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AO

INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL DE SÃO PAULO – Código:


21.0.05.060

REF.: NB 42/xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
REVISÃO para fins de transformação em Aposentadoria Especial

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, brasileiro,
casado, aposentado, portador da cédula de identidade RG nº.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxx e inscrito no CPF/MF sob o nº. zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz,
residente e domiciliado na Rua xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, por seus
procuradores e advogados (procuração anexa) que ao final subscrevem,
vem, respeitosamente, à presença de Vossa Senhoria, com base no artigo
103 da Lei 8.213/91, c.c artigo 347 do RPS (Decreto 3.048/99), c.c artigo
65 da Lei Federal 9.784/99 (processo administrativo federal) e artigo 559 e
seguintes da IN 77/2015, requerer REVISÃO DO BENEFÍCIO
PREVIDENCIÁRIO, pelos motivos de direito a seguir expostos:

DO PROTOCOLO DO REQUERIMENTO NESTA APS

Nos termos do artigo 680 da IN 77/2015, insta


consignar que o protocolo de todo e qualquer requerimento pode ser
realizado em qualquer agência da Previdência Social, in verbis:

Art. 670. O requerimento do benefício ou serviço poderá ser


apresentado em qualquer Unidade de Atendimento da Previdência
Social, independentemente do local de seu domicílio, exceto APS de
Atendimento a Demandas Judiciais – APSADJ e Equipes de
Atendimento a Demandas Judiciais – EADJ.
Portanto, nos termos legais supra
mencionados, o protocolo do requerimento pode ser e deve ser realizado
em qualquer APS.

No mais, insta consignar que nos termos


dos artigos 105 da Lei 8.213/91, c.c parágrafo único do artigo 6º da Lei
9.784/99, c.c artigo 176 do RPS (decreto 3048/99) e c.c artigo 671 da IN
77/2015, é vedado ao servidor recusar o protocolo do requerimento
administrativo, seja ele inicial ou revisional, sob pena de ocorrência da
dissidia, punível com demissão a bem do serviço público.

DA RESPOSTA DO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO

Nos termos dos artigos do §º 4º do artigo 691


da IN 77/2015, o presente requerimento administrativo deverá ser
solucionado no prazo máximo de 30 (trinta) dias, salvo prorrogação por
igual período expressamente motivada.

DOS FATOS

O Requerente é beneficiário da
aposentadoria por tempo de contribuição, identificado pelo NB
42/xxxxxxxxxxxxxxx, com DER em 04/02/2005.

Com efeito, o analista responsável pela


análise e concessão do benefício, por desconhecer a Lei, deixou de
enquadrar como especial o tempo de 02/04/90 à 04/02/05, labor exercido
na função de motorista, conforme formulário posto às fls. 09, 30/31 do PA,
fundamentando que as atividades exercidas não foram consideradas
prejudiciais à saúde ou a integridade física, contudo sem razão.

Ademais, deixou de reconhecer as


atividades, cujos os respectivos períodos estão devidamente anotados na
CTPS, como se verifica do termo de retenção das CTPS às fls. 18 do PA, tais
como:
a) Empregador:
Admissão: 01/06/1971
Demissão: 10/01/1973

b) Empregador:
Admissão: 01/02/1973
Demissão: 04/10/1974

c) Empregador:
Admissão: 01/07/1975
Demissão: 30/09/1975

d) Empregador:
Admissão: 01/10/1975
Demissão: 31/03/1976

No momento temporal do Requerimento


Administrativo, como se nota do processo administrativo, o Requerente
comprovou mais de 41 anos de tempo de contribuição, ensejando assim o
direito da Aposentadoria Integral.

A título meramente ilustrativo, confira-se


abaixo a planilha, contendo o tempo de contribuição total do Requerente:

NOME: Alsino Aparecido Moreti

COMUM
EMPRESA ADM. DEM. -C TEMPO TEMPO TOTAL
ESPECIA COMU ESPECI
L-E M AL

01/06/71 10/01/73 c 589 0 589


01/02/73 04/10/74 c 610,00 0,00 610,00
01/07/75 30/09/75 c 91,00 0,00 91,00
01/10/75 31/03/76 c 182,00 0,00 182,00
01/07/76 01/07/77 c 365,00 0,00 365,00
01/09/77 28/02/80 C 910,00 0,00 910,00
2617,0
01/03/80 01/05/87 e 0 1046,80 3663,80
1065,0
02/05/87 01/04/90 c 0 0,00 1065,00
5422,0
02/04/90 04/02/05 e 0 2168,80 7590,80
11851,
TOTAL EM DIAS 00 3215,60 15066,60

CONVER
SÃO ANOS 41,27835616
MESES 3,340273973
DIAS 10,20821918

TEMPO TRABALHADO 41 ANOS 32,4685 8,809863014


3 MESES 5,6219 9,7184
10 DIAS 18,6575 21,5507

Portanto, conforme dispõe o Enunciado


18 do CRPS, os períodos entre 01/06/1971 à 10/01/1973, laborado na
empresa xxxxxxxxxxxxxxxxxxx, 01/02/1973 à 04/10/1974 e 01/07/1975 à
30/09/1975, ambos laborados na empresa xxxxxxxxxxxxxxxxxx e o
período de 01/70/75 à 31/03/76, laborados na empresa
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, devem ser reconhecidos e averbados no CNIS,
uma vez que a responsabilidade pelo pagamento das contribuições eram
os empregadores e não o requerente.

Outrossim, cumpre salientar que os


períodos entre 02/05/1987 à 04/02/2005 (DER) exercidos perante à
empresa xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, na função de motorista é considerado
pela legislação como atividade especial, enquadrada pelo item 2.4.4 do
anexo único ao Decreto 53.831/64 c/c item 2.4.2 do anexo II ao Decreto
83.080/79, logo deve tal período ser averbado como especial e convertido
em tempo comum, nos termos do artigo 70 do Regulamento da
Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99.

DO DIREITO

DO RECONHECIMENTO DO VÍNCULO ANOTADO NA CARTEIRA DE


TRABALHO

15)Dispõe o artigo 11 da Lei 8.213/91:

Art. 11. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes


pessoas físicas:
I - como empregado:

a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em


caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração,
inclusive como diretor empregado;

(...)

II - como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza


contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades
sem fins lucrativos;

(...)

Conforme preceitua o inciso I do artigo


60 do Regulamento da Previdência Social, Decreto 3.048/99, considera-se
tempo de contribuição o período de exercício de atividade remunerada,
veja-se:

Art. 60. Até que lei específica discipline a matéria, são contados
como tempo de contribuição, entre outros:

I - o período de exercício de atividade remunerada abrangida pela


previdência social urbana e rural, ainda que anterior à sua
instituição, respeitado o disposto no inciso XVII;

Nesse sentido, a prova do tempo de


serviço, considerado como tempo de contribuição, é realizada por diversos
documentos, dentre eles, destaca-se a Carteira de Trabalho e Previdência
Social, nos extamos termos do artigo 62 do Decreto 3048/99:

Art. 62. A prova de tempo de serviço, considerado tempo de contribuição


na forma do art. 60, observado o disposto no art. 19 e, no que couber, as
peculiaridades do segurado de que tratam as alíneas "j" e "l" do inciso V
do caput do art. 9º e do art. 11, é feita mediante documentos que
comprovem o exercício de atividade nos períodos a serem
contados, devendo esses documentos ser contemporâneos dos
fatos a comprovar e mencionar as datas de início e término e,
quando se tratar de trabalhador avulso, a duração do trabalho e a
condição em que foi prestado.

§ 1º As anotações em Carteira Profissional e/ou Carteira de


Trabalho e Previdência Social relativas a férias, alterações de
salários e outras que demonstrem a sequência do exercício da
atividade podem suprir possível falha de registro de admissão ou
dispensa.
(...)

In casu, o Requerente, mediante o


registro do contrato de trabalho posto em sua Carteira de Trabalho e
Previdência Social, comprovou que que era segurado obrigatória, nos
termos da Legislação retro mencionada, haja vista que as anotações da
CTPS são contemporâneas aos fatos alegados, bem como demonstra
fidedigna sequência cronológica entre o início e o término de cada
atividade, logo a prova do tempo de serviço/contribuição é realizada pelas
anotações da CTPS.

Outrossim, nos termos do artigo 30,


inciso I, “a”, e inciso V, da Lei 8.212/91, a empresa – bem como o
empregador doméstico – está obrigada a arrecadar as contribuições dos
segurados empregados e domésticos, descontando do pagamento as
respectivas contribuições, veja-se:

Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras


importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes
normas:

I - a empresa é obrigada a:

a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores


avulsos a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração;

(...)

V - o empregador doméstico está obrigado a arrecadar a contribuição do


segurado empregado a seu serviço e a recolhê-la, assim como a parcela
a seu cargo, no prazo referido no inciso II deste artigo;

Veja, a obrigação de reter e repassar as


contribuições previdenciárias do empregado, segurado obrigatório é do
empregador. Tal mister não pode ser imputado ao trabalhador/requerente,
eis que é hipossuficiente na relação trabalhista.

Aliás, além da obrigação do empregador


reter e repassar as contribuições previdenciárias, é dever da Administração
fiscalizar as empresas e cobrar as contribuições a seu cargo. Assim dispõe
o artigo 33 da Lei 8.212/91:

Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar,


executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à
fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das
contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei,
das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a
outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).

(...)

§ 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente


autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela
empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se
eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância
que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta
Lei.

Na esteira, Marisa Ferreira Santos, na


obra de Direito Previdenciário Esquematizado, enfatiza que “cabe ao
empregador fazer o recolhimento das contribuições dos segurados
empregados a seu serviços. É por isso que o segurado empregado não
precisa comprovar o recolhimento das contribuições. Basta-lhe
apresentar a CTPS onde estejam os contratos de trabalho (...)”1.

No mesmo sentido, dispõe a súmula 75


da Turma Nacional de Uniformização, in verbis:

A Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) em relação à qual


não se aponta defeito formal que lhe comprometa a fidedignidade goza
de presunção relativa de veracidade, formando prova suficiente de tempo
de serviço para fins previdenciários, ainda que a anotação de vínculo de
emprego não conste no Cadastro Nacional de Informações Sociais
(CNIS)

24) Portanto, tendo em vista que as


anotações da Carteira de Trabalho e Previdência Social do Requente não
ostentam defeitos formais que lhe possa comprometer a fidedignidade das
informações é prova suficiente do tempo de trabalho para fins
previdenciário.
1
4ª edição – Ed. Saraiva: São Paulo. 2014. pag. 253
Por tais razões, é direito do Requerente
ter reconhecido os períodos entre 01/06/1971 à 10/01/1973, laborado na
empresa xxxxxxxxxxxx, 01/02/1973 à 04/10/1974 e 01/07/1975 à
30/09/1975, ambos laborados na empresa xxxxxxxxxxxxxx e o período de
01/70/75 à 31/03/76, laborados na empresa xxxxxxxxxxxxxxxxxxx,
conforme prova as cópias da CTPS ora anexadas.

DO RECONHECIMENTO DO PERÍODO ESPECIAL

Insta transcrever os dispositivos legais


referenciados:

Art. 57 da Lei 8.213/91 (Lei de Benefícios)

A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a


carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado
sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e
cinco) anos, conforme dispuser a lei. (Redação dada pela Lei
nº 9.032, de 1995)

§ 1º A aposentadoria especial, observado o disposto no art. 33


desta Lei, consistirá numa renda mensal equivalente a 100%
(cem por cento) do salário-de-benefício. (Redação dada pela
Lei nº 9.032, de 1995)

Art. 64 do Decreto 3048/99 (Regulamento da Previdência


Social)

A aposentadoria especial, uma vez cumprida a carência


exigida, será devida ao segurado empregado, trabalhador avulso
e contribuinte individual, este somente quando cooperado filiado
a cooperativa de trabalho ou de produção, que tenha trabalhado
durante quinze, vinte ou vinte e cinco anos, conforme o caso,
sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de
2003)

§ 1º A concessão da aposentadoria especial dependerá de


comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do
Seguro Social, do tempo de trabalho permanente, não ocasional
nem intermitente, exercido em condições especiais que
prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período
mínimo fixado no caput.
A Lei de Benefícios e o Decreto que
aprova o Regulamento da Previdência Social, dispõe que a aposentadoria
especial será devida ao segurado que trabalhar em condições prejudiciais
à saúde ou a integridade física.

No período entre 02/05/1987 à


04/02/2005 (DER), o requerente exerceu atividade de motorista de
caminhão, ambulância e de transporte, logo é seu direito que tal atividade
seja considerada como especial, vez que é enquadrada pelo item 2.4.4 do
anexo único ao Decreto 53.831/64 c/c item 2.4.2 do anexo II ao Decreto
83.080/79.

Logo, o direito do requerente em gozar


o melhor benefício fora extirpado pelo analista responsável pela análise e
concessão do benefício do segurado, haja vista que este ao invés de
conceder o melhor benefício, como manda a Lei, concedeu benefício
diverso do direito do segurado.

Sobre a questão do ruído, o CRPS 2


editou o seguinte enunciado:

“Enunciado nº 21 – O simples fornecimento de equipamento de


proteção individual de trabalho pelo empregador não exclui a
hipótese de exposição do trabalhador aos agentes nocivos à saúde,
devendo ser considerado todo o ambiente de trabalho.”

Ademais, ressalta-se que, até


28/04/1995, o tempo especial é considerado pelo simples exercício da
atividade profissional, na espécie categoria profissional, veja o disposto no
enunciado 32 do CRPS:

ENUNCIADO CRPS Nº 32 - DOU DE 08/07/2011


A atividade especial efetivamente desempenhada pelo (a) segurado
(a), permite o enquadramento por categoria profissional nos Anexos
aos Decretos Nº 53.831/64 e Nº 83.080/79, ainda que divergente do
registro em Carteira de Trabalho da Previdência Social - CTPS - e/ou
Ficha de Registro de Empregados, desde que comprovado o

2
Conselho de Recursos da Previdência Social
exercício nas mesmas condições de insalubridade, periculosidade
ou penosidade.

Portanto, considerando os documentos


juntados ao processo administrativo, quando do requerimento
administrativo, bem como os documentos ora juntados, é manifesto o
direito do segurado, ora requerente, que lhe seja concedida aposentadoria
integral, retroagindo os efeitos financeiros desde a DER.

Todavia, em razão do princípio da


eventualidade e, com base no princípio do dever de agir de ofício da
administração pública, escorado no artigo 1º da Lei 9.784/99,
dispondo que é dever da administração proteger o segurado e,
por fim, com base no artigo 687 da IN 77/2015, o qual determina que
a administração deve conceder o melhor benefício, requer-se, desde já,
nos termos do §5º do artigo 57 da Lei 8.213/91, a conversão do tempo
especial em comum, o qual somando ao tempo comum do segurado, seja
concedido aposentadoria por tempo de contribuição integral.

DO PEDIDO

Diante de todo o acima esposado, o


Requerente vem a presença de Vossa Senhoria, requerer:

a- A revisão do benefício NB 42/xxxxxxxxxxxxxxxxxxx,


transformando o benefício de proporcional em integral, nos
termos do artigo 687 da IN 77/2015 c.c enunciado 05 do CRPS;

b- Pagamento das parcelas devidas a título de APOSENTADORIA


INTEGRAL, desde a DER - Data de Entrada do Requerimento;

c- C) - O pagamento dos juros de mora contados a partir deste


requerimento, e a correção monetária vigentes desde a data do
requerimento do benefício, nos termos do artigo 175 do Decreto 3048/99;

d- Que em caso de descumprimento do prazo para resposta


deste Requerimento Administrativo pela Autarquia-Previdenciária,
seja procedida a abertura de Sindicância para a apuração da
responsabilidade pela mora administrativa; e

e- Que em caso de negativa de protocolização, seja tal


decisão a motivada expressamente, contendo a identificação da
autoridade administrativa ou servidor responsável, para que assim
seja efetivada eventual responsabilização na esfera judiciária.

Protesta pelo deferimento da utilização


de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a juntada
dos documentos que acompanham o requerimento, oitiva de testemunhas,
perícias, vistorias, e juntada de novos documentos.

Nestes termos,
Pede deferimento.

Sã o Paulo,