós
estamos criando não só a condição para que possam se defender, como também um
símbolo que eles podem contar. É tudo bem simples na verdade.

Viu os olhos do homem se iluminar como se fosse uma revelação, ela conteve a vontade
que lhe subiu de bater em sua face. Não era óbvio o que estavam fazendo ali?
Aparentemente não.

- Mas e quanto à reputação da organização? Ela não vai ficar manchada?

Fez um movimento com a mão dispensando aquele comentário, Vishkar tinha mais do
que o suficiente para bancar alguns passos para trás. Se eles conseguiram se erguer
depois do fiasco da Overwatch, eles podiam se erguer do que estava propondo.

Voltou-se novamente para tela, percebendo o equipamento que o homem estava usando
para abrir as trancas do cofre, levantou uma das suas sobrancelhas perfeitas enquanto
usava seu braço para dar zoom. Sorriu de forma condescende quando descobriu o
padrão do equipamento, aparentemente o “justiceiro” era bem conectado.

- O que é isso? Eu nunca vi nada parecido.

- Eu imaginei, é um equipamento muito desconhecido até mesmo para as pessoas do


meio. É algo muito raro e muito potente.

- Isso não responde a pergunta.

- Eu sei.

Um sorriso desdenhoso apareceu em seu rosto, fazendo o homem lhe lançar um olhar
sujo, mas não se abalou. Não seria ela que iria trazer a existência de uma criatura como
Winston a luz, já tinha sido um choque quando descobriu por si mesma. E ainda não
tinha uma opinião formada.
- Vai mesmo deixá-lo roubar essa tecnologia?

Foi à vez de ela lançar um olhar sujo para o seu segundo no comando, que engoliu em
seco como se tivesse com medo. Aquilo era ruim, não queria ser temida, queria ser
compreendida. Suspirou de maneira quase que cansada, era muito difícil está sozinha
em seus ideais de Justiça e Ordem.

- Vou sim, ele vai precisar para nos expulsar daqui.

O loiro abriu a boca para dizer alguma coisa quando os alarmes soaram, justamente
como havia programado Sentry Turret para fazer. Viu quando o comunicador do
homem começou a soar e ela lhe sorriu de forma doce.

- Acho que tem trabalho para fazer e lembre-se: quero-o vivo. Fui clara?

Sua voz deixava claro que não toleraria qualquer ação diferente de seus subordinados,
ele balançou a cabeça de forma positiva e correu para atender suas obrigações. Ela virou
a cadeira percebendo que não estava fazendo um bom trabalho em ser vista como
“amiga”. Talvez fosse sua atitude arrogante, talvez fosse sua inteligência ou até mesmo
seus ideais. Não importava, não ainda. Desde que tudo ocorresse como queria.

Olhou para ruas, as pessoas correndo enquanto os Omnics da sua organização


começavam a entrar em ação. Não gostava dessa parte do seu trabalho, mas seus
“Chefes” eram irredutíveis com relação a isso, deixando bem claro que eles não haviam
aprendido nada com a guerra.

- Mas ainda existem esses robôs por ai, alguns deles até acreditam que tem almas.

O desdém escorreu em sua voz, não conseguindo entender como criaturas feitas pelo
homem pudessem possuir essa centelha divina. Brahma é o único que tinha essa
capacidade e esses atos de heresia deixava-lhe muito irritada.

- O homem já pagou por sua vontade de bancar o Deus, mas acredito que uma vez não é
o bastante.

Balançou a cabeça enquanto virava-se bem no momento em que o homem saiu de sua
organização. Lúcio, se ela estava correta. Cruzou as penas e sorriu para tela alguns
segundos.

- Eu fiz minha parte, meu pequeno herói, agora é hora de você fazer a sua.