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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR-RELATOR DA

CÂMARA CRIMINAL DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO


DO RIO DE JANEIRO – RJ.

Apelação Nº.: xxxxx

CAIO (Sobrenome), já qualificado nos autos do processo


crime, que lhe move a Justiça Pública, por seu advogado infra-assinado, com escritório
profissional à Rua Monlevade, 390 onde recebe notificações e intimações, titular do
endereço eletrônico fmauropinto@hotmail.com vem respeitosamente a presença de
Vossa Excelência, tempestivamente, com fulcro no artigo 609, parágrafo único, do CPP,
por não se conformar, data vênia, com o respeitável acórdão de fls xx, que de forma não
unânime manteve a condenação proferida pelo Juiz “a quo”, tempestivamente, opor

EMBARGOS DE NULIDADE;

Requer com a devida vênia, que seja o presente recebido e


processado, reconhecendo sua tempestividade e seus fundamentos, conforme expostos
pelo Desembargador Ticio, vencido em seu voto, com os fatos e razões que se seguem.

Nestes termos, pede deferimento.

Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2005

JOSÉ DA SILVA
OAB/RJ 000
RAZÕES DE EMBARGOS DE NULIDADE E INFRINGENTES

Embargante: CAIO (Sobrenome)


Embargado: Ministério Público
Apelação n.o xxxxx

Egrégio Tribunal de Justiça,


Colenda Câmara Criminal,
Douta Procuradoria de Justiça,

Em que pese o ilibado saber jurídico da 3ª Turma do


Tribunal Regional Federal da 2ª Região, o respeitável acórdão não merece prosperar,
devendo a decisão ser reformada, nos termos do voto vencido, pelas razões a seguir
expostas:
I - DOS FATOS
O Embargante foi denunciado e condenado, a pena de dois
anos de reclusão e multa, em 7/8/2005 pela SUPOSTA prática do crime previsto no art.
171, § 3º, do Código Penal, pois, no dia 8/5/2004, teria recebido, fraudulentamente,
benefício previdenciário já falecido.

Em sentença foi determinado o cumprimento de pena em


regime aberto, negando expressamente a sua substituição por pena restritiva de
direitos, por considerar que o réu não preenchia o requisito do art. 44, III do Código
Penal, por se encontrar indiciado em outros inquéritos por fatos análogos.

O apelo interposto pelo ora Embargante teve provimento


negado por maioria de votos, ou seja 2 a 1. Na ocasião, restou vencido o
desembargador federal Ticio, que: a) acolhia a preliminar de nulidade da sentença;
b) no mérito, reformava a sentença condenatória e, c) autorizava a substituição da
pena por restritiva de direitos.

Não conformado com a sentença condenatória o Recorrente


interpôs Apelação, mas, por maioria de votos, 2 x 1, o provimento foi negado.
É, em síntese o relatório.

Excelentíssimos Senhores Desembargadores, o acórdão


merece ser reformado, pelas razões a seguir elencadas:

II - DAS NULIDADES
DA NÃO REALIZAÇÃO DA PERÍCIA.

Doutos Desembargadores, reza o art. 564, III, “b”, CPP, in


verbis: A nulidade ocorrerá nos seguintes casos: (...), III - por falta das fórmulas ou dos
termos seguintes: (...) b) o exame do corpo de delito nos crimes que deixam vestígios,
ressalvado o disposto no Art. 167; (...)

a) Consta dos Autos que não foi realizado o exame


pericial no documento utilizado por Caio e sobre o qual o MM Juiz primevo, não se
pronunciou em sua sentença;

No Processo Penal a prova pericial enquadra-se como


prova material e, por ser advinda de bases científicas, torna-se prova de capital
importância, tanto que reza o Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será
indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a
confissão do acusado. (...).

A não realização do exame pericial oportunizou a


inobservância ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, (Art. 5º,
LV, da CF/88), carreando, assim, prejuízo direto ao Requerente em razão do cerceamento
de sua Defesa.

III - DO DIREITO
De plano, a sentença afronta o art. 44, III, do Código Penal,
ao negar veementemente que o réu não atendia aos requisitos expressos no inciso III do
referido artigo pelo simples fato de estar indiciado em crime análogo, sem no entanto,
citar fundamentadamente os motivos deste seu entendimento, o que induz a sentença ao
bel badalo de presunção da culpabilidade do réu.
Nos autos nada consta que impeça ou desabone o
Embargante a usufruir do direito expresso no art. 44, III do Código Penal, in verbis:

Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e


substituem as privativas de liberdade, quando:
(...)
III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
personalidade do condenado, bem como os motivos e as
circunstâncias indicarem que essa substituição seja
suficiente.

A bem da verdade, decorre da folha de antecedentes do


Embargante anotações referentes a inquéritos policiais, em andamento, portanto,
citá-los ou lançar mão deles demonstra sobretudo ideia de perseguição, tentativa de
enlamear o ora acusado. Ora, se não ocorreu o trânsito em julgado, das informações
contidas em sua folha de antecedentes, não há que se falar a respeito das mesmas e
muito menos delas se servir, para fundamento de sentença.

b) Do resultado do reconhecimento a que o


Embargante foi submetido, nos moldes do art. 226 do CPP, imperou o silêncio. O
bancário, que ocupa a função de caixa, não reconheceu o Embargante.
Doutos julgadores, não ocorreu o reconhecimento do
réu.

c) Depreende-se dos Autos, às fls xx, que a denúncia


foi baseada no testemunho judicial da autoridade policial que oficiou a fase do
Inquérito Policial, informando este, ter chegado até Caio por meio de denúncia
anônima, a qual foi corroborada por confissão policial.

Onde está o nexo causal?

Fato também omitido pelo MM Juiz a quo quando de sua


sentença. Ressalta-se que indícios diferem em muito de proavas. O reconhecimento
sim, seria prova cabal de autoria. Mas, se não houve o reconhecimento por aquele
que participou do imbróglio criminal, ainda que como vítima indireta, resta
improvada a autoria.

d) E, por derradeiro, a sentença determinou o


cumprimento de pena em regime aberto, negando expressamente a sua substituição
por pena restritiva de direitos por considerar que o réu não preenchia o requisito do
art. 44, III do Código Penal, por se encontrar indiciado em outros inquéritos por fatos
análogos.

O apelo interposto pela defesa de Caio teve provimento negado pela 3ª


Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, por maioria de votos.

Ora MM., indícios não são provas e, se o fossem deveriam ter sido
processadas e julgadas para, após trânsito em julgado, serem fiéis aos
propósitos que lhe querem imprimir.

Enfim, como bem ressaltou o Dr. Ticio, Desembargador Relator do


Acórdão – voto vencido na decisão -, a quem não passou despercebido os
descalabros cometidos na elaboração da sentença e no decorrer do processo,
que em seu voto assim decidiu:

a) acolher a preliminar de nulidade da sentença pela


ausência do exame pericial no documento utilizado por Caio;
b) no mérito, reformar a sentença condenatória para
absolver Caio por insuficiência de provas para a condenação, a qual foi baseada
no testemunho judicial da autoridade policial que oficiou a fase do inquérito,
informando ter chegado a Caio por meio de denúncia anônima, corroborada por
confissão policial, sendo certo que Caio foi submetido pelo juízo a reconhecimento
pelo caixa do banco, de acordo com o procedimento previsto no artigo 226 do
Código de Processo Penal, que restou negativo;
c) autorizar a substituição da pena privativa de
liberdade por restritiva de direitos.
Data vênia, máxima vênia, resta demonstrado que o juízo
“a quo” ao decidir a demanda não levou em consideração as alegações fáticas
apresentadas pelo autor em sua petição inicial, o que sustenta, desta feita, os presentes
embargos.
Portanto, resta verificado que a materialidade e a autoria
delitivas resultaram sobejamente prejudicadas face ao meio do deficiente acervo probatório
amealhado aos autos que, com base nos entendimentos consolidados dos tribunais
superiores, torna a reforma do acórdão imperiosa.

IV - DO PEDIDO

Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o


recurso, acolhendo-se o voto vencido, para tornar sem efeito a decisão que condenou o
ora Embargante, fazendo-se assim a justiça, tanto pelo acima exposto como por ser este
réu primário.
Pede deferimento.

Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2005

JOSÉ DA SILVA
OAB/RJ 000