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O Brasil do Futuro!

Era bastante comum, especialmente depois do chamado “milagre econômico” da década de


70, dizer do Brasil que era “o país do futuro”.

Comparávamos nossos indicadores com os de países ricos e lamentávamos a distância que


ainda precisaríamos percorrer para chegar no paraíso econômico.

Ao mesmo tempo, o mercado financeiro criava fortunas para aqueles que investiam em dívida
pública, tornando o investimento mais conservador em uma verdadeira “roda viva” com as
taxas overnight, com intensidade parecida às visões da antiga bolsa em viva voz.

Alguns números para ponderarmos:

Em outubro de 1997, a taxa de juros (SELIC) estava em 45,90%, contra 5,54% da taxa norte
americana.

Descontando a inflação, no Brasil, o ganho real foi de “apenas” 38,40% contra 3,38%, no caso
dos Estados Unidos, ou seja, eles pagavam, para quem investia em seus títulos do tesouro,
menos de 10% de nossa taxa.

Esse é o Brasil do passado. Pensávamos que, com o desenvolvimento, nossos números


chegariam mais próximos daqueles dos países ricos do hemisfério norte.

Atualmente, os Estados Unidos tiveram sua taxa básica de juros estabelecida em 2,25%
enquanto nossa SELIC chegou aos 6%, com previsão de atingir 5% até dezembro.

Não é justo comparar as taxas nominais (brutas) então, descontando a inflação prevista nos
dois países temos ganho real de 1,83% a.a., no caso brasileiro contra 0,51% a.a. para o
americano.

Ainda pagamos mais, mas ao menos estamos entrando na mesma “ordem de grandeza” das
taxas de juros, muito especialmente considerando a previsão para o final do ano, que reduzirá
o ganho real em juros para 0,86%, no caso brasileiro.

O futuro chegou, pelo menos nessa perspectiva.

O que fazer agora?


Aquela “farra” de 1% a.m. acabou. Restam os saldos, cinzas e saudades.

Mais do que nunca, é essencial diversificar, migrando da renda fixa para a variável.

Aumentar a exposição ao risco, numa época de crescimento real da bolsa pode trazer de volta
a rentabilidade. O IBOVESPA já acumula quase 17% esse ano e conta, apenas, com empresas
sólidas, com grande participação no mercado e consequentemente, liquidez elevada.

Claro que, ao tocar na renda variável, a palavra “risco” aparece, escrita com letras garrafais,
grifada e em vermelho.

Gerenciar riscos, no mercado financeiro, exige conhecimento, pesquisa, trabalho e vigilância.

Seu dinheiro é o fruto de seu trabalho e, às vezes, a criação de um colchão de garantia para
complementação para sua aposentadoria ou simplesmente reserva para caso de necessidade.

Investi-lo para fazer com que trabalhe para você, a partir de agora, não é mais coisa para
amadores. Não basta “pedir para aplicar” sem saber sequer onde ou em que, nem se admite
mais ter relação superficial com seu próprio dinheiro.

Não é necessário, por outro lado, uma vida de “trader”, aquelas pessoas que buscam
rentabilidade em operações curtas na bolsa, aproveitando oportunidades de compra e venda
para especulação, e que passam o dia todo monitorando os índices para “pular de barco” na
melhor oportunidade.

É necessário apenas reservar um pouco mais de seu capital, para montar uma carteira global
que contemple produtos financeiros em renda variável, acreditando no longo prazo com
objetivo de ter retornos mais elevados, na média entre as carteiras de RV (renda variável) e RF
(renda fixa).

Assim como automedicação não contribui para que você seja saudável, financeiramente, agir
sem ajuda profissional nem conhecimento adequado, certamente será prejudicial à saúde de
seu bolso. Procure conhecimento, aprenda, procure especialistas de sua confiança, que
possam assessorar sua vida econômica e pavimentar a estrada que leva a seus sonhos.

O futuro chegou, com seus novos paradigmas e desafios.

Que seja Bem Vindo.

Clovis Vieira
02 de agosto de 2019