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Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro

PC-RJInvestigador Policial
A apostila preparatória é elaborada antes da publicação do Edital Oficial com
base no Edital anterior, para que o aluno antecipe seus estudos.

AG059-2018
DADOS DA OBRA

Título da obra: Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro - PC - RJ

Cargo: Investigador Policial

Atualizada até 08/2018

• Língua Portuguesa
• Noções de Direito Penal
• Noções Direito Processual Penal
• Noções de Direito Administrativo
• Noções de Direito Constitucional
• Noções De Informática

Gestão de Conteúdos
Emanuela Amaral de Souza

Diagramação/ Editoração Eletrônica


Elaine Cristina
Igor de Oliveira
Ana Luiza Cesario
Thais Regis

Produção Editoral
Suelen Domenica Pereira

Capa
Joel Ferreira dos Santos
APRESENTAÇÃO

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SUMÁRIO

Língua Portuguesa

Compreensão e interpretação de textos. ....................................................................................................................................................... 01


Características gerais de textos narrativos, descritivos e argumentativos. ....................................................................................... 01
Exercícios de reescritura de frases mediante condições propostas. .................................................................................................... 01
Ambiguidade. ............................................................................................................................................................................................................ 01
Resumo de textos..................................................................................................................................................................................................... 01
Uso adequado do vocabulário. .......................................................................................................................................................................... 01
Linguagem figurada. .............................................................................................................................................................................................. 01
Formas de abreviações. ......................................................................................................................................................................................... 01
Usos de sinais de pontuação e notações léxicas. ....................................................................................................................................... 16
Correção de formas. ............................................................................................................................................................................................... 16
Concordância nominal e verbal. ........................................................................................................................................................................ 18
Uso do acento indicativo da crase. ................................................................................................................................................................... 24
Emprego e conjugação de verbos regulares e irregulares. ..................................................................................................................... 26
Emprego de Pronomes........................................................................................................................................................................................... 39

Noções de Direito Penal

- Aplicação da Lei penal......................................................................................................................................................................................... 01


Teoria Geral do Crime. Tipicidade, ilicitude e culpabilidade.................................................................................................................... 05
Concurso de pessoas.............................................................................................................................................................................................. 16
Concurso de Crimes. .............................................................................................................................................................................................. 16
Imputabilidade penal.............................................................................................................................................................................................. 16
Espécies de crimes: crimes contra a pessoa;.................................................................................................................................................. 17
Crimes contra o patrimônio;................................................................................................................................................................................ 24
Crimes contra os costumes;................................................................................................................................................................................. 35
Crimes contra a família;.......................................................................................................................................................................................... 38
Crimes contra a paz pública; crimes contra a saúde pública;................................................................................................................. 39
Crimes contra a fé pública;................................................................................................................................................................................... 41
Crimes contra a administração pública............................................................................................................................................................ 44
Leis extravagantes: Lei de tortura (9.455/97);................................................................................................................................................ 51
Lei de entorpecente (Lei 6.368/76);................................................................................................................................................................... 53
Lei de abuso de autoridade (4.898/65);........................................................................................................................................................... 68
Estatuto da criança e do adolescente (Lei 8.069/90);................................................................................................................................. 73
Código de trânsito brasileiro (Lei 9.503/97);................................................................................................................................................127
Lei dos juizados especiais criminais (Lei 9.099/95);...................................................................................................................................142
Dos crimes contra o meio ambiente (Lei 9.605/98);.................................................................................................................................154
Dos crimes contra o consumidor (Lei 8.078);..............................................................................................................................................162
Crimes de lavagem de dinheiro (Lei 9.613/98);..........................................................................................................................................180
Estatuto do desarmamento (Lei 10.826/03);................................................................................................................................................186
Crimes hediondos (Lei 8.072/90)......................................................................................................................................................................193
SUMÁRIO

Noções Direito Processual Penal

Inquérito policial. ..................................................................................................................................................................................................... 01


Auto de resistência. ................................................................................................................................................................................................ 01
Ação Penal. ................................................................................................................................................................................................................. 04
Prisão Cautelar: disposições gerais; prisão em flagrante; prisão temporária e prisão preventiva. .......................................... 06
Competência e atribuição. ................................................................................................................................................................................... 06
Liberdade provisória. .............................................................................................................................................................................................. 06
Atividade de Polícia Judiciária. ........................................................................................................................................................................... 18
Diligências de investigação e medidas assecuratórias.............................................................................................................................. 18
Da busca e apreensão............................................................................................................................................................................................. 18
Da prova. ..................................................................................................................................................................................................................... 21
Das garantias constitucionais do Processo Penal........................................................................................................................................ 26
Leis dos Juizados Especiais Criminais (Leis 9.099/95 e 10.259/01)....................................................................................................... 28

Noções de Direito Administrativo

Inquérito policial. ..................................................................................................................................................................................................... 01


Auto de resistência. ................................................................................................................................................................................................ 01
Ação Penal. ................................................................................................................................................................................................................. 04
Prisão Cautelar: disposições gerais; prisão em flagrante; prisão temporária e prisão preventiva. .......................................... 06
Competência e atribuição. ................................................................................................................................................................................... 06
Liberdade provisória. .............................................................................................................................................................................................. 06
Atividade de Polícia Judiciária. ........................................................................................................................................................................... 18
Diligências de investigação e medidas assecuratórias.............................................................................................................................. 18
Da busca e apreensão............................................................................................................................................................................................. 18
Da prova. ..................................................................................................................................................................................................................... 21
Das garantias constitucionais do Processo Penal........................................................................................................................................ 26
Leis dos Juizados Especiais Criminais (Leis 9.099/95 e 10.259/01)....................................................................................................... 28

Noções de Direito Constitucional

Direitos e deveres individuais e coletivos. ..................................................................................................................................................... 01


Organização do Estado Federal Brasileiro: repartição de competências. .......................................................................................... 34
Administração pública e servidores públicos civis. .................................................................................................................................... 43
Segurança Pública na Constituição Federal e na Constituição do Estado do Rio de Janeiro..................................................... 57

Noções de Informática

Componentes de um computador: hardware e software........................................................................................................................ 01


Arquitetura básica de computadores: unidade central, memória: tipos e tamanhos.................................................................... 01
Periféricos: impressoras, drives de disco fixo (Winchester), disquete, CD-ROM. ........................................................................... 01
Uso do teclado, uso do mouse, janelas e seus botões, diretórios e arquivos (uso do Windows Explorer): tipos de arqui-
vos, localização, criação, cópia e remoção de arquivos, cópias de arquivos para outros dispositivos e cópias de seguran-
ça, uso da lixeira para remover e recuperar arquivos, uso da ajuda do Windows.......................................................................... 01
Uso do Word for Windows: entrando e corrigindo texto, definindo formato de páginas: margens, orientação, nume-
ração, cabeçalho e rodapé definindo estilo do texto: fonte, tamanho, negrito, itálico e sublinhado, impressão de do-
cumentos: visualizando a página a ser impressa, uso do corretor ortográfico, criação de texto em colunas, criação de
tabelas, criação e inserção de figuras no texto............................................................................................................................................. 60
LÍNGUA PORTUGUESA

Compreensão e interpretação de textos. ....................................................................................................................................................... 01


Características gerais de textos narrativos, descritivos e argumentativos. ....................................................................................... 01
Exercícios de reescritura de frases mediante condições propostas. ................................................................................................... 01
Ambiguidade. ............................................................................................................................................................................................................ 01
Resumo de textos..................................................................................................................................................................................................... 01
Uso adequado do vocabulário. .......................................................................................................................................................................... 01
Linguagem figurada. .............................................................................................................................................................................................. 01
Formas de abreviações. ......................................................................................................................................................................................... 01
Usos de sinais de pontuação e notações léxicas. ....................................................................................................................................... 16
Correção de formas. ............................................................................................................................................................................................... 16
Concordância nominal e verbal. ........................................................................................................................................................................ 18
Uso do acento indicativo da crase. ................................................................................................................................................................... 24
Emprego e conjugação de verbos regulares e irregulares. .................................................................................................................... 26
Emprego de Pronomes........................................................................................................................................................................................... 39
LÍNGUA PORTUGUESA

Interpretar/Compreender
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE Interpretar significa:
TEXTOS. Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir.
CARACTERÍSTICAS GERAIS DE Através do texto, infere-se que...
TEXTOS NARRATIVOS, DESCRITIVOS E É possível deduzir que...
ARGUMENTATIVOS. O autor permite concluir que...
EXERCÍCIOS DE REESCRITURA DE FRASES Qual é a intenção do autor ao afirmar que...
MEDIANTE CONDIÇÕES PROPOSTAS. Compreender significa
AMBIGUIDADE. Entendimento, atenção ao que realmente está escrito.
RESUMO DE TEXTOS. O texto diz que...
É sugerido pelo autor que...
USO ADEQUADO DO VOCABULÁRIO.
De acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação...
USO ADEQUADO DO VOCABULÁRIO.
O narrador afirma...
LINGUAGEM FIGURADA.
FORMAS DE ABREVIAÇÕES. Erros de interpretação

 Extrapolação (“viagem”) = ocorre quando se sai


do contexto, acrescentando ideias que não estão no texto,
1. Interpretação Textual quer por conhecimento prévio do tema quer pela imagi-
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacio- nação.
nadas entre si, formando um todo significativo capaz de  Redução = é o oposto da extrapolação. Dá-se
produzir interação comunicativa (capacidade de codificar atenção apenas a um aspecto (esquecendo que um texto é
e decodificar). um conjunto de ideias), o que pode ser insuficiente para o
Contexto – um texto é constituído por diversas frases.
entendimento do tema desenvolvido.
Em cada uma delas, há uma informação que se liga com
 Contradição = às vezes o texto apresenta ideias
a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a
contrárias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões
estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa interli-
equivocadas e, consequentemente, errar a questão.
gação dá-se o nome de contexto. O relacionamento entre
as frases é tão grande que, se uma frase for retirada de seu
Observação:
contexto original e analisada separadamente, poderá ter
Muitos pensam que existem a ótica do escritor e a óti-
um significado diferente daquele inicial.
Intertexto - comumente, os textos apresentam refe- ca do leitor. Pode ser que existam, mas em uma prova de
rências diretas ou indiretas a outros autores através de ci- concurso, o que deve ser levado em consideração é o que
tações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. o autor diz e nada mais.
Interpretação de texto - o objetivo da interpretação
de um texto é a identificação de sua ideia principal. A par- Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
tir daí, localizam-se as ideias secundárias (ou fundamen- relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si.
tações), as argumentações (ou explicações), que levam ao Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um
esclarecimento das questões apresentadas na prova. pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um prono-
me oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se
Normalmente, em uma prova, o candidato deve: vai dizer e o que já foi dito.
 Identificar os elementos fundamentais de uma
argumentação, de um processo, de uma época (neste caso, São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre eles,
procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o está o mau uso do pronome relativo e do pronome oblí-
tempo). quo átono. Este depende da regência do verbo; aquele, do
 Comparar as relações de semelhança ou de dife- seu antecedente. Não se pode esquecer também de que os
renças entre as situações do texto. pronomes relativos têm, cada um, valor semântico, por isso
 Comentar/relacionar o conteúdo apresentado a necessidade de adequação ao antecedente.
com uma realidade. Os pronomes relativos são muito importantes na in-
 Resumir as ideias centrais e/ou secundárias. terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de
 Parafrasear = reescrever o texto com outras pa- coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que
lavras. existe um pronome relativo adequado a cada circunstância,
a saber:
Condições básicas para interpretar que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente,
Fazem-se necessários: conhecimento histórico-literá- mas depende das condições da frase.
rio (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), leitura qual (neutro) idem ao anterior.
e prática; conhecimento gramatical, estilístico (qualidades quem (pessoa)
do texto) e semântico; capacidade de observação e de sín- cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
tese; capacidade de raciocínio. o objeto possuído.

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LÍNGUA PORTUGUESA

como (modo)
onde (lugar)
quando (tempo) EXERCÍCIO COMENTADO
quanto (montante)
Exemplo: 1. (PCJ-MT - Delegado Substituto – Superior- Ces-
Falou tudo QUANTO queria (correto) pe-2017)
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria
aparecer o demonstrativo O). Texto CG1A1AAA
Dicas para melhorar a interpretação de textos A valorização do direito à vida digna preserva as duas
faces do homem: a do indivíduo e a do ser político; a do
 Leia todo o texto, procurando ter uma visão geral ser em si e a do ser com o outro. O homem é inteiro em
do assunto. Se ele for longo, não desista! Há muitos can- sua dimensão plural e faz-se único em sua condição social.
didatos na disputa, portanto, quanto mais informação você Igual em sua humanidade, o homem desiguala-se, singu-
absorver com a leitura, mais chances terá de resolver as lariza-se em sua individualidade. O direito é o instrumento
questões. da fraternização racional e rigorosa.
 Se encontrar palavras desconhecidas, não inter- O direito à vida é a substância em torno da qual todos
rompa a leitura. os direitos se conjugam, se desdobram, se somam para que
 Leia o texto, pelo menos, duas vezes – ou quantas o sistema fique mais e mais próximo da ideia concretizável
forem necessárias. de justiça social.
 Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma Mais valeria que a vida atravessasse as páginas da Lei
conclusão). Maior a se traduzir em palavras que fossem apenas a reve-
 Volte ao texto quantas vezes precisar. lação da justiça. Quando os descaminhos não conduzirem
 Não permita que prevaleçam suas ideias sobre a isso, competirá ao homem transformar a lei na vida mais
as do autor. digna para que a convivência política seja mais fecunda e
 Fragmente o texto (parágrafos, partes) para me- humana.
lhor compreensão. Cármen Lúcia Antunes Rocha. Comentário ao artigo
 Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado 3.º. In: 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Hu-
de cada questão. manos 1948-1998: conquistas e desafios. Brasília: OAB, Co-
 O autor defende ideias e você deve percebê-las. missão Nacional de Direitos Humanos, 1998, p. 50-1 (com
 Observe as relações interparágrafos. Um parágra- adaptações).
fo geralmente mantém com outro uma relação de conti-
nuação, conclusão ou falsa oposição. Identifique muito Compreende-se do texto CG1A1AAA que o ser huma-
bem essas relações. no tem direito
 Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou A. de agir de forma autônoma, em nome da lei da so-
seja, a ideia mais importante. brevivência das espécies.
 Nos enunciados, grife palavras como “correto” B. de ignorar o direito do outro se isso lhe for necessá-
ou “incorreto”, evitando, assim, uma confusão na hora rio para defender seus interesses.
da resposta – o que vale não somente para Interpretação de C. de demandar ao sistema judicial a concretização de
Texto, mas para todas as demais questões! seus direitos.
 Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia prin- D. à institucionalização do seu direito em detrimento
cipal, leia com atenção a introdução e/ou a conclusão. dos direitos de outros.
 Olhe com especial atenção os pronomes relati- E. a uma vida plena e adequada, direito esse que está
vos, pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, etc., na essência de todos os direitos.
chamados vocábulos relatores, porque remetem a outros
vocábulos do texto. O ser humano tem direito a uma vida digna, adequada,
para que consiga gozar de seus direitos – saúde, educa-
SITES ção, segurança – e exercer seus deveres plenamente, como
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portu- prescrevem todos os direitos: (...) O direito à vida é a subs-
gues/como-interpretar-textos tância em torno da qual todos os direitos se conjugam (...).
http://portuguesemfoco.com/pf/09-dicas-para-me- GABARITO OFICIAL: E
lhorar-a-interpretacao-de-textos-em-provas
http://www.portuguesnarede.com/2014/03/dicas-pa- 2. (PCJ-MT - Delegado Substituto – Superior- Ces-
ra-voce-interpretar-melhor-um.html pe-2017)
http://vestibular.uol.com.br/cursinho/questoes/ques-
tao-117-portugues.htm Texto CG1A1BBB
Segundo o parágrafo único do art. 1.º da Constituição
da República Federativa do Brasil, “Todo o poder emana do
povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou

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LÍNGUA PORTUGUESA

diretamente, nos termos desta Constituição.” Em virtude Comumente relatamos sobre um acontecimento, um
desse comando, afirma-se que o poder dos juízes emana fato presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa opi-
do povo e em seu nome é exercido. A forma de sua inves- nião sobre determinado assunto, descrevemos algum lu-
tidura é legitimada pela compatibilidade com as regras do gar que visitamos, fazemos um retrato verbal sobre alguém
Estado de direito e eles são, assim, autênticos agentes do que acabamos de conhecer ou ver. É exatamente nessas
poder popular, que o Estado polariza e exerce. Na Itália, situações corriqueiras que classificamos os nossos textos
isso é constantemente lembrado, porque toda sentença é naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição e Dis-
dedicada (intestata) ao povo italiano, em nome do qual é sertação.
pronunciada.
Cândido Rangel Dinamarco. A instrumentalidade do As tipologias textuais se caracterizam pelos aspec-
processo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1987, p. 195 tos de ordem linguística
(com adaptações).
Os tipos textuais designam uma sequência definida
Conforme as ideias do texto CG1A1BBB, pela natureza linguística de sua composição. São observa-
A. o Poder Judiciário brasileiro desempenha seu papel dos aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações
com fundamento no princípio da soberania popular. logicas. Os tipos textuais são o narrativo, descritivo, argu-
B. os magistrados do Brasil deveriam ser escolhidos mentativo/dissertativo, injuntivo e expositivo.
pelo voto popular, como ocorre com os representantes dos A) Textos narrativos – constituem-se de verbos de
demais poderes. ação demarcados no tempo do universo narrado, como
C. os magistrados italianos, ao contrário dos brasilei- também de advérbios, como é o caso de antes, agora, de-
ros, exercem o poder que lhes é conferido em nome de pois, entre outros: Ela entrava em seu carro quando ele apa-
seus nacionais. receu. Depois de muita conversa, resolveram...
D. há incompatibilidade entre o autogoverno da ma- B) Textos descritivos – como o próprio nome indica,
gistratura e o sistema democrático. descrevem características tanto físicas quanto psicológicas
E. os magistrados brasileiros exercem o poder consti- acerca de um determinado indivíduo ou objeto. Os tempos
tucional que lhes é atribuído em nome do governo federal. verbais aparecem demarcados no presente ou no pretérito
imperfeito: “Tinha os cabelos mais negros como a asa da
A questão deve ser respondida segundo o texto: (...) graúna...”
“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de C) Textos expositivos – Têm por finalidade explicar
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta um assunto ou uma determinada situação que se almeje
Constituição.” Em virtude desse comando, afirma-se que o desenvolvê-la, enfatizando acerca das razões de ela acon-
poder dos juízes emana do povo e em seu nome é exercido tecer, como em: O cadastramento irá se prorrogar até o dia
(...). 02 de dezembro, portanto, não se esqueça de fazê-lo, sob
GABARITO OFICIAL: A pena de perder o benefício.
D) Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de uma
3. (PCJ-MT - Delegado Substituto – Superior- Ces- modalidade na qual as ações são prescritas de forma se-
pe-2017 - adaptada) No texto CG1A1BBB, o vocábulo quencial, utilizando-se de verbos expressos no imperativo,
‘emana’ foi empregado com o sentido de infinitivo ou futuro do presente: Misture todos os ingredien-
A. trata. te e bata no liquidificador até criar uma massa homogênea.
B. provém. E) Textos argumentativos (dissertativo) – Demar-
C. manifesta. cam-se pelo predomínio de operadores argumentativos,
D. pertence. revelados por uma carga ideológica constituída de argu-
E. cabe. mentos e contra-argumentos que justificam a posição as-
sumida acerca de um determinado assunto: A mulher do
Dentro do contexto, “emana” tem o sentido de “pro- mundo contemporâneo luta cada vez mais para conquistar
vém”. seu espaço no mercado de trabalho, o que significa que os
GABARITO OFICIAL: B gêneros estão em complementação, não em disputa.
Gêneros Textuais
1. Tipologia e Gênero Textual
São os textos materializados que encontramos em
A todo o momento nos deparamos com vários textos, nosso cotidiano; tais textos apresentam características só-
sejam eles verbais ou não verbais. Em todos há a presença cio-comunicativas definidas por seu estilo, função, com-
do discurso, isto é, a ideia intrínseca, a essência daquilo posição, conteúdo e canal. Como exemplos, temos: receita
que está sendo transmitido entre os interlocutores. Estes culinária, e-mail, reportagem, monografia, poema, editorial,
interlocutores são as peças principais em um diálogo ou piada, debate, agenda, inquérito policial, fórum, blog, etc.
em um texto escrito. A escolha de um determinado gênero discursivo de-
É de fundamental importância sabermos classificar os pende, em grande parte, da situação de produção, ou seja,
textos com os quais travamos convivência no nosso dia a a finalidade do texto a ser produzido, quem são os locu-
dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos textuais tores e os interlocutores, o meio disponível para veicular
e gêneros textuais. o texto, etc.

3
LÍNGUA PORTUGUESA

Os gêneros discursivos geralmente estão ligados a es- A Língua é um instrumento de comunicação, sendo
feras de circulação. Assim, na esfera jornalística, por exem- composta por regras gramaticais que possibilitam que de-
plo, são comuns gêneros como notícias, reportagens, edito- terminado grupo de falantes consiga produzir enunciados
riais, entrevistas e outros; na esfera de divulgação científica que lhes permitam comunicar-se e compreender-se. Por
são comuns gêneros como verbete de dicionário ou de enci- exemplo: falantes da língua portuguesa.
clopédia, artigo ou ensaio científico, seminário, conferência. A língua possui um caráter social: pertence a todo um
conjunto de pessoas, as quais podem agir sobre ela. Cada
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS membro da comunidade pode optar por esta ou aquela
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- forma de expressão. Por outro lado, não é possível criar
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São uma língua particular e exigir que outros falantes a com-
Paulo: Saraiva, 2010. preendam. Dessa forma, cada indivíduo pode usar de ma-
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática neira particular a língua comunitária, originando a fala. A
– volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa fala está sempre condicionada pelas regras socialmente
Souza. – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002. estabelecidas da língua, mas é suficientemente ampla para
permitir um exercício criativo da comunicação. Um indiví-
SITE duo pode pronunciar um enunciado da seguinte maneira:
http://www.brasilescola.com/redacao/tipologia-tex- A família de Regina era paupérrima.
tual.htm
Outro, no entanto, pode optar por:

Linguagem é a capacidade que possuímos de expres- A família de Regina era muito pobre.
sar nossos pensamentos, ideias, opiniões e sentimentos. As diferenças e semelhanças constatadas devem-se
Está relacionada a fenômenos comunicativos; onde há co- às diversas manifestações da fala de cada um. Note, além
municação, há linguagem. Podemos usar inúmeros tipos disso, que essas manifestações devem obedecer às regras
de linguagens para estabelecermos atos de comunicação, gerais da língua portuguesa, para não correrem o risco de
tais como: sinais, símbolos, sons, gestos e regras com sinais produzir enunciados incompreensíveis como:
convencionais (linguagem escrita e linguagem mímica, por
exemplo). Num sentido mais genérico, a linguagem pode Família a paupérrima de era Regina.
ser classificada como qualquer sistema de sinais que se va-
lem os indivíduos para comunicar-se. Não devemos confundir língua com escrita, pois são
A linguagem pode ser: dois meios de comunicação distintos. A escrita represen-
ta um estágio posterior de uma língua. A língua falada
- Verbal: aquela que faz uso das palavras para comu- é mais espontânea, abrange a comunicação linguística em
nicar algo. toda sua totalidade. Além disso, é acompanhada pelo tom
de voz, algumas vezes por mímicas, incluindo-se fisiono-
mias. A língua escrita não é apenas a representação da lín-
gua falada, mas sim um sistema mais disciplinado e rígido,
uma vez que não conta com o jogo fisionômico, as mímicas
e o tom de voz do falante. No Brasil, por exemplo, todos
falam a língua portuguesa, mas existem usos diferentes da
língua devido a diversos fatores. Dentre eles, destacam-se:
As figuras acima nos comunicam sua mensagem atra-
vés da linguagem verbal (usa palavras para transmitir a in- - Fatores Regionais: é possível notar a diferença do
formação). português falado por um habitante da região nordeste e
outro da região sudeste do Brasil. Dentro de uma mesma
- Não Verbal: aquela que utiliza outros métodos de região, também há variações no uso da língua. No estado
comunicação, que não são as palavras. Dentre elas estão a do Rio Grande do Sul, por exemplo, há diferenças entre a
linguagem de sinais, as placas e sinais de trânsito, a lingua- língua utilizada por um cidadão que vive na capital e aque-
gem corporal, uma figura, a expressão facial, um gesto, etc. la utilizada por um cidadão do interior do estado.
- Fatores Culturais: o grau de escolarização e a for-
mação cultural de um indivíduo também são fatores que
colaboram para os diferentes usos da língua. Uma pessoa
escolarizada utiliza a língua de uma maneira diferente da
pessoa que não teve acesso à escola.
- Fatores Contextuais: nosso modo de falar varia de
acordo com a situação em que nos encontramos: quando
conversamos com nossos amigos, não usamos os termos
Essas figuras fazem uso apenas de imagens para co- que usaríamos se estivéssemos discursando em uma sole-
municar o que representam. nidade de formatura.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Fatores Profissionais: o exercício de algumas ativi- ro”, formando a sequência “um cachorro”, o mesmo não
dades requer o domínio de certas formas de língua chama- seria possível se quiséssemos colocar o artigo “uma” diante
das línguas técnicas. Abundantes em termos específicos, do signo “cachorro”. A sequência “uma cachorro” contraria
essas formas têm uso praticamente restrito ao intercâmbio uma regra de concordância da língua portuguesa, o que
técnico de engenheiros, químicos, profissionais da área de faz com que essa sentença seja rejeitada. Os signos que
direito e da informática, biólogos, médicos, linguistas e ou- constituem a língua obedecem a padrões determinados
tros especialistas. de organização. O conhecimento de uma língua engloba
- Fatores Naturais: o uso da língua pelos falantes tanto a identificação de seus signos, como também o uso
sofre influência de fatores naturais, como idade e sexo. adequado de suas regras combinatórias.
Uma criança não utiliza a língua da mesma maneira que
um adulto, daí falar-se em linguagem infantil e linguagem Signo: elemento representativo que possui duas par-
adulta. tes indissolúveis: significado e significante. Significado (é o
conceito, a ideia transmitida pelo signo, a parte abstrata
Fala do signo) + Significante (é a imagem sonora, a forma, a
parte concreta do signo, suas letras e seus fonemas).
É a utilização oral da língua pelo indivíduo. É um ato
individual, pois cada indivíduo, para a manifestação da fala,
Língua: conjunto de sinais baseado em palavras que
pode escolher os elementos da língua que lhe convém,
obedecem às regras gramaticais.
conforme seu gosto e sua necessidade, de acordo com a
situação, o contexto, sua personalidade, o ambiente socio-
Fala: uso individual da língua, aberto à criatividade
cultural em que vive, etc. Desse modo, dentro da unidade
da língua, há uma grande diversificação nos mais variados e ao desenvolvimento da liberdade de expressão e com-
níveis da fala. Cada indivíduo, além de  conhecer o que fala, preensão.
conhece também o que os outros falam; é por isso que
somos capazes de dialogar com pessoas dos mais variados 1. Frase, oração e período
graus de cultura, embora nem sempre a linguagem delas 1.1 Sintaxe da Oração e do Período
seja exatamente como a nossa.  1.1.2 Termos da Oração
Devido ao caráter individual da fala, é possível observar 1.2 Coordenação e Subordinação
alguns níveis:
Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para
- Nível Coloquial-Popular: é a fala que a maioria das estabelecer comunicação. Normalmente é composta por
pessoas utiliza no seu dia a dia, principalmente em situa- dois termos – o sujeito e o predicado – mas não obrigato-
ções informais. Esse nível da fala é mais espontâneo, ao riamente, pois há orações ou frases sem sujeito: Trovejou
utilizá-lo, não nos preocupamos em saber se falamos de muito ontem à noite.
acordo ou não com as regras formais estabelecidas pela
língua. Quanto aos tipos de frases, além da classificação em
verbais (possuem verbos, ou seja, são orações) e nominais
- Nível Formal-Culto: é o nível da fala normalmente (sem a presença de verbos), feita a partir de seus elementos
utilizado pelas pessoas em situações formais. Caracteriza- constituintes, elas podem ser classificadas a partir de seu
-se por um cuidado maior com o vocabulário e pela obe- sentido global:
diência às regras gramaticais estabelecidas pela língua. A) frases interrogativas = o emissor da mensagem for-
mula uma pergunta: Que dia é hoje?
Signo B) frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou faz
um pedido: Dê-me uma luz!
É um elemento representativo que apresenta dois as- C) frases exclamativas = o emissor exterioriza um esta-
pectos: o significado e o significante. Ao escutar a palavra
do afetivo: Que dia abençoado!
“cachorro”, reconhecemos a sequência de sons que formam
D) frases declarativas = o emissor constata um fato: A
essa palavra. Esses sons se identificam com a lembrança
prova será amanhã.
deles que está em nossa memória. Essa lembrança constitui
uma real imagem sonora, armazenada em nosso cérebro
que é o significante do signo “cachorro”. Quando escuta- Quanto à estrutura da frase, as que possuem verbo
mos essa palavra, logo pensamos em um animal irracional (oração) são estruturadas por dois elementos essenciais:
de quatro patas, com pelos, olhos, orelhas, etc. Esse concei- sujeito e predicado.
to que nos vem à mente é o significado do signo “cachorro” O sujeito é o termo da frase que concorda com o verbo
e também se encontra armazenado em nossa memória. em número e pessoa. É o “ser de quem se declara algo”, “o
Ao empregar os signos que formam a nossa língua, tema do que se vai comunicar”; o predicado é a parte da
devemos obedecer às regras gramaticais convencionadas frase que contém “a informação nova para o ouvinte”, é o
pela própria língua. Desse modo, por exemplo, é possível que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao tema, constituindo
colocar o artigo indefinido “um” diante do signo “cachor- a declaração do que se atribui ao sujeito.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Quando o núcleo da declaração está no verbo (que in- A indeterminação do sujeito ocorre quando não é
dique ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo signi- possível identificar claramente a que se refere a concor-
ficativo), temos o predicado verbal. Mas, se o núcleo estiver dância verbal. Isso ocorre quando não se pode ou não inte-
em um nome (geralmente um adjetivo), teremos um pre- ressa indicar precisamente o sujeito de uma oração.
dicado nominal (os verbos deste tipo de predicado são os Estão gritando seu nome lá fora.
que indicam estado, conhecidos como verbos de ligação): Trabalha-se demais neste lugar.
O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação
(predicado verbal) O sujeito simples é o sujeito determinado que apre-
A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o nú- senta um único núcleo, que pode estar no singular ou no
cleo é “fácil” (predicado nominal) plural; pode também ser um pronome indefinido. Abaixo,
sublinhei os núcleos dos sujeitos:
Quanto ao período, ele denomina a frase constituída Nós estudaremso juntos.
por uma ou mais orações, formando um todo, com sentido A humanidade é frágil.
completo. O período pode ser simples ou composto. Ninguém se move.
O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve uma
Período simples é aquele constituído por apenas uma derivação imprópria, tranformando-o em substantivo)
oração, que recebe o nome de oração absoluta.
As crianças precisam de alimentos saudáveis.
Chove.
A existência é frágil.
O sujeito composto é o sujeito determinado que apre-
Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso.
senta mais de um núcleo.
Período composto é aquele constituído por duas ou Alimentos e roupas custam caro.
mais orações: Ela e eu sabemos o conteúdo.
Cantei, dancei e depois dormi. O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda.
Quero que você estude mais.
Além desses dois sujeitos determinados, é comum a
1.1.2 Termos da Oração referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o
1.1.2.1 Termos essenciais “antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo do
sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido pela
O sujeito e o predicado são considerados termos es- desinência verbal ou pelo contexto.
senciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis para Abolimos todas as regras. = (nós)
a formação das orações. No entanto, existem orações for- Falaste o recado à sala? = (tu)
madas exclusivamente pelo predicado. O que define a ora-
ção é a presença do verbo. O sujeito é o termo que estabe- Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na pri-
lece concordância com o verbo. meira pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na segun-
O candidato está preparado. da do singular (tu) ou do plural (vós), desde que os prono-
Os candidatos estão preparados. mes não estejam explícitos.
Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implícito
Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”. “Candida- na desinência verbal “-mos”
to” é a principal palavra do sujeito, sendo, por isso, deno- Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na desi-
minada núcleo do sujeito. Este se relaciona com o verbo, nência verbal “-ais”
estabelecendo a concordância (núcleo no singular, verbo
no singular: candidato = está). Mas:
A função do sujeito é basicamente desempenhada por Nós iremos à festa juntos? = sujeito simples: nós
substantivos, o que a torna uma função substantiva da ora- Vós cantais bem! = sujeito simples: vós
ção. Pronomes, substantivos, numerais e quaisquer outras
palavras substantivadas (derivação imprópria) também po-
O sujeito indeterminado surge quando não se quer -
dem exercer a função de sujeito.
ou não se pode - identificar a que o predicado da oração
Os dois sumiram. (dois é numeral; no exemplo, subs-
refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso
tantivo)
Um sim é suave e sugestivo. (sim é advérbio; no exem- contrário, teríamos uma oração sem sujeito.
plo: substantivo) Na língua portuguesa, o sujeito pode ser indetermina-
do de duas maneiras:
Os sujeitos são classificados a partir de dois elementos: A) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que o
o de determinação ou indeterminação e o de núcleo do sujeito não tenha sido identificado anteriormente:
sujeito. Bateram à porta;
Um sujeito é determinado quando é facilmente iden- Andam espalhando boatos a respeito da queda do mi-
tificado pela concordância verbal. O sujeito determinado nistro.
pode ser simples ou composto.

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Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples ou Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres
composto: de opinião.
Os meninos bateram à porta. (simples) Predicado
Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto)
B) com o verbo na terceira pessoa do singular, acres- O predicado acima apresenta apenas uma palavra que
cido do pronome “se”. Esta é uma construção típica dos se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras se ligam
verbos que não apresentam complemento direto: direta ou indiretamente ao verbo.
Precisa-se de mentes criativas. A cidade está deserta.
Vivia-se bem naqueles tempos.
Trata-se de casos delicados. O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere-se
Sempre se está sujeito a erros. ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como elemento
de ligação (por isso verbo de ligação) entre o sujeito e a
palavra a ele relacionada (no caso: deserta = predicativo
O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice de
do sujeito).
indeterminação do sujeito.
O predicado verbal é aquele que tem como núcleo
As orações sem sujeito, formadas apenas pelo predi- significativo um verbo:
cado, articulam-se a partir de um verbo impessoal. A men- Chove muito nesta época do ano.
sagem está centrada no processo verbal. Os principais ca- Estudei muito hoje!
sos de orações sem sujeito com: Compraste a apostila?
 os verbos que indicam fenômenos da natureza:
Amanheceu. Os verbos acima são significativos, isto é, não servem
Está trovejando. apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam pro-
cessos.
 os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam
fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao tempo em O predicado nominal é aquele que tem como núcleo
geral: significativo um nome; este atribui uma qualidade ou esta-
Está tarde. do ao sujeito, por isso é chamado de predicativo do sujei-
Já são dez horas. to. O predicativo é um nome que se liga a outro nome da
Faz frio nesta época do ano. oração por meio de um verbo (o verbo de ligação).
Há muitos concursos com inscrições abertas. Nos predicados nominais, o verbo não é significativo,
isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao pre-
Predicado é o conjunto de enunciados que contém a dicativo, indicando circunstâncias referentes ao estado do
informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvinte. Nas sujeito: Os dados parecem corretos.
orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia O verbo parecer poderia ser substituído por estar, an-
um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o predicado é dar, ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como ele-
aquilo que se declara a respeito deste sujeito. Com exceção mento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele rela-
do vocativo - que é um termo à parte - tudo o que difere cionadas.
do sujeito numa oração é o seu predicado.
A função de predicativo é exercida, normalmente, por
Chove muito nesta época do ano.
um adjetivo ou substantivo.
Houve problemas na reunião.
O predicado verbo-nominal é aquele que apresen-
Em ambas as orações não há sujeito, apenas predica- ta dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No
do. Na segunda oração, “problemas” funciona como objeto predicado verbo-nominal, o predicativo pode se referir ao
direto. sujeito ou ao complemento verbal (objeto).
O verbo do predicado verbo-nominal é sempre sig-
As questões estavam fáceis! nificativo, indicando processos. É também sempre por in-
Sujeito simples = as questões termédio do verbo que o predicativo se relaciona com o
Predicado = estavam fáceis termo a que se refere.
O dia amanheceu ensolarado;
Passou-me uma ideia estranha pelo pensamento. As mulheres julgam os homens inconstantes.
Sujeito = uma ideia estranha
Predicado = passou-me pelo pensamento No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta
duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de liga-
Para o estudo do predicado, é necessário verificar se ção. Este predicado poderia ser desdobrado em dois: um
seu núcleo é um nome (então teremos um predicado no- verbal e outro nominal.
minal) ou um verbo (predicado verbal). Deve-se considerar O dia amanheceu. / O dia estava ensolarado.
também se as palavras que formam o predicado referem-
-se apenas ao verbo ou também ao sujeito da oração. No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona
o complemento homens com o predicativo “inconstantes”.

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1.1.2.2 Termos integrantes da oração 1.1.2.3 Termos acessórios da oração e vocativo

Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o Os termos acessórios recebem este nome por serem
complemento nominal são chamados termos integrantes da explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o ad-
oração. junto adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o vocativo
Os complementos verbais integram o sentido dos ver- – este, sem relação sintática com outros temos da oração.
bos transitivos, com eles formando unidades significativas.
Estes verbos podem se relacionar com seus complementos O adjunto adverbial é o termo da oração que indi-
diretamente, sem a presença de preposição, ou indireta- ca uma circunstância do processo verbal ou intensifica o
mente, por intermédio de preposição. sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função
adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais
O objeto direto é o complemento que se liga direta- exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei a
mente ao verbo. pé àquela velha praça.
Houve muita confusão na partida final.
Queremos sua ajuda. O adjunto adnominal é o termo acessório que deter-
mina, especifica ou explica um substantivo. É uma função
O objeto direto preposicionado ocorre principalmen- adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções adjetivas que
te: exercem o papel de adjunto adnominal na oração. Também
A) com nomes próprios de pessoas ou nomes comuns atuam como adjuntos adnominais os artigos, os numerais
referentes a pessoas: e os pronomes adjetivos.
Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais. O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu
(o objeto é direto, mas como há preposição, denomi- amigo de infância.
na-se: objeto direto preposicionado)
O adjunto adnominal se liga diretamente ao substan-
B) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes tivo a que se refere, sem participação do verbo. Já o predi-
de tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero cansar a cativo do objeto se liga ao objeto por meio de um verbo.
Vossa Senhoria. O poeta português deixou uma obra originalíssima.
O poeta deixou-a.
C) para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a crise. (originalíssima não precisou ser repetida, portanto: ad-
(sem preposição, o sentido seria outro: O povo prejudica a junto adnominal)
crise)
O poeta português deixou uma obra inacabada.
O objeto indireto é o complemento que se liga indi- O poeta deixou-a inacabada.
retamente ao verbo, ou seja, através de uma preposição. (inacabada precisou ser repetida, então: predicativo do
Gosto de música popular brasileira. objeto)
Necessito de ajuda.
Enquanto o complemento nominal se relaciona a um
Objeto Pleonástico substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto nominal se re-
laciona apenas ao substantivo.
É a repetição de objetos, tanto diretos como indiretos.
Normalmente, as frases em que ocorrem objetos pleo- O aposto é um termo acessório que permite ampliar,
násticos obedecem à estrutura: primeiro aparece o objeto, explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida em um ter-
antecipado para o início da oração; em seguida, ele é repe- mo que exerça qualquer função sintática: Ontem, segunda-
tido através de um pronome oblíquo. É à repetição que se -feira, passei o dia mal-humorado.
dá o nome de objeto pleonástico. Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tempo
“Aos fracos, não os posso proteger, jamais.” (Gonçalves “ontem”. O aposto é sintaticamente equivalente ao termo
Dias) que se relaciona porque poderia substituí-lo: Segunda-feira
passei o dia mal-humorado.
objeto pleonástico O aposto pode ser classificado, de acordo com seu va-
lor na oração, em:
Ao traidor, nada lhe devemos. A) explicativo: A linguística, ciência das línguas huma-
nas, permite-nos interpretar melhor nossa relação com o
O termo que integra o sentido de um nome chama-se mundo.
complemento nominal, que se liga ao nome que comple- B) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas
ta por intermédio de preposição: coisas: amor, arte, ação.
A arte é necessária à vida. = relaciona-se com a palavra C) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e sonho,
“necessária” tudo forma o carnaval.
Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo” D) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fixa-
ram-se por muito tempo na baía anoitecida.

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O vocativo é um termo que serve para chamar, invocar Nem comprei o protetor solar nem fui à praia.
ou interpelar um ouvinte real ou hipotético, não mantendo Comprei o protetor solar e fui à praia.
relação sintática com outro termo da oração. A função de  Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas:
vocativo é substantiva, cabendo a substantivos, pronomes suas principais conjunções são: mas, contudo, todavia, en-
substantivos, numerais e palavras substantivadas esse pa- tretanto, porém, no entanto, ainda, assim, senão.
pel na linguagem. Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
João, venha comigo! Li tudo, porém não entendi!
Traga-me doces, minha menina!
 Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas:
1.2 Períodos Compostos suas principais conjunções são: ou... ou; ora...ora; quer...
1.2.1 Período Composto por Coordenação quer; seja...seja.
Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador.
O período composto se caracteriza por possuir mais de
uma oração em sua composição. Sendo assim:  Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas:
Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma ora-
suas principais conjunções são: logo, portanto, por fim, por
ção)
conseguinte, consequentemente, pois (posposto ao verbo).
Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
Passei no concurso, portanto comemorarei!
(Período Composto =locução verbal + verbo, duas orações)
A situação é delicada; devemos, pois, agir.
Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar um
protetor solar. (Período Composto = três verbos, três ora-
ções).  Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas:
suas principais conjunções são: isto é, ou seja, a saber, na
Há dois tipos de relações que podem se estabelecer verdade, pois (anteposto ao verbo).
entre as orações de um período composto: uma relação de Não fui à praia, pois queria descansar durante o Do-
coordenação ou uma relação de subordinação. mingo.
Duas orações são coordenadas quando estão juntas Maria chorou porque seus olhos estão vermelhos.
em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco de
informações, marcado pela pontuação final), mas têm, am- 1.2.2 Período Composto Por Subordinação
bas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia. Quero que você seja aprovado!
(Período Composto) Oração principal oração subordinada
Podemos dizer:
1. Estou comprando um protetor solar. Observe que na oração subordinada temos o verbo
2. Irei à praia. “seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singular
Separando as duas, vemos que elas são independen- do presente do subjuntivo, além de ser introduzida por
tes. Tal período é classificado como Período Composto conjunção. As orações subordinadas que apresentam ver-
por Coordenação. bo em qualquer dos tempos finitos (tempos do modo do
Quanto à classificação das orações coordenadas, te- indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas por con-
mos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas junção, chamam-se orações desenvolvidas ou explícitas.
Sindéticas. Podemos modificar o período acima. Veja:
Quero ser aprovado.
A) Coordenadas Assindéticas Oração Principal Oração Subordinada
São orações coordenadas entre si e que não são liga-
das através de nenhum conectivo. Estão apenas justapos-
A análise das orações continua sendo a mesma: “Que-
tas.
ro” é a oração principal, cujo objeto direto é a oração su-
Entrei na sala, deitei-me no sofá, adormeci.
bordinada “ser aprovado”. Observe que a oração subordi-
nada apresenta agora verbo no infinitivo (ser). Além disso,
B) Coordenadas Sindéticas
Ao contrário da anterior, são orações coordenadas en- a conjunção “que”, conectivo que unia as duas orações,
tre si, mas que são ligadas através de uma conjunção coor- desapareceu. As orações subordinadas cujo verbo surge
denativa, que dará à oração uma classificação. As orações numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou parti-
coordenadas sindéticas são classificadas em cinco tipos: cípio) são chamadas de orações reduzidas ou implícitas
aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicati- (como no exemplo acima).
vas.
Observação:
Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção! As orações reduzidas não são introduzidas por conjun-
 Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas: suas ções nem pronomes relativos. Podem ser, eventualmente,
principais conjunções são: e, nem, não só... mas também, introduzidas por preposição.
não só... como, assim... como.

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LÍNGUA PORTUGUESA

A) Orações Subordinadas Substantivas  Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, Sou-


A oração subordinada substantiva tem valor de subs- be-se, Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi anuncia-
tantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção inte- do, Ficou provado.
grante (que, se). Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.
Não sei se sairemos hoje.
Oração Subordinada Substantiva  Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar
- importar - ocorrer - acontecer
Temos medo de que não sejamos aprovados. Convém que não se atrase na entrevista.
Oração Subordinada Substantiva
Observação:
Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) também Quando a oração subordinada substantiva é subjetiva,
introduzem as orações subordinadas substantivas, bem o verbo da oração principal está sempre na 3.ª pessoa do
como os advérbios interrogativos (por que, quando, onde, singular.
como).
2. Objetiva Direta = exerce função de objeto direto do
O garoto perguntou qual seu nome. verbo da oração principal:
Oração Subordinada Subs- Todos querem sua aprovação no concurso.
tantiva Objeto Direto

Não sabemos quando ele virá. Todos querem que você seja aprovado. (Todos
Oração Subordinada Substan- querem isso)
tiva Oração Principal Oração Subordinada Substantiva
Objetiva Direta
Classificação das Orações Subordinadas Substanti-
As orações subordinadas substantivas objetivas diretas
vas
(desenvolvidas) são iniciadas por:
 Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e
Conforme a função que exerce no período, a oração
“se”: A professora verificou se os alunos estavam presentes.
subordinada substantiva pode ser:
 Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às
1. Subjetiva - exerce a função sintática de sujeito do
vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas:
verbo da oração principal:
O pessoal queria saber quem era o dono do carro importado.
É fundamental o seu comparecimento à reu-
 Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às
nião. vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas:
Sujeito Eu não sei por que ela fez isso.

É fundamental que você compareça à 3. Objetiva Indireta = atua como objeto indireto do
reunião. verbo da oração principal. Vem precedida de preposição.
Oração Principal Oração Subordinada Substan-
tiva Subjetiva Meu pai insiste em meu estudo.
Objeto Indireto
FIQUE ATENTO! Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai insiste
Observe que a oração subordinada substantiva nisso)
pode ser substituída pelo pronome “isso”. Oração Subordinada Substantiva
Assim, temos um período simples: Objetiva Indireta
É fundamental isso ou Isso é
fundamental. Observação:
Desta forma, a oração correspondente a “isso” Em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na
exercerá a função de sujeito. oração.
Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
Oração Subordinada Substantiva
Objetiva Indireta
Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na oração
principal: 4. Completiva Nominal = completa um nome que
 Verbos de ligação + predicativo, em constru- pertence à oração principal e também vem marcada por
ções do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece preposição.
certo - É claro - Está evidente - Está comprovado Sentimos orgulho de seu comportamento.
É bom que você compareça à minha festa. Complemento Nominal

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LÍNGUA PORTUGUESA

Sentimos orgulho de que você se comportou. (= Perceba que a conexão entre a oração subordinada
Sentimos orgulho disso.) adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é
Oração Subordinada Substantiva feita pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou
Completiva Nominal relacionar) duas orações, o pronome relativo desempenha
uma função sintática na oração subordinada: ocupa o pa-
pel que seria exercido pelo termo que o antecede (no caso,
#FicaDica “redação” é sujeito, então o “que” também funciona como
sujeito).
As orações subordinadas substantivas
objetivas indiretas integram o sentido de um
verbo, enquanto que orações subordinadas FIQUE ATENTO!
substantivas completivas nominais integram Vale lembrar um recurso didático para
o sentido de um nome. Para distinguir uma reconhecer o pronome relativo “que”: ele
da outra, é necessário levar em conta o termo sempre pode ser substituído por: o qual - a
complementado. Esta é a diferença entre o qual - os quais - as quais
objeto indireto e o complemento nominal: o Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta
primeiro complementa um verbo; o segundo, oração é equivalente a: Refiro-me ao aluno o
um nome. qual estuda.

5. Predicativa = exerce papel de predicativo do sujei- Forma das Orações Subordinadas Adjetivas
to do verbo da oração principal e vem sempre depois do
verbo ser. Quando são introduzidas por um pronome relativo e
Nosso desejo era sua desistência. apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as
Predicativo do Sujeito orações subordinadas adjetivas são chamadas desenvolvi-
das. Além delas, existem as orações subordinadas adjetivas
Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso desejo reduzidas, que não são introduzidas por pronome relativo
era isso) (podem ser introduzidas por preposição) e apresentam o
Oração Subordinada Substantiva verbo numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou
Predicativa particípio).
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
6. Apositiva = exerce função de aposto de algum ter-
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar.
mo da oração principal.
Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade!
No primeiro período, há uma oração subordinada ad-
Aposto
jetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome re-
lativo “que” e apresenta verbo conjugado no pretérito per-
Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz!
feito do indicativo. No segundo, há uma oração subordina-
Oração subordinada
da adjetiva reduzida de infinitivo: não há pronome relativo
substantiva apositiva reduzida de infinitivo
e seu verbo está no infinitivo.
(Fernanda tinha um grande sonho: isso)
Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas
Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : )
Na relação que estabelecem com o termo que caracte-
B) Orações Subordinadas Adjetivas rizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de
Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui duas maneiras diferentes. Há aquelas que restringem ou
valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale. As especificam o sentido do termo a que se referem, indivi-
orações vêm introduzidas por pronome relativo e exercem dualizando-o. Nestas orações não há marcação de pausa,
a função de adjunto adnominal do antecedente. sendo chamadas subordinadas adjetivas restritivas. Existem
Esta foi uma redação bem-sucedida. também orações que realçam um detalhe ou amplificam
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adno- dados sobre o antecedente, que já se encontra suficiente-
minal) mente definido. Estas orações denominam-se subordina-
das adjetivas explicativas.
O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adjetivo
“bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos outra Exemplo 1:
construção, a qual exerce exatamente o mesmo papel: Jamais teria chegado aqui, não fosse um homem que
Esta foi uma redação que fez sucesso. passava naquele momento.
Oração Principal Oração Subordinada Oração
Adjetiva Subordinada Adjetiva Restritiva

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LÍNGUA PORTUGUESA

No período acima, observe que a oração em destaque Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de minha
restringe e particulariza o sentido da palavra “homem”: tra- vida.
ta-se de um homem específico, único. A oração limita o A oração em destaque é reduzida, apresentando uma
universo de homens, isto é, não se refere a todos os ho- das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não é
mens, mas sim àquele que estava passando naquele mo- introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por uma
mento. preposição (“a”, combinada com o artigo “o”).

Exemplo 2: Observação:
O homem, que se considera racional, muitas vezes A classificação das orações subordinadas adverbiais é
feita do mesmo modo que a classificação dos adjuntos ad-
age animalescamente.
verbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela oração.
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa
Classificação das Orações Subordinadas Adverbiais
Agora, a oração em destaque não tem sentido restriti-
vo em relação à palavra “homem”; na verdade, apenas ex- A) Causal = A ideia de causa está diretamente ligada
plicita uma ideia que já sabemos estar contida no conceito àquilo que provoca um determinado fato, ao motivo do
de “homem”. que se declara na oração principal. Principal conjunção su-
bordinativa causal: porque. Outras conjunções e locuções
Saiba que: causais: como (sempre introduzido na oração anteposta à
A oração subordinada adjetiva explicativa é separada oração principal), pois, pois que, já que, uma vez que, visto
da oração principal por uma pausa que, na escrita, é repre- que.
sentada pela vírgula. É comum, por isso, que a pontuação As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito forte.
seja indicada como forma de diferenciar as orações expli- Já que você não vai, eu também não vou.
cativas das restritivas; de fato, as explicativas vêm sempre
isoladas por vírgulas; as restritivas, não. A diferença entre a subordinada adverbial causal e a
sindética explicativa é que esta “explica” o fato que aconte-
C) Orações Subordinadas Adverbiais ceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela apresen-
Uma oração subordinada adverbial é aquela que exer- ta a “causa” do acontecimento expresso na oração à qual
ela se subordina. Repare:
ce a função de adjunto adverbial do verbo da oração prin-
1. Faltei à aula porque estava doente.
cipal. Assim, pode exprimir circunstância de tempo, modo,
2. Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos.
fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando desenvolvida, Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro (causa)
vem introduzida por uma das conjunções subordinativas que o fato expresso na oração anterior, ou seja, o fato de
(com exclusão das integrantes, que introduzem orações estar doente impediu-me de ir à aula. No exemplo 2, a ora-
subordinadas substantivas). Classifica-se de acordo com ção sublinhada relata um fato que aconteceu depois, já que
a conjunção ou locução conjuntiva que a introduz (assim primeiro ela chorou, depois seus olhos ficaram vermelhos.
como acontece com as coordenadas sindéticas).
Durante a madrugada, eu olhei você dormindo. B) Consecutiva = exprime um fato que é consequên-
Oração Subordinada Adverbial cia, é efeito do que se declara na oração principal. São in-
troduzidas pelas conjunções e locuções: que, de forma que,
A oração em destaque agrega uma circunstância de de sorte que, tanto que, etc., e pelas estruturas tão...que, tan-
tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada adver- to...que, tamanho...que.
bial temporal. Os adjuntos adverbiais são termos acessó- Principal conjunção subordinativa consecutiva: que
rios que indicam uma circunstância referente, via de regra, (precedido de tal, tanto, tão, tamanho)
a um verbo. A classificação do adjunto adverbial depende Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou con-
da exata compreensão da circunstância que exprime. cretizando-os.
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Reduzi-
da de Infinitivo)
minha vida.
Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de
C) Condicional = Condição é aquilo que se impõe
minha vida. como necessário para a realização ou não de um fato. As
orações subordinadas adverbiais condicionais exprimem o
No primeiro período, “naquele momento” é um adjun- que deve ou não ocorrer para que se realize - ou deixe de
to adverbial de tempo, que modifica a forma verbal “sen- se realizar - o fato expresso na oração principal.
ti”. No segundo período, este papel é exercido pela oração Principal conjunção subordinativa condicional: se. Ou-
“Quando vi o mar”, que é, portanto, uma oração subordina- tras conjunções condicionais: caso, contanto que, desde que,
da adverbial temporal. Esta oração é desenvolvida, pois é salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, sem que,
introduzida por uma conjunção subordinativa (quando) e uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo).
apresenta uma forma verbal do modo indicativo (“vi”, do Se o regulamento do campeonato for bem elaborado,
pretérito perfeito do indicativo). Seria possível reduzi-la, certamente o melhor time será campeão.
obtendo-se: Caso você saia, convide-me.

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LÍNGUA PORTUGUESA

D) Concessiva = indica concessão às ações do verbo I) Temporal = acrescenta uma ideia de tempo ao fato
da oração principal, isto é, admitem uma contradição ou expresso na oração principal, podendo exprimir noções de
um fato inesperado. A ideia de concessão está diretamente simultaneidade, anterioridade ou posterioridade. Principal
ligada ao contraste, à quebra de expectativa. Principal con- conjunção subordinativa temporal: quando. Outras con-
junção subordinativa concessiva: embora. Utiliza-se tam- junções subordinativas temporais: enquanto, mal e locu-
bém a conjunção: conquanto e as locuções ainda que, ainda ções conjuntivas: assim que, logo que, todas as vezes que,
quando, mesmo que, se bem que, posto que, apesar de que. antes que, depois que, sempre que, desde que, etc.
Só irei se ele for. Assim que Paulo chegou, a reunião acabou.
A oração acima expressa uma condição: o fato de “eu” Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando termi-
ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita. nou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)
Compare agora com:
Irei mesmo que ele não vá. Orações Reduzidas

A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: As orações subordinadas podem vir expressas como
irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida. A reduzidas, ou seja, com o verbo em uma de suas formas
oração destacada é, portanto, subordinada adverbial con- nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e sem conecti-
cessiva. vo subordinativo que as introduza.
Observe outros exemplos: É preciso estudar! = reduzida de infinitivo
Embora fizesse calor, levei agasalho. É preciso que se estude = oração desenvolvida (pre-
Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / em- sença do conectivo)
bora não estudasse). (reduzida de infinitivo)
Para classificá-las, precisamos imaginar como seriam
E) Comparativa= As orações subordinadas adverbiais “desenvolvidas” – como no exemplo acima.
comparativas estabelecem uma comparação com a ação É preciso estudar = oração subordinada substantiva
indicada pelo verbo da oração principal. Principal conjun- subjetiva reduzida de infinitivo
ção subordinativa comparativa: como.
É preciso que se estude = oração subordinada subs-
Ele dorme como um urso. (como um urso dorme)
tantiva subjetiva
Você age como criança. (age como uma criança age)
Orações Intercaladas
 geralmente há omissão do verbo.
São orações independentes encaixadas na sequência
F) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou
do período, utilizadas para um esclarecimento, um aparte,
seja, apresenta uma regra, um modelo adotado para a
execução do que se declara na oração principal. Principal uma citação. Elas vêm separadas por vírgulas ou travessões.
conjunção subordinativa conformativa: conforme. Outras Nós – continuava o relator – já abordamos este as-
conjunções conformativas: como, consoante e segundo (to- sunto.
das com o mesmo valor de conforme).
Fiz o bolo conforme ensina a receita. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
direitos iguais. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
G) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
se declara na oração principal. Principal conjunção subordi- Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
nativa final: a fim de. Outras conjunções finais: que, porque São Paulo: Saraiva, 2002.
(= para que) e a locução conjuntiva para que.
Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas. SITE
Estudarei muito para que eu me saia bem na prova. http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/fra-
se-periodo-e-oracao
H) Proporcional = exprime ideia de proporção, ou
seja, um fato simultâneo ao expresso na oração principal.
Principal locução conjuntiva subordinativa proporcional: à
proporção que. Outras locuções conjuntivas proporcionais:
à medida que, ao passo que. Há ainda as estruturas: quan-
to maior...(maior), quanto maior...(menor), quanto menor...
(maior), quanto menor...(menor), quanto mais...(mais), quan-
to mais...(menos), quanto menos...(mais), quanto menos...
(menos).
À proporção que estudávamos mais questões acertáva-
mos.
À medida que lia mais culto ficava.

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LÍNGUA PORTUGUESA

4. (SEDUC/AM – Assistente Social – FGV/2014) As-


sinale a opção que indica o segmento em que a conjunção e
EXERCÍCIO COMENTADO tem valor adversativo e não aditivo.
A. “Em termos de escala, assiduidade e participação da
1. (CNJ – Técnico Judiciário – CESPE/2013 - adapta- população na escolha dos governantes,...”.
da) Jogadores de futebol de diversos times entraram em cam- B. “... o Brasil de 1985 a 2014 parece outro país, moder-
po em prol do programa “Pai Presente”, nos jogos do Cam- no e dinâmico, no cotejo com a restrita experiência eleitoral
peonato Nacional em apoio à campanha que visa reduzir o anterior”.
número de pessoas que não possuem o nome do pai em sua C. “A hipótese de ruptura com o passado se fortalece
certidão de nascimento. (...) quando avaliamos a extensão dos mecanismos de distribuição
A oração subordinada “que não possuem o nome do pai de oportunidades e de mitigação de desigualdades de hoje”.
em sua certidão de nascimento” não é antecedida por vírgula D. “A democracia brasileira contemporânea, e apenas ela
porque tem natureza restritiva. na história nacional, inventou o que mais perto se pode che-
( ) Certo ( ) Errado gar de um Estado de Bem-Estar num país de renda média”.
E. “A baixa qualidade dos serviços governamentais está
A oração restringe o grupo que participará da campanha ligada sobretudo à limitação do PIB, e não à falta de políticas
(apenas os que não têm o nome do pai na certidão de nasci- públicas social-democratas”.
mento). Se colocarmos uma vírgula, a oração se tornará “ex-
plicativa”, generalizando a informação, o que dará a entender Em “a”: “Em termos de escala, assiduidade e participação
que TODAS as pessoas não têm o nome do pai na certidão. = adição
GABARITO OFICIAL: CERTO Em “b”: “... o Brasil de 1985 a 2014 parece outro país,
moderno e dinâmico = adição
2. (TJ-PA - Médico Psiquiatra - VUNESP - 2014) Assi- Em “c”: “A hipótese de ruptura com o passado se forta-
nale a alternativa em que a seguinte passagem – Mas o vento lece quando avaliamos a extensão dos mecanismos de dis-
foi mais ágil e o papel se perdeu. – está reescrita com o acrés- tribuição de oportunidades e de mitigação de desigualdades
cimo de um termo que estabelece uma relação de conclusão, de hoje”. = adição
consequência, entre as orações. Em “d”: “A democracia brasileira contemporânea, e ape-
A. mas o vento foi mais ágil e, contudo, o papel se per- nas ela na história nacional = adição
deu. Em “e”: “A baixa qualidade dos serviços governamentais
B. mas o vento foi mais ágil e, assim, o papel se perdeu. está ligada sobretudo à limitação do PIB, e não à falta = ad-
C. mas o vento foi mais ágil e, todavia, o papel se perdeu versativa (dá para substituirmos por “mas”)
D. mas o vento foi mais ágil e, entretanto, o papel se GABARITO OFICIAL: E
perdeu.
E. mas o vento foi mais ágil e, porém, o papel se perdeu. 5. (EBSERH/HUSM-UFSM/RS - Analista Administrati-
vo – Jornalismo – AOCP/2014) “Sinta-se ungido pela sorte
Nas alternativas “a”, “c”, “d” e “e” são apresentadas con- de recomeçar. Quando seu filho crescer, ele irá entender - mais
junções adversativas – que nos dão ideia contrária à apresen- cedo ou mais tarde ...”
tada anteriormente; já na “b”, temos uma conjunção conclu- No período acima, a oração destacada:
siva (assim). A. estabelece uma relação temporal com a oração que
GABARITO OFICIAL: B lhe é subsequente.
B. estabelece uma relação temporal com a oração que a
3. (Prefeitura de Osasco – Farmacêutico – FGV/2014) antecede.
“o que tem feito os fabricantes optarem em apresentar os pro- C. estabelece uma relação condicional com a oração que
dutos em porções individuais e quase prontos para consumo”. lhe é subsequente.
A expressão sublinhada pode ser adequadamente substituí- D. estabelece uma relação condicional com a oração que
da por a antecede.
A. para a sua consumação. E. estabelece uma relação de finalidade com a oração
B. para que sejam consumidos. que lhe é subsequente.
C. a fim de que se consumem.
D. para serem consumados. A conjunção “quando” é temporal, pois atribui ao perío-
E. para que fossem consumidos. do uma ideia de tempo.
GABARITO OFICIAL: A
Podemos eliminar as alternativas incoerentes: A (consu-
mação), C (de que se consumem) e D (consumados). Ficamos 6. (EBSERH/HUSM-UFSM/RS - Analista Administrati-
com B e E. Pela leitura do texto, o coerente é a que utili- vo – Jornalismo – AOCP/2014) Em “... já deve ter assistido ao
za “para que sejam consumidos”, indicando a finalidade da filme...”, o termo destacado exerce função de:
apresentação dos produtos em porções individuais. Além A. objeto direto.
disso, a expressão verbal “tem feito” indica tempo presen- B. objeto indireto.
te, e “fossem” está no pretérito (passado). C. complemento nominal.
GABARITO OFICIAL: B D. predicativo do sujeito.
E. adjunto adnominal.

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LÍNGUA PORTUGUESA

“Assistido” é verbo, e o que o complementa é o objeto. 1. Subjetiva.


No caso, “assistir” está empregado com o sentido de “pre- 2. Objetiva direta.
senciar”, então sua transitividade é indireta (há preposição 3. Objetiva indireta.
= objeto indireto). 4. Completiva nominal.
GABARITO OFICIAL: B 5. Predicativa.
6. Apositiva.
7. (SUSAM/AM - Assistente Administrativo – ( ) Cada situação permite que se aprenda algo novo.
FGV/2014) Assinale a opção em que o conectivo “e” tem ( ) Só quero uma coisa: que tires a tua carteira.
valor adversativo (oposição) e não aditivo (adição). ( ) Tenho esperança de que o trânsito melhore.
A. “...longa estiagem que afetou o Sudeste e o Centro‐ ( ) É importante que todos colaborem.
Oeste...” ( ) Meu desejo é que sejas classificado.
B. “...recebeu considerável reforço de usinas termoelé- ( ) Lembrei-me de que já estava errado.
tricas e há uma crescente contribuição da energia eólica,...”
C. “...asseguram o suprimento de eletricidade do país Podemos começar a classificação pela mais fácil! Lem-
bra-se da dica quanto à apositiva? Há a presença de dois-
por vários anos, e sim por meses”
-pontos! Então, na segunda oração teremos o número 6.
D. “No passado, a população e os setores produti-
Descartamos, assim, os itens C e D. Vamos às demais dicas:
vos deram provas...”
quando houver um verbo de ligação entre a oração princi-
E. “...o governo não deveria jogar com a sorte e pal e a subordinada, provavelmente (99% das vezes!) esta
expor a população a um risco...” será predicativa. Repare na antepenúltima frase: Meu dese-
jo é que sejas classificado = temos um exemplo de subor-
Em “a”: “...longa estiagem que afetou o Sudeste e o dinada substantiva predicativa. Voltando às alternativas: o
Centro‐Oeste...” = adição antepenúltimo número deve ser 5. Ficamos agora somente
Em “b”: “...recebeu considerável reforço de usinas ter- com o item B! Mas farei a classificação das demais:
moelétricas e há uma crescente contribuição da energia - Cada situação permite que se aprenda algo novo.
eólica,...” = adição Permite o quê? A resposta exercerá a função de objeto
Em “c”: “...asseguram o suprimento de eletricidade do direto – objetiva direta (2)
país por vários anos, e sim por meses” = podemos subs-
tituir o “e sim por meses” por “mas por meses” – ideia de - Só quero uma coisa: que tires a tua carteira. = apo-
adversidade, contrária sitiva
Em “d”: “No passado, a população e os setores pro-
dutivos deram provas...” = adição - Tenho esperança de que o trânsito melhore.
Em “e”: “...o governo não deveria jogar com a sorte Tenho o quê? esperança (objeto direto); esperança em
e expor a população a um risco...” = adição quê? de que o trânsito melhore (função de complemento
GABARITO OFICIAL: C nominal, já que se liga ao termo “esperança” – completiva
nominal (4)
8. (DETRAN/RO – Analista em Trânsito - Adminis-
trador – IADES/2014) Relacione adequadamente a classi- - É importante que todos colaborem.
ficação das orações subordinadas substantivas às respecti- Dica: geralmente(também 99% das vezes!) quando
vas orações. a principal começa com verbo de ligação, a subordinada
1. Subjetiva. exercerá a função de sujeito (subjetiva) – (1)
2. Objetiva direta.
- Meu desejo é que sejas classificado. = predicativa (5)
3. Objetiva indireta.
4. Completiva nominal.
- Lembrei-me de que já estava errado.
5. Predicativa.
Lembrei-me do quê? de que já estava errado = pre-
6. Apositiva. sença de preposição, o termo completa um verbo, então:
objeto indireto – objetiva indireta (3)
( ) Cada situação permite que se aprenda algo novo.
( ) Só quero uma coisa: que tires a tua carteira. A ordem ficou: 2 – 6 – 4 – 1 – 5 – 3.
( ) Tenho esperança de que o trânsito melhore. GABARITO OFICIAL: B
( ) É importante que todos colaborem.
( ) Meu desejo é que sejas classificado. 9. (Instituto Rio Branco – Admissão à Carreira de
( ) Lembrei-me de que já estava errado. Diplomata – CESPE/2014 - adaptada)

A sequência está correta em A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina


A. 1, 6, 3, 5, 2, 4. uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem
B. 2, 6, 4, 1, 5, 3. o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e
C. 1, 2, 3, 4, 5, 6. poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um
D. 6, 5, 4, 3, 2, 1. cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo
E. 2, 6, 4, 1, 3, 5. que a crônica é um gênero menor.

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LÍNGUA PORTUGUESA

“Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque, sen-


do assim, ela fica mais perto de nós. E para muitos pode
servir de caminho não apenas para a vida, que ela serve USOS DE SINAIS DE PONTUAÇÃO E
de perto, mas para a literatura. Por meio dos assuntos, da NOTAÇÕES LÉXICAS.
composição solta, do ar de coisa sem necessidade que CORREÇÃO DE FORMAS.
costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo dia.
Principalmente porque elabora uma linguagem que fala de
perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua despre-
tensão, humaniza; e esta humanização lhe permite, como REGRAS DE PONTUAÇÃO
compensação sorrateira, recuperar com a outra mão certa
profundidade de significado e certo acabamento de forma, Na língua falada, quando estamos conversando
que de repente podem fazer dela uma inesperada, embora com alguém, é comum utilizarmos pausas para marcar
discreta, candidata à perfeição. a entonação do discurso. Respiramos, damos um ritmo
Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. coerente na locução pois nenhum falante se comunica em
São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 23 (com adap- compasso acelerado. Entretanto, quando se faz a passagem
tações). da oralidade para a escrita há um problema essencial: como
marcar ritmos e pausas entre as frases se agora não temos
As formas verbais “imagina” (R.1), “atribuir” (R.4) e “ser- mais como instrumento a voz e o silêncio?
vir” (R.8) foram utilizadas como verbos transitivos indiretos.
( ) CERTO ( Na língua escrita utilizamos os sinais de pontuação
) ERRADO entre as orações como recurso para estabelecer
pausas e inflexões de voz na leitura.
imagina uma literatura = transitivo direto
atribuir o Prêmio Nobel a um cronista = bitransitivo Veja os exemplos abaixo:
(transitivo direto e indireto) a) Presenteei minha sobrinha, não meu filho,
pode servir de caminho = intransitivo b) Presenteei, minha sobrinha não, meu filho.
GABARITO OFICIAL: ERRADO
As frases acima, ainda que possuam as mesmas
10. (Banco do Nordeste – Analista Bancário – palavras, mudam de sentido somente pelo uso das vírgulas.
FGV/2014) “Sim, teremos uma Copa do Mundo para exor- Por isso, é muito importante sabermos utilizar os sinais de
cizar o gol de Alcides Gighia”. A forma desenvolvida ade- pontuação para que não cometamos erros de ambiguidade
quada da oração reduzida sublinhada é: ou duplo sentido.
A. para exorcizarmos o gol de Alcides Gighia;
B. para que exorcizemos o gol de Alcides Gighia; 1. USO DA VÍRGULA
C. para que exorcizássemos o gol de Alcides Gighia;
D. para o exorcismo do gol de Alcides Gighia; A vírgula é um sinal que indica pausa entre orações
E. para a exorcização do gol de Alcides Gighia. ou palavras elencadas. Apresenta a seguintes funções:

“Sim, teremos uma Copa do Mundo para exorcizar o a) separar termos de mesma função sintática dentro
gol de Alcides Gighia” = para que tenhamos uma oração de uma oração:
desenvolvida, devemos incluir uma conjunção. O período Assim que cheguei, comi, bebi o vinho, dormi um
ficará: “para que exorcizemos o gol”. pouco.
GABARITO OFICIAL: B
b) Separar um aposto:
Maria, irmã de João, viajou ao Canadá.

c) Isolar um vocativo:
Maria, entre agora!

d) Para marcar elipse verbal:


João comprou duas camisas, eu, três.

e) Para indicar expressões explicativas:


Algumas pessoas estão ficando misantropas, ou seja,
isolando-se em si mesmas.

f) Para separar topônimos frente a datas e


endereços:
Florianópolis, 25 de maio de 2017.

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LÍNGUA PORTUGUESA

g) Para separar orações coordenadas sem conjunção b) quando se apresenta expressão enumerativa:
ou simplesmente palavras: Desejo os seguintes itens: macarrão, ovos, queijo e
Ontem comprei roupas, sapatos, brincos e uma bolsa. carne.
Eu viajei, dormi, descansei.
c) para completar aposto resumitivo:
h) isolar orações subordinadas adjetivas explicativas: Comer, rezar, amar: todos esses verbos me apetecem.
João, que esteve aqui ontem, é irmão de Pedro.
IMPORTANTE! NÃO SE USA VÍRGULA NOS
SEGUINTES CASOS: 4) PONTO DE EXCLAMAÇÃO:
Utilizado em interjeições ou frases de grande
a) Entre o sujeito e o verbo de uma oração: expressividade:
João, comprou um carro. (INCORRETO) Olá!
João comprou um carro. (CORRETO) Como você está linda!
Socorro!
b) Entre o verbo e seus complementos: Podemos utilizar mais de um ponto de exclamação
João comprou, um carro. (INCORRETO) para realçar emoção ou surpresa:
João comprou um carro. (CORRETO) Amo tanto a vida!!!!
Além do mais, utiliza-se após sinal de interrogação
c) Entre o complemento nominal e o nome para marcar expressividade ou surpresa em uma pergunta:
completado, ou entre satélites do substantivo (numeral, Por que você é tão difícil?!
pronome, adjetivo e artigo):
Tenho medo, de altura. (INCORRETO). 5) PONTO FINAL
Tenho medo de altura (CORRETO) Pode-se afirmar que o ponto final é uma pausa
Meus três, lindos, carros foram fotografados pela mais prolongada, que encerra uma relação lógica entre
revista (INCORRETO) elementos numa frase. Utilizamos nos seguintes casos:
Meus três lindos carros foram fotografados pela
revista. (CORRETO) a) encerrar definitivamente um enunciado:
Muitas pessoas amam; outras odeiam, entretanto, isso
d) Antes de etc… faz parte da natureza humana.
A expressão etc é uma abreviatura de um termo
em latim et cetera, que significa e outras coisas. Já que está b) separar parágrafos:
aglutinado a conjunção e não se utiliza vírgula. A crise financeira brasileira parece não ter data para
Vi filmes franceses, persas etc… acabar. No entanto, muitos brasileiros estão fazendo das
próprias dificuldades ferramenta para mudar de vida.
O segredo dos dias de hoje é a audácia: feliz daquele
2) PONTO E VÍRGULA que arrisca mais.
A função básica deste sinal é separar termos
enumerados: 6) PONTO DE INTERROGAÇÃO
Ex.: O ponto de interrogação possui uma função específica:
Alguns pontos básicos da pesquisa é: marcar mudança de entonação de voz frente a uma
- conceito de sujeito grego; pergunta. Usamos em perguntas diretas:
- humanismo renascentista; Ex.:
- o drama barroco; Afinal, como você conseguiu chegar até aqui?
- cidadão pós-revolução francesa. Além desse comum uso, também se costuma utilizar
para marcar surpresa ou indignação:
Outra função é separar orações de sentido oposto Como assim?
ou num período em que as orações coordenadas já tiverem O quê? Você não fez a prova?
exigido vírgula:
7) RETICÊNCIAS
Alguns homens são bons; outros, maus. (SENTIDO São usadas para marcar retirada de um trecho ou
OPOSTO) mesmo para dar ideia de continuidade:
Muitos estudantes aprendem, leem, estudam; às Segundo Foucault: “a liberdade é um sintoma moderno,
vezes também cansam. quiçá um conceito, além de mecanismo ideológico….”
Vimos muitas coisas no museu: esculturas, pinturas,
3) DOIS PONTOS: instalações…
Utilizamos dois pontos:
8) ASPAS
a) quando apresentamos uma citação ou fala: Utiliza-se para indicar fala de alguém, expressões
Como diria Hamlet: “Ser ou não ser, eis a questão”. estrangeiras, conceitos e ironia:

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LÍNGUA PORTUGUESA

Ex.: a) dois pontos, ponto e vírgula, ponto e vírgula


E nos perguntou Freud: “O que quer uma mulher?” (fala b) dois pontos, vírgula, ponto e vírgula;
de alguém) c) vírgula, dois pontos, ponto e vírgula;
A expressão “soledad” é um termo espanhol e indica a d) pontos vírgula, dois pontos, ponto e vírgula;
ideia de solidão. (expressão estrangeira) e) ponto e vírgula, vírgula, vírgula.
Ainda não entendi o conceito de “devir” de Deleuze.
(conceito) 3. Assinale o exemplo em que há emprego incorreto
Dizem que ele é um moço “bem-educado”. (ironia) da vírgula:
a) como está chovendo, transferi o passeio;
9) PARÊNTESES b) não sabia, por que todos lhe viravam o rosto;
Sua função básica é inserir uma explicação de algum c) ele, caso queira, poderá vir hoje;
termo enunciado anteriormente: d) não sabia, por que não estudou;
Ex.: Ainda que todos saibam o conceito de “devir” e) o livro, comprei-o por conselho do professor.
(transformação, mudança, vir-a-ser), poucos aplicam na
vida prática. 4. Assinale o trecho sem erro de pontuação:
a) vimos pela presente solicitar de V.Sas., que nos
informe a situação econômica da firma em questão;
10) TRAVESSÃO
b) cientificamo-lo de que na marcha do processo de
Comumente vemos o travessão para indicar diálogos restituição de suas contribuições, verificou-se a ausência
em um texto: da declaração de beneficiários;
Ex.: c) o Instituto de Previdência do Estado, vem solicitar de
- Você não me ama? V.Sa. o preenchimento da declaração;
- Sim, amo mais que tudo. d) encaminhamos a V.Sa., para o devido preenchimento,
o formulário em anexo;
Mas também é usado após a fala para introduzir e) estamos remetendo em anexo, o formulário.
comentário do narrador.
Ex.: 5. Assinale as frases em que as vírgulas estão incorretas:
- Você não me ama? - perguntou Maria, insegura. a) ora ríamos, ora chorávamos;
- Sim, mais que tudo. - respondeu João tranquilamente. b) amigos sinceros, já não os tinha;
c) a parede da casa, era branquinha branquinha;
Também é usado com a mesma função da vírgula ou d) Paulo, diga-me o que sabe a respeito do caso;
parênteses: e) João, o advogado, comprou, ontem, uma casa.
Machado é o maior escritor realista – já nos diziam (Exercícios retirados de http://www.portuguesconcurso.
nossos professores. com/2009/07/pontuacao-exercicios.html)

EXERCÍCIOS Gabarito:

1. Assinale a opção em que a supressão das vírgulas 1. B


alteraria o sentido do anunciado: 2. C
a) os países menos desenvolvidos vêm buscando, 3. D
ultimamente, soluções para seus problemas no acervo 4. D
cultural dos mais avançados; 5. C
b) alguns pesquisadores,que se encontram
comprometidos com as culturas dos países avançados,
acabam se tornando menos criativos; CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL.
c) torna-se, portanto, imperativa uma revisão modelo
presente do processo de desenvolvimento tecnológico;
d) a atividade científica, nos países desenvolvidos, é tão
natural quanto qualquer outra atividade econômica; Os concurseiros estão apreensivos.
e) por duas razões diferentes podem surgir, da Concurseiros apreensivos.
interação de uma comunidade com outra, mecanismos de
dependência. No primeiro exemplo, o verbo estar encontra-se na
terceira pessoa do plural, concordando com o seu sujeito,
2. Assinale a opção em que está corretamente indicada os concurseiros. No segundo exemplo, o adjetivo “apreen-
a ordem dos sinais de pontuação que devem preencher as sivos” está concordando em gênero (masculino) e núme-
lacunas da frase abaixo: ro (plural) com o substantivo a que se refere: concurseiros.
“Quando se trata de trabalho científico ___ duas coisas Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa, número e gê-
devem ser consideradas ____ uma é a contribuição teórica nero correspondem-se.
que o trabalho oferece ___ a outra é o valor prático que A correspondência de flexão entre dois termos é a con-
possa ter. cordância, que pode ser verbal ou nominal.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Concordância Verbal 4) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou


indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos, muitos,
É a flexão que se faz para que o verbo concorde com quaisquer, vários) seguido por “de nós” ou “de vós”, o verbo
seu sujeito. pode concordar com o primeiro pronome (na terceira pes-
soa do plural) ou com o pronome pessoal.
a) Sujeito Simples - Regra Geral Quais de nós são / somos capazes?
O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso?
em número e pessoa. Veja os exemplos: Vários de nós propuseram / propusemos sugestões ino-
A prova para ambos os cargos será aplicada vadoras.
às 13h.
3.ª p. Singular 3.ª p. Singular Observação: veja que a opção por uma ou outra forma
indica a inclusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém
Os candidatos à vaga chegarão às 12h. diz ou escreve “Alguns de nós sabíamos de tudo e nada fize-
3.ª p. Plural 3.ª p. Plural mos”, ele está se incluindo no grupo dos omissos. Isso não
ocorre ao dizer ou escrever “Alguns de nós sabiam de tudo e
Casos Particulares nada fizeram”, frase que soa como uma denúncia.
Nos casos em que o interrogativo ou indefinido estiver
1) Quando o sujeito é formado por uma expressão par- no singular, o verbo ficará no singular.
titiva (parte de, uma porção de, o grosso de, metade de, a Qual de nós é capaz?
maioria de, a maior parte de, grande parte de...) seguida de Algum de vós fez isso.
um substantivo ou pronome no plural, o verbo pode ficar
no singular ou no plural. 5) Quando o sujeito é formado por uma expressão que
A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia. indica porcentagem seguida de substantivo, o verbo deve
Metade dos candidatos não apresentou / apresentaram concordar com o substantivo.
proposta. 25% do orçamento do país será destinado à Educação.
85% dos entrevistados não aprovam a administração do
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos prefeito.
dos coletivos, quando especificados: Um bando de vânda- 1% do eleitorado aceita a mudança.
los destruiu / destruíram o monumento. 1% dos alunos faltaram à prova.

Observação: nesses casos, o uso do verbo no singular Quando a expressão que indica porcentagem não é
enfatiza a unidade do conjunto; já a forma plural confere seguida de substantivo, o verbo deve concordar com o nú-
destaque aos elementos que formam esse conjunto. mero.
25% querem a mudança.
2) Quando o sujeito é formado por expressão que in- 1% conhece o assunto.
dica quantidade aproximada (cerca de, mais de, menos de,
perto de...) seguida de numeral e substantivo, o verbo con- Se o número percentual estiver determinado por artigo
corda com o substantivo. ou pronome adjetivo, a concordância far-se-á com eles:
Cerca de mil pessoas participaram do concurso. Os 30% da produção de soja serão exportados.
Perto de quinhentos alunos compareceram à solenidade. Esses 2% da prova serão questionados.
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas últimas
Olimpíadas. 6) O pronome “que” não interfere na concordância; já o
“quem” exige que o verbo fique na 3.ª pessoa do singular.
Observação: quando a expressão “mais de um” asso- Fui eu que paguei a conta.
ciar-se a verbos que exprimem reciprocidade, o plural é Fomos nós que pintamos o muro.
obrigatório: Mais de um colega se ofenderam na discussão. És tu que me fazes ver o sentido da vida.
(ofenderam um ao outro) Sou eu quem faz a prova.
Não serão eles quem será aprovado.
3) Quando se trata de nomes que só existem no plu-
ral, a concordância deve ser feita levando-se em conta a 7) Com a expressão “um dos que”, o verbo deve assu-
ausência ou presença de artigo. Sem artigo, o verbo deve mir a forma plural.
ficar no singular; com artigo no plural, o verbo deve ficar Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais encan-
o plural. taram os poetas.
Os Estados Unidos possuem grandes universidades. Este candidato é um dos que mais estudaram!
Estados Unidos possui grandes universidades.
Alagoas impressiona pela beleza das praias. Se a expressão for de sentido contrário – nenhum dos
As Minas Gerais são inesquecíveis. que, nem um dos que -, não aceita o verbo no singular:
Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira. Nenhum dos que foram aprovados assumirá a vaga.
Nem uma das que me escreveram mora aqui.

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LÍNGUA PORTUGUESA

*Quando “um dos que” vem entremeada de substanti- Observação: quando o sujeito é composto, formado
vo, o verbo pode: por um elemento da segunda pessoa (tu) e um da terceira
a) ficar no singular – O Tietê é um dos rios que atravessa (ele), é possível empregar o verbo na terceira pessoa do
o Estado de São Paulo. (já que não há outro rio que faça o plural (eles): “Tu e teus irmãos tomarão a decisão.” – no
mesmo). lugar de “tomaríeis”.
b) ir para o plural – O Tietê é um dos rios que estão
poluídos (noção de que existem outros rios na mesma con- 3) No caso do sujeito composto posposto ao verbo,
dição). passa a existir uma nova possibilidade de concordância: em
vez de concordar no plural com a totalidade do sujeito, o
8) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o verbo pode estabelecer concordância com o núcleo do su-
verbo fica na 3ª pessoa do singular ou plural. jeito mais próximo.
Vossa Excelência está cansado? Faltaram coragem e competência.
Vossas Excelências renunciarão? Faltou coragem e competência.
Compareceram todos os candidatos e o banca.
9) A concordância dos verbos bater, dar e soar faz-se de
Compareceu o banca e todos os candidatos.
acordo com o numeral.
Deu uma hora no relógio da sala.
4) Quando ocorre ideia de reciprocidade, a concordân-
Deram cinco horas no relógio da sala.
Soam dezenove horas no relógio da praça. cia é feita no plural. Observe:
Baterão doze horas daqui a pouco. Abraçaram-se vencedor e vencido.
Ofenderam-se o jogador e o árbitro.
Observação: caso o sujeito da oração seja a palavra re-
lógio, sino, torre, etc., o verbo concordará com esse sujeito. Casos Particulares
O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas.
Soa quinze horas o relógio da matriz. 1) Quando o sujeito composto é formado por núcleos
sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica no singular.
10) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum Descaso e desprezo marca seu comportamento.
sujeito, são usados sempre na 3.ª pessoa do singular. São A coragem e o destemor fez dele um herói.
verbos impessoais: Haver no sentido de existir; Fazer indi-
cando tempo; Aqueles que indicam fenômenos da nature- 2) Quando o sujeito composto é formado por núcleos
za. Exemplos: dispostos em gradação, verbo no singular:
Havia muitas garotas na festa. Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um segun-
Faz dois meses que não vejo meu pai. do me satisfaz.
Chovia ontem à tarde.
3) Quando os núcleos do sujeito composto são unidos
b) Sujeito Composto por “ou” ou “nem”, o verbo deverá ficar no plural, de acor-
do com o valor semântico das conjunções:
1) Quando o sujeito é composto e anteposto ao verbo, Drummond ou Bandeira representam a essência da poe-
a concordância se faz no plural: sia brasileira.
Pai e filho conversavam longamente. Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta.
Sujeito
Em ambas as orações, as conjunções dão ideia de “adi-
Pais e filhos devem conversar com frequência.
ção”. Já em:
Sujeito
Juca ou Pedro será contratado.
Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima Olim-
2) Nos sujeitos compostos formados por pessoas gra-
píada.
maticais diferentes, a concordância ocorre da seguinte ma-
neira: a primeira pessoa do plural (nós) prevalece sobre a
segunda pessoa (vós) que, por sua vez, prevalece sobre a * Temos ideia de exclusão, por isso os verbos ficam no
terceira (eles). Veja: singular.
Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão.
Primeira Pessoa do Plural (Nós) 4) Com as expressões “um ou outro” e “nem um nem
outro”, a concordância costuma ser feita no singular.
Tu e teus irmãos tomareis a decisão. Um ou outro compareceu à festa.
Segunda Pessoa do Plural (Vós) Nem um nem outro saiu do colégio.

Pais e filhos precisam respeitar-se. Com “um e outro”, o verbo pode ficar no plural ou no
Terceira Pessoa do Plural (Eles) singular: Um e outro farão/fará a prova.

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LÍNGUA PORTUGUESA

5) Quando os núcleos do sujeito são unidos por “com”, Quando pronome apassivador, o “se” acompanha ver-
o verbo fica no plural. Nesse caso, os núcleos recebem um bos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e indiretos
mesmo grau de importância e a palavra “com” tem sentido (VTDI) na formação da voz passiva sintética. Nesse caso, o
muito próximo ao de “e”. verbo deve concordar com o sujeito da oração. Exemplos:
O pai com o filho montaram o brinquedo. Construiu-se um posto de saúde.
O governador com o secretariado traçaram os planos Construíram-se novos postos de saúde.
para o próximo semestre. Aqui não se cometem equívocos
O professor com o aluno questionaram as regras. Alugam-se casas.

Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se a ** Dica: Para saber se o “se” é partícula apassivadora
ideia é enfatizar o primeiro elemento. ou índice de indeterminação do sujeito, tente transformar
O pai com o filho montou o brinquedo. a frase para a voz passiva. Se a frase construída for “com-
O governador com o secretariado traçou os planos para preensível”, estaremos diante de uma partícula apassivado-
o próximo semestre. ra; se não, o “se” será índice de indeterminação. Veja:
O professor com o aluno questionou as regras. Precisa-se de funcionários qualificados.
Tentemos a voz passiva:
Observação: com o verbo no singular, não se pode Funcionários qualificados são precisados (ou precisos)?
falar em sujeito composto. O sujeito é simples, uma vez Não há lógica. Portanto, o “se” destacado é índice de inde-
que as expressões “com o filho” e “com o secretariado” são terminação do sujeito.
adjuntos adverbiais de companhia. Na verdade, é como se Agora:
houvesse uma inversão da ordem. Veja: Vendem-se casas.
“O pai montou o brinquedo com o filho.” Voz passiva: Casas são vendidas. Construção correta!
“O governador traçou os planos para o próximo semes- Então, aqui, o “se” é partícula apassivadora. (Dá para eu
tre com o secretariado.” passar para a voz passiva. Repare em meu destaque. Per-
“O professor questionou as regras com o aluno.” cebeu semelhança? Agora é só memorizar!).
2) O Verbo “Ser”
*Casos em que se usa o verbo no singular:
Café com leite é uma delícia! A concordância verbal dá-se sempre entre o verbo e o
O frango com quiabo foi receita da vovó. sujeito da oração. No caso do verbo ser, essa concordân-
cia pode ocorrer também entre o verbo e o predicativo do
6) Quando os núcleos do sujeito são unidos por ex- sujeito.
pressões correlativas como: “não só...mas ainda”, “não so-
mente”..., “não apenas...mas também”, “tanto...quanto”, o Quando o sujeito ou o predicativo for:
verbo ficará no plural.
Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o a)Nome de pessoa ou pronome pessoal – o verbo SER
Nordeste. concorda com a pessoa gramatical:
Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a no- Ele é forte, mas não é dois.
tícia. Fernando Pessoa era vários poetas.
A esperança dos pais são eles, os filhos.
7) Quando os elementos de um sujeito composto são
resumidos por um aposto recapitulativo, a concordância é b)nome de coisa e um estiver no singular e o outro no
feita com esse termo resumidor. plural, o verbo SER concordará, preferencialmente, com o
Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da apatia. que estiver no plural:
Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante Os livros são minha paixão!
na vida das pessoas. Minha paixão são os livros!

Outros Casos Quando o verbo SER indicar

1) O Verbo e a Palavra “SE” a) horas e distâncias, concordará com a expressão


Dentre as diversas funções exercidas pelo “se”, há duas numérica:
de particular interesse para a concordância verbal: É uma hora.
a) quando é índice de indeterminação do sujeito; São quatro horas.
b) quando é partícula apassivadora. Daqui até a escola é um quilômetro / são dois quilôme-
Quando índice de indeterminação do sujeito, o “se” tros.
acompanha os verbos intransitivos, transitivos indiretos e
de ligação, que obrigatoriamente são conjugados na ter- b) datas, concordará com a palavra dia(s), que pode
ceira pessoa do singular: estar expressa ou subentendida:
Precisa-se de funcionários. Hoje é dia 26 de agosto.
Confia-se em teses absurdas. Hoje são 26 de agosto.

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LÍNGUA PORTUGUESA

c) Quando o sujeito indicar peso, medida, quantidade e a) Adjetivo anteposto aos substantivos:
for seguido de palavras ou expressões como pouco, muito, - O adjetivo concorda em gênero e número com o
menos de, mais de, etc., o verbo SER fica no singular: substantivo mais próximo.
Cinco quilos de açúcar é mais do que preciso. Encontramos caídas as roupas e os prendedores.
Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido. Encontramos caída a roupa e os prendedores.
Duas semanas de férias é muito para mim. Encontramos caído o prendedor e a roupa.

d) Quando um dos elementos (sujeito ou predicativo) - Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de pa-
for pronome pessoal do caso reto, com este concordará o rentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural.
verbo. As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar.
No meu setor, eu sou a única mulher. Encontrei os divertidos primos e primas na festa.
Aqui os adultos somos nós.
b) Adjetivo posposto aos substantivos:
Observação: sendo ambos os termos (sujeito e pre- - O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo
dicativo) representados por pronomes pessoais, o verbo ou com todos eles (assumindo a forma masculina plural se
concorda com o pronome sujeito. houver substantivo feminino e masculino).
Eu não sou ela. A indústria oferece localização e atendimento perfeito.
Ela não é eu. A indústria oferece atendimento e localização perfeita.
A indústria oferece localização e atendimento perfeitos.
e) Quando o sujeito for uma expressão de sentido par- A indústria oferece atendimento e localização perfeitos.
titivo ou coletivo e o predicativo estiver no plural, o verbo
SER concordará com o predicativo. Observação: os dois últimos exemplos apresentam
A grande maioria no protesto eram jovens. maior clareza, pois indicam que o adjetivo efetivamente se
O resto foram atitudes imaturas. refere aos dois substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi
flexionado no plural masculino, que é o gênero predomi-
3) O Verbo “Parecer” nante quando há substantivos de gêneros diferentes.
O verbo parecer, quando é auxiliar em uma locução
verbal (é seguido de infinitivo), admite duas concordâncias: - Se os substantivos possuírem o mesmo gênero, o ad-
a) Ocorre variação do verbo PARECER e não se flexiona jetivo fica no singular ou plural.
o infinitivo: As crianças parecem gostar do desenho. A beleza e a inteligência feminina(s).
O carro e o iate novo(s).
b) A variação do verbo parecer não ocorre e o infinitivo
sofre flexão: 3) Expressões formadas pelo verbo SER + adjetivo:
As crianças parece gostarem do desenho. a) O adjetivo fica no masculino singular, se o substan-
(essa frase equivale a: Parece gostarem do desenho as tivo não for acompanhado de nenhum modificador: Água
crianças) é bom para saúde.

Atenção: Com orações desenvolvidas, o verbo PARE- b) O adjetivo concorda com o substantivo, se este for
CER fica no singular. Por Exemplo: As paredes parece que modificado por um artigo ou qualquer outro determinati-
têm ouvidos. (Parece que as paredes têm ouvidos = oração vo: Esta água é boa para saúde.
subordinada substantiva subjetiva).
4) O adjetivo concorda em gênero e número com os
Concordância Nominal pronomes pessoais a que se refere: Juliana encontrou-as
muito felizes.
A concordância nominal se baseia na relação entre
nomes (substantivo, pronome) e as palavras que a eles se 5) Nas expressões formadas por pronome indefinido
ligam para caracterizá-los (artigos, adjetivos, pronomes neutro (nada, algo, muito, tanto, etc.) + preposição DE +
adjetivos, numerais adjetivos e particípios). Lembre-se: adjetivo, este último geralmente é usado no masculino sin-
normalmente, o substantivo funciona como núcleo de um gular: Os jovens tinham algo de misterioso.
termo da oração, e o adjetivo, como adjunto adnominal.
A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as 6) A palavra “só”, quando equivale a “sozinho”, tem fun-
seguintes regras gerais: ção adjetiva e concorda normalmente com o nome a que
1) O adjetivo concorda em gênero e número quando se refere:
se refere a um único substantivo: As mãos trêmulas denun- Cristina saiu só.
ciavam o que sentia. Cristina e Débora saíram sós.

2) Quando o adjetivo refere-se a vários substantivos, a Observação: quando a palavra “só” equivale a “somen-
concordância pode variar. Podemos sistematizar essa fle- te” ou “apenas”, tem função adverbial, ficando, portanto,
xão nos seguintes casos: invariável: Eles só desejam ganhar presentes.

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LÍNGUA PORTUGUESA

** Dica: Substitua o “só” por “apenas” ou “sozinho”. Se Bastante - Caro - Barato - Longe
a frase ficar coerente com o primeiro, trata-se de advérbio,
portanto, invariável; se houver coerência com o segundo, Estas palavras são invariáveis quando funcionam como
função de adjetivo, então varia: advérbios. Concordam com o nome a que se referem quan-
Ela está só. (ela está sozinha) – adjetivo do funcionam como adjetivos, pronomes adjetivos, ou nu-
Ele está só descansando. (apenas descansando) - ad- merais.
vérbio As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio)
Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho. (pro-
** Mas cuidado! Se colocarmos uma vírgula depois de nome adjetivo)
“só”, haverá, novamente, um adjetivo: Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio)
Ele está só, descansando. (ele está sozinho e descansan- As casas estão caras. (adjetivo)
do) Achei barato este casaco. (advérbio)
7) Quando um único substantivo é modificado por dois Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo)
ou mais adjetivos no singular, podem ser usadas as cons-
truções: Meio - Meia
a) O substantivo permanece no singular e coloca-se o
artigo antes do último adjetivo: Admiro a cultura espanhola a) A palavra “meio”, quando empregada como adjetivo,
e a portuguesa. concorda normalmente com o nome a que se refere: Pedi
meia porção de polentas.
b) O substantivo vai para o plural e omite-se o artigo
antes do adjetivo: Admiro as culturas espanhola e portu- b) Quando empregada como advérbio permanece in-
guesa. variável: A candidata está meio nervosa.

Casos Particulares ** Dica! Dá para eu substituir por “um pouco”, assim


saberei que se trata de um advérbio, não de adjetivo: “A
É proibido - É necessário - É bom - É preciso - É per- candidata está um pouco nervosa”.
mitido
Alerta - Menos
a) Estas expressões, formadas por um verbo mais um
adjetivo, ficam invariáveis se o substantivo a que se referem Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem
possuir sentido genérico (não vier precedido de artigo). sempre invariáveis.
É proibido entrada de crianças. Os concurseiros estão sempre alerta.
Em certos momentos, é necessário atenção. Não queira menos matéria!
No verão, melancia é bom.
É preciso cidadania. * Tome nota!
Não é permitido saída pelas portas laterais. Não variam os substantivos que funcionam como ad-
jetivos:
b) Quando o sujeito destas expressões estiver deter- Bomba – notícias bomba
minado por artigos, pronomes ou adjetivos, tanto o verbo Chave – elementos chave
como o adjetivo concordam com ele. Monstro – construções monstro
É proibida a entrada de crianças. Padrão – escola padrão
Esta salada é ótima.
A educação é necessária. Fontes de pesquisa:
São precisas várias medidas na educação. http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint49.
php
Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio - Incluso - Qui- Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Cere-
te ja, Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Estas palavras adjetivas concordam em gênero e nú- SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
mero com o substantivo ou pronome a que se referem. coni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Seguem anexas as documentações requeridas. Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
A menina agradeceu: - Muito obrigada. ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
Muito obrigadas, disseram as senhoras.
Seguem inclusos os papéis solicitados.
Estamos quites com nossos credores.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Questões 3-)
(A) ... disse (disseram) (os pesquisadores)
1-) (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA (B) Segundo ele, a mudança climática contribuiu (con-
E COMÉRCIO EXTERIOR – ANALISTA TÉCNICO ADMINIS- tribuíram) (as mudanças do clima)
TRATIVO – CESPE/2014) Em “Vossa Excelência deve estar (C) No sistema havia (várias estações) = permanecerá
satisfeita com os resultados das negociações”, o adjetivo no singular
estará corretamente empregado se dirigido a ministro de (D) ... a civilização maia da América Central tinha (ti-
Estado do sexo masculino, pois o termo “satisfeita” deve nham) (os povos que habitavam a América Central)
concordar com a locução pronominal de tratamento “Vos- (E) Um estudo publicado recentemente mostra (mos-
sa Excelência”. tram) (Estudos como o que acabou de ser publicado).
( ) CERTO ( ) ERRADO RESPOSTA: “C”.

1-) Se a pessoa, no caso o ministro, for do sexo femi-


nino (ministra), o adjetivo está correto; mas, se for do sexo
masculino, o adjetivo sofrerá flexão de gênero: satisfeito. O USO DO ACENTO INDICATIVO DA CRASE.
pronome de tratamento é apenas a maneira de como tratar
a autoridade, não concordando com o gênero (o pronome
de tratamento, apenas).
A crase se caracteriza como a fusão de duas vogais
RESPOSTA: “ERRADO”.
idênticas, relacionadas ao emprego da preposição “a” com
o artigo feminino a(s), com o “a” inicial referente aos pro-
2-) (GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL – CADASTRO nomes demonstrativos – aquela(s), aquele(s), aquilo e com
RESERVA PARA O METRÔ/DF – ADMINISTRADOR - IA- o “a” pertencente ao pronome relativo a qual (as quais).
DES/2014 - adaptada) Se, no lugar dos verbos destacados Casos estes em que tal fusão encontra-se demarcada pelo
no verso “Escolho os filmes que eu não vejo no elevador”, acento grave ( ` ): à(s), àquela, àquele, àquilo, à qual, às
fossem empregados, respectivamente, Esquecer e gostar, quais.
a nova redação, de acordo com as regras sobre regência O uso do acento indicativo de crase está condiciona-
verbal e concordância nominal prescritas pela norma-pa- do aos nossos conhecimentos acerca da regência verbal
drão, deveria ser e nominal, mais precisamente ao termo regente e termo
(A) Esqueço dos filmes que eu não gosto no elevador. regido. Ou seja, o termo regente é o verbo - ou nome - que
(B) Esqueço os filmes os quais não gosto no elevador. exige complemento regido pela preposição “a”, e o termo
(C) Esqueço dos filmes aos quais não gosto no eleva- regido é aquele que completa o sentido do termo regente,
dor. admitindo a anteposição do artigo a(s).
(D) Esqueço dos filmes dos quais não gosto no eleva- Refiro-me a (a) funcionária antiga, e não a (a)quela con-
dor. tratada recentemente.
(E) Esqueço os filmes dos quais não gosto no elevador. Após a junção da preposição com o artigo (destacados
entre parênteses), temos:
2-) O verbo “esquecer” pede objeto direto; “gostar”, Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela contratada
indireto (com preposição): Esqueço os filmes dos quais não recentemente.
gosto.
RESPOSTA: “E”. O verbo referir, de acordo com sua transitividade, clas-
sifica-se como transitivo indireto, pois sempre nos referi-
3-) (SABESP – TECNÓLOGO – FCC/2014) Considerada a mos a alguém ou a algo. Houve a fusão da preposição a + o
substituição do segmento grifado pelo que está entre pa- artigo feminino (à) e com o artigo feminino a + o pronome
demonstrativo aquela (àquela).
rênteses ao final da transcrição, o verbo que deverá perma-
necer no singular está em:
Observação importante: Alguns recursos servem de
(A) ... disse o pesquisador à Folha de S. Paulo. (os pes-
ajuda para que possamos confirmar a ocorrência ou não
quisadores)
da crase. Eis alguns:
(B) Segundo ele, a mudança climática contribuiu para a a) Substitui-se a palavra feminina por uma masculina
ruína dessa sociedade... (as mudanças do clima) equivalente. Caso ocorra a combinação a + o(s), a crase
(C) No sistema havia também uma estação... (várias es- está confirmada.
tações) Os dados foram solicitados à diretora.
(D) ... a civilização maia da América Central tinha um Os dados foram solicitados ao diretor.
método sustentável de gerenciamento da água. (os povos
que habitavam a América Central) b) No caso de nomes próprios geográficos, substitui-se
(E) Um estudo publicado recentemente mostra que a o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso resulte na expres-
civilização maia... (Estudos como o que acabou de ser pu- são “voltar da”, há a confirmação da crase.
blicado). Faremos uma visita à Bahia.
Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirmada)

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LÍNGUA PORTUGUESA

Não me esqueço da viagem a Roma. * Constata-se o uso da crase se as locuções preposi-


Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos ja- tivas à moda de, à maneira de apresentarem-se implícitas,
mais vividos. mesmo diante de nomes masculinos: Tenho compulsão por
comprar sapatos à Luis XV. (à moda de Luís XV)
Atenção: Nas situações em que o nome geográfico se
apresentar modificado por um adjunto adnominal, a crase * Não se efetiva o uso da crase diante da locução ad-
está confirmada. verbial “a distância”: Na praia de Copacabana, observamos
Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades de suas a queima de fogos a distância.
praias.
Entretanto, se o termo vier determinado, teremos uma
locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O pedestre foi
** Dica: Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou
arremessado à distância de cem metros.
A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo: Vou a Campinas. =
Volto de Campinas. (crase pra quê?) - De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade -,
Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!) faz-se necessário o emprego da crase.
ATENÇÃO: quando o nome de lugar estiver especifica- Ensino à distância.
do, ocorrerá crase. Veja: Ensino a distância.
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo
que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE” * Em locuções adverbiais formadas por palavras repeti-
Irei à Salvador de Jorge Amado. das, não há ocorrência da crase.
Ela ficou frente a frente com o agressor.
* A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s), Eu o seguirei passo a passo.
aquela(s) e aquilo receberão o acento grave se o termo re-
gente exigir complemento regido da preposição “a”. Casos em que não se admite o emprego da crase:
Entregamos a encomenda àquela menina.
(preposição + pronome demonstrativo) * Antes de vocábulos masculinos.
As produções escritas a lápis não serão corrigidas.
Iremos àquela reunião. Esta caneta pertence a Pedro.
(preposição + pronome demonstrativo)
* Antes de verbos no infinitivo.
Ele estava a cantar.
Sua história é semelhante às que eu ouvia quando crian- Começou a chover.
ça. (àquelas que eu ouvia quando criança)
(preposição + pronome demonstrativo) * Antes de numeral.
* A letra “a” que acompanha locuções femininas (ad- O número de aprovados chegou a cem.
verbiais, prepositivas e conjuntivas) recebe o acento grave: Faremos uma visita a dez países.
- locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às pres-
sas, à vontade... Observação:
- locuções prepositivas: à frente, à espera de, à procura - Nos casos em que o numeral indicar horas – funcio-
de... nando como uma locução adverbial feminina – ocorrerá
- locuções conjuntivas: à proporção que, à medida que. crase: Os passageiros partirão às dezenove horas.

* Cuidado: quando as expressões acima não exerce- - Diante de numerais ordinais femininos a crase está
rem a função de locuções não ocorrerá crase. Repare: confirmada, visto que estes não podem ser empregados
Eu adoro a noite! sem o artigo: As saudações foram direcionadas à primeira
Adoro o quê? Adoro quem? O verbo “adoro” requer aluna da classe.
objeto direto, no caso, a noite. Aqui, o “a” é artigo, não
- Não ocorrerá crase antes da palavra casa, quan-
preposição.
do essa não se apresentar determinada: Chegamos todos
exaustos a casa.
Casos passíveis de nota: Entretanto, se vier acompanhada de um adjunto ad-
nominal, a crase estará confirmada: Chegamos todos exaus-
*a crase é facultativa diante de nomes próprios femini- tos à casa de Marcela.
nos: Entreguei o caderno a (à) Eliza.
- não há crase antes da palavra “terra”, quando essa
*também é facultativa diante de pronomes possessivos indicar chão firme: Quando os navegantes regressaram a
femininos: O diretor fez referência a (à) sua empresa. terra, já era noite.
Contudo, se o termo estiver precedido por um deter-
*facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja ficará minante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá crase.
aberta até as (às) dezoito horas. Paulo viajou rumo à sua terra natal.
O astronauta voltou à Terra.

25
LÍNGUA PORTUGUESA

- não ocorre crase antes de pronomes que requerem Segundo a norma-padrão da língua portuguesa, as la-
o uso do artigo. cunas da frase devem ser completadas, correta e respectiva-
Os livros foram entregues a mim. mente, por
Dei a ela a merecida recompensa. (A) a ... à ... a ... a
(B) as ... à ... a ... à
Observação: Pelo fato de os pronomes de tratamento (C) às ... a ... à ... a
relativos à senhora, senhorita e madame admitirem artigo, (D) à ... à ... à ... a
o uso da crase está confirmado no “a” que os antecede, no (E) a ... a ... a ... à
caso de o termo regente exigir a preposição.
Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia. 2-) A ministra de Direitos Humanos instituiu grupo de tra-
balho para proceder a medidas (palavra no plural, generalizan-
*não ocorre crase antes de nome feminino utilizado em do) necessárias à (regência nominal pede preposição) exumação
sentido genérico ou indeterminado: dos restos mortais do ex-presidente João Goulart, sepultado em
Estamos sujeitos a críticas. São Borja (RS), em 1976. Com a exumação de Jango, o governo
Refiro-me a conversas paralelas. visa esclarecer se o ex-presidente morreu de causas naturais, ou
seja, devido a uma (artigo indefinido) parada cardíaca – que
Fontes de pesquisa: tem sido a versão considerada oficial até hoje –, ou se sua morte
http://www.portugues.com.br/gramatica/o-uso-crase-. se deve a (regência verbal) envenenamento. A / à / a / a
html RESPOSTA: “A”.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
coni. 30ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. 3-) (SABESP/SP – ADVOGADO – FCC/2014)
Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores fizeram
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Cere-
uma escavação arqueológica nas ruínas da antiga cidade de
ja, Thereza Cochar Magalhães. – 7ªed. Reform. – São Paulo:
Tikal, na Guatemala.
Saraiva, 2010.
O a empregado na frase acima, imediatamente depois
de chegar, deverá receber o sinal indicativo de crase caso o
Questões
segmento grifado seja substituído por:
(A) Uma tal ilação.
1-) (POLÍCIA CIVIL/SC – AGENTE DE POLÍCIA – ACA- (B) Afirmações como essa.
FE/2014) Assinale a alternativa que preenche corretamente (C) Comprovação dessa assertiva.
as lacunas da frase a seguir. (D) Emitir uma opinião desse tipo.
Quando________ três meses disse-me que iria _________ (E) Semelhante resultado.
Grécia para visitar ___ sua tia, vi-me na obrigação de ajudá-
-la _______ resgatar as milhas _________ quais tinha direito. 3-)
A-) a - há - à - à - às (A) Uma tal ilação – chegar a uma (não há acento grave
B-) há - à - a - a – às antes de artigo)
C-) há - a - há - à - as (B) Afirmações como essa – chegar a afirmações (antes
D-) a - à - a - à - às de palavra no plural e o “a” no singular)
E-) a - a - à - há – as (C) Comprovação dessa assertiva – chegar à comprova-
ção
1-) Quando HÁ (sentido de tempo) três meses disse- (D) Emitir uma opinião desse tipo – chegar a emitir (ver-
-me que iria À (“vou a, volto da, crase há!”) Grécia para bo no infinitivo)
visitar A (artigo) sua tia, vi-me na obrigação de ajudá-la A (E) Semelhante resultado – chegar a semelhante (palavra
(ajudar “ela” a fazer algo) resgatar as milhas ÀS quais tinha masculina)
direito (tinha direito a quê? às milhas – regência nominal). RESPOSTA: “C”.
Teremos: há, à, a, a, às.
RESPOSTA: “B”.

2-) (EMPLASA/SP – ANALISTA JURÍDICO – DIREITO – EMPREGO E CONJUGAÇÃO DE VERBOS


VUNESP/2014) REGULARES E IRREGULARES.
A ministra de Direitos Humanos instituiu grupo de tra-
balho para proceder _____ medidas necessárias _____ exu-
mação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart,
sepultado em São Borja (RS), em 1976. Com a exumação de VERBO
Jango, o governo visa esclarecer se o ex-presidente morreu Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, núme-
de causas naturais, ou seja, devido ____ uma parada cardía- ro, tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o
ca – que tem sido a versão considerada oficial até hoje –, nome de conjugação (por isso também se diz que verbo
ou se sua morte se deve ______ envenenamento. é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre
(http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,- outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenômeno
governo-cria-grupo-exumar--restos-mortais-de- jan- (choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer).
go,1094178,0.htm 07. 11.2013. Adaptado)

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LÍNGUA PORTUGUESA

1.10.1 ESTRUTURA DAS FORMAS VERBAIS


Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar
#FicaDica
os seguintes elementos: Observe que, retirando os radicais, as
A) Radical: é a parte invariável, que expressa o signi- desinências modo-temporal e número-pessoal
ficado essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-ava; fal- mantiveram-se idênticas. Tente fazer com outro
-am. (radical fal-) verbo e perceberá que se repetirá o fato (desde
B) Tema: é o radical seguido da vogal temática que que o verbo seja da primeira conjugação
indica a conjugação a que pertence o verbo. Por exemplo: e regular!). Faça com o verbo “andar”, por
fala-r. São três as conjugações: exemplo. Substitua o radical “cant” e coloque o
1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática - “and” (radical do verbo andar). Viu? Fácil!
E - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir).
C) Desinência modo-temporal: é o elemento que de-
signa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo: B) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alte-
falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo) rações no radical ou nas desinências: faço, fiz, farei, fizesse.
/ falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo)
D) Desinência número-pessoal: é o elemento que Observação:
designa a pessoa do discurso (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e o número Alguns verbos sofrem alteração no radical apenas para
(singular ou plural): que seja mantida a sonoridade. É o caso de: corrigir/corrijo,
falamos (indica a 1.ª pessoa do plural.) / falavam (in- fingir/finjo, tocar/toquei, por exemplo. Tais alterações não
dica a 3.ª pessoa do plural.) caracterizam irregularidade, porque o fonema permanece
inalterado.

FIQUE ATENTO! C) Defectivos: são aqueles que não apresentam conju-


gação completa. Os principais são adequar, precaver, com-
O verbo pôr, assim como seus derivados
putar, reaver, abolir, falir.
(compor, repor, depor), pertencem à 2.ª
D) Impessoais: são os verbos que não têm sujeito e,
conjugação, pois a forma arcaica do verbo
normalmente, são usados na terceira pessoa do singular.
pôr era poer. A vogal “e”, apesar de haver
Os principais verbos impessoais são:
desaparecido do infinitivo, revela-se em
1. Haver, quando sinônimo de existir, acontecer, reali-
algumas formas do verbo: põe, pões, põem,
zar-se ou fazer (em orações temporais).
etc.
Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia = Exis-
tiam)
1.10.2 FORMAS RIZOTÔNICAS E ARRIZOTÔNICAS Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão)
dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce- Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz)
bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acento
tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, amo, por 2. Fazer, ser e estar (quando indicam tempo)
exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico não cai Faz invernos rigorosos na Europa.
no radical, mas sim na terminação verbal (fora do radical): Era primavera quando o conheci.
opinei, aprenderão, amaríamos. Estava frio naquele dia.

1.10.3 CLASSIFICAÇÃO DOS VERBOS 3. Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza
Classificam-se em: são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, amanhe-
A) Regulares: são aqueles que apresentam o radical cer, escurecer, etc. Quando, porém, se constrói, “Amanheci
inalterado durante a conjugação e desinências idênticas às cansado”, usa-se o verbo “amanhecer” em sentido figura-
de todos os verbos regulares da mesma conjugação. Por do. Qualquer verbo impessoal, empregado em sentido fi-
exemplo: comparemos os verbos “cantar” e “falar”, conju- gurado, deixa de ser impessoal para ser pessoal, ou seja,
gados no presente do Modo Indicativo: terá conjugação completa.
Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu)
canto falo Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)
cantas falas
canta falas 4. O verbo passar (seguido de preposição), indicando
cantamos falamos tempo: Já passa das seis.
cantais falais 5. Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição
cantam falam “de”, indicando suficiência:
Basta de tolices.
Chega de promessas.

27
LÍNGUA PORTUGUESA

6. Os verbos estar e ficar em orações como “Está bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem referência
a sujeito expresso anteriormente (por exemplo: “ele está mal”). Podemos, nesse caso, classificar o sujeito como hipotético,
tornando-se, tais verbos, pessoais.

7. O verbo dar + para da língua popular, equivalente de “ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uma apostila?

E) Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural.
São unipessoais os verbos constar, convir, ser (= preciso, necessário) e todos os que indicam vozes de animais (cacarejar,
cricrilar, miar, latir, piar).

#FicaDica
Os verbos unipessoais podem ser usados
como verbos pessoais na linguagem figurada:
Teu irmão amadureceu bastante.
O que é que aquela garota está cacarejando?

PRINCIPAIS VERBOS UNIPESSOAIS:

 Cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário):


Cumpre estudarmos bastante. (Sujeito: estudarmos bastante)
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova)

 Fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.
Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei à Europa)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a vejo. (Sujeito: que não a vejo)

F) Abundantes: são aqueles que possuem duas ou mais formas equivalentes, geralmente no particípio, em que, além
das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular).
O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular é em-
pregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser, ficar e estar. Observe:

Infinitivo Particípio Regular Particípio Irregular


Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento
Corrigir Corrigido Correto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Misturar Misturado Misto
Morrer Morrido Morto

28
LÍNGUA PORTUGUESA

Murchar Murchado Murcho


Pegar Pegado Pego
Romper Rompido Roto
Soltar Soltado Solto
Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Vagar Vagado Vago

FIQUE ATENTO!
Estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/
dito, escrever/escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.

G) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Existem apenas dois: ser (sou, sois, fui)
e ir (fui, ia, vades).
H) Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo principal
(aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo auxiliar, é expresso numa das
formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
Vou espantar todos!
(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora!


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Observação:
Os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

CONJUGAÇÃO DOS VERBOS AUXILIARES

SER - MODO INDICATIVO

Presente Pret.Perfeito Pret. Imp. Pret.mais-que-perf. Fut.do Pres. Fut. Do


Pretérito
sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

29
LÍNGUA PORTUGUESA

SER - MODO SUBJUNTIVO


Presente Pretérito Imperfeito Futuro
que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

SER - MODO IMPERATIVO


Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

SER - FORMAS NOMINAIS


Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio
ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

ESTAR - MODO INDICATIVO


Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

ESTAR - MODO SUBJUNTIVO E IMPERATIVO


Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo
esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

30
LÍNGUA PORTUGUESA

ESTAR - FORMAS NOMINAIS


Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio
estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

HAVER - MODO INDICATIVO

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


hei houve havia houvera haverei
haveria
hás houveste
havias houveras haverás
haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

HAVER - MODO SUBJUNTIVO E IMPERATIVO

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


ja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

HAVER - FORMAS NOMINAIS

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres

haver

havermos
haverdes

haverem

TER - MODO INDICATIVO

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Preté.mais-q-perf. Fut. Do Pres. Fut.


Do Preté.
tenho tive tinha tivera terei
teria
tens tiveste tinhas tiveras terás
terias

31
LÍNGUA PORTUGUESA

tem teve tinha tivera terá


teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

TER - MODO SUBJUNTIVO E IMPERATIVO

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

I) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já implícita no
próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:
 Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a reflexibilidade já
está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.
A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mes-
ma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante
do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia re-
flexiva expressa pelo radical do próprio verbo. Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes):
Eu me arrependo, Tu te arrependes, Ele se arrepende, Nós nos arrependemos, Vós vos arrependeis, Eles se arrependem

 Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto repre-
sentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele mesmo. Em
geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os pronomes mencionados,
formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa: A garota penteou-me.

FIQUE ATENTO!
Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não
possuem função sintática.
Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente
pronominais - são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na
pessoa idêntica à do sujeito, exercem funções sintáticas. Por exemplo:
Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me (objeto direto) – 1.ª pessoa do singular

1.10.4 MODOS VERBAIS


Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadeiro. Existem
três modos:
A) Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu estudo para o concurso.
B) Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu estude amanhã.
C) Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estude, colega!

1.10.5 FORMAS NOMINAIS


Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que podem exercer funções de nomes (substantivo, adjetivo,
advérbio), sendo por isso denominadas formas nominais. Observe:

32
LÍNGUA PORTUGUESA

A) Infinitivo
A.1 Impessoal: exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de substantivo.
Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)

O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma composta). Por exemplo:
É preciso ler este livro.
Era preciso ter lido este livro.

A.2 Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do singular, não apre-
senta desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:
2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu)
1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós)
2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós)
3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles)
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.
B) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Por exemplo:
Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio)
Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo)

Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta (2), uma ação concluída:
Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro.
Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro.

Quando o gerúndio é vício de linguagem (gerundismo), ou seja, uso exagerado e inadequado do gerúndio:
1. Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando futebol.
2. – Sim, senhora! Vou estar verificando!

Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequada, pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no momento da
outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um futuro em andamento,
exigindo, no caso, a construção “verificarei” ou “vou verificar”.

C) Particípio: quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica, geralmente, o resul-
tado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por exemplo: Terminados os exames, os candidatos
saíram.
Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função de
adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida pela turma.

(Ziraldo)

1.10.6 TEMPOS VERBAIS

Tomando-se como referência o momento em que se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos tempos.

A) Tempos do Modo Indicativo


Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.
Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado: Ele
estudou as lições ontem à noite.

33
LÍNGUA PORTUGUESA

Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara as lições
quando os amigos chegaram. (forma simples).
Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele
estudará as lições amanhã.
Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se ele pu-
desse, estudaria um pouco mais.

B) Tempos do Modo Subjuntivo


Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse o
jogo.
Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier à
loja, levará as encomendas.

FIQUE ATENTO!
Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)

No próximo final de semana, faço a prova!


faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)

TABELAS DAS CONJUGAÇÕES VERBAIS

MODO INDICATIVO
PRESENTE DO INDICATIVO

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

34
LÍNGUA PORTUGUESA

PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

PRETÉRITO IMPERFEITO DO INDICATIVO

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3ª. conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

FUTURO DO PRESENTE DO INDICATIVO

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

FUTURO DO PRETÉRITO DO INDICATIVO

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

35
LÍNGUA PORTUGUESA

PRESENTE DO SUBJUNTIVO

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).

1.ª conjug. 2.ª conjug. 3.ª conju. Desinên. pessoal Des. temporal Des.temporal
1.ª conj. 2.ª/3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

PRETÉRITO IMPERFEITO DO SUBJUNTIVO


Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de nú-
mero e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

FUTURO DO SUBJUNTIVO
Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e
pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM partiREM R EM

36
LÍNGUA PORTUGUESA

C) MODO IMPERATIVO
IMPERATIVO AFIRMATIVO
Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

IMPERATIVO NEGATIVO
Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.
Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo

Que eu cante ---


Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

#FicaDica
No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma
ordem, pedido ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-
se você/vocês.
O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

INFINITIVO PESSOAL
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

FIQUE ATENTO!
• O verbo parecer admite duas construções:
Elas parecem gostar de você. (forma uma locução verbal)
Elas parece gostarem de você. (verbo com sujeito oracional, correspondendo à construção: parece
gostarem de você).

• O verbo pegar possui dois particípios (regular e irregular):


Elvis tinha pegado minhas apostilas.
Minhas apostilas foram pegas.

37
LÍNGUA PORTUGUESA

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Observações:


SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa  O agente da passiva geralmente é acompanhado
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. da preposição por, mas pode ocorrer a construção com a
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- preposição de. Por exemplo: A casa ficou cercada de solda-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São dos.
Paulo: Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-  Pode acontecer de o agente da passiva não estar
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.  A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar
php (SER), pois o particípio é invariável. Observe a transforma-
1. VOZES DO VERBO ção das frases seguintes:
Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do Indicativo)
Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta a O trabalho foi feito por ele. (verbo ser no pretérito per-
feito do Indicativo, assim como o verbo principal da voz
ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indicando
ativa)
se este é paciente ou agente da ação. Importante lembrar
que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal. São três
Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)
as vozes verbais: O trabalho é feito por ele. (ser no presente do indica-
A) Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a tivo)
ação expressa pelo verbo:
Ele fez o trabalho. Ele fará o trabalho. (futuro do presente)
sujeito agente ação objeto (pacien- O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)
te)
 Nas frases com locuções verbais, o verbo SER as-
B) Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo a sume o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz
ação expressa pelo verbo: ativa. Observe a transformação da frase seguinte:
O trabalho foi feito por ele. O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
sujeito paciente ação agente da pas- As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)
siva
B) Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética - ou
C) Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo, pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª pessoa, segui-
agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação: do do pronome apassivador “se”. Por exemplo:
O menino feriu-se. Abriram-se as inscrições para o concurso.
Destruiu-se o velho prédio da escola.

Observação:
#FicaDica O agente não costuma vir expresso na voz passiva sin-
Não confundir o emprego reflexivo do verbo tética.
com a noção de reciprocidade:
Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
1.2 CONVERSÃO DA VOZ ATIVA NA VOZ PASSIVA
Nós nos amamos. (um ama o outro)
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar subs-
tancialmente o sentido da frase.
O concurseiro comprou a apostila. (Voz Ativa)
1.1 FORMAÇÃO DA VOZ PASSIVA
Sujeito da Ativa objeto Direto
A voz passiva pode ser formada por dois processos: A apostila foi comprada pelo concurseiro. (Voz
analítico e sintético. Passiva)
A) Voz Passiva Analítica = Constrói-se da seguinte Sujeito da Passiva Agente da Passi-
maneira: va
Verbo SER + particípio do verbo principal. Por exemplo:
A escola será pintada pelos alunos. (na ativa teríamos: Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva; o
os alunos pintarão a escola) sujeito da ativa passará a agente da passiva, e o verbo ativo
O trabalho é feito por ele. (na ativa: ele faz o trabalho) assumirá a forma passiva, conservando o mesmo tempo.
Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos
mestres.

Eu o acompanharei.
Ele será acompanhado por mim.

38
LÍNGUA PORTUGUESA

A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.


[dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem se
FIQUE ATENTO! fala]
Quando o sujeito da voz ativa for
indeterminado, não haverá complemento Em termos morfológicos, os pronomes são palavras
agente na passiva. Por exemplo: Prejudicaram- variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em número
me. / Fui prejudicado. (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência através
Com os verbos neutros (nascer, viver, morrer, do pronome seja coerente em termos de gênero e núme-
dormir, acordar, sonhar, etc.) não há voz ativa, ro (fenômeno da concordância) com o seu objeto, mesmo
passiva ou reflexiva, porque o sujeito não pode quando este se apresenta ausente no enunciado.
ser visto como agente, paciente ou agente Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da nossa
paciente. escola neste ano.
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância
adequada]
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [neste: pronome que determina “ano” = concordância
adequada]
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = concor-
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
dância inadequada]
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, de-
Paulo: Saraiva, 2010.
monstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. 1.8.1 PRONOMES PESSOAIS
SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54. São aqueles que substituem os substantivos, indicando
php diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou escreve
Observação: Não foram encontradas questões abran- assume os pronomes “eu” ou “nós”; usa-se os pronomes “tu”,
gendo tal conteúdo. “vós”, “você” ou “vocês” para designar a quem se dirige, e
“ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer referência à pessoa ou
às pessoas de quem se fala.
Os pronomes pessoais variam de acordo com as funções
EMPREGO DE PRONOMES. que exercem nas orações, podendo ser do caso reto ou do
caso oblíquo.

A) PRONOME RETO
Pronome é a palavra variável que substitui ou acom- Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na senten-
panha um substantivo (nome), qualificando-o de alguma ça, exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos flores.
forma. Os pronomes retos apresentam flexão de número, gêne-
O homem julga que é superior à natureza, por isso o ro (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a prin-
homem destrói a natureza... cipal flexão, uma vez que marca a pessoa do discurso. Dessa
Utilizando pronomes, teremos: O homem julga que é forma, o quadro dos pronomes retos é assim configurado:
superior à natureza, por isso ele a destrói... 1.ª pessoa do singular: eu
Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de termos 2.ª pessoa do singular: tu
(homem e natureza). 3.ª pessoa do singular: ele, ela
1.ª pessoa do plural: nós
Grande parte dos pronomes não possuem significados 2.ª pessoa do plural: vós
fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação dentro 3.ª pessoa do plural: eles, elas
de um contexto, o qual nos permite recuperar a referên-
cia exata daquilo que está sendo colocado por meio dos FIQUE ATENTO!
pronomes no ato da comunicação. Com exceção dos pro-
Esses pronomes não costumam ser usados
nomes interrogativos e indefinidos, os demais pronomes
como complementos verbais na língua-
têm por função principal apontar para as pessoas do dis-
curso ou a elas se relacionar, indicando-lhes sua situação padrão. Frases como “Vi ele na rua”, “Encontrei
no tempo ou no espaço. Em virtude dessa característica, ela na praça”, “Trouxeram eu até aqui”-
os pronomes apresentam uma forma específica para cada comuns na língua oral cotidiana - devem ser
pessoa do discurso. evitadas na língua formal escrita ou falada. Na
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. língua formal, devem ser usados os pronomes
[minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala] oblíquos correspondentes: “Vi-o na rua”,
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada? “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-me até
[tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se aqui”.
fala]

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LÍNGUA PORTUGUESA

B.2 PRONOME OBLÍQUO TÔNICO


#FicaDica Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos
por preposições, em geral as preposições a, para, de e com.
Frequentemente observamos a omissão do Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função
pronome reto em Língua Portuguesa. Isso se de objeto indireto da oração. Possuem acentuação tônica
dá porque as próprias formas verbais marcam, forte.
através de suas desinências, as pessoas do Lista dos pronomes oblíquos tônicos:
verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos 1.ª pessoa do singular (eu): mim, comigo
boa viagem. (Nós) 2.ª pessoa do singular (tu): ti, contigo
3.ª pessoa do singular (ele, ela): si, consigo, ele, ela
1.ª pessoa do plural (nós): nós, conosco
B) PRONOME OBLÍQUO 2.ª pessoa do plural (vós): vós, convosco
Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na 3.ª pessoa do plural (eles, elas): si, consigo, eles, elas
sentença, exerce a função de complemento verbal (ob- Observe que as únicas formas próprias do pronome tô-
jeto direto ou indireto): Ofertaram-nos flores. (objeto in- nico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As
direto) demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto.
As preposições essenciais introduzem sempre prono-
Observação: mes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso
O pronome oblíquo é uma forma variante do pronome reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da
pessoal do caso reto. Essa variação indica a função diversa língua formal, os pronomes costumam ser usados desta
que eles desempenham na oração: pronome reto marca o forma:
sujeito da oração; pronome oblíquo marca o complemento Não há mais nada entre mim e ti.
da oração. Os pronomes oblíquos sofrem variação de acor- Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.
do com a acentuação tônica que possuem, podendo ser Não há nenhuma acusação contra mim.
átonos ou tônicos. Não vá sem mim.

B.1 PRONOME OBLÍQUO ÁTONO


FIQUE ATENTO!
São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
são precedidos de preposição. Possuem acentuação tônica Há construções em que a preposição, apesar
fraca: Ele me deu um presente. de surgir anteposta a um pronome, serve
Lista dos pronomes oblíquos átonos para introduzir uma oração cujo verbo está
1.ª pessoa do singular (eu): me no infinitivo. Nesses casos, o verbo pode
2.ª pessoa do singular (tu): te ter sujeito expresso; se esse sujeito for um
3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe pronome, deverá ser do caso reto.
1.ª pessoa do plural (nós): nos
2.ª pessoa do plural (vós): vos
3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
Não vá sem eu mandar.
A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!”
FIQUE ATENTO! está correta, já que “para mim” é complemento de “fácil”.
Os pronomes o, os, a, as assumem formas A ordem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil para
especiais depois de certas terminações verbais: mim!
1. Quando o verbo termina em -z, -s ou -r,
o pronome assume a forma lo, los, la ou las, A combinação da preposição “com” e alguns prono-
ao mesmo tempo que a terminação verbal é mes originou as formas especiais comigo, contigo, consigo,
suprimida. Por exemplo: conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos fre-
fiz + o = fi-lo quentemente exercem a função de adjunto adverbial de
fazeis + o = fazei-lo companhia: Ele carregava o documento consigo.
dizer + a = dizê-la
A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas:
2. Quando o verbo termina em som nasal, o Ela veio até mim, mas nada falou.
pronome assume as formas no, nos, na, nas. Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de
Por exemplo: inclusão), usaremos as formas retas: Todos foram bem na
viram + o: viram-no prova, até eu! (= inclusive eu)
repõe + os = repõe-nos
retém + a: retém-na As formas “conosco” e “convosco” são substituídas por
tem + as = tem-nas “com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais são
reforçados por palavras como outros, mesmos, próprios, to-
dos, ambos ou algum numeral.

40
LÍNGUA PORTUGUESA

Você terá de viajar com nós todos. Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores
Estávamos com vós outros quando chegaram as más Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, oficiais
notícias. até a patente de coronel, chefes de seção e funcionários de
Ele disse que iria com nós três. igual categoria
B.3 PRONOME REFLEXIVO Vossa Meretíssima (sempre por extenso) = para juízes
São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcio- de direito
nem como objetos direto ou indireto, referem-se ao sujeito Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento ce-
da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe a ação rimonioso
expressa pelo verbo. Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus
Lista dos pronomes reflexivos:
1.ª pessoa do singular (eu): me, mim = Eu não me lem- Também são pronomes de tratamento o senhor, a senho-
bro disso. ra e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empregados
no tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, no tratamento
familiar. Você e vocês são largamente empregados no por-
2.ª pessoa do singular (tu): te, ti = Conhece a ti mesmo.
tuguês do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é de uso
frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma vós tem
3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo = Gui-
uso restrito à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária.
lherme já se preparou.
Ela deu a si um presente. Observações:
Antônio conversou consigo mesmo. 1. Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes de
tratamento que possuem “Vossa(s)” são empregados em re-
1.ª pessoa do plural (nós): nos = Lavamo-nos no rio. lação à pessoa com quem falamos: Espero que V. Ex.ª, Senhor
Ministro, compareça a este encontro.
2.ª pessoa do plural (vós): vos = Vós vos beneficiastes 2. Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito
com esta conquista. da pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua
Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu com pro-
3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo = Eles se priedade.
conheceram. / Elas deram a si um dia de folga. 3. Os pronomes de tratamento representam uma for-
ma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. Ao
tratarmos um deputado por Vossa Excelência, por exemplo,
#FicaDica estamos nos endereçando à excelência que esse deputado
supostamente tem para poder ocupar o cargo que ocupa.
O pronome é reflexivo quando se refere à
4. Embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2.ª
mesma pessoa do pronome subjetivo (sujeito): pessoa, toda a concordância deve ser feita com a 3.ª pes-
Eu me arrumei e saí. soa. Assim, os verbos, os pronomes possessivos e os prono-
É pronome recíproco quando indica mes oblíquos empregados em relação a eles devem ficar na
reciprocidade de ação: Nós nos amamos. / 3.ª pessoa.
Olhamo-nos calados. Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promes-
O “se” pode ser usado como palavra expletiva sas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos.
ou partícula de realce, sem ser rigorosamente
necessária e sem função sintática: Os 5. Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos ou
exploradores riam-se de suas tentativas. / Será nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do
que eles se foram? texto, a pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Assim,
por exemplo, se começamos a chamar alguém de “você”,
não poderemos usar “te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ain-
C) PRONOMES DE TRATAMENTO da, verbo na terceira pessoa.
São pronomes utilizados no tratamento formal, ceri-
monioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor (portan- Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
to, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira pes- teus cabelos. (errado)
soa. Alguns exemplos: Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus
Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular
Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais ou
Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e religio- Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
sos em geral teus cabelos. (correto) = segunda pessoa do singular
Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente superior
à de coronel, senadores, deputados, embaixadores, profes- 1.8.2 PRONOMES POSSESSIVOS
sores de curso superior, ministros de Estado e de Tribunais, São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical
governadores, secretários de Estado, presidente da Repú- (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo (coi-
blica (sempre por extenso) sa possuída).
Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de universi- Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1.ª pessoa do
dades singular)

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LÍNGUA PORTUGUESA

NÚMERO PESSOA PRONOME Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam o que está dis-
tante tanto da pessoa que fala como da pessoa com quem
singular primeira meu(s), minha(s) se fala:
singular segunda teu(s), tua(s) Aquele material não é nosso.
Vejam aquele prédio!
singular terceira seu(s), sua(s)
plural primeira nosso(s), nossa(s) B) Em relação ao tempo:
plural segunda vosso(s), vossa(s) Este(s), esta(s) e isto = indicam o tempo presente em
relação à pessoa que fala:
plural terceira seu(s), sua(s) Esta manhã farei a prova do concurso!
Note que: Esse(s), essa(s) e isso = indicam o tempo passado, porém
A forma do possessivo depende da pessoa gramatical relativamente próximo à época em que se situa a pessoa
a que se refere; o gênero e o número concordam com o obje- que fala:
to possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição naquele Essa noite dormi mal; só pensava no concurso!
momento difícil.
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam um afastamento
Observações: no tempo, referido de modo vago ou como tempo remoto:
1. A forma “seu” não é um possessivo quando resultar Naquele tempo, os professores eram valorizados.
da alteração fonética da palavra senhor: Muito obrigado, seu
José. C) Em relação ao falado ou escrito (ou ao que se fa-
2. Os pronomes possessivos nem sempre indicam pos- lará ou escreverá):
se. Podem ter outros empregos, como: Este(s), esta(s) e isto = empregados quando se quer fa-
A) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha. zer referência a alguma coisa sobre a qual ainda se falará:
B) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40 Serão estes os conteúdos da prova: análise sintática, or-
anos. tografia, concordância.
C) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem
lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela. Esse(s), essa(s) e isso = utilizados quando se pretende
fazer referência a alguma coisa sobre a qual já se falou:
3. Em frases onde se usam pronomes de tratamento, Sua aprovação no concurso, isso é o que mais desejamos!
o pronome possessivo fica na 3.ª pessoa: Vossa Excelência
Este e aquele são empregados quando se quer fazer re-
trouxe sua mensagem?
ferência a termos já mencionados; aquele se refere ao termo
referido em primeiro lugar e este para o referido por último:
4. Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi- Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Paulo;
vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus livros e este está mais bem colocado que aquele. (= este [São Paulo],
anotações. aquele [Palmeiras])
ou
5. Em algumas construções, os pronomes pessoais Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Paulo;
oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou seguir- aquele está mais bem colocado que este. (= este [São Paulo],
-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos) aquele [Palmeiras])

6. O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu, pró- Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou
prio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-lo, para invariáveis, observe:
que não ocorra redundância: Coloque tudo nos respectivos Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), aque-
lugares. la(s).
Invariáveis: isto, isso, aquilo.
1.8.3 PRONOMES DEMONSTRATIVOS Também aparecem como pronomes demonstrativos:
 o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que”
São utilizados para explicitar a posição de certa palavra e puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), aquilo.
em relação a outras ou ao contexto. Essa relação pode ser Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
de espaço, de tempo ou em relação ao discurso. Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te
A) Em relação ao espaço: indiquei.)
Este(s), esta(s) e isto = indicam o que está perto da pes-
soa que fala:  mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s): va-
Este material é meu. riam em gênero quando têm caráter reforçativo:
Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem.
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o que está perto da pes- Eu mesma refiz os exercícios.
soa com quem se fala: Elas mesmas fizeram isso.
Esse material em sua carteira é seu? Eles próprios cozinharam.
Os próprios alunos resolveram o problema.

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LÍNGUA PORTUGUESA

 semelhante(s): Não tenha semelhante atitude. Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va-
riáveis e invariáveis. Observe:
 tal, tais: Tal absurdo eu não cometeria.  Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco,
vário, tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita,
pouca, vária, tanta, outra, quanta, qualquer, quaisquer*, al-
#FicaDica guns, nenhuns, todos, muitos, poucos, vários, tantos, outros,
quantos, algumas, nenhumas, todas, muitas, poucas, várias,
1. Em frases como: O referido deputado e o Dr. tantas, outras, quantas.
Alcides eram amigos íntimos; aquele casado,  Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo,
solteiro este. (ou então: este solteiro, aquele nada, algo, cada.
casado) - este se refere à pessoa mencionada
em último lugar; aquele, à mencionada em *Qualquer é composto de qual + quer (do verbo que-
primeiro lugar. rer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra cujo plu-
2. O pronome demonstrativo tal pode ter ral é feito em seu interior).
conotação irônica: A menina foi a tal que
ameaçou o professor? Todo e toda no singular e junto de artigo significa intei-
3. Pode ocorrer a contração das preposições a, ro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as:
de, em com pronome demonstrativo: àquele, Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira)
àquela, deste, desta, disso, nisso, no, etc: Não Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades)
acreditei no que estava vendo. (no = naquilo) Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro)
Trabalho todo dia. (= todos os dias)

1.8.4 PRONOMES INDEFINIDOS São locuções pronominais indefinidas: cada qual, cada
um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer (que), seja
São palavras que se referem à 3.ª pessoa do discurso, quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal qual (= certo),
dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando quan- tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc.
tidade indeterminada. Cada um escolheu o vinho desejado.
Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-
-plantadas. 1.8.5 PRONOMES RELATIVOS
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa
de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma São aqueles que representam nomes já mencionados
imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser hu- anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem
mano que seguramente existe, mas cuja identidade é des- as orações subordinadas adjetivas.
conhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em: O racismo é um sistema que afirma a superioridade de
A) Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o um grupo racial sobre outros.
lugar do ser ou da quantidade aproximada de seres na fra- (afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros
se. São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, = oração subordinada adjetiva).
ninguém, outrem, quem, tudo.
Algo o incomoda? O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema”
Quem avisa amigo é. e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra
“sistema” é antecedente do pronome relativo que.
B) Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um O antecedente do pronome relativo pode ser o prono-
ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quantida- me demonstrativo o, a, os, as.
de aproximada. São eles: cada, certo(s), certa(s). Não sei o que você está querendo dizer.
Cada povo tem seus costumes. Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem
Certas pessoas exercem várias profissões. expresso.
Quem casa, quer casa.
Note que:
Observe:
Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora pro-
Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os
nomes indefinidos adjetivos:
quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas,
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos),
quantas.
demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns,
Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer,
quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s),
tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias.
Menos palavras e mais ações.
Alguns se contentam pouco.

43
LÍNGUA PORTUGUESA

NOTE QUE: Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou


O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego, em que: Sinto saudades da época em que (quando) moráva-
sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser subs- mos no exterior.
tituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando seu
antecedente for um substantivo. Podem ser utilizadas como pronomes relativos as pa-
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual) lavras:
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a  como (= pelo qual) – desde que precedida das
qual) palavras modo, maneira ou forma:
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os Não me parece correto o modo como você agiu semana
quais) passada.
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as
quais)  quando (= em que) – desde que tenha como an-
tecedente um nome que dê ideia de tempo:
O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente Bons eram os tempos quando podíamos jogar videoga-
pronomes relativos, por isso são utilizados didaticamente me.
para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que
podem ter várias classificações) são pronomes relativos. Os pronomes relativos permitem reunir duas orações
Todos eles são usados com referência à pessoa ou coisa numa só frase.
por motivo de clareza ou depois de determinadas preposi- O futebol é um esporte. / O povo gosta muito deste es-
ções: Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, porte.
o qual me deixou encantado. O uso de “que”, neste caso, = O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.
geraria ambiguidade. Veja: Regressando de São Paulo, visitei
o sítio de minha tia, que me deixou encantado (quem me Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode
deixou encantado: o sítio ou minha tia?). ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas gente que conversava, (que) ria, observava.
dúvidas? (com preposições de duas ou mais sílabas utiliza-
-se o qual / a qual)
1.8.6 PRONOMES INTERROGATIVOS
São usados na formulação de perguntas, sejam elas di-
O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e
retas ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos,
se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou
referem-se à 3.ª pessoa do discurso de modo impreciso.
de ser poeta, que era a sua vocação natural.
São pronomes interrogativos: que, quem, qual (e variações),
O pronome “cujo”: exprime posse; não concorda com o
quanto (e variações).
seu antecedente (o ser possuidor), mas com o consequente
Com quem andas?
(o ser possuído, com o qual concorda em gênero e núme-
ro); não se usa artigo depois deste pronome; “cujo” equiva- Qual seu nome?
le a do qual, da qual, dos quais, das quais. Diz-me com quem andas, que te direi quem és.
Existem pessoas cujas ações são nobres.
(antecedente) (consequente) #FicaDica
Se o verbo exigir preposição, esta virá antes do prono- O pronome pessoal é do caso reto quando tem
me: O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui! (referiu-se função de sujeito na frase. O pronome pessoal
a) é do caso oblíquo quando desempenha função
de complemento.
“Quanto” é pronome relativo quando tem por antece- 1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
dente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo: 2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se
Emprestei tantos quantos foram necessá- devia lhe ajudar.
rios.
(antecedente)
Ele fez tudo quanto havia Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele”
falado. exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso
(antecedente) reto. Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce função
O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre de complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo.
precedido de preposição. Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso.
É um professor a quem muito O pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para
devemos. a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se
(preposição) devia ajudar... Ajudar quem? Você (lhe).
Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou
“Onde”, como pronome relativo, sempre possui ante- tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição,
cedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A diferentemente dos segundos, que são sempre precedidos
casa onde morava foi assaltada. de preposição.

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LÍNGUA PORTUGUESA

A) Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que  A próclise é obrigatória quando se utiliza o pro-
eu estava fazendo. nome reto ou sujeito expresso: Eu lhe entregarei o material
B) Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para amanhã. / Tu sabes cantar?
mim o que eu estava fazendo.
1.2 Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS verbo. A mesóclise é usada:
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Quando o verbo estiver no futuro do presente ou fu-
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- turo do pretérito, contanto que esses verbos não estejam
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São precedidos de palavras que exijam a próclise. Exemplos:
Paulo: Saraiva, 2010. Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- prol da paz no mundo.
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. Repare que o pronome está “no meio” do verbo “reali-
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, zará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração alguma pa-
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira lavra que justificasse o uso da próclise, esta prevaleceria.
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – Veja: Não se realizará...
São Paulo: Saraiva, 2002. Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia
SITE nessa viagem.
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf42. (com presença de palavra que justifique o uso de pró-
php clise: Não fossem os meus compromissos, EU te acompa-
nharia nessa viagem).
1. Colocação Pronominal
Colocação Pronominal trata da correta colocação dos 1.3 Ênclise = É a colocação pronominal depois do ver-
pronomes oblíquos átonos na frase. bo. A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não
forem possíveis:
 Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:
Quando eu avisar, silenciem-se todos.
#FicaDica  Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal:
Não era minha intenção machucá-la.
Pronome Oblíquo é aquele que exerce a
 Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não
função de complemento verbal (objeto). Por
se inicia período com pronome oblíquo).
isso, memorize:
Vou-me embora agora mesmo.
OBlíquo = OBjeto!
Levanto-me às 6h.
 Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo
no concurso, mudo-me hoje mesmo!
Embora na linguagem falada a colocação dos prono-  Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a
mes não seja rigorosamente seguida, algumas normas de- proposta fazendo-se de desentendida.
vem ser observadas na linguagem escrita.
COLOCAÇÃO PRONOMINAL NAS LOCUÇÕES
1.1 Próclise = É a colocação pronominal antes do ver- VERBAIS
bo. A próclise é usada:
 Quando o verbo estiver precedido de palavras  Após verbo no particípio = pronome depois do
que atraem o pronome para antes do verbo. São elas: verbo auxiliar (e não depois do particípio):
A) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém, Tenho me deliciado com a leitura!
jamais, etc.: Não se desespere! Eu tenho me deliciado com a leitura!
B) Advérbios: Agora se negam a depor. Eu me tenho deliciado com a leitura!
C) Conjunções subordinativas: Espero que me expli-  Não convém usar hífen nos tempos compostos e
quem tudo! nas locuções verbais:
D) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se es- Vamos nos unir!
forçou. Iremos nos manifestar.
E) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a oportuni-  Quando há um fator para próclise nos tempos
dade. compostos ou locuções verbais: opção pelo uso do pro-
F) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito. nome oblíquo “solto” entre os verbos = Não vamos nos
 Orações iniciadas por palavras interrogativas: preocupar (e não: “não nos vamos preocupar”).
Quem lhe disse isso?
 Orações iniciadas por palavras exclamativas: EMPREGO DE O, A, OS, AS
Quanto se ofendem!  Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral,
 Orações que exprimem desejo (orações optati- os pronomes: o, a, os, as não se alteram.
vas): Que Deus o ajude. Chame-o agora.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Deixei-a mais tranquila.


 Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoan- ANOTAÇÕES
tes finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos:
(Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.
(Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa. ___________________________________________________
 Em verbos terminados em ditongos nasais (am,
em, ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se para no, ___________________________________________________
na, nos, nas.
Chamem-no agora.
___________________________________________________
Põe-na sobre a mesa. ___________________________________________________

#FicaDica ___________________________________________________
Dica da Zê!
Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que significa ___________________________________________________
“antes”! Pronome antes do verbo! ___________________________________________________
Ênclise – “en” lembra, pelo “som”, /Ənd/ (end, em In-
glês – que significa “fim, final!). Pronome depois do verbo! ___________________________________________________
Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do verbo
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ___________________________________________________
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. ___________________________________________________
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce- ___________________________________________________
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010. ___________________________________________________

SITE ___________________________________________________
http://www.portugues.com.br/gramatica/colocacao-
-pronominal-.html
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Observação: Não foram encontradas questões abran-
gendo tal conteúdo. ___________________________________________________

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NOÇÕES DE DIREITO PENAL

- Aplicação da Lei penal......................................................................................................................................................................................... 01


Teoria Geral do Crime. Tipicidade, ilicitude e culpabilidade.................................................................................................................... 05
Concurso de pessoas.............................................................................................................................................................................................. 16
Concurso de Crimes. .............................................................................................................................................................................................. 16
Imputabilidade penal.............................................................................................................................................................................................. 16
Espécies de crimes: crimes contra a pessoa;.................................................................................................................................................. 17
crimes contra o patrimônio;................................................................................................................................................................................. 24
crimes contra os costumes;.................................................................................................................................................................................. 35
crimes contra a família;.......................................................................................................................................................................................... 38
crimes contra a paz pública; crimes contra a saúde pública;.................................................................................................................. 39
crimes contra a fé pública;.................................................................................................................................................................................... 41
crimes contra a administração pública............................................................................................................................................................ 44
Leis extravagantes: Lei de tortura (9.455/97);................................................................................................................................................ 51
Lei de entorpecente (Lei 6.368/76);................................................................................................................................................................... 53
Lei de abuso de autoridade (4.898/65);........................................................................................................................................................... 68
estatuto da criança e do adolescente (Lei 8.069/90);................................................................................................................................. 73
código de trânsito brasileiro (Lei 9.503/97);................................................................................................................................................127
Lei dos juizados especiais criminais (Lei 9.099/95);...................................................................................................................................142
dos crimes contra o meio ambiente (Lei 9.605/98);..................................................................................................................................154
dos crimes contra o consumidor (Lei 8.078);...............................................................................................................................................162
crimes de lavagem de dinheiro (Lei 9.613/98);...........................................................................................................................................180
estatuto do desarmamento (Lei 10.826/03);................................................................................................................................................186
crimes hediondos (Lei 8.072/90).......................................................................................................................................................................193
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Lugar do crime

- APLICAÇÃO DA LEI PENAL. Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em


que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem
como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.

A APLICAÇÃO DA LEI PENAL Extraterritorialidade

Dispõe o Código Penal: Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometi-
dos no estrangeiro:
PARTE GERAL I - os crimes:
TÍTULO I a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da Re-
DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL pública;
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do
Anterioridade da Lei Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de
empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina.
ou fundação instituída pelo Poder Público;
Não há pena sem prévia cominação legal.
c) contra a administração pública, por quem está a seu
serviço;
Lei penal no tempo
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei domiciliado no Brasil;
posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude II - os crimes:
dela a execução e os efeitos penais da sentença condena- a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou
tória. a reprimir;
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer b) praticados por brasileiro;
modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, c) praticados em aeronaves ou embarcações brasilei-
ainda que decididos por sentença condenatória transitada ras, mercantes ou de propriedade privada, quando em ter-
em julgado. ritório estrangeiro e aí não sejam julgados.
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segun-
Lei excepcional ou temporária do a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no
estrangeiro.
Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora de- § 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira
corrido o período de sua duração ou cessadas as circuns- depende do concurso das seguintes condições:
tâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado a) entrar o agente no território nacional;
durante sua vigência. b) ser o fato punível também no país em que foi pra-
ticado;
Tempo do crime c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei
brasileira autoriza a extradição;
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou
da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do não ter aí cumprido a pena;
resultado.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984) e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou,
por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segun-
Territorialidade do a lei mais favorável.
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de con-
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime co-
venções, tratados e regras de direito internacional, ao crime
metido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se,
cometido no território nacional. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 1984) reunidas as condições previstas no parágrafo anterior:
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como ex- a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
tensão do território nacional as embarcações e aeronaves b) houve requisição do Ministro da Justiça.
brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo
brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as ae- Pena cumprida no estrangeiro
ronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de pro-
priedade privada, que se achem, respectivamente, no espa- Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a
ço aéreo correspondente ou em alto-mar. (Redação dada pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diver-
pela Lei nº 7.209, de 1984) sas, ou nela é computada, quando idênticas.
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes pra- Eficácia de sentença estrangeira
ticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras
de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da
território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspon- lei brasileira produz na espécie as mesmas consequências,
dente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil. pode ser homologada no Brasil para:

1
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

I - obrigar o condenado à reparação do dano, a resti- Interpretação quanto ao resultado


tuições e a outros efeitos civis;
II - sujeitá-lo a medida de segurança. declarativa ou declaratória- é aquela em que a letra
Parágrafo único - A homologação depende: a) para da lei corresponde exatamente àquilo que a ela quis dizer,
os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte inte- sem restringir ou estender seu sentido;
ressada; restritiva- a interpretação reduz o alcance das palavras
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de da lei para corresponder à intenção do legislador;
extradição com o país de cuja autoridade judiciária ema- extensiva- amplia o alcance das palavras da lei para
nou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do corresponder à sua vontade.
Ministro da Justiça.
Interpretação sui generis
Contagem de prazo
A interpretação sui generis pode ser exofórica ou en-
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do dofórica. Veja-se:
prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calen-
dário comum. exofórica- o significado da norma interpretativa não
está no ordenamento normativo (exemplo: erro de tipo);
Frações não computáveis da pena endofórica- o texto normativo interpretado empresta o
sentido de outros textos do próprio ordenamento jurídico
Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liber- (muito usada nas normas penais em branco).
dade e nas restritivas de direitos, as frações de dia, e, na
pena de multa, as frações de cruzeiro. Interpretação conforme a Constituição
Legislação especial A Constituição Federal informa e conforma as normas
hierarquicamente inferiores. Esta é uma importante forma
Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos de interpretação no Estado Democrático de Direito.
fatos incriminados por lei especial, se esta não dispuser de
modo diverso.
Distinção entre interpretação extensiva e interpretação
analógica
Interpretação da Lei Penal
A interpretação é medida necessária para que com-
Enquanto a interpretação extensiva amplia o alcance
preendamos o verdadeiro sentido da norma e seu alcance.
das palavras, a analógica fornece exemplos encerrados de
Na interpretação, há lei para regular o caso em con-
forma genérica, permitindo ao juiz encontrar outras hipó-
creto, assim, apenas deverá ser extraído do conteúdo nor-
teses, funcionando como uma analogia in malan partem
mativo sua vontade e seu alcance para que possa regular
o fato jurídico. admitida pela lei.

1. Interpretação quanto ao sujeito Rogério Greco fala em interpretação extensiva em sen-


Autêntica ou legislativa- aquela fornecida pela própria tido amplo, a qual abrange a interpretação extensiva em
lei (exemplo: o art. 327 do CP define quem pode ser consi- sentido estrito e interpretação analógica.
derado funcionário público para fins penais);
doutrinária ou científica- aquela aduzida pelo jurista Analogia
por meio de sua doutrina;
Jurisprudencial- é o significado da lei dado pelos Tri- Analogia não é forma de interpretação, mas de inte-
bunais (exemplo: súmulas) Ressalte-se que a Exposição gração de lacuna, ou seja, sendo omissa a lei acerca do
dos Motivos do Código Penal configura uma interpretação tema, ou ainda em caso da Lei não tratar do tema em espe-
doutrinária, pois foi elaborada pelos doutos que criaram o cífico o magistrado irá recorrer ao instituto. São pressupos-
Código, ao passo que a Exposição de Motivos do Código tos da analogia: certeza de que sua aplicação será favorável
de Processo Penal é autêntica ou legislativa, pois foi criada ao réu; existência de uma efetiva lacuna a ser preenchida
por lei.2. Interpretação quanto ao modo (omissão involuntária do legislador).
- gramatical, filológica ou literal- considera o sentido
literal das palavras;
- teleológica- se refere à intenção objetivada pela lei Irretroatividade da Lei Penal
(exemplo: proibir a entrada de acessórios de celular, mes-
mo que a lei se refira apenas ao aparelho); Dita o Código Penal em seu artigo 2º:
- histórica- indaga a origem da lei;
- sistemática- interpretação em conjunto com a legis- Art. 2.“Ninguém pode ser punido por fato que lei pos-
lação em vigor e com os princípios gerais do direito; terior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela
- progressiva ou evolutiva- busca o significado legal a execução e os efeitos penais da sentença condenatória”.
de acordo com o progresso da ciência.

2
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

O parágrafo único do artigo trata da exceção a regra Em se tratando de extra-atividade da lei penal, obser-
da irretroatividade da Lei, ou seja, nos casos de benefício va-se a ocorrência das seguintes situações:
ao réu, ainda que os fatos já tenham sidos decididos por a) “Abolitio criminis” – trata-se da supressão da figu-
sentença condenatória transitada em julgado. ra criminosa;
Outrossim, o Código dispõe que a Lei Penal só retroa- b) “Novatio legis in melius” ou “lex mitior” – é a lei
girá em benefício do réu. penal mais benigna;
Frise-se todavia que tal regra restringe-se somente às Tanto a “abolitio criminis” como a “novatio legis in me-
normas penais. lius”, aplica-se o principio da retroatividade da Lei penal
mais benéfica.
Do Princípio da Legalidade
A Lei nº 11.106 de 28 de março de 2006 descriminalizou
Art. 1º Não há crime sem lei anterior que o defina. Não os artigos 217 e 240, do Código Penal, respectivamente, os
há pena sem prévia cominação legal. crimes de “sedução” e “adultério”, de modo que o sujeito
que praticou uma destas condutas em fevereiro de 2006,
Princípio: Nullum crimen, nulla poena sine praevia lege por exemplo, não será responsabilizado na esfera penal.
Segundo a maior parte da doutrina, a Lei nº 11.106
Constituição Federal, art. 5º, XXXIX. de 28 de março de 2006, não descriminalizou o crime de
rapto, previsto anteriormente no artigo 219 e seguintes do
Princípio da legalidade: a maioria dos nossos autores Código Penal, mas somente deslocou sua tipicidade para
considera o princípio da legalidade sinônimo de reserva o artigo 148 e seguintes (“sequestro” e “cárcere privado”),
legal. houve, assim, uma continuidade normativa atípica.
A “abolitio criminis” faz cessar a execução da pena e
A doutrina, orienta-se maciçamente no sentido de não todos os efeitos penais da sentença.
haver diferença conceitual entre legalidade e reserva legal. A Lei 9.099/99 trouxe novas formas de substituição de
Dissentindo desse entendimento o professor Fernando Ca- penas e, por consequência, considerando que se trata de
pez diz que o princípio da legalidade é gênero que com- “novatio legis in melius” ocorreu retroatividade de sua vi-
preende duas espécies: reserva legal e anterioridade da lei gência a fatos anteriores a sua publicação.
penal. Com efeito, o princípio da legalidade corresponde
aos enunciados dos arts. 5º, XXXIX, da Constituição Federal c) “Novatio legis in pejus” – é a lei posterior que
e 1º do Código Penal (“não há crime sem lei anterior que o agrava a situação;
defina, nem pena sem prévia cominação legal”) e contém, d) “Novatio legis incriminadora” – é a lei posterior
nele embutidos, dois princípios diferentes: o da reserva le- que cria um tipo incriminador, tornando típica a conduta
gal, reservando para o estrito campo da lei a existência do antes considerada irrelevante pela lei penal.
crime e sua correspondente pena (não há crime sem lei A lei posterior não retroage para atingir os fatos prati-
que o defina, nem pena sem prévia cominação legal), e o cados na vigência da lei mais benéfica (“Irretroatividade da
da anterioridade, exigindo que a lei esteja em vigor no mo- lei penal”). Contudo, haverá extratividade da lei mais bené-
mento da prática da infração penal (lei anterior e prévia co- fica, pois será válida mesmo após a cessação da vigência
minação). Assim, a regra do art. 1º, denominada princípio (Ultratividade da Lei Penal).
da legalidade, compreende os princípios da reserva legal e Ressalta-se, por fim, que aos crimes permanentes e
da anterioridade. continuados, aplica-se a lei nova ainda que mais grave, nos
termos da Súmula 711 do STF.
LEI PENAL NO TEMPO
A lei penal não pode retroagir, o que é denominado Do Tempo Do Crime
como irretroatividade da lei penal. Contudo, exceção à nor- Artigo 4º, do Código Penal
ma, a Lei poderá retroagir quando trouxer benefício ao réu.
A respeito do tempo do crime, existem três teorias:
Em regra, aplica-se a lei penal a fatos ocorridos durante a) Teoria da Atividade – O tempo do crime consiste no
sua vigência, porém, por vezes, verificamos a “extrativida- momento em que ocorre a conduta criminosa;
de” da lei penal. b) Teoria do Resultado – O tempo do crime consiste
A extratividade da lei penal se manifesta de duas ma- no momento do resultado advindo da conduta criminosa;
neiras, ou pela ultratividade da lei ou retroatividade da lei. c) Teoria da Ubiquidade ou Mista – O tempo do crime
Assim, considerando que a extra atividade da lei penal consiste no momento tanto da conduta como do resultado
é o seu poder de regular situações fora de seu período de que adveio da conduta criminosa.
vigência, podendo ocorrer seja em relação a situações pas- O Artigo 4º do Código Penal dispõe que:
sadas, seja em relação a situações futuras. Artigo 4º: Considera-se praticado o crime no momento
Quando a lei regula situações passadas, fatos anterio- da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do
res a sua vigência, ocorre a denominada retroatividade. Já, resultado (Tempus regit actum). Assim, aplica-se a teoria
se sua aplicação se der para fatos após a cessação de sua da atividade, nos termos do sistema jurídico instituído pelo
vigência, será chamada ultratividade. Código Penal.

3
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

O Código Penal vigente seguiu os moldes do Código O Território nacional abrange todo o espaço em que
Penal português em que também é adotada a Teoria da o Estado exerce sua soberania: o solo, rios, lagos, mares
Atividade para o tempo do crime. Em decorrência disso, interiores, baías, faixa do mar exterior ao longo da costa (12
aquele que praticou o crime no momento da vigência da milhas) e espaço aéreo.
lei anterior terá direito a aplicação da lei mais benéfica.
O menor de 18 anos, por exemplo, não será considerado Os § 1º e 2º do art. 5ºdo Código Penal esclarecem ain-
imputável mesmo que a consumação ocorrer quando ti- da que:
ver completado idade equivalente a maioridade penal. E,
também, o deficiente mental será imputável, se na época “Para os efeitos penais, consideram-se como extensão
da ação era consciente, tendo sofrido moléstia mental tão do território nacional as embarcações e aeronaves brasilei-
somente na época do resultado. ras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro
Novamente, observa-se a respeito dos crimes perma- onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e
nentes, tal como o sequestro, nos quais a ação se prolonga as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade
no tempo, de modo que em se tratando de “novatio legis privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo
in pejus”, nos termos da Súmula 711 do STF, a lei mais gra- correspondente ou em alto-mar” (§ 1º).
ve será aplicada.
“É também aplicável a lei brasileira aos crimes prati-
Lei Excepcional ou Temporária cados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras
(art. 3º do Código Penal) de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no
território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspon-
Lei excepcional é aquela feita para vigorar em épocas dente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil” (§ 2º).
es¬peciais, como guerra, calamidade etc. É aprovada para
vigorar enquanto perdurar o período excepcional. Extraterritorialidade
(art. 7º do Código Penal)
Lei temporária é aquela feita para vigorar por deter-
minado tempo, estabelecido previamente na própria lei. É a possibilidade de aplicação da lei penal brasileira a
Assim, a lei traz em seu texto a data de cessação de sua fatos criminosos ocorridos no exterior.
vigência.
Princípios norteadores:
Nessas hipóteses, determina o art. 3º do Código Penal a) Princípio da nacionalidade ativa. Aplica-se a lei na-
que, embora cessadas as circunstâncias que a determina- cional do autor do crime, qualquer que tenha sido o local
ram (lei excepcional) ou decorrido o período de sua dura- da infração.
ção (lei temporária), aplicam-se elas aos fatos praticados b) Princípio da nacionalidade passiva. A lei nacional do
durante sua vigência. São, portanto, leis ultra-ativas, pois autor do crime aplica-se quando este for praticado contra
regulam atos praticados durante sua vigência, mesmo após bem jurídico de seu próprio Estado ou contra pessoa de
sua revogação. sua nacionalidade.
c) Princípio da defesa real. Prevalece a lei referente à
LEI PENAL NO ESPAÇO nacionalidade do bem jurídico lesado, qualquer que tenha
Territorialidade sido o local da infração ou a nacionalidade do autor do
(art. 5º do Código Penal) delito. É também chamado de princípio da proteção.
d) Princípio da justiça universal. Todo Estado tem o di-
Há várias teorias para fixar o âmbito de aplicação da reito de punir qualquer crime, seja qual for a nacionalidade
norma penal a fatos cometidos no Brasil: do sujeito ativo e passivo, e o local da infração, desde que
o agente esteja dentro de seu território (que tenha voltado
a) Princípio da territorialidade. A lei penal só tem apli- a seu país, p. ex.).
cação no território do Estado que a editou, pouco impor- e) Princípio da representação. A lei nacional é aplicá-
tando a nacionalidade do sujeito ativo ou passivo. vel aos crimes cometidos no estrangeiro em aeronaves e
embarcações privadas, desde que não julgados no local do
b) Princípio da territorialidade absoluta. Só a lei nacio- crime.
nal é aplicável a fatos cometidos em seu território. Já vimos que o princípio da territorialidade temperada
c) Princípio da territorialidade temperada. A lei nacio- é a regra em nosso direito, cujas exceções se iniciam no
nal se aplica aos fatos praticados em seu território, mas, próprio art. 5º (decorrentes de tratados e convenções, nas
excepcionalmente, permite-se a aplicação da lei estrangei- quais a lei estrangeira pode ser aplicada a fato cometido
ra, quando assim estabelecer algum tratado ou convenção no Brasil). O art. 7º, por sua vez, traça as seguintes regras
internacional. Foi este o princípio adotado pelo art. 5º do referentes à aplicação da lei nacional a fatos ocorridos no
Código Penal: Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de exterior:
convenções, tratados e regras de direito internacional, ao
crime cometido no território nacional. O art. 7º, por sua vez, traça as seguintes regras referen-
tes à aplicação da lei nacional a fatos ocorridos no exterior:

4
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no


estrangeiro:
TEORIA GERAL DO CRIME. TIPICIDADE,
I - os crimes: ILICITUDE E CULPABILIDADE.
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da Re-
pública;
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do
Distri¬to Federal, de Estado, de Território, de Município, de O ato ilícito penal é tipificado pelo Direito Penal, ou
empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia seja, só pratica o ato ilícito penal gerador da responsabili-
ou fundação instituída pelo Poder Público; dade penal o indivíduo que contraria o tipo penal especí-
c) contra a administração pública, por quem está a seu- fico. Não podemos esquecer que tipo penal é a descrição
servIço; legal de uma conduta definida como crime. Quem diz que
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou do- um fato é crime e estabelece uma pena para a prática deste
miciliado no Brasil; é o legislador.
II - os crimes:
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou No Brasil é adotada formalmente, a teoria bipartida do
a reprimir; crime.
b) praticados por brasileiro; Destarte, conforme dispõe a Lei de Introdução ao Có-
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasilei- digo Penal, crime é a infração penal a que a Lei comine
ras, mercantes ou de propriedade privada, quando em ter- pena de reclusão ou detenção e multa, alternativa, cumu-
ritório es¬trangeiro e aí não sejam julgados. lativa ou isoladamente. Já contravenção é a infração a que
§ 1 Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a Lei comine pena de prisão simples e multa, alternativa,
a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no es- cumulativa ou isoladamente.
trangeiro Entretanto, tal conceito é extremamente precário, ca-
§ 2 Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira bendo à doutrina seu desenvolvimento.
depende do concurso das seguintes condições: O crime possui três conceitos principais, material, for-
a) entrar o agente no território nacional; mal e analítico.
b) ser o fato punível também no país em que foi prati- a) Conceito material: crime seria toda a ação ou omis-
cado; c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a são humana que lesa ou expõe a perigo de lesão bens ju-
lei brasileira autoriza a extradição; rídicos protegidos pelo Direito Penal, ou penalmente tute-
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou lados.
não ter aí cumprido a pena; b) Conceito formal ou jurídico: é aquilo que a Lei cha-
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, ma de crime. Está definido no art. 1º da Lei de Introdução
por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segun- do Código Penal. Crime é toda infração a que a Lei comina
do a lei mais favorável. pena de reclusão ou detenção e multa, isolada, cumula-
§ 3º A lei brasileira aplica-se também ao crime cometi- tiva ou alternativamente. De acordo com este conceito, a
do por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reu- diferença seria apenas quantitativa, relativa à quantidade
nidas as condições previstas no parágrafo anterior: da pena;
a) não foi pedida ou foi negada a extradição; c) Conceito analítico: aqui se analisa todos os elemen-
b) houve requisição do Ministro da Justiça. tos que integram o crime. Crime é todo fato típico, antiju-
rídico (é melhor utilizar o termo ilícito, apesar de não fazer
Percebe-se, portanto, que: tanta diferença, já que fica mais fácil manejar o CP e as leis
a) no art. 72, I, a, b e c, foi adotado o princípio da defesa especiais quando há excludentes de ilicitude) e culpável
real; (alguns autores não consideram a culpabilidade como ele-
b) no art. 72, 11, a, foi adotado o princípio da justiça mento do crime, e sim como pressuposto da pena). Apesar
universal de ser indivisível, o crime é estudado de acordo com essas
c) no art. 72, 11, b, foi adotado o princípio da naciona- três características para facilitar sua compreensão. Elas se-
lidade ativa; rão analisadas mais adiante, após vermos as classificações
d) no art. 72, c, adotou-se o princípio da representação; de crime existentes.
e) no art. 72, § 32, foi também adotado o princípio da
defe¬sa real ou proteção; CRIME DOLOSO, CULPOSO OU PRETERDOLOSO (ou
Dos dispositivos analisados, pode-se perceber que a Preterintencional) e de Ímpeto
extraterritorialidade pode ser incondicionada (quando a lei a) Crime doloso: é o crime em que o agente quis ou
brasileira é aplicada a fatos ocorridos no exterior, sem que assumiu o risco de produzir o resultado. A regra geral é que
sejam exigidas condições) ou condicionada (quando a apli- todo crime seja doloso.
cação da lei pátria a fatos ocorridos fora de nosso território b) Crime preterdoloso: é o crime em que o resultado
depende da existência de certos requisitos). A extraterrito- delitivo é mais grave do que o querido pelo agente. Ele
rialidade é condicionada nas hipóteses do art. 7º, II e § 3º. praticou uma conduta dolosa, entretanto o resultado final
é culposo. Não se admite tentativa em crimes preterdolo-

5
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

sos. Há dolo na ação e culpa na consequência. Deve ha- Poder agir: o agente precisa ter a possibilidade física
ver uma expressa previsão legal do resultado culposo mais de agir.
grave. Se não houver, punir-se-á apenas o crime doloso ou, Evitabilidade do resultado: a conduta omitida pelo
se houver crime culposo após, haverá concurso formal, se este agente deve ser causa do resultado. Caso, mesmo com a
estiver previsto em Lei. conduta, o resultado tivesse se verificado, não haveria que
Todos os crimes preterdolosos são qualificados pelo re- se falar em evitabilidade.
sultado, porém, nem todo crime qualificado pelo resultado é Dever de impedir o resultado: aqui surge a figura do
preterdoloso (visto que o resultado qualificador pode ter sido garantidor: além de poder agir e da evitabilidade do resul-
desejado). tado, é necessário que o agente tenha o dever de agir que
São elementos do crime preterdoloso: surgirá nos seguintes casos:
i. Conduta dolosa visando determinado resultado (lesão a. Ter, por Lei, obrigação de cuidado, proteção ou vi-
corporal); gilância, como no caso do dever do policial, do dever de
ii. Resultado culposo mais grave que o desejado (seguida mútua assistência entre os cônjuges.
de morte); b. Quando o agente, de outra forma, assumir a respon-
iii. Nexo causal (artigo 129, § 3, CP); sabilidade de impedir o resultado de forma voluntária.
iv. Previsão na norma das elementares do consequente c. Quando o agente cria, com seu comportamento an-
culposo. terior, o risco da ocorrência do resultado, ou agrava um
Quando o resultado mais grave advém de caso fortuito risco já existente, e não o evita.
ou força maior não se imputa a agravação ao agente. O resul-
tado mais grave tem que ser pelo menos culposo. Crime Instantâneo, Permanente, Instantâneo de Efeitos
c) Crime culposo: é o crime ao qual o agente deu causa Permanentes, Eventualmente Permanente e de Fusão
por imprudência, negligência ou imperícia, não havendo em si a) Crime instantâneo: é o crime que se consuma num
qualquer desejo de praticar o resultado juridicamente repro- momento único e determinado do tempo, sem se protrair.
vável. O crime culposo só é possível em tipos penais que ex- V.g, invasão de domicílio, injúria etc.
pressamente o prevejam, como no homicídio. Quase de for- b) Crime permanente: são os crimes que se perpetuam,
ma absoluta, não se admite a tentativa nos crimes culposos. protraem durante o tempo, mesmo que seja curto, como
d) Crime de ímpeto: é o praticado sem premeditação. no caso do sequestro, estelionato previdenciário praticado
A vontade delituosa é repentina, sem preceder deliberação, pelo próprio segurado etc. Admitem flagrante enquanto
como ocorre com o homicídio praticado sob domínio de vio- não interrompida a consumação.
lenta emoção. c) Crime instantâneo de efeitos permanentes: é aquele
crime que se consuma num momento determinado, mas
Relevância da omissão seus efeitos perduram no tempo .
Crime Comissivo, Omissivo Próprio ou Comissivo por d) Crime eventualmente permanente: é o delito ins-
Omissão tantâneo que, em caráter excepcional, pode realizar-se de
a) Crime comissivo: crime comissivo é aquele em que modo a lesionar o bem jurídico de maneira permanente.
o agente realiza uma ação positiva visando a um resultado e) Crime de fusão: é o crime que pressupõe a prática de
ilícito. Crime comissivo não se confunde, por evidente, com outro, como nos casos dos crimes de lavagem de dinheiro
crime material, já que pode não haver qualquer resultado na- e de receptação.
turalístico. Por exemplo, é comissivo o crime de injúria, mas
não é material. O importante é uma conduta da pessoa livre e Crime de Dano e de Perigo
consciente que lhe retire do estado de inércia. a) Crime de dano: crime em que é necessário haver
b) Crime omissivo próprio ou puro: são crimes em que uma efetiva lesão ao bem jurídico (lesão perceptível no
a própria omissão já é prevista no tipo penal, sendo ela uma mundo fático) para se caracterizar, como no caso do furto.
elementar, a única forma de se realizar a conduta criminosa. b) Crime de perigo: crime em que a simples ameaça ao
Nesses crimes omissivos basta a abstenção, é suficiente a de- bem jurídico já é abominada, justificando, assim, sua pe-
sobediência ao dever de agir para que o delito se consume. O nalização.
resultado que eventualmente surgir dessa omissão será irre- Subdivide-se em crime de perigo concreto, crime de
levante para a consumação do crime, podendo apenas con- perigo abstrato e crime de perigo concreto-abstrato.
figurar uma majorante ou qualificadora. O agente desobede- i. Crimes de perigo abstrato: Nos crimes de perigo
ce a uma norma mandamental, norma esta que determina abstrato, como o perigo não é elemento do tipo, não se
a prática de uma conduta subentendida no tipo, que não é precisa provar. Só se tem de provar o que é elementar do
realizada. crime e o perigo não é elementar do crime porque ele não
c) Crime comissivo por omissão, omissivo impróprio ou é requerido no tipo pelo legislador. Consequência: basta
impuro: são os crimes em que o agente produz o resultado praticar a ação e se presume que ela é sempre perigosa.
pela própria omissão, após ter assumido o dever de evitá-lo Haveria então uma presunção iure et de iure de perigo pela
ou outras das causas previstas no CP. É previsto no § 2º do simples realização da conduta tipificada na norma. É o caso
artigo 13 do Código Penal, segundo o qual “a omissão é pe- de dirigir embriagado em via pública.
nalmente relevante quando o agente devia e podia agir para ii. Crimes de perigo concreto: e os crimes de perigo
evitar o resultado. Poderão ser tanto dolosos quanto cul- concreto? Neles o legislador faz referência no tipo ao pe-
posos, admitem tentativa etc. São pressupostos do crime rigo. Normalmente a forma de redigir um tipo de perigo
omissivo impróprio: concreto é assim: “expor a perigo iminente”.

6
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

O perigo então é elementar do tipo e, por isso, tem que Crime Material, Formal e de Mera Conduta ou de Ati-
ser provado. Nesses crimes será possível que a conduta se vidade
realize e o perigo não seja causado. a) Crime material: é o crime cujo tipo penal descreve
iii. Crimes de perigo abstrato-concreto crimes de inido- uma conduta e um resultado, o qual necessariamente deve
neidade crimes de perigo idôneo crimes de perigo hipoté- ser verificado, sob pena de se constituir em mera tentativa.
tico: são aqueles em que a conduta analisada ex ante pelo Exemplo: homicídio. A conduta é matar; o resultado é a
legislador é considerada perigosa ao bem jurídico segundo morte. Caso a vítima não morra, não existe homicídio.
um juízo de probabilidade do dano. Não exige demonstra- b) Crime formal ou de consumação antecipada: é o cri-
ção de risco ao bem. Também não coloca como elementar me em que, mesmo sendo possível um resultado naturalís-
no tipo incriminador. Não coloca no tipo incriminador a tico que lese o bem jurídico, o tipo penal adianta a punição
exigência de perigo. Não se diferencia muito cabalmente aos atos de consumação. Exemplo: extorsão: a simples prá-
dos crimes de perigo abstrato. Nos dois há ponto comum: tica da constrição já faz o delito se consumar, independen-
periculosidade geral. temente da pessoa auferir ou não a vantagem indevida.
c) Crime de mera conduta ou de atividade: nesses cri-
Crimes de Perigo Abstrato: Aprofundamentos mes, não só não há resultado naturalístico como é impos-
Apesar da existência de ampla controvérsia doutriná- sível que este aconteça. O tipo penal descreve a conduta
ria, os crimes de perigo abstrato podem ser identificados proibida, quase sempre de perigo abstrato. Exemplo clás-
como aqueles em que não se exige nem a efetiva lesão ao sico é o porte de arma sem autorização. O simples portar
bem jurídico protegido pela norma nem a configuração do arma em nada modifica o mundo real.
perigo em concreto a esse bem jurídico.
Nessa espécie de delito, o legislador penal não toma Crime Unissubjetivo e Plurissubjetivo
como pressuposto da criminalização a lesão ou o perigo a) Crime unissubjetivo: é o crime que pode ser prati-
de lesão concreta a determinado bem jurídico. Baseado em cado por qualquer pessoa, sozinha, sem auxílio. Em regra,
dados empíricos, o legislador seleciona grupos ou classes todo crime é unissubjetivo.
de ações que geralmente levam consigo o indesejado pe- b) Crime plurissubjetivo: é o crime para cuja realização
necessita-se de pelo menos duas pessoas, como a bigamia
rigo ao bem jurídico.
e a formação de quadrilha. Pode ser de condutas conver-
Assim, os tipos de perigo abstrato descrevem ações
gentes, contrapostas ou paralelas.
que, segundo a experiência, produzem efetiva lesão ou pe-
rigo de lesão a um bem jurídico digno de proteção penal,
Crime Unissubsistente, Plurissubsistente e Pluriofensi-
ainda que concretamente essa lesão ou esse perigo de le-
vo
são não venham a ocorrer. O legislador, dessa forma, for-
a) Crime unissubsistente: é o crime cuja consumação
mula uma presunção absoluta a respeito da periculosidade
ocorre mediante um único ato, não sendo admitido seu
de determinada conduta em relação ao bem jurídico que
fracionamento, sendo impossível a tentativa. A conduta se
pretende proteger. O perigo, nesse sentido, não é concre- esgota com a concretização do delito. V.g., injúria, calúnia
to, mas apenas abstrato. Não é necessário, portanto, que, e difamação na forma verbal. Neles não há um iter criminis
no caso concreto, a lesão ou o perigo de lesão venham a perfeito, a pessoa não tem a possibilidade de arrependi-
se efetivar. O delito estará consumado com a mera conduta mento eficaz.
descrita no tipo. b) Crime plurissubsistente: é o crime para cuja consu-
mação podem ser realizados mais de um ato, como no ho-
A atividade legislativa de produção de tipos de perigo micídio. Entretanto, esse crime poderá ser realizado com
abstrato, por isso, deve ser objeto de rígida fiscalização a apenas um ato. A diferença para o unissubsistente é que
respeito da sua constitucionalidade; especificamente, so- aquele somente poderá, necessariamente, ser realizado
bre sua adequação ao princípio da proporcionalidade. A apenas com um ato. Logo, em regra os crimes são plu-
criação de crimes de perigo abstrato não representa, por rissubsistentes. Exatamente por isso, a conduta pode ser
si só, comportamento inconstitucional por parte do legis- fracionada, permitindo a tentativa.
lador penal. A tipificação de condutas que geram perigo c) Crime pluriofensivo: é o que lesa ou expõe a perigo
em abstrato, muitas vezes, acaba sendo a melhor alterna- de dano mais de um bem jurídico.
tiva, ou a medida mais eficaz, para proteção de bens jurí-
dico-penais supraindividuais ou de caráter coletivo, como Crime Comum, Próprio, Próprio Impuro, Bipróprio, de
o meio ambiente, por exemplo. A antecipação da prote- Mão Própria e de Acumulação
ção penal em relação à efetiva lesão torna mais eficaz, em a) Crime comum: é o crime que pode ser praticado por
muitos casos, a proteção do bem jurídico. Portanto, pode qualquer pessoa, independentemente de alguma qualida-
o legislador, dentro de suas amplas margens de avaliação de especial que ela tenha.
e de decisão, definir quais as medidas mais adequadas e b) Crime próprio: é o crime que somente pode ser pra-
necessárias para a efetiva proteção de determinado bem ticado por uma pessoa que detenha determinada caracte-
jurídico, o que lhe permite escolher espécies de tipificação rística, como no caso do peculato, em que o agente deve,
próprias de um direito penal preventivo. necessariamente, ser servidor público. Também se analisa a
propriedade do crime com base numa característica espe-

7
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

cial do sujeito passivo. Essa classificação também é chama- objetiva temperada, só seria de se reconhecer o crime im-
da de crimes especiais próprios. Se for exigida caracterís- possível, por exemplo, após a arma utilizada para um roubo
tica especial tanto do agente quanto da vítima, fala-se em ser periciada. Se chegar à conclusão de que a arma que foi
crime duplamente próprio. acionada não disparou e nunca dispararia por ser defei-
c) Crime próprio impuro: o crime próprio impuro é tuosa, seria caso de crime impossível. Porém, se essa arma,
aquele que, se desaparecer a qualidade particular do agen- uma vez apreendida e submetida à perícia, for revelada
te (que é exigida para configuração do crime próprio), de- como apta a produzir disparos, tendo o insucesso do rou-
saparece também o crime especial. Entretanto, ocorrerá bo decorrido unicamente de seu emperramento episódico,
a desclassificação da conduta para outro delito, que terá o meio será relativamente ineficaz, merecendo o agente,
natureza diversa. Assim, a falta de uma elementar torna pois, punição pela tentativa. Essa foi a opção adotada pelo
o crime próprio puro absolutamente atípico, enquanto o legislador brasileiro.
crime próprio impuro, relativamente atípico. Essa classifi-
cação também é chamada de crimes especiais impróprios . Teoria sintomática ou subjetiva: defende que o agente
d) Crime bipróprio: aquele que exige uma especial deve ser punido, mesmo em caso de crime impossível, por-
qualidade, tanto do sujeito ativo como do sujeito passivo que demonstrou periculosidade, disposição para agredir
do delito. um bem jurídico. Nesse caso, ele seria punido pela inten-
e) Crime de mão própria: é o crime em que o agente ção, e não por algum fato. Não é adotada no Brasil.
deve praticar a execução diretamente, não se admitindo a b) Crime putativo (delito de alucinação): no crime puta-
prática por interposta pessoa. V.g., bigamia, prática de atos tivo, o agente pratica uma conduta acreditando estar prati-
obscenos, falso testemunho. cando um ilícito penal, quando, de fato, sua ação não está
d) Crimes de acumulação: fruto de uma controversa tipificada.
tendência de política criminal voltada à prevenção de ilí- O crime putativo pode ocorrer nas seguintes hipóteses:
citos. Neles, o legislador incrimina uma conduta que, indi- -Crime putativo por erro de proibição: o agente acredi-
vidualmente considerada, não encerra um risco jurídico ao ta ofender uma lei penal que não existe realmente. A exis-
bem tutelado, mas se vier a ser praticada por um conjunto tência da lei incriminadora só existe na mente do agente,
grande de indivíduos, efetivamente lesará tal bem. recaindo o erro, portanto, sobre a ilicitude do fato.
-Crime putativo por erro de tipo: o crime imaginário
se verifica quando o autor acredita ofender uma lei penal
Crime Impossível e Putativo
incriminadora, mas os fatos revelam faltar uma elementar
a) Crime impossível, quase-crime, tentativa inidônea
do tipo. Ou seja, a lei penal existe, entretanto o fato não foi
ou tentativa inadequada: ocorre quando o agente se utiliza
típico. Aqui, há um erro sobre uma circunstância fática, e
de meio absolutamente ineficaz ou objeto absolutamente
não sobre uma questão jurídica.
impróprio para consumar o crime. É o caso da tentativa de
-Crime putativo por obra do agente provocador: deno-
homicídio dando-se um copo de água à vítima na expec-
minado crime de ensaio, crime de experiência ou flagrante
tativa de que ela venha a morrer (meio absolutamente ine- provocado, ocorre quando uma pessoa induz o agente a
ficaz) ou quando se tenta furtar a honra da vítima (objeto cometer uma conduta criminosa e, simultaneamente, ado-
absolutamente impróprio, honra não pode ser furtada). A ta medidas para impedir a consumação. Aqui, incide a sú-
relativa ineficácia do meio e a relativa impropriedade do mula 145 do STF: “Não há crime, quando a preparação do
objeto não afastam a configuração do crime. O crime im- flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação”.
possível deve ser analisado após a realização do fato, visto
que algo aparentemente inofensivo pode ter o efeito de Crime Vago, Remetido, Exaurido, Habitual e Habituali-
efetivamente gerar o crime. dade Criminosa
a) Crime vago, multivitimários ou de vítimas difusas:
Acerca do crime impossível há três teorias: crime praticado contra uma coletividade sem personalida-
de jurídica. Por exemplo, o crime de racismo.
Teoria objetiva pura: não distingue entre absoluta ou b) Crime remetido: ocorre quando a sua definição se
relativa impropriedade do objeto ou ineficácia do meio. A remete a outros crimes, que passam a integrá-lo (v.g., art.
teoria dispõe que, não importa saber, por exemplo, se a 304 - fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alte-
arma não funcionou porque nunca funcionaria, ou a arma rados a que se referem os arts. 297 a 302).
não funcionou naquele caso porque, por azar do autor, ela c) Crime exaurido : é aquele já consumado nos termos
emperrou, uma vez que em ambos os casos se estaria dian- da lei, embora possa ter desdobramentos posteriores que
te de um crime impossível. não influenciam no fato típico. Nele, o agente, mesmo após
ter consumado o delito, o leva a consequências mais le-
Teoria objetiva temperada: prima pela distinção entre sivas. Ocorre o exaurimento, v.g., na extorsão, quando o
absoluta ou relativa impropriedade do objeto ou ineficá- agente obtém a vantagem indevida, o que é um indiferente
cia do meio. Essa teoria sustenta que só há perigo ao bem penal (exceto para a reparação do dano).
jurídico apto a fundamentar a punibilidade do crime ten- d) Crime habitual: é aquele crime que exige uma se-
tado quando o objeto ou o meio forem, em tese, aptos à quência de atos para se consumar, tem uma duração con-
produção do resultado, ainda que circunstancialmente não tínua, geralmente indefinida e casuística, no tempo. Crimes
se consiga produzi-lo. Ou seja, em tese, no caso da teoria habituais não se confundem com crimes continuados. Caso

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NOÇÕES DE DIREITO PENAL

a habitualidade cesse antes de findo o resultado, os fatos Crime Transeunte e Não Transeunte
praticados não serão considerados crimes, podendo, no Transeunte vem da palavra transitar; passa a ideia de
máximo, haver punição por tentativa. Ao contrário do que algo que permanece ou não.
se defendo por aí, esses crimes admitem sim o flagrante, É classificação adotada para os crimes que deixam ou
quando a prisão é feita após já se ter verificado o imple- não vestígios. Se deixarem vestígios, é não transeunte; não
mento da habitualidade e a configuração criminosa. Exem- deixando, é transeunte. Como exemplo de crimes não tran-
plo o rufianismo. seuntes tem-se a apropriação indébita previdenciária, cujo
-Habitual próprio: habitual próprio é aquele crime cuja vestígio é exatamente a diminuição da arrecadação de con-
tipicidade depende da reiteração de condutas. No habitual tribuição previdenciária do empregado.
próprio um único ato não é suficiente a dar tipicidade à
conduta, pois a tipicidade decorrerá do somatório dos atos Crime transeunte clássico é a invasão de domicílio.
típicos praticados.
-Habitual impróprio ou acidentalmente habitual: é Crime de Consumação Atípica Impunível
aquele crime que, não obstante a regra seja sua perpetua- È aquele quando o fato consumado é indiferente penal e
ção no tempo para se configurar, permite que um único a forma tentada é punida pelo ordenamento jurídico.
ato seja suficiente para a consumação, em casos extremos,
como ocorre no crime de gestão fraudulenta. Não consti- Superveniência de causa independente
tuirá pluralidade de crimes a repetição de atos.
e) Habitualidade criminosa: a habitualidade criminosa (...)
ocorre quando o agente faz do delito seu meio de vida, § 1º - A superveniência de causa relativamente indepen-
sem que ele queira necessariamente e tenha em mente que dente exclui a imputação quando, por si só, produziu o re-
um crime seja tido por continuação do outro, caso contrá- sultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem
rio haveria continuidade delitiva. Inclusive, o STJ reiterada- os praticou.
mente tem decidido que a habitualidade criminosa impede
o reconhecimento do benefício da continuidade delitiva, já As Novas Causas podem ser absolutamente ou relativa-
que totalmente incompatível com o comportamento social mente independentes da conduta do agente.
do réu, que merece maior reprimenda. Nesse sentido:
Se as Novas Causas forem absolutamente independentes
Crime de Espaço Mínimo, Crime de Espaço Máximo ou da conduta do agente, não importando a conduta do agen-
Plurilocal e Crime à Distância te, o resultado ocorreria do mesmo jeito, o agente responde
a) Crime de espaço mínimo: aquele que é cometido e apenas pela conduta que praticou, mas não pelo resultado.
consumado em um mesmo lugar. Podemos citar como exemplo, o seguinte caso: X quer se sui-
b) Crime de espaço máximo ou plurilocal: aqueles co- cidar e ingere veneno. Posteriormente, Y quer matar X e dá-
metidos em território de duas ou mais comarcas ou seções -lhe um tiro. X morre. Contudo, X morreria de qualquer jeito
judiciárias de um mesmo país. A comarca responsável pelo por ter tomado veneno. Y responde pela conduta (tentativa
julgamento será, em regra, aquela onde ocorreu o resulta- de homicídio) e não pelo resultado (homicídio consumado)
do (teoria prevalente no processo penal), salvo se o crime Se as Novas Causas forem relativamente independentes,
for de menor potencial ofensivo ou tentado, caso em que a em regra o agente responde pelo resultado (i.e., se a conduta
competência é fixada pelo local da conduta. do agente não tivesse ocorrido, o resultado também deixaria
c) Crime à distância: relacionado ao direito internacio- de ocorrer). Há que se analisar se a Nova Causa é anterior,
nal, é aquele em que se pratica a conduta num país e ocor- concomitante ou posterior aos fatos.
re o resultado num outro.
Consumação e Tentativa
Crimes de Tendência (Intenção Especial) e Crimes de
Intenção Crime Consumado
Crimes de tendência ou de intenção especial: neles, o Fundamentado no artigo. 14, inciso I do Código Penal,
tipo penal requer o ânimo de realizar a própria conduta o crime consumado é o tipo penal integralmente realizado,
legalmente prevista, sem necessidade de transcender tal ou seja, quando o tipo concreto amolda-se perfeitamente ao
conduta, como ocorre nos delitos de intenção. É aquele tipo abstrato. De acordo com o artigo 14, I do Código Penal,
que condiciona a sua existência à intenção do sujeito, de- diz-se consumado o crime quando nele se reúnem todos os
vendo necessariamente ser analisado um aspecto subjeti- elementos de sua definição legal. No homicídio, por exem-
vo. Em outras palavras, não se exige que o autor do crime plo, o tipo penal consiste em “matar alguém” (artigo 121 do
deseje um resultado ulterior ao previsto no tipo penal, mas, CP), assim o crime restará consumado com a morte da vítima.
apenas, que confira à ação típica um sentido subjetivo não
previsto expressamente no tipo, mas dedutível da natureza Crime Tentado
do delito. O crime tentado tem fundamentação no artigo 14, inciso
II do Código Penal ocorre quando o agente inicia a execu-
Crime Acessório ou Parasitário ção do delito mas este não se consuma por circunstâncias
É o crime que pressupõe, para a consumação, a prática alheias à sua vontade. De acordo com o parágrafo único
de outro, como a receptação, o favorecimento real e a la- do art. 14, do Código Penal, “salvo disposição em contrário,
vagem de dinheiro. pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime

9
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

consumado, diminuída de um a dois terços”. Para fixar a Intenção do Agente


pena, o magistrado deve usar como critério a maior ou A aplicação prática desses institutos independe de
menor proximidade da consumação, de forma que quanto considerações acerca de intenção nobre ou não do agente.
mais o agente percorrer o “iter criminis”, maior será sua Não é necessário que ele tenha atuado com nobreza, ou
punição. com desprendimento, no momento em que ele praticou
a nova ação, ou no momento em que ele se absteve de
Pena de Crime Consumado e Crime Tentado praticar novas ações. Logo, não se exige sequer a esponta-
neidade na desistência, ou a espontaneidade na nova ação,
Para a punição da tentativa se considera a extensão da no caso do arrependimento eficaz. Se exige, tão somente,
conduta do autor até o momento em que foi interrompida. a voluntariedade no desistir. Ou a voluntariedade no atuar
novamente. Isso para se resguardar o bem jurídico.
Quanto mais próxima da consumação, menor deve ser a
redução (1/3).
Finalidade dos Institutos
De outro lado, quanto mais longe a conduta do autor Esses institutos existem para que não seja frustrada a
ficou da consumação delitiva, maior deve ser a redução da expectativa do Direito Penal como um todo, que é a de
pena (2/3). O Juiz deve fixar a redução dentro desses limi- proteger o bem jurídico. O Direito Penal opta por não pu-
tes, de modo justificado. nir, desde que a pessoa cesse a sua atividade, no caso da
desistência voluntária, ou pratique uma nova atividade, no
Desistência Voluntária ou Tentativa Abandonada caso do arrependimento eficaz. E, com isso, ao cessar ou
(Art. 15, CP) praticar uma nova atividade, evite a lesão ao bem jurídico,
Ocorre quando, após iniciados os atos executórios, evite a produção do resultado.
mas antes de esgotá-los, o agente interrompe a prática cri-
minosa voluntariamente, ainda que por motivos egoísticos. Natureza Jurídica dos Institutos
Deve-se pensar da seguinte forma: “posso prosseguir, mas Há três principais correntes sobre a natureza jurídica:
não quero”. Se isso se configurar, haverá desistência volun- a) Causa de exclusão de tipicidade: O fato praticado é
tária. Somente é possível na tentativa imperfeita ou inaca- atípico, visto que o crime visado pelo agente não foi prati-
bada. Além disso, não é cabível no crime unissubsistente (já cado, por ter sido evitado. Trata-se da tese dominante. So-
que não admite tentativa). mente responderá o agente pelos atos já praticados, desde
De fato, nos crimes unissubsistentes não se admite a que típicos, evidentemente.
b) Causa de extinção da punibilidade: tese sustentada
desistência voluntária (agente interrompe voluntariamente
por Nelson Hungria. No caso de homicídio tentado, a evi-
a execução do crime) porque se praticado o primeiro ato
tação do resultado praticada pelo agente faz surgir uma
ocorre o fim da execução. E, por outro lado, se não pratica- causa de extinção da punibilidade pelo homicídio tentado,
do o primeiro ato, o crime simplesmente não sai da cabeça ao mesmo tempo em que faz surgir uma tipicidade pelos
do agente, não sendo a cogitação punível. atos já praticados, se existir correspondência típica.
A Fórmula de Frank define a desistência voluntária de c) Causa de isenção de pena: defendida por Rogério
forma lapidar. Ela consiste na seguinte expressão: Posso, Greco. Ele adota esse entendimento sob o argumento de
mas não quero continuar. Isso é importantíssimo porque, que, se o ato foi praticado pelo agente, por exemplo, se um
por exemplo, se foram outros fatores que não a própria tiro foi dado na vítima com a intenção de matá-la, não há
vontade do agente que o impediu de continuar, como fica? como um ato posterior tornar atípico um ato que foi típico,
A desistência voluntária, está ligada a uma omissão na como se apagasse acontecimentos passados. Não, para ele
prática de atos complementares que seriam praticados, se- o ato praticado é típico, porém o Direito Penal, com vistas
gundo o plano e que poderiam ter sido praticados, dadas a resguardar o bem jurídico, evitando maiores danos, não
as circunstâncias. faz incidir pena ao agente.

Arrependimento Eficaz Arrependimento Posterior


(art. 15, CP) (Art. 16, CP)
Aqui, o agente exaure a execução do crime, entretanto, Tem natureza jurídica de causa geral de diminuição de
pena. Ele se dá quando, nos crimes cometidos sem violên-
arrepende-se e atua de forma a evitar o resultado. possui
cia ou grave ameaça à pessoa, o agente repare voluntaria-
natureza jurídica de causa geradora da atipicidade. mente o dano até o recebimento da denúncia ou queixa
Considerando que apenas crimes materiais exigem a pelo juiz (não é oferecimento pelo MP), sendo-lhe reduzida
ocorrência do resultado para consumação, somente tem a pena de um a dois terços (se a reparação se der após o
sentido em falar de arrependimento eficaz nesta categoria recebimento, haverá apenas uma atenuante genérica).
de crime. A conduta do agente não precisa ser espontânea De acordo com Von Liszt, enquanto o art. 15 (o arre-
(ele teve a ideia de desistir ou impedir o resultado), mas pendimento eficaz e desistência voluntária) configura uma
apenas voluntária (há vontade própria, ainda advenha da ponte de ouro que o Direito Penal oferece ao delinquente,
sugestão de terceiros). o art. 16 configura a ponte de prata, porque agora ele vai
responder pelo crime. Mas, igualmente, aqui a razão do
Considerações Gerais Acerca da Desistência Voluntária instituto é entre punir completamente e punir menos de
e do Arrependimento Eficaz acordo com a restituição da esfera jurídica alheia.

10
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Com o arrependimento posterior, já fracassou o obje- ser furtada). A relativa ineficácia do meio e a relativa impro-
tivo preventivo do Direito Penal. O bem jurídico já foi le- priedade do objeto não afastam a configuração do crime,
sionado. Porém, ainda resta como alternativa a sua recom- geralmente dando azo à forma tentada. O crime impossível
posição. E aí o Direito Penal oferece para o agente: “olha deve ser analisado após a realização do fato, visto que algo
meu amigo, aqui você já tem que ser punido, porque o aparentemente inofensivo pode ter o efeito de efetivamen-
bem jurídico alheio já foi lesionado. No art. 15 não. Sua te gerar o crime, v.g., quando se dá açúcar a pessoa com
ação impediu a lesão efetiva. Aqui, a lesão já ocorreu. Mas diabetes. Sobre o crime impossível há três teorias:
você pode responder inteiramente, ou você pode respon- i. Teoria objetiva pura: não distingue entre absoluta ou
der com a diminuição de pena, desde que repare a esfera relativa impropriedade do objeto ou ineficácia do meio.
jurídica lesionada. E aí eu vou diminuir a sua pena. Porém, Segundo a teoria objetiva pura, não interessa saber, por
pena eu tenho que aplicar”. exemplo, se a arma não funcionou porque nunca funciona-
São, então, requisitos para seu reconhecimento: ria, ou a arma não funcionou naquele caso porque, por azar
a) A conduta tem que ter produzido o resultado (caso do autor, ela emperrou. Tanto um, quanto em outro caso,
contrário será arrependimento eficaz); se estaria diante de um crime impossível.
b) Voluntariedade; ii. Teoria objetiva temperada: prima pela distinção en-
c) Crimes sem violência ou grave ameaça (tem-se ad- tre absoluta ou relativa impropriedade do objeto ou ine-
mitido o arrependimento posterior nos crimes com violên- ficácia do meio. Essa teoria sustenta que só há perigo ao
cia culposos); bem jurídico apto a fundamentar a punibilidade do crime
d) Arrependimento antes de recebida a denúncia pelo tentado quando o objeto ou o meio forem, em tese, ap-
juiz; tos à produção do resultado, ainda que circunstancialmen-
e) Reparação do dano seja completa (requisito mitiga- te não se consiga produzi-lo. Ou seja, em tese, no caso
do. Vide julgado abaixo). da teoria objetiva temperada, só seria de se reconhecer o
crime impossível, por exemplo, após a arma utilizada para
Presentes os requisitos acima elencados, a incidência um roubo ser periciada. Se chegar à conclusão de que a
da causa de diminuição de pena é direito subjetivo do réu, arma que foi acionada não disparou e nunca dispararia por
e não uma faculdade do juiz.
ser defeituosa, seria caso de crime impossível. Porém, se
O agente será beneficiado pelo arrependimento pos-
essa arma, uma vez apreendida e submetida à perícia, for
terior mesmo que somente repare o dano por ter sido des-
revelada como apta a produzir disparos, tendo o insuces-
coberto pela polícia. Isso visa resguardar a vítima, melhorar
so do roubo decorrido unicamente de seu emperramento
sua condição enquanto ofendida.
episódico, o meio será relativamente ineficaz, merecendo o
Os coautores de crimes também serão beneficiados
agente, pois, punição pela tentativa. Essa foi claramente a
caso um dos agentes repare o dano, mesmo que aqueles
opção adotada pelo legislador brasileiro.
não quiseram a reparação ou dela não participaram. Isso
iii. Teoria sintomática ou subjetiva: defende que o
porque é circunstância de caráter objetivo.
Nos crimes submetidos ao Juizado Especial Criminal, agente deve ser punido, mesmo em caso de crime impos-
caso o agente repare o dano (se houver composição ci- sível, porque demonstrou periculosidade, disposição para
vil), mesmo após o recebimento da queixa ou da repre- agredir um bem jurídico. Nesse caso, ele seria punido pela
sentação, e mesmo que o crime tenha sido com violência intenção, e não por algum fato. Não é adotada no Brasil.
ou grave ameaça, o agente será beneficiado, não somente b) Crime putativo (delito de alucinação): no crime puta-
com a diminuição de pena, mas sim com a extinção de sua tivo, o agente pratica uma conduta acreditando estar prati-
punibilidade e a renúncia legal pela vítima do direito de cando um ilícito penal, quando, de fato, sua ação não está
ingressar em juízo. tipificada. V.g., quando o agente adultera com o fito de
No crime de emissão de cheque sem fundo, o paga- cometer crime (o adultério não é mais considerado ilícito
mento até o recebimento da denúncia ou queixa extingue penal em nosso ordenamento, logo, não há crime). O crime
a punibilidade (Súmula 554, STF). putativo pode ocorrer nas seguintes hipóteses:
No peculato culposo, se a reparação do dano prece- i. Crime putativo por erro de proibição: o agente acre-
de à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é dita ofender uma lei penal que não existe realmente. A
posterior, reduz em metade a pena imposta. existência da lei incriminadora só existe na mente do agen-
te, recaindo o erro, portanto, sobre a ilicitude do fato.
Crime Impossível ii. Crime putativo por erro de tipo: o crime imaginário
se verifica quando o autor acredita ofender uma lei penal
Crime impossível, quase-crime, tentativa inidônea ou incriminadora, mas os fatos revelam faltar uma elementar
tentativa inadequada: ocorre quando o agente se utiliza do tipo. Ou seja, a lei penal existe, entretanto o fato não
de meio ABSOLUTAMENTE INEFICAZ ou objeto ABSOLU- foi típico. Aqui, há um erro sobre uma circunstância fática,
TAMENTE IMPRÓPRIO para consumar o crime. É o caso da e não sobre uma questão jurídica. Por exemplo, o agente
tentativa de homicídio dando-se um copo de água à víti- quer cometer um crime tributário declarando erroneamen-
ma na expectativa de que ela venha a morrer (meio abso- te dados na DCTF; porém, ao invés de preencher a DCTF,
lutamente ineficaz) ou quando se tenta furtar a honra da ele preenche um formulário de cadastro no show do mi-
vítima (objeto absolutamente impróprio, honra não pode lhão.

11
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

iii. Crime putativo por obra do agente provocador: IV - pela prescrição, decadência ou perempção;
denominado crime de ensaio, crime de experiência ou V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão
flagrante provocado, ocorre quando uma pessoa induz o aceito, nos crimes de ação privada;
agente a cometer uma conduta criminosa e, simultanea- VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei
mente, adota medidas para impedir a consumação. Aqui, a admite;
incide a súmula 145 do STF: “Não há crime, quando a pre- VII - (Revogado)
paração do flagrante pela polícia torna impossível a sua VIII - (Revogado)
consumação”. IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.

Causas de exclusão da culpabilidade Art. 108 - A extinção da punibilidade de crime que é


pressuposto, elemento constitutivo ou circunstância agra-
O Código Penal prevê causas que excluem a culpabi- vante de outro não se estende a este. Nos crimes conexos,
lidade pela ausência de um de seus elementos, ficando o a extinção da punibilidade de um deles não impede, quan-
sujeito isento de pena, ainda que tenha praticado um fato to aos outros, a agravação da pena resultante da conexão.
típico e antijurídico.
(...)
a) inimputabilidade: a incapacidade de entender o ca-
ráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com O excesso Punível
esse entendimento. Ao reagir à agressão injusta que está sofrendo, ou em
- doença mental, desenvolvimento mental incompleto vias de sofrê-la, em relação ao meio usado o agente pode
ou retardado (art. 26); encontrar-se em três situações diferentes:
- desenvolvimento mental incompleto por presunção - usa de um meio moderado e dentro do necessário
legal, do menor de 18 anos (art. 27); para repelir à agressão;
- embriaguez completa, proveniente de caso fortuito Haverá necessariamente o reconhecimento da legítima
ou força maior (art. 28, § 1º). defesa.
- de maneira consciente emprega um meio desneces-
b) inexistência da possibilidade de conhecimento da sário ou usa imoderadamente o meio necessário;
ilicitude: A legítima defesa fica afastada por excluído um dos
- erro de proibição (art. 21). seus requisitos essenciais.
- após a reação justa (meio e moderação) por imprevi-
c) inexigibilidade de conduta diversa: dência ou conscientemente continua desnecessariamente
- coação moral irresistível (art. 22, 1ª parte); na ação.
- obediência hierárquica (art. 22, 2ª parte). No terceiro agirá com excesso, o agente que intensifi-
ca demasiada e desnecessariamente a reação inicialmen-
Punibilidade te justificada. O excesso poderá ser doloso ou culposo. O
agente responderá pela conduta constitutiva do excesso.
A punibilidade é uma das condições para o exercício
da ação penal (CPP, art. 43, II) e pode ser definida como a Ilicitude
possibilidade jurídica de o Estado aplicar a sanção penal Ilícito penal, é o crime ou delito. Ou seja, é o descum-
(pena ou medida de segurança) ao autor do ilícito. primento de um dever jurídico imposto por normas de di-
A Punibilidade, portanto, é consequência do crime. As- reito público, sujeitando o agente a uma pena.
sim, é punível a conduta que pode receber pena. Na ilicitude penal, a antijuridicidade é a contradição
entre uma conduta e o ordenamento jurídico. O fato típico,
Extinção da Punibilidade até prova em contrário, é um fato que, ajustando-se a um
A extinção da punibilidade é a perda do direito do Es- tipo penal, é antijurídico.
tado de punir o agente autor de fato típico e ilícito, ou seja,
é a perda do direito de impor sanção penal. As causas de Excludente de ilicitude
extinção da punibilidade estão espalhadas no ordenamen- Excludente de ilicitude é uma causa excepcional que
to jurídico brasileiro. retira o caráter antijurídico de uma conduta tipificada como
criminosa (fato típico).
Dispõe o Código Penal: Art. 23 - Exclusão da ilicitude
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
Extinção da punibilidade I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exer-
I - pela morte do agente; cício regular de direito.
II - pela anistia, graça ou indulto; Excesso punível
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses
fato como criminoso; deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo.

12
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

A ação do homem será típica sob o aspecto criminal Culpabilidade


quando a lei penal a descreve como sendo um delito. Numa Culpabilidade é um elemento integrante do conceito
primeira compreensão, isso também basta para se afirmar definidor de uma infração penal. A motivação e objetivos
que ela está em desacordo com a norma, que se trata de subjetivos do agente praticante da conduta ilegal. A culpa-
uma conduta ilícita ou, noutros termos, antijurídica. bilidade aufere, a princípio, se o agente da conduta ilícita
é penalmente culpável, isto é, se ele agiu com dolo (in-
Essa ilicitude ou antijuridicidade, contudo, consistente tenção), ou pelo menos com imprudência, negligência ou
na relação de contrariedade entre a conduta típica do autor imperícia, nos casos em que a lei prever como puníveis tais
e o ordenamento jurídico, pode ser suprimida, desde que, modalidades
no caso concreto, estejam presentes uma das hipóteses
previstas no artigo 23 do Código Penal: o estado de neces- Causas de exclusão da culpabilidade
sidade, a legítima defesa, o estrito cumprimento do dever O Código Penal prevê causas que excluem a culpabi-
legal ou o exercício regular de direito. lidade pela ausência de um de seus elementos, ficando o
sujeito isento de pena, ainda que tenha praticado um fato
O estado de necessidade e a legítima defesa são con- típico e antijurídico.
ceituados nos artigos 24 e 25 do Código Penal, merecendo
destaque, neste tópico, apenas o estrito cumprimento do a) inimputabilidade: a incapacidade de entender o ca-
dever legal e o exercício regular de um direito, como exclu- ráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
dentes da ilicitude ou da antijuridicidade. esse entendimento.
- doença mental, desenvolvimento mental incompleto
A expressão estrito cumprimento do dever legal, por si ou retardado (art. 26);
só, basta para justificar que tal conduta não é ilícita, ainda - desenvolvimento mental incompleto por presunção
que se constitua típica. Isso porque, se a ação do homem legal, do menor de 18 anos (art. 27);
decorre do cumprimento de um dever legal, ela está de - embriaguez completa, proveniente de caso fortuito
acordo com a lei, não podendo, por isso, ser contrária a ela. ou força maior (art. 28, § 1º).
Noutros termos, se há um dever legal na ação do autor,
b) inexistência da possibilidade de conhecimento da
esta não pode ser considerada ilícita, contrária ao ordena-
ilicitude:
mento jurídico.
- erro de proibição (art. 21).
Um exemplo possível de estrito cumprimento do de-
c) inexigibilidade de conduta diversa:
ver legal pode restar configurado no crime de homicídio,
- coação moral irresistível (art. 22, 1ª parte);
em que, durante tiroteio, o revide dos policiais, que esta-
- obediência hierárquica (art. 22, 2ª parte).
vam no cumprimento de um dever legal, resulta na morte
do marginal. Neste sentido - RT 580/447.
Agravação pelo resultado
O exercício regular de um direito, como excludente da Atos cujo resultado extrapola a vontade do agente só o
ilicitude, também quer evitar a antinomia nas relações ju- responsabilizam penalmente quando forem praticados ao
rídicas, posto que, se a conduta do autor decorre do exer- menos culposamente, quando ele agiu sem observar um
cício regular de um direito, ainda que ela seja típica, não dever de cuidado, atuando com imprudência, negligência
poderá ser considerada antijurídica, já que está de acordo ou imperícia.
com o direito. Uma responsabilização que extrapola a órbita do dolo
e da culpa, por sua vez, torna-se objetiva, por escapar, in-
Um exemplo de exercício regular de um direito, como clusive, da previsibilidade do resultado, que na hipótese de
excludente da ilicitude, é o desforço imediato, emprega- culpa não é almejado, muito embora previsível. A respon-
do pela vítima da turbação ou do esbulho possessório, sabilidade objetiva, contudo, é rejeitada pela norma penal,
enquanto possuidor que pretende reaver a posse da coisa que aceita apenas o dolo ou a culpa. O dispositivo penal
para si (RT - 461/341). em análise contempla tal entendimento.
Acerca dos crimes preterdolosos, constantes no Códi-
A incidência da excludente da ilicitude, conduto, não go Penal, caracterizam-se eles por preverem uma conduta
pode servir de salvo conduto para eventuais excessos do inicial dolosa e um resultado adicional culposo, que justifi-
autor, que venham a extrapolar os limites do necessário ca o agravamento da sanção.
para a defesa do bem jurídico, do cumprimento de um de- Para exemplificarmos ,podemos citar a lesão corporal
ver legal ou do exercício regular de um direito. Havendo seguida de morte (art. 129, §.3.º, do Código Penal), na qual
excesso, o autor do fato será responsável por ele, caso res- se pode falar em dolo na lesão corporal e culpa no evento
tem verificados seu dolo ou sua culpa. Nesse sentido é a morte. Mesmo que a morte não tenha sido o objetivo pre-
regra do parágrafo único do artigo 23 do Código Penal. tendido pelo autor, está previsto como resultado culposo,
razão pela qual incide responsabilidade penal sobre ele.

13
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Dita o Código Penal, que a responsabilidade do autor Apesar dos prazos prescricionais serem considerados
não poderia ir além da culpa, justamente porque se torna- individualmente para cada crime, o mesmo não acontece
ria objetiva. Deste modo, a lesão corporal seguida de mor- com a aplicação das penas restritivas de direitos, que só
te, assim como outros delitos preterdolosos, versa sobre são permitidas, caso em um dos crimes seja permitida a
hipótese na qual o dolo e a culpa estão previstos no tipo concessão do sursis (suspensão condicional da pena). Mas
penal, sendo o resultado plenamente oponível ao autor, caso sejam aplicadas, as penas restritivas serão cumpridas
porque previsto também a título de culpa. simultaneamente quando compatíveis, ou sucessivamente,
quando houver incompatibilidade entre as mesmas.
Dispõe o Código Penal:
Com relação à suspensão condicional do processo, a
Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a regra é que seja feito o somatório das penas, se a mínima
pena, só responde o agente que o houver causado ao me- for igual ou inferior a um ano, esta será possível. Portanto,
nos culposamente. a aplicação não é individual.

Concurso de Crimes Concurso Formal

O concurso de crimes acontece quando o agente co- O concurso formal é aquele em que o agente mediante
mete mais de um crime mediante uma ou mais ação ou uma única ação ou omissão, comete dois ou mais crimes.
omissão. No direito brasileiro, por questões de política cri- Este pode se dividir em formal próprio ou impróprio.
minal, cada forma de concurso tem uma maneira distinta
no sistema de aplicação e cálculo das penas. No próprio, era querido apenas um resultado, mas por
erro na execução ou por acidente, dois ou mais são atin-
Os tipos de concurso admitidos no direito brasileiro gidos. É o exemplo do assassino que atira em seu inimigo,
são o material, que pode se dividir em homogênio e he- mas por ocasião o disparo além de atingi-lo, também atin-
terogêneo; o formal, que pode ser dividido em próprio e ge outra pessoa. Neste caso é utilizado o sistema da exas-
impróprio; além do crime continuado. peração, que é quando apenas a pena de um dos crimes
é aplicada se forem iguais, ou a maior deles se diversos,
sendo em qualquer dos casos elevada de um sexto até me-
As formas adotadas para aplicação das penas a cada
tade.
tipo de concurso são os sistemas do cúmulo material e o
da exasperação, em alguns casos, também encontramos o
No impróprio, o agente mediante uma única ação ou
cúmulo material benéfico, sendo este um desdobramen-
omissão produz mais de um resultado, tendo vontade de
to para evitar um prejuízo maior ao agente, sempre que o
produzi-los ou sendo indiferente quanto a estes, neste
sistema de exasperação for menos benéfico que o cúmulo caso, acontece o que a doutrina chama de desígnios autô-
material. nomos, que é quando se quer todos os resultados produ-
zidos, mesmo a título de dolo eventual. Para que não tor-
Concurso Material ne benéfica a prática de mais de um crime por uma única
ação, no concurso formal impróprio, é utilizado o sistema
O concurso material de crimes acontece quando o de cúmulo material das penas, o mesmo que é utilizado
agente comete dois ou mais crimes mediante mais de uma no concurso material. Havendo apenas a soma das penas
ação ou omissão. Ele pode ser tanto homogêneo, quando aplicadas aos diversos crimes.
os crimes cometidos são idênticos (dois homicídios sim-
ples, por exemplo), ou heterogêneo, quando os crimes são Ainda no caso do concurso formal, quando as penas
de natureza diversa (Um homicídio qualificado e lesões aplicadas por o sistema de exasperação superarem as que
corporais). Esta distinção em homogêneo e heterogêneo é por ventura fossem aplicadas por o sistema do cúmulo ma-
apenas doutrinária, não importando na forma de aplicação terial, para que o apenado não saia prejudicado, sua pena
da pena. será computada como se desta forma fosse, este é o cha-
mado cúmulo material benéfico. Exemplificando, caso o
Havendo concurso material, a forma de aplicação das agente cometa um homicídio simples e uma lesão corporal
penas será o cúmulo material, que é aquele onde as penas em concurso formal próprio, sua pena seria a do homicídio
dos diversos crimes são somadas umas as outras, não ha- (por ser maior) acrescida de um terço até metade, o que
vendo benefício ao agente. Desta forma, o agente que me- poderia, dependendo do aumento aplicado, ser maior que
diante duas condutas, cometeu o crime de furto simples e a do homicídio e das lesões corporais somadas. Assim caso
recebeu pena de quatro anos de reclusão, e um homicídio a pena aplicada pelo sistema da exasperação seja maior
qualificado, tendo recebido pena de doze anos de reclu- que a que fosse aplicada pelo cúmulo material, este será
são, terá as penas destes crimes somadas para questões de o aplicado.
cumprimento.
O aumento de pena no concurso formal deve ser fun-
Em caso as espécies de penas não sejam iguais, cum- damentado pelo juiz, devendo, segundo a maioria dos
pre-se primeiro a mais grave, assim, a reclusão deve ser doutrinadores, ser aplicado levando em consideração o
cumprida primeiro que a detenção. número de vítimas ou a quantidade de crimes praticados.

14
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Para a aplicação da suspensão condicional do proces- Aqui há culpa imprópria, já que o agente atua com
so, é necessário que se faça primeiro o cálculo da pena com dolo, mas responde como se tivesse cometido um delito
o acréscimo de um terço até metade, para só assim fixar os culposo.
novos limites mínimos.
Erro Determinado por Terceiros
Erro (Art. 20, § 2º)
No erro de tipo o agente erra por conta própria, por
O erro pode ser tanto falsa representação da realidade, si só. Já no erro determinado por terceiro, existe alguém
como falso ou equivocado conhecimento de um determi- induzindo a erro outrem para praticar o crime (ERRO NÃO
nado objeto. Vale dizer que este difere da ignorância, uma ESPONTÂNEO). V.g., médico, querendo matar o paciente
vez que é a falta de representação da realidade ou total engana a enfermeira fazendo com que esta ministre a dro-
desconhecimento do objeto – sendo um estado negativo, ga letal. Tem como consequências:
enquanto o erro é um estado positivo. Entretanto, apesar a) Quem determina dolosamente o erro responde
de didática e teoricamente diferentes, a legislação penal por crime doloso, se a provocação é culposa, responde por
brasileira trata de forma idêntica tanto erro como ignorân-
crime culposo.
cia, com as mesmas consequências.
b) Quem determina o erro é o autor mediato do cri-
me;
Erro de Tipo
O erro é considerado o falso entendimento da reali- c) Quem pratica a conduta pratica fato atípico por
dade, a concepção errônea do que acontece, seja quanto falta de dolo.
à pessoa ou quanto ao objeto, podendo recair sobre cir-
cunstâncias ou elementares. No erro de tipo, a pessoa acha Erro de proibição
que não está cometendo um crime não por julgar seu ato Normatizado no direito penal brasileiro pelo artigo 21
permitido, mas por compreender mal o que se passa. Logo, do Código Penal, o erro de proibição é erro do agente que
ele sempre afastará o dolo, já que não estão presentes os acredita ser sua conduta admissível no direito, quando, na
elementos constitutivos do dolo “vontade” e “consciência”. verdade ela é proibida. Sem discussão, o autor, aqui, sabe
Logo, se ausente o dolo, o fato é atípico, não sendo passí- o que tipicamente faz, porém, desconhece sua ilegalidade.
vel de punição, salvo se prevista a conduta como crime cul- Concluímos, então, que o erro de proibição recai sobre a
poso. O agente poderá ou não responder pela modalidade consciência de ilicitude do fato. O erro de proibição é um
culposa, de acordo com os seguintes casos. juízo contrário aos preceitos emanados pela sociedade,
que chegam ao conhecimento de outrem na forma de usos
Descriminantes Putativas e costumes, da escolaridade, da tradição, família etc.
(Art. 20, § 1º)
Descriminantes putativas são as situações nas quais o Erro de proibição não se confunde com erro de tipo. O
agente, diante de um fato, acreditando erroneamente estar erro de tipo ocorre quanto a alguma circunstância fática.
diante de uma das causas excludentes de ilicitude, pratica Os erros de proibição estão ligados ao direito, ao conhe-
um ato. Não se confunde com erro de proibição indireto cimento ou não da realidade do que pratica o agente, de-
(erro de permissão), o qual se situa no âmbito da má inter- terminado por algum engano justificável que recai sobre o
pretação da extensão da norma permissiva. juízo pessoal de licitude ou ilicitude do fato. O agente atua
Se o erro for plenamente escusável em função das cir- conscientemente, sem errar sobre as circunstâncias fáticas
cunstâncias, o agente será isento de pena pelos seus atos que o cercam, apesar de as avaliar mal, de supor ter, peran-
praticados dolosamente. Entretanto, se o agente atua com te o caso, um direito que na verdade inexiste.
erro que não seja plenamente escusável, exagerando na
Cezar Roberto Bitencourt leciona que o erro de proi-
reação a uma situação de fato, responderá pela forma cul-
bição “é o que incide sobre a ilicitude de um comporta-
posa, se prevista em Lei (art. 20, § 1º).
mento. O agente supõe, por erro, ser lícita a sua conduta.
O Código Penal adota a Teoria Limitada da Culpabi-
lidade, somente podendo se reconhecer a descriminante O objeto do erro não é, pois, nem a lei, nem o fato, mas a
putativa como erro de tipo quando se está diante de uma ilicitude, isto é, a contrariedade do fato em relação à lei.”
situação fática. Ou seja, o agente atua em função da situa- O agente não pensa errado avaliando o direito apli-
ção, não se questionando se a causa de justificação existe cável à espécie, mas erra na avaliação do desvalor de sua
ou sobre os limites dela (pois isso seria um erro de proibi- conduta, desvalor esse advindo das instâncias formais de
ção). Ele realmente acredita que ela está presente. a descri- controle social. Ele entende bem o fato que pratica, mas o
minante putativa é espécie de erro de tipo . pratica com a tranquila consciência de que atua desprovido
É o caso, em outro exemplo, de alguém que acredita de ilicitude material.
será assassinado por desafeto seu, que espalhou na comu- Erro de proibição é hipótese que exclui a culpabilidade
nidade a notícia de que na primeira oportunidade iria ma- do agente, por interferir diretamente no elemento da cul-
tá-lo. Transitando pela rua, essa pessoa encontra seu desa- pabilidade “potencial consciência da ilicitude”. Porém, essa
feto, o qual põe a mão no bolso para tirar, aparentemente, exclusão somente ocorrerá se o erro for invencível ou escu-
uma arma. A pessoa se adianta, saca seu revólver e mata o sável. Se vencível (ou culposo), ou seja, se o agente tivesse
desafeto. Depois, descobre-se que este estava apenas pe- agido com um pouco mais de cuidado, será uma causa de
gando o celular. diminuição de pena.

15
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Existem três espécies de erro de proibição:


a) Erro de proibição direto (art. 21): ocorre quan- CONCURSO DE PESSOAS.
do o erro do agente recai sobre o conteúdo proibitivo de
uma norma penal, não acreditando o agente que face o
conteúdo, significado ou amplitude da norma, realiza uma TÍTULO IV
conduta proibida. O sujeito não sabe que a conduta que DO CONCURSO DE PESSOAS
praticou era típica. O erro recai sobre a própria tipicida-
de da ação ou omissão praticada. No momento em que Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime
agiu, ele desconhecia o caráter típico, isto é, a proibição incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabi-
em si. É muito improvável que surja, na prática jurídica, o lidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
reconhecimento desta espécie de erro de proibição (dire-
to), em algum crime previsto no Código Penal, visto que ao § 1º - Se a participação for de menor importância, a
Código foram reservados os crimes mais cotidianos, cujo pena pode ser diminuída de um sexto a um terço. (Redação
desvalor são ensinados no dia a dia da sociedade. Exemplo dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
de erro de proibição seria o do estrangeiro que tenta sair
do Brasil portando vinte mil dólares em uma pochete, sem § 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de
regular declaração. Trata-se de crime contra o SFN (evasão crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa
de divisas) no Brasil. Porém, no país dele pode não ser, seja pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido
porque o valor era baixo, seja porque não há proibição de previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei
deixar o país levando dinheiro. Assim, nenhum erro houve nº 7.209, de 11.7.1984)
na situação fática, ele sabia exatamente o que estava fazen-
do, mas não conhecia a proibição jurídica interna. Circunstâncias incomunicáveis
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as con-
b) Erro de proibição indireto ou erro de permissão
dições de caráter pessoal, salvo quando elementares do
ou excesso exculpante (art. 21): aqui há uma suposição
crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
equivocada da existência de uma causa de justificação, ou
seja, de exclusão da ilicitude, que o ordenamento não pre-
Casos de impunibilidade
vê ou que até prevê, mas em limites mais restritos do que
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o
o que era imaginado pelo agente. Não se confunde com
auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não são
descriminante putativa, pois nesta o agente realiza o ato puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.
em face de um fato. Naquele, ele vai além dos poderes da (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
excludente por má avaliação da norma, errando quanto à
ilicitude, e não quanto à tipicidade.
É exemplo de erro de proibição o agente que está CONCURSO DE CRIMES.
sendo roubado e, no exercício da legítima defesa, reage e
espanca o roubador até a beira da morte, por acreditar que
está agindo legitimamente, amparado pelo direito. Outro
exemplo seria de um professor de uma tradicional cidade Prezado Candidato, o tema acima supracitado, já
interiorana que, supondo estar no exercício regular de di- foi abordado em tópicos anteriores.
reito, usa moderadamente palmatória para disciplinar seus
alunos.
c) Erro mandamental (art. 21): é o erro que recai so-
bre mandamentos contidos nos crimes omissivos, sejam IMPUTABILIDADE PENAL.
eles próprios ou impróprios. Ocorre, v.g., quando uma pes-
soa vê outra se afogando, mas não faz nada por acreditar
que não estava obrigada a tal (erro sobre a condição de
garante); ou quando o médico deixa de atender paciente A imputabilidade é a possibilidade de atribuir a um
em seu intervalo por achar que não tem o dever jurídico indivíduo a responsabilidade por uma infração. Segundo
para tal. prescreve o artigo 26, do Código Penal, podemos, também,
O erro de proibição excluirá a pena se for inevitável ou definir a imputabilidade como a capacidade do agente en-
escusável. Esse é aquele em que o agente não tinha como tender o caráter ilícito do fato por ele perpetrado ou, de
conhecer a ilicitude do fato, em face do caso concreto. No determinar-se de acordo com esse entendimento.
entanto, se for evitável ou inescusável, aquele em que o
agente desconheça o fato ilícito, embora tinha condições È portanto a possibilidade de se estabelecer o nexo en-
de saber que contrariava o ordenamento jurídico, poderá tre a ação e seu agente, imputando a alguém a realização
diminuí-la de um sexto a um terço (art. 21) (Isso porque a de um determinado ato.
culpabilidade do agente será menor). Quando existe algum agravo à saúde mental, os indi-
víduos podem ser considerados inimputáveis – se não ti-
verem discernimento sobre os seus atos ou não possuírem
autocontrole, são isentos de pena.

16
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Os semi-imputáveis são aqueles que, sem ter o discer- Homicídio simples – Artigo 121 do CPB – É a conduta
nimento ou autocontrole abolidos, têm-nos reduzidos ou típica limitada a “matar alguém”. Esta espécie de homicídio
prejudicados por doença ou transtorno mental. não possui características de qualificação, privilégio ou ate-
nuação. É o simples ato da prática descrita na interpretação
Dispõe o Código Penal: da lei, ou seja, o ato de trazer a morte a uma pessoa.
Homicídio privilegiado - Artigo 121 - parágrafo primei-
(...) ro – É a conduta típica do homicídio que recebe o benefício
TÍTULO III do privilégio, sempre que o agente comete o crime impeli-
DA IMPUTABILIDADE PENAL do por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o
domínio de violenta emoção, logo após a injusta provoca-
Inimputáveis ção da vítima, podendo o juiz reduzir a pena de um sexto
a um terço.
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença Homicídio qualificado - Artigo 121 - parágrafo segun-
mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retar- do – É a conduta típica do homicídio onde se aumenta a
dado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente pena pela prática do crime, pela sua ocorrência nas seguin-
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determi- tes condições: mediante paga ou promessa de recompen-
nar-se de acordo com esse entendimento. sa, ou por outro motivo torpe; por motivo fútil, com em-
Redução de pena prego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois meio insidioso ou cruel, ou do qual possa resultar perigo
terços, se o agente, em virtude de perturbação de saúde men- comum; por traição, emboscada, ou mediante dissimula-
tal ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado ção ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a
não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato defesa do ofendido; e para assegurar a execução, a oculta-
ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. ção, a impunidade ou a vantagem de outro crime.
Menores de dezoito anos Homicídio Culposo - Artigo 121- parágrafo terceiro – É
Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penal-
a conduta típica do homicídio que se dá pela imprudência,
mente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabeleci-
negligência ou imperícia do agente, o qual produz um re-
das na legislação especial.
sultado não pretendido, mas previsível, estando claro que
o resultado poderia ter sido evitado.
Emoção e paixão
No homicídio culposo a pena é aumentada de um ter-
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:
ço, se o crime resulta de inobservância de regra técnica de
I - a emoção ou a paixão;
profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar
Embriaguez imediato socorro à vítima. O mesmo ocorre se não procura
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar
substância de efeitos análogos. prisão em flagrante. Sendo o homicídio doloso, a pena é
§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez aumentada de um terço se o crime é praticado contra pes-
completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, soa menor de quatorze ou maior de sessenta anos.
ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de Perdão Judicial - Na hipótese de homicídio culposo, o
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequências
acordo com esse entendimento. da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o que torne desnecessária a sanção penal.
agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio - Artigo
maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena 122 do CPB – Ato pelo qual o agente induz ou instiga al-
capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determi- guém a se suicidar ou presta-lhe auxílio para que o faça.
nar-se de acordo com esse entendimento. Reclusão de dois a seis anos, se o suicídio se consumar,
ou reclusão de um a três anos, se da tentativa de suicídio
resultar lesão corporal de natureza grave.
A pena é duplicada se o crime é praticado por motivo
ESPÉCIES DE CRIMES: CRIMES CONTRA A egoístico, se a vítima é menor ou se tem diminuída, por
PESSOA; qualquer causa, a capacidade de resistência. Neste crime
não se pune a tentativa.
Infanticídio - Artigo 123 – Homicídio praticado pela
mãe contra o filho, sob condições especiais (em estado
Dos crimes contra a pessoa - crimes contra a vida puerperal, isto é, logo pós o parto).
Aborto - Artigo 124 – Ato pelo qual a mulher interrom-
pe a gravidez de forma a trazer destruição do produto da
HOMICÍDIO
concepção. No auto-aborto ou no aborto com consenti-
De forma geral, o homicídio é o ato de destruição da vida de
mento da gestante, esta sempre será o sujeito ativo do ato,
um homem por outro homem. De forma objetiva, é o ato come-
e o feto, o sujeito passivo. No aborto sem o consentimento
tido ou omitido que resulta na eliminação da vida do ser humano.
da gestante, os sujeitos passivos serão o feto e a gestante.

17
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Aborto provocado por terceiro – É o aborto provocado sem Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
o consentimento da gestante. Pena: reclusão, de três a dez anos. Caso de diminuição de pena
Aborto provocado com o consentimento da gestante § 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo
– Reclusão, de um a quatro anos. A pena pode ser aumen- de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de
tada para reclusão de três a dez anos, se a gestante for violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da
menor de quatorze anos, se for alienada ou débil mental, vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
ou ainda se o consentimento for obtido mediante fraude, Homicídio qualificado
grave ameaça ou violência. § 2° Se o homicídio é cometido:
Forma qualificada - As penas são aumentadas de um I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por
terço se, em consequência do aborto ou dos meios em- outro motivo torpe;
pregados para provocá-lo, a gestante sofrer lesão corporal II - por motivo fútil;
de natureza grave. São duplicadas se, por qualquer dessas III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia,
causas, lhe sobrevém a morte. tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa
Aborto necessário - Não se pune o aborto praticado resultar perigo comum;
por médico: se não há outro meio de salvar a vida da ges- IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimu-
tante; e se a gravidez resulta de estupro e o aborto é pre- lação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a
cedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, defesa do ofendido;
de seu representante legal. V - para assegurar a execução, a ocultação, a impuni-
dade ou vantagem de outro crime:
Lesões corporais Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Lesão corporal - Ofensa à integridade corporal ou a Feminicídio (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
saúde de outra pessoa. VI - contra a mulher por razões da condição de sexo
feminino: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
Lesão corporal de natureza grave - Artigo 129 - pa- VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts.
142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema pri-
rágrafo primeiro - Se resulta: incapacidade para as ocu-
sional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercí-
pações habituais, por mais de trinta dias; perigo de vida;
cio da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge,
debilidade permanente de membro, sentido ou função; ou
companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em
aceleração de parto.
razão dessa condição: (Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015)
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Lesão corporal de natureza gravíssima - Artigo 129 - pa-
§ 2o-A Considera-se que há razões de condição de
rágrafo primeiro - Se resulta: incapacidade permanente para o sexo feminino quando o crime envolve: (Incluído pela Lei
trabalho; enfermidade incurável; perda ou inutilização do mem- nº 13.104, de 2015)
bro, sentido ou função; deformidade permanente; ou aborto. I - violência doméstica e familiar; (Incluído pela Lei nº
13.104, de 2015)
Lesão corporal seguida de morte - Se resulta morte e II - menosprezo ou discriminação à condição de mu-
as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o re- lher. (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
sultado, nem assumiu o risco de produzi-lo (é o homicídio Homicídio culposo
preterintencional). § 3º Se o homicídio é culposo: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)
Pena - detenção, de um a três anos.
Diminuição de pena - Se o agente comete o crime im- Aumento de pena
pelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou § 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de
ainda sob o domínio de violenta emoção, seguida de injus- 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra
ta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de
sexto a um terço. prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as
Lesão corporal culposa – Se o agente não queria o resultado consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em
do ato praticado, mesmo sabendo que tal resultado era previsível. flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada
Violência doméstica - Se a lesão for praticada contra as- de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa me-
cendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou nor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. (Re-
com quem conviva ou tenha convivido; ou ainda prevalecen- dação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)
do-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de § 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá dei-
hospitalidade. Pena: detenção, de três meses a três anos. xar de aplicar a pena, se as consequências da infração atingirem
o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne
PARTE ESPECIAL desnecessária. (Incluído pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977)
TÍTULO I § 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a me-
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA tade se o crime for praticado por milícia privada, sob o pre-
CAPÍTULO I texto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo
DOS CRIMES CONTRA A VIDA de extermínio. (Incluído pela Lei nº 12.720, de 2012)
§ 7o A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um
Homicídio simples terço) até a metade se o crime for praticado: (Incluído pela
Art. 121. Matar alguém: Lei nº 13.104, de 2015)

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NOÇÕES DE DIREITO PENAL

I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores Lesão corporal de natureza grave
ao parto; (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) § 1º Se resulta:
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais
60 (sessenta) anos ou com deficiência; (Incluído pela Lei nº de trinta dias;
13.104, de 2015) II - perigo de vida;
III - na presença de descendente ou de ascendente da III - debilidade permanente de membro, sentido ou
vítima. (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) função;
Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio IV - aceleração de parto:
Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou Pena - reclusão, de um a cinco anos.
prestar-lhe auxílio para que o faça: § 2° Se resulta:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se I - Incapacidade permanente para o trabalho;
consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de II - enfermidade incurável;
suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. III perda ou inutilização do membro, sentido ou fun-
Parágrafo único - A pena é duplicada: ção;
Aumento de pena IV - deformidade permanente;
I - se o crime é praticado por motivo egoístico; V - aborto:
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qual- Pena - reclusão, de dois a oito anos.
quer causa, a capacidade de resistência. Lesão corporal seguida de morte
Infanticídio § 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco
o próprio filho, durante o parto ou logo após: de produzi-lo:
Pena - detenção, de dois a seis anos. Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Aborto provocado pela gestante ou com seu con- Diminuição de pena
sentimento § 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir de relevante valor social ou moral ou sob o domínio de
que outrem lho provoque: (Vide ADPF 54) violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da
Pena - detenção, de um a três anos. vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
Aborto provocado por terceiro Substituição da pena
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante: § 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda
Pena - reclusão, de três a dez anos. substituir a pena de detenção pela de multa, de duzentos
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da mil réis a dois contos de réis:
gestante: (Vide ADPF 54) I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo an-
Pena - reclusão, de um a quatro anos. terior;
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, II - se as lesões são recíprocas.
se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada Lesão corporal culposa
ou debil mental, ou se o consentimento é obtido mediante § 6° Se a lesão é culposa: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)
fraude, grave ameaça ou violência Pena - detenção, de dois meses a um ano.
Forma qualificada Aumento de pena
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anterio- § 7o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer
res são aumentadas de um terço, se, em consequência do qualquer das hipóteses dos §§ 4o e 6o do art. 121 deste Có-
aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestan- digo. (Redação dada pela Lei nº 12.720, de 2012)
te sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, § 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do
se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte. art. 121.(Redação dada pela Lei nº 8.069, de 1990)
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: Violência Doméstica (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004)
(Vide ADPF 54) § 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, des-
Aborto necessário cendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro agente das relações domésticas, de coabitação ou de hos-
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é pre- pitalidade: (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)
cedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. (Re-
de seu representante legal. dação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo,
CAPÍTULO II se as circunstâncias são as indicadas no § 9o deste artigo,
DAS LESÕES CORPORAIS aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). (Incluído pela Lei nº
10.886, de 2004)
Lesão corporal § 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será au-
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde mentada de um terço se o crime for cometido contra pes-
de outrem: soa portadora de deficiência. (Incluído pela Lei nº 11.340,
Pena - detenção, de três meses a um ano. de 2006)

19
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou § 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza
agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Fede- grave:
ral, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Pena - detenção, de um a três anos.
Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrên- § 2º - Se resulta a morte:
cia dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente Pena - detenção, de dois a seis anos.
consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição, Omissão de socorro
a pena é aumentada de um a dois terços. (Incluído pela Lei Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando pos-
nº 13.142, de 2015) sível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou
extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo
CAPÍTULO III ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos,
DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE o socorro da autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Perigo de contágio venéreo Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se
Art. 130 - Expor alguém, por meio de relações sexuais da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e tri-
ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea, plicada, se resulta a morte.
de que sabe ou deve saber que está contaminado: Condicionamento de atendimento médico-hospi-
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. talar emergencial (Incluído pela Lei nº 12.653, de 2012).
§ 1º - Se é intenção do agente transmitir a moléstia: Art. 135-A. Exigir cheque-caução, nota promissória ou
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. qualquer garantia, bem como o preenchimento prévio de
§ 2º - Somente se procede mediante representação. formulários administrativos, como condição para o atendi-
Perigo de contágio de moléstia grave mento médico-hospitalar emergencial: (Incluído pela Lei nº
Art. 131 - Praticar, com o fim de transmitir a outrem 12.653, de 2012).
moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de pro- Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e
duzir o contágio: multa. (Incluído pela Lei nº 12.653, de 2012).
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. Parágrafo único. A pena é aumentada até o dobro se
Perigo para a vida ou saúde de outrem da negativa de atendimento resulta lesão corporal de na-
Art. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo tureza grave, e até o triplo se resulta a morte. (Incluído pela
direto e iminente: Lei nº 12.653, de 2012).
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não Maus-tratos
constitui crime mais grave. Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa
Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de edu-
um terço se a exposição da vida ou da saúde de outrem a cação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de
perigo decorre do transporte de pessoas para a prestação alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-
de serviços em estabelecimentos de qualquer natureza, -a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de
em desacordo com as normas legais. (Incluído pela Lei nº meios de correção ou disciplina:
9.777, de 1998) Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa.
Abandono de incapaz  § 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza
Art. 133 - Abandonar pessoa que está sob seu cui- grave:
dado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer Pena - reclusão, de um a quatro anos.
motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do § 2º - Se resulta a morte:
abandono: Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Pena - detenção, de seis meses a três anos. § 3º - Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é
§ 1º - Se do abandono resulta lesão corporal de natu- praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos. (In-
reza grave: cluído pela Lei nº 8.069, de 1990)
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 2º - Se resulta a morte: CAPÍTULO IV
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. DA RIXA
Aumento de pena
§ 3º - As penas cominadas neste artigo aumentam-se Rixa
de um terço: Art. 137 - Participar de rixa, salvo para separar os con-
I - se o abandono ocorre em lugar ermo; tendores:
II - se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou mul-
irmão, tutor ou curador da vítima. ta.
III – se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos (Incluído Parágrafo único - Se ocorre morte ou lesão corporal
pela Lei nº 10.741, de 2003) de natureza grave, aplica-se, pelo fato da participação na
Exposição ou abandono de recém-nascido rixa, a pena de detenção, de seis meses a dois anos.
Art. 134 - Expor ou abandonar recém-nascido, para
ocultar desonra própria:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

20
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

CAPÍTULO V Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante


DOS CRIMES CONTRA A HONRA paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena em
dobro.
Calúnia Exclusão do crime
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação puní-
fato definido como crime: vel:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa,
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a pela parte ou por seu procurador;
imputação, a propala ou divulga. II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística
§ 2º - É punível a calúnia contra os mortos. ou científica, salvo quando inequívoca a intenção de inju-
Exceção da verdade riar ou difamar;
§ 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo: III - o conceito desfavorável emitido por funcionário
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação pri- público, em apreciação ou informação que preste no cum-
vada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecor- primento de dever do ofício.
rível; Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indi- pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade.
cadas no nº I do art. 141; Retratação
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se re-
ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. trata cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento
Difamação de pena.
Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensi- Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha
vo à sua reputação: praticado a calúnia ou a difamação utilizando-se de meios
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim desejar o
Exceção da verdade ofendido, pelos mesmos meios em que se praticou a ofen-
Parágrafo único - A exceção da verdade somente se sa. (Incluído pela Lei nº 13.188, de 2015)
admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere
relativa ao exercício de suas funções. calúnia, difamação ou injúria, quem se julga ofendido pode
Injúria pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela
ou o decoro: ofensa.
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena: se procede mediante queixa, salvo quando, no caso do art.
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou 140, § 2º, da violência resulta lesão corporal.
diretamente a injúria; Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do
II - no caso de retorsão imediata, que consista em ou- Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do art. 141
tra injúria. deste Código, e mediante representação do ofendido, no
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, caso do inciso II do mesmo artigo, bem como no caso do
que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se consi- § 3o do art. 140 deste Código. (Redação dada pela Lei nº
derem aviltantes: 12.033. de 2009)
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa,
além da pena correspondente à violência. CAPÍTULO VI
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos re- DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL
ferentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de SEÇÃO I
pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL
pela Lei nº 10.741, de 2003)
Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído Constrangimento ilegal
pela Lei nº 9.459, de 1997) Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou
Disposições comuns grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qual-
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumen- quer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o
tam-se de um terço, se qualquer dos crimes é cometido: que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda:
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
de governo estrangeiro; Aumento de pena
II - contra funcionário público, em razão de suas fun- § 1º - As penas aplicam-se cumulativamente e em do-
ções; bro, quando, para a execução do crime, se reúnem mais de
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que três pessoas, ou há emprego de armas.
facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria. § 2º - Além das penas cominadas, aplicam-se as cor-
IV – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou por- respondentes à violência.
tadora de deficiência, exceto no caso de injúria. (Incluído § 3º - Não se compreendem na disposição deste ar-
pela Lei nº 10.741, de 2003) tigo:

21
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consenti- Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar,
mento do paciente ou de seu representante legal, se justi- transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa, mediante gra-
ficada por iminente perigo de vida; ve ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a fina-
II - a coação exercida para impedir suicídio. lidade de: (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
Ameaça I - remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo; (In-
Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou cluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe II - submetê-la a trabalho em condições análogas à de
mal injusto e grave: escravo; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. III - submetê-la a qualquer tipo de servidão; (Incluído
Parágrafo único - Somente se procede mediante re- pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
presentação. IV - adoção ilegal; ou (Incluído pela Lei nº 13.344, de
Sequestro e cárcere privado 2016) (Vigência)
Art. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante V - exploração sexual. (Incluído pela Lei nº 13.344, de
sequestro ou cárcere privado: (Vide Lei nº 10.446, de 2002) 2016) (Vigência)
Pena - reclusão, de um a três anos. Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
§ 1º - A pena é de reclusão, de dois a cinco anos: (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
I – se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou § 1o A pena é aumentada de um terço até a metade se:
companheiro do agente ou maior de 60 (sessenta) anos; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
(Redação dada pela Lei nº 11.106, de 2005) I - o crime for cometido por funcionário público no
II - se o crime é praticado mediante internação da víti- exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-las; (In-
ma em casa de saúde ou hospital; cluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
III - se a privação da liberdade dura mais de quinze II - o crime for cometido contra criança, adolescente
dias. ou pessoa idosa ou com deficiência; (Incluído pela Lei nº
IV – se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoi- 13.344, de 2016) (Vigência)
to) anos; (Incluído pela Lei nº 11.106, de 2005) III - o agente se prevalecer de relações de parentes-
V – se o crime é praticado com fins libidinosos. (Incluí- co, domésticas, de coabitação, de hospitalidade, de de-
do pela Lei nº 11.106, de 2005) pendência econômica, de autoridade ou de superioridade
§ 2º - Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou hierárquica inerente ao exercício de emprego, cargo ou
da natureza da detenção, grave sofrimento físico ou moral: função; ou (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
Pena - reclusão, de dois a oito anos. IV - a vítima do tráfico de pessoas for retirada do ter-
Redução a condição análoga à de escravo ritório nacional. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vi-
Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de es- gência)
cravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jor- § 2o A pena é reduzida de um a dois terços se o agente
nada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradan- for primário e não integrar organização criminosa. (Incluído
tes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)
locomoção em razão de dívida contraída com o empre-
gador ou preposto: (Redação dada pela Lei nº 10.803, de SEÇÃO II
11.12.2003) DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMI-
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da CÍLIO
pena correspondente à violência. (Redação dada pela Lei
nº 10.803, de 11.12.2003) Violação de domicílio
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem: (Incluído pela Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou as-
Lei nº 10.803, de 11.12.2003) tuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de
I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências:
parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de tra- Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
balho; (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) § 1º - Se o crime é cometido durante a noite, ou em
II – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho lugar ermo, ou com o emprego de violência ou de arma, ou
ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do tra- por duas ou mais pessoas:
balhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. (Incluí- Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da
do pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) pena correspondente à violência.
§ 2o A pena é aumentada de metade, se o crime é co- § 2º - Aumenta-se a pena de um terço, se o fato é
metido: (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) cometido por funcionário público, fora dos casos legais, ou
I – contra criança ou adolescente; (Incluído pela Lei nº com inobservância das formalidades estabelecidas em lei,
10.803, de 11.12.2003) ou com abuso do poder.
II – por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, reli- § 3º - Não constitui crime a entrada ou permanência
gião ou origem. (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) em casa alheia ou em suas dependências:
Tráfico de Pessoas (Incluído pela Lei nº 13.344, de I - durante o dia, com observância das formalidades
2016) (Vigência) legais, para efetuar prisão ou outra diligência;

22
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

II - a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum possa produzir dano a outrem:
crime está sendo ali praticado ou na iminência de o ser. Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 4º - A expressão «casa» compreende: § 1º Somente se procede mediante representação. (Pa-
I - qualquer compartimento habitado; rágrafo único renumerado pela Lei nº 9.983, de 2000)
II - aposento ocupado de habitação coletiva; § 1o-A. Divulgar, sem justa causa, informações sigilosas
III - compartimento não aberto ao público, onde al- ou reservadas, assim definidas em lei, contidas ou não nos
guém exerce profissão ou atividade. sistemas de informações ou banco de dados da Adminis-
§ 5º - Não se compreendem na expressão «casa»: tração Pública: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e mul-
coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do n.º II do pa- ta. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
rágrafo anterior; § 2o Quando resultar prejuízo para a Administração
II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero. Pública, a ação penal será incondicionada. (Incluído pela
Lei nº 9.983, de 2000)
SEÇÃO III Violação do segredo profissional
DOS CRIMES CONTRA A Art. 154 - Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de
INVIOLABILIDADE DE CORRESPONDÊNCIA que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou
profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem:
Violação de correspondência Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Art. 151 - Devassar indevidamente o conteúdo de cor- Parágrafo único - Somente se procede mediante re-
respondência fechada, dirigida a outrem: presentação.
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. Invasão de dispositivo informático (Incluído pela Lei
Sonegação ou destruição de correspondência nº 12.737, de 2012) Vigência
§ 1º - Na mesma pena incorre: Art. 154-A. Invadir dispositivo informático alheio, co-
I - quem se apossa indevidamente de correspondên- nectado ou não à rede de computadores, mediante vio-
cia alheia, embora não fechada e, no todo ou em parte, a lação indevida de mecanismo de segurança e com o fim
sonega ou destrói; de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem
Violação de comunicação telegráfica, radioelétrica autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou
ou telefônica instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita: (In-
II - quem indevidamente divulga, transmite a outrem cluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência
ou utiliza abusivamente comunicação telegráfica ou ra- Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e mul-
dioelétrica dirigida a terceiro, ou conversação telefônica ta. (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência
entre outras pessoas; § 1o Na mesma pena incorre quem produz, oferece,
III - quem impede a comunicação ou a conversação distribui, vende ou difunde dispositivo ou programa de
referidas no número anterior; computador com o intuito de permitir a prática da conduta
IV - quem instala ou utiliza estação ou aparelho ra- definida no  caput. (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012)
dioelétrico, sem observância de disposição legal. Vigência
§ 2º - As penas aumentam-se de metade, se há dano § 2o Aumenta-se a pena de um sexto a um terço se da
para outrem. invasão resulta prejuízo econômico. (Incluído pela Lei nº
§ 3º - Se o agente comete o crime, com abuso de função 12.737, de 2012) Vigência
em serviço postal, telegráfico, radioelétrico ou telefônico: § 3o Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo
Pena - detenção, de um a três anos. de comunicações eletrônicas privadas, segredos comerciais
§ 4º - Somente se procede mediante representação, ou industriais, informações sigilosas, assim definidas em lei,
salvo nos casos do § 1º, IV, e do § 3º. ou o controle remoto não autorizado do dispositivo invadi-
Correspondência comercial do: (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência
Art. 152 - Abusar da condição de sócio ou empregado Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
de estabelecimento comercial ou industrial para, no todo multa, se a conduta não constitui crime mais grave. (Incluí-
ou em parte, desviar, sonegar, subtrair ou suprimir corres- do pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência
pondência, ou revelar a estranho seu conteúdo: § 4o Na hipótese do § 3o, aumenta-se a pena de um
Pena - detenção, de três meses a dois anos. a dois terços se houver divulgação, comercialização ou
Parágrafo único - Somente se procede mediante re- transmissão a terceiro, a qualquer título, dos dados ou in-
presentação. formações obtidos. (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012)
SEÇÃO IV Vigência
DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DOS SE- § 5o Aumenta-se a pena de um terço à metade se o
GREDOS crime for praticado contra: (Incluído pela Lei nº 12.737, de
2012) Vigência
Divulgação de segredo I - Presidente da República, governadores e prefeitos;
Art. 153 - Divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência
de documento particular ou de correspondência confiden- II - Presidente do Supremo Tribunal Federal; (Incluído
cial, de que é destinatário ou detentor, e cuja divulgação pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência

23
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

III - Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado § 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a
Federal, de Assembleia Legislativa de Estado, da Câmara subtração for de veículo automotor que venha a ser trans-
Legislativa do Distrito Federal ou de Câmara Municipal; ou portado para outro Estado ou para o exterior. (Incluído pela
(Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência Lei nº 9.426, de 1996)
IV - dirigente máximo da administração direta e indi- § 6o A pena é de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos se
reta federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal. (In- a subtração for de semovente domesticável de produção,
cluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência ainda que abatido ou dividido em partes no local da sub-
Ação penal (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vi- tração. (Incluído pela Lei nº 13.330, de 2016)
gência § 7º A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos
Art. 154-B. Nos crimes definidos no art. 154-A, somen- e multa, se a subtração for de substâncias explosivas ou de
te se procede mediante representação, salvo se o crime é acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua
cometido contra a administração pública direta ou indireta fabricação, montagem ou emprego. (Incluído pela Lei nº
13.654, de 2018)
de qualquer dos Poderes da União, Estados, Distrito Fede-
ral ou Municípios ou contra empresas concessionárias de
Furto de coisa comum
serviços públicos. (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vi-
gência Art. 156 - Subtrair o condômino, coerdeiro ou sócio,
para si ou para outrem, a quem legitimamente a detém, a
coisa comum:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO; § 1º - Somente se procede mediante representação.
§ 2º - Não é punível a subtração de coisa comum fun-
gível, cujo valor não excede a quota a que tem direito o
agente.
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO.
CAPÍTULO II
TÍTULO II DO ROUBO E DA EXTORSÃO
DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
CAPÍTULO I Roubo
DO FURTO Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para
outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou
Furto depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossi-
bilidade de resistência:
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
móvel: § 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de
subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou gra-
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. ve ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a
§ 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é detenção da coisa para si ou para terceiro.
§ 2º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade:
praticado durante o repouso noturno.
(Redação dada pela Lei nº 13.654, de 2018)
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor
I – (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.654, de
a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão 2018)
pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
somente a pena de multa. III - se a vítima está em serviço de transporte de valo-
§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou res e o agente conhece tal circunstância.
qualquer outra que tenha valor econômico. IV - se a subtração for de veículo automotor que venha
a ser transportado para outro Estado ou para o exterior;
Furto qualificado (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restrin-
se o crime é cometido: gindo sua liberdade. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à sub- VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou
tração da coisa; de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, es- sua fabricação, montagem ou emprego. (Incluído pela Lei
calada ou destreza; nº 13.654, de 2018)
III - com emprego de chave falsa; § 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços): (Incluí-
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas. do pela Lei nº 13.654, de 2018)
§ 4º-A A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego
de arma de fogo; (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
anos e multa, se houver emprego de explosivo ou de arte-
II – se há destruição ou rompimento de obstáculo me-
fato análogo que cause perigo comum. (Incluído pela Lei
diante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que
nº 13.654, de 2018)
cause perigo comum. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)

24
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

§ 3º Se da violência resulta: (Redação dada pela Lei nº CAPÍTULO III


13.654, de 2018) DA USURPAÇÃO
I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7
(sete) a 18 (dezoito) anos, e multa; (Incluído pela Lei nº Alteração de limites
13.654, de 2018)
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 Art. 161 - Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou
(trinta) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018) qualquer outro sinal indicativo de linha divisória, para
apropriar-se, no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia:
Extorsão Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou § 1º - Na mesma pena incorre quem:
grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para ou-
trem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se Usurpação de águas
faça ou deixar de fazer alguma coisa: I - desvia ou represa, em proveito próprio ou de ou-
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. trem, águas alheias;
§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas,
ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de um terço Esbulho possessório
II - invade, com violência a pessoa ou grave ameaça,
até metade.
ou mediante concurso de mais de duas pessoas, terreno ou
§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violên-
edifício alheio, para o fim de esbulho possessório.
cia o disposto no § 3º do artigo anterior. Vide Lei nº 8.072,
§ 2º - Se o agente usa de violência, incorre também na
de 25.7.90
pena a esta cominada.
§ 3o Se o crime é cometido mediante a restrição da § 3º - Se a propriedade é particular, e não há emprego
liberdade da vítima, e essa condição é necessária para a de violência, somente se procede mediante queixa.
obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão,
de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão Supressão ou alteração de marca em animais
corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no
art. 159, §§ 2o e 3o, respectivamente. (Incluído pela Lei nº Art. 162 - Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado
11.923, de 2009) ou rebanho alheio, marca ou sinal indicativo de proprie-
dade:
Extorsão mediante sequestro
Art. 159 - Sequestrar pessoa com o fim de obter, para Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa.
si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou
preço do resgate: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90 (Vide Lei nº CAPÍTULO IV
10.446, de 2002) DO DANO
Pena - reclusão, de oito a quinze anos.. (Redação dada
pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990) Dano
§ 1o Se o sequestro dura mais de 24 (vinte e quatro) Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
horas, se o sequestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando
ou quadrilha. Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90 Dano qualificado
Pena - reclusão, de doze a vinte anos. Parágrafo único - Se o crime é cometido:
§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza I - com violência à pessoa ou grave ameaça;
grave: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90 II - com emprego de substância inflamável ou explosi-
Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos. va, se o fato não constitui crime mais grave
§ 3º - Se resulta a morte: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90 III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distri-
to Federal, de Município ou de autarquia, fundação pública,
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos. (Reda-
empresa pública, sociedade de economia mista ou empre-
ção dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)
sa concessionária de serviços públicos; (Redação dada pela
§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concor-
Lei nº 13.531, de 2017)
rente que o denunciar à autoridade, facilitando a libertação IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável
do sequestrado, terá sua pena reduzida de um a dois ter- para a vítima:
ços. (Redação dada pela Lei nº 9.269, de 1996) Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa,
além da pena correspondente à violência.
Extorsão indireta
Art. 160 - Exigir ou receber, como garantia de dívida, Introdução ou abandono de animais em propriedade
abusando da situação de alguém, documento que pode alheia
dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou con- Art. 164 - Introduzir ou deixar animais em propriedade
tra terceiro: alheia, sem consentimento de quem de direito, desde que
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. o fato resulte prejuízo:
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, ou multa.

25
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou his- § 2o É extinta a punibilidade se o agente, espontanea-
tórico mente, declara, confessa e efetua o pagamento das contri-
buições, importâncias ou valores e presta as informações
Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tomba- devidas à previdência social, na forma definida em lei ou
da pela autoridade competente em virtude de valor artísti- regulamento, antes do início da ação fiscal. (Incluído pela
co, arqueológico ou histórico: Lei nº 9.983, de 2000)
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. § 3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou
aplicar somente a de multa se o agente for primário e de
Alteração de local especialmente protegido bons antecedentes, desde que: (Incluído pela Lei nº 9.983,
Art. 166 - Alterar, sem licença da autoridade compe- de 2000)
tente, o aspecto de local especialmente protegido por lei: I – tenha promovido, após o início da ação fiscal e an-
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa. tes de oferecida a denúncia, o pagamento da contribuição
social previdenciária, inclusive acessórios; ou (Incluído pela
Ação penal Lei nº 9.983, de 2000)
Art. 167 - Nos casos do art. 163, do inciso IV do seu pa- II – o valor das contribuições devidas, inclusive aces-
sórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previ-
rágrafo e do art. 164, somente se procede mediante queixa.
dência social, administrativamente, como sendo o mínimo
para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (Incluído pela
CAPÍTULO V
Lei nº 9.983, de 2000)
DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA
§ 4o A faculdade prevista no § 3o deste artigo não se
aplica aos casos de parcelamento de contribuições cujo
Apropriação indébita valor, inclusive dos acessórios, seja superior àquele esta-
belecido, administrativamente, como sendo o mínimo para
Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que o ajuizamento de suas execuções fiscais. (Incluído pela Lei
tem a posse ou a detenção: nº 13.606, de 2018)
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito ou
Aumento de pena força da natureza
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, quando o Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda
agente recebeu a coisa: ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza:
I - em depósito necessário; Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
II -na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, Parágrafo único - Na mesma pena incorre:
inventariante, testamenteiro ou depositário judicial; Apropriação de tesouro
III - em razão de ofício, emprego ou profissão. I - quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria,
no todo ou em parte, da quota a que tem direito o proprie-
Apropriação indébita previdenciária (Incluído pela Lei tário do prédio;
nº 9.983, de 2000)
Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as Apropriação de coisa achada
contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e for- II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria,
ma legal ou convencional: (Incluído pela Lei nº 9.983, de total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono ou
2000) legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade compe-
tente, dentro no prazo de quinze dias.
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Art. 170 - Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-
-se o disposto no art. 155, § 2º.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem deixar de: (In-
cluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
CAPÍTULO VI
I – recolher, no prazo legal, contribuição ou outra im-
DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES
portância destinada à previdência social que tenha sido
descontada de pagamento efetuado a segurados, a tercei- Estelionato
ros ou arrecadada do público; (Incluído pela Lei nº 9.983, Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem
de 2000) ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém
II – recolher contribuições devidas à previdência so- em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio
cial que tenham integrado despesas contábeis ou custos fraudulento:
relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços; Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de qui-
(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) nhentos mil réis a dez contos de réis.
III - pagar benefício devido a segurado, quando as res- § 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor
pectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados à o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto
empresa pela previdência social. (Incluído pela Lei nº 9.983, no art. 155, § 2º.
de 2000) § 2º - Nas mesmas penas incorre quem:

26
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Disposição de coisa alheia como própria Fraude no comércio


I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou Art. 175 - Enganar, no exercício de atividade comercial,
em garantia coisa alheia como própria; o adquirente ou consumidor:
Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria I - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria
II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia falsificada ou deteriorada;
coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou imó- II - entregando uma mercadoria por outra:
vel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
prestações, silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias; § 1º - Alterar em obra que lhe é encomendada a qua-
lidade ou o peso de metal ou substituir, no mesmo caso,
Defraudação de penhor pedra verdadeira por falsa ou por outra de menor valor;
III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo vender pedra falsa por verdadeira; vender, como precioso,
credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando metal de ou outra qualidade:
tem a posse do objeto empenhado;
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
Fraude na entrega de coisa
§ 2º - É aplicável o disposto no art. 155, § 2º.
IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de
coisa que deve entregar a alguém;
Fraude para recebimento de indenização ou valor de se- Outras fraudes
guro Art. 176 - Tomar refeição em restaurante, alojar-se em
V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, hotel ou utilizar-se de meio de transporte sem dispor de
ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as consequên- recursos para efetuar o pagamento:
cias da lesão ou doença, com o intuito de haver indenização Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou mul-
ou valor de seguro; ta.
Parágrafo único - Somente se procede mediante re-
Fraude no pagamento por meio de cheque presentação, e o juiz pode, conforme as circunstâncias, dei-
VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em xar de aplicar a pena.
poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento.
§ 3º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é come- Fraudes e abusos na fundação ou administração de
tido em detrimento de entidade de direito público ou de ins- sociedade por ações
tituto de economia popular, assistência social ou beneficência. Art. 177 - Promover a fundação de sociedade por
ações, fazendo, em prospecto ou em comunicação ao pú-
Estelionato contra idoso blico ou à assembleia, afirmação falsa sobre a constituição
§ 4o Aplica-se a pena em dobro se o crime for cometido
da sociedade, ou ocultando fraudulentamente fato a ela
contra idoso. (Incluído pela Lei nº 13.228, de 2015)
relativo:
Duplicata simulada Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, se o
Art. 172 - Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que fato não constitui crime contra a economia popular.
não corresponda à mercadoria vendida, em quantidade ou § 1º - Incorrem na mesma pena, se o fato não constitui
qualidade, ou ao serviço prestado. (Redação dada pela Lei nº crime contra a economia popular: (Vide Lei nº 1.521, de
8.137, de 27.12.1990) 1951)
Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. I - o diretor, o gerente ou o fiscal de sociedade por
(Redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990) ações, que, em prospecto, relatório, parecer, balanço ou
comunicação ao público ou à assembleia, faz afirmação fal-
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrerá aquele sa sobre as condições econômicas da sociedade, ou oculta
que falsificar ou adulterar a escrituração do Livro de Registro fraudulentamente, no todo ou em parte, fato a elas relativo;
de Duplicatas. (Incluído pela Lei nº 5.474. de 1968) II - o diretor, o gerente ou o fiscal que promove, por
qualquer artifício, falsa cotação das ações ou de outros tí-
Abuso de incapazes tulos da sociedade;
Art. 173 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, de ne- III - o diretor ou o gerente que toma empréstimo à
cessidade, paixão ou inexperiência de menor, ou da alienação sociedade ou usa, em proveito próprio ou de terceiro, dos
ou debilidade mental de outrem, induzindo qualquer deles à bens ou haveres sociais, sem prévia autorização da assem-
prática de ato suscetível de produzir efeito jurídico, em prejuí-
bleia geral;
zo próprio ou de terceiro:
IV - o diretor ou o gerente que compra ou vende, por
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
conta da sociedade, ações por ela emitidas, salvo quando
Induzimento à especulação a lei o permite;
Art. 174 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, da V - o diretor ou o gerente que, como garantia de cré-
inexperiência ou da simplicidade ou inferioridade mental dito social, aceita em penhor ou em caução ações da pró-
de outrem, induzindo-o à prática de jogo ou aposta, ou à pria sociedade;
especulação com títulos ou mercadorias, sabendo ou de- VI - o diretor ou o gerente que, na falta de balanço, em
vendo saber que a operação é ruinosa: desacordo com este, ou mediante balanço falso, distribui
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. lucros ou dividendos fictícios;

27
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

VII - o diretor, o gerente ou o fiscal que, por interposta § 6o Tratando-se de bens do patrimônio da União, de
pessoa, ou conluiado com acionista, consegue a aprovação Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia,
de conta ou parecer; fundação pública, empresa pública, sociedade de econo-
VIII - o liquidante, nos casos dos ns. I, II, III, IV, V e VII; mia mista ou empresa concessionária de serviços públicos,
IX - o representante da sociedade anônima estrangei- aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste artigo.
ra, autorizada a funcionar no País, que pratica os atos men- (Redação dada pela Lei nº 13.531, de 2017)
cionados nos ns. I e II, ou dá falsa informação ao Governo.
§ 2º - Incorre na pena de detenção, de seis meses a Receptação de animal
dois anos, e multa, o acionista que, a fim de obter vanta-
gem para si ou para outrem, negocia o voto nas delibera- Art. 180-A. Adquirir, receber, transportar, conduzir,
ções de assembleia geral. ocultar, ter em depósito ou vender, com a finalidade de
produção ou de comercialização, semovente domesticá-
Emissão irregular de conhecimento de depósito ou vel de produção, ainda que abatido ou dividido em partes,
“warrant” que deve saber ser produto de crime: (Incluído pela Lei nº
Art. 178 - Emitir conhecimento de depósito ou war- 13.330, de 2016)
rant, em desacordo com disposição legal:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
(Incluído pela Lei nº 13.330, de 2016)
Fraude à execução
Art. 179 - Fraudar execução, alienando, desviando,
destruindo ou danificando bens, ou simulando dívidas: CAPÍTULO VIII
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. DISPOSIÇÕES GERAIS
Parágrafo único - Somente se procede mediante quei-
xa. Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer
dos crimes previstos neste título, em prejuízo: (Vide Lei nº
CAPÍTULO VII 10.741, de 2003)
DA RECEPTAÇÃO I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;
II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco
Receptação legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural.

Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou Art. 182 - Somente se procede mediante representa-
ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser ção, se o crime previsto neste título é cometido em prejuí-
produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a zo: (Vide Lei nº 10.741, de 2003)
adquira, receba ou oculte: I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado;
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. II - de irmão, legítimo ou ilegítimo;
III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita.
Receptação qualificada
§ 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocul- Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos
tar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, anteriores:
expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em ge-
próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou ral, quando haja emprego de grave ameaça ou violência à
industrial, coisa que deve saber ser produto de crime: pessoa;
Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa. II - ao estranho que participa do crime.
§ 2º - Equipara-se à atividade comercial, para efeito do III – se o crime é praticado contra pessoa com idade
parágrafo anterior, qualquer forma de comércio irregular igual ou superior a 60 (sessenta) anos.
ou clandestino, inclusive o exercício em residência.
§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua nature- CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
za ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela
condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por O Título II da parte especial do Código Penal Brasileiro,
meio criminoso: faz referências aos Crimes Contra o Patrimônio.
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou
ambas as penas. Considera-se patrimônio de uma pessoa, os bens, o
§ 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido poderio econômico, a universalidade de direitos que te-
ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa. nham expressão econômica para a pessoa. Considera-se
§ 5º - Na hipótese do § 3º, se o criminoso é primá- em geral, o patrimônio como universalidade de direitos.
rio, pode o juiz, tendo em consideração as circunstâncias, Vale dizer como uma unidade abstrata, distinta, diferente
deixar de aplicar a pena. Na receptação dolosa aplica-se o dos elementos que a compõem isoladamente considera-
disposto no § 2º do art. 155. dos.

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NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Além desse conceito jurídico, que é próprio do direito O crime de furto pode ser praticado também através
privado, há uma noção econômica de patrimônio e, segun- de animais amestrados, instrumentos etc. Esse crime será
do a qual, ele consiste num complexo de bens, através dos de apossamento indireto, devido ao emprego de animais,
quais o homem satisfaz suas necessidades. caso contrário é de apossamento direto.

Cabe lembrar, que o direito penal em relação ao direito Reina uma única controvérsia, tendo em vista o desen-
civil, ao direito econômico, ele é autônomo e constitutivo, volvimento da tecnologia, quanto a subtração praticada
e por isso mesmo quando tutela bens e interesses jurídicos com o auxílio da informática, se ela resultaria de furto ou
já tutelados por outros ramos do direito, ele o faz com au- crime de estelionato. Tenho para mim, que não podemos
tonomia e de um modo peculiar. “aprioristicamente” ter o uso da informática como meio de
cometimento de furto ou mesmo estelionato, pois é pre-
A tutela jurídica do patrimônio no âmbito do Códi- ciso analisar, a cada conduta, não apenas a intenção do
go Penal Brasileiro, é sem duvida extensamente realizada, agente, mas o modo de operação do agente através da
mas não se pode perder jamais em conta, a necessidade informática.
de que no conceito de patrimônio esteja envolvida uma
noção econômica, um noção de valor material econômico O objeto material do furto é a coisa alheia móvel. Coisa
do bem. em direito penal representa qualquer substância corpórea,
seja ela material ou materializável, ainda que não tangí-
FURTO vel, suscetível de apreciação e transporte, incluindo aqui os
corpos gasosos, os instrumentos , os títulos, etc.
O primeiro é o crime de furto descrito no artigo 155
do Código Penal Brasileiro, em sua forma básica: “subtrair, O homem não pode ser objeto material de furto, con-
para si ou para outrem, coisa alheia móvel: pena – reclusão, forme o fato, o agente pode responder por sequestro ou
de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa”. cárcere privado, conforme artigo 148 do Código Penal Bra-
sileiro, ou subtração de incapazes.
O conceito de furto pode ser expresso nas seguintes
palavras: furto é a subtração de coisa alheia móvel para Afirma-se na doutrina que somente pode ser objeto de
si ou para outrem sem a pratica de violência ou de grave furto a coisa que tiver relevância econômica, ou seja, va-
ameaça ou de qualquer espécie de constrangimento físi- lor de troca, incluindo no conceito, a ideia de valor afetivo
co ou moral à pessoa. Significa, pois o assenhoramento da (o que eu acho que não tem validade jurídica penal). Já a
coisa com fim de apoderar-se dela com ânimo definitivo. jurisprudência invoca o princípio da insignificância, consi-
derando que se a coisa furtada tem valor monetário irrisó-
Quanto a objetividade jurídica do furto é preciso res- rio, ficará eliminada a antijuridicidade do delito e, portanto,
saltar uma divergência na doutrina: entende-se que é pro- não ficará caracterizado o crime.
tegida diretamente a posse e indiretamente a propriedade
ou, em sentido contrário, que a incriminação no caso de Furto é crime material, não existindo sem que haja
furto, visa essencial ou principalmente a tutela da proprie- desfalque do patrimônio alheio. Coisa alheia é a que não
dade e não da posse. É inegável que o dispositivo protege pertence ao agente, nem mesmo parcialmente. Por essa ra-
não só a propriedade como a posse, seja ela direta ou indi- zão não comete furto e sim o crime contido no artigo 346
reta além da própria detenção. (Subtração ou Dano de Coisa Própria em Poder de Terceiro)
do Código Penal Brasileiro, o proprietário que subtrai coisa
Devemos si ter primeiro o bem jurídico daquele que é sua que está em poder legitimo de outro.
afetado imediatamente pela conduta criminosa. Vale dizer
que a vítima de furto não é necessariamente o proprietário O crime de furto é cometido através do dolo que é a
da coisa subtraída, podendo recair a sujeição passiva sobre vontade livre e consciente de subtrair, acrescido do ele-
o mero detentor ou possuidor da coisa. mento subjetivo do injusto também chamado de “dolo
específico”, que no crime de furto está representado pela
Qualquer pessoa pode praticar o crime de furto, não ideia de finalidade do agente, contida da expressão “para
exige além do sujeito ativo qualquer circunstância pessoal si ou para outrem”. Independe, todavia de intuito, objetivo
específica. Vale a mesma coisa para o sujeito passivo do cri- de lucro por parte do agente, que pode atuar por vingança,
me, sendo ela física ou jurídica, titular da posse, detenção capricho, liberalidade.
ou da propriedade.
O consentimento da vítima na subtração elide o crime,
O núcleo do tipo é subtrair, que significa tirar, retirar, já que o patrimônio é um bem disponível, mas se ele ocorre
abrangendo mesmo o apossamento à vista do possuidor depois da consumação, é evidente que sobrevivi o ilícito
ou proprietário. penal.

29
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

O delito de furto também pode ser praticado entre: É furto agravado ou qualificado o praticado durante
cônjuges, ascendentes e descendentes, tios e sobrinhos, o repouso noturno, aumenta-se de 1/3 artigo 155 §1º, a
entre irmãos. razão da majorante está ligada ao maior perigo que está
submetido o bem jurídico diante da precariedade de vigi-
O direito romano não admitia, nesses casos, a ação lância por parte de seu titular.
penal. Já o direito moderno não proíbe o procedimento Basta que ocorra a cessação da vigilância da vítima,
penal, mas isenta de pena, como elemento de preservação que, dormindo, não poderá efetivá-la com a segurança e
da vida familiar. a amplitude com que a faria, caso estivesse acordada, para
que se configure a agravante do repouso noturno.
Para se definir o momento da consumação, existem Repouso noturno é o tempo em que a cidade repousa,
duas posições: é variável, dependendo do local e dos costumes.
É discutida pela doutrina e pela jurisprudência a cerca
1) atinge a consumação no momento em que o objeto da necessidade do lugar, ser habitado ou não, para se dar
material é retirado de posse e disponibilidade do sujeito a agravante. A jurisprudência dominante nos tribunais é no
passivo, ingressando na livre disponibilidade do autor, ain- sentido de excluir a agravante, se o furto é praticado em
da que não obtenha a posse tranquila; lugar desabitado, pois evidente se praticado desta forma
2) quando exige-se a posse tranquila, ainda que por não haveria, mesmo durante a época o momento do não
breve tempo. repouso, a possibilidade de vigilância que continuaria a ser
tão precária quanto este momento de repouso.
Temos a seguinte classificação para o crime de furto: Porém, como diz o mestre Magalhães Noronha “para
comum quanto ao sujeito, doloso, de forma livre, comissivo nós, existe a agravante quando o furto se dá durante o
de dano, material e instantâneo. tempo em que a cidade ou local repousa, o que não impor-
A ação penal é pública incondicionada, exceto nas hi- ta necessariamente seja a casa habitada ou estejam seus
póteses do artigo 182 do Código Penal Brasileiro, que é moradores dormido. Podem até estar ausente, ou desabi-
condicionada à representação. tado o lugar do furto”.
A exposição de motivos como a do mestre Noronha, é
O crime de furto pode ser de quatro espécies: furto a que se iguala ao meu parecer, pois é prevista como agra-
simples, furto noturno, furto privilegiado e furto qualificado vante especial do furto a circunstância de ser o crime prati-
cado durante o período do sossego noturno8, seja ou não
FURTO DE USO habitada a casa, estejam ou não seus moradores dormindo,
cabe a majoração se o delito ocorreu naquele período.
Furto de uso é a subtração de coisa apenas para usu-
fruí-la momentaneamente, está prevista no art. 155 do Có-
Furto em garagem de residência, também há duas po-
digo Penal Brasileiro, para que seja reconhecível o furto de
sições, uma em que incide a qualificadora, da qual o Pro-
uso e não o furto comum, é necessário que a coisa seja
fessor Damásio é partidário, e outra na qual não incide a
restituída, devolvida, ao possuidor, proprietário ou deten-
qualificadora.
tor de que foi subtraída, isto é, que seja reposta no lugar,
para que o proprietário exerça o poder de disposição sobre
a coisa subtraída. Fora daí a exclusão do “animus furandi” FURTO PRIVILEGIADO ou mínimo
dependerá de prova plena a ser oferecida pelo agente.
O furto privilegiado está expresso no § 2º do artigo
Os tribunais tem subordinado o reconhecimento do 155: “Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a
furto de uso a efetiva devolução ou restituição, afirman- coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela
do que há furto comum se a coisa é abandonada em local de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar so-
distante ou diverso ou se não é recolocada na esfera de mente a pena de multa”.
vigilância de seu dono. Há ainda entendimentos que exi- Vale dizer que é uma forma de causa especial de di-
gem que a devolução da coisa, além de ser feita no mesmo minuição de pena. Existem requisitos para que se dê essa
lugar da subtração seja feita em condições de restituição causa especial:
da coisa em sua integridade e aparência interna e externa, - O primeiro requisito para que ocorra o privilégio é ser
assim como era no momento da subtração. o agente primário, ou seja, que não tenha sofrido em razão
de outro crime condenação anterior transitada em julgado.
Vale dizer a coisa devolvida assemelha-se em tudo e - O segundo requisito é ser de pequeno valor a coisa
por tudo em sua aparência interna e externa à coisa sub- subtraída.
traída. A doutrina e a jurisprudência têm exigido além desses
dois requisitos já citados, que o agente não revele persona-
FURTO NOTURNO lidade ou antecedentes comprometedores, indicativos da
existência de probabilidade, de voltar a delinquir.
O Furto Noturno, está previsto no § 1º do artigo 155: A pena pode-se substituir a de reclusão pela de deten-
“apena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado ção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a
durante o repouso noturno”. multa.

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NOÇÕES DE DIREITO PENAL

O § 3º do artigo 155 faz menção à igualdade entre Há ainda a tentativa frustrada. Exemplo A, segue uma
energia elétrica, ou qualquer outra que tenha valor econô- pessoa durante vários dias e subtrai do bolso interno do
mico à coisa móvel, também a caracterizando como crime. paletó da vítima, envelope que acredita conter dinheiro.
Furtado o envelope, A é apanhado, todavia ao chegar na
A jurisprudência considera essa modalidade de furto Delegacia, verifica-se que o envelope estava vazio, pois, a
como crime permanente, pois o agente pratica uma só vítima havia esquecido o dinheiro em casa. O agente será
ação, que se prolonga no tempo. responsabilizado pelo crime nesse exemplo? Não, pois a
ausência do objeto material do delito faz do evento um
FURTO QUALIFICADO crime impossível.
Por fim, há a qualificadora da destreza, que se dá quan-
Em determinadas circunstâncias são destacadas o §4º do a subtração se dá dissimuladamente com especial habi-
lidade por parte do agente, onde a ação, sem emprego de
do art. 155, para configurar furto qualificado, ao qual é co-
violência, em situação em que a vítima, embora consciente
minada pena autônoma sensivelmente mais grave: “reclu-
e alerta, não percebe que está tendo os bens furtados. O
são de 2 à 8 anos seguida de multa”. arrebatamento violento ou inopinado não a configura.
São as seguintes as hipóteses de furto qualificado: A terceira hipótese é o emprego de chave falsa.
Se o crime é cometido com destruição ou rompimento Constitui chave falsa qualquer instrumento ou enge-
de obstáculos à subtração da coisa; está hipótese trata da nho de que se sirva o agente para abrir fechadura e que te-
destruição, isto é, fazer desaparecer em sua individualidade nha ou não o formato de uma chave, podendo ser grampo,
ou romper, quebrar, rasgar, qualquer obstáculo móvel ou pedaço de arame, pinça, gancho, etc. O exame pericial da
imóvel a apreensão e subtração da coisa. chave ou desse instrumento é indispensável para a carac-
A destruição ou rompimento deve dar-se em qualquer terização da qualificadora
momento da execução do crime e não apenas para apreen-
são da coisa. Porém é imprescindível que seja comprovada A Quarta e última hipótese é quando ocorre median-
pericialmente, nem mesmo a confissão do acusado supre te concurso de duas ou mais pessoas, quando praticado
a falta da perícia. nestas circunstâncias, pois isto revela uma maior periculo-
Trata-se de circunstância objetiva e comunicável no sidade dos agentes, que unem seus esforços para o crime.
caso de concurso de pessoas, desde que o seu conteúdo No caso de furto cometido por quadrilha, responde
haja ingressado na esfera do conhecimento dos participan- por quadrilha pelo artigo 288 do Código Penal Brasileiro
seguido de furto simples, ficando excluída a qualificadora,
tes.
Concurso de qualificadoras, o agente incidindo em
A segunda hipótese é quando o crime é cometido com
duas qualificadoras, apenas uma qualifica, podendo servir
abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou des- a outra como agravante comum.
treza. Frise-se, outrossim que, fora incluída uma nova hipó-
Há abuso de confiança quando o agente se prevalece tese de furto qualificado (§4º-A) com uma pena de 4 a 10
de qualidade ou condição pessoal que lhe facilite à pratica anos. Nesse caso, essa pena mais elevada decorre da forma
do furto. Qualifica o crime de furto quando o agente se de execução (emprego de explosivo ou de artefato análo-
serve de algum artifício para fazer a subtração. go) e do perigo criado.
Mediante fraude é o meio enganoso capaz de iludir a O §7º prevê ainda uma figura qualificada que depende
vigilância do ofendido e permitir maior facilidade na sub- do objeto subtraído (e não da forma de execução), isto é,
tração do objeto material. O furto mediante fraude distin- será aplicada a pena mais elevada se a subtração for de
gue-se do estelionato, naquele a fraude é empregada para “substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou
iludir a atenção e vigilância do ofendido, que nem percebe isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou
que a coisa lhe está sendo subtraída; no estelionato, ao emprego”.
contrário, a fraude antecede o apossamento da coisa e é a
causa de sua entrega ao agente pela vítima; esta entrega FURTO DE COISA COMUM
a coisa iludida, pois a fraude motivou seu consentimento. Este crime está definido no art. 156 do Código Penal
É ainda qualificadora a penetração no local do furto Brasileiro, que diz: “Subtrair o condômino, coerdeiro, ou
sócio, para si ou para outrem, a quem legitimamente a de-
por via que normalmente não se usa para o acesso, sendo
tém, a coisa comum: pena – detenção, de 6 (seis) meses à 2
necessário o emprego de meio artificial, é no caso de esca-
(dois) anos, ou multa”.
lada, que não se relaciona necessariamente com a ação de A razão da incriminação é de que o agente subtraia
galgar ou subir. Também deve ser comprovada por meio coisa que pertença também a outrem. Este crime constitui
de perícia, assim como o rompimento de obstáculo. caso especial de furto, distinguindo-se dele apenas as re-
lações existentes entre o agente e o lesado ou os lesados.
Tentativa, é admissível. Via de regra, a prisão em fla- Sujeito ativo, somente pode ser o condômino, copro-
grante indica delito tentado nos casos de furto, por não prietário, coerdeiro ou o sócio. Esta condição é indispen-
chegar o agente a ter a posse tranquila da coisa subtraída, sável e chega a ser uma elementar do crime e por tanto é
que não ultrapassa a esfera de vigilância da vítima. transmitido ao partícipe estranho nos termos do artigo 29
do Código Penal Brasileiro.

31
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Sujeito passivo será sempre o condomínio, coproprie- Consuma-se no momento em que o agente retira o
tário, coerdeiro ou o sócio, não podendo excluir-se o ter- objeto material da esfera de disponibilidade da vítima,
ceiro possuidor legítimo da coisa. mesmo que não haja a posse tranquila.
A vontade de subtrair configura o momento subjetivo, A Lei nº 13.654, de 2018 mudou a redação do § 2º do
fala-se em dolo específico na doutrina, na expressão “para artigo 157,dispondo que a pena no roubo é aumentada de
si ou para outrem”. 1/3 (um terço) até metade, revogando ainda o inciso I do
A pena culminada para furto de coisa comum é alter- referido artigo.
nativa de detenção de 6 (seis) meses à 2 (dois) anos ou A referida Lei incluiu o inciso VI o qual dispõe que, “se
multa. Dá-se ao juiz a margem para individualização da a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios
pena tendo em vista as circunstâncias do caso concreto. que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabrica-
ção, montagem ou emprego.”
ROUBO Sobre este inciso, destaca-se que foi criada uma causa
A ação penal é pública, porém depende de represen- de aumento de pena (majorante) que, no caso de furto,
tação da parte. consiste em qualificadora, como já referido.
Como expresso no artigo 157 do Código Penal Brasi-
leiro: “Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, A Lei incluiu ainda o seguinte texto:
§ 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços): (Incluí-
mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois
do pela Lei nº 13.654, de 2018)
de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego
de resistência: pena – reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) de arma de fogo; (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
anos, e multa”. II – se há destruição ou rompimento de obstáculo me-
Trata-se de crime contra o patrimônio, em que é atingi- diante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que
do também a integridade física ou psíquica da vítima. cause perigo comum. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
É um crime complexo, onde o objeto jurídico imediato § 3º Se da violência resulta: (Redação dada pela Lei nº
do crime é o patrimônio, e tutela-se também a integridade 13.654, de 2018)
corporal, a saúde, a liberdade e na hipótese de latrocínio a I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete)
vida do sujeito passivo. a 18 (dezoito) anos, e multa; (Incluído pela Lei nº 13.654, de
O Roubo também é um delito comum, podendo ser 2018)
cometido por qualquer pessoa, dando-se o mesmo com II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trin-
o sujeito passivo. Pode ocorrer a hipótese de dois sujeitos ta) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
passivos: um que sofre a violência e o titular do direito de
propriedade. O presente parágrafo traz causa de aumento de pena
Como no Furto, a conduta é subtrair, tirar a coisa mó- para o crime de roubo se a violência ou ameaça é exercida
vel alheia, mas faça-se necessário que o agente se utilize com emprego de arma de fogo, deslocada que foi para
de violência, lesões corporais, ou vias de fato, como grave este parágrafo inovador, deixando de aumentar a pena em
ameaça ou de qualquer outro meio que produza a possibi- fração variável de 1/3 até a metade para uma fração fixa da
lidade de resistência do sujeito passivo. ordem de 2/3 (dois terços).
A vontade de subtrair com emprego de violência, gra-
ve ameaça ou outro recurso análogo é o dolo do delito Acerca da tentativa, quanto ao roubo próprio ela é
de roubo. Exige-se porém, o elemento subjetivo do tipo, o admitida, visto podendo ocorrer quando o sujeito, após
chamado dolo específico, idêntico ao do furto, para si ou empregar a violência ou grave ameaça contra a pessoa,
para outrem, é que se dá a subtração. por motivos alheios a sua vontade, não consegue efetuar
a subtração.
Já a tentativa para o crime de roubo impróprio temos
Há uma figura denominada roubo impróprio que vem
duas correntes:
definido no art.157 §1º do Código Penal Brasileiro: “na
Sua classificação doutrinária é de crime comum quanto
mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coi-
ao sujeito, doloso, de forma livre, de dano, material e ins-
sa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a tantâneo. Tendo ação penal pública incondicionada.
fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da
coisa para si ou para terceiro”. Nesse caso a violência ou ROUBO E LESÃO CORPORAL GRAVE
a grave ameaça ocorre após a consumação da subtração, Nos termos do artigo 157 § 3º do Código Penal Brasilei-
visando o agente assegurar a posse da coisa subtraída ou a ra primeira parte, é qualificado roubo quando: “da violência
impunidade do crime. resulta lesão corporal de natureza grave, fixando-se a pena
A violência posterior ou roubo para assegurar a sua im- num patamar superior ao fixado anteriormente, aqui reclu-
punidade, deve ser imediato para caracterização do roubo são de 5 (cinco) à 15 (quinze) anos, além da multa”.
impróprio. É indispensável que a lesão seja causada pela violência,
A consumação do roubo impróprio ocorre com a vio- não estando o agente, sujeito às penas previstas pelo dis-
lência ou grave ameaça desde que já ocorrido a subtração, positivo em estudo, se o evento decorra de grave ameaça,
não se consumando esta, tem se entendido que o agente como enfarte, choque ou do emprego de narcóticos. Ha-
deverá ser responsabilizado por tentativa de furto em con- verá no caso roubo simples seguido de lesões corporais de
curso com o crime de lesões corporais. natureza grave em concurso formal.

32
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

A lesão poderá ser sofrida pelo titular do direito ou em § 3o Se o crime é cometido mediante a restrição da
um terceiro. liberdade da vítima, e essa condição é necessária para a
obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão,
O § 3º do artigo 157 também sofreu modificação sig- de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão
nificativa. Agora as hipóteses de violência são tratadas em corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no
dois incisos. art. 159, §§ 2o e 3o, respectivamente. (Incluído pela Lei nº
No inciso I, se da violência resulta lesão corporal grave, 11.923, de 2009)
a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e mul-
ta. Por aqui houve modificação na pena máxima, que deixa É um crime comum, formal ou material, de forma livre,
de ser de 15 anos e passa a ser de 18 anos de reclusão. instantâneo, unissubjetivo, plurissubsistente, comissivo,
No § 3º, inciso II, se da violência resulta morte, a pena doloso, de dano, complexo e admite tentativa.
é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa. Desse A conduta consiste em constranger (obrigar, forcar,
modo, nota-se que o latrocínio é tratado no § 3º, inciso II, coagir), mediante violência (física: vias de fato ou lesão
do Código Penal. corporal) ou grave ameaça (moral: intimidação idônea ex-
plicita ou explicita que incute medo no ofendido) com o
ROUBO SEGUIDO DE MORTE - LATROCÍNIO objetivo de obter para si ou para outrem indevida (injusta,
Comina-se pena de reclusão de 20 à 30 anos se resulta ilícita) vantagem econômica (qualquer vantagem seja de
a morte, as mesmas considerações referentes aos crimes coisa móvel ou imóvel).
qualificados pelo resultado, podem ser aqui aplicadas. Haverá constrangimento ilegal se a vantagem não for
O artigo da Lei 8072/90 (Lei dos Crimes Hediondos), econômica e exercício arbitrário das próprias razoes se a
em conformidade com o artigo 5º XLIII, da Constituição vantagem for devida.
Federal Brasileira, considera crime de latrocínio Hediondo.
Nos termos legais o Latrocínio não exige que o evento Tipo subjetivo
morte seja desejado pelo agente, basta que ele empregue O tipo é composto de dolo duplo: o primeiro constituí-
do pela vontade livre e consciente de constranger alguém
violência para roubar e que dela resulte a morte para que
mediante violência ou grave ameaça, dolo genérico; o se-
se tenha caracterizado o delito.
gundo exige o elemento subjetivo do tipo específico na
É indiferente, porém, que a violência tenha sido exerci-
expressão “com intuito de”.
da para o fim da subtração ou para garantir, depois desta,
a impunidade do crime ou a detenção da coisa subtraída.
Consumação
Ocorre latrocínio ainda que a violência atinja pessoa
Discute-se na doutrina se o crime de extorsão é for-
diversa daquela que sofre o desapossamento da coisa. Ha-
mal ou material. Para os que o consideram formal, a con-
verá, no entanto um só crime com dois sujeitos passivos.
sumação ocorre independentemente do resultado. Basta
A consumação do latrocínio ocorre com a efetiva sub- ser idôneo ao constrangimento imposto à vítima, sendo
tração e a morte da vítima, embora no latrocínio haja morte irrelevante a enfeitava obtenção da vantagem econômica
da vítima, ele é um crime contra o patrimônio, sendo Juiz indevida.
singular e não do Tribunal do Júri, essa é a posição válida. O comportamento da vítima nesse caso é fundamen-
Pena: reclusão de vinte a trinta anos, sem prejuízo da tal para a consumação do delito. É a indispensabilidade da
multa, conforme alteração do artigo 6º da Lei n.º. 8072/90. conduta do sujeito passivo para a consumação do crime,
Conforme o artigo 9º dessa lei, a pena é agravada de me- se o constrangimento for sério, idôneo o suficiente para
tade quando a vítima se encontra nas condições do artigo ensejar a ação ou omissão da vítima em detrimento do seu
224 do Código Penal Brasileiro: “presunção de violência”. patrimônio, perfaz-se o tipo penal do art. 168 do CP.
Da outra parte, se entendido como crime material, a
EXTORSÃO consumação se dará com obtenção de indevida vantagem
O crime de extorsão é formal e consuma-se no mo- econômica. Seguimos esse entendimento, para nós o crime
mento e no local em que ocorre o constrangimento para de extorsão é material consumando-se com a efetiva ob-
que se faça ou se deixe de fazer alguma coisa. Súmula nº tenção indevida vantagem econômica.
96 do Superior Tribunal de Justiça. Tentativa
Admite-se quer considerando o crime formal ou mate-
Art. 158. Constranger alguém, mediante violência ou rial. Surge quando a vítima mesmo constrangida, mediante
grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para violência ou grave ameaça, não realiza a condita por cir-
outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que cunstâncias alheias à vontade do agente. A vítima, então
se faça ou deixar fazer alguma coisa: não se intimida, vence o medo e denuncia o fato a polícia.
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO (art. 159)
ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de um terço Na extorsão mediante sequestro, diferentemente da
até metade. extorsão do art. 158, a vantagem pode ser qualquer uma
§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência (inclusive econômica). Trata-se de crime hediondo em to-
o disposto no § 3º do artigo anterior. das as suas modalidades, havendo privação da liberdade da

33
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

vítima para se obter a vantagem. É crime complexo, resul- EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO COM LESÃO
tante da extorsão + sequestro ou cárcere privado (é o que CORPORAL GRAVE.
diz a doutrina, mas eu não concordo, visto que a extorsão Se o fato resulta lesão corporal de natureza grave a
exige finalidade de obter vantagem econômica indevida). pena será de reclusão de 16 a 24 anos; se resulta a morte a
Se o sequestro for para obtenção de qualquer van- pena será de reclusão de 24 a 30 anos. Observa-se de ime-
tagem devida, haverá o crime de exercício arbitrário das diato a diferença deste delito com o de roubo qualificado
próprias razões em concurso material com o sequestro ou pelo resultado. No art. 157 do CP a lei diz: “se da violência
cárcere privado. resultar lesão grave ou morte”; logo, num roubo em que ví-
Apesar de o tipo se referir a “qualquer vantagem”, não tima cardíaca diante de uma ameaça vem a falecer, haverá
haverá o crime se a vantagem não tiver algum valor econô- roubo em concurso material com homicídio e não latrocí-
mico. Isso se depreende da interpretação sistêmica do tipo, nio. O tipo exige o emprego da violência. Na extorsão me-
que está inserido no Título II, relativo aos crimes contra o diante sequestro a lei menciona: “se dos ato resultar lesão
patrimônio. grave ou morte”, pouco importando para qualificar o delito
Não influi na caracterização do crime o fato de a ví- que a lesão grave seja culposa ou dolosa.. Evidentemente,
tima ser transportada para algum lugar ou ser retida em se a lesão grave ou morte resultar de caso fortuito ou força
sua própria casa. Ademais, o sequestro deve se dar como maior, o resultado agravados não poderá ser imputado ao
condição ou preço do resgate. agente.
Sujeito passivo
Pode ser qualquer pessoa, inclusive pessoa jurídica, EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO E TORTURA
que pode ter, v.g., um de seus sócios sequestrados para Entendemos que os institutos possuem objetividades
que seja efetuado o pagamento. Determina-se o sujeito jurídicas distintas e autônomas. Na extorsão são mediante
passivo de acordo com a pessoa que terá o patrimônio le- sequestro ofende-se o patrimônio, a liberdade de ir e vir
sado. e a vida. Na tortura atinge-se a dignidade humana, con-
Se a pessoa que sofre a privação da liberdade for dife- substanciada na integridade física e mental. Com efeito, a
rente daquela que terá seu patrimônio diminuído, haverá nosso, juízo, nada impede o reconhecimento do concurso
apenas um crime, não obstante existirem duas vítimas. material de infrações.
Consumação e tentativa
Ocorre a consumação quando o agente pratica a con- DELAÇÃO PREMIADA
duta prevista no núcleo do tipo, quando realiza o sequestro O benefício somente se aplica quando o crime for co-
privando a vítima da liberdade por tempo juridicamente metido em concurso de pessoas, devendo o acusado for-
relevante, ainda que não aufira a vantagem qualquer e ain- necer às autoridades elementos capazes de facilitar a reso-
da que nem tenha sido pedido o resgate. Logo, o crime é lução do crime. Causa obrigatória de diminuição de pena
formal. se preenchidos os requisitos estabelecidos pelo parágrafo
“A extorsão mediante sequestro, como crime formal ou 4º do art. 159, qual seja, denúncia à autoridade (juiz, dele-
de consumação antecipada, opera-se com a simples priva- gado ou promotor) feita por um dos concorrentes, e esta
ção da liberdade de locomoção da vítima, por tempo juri- facilitar a libertação da vítima. Faz-se mister salientar que,
dicamente relevante. Ainda que o sequestrado não tenha se não houver a libertação do sequestrado, mesmo haven-
sido conduzido ao local de destino, o crime está consuma- do delação do coautor, não haverá diminuição de pena.
do” (MIRABETE, Julio Fabbrini. Código Penal Interpretado.
6ª edição. São Paulo: Atlas. 2007, pág. 1.476). Não se confunde com a confissão espontânea, pois
Perfeitamente possível a tentativa, já que a execução nesta o agente garante confessa sua participação no crime,
do crime requer um iter criminis desdobrado em vários sem incriminar outrem.
atos. Porém, difícil de se configurar. Hipótese seria aquela
em que os agentes são flagrados logo após colocarem a EXTORSÃO INDIRETA
vítima no carro, pois aí não teriam privado sua liberdade Art. 160. Exigir ou receber, como garantia de dívida,
por tempo juridicamente relevante. abusando da situação de alguém, documento que pode
dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou con-
EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO QUALIFICADA tra terceiro:
Se o sequestro dura mais de 24h, se o sequestrado é Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
menor de 18 e maior que 60 anos, ou se o crime é cometi-
do por bando ou quadrilha a pena será de reclusão de 12 Classificação doutrinária
a 20 anos. Quanto maior o tempo em que a vítima estiver Crime comum, doloso, de dano, formal (exigir) e ma-
em poder do criminoso, maior será o dano à saúde e inte- terial (receber), instantâneo, comissivo, de forma vinculada,
gridade física. unissubjetivo, unissubsistente (exigir) ou plurissubsistente
(receber) e admite tentativa.
Quanto ao crime cometido por bando ou quadrilha, A conduta recai sobre o documento que pode dar cau-
entende-se como a reunião permanente de mais de três sa a um procedimento criminal contra o devedor, como a
pessoas para cometer e não uma reunião ocasional para confissão de um crime, a falsificação de um título de crédi-
cometer o sequestro to, uma duplicata fria etc.

34
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

A conduta consiste ainda em exigir (obrigar, ordenar) Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. (Redação
ou receber (aceitar) um documento que pode dar causa a dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
procedimento criminal contra a vítima ou terceiro. É abusar § 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza
da situação daquele que necessita urgentemente de auxílio grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de
financeiro. Necessário para a configuração do delito que o 14 (catorze) anos: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
documento exigido ou recebido pelo agente, que pode ser Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. (Incluído
público ou particular, se preste a instauração de inquérito pela Lei nº 12.015, de 2009)
policial contra o ofendido. Não se exige a instauração do § 2o Se da conduta resulta morte: (Incluído pela Lei nº
procedimento criminal, basta que o documento em poder 12.015, de 2009)
do credor seja potencialmente apto a iniciar o processo. Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos (Incluído
pela Lei nº 12.015, de 2009)
Consumação Art. 214 - (Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)
Na ação de exigir, crime formal, a consumação ocorre Violação sexual mediante fraude (Redação dada pela
com a simples exigência do documento pelo extorsionário. Lei nº 12.015, de 2009)
A iniciativa aqui é do agente, na conduta de receber, crime Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato li-
material, a consumação ocorre com o efetivo recebimento bidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que
do documento. Nesse caso a iniciativas provém da vítima. impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da víti-
ma: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Tentativa Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. (Redação
Na modalidade exigir, entendemos não ser possível dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
sua configuração, embora uma parcela da doutrina a ad- Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de
mita com o sovado exemplo, também oferecido nos crimes obter vantagem econômica, aplica-se também multa. (Re-
contra a honra, de a exigência ser reduzida por escrito, mas dação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
não chegar ao conhecimento do ofendido. Na de receber, Art. 216. (Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)
no entanto, é perfeitamente possível, podendo o iter crimi- Assédio sexual (Incluído pela Lei nº 10.224, de 15 de
nis ser interrompido por circunstâncias alheias à vontade 2001)
do agente. Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de ob-
ter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o
agente da sua condição de superior hierárquico ou ascen-
dência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou fun-
CRIMES CONTRA OS COSTUMES; ção.(Incluído pela Lei nº 10.224, de 15 de 2001)
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. (Incluído
pela Lei nº 10.224, de 15 de 2001)
Parágrafo único. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.224,
Dos crimes contra a dignidade sexual de 15 de 2001)
O título VI da parte especial do Código Penal prevê os § 2o A pena é aumentada em até um terço se a vítima
crimes contra a dignidade sexual, dividindo-se em 7 capí- é menor de 18 (dezoito) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015,
tulos, sendo esses: I- Dos crimes contra a liberdade sexual, de 2009)
II- Dos crimes sexuais contra vulnerável, III- Do rapto, IV
Disposições Gerais, V – Do lenocínio e do Tráfico de Pes- Capítulo II
soa para fim de prostituição ou outra forma de exploração Dos crimes sexuais contra vulnerável
sexual, VI- Do ultraje público ao pudor, VII- Disposições (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Gerais.
Como o próprio nome do capítulo diz, são crimes con- Sedução
tra a dignidade sexual da pessoa. Art. 217 - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
Estupro de vulnerável(Incluído pela Lei nº 12.015, de
Título VI 2009)
Dos crimes contra a dignidade sexual  Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato
(Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009) libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: (Incluído pela
Lei nº 12.015, de 2009)
Capítulo I Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. (Incluído
Dos crimes contra a liberdade sexual  pela Lei nº 12.015, de 2009)
(Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009) § 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações
descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou
Estupro  deficiência mental, não tem o necessário discernimento
Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou para a prática do ato, ou que, por qualquer outra cau-
grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou per- sa, não pode oferecer resistência. (Incluído pela Lei nº
mitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: (Reda- 12.015, de 2009)
ção dada pela Lei nº 12.015, de 2009) § 2o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

35
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

§ 3o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza Diminuição de pena


grave: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) Art. 221 - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. (Incluído Concurso de rapto e outro crime
pela Lei nº 12.015, de 2009) Art. 222 - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
§ 4o Se da conduta resulta morte: (Incluído pela Lei nº
12.015, de 2009) Capítulo IV
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. (Incluí- Disposições gerais
do pela Lei nº 12.015, de 2009) Art. 223 - (Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)
Art. 224 -(Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)
Corrupção de menores 
Art. 218. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a Ação penal
satisfazer a lascívia de outrem: (Redação dada pela Lei nº Art. 225. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste
12.015, de 2009) Título, procede-se mediante ação penal pública condicio-
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. (Redação nada à representação. (Redação dada pela Lei nº 12.015,
dada pela Lei nº 12.015, de 2009) de 2009)
Parágrafo único. (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.015, Parágrafo único. Procede-se, entretanto, mediante
de 2009) ação penal pública incondicionada se a vítima é menor de
Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou 18 (dezoito) anos ou pessoa vulnerável. (Incluído pela Lei
adolescente (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) nº 12.015, de 2009)
Art. 218-A. Praticar, na presença de alguém menor de Aumento de pena
14 (catorze) anos, ou induzi-lo a presenciar, conjunção car- Art. 226. A pena é aumentada: (Redação dada pela Lei
nal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia pró- nº 11.106, de 2005)
pria ou de outrem: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) I – de quarta parte, se o crime é cometido com o con-
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. (Incluído curso de 2 (duas) ou mais pessoas; (Redação dada pela Lei
pela Lei nº 12.015, de 2009) nº 11.106, de 2005)
Favorecimento da prostituição ou de outra forma de II – de metade, se o agente é ascendente, padrasto ou
madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador,
exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulne-
preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro
rável. (Redação dada pela Lei nº 12.978, de 2014)
título tem autoridade sobre ela; (Redação dada pela Lei nº
Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou
11.106, de 2005)
outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (de-
III - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
zoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental,
não tem o necessário discernimento para a prática do ato,
Capítulo V
facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone: (Incluído Do lenocínio e do tráfico de pessoa para fim de pros-
pela Lei nº 12.015, de 2009) tituição ou outra forma de
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. (Incluído Exploração sexual
pela Lei nº 12.015, de 2009) (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
§ 1o Se o crime é praticado com o fim de obter vanta-
gem econômica, aplica-se também multa. (Incluído pela Lei Mediação para servir a lascívia de outrem
nº 12.015, de 2009) Art. 227 - Induzir alguém a satisfazer a lascívia de ou-
§ 2o Incorre nas mesmas penas: (Incluído pela Lei nº trem:
12.015, de 2009) Pena - reclusão, de um a três anos.
I - quem pratica conjunção carnal ou outro ato libi- § 1o  Se a vítima é maior de 14 (catorze) e menor de 18
dinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (dezoito) anos, ou se o agente é seu ascendente, descen-
(catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo; dente, cônjuge ou companheiro, irmão, tutor ou curador
(Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) ou pessoa a quem esteja confiada para fins de educação,
II - o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local de tratamento ou de guarda: (Redação dada pela Lei nº
em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste 11.106, de 2005)
artigo. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) Pena - reclusão, de dois a cinco anos.
§ 3o Na hipótese do inciso II do § 2o, constitui efeito § 2º Se o crime é cometido com emprego de violência,
obrigatório da condenação a cassação da licença de loca- grave ameaça ou fraude:
lização e de funcionamento do estabelecimento.(Incluído Pena - reclusão, de dois a oito anos, além da pena cor-
pela Lei nº 12.015, de 2009) respondente à violência.
§ 3º Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-
Capítulo III -se também multa.
Do rapto Favorecimento da prostituição ou outra forma de ex-
ploração sexual (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Rapto violento ou mediante fraude Art. 228. Induzir ou atrair alguém à prostituição ou ou-
Art. 219 - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005) tra forma de exploração sexual, facilitá-la, impedir ou difi-
Rapto consensual cultar que alguém a abandone: (Redação dada pela Lei nº
Art. 220 - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005) 12.015, de 2009)

36
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. § 1º Na mesma pena incorre quem promover, por
(Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009) qualquer meio, com o fim de obter vantagem econômica,
§ 1o Se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, a saída de estrangeiro do território nacional para ingres-
irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador, sar ilegalmente em país estrangeiro. Incluído pela Lei nº
preceptor ou empregador da vítima, ou se assumiu, por lei 13.445, de 2017 Vigência
ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilân- § 2º A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um
cia: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009) terço) se :Incluído pela Lei nº 13.445, de 2017 Vigência
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos. (Redação I - o crime é cometido com violência; ou Incluído pela
dada pela Lei nº 12.015, de 2009) Lei nº 13.445, de 2017 Vigência
§ 2º Se o crime, é cometido com emprego de II - a vítima é submetida a condição desumana ou de-
violência, grave ameaça ou fraude: gradante .Incluído pela Lei nº 13.445, de 2017 Vigência
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, além da pena § 3º A pena prevista para o crime será aplicada sem
correspondente à violência. prejuízo das correspondentes às infrações conexas. Incluí-
§ 3º Se o crime é cometido com o fim de lucro, do pela Lei nº 13.445, de 2017 Vigência
aplica-se também multa.
Capítulo VI
Casa de prostituição Do ultraje público ao pudor
Art. 229. Manter, por conta própria ou de terceiro, es- Ato obsceno
tabelecimento em que ocorra exploração sexual, haja, ou
não, intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou Art. 233 - Praticar ato obsceno em lugar público, ou
gerente: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009) aberto ou exposto ao público:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa. Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

Rufianismo Escrito ou objeto obsceno


Art. 230 - Tirar proveito da prostituição alheia, partici- Art. 234 - Fazer, importar, exportar, adquirir ou ter sob
pando diretamente de seus lucros ou fazendo-se sustentar, sua guarda, para fim de comércio, de distribuição ou de
no todo ou em parte, por quem a exerça: exposição pública, escrito, desenho, pintura, estampa ou
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. qualquer objeto obsceno:
§ 1o Se a vítima é menor de 18 (dezoito) e maior de 14 Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
Parágrafo único - Incorre na mesma pena quem:
(catorze) anos ou se o crime é cometido por ascendente,
I - vende, distribui ou expõe à venda ou ao público
padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companhei-
qualquer dos objetos referidos neste artigo;
ro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima,
II - realiza, em lugar público ou acessível ao público,
ou por quem assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de
representação teatral, ou exibição cinematográfica de ca-
cuidado, proteção ou vigilância:(Redação dada pela Lei nº
ráter obsceno, ou qualquer outro espetáculo, que tenha o
12.015, de 2009)
mesmo caráter;
Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. (Re-
III - realiza, em lugar público ou acessível ao público,
dação dada pela Lei nº 12.015, de 2009) ou pelo rádio, audição ou recitação de caráter obsceno.
§ 2o Se o crime é cometido mediante violência, grave
ameaça, fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a li- Capítulo VII
vre manifestação da vontade da vítima: (Redação dada pela Disposições gerais 
Lei nº 12.015, de 2009) (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, sem prejuízo Aumento de pena(Incluído pela Lei nº 12.015, de
da pena correspondente à violência.(Redação dada pela Lei 2009)
nº 12.015, de 2009)
Tráfico internacional de pessoa para fim de exploração Art. 234-A. Nos crimes previstos neste Título a pena é
sexual (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009) aumentada:(Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Art. 231. (Revogado pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vi- I – (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
gência) II – (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Art. 231-A. (Revogado pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vi- III - de metade, se do crime resultar gravidez; e (Incluí-
gência) do pela Lei nº 12.015, de 2009)
Art. 232 - (Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009) IV - de um sexto até a metade, se o agente transmite
à vitima doença sexualmente transmissível de que sabe ou
Promoção de migração ilegal deveria saber ser portador. (Incluído pela Lei nº 12.015, de
Art. 232-A. Promover, por qualquer meio, com o fim de 2009)
obter vantagem econômica, a entrada ilegal de estrangeiro Art. 234-B. Os processos em que se apuram crimes de-
em território nacional ou de brasileiro em país estrangeiro: finidos neste Título correrão em segredo de justiça. (Incluí-
Incluído pela Lei nº 13.445, de 2017 Vigência do pela Lei nº 12.015, de 2009) 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Art. 234-C. (VETADO).(Incluído pela Lei nº 12.015, de
Incluído pela Lei nº 13.445, de 2017 Vigência 2009)

37
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Parto suposto. Supressão ou alteração de direito


inerente ao estado civil de recém-nascido
CRIMES CONTRA A FAMÍLIA; Art. 242 - Dar parto alheio como próprio; registrar
como seu o filho de outrem; ocultar recém-nascido ou
substituí-lo, suprimindo ou alterando direito inerente ao
estado civil: (Redação dada pela Lei nº 6.898, de 1981)
TÍTULO VII Pena - reclusão, de dois a seis anos. (Redação dada
DOS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA pela Lei nº 6.898, de 1981)
CAPÍTULO I Parágrafo único - Se o crime é praticado por motivo
DOS CRIMES CONTRA O CASAMENTO de reconhecida nobreza: (Redação dada pela Lei nº 6.898,
de 1981)
Bigamia Pena - detenção, de um a dois anos, podendo o juiz
Art. 235 - Contrair alguém, sendo casado, novo casa- deixar de aplicar a pena. (Redação dada pela Lei nº 6.898,
mento: de 1981)
Sonegação de estado de filiação
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
Art. 243 - Deixar em asilo de expostos ou outra insti-
§ 1º - Aquele que, não sendo casado, contrai casamen-
tuição de assistência filho próprio ou alheio, ocultando-lhe
to com pessoa casada, conhecendo essa circunstância, é
a filiação ou atribuindo-lhe outra, com o fim de prejudicar
punido com reclusão ou detenção, de um a três anos.
direito inerente ao estado civil:
§ 2º - Anulado por qualquer motivo o primeiro casa- Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
mento, ou o outro por motivo que não a bigamia, conside-
ra-se inexistente o crime. CAPÍTULO III
Induzimento a erro essencial e ocultação de impe- DOS CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR
dimento
Art. 236 - Contrair casamento, induzindo em erro es- Abandono material
sencial o outro contraente, ou ocultando-lhe impedimento Art. 244. Deixar, sem justa causa, de prover a subsis-
que não seja casamento anterior: tência do cônjuge, ou de filho menor de 18 (dezoito) anos
Pena - detenção, de seis meses a dois anos. ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou
Parágrafo único - A ação penal depende de queixa maior de 60 (sessenta) anos, não lhes proporcionando os
do contraente enganado e não pode ser intentada senão recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão
depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada;
de erro ou impedimento, anule o casamento. deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou as-
Conhecimento prévio de impedimento cendente, gravemente enfermo: (Redação dada pela Lei nº
Art. 237 - Contrair casamento, conhecendo a existên- 10.741, de 2003)
cia de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta: Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e mul-
Pena - detenção, de três meses a um ano. ta, de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no
Simulação de autoridade para celebração de casa- País. (Redação dada pela Lei nº 5.478, de 1968)
mento Parágrafo único - Nas mesmas penas incide quem,
Art. 238 - Atribuir-se falsamente autoridade para cele- sendo solvente, frustra ou ilide, de qualquer modo, inclu-
bração de casamento: sive por abandono injustificado de emprego ou função, o
Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada,
constitui crime mais grave. fixada ou majorada. (Incluído pela Lei nº 5.478, de 1968)
Simulação de casamento Entrega de filho menor a pessoa inidônea
Art. 245 - Entregar filho menor de 18 (dezoito) anos a
Art. 239 - Simular casamento mediante engano de ou-
pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber que o me-
tra pessoa:
nor fica moral ou materialmente em perigo: (Redação dada
Pena - detenção, de um a três anos, se o fato não
pela Lei nº 7.251, de 1984)
constitui elemento de crime mais grave.
Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. (Redação
Adultério dada pela Lei nº 7.251, de 1984)
Art. 240 - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005) § 1º - A pena é de 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão,
se o agente pratica delito para obter lucro, ou se o menor
CAPÍTULO II é enviado para o exterior. (Incluído pela Lei nº 7.251, de
DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO 1984)
§ 2º - Incorre, também, na pena do parágrafo anterior
Registro de nascimento inexistente quem, embora excluído o perigo moral ou material, auxi-
Art. 241 - Promover no registro civil a inscrição de nas- lia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para
cimento inexistente: o exterior, com o fito de obter lucro. (Incluído pela Lei nº
Pena - reclusão, de dois a seis anos. 7.251, de 1984)

38
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Abandono intelectual § 1º - Se do fato resulta morte, a pena é aplicada em


Art. 246 - Deixar, sem justa causa, de prover à instru- dobro.
ção primária de filho em idade escolar: § 2º - No caso de culpa, a pena é de detenção, de um a
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. dois anos, ou, se resulta morte, de dois a quatro anos.
Art. 247 - Permitir alguém que menor de dezoito anos, Infração de medida sanitária preventiva
sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda ou vigilância: Art. 268 - Infringir determinação do poder público,
I - freqüente casa de jogo ou mal-afamada, ou conviva destinada a impedir introdução ou propagação de doença
com pessoa viciosa ou de má vida; contagiosa:
II - freqüente espetáculo capaz de pervertê-lo ou de Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa.
ofender-lhe o pudor, ou participe de representação de Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço,
igual natureza; se o agente é funcionário da saúde pública ou exerce a
III - resida ou trabalhe em casa de prostituição; profissão de médico, farmacêutico, dentista ou enfermeiro.
IV - mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comi- Omissão de notificação de doença
seração pública: Art. 269 - Deixar o médico de denunciar à autoridade
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. pública doença cuja notificação é compulsória:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
CAPÍTULO IV Envenenamento de água potável ou de substância
DOS CRIMES CONTRA O alimentícia ou medicinal
PÁTRIO PODER, TUTELA CURATELA Art. 270 - Envenenar água potável, de uso comum ou
particular, ou substância alimentícia ou medicinal destina-
Induzimento a fuga, entrega arbitrária ou sonega- da a consumo:
ção de incapazes Pena - reclusão, de dez a quinze anos. (Redação dada
Art. 248 - Induzir menor de dezoito anos, ou interdito, pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)
a fugir do lugar em que se acha por determinação de quem § 1º - Está sujeito à mesma pena quem entrega a con-
sobre ele exerce autoridade, em virtude de lei ou de ordem sumo ou tem em depósito, para o fim de ser distribuída, a
judicial; confiar a outrem sem ordem do pai, do tutor ou do água ou a substância envenenada.
curador algum menor de dezoito anos ou interdito, ou dei- Modalidade culposa
xar, sem justa causa, de entregá-lo a quem legitimamente § 2º - Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
o reclame:
Corrupção ou poluição de água potável
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Art. 271 - Corromper ou poluir água potável, de uso
Subtração de incapazes
comum ou particular, tornando-a imprópria para consumo
Art. 249 - Subtrair menor de dezoito anos ou interdito
ou nociva à saúde:
ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei
Pena - reclusão, de dois a cinco anos.
ou de ordem judicial:
Modalidade culposa
Pena - detenção, de dois meses a dois anos, se o fato
Parágrafo único - Se o crime é culposo:
não constitui elemento de outro crime. Pena - detenção, de dois meses a um ano.
§ 1º - O fato de ser o agente pai ou tutor do menor ou Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de
curador do interdito não o exime de pena, se destituído ou substância ou produtos alimentícios (Redação dada pela
temporariamente privado do pátrio poder, tutela, curatela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)
ou guarda. Art. 272 - Corromper, adulterar, falsificar ou alterar
§ 2º - No caso de restituição do menor ou do interdito, substância ou produto alimentício destinado a consumo,
se este não sofreu maus-tratos ou privações, o juiz pode tornando-o nociva à saúde ou reduzindo-lhe o valor nutri-
deixar de aplicar pena. tivo: (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e mul-
ta. (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)
§ 1º-A - Incorre nas penas deste artigo quem fabrica,
CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA; CRIMES vende, expõe à venda, importa, tem em depósito para ven-
CONTRA A SAÚDE PÚBLICA; der ou, de qualquer forma, distribui ou entrega a consumo
a substância alimentícia ou o produto falsificado, corrom-
pido ou adulterado. (Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)
§ 1º - Está sujeito às mesmas penas quem pratica as
CAPÍTULO III ações previstas neste artigo em relação a bebidas, com
DOS CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA ou sem teor alcoólico.(Redação dada pela Lei nº 9.677, de
2.7.1998)
Epidemia Modalidade culposa
Art. 267 - Causar epidemia, mediante a propagação de § 2º - Se o crime é culposo: (Redação dada pela Lei nº
germes patogênicos: 9.677, de 2.7.1998)
Pena - reclusão, de dez a quinze anos. (Redação dada Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa. (Re-
pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990) dação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

39
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de Art. 276 - Vender, expor à venda, ter em depósito para
produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais  (Re- vender ou, de qualquer forma, entregar a consumo produto
dação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998) nas condições dos arts. 274 e 275.
Art. 273 - Falsificar, corromper, adulterar ou alterar pro- Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.(Reda-
duto destinado a fins terapêuticos ou medicinais: (Redação ção dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)
dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998) Substância destinada à falsificação
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos, e mul- Art. 277 - Vender, expor à venda, ter em depósito ou ce-
ta. (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998) der substância destinada à falsificação de produtos alimen-
§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem importa, ven- tícios, terapêuticos ou medicinais:(Redação dada pela Lei nº
de, expõe à venda, tem em depósito para vender ou, de 9.677, de 2.7.1998)
qualquer forma, distribui ou entrega a consumo o produto Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa. (Re-
falsificado, corrompido, adulterado ou alterado.  (Redação dação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)
dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998) Outras substâncias nocivas à saúde pública
§ 1º-A - Incluem-se entre os produtos a que se refere Art. 278 - Fabricar, vender, expor à venda, ter em depósito
este artigo os medicamentos, as matérias-primas, os insu- para vender ou, de qualquer forma, entregar a consumo coisa
mos farmacêuticos, os cosméticos, os saneantes e os de ou substância nociva à saúde, ainda que não destinada à ali-
uso em diagnóstico. (Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998) mentação ou a fim medicinal:
§ 1º-B - Está sujeito às penas deste artigo quem pratica Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
as ações previstas no § 1º em relação a produtos em qual- Modalidade culposa
quer das seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 9.677, Parágrafo único - Se o crime é culposo:
de 2.7.1998) Pena - detenção, de dois meses a um ano.
I - sem registro, quando exigível, no órgão de vigilân- Substância avariada
cia sanitária competente; (Incluído pela Lei nº 9.677, de Art. 279 - (Revogado pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990)
Medicamento em desacordo com receita médica
2.7.1998)
Art. 280 - Fornecer substância medicinal em desacordo
II - em desacordo com a fórmula constante do registro
com receita médica:
previsto no inciso anterior; (Incluído pela Lei nº 9.677, de
Pena - detenção, de um a três anos, ou multa.
2.7.1998)
Modalidade culposa
III - sem as características de identidade e qualidade
Parágrafo único - Se o crime é culposo:
admitidas para a sua comercialização; (Incluído pela Lei nº
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
9.677, de 2.7.1998) Comércio clandestino ou facilitação de uso de entor-
IV - com redução de seu valor terapêutico ou de sua pecentes
atividade; ((Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998) COMÉRCIO, POSSE OU USO DE ENTORPECENTE OU
V - de procedência ignorada; (Incluído pela Lei nº SUBSTÂNCIA QUE DETERMINE DEPENDÊNCIA FÍSICA OU PSÍ-
9.677, de 2.7.1998) QUICA. (Redação dada pela Lei nº 5.726, de 1971)(Revogado
VI - adquiridos de estabelecimento sem licença da au- pela Lei nº 6.368, 1976)
toridade sanitária competente. (Incluído pela Lei nº 9.677, Art. 281. (Revogado pela Lei nº 6.368, 1976)
de 2.7.1998) Exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farma-
 Modalidade culposa cêutica
§ 2º - Se o crime é culposo:  Art. 282 - Exercer, ainda que a título gratuito, a profissão
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. (Re- de médico, dentista ou farmacêutico, sem autorização legal
dação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998) ou excedendo-lhe os limites:
Emprego de processo proibido ou de substância Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
não permitida Parágrafo único - Se o crime é praticado com o fim de
Art. 274 - Empregar, no fabrico de produto destinado a lucro, aplica-se também multa.
consumo, revestimento, gaseificação artificial, matéria co- Charlatanismo
rante, substância aromática, anti-séptica, conservadora ou Art. 283 - Inculcar ou anunciar cura por meio secreto ou
qualquer outra não expressamente permitida pela legisla- infalível:
ção sanitária: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e mul- Curandeirismo
ta. (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998) Art. 284 - Exercer o curandeirismo:
Invólucro ou recipiente com falsa indicação I - prescrevendo, ministrando ou aplicando, habitualmen-
Art. 275 - Inculcar, em invólucro ou recipiente de pro- te, qualquer substância;
dutos alimentícios, terapêuticos ou medicinais, a existência II - usando gestos, palavras ou qualquer outro meio;
de substância que não se encontra em seu conteúdo ou III - fazendo diagnósticos:
que nele existe em quantidade menor que a menciona- Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
da:(Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998) Parágrafo único - Se o crime é praticado mediante remu-
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e mul- neração, o agente fica também sujeito à multa.
ta. (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998) Forma qualificada
Produto ou substância nas condições dos dois arti- Art. 285 - Aplica-se o disposto no art. 258 aos crimes pre-
gos anteriores vistos neste Capítulo, salvo quanto ao definido no art. 267.

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NOÇÕES DE DIREITO PENAL

TÍTULO IX Moeda Falsa (art. 289)


DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA Art. 289 - Falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moe-
da metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no
Incitação ao crime estrangeiro:
Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime: Pena - reclusão, de três a doze anos, e multa.
Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa. A fabricação é ação conhecida como contrafação;
Apologia de crime ou criminoso nela, se insere materialmente o objeto em circulação. Já
Art. 287 - Fazer, publicamente, apologia de fato crimi- a alteração pressupõe a existência de um suporte, o qual
noso ou de autor de crime: o agente modifica de alguma forma, geralmente para que
Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa. valha mais.
 Associação Criminosa O bem jurídico protegido é a fé pública, ou seja, a se-
Art. 288.Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o gurança da sociedade em relação à moeda, ao meio circu-
fim específico de cometer crimes: (Redação dada pela Lei lante e à circulação monetária.
nº 12.850, de 2013) (Vigência) Moeda de curso legal é aquela de recebimento obri-
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. (Redação gatório, por força de lei, que não pode ser recusada no co-
dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) mércio. Ela pode se referir tanto a moeda metálica quanto
Parágrafo único.A pena aumenta-se até a metade se a ao papel-moeda. Se o aceite de outra moeda for meramen-
associação é armada ou se houver a participação de crian- te convencional, não restará caracterizado o crime (pode
ça ou adolescente. (Redação dada pela Lei nº 12.850, de haver, em tese, o estelionato).
2013) (Vigência)
Constituição de milícia privada(Incluído dada pela O crime se consuma com a simples contrafação ou al-
Lei nº 12.720, de 2012) teração, sendo indiferente se houve ou não a efetiva intro-
Art. 288-A.Constituir, organizar, integrar, manter ou dução das moedas falsificadas em circulação; tampouco se
custear organização paramilitar, milícia particular, grupo exige dano a terceiro.
ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos A ação penal é pública incondicionada, de competên-
crimes previstos neste Código: (Incluído dada pela Lei nº cia da Justiça Federal. Como o crime deixa vestígios, exi-
12.720, de 2012) ge-se prova pericial.
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. (Incluído
dada pela Lei nº 12.720, de 2012) Não se admite, predominantemente, a aplicação do
princípio da insignificância, sendo irrelevante o número de
cédulas, seu valor ou o número de pessoas eventualmente
lesadas.
CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA; Não se aplica o princípio da insignificância ao crime de
moeda falsa, pois se trata de delito contra a fé pública, logo
não há que falar em desinteresse estatal à sua repressão

Crimes Contra a Fé Pública Circulação de Moeda Falsa (art. 289, § 1º)


Os crimes contra a fé pública são crimes de perigo abs- § 1º - Nas mesmas penas incorre quem, por conta pró-
trato, porque neles o tipo não faz referência ao perigo. As- pria ou alheia, importa ou exporta, adquire, vende, troca,
sim, há de se questionar, por exemplo, o seguinte: alguém cede, empresta, guarda ou introduz na circulação moeda
falsificou uma cédula, mas é uma cédula de três reais, exis- falsa.
tiu o crime de falso de moeda? Nesse caso, não se exige que a moeda falsa seja a de
Poderia se levar a pensar que sim, o legislador não fala curso legal no país, podendo ser moeda estrangeira.
que a moeda tenha que ser essencialmente corresponden- O autor pode ser qualquer pessoa, menos o autor
te a uma que exista. Mas a resposta seria não, inclusive a da falsificação. É um tipo subsidiário, podendo o agente
súmula 73 do STJ nos auxiliaria a dizer isto. A súmula 73 diz responder por uma destas condutas caso não seja determi-
assim: o papel moeda grosseiramente falsificado não con- nada a autoria da falsificação.
figura crime de moeda falsa, mas sim estelionato em tese, O tipo se caracteriza por ser misto alternativo. Eviden-
de competência da JE. Qual o raciocínio que se emprega? temente que se o agente falsifica a moeda e a faz circular,
Malgrado seja um crime de perigo abstrato, a con- responderá por um só crime, já que a circulação é mero
duta praticada não dispensa a idoneidade para a de- exaurimento.
monstração da possibilidade de o perigo acontecer. As O agente precisa ter conhecimento da falsidade. Se ele
condutas têm que ter idoneidade suficiente a produzir pe- recebe a moeda e a faz circular sem saber, não responde
rigo, o que não significa dizer que o perigo seja exigido, pelo crime.
são coisas diversas. Há como descaracterizar a idoneidade O Dolo é muito difícil de se comprovar nesses crimes,
em termos abstratos, e não concretos, como seria o caso. pois o agente sempre nega a autoria, alegando que des-
Uma cédula de três reais pode expor a risco a fé pública? conhecia a falsidade. O juiz, por sua vez, deve se atentar
Não, nem em abstrato. para as máximas da experiência, para o modus operandi do
agente, a fim de captar a prática do crime. É o que ocorre,

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NOÇÕES DE DIREITO PENAL

por exemplo, quando o agente utiliza a moeda na calada § 4º - Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz cir-
da noite, com pessoas humildes, quando já tenha tentado cular moeda, cuja circulação não estava ainda autorizada.
trocar a moeda anteriormente etc. Baltazar sugere que se
atente para os seguintes dados: Falsificação de Documento Público (art. 297)
Quantidade de cédulas encontradas com o agente; Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento
Modo de introdução em circulação; público, ou alterar documento público verdadeiro:
Existência de outras cédulas de menor valor em poder Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
do agente; São requisitos da falsificação:
Verossimilhança da versão do réu para a origem das Que ela seja idônea: é a falsificação apta a iludir, capaz
cédulas; de enganar qualquer pessoa normal; para a jurisprudência,
Grau de instrução do agente; a falsificação grosseira não constitui crime, pois não é capaz
Local onde guarda as cédulas. de enganar as pessoas em geral. Poderia ser, no máximo, es-
Trata-se de crime formal e de perigo abstrato, sendo telionato;
irrelevantes, para a consumação, a obtenção da vantagem Que tenha capacidade de causar prejuízo a alguém:
indevida para o agente ou de prejuízo para terceiros. Disquete, cd, xerox etc. não são documentos. Documen-
to é toda peça escrita que condensa o pensamento de al-
guém, capaz de provar um fato ou a realização de um ato de
Concurso de Crimes
relevância jurídica.
Se o agente introduz em circulação várias cédulas ou
moedas, no mesmo contexto, há crime único.
Requisitos do Documento Público
Se ele introduz moedas em locais próximos, num mes- Deve ser elaborado por agente público;
mo contexto, há entendimento de ser crime único e crime O agente público deve estar no exercício da função, ten-
continuado. do atribuição para tanto;
Se o agente obtém vantagem econômica indevida, O Deve obedecer às formalidades legais exigidas para a va-
ESTELIONATO É ABSORVIDO PELO DELITO DE MOEDA FAL- lidade do documento.
SA, por aplicação do princípio da consunção ou da espe- Pode um documento estrangeiro ser considerado pú-
cialidade. blico? Sim, desde que seja considerado público no país de
origem e que satisfaça os requisitos de validade previstos no
ordenamento brasileiro.
Competência
É da Justiça Federal, já que afeta a fé pública da União, Documentos Públicos por Equiparação (art. 297, § 2º)
ainda que tenha por objeto moeda estrangeira. Trata-se de documentos particulares que, pela sua im-
A competência para processar e julgar esses crimes de portância, foram equiparados pela lei a documento público.
moeda falsa é da JF, desde que haja idoneidade, desde que São eles:
se trate de crime de moeda falsa. Documentos emitidos por entidade paraestatal;
Se não houver idoneidade haverá o falso inócuo. A fi- Título ao portador ou transmissível por endosso;
gura do falso inócuo, então, é aquela em que a falsificação Livros mercantis;
existiu, mas com as características dela não se apresenta Testamento particular.
capaz a iludir um número indeterminado de agentes. Consumação e Tentativa
A consumação ocorre quando realizada a falsificação ou
Forma Privilegiada (art. 289, § 2º) alteração. É um crime formal, bastando o resultado jurídico,
§ 2º - Quem, tendo recebido de boa-fé, como verda- sendo perfeitamente possível a tentativa.
deira, moeda falsa ou alterada, a restitui à circulação, de- Concurso de Crimes
pois de conhecer a falsidade, é punido com detenção, de Falsificação de documento público e estelionato: para o
STF, ambos os crimes coexistiriam, mas em concurso formal.
seis meses a dois anos, e multa.
Para o STJ:
Adquirir a moeda falsa sem ter conhecimento do vício
Falsificação e uso de documento falso (art. 304): o uso
não é crime. Entretanto, o é o fato de colocar novamente
será absorvido, já que é mero pós fato impunível. Isso, entre-
em circulação após conhecer da falsidade. tanto, se o falsário for a mesma pessoa que usa o documento
Esse crime somente se consuma com a reintrodução da Causas de Aumento de Pena (art. 297, 13º)
moeda à circulação. Logo, é material, admitindo a tentativa. § 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o cri-
me prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta
Forma Qualificada (art. 289, § 3º) parte.
§ 3º - É punido com reclusão, de três a quinze anos, e
multa, o funcionário público ou diretor, gerente, ou fiscal Falsidade de Documento e Sonegação Fiscal
de banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza a fabri- Nos crimes de sonegação fiscal há causas extintivas de
cação ou emissão: punibilidade, assim como também há o entendimento do
I - de moeda com título ou peso inferior ao determi- STF no sentido de que eles são sujeitos a uma condição
nado em lei; objetiva de punibilidade, que significa o esgotamento da
II - de papel-moeda em quantidade superior à auto- via administrativa.
rizada.

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NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Falsificação de Documento Particular (art. 298) A cópia sem autenticação não pode ser considerada
Art. 298 - Falsificar, no todo ou em parte, documento documento para fins penais.
particular ou alterar documento particular verdadeiro:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. Elemento Subjetivo, Consumação e Tentativa
O conceito de documento particular é dado por exclu- O crime exige o especial fim de prejudicar direito ou
são. Particular é todo documento que não é público. São criar obrigação, ou ainda, alterar a verdade sobre fato juri-
exemplos: dicamente relevante.
Cheque devolvido pelo banco: é documento particu- Na MODALIDADE OMISSIVA, consuma-se com a omis-
lar, pois após devolvido o cheque, não mais poderá ser são e não cabe tentativa.
transmitido por endosso. Na comissiva, ocorre quando o agente insere ou faz
Documento endereçado à autoridade pública: não é terceiro inserir, sendo a tentativa perfeitamente possível.
documento público, já que não foi feito por autoridade
pública. Causa de Aumento de Pena
Parágrafo único - Se o agente é funcionário público,
Falsidade Ideológica (art. 299) e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a fal-
Art. 299 - Omitir, em documento público ou particu- sificação ou alteração é de assentamento de registro civil,
lar, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou aumenta-se a pena de sexta parte.
fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser
escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação Uso de Documento Falso (art. 304)
ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o do- ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302:
cumento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, Pena - a cominada à falsificação ou à alteração.
se o documento é particular. Trata-se de crime com preceito penal secundário re-
Trata-se de um crime formal, bastando a possibilidade metido.
de dano para ser punível. Fazer uso é utilizar documento falso como se verdadei-
A falsidade ideológica é voltada para a declaração que ro fosse. O uso deve ser efetivo, não bastando mencionar
compõe o documento, para o conteúdo do que se quer que possui o documento. Se o agente falsifica e usa docu-
falsificar. Nela, o documento é formalmente perfeito e mento, há simplesmente progressão criminosa, e o uso se
falso seu conteúdo intelectual. O agente declara e faz
torna um post factum impunível.
constar no documento algo que sabe não ser verdadeiro.
Não haverá o crime se o documento for encontrado
Na falsidade material o vício incide sobre a parte ex-
pela autoridade em revista pessoal do agente; se o docu-
terior do documento, recaindo sobre o elemento físico do
mento é apresentado mediante solicitação ou exigência da
papel escrito e verdadeiro. O sujeito modifica as caracterís-
autoridade policial, há controvérsia.
ticas originais do objeto material por meio de rasuras, bor-
Competência
rões, emendas, substituição de palavras ou letras, números,
Se o documento utilizado for passaporte, a competên-
etc. Na falsidade ideológica (ou pessoa) o vício incide sobre
cia será da Justiça Federal do lugar onde apresentado:
as declarações que o objeto material deveria possuir, sobre
o conteúdo das ideias. Inexistem rasuras, emendas, omis- Falsa Identidade (art. 307)
sões ou acréscimos. O documento, sob o aspecto material Art. 307 - Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identi-
é verdadeiro; falsa é a ideia que ele contém. Daí também dade para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio,
chamar-se ideal ou para causar dano a outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, se
Requisitos para a Configuração, Conforme Juris- o fato não constitui elemento de crime mais grave.
prudência Trata-se de um delito formal e expressamente subsi-
Que a declaração tenha valor por si mesma: se a decla- diário.
ração tiver de ser investigada pela autoridade pública, não Identidade se refere às características que uma pessoa
há crime (v.g., declaração de pobreza falsa). Nesse sentido: possui capazes de a individualizarem na sociedade. Está li-
Que a declaração faça parte do objeto do documento: gada intimamente à noção de estado civil.
as declarações irrelevantes, como o endereço da testemu- A falsidade tem de ser idônea e deve haver relevância
nha num contrato, não caracterizam o crime jurídica na imputação falsa, capacidade de causar dano.
O silêncio não pode configurar falsa identidade, já que
Casuísticas o crime é comissivo.
Se alguém pega a assinatura de um amigo em uma
folha em branco e preenche como confissão de dívida, pra- Falsa Identidade e Autodefesa
tica o crime de falsidade ideológica; Para concursos de Defensoria Pública, o preso em fla-
Pegar uma folha e falsificar a assinatura de outrem é grante ou interrogado em juízo que se dá outro nome para
falsidade material; se eximir da condenação simplesmente exerce a autode-
Se, em um B.O., o escrivão inserir fatos que não foram fesa, em seu sentido mais amplo, aplicando-se o brocardo
narrados, haverá falsidade ideológica; nemo tenetur se detegere.

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NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Para o MP, evidentemente que não se trata de auto- § 1º Equipara-se a funcionário público quem exer-
defesa, já que a conduta do agente é comissiva, tentando ce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e
enganar a autoridade pública, se afastando em muito do quem trabalha para empresa prestadora de serviço contra-
simples direito à não autoincriminação tada ou conveniada para a execução de atividade típica da
Administração Pública.
§ 2º A pena será aumentada da terça parte quando
os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocu-
CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO pantes de cargos em comissão ou de função de direção
PÚBLICA. ou assessoramento de órgão da administração direta, so-
ciedade de economia mista, empresa pública ou fundação
instituída pelo poder público.
Contudo, ao considerar o que seja funcionário público
O Capítulo I do Título XI do Código Penal trata dos para fins penais, nosso Código Penal nos dá um conceito
crimes funcionais, praticados por determinado grupo de unitário, sem atender aos ensinamentos do Direito Admi-
pessoas no exercício de sua função, associado ou não com nistrativo, tomando a expressão no sentido amplo.
pessoa alheia aos quadros administrativos, prejudicando o Dessa forma, para os efeitos penais, considera-se fun-
correto funcionamento dos órgãos do Estado. cionário público não apenas o servidor legalmente investi-
A Administração Pública deste modo, em geral dire- do em cargo público, mas também o que servidor publico
ta, indireta e empresas privadas prestadoras de serviços efetivo ou temporário.
públicos, contratadas ou conveniadas será vítima primária
e constante, podendo, secundariamente, figurar no polo Tipos penais Contra Administração Pública
passivo eventual administrado prejudicado.
O crime de Peculato, Peculato apropriação, Peculato
O agente, representante de um poder estatal, tem por desvio, Peculato furto, Peculato culposo, Peculato median-
função principal cumprir regularmente seus deveres, con- te erro de outrem, Concussão, Excesso de exação, Corrup-
fiados pelo povo. A traição funcional faz com que todos te- ção passiva e Prevaricação, são os crimes tipificado com
praticados por agentes públicos.
nhamos interesse na sua punição, até porque, de certa for-
ma, somos afetados por elas. Dentro desse espírito, mesmo
Peculato
quando praticado no estrangeiro, logo, fora do alcance da
soberania nacional, o delito funcional será alcançado, obri-
Previsto no artigo 312 do C.P., a objetividade jurídica
gatoriamente, pela lei penal.
do peculato é a probidade da administração pública. É um
crime próprio onde o sujeito ativo será sempre o funcioná-
Não bastasse, a Lei 10.763, de 12 de novembro de
rio público e o sujeito passivo o Estado e em alguns casos
2003, condicionou a progressão de regime prisional nos o particular. Admite-se a participação.
crimes contra a Administração Pública à prévia reparação
do dano causado, ou à devolução do produto do ilícito Peculato Apropriação
praticado, com os acréscimos legais.
É uma apropriação indébita e o objeto pode ser di-
A lei em comento não impede a progressão aos crimes nheiro, valor ou bem móvel. É de extrema importância que
funcionais, mas apenas acrescenta uma nova condição ob- o funcionário tenha a posse da coisa em razão do seu car-
jetiva, de cumprimento obrigatório para que o reeducando go. Consumação: Se dá no momento da apropriação, em
conquiste o referido benefício. que ele passa a agir como o titular da coisa apropriada.
Admite-se a tentativa.
Crimes Funcionais
Espécies Peculato Desvio
Os delitos funcionais são divididos em duas espécies:
próprios e impróprios. O servidor desvia a coisa em vez de apropriar-se. Aqui
Nos crimes funcionais próprios, na qualidade de fun- o sujeito ativo além do servidor pode tem participação de
cionário público ao autor, o fato passa a ser tratado como uma 3a pessoa. Consumação: No momento do desvio e
um tipo penal descrito. admite-se a tentativa.
Já nos impróprios desaparecendo a qualidade de
servidor publico, desaparece também o crime funcional, Peculato Furto
desclassificando a conduta para outro delito, de natureza
diversa. Previsto no Art. 312 CP., aqui o funcionário público
não detêm a posse, mas consegue deter a coisa em razão
Conceito de Funcionário Público para Efeitos Penais da facilidade de ser servidor público. Ex: Diretor de escola
Art. 327. Considera-se funcionário público, para os pública que tem a chave de todas as salas da escola, apro-
efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem re- veita-se da sua função e facilidade e subtrai algo que não
muneração, exerce cargo, emprego ou função pública. estava sob sua posse, tem-se o peculato furto.

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NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Peculato Culposo Os crimes contra a Administração Pública é demasia-


damente prejudicial, pois refletem e afetam a todos os
Aproveitando o exemplo da escola, neste caso o di- cidadãos dependentes do serviço publico, colocando em
retor esquece a porta aberta e alguém entra no colégio e crédito e a prova a credibilidade das instituições públicas,
subtrai um bem. A consumação se dá no momento em que para apenas satisfazer o egoísmo e egocentrismo desses
o 3o subtrai a coisa. Não admite-se a tentativa. agentes corruptos.
Tais mecanismos de combate devem ser aplicas com
Peculato mediante Erro de Outrem rigor e aperfeiçoados para que estes desviantes do servi-
ço publico, tenham suas praticas de errôneas coibidas e
Art. 313 C.P., o seu objeto jurídico é a probidade admi- extintas, podem assim fortalecer as instituições publica e
nistrativa. Sujeito ativo: funcionário público; sujeito passi- valorizar os servidores.
vo: Estado e o particular lesado. A modalidade de peculato
mediante erro de outrem, é um peculato estelionato, onde TÍTULO XI
a pessoa é induzida a erro. Ex: Um fiscal vai aplicar uma DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
multa a um determinado contribuinte e esse contribuinte
CAPÍTULO I
paga o valor direto a esse fiscal, que embolsa o dinheiro.
DOS CRIMES PRATICADOS
Só que na verdade nunca existiu multa alguma e esse di-
POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO
nheiro não tinha como destino os cofres públicos e sim o
favorecimento pessoal do agente. É um crime doloso e sua CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
consumação se dá quando ele passa a ser o titular da coisa.
Admite-se a tentativa. Peculato
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinhei-
Concussão ro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou parti-
cular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo,
Art. 316 C.P., é uma espécie de extorsão praticada pelo em proveito próprio ou alheio:
servidor público com abuso de autoridade. O objeto jurí- Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
dico é a probidade da administração pública. Sujeito ativo: § 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário públi-
Crime próprio praticado pelo servidor e o seu jeito passivo co, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem,
é o Estado e a pessoa lesada. A conduta é exigir. Trata-se de o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito
crime formal pois consuma-se com a exigência, se houver próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe propor-
entrega de valor há exaurimento do crime e a vítima não ciona a qualidade de funcionário.
responde por corrupção ativa porque foi obrigada a agir Peculato culposo
dessa maneira. § 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o
crime de outrem:
Excesso de Exação Pena - detenção, de três meses a um ano.
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do
A exigência vai para os cofres públicos, isto é, recolhe dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibi-
aos cofres valor não devido, ou era para recolher aos cofres lidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta.
públicos, porém o funcionário se apropria do valor. Peculato mediante erro de outrem
Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilida-
Corrupção Passiva de que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Art. 317 C.P., o Objeto jurídico é a probidade admi-
Inserção de dados falsos em sistema de informa-
nistrativa. Sujeito ativo: funcionário público. A vítima é o
ções (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
Estado e apenas na conduta solicitar é que a vítima será,
Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado,
além do Estado a pessoa ao qual foi solicitada.
a inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamen-
Condutas: Solicitar, receber e aceitar promessa, au- te dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos
menta-se a pena se o funcionário retarda ou deixa de pra- de dados da Administração Pública com o fim de obter
ticar atos de ofício. Não admite-se a tentativa, é no caso de vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar
privilegiado, onde cede ao pedido ou influência de 3a pes- dano: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000))
soa. Só se consuma pela prática do ato do servidor público. Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e mul-
ta. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
Prevaricação Modificação ou alteração não autorizada de sistema de
informações (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
Art. 319 C.P., aqui também tutela-se a probidade ad- Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema
ministrativa. É um crime próprio, cometido por funcioná- de informações ou programa de informática sem autori-
rio público e a vítima é o Estado. A conduta é: retardar ou zação ou solicitação de autoridade competente: (Incluído
deixar de praticar ato de ofício. O Crime consuma-se com pela Lei nº 9.983, de 2000)
o retardamento ou a omissão, é doloso e o objetivo do Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e
agente é buscar satisfação ou vantagem pessoal. multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

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NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Parágrafo único. As penas são aumentadas de um terço Condescendência criminosa


até a metade se da modificação ou alteração resulta dano Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de res-
para a Administração Pública ou para o administrado.(In- ponsabilizar subordinado que cometeu infração no exercí-
cluído pela Lei nº 9.983, de 2000) cio do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o
Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou do- fato ao conhecimento da autoridade competente:
cumento Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.
Art. 314 - Extraviar livro oficial ou qualquer documento, Advocacia administrativa
de que tem a guarda em razão do cargo; sonegá-lo ou inu- Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interes-
tilizá-lo, total ou parcialmente: se privado perante a administração pública, valendo-se da
Pena - reclusão, de um a quatro anos, se o fato não qualidade de funcionário:
constitui crime mais grave. Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
Emprego irregular de verbas ou rendas públicas Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:
Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação Pena - detenção, de três meses a um ano, além da mul-
diversa da estabelecida em lei: ta.
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. Violência arbitrária
Concussão Art. 322 - Praticar violência, no exercício de função ou
Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indi- a pretexto de exercê-la:
retamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, Pena - detenção, de seis meses a três anos, além da
mas em razão dela, vantagem indevida: pena correspondente à violência.
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. Abandono de função
Excesso de exação Art. 323 - Abandonar cargo público, fora dos casos
§ 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição so- permitidos em lei:
cial que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.
emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei § 1º - Se do fato resulta prejuízo público:
não autoriza:(Redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990) Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. (Re- § 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa
dação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990) de fronteira:
§ 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem,
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
o que recebeu indevidamente para recolher aos cofres públicos:
Exercício funcional ilegalmente antecipado ou pro-
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
longado
Corrupção passiva
Art. 324 - Entrar no exercício de função pública antes
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, di-
de satisfeitas as exigências legais, ou continuar a exercê-la,
reta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de
sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exo-
assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar
promessa de tal vantagem: nerado, removido, substituído ou suspenso:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e mul- Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.
ta. (Redação dada pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003) Violação de sigilo funcional
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conse- Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do
qüência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe
deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infrin- a revelação:
gindo dever funcional. Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa,
§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retar- se o fato não constitui crime mais grave.
da ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a § 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem: (In-
pedido ou influência de outrem: cluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. I – permite ou facilita, mediante atribuição, forneci-
Facilitação de contrabando ou descaminho mento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o
Art. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informa-
prática de contrabando ou descaminho (art. 334): ções ou banco de dados da Administração Pública; (Incluí-
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. (Re- do pela Lei nº 9.983, de 2000)
dação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990) II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito. (Incluí-
Prevaricação do pela Lei nº 9.983, de 2000)
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, § 2o  Se da ação ou omissão resulta dano à Adminis-
ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, tração Pública ou a outrem: (Incluído pela Lei nº 9.983, de
para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: 2000)
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. (In-
Art. 319-A.Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente cluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso Violação do sigilo de proposta de concorrência
a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a Art. 326 - Devassar o sigilo de proposta de concorrên-
comunicação com outros presos ou com o ambiente exter- cia pública, ou proporcionar a terceiro o ensejo de devas-
no: (Incluído pela Lei nº 11.466, de 2007). sá-lo:
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. Pena - Detenção, de três meses a um ano, e multa.

46
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Funcionário público Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço,


Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário re-
efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem re- tarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever
muneração, exerce cargo, emprego ou função pública. funcional.
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exer- Descaminho
ce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e Art. 334.Iludir, no todo ou em parte, o pagamento de
quem trabalha para empresa prestadora de serviço contra- direito ou imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo
tada ou conveniada para a execução de atividade típica da consumo de mercadoria (Redação dada pela Lei nº 13.008,
Administração Pública.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) de 26.6.2014)
§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. (Redação
autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupan- dada pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)
tes de cargos em comissão ou de função de direção ou as- § 1oIncorre na mesma pena quem:(Redação dada pela
sessoramento de órgão da administração direta, sociedade Lei nº 13.008, de 26.6.2014)
de economia mista, empresa pública ou fundação instituí- I - pratica navegação de cabotagem, fora dos casos
da pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 6.799, de 1980) permitidos em lei;(Redação dada pela Lei nº 13.008, de
26.6.2014)
CAPÍTULO II II - pratica fato assimilado, em lei especial, a descami-
DOS CRIMES PRATICADOS POR nho;(Redação dada pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)
PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL III - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou,
de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio,
Usurpação de função pública no exercício de atividade comercial ou industrial, merca-
Art. 328 - Usurpar o exercício de função pública: doria de procedência estrangeira que introduziu clandes-
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa. tinamente no País ou importou fraudulentamente ou que
Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem: sabe ser produto de introdução clandestina no território
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa. nacional ou de importação fraudulenta por parte de ou-
Resistência trem; (Redação dada pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)
Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante IV - adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou
violência ou ameaça a funcionário competente para execu- alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial,
tá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio: mercadoria de procedência estrangeira, desacompanhada
Pena - detenção, de dois meses a dois anos. de documentação legal ou acompanhada de documentos
§ 1º - Se o ato, em razão da resistência, não se executa: que sabe serem falsos.(Redação dada pela Lei nº 13.008,
Pena - reclusão, de um a três anos. de 26.6.2014)
§ 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo § 2o Equipara-se às atividades comerciais, para os efei-
das correspondentes à violência. tos deste artigo, qualquer forma de comércio irregular ou
Desobediência clandestino de mercadorias estrangeiras, inclusive o exer-
Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário cido em residências.(Redação dada pela Lei nº 13.008, de
público: 26.6.2014)
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa. § 3o A pena aplica-se em dobro se o crime de descami-
Desacato nho é praticado em transporte aéreo, marítimo ou fluvial.
Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da (Redação dada pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)
função ou em razão dela: Contrabando
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. Art. 334-A. Importar ou exportar mercadoria proibi-
Tráfico de Influência (Redação dada pela Lei nº 9.127, da:(Incluído pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)
de 1995) Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 ( cinco) anos.(Incluído
Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)
para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pre- § 1o Incorre na mesma pena quem:(Incluído pela Lei nº
texto de influir em ato praticado por funcionário público 13.008, de 26.6.2014)
no exercício da função: (Redação dada pela Lei nº 9.127, I - pratica fato assimilado, em lei especial, a contraban-
de 1995) do;(Incluído pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014)
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e mul- II - importa ou exporta clandestinamente mercadoria
ta. (Redação dada pela Lei nº 9.127, de 1995) que dependa de registro, análise ou autorização de ór-
Parágrafo único - A pena é aumentada da metade, se gão público competente;(Incluído pela Lei nº 13.008, de
o agente alega ou insinua que a vantagem é também des- 26.6.2014)
tinada ao funcionário.(Redação dada pela Lei nº 9.127, de III - reinsere no território nacional mercadoria brasilei-
1995) ra destinada à exportação;(Incluído pela Lei nº 13.008, de
Corrupção ativa 26.6.2014)
Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a IV - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de
funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no
retardar ato de ofício: exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e mul- proibida pela lei brasileira;(Incluído pela Lei nº 13.008, de
ta. (Redação dada pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003) 26.6.2014)

47
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

V - adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou § 1o É extinta a punibilidade se o agente, espontanea-
alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mente, declara e confessa as contribuições, importâncias
mercadoria proibida pela lei brasileira.(Incluído pela Lei nº ou valores e presta as informações devidas à previdência
13.008, de 26.6.2014)§ 2º - Equipara-se às atividades co- social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do
merciais, para os efeitos deste artigo, qualquer forma de início da ação fiscal. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
comércio irregular ou clandestino de mercadorias estran- § 2o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou apli-
geiras, inclusive o exercido em residências.(Incluído pela car somente a de multa se o agente for primário e de bons
Lei nº 4.729, de 14.7.1965) antecedentes, desde que: (Incluído pela Lei nº 9.983, de
§ 3o A pena aplica-se em dobro se o crime de contra- 2000)
bando é praticado em transporte aéreo, marítimo ou flu- I – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
vial. (Incluído pela Lei nº 13.008, de 26.6.2014) II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessó-
Impedimento, perturbação ou fraude de concor- rios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previ-
rência dência social, administrativamente, como sendo o mínimo
Art. 335 - Impedir, perturbar ou fraudar concorrência para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (Incluído pela
pública ou venda em hasta pública, promovida pela ad- Lei nº 9.983, de 2000)
ministração federal, estadual ou municipal, ou por entida- § 3o Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha
de paraestatal; afastar ou procurar afastar concorrente ou de pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil,
licitante, por meio de violência, grave ameaça, fraude ou quinhentos e dez reais), o juiz poderá reduzir a pena de um
oferecimento de vantagem: terço até a metade ou aplicar apenas a de multa. (Incluído
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, pela Lei nº 9.983, de 2000)
além da pena correspondente à violência. § 4o O valor a que se refere o parágrafo anterior será
Parágrafo único - Incorre na mesma pena quem se abs- reajustado nas mesmas datas e nos mesmos índices do
tém de concorrer ou licitar, em razão da vantagem ofere- reajuste dos benefícios da previdência social. (Incluído pela
cida. Lei nº 9.983, de 2000)
Inutilização de edital ou de sinal CAPÍTULO II-A 
Art. 336 - Rasgar ou, de qualquer forma, inutilizar ou (Incluído pela Lei nº 10.467, de 11.6.2002)
conspurcar edital afixado por ordem de funcionário públi- DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA
co; violar ou inutilizar selo ou sinal empregado, por deter- A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ESTRANGEIRA
minação legal ou por ordem de funcionário público, para
identificar ou cerrar qualquer objeto: Corrupção ativa em transação comercial internacio-
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa. nal
Subtração ou inutilização de livro ou documento Art. 337-B. Prometer, oferecer ou dar, direta ou indire-
Art. 337 - Subtrair, ou inutilizar, total ou parcialmente, tamente, vantagem indevida a funcionário público estran-
livro oficial, processo ou documento confiado à custódia geiro, ou a terceira pessoa, para determiná-lo a praticar,
de funcionário, em razão de ofício, ou de particular em ser- omitir ou retardar ato de ofício relacionado à transação
viço público: comercial internacional:(Incluído pela Lei nº 10467, de
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, se o fato não 11.6.2002)
constitui crime mais grave. Pena – reclusão, de 1 (um) a 8 (oito) anos, e multa. (In-
Sonegação de contribuição previdenciária  (Incluído cluído pela Lei nº 10467, de 11.6.2002)
pela Lei nº 9.983, de 2000) Parágrafo único. A pena é aumentada de 1/3 (um ter-
Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social pre- ço), se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário
videnciária e qualquer acessório, mediante as seguintes público estrangeiro retarda ou omite o ato de ofício, ou
condutas: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) o pratica infringindo dever funcional. (Incluído pela Lei nº
I – omitir de folha de pagamento da empresa ou de 10467, de 11.6.2002)
documento de informações previsto pela legislação previ- Tráfico de influência em transação comercial inter-
denciária segurados empregado, empresário, trabalhador nacional (Incluído pela Lei nº 10467, de 11.6.2002)
avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que Art. 337-C. Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou
lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) para outrem, direta ou indiretamente, vantagem ou pro-
II – deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios messa de vantagem a pretexto de influir em ato praticado
da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos por funcionário público estrangeiro no exercício de suas
segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo toma- funções, relacionado a transação comercial internacio-
dor de serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) nal: (Incluído pela Lei nº 10467, de 11.6.2002)
III – omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros au- Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e mul-
feridos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos ta. (Incluído pela Lei nº 10467, de 11.6.2002)
geradores de contribuições sociais previdenciárias: (Incluí- Parágrafo único. A pena é aumentada da metade, se o
do pela Lei nº 9.983, de 2000) agente alega ou insinua que a vantagem é também desti-
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e mul- nada a funcionário estrangeiro. (Incluído pela Lei nº 10467,
ta. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) de 11.6.2002)

48
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Funcionário público estrangeiro (Incluído pela Lei nº Art. 343. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qual-
10467, de 11.6.2002) quer outra vantagem a testemunha, perito, contador, tra-
Art. 337-D. Considera-se funcionário público estran- dutor ou intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou
geiro, para os efeitos penais, quem, ainda que transitoria- calar a verdade em depoimento, perícia, cálculos, tradução
mente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou ou interpretação: (Redação dada pela Lei nº 10.268, de
função pública em entidades estatais ou em representa- 28.8.2001)
ções diplomáticas de país estrangeiro. (Incluído pela Lei nº Pena - reclusão, de três a quatro anos, e multa.(Reda-
10467, de 11.6.2002) ção dada pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001)
Parágrafo único. Equipara-se a funcionário público Parágrafo único. As penas aumentam-se de um sexto a
estrangeiro quem exerce cargo, emprego ou função em um terço, se o crime é cometido com o fim de obter prova
empresas controladas, diretamente ou indiretamente, destinada a produzir efeito em processo penal ou em pro-
pelo Poder Público de país estrangeiro ou em organiza- cesso civil em que for parte entidade da administração pú-
ções públicas internacionais. (Incluído pela Lei nº 10467, blica direta ou indireta. (Redação dada pela Lei nº 10.268,
de 11.6.2002) de 28.8.2001)
Coação no curso do processo
CAPÍTULO III Art. 344 - Usar de violência ou grave ameaça, com o fim
DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade,
parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chama-
Reingresso de estrangeiro expulso da a intervir em processo judicial, policial ou administrati-
Art. 338 - Reingressar no território nacional o estran- vo, ou em juízo arbitral:
geiro que dele foi expulso: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, além da
Pena - reclusão, de um a quatro anos, sem prejuízo de pena correspondente à violência.
nova expulsão após o cumprimento da pena. Exercício arbitrário das próprias razões
Denunciação caluniosa Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para sa-
Art. 339. Dar causa à instauração de investigação po- tisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o
licial, de processo judicial, instauração de investigação ad- permite:
ministrativa, inquérito civil ou ação de improbidade admi- Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa,
nistrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o
além da pena correspondente à violência.
sabe inocente: (Redação dada pela Lei nº 10.028, de 2000)
Parágrafo único - Se não há emprego de violência, so-
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
mente se procede mediante queixa.
§ 1º - A pena é aumentada de sexta parte, se o agente
Art. 346 - Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa pró-
se serve de anonimato ou de nome suposto.
pria, que se acha em poder de terceiro por determinação
§ 2º - A pena é diminuída de metade, se a imputação é
judicial ou convenção:
de prática de contravenção.
Comunicação falsa de crime ou de contravenção Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
Art. 340 - Provocar a ação de autoridade, comunican- Fraude processual
do-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de pro-
não se ter verificado: cesso civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito:
Auto-acusação falsa Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Art. 341 - Acusar-se, perante a autoridade, de crime Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir
inexistente ou praticado por outrem: efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas
Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa. aplicam-se em dobro.
Falso testemunho ou falsa perícia Favorecimento pessoal
Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a Art. 348 - Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade
verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou pública autor de crime a que é cominada pena de reclusão:
intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquéri- Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.
to policial, ou em juízo arbitral: (Redação dada pela Lei nº § 1º - Se ao crime não é cominada pena de reclusão:
10.268, de 28.8.2001) Pena - detenção, de quinze dias a três meses, e multa.
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e mul- § 2º - Se quem presta o auxílio é ascendente, descen-
ta. (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) dente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena.
§ 1o As penas aumentam-se de um sexto a um terço, Favorecimento real
se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido Art. 349 - Prestar a criminoso, fora dos casos de co-au-
com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em toria ou de receptação, auxílio destinado a tornar seguro o
processo penal, ou em processo civil em que for parte enti- proveito do crime:
dade da administração pública direta ou indireta.(Redação Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.
dada pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001) Art. 349-A.Ingressar, promover, intermediar, auxiliar
§ 2o O fato deixa de ser punível se, antes da sentença ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunica-
no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ção móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em
ou declara a verdade.(Redação dada pela Lei nº 10.268, de estabelecimento prisional. (Incluído pela Lei nº 12.012, de
28.8.2001) 2009).

49
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. (Incluí- Sonegação de papel ou objeto de valor probatório
do pela Lei nº 12.012, de 2009). Art. 356 - Inutilizar, total ou parcialmente, ou deixar de
Exercício arbitrário ou abuso de poder restituir autos, documento ou objeto de valor probatório,
Art. 350 - Ordenar ou executar medida privativa de que recebeu na qualidade de advogado ou procurador:
liberdade individual, sem as formalidades legais ou com Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa.
abuso de poder: Exploração de prestígio
Pena - detenção, de um mês a um ano. Art. 357 - Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer ou-
Parágrafo único - Na mesma pena incorre o funcioná- tra utilidade, a pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do
rio que: Ministério Público, funcionário de justiça, perito, tradutor,
I - ilegalmente recebe e recolhe alguém a prisão, ou a intérprete ou testemunha:
estabelecimento destinado a execução de pena privativa Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
de liberdade ou de medida de segurança; Parágrafo único - As penas aumentam-se de um terço,
II - prolonga a execução de pena ou de medida de se- se o agente alega ou insinua que o dinheiro ou utilidade
gurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de também se destina a qualquer das pessoas referidas neste
executar imediatamente a ordem de liberdade;
artigo.
III - submete pessoa que está sob sua guarda ou custó-
Violência ou fraude em arrematação judicial
dia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei;
Art. 358 - Impedir, perturbar ou fraudar arrematação
IV - efetua, com abuso de poder, qualquer diligência.
Fuga de pessoa presa ou submetida a medida de judicial; afastar ou procurar afastar concorrente ou licitante,
segurança por meio de violência, grave ameaça, fraude ou ofereci-
Art. 351 - Promover ou facilitar a fuga de pessoa le- mento de vantagem:
galmente presa ou submetida a medida de segurança de- Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa,
tentiva: além da pena correspondente à violência.
Pena - detenção, de seis meses a dois anos. Desobediência a decisão judicial sobre perda ou
§ 1º - Se o crime é praticado a mão armada, ou por suspensão de direito
mais de uma pessoa, ou mediante arrombamento, a pena Art. 359 - Exercer função, atividade, direito, autorida-
é de reclusão, de dois a seis anos. de ou múnus, de que foi suspenso ou privado por decisão
§ 2º - Se há emprego de violência contra pessoa, apli- judicial:
ca-se também a pena correspondente à violência. Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.
§ 3º - A pena é de reclusão, de um a quatro anos, se o
crime é praticado por pessoa sob cuja custódia ou guarda CAPÍTULO IV
está o preso ou o internado. DOS CRIMES CONTRA AS FINANÇAS PÚBLICAS
§ 4º - No caso de culpa do funcionário incumbido da (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
custódia ou guarda, aplica-se a pena de detenção, de três
meses a um ano, ou multa. Contratação de operação de crédito
Evasão mediante violência contra a pessoa Art. 359-A. Ordenar, autorizar ou realizar operação de
Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o crédito, interno ou externo, sem prévia autorização legisla-
indivíduo submetido a medida de segurança detentiva, tiva: (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
usando de violência contra a pessoa: Pena – reclusão, de 1 (um) a 2 (dois) anos. (Incluído
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da pena pela Lei nº 10.028, de 2000)
correspondente à violência. Parágrafo único. Incide na mesma pena quem ordena,
Arrebatamento de preso autoriza ou realiza operação de crédito, interno ou exter-
Art. 353 - Arrebatar preso, a fim de maltratá-lo, do po-
no: (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
der de quem o tenha sob custódia ou guarda:
I – com inobservância de limite, condição ou montan-
Pena - reclusão, de um a quatro anos, além da pena
te estabelecido em lei ou em resolução do Senado Fede-
correspondente à violência.
Motim de presos ral; (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
Art. 354 - Amotinarem-se presos, perturbando a ordem II – quando o montante da dívida consolidada ultra-
ou disciplina da prisão: passa o limite máximo autorizado por lei. (Incluído pela Lei
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da nº 10.028, de 2000)
pena correspondente à violência. Inscrição de despesas não empenhadas em restos a
Patrocínio infiel pagar (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
Art. 355 - Trair, na qualidade de advogado ou procura- Art. 359-B. Ordenar ou autorizar a inscrição em restos a
dor, o dever profissional, prejudicando interesse, cujo pa- pagar, de despesa que não tenha sido previamente empe-
trocínio, em juízo, lhe é confiado: nhada ou que exceda limite estabelecido em lei: (Incluído
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa. pela Lei nº 10.028, de 2000)
Patrocínio simultâneo ou tergiversação Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. (In-
Parágrafo único - Incorre na pena deste artigo o advo- cluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
gado ou procurador judicial que defende na mesma causa, Assunção de obrigação no último ano do mandato ou
simultânea ou sucessivamente, partes contrárias. legislatura (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)

50
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

 Art. 359-C. Ordenar ou autorizar a assunção de obri-


gação, nos dois últimos quadrimestres do último ano do
mandato ou legislatura, cuja despesa não possa ser paga LEIS EXTRAVAGANTES: LEI DE TORTURA
no mesmo exercício financeiro ou, caso reste parcela a ser (9.455/97);
paga no exercício seguinte, que não tenha contrapartida
suficiente de disponibilidade de caixa: (Incluído pela Lei nº
10.028, de 2000)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.(Incluído No Brasil, o uso da tortura - seja como meio de obten-
pela Lei nº 10.028, de 2000) ção de provas através da confissão, seja como forma de
Ordenação de despesa não autorizada (Incluído pela castigo a prisioneiros - data dos tempos da Colônia. Le-
Lei nº 10.028, de 2000) gado da Inquisição, a tortura nunca deixou de ser aplicada
Art. 359-D. Ordenar despesa não autorizada por lei: (In- durante os 322 anos de período colonial e nem posterior-
cluído pela Lei nº 10.028, de 2000) mente - nos 67 anos do Império e no período republicano.
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. (Incluído Durante os chamados anos de chumbo, assim como na
pela Lei nº 10.028, de 2000) ditadura Vargas (período denominado Estado Novo ou Re-
Prestação de garantia graciosa (Incluído pela Lei nº pública Nova, em alusão à República Velha, que se findava),
10.028, de 2000) houve a prática sistemática da tortura contra presos políti-
Art. 359-E. Prestar garantia em operação de crédito cos - aqueles considerados subversivos, que alegadamente
sem que tenha sido constituída contragarantia em valor ameaçavam a segurança nacional. Durante o regime militar
igual ou superior ao valor da garantia prestada, na forma de 1964, os torturadores brasileiros eram em sua grande
da lei: (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000) maioria militares das forças armadas, em especial do exér-
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. (In- cito. Os principais centros de tortura no Brasil, nesta época,
cluído pela Lei nº 10.028, de 2000) eram os DOI/CODI, órgãos militares de defesa interna.
Não cancelamento de restos a pagar (Incluído pela Lei No final dos anos 1960 e início dos anos 1970, as di-
nº 10.028, de 2000) taduras militares do Brasil e de outros países da América
Art. 359-F. Deixar de ordenar, de autorizar ou de pro- do Sul criaram a chamada Operação Condor, para perse-
mover o cancelamento do montante de restos a pagar ins- guir, torturar e eliminar opositores. Receberam o suporte
crito em valor superior ao permitido em lei: (Incluído pela de especialistas militares norte-americanos, ligados à CIA,
Lei nº 10.028, de 2000) que ensinaram novas técnicas de tortura para obtenção de
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. (In- informações.
cluído pela Lei nº 10.028, de 2000) Com a redemocratização, em 1985, cessou a prática da
Aumento de despesa total com pessoal no último ano tortura com fins políticos. Mas as técnicas foram incorpo-
do mandato ou legislatura(Incluído pela Lei nº 10.028, de radas por muitos policiais, que passaram a aplicá-las contra
2000) os presos comuns, “suspeitos” ou detentos.
Art. 359-G. Ordenar, autorizar ou executar ato que O artigo V da Declaração de 1948 prevê que “ninguém
acarrete aumento de despesa total com pessoal, nos cento será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo
e oitenta dias anteriores ao final do mandato ou da legisla- cruel, desumano ou degradante”, previsão repetida no ar-
tura: (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)) tigo 7º do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. (Incluído e no artigo 5º da Convenção Americana sobre os Direitos
pela Lei nº 10.028, de 2000) Humanos. Vale lembrar que a tortura é o clássico tipo de
Oferta pública ou colocação de títulos no mercado (In- tratamento cruel.
cluído pela Lei nº 10.028, de 2000) Há uma preocupação especial da comunidade interna-
Art. 359-H. Ordenar, autorizar ou promover a oferta cional de vedar tais práticas. Neste sentido, na esfera das
pública ou a colocação no mercado financeiro de títulos da Nações Unidas, tem-se a Declaração sobre a Proteção de
dívida pública sem que tenham sido criados por lei ou sem Todas as Pessoas contra a Tortura e Outras Penas ou Trata-
que estejam registrados em sistema centralizado de liqui- mentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes, adotada pela
dação e de custódia: (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000) Assembleia Geral em 9 de dezembro de 1975, e a Conven-
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. (Incluído ção contra a Tortura e Outras Penas ou Tratamentos Cruéis,
pela Lei nº 10.028, de 2000) Desumanos ou Degradantes, adotada pela Assembleia Ge-
ral em 10 de dezembro de 1984 e ratificada pelo Brasil em
28 de setembro de 1989.
Na referida Declaração, o artigo 1º traz um conceito
de tortura: “1. Sob os efeitos da presente declaração, será
entendido por tortura todo ato pelo qual um funcionário
público, ou outra pessoa a seu poder, inflija intencional-
mente a uma pessoa penas ou sofrimentos graves, sendo
eles físicos ou mentais, com o fim de obter dela ou de
um terceiro informação ou uma confissão, de castigá-la
por um ato que tenha cometido ou seja suspeita de que

51
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

tenha cometido, ou de intimidar a essa pessoa ou a outras. LEI NO 9.455, DE 07 DE ABRIL DE 1997
[...]”. No documento o conceito de tortura pode ser assim Define os crimes de tortura e dá outras providências.
subdividido: a) ação, não omissão; b) praticada por funcio-
nário público ou alguém sob sua autoridade; c) com dolo Art. 1º Constitui crime de tortura:
(intenção); d) contra uma pessoa; e) consistente em penas I - constranger alguém com emprego de violência
ou sofrimentos graves, físicos ou mentais; f) visando - ob- ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou
tenção de informação ou confissão, castigo ou intimidação. mental:
Pelo mesmo dispositivo, a pena privativa de liberdade a) com o fim de obter informação, declaração ou
que seja aplicada em obediência à lei, ou seja, sem arbi- confissão da vítima ou de terceira pessoa;
trariedade, em respeito aos direitos humanos consagrados Tortura-prova ou tortura-persecutória
nas Regras Mínimas para o Tratamento dos Reclusos, não é
tortura. O que constitui tortura é “[...] uma forma agravada b) para provocar ação ou omissão de natureza cri-
e deliberada de tratamento ou de pena cruel, desumana ou
minosa;
degradante”.
Tortura para a prática de crime ou tortura-crime
Merece evidência, ainda, o artigo 3º da Declaração:
“Nenhum Estado poderá tolerar a tortura ou tratos ou
penas cruéis, desumanos ou degradantes. Não poderão c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
ser invocadas circunstâncias excepcionais tais como es- Tortura discriminatória ou tortura-racismo
tado de guerra ou ameaça de guerra, instabilidade política
interna ou qualquer outra emergência pública como justi- Sujeito ativo: crime comum, qualquer pessoa.
ficativa da tortura ou outros tratamentos ou penas cruéis, Sujeito passivo: qualquer pessoa.
desumanos ou degradantes”. A tortura é uma ofensa ta- Elemento subjetivo: dolo, específico, variando para
manha à dignidade da pessoa humana que em nenhuma cada um dos três tipos.
hipótese pode ser praticada, suspendendo ou excetuando Tipo objetivo: constranger alguém mediante violência
as garantias que a envolvem. ou grave ameaça, gerando sofrimento físico ou mental, é
Os outros artigos da Declaração tratam dos deveres conduta plurissubsistente, logo, admite tentativa.
estatais de criminalização e punição da tortura, bem como
de conscientização em treinamento de seus agentes a res- II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou au-
peito de sua vedação e de reparação dos danos causados, toridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a
encerrando com a invalidação de qualquer declaração ou intenso sofrimento físico ou mental, como forma de apli-
confissão proferida nestas condições. car castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.
Em geral, a Convenção mencionada apenas amplia as Tortura-castigo
questões protetivas tratadas na Declaração, merecendo
Sujeito ativo: crime próprio, pois a pessoa deve ter atri-
destaque o seu artigo 1º, que diferente do primeiro artigo
buto especial consistente em guarda, poder ou autoridade
da Declaração traz uma fórmula genérica para a finalida-
de da tortura consistente em qualquer motivo baseado sobre a outra.
em discriminação de qualquer natureza. Não obstante, Sujeito passivo: qualquer pessoa que esteja sob guar-
exclui as sanções legítimas e lembra que se a lei nacional da, poder ou autoridade de outrem.
ou internacional trouxer conceito mais amplo este preva- Elemento subjetivo: dolo, específico pois deve ser for-
lecerá. ma de castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.
No Brasil, a Constituição de 1988 prevê no artigo 5o, III Tipo objetivo: a conduta de submeter alguém a violên-
que “ninguém será submetido a tortura nem a tratamento cia ou grave ameaça, intenso sofrimento físico ou mental, é
desumano ou degradante” e considera a prática de tortura plurissubsistente e, como tal, admite tentativa.
como crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia
(para o STF, a proibição se estende ao indulto). Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Pela lei infraconstitucional, a tortura é disciplinada pela
Lei no 9.455, de 07 de abril de 1997, que tipifica o crime de § 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa
tortura em seu artigo 1o, com pena de reclusão de 2 a 8 presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento fí-
anos. sico ou mental, por intermédio da prática de ato não pre-
Diferentemente da disciplina internacional, a tortu- visto em lei ou não resultante de medida legal.
ra não é ato exclusivamente praticado por funcionário Tortura de preso ou de pessoa sujeita a medida de
público ou terceiro particular às suas ordens (seria crime
segurança
próprio) e sim ato que pode ser praticado, em regra, por
Sujeito ativo: crime comum, qualquer pessoa, mas na
qualquer pessoa. Desta feita, o que distinguirá a tortura de
prática será comumente cometido por quem tenha pode-
outros tipos penais não será a condição do agente, mas sim
a finalidade do ato ou mesmo a intensidade do sofrimen- res no âmbito da detenção, como carcereiro ou agente pri-
to causado (esse é o critério para distinguir da prática de sional, ou da medida de segurança, como enfermeiro.
maus-tratos, art. 136, CP). Sujeito passivo: apenas pode ser pessoa presa ou sujei-
ta a medida de segurança.

52
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Elemento subjetivo: dolo. Salvo no caso de omissão para a prática de tortura, o


Tipo objetivo: submeter a sofrimento físico ou men- regime inicial de cumprimento da pena seria fechado. En-
tal diverso de ato típico previsto em lei ou resultante de tretanto, o STF afastou a obrigatoriedade de início de pena
medida legal, que é plurissubsistente, admitindo tentativa. em regime fechado para crimes hediondos e equiparados
Evidente que a pena e a medida de segurança tipicamente (HC 111.840/ES). Caberá ao juiz individualizar a pena, inclu-
geram um tipo de sofrimento, não é este abrangido pela sive quanto ao regime de cumprimento.
conduta típica.
Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, crime não tenha sido cometido em território nacional,
quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente
pena de detenção de um a quatro anos. em local sob jurisdição brasileira.
Omissão perante a tortura Trata-se de hipótese de extraterritorialidade incondi-
Sujeito ativo: pessoa que tivesse autoridade para evitar cionada da lei penal. O legislador quis garantir a punição
ou apurar as condutas. da prática repulsiva da tortura independentemente da lo-
Sujeito passivo: qualquer pessoa. calização da vítima (sendo ela brasileira) ou da nacionalida-
Elemento subjetivo: dolo. de do agente (estando ele sob jurisdição brasileira).
Tipo objetivo: tratando-se de conduta omissiva, não
admite tentativa.
Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publica-
ção.
§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou
gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez anos; se
resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos. Art. 4º Revoga-se o art. 233 da Lei nº 8.069, de 13 de
Tortura qualificada julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente.
Tortura + lesão grave ou gravíssima = reclusão, 4 a 10
anos. Brasília, 7 de abril de 1997; 176º da Independência e
Tortura + morte = reclusão, 8 a 16 anos. 109º da República.
Em ambos casos, vai se verificar se o autor da condu-
ta realmente não quis nem assumiu o risco de produzir o
resultado da lesão grave/gravíssima ou da morte, ou seja,
a lesão grave/gravíssima ou a morte não podem ter sido LEI DE ENTORPECENTE (LEI 6.368/76);
almejadas pelo autor, se forem, há concurso formal entre a
tortura e a lesão (art. 129, §§ 1o e 2o, CP) ou então homicídio
qualificado pela tortura (art. 121, §2o, III, CP).
Prezado Candidato, a lei de Entorpecentes, foi in-
§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço: teiramente revogada pela Lei 11.343/2006, conforme
I - se o crime é cometido por agente público; segue
II – se o crime é cometido contra criança, gestante,
portador de deficiência, adolescente ou maior de 60
(sessenta) anos; Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre
III - se o crime é cometido mediante sequestro. Drogas - Sisnad; prescreve medidas para prevenção do uso
Causas de aumento de pena indevido, atenção e reinserção social de usuários e depen-
Se aplicam a todos os tipos anteriores. dentes de drogas; estabelece normas para repressão à pro-
Se houver mais de uma causa presente, o juiz apenas dução não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas; define
aumenta a pena uma vez, no montante máximo de 1/3. crimes e dá outras providências.
§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo, fun-
TÍTULO I
ção ou emprego público e a interdição para seu exercí-
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
cio pelo dobro do prazo da pena aplicada.
Se o sujeito ativo for funcionário público, perderá o
cargo, função ou emprego; se não for, ficará impedido de Art. 1o Esta Lei institui o Sistema Nacional de Políticas
obtê-lo ou de tentar retornar a cargo diverso, pelo dobro Públicas sobre Drogas - Sisnad; prescreve medidas para
do prazo da pena empregada. prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de
usuários e dependentes de drogas; estabelece normas para
§ 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de
de graça ou anistia. drogas e define crimes.
Também é insuscetível de indulto. Parágrafo único. Para fins desta Lei, consideram-se
como drogas as substâncias ou os produtos capazes de
§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo causar dependência, assim especificados em lei ou re-
a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em lacionados em listas atualizadas periodicamente pelo
regime fechado. Poder Executivo da União.

53
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

A lei tem três escopos: cria o SISNAD, fixa medidas de I - a prevenção do uso indevido, a atenção e a rein-
prevenção e de reinserção social e estabelece normas de serção social de usuários e dependentes de drogas;
repressão. II - a repressão da produção não autorizada e do
Se a Lei é de Drogas, a pergunta que se faz é: o que são tráfico ilícito de drogas.
drogas? No linguajar técnico, drogas são substâncias en- O Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas
torpecentes ou que causam dependência física ou psíquica. – SISNAD veio para substituir o Sistema Nacional Antidro-
Substância = Matéria-prima (ex.: folha de coca). gas. O aspecto punitivo associado ao preventivo fica evi-
Produto = substância manipulada pelo homem (ex.: dente na previsão de competências do SISNAD.
cocaína). Basicamente, compete ao SISNAD a prescrição de me-
O parágrafo único traz uma norma penal em branco, didas para a prevenção do uso indevido de drogas, tra-
prevendo que a lei ou listas atualizadas do Executivo fede- tamento e reinserção social dos usuários e dependentes,
ral (portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998) irão além do estabelecimento de normas e mecanismos para
determinar quais são estas drogas abrangidas pela Lei no o combate ao narcotráfico. Também é de sua atribuição a
11.343/2006. Basicamente, significa que uma norma diver- proposta de criação de normas penais incriminadoras ao
sa que estabelecerá as substâncias abrangidas pela lei de Poder Legislativo.
drogas – se a substância não estiver listada, então não é
abrangida pela lei e o fato é atípico, mesmo que a substân- CAPÍTULO I
cia cause dependência (ex.: álcool). DOS PRINCÍPIOS E DOS OBJETIVOS DO SISTEMA
NACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS SOBRE DROGAS
Art. 2o Ficam proibidas, em todo o território nacional,
as drogas, bem como o plantio, a cultura, a colheita e a Art. 4o São princípios do Sisnad:
exploração de vegetais e substratos dos quais possam ser I - o respeito aos direitos fundamentais da pessoa
extraídas ou produzidas drogas, ressalvada a hipótese humana, especialmente quanto à sua autonomia e à sua
de autorização legal ou regulamentar, bem como o que liberdade;
estabelece a Convenção de Viena, das Nações Unidas, sobre II - o respeito à diversidade e às especificidades po-
Substâncias Psicotrópicas, de 1971, a respeito de plantas de
pulacionais existentes;
uso estritamente ritualístico-religioso.
III - a promoção dos valores éticos, culturais e de ci-
Parágrafo único. Pode a União autorizar o plantio, a
dadania do povo brasileiro, reconhecendo-os como fatores
cultura e a colheita dos vegetais referidos no caput deste
de proteção para o uso indevido de drogas e outros compor-
artigo, exclusivamente para fins medicinais ou científicos,
tamentos correlacionados;
em local e prazo predeterminados, mediante fiscalização,
IV - a promoção de consensos nacionais, de ampla
respeitadas as ressalvas supramencionadas.
participação social, para o estabelecimento dos funda-
A ressalva da norma quanto às autorizações legais e re-
gulamentares é relevante porque muitos dos vegetais que mentos e estratégias do Sisnad;
podem ser empregados para a produção de drogas igual- V - a promoção da responsabilidade compartilhada
mente podem servir de matéria-prima para a elaboração entre Estado e Sociedade, reconhecendo a importância da
de remédios ou serem usados em experimentos científicos. participação social nas atividades do Sisnad;
Caberá ao Ministério da Saúde autorizar e fiscalizar o em- VI - o reconhecimento da intersetorialidade dos fa-
prego destas substâncias de forma lícita. tores correlacionados com o uso indevido de drogas, com
O artigo 32, 4 da Convenção de Viena prevê: “O Esta- a sua produção não autorizada e o seu tráfico ilícito; (não é
do em cujo território cresçam plantas silvestres que con- apenas um fator que leva alguém a usar ou traficar drogas,
tenham substâncias psicotrópicas dentre as incluídas na mas uma série de fatores conjugados)
Lista I, e que são tradicionalmente utilizadas por pequenos VII - a integração das estratégias nacionais e inter-
grupos, nitidamente caracterizados, em rituais mágicos ou nacionais de prevenção do uso indevido, atenção e reinser-
religiosos, poderão, no momento da assinatura, ratificação ção social de usuários e dependentes de drogas e de repres-
ou adesão, formular reservas, em relação a tais plantas, são à sua produção não autorizada e ao seu tráfico ilícito;
com respeito às disposições do art. 7º, exceto quanto às VIII - a articulação com os órgãos do Ministério Pú-
disposições relativas ao comércio internacional”. Um exem- blico e dos Poderes Legislativo e Judiciário visando à
plo que pode ser dado de ritual religioso é o da seita Santo cooperação mútua nas atividades do Sisnad;
Daime, cujo uso do chá de ayahuasca é incorporado aos IX - a adoção de abordagem multidisciplinar que re-
ritos corriqueiros em suas celebrações (o CONAD, órgão do conheça a interdependência e a natureza complementar
SISNAD, autorizou o uso da substância, que tem proprie- das atividades de prevenção do uso indevido, atenção e
dades alucinógenas, pela Resolução nº 04, de 04.11.2004). reinserção social de usuários e dependentes de drogas, re-
pressão da produção não autorizada e do tráfico ilícito
TÍTULO II de drogas;
DO SISTEMA NACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS X - a observância do equilíbrio entre as atividades de
SOBRE DROGAS prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social
de usuários e dependentes de drogas e de repressão à sua
Art. 3o O Sisnad tem a finalidade de articular, integrar, produção não autorizada e ao seu tráfico ilícito, visando a
organizar e coordenar as atividades relacionadas com: garantir a estabilidade e o bem-estar social;

54
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

XI - a observância às orientações e normas emanadas Art. 16. As instituições com atuação nas áreas da aten-
do Conselho Nacional Antidrogas - Conad. ção à saúde e da assistência social que atendam usuários
ou dependentes de drogas devem comunicar ao órgão
Art. 5o O Sisnad tem os seguintes objetivos: competente do respectivo sistema municipal de saúde
I - contribuir para a inclusão social do cidadão, visan- os casos atendidos e os óbitos ocorridos, preservando a
do a torná-lo menos vulnerável a assumir comportamentos identidade das pessoas, conforme orientações emanadas da
de risco para o uso indevido de drogas, seu tráfico ilícito e União.
outros comportamentos correlacionados;
II - promover a construção e a socialização do conhe- Art. 17. Os dados estatísticos nacionais de repressão
cimento sobre drogas no país; ao tráfico ilícito de drogas integrarão sistema de informa-
III - promover a integração entre as políticas de pre- ções do Poder Executivo.
venção do uso indevido, atenção e reinserção social de Será adotado um mecanismo de integração de dados,
usuários e dependentes de drogas e de repressão à sua pro- mas cada município manterá suas próprias estatísticas a
dução não autorizada e ao tráfico ilícito e as políticas públi- partir das informações das instituições de saúde e assis-
cas setoriais dos órgãos do Poder Executivo da União, tência social.
Distrito Federal, Estados e Municípios;
IV - assegurar as condições para a coordenação, a in- TÍTULO III
tegração e a articulação das atividades de que trata o art. DAS ATIVIDADES DE PREVENÇÃO DO USO INDEVI-
3o desta Lei. DO, ATENÇÃO E REINSERÇÃO SOCIAL DE USUÁRIOS E
DEPENDENTES DE DROGAS
CAPÍTULO II
DA COMPOSIÇÃO E DA ORGANIZAÇÃO DO SISTE- CAPÍTULO I
MA NACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS SOBRE DRO- DA PREVENÇÃO
GAS
Art. 18. Constituem atividades de prevenção do uso
Art. 6o (VETADO) indevido de drogas, para efeito desta Lei, aquelas direcio-
nadas para a redução dos fatores de vulnerabilidade e
Art. 7o A organização do Sisnad assegura a orientação risco e para a promoção e o fortalecimento dos fatores
central e a execução descentralizada das atividades de proteção.
realizadas em seu âmbito, nas esferas federal, distrital,
estadual e municipal e se constitui matéria definida no regu- Art. 19. As atividades de prevenção do uso indevido de
lamento desta Lei. drogas devem observar os seguintes princípios e diretrizes:
O SISNAD é o órgão responsável pela orientação cen-
I - o reconhecimento do uso indevido de drogas como
tral e execução descentralizada de suas políticas no âmbito
fator de interferência na qualidade de vida do indiví-
Federal, Estadual e Municipal.
duo e na sua relação com a comunidade à qual pertence;
II - a adoção de conceitos objetivos e de fundamenta-
Art. 8o (VETADO)
ção científica como forma de orientar as ações dos serviços
públicos comunitários e privados e de evitar preconceitos
CAPÍTULO III
e estigmatização das pessoas e dos serviços que as aten-
(VETADO)
dam;
Art. 9o a 14. (VETADO) III - o fortalecimento da autonomia e da responsa-
bilidade individual em relação ao uso indevido de drogas;
O fundamento para tantos vetos consiste no fato de IV - o compartilhamento de responsabilidades e a
que o Poder Executivo entendeu que o Poder Legislativo colaboração mútua com as instituições do setor privado
havia excedido suas atribuições ao regulamentar o SISNAD. e com os diversos segmentos sociais, incluindo usuários e
Afinal, quando o legislador normatiza a criação de um ór- dependentes de drogas e respectivos familiares, por meio do
gão no âmbito do Poder Executivo, deve se limitar a regras estabelecimento de parcerias;
gerais, como princípios e atribuições, preservando o poder V - a adoção de estratégias preventivas diferencia-
de auto-organização do Executivo. Neste sentido, suprindo das e adequadas às especificidades socioculturais das
os dispositivos vetados, o Poder Executivo Federal instituiu diversas populações, bem como das diferentes drogas uti-
o Decreto nº 5.912/2006, que regulamentou o SISNAD e os lizadas;
órgãos que o compõem. VI - o reconhecimento do “não-uso”, do “retarda-
mento do uso” e da redução de riscos como resultados
CAPÍTULO IV desejáveis das atividades de natureza preventiva, quando
DA COLETA, ANÁLISE E DISSEMINAÇÃO DE INFOR- da definição dos objetivos a serem alcançados;
MAÇÕES SOBRE DROGAS VII - o tratamento especial dirigido às parcelas mais
vulneráveis da população, levando em consideração as
Art. 15. (VETADO) suas necessidades específicas;

55
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

VIII - a articulação entre os serviços e organizações II - a adoção de estratégias diferenciadas de atenção


que atuam em atividades de prevenção do uso indevido de e reinserção social do usuário e do dependente de dro-
drogas e a rede de atenção a usuários e dependentes de dro- gas e respectivos familiares que considerem as suas peculia-
gas e respectivos familiares; ridades socioculturais;
IX - o investimento em alternativas esportivas, culturais, III - definição de projeto terapêutico individualizado,
artísticas, profissionais, entre outras, como forma de inclu- orientado para a inclusão social e para a redução de riscos e
são social e de melhoria da qualidade de vida; de danos sociais e à saúde;
X - o estabelecimento de políticas de formação con- IV - atenção ao usuário ou dependente de drogas e aos
tinuada na área da prevenção do uso indevido de drogas respectivos familiares, sempre que possível, de forma multi-
para profissionais de educação nos 3 (três) níveis de ensino; disciplinar e por equipes multiprofissionais;
V - observância das orientações e normas emanadas
XI - a implantação de projetos pedagógicos de pre-
do Conad;
venção do uso indevido de drogas, nas instituições de en-
VI - o alinhamento às diretrizes dos órgãos de con-
sino público e privado, alinhados às Diretrizes Curriculares trole social de políticas setoriais específicas.
Nacionais e aos conhecimentos relacionados a drogas;
XII - a observância das orientações e normas emana- Art. 23. As redes dos serviços de saúde da União, dos
das do Conad; Estados, do Distrito Federal, dos Municípios desenvolverão
XIII - o alinhamento às diretrizes dos órgãos de controle programas de atenção ao usuário e ao dependente de
social de políticas setoriais específicas. drogas, respeitadas as diretrizes do Ministério da Saúde e
Parágrafo único. As atividades de prevenção do uso os princípios explicitados no art. 22 desta Lei, obrigatória a
indevido de drogas dirigidas à criança e ao adolescente previsão orçamentária adequada.
deverão estar em consonância com as diretrizes emanadas
pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adoles- Art. 24. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Mu-
cente - Conanda. nicípios poderão conceder benefícios às instituições pri-
vadas que desenvolverem programas de reinserção no
O combate às drogas não se faz apenas com a punição, mercado de trabalho, do usuário e do dependente de drogas
pois há necessidade da prevenção, sendo que a prevenção encaminhados por órgão oficial.
depende de políticas públicas que a almejem, o que fica
Art. 25. As instituições da sociedade civil, sem fins
claro no artigo 18. O artigo seguinte descreve as diretrizes
lucrativos, com atuação nas áreas da atenção à saúde e da
e os princípios de prevenção, que vão desde o tratamento
assistência social, que atendam usuários ou dependentes de
adequado dos dependentes até a inserção de temas afe- drogas poderão receber recursos do Funad, condicionados
tos à área de interesse nos currículos escolares, conferindo à sua disponibilidade orçamentária e financeira.
atenção às repercussões sociais e econômicas no âmbito
do tema das drogas. Art. 26. O usuário e o dependente de drogas que, em
razão da prática de infração penal, estiverem cumprindo
CAPÍTULO II pena privativa de liberdade ou submetidos a medida de
DAS ATIVIDADES DE ATENÇÃO E DE REINSERÇÃO segurança, têm garantidos os serviços de atenção à sua
SOCIAL DE USUÁRIOS OU DEPENDENTES DE DROGAS saúde, definidos pelo respectivo sistema penitenciário.

Art. 20. Constituem atividades de atenção ao usuário A lei pretende inserir nas atividades de atenção não
e dependente de drogas e respectivos familiares, para apenas os usuários, mas também os familiares, integran-
efeito desta Lei, aquelas que visem à melhoria da qualida- do-os em redes sociais que ofertem assistência integral à
de de vida e à redução dos riscos e dos danos associados saúde física e psicológica, mediante atendimento multidis-
ao uso de drogas. ciplinar. Evidentemente que estas políticas públicas exigem
recursos orçamentários, que devem contar com dotação
Art. 21. Constituem atividades de reinserção social do própria. Além disso, serão prestadas tanto pelo setor públi-
co quanto por instituições privadas em parceria.
usuário ou do dependente de drogas e respectivos familiares,
para efeito desta Lei, aquelas direcionadas para sua inte-
CAPÍTULO III
gração ou reintegração em redes sociais. DOS CRIMES E DAS PENAS
Art. 22. As atividades de atenção e as de reinserção Art. 27. As penas previstas neste Capítulo poderão
social do usuário e do dependente de drogas e respectivos ser aplicadas isolada ou cumulativamente, bem como
familiares devem observar os seguintes princípios e dire- substituídas a qualquer tempo, ouvidos o Ministério Pú-
trizes: blico e o defensor.
I - respeito ao usuário e ao dependente de drogas, Os crimes descritos neste capítulo, que não são os pra-
independentemente de quaisquer condições, observados os ticados por traficantes, mas sim por usuários, não possuem
direitos fundamentais da pessoa humana, os princípios e di- uma pena taxativa aplicável. O artigo 28 descreve três tipos
retrizes do Sistema Único de Saúde e da Política Nacional de de penas, nenhuma delas privativa de liberdade, as quais
Assistência Social; poderão ser aplicadas cumulativamente.

56
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, Em que pese a não mais aplicação de pena privativa de
transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, liberdade, o entendimento majoritário é de que legislador
drogas sem autorização ou em desacordo com determi- optou por manter a criminalização das condutas. Há quem
nação legal ou regulamentar será submetido às seguintes diga que como o artigo 1o da Lei de Introdução ao Código
penas: Penal prevê que crime é a infração penal a que a lei comi-
O crime é de perigo abstrato e coletivo, não se exigin- ne pena de reclusão ou detenção, não sendo o caso deste
do a produção de dano. artigo 28, então não se estaria diante de crime. O enten-
Objeto jurídico: saúde pública (principal), e a vida, a dimento não predomina (STF e STJ já se manifestaram no
saúde e a tranquilidade das pessoas individualmente con- sentido de que não houve descriminalização, embora no
sideradas (secundário). STF o tema ainda esteja sendo debatido), sendo mais cor-
Sujeito ativo: O crime é comum e pode ser praticado reto falar em despenalização e não em descriminalização.
por qualquer pessoa. Atenção: O debate sobre a descriminalização de pe-
Sujeito passivo: coletividade. quenas quantidades de entorpecentes é feito no STF no
Objeto material: droga. Recurso Extraordinário 635.659, que tem repercussão geral
reconhecida. Até o momento foram proferidos três votos
Tipo objetivo: adquirir significa obter ou conseguir o
nesse caso – suspenso por pedido de vista do ministro
objeto material de forma onerosa ou gratuita; guardar tem
Teori Zavascki (morto em janeiro de 2017) –, todos pela
o sentido de conservar ou manter o objeto material consigo
inconstitucionalidade do artigo 28 da Lei de Drogas (Lei
para uso próprio futuro, mas longe das vistas; ter em depó-
11.343/2006), que criminaliza o porte de drogas para con-
sito é praticamente sinônimo de guardar; transportar tem sumo pessoal. Luís Roberto Barroso e Edson Fachin enten-
o sentido de levar a droga de um local para outro que não deram que a descriminalização apenas atingiria a maconha
seja por meio pessoal, que caracteriza a conduta de trazer e Gilmar Mendes que atingiria todas drogas.
consigo; trazer consigo significa portar, ter ou manter o ob-
jeto material consigo ou ao alcance para seu pronto uso. § 1o Às mesmas medidas submete-se quem, para seu
A conduta de fazer uso da droga, pura e simplesmente, é consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas des-
fato atípico. O tipo objetivo é misto ou de conteúdo varia- tinadas à preparação de pequena quantidade de subs-
do, o que significa que na prática de mais de uma conduta tância ou produto capaz de causar dependência física ou
simultânea o crime é único. Admite-se a tentativa em todos psíquica.
os verbos, teoricamente, mas devido à diversidade de con- Objeto jurídico: saúde pública (principal), e a vida, a
dutas previstas no tipo raramente ocorrerá. saúde e a tranquilidade das pessoas individualmente con-
Elemento subjetivo: dolo, que deve atender ao intuito sideradas (secundário).
específico de consumo pessoal. Sujeito ativo: O crime é comum e pode ser praticado
Elemento normativo: sem autorização ou em desacor- por qualquer pessoa.
do com determinação legal ou regulamentar. Sujeito passivo: coletividade.
Ação penal: pública incondicionada. Objeto material: plantas.
Tipo objetivo: semear é o ato de lançar sementes a
I - advertência sobre os efeitos das drogas; terra para que possam germinar, cultivar significa manter
II - prestação de serviços à comunidade; plantação, colher tem o sentido de apanhar as plantas.
III - medida educativa de comparecimento a progra- Sendo tipo misto alternativo ou de conteúdo variado, a
ma ou curso educativo. prática simultânea das três condutas no mesmo contexto
O artigo 27 já afirma que as penas podem ser aplicadas caracteriza crime único. É cabível a tentativa.
de forma isolada ou cumulativa e não o serão necessaria- Elemento subjetivo: dolo, que deve atender ao intuito
específico de consumo pessoal.
mente nesta ordem dos incisos (o juiz analisará a culpabi-
Ação penal: pública incondicionada.
lidade caso a caso).
Advertência: o sujeito comparece em cartório e assina
§ 2o Para determinar se a droga destinava-se a consu-
um termo em que constam os efeitos deletérios que o uso
mo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade da
da droga pode causar. substância apreendida, ao local e às condições em que
Pena restritiva de direitos: deverá ser cumprida em se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais,
programas comunitários, entidades educacionais ou assis- bem como à conduta e aos antecedentes do agente.
tenciais, hospitais, estabelecimentos congêneres, públicos Não se trata de circunstâncias taxativas, mas exemplifi-
ou privados sem fins lucrativos, que se ocupem, preferen- cativas. Outras poderão ser somadas para que o juiz possa
cialmente, da prevenção do consumo ou da recuperação decidir sobre qual o crime praticado.
de usuários e dependentes de drogas. A intenção é que o
usuário perceba os efeitos danosos que as drogas podem § 3o As penas previstas nos incisos II e III do caput deste
causar. artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 5 (cinco)
Medida educativa de comparecimento a programa ou meses.
curso educativo: aqui também a intenção é que o usuário § 4o Em caso de reincidência, as penas previstas nos in-
perceba os efeitos danosos das drogas, sob o viés educa- cisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo
tivo. máximo de 10 (dez) meses.

57
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Se a conduta é crime, evidente que pode gerar rein- Embora a regra seja a proibição, excepciona-se me-
cidência, caso em que dobra o prazo máximo de duração diante licença prévia da autoridade competente, obser-
da pena. Tal reincidência deve ser específica, nas mesmas vadas as exigências legais. Trata-se de exceção necessária
condutas descritas neste artigo 28. porque muitas drogas são empregadas pela indústria far-
macêutica para a produção de remédios, dentre eles anes-
§ 5o A prestação de serviços à comunidade será cum- tésicos e potentes analgésicos.
prida em programas comunitários, entidades educacionais ou
assistenciais, hospitais, estabelecimentos congêneres, públicos Art. 32. As plantações ilícitas serão imediatamente
ou privados sem fins lucrativos, que se ocupem, preferencial- destruídas pelo delegado de polícia na forma do art. 50-
mente, da prevenção do consumo ou da recuperação de A, que recolherá quantidade suficiente para exame pericial,
usuários e dependentes de drogas. de tudo lavrando auto de levantamento das condições en-
§ 6o Para garantia do cumprimento das medidas educati- contradas, com a delimitação do local, asseguradas as medi-
vas a que se refere o caput, nos incisos I, II e III, a que injusti- das necessárias para a preservação da prova.
ficadamente se recuse o agente, poderá o juiz submetê-lo, § 1o e § 2o (Revogados).
sucessivamente a: § 3o Em caso de ser utilizada a queimada para destruir
I - admoestação verbal; a plantação, observar-se-á, além das cautelas necessárias
II - multa. à proteção ao meio ambiente, o disposto no Decreto no
Se o não comparecimento deve ser injustificado, é preciso 2.661, de 8 de julho de 1998, no que couber, dispensada a
conferir oportunidade para que o apenado justifique sua ausência. autorização prévia do órgão próprio do Sistema Nacio-
nal do Meio Ambiente - Sisnama.
§ 7o O juiz determinará ao Poder Público que coloque à § 4o As glebas cultivadas com plantações ilícitas se-
disposição do infrator, gratuitamente, estabelecimento de rão expropriadas, conforme o disposto no art. 243 da Cons-
saúde, preferencialmente ambulatorial, para tratamento tituição Federal, de acordo com a legislação em vigor.
especializado. A destruição das plantações ilícitas deve ser imediata,
O infrator tem direito a tratamento médico gratuito para apenas armazenando-se o suficiente para perícia, essencial
livrá-lo do vício ou do uso de drogas. para a demonstração de culpabilidade nos autos. Se a des-
truição for se dar por queimada, providências de preserva-
Art. 29. Na imposição da medida educativa a que se re- ção ambiental devem ser tomadas, mas dispensa-se auto-
fere o inciso II do § 6o do art. 28 (multa), o juiz, atendendo à rização do órgão competente do Sisnama. As terras serão
reprovabilidade da conduta, fixará o número de dias-multa, desapropriadas (art. 243, CF).
em quantidade nunca inferior a 40 (quarenta) nem supe-
rior a 100 (cem), atribuindo depois a cada um, segundo a CAPÍTULO II
capacidade econômica do agente, o valor de um trinta avos DOS CRIMES
até 3 (três) vezes o valor do maior salário mínimo.
Parágrafo único. Os valores decorrentes da imposição da Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, pro-
multa a que se refere o § 6o do art. 28 serão creditados à conta duzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer,
do Fundo Nacional Antidrogas. ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar,
A multa apenas será aplicada se o apenado se recusar a prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer
prestar os serviços à comunidade ou a comparecer a curso ou drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em
programa educativo. No caso, será de 40 a 100 dias-multa, desacordo com determinação legal ou regulamentar:
sendo que cada dia-multa terá o valor mínimo de 1/30 do Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e paga-
salário mínimo e o valor máximo de 3x o salário mínimo. mento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-
-multa.
Art. 30. Prescrevem em 2 (dois) anos a imposição e a Tipicamente, trata-se do delito de tráfico de drogas.
execução das penas, observado, no tocante à interrupção do Os tipos dos artigos art. 33, § 1º, 34 e 36 são equiparados
prazo, o disposto nos arts. 107 e seguintes do Código Penal. a este, sendo subespécies de tráfico de drogas. Tanto este
quanto os apontados como equiparados são considerados
TÍTULO IV crimes equiparados a hediondos (art. 2o, Lei no 8.072/1990).
DA REPRESSÃO À PRODUÇÃO NÃO AUTORIZADA E Crime de perigo abstrato e coletivo.
AO TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS Objeto jurídico: saúde pública (principal), e a vida, a
saúde e a tranquilidade das pessoas individualmente consi-
CAPÍTULO I deradas (secundário).
DISPOSIÇÕES GERAIS Sujeito ativo: O crime é comum e pode ser praticado
por qualquer pessoa, exceto na conduta de prescrever, que
Art. 31. É indispensável a licença prévia da autorida- somente pode ser praticada por médico ou dentista (crime
de competente para produzir, extrair, fabricar, transformar, próprio).
preparar, possuir, manter em depósito, importar, exportar, Sujeito passivo: coletividade. Eventualmente, poderá
reexportar, remeter, transportar, expor, oferecer, vender, com- ser sujeito passivo secundário a criança, o adolescente ou a
prar, trocar, ceder ou adquirir, para qualquer fim, drogas ou pessoa que tem suprimida a capacidade de entendimento
matéria-prima destinada à sua preparação, observadas as ou de autodeterminação (art. 40, VI), que recebam a droga
demais exigências legais. para usá-la.

58
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Objeto material: droga. Elemento normativo: sem autorização ou em desacor-


Tipo objetivo: importar significa fazer entrar em terri- do com determinação legal ou regulamentar.
tório nacional; exportar significa fazer sair do território na- Ação penal: pública incondicionada.
cional; remeter significa mandar ou enviar de um local para
outro; preparar é misturar substâncias para fazer surgir a II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização
espécie de droga; produzir é elaborar uma nova espécie ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar,
de droga; fabricar significa preparar ou produzir em lar- de plantas que se constituam em matéria-prima para a
ga escala; adquirir implica em obter ou conseguir o obje- preparação de drogas;
to material de forma onerosa ou gratuita; vender é alienar Objeto jurídico: saúde pública (principal), e a vida, a
onerosamente; expor a venda é exibir com o intuito de que saúde e a tranquilidade das pessoas individualmente con-
possa ser comprado; oferecer é sugerir a aquisição, mesmo sideradas (secundário).
por gestos ou palavras; ter em depósito é a retenção ou Sujeito ativo: O crime é comum e pode ser praticado
manutenção do objeto material para sua disponibilidade, por qualquer pessoa.
ou seja, para a venda ou fornecimento; transportar significa Sujeito passivo: coletividade.
levar de um lugar ao outro; ter ou manter o objeto material Tipo objetivo: Semear é o ato de lançar sementes na
consigo ou ao seu alcance para sua pronta disponibilidade; terra para que possam germinar. Cultivar significa manter
guardar é reter consigo em nome de terceiro; prescrever plantação. Fazer a colheita tem o sentido de apanhar as
é receitar; ministrar é introduzir no organismo de outrem; plantas. Em tese, cabe tentativa. Sendo praticada mais de
entregar a consumo é a regra genérica que vale para toda uma conduta no mesmo contexto, o crime é único.
conduta de disponibilizar; fornecer significa entregar, de Objeto material: plantas (ex.: folha de coca, cannabis).
forma onerosa ou gratuita. O tipo descreve múltiplas con- Elemento subjetivo: dolo.
dutas e a prática de mais de uma delas no mesmo contexto Ação penal: pública incondicionada.
implica em crime único. Por isso mesmo, é difícil ocorrer a
tentativa, embora teoricamente seja viável. III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de
Atenção - Muitas das condutas aqui previstas também que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou vi-
constam do artigo 28, o que diferencia é o dolo específico gilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda
daquele tipo, pois no tipo de tráfico de drogas a intenção que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com
não é o consumo pessoal. determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito
Elemento subjetivo: dolo. de drogas.
Elemento normativo: sem autorização ou em desacor- Objeto jurídico: saúde pública (principal), e a vida, a
do com determinação legal ou regulamentar. saúde e a tranquilidade das pessoas individualmente con-
Ação penal: pública incondicionada. sideradas (secundário).
Sujeito ativo: O crime é próprio, pois exige a condi-
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem: ção especial de possuir propriedade, posse, administração,
I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, guarda ou vigilância do local ou do bem.
vende, expõe à venda, oferece, fornece, tem em depósito, Sujeito passivo: coletividade.
transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamen- Tipo objetivo: Na utilização do local (coisa imóvel) ou
te, sem autorização ou em desacordo com determinação le- bem (coisa móvel), o próprio sujeito ativo utiliza o local
gal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto ou bem para o tráfico de drogas (como a utilização efetiva
químico destinado à preparação de drogas; pode ou não ocorrer, admite tentativa). No consentimento
Objeto jurídico: saúde pública (principal), e a vida, a para a utilização do local ou bem, não é o sujeito ativo
saúde e a tranquilidade das pessoas individualmente con- que emprega o local ou bem para o tráfico de drogas, mas
sideradas (secundário). terceiro por ele autorizado, o qual poderá responder por
Sujeito ativo: O crime é comum e pode ser praticado tráfico de drogas (noutro tipo do art. 33) (como o consenti-
por qualquer pessoa. mento é ato unissubsistente, não se admite tentativa).
Sujeito passivo: coletividade. Elemento subjetivo: dolo, específico pois exige-se a es-
Tipo objetivo: Os tipos objetivos descritos se asseme- pecial finalidade de emprego do local ou bem para o trá-
lham ao do caput, sendo relevante observar que o tráfico fico de drogas.
ocorre mesmo quando o objeto material não é a droga. Da Elemento normativo: sem autorização ou em desacor-
mesma forma, em tese, cabe tentativa. do com determinação legal ou regulamentar.
Objeto material: não é a droga, mas uma matéria-pri- Ação penal: pública incondicionada.
ma (substância original e básica), insumo (substância ou
insumo necessário, mas não indispensável) ou produto § 2o Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso in-
químico (produto resultante de composição química), que devido de droga:
sejam destinados ou possam vir a ser empregados em pro- Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de
dução de drogas. 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-multa.
Elemento subjetivo: dolo, com o fim específico de que Objeto jurídico: saúde pública (principal), e a vida, a
a matéria-prima, o insumo ou o produto sejam destinados saúde e a tranquilidade das pessoas individualmente con-
à produção de droga. sideradas (secundário).

59
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Sujeito ativo: O crime é comum e pode ser praticado Fixa-se aqui uma causa de diminuição de pena.
por qualquer pessoa. A Resolução nº 5/2012 suspendeu o dispositivo no que
Sujeito passivo: coletividade. Eventualmente, poderá ser tange à vedação à aplicação de penas restritivas de direitos
sujeito passivo secundário a criança, o adolescente ou a pessoa porque a expressão foi declarada inconstitucional por de-
que tem suprimida a capacidade de entendimento ou de au- cisão definitiva do Supremo Tribunal Federal nos autos do
todeterminação (art. 40, VI), que recebam a droga para usá-la. Habeas Corpus nº 97.256/RS.
Objeto material: droga.
Tipo objetivo: induzir é incutir ou criar na mente a vonta- Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer,
de do uso indevido de droga; instigar é alimentar uma ideia vender, distribuir, entregar a qualquer título, possuir, guardar
pré-existente de tal uso; auxiliar é prestar colaboração material ou fornecer, ainda que gratuitamente, maquinário, apare-
(ex.: levar a pessoa na boca de fumo). Em tese cabe tentativa, lho, instrumento ou qualquer objeto destinado à fabri-
quando nas condutas de induzir ou instigar não se produz no cação, preparação, produção ou transformação de dro-
outro a vontade de usar a droga. Não há tentativa na modali- gas, sem autorização ou em desacordo com determinação
dade de auxílio. legal ou regulamentar:
Segundo o STF, a tipificação deve excluir qualquer sig- Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento
nificado que enseje a proibição de manifestações e debates de 1.200 (mil e duzentos) a 2.000 (dois mil) dias-multa.
públicos acerca da descriminalização ou legalização do uso de Objeto jurídico: saúde pública (principal), e a vida, a
drogas ou de qualquer substância que leve o ser humano ao saúde e a tranquilidade das pessoas individualmente con-
entorpecimento episódico, ou então viciado, das suas faculda- sideradas (secundário).
des psicofísicas – “Marcha da Maconha” (ADI 4274, Rel. Min. Sujeito ativo: O crime é comum e pode ser praticado
Ayres Britto, v. u., j. 23.11.2011). por qualquer pessoa.
Elemento subjetivo: dolo. Sujeito passivo: coletividade.
Elemento normativo: o uso deve ser indevido, se a lei Tipo objetivo: Os tipos objetivos descritos se asseme-
apoiar o uso então o fato é atípico. lham bastante aos do caput do art. 33, mudando o objeto
Ação penal: pública incondicionada. material. Da mesma forma, em tese, cabe tentativa (sal-
vo na oferta quando verbal e no fornecimento habitual),
§ 3o Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de mas sendo tipo misto de conteúdo variado ela dificilmente
lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos a consu- ocorrerá.
mirem: Objeto material: maquinários, aparelhos, instrumentos
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e paga- ou quaisquer objetos destinados à fabricação, prepara-
mento de 700 (setecentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-mul- ção, produção ou transformação de drogas. Maquinário é
ta, sem prejuízo das penas previstas no art. 28. o conjunto de peças ou uma máquina. Aparelho é o con-
Objeto jurídico: saúde pública (principal), e a vida, a saúde junto de mecanismos ou engenho. Instrumento é o objeto
e a tranquilidade das pessoas individualmente consideradas empregado para a execução de um trabalho. Traz-se uma
(secundário). fórmula genérica de que se incluem quaisquer outros ob-
Sujeito ativo: O crime é comum e pode ser praticado por jetos semelhantes aos anteriores. Os objetos devem ser
qualquer pessoa, mas exige-se que a pessoa seja do mesmo destinados à fabricação, produção, preparação ou trans-
círculo de relacionamento (ex.: amigo, parente, namorado, co- formação de drogas. Preparação é a reunião de elementos
lega de trabalho). para a elaboração de uma droga já conhecida. Produção
Sujeito passivo: coletividade. Eventualmente, poderá ser significa elaborar uma nova espécie de droga. Fabricação
sujeito passivo secundário a criança, o adolescente ou a pes- significa a preparação ou produção de droga em larga es-
soa que tem suprimida a capacidade de entendimento ou de cala. Transformação tem o sentido de mudar a natureza da
autodeterminação (art. 40, VI), que recebam a droga para usá- droga para outra.
-la. Elemento subjetivo: dolo, que deve abranger o conhe-
Objeto material: droga. cimento de o objeto material ser destinado à fabricação,
Tipo objetivo: oferecer significa sugerir a aquisição, que preparação, produção ou transformação de drogas.
deve ser gratuita, entendendo-se que a conduta de fornecer Elemento normativo: sem autorização ou em desacor-
gratuitamente a pessoa de seu círculo está aqui amparada. do com determinação legal ou regulamentar.
Cabe tentativa, mas não é preciso que se aceite a droga ofer- Ação penal: pública incondicionada.
tada ou fornecida.
Elemento subjetivo: dolo, sendo que o propósito deve ser Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o
de uso eventual e compartilhado com pessoa de seu relacio- fim de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos
namento. crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei:
Ação penal: pública incondicionada. Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento
de 700 (setecentos) a 1.200 (mil e duzentos) dias-multa.
§ 4o Nos delitos definidos no caput e no § 1o deste artigo, as Objeto jurídico: saúde pública (principal), e a vida, a
penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, ve- saúde e a tranquilidade das pessoas individualmente con-
dada a conversão em penas restritivas de direitos, desde que o sideradas (secundário).
agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedi- Sujeito ativo: O crime é comum e pode ser praticado
que às atividades criminosas nem integre organização por qualquer pessoa, mas exige no mínimo duas pessoas
criminosa. (crime plurissubjetivo).

60
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Sujeito passivo: coletividade. Art. 37. Colaborar, como informante, com grupo, or-
Tipo objetivo: O verbo “associarem-se” significa a reu- ganização ou associação destinados à prática de qualquer
nião com vínculo estável e permanente (tempo indetermi- dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta
nado), no caso, de duas ou mais pessoas. A associação não Lei:
precisa ser reiterada, ou seja, habitual. Há necessidade de Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e pagamento
vínculo psicológico para a prática dos delitos por tempo de 300 (trezentos) a 700 (setecentos) dias-multa.
indeterminado. O tipo é autônomo e aplica-se de forma Objeto jurídico: saúde pública (principal), e a vida, a
cumulada com o tráfico se ele também ocorrer ou isola- saúde e a tranquilidade das pessoas individualmente con-
damente. sideradas (secundário).
Elemento subjetivo: dolo, com a finalidade especial de Sujeito ativo: O crime é comum e pode ser praticado
praticar os crimes descritos nos artigos 33, caput, § 1º, ou por qualquer pessoa.
34, por tempo indeterminado. Sujeito passivo: coletividade.
Ação penal: pública incondicionada. Tipo objetivo: Financiar ou custear Tipo objetivo: a con-
duta é de colaborar, como informante, com grupo, organi-
Parágrafo único. Nas mesmas penas do caput deste zação ou associação destinada à prática de qualquer dos
artigo incorre quem se associa para a prática reiterada crimes previstos nos artigos 33, caput, § 1º, e 34. Colaborar
do crime definido no art. 36 desta Lei. tem o sentido de ajudar ou prestar auxílio. Ex.: soltar rojão,
Objeto jurídico: saúde pública (principal), e a vida, a sinal de luz, mandar mensagem de celular avisando da che-
saúde e a tranquilidade das pessoas individualmente con- gada de policiais. A tentativa só é possível se a colabora-
sideradas (secundário). ção for por escrito, não cabendo em comunicação oral ou
Sujeito ativo: O crime é comum e pode ser praticado gestos. Há exceção à teoria monista, pois aquele que seria
por qualquer pessoa, mas exige no mínimo duas pessoas partícipe nos crimes dos arts. 33, caput e §1o, e 34, respon-
(crime plurissubjetivo). de por tipo autônomo.
Sujeito passivo: coletividade. Elemento subjetivo: dolo.
Tipo objetivo: Consiste em associarem-se para a prática Ação penal: pública incondicionada.
reiterada do crime de financiamento ou custeio para o trá-
fico de drogas (art. 36). Enquanto o caput define a conduta
Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, dro-
de associação para o tráfico de drogas, o tipo em questão
gas, sem que delas necessite o paciente, ou fazê-lo em
criou a associação destinada a financiar ou custear a prática
doses excessivas ou em desacordo com determinação
de um dos crimes descritos nos artigos 33, caput, §1º, ou 34
legal ou regulamentar:
(tráfico de drogas). Há necessidade de vínculo psicológico
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pa-
para a prática do delito do art. 36 por tempo indetermina-
gamento de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) dias-multa.
do. Aqui, a associação tem que ser habitual, não eventual.
Parágrafo único. O juiz comunicará a condenação ao
Devido à habitualidade, não há possibilidade de tentativa.
Conselho Federal da categoria profissional a que pertença
Elemento subjetivo: dolo, com a finalidade especial de
praticar o crime descrito no art. 36 por tempo indetermi- o agente.
nado. Objeto jurídico: saúde pública (principal), e a vida, a
Ação penal: pública incondicionada. saúde e a tranquilidade das pessoas individualmente con-
sideradas (secundário).
Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer Objeto material: drogas.
dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Sujeito ativo: O crime é próprio e somente pode ser
Lei: praticado por quem pode prescrever, notadamente, médi-
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte) anos, e paga- co ou dentista.
mento de 1.500 (mil e quinhentos) a 4.000 (quatro mil) dias- Sujeito passivo: coletividade e, secundariamente, o pa-
-multa. ciente.
Objeto jurídico: saúde pública (principal), e a vida, a Tipo objetivo: Prescrever é receitar, ministrar é introdu-
saúde e a tranquilidade das pessoas individualmente con- zir no organismo. Sem necessidade – o paciente não pre-
sideradas (secundário). cisava da droga. Doses acima do necessário – o paciente
Sujeito ativo: O crime é comum e pode ser praticado necessita, mas em menor quantidade. Em desacordo com
por qualquer pessoa. determinação legal ou regulamentar – medicamento não
Sujeito passivo: coletividade. autorizado pela ANVISA.
Tipo objetivo: Financiar ou custear são termos sinôni- Elemento subjetivo: apenas culpa, por negligência, im-
mos, que significam prover as despesas com dinheiro ou prudência ou imperícia. Por ser crime culposo, não admite
bens. O objeto da conduta é qualquer dos crimes descritos tentativa.
nos artigos 33, caput, § 1º, ou 34, i. e., delitos considerados Ação penal: pública incondicionada.
como tráfico de drogas.
Elemento subjetivo: dolo. Art. 39. Conduzir embarcação ou aeronave após o
Ação penal: pública incondicionada. consumo de drogas, expondo a dano potencial a incolumi-
dade de outrem:

61
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, além 1 – Transnacionalidade: condutas que objetivem im-
da apreensão do veículo, cassação da habilitação respectiva portação e exportação.
ou proibição de obtê-la, pelo mesmo prazo da pena privativa 2 – Condição do agente: função pública ou desempe-
de liberdade aplicada, e pagamento de 200 (duzentos) a 400 nho de missão em educação, poder familiar, guarda ou vi-
(quatrocentos) dias-multa. gilância.
Parágrafo único. As penas de prisão e multa, aplica- 3 – Local: imediações (proximidade) ou no próprio local
das cumulativamente com as demais, serão de 4 (quatro) – estabelecimentos prisionais, de ensino, hospitalares ou
a 6 (seis) anos e de 400 (quatrocentos) a 600 (seiscentos) policiais/militares; espaços de lazer ou recreação; onde se
dias-multa, se o veículo referido no caput deste artigo for de prestem serviços de tratamento de dependentes de drogas
transporte coletivo de passageiros. ou de reinserção social.
Objeto jurídico: incolumidade pública (segurança pú- 4 – Violência, grave ameaça, arma de fogo ou intimida-
blica). ção: comum quando o tráfico é exercido por organizações
Sujeito ativo: O crime é comum e pode ser praticado criminosas.
por qualquer pessoa. 5 – Tráfico interestadual: dispensável a efetiva trans-
Sujeito passivo: coletividade. posição de fronteiras (STF, HC nº 99452/MS, j. 21.09.2010).
Tipo objetivo: Conduzir tem o sentido de dirigir ou 6 – Condição do sujeito passivo: criança e adolescen-
pilotar (exige movimento). O objeto da conduta é a em- te (no confronto com o art. 243, ECA, prevalece a Lei de
barcação ou a aeronave. Embarcação é qualquer meio de Drogas, servindo o ECA para bebidas alcóolicas e outras
transporte utilizado para navegação. Aeronave é qualquer substâncias que causem dependência não consideradas
aparelho que possa voar. No caso de automóvel, o delito drogas), pessoa com capacidade diminuída ou suprimida.
está tipificado no Código de Trânsito em seu art. 306. O 7 – Financiamento ou custeio: Se houver prática de um
tipo objetivo exige que a condução se dê por influência de dos delitos previstos nos artigos 33, 34, 35 e 37 e o agente
droga, se for de álcool há contravenção penal do art. 34, o prover com dinheiro ou bens, haverá o aumento da pena.
LCP. Não aceita tentativa. Praticado o crime previsto no artigo 36, não se aplica a cau-
Elemento subjetivo: dolo, direto ou eventual. sa de aumento, pois caracterizaria bis in idem.
Ação penal: pública incondicionada.
Art. 41. O indiciado ou acusado que colaborar volun-
tariamente com a investigação policial e o processo crimi-
Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são
nal na identificação dos demais co-autores ou partícipes do
aumentadas de um sexto a dois terços, se:
crime e na recuperação total ou parcial do produto do crime,
I - a natureza, a procedência da substância ou do pro-
no caso de condenação, terá pena reduzida de um terço a
duto apreendido e as circunstâncias do fato evidenciarem a
dois terços.
transnacionalidade do delito;
Delação premiada: A norma estabelece dois requisitos
II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função para a redução da pena, notadamente, colaboração volun-
pública ou no desempenho de missão de educação, po- tária e eficiência, esta consubstanciada na identificação dos
der familiar, guarda ou vigilância; demais coautores ou partícipes do crime e na recupera-
III - a infração tiver sido cometida nas dependências ção total ou parcial do produto do delito. Para que seja
ou imediações de estabelecimentos prisionais, de ensi- possível essa barganha ao menos um dos integrantes deve
no ou hospitalares, de sedes de entidades estudantis, so- ser identificado. Além disso, as provas a ele apresentadas
ciais, culturais, recreativas, esportivas, ou beneficentes, devem ser substanciais de modo que haja chance real ou
de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se reali- mesmo a certeza da condenação a severas sanções. Sem
zem espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de isso, não haverá estímulo para o acordo. Produzindo fruto
serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de o acordo, reduz-se a pena de 1/3 a 2/3.
reinserção social, de unidades militares ou policiais ou
em transportes públicos; Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, com
IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave preponderância sobre o previsto no art. 59 do Código Pe-
ameaça, emprego de arma de fogo, ou qualquer proces- nal, a natureza e a quantidade da substância ou do pro-
so de intimidação difusa ou coletiva; duto, a personalidade e a conduta social do agente.
V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federa- Art. 59, CP. O juiz, atendendo à culpabilidade, aos ante-
ção ou entre estes e o Distrito Federal; cedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos
VI - sua prática envolver ou visar a atingir criança ou motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem
adolescente ou a quem tenha, por qualquer motivo, dimi- como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme
nuída ou suprimida a capacidade de entendimento e seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do
determinação; crime.
VII - o agente financiar ou custear a prática do cri-
me. Art. 43. Na fixação da multa a que se referem os arts.
São causas de aumento de pena, aplicáveis aos crimes 33 a 39 desta Lei, o juiz, atendendo ao que dispõe o art. 42
descritos do art. 33 ao 37, no montante de 1/6 a 2/3 (se desta Lei, determinará o número de dias-multa, atribuindo
presente mais de uma, aplica-se um único aumento, de no a cada um, segundo as condições econômicas dos acusados,
máximo 2/3), podendo ocorrer fixação de pena abaixo do valor não inferior a um trinta avos nem superior a 5
mínimo e acima do máximo: (cinco) vezes o maior salário-mínimo.

62
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Parágrafo único. As multas, que em caso de concur- uma constância do vício, não para o uso eventual), seja em
so de crimes serão impostas sempre cumulativamente, razão da pessoa estar sob efeito de droga por caso fortuito
podem ser aumentadas até o décuplo se, em virtude da ou força maior (é o caso da vítima do crime do artigo 38). O
situação econômica do acusado, considerá-las o juiz inefica- agente é imputável, mas terá a pena reduzida, em caso de
zes, ainda que aplicadas no máximo. semi-imputabilidade (o caráter ilícito do fato é compreen-
Cada dispositivo fixa uma margem mínima e máxima dido e existe o poder de determinação, mas de forma limi-
para a fixação de dias-multa, sendo que cada qual terá no tada) nas mesmas circunstâncias.
mínimo o valor de 1/30 do salário mínimo e no máximo o
valor de 5 salários mínimos. O juiz pode fixar o valor do Art. 47. Na sentença condenatória, o juiz, com base em
dia-multa em até 50 salários mínimos se a situação econô- avaliação que ateste a necessidade de encaminhamen-
mica do apenado indicar que o valor máximo de 5 salários to do agente para tratamento, realizada por profissional
é insignificante. de saúde com competência específica na forma da lei, de-
terminará que a tal se proceda, observado o disposto no
Art. 44. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e art. 26 desta Lei.
34 a 37 desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de sur-
CAPÍTULO III
sis, graça, indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a
DO PROCEDIMENTO PENAL
conversão de suas penas em restritivas de direitos.
Parágrafo único. Nos crimes previstos no caput deste Art. 48. O procedimento relativo aos processos por cri-
artigo, dar-se-á o livramento condicional após o cumpri- mes definidos neste Título rege-se pelo disposto neste Capí-
mento de dois terços da pena, vedada sua concessão ao re- tulo, aplicando-se, subsidiariamente, as disposições do
incidente específico. Código de Processo Penal e da Lei de Execução Penal.
No HC nº 104.339/SP o STF julgou inconstitucional a § 1o O agente de qualquer das condutas previstas no
expressão liberdade provisória neste artigo. A negação da art. 28 desta Lei, salvo se houver concurso com os crimes
liberdade provisória e a conversão da prisão em flagrante previstos nos arts. 33 a 37 desta Lei, será processado e jul-
em preventiva deve se calcar em motivos concretos expres- gado na forma dos arts. 60 e seguintes da Lei no 9.099,
samente previstos em lei. O juiz só pode negar a liberdade de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre os Juizados
provisória quando couber prisão preventiva (art. 312, CPP), Especiais Criminais.
devendo analisar o caso concreto e não sendo a gravidade § 2o Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta
do delito argumento suficiente. Lei, não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor
A jurisprudência se firma no sentido de que não cabe do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo competen-
realmente suspensão condicional da pena. Não cabe tam- te ou, na falta deste, assumir o compromisso de a ele compa-
bém indulto, graça ou anistia. recer, lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-
No HC nº 97.256/RS, o STF julgou inconstitucional a -se as requisições dos exames e perícias necessários.
previsão de impossibilidade de conversão da pena privati- § 3o Se ausente a autoridade judicial, as providências
va de liberdade em pena restritiva de direitos. previstas no § 2o deste artigo serão tomadas de imediato
pela autoridade policial, no local em que se encontrar, veda-
Art. 45. É isento de pena o agente que, em razão da da a detenção do agente.
dependência, ou sob o efeito, proveniente de caso for- § 4o Concluídos os procedimentos de que trata o § 2o
tuito ou força maior, de droga, era, ao tempo da ação deste artigo, o agente será submetido a exame de corpo de
ou da omissão, qualquer que tenha sido a infração penal delito, se o requerer ou se a autoridade de polícia judiciária
praticada, inteiramente incapaz de entender o caráter ilí- entender conveniente, e em seguida liberado.
§ 5o Para os fins do disposto no art. 76 da Lei no 9.099,
cito do fato ou de determinar-se de acordo com esse enten-
de 1995, que dispõe sobre os Juizados Especiais Criminais, o
dimento.
Ministério Público poderá propor a aplicação imediata
Parágrafo único. Quando absolver o agente, reconhe-
de pena prevista no art. 28 desta Lei, a ser especificada
cendo, por força pericial, que este apresentava, à época do na proposta.
fato previsto neste artigo, as condições referidas no caput • Os crimes com pena máxima inferior a 2 anos são
deste artigo, poderá determinar o juiz, na sentença, o seu infrações de menor potencial ofensivo e sujeitam-se ao
encaminhamento para tratamento médico adequado. procedimento sumaríssimo da Lei no 9.099/95 (arts. 77 a
83), no que for cabível devido às peculiaridades das penas
Art. 46. As penas podem ser reduzidas de um terço a aplicáveis. Caberá a suspensão condicional do processo
dois terços se, por força das circunstâncias previstas no art. nos crimes em que a pena mínima comentada for igual ou
45 desta Lei, o agente não possuía, ao tempo da ação ou inferior a 1 ano.
da omissão, a plena capacidade de entender o caráter São infrações de menor potencial ofensivo:
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse - Porte de drogas (art. 28, caput e §1º);
entendimento. - Compartilhamento (art. 33, §3º);
O agente é inimputável quando praticar um dos cri- - Prescrição culposa (art. 38).
mes descritos do artigo 33 ao 39 e for inteiramente incapaz • Nos crimes do artigo 28, aos quais não se comina
de compreender as consequências dos seus atos, seja em pena privativa de liberdade, não é cabível prisão em fla-
razão de dependência química (a dependência clama por grante.

63
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Art. 49. Tratando-se de condutas tipificadas nos arts. II - requererá sua devolução para a realização de di-
33, caput e § 1o, e 34 a 37 desta Lei, o juiz, sempre que as ligências necessárias.
circunstâncias o recomendem, empregará os instrumentos Parágrafo único. A remessa dos autos far-se-á sem pre-
protetivos de colaboradores e testemunhas previstos na juízo de diligências complementares:
Lei no 9.807, de 13 de julho de 1999. I - necessárias ou úteis à plena elucidação do fato,
Envolvem-se os mecanismos de proteção de colabora- cujo resultado deverá ser encaminhado ao juízo competente
dores e testemunhas. até 3 (três) dias antes da audiência de instrução e julgamen-
to;
Seção I II - necessárias ou úteis à indicação dos bens, di-
Da Investigação reitos e valores de que seja titular o agente, ou que figu-
rem em seu nome, cujo resultado deverá ser encaminhado
Art. 50. Ocorrendo prisão em flagrante, a autoridade
ao juízo competente até 3 (três) dias antes da audiência de
de polícia judiciária fará, imediatamente, comunicação
ao juiz competente, remetendo-lhe cópia do auto lavrado, instrução e julgamento.
do qual será dada vista ao órgão do Ministério Público,
em 24 (vinte e quatro) horas. Art. 53. Em qualquer fase da persecução criminal relati-
§ 1o Para efeito da lavratura do auto de prisão em fla- va aos crimes previstos nesta Lei, são permitidos, além dos
grante e estabelecimento da materialidade do delito, é sufi- previstos em lei, mediante autorização judicial e ouvido
ciente o laudo de constatação da natureza e quantidade o Ministério Público, os seguintes procedimentos inves-
da droga, firmado por perito oficial ou, na falta deste, por tigatórios:
pessoa idônea. I - a infiltração por agentes de polícia, em tarefas de
§ 2o O perito que subscrever o laudo a que se refere investigação, constituída pelos órgãos especializados perti-
o § 1o deste artigo não ficará impedido de participar da nentes;
elaboração do laudo definitivo. II - a não-atuação policial sobre os portadores de
§ 3o Recebida cópia do auto de prisão em flagrante, o drogas, seus precursores químicos ou outros produtos
juiz, no prazo de 10 (dez) dias, certificará a regularida- utilizados em sua produção, que se encontrem no terri-
de formal do laudo de constatação e determinará a des- tório brasileiro, com a finalidade de identificar e respon-
truição das drogas apreendidas, guardando-se amostra sabilizar maior número de integrantes de operações de
necessária à realização do laudo definitivo.
tráfico e distribuição, sem prejuízo da ação penal cabível.
§ 4o A destruição das drogas será executada pelo dele-
Parágrafo único. Na hipótese do inciso II deste artigo, a
gado de polícia competente no prazo de 15 (quinze) dias
na presença do Ministério Público e da autoridade sanitária. autorização será concedida desde que sejam conhecidos
§ 5o O local será vistoriado antes e depois de efetiva- o itinerário provável e a identificação dos agentes do
da a destruição das drogas referida no § 3o, sendo lavrado delito ou de colaboradores.
auto circunstanciado pelo delegado de polícia, certificando- Flagrante
-se neste a destruição total delas. • Prisão em flagrante – Delegado deve comunicar
imediatamente ao juiz, remetendo auto e conferindo vista
Art. 50-A. A destruição de drogas apreendidas sem ao MP, em 24hs.
a ocorrência de prisão em flagrante será feita por inci- • Para que o auto da prisão não demore para ser en-
neração, no prazo máximo de 30 (trinta) dias contado viado, aceita-se que no laudo de constatação se fixe ape-
da data da apreensão, guardando-se amostra necessária à nas a natureza e quantidade da droga, assinado por perito
realização do laudo definitivo, aplicando-se, no que cou- oficial ou, na falta deste, de pessoa idônea.
ber, o procedimento dos §§ 3o a 5o do art. 50. • O juiz, no prazo de 10 (dez) dias, certificará a re-
gularidade formal do laudo de constatação e determinará
Art. 51. O inquérito policial será concluído no prazo a destruição.
de 30 (trinta) dias, se o indiciado estiver preso, e de 90 Destruição
(noventa) dias, quando solto. • Guarda-se amostra da droga para o futuro laudo
Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo
definitivo, destruindo-se o restante.
podem ser duplicados pelo juiz, ouvido o Ministério Pú-
• A destruição deve ser executada na presença do
blico, mediante pedido justificado da autoridade de po-
lícia judiciária. MP e da autoridade sanitária.
• No caso de prisão em flagrante, a destruição se
Art. 52. Findos os prazos a que se refere o art. 51 desta dará no prazo de 15 dias da determinação do juiz para a
Lei, a autoridade de polícia judiciária, remetendo os au- destruição.
tos do inquérito ao juízo: • Não havendo flagrante, a destruição se dará em
I - relatará sumariamente as circunstâncias do fato, até 30 dias da data de apreensão.
justificando as razões que a levaram à classificação do delito, Prazo para conclusão do inquérito
indicando a quantidade e natureza da substância ou do pro- • Réu preso – 30 dias.
duto apreendido, o local e as condições em que se desenvol- • Réu solto – 90 dias.
veu a ação criminosa, as circunstâncias da prisão, a conduta, • Juiz pode duplicar a pedido justificado da autori-
a qualificação e os antecedentes do agente; ou dade judiciária, ouvido o MP.

64
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Conclusão do inquérito § 1o Tratando-se de condutas tipificadas como infração


• O inquérito será remetido ao juízo, com o relato do disposto nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 a 37 desta Lei, o
sumário dos fatos (circunstâncias do crime e da prisão, jus- juiz, ao receber a denúncia, poderá decretar o afastamento
tificativas para a classificação do delito, quantidade e na- cautelar do denunciado de suas atividades, se for fun-
tureza da substância/produto, local e condições da ação, cionário público, comunicando ao órgão respectivo.
conduta/qualificação/antecedentes do agente) ou um pe- § 2o A audiência a que se refere o caput deste artigo
dido de devolução dos autos apara realização de audiência. será realizada dentro dos 30 (trinta) dias seguintes ao
• Mesmo após a remessa do inquérito é possível recebimento da denúncia, salvo se determinada a realiza-
continuar efetuando diligências necessárias ou úteis para ção de avaliação para atestar dependência de drogas,
elucidar fatos e para indicar bens, direitos e valores de titu- quando se realizará em 90 (noventa) dias.
laridade ou propriedade do agente, encaminhando-as ao
juízo competente até 3 dias antes da audiência de instru- Art. 57. Na audiência de instrução e julgamento, após
ção e julgamento. o interrogatório do acusado e a inquirição das testemu-
Investigação nhas, será dada a palavra, sucessivamente, ao represen-
• Agente infiltrado e ação controlada: Além das me- tante do Ministério Público e ao defensor do acusado,
didas de investigação tradicionais, é possível a infiltração para sustentação oral, pelo prazo de 20 (vinte) minutos
de agentes e a não-atuação imediata sobre portadores de para cada um, prorrogável por mais 10 (dez), a critério do
drogas com o fim de persegui-los para a identificação de juiz.
um número maior de agentes/colaboradores. Parágrafo único. Após proceder ao interrogatório, o
juiz indagará das partes se restou algum fato para ser
Seção II esclarecido, formulando as perguntas correspondentes se o
Da Instrução Criminal entender pertinente e relevante.

Art. 54. Recebidos em juízo os autos do inquérito policial, Art. 58. Encerrados os debates, proferirá o juiz sentença
de Comissão Parlamentar de Inquérito ou peças de informa- de imediato, ou o fará em 10 (dez) dias, ordenando que
ção, dar-se-á vista ao Ministério Público para, no prazo os autos para isso lhe sejam conclusos.
de 10 (dez) dias, adotar uma das seguintes providências: § 1o Ao proferir sentença, o juiz, não tendo havido con-
I - requerer o arquivamento; trovérsia, no curso do processo, sobre a natureza ou quanti-
dade da substância ou do produto, ou sobre a regularidade
II - requisitar as diligências que entender necessárias;
do respectivo laudo, determinará que se proceda na forma
III - oferecer denúncia, arrolar até 5 (cinco) testemunhas
do art. 32, § 1o, desta Lei, preservando-se, para eventual con-
e requerer as demais provas que entender pertinentes.
traprova, a fração que fixar.
§ 2o Igual procedimento poderá adotar o juiz, em decisão
Art. 55. Oferecida a denúncia, o juiz ordenará a no-
motivada e, ouvido o Ministério Público, quando a quanti-
tificação do acusado para oferecer defesa prévia, por
dade ou valor da substância ou do produto o indicar, prece-
escrito, no prazo de 10 (dez) dias.
dendo a medida a elaboração e juntada aos autos do laudo
§ 1o Na resposta, consistente em defesa preliminar e
toxicológico.
exceções, o acusado poderá arguir preliminares e invocar
todas as razões de defesa, oferecer documentos e justi- Art. 59. Nos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o,
ficações, especificar as provas que pretende produzir e, até e 34 a 37 desta Lei, o réu não poderá apelar sem reco-
o número de 5 (cinco), arrolar testemunhas. lher-se à prisão, salvo se for primário e de bons antece-
§ 2o As exceções serão processadas em apartado, nos dentes, assim reconhecido na sentença condenatória.
termos dos arts. 95 a 113 do Decreto-Lei no 3.689, de 3 de
outubro de 1941 - Código de Processo Penal. Providências iniciais
§ 3o Se a resposta não for apresentada no prazo, o juiz • Recebidos os autos, dar-se-á vistas ao Ministério
nomeará defensor para oferecê-la em 10 (dez) dias, con- Público, no prazo de 10 dias, que poderá: requerer arquiva-
cedendo-lhe vista dos autos no ato de nomeação. mento, requisitar diligências ou oferecer denúncia.
§ 4o Apresentada a defesa, o juiz decidirá em 5 (cinco) • Na denúncia, poderá arrolar até 10 testemunhas e
dias. requerer outras provas.
§ 5o Se entender imprescindível, o juiz, no prazo máxi- Defesa prévia
mo de 10 (dez) dias, determinará a apresentação do pre- • A defesa prévia é uma especificidade da lei de dro-
so, realização de diligências, exames e perícias. gas, permitindo ao acusado se defender antes mesmo do
recebimento da denúncia – por isso será notificado e não
Art. 56. Recebida a denúncia, o juiz designará dia e citado.
hora para a audiência de instrução e julgamento, orde- • Consiste na apresentação de defesa escrita no
nará a citação pessoal do acusado, a intimação do Minis- prazo de 10 dias pelo acusado, com todas razões de de-
tério Público, do assistente, se for o caso, e requisitará os fesa, preliminares e exceções, apresentando documentos
laudos periciais. e justificações.

65
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

• Se necessário, nomeia-se defensor dativo para CAPÍTULO IV


apresentá-la no caso de omissão do acusado. DA APREENSÃO, ARRECADAÇÃO E DESTINAÇÃO
• Apresentada, o juiz decidirá em 5 dias, mas se não DE BENS DO ACUSADO
possuir elementos para decidir, poderá pedir no prazo de
10 dias a apresentação do preso, a realização de diligências, Art. 60. O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério
exames e perícias. Público ou mediante representação da autoridade de polí-
Providências após o recebimento da denúncia cia judiciária, ouvido o Ministério Público, havendo indícios
• Se o juiz receber a denúncia, deve motivar sua de- suficientes, poderá decretar, no curso do inquérito ou da
cisão. ação penal, a apreensão e outras medidas assecurató-
• Apesar da lei de drogas não fazer referência à pos- rias relacionadas aos bens móveis e imóveis ou valores
sibilidade de absolvição sumária, esta pode ser aplicada a consistentes em produtos dos crimes previstos nesta Lei,
quaisquer processos penais. Logo após o recebimento da ou que constituam proveito auferido com sua prática, pro-
denúncia, o juiz deve analisar se é possível a absolvição su- cedendo-se na forma dos arts. 125 a 144 do Decreto-Lei no
mária. Não faria sentido determinar-se a citação do acusado 3.689, de 3 de outubro de 1941 - Código de Processo Penal.
para comparecer à audiência de instrução e julgamento se o § 1o Decretadas quaisquer das medidas previstas neste
juiz já está convencido acerca da presença de uma das hipó- artigo, o juiz facultará ao acusado que, no prazo de 5
teses que autorizam a absolvição sumária. Caso o acusado (cinco) dias, apresente ou requeira a produção de pro-
não seja absolvido sumariamente, o procedimento seguirá vas acerca da origem lícita do produto, bem ou valor objeto
seu curso normal (designação de audiência e citação). da decisão.
• O acusado será citado. A citação deve ser pessoal. § 2o Provada a origem lícita do produto, bem ou va-
Se o acusado não for encontrado, deve ser citado por edital. lor, o juiz decidirá pela sua liberação.
No caso do réu revel citado por edital nomeia-se defensor § 3o Nenhum pedido de restituição será conhecido sem
dativo e, como não houve ato de comunicação dando ciên- o comparecimento pessoal do acusado, podendo o juiz de-
cia pessoal ao acusado, impõe-se a aplicação do art. 366 do terminar a prática de atos necessários à conservação de
bens, direitos ou valores.
CPP (suspensão do processo e da prescrição).
§ 4o A ordem de apreensão ou sequestro de bens, di-
• O Ministério Público será intimado, tal como assis-
reitos ou valores poderá ser suspensa pelo juiz, ouvido o
tente, se houver.
Ministério Público, quando a sua execução imediata possa
• O juiz também requisitará laudos periciais, se o
comprometer as investigações.
caso.
• Nas infrações de tráfico e equiparadas, o juiz pode
Art. 61. Não havendo prejuízo para a produção da
afastar das funções o acusado funcionário público. prova dos fatos e comprovado o interesse público ou so-
• O juiz designará audiência de instrução e julgamen- cial, ressalvado o disposto no art. 62 desta Lei, mediante
to, no prazo de 30 dias do recebimento da denúncia, ou em autorização do juízo competente, ouvido o Ministério
90 dias se for preciso avaliação de dependência de drogas. Público e cientificada a Senad, os bens apreendidos
Obs.: Há controvérsia se na lei de drogas há resposta poderão ser utilizados pelos órgãos ou pelas entidades
à acusação. Parte da doutrina entende inaplicável a resposta que atuam na prevenção do uso indevido, na atenção e
à acusação na lei de drogas. Para Renato Brasileiro, o ideal reinserção social de usuários e dependentes de drogas e na
é entender que não pode haver 2 manifestações da defesa, repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de
logo, o acusado deveria apresentar a defesa preliminar e a drogas, exclusivamente no interesse dessas atividades.
resposta à acusação no mesmo momento. Num primeiro Parágrafo único. Recaindo a autorização sobre veículos,
momento, o sujeito pediria a rejeição da peça acusatória, embarcações ou aeronaves, o juiz ordenará à autoridade de
num segundo momento, buscaria sua absolvição sumária. trânsito ou ao equivalente órgão de registro e controle a ex-
Ordem da oitiva na audiência pedição de certificado provisório de registro e licenciamento,
• 1o: Interrogatório do acusado; em favor da instituição à qual tenha deferido o uso, ficando
• 2o: Oitiva das testemunhas. esta livre do pagamento de multas, encargos e tributos an-
Debates orais teriores, até o trânsito em julgado da decisão que decretar o
• A sustentação oral será de 20 minutos, para cada seu perdimento em favor da União.
parte, prorrogáveis, a critério do juiz, por mais 10 minutos.
Sentença Art. 62. Os veículos, embarcações, aeronaves e
• Encerrados os debates, o juiz proferirá sentença de quaisquer outros meios de transporte, os maquinários,
imediato, ou o fará em 10 dias, ordenando que os autos para utensílios, instrumentos e objetos de qualquer nature-
isso lhe sejam conclusos. za, utilizados para a prática dos crimes definidos nesta
Apelação e prisão Lei, após a sua regular apreensão, ficarão sob custódia
• A lei diz que o réu não poderá apelar sem recolher- da autoridade de polícia judiciária, excetuadas as armas,
-se à prisão, salvo se for primário e de bons antecedentes, que serão recolhidas na forma de legislação específica.
assim reconhecido na sentença condenatória. Contudo, a § 1o Comprovado o interesse público na utilização de
súmula 347 do STJ diz que “o conhecimento de recurso qualquer dos bens mencionados neste artigo, a autoridade
de apelação do réu independe de sua prisão”. No mesmo de polícia judiciária poderá deles fazer uso, sob sua respon-
sentido tem decidido o STF. sabilidade e com o objetivo de sua conservação, mediante
autorização judicial, ouvido o Ministério Público.

66
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

§ 2o Feita a apreensão a que se refere o caput deste arti- Art. 63. Ao proferir a sentença de mérito, o juiz decidirá
go, e tendo recaído sobre dinheiro ou cheques emitidos como sobre o perdimento do produto, bem ou valor apreendi-
ordem de pagamento, a autoridade de polícia judiciária que do, sequestrado ou declarado indisponível.
presidir o inquérito deverá, de imediato, requerer ao juízo § 1o Os valores apreendidos em decorrência dos crimes tipi-
competente a intimação do Ministério Público. ficados nesta Lei e que não forem objeto de tutela cautelar, após
§ 3o Intimado, o Ministério Público deverá requerer ao decretado o seu perdimento em favor da União, serão revertidos
juízo, em caráter cautelar, a conversão do numerário apreen- diretamente ao Funad.
dido em moeda nacional, se for o caso, a compensação dos § 2o Compete à Senad a alienação dos bens apreendidos e
cheques emitidos após a instrução do inquérito, com cópias não leiloados em caráter cautelar, cujo perdimento já tenha sido
autênticas dos respectivos títulos, e o depósito das corres- decretado em favor da União.
pondentes quantias em conta judicial, juntando-se aos autos § 3o A Senad poderá firmar convênios de cooperação, a fim
o recibo. de dar imediato cumprimento ao estabelecido no § 2o deste artigo.
§ 4o Após a instauração da competente ação penal, o § 4o Transitada em julgado a sentença condenatória, o juiz do
Ministério Público, mediante petição autônoma, requererá processo, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, reme-
terá à Senad relação dos bens, direitos e valores declarados per-
ao juízo competente que, em caráter cautelar, proceda à
didos em favor da União, indicando, quanto aos bens, o local em
alienação dos bens apreendidos, excetuados aqueles que a
que se encontram e a entidade ou o órgão em cujo poder estejam,
União, por intermédio da Senad, indicar para serem coloca-
para os fins de sua destinação nos termos da legislação vigente.
dos sob uso e custódia da autoridade de polícia judiciária, de
órgãos de inteligência ou militares, envolvidos nas ações de Art. 64. A União, por intermédio da Senad, poderá firmar
prevenção ao uso indevido de drogas e operações de repres- convênio com os Estados, com o Distrito Federal e com or-
são à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas, ganismos orientados para a prevenção do uso indevido de
exclusivamente no interesse dessas atividades. drogas, a atenção e a reinserção social de usuários ou de-
§ 5o Excluídos os bens que se houver indicado para os pendentes e a atuação na repressão à produção não autoriza-
fins previstos no § 4o deste artigo, o requerimento de aliena- da e ao tráfico ilícito de drogas, com vistas na liberação de equi-
ção deverá conter a relação de todos os demais bens apreen- pamentos e de recursos por ela arrecadados, para a implantação
didos, com a descrição e a especificação de cada um deles, e e execução de programas relacionados à questão das drogas.
informações sobre quem os tem sob custódia e o local onde
se encontram. TÍTULO V
§ 6o Requerida a alienação dos bens, a respectiva petição DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
será autuada em apartado, cujos autos terão tramitação au-
tônoma em relação aos da ação penal principal. Art. 65. De conformidade com os princípios da não-inter-
§ 7o Autuado o requerimento de alienação, os autos se- venção em assuntos internos, da igualdade jurídica e do respeito
rão conclusos ao juiz, que, verificada a presença de nexo de à integridade territorial dos Estados e às leis e aos regulamentos
instrumentalidade entre o delito e os objetos utilizados para nacionais em vigor, e observado o espírito das Convenções das
a sua prática e risco de perda de valor econômico pelo decur- Nações Unidas e outros instrumentos jurídicos internacionais
so do tempo, determinará a avaliação dos bens relacionados, relacionados à questão das drogas, de que o Brasil é parte, o
cientificará a Senad e intimará a União, o Ministério Público governo brasileiro prestará, quando solicitado, cooperação
e o interessado, este, se for o caso, por edital com prazo de a outros países e organismos internacionais e, quando ne-
5 (cinco) dias. cessário, deles solicitará a colaboração, nas áreas de:
§ 8o Feita a avaliação e dirimidas eventuais divergências I - intercâmbio de informações sobre legislações, ex-
sobre o respectivo laudo, o juiz, por sentença, homologará o periências, projetos e programas voltados para atividades de
prevenção do uso indevido, de atenção e de reinserção social de
valor atribuído aos bens e determinará sejam alienados em
usuários e dependentes de drogas;
leilão.
II - intercâmbio de inteligência policial sobre produção
§ 9o Realizado o leilão, permanecerá depositada em con-
e tráfico de drogas e delitos conexos, em especial o tráfico
ta judicial a quantia apurada, até o final da ação penal res- de armas, a lavagem de dinheiro e o desvio de precursores quí-
pectiva, quando será transferida ao Funad, juntamente com micos;
os valores de que trata o § 3o deste artigo. III - intercâmbio de informações policiais e judiciais so-
§ 10. Terão apenas efeito devolutivo os recursos inter- bre produtores e traficantes de drogas e seus precursores
postos contra as decisões proferidas no curso do procedi- químicos.
mento previsto neste artigo.
§ 11. Quanto aos bens indicados na forma do § 4o deste TÍTULO VI
artigo, recaindo a autorização sobre veículos, embarcações DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
ou aeronaves, o juiz ordenará à autoridade de trânsito ou
ao equivalente órgão de registro e controle a expedição de Art. 66. Para fins do disposto no parágrafo único do art.
certificado provisório de registro e licenciamento, em favor 1o desta Lei, até que seja atualizada a terminologia da lista
da autoridade de polícia judiciária ou órgão aos quais tenha mencionada no preceito, denominam-se drogas substân-
deferido o uso, ficando estes livres do pagamento de multas, cias entorpecentes, psicotrópicas, precursoras e outras
encargos e tributos anteriores, até o trânsito em julgado da sob controle especial, da Portaria SVS/MS no 344, de 12
decisão que decretar o seu perdimento em favor da União. de maio de 1998.

67
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Art. 67. A liberação dos recursos previstos na Lei no Art. 73. A União poderá estabelecer convênios com os
7.560, de 19 de dezembro de 1986, em favor de Estados e Estados e o com o Distrito Federal, visando à prevenção
do Distrito Federal, dependerá de sua adesão e respeito às e repressão do tráfico ilícito e do uso indevido de dro-
diretrizes básicas contidas nos convênios firmados e do gas, e com os Municípios, com o objetivo de prevenir o uso
fornecimento de dados necessários à atualização do sis- indevido delas e de possibilitar a atenção e reinserção social
tema previsto no art. 17 desta Lei, pelas respectivas polícias de usuários e dependentes de drogas.
judiciárias.
Art. 74. Esta Lei entra em vigor 45 (quarenta e cinco)
Art. 68. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Mu- dias após a sua publicação.
nicípios poderão criar estímulos fiscais e outros, destina-
dos às pessoas físicas e jurídicas que colaborem na pre- Art. 75. Revogam-se a Lei no 6.368, de 21 de outubro de
venção do uso indevido de drogas, atenção e reinserção 1976, e a Lei no 10.409, de 11 de janeiro de 2002.
social de usuários e dependentes e na repressão da produ-
ção não autorizada e do tráfico ilícito de drogas.

Art. 69. No caso de falência ou liquidação extraju- LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE (4.898/65);
dicial de empresas ou estabelecimentos hospitalares,
de pesquisa, de ensino, ou congêneres, assim como nos
serviços de saúde que produzirem, venderem, adquirirem,
consumirem, prescreverem ou fornecerem drogas ou de Regula o Direito de Representação e o processo de
qualquer outro em que existam essas substâncias ou pro- Responsabilidade Administrativa Civil e Penal, nos casos
dutos, incumbe ao juízo perante o qual tramite o feito: de abuso de autoridade.
I - determinar, imediatamente à ciência da falência ou
liquidação, sejam lacradas suas instalações; Art. 1º O direito de representação e o processo de res-
II - ordenar à autoridade sanitária competente a urgen- ponsabilidade administrativa civil e penal, contra as auto-
te adoção das medidas necessárias ao recebimento e ridades que, no exercício de suas funções, cometerem
guarda, em depósito, das drogas arrecadadas; abusos, são regulados pela presente lei.
III - dar ciência ao órgão do Ministério Público, para Objeto da lei: direito de representação e processo de
acompanhar o feito. responsabilidade contra autoridades que cometam abusos
§ 1o Da licitação para alienação de substâncias ou pro- ao exercer suas funções.
dutos não proscritos referidos no inciso II do caput deste
artigo, só podem participar pessoas jurídicas regularmente Art. 2º O direito de representação será exercido por
habilitadas na área de saúde ou de pesquisa científica que meio de petição:
comprovem a destinação lícita a ser dada ao produto a ser a) dirigida à autoridade superior que tiver competência
arrematado. legal para aplicar, à autoridade civil ou militar culpada, a
§ 2o Ressalvada a hipótese de que trata o § 3o deste ar- respectiva sanção;
tigo, o produto não arrematado será, ato contínuo à hasta b) dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver
pública, destruído pela autoridade sanitária, na presença dos competência para iniciar processo-crime contra a autorida-
Conselhos Estaduais sobre Drogas e do Ministério Público. de culpada.
§ 3o Figurando entre o praceado e não arrematadas es- Parágrafo único. A representação será feita em duas
pecialidades farmacêuticas em condições de emprego tera- vias e conterá a exposição do fato constitutivo do abuso
pêutico, ficarão elas depositadas sob a guarda do Ministério de autoridade, com todas as suas circunstâncias, a quali-
da Saúde, que as destinará à rede pública de saúde. ficação do acusado e o rol de testemunhas, no máximo
de três, se as houver.
Art. 70. O processo e o julgamento dos crimes previstos Direito de representação consiste na prerrogativa de
nos arts. 33 a 37 desta Lei, se caracterizado ilícito transna- apresentar denúncias administrativas contra pessoa deter-
cional, são da competência da Justiça Federal. minada, no caso, contra autoridade que tenha cometido
Parágrafo único. Os crimes praticados nos Municípios abuso.
que não sejam sede de vara federal serão processados e jul- O instrumento para seu exercício é a petição, em duas
gados na vara federal da circunscrição respectiva. vias, com os seguintes elementos formais:
- Exposição do fato que caracterizou o abuso e suas
Art. 71. (VETADO) circunstâncias;
- Qualificação do acusado;
Art. 72. Encerrado o processo penal ou arquivado o - Rol de até 3 testemunhas.
inquérito policial, o juiz, de ofício, mediante representação A petição será dirigida à autoridade superior daquela
do delegado de polícia ou a requerimento do Ministério Pú- que cometeu o abuso denunciado (pode ser um delegado
blico, determinará a destruição das amostras guardadas ou outra autoridade policial, no caso de abuso cometido
para contraprova, certificando isso nos autos. por policial; ou o juiz, no caso de abuso cometido por ser-
ventuário; ou ainda a corregedoria de justiça, no caso de

68
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

abuso cometido por juiz; etc...) ou ao órgão do Ministé- i) à incolumidade física do indivíduo;
rio Público competente para a investigação. Nota-se que, Art. 5o, caput, CF – Garante o direito à vida – Abrange
diferente das infrações comuns, não se representa pura e incolumidade física.
simplesmente direto em delegacia – o motivo é que a auto- Artigo 5º, III, CF. Ninguém será submetido a tortura nem
ridade que cometeu o abuso, muitas vezes, poderá ser um a tratamento desumano ou degradante.
policial ou o próprio delegado.
A garantia do direito à representação não significa que j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exer-
a ação penal seja condicionada à representação. Todos cício profissional.
crimes de abuso de autoridade são de ação penal pública Artigo 5º, XIII, CF. É livre o exercício de qualquer tra-
incondicionada. O objetivo do direito de representação é balho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações
meramente informativo do ocorrido. profissionais que a lei estabelecer.
Art. 3º. Constitui abuso de autoridade qualquer Art. 4º Constitui também abuso de autoridade:
atentado: Colacionam-se aqui condutas atentatórias a direitos
Colacionam-se aqui condutas atentatórias a direitos fundamentais sagrados no texto constitucional e que ve-
fundamentais sagrados no texto constitucional e que ve- nham a ser cometidas por autoridade que exceda seus po-
nham a ser cometidas por autoridade que exceda seus po- deres, em teor especificamente voltado às práticas de abu-
deres. so de autoridade de detenção ilegal e excesso nos poderes
de captura e detenção.
a) à liberdade de locomoção;
Artigo 5º, XV, CF. É livre a locomoção no território a) ordenar ou executar medida privativa da liberda-
nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos de individual, sem as formalidades legais ou com abuso
termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus
de poder;
bens.
Artigo 5º, LXI, CF. Ninguém será preso senão em fla-
grante delito ou por ordem escrita e fundamentada de
b) à inviolabilidade do domicílio;
autoridade judiciária competente, salvo nos casos de trans-
Artigo 5º, XI, CF. A casa é asilo inviolável do indivíduo,
gressão militar ou crime propriamente militar, definidos em
ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do mo-
lei.
rador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para
prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.
b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a
c) ao sigilo da correspondência; vexame ou a constrangimento não autorizado em lei;
Artigo 5º, XII, CF. É inviolável o sigilo da correspon- Artigo 5º, XLIX, CF. É assegurado aos presos o respeito
dência e das comunicações telegráficas, de dados e das à integridade física e moral.
comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem
judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para c) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz com-
fins de investigação criminal ou instrução processual penal. petente a prisão ou detenção de qualquer pessoa;
Artigo 5º, LXII, CF. A prisão de qualquer pessoa e o lo-
d) à liberdade de consciência e de crença; cal onde se encontre serão comunicados imediatamente ao
e) ao livre exercício do culto religioso; juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele
Artigo 5º, VI, CF. É inviolável a liberdade de consciên- indicada.
cia e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos
cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção d) deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão
aos locais de culto e a suas liturgias. ou detenção ilegal que lhe seja comunicada;
Artigo 5º, LXV, CF. A prisão ilegal será imediatamente
f) à liberdade de associação; relaxada pela autoridade judiciária.
Artigo 5º, XVII, CF. É plena a liberdade de associação
para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar. e) levar à prisão e nela deter quem quer que se pro-
ponha a prestar fiança, permitida em lei;
g) aos direitos e garantias legais assegurados ao Artigo 5º, LXVI, CF. Ninguém será levado à prisão ou
exercício do voto; nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória,
Art. 14, CF. A soberania popular será exercida pelo sufrá- com ou sem fiança.
gio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual
para todos, e, nos termos da lei, mediante: [...] f) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade poli-
cial carceragem, custas, emolumentos ou qualquer ou-
h) ao direito de reunião; tra despesa, desde que a cobrança não tenha apoio em
Artigo 5º, XVI, CF. Todos podem reunir-se pacificamen- lei, quer quanto à espécie quer quanto ao seu valor;
te, sem armas, em locais abertos ao público, independen- g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade po-
temente de autorização, desde que não frustrem outra re- licial recibo de importância recebida a título de carce-
união anteriormente convocada para o mesmo local, sendo ragem, custas, emolumentos ou de qualquer outra des-
apenas exigido prévio aviso à autoridade competente. pesa;

69
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Custas, emolumentos e outras despesas – Somente d) destituição de função;


podem ser cobradas nos casos previstos em lei e, carac- e) demissão;
terizando-se um destes casos, o carcereiro ou o agente de f) demissão, a bem do serviço público.
autoridade policial têm o dever de receber as importâncias § 2º A sanção civil, caso não seja possível fixar o valor
devidas. do dano, consistirá no pagamento de uma indenização de
quinhentos a dez mil cruzeiros.
h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pes- § 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as
soa natural ou jurídica, quando praticado com abuso ou regras dos artigos 42 a 56 do Código Penal e consistirá em:
desvio de poder ou sem competência legal;
a) multa de cem a cinco mil cruzeiros;
Artigo 5º, LIV, CF. Ninguém será privado da liberdade ou
b) detenção por dez dias a seis meses;
de seus bens sem o devido processo legal.
c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de
i) prolongar a execução de prisão temporária, de qualquer outra função pública por prazo até três anos.
pena ou de medida de segurança, deixando de expedir § 4º As penas previstas no parágrafo anterior poderão
em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente or- ser aplicadas autônoma ou cumulativamente.
dem de liberdade. § 5º Quando o abuso for cometido por agente de au-
Caracterizando-se excesso de prazo de prisão tempo- toridade policial, civil ou militar, de qualquer categoria,
rária, pena ou medida de seguraná, a pessoa deve ser li- poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória, de
bertada. não poder o acusado exercer funções de natureza poli-
Artigo 5º, LXI, CF. Ninguém será preso senão em fla- cial ou militar no município da culpa, por prazo de um a
grante delito ou por ordem escrita e fundamentada de cinco anos.
autoridade judiciária competente, salvo nos casos de trans- Sanção administrativa
gressão militar ou crime propriamente militar, definidos em - Advertência – verbal.
lei.
- Repreensão – escrita.
Artigo 5º, LXVI, CF. Ninguém será levado à prisão ou
nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, - Suspensão do cargo, função ou posto por prazo de
com ou sem fiança. cinco a cento e oitenta dias, com perda de vencimentos e