DESAP OSENTAÇÃO

- FUNDAMENTOS JURÍDI COS, POSI ÇÃO DOS TRI BUNAI S E ANÁLI SE DAS PROPOSTAS LEGI SLATI VAS –
GIS ELE LEMOS KRAVCHYCHYN Advogada em Santa Catarina e Sergipe Pós Graduada em Direito Previdenciário Sócia da Kravchychyn & Barreto Advogados Associados Relações Públicas da Comissão de Seguridade Social da OAB/SC

ÍNDICE 1. 2. 3. DO DIREITO À APOSENTADORIA – DEFINIÇÕES ______________________ 2 A RENÚNCIA NO DIREITO BRASILEIRO_______________________________ 3 DO DIREITO À DESAPOSENTAÇÃO NO SISTEMA PREVIDENCIÁRIO

BRASILEIRO ____________________________________________________________ 4 4. PONTOS LEVANTADOS PELO INSS E DEMAIS OPOSITORES À

DESAPOSENTAÇÃO E COMENTÁRIOS DA AUTORA_______________________ 10 4.1. 4.2.
CARÁTER IRRENUNCIÁVEL DA APOSENTADORIA

___________________________ 10

NECESSIDADE DE ANUÊNCIA DO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO ENVOLVIDO – __________________________________________ 10 12

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA OU INSS

4.3. 4.4. 5.

AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL ________________________________________

ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DO SEGURADO ________________________________ 13

DAS SUGESTÕES DE MODIFICAÇÃO LEGISLATIVA - PROJETO DE LEI Nº

7.154/2002 _______________________________________________________________ 14 6. 7. 8. CRÍTICAS A RESPEITO DO PROJETO DE LEI Nº 7.154/2002 _____________ 14 CONCLUSÃO _______________________________________________________ 17 BIBLIOGRAFIA _____________________________________________________ 19

1

ou amparar. 2 . além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (.. João Batista. 7º.Para que possamos analisar de forma mais aprofundada o da desaposentação ou renúncia à aposentadoria. 1. Celso Barroso. juntamente com a pensão por morte. É a união que faz a força. Direito Previdenciário. p. 5ª edição. 2006. mas na realidade cada um de nós está cuidando de si mesmo e só depende dos outros n medida que os a outros dependem de nós (.) XXIV – aposentadoria. bem como a renúncia no direito em geral. em caráter permanente (ou pelo menos duradouro). 543. em caso de morte ou prisão. aposentadoria é: A prestação por excelência da Previdência Social. por seu esforço. 3 LEITE.2 A aposentadoria é. a base está na participação individual. nas eventualidades que os impossibilite de. portanto. 1993. 4ª edição. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. devemos primeiro esclarecer a respeito do instituto da aposentadoria. neles incluídos as aposentadorias como: Prestações pecuniárias. personalíssimo e individual. sendo regulamentado pelas Leis 8. Segundo Carlos Alberto Pereira de Castro e João Batista Lazzari. São Paulo: LTR. Manual de Direito Previdenciário. ambas de 1991.. Carlos Alberto Pereira de. Marcelo Leonardo.) Falando em termos mais técnicos a previdência é um seguro obrigatório. 87. Ambas substituem. DO DIREITO À APOSENTADORIA – DEFINIÇÕES A aposentadoria é um direito garantido à todo trabalhador pela Constituição Federal: Art. p. 1 Já Marcelo Tavares considera os benefícios previdenciários. com característica de seguro social. 2002. 14/15.. destinadas a prover-lhes a subsistência. devidas pelo Regime Geral de Previdência Social aos segurados. Vejamos o comentário de Celso Barros Leite: Embora se trate de poupança coletiva. LAZZARI. com caráter patrimonial e pecuniário.. A Previdência Social ao alcance de todos. auferir recursos para isto. um direito social dos trabalhadores. ou a reforçar-lhes aos ganhos para enfrentar os encargos de família. os que dele dependiam economicamente. 7ª Edição.213 e 8.212. 3 1 CASTRO. os rendimentos do segurado e asseguram sua subsistência e daqueles que dele dependem. Tal direito é mais uma vez tratado em nossa Carta Magna nos artigos 201 e 202. p. São Paulo: LTR. 2 TAVARES.

A renúncia é um instituto de natureza eminentemente civil. Saraiva. Os direitos de ordem privada têm interessados e destinatários o indivíduo ou os indivíduos envolvidos na relação.782/783.6 Já Maria Helena Diniz define renúncia como: Desistência de algum direito. comportariam a possibilidade de desistência por seus titulares. sem que haja. Roseval Rodrigues da. portanto.5 2. MARTINEZ. Se regularmente concedida a aposentadoria nasceria com o ato de aposentação e acabaria com a desaposentação (se considerarmos possível a mesma) ou com a morte do segurado. Dicionário jurídico. Setembro de 2003. Curso de Direito Previdenciário. Wladimir Novaes Martinez lembra ainda que a Carta Magna assegura o direito de permanecer prestando serviço. 6 CUNHA FILHO. 812.As aposentadorias são concedidas mediante o requerimento do segurado4 / beneficiário do sistema. 274. 2ª edição. A partir desse requerimento o órgão gestor fará a análise do cumprimento dos requisitos necessários para a aposentadoria e se considerar correta a documentação deferirá o requerimento. Wladimir Novaes. em alguns casos específicos. Maria Helena. Revista de Previdência Social. nos casos de regimes próprios.7 4 5 Podem ser concedidas também a requerimento do empregador. p. 2003. São Paulo: LTR. mesmo após a aposentação. p. tendo assim caráter eminentemente pessoal e. Roseval Rodrigues da Cunha Filho conceitua renúncia como: O abandono ou a desistência do direito que se tem sobre alguma coisa. 3 . A RENÚNCIA NO DIREITO BRASILEIRO A desaposentação consistiria no ato de renúncia à aposentadoria. Perda voluntária de um bem ou direito. portanto. 36. p. Desaposentação e Nova Aposentadoria. Nesta razão. a renúncia importa sempre num abandono ou numa desistência voluntária pela qual o titular de um direito deixa de usálo ou anuncia que não o que utilizar. ou até de ofício. ante o caráter pessoal e sobretudo disponível destes. Apenas direitos de natureza civil são passíveis de renúncia. de direito privado. 198. Ano XXVII. 7 DINIZ. A renúncia passa a ser então uma das formas de extinção de direitos. ao contrário dos direitos públicos e aos de ordem pública. consideramos importante o esclarecimento do leitor a respeito do instituto da renúncia do direito brasileiro. contudo transferência do mesmo a outro titular. Nº. emitindo o ato administrativo de concessão do benefício. Tomo II: previdência social. Ato voluntário pelo qual alguém abre mão de alguma coisa ou direito próprio.

Roseval Rodrigues da. O que não significa q a mesma seja ue um direito indisponível do segurado. Setembro de 2003. consistente no abandono voluntário de um direito ou de seu exercício. por isso passaremos ao tópico seguinte. pode-se conceituar renúncia como ato unilateral do agente. transferindo a qualidade de aposentado a outrem) é ontologicamente direito disponível.. eminentemente voluntário e unilateral. através do qual alguém abandona ou abre mão de um direito já incorporado ao seu patrimônio. a transação quanto a esse direito. portanto. 8 Definimos portanto. Revista de Previdência Social. posto que tal depende do consentimento do destinatário. 3. DO DIREITO À DESAPOSENTAÇÃO NO SISTEM A PREVIDENCIÁRIO BRASILEIRO Como já vimos a aposentadoria constitui direito personalíssimo. v. no tocante a esse trabalho. Importante destacar a ressalva que alguns doutrinadores fazem com relação à renúncia em favor de outrem. Cabe-nos agora analisar se a desistência da aposentadoria seria então uma renúncia ao direito e se a mesma seria permitida no direito brasileiro. como exemplo o usucapião. tratando-se de aquisição originária. A definição do direito à aposentadoria como direito público ou privado é ponto marcante na discussão quanto à possibilidade ou não da desaposentação. No caso. sendo este segundo aspecto de caráter subjetivo. g. 4 . Assim. por isso que direito subjetivo e patrimonial decorrente da 8 CUNHA FILHO. Roberto Luis Luchi Demo explica: A aposentadoria. Outro ponto importante trazido pela doutrina é a diferenciação entre o abandono e a renúncia. O abandono compõe-se do ato de abandonar a coisa e com o evidente propósito de abandonar. só por isso. Ano XXVII. e assim independe da vontade ou deferimento de outrem. Em tal ato o adquirente da coisa não tem relação jurídica com aquele que a abandonou. muitos consideram que a mesma não se configuraria propriamente em renúncia mas sim numa transferência de direito. Nº 274.A renúncia típica ou própria constitui-se de ato explícito e voluntário de não exercício ou abandono de um direito sem que se opere a transferência do mesmo a outrem. que a renúncia é ato de caráter do p ossuidor do direito. sob o qual não se admite transação ou transferência a terceiros. é ato.782/783. a par de ser direito personalíssimo (não admitindo. p. ou até alienação. Desaposentação e Nova Aposentadoria. que independe da aquiescência de outrem.

Desaposentação. por ausência de expressa proibição legal. Roberto Luiz Luchi. posto que limitando direito quando a lei não o fez.relação jurídico-previdenciária.11 9 DEMO. com o desfazimento da aposentadoria por vontade do titular. Vejamos o entendimento de Felipe Epaminondas de Carvalho. como norma subsidiária que é. outubro de 2002. 263. não podendo ser reduzida ou diminuída por omissão. p. entramos na ceara do instituto da desaposentação. 5 . no mesmo ou em outro regime previdenciário. Revista de Previdência Social. Indenização ao sistema previdenciário. vol. Desaposentação: Um Novo Instituto?. o que se pode afirmar inconstitucional. nov 1999. Ano XXVI. João Batista. p. Nº.887. para fins de aproveitamento do tempo de filiação em contagem para nova aposentadoria. Revista de Previdência Social. São Paulo: LTR. Aposentadoria. 11 COELHO. não pode restringir a aquisição de um direito do aposentado.10 Na Carta Magna não há qualquer vedação à desaposentação. refletindo o bem estar social". Destacamos. Alguns princípios basilares do Estado brasileiro também coadunam com o instituto da desaposentação. tanto no tocante a desaposentação quanto no tocante à nova contagem do tempo referente ao período utilizado na aposentadoria renunciada. LAZZARI. É patente que um decreto.1130-1134. dos princípios da dignidade da pessoa humana e do mínimo existencial. Manual de Direito Previdenciário. 7ª Edição. 10 CASTRO. entretanto. De acordo com Carlos Alberto Pereira de Castro e João Batista Lazzari: a desaposentação é o direito do segurado ao retorno à atividade remunerada. Existe apenas um ditame no Decreto regulamentador. Hamilton Antonio Coelho define como desaposentação: A contagem do tempo de serviço vinculado à antiga aposentadoria para fins de averbação em outra atividade profissional ou mesmo para dar suporte a uma nova e mais benéfica jubilação. No caso. 509. posto que a limitação da liberdade individual deve ser tratada explicitamente. subsiste a permissão.1130-1134. 2006.228. Na legislação específica da Previdência Social tampouco existe dispositivo legal proibitivo da renúncia aos direitos previdenciários. que seria essa desistência ou renúncia expressa do segurado à aposentadoria já concedida. São Paulo: LTR. que explica que o instituto da desaposentação objetiva “uma melhor aposentadoria do cidadão para que este benefício previdenciário se aproxime. p. Direito disponível. Carlos Alberto Pereira de. Hamilton Antônio. O que existe no sistema previdenciário brasileiro é a ausência de norma proibitiva. que a desaposentação é muito mais fruto da construção doutrinária e jurisprudencial do que propriamente retirada do texto legal.9 Assim. p. prejudicando-o. ao máximo.

br/revistajuridica/edicao_marco2007/discente/dis6. visto constar de forma expressa no texto constitucional. ao qual o segurado esteja devidamente vinculado na ocasião do requerimento do benefício. § 9°. 2003. a concepção mais abrangente.unifacs. que pode ocorrer por iniciativa do INSS. Daniel Machado da (Coord. que considera o instituto da desaposentação como cabível tanto na hipótese em que o aproveitamento do tempo de contribuição se dê no mesmo regime previdenciário. Um ponto a se destacar é que existem discordâncias doutrinárias a respeito da possibilidade de desaposentação para o aproveitamento do tempo em um mesmo regime. já existe o instituto da contagem recíproca que possibilita a contagem do tempo de contribuição em determinado regime com o escopo de implementar os requisitos legais para a concessão do benefício de aposentadoria em um outro regime previdenciário. quanto em um outro regime. renunciar ao benefício para postular uma outra aposentadoria futuramente. em virtude das contribuições vertidas após a aposentação. motivada por ilegalidade na concessão. a teor do que determina a Lei n. depois de aposentado. e assim não padece dúvida acerca desta. Não obstante o confronto de opiniões. disposta no art.).Devemos ter em mente ainda que a desaposentação não se confunde com a anulação ou revogação do ato administrativo da jubilação. Marina Vasques.° 9.13 12 DUARTE. CF/88. já que o órgão de origem deverá compensar sempre o órgão concessor. admitindo assim o referido instituto em ambas as situações. Isabella Borges. Isso acontece pela continuidade laborativa do segurado aposentado que. 201. Traduz-se. In: ROCHA. portanto de tentativa de cumulação de benefícios. 13 ARAUJO. deve-se enfatizar que predomina. O objetivo principal da Desaposentação é possibilitar a aquisição de benefícios mais vantajosos no mesmo ou em outro regime previdenciário. 6 . Marina Vasques Duarte adota tal posicionamento ao explicar que tanto quando se tratar de renúncia dentro do mesmo regime quanto entre regimes distintos não subsiste razão para a diferenciação. isto é. na possibilidade de o segurado. 91-92. Desaposentação no direito brasileiro.doc.Temas Atuais de Direito Previdenciário e Assistência Social. 12 Isabella Borges de Araújo destaca ainda: Pondere-se que na hipótese de mudança de regime previdenciário. Disponível em http://www. Desaposentação e revisão do benefício no RGPS. notadamente. mas sim do cancelamento de uma aposentadoria e o posterior início de outra. em função do novo tempo contributivo. pretende obter novo beneficio em condições melhores. assim.796/99. Não se trata. Porto Alegre: Livraria do Advogado. p. A contagem recíproca já é garantia constitucional. entre regimes distintos.

a diferenciação básica seria a devolução de valores e a intenção de utilização do tempo de serviço. ao status quo ante.003417-4. o que impõe ao segurado a obrigação de devolver todos os valores que recebeu em razão de sua aposentadoria. DJU de 15. O TRF da 4ª Região já se manifestou sobre a matéria.2003. restituindo-se as partes. Des Fed. Achamos oportuno destacar o entendimento adotado pela Turma Recursal de Santa Catarina. nesse caso igualando a mesma à renúncia da aposentadoria. Embargos Infringentes providos. Gilson Dipp. 2004.Temos que destacar que tanto doutrinária quando a jurisprudência pacificou-se o entendimento de que a aposentadoria é direito patrimonial disponível. Sessão de 5. conseqüentemente.92.01. É portanto.067002-2/RS. faz-se necessário o desfazimento do ato de concessão. Logo.8. opera efeitos ex nunc. mas de forma diversa da Turma Recursal. da competência da 5ª Turma.2004. Pelo entendimento adotado no julgamento acima citado. o segurado abdica de seu benefício e. 497683. mas não precisa restituir o que já recebeu a título de aposentadoria. a desaposentação nada mais é do que uma renúncia com efeitos ex tunc. 7 . Se o segurado pretende renunciar ao benefício concedido pelo INSS para postular aposentadoria junto a outro regime de previdência. cujo Relator foi o Min. RENÚNCIA À BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO EM OUTRO SISTEMA DE PREVIDÊNCIA. mas não do direito ao aproveitamento.95. PROCESSUAL CIVIL. do tempo de serviço que serviu de base para o primeiro. os proventos recebidos da autarquia previdenciária deverão ser restituídos. Para tanto. no julgamento do Processo n.04. Na desaposentação. o segurado também abdica do seu direito ao benefício. 15 EIAC nº 1999. NECESSIDADE DE RESTITUIR OS VALORES AUFERIDOS À TITULO DE APOSENTADORIA. 2. Ou seja. Relator Juiz Ivori Luis da Silva Scheffer. mas salientando a necessidade de restituição dos valores recebidos. 2004. favorável a desaposentação. com a contagem do tempo que serviu para o deferimento daquele be nefício. no qual a mesma diferenciou renúncia de desaposentação. tendo decidido. Vejamos a ementa: PREVIDENCIÁRIO. Rel. Proc. Na renúncia. 1. passível de renúncia ou desistência para eventual obtenção de certidão de tempo de serviço/contribuição. pelo STJ.15 14 Turma Recursal dos Juizados Especiais de Santa Catarina. Temos inúmeros precedentes entre eles o julgamento. segurado e INSS. em outro benefício.92. do direito de utilizar o tempo de serviço que ensejou sua concessão. Luiz Fernando Wowk Penteado.01. do Agravo em recurso especial de nº.003417-4.14 Nessa decisão a Turma diferenciou institutos que a doutrina comumente traz como idênticos. em Embargos Infringentes. 3ª Seção.95.

Muitos propõe que para poder reutilizar esse tempo o segurado seria obrigado a devolver os valores recebidos anteriormente. I – Não mais convindo ao beneficiário a percepção de aposentadoria previdenciária. ante a inexistência de norma legal expressa em sentido contrário.03.16 Resumimos portanto que a desaposentação é possível no direito brasileiro. da Carta Magna. em razão do princípio da irrepetibilidade ou 16 TRF-3º Reg. mas também não manteria o direito de utilizar o tempo já considerado. 8 .11. 98. Correção monetária. a aposentadoria se destina a prover a subsistência do aposentado. n. in Revista de Previdência Social 219/119. XXXVI. n. 420.A cláusula constitucional do direito adquirido. Por isso alguns julgadores e doutrinadores diferenciam a desaposentação da simples renúncia da aposentadoria. outro dado deve ser anexado ao estudo: a natureza alimentar das verbas recebidas a título de aposentadoria. existindo. restariam sem qualquer tutela. a pedido do próprio beneficiário.03. que seria aquele na qual o aposentado não ressarce os cofres públicos. Possibilidade. mediante a conseqüente devolução dos valores pertinentes ao INSS. Tal posicionamento vem sendo adotado pelos tribunais pátrios. no caso vertente. 5º. Aposentadoria proporcional por tempo de serviço.DJU 3..O TRF DA 3ª Região também considera necessário para o desfazimento da aposentadoria a devolução dos valores. Entretanto.037653-5. Como já definimos no item 2. Juros de moras. Honorários advocatícios. visa proteger o cidadão das investidas do Poder Público. Previdenciário. entre eles o STJ. não cabe invocá-lo contra o apelado.98. com o intuito de obrigá-lo a permanecer aposentado. municia-o de instrumento para que possa ficar ao abrigo de eventuais medidas que venham a lhe trazer prejuízos que de outro modo. Rel.Ac. Logo. entretanto. Segue a decisão: Administrativo.1. 98. do ato de concessão.037653-5/SP-Ap. não explica se essa devolução seria apenas no caso da utilização do tempo para outra aposentadoria. discordâncias no tocante a necessidade da devolução dos valores recebidos a título de aposentadoria para que o tempo possa ser reutilizado para a concessão de novo jubilamento. protegidos pelo PRINCÍPIO DA IRREPETIBILIDADE OU DA NÃO DEVOLUÇÃO DOS ALIMENTOS. Vejamos: Uma vez reconhecida a natureza alimentar dos benefícios previdenciários é inadmissível a pretensão de restituição dos valores pagos aos segurados. é lícito o pleito de sua desaposentação. esculpida como um dos direitos e garantias individuais na forma do art. É pacífico o entendimento de que os valores recebidos mensalmente a título de aposentadoria têm natureza alimentar. Proc. Theotônio Costa. Desfazimento. contra os seus interesses. Mas no caso. II. ficando portanto.325/SP.

p.04. que tem natureza alimentar. O PRINCÍPIO DA IRREPETIBILIDADE DOS ALIMENTOS.723228. a subsistência dos seus beneficiários. pode ser considerada válida a vinculação da nova utilização do tempo com a devolução das verbas recebidas.288. pelo caráter alimentar. Processo: 200401512008 UF: Órgão Julgador: QUINTA TURMA. Relator (a) FELIX FISCHER. Deve ser ressalvado. AGRESP . a análise da devolução dos valores não é simples. Assim. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 697397. INCIDE. não se podem considerar indevidos os vencimentos pagos pelo INSS à época da aposentadoria. notadamente pelo fato de garantirem.17 É indevida a restituição dos valores recebidos a título de conversão da renda mensal do benefício previdenciário em URV por se tratar de benefício previdenciário. como querem fazer parecer alguns julgadores.da não-devolução dos alimentos. historicamente têm sofrido significativa redução nos seus ganhos. indiscutivelmente. condição essa que.049702-7/RS . pessoas que. deve ser destacada a natureza eminentemente alimentar dos proventos percebidos a título de benefício previdenciário.20 Cumpre aqui trazer à baila parte do Voto proferido no processo nº 2002. sempre tiveram uma vida de parcos recursos. E tampouco estaria atrelada a possibilidade de utilização do tempo com a devolução dos valores recebidos. minimamente. 18 Inadmissível o pleito de restituição dos valores pagos aos segurados por força da decisão rescindida. não pode deixar de ser reconhecida. Processo: 200500205672 UF: SC Órgão Julgador: QUINTA TURMA. in verbis: Em primeiro lugar. Ed.19 A propósito do tema. Data da decisão: 07/04/2005. ainda que o alimentário venha decair da ação na mesma instancia ou em grau de recurso”.01. Isso porque. em razão do reconhecimento da natureza alimentar dos benefícios previdenciários. o caráter social das prestações pagas pela Autarquia-Previdenciária. conquanto. 18 STJ. ao contrário.. Bookseller. SC SC DJ (a) 9 .TRF da 4ª Região. na sua grande maioria. 17 STJ. Precedentes. DJ DATA:02/05/2005 PÁGINA:414. Data da decisão: 07/04/2005. tampouco. elucidou o nobre Jurista PONTES DE MIRANDA que “os alimentos recebidos não se restituem. Processo: 200401512200 UF: Órgão Julgador: QUINTA TURMA. 20 in Tratado de Direito Privado. 19 STJ. ainda. Data da decisão: 19/04/2005 DJ DATA:16/05/2005 PÁGINA:399. 200. Relator GILSON DIPP. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL – 697633. À ESPÉCIE. e que após o seu jubilamento não experimentaram qualquer melhora financeira. Tomo 9. DATA:16/05/2005 PÁGINA:399.

NECESSIDADE DE ANUÊNCIA DO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO ENVOLVIDO – ADM INISTRAÇÃO PÚBLICA OU INSS Alguns doutrinadores sustentam sua posição no entendimento que a renúncia não poderia ser configurada como renúncia posto que depende de requerimento e 10 . O segurado pode desistir do seu pedido de aposentadoria desde que manifeste essa intenção e requeira o arquivamento definitivo do pedido antes do recebimento do primeiro pagamento do benefício. 4. na forma deste Regulamento. são irreversíveis e irrenunciáveis. As aposentadorias por idade. Acrescentado pelo Decreto nº 4. a mesma já resta pacificada na jurisprudência pátria. E no tocante a admissibilidade da renúncia. PONTOS LEVANTADOS PELO INSS E DEM AIS OPOSITORES À DESAPOSENTAÇÃO E COM ENTÁRIOS DA AUTORA A autarquia previdenciária e alguns doutrinadores vêm defendendo a impossibilidade da desaposentação. ou de sacar o respectivo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço ou Programa de Integração Social. prevalecendo o que ocorrer primeiro. (Artigo acrescentado pelo Decreto nº 3. CARÁTER IRRENUNCIÁVEL DA APOSENTADORIA Os opositores da desaposentação defendem o caráter indisponível e irreversível da aposentadoria. de 9/06/2003) Entretanto.2.729. de 29/11/99) Parágrafo único. como norma subsidiária que é. Vejamos os ditames do Decreto: Art. é patente que um Decreto. tendo embasado seu posicionamento em diversos pontos.265.048/99. não pode restringir a aquisição de um direito do aposentado. Vejamos os mais comuns: 4. conforme disposto no artigo 181-B do Decreto n. prejudicando-o.4. quando a lei quedou-se omissa. Não podem prosperar os argumentos de irrenunciabilidade e irreversibilidade da aposentadoria. quando o mesmo optar pela desaposentação. quando da pretensão de tolhimento do benefício pelo concessor do mesmo. tempo de contribuição e especial concedidas pela previdência social.181-B. 3. que constituem garantias em favor do segurado.1. não cabendo sua utilização em desfavor do aposentado. ou até trinta dias da data do processamento do benefício.

da continuidade da aposentadoria) poderia se sobrepor ao do indivíduo (que seria o da desaposentação). Assim. Desaposentação. apesar de influir no direito da coletividade (fundo previdenciário do regime geral. Portanto. Não se pode portanto. necessário se fará um outro ato administrativo vinculado: o ato da desaposentação. veículo introdutor da aposentadoria. excluindo-se assim a necessária unilateralidade do instituto. de objeto lícito e moral. de expressa previsão legal. o enriquecimento ilícito do segurado. que necessita de um agente capaz. Embora haja o interesse do segurado. Por óbvio que no caso em análise o direito individual se sobrepõe ao público. ainda que subsistam lado a lado. sendo intransferível. da mesma forma que não se poderia obrigá-lo a continuar trabalhando uma vez implementadas as condições para a concessão de uma aposentadoria. se adotarmos tal entendimento. objeto lícito e mora – face à aferição de vantagem em detrimento do equilíbrio financeiro dos Regimes de Previdência. nº 301. pelo princípio da paridade das formas. desde prevista a necessidade em lei. Entretanto. Lorena de Mello Rezende. ou seja. caráter solidário do sistema) é um direito eminentemente pessoal e individual. p.concordância da Administração (órgão pagador e gestor do benefício). no caso da desaposentação. com requisitos idênticos à emissão do ato de aposentação. previsão legal. para que o fato jurídico aposentadoria seja retirado do ordenamento. como vimos anteriormente. a Autarquia poderia apenas criar requisitos para a anuência da desaposentação. além do interesse público. nem mesmo. não há interesse público. 11 . a anuência do poder ou órgão gestor deveria ser automática. 21 COLNAGO. E assim. não haveria que se falar no interesse público. ano XXIX. dezembro de 2005. No caso da aposentadoria. e. Isso porque. o fato natural: inatividade remunerada pelos cofres públicos torna-se jurídica e exigível através de um ato administrativo vinculado: aposentação. Revista de Previdência Social. geralmente.21 Nesse tópico devemos lembrar que restando pacificado o entendimento da disponibilidade do direito a aposentadoria não haveria que se falar na impossibilidade de renúncia. obrigar alguém a continuar aposentado. como por exemplo a devolução dos valores.793. Destacamos o posicionamento de Lorena de Mello Rezende Colnago: É de suma relevância lembrar que um fato jurídico ingressa no mundo jurídico através de um suporte que. até porque não nos parece lógico pensar que o interesse público (no caso. a aposentadoria. é uma norma.

a desaposentação também seria um ato vinculado feito pela Autarquia Previdenciária. Agora. e no caso. assim como a concessão do benefício. devemos novamente analisar na forma direito individual versus direito coletivo ou da administração pública. ainda que judicial. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Também é invocado pelo INSS bem como pelos opositores da desaposentação o princípio da legalidade de observância obrigatória para a administração pública. os autores defendem que a Administração Pública estaria impedida de conceder a desaposentação por ausência de previsão legal. Destacamos também a impossibilidade do INSS de “abrir mão” desses valores em benefício de um único segurado. uns defendem que no tocante ao segurado ela seria possível porque ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei. Já outros defendem que à Administração pública somente é permitido aquilo que a lei prevê. frente ao caráter alimentar da verba. Logo. para ponderar o defendido pela corrente. Isso até se admite no âmbito administrativo. interna corpus. caput da CF/88. E no nosso entender.3. pela ausência de previsão. Até pelo que já foi levantado anteriormente no tocante a devolução dos valores. mas uma vez sai vitoriosa a interpretação que a liberdade individual se sobrepões ao direito da administração. da impossibilidade da Autarquia de cobrar. Ou seja. mas interpretando de forma oposta aos defensores da tese. No caso. Sob esse enfoque. No caso. Entretanto. nos termos do artigo 37. 12 . a liberdade concedida e garantida constitucionalmente de que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei é mais consistente do que o dever da administração de somente fazer aquilo que a lei permite ou determina. a ausência de previsibilidade legal para o procedimento de desaposentação e suas implicações no sistema de seguridade seria impeditivos da concessão do requerimento por parte da Autarquia.4. discutir esse enfoque de forma a justificar a impossibilidade de deferimento. não haveria que se falar em direito a desaposentação. seja complicado para a autarquia previdenciária criar um procedimento para a desaposentação em virtude da ausência da previsão legal. nos parece absurda. Portanto. até se entende que. em detrimento da coletividade. Até porque.

não há interesse público. No caso. aqueles que acreditam ser necessária a devolução dos valores ao erário para que o tempo possa ser contato para nova aposentadoria. veículo introdutor da aposentadoria. parece mais volumosa a corrente que defende a desnecessidade de devolução de valores. Inclusive. Entretanto. há quem diferencie a renúncia simples (no caso. 22 COLNAGO. da desaposentação. mesmo entre os autores que defendem a possibilidade de desaposentação. necessário se fará um outro ato administrativo vinculado: o ato da desaposentação. como já vimos anteriormente.4. Desaposentação. com requisitos idênticos à emissão do ato de aposentação. Lorena de Mello Rezende. p. Até porque o recebimento das verbas não foi indevido ou ilícito. Vejamos o posicionamento de Lorena de Mello Rezende Colnago: É de suma relevância lembrar que um fato jurídico ingressa no mundo jurídico através de um suporte que. além do interesse público. nº 301. e portanto. como já vimos. se não é exigível do segurado a devolução das verbas por seu caráter alimentar. nem mesmo. Assim. no caso da desaposentação. e. as mesmas restaram “consumidas” e não é exigível do segurado a devolução. ou seja. Embora haja o interesse do segurado. o enriquecimento ilícito do segurado. Revista de Previdência Social. a natureza alimentar das verbas recebidas a titulo de aposentadoria impossibilitam a devolução das parcelas recebidas. objeto lícito e mora – face à aferição de vantagem em detrimento do equilíbrio financeiro dos Regimes de Previdência. existem. os opositores da desaposentação alegam o enriquecimento ilícito do segurado bem como o ferimento ao princípio da isonomia. sem o interesse de utilização do tempo. ENRIQUECIM ENTO ILÍCITO DO SEGURADO Tema controverso no tocante a desaposentação é a devolução dos valores recebidos a título da aposentadoria que se esta renunciando. sem a necessidade de devolução dos valores). geralmente. que necessita de um agente capaz. E nesse ponto. ano XXIX. Nesse caso. não haveria que se falar em enriquecimento ilícito. No caso da aposentadoria.793. previsão legal. pelo princípio da paridade das formas. é uma norma. 13 . de objeto lícito e moral. para que o fato jurídico aposentadoria seja retirado do ordenamento. que seria a desistência da aposentadoria com o intuito da utilização do tempo na busca de uma melhor aposentadoria.22 Mas. de expressa previsão legal. o fato natural: inatividade remunerada pelos cofres públicos torna-se jurídica e exigível através de uma ato administrativo vinculado: aposentação. O entendimento da jurisprudência muitas vezes tem pendido para tal necessidade. dezembro de 2005.4.

96 (. isso não tem sido o bastante para que o INSS aceite. na forma da lei.. Entretanto. tendo sido transferida a modificação para a seção de cuida da contagem de tempo recíproca de tempo de serviço. com os acréscimos previstos no inciso IV do caput deste artigo.) Parágrafo único. Claro que podemos interpretar o retorno ao trabalho ou à atividade especial como formas de renúncias tácitas para a aposentadoria por invalidez ou especial.154. 6.213/91.154/2002 No nosso entender. mediante a alteração do art. DAS SUGESTÕES DE M ODIFICAÇÃO LEGISLATIVA . com nova redação a uma dos incisos e acréscimo de um parágrafo único.. Vejamos algumas: 14 . poderão. ou seja. respectivamente. uma previsão mais expressa da Lei no tocante a possibilidade de renúncia.. Entretanto. tendo por objetivo acrescentar o parágrafo único do artigo 54 da Lei 8.) III – não será contado por um regime previdenciário o tempo de contribuição utilizado para fins de aposentadoria concedida por outro.5. a redação trazida. Vejamos a redação final do referido projeto: Art.PROJETO DE LEI Nº 7. da possibilidade de renúncia da aposentadoria.. 96.154/2002 O Deputado Inaldo Leitão apresentou em 2002 o Projeto de Lei de nº 7. a desaposentação nos demais casos. administrativamente. (. tanto no projeto original quanto no projeto modificado deixa inúmeras duvidas. que teria o seguinte teor: As aposentadorias por tempo de contribuição e especial concedidas pela Previdência Social. Na hipótese de renúncia à aposentadoria devida pelo Regime Geral da Previdência Social. somente será contado o tempo correspondente a sua percepção para fins de obtenção de benefício por outro regime previdenciário. salvo na hipótese de renúncia ao benefício. Logo. a qualquer tempo. se o projeto for convertido em Lei vai ao menos trazer a vantagem da previsão legal da desaposentação. ser renunciadas pelo Beneficiário. por si só. CRÍTICAS A RESPEITO DO PROJETO DE LEI Nº 7. mediante indenização da respectiva contribuição. ficando asseguradas a contagem de tempo de contribuição que serviu de base para a concessão do benefício. O projeto foi então modificado pela Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania. já seria benéfico para o sistema previdenciário brasileiro.

é vedada a contagem de tempo de serviço público com o de atividade privada. sanando apenas o problema para a utilização em regimes diferenciados.154-C) tal diferenciação já não resiste.No caso do projeto original a redação prevê apenas a possibilidade de renúncia no caso de aposentados especial e por tempo de serviço. ao menos em seu primeiro momento. IV .o tempo de serviço anterior ou posterior à obrigatoriedade de filiação à Previdência Social só será contado mediante indenização da contribuição correspondente ao período respectivo.Da Contagem Recíproca de Tempo de Serviço. Acredito que esta localização da modificação no artigo 96 acabará por trazer confusões no tocante a possibilidade de desaposentação para utilização de tempo para um mesmo regime. No nosso entender não existe justificativa jurídica para essa diferenciação. 5º caput. Isso deixa de fora os aposentados por idade. ou seja. observadas as normas seguintes: I . tais como o do necessário equilíbrio atuarial. Também. 24 Seção VII . pois sem a previsão na lei regulamentada o decreto estaria extrapolando suas finalidades. Assim. constante em nossa CF no art. Ao tratamos ainda do projeto com alterações. II . da igualdade e da isonomia. devemos considerar que a seção em que estará inserida a norma será referente a contagem recíproca. Existiria aí um grave atentado ao princípio da isonomia. Destacamos que na redação do projeto modificado (7. A possibilidade ali parece estar sendo aplicada a qualquer espécie de aposentadoria do RGPS. 96.não será admitida a contagem em dobro ou em outras condições especiais. quando concomitantes. não poderia o decreto que viesse a regulamentar a lei. suscitando princípios constitucionais. o que constituiria ilegalidade e certamente suscitaria questionamentos neste 23 Art. conquanto estaria indo além da mera regulamentação da lei. Roseval Rodriges da Cunha Filho levanta alguns: Haverá quem argumentará que a inexistência de disposição na Lei pertinente à devolução de alguma importância ao regime concessor da aposentadoria renunciada. O que não foi a intenção do projeto. passando à excedê-la. O tempo de contribuição ou de serviço de que trata esta Seção será contado de acordo com a legislação pertinente. a determinação de devolução de “algo” ao regime concessor da aposentadoria renunciada. ou mesmo a inconstitucionalidade da Lei. pode-se entender que a modificação legislativa diz apenas respeito as situações em que o aposentado optaria por renunciar a aposentadoria e utilizar o tempo para outro regime. inviabilizaria o procedimento de desaposentação. Outro ponto importante no tocante ao projeto de Lei mencionado é a ausência de manifestação acerca da devolução de valores ao regime do qual esta se renunciando a aposentadoria em questão. da modificação transferida para o artigo 96 23 24 . III .não será contado por um sistema o tempo de serviço utilizado para concessão de aposentadoria pelo outro. com acréscimo de juros moratórios de um por cento ao mês e multa de dez por cento. 15 . Tal omissão por certo levará à algumas discussões quando da aplicação da lei.

Aposentadoria. Desaposentação. Desaposentação e Nova Aposentadoria. remetendo a instrumentalização de tal devolução. Revista de Previdência Social. contudo o mesmo necessita de ajuste no sentido de que se defina a questão da devolução de importância ao regime concessor da aposentadoria renunciada.26 Mas nesse caso novamente estaríamos criando uma diferenciação ilegal dos aposentados por idade. o projeto em si carece de enfoque técnico. Entretanto. O projeto carece. p. a qualquer tempo. ao pagamento de indenização proporcional à compensação previdenciária e ao total recebido a título de aposentadoria. Revista de Previdência Social. importante a existência do projeto legislativo em comento. de correção no sentido de que se defina a questão da devolução de importância ao regime concessor da aposentadoria renunciada. ou mesmo para dar possibilidade de devolução de valores conforme uma equação a ser definida e aplicável a cada caso concreto. ao menos buscando a discussão da desaposentação. Nº 274. poderão. a sua inserção no direito brasileiro acabará por aumentar a confusão já existente na matéria. seja para determinar a devolução integral dos proventos aposentários até então recebidos. Roberto Luiz Luchi. portanto. 26 DEMO. como aliás de todo o procedimento de desaposentação à norma regulamentadora. Nº 263. Da maneira como está atualmente. Logo. Roseval Rodrigues da. pelo que se apresenta até o momento.213/91. p. 25 Roberto Luiz Luchi Demo sugere nova redação ao parágrafo único a ser inserido ao artigo 54 da Lei nº 8. 25 CUNHA FILHO. carece o referido projeto de lei de modificações. E ainda. As aposentadorias por tempo de contribuição e especial concedidas pela Previdência Social. para que fixe a necessária devolução de alguma importância ao regime do qual se retira o desaposentando. Indenização ao sistema previdenciário. Vejamos a proposta: Parágrafo único.889/890. 16 .ponto.791/792. Ano XXVI. Direito disponível. Ano XXVII. o que já resta pacificado na jurisprudência como indevido. nos termos do regulamento. ser renunciadas pelo Beneficiário. na forma da lei. no nosso entender. Assim. outubro de 2002. Assim. seja para afastar expressamente tal devolução. a existência de um projeto de lei que busca trazer ao regime jurídico brasileiro uma solução para o impasse da desaposentação é muito válido. erroneamente falando de devolução de verbas de natureza alimentar. ficando condicionada a certificação do tempo de contribuição que serviu de base para concessão do benefício. Setembro de 2003.

cabe lembrar a colocação do Jurista Wladimir Novaes Filho. deve ser interpretado de forma a permitir a desaposentação. No tocante a permissão legal. não parece trazer solução para esse problema.154/2002. portanto. Isso porque. e a própria jurisprudência difere nos entendimentos sobre a necessidade ou não da devolução aos cofres públicos. jurisprudencial e legal (permissiva omissiva). Lei 9. garantir o equilíbrio atuarial do sistema. no caso concreto. dia 27/06/07.27 Outro ponto importante a ser atentado pelos aposentados é que a legislação previdenciário tem sofrido inúmeras modificações 28 tanto para o regime geral quanto para o regime próprio. a ausência de impedimento expresso. 28 Citamos as mais importantes: Emenda constitucional nº 20. quanto ao direito dos beneficiários de renunciarem a suas aposentadorias. Tema Desaposentação. Atualmente. Entretanto. no presente caso. Encontra-se fundamento doutrinário. o que acabará se equilibrando com um aumento de valor do benefício. Mas com relação ao equilíbrio financeiro e atuarial do sistema. 6º painel.7. além de uma expectativa de fundamento legal. fazendo uso do instituto da desaposentação. Como o assunto ainda não é pacífico. O maior problema para a instrumentalização da desaposentação nos aprece a necessidade ou não de devolução dos valores recebidos a título da aposentadoria que se vai renunciar. Assim. somente uma resolução legislativa poria fim a discussão. devemos lembrar que uma aposentadoria concedida mais tarde significará um pagamento por menos tempo. Emenda constitucional nº 41. a análise sobre a benéficie da 27 Palestra concedida no 26º Congresso Brasileiro de Previdência Social. Procurador do Estado de São Paulo e Graduando em atuária: O aumento no tempo de contribuição e a diminuição da expectativa de vida podem. tudo a respaldar o direito de renuncia à aposentadoria para a desaposentação e o conseqüente direito de aproveitamento do tempo de serviço que tenha dado origem ao benefício para efeitos de nova jubilação. pelo menos como se encontra até o momento. CONCLUSÃO Não restam dúvidas.876/99. 17 . nem sempre um benefício com mais tempo de contribuição resultará num valor de renda mensal maior. Sem falarmos nas parcelas vertidas ao regime após a primeira aposentadoria. o Projeto de Lei nº 7. Emenda constitucional nº 47. que acabaram por transformar de forma marcante o cálculo de renda mensal dos benefícios previdenciários.

já que ainda que legalmente cabível.desaposentação deve ser feita caso a caso. 18 . pode ser Desta forma. a análise deve ser cuidadosa de forma a prever as modificações legais que poderão afetar o valor final desse novo benefício. ainda que reste comprovado o direito dos aposentados que continuarem a contribuir em optarem pela desaposentação visando um aumento de seus benefícios. mais vantajoso ao segurado permanecer aposentado pelas regras anteriores. Principalmente se estivermos considerando a hipótese ainda não excluída totalmente da devolução dos valores recebidos a título da aposentadoria renunciada.

Maria Helena. São Paulo: LTR. In: ROCHA. Desaposentação no direito brasileiro. Direito disponível. dezembro de 2005.º 228. DEMO. Revista de Previdência Social. 198.html. 2003.8. Tomo II: previdência social. Setembro de 2003. DINIZ. CUNHA FILHO. 263. Revista de Previdência Social. Revista de Previdência Social. Desaposentação e revisão do benefício no RGPS. Revista de Previdência Social. Roberto Luiz Luchi.unifacs. Desaposentação e nova aposentadoria. Wladimir Novaes. 2006. Saraiva. Disponível:http//:www. Curso de Direito Previdenciário. nº 301. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Direito Previdenciário. março 2001.doc. COLNAGO. Indenização ao sistema previdenciário. 4ª edição.br/Artigos/Autor/FelipeCarvalho/ desaposen-tacao. Nº. Aposentadoria. Felipe Epaminondas de. Disponível em http://www. Desaposentação: Um Novo Instituto?. Celso Barroso. Dicionário jurídico. Carlos Alberto Pereira de. São Paulo: LTR. ano XXIX. Roseval Rodrigues da.com.Temas Atuais de Direito Previdenciário e Assistência Social. João Batista. São Paulo: LTR. 5ª edição. LEITE. Isabella Borges. 2002. Marina Vasques. Hamilton Antônio. São Paulo: LTR. 1993. Desaposentação: Uma Luz no Fim do Túnel. Marcelo Leonardo. Ano XXVI. nº 244. Desaposentação. BIBLIOGRAFIA ARAUJO. Revista de Previdência Social. MARTINEZ. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. TAVARES. LAZZARI. Manual de Direito Previdenciário. outubro de 2002. A Previdência Social ao alcance de todos.br/revistajuridica/edicao_marco2007/discente/dis6.).forense. Lorena de Mello Rezende. 2ª edição. COELHO. Desaposentação e Nova Aposentadoria. 7ª Edição. n. ano XXV. Ivani Contini. 19 . DUARTE. Nº 274. Desaposentação. Daniel Machado da (Coord. Ano XXVII. CASTRO. BRAMANTE. CARVALHO. 2003.

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