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CURSO DE GRADUAÇÃO

TECNOLÓGICA

GESTÃO PARA A INDÚSTRIA DE


PETRÓLEO E GÁS

DISCIPLINA (POL8998)
MÉTODOS INDIRETOS DE PROSPECÇÃO
TÓPICO:
INTRODUÇÃO: O QUE É GEOFÍSICA?

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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
INSTITUTO POLITÉCNICO

Gestão de Negócios em Petróleo e Gás


Métodos Indiretos de Prospecção
Prof. J. L. Martins

Introdução: O Que é Geofísica?1


Geofísica é o estudo da Terra usando medidas físicas tomadas na sua superfície. Nem sempre é
fácil estabelecer uma fronteira entre Geologia e Geofísica. A diferença fica, primariamente, no
tipo de dados com os quais se manipula.
A Geologia envolve o estudo da Terra através de observações diretas de rochas que estão
expostas na superfície ou de amostras retiradas de poços perfurados com esta finalidade e a
conseqüente dedução de sua estrutura, composição e história geológica pela análise de tais
observações.
A Geofísica, por outro lado, envolve o estudo daquelas partes profundas da Terra que não
podemos ver através de observações diretas, medindo suas propriedades físicas com
instrumentos sofisticados e apropriados, geralmente colocados na superfície. Também inclui a
interpretação dessas medidas para se obter informações úteis sobre a estrutura e sobre a
composição daquelas zonas inacessíveis de grandes profundidades.
A distinção entre estas duas linhas de ciências da Terra não é muito bem percebida. Perfís de
Poços, por exemplo, são largamente usados em estudos geológicos, embora eles apresentem
resultados meramente obtidos em observações instrumentais. O termo "Geofísica de Poço"
geralmente é usado para designar tais medições.

De uma maneira geral, a Geofísica fornece as ferramentas para o estudo da estrutura e


composição do interior da Terra. Quase tudo o que conhecemos sobre a Terra, abaixo de
limitadas profundidades que os poços e as minas subterrâneas atingem, provém de observações
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Material extraído do site da SBGf, Sociedade Brasileira de Geofísica, www.sbgf.org.br .

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geofísicas. A existência e as propriedades da crosta terrestre, do manto e do núcleo foram
basicamente determinadas através de observações das ondas sísmicas geradas por terremotos
(figura ao lado), assim como por medições das propriedades gravitacionais, magnéticas e
térmicas da Terra.
Muitas das ferramentas e técnicas desenvolvidas para tais estudos têm sido usadas na exploração
de hidrocarbonetos e de minérios. Ao mesmo tempo, os métodos geofísicos usados nas
aplicações de prospecção têm sido aplicados em pesquisas mais acadêmicas sobre a natureza do
interior da Terra.

Dentre os diversos métodos geofísicos usados para prospecção e pesquisa, os principais são:

(1) Gravitacional
Mede as variações do campo gravitacional terrestre provocadas por corpos rochosos dentro da
crosta até poucos quilômetros de profundidade. Estas variações são influenciadas pelas
diferentes densidades das rochas, tendo as mais densas, maior influência no campo
gravitacional. A figura abaixo serve para ilustrar a variação deste campo gravitacional: um
mesmo corpo (massa constante) mostrará pesos diferentes para diferentes locais, se as rochas
subjacentes tiverem densidades diferentes, o que normalmente acontecerá. Entretanto, estas
variações são de uma magnitude muito pequena, e podem ser quantificadas por aparelhos
especiais, denominados gravímetros.

(2) Magnético
Este método mede as variações do campo magnético da Terra, atribuídas a variações na estrutura
da crosta ou na susceptibilidade magnética de certas rochas próximas à superfície. Emprega-se
este método na prospecção de materiais magnéticos, como minérios de ferro, principalmente a
magnetita.

(3) Elétricos
Os métodos elétricos fazem uso de uma grande variedade de técnicas, cada uma baseada nas
diferentes propriedades elétricas e características dos materiais que compõem a crosta terrestre.

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(3.1) Resistividade
Este método fornece informações sobre corpos rochosos que tenham condutividade elétrica
anômala. É empregado pela engenharia para estudos de salinidade de lençóis de água
subterrânea.

(3.2) Potencial Espontâneo


É usado para detectar a presença de certos minerais que reagem com eletrólitos na subsuperfície
de maneira a gerar potenciais eletroquímicos. Um corpo de sulfeto oxidado mais no seu topo do
que na sua base dará origem a tais correntes elétricas, que são detectadas na superfície com o
auxilio de eletrodos e galvanômetros.

(3.3) Polarização Induzida


Fornece leituras diagnósticas onde existem trocas iônicas na superfície de grãos metálicos, tal
como acontece em sulfitos.

(3.4) Magnetotelúrico
Utiliza as correntes naturais que percorrem o interior da Terra (correntes telúricas). A anomalias
são procuradas quando da passagem destas correntes através dos materiais. É bastante
empregado na Rússia no mapeamento de bacias sedimentares no início de uma prospecção para
petróleo.

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(3.5) Eletromagnético
Como o nome sugere, este método basea-se na propagação de campos eletromagnéticos de
baixas freqüências que variam ao longo do tempo, de dentro para fora e de fora para dentro da
Terra. Este método é mais comumente usado na prospecção mineral.

(4) Sísmicos
São os métodos que se baseam na emissão de ondas sísmicas artificiais em subsuperfície ou no
mar (geradas por explosivos, ar comprimido, queda de pesos ou vibradores), captando-se os seus
"ecos" depois de percorrerem determinada distância para o interior da crosta terrestre, serem
refletidas e refratadas nas suas descontinuidades e então retornando à superfície. Distingüimos
dois tipos de métodos sísmicos: de reflexão e de refração.

(4.1) Reflexão
Neste método, observa-se o comportamento das ondas sísmicas, após penetrarem na crosta,
serem refletidas em contatos de duas camadas de diferentes propriedades elásticas e retornarem
à superfície, sendo, então, detectadas por sensores (geofones ou hidrofones). É o principal
método usado na prospecção de hidocarbonetos (petróleo e gás) por fornecerem detalhes da
estrutura da crosta, bem como de propriedades físicas das camadas que a compõem.

(4.2) Refração
Aqui as ondas sísmicas propagam-se em subsuperfície e viajam a grandes distâncias, sendo
captadas por sensores (geofones). As informações obtidas por este método geralmente são de
áreas em grande escala, trazendo informações pouco detalhadas das regiões abaixo da superfície,
situadas entre o ponto de detonação e o ponto de captação.

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(5) Radioavito
Este método se fundamenta nas propriedades radioativas de certos minérios (minerais de urânio
são bons exemplos). Através de aparelhos especiais (contadores geiger e cintilômetros) estes
minérios podem ser detectados a partir da superfície da Terra.

(6) Perfilagem de Poços


Os perfis de poços são usados principalmente na prospecção de petróleo e de água subterrânea.
Eles têm sempre como objetivo principal, a determinação da profundidade e a estimativa do
volume da jazida de hidrocarboneto ou do aquífero. Para fazer uma perfilagem em um poço, são
usadas diversas ferramentas (sensores) acopladas a sofisticados aparelhos eletrônicos. Estes
sensores são introduzidos no interior do poço, registrando, a cada profundidade, as diversas
informações relativas às características físicas das rochas e dos fluidos em seus insterstícios
(poros). As ferramentas utilizam diversas características e propriedades das rochas, que podem
ser elétricas, nucleares ou acústicas. Com os sensores elétricos, detecta-se, por exemplo, a
resistividade das rochas é efetuada através de
comparações dos valores obtidos na perfilagem com os
valores das resistividades de diversas rochas conhecidas
e determinadas em testes de laboratório. Com os
sensores nucleares, detecta-se a intensidade de
radioatividade das rochas e dos fluidos em seus poros,
podendo-se inferir a composição mineralógica das
mesmas. Com as ferramentas acústicas, ultra-sons são
emitidos em uma ponta da ferramenta a intervalos
regulares e detectados em sensores na outra ponta. O
tempo que o sinal sonoro levou para percorrer esta
distância fixa e conhecida (chamado de tempo de
trânsito) através da parede do poço (ou seja, pela rocha)
é medido e gravado no perfil. O geofísico, mais tarde,
compara estes tempos de trânsito com os tempos
determinados em laboratório para rochas de
composições conhecidas, inferindo, desta maneira, as
composições mineralógicas das rochas atravessadas
pelo poço e determinando suas profundidades.