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A África Descolonizada e o Modelo Liberal

Por Marcio Valente

A África, logo após o seu processo de independência, apresentou um quadro satisfatório


no que tange a industrialização de alguns países. Teve um crescimento significativo nos anos 60,
e moderado nos anos 70. Em seguida deste período, mais precisamente em 1973, a economia
africana começa a apresentar números alarmantes, com uma taxa de crescimento inferior a
qualquer outro lugar no mundo.

Dentro deste contexto da crise africana, podemos ver o cenário internacional, onde
ocorre uma desproporção imensa entre os preços das matérias-primas da África, e os produtos
industrializados importados pelos africanos. Outro fator preponderante, foi a política externa
agressiva dos EUA, com a venda de títulos da dívida pública norte-americana para países
desenvolvidos, e transferência compulsória de capitais dos países de Terceiro Mundo. Como
resultado deste último caso, temos a multiplicação das dívidas externas destes países em
subdesenvolvimento, motivados pela valorização do dólar e aumento dos juros.

Apresentado como um plano “milagroso” para a volta do crescimento da África, o Banco


Mundial e o FMI elaboram o chamado Programa de Ajustamento Estrutural, onde os países do
Terceiro Mundo deveriam deixar de consumir e importar dólares, para exportar produtos e
dólares, explorando a sua vocação de produtor agrícolas de matérias-primas. E ainda,
sobretudo, diminuir consideravelmente os gastos da máquina pública.

Como resultante da passagem africana para o Modelo Liberal, vemos uma série de ações
que deram continuidade ao chamado processo de roedura do continente africano. Vemos uma
avalanche de privatizações, visando a redução e equilíbrios das contas, e sobretudo, a abertura
ao mercado mundial e a liberdade interna de comércio.

Este processo todo de Liberalismo Econômico não deu resultados satisfatórios, tendo
em vista o aumento das dívidas, e ainda o crescente quadro de desvalorização das matérias-
primas de exportação africana, acabaram ocasionando um alto índice de desemprego e
agravamento dos indicadores relacionados ao IDH africano.

Em contrapartida a todo este quadro de crise, os países africanos estão se organizando


internamente na tentativa de combate à atual situação do continente. Entidades foram criadas
com o intuito de auxílio ao desenvolvimento dos países africanos. Órgãos como a OUA e
posteriormente a UA, prestam assistência tantos nos assuntos políticos e econômicos. Ainda
temos a criação do Banco do Desenvolvimento Africano e mais recentemente o NEPAD, também
com finalidades de reversão deste atual quadro de crise, onde mesmo que em passos lentos,
podem ser a esperança de um futuro melhor para a África.