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LIÇÃO 2 – O PERFIL DOS CRISTÃOS COLOSSENSES II

Colossenses 1:1-10

ESBOÇO DA LIÇÃO I - Considerações Preliminares - “Paulo apostolo de Jesus Cristo...”.


II - Paulo identificou o Perfil dos Cristãos Colossenses e deu-lhes o tratamento correto.
III - Paulo honrou e destacou o trabalho de Epafras, o Obreiro Local.
IV - Paulo, um prisioneiro orando pelos que estão em liberdade.

Introdução

A saudação inicial desta epístola é típica da forma como o apóstolo Paulo se dirige às
outras igrejas as quais ele escreveu, tais como: Coríntios, Filipenses,
Tessalonicenses, Efésios. Apesar da haver muita semelhança em sua forma de
saudação com os modelos gregos contemporâneos, o conteúdo é distintamente cristão
e, no caso de colossenses, contêm declarações muito importante, que através delas,
podemos identificar o perfil dos cristãos colossenses.
Os colossenses formavam uma igreja local com características cristãs bem definidas.
Em sua saudação Paulo destaca algumas delas, que, segundo entendemos, não pode
ser diferente para a igreja de hoje.

I – A SAUDAÇÃO DE PAULO

1. “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo” (1.1a).


Apesar de sua autoridade como ministro de Cristo Paulo não se limita a colocar
simplesmente o seu nome como remetente. Mas faz menção ao jovem obreiro Timóteo,
como sendo co-autor da carta. Depois desta grande lição de humildade, vemos o
apóstolo ressaltar a sua condição de “apóstolo de Jesus Cristo”. Apóstolo é alguém
que possui poder e autoridade dados por Cristo. Embora não haja indicações de que os
Colossenses estivessem questionando a autoridade apostólica de Paulo, o conteúdo da
carta revela que eles corriam o risco de continuarem abraçando os falsos ensinos e,
consequentemente, abandonar a verdade do evangelho (2.1-8). Assim, precisavam
ouvir uma mensagem forte, cheia de autoridade, da parte de um mensageiro de Deus.

2. Como Paulo via os irmãos de Colossos (1.2a).


Neste texto os colossenses são identificados de três maneiras:

a) “Aos santos”.
As palavras hebraicas e gregas para “santo”, “santificação”, “santidade”,
“dedicação”, “consagração” estão todas relacionadas à idéia de separação. De fato,
o conceito central do termo “santo” é separado. Assim, ser santo é estar separado do
pecado para o uso e posse de Deus.
Era comum Paulo chamar os cristãos de santos (1Co 1.2; Fp 1.1; Ef 1.1), referindo-se à
posição deles em Cristo. Sendo santos, formavam uma classe distinta de pessoas, as
quais foram chamadas e separadas de seu modo primitivo de viver, a fim de viverem
em Cristo e para Cristo (Cl 1.21).
Nos dias presentes, há um enorme desprezo à santidade. Em muitas igrejas locais esse
padrão de vida cristã não é enfatizado. No entanto, cada cristão é chamado a ser santo
(ver Rm 1.7; 1Ts 4.7; 1Pe 1.15,16), pois sem santificação ninguém verá o Senhor (Hb
12.14).
b) “e irmãos”.
Além de vê-los com o santos, o apóstolo os via como “irmãos” e “irmãs”, na unidade
da fé em Cristo. Jesus apresenta-nos a relação de irmãos, ensinando a oração: “pai
nosso, que estás nos céus” (Mt 6.9; Lc 11.2). Se somos irmãos, Deus, o Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo, é também nosso Pai. Jesus orou usando a palavra aramaica Abba;
segundo Romanos 8.15, o crente, no espírito de adoração clama: “Aba, Pai”. Se,
juntamente com o Senhor Jesus, chamamos Deus de Pai, Jesus é então nosso irmão
mais velho na família de Deus (Hb 2.10,11).
Da mesma forma que as famílias geralmente orgulham-se do seu nome, a família da
igreja exulta no nome do Pai (Ef 3.14,15). Assim como as famílias recebem herança do
pai, a igreja aguarda a herança prometida pelo Pai celestial (Rm 8.17). Do mesmo modo
como as boas famílias procuram seguir um certo padrão de conduta, existe uma norma
de comportamento na casa de Deus (1Tm 3.15). Da mesma forma como o pai terreno
luta para ver os filhos unidos, esse também é o prazer de nosso Pai celestial ( Sl 133).

c) “fieis em Cristo”
No grego, a palavra fiéis é pistois, que indica o caráter dos crentes de Colossos.
Noutras palavras, o apóstolo refere aos que são fiéis ao evangelho; Paulo tinha em
mente a firmeza ou fidelidade daqueles cristãos.
É interessante notar que Paulo não conhecia pessoalmente os destinatáriosda carta.
Mas, por meio de Epafras, tinha idéia segura do seu caráter,fidelidade.
A Bíblia nos ensina de forma clara e objetiva a maneira de sermos fiéis em tudo:

 Para com Deus (Nm 12.7; Jó 31.6; Dn 3.10,12,15-18,21-30);


 Para com a igreja (Ml 3.10; At 2.42; 1Co 15.58; Hb 10.25);
 Como Ministros de Deus (Lc 12.42; 1Co 4.1,2,17; Ef 6.21,22; 2Tm 2.2);
 Exercendo qualquer função como crente (Dn 6.3-5; Rm 13.12-14; 1Ts 4.11,12; Tt
2.9,10; 1Pe 4.14,16);
 Fiel no cumprimento da doutrina (Gl 1.8,9; 1Tm 6.3-5; Hb 6.1; 13.19);
 Fiel no testemunho pessoal (Dn 2.45; Dt 5.20; 2Ts 1.10; Jó 29.11; 2Tm 2.13);
 Fiel até a morte (Ap 2.10; Mt 10.39; 24.13; Lc 17.33; Jo 12.25).

II – AÇÃO DE GRAÇAS PELOS COLOSSENSES (1.3-8)

1. “Orando sempre por vós” (1.3b)


A oração era algo que fazia parte da vida e do ministério de Paulo (Rm 15.30; Fp 1.4; Cl
4.12; 2Tm 1.3). O cuidado e o zelo pela igreja de Cristo o movia a estar sempre
intercedendo pelos irmãos.
Por que é tão difícil sermos crentes de oração? Porque a oração é uma batalha e toda
batalha não é fácil, pois temos três grandes inimigos: a nossa carne, o mundo e o
diabo. A nossa carne não gosta de oração. Quão difícil é para ela é ser sacrificada na
oração; assim também é para o mundo. Os crentes hoje vivem tão “ocupados” em
suas atividades seculares que, segundo eles, não tem tempo para orar; a oração é
também uma batalha contra o diabo. Ele tem arregimentado os seus exércitos para
tentar parar o ministério da oração. Satanás sabe que através da oração suas hostes
infernais podem ser combatidas; e a igreja que ora é uma igreja que cresce em todos
os sentidos. Por isso a ordem de Paulo é “orai sem cessar” (1Ts 5.17).

2.A fé, a esperança e a caridade dos Colossenses (1.4,5).


As várias referências a estes conceitos do Novo Testamento (Rm 5.1-5; 1Co 13.13; Gl
5.5,6; Ef 1.15-18; 4.2-5; 1Ts 1.3; 5.8; Hb 6.10-12; 10.22-24; 1Pe 1.3-8,21,22)
revela-nos que
esse tríplice conjunto de virtudes cristãs eram parte importante da vida cristã primitiva.
Se não as tivesse, certamente os ataques heréticos os esfacelariam. Uma igreja que
tem “fe em Cristo Jesus” não se abala com os modismos heréticos; numa igreja onde
a esperança é algo evidente, os crentes não se desesperam ante as adversidades do
dia-a-dia, uma igreja em que os crentes exercitam a caridade (amor na prática) “para
todos os santos”, jamais será derrotada pela força do mal. Hoje, mais do que nunca,
essa tríade de virtudes espirituais torna-se indispensável a toda igreja cristã.

III- A ORAÇÃO INTERCESSÓRIA DE PAULO

1. Pelo conhecimento da vontade de Deus (1.9).


Em sua oração intercessória, Paulo pede ao Senhor que torne os colossenses Cheios. A
idéia é de que havia entre eles um vácuo que precisava ser preenchido. Esse
enchimento deveria ser feito com o conhecimento da vontade divina, e não algum tipo
de gnosis especulativo ou intelectual característico dos falsos mestres. A falta de
conhecimento eqüivale a ignorância. Esta têm levado muitos a destruição (Os 4.6). Esse
conhecimento não era conceito intelectual abstrato, oriundo do mundo grego, mas
atributo concedido por Deus, a fim de capacitar os colossenses a viverem uma vida
abundante e frutífera, de acordo a vontade divina.
Os cristãos de hoje também precisam de conhecimento espiritual pois, atualmente, há
muitos movimentos que aparentam ser cristãos, e por falta de conhecimento da Palavra
de Deus, muitos têm se dispersado, naufragando em meio à confusão religiosa. Mas o
crente alicerçado na Palavra conhece qual é a vontade de Deus para sua vida, e assim,
procura aplicá-la em cada situação do dia-a-dia.

2. Para que esse conhecimento fosse “em toda sabedoria”.


Não se trata aqui de um conhecimento adquirido por estudos (que é importante),
mas a sabedoria que do Espírito de Deus. Esta sabedoria, estava a disposição dos
colossenses, uma vez que, todos eles haviam sido alcançado pelo Evangelho, haviam
crido em Cristo, demonstrando amor no espírito e uma rica esperança de morar no céu.
A sabedoria divina dá ao cristão entendimento espiritual a fim de que ele possa viver
uma vida de temor (Jó 28.28) e na prática dos mandamentos divino (Dt 4.6). O próprio
salmista disse que “bom entendimento tem os que lhe obedecem” (Sl 111.10). Para
Deus, portanto, não é o ser analfabeto ou graduado em uma boa faculdade que dará ao
homem o título de sábio, mas o que teme e O obedece, conforme a sua Palavra; pois
Ele dá sabedoria “aos simples” (119.130, ARA). É considerado louco quem despreza a
verdadeira sabedoria, a que vem do alto (Pv 1.7). Essa sabedoria que estava a
disposição dos crentes de Colossos, também está a nossa disposição (ver Pv 2.6; 3.13).

3. Para que esse conhecimento fosse “em inteligência espiritual”.


“ Segundo o apóstolo, esse conhecimento da vontade de Deus deveria se concretizar
‘em toda a sabedoria e inteligência espiritual’. Essa inteligência (gr. Synesis) é mais
elevada e mais profunda que a ‘inteligência emocional’, bastante difundida hoje em dia.
A ‘inteligência espiritual’ provê um discernimento do fazer em cada situação; ela é
trabalhada e construída pelo Espírito Santo, e capacita o crente a se conduzir de acordo
com a vontade de Deus, dando-lhe o entendimento para fazer aquilo que agradar a
Deus, como nos diz o apóstolo Paulo: ‘porque Deus é o que opera em vós tanto o
querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade’ (Fp 2.13)” (Elinaldo Renovato)

IV – RESULTADOS DO CONHECIMENTO DE DEUS (1.10-12)


De acordo com o texto supracitado, os crentes, como resultado desse conhecimento
divino, demonstrarão o seguintes comportamentos:

1. Andarão dignamente.
A primeira conseqüência de conhecermos a vontade de Deus é viver como o Senhor
quer. Paulo queria que os crentes crescessem espiritualmente para agradar a Deus,
para serem sal da terra e luz do mundo, para que dessem frutos e para que os homens
pudessem glorificar a Deus como Pai e reconhecer que Ele está nos céus (Mt 5.16).
O cristão que procura andar de forma digna é reconhecido por Deus, pelos irmãos e
pelo próprio diabo. Satanás, usando as atrações deste sistema mundano, faz um
esforço incessante para que o crente não ande de forma digna e assim, destruir a vida
de Deus dentro do cristão (2Co 11.3; 1Pe 5.8).

2. Agradarão ao Senhor em tudo.


“ Em segundo lugar, o crente deve agradar ao Senhor totalmente, em todas as coisas.
Embora a palavra grega ARESKIA tenha uma conotação negativa nos textos seculares,
aqui ela não significa procurar o favor de alguém motivado por interesses egoístas, ou
para obter vantagens pessoais. Uma vida que é vivida dignamente na presença do
Senhor é vida digna do Senhor. Assim, o objetivo constante do cristão é agradar ao
Senhor de todas as formas, isto é, em todas as áreas de sua vida” (Arthur G. Patzia).
Antes procurávamos agradar ao inimigo de nossas almas que estava nos conduzindo ao
vale da sombra da morte, hoje procuramos agradar e satisfazer a toda a vontade
daquele que nos livra da sobra da morte (Sl 23.4) e nos dá a vida eterna.

3. Frutificarão em toda boa obra.


Paulo orava para que os irmãos colossenses dessem frutos em tudo, ou seja, em todas
as áreas da vida. Não faz sentido o cristão só dar “fruto” no templo; é fácil ser crente
no ambiente interno da igreja local, mas isso não basta, é preciso mostrarmos o fruto
de nossa fé “em toda boa abra”. Fomos escolhidos por Cristo para dar frutos (Jo
15.16). A nossa fé se baseia nas obras que praticamos (Tg 2.14-26). Jesus disse que a
árvore é conhecida pelo fruto que ela produz (Mt 7.16-18).
Todo o cristão deve preservar-se de uma fé infrutífera. A fé que nos alcançou e que
transformou as nossa vidas, deve manifestar-se em boas obras, as quais, por sua vez,
darão frutos para Deus.

4. Crescerão no conhecimento de Deus.


Os cristãos de Colossos estavam sendo bombardeados pelas heresias filosóficas do
gnosticismo, e precisavam crescer espiritualmente. Este não deveria ser um
crescimento qualquer. Paulo orava para que eles crescessem no “conhecimento de
Deus”. esta mesma preocupação não estava havendo nos falsos mestre que
disseminavam suas heresias entre os crentes de Colossos.
Que este mesmo desejo que houve no apóstolo haja em nosso coração. A falta do
conhecimento pessoal de Deus tem levado muitos crentes a destruição. Por isso
sigamos o conselho do profeta Oseias que diz: “Conheçamos e prossigamos em
conhecer o Senhor” (Os 6.3)

5. Corroborados com toda a fortaleza.


Paulo sabia que aqueles irmãos iriam precisar de perseverança e firmeza para
prosseguirem na prática da vontade de Deus, e realizar todas as coisas pelas quais ele
orou. Só com a ajuda do alto, do poder divino, eles poderiam ser fortalecidos para essa
tão grande tarefa.
Com esta expressão o apóstolo Paulo deixa claro que o Senhor não haveria de deixar a
sua igreja desarmada diante do inimigo nesta guerra sem trégua. Pelo contrário, temos
a nossa disposição as armas espirituais (2Co 10.4). Para isso ele nos exorta:
“fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder” (Ef 6.10). Logo em seguida o
apóstolo apresenta-nos as armaduras que precisamos para esse combate (Ef 6.11-17).
Os colossenses precisavam desse reforço espiritual no arsenal de guerra de que
dispunham para lutar contra as heresias. Hoje também não é diferente.

6. Com toda paciência e longanimidade, com gozo.


Num combate entre exércitos humanos, a ordem de batalha, na maioria das vezes,
exige pressa para que o inimigo não ganhe terreno. Mas num combate espiritual, além
das armas espirituais, aqueles cristãos precisavam de alguns gomos do fruto do
Espírito: paciência e longanimidade.
Hoje, cada um de nós precisamos destas graciosas virtudes: paciência, longanimidade
e gozo. Ela é, porém um traço muito especial do caráter de nosso amoroso Senhor, e o
cristão precisa aproximar-se cada vez mais de Cristo, permanecer nEle, a fim de que
esta graça possa tornar-se parte de sua vida em Cristo. O Senhor a quem servimos é o
maior exemplo de paciência e longanimidade (Sl 86.15; 2Pe 3.9).

7. Dando graças ao Pai.


Aqueles cristãos tinham uma infinidade de motivos para dar graças a Deus (Cl 1.12-
14,20,21). Os colossenses, como já vimos, estavam sendo iludidos por argumentos
falsos e falaciosos da heresia gnóstica. Paulo sabia que quando os crentes estão tristes,
abatidos e desanimados, tornam-se presas fáceis dos mensageiros do inimigo. Assim, o
apóstolo tenta levar aqueles crentes a visualizar tudo o que Cristo havia feito por eles,
e a serem gratos a Deus por tudo. Mesmo na luta é possível o crente ser otimista e
agradecido (1Ts 5.16,18).

Conclusão
Cada aspecto espiritual que fazia parte dos cristãos colossenses, deve estar presente
na vida dos crentes de hoje. Para isso precisamos de um conhecimento mais profundo
de Deus. E assim, os mesmos resultados que deveriam ser demonstrados pelos
colossenses, serão também pelos cristãos atuais.

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Roberto José da Silva (Autor) e


José Roberto da Silva (Aux).