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Livro Eletrônico

Aula 10

Português p/ TJ-AM (Todos os Cargos) Com Videoaulas - Pós-Edital

Décio Terror Filho

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Décio Terror Filho
Aula 10

Compreensão e interpretação de textos de


gêneros variados. Reconhecimento de tipos e
gêneros textuais.
Sumário
1 – Interpretação de dados explícitos e implícitos .............................................................. 1
1 – Dados explícitos ........................................................................................................................... 2
2 – Dados implícitos ..........................................................................................................................
1203594 7
2 – Tipologia textual ........................................................................................................ 12
1 – Descritivo ................................................................................................................................... 12
2 – Narrativo ................................................................................................................................... 13
3 – Dissertativo ................................................................................................................................ 16
1 – Dissertativo-expositivo ............................................................................................................................................. 17
2 – Dissertativo-argumentativo ou opinativo ................................................................................................................. 18

3 – O que devo tomar nota como mais importante? ........................................................ 61


4 – Lista de questões........................................................................................................ 61
5 – Gabarito ..................................................................................................................... 86

1 – INTERPRETAÇÃO DE DADOS EXPLÍCITOS E IMPLÍCITOS


Olá, pessoal!
Vamos trabalhar tudo o que é importante na abordagem do texto, conforme é cobrado pela
banca CESPE. Tudo o que veremos nesta aula será confirmado nas aulas extras com provas
comentadas na íntegra.
Devemos entender que, quando se interpreta um texto para realizar um concurso, temos, na
realidade, duas interpretações a serem feitas. A primeira é a compreensão do texto em si, entender

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as expressões ali colocadas, tirar conclusões, compreender as entrelinhas, o contexto; a outra é a


compreensão do pedido da questão.
Às vezes até compreendemos bem o texto, mas não entendemos o pedido da questão.
Portanto, devemos comparar dois textos: o propriamente dito e o enunciado da questão.
Após isso, devemos confrontá-los e julgar se possuem ideias semelhantes ou não.

Isso é a interpretação.
É importante notarmos que, dentro de um texto, há informações implícitas e explícitas.

1 – DADOS EXPLÍCITOS

Em um texto podemos encontrar os dados explícitos, isto é, aquilo que o pedido da questão
informou é encontrado literalmente no texto. Didaticamente, representamos os dados explícitos
com o sinal “xxx”:

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Este é o tipo de questão mais simples e muitas vezes a banca CESPE tem cobrado em prova.
Veja nestas questões-modelo:

(CESPE / MPU Técnico)


Segundo a doutrina nacional, os crimes cibernéticos (também chamados de eletrônicos ou
virtuais) dividem-se em puros (ou próprios) ou impuros (ou impróprios). Os primeiros são os
praticados por meio de computadores e se realizam ou se consumam também em meio eletrônico.
Os impuros ou impróprios são aqueles em que o agente se vale do computador como meio para
produzir resultado que ameaça ou lesa outros bens, diferentes daqueles da informática.
É importante destacar que o art. 154-A do Código Penal (Lei n.º 12.737/2012) trouxe para o
ordenamento jurídico o crime novo de “invasão de dispositivo informático”, que consiste na conduta
de invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante
violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou
informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo, ou instalar
vulnerabilidades para obter vantagem ilícita. Quanto à culpabilidade, a conduta criminosa do delito
cibernético caracteriza-se somente pelo dolo, não havendo a previsão legal da conduta na forma
culposa.
1. (CESPE / MPU Técnico)
Depreende-se das informações do texto que, nos crimes cibernéticos chamados impuros ou
impróprios, o resultado extrapola o universo virtual e atinge bens materiais alheios à informática.
Comentário: Apesar de a questão pedir a depreensão das informações, o que sugere uma
interpretação implícita, na realidade, a interpretação é literal. Basta confirmarmos o que está
previsto no primeiro parágrafo. Lá é informado que o crime cibernético próprio ou puro é o praticado
por meio de computadores e se realiza ou se consuma também em meio eletrônico. A diferença
desse crime para o impuro ou impróprio é justamente a extrapolação do universo virtual, produzindo
dano a diferentes bens, alheios à informática. Compare o pedido da questão e o trecho do texto, por
meio da numeração para facilitar sua interpretação:
Depreende-se das informações do texto que, nos crimes cibernéticos chamados impuros ou
impróprios¹, o resultado extrapola o universo virtual² e atinge bens materiais alheios à informática³.
Os impuros ou impróprios¹ são aqueles em que o agente se vale do computador como meio para
produzir resultado que ameaça ou lesa outros bens², diferentes daqueles da informática³.
Assim, a afirmação da questão está correta.
Gabarito: C

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2. (CESPE / MPU Técnico)


Infere-se dos fatos apresentados no texto que a consideração de crime para os delitos cibernéticos
foi determinada há várias décadas, desde o surgimento da Internet.
Comentário: A questão aponta como inferência, isto é, interpretação implícita, mas ela é literal.
Fica claro no segundo parágrafo que a consideração de crime para os delitos cibernéticos é
algo novo (datado de 2012): “É importante destacar que o art. 154-A do Código Penal (Lei n.º
12.737/2012) trouxe para o ordenamento jurídico o crime novo de ‘invasão de dispositivo
informático’”.
Assim, não é uma consideração de várias décadas, mesmo porque a internet não tem muitas
décadas de vida.
Gabarito: E

3. (CESPE / Anatel Analista)

A mensagem veiculada nesse texto centra-se no descompasso existente entre a alta tecnologia
empregada nos aparelhos celulares e a baixa qualidade dos serviços oferecidos pelas operadoras de
telefonia celular.
Comentário: A interpretação é literal, concorda?! No primeiro quadrinho, fala-se da quantidade de
aplicativos, das várias opções do aparelho, observa-se a imagem feliz do usuário. No segundo, vê-se
uma imagem de um homem das cavernas indicando um serviço ultrapassado, antigo, sem recursos.
O conectivo de contraste “Já” marca ainda mais a ideia contrastante ao avanço da tecnologia
marcado no quadrinho anterior.
Assim, realmente a afirmativa está correta.
Gabarito: C

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(CESPE / Anatel Analista)

ANATEL. Internet: <http://www.anatel.gov.br>.


Em 2013, a ANATEL divulgou resultados comparativos de pesquisas de satisfação realizadas em 2002
e em 2012 e cujo objetivo era avaliar o índice de satisfação do consumidor brasileiro em relação aos
serviços de telefonia, de Internet e de TV por assinatura. No gráfico acima, são apresentados os
índices de satisfação do consumidor brasileiro em relação à TV por assinatura. Esses índices, em
porcentagem, variam de 0 (consumidor insatisfeito com o serviço) a 100 (consumidor muito
satisfeito com o serviço).
Com base nas informações do texto e do gráfico acima, julgue os itens subsecutivos.
4. (CESPE / Anatel Analista)
Os resultados comparativos entre os anos de 2002 e 2012 demonstram que o índice de satisfação
do consumidor brasileiro em relação à TV por assinatura via satélite (DTH) registrou aumento.
Comentário: Basta analisar a terceira expressão, a qual literalmente nos mostra que o índice de
satisfação do ano de 2002 era de 71,6. Em 2013, esse índice subiu para 72,1. Veja:

Assim, realmente a afirmativa está correta.


Gabarito: C

5. (CESPE / Anatel Analista)


Em 2012, o consumidor brasileiro mostrou-se menos satisfeito com os serviços de TV a cabo e com
a TV por assinatura via micro-ondas (MMDS).

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Comentário: Observando-se literalmente as duas primeiras expressões do quadro, percebemos que


o índice de satisfação em relação à TV a cabo, no ano de 2002, era de 68,2. Em 2013, esse índice caiu
para 51,6.
Em relação à TV por assinatura via micro-ondas (MMDS), percebemos que o índice de
satisfação, no ano de 2002, era de 72. Em 2013, esse índice caiu para 57,9.
Veja:

Assim, realmente a afirmativa está correta.


Gabarito: C

6. (CESPE / Anatel Analista)


A maior queda observada no que se refere ao índice de satisfação comparativo nos anos de 2002 e
2012 diz respeito à satisfação do consumidor brasileiro com o serviço de TV a cabo.
Comentário: O índice de satisfação em relação à TV a cabo, no ano de 2002, era de 68,2. Em 2013,
esse índice caiu para 51,6. Assim, houve uma queda de 16,6.
Em relação à TV por assinatura via micro-ondas (MMDS), o índice de satisfação, no ano de
2002, era de 72. Em 2013, esse índice caiu para 57,9. Assim, houve uma queda de 14,1.
Veja:

Com isso, realmente, a maior queda observada no que se refere ao índice de satisfação
comparativo nos anos de 2002 e 2012 diz respeito à satisfação do consumidor brasileiro com o
serviço de TV a cabo.
Gabarito: C

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2 – DADOS IMPLÍCITOS

Toda informação implícita do texto é “carregada” de vestígios. Como em uma investigação,


o criminoso não está explícito, mas ele existe. Um bom investigador é um excelente leitor de
vestígios. Os vestígios podem ser: uma palavra irônica, as características do ambiente e do
personagem, a época em que o texto foi escrito ou a que o texto se refere, o vocabulário do autor,
o rodapé do texto, as figuras de linguagem, o uso da primeira ou terceira pessoa verbal etc. Tudo
isso pode indicar a intenção do autor ao escrever o texto, daí se tira o vestígio que nos leva à boa
interpretação.

Neste tipo de interpretação, a questão não possui literalmente o mesmo trecho do texto.
Nela há um entendimento, uma conclusão (xxx), a qual podemos chamar de inferência, com base
nos vestígios (...), que são os vocábulos no texto. Para saber se a questão está correta, basta
confrontar esses dois textos e observar se há semelhança de sentido.
Muitas vezes, nesse tipo de questão, vemos expressões categóricas que eliminam a
possibilidade de semelhança no sentido. Por exemplo:
Podemos dizer que o Brasil vem crescendo economicamente e que o brasileiro está
melhorando sua qualidade de vida e aumentando seu poder de compra. Mas isso não quer dizer que
todo brasileiro aumentou seu padrão de compra, concorda? Por isso, chamamos de palavra
categórica aquela que especifica demais ou amplia demais o universo a que se refere o termo.
Perceba que a palavra “todo” ampliou muito (todo brasileiro aumentou seu poder de compra) um
referente tomado de maneira geral (o brasileiro aumentou seu poder de compra).
Assim, palavras como só, somente, apenas, nunca, sempre, ninguém, tudo, nada etc têm
papel importante nas afirmativas das questões. Essas palavras categóricas não admitem outra
interpretação e normalmente estão nas questões para que o candidato a visualize como errada.

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Vale lembrar que essas palavras categóricas são encontradas nos diversos tipos de interpretação
(literal ou implícita).
Vamos exercitar tomando como exemplo a seguinte frase:

É preciso construir mísseis nucleares para defender o Ocidente de ataques de


extremistas.

Marque (C) para informação de possível inferência do texto e (E) como informação equivocada do
texto.
1. O Ocidente necessita construir mísseis.
2. Há uma finalidade de defesa contra ataques de extremistas.
3. Os mísseis atuais não são suficientes para conter os ataques de extremistas.
4. Uma guerra de mísseis vai destruir o mundo inteiro e não apenas os extremistas.
5. A ação dos diplomatas com os extremistas é o único meio real de dissuadi-los de um ataque ao
Ocidente.
6. Todo o Oriente está contra o Ocidente.
7. O Ocidente está sempre sofrendo invasões do Oriente.
8. Mísseis nucleares são a melhor saída para qualquer situação bélica.
9. Os extremistas não têm bom relacionamento com o Ocidente.
10. O Ocidente aguarda estático um ataque do Oriente.

Vamos às respostas com base nos vestígios!

1. O Ocidente necessita construir mísseis.


(C) (Inferência certa, pois o vestígio é “É preciso”.)
2. Há uma finalidade de defesa contra o ataque de extremistas.
(C) (Inferência certa, pois o vestígio é a oração subordinada adverbial de finalidade “para defender
o Ocidente de ataques de extremistas”.)
3. Os mísseis atuais não são suficientes para conter os ataques de extremistas.
(E) (Inferência errada, pois não há evidência no texto de que já havia mísseis anteriormente. Note a
expressão “É preciso construir”. Se houvesse a expressão “É preciso ampliar a quantidade”, aí sim
isso poderia confirmar a declaração da questão, mas isso não ocorreu.)

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4. Uma guerra de mísseis vai destruir o mundo inteiro e não apenas os extremistas.
(E) (Inferência errada, pois a expressão “destruir o mundo inteiro” é uma suposição com base em
expressão categórica. Não há certeza de que os mísseis destruirão por completo o mundo, mas é
certo que vão abalar o mundo inteiro.)
5. A ação dos diplomatas com os extremistas é o único meio real de dissuadi-los de um ataque ao
Ocidente.
(E) (Inferência errada, pois novamente há expressão categórica. Pode haver outros meios, outras
negociações, não só pelos diplomatas.)
6. Todo o Oriente está contra o Ocidente.
(E) (Inferência errada, pois novamente há expressão categórica. Não se sabe se todo o Oriente está
contra o Ocidente. Pelo texto, são apenas os extremistas.)
7. O Ocidente está sempre sofrendo invasões do Oriente.
(E) (Inferência errada, pois novamente há expressão categórica: “sempre”. Além disso, houve uma
palavra que extrapolou o texto: “invasões”. Nada foi afirmado sobre invasão no texto.)
8. Mísseis nucleares são a melhor saída para qualquer situação bélica.
(E) (Consideração sem fundamento no texto. Veja as palavras categóricas.)
9. Os extremistas não têm bom relacionamento com o Ocidente.
(C) (Inferência possível, pois é vista a preocupação de possível ataque.)
10. O Ocidente aguarda estático um ataque do Oriente.
(E) (Consideração sem fundamento no texto.)
Assim, quando você for realizar as questões de interpretação, verá muitas dessas expressões
categóricas ou palavras que extrapolam o conteúdo do texto. Normalmente, já consideramos as
questões erradas já na primeira leitura, por estarem bem fora do contexto. Mas, logicamente,
sempre devemos voltar ao texto para confirmar. Aí vem o “burilamento”. Deve-se ter paciência para
encontrar os vestígios que comprovem sua resposta como a correta.
Vamos confirmar com algumas questões-modelo:

(CESPE / MPU Analista)


Na organização do poder político no Estado moderno, à luz da tradição iluminista, o direito
tem por função a preservação da liberdade humana, de maneira a coibir a desordem do estado de
natureza, que, em virtude do risco da dominação dos mais fracos pelos mais fortes, exige a existência
de um poder institucional. Mas a conquista da liberdade humana também reclama a distribuição do
poder em ramos diversos, com a disposição de meios que assegurem o controle recíproco entre eles
para o advento de um cenário de equilíbrio e harmonia nas sociedades estatais. A concentração do

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poder em um só órgão ou pessoa viria sempre em detrimento do exercício da liberdade. É que, como
observou Montesquieu, “todo homem que tem poder tende a abusar dele; ele vai até onde encontra
limites. Para que não se possa abusar do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o poder
limite o poder”.
Até Montesquieu, não eram identificadas com clareza as esferas de abrangência dos poderes
políticos: “só se concebia sua união nas mãos de um só ou, então, sua separação; ninguém se
arriscava a apresentar, sob a forma de sistema coerente, as consequências de conceitos diversos”.
Pensador francês do século XVIII, Montesquieu situa-se entre o racionalismo cartesiano e o
empirismo de origem baconiana, não abandonando o rigor das certezas matemáticas em suas
certezas morais. Porém, refugindo às especulações metafísicas que, no plano da idealidade, serviram
aos filósofos do pacto social para a explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade civil, ele
procurou ingressar no terreno dos fatos.
Fernanda Leão de Almeida. A garantia institucional do Ministério Público em função da proteção dos direitos
humanos. Tese de doutorado. São Paulo: USP, 2010, p. 18-9. Internet: <www.teses.usp.br> (com adaptações).
7. (CESPE / MPU Analista)
Montesquieu busca a explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade civil de forma análoga
à dos metafísicos.
Comentário: Basta lermos o último parágrafo, especificamente na expressão “refugindo às
especulações metafísicas”, além da dualidade “plano da idealidade” X “terreno dos fatos”.
O verbo “refugindo” significa “distanciando, recuando”, sentido contrário ao adjetivo
“análoga” do pedido da questão, cuja afirmação está errada. Assim, percebemos que Montesquieu
procurou o terreno dos fatos, diferente das especulações metafísicas, que serviram aos filósofos do
pacto social no plano da idealidade.
Gabarito: E

8. (CESPE / MPU Analista)


No Estado moderno, cabe ao Ministério Público a função da preservação da liberdade humana, de
forma a proteger os mais fracos da dominação dos mais fortes.
Comentário: No primeiro período do texto, é afirmado que “Na organização do poder político no
Estado moderno, à luz da tradição iluminista, o direito tem por função a preservação da liberdade
humana, de maneira a coibir a desordem do estado de natureza, que, em virtude do risco da
dominação dos mais fracos pelos mais fortes, exige a existência de um poder institucional.”
Já a questão afirma que cabe ao Ministério Público a função da preservação da liberdade
humana, de forma a proteger os mais fracos da dominação dos mais fortes.
Assim, a questão quis induzir o candidato a pensar que esse “poder institucional” pudesse ser
unicamente o “Ministério Público”, mas sabemos que não é só ele que age em função da liberdade
humana. Assim, a afirmação está errada.
Gabarito: E

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9. (CESPE / MPU Analista)


A conquista da liberdade humana pressupõe a distribuição do poder em ramos diversos.
Comentário: A questão trabalha a interpretação com base no sentido dos vocábulos “reclama” e
“pressupõe”.
No texto foi afirmado que “a conquista da liberdade humana também reclama a distribuição
do poder em ramos diversos”.
O verbo “reclama”, neste contexto, significa necessita, precisa, depende. Assim, para haver
conquista da liberdade humana, deve-se lutar, exigir a distribuição do poder em ramos diversos.
Porém, com a troca do vocábulo “reclama”, que traduz um valor de exigência, pelo vocábulo
“pressupõe”, o qual traduz uma ideia de simples suposição, subentendimento, há uma divergência
de sentido. É como se não precisasse lutar por essa distribuição do poder em ramos diversos, é como
se isso fosse algo intrínseco e naturalmente parte da conquista da liberdade humana, pois se diz que
simplesmente a conquista da liberdade humana pressupõe a distribuição do poder em ramos
diversos.
Esta questão causou muita polêmica, pois, numa leitura rápida, sem o devido
aprofundamento, parece realmente que as duas ideias são análogas, mas a original traduz uma
exigência e a segunda, uma simples suposição, algo como se já fizesse parte intrinsecamente, o que
não é verdade.
Gabarito: E

10. (CESPE / MPU Analista)


Segundo Montesquieu, aquele que não encontra limites para o exercício do poder que detém tende
a agir de forma abusiva.
Comentário: A questão aborda diretamente a observação de Montesquieu: “todo homem que tem
poder tende a abusar dele; ele vai até onde encontra limites. Para que não se possa abusar do poder,
é preciso que, pela disposição das coisas, o poder limite o poder”.
Assim, na visão dele, se não há limites, é natural o homem agir de forma abusiva. Portanto, a
afirmação está correta.
Gabarito: C

Todo texto é veiculado com base em três tipos básicos: descritivo, narrativo e dissertativo. A
banca CESPE cobra a diferença entre os tipos de texto.

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2 – TIPOLOGIA TEXTUAL
Veremos apenas o essencial da tipologia, noções que são cobradas nas provas da banca
CESPE.

1 – DESCRITIVO

O texto descritivo enfatiza o estático, é um retrato, um recorte de uma paisagem, uma ação,
um costume. O texto descritivo vai induzindo o leitor a imaginar o espaço, o tempo, o costume, isto
é, tudo que ambienta a história, a informação.
“Luzes de tons pálidos incidem sobre o cinza dos prédios. Nos bares, bocas cansadas conversam,
mastigam e bebem em volta das mesas. Nas ruas, pedestres apressados se atropelam. O trânsito
caminha lento e nervoso. Eis São Paulo às sete da noite.”
(em Platão e Fiorin)
Podemos notar no texto muitos adjetivos, juntamente com a enumeração de substantivos e
verbos. Não há interpretação de movimento neste texto. Tudo é recorte de instantes, por isso
poderíamos pintar um quadro com base na imagem que ele nos sugere.
Assim, descrever é enumerar características, ações e elementos que produzem uma imagem
“congelada” do instante ou da rotina.
Dentre a variedade de textos descritivos, ressaltam-se os textos instrucionais, injuntivos.
Veja um exemplo:

INSTRUÇÕES
Verifique se este caderno:
- corresponde a sua opção de cargo.
- contém 70 questões, numeradas de 1 a 70.
- contém a proposta e o espaço para o rascunho da Prova Discursiva. Caso contrário,
reclame ao fiscal da sala outro caderno.
Não serão aceitas reclamações posteriores.
- Para cada questão existe apenas UMA resposta certa.
- Leia cuidadosamente cada uma das questões e escolha a resposta certa.
- Essa resposta deve ser marcada na FOLHADE RESPOSTAS que você recebeu.
Capa de uma prova de concurso

Este texto é uma capa da prova de concurso. Nele se observa uma ordenação lógica, uma
interlocução direta com o leitor (o candidato ao cargo). Assim, a característica fundamental do texto

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instrucional é levar o receptor a modificar comportamento, a agir de acordo com os preceitos


emanados do texto, seguir a sequência. Este tipo de texto é também chamado de injuntivo ou
prescritivo. Apresenta em sua estrutura procedimentos a serem seguidos.
O texto descritivo pode se manifestar por meio de vários gêneros textuais, como manual de
instrução, bula, capa de uma prova de concurso, os fragmentos enumerativos de um edital, receita
etc.

2 – NARRATIVO

Diferentemente do texto descritivo, o narrativo é aquele que trabalha o movimento, as ações


se prolongam no tempo, sendo esta a característica principal. Narrar é contar uma história,
baseando-se na ótica do narrador (aquele que conta), sobre uma ou mais ações de personagem(ns),
numa sequência temporal, em determinado lugar. A história pode ser imaginária (ficção) ou real
(fato). Pode ser contada por alguém que é o pivô da história (narrador-personagem), ou por alguém
que está testemunhando as ações (narrador-observador). Quando há o narrador-personagem, há
verbos ou pronomes em primeira pessoa do singular. Quando há narrador-observador, há verbos e
pronomes em terceira pessoa.
Muitas vezes, quando o autor de um texto quer considerar um problema relevante na
sociedade, parte de um fato (narra uma pequena história real) e a partir dela tece suas
considerações. Assim, pode-se dizer que a primeira parte do texto é narrativa e a segunda é
dissertativa, a qual será vista adiante.
O texto narrativo pode se manifestar por meio de vários gêneros textuais, como piada,
fábula, parábola, conto, novela, crônica, romance, entrevista etc.
Eis um bom exemplo deste tipo de texto encontrado na prova do CESPE (médico perito INS),
em que os elementos da narrativa se fazem presentes.
A Revolta da Vacina
O Rio de Janeiro, na passagem do século XIX para o século XX, era ainda uma cidade de ruas
estreitas e sujas, saneamento precário e foco de doenças como febre amarela, varíola, tuberculose
e peste. Os navios estrangeiros faziam questão de anunciar que não parariam no porto carioca e os
imigrantes recém-chegados da Europa morriam às dezenas de doenças infecciosas.
Ao assumir a presidência da República, Francisco de Paula Rodrigues Alves instituiu como
meta governamental o saneamento e reurbanização da capital da República. Para assumir a frente
das reformas, nomeou Francisco Pereira Passos para o governo municipal. Este, por sua vez, chamou
os engenheiros Francisco Bicalho para a reforma do porto e Paulo de Frontin para as reformas no
centro. Rodrigues Alves nomeou ainda o médico Oswaldo Cruz para o saneamento.
O Rio de Janeiro passou a sofrer profundas mudanças, com a derrubada de casarões e cortiços
e o consequente despejo de seus moradores. A população apelidou o movimento de o “bota-abaixo”.
O objetivo era a abertura de grandes bulevares, largas e modernas avenidas com prédios de cinco
ou seis andares.

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Ao mesmo tempo, iniciava-se o programa de saneamento de Oswaldo Cruz. Para combater a


peste, ele criou brigadas sanitárias que cruzavam a cidade espalhando raticidas, mandando remover
o lixo e comprando ratos. Em seguida o alvo foram os mosquitos transmissores da febre amarela.
Finalmente, restava o combate à varíola. Autoritariamente, foi instituída a lei de vacinação
obrigatória. A população, humilhada pelo poder público autoritário e violento, não acreditava na
eficácia da vacina. Os pais de família rejeitavam a exposição das partes do corpo a agentes sanitários
do governo.
A vacinação obrigatória foi o estopim para que o povo, já profundamente insatisfeito com o
“bota-abaixo” e insuflado pela imprensa, se revoltasse. Durante uma semana, enfrentou as forças
da polícia e do exército até ser reprimido com violência. O episódio transformou, no período de 10 a
16 de novembro de 1904, a recém-reconstruída cidade do Rio de Janeiro em uma praça de guerra,
onde foram erguidas barricadas e ocorreram confrontos generalizados.
Internet: <www.ccs.saude.gov.br> (com adaptações).
Observe os traços temporais que marcam a evolução dos acontecimentos, ao mesmo tempo
em que as ações vão sendo desenvolvidas num cenário (Rio de Janeiro). Veja os elementos
temporais: “na passagem do século XIX para o século XX”; “Ao assumir a presidência da República”;
“Ao mesmo tempo”; “Em seguida”; “Finalmente”; “Durante uma semana”; “no período de 10 a 16
de novembro de 1904”.
Com isso, observa-se que há uma história sendo contada por alguém que não participou dela
(narrador-observador). Ele não tem necessidade de se posicionar diante de alguma situação, o que
se pretende com o texto é narrar um fato que ocorreu no Rio de Janeiro. Como o texto se
fundamenta na informação, diz-se que há um ponto de vista objetivo.
Com base no texto acima, resolva as questões a seguir:
11. (CESPE / Médico Perito INSS nível superior)
O texto faz um histórico da Revolta da Vacina, ocorrida no Rio de Janeiro, mostrando explicitamente
o ponto de vista do autor acerca do tema.
Comentário: Realmente houve um histórico sobre a Revolta Vacina, pois foram narrados os fatos
que a cercaram. Mas o erro está em dizer que houve ponto de vista explícito do autor acerca do
tema. Houve apenas a narrativa do fato, o narrador não faz considerações, por isso não toma
nenhum ponto de vista explicitamente.
Gabarito: E

12. (CESPE / Médico Perito INSS nível superior)


O texto apresenta marcadores que evidenciam a progressão da narrativa, tais como “Ao mesmo
tempo” e “Finalmente”.
Comentário: Estas são algumas das expressões que marcam a evolução do tempo, típica estrutura
de texto narrativo.
Gabarito: C

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13. (CESPE / MPU Técnico)


A partir de uma ação do Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal Regional Federal da 2ª
Região (TRF2) determinou que a Google Brasil retirasse, em até 72 horas, 15 vídeos do YouTube que
disseminam o preconceito, a intolerância e a discriminação a religiões de matriz africana, e fixou
multa diária de R$ 50.000,00 em caso de descumprimento da ordem judicial. Na ação civil pública, a
Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC/RJ) alegou que a Constituição garante aos
cidadãos não apenas a obrigação do Estado em respeitar as liberdades, mas também a obrigação de
zelar para que elas sejam respeitadas pelas pessoas em suas relações recíprocas.
Predomina no texto em apreço o tipo textual narrativo.
Comentário: O texto realmente é narrativo, pois conta um fato passado. Isso é confirmado por meio
de verbos no tempo pretérito perfeito do indicativo, como “determinou”, “fixou”, “alegou”. Além
disso, conseguimos perceber os personagens das ações, como “Tribunal Regional Federal da 2ª
Região (TRF2)” e “Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC/RJ)”.
Assim, conseguimos entender uma evolução temporal, ações, personagens e lugar (Brasil),
elementos importantes para observarmos o predomínio do texto narrativo.
Gabarito: C

Veja outro exemplo de narrativa, agora com o ponto de vista subjetivo, pois o narrador se
coloca na história:
"O pungente amor"
A descoberta da poesia de Carlos Drummond de Andrade, em 1949, atingiu-me de maneira
contraditória: chocou-me e obrigou-me a mudar de rumo.
Para que se entenda melhor o que ocorreu, devo esclarecer que a poesia que fazia até ali
nascera da leitura dos parnasianos, com os quais aprendera a compor sonetos rigorosamente
rimados e metrificados. Ignorava a poesia moderna. Alguns "sonetos brancos" de Murilo Mendes
publicados num jornal da cidade impressionaram-me, mas não me ganharam. Foi a leitura de Poesia
até agora, de Drummond, que provocou o choque. Havia no livro um poema intitulado "Lua
diurética". Fiquei perplexo: aquilo não podia ser poesia, disse-me, pois poesia para mim era, por
exemplo, "Ora direis, ouvir estrelas, certo/ perdeste o senso..." ou "Hão de chorar por ela os
cinamomos...". Lua diurética não tinha nada a ver...
Mas não conseguia largar o livro de Drummond. Lia e relia alguns dos poemas que mais me
perturbavam. E terminei tomando uma decisão: ler os críticos modernos para entender o que era de
fato aquela poesia antipoética.
E assim, na Biblioteca Pública, descobri O empalhador de passarinhos, de Mário de Andrade,
As cinzas do purgatório, de Otto Maria Carpeaux. Não sei se entendi direito o que diziam, não me
lembro. Mas terminei por admitir que havia uma nova poesia, distinta da que conhecia, cujo mérito
era exatamente estar ligada ao cotidiano. Em breve rendia-me ao fascínio de poemas como "Onde
há pouco falávamos" e "Viagem na família" ("Fala fala fala fala/ Puxava pelo casaco/ que se desfazia
em barro"). Uma outra dimensão da realidade se revelava a meus sentidos.

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É verdade que passei a ler ao mesmo tempo todos os poetas modernos que me caíam nas
mãos: Bandeira, Jorge de Lima, Murilo Mendes, Mário de Andrade. E poetas estrangeiros, como
Rilke, Eliot e, mais tarde, Rimbaud, Lautréamont, Mallarmé e Artaud... O que bebi neles amontoou-
se dentro de mim, fundiu-se, virou sangue, fala, fogo - um magma que me temperou e me fez nascer
de novo.
A verdade é que, agora, quando releio alguns dos poemas de Drummond daquela época, me
reconheço neles, percebo que sua fala está entranhada na minha, que aprendi com ele o "o pungente
amor" da vida.
Ferreira Gullar. In: http://revistacult.uol.com.br/website/dossie

Fica fácil perceber o ponto de vista subjetivo, pois notamos no texto expressões que marcam
um posicionamento do narrador em primeira pessoa e um envolvimento emocional no que
menciona, como se vê em “atingiu-me de maneira contraditória: chocou-me e obrigou-me a mudar
de rumo”, “devo esclarecer que”, “Fiquei perplexo”, “não conseguia largar o livro de Drummond”,
“Lia e relia alguns dos poemas que mais me perturbavam. E terminei tomando uma decisão: ler os
críticos modernos para entender o que era de fato aquela poesia antipoética.”.

3 – DISSERTATIVO

Dissertar é um processo em que o emissor transmite conhecimento, relata, expõe ideias,


discorre sobre determinado assunto, argumenta. De certa maneira, o texto mostra o ponto de vista
que o autor tem de determinado assunto, fundamentado em argumentos e raciocínios baseados em
sua vivência, conhecimento, posturas.
É certo dizer que ele engloba um conjunto de juízos. É próprio de temas abstratos e usado
em textos críticos, teses, exposição, explanação e argumentação.
Dependendo do ponto de vista, da organização e do conteúdo, a dissertação pode
simplesmente relatar saberes científicos, dados estatísticos, etc ou pode também buscar defender
um princípio, uma visão parcial ou não de um assunto, apresentando argumentos precisos,
exemplos, contradições, comparações, causas etc, para defender suas ideias. Sua estrutura
normalmente é a seguinte:
1) Introdução: é o parágrafo que abre a discussão ou simplesmente expõe a informação
principal, da qual se partirá nos próximos parágrafos à exemplificação, explicação, etc. Neste
parágrafo normalmente se encontra o tópico frasal, o qual também é entendido como tese, cuja
função é transmitir a opinião do autor, o centro da informação.
2) Desenvolvimento: pode ser composto de um ou mais parágrafos, os quais servem para
ampliar e analisar o conteúdo informado na introdução. Nele, encontramos os procedimentos
argumentativos, que podem conter a relação de causa e consequência, exemplificações, contrastes,

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citações de autoridades no assunto. Enfim, é o debate ou simplesmente o mergulho nas implicações


do tema.
3) Conclusão: é o fechamento da informação, seja ela crítica ou não. Muitas vezes iniciadas
por elementos como “Portanto”, “Em suma”, “Enfim”, etc. Nela há normalmente a ratificação,
confirmação da tese, tomando por base os argumentos dos parágrafos de desenvolvimento.
O texto dissertativo pode se manifestar por meio de vários gêneros textuais, como editorial,
artigo de opinião, carta de leitor, os diversos discursos políticos, de defesa, de acusação, resenhas,
relatórios, textos publicitários etc.
Com base nisso, a dissertação se divide em dois tipos:

1 – Dissertativo-expositivo

Quando o autor apenas transmite os saberes de uma comunidade (como em livros didáticos,
enciclopédias etc), não colocando sua opinião sobre o assunto, mas apenas os dados objetivos.
Veja alguns exemplos de texto dissertativo-expositivo:
Ferramenta que devolve spam ao emissor já é realidade
Uma nova ferramenta para combater a praga do spam foi recentemente desenvolvida. O
sistema é capaz de devolver os e-mails inconvenientes às pessoas que os enviaram, e está
estruturado em torno de uma grande base de dados que contém os números de identificação dos
computadores que enviam spam. Depois de identificar os endereços de onde procedem, o sistema
reenvia o e-mail ao remetente.
A empresa que desenvolveu o sistema assinalou que essa ferramenta minimiza o risco de
ataques de phishing, a prática que se refere ao envio maciço de e-mails que fingem ser oficiais,
normalmente de uma entidade bancária, e que buscam roubar informação como dados relativos a
cartões de crédito ou senhas.
Internet: <http://informatica.terra.com.br>. Acesso em mar./2005 (com adaptações).
(Prova: ANS / 2005 / superior/ CESPE)

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios
e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes
eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
(Excerto da CF/88. In: http://www.planalto.gov.br)

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Não se nota em nenhum dos dois textos a intervenção do autor, sinalizando sua opinião.
Houve apenas a exposição de fato (no primeiro) e de dado conceitual (no segundo).
Note que nesses dois textos não houve a opinião do autor. A base deles foi a transmissão do
saber, a informação. Por isso são textos dissertativo-expositivos.

2 – Dissertativo-argumentativo ou opinativo

Quando o autor transmite sua opinião dentro do texto. Geralmente é o que a banca CESPE
cobra nos concursos, tanto em interpretação de textos quanto na elaboração de redações.
Veja alguns exemplos de texto dissertativo-argumentativo:
Existe, por certo, um abismo muito largo e profundo entre a cosmovisão dos médicos em geral
(fundada em sua leitura dos fenômenos biológicos) e as concepções de vida da vasta maioria da
população. Salta à vista, na abordagem do assunto (a ética e a verdade do paciente), que se fica,
mais uma vez, diante da pergunta feita por Pôncio Pilatos a Jesus Cristo, encarando, como estava,
um homem pleno de sua verdade, “O que é a verdade?” E é evidente que um e outro se cingiam a
verdades díspares.
Dalgimar Beserra de Menezes. A ética médica e a verdade do paciente. In: Desafios éticos, p. 212-5 (com
adaptações). (Prova: ANS / 2005 / superior)

Note a opinião do autor logo na declaração inicial do texto: “Existe, por certo, um abismo
muito largo e profundo entre a cosmovisão dos médicos em geral...”. A expressão “por certo” é
chamada de modalizadora, tendo em vista que sugere uma visão, um posicionamento do autor. No
fechamento do texto (“E é evidente que um e outro se cingiam a verdades díspares.”), também
encontramos o modalizador: “é evidente”.
Assim, notamos no texto anterior um texto dissertativo-argumentativo ou opinativo.
Vamos a mais um exemplo:

Com pouco mais de meio século de atividade da indústria automobilística no Brasil, de acordo
com registros, foram vendidos 2,5 milhões de carros. Contraposto aos sucessivos recordes de
congestionamentos nas grandes cidades brasileiras, esse resultado expõe as fragilidades de um
modelo de desenvolvimento e urbanização que privilegia o transporte motorizado individual,
prejudica a mobilidade e até a produtividade das pessoas. O carro, no entanto, não é o único vilão.
A solução para o problema da mobilidade passa pela criação de alternativas ao uso do transporte
individual.
“Como as opções alternativas ao transporte individual são pouco eficientes, pela falta de
conforto, segurança ou rapidez, as pessoas continuam optando pelos automóveis, motocicletas ou
mesmo táxis, ainda que permaneçam presas no trânsito”, afirma S. G., profissional da área de
desenvolvimento sustentável. Contudo, restringir o uso do carro não resolve o problema. De acordo

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com consultores em transportes, a tecnologia é uma das ferramentas para equacionar o problema
do trânsito, desde que escolhida e implementada com competência.
Enfrentamento do problema da mobilidade determinará futuro das grandes metrópoles.
In: Revista Ideia Socioambiental. São Paulo. Internet: <www.ideiasocioambiental.com.br>. (com adaptações). (Prova:
DETRAN 2010 Médio)

Uma situação clara de posicionamento do autor se encontra na expressão “Contudo,


restringir o uso do carro não resolve o problema.”.
Vamos explorar mais um pouco os pontos de vista do autor:

Ponto de vista:
Os diversos tipos de texto são expressos por um emissor, que orienta o leitor sobre o que se
quer defender, criticar, contrastar. Esse ponto de vista pode ser objetivo ou subjetivo.

Subjetivo:
É subjetivo (intimista) o texto em que a impressão do autor extrapola a razão, a informação
do texto. Logicamente todo texto possui de alguma forma a opinião do autor, aquilo em que ele
acredita. Mas isso pode se dar de forma velada (mascarada) ou enfática. No texto subjetivo, o autor
se mostra pelo uso de verbos e pronomes em primeira pessoa, com vocabulário depreciativo ou
demasiado valorativo. A intenção é mostrar sua insatisfação, supervalorização, baseado na emoção,
no sentimento.
Como a linguagem é dinâmica e é por meio dela que o texto se veicula, não se pode ser
categórico ao se analisar o tipo de texto, nem mesmo seu ponto de vista; pois tudo depende da
intenção do autor. Um texto pode ser objetivo, mas com alguns traços de subjetividade, assim como
um texto altamente subjetivo pode possuir traços de objetividade. Leia o texto a seguir, extraído do
blog de Diogo Mainard, colunista da Revista Veja. Perceba nele os verbos e pronomes em primeira
pessoa, certos vocábulos que mostram a liberdade expressiva de sua opinião altamente pessoal. Isso
caracteriza o texto dissertativo-argumentativo, com ponto de vista subjetivo:

O leitor de VEJA já sabe o que esperar de mim: em matéria de prognósticos eleitorais, eu erro
fatalmente, eu erro teimosamente, eu erro rumorosamente. Nos primeiros meses de 2008,
prognostiquei que a candidata petista chegaria em quinto lugar. Dois anos e meio depois, estou aqui
reivindicando meu erro. Errei, errei, errei.
É bom errar. É bom repetir que errei. Só há um aspecto de meu trabalho de que realmente me
orgulho: eu nunca tentei compreender a mente ou o comportamento de meus compatriotas. Eu me
atormentaria se um dia, mesmo que por engano, acabasse acertando um resultado eleitoral. Os
valores aos quais sou mais apegado ruiriam. Quem compreende a mente e o comportamento dos
brasileiros é Valdemar Costa Neto. Quem compreende a mente e o comportamento dos brasileiros é

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a Mulher Melancia. Quem compreende a mente e o comportamento dos brasileiros é Chico Buarque.
Eles sabem o que os brasileiros querem. Eu só sei o que os brasileiros repelem. Eles repelem Antonello
da Messina e Memling. Eles repelem Pitágoras e Empédocles.
De todos os nossos escritores, o único que conseguiu compreender a mente e o
comportamento dos brasileiros foi Euclides da Cunha. Eu sempre recorro a ele quando tenho de tratar
do assunto. Ele é meu Valdemar Costa Neto particular. Euclides da Cunha podia interpretar o caráter
de uma pessoa a partir do formato e da medida de suas orelhas ou de sua testa. Eu me pergunto
como ele teria interpretado o formato e a medida das orelhas de um eleitor do PT, como Chico
Buarque.
http://veja.abril.com.br/blog/mainardi/

A repetição de palavras, o emprego da primeira pessoa e a escolha vocabular marcam uma


evidência de uma postura altamente subjetiva no texto, como se observa em “eu erro fatalmente,
eu erro teimosamente, eu erro rumorosamente”; “Errei, errei, errei.”; “É bom repetir que errei.”, “eu
nunca tentei compreender a mente ou o comportamento de meus compatriotas”.
Aqui apenas marquei alguns, mas o texto é recheado de postura subjetiva.

Objetivo:
O ponto de vista objetivo procura basear-se em fatos, argumentos, informações, evitando
transparecer a opinião pessoal do autor. O texto continua sendo opinativo, mas o autor mascara sua
opinião para ganhar credibilidade. Para isso se baseia em argumentos de autoridade (especialistas
entendidos no assunto, leis, regulamentos), pensamentos filosóficos, máximas, etc. Tudo para fugir
da impressão, do “eu acho”. Quanto mais dados para consubstanciar a opinião “velada” do autor,
melhor para a sustentação dos argumentos, tornando o texto objetivo, com verbos e pronomes
normalmente em terceira pessoa.
Veja um exemplo de trecho dissertativo-argumentativo, com ponto de vista objetivo.
O homem e a natureza
A ideia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua, se não fosse
perigosamente pretensiosa.
Essa crença lançou raízes profundas no espírito humano, reforçada por doutrinas que situam
corretamente o homo sapiens no ponto mais alto da evolução, mas incidem no equívoco de fazer
dele uma espécie de finalidade da criação. Pode-se dizer com segurança que nada na natureza foi
feito para alguma coisa, mas pode-se crer em permuta e equilíbrio entre seres e coisas. A aquisição
de características muito específicas como a linguagem, raciocínio lógico, memória pragmática,
noção de tempo e capacidade de acumular não fizeram do homem um ser superior no sentido
absoluto, mas apenas mais bem dotado para determinados fins.

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Isso não lhe confere autoridade para pretender que todo o resto do universo conhecido deve
prestar-lhe vassalagem, como de fato ainda pretende a maioria das pessoas com poder decisório no
mundo.
Lisboa, Luiz Carlos. Olhos de ver, ouvidos de ouvir. Rio de Janeiro, Difel, 1977.

Note que o texto é iniciado por uma ideia geral (a natureza não existe para servir o homem)
que será desenvolvida em seguida. Há várias inserções do autor, que provam sua opinião, em
terceira pessoa. São os chamados modalizadores:
“Pode-se dizer com segurança...”; “pode-se crer em permuta e equilíbrio...”; “Isso não lhe
confere autoridade...”; “...como de fato ainda pretende a maioria das pessoas com poder decisório
no mundo...”.
É claro que um texto não terá apenas uma tipologia textual. Muitas vezes terá as três num só
texto, mas vale o que predomina, aquele que transmite a ideia central, o objetivo.
Vamos a mais algumas questões-modelo:

14. (CESPE / Antaq Técnico)


Um dos principais desafios para o Brasil é conhecer a Amazônia. Sua vocação eminentemente
hídrica impõe, ao longo dos séculos, a necessidade do deslocamento de seus habitantes através dos
rios. Muito antes da chegada dos colonizadores na Amazônia, os nativos já utilizavam canoas. Ainda
hoje, grande parte da população amazônica vive da pesca. Além disso, o deslocamento do ribeirinho
se faz através da infinidade de rios que retalham a grandeza territorial.
Mas para conhecer a Amazônia de verdade é preciso entender sua posição estratégica para
o país. Os rios são a chave para esse conhecimento. São as estradas que a natureza construiu e em
cujas margens se desenvolveram inúmeras povoações. Portanto, é impossível pensar em Amazônia
sem associar a importância que os rios têm para o desenvolvimento econômico e social. Eles devem
ser vistos como os grandes propulsores do desenvolvimento sustentável da região.
Domingos Savio Almeida Nogueira. In: Internet: <www.portosenavios.com.br/artigos> (com adaptações).
Predomina no texto a narração, já que nele se identificam um cenário e uma ação.
Comentário: É fácil perceber que o texto não é narrativo. Ele é dissertativo. Note que o autor lança
uma tese “Um dos principais desafios para o Brasil é conhecer a Amazônia.”. Em seguida, discorre
sobre algumas considerações a respeito da Amazônia.
Para confirmar que o texto é dissertativo, veja os tempos verbais: os verbos estão
predominantemente no presente (“é”, “impõe”, “vive”, “faz”, “são”), o que confirma algumas
considerações do autor a respeito do tema. Já a narrativa se baseia em contar uma história. Assim,
deve-se utilizar de verbos no passado, o que pouco ocorreu neste texto. Com isso, notamos que a
afirmativa está errada.

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Gabarito: E

15. (CESPE / Antaq Técnico)


Alexandria, no Egito, reinou quase absoluta como centro da cultura mundial no período do
século III a.C. ao século IV d.C. Sua famosa Biblioteca continha praticamente todo o saber da
Antiguidade em cerca de 700.000 rolos de papiro e pergaminho e era frequentada pelos mais
conspícuos sábios, poetas e matemáticos.
A Biblioteca de Alexandria estava muito próxima do que se entende hoje por Universidade. E
faz-se apropriado o depoimento do insigne Carl B. Boyer, em A História da Matemática: “A
Universidade de Alexandria evidentemente não diferia muito de instituições modernas de cultura
superior. Parte dos professores provavelmente se notabilizou na pesquisa, outros eram melhores
como administradores e outros ainda eram conhecidos pela sua capacidade de ensinar.”
Em 47 a.C., envolvendo-se na disputa entre a voluptuosa Cleópatra e seu irmão, o imperador
Júlio César mandou incendiar a esquadra egípcia ancorada no porto de Alexandria. O fogo se
propagou até as dependências da Biblioteca, queimando cerca de 500.000 rolos.
Em 640 d.C., o califa Omar ordenou que fossem queimados todos os livros da Biblioteca,
utilizando o seguinte o argumento: “ou os livros contêm o que está no Alcorão e são desnecessários
ou contêm o oposto e não devemos lê-los.”
A destruição da Biblioteca de Alexandria talvez tenha representado o maior crime contra o
saber em toda a história da humanidade.
Se vivemos hoje a era do conhecimento é porque nos alçamos em ombros de gigantes do
passado. A Internet representa um poderoso agente de transformação do nosso modus vivendi et
operandi.
É um marco histórico, um dos maiores fenômenos de comunicação e uma das mais
democráticas formas de acesso ao saber e à pesquisa. Mas, como toda inovação, a Internet tem
potencial cuja dimensão não deve ser superdimensionada. Seu conteúdo é fragmentado,
desordenado e, além disso, cerca de metade de seus bites é descartável.
Jacir J. Venturi. Internet: <www.geometriaanalitica.com.br> (com adaptações).
Nesse texto, que pode ser classificado como artigo de opinião, identificam-se trechos narrativos e
dissertativos.
Comentário: Esta questão abordou o gênero textual, conforme previa o edital deste concurso. O
artigo de opinião se baseia, como o próprio nome sugere, na expressão da opinião livre de seu autor.
Com base em alguns fundamentos (legais, de especialistas, ou dados técnicos), o autor fica livre para
dar sua opinião, às vezes, recomendando ações, chamando a atenção do leitor a determinada
situação etc.
Bom, importa observar que a questão também se baseou na tipologia textual, pois podemos
verificar no texto um histórico, passagens como o terceiro e quarto parágrafos, em que os verbos
aparecem no passado, marcando ações, movimentos. Além disso, fica fácil perceber os elementos

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da narrativa, como tempo, cenário, personagens, falas, isto é, tudo que percebemos numa história.
Veja:
Em 47 a.C., envolvendo-se na disputa entre a voluptuosa Cleópatra e seu irmão, o imperador
Júlio César mandou incendiar a esquadra egípcia ancorada no porto de Alexandria. O fogo se
propagou até as dependências da Biblioteca, queimando cerca de 500.000 rolos.
Em 640 d.C., o califa Omar ordenou que fossem queimados todos os livros da Biblioteca,
utilizando o seguinte o argumento: “ou os livros contêm o que está no Alcorão e são desnecessários
ou contêm o oposto e não devemos lê-los.”
Resta claro perceber os trechos dissertativos, como os dois parágrafos seguintes à narrativa
acima. Veja:
A destruição da Biblioteca de Alexandria talvez tenha representado o maior crime contra o
saber em toda a história da humanidade.
Se vivemos hoje a era do conhecimento é porque nos alçamos em ombros de gigantes do
passado. A Internet representa um poderoso agente de transformação do nosso modus vivendi et
operandi.
É um marco histórico, um dos maiores fenômenos de comunicação e uma das mais
democráticas formas de acesso ao saber e à pesquisa.
O quinto parágrafo já se inicia com uma consideração do autor, ao afirmar que a destruição
de tal biblioteca representaria, segundo ele, o maior crime contra o saber em toda a história da
humanidade. Isso é uma opinião. Pode haver gente que concorde, pode haver gente que discorde.
Perceba os verbos no presente, o que reforça o discurso argumentativo.
Dessa forma, realmente, o texto possui passagens narrativas e dissertativas.
Gabarito: C

Como as questões partem sempre de um texto grande e há apenas uma questão de


tipologia textual (quando há), vamos, a partir de agora, misturar as questões de
interpretação e tipologia textual, para que você tenha um ritmo melhor de estudo.

(CESPE / PRF Policial Rodoviário Federal 2019)


A vida humana só viceja sob algum tipo de luz, de preferência a do sol, tão óbvia quanto
essencial. Somos animais diurnos, por mais que boêmios da pá virada e vampiros em geral discordem
dessa afirmativa. Poucas vezes a gente pensa nisso, do mesmo jeito que devem ser poucas as
pessoas que acordam se sentindo primatas, mamíferos ou terráqueos, outros rótulos que nos cabem
por força da natureza das coisas.

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A humanidade continua se aperfeiçoando na arte de afastar as trevas noturnas de todo hábitat


humano. Luz soa para muitos como sinônimo de civilização, e pode-se observar do espaço o mapa
das desigualdades econômicas mundiais desenhado na banda noturna do planeta. A parcela
ocidental do hemisfério norte é, de longe, a mais iluminada.
Dispor de tanta luz assim, porém, tem um custo ambiental muito alto, avisam os cientistas. Nos
humanos, o excesso de luz urbana que se infiltra no ambiente no qual dormimos pode reduzir
drasticamente os níveis de melatonina, que regula o nosso ciclo de sono-vigília.
Mesmo assim, sinto uma alegria quase infantil quando vejo se acenderem as luzes da cidade. E
repito para mim mesmo a pergunta que me faço desde que me conheço por gente: quem é o
responsável por acender as luzes da cidade? O mais plausível é imaginar que essa tarefa caiba a
sensores fotoelétricos espalhados pelos bairros. Mas e antes dos sensores, como é que se fazia?
Imagino que algum funcionário trepava na antena mais alta no topo do maior arranha-céu e, ao
constatar a falência da luz solar, acionava um interruptor, e a cidade toda se iluminava.
Não consigo pensar em um cargo público mais empolgante que o desse homem. Claro que o
cargo, se existia, já foi extinto, e o homem da luz já deve ter se transferido para o mundo das trevas
eternas.
Reinaldo Moraes. “Luz! Mais luz”. Internet: (com adaptações).
16. (CESPE / PRF Policial Rodoviário Federal 2019)
Infere-se do primeiro parágrafo do texto que “boêmios da pá virada e vampiros” diferem
biologicamente dos seres humanos em geral, os quais tendem a desempenhar a maior parte de suas
atividades durante a manhã e a tarde.
Comentário: Certamente você percebeu que os boêmios (pessoas que gostam da vida noturna, de
bares, de boates) não diferem biologicamente de qualquer outro tipo de pessoa, apenas apresentam
hábito diferente, somente isso. Assim, podemos inferir que os “boêmios da pá virada e vampiros”
gostam da noite e, de acordo com o texto, supostamente discordariam do fato de que o ser humano
é um animal de hábitos diurnos. Confirme:
Somos animais diurnos, por mais que boêmios da pá virada e vampiros em geral discordem dessa
afirmativa.
Portanto, a afirmativa está errada.
Gabarito: E

17. (CESPE / PRF Policial Rodoviário Federal 2019)


É correto inferir do trecho “o homem da luz já deve ter se transferido para o mundo das trevas
eternas” (último parágrafo) que provavelmente o funcionário responsável pelo acionamento da
iluminação urbana já morreu.
Comentário: Observe que, no penúltimo parágrafo, o autor faz suposições sobre quem acende as
luzes da cidade e diz que hoje isso já é automático, mas, antigamente, uma pessoa fazia esse
trabalho. Assim, como é algo que aconteceu há muito tempo, o autor disse que esse homem que

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acendia as luzes já deve ter se transferido para o mundo das trevas eternas, ou seja, ido para o
mundo onde é sempre escuridão, isto é, já morreu.
Assim, a afirmativa está correta.
Gabarito: C

(CESPE / PRF Policial Rodoviário Federal 2019)


As atividades pertinentes ao trabalho relacionam-se intrinsecamente com a satisfação das
necessidades dos seres humanos — alimentar-se, proteger-se do frio e do calor, ter o que calçar etc.
Estas colocam os homens em uma relação de dependência com a natureza, pois no mundo natural
estão os elementos que serão utilizados para atendê-las.
Se prestarmos atenção à nossa volta, perceberemos que quase tudo que vemos existe em razão
de atividades do trabalho humano. Os processos de produção dos objetos que nos cercam
movimentam relações diversas entre os indivíduos, assim como a organização do trabalho alterou-
se bastante entre diferentes sociedades e momentos da história.
De acordo com o cientista social norte-americano Marshall Sahlins, nas sociedades tribais, o
trabalho geralmente não tem a mesma concepção que vigora nas sociedades industrializadas.
Naquelas, o trabalho está integrado a outras dimensões da sociabilidade — festas, ritos, artes, mitos
etc. —, não representando, assim, um mundo à parte.
Nas sociedades tribais, o trabalho está em tudo, e praticamente todos trabalham. Sahlins propôs
que tais sociedades fossem conhecidas como “sociedades de abundância” ou “sociedades do lazer”,
pelo fato de que nelas a satisfação das necessidades básicas sociais e materiais se dá plenamente.
Thiago de Mello. Trabalho. Internet: (com adaptações).
18. (CESPE / PRF Policial Rodoviário Federal 2019)
Conclui-se do texto que, devido à abundância de recursos, nas sociedades tribais os indivíduos não
têm necessidade de separar as práticas laborais das outras atividades sociais.
Comentário: A afirmativa está errada, pois o texto não menciona que nas sociedades tribais a
concepção de trabalho é diferente especificamente devido à abundância de recursos. Há apenas a
informação de que, nas sociedades tribais, o trabalho geralmente não tem a mesma concepção que
vigora nas sociedades industrializadas, pois nessas sociedades tribais o trabalho está integrado a
outras dimensões da sociabilidade — festas, ritos, artes, mitos etc. —, por isso não representa um
mundo à parte, como na sociedade industrializada.
Gabarito: E

O nome é o nosso rosto na multidão de palavras. Delineia os traços da imagem que fazem de
nós, embora não do que somos (no íntimo). Alguns escondem seus donos, outros lhes põem nos
olhos um azul que não possuem. Raramente coincidem, nome e pessoa. Também há rostos quase
idênticos, e os nomes de quem os leva (pela vida afora) são completamente díspares, nenhuma letra
se igualando a outra.

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O do autor deste texto é um nome simples, apostólico, advindo do avô. No entanto, o


sobrenome, pelo qual passou a ser reconhecido, é incomum. Sonoro, hispânico. Com uma
combinação incomum de nome e sobrenome, difícil seria encontrar um homônimo. Mas eis que um
surgiu, quando ele andava pelos vinte anos. E continua, ao seu lado, até agora — sombra amiga.
Impossível não existir aqui ou ali alguma confusão entre eles, um episódio obscuro que, logo,
viria às claras com a real justificativa: esse não sou eu. Houve o caso da mulher que telefonou para
ele, esmagando-o com impropérios por uma crítica feita no jornal pelo outro, sobre um célebre
arquiteto, de quem ela era secretária.
João Anzanello Carrascoza. Homônimo. In: Diário das Coincidências. Ed. digital. São Paulo: Objetiva, p. 52 (com
adaptações).
19. (CESPE / PRF Policial Rodoviário Federal 2019)
A afirmação de que alguns nomes põem nos olhos de seus donos “um azul que não possuem” (ℓ. 3)
contradiz a ideia de que os nomes definem não as qualidades reais de cada um, mas o modo como
os outros o veem.
Comentário: Primeiro, vamos entender do início do parágrafo que o nome “delineia os traços da
imagem que fazem de nós, embora não do que somos (no íntimo)”. Dessa forma, o nome não revela
o que somos no íntimo, não revela as qualidades reais de cada um.
No período seguinte, esse entendimento é reforçado na afirmação de que “Alguns escondem
seus donos, outros lhes põem nos olhos um azul que não possuem.”, isto é, ao esconderem os seus
donos, notamos que o íntimo não é revelado; pôr nos olhos um azul que não possuem significa
igualmente mascarar a realidade íntima, a vida como é.
Assim, a afirmação está errada, pois entendemos do trecho que a afirmação de que alguns
nomes põem nos olhos de seus donos “um azul que não possuem” (ℓ. 3) reforça a ideia de que os
nomes definem não as qualidades reais de cada um, mas o modo como os outros o veem.
Gabarito: E

20. (CESPE / PRF Policial Rodoviário Federal 2019)


Infere-se que o autor do texto é espanhol.
Comentário: O autor menciona que seu sobrenome é espanhol, herdado do avô. Entretanto, não há
dados do texto que confirmem que autor é espanhol. Confirme:
O do autor deste texto é um nome simples, apostólico, advindo do avô. No entanto, o sobrenome,
pelo qual passou a ser reconhecido, é incomum. Sonoro, hispânico.
Gabarito: E

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(CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Fazenda Estadual 2019)


Pixis foi um músico medíocre, mas teve o seu dia de glória no distante ano de 1837.
Em um concerto em Paris, Franz Liszt tocou uma peça do (hoje) desconhecido compositor, junto
com outra, do admirável, maravilhoso e extraordinário Beethoven (os adjetivos aqui podem ser
verdadeiros, mas — como se verá — relativos). A plateia, formada por um público refinado, culto e
um pouco bovino, como são, sempre, os homens em ajuntamentos, esperava com impaciência.
Liszt tocou Beethoven e foi calorosamente aplaudido. Depois, quando chegou a vez do obscuro
e inferior Pixis, manifestou-se o desprezo coletivo. Alguns, com ouvidos mais sensíveis, depois de
lerem o programa que anunciava as peças do músico menor, retiraram-se do teatro, incapazes de
suportar música de má qualidade.
Como sabemos, os melômanos são impacientes com as obras de epígonos, tão céleres em
reproduzir, em clave rebaixada, as novas técnicas inventadas pelos grandes artistas.
Liszt, no entanto, registraria que um erro tipográfico invertera, no programa do concerto, os
nomes de Pixis e Beethoven...
A música de Pixis, ouvida como sendo de Beethoven, foi recebida com entusiasmo e paixão, e a
de Beethoven, ouvida como sendo de Pixis, foi enxovalhada.
Esse episódio, cômico se não fosse doloroso, deveria nos tornar mais atentos e menos
arrogantes a respeito do que julgamos ser arte.
Desconsiderar, no fenômeno estético, os mecanismos de recepção é correr o risco de aplaudir
Pixis como se fosse Beethoven.
Charles Kiefer. O paradoxo de Pixis. In: Para ser escritor. São Paulo: Leya, 2010 (com adaptações).
21. (CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Fazenda Estadual 2019)
Infere-se do texto que, na ocasião do concerto em Paris, em 1837,
(A) Pixis tocou uma composição de Beethoven como se fosse de sua autoria.
(B) Liszt equivocou-se na leitura do roteiro de composições que deveria executar.
(C) a plateia revoltou-se contra Liszt, por ele ter confundido uma composição de Pixis com uma de
Beethoven.
(D) o público julgou as composições apenas com base nas designações equivocadas no programa do
concerto.
(E) as peças de Pixis e Beethoven foram executadas de modo tão semelhante que o público não foi
capaz de distingui-las.
Comentário: A alternativa (A) está errada, pois não foi Pixis quem tocou, mas Franz Liszt, o qual
tocou uma peça desse hoje desconhecido compositor, junto com outra, de Beethoven, como se
observa em:

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Franz Liszt tocou uma peça do (hoje) desconhecido compositor, junto com outra, do admirável,
maravilhoso e extraordinário Beethoven (os adjetivos aqui podem ser verdadeiros, mas — como se
verá — relativos).
A alternativa (B) está errada, pois o erro não foi de Liszt, mas sim do tipógrafo. Confirme:
Liszt, no entanto, registraria que um erro tipográfico invertera, no programa do concerto, os nomes
de Pixis e Beethoven...
A alternativa (C) está errada, pois a plateia não soube do erro. Desse modo, aplaudiram a
música de Pixis como se fosse de Beethoven e desprezaram a música de Beethoven que foi atribuída
a Pixis. Confirme:
A música de Pixis, ouvida como sendo de Beethoven, foi recebida com entusiasmo e paixão, e a de
Beethoven, ouvida como sendo de Pixis, foi enxovalhada.
A alternativa (D) é a correta, pois, devido ao que estava escrito no programa, o público julgou
erroneamente as músicas.
A alternativa (E) está errada, pois o público distinguiu as duas peças, mas confundiu os
compositores.
Gabarito: D

22. (CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Fazenda Estadual 2019)


O autor do texto apresenta a narrativa do concerto de Liszt com o propósito de
(A) reconhecer que Pixis era tão genial quanto Beethoven.
(B) criticar o modo como algumas pessoas consomem arte.
(C) dar notoriedade à carreira de Pixis.
(D) alertar o público de que não se deve confiar em tudo que se lê.
(E) incentivar o público a ampliar seu repertório musical.
Comentário: Localizamos o propósito do texto nos últimos parágrafos, quando o autor comenta:
Esse episódio, cômico se não fosse doloroso, deveria nos tornar mais atentos e menos arrogantes a
respeito do que julgamos ser arte.
Com isso ele quis criticar a forma como as pessoas consomem arte e o que elas consideram
arte, uma vez que, no episódio narrado, os espectadores claramente julgaram a arte pelo artista, ou
seja, a obra que não era de Beethoven, mas foi atribuída a ele, foi aplaudida, pelo fato de o musicista
ser conhecido. Já a obra que era de Beethoven, mas foi atribuída a um artista desconhecido, foi
desprezada por todos.
Assim, podemos concluir que as pessoas não julgaram a arte pelo que ela é, mas por quem
supostamente a fez.
Logo, a alternativa (B) é a correta.
Gabarito: B

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(CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Fazenda Estadual 2019)


A política tributária não se restringe ao objetivo de abastecer os cofres públicos, mas tem
também objetivos econômicos e sociais. Se fosse aumentada a tributação sobre um produto
considerado nocivo para o consumidor ou para a sociedade, o seu consumo poderia ser
desestimulado. Caso a intenção fosse promover uma melhor distribuição de renda, o Estado poderia
reduzir tributos incidentes sobre os produtos mais consumidos pela população de renda mais baixa
e elevar os tributos sobre a renda da classe mais alta.
Por outro lado, se o Estado reduzisse a tributação de determinado setor da economia, os
custos desse setor diminuiriam, o que possibilitaria a queda dos preços de seus produtos e poderia
gerar um crescimento das vendas. Outro efeito viável dessa política seria o aumento do lucro das
empresas, favorecendo-se, assim, a elevação dos seus investimentos — e, consequentemente, da
produção — e o surgimento de novas empresas, o que provavelmente resultaria no crescimento da
produção, bem como no acirramento da concorrência, com possíveis reflexos sobre os preços. Em
qualquer um desses cenários, o setor seria estimulado.
Internet: (com adaptações).
23. (CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Fazenda Estadual 2019)
O texto organiza-se de forma a apresentar
(A) argumentos em favor dos objetivos do Estado com relação à política tributária, para convencer
o leitor.
(B) possíveis consequências sociais e econômicas da política tributária.
(C) procedimentos da atividade de tributação, destacando sua natureza fiscal.
(D) defesa de ações governamentais mais efetivas no que se refere à política tributária.
(E) razões para a diminuição de impostos ser considerada mais benéfica que o aumento destes.
Comentário: O texto se organiza em torno das possíveis consequências sociais e econômicas, caso a
tributação sobre produtos sofresse uma mudança para atender ao mesmo tempo os setores
econômico e social.
O primeiro possível ajuste, de acordo com o texto, seria aumentar a tributação sobre
produtos nocivos, o que diminuiria seu consumo (objetivo social). Veja:
Se fosse aumentada a tributação sobre um produto considerado nocivo para o consumidor ou para
a sociedade, o seu consumo poderia ser desestimulado.
Outra possibilidade, visando à melhor distribuição de renda (objetivos social e econômico),
seria diminuir a tributação em cima de produtos consumidos por pessoas de baixa renda e aumentar
a tributação de produtos consumidos por pessoas de melhor renda, como você pode notar no
fragmento a seguir:
...o Estado poderia reduzir tributos incidentes sobre os produtos mais consumidos pela população de
renda mais baixa e elevar os tributos sobre a renda da classe mais alta.

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Por fim, para atender às duas demandas, o Estado poderia diminuir a tributação sobre um
setor da economia, o que acarretaria as seguintes consequências: diminuição dos custos do setor e,
consequentemente, do valor do produto final, aumentando as vendas; aumento do lucro das
empresas, acarretando mais investimentos e provável crescimento da produção, além do aumento
da concorrência, refletindo nos preços. Leia isso no último parágrafo:
Por outro lado, se o Estado reduzisse a tributação de determinado setor da economia, os
custos desse setor diminuiriam, o que possibilitaria a queda dos preços de seus produtos e poderia
gerar um crescimento das vendas. Outro efeito viável dessa política seria o aumento do lucro das
empresas, favorecendo-se, assim, a elevação dos seus investimentos — e, consequentemente, da
produção — e o surgimento de novas empresas, o que provavelmente resultaria no crescimento da
produção, bem como no acirramento da concorrência, com possíveis reflexos sobre os preços. Em
qualquer um desses cenários, o setor seria estimulado.
Portanto, notamos claramente que o texto aponta possíveis consequências sociais e
econômicas da política tributária.
Assim, a alternativa (B) é a correta.
Gabarito: B

24. (CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Fazenda Estadual 2019)


Infere-se do texto que a ação do Estado, com relação à política tributária, visa
(A) ao provimento de receitas e também a finalidades econômicas e sociais.
(B) à redução de tributos sobre empresas comprometidas com o desenvolvimento social.
(C) ao aumento do lucro de empresas, com impacto sobre o crescimento do país.
(D) ao estímulo do setor empresarial pela concessão de isenção do pagamento de impostos.
(E) ao crescimento da livre concorrência, com aumento dos impostos aplicados a empresas.
Comentário: Primeiramente, devemos reler a tese do texto, isto é, a declaração inicial do texto:
A política tributária não se restringe ao objetivo de abastecer os cofres públicos, mas tem também
objetivos econômicos e sociais.
Assim, fica claro que a política tributária visa ao provimento de receitas e também a
finalidades econômicas e sociais, conforme observamos na alternativa (A), que é a correta.
Gabarito: A

(CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Receita Estadual 2019)


O direito tributário brasileiro depara-se com grandes desafios, principalmente em tempos de
globalização e interdependência dos sistemas econômicos. Entre esses pontos de atenção,
destacam-se três. O primeiro é a guerra fiscal ocasionada pelo ICMS. O principal tributo em vigor,
atualmente, é estadual, o que faz contribuintes e advogados se debruçarem sobre vinte e sete
diferentes legislações no país para entendê-lo. Isso se tornou um atentado contra o princípio de

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simplificação, contribuindo para o incremento de uma guerra fiscal entre os estados, que buscam
alterar regras para conceder benefícios e isenções, a fim de atrair e facilitar a instalação de novas
empresas. É, portanto, um dos instrumentos mais utilizados na disputa por investimentos, gerando,
com isso, consequências negativas do ponto de vista tanto econômico quanto fiscal.
A competitividade gerada pela interdependência estadual é outro ponto. Na década de 60, a
adoção do imposto sobre valor agregado (IVA) trouxe um avanço importante para a tributação
indireta, permitindo a internacionalização das trocas de mercadorias com a facilitação da
equivalência dos impostos sobre consumo e tributação, e diminuindo as diferenças entre países. O
ICMS, adotado no país, é o único caso no mundo de imposto que, embora se pareça com o IVA, não
é administrado pelo governo federal — o que dá aos estados total autonomia para administrar,
cobrar e gastar os recursos dele originados. A competência estadual do ICMS gera ainda dificuldades
na relação entre as vinte e sete unidades da Federação, dada a coexistência dos princípios de origem
e destino nas transações comerciais interestaduais, que gera a já comentada guerra fiscal.
A harmonização com os outros sistemas tributários é outro desafio que deve ser enfrentado. É
preciso integrar-se aos países do MERCOSUL, além de promover a aproximação aos padrões
tributários de um mundo globalizado e desenvolvido, principalmente quando se trata de Europa. Só
assim o país recuperará o poder da economia e poderá utilizar essa recuperação como condição para
intensificar a integração com outros países e para participar mais ativamente da globalização.
André Pereira. Os desafios do direito tributário brasileiro. In: DCI – Diário Comércio, Indústria e Serviços.
2/mar./2017. Internet: (com adaptações).
25. (CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Receita Estadual 2019)
Os três aspectos que representam desafios para o direito tributário brasileiro, na ordem em que
aparecem no texto, são
(A) a alteração de regras para benefícios e isenções, a competitividade propiciada pela
interdependência dos estados e a recuperação do poder econômico do país.
(B) o conflito fiscal proporcionado pelo ICMS, a competitividade produzida pela interdependência
dos estados e a recuperação do poder econômico do país.
(C) a alteração de regras para benefícios e isenções, a competitividade gerada pela
interdependência dos estados e a recuperação do poder econômico do país.
(D) o afinamento com outros sistemas tributários, a adoção do IVA e o conflito fiscal favorecido pelo
ICMS.
(E) o conflito fiscal propiciado pelo ICMS, a competitividade gerada pela interdependência dos
estados e o afinamento com outros sistemas tributários.
Comentário: Leia, literalmente, os três aspectos que representam desafios para o direito tributário
brasileiro, retirados do texto:
Entre esses pontos de atenção, destacam-se três. O primeiro é a guerra fiscal ocasionada pelo ICMS.
[...] A competitividade gerada pela interdependência estadual é outro ponto. [...] A harmonização
com os outros sistemas tributários é outro desafio que deve ser enfrentado.

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Note que o termo “propiciado” é sinônimo de “ocasionado”; “conflito” é sinônimo de


“guerra” e “afinamento” é sinônimo de “harmonização”. Assim, a alternativa (E) é a correta.
Gabarito: E

26. (CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Receita Estadual 2019)


O texto:
(A) carece de uma introdução para o assunto que aborda.
(B) é composto de três parágrafos vinculados a uma temática principal.
(C) é organizado de forma progressiva, partindo do problema menos relevante ao mais relevante.
(D) concentra no parágrafo final a conclusão geral dos argumentos apresentados.
(E) é pautado integralmente na temática da tributação excessiva.
Comentário: Uma vez que o autor propõe apresentar três aspectos que representam desafios para
o direito tributário brasileiro e, cada desafio está explicado em um parágrafo, o texto é composto de
três parágrafos vinculados a uma temática principal.
Dessa forma, o primeiro parágrafo é sobre o conflito fiscal propiciado pelo ICMS, o segundo,
a competitividade gerada pela interdependência dos estados e terceiro, o afinamento com outros
sistemas tributários.
Portanto, a alternativa (B) é a correta.
Gabarito: B

27. (CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Receita Estadual 2019)


Infere-se das ideias do texto que o autor é contrário
(A) ao modelo tributário europeu.
(B) à aplicação do IVA em nível federal.
(C) ao sistema tributário do MERCOSUL.
(D) à competência estadual para o ICMS.
(E) aos padrões tributários do mundo globalizado.
Comentário: O autor inicia o texto afirmando que o direito tributário se depara com grandes desafios
e o primeiro deles é analisado ainda no primeiro parágrafo: a guerra fiscal ocasionada pelo ICMS.
Confirme:
“O primeiro é a guerra fiscal ocasionada pelo ICMS. O principal tributo em vigor, atualmente, é
estadual, o que faz contribuintes e advogados se debruçarem sobre vinte e sete diferentes legislações
no país para entendê-lo. Isso se tornou um atentado contra o princípio de simplificação, contribuindo
para o incremento de uma guerra fiscal entre os estados, que buscam alterar regras para conceder
benefícios e isenções, a fim de atrair e facilitar a instalação de novas empresas. É, portanto, um dos

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instrumentos mais utilizados na disputa por investimentos, gerando, com isso, consequências
negativas do ponto de vista tanto econômico quanto fiscal.”
Assim, fica claro que se infere das ideias do texto que o autor é contrário à competência
estadual para o ICMS.
As alternativas (A), (C) e (E) estão erradas, pois fica claro que o autor não é contrário ao
modelo tributário europeu, nem ao sistema tributário do MERCOSUL, muito menos aos padrões
tributários do mundo globalizado. O que foi mencionado no texto é que é preciso integrar-se aos
países do MERCOSUL, além de promover a aproximação aos padrões tributários de um mundo
globalizado e desenvolvido, principalmente quando se trata de Europa.
A alternativa (B) está errada, pois o autor reforça no texto que a adoção do imposto sobre
valor agregado (IVA) trouxe um avanço importante para a tributação indireta, permitindo a
internacionalização das trocas de mercadorias com a facilitação da equivalência dos impostos sobre
consumo e tributação, e diminuindo as diferenças entre países. Assim, não há pensamento
contrário, como afirma a questão.
Gabarito: D

(CESPE / TCE-PB Agente de documentação 2018)


O medo do esquecimento obcecou as sociedades europeias da primeira fase da modernidade.
Para dominar sua inquietação, elas fixaram, por meio da escrita, os traços do passado, a lembrança
dos mortos ou a glória dos vivos e todos os textos que não deveriam desaparecer. A pedra, a
madeira, o tecido, o pergaminho e o papel forneceram os suportes nos quais podia ser inscrita a
memória dos tempos e dos homens.
No espaço aberto da cidade, no refúgio da biblioteca, na magnitude do livro e na humildade dos
objetos mais simples, a escrita teve como missão conjurar contra a fatalidade da perda. Em um
mundo no qual as escritas podiam ser apagadas, os manuscritos podiam ser perdidos e os livros
estavam sempre ameaçados de destruição, a tarefa não era fácil. Paradoxalmente, seu sucesso
poderia criar, talvez, outro perigo: o de uma incontrolável proliferação textual de um discurso sem
ordem nem limites.
O excesso de escrita, que multiplica os textos inúteis e abafa o pensamento sob o acúmulo de
discursos, foi considerado um perigo tão grande quanto seu contrário. Embora fosse temido, o
apagamento era necessário, assim como o esquecimento também o é para a memória. Nem todos
os escritos foram destinados a se tornar arquivos cuja proteção os defenderia da imprevisibilidade
da história. Alguns foram traçados sobre suportes que permitiam escrever, apagar e depois escrever
de novo.
Roger Chartier. Inscrever e apagar: cultura escrita e literatura (séculos XI-XVIII). Trad.: Luzmara Curcino Ferreira. São
Paulo: UNESP, 2007, p. 9-10 (com adaptações).

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28. (CESPE / TCE-PB Agente de documentação 2018)


Infere-se do texto que a escrita é uma
(A) tecnologia ambígua, pois é capaz de, ao mesmo tempo, preservar informações úteis e contribuir
para a disseminação de textos inúteis.
(B) atividade que transforma escritos em arquivos, garantindo, assim, a integridade das informações
frente às inconstâncias da história.
(C) invenção da primeira fase da modernidade, voltada a manter vivas as memórias sociais e
culturais.
(D) forma de evitar o desaparecimento de informações importantes que não deveriam ser
esquecidas ou perdidas.
(E) manifestação efêmera, que podia ser registrada, depois apagada e, mais tarde, recuperada pela
reescrita.
Comentário: De acordo com o texto, os povos da primeira fase da modernidade tinham medo do
esquecimento e, para evitá-lo, decidiram marcar os acontecimentos por meio da escrita. Veja:
O medo do esquecimento obcecou as sociedades europeias da primeira fase da modernidade. Para
dominar sua inquietação, elas fixaram, por meio da escrita, os traços do passado, a lembrança dos
mortos ou a glória dos vivos e todos os textos que não deveriam desaparecer. A pedra, a madeira, o
tecido, o pergaminho e o papel forneceram os suportes nos quais podia ser inscrita a memória dos
tempos e dos homens.
Dessa forma, infere-se do texto que a escrita é uma forma de evitar o desaparecimento de
informações importantes que não deveriam ser esquecidas ou perdidas.
Portanto, a alternativa (D) é a correta.
Gabarito: D

29. (CESPE / TCE-PB Agente de documentação 2018)


Predomina no texto a tipologia
(A) narrativa.
(B) prescritiva.
(C) argumentativa.
(D) descritiva.
(E) expositiva.
Comentário: Note que o autor do texto escreve dados e fatos acerca da escrita, sem expor a sua
opinião sobre o assunto. Com isso, predomina no texto a dissertação expositiva, isto é, tipologia
expositiva.

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Portanto, a alternativa (E) é a correta.


Gabarito: E

30. (CESPE / TCE-PB Agente de Documentação 2018)


Quando nos referimos à supremacia de um fenômeno sobre outro, temos logo a impressão de
que se está falando em superioridade, mas, no caso da relação entre oralidade e escrita, essa é uma
visão equivocada, pois não se pode afirmar que a fala seja superior à escrita ou vice-versa. Em
primeiro lugar, deve-se ter em mente o aspecto que se está comparando e, em segundo, deve-se
considerar que essa relação não é nem homogênea nem constante. A própria escrita tem tido uma
avaliação variada ao longo da história e nos diversos povos.
Existem sociedades que valorizam mais a fala, e outras que valorizam mais a escrita. A única
afirmação correta é a de que a fala veio antes da escrita. Portanto, do ponto de vista cronológico, a
fala tem precedência sobre a escrita, mas, do ponto de vista do prestígio social, a escrita tem
supremacia sobre a fala na maioria das sociedades contemporâneas.
Não se trata, porém, de algum critério intrínseco nem de parâmetros linguísticos, e sim de
postura ideológica. São valores que podem variar entre sociedades e grupos sociais ao longo da
história. Não há por que negar que a fala é mais antiga que a escrita e que esta lhe é posterior e, em
certo sentido, dependente. Mesmo considerando a enorme e inegável importância que a escrita tem
nos povos e nas civilizações ditas “letradas”, continuamos povos orais.
Luiz Antônio Marcuschi e Angela Paiva Dionisio. Princípios gerais para o tratamento das relações entre a fala e a
escrita. In: Luiz Antônio Marcuschi e Angela Paiva Dionisio. Fala e escrita. Belo Horizonte: Autêntica, 2007, p. 26-7
(com adaptações).
Conforme as ideias do texto,
(A) o desenvolvimento da fala e o surgimento da escrita são eventos que, sob o enfoque histórico,
se deram exatamente nessa ordem.
(B) há uma ideologia compartilhada pelas sociedades contemporâneas de associar a escrita a uma
manifestação superior à fala.
(C) do ponto de vista linguístico, fala e escrita são manifestações idênticas, não havendo diferenças
entre elas nem superioridade de uma sobre a outra.
(D) ao longo da história e nas diversas civilizações, identificam-se momentos de maior e de menor
valorização da língua escrita.
(E) em sociedades letradas, a comunicação por meio da escrita supera a comunicação por meio da
fala.
Comentário: A alternativa (A) é a correta, pois, de acordo com o texto, a fala precede a escrita.
Comprove lendo o seguinte trecho:
A única afirmação correta é a de que a fala veio antes da escrita.

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A alternativa (B) está errada, pois a ideologia de associar a escrita a uma manifestação
superior à fala não é compartilhada pelas sociedades. De acordo com o texto, há sociedades que
valorizam mais a escrita em detrimento da fala ou vice-versa. Comprove lendo o seguinte trecho:
Existem sociedades que valorizam mais a fala, e outras que valorizam mais a escrita.
A alternativa (C) está errada, pois, de acordo com o ponto de vista linguístico, fala e escrita
são manifestações diferentes, e cada uma tem certa importância dependendo do ponto de vista. Por
exemplo, a fala precede a escrita, mas a escrita é mais valorizada nas sociedades contemporâneas,
ou seja, a valorização de uma ou de outra depende da postura ideológica de cada sociedade.
Comprove lendo os trechos a seguir:
...deve-se [...] considerar que essa relação não é nem homogênea nem constante.
Portanto, do ponto de vista cronológico, a fala tem precedência sobre a escrita, mas, do ponto de
vista do prestígio social, a escrita tem supremacia sobre a fala na maioria das sociedades
contemporâneas.
Não se trata, porém, de algum critério intrínseco nem de parâmetros linguísticos, e sim de postura
ideológica. São valores que podem variar entre sociedades e grupos sociais ao longo da história.
A alternativa (D) está errada, pois, no texto, os autores não afirmam que, ao longo da história
e nas diversas civilizações, identificam-se momentos de maior e de menor valorização da língua
escrita. O que eles afirmam é que “do ponto de vista do prestígio social, a escrita tem supremacia
sobre a fala na maioria das sociedades contemporâneas.”
A alternativa (E) está errada, pois os autores não afirmam que, em sociedades letradas, a
comunicação por meio da escrita supera a comunicação por meio da fala, mas, de acordo com o
texto, apesar de a escrita ser muito importante, ainda somos povos orais, ou seja, a fala é tão
importante quanto a escrita. Comprove:
Mesmo considerando a enorme e inegável importância que a escrita tem nos povos e nas civilizações
ditas “letradas”, continuamos povos orais.
Gabarito: A

(CESPE / TCE-PB Auditor de Contas 2018)


A cada instante, a quantidade de informações disponíveis para processamento pelo cérebro é
formidável: todo o campo visual, todos os estímulos auditivos e olfativos, toda a informação relativa
à posição do corpo e ao seu estado de funcionamento.
Esses estímulos precisam ser processados em conjunto, de modo que o cérebro possa montar
uma imagem coerente do indivíduo e de seu ambiente. Isso sem contar os processos de evocação
de memórias, planejamento para o futuro e imaginação. Você realmente esperava processar todos
os estímulos a cada momento e ainda formar registros duradouros de todos eles?
O que faz com que a memória se torne seletiva não é o mundo atual, informatizado, rápido e
denso em informações. Ela o é por definição, já que sua porta de entrada é um funil poderoso: a

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atenção, que concentra todo o poder operacional do cérebro sobre uma coisa só, aquela que for
julgada a mais importante no momento.
Suzana Herculano-Houzel. Por que guardar segredo é difícil? E outras curiosidades da neurociência do cotidiano.
São Paulo: Amazon. Ed. Kindle, loc. 107 (com adaptações).
31. (CESPE / TCE-PB Auditor de Contas 2018)
O efeito textual pretendido pela autora ao empregar a pergunta que encerra o segundo parágrafo
do texto é o de
(A) apontar a impossibilidade de o cérebro, ao mesmo tempo, processar estímulos e registrá-los na
memória.
(B) menosprezar os leitores que acreditam ser possível se lembrar de tudo o que lhes ocorre.
(C) obter diretamente dos leitores respostas honestas à indagação proposta.
(D) modificar o modo como os leitores lidam com os dados provenientes do mundo exterior.
(E) provocar os leitores a refletir sobre os processos de recepção de estímulos e formação de
memórias.
Comentário: A alternativa (A) está errada, pois o cérebro processa todos os estímulos em conjunto
e seleciona aqueles que formam a memória. Assim, aquilo que o cérebro julgar o mais importante
fica registrado. Confirme:
...a atenção, que concentra todo o poder operacional do cérebro sobre uma coisa só, aquela que for
julgada a mais importante no momento.
A alternativa (B) está errada, pois a intenção da autora não é menosprezar seus leitores, mas
fazê-los repensar suas convicções acerca do processamento de dados e da memória.
A alternativa (C) está errada, pois não há com a autora obter diretamente as repostas de
todos os leitores, mas sim ela pretende incentivá-los a refletir sobre o assunto.
A alternativa (D) está errada, pois a pergunta pretende incentivar o leitor a refletir sobre o
assunto, e não modificar o modo como os leitores lidam com os dados provenientes do mundo
exterior.
A alternativa (E) é a correta, pois a intenção da autora, ao encerrar o segundo parágrafo com
uma pergunta, é instigar, incentivar o leitor a refletir sobre como ocorre o processamento e a
memorização de estímulos. Confirme:
“Você realmente esperava processar todos os estímulos a cada momento e ainda formar
registros duradouros de todos eles?”
Gabarito: E

32. (CESPE / TCE-PB Auditor de Contas 2018)


No texto, ao utilizar a expressão “Isso sem contar” (2º parágrafo), a autora sugere que “os processos
de evocação de memórias, planejamento para o futuro e imaginação” (2º parágrafo) fazem parte do
conjunto de

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(A) ações cerebrais cujo funcionamento depende do processamento conjunto de estímulos


externos.
(B) processos necessários à construção de registros duradouros dos estímulos recebidos pelo
cérebro a cada momento.
(C) dados necessários para que o cérebro construa uma imagem do indivíduo e do ambiente que o
cerca.
(D) atividades internas desempenhadas pelo cérebro, ao mesmo tempo que este recebe estímulos
externos.
(E) estímulos advindos do cérebro de um indivíduo, imprescindíveis para a formação de novas
memórias.
Comentário: Releia o trecho em que os excertos estão inseridos:
Esses estímulos precisam ser processados em conjunto, de modo que o cérebro possa montar uma
imagem coerente do indivíduo e de seu ambiente. Isso sem contar os processos de evocação de
memórias, planejamento para o futuro e imaginação.
Entenda que os estímulos externos precisam ser processados pelos indivíduos que ainda têm
que levar em consideração os próprios estímulos como as memórias anteriores, o planejamento
para o futuro e a imaginação (as atividades internas desempenhadas pelo cérebro).
Dessa forma, o cérebro seleciona aquilo que fará parte da memória do indivíduo após analisar
tanto os estímulos externos quanto os estímulos internos, advindos do cérebro, ambos
imprescindíveis para a formação da memória, uma vez que o estímulo precisa ser relevante para que
ele seja memorizado, como se observa no seguinte trecho do texto:
“...a atenção, que concentra todo o poder operacional do cérebro sobre uma coisa só, aquela
que for julgada a mais importante no momento.”
Portanto, ao utilizar a expressão “Isso sem contar” (2º parágrafo), a autora sugere que “os
processos de evocação de memórias, planejamento para o futuro e imaginação” (2º parágrafo)
fazem parte do conjunto de atividades internas desempenhadas pelo cérebro, ao mesmo tempo que
este recebe estímulos externos. Assim, a alternativa (D) é a correta.
Com base nesse raciocínio, conseguimos eliminar as demais alternativas, concorda?
Gabarito: D

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(CESPE / STM Revisor 2018)

33. (CESPE / STM Revisor 2018)


A linguagem do texto apresenta elementos característicos de um nível de linguagem mais informal
com função comunicativa bem definida: estabelecer uma aproximação com o leitor.
Comentário: Observe que a expressão “é que a gente” remete ao uso informal da linguagem e, além
disso, o texto foi escrito se dirigindo um público específico, o de revisor e diagramador de textos.
Note que os pronomes “você” e “sua” também caracterizam uma linguagem informal.
Portanto, a afirmativa está correta (C).
Gabarito: C

34. (CESPE / STM Revisor 2018)


O público a quem a mensagem do texto se destina é específico: trata-se de revisores e
diagramadores.
Comentário: A afirmativa está correta (C), pois o texto do anúncio se dirige a alguém específico, uma
vez que há os pronomes “você” e “seu” no texto. Assim, ao lermos a última frase “28 de março. Dia
do Revisor e do Diagramador”, associando-a à imagem de caneta no canto esquerdo e ao fundo com
letras, entendemos que o público a quem a mensagem do texto se destina é o de revisores e
diagramadores.
Gabarito: C

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(CESPE / STM Revisor 2018)


Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que se não errou confundiu, que se não
confundiu imaginou, mas venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado,
confundido ou imaginado nunca. Errar, disse-o quem sabia, é próprio do homem, o que significa, se
não é erro tomar as palavras à letra, que não seria verdadeiro homem aquele que não errasse.
Porém, esta suprema máxima não pode ser utilizada como desculpa universal que a todos nos
absolveria de juízos coxos e opiniões mancas. Quem não sabe deve perguntar, ter essa humildade,
e uma precaução tão elementar deveria tê-la sempre presente o revisor, tanto mais que nem sequer
precisaria sair de sua casa, do escritório onde agora está trabalhando, pois não faltam aqui os livros
que o elucidariam se tivesse tido a sageza e prudência de não acreditar cegamente naquilo que
supõe saber, que daí é que vêm os enganos piores, não da ignorância. Nestas ajoujadas estantes,
milhares e milhares de páginas esperam a cintilação duma curiosidade inicial ou a firme luz que é
sempre a dúvida que busca o seu próprio esclarecimento. Lancemos, enfim, a crédito do revisor ter
reunido, ao longo duma vida, tantas e tão diversas fontes de informação, embora um simples olhar
nos revele que estão faltando no seu tombo as tecnologias da informática, mas o dinheiro,
desgraçadamente, não chega a tudo, e este ofício, é altura de dizê-lo, inclui-se entre os mais mal
pagos do orbe. Um dia, mas Alá é maior, qualquer corrector de livros terá ao seu dispor um terminal
de computador que o manterá ligado, noite e dia, umbilicalmente, ao banco central de dados, não
tendo ele, e nós, mais que desejar que entre esses dados do saber total não se tenha insinuado,
como o diabo no convento, o erro tentador.
Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros estão aqui, como uma galáxia pulsante, e
as palavras, dentro deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera do olhar que as irá fixar num
sentido ou nelas procurará o sentido novo, porque assim como vão variando as explicações do
universo, também a sentença que antes parecera imutável para todo o sempre oferece subitamente
outra interpretação, a possibilidade duma contradição latente, a evidência do seu erro próprio. Aqui,
neste escritório onde a verdade não pode ser mais do que uma cara sobreposta às infinitas máscaras
variantes, estão os costumados dicionários da língua e vocabulários, os Morais e Aurélios, os
Morenos e Torrinhas, algumas gramáticas, o Manual do Perfeito Revisor, vademeco de ofício [...].
José Saramago. História do cerco de Lisboa. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 25-6.
35. (CESPE / STM Revisor 2018)
Infere-se dos sentidos do texto que, no trecho “também a sentença que antes parecera imutável
para todo o sempre oferece subitamente outra interpretação” (2§), o autor se refere à variação da
língua no tempo, ou seja, ao fato de que, com a mudança linguística, novas interpretações são
atribuídas aos enunciados.
Comentário: A afirmativa está errada (E), pois o autor se refere à mudança natural do sentido das
coisas, quando adquirimos mais conhecimento sobre elas, e não com a variação da língua no tempo.
Dessa forma, quanto mais buscamos informações, mais sentidos as coisas adquirem. Assim,
“também a sentença que antes parecera imutável para todo o sempre oferece subitamente outra
interpretação”, ou seja, aquilo que parecia uma verdade absoluta adquire outro significado depois
de pesquisas, leituras.

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Portanto, os livros estão à disposição para atribuir sentido àquilo que não se sabe ou atribuir
um sentido novo àquilo que já se conhece. Confirme:
“Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros estão aqui, como uma galáxia pulsante, e as
palavras, dentro deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera do olhar que as irá fixar num
sentido ou nelas procurará o sentido novo”.
Gabarito: E

36. (CESPE / STM Revisor 2018)


Conclui-se do texto que é por falta de dinheiro que “o revisor” não tem ao seu dispor “as tecnologias
da informática”.
Comentário: Por meio do trecho “embora um simples olhar nos revele que estão faltando no seu
tombo as tecnologias da informática, mas o dinheiro, desgraçadamente, não chega a tudo, e este
ofício, é altura de dizê-lo, inclui-se entre os mais mal pagos do orbe.” podemos concluir que o revisor
não dispõe de tecnologia, pois não há investimento e ainda é uma das profissões mais mal pagas do
orbe, que quer dizer cidade.
Assim, a afirmativa está correta (C).
Gabarito: C

37. (CESPE / STM Revisor 2018)


Na construção do texto, o autor, além de narrar fato que aconteceu com “o revisor”, explora,
repetidas vezes e de diferentes modos, a ideia de que a dúvida pode ser algo positivo.
Comentário: No início do texto, o autor fala “Quem não sabe deve perguntar, ter essa humildade”,
ou seja, ter a humildade de perguntar o que não se sabe, pode evitar erros, como o exemplo do
editor, dado no texto.
Assim, o autor continua argumentando que o redator, bem como outras pessoas, deve ter a
esperteza de não acreditar naquilo que se supõe correto, pois é daí que vêm os erros, enganos.
Dessa forma, é importante sempre esclarecer as dúvidas, por menores que elas sejam. Comprove
lendo o trecho a seguir:
“[...] se tivesse tido a sageza e prudência de não acreditar cegamente naquilo que supõe saber, que
daí é que vêm os enganos piores, não da ignorância. Nestas ajoujadas estantes, milhares e milhares
de páginas esperam a cintilação duma curiosidade inicial ou a firme luz que é sempre a dúvida que
busca o seu próprio esclarecimento.
Além disso, a dúvida pode atribuir sentido novo ao desconhecido ou novo sentido àquilo que
já se conhece.
Portanto, a afirmativa está correta (C).
Gabarito: C

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(CESPE / BNB Analista 2018)


Não podemos descartar a operação humana por trás dos sistemas, muito menos a presença de
analistas reais. Vamos supor que um sistema de aprendizagem de máquina perceba que todas as
pessoas com índice de massa corporal regular tomam café com açúcar, enquanto todas as pessoas
com índice elevado tomam a bebida com adoçante. A inteligência artificial poderá inferir, assim, que
o adoçante é o responsável pela obesidade dos usuários, o que nós sabemos, pela nossa inteligência
humana, que não é bem assim.
O sistema de aprendizagem de máquina diminui a ocorrência de falsos positivos e deve
contribuir para cortes de gastos. Contudo, não podemos deixar de considerar uma pessoa que esteja
por trás do sistema, pronta para lidar com casos realmente duvidosos, que mereçam ser mais bem
avaliados.
Correio Braziliense, 1.º/10/2018, p. 14 (com adaptações).
Com relação às ideias do texto, julgue os itens subsequentes.
38. (CESPE / BNB Analista 2018)
De acordo com o texto, a inteligência artificial cometeria um equívoco se associasse o adoçante à
causa da obesidade das pessoas com índice de massa corporal elevado.
Comentário: A afirmativa está correta (C), pois há essa informação literalmente no texto:
“Vamos supor que um sistema de aprendizagem de máquina perceba que todas as pessoas com
índice de massa corporal regular tomam café com açúcar, enquanto todas as pessoas com índice
elevado tomam a bebida com adoçante. A inteligência artificial poderá inferir, assim, que o adoçante
é o responsável pela obesidade dos usuários, o que nós sabemos, pela nossa inteligência humana,
que não é bem assim”.
Dessa forma, a inteligência artificial, ao associar o alto índice de massa corporal ao uso
adoçante, estaria cometendo um equívoco, pois sabemos que o adoçante não é responsável pela
obesidade.
Gabarito: C

39. (CESPE / BNB Analista 2018)


Considerando-se que, segundo o último parágrafo, o uso do sistema de aprendizagem de máquina
deve “contribuir para cortes de gastos”, é correto inferir do texto que esses gastos são ocasionados
pelos analistas na operação humana.
Comentário: E correto inferir do texto que esses gastos são ocasionados pelos falsos positivos, como
escrito em “O sistema de aprendizagem de máquina diminui a ocorrência de falsos positivos e deve
contribuir para cortes de gastos”.
Portanto, a afirmativa está errada (E).
Gabarito: E

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(CESPE / SEEDF Monitor – 2017)


O monitor — também chamado, em algumas instituições, de inspetor e bedel — é um dos
profissionais mais atuantes na esfera educacional. Ele transita por toda a escola, em geral conhece
os alunos pelo nome e é um dos primeiros a ser procurado quando há algum problema que precisa
ser solucionado rapidamente. Contudo, ele nem sempre é valorizado como deveria. Infelizmente,
muitos diretores entendem que quem atua nessa função deve apenas controlar os espaços coletivos
para impedir a ocorrência de agressões, depredações e furtos, vigiar grupos de alunos, observar
comportamentos suspeitos e até mesmo revistar armários e mochilas.
Esse tipo de controle, além de perigoso — pois os conflitos abafados por ações repressoras
acabam se manifestando com mais violência —, contribui para reforçar a desconfiança entre a
instituição e os estudantes. E uma relação fundada na insegurança fragiliza a construção de valores
democráticos, que deveria ser um dos objetivos de todas as escolas.
Como qualquer profissional do ambiente escolar, os monitores também são educadores, e
cabe à equipe gestora realizar ações formativas para que eles saibam como interagir com as crianças
e os jovens nos diversos espaços (como o pátio, os corredores, as quadras, a cantina, o banheiro
etc.). Com uma boa formação, eles serão capazes de trazer informações importantes sobre a
convivência entre os alunos e que poderão ser objeto de análise para que o orientador educacional,
juntamente com o diretor e a equipe docente, planeje e execute intervenções.
O papel do monitor na formação dos alunos. Internet: <http://gestaoescolar.org.br> (com adaptações).
40. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)
A forma verbal “transita” (linha 2) foi empregada para transmitir a ideia de que o monitor muda
constantemente de função na escola.
Comentário: A afirmação está errada, pois tal verbo transmite a ideia de que o monitor interage
bem nos diversos espaços da escola. Como ele é um dos primeiros contatos do aluno no dia a dia, a
sua presença pode ligar o discente aos diversos setores necessários à resolução de problemas.
Assim, definitivamente, o verbo não significa que o monitor tem mudança constante de função.
Gabarito: E

41. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)


Infere-se que, para o autor do texto, muitos diretores de escolas possuem uma visão restrita sobre
a função do monitor.
Comentário: A afirmação está correta e se refere ao seguinte fragmento do texto:
“Infelizmente, muitos diretores entendem que quem atua nessa função deve apenas controlar os
espaços coletivos para impedir a ocorrência de agressões, depredações e furtos, vigiar grupos de
alunos, observar comportamentos suspeitos e até mesmo revistar armários e mochilas.”
Assim, realmente, para o autor do texto, muitos diretores de escolas possuem uma visão
restrita sobre a função do monitor.
Gabarito: C

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42. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)


O vocábulo “suspeitos” (linha 7) foi empregado, no texto, como substantivo, no sentido de aqueles
sobre os quais recaem suspeitas.
Comentário: O sentido do vocábulo está correto, conforme o contexto. Porém, o vocábulo
“suspeitos”, na linha 9, é um adjetivo que caracteriza o substantivo “comportamentos”: “observar
comportamentos suspeitos”. E não um substantivo. Por isso a afirmação está errada.
Gabarito: E

43. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)


De acordo com o terceiro parágrafo do texto, os monitores têm formação profissional na área de
educação.
Comentário: O terceiro parágrafo faz entender que os monitores são educadores e que por isso
mesmo devem receber formação na área da educação. Isso fica patente nos seguintes trechos que
dão a noção de futuro:
“... e cabe à equipe gestora realizar ações formativas para que eles saibam como interagir com as
crianças e os jovens nos diversos espaços (como o pátio, os corredores, as quadras, a cantina, o
banheiro etc.).
(...)
“Com uma boa formação, eles serão capazes de trazer informações importantes sobre a convivência
entre os alunos e que poderão ser objeto de análise para que o orientador educacional, juntamente
com o diretor e a equipe docente, planeje e execute intervenções.”
Dessa forma, não se pode afirmar que os monitores têm formação profissional na área de
educação. Portanto, a afirmação está errada.
Gabarito: E

(CESPE / SEEDF Monitor – 2017)


Rubião tinha vexame, por causa de Sofia; não sabia haver-se com senhoras. Felizmente,
lembrou-se da promessa que a si mesmo fizera de ser forte e implacável. Foi jantar. Abençoada
resolução! Onde acharia iguais horas? Sofia era, em casa, muito melhor que no trem de ferro. Lá
vestia a capa, embora tivesse os olhos descobertos; cá trazia à vista os olhos e o corpo,
elegantemente apertado em um vestido de cambraia, mostrando as mãos, que eram bonitas, e um
princípio de braço. Demais, aqui era a dona da casa, falava mais, desfazia-se em obséquios; Rubião
desceu meio tonto.
Machado de Assis. Quincas Borba. Internet: <www.dominiopublico.gov.br> (com adaptações).
44. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)
As informações do fragmento de texto em questão são insuficientes para se inferir de onde ou para
onde Rubião teria descido — “Rubião desceu meio tonto” (linha 7).

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Comentário: Note que realmente o texto não se refere a lugar de onde ou para onde supostamente
Rubião teria descido. Assim, as informações constantes do fragmento do texto são insuficientes, por
isso a afirmação está correta.
Gabarito: C

45. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)


O trecho “Sofia (...) em obséquios” (linhas 3 a 7) é predominantemente narrativo, o que se comprova
pelas formas verbais flexionadas no pretérito imperfeito, empregadas pelo narrador para apresentar
ações rotineiras de Sofia.
Comentário: A comprovação de ser um texto narrativo normalmente ocorre com verbos no pretérito
perfeito do indicativo, em que os personagens agem dentro de um determinado tempo, num
cenário, havendo, portanto, uma sequência de ações.
Já no trecho abaixo ocorrem verbos no pretérito imperfeito do indicativo, os quais
demonstram a rotina, ambientam o leitor sobre como se apresentava o personagem, o ambiente.
Tal trecho é visto como uma ambientação ao leitor, o que normalmente se dá para que em seguida
haja a narrativa. Veja:
“Sofia era, em casa, muito melhor que no trem de ferro. Lá vestia a capa, embora tivesse os olhos
descobertos; cá trazia à vista os olhos e o corpo, elegantemente apertado em um vestido de
cambraia, mostrando as mãos, que eram bonitas, e um princípio de braço. Demais, aqui era a dona
da casa, falava mais, desfazia-se em obséquios.”
Como a questão especificou o trecho acima, observamos que ele é descritivo, pois a intenção
não é contar uma ocorrência, uma situação, mas caracterizá-la, ambientá-la para o leitor.
Portanto, a afirmação está errada.
Gabarito: E

(CESPE / SEEDF Monitor – 2017)


É preciso considerar a relação entre universidade e cultura. Quais são as condições de
preservação, de apropriação da cultura, e de reflexão crítica sobre ela? Mesmo um diagnóstico
superficial da época em que vivemos é suficiente para mostrar a precariedade dessas condições. O
ritmo do tempo histórico é marcado pelo círculo produção e consumo, até mesmo daquilo que
entraria na categoria dos “bens culturais”. Os fatores de desagregação cultural incluem o
imediatismo e o caráter efêmero e disperso dos interesses que os indivíduos são encorajados a
cultivar, a fragmentação e a distorção da informação, a mercantilização extremada dos meios de
comunicação.
Os acessos ao mundo da cultura são cada vez mais intensamente submetidos a mecanismos
industriais, sem que se assuma qualquer medida no sentido de garantir acesso efetivamente
democrático. A universidade pública é uma instância em que se pode resistir, de alguma maneira e
por algum tempo, a esse processo, sendo a instituição em que a cultura pode ser considerada sem

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as regras do mercado e sem os critérios de utilidade e oportunidade socialmente introjetados a partir


da mídia.
Para que a disseminação pública da cultura fuja a determinações pragmáticas e
economicistas, é necessário um espaço público de preservação, de apropriação e de reflexão.
As atividades que aí se desenvolvam não se podem subordinar a critérios da expectativa de
retorno de investimento. Por isso, a universidade, como instituição pública, pode assumir a função
de garantir o efetivo caráter público de que, em princípio, se revestem os bens de cultura
historicamente legados ao presente.
Faz parte da autonomia da universidade pública essa relação intrínseca com a cultura, que
permite que o acesso não seja filtrado por mecanismos de outras instâncias da vida social. É essa
publicidade desinteressada da cultura — que só na instituição pública pode-se articular em algum
grau — que garante o conhecimento, a apropriação intelectual, a reflexão, a crítica e o debate.
Franklin Leopoldo e Silva. Universidade pública e cultura. In: Estudos Avançados, v. 15, n.º 42, São Paulo (com
adaptações).
46. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)
De acordo com as ideias do texto, o acesso ao mundo da cultura realiza-se majoritariamente
mediante a ação do Estado.
Comentário: A questão se refere ao seguinte trecho do texto:
Os acessos ao mundo da cultura são cada vez mais intensamente submetidos a mecanismos
industriais, sem que se assuma qualquer medida no sentido de garantir acesso efetivamente
democrático.
Assim, com base na literalidade do fragmento acima, certamente você percebeu que o acesso
ao mundo da cultura não é realizado majoritariamente pelo Estado. Dessa forma, a afirmação está
errada.
Gabarito: E

47. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)


De acordo com as ideias do texto, a produção de cultura no ambiente universitário garante
rentabilidade em relação aos investimentos feitos.
Comentário: O texto se refere ao ambiente universitário das instituições públicas. No segundo
parágrafo do texto, observa-se que esse ambiente universitário pode resistir aos mecanismos
industriais, pois nessa instituição a cultura pode ser considerada sem as regras do mercado e sem os
critérios de utilidade e oportunidade socialmente introjetados a partir da mídia. Em seguida, é
afirmado categoricamente no texto que “As atividades que aí se desenvolvam não se podem
subordinar a critérios da expectativa de retorno de investimento.”
Assim, a afirmação está errada.
Gabarito: E

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48. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)


De acordo com as ideias do texto, a relação entre mercado e cultura é benéfica para a sociedade.
Comentário: O texto nega veementemente a afirmação da questão, pois, no quarto parágrafo, é
afirmado que “As atividades que aí se desenvolvam não se podem subordinar a critérios da
expectativa de retorno de investimento.”.
Assim, notamos que a relação entre mercado e cultura, na visão do texto, não é benéfica para
a sociedade.
Gabarito: E

(CESPE / Prefeitura São Luís - MA Professor – 2017)


Vez por outra, Damião deixava-se ficar, madrugada adentro, na Casa-Grande das Minas,
vendo as danças, ouvindo as cantigas, atraído pelo bater dos tambores. A sensação íntima de derrota
pessoal, que sentia aprofundar-se na sua consciência, levava-o a isolar-se num canto do terreiro,
metido consigo. Com a morte recente do Dr. Sotero dos Reis, tinha tido a esperança de que viriam
chamá-lo para ocupar-lhe o lugar no Liceu. Esperara em vão: já outro professor fora nomeado.
Agora, nem sequer com o apoio do velho mestre, que ainda lhe tinha um pouco de amizade, podia
mais contar. Por outro lado, continuava a ver os negros maltratados, sem que nada pudesse fazer
em seu favor. Não fazia duas semanas tinha ouvido na rua um tilintar de correntes, à altura do Largo
do Quartel, e vira uma fila de pretos, uns amarrados aos outros, submissos, descendo a Rua do Sol.
Nas conversas do Largo do Carmo, perto da coluna do Pelourinho, contavam-se novos casos de
mortes violentas de escravos, ali mesmo em São Luís. A Lei do Ventre Livre, que a imprensa da Corte
havia recebido com muita festa, não merecera o mais breve registro da imprensa de São Luís. No
fundo, pensando bem, que era essa lei senão uma burla? Os negros nasceriam e cresceriam nas
senzalas, debaixo do chicote dos senhores, e só aos vinte e um anos seriam livres. Ao fim de tanto
tempo de sujeição, que iriam fazer cá fora, sem saber em que se ocupar? E Damião sentia renascer
no seu espírito o impulso da revolta, querendo denunciar a burla e protestar contra o novo engodo
à liberdade dos negros. Mas vinha-lhe o desânimo. De que adiantava o seu protesto, se não dispunha
de um jornal, se não tinha uma tribuna? Ao mesmo tempo arriava os ombros, curvando a espinha,
esmagado pela convicção de sua inutilidade e de sua derrota. Se protestasse, como ia fazer depois
para educar os filhos e sustentar a família? Além do mais, embora desempregado havia muito
tempo, não perdera a esperança de colocar-se a qualquer momento, quer de novo no Liceu, quer
no Seminário de Santo Antônio.
Josué Montello. Os tambores de São Luís. 5.ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, p. 374-5 (com adaptações).
49. (CESPE / Prefeitura São Luís - MA Professor – 2017)
Depreende-se do texto que a “sensação íntima de derrota pessoal” (linhas 2 e 3) que levava Damião
a “isolar-se num canto do terreiro, metido consigo” (linhas 3 e 4) se devia ao fato de
a) a Lei do Ventre Livre ter sido promulgada.
b) o Dr. Sotero dos Reis, seu mestre e amigo, ter morrido.
c) ele não ser dono de jornal ou político.

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d) ele ter perdido a esperança de ser professor do Liceu ou do Seminário de Santo Antônio.
e) ele estar desempregado e não ter meios para lutar contra a escravidão.
Comentário: A causa do sentimento de derrota está no fato de ele não poder denunciar a escravidão
e estar desempregado. Veja isso nos trechos abaixo:
“Com a morte recente do Dr. Sotero dos Reis, tinha tido a esperança de que viriam chamá-lo para
ocupar-lhe o lugar no Liceu. Esperara em vão: já outro professor fora nomeado.”
(...)
“E Damião sentia renascer no seu espírito o impulso da revolta, querendo denunciar a burla e
protestar contra o novo engodo à liberdade dos negros. Mas vinha-lhe o desânimo. De que adiantava
o seu protesto, se não dispunha de um jornal, se não tinha uma tribuna?”
Assim, a alternativa correta é a (E).
Gabarito: E

50. (CESPE / Prefeitura São Luís - MA Professor – 2017)


Infere-se do texto que, para Damião, a aprovação da Lei do Ventre Livre representou uma
a) possibilidade de os negros ascenderem socialmente por meio do trabalho remunerado.
b) chance de ele voltar a ministrar aulas no Liceu ou no Seminário de Santo Antônio.
c) vitória da Corte e da imprensa de São Luís na luta pela libertação dos negros.
d) falsa promessa de liberdade vindoura para os negros que nascessem a partir de então.
e) oportunidade de os negros finalmente se libertarem da escravidão.
Comentário: Conforme se apresenta no trecho abaixo, a lei do Ventre Livre não passava de uma
burla (enganar, ludibriar). Confirme:
“A Lei do Ventre Livre, que a imprensa da Corte havia recebido com muita festa, não merecera o mais
breve registro da imprensa de São Luís. No fundo, pensando bem, que era essa lei senão uma burla?”
Assim, a alternativa (D) é a correta.
Gabarito: D

51. (CESPE / Prefeitura São Luís - MA Professor – 2017)


De acordo com o texto, Damião era um homem que
a) havia se convencido do êxito das suas lutas contra a violação dos direitos dos negros.
b) sofria preconceito racial e, por essa razão, se revoltava contra as injustiças decorrentes d
regime escravocrata.
c) se sentia impotente diante dos atos de violência e de injustiça praticados contra os negros.
d) desejava integrar um movimento político de luta pela abolição da escravatura.

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e) negligenciava os assuntos relativos à escravidão.


Comentário: Na linhas 2 e 3, mostra-se o personagem com a sensação íntima de derrota pessoal.
Em seguida, observa-se que a causa disso era o fato de nada poder fazer para mudar o sistema: “De
que adiantava o seu protesto, se não dispunha de um jornal, se não tinha uma tribuna?”.
Assim, a alternativa (C) é a correta.
Gabarito: C

52. (CESPE / Prefeitura São Luís - MA Professor – 2017)


No texto, refere-se ao “Dr. Sotero dos Reis” (linha 4) a forma pronominal empregada em
(A) “lhe tinha um pouco de amizade” (linha 7).
(B) “outro professor” (linha 6).
(C) “em seu favor” (linha 8).
(D) “viriam chamá-lo” (linha 5).
(E) “para ocupar-lhe” (linha 5).
Comentário: O “Dr. Sotero dos Reis” era o professor que morreu e que Damião tinha esperança em
substituí-lo. Assim, o pronome “lhe” se refere ao “Dr. Sotero dos Reis” e a alternativa correta é a (E).
A alternativa (A) está errada, pois, na expressão “lhe tinha um pouco de amizade”, o pronome
“lhe” se refere a “Damião”.
A alternativa (B) está errada, pois “outro” não tem relação anafórica e não retoma palavra
anterior.
A alternativa (C) está errada, pois, na expressão “em seu favor”, o pronome “seu” se refere
aos “negros maltratados”.
A alternativa (D) está errada, pois, na expressão “viriam chamá-lo”, o pronome “-lo” se refere
a “Damião”.
Confirme abaixo:
“Com a morte recente do Dr. Sotero dos Reis, tinha tido a esperança de que viriam chamá-lo para
ocupar-lhe o lugar no Liceu. Esperara em vão: já outro professor fora nomeado. Agora, nem sequer
com o apoio do velho mestre, que ainda lhe tinha um pouco de amizade, podia mais contar. Por outro
lado, continuava a ver os negros maltratados, sem que nada pudesse fazer em seu favor.”
Gabarito: E

53. (CESPE / Prefeitura São Luís - MA Professor – 2017)


No texto, a oração “Mas vinha-lhe o desânimo” (linha 18) expressa uma ideia de
a) consequência.
b) finalidade.

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s) conclusão.
d) adversidade.
e) condição.
Comentário: A conjunção “Mas” é coordenada adversativa. Assim, a alternativa correta é a (D).
Gabarito: D

54. (CESPE / Prefeitura São Luís - MA Professor – 2017)


No texto, a palavra “burla” (linha 17) foi empregada no sentido de
a) honra ou glória.
b) transgressão ou ofensa.
c) ilusão ou fraude.
d) compaixão ou piedade.
e) afronta ou agressão.
Comentário: A palavra “burla” tem o sentido de enganar, ludibriar. Assim, a alternativa que mais se
aproxima deste sentido é a (C).
Gabarito: C

(CESPE / TCE PE Analista – 2017)


Comecemos pelo conceito. A democracia veio dos gregos. Democracia não é só a eleição do
governo pelo povo, mas, sim, a atribuição, pelo povo, do poder — que inclui mais que o mero
governo; inclui o direito de fazer leis. Na democracia antiga, direta, isso cabia ao povo reunido na
praça pública.
Um grande êxito dos atenienses, se comparados aos modernos, era o amor à política. Moses
Finley, um dos maiores conhecedores do tema, conta que, em Atenas, a assembleia popular se
reunia cerca de quarenta vezes ao ano. Pelo menos mil pessoas costumavam comparecer, às vezes
dez mil, de um total de quarenta mil possíveis (a presença não era obrigatória). Comparo esse
empenho ao nosso. Quantos não resmungam para votar uma só vez a cada dois anos? Nesse
período, o ateniense teria passado oitenta tardes na praça, ouvindo, votando.
Mas a “falha” dos atenienses era a inexistência de direitos humanos. Não havia proteção
contra as decisões da assembleia soberana. Ela podia decretar o banimento de quem quisesse, sem
se justificar: assim Temístocles foi sentenciado ao ostracismo pelo mesmo povo que ele salvara dos
persas. Desde a era moderna, os direitos do homem, protegendo-o do Estado, se tornam cruciais.
Estes são os grandes legados das três revoluções modernas — a inglesa, a americana e a francesa:
somos protegidos não só dos desmandos do monarca absoluto, contra os quais o melhor antídoto
seria a soberania popular, mas também da tirania do próprio povo e de seus eleitos.

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55. (CESPE / TCE PE Analista – 2017)


De acordo com o autor, no mundo contemporâneo há proporcionalmente mais participação política
do que havia na democracia ateniense.
Comentário: A afirmação está errada, pois o segundo parágrafo nos mostra que proporcionalmente
a participação política do ateniense é maior do que o ocorre hoje, como se observa no seguinte
trecho:
Pelo menos mil pessoas costumavam comparecer, às vezes dez mil, de um total de quarenta mil
possíveis (a presença não era obrigatória). Comparo esse empenho ao nosso. Quantos não
resmungam para votar uma só vez a cada dois anos? Nesse período, o ateniense teria passado
oitenta tardes na praça, ouvindo, votando.
Gabarito: E

56. (CESPE / TCE PE Analista – 2017)


O texto defende a ideia de que, com as revoluções modernas, aumentou a capacidade de defesa do
indivíduo contra o Estado.
Comentário: O terceiro parágrafo afirma que a “falha” dos atenienses era a inexistência de direitos
humanos, pois não havia proteção contra as decisões da assembleia soberana. Continua afirmando
que, desde a era moderna, os direitos do homem, protegendo-o do Estado, se tornam cruciais e que
os grandes legados das três revoluções modernas — a inglesa, a americana e a francesa — são a
proteção não só dos desmandos do monarca absoluto, contra os quais o melhor antídoto seria a
soberania popular, mas também da tirania do próprio povo e de seus eleitos.
Tudo isso reforça que, com as revoluções modernas, aumentou a capacidade de defesa do
indivíduo contra o Estado.
Gabarito: C

57. (CESPE / TCE PE Analista – 2017)


O autor emprega recursos do tipo textual narrativo para explicar o funcionamento da democracia
direta ateniense
Comentário: Ao final do primeiro parágrafo identificamos que se vai falar no próximo parágrafo
sobre a democracia direta ateniense: “Na democracia antiga, direta, isso cabia ao povo reunido na
praça pública.”
No segundo parágrafo, percebemos o discurso indireto com a presença do verbo de elocução
“conta”, o que nos mostra efetivamente uma primeira marca de narrativa. Além disso, há de se
considerar que os verbos a partir deste ponto encontram-se no pretérito imperfeito (“reunia”,
“costumavam” e “era”), tendo em vista a narrativa de um fato, como se observa em:
Moses Finley, um dos maiores conhecedores do tema, conta que, em Atenas, a assembleia popular
se reunia cerca de quarenta vezes ao ano. Pelo menos mil pessoas costumavam comparecer, às vezes
dez mil, de um total de quarenta mil possíveis (a presença não era obrigatória).

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Gabarito: C

(CESPE / PC GO Delegado – 2017)


A diferença básica entre as polícias civil e militar é a essência de suas atividades, pois assim
desenhou o constituinte original: a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CF), em
seu art. 144, atribui à polícia federal e às polícias civis dos estados as funções de polícia judiciária —
de natureza essencialmente investigatória, com vistas à colheita de provas e, assim, à viabilização
do transcorrer da ação penal — e a apuração de infrações penais.
Enquanto a polícia civil descobre, apura, colhe provas de crimes, propiciando a existência do
processo criminal e a eventual condenação do delinquente, a polícia militar, fardada, faz o
patrulhamento ostensivo, isto é, visível, claro e perceptível pelas ruas. Atua de modo preventivo-
repressivo, mas não é seu mister a investigação de crimes. Da mesma forma, não cabe ao delegado
de polícia de carreira e a seus agentes sair pelas ruas ostensivamente em patrulhamento. A própria
comunidade identifica na farda a polícia repressiva; quando ocorre um crime, em regra, esta é a
primeira a ser chamada.
Depois, havendo prisão em flagrante, por exemplo, atinge-se a fase de persecução penal, e
ocorre o ingresso da polícia civil, cuja identificação não se dá necessariamente pelos trajes usados.
Guilherme de Souza Nucci. Direitos humanos versus segurança pública. Rio de Janeiro: Forense,
2016, p. 43 (com adaptações).
58. (CESPE / PC GO Delegado – 2017)
Infere-se das informações do texto que
a) o uso de fardamento pela polícia militar é o que a diferencia da polícia civil, que prescinde
dos trajes corporativos.
b) a essência da atividade do delegado de polícia civil reside no controle, na prevenção e na
repressão de infrações penais.
c) ao delegado de polícia cabem a condução da investigação criminal e a apuração de infrações
penais.
d) a tarefa precípua dos delegados de polícia civil e de seus agentes é o patrulhamento ostensivo
nas ruas.
e) a função de polícia judiciária concretiza-se no policiamento ostensivo, preventivo e
repressivo.
Comentário: A alternativa (A) está errada, pois não é simplesmente o uso de fardamento da polícia
militar que a diferencia da polícia civil. Note o emprego do pronome demonstrativo “o”,
transmitindo a noção de que esta seria a exclusiva diferença, o que não é verdade, segundo o texto.
A alternativa (B) está errada, pois, segundo o texto, é a polícia militar a responsável pelo
“patrulhamento ostensivo”, em que recai o controle, a prevenção e a repressão de infrações penais.
Isso é confirmado com seguinte trecho do segundo parágrafo: “A própria comunidade identifica na
farda a polícia repressiva”.

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A alternativa (C) é a correta, pois é uma interpretação literal do seguinte trecho do texto do
primeiro parágrafo do texto:
“atribui à polícia federal e às polícias civis dos estados as funções de polícia judiciária — de natureza
essencialmente investigatória, com vistas à colheita de provas e, assim, à viabilização do transcorrer
da ação penal — e a apuração de infrações penais”.
A alternativa (D) está errada, pois o segundo parágrafo afirma que “não cabe ao delegado de
polícia de carreira e a seus agentes sair pelas ruas ostensivamente em patrulhamento”.
A alternativa (E) está errada, pois cabe à polícia militar, e não à polícia judiciária, o
policiamento ostensivo, preventivo e repressivo.
Gabarito: C

59. (CESPE / PC GO Delegado – 2017)


O texto é predominantemente
a) injuntivo.
b) narrativo.
c) dissertativo.
d) exortativo.
e) descritivo.
Comentário: No texto, está claro que a tipologia predominante é a dissertativa, pois ele trabalha a
diferença entre a polícia judiciária e a militar. Assim, a alternativa correta é a (C).
A alternativa (A) está errada, pois texto injuntivo é o instrucional, o qual é carregado de verbos
no imperativo e com elementos linguísticos que recorrem a uma mensagem direta ao leitor, o que
não ocorreu neste caso.
A alternativa (B) está errada, pois o texto narrativo é aquele que conta um caso, uma história,
e percebemos com muita tranquilidade que isso não ocorreu aqui.
A alternativa (D) está errada, pois o texto exortativo é aquele que tenta persuadir
diretamente o leitor em frases de efeito, como: “Como memorizar rapidamente a matéria!”.
A alternativa (E) está errada, pois o texto descritivo é aquele que basicamente enumera
características ou ações, o que certamente você percebeu não caber neste contexto.
Gabarito: C

A persecução penal se desenvolve em duas fases: uma fase administrativa, de inquérito


policial, e uma fase jurisdicional, de ação penal. Assim, nada mais é o inquérito policial que um
procedimento administrativo destinado a reunir elementos necessários à apuração da prática de
uma infração penal e de sua autoria. Em outras palavras, o inquérito policial é um procedimento
policial que tem por finalidade construir um lastro probatório mínimo, ensejando justa causa para
que o titular da ação penal possa formar seu convencimento, a opinio delicti, e, assim, instaurar a

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ação penal cabível. Nessa linha, percebe-se que o destinatário imediato do inquérito policial é o
Ministério Público, nos casos de ação penal pública, e o ofendido, nos casos de ação penal privada.
De acordo com o conceito ora apresentado, para que o titular da ação penal possa, enfim,
ajuizá-la, é necessário que haja justa causa. A justa causa, identificada por parte da doutrina como
uma condição da ação autônoma, consiste na obrigatoriedade de que existam prova acerca da
materialidade delitiva e, ao menos, indícios de autoria, de modo a existir fundada suspeita acerca
da prática de um fato de natureza penal. Dessa forma, é imprescindível que haja provas acerca da
possível existência de um fato criminoso e indicações razoáveis do sujeito que tenha sido o autor
desse fato.
Evidencia-se, portanto, que é justamente na fase do inquérito policial que serão coletadas as
informações e as provas que irão formar o convencimento do titular da ação penal, isto é, a opinio
delicti. É com base nos elementos apurados no inquérito que o promotor de justiça, convencido da
existência de justa causa para a ação penal, oferece a denúncia, encerrando a fase administrativa da
persecução penal.
Hálinna Regina de Lira Rolim. A possibilidade de investigação do Ministério Público na fase pré-processual penal.
Artigo científico. Rio de Janeiro: Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, 2010, p. 4. Internet :
<www.emerj.tjrj.jus.br>. (com adaptações).
60. (CESPE / MPU Analista – 2015)
A fase do inquérito policial em que são coletadas as informações e as provas que irão formar o
convencimento do titular da ação penal é denominada opinio delecti.
Comentário: Pela própria análise sintática, podemos perceber o erro na afirmação da questão, pois
“opinio delecti” é o aposto explicativo, o qual se refere ao convencimento do titular da ação penal.
Isso é confirmado no último parágrafo, quando se afirma o seguinte:
“...o convencimento do titular da ação penal, isto é, a opinio delicti”
Já a questão afirma que “opinio delecti” é a denominação de uma fase do inquérito policial.
Gabarito: E

61. (CESPE / MPU Analista – 2015)


A fase jurisdicional da persecução penal tem início após o oferecimento da denúncia pelo promotor
de justiça.
Comentário: Realizando a questão com cunho puramente interpretativo, sem os conhecimentos
prévios do direito, o que certamente já ajuda bastante nesta questão, devemos observar uma
sequência de informações do texto:
Primeiro, foi afirmado que a “persecução penal se desenvolve em duas fases: uma fase
administrativa, de inquérito policial, e uma fase jurisdicional, de ação penal.”.
Em seguida, afirma-se que “o destinatário imediato do inquérito policial é o Ministério Público,
nos casos de ação penal pública, e o ofendido, nos casos de ação penal privada.”.

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Isso é confirmado no último período do texto: “É com base nos elementos apurados no
inquérito que o promotor de justiça, convencido da existência de justa causa para a ação penal,
oferece a denúncia, encerrando a fase administrativa da persecução penal.”. Assim, ao término da
primeira fase (“fase administrativa da persecução penal”), após o convencimento do promotor de
justiça, entra-se imediatamente na próxima (“fase jurisdicional da persecução penal”).
Por tudo isso, confirmamos que a afirmação está correta, pois realmente a fase jurisdicional
da persecução penal tem início após o oferecimento da denúncia pelo promotor de justiça.
Gabarito: C

62. (CESPE / MPU Analista – 2015)


A existência de prova da materialidade delitiva é suficiente para que se considere a existência de
indícios de autoria.
Comentário: Fica fácil observar que a afirmativa está errada, pois o segundo parágrafo nos informa
que a “justa causa...consiste na obrigatoriedade de que existam prova acerca da materialidade
delitiva e, ao menos, indícios de autoria, de modo a existir fundada suspeita acerca da prática de um
fato de natureza penal.”. Assim, esses dois elementos grifados acima são paralelos e substanciais
para confirmar a justa causa.
Já a questão afirma que a prova acerca da materialidade delitiva indicaria a existência de
indícios de autoria, relação esta que não se encontra no texto.
Gabarito: E

(CESPE / Anatel Técnico – 2014)


No começo dos tempos, as pessoas precisavam aproveitar o período em que o Sol estava
radiante para praticar suas atividades diárias. Com o passar dos anos, essa diferenciação entre dia
para agir e noite para dormir foi ficando menos evidente. Isso porque o advento da iluminação e,
mais precisamente, da iluminação pública, permitiu que as pessoas desfrutassem mais da noite e
deixou as cidades mais seguras e bonitas. Dos lampiões a querosene aos leds, a evolução da
iluminação contribuiu para a transformação das cidades e dos hábitos das pessoas.
Desde a Idade Média, os seres humanos vinham tentando resolver o problema da escuridão
com velas e outros artefatos. Nesse período, eram usadas tochas com fibras torcidas e impregnadas
com material inflamável. Foi, sobretudo, no século XV que a iluminação pública se tornou uma
preocupação nas cidades. A história indica que, em 1415, na Inglaterra, a iluminação surgiu como
uma solução para amenizar a violência e, principalmente, os roubos a comerciantes, que aconteciam
com frequência na região.
Não é à toa que especialistas consideram a iluminação como uma grande aliada das cidades
na luta contra a violência urbana, já que é uma grande inibidora de atos de vandalismo, roubo e
agressões.
Internet: <http://www.osetoreletrico.com.br> (com adaptações).

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63. (CESPE / Anatel Técnico – 2014)


O texto estabelece uma relação paradoxal entre iluminação pública e aumento de segurança urbana.
Comentário: Paradoxal se configura como duas características antagônicas, isto é, opostas entre si.
O texto não marcou oposição, contraste entre iluminação pública e segurança urbana. Na realidade,
a iluminação pública ajudou na segurança urbana.
A interpretação não é literal, mas o trecho final do texto “especialistas consideram a
iluminação como uma grande aliada das cidades na luta contra a violência urbana, já que é uma
grande inibidora de atos de vandalismo, roubo e agressões” nos indica que não há relação paradoxal.
Assim, a afirmativa da questão está errada.
Gabarito: E

(CESPE / Anatel Técnico – 2014)


As cidades foram criadas para a segurança de seus habitantes. Foram elas que propiciaram,
segundo autores clássicos e contemporâneos, o desenvolvimento da cidadania, da racionalidade
econômica, de um sistema de leis válidas para todos e de novas formas de associação entre
indivíduos, fora dos laços de parentesco e de servidão. Desde o clássico de Weber (1958) até as
obras mais recentes de Godbout (1997) e Jacobs (1993), a liberdade é apresentada como uma
conquista urbana. Essas novas formas de liberdade foram saudadas porque dissolviam laços de
domínio dos poderes familiares e feudais que impediam o aparecimento de um poder público
voltado para o povo (Habermas, 1994). Mas, simultaneamente, por atraírem pessoas vindas de
diferentes lugares, com diferentes culturas, religiões, compromissos políticos e identificações, que
apenas se esbarrariam nos novos espaços, as cidades teriam, então, comprometido o
estabelecimento de relações duradouras entre seus habitantes.
Alba Zaluar. A abordagem ecológica e os paradoxos da cidade. Revista de
Antropologia, São Paulo: USP, 2010, v. 53, n.º 2, p. 613 (com adaptações).
64. (CESPE / Anatel Técnico – 2014)
Infere-se da leitura do texto que as cidades propiciaram, além do fortalecimento dos laços de
parentesco entre os indivíduos, desenvolvimento da cidadania, da racionalidade econômica, de um
sistema de leis válidas para todos e de novas formas de associação pessoal.
Comentário: Note que a questão recortou literalmente expressões dos primeiros períodos do texto,
porém o advérbio “fora” é um vestígio que nos traz a informação de que as cidades não propiciaram
fortalecimento dos laços de parentesco entre os indivíduos. Houve a afirmação, no segundo período
do texto, de que houve novas formas de associação entre indivíduos, fora dos laços de parentesco
e de servidão.
Isso é confirmado nos períodos seguintes, em que se afirma que as novas liberdades
promovidas pela conquista urbana dissolviam laços de domínio dos poderes familiares e feudais.
Confirme isso com os elementos grifados no texto e na afirmativa:

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Texto:
As cidades foram criadas para a segurança de seus habitantes. Foram elas que propiciaram, segundo
autores clássicos e contemporâneos, o desenvolvimento da cidadania, da racionalidade econômica,
de um sistema de leis válidas para todos e de novas formas de associação entre indivíduos, fora dos
laços de parentesco e de servidão. Desde o clássico de Weber (1958) até as obras mais recentes de
Godbout (1997) e Jacobs (1993), a liberdade é apresentada como uma conquista urbana. Essas novas
formas de liberdade foram saudadas porque dissolviam laços de domínio dos poderes familiares e
feudais que impediam o aparecimento de um poder público voltado para o povo (Habermas, 1994).
Afirmativa da questão:
Infere-se da leitura do texto que as cidades propiciaram, além do fortalecimento dos laços de
parentesco entre os indivíduos, desenvolvimento da cidadania, da racionalidade econômica, de um
sistema de leis válidas para todos e de novas formas de associação pessoal.
Assim, a afirmativa está errada.
Gabarito: E

65. (CESPE / Anatel Técnico – 2014)


De acordo com o texto, as cidades, por congregarem pessoas de diferentes classes sociais, não
contribuem para a manutenção de relações duradouras entre os habitantes.
Comentário: O último período do texto localiza a afirmação da questão. Este último período
realmente afirma que “as cidades teriam comprometido o estabelecimento de relações duradouras
entre seus habitantes”. Porém, a questão afirma que o motivo é apenas a diferença de classes
sociais, mas o texto não mostra essa simples diferença de classes sociais. A causa, segundo o texto,
é a atração de “pessoas vindas de diferentes lugares, com diferentes culturas, religiões,
compromissos políticos e identificações, que apenas se esbarrariam nos novos espaços”.
Definitivamente, isso não tem relação com a diferença de classe social.
Gabarito: E

66. (CESPE / Anatel Técnico – 2014)


A palavra comunicação significa normalmente o ato de tornar comum a muitos. A partir do
século XVII (até o século XIX), ganhou projeção a expressão meio ou linhas de comunicação,
designando as facilidades trazidas pelo desenvolvimento das ferrovias, canais e rodovias no
deslocamento de pessoas e objetos. Do século XIX ao século XX, o sentido da palavra se aproximou
cada vez mais daquilo que hoje pode ser chamado de mídia (meios pelos quais se passa informação
e se mantém o contato mediado, indireto). Foi a partir desse momento que a indústria da
comunicação (transporte de bens simbólicos) separou-se semanticamente da indústria de
transportes (transporte de bens físicos e pessoas).
É importante ressaltar que o termo comunicação carrega, no mundo moderno, as marcas de
sua ambiguidade original (tornar comum a muitos, partilhar, trocar). Nesse sentido, quando se fala
em comunicação face a face ou interativa, pode-se dizer que se trata de troca e partilha, mas quando

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se fala de comunicação mediada, como rádio e TV, destaca-se consideravelmente a sua função de
tornar comum a muitos.
Pierre Bordieu. Questões de sociologia e comunicação. FAPESP, ANABLUME, 2007, p. 42-3 (com
adaptações).
Infere-se do texto que o termo “comunicação” adquire, no mundo moderno, interpretações
distintas.
Comentário: Nota-se que o último parágrafo refere-se ao mundo moderno. A questão trabalha a
inferência por meio da estrutura comparativa e contrastante “quando se fala em comunicação face
a face ou interativa, pode-se dizer que se trata de troca e partilha, mas quando se fala de
comunicação mediada, como rádio e TV, destaca-se consideravelmente a sua função de tornar
comum a muitos”.
Dessa forma, realmente, o termo “comunicação” adquire, no mundo moderno,
interpretações distintas.
Gabarito: C

(CESPE / Anatel Técnico – 2014)


As traduções são muito mais complexas do que se imagina. Não me refiro a locuções,
expressões idiomáticas, gírias, flexões verbais, declinações e coisas assim. Isso pode ser resolvido de
uma maneira ou de outra, se bem que, muitas vezes, à custa de intenso sofrimento por parte do
tradutor. Refiro-me à impossibilidade de encontrar equivalências entre palavras aparentemente
sinônimas, unívocas e univalentes. Por exemplo, um alemão que saiba português responderá sem
hesitação que a palavra da língua portuguesa “amanhã” quer dizer “morgen”. Mas coitado do
alemão que vá para o Brasil acreditando que, quando um brasileiro diz “amanhã”, está realmente
querendo dizer “morgen”. Raramente está. “Amanhã” é uma palavra riquíssima e tenho certeza de
que, se o Grande Duden fosse brasileiro, pelo menos um volume teria de ser dedicado a ela e a
outras que partilham da mesma condição.
“Amanhã” significa, entre outras coisas, “nunca”, “talvez”, “vou pensar”, “vou desaparecer”,
“procure outro”, “não quero”, “no próximo ano”, “assim que eu precisar”, “um dia destes”, “vamos
mudar de assunto” etc. e, em casos excepcionalíssimos, “amanhã” mesmo. Qualquer estrangeiro
que tenha vivido no Brasil sabe que são necessários vários anos de treinamento para distinguir qual
o sentido pretendido pelo interlocutor brasileiro, quando ele responde, com a habitual cordialidade,
que fará tal ou qual coisa amanhã. O caso dos alemães é, seguramente, o mais grave. Não disponho
de estatísticas confiáveis, mas tenho certeza de que nove em cada dez alemães que procuram ajuda
médica no Brasil o fazem por causa de “amanhãs” casuais que os levam, no mínimo, a um colapso
nervoso, para grande espanto de seus amigos brasileiros.
João Ubaldo Ribeiro. A vida é um eterno amanhã. In: Um brasileiro em Berlim. 1993 (com
adaptações).

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67. (CESPE / Anatel Técnico – 2014)


Infere-se da leitura do texto que os brasileiros, na maioria das vezes, usam a palavra “amanhã” em
sentido metafórico, e os alemães, em sentido literal.
Comentário: O sentido metafórico é o da linguagem abstrata, uma comparação ideológica, o sentido
é estendido, ampliado. Já o sentido literal é o sentido real da palavra, sentido original.
A segunda parte do primeiro parágrafo abarca essa interpretação, pois o autor começa
falando que o alemão entende literalmente amanhã como “morgen”, isto é, dia posterior ao de hoje.
Já os brasileiros estendem este sentido a tantos outros, figurativos, com várias aplicações diferentes.
Confirme isso:
Por exemplo, um alemão que saiba português responderá sem hesitação que a palavra da língua
portuguesa “amanhã” quer dizer “morgen”. Mas coitado do alemão que vá para o Brasil acreditando
que, quando um brasileiro diz “amanhã”, está realmente querendo dizer “morgen”. Raramente está.
“Amanhã” é uma palavra riquíssima e tenho certeza de que, se o Grande Duden fosse brasileiro, pelo
menos um volume teria de ser dedicado a ela e a outras que partilham da mesma condição.
Gabarito: C

68. (CESPE / Anatel Técnico – 2014)


Depreende-se da leitura do texto que, apesar de não se basear em estatísticas, o autor constrói sua
argumentação com dados advindos do sistema de saúde brasileiro.
Comentário: O autor faz uma brincadeira a respeito do uso da palavra “amanhã”. Ele não quis usar
dados do sistema de saúde brasileiro. Apenas situou em sua brincadeira uma estatística inventada,
numa suposta consulta a um médico brasileiro. Confirme:
Não disponho de estatísticas confiáveis, mas tenho certeza de que nove em cada dez alemães que
procuram ajuda médica no Brasil o fazem por causa de “amanhãs” casuais que os levam, no mínimo,
a um colapso nervoso, para grande espanto de seus amigos brasileiros.
Gabarito: E

69. (CESPE / Antaq Técnico – 2014)


Hidrovia é uma rota predeterminada para o tráfego aquático. Há muito tempo, o homem
utiliza a água como estrada, e a Amazônia é o maior exemplo disso. O transporte por hidrovias
apresenta grande capacidade de movimentação de cargas a grandes distâncias com baixo consumo
de combustível, além de propiciar uma oferta de produtos a preços competitivos. A ampliação do
uso da hidrovia é uma tendência mundial por uma questão ambiental.
A viabilização de uma navegação segura no rio Madeira, por exemplo, permite o escoamento
da produção de grãos de Rondônia e Mato Grosso para o Amazonas e daí para o Atlântico. Isso cria
um corredor de desenvolvimento integrado, com transporte de alta capacidade e baixo custo para
grandes distâncias, elimina um grave problema estrutural do setor primário, com a redução
significativa da dependência do modal rodoviário até os portos do Sudeste, e representa mais uma
opção de integração nacional, com a redução de trânsito pesado nas rodovias da região Centro-Sul.

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Idem (com adaptações).


Infere-se das informações do texto que o transporte por hidrovia ajuda a preservar o meio ambiente,
dado o baixo consumo de combustível, e reduz a dependência do transporte rodoviário.
Comentário: O texto confirma cada expressão utilizada na afirmativa, pois realmente se pode
entender do texto que o transporte por hidrovia ajuda a preservar o meio ambiente (conforme se
vê no trecho “por uma questão ambiental”), dado o baixo consumo de combustível (conforme se vê
no trecho “movimentação de cargas a grandes distâncias com baixo consumo de combustível”, e
reduz a dependência do transporte rodoviário (como se vê no trecho “redução significativa da
dependência do modal rodoviário até os portos do Sudeste... com a redução de trânsito pesado nas
rodovias da região Centro-Sul”).
Gabarito: C

70. (CESPE / Antaq Técnico – 2014)


As obras de dragagem objetivam remover os sedimentos que se encontram no fundo do
corpo d'água para permitir a passagem das embarcações, garantindo o acesso ao porto. Na maioria
das vezes, a dragagem é necessária quando da implantação do porto, para o aumento da
profundidade natural no canal de navegação, no cais de atracação e na bacia de evolução. Também
é necessária sua realização periódica para o alcance das profundidades que atendam o calado das
embarcações.
Internet: <www.antaq.gov.br> (com adaptações).
Depreende-se das informações do texto que a dragagem realizada na implantação do porto para
garantir o acesso das embarcações é definitiva, não havendo necessidade de ser refeita.
Comentário: A afirmativa está errada, pois a dragagem realizada na implantação do porto para
garantir o acesso das embarcações não é definitiva, e há necessidade de ser refeita, conforme se
observa no último período do texto: “Também é necessária sua realização periódica para o alcance
das profundidades que atendam o calado das embarcações”.
Gabarito: E

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3 – O QUE DEVO TOMAR NOTA COMO MAIS IMPORTANTE?

• Entender as diferenças dos tipos de texto.


• Saber que, mesmo os dados não estando explícitos, haverá vestígios no texto que confirmem
a correta interpretação.
• Cuidado com as palavras categóricas
Até nosso próximo encontro!
Grande abraço.
Terror

4 – LISTA DE QUESTÕES

(CESPE / MPU Técnico)


Segundo a doutrina nacional, os crimes cibernéticos (também chamados de eletrônicos ou
virtuais) dividem-se em puros (ou próprios) ou impuros (ou impróprios). Os primeiros são os
praticados por meio de computadores e se realizam ou se consumam também em meio eletrônico.
Os impuros ou impróprios são aqueles em que o agente se vale do computador como meio para
produzir resultado que ameaça ou lesa outros bens, diferentes daqueles da informática.
É importante destacar que o art. 154-A do Código Penal (Lei n.º 12.737/2012) trouxe para o
ordenamento jurídico o crime novo de “invasão de dispositivo informático”, que consiste na conduta
de invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante
violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou
informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo, ou instalar
vulnerabilidades para obter vantagem ilícita. Quanto à culpabilidade, a conduta criminosa do delito
cibernético caracteriza-se somente pelo dolo, não havendo a previsão legal da conduta na forma
culposa.
1. (CESPE / MPU Técnico)
Depreende-se das informações do texto que, nos crimes cibernéticos chamados impuros ou
impróprios, o resultado extrapola o universo virtual e atinge bens materiais alheios à informática.

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2. (CESPE / MPU Técnico)


Infere-se dos fatos apresentados no texto que a consideração de crime para os delitos cibernéticos
foi determinada há várias décadas, desde o surgimento da Internet.
3. (CESPE / Anatel Analista)

A mensagem veiculada nesse texto centra-se no descompasso existente entre a alta tecnologia
empregada nos aparelhos celulares e a baixa qualidade dos serviços oferecidos pelas operadoras de
telefonia celular.

(CESPE / Anatel Analista)

ANATEL. Internet: <http://www.anatel.gov.br>.


Em 2013, a ANATEL divulgou resultados comparativos de pesquisas de satisfação realizadas em 2002
e em 2012 e cujo objetivo era avaliar o índice de satisfação do consumidor brasileiro em relação aos
serviços de telefonia, de Internet e de TV por assinatura. No gráfico acima, são apresentados os
índices de satisfação do consumidor brasileiro em relação à TV por assinatura. Esses índices, em
porcentagem, variam de 0 (consumidor insatisfeito com o serviço) a 100 (consumidor muito
satisfeito com o serviço).
Com base nas informações do texto e do gráfico acima, julgue os itens subsecutivos.

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4. (CESPE / Anatel Analista)


Os resultados comparativos entre os anos de 2002 e 2012 demonstram que o índice de satisfação
do consumidor brasileiro em relação à TV por assinatura via satélite (DTH) registrou aumento.
5. (CESPE / Anatel Analista)
Em 2012, o consumidor brasileiro mostrou-se menos satisfeito com os serviços de TV a cabo e com
a TV por assinatura via micro-ondas (MMDS).
6. (CESPE / Anatel Analista)
A maior queda observada no que se refere ao índice de satisfação comparativo nos anos de 2002 e
2012 diz respeito à satisfação do consumidor brasileiro com o serviço de TV a cabo.
(CESPE / MPU Analista)
Na organização do poder político no Estado moderno, à luz da tradição iluminista, o direito
tem por função a preservação da liberdade humana, de maneira a coibir a desordem do estado de
natureza, que, em virtude do risco da dominação dos mais fracos pelos mais fortes, exige a existência
de um poder institucional. Mas a conquista da liberdade humana também reclama a distribuição do
poder em ramos diversos, com a disposição de meios que assegurem o controle recíproco entre eles
para o advento de um cenário de equilíbrio e harmonia nas sociedades estatais. A concentração do
poder em um só órgão ou pessoa viria sempre em detrimento do exercício da liberdade. É que, como
observou Montesquieu, “todo homem que tem poder tende a abusar dele; ele vai até onde encontra
limites. Para que não se possa abusar do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o poder
limite o poder”.
Até Montesquieu, não eram identificadas com clareza as esferas de abrangência dos poderes
políticos: “só se concebia sua união nas mãos de um só ou, então, sua separação; ninguém se
arriscava a apresentar, sob a forma de sistema coerente, as consequências de conceitos diversos”.
Pensador francês do século XVIII, Montesquieu situa-se entre o racionalismo cartesiano e o
empirismo de origem baconiana, não abandonando o rigor das certezas matemáticas em suas
certezas morais. Porém, refugindo às especulações metafísicas que, no plano da idealidade, serviram
aos filósofos do pacto social para a explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade civil, ele
procurou ingressar no terreno dos fatos.
Fernanda Leão de Almeida. A garantia institucional do Ministério Público em função da proteção dos direitos
humanos. Tese de doutorado. São Paulo: USP, 2010, p. 18-9. Internet: <www.teses.usp.br> (com adaptações).

7. (CESPE / MPU Analista)


Montesquieu busca a explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade civil de forma análoga
à dos metafísicos.

8. (CESPE / MPU Analista)


No Estado moderno, cabe ao Ministério Público a função da preservação da liberdade humana, de
forma a proteger os mais fracos da dominação dos mais fortes.

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9. (CESPE / MPU Analista)


A conquista da liberdade humana pressupõe a distribuição do poder em ramos diversos.
10. (CESPE / MPU Analista)
Segundo Montesquieu, aquele que não encontra limites para o exercício do poder que detém tende
a agir de forma abusiva.
11. (CESPE / Médico Perito INSS nível superior)
O texto faz um histórico da Revolta da Vacina, ocorrida no Rio de Janeiro, mostrando explicitamente
o ponto de vista do autor acerca do tema.
12. (CESPE / Médico Perito INSS nível superior)
O texto apresenta marcadores que evidenciam a progressão da narrativa, tais como “Ao mesmo
tempo” e “Finalmente”.
13. (CESPE / MPU Técnico)
A partir de uma ação do Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal Regional Federal da 2ª
Região (TRF2) determinou que a Google Brasil retirasse, em até 72 horas, 15 vídeos do YouTube que
disseminam o preconceito, a intolerância e a discriminação a religiões de matriz africana, e fixou
multa diária de R$ 50.000,00 em caso de descumprimento da ordem judicial. Na ação civil pública, a
Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC/RJ) alegou que a Constituição garante aos
cidadãos não apenas a obrigação do Estado em respeitar as liberdades, mas também a obrigação de
zelar para que elas sejam respeitadas pelas pessoas em suas relações recíprocas.
Predomina no texto em apreço o tipo textual narrativo.
O homem e a natureza
A ideia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua, se não fosse
perigosamente pretensiosa.
Essa crença lançou raízes profundas no espírito humano, reforçada por doutrinas que situam
corretamente o homo sapiens no ponto mais alto da evolução, mas incidem no equívoco de fazer
dele uma espécie de finalidade da criação. Pode-se dizer com segurança que nada na natureza foi
feito para alguma coisa, mas pode-se crer em permuta e equilíbrio entre seres e coisas. A aquisição
de características muito específicas como a linguagem, raciocínio lógico, memória pragmática,
noção de tempo e capacidade de acumular não fizeram do homem um ser superior no sentido
absoluto, mas apenas mais bem dotado para determinados fins.
Isso não lhe confere autoridade para pretender que todo o resto do universo conhecido deve
prestar-lhe vassalagem, como de fato ainda pretende a maioria das pessoas com poder decisório no
mundo.
Lisboa, Luiz Carlos. Olhos de ver, ouvidos de ouvir. Rio de Janeiro, Difel, 1977.
14. (CESPE / Antaq Técnico)
Um dos principais desafios para o Brasil é conhecer a Amazônia. Sua vocação eminentemente
hídrica impõe, ao longo dos séculos, a necessidade do deslocamento de seus habitantes através dos

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rios. Muito antes da chegada dos colonizadores na Amazônia, os nativos já utilizavam canoas. Ainda
hoje, grande parte da população amazônica vive da pesca. Além disso, o deslocamento do ribeirinho
se faz através da infinidade de rios que retalham a grandeza territorial.
Mas para conhecer a Amazônia de verdade é preciso entender sua posição estratégica para
o país. Os rios são a chave para esse conhecimento. São as estradas que a natureza construiu e em
cujas margens se desenvolveram inúmeras povoações. Portanto, é impossível pensar em Amazônia
sem associar a importância que os rios têm para o desenvolvimento econômico e social. Eles devem
ser vistos como os grandes propulsores do desenvolvimento sustentável da região.
Domingos Savio Almeida Nogueira. In: Internet: <www.portosenavios.com.br/artigos> (com adaptações).
Predomina no texto a narração, já que nele se identificam um cenário e uma ação.
15. (CESPE / Antaq Técnico)
Alexandria, no Egito, reinou quase absoluta como centro da cultura mundial no período do
século III a.C. ao século IV d.C. Sua famosa Biblioteca continha praticamente todo o saber da
Antiguidade em cerca de 700.000 rolos de papiro e pergaminho e era frequentada pelos mais
conspícuos sábios, poetas e matemáticos.
A Biblioteca de Alexandria estava muito próxima do que se entende hoje por Universidade. E
faz-se apropriado o depoimento do insigne Carl B. Boyer, em A História da Matemática: “A
Universidade de Alexandria evidentemente não diferia muito de instituições modernas de cultura
superior. Parte dos professores provavelmente se notabilizou na pesquisa, outros eram melhores
como administradores e outros ainda eram conhecidos pela sua capacidade de ensinar.”
Em 47 a.C., envolvendo-se na disputa entre a voluptuosa Cleópatra e seu irmão, o imperador
Júlio César mandou incendiar a esquadra egípcia ancorada no porto de Alexandria. O fogo se
propagou até as dependências da Biblioteca, queimando cerca de 500.000 rolos.
Em 640 d.C., o califa Omar ordenou que fossem queimados todos os livros da Biblioteca,
utilizando o seguinte o argumento: “ou os livros contêm o que está no Alcorão e são desnecessários
ou contêm o oposto e não devemos lê-los.”
A destruição da Biblioteca de Alexandria talvez tenha representado o maior crime contra o
saber em toda a história da humanidade.
Se vivemos hoje a era do conhecimento é porque nos alçamos em ombros de gigantes do
passado. A Internet representa um poderoso agente de transformação do nosso modus vivendi et
operandi.
É um marco histórico, um dos maiores fenômenos de comunicação e uma das mais
democráticas formas de acesso ao saber e à pesquisa. Mas, como toda inovação, a Internet tem
potencial cuja dimensão não deve ser superdimensionada. Seu conteúdo é fragmentado,
desordenado e, além disso, cerca de metade de seus bites é descartável.
Jacir J. Venturi. Internet: <www.geometriaanalitica.com.br> (com adaptações).
Nesse texto, que pode ser classificado como artigo de opinião, identificam-se trechos narrativos e
dissertativos.

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(CESPE / PRF Policial Rodoviário Federal 2019)


A vida humana só viceja sob algum tipo de luz, de preferência a do sol, tão óbvia quanto
essencial. Somos animais diurnos, por mais que boêmios da pá virada e vampiros em geral discordem
dessa afirmativa. Poucas vezes a gente pensa nisso, do mesmo jeito que devem ser poucas as
pessoas que acordam se sentindo primatas, mamíferos ou terráqueos, outros rótulos que nos cabem
por força da natureza das coisas.
A humanidade continua se aperfeiçoando na arte de afastar as trevas noturnas de todo hábitat
humano. Luz soa para muitos como sinônimo de civilização, e pode-se observar do espaço o mapa
das desigualdades econômicas mundiais desenhado na banda noturna do planeta. A parcela
ocidental do hemisfério norte é, de longe, a mais iluminada.
Dispor de tanta luz assim, porém, tem um custo ambiental muito alto, avisam os cientistas. Nos
humanos, o excesso de luz urbana que se infiltra no ambiente no qual dormimos pode reduzir
drasticamente os níveis de melatonina, que regula o nosso ciclo de sono-vigília.
Mesmo assim, sinto uma alegria quase infantil quando vejo se acenderem as luzes da cidade. E
repito para mim mesmo a pergunta que me faço desde que me conheço por gente: quem é o
responsável por acender as luzes da cidade? O mais plausível é imaginar que essa tarefa caiba a
sensores fotoelétricos espalhados pelos bairros. Mas e antes dos sensores, como é que se fazia?
Imagino que algum funcionário trepava na antena mais alta no topo do maior arranha-céu e, ao
constatar a falência da luz solar, acionava um interruptor, e a cidade toda se iluminava.
Não consigo pensar em um cargo público mais empolgante que o desse homem. Claro que o
cargo, se existia, já foi extinto, e o homem da luz já deve ter se transferido para o mundo das trevas
eternas.
Reinaldo Moraes. “Luz! Mais luz”. Internet: (com adaptações).
16. (CESPE / PRF Policial Rodoviário Federal 2019)
Infere-se do primeiro parágrafo do texto que “boêmios da pá virada e vampiros” diferem
biologicamente dos seres humanos em geral, os quais tendem a desempenhar a maior parte de suas
atividades durante a manhã e a tarde.
17. (CESPE / PRF Policial Rodoviário Federal 2019)
É correto inferir do trecho “o homem da luz já deve ter se transferido para o mundo das trevas
eternas” (último parágrafo) que provavelmente o funcionário responsável pelo acionamento da
iluminação urbana já morreu.

(CESPE / PRF Policial Rodoviário Federal 2019)


As atividades pertinentes ao trabalho relacionam-se intrinsecamente com a satisfação das
necessidades dos seres humanos — alimentar-se, proteger-se do frio e do calor, ter o que calçar etc.
Estas colocam os homens em uma relação de dependência com a natureza, pois no mundo natural
estão os elementos que serão utilizados para atendê-las.

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Se prestarmos atenção à nossa volta, perceberemos que quase tudo que vemos existe em razão
de atividades do trabalho humano. Os processos de produção dos objetos que nos cercam
movimentam relações diversas entre os indivíduos, assim como a organização do trabalho alterou-
se bastante entre diferentes sociedades e momentos da história.
De acordo com o cientista social norte-americano Marshall Sahlins, nas sociedades tribais, o
trabalho geralmente não tem a mesma concepção que vigora nas sociedades industrializadas.
Naquelas, o trabalho está integrado a outras dimensões da sociabilidade — festas, ritos, artes, mitos
etc. —, não representando, assim, um mundo à parte.
Nas sociedades tribais, o trabalho está em tudo, e praticamente todos trabalham. Sahlins propôs
que tais sociedades fossem conhecidas como “sociedades de abundância” ou “sociedades do lazer”,
pelo fato de que nelas a satisfação das necessidades básicas sociais e materiais se dá plenamente.
Thiago de Mello. Trabalho. Internet: (com adaptações).
18. (CESPE / PRF Policial Rodoviário Federal 2019)
Conclui-se do texto que, devido à abundância de recursos, nas sociedades tribais os indivíduos não
têm necessidade de separar as práticas laborais das outras atividades sociais.
(CESPE / PRF Policial Rodoviário Federal 2019)
O nome é o nosso rosto na multidão de palavras. Delineia os traços da imagem que fazem de
nós, embora não do que somos (no íntimo). Alguns escondem seus donos, outros lhes põem nos
olhos um azul que não possuem. Raramente coincidem, nome e pessoa. Também há rostos quase
idênticos, e os nomes de quem os leva (pela vida afora) são completamente díspares, nenhuma letra
se igualando a outra.
O do autor deste texto é um nome simples, apostólico, advindo do avô. No entanto, o
sobrenome, pelo qual passou a ser reconhecido, é incomum. Sonoro, hispânico. Com uma
combinação incomum de nome e sobrenome, difícil seria encontrar um homônimo. Mas eis que um
surgiu, quando ele andava pelos vinte anos. E continua, ao seu lado, até agora — sombra amiga.
Impossível não existir aqui ou ali alguma confusão entre eles, um episódio obscuro que, logo,
viria às claras com a real justificativa: esse não sou eu. Houve o caso da mulher que telefonou para
ele, esmagando-o com impropérios por uma crítica feita no jornal pelo outro, sobre um célebre
arquiteto, de quem ela era secretária.
João Anzanello Carrascoza. Homônimo. In: Diário das Coincidências. Ed. digital. São Paulo: Objetiva, p. 52 (com
adaptações).
19. (CESPE / PRF Policial Rodoviário Federal 2019)
A afirmação de que alguns nomes põem nos olhos de seus donos “um azul que não possuem” (ℓ. 3)
contradiz a ideia de que os nomes definem não as qualidades reais de cada um, mas o modo como
os outros o veem.
20. (CESPE / PRF Policial Rodoviário Federal 2019)
Infere-se que o autor do texto é espanhol.

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(CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Fazenda Estadual 2019)


Pixis foi um músico medíocre, mas teve o seu dia de glória no distante ano de 1837.
Em um concerto em Paris, Franz Liszt tocou uma peça do (hoje) desconhecido compositor, junto
com outra, do admirável, maravilhoso e extraordinário Beethoven (os adjetivos aqui podem ser
verdadeiros, mas — como se verá — relativos). A plateia, formada por um público refinado, culto e
um pouco bovino, como são, sempre, os homens em ajuntamentos, esperava com impaciência.
Liszt tocou Beethoven e foi calorosamente aplaudido. Depois, quando chegou a vez do obscuro
e inferior Pixis, manifestou-se o desprezo coletivo. Alguns, com ouvidos mais sensíveis, depois de
lerem o programa que anunciava as peças do músico menor, retiraram-se do teatro, incapazes de
suportar música de má qualidade.
Como sabemos, os melômanos são impacientes com as obras de epígonos, tão céleres em
reproduzir, em clave rebaixada, as novas técnicas inventadas pelos grandes artistas.
Liszt, no entanto, registraria que um erro tipográfico invertera, no programa do concerto, os
nomes de Pixis e Beethoven...
A música de Pixis, ouvida como sendo de Beethoven, foi recebida com entusiasmo e paixão, e a
de Beethoven, ouvida como sendo de Pixis, foi enxovalhada.
Esse episódio, cômico se não fosse doloroso, deveria nos tornar mais atentos e menos
arrogantes a respeito do que julgamos ser arte.
Desconsiderar, no fenômeno estético, os mecanismos de recepção é correr o risco de aplaudir
Pixis como se fosse Beethoven.
Charles Kiefer. O paradoxo de Pixis. In: Para ser escritor. São Paulo: Leya, 2010 (com adaptações).
21. (CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Fazenda Estadual 2019)
Infere-se do texto que, na ocasião do concerto em Paris, em 1837,
(A) Pixis tocou uma composição de Beethoven como se fosse de sua autoria.
(B) Liszt equivocou-se na leitura do roteiro de composições que deveria executar.
(C) a plateia revoltou-se contra Liszt, por ele ter confundido uma composição de Pixis com uma de
Beethoven.
(D) o público julgou as composições apenas com base nas designações equivocadas no programa do
concerto.
(E) as peças de Pixis e Beethoven foram executadas de modo tão semelhante que o público não foi
capaz de distingui-las.
22. (CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Fazenda Estadual 2019)
O autor do texto apresenta a narrativa do concerto de Liszt com o propósito de
(A) reconhecer que Pixis era tão genial quanto Beethoven.
(B) criticar o modo como algumas pessoas consomem arte.

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(C) dar notoriedade à carreira de Pixis.


(D) alertar o público de que não se deve confiar em tudo que se lê.
(E) incentivar o público a ampliar seu repertório musical.
(CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Fazenda Estadual 2019)
A política tributária não se restringe ao objetivo de abastecer os cofres públicos, mas tem
também objetivos econômicos e sociais. Se fosse aumentada a tributação sobre um produto
considerado nocivo para o consumidor ou para a sociedade, o seu consumo poderia ser
desestimulado. Caso a intenção fosse promover uma melhor distribuição de renda, o Estado poderia
reduzir tributos incidentes sobre os produtos mais consumidos pela população de renda mais baixa
e elevar os tributos sobre a renda da classe mais alta.
Por outro lado, se o Estado reduzisse a tributação de determinado setor da economia, os
custos desse setor diminuiriam, o que possibilitaria a queda dos preços de seus produtos e poderia
gerar um crescimento das vendas. Outro efeito viável dessa política seria o aumento do lucro das
empresas, favorecendo-se, assim, a elevação dos seus investimentos — e, consequentemente, da
produção — e o surgimento de novas empresas, o que provavelmente resultaria no crescimento da
produção, bem como no acirramento da concorrência, com possíveis reflexos sobre os preços. Em
qualquer um desses cenários, o setor seria estimulado.
Internet: (com adaptações).
23. (CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Fazenda Estadual 2019)
O texto organiza-se de forma a apresentar
(A) argumentos em favor dos objetivos do Estado com relação à política tributária, para convencer
o leitor.
(B) possíveis consequências sociais e econômicas da política tributária.
(C) procedimentos da atividade de tributação, destacando sua natureza fiscal.
(D) defesa de ações governamentais mais efetivas no que se refere à política tributária.
(E) razões para a diminuição de impostos ser considerada mais benéfica que o aumento destes.
24. (CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Fazenda Estadual 2019)
Infere-se do texto que a ação do Estado, com relação à política tributária, visa
(A) ao provimento de receitas e também a finalidades econômicas e sociais.
(B) à redução de tributos sobre empresas comprometidas com o desenvolvimento social.
(C) ao aumento do lucro de empresas, com impacto sobre o crescimento do país.
(D) ao estímulo do setor empresarial pela concessão de isenção do pagamento de impostos.
(E) ao crescimento da livre concorrência, com aumento dos impostos aplicados a empresas.

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(CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Receita Estadual 2019)


O direito tributário brasileiro depara-se com grandes desafios, principalmente em tempos de
globalização e interdependência dos sistemas econômicos. Entre esses pontos de atenção,
destacam-se três. O primeiro é a guerra fiscal ocasionada pelo ICMS. O principal tributo em vigor,
atualmente, é estadual, o que faz contribuintes e advogados se debruçarem sobre vinte e sete
diferentes legislações no país para entendê-lo. Isso se tornou um atentado contra o princípio de
simplificação, contribuindo para o incremento de uma guerra fiscal entre os estados, que buscam
alterar regras para conceder benefícios e isenções, a fim de atrair e facilitar a instalação de novas
empresas. É, portanto, um dos instrumentos mais utilizados na disputa por investimentos, gerando,
com isso, consequências negativas do ponto de vista tanto econômico quanto fiscal.
A competitividade gerada pela interdependência estadual é outro ponto. Na década de 60, a
adoção do imposto sobre valor agregado (IVA) trouxe um avanço importante para a tributação
indireta, permitindo a internacionalização das trocas de mercadorias com a facilitação da
equivalência dos impostos sobre consumo e tributação, e diminuindo as diferenças entre países. O
ICMS, adotado no país, é o único caso no mundo de imposto que, embora se pareça com o IVA, não
é administrado pelo governo federal — o que dá aos estados total autonomia para administrar,
cobrar e gastar os recursos dele originados. A competência estadual do ICMS gera ainda dificuldades
na relação entre as vinte e sete unidades da Federação, dada a coexistência dos princípios de origem
e destino nas transações comerciais interestaduais, que gera a já comentada guerra fiscal.
A harmonização com os outros sistemas tributários é outro desafio que deve ser enfrentado. É
preciso integrar-se aos países do MERCOSUL, além de promover a aproximação aos padrões
tributários de um mundo globalizado e desenvolvido, principalmente quando se trata de Europa. Só
assim o país recuperará o poder da economia e poderá utilizar essa recuperação como condição para
intensificar a integração com outros países e para participar mais ativamente da globalização.
André Pereira. Os desafios do direito tributário brasileiro. In: DCI – Diário Comércio, Indústria e Serviços.
2/mar./2017. Internet: (com adaptações).
25. (CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Receita Estadual 2019)
Os três aspectos que representam desafios para o direito tributário brasileiro, na ordem em que
aparecem no texto, são
(A) a alteração de regras para benefícios e isenções, a competitividade propiciada pela
interdependência dos estados e a recuperação do poder econômico do país.
(B) o conflito fiscal proporcionado pelo ICMS, a competitividade produzida pela interdependência
dos estados e a recuperação do poder econômico do país.
(C) a alteração de regras para benefícios e isenções, a competitividade gerada pela
interdependência dos estados e a recuperação do poder econômico do país.
(D) o afinamento com outros sistemas tributários, a adoção do IVA e o conflito fiscal favorecido pelo
ICMS.
(E) o conflito fiscal propiciado pelo ICMS, a competitividade gerada pela interdependência dos
estados e o afinamento com outros sistemas tributários.

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26. (CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Receita Estadual 2019)


O texto:
(A) carece de uma introdução para o assunto que aborda.
(B) é composto de três parágrafos vinculados a uma temática principal.
(C) é organizado de forma progressiva, partindo do problema menos relevante ao mais relevante.
(D) concentra no parágrafo final a conclusão geral dos argumentos apresentados.
(E) é pautado integralmente na temática da tributação excessiva.
27. (CESPE / SEFAZ-RS Auditor-Fiscal da Receita Estadual 2019)
Infere-se das ideias do texto que o autor é contrário
(A) ao modelo tributário europeu.
==125d8a==

(B) à aplicação do IVA em nível federal.


(C) ao sistema tributário do MERCOSUL.
(D) à competência estadual para o ICMS.
(E) aos padrões tributários do mundo globalizado.
(CESPE / TCE-PB Agente de documentação 2018)
O medo do esquecimento obcecou as sociedades europeias da primeira fase da modernidade.
Para dominar sua inquietação, elas fixaram, por meio da escrita, os traços do passado, a lembrança
dos mortos ou a glória dos vivos e todos os textos que não deveriam desaparecer. A pedra, a
madeira, o tecido, o pergaminho e o papel forneceram os suportes nos quais podia ser inscrita a
memória dos tempos e dos homens.
No espaço aberto da cidade, no refúgio da biblioteca, na magnitude do livro e na humildade dos
objetos mais simples, a escrita teve como missão conjurar contra a fatalidade da perda. Em um
mundo no qual as escritas podiam ser apagadas, os manuscritos podiam ser perdidos e os livros
estavam sempre ameaçados de destruição, a tarefa não era fácil. Paradoxalmente, seu sucesso
poderia criar, talvez, outro perigo: o de uma incontrolável proliferação textual de um discurso sem
ordem nem limites.
O excesso de escrita, que multiplica os textos inúteis e abafa o pensamento sob o acúmulo de
discursos, foi considerado um perigo tão grande quanto seu contrário. Embora fosse temido, o
apagamento era necessário, assim como o esquecimento também o é para a memória. Nem todos
os escritos foram destinados a se tornar arquivos cuja proteção os defenderia da imprevisibilidade
da história. Alguns foram traçados sobre suportes que permitiam escrever, apagar e depois escrever
de novo.
Roger Chartier. Inscrever e apagar: cultura escrita e literatura (séculos XI-XVIII). Trad.: Luzmara Curcino Ferreira. São
Paulo: UNESP, 2007, p. 9-10 (com adaptações).
28. (CESPE / TCE-PB Agente de documentação 2018)
Infere-se do texto que a escrita é uma

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(A) tecnologia ambígua, pois é capaz de, ao mesmo tempo, preservar informações úteis e contribuir
para a disseminação de textos inúteis.
(B) atividade que transforma escritos em arquivos, garantindo, assim, a integridade das informações
frente às inconstâncias da história.
(C) invenção da primeira fase da modernidade, voltada a manter vivas as memórias sociais e
culturais.
(D) forma de evitar o desaparecimento de informações importantes que não deveriam ser
esquecidas ou perdidas.
(E) manifestação efêmera, que podia ser registrada, depois apagada e, mais tarde, recuperada pela
reescrita.
29. (CESPE / TCE-PB Agente de documentação 2018)
Predomina no texto a tipologia
(A) narrativa.
(B) prescritiva.
(C) argumentativa.
(D) descritiva.
(E) expositiva.
30. (CESPE / TCE-PB Agente de Documentação 2018)
Quando nos referimos à supremacia de um fenômeno sobre outro, temos logo a impressão de
que se está falando em superioridade, mas, no caso da relação entre oralidade e escrita, essa é uma
visão equivocada, pois não se pode afirmar que a fala seja superior à escrita ou vice-versa. Em
primeiro lugar, deve-se ter em mente o aspecto que se está comparando e, em segundo, deve-se
considerar que essa relação não é nem homogênea nem constante. A própria escrita tem tido uma
avaliação variada ao longo da história e nos diversos povos.
Existem sociedades que valorizam mais a fala, e outras que valorizam mais a escrita. A única
afirmação correta é a de que a fala veio antes da escrita. Portanto, do ponto de vista cronológico, a
fala tem precedência sobre a escrita, mas, do ponto de vista do prestígio social, a escrita tem
supremacia sobre a fala na maioria das sociedades contemporâneas.
Não se trata, porém, de algum critério intrínseco nem de parâmetros linguísticos, e sim de
postura ideológica. São valores que podem variar entre sociedades e grupos sociais ao longo da
história. Não há por que negar que a fala é mais antiga que a escrita e que esta lhe é posterior e, em
certo sentido, dependente. Mesmo considerando a enorme e inegável importância que a escrita tem
nos povos e nas civilizações ditas “letradas”, continuamos povos orais.
Luiz Antônio Marcuschi e Angela Paiva Dionisio. Princípios gerais para o tratamento das relações entre a fala e a
escrita. In: Luiz Antônio Marcuschi e Angela Paiva Dionisio. Fala e escrita. Belo Horizonte: Autêntica, 2007, p. 26-7
(com adaptações).

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Conforme as ideias do texto,


(A) o desenvolvimento da fala e o surgimento da escrita são eventos que, sob o enfoque histórico,
se deram exatamente nessa ordem.
(B) há uma ideologia compartilhada pelas sociedades contemporâneas de associar a escrita a uma
manifestação superior à fala.
(C) do ponto de vista linguístico, fala e escrita são manifestações idênticas, não havendo diferenças
entre elas nem superioridade de uma sobre a outra.
(D) ao longo da história e nas diversas civilizações, identificam-se momentos de maior e de menor
valorização da língua escrita.
(E) em sociedades letradas, a comunicação por meio da escrita supera a comunicação por meio da
fala.
(CESPE / TCE-PB Auditor de Contas 2018)
A cada instante, a quantidade de informações disponíveis para processamento pelo cérebro é
formidável: todo o campo visual, todos os estímulos auditivos e olfativos, toda a informação relativa
à posição do corpo e ao seu estado de funcionamento.
Esses estímulos precisam ser processados em conjunto, de modo que o cérebro possa montar
uma imagem coerente do indivíduo e de seu ambiente. Isso sem contar os processos de evocação
de memórias, planejamento para o futuro e imaginação. Você realmente esperava processar todos
os estímulos a cada momento e ainda formar registros duradouros de todos eles?
O que faz com que a memória se torne seletiva não é o mundo atual, informatizado, rápido e
denso em informações. Ela o é por definição, já que sua porta de entrada é um funil poderoso: a
atenção, que concentra todo o poder operacional do cérebro sobre uma coisa só, aquela que for
julgada a mais importante no momento.
Suzana Herculano-Houzel. Por que guardar segredo é difícil? E outras curiosidades da neurociência do cotidiano.
São Paulo: Amazon. Ed. Kindle, loc. 107 (com adaptações).
31. (CESPE / TCE-PB Auditor de Contas 2018)
O efeito textual pretendido pela autora ao empregar a pergunta que encerra o segundo parágrafo
do texto é o de
(A) apontar a impossibilidade de o cérebro, ao mesmo tempo, processar estímulos e registrá-los na
memória.
(B) menosprezar os leitores que acreditam ser possível se lembrar de tudo o que lhes ocorre.
(C) obter diretamente dos leitores respostas honestas à indagação proposta.
(D) modificar o modo como os leitores lidam com os dados provenientes do mundo exterior.
(E) provocar os leitores a refletir sobre os processos de recepção de estímulos e formação de
memórias.

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32. (CESPE / TCE-PB Auditor de Contas 2018)


No texto, ao utilizar a expressão “Isso sem contar” (2º parágrafo), a autora sugere que “os processos
de evocação de memórias, planejamento para o futuro e imaginação” (2º parágrafo) fazem parte do
conjunto de
(A) ações cerebrais cujo funcionamento depende do processamento conjunto de estímulos
externos.
(B) processos necessários à construção de registros duradouros dos estímulos recebidos pelo
cérebro a cada momento.
(C) dados necessários para que o cérebro construa uma imagem do indivíduo e do ambiente que o
cerca.
(D) atividades internas desempenhadas pelo cérebro, ao mesmo tempo que este recebe estímulos
externos.
(E) estímulos advindos do cérebro de um indivíduo, imprescindíveis para a formação de novas
memórias.

(CESPE / STM Revisor 2018)

33. (CESPE / STM Revisor 2018)


A linguagem do texto apresenta elementos característicos de um nível de linguagem mais informal
com função comunicativa bem definida: estabelecer uma aproximação com o leitor.

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34. (CESPE / STM Revisor 2018)


O público a quem a mensagem do texto se destina é específico: trata-se de revisores e
diagramadores.
(CESPE / STM Revisor 2018)
Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que se não errou confundiu, que se não
confundiu imaginou, mas venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado,
confundido ou imaginado nunca. Errar, disse-o quem sabia, é próprio do homem, o que significa, se
não é erro tomar as palavras à letra, que não seria verdadeiro homem aquele que não errasse.
Porém, esta suprema máxima não pode ser utilizada como desculpa universal que a todos nos
absolveria de juízos coxos e opiniões mancas. Quem não sabe deve perguntar, ter essa humildade,
e uma precaução tão elementar deveria tê-la sempre presente o revisor, tanto mais que nem sequer
precisaria sair de sua casa, do escritório onde agora está trabalhando, pois não faltam aqui os livros
que o elucidariam se tivesse tido a sageza e prudência de não acreditar cegamente naquilo que
supõe saber, que daí é que vêm os enganos piores, não da ignorância. Nestas ajoujadas estantes,
milhares e milhares de páginas esperam a cintilação duma curiosidade inicial ou a firme luz que é
sempre a dúvida que busca o seu próprio esclarecimento. Lancemos, enfim, a crédito do revisor ter
reunido, ao longo duma vida, tantas e tão diversas fontes de informação, embora um simples olhar
nos revele que estão faltando no seu tombo as tecnologias da informática, mas o dinheiro,
desgraçadamente, não chega a tudo, e este ofício, é altura de dizê-lo, inclui-se entre os mais mal
pagos do orbe. Um dia, mas Alá é maior, qualquer corrector de livros terá ao seu dispor um terminal
de computador que o manterá ligado, noite e dia, umbilicalmente, ao banco central de dados, não
tendo ele, e nós, mais que desejar que entre esses dados do saber total não se tenha insinuado,
como o diabo no convento, o erro tentador.
Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros estão aqui, como uma galáxia pulsante, e
as palavras, dentro deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera do olhar que as irá fixar num
sentido ou nelas procurará o sentido novo, porque assim como vão variando as explicações do
universo, também a sentença que antes parecera imutável para todo o sempre oferece subitamente
outra interpretação, a possibilidade duma contradição latente, a evidência do seu erro próprio. Aqui,
neste escritório onde a verdade não pode ser mais do que uma cara sobreposta às infinitas máscaras
variantes, estão os costumados dicionários da língua e vocabulários, os Morais e Aurélios, os
Morenos e Torrinhas, algumas gramáticas, o Manual do Perfeito Revisor, vademeco de ofício [...].
José Saramago. História do cerco de Lisboa. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 25-6.
35. (CESPE / STM Revisor 2018)
Infere-se dos sentidos do texto que, no trecho “também a sentença que antes parecera imutável
para todo o sempre oferece subitamente outra interpretação” (2§), o autor se refere à variação da
língua no tempo, ou seja, ao fato de que, com a mudança linguística, novas interpretações são
atribuídas aos enunciados.
36. (CESPE / STM Revisor 2018)
Conclui-se do texto que é por falta de dinheiro que “o revisor” não tem ao seu dispor “as tecnologias
da informática”.

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37. (CESPE / STM Revisor 2018)


Na construção do texto, o autor, além de narrar fato que aconteceu com “o revisor”, explora,
repetidas vezes e de diferentes modos, a ideia de que a dúvida pode ser algo positivo.
(CESPE / BNB Analista 2018)
Não podemos descartar a operação humana por trás dos sistemas, muito menos a presença de
analistas reais. Vamos supor que um sistema de aprendizagem de máquina perceba que todas as
pessoas com índice de massa corporal regular tomam café com açúcar, enquanto todas as pessoas
com índice elevado tomam a bebida com adoçante. A inteligência artificial poderá inferir, assim, que
o adoçante é o responsável pela obesidade dos usuários, o que nós sabemos, pela nossa inteligência
humana, que não é bem assim.
O sistema de aprendizagem de máquina diminui a ocorrência de falsos positivos e deve
contribuir para cortes de gastos. Contudo, não podemos deixar de considerar uma pessoa que esteja
por trás do sistema, pronta para lidar com casos realmente duvidosos, que mereçam ser mais bem
avaliados.
Correio Braziliense, 1.º/10/2018, p. 14 (com adaptações).
Com relação às ideias do texto, julgue os itens subsequentes.
38. (CESPE / BNB Analista 2018)
De acordo com o texto, a inteligência artificial cometeria um equívoco se associasse o adoçante à
causa da obesidade das pessoas com índice de massa corporal elevado.
39. (CESPE / BNB Analista 2018)
Considerando-se que, segundo o último parágrafo, o uso do sistema de aprendizagem de máquina
deve “contribuir para cortes de gastos”, é correto inferir do texto que esses gastos são ocasionados
pelos analistas na operação humana.
(CESPE / SEEDF Monitor – 2017)
O monitor — também chamado, em algumas instituições, de inspetor e bedel — é um dos
profissionais mais atuantes na esfera educacional. Ele transita por toda a escola, em geral conhece
os alunos pelo nome e é um dos primeiros a ser procurado quando há algum problema que precisa
ser solucionado rapidamente. Contudo, ele nem sempre é valorizado como deveria. Infelizmente,
muitos diretores entendem que quem atua nessa função deve apenas controlar os espaços coletivos
para impedir a ocorrência de agressões, depredações e furtos, vigiar grupos de alunos, observar
comportamentos suspeitos e até mesmo revistar armários e mochilas.
Esse tipo de controle, além de perigoso — pois os conflitos abafados por ações repressoras
acabam se manifestando com mais violência —, contribui para reforçar a desconfiança entre a
instituição e os estudantes. E uma relação fundada na insegurança fragiliza a construção de valores
democráticos, que deveria ser um dos objetivos de todas as escolas.
Como qualquer profissional do ambiente escolar, os monitores também são educadores, e
cabe à equipe gestora realizar ações formativas para que eles saibam como interagir com as crianças
e os jovens nos diversos espaços (como o pátio, os corredores, as quadras, a cantina, o banheiro

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etc.). Com uma boa formação, eles serão capazes de trazer informações importantes sobre a
convivência entre os alunos e que poderão ser objeto de análise para que o orientador educacional,
juntamente com o diretor e a equipe docente, planeje e execute intervenções.
O papel do monitor na formação dos alunos. Internet: <http://gestaoescolar.org.br> (com adaptações).
40. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)
A forma verbal “transita” (linha 2) foi empregada para transmitir a ideia de que o monitor muda
constantemente de função na escola.
41. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)
Infere-se que, para o autor do texto, muitos diretores de escolas possuem uma visão restrita sobre
a função do monitor.
42. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)
O vocábulo “suspeitos” (linha 7) foi empregado, no texto, como substantivo, no sentido de aqueles
sobre os quais recaem suspeitas.

43. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)


De acordo com o terceiro parágrafo do texto, os monitores têm formação profissional na área de
educação.
(CESPE / SEEDF Monitor – 2017)
Rubião tinha vexame, por causa de Sofia; não sabia haver-se com senhoras. Felizmente,
lembrou-se da promessa que a si mesmo fizera de ser forte e implacável. Foi jantar. Abençoada
resolução! Onde acharia iguais horas? Sofia era, em casa, muito melhor que no trem de ferro. Lá
vestia a capa, embora tivesse os olhos descobertos; cá trazia à vista os olhos e o corpo,
elegantemente apertado em um vestido de cambraia, mostrando as mãos, que eram bonitas, e um
princípio de braço. Demais, aqui era a dona da casa, falava mais, desfazia-se em obséquios; Rubião
desceu meio tonto.
Machado de Assis. Quincas Borba. Internet: <www.dominiopublico.gov.br> (com adaptações).
44. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)
As informações do fragmento de texto em questão são insuficientes para se inferir de onde ou para
onde Rubião teria descido — “Rubião desceu meio tonto” (linha 7).
45. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)
O trecho “Sofia (...) em obséquios” (linhas 3 a 7) é predominantemente narrativo, o que se comprova
pelas formas verbais flexionadas no pretérito imperfeito, empregadas pelo narrador para apresentar
ações rotineiras de Sofia.
(CESPE / SEEDF Monitor – 2017)
É preciso considerar a relação entre universidade e cultura. Quais são as condições de
preservação, de apropriação da cultura, e de reflexão crítica sobre ela? Mesmo um diagnóstico

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superficial da época em que vivemos é suficiente para mostrar a precariedade dessas condições. O
ritmo do tempo histórico é marcado pelo círculo produção e consumo, até mesmo daquilo que
entraria na categoria dos “bens culturais”. Os fatores de desagregação cultural incluem o
imediatismo e o caráter efêmero e disperso dos interesses que os indivíduos são encorajados a
cultivar, a fragmentação e a distorção da informação, a mercantilização extremada dos meios de
comunicação.
Os acessos ao mundo da cultura são cada vez mais intensamente submetidos a mecanismos
industriais, sem que se assuma qualquer medida no sentido de garantir acesso efetivamente
democrático. A universidade pública é uma instância em que se pode resistir, de alguma maneira e
por algum tempo, a esse processo, sendo a instituição em que a cultura pode ser considerada sem
as regras do mercado e sem os critérios de utilidade e oportunidade socialmente introjetados a partir
da mídia.
Para que a disseminação pública da cultura fuja a determinações pragmáticas e
economicistas, é necessário um espaço público de preservação, de apropriação e de reflexão.
As atividades que aí se desenvolvam não se podem subordinar a critérios da expectativa de
retorno de investimento. Por isso, a universidade, como instituição pública, pode assumir a função
de garantir o efetivo caráter público de que, em princípio, se revestem os bens de cultura
historicamente legados ao presente.
Faz parte da autonomia da universidade pública essa relação intrínseca com a cultura, que
permite que o acesso não seja filtrado por mecanismos de outras instâncias da vida social. É essa
publicidade desinteressada da cultura — que só na instituição pública pode-se articular em algum
grau — que garante o conhecimento, a apropriação intelectual, a reflexão, a crítica e o debate.
Franklin Leopoldo e Silva. Universidade pública e cultura. In: Estudos Avançados, v. 15, n.º 42, São Paulo (com
adaptações).
46. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)
De acordo com as ideias do texto, o acesso ao mundo da cultura realiza-se majoritariamente
mediante a ação do Estado.
47. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)
De acordo com as ideias do texto, a produção de cultura no ambiente universitário garante
rentabilidade em relação aos investimentos feitos.
48. (CESPE / SEEDF Monitor – 2017)
De acordo com as ideias do texto, a relação entre mercado e cultura é benéfica para a sociedade.
(CESPE / Prefeitura São Luís - MA Professor – 2017)
Vez por outra, Damião deixava-se ficar, madrugada adentro, na Casa-Grande das Minas,
vendo as danças, ouvindo as cantigas, atraído pelo bater dos tambores. A sensação íntima de derrota
pessoal, que sentia aprofundar-se na sua consciência, levava-o a isolar-se num canto do terreiro,
metido consigo. Com a morte recente do Dr. Sotero dos Reis, tinha tido a esperança de que viriam
chamá-lo para ocupar-lhe o lugar no Liceu. Esperara em vão: já outro professor fora nomeado.

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Agora, nem sequer com o apoio do velho mestre, que ainda lhe tinha um pouco de amizade, podia
mais contar. Por outro lado, continuava a ver os negros maltratados, sem que nada pudesse fazer
em seu favor. Não fazia duas semanas tinha ouvido na rua um tilintar de correntes, à altura do Largo
do Quartel, e vira uma fila de pretos, uns amarrados aos outros, submissos, descendo a Rua do Sol.
Nas conversas do Largo do Carmo, perto da coluna do Pelourinho, contavam-se novos casos de
mortes violentas de escravos, ali mesmo em São Luís. A Lei do Ventre Livre, que a imprensa da Corte
havia recebido com muita festa, não merecera o mais breve registro da imprensa de São Luís. No
fundo, pensando bem, que era essa lei senão uma burla? Os negros nasceriam e cresceriam nas
senzalas, debaixo do chicote dos senhores, e só aos vinte e um anos seriam livres. Ao fim de tanto
tempo de sujeição, que iriam fazer cá fora, sem saber em que se ocupar? E Damião sentia renascer
no seu espírito o impulso da revolta, querendo denunciar a burla e protestar contra o novo engodo
à liberdade dos negros. Mas vinha-lhe o desânimo. De que adiantava o seu protesto, se não dispunha
de um jornal, se não tinha uma tribuna? Ao mesmo tempo arriava os ombros, curvando a espinha,
esmagado pela convicção de sua inutilidade e de sua derrota. Se protestasse, como ia fazer depois
para educar os filhos e sustentar a família? Além do mais, embora desempregado havia muito
tempo, não perdera a esperança de colocar-se a qualquer momento, quer de novo no Liceu, quer
no Seminário de Santo Antônio.
Josué Montello. Os tambores de São Luís. 5.ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, p. 374-5 (com adaptações).
49. (CESPE / Prefeitura São Luís - MA Professor – 2017)
Depreende-se do texto que a “sensação íntima de derrota pessoal” (linhas 2 e 3) que levava Damião
a “isolar-se num canto do terreiro, metido consigo” (linhas 3 e 4) se devia ao fato de
a) a Lei do Ventre Livre ter sido promulgada.
b) o Dr. Sotero dos Reis, seu mestre e amigo, ter morrido.
c) ele não ser dono de jornal ou político.
d) ele ter perdido a esperança de ser professor do Liceu ou do Seminário de Santo Antônio.
e) ele estar desempregado e não ter meios para lutar contra a escravidão.
50. (CESPE / Prefeitura São Luís - MA Professor – 2017)
Infere-se do texto que, para Damião, a aprovação da Lei do Ventre Livre representou uma
a) possibilidade de os negros ascenderem socialmente por meio do trabalho remunerado.
b) chance de ele voltar a ministrar aulas no Liceu ou no Seminário de Santo Antônio.
c) vitória da Corte e da imprensa de São Luís na luta pela libertação dos negros.
d) falsa promessa de liberdade vindoura para os negros que nascessem a partir de então.
e) oportunidade de os negros finalmente se libertarem da escravidão.
51. (CESPE / Prefeitura São Luís - MA Professor – 2017)
De acordo com o texto, Damião era um homem que
a) havia se convencido do êxito das suas lutas contra a violação dos direitos dos negros.

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b) sofria preconceito racial e, por essa razão, se revoltava contra as injustiças decorrentes d
regime escravocrata.
c) se sentia impotente diante dos atos de violência e de injustiça praticados contra os negros.
d) desejava integrar um movimento político de luta pela abolição da escravatura.
e) negligenciava os assuntos relativos à escravidão.
52. (CESPE / Prefeitura São Luís - MA Professor – 2017)
No texto, refere-se ao “Dr. Sotero dos Reis” (linha 4) a forma pronominal empregada em
(A) “lhe tinha um pouco de amizade” (linha 7).
(B) “outro professor” (linha 6).
(C) “em seu favor” (linha 8).
(D) “viriam chamá-lo” (linha 5).
(E) “para ocupar-lhe” (linha 5).
53. (CESPE / Prefeitura São Luís - MA Professor – 2017)
No texto, a oração “Mas vinha-lhe o desânimo” (linha 18) expressa uma ideia de
a) consequência.
b) finalidade.
s) conclusão.
d) adversidade.
e) condição.
54. (CESPE / Prefeitura São Luís - MA Professor – 2017)
No texto, a palavra “burla” (linha 17) foi empregada no sentido de
a) honra ou glória.
b) transgressão ou ofensa.
c) ilusão ou fraude.
d) compaixão ou piedade.
e) afronta ou agressão.
(CESPE / TCE PE Analista – 2017)
Comecemos pelo conceito. A democracia veio dos gregos. Democracia não é só a eleição do
governo pelo povo, mas, sim, a atribuição, pelo povo, do poder — que inclui mais que o mero
governo; inclui o direito de fazer leis. Na democracia antiga, direta, isso cabia ao povo reunido na
praça pública.
Um grande êxito dos atenienses, se comparados aos modernos, era o amor à política. Moses
Finley, um dos maiores conhecedores do tema, conta que, em Atenas, a assembleia popular se

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reunia cerca de quarenta vezes ao ano. Pelo menos mil pessoas costumavam comparecer, às vezes
dez mil, de um total de quarenta mil possíveis (a presença não era obrigatória). Comparo esse
empenho ao nosso. Quantos não resmungam para votar uma só vez a cada dois anos? Nesse
período, o ateniense teria passado oitenta tardes na praça, ouvindo, votando.
Mas a “falha” dos atenienses era a inexistência de direitos humanos. Não havia proteção
contra as decisões da assembleia soberana. Ela podia decretar o banimento de quem quisesse, sem
se justificar: assim Temístocles foi sentenciado ao ostracismo pelo mesmo povo que ele salvara dos
persas. Desde a era moderna, os direitos do homem, protegendo-o do Estado, se tornam cruciais.
Estes são os grandes legados das três revoluções modernas — a inglesa, a americana e a francesa:
somos protegidos não só dos desmandos do monarca absoluto, contra os quais o melhor antídoto
seria a soberania popular, mas também da tirania do próprio povo e de seus eleitos.
55. (CESPE / TCE PE Analista – 2017)
De acordo com o autor, no mundo contemporâneo há proporcionalmente mais participação política
do que havia na democracia ateniense.
56. (CESPE / TCE PE Analista – 2017)
O texto defende a ideia de que, com as revoluções modernas, aumentou a capacidade de defesa do
indivíduo contra o Estado.
57. (CESPE / TCE PE Analista – 2017)
O autor emprega recursos do tipo textual narrativo para explicar o funcionamento da democracia
direta ateniense
(CESPE / PC GO Delegado – 2017)
A diferença básica entre as polícias civil e militar é a essência de suas atividades, pois assim
desenhou o constituinte original: a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CF), em
seu art. 144, atribui à polícia federal e às polícias civis dos estados as funções de polícia judiciária —
de natureza essencialmente investigatória, com vistas à colheita de provas e, assim, à viabilização
do transcorrer da ação penal — e a apuração de infrações penais.
Enquanto a polícia civil descobre, apura, colhe provas de crimes, propiciando a existência do
processo criminal e a eventual condenação do delinquente, a polícia militar, fardada, faz o
patrulhamento ostensivo, isto é, visível, claro e perceptível pelas ruas. Atua de modo preventivo-
repressivo, mas não é seu mister a investigação de crimes. Da mesma forma, não cabe ao delegado
de polícia de carreira e a seus agentes sair pelas ruas ostensivamente em patrulhamento. A própria
comunidade identifica na farda a polícia repressiva; quando ocorre um crime, em regra, esta é a
primeira a ser chamada.
Depois, havendo prisão em flagrante, por exemplo, atinge-se a fase de persecução penal, e
ocorre o ingresso da polícia civil, cuja identificação não se dá necessariamente pelos trajes usados.
Guilherme de Souza Nucci. Direitos humanos versus segurança pública. Rio de Janeiro: Forense,
2016, p. 43 (com adaptações).

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58. (CESPE / PC GO Delegado – 2017)


Infere-se das informações do texto que
a) o uso de fardamento pela polícia militar é o que a diferencia da polícia civil, que prescinde
dos trajes corporativos.
b) a essência da atividade do delegado de polícia civil reside no controle, na prevenção e na
repressão de infrações penais.
c) ao delegado de polícia cabem a condução da investigação criminal e a apuração de infrações
penais.
d) a tarefa precípua dos delegados de polícia civil e de seus agentes é o patrulhamento ostensivo
nas ruas.
e) a função de polícia judiciária concretiza-se no policiamento ostensivo, preventivo e
repressivo.
59. (CESPE / PC GO Delegado – 2017)
O texto é predominantemente
a) injuntivo.
b) narrativo.
c) dissertativo.
d) exortativo.
e) descritivo.
(CESPE / MPU Analista – 2015)
A persecução penal se desenvolve em duas fases: uma fase administrativa, de inquérito
policial, e uma fase jurisdicional, de ação penal. Assim, nada mais é o inquérito policial que um
procedimento administrativo destinado a reunir elementos necessários à apuração da prática de
uma infração penal e de sua autoria. Em outras palavras, o inquérito policial é um procedimento
policial que tem por finalidade construir um lastro probatório mínimo, ensejando justa causa para
que o titular da ação penal possa formar seu convencimento, a opinio delicti, e, assim, instaurar a
ação penal cabível. Nessa linha, percebe-se que o destinatário imediato do inquérito policial é o
Ministério Público, nos casos de ação penal pública, e o ofendido, nos casos de ação penal privada.
De acordo com o conceito ora apresentado, para que o titular da ação penal possa, enfim,
ajuizá-la, é necessário que haja justa causa. A justa causa, identificada por parte da doutrina como
uma condição da ação autônoma, consiste na obrigatoriedade de que existam prova acerca da
materialidade delitiva e, ao menos, indícios de autoria, de modo a existir fundada suspeita acerca
da prática de um fato de natureza penal. Dessa forma, é imprescindível que haja provas acerca da
possível existência de um fato criminoso e indicações razoáveis do sujeito que tenha sido o autor
desse fato.

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Evidencia-se, portanto, que é justamente na fase do inquérito policial que serão coletadas as
informações e as provas que irão formar o convencimento do titular da ação penal, isto é, a opinio
delicti. É com base nos elementos apurados no inquérito que o promotor de justiça, convencido da
existência de justa causa para a ação penal, oferece a denúncia, encerrando a fase administrativa da
persecução penal.
Hálinna Regina de Lira Rolim. A possibilidade de investigação do Ministério Público na fase pré-processual penal.
Artigo científico. Rio de Janeiro: Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, 2010, p. 4. Internet :
<www.emerj.tjrj.jus.br>. (com adaptações).
60. (CESPE / MPU Analista – 2015)
A fase do inquérito policial em que são coletadas as informações e as provas que irão formar o
convencimento do titular da ação penal é denominada opinio delecti.
61. (CESPE / MPU Analista – 2015)
A fase jurisdicional da persecução penal tem início após o oferecimento da denúncia pelo promotor
de justiça.
62. (CESPE / MPU Analista – 2015)
A existência de prova da materialidade delitiva é suficiente para que se considere a existência de
indícios de autoria.
(CESPE / Anatel Técnico – 2014)
No começo dos tempos, as pessoas precisavam aproveitar o período em que o Sol estava
radiante para praticar suas atividades diárias. Com o passar dos anos, essa diferenciação entre dia
para agir e noite para dormir foi ficando menos evidente. Isso porque o advento da iluminação e,
mais precisamente, da iluminação pública, permitiu que as pessoas desfrutassem mais da noite e
deixou as cidades mais seguras e bonitas. Dos lampiões a querosene aos leds, a evolução da
iluminação contribuiu para a transformação das cidades e dos hábitos das pessoas.
Desde a Idade Média, os seres humanos vinham tentando resolver o problema da escuridão
com velas e outros artefatos. Nesse período, eram usadas tochas com fibras torcidas e impregnadas
com material inflamável. Foi, sobretudo, no século XV que a iluminação pública se tornou uma
preocupação nas cidades. A história indica que, em 1415, na Inglaterra, a iluminação surgiu como
uma solução para amenizar a violência e, principalmente, os roubos a comerciantes, que aconteciam
com frequência na região.
Não é à toa que especialistas consideram a iluminação como uma grande aliada das cidades
na luta contra a violência urbana, já que é uma grande inibidora de atos de vandalismo, roubo e
agressões.
Internet: <http://www.osetoreletrico.com.br> (com adaptações).
63. (CESPE / Anatel Técnico – 2014)
O texto estabelece uma relação paradoxal entre iluminação pública e aumento de segurança urbana.

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(CESPE / Anatel Técnico – 2014)


As cidades foram criadas para a segurança de seus habitantes. Foram elas que propiciaram,
segundo autores clássicos e contemporâneos, o desenvolvimento da cidadania, da racionalidade
econômica, de um sistema de leis válidas para todos e de novas formas de associação entre
indivíduos, fora dos laços de parentesco e de servidão. Desde o clássico de Weber (1958) até as
obras mais recentes de Godbout (1997) e Jacobs (1993), a liberdade é apresentada como uma
conquista urbana. Essas novas formas de liberdade foram saudadas porque dissolviam laços de
domínio dos poderes familiares e feudais que impediam o aparecimento de um poder público
voltado para o povo (Habermas, 1994). Mas, simultaneamente, por atraírem pessoas vindas de
diferentes lugares, com diferentes culturas, religiões, compromissos políticos e identificações, que
apenas se esbarrariam nos novos espaços, as cidades teriam, então, comprometido o
estabelecimento de relações duradouras entre seus habitantes.
Alba Zaluar. A abordagem ecológica e os paradoxos da cidade. Revista de
Antropologia, São Paulo: USP, 2010, v. 53, n.º 2, p. 613 (com adaptações).
64. (CESPE / Anatel Técnico – 2014)
Infere-se da leitura do texto que as cidades propiciaram, além do fortalecimento dos laços de
parentesco entre os indivíduos, desenvolvimento da cidadania, da racionalidade econômica, de um
sistema de leis válidas para todos e de novas formas de associação pessoal.
65. (CESPE / Anatel Técnico – 2014)
De acordo com o texto, as cidades, por congregarem pessoas de diferentes classes sociais, não
contribuem para a manutenção de relações duradouras entre os habitantes.
66. (CESPE / Anatel Técnico – 2014)
A palavra comunicação significa normalmente o ato de tornar comum a muitos. A partir do
século XVII (até o século XIX), ganhou projeção a expressão meio ou linhas de comunicação,
designando as facilidades trazidas pelo desenvolvimento das ferrovias, canais e rodovias no
deslocamento de pessoas e objetos. Do século XIX ao século XX, o sentido da palavra se aproximou
cada vez mais daquilo que hoje pode ser chamado de mídia (meios pelos quais se passa informação
e se mantém o contato mediado, indireto). Foi a partir desse momento que a indústria da
comunicação (transporte de bens simbólicos) separou-se semanticamente da indústria de
transportes (transporte de bens físicos e pessoas).
É importante ressaltar que o termo comunicação carrega, no mundo moderno, as marcas de
sua ambiguidade original (tornar comum a muitos, partilhar, trocar). Nesse sentido, quando se fala
em comunicação face a face ou interativa, pode-se dizer que se trata de troca e partilha, mas quando
se fala de comunicação mediada, como rádio e TV, destaca-se consideravelmente a sua função de
tornar comum a muitos.
Pierre Bordieu. Questões de sociologia e comunicação. FAPESP, ANABLUME, 2007, p. 42-3 (com
adaptações).
Infere-se do texto que o termo “comunicação” adquire, no mundo moderno, interpretações
distintas.

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(CESPE / Anatel Técnico – 2014)


As traduções são muito mais complexas do que se imagina. Não me refiro a locuções,
expressões idiomáticas, gírias, flexões verbais, declinações e coisas assim. Isso pode ser resolvido de
uma maneira ou de outra, se bem que, muitas vezes, à custa de intenso sofrimento por parte do
tradutor. Refiro-me à impossibilidade de encontrar equivalências entre palavras aparentemente
sinônimas, unívocas e univalentes. Por exemplo, um alemão que saiba português responderá sem
hesitação que a palavra da língua portuguesa “amanhã” quer dizer “morgen”. Mas coitado do
alemão que vá para o Brasil acreditando que, quando um brasileiro diz “amanhã”, está realmente
querendo dizer “morgen”. Raramente está. “Amanhã” é uma palavra riquíssima e tenho certeza de
que, se o Grande Duden fosse brasileiro, pelo menos um volume teria de ser dedicado a ela e a
outras que partilham da mesma condição.
“Amanhã” significa, entre outras coisas, “nunca”, “talvez”, “vou pensar”, “vou desaparecer”,
“procure outro”, “não quero”, “no próximo ano”, “assim que eu precisar”, “um dia destes”, “vamos
mudar de assunto” etc. e, em casos excepcionalíssimos, “amanhã” mesmo. Qualquer estrangeiro
que tenha vivido no Brasil sabe que são necessários vários anos de treinamento para distinguir qual
o sentido pretendido pelo interlocutor brasileiro, quando ele responde, com a habitual cordialidade,
que fará tal ou qual coisa amanhã. O caso dos alemães é, seguramente, o mais grave. Não disponho
de estatísticas confiáveis, mas tenho certeza de que nove em cada dez alemães que procuram ajuda
médica no Brasil o fazem por causa de “amanhãs” casuais que os levam, no mínimo, a um colapso
nervoso, para grande espanto de seus amigos brasileiros.
João Ubaldo Ribeiro. A vida é um eterno amanhã. In: Um brasileiro em Berlim. 1993 (com
adaptações).
67. (CESPE / Anatel Técnico – 2014)
Infere-se da leitura do texto que os brasileiros, na maioria das vezes, usam a palavra “amanhã” em
sentido metafórico, e os alemães, em sentido literal.
68. (CESPE / Anatel Técnico – 2014)
Depreende-se da leitura do texto que, apesar de não se basear em estatísticas, o autor constrói sua
argumentação com dados advindos do sistema de saúde brasileiro.
69. (CESPE / Antaq Técnico – 2014)
Hidrovia é uma rota predeterminada para o tráfego aquático. Há muito tempo, o homem
utiliza a água como estrada, e a Amazônia é o maior exemplo disso. O transporte por hidrovias
apresenta grande capacidade de movimentação de cargas a grandes distâncias com baixo consumo
de combustível, além de propiciar uma oferta de produtos a preços competitivos. A ampliação do
uso da hidrovia é uma tendência mundial por uma questão ambiental.
A viabilização de uma navegação segura no rio Madeira, por exemplo, permite o escoamento
da produção de grãos de Rondônia e Mato Grosso para o Amazonas e daí para o Atlântico. Isso cria
um corredor de desenvolvimento integrado, com transporte de alta capacidade e baixo custo para
grandes distâncias, elimina um grave problema estrutural do setor primário, com a redução

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significativa da dependência do modal rodoviário até os portos do Sudeste, e representa mais uma
opção de integração nacional, com a redução de trânsito pesado nas rodovias da região Centro-Sul.
Idem (com adaptações).
Infere-se das informações do texto que o transporte por hidrovia ajuda a preservar o meio ambiente,
dado o baixo consumo de combustível, e reduz a dependência do transporte rodoviário.
70. (CESPE / Antaq Técnico – 2014)
As obras de dragagem objetivam remover os sedimentos que se encontram no fundo do
corpo d'água para permitir a passagem das embarcações, garantindo o acesso ao porto. Na maioria
das vezes, a dragagem é necessária quando da implantação do porto, para o aumento da
profundidade natural no canal de navegação, no cais de atracação e na bacia de evolução. Também
é necessária sua realização periódica para o alcance das profundidades que atendam o calado das
embarcações.
Internet: <www.antaq.gov.br> (com adaptações).
Depreende-se das informações do texto que a dragagem realizada na implantação do porto para
garantir o acesso das embarcações é definitiva, não havendo necessidade de ser refeita.

5 – GABARITO

1. C 16. E 31. E 46. E 61. C


2. E 17. C 32. D 47. E 62. E
3. C 18. E 33. C 48. E 63. E
4. C 19. E 34. C 49. E 64. E
5. C 20. E 35. E 50. D 65. E
6. C 21. D 36. C 51. C 66. C
7. E 22. B 37. C 52. E 67. C
8. E 23. B 38. C 53. D 68. E
9. E 24. A 39. E 54. C 69. C
10. C 25. E 40. E 55. E 70. E
11. E 26. B 41. C 56. C
12. C 27. D 42. E 57. C
13. C 28. D 43. E 58. C
14. E 29. E 44. C 59. C
15. C 30. A 45. E 60. E

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