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Penhane BOLETIM OFICIAL DA ASSOCIAÇÃO DE APOIO E ASSISTÊNCIA JURÍDICA AS COMUNIDADES

Director Executivo: Rui de Vasconcelos* Sede: AAAJC* Telefone: 20030252*Cidade de Tete *Chingodzi* Editado em Português e Inglês

Cassoca, Tibo e Benga: Mineradoras desafiam 14 leis em Moçambique?

Estávamos a verificar o nível de cumprimento dos planos de reas- actividades económicas e ao abrigo da linha c) do artigo 3 do Decreto
sentamento das três principais empresas de mineração na província nº 31/2012, de 8 de Agosto, foram publicados em Setembro de 2014,
de Tete, desde à Vale Moçambique, ICVL e a Jindal África. Afinal, dois novos instrumentos legais relacionados com o Reassentamento,
todas as três não encerraram o processo de reassentamento das que são o Diploma Ministerial Nº 155/2014, de 19 de Setembro, que
populações que vivem nas suas áreas de mineração, o que não só estabelece os Regulamentos Internos para as Operações do Comité
afigura-se crime porquanto desafia desde a Constituição da Repú- Técnico de Monitoria e Supervisão do Reassentamento; e o Diploma
blica, demais leis aprovadas pela Assembleia da República, Decre- Ministerial Nº 156/2014, de 19 de Setembro, que é uma Directiva
tos, resoluções e circulares como também denuncia abuso ao Estado Técnica para o Processo de Elaboração de Planos de Reassentamento,
moçambicano. Em contas feitas em cima do joelho, há um global de fornecendo diretrizes adicionais ao Decreto Nº 31/2012 de 8 de
14 instrumentos legais nacionais, que as empresas de mineração em Agosto. Esta Directiva Técnica refere-se também ao Diploma Minis-
Tete estão a desafiar. É um duelo que as empresas travam com o terial Nº 181/2010 de 3 de Novembro - a Directiva sobre o Processo
estado, mas acima de tudo marginalizando as populações de Tibo e de Expropriação para fins de Ordenamento Territorial, considerando
Benga nos distrito de Moatize bem assim as comunidades de Casso- -a aplicável ao processo de reassentamento sem, no entanto, esclare-
ca no distrito de Marara, na província de Tete. cer os termos dessa aplicabilidade, o que facilitaria mais ainda as
empresas de mineração. Porém, nada estão a fazer para as comuni-
A legislação específica sobre o reassentamento em Moçambique dades de Tibo, Benga e Cassoca, da responsabilidade da Vale, ICVL
encontra-se explanada no Regulamento sobre o Processo de Reas- e Jindal, respectivamente.
sentamento Resultante de Actividades Económicas, no Decreto nº
31/2012, de 8 de Agosto. É importante referir ainda que existam Mas mais do que isso, é que a elaboração do Plano de Acção de Reas-
políticas e regulamentos plasmados nas Leis de Terras e de Ordena- sentamento surge a partir de um quadro legal que para além de
mento Territorial que, embora não sejam direcionados para o reas- todos aqueles instrumentos legais específicos de reassentamento, é
sentamento involuntário e para a perda de bens devido a projectos reforçada por outros que contêm elementos relevantes para regular
de desenvolvimento, são relevantes para este processo, como meios processos que envolvam a deslocação física e económica.
legais de garantir os interesses das pessoas ou comunidades afecta-
das. Mesmo assim, nada está a ser cumprido.

Para garantir a organização e funcionamento dos intervenientes e


operacionalização do processo de reassentamento resultante das

Arrolamento das Leis desafiadas pelas empresas

De entre elas, a AAAJC lembra as principais que são a para a Protecção do Património Arqueológico (Decreto Nº
Constituição da República de Moçambique (2004); a 27/94, de 20 de Julho); a Lei do Planeamento do Território
Política Nacional de Terras (Resolução Nº 10/95, de 17 neste caso Lei Nº 19/2007, de 18 de Julho e o Regulamento da
de Outubro); a Lei de Terras (Lei Nº 19/1997, de 1 de Lei de Planeamento do Território estabelecido no Decreto N°
Outubro); o Regulamento da Lei de Terras (Decreto Nº 23/2008, de 1 de Julho.
66/1998, de 8 de Dezembro, alterado pelo Decreto Nº
1/2003, de 18 de Fevereiro); o Regulamento sobre o
Processo de Reassentamento Resultante de Actividades
Económicas (Decreto Nº 31/2012, de 8 de Agosto); a
Directiva Técnica para o Processo de Elaboração de
Parceiros:
Planos de Reassentamento (Diploma Ministerial N°
156/2014 de 19 de Setembro); a Directiva sobre o Pro-
cesso de Expropriação para fins de Ordenamento Terri-
torial (Diploma Ministerial Nº 181/2010, de 3 de No-
vembro); a Lei de Protecção do Património Cultural
(Lei Nº 10/88, de 22 de Dezembro); o Regulamento

Quem somos? Associação de Apoio e Assistência Jurídica as Comunidades (AAAJC), é uma organização da Sociedade Civil
Moçambicana, não-governamental, sem fins lucrativos, de âmbito nacional, fundada em 2008 e com os seus estatutos legal-
mente publicados em 2010 no Boletim da República nº. 2, III serie, 4º suplemento de 19 de Janeiro. A sede é na cidade de Tete.
Penhane OFICIAL REPORT CARD OF THE ASSOCIATION FOR SUPPORT AND LEGAL ASSISTANCE TO COMMUNITIES

The Executive Director Rui de Vasconcelos* Sede: AAAJC* Telefone: 20030252*City of Tete*Chingodzi* Edited in Portuguese & English
o
Edition n 186

Cassoca, Tibo and Benga: Do Miners Challenge 14 Laws in Mozambique?

We were checking the level of compliance with the resettlement activities and under line 3 (c) of Decree 31/2012 of 8 August, two
plans of the three main mining companies in Tete province, from new instruments were published in September 2014. Resettlement-
Vale Moçambique, ICVL and Jindal Africa. After all, all three did not related laws, which are Ministerial Diploma No. 155/2014 of 19
end the process of resettlement of the populations living in their September, which establishes the Internal Regulations for the Opera-
mining areas, which not only seems a crime because it challenges tions of the Technical Committee on Resettlement Monitoring and
since the Constitution of the Republic, other laws passed by the Supervision; and Ministerial Diploma No. 156/2014 of 19 Septem-
Assembly of the Republic, Decrees, resolutions and circulars. It also ber, which is a Technical Directive for the Resettlement Plan Making
reports abuse to the Mozambican state. On knee-high accounts, there Process, providing additional guidance to Decree No. 31/2012 of 8
are a total of 14 national legal instruments, which mining companies August. This Technical Directive also refers to Ministerial Diploma
in Tete are challenging. It is a duel that companies are waging with No. 181/2010 of 3 November - the Directive on the Expropriation
the state, but above all marginalizing the populations of Tibo and Process for Territorial Planning purposes, considering it applicable
Benga in the Moatize district as well as the Cassoca communities in to the resettlement process without, however, clarifying the terms of
the Marara district of Tete province. such applicability, which would make mining companies even easi-
er. However, they are doing nothing for the communities of Tibo,
The specific legislation on resettlement in Mozambique is explained Benga and Cassoca, under the responsibility of Vale, ICVL and
in the Regulation on the Resettlement Process Resulting from Eco- Jindal, respectively.
nomic Activities, in Decree 31/2012 of 8 August. It is also important
to note that there are policies and regulations embodied in the Land But more than that, is that the elaboration of the Resettlement Action
and Spatial Planning Laws that, while not directed to involuntary Plan comes from a legal framework that in addition to all those spe-
resettlement and loss of assets due to development projects, are cific legal resettlement instruments, it is reinforced by others that
relevant to this process as legal means of ensure the interests of the contain relevant elements for regulating processes involving physi-
people or communities affected. Even so, nothing is being accom- cal and economic displacement.
plished.

To ensure the organization and functioning of the actors and opera-


tionalization of the resettlement process resulting from economic

Listing of Laws Challenged by Companies

Among them, the AAAJC recalls the main ones that this case Law No. 19/2007 of July 18 and the Regula-
are the Constitution of the Republic of Mozambique tion of the Territory Planning Law established in
(2004); the National Land Policy (Resolution No. 10/95 Decree No. 23/2008 of July 1st.
of October 17); the Land Law (Law No. 19/1997 of
October 1st); the Land Law Regulation (Decree No.
66/1998 of December 8, as amended by Decree No.
1/2003 of February 18); the Regulation on the Resettle-
ment Process Resulting from Economic Activities Partners:
(Decree No. 31/2012, of August 8); the Technical Di-
rective for the Resettlement Plans Development Pro-
cess (Ministerial Diploma No. 156/2014 of September
19); the Directive on the Expropriation Process for Ter-
ritorial Planning (Ministerial Diploma No. 181/2010,
of November 3rd); the Cultural Heritage Protection
Law (Law No. 10/88 of December 22); the Regulation
for the Protection of Archaeological Heritage (Decree
No. 27/94 of July 20); the Territory Planning Law in

Who Are We? The Association for Support and Legal Assistance to Communities (AAAJC) is an mozambican Civil Society Organization (CSO) based in Tete province, non-governmental and non proffit, created in 2008 by
a group of Paralegals in natural resources and development law, formed by the Center for Legal and Judicial Training (CFJJ), now Ministry of Justice, who decided to organize themselves based on their knowledge to promote
social and economic development and respect for human rights based on observance of the principles of social justice, equity and sustainability. Its scope of action was limited to the areas of economic development and poverty
reduction in a participatory manner, legal support to communities and citizens, environmental education, conflict resolution, advocacy of public policies and human rights. In 2010, following the implementation of some initiatives
and completing the process of its constitution, the organization was formally legalized with statutes published in the Bulletin of the Republic no. 2, III series, 4th supplement of January 19, 2010.