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Teologia do Corpo Humano em João Paulo II

XI Salão de
Iniciação Científica
PUCRS

Talis Pagot1, Prof. Dr. Luiz Carlos Susin1 (orientador)


1
Faculdade de Teologia, PUCRS

Resumo

O significado do corpo humano sofre modificações de tempos em tempos e cada uma


dessas modificações vem seguida de consequências. O ser humano “pós-moderno” também
plasmou e continua a plasmar o significado de sua corporalidade. A visão “pós-moderna” do
corpo tem seus resquícios na revolução industrial e ganha impulso, principalmente, a partir da
revolução sexual de 1968, com os acontecimentos de Woodstock. Em contrapartida eclodiram
fenômenos como a AIDS, a drogatização com todas as formas de violência a ela relacionadas,
a transformação das pessoas em mercadoria na busca da auto-satisfação.
O cristianismo desde o seu início coloca a corporeidade humana como eixo central da
salvação. A encarnação do Verbo eleva a natureza humana, e o mistério pascal de Cristo,
como doação total de si, abre uma nova perspectiva para o corpo humano - a ressurreição.
Embora, a realidade cristã já traga em si uma condição elevada do significado do
corpo, é necessário atualizá-lo e “resignificá-lo”. Para isso, na situação atual (pós-moderna), a
Teologia do Corpo de João Paulo II vem propor uma nova revolução sexual e do próprio
corpo. Uma “virada antropológica” que transcenda a simples materialidade, descobrindo, a
partir do corpo, a pessoa com sua subjetividade e como dom de si para o outro.
Para o autor, o fato de o ser humano “ser corpo” ou ter um corpo faz parte da sua
estrutura de sujeito pessoal, descoberta, sobretudo, na ação laborativa diante de sua
capacidade técnica em relação as demais espécies. Neste sentido a corporalidade adquire um
significado, até aqui, muito mais profundo do que a simples expressão sexual determinante de
masculino ou feminino.
Mais ainda, João Paulo II propõe um caminho de liberdade, na união dos sexos no
plano divino. Ao fazer referência de um trecho do sermão da montanha, onde os fariseus

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interpelam Jesus a respeito do divórcio, em que o próprio mestre conduz a olhar para a
realidade interior do ser humano que se sobrepõe à lei, o autor conduz a encontrar a
profundidade e a beleza da união dos sexos. Aponta para esta união como comunhão de
pessoas. A mudança da realidade exterior para a interior surge como um novo ethos, que
conduz à redenção do ser humano integral.

Introdução

O corpo ocupa um lugar central na teologia e na espiritualidade cristã, pois a partir da


encarnação do Verbo, Deus assume um corpo, elevando com isso a dignidade da natureza
humana. Porém, na visão “pós-moderna” da corporeidade, parece que está ocorrendo um
processo inverso, onde aquele corpo (humano) que foi elevado, por ele o ser humano começa
a perder a sua dignidade.
Este trabalho tem por objetivo pesquisar a experiência e o sentido da corporeidade na
tradição e no pensamento cristão a partir dos escritos de João Paulo II (Karol Józef Wojtyla),
que em sua teologia do corpo propõe um novo ethos para a vida do ser humano segundo a
experiência cristã a partir da realidade corpórea.
O autor nos apresenta ethos como “a percepção de uma nova ordem de valores” que se
dá no nível mais profundo do coração inexplorado ou abandonado, no interior do ser humano-
sujeito moral1.

Metodologia

O procedimento metodológico está ordenado conforme as seguintes etapas:

1. Aprofundamento da revisão bibliográfica, ordenando-a por áreas.

2. Leitura prévia para um primeiro contato com o conjunto das distintas


bibliografias e para organizar um esquema de pesquisa.

3. Leitura mais aprofundada da bibliografia com anotações em fichas catalogadas


conforme o esquema prévio.

4. Relatório das leituras e debate periódico entre o aluno pesquisador e o


professor orientador

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JOÃO PAULO II, Homem e mulher o criou, p. 538-539.

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5. Exercício de interdisciplinaridade em anotações e debates entre o aluno
pesquisador e o professor orientador, bem como em participações em eventos.

6. Fixação do esquema e primeira redação para ser submetida a debate entre o


aluno pesquisador e o professor orientador.

7. Redação de um artigo de caráter científico, para publicação na Revista


Teocomunicação, da FATEO/PUCRS.

As duas primeiras etapas já foram realizadas, iniciando no momento a terceira.

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