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RESUMO DIREITO PENAL II (PRINCIPAIS PONTOS) @AV2

DIREITO – UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ


VINÍCIUS LAMEIRO

AULA: HOMICÍDIO

Homicídio é a retirada da vida extrauterina praticada por outra pessoa. O objeto


jurídico protegido pela norma é a vida. O sujeito ativo é aquele quem pratica o crime e, o
sujeito passivo material é quem sofre com a prática do crime, devemos lembrar que o sujeito
passivo formal é o estado pois tal cometimento é uma afronta a sua soberania.
O homicídio é um crime instantâneo pois o seu efeito não se prolonga no tempo e se
da no momento da retirada da vida.

Art. 121: §1° - Homicídio PRIVILEGIADO: Redução de um sexto a um terço. Pela motivação que
levou ao agente a praticar o homicídio. Existem três requisitos: relevante valor moral
ou social; sob o domínio de violenta emoção; injusta provocação da vítima. havendo
qualquer um deles o Juiz poderá reduzir a pena.

§2° - Homicídio QUALIFICADO: É aquele praticado por uma circunstância que enseja o
aumento da pena.
V = É a relação do homicídio com outro crime. Ex: Matar o marido para estuprar a
mulher. Ex: Matar o segurança para sequestrar o patrão. Ex: Agente cavando para
guardar drogas e o vizinho olha depois este mata ele (Ocultação de outro crime). Ex:
Três pessoas roubam um banco, um desses mata seus dois parceiros para obter
vantagem para si.

§3° - Homicídio CULPOSO:


§4° - Qualificadoras do homicídio culposo
§5° - Perdão Judicial: O Juiz poderá deixar de aplicar a pena. Apesar em homicídio
culposo. Ex: Cristiane Torloni atropelou e matou o próprio filho. Não há o porque punir
essa pessoa.
§6° - Causa de aumento se o crime for praticado por milícia ou grupo de extermínio. A
milícia é um grupo paramilitar que visa o lucro e tem a participação de agentes do
estado. O grupo de extermínio é aquele que visa a justiça com as próprias mãos.

OBS: Se o sujeito passivo for o Presidente da República, do Senado, do Supremo e por motivo
político, nós aplicamos o Art. 2° da Lei de Segurança Nacional (Lei n° 7.170/83).
Toda e qualquer norma que estabeleça crime possui pelo menos 1 VERBO (Toda
palavra que dá a ideia de ação ou estado), esse verbo é chamado núcleo do tipo por
ser a parte mais importante do tipo penal.

Crime de forma livre: É aquele que o legislador não informa a forma que o crime é
praticado.
O crime de homicídio é um crime comum quanto ao sujeito pois qualquer um poderá
cometê-lo.

OBS: O crime de homicídio só pode ser praticado por omissão quando tiver a figura do agente
garantidor, portanto será um crime de omissivo impróprio que é quando existe o garantidor.
Se não existir tal figura, logo você não poderá fazer com que aquela pessoa responda pela
forma omissiva de um crime.

Relembrando: Omissivo próprio é aquele que pode ser praticado por todas as pessoas
(Omissão de socorro); Já o omissivo impróprio só pode ser praticado pelo agente garantidor.

EX: Mãe deixa de aplicar insulina no filho quando necessário. O crime é de homicídio, ela
desejava a morte da criança, ela é garantidora, logo tem o dever legal de praticar a conduta e
garantir que o resultado não ocorrerá. Nesse caso a mãe praticou o crime de homicídio n/f Art.
13 §2°, A. Ela matou por meio de uma omissão.

EX²: A mãe vai atender o telefone enquanto seu filho está brincando no sofá, quando retorna a
criança caiu e morreu. Trata-se de um homicídio culposo.

O crime de homicídio é material pois ele deixa vestígios perceptíveis por nosso sentido
que chamamos de materialidade delitiva ou corpo do delito. De acordo com o Art. 158 do CPP
(CÓDIGO DE PROCESSO PENAL) é preciso provar a materialidade através de um exame pericial,
no caso do homicídio auto de exame cadavérico. O homicídio produz o cadáver que é a
materialidade delitiva, o vestígio deixado por tal prática.
Ele é um crime material também por ser de conduta e resultado, sendo a consumação
o resultado. Ex: Conduta: Disparo de arma de fogo – Consumação: Morte. Se o resultado, a
consumação não ocorre, então o crime se torna TENTADO.
A finalidade da tentativa é diminuir a pena do crime consumado, não serve pra mais
nada. Homicídio consumado = 6 a 20; Tentado = 6 a 20 – 1 a 2/3.

OBS: É possível ter o crime de homicídio sem o auto de exame cadavérico?


R: Sim, se o agente tiver sumido com o corpo, logo o auto de exame cadavérico será
substituído por outras provas. Se o homicídio for tentado ela não produz auto de exame
cadavérico por a vítima estar viva.

OBS: Pode haver homicídio imaterial (que não deixe vestígios perceptíveis por nossos
sentidos)?
R: Sim, por exemplo, Ticio dispara 6 vezes contra Caio não acertando um disparo sequer. É
uma tentativa branca ou incruenta que é a tentativa que sequer causa lesão na vítima. Já na
tentativa cheia ou cruenta não tem consumação mas causa prejuízo pra vítima, a consumação
seria a morte.

TENTATIVA DE HOMICÍDIO ≠ LESÃO CORPORAL: Na tentativa temos o animus necandi que é o


animus de matar, já na lesão temos o animus laedendi que é a intenção de lesionar.
EX¹: Homem estupra a vítima e esta se debatendo cai, bate com a cabeça na pedra e morre.
Qual crime?
RESPOSTA: Estupro seguido de morte. Como a morte não era intenção ela entrou como
preterdoloso.

EX²: Homem estupra mulher e logo em seguida mata ela.


RESPOSTA: Estupro e homicídio. Tinha vontade de matar, tinha o animus necandi.

Com a lei de transplantes e tecidos (Lei n° 9.434/98) é autorizado a realização de


transplantes com a morte cerebral.
O órgão competente para julgar crimes de homicídio é o TRIBUNAL DO JÚRI.

IMPORTANTE: O Tribunal do Júri julga 4 crimes: HOMICÍDIO, INFANTICÍDIO, PARTICIPAÇÃO


EM SUICÍDIO, ABORTO.

OBS: Se alguém responde por dois crimes, sendo um deles homicídio, infanticídio, participação
em suicídio ou aborto, o julgamento será no Tribunal do Júri. Ex: Traficante acusado de
homicídio e tráfico de drogas. Os dois crimes serão julgados no Tribunal do Júri. Ex: Ocultação
de cadáver e homicídio, será no Tribunal do Júri também.

No Homicídio a ação penal é pública incondicionada, logo o Estado não precisa de


autorização para agir.

OBS: Pode haver homicídio com mais de uma qualificadora?


Sim. Ex: Homem recebeu dinheiro, se vestiu de garçom e usou veneno. Logo esse homicídio foi
triplamente qualificado Art. 121 §2°, I, IV, III. Homicídio triplamente qualificado.
Ex: Homem por motivo fútil espancou pessoa até a morte. Art. 121, II e III. Motivo fútil inciso 2
e espancamento inciso 3, logo homicídio duplamente qualificado.
O homicídio qualificado teria a mesma pena do triplamente qualificado, o que não
pode ocorrer. Portanto, na primeira fase (CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS) você coloca de 12 a 30
anos (Pelo §2°), ao lado você utilizara as outras qualificadoras pra aumentar a pena.
Se tiver mais de uma qualificadora no mesmo inciso.

OBS: Cabe homicídio privilegiado (§1°) qualificado (§2°)?


Sim, porém não podem ser ligados ao inciso I e II, pois não caberia motivo fútil ou torpe que
são baixos, vil, desprezível e ser de relevante valor moral ou social ao mesmo tempo.
Mas, caberia §2° nos incisos III e IV.
Ex: Homem matou estuprador da filha se fazendo passar de motorista de táxi e espancou ele
até a morte. Logo, temos um relevante valor moral por matar o estuprador da filha (§1°); Se
ele se fantasiou nós temos a dissimulação (§2°, IV); E, se ele bateu no cara até matar, então
temos o meio cruel (§2°, III).

Homicídio Culposo:
O Agente viola o dever objetivo de cuidado e, não tem uma intenção em matar.
No Código de Trânsito Brasileiro aplica-se APENAS homicídio culposo, em caso de dolo o
agente responde pelo código penal.

PARTICIPAÇÃO EM SUICÍDIO:

Induzir (Despertar ideia), Incitar (Reforço de uma intenção já existente), Auxiliar


(Disponibilizar os meios materiais para que o suicídio ocorra).
A participação em suicídio é chamado de um tipo-misto alternativo, ou seja, o tipo que
tem mais de um verbo que a realização de apenas um concretiza o crime; Não preciso induzir,
incitar e auxiliar, apenas um deles já caracteriza caso o agente realmente se suicide.

OBS: Auxiliar é apenas fornecer os meios, eu não posso executar os atos mortais, se eu
executo estou no homicídio e não na participação ao suicídio. Ex: Se a clínica injeta o veneno, a
clínica seria responsável por homicídio e não por participação em suicídio.

O homicídio se distingue da participação em suicídio pois na participação o sujeito


ajuda o outro a se matar; Já no homicídio o sujeito ajuda o outro a se matar mesmo que a
pedido da própria vítima será homicídio.
A pessoa precisa ter consciência e vontade de tirar a própria vida, caso contrário será
homicídio ainda que de forma indireta.

EX¹: Tício está caminhando com Mévio que é cego em um terreno montanhoso. Tício avista
um penhasco e manda Mévio continuar andando que está tudo ‘’sob controle’’, Mévio cai e
morre.
EX²: Caio fala pro seu filho de dois anos pular pela janela pois ele sairá voando.

É evidente que em ambos os casos houve o crime de homicídio e não participação em suicídio.

SUJEITOS: O sujeito ativo (que pode cometer o suicídio alheio) pode ser qualquer um. O
sujeito que induz, auxilia ou instiga a outrem a se matar é punido a título de autoria ou de
participação? Este que auxilia, instiga ou induz é punido a título de AUTORIA.
O Sujeito passivo deve ser uma pessoa determinada, portanto se eu crio uma música induzindo
ao suicídio não há crime pois é uma conduta atípica, deve haver uma pessoa específica.

O auxilio, a indução e incitação ao suicídio se consuma através do resultado morte da


vítima ou da lesão grave. Se alguém induz, incita ou auxilia a outrem e esta morre logo temos o
resultado morte e a participação em suicídio consumada; Caso a pessoa apenas tenha lesão
grave, fique paralitica, em coma, logo temos também a participação em suicídio consumada.
Caso não ocorra a lesão grave e nem a morte logo não haverá crime pois a conduta é atípica.

EX¹: Induzo alguém a pular da janela, a vítima pula e morre = Participação em Suicídio
CONSUMADA;
EX²: Induzo alguém a pular da janela, a vítima pula e sofre lesões graves = Participação em
Suicídio CONSUMADA;

EX³: Induzo alguém a pular da janela, a vítima pula porém cai numa árvore e apenas fica com
lesões leves = NÃO HÁ CRIME;

CONCURSO DE CRIMES:

Conceito: Quando um ou mais sujeitos praticam, mediante unidade ou pluralidade de ações ou


omissões, dois ou mais delitos surge o chamado concurso de crimes.

Sistema de aplicação da pena:

1) Cumulo Material: As penas de vários delitos devem ser somadas. Foi adotado no concurso
material (Art. 69, caput) e no formal imperfeito (Art. 70, caput, 2ª parte);

2) Absorção: A pena mais grave absorve a menos grave;

3) Acumulação Jurídica: A pena aplicável não é a soma das concorrentes, mas de tal gravidade;

4) Exasperação da pena: Aplica-se a pena do crime mais grave aumentada de um quantum


determinado. Foi adotada no concurso formal (Art. 70, caput) e no crime continuado (Art. 71).

Existem três formas de concurso de crimes no Brasil:

1) CONCURSO MATERIAL (ART. 69): O sujeito que pratica vários crimes merece a soma das
penas. Podemos dizer que, por mais de uma ação ou omissão (CONDUTA),mais de um crime
praticado é o CONCURSO MATERIAL. Para que haja o concurso material é preciso que o sujeito
execute duas ou mais condutas (fatos), realizando dois ou mais crimes.
O concurso material também é chamado de hipótese residual, pois o mesmo só é
aplicado se não for caso de concurso formal ou crime continuado. Primeiro verifica-se um,
depois o outro, se não for o caso ai sim aplicamos o concurso material.face

EX¹: Caio subtraiu uma dúzia de frutas do pomar vizinho. Cometeu doze atos, mas uma só
conduta. Evidente que Caio cometeu doze atos mas uma só conduta. Caio responderá por um
só crime de furto.

EX²: Agente ingressa na residência da vítima, estupra e comete furto.


EX³: Praticado estupro, o agente mata a vítima afim de obter impunidade.

a) Homogêneo: Abriga crimes da mesma espécie, quando previstos na mesma figura típica.

EX: Praticado homicídio contra A, o agente mata B, testemunha do fato.


b) Heterogêneo: O sujeito pratica crimes de espécies diferentes, ou seja, crimes NÃO
idênticos, quando previstos em figuras típicas diversas.

EX: Um roubo, um estupro, um furto.

2) CONCURSO FORMAL (ART. 70): O sujeito com apenas UMA ação ou omissão realiza vários
crimes. A diferença do concurso material é que no material o sujeito comete dois ou mais
crimes por meio de duas ou mais condutas; No concurso formal, com uma só conduta realiza
dois ou mais delitos (1 Conduta, 2+ Fatos Típicos).

EX¹: O agente, com um só tiro ou um golpe só, ofende mais de uma pessoa.
EX²: Num fato automobilístico culposo o agente dá causa à morte de uma pessoa e lesões
corporais em outra.
EX³: Uma pessoa dirigindo seu veículo em alta velocidade, perde a direção do carro, vindo a
atropelar quatro pessoas. Nesse caso o agente mediante uma única ação praticou quatro
crimes em concurso formal.

a) Homogêneo: Vários crimes praticados por uma única ação forem idênticos.
EX¹: Atropelamento culposo com morte de duas ou mais pessoas.
EX²: Pessoa dirigindo veículo em alta velocidade, perde a direção do carro, vindo a atropelar
quatro pessoas. Essas quatro pessoas vem a falecer, logo temos o concurso formal
homogêneo, já que realizados quatro delitos de homicídio culposo na direção de veiculo
automotor.

b) Heterogêneo: Ocorre quando os crimes cometidos não estiverem definidos na mesma


figura típica, não forem idênticos.

EX¹: Homicídio e lesão corporal.

EX²: Homem na direção de veiculo automotor atropela quatro pessoas, duas vindo a falecer e
outras duas ficam feridas, logo teremos o concurso formal heterogêneo, entre dois crimes de
lesão corporal culposa e dois crimes de homicídio culposo.

Aplicação da Pena: Aplica-se o critério da exasperação, aplica-se a pena mais grave aumentada
um quantum determinado.

a) Se as penas são idênticas, aplica-se uma só aumentada de um sexto até a metade.


b) Se as penas não são idênticas, aplica-se a mais grave aumentada de um sexto até metade.

EX¹: Agente perpetrou quatro homicídios culposos na direção de veículo automotor. Pega-se a
pena de um dos crimes (Já que todos são idênticos), qual seja 2 a 4 anos de detenção,
acrescida de 1/6 até ½, em razão de concurso formal homogêneo (vários crimes, uma única
ação).
EX²: Agente atropelou quatro pessoas, vindo duas a falecer e outras duas ficarem feridas.
Pega-se a pena do crime mais grave, qual seja 2 a 4 anos de detenção acrescida de 1/6 até 1/2,
em razão do concurso formal heterogêneo.

EX³: Contagiado por moléstia venérea o agente pratica um estupro. Aplica-se então a pena do
estupro por ser mais grave, aumentada de um sexto até a metade. Portanto é um concurso
formal heterogêneo (2 crimes em diferentes figuras típicas).

EX4: Agente entra no ônibus e munido de arma de fogo pratica um assalto, levando bens dos
dez passageiros que lá se encontravam. – Art. 157 §2°, I (10x) N/F Art. 70, ambos do CP.

OBS: DESÍGNIO: É a previsão de resultado lesivo. Representação do resultado querido, ou seja,


querer, dolo direto. Ele demonstra o dolo direto, ele quer atingir os X resultados.

CONCURSO FORMAL [PERFEITO] OU PRÓPRIO: O Juiz deverá aplicar uma só pena, se idêntica
as infrações, ou a maior, quando não idênticas, aumentada de um sexto até a metade em
ambos os casos. Ocorre quando não há desígnio autônomo em relação a cada crime. O Agente
pretendia praticar apenas um crime e com apenas uma ação ou omissão dá causa a mais de
um crime.
Será usado o critério da EXASPERAÇÃO, ou seja, a pena mais grave aumentada de um
sexto até a metade.

CONCURSO FORMAL [IMPERFEITO] OU IMPRÓPRIO: O art. 70, caput, 2ª parte, diz que ’as
penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes
concorrentes resultam de desígnios autônomos’’. O sujeito tem mais de um desígnio. As penas
serão aplicadas com o critério da CUMULAÇÃO, o mesmo do concurso material, qual seja,
devem ser somadas.

EX¹: Agente objetiva matar duas pessoas e, para isso, coloca-as perfiladas e, com apenas um
único disparo (ou seja, uma única conduta), realiza seu intento. Trata-se de concurso formal
imperfeito pois o sujeito mediante UMA ÚNICA AÇÃO praticou dois crimes de homicídio.
Todavia realizou-os por meio de desígnio autônomo, eis que o agente queria praticar dois
crimes.

EX²: Caio visando matar Ticio, Mévia e Zeca, lança uma granada contra eles, os três vem a
falecer. Podemos dizer que ele queria o resultado morte das três pessoas, tinha o dolo em
matar, logo existe mais de um desígnio. Art. 121 (3x) N/F Art. 70, 2ª parte, CP, ou seja as penas
somadas.

EX³: Agente comete estupro, não só pra se satisfazer sexualmente como pra transmitir doença
venérea. Uma única ação dois ou mais crimes, apresentando vontade independente em cada
um deles. Art. 213 + Art. 130 N/F Art. 70, 2ª parte.

EX: Caio, inconformado com o término do relacionamento amoroso, vai até a residência de
Mévia, onde se encontravam, além da ex-companheira, os genitores dela, e profere as
seguintes palavras ameaçadoras ‘’vou matar todos vocês’’. É irrefutável que o agente cometeu
o delito de ameaça em concurso formal imperfeito, o que ensejará o somatório das penas (Art.
147 (3X) N/F Art. 70, 2ª parte, CP).

EX: Homem tem relacionamento extraconjugal e sua amante engravida. Apesar da tentativa de
fazer com que a mesma realize um aborto, e, assim, interrompa o processo gestacional, ante a
resposta negativa, resolve desferir um disparo certeiro, vindo a matar sua concubina. Neste
caso, com apenas uma única ação o homem cometeu dois delitos: Homicídio (em relação a
amante) e aborto (em relação ao feto). A capitulação jurídico-penal aplicável ao caso seria:
Artigos 121 e 125 N/F Artigo 70, caput, 2ª parte.

CONCURSO (MATERIAL) BENÉFICO: Discorre o artigo 70, parágrafo único, CP: ‘’Não poderá a
pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69, desde Código’’.
O montante da pena do concurso formal não pode ser maior do que a que seria aplicada se
houvesse feito o concurso material de crimes (ou seja, se fossem somados todos os crimes).
Por exemplo:

EX: João atira para matar Maria, acertando-a. Ocorre que, por culpa, atinge também Pedro,
causando-lhe lesão corporal. João não tinha o desígnio de ferir Pedro. No caso desse exemplo,
a pena mínima para João seria de 6 anos e a pena mínima para lesão corporal culposa, contra
Pedro, seria de 2 meses. Se fossemos aplicar a pena do homicídio aumentada em 1/6 (pela
lesão corporal), totalizaria 7 anos. Se fossemos somas as penas do homicídio com a lesão
corporal, daria 6 anos e 2 meses. Logo, nesse caso, é mais benéfico para o réu aplicar a regra
do concurso material (soma das penas). É o que a lei determina que se faça, Art. 70, p.u, CP,
pois o concurso formal foi idealizado para ajudar o réu.

3) CRIME CONTINUADO (ART. 71, CP): O agente mediante MAIS DE UMA ação ou omissão
pratica dois ou mais crimes da mesma espécie, pelas condições de tempo, lugar, maneira de
execução e outras semelhantes, são considerados uma continuação do primeiro.

REQUISITOS:

A) Pluralidade de condutas: Devem existir várias condutas para a caracterização da


continuidade delitiva.
B) Crimes da mesma espécie: Aqueles previstos no mesmo tipo penal, ou seja, aqueles que
apresentam similares elementos descritivos.
C) Semelhança de tempo: Uma semana, quinze dias, dez dias, um mês.
D) Semelhante modo de execução: Ver se ninguém está olhando e abrir o caixa do
supermercado.
E) Semelhante condição de lugar: Jurisprudência entende que até mesmo em cidades vizinhas.
Aplicação da pena: Critério da exasperação, aplica-se a pena do crime mais grave aumentada
um quantum determinado, de um sexto até a metade.

EX¹: Atendente de caixa furta toda segunda-feira R$ 15,00 (Vários furtos, crimes da mesma
espécie), mesma condição de tempo (toda segunda-feira, uma semana de um pro outro),
mesma condição de lugar (no mesmo supermercado), semelhante modo de execução (Abrindo
a gaveta e pegando o dinheiro). Nesse caso todos teriam a mesma pena, por exemplo, mínimo
de 2 anos pra furto qualificado aumentada de 1/6 até 1/2.

CRIME CONTINUADO (QUALIFICADO): Reconhecimento do crime continuado ainda que


tenham violência ou grave ameaça, perpetrados contra vítimas diferentes. No caso de crime
continuado qualificado, dada a gravidade, a pena será exasperada mas até o TRIPLO, ou seja,
não mais de 1/6 até 1/2 e sim até o TRIPLO.

DIFERENÇA ENTRE CRIME CONTINUADO E CRIME HABITUAL: No crime habitual existe um


hábito. A conduta praticada isoladamente ou em poucas vezes não constitui o crime. Ex:
Rufianismo, Curandeirismo, você tem um hábito em fazer isso, é uma só conduta que
configura o crime. Já no crime continuado, cada conduta é um crime diferente, EX: Todos os
dias furto uma caneta na sala de aula, logo cada conduta é um crime.

PENA CRIMINAL

Conceito: Pena é a sanção imposta pelo Estado como retribuição ao ato ilícito praticado,
visando diminuição de um bem jurídico e cujo fim é evitar novos delitos. Somente o Estado
possui a ius puniende, ou seja, o direito de punir.

Espécies: Privativa de Liberdade (PL), Restritivas de Direito (RD) e Multa (M).

Escola Mista ou Eclética: É a escola adotada pelo nosso ordenamento. A finalidade da pena é
retributiva e preventiva. Visa reabilitar o criminoso para o convívio social.

CARACTERÍSTICA DAS PENAS:

A) Personalíssima: Apenas o réu responde por aquele crime.


B) Reserva Legal: Só a lei estabelece a pena.
C) Proporcionalidade: A pena deve ser proporcional ao crime cometido.
D) Inderrogabilidade: Certeza de punição.

1 - PRIVATIVAS DE LIBERDADE: Remove o direito de ir e vir do sujeito. O Magistrado ao


prolatar a sentença pode determinar o regime inicial de cumprimento em fechado, semi-
aberto ou aberto.Admitem: sistema de reclusão (regimes: fechado, semi-aberto,
aberto),sistema de detenção (regimes: semi-aberto e aberto).

SISTEMAS:
A) RECLUSÃO: Deve ser cumprida em regime:

REGIME: A) Fechado: Superior a 8 anos. Cumprimento em estabelecimento de segurança


máxima ou média.

REGIME: B) Semi-Aberto: Não REINCIDENTE, cuja pena seja superior a 4 anos e inferior a 8.
Sua execução é em colônia agrícola, industrial ou de estabelecimento similar. A ideia é que o
sujeito durante o dia trabalhe e durante a noite retorne para a cela.

REGIME: C) Aberto: Não REINCIDENTE, cuja pena seja inferior a 4 anos. Execução da pena
ocorre em casa de albergado ou estabelecimento adequado. Os maiores de 70 anos,
gravemente enfermos, mulheres grávidas, podem ter a prisão domiciliar como forma de
cumprimento da pena.

B) DETENÇÃO: Admitem apenas as modalidades B e C, quais sejam: Regime Semi-Aberto ou


Regime Aberto. A detenção admite a prisão simples que pode ser aplicada em casos de
contravenções penais, qual o condenado deve ser diferenciado dos outros presos e jamais
admite o regime fechado.

Vale ressaltar que se o réu é reincidente e o seu sistema seja o de detenção, o seu
regime inicial de cumprimento será o semi-aberto. O Magistrado não poderá aplicar o regime
inicial fechado no sistema de detenção.

EX¹: Art. 155: Sistema: Reclusão. Podemos observar que com tal sistema o Juiz poderá escolher
o tipo de regime para cumprimento inicial como fechado, semi-aberto ou aberto.

EX²: Art. 163 – Detenção. Como o sistema é de detenção o Magistrado poderá escolher o tipo
de regime para cumprimento em semi-aberto ou aberto. Ele não poderá escolher o regime
fechado como cumprimento INICIAL.

TRANSFERÊNCIA DE REGIME:

A) PROGRESSÃO: Mudança do pior regime para o melhor.


REQUISITOS: Cumprido 1/6 da pena; Mérito. Caso o sujeito já esteja no regime aberto não há
o que se falar em progressão.

B) REGRESSÃO: Mudança de melhor pra pior.


REQUISITOS:
- Cometer crime: O detento comete algum crime.
- Falta Grave: Não retorna para o recolhimento noturno.
- Soma das Penas: Comete novo crime que a soma das penas ultrapasse o estabelecido para
regime fechado.
- Não paga multa: Quando imposta multa, sendo possível fazê-la não paga. Ex: Regime semi-
aberto e pena de 50 d/m, o sujeito não paga a multa, logo poderá haver regressão.
- Frustra Execução: Regime aberto.

PROGRESSÃO/REGRESSÃO POR SALTO:

O sujeito está cumprindo pena em regime fechado, por mérito ele pode progredir ao
semi-aberto e, após essa progressão ele também por mérito progride para o aberto. Nunca
poderá haver progressão por salto, do fechado para o aberto direto, deve seguir essa escala.

A regressão admite o ‘’salto’’. Exemplo, sujeito cumpre pena em regime aberto. Alguns
meses depois o Juiz da VEP recebe uma notificação que o sujeito está com um novo processo,
logo o Magistrado poderá revogar esse regime aberto para um fechado; Haverá uma
regressão.

CRIMES HEDIONDOS: A Lei 8.072/90 regula os crimes hediondos, sendo três como tráfico
ilícito de drogas, terrorismo e tortura regulamentados pela Constituição Federal.
Todo crime hediondo tem o regime inicial FECHADO. Sua progressão diferente das
outras que é 1/6 se dará em 2/5 do cumprimento da pena.

2 – RESTRITIVAS DE DIREITO: Inferior hierarquicamente as penas privativas de liberdade,


porém superior a multa.

ESPÉCIES:

A) Prestação Pecuniária: O Estado como pena, ao invés de prender alguém, condena o agente
a pagar 1 a no máximo 360 salários mínimos a favor de vítima ou dos seus dependentes (caso
tenha falecido), ou a uma instituição pública.

B) Perda de bens/valores: O Estado determina como pena a perda dos bens adquiridos
ilicitamente com a prática do crime, ou o valor correspondente ao prejuízo com a prática do
crime.

C) Prestação de serviços comunitários: Ao invés de prender, o Juiz determina como pena, que
esse agente trabalhe em alguma instituição pública como uma ONG, sem vínculo trabalhista. A
pena deve ser superior a 6 meses.

D) Interdição temporária de direitos: Ao invés de aplicar prisão, desde que haja relação entre
o crime praticado e a pena imposta, o Juiz poderá aplicar a ITD. (Emprego/Função – Profissão –
Dirigir)

E) Limitação de Final de Semana:


EX¹: Réu trabalha em partição pública, recebe um computador e ao invés de adicionar ao
trabalho este leva para casa, logo comete o crime de apropriação indébita com peculato. A
pena varia de 2 a 12 anos de prisão (Art. 312, CP), porém o Magistrado fixou a pena em 2 anos.
O Promotor ao analisar o caso viu que o mesmo não apresentava perigos a sociedade, então,
eles aplicam uma pena alternativa, e o réu ficará 2 anos sem exercer aquele cargo.

EX²: Médico deixa de notificar doença grave. O Magistrado fixa a pena em 1 ano. Ao invés de
aplicar a privativa de liberdade, aplico a restritiva de direitos com interdição temporária de
direitos.

PENAS ALTERNATIVAS: A Lei 9.099/95 que cria os Juizados Especiais, sempre que possível
afastará a pena privativa de liberdade. As penas igual ou inferior a 2 anos recebem o nome de
infração penal de menor potencial ofensivo e consequentemente são julgadas no JECRIM.

OBS: As penas de prisões de até um ano podem ser substituídas por pena de multa. Penas
privativas de liberdade de até QUATRO ANOS podem ser substituídas por restritivas de direito.

OBS: Se o Magistrado decide aplicar a pena de multa, logo é o fim da linha, caso o agente não
pague esse valor, este se converte em dívida ativa fazendária. Lembrando que é diferente da
restritiva de direitos que o Juiz aplica a prestação pecuniária, uma vez não paga, o agente
poderá regredir o regime.

DETRAÇÃO PENAL

Detração penal é o abatimento, na pena privativa de liberdade ou na medida de


segurança, do tempo de prisão provisória (flagrante, preventiva, temporária, etc) ou do tempo
de internação em hospital ou manicômio.

EX: Sujeito preso em flagrante pela prática do delito de tentativa de roubo (Art. 157 c/c art. 14,
II, CP), permanecendo preso durante o evolver processual, por seis meses. Ao final vem a ser
condenado à pena de dois anos de reclusão. Aplicando-se a detração penal, ou seja,
computando-se na pena privativa de liberdade imposta o tempo de prisão provisória em
flagrante, concluímos que o agente terá que cumprir um ano e seis meses de pena, uma vez
que já cumpridos seis meses.

Benefícios com a detração:

A) Quando houver ligação entre os delitos, quer por continência, quer por conexão, não
importa se julgados no mesmo processo ou em feitos diferentes.
B) Quando a pena em relação à qual se pretende seja ela observada advém de crime cometido
ANTES DO DELITO em decorrência do qual o réu permaneceu preso provisoriamente.
EX: Acusado preso, preventivamente, por crime realizado em 1998, vem, por fim, a ser
absolvido. Por outro lado, tal réu também estava sendo processado, por delito praticado em
1996, vindo a ser condenado. Pode neste caso haver detração penal.

SUSPENSÃO CONDICIONAL DA EXECUÇÃO DA PENA (SURSIS)

Conceito: Quer dizer suspensão condicional da execução da pena. Permite que o condenado
não se sujeite à execução da pena privativa de liberdade de pequena duração por um
determinado prazo, desde que cumpridas certas condições e observados os requisitos
previstos no Art. 77, CP.
O sistema adotado pelo Brasil é o belga-francês que consistem em o Juiz determinar a
suspensão condicional da pena privativa de liberdade.

EX: Agente condenado a três meses de detenção pela prática do delito de lesão corporal. O
Juiz na sentença condenatória, desde que não seja caso de aplicação de pena restritiva de
direitos (Art. 44, CP) concede ao réu o Sursis.
Ao ser concedido o Sursis o Juiz determinará um período de provas que pode variar de
DOIS a QUATRO ANOS (Art. 77, caput, CP). Isso significa que ao invés do Juiz determinar a
execução da sanção imposta na sentença, concede a suspensão condicional da pena. O réu
não inicia o cumprimento da pena, ficando em liberdade condicional por um período de prova.
Digamos que o Juiz determina o prazo de dois anos, o réu ficará durante esse tempo
em ‘’observação’’. Se não praticar nova infração penal e cumprir as condições impostas pelo
Juiz, este ao final do período de provas terá sua pena extinta.
Se revogado o período de provas, o condenado cumprirá a pena que se achava com a
execução suspensa, ou seja, se foi determinado três meses de detenção e este não cumpriu
um dia sequer, logo com a revogação do Sursis ele voltará a estaca zero, tendo que cumprir
esse tempo determinado.

EX: Magistrado aplica ao réu a pena de 1 ano e 6 meses. Então marca-se um audiência
admonitória. Nela o Juiz informa ao réu que suspenderá essa pena privativa de liberdade por
um período de provas de 2 a 4 anos e este cumprirá algumas condições.

Requisitos:

A) Condenação a Pena Privativa de Liberdade: Se a pena aplicada foi a de multa ou restritiva


de direitos não há o que se falar em sursis.

B) Pena igual ou inferior a 2 anos:

C) Não ser o réu reincidente em crime DOLOSO: O sursis cabe ao réu reincidente em crime
CULPOSO.

D) Circunstâncias Judiciais Favoráveis: Último requisito. Elas servem pra fixar a pena base. É
utilizada na primeira fase da fixação da pena.
EX: Caio foi condenado ao crime X, pena privativa de liberdade (OK) de 2 anos (OK).
Reincidente em crime doloso (Não cabe sursis). Se ele fosse reincidente em crime CULPOSO ai
sim caberia o sursis.

PRIMÁRIO: Cabe sursis.


REINCIDENTE EM CRIME CULPOSO: Cabe sursis.
REINCIDENTE EM CRIME DOLOSO: Não cabe sursis.
REINCIDENTE EM CRIME HEDIONDO: Não cabe sursis pois todo crime hediondo é doloso.

A aplicação do Art. 44 é mais benéfica ao réu, porém ele não permite crimes com
violência ou grave ameaça; O sursis perdeu força com a reforma do Art. 44, mas ainda é
aplicado em crimes com violência ou grave ameaça, o que como dito é proibido no Art. 44.

SURSIS ETÁRIO E HUMANITÁRIO (ART. 77, §2°, CP): O sursis etário é destinado a maiores de
70 anos de idade; O sursis humanitário é destinado a pessoas com problemas de saúde.
Nesses casos poderá a pena privativa de liberdade não superior a 4 anos ser suspensa por 4 a 6
anos. Vejamos que ambos os casos atingem pessoas que cometam ilícito de até 4 anos.
Diferente do sursis simples e especial que tem um período de provas de 2 a 4 anos, o
humanitário/etário tem o período de provas de 4 a 6 anos.

REVOGAÇÕES:

Caso o condenado descumpra as condições impostas pelo Juiz.


Se condenado por crime doloso em sentença condenatória transitada em julgado
ainda que antes ou depois do período de provas.

EX: Caio condenado a pena de 2 anos de reclusão, tendo a execução suspensa por 2 anos,
quando completa 1 ano do período de prova vem praticar novo delito, porém, não é preso em
flagrante e nem mesmo tem a prisão preventiva decretada.
No caso acima, segundo o Art. 81, §2°, Caio terá o seu período de provas prorrogado
até o julgamento definitivo do novo processo.

EX: Caio condenado a pena de 6 meses por lesão corporal. Réu primário, circunstâncias
judiciais favoráveis, pena privativa de liberdade e inferior a dois anos.
Neste caso não aplicamos o Art. 44 pois lesão corporal é violência/grave ameaça e não
aplicaríamos o sursis pois o crime tem pena máxima de 1 ano, portanto é competência do
JECRIM.
Todos os crimes que forem de competência do JECRIM (Com penas até 2 anos) não
cabem sursis.

EX: Réu condenado a 2 anos pelo crime de roubo tentado. Primário, Circunstâncias judiciais
favoráveis, pena privativa de liberdade. Nesse caso posso aplicar o sursis pois o crime de roubo
tem violência ou grave ameaça
REINCIDÊNCIA

Ocorre quando o sujeito comete o novo crime após haver transitado em julgado
sentença que o tenha condenado por delito anterior.
Há reincidência somente quando o novo crime é cometido após a sentença
condenatória de que não cabe mais recurso.

EX: Sujeito pratica um crime, sendo processado e condenado. Conformando-se com a decisão,
não recorre, vindo a sentença a transitar em julgado. Meses depois, vem a praticar novo crime.
É considerado reincidente, uma vez que cometeu novo delito após o trânsito em julgado de
sentença que o condenou por prática de crime;

EX: Sujeito comete um delito, vindo a ser processado e condenado. Não se conformando com
a sentença, recorre para o Tribunal, que mantém a condenação, não cabendo mais recurso
algum. Anos depois vem a cometer novo delito. É reincidente, pois praticou o novo crime após
a condenação irrecorrível pela prática de delito.

EX: Agente em meses seguidos comete vários crimes em comarcas diferentes. É processado
várias vezes, sendo condenado em todas as comarcas. Embora tenha sofrido várias
condenações irrecorríveis, não se trata de réu reincidente pois não cometeu novo delito após
o trânsito em julgado de nenhuma sentença condenatória por prática de crime,
permanecendo primário. É o chamado de tecnicamente primário.

EX: Sujeito comete crime no dia 10 de janeiro, vindo a praticar outro no dia 12 de janeiro: Não
é reincidente.
EX: Sujeito pratica um crime, sendo condenado; recorre; enquanto os autos se encontram no
Tribunal, vem a cometer outro delito: Não é reincidente.
EX: Sujeito condenado irrecorrivelmente pela pratica de um crime, dias após pratica novo
delito: É considerado reincidente.

Segundo o Art. 63, a condenação anterior deve ser fundamentada na prática de um


crime e não contravenção, porém a LCP diz que a reincidência surge quando o agente pratica
uma contravenção após passar em julgado a sentença.

a) O agente pratica um crime; condenado irrecorrivelmente, vem a cometer uma


contravenção: É reincidente.
b) Sujeito é condenado por contravenção irrecorrivelmente; Após meses pratica outra
contravenção: É reincidente.
c) Sujeito comete uma contravenção; é condenado por sentença irrecorrível; Pratica tempos
depois um crime: Não é reincidente.

OBS: Se o réu obteve o sursis em relação ao crime anterior, será considerado reincidente. O
sursis é mero incidente da execução da pena privativa de liberdade, não excluindo os efeitos
da sentença condenatória com trânsito em julgado.
Espécies de crimes de reincidência: A reincidência pode ocorrer entre:

a) Dois crimes dolosos; Lembrando que configura a reincidência específica;


b) Dois crimes culposos;
c) Um crime doloso e outro culposo e vice-versa;
d) Crimes consumados;
e) Crimes tentados;
f) Um crime tentado e outro consumado;
g) Um crime consumado e outro tentado;
h) Crime e contravenção;
i) Contravenção e contravenção.

No Código Penal brasileiro, no Art. 64, I, CP, o termo a quo do prazo de cinco anos é a
data:
a) Do cumprimento da pena;
b) De sua extinção por outra causa; ou
c) Do inicio do período de prova do sursis ou do livramento condicional sem revogação.

CRIME SENT. COND. T.J. CRIME REINCIDENTE


CRIME SENT. COND. T.J. CONTRAVENÇÃO REINCIDENTE
CONTRAVENÇÃO SENT. COND. T.J. CONTRAVENÇÃO REINCIDENTE
CONTRAVENÇÃO SENT. COND. T.J. CRIME NÃO É REINCIDENTE

AÇÃO PENAL

Antes de mais nada, devemos frisar três causas de extinção da punibilidade que são a
indulgência soberana:

A) Anistia: É ato do Congresso Nacional, que por meio de lei extingue a punibilidade, via de
regra, para delitos políticos.Esquecimento jurídico do cometimento de um crime.

B) Graça: Somente pode ser requerido após o trânsito em julgado da sentença condenatória.
Ela é individual e requerida pelo próprio condenado, dependendo da sanção do Presidente da
República.

C) Indulto: Tanto a graça quanto o Indulto apenas o Presidente da República tem o poder de
conceder. Ele é coletivo e espontâneo. Ex: ‘’D.O.U Presidente da República autoriza os presos X
e Y para saída temporária no dia dos pais’’.

OBS: Tanto a graça como o indulto podem gerar reincidência.

AÇÃO PENAL PÚBLICA: A ação penal pública é a que tem o Promotor como titular, o Ministério
Público, visando proteger os bens jurídicos tutelados pelo Estado.
Princípio da Obrigatoriedade: O ministério público é obrigado a iniciar a ação penal, possuindo
o mínimo de provas que sustentem a sua denúncia existe a obrigatoriedade em oferecer a
denúncia.

Princípio da Indisponibilidade: O promotor não pode desistir da ação penal, se começou ele
precisa ir até o fim, nem que seja pra pedir a absolvição do réu.

Princípio da Oficialidade: A ação penal pública é de um órgão público, no caso o Ministério


Público, ele quem tem a titularidade a oficialidade.

Princípio da Intranscendência: Somente o autor da ação penal pode ser processado


criminalmente. Por exemplo, um motorista de ônibus que atropela alguém embriagado, por
óbvio não se pode processar a empresa de ônibus.

Existem dois tipos de ação penal pública: Incondicionada e Condicionada.

a) Incondicionada: É aquela em que o Promotor não precisa de nenhuma autorização para


iniciar o processo. Ocorreu o crime, por exemplo, contra a vida, o promotor tendo o mínimo de
provas tem que oferecer a denúncia.

b) Condicionada: É aquela em que o Promotor precisa de uma autorização: A representação


do ofendido e a requisição do Ministro da Justiça. A representação está presente em alguns
crimes, como o de lesão corporal culposa, ameaça, pois a vitima tem que representar contra o
autor do fato.
A vítima tem o prazo decadencial de 06 meses para oferecer essa representação, a
contar do conhecimento da autoria. Se a vítima morre antes de oferecer essa representação o
direito passa para o CADI (Cônjuge, Ascendente, Descendente e Irmão). A vítima pode se
retratar até o oferecimento da denúncia, com exceção da Lei Maria da Penha que a retratação
é feita após a denúncia.
A requisição do Ministro da Justiça acontece em crimes contra a Honra do Presidente
da República; Ela não tem prazo e também não admite retratação.

AÇÃO PENAL PRIVADA: É aquela que a vítima oferece a queixa crime contra o criminoso.

Princípios:
a) Princípio da Oportunidade: A vítima oferece a queixa-crime se quiser. Imaginemos um
crime contra a honra, uma Injúria, a vítima pode oferecer a queixa-crime se quiser.

b) Princípio da Disponibilidade: A vítima pode desistir da ação privada, no momento em que


quiser, até mesmo no momento do processo o que acarretaria numa perempção (causa de
extinção da punibilidade).

c) Princípio da Indivisibilidade: Havendo dois ou mais criminosos a vítima deve oferecer a


queixa contra TODOS. Ex: Mulher estuprada por três homens, um primo e três vizinhos; Ela
não pode oferecer a queixa apenas contra os dois vizinhos.
d) Princípio da Intranscendência: Somente pode processado criminalmente o autor da
infração penal. Não pode ser outra pessoa a não ser quem cometeu o crime.

Existem dois tipos de ação penal privada: Exclusiva (Propriamente dita), Personalíssima e
Subsidiária da Pública

a) Exclusiva ou Propriamente dita: É aquela que se aplica nos crimes contra a honra, nos
crimes contra os costumes (Atentado violento ao pudor, estupro, etc, salvo vítima pobre que
não tem condições de arcar com processo; Se for o pai, tutor, ai a ação será pública
incondicionada). Ela tem o prazo decadencial de 06 meses pra oferecer a queixa crime, se a
vítima morre o direito passa para o CADI.

b) Personalíssima: É aquela em que só a vítima pode oferecer a queixa-crime, se a vítima


morre mais ninguém poderá oferecer a queixa. Apenas um crime é de ação penal
personalíssima, o crime do Art. 236, induzimento de erro essencial, ocultação de erro
matrimonial.

c) Subsidiária da Pública: É aquela em que o promotor perdendo o prazo pra oferecer a


denúncia (05 dias se o indiciado está preso ou 15 dias se o indiciado está solto). A vítima pode
oferecer tal queixa se o promotor perder o prazo. O prazo que a vítima tem é o decadencial de
06 meses a contar da inércia do promotor.

Se a vítima não aparece na ação penal privada, o querelante, injustificada, é causa de


extinção da punibilidade por perempção, Art. 60, CPP.
Na ação penal pública se a vítima faltar a consequência será sua condução coercitiva,
Art. 201, CPP, ou seja, a força.
A vítima pode se retratar antes do oferecimento da denúncia.

CRIMES CONTRA A HONRA

CALÚNIA DIFAMAÇÃO INJÚRIA


ART. 138 ART. 139 ART. 140
Imputação falsa de crime Fato específico Qualificação negativa
Atinge: Honra objetiva Atinge: Honra objetiva Atinge: Honra subjetiva
CABE CONTRA MORTO NÃO CABE CONTRA MORTO NÃO CABE CONTRA MORTO
CABE EXCEÇÃO DA VERDADE SÓ SE ENVOLVER FUNC. PUB. NÃO
CABE RETRATAÇÃO CABE RETRATAÇÃO NÃO CABE RETRATAÇÃO
APLICA-SE A QUEM APLICA-SE A QUEM NÃO
PROPALA PROPALA