Você está na página 1de 252

Acesse nossa loja virtual:

lojaAMAR.com.br

Contato Editorial:
editora@agapereconciliacao.com.br redacao@agapereconciliacao.com.br 11 2081-6168

Livraria:
Rua Júlio de Castilhos, 1033,
Belenzinho, São Paulo, SP
Horários de atendimento para vendas: das 10h às 17h
das 17h30 às 21h

©2016 Editora AMAR


LIBERTANDO-SE DE PRISÕES ESPIRITUAIS Texto original: Neuza Itioka
Todos os direitos reservados.
1ª Edição: Abril de 2009
2ª Edição, nova e atualizada: Junho de 2009 Nesta edição foram inseridos quatro capítulos: (2) “O
Evangelho a Mensagem de Redenção” (3) “Jesus a Chave para a Libertação” (7) “O Reino de Deus e a
Libertação”
(9) “A Cura Física e o Poder de Cristo”

Editor responsável e Produção Textual: Thiago Baeta Corrêa Revisão: Lucas Pontes Nogueira e Ana
Ribeiro
Capa e Projeto Gráfico: AgnelloVieira.ART.br
Serviços editoriais: Ingrid Vanessa Sanches e Lael Romanini

O texto desta edição acha-se de acordo com o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1990 - em
vigor desde 2009. As citações bíblicas estão conforme a versão Almeida, Revista e Atualizada no
Brasil, 2ª Edição (RA), da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), a menos de indicação em contrário:
RC – Almeida, Revista e Corrigida, SBB.
ACF – Almeida, Edição Revista e Revisada, Fiel ao Texto Original, da Sociedade Bíblica Trinitariana
do Brasil.
NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje, SBB
NVI – Nova Versão Internacional, Editora Vida.

Data do fechamento da edição: Junho de 2016


A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei n. 9.610/98 e punido pelo art. 184 do
Código Penal. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma
sem a prévia autorização da Editora AMAR.

Para informações, entre em contato com: Editora AMAR


editora@agapereconciliacao.com.br São Paulo, São Paulo, Brasil
CNPJ 04.995.571/0001-64

ISBN 978-85-60796-44-1

2ª EDIçãO 2016
ÍNDICE
INTRODUÇÃO
O chamado para o ministério ........................................................ 06

Parte 1 O MINISTÉRIO DE JESUS


Cap 1 – O Ministério de Jesus ....................................................... 14
Cap 2 – O Evangelho, e a Mensagem de Redenção ....................... 28
Cap 3 – Jesus, a Chave para a Libertação ..................................... 38

Parte 2 CONTEXTO BÍBLICO


Cap 4 – A Bíblia e o Aprisionamento Espiritual ............................ 48
Cap 5 – Funções do Espírito .......................................................... 60
Cap 6 – O Espírito Adormecido..................................................... 74
Cap 7 – O Reino de Deus e a Libertação ....................................... 88
Cap 8 – O Novo e o Velho Homem – regeneração em Cristo ........ 94
Cap 9 – Cura física e o poder de Cristo ......................................... 98

Parte 3 A REALIDADE SOBRE PRISÕES ESPIRITUAIS


Cap 10 - Histórias de Aprisionamento ........................................ 106
Cap 11 – Confirmação por outros Ministérios............................ 118

Parte 4 JESUS O LIBERTADOR:


TESTEMUNHOS REAIS SOBRE LIBERTAÇÃO
Testemunho – aprisionamento por espírito de morte ................. 130
Testemunho – aprisionamento pela feitiçaria ............................. 148
Testemunho – aprisionamento por traumas ............................... 160
Testemunho – aprisionamento por abuso sexual ........................ 176
Testemunho – aprisionamento pela música rock ........................ 186
Testemunho – aprisionamento pelo esoterismo .......................... 196
Testemunho – aprisionamento pela imaginação ......................... 210
Testemunho – aprisionamento por satanismo e jogos de RPG ... 218
Testemunho – aprisionamento em calabouços ........................... 236
Testemunho – aprisionamento pela religiosidade ....................... 248
Testemunho - aprisionamento por falta de perdão: Cura Física ... 262
Parte 5 TIPOS DE APRISIONAMENTO ESPIRITUAL
Cap 12 – Como as Pessoas se Aprisionam................................... 268
Cap 13 – Cidades e Nações Aprisionadas .................................... 276
Cap 14 – Lugares de Aprisionamento ......................................... 288

Parte 6 ESTILO DE MINISTRAÇÃO


Cap 15 – Como sair da Prisão ..................................................... 298
Final: Uma palavra final aos colaboradores ................................. 310
O Chamado para Abrir Prisões Espirituais
Em minhas leituras e pesquisas, li dois livros de John e Paula Sandford, que
se acham entre os mais completos e abrangentes livros sobre a transformação
do homem interior: “A Transformação do Homem Interior” (The
Transformation of Inner Man) e “A Cura do Espírito Ferido” (The Healing of
Wounded Spirit).

Num dos capítulos desse segundo livro, deparei-me com uma abordagem
sobre prisão espiritual. À medida que ia lendo, eu me impressionava com
tudo que era apresentado naquele capítulo, e, em meu espírito tudo se
confirmava. Mas eu ainda não sabia o que fazer com as informações que
estava adquirindo com aquela leitura sobre prisão espiritual.

Deus, porém, é fiel! Intrigada com os fatos apresentados, eu perguntava a


mim mesma como aplicar, no ministério de libertação, aquilo que o Espírito
estava me revelando sobre prisão espiritual. Fui então tocada por duas
circunstâncias, ocorridas quase que simultaneamente, que reforçaram ainda
mais as novas percepções que eu estava tendo.

Uma delas foi o relato de uma colega da SEPAL. Ela me disse:

“Neuza, ontem eu tive uma experiência muito interessante. Ministrei uma


pessoa que estava aprisionada espiritualmente num calabouço. Não sabia o
que fazer, e assim pedi que Jesus me ajudasse. Ele veio e simplesmente a
tirou daquela prisão.”

Quando ouvi isto, concluí que essa história era semelhante a um caso que
John Sandford descreveu no capítulo sobre prisão espiritual daquele livro que
eu havia lido.

A outra ocorrência nesse sentido foi o que me disse Lílian La Torraca, uma
pastora do nosso Ministério:

– Ontem recebi, em nossa reunião de oração, uma chave do Senhor. É uma


chave que se usa para tirar espiritualmente as pessoas de prisões, igrejas
aprisionadas, e até cidades aprisionadas...

Sem nem mesmo parar para pensar, eu disse a ela:


– Ore por mim, para que eu também receba essa chave!

Esse grupo de oração, que se reúne com a pastora Lílian, é um grupo muito
sério, que leva com muita responsabilidade aquilo que Deus pede. Eles
oraram e me responderam que eu já tinha recebido aquela chave, mas que ela
estava um tanto “enferrujada”, pois não estava sendo usada.

Com efeito, eu já possuía, havia um bom tempo, informações sobre prisão


espiritual, mas nada tinha feito a respeito. E aquele capítulo do livro dos
Sandford já havia sido lido e relido por mim várias vezes. Cheguei a marcá-lo
e riscá-lo de diversas cores, pois tudo aquilo fazia sentido, mas eu não sabia
como aplicar, na prática, no ministério de libertação, as informações de que
agora eu dispunha.

Crendo, então, que Deus me havia dado uma chave espiritual, minha decisão
foi a de utilizá-la. Assim, começaram minhas experiências de tirar pessoas
que se achavam em prisões espirituais, e libertar os algemados.

Depois de confiar nessa palavra, eu comecei a ver os testemunhos do poder


de Deus, de pessoas que foram tiradas de “prisões espirituais”.

Liberta de uma gaiola na praia

Quando assumi que tinha recebido uma chave para abrir as prisões dos
aprisionados, pedi perdão a Deus pela minha falta de compreensão e
entendimento espiritual. Então o Senhor proporcionou-me uma experiência
nesse sentido.

No Seminário de nosso Ministério, realizado num fim de semana, houve o


caso de uma jovem que ficou endemoninhada. O demônio que então se
manifestou foi identificado como espírito das águas, em algumas culturas
conhecida como “Yemanjá”. Isso aconteceu num momento em que todos
estavam fazendo uma oração de confissão de pecados e de renúncia. Nessa
oração, todos renunciam o envolvimento que tiveram antes de se converter,
com as religiões que praticaram no passado, quebrando os pactos espirituais
realizados com as trevas.

Resolvi então ministrar a moça que manifestou esse espírito. Vou chamá-la
de Janaína. E, assim, como Deus faz as coisas bem completas, Ele
providenciou, para estar comigo na ministração, um intercessor que tinha
visão espiritual aberta.

Durante a ministração, o intercessor teve uma visão espiritual da situação, e


me disse que a moça estava aprisionada numa gaiola constituída de tacapes,
ou lanças, fincados na areia da praia. Havia ainda um bando de índios que
dançavam e cantavam, dizendo:

“Não vão conseguir! Não vão conseguir!”


Então eu disse:

“O Senhor me deu todo tipo de chave. Assim, eu amarro esses demônios, que
estão travestidos de índios e que são guardiães do inferno, que a estão
prendendo nessa gaiola.”

Eu os amarrei e os coloquei de lado, tomei autoridade em nome de Jesus, e,


abrindo aquela prisão, a tirei para fora. Depois de tirá-la, coloquei os
demônios guardiães dentro da gaiola e os enviei para onde o Senhor Jesus
determinasse.

Um dos colegas da missão em que eu trabalhava era alguém que tinha


ministrado Janaína algumas vezes, expulsando os demônios que haviam
invadido a vida dela. Ele pertencia à mesma igreja dela. Depois que Janaína
foi liberta da prisão espiritual em que se encontrava, aquele meu colega me
questionou:

– Neuza, o que vocês fizeram com ela? Ela está totalmente diferente. Pois nós
expulsávamos os demônios diversas vezes, mas eles sempre voltavam. Mas
agora ela está bem.

Ele quis dizer que, depois que ela saiu da prisão, não ocorreu mais nenhuma
manifestação violenta de demônios. Eu lhe expliquei sobre o caso dela, falei
da prisão espiritual em que ela estava, e lhe disse que, realmente, estávamos
tendo novas experiências, através das quais Deus nos estava ensinando acerca
de prisões espirituais.

Presa na escola

Cláudia me disse que não sabia por que gritava à noite. Todas as noites o
fenômeno se repetia. Esse grito acontecia enquanto dormia. E perturbava toda
a família. Cláudia contou-me ainda que, numa fase de sua vida, ela brincava
com o avô, apesar de que ele já tinha morrido e tinha sido enterrado havia
muito tempo.

Quem vinha se divertir com ela, na realidade, era um espírito que dizia ser
seu avô. Enquanto brincava com o “avô”, aparentemente estava tudo bem
com ela. Um dia, porém, ela resolveu parar de brincar com o “avô”, e então
começou a gritar à noite. Isso passou a acontecer repetidamente. O espírito
que dizia ser de seu avô, a perturbava noite após noite.

Quando a recebi para ser ministrada, primeiramente quebramos qualquer


pacto espiritual que pudesse estar dando direito àquele demônio, e
desligamos qualquer conexão de alma ainda existente entre a Cláudia e o seu
avô.

Demônios foram então repreendidos. Alianças foram quebradas. E Lilith, um


espírito que atua como perturbador do sono, conhecido como “Terror
Noturno”, foi repreendido e expulso.

Depois disto tudo, porém, ela disse que sentia-se como se ainda estivesse
presa. E contou-me que, quando bem pequena, teve uma doença no cérebro, e
o médico disse que ela não ia ter condições de ler e escrever.

A menina deixou de ir à escola e só começou a ter aulas aos 12 anos, numa


escola para crianças especiais. Seus colegas de classe eram excepcionais,
num nível muito profundo. Havia crianças com corpo deformado, sem
nenhum controle sobre o corpo, e alguns deles até babavam.
Quando Cláudia foi brincar com as meninas da sua turma, ela se sentiu
desajustada, pois estava fora da idade da turma, e ela já era grande demais
para brincar com aquelas meninas menores do que ela. Assim, ficava sozinha,
sempre sozinha em algum canto para brincar e até para comer. Sentia uma
tremenda solidão.

A escola tinha uma grade que separava as crianças normais das especiais.
Cláudia não podia passar daquele ponto, pois era considerada especial. Mas
tinha um desejo enorme de passar por aquela porta! Quando tentava
ultrapassar era severamente castigada. As lembranças daquela época eram
muito doloridas.

Eu lhe disse:
– Vamos tirá-la da escola onde você está presa. Veja-se naquela escola. Você
consegue se ver lá?

Ela viu-se na escola. Então Jesus veio, a tomou pela mão e começou a andar
com ela. O portão que a separava dos alunos normais abriuse com Jesus. Ela
foi para o pátio. Ele permaneceu junto dela e andou por toda a escola, e ficou
passeando com ela, mostrando que ela estava livre. Cláudia saiu da prisão
espiritual daquela escola, onde se achava aprisionada.

parte 1
O Ministério de Jesus
capítulo 1
O Ministério de Jesus, a Profecia de Isaías
“E guiarei os cegos pelo caminho que nunca conheceram, fá‑los‑ei caminhar
pelas veredas que não conheceram; tornarei as trevas em luz perante eles, e
as coisas tortas farei direitas. Estas coisas lhes farei, e nunca os
desampararei”. (Is 42.16)

O Profeta Isaías

Isaías era conhecido como o profeta do juízo e da graça de Deus. Filho de


Amós, Isaías foi contemporâneo de quatro reis de Judá: Uzias, Jotão, Acaz e
Ezequias.

A família do profeta era uma das mais influentes em Jerusalém. Isaías era um
homem culto que tinha o dom da escrita poética. Por sua nobre conduta, ele
era familiarizado com a realeza, e, por isto, aconselhava os reis no que se
referia à política externa de Judá. Isaías era casado com uma profetiza e tinha
dois filhos.

Quando morreu o rei Uzias, no ano 740 antes de Cristo, Isaías foi chamado
para o ministério profético em meio a uma experiência sobrenatural com
Deus.

“No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado


sobre um alto e sublime trono; e a cauda do seu manto enchia o templo.
Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam
os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. E
clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos
Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. E os umbrais das portas se
mo‑ veram à voz do que clamava, e a casa se en‑ cheu de fumaça. Então
disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios
impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos
viram o Rei, o Senhor dos Exércitos. Porém um dos sera‑ fins voou para
mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma
tenaz; e com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus
lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e expiado o teu pecado. Depois disto
ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós?
Então disse eu: Eis‑me aqui, envia‑me a mim. Então disse ele: Vai, e dize a
este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não
percebeis.” (Is 6:1‑9)

Isaías exerceu o oficio profético por aproximadamente 40 anos. O seu livro é


o primeiro e o maior dos cinco profetas maiores, denominado também como
“a Bíblia em miniatura”, pois, é o livro do Antigo Testamento que mais se
refere a Jesus, chamado também de “o quinto Evangelho”; a palavra
“salvação” aparece 27 vezes no livro de Isaías e apenas dez vezes em todos
os demais livros proféticos.

Isaías escreve tanto sobre o supremo juízo de Deus como também relata a sua
graça em favor dos homens. O profeta desfrutou de maior influência durante
o reinado de Ezequias.

A Profecia sobre O Emanuel

“Portanto o mesmo Senhor vos dará um si‑ nal: Eis que a virgem conceberá,
e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel. Man‑ teiga e mel
comerá, quando ele souber rejeitar o mal e escolher o bem. Na verdade,
antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra, de que
te enfadas, será desampa‑ rada dos seus dois reis.” (Is 7:14‑16)

Aqui o profeta Isaías diz como Jesus seria chamado, “Emanuel”, que
significa “Deus conosco”. Também relata como Ele seria concebido, e que
agiria na escolha do bem, rejeitando o mal. O cumprimento dessa profecia
teve seu início com o anúncio à virgem e jovem Maria (Mt 1:18,25), ela
conceberia por meio da virtude do Espírito Santo, e não através da relação
com José (Mt 1:16,23).

O profeta Isaías profetizou sobre o advento e o poder libertador do Messias.


Onde o povo que andava em trevas viria para uma maravilhosa luz; e essa luz
resplandeceria sobre os que habitavam na terra de profunda escuridão. Jesus,
como Libertador, quebraria o jugo da carga que o opressor colocava (Is 9:4).
Com a vinda de Cristo, não precisaríamos mais guerrear com a nossa própria
força, o sangue não seria mais derramado. Jesus quebrou o jugo da
escravidão e da carga pesada, que era o cetro do opressor sobre nós. Tudo
isto porque Jesus nasceria. O Filho de Deus viria ao mundo para nos salvar,
acabar com a escravidão e jugo do diabo sobre nós!

Jesus é a revelação da Pessoa que Isaías profetiza:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está


sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilho‑ so, Conselheiro,
Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do aumento deste
principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino,
para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sem‑
pre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.” (Is 9:6‑7)

A Profecia sobre o Ministério do Messias

Foi em uma sinagoga em Nazaré, onde Jesus foi criado, que Ele entrou num
dia de sábado, segundo o seu costume, e dentro da sinagoga levantou-se para
ler o Antigo Testamento, no livro do profeta Isaías que escreveu essa profecia
há 700 anos a.C:

“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque o SENHOR, me ungiu


para pregar boas novas aos mansos; enviou‑me a restaurar os contritos de
coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos
presos; a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do
nosso Deus.” (Is 61:1‑2a ‑ ACF)

Jesus ousadamente disse: “Hoje se cumpriu esta escritura.” (Lc 4:21).


Naquele momento, o que o Senhor Jesus fez foi definir o seu ministério,
dizendo que teria três aspectos:
Em primeiro lugar, seria um ministério profético, carac‑ terizado por pregar
boas novas aos quebrantados, aos pobres, àqueles que reconheciam sua
necessidade de Deus.
O segundo aspecto é que o seu ministério seria sacerdotal, no sentido de
curar os quebrantados de coração, curar e restaurar as pes‑ soas, sanando
tanto as feridas de alma como trazendo‑lhes a cura física.

O terceiro aspecto é que seria um ministério de rei, de‑ cretando a


libertação aos cativos de Satanás, pois havia chegado uma nova ordem, com
um novo estatuto e novas leis, inaugurando uma nova época em que Ele
passaria a reinar.

Assim, o antigo déspota estava sendo deposto, juntamente com todos os seus
demônios. E, consequentemente, seus cativos ficariam livres. As portas das
prisões seriam abertas, dando liberdade aos que se encontravam algemados,
aos que estavam aprisionados.

E, desse modo, como Isaías havia profetizado, Jesus confirmou que Ele
estaria apregoando o ano aceitável do Senhor.

Em outras palavras, uma nova época, a era da graça de Deus, a era do perdão
do Senhor, estava sendo inaugurada. Esta época seria a era do perdão, do
jubileu, que se caracterizaria pela remissão das dívidas. Assim, em Jesus, esse
novo tempo poderia ser referido como a era da graça, do perdão, da remissão
– e seria, de fato, o dia da vingança contra Satanás.

O perdão de Deus, o perdão incondicional dos pecados, é certamente a maior


vingança de Deus ao acusador dos homens, aquele que condena sem piedade,
aquele cujo propósito sempre foi matar, roubar e destruir.

Isaías, em sua profecia, anunciou que naquele dia chegaria o consolo aos que
choram, aos que estão em desespero e que não têm esperança:

“(...) a consolar todos os tristes; a ordenar acerca dos tristes de Sião que se
lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tris‑ teza, vestes de
louvor em vez de espírito an‑ gustiado, a fim de que se chamem árvores de
justiça, plantações do Senhor, para que ELE seja glorificado.” (Is 61:2b‑3).

Jesus e o Shemitah

“Plantem e colham em sua terra durante seis anos, mas no sétimo deixem‑na
descansar sem cultivá‑la. Assim os pobres do povo pode‑ rão comer o que
crescer por si, e o que restar fi‑ cará para os animais do campo. Façam o
mes‑ mo com as suas vinhas e com os seus olivais. ‘Em seis dias façam os
seus trabalhos, mas no sétimo não trabalhem, para que o seu boi e o seu
jumento possam descansar, e o seu escra‑ vo e o estrangeiro renovem as
forças. “Tenham o cuidado de fazer tudo o que lhes ordenei’.” (Ex 23:10‑13)

Nas Escrituras, podemos ler que durante o ano em que a nação de Israel não
trabalhava, ela mostrava em quem estava a sua dependência, em Deus! Além
de demonstrar obediência a uma ordenança do Senhor, a razão de os homens
não trabalharem um ano, representava sua total confiança em Deus. O
descanso aponta uma entrega total de nossa vida ao Senhor.

A palavra “Shamat” significa descansar, soltar, deixar, derrubar ou cair. A


cada ciclo, Deus age dentro da terra. De Gênesis a Apocalipse, quando
estudamos literalmente, podemos observar que Deus leva o seu povo para o
descanso, solta as ataduras da escravidão, derruba os conselhos das nações
que se levantam contra os seus princípios, e a soberba de cada homem faz
cair.

O Shemitah fala de descanso, e dos casos de maldição que a terra entrou, pois
continua em desobediência contra as ordens de Deus. A consequência do
pecado vem. Shemitah também diz respeito à suspensão das cobranças de
tributos, remissão, perdão da dívida. O perdão é o ato principal do Shemitah,
é o sinal para o próximo estágio.

Jesus, e a Redenção

“Ao fim dos sete anos farás remissão. Este, pois, é o modo da remissão: todo
o credor re‑ mitirá o que emprestou ao seu próximo; não o exigirá do seu
próximo ou do seu irmão, pois a remissão do Senhor é apregoada.” (Dt
15:1‑2)

Remissão entra no significado de Shemitah. O Jubileu também entra no ciclo


do Shemitah.

Foi na cruz que Deus revelou todo o seu amor e trouxe a verdadeira remissão.
Os sacrifícios de animais não são suficientes para a redenção. Nem todos os
animais da terra seriam suficientes para trazer a remissão do homem.

Em Cristo, não precisamos mais tomar emprestado para pagar a nossa dívida
de ofensa contra Deus. Ele já nos perdoou na cruz. O ministério de Jesus
também foi o de redimir:

“Para dar ao seu povo conhecimento da sal‑ vação, na remissão dos seus
pecados”. (Lc 1:77)

“Em quem temos a redenção pelo seu san‑ gue, à remissão das ofensas,
segundo as rique‑ zas da sua graça”. (Ef 1:7)

“Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado


por mui‑ tos, para remissão dos pecados.” (Mt 26:28)

“Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para
demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes co‑ metidos, sob
a paciência de Deus.” (Rm 3:25)

“E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem


derramamento de sangue não há remissão.” (Hb 9:22)

Em Cristo fomos perdoados e remidos pelo seu sangue. As nossas ofensas


foram perdoadas.

“E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo
veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito
veio de muitas ofensas para justificação.” (Rm 5.16)

“Veio, porém, a lei para que a ofensa abun‑ dasse; mas, onde o pecado
abundou, supera‑ bundou a graça.” (Rm 5:20)

Jesus e a libertação

“Também contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos; de maneira
que os dias das sete semanas de anos te serão quarenta e nove anos. Então
no mês sétimo, aos dez do mês, fa‑ rás passar a trombeta do jubileu; no dia
da ex‑ piação fareis passar a trombeta por toda a vos‑ sa terra, e
santificareis o ano quinquagésimo, e apregoareis liberdade na terra a todos
os seus moradores; ano de jubileu vos será, e tornareis, cada um à sua
possessão, e cada um à sua fa‑ mília. O ano quinquagésimo vos será jubileu;
não semeareis nem colhereis o que nele nascer de si mesmo, nem nele
vindimareis as uvas das separações. Porque jubileu é, santo será para vós; a
novidade do campo comereis. Neste ano do jubileu tornareis cada um à sua
possessão.” (Lv 25:8‑13, negrito da autora)

Esse ciclo determinado por quarenta e nove anos representa a entrada do


Jubileu, o quadragésimo nono ano é de extrema relevância para a nação de
Israel, porque antecede o Jubileu, o quinquagésimo ano de um ciclo. Uma das
coisas mais interessantes que acontece no Jubileu, é que os escravos
deveriam ser soltos, as dívidas perdoadas e os pobres poderiam entrar nas
propriedades para tomar as sobras para si.

“O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu,


para pregar boas novas aos mansos; enviou‑me a restaurar os contritos de
coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos
presos; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso
Deus; a consolar todos os tristes; a ordenar acerca dos tristes de Sião que se
lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de
louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de
justiça, plantações do Senhor, para que ele seja glorificado. E edificarão os
lugares antigamente assolados, e restaurarão os ante‑ riormente destruídos,
e renovarão as cidades assoladas, destruídas de geração em geração. E
haverá estrangeiros, que apascentarão os vos‑ sos rebanhos; e estranhos
serão os vossos lavra‑ dores e os vossos vinhateiros. Porém vós sereis
chamados sacerdotes do Senhor, e vos chama‑ rão ministros de nosso Deus;
comereis a riqueza dos gentios, e na sua glória vos gloriareis. Em lugar da
vossa vergonha tereis dupla honra; e em lugar da afronta exultareis na vossa
parte; por isso na sua terra possuirão o dobro, e terão perpétua alegria.
Porque eu, o Senhor, amo o juízo, odeio o que foi roubado oferecido em ho‑
locausto; portanto, firmarei em verdade a sua obra; e farei uma aliança
eterna com eles. E a sua posteridade será conhecida entre os gentios, e os
seus descendentes no meio dos povos; to‑ dos quantos os virem os
conhecerão, como des‑ cendência bendita do Senhor. Regozijar‑me‑ei muito
no Senhor, a minha alma se alegrará no meu Deus; porque me vestiu de
roupas de sal‑ vação, cobriu‑me com o manto de justiça, como um noivo se
adorna com turbante sacerdotal, e como a noiva que se enfeita com as suas
joias. Porque, como a terra produz os seus renovos, e como o jardim faz
brotar o que nele se semeia, assim o Senhor DEUS fará brotar a justiça e o
louvor para todas as nações.” (Is 61:1‑11)

Nós já vimos claramente o ministério de Jesus Cristo, o Messias prometido.


Jesus é o cumprimento dessa profecia redentora. Quando entramos em seu
descanso, encontramos a verdadeira libertação para o nosso ser. Ele nos tira
de todas as prisões que podemos nos encontrar:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.


Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de
coração; e encontrareis descan‑ so para as vossas almas. Porque o meu jugo
é suave e o meu fardo é leve.” (Mt 11:28‑30)

Jesus nos trouxe a verdadeira libertação em todos os sentidos. Ele realizou a


obra completa na cruz. Ele dividiu os seus despojos com cada um de nós, a
sua vitória na cruz quebrou todos os ciclos de maldição em nossa vida. O que
devemos levar em consideração é que a escolha é nossa. Não adianta
andarmos na prática do pecado e declarar que não vamos colher as
consequências deste. Porém, em Cristo, nós somos uma nova criatura. Ele
nos ama!

Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu
conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as
iniquidades deles levará sobre si. Por isso lhe darei a parte de muitos, e com
os podero‑ sos repartirá ele o despojo; porquanto derra‑ mou a sua alma na
morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado
de muitos, e intercedeu pelos transgressores. (Is 53:11‑12).

Vimos que Isaías profetizou, também, que o povo que andava em trevas veria
a luz. Que, assentados em lugares de morte, enxergariam o sol. A alegria da
festa e da celebração voltaria à existência. O abuso dos opressores e a
crueldade dos tiranos acabariam! Novamente, os despojos seriam repartidos
por causa da boa colheita!

Deus nos amou de verdade. Nós somos o alvo do seu amor. Por isto, Ele
enviou o seu Filho à Terra, para nos trazer as boas novas, o seu ano aceitável,
o ciclo celestial do Shemitah. Vamos ler as Escrituras com o coração, a mente
e o intelecto voltados para Cristo, para que a revelação da sua glória possa
nos encher por completo. Que possamos desfrutar das suas bênçãos, mas,
principalmente, do que Ele conquistou na cruz, a nossa libertação de uma
cultura decaída e morta! Que os pensamentos do Espírito Santo possam
encher as nossas mentes, e voltarmos a pensar em santidade! Que o ano
aceitável, o jubileu do Senhor, seja completo em nós, em Cristo Jesus!

Jesus nos tira de todas as prisões espirituais, o evangelho nos aponta o Único
e Verdadeiro Salvador.

capítulo 2
O Evangelho, a Mensagem de Redenção
“Mas este é um povo roubado e saqueado; todos estão enlaçados em
cavernas, e escondidos em cárceres; são postos por presa, e ninguém há que
os livre; por despojo, e ninguém diz: Restitui!”. (Is 42:22)

O ministério de libertação não é uma nova teologia, nem tão pouco agride a
veracidade do evangelho que nasceu em Cristo.

Por falta de conhecimento, muitos ministérios têm considerado suas práticas


como experiências bíblicas, porém, a Palavra de Deus é Única. E, se não
estamos de acordo com o chamado de discípulos de Cristo, então não
podemos considerar que a libertação por si é verdadeira.

Não é através das orações ou experiências que as pessoas poderão ser


libertas, mas, através do Senhorio Absoluto de Cristo. Os testemunhos
servem para que a nossa fé seja edificada. Porém, somente a Palavra é a
Verdade que Liberta (Jo 8:32).

O Evangelho e a Mensagem da Libertação Física e Espiritual

A Palavra de Deus é a base sólida e única, inspirada pelo Espírito Santo, para
um cristianismo sadio e puro. Através da fé, podemos ver a ação de Deus na
vida do homem e da sua história, nos levando à salvação por meio de Jesus
Cristo. Não há libertação sem a graça de Deus; na verdade, ela é fruto da sua
graça sobre nós. Somente Jesus pode abrir as nossas prisões, Ele é o
mediador entre Deus e o homem pecador. Jesus morreu para nos libertar do
pecado e da sua origem maligna, que nos prende e nos arrasta para um nível
de vida marginal. E, por fim, somente a revelação da Glória de Deus poderá
nos revelar a largura e extensão do seu amor que nos liberta!

Um cristianismo sem o Evangelho, que é a mensagem redentora da cruz,


torna-se místico e irrelevante. A palavra grega “evanggelion” é traduzida
como “evangelho” nas versões em português (referente a Mateus, Marcos,
Lucas e João). Essa palavra, juntamente com suas outras interpretações:
“novas de alegria”, “boas novas” e “pregar o evangelho”, ocorre por volta de
108 vezes no Novo Testamento. O que significa em sua integridade é
“Redenção Consumada”, em Cristo. Tem como base Is 61:1-3, que vimos
como ministério central de Cristo, anunciar o ano aceitável do Senhor, o dia
da sua Salvação, abrir as cadeias e libertar os presos.

Não podemos fugir das Escrituras nem do poder do Evangelho de Cristo, que
é a atuação do seu poder (Rm 1:16).

Evangelho de Mateus

O Evangelho de Mateus foi escrito diretamente para os judeus. Mateus era


um dos discípulos de Jesus Cristo de Nazaré. Ele fez questão de comprovar
que Jesus era o Messias esperado. Mateus deixa claro que Israel, em sua
maioria, rejeitou a Jesus e ao seu reino, e a crer que Ele era o Filho de Deus,
pois, Jesus se manifestou como homem, porém, o seu reino messiânico foi
espiritual, e não político.

Esse Evangelho é o mais judaico dos quatros outros, e acima de tudo contém
a exposição mais sistemática dos ensinos de Jesus e do seu ministério de cura
e libertação; o que ajudou a igreja, no século II, a usá-lo integralmente no
ensino aos novos convertidos.

O Evangelho relata o poder de Jesus, sendo 100% homem e 100% divino. O


discípulo de Jesus mostra a operação no reino de Deus e a soberania de Jesus
sobre o pecado, a doença, os espíritos imundos e a morte.

Mateus nos relata a boa nova sobre a cura de dois cegos e um mudo, onde
Jesus liberta esses homens.

“E, partindo Jesus dali, seguiram‑no dois cegos, clamando, e dizendo: Tem
compaixão de nós, filho de Davi. E, quando chegou à casa, os cegos se
aproximaram dele; e Jesus disse‑lhes: Credes vós que eu possa fazer isto?
Disseram‑lhe eles: Sim, Senhor. Tocou então os olhos deles, dizendo:
Seja‑vos feito segundo a vossa fé. E os olhos se lhes abriram. E Je‑ sus
ameaçou‑os, dizendo: Olhai que ninguém o saiba. Mas, tendo eles saído,
divulgaram a sua fama por toda aquela terra. E, havendo‑se eles retirado,
trouxeram‑lhe um homem mudo e endemoninhado. E, expulso o demônio,
falou o mudo; e a multidão se maravilhou, dizendo: Nunca tal se viu em
Israel.” (Mt 9:27‑33)

Aqui, Jesus recupera a visão de dois cegos, Ele cumpre a profecia de Isaías:
“Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere
os que jazem em trevas.” (Is 42:7). E, Jesus cura um homem endemoninhado,
que estava debaixo do domínio de um espírito maligno mudo.

Evangelho de Marcos

Vamos analisar como Jesus libertava as pessoas de suas prisões. Esse relato
sobre o gadareno e Jesus, escrito por João Marcos, é o mais detalhado. O
Evangelho de Marcos enfatiza mais aquilo que Jesus fez, do que suas
palavras. Marcos nos registra dezoito milagres de Jesus. O escritor nos
mostra Jesus como Filho de Deus e o Messias.

O livro de Marcos foi escrito para os crentes de Roma, na década 60-70 d.C.
Sua intenção era fortalecer as bases dos crentes romanos, e, se fosse
necessário, inspirá-los a sofrer fielmente em prol do evangelho de Cristo.

O Evangelho de Marcos procura focar em primeiro plano os milagres de


Jesus e a sua total autoridade sobre doenças e demônios, como sinal de que o
reino de Deus está próximo e entre nós.

“E chegaram ao outro lado do mar, à pro‑ víncia dos gadarenos. E, saindo


ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com
espírito imundo. O qual tinha a sua morada nos sepulcros, e nem ainda com
cadeias o podia alguém prender. Porque, tendo sido muitas vezes preso com
grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões
em migalhas, e ninguém o podia amansar. E andava sempre, de dia e de noi‑
te, clamando pelos montes, e pelos sepulcros, e ferindo‑se com pedras. E,
quando viu Jesus ao longe, correu e adorou‑o. E, clamando com grande voz,
disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro‑te por
Deus que não me atormentes. (Porque lhe dizia: Sai deste homem, espírito
imundo.) E perguntou‑ lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, di‑ zendo:
Legião é o meu nome, porque somos muitos. E rogava‑lhe muito que os não
envias‑ se para fora daquela província. E andava ali pastando no monte uma
grande manada de porcos. E todos aqueles demônios lhe rogaram, dizendo:
Manda‑nos para aqueles porcos, para que entremos neles. E Jesus logo lho
permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a
manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil), e
afogaram‑se no mar. E os que apascentavam os porcos fugiram, e o
anunciaram na cidade e nos campos; e saíram muitos a ver o que era aquilo
que tinha acontecido”.(Mc 5:1‑14)

Veja como Jesus cumpriu integralmente o seu chamado messiânico:


proclamou a liberdade aos cativos e a abertura de prisão aos presos (Is
61:1b).

Jesus tirou o gadareno dos sepulcros (Mc 5:2-3). Nem as algemas, grilhões e
cadeias podiam prender a força demoníaca do gadareno (Mc 5:3-4). Somente
Jesus, e o poder que lhe foi entregue, conseguiu libertar espiritualmente
aquele homem que estava preso por uma legião de demônios (Mc 5:6-14).

A obra de Jesus na vida daquele homem foi completa, manifestando o Reino


de Deus, abrindo as prisões espirituais e trazendo de volta a razão àquele
homem: “E foram ter com Jesus, e viram o endemoninhado, o que tivera a
legião, assentado, vestido e em perfeito juízo, e temeram.” (Mc 5.15).

Evangelho de Lucas

O evangelho escrito por Lucas foi destinado aos gentios. Ele era médico, e
um leal cooperador do ministério apostólico. Lucas é o único autor não judeu
de um livro da Bíblia. Ele ressalta o ministério de Jesus em sua solicitude
para com os pobres e os socialmente marginalizados, necessitados, mulheres
e crianças. Revelando, assim, a ação messiânica de Jesus de Nazaré.

Lucas nos relata uma situação em que Jesus abre uma prisão espiritual de
uma mulher paralítica.
“E ensinava no sábado, numa das sinago‑ gas. E eis que estava ali uma
mulher que tinha um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; e
andava curvada, e não podia de modo algum endireitar‑se. E, vendo‑a Jesus,
chamou ‑a a si, e disse‑lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade. E pôs as
mãos sobre ela, e logo se endireitou, e glorificava a Deus.” (Lc 13:10‑13)

Ao realizar essa libertação, Jesus foi questionado por um príncipe da


sinagoga, que ficou indignado porque o Mestre havia curado essa mulher
presa por Satanás em um dia de sábado. Porém, Jesus respondeu:

“Hipócrita, no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu


boi, ou ju‑ mento, e não o leva a beber? E não convinha soltar desta prisão,
no dia de sábado, esta filha de Abraão, a qual há dezoito anos Satanás tinha
presa? E, dizendo ele isto, todos os seus adver‑ sários ficaram
envergonhados, e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que
eram feitas por ele.” (Lc 13:15‑17)

Jesus veio para abrir a prisão aos presos. Jesus nos mostra, nessa história, que
algumas enfermidades são efeitos direto da ação ou opressão demoníaca. A
prisão dessa mulher era a paralisia.

Não importa o tempo que estamos presos, pois quando nos achegamos a
Jesus, e fielmente nos rendemos à sua unção messiânica, Ele nos liberta.

Quando uma pessoa é liberta espiritualmente de suas prisões, ela poderá


entender a chave do Evangelho de Cristo, e ser conduzida para uma vida
cheia da plenitude do Espírito Santo. Pois onde abundou o pecado,
superabundou a graça (Rm 5:20).

Evangelho de João

O Evangelho de João nos revela a natureza de Jesus Cristo, como homem-


Deus. João escreveu esta carta, pois, alguns presbíteros da igreja da Ásia
Menor solicitaram ao apóstolo que escrevesse este Evangelho Espiritual, para
rebater as perigosas heresias apresentadas sobre a natureza de Jesus. Este
Evangelho é o próprio Cristo encarnado.
Como cristãos, precisamos crer nas quatro declarações sobre a imagem
completamente bíblica da segunda Pessoa da Trindade, Jesus Cristo, o Filho
de Deus: Jesus Cristo é plena e completamente divino; Jesus de Nazaré é
plena e completamente humano, as naturezas divina e humana de Jesus são
distintas, as naturezas divina e humana de Jesus estão
completamente unidas em uma pessoa.

Com base nessas declarações de fé em Cristo, temos a profecia de Isaías:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre
os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte,
Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” (Is 9:6)

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e


vimos a sua gló‑ ria, glória como do unigênito do Pai.” (Jo 1:14)

Este quarto Evangelho nos revela evidências completas e cuidadosas sobre a


origem de Jesus como o Messias de Israel e Redentor da humanidade.

Em seu livro, João nos conta sobre uma das boas novas que Jesus operou: a
ressureição de Lázaro.

“Disse‑lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?
Tiraram, pois, a pedra de onde o defunto jazia. E Jesus, levantando os olhos
para cima, disse: Pai, graças te dou, por me haveres ouvido. Eu bem sei que
sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor,
para que creiam que tu me enviaste. E, tendo dito isto, clamou com grande
voz: ‘Lázaro, sai para fora’. E o defunto saiu, ten‑ do as mãos e os pés
ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse‑lhes Jesus: ‘Desli‑
gai‑o, e deixai‑o ir’. Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo a
Maria, e que tinham visto o que Jesus fizera, creram nele.” (Jo 11:40‑45)

Jesus disse que todo aquele que crê nele, não verá a morte, e, ainda que esteja
morto, viverá. Ele veio para abrir as prisões da morte, e nos conduzir à vida.
Não há prisão que Jesus não possa abrir. Ele tem a chave das cadeias, dos
cadeados, das algemas, do hades, e dos lugares mais escuros que não
imaginamos, mas que estão nos lugares tenebrosos e celestiais (Ef 6:12).
O Papel dos Discípulos de Cristo

Pregar o Evangelho de Cristo é anunciar a libertação aos presos


espiritualmente no engano. É anunciar a plenitude de Jesus, para os pobres e
humildes, e também para os aflitos. Curar espiritualmente e fisicamente os
doentes e quebrantados. Com autoridade, romper os grilhões do mal e
proclamar a libertação do pecado que está ligado ao domínio demoníaco.
Através da Palavra, abrir os olhos espirituais dos perdidos para verem a luz
do evangelho e serem salvos.

A Palavra de Deus nos liberta, quando a reconhecemos e aplicamos suas


verdades em nossa vida. Jesus nos ordenou a pregar o Evangelho a todas as
pessoas.

E disse‑lhes: “Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as


pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será
condenado. Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome
expulsarão demônios; fa‑ larão novas línguas.” (Mc 16:15‑17)

Como verdadeiros discípulos de Cristo, nós devemos estar sob disciplina da


sua Palavra, e cumprir o seu mandato: anunciar o Reino de Deus.

Nós podemos até chamá-lo de Senhor, e, mesmo assim, não fazermos o que
Ele nos manda (Lc 6:46). Ser discípulo é caminhar debaixo da orientação do
seu Mestre. Durante os três anos do ministério público de Jesus, doze foram
seus discípulos antes de serem apóstolos, e, como discípulos, eles estavam
sob a instrução de seu Mestre e Senhor.

Sendo assim, da mesma forma que Jesus libertava os oprimidos, tirando as


algemas físicas e espirituais, como fieis discípulos do Senhor, precisamos
continuar a anunciar o seu Evangelho, também através da libertação e cura!

Libertar espiritualmente uma pessoa é conduzi-la para um rio pleno de graça.


É revelar pela ação do Espírito Santo, uma nova vida sem prisões e dores. É
anunciar a obra completa da cruz, fazendo parte do mandato de Cristo:
Anunciar o Reino do Senhor!
Fomos chamados para pregar as boas novas de Cristo, a mensagem da
Redenção. Assim, os sinais e prodígios nos seguirão.
capítulo 3
Jesus, a Chave para a Libertação
“E porei a chave da casa de Davi sobre o seu ombro, e abrirá, e ninguém
fechará; e fechará, e ninguém abrirá.” (Is 22:22)

“E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o
que é verda‑ deiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha;
e fecha, e ninguém abre.” (Ap 3:7)

Até agora, nós já vimos sobre o ministério de Jesus e a libertação, o relato


verídico dos Evangelhos em anunciar a abertura de prisão aos presos; e o
Reino de Deus.

Jesus é a chave que abre todas as prisões, tanto no âmbito físico quanto no
âmbito espiritual. A sua plenitude lhe permite essa obra. Não importa em
qual esfera estejamos presos, Jesus é Suficientemente Poderoso para nos
libertar.

“Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra,
visíveis e invisí‑ veis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados,
sejam potestades. Tudo foi cria‑ do por ele e para ele. E ele é antes de todas
as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da
igreja; é o prin‑ cípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo
tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele
habitasse, E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por
meio dele recon‑ ciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão
na terra, como as que estão nos céus. A vós também, que noutro tempo éreis
estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora
contudo vos reconci‑ liou No corpo da sua carne, pela morte, para perante
ele vos apresentar santos, e irrepreen‑ síveis, e inculpáveis.” (Cl 1.16‑22).

Estudamos que o ministério de Jesus teve três aspectos:

· Profético: pregar as boas novas aos quebrantados, aos pobres, àqueles que
reconheciam a sua necessidade de Deus;
· Sacerdotal: no sentido de curar os quebrantados de coração, curar e
restaurar as pessoas, sanando tanto as feridas de alma como trazendo para
eles a cura física. Intercedendo diante de Deus pelos homens. Oferecendo-se
como sacrifício vivo e aceitável, como Cordeiro que tira o pecado;

· Ministério de Rei: decretando a libertação aos cativos de Satanás, pois


havia chegado uma nova ordem, com um novo estatuto e novas leis,
inaugurando uma nova época em que Ele passaria a reinar.

Jesus, como ministério messiânico, expulsou com autoridade o velho


opressor e ditador “Satanás” (1 Jo 3.8). E, Jesus abriu as portas das prisões,
dando liberdade aos que se encontravam algemados e presos nos lugares mais
remotos das trevas e da morte.

“E o que vivo e fui morto, mas eis aqui es‑ tou vivo para todo o sempre.
Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno.” (Ap 1.18)

Jesus morreu, Ele foi até o inferno e nos tirou da prisão eterna. Através da sua
completa obra de morte e de cruz, Jesus nos libertou de todas as prisões!
Agora, precisamos tomar a decisão de aceitar sair das prisões, pois, a porta já
foi aberta!

Chave tem diversos significados. No dicionário Aulete digital, chave


significa: utensílio de metal que aciona a lingueta de fechaduras e permite
abrir e fechar portas, gavetas, cadeados etc... Aquilo que per‑ mite o acesso
a algo, condição, lugar, Ideia, pensamento ou conceito que conduz à
compreensão de algo, à solução de um problema.

Literalmente, Jesus é a Chave de Deus, Ele abriu as nossas prisões, e foi a


solução dos nossos problemas, do pecado (Jo 3.16).

Na Bíblia, chave significa autoridade. No livro de Isaías, podemos ler sobre a


história de Sebna e Eliaquim. Sebna foi um mordomo, um oficial corrupto do
governo. Ele se exaltou, querendo usar as chaves de autoridade de forma
errada. Porém, Deus viu a intenção desse mordomo e o destituiu do cargo.
Assim, o Senhor levantou Eliaquim:
“E será naquele dia que chamarei a meu servo Eliaquim, filho de Hilquias. E
vesti‑lo‑ei da tua túnica, e cingi‑lo‑ei com o teu cinto, e entregarei nas suas
mãos o teu domínio, e será como pai para os moradores de Jerusa‑ lém, e
para a casa de Judá. E porei a chave da casa de Davi sobre o seu ombro, e
abrirá, e ninguém fechará; e fechará, e ninguém abri‑ rá.” (Is 22.20‑22)

Eliaquim era a sombra profética do reino messiânico de Jesus, onde Ele teria
autoridade de governo. A chave de Davi simbolizava o reino de Deus sobre a
Terra. Abrindo as prisões e liberando a céus abertos o Reino de Deus.
Exercendo um domínio em plenitude de paz, revelando a paternidade de
Deus (Jo 14.6).

A Chave É Palavra

A chave para a libertação é a Palavra de Deus. E, Jesus é o Verbo que se fez


carne e habitou entre nós; onde a sua glória foi vista, como o Unigênito do
Pai, cheio de graça e verdade (Jo 1.14).

A chave para a libertação é anunciar a graça e a verdade de Cristo, através do


poder do Espírito Santo.
Paulo nos exorta sobre essa chave:

“E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei‑vos do


Espírito”. (Ef 5.18)

“A palavra de Cristo habite em vós abun‑ dantemente, em toda a sabedoria,


ensinando‑ vos e admoestando‑vos uns aos outros, com salmos, hinos e
cânticos espirituais, cantan‑ do ao Senhor com graça em vosso coração. E,
quanto fizerdes por palavras ou por obras, fa‑ zei tudo em nome do Senhor
Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. (Colossenses 3.16,17)

Ser cheio do Espírito Santo, de forma consciente, e ter em abundancia a


Palavra de Cristo em nós, nos leva para um nível profético sadio. As nossas
obras devem refletir o poder de Deus, que nos é revelado em sua Palavra.

A espiritualidade que não está alicerçada na Palavra de Deus é uma falsa


chave para a libertação, pois vira um misticismo, e engano das trevas. A
Palavra que não é regada pela Presença do Espírito Santo, não tem eficácia
viva. Precisamos andar à luz da Palavra, que nos levará a um Evangelho
Vivo, em Cristo, que abrirá as prisões.

Assim, como Jesus trouxe à razão humana novamente ao gadareno, da


mesma forma devemos saber que, quando, através do nome de Jesus, abrimos
as prisões, o resultado será fazer com que a pessoa seja mais parecida em sua
moral, em seus pensamentos e em sua conduta de vida com Cristo, que é a
imagem e semelhança de Deus.

“E foram ter com Jesus, e viram o endemo‑ ninhado, o que tivera a legião,
assentado, ves‑ tido e em perfeito juízo, e temeram.” (Mc 5.15).

Conteúdo Bíblico:

A Bíblia nos apresenta algumas palavras chaves para as questões de Prisão


Espiritual. Jesus é a Chave que nos liberta de todos esses lugares. Muitos são
relatados no livro de salmos, o que nos levará ao entendimento que a súplica
a Deus libertou esses presos. Por isso, uma oração caprichada a Deus, através
do nome de Jesus, poderá nos auxiliar nessa missão!

· “O inimigo persegue a minha alma, abate-me até o chão; faz-me habitar na


escuridão, como aqueles que morreram há muito.” ( Sl 143:3)

· “Tira a minha alma da prisão, para que eu louve o teu nome.” (Sl 142:7)

· “Os que se assentaram nas trevas e nas sombras da morte, presos em


aflição e em ferros, por se terem rebelado contra a palavra de Deus e
haverem desprezado o conselho do Altíssimo.” (Sl 107:10)

· “Tirou-os das trevas e das sombras da morte e lhes despedaçou as


cadeias.” (Sl 107:14)
· “Pois quebrou as portas de bronze e despedaçou os ferrolhos de ferro.”
(Sl 107:16)

· “Assim diz o Senhor: No tempo aceitável te ouvi e no dia da salvação te


ajudei, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, para restaurares a terra,
e dar-lhes em herança as herdades assoladas; para dizeres aos presos: Saí; e
aos que estão em trevas: Aparecei. Eles pastarão nos caminhos, e em todos
os lugares altos haverá o seu pasto”. (Is 49:8-9).

· “Mas este é um povo roubado e saqueado; todos estão enlaçados em


cavernas, e escondidos em cárceres; são postos por presa, e ninguém há
que os livres; por despojo, e ninguém diz: Restitui”. (Is 42:22).

· “Para ouvir o gemido dos presos, para soltar os sentenciados à morte”. (Sl
102:20)

“Venha perante a tua face o gemido dos presos; segundo ·


a grandeza do teu braço preserva aqueles que estão sentenciados à morte”. (Sl
79:11).

parte 2
Contexto Bíblico
capítulo 4
A Bíblia e o Aprisionamento Espiritual
“Tu vês muitas coisas, mas não as observas; ainda que tens os ouvidos
abertos, nada ouves. Foi do agrado do SENHOR, por amor da sua própria
justiça, engrandecer a lei e fazê‑la gloriosa. Não obstante, é um povo
roubado e saqueado; todos estão enlaçados em cavernas e escondidos em
cárceres; são postos como presa, e ninguém há que

os livre; por despojo, e ninguém diz: Restitui.” (Is 42:20‑22)

O Que a Bíblia diz sobre a Prisão Espiritual?

Como vimos no texto de Isaías 61, onde o profeta diz que o Messias seria
ungido pelo Espírito do Senhor para proclamar “a libertação aos cativos”, ele
acrescenta: “e a abertura de prisão aos presos”.

Numa rápida leitura do texto, sem pararmos para meditar mais


profundamente, pode até parecer que estas duas expressões são equivalentes,
que querem dizer a mesma coisa: a libertação da escravidão de Satanás.

A palavra “cativo”, porém, exprime a condição da pessoa estar apenas sob a


ação do inimigo, e “preso” indica que há barreiras que o impede de sair da
prisão. Isto implica em considerarmos que alguns podem não estar cativos,
mas mesmo assim estarem presos.

O profeta, ao mencionar essas duas condições, disse que as pessoas seriam


libertas tanto da condição de cativas, como na condição de presas. Podemos
dizer, em outras palavras, que os prisioneiros seriam libertos e os
aprisionados ficariam livres.

Diversas traduções dessa Escritura nos trazem o entendimento de que há, de


fato, duas condições nas quais ocorrem a libertação (Is 61:1):

“... liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos” (ARC).


“... liberdade aos cativos e libertação das trevas aos prisioneiros” (NVI).
“... libertação aos cativos e a pôr em liber‑ dade os algemados” (RA).
“... libertação aos escravos e a liberdade para os que estão na prisão
(NTLH).
“... liberdade aos cativos, a libertação aos que estão presos” (BJ).

Dentro do contexto do ministério de libertação, quando Isaías diz proclamar a


libertação daquele que está cativo, entendemos que se trata da libertação de
uma vida que está sob a ação do inimigo, num cativeiro, sob a escravidão de
Satanás, e que está debaixo de opressão, sendo afligida pela presença de
espíritos. Entendemos, assim, que de alguma forma esses espíritos opressores
devem ser expulsos da vida da pessoa, através do nome de Jesus, para que ela
fique liberta.

Em muitos casos, nós estaremos lidando com o espírito da pessoa que, no


caso, poderá estar contaminado com a presença de espíritos malignos.

A operação de expulsar os demônios acontece no mundo espiritual, mas é


uma ação acompanhada, muitas vezes, de efeitos perfeitamente perceptíveis
no mundo natural. Por exemplo, a pessoa oprimida pode ter uma
manifestação visível de demônios, que tomam a sua mente, e falam com uma
voz diferente da própria pessoa. Declaram coisas absurdas, falam e dão
mensagens de morte e destruição, e assim por diante.

Quando, porém, a legalidade dos demônios é quebrada, pelo arrependimento


e pela fé, e pelo comando para eles saírem, através do nome de Jesus, ocorre
uma mudança extraordinária na pessoa, porque os espíritos, de fato, deixam a
pessoa.

A expulsão acontece no mundo espiritual, mas podemos constatar


visivelmente no mundo físico que houve uma mudança total. Até a expressão
facial da pessoa se altera! Já a condição de “libertação aos que estão presos”
implica em retirar as pessoas de prisões espirituais em que o inimigo as
colocou.

“E foram ter com Jesus, e viram o endemo‑ ninhado, o que tivera a legião,
assentado, ves‑ tido e em perfeito juízo, e temeram”. (Mc 5:15)
Não se trata propriamente de expulsar demônios, mas retirar as pessoas de
dentro de prisões.

Abertura de Prisão

“(...) a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos.”


(Is 61:1)

Aqui o sentido é abrir uma prisão, é deixar a pessoa livre de impedimentos


que não a permitiam ser abençoada por Deus. Trata-se de uma prisão
espiritual. A pessoa estava presa espiritualmente em algum lugar, ou numa
situação, por alguma razão.

Mas, o que isto significa?

A pessoa pode ter tido uma experiência clara da salvação, ter se arrependido,
ter tido uma experiência de novo nascimento (o que significa que ela foi
legalmente liberta do cativeiro), mas ainda não consegue experimentar a
plenitude da vida abundante em Cristo Jesus, por estar espiritualmente
aprisionada numa situação que lhe tinha sido imposta no passado.

O Evangelho de Cristo, que é a sua Palavra, é suficientemente poderoso para


nos tirar de qualquer prisão. Porém, devemos desfrutar conscientemente
dessa plenitude viva. E o fato de algum trauma ter nos paralisado e nos
aprisionado, pode ser uma linha tênue a nos impedir esse desfrute; uma
oração de súplica ao nosso Senhor e Redentor nos ajudará.

É muito comum, por exemplo, uma pessoa ficar aprisionada no lugar onde
ocorreu um abuso sexual. O abuso é um dos pontos mais sensíveis e terríveis
que pode acontecer. Muitas vezes afeta o comportamento futuro de quem foi
abusado, trazendo-lhe uma propensão à prostituição, à homossexualidade, ao
lesbianismo, a diversos vícios sexuais ou à frigidez sexual.

Na prisão espiritual a pessoa não consegue viver uma vida plena, ela enfrenta
muitas limitações. Isto significa que a pessoa pode estar trabalhando,
dormindo, desfrutando de lazer, aparentemente vivendo uma vida normal,
mas ainda há impedimentos internos em sua vida que a deixa presa.
Essa situação não se resolve automaticamente na hora da conversão, assim
como uma pessoa, em muitos casos, não fica imediatamente curada de uma
enfermidade física, pelo fato de receber Jesus como Salvador. Mas, depois de
ter nascido de novo, é claro que pode apropriarse de todas as bênçãos
conquistadas por Cristo na cruz, inclusive a cura física e a libertação de
prisões.

“Ora, àquele que é poderoso para fazer infi‑ nitamente mais do que tudo
quanto pedimos ou pensamos, segundo o poder que opera em nós”. (Ef 3:20)

Sim, Jesus declarou que a unção real de um novo soberano, que venceu a
guerra e subjugou o inimigo, está presente, anunciando a libertação aos
cativos do antigo soberano Satanás:

“Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino no nosso Deus, e o poder


do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é der‑ rubado...” (Ap
12:10 ‑ ACF)

Agora, o novo soberano, Jesus Cristo, anunciou uma nova época em que
mudou o jogo, em que os cativos e aprisionados serão libertos da escravidão,
pois tanto serão afastados os que os oprimiam como eles terão ainda as portas
de sua prisão abertas, e ficarão livres de tudo que os impedia de serem
abençoados.

O Clamor por Libertação

Deus em toda a Bíblia se mostra disponível para libertar o seu povo de


cativeiros, tanto no âmbito social e político, como no âmbito espiritual. A
opressão está presente em nosso mundo.

Tais opressões e prisões são claramente expressas nas Escrituras. Por


exemplo, o salmista clama ao Senhor:

“A ti eu clamo, Senhor; minha rocha; não fiques indiferente para comigo. Se


permanece‑ res calado, serei como os que descem à cova.” (Sl 28.1 ‑ NVI)
Aqui o salmista está apresentando o desespero de alguém que, apesar de
conhecer o Senhor e ter experiências com Deus, está dizendo que passa por
sensações semelhantes às de quem morre, e por isto está suplicando a
intervenção do Senhor.

Na escritura a seguir, o salmista diz que foi o Senhor que o retirou de uma
prisão espiritual:

“Esperei confiantemente pelo Senhor, ele se inclinou para mim e me ouviu


quando clamei por socorro. Tirou‑me de um poço de perdição, dum tremedal
de lama; colocou‑me os pés so‑ bre uma rocha e me firmou os passos. E me
pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus; muitos
verão essas coisas, te‑ merão e confiarão no Senhor.” (Sl 40:1‑3)

Davi reconheceu a necessidade do socorro de Deus e clamou, pois algo muito


errado ocorria consigo. Ele se achava aprisionado num poço de perdição,
num tremedal de lama. O resultado, depois de liberto, foi louvar ao Senhor!

Em outra ocasião, Davi disse que gostaria de louvar a Deus livremente, mas
para isto teria de sair de uma prisão. Havia algo que o impedia; ele não
conseguia louvar ao Senhor:

“Liberta-me da prisão, e renderei graças ao teu nome.” (Sl 142:7a – NVI –


ênfase da autora)
Em outra versão, este mesmo verso diz:
“Tira a minha alma da prisão, para que louve o teu nome.” (Sl 142:7a ‑
ACF)

Isso nos mostra que a prisão espiritual muitas vezes atua no sentido de
impedir a pessoa de agir e, principalmente, de louvar ao Senhor. Sua vontade
está presa, vale dizer, sua alma está presa.

Você já viu pessoas abatidas, sem ânimo, com uma tristeza que até parecem
que já morreram? Isso pode ser decorrente de uma prisão espiritual. Veja a
Escritura:

“O inimigo persegue a minha alma, aba‑ te‑me até o chão; faz‑me habitar
na escuridão, como aqueles que morreram há muito.” (Sl 143:3 – EC –
ênfase da autora)

A razão dessa pessoa sentir-se aprisionada na escuridão, identificando-se com


o estado dos mortos, é também decorrente de uma ação do inimigo em sua
alma, onde ela está dentro de um quadro de prisão.

E a causa disso as Escrituras também nos revela:

“Alguns se assentaram nas trevas e nas sombras da morte, presos da morte,


presos de aflição e em ferro, por se haverem rebela‑ do contra as palavras
de Deus, e desprezado o conselho do Altíssimo.” (Sl 107:10 – EC – ênfase da
autora)

A causa da prisão espiritual é revelada, de maneira clara, como, em alguns


casos, a rebelião contra as palavras de Deus e o desprezo ao conselho do
Altíssimo.
Mas o Senhor pode nos libertar. Somente Ele nos liberta:

“Tirou‑os das trevas e das sombras da mor‑ te e quebrou as suas cadeias.”


(Sl 107:14 ‑ EC)

“Pois [o Senhor] quebra as portas de bronze e despedaça os ferrolhos de


ferro.” (Sl 107:16 ‑ EC)

E, aqui, mais uma vez as Escrituras nos dizem de forma bem clara que é Deus
quem nos tira das trevas, das sombras da morte, que é Ele quem quebra as
cadeias e as portas de bronze, despedaçando os ferrolhos de ferro que nos
prendiam espiritualmente.

No Salmo 88 o salmista descreve a sua angústia. Suas palavras são tão fortes
que alguns de nós poderiam chegar a pensar que este salmo não se aplica a
um cristão, tamanha a angústia e o desespero expresso nos versos:

Ó Senhor , Deus da minha salvação, dia e noite clamo dian‑ te de ti. Chegue
à tua presença a minha oração, inclina os ouvidos ao meu clamor. Pois a
minha alma está farta de males, e a minha vida já se abeira da morte. Sou
contado com os que baixam à cova; sou como um homem sem força, atirado
entre os mortos; como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quais
já não te lembras; são desamparados de tuas mãos. Puseste‑me na mais
profunda cova, nos lugares tenebrosos, nos abismos. Sobre mim pesa a tua
ira; tu me aba‑ tes com todas as tuas ondas. Apartaste de mim os meus
conhecidos e me fizeste objeto de abominação para com eles; estou preso e
não vejo como sair. Os meus olhos desfalecem de aflição; dia após dia,
venho clamando a ti, Senhor, e te levanto as minhas mãos. Mostrarás tu
prodí‑ gios aos mortos ou os finados se levantarão para te louvar? “Será
refe‑ rida a tua bondade na sepultura? A tua fidelidade, nos abismos? Acaso,
nas trevas se manifestam as tuas maravilhas? E a tua justiça, na terra do
esquecimento? Mas eu, Senhor, clamo a ti por socorro, e antemanhã já se
antecipa diante de ti a minha oração. Por que rejeitas, Senhor, a minha alma
e ocultas de mim o rosto? Ando aflito e prestes a expirar desde moço; sob o
peso dos teus terrores, estou desorientado. Por sobre mim passaram as tuas
iras, os teus terrores deram cabo de mim. Eles me rodeiam como água, de
contínuo; a um tempo me circundam. Para longe de mim afastaste amigo e
companheiro; os meus conhecidos são trevas. (ênfase da autora)

As palavras: “farta de males, cova, sepultura, peso, terrores, aflição, trevas,


indignação, terra do esquecimento, profundeza, abismo, trevas”, e as
expressões “desamparados de tuas mãos, prestes a expirar, estou preso e não
vejo como sair”... Somam-se em situações negativas neste salmo, e assim
podemos precipitadamente concluir que a pessoa que passa por uma situação
como essa certamente não conhece o Senhor.

Mas isso não é verdade, pois o versículo 1 declara ser Ele o Deus da sua
salvação. O versículo 18, na versão ARC, indica com mais clareza uma
condição ainda mais terrível:

“Afastaste longe de mim amigos e companheiros; os meus íntimos amigos


agora são trevas.” (ênfase da autora).

Esses versículos expressam um estado profundo de desespero e aflição. A


pessoa, apesar de conhecer o Senhor, está vivendo uma angústia tão grande
que clama, grita e berra diante de Deus, esperando ser salvo daquela situação,
quando tudo parece vir contra si, quando vê o cerco apertado e não vê saída.

O profeta Ezequiel, ao profetizar sobre o vale dos ossos secos, no capítulo 37


do seu livro, diz algo muito significativo. Ele afirma que todo o povo de
Israel está dentro de uma sepultura. Ele declara que uma nação toda está
aprisionada:

“Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu abrirei os vossos se‑ pulcros, e vos
farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. E
sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir os vossos sepulcros, e vos
fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu.” (Ez 37:12-13 - ACF)

Toda Palavra de Deus foi escrita para nossa edificação. De fato, os Salmos
foram compostos com a utilização de uma linguagem poética, composta por
figuras de linguagem, tais como metáforas, metonímias, símiles e outras, que
servem para nos ajudar a compreender o estado real das coisas. Portanto,
quando tratamos de libertação, precisamos estar com nossos ouvidos
espirituais atentos ao que o Espírito Santo está dizendo, muitas vezes por
meio de figuras de linguagem, para podermos entender as realidades
espirituais.

Assim, diante de tudo isso que a Bíblia nos revela, temos de entender que
certas circunstâncias, mediante a ação do inimigo, podem nos ter colocado
numa prisão espiritual, o que passa a limitar o nosso crescimento espiritual e
pode anestesiar a nossa experiência com Deus.

Esse estado de prisão espiritual e emocional pode, também, impedir que a


Palavra de Deus nos fale, pode nos dar sensações negativas de sentimentos de
morte, medo e tristeza, pode impossibilitar de vivermos a Palavra de Deus e
os princípios bíblicos, roubando de nós uma vida abundante e mais profunda
com Deus.

Nossa alma é atingida, e não conseguimos fazer certas coisas que deveríamos
fazer. Nesse caso, sentimo-nos (e estamos!) presos espiritualmente. São
barreiras espirituais que nos foram impostas, e que precisam ser rompidas.

Não se trata de expulsar demônios, mas sim de libertar-nos de prisões


espirituais, cadeias do invisível que nos prendem na esfera física e visível.

capítulo 5
Funções do Espírito
“O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e
corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vin‑ da de nosso
Senhor Jesus Cristo.” (1Ts 5:23)

No versículo em destaque, o apóstolo Paulo narra com clareza que somos


constituídos de três partes, afirmando que, além do corpo, temos uma alma e
um espírito.

Alma e espírito são, de fato, duas partes distintas em nosso ser. Creio que é
muito importante sabermos como funciona o espírito do homem, pois muitos
são os crentes cujo espírito não está atuando com a plena capacidade que tem,
que lhe foi dada por Deus.

Em outras palavras, podemos dizer que muitos que têm a vida eterna em
Cristo não vivem a dimensão espiritual que Deus lhes concedeu. Será que
podemos afirmar que, para certas pessoas, a vida espiritual é até mesmo
quase inexistente?

É com o seu espírito que o homem comunica-se com Deus, em adoração e


oração. Também é no espírito do homem que os demônios se comunicam
com ele. Assim como o homem relaciona-se com o mundo físico através do
corpo, o seu espírito é a parte que lhe permite relacionarse e ter comunhão
com o mundo espiritual.

O ser humano foi formado a partir do pó da terra, como descreve a narrativa


de Gênesis. E Deus soprou em suas narinas o fôlego da vida: “rûah!” – e o
homem tornou-se alma vivente:

“Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas


narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.” (Gn 2:7)

Nas Escrituras, os animais criados também são chamados de almas viventes


(Gn 1:24; 2;19), e, portanto, possuem alma.
O homem, porém, recebeu o sopro de Deus, e é por isto que ele possui um
espírito, o local em que o Espírito (sopro) de Deus nele passou a habitar. E,
tendo o Criador feito o homem à sua semelhança, ele recebeu a capacidade de
pensar, raciocinar, emocionar-se, decidir, escolher, etc.

Alma e Espírito

Assim, conforme as Escrituras nos mostram, por receber o sopro (espírito) de


Deus, o homem é a única criatura que possui, além da alma, um espírito. E Jó
nos diz que é através do espírito humano que a inspiração de Deus lhe dá
entendimento:

“Na verdade, há um espírito no homem, e a inspiração do Todo‑Poderoso o


faz entendido.” (Jó 32.8 ‑ ACF)

Isso significa que o espírito do homem se comunica com o Espírito de Deus.

Vejamos agora o que nos ensina Jesus quando estava conversando com a
mulher samaritana, aquela com quem se encontrou no poço de Sicar.

O assunto era a adoração. Aparentemente aquela mulher sabia o que a


religiosidade samaritana exigia com respeito à adoração. Ela, contudo,
assustou-se, tanto pelo fato de Jesus, sendo judeu, dialogar com ela, como
pelo que Ele lhe dizia - algo bem diferente do que ela estava acostumada a
ouvir.

Jesus lhe disse que o local de adoração não é importante. O que importa é a
quem adorar e como adorar. Sendo Deus Espírito, disse Ele, é necessário
adorá-lo em espírito e em verdade:

“Mas vem a hora, e agora é, em que os ver‑ dadeiros adoradores adorarão o


Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o
adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em
espírito e em ver‑ dade.” (Jo 4:23‑24 ‑ ACF)

A adoração é para ser feita em espírito, ou seja, através do espírito, pois é no


espírito (e não na alma) que o ser humano comunica-se com Deus. E, assim,
para se ter comunhão com Deus, é necessário que o Espírito de Deus esteja
habitando no espírito do homem.

Em outras palavras, isso somente ocorre naquele que é nascido de novo, que
possui o Espírito Santo. Somente este pode realmente ter comunhão com
Deus.

Funções do Espírito do Homem

As três principais funções do espírito são: Intuição, Discer‑ nimento e


Comunhão. Vamos analisá-las com respeito ao espírito do novo homem,
nascido de Deus, pois nesse novo estado, essas funções ocorrem sob a ação
do Espírito Santo, que no homem habita.

Nosso interesse é analisar como Deus opera no espírito do novo homem,


dando-lhe o que denominamos “dons espirituais”. É claro que, no crente, no
espírito do velho homem, e também no espírito dos incrédulos, essas mesmas
funções ocorrem, mas de forma corrompida, ou seja, mediante a ação de
espíritos impuros (demônios).

Veja o que Paulo nos ensina:

“E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados. Em que noutro


tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das
potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência.
Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa
carne, fazendo a vontade da carne e dos pensa‑ mentos; e éramos por
natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo
em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda
mortos em nossas ofensas, nos vivi‑ ficou juntamente com Cristo (pela graça
sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos
lugares celestiais, em Cristo Jesus”. (Ef 2:1-6)

Assim como temos os cinco sentidos no corpo físico, temos também, no


espírito, cinco sentidos espirituais:
· Visão espiritual (de imagens, fatos, símbolos, anjos, demônios),
· Audição espiritual (ouvimos a voz de Deus e dos demônios),
· Olfato espiritual (que nos dá o discernimento do que “cheira mal”
espiritualmente),

· Tato espiritual (opressão ou paz em nosso espírito) e o gozo espiritual (o


que nos é agradável espiritualmente, e que nos satisfaz – correspondente ao
paladar, no corpo).

Os dois primeiros fazem parte da intuição; os outros três, do discernimento.

Intuição

Intuição significa: Faculdade ou ato de perceber, discernir ou pressentir


coisas, independentemente de raciocínio ou de análise. Forma de
conhecimento direta, clara e imediata, capaz de investigar objetos
pertencentes ao âmbito intelectual, a uma dimensão metafísica ou à
realidade concreta.

A intuição é o órgão sensitivo do espírito na área da comunicação. É


conhecida como o sexto sentido. Ela age independentemente de qualquer
influência externa. Ela é definida como aquele conhecimento que vem
intuitivamente, isto é, vem a nós não através de nossos sentidos físicos, e
ainda sem qualquer ajuda da mente, da emoção ou da vontade.

Ela nos mostra aquilo que “sabemos” sem conhecer a sua origem, sem que
ninguém nos tenha dito. A nossa mente meramente nos ajuda a “entender” o
que a intuição nos revela. As revelações de Deus e todo o movimento do
Santo Espírito podem ser conhecidos pelos crentes através da intuição. Um
exemplo bíblico dessa verdade vemos no seguinte versículo:

“O próprio Espírito testifica com o nosso es‑ pírito de que somos filhos de
Deus.” (Rm 8:16)

Da intuição fazem parte a visão e a audição espiritual: por meio dessas


funções é que Deus se comunica com o homem. Trata-se de um
conhecimento subjetivo. Por meio delas é que temos, também, os dons
proféticos que nos capacitam a ver o mundo espiritual. Portanto, podemos
destacar que:

· Deus pode ser conhecido pelo homem através da intuição.


· Deus revela a sua vontade ao homem através da Palavra escrita, porém Ele
pode falar à nossa intuição.

· Ele se faz conhecido por habitar em nosso espírito, onde Ele pode usar as
nossas faculdades intelectuais para trazer o conhecimento da sua existência
absoluta.

Quando, pela intuição, recebemos revelações espirituais, estas são levadas à


nossa razão, que, então, tem condições de analisa-las utilizando a nossa
mente. E, no momento em que o Espírito Santo nos mostra alguma coisa em
nosso espírito (visão espiritual), Ele ainda nos faz lembrar o que as Escrituras
(Palavra de Deus) dizem a respeito do ponto em questão, e tudo é levado à
razão, à consciência, e para o nosso livre-arbítrio, nos permitindo tomar a
decisão correta.

Mediante a visão espiritual (que vê aquilo que ainda não existe fisicamente),
a nossa fé é edificada em nossas crenças.

Assim como o corpo capta, do mundo físico, situações que, levadas à nossa
alma, despertam nossas emoções, e também reações (sentimos, dizemos ou
fazemos alguma coisa em razão do que vimos ou ouvimos), semelhantemente
o espírito pode receber intuições que são levadas à alma e que também geram
emoções e outras reações, inclusive a fé, que vem pelo ouvir a Palavra.

Jesus e a Intuição

Cristo, que é inteiramente Deus e plenamente homem, viveu uma vida sem
pecado. Jesus é o nosso modelo para ser seguindo, Ele é a imagem de Deus
incorruptível, onde usou todas as suas faculdades para manifestar o reino de
Deus, e para discernir o ambiente que Ele andava.

Os seguintes exemplos nos mostram situações em que a intuição revelou algo


a Jesus (em seu espírito), e Ele, na sua razão e consciência, tomou a decisão
de fazer alguma coisa:
“E Jesus, conhecendo logo em seu espíri‑ to que assim arrazoavam entre si,
lhes disse: ‘Por que arrazoais sobre estas coisas em vos‑ so coração?’” (Mc
2:8 ‑ ACF)

“E, suspirando profundamente em seu es‑ pírito, disse: ‘Por que pede esta
geração um sinal?’” (Mc 8:12 ‑ ACF)

“Jesus, vendo‑a chorar, e bem assim os judeus que a acompanhavam,


agitou‑se no espírito e comoveu‑se. E perguntou: ‘Onde o sepultastes?’” (Jo
11:33‑34a)

Paulo, tendo sido alertado no espírito, isso afetou sua alma, trazendo-lhe
alguma preocupação: “Não tive ... tranquilidade no meu es‑ pírito.” (2Co
2:13)

Discernimento

O discernimento é a função de distinguir o puro do impuro, o benigno do


maligno, o verdadeiro do falso, no mundo espiritual. É diferente da
consciência, pois esta analisa as mesmas condições com base na razão, e no
registro dos princípios e absolutos que nela estão gravados.

O discernimento pode atuar com base em três sentidos espirituais, conforme


já foi mencionado: olfato, tato e gozo espirituais. O que nos é revelado
através dos sentidos espirituais é confrontado com a sensibilidade espiritual
que o nosso espírito possui, pela ação do Espírito Santo.

Se na razão a nossa consciência julga alguma coisa com base nos


conhecimentos que possuímos, o nosso discernimento julga com base no que
o Espírito Santo nos revela. O discernimento atua de forma direta e
independente; não se dobra a qualquer influência externa, nem à nossa razão
humana; mas pode ser comprovada na Palavra de Deus.

É através dessa parte do espírito que exercemos o dom espiritual de


discernimento. E sempre quem atua é o Espírito Santo.
“A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem
comum. Pelo Es‑ pírito, a um é dada a palavra de sabedoria; a outro, a
palavra de conhecimento, pelo mesmo Espírito, a outro, fé, pelo mesmo
Espírito; a ou‑ tro, dons de cura, pelo único Espírito; a outro, poder para
operar milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a
outro, variedade de línguas; e ainda a outro, interpre‑ tação de línguas.
Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele
as distribui individualmente, a cada um, confor‑ me quer”. (1Co 12:7‑11 –
ênfase da autora)

Quando o discernimento nos aponta para algo que não condiz com o que é
reto, puro, pio, essa informação é levada à nossa alma, que assim reage em
conformidade com a situação, despertando emoções, pensamentos e reações
que se expressam também através do corpo físico.

Assim, por exemplo, o que o nosso “faro” espiritual nos revela pode ser algo
que nos seja de um odor agradável ou que, pelo contrário, seja algo
abominável em nosso espírito. No mundo espiritual o cheiro é agradável
quando o nosso espírito percebe a presença do que é puro, santo, perfeito.
Quando não é agradável, o odor espiritual é algo que nosso espírito abomina.
E por que ele abomina? Porque nele habita o Espírito Santo, que
imediatamente detecta aquele odor desagradável.

Quando o tato espiritual nos revela a presença de um espírito imundo ao


nosso redor, ficamos com um sentimento de opressão, que é oposto ao
sentimento de paz que temos quando não há espíritos malignos ao nosso
redor. Esse sentimento também é levado à nossa razão, que pode agir ou
reagir, de acordo com nossa decisão. Por exemplo, numa das viagens de
Paulo, o seguinte episódio nos é narrado:

“E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem, que
tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos
seus senhores.” (At 16:16 ‑ ACF)

Como foi que Lucas e Paulo descobriram que a jovem tinha um espírito de
adivinhação? Isso lhes foi mostrado no espírito, pois aparentemente ela
somente falava o que era verdade: “Estes homens, que nos anunciam o
caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo.” (At 16:17 - ACF)

Mas, diz o texto, que Paulo ficou “perturbado, indignado” com aquilo.

“Ela continuou fazendo isso por muitos dias. Finalmente, Paulo ficou
indignado, vol‑ tou‑se e disse ao espírito: ‘Em nome de Jesus Cristo eu lhe
ordeno que saia dela!’ No mesmo instante o espírito a deixou.” (At 16:18)

Ele deveria perturbar-se se ela o acusasse de impostor, de falso... Seu espírito,


porém, perturbou-se com aquela presença, e ele discerniu que se tratava de
uma jovem com um espírito maligno. Isso lhe foi mostrado em seu espírito,
através de seus sentidos espirituais.

Outro exemplo temos quando Jesus detectou, em seu espírito, que um dos
discípulos estava com a intenção de traí-lo e que se achava sob a ação de um
espírito maligno:

“Ditas estas coisas, angustiou‑se Jesus em espírito e afirmou: ‘Em verdade,


em ver‑ dade vos digo que um dentre vós me trairá’.” (Jo 13:21 ‑ ACF)

Seu espírito angustiou-se, pois Ele teve o discernimento, dado pelo seu olfato
espiritual, que Judas estava contaminado espiritualmente. A extrema tristeza,
caracterizada pela ausência do gozo espiritual e pela opressão, foi o que
causou aquele sentimento em Jesus.

De igual forma, quando o discernimento nos revela algo que nos traz gozo
espiritual, esse gozo reflete-se em nossa alma, que nos faz alegrar e move até
os músculos do nosso corpo que nos fazem sorrir. Maria sentiu alegria em
seu espírito e assim declarou:

“E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador.” (Lc 1:47 ‑ ACF)

Comunhão

A comunhão é a capacidade de adorar a Deus e ter com Ele um


relacionamento íntimo. Também, todo relacionamento com os espíritos
malignos se dá no espírito do homem. Assim, o relacionamento com o mundo
espiritual é feito através do espírito. A adoração, portanto, é feita no espírito:

“Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade.” (Jo


4:23). Pois, “Deus é Espírito” (Jo 4:24)

A nossa adoração a Deus e a sua comunicação conosco acontecem


diretamente em nosso espírito. A nossa alma pode louvar a Deus, mas, essa
função é específica do nosso espírito. Somente um espírito livre, e uma alma
redimida podem louvar e adorar a Deus.

Deus não pode ser compreendido pelos nossos pensamentos humanos,


sentimentos ou intenções; porque Ele só pode ser conhecido e acessado
diretamente pelo nosso espírito, que fala à nossa razão sobre a Presença de
Deus.

“Pois os meus pensamentos não são os pen‑ samentos de vocês, nem os seus
caminhos são os meus caminhos”, declara o Senhor. “Assim como os céus
são mais altos do que a terra, tam‑ bém os meus caminhos são mais altos do
que os seus caminhos e os meus pensamentos mais altos do que os seus
pensamentos”. (Is 55:8‑9)

Nós só podemos ter uma comunhão plena com Deus, se o adorarmos em


espírito e verdade. É através do espírito que temos a consciência de servirmos
a Deus.

“Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito...” (Rm 1:9)


Quando oramos em línguas, diz Paulo, é o nosso espírito que está se
comunicando diretamente com Deus:
“Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato.” (1Co 14:2)

A intuição, o discernimento e a comunhão são profundamente inter-


relacionados entre si e funcionam coordenadamente em nosso espírito, e de
forma integrada com todo o nosso ser.

Os Homens Não Regenerados


Os homens não regenerados, isto é, que não nasceram de novo, não têm vida
espiritual com Deus, pois não são habitados pelo Espírito Santo. Antes da
regeneração, o espírito está morto. A morte espiritual é caracterizada
precisamente pela ausência do Espírito de Deus no espírito do homem.

“Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.” (Rm 8:9b)
Somente depois da regeneração, o espírito recebe a vida verdadeira, pois o
Espírito Santo passa a morar na pessoa, no novo homem.

Já o incrédulo, que não nasceu de novo, recebe em seu espírito, em seu estado
de ignorância por práticas erradas, apenas a habitação de espíritos malignos,
ou seja, de demônios. A pessoa está morta espiritualmente; não tem a vida
eterna. Sua adoração é aos maus espíritos; alguns manifestam ainda “dons
espirituais”, dados pelos demônios, que são contrafações dos dons espirituais
dados pelo Espírito. A pessoa pode ter intuição, discernimento, mas os
agentes desses dons são espíritos impuros. E sua comunhão é com eles.

Atente para a seguinte palavra de Jesus:

“E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos,
bus‑ cando repouso, e não o encontra. Então diz: Voltarei para a minha
casa, de onde saí.” (Mt 12:43‑44a ‑ ACF)

Jesus disse que o demônio tinha uma “casa” no homem de quem saiu.
Obviamente isso significa que ele habitava no homem, vale dizer, no seu
espírito.

Com respeito aos incrédulos, uns são mais contaminados do que outros,
dependendo do grau de envolvimento que tenham tido com as trevas.

capítulo 6
O Espírito Adormecido
“Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas
lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. E cinco delas eram prudentes, e
cinco loucas. As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite
consigo. Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas
lâmpadas.” (Mt 25:1‑4)

Quando nasce o homem espiritual, isto é, o novo homem – a pessoa passa a


ter a presença do Espírito Santo, que vai lhe transmitindo uma nova natureza,
sujeita a Deus.

Paulo afirma que o “novo homem” é “criado segundo Deus, em justiça e


retidão procedentes da verdade” (Ef 4:24). Ele está “em Cristo”, e é uma
“nova criação de Deus” (2Co 5:17). Ele poderá desfrutar de bênçãos e do
descanso do Senhor. Ele tem a unção (o óleo) do Espírito.

Muitos crentes, porém, sabem muito pouco sobre esta situação e, devido a
longos anos de escravidão nas mãos de Satanás, (no tempo anterior à
conversão), não têm uma vida espiritual abundante, com Deus.

Precisamos agora cultivar o temor e tremor diante de Deus (Fp 2:12). Temos
de aprender o que é espiritual de Deus e o que provém da carne.

Assim, é necessário exercer o discernimento, para não sermos mais


contaminados, e para buscarmos a constante direção do Espírito em nossa
vida. A presença do Espírito Santo no crente passa a dar-lhe todo o
entendimento, e lhe ensinará todas as coisas:

“Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome,


esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho
dito.” (Jo 14.26)

Muitos crentes, porém, têm se deixado adormecer espiritualmente. Têm o


Espírito, mas não permitem que Ele opere. E, como Ele é cavalheiro, gentil,
nada lhes impõe. Jesus nos contou uma parábola que descreve precisamente
esta situação: há virgens que não são prudentes, que não levam o azeite
consigo (não deixam o Espírito atuar em sua vida).

Vou apresentar agora alguns dos pontos considerados fundamentais para a


vida do nascido de novo, segundo John Sandford, cujo pensamento vou
reproduzir a seguir.1

Vamos ver como não ficarmos adormecidos espiritualmente, sem a unção do


Espírito Santo. Em outras palavras, veremos quais são as características
daquele que é prudente, cujo espírito não está adormecido.

Desfrutar a Adoração em Conjunto com os Irmãos

Na adoração, aquele que está desperto espiritualmente sente a Presença, a


unção do Espírito Santo. É tocado por Ele e é renovado. O seu espírito sente
alegria, amor, e a sua alma canta louvores a Deus. E tem a capacidade de
permanecer na presença de Deus em grande alegria e cheio de glória:

“...o qual [Cristo], não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora,
mas cren‑ do, vos alegrais com gozo inefável e glorioso.” (1Pe 1:8)

O espírito do novo homem não somente é carregado por Deus na adoração,


mas discerne e sente o palpitar do espírito e do coração dos outros. Torna-se
fusionado não apenas com o amor de Deus, mas também com o amor de
todos os demais crentes. Verdadeira adoração une os corações, porque são
mediados apenas por um só fogo de amor.

Pessoas não nascidas de novo, que não têm a vida do Espírito Santo em seu
espírito, muitas vezes dizem: “Não sei do que eles estão falando. Eu nunca
senti a presença de Deus”.

Aquele cujo espírito não foi vivificado pela presença do Espírito Santo,
quando se encontra numa reunião de oração em que todos estão levantando as
mãos e louvando a Deus, não sente a presença de Deus e, assim, não
experimenta a plenitude da adoração. Ele não tem a capacidade de senti-la.
Os que já nasceram de novo, mas estão adormecidos espiritualmente, podem
sentir toques momentâneos da presença de Deus, mas esses toques não
permanecem.

Tais pessoas não sabem como banhar no rio de Deus o seu espírito, que está
em necessidade – sendo que a Palavra de Deus diz: “Há um rio cujas
correntes alegram a cidade de Deus” (Sl 46:4). De fato, assim nos exorta o
apóstolo Paulo: “Enchei-vos do Espírito.” (Ef 5:18)

Desfrutar um Tempo de Meditação Pessoal

Aquele que está com o espírito vivificado e desperto pode entrar na presença
de Deus e aquecer-se em seu amor, consegue “voar alto”, espiritualmente
falando. Ele “sobe com asas nas alturas” (Is 40:31). A Palavra adquire para
ele um significado especial, pois ele recebe, em seu espírito, a inspiração da
Bíblia. E imagens e pensamentos não solicitados jorram de sua mente, pelo
poder do Espírito Santo.

Aqueles que estão com o espírito morto (não renascidos) dizem: “Procuro ter
as minhas devoções, mas são sempre áridas. Não sinto nada.” Até a leitura
bíblica disciplinada pode tornar-se um deserto. Leitura repetida não traz
nenhuma revelação. Jó diz que é o espírito do homem que lhe dá o
entendimento (Jó 32:8).

Já no espírito do novo homem, nascido de novo, o Espírito Santo nele opera,


move-se e nele toca para dar o entendimento que é necessário para aplicar a
Palavra de Deus na situação particular em que se encontra. Descobertas
surpreendentes surgem para ele nas páginas da Bíblia.

Para os que têm o espírito morto, o seu espírito não responde ao Espírito
Santo. Se suas devoções continuam, é meramente por dever.

Estamos acostumados a pensar que, quando o Espírito Santo vem, a pessoa


imediatamente compreende as coisas do Espírito. Mas não há mágica; a
unção é apenas para aqueles que têm ouvidos para ouvir, e olhos para ver.

Assim diz a escritura com respeito ao homem natural, não nascido de Deus:
“Ora, o homem natural não aceita as coi‑ sas do Espírito de Deus, porque
lhe são lou‑ cura; e não pode entendê‑las porque elas se discernem
espiritualmente. Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele
mes‑ mo não é julgado por ninguém.” (1Co 2:14‑15)

Compreendamos que este texto aplica-se também a nós, nascidos de novo.


Pois, mesmo sendo um novo homem, ainda temos o velho homem, o homem
natural, nascido da semente de Adão, em nós. E muitos crentes têm
procurado entender a Bíblia fazendo uso apenas do seu homem natural.

Um fato importante é que muitos são os crentes que, tendo o Espírito Santo, o
deixam “adormecido”. As Escrituras somente podem ser corretamente
compreendidas no novo homem, nascido da semente de Deus, tendo a
revelação do Espírito em seu espírito. Há os que nasceram no espírito, mas
que não desenvolveram a capacidade de se comunicar, simplesmente porque
não a cultivaram. E há aqueles que, por alguma razão, deixaram-se ficar
aprisionados em alguma circunstância.

Desse modo, entendimento espiritual não é questão de brilhantismo


intelectual. São milhares os homens e mulheres que, sendo brilhantes
intelectualmente, ainda têm o espírito adormecido. Não conseguem entender
as coisas simples do Espírito, apesar de terem o Espírito Santo. Ele é
colocado de lado. E, Ele não força a situação. Simplesmente deixa de atuar.

Ouvir a Voz de Deus

Deus fala de diversas formas. Ele usa sonhos proféticos, visões, impressões
no espírito, percepções, odores espirituais. Deus pode também usar sintomas
no corpo físico para comunicar alguma coisa. Deus usa histórias do passado
para nos falar. Deus usa a Palavra e a aplica em circunstâncias específicas
pelas quais passamos. É interessante como Deus se vale de tantas formas para
comunicar-se conosco!
Assim diz o Senhor:

“Ouvi, agora, as minhas palavras; se entre vós há profeta, eu, o SENHOR,


em visão a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos. Não é assim
com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo
com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a forma do SENHOR;
como, pois, não temestes falar contra ... Moisés?” (Nm 12:6‑8)

Os nascidos de novo, cujo espírito não está adormecido, têm em seu espírito,
no novo homem, pressentimentos intuitivos – pelo poder do Espírito Santo.
Recebem revelações e têm prazer em andar, passo a passo, mão a mão, com
Deus, pela direção que Ele dá.

Deus nos fala com visões, sonhos e muitas outras maneiras. Ele fala ao nosso
homem espiritual. Ele pode nos dar impressões e devemos ser sensíveis a
elas, para não abafarmos a sua voz. Não somente ouvir, mas devemos
obedecer à voz de Deus. E o homem espiritual tem grande alegria em seguir o
que Deus lhe diz e lhe mostra.

Os crentes que têm o espírito adormecido, porém, dizem: “Não entendo... As


pessoas dizem que ouvem Deus falando, mas isto nunca acontece comigo”.
Deus tem comunhão com o nosso homem espiritual. Ele fala, além da nossa
mente renovada em Cristo, cheia da sua Palavra e verdade, aos ouvidos do
nosso homem espiritual, em nosso espírito.

O Poder da Inspiração

A inspiração do Espírito Santo traz criatividade. As ideias florescem. A


pessoa, nascida de novo, descobre novas maneiras de fazer a mesma coisa.
Em tudo o que faz há vida. Se ela escreve uma poesia, a poesia faz sentido e
apresenta vida. Se escreve uma peça, ela é inspirada; o mesmo se dá ao
escrever artigos e livros.

No entanto, aquele que, sendo crente, tem o espírito adormecido, ao tocar um


instrumento musical produz uma música que pode ser tecnicamente perfeita,
mas não possui vida.

Já a pessoa com o espírito desperto toca junto com o seu corpo. Seu espírito
também canta e entoa a música. Uma ilustração disso, tirada do mundo físico,
é a sensível diferença entre engenheiros criativos, que atuam com criatividade
e ousadia, em relação a outros que apenas cumprem a sua obrigação e fazem
o que lhe é pedido.

Relacionar-se Bem com os Outros

A capacidade de se comunicar e manter comunhão com os outros é uma


evidência de que a pessoa tem o espírito vivo e desperto. Ela consegue
encontrar-se com os outros através do seu espírito. É sensível às necessidades
dos outros e pode identificar-se com eles. Nós nos ligamos uns com os outros
através da empatia. Nosso espírito sente o que o outro sente.

Muitos de nós nos encontramos pela primeira vez com uma pessoa crente e
sentimos como se já a conhecêssemos há muito tempo. Com essa pessoa
descobrimos que existe uma correspondência espiritual, pois há eco e
ressonância no que falamos (nosso “tato” espiritual está funcionando, dando
esse discernimento). Dificilmente terminamos uma sentença porque o que ela
diz é exatamente o que estamos pensando, ou estamos para dizer. A conversa
torna-se viva e interessante, rápida e divertida. Saímos renovados e queremos
encontrar essa pessoa de novo.

Por outro lado, há pessoas com quem trabalhamos há anos e chegamos à


conclusão de que nada conhecemos delas. A conversa nunca decola e é
cansativo estar em sua presença, em sua companhia. Não conseguimos
desenvolver uma amizade. Pessoas com o espírito adormecido não
conseguem suportar um relacionamento duradouro.

Conviver com uma pessoa com espírito adormecido não somente é solitário,
mas irritante. No nosso relacionamento de família, ou no casamento,
devemos estar sensíveis para verificar onde e como o espírito da outra pessoa
está.

O marido e a mulher devem ser perceptíveis para saber como o cônjuge se


sente emocionalmente; precisam ter a percepção quanto a se ele necessita de
uma atenção especial, de um abraço, de uma palavra de amor, de ânimo. É
necessário saber parar uma conversa animada, quando se percebe a tristeza ou
o aborrecimento do outro. E, ainda, não entrar num casulo nem fugir, quando
a outra pessoa necessita compartilhar alguma coisa.

No casamento, viver com uma pessoa que tenta ser boa, mas que não se
relaciona sensivelmente com o cônjuge, pode tornar-se um relacionamento
doloroso e solitário, e até aflitivo.

John Sandford diz ter visto muitos lares destruídos, produzindo pessoas mais
e mais quebradas, fraturadas, cujo espírito nunca foi nutrido para a vida.
Muitas delas não estão suficientemente preparadas para viver um casamento.
Assim, esses infelizes procuram ter encontros impessoais e temporários, por
não serem capazes de entrar no santuário da santidade que há entre os
espíritos de um casal.

Transcender o Tempo

As pessoas de espírito desperto, embora possam estar passando por um


momento muito difícil, lembram-se dos momentos bons e felizes. No caso de
um casal, ainda que estejam em crise, os dois lembramse de coisas positivas,
alegres e divertidas do passado, e tentam sobrepujar a presente situação,
projetando um futuro melhor. Eles se nutrem das coisas do passado e têm
esperança para o futuro.

Quem tem o espírito adormecido, porém, só pensa no aqui e agora, e não


consegue pensar ou considerar o futuro. Não consegue lembrarse do passado
e não projeta nada para o futuro. A única coisa que pode fazer é pensar e
curtir a dor do presente. É uma pessoa que não consegue disciplinarse nos
gastos; é alguém totalmente absorto pelo presente, que compra o que deseja
sem considerar o que possa acontecer no futuro. E, quando o credor vem
cobrar, não entende por que tem que pagar todo o dinheiro que deve.

É alguém que, ainda que na igreja chegue a ouvir uma mensagem poderosa
sobre o pecado e o seu juízo, sai do culto e vai diretamente dormir com a
namorada num motel.

Os que têm o espírito adormecido recebem apenas na mente, mas não


conseguem receber nada no espírito. Ouvem e ouvem, mas facilmente se
esquecem, sem ter entendimento da mensagem, porque o seu espírito não é
capaz de receber a mensagem e transmiti-la para que seja gravada na alma,
em sua memória.

Proteger-se de Enfermidades

O espírito vivo protege-nos da doença e nos dá a alegria de viver – e assim


nos desfazemos dela rapidamente sempre que com ela nos deparamos.

Conheço pessoas que raramente ficam doentes e que, quando acometidas por
uma enfermidade, suportam tudo muito bem. Enfermidades não têm poder
sobre essas pessoas, que delas logo se desvencilham. Ao enfrentarem uma
condição terminal, mesmo assim permanecem brilhantes e vibrantes. O
espírito delas tudo suporta e é vitorioso. E nunca ficam por baixo das
circunstâncias.

Há, porém, pessoas escravizadas pelo espírito de enfermidade, que estão


sempre doentes. Ou estão presas numa prisão de enfermidade. Nunca estão
bem.

Uma Consciência Atuante e Boa

O homem espiritual tem uma boa consciência que, tendo o auxílio do


discernimento, opera antes das coisas acontecerem; isso o protege dos
problemas, pois ele deixa de fazer o que seria errado.

Já isso não ocorre com aquele que não se vale do discernimento, pois o seu
espírito está adormecido. Para ele, a consciência atua meramente depois do
evento, quando então consegue discernir que pecou. Já no caso do não crente,
o discernimento que possui é fruto da ação de espíritos de engano, o que
fatalmente lhe fará cair em erro.

A lei não nos impede de pecar (de transgredir). Mas o amor ao Senhor nos
constrange a não pecarmos. Contudo, ainda assim pecamos.
Pela ação do Espírito Santo em nosso espírito, é este que nos alerta, muitas
vezes, de que estamos para fazer alguma coisa errada e entristecer o Espírito
(Ef 4:30). ELE ainda nos causa dores quando vamos atingir outras pessoas.

Tudo isso é passado à nossa consciência, e dela para o nosso livre-arbítrio.


Este é quem toma a decisão final.

Quando, porém, pecamos, mesmo tendo sido alertados pela nossa


consciência, ela continua falando conosco, apontando-nos para o fato de que
pecamos. Uma nova decisão precisa então ser tomada pelo nosso livre-
arbítrio, dentre três alternativas.

A primeira é não nos arrependermos, e ignorarmos que pecamos. Naquele


que é nascido de novo, isso pode ocorrer durante algum tempo, mas o
Espírito continua apontando à sua consciência, e ela não se dará por satisfeita
até o dia em que a pessoa realmente se arrepender.

A segunda alternativa é o remorso, que é diferente do arrependimento


verdadeiro (que é a terceira alternativa), face a um pecado cometido. A
diferença entre essas duas possibilidades é muito bem ilustrada quando
comparamos as atitudes de Judas Iscariotes e Pedro. O primeiro teve remorso
e enforcou-se. Mas Pedro arrependeu-se e expressou isso chorando
amargamente (Lc 22:62).

O remorso ocorre naqueles que não nasceram de novo e nas pessoas que têm
o espírito adormecido. Porque tal pessoa caminha pela lei, pela mente, pelas
recordações e pelas emoções. O remorso é egocêntrico. Ele nos faz apenas
conscientes de que falhamos em relação ao que deveríamos ser.

O verdadeiro arrependimento, que é a terceira alternativa, é resultado do dom


do amor. Se eu amo alguém e o meu espírito está desperto e vivo, ele vai me
checar antes de praticar aquilo que potencialmente possa ferir alguém. Se tal
pessoa me é estranha, o Senhor em mim a ama, e me previne, no meu
espírito, que aquilo poderá ferir e entristecer o Espírito Santo e também o
meu próximo. Veja que isso é mais do que o simples alertar da consciência,
com base no conceito de certo e errado que ela possui.
Se o espírito de uma pessoa está em estupor, não pode preveni-la. Se a
possibilidade de ferir alguém começa aparecer na consciência, os desejos e a
ganância podem bloquear a sua voz. Mas o espírito desperto grita até não
poder mais, pois abomina o pecado. Conhecendo Jesus, o amor é desperto de
tal forma que a pessoa não suporta causar injúria em ninguém. Aquele que
peca, porém, naquela área o seu espírito não conhece nem permanece em
Jesus.

“Todo aquele que é nascido de Deus não pratica o pecado, porque a semente
de Deus permanece nele; ele não pode estar no pecado, porque é nascido de
Deus.” (1Jo 3:9 ‑ NVI)

Esse texto claramente nos diz que o novo homem, o homem espiritual (aquele
que é nascido de Deus) de fato não peca. Quando pecamos, foi o nosso velho
homem, ainda corrompido, que pecou. E, quando o nosso velho homem peca,
o novo homem, que não se contamina e que permanece em Cristo, clama
dentro de nós!Assim, mesmo depois de renascido, o espírito do homem
natural tem de ser vivificado efetivamente, pois há nele partes ainda
contaminadas, mortas, onde o Espírito Santo não habita. Devemos
desenvolver a nossa regeneração, que vem através da salvação (Fp 2:12).

O crente tem o seu espírito adormecido nas áreas em que o seu espírito não
recebeu a purificação e ainda está contaminado. Seu espírito precisa
purificar-se completamente, para poder encher-se totalmente do Espírito, ter a
plenitude do Espírito Santo. Paulo nos exorta: “Enchei‑ vos do Espírito.” (Ef
5:18).

Se o novo homem não peca (Ef 4:24; 1Jo 5:18), o homem natural peca, pois
está contaminado (Ef 4:22; 1Jo 1:8), e precisa, conforme já foi dito, ser
despojado de nós. Temos de fazer morrer a nossa natureza terrena! (Cl 3:5 -
RA). Sim, o homem natural comete erros, e ainda deixa de fazer coisas que
deveriam ser feitas e pode ser invadido por pensamentos ruins, sentimentos
negativos e até por espíritos impuros (1Ts 5:19).

Por isso Paulo nos exorta a purificarmos tanto a nossa carne (a parte da alma
que está contaminada) como também o nosso espírito (2Co 7;1; 1Ts 5:23).
O novo homem, a parte do nosso ser que nasceu de Deus, este nunca
escolherá pecar. Aliás, diz a Escritura, ele não peca porque o maligno não
consegue nem mesmo tocar nele, pois ele é santo! Isso está em 1 Jo 5:18:

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de
Deus é gera‑ do conserva‑se a si mesmo, e o maligno não lhe toca..” (1 Jo
5:18, ACF)

Mas se o velho homem falha – e fica longe da disciplina, da adoração, da


Palavra, do dar sacrificial aos outros – o seu espírito natural, nessas áreas,
está morto e contaminado. E até mesmo espíritos malignos podem alojar-se
nessas partes contaminadas. As promessas de Deus são condicionais; elas
dependem da nossa estada ou permanência na posição de recebê-las.

A Glória da União Sexual Marital

O apóstolo Paulo nos ensina que aquele que se une com o Senhor é um só
espírito com Ele, e quem se une a uma meretriz torna-se uma só carne com
ela (1Co 6:16-18). Paulo estava apontando para a realidade da união que
ocorre tanto no casamento como em nossa união com Cristo.

No casamento, quando o sexo marital é compartilhado corretamente, há um


íntimo e precioso conhecimento, um encontro que preenche e acaricia todo o
ser, um ao outro. Esse encontro depende de o espírito de cada cônjuge sentir
a presença e a comunhão do espírito do outro. A unidade não ocorre
simplesmente na união dos corpos, mas estabelece-se na alma e no espírito.
Quando o homem e a mulher descobrem a glória do dom que Deus deu aos
cônjuges – que ninguém mais pode ter, a não ser eles – descobrem a
verdadeira proteção da tentação sexual.

A glória marital acontece pelo fato de que o Espírito Santo canta a canção do
amor da criação, através do espírito do marido para a mulher e da esposa para
o marido.

Aqueles que não têm o espírito adormecido, e que foram consagrados um ao


outro na cerimônia do casamento cristão, podem descobrir, na sua união, a
glória especialmente designada pelo Senhor para ser desfrutada na sua vida
sexual. Na verdadeira união, os espíritos do casal fluem, de um para o outro,
através do corpo, alegrando e abençoando-os reciprocamente, e por isso a
Bíblia diz: “Adão conheceu a Eva” (Gn 4:1 - ARC).

Há uma glória no casamento entre dois nascidos de novo. Esta glória não
ocorre, absolutamente, em uniões extraconjugais. Quando o adultério ocorre
entre crentes, a maior causa desse pecado, em minha opinião, é o fato de
vidas estarem ainda com o espírito aprisionado, contaminado e adormecido.

Poder para Discernir ou Julgar

Sobre o discernimento, vimos como essa função do espírito é importante no


crente, nascido de novo. Vimos que ela somente pode ser exercida pela
presença do Espírito Santo em nosso espírito. Se, porém, a pessoa está com o
espírito adormecido, isto é, há muitas áreas em que o Espírito Santo não está
atuando, como poderá discernir corretamente?

Em muitas situações, a pessoa é enganada. Ela discerne que “Deus me disse


isso, e aquilo...”, mas na realidade quem falou não foi o Espírito Santo. Foi
um espírito enganador. Somente aquele que está totalmente liberto, livre de
toda ação de espíritos malignos, ou seja, somente quem não está com o
espírito adormecido é que poderá discernir corretamente em seu espírito.

Lembremo-nos de que todo engano não passa pelo crivo da Palavra de Deus,
e por isso ela é muito importante para analisarmos qualquer discernimento
que venhamos a ter.

E o segundo critério é a paz de Cristo em nosso coração (Cl 3:15). O terceiro,


é o julgamento feito pelos irmãos (1Co 14:29). Somente o espírito vivificado
poderá discernir espiritualmente.

Paulo diz que as coisas espirituais “se discernem espiritualmente” (1Co 2:14-
15), e que esta não é uma função do homem natural, e sim do homem
espiritual. Aos que estão com o espírito adormecido, a seguinte Escritura
aplica-se direitinho:
“Desperta, tu que dormes, levanta‑te den‑ tre os mortos [deixa‑te ser
revificado, em teu espírito], e Cristo te esclarecerá [não serás mais
enganado!].” (Ef 5:14)
1. SANDFORD, John; SANDFORD, Paula. The healing of the wounded spirit. Plainfield (NJ, USA),
1984.
capítulo 7
O Reino de Deus e a Libertação
“E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galileia,
pregando o evangelho do reino de Deus. E dizendo: ‘O tempo está cumprido,
e o reino de Deus está próximo. Arrependei‑vos, e crede no evangelho’.”
(Mc 1:14‑15)

Jesus ministrava sobre o Reino de Deus e o seu mover sobre a terra. O


objetivo central do ministério de Jesus Cristo era fazer notório o poder do
Pai, Ele não fazia nada por si, mas repetia tudo o que via o Pai fazer,
trabalhar a favor dos homens, criados à imagem e semelhança de Deus.

O ministério de libertação e curar interior envolve a batalha espiritual,


todavia, o centro dessa guerra não é exaltar as trevas, pelo contrário, é
mostrar que o Reino de Deus está entre nós.

“Mas se é pelo Espírito de Deus que eu ex‑ pulso demônios, então chegou a
vocês o Reino de Deus”. (Mt 12:28)

É pelo poder do Espírito Santo que expulsamos os espíritos malignos, por


meio do nome Jesus Cristo, a maior autoridade.

“Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra,
visíveis e invisí‑ veis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados,
sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as
coi‑ sas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da
igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo
tenha a preeminência”. (Cl 1:16‑18 ACR).

Satanás e seus demônios nunca foram uma ameaça para a expansão do Reino
de Deus na terra. Deus é o Soberano Criador, e satanás e suas hostes são
apenas criaturas, que pelo livre-arbítrio decidiram se rebelar contra Deus. O
nosso adversário é limitado, mesmo possuindo suas habilidades para destruir,
roubar e matar, tudo está debaixo da ordenança de Deus.
[ O Reino de Deus e a Libertação ]

Deus escolheu derrotar o mal, por meio de Jesus Cristo na cruz, e expor as
suas fraquezas através dos cristãos, que reconhecem ser a imagem e
semelhança de Deus, em Cristo Jesus.

Dentro do Reino de Deus, nós podemos guerrear acima do mal, somente com
palavras de comando, como fazia Jesus. Nós estamos assentados com o
Senhor, nas regiões celestiais, diante de nós, o Senhor prepara uma mesa à
frente dos nossos inimigos!

Nós nos movemos pelo Espírito Santo, e manifestamos a glória de Jesus, e o


seu triunfo! A igreja de Cristo é conhecida também como “Corpo de Cristo”,
pois é a extensão da presença do Filho de Deus ressurreto na terra, e
embaixadores do Reino de Deus. Ela existe para dar continuidade à obra que
Ele iniciou antes e depois da sua ressurreição.

Jesus foi o único que conseguiu, por sua obediência a Deus, despir satanás e
seus principados e potestades, subjugando-os na cruz! Após tê-los vencido,
esmagado o seu poder, Ele entrou na presença de Deus e dos anjos, levando
cativos todos que governam o império das trevas.

Jesus triunfantemente estabeleceu o governo do Reino de Deus sobre a terra;


e pela paz que rege o seu Reino, nós devemos prosseguir ministrando a
libertação, a cura física e interior, expulsando os demônios, pregando e
batizando em nome do Pai, Filho e Espírito Santo.

Os princípios

Nós devemos levar em consideração alguns princípios sobre a batalha


espiritual.

“Quanto à vossa obediência, é ela conhe‑ cida de todos. Comprazo‑me, pois,


em vós; e quero que sejais sábios no bem, mas simples no mal. E o Deus de
paz esmagará em bre‑ ve Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso
Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém.” (Rm 16:19‑20)
· Obediência a Deus e à sua vontade;
· Sermos conhecidos por obedecermos ao seu mandamento;
· Sábios para executarmos o bem;
· Rejeitar o mal;
· Batalha debaixo do governo de Paz;
· Ter a convicção de que o Senhor já garantiu a vitória;
· Deus usará as nossas vidas para esmagar a satanás e os seus;
· Vivermos no pleno conhecimento da graça de Jesus Cristo.

capítulo 8
O Novo e o Velho homem, a Regeneração em
Cristo
Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se
corrompe pelas concupiscências do engano; (Ef 4.22)

O crente diferencia-se do não crente, ainda, num outro aspecto.

É que, pelo novo nascimento, a pessoa passa a ter uma nova natureza, que é
referida pelo apóstolo Paulo como “novo homem”, “homem espiritual” ou
ainda “homem interior”, em oposição à velha natureza, chamada de “velho
homem”, “homem natural”, “homem carnal” ou ainda “homem exterior”.

A ordem dada para nós, nascidos de novo, com respeito ao velho homem, é
no sentido de despojá-lo da nossa vida (Efésios 4.22). Isto significa que,
mesmo depois do novo nascimento, ele ainda está em nós, e precisa ser
despojado.

O fato é que há em nós uma contínua luta entre as duas naturezas, a velha e a
nova.

Despojar o velho homem é um processo permanente em nossa vida. É o


processo da nossa santificação. Pois quando ele é despojado, nós nos
revestimos do novo homem (Efésios 4.24).

O velho homem é composto do corpo atual (este corpo que é nascido segundo
a carne, conforme a natureza de Adão), de toda parte ainda contaminada da
alma (que Paulo chama de “carne”), e da parte ainda impura no espírito (com
a presença de impurezas – espíritos impuros).

Paulo deixa claro que despojar o velho homem significa remover, tanto as
impurezas da nossa alma (da “carne”), como as impurezas do espírito:

“Tendo pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo‑nos de toda impureza,


tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nos‑ sa santidade no temor
de Deus.” (2Co 7.1)

[ O Novo e o Velho homem, a Regeneração em Cristo ]


O seguinte quadro demonstra o velho homem (que ainda faz parte da nossa
constituição):
O VELHO HOMEM
CORPOALMA ESPÍRITO ATUAL (NAS PARTES CONTAMINADAS(NA
PARTE AINDA IMPURA)= CARNE)

Esta figura representa o homem natural do crente, que nasceu da carne (e


representa também o incrédulo, pois este só possui o velho homem, uma vez
que não nasceu do Espírito).

O corpo físico do crente ainda pertence ao velho homem; também dele fazem
parte as partes contaminadas na alma e no espírito.

Já o novo homem (que nós, nascidos de novo, também somos) pode ser
comparado com o templo de Deus no Antigo Testamento. E, como o Espírito
Santo habita no espírito, podemos dizer que o espírito do novo homem é o
Santo dos Santos.

O quadro que descreve o novo homem (somente existente naquele que foi
regenerado, nascido de novo) é o seguinte:
O HOMEM ESPIRITUAL (NOVO HOMEM)
ÁTRIO SANTO LUGAR CORPO ALMA (glorificado) (na parte pura)

SANTO DOS SANTOS ESPÍRITO


(onde habita o espírito santo)

À medida que nos santificando, isto é, despojando o velho homem, nos


revestindo do novo, num processo permanente em nossa vida.
capítulo 9
Cura Física e o Poder de Cristo
Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas
dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e
oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por
causa das nossas

iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas
pisaduras fomos sarados. (Is 53.4‑5)

Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Como já lemos, o


pecado nos leva às prisões espirituais, que poderão resultar por falta de
entendimento em prisões físicas, como por exemplo, enfermidades.

É absoluto que Jesus já levou tudo na cruz, porém, temos a opção de não
aceitar viver essa verdade. Quando nos aproximamos da verdade de Cristo, a
nossa consciência é vivificada, e somos confrontados a confessar os nossos
pecados, pelo conhecimento da verdade. “E conhe‑ cereis a verdade, e a
verdade vos libertará”. (João 8.32)

O Ministério de Cura faz parte do Reino de Deus. A cura vem para encorajar
e animar a alma temerosa e doente. A cura põe em ordem o plano original de
Deus para o homem, em torná-lo à sua imagem e semelhança (Gn 1:26). A
cura divina repara o mal, aponta para o Caminho, a Verdade e traz Vida (Jo
14:6). Jesus manifestou o poder sobrenatural de Deus, e através do Espírito
Santo, Ele conseguiu curar os cegos, abrir a audição dos surdos, desenrolar a
língua do mudo, e fazer o coxo andar. Esse poder sobrenatural está no DNA
da sua Igreja.

Jesus é o mais preocupado em nos tirar das prisões físicas também. O seu
ministério estava intrínseco com a manifestação sobrenatural de Deus na cura
física.

O Ministério de Jesus
“Jesus foi por toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas deles, pregando as
boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças entre o
povo.” (Mt 4:23)

O Ministério de Jesus também está ligado com a cura física (Is 61; Mt 8:17).
Nós recebemos a ordem para fazermos obras maiores que aquelas feitas por
Jesus Cristo. Precisamos orar pelos enfermos, e crer que Jesus é o Rei da
Cura, e o Cordeiro que levou as nossas enfermidades (Is 53).

Nós, como cristãos, devemos entender que a Cura Divina está relacionada à
libertação, uma vez que a maioria das enfermidades está ligada de uma forma
intrínseca com o pecado e o resultado da queda do homem.

Alguns médicos e a Ciência apresentam tratamentos psiquiátricos e


psicológicos para alguns pacientes sem alcançarem cura; sabemos que em
boa parte dos casos há uma relação entre a enfermidade e os demônios e
pecados.

Muitas vezes o pecado é a causa das enfermidades (Jo 5:5-14). Jesus sabia
que a causa da enfermidade daquele homem paralítico estava relacionada ao
pecado. O Senhor o advertiu alertando que a repetição ou permanência no
pecado poderia levá-lo a coisa pior, até mesmo à morte. Vemos que o pecado
pode afetar a constituição física, emocional e espiritual do homem. Quando
confessamos os nossos pecados somos curados (Tg 5:14-15).

A saúde pode ser atacada também pelo agir de satanás. Um exemplo é o caso
da mulher que viveu por dezoito anos presa por satanás, com enfermidade,
andando encurvada (Lc 13:10-16).

Os demônios podem deixar a pessoa muda e surda (Mc 9:25). Aqui


observamos o poder de Jesus e sua autoridade contra os espíritos malignos
(Mc 9:19-28).

Vemos que Jesus ensinava a Palavra de Deus (Mt 5:1-12), pregava o


arrependimento (Mt 4:17), curava as moléstias, doenças e enfermidades entre
o povo (Mt 4:23-24). E tudo que Ele fazia era com amor e compaixão.
A Cura é Iniciada pela Compaixão

A ministração deve ser feita com compaixão e amor, para que Jesus possa
operar:

Então Jesus, movido de íntima compaixão, tocou‑lhes nos olhos, e logo seus
olhos viram; e eles o seguiram. (Mt 20.34)

E, partindo Jesus dali, seguiram‑no dois cegos, clamando, e dizendo: Tem


compaixão de nós, filho de Davi. (Mt 9.27)

E, Jesus, saindo, viu uma grande multi‑ dão, e possuído de íntima compaixão
para com ela, curou os seus enfermos. (Mt 14.14)

A Cura é o Resultado da Fé

Temos que orar com fé, e não sermos uma geração incrédula. A Libertação é
pela fé, Jesus perguntava o que a pessoa queria, então Ele agia conforme a fé
daquela pessoa:

E eis que uma mulher que havia já doze anos padecia de um fluxo de sangue,
chegando por detrás dele, tocou a orla de sua roupa; porque dizia consigo:
Se eu tão‑somente tocar a sua roupa, ficarei sã. E Jesus, voltando‑se, e
vendo ‑a, disse: Tem ânimo, filha, a tua fé te salvou. E imediatamente a
mulher ficou sã. (Mt 9.20‑22)

Então respondeu Jesus, e disse‑lhe: Ó mu‑ lher, grande é a tua fé! Seja isso
feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã.
(Mt 15.28)

E Jesus, falando, disse‑lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse:
Mestre, que eu tenha vista. E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo
viu, e seguiu a Jesus pelo caminho. (Mc 10.51‑52)

Jesus Manifestava o Poder de Maravilhas:


Jesus cura os leprosos (Mt 8:1-4; Mc 1:40-45; Lc 5:12-14) Jesus proclama
que dá saúde (Mt 8:7).
Jesus cura o filho do centurião (Mt 8:5-6,13)
Jesus cura a febre (Mt 8:14)
Jesus expulsa os demônios e cura os enfermos (Mt 8:16) Jesus cura os
paralíticos (Mt 9:1-8; Mc 2:3-12; Lc 5:18-36)

Jesus cura a mulher com fluxo de sangue (Mt 9:18-26; Mc 5:22-43; Lc 8:40-
56)

Jesus cura os cegos e mudos (Mt 9:27-30)


Jesus tira o jugo (Mt 11:29-30)

Jesus cura o homem da mão mirrada (Mt 12:10-13; Mc 3:1-6; Lc 6:6-11)


Jesus cura para revelar a glória de Deus (Jo 9:1-7) Os anjos podem ministrar
curar, pelo comando de Deus (Jo 5:4)

O Dom de Cura

Deus nos deu vários dons, entre eles temos o dom da cura física (1Co 12:28-
30).
Na Bíblia o dom de maravilhas também pode ser o de cura; porém esse dom
de cura física é especifico.
Quando Jesus enviou os seus setenta discípulos para o campo missionário (Lc
10), Ele ordenou que curassem os enfermos:

“Curem os doentes que ali houver e di‑ gam‑lhes: ‘O Reino de Deus está
próximo de vocês’.” (Lc 10:9)

Nós devemos orar pela cura dos enfermos, é uma ordenança de Jesus Cristo,
para a manifestação do Reino de Deus aqui na Terra.

Quando nós oramos “Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na
terra como no céu” (Mt 6:10), estamos chamando à existência o Reino de
Paz, onde não há enfermidade. Invocamos a Teocracia, um governo dirigido
por Deus, cujas leis estão para a vida abundante, e não para morte.
Curar é dirigir a nossa fé para o Criador do Universo. Paulo nos aconselha a
procurarmos com zelo os melhores dons (1Co 12:31), e certamente o dom de
cura é um dos melhores.

Quando acontece o milagre de cura física, a alma e o espírito da pessoa


também são tocados pelo Senhor. Muitos se convertem após serem curados
sobrenaturalmente.
parte 3 A Realidade sobre Prisões Espirituais
capítulo 10
Histórias de Aprisionamento
“Os que se assentaram nas trevas e nas sombras da morte, presos em aflição
e em ferros, por se te‑ rem rebelado contra a palavra de Deus e haverem
desprezado o conselho do Altíssimo, de modo que

lhes abateu com trabalhos o coração ‑ caíram, e não houve quem os


socorresse. Então, na sua angústia, clamaram ao SENHOR, e ele os livrou
das suas tribulações. Tirou‑os das trevas e das sombras da morte lhes
despedaçou as cadeias.” (Sl 107:10-14)
Dentre as histórias de aprisionamento que li, ouvi, e delas participei como
ministradora de cura e libertação, não posso deixar de relatar uma que se acha
entre as mais impressionantes sobre este tema. É um caso que John

Sandford compartilha no seu livro “A Cura do Espírito Ferido”. Vamos ler a


seguir um resumo do que ele escreveu.

Algo estava Errado em sua Vida

Marli era esposa de um coronel do exército e era obrigada a estar sempre


hospedando pessoas e organizando festas. Ela era obrigada a desempenhar o
papel social de entreter as pessoas. Mas sentia-se fora do seu lugar. Ela não
conseguia identificar-se com os sentimentos dos outros. Era muito difícil
sentir o que os outros sentiam. Ela não desfrutava da plenitude da vida.

Marli era crente, cheia do Espírito Santo, mas apresentava os sintomas de


alguém presa espiritualmente. Sua devoção particular era árida. Os cultos na
igreja para ela eram muito monótonos, embora os outros se sentissem bem.
Era terrível, mas ela não conseguia sentir a presença de Deus. “Entrar na sala
do trono?... Nunca!” – pensava ela.

Marli era um constante embaraço para o seu marido. Ela não imaginava o
quanto ele a amava e a admirava. Mas, para ela, a vida sexual era um peso.
Seria melhor se não a tivesse. Se o marido fosse um pouco mais rude, poderia
ter uma desculpa para fugir dele, para abandoná-lo. Mas ele era alguém tão
gentil e carinhoso que Marli se enchia de desgosto e remorso quando tinha
aqueles pensamentos.

Marli era uma mulher linda e bastante saudável. Raramente tinha uma dor de
cabeça. Ela perguntava a si mesma o que poderia estar bloqueando a sua vida
espiritual, social e sexual. Uma coisa que lembrou foi que havia tido uma
carência de afeto muito grande de seus pais, especialmente do pai. Ela,
também, havia sido molestada sexualmente, na infância, fato já quase
suprimido em sua memória. Ao ser ministrada, diversas vezes, por John
Sandford, ela sempre dizia: “Não estou bem, não melhorou. Não sinto nada.”

Ele resolveu então ministrá-la mais uma vez. O fato é que já tinham feito de
tudo, e já haviam analisado a situação sob diversos ângulos. Não restava nada
a fazer, que já não tivesse sido tentado. Ele, John, era dotado com o dom da
empatia, a capacidade de sentir o que os outros sentem. Assim, ele se
identificava com Marli e sentia o que ela sentia por dentro, e, desse modo,
tentava encontrar a chave para a solução do problema.

Por um momento, John sentira como se fosse ela.

Como ele conhecia grande parte das experiências pelas quais ela havia
passado, John pediu permissão para identificar-se inteiramente com ela.
Assim, foi-lhe possível sentir as dores, as alegrias e outros sentimentos que
ela teve no passado, através do Espírito Santo, obtendo uma forte impressão
do caráter e da personalidade de Marli.

Ao ter licença para fazer isso, foi como se tivesse entrado espiritualmente
nela. John Sandford nunca tivera uma experiência semelhante. Ele sentiu-se
totalmente sozinho, pois ninguém estava em casa. Era como se tivesse
entrado dentro de um prédio vazio. Ele disse: “Senti o vazio de um grande
prédio. Eu estava só. O espírito dela não estava lá.”

Lembremo-nos de que os dois estavam, fisicamente, numa mesma sala,


acompanhados de algumas pessoas, que participavam da ministração, como
intercessores.

– Marli, onde você está? –, perguntou John.


– Diga-me você onde estou. É você que é o conselheiro – respondeu ela.
E assim, ele foi forçado a pedir que Jesus o ajudasse.

Jesus veio. John viu Jesus andando, descendo por um túnel escuro, e não
carregava nada - nem luz, nem uma tocha. Jesus era a própria luz. E tudo ia
sendo iluminado, tudo que antes estava no escuro. Jesus foi andando e John o
seguia. Ao chegarem diante de um grande calabouço, com uma porta
enferrujada, trancada, a porta abriu-se, automaticamente, diante de Jesus:

“Tenho as chaves da morte e do inferno ... O santo, o verdadei‑ ro, aquele


que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém
abre ... Toda a autoridade me foi dada nos céus e na terra.” Jesus é a própria
chave. “As portas do inferno não prevalecerão contra ela.”1

John e Jesus estavam entrando num calabouço do inferno. Conforme Jesus


caminhava, diante da sua presença saíam figuras fantasmagóricas do inferno,
surgindo do chão sujo. Marli estava lá. Foi encontrada numa esquina,
encurvada numa posição fetal. Ela era pequena, estava azulada e faminta.
Jesus a tomou e a colocou no colo. “Como pastor apas‑ centará o seu
rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seio;
as que amamentam ele guiará mansamente.” (Is 40:11)

O Senhor a tomou para levar para fora daquele lugar. Marly disse ao
ministrador, mais tarde, que teve momentos de alegria indescritível,
antevendo o que estava para acontecer. Jesus soprava o fôlego de vida nela.
Ela começou a andar com ELE.

E ela crescia; e, conforme andava, ia se transformando numa linda mulher.


Por duas vezes, ela voltou a cair no aprisionamento, mas foi chamada de
volta. E, finalmente, saiu daquela prisão.

John Sandford afirma que a Igreja precisa avançar e atacar o inimigo, tirando
as pessoas do cativeiro em que estão, invadindo os portais do inferno e
libertando os aprisionados.2

O Rapaz Aprisionado num Buraco


Por que José não conseguia libertar-se de certos procedimentos que tanto
odiava? Como é que, por vezes, via-se andando atrás de uma prostituta?
“Afinal” – pensava ele – “o que de errado tenho eu? Sou líder numa igreja
evangélica... Como posso ser levado a fazer isso?”

Quando o ministrei, constatei que ele estava aprisionado num buraco, que ele
mesmo havia cavado. Aconteceu que, um dia, por volta de seus 10 anos de
idade, ele foi levado ao quarto de um amigo, um lugar todo forrado de fotos
pornográficas. José ficou chocado com o que viu, e isso foi o suficiente para
ser invadido por espíritos estranhos. Naquele dia, o amigo tentou abusá-lo
sexualmente, e pediu-lhe que o masturbasse.

Com os seus 12 ou 13 anos, José começou a masturbar-se. Aos 15, já estava


viciado e não conseguia libertar-se. Ele estava preso numa masturbação
compulsiva. Crescendo, não se contentava mais apenas com a masturbação, e
começou a procurar prostitutas.

Um dia José se converteu. Mesmo assim, continuava procurando-as. Depois


de se casar, também não conseguia libertar-se. Sua vida era miserável porque
ficava com vergonha de si mesmo toda vez que caía no pecado da
prostituição. Sempre pedia perdão a Deus, mas ele estava amarrado, preso
àquela prática, e voltava a repetir o pecado.

Ao ser ministrado, quando José começou a renunciar os demônios (espíritos


de prostituição), começaram a se manifestar, trazendolhe um acesso de riso,
de gargalhadas. Algo o sufocava e ele ficou vermelho. E não conseguia
controlar os movimentos do seu corpo.

Naquele momento, um dos intercessores teve uma visão; viu José ainda
menino, cavando um buraco e divertindo-se, achando muita graça em estar
dentro daquele buraco. José ria muito. Mais tarde, porém, o intercessor o viu
como adulto, mas ele estava aprisionado numa gaiola de ferro, bem no fundo
daquele buraco. E José não conseguia sair de lá.

O meu entendimento dessa visão é que ele cavou o buraco da sua prisão
quando era jovem (através da masturbação constante, e vendo revistas e
filmes pornográficos). Conforme ele praticava a perversão sexual, formou-se
ao seu redor uma prisão de ferro batido: uma jaula, semelhante ao que o
intercessor viu. E José ficou aprisionado, engaiolado naquela prisão.

Ele precisava ser retirado de lá. Amarramos os demônios, e Jesus foi


convidado a entrar ali, tendo em sua mão a chave que abre qualquer porta ou
qualquer prisão. Um anjo veio para ajudá-lo e, finalmente, José pôde sair, e
assim foi liberto daqueles problemas que tanto o afligiam.

O Rapaz no Castelo de Música

Quando eu vi Luís na igreja, no meio de um Seminário de Libertação, ele


parecia alguém totalmente frio e indiferente. Enquanto a multidão, com
alegria, louvava e adorava a Deus, o rosto de Luís permanecia totalmente
indiferente e passivo. Ele não mexia um músculo sequer do seu rosto. Parecia
uma pedra.

Por ter Luís despertado a minha atenção, mais tarde examinei a sua ficha
(formulário que ele havia preenchido para ser ministrado), e verifiquei que
estava quase limpa, isto é, havia bem poucos itens assinalados (que
indicavam compromissos feitos no passado com as trevas, com o pecado).
Nada de diferente ou significativo nela havia. Mas, mesmo assim, eu o
escolhi para ser ministrado. O que eu não sabia era que os demônios vinham
se manifestando nele todas as noites, já por dois anos, conforme fui
informada depois.

Quando recebi Luís para ser ministrado e fomos orar por ele, Deus colocou
em nós uma comoção e um amor muito grande por aquele rapaz. Ele estava
preso, e o intercessor o viu dividido em três pedaços.

O primeiro pedaço referia-se à sua vida intrauterina; no segundo pedaço ele


se apresentava como totalmente amarrado com as cordas da guitarra; e o
terceiro pedaço referia-se à sua masculinidade. Luís contou-nos
posteriormente que, quando estava para nascer, a bolsa d’água arrebentou-se
e ele permaneceu sete dias, quieto, sem nenhuma água. Quando nasceu, os
médicos ficaram surpresos, porque normalmente ele não sobreviveria. Mas
Deus o conservou com vida, lá dentro, durante todo aquele tempo.
A princípio, pensei que se tratasse de um caso de sentimentos congelados
(uma condição em que a pessoa não demonstra nenhum sentimento, em razão
de haver feridas de alma). Mas, na ministração, constatei que Luís era alguém
de fato convertido, que tentava ser direito e queria sinceramente servir a
Deus, mas não conseguia.

A música era algo de suprema importância em sua vida. Luís me disse ainda
que não se sentia bem cantando da forma como o pessoal da igreja cantava,
porque ele se recusava a vulgarizar a música para Deus. Em sua ministração,
logo descobri que ele era idólatra da música. Luís idolatrava James Dean,
Elvis Presley e John Lennon.

As filosofias ou ideias que o norteavam eram, de um lado, tranquilidade,


autoimagem positiva, autoconfiança; de outro lado, tristeza, medos ocultos,
solidão, isolamento, depressão, “baixo astral”.

Com John Lennon ele aprendeu o desespero, que não existe futuro, a negação
de tudo, que existo porque existo, que nada faz sentido, o deboche, e a
filosofia do engano. Luís lia, cantava e estudava as músicas e as letras de
John Lennon, de um modo desvairado.

Ninguém sabia do seu mundo interior. Só ele sabia e, pela primeira vez, ele
estava se expondo.

E assim Deus foi me mostrando que ele estava preso num castelo que ele
mesmo havia construído para esconder-se. A filosofia daquelas músicas foi o
material que ele utilizou para construir esse castelo. Nele, Luís encontrou um
senhor bem vestido, que o levou a conhecer várias salas. Cada sala
representava algum tipo de música: rock, pop, jaz, neoclássico, etc. Quem o
conduzia tinha um controle de computador e o controlava.

Luís confessou os seus pecados e mostrou-se arrependido.

Quando começou a renunciar os espíritos malignos, teve dificuldade para


respirar. Era o espírito de morte que não queria largá-lo. Um dos
intercessores colocou-se então no lugar dele para renunciar e orar. E, assim,
com certa dificuldade, prosseguimos na sua ministração.
Ele enfrentava muito assédio sexual com os olhos das pessoas, especialmente
das mulheres. Ele se comunicava com os olhos. Os homens eram mais
terríveis na tentação. Ele era usado para ser exibido.

Na vida do dia a dia ele se refugiava na guitarra: quando estava triste,


desabafava seus sentimentos no instrumento. Por vezes tocava até machucar
os dedos. Aliás, ele me disse que tocava até sangrar. Era um pacto
inconsciente realizado com as trevas, selado com aquele sangue. Seus dedos
foram então desligados dos poderes malignos, mediante unção com o óleo.
Depois disso ele ficou espantado, pois seus dedos agora estavam livres.

Nessa hora, os demônios começaram a manifestar-se, assustados, porque fios


espirituais que antes estavam ligados nos dedos tinham sido desconectados.

Os demônios lançavam sobre ele palavras de acusação e de mau agouro:

“Você não vai ser nada!” “Se você for por este caminho, vai se dar mal!”
“Você não deve sair de onde está, em hipótese alguma!” “Você nunca vai
fazer bem à sua família!” “Tudo que você quer é errado!” “Tudo que você
gosta é certo!”

Aqueles espíritos estavam gritando, pois sabiam que estavam prestes a perdê-
lo e tinham sido obrigados a devolver tudo o que eles haviam roubado do
rapaz.

Chegou então o momento em que Luís teria de ser tirado daquele castelo.
Antes, porém, ungi com óleo a sua mente.

Com a unção, os demônios reagiram com violência. Um deles apareceu e


pediu um cigarro e, mais tarde, quis também uma bebida. Esse demônio disse
que Luís tinha um chamado para fundar uma nova religião, que seria
denominada Véu Nascente, e que atingiria toda a humanidade. Ela nasceria
na terra para defender a filosofia de vida adotada por James Dean.

O direito legal que Luís havia dado ao diabo e aos demônios tinha sido a
idolatria a James Dean. O demônio havia entrado na vida dele através de uma
sentença dada por um pai de santo muito famoso: “A paz como a essência da
vida”.

O inimigo sempre distorce a realidade da paz verdadeira. Ele dizia trazer a


paz. Eu, Neuza, lhe disse que não existe nenhuma paz fora do Príncipe da
Paz, Jesus Cristo de Nazaré. Então ele foi batendo com a língua nos dentes,
dizendo que trazia um falso bem-estar, uma maldade em forma de bondade,
cigarro na forma de pena, alcoolismo na forma prazerosa, e a vida com um
demônio chamado Belótos. E este apresentava-se muito amável.

Prosseguimos em tirar Luís do castelo. Era um lugar muito frio. JESUS e eu


nos dirigimos então ao castelo. Amarrei todos os espíritos que se
apresentavam como guardiães: James Dean, Elvis Presley e John Lennon.
Abri o castelo e pedi que Luís saísse, segurando as mãos de JESUS.

Luís saiu arrastado e um pouco assustado, então ficou em pé. Viu anjos
sorrindo para ele. Quando viu as mãos que o seguravam, identificou-as como
sendo as mãos de JESUS, por causa dos sinais. Eram as cicatrizes dos cravos,
da crucificação.

Naquele momento Luís começou a chorar, pois não podia acreditar no que
estava vendo. Ele não poderia estar segurando a mão do Salvador... mas
dizia:

- Senhor, eu não mereço, eu não mereço o que estou vendo. Não mereço o
que está acontecendo comigo!
Saindo do castelo, Luís conseguiu completar todas as renúncias das filosofias
daqueles ídolos de música.
Interessante foi o que aconteceu alguns dias depois: Um irmão de Luís
enviou-me um e-mail, dizendo: “Neuza, o que você fez com o meu irmão?
Pois ele está completamente diferente!”

Depois de um mês, voltei a ministrá-lo, pois queria tratá-lo também com a


cura interior. Ele veio acompanhado daquele seu irmão. Eu não tinha me
surpreendido quando o ouvi dizer que Luís estava totalmente diferente, pois é
muito comum receber esse tipo de testemunho. Portanto, eu não tinha dado
muita atenção a isso. Mas, no dia da cura interior, o seu irmão fez o seguinte
comentário:
- Neuza, a minha cama fica do lado da dele. E sei do que estou falando. Os
demônios manifestavam-se em meu irmão todos os dias. Nesses últimos dois
anos, eu não conseguia dormir, até que fossem expulsos os demônios que
nele estavam. Somente lá por volta de 1 hora é que eu conseguia pegar no
sono. Isso aconteceu todos os dias, durante dois anos! Mas depois que ele foi
ministrado e liberto, nunca mais os demônios voltaram!

No momento em que Luís foi curado, Jesus o pôs no colo, sendo Luís ainda
bebê.

Conforme íamos ministrando o rapaz através do Salmo 23, ele se viu


andando, com Jesus, pelos campos verdejantes. Foi divertir-se nas águas
tranquilas. Passou pelo vale da Sombra da Morte e o Senhor o levou para a
mesa de banquete, e lá ele comeu e tomou tudo de que gostava. Finalmente,
tomou o cálice da coragem, que transbordou.

Luís chorou várias vezes, dizendo que não merecia o que estava vendo. Sua
transformação foi visível, maravilhosa. Em seus dedos, que antes estavam
machucados de tanto tocar, e que até mesmo vertiam sangue, finalmente foi
colocada uma pele nova, e as marcas digitais foram refeitas.

Por algumas vezes ele voltou a ser aprisionado.

Na terceira ministração perguntei-lhe quanto ao rock pesado, e ele me contou


vários episódios. Luís me respondeu, esclarecendo o tipo de música com que
se envolvera, mencionando os pactos satânicos, as invocações e os rituais de
consagração.

Nessas horas de confronto, Luís ficava oprimido e sentia um peso terrível no


corpo. Eram momentos de muita luta e guerra intensa. E ele ficava indignado
com a situação. Na hora da renúncia, vários demônios manifestavam-se. Luís
cansava-se de tanto resistir, mas ele queria mesmo libertar-se.

Houve três momentos maravilhosos na ministração: o primeiro foi na saída


dos demônios. Eles diziam ter muita raiva dele, porque Deus iria usá-lo.
O segundo momento foi quando Jesus lhe foi ao encontro, no tempo em que
ele ainda era bebê. Luís foi tirado seco do ventre materno, pois a bolsa havia
rompido e ele estava tendo muita dificuldade para respirar.

Quando estava sendo carregado por Jesus, viu demônios tentando atacá-lo,
mas eles não conseguiam atingi-lo. Havia uma redoma invisível protegendo-
o, e isso impedia as entidades malignas de o alcançarem. Luís ria e divertia-se
observando os demônios batendo naquela redoma, pois caíam com violência,
ao chocarem-se na redoma de proteção.

O terceiro momento foi a saída dele da sepultura. Luís estava na cova, e Jesus
veio tirá-lo de lá. O próprio Luís foi quem disse: “Tira esta pedra de cima de
mim!”

E, respirando fundo, saiu de lá, muito feliz.


Quando renovamos o batismo do Espírito Santo, ele falou em novas línguas e
trouxe profecias aos intercessores.

1 Ap 1:18; 3:7; Mt 28:18; 16;18b. 2 Veja referência em nota, no cap.6.


capítulo 11
Confirmação por outros Ministérios
“Eu, o Senhor, te chamei em justiça, tomar‑te‑ei pela mão, e te guardarei, e
te farei mediador da aliança com o povo e luz para os gentios; para abrires
os olhos aos cegos, para tirares da prisão o cativo e do

cárcere, os que jazem em trevas.” (Is 42:6-7)


Quando Deus começou a usar-me para tirar pessoas de prisões espirituais, me
levou ao encontro de outros irmãos, que também estavam ministrando
aprisionados espirituais, tirando-os do cativeiro. E assim tive a confirmação,
através de pessoas de outros ministérios, de tudo que o Espírito Santo estava
me mostrando. Também uma irmã, que teve uma visão de Deus, me trouxe
confirmação de que, de fato, muitos precisam ser libertos de prisões
espirituais.

Vou relatar com mais detalhes como Deus usou diferentes pessoas para
confirmar esta verdade.

Nos Estados Unidos

Em maio de 1999 estive numa conferência chamada “Treinamento de Leões”,


na cidade de Colorado Springs, no estado de Colorado, Estados Unidos. O
evento aconteceu no Centro Mundial de Oração, dirigido pelo Dr. Peter
Wagner.

Para lá foram guerreiros espirituais de diversos países, convocados para fazer


um ato profético no dia 11 de agosto, por ocasião de um eclipse solar. No
Treinamento de Leões, tive a oportunidade de ouvir uma pastora compartilhar
uma experiência inédita. Ela havia enfrentado uma situação muito difícil.

Sua irmã gêmea estava enferma, com câncer, e não reagia a nenhuma
campanha de oração, nem a jejuns. Essa pastora orava, perguntando a Deus o
que acontecia com a irmã. Apesar de sua irmã ser evangelista, ao passar um
dia por uma dor insuportável, ela havia ficado presa espiritualmente. O que
tinha acontecido?
Foi então que o apóstolo Chuck Pierce trouxe a palavra de que ela precisaria
encontrar uma chave para tirar sua irmã de onde estava. Quando ela começou
a orar para que Deus lhe mostrasse onde estava essa chave, Deus lhe
respondeu. Dois anjos apareceram diante dela e a conduziram a um lugar
totalmente desconhecido. Ela e os anjos andaram por um longo tempo e
foram parar num lugar que parecia uma enorme prisão; era um calabouço
cheio de quartos.

A pastora passou diante de vários deles e finalmente encontrou sua irmã num
daqueles quartos. Ela estava amarrada. A pastora a tirou de lá e a trouxe de
volta. Mas, logo em seguida, sua irmã ficou com pneumonia. E ela viu então
a Rainha dos Céus assentada sobre o peito da irmã. A pastora precisava
libertá-la das mãos dessa entidade. Pediu perdão pela idolatria da família.

Ao ser retirada das mãos da Rainha, sua irmã tossiu no quarto onde dormia.
A partir daquele momento, ela começou a ficar boa e foi curada
completamente.

Para mim e para a pastora Lílian La Torraca o testemunho dessa pastora foi
algo maravilhoso e incentivador. Pois era uma confirmação de tudo que
estávamos fazendo e ministrando no Brasil, em nosso ministério de
libertação, em obediência a Deus.

A Moça que Viajou ao Centro da Terra

Um dia, quando eu estava ministrando uma aula no nosso Curso de


Libertadores, ao comentar sobre o capítulo 61 de Isaías, que se refere à prisão
espiritual, uma aluna me disse que havia sido aprisionada no centro da terra, e
que alguém a tinha tirado daquele lugar. Era a nossa aluna Mércia. Eu lhe
pedi que escrevesse a sua experiência. Assim, ela escreveu:

Há cerca de dois anos o Senhor começou a dizer que eu me preparasse. Ele


falou através de profetas.

Tive muitos sonhos. Sonhei diversas vezes que eu estava saindo da minha
cidade, cada vez usando um meio de transporte di‑ ferente: um trem, um
barco, um navio, um avião, e até um submarino.

Amigos e irmãos em Cristo também sonharam a meu res‑ peito. Uma irmã
sonhou que entrou na igreja procurando‑me. Quando me encontrou, disse:
“Mércia, o que você está fazendo aí? O Rei está chamando! Já está tudo
assinado; o Embaixador a está esperando! Vá!”

Outra irmã estava orando por mim, quando o Senhor inter‑ rompeu a sua
oração e lhe disse: “Ela tem pouco tempo aqui. Na cidade, ore pela sua vida.
Ela vai para tal cidade.” E essa irmã orou: “Senhor, Mércia não gosta de lá.
E o Senhor respondeu: “Ela vai e ficará lá por algum tempo.”

Todos que oravam comigo diziam a mesma coisa: “Prepare a sua mala, já é
hora.”

No início daquele ano o Senhor falou sério comigo, tão sério que decidi ir
para aquela cidade, mas isso aconteceu só no final do ano.

Em junho, minha irmã, que mora naquela cidade, teve um problema no


coração. Então minha mãe e eu fomos para lá. Depois da operação, minha
irmã, sabendo do meu chamado, disse que eu não vol‑ taria para a minha
cidade e que eu precisava obedecer ao Senhor.

Então pedi em minha igreja a carta para a minha transfe‑ rência para a
igreja da cidade de minha irmã.

O Senhor orientou‑me a morar na casa da minha irmã. Co‑ mecei a sentir


muita opressão, tristeza; não conseguia orar, nem ler a Palavra. Sentia dor
no coração, dor física, um aperto no peito, saudades da minha casa, dos
amigos, da igreja da minha cidade; doía muito. Eu chorava muito, e não
conseguia dizer a Deus e a ninguém o que estava sentindo. Essa nova cidade
era horrível para mim, e eu achava as pes‑ soas muito feias.

Na igreja que lá frequentava, o culto não me dizia nada, a palavra não me


agradava, o louvor, muito menos; tudo era horrível. Minha vontade era ir
embora, mas eu não me esquecia de que tinha sido o Senhor quem me havia
mandado para lá – e eu sou obediente.
Um dia eu já estava quase desistindo; estava muito mal, e consegui voltar à
minha cidade. Chorei a viagem toda. Cheguei à noite.

Então uma amiga, a Dora, ligou‑me sem saber que eu esta‑ va lá, e me disse
que o Senhor lhe havia mandado procurar‑me, dizendo que eu não estava
bem, e que ela deveria orar comigo.

Encontramo‑nos no dia seguinte e então contei o que estava acontecendo


comigo. Enquanto eu falava, o Senhor lembrou a ela de um fato ocorrido há
dois anos atrás, num Seminário da ADHONEP, em que na ministração final
da palavra de um pastor da África, ela foi à frente orar e receber unção. Ela
estava de olhos fechados e o Senhor mandou que ela abrisse os olhos e ela
viu, saindo do chão, raízes como se fossem braços que prendiam as pernas
das pessoas.

Então o Senhor disse que eram demônios que vivem sob o solo, dentro da
terra, que prendem as pessoas para que elas não cumpram o “IDE” do
Senhor e que, naquele momento, Ele disse ainda, que eu seria a primeira
pessoa por quem ela iria orar. Dora é minha amiga há muito tempo. Tinha
sido católica carismática. Um ano depois da minha conver‑ são ela aceitou
Jesus, vendo a minha transformação e ouvindo a Palavra.

Então começamos a orar. Dora orou dizendo que era teste‑ munha dos meus
propósitos em servir a Deus e obedecê‑lo. E disse que só o Senhor poderia
revelar a raiz do problema. E aí o Senhor me lem‑ brou que um dia eu tinha
feito uma viagem astral, induzida, num grupo que eu frequentava.

Era um grupo esotérico. Fazíamos relaxamento e, depois, a dirigente nos


orientava a irmos em viagem para algum lugar. Um dia ela nos disse para
irmos a um monte bem alto e, dali, teríamos que voar pas‑ sando por
cidades, rios, florestas, mares, até chegar ao Egito – na Esfinge.

E ela disse: “Há uma porta, procure.”


Eu procurei e achei a porta entre os pés da Esfinge.

Entrei por um longo corredor, claro, cheio de desenhos e letras nas paredes.
Ela falou novamente: “Procure outra porta.” Achei a porta, e então entrei
num salão grande, dourado, com as paredes tam‑ bém cheias de hieróglifos.

A mulher novamente mandou que procurássemos outra por‑ ta. Entrei e fui
sair num lugar que parecia uma floresta. Havia caminhos. Segui por ali; era
meio escuro. As árvores tinham cipós caindo; o local era bem lúgubre e, no
final do caminho, havia um trono onde um ser estava sentado. Era um ser
meio árvore, meio‑gente. Ele falou comigo e eu respon‑ di, mas não me
lembro do que ele disse, mas entreguei a ele o meu coração. Depois fomos
orientados pela dirigente a voltar pelo mesmo caminho.

Demorou bastante tempo para o corpo voltar ao normal; parecia que eu


estava anestesiada.

Contei isto a Dora e ela me disse que nesse lugar eu ficara presa
espiritualmente. Pedi perdão a Deus por ter feito isso e disse a Ele que eu
queria sair de lá.

Dora orou, e eu vi duas mãos enormes. Eu sabia que eram as mãos de Jesus,
e vi naquelas mãos um coração sendo retirado de lá. Doía muito dentro do
meu peito. Parecia que eu ia morrer. Dora minis‑ trou arrancando aquela
dor e colocando‑a nas mãos de Jesus.

Voltei para a cidade de minha irmã completamente curada. Essa cidade não
é feia, nem as pessoas são horríveis. Não é mais um sacrifício morar lá,
apesar de que eu ainda prefira a minha cidade.

História de Barra Mansa

O pastor Cláudio Kelly atendeu a uma menina, de nome Carla, numa situação
de endemoninhamento que ele concluiu ter sido um caso de aprisionamento.
Ele relatou a sua experiência, escrevendo o seguinte:

Carla estava endemoninhada e não conseguia libertar-se. Ao recobrar a


consciência, ainda prostrada no chão, disse:
– Pastor, estou num lugar escuro e não consigo me mover. A escuridão é
densa; não consigo enxergar nada.
Na realidade ela estava caída no chão, na mesma sala em que o pastor estava.
Depois de muito lutar contra os demônios, o pastor lhe disse:
– Olhe ao seu redor; dá para ver alguma luz agora?

– Sim, pastor, vejo um filete de luz, lá longe.


– Então, por favor, vá em direção a essa luz. Você está conseguindo andar?

– Estou sim.
– Enquanto caminha até lá, diga o que você está vendo.

– Pastor, a luz está ficando cada vez mais forte; agora eu vejo uma escada.
– Suba a escada, menina. Ao subir e chegar ao fim da escada, Carla saiu do
seu estado letárgico e voltou ao normal.
O pastor confirmou-me que ela estava aprisionada espiritualmente, mas havia
saído daquela prisão.

Um Pastor Aprisionado num Calabouço

Quando os nossos amigos Luci e Mário, que são obreiros em sua igreja, me
ouviram relatar casos de pessoas que foram libertas de prisões espirituais, um
deles me fez o seguinte comentário:

Interessante... agora é que estou entendendo o que vi. Quando eu estava


orando pelo pastor Augusto, tive uma visão com ele. Esse pastor, já há
bastante tempo, está tentando abrir um ministério através do rádio, mas nunca
consegue.

Na visão, eu o vi preso num calabouço. Ele estava desesperado, pois queria


sair de lá. Ele ia até a janela, mas ela estava hermeticamente fechada. Corria e
batia numa porta, mas ela estava trancada. Ele não conseguia sair.

Naquela hora eu não entendi nada. Mas, diante da explanação sobre prisões
espirituais, esta visão passou a fazer sentido.

Aprisionada por Palavras de Condenação

Este é o testemunho de uma libertadora que, através de um sonho, saiu de


uma prisão em que se achava presa.
Ela mesma relatou-me o seguinte:

Por algum tempo havia em mim uma coisa muito estranha. Era um
sentimento muito forte de morte. Um certo dia foi terrível para mim: foi
caracterizado por muita dor, muita angústia e ainda sentimentos de
condenação.

Antes de dormir, fiquei orando durante um longo tempo. Então adormeci e


sonhei que estava pregando. Era num lugar em que havia muitas pessoas,
mas, dentro de mim eu dizia: “Eu não quero! Que estou fazendo aqui?”

A dor de nada dar certo, de não progredir, de nada definir na minha vida era
muito forte.
Meu sonho prosseguiu. Uma mulher aproximou-se e me disse:
– Deus está dizendo que lhe dará um sinal; com ele, você saberá que chegou
a hora.

Eu sabia qual era o sinal que Ele me daria, e eu respondi a ela:


– Está bem.

Depois eu me achei num outro lugar, pregando também, porém com aquele
mesmo sentimento. Uma mulher aproximou-se e disse a mesma coisa, que
Deus me daria um sinal. Mas agora eu via o sinal materializado em minha
mão. Fui então me sentindo sem forças, e o que estava em minha mão foi
diminuindo, diminuindo, até desaparecer. À medida que isso acontecia, eu
ficava cada vez mais fraca; pensei até que ia cair.

A mulher voltou e me disse de novo:


– Deus manda lhe dizer que você terá uma experiência de arrebatamento.
Mas, estou lhe avisando, ainda não chegou a hora.

O cenário no sonho mudou, e eu já não me via mais onde estava. Agora eu


me via no sofá da minha casa, deitada de barriga para cima, exatamente como
eu me achava, dormindo.
Eu podia ver toda a sala, e a mulher que me trouxe a mensagem estava
sentada na ponta do sofá. Olhando para mim, ela disse:
– Esta palavra é realmente de Deus. Só que tem uma coisa...
– Quando ela disse isso, eu já sabia o que era.

Ela continuou, dizendo:


– ... você está aprisionada num caixão!
Então eu lhe disse:

– Eu sei. Sabe por que eu estou num caixão? Foram palavras de pastores que
me aprisionaram espiritualmente...
Essa mulher, que era pastora, só via o caixão do meu aprisionamento e não
sabia a razão. Eu continuei dizendo:

– Mas, me dê a sua mão, eu quero sair desse caixão. Ela ficou um pouco
assustada, e então eu lhe disse:
– Não precisa ter medo. Você tem autoridade para me tirar daqui.
– Eu não posso – disse a pastora.

– Você pode me ajudar, sim, e pode me tirar daqui! – foi minha imediata
resposta.
Como aquela pastora já havia feito o Curso de Libertadores, eu lhe disse
ainda:
– Você se lembra do estudo em que a Neuza fala de prisões espirituais? Dê-
me a sua mão.

Ela, porém, continuou com receio. De repente, surgiu uma mão, não sei de
onde. Eu me agarrei nessa mão e saí do caixão, então comecei a andar. Tudo
isso ainda era no sonho. Quando acordei, isto é, quando abri os olhos, eu
estava andando pela sala, dizendo: “Para esse caixão eu não volto, nunca
mais!”

Foi então que percebi que, na verdade, eu estava andando pela sala. Eram
2h30 da madrugada. Senti um grande alívio e fui comer, pois estava com
fome. A partir daquele dia tenho sentido muita diferença. Entendi que foram
as palavras de condenação, julgamento e a crítica de líderes da igreja que me
haviam aprisionado.
Debaixo de uma Árvore, ao Meditar na Palavra

Depois da palestra sobre prisões espirituais, geralmente oramos por todo o


grupo, tirando as pessoas dos locais onde estão aprisionadas, e amarrando os
espíritos guardiães que montam guarda sobre elas. Em seguida, convidamos
para darem o seu testemunho.

Um dia, quando ouvíamos os testemunhos, um deles, em particular, me


chamou a atenção. Foi de uma irmã que, tendo lido o livro “Celebração da
Disciplina”, de Richard Foster, foi desafiada pelo autor a meditar na Palavra.
Naquele dia ela separou um pouco de tempo para ficar na presença do
Senhor, lendo e meditando na Palavra. Era um lugar ao ar livre, debaixo da
sombra de uma árvore. Sentada ali, ela abriu a Bíblia.

Naquele momento, porém, ela caiu num buraco, espiritualmente. Ela nem
percebeu que estava tendo uma visão, ou um arrebatamento espiritual. E foi
parar numa área debaixo da terra. O lugar era imenso. Havia milhares de
quartos; parecia uma prisão. Ela viu ali muitas pessoas aprisionadas, em
desespero.

– Senhor, o que é isto? – questionou ela.


Num segundo momento, a visão mudou e ela se viu diante de uma grande
multidão: crianças, adultos, homens e mulheres.

Era um número muito grande de pessoas.


O Senhor perguntou a ela:
– Sabe quem são estes?
– Não, Senhor, não sei quem são.

– Estes são aqueles que você vai tirar da prisão – respondeu o Senhor.
Ela não tinha entendido nada, naquele dia. Mas, naquela noite, ela deu o seu
testemunho, dizendo:

“Hoje, depois de ouvir a palestra sobre a libertação de aprisionamentos, eu


comecei a entender o significado daquela visão. Deus vai me usar para abrir
portas de prisões, para tirar as pessoas que se acham presas.”
parte 4
Jesus O Libertador: Testemunhos Reais sobre
Libertação
TESTEMUNHO 1
Aprisionamento pelo Espírito de Morte
“Sou contado com os que baixam à cova; sou como um homem sem força,
atirado entre os mortos; como os feridos de morte que jazem na sepultura,
dos quais já não te lembras; são desamparados de tuas mãos.” (Sl 88:4-5)
O propósito de Deus para o homem é viver e usufruir a vida. Ele é Deus dos
vivos. Em Cristo temos vida, e vida em abundância. A morte é sempre
contrária ao que Deus tem reservado para nós, e está ligada aos poderes

das trevas.

Muitas pessoas que enfrentam o falecimento de seus queridos, amados, dos


que são próximos ao seu coração, não sabem como lidar com a morte, porque
nunca se prepararam para enfrentá-la. E, assim, passam por uma dor imensa e
quase insuperável, quando ela aparece.

O que pode acontecer com os que enfrentam tais momentos de trauma,


separação e perda? Para muitos, o sofrimento que passam lhes traz, como
consequência, um estado de aprisionamento espiritual. Ficam aprisionados
espiritualmente.

O ser humano, em geral, não sabe como lidar com a morte. Muitas pessoas,
que se dizem esotéricas, pretendem resolver a questão da morte, e fazem de
tudo para tentar superar o medo da morte; afinal, ela é o último inimigo a ser
enfrentado. Mas só a Palavra de Deus tem a resposta. Assim expressou-se
Isaías:

“Porquanto dizeis: Fizemos aliança com a morte e com o além fizemos


acordo; quando passar o dilúvio do açoite, não chegará a nós, porque, por
nosso refúgio, temos a mentira e debaixo da falsidade nós temos escondido.
Por‑ tanto, assim diz o Senhor Deus: Eis que eu as‑ sentei em Sião uma
pedra, pedra já provada, pedra preciosa, angular, solidamente assenta‑ da;
aquele que crer não foge. Farei do juízo a régua e da justiça, o prumo; a
saraiva varre‑ rá o refúgio da mentira, e as águas arrastarão o esconderijo.
A vossa aliança com a morte será anulada, e o vosso acordo com o além não
subsistirá...” (Is 28:15‑18)

O Rapaz que estava Preso num Caixão

Num seminário, quando previamente examinei a ficha de ministração de um


rapaz que seria atendido por mim – ao ver que pouca coisa estava assinalada
– eu reagi, dizendo: “Este caso deve ser bem simples. Creio que não terá
muito o que fazer.”

A ministração, porém, não foi bem assim. Conforme fui fazendo as perguntas
da entrevista inicial que sempre fazemos para conhecer a pessoa, para
entender a situação e a razão pela qual veio procurar libertação, observei que
a vida daquele rapaz, de fato, estava paralisada. Para ele, o tempo tinha
parado e nada acontecia.

Ele era realmente convertido. Antes de sua conversão, porém, havia sido
empresário de prostitutas e diretor de vários shows de “striptease”, e viajava
por todo o Brasil, dirigindo essa categoria de espetáculos. Mas foi salvo por
Jesus. Ele havia tido, de forma bem clara, a experiência de nascer de novo.
Ele era filho de Deus, sabia do perdão de Deus, entendia o que é a graça de
Deus. Mas a sua vida estava paralisada. Nada acontecia.

Nenhuma porta se abria. E estava desempregado. Não se sentia realizado.

Foi então que um detalhe de sua ficha de ministração me chamou a atenção.


Ele havia assinalado o autor Paulo Coelho, um conhecido bruxo, que tem
escrito vários livros.

Eu lhe perguntei:
– Você foi admirador desse autor?

Ele me disse que havia lido um de seus livros e que chegou a fazer um
exercício ali recomendado. Pedi-lhe então que me descrevesse esse exercício.
Assim ele explicou:

– Esse exercício supostamente ajudaria a cada um de nós confrontar o medo


de morrer. Ele nos ajudaria a perder esse medo. Assim eu tinha de fazer o
seguinte:

“Primeiro eu me imaginava morto, sendo posto num caixão. Então, me via


sendo enfeitado com muitas flores. A tampa do meu caixão era fechada. Em
seguida, tinha que imaginar sentindo-me sufocado, e o ar tornando-se
rarefeito. E, depois, devia sentir o meu caixão descendo para a cova, e a terra
sendo jogada por cima. A minha imaginação teria de ser minuciosa e, aos
poucos, era para sentir a morte, e imaginar a minha carne apodrecendo e os
meus ossos secando-se.”

“Ah, sim, aqui está o seu problema...” –, assim pensei eu. E lhe disse:

– Você está aprisionado nesse caixão de defunto que foi criado em sua mente
através desse exercício de imaginação.

Através da imaginação daquele rapaz, criou-se algo real no mundo espiritual:


uma prisão que o aprisionou espiritualmente. Ele estava preso lá, naquele
caixão em que se colocou, mentalmente, e no qual foi espiritualmente
enterrado.

Naquela tarde eu o trouxe para fora do caixão, abrindo a porta daquela prisão
espiritual, usando a chave de Jesus que me tinha sido dada.

Se bem que mais à frente vamos tratar disto mais extensivamente, quero
desde já dizer que o processo para tirar alguém de uma prisão pode ser feito
seguindo os seguintes passos:

· Primeiro: A pessoa aprisionada reconhece o Senhor como aquele que abre a


prisão dos aprisionados (Is 61:1);

· Segundo: Os guardiães demoníacos, que estão vigiando a prisão, devem ser


amarrados. Geralmente são aqueles que estão ligados ao problema da pessoa,
que exercem a guarda sobre ela e não a permitem escapar. No caso citado,
foram os espíritos de medo, morte, mentira, culpa, destruição e paralisação.
(Depois de os amarrar, eu os deixo de lado, pois logo eles serão
encaminhados para um lugar de perdição, sendo enviados por Jesus Cristo);
· No terceiro passo, usamos a chave que nos foi dada para abrir prisões e
convidamos a pessoa a sair. Outro jeito de se fazer a libertação é pedir a Jesus
para entrar na prisão e tomar a mão da pessoa aprisionada, saindo de lá com
ela. Por fim, mandamos os demônios guardiães para o lugar que Jesus
reservou para eles.

No caso que acabei de descrever, o rapaz sentiu um grande alívio. Isso foi
apenas um primeiro sintoma da saída da prisão espiritual em que ele estava.

Ela Visitava o Irmão no Cemitério

Justamente numa noite em que eu ia dar uma aula sobre aprisionamento


espiritual, em nosso Curso de Libertadores, uma de nossas alunas, Ana, veio
falar comigo. E me confidenciou:

– Pastora, estou casada há 4 anos, mas não sinto nada no relacionamento


íntimo com o meu marido.

Minha reação foi perguntar a mim mesma: “vou ter de cuidar disso, agora?”
Pedi-lhe então que ouvisse primeiro a mensagem, e depois conversaríamos
sobre o assunto.

Naquela noite, enquanto Ana me ouvia falar sobre aprisionamento espiritual,


sentiu-se muito mal e vomitou muitas vezes. Agradeço a Deus por ter
enviado um membro da nossa Equipe para me ajudar, pois ele a atendeu,
enquanto eu continuava falando. Posteriormente, ela me explicou:

“Neuza, a nossa família era composta de quatro pessoas: meus pais, meu
irmão e eu. Com a morte do meu irmão, fomos reduzidos a três. Aconteceu
que nós, literalmente, nos enterramos com ele. A vida não tinha mais sentido
para nós. Mesmo assim eu cheguei a me casar. Mas meu irmão, depois da sua
morte, me aparecia todas as noites e me dizia: ‘Aninha, estou tão sozinho, por
favor, não me abandone!’ ”

Assim, à noite, enquanto o marido estava deitado a seu lado, Ana, em sua
imaginação, ia visitar o irmão.
Na sua mente ela ia até o cemitério e passava longas horas lá, batendo um
bom papo com ele, como se ele ainda estivesse vivo. Isso repetiu-se até o dia
da sua ministração.

Na realidade, ela havia se aprisionado naquele túmulo, por ocasião da morte


do irmão. E estava sendo enganada, recebendo a visita de um demônio, noite
após noite.

Pela misericórdia de Deus, porém, ela entendeu que estava aprisionada e saiu
da prisão. Deus retirou os sintomas do aprisionamento espiritual, e ela passou
a ter prazer no relacionamento com o marido.

Algum tempo depois de liberta da prisão, Ana ficou grávida. Então ela veio
ver-me, feliz da vida, expressando gratidão a Deus por estar livre daquela
prisão espiritual.

Trinta e Cinco Anos Preso num Cemitério

Este é o relato de um irmão que me explicou que havia aguardado com muita
ansiedade a realização do Seminário de Libertação e Cura Interior em sua
cidade. Mas, já no Seminário, no sábado pela manhã, subitamente recebeu
um recado de seus pais, dizendo que estavam vindo visitá-lo. Ele foi obrigado
a sair do Seminário para recebê-los no aeroporto.

Por causa disso ele não pôde ser ministrado naquele Seminário, porque um
dos requisitos para ser atendido individualmente é o da pessoa não perder
nenhuma palestra, e ele havia faltado no sábado pela manhã.

Ele ficou triste, decepcionado e com muita mágoa, pois vinha esperando a
oportunidade de ser ministrado já por alguns anos. Algum tempo depois,
porém, ele pôde ser ministrado pessoalmente, para sua alegria. Veja como ele
mesmo relata como tudo aconteceu:

Em certa ocasião a Dra. Neuza Itioka, com sua equipe de ministradores,


realizou em Palmas, onde resido, um Seminário de Libertação e Cura Interior.
Eu e minha esposa participávamos desse seminário, e queríamos passar pelas
ministrações individuais.
Num dos dias, porém, tivemos de buscar meus pais no Aeroporto de Palmas
e, devido ao atraso da chegada do voo e a distância do aeroporto, perdemos
toda a parte da manhã naquele dia, e assim fomos vetados de participar da
ministração pessoal.

Muito me indignei, porque sabia que precisava de libertação, logo agora que
estava diante de uma equipe realmente habilitada para tal. Por causa disto fui
me distanciando das coisas de Deus e da igreja onde congregava. Aconteceu
ainda que tive um “atrito tolo” com o meu pastor, e então saímos (eu e minha
esposa) daquela igreja, e passamos a frequentar outra.

Já estávamos nessa outra igreja há aproximadamente sete meses, quando


fiquei sabendo que a apóstola Neuza Itioka estaria novamente em Palmas,
pois o seu nome estava entre os preletores de uma Conferência Profética que
se realizaria em nossa cidade.

Nasceu em mim, então, o desejo de participar dessa Conferência, porque eu


queria uma oportunidade para pedir perdão à apóstola. Comecei então a orar,
rogando a Deus que me proporcionasse uma oportunidade de pedir perdão a
ela por ter ficado magoado com ela, por ter sido vetado da ministração de
libertação, dois anos antes.

Procuramos então o presidente da nossa igreja, para obter autorização para


participarmos da Conferência com a Neuza Itioka. Tentei por duas vezes falar
com ele, mas não consegui. Então eu e minha esposa fomos ao vice-
presidente e expusemos o nosso desejo de participar do evento. Ele nos
informou que não estavam permitindo a participação. Cobramos dele, então,
qual seria o motivo de estarem vetando a participação. Isso não havia sido
anunciado à igreja; pensavam que, pelo fato de não colocarem cartazes,
ninguém se interessaria pelo evento.

Após alguns momentos de conversa, ele nos declarou o motivo: “Um dos
ministrantes do evento está pregando heresia.” Quis saber que heresia seria
essa, e a resposta foi que tal pessoa não amava mais a Israel, porque havia
queimado a sua bandeira.
Dissemos então a ele que algumas pessoas da igreja já tinham feito inscrição
para a Conferência, e que não havia nenhuma informação de que não
deveríamos participar. Disse-nos ele então que, no culto à noite, o presidente
falaria sobre o assunto.

Entretanto, nada foi dito no culto a esse respeito. Como não havia uma
confirmação legal do veto, eu e minha esposa inscrevemo-nos para o evento.
Logo após, porém, Deus mudou o rumo dos acontecimentos.

Minha filha pediu-me para levá-la à casa de uma de suas amigas da igreja, e
assim fiz. Depois de deixá-la na casa da amiga, senti vontade de visitar um
dos irmãos da igreja a qual eu antes pertencia – e aí aconteceu algo que muito
me alegrou e também me preocupou.

Disse-me ele: “Eu o convido, juntamente com sua esposa, para participarem
conosco do café da manhã e oração, com a presença da apóstola Neuza
Itioka, que acontecerá na manhã do início da Conferência. Lá estarão
reunidas as lideranças de todas as igrejas que estão trabalhando para a
realização desse evento.”

Ainda perguntei: “Mas nós realmente poderemos participar?” E ele foi


afirmativo.

Contei isso à minha esposa e, no dia marcado, lá estávamos. Então a


concretização do que eu pretendia (pedir perdão à apóstola) ficou mais fácil
do que eu imaginava: após a ministração da apóstola Neuza Itioka, pude
abraçá-la e lhe pedir perdão por ter ficado magoado com ela.

A apóstola naquele momento não entendeu, mas logo interveio minha esposa
e então ela pôde lembrar-se de que realmente o meu caso carecia de uma
libertação, e que eu não fui ministrado por não ter participado de todo o
Seminário.

Eu já estava de alma lavada, e o que eu queria que acontecesse na


Conferência já havia acontecido! Deus, porém, não parou a obra por ali.
Naquela mesma manhã, quando ainda participávamos daquele café, a
apóstola pediu o meu telefone e então passei a ela o número do meu celular e
o da minha esposa.
No outro dia, precisamente às 5:05 horas da manhã, a apóstola acordou
minha esposa e disse: “Avise o seu marido para estar na igreja hoje, às 15:00
horas, que estarei ministrando a sua libertação”. Ela disse, ainda, que não
tinha vindo à Conferência para ministrar libertação, mas Deus lhe fez abrir
uma exceção.

Sabedor da responsabilidade da apóstola com as coisas de Deus, eu e minha


esposa chegamos ao local antes do horário marcado; e, exatamente às 14:57
horas, a apóstola chegou à igreja.

Desse modo, para sua alegria, ele foi ministrado naquele dia. Na sua
ministração, ouvi então a história da sua vida. O que ele me relatou foi o
seguinte:

Eu, meus pais e meus irmãos nos amávamos muito: éramos na verdade uma
família muito feliz (e sabíamos disto). Até a idade de 15 anos, eu pouco havia
ouvido falar em morte, em especial de meus familiares.

Até então nunca tinha enfrentado a situação de morte de nenhum de meus


familiares. Em 1964, a morte de John Kennedy, presidente dos Estados
Unidos, deixou-me muito abalado – afinal, a propaganda dos Estados Unidos
no Brasil era maciça, naquele tempo. E, em 1970, quando eu tinha 15 anos de
idade, um acontecimento trágico nos sobreveio. Meu irmão Jorge – a quem
eu muito amava – veio a falecer.

Ele tinha 17 anos, e estava treinando Karatê com o seu professor, quando este
lhe desferiu um golpe na veia aorta, o que provocou uma hemorragia interna
e o levou à morte.

Eu morava em Rondonópolis - MT, e ele, Jorge, e meu outro irmão, Sérgio,


estudavam em Goiânia, precisamente no colégio Ateneu Dom Bosco. O
corpo foi trasladado de avião de Goiânia para Rondonópolis para ser velado
em nossa residência. E ele foi enterrado no cemitério de Rondonópolis. Eu
fiquei excessivamente chocado pelo que acontecera.

Eu não conseguia entender por que Deus teria deixado isso acontecer. Pois,
como disse, eu amava muito meu irmão.

Aconteceu que, depois da sua morte, comecei a sonhar todas as noites com
ele. Literalmente, no sonho, eu ia ao cemitério e o desenterrava – e então ele
ficava vivo por um dia (aquelas horas de sonho pareciam ser, na realidade,
um dia). Vivíamos como se ele não tivesse morrido. Minha tristeza vinha
pela manhã, quando eu acordava e verificava que Jorge não estava em casa, e
descobria novamente que ele havia morrido. Então eu chorava e questionava
a Deus:

“Por que o Senhor deixou isso acontecer? Por que não levou a mim? (É claro
que, embora eu gostasse muito de mim mesmo e me achasse muito feliz e
importante, eu admirava muito meu irmão e julgava que ele, por ser exímio
em tudo que fazia, deveria ter ficado e eu ter ido, caso fosse realmente
necessário ir algum de nós).

Eu não conseguia me conformar e, assim, todas as noites, em sonho eu ia ao


cemitério, desenterrava-o, e ele ficava vivo e saíamos dali e íamos para a
cidade – e era como se ele ainda estivesse realmente vivo...

Após os meus 18 anos, parece que consegui sair dessa situação, adicionando
em minha vida a prostituição, as bebedeiras e também tristezas e decepções.

Eu era muito estudioso, mas não dava mais a devida atenção aos estudos.
Passei a levar a vida de qualquer jeito, embora sabendo qual deveria ser o
procedimento de um jovem para buscar a felicidade.

Contudo, não me satisfazia o modo como eu levava a vida. Tinha poucos


picos de felicidade; meus maiores momentos eram de tristeza e introspecção.
Gostava de isolar-me.

Naquele tempo o meu desejo era ter bastante dinheiro para poder ter
congelado meu irmão. (Naquela época já se falava em congelamento de
corpos, para guardá-los até que a ciência se desenvolvesse para trazer a
pessoa de volta à vida).

Naqueles dias ninguém da minha casa servia ao Deus verdadeiro. Éramos


todos católicos e eu fui coroinha desde os 10 anos de idade, e levava em
procissão estátuas de santos. Tinha um desejo ardente de conhecer a Deus,
mas não sabia como nem onde encontrá-lo.

Eu costumava dizer que a minha infância, até os 15 anos, durou uns 50 anos
porque o tempo não passava, ou seja, passava lentamente. As horas eram
preciosas, dava tempo para tudo e eu e minha família éramos literalmente
felizes.
Eu, porém, fazia muitas coisas erradas – como fumar escondido e jogar
baralho – mas eu tinha uma mente brilhante e sentia uma forte admiração por
mim mesmo.

Tudo que queria aprender eu aprendia e não necessitava de professor –


bastava que me dessem um livro.

Minha libertação foi extraordinária. Nas coisas simples eu pude ver a


manifestação do Todo Poderoso: na minha ficha de declaração de pecados e
envolvimentos com ocultismos, seitas, drogas, etc., escrevi que havia
desenterrado meu irmão por três anos seguidos.

Este assunto, na verdade, já havia sido esquecido, porque aconteceu de meus


15 aos 18 anos e, no momento da ministração, eu estava com 50 anos.

Mas o ponto central da minha libertação foi a descoberta de que por 35 anos
estivera enterrado naquele cemitério – eu era um morto vivo, e não sabia.

Quando a apóstola, ao final da ministração de libertação, pediu-me para


fechar os olhos e lembrar como era o cemitério, eu me lembrei, e com todos
os detalhes! Logo após ela perguntou se eu poderia sair e eu disse que sim.

Indo até o grande portão do cemitério, para dele sair, olhei para fora e disse:
“Posso sair, mas não vejo nada que possa fazer lá fora”. Ela ministrou então a
minha libertação, e uma força incrível parecia me puxar para trás, para não
sair do cemitério em que eu estava preso. Mas fui liberto por Jesus Cristo de
Nazaré!

Dois dias após a libertação, uma de nossas amigas olhou para mim e
perguntou: “O que você fez, que não tem mais olheiras?”

Eu estava preso, e, portanto, não podia deslanchar na obra de Deus. Agora


estou livre para fazer a sua obra, com todo o zelo e destreza para o amado
Mestre, meu Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele toda honra e toda glória!
Amém.

Aprisionado na Posição de Morto

Transcrevo agora outro caso, de um jovem pastor, que me foi relatado por
escrito. É mais uma história de alguém que, sem saber o que estava fazendo,
envolveu-se com espíritos de morte:

Sou pastor, tenho 27 anos, e há três anos, mais ou menos, estou envolvido no
ministério de libertação, o qual amo. Entretanto, percebo que ainda há áreas
em minha vida que não foram tratadas. Ouvindo a sua palestra de ontem
sobre prisões espirituais, durante todo o tempo fui inquietado em meu
espírito, com a convicção de que eu também havia sido aprisionado
espiritualmente.

Comuniquei isso à minha esposa e lhe disse: “Estou convencido de que fui
aprisionado em algum lugar”. Orei, então, pedindo ao Senhor que me
mostrasse qualquer área do meu passado que ainda não havia sido tratada por
Deus, e, em especial, se eu havia sido aprisionado espiritualmente, ou não.

Deus, porém, pela sua misericórdia, despertou-me nessa madrugada, e o


primeiro pensamento que me veio à mente foi: “Fui aprisionado como
morto”.

Vou dar os detalhes:

Desde adolescente eu sempre me fingi de morto. Às vezes eu deitava


sutilmente na cama ou em cima de algum banco de madeira, até mesmo no
chão, e ficava com as mãos juntas, postas sobre o peito, de olhos fechados,
corpo reto, sem me mexer, com os pés juntos, e me fazia parecer um morto.
Eu tentava até parar a respiração, para parecer morto de fato, a fim de
assustar as pessoas.
Lembro-me também de muitas vezes ter imitado alguém morrendo de algum
ataque fulminante. Eu caía gritando, geralmente com as mãos na garganta ou
no coração, e ali ficava no chão por algum tempo.

Às vezes, eu me deitava, fingindo-me de morto, apenas para relaxar e


descansar a mente. Acontece que sempre senti muita dificuldade de
concentrar-me nos estudos, principalmente da Palavra de Deus.

Sempre senti a mente presa, como se algo de bronze a estivesse prendendo.


Sou muito passivo e sofro por causa disto. Não tenho conseguido tomar
iniciativas e tenho muita dificuldade para dizer não. Creio plenamente na
Palavra, mas para mim é difícil acreditar que se cumprirá em minha vida o
que ela diz.

Na vida ministerial, às vezes me sinto abandonado, sozinho, desprezado,


incapaz, e muitas vezes frustrado. Sinto inveja de meus colegas pastores, e de
suas igrejas, quando as vejo crescendo e prosperando, pois a igreja onde sou
pastor não tem experimentado crescimento nem prosperidade.

Eu vivia sentindo dores nas costas, ficando com vontade de ficar deitado,
sempre que possível. Até para realizar uma leitura, para ler, eu me deitava...

Esse pastor, cujo relato termina nesse ponto, foi ministrado e, graças a Deus,
foi liberto. Na hora da sua ministração, ele saiu sozinho. Disse-lhe que ele
havia experimentado o poder de Deus, pois Jesus realmente é a ressurreição e
a vida. Jesus venceu a morte. Ele é a própria chave, para abrir qualquer
prisão.

Aprisionada no Sepulcro, pela Certidão Trocada

Nem sempre levamos a sério os documentos legais que recebemos do


governo, ou do cartório. Julgamos que tais documentos são apenas papel, sem
muita importância.

No mundo espiritual, porém, um documento é importante, porque legaliza a


pessoa, identifica-a. Assim, uma certidão de casamento legaliza uma união, e
Deus honra esse documento, que dá validade ao casamento também no
mundo espiritual.

Vou relatar agora o que me testemunhou uma mulher, a quem vou chamar de
Maria, com respeito ao que aconteceu em sua vida, envolvendo a sua certidão
de nascimento. Foi um caso em que os pais, para resolver uma questão legal
de identidade, emprestaram a certidão de nascimento para uma criança que
não a possuía. O caso ocorreu assim:

Quando Maria nasceu, em fevereiro de 1971, aconteceu de nascer uma prima


dela, no mesmo dia. Maria nasceu com apenas 2 quilos e 700 gramas; sua
prima, porém, veio com 4 quilos, uma diferença grande. As pessoas não
acreditavam que Maria sobrevivesse.

No entanto, a prima, que aparentemente tinha mais saúde, quando estava com
três meses, ficou muito doente e teve que ser levada ao médico.

Ela não havia sido ainda registrada, e, assim, os tios, desesperados, pois o
atendimento dela dependia de darem a certidão de nascimento (que ela não
tinha), pediram emprestado a certidão de Maria, para que a filha deles
pudesse ser atendida.

O que ninguém esperava, porém, aconteceu: a prima veio a falecer e foi


enterrada, tendo o médico obviamente feito o atestado de óbito com o nome
da Maria.

Desse modo, a menina Maria ficou sem certidão de nascimento, pois


oficialmente tinha morrido. E, então, naquele ano, Maria teve que tirar outra
certidão de nascimento.

O bebê que foi enterrado levou o nome que era de Maria. Espiritualmente, foi
como se a verdadeira Maria tivesse sido enterrada. Para o mundo físico, foi
apenas um papel que virou uma certidão de óbito, e um outro papel veio a ser
a sua nova certidão. Mas, no mundo espiritual, Maria não existia.

Sua alma estava enterrada e o inimigo achava que podia tomar posse da sua
vida, pois ela estava lá, enterrada, sob suas garras, uma vez que tudo aquilo
havia sido feito com base numa mentira.

Durante todos esses anos, Maria vinha tendo grandes decepções; nada dava
certo. Ouviu muitas palavras torpes que machucavam o seu espírito, o que
veio abalar a sua vida profissional e também espiritual.

Sempre na busca de uma resposta para a solução de seus problemas,


principalmente nas áreas sentimental e profissional, Maria acabou
envolvendo-se com o espiritismo e a umbanda. E foi envolvendose cada vez
mais profundamente nessas práticas, deixando o demônio ser dono da sua
vida.

Um dia, descobriu que a dona do centro de umbanda – que dizia ser sua
melhor amiga e que conhecia os seus sonhos e desejos
– queria vê-la morta, e queria contratar um bandido para pelo menos deixá-la
entre a vida e a morte, num hospital. Mas Deus nunca deixou de cuidar dela,
pois o bandido não aceitou fazer esse trabalho sujo. Na verdade, o que ele
queria era roubar, não matar. Então, Maria decidiu sair do centro, ao tomar
conhecimento desse fato.

O demônio não a deixava em paz. Lançou nela uma enfermidade, um início


de glaucoma, e dores de cabeça constantes e terríveis que quase a
enlouqueciam. Foram feitos vários exames médicos, sem que chegassem a
uma conclusão. E a dor de cabeça continuava, 24 horas por dia, trinta dias por
mês. Isso ocorreu durante um ano e meio.

Em 2001, uma irmã de Maria, que é evangélica, querendo ajudá-la, levou à


sua casa uma missionária e seu marido, que era pastor, para que orassem por
ela. E aquela oração fez diferença, trazendo-lhe um grande alívio. A dor de
cabeça desapareceu, como se fosse retirada com as mãos. Um mês depois da
visita dos pastores, Maria estava decidindo-se por Jesus, sem dor de cabeça e
sem glaucoma.

Os anos de 2002 e 2003 foram os melhores da sua vida. Mas, mesmo


frequentando a igreja, e firmada no caminho do Senhor, fazendo a sua obra, o
demônio não queria largá-la. Os demônios manifestavam-se nela, e ela ficava
calada. Foi então que Maria fez o seminário de Libertação e cura interior. Ela
foi ministrada coletiva e individualmente, e foi liberta em muitas áreas de sua
vida.

Mas não houve, porém, uma libertação total, pois Maria não havia
mencionado nada do que havia acontecido com a sua certidão de nascimento.
Veja o que aconteceu a partir daí, conforme me relatou a própria Maria:

Algo ainda me perturbava. Ninguém sabia nada sobre a minha certidão, e o


diabo a tinha em suas mãos, como legalidade sobre a minha vida. Um dia
contei o fato da minha certidão para uma irmã do Ministério de Libertação e
ela me informou que nisso estava a causa de todos os problemas que eu
enfrentava.

E, assim, quando combinei uma nova ministração pessoal, a semana que


antecedeu à minha ministração foi uma das piores semanas por que passei. Eu
estava sob forte ataque do inimigo. Entrei numa depressão tal que nem eu
mesma me suportava.
Mas, nesta ministração, relatei minuciosamente todos os dados e fatos
acontecidos na minha infância com a minha certidão de nascimento. Quando
começamos a fazer a cura, foi aberta a prisão onde eu estava aprisionada, no
túmulo, como morta, pois fui enterrada juntamente com a minha prima. Senti
então que estava respirando um novo ar, tendo o fôlego da vida e o ar que
Deus nos deu.

Era como se eu estivesse nascendo de novo. Senti que finalmente eu estava


sendo colocada naquele caminho que Deus havia planejado para mim, sem
Satanás me atrapalhar.

Minha libertação daquela prisão foi um dos maiores presentes de aniversário


que recebi. Seis dias antes do meu aniversário de 33 anos, fui ressuscitada e
liberta de um sepulcro espiritual.

TESTEMUNHO 2
Aprisionamento pela Feitiçaria
“É este o que fazia tremer a terra e estremecer os reinos? É este o que
transformava o mundo num deserto, arrasava as suas cidades, e recusava
libertar os seus prisioneiros?”
(Is 14:16b-17– SBP)

Aprisionado Debaixo D’água

Quando ministrei numa igreja localizada perto do Grande Rio, fui procurada,
logo no início, por um irmão chamado Rui, que me perguntou: “Por que eu
sonho sempre com águas?”

Normalmente, a primeira coisa que se pensa num caso assim é que a pessoa
deve ter tido algum envolvimento ou pacto com a rainha das águas, em
algumas culturas, ela é conhecida como Yemanjá, no Brasil, ela atua como o
espírito das águas. Tendo isso em mente, eu lhe assegurei que lhe daria uma
atenção muito especial.

O irmão insistiu várias vezes, repetindo a mesma pergunta: “Por que eu


sonho sempre com águas?” Ele procurou mais uma irmã, para repetir o seu
pedido de ajuda.

Quando examinei a ficha de ministração do Rui, verifiquei que, em sua vida,


no passado, ele não havia tido muitas brechas que pudessem explicar os
problemas espirituais que vinha enfrentando. Havia na ficha apenas uma
observação que me chamou a atenção. Ele tinha anotado o fato de ter ouvido
dizer que o “boto” era o seu guia espiritual, e que provavelmente tinha sido
consagrado a ele, quando criança, para que posteriormente, quando crescesse,
fosse seu médium.

Então eu o procurei para entender melhor a situação.

Ele me respondeu que não tinha certeza de nada; não sabia nem mesmo se de
fato havia sido consagrado ao boto, ou não. Depois de muitas perguntas, Rui
me falou de um de seus problemas. Contou-me que havia tido, no passado,
muito envolvimento na área sexual, com lascívia e impureza.

Antes de sua conversão, ele havia frequentado muitos lugares de prostituição.


E ele ainda lutava contra a masturbação e contra pensamentos impuros, que
eram frequentes em sua mente.

Procurei então informar-me, e tomei conhecimento de que o boto é um tipo


de golfinho, de aproximadamente um metro e meio de comprimento, cujo
habitat é nos rios da Amazônia. A lenda regional que o envolve diz que ele
aparece como homem a uma mulher, e a um homem ele vem como mulher.
Toda a lenda está ligada com sensualidade e sexo. Algumas vezes, ele
aparece como virgem, e, outras vezes, como mulher casada. De qualquer
forma, o boto simboliza a sensualidade, a lascívia e o sexo ilícito.

Os problemas que Rui enfrentava pareciam ter duas causas principais: uma
sensualidade insuportável e prisão espiritual.

Estávamos num Curso Intensivo de Libertadores, onde trato de assuntos que,


normalmente, num seminário de batalha espiritual, não apresento. As
palestras dadas no Curso Intensivo são outras, pois objetivam dar treinamento
àqueles que querem aprofundar-se no ministério de libertação. Assim, quando
dei a palestra sobre prisões espirituais, e falei sobre funções do espírito, nosso
irmão Rui, que havia me procurado de novo, disse-me:

– Pastora, eu tenho todos os sintomas de uma pessoa aprisionada, conforme a


senhora descreveu.

Finalmente, no dia em que Rui foi ministrado, tive de fazer perguntas e mais
perguntas sobre a sua pessoa. A sensualidade e as perversões sexuais
apresentaram-se como problemas evidentes e claros, e pude relacionar um ao
outro.

Com todos esses dados, a minha suspeita de que ele poderia estar preso no
fundo da água foi se confirmando. Assim, Rui foi retirado de uma prisão
sexual e depois ele saiu de debaixo das águas. A prisão na área sexual se
desfez conforme ele confessava os pecados da sua sensualidade, o pecado de
prostituição e de todas as outras perversões, tendo ele feito o desligamento de
alma com as ex-parceiras sexuais. Rui acabou renunciando esses espíritos e
expulsou inúmeros demônios ligados à sensualidade e à imoralidade.

Então eu lhe disse:


– Rui, tenho a impressão de que você ainda está aprisionado em baixo da
água. Vamos orar.

Na hora de ministrar a abertura dessa prisão, quando fechei os olhos, eu o vi


cor-de-rosa, preso dentro de um castelo, dentro da água. Não era um castelo
sofisticado, mas sim um castelo em forma de concha. Rui apresentava-se em
trajes sumários. E, na realidade, ele havia sido consagrado ao boto, ainda
quando bebê, para tornar-se médium dele.

Na minha visão espiritual, eu o vi dentro de um castelo no fundo das águas.


As sereias eram os demônios guardiães. Amarrei todas elas e pedi que Jesus
enviasse esses demônios guardiães para o lugar que Ele determinasse. Com a
chave que abre prisões espirituais, eu abri a prisão em que ele estava e pedi
que Jesus alcançasse o rapaz, onde quer que ele estivesse. E disse ao Rui que
se segurasse nas mãos de Jesus, porque o Senhor estava ali para tirá-lo
daquele cativeiro.

Quando assim começamos a fazer, ele começou a orar em línguas. Foi lindo
ver como aconteceu. Enquanto saía da prisão, Rui fungava o tempo todo,
conduzido por Jesus (um dos intercessores pegou suas mãos), e por fim
expressou um grande alívio.

Chorando, ele disse:


– Sabe, eu tive a sensação de que nadei, nadei e nadei, e finalmente cheguei a
uma praia...

Depois, na cura interior, pretendíamos que ele fosse espiritualmente


apresentado a seu pai, que havia sofrido uma paralisia física quando Rui tinha
14 anos, e que morreu quando Rui chegou à idade de 17.

Havia entre os intercessores presentes dois homens maduros que poderiam


representar o seu falecido pai, no ato simbólico e espiritual a ser feito com o
Rui. Eu debatia dentro de mim:

“Quem será a melhor pessoa para representar o pai? Senhor, quem é? É o da


direita ou o da esquerda?”

Entendi que era a pessoa da esquerda. E, assim, procurei o irmão que estava à
minha esquerda, e perguntei-lhe se ele poderia representar o pai do rapaz.

Aquele irmão havia acabado de ver pessoas sendo curadas por um abraço de
pai, e imediatamente se prontificou a isso.

Quando lhe disse: “Rui, abrace seu pai”, ele deu um grito, chorou, e agarrou-
se numa das pernas daquele que representava seu pai e disse:

– Pai, senti muito a sua falta. As pessoas me maltrataram porque o senhor não
estava mais lá; eu não tinha a sua proteção, como os outros meninos!

Mais tarde Rui me disse:


– Pastora, aquele que fez o papel de meu pai era a cara do meu pai
verdadeiro...
Algum tempo depois, “o ex-futuro médium do boto” escreveu-me, dizendo:

“Dra. Neuza, eu sou o Rui, aquele que estava preso debaixo das águas pelo
boto. Estou muitíssimo bem. Continuo ainda com a alegria que senti quando
fui tirado de dentro das águas. Eu sempre ouvia dizer que há uma grande
alegria quando aceitamos Jesus como Senhor e Salvador, mas eu não
conseguia senti-la. E, agora, esta alegria tão procurada está comigo, e
alcancei grandes vitórias em minha vida.”

Aprisionado numa Carpa

Na cultura japonesa há vários símbolos, rituais e cerimônias. Tudo é muito


ligado ao Xintoísmo, uma versão de Budismo. As meninas têm o festival de
flores, em 3 de março. Esse dia é separado para comemorar o dia das
meninas; é o festival das princesas. A família levanta um altar para as
princesas – quase deusas (de tão lindas que se vestem e se adornam). As
famílias, especialmente as mães, também expõem, naquele altar, bonecas
guardadas de geração em geração, colocando-as ali com desejos e preces de
que elas sejam meninas felizes. Nesse dia, todos vestem as melhores roupas,
as mais coloridas, e vão adorar os antepassados nos templos budistas e
xintoístas do Japão. Tudo é muito lindo e muito delicado.

Os meninos também têm o seu dia de festa. Um deles é 5 de maio. Nesse dia,
as famílias que têm um ou mais meninos compram ou confeccionam uma
carpa – um peixe feito de pano ou de qualquer material leve, que possa ficar
ao léu do vento – e a colocam num mastro da casa, pedindo que os
antepassados tornem os meninos tão fortes como uma carpa.

A carpa é símbolo de destemor, de coragem, de superação de obstáculos, de


força, de vencedor, de valentia...

Um dia, quando fui ao Japão para ministrar naquele país, atendi um rapaz que
era filho mestiço de uma brasileira, de linhagem japonesa, com um brasileiro
baiano. Na sua ministração, ele contou que, quando jovem, ainda no Brasil,
foi levado para um bairro longe da sua casa, para uma casa de rituais
orientais, onde teve de submeter-se a um cerimonial. E, como parte do ritual,
ele foi benzido e teve de tomar sangue de uma carpa. E o peixe foi levado
para a sua casa, onde foi preparado e comido por toda a família.

Na ministração daquele rapaz, a intercessora o viu saindo de uma carpa. Não


sabíamos o significado mais profundo do ritual a que ele tinha se submetido,
mas o cerimonial – que incluía tomar o sangue de carpa e comer o peixe –
certamente o havia aprisionado.

Pactos com o diabo e com vários demônios

Carolina havia feito um pacto de sangue com o diabo, na porta da sala da sua
casa. Foi um pacto de morte com Lúcifer.

Ela lhe tinha dado a sua alma, o seu corpo e o seu espírito, selando isso com
um corte no pulso, deixando o sangue pingar sobre o chão. Naquele dia, à
meia-noite, ela estava vestida com um vestido preto, e lá na entrada da sala de
sua casa fez uma reza invocando três vezes o bode preto.
E, depois, reforçou esse pacto com velas pretas, acesas para o diabo. Foi um
forte compromisso no mundo espiritual.

Carolina usava pó de osso de pessoas e pó de pemba para matar, destruir,


roubar ou para arrumar brigas num casal. Desse modo ela causava sérias
brigas e confusões.

Ela sempre se sentiu rejeitada por seus pais. Sabia que seu pai não gostava
dela, mas quando ele ficou doente, com câncer, foi ela, a filha Carolina, que
cuidou dele, e assim passou a conhecer, de verdade, o seu pai. Ele sempre lhe
dizia que a odiava, que ela nunca seria nada e que queria vê-la morta.

Na realidade, porém, quem ela odiava mesmo era a mãe. Sua mãe sempre
declarava, nas discussões, que Carolina era uma desgraçada. E Carolina
desejava que ela morresse. Ferida por pesadas palavras de desprezo e ódio,
Carolina vingava-se, desejando intensamente a morte da mãe. Porque, na
realidade, ela gostava de Coló, a sua mãe de santo.

Carolina queria sair de casa para ficar com Coló. Queria morar com ela, mas
como ainda era menor, não podia satisfazer esse seu desejo. A mãe real e
biológica ainda mandava nela.

Mais tarde, depois de Carolina abandonar o espiritismo e sair do centro, sua


mãe morreu, vítima de várias enfermidades. Vestida de branco, Carolina
tinha sido batizada no mar por Yemanjá, com flores brancas, perfumes e
champanhe. Yemanjá passou a ser a dona da sua vida, além do próprio Exu
do Lodo.

Carolina fez também trabalhos para Oxum Maré, para tentar resolver uma
deficiência física. Mas Yemanjá era sua mãe de cabeça. Carolina recebia
benzimentos que eram feitos, muitas vezes, usando o rosário que pertencia à
Vó Cambina, que é uma das manifestações da Preta Velha. O rosário era
passado em todo o seu corpo, amarrando-a e aprisionando-a.

Ela chegou a matar pessoas, através da feitiçaria. As mortes eram feitas por
exus, sob o comando dela. Em menos de dois dias, ela ficava sabendo como a
morte havia acontecido. Carolina teve intimidade com as pombagiras: bebia e
cantava para elas, e lhes dava oferendas. Por vezes era incorporada por elas e,
assim, dava passes, fazia adivinhações, apresentava pedidos de clientes,
jogava cartas e lia mãos.

Vários exus também se incorporavam nela: Exu do Lodo, Exu Mirim,


Veludo, Gira Mundo, Caveira, Zé Pilintra, Zé do Coco, Martin Pescador,
Vagamundo, Pinga Fogo, Tiriri, Lona, Marabô, Lúcifer, Sete Encruzilhadas,
Cobra Coral, dentre outros. Ela fez trabalhos de feitiçaria junto com eles,
bebeu, ajudou a matar animais, foi ao cemitério, cantou e dançou com eles e
para eles.

E, dos caboclos, recebeu passes, bateu cabeça, acendeu velas, fez oferendas,
incorporou, cantou e dançou com eles, deu penachos de presente, deu
perfumes, ofereceu frutas, pombas brancas, fez altar para eles, limpou
imagens e comprou pembas para eles.

Carolina trabalhava na Tenda de Umbanda Caboclo Sete Demandas, que


apresentava apenas uma fachada de bondade. À meia noite, os filhos de santo
trocavam a roupa branca para a preta, e, então, começava o lado tenebroso
dos rituais da magia negra. Carolina fazia trabalhos com fetos, junto com esse
caboclo, provocando abortos.

A incorporação iniciava-se com o Marinheiro, depois vinham os exus e as


entidades, entre as quais Yemanjá, caboclos, pombagiras, crianças. Os
trabalhos eram para prejudicar e paralisar vidas (para que a pessoa não
pudesse andar mais, ou não mais mexer as mãos). Também provocavam
acidentes de carro, atropelamentos e queimaduras. Carolina usava saias
coloridas, guias no pescoço, e fumava cigarros de maconha.

Ela tinha de beber sangue, comer coração de boi com mel, doces e acarajé.
Fazia trabalhos com casca de alho e um pó branco. Os trabalhos eram
realizados, principalmente, no corredor da sua casa. Eram feitos cruzeiros de
velas no quintal pelo Exu do Lodo e pelo Exu Veludo, com muita bebida
alcoólica e cigarros. Pó de pemba também era assoprado nos cantos da casa.

Quando Carolina, tendo um encontro com Jesus Cristo, converteu-se, e


decidiu sair do domínio das entidades a que vinha servindo, abandonando o
espiritismo, o Exu do Lodo disse que ia matá-la. Ela o desafiou, e passou os
piores momentos da sua vida, mas ele não conseguiu o seu intento.

Seus companheiros de feitiçaria e os seus mentores faziam um esforço muito


grande para retê-la no espiritismo. Um dos pais de santo jurou que ela não
ficaria na igreja e que, através dela, toda a família voltaria para o espiritismo.

Coló, a sua ex-mãe de santo, fez magias e rituais, usando um coco da Bahia,
que foi jogado no quintal da casa de Carolina. Dentro do coco estava o nome
dela, amarrado com fita vermelha e preta, e pulverizado com pólvora.

O Exu do Lodo, por quem ela fora apaixonada, e com quem, na realidade,
havia se casado espiritualmente, constantemente a ameaçava. Um dia, ela
chegou a discutir com ele por quase quatro horas. Ele dizia que ela nunca
poderia sair de lá, porque ele não permitiria isso, pois ela estava amarrada lá.
No decorrer da discussão, o demônio voltou a dizer que, se ela saísse do
espiritismo e o abandonasse, ele nunca a deixaria em paz, até matá-la.
Carolina, no início, chegou a duvidar de tais ameaças, mas depois entrou em
depressão e começou a ter manifestações, tentando matar-se.

Carolina também permitiu a realização de curas no seu corpo. Essas curas


eram feitas através de sinais de cruz, feitos com um punhal ou uma lâmina
cortante, para tirar o sangue, como sinal do pacto. Ela deixou que fossem
feitas marcas no braço, no peito, na nuca, no centro da cabeça, no pulso, nos
pés e no tornozelo.

Através desses pactos, realizados com sangue em todo o seu corpo, o que isso
acarretou foi que ela foi amarrada e aprisionada mais ainda, espiritualmente,
pelo diabo.

Além de todo esse envolvimento com o baixo espiritismo, em sua vida,


Carolina teve ainda as seguintes participações:

Ela fez relaxamento mental e envolveu-se com a parapsicologia através de


um médium parapsicólogo, que lhe ensinava sobre o poder da mente, e que
tinha poder para hipnotizar pessoas. Ela fez também yoga, principalmente
quando se sentia agitada. E tinha a sensação de um relaxamento corporal e
mental. Fez regressão, leu livros sobre regressão, e seguiu o que eles
prescreviam. Aplicou para si e também nas suas clientes.

Em sua ministração, pude constatar que um dos pontos mais sérios da sua
vida era não conseguir perdoar-se. Na realidade, ela não se perdoava. Deus
também me mostrou que ela estava presa num departamento do inferno. Ela
havia se colocado dentro de um caixão de morte, por ela mesma arquitetado e
desenhado.

Aquele caixão tornou-se um lugar de prisão, mas dentro do caixão ela sentia-
se segura, e gostava muito de estar lá. Havia se tornado um lugar de muita
comodidade. A cada dia ela sentia-se mais confortável dentro dele. De acordo
com a revelação que recebemos, ela estava presa também numa pedra de
ônix.

No processo de sua libertação, Carolina foi sendo tirada de cada um dos


lugares em que estava presa. Não foi nada fácil. Foi com muita luta e
dificuldade que ela saiu de cada uma daquelas prisões. Para que ela pudesse
sair foi necessário quebrar todos os pactos que tinham sido feitos com o
diabo.

Na ministração, de início nós (eu e os intercessores) nos colocamos no lugar


dela, pois várias vezes ela entrava no estado catatônico, e com frequência
também desmaiava.

Assim, tivemos de fazer confissões por identificação, no início, mas depois


ela mesma arrependeu-se da grande lista de seus pecados, enumerando-os,
um por um, renunciando-os, e amarrando e expulsando os demônios.

Quando ela voltou a si, depois de ter saído das prisões, nós a conduzimos
para fazer todo esse processo.

O pastor Marcos, um dos pastores da igreja que Carolina frequentava,


finalizou a ministração, orando com muita autoridade, acabando de vez com
qualquer manifestação.

Foi feita ainda a sua cura interior. Jesus andou com ela e lhe deu o cálice da
paz.

TESTEMUNHO 3
Aprisionamento por Traumas
“Tira de sobre mim o teu flagelo; pelo golpe de tua mão, estou consumido.
Quando castigas o homem com repreensões, por causa da iniquidade,
destróis nele, como traça, o que tem de precioso. Com efeito, todo homem é
pura vaidade.”

(Sl 39:10-11)
Traumas são feridas de alma e, portanto, constituem problemas espirituais,
não físicos. Pessoas traumatizadas precisam de cura. E os traumas são a causa
de muitos aprisionamentos espirituais.

Aprisionada num carro

Recebi o seguinte relato de uma mulher que ministrei:

Andar de carro tinha se tornado um problema na minha infância. Eu sentia


um verdadeiro pavor. Perdi viagens e passeios de férias por não suportar
entrar num automóvel. A hora de ir para a escola era sempre um pavor para
mim, era assustadora. Recordo-me de que as outras crianças brincavam todo
o percurso e eu passava todo o trajeto orando, pedindo ao Senhor que livrasse
o carro de qualquer acidente. As outras crianças zombavam de mim e o
motorista dizia que eu era boba e medrosa. Quase sempre chegava à escola
com o estômago queimando e com ânsia de vômito.

Esse trauma acompanhou-me também na vida adulta. Na tentativa de resolver


o problema, aprendi a dirigir muito cedo, com apenas 14 anos. O problema
persistia; estar ao volante era sempre um momento de tensão.

Quando entrava num carro e uma outra pessoa estava dirigindo, eu sentia um
grande pavor. Sempre procurava alertar o motorista sobre possíveis perigos,
fazendo interrupções como “pare aqui”, “olhe o carro ali”, “não chegue muito
perto do carro da frente”. Isso causava grande irritação ao motorista.

Com meu marido a situação era ainda pior. Sempre discutíamos por causa do
excessivo controle que eu tentava exercer para que ele não corresse ou
cometesse alguma manobra que parecesse imprudente.

Todo esse trauma começou quando eu tinha nove anos. Dois anos antes, meu
pai havia falecido e, como minha mãe não sabia dirigir, eu ficava sob a
responsabilidade do motorista da empresa. Um dia, quando ele estava me
levando para casa, o carro perdeu o freio e, para não bater na traseira de um
ônibus, ele jogou o carro para a pista ao lado e acabamos batendo levemente
numa Kombi.

O choque causou apenas a quebra de um farol, o bastante para que nascesse


em mim um grande medo. Eu fiquei traumatizada com aquele acidente.
Minha mãe dizia que tudo aquilo ia passar, que era apenas uma questão de
tempo. Mas, poucos meses depois do acidente, um outro problema fez com
que o trauma se agravasse.

Num domingo, quando toda a família estava reunida em casa, logo após o
almoço, eles decidiram fazer um passeio juntos. A distância era pequena, mas
eu não queria ir, pois andar de carro era um problema para mim.

Como eu me recusava a entrar no carro e ninguém queria perder o passeio,


um de meus irmãos me pegou à força. Para piorar a situação, eu fui colocada
no espaço embaixo do para-brisa traseiro. O tempo a ser percorrido era de
apenas 15 minutos, mas aquele passeio tornou-se uma eternidade. Foram
minutos de pavor! Eu gritava e esperneava durante todo o percurso, e, então,
comecei a ter alucinações. Todos os carros que eu via estavam vindo na
direção do nosso, e tive a nítida impressão de que eu ia morrer naquela hora,
de acidente.

Aquelas alucinações me acompanharam por toda a infância. Eu sempre dizia


à minha mãe que o meu “destino” era morrer num acidente de carro. Ao
longo dos anos, os sintomas desse trauma foram amenizados, mas nunca
desapareceram.

Apesar de já ter sido ministrada e ter passado por um intenso trabalho de


libertação, nos últimos três anos, o Espírito Santo insistia em me dizer que
ainda faltava algo.
Então fui participar de um Curso Intensivo de Libertadores, dado pelo
Ministério Ágape Reconciliação. Foi então que, pela primeira vez, ouvi falar
de aprisionamento espiritual. Durante a palestra sobre esse tema, quando a
Dra. Neuza Itioka ministrava a libertação de prisões, o Espírito Santo levou-
me novamente para dentro daquele carro. Pude então ver-me lá, debatendo-
me contra o vidro traseiro do carro, aos gritos. Pude ver que o meu rosto
estava tomado pelo desespero. Mas, de relance, os carros que vinham em
minha direção, causando-me um grande pavor, foram ofuscados por uma
intensa luz.

Era uma luz forte, mas que não me impedia de ver. De dentro dela eu vi sair o
meu Mestre, Jesus. O olhar dele inspirou-me calma. Ele sorria e, com um
gesto leve, estendeu-me a mão. Pude contemplar o meu semblante de pavor
transformar-se num sorriso, e lhe estendi a mão. Ele me levantou e,
percebendo o meu cansaço, carregou-me no colo e tiroume de lá.

Aprisionada num apartamento

A mesma irmã continua relatando:

Mas meu encontro com Jesus, naquela tarde, no Curso de Libertadores, não
havia terminado. Depois fui levada pelo Espírito Santo ao apartamento onde
morei durante o período em que cursei a Universidade. Foi um período muito
difícil da minha vida.

Logo no primeiro ano, cursando jornalismo e publicidade, acabei deixando o


intelectualismo e o sofisma tomarem conta de minha mente, e acabei
afastando-me dos caminhos do Senhor. Eu frequentava festas, onde bebia e
também cheguei a usar drogas (algumas pesadas) mas, mesmo estando
afastada, a misericórdia do Senhor me assistiu e não permitiu que eu me
viciasse.

Minha desobediência levou-me a um outro erro. Hoje entendo que foi mais
um plano do inimigo para tentar matar-me. É que namorei um rapaz não
crente. Esse rapaz ficou obcecado por mim. Eu terminei o namoro, mas ele
não aceitava o término. Assim, esse moço passou a me perseguir.

Foram muitas idas e vindas por causa da insistência dele. Eu também tive a
minha parcela de culpa, mas não é importante contar agora. A perseguição foi
de tal monta, que eu já não mais podia sair de casa. Para onde eu fosse, ele
me perseguia. Quando eu saía, ele vinha atrás. Ele dormia na porta do prédio,
para ver quem entrava e quem saía do meu apartamento. Seguia todos os
meus passos, me perseguia de carro e ainda exercia grande pressão
psicológica sobre mim através de ligações telefônicas, quando eu estava em
casa. Passei a não atender ao telefone. Muitas noites, nem eu nem minhas
colegas de apartamento conseguíamos dormir.

Passei então a sair de casa apenas para trabalhar e ir à universidade, mas


sempre acompanhada. Nesse meio tempo, comecei a namorar outro rapaz. O
namoro durou até ele descobrir. Um dia ele desconfiou que o rapaz estivesse
no meu apartamento, depois de tocar o interfone sem parar e não ser
atendido. Gritando, ele acordou todos os vizinhos, e disse que queria entrar.
Como ele não ia embora, tive que abrir a porta – e foi uma confusão.

Ele entrou e começou a discutir comigo; portou-se tão mal que precisou ser
retirado de lá, à força.

Depois desse dia a perseguição diminuiu, mas não terminou. E eu comecei a


ficar doente; tive uma profunda depressão e síndrome do pânico. Eu não
podia mais ouvir o telefone tocar. As crises de insônia aumentaram.

Já não conseguia dormir; eu passava a noite olhando pelas janelas e por baixo
da porta do apartamento, pois tinha a nítida impressão de que havia alguém
entrando no prédio para matar-me. Andava sempre olhando para os lados
com a impressão de que alguém estava me seguindo.

Para acabar com a perseguição do rapaz, decidi reatar o namoro. Eu tinha


medo dele.

A cura para a depressão e para a síndrome de pânico veio, em parte, com um


tratamento psicológico. Depois que me reconciliei com o Senhor Jesus, só
então tive forças para terminar, de vez com aquele namoro.
Algum tempo depois, o Senhor permitiu-me conhecer aquele que Ele havia
preparado para mim. Eu me casei de uma forma maravilhosa, numa
cerimônia linda, digna de filha do Rei. Afinal, tudo foi providenciado por
Ele. O Senhor é tão bom que me preparou um servo de Deus, comprometido
com a obra do Senhor, e que exerce a mesma profissão que eu.

No meu dia a dia, porém, tornei-me solitária. Comecei a ter problemas de


comunicação. Não conseguia entrosar-me nos grupos que eu frequentava
(igreja, trabalho, etc.). Muitas vezes, não conseguia nem mesmo comunicar-
me com o meu marido, e, assim, a comunhão com Deus foi sendo afetada.
Não conseguia orar e nem ler a Palavra, como deveria. Minha mente
vagueava durante a leitura da Bíblia e nos momentos de oração; por fim, eu
adormecia sobre ela. Isso me trazia muita tristeza e inconstância emocional.

Também eu brigava muito com o meu marido, porque eu não sabia dizer a ele
o que estava querendo e sentindo. A mesma coisa acontecia na igreja; eu me
fechava para que ninguém chegasse perto de mim. Às vezes não queria ir aos
cultos para não ter de cumprimentar alguém. Não queria conversar. Afinal,
não conseguia comunicar-me. Isso se repetia, na maioria dos lugares aos
quais eu ia. Eu vivia um paradoxo: eu era uma profissional da comunicação
que não conseguia comunicar-se.

Naquele tempo, o meu grande aliado foi o Espírito Santo. Eu me ajoelhava


para orar e não conseguia. Então eu tomava posse da Palavra e pedia que o
Espírito falasse por mim, e eu chorava enquanto Ele assim fazia.

Foi então que, naquela mesma tarde – depois da libertação da prisão no carro
–, assim como Jesus me tirou daquele carro, Ele me tirou daquele
apartamento. Com o mesmo olhar, doce e meigo. Desta vez, Ele não me
pegou no colo, apenas desceu as escadas daquele prédio segurando na minha
mão. Mas, eu pude sentir a firmeza da destra fiel do meu Mestre.

Aprisionada dentro da igreja

Veja agora, mais um testemunho de uma mulher que assistiu à minha palestra
sobre aprisionamento espiritual. Assim ela me escreveu:
Ontem, quando a senhora estava ministrando sobre prisões espirituais, eu me
vi aprisionada num lugar. Após a palestra, depois de explanar como e por que
nós nos aprisionamos, a senhora mandou que se levantassem os que se
sentiam presos espiritualmente.

Eu, porém, não me levantei, porque não me lembrava de nada que me


pudesse ter aprisionado. Notei, porém, que havia algo um tanto anormal em
mim. Minhas mãos e meus pés estavam inchados. Mas nem desconfiei que
isso pudesse estar relacionado a um aprisionamento espiritual.

Logo em seguida à ministração, várias pessoas estavam compartilhando e


testemunhando, dizendo que haviam saído de diferentes aprisionamentos. Eu,
porém, até então, nada tinha percebido sobre a minha situação.

Depois dessa aula, participei do momento de adoração. Foi nessa hora que
Deus começou a mostrar-me que eu estava aprisionada dentro de uma igreja.

Eu estava presa na igreja que tinha frequentado em minha infância e


adolescência. De repente, em minha mente, vi passar o filme da minha
história. Deus me revelou que eu estava presa lá no prédio da igreja. Eu me
via correndo de um lado para o outro. Mexia nas portas, mas não conseguia
sair, pois elas estavam trancadas.

Comecei a sentir muito medo. Minha mãe me levava para a Igreja, mas,
quando chegávamos lá, eu me sentava no banco e dormia durante o culto
todo.

Senti, então, de Deus, dizer à minha pastora que eu estava presa lá e, assim,
juntamente com outras pessoas, sob a ajuda do Senhor, ela me tirou daquela
prisão.

Agora entendo por que eu não conseguia concentrar--me no louvor, por que
não sentia a presença do Espírito em minha vida. Eu não entendia. Mas hoje
entendo.

Aprisionada numa garrafa de bebida


Numa ministração de aprisionamento espiritual, uma jovem, de nome Cíntia,
viu-se espiritualmente dentro de uma garrafa. Mesmo com o comando para
sair dessa prisão, ela não conseguia sair.

Cíntia caiu no chão, no meio de duzentos e cinquenta pessoas que estavam


sendo ministradas. A pastora que estava ministrando disse-lhe:

– Saia desse lugar! Onde você está?


– Pastora, estou dentro de uma garrafa de cerveja. Não consigo sair.

A pastora foi até ela para ajudá-la a sair daquela prisão, e começou a pensar:
“Como isso pôde acontecer?... Como será que ela entrou nessa?... Meu Deus,
como isso aconteceu? Que devo fazer para tirá-la?”

Então, sob o comando da pastora, finalmente Cíntia conseguiu sair daquela


prisão espiritual, depois de entregar a Deus todas as possíveis causas que
levam as pessoas à prisão: a idolatria, a feitiçaria, muito sofrimento, uma dor
terrível, rejeição, medo apavorante, etc. Cíntia tomou as mãos de um anjo que
veio buscá-la, após ter sido aberta a porta daquela prisão, mediante o
comando dado pela ministrante.

Posteriormente a jovem contou-nos a sua história:

Sua mãe era alcoólatra. Cíntia lembrava-se da mãe bebendo e bebendo, só


indo dormir quando se achava bêbada. Mas, ao acordar, depois do sono
provocado pela bebida, acontecia um terror insuportável. Cíntia tinha de
suportar o humor negro da mãe, com gritos e berros, e com todo tipo de
palavra de destruição e de humilhação, junto com uma demonstração de
violência.

Havia ainda uma coisa que Cíntia detestava fazer, mas era obrigada a isso
quase que diariamente: ela era incumbida de comprar a bebida para a sua
mãe. Para isso tinha de atravessar toda a vila, indo até o armazém, e trazer a
bebida para a mãe. O povo da redondeza sabia de tudo o que se passava em
sua casa.

Esse ritual de comprar e levar a bebida para a mãe beber, todas as noites,
machucava-a profundamente e a deixava totalmente constrangida. Cíntia
sabia ainda que algo muito mais terrível poderia acontecer contra si, pois,
quando a mãe ficava bêbada, ninguém conseguia domá-la. Quando a mãe
dormia, Cíntia precisava ficar quietinha num cantinho do quarto, onde
ficavam as garrafas. Ela tinha que tomar muito cuidado; não podia fazer
nenhum barulho. E ficava tensa, nervosa, e fazia de tudo para permanecer
quieta, calada, quase que imóvel, no meio das garrafas de bebida, pois a mãe
não podia acordar.

Ah..., se ela acordasse, ela se levantaria totalmente transtornada e começaria a


quebrar tudo. Era um terror! Esse pesadelo continuou por anos. Foi desse
modo que Cíntia se aprisionou espiritualmente numa garrafa de cerveja, até o
dia em que foi liberta.

Amarrada em cordas de Ódio e Rejeição

“Eu era muito agressiva...” – assim começou Célia a contar a sua história.

Apesar de ser uma crente que sempre frequentava a igreja e era muito
interessada na transformação da sua cidade, ela tinha um ressentimento
terrível. Ansiedade, tristeza, choro, isolamento, vergonha, tormento, medo e
depressão faziam parte da lista de sentimentos do seu dia a dia. Além disso, o
desejo de morrer, a preocupação, o nervosismo, e também pressentimentos
malignos, irritação e pensamentos de morte produziram nela uma doença
chamada fibromialgia.

Para piorar, Célia tinha ainda insônia, peso na coluna, dores na coluna,
pontadas e dormência no corpo, queimação nas pernas, alteração de visão,
falta de ar, dores de estômago, dores no ovário, nos rins, zumbido no ouvido,
impressão de inchaços na cabeça e no corpo, além de depressão e de estar
obesa.

Ela havia tido uma infância sofrida. Sua mãe a usava para agradar as
vizinhas, deixando-a nas casas delas como se fosse uma empregada. E elas a
tratavam como escrava. Dos sete aos nove anos, Célia ficou como empregada
das vizinhas, quando suas colegas da escola e seus amigos da vizinhança, que
tinham a sua idade, brincavam e curtiam a infância.

Algumas das vizinhas, para quem ela era obrigada a trabalhar, chegavam a
maltratá-la. Essa situação deixou muitas marcas em sua vida. Célia esclareceu
ainda que, na sua juventude, irritava-se profundamente com a mãe, por tudo o
que ela fazia. Em especial, Célia costumava sentir-se mal, e ficava nervosa,
quando sua mãe tentava demonstrar algum carinho, passando a mão na
cabeça dela.

A raiz do seu problema estava no profundo ressentimento para com a mãe.


Célia rejeitava a mãe pela grande amargura que havia cultivado contra ela,
pois sua mãe tinha usado e abusado dela, quando a fez de empregada. Célia
estava aprisionada naquelas casas em que havia trabalhado, em sua infância,
como empregada.

Um outro lugar de prisão, para ela, foi a escola. A professora humilhava e


batia nas crianças. Dentre muitas, Célia também foi vítima dos maus-tratos da
mestra, pois não conseguia acompanhar a lição, já que não tinha tempo para
estudar – e sempre estava cansada pelo trabalho que tinha de fazer, como
empregada.

Seu casamento também havia sido um desastre. Célia odiava o marido. Ele
era alcoólatra. Trabalhava o dia todo e, quando voltava para casa, nada fazia a
não ser ficar diante da TV, todas as noites. E bebia cerveja até embebedar-se.

O que deixava Célia muito irritada era o ruído de abrir as latinhas de cerveja.
Quando a ministrei, ela já estava casada havia 25 anos, e confessou que o seu
casamento estava insustentável.

Ela também não tinha nenhum desejo sexual. Ela me disse: “Meu marido é
alcoólatra, não me acompanha na igreja, não cumpre com os seus
compromissos financeiros... tudo isso me deixa nervosa”.

E disse também: “Ele é um pai ausente”.

Como Célia não era, de forma alguma, valorizada pelo marido, ela sentia-se
totalmente rejeitada. Com os dois filhos, meninos, o seu relacionamento era
normal. Ela conseguia demonstrar alegria e prazer em estar com eles, e deles
cuidar. Entretanto, com a filha, disse ela, “era terrível”. Célia não conseguia
demonstrar amor para com ela, não conseguia amá-la, e dizia não gostar dela.

Por mais que se esforçasse, era-lhe muito difícil demonstrar amor e carinho
para a filha. O hospital onde ela foi ter o primeiro bebê também se tornou um
lugar de aprisionamento. Célia havia se casado grávida. Ela não queria saber
de sexo com o namorado, apesar de sempre ser assediada por ele. E, um dia,
na brincadeira, encostaram-se e ela engravidou, tendo de se casar.

Naqueles momentos tão importantes para a mulher, quando Célia estava para
dar à luz o primeiro filho, ela teve de enfrentar tudo sozinha. Ninguém veio
ficar com ela no hospital. Não houve ninguém que a acompanhasse; não
recebeu ajuda de ninguém. Seus familiares haviam se esquecido dela. Seu
parto foi horroroso – foi o que ela comentou. Teve dores terríveis. Célia
realmente pensou que ia morrer. As atendentes, bem indiferentes e relapsas,
disseram que era assim mesmo.

Ela sentiu-se abandonada, pois ficou o dia inteiro, e a noite toda, na


expectativa de um bom atendimento, mas ninguém apareceu, nem mesmo
para consolá-la e confortá-la. Ela gritava e berrava pela dor e pelo mal-estar,
mas permaneceu sozinha, sem a ajuda de ninguém. Aquele hospital tornou-se
um lugar de terror. Para ela, o hospital parecia estar cheio de teias de aranha,
e o sentimento predominante nela foi o de terror. Ela teve de sair de lá, teve
de sair espiritualmente daquela prisão.

Seu marido é considerado um homem bom. Célia disse que ele trabalha
muito, mas o seu defeito é ser muito passivo e depressivo. O pior é que, já há
algum tempo, havia passado a beber. Ele é um bom pai, mas ausente. Ela
tinha de fazer tudo.

Ela carregava o fardo da casa toda. E a situação foi piorando e agravou-se


ainda mais, quando se mudaram. Por algum tempo, moraram num
apartamento cuja dona era viúva. Célia começou a observar que era assolada
com pensamentos de separação, de isolamento, de tristeza e de uma grande
vontade de morrer.
Foi nessa ocasião que ela teve de enfrentar a situação de seu marido estar
tendo um caso com uma mulher de nome Mafalda. Naturalmente, Célia não
sabia que os espíritos que acompanhavam Mafalda a estavam perturbando,
para destruí-la e matá-la, como costumam fazer.

Quando Célia foi ministrada, além de ser retirada desses inúmeros lugares em
que ela se achava presa, dei-lhe uma palavra sobre o perdão à mãe, ao marido
e à filha. De fato, todo ressentimento e mágoa, que ela tinha contra a mãe,
haviam sido inconscientemente transferidos ao marido e à filha, acrescidos
ainda de ódio e rejeição.

Pela fé e com a sua libertação da prisão, porém, foi criada uma nova
realidade. Pedi a um pastor, que se achava presente na ministração, que
orasse pelo marido de Célia, pedindo que Deus enviasse uma legião de anjos
para libertá-lo, tirando as vendas dos olhos dele, eliminando dele a vontade
de beber, anulando a passividade e a sua indiferença à vida espiritual. E ainda
pedimos que Deus viesse eliminar toda tristeza, todo sentimento de morte, e
toda depressão. E assim Deus fez.

Célia nos disse que perdoar era muito difícil. Mas ela conseguiu declarar
perdão à mãe, ao marido e à filha, renunciando os espíritos de tristeza, de
acusação, de mágoa, de rejeição, de morte, de culpa e de humilhação, entre
outros.

No dia seguinte, o que ela nos relatou foi que o marido não estava mais
diante da TV, abrindo latas de cerveja e bebendo.

Ela estranhou, e nem mesmo podia acreditar que a sua atitude e o seu
sentimento haviam mudado em relação ao marido e em relação à filha. Célia
começava a ver os resultados de ter saído de suas prisões espirituais.

Aprisionada num colchão malcheiroso de urina

O caso de libertação a seguir passou-se com uma de nossas alunas do Curso


de Libertadores, uma juíza, cujo nome é Cristina.

Desde muito pequena, Cristina não podia contar com a mãe, pois esta estava
sempre drogada e bêbada, e não podia ajudá-la. Até mesmo durante à noite,
Cristina não podia contar com ela, nem mesmo para levá-la ao banheiro.
Cristina acordava, mas sua mãe continuava dormindo. Desse modo, não
tendo como ir ao banheiro, Cristina resolvia o seu problema de maneira muito
simples: urinando na cama.

Como ela dormia num colchão de crina, ela urinava nos quatro cantos do
colchão. Seu problema de todas as noites era, desse modo, resolvido, mas ela
enfrentava ainda um outro problema bem mais vergonhoso, durante o dia. Ela
tinha de levar para fora aquele colchão malcheiroso de urina, para fazê-lo
secar ao sol. Além da vergonha, ela sentia-se incomodada, perturbada pelo
cheiro daquela urina que impregnava o quintal.

Cristina casou-se com um homem misericordioso, realmente escolhido por


Deus. Jesus veio ao seu encontro através desse homem que seria o seu
marido. Tiveram um casamento maravilhoso e havia muito amor e respeito
entre eles.

Um problema, porém, Cristina enfrentava – e isso ocorria já por muitos anos:


ao despertar de manhã, ela não conseguia receber o abraço do marido, pois
ela acordava sentindo um cheiro de urina saindo de seu próprio corpo. Ela
tinha que correr para o banheiro e tomar um banho. Só depois de lavar-se e
perfumar-se é que ela tinha condições de abraçar o marido.

Em sua ministração, Cristina tomou consciência de que o cheiro da urina que


sentia, ao acordar, não era real. Aquilo estava nela, e ela percebia o ar
impregnado de cheiro de urina porque estava aprisionada naquele colchão
malcheiroso da sua infância.

Cristina então orou, colocando diante do Senhor tudo que lhe acontecera no
passado: a mãe que se drogava e não cuidava dela, e o seu medo das aranhas
caranguejeiras. Pediu também perdão a Deus por todas as vezes que urinou
nos cantos do colchão.

Apresentou a Deus a vergonha de ter de arrastar diariamente o colchão para


fora, a fim de secá-lo. Então ela amarrou e expulsou os espíritos de medo, de
descuido, de vício, de desleixo e de vergonha, e pediu que Jesus a tirasse
espiritualmente daquele colchão malcheiroso. E Jesus a tirou daquele
colchão. No dia seguinte, naquela manhã, ela acordou dizendo:

“Não sinto mais aquele cheiro, eu me libertei daquele colchão, depois de


cinquenta e tantos anos de prisão!”

Aprisionado sob um pano

Cláudio era o filho primogênito de uma amante do seu pai. Era um filho
bastardo. Ao nascer, foi amaldiçoado pela esposa de seu pai, que era bruxa;
esta, fez contra ele todo tipo de feitiçaria, para destruí-lo. Logo depois do seu
nascimento, ninguém sabe como, desceu do telhado sobre ele o que havia
sido usado na feitiçaria contra ele: um animal morto, sangue, velas e outros
apetrechos.

Cláudio também pertencia a uma família de linhagem de bruxos. Uma de


suas avós era bruxa. Sua infância foi bastante tumultuada. Como costuma
acontecer, Cláudio foi escolhido para ser o herdeiro espiritual dos poderes
sobrenaturais que estavam em sua linhagem familiar.

Sua vida era cheia de aflições. Apesar de seus poderes, ele nunca tinha
sucesso em nada, por mais que se esforçasse. Na realidade, os demônios que,
pela bruxaria, tinham legalidade em sua vida, perseguiam-no dia e noite: na
escola, não o deixavam em paz; no namoro, os demônios intrometiam-se; no
trabalho eles roubavam, e Cláudio perdia todas as oportunidades.

Muitas vezes, enquanto caminhava numa rua, perto de um muro, enormes


demônios apareciam para encurralá-lo, e o deixavam apavorado.

Resumindo a sua história, Cláudio converteu-se a Jesus, e um dia buscou a


sua libertação. Ele foi atendido por uma de nossas ministradoras, a
missionária Zilá Palombo. Sua ministração foi longa, e o que se segue é
apenas um pequeno trecho.

Um dos intercessores presentes, numa visão espiritual, viu um rosto coberto


por um pano. E, de repente, Cláudio lembrou-se duma história que lhe
haviam contado:
Quando nasceu, ele era muito parecido com o pai. Era bastante moreno, mas
sua mãe era bem clara. Ela tinha vergonha do filho. Sua mãe tinha um forte
preconceito racial. O problema de sua mãe chegava ao ponto de que ela tinha
necessidade de esconder o filho das amigas. Ela colocava um pano sobre o
rosto dele para que as outras pessoas não chegassem a ver seu filho, e isso
aconteceu por um bom tempo. Ele, porém, foi crescendo, e passou a ser visto
por todos.

Durante a ministração, Cláudio disse que a sua vida era muito amarrada.
Tinha dificuldade para alcançar seus objetivos e projetos na vida. Apesar de
todo o seu esforço e empenho, ele nunca tinha sucesso no trabalho, em suas
realizações ou na família.

O que Deus mostrou, então, foi que havia um pano que o escondia. As
pessoas continuavam não percebendo quem ele era, de fato. Ninguém via
nele a capacidade e a inteligência que ele realmente tinha. Assim, o Espírito
de Deus começou a trazer luz ao que nos era oculto. O pano espiritual que o
cobria (que havia sido colocado por sua mãe em sua infância) foi então
tirado.

O intercessor viu, em seguida, um rosto de bebê brilhando. O próprio Cláudio


disse que tudo havia ficado bem mais claro. Ele havia saído de uma prisão
espiritual.

TESTEMUNHO 4
Aprisionamento por Abuso Sexual
“Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem
fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos levo, nem
andareis nos seus estatutos. Fareis segundo os meus juízos e os meus
estatutos guardareis, para andardes neles. Eu sou o Senhor, vosso Deus.
Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; cumprindo‑ os, o
homem viverá por eles. Eu sou o Senhor.” (Lv 18:3-5)
Qualquer tipo de abuso pode ser considerado uma causa de aprisionamento
espiritual. O abuso sexual, porém, é um dos eventos que mais prendem

e aprisionam as pessoas, com consequências sérias e duradouras.

Aprisionada no quarto onde aconteceu o abuso

Recebi de uma irmã, de nome Eliane, uma carta em que ela relata o seu
testemunho de libertação de uma prisão espiritual, causada por um abuso. Ela
escreveu o seguinte:

Nossa família morava no interior do estado do Espírito Santo. Quando eu


tinha uns quatro anos, minha mãe precisou levar meu irmão caçula ao médico
em Vitória. Sei a idade aproximada que eu tinha, pois sou três anos mais
velha que ele, e tinha entre 6 e 8 meses; estava envolto numa manta de lã com
franjinhas brancas. Eu fui junto com eles.

Ao chegarmos em Vitória, minha mãe foi a uma farmácia e começou a


conversar com várias pessoas, e me apresentou a elas. De repente, porém, ela
já não estava mais comigo, e eu comecei a chorar.

Lembro que chorei tanto, tanto, que mal conseguia respirar. Passei o dia todo
chorando. Chegou a noite e minha mãe não voltava, e eu continuava
chorando. Levaram-me então para uma casa, para comer e dormir.

O que comi foi regado com lágrimas. Depois adormeci, cansada de tanto
chorar. No dia seguinte, quando acordei, a mulher da casa me deu café da
manhã e me disse que minha mãe já estava chegando. Essa mulher tinha um
filho adolescente, que começou a brincar comigo e ganhou a minha
confiança. De repente, o rapaz sumiu. E eu comecei a procurá-lo e o achei no
seu quarto. Estava escuro, pois a janela era de madeira e não tinha vidraça.
Quando o descobri, deitado na sua cama, eu também me deitei ao seu lado.
Ele brincava comigo, mas de repente ele tomou a minha mão e a pôs sobre o
seu órgão genital, e queria que eu o masturbasse. Um grande pavor veio sobre
mim, querendo me sufocar, debaixo daquele cobertor, e eu comecei a
reclamar. Ele me mandava falar baixinho, ficar quieta, caso contrário, me
ameaçou dizendo que me jogaria numa cisterna que havia no quintal. E eu
murmurava baixinho e ele dizia: “Pssiiiu! Fique quietinha, nós só estamos
brincando”.

A mãe dele estava em casa, e parece ter percebido alguma coisa. Então ela
começou a chamá-lo, entrou no quarto e me mandou sair. E falou brava com
ele, e o mandou sair também. Logo depois, a minha mãe chegou, mas eu nada
disse a ela.

Muito tempo depois, já adulta, eu fui curada do trauma da agressão, mas eu


sempre me via (como uma criança pequena) dentro daquele quarto escuro,
não debaixo do cobertor, mas, sim, em pé, no meio do quarto, e
impossibilitada de sair. Quando assisti à sua ministração acerca de prisões
espirituais, além de o Espírito Santo me mostrar que eu estava aprisionada
naquele quarto escuro, o próprio Senhor Jesus, que estava atrás da parede
daquele quarto, chamou-me, dizendo: “Vem para fora”!

Eu comecei a sair, mas, quando olhei para baixo, o chão se movia como uma
esteira, e isso me paralisava e não me permitia sair do lugar.

Foi então que o Senhor Jesus derrubou a parede que estava entre nós e
tomou-me pela mão, tirando-me de lá. Ele me levou para um lugar espaçoso e
sorriu para mim. Não era, porém, a Eliane adulta que estava segurando a mão
do Senhor, era uma menina bem pequena.

Quando abri os olhos, vi que estava na sala da ministração, e eu tinha saído


do meu lugar, entre os bancos, e tinha ido para um outro lugar, bem espaçoso.
Jesus é maravilhoso, pois este é o seu nome!

Que a senhora possa usar esse meu testemunho em suas palestras, para
libertação e cura de muitas pessoas.

Aprisionada num berço

Alina nasceu numa família de uma seita muçulmana: os drusos, que odeiam
Israel. Dizem que os judeus são sanguinários, ladrões de terras; “são um
lixo”. E ainda perguntam: “Por que Deus escolheu Israel? Afinal, que Deus é
esse que escolheu Israel?”

Desde criança, Alina aprendeu a odiar os judeus e a Israel.

Em sua casa, em seu lar, o que prevalecia era o ódio. Aparentemente, naquele
lar ninguém amava ninguém. Não havia amor, nem demonstração de afeto e
carinho.

Alina tinha apenas cinco anos quando viu o pai e mãe tendo uma relação
sexual. Isso foi muito forte para uma menina dessa idade. Foi uma
experiência traumatizante, pois, para ela, seu pai estava maltratando sua mãe.
O choque foi tão grande que Alina ficou paralisada e presa naquele berço,
onde estava. Ela lembrava-se muito bem da cena.

Quando sua mãe ficou grávida dela, o pai não aceitou a gravidez de forma
alguma. Ele era um homem violento e chutava a barriga em gestação. E a
mãe, por sua vez, cedeu e tentou abortá-la. Assim, o espírito de morte
acompanhava Alina desde a sua infância.

Desde que tomou consciência de sua existência, ela só desejava a morte: não
queria viver, queria morrer. Durante todo o tempo desejava a sua morte.
Tentou suicídio. Disse diversas vezes para si mesma que, se a vida não
mudasse, ela ia morrer.

Mesmo com todo esse passado macabro, um dia ela conheceu Jesus e foi
salva por Ele. Entretanto, ainda depois da conversão, Alina chegou a fazer
um voto estranho: se não conseguisse dois mil reais, até uma determinada
data, que Deus tirasse a sua vida.

Sofrendo ainda muitos sintomas malignos, ela buscou ajuda, e foi ministrada.
Na ministração, foi difícil para ela convencer-se de que deveria viver. Ela
tinha vivido até então (estava com cerca de vinte anos) sem amor e sem
carinho. Era muita rejeição, o sofrimento havia sido muito grande. Por isto
mesmo que, no passado, chegou a tentar várias vezes o suicídio.

Em seu histórico anterior à conversão, um outro ponto por ela ressaltado foi
ter entrado na vida de prostituição, porque queria vingar-se do pai. Queria
machucá-lo. Era um desejo que sempre tinha tido, um forte desejo, o de fazer
um escândalo e ferir seu pai. Os homens escolhidos eram sempre casados ou
separados, com 12 ou 15 anos a mais do que ela. Assim, Alina vingava–se do
pai, que a tinha rejeitado. Ao mesmo tempo, porém, ela procurava o abraço
do pai, porque ela queria ser aceita. Com a vida de prostituição, Alina ficou
grávida, e, assim, não viu outra saída, a não ser praticar o aborto.

Alina demonstrou também ter um profundo ódio a Israel. Era um ódio


milenar. Era um ódio herdado e aprendido no seio familiar, pela religião de
seus pais. A maldição de antissemitismo estava presente em sua vida.

Durante a ministração, em determinado momento, um dos intercessores


passou-me um bilhete, dizendo que o problema dela era a raiz de rejeição. De
fato, a base do seu problema era uma profunda rejeição.

Logo no início da ministração eu me identifiquei com os pecados de Alina, e


orei pedindo perdão por ela ter provocado a maldição de antissemitismo.
Também pedimos perdão pela confusão entre os dois filhos de Abraão, entre
Isaque e Ismael, que permaneceu entre os seus descendentes.

Em seguida, Alina começou, dirigida por mim, a pedir perdão por seus
pecados, em arrependimento. Isso não foi nada fácil, e foi feito muito
devagar, a muito custo. Mas ela pediu perdão a Deus pelos pecados que havia
acabado de confessar: a prostituição e a vontade de vingar-se do pai. Ela
dizia: “Senhor, eu desejei vingança, quis vingar, vingar, desejei vingar-me de
meu pai. Mas, por que eu nasci? Eu não pedi para nascer”.
Alina culpou Deus, muitas vezes, pela sua infelicidade, pela sua dor e pelo
seu sofrimento. Num dado momento, para resolver a questão da rejeição,
alguém – representando os judeus – pediu-lhe perdão, como Abraão.
Também foi pedido perdão por Sara ter desprezado e abandonado Agar.

Alina também disse: “Não entendo por que Ismael foi abandonado, se era o
primogênito, e por que Isaque teve todas as regalias, por ser o filho da
promessa”. Ela chorou, e, assim, começou um quebrantamento. Alina estava
presa em seu berço. Ela disse que estava paralisada e presa ali, e não
conseguia caminhar nem mover-se. Ela estava presa lá, onde ela tinha visto
os pais numa relação sexual. A cena era demasiadamente forte para uma
menina de cinco anos. Essa é uma forma de abuso sexual!

Pedimos para que Jesus viesse e entrasse naquele cenário. Ele veio, e ela logo
se colocou nos braços dele. Sorriu gostoso. Mas a cena da relação sexual
acontecia, e então ela chorou e disse: “Papai não vai machucar o nenê? Não
vai machucar?” Ela sofria naquele momento. Ela via o pai como um grande
causador de dor e tinha medo dele. Passamos o sangue de Jesus e a cena
desapareceu.

Em seguida, foi feita a cura com base no Salmo 23, aplicando a Palavra para
aquela criança, que estava no colo de Jesus. Sim, ela foi passear com o bom
pastor. Ficou o tempo todo no colo de Jesus. Ela não andou nas relvas, nas
campinas verdes, porque não queria descer do colo de Jesus.

Quando viu as águas cristalinas, ela quis entrar, mas não queria largar de
Jesus, e assim entrou na água com Jesus, e Ele a lavou naquela água de
refrigério; depois andou pelas veredas da justiça e pelo vale da sombra da
morte, sempre no colo de Jesus.

Então ela viu uma mesa cheia de chocolates e outras iguarias. Era uma mesa
lindamente posta, com muitas taças. Jesus a servia e lhe dava a comida na
boca… e Ele a tomou para dançar. Depois Jesus a levou para uma sala, onde
estava o pai dela.

Alina ficou apavorada. O que poderia acontecer com ela, quando se


encontrasse com seu pai? Ela começou a ficar com muito medo, e abaixou a
cabeça, como se não quisesse ver o pai. Naquele momento, um dos pastores
que estava conosco na ministração foi chamado para fazer o papel do pai. Ele
a abraçou e ficou um bom tempo falando com ela, pedindo-lhe perdão. Levou
bastante tempo para ela aceitar o abraço do pai.

Finalmente, Alina o abraçou e lhe pediu perdão. E ela ainda acrescentou:


“Dá-me um beijo, papai”. Uma das intercessoras disse então que a amava
como filha. E fez uma linda e longa oração de agradecimento e de bênção
sobre a vida dela.

A mulher aprisionada no sofá

Ester tinha sido uma menina muito mimada. Sua mãe nunca a deixava
sozinha. Tinha um zelo especial para com a filha, e nunca a deixava a sós, em
nenhum lugar. Nem mesmo com alguém ela poderia ficar. Será que sua mãe
tinha medo de que algum mal pudesse acontecer com a filha?

Ester foi crescendo, cercada de todo cuidado por parte de sua mãezinha
querida. Quando jovem, porém, a mãe, por compromissos que assumiu, teve
de, sistematicamente, ausentar-se de casa num determinado dia da semana, e
Ester foi obrigada a ficar sozinha, naquele dia, semana após semana.

Aconteceu que um primo descobriu que Ester ficava sozinha, em casa, num
determinado dia da semana, e, assim, começou a visitar a prima, todas as
semanas, naquele dia.

Então teve início um longo processo de abuso sexual. O abuso caracterizava-


se pela sedução, aproximação e violência sexual, com ameaças para que Ester
não contasse a ninguém o que ele, seu primo, estava lhe fazendo.

Com o passar do tempo e os sucessivos abusos semanais, Ester foi


desenvolvendo uma passividade em seu espírito. Na verdade, ela sentiuse
escravizada e aprisionada. Mas ela passou a gostar da situação, pois o seu
corpo começou a descobrir o prazer sexual. Por outro lado, ela também
odiava tudo aquilo e achava que algo horrível estava acontecendo.

Ester, porém, não conseguia livrar-se do primo.


O sofá da sala era o local do abuso. Mesmo com pavor, ódio e nojo, o abuso
foi acontecendo, e Ester desenvolveu um sentimento de ambivalência: tendo
ódio e, ao mesmo tempo, gostando de ser abusada, pois o seu corpo tinha sido
despertado por sentimentos e emoções que ela não poderia ignorar; além
disto, ela não tinha forças para controlar a situação.

Desse modo, semana após semana, Ester foi sendo atacada por sentimentos
de culpa, morte, medo, vergonha, sensação de sujeira e inferioridade. Todas
as semanas, isso se repetia no sofá da sala, e ela se condenava pelo que
acontecia. Sua autoestima foi sendo anulada, paulatinamente. Ela sentia-se
culpada de tudo, sentia-se suja e inferior, e, no seu conceito, era incapaz e
burra.

Um dia, Ester libertou-se do seu primo e posteriormente veio a se casar. Seu


marido era um rapaz formoso; era um homem de Deus, consagrado. Eles,
porém, tiveram problemas conjugais e sempre viviam se desentendendo.
Chegaram a ficar assustados por terem tantos problemas em seu casamento!

E um dia Ester caiu em adultério, traindo o marido.

Foi nessa situação que ela nos procurou para ser ministrada. Analisamos
juntos toda a sua história e oramos, buscando a causa, o que a tinha feito ser
infiel a seu marido.

Ela então descobriu que o abuso tinha sido uma prisão espiritual, que a havia
levado àquele pecado.

Essa prisão a fez convencer-se de que ela era suja e não merecia um marido
tão formoso, tão perfeito. Ela quis provar para si e para todos, em seu
subconsciente, que ela era tão suja quanto uma prostituta, e assim envolveu-
se num adultério.

Ester estava aprisionada naquele sofá onde ocorreram os abusos perpetrados


por seu primo. Foi necessário tirá-la daquela prisão. Ela saiu, e isso foi uma
parte muito importante da sua libertação.
TESTEMUNHO 5
Aprisionamento pela Música Rock
“Estavas no Éden, jardim de Deus; toda pedra preciosa era a tua cobertura:
a sardônia, o topázio, o diamante, a turquesa, o ônix, o jaspe, a safira, o
carbúnculo, a esmeralda e o ouro; a obra dos teus tambores e dos teus
pífaros estava em ti; no dia em que foste criado, foram preparados. Tu eras
querubim ungido para proteger, e te estabeleci; no monte santo de Deus
estavas, no meio das pedras afogueadas andavas.”
(Ez 28:13-14 – ARC)
Há uma guerra de deuses, uma guerra de altares, disse Ronny Chaves,
apóstolo de Jesus para as nações.1 De fato, há uma grande guerra que se
desenvolve entre os adoradores do Senhor Jesus e os adoradores dos poderes
das trevas.

Aprendemos na Palavra de Deus que Lúcifer dirigia a adoração no monte


santo do Senhor. É o que os versículos acima nos mostram. Assim, podemos
entender que os tambores, os pífaros e outros instrumentos musicais estavam
com Lúcifer, o portador de luz, que tinha a responsabilidade de conduzir a
orquestra e a adoração celestial.

Nos dias de hoje há festivais e concertos, especialmente de rock, para onde


concorrem milhares de jovens, alucinados por esse tipo de música. Muitos
desses compositores, instrumentistas e cantores estão debaixo da inspiração
daquele querubim da guarda, que antes conduzia a música no céu.

A queda de Lúcifer, transformando-o em Satanás, levou-o a apresentar não


mais a verdadeira adoração ao Criador, mas sim a sua contrafação. Hoje,
Satanás passa a exigir da multidão de seus seguidores a adoração à sua pessoa
e não a Deus.

Vejamos agora o testemunho de alguém que vivia nessa adoração aos poderes
das trevas:

Aprisionado pelo Eddie do Iron Maiden


O seguinte testemunho me foi enviado por Edivaldo, que teve um forte
envolvimento com o rock:

Passo a contar como Deus me libertou de prisões espirituais, que me foram


criadas por causa do meu envolvimento, na área da música, com o rock
pesado. Meus pais conheceram a Jesus quando eu tinha 7 anos. Fiquei na
igreja até os 13 anos, quando me desviei e comecei a envolver-me com o rock
progressivo, suas vertentes e seus modismos. Aos 15 anos, eu estava
totalmente fascinado com o universo da “música pesada”, e já me vestia,
falava, pensava e agia como se fosse membro de uma gangue, daquelas que
vemos em filmes e clipes musicais.

Apeguei-me a vários grupos, bandas e cantores, tais como Raul Seixas, Plebe
Rude, Ira, Capital Inicial, Legião Urbana, Sex Pistols, Ratos do Porão, Black
Sabbath, entre outros. Mas o meu xodó era a banda IRON MAIDEN.

Essa banda possui um mascote chamado EDDIE, que é um esqueleto com


vida própria, criado por um dos integrantes da banda. No início Eddie era um
esqueleto podre sem muita expressão, mas hoje se apresenta na forma de um
robô de quase 6 metros de altura, todo estilizado e cheio de recursos
tecnológicos.

O meu nome, Edivaldo, tem suas iniciais pronunciadas exatamente como se


pronuncia o nome do mascote. Aos 16 anos eu passei a não mais apresentar-
me com o meu nome verdadeiro e nem mesmo a escrever o meu nome
verdadeiro, mas apenas “Edi”. Naquela época eu cursava a 8ª Série do 1º grau
num colégio público e um curso técnico de eletricista, na Escola SENAI. Por
conta do curso, fazia estágio numa grande metalúrgica, minha vida era
relativamente comum à de tantos outros jovens.

Mas, dentro de mim, podia sentir no fluir de minhas palavras, pensamentos e


atitudes, muito ódio, raiva, violência, irritação, sarcasmo, entre outros
sentimentos. Com o tempo, me tornei viciado em vinho, além de inalação de
tíner e benzina. Fiz parte de uma gangue de rua, tornei-me vândalo,
encrenqueiro, e tinha um forte desejo de viver sozinho, isolado, como os
lobos nas montanhas.
Naquele período, conheci aquela que hoje é a minha esposa. Ela se converteu
ao Evangelho, e por isto eu tive de voltar para a igreja, pois gostava muito da
garota. Tornei-me pastor e, mesmo assim, sentia-me atraído por rock, pelo
Iron Maiden, e especialmente por Eddie.

Após diversos acontecimentos conturbados, que não é necessário citar,


conheci o Ministério Ágape Reconciliação, por intermédio dos líderes da
igreja. Em 2001, participei do Seminário de Batalha Espiritual e foi terrível:
eu me desligava, e não conseguia ficar acordado durante as palestras. Tive
fortes dores de cabeça, náuseas, e uma irritação incomum.

Preenchi a ficha de ministração, para ser ministrado individualmente, e fui


chamado no domingo, mas não fui ministrado. A pastora Lílian, que me
atendeu, apenas correu os olhos na ficha e só depois de uns 5 meses é que fui
ministrado pela primeira vez na sede do Ministério Ágape. Deixo os detalhes
para o livro que tenho um desejo enorme de escrever.

Depois de ser ministrado, fiz inscrição para o Curso de Formação de


Libertadores.20 Numa das aulas em que a Dra. Neuza Itioka ensinava sobre
aprisionamento espiritual, eu me senti muito mal, e quase fui embora.

Mas fiquei e, no final da aula, houve uma ministração aos alunos, para que
saíssem de qualquer prisão espiritual em que porventura ainda estivessem
presos.

No momento em que orávamos, pedindo ao Senhor que nos tirasse de toda e


qualquer prisão espiritual, eu “travei” fisicamente. Não conseguia mexer-me,
nem falar, nem sequer pensar direito. Eu teria de sair daquela prisão espiritual
(através de um ato simbólico de sair do lugar em que estava e caminhando
fisicamente para outro), mas não conseguia.

Então a Dra. Neuza pediu para que os irmãos presentes, que estavam bem,
ajudassem os que estavam com dificuldades. Recebi ajuda, e naquele
momento, o Senhor permitiu que eu tivesse a visão da minha libertação.
Enquanto eu era literalmente carregado por dois ou três irmãos, o Senhor me
dizia com voz firme e suave: “olhe para o lado”.
Olhei e me vi trancado no meu quarto de solteiro, quando ainda morava na
casa de meus pais. Eu estava usando um fone de ouvido, ouvindo Iron
Maiden. E chacoalhava a cabeça, sentindo a presença gigantesca da caveira.

Ao mesmo tempo, podia ouvir bem ao longe a voz da Dra. Neuza, em


comando, dizendo para que clamássemos ao Senhor e afirmássemos que
estávamos saindo das prisões. Com muita dificuldade, quase sem forças e
sem fôlego, clamei e pedi para o Senhor tirar-me dali.

Então, ouvi novamente a voz firme e suave do Senhor: “Agora, olhe para
trás.”

Olhei e vi algo maravilhoso. Bem diferente do dia da primeira ministração,


quando ela, a caveira, berrou com voz gutural e cheia de força, dizendo em
francês que eu era dela, agora ela, a caveira Eddie, estava caída no chão, toda
esfarrapada, sangrando e gemendo.

Com dificuldade – era apenas um suspiro de voz – eu tentava dizer em


francês que eu era dela, mas o Senhor me disse, com voz firme e suave:

“Você não é dela! Você é meu! E hoje você está livre dessa prisão!”

Então me senti restaurado e consegui firmar os pés no chão. Comecei a andar


e glorificar a Deus. Sentia-me envergonhado, pois muitos ali sabiam que eu
já era pastor, e os meus líderes estavam presentes, mas o Senhor me disse:
“Não se preocupe, Eu, o Senhor, o resgatei hoje, para que Eu seja
glorificado”.

Houve ainda, depois desse episódio, outros momentos de libertação, que


espero poder relatar num livro. Obrigado, irmã Neuza, por ter permitido que
eu compartilhasse esse glorioso livramento que o Senhor me concedeu.
Espero que sirva de ajuda para muitos irmãos que precisem ser libertos de
prisões espirituais.

Oito anos de escravidão

Foi através da música que Elisa envolveu-se com o satanismo. Ela fazia parte
de bandas e tocava o rock leve: Led Zeppelin, Pink Floyd, Guns n’ Roses,
The Doors, Janis Joplin, Jimi Hendrix, e também o rock pesado: Transmetal,
Iron Maiden, Black Sabbath; Kiss, Nirvana, Anthrax, Destruction, Angra,
Ramones, Ozzy Osbourne, Death Metals, Venon, Slayer, Metallica,
Helloween, Canibals, Ratos de Porão, Devil, Alice Cooper.

Elisa confessou-me que conhecia Satanás desde criança, mas não conhecia
Deus. Ela só conhecia o inimigo. Ela o tinha como alguém que poderia
resolver os seus problemas, e para quem podia pedir favores. E ela fez um
pacto com Lúcifer, o diabo, mesmo sabendo que isso não era bom, que não
era certo fazer isto. O pacto foi feito tirando um pouco de seu sangue e
oferecendo-o a Lúcifer, como expressão de compromisso com ele.

Desde criança ela tinha sensibilidade para saber o que acontecia ao redor. Seu
pai era ausente e nunca estava em casa. Um dia, viu que sua mãe conheceu
um homem, com quem ela conversava. Elisa percebeu que aquele homem
tinha algo de errado. Como seu pai desaparecia viajando sempre para o
exterior, a trabalho, Elisa manteve pouco contato come ele, e não chegou a
conhecê-lo muito bem.

Muito tempo depois, seu pai deixou de viajar, permanecendo em casa. Porém,
não foi capaz de ser um bom marido e um bom pai, pois entregou-se ao
alcoolismo, distanciando-o da família, até que por fim foi embora de casa.
Desde então, Eliza não teve mais nenhum contato com ele.

Sua mãe foi morar com outro homem, e mesmo Elisa não tendo gostado dele,
fora obrigada a morar com seu novo padrasto.

Uma noite, na casa daquele homem, quando a mãe estava dormindo, Elisa,
também já deitada, percebeu que ele se aproximava. E ela sentiu nos poros
que algo terrível estava para acontecer. O homem, percebendo que ela estava
acordada, saiu de mansinho do seu quarto. Mas ela não conseguiu mais
dormir naquela noite.

Elisa contou à sua mãe o que havia acontecido. Sua mãe ficou profundamente
ofendida e muito preocupada com o que poderia ocorrer. Então Elisa notou
que o relacionamento de sua mãe com tal homem, que havia se tornado seu
padrasto, não era mais o mesmo. Depois de algum tempo aquele homem se
matou.

Elisa não sabe o que o levou a suicidar-se. Para ela não ficou claro o motivo,
e considerou até mesmo a possibilidade de o suicídio ter sido causado pelo
fato de que ela o tinha denunciado como um possível abusador sexual.

Depois da morte daquele homem, sua mãe vivia prostituindo-se. Uma vez
ficava com um homem, outra vez com outro. Ela não tinha relacionamento
estável com ninguém, poderia ficar com um homem durante um ano, três
meses ou poucas semanas. Além disto, em alguns períodos sua mãe tinha
múltiplos parceiros.

Elisa precisava de ajuda, mas ainda não conhecia Deus. Satanás, ela
conhecia; mas, de Deus, ela nunca havia ouvido falar. Jesus era-lhe também
um ilustre desconhecido. Um dia, porém, ela teve um encontro com o Senhor.
Depois de conhecê-lo e começar a seguir os seus ensinamentos, ela teve
muitas dificuldades para viver os valores do evangelho.

Elisa abriu os olhos e viu que tudo estava amarrado em sua vida, ela não
progredia em nada. A sua vida profissional parecia estar amarrada. Os
projetos não destravavam.

Havia sempre impedimentos e dificuldades para entender o plano de Deus, e


para ler a Palavra. E ela nunca conseguia sentir a presença de Deus.

Um dia, Elisa descobriu que a causa do seu aprisionamento estava nas


músicas de rock, que ela tocava e cantava, e então pediu desesperadamente
ajuda para ser liberta.

Elisa cantava músicas em inglês, que aparentemente faziam sucesso em sua


plateia, mas o trágico é que ela não sabia o que estava cantando, não entendia
as letras, apenas reproduzia as palavras e frases decoradas.

As letras daquelas músicas, na realidade, elogiavam Lúcifer, fazendo de Elisa


sua adoradora, grata pelas supostas melhorias na vida e aparentes conquistas.
Ela nunca poderia imaginar que através daquelas músicas, ela estava
invocando os demônios e renovando os pactos de fidelidade a eles.

Como ela vivia cercada pelos espíritos, não era novidade conviver com eles e
invocá-los, para o seu entretenimento e para atender às suas necessidades
pessoais e familiares. Ela não sabia que tudo aquilo estava, dia após dia,
conduzindo-a à sua autodestruição.

Felizmente, Elisa foi liberta do seu estilo de vida, caracterizado pelo canto e
pela curtição do rock pesado. Na verdade, ela passava para uma realidade em
outra dimensão, onde a morte rondava a sua vida.

Elisa estava aprisionada num emaranhado de músicas de invocação. Ela teve


de confessar sua idolatria pela música, pois havia feito dela um meio de fuga
à triste realidade da ausência e rejeição de seu pai, e da consequente
prostituição de sua mãe. A fuga dessa situação foi através da curtição do rock
pesado. Elisa sentia algum consolo e segurança, pois constantemente
invocava, consciente ou inconscientemente, os demônios do rock, e ela
sentia-se segura e protegida, por eles.

Na sua conversão, Jesus entrou em sua vida e ela nasceu de novo. Mas o
pacto com Lúcifer tinha de ser quebrado. E ela precisava sair da prisão da
música de adoração a Lúcifer e da invocação de seus demônios.

Ela não tinha ideia de como era a sua prisão, quando um dia teve uma visão.
Elisa viu-se debaixo d’água, e numa caverna, e num deserto desolado, e no
meio de um vale de destruição.

Ela saiu da sua prisão e os demônios guardiães, que sempre a


acompanhavam, tiveram de deixá-la. Eram muitos: destruição, abandono,
roubo, morte, rejeição, engano, mentira, sensualidade, prostituição, raiva,
ódio, acusação, traição, entre outros.

Elisa desligou-se espiritualmente de todas as bandas, dos autores das


músicas, dos seus pactos, das suas letras, dos seus acordes e dos seus
encantamentos, bem como dos empresários promotores dessas músicas, e
quebrou, pacto por pacto, o que todos eles haviam feito com o diabo.
1 CHAVES, Rony. Guerra de Deuses. São Paulo: Ed. Cultura do Reino. cap. VII.
TESTEMUNHO 6
Aprisionamento pelo Esoterismo
“Louvem ao Senhor pela sua bondade e pelas suas maravilhas para com os
filhos dos homens! Pois
quebrou as portas de bronze e despedaçou os ferro‑
lhos de ferro. Os loucos, por causa do seu caminho
de transgressão e por causa das suas iniquidades,
são afligidos. A sua alma aborreceu toda comida, e chegaram até às portas
da morte.” (Sl 107:15-18 – ARC)
A espiritualidade que se busca no esoterismo, no ocultismo e através de
práticas da Nova Era, abre portas na mente e no espírito, e pode levar ao
aprisionamento espiritual. Alguns exemplos disso são apresentados nas
narrativas a seguir.

Num túnel do infinito

Soraia apresentava uma aparência de profundo sofrimento e transmitia muita


insegurança. Sua vida estava amarrada pelas entidades espirituais, com quem
ela havia feito pactos. Soraia havia se deixado dominar por elas, a tal ponto
que não tinha mais condições de decidir absolutamente nada sobre a sua
própria vida.

Quando ela foi ministrada – confirmando essa condição espiritual –, foram


vistos, em seus pés, duas rodas que a levavam por direções diversas, de
acordo com o bel-prazer das entidades que a dominavam.

Em sua busca espiritual, Soraia havia de fato tido um grande envolvimento


com as trevas. Ela peregrinou pela Índia e pelo Nepal. Ela ainda adotou um
guru, por aproximadamente sete anos, e até viajou com ele para países do
oriente, realizando visitas a todas religiões que conseguiu encontrar na Ásia.

Soraia recebeu também pessoalmente uma unção de Dalai


-lama, e submeteu-se a vários rituais dirigidos por ele. Ela foi, por mais ou
menos seis anos, sacerdotisa da seita desse guru, que invocava Maitreya.
Além de abrir os “chacras”,1 Soraia passou a desenvolvê-los através de
mantras,2 e com invocações a deuses orientais.

Ela fazia tratamento espiritual semanal com esse guru. Fazia parte também de
uma fraternidade baseada numa filosofia materialista. Soraia ficou sete anos
nessa fraternidade; teve envolvimentos com a Nova Era; e, ainda, uma
pequena passagem pelo espiritismo. Com essas práticas, ela vinha trocando o
dia pela noite, havia 20 anos.

Lilith3 aparecia-lhe sempre para atormentar com insônia. Ela ouvia vozes, e
não raro tinha visões de coisas horríveis. Era como se tivesse um “chip” do
lado da cabeça. Ela sentia que quem a ameaçava era o próprio “chip”. A cada
pensamento, ele apresentava o pensamento oposto. Mas as vozes chegavam a
ter o atrevimento de, até mesmo, ameaçá-la. Por exemplo, uma voz dizia a ela
que alguém por perto estava com uma doença muito grave e que a usaria para
vingar-se dela; a voz fazia de tudo para que ela viesse a sofrer bastante. Sua
situação chegou bem próxima à loucura. Soraia quase não conseguia falar,
nem se expressar; não conseguia fazer coisa alguma. Nesses momentos,
sentia-se abandonada, como se Deus estivesse muito distante, de acordo com
o que afirmava a filosofia materialista.

Soraia também tinha feito parte da Fraternidade dos Amigos, com a filosofia
materialista de George I. Gurdjieff, autor de um livro que apresenta cartas de
Belzebu a seu neto. Esse autor e professor era venerado profundamente por
ela.

Ela ainda se envolveu com Raja Ioga, ou ioga da mente, com pretensão à
Magia Branca chamada Fraternidade ou Ordem de Arica. Soraia passou pela
iniciação, o que durou um dia todo, e onde houve invocações de vários anjos,
de várias cores, plantas e animais, para cada uma das sete partes energéticas
do corpo. A sua mente era usada para mentalizar, usando a força da
imaginação, para situações desejadas, e ela fazia exercícios físicos também.

Pelo grau do seu envolvimento com essas práticas esotéricas, quando foi
ministrada, ela confessou que, embora estivesse há quase sete anos na Igreja
de Jesus Cristo, ela vivia cheia de dúvidas e continuava debaixo de muita
opressão.

Soraia estava aprisionada num túnel do infinito. Através do exercício de


esvaziamento da mente e do uso de mantras, ela invocava os demônios. Ela
não sabia que esses exercícios a aprisionavam e a levavam para o espaço do
nada. Ela passou por rituais para ser sacerdotisa dos esotéricos, os quais
apresentavam uma mistura de vários tipos de esoterismo.

Os deuses da Atlântida também tinham sido invocados. Uma das invocações


foi de Maitreya, o anticristo, apresentado como o salvador da humanidade.
Invocou também a deusa Ganesh (com cara de elefante e corpo de mulher, e
com seis braços), que ainda é venerada no meio dos que idolatram o dinheiro
e que agora está sendo exportada para o ocidente.

Quando ela fez iniciação com o sacrifício de animais, disseram a ela que,
com cada sacrifício, nasceria um ser humano, em algum lugar. Essa pré-
iniciação incluía o exercício da imaginação e, através dela, Soraia entrou em
diferentes dimensões espirituais. Conforme Soraia foi convivendo com o seu
guru, descobriu muitas mentiras na vida desse seu mentor espiritual. Ele era
prestidigitador. A linha do guru era considerada Magia Branca. Dizia ser
mago branco do Templo da Ordem do Limão Branco. Nesses rituais, todos os
participantes ficavam sem roupa; era permitido portar apenas um manto com
ocre. O ritual era feito com 16 pessoas. A reunião, que era realizada uma vez
por mês, deveria ser preparada com requinte. Todos deveriam sentar-se junto
a uma mesa baixa.

Na Índia, Soraia visitou o templo dos macacos; o templo dos órgãos genitais
femininos e masculinos; o templo deusa Káli; e, no Nepal, foi ver o aborto
sendo oferecido para Kashimir e à Deusa Káli.

Ela viu também o moinho de oração que acionava para Buda; visitou o
templo tântrico, um lugar de sacrilégio, e viu a representação de atos sexuais
de animais, de homens e da deusa Shiva com Vishnu. Foi ao mausoléu de
Gandhi, onde teve como que um choque elétrico. O culto no templo consistia
de magia sexual. Na cerimônia era usado o vinho, que era colocado no meio
das pernas. Por meio dos mantras, era feito o despertamento de Kundaline,
fazendo surgir sua “energia”.

De repente, Soraia tomou consciência de que ela havia desenvolvido uma


dependência profunda e quase total do guru. E, no meio de muita decepção e
mágoa, ela constatou ainda ser dependente dele, tanto emocional como
espiritualmente. Mas o guru a tinha abandonado, deixando-a sozinha,
perdida.

Sua conversão foi o início de uma nova busca, e Soraia teve que arrepender-
se de todo esse turbilhão de práticas com as quais ela havia se envolvido.
Então, finalmente, em sua ministração, ela saiu do túnel do infinito. Pois ela
havia se perdido ali, não sabendo para onde ir e dirigir-se.

Bruno: iniciado na Nova Era

O relato que transcrevo a seguir, recebi de um irmão que ainda se encontrava


no processo de sua libertação. Vamos nos referir a ele com o nome de Bruno.
Ele me escreveu:

Devido ao envolvimento de minha tia com alguns grupos espiritualistas, e à


minha própria curiosidade por assuntos sobre o ocultismo, com 13 e 14 anos
eu já fazia uso, regularmente, de pirâmides, cristais, meditação e astrologia.
Tudo isso era muito interessante para mim. E, o que foi mais incrível, é que
eu aprendia tudo com muita facilidade!

As pessoas não me tratavam de modo diferente, mesmo eu sendo uma


criança; aliás, geralmente elas confiavam muito na minha intuição. Isso
ocorria porque eu já tinha desenvolvido um bom grau de vidência e
clarividência, e regularmente tinha visões do mundo espiritual e expressava
sensações acertadas sobre as pessoas e sua vida.

Um dia, eu e minha tia nos inscrevemos num seminário esotérico de fim de


semana, em Nova Friburgo (RJ). Lá existia um grupo de esotéricos que
moravam num condomínio chamado Cidade das Pirâmides, e os líderes desse
grupo diziam-se encarnações de Ísis e Osíris. Numa determinada parte do
curso, fomos instruídos a fazer um exercício de relaxamento e visualizações.
Para mim aquilo era fantástico; em minutos eu já estava totalmente relaxado,
e imagens muito claras vinham à minha frente.

Nesse momento, aconteceu algo diferente: durante as instruções de


visualização, fui sendo levado em direção ao Egito. Na minha mente, fiquei
parado em frente à Esfinge e comecei a conversar com ela. Já não me lembro
o assunto, mas acho que ela se impressionou comigo, pois uma porta abriu-se
bem no peito da estátua e eu fui convidado a entrar. E entrei.

Passei por um corredor iluminado por tochas e sentia que estava entrando por
algum túnel secreto debaixo da esfinge e da pirâmide de Quéops. Esse
corredor terminava numa sala ampla de mais ou menos 20 metros de largura
por uns 30 metros de comprimento. O teto estava a uns 10 metros do chão. E
não havia chão! O lugar era cheio de água e havia apenas uma passarela
estreita que, após uns 20 metros, dividia-se em três passarelas que
terminavam em três salas diferentes. Escolhi o caminho da esquerda e entrei
numa sala pequena onde havia um trono antigo.

Senti que deveria sentar-me nesse trono e, quando sentei, vi que havia uma
armadura para vestir. Após vestir a armadura, as botas de ferro, e escolher
uma das espadas da parede, fui puxado para fora daquela sala em direção sul,
e pude ver a pirâmide afastando-se e o deserto passando e, de repente, eu
sabia que estava em algum lugar da África, no alto de um grande vulcão
extinto. Dentro desse vulcão havia uma cratera, e nessa cratera um lago. Senti
que deveria tocar naquela água, e bem de perto vi os pingos caindo de minha
mão.

(Mais tarde, soube que realmente existe um vulcão onde eu imaginava que
estava, bem no centro da África, num país chamado Chade.)

Eu caí dentro do lago. Acordei dentro de uma sala escura, que se transformou
numa caverna circular. Não havia saída ou portas, apenas uma poça de água
bem no centro. E ele apareceu para mim pela primeira vez, um ser que era
parecido conosco, mas tinha orelhas pontudas, era careca e muito magro e
alto. Vestia-se com algo parecido com couro preto e no peito havia uma
espécie de símbolo. Sempre que me lembro disso, esse símbolo me parece
com o do super-homem, só que era feito de prata e em relevo. Nós
conversamos, mas não me lembro sobre o quê.

Acordei do transe e descobri que só eu tinha tido aquela experiência.


Explicaram-me, mais tarde, que tinha passado por uma experiência de
iniciação e que havia conhecido o meu mestre superior, ou guia espiritual.
Depois dessa experiência, a tela mental que eu utilizava para a clarividência
ficou mais forte e nítida, e todos que tentavam ler a minha sorte ou ler as
minhas mãos não conseguiam fazê-lo. Falavam-me que, por alguma razão,
meu futuro estava bloqueado. As pessoas me explicavam que o ser que me
apareceu era um mestre extraterrestre e que eu era uma alma jovem, ou seja,
eu havia encarnado no planeta Terra há pouco tempo, e tinha vindo com uma
missão específica a cumprir. Por muito tempo fiquei com a sensação de ser
um estranho entre as pessoas e com a sensação de que não pertencia a este
mundo.

Alguns anos depois, aceitei Jesus como meu Senhor e Salvador, mas o
processo para abandonar os costumes e os sentimentos que herdara da Nova
Era durou mais tempo. Hoje, estou com 29 anos e o que relato a seguir
aconteceu recentemente.

Nos seminários de libertação, participei de todo o processo para ser liberto de


pecados passados, fiz as renúncias e a quebra dos pactos. Além dos
seminários do ministério Ágape Reconciliação, eu já tinha sido ministrado
coletivamente por outros ministérios, mas a sensação de opressão emocional
e espiritual não havia desaparecido.

Algum tempo depois, surgiu a oportunidade de fazer uma ministração


individual e repassar algumas renúncias que eu não havia realizado. Foi
quando me lembrei e comentei com a pastora Neuza sobre a iniciação que
tive logo no início dos meus estudos da Nova Era. E a luzinha vermelha
acendeu! O sinal de alarme tocou! Imediatamente, começamos a orar e a
pedir a orientação do Espírito Santo para saber o que fazer. Renunciei aos
poderes e dons que eu havia recebido e aos mestres a quem eu havia servido.

Pedimos então a Deus que me levasse de novo àquela caverna, e lá fui eu de


novo, à pirâmide, à sala e ao vulcão. Foi nesse momento que me lembrei da
continuação dessa viagem e me lembrei de ter caído no lago. O fundo desse
lago era exatamente a caverna em que fui parar. Na verdade, a caverna estava
invertida, ou seja, o teto da caverna era onde eu estava pisando e a poça de
água era um buraco no fundo do lago. E eu o vi novamente. O mestre
extraterrestre estava lá, sorrindo, mas não como da primeira vez.

Minha visão foi aberta e eu o vi como ele era realmente. A primeira coisa que
notei foi a sua altura. Era um ser de cerca de 2 metros de altura, e não era
nada humano! Era algo como uma planta negra e peluda, havia uma leve
forma humana; conseguia ver uma cabeça, braços e pernas, mas nada mais.
Não havia olhos, boca nem nada que desse uma ideia de corpo humano. E
percebi que ele havia me mantido preso naquela caverna todos esses anos...

Começamos a orar e a pedir a Deus que me libertasse daquele cativeiro, e o


Senhor enviou seus anjos. Os anjos mergulharam no lago e entraram na
caverna através da poça d’água que havia à minha frente. Seguraram aquele
monstro guardião e me tiraram de lá. E aí o Fogo de Deus entrou e queimou
aquelas paredes e aquele ser que me manteve preso por 15 anos. Um anjo
carregou-me e levou-me de volta àquela sala no subsolo da Esfinge, e lá eu
me desfiz da armadura que eu havia adquirido deles, das botas de ferro, e da
espada.

Então a pastora Neuza Itioka pediu a Deus que um anjo me levasse para fora
daquele lugar. E nós saímos calmamente dali, percorrendo todo o caminho de
volta. O que me espantou mais foi que a minha escolta não era apenas de um
anjo. Eram seis pares de anjos, que iam lado a lado, à minha frente, e outros
seis pares iam atrás de mim. Estes, à medida que saíamos, apagavam as
tochas que iluminavam o corredor e, junto com eles, eu saí da Esfinge. Então,
um anjo me trouxe, voando, de volta ao Brasil, e eu abri os olhos. Estava na
saleta da Igreja novamente, onde estava sendo ministrado.

Após essa ministração, senti que a minha vida espiritual passou a fluir com
mais facilidade, embora eu ainda não esteja muito satisfeito comigo mesmo,
pois há muito o que corrigir na minha vida.
Espero em Deus que, se houver algo mais a fazer, Ele mesmo me revele e me
ajude a encerrar esta dura etapa da minha vida e começar uma nova fase ao
lado daquele que me libertou, Jesus Cristo. Bendito és Tu Senhor, nosso
Deus, Rei do universo, que nos deu vida, nos sustentou e nos fez chegar até a
presente época!

Enterrada através de viagens astrais

Este é o testemunho de uma senhora que foi ministrada em nosso Ministério.


Diz ela:

Nasci num berço evangélico, e fui consagrada ao Senhor desde o ventre.


Infelizmente, afastei-me do evangelho com doze anos de idade. Cresci
sempre em busca de algo, mas não sabia, de fato, o que buscava. Eu sentia
um vazio dentro de mim, e assim procurava o que poderia preencher esse
vazio. Os livros tornaram-se um meio que usei para tentar preenchê-lo. O
assunto do esoterismo me fascinava, tornando-me leitora de Kardec, de
Shirley MacLaine, e de livros sobre o poder da mente, entre outros.

Voltei para Jesus aos 38 anos, numa experiência extraordinária com Deus. O
meu casamento foi totalmente restaurado. Estou nos caminhos do Senhor, há
seis anos.

Mas, quando comecei a servir a Jesus, as coisas começaram a complicar-se.


Decidi cursar o Seminário Teológico, para melhor preparar-me para o serviço
do Senhor, pois eu teria de contar a mensagem de salvação a todos, custasse o
que custasse. Assim, a opressão piorou ainda mais, em minha vida, pois os
demônios vinham cobrar as legalidades que eu lhes havia dado, no passado.

Meu pastor chegou a ministrar-me algumas vezes, com muita paciência, e


acompanhava-me com carinho. Entretanto, eu não contava toda a verdade a
ele nem aos líderes da igreja; eu dizia que tudo estava bem. Eu não aguentava
mais, pois havia um aspecto da minha vida que eu não conseguia controlar.
Eu vivia fazendo viagens astrais, sendo retirada por demônios, sem nenhum
controle ou comando de minha parte.
Aquilo me trazia angústia e tirava a minha paz. Uma coisa eu sabia: aquilo
não era de Deus.

Um dia, decidi fazer o seminário de libertação. A semana que o antecedeu foi


a pior semana da minha vida! Na manhã do dia em que o seminário se
iniciaria, eu estava sendo levada, pelos demônios, a realizar mais uma viagem
astral.

Havia algum tempo, eu tinha fascínio pela minha cama, como acontecia com
Shirley MacLaine. Eu me deitava, cobria-me e era levada por demônios. Era
irresistível. A minha mente ficava totalmente tomada, não conseguia mais
lembrar-me de nada, era como se fosse uma amnésia.

Naquela manhã, eu estava sentada na minha cama e me vi deitada como


sempre costumava dormir. Naquela hora lutei intensamente com os
demônios.

Quando participei do seminário, verifiquei que eu estava numa dimensão


espiritual e via o que ocorria ali.

Na minha ministração pessoal, quando estava renunciando e cortando todo


contato com a Ufologia, lembrei-me de viagens astrais em que tive contato
com discos voadores, no Pico do Jaraguá, em São Paulo.

Lembrei-me, também, de quando fui levada ao Egito. Fui levada e entrei


como se fosse embaixo da terra, e eu via figuras egípcias nas paredes.
Levaram-me para tumbas de faraós, para que eu adorasse aqueles deuses
mortos; e entrei nas pirâmides, nos túmulos.

Depois me levaram um pouco mais para baixo de uma terra mexida, como
que se algo tivesse sido enterrado. Na luta para retornar, eu pedia para que
Jesus me guardasse, pois eu o amava e também eu não vivia pecando e o
maligno não podia me tocar. Então imediatamente voltei.

No dia seguinte fui levada novamente, quando estava deitada em minha


cama, para embaixo da minha casa. Não havia carpete, era somente terra. Fui
levada para debaixo da terra e, no meu esforço para voltar, via muito bem a
terra remexida como se algo tivesse sido enterrado.

Contei então ao meu marido o que tinha visto, pois queria explicações, e eu
não tinha paz. Fiquei surpresa quando ele me disse que havia sonhado que
algo estava enterrado debaixo da nossa casa e que ele não sabia o que era.
Oramos para que Deus nos revelasse o que era, mas não tivemos
entendimento.

No seminário de libertação, no meio da ministração, de repente eu descobri


que quem estava enterrada em baixo da minha casa, era eu mesma. Os
demônios haviam me enterrado lá. Assim, desmaiei e ouvi a intercessora
gritando: “eu a quero aqui de volta, traga-a de volta”! E a pastora Lílian, que
me ministrava, ordenava aos demônios guardiães que me soltassem, e que
fossem para o lugar que Jesus determinasse. A pastora orou para que Jesus
me trouxesse de volta.

No dia seguinte, em minha casa, quando fui ao quintal, era como se eu


estivesse olhando para aquele lugar pela primeira vez. Era imenso, lindo, com
muitas árvores. Eu pensei comigo mesma: “como antes não percebi algo tão
lindo”?

Após seis meses, os demônios tentaram voltar a me assolar, mas foram


derrotados pelo nome de Jesus de Nazaré, e pela Palavra de Deus. Continuo
até hoje enchendo-me da Palavra, orando e louvando a Deus.

Aprisionado pelos rituais da Maçonaria

Foi na África do Sul que me encontrei com uma mulher, intercessora, que
estava à procura de uma resposta para a condição espiritual do seu marido.

Naquela ocasião, depois de ouvir a sua história, e tendo analisado os sintomas


que ela ainda apresentava em relação a problemas de ordem espiritual, tive o
discernimento de que ela estava ainda sob o efeito de maldições hereditárias.

Assim, tive a oportunidade de apresentar a ela a verdade de que as


iniquidades de nossos antepassados têm ainda efeito sobre a nossa vida,4 e
que precisamos nos apropriar da quebra dessas maldições feita por Jesus na
cruz. Pude ainda orar com ela, de forma a libertá-la dessas maldições.

Ela, porém, não apenas ficou satisfeita com a sua ministração individual, mas
quis levar a bênção de libertação também para o seu marido. A seguir
transcrevo a carta que dela recebi, depois de algum tempo:

Tenho muito o que compartilhar com você; são coisas lindas, grandes
maravilhas de Deus! Estou dançando como um pássaro, em louvor ao Senhor,
porque Ele libertou tanto a mim como ao meu marido John, completamente.

Para ser exata, foi no dia 8 de janeiro, às 4h30 da tarde. Tem sido uma longa
jornada para mim, com meus 21 anos. Mas o Senhor faz tudo no tempo certo,
e nos revelou o que acontecia conosco no mundo espiritual das trevas.

Lembra-se de que eu lhe perguntei que principado estava governando


espiritualmente a Escócia? Eu tentei coletar os fatos, as datas, e o que
encontrei foram os principados: da Maçonaria da Ordem de Orange, e do
Arco Púrpura Real, que têm atuado na Igreja Protestante de Tradição
Reformada da Escócia e da Irlanda. Esses espíritos de alta hierarquia
aprisionavam a família do meu marido. Apesar deles terem sido bons
cristãos, descobri que, mesmo assim, havia uma maldição do lado do pai
dele, vinda de uma longa linhagem.

Neuza, no seu livro, “Cristo Nos Resgata de Toda Maldição”, e ainda num
outro livro sobre o assunto, que “casualmente” caiu em minhas mãos,
encontrei toda a informação de que eu necessitava, e que estava procurando,
para a libertação do meu marido e também para completar a nossa libertação,
como casal.

John, meu marido, nunca se sentiu tão livre, como agora, em toda sua vida! E
é incrível, mas, com a libertação dele, eu também fui abençoada e liberta.
Pois os casais são um, e assim o que atinge um, atinge o outro.

Antigamente o meu marido não conseguia ter intimidade com o Pai Celestial
(e até mesmo com o seu próprio pai carnal). Sua família sofre de um mal que
se caracteriza por uma mente dupla.
John sentia uma constante dor de cabeça, tinha confusão mental, sofria com o
esquecimento, tinha tensão nervosa, ansiedade, medo, preocupações e
também tinha certos atributos que são típicos dos que se envolvem com a
Maçonaria. Ele tem uma mente brilhante, e assim o intelectualismo era um
dos valentes que ainda continuava amarrando a sua vida.

O resultado disso tudo foi uma incapacidade para submeterse


incondicionalmente à Palavra de Deus. John não conseguia reconhecer que
poderia existir alguém acima dele.

Mas Deus nos respondeu, cumprindo com a suas promessas tão fielmente! Eu
fui conduzida por Deus para acordar às 4h30 da manhã, naquele dia 8 de
janeiro. Eu não sabia o que estava para acontecer, embora nós estivéssemos
jejuando e orando por algum tempo para uma completa libertação.

Então fui guiada pelo Espírito Santo para louvar ao Senhor, expressando um
ato profético que anunciava uma grandiosa obra de Deus, que logo iria
acontecer. Eu estava totalmente convencida de que deveria fazer aquilo.

Mais ou menos ao meio-dia, Deus me dirigiu para ir ao escritório do meu


marido e amarrar e esmagar o homem forte do intelectualismo, simbolizado
pelo seu computador, sua mesa e sua cadeira. Ungi tudo, e anunciei ao
homem forte que ele estava amarrado e que suas garras estavam quebradas.
Então, fui levada a fazer o mesmo com o homem forte da rebelião, que tinha
vindo através do intelecto.

Ungi também todo o chão. Então fui ao depósito, e lá eu me arrependi, por


identificação, por todas as famílias da minha mãe e do meu pai; e, da mesma
forma, pelas famílias do pai e da mãe do meu marido. E pedi que Deus me
desse alguma confirmação. Citei geração por geração, em minha oração.
Quando cheguei à quarta geração, começou a chover, sob um céu totalmente
claro e brilhante. Eu estava maravilhada. Eu sabia que Deus havia recebido as
minhas orações de arrependimento e me respondia com aquela confirmação.

Naquele dia, às 16h30, o pastor Pascoal, que já vinha jejuando e orando por
nós, veio para realizar uma Santa Ceia Profética, com toda família. Sentimos
uma presença maravilhosa do Senhor, que falou através do pastor: “Fale ao
meu servo, que tem visões da Irlanda, que a maldição foi quebrada”.

Foi tremendo! Foi um momento solene entre nós. Todos nós soubemos que
alguma coisa havia acontecido nos lugares celestiais. E o meu marido saiu da
prisão da Maçonaria.
1 “Chacras” são aberturas espirituais feitas no corpo espiritual da pessoa, que se transformam em
portais espirituais para a entrada e saída de demônios ou “energias espirituais”.
2 Um “mantra” é a repetição de um mesmo som, ou de palavras, seguidamente, por um longo tempo.
Seu efeito é invocar espíritos malignos que pretensamente ajudariam a pessoa em alguma situação.
3 Lilith é um demônio referido como “Terror Noturno” no Salmo 91:5 (RA). Outras culturas a chamam
de “Feiticeira da Noite”. É ligada à insônia e com perturbações noturnas. A Bíblia a menciona em Is
34:14.
4 Conforme Ex 20:5, dentre outras escrituras. Sobre esse tema, veja meu livro “Cristo Nos Resgata de
Toda Maldição”.

TESTEMUNHO 7
Aprisionamento pela Imaginação
“Que o Senhor, do alto do seu santuário, desde os céus, baixou vistas à
terra, para ouvir o gemido dos
cativos e libertar os condenados à morte, a fim de
que seja anunciado em Sião o nome do Senhor.” (Sl 102:19-20 – ARC)

Aprisionado num cubo de chumbo

Eu estava conversando com Lincoln durante um Curso Intensivo de


Libertadores, num dos intervalos das palestras. Lincoln era uma pessoa a
quem eu havia ministrado algumas vezes. Deus estava fazendo algo muito
belo em sua vida, para uma restauração total. Eu estava alegre, pois Lincoln
parecia estar bem, demonstrando os frutos de uma vida liberta de opressões e
caminhando para a santificação.

De uma situação de bastardia, rejeição, perversão sexual, e outras condições


malignas, Deus estava lhe devolvendo a autoestima e uma identidade
verdadeira. Era sempre muito especial encontrá-lo, pois eu sentia uma grande
alegria em ver a obra, a fidelidade, e a misericórdia do Senhor na vida dele.

Naquela hora, porém, ele me disse: “Neuza, sabe que eu não sinto nada no
culto? Eu sei, pela fé em Deus, pela sua Palavra e promessa, que Ele está lá,
mas eu não sinto nada, não sinto a sua presença”. Minha reação foi de grande
susto, e lhe disse:

-- Lincoln, meu irmão, não me diga que você está aprisionado em algum
lugar! Hoje estarei falando sobre prisões espirituais. Preste bastante atenção,
Deus pode resolver esse seu problema.

Um dos sintomas de quem está preso espiritualmente é a incapacidade de


sentir a presença de Deus. Por isto associei sua condição a uma prisão
espiritual.

À noite, depois de ter falado sobre aprisionamentos espirituais, fiz a


ministração prática, para que todos os presentes fossem libertos de qualquer
prisão. Disse-lhes:

-- Enquanto eu apresentava o estudo sobre prisões espirituais, creio que o


Espírito Santo deve ter mostrado a muitos de vocês onde vocês estão
aprisionados. Vamos então orar:

Senhor, pedimos-te perdão pelos pecados de nossos pais e antepassados, que


nos aprisionaram; pedimos perdão pelas consagrações da nossa vida aos
santos, aos deuses e às entidades espirituais; pedimos perdão pelos pactos
com espíritos, entidades e demônios que outros fizeram por nós. Pedimos
perdão também pela idolatria, pela feitiçaria, pelos pactos com a Rainha dos
Céus, com o diabo, com os deuses. Pedimos perdão a ti pela nossa maneira de
tentar resolver os problemas de abandono, de esquecimento, de rejeição;
pedimos perdão pelas tentativas de fugir da realidade.

Amarramos, então, todos os espíritos liberados por esses pecados e


ordenamos que os demônios saíssem dos locais das prisões, pois eles
estariam naqueles lugares na condição de espíritos guardiães. Em seguida,
tomamos a chave que Jesus nos havia dado para abrir prisões e declaramos
que iríamos abrir as prisões de cada irmão com a chave de Jesus. Sim,
podemos agir deste modo, porque Jesus disse: “Tenho as chaves da morte e
do inferno” (Ap 1:18). “Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem
a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá”
(Ap 3:7). “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.” (Mt 27:18)

Jesus é a própria chave, “As portas do inferno não prevalecerão contra ela [a
igreja]” (Mt 16:18b). E, assim, tendo declarado a abertura das prisões,
ordenamos que todos os que estavam presos saíssem da prisão em que
estavam. Então eu lhes disse:

-- Agora, em nome de Jesus, saiam de onde vocês estão; comecem a andar


pelo salão. Não fiquem parados, vocês estão saindo. E, digam: “Senhor, estou
saindo desta prisão, Tu vieste para libertar os cativos”. Muitos saíram, mas
alguns não conseguiram. Entre eles, estava o nosso amigo Lincoln, que não
conseguia sair.
Ele chorava, ali onde estava, no banco em que estava sentado, e não
conseguia mover-se. Um pastor foi até ele e o ajudou a sair. Lincoln, mais
tarde, relatou-me que havia construído em sua mente um quarto, ou um cubo
de chumbo, hermeticamente fechado, onde ele se refugiava com o seu
computador, para escrever. Ele tem um dom muito especial para escrever.
Sempre desejou ser jornalista.

E, assim, ele se refugiava nesse esconderijo, que a sua mente havia


construído, para escrever. Era ali, livre de todos e de tudo, que ele ficava
escrevendo. Ele não sabia que tais imaginações pudessem aprisioná
-lo. Mas, naquela ministração, ele saiu daquela prisão, e ficou livre.

Aprisionada na personagem de um livro

Mônica viveu sua vida, desde o início, com muita rejeição. Ela foi
abandonada quando nasceu. A família que a adotou não lhe deu um lar em
que ela pudesse sentir-se aceita. Ela foi rejeitada também pela mãe adotiva, e
todos da casa, da nova família, de igual forma a rejeitaram. Assim, um dos
meios para se refugiar da tristeza da rejeição, da insuportável solidão, foi a
leitura.

Numa de suas leituras, Mônica deparou-se com a história de um casal ideal,


ajustado, que amava a filha deles. E assim ela identificouse com aquela
menina tão bem cuidada pelos pais. Foi o meio que ela encontrou para
anestesiar a sua tristeza e o terrível sentimento de rejeição. Ela se fez filha
daquele casal. Desse modo, em sua imaginação, ela começou a fazer de conta
que vivia daquela maneira, sendo alvo de grande amor e carinho.

Ao ouvir a palestra sobre aprisionamento espiritual, Mônica prontamente


identificou-se como aprisionada naquela personagem feliz, aquela filha feliz
que tinha pais amorosos e que a amavam.

Chorando, ela veio à frente para explicar que antes estava aprisionada
naquela personagem, e que a sua vida de imaginação era uma fantasia. Mas
agora estava liberta.
Aprisionada na Argentina do “tango”

Carmem queria conhecer o tango. Queria dançar tango. O momento preferido


para curtir seus sonhos, através da imaginação, era a hora de deitar-se em sua
cama. Desde jovem, ao deitar-se, ela acostumouse a deixar a mente voar, e
assim viajava rapidamente ao lugar de seus sonhos. Esse lugar era a
Argentina.

Carmem imaginava-se chegando à cidade e saía pelo centro e pelos bairros de


Buenos Aires. Na sua imaginação, ela andava por avenidas, praças, ruas e
entrava nas salas de dança e lá ela se via dançando o tango.

Alguns anos depois, ao se casar, escolheu a cidade de seus sonhos, Buenos


Aires, para viajar em lua de mel.

Quando viajou para a capital argentina, qual não foi a sua surpresa: ela
identificou tudo o que tinha visto na sua imaginação. Tudo era tal qual ela
havia imaginado. Carmem tinha detalhes das avenidas, das casas, dos hotéis,
das esquinas, das praças. E assim, chegou à conclusão de que ela havia feito
viagens astrais, através da sua imaginação, àquela cidade.

O Espírito Santo ensinou-a a cortar o cordão dos demônios aparadores, que a


amparavam e a levavam espiritualmente para os lugares da sua imaginação.
Além de cortar os cordões de ligação dos demônios aparadores, ela procurou
colocar a sua mente em ordem, através de jejum e oração.

Nesse período de jejum e busca intensa por sua libertação, um profeta teve
uma visão de um livro preto descendo do espaço, relacionado com a vida
dela. Era um livro de esoterismo que representava a prisão da sua mente,
relacionada com as iniquidades da família de seus antepassados. Seu pai
havia sido presidente do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento.

Carmem foi sendo liberta aos poucos, conforme ela foi se desligando de suas
viagens astrais.

Numa casa criada nos ares


Esta história foi compartilhada por uma pastora que tem ministrado muitas
libertações e tem visto grandes resultados de mudança na vida das pessoas,
após serem tiradas de prisões espirituais. Assim ela me escreveu:

Quando eu estava ministrando uma senhora, a quem chamarei de Júlia,


aparentemente nada acontecia. Ela não conseguia concentrar-se em nada.
Parecia estar longe do lugar, ausente. Ela repetia as orações, mas não víamos
nenhum efeito. Enquanto falávamos com ela, eu orava pedindo uma direção
para aquela ministração. E comecei a perguntar à Júlia quais foram as
situações dolorosas que ela tinha vivido e que foram muito importantes em
sua vida.

Ela me respondeu que a coisa mais forte que ela havia experimentado foi a
morte do filho. Depois da morte dele, ela entrou numa profunda depressão.
Então ela foi convidada por uma amiga para ir a um centro espírita, onde
poderia falar com o seu filho falecido.

Júlia participou de várias sessões. Num dia, um espírito apareceu dizendo ser
seu filho e informou a ela que ele estava numa casa, nos ares. Nesse encontro,
aconteceu um diálogo impressionante. O espírito com quem ela dialogou era,
supostamente, o espírito do filho. Júlia lhe disse que sentia muita falta dele e
a resposta do espírito foi que, todas as vezes que ela estivesse se sentindo
triste, solitária, com problemas, ela poderia ir para a casa nos ares onde o seu
filho estava – e assim ela poderia sentir-se protegida.

Então, conscientemente, ela entrou naquela casa, fazendo uso de sua


imaginação. A partir daquele momento, Júlia, aparentemente, ficou
aprisionada naquele lugar.

Toda a sua vida ficou então paralisada: perdeu o emprego, não conseguiu
mais nenhuma atividade, sua vida social desapareceu. E sua vida intelectual
não mais se desenvolveu. Enganada por aquele espírito, a procura daquela
casa nos ares foi se tornando mais frequente.

Pois cada situação difícil a fazia voltar à casa nos ares, e lá ela se sentia
melhor. A volta àquela casa repetiu-se tantas vezes que um dia ela decidiu
permanecer sempre naquela casa.
A decisão de permanecer para sempre na casa dos ares fez com que tudo
ficasse paralisado em sua vida. Seus sentimentos ficaram congelados, e ela já
não mais saía até mesmo da sua casa física.

Entendendo essa situação, ao ministrá-la, perguntei-lhe onde estava naquele


momento. Sua resposta foi que ela estava dentro daquela casa nos ares, ali
com o seu filho. Pedi então para ela ordenar, em nome de Jesus, que seu filho
revelasse quem ele era de verdade. Quando ela assim o fez, o suposto filho
transformou-se num monstro, e ela ficou desesperada. Então, eu também
entrei naquela casa, nos ares, usando a chave que o Senhor me deu para abrir
aquela porta.

Na verdade, quando o seu falso filho foi desmascarado, a casa nos ares
começou a partir-se em pedaços e a se autodestruir. Foi nessa hora que entrei
lá para retirá-la. Eu, como ministradora, quando entrei onde ela estava, vi que
Júlia encontrava-se totalmente amarrada numa cadeira, e que ela estava sendo
torturada por demônios. A sala da casa, que tinha um só cômodo, estava
infestada de demônios. Esses demônios são os guardiães que ficam junto dos
aprisionados, para impedirem a libertação da pessoa. Todos eles foram então
amarrados. Júlia foi desamarrada da cadeira e, segurando em sua mão, tirei-a
daquela casa antes que desmoronasse. Com uma rapidez incrível saímos
daquele lugar. Júlia se quebrantou e começou a chorar. Ela estava agora livre.
Aquela casa queimou-se toda, desmoronou totalmente, e agora Júlia podia
viver livre.

Um ano depois eu a encontrei em outro seminário, e Júlia correu para me


abraçar. Ela estava livre. Sua aparência estava transformada. Estava linda,
com o rosto todo iluminado. Ela já estava trabalhando, e me disse:

“Sou uma das intercessoras deste seminário; minha vida mudou”. Aleluia!
TESTEMUNHO 8
Aprisionamento por Satanismo e Jogos de RPG
“Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu
quando clamei por socorro. Tirou‑me de um poço de perdição, de um
tremedal de lama; colocou‑me os pés sobre uma rocha e me firmou os
passos.”

(Sl 40:1-2)
Todos que se envolvem com o Satanismo ficam presos espiritualmente, de
alguma forma, em razão do comprometimento feito com o próprio Lúcifer e
com os demônios.

O Satanismo é uma religião muito bem organizada, na qual se cultua o


príncipe das trevas, que exige de seus seguidores uma fidelidade total e cabal.
A filosofia satanista realmente é baseada na exploração do egoísmo, do
hedonismo, da busca sem fim ao prazer da carne, das mais baixas paixões
pecaminosas... e pode ser definido como o culto ao “eu”.

A pessoa que se envolve com o Satanismo nem sempre está consciente dos
danos que lhe são causados pelo reino de Lúcifer e das suas ameaças. E,
normalmente, também nada sabe da destruição, da morte e do aprisionamento
espiritual que esse envolvimento por certo lhe ocasionará.

Um dos modos de envolvimento com o Satanismo é também através dos


jogos de RPG (Role Playing Game) que envolvem atos de violência, morte,
destruição e uso de poderes mágicos.

Góticos: satanistas amadores

Alguns anos atrás, um jovem recém-convertido participou de um de nossos


seminários, e foi aconselhado por uma das ministras da nossa Equipe.

Sua história de problemas e perturbações começou quando ele tinha 11 anos


de idade. Na época, ele e mais dois amigos de classe resolveram formar uma
banda de rock. Mais alguns colegas ajuntaram-se a eles e assim, passo a
passo – fazendo tudo direitinho, no conceito deles –, cuidaram de todo o
processo de como compor a sua banda.

Quem compartilhou a sua história foi um dos que tinham disputado a vaga de
vocalista da banda. Havia dois candidatos para essa posição. Para decidir
quem seria o vocalista, o grupo pensou numa forma bem diferente, criativa e
original. Depois de muitas sugestões e considerações a respeito, um deles
sugeriu que a escolha fosse decidida da seguinte forma:

Cada um dos dois teria que apresentar um quadro que fosse o mais tenebroso
e cheio de suspense e horror possível. Aquele que alcançasse o maior grau de
tenebrosidade em sua apresentação seria eleito o vocalista. Esta ideia foi
inspirada na banda KISS - Knights of International Satanic Society
(Cavaleiros da Sociedade Internacional Satânica). Essa banda matava no
palco, diante do público em delírio, dezenas de pintinhos, pisando-os com
suas botas.

Um dos dois candidatos apresentou então o seguinte quadro: no seu quarto,


segurou um gato preto contra a parede e pregou ali a cabeça do gato,
deixando que o sangue escorresse pela parede. Isso foi contado por ele,
enquanto estava sendo ministrado.

O segundo menino, ao ver a façanha do amigo, convidou os colegas (era uma


sexta-feira) para irem ao cemitério, à meia noite. Para entrarem tiveram que
pular o muro. Ele escolheu uma sepultura que tinha uma cruz bem grande e
pesada. Subiu em cima e começou a invocar Lúcifer e oferecer-se a ele,
blasfemando contra Deus, o verdadeiro Deus. Ele gritava, gritava, repetindo
sempre as mesmas blasfêmias, e exaltando Satanás.

De repente, ele foi tomado por uma estranha força e assim arrancou a cruz do
túmulo e tornou-se extremamente violento, com uma força sobrenatural e
extraordinária, e começou a bater no túmulo com aquela pesada cruz.

Vendo aquela cena e a transformação do colega, os meninos que o


acompanhavam ficaram aterrorizados, e saíram correndo, sem olhar para trás.
Esse rapaz, que blasfemou o nome de Deus e invocou Lúcifer, posteriormente
caiu em depressão, não conseguiu terminar os estudos e passou a ter uma
vida vegetativa nesses últimos 20 anos. Não consegue trabalhar, nem estudar;
está paralisado, sem nenhuma perspectiva na vida.

Aquele primeiro, que havia sacrificado o gato, acabou ficando muito


oprimido e teve dias muito atribulados; também não teve nenhum sucesso na
vida. Até aquele momento em que estava sendo ministrado, a sua vida tinha
sido uma sucessão de transtornos e conturbações. Ele estava aprisionado
naqueles rituais satânicos. Mas, pela graça de Deus, ele saiu da sua prisão,
através da ministração individual.

Espero que ele seja usado por Deus para levar Jesus aos outros que
participaram dessa sua história.

Jogos de RPG: uma pré-iniciação ao Satanismo

Os jogos desse tipo, que se caracterizam por atos de matar, destruir, cenas de
violência e uso de poderes mágicos constituem um dos processos mais
perversos e satânicos de aprisionar vidas.

Alguns exemplos de casos reais que a seguir passo a relatar deixarão isso
bem claro.

Um rapaz que praticava o jogo “Doom”

Certa vez estava ministrando um rapaz que tinha se envolvido com o


Satanismo. Em determinado momento perguntei-lhe se ele havia praticado
jogos de RPG, e sua resposta foi que sim, que havia jogado alguns deles. Eu
prossegui a entrevista, perguntando:

– Você chegou a jogar Doom?


Recebi uma resposta positiva. Então lhe disse:

– Você deve estar aprisionado em alguns dos lugares que visitou através dos
jogos; por exemplo, você deve ter visitado o lago de fogo, labirintos, capelas
horripilantes e fantasmagóricas, não é verdade?

Então decidi tirá-lo do lago de fogo, porque eu tinha certeza de que,


espiritualmente, ele ainda permanecia lá. Pedi-lhe que fechasse os olhos. Mal
acabou de fechar os olhos, ele começou a gritar:

– Ai! Ai !Aii! Me tira daqui, estão me queimando!

Ele ainda estava aprisionado naquele lugar de fogo e tormento. Tirei o rapaz
daquele lugar, pedindo a Deus perdão por ele ter se deixado levar ao lago de
fogo.

Também tive de tirá-lo de labirintos, de diversas capelas terríveis e de outros


lugares (um deles foi o vale da sombra da morte). Esse seu aprisionamento
era a causa do que ele sentia diariamente em sua vida: dores, tormentos e
perturbações.

Esses jogos de RPG, que se caracterizam pela violência, e por entrar em


mundos de ficção, lutando contra seres malignos, com armas de magia, têm
de fato o objetivo satânico de enlaçar os desavisados, aprisionando-os e
levando-os a lugares tenebrosos do inferno.

Preso no jogo Dungeons & Dragons

Ministrei também um jovem de 19 anos, que havia se tornado um


“especialista” em jogos eletrônicos, e chegou a ter até mesmo alguns
sintomas de convulsão, de tanto estar viciado nesses jogos.

Ele estava aprisionado em diversos lugares dos jogos, e teve de ser retirado
de cada situação. Antes, porém, ele renunciou todos os personagens com os
quais se envolveu; retirou as roupas dos personagens e jogou fora cada uma
das armas. Depois da sua libertação, ele escreveu o seu testemunho:

Eu sempre achei que o RPG (jogo eletrônico de computador) era algo legal;
sempre fui fascinado pela época medieval – por castelos, guerras, armaduras,
etc. – e, desde pequeno, familiarizei-me com o RPG por causa do desenho
“Caverna do Dragão”, onde os personagens principais são seis jovens que, ao
entrarem numa montanha-russa, o trem descarrilha, e eles vão parar numa
outra dimensão.
O desenho é todo baseado em um jogo de RPG que esses mesmos jovens na
vida real jogavam, e o jogo ficou com uma história tão boa que decidiram
fazer a série. Ouvi boatos de que o motivo pelo qual o último capítulo nunca
foi exibido, foi que os jovens descobriram que na montanha russa eles
haviam morrido e estavam em um tipo de inferno, e, assim, não poderiam
mais sair de lá. Também o chifrudo (Satanás) lá contou a verdade dizendo ele
mesmo ser o “Mestre dos Magos”, um dos principais personagens desse jogo.
Ou seja, Satanás estava brincando com eles. Imagine como esses jovens não
ficaram amarrados na vida real devido ao nível de envolvimento com essas
entidades!

Alguns anos atrás, alguns alunos do meu colégio, em torno de seis pessoas,
começaram a se encontrar na biblioteca no horário do intervalo para jogar
RPG. Poucos meses depois, houve o “Olimpet”, tipo de olimpíadas do
colégio. Então o líder da turma do RPG conseguiu um campeonato de RPG.
Como sempre estive interessado, entrei nessa.

O “mestre”, como é chamado quem narra a história e decide o destino, nos


dividiu em times que tinham como objetivo obter a “pedra do dragão”, que
estava num monte, em certo lugar. Ao chegar ao monte, todos os times
deparam-se com o “Senhor das Trevas”, representado pelo mestre do jogo.
Sendo cristão, sabendo o que estava fazendo, pequei em continuar jogando.

Naqueles dias pude ver claramente a entidade manifestandose no mestre do


jogo e fazendo o que eles gostam e chamam de “incorporação do
personagem”, como num teatro, mas aqui a coisa é séria. No final, ninguém
conseguiu pegar a maldita pedra, e todos tiveram que se unir para fugir.

Um outro personagem (NPC – non player character: personagem não


jogador) também representado pelo mestre, se fez de “salvador”, e teve que
utilizar toda a sua força para gerar um portal dimensional, tendo assim de
morrer.

O RPG foi introduzido no “Olimpet” com a mesma desculpa que os grupos


norte-americanos usam para introduzi-lo nas suas universidades,
“desenvolver a criatividade dos jovens”.
Com certeza o jogador tem de utilizar a sua capacidade imaginativa para
visualizar as cenas do jogo: cenas de luta, de labirintos, de florestas e
principalmente entre personagens. Quem tem sabedoria e conhecimento do
mundo espiritual sabe, porém, o que acarreta esse tipo de imaginação: a
pessoa acaba tendo compromissos no mundo espiritual.

Portanto, esses jovens não estavam apenas visualizando, mas estavam


também participando do mundo espiritual, “brincando” com as entidades
(demônios), que eram convidados do inferno, especificamente, para “jogar”
RPG.

Depois de algumas vezes jogando, o jogador se vê com a necessidade de


comprar livros e mais livros para descobrir como jogar melhor, quais as
capacidades de seu personagem, como atacar certos tipos de oponentes, e
assim sucessivamente.

Em pouco tempo, o jogador na teoria já é um mago em potencial, um bruxo


(ou uma bruxa), conhecedor das magias e truques de toda sorte.
Espiritualmente, o jovem também se desenvolve na magia.

Alguns grupos de jogo ainda estão acostumados a usar a prática de “sair do


corpo” para jogarem RPG no mundo espiritual com os demônios.

Alguns desses já se conscientizaram do grau de profundidade com que estão


envolvidos no RPG, mas acham que não tem volta. Mas tem volta sim; a obra
que Jesus, o Cristo, realizou na cruz é totalmente capaz de salvar esses
jovens.

Outros jovens, por sua vez, nem têm ideia alguma sobre em que estão
metidos, achando que é tudo fruto da imaginação. Mais tarde, quando tiverem
a oportunidade de trabalhar para denominações satanistas, eles já estarão
aptos para invocar demônios e fazer todo tipo de serviço para Lúcifer.
Portanto, é preciso estar preparado e coberto em oração, pois o RPG é uma
das maiores estratégias de Satanás para atrair os jovens para o seu mundo de
engano e poder maligno.

Quando um jogador começa a preencher a ficha de seu personagem, ele nem


tem ideia de que está sendo induzido a esse mundo de engano. Já ouvi relatos
de jovens que tinham medo de aceitarem a Cristo porque sua entidade os
ameaçava, dizendo que os mataria se eles assim fizessem, mas Jesus Cristo é
muito mais poderoso do que todo o inferno junto.
Esses jogos são na verdade laços e armadilhas para fragmentar a alma e o
espírito dos jovens jogadores, contaminando-os e aprisionando-os para
sempre, se eles não forem libertos e não saírem das prisões. Os lugares
virtualmente visitados podem, de fato, transformar-se em lugares de prisão.

Alguns jogos de RPG satânicos

Raphael Catossi, a quem ministrei libertação, descreveu vários desses jogos,


alertando a respeito dos seus perigos. Escolhi alguns deles para ajudar quem
possa estar cativo por ter com eles se envolvido:

DOOM I (A Queda)
Nesse jogo, o jogador é um soldado que, inicialmente, luta contra soldados
zumbis. Mais tarde, são encontrados:

· Bestas com o corpo em forma de P, onde a boca é do tamanho do tronco;


demônios com espinhos nas costas, que atiram bolas de fogo.

· Crânios em chamas que voam e explodem ao tocar o jogador.

· Observadores (Beholders) em formas de almôndegas gigantes vermelhas


que flutuam e têm um só olho e cospem bolas azuis de energia; há uma
variação de cor marrom desse observador, que cospe crânios flamejantes.

· Minotauros chifrudos, sem pelo, de cor rosa, e outro marrom mais forte –
ambos atiram bolas verdes de energia com as mãos.

· Aranhas, que têm as pernas como partes mecânicas. e o miolo do corpo é


um cérebro; atiram plasma verde.
· Aranhas iguais às anteriores, mas em tamanho gigante.

· Minotauro (A Besta) – gigante que, no lugar de uma das mãos, tem um


lança-míssil (o mesmo da capa do jogo), e nas suas entranhas pode-se ver
uma mistura de órgãos com fios eletrônicos.

Armas: Soco, pistola, rifle, rifle duplo, metralhadora giratória, lança-mísseis,


e arma de plasma.
DOOM II (O Inferno Na Terra)

É idêntico ao primeiro. Em uma fase secreta do jogo, o jogador encontra uma


sala onde há quatro crianças enforcadas. É necessário então atirar nelas,
despedaçando-as, abrindo assim a passagem para a saída da fase.

No último nível, o desafio é descer alguns paredões e chegar até o térreo de


uma sala gigantesca, onde os demônios não cessam de aparecer, e sangue
escorre pela parede.

O objetivo do jogador é subir num elevador que, enquanto sobe, tem-se que
lançar um míssil e acertar uma fenda na parede. Utilizando-se um comando,
pode-se atravessar paredes, indo até essa fenda, quando se encontra a cabeça
de um cara cabeludo, fincada em uma estaca. Até hoje não imagino quem
seja, mas, quando se atira na cabeça, o rapaz abre a boca como se estivesse
agonizando.

Tanto no primeiro como no segundo Doom, os cenários são caracterizados


por uma mistura de tecnologia com um ambiente rústico-medieval.

No Doom II há uma super arma de plasma, que com muita munição, elimina
todos os inimigos do ambiente.

Em alguns lugares, nas paredes, há rostos em movimento, corpos em relevo,


pentagramas (tanto nas paredes como no formato de alguns cenários), corpos
crucificados, imagens da face de Cristo com a coroa de espinho e órgãos
humanos.

E ainda há os comandos para invencibilidade, para apossar-se de todas as


armas e chaves, para recuperar energia, para selecionar a fase e o modo
fantasma (atravessar as paredes e portas): IDDQD, IDBEHOLD, e assim por
diante...
Ênfase dos DOOM’s: fazer o jogador achar que pode combater o inferno com
armas; mas, na verdade, está só aprendendo a “brincar” com os demônios.

O jogador corre o perigo de ficar preso no inferno.


DUKE-NUKEN

Nesse jogo, o jogador torna-se um galã de cinema que, com sua pistola, inicia
uma caçada aos alienígenas (aliens) que invadiram o planeta terra. Nos
cenários que se seguem no jogo, encontram-se: Mulheres fazendo striptease
(que podem ser assassinadas, transformando-se numa poça de sangue e em
notas de dinheiro voando).

· TVs sintonizadas em programas pornográficos.

· Na primeira fase, um cinema com uma mulher semi-nua dançando e, mais


tarde, mulheres nuas como que envolvidas por um casulo verde que podem
ser destroçadas.

· Os primeiros inimigos, e mais fracos, são com cara de tigre.


· Javalis com rifles.

· Um inimigo com cérebro grande e com tentáculos pendurados, que flutua e


emite rajadas de som com forma de energia de plasma.

· Amebas que saem de ovos alienígenas e que grudam na cara do jogador.


· Um gordo que atira mísseis e que, no lugar das pernas, tem uma plataforma
que o permite flutuar.
· Naves com formato de tubarão, que voam em direção ao jogador para
explodirem nele.

· Há um outro tipo de alienígena (alien) mais parecido com um lagarto, que


se abaixa e pula, metralhando, em cima do jogador.

· O chefe “sapo”, ao ser derrotado, tem a sua cabeça decapitada, e o herói do


jogo abaixa as calças, senta no buraco onde antes estava a cabeça, e lê um
jornal.
· O último chefão tem um olho só e solta muitos mísseis; a batalha é travada
em um campo de futebol americano. Ao ser derrotado e estando caído no
chão, Duke chuta o traseiro dele, fazendo com que o olho do bicho saia
voando e faça “gol” nas traves.

Armas: Chute básico, pistola, escopeta, metralhadora, arma de gelo que


congela os inimigos, arma de encolhimento que encolhe os alienígenas
(aliens) permitindo que possam ser pisados, granadas, granadas de sensor a
laser, lança-mísseis que atira vários pequenos mísseis, e uma bazuca,
chamada RPG, que faz um certo “estrago”. Como acessórios há: jet pack para
voar, máscara de mergulho, esteróides para ficar com um chute descomunal
(já que pode atirar e chutar ao mesmo tempo) e para poder correr feito louco.

Ênfase: ser malandrão, o dono do pedaço, que gosta de pornografia e sangue.


CARMAGEDDOM

É um jogo de carro, onde o jogador tem que disputar corridas em meio a


cidades e estradas de campo. O objetivo é chegar no final “vivo” ou então
eliminar todos os oponentes, indo de encontro ao carro oponente e batendo
nele, até que pegue fogo. O ponto crítico é o atropelamento.

O jogador pode simplesmente sair da rua com o seu carro e ir pelas calçadas,
atropelando homens, mulheres, velhinhas, cachorros e vacas nas estradas e
nos campos. Ao atropelar, sangue voa no vidro do carro do jogador.

Há como fazer com que o carro emita raios elétricos que façam explodir
todos os seres vivos que passarem por perto, num raio de 100 metros;
também o jogo permite fazer com que os alvos (pedestres e vacas) fiquem
enormes, três vezes maiores que o carro; e também há um recurso para
paralisá-los.

Na primeira fase do jogo (uma cidade), pode-se ir até o estádio de futebol e


atropelar os jogadores que se preparavam, em fila, para começar o jogo
(futebol americano). A torcida vibra!

Em certos lugares, pode-se achar uma rampa de acesso ao topo de arranha-


céus. O jogador vai com seu carro pulando de edifício a edifício e, se cair,
não há problema, no meio da queda basta pressionar o “recover” que o carro
volta à posição de um pouco de tempo antes e, se ficar todo amassado,
pressiona-se o “repair”, que arruma tudo, com o dinheiro que se ganha de
atropelar pessoas e bater em carros. Ao eliminar-se um oponente que o
desafia, o jogador fica com o carro do mesmo.

Raphael Catossi, que escreveu essas linhas, inclui ainda o seguinte


testemunho pessoal:

Certa vez, eu estava andando de carro com a minha família. Quando meu pai
parou para esperar algumas pessoas atravessarem a rua, na minha mente eu já
tinha decidido atropelá-las, e então vi o quanto influenciado por aquele jogo
eu estava. Eu simplesmente tinha me apaixonado pela “realidade” do jogo,
pois a programação do mesmo era perfeita
– aceleração, amortecimento, impacto, etc.

A segunda versão de Carmageddom apresenta personagens em 3D ou seja,


não são figuras que explodem, mas objetos que têm seus membros separados
do corpo e arrastados pelo cenário, e é necessário um choque muito maior
para eliminá-los de primeiro impacto; tudo ficou muito mais real.

Nessa versão, porém, a produtora colocou, no lugar de pessoas reais, zumbis


de sangue verde. Até os cachorros são zumbis. Algo que encanta nessa versão
é a transparência da água e dos vidros que podem ser quebrados, o carro que
vai se amassando aos poucos, e seus pedaços vão caindo pela pista e até
mesmo as portas se abrem para atingir os pedestres.

Ênfase: Desobedecer ao maior número possível de leis. DIABLO

É Satanismo puro! Ao começar, você escolhe entre ser guerreiro, ladrão,


mago ou monge, e inicia a aventura numa cidade na época medieval. Você
vai conversando com os moradores da cidade e vai descobrindo mais sobre o
que está acontecendo. O que me fascinou muito nesse jogo, além de serem
gráficos tridimensionais, foi a aleatoriedade dos fatos, ou seja, toda vez que
se inicia um novo jogo há etapas diferentes para serem realizadas.

A história é mais ou menos assim: demônios apareceram no subterrâneo de


uma capela e invadiram o vilarejo. O jogador então decide aventurar-se pelos
labirintos até chegar ao inferno e matar o diablo. Mas, antes de entrar, ele
encontra uma pessoa quase morta e jura vingança aos seus companheiros.
Assim, essa pessoa morre, confiando no juramento do jogador. O Jogador
então entra na capela (que tem um cemitério ao seu redor) e então começa a
matança. Esse jogo é jogado com o mouse. Um botão é usado para
atacar/pegar/usar e o outro para utilizar a magia.

Eu usei todas as armas, armaduras, amuletos, itens e personagens, pois havia


baixado um programa da internet que me capacitava a mudar essas coisas a
qualquer instante. Então fui testando, um por um, para ver o que era melhor.
Equipado e preparado, escolhi o guerreiro e fui até o fim. No final, para
minha decepção, ao matar o diablo, que tem uma pedra na testa (o que lhe dá
poder), o personagem retira dele esta pedra e a encrava em sua própria testa.
Eu fiquei indignado! O pior de tudo é que, na tela do computador, o que ela
mostra é o próprio jogador encravando a pedra em sua testa!

Bem, esse jogo também é cheio de pentagramas, locais de rezas (capelas) e, à


medida que o jogador vai descendo, vai encontrando pessoas fincadas em
estacas, etc.

Em alguns lugares há prateleiras de livros onde o jogador acha um livro.


Lendo-o, o jogador aprende uma magia nova e, se já sabe a mesma, pode
aprimorá-la, desde que tenha o nível de magia necessário. Algumas armas e
armaduras também necessitam de um certo nível de destreza ou força.

Ênfase: Combater o mal com a sua própria força e, no final, ceder à tentação
de ser o próprio Diablo. Os locais virtuais podem transformar-se em portais
para ir ao Sheol, Inferno, Abadom e Abismo.

Jogos de RPG: Um faz-de-conta sofisticado... Ou uma aventura


perigosa?

Vou agora reproduzir um artigo sueco,1 que foi colocado na revista


Magazinet, com o título acima.
O suicídio é apenas um dos frutos amargos dos jogos de representar, entre os
quais se acha “Dungeons & Dragons” (Calabouços e Dragões), conhecidos
como jogos de RPG. Homicídios bestiais, assaltos sexuais e bilhetes de
entrada ao satanismo e ao ocultismo são outros frutos. Jornais americanos
têm relatado casos e mais casos de jovens que pareciam saudáveis, mas que
passaram a viver no mundo oculto de calabouços e dragões, acabando por
tirar a própria vida ou a de outros. A fantasia, no caso, torna-se realidade para
esses jovens.

Um dos especialistas sobre satanismo e ocultismo, o criminalista e delegado


Thomas Wedge, diz que, durante os 15 anos em que trabalha com casos
criminais ligados ao ocultismo, tem encontrado jovens que permitiram a
fantasia tomar conta do seu comportamento por causa dos jogos de
representar (RPG). Mas, Wedge não é o único a advertir contra os jogos de
RPG.

Um grande número de psicólogos e especialistas que trabalham com jovens


envolvidos com a criminalidade nota um paralelo entre o jogo de representar
– onde os ingredientes principais são controle absoluto, medo e violência
planejada – e o comportamento criminoso dos jovens.

DEBATES

Debates sobre os jogos de representar surgiram após uma série de suicídios e


assassinatos cometidos por jovens envolvidos nesses jogos durante a segunda
metade dos anos 80 e que fizeram as manchetes dos jornais.

Não se tratava de alguns poucos casos, mas de muitos. Na época, haviam sido
registrados setenta ocorrências pela NCTV (Liga de Coalizão contra
Violência na Televisão). Não foi por falta de provas, pois os jovens deixaram
cartas e desenhos explicando a razão pela qual davam um ponto final à sua
vida.

Outros, que praticaram assassinatos bestiais, seguiram minuciosamente o que


está escrito na literatura do jogo de representar. INÍCIO

O jogo de representar (RPG) apareceu nos Estados Unidos com o vendedor


Gary Gygax em Wisconsin, no início dos anos 70. A princípio era um jogo
para adultos. No final da década, sua popularidade cresceu especialmente
entre os jovens. Em 1985, haviam vendido no mínimo 8 milhões de cópias só
nos Estados Unidos. Posteriormente surgiram os desenhos animados de RPG,
além de jogos de computador, seminários e exibições.

Tudo corria bem até que, em 1982, o jovem Irving Lee, de 16 anos, deu um
tiro no coração. Irving havia recebido uma maldição pronunciada por um
companheiro de jogo um pouco antes desse trágico episódio. Irving, como
tantos outros jovens, vivia no mundo do jogo e a fantasia tornou-se mais forte
do que a realidade, acabando com a sua vida.

O TIRO

Esse tiro mortal tornou-se o tiro inicial na luta contra “Calabouços e


Dragões”. A mãe de Irving, Patrícia Pulling, fundou a organização BADD,
sigla de “Bothered About Dungeons & Dragons” (Afligidos por Calabouços e
Dragões) a fim de alertar quanto ao perigo dos jogos RPG. Ela culpa esse
jogo pelo destino de seu filho.

Nos arquivos do BADD há documentos que provam os suicídios e


assassinatos. Há pilhas de telegramas e recortes de jornais de casos
relacionados com os jogos de representar. Em Arlington, Texas, James A.
Stalley, de 17 anos, atirou em si mesmo na frente dos seus colegas de escola.
Stalley era um jovem intelectual que havia se envolvido grandemente com o
RPG.

O jogador de RPG, Jeffrey Jacklovich, em Topeka, Kansas, tirou sua vida


puxando o gatilho de um revólver, aos 14 anos. Ele deixou uma carta aos pais
dizendo que resolveu viajar pelo mundo do jogo de representar que ele
conhecia tão bem e ir-se deste mundo de conflitos.

Numa cela do corredor da morte de um presídio, na cidade de McAlister,


Oklahoma, está o jovem Sean Sellers, de 20 anos. Ele matou a sua mãe a tiros
em 1985. Segundo ele, isso foi feito a pedido de demônios. Numa entrevista
de TV, Sean contou que o jogo de representar “Calabouços e Dragões” levou-
o ao satanismo e ao ocultismo.
Armando Sino, de Angleton, Texas, um psicólogo de presídio, é culpado de
haver estuprado uma moça de 15 anos, quando ele estava com a idade de 33
anos. Eles estavam jogando, e Armando, como “mestre do calabouço”,
castigou-a dessa forma. Isto ocorreu após o primeiro seminário de RPG.

OBSESSÃO

Não são todos os jogadores do RPG que deixam a fantasia tomar o lugar da
realidade, mas são muitos os que ficam obcecados por esse jogo. A psicóloga
Diane Pizzirusso, de Annapolis, Maryland, diz que o jogo de representar trata
de violência, vingança e roubo.

Ela explica:

“As notas escolares pioram e o único assunto é o jogo de representar.


Geralmente são as crianças mais sensíveis, tímidas e com menos sucesso em
outras áreas que se envolvem no jogo. Elas conquistam sentimentos de poder
e controle, mas ao mesmo tempo tornam-se mais perniciosas no falar.”

O Dr. Thomas Rasecki, um psiquiatra da Universidade de Medicina de


Illinois, não vacila quanto aos frutos amargos do RPG. Ele comenta:

“As provas nesses casos são nítidas. Não tenho dúvida de que criar jogos de
fantasia levam os jovens a suicídios e assassinatos. Os jogos tratam de
guerras e de violência sem trégua. Através de entrevistas com jogadores, e
com o material de jogo como base, estou convencido de que este tipo de jogo
deixa os jogadores insensíveis à violência, tornando-os agressivos no
comportamento.”
1 De Knut-Einar Norberg.
TESTEMUNHO 9
Aprisionamento em Calabouços
“Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu
quando clamei por socorro. Tirou‑me de um poço de perdição, de um
tremedal de lama; colocou‑me os pés sobre uma rocha e me firmou os
passos.”

(Sl 40:1-2)

“Não sinto a presença de Deus”

Alberto foi um irmão em Cristo que veio em busca de ajuda. Somente o


ministrei porque o Espírito Santo insistiu muito, pois, como você vai ver, a
situação dele era de fato muito difícil. Ele vivia reclamando que não sentia a
presença do Senhor, apesar de Deus já ter atuado em várias áreas de sua vida.

O problema de ter sido rejeitado por seu pai biológico, e a situação de ter tido
um padrasto, por exemplo, já tinham sido resolvidos. Também tinha sido
liberto de uma série de vícios.

Sim, Alberto ainda enfrentava problemas. Intelectualmente ele sabia que era
filho de Deus, pois havia entregue a sua vida a Ele, e tinha feito um
compromisso com Jesus. No entanto, nunca acontecia algo impactante em
sua vida espiritual. Alberto não sentia a presença de Deus, não o sentia nem
mesmo quando lia a Bíblia. Ele apresentava sintomas característicos de
alguém aprisionado espiritualmente.

Diante dessa situação, um dia ele abandonou a igreja, o culto, o ministério em


que estava envolvido, todos os projetos que pessoalmente estava
desenvolvendo. Não disse nada ao pastor.

Simplesmente desapareceu, e voltou para aquelas práticas que ele havia


rejeitado no passado, e dizia que agora tudo estava bem. Assim, quando ele
se apresentou e lhe pedi para que falasse comigo, eu quis saber exatamente o
que havia acontecido com ele.
Ele havia ficado quase dois anos afastado do Senhor, vivendo uma vida sem
rumo espiritual. Foi então que ele me confessou que, durante todo o tempo de
sua vida cristã, ele, na verdade, pretendia ser crente, mas nunca tinha tido um
encontro verdadeiro com o Senhor.

Que tragédia! Isso me esclareceu totalmente a razão de ter ele abandonado a


fé e a comunhão com os irmãos na igreja. Como Alberto é muito inteligente,
ele racionalizou a fé; intelectualizou o que não podia, e reduziu a sua
compreensão da vida verdadeira com Deus a uma postura apenas intelectual.
Assim, ele viveu uma vida fingida e confusa.

Todo o esforço dessa sua pretensão nunca poderia satisfazê


-lo, pois não era algo genuíno. Por isso mesmo foi que Jesus nunca aparecia
para ele, para confirmar o que ele fazia. E desse modo ele acabou
abandonando tudo o que ele achava ser fé.

Nessa situação, não precisando viver um cristianismo fingido, ele concluiu


que agora nem tudo estava bom, mas era melhor do que a vida que ele tinha
antes.

Minha resposta para ele foi:


– Claro que agora você ficou melhor, pois você parou de fingir ser aquilo que
você não era.

É certo que pelo menos agora Alberto estava enfrentando a verdade! Não a
mentira, nem a falsidade. Ele havia deixado de fingir, de representar. Agora,
pelo menos, estava sendo verdadeiro, ainda que um tanto revoltado com o
Senhor e com a igreja.

Deus passou a ser, para ele, alguém que estava num lugar longínquo, não o
ajudando nos momentos em que precisava. Deus não estava com ele em sua
necessidade; Deus não respondia ao seu clamor.

Deixei então que ele apresentasse todos os seus argumentos, todas as suas
queixas, todos os motivos que o levaram à situação em que se encontrava. E
ele foi dizendo:
– O que fizeram de mim? Fui abusado sexualmente, e car‑ reguei um
sentimento de culpa. Roubaram‑me! Roubaram o meu pai, a minha mãe,
roubaram a paternidade, a equidade, pois fui tratado com injustiça. Veja
quem eu sou hoje. Estou cheio de trejeitos. Tenho raiva e ódio do que fizeram
comigo, quando me abusaram sexualmente. Fui abusado por um grupo de
rapazes. O primeiro ficou não sei quanto tempo... Foram anos, comigo.
Também fui abandonado por meu pai; fui maltratado por minha mãe; fui
perseguido por um líder da igreja que se recusava ser sombreado por mim.
Quem sou eu hoje? Uma sombra, uma caricatura?

Fazendo uma pausa, ele ainda desabafou:


– Neuza, eu processei o meu pai biológico... Não vou ficar em casa... Que
vou fazer da minha vida?

Enquanto eu o ouvia, comecei perguntar a mim mesma, e ao Senhor, onde


Alberto estaria preso, onde esse filho estaria preso. A rejeição profunda, no
ventre da mãe, pode resultar em muita confusão e senso de abandono. Então
percebi que, possivelmente, ele estaria num calabouço, por ter sido rejeitado,1
alvo de grandes conflitos no ventre materno. Creio que provavelmente ele
não queria sair do ventre, na hora de nascer, pois os comentários que ele
ouvia, quando ainda no ventre, o desanimavam de sair e enfrentar a vida.

Comecei então a falar-lhe sobre a possibilidade de ele estar preso


espiritualmente, num calabouço. Foi então que ele me disse algo que veio
confirmar a minha hipótese:

– Neuza, num dia em que fui a um acampamento de treinamento da igreja,


quando me esforçava para ser crente, afastei-me para ficar sozinho num
lugar, para orar. Mas uma jovem irmã, considerada intercessora por todos,
passou por mim chorando.

Então eu lhe perguntei: “O que foi?” Ela me respondeu: “Eu estava orando
por você, pedindo para que Deus o tirasse do calabouço”.

Eu não entendi nada, e ela continuou o seu trajeto; não pude conversar com
ela, e ficou por isso mesmo. Mas, agora, você me diz que eu estou num
calabouço!

Alberto se dispôs a acabar totalmente com o seu cristianismo de fachada. Ele


entendeu que somente entregando de fato sua vida, sem reservas, ao Senhor,
ele seria abençoado.

Então prosseguimos com a sua ministração.


Foi feita uma oração pedindo perdão pelos pecados que ele havia praticado
(especificando cada um deles), e também pelos pecados de seus pais. Os
guardiães que o prendiam foram amarrados, ou seja, os espíritos de rejeição,
de engano, de falsidade, de morte, de abandono, de esquecimento, de culpa,
de medo, de bastardia, de falta de propósito na vida...

Ele saiu daquele calabouço sendo levado por mim, e, quando saía da prisão,
ele foi dizendo:

– Estou saindo do calabouço, desta prisão onde fui colocado. Jesus, tu és a


própria chave que abre todas as prisões. Obrigado, porque tu abristes as
portas da minha prisão.

Quando saiu, ele disse:


– Estou tonto e confuso...

É que sua mente estava sendo tratada. Sua programação mental, seu
raciocínio, estava sendo purificado, tornando-se uma mente sadia, livre de
contaminações. Toda a sua mente estava sendo restaurada por Deus, naquela
hora. Assim, Deus estava intervindo.

Então eu lhe disse:


– Isso faz parte do processo da sua libertação!

Ele começou a rir. Agora era um riso de mudança de mente, era uma
“metanoia”. E, assim, ele disse:

– De repente, meus pensamentos começaram a ser postos em ordem. Gente,


que coisa! Eu sou responsável por tudo que fiz. O que fiz foi minha escolha.
Eu não sou vítima não. Eu escolhi o que quis e fiz, porque assim quis.
E, na hora da oração, ele disse:

– Pai, perdoa-me, porque coloquei o meu pai encurralado, forçando-o a me


abençoar; mas eu estava rejeitando e encurralando a ti. Eu te rejeitei, eu te
amaldiçoei e atribuí a ti tudo que era negativo. Senhor, perdoa-me!

Dois instantes de arrependimento

O caso de Beatriz é outro exemplo de alguém que foi preso num calabouço.
Ela era uma de nossas alunas. Assim que a recebi para ser ministrada,
observei que ela era uma jovem muito linda e simpática. Com facilidade ela
foi se abrindo e falando acerca do seu problema, e foi fácil diagnosticar que
ela estava aprisionada num lugar muito especial, num calabouço.

– Sou filha de uma prostituta – disse-me ela. –, quando me juntei ao meu


atual marido, por algum tempo vivi bem. Na realidade, vivemos bem durante
o tempo em que não estávamos casados, e sim amasiados. Mas, depois de nos
casarmos, oficializando o nosso relacionamento, passei a não sentir mais
nada em relação a ele; não consigo receber amor. Nem mesmo consigo ser
natural, ao abraçar meus filhos! E, do meu marido, não consigo receber o seu
carinho e o seu amor.

Beatriz tinha sido mais uma das vítimas do abuso sexual na infância. Assim
que este ponto foi trazido à luz, tive então que tratar dessa área de sua vida,
curando suas feridas, seus sentimentos de culpa, de inferioridade, de medo,
de sujeira, de feiura, de burrice...

O ponto, porém, que para ela foi mais dolorido e triste, foi a rejeição que ela
sentiu quando ainda estava para nascer. Ela ouvia sua mãe dizendo: “O que
vou fazer com esta criança, com este bebê? Onde vou enfiar este bebê?!”

Então, ficou para mim muito claro que Beatriz estava aprisionada num
calabouço. Ouvindo o que sua mãe dizia, ela certamente revoltou-se e
recusou-se nascer. E, assim, ela ficou aprisionada espiritualmente naquele
lugar.

Então eu lhe compartilhei a impressão que havia tido, da parte do Espírito


Santo, de que ela estava aprisionada num calabouço. E lhe perguntei se ela
queria sair daquela prisão. Ela me respondeu:

– Eu quero sair, sim.

Então, pedimos perdão pelas circunstâncias da sua concepção, amarrando os


espíritos de sensualidade, de lascívia, de desonra aos pais, de desobediência
às leis de Deus, de rebelião, de rejeição, de abandono e de prostituição.
Amordaçamos cada um deles e ordenamos que saíssem e fossem enviados
para o lugar que Jesus determinasse.

Também, declaramos que tínhamos a chave para abrir o calabouço, e


retiramos Beatriz daquele lugar. E, prosseguindo, eu disse:
– Você se vê no calabouço?
Ela disse que sim, e que estava muito frio. Beatriz começou tremer, dizendo:
– Estou envolvida por gelo. Veja como estou gelada! Com as mãos e os pés
gelados, ela tremia de frio, e naquela hora ouvia sua mãe dizer exatamente o
que tinha dito:

– Onde vou enfiar o meu bebê? O que vou fazer com ele? Beatriz começou a
chorar.

Então eu lhe disse que estávamos abrindo a porta daquele calabouço e que ela
iria sair. Ela tomou as minhas mãos e começou a andar, dizendo:

– Este não é o lugar que Jesus planejou para me colocar. Eu não fui destinada
a ficar aqui. Este frio não é para mim. Estou saindo desta prisão!

Chorando e tremendo, ela deixou-se segurar pelos anjos, e saiu daquele


calabouço. Beatriz recebeu ainda um abraço de sua mãe, que lhe pediu perdão
pela rejeição.

Quem foi rejeitado no ventre, geralmente se aprisiona num calabouço, sem


saída, a não ser através de Jesus.

Sou a décima segunda filha


Quando comecei ministrar Jane, num de nossos seminários de libertação, na
realidade tudo estava muito confuso. Ela mesma não conseguia identificar o
problema que enfrentava. Jane sabia que algo estava muito errado consigo
mesma, mas não sabia o que poderia ser. Essa irmã perguntou-me se eu havia
recebido uma cartinha sua. Sim, eu a tinha recebido.
Nessa carta ela escreveu:

Sou uma jovem de 27 anos e estou na igreja desde os meus 12 anos. Sempre
fui muito envolvida com as atividades da igreja. Já fui líder de jovens, líder
de célula, e auxiliar da pastora. Organizei vários eventos chamados
“encontros com Deus”. Sempre estou à frente na organização de retiros,
reuniões, e sou uma pessoa de confiança da pastora; muitos na igreja me têm
como referência.

Pertenço a uma família mais ou menos estruturada, mas não como a dos meus
sonhos. Sei que a igreja, da qual sou membro, me ama demais. E tenho um
namorado maravilhoso. Aos meus olhos, ele é um grande homem de Deus.
Tenho certeza de que Deus tem um propósito para a nossa vida. No entanto,
tenho muitos conflitos e não sei por que não me sinto uma pessoa
completamente livre.

Sinto que há muitas cadeias em minha vida, em meu ser, e quero ser livre,
mas não consigo. Há certos sentimentos em mim que eu não gostaria de
sentir. Essa situação me entristece, me traz amargura, e até mesmo sinto que
isto põe em jogo a minha salvação. Vou relatar alguns de meus problemas:

Não consigo amar a minha família. Sinto-me fora do lugar, sinto-me perdida
no meio deles. É como se eles não fossem a minha família. Não sinto
pertencer a ela.

Entre meus irmãos sempre houve comentários e brincadeiras de que eu era


filha adotiva. Minha mente está muito confusa.

· Tenho dificuldade de amar as pessoas. Desejo ter bons relacionamentos,


mas não consigo. Facilmente sinto antipatia pelas pessoas. Sou agressiva e
grosseira; quando tomo consciência, eu já disse o que não deveria dizer.
· Tenho medo de demônios, e isso me aflige. Como eu, que sou cristã,
poderia ter medo de demônios? Não consigo expulsá-los, embora saiba que
Jesus é maior.

· Quando fiquei sabendo que a minha mãe estava doente, o seu diagnóstico
deixou-me apavorada. Pois ela sempre tratou de gastrite e, de repente, aquilo
virou câncer. Desde então, me persegue a ideia de que eu também vou ser
acometida de câncer, pois, de igual modo faço tratamento contra a gastrite.
Tenho medo de que isso aconteça comigo. Oro e rejeito esses sentimentos,
mas não consigo vencer. E isso me atormenta continuamente.

· Namoro um rapaz que é de Deus. Sinto que ele realmente me ama, mas sou
perseguida pelo sentimento de que, no futuro, serei abandonada por ele.

· Perdi meu pai muito cedo. Sinto carência, sinto falta de proteção. Já
procurei encontrar um pai em Deus, mas tenho dificuldades. Não consigo
chamar Deus de Pai. Não consigo orar usando a palavra “Pai”. Isso é terrível.
Gostaria de sentir a paternidade de Deus, mas ainda não descobri como. Por
favor, me ajude!

Quando analisei as circunstâncias em que Jane foi concebida, pude constatar


que, certamente, sua mãe já estava cansada quando viu que ia ter mais uma
criança. Era a décima segunda filha! Ser mãe de doze filhos é realmente um
ato de muita coragem e heroísmo. Então, perguntei a Jane se ela teria sido
rejeitada no ventre materno; afinal, não seria nada fácil, para a sua mãe,
encarar mais uma gravidez, na idade avançada em que estava.

Sua mãe, mesmo jamais admitindo que tivesse rejeitado a sua filhinha caçula,
pode inconscientemente ter abrigado esse sentimento. Por certo, também
passou em sua mente, como seria essa nova gravidez, uma vez que ela já se
encontrava numa idade não tão propícia.

A mãe de Jane, possivelmente, teve dúvidas e incertezas com respeito à sua


gravidez, considerando, pelo menos, que certamente não era uma boa hora
para ficar grávida. Então perguntei a mim mesma: será que sua mãe pensou
em abortá-la?
Será que isso aconteceu? Uma coisa sabemos: com certeza foi muito difícil
para aquela senhora, já cansada, com tantos filhos, aceitar a chegada de mais
um bebê. Temos de considerar ainda que, naquele tempo, sua mãe não tinha
meios mais seguros para evitar filhos, nem muitos recursos para enfrentar
aquela situação.
Jane me disse, ainda, que não estava trabalhando nem estudando. Nada estava
definido em sua vida, tanto no trabalho, como nos estudos, nem em sua vida
sentimental. Ela não se sentia realizada nos estudos, não se sentia parte da
família, enfrentava todos esses problemas que relatou – enfim, ela vivia
grandes conflitos.

A situação era ainda pior na área sentimental. Como ela mesma relatou, Jane
já beirava os trinta anos, mas a sua atitude para com o namorado tinha todas
as características de uma criança que não sabe o que quer. Ela estava em
constante briga com ele. Seu namorado, porém, com muita paciência a amava
e fazia de tudo para conquistá-la. Mas ela o maltratava. E ela dizia:

“Não sei como ele me aguenta, pois nunca estou contente e satisfeita com ele.
Reclamo todo o tempo, por tudo. Se ele está bem, se ele me cerca de carinho
ou tenta me abraçar, rejeito o seu abraço, reclamo e o critico. Se ele atrasa um
pouco nos nossos encontros, eu reclamo, critico, e chego até a xingar...
Certamente é muito difícil para ele. Se ele me ajuda, eu exijo mais; se ele não
me dá atenção, aí sim é que eu critico, brigo, falo tantas coisas, faço
escândalos. Realmente não é nada fácil para ele; ele é bom demais para
mim.”

Quanto mais eu analisava a sua história, suas experiências e sentimentos,


mais eu me convencia de que Jane poderia estar presa num calabouço, pela
rejeição no ventre materno. Assim, decidi tirá-la de lá. Pedimos perdão pelas
circunstâncias da sua concepção: a atitude dos pais, o conflito da mãe.

Fomos identificando os demônios guardiães que poderiam estar


acompanhando a vida dela, a fim de impedirem que ela escapasse da prisão
em que se encontrava. Amarramos então os espíritos de confusão, conflito,
indefinição, rejeição, baixa autoestima, esquecimento, abandono,
insatisfação, perseguição, medo da morte, frieza. Ordenamos que todos
fossem para aquele lugar determinado por Jesus Cristo, pois ela iria sair
daquele calabouço.

Eu tinha a chave para abrir aquela prisão. Eu a tirei, agradecendo a Deus por
aquele momento, pois o anjo do Senhor a levaria para fora. Naquela hora,
Jane disse estar si vendo num lugar de muita escuridão. Na hora de sair, viu
paredes escuras, e parecia estar saindo de um corredor estreito, pelo qual ela
tinha de passar.

Quando finalmente Jane saiu, era visível a mudança no seu semblante:


demonstrava luz, alegria. E, como costuma acontecer, ela ficou linda! Ela
parecia ter ressuscitado. Jane realmente saiu daquela prisão, e depois foi
muito fácil prosseguir na sua ministração. E ela teve de sair de algumas
outras prisões também.

Um dos pontos cruciais do seu problema foi a ausência do seu pai. Ela teve
que passar pela cura dessa ferida, causada pela perda do pai quando era bem
pequena. Ela não havia recebido o carinho de um pai. Pedi que um dos
intercessores, fazendo o papel de pai dela, a abraçasse, para que ela fosse
curada.

Aquele abraço que ela jamais recebera anteriormente, a fez sentir-se muito
amada.
Jane foi abençoada por Jesus, que a libertou e a curou.
1 Tal como no exemplo bíblico de José, que foi rejeitado por seus irmãos, e foi parar no fundo de um
poço, figura de um calabouço (Gn 37:24).
TESTEMUNHO 10
Aprisionamento pela Religiosidade
“Tira a minha alma da prisão, para que louve o teu nome; os justos me
rodearão, pois me fizeste bem.” (Sl 142:7)
Em contato com milhares de pessoas, dentro e fora do país, fico muitas

vezes surpresa com quem o Senhor nos envia para ministrarmos.

Um mal que atinge muitos filhos de Deus é a religiosidade. É isso que tenho
constatado. A religiosidade é uma grande inimiga da nossa fé. Eis aqui uma
história de como a religiosidade pode aprisionar uma pessoa e até conduzi-la
para o inferno.

Sempre me simpatizei com certa denominação, embora não a conhecesse


muito bem, e a achasse um tanto sectária.1 Parece que, de fato, para muitos
dessa denominação, não há nenhum lugar no céu para as ovelhas de outro
aprisco.

Entretanto, como cheguei a ter experiências agradáveis com algumas de suas


congregações, e como também havia conhecido pessoas dessa denominação
realmente convertidas e que tinham uma vida com Deus, eu sempre a
considerei como sendo de Cristo Jesus, relegando os seus exageros a um
segundo plano.

Todavia, o testemunho de uma irmã que ministrei, num de nossos seminários


de Batalha Espiritual, surpreendeu-me. Ela escreveu sobre essa denominação,
e falou da real situação em que se encontrava. Ela me escreveu o seguinte:

Como lhe prometi, estou lhe enviando meu testemunho, tal como tudo
aconteceu. Por 27 anos percorri os caminhos dessa denominação. Já li livros
que falam de suas doutrinas heréticas e de seus costumes farisaicos. Mas a
revelação que obtive é muito mais profunda do que tudo que se tem
publicado.

Conheço cada detalhe da cartilha dos anciãos, de suas manobras perversas e


de suas práticas sugestivas para obterem o controle e o domínio mental dos
agregados. Minha mente também esteve cativa, mas o amor que sempre senti
pelo meu Senhor estava livre e Deus honrou o desejo do meu coração; não
me deixou frustrada. Casei-me, constituí família, tive um casal de filhos,
enviuvei-me, e casei de novo com um homem temente a Deus, naquela
denominação. Eu era organista, assim como a minha filha, e o meu filho era
violinista, desde os seus 9 anos.

Ninguém pode imaginar as atrocidades que se cometem em nome de Deus


dentro da nave daquela denominação e em seus interiores. Investiguei a
denominação, e descobri, através de irmãos delegados e policiais, que os
líderes, os dominadores dessa denominação, em sua maioria são maçons, e
muitos são homossexuais. Toda sorte de prostituição é cometida dentro da
Instituição. E o povo, enganado, julga serem “santos zelosos e de boas
obras”. Tenho muito material para trabalhar contra esse engano de Satanás,
mas Deus ainda não me disse nada a esse respeito. Depois que saí dela, fui
amaldiçoada a ver a obra de Deus na minha família destruída; perseguiram-
me e me proibiram, sob pena de morte, de até mesmo passar perto do prédio
da igreja.

Minha história foi assim:

No ano de 2001, em certo dia, por volta da meia-noite, comecei a sentir-me


mal, por causa de hiperglicemia. Meus familiares levaramme para a
emergência de um hospital a outro, pois nada parava em meu estômago; a
vida parecia querer fugir de mim.

Depois de doze dias assim, dia e noite de um lugar para outro, sem
esperanças de ser socorrida, finalmente minha mãe encontrou um hospital
que me abriu as portas. Uma médica falou com minha mãe que iria me dar
uma injeção para que eu fosse para casa melhor.

Ela aplicou glicose na veia, e a diabete no meu sangue subiu de 600 para
850%, e continuava a subir. Houve uma acelerada hiperglicemia, e não havia
como retirar o sangue das minhas veias. Antes mesmo de chegar ao
laboratório ele coagulava, ficando imprestável para qualquer exame.
Minhas pernas estavam frias, eu não tinha mais veia, por onde receber soro.
Não havia muito que fazer comigo, não havia leitos nem na emergência,
muito menos na UTI. Era o meu fim!

Meu irmão (um juiz federal) importunou as autoridades e o diretor do


hospital em que eu estava, exigindo socorro; ameaçou até processá-los e
fechar aquela unidade hospitalar, caso acontecesse alguma coisa pior comigo.
Imediatamente, o diretor do hospital mandou que arrumassem um leito no 3º
andar da UTI e me colocassem lá de qualquer maneira. Assim, fui medicada.

Fizeram todos os exames e fui levada para onde havia muitos aparelhos
estranhos nos quais poderiam ler a minha frequência cardíaca e avaliar o
estrago que aquela hiperglicemia me causara.

Nem sei bem, mas dizem que sofri duas paradas cardíacas e uma respiratória.
Lembro-me de colocarem um cateter em meu pescoço, depois de muito me
furarem, pois não havia mais veias disponíveis em meu corpo.

Mesmo assim, conseguiram achar, e aquele cateter dava saída a quatro tubos
de soro (não glicosado ou glicosado a 5%). Levaram-me então para a UTI, às
pressas; foi um corre-corre naquele hospital. Colocaram em mim uma sonda,
vários fios monitorando o meu coração e um balão de oxigênio, pois eu não
conseguia respirar com facilidade. Eu estava ainda recebendo quatro soros
através daquele cateter no meu pescoço.

Eu estava toda furada, debilitada e cheia de hematomas por causa das


agulhadas que levei. Estava tão cheia de agulhas, fios e tubos pelo corpo, que
as pessoas mal podiam me reconhecer, como eu também mal podia me mexer
ou falar.

Durante três dias fizeram de tudo para salvar a minha vida. Mas, no último
dia, sem que eu soubesse que seria o último, aconteceu comigo um fato
inusitado, que foi “estarrecedor” e, ao mesmo tempo, maravilhoso.

É difícil explicar, mas eu estava com medo da morte! Eu tinha medo de


morrer sem salvação! Não sei como aconteceu, mas, num determinado
momento, eu me vi fora de meu corpo num ambiente totalmente modificado.
Ainda era aquele quarto da UTI, mas estava transformado e diferente; estava
escuro, nebuloso e sombrio.

Compreendi, então, que eu estava numa outra dimensão, numa dimensão


espiritual, quando, de repente, olhei para o lado e vi o meu corpo inerte, sem
respiração ou movimento. Fiquei atônita!

Como pode?! Eu, ali em pé, diante de mim? Diante do meu corpo? O que era
aquilo? Como pode ter acontecido? Não havia explicação; a razão não
explica, a medicina não explica, é ilógico! Eu estava confusa e apavorada.
Demorei olhando o meu próprio corpo, sem vida – não havia fala, não havia
respiração...

Então comecei a gritar, a me bater, a chamar pelo meu próprio nome, queria
voltar à vida, queria entrar de volta no meu corpo. Mas não havia resposta!
Muitas vezes eu me chamei e gritei o meu nome, quantas vezes ordenei que
eu abrisse os olhos e voltasse ao meu corpo... mas nada acontecia.

Era tudo inútil, encontrava-me totalmente lúcida, ciente de todas as minhas


emoções e sentidos. Sem que eu esperasse, senti então uma opressão maligna
sobre mim e à minha volta.

Era algo terrível: um frio intenso invadiu-me. Era um frio mórbido, gelado;
eu não podia nem imaginar o que seria aquilo. Quando olhei para trás, vi
figuras deformadas, simplesmente irreconhecíveis.

Se você já assistiu ao filme “resident evil”, então você pode saber do que
estou falando, se bem que a deformidade daqueles seres era pior.

O impacto que tive naquele momento foi de terror e horror. Eu me batia e


tentava fazer com que eu acordasse, e aquele quadro não passasse de um
pesadelo. Eu me achava realmente consciente, possuía os meus sentidos bem
aguçados. Aquelas terríveis criaturas achegavam-se a mim, davam terríveis
gargalhadas, como eu nunca havia ouvido em toda a minha vida.

Sem compreender o que se passava, comecei a gritar por Jesus; sim, por
Jesus, o Filho de Deus! Durante toda a minha vida eu tinha sido religiosa;
sempre procurava ser boazinha, não roubar, não matar; sempre procurava
fazer o bem; não fumava, não jogava, não tinha vícios, não fazia nada dessas
coisas que todos fazem. E eu me justificava achando-me santa e sem pecado,
digna e merecedora da salvação e das dádivas divinas.

Como estava enganada! Aqueles monstros horrendos, debochando de mim,


mandavam que eu gritasse ainda mais alto por Jesus. Eu estava muito
traumatizada, mas consegui reunir forças para perguntar seus nomes e quem
eram eles e por que eu estava ali, já que eu tivera uma religião cuja doutrina
era bem severa.

Eles me responderam, sempre às gargalhadas, escarnecendome o tempo todo,


dizendo que o nome deles era Legião, porque eram muitos. Cada um
identificou-se mostrando suas habilidades e suas obrigações quanto ao ser
humano. Um deles aproximou-se, dizendo ser o cabeça, uma espécie de líder,
que tinha a voz de comando para ser mais bem entendido.

Lembro-me bem de um deles, que tinha um dos olhos dependurados, como se


tivesse sido espancado na cabeça, pois não tinha o tampão do osso, e a massa
cefálica estava, em parte, para fora, destruída.

O todo estraçalhado veio a mim, dizendo que não adiantava gritar por Jesus
porque eu pertencia a eles agora. Batiam-me, com toda a raiva e ódio que
sentiam por mim. Lembro-me bem de um deles que havia sido atropelado, ou
seja, era o orientador e causador de atropelamentos. Era o que me batia com
um de seus braços. Doía muito, mas meu desespero era maior ainda que a
dor. Eu não entendia a situação, pois sempre tinha sido bondosa, sempre
acreditei em Deus e em Jesus, o que deu errado?

Havia alguma coisa errada nisso tudo. Os monstros começaram a apresentar-


se, um a um, e diziam que eram os responsáveis por enviar as pessoas para os
hospitais, às emergências e aos prontos-socorros, e, de lá, muitos já tinham o
destino traçado: “o cemitério”. Mas somente para o corpo, pois o espírito e a
alma tinham um outro endereço certo: “o inferno”, e, de lá, não mais
voltariam.

Uns deles eram responsáveis pelos atropelamentos, outros pelos acidentes


automobilísticos. Outros, ainda, apresentaram-se dizendo que eram donos das
encruzilhadas, principalmente quando havia pedidos e despachos para eles,
através de trabalhos e oferendas; outros diziam-se ilustres no manuseio de
armas. Eram verdadeiros franco-atiradores; outro gabava-se de ser exímio na
arte de facas e facões, em tudo que fosse cortante. Outro era o responsável
pelo “Departamento de Suicídio”, e assim por diante. É terrível trazer
novamente à lembrança cenas tão terríveis e escabrosas assim. O
entendimento que tive, pelo que me disseram, é que o exército de Satanás
existe. Vários demônios, cujo pelotão, pode-se assim dizer, é chamado de
legião, e têm funções diferenciadas.

Bem, na UTI, quando falei com eles, o cabeça, chamado Legião, disse-me
que eram muitos. Eu pude entender que era um regimento de soldados
demoníacos que obedecia à voz de um comando principal.

Eles eram divididos e subdivididos em vários “pelotões”, cada um com uma


especialidade no manuseio de certas ferramentas e em como exercer seus
comandos.

Assim era feito, de modo a não falharem na tarefa de destruição de suas


vítimas – cristãos e não cristãos.

Uma coisa ficou bem clara e viva em minha mente até agora. Hospital não é
lugar para crente ir. Caso não haja outro recurso, que esteja acompanhado de
orações intercessórias. Que crentes fiéis estejam cobrindo essas vidas com
suas orações e estejam realmente na “brecha” por elas.

Os demônios deixavam uma marca no físico, no espírito e na alma de cada


pessoa internada naquele hospital, nos que eram deixados para viver. Assim,
pelo que entendi, um deles era o cabeça e a voz de comando sobre todo o
regimento, composto de divisões. Cada divisão tinha um líder, e esse líder
subdividia os demônios subalternos, que eram os executantes das tarefas
planejadas por seus superiores.

Na verdade, o pico de destruições é realmente ao meio-dia (a mortandade que


destrói ao meio-dia).2 O terror noturno caracteriza-se pelas visitas dos
demônios, como se fossem médicos de plantão. Nas visitas noturnas, eles
preparam as vítimas para as despacharem pela tarde. Eu mesma, após ter tido
todo esse arrebatamento, estava aos frangalhos, totalmente debilitada e presa
no leito, um pouco antes do meio-dia. Sei que o anjo de Deus estava ali
comigo, ajudando-me, senão eu não teria forças para sair do leito.

O demônio que era o cabeça e o encarregado de despachar as vítimas é um tal


de “Keteb”. Posso estar trocando as letras, mas este é o principal que dá o
direcionamento para as mortes; é como se ele fosse “o golpe de
misericórdia”. Bem, ao mesmo tempo em que me batiam, eles cuspiam em
mim, amaldiçoavam-me e xingavam-me. Eu gritava por Jesus, mas não havia
respostas; eu sentia que estava chegando o meu fim!

Então entendi que eu havia morrido sem salvação! Ali estava eu, perdida para
toda a eternidade! Alguma coisa eu havia feito de errado e perdera a salvação
da minha alma! Meu Deus! E agora? Naquele momento eu senti todo o terror
da perdição: “E ali haverá choro e ranger de dentes”.3 Entretanto, mesmo
assim, eu gritava por Jesus e lhe dizia que tinha sido lavada em seu sangue.

De repente, abriu-se ao longe um portão, e de lá avistei monstros piores, de


fisionomias mais tenebrosas do que aqueles que comigo estavam, e entendi
que os que estavam ali me atormentando mostraramse do jeito em que
cumpriam suas ordens, para que eu entendesse tudo na minha linguagem.

Aqueles que vinham agora a meu encontro, para buscar-me e levar-me


embora, eram de uma outra patente, de uma ordem superior. Entendi que, no
reino de Satanás, há hierarquia, e aqueles de fisionomia literalmente
demoníaca pertenciam a um grau mais elevado no mundo das trevas. Nesse
momento eu já estava caída no chão, sem força alguma; até a minha voz já se
achava fraca. Eu estava perdendo a esperança; ninguém poderia agora me
socorrer.

Nessa hora, gritei ao Senhor Jesus, de novo, pela última vez, e me arrependi
de todo o meu pecado, de todo o mal que eu havia cometido; me arrependi da
minha falta de amor e misericórdia, dos anos que passei confessando um
falso cristianismo, das graves mentiras, da religiosidade farisaica em que
tinha vivido por mais de 25 anos.

Eu me arrependi, amargamente, de me ter julgado religiosa, a ponto de


desprezar as pessoas e julgar a todos os homens e mulheres como miseráveis
e insignificantes. Eu havia desprezado meus parentes porque eles tinham uma
crença enganosa. Desprezei os meus vizinhos e conhecidos; e desprezei até
mesmo a minha mãe, que tanto lutou e sofreu por mim.

Eu conhecia a “verdade”, somente a minha denominação religiosa era o


caminho certo, que levava a Deus e eu era uma crente escolhida para herdar
os céus. Quanto orgulho e soberba por julgar-me pertencer a um povo
escolhido por Deus! Como o meu orgulho havia me enganado! Eu já estava
sob o juízo de Deus e não sabia. Com todo o meu ser e alma, naquele
momento eu me arrependi, verdadeiramente, de ter sido infiel ao meu Criador
e ao meu Cristo.

Achei que não havia mais perdão de Deus para mim e era inútil suplicar-lhe a
sua misericórdia, mas, mesmo assim, confessei os meus pecados e as minhas
maldades não encobri. Chorei. Chorei amargamente, por ter sido tão
orgulhosa, religiosa e incrédula, pois não cria em Deus pelo que Ele é, mas
sim pelo que ouvia dele ou pelo que Ele me proporcionava.

Eu buscava a bênção, não o abençoador. Diante do império das trevas eu


estava sendo massacrada e ofendida com o mais baixo palavreado, e não me
importava com o que fosse me acontecer; o que eu queria era arrepender-me.

Aqueles outros seres, de aspecto mais estarrecedor, aproximaram-se. Foi


nesse momento que dei mais um grito e clamei ao meu Senhor Jesus, e não
me rendi à condição de perdida e não abaixei a cabeça num sinal de entrega,
mas gritei mais ainda, pedindo misericórdia a Deus, que Ele me salvasse.

Lembro-me de que, quanto mais eu clamava naquela hora por Jesus, mais os
demônios ficavam furiosos e odiosos, me maltratavam e diziam: “Não
adianta chamar por Jesus, você já é nossa”. De repente, porém, antes que
lançassem mão sobre mim e me arrastassem para o inferno, aconteceu algo
com aqueles seres estarrecedores, que se aproximavam de mim. Eles pararam
e olharam para o alto.
O pavor que havia em mim mudou de lado; agora eram eles que estavam
estarrecidos. Quando também olhei para o alto, vi uma escada descendo
como um tapete, desenrolando-se até chegar a mim. Olhei para os demônios e
eles se afastaram, soltando urros de medo e de raiva. Eu estava no chão, toda
suja, babada, cuspida e ensanguentada.

Meus cabelos eram só gosmas, pois eles me cuspiam o tempo todo. Então
olhei para cima e surgiu um varão, todo de branco, descendo aquela escada,
degrau por degrau, até o último, onde eu me achava, jogada no chão. Ele era
de uma beleza tão excelente e o resplendor era tão intenso que não há
palavras que possam expressar aquela visão tão bela!

Ao aproximar-se de mim, Ele estendeu-me a mão e disse-me: “Vem!” Eu


imediatamente estendi-lhe a mão e levantei-me. Sua voz era muito suave.
Não me lembro se eu me levantei pelas minhas forças, pois eu já não as tinha,
ou se foi aquele maravilhoso varão que me levantou. O que pude comprovar,
ao olhar para trás, é que não mais havia escuridão, medo, pavor, frio, ou
sombras de terror; não havia mais nada que pudesse me fazer mal... Havia
apenas uma paz tão maravilhosa e inexplicável!

Eu subia, olhando em seu rosto. Sabia que estava protegida e amparada. Eu


só queria entender quem Ele era, e por que estava ali comigo.

Também achei interessante que, enquanto subíamos, Ele se apresentava de


terno; em outra hora, de vestes e túnicas longas e brancas. Continuamos a
subir e chegamos a um lindo jardim. Posso dizer, com clareza, que aquele
lugar era de uma paz tão profunda que, tenho certeza, o homem natural
jamais conheceu.

No meio do jardim, havia uma fonte de águas cristalinas; parecia cristal, mas,
ao balançarmos com as mãos, elas se moviam. Sentamos num banco e
observei que havia um portão que separava aquele jardim de uma cidade lá ao
longe, e esse rio atravessava aquele portão e passava pelo meio daquela
cidade, e brilhava como ouro.

O anjo de Deus explicou-me que eu não podia passar pelo portão, pois ainda
não era chegado o tempo, e ninguém podia entrar naquela cidade. Ela estava
vazia, só aguardando o dia e a hora de receber seus habitantes reais.

Depois de uma longa conversa, o anjo de Deus me disse que era chegada a
hora de partir. Eu retruquei e disse que não queria voltar; ali havia tanta paz!

Havia bondade, havia amor! O ar era repleto de paz; tudo era tão maravilhoso
e sublime, tão puro e tão reluzente! Mas o varão que estava comigo disse-me
que eu não podia permanecer ali porque ainda não havia chegado a minha
hora, e eu ainda tinha uma missão a cumprir.

Ele mandou que eu descesse, e eu disse: “Senhor, lá embaixo só há tristeza e


dor; o diabo está levando milhões para o inferno, destruindo vidas, matando e
roubando almas; o teu povo está sendo combatido. Eu não quero voltar,
deixe-me ficar”.

Mas Ele me disse:


“Seja fiel até a morte, e você terá a coroa da vida, a sua coroa a espera, vá, e
seja fiel.”4

Antes mesmo que eu soltasse uma palavra, eu me vi voltando ao meu leito no


hospital, numa agonia respiratória, tentando respirar para viver. Voltei a
respirar e o oxigênio entrou novamente em meus pulmões.

Da minha cama, olhei para a janela e pude avistar que o dia estava nascendo,
e eu precisava sair dali. Era chegado um novo dia! Um novo tempo em minha
vida!

Oh... glórias a Deus, encontrei o meu Senhor! Deus me salvou da morte e me


deu graça na UTI daquele hospital.

Deus virou uma página da minha vida e escreveu uma outra história, um
outro futuro com letras de sangue, o sangue de Jesus Cristo, seu Filho.

Entendi que, naquela cruz, no Calvário de dor, onde Jesus derramou a sua
vida, Ele escreveu a minha história de perdão. Hoje, em minhas veias, o que
corre é o sangue de Jesus; não sou eu mais quem vivo, mas Cristo vive em
mim.5

Saiba que somos um espírito, temos uma alma (nossa mente, intelecto e
vontade) e vivemos num corpo. O nosso espírito é eterno, ele veio de Deus e
para Ele deveria voltar, mas o homem tem escolhido o seu próprio caminho, e
a sua escolha tem sido os prazeres do mundo, a falsa religiosidade, a falsa
piedade, e o pecado.

Durante 25 anos fui religiosa, mas não cristã. Aqueles seres tenebrosos eram
demônios que me lançaram em rosto toda a minha religiosidade e
incredulidade. Então entendi que o Cristianismo não tem nada a ver com
dogmas, nem com costumes, nem com roupas, nem com protocolos, nem
com o modo de falar ou de vestir-se.
Não!... É muito mais do que isso!

O Cristianismo é vida abundante com Cristo, é liberdade, é amar, é doar-se, é


entregar-se, é ter uma palavra de conforto, de compaixão, é uma tábua de
socorro em tempos de tempestade, é dizer para o próximo: Eu te amo!

Eu sofri a pior tortura que um ser humano pode sofrer: sentir que está
perdido, sem salvação, que tudo acabou, e que só lhe resta o inferno para
viver a eternidade, tendo a sua consciência e o seu juízo perfeitos; sim, o
corpo voltará ao pó, mas a nossa alma e o nosso espírito irão passar a
eternidade no céu ou no lago de fogo – você é quem escolhe. Você terá todo
o domínio sobre a sua consciência, e saberá que você está ali porque a
escolha foi sua! Escolha o melhor! A escolha é sua! Em vida é que decidimos
para onde queremos ir após a morte.

Não se engane! Quando saí daquele hospital, tive uma nova compreensão do
que é ser cristão! E não queira, você, passar por uma experiência como a
minha, para confirmar que é verdade, pois poderá acontecer o pior, pode ser
que você não volte; por isso, faça a sua escolha enquanto você está vivo!
Deixe Cristo cuidar da sua vida, da sua casa, da sua família, dar-lhe carinho,
amor, tudo que o mundo lhe negou; deixe-o cuidar das suas feridas e dores,
deixe que Ele seja Senhor de toda a sua vida.
Entregue a Ele o seu caminho, e peça que Ele seja o seu Senhor e Salvador
pessoal. Só mesmo quem passa por uma experiência assim, tal como eu
passei, é que poderá entender e avaliar o quanto nos custará uma vida cheia
de enganos e pecados.

E quando lhe pedirem a sua alma? O que você terá em depósito? Qual será a
sua justificativa? Não há reencarnação. Está destinado ao homem morrer uma
única vez, vindo, depois disto, o juízo.6 Não existe purgatório; velas e preces
não irão purificar nem iluminar a alma de ninguém, o que fizermos aqui, em
vida, de bem ou de mal, irá nos acompanhar por toda a eternidade.

Somente encontraremos perdão em Jesus Cristo, pois em nenhum outro há


salvação.7 Somente Jesus poderá apagar todo o nosso pecado, restaurar a
nossa vida e nos dar a vida eterna em glória, no céu.

“Respondeu‑lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém


vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6)
1 Religião sectária é aquela que se diz ser a única que leva as pessoas a Deus.
2 Salmo 91:6; “Keteb” é “mortandade, destruição”, no hebraico. (N.E.)
3 Lc 13:28.
4 Ap 2:10.
5 Gl 2:19.
6 Hb 9:27.
7 At 4:12.

TESTEMUNHO 11
Aprisionamento por Falta de Perdão: Cur a
Física
“Jesus disse‑lhe: Levanta‑te, toma o teu leito, e anda”. (Jo 5.8)

Foi em um de nossos seminários de libertação e cura interior, que este


testemunho ocorreu. Em quase todos os seminários, quando estou presente,
eu ministro a palestra com o tema “Libertando-se de prisões espirituais”,
onde conto os casos sobre aprisionamento espiritual.

Antes de subir para o palco, eu avistei de longe um senhor com andador, e


disse em meu coração: “Deus, o Senhor irá curar este homem, não vai”? E,
dei início a minha palestra.

Depois de alguns dias, eu recebi um e-mail, sobre o testemunho daquele


senhor, e como Jesus o curou fisicamente!
Ap. Neuza Itioka!

Meu nome é Alexandre Mesquita Furtado, tenho 51 anos, sou pastor batista,
consagrado através da Convenção Batista Nacional (renovada), professor,
casado, pai de uma jovem de 22 anos, congrego hoje na Igreja Apostólica e
Profética Casa do Pai, em Cabo Frio, cujo Apóstolo é Gesié Azevedo.

Meu objetivo em lhe escrever é, primeiramente, testemu‑ nhar com mais


detalhes o que a senhora presenciou no Seminário de Batalha Espiritual,
ministrado aqui em Cabo Frio no último fim de se‑ mana, onde fui agraciado
por Deus com cura do corpo e da alma.

Em 27 de fevereiro deste ano, por ocasião do meu aniver‑ sário, jantava com
meus pais, minha esposa e minha filha em um res‑ taurante, quando sofri o
segundo AVC. O primeiro ocorreu há seis anos, em sala de aula, enquanto
me aborrecia com um aluno. Este me deixou uma sequela na perna e
exacerbou um problema congênito no meu pé esquerdo, uma anomalia.

Agora o segundo, fui levado mau ao hospital onde estive em U.T.I. por cinco
dias. Passei quase seis meses em cadeira de rodas a

[ T11 – Aprisionamento por Falta de Perdão: Cura Física ]


princípio com todo o lado esquerdo paralisado; e dois meses com anda‑ dor.
Há muito o que contar, mas não vou me alongar.

Quando neste seminário fui curado, creio que primeiro da alma, com o
perdão liberado a quem me fez muito mal. Em seguida do corpo. Ouvi o
Senhor falar a Sua Palavra que está em Mc 2.11 “levanta, pega tua cama e
anda”. Falei com minha esposa que perguntou: “Você tem certeza?” Disse
sim e andei, e quando foi dada a oportunidade a testemunhar a frente, fui,
como a senhora sabe.

O que não sabe é que no dia seguinte, estava agendada mi‑ nha perícia no
DETRAN, na Gávea, Rio de Janeiro, onde seria atestada minha deficiência
física, sendo alterada assim minha carteira de habi‑ litação, e também dado
entrada no processo que se estenderá à Receita Federal, para que eu possa
comprar uma carro automático (que é o que eu posso dirigir por falha na
perna esquerda). Neste caso, há isenção total de impostos que reduz o valor
que varia entre 35 a 38% de descon‑ to na compra. E agora? Eu e minha
esposa falamos com Deus. Tomei a seguinte decisão: Deus me tirou deste
andador, não vou voltar para ele! Vou à perícia, levarei ele juntamente com
exames e laudos e direi que até o dia anterior o usei, mas agora poderia
andar, e se os médicos pe‑ ritos achassem que ainda assim receberia tal
benefício, bem, caso não, andaria em meu carro velho, que minha esposa
dirige para mim, mas desceria dele andando, agora plenamente. E foi o que
aconteceu. Fui e recebi este benefício!

Deus me levou do uso da bengala à cadeira de rodas, para me por de pé sem


ajuda de nenhum apoio! Ando normalmente para honra e para a glória do
Senhor!

parte 5
Tipos de Aprisionamento Espiritual
capítulo 12
Como as Pessoas se Aprisionam?
“Todo aquele que não observar a lei do teu Deus e a lei do rei, seja
condenado ou à morte, ou ao desterro, ou à confiscação de bens, ou à
prisão.” (Ed 7.26)
Como as pessoas se aprisionam? É a pergunta que fazemos quando, numa
ministração de libertação, deparo-me com um caso de possível
aprisionamento espiritual. As causas do aprisionamento podem ser muitas. A
escritura acima nos mostra que a quebra da lei de Deus leva ao
aprisionamento.

Ao longo deste livro, creio que muitas dessas causas foram claramente
expostas – os envolvimentos com o pecado, as feridas de alma, os pactos
realizados, e , creio, o leitor deve ter constatado muitas e muitas causas que
levam uma pessoa a ficar aprisionada espiritualmente. Como você pôde
constatar, muitas delas podem estar ligadas a traumas terríveis, que marcaram
a vida da pessoa.

Se, por exemplo, a pessoa declarou: “Nunca mais vou chorar, não vou
demonstrar que estou sofrendo...”, ela pode ter cauterizado o seu sentimento,
mas, mesmo assim, pode estar presa em algum lugar, onde ocorreu o trauma
pelo qual passou. O trauma pode ter sido causado por abusos sexuais, por
molestação sexual contínua; pode ter ocorrido abuso e violência; e pode ter
sido também por presenciar a morte de alguém...

Outras causas de aprisionamento ocorrem ainda pela idolatria ao casamento


(a pessoa fica amarrada no casamento); e também por experiências
paranormais, como viagens astrais. Além dessas, também são causas a
consagração a ídolos do catolicismo (como foi o caso daquele irmão
consagrado a São Sebastião), e, por certo, também os pactos com as entidades
demoníacas da feitiçaria. Muitas pessoas até mesmo “se refugiam na prisão”
em que estão, como é o caso que vou apresentar a seguir.

Sofrimento e Dor no Ventre Materno


Os sofrimentos e traumas, que aprisionam espiritualmente, podem ter origem
já no ventre materno. De minha experiência, sei de casos de pessoas que não
queriam nascer, porque, quando estavam ainda no ventre, houve comentários
dizendo que elas não eram bem-vindas. O bebê “ouviu” tudo que os irmãos,
os familiares e os amigos da família disseram:

“Este bebê chegou na hora errada.”


“Este bebê não tem pai.”
“Ninguém sabe quem é o pai.”
“O pai não quer reconhecê-lo.”
“Ele não deveria vir.”

A pessoa nasce e aparentemente vive uma vida normal, mas fica


espiritualmente presa no ventre materno. Há casos difíceis de serem libertos
dessa prisão. O bebê recusa-se a nascer na hora de vir à luz, pois quer ficar no
ventre materno, no local de aconchego e de segurança – sabendo que fora
dele encontrará pessoas que não o querem. O bebê, que percebe a rejeição e
vive esse sentimento, dá as costas à vida, e procura fugir dela, escondendo-se
e recusando-se a nascer. Ele não quer arriscarse a nascer. Assim, aquele ser
não tem uma vida plena. A pessoa não vive, vegeta: enterra todos os seus
talentos, nada rompe em sua vida, nada sente, não consegue se comunicar-
se.1

“O ladrão vem somente para roubar, ma‑ tar e destruir; eu vim para que
tenham vida e a tenham em abundância.” (João 10.10)

Quando a mãe se revolta contra Deus por ter engravidado, abre a maior porta
para Satanás, e, assim, o diabo tem direito legal para roubar a pessoa que foi
gerada, aprisionando-a espiritualmente. Se o bebê é rejeitado, acontece algo
terrível: ele é adotado por um espírito. Pode ser um espírito que atua no meio
esotérico, ou no baixo espiritismo, ou qualquer entidade espiritual. Este
assunto será abordado mais extensivamente nos capítulos seguintes.

Muitos ficam como que enterrados, por não suportarem a dor da realidade.
Como vimos, quando enfrentamos a morte dos queridos, muitos de nós
desejamos nos enterrar com a pessoa amada, porque a separação é
demasiadamente dolorosa. E este desejo intenso transforma-se numa
realidade, e assim a vida para a pessoa torna-se paralisada.

Ela pode “vegetar” no sentido de comer, dormir – mas não se realiza como
profissional, nem como marido ou esposa, nem como filho ou filha. Para
fugir da realidade, que lhe é tão cruel e insuportável, a pessoa deseja morrer.

Palavras podem aprisionar vidas. Observações, afirmações, palavras de


julgamento e de condenação podem aprisionar – quer provenham dos pais,
dos avós e até de outras pessoas. É o que aconteceu no caso que passo a
narrar agora.

Filho da Dificuldade

Carlos era um irmão em Cristo muito dedicado e disposto a seguir a Deus.


Era alguém muito sério em tudo o que fazia. Um dia, porém, constatou que a
sua vida era cheia de dificuldades: no emprego, nos relacionamentos, em
assuntos de pouca e de muita importância.

Por exemplo, quando ele comprou um carro, era problema atrás de problema.
Mês após mês o carro apresentava algum defeito. Ele tinha que gastar uma
boa nota pelos consertos, e sempre surgia algum reparo a fazer, uma peça a
trocar, um vazamento, e assim por diante.

Um dia, seu carro parou, mais uma vez, em pleno trânsito. Ele foi para o
acostamento e ficou ali, parado, sem saber o que fazer. Então, Carlos
lembrou-se de que havia trazido consigo uma carta que recebera de sua mãe,
que ele não tinha tido tempo para ler.

Ali parado, sem saber o que fazer, ele pegou aquela carta e a abriu. E viu que
era uma carta em que ela o cumprimentava pelo seu aniversário. Além de
outras palavras, até mesmo cheias de carinho, sua mãe lhe escreveu:

“Meu filho, você foi o filho da minha dificuldade, mas eu o amo muito.”

Naquele momento, a frase “você foi o filho da minha dificuldade” chamou a


sua atenção. Sua mãe quis dizer que foi com muita dificuldade, numa
circunstância difícil, que o teve.

Mas Carlos, ali no carro, declarou para si e para Deus: “Eu não sou filho da
dificuldade, de jeito nenhum. Quebro o poder destas palavras; não aceito ser
filho da dificuldade!”.

Surpreendentemente, ditas essas palavras, o carro começou a funcionar. E,


naquela semana, ele encontrou o emprego que estava procurando, tendo que
escolher um dentre três propostas de empresas diferentes que o queriam
contratar. E ficou bastante tempo com aquele trabalho. As dificuldades
costumeiras desapareceram.

Carlos havia ficado preso naquela frase de sua mãe, que possivelmente havia
sido declarada por ela desde quando ele nasceu.

Um Momento e um Lugar

Toda prisão espiritual caracteriza-se por relacionar-se com um determinado


momento e um certo lugar. Para identificá-los, temos de ter a direção do
Espírito de Deus.

Além disso, John Sandford2 sugere que façamos algumas perguntas chaves,
que podem nos ajudar a detectar se estamos presos, e o momento e lugar de
nossa prisão espiritual. Vou transcrevê-las a seguir, com leves adaptações.

· Você já se sentiu vazio, como se algo estivesse faltando?


· Você já se sentiu profundamente solitário, sozinho, não sabendo onde
estava, mesmo no meio de uma multidão?
· Você se sente perseguido, atormentado, afligido, quando aparentemente
nada o está afligindo?
· Você já percebeu que há talentos, poderes e energias que você não consegue
usar?

· Você sente haver um bloqueio, deixando as coisas longe de você?


· Você já se sentiu interiormente perdido e inútil, quando, na aparência, tudo
estava indo bem? Você já sentiu que há problemas e perigos ao seu redor,
quando tudo parece estar bem e seguro?

· Você tem uma ira incontrolável (ou quase) dentro de você?

· Você se torna furioso com alguma coisa? (A pessoa fica furiosa contra as
correntes que o aprisionam.) Você tem dificuldade em permanecer acordado
e acompanhar um culto ungido e vivo?

· Você já sentiu tontura no culto?


· Você tem dislexia?3
1 Sanford John, The Healing the Wounded Spirit; p. 152.
2 Sandford John, Healing the Wounded Spirit; Victory House, 1985, p. 152.
3 Distúrbio na capacidade de leitura e no aprendizado.

capítulo 13
Cidades e nações aprisionadas
“Então, me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis
que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança;

estamos de todo exterminados. Portanto, profetiza e dize‑lhes: Assim diz o


Senhor Deus: Eis que abrirei
a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei à terra de
Israel. Sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir a vossa sepultura e vos
fizer sair dela, ó povo meu. Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos
estabelecerei na vossa
própria erra. Então, sabereis que eu, o Senhor, disse isto e o fiz, diz o
Senhor...”
(Ezequiel 37.11-14)
Cidades e nações também podem ser aprisionadas. Da mesma forma como as
pessoas podem ser aprisionadas e paralisadas na sua vida espiritual, também
cidades, vilas e nações podem estar presas espiritualmente.

O aprisionamento, neste caso, é decorrente dos pecados de seus


descobridores, colonizadores, nativos, governadores e habitantes, e pode ter
origem ainda na consagração feita para as entidades espirituais, nos pactos
que os governadores tenham feito com determinados ídolos, no poder da
feitiçaria, em traumas de guerra e de conquista, e no derramamento de
sangue.

Há cidades que se aprisionaram por uma palavra de maldição que foi lançada
por autoridades espirituais, religiosas. Este foi o caso de uma cidade do
estado de São Paulo. Quando essa cidade foi abandonada por um pároco, um
sacerdote romano, ele saiu dela amaldiçoando-a, declarando que ela nunca
prosperaria. A cidade ficou aprisionada por aquela palavra e passou a
apresentar evidências de uma cidade paralisada, pobre, e, na realidade, ainda
hoje, nem o comércio, nem os negócios, nem a educação prosperam.

A Palavra de Deus atesta que nações são aprisionadas:


“Afundam-se as nações na cova que fizeram, no laço que esconderam,
prendeu-se-lhes o pé. Faz-se conhecido o Senhor, pelo juízo que executa;
enlaçado está o ímpio nas obras de suas próprias mãos. Os perversos serão
lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus. Pois o
necessitado não será para sempre esquecido, e a esperança dos aflitos não se
há de frustrar perpetuamente.” (Sl 9.15-18)

O Aprisionamento de Israel

Israel teve o seu aprisionamento através do exílio. Bem antes de tornar-se um


país, Deus já dizia ao povo nômade, que andava pelo deserto conduzido por
Moisés, que o Senhor estava fazendo um pacto com eles, e eles seriam
abençoados, pois o Senhor os amaria, os honraria e lhes daria do bom e do
melhor. Ele faria a guerra por eles e não haveria enfermidades nem doenças
em seu meio. No entanto, se eles persistissem em cometer pecados, seriam
julgados e levados ao cativeiro, para uma terra estrangeira.

Assim lhes havia dito o Senhor:

“Se atentamente ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de guardar
todos os seus mandamentos que hoje te ordeno, o Senhor, teu Deus, te
exaltará sobre todas as nações da terra. Se ouvires a voz do Senhor, teu Deus,
virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos: Bendito serás tu na cidade e
bendito serás no campo. Bendito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e
o fruto dos teus animais, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas. Bendito
o teu cesto e a tua amassadeira. Bendito serás ao entrares e bendito, ao saíres.
O Senhor fará que sejam derrotados na tua presença os inimigos que se
levantarem contra ti; por um caminho, sairão contra ti, mas, por sete
caminhos, fugirão da tua presença. O Senhor determinará que a bênção esteja
nos teus celeiros e em tudo o que colocares a mão; e te abençoará na terra que
te dá o Senhor, teu Deus. O Senhor te constituirá para si em povo santo,
como te tem jurado, quando guardares os mandamentos do Senhor, teu Deus,
e andares nos seus caminhos. E todos os povos da terra verão que és chamado
pelo nome do Senhor e terão medo de ti.

O Senhor te dará abundância de bens no fruto do teu ventre, no fruto dos teus
animais e no fruto do teu solo, na terra que o Senhor, sob juramento a teus
pais, prometeu dar-te. O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar
chuva à tua terra no seu tempo e para abençoar toda obra das tuas mãos;
emprestarás a muitas gentes, porém tu não tomarás emprestado.

O Senhor te porá por cabeça e não por cauda; e só estarás em cima e não
debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor, teu Deus, que hoje te
ordeno, para os guardar e cumprir. Não te desviarás de todas as palavras que
hoje te ordeno, nem para a direita nem para a esquerda, seguindo outros
deuses, para os servires.” (Dt 28.1-14)

A advertência de Deus ao seu povo foi que, se o povo persistisse no pecado,


na desobediência, certamente Deus tomaria uma providência: o povo seria
levado ao cativeiro. O Senhor deu total liberdade para eles escolherem: ou
obedeceriam e seriam abençoados, ou desobedeceriam e seriam
amaldiçoados:

“Eis que, hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção,


quando cumprirdes os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que hoje vos
ordeno; a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do Senhor, vosso
Deus, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes
outros deuses que não conhecestes.” (Dt 11.26-28)

Assim, dentro do contexto dos castigos aos desobedientes, conforme Deus


havia alertado aqueles que não levassem a sério suas palavras, Ele declara:

“O Senhor te levará e o teu rei que tiveres constituído sobre ti a uma gente
que não conheceste, nem tu, nem teus pais; e ali servirás a outros deuses,
feitos de madeira e de pedra. Virás a ser pasmo, provérbio e motejo entre
todos os povos a que o Senhor te levará.” (Dt 28.36 -37)

Essa advertência foi feita dentro do contexto das promessas que Deus
apresentou ao seu povo, pouco antes da travessia do rio Jordão, antes de
entrarem na terra prometida. O povo de Israel havia recebido de Deus a
promessa de que ele seria um povo peculiar: reino de sacerdotes, e ainda,
como povo escolhido, era o povo da aliança.
O Senhor prometeu amá-lo, honrá-lo, dar-lhe do bom e do melhor da terra.
Deus tomaria como sendo dele as guerras de Israel, e cuidaria dos seus
inimigos, isto é, Ele faria a guerra por seu povo e traria a vitória.1 O Senhor
abençoaria a nação de forma que tudo o que ela fosse realizar seria bem
sucedido. Havia, porém, uma condição, a fidelidade em ouvir a Deus e
cumprir os seus mandamentos.

O Senhor apresentou também a seu povo a possibilidade de escolha entre a


vida e a morte; pela obediência, o povo alcançaria a vida, mas, pela
desobediência, seria alcançado pela morte. Neste caso, destruição e muito
sofrimento acompanhariam a nação. E um dos castigos a que o povo estaria
sujeito era o exílio. O povo rebelde seria levado prisioneiro, para outras
terras, para ser humilhado.

O cativeiro foi precedido pela invasão dos inimigos, que, vencendo o povo de
Deus, os levaram cativos e escravizados. A nação foi obrigada a viver
literalmente aprisionada, numa situação de escravidão.

A história de Israel é a história da contínua libertação e conquista do povo


judeu, por Deus, libertando-o dos seus dominadores e dos seus inimigos. Sua
história começa com Moisés, libertando o povo da escravidão de Faraó. O
povo viveu dias difíceis, de opressão pelo governo egípcio. Era um
aprisionamento numa terra de trabalho escravo, forçado, sem dignidade, sem
ser reconhecido como o povo escolhido por Deus, o povo da promessa.

Por isso, a história do êxodo é a história da libertação de um povo. Os 400


anos de vida no Egito fizeram de Israel um povo aprisionado, debaixo da mão
de ferro de seus governantes. Ele foi condicionado a subjugar-se, a trabalhar
forçado, sem poder rebelar-se ou sonhar em ser independente. Seu espírito foi
treinado para ter uma mente passiva e uma atitude escrava. O espírito
murmurador, insatisfeito, que desconfia sempre do seu líder era a marca de
Israel.

Por isso, apesar de saírem do Egito, o espírito de escravidão os acompanhou,


ao longo da sua jornada, na travessia do deserto, durante todo o tempo. Deus
permaneceu seguindo povo, descendentes de Israel, passo a passo. O espírito
de murmuração, porém, manifestava-se no murmúrio, no inconformismo, na
saudade das cebolas e pepinos egípcios e nas rebeliões e acusações ao líder.

Deus fez com que o povo ficasse 40 anos andando pelo deserto para libertá-lo
desse espírito de escravidão. O deserto foi um período de teste, de provação.
Deus quis que o próprio povo se conhecesse, e assim o fez, durante a
travessia das terras áridas do deserto. E lhes disse:

“Recordar‑te‑ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no


deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o
que estava no teu co‑ ração, se guardarias ou não os seus manda‑ mentos.
Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não
conhe‑ cias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de
pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o
homem. Nunca envelheceu a tua ves‑ te sobre ti, nem se inchou o teu pé
nestes qua‑ renta anos. Sabe, pois, no teu coração, que, como um homem
disciplina a seu filho, assim te disciplina o Senhor, teu Deus.” (Dt 8.1‑4)

Aparentemente, o povo não entendeu a promessa, nem nela creu. Pior de


tudo, não levou a sério a advertência da possibilidade do cativeiro, do exílio,
se continuasse a desobedecer. Deus, na sua infinita bondade e longanimidade,
diversas vezes enviou profetas para advertir o povo de Israel. Profetas como
Ezequiel, Isaías, Sofonias e Jeremias o exortaram repetidamente,
profetizando e apresentando uma palavra de juízo. Mas o povo de dura cerviz
escolheu não ouvir os enviados de Deus.

O Aprisionamento do Brasil

Num momento de intercessão, Deus nos mostrou que esta nação, o Brasil,
encontrava-se espiritualmente aprisionada. Este país aprisionou-se pela
idolatria, pela feitiçaria e pelas ofensas e abominações cometidas contra o
próprio Criador. Foram inúmeros os pecados, houve muito derramamento de
sangue e muitos pactos foram feitos com entidades diabólicas. Os
colonizadores, que vieram de Portugal, entregaram esta nação à idolatria da
Rainha dos Céus. Bem antes disso, a feitiçaria feita pelas tribos indígenas, os
primeiros habitantes desta terra, também havia aprisionado a nação.
A feitiçaria caseira e popular que se mesclou com o Catolicismo, a feitiçaria
do Kardecismo e sua mistura com os orixás africanos, e a corrupção
desavergonhada que acontece desde os primeiros anos da nossa história,
foram fatores que acarretaram o aprisionamento do Brasil. A corrupção, em
especial, remonta aos primeiros comerciantes de madeira, de ouro, de pedras
preciosas. A coroa portuguesa recebia somente 35% do que era explorado; o
resto, ou seja, a maior parte, era roubada por atravessadores.

Assim, Deus nos revelou que era necessário fazer um ato profético para tirar,
ou para começar a tirar, o Brasil de sua prisão espiritual. A visão que o
Senhor nos deu foi que nosso país parecia estar fechado num caixão, como se
estivesse numa urna funerária. Assim, em concordância com os dirigentes de
um Congresso de Guerra Espiritual, resolvemos realizar um ato profético
para tirar a nossa nação deste aprisionamento: para retirar o Brasil de sua
sepultura espiritual.

Isso aconteceu no ginásio do Palmeiras, em São Paulo, no ano de 2005, no


XII Congresso de Guerra Espiritual, que reuniu cerca de 4000 pessoas. Numa
das noites do evento, dois pastores seguraram uma caixa preta, onde
simbolicamente o Brasil estava enterrado. A caixa era feita de papelão e
continha um mapa do Brasil, representando o fato de que a nossa nação
estava espiritualmente aprisionada ali.

Os dois pastores que seguraram a urna que mantinha a nossa nação


aprisionada tiveram uma experiência marcante. Posteriormente eles disseram
que a “urna” começou a pesar tanto e tanto que os dois não aguentavam
suportar o seu peso. E comentaram:

“Aquele peso sobrenatural só poderia estar revelando o enorme peso


espiritual do Brasil!” Para iniciar o ato profético, foi feita uma oração de
pedido de proteção a todas as 4000 pessoas presentes, bem como a todas as
famílias, ministérios e igrejas ali representados, proibindo qualquer retaliação
contra qualquer dos participantes daquele ato. Algo muito extraordinário
estava sendo realizado, que não podemos nem avaliar, como comentou um
profeta e apóstolo:
“Um ato profético realizado, sob orientação de Deus, é uma bomba no mundo
espiritual.”No momento do ato profético, também uma pastora, que tem o
dom de profecia, disse ter tido uma das visões mais sérias da sua vida. Assim
ela compartilhou:

“Durante o ato profético, tirando o Brasil do aprisionamento, Deus me deu


uma visão muito séria. Verifiquei que existe uma caverna enorme de
aprisionamento, embaixo do nosso país. Toda a Igreja estava dentro dessa
caverna. Existia um desânimo geral no meio desse povo aprisionado, e pouco
se vê de transformação legítima. Enquanto o apóstolo Hudson estava orando,
pedindo perdão pelos pecados do Brasil, eu me tornei uma águia e voava.
Então fui para dentro da caverna e avisei a todos que haveria livramento e,
assim, começou a surgir no coração de várias pessoas a esperança de
livramento e de vida abundante.”

Multidões resolveram sair de sua apatia espiritual e começaram a trocar suas


roupas antigas por roupas limpas e, aos poucos, saíram dos túneis escuros e
foram para os grandes salões que há nas grutas. Conforme se foi anunciando
a libertação da prisão, a multidão de pessoas aumentava e elas vinham de
todos os cantos mais escondidos e absurdos da caverna; saíam e chegavam
bem perto das aberturas de sua saída.

O povo, porém, ainda não conseguia sair da caverna, mas, ainda assim,
dentro dela, eles mudaram de roupa e começaram a preparar-se, limpando-se
de toda sujeira. Depois tirei as cadeias de negros que estavam com as mãos
sobre a pedra, amarrados com correntes; retirei os índios de lugares escuros,
arranquei e tirei as suas cadeias. Todos podiam sair da caverna. Havia muito
movimento em toda a caverna subterrânea.

Deus continuou a me dar a visão. Eu saí daquele lugar e fiquei em cima do


país, ele tinha mais ou menos o tamanho de um campo de futebol e eu era
bem grande. Enquanto o apóstolo Hudson ainda orava, comecei a trabalhar
em cima do país, retirando a sujeira que estava sob o solo de todo a nação. À
medida em que eu mexia no solo, descobri que, logo abaixo da terra, havia
uma enorme “rede”, escondendo toda a sujeira debaixo do solo brasileiro.
O apóstolo Hudson ainda orava, com a concordância de todo povo presente
naquele congresso. Enquanto isso, eu estava, com muita força, retirando a
rede do solo. Hoje entendo que a rede apareceu como consequência dos
pecados dos líderes: os apóstolos e pastores que, sendo aqueles que têm
autoridade espiritual, aprisionaram à Igreja.

Em toda a terra havia sujeira, e comecei a limpar com uma grande pá. E,
quando a usava para retirar os dejetos, percebi que o meu instrumento de
limpeza chocou-se com uma rede que estava a um metro de profundidade.

Peguei a rede e comecei a retirá-la; puxava e fazia muita força para retirá-la,
entendi que essa rede atingia todo o país; houve muito movimento em toda a
terra. Foi muito difícil retirá-la. Consegui arrancar a rede e os anjos a levaram
embora. Assustei-me porque, debaixo da rede, havia muito mais lixo do que
na parte que ficava em cima da rede.

Havia lixo de toda espécie, lagartos por todos os lados, sangue escorrendo,
muitos ossos, imagens quebradas. A sujeira era de grande profundidade e
tudo estava escondido pela rede. Era muito mais do que se imaginava, e tudo
estava ligado aos pecados da nação. Conforme iam sendo retiradas as
camadas de sujeira, através da confissão, apareciam outras sujeiras
escondidas, que também foram retiradas. Retiramos uma grande quantidade
de lixo, pois era muito, mesmo. Havia restos de mortos e muitas outras
coisas, e os anjos auxiliavam a levar tudo embora.

Depois, com uma grande pá, tiramos a terra dura, e assim uma terra nova foi
preparada. Esta era uma terra fértil. Descobrimos que, debaixo do solo,
existia muita riqueza escondida e que agora seria encontrada.

Em todo o Brasil, o solo estava sendo preparado para que agora viessem as
sementes. Eu recebi uma parte delas, em minhas mãos, e comecei jogá-las
sobre todo o Brasil, e, aos poucos, elas começaram a brotar. A terra do Brasil,
preparada, começou brotar. Jardins estavam se formando: gramados
apareceram, árvores foram se formando e iam crescendo.

Foi então que a terra se moveu e o solo partiu-se; abriramse portas no chão, e
escadas apareceram; toda a Igreja aprisionada começou a aparecer sobre a
terra que estava preparada para receber o povo e para aconchegá-lo. Foi
maravilhoso ver que todas as pessoas, que viviam sobre a terra, podiam viver
felizes, prósperas e dignas. Tudo era mais colorido e feliz. Em tudo havia
uma luz de várias cores e havia um calor enorme e perfeito nesse lugar. Então
o Brasil entrava no processo de transformação.

Termino este ponto citando uma escritura, que bem pode aplicar-se ao Brasil,
e ao ato profético que foi realizado no XII Congresso de Batalha Espiritual.

O texto é o seguinte:

“Não obstante, é um povo roubado e sa‑ queado; todos estão enlaçados em


cavernas e escondidos em cárceres; são postos como pre‑ sa, e ninguém há
que os livre; por despojo, e ninguém diz: Restitui. Quem há entre vós que
ouça isto? Que atenda e ouça o que há de ser depois? Quem entregou Jacó
por despojo e Is‑ rael, aos roubadores? Acaso, não foi o Senhor, aquele
contra quem pecaram e nos caminhos do qual não queriam andar, não dando
ouvi‑ dos à sua lei? Pelo que derramou sobre eles o furor da sua ira e a
violência da guerra; isto lhes ateou fogo ao redor, mas nisso não aten‑
taram; e os queimou, mas não puseram nisso o coração.” (Is 42.22‑25)
1 Ver Deuteronômio 20.1-4.
capítulo 14
Lugares de Aprisionamento
“E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão,
a qual há dezoito anos Satanás mantinha presa?”
(Lc 13.16)
Conforme fui ministrando e tirando pessoas de prisões espirituais, depareime
com situações bem diferentes... Sim, quem está preso pode estar num caixão,
debaixo da terra, debaixo d’água, aprisionado numa garrafa de pinga... as
circunstâncias são diferentes. Jesus mesmo, no texto acima, tirou

aquela mulher de uma prisão de enfermidade. As situações são inúmeras.

Diferentes Lugares de Aprisionamento

No decorrer da leitura deste livro, tive a oportunidade de citar inúmeros casos


reais de vidas que foram libertas de prisões espirituais. Vamos voltar a alguns
dos casos já citados, para assim compararmos os diferentes lugares de
aprisionamento.

A Pessoa pode estar Presa num Calabouço

Lembra-se da história que citei, relatada por John Sandford, sobre Marli? Ela
estava aprisionada num calabouço e só Jesus poderia levar espiritualmente o
ministrador àquele lugar, para tirá-la de lá. Também foram presos num
calabouço, conforme já relatei:

· O pastor Augusto, cuja história encontra-se no capítulo 6.

· Um irmão, ao qual chamei de Alberto – aquele que não sentia a presença de


Deus, e tinha sido rejeitado –, cuja história acha-se no Testemunho 9.

· Também no Testemunho 9 há os casos de Beatriz (filha de uma prostituta) e


de Jane, ambas rejeitadas quando estavam no ventre de sua respectiva mãe.

Casos semelhantes a estes me têm sido relatados com grande frequência.


A pessoa pode estar aprisionada debaixo da terra. Este foi o caso de Mércia,
aquela moça que ficou presa numa floresta de raízes, debaixo da terra, através
de uma viagem astral. Sua história acha-se no Capítulo 11. O portal através
do qual ela entrou foi a Esfinge, no Egito, viajando espiritualmente. É
interessante esse tipo de prisão, mas ela claramente se viu debaixo da terra. E
foi de lá que ela foi retirada.

A Pessoa pode estar Aprisionada numa Caverna

A experiência de Bruno foi narrada no Testemunho 6. Ele tinha se envolvido


com a Nova Era, desenvolveu a capacidade de viajar espiritualmente, e
acabou indo parar numa caverna. Lá ele ficou aprisionado, imobilizado.
Ficou preso dentro de uma caverna do submundo, ao pé da Esfinge.

Onde seria exatamente o local de sua prisão? Ainda que não identifiquemos o
local exato daquela prisão, Bruno certamente ficou numa região de trevas:
Sheol, Abadom, ou Abismo.

Por certo não foi numa caverna do mundo natural. Aquele lugar era
espiritual; era mais uma prisão utilizada pelo diabo para prender eternamente
as suas vítimas. O mais importante é que Bruno já saiu de sua prisão.

Algumas pessoas são aprisionadas em diversos lugares, e não em


um só

Muitas vezes, me perguntam se podemos ficar aprisionados em diferentes


lugares. É porque, no mundo físico, não podemos ficar em mais de um lugar
ao mesmo tempo. Mas os lugares em que alguém fica aprisionado
espiritualmente não são lugares físicos, são situações espirituais.

Portanto, a resposta a esta pergunta é “sim”. Muitas pessoas ficam realmente


aprisionadas em várias situações, em vários “lugares” espirituais. E, quanto
maiores forem os envolvimentos e as experiências de traumas e de dor, o
número de prisões pode aumentar.

Para ilustrar a possibilidade de aprisionamento em diversos lugares, além dos


vários casos anteriores, em que vimos isso acontecer (como no caso de
Carolina, narrado no Testemunho 8), vou tomar como exemplo a vida de um
rapaz, a quem ministrei, de nome Márcio. Ele foi alguém que se envolveu
profundamente em diferentes áreas das trevas, mas que, um dia, converteu-se
a Jesus Cristo e foi ministrado.

O caso de Márcio

Quando Márcio tinha dois anos de idade, seu pai foi para o norte do país, e
levou-o a um centro espírita. A entidade espiritual, que lá se manifestou,
declarou categoricamente que Márcio teria uma enfermidade nos olhos e que
“ele perderia uma de suas vistas”.

Assim, a médium passou uma garrafada para que ele se banhasse com o
líquido por ela preparado. Ele não sabia ao certo se seu pai o tinha entregado
às entidades espíritas, ou não, naquela ocasião.

Aos cinco anos, porém, uma vizinha evangélica o consagrou a Jesus. Márcio
sentiu-se tão bem e gostou tanto dessa experiência, que começou participar
das reuniões de uma igreja evangélica, com aquela senhora. Ele se
impressionou, ainda, com o ambiente de paz e alegria que havia entre os
crentes, e ainda sentiu-se muito amado. Ele gostava de cantar para Jesus e
confessou que aquele período da sua vida foi muito bom, alegre e feliz.

Seu pai, como gostava de beber e de ter casos com mulheres, frequentava
boates para divertir-se. Acontece que, um dia, começou a levar também o
filho Márcio, que assim começou a imitar o pai e acabou bebendo bebidas
alcoólicas e prostituindo-se, muito precocemente. E desviou-se totalmente da
igreja.

O aprisionamento de Márcio no ritual da feitiçaria

Mais tarde, Márcio começou a frequentar o espiritismo, e o pai de santo lhe


disse que ele deveria desenvolver a sua espiritualidade e tornar-se médium.
Isso ele procurou fazer, mas como não chegava ao estágio que o pai de santo
desejava, foi-lhe dito que ele precisava fazer um “trabalho” espiritual.
Para a realização desse “trabalho”, os demônios pediram velas pretas e
vermelhas, pólvora, uma garrafa de pinga, e uma galinha caipira para ser
morta. Ele teria que preparar uma farofa e levar ao terreiro, numa sexta-feira,
às três horas da manhã, o sangue de uma galinha, dentro de uma garrafa.

O “trabalho” foi feito, tal como queria o pai de santo. Márcio pôde ver que a
entidade Preto Velho e a cabocla Janaína apareceram para receber o que
estava sendo feito. Quando terminou o ritual, deramlhe três pedras. Disseram-
lhe que falasse uma palavra-chave, três vezes. Foi-lhe recomendado ainda
que, quando ele estivesse saindo do terreiro, jogasse as pedras para trás, mas
não podia olhar para trás.

Márcio fez exatamente como lhe foi orientado. Ele nem sabia por que estava
fazendo tudo aquilo, e não tinha consciência de que o ritual era, de fato, um
pacto muito sério com o poder das trevas. Ali, naquele lugar do ritual, ele
ficou aprisionado.

Depois disso, a sua vida mudou, e para pior. Márcio não era mais o mesmo.
Começou a usar drogas. Foi tomado por desejos muito estranhos, como
comer carne de defunto, fazer sexo com cadáver.

Ele começou, ainda, a sentir uma grande atração por vampiros e passou a ter
um desejo sexual por eles e por outros espíritos. Márcio não conseguia
namorar moça alguma, uma vez que o espírito de Janaína o dominava e o
forçava fazer sexo apenas com ela. A cabocla Janaína pegava-o pelo braço e
lhe dava de mamar como uma mãe amamenta um filho.

O Aprisionamento de Márcio num Cemitério

Márcio foi também se deixando dominar totalmente pelas drogas. Perdendo o


controle sobre si, ele ficava vagueando, à noite, caminhando sem saber para
onde ir. Sua dependência das drogas foi crescendo, de tal forma, que ele não
se satisfazia mais com qualquer uma. Começou a consumir doses mais fortes
de cocaína, craque, e não estava bem. A cada dia Márcio tornava-se mais e
mais insaciável.
Ele vagueava por diversos lugares e ia muitas vezes a um cemitério, onde
ficava dando as suas voltas. O cemitério tornou-se o seu lugar de curtição.
Pois ele amava aquele lugar de solidão.

Márcio achava que a solidão lhe fazia bem, e, naquele cemitério, ele sentia-se
em paz.

Havia um encantamento naquele lugar. Pois era ali que ele podia fumar,
drogar-se e descansar. O cemitério para ele havia se tornado um lugar de
escape, em que ele podia fugir dos aborrecimentos, da disciplina, da gritaria
dos pais, da rejeição da família e da sua própria vergonha. Desse modo, o
cemitério tornou-se um lugar em que ele ficou aprisionado, pelo tempo que
nele passou.

Quando Márcio foi ministrado, foi necessário tirá-lo daquele cemitério. Nesse
ponto da ministração, ele começou a gritar e a dizer que não conseguia sair.
Então, ele viu duas mãos negras que saíam da terra do cemitério, e seguravam
os seus pés. Elas puxavam o corpo do Márcio de volta ao cemitério. Nesse
processo, ele via todo o cenário do cemitério. Eram os demônios que haviam
se assenhoreado da vida dele, e sentiam-se no direito de tê-lo como seu
escravo.

Aqueles demônios queriam mesmo levá-lo para baixo da terra e continuar a


aprisioná-lo na cova. Revoltados com o que estávamos fazendo, eles não
queriam abrir mão da vida do seu prisioneiro; queriam levá-lo de volta para a
prisão, de qualquer jeito. Entretanto, quando invocamos Jesus – aquele que
tem a chave da morte e do inferno –, Ele veio com a sua chave para nos
ajudar. Então, amarramos os demônios guardiães, pedindo perdão por todos
os pecados que lhes haviam dado o direito sobre a vida de Márcio.
Mediante o comando que foi dado, eles é que ficaram enterrados naquela
cova. E Márcio libertou-se daquela prisão. Ele, porém, não estava somente
aprisionado no cemitério, ele havia se aprisionado também num motel.

O Aprisionamento de Márcio num Motel

Quando Márcio percebeu que não tinha como sustentar o seu vício, começou
a namorar uma traficante. Claro, ele sentia-se péssimo, e assim caiu em
depressão.

Foi então que sua família o abandonou, não queria mais saber dele. Márcio
perdeu tudo e todos, e desejava morrer.

Todo dia ele ia para um motel, de madrugada, onde dormia. Mas, na


realidade, ele ia dopar-se. Quando ele relatou essa etapa de sua vida, ele usou
a frase: “eu me estourava”. Seu nariz já não suportava a quantidade de drogas
que ele inalava, e chegava a verter sangue.

Quando Márcio ficava desesperado, ouvia uma voz que dizia: “Pule da
janela, morra, porque para você não tem mais jeito. Você está fazendo a sua
mulher sofrer”.

Ele tentava obedecer àquela voz e colocava a cabeça para fora da janela, para
se jogar. Alguma coisa, porém, o segurava pelas pernas e ele não conseguia
atirar-se e praticar o suicídio.

No motel, quando ia dormir, sentia um espírito vindo sobre si, sentando-se


sobre a sua barriga para forçá-lo a fazer sexo. Marcio não sabia o que fazer.
Ficava paralisado, pois a força que o atingia era mais forte, e ele não
conseguia resisti-la. Procurando proteger-se e fugir dessa força espiritual,
Márcio começou a trocar o dia pela noite. Assim, passava a noite na rua. De
manhã ia para casa dormir, mas o espírito o perseguia, e Márcio não
conseguia livrar-se dele.

Mesmo depois de convertido, às vezes, ele ficava vagando, em certos lugares,


sem saber o que fazer, como se ele não estivesse em si. Nos momentos de
oração, era invadido por pensamentos estranhos, que não tinham nenhuma
relação com o assunto da oração. Os espíritos ainda vinham e puxavam
conversa com ele.
Foi somente depois de ser ministrado que ele teve a felicidade de poder
deitar, dormir e descansar de verdade. Contudo, houve ainda outro lugar em
que Márcio tinha se aprisionado espiritualmente.
Márcio foi Aprisionado num Carro

Quando Márcio tinha doze anos, um dia, estava no carro com seu pai e sua
mãe, que brigavam aos berros, discutindo e acusando-se um ao outro. A
questão era com respeito aos casos que seu pai vivia tendo com prostitutas e
amantes.

Márcio, que então era um menino, ficou assustado e não quis ouvir nem
participar daquela briga. Doía muito, para ele, ouvir aquelas acusações. Ele
queria fugir dali, pois não suportava ouvir os dois discutirem daquela forma.
Mas o carro ia com grande velocidade, e ele não podia sair. As brigas de seus
pais eram constantes.

Quando ele se lembrava das brigas entre seus pais, sua mente sempre o
levava àquele carro – pois a briga que ocorreu naquele dia no carro o havia
marcado sobremaneira. Desse modo, as gritarias, as acusações vinham-lhe
como se ele estivesse, naquela hora, junto deles, naquele carro.

Márcio sentia-se totalmente acuado num canto do carro, suando frio,


desesperado, pois queria sair e fugir daquele lugar.

Na ministração, ordenamos que o carro parasse. Com o veículo parado,


Márcio pôde sair daquele lugar e assim livrou-se daquela prisão,
caracterizada pelas terríveis lembranças das brigas entre seus pais.

Em toda a sua ministração, toda vez que Márcio ia tomar uma atitude correta
e significativa – como arrependimento, confissão e renúncia – havia uma
grande reação por parte dos demônios, que faziam de tudo para impedir. Ele,
porém, alcançou a libertação e a cura interior.
Todas essas experiências, e ainda muitas e muitas outras, que não cheguei a citar, simplesmente
confirmam o que tem sido mostrado neste livro: há diferentes prisões espirituais que prendem muitos
dos filhos de Deus, e que delas eles precisam ser libertos.

parte 6
Estilo de Ministração
capítulo 15
Como Sair da Prisão?
“Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro... O nosso Deus é o Deus
libertador; com Deus, o Senhor, está o escaparmos da morte.” (Is 68.18a,20)
Ao longo das páginas deste livro, tenho compartilhado o que fazemos para
tirar pessoas de prisões espirituais. É importante, porém, explanar claramente
o que é feito na prática, porque precisamos entender exatamente o que
acontece, nessas horas. A libertação de prisões é feita pela fé. Nem todos que
ministram a libertação de prisões têm dons de visão espiritual;

nem todos são levados, espiritualmente, para os lugares do cativeiro.

Tirando Pessoas de uma Prisão

Em nosso ministério, normalmente, a retirada de alguém de uma prisão


espiritual acontece no contexto de uma ministração de libertação e cura. E,
para que a pessoa seja ministrada, ela tem de ser seguidora de Jesus e precisa
querer, de fato, libertar-se e sair das prisões.

Um versículo, que já citei anteriormente, revela a missão básica daquele que


viria, o Messias: “Eu, o Senhor, te chamei em justiça ... para abrires os olhos
aos cegos, para tirares da prisão o cativo e do cárcere, os que jazem em
trevas” (Is 42.1a,2).

Fica claro, mais uma vez, que um dos ministérios outorgados a nós por Jesus
é abrir a prisão espiritual e tirar da prisão os cativos e libertar os que jazem
nas trevas.

Todos os libertadores têm de tomar posse da chave para abrir as prisões; os


libertadores, aqueles especialmente chamados por Deus para este ministério,
têm de assumir a posse da chave das prisões. E, no dizer de John Sandford,
Jesus é a chave que abre as prisões (Ap 3.7).

Assim, podemos comandar a abertura de prisões, ou, então, convidamos


Jesus e lhe dizemos: “Tu és a chave que abre todas as prisões, vá à frente e
abra!”

Quando vamos tirar alguém de uma prisão, é preciso que, anteriormente, a


pessoa já tenha feito uma confissão realmente profunda e caprichada, na
presença de Deus, de todos os seus envolvimentos relacionados com os locais
onde se acha aprisionada, pedindo perdão, e apresentando um espírito de
quebrantamento e arrependimento, diante do Pai, do filho e do Espírito Santo.

E, é claro, pela direção do Espírito, tendo em conta os fatos e os sintomas


apresentados pela pessoa, podemos ter o discernimento dos locais de sua
prisão.

Conforme vimos anteriormente, os seguintes aspectos merecem nossa análise


e especial atenção: rejeição profunda (especialmente no ventre materno),
vítima da tentativa de aborto, abandono, bastardia, abuso físico, emocional e
sexual, estupro, sofrimento causado por perdas (morte, separação, bens), por
terror e pavor, doenças prolongadas; palavras de condenação, de acusação, de
maldição (pelos pais e por líderes eclesiásticos).

A pessoa pode apresentar os sintomas descritos nos diversos casos relatados


neste livro, entre os quais a incapacidade de sentir Deus, sentir-se sempre fora
do lugar, não pertencer a ninguém, não sentir o que os outros sentem, não ter
prazer sexual (sendo casada), não se realizar em nada.

Então, apresentamos perante Deus a situação em que a pessoa se encontra, e


o provável local de sua prisão, pedindo que Deus venha confirmar.

Normalmente, somos direcionados nessa hora a pedir que a pessoa feche os


olhos. Deus pode operar de tal forma a nos dar visão ou percepção
sobrenatural, ou mostrar à própria pessoa onde ela está aprisionada.

Identificamos, então, os espíritos que ficam no lugar da prisão (os guardiães),


que estão atuando na vida da pessoa: amarrando, impedindo, ameaçando,
provocando rejeição, sentimento de abandono, esquecimento,
autodepreciação, inferioridade, oportunidades perdidas, portas fechadas,
acusação, julgamento, lascívia, impureza e prostituição, vício, raiva, ódio,
violência, agressividade, ira, e assim por diante.
Uma vez que a legalidade dos guardiães tenha sido quebrada, com o pedido
de perdão a Deus e arrependimento, chega o momento de amarrarmos e
imobilizarmos todos esses demônios, mandando-os embora.

Declaramos que Jesus é a chave, e que nós, como ministradores, temos a


autoridade de usá-la, e, assim, abrimos a prisão e pedimos a Deus que o anjo
do Senhor tome a mão da pessoa e saia com ela daquele lugar; ou pedimos
isso ao próprio Senhor Jesus.

Num ato simbólico do que está acontecendo, o ministrante ou um dos


intercessores presente pega a mão da pessoa e vai andando com ela, que
tendo essa oração como exemplo:

“Senhor, não é teu propósito para a minha vida que eu permaneça neste lugar
de prisão. Estou saindo da prisão do vício do alcoolismo, da lascívia e da
sensualidade, da violência e da ira, da inveja, do inferno, da morte, da região
da sombra a morte.”

E, assim, a pessoa sai da prisão espiritual em que se encontrava. Algumas


vezes, imediatamente ocorre um alívio, e a pessoa chega a sentir uma grande
alegria. Sempre, porém, o resultado é uma transformação real, que a pessoa
vai sentindo conforme os dias vão passando. Tenho constatado isso, vez após
vez. Um dia, eu estava ministrando num Curso Intensivo de Libertadores,
organizado por uma irmã, de nome Kátia. Quando a encontrei, que surpresa!
Ela estava totalmente diferente de quando eu a ministrara, um ano antes.
Lembrei-me que ela então convivia com o espírito de morte, e estava
aprisionada no caixão da morte do seu avô, tendo sido liberta naquela
ministração. Sua vida tinha sofrido, nesse último ano, uma guinada de 180
graus!

Depois de tirar a pessoa da prisão, podemos orar reconhecendo que a pessoa


está assentada nos lugares celestiais, que é o colo de Abba Pai, conforme
afirmou o apóstolo Norman Vincent.1

“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que
nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente
com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressus‑
citou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar,
nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para
conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e
isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se
glorie. Pois so‑ mos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as
quais Deus de antemão prepa‑ rou para que andássemos nelas.” (Ef 2.4‑10)

Assim, confirmamos a transferência da alma (mente, vontade e emoções) e


do espírito para os lugares celestiais: “Senhor transfiro meu corpo, alma e
espírito para os lugares celestiais.

Não permito que nenhuma parte da minha alma e do meu espírito fique
aprisionada.” Transfiro a minha intuição, o meu discernimento, e a minha
capacidade de comungar com Deus para os lugares celestiais.

Para dar um exemplo, um dia eu estava ministrando uma moça que estava
aprisionada numa gaiola, numa praia. Então, amarrei os demônios guardiães,
que estavam travestidos de índios, e que tomavam conta dela, para que não
escapasse daquela gaiola. (Este caso foi narrado no início; refere-se à jovem
de nome Janaína). Eu os imobilizei, os coloquei de lado, e, tomando a
autoridade em nome de Jesus Cristo, abri aquela prisão e tirei a jovem para
fora. Depois de tirá-la, coloquei, por sua vez, todos os demônios guardiães
dentro da gaiola e os deixei sob as ordens de Jesus Cristo.

Outro caso que já compartilhei foi o de Luís, no capítulo 10. É aquele rapaz
que estava aprisionado num castelo de música, que ele mesmo havia criado
pela idolatria à música e aos cantores musicais da época. Conforme já relatei,
perguntei-lhe se fazia sentido o fato de que ele poderia estar aprisionado num
castelo virtual, e, então, prosseguimos em tirar o rapaz do seu cativeiro. O
castelo era um lugar muito frio. Nós nos dirigimos ao castelo, Jesus e eu.
Amarramos todos os espíritos que se apresentavam como guardiães da
música, através dos artistas consagrados (pois eram os que até então o
acompanhavam). Abrimos a porta do castelo e ordenei que ele saísse,
segurando as mãos de Jesus. Luís saiu meio arrastado e assustado, e ficou de
pé. Viu anjos sorrindo para ele. Mas, quando viu a mão que o segurava,
identificou que eram as mãos de Jesus, vendo os sinais dos cravos, da sua
crucificação.

Ele fez uma cara assustada, pois não cria no que via, e gritava: “Como pode?
Eu não mereço estar segurando a mão de Jesus”! Começou a chorar, pois, não
podia acreditar no que estava vendo. Ele achava que não poderia estar
segurando a mão do Salvador, e dizia: “Senhor, eu não mereço, não mereço o
que eu estou vendo. Não mereço o que está acontecendo comigo!”

Em resumo, depois que a pessoa passou por momentos de arrependimento,


tendo identificado a razão do seu aprisionamento, os seguintes passos podem
ser dados:

1. Reconhecer o Senhor como aquele que abre a prisão dos aprisionados (Is
61.1).

2. Amarrar os guardiães demoníacos, que estão vigiando a prisão.


Geralmente, são aqueles que estão ligados com o problema da pessoa. No
caso deste último exemplo, foram os espíritos de medo, morte, mentira,
culpa, destruição, paralisação. Esses demônios tentam guardar os
aprisionados, impedindo-os de escapar.

3. Depois de amarrá-los, eu os deixo de lado, pois logo eles serão


encaminhados para um lugar de perdição, sendo enviados por Jesus Cristo.

4. Assim, usando a chave que me foi dada para abrir as prisões, eu abro a
porta e convido a pessoa a sair. Um outro jeito de fazer é convidar Jesus a
entrar na prisão para tomar a mão da pessoa aprisionada para sair.

5. Depois disso, mandamos os guardiães para o lugar reservado para eles.

6. Último passo: Recolocar a pessoa conscientemente nos lugares celestiais:


as parte que foram fragmentadas e contaminadas por sofrimento, injustiça,
dor, e pactos com o diabo e com demônios.

Exemplo de uma Libertação


Veja o caso desta mulher que foi ministrada pelo Espírito Santo, enquanto eu
ministrava um grupo de pessoas numa aula do Curso de Libertadores. Foi em
minha aula sobre prisões espirituais.

Depois de ser liberta, e de ter dado verbalmente o seu testemunho naquela


hora, ela me enviou tudo por escrito. Do seu testemunho você poderá
verificar como os passos acima mencionados têm efeito na vida de quem está
sendo ministrado.

Assim ela escreveu:

Enquanto eu ouvia a palestra sobre aprisionamento espiritual, fui me


identificando com as várias situações relacionadas com o meu problema:
prisão espiritual. O interessante é que não era apenas uma ou outra situação,
mas eram várias. Quase todas as reações e os consequentes sintomas
explanados pela pastora Neuza Itioka estavam presentes na minha vida.

Eu vinha enfrentando as seguintes situações, que muito me marcaram:

1. Quando meu pai faleceu, eu quis morrer junto dele; quase me joguei sobre
o caixão dele no dia do enterro, obrigando as pessoas a me segurarem.
Sempre desejei morrer. Muitas vezes, cheguei a ficar imaginando como seria
se eu morresse: como ficariam meus pais e amigos, quem sentiria a minha
falta, quem choraria por mim e iria ao meu enterro, o que fariam com as
minhas coisas. Em minha imaginação, eu ia ao meu próprio enterro para ficar
observando quem realmente gostava de mim. Cheguei até a fazer um tipo de
testamento.
2. Também imaginei que ficaria viúva cedo.

3. Eu tinha tendência ao isolamento, inclusive passei a minha infância


sozinha.

4. Sempre me senti fora de lugar, não pertencendo a nenhum grupo; não


conseguia sentir o que os outros sentiam, nem integrar-me com o grupo; não
conseguia viver na plenitude das coisas. Realmente, eu não sentia prazer na
vida, nada me alegrava. Eu apenas deixava os dias passarem, um após o
outro.
5. Para mim, a Bíblia não fazia sentido, e eu também não conseguia sentir
Deus.
6. Acontecia de me rebelar contra Deus, ofendendo-o com descrença e
dúvidas.
7. Havia ainda um aprisionamento em minha memória, de fatos e de pessoas
que facilmente eu esquecia. 8. Sendo solteira, idolatrava o casamento,
achando que só seria feliz quando me casasse. Tinha grande insatisfação
sexual. 9. A vida não progredia, apesar de me considerar inteligente. 10. Eu
sempre estava aflita, sentindo-me perseguida e com medos inexplicáveis.

Naquela hora da ministração coletiva sobre prisões espirituais, pensei ainda,


comigo mesma: “Meu Deus! É muita coisa! Como vou me livrar de tudo
isso?” E, para não esquecer nada, comecei a anotar. Surgiram em minha
mente até mesmo coisas esquecidas, situações que eu nem lembrava que
haviam acontecido, e ainda fatos que antes eu não havia compreendido e que
se revelavam como sintomas de aprisionamento. Chegou um momento em
que a ministrante disse que ia orar para que todos saíssem da prisão. Então
pensei:

“Já passei por diversas ministrações e orações de libertação em diversas


igrejas; acho impossível que numa ministração coletiva, como esta, eu seja
liberta. Sou muito fraca espiritualmente e não vou conseguir libertar-me de
nada. Ainda bem que fiz essas anotações, pois vou poder conversar com o
pastor posteriormente. Mas vou orar mesmo assim, quem sabe?...”

Logo que abaixei a cabeça e comecei a orar, tive a visão de uma cena que eu
já tinha visto, anteriormente, numa ministração de libertação. Naquela
ocasião, o pastor, apesar de muita oração, não conseguiu livrar-me da minha
prisão.

Tive a seguinte visão: Eu estava num quarto subterrâneo, totalmente escuro,


onde havia um caldeirão grande, fervendo, cheio de dejetos (fezes). Esse
lugar tinha piso de chão batido e estava cheio de demônios, que pulavam ao
meu redor e me cutucavam com lanças pontiagudas. Eu sentia as pontadas no
meu próprio corpo e me encolhia toda na cadeira, tremendo de medo.
Eu estava totalmente presa, imobilizada, com os braços para cima,
pendurados. Havia grilhões, algemas, de ferro, como as dos escravos, por
todo o meu corpo, literalmente por todo o corpo. Havia grilhões grossos nos
pulsos, por onde eu estava pendurada, e na garganta, nos tornozelos presos ao
chão, e até nas pontas dos dedos havia cones de ferro, como garras
pontiagudas. Na cabeça eu tinha um capacete de ferro e uma máscara de ferro
que cobria todo o meu rosto. Todo o resto do meu corpo estava coberto por
uma armadura de ferro! Até mesmo nos órgãos sexuais havia algemas,
cadeados. Também internamente, nos órgãos, algumas coisas me prendiam.
Só sei que eu estava totalmente imobilizada e numa situação horrível.

Quando a pastora disse para deixar Jesus entrar, eu pensei: “Duvido que Jesus
entre aqui para me tirar.” Eis que, de repente, não é que eu vi Jesus entrando
naquele quarto escuro e vindo em minha direção?

A palavra da pastora, que nos orientava em oração, continuou, e então ela


disse que Jesus estava nos libertando. Eu me lembrei de quando ela
mencionou que Jesus era a chave que abria todas as portas para a salvação. E
eu vi Jesus ali comigo, com uma chave nas mãos, abrindo cadeado por
cadeado, algema por algema, grilhão por grilhão. Não consegui ver tudo, pois
o tempo era curto.

Ele estava tirando aquela armadura que estava sobre o meu corpo, tirando o
capacete que fechava a minha mente e a minha percepção, libertando os meus
braços e pernas, e finalmente tirando a máscara que estava sobre o meu rosto.

Quando Jesus tirou a máscara de ferro, o meu rosto estava em carne viva,
cheio de feridas. Eu parecia um monstro horroroso! Eu me assustei e disse,
em desespero: “Não, Jesus! Eu não posso ficar assim!” Imediatamente, Jesus
recolocou a máscara sobre o meu rosto. Então olhei para Jesus e Ele retirou
novamente a máscara, e qual não foi a minha maravilhosa surpresa, quando
vi meu rosto lindo, muito lindo, brilhando e sorrindo feliz, resplandecente!
Aleluia, Jesus!

A pastora Neuza, nesta ministração coletiva, então ordenou que pegássemos


nas mãos de Jesus, e eu dei a minha mão direita para Ele.
O estranho é que eu estava tão acostumada a estar naquele lugar que, quando
a pastora Neuza disse para sair e seguir a Jesus, eu não conseguia me mexer.
Sair do lugar? Eu não acreditava que realmente conseguiria sair de lá; tinha
medo de me mexer, de pisar no chão, de andar.

Naquela hora, verifiquei que várias pessoas também estavam com


dificuldades para sair de suas prisões. A pastora Neuza insistiu para que
saíssemos daquele lugar, e eu resolvi acreditar e dei o primeiro passo.

Mas o chão estava cheio dos grilhões caídos e de demônios, e eu tinha muito
medo; não queria pisar no chão. Naquele instante, me veio à mente um
poema chamado “Pegadas na Areia”, que nos diz que, nos momentos mais
difíceis, Jesus nos carrega no colo. Então pedi a Jesus que me carregasse,
pois eu estava com medo e não conseguia andar. Senti, não sei como, que
Jesus me olhou e respondeu, com muito carinho: “Não, minha filha, você
precisa andar sozinha, com seus próprios pés.”

Então criei coragem e entreguei a minha outra mão a Jesus e, como uma
criancinha aprendendo a caminhar, fui andando devagar, sendo segurada por
Jesus.

O interessante é que os meus pés não tocavam o chão; eu andava a alguns


centímetros do solo e não pisava em nada; eu “levitava”...

A pastora Neuza foi apressando a saída, e mais rapidamente eu fui saindo


daquele quarto escuro, entrando numa escada estreita, não tão escura.
Num determinado momento, vi um demônio querendo subir ao meu lado,
mas logo ele sumiu e foi substituído por um anjo, com asas brancas.

Jesus ia subindo comigo, com um braço ao meu redor, amparando-me. Eu


sentia um imenso carinho de Jesus por mim.

Finalmente chegamos ao fim da escada onde havia uma porta, que foi aberta.
Da abertura surgiu uma enorme luminosidade, imensa; eu não conseguia
enxergar nada. Só sabia que estava no céu, e Jesus continuava abraçado a
mim. Caminhamos um pouco e não vi nada, só luz e Jesus. Naquele momento
acabou a oração.
Uma alegria e uma paz indescritíveis nasceram dentro de mim. Chorando de
emoção, pensei: “Eu estou com Jesus! Meu Deus, eu estou realmente com
Jesus! E Jesus me ama! Jesus me ama, de verdade!”

Quando fui contar o meu testemunho, todo o meu corpo tremia; minhas mãos
formigavam, e eu estava leve, leve como nunca tinha me sentido, em toda a
minha vida. E com uma paz, uma certeza, uma tranquilidade também nunca
sentidas antes!

Louvo a Jesus pela minha salvação! Aleluia!

1Norman Vincent é um apóstolo inglês, que vive nos EUA, e desenvolve um ministério internacional.
Essa declaração foi afirmada por ele numa palestra.
Uma Palavra Final aos Colaboradores:
Este livro teve o apoio e colaboração de muitos irmãos que estão ligados ao
Ministério Ágape Reconciliação. Alguns dedicam suas vidas para
aconselharem e ministrarem outras pessoas, viajando comigo para outras
cidades e estados do Brasil, bem como para o exterior.

In memoriam, gostaria de agradecer em especial ao mestre Milton Azevedo


Andrade, que foi pioneiro comigo na Editora Ágape Reconciliação,
atualmente nomeada AMAR. Milton foi o editor da primeira edição deste
livro e colaborou com o estudo sobre “O novo e velho homem, a regeneração
em Cristo”.

À pastora Lilian La Torroca, pelo tempo que liderou a intercessão em nosso


Ministério, e pela sua dedicação em estar desde o início nessa jornada. Lilian
compartilhou alguns testemunhos de seus aconselhamentos e ministrações,
para que pudéssemos analisar mais afundo, a respeito da prisão espiritual.
Podemos ler sobre o depoimento compartilhado no testemunho 7,
Aprisionamento pela imaginação, com o tema “Aprisionada na Argentina do
“tango”.

Agradecer à missionária Zilá Palombo, que faz parte da nossa equipe, e pode
nos ajudar a colher outros depoimentos reais, sobre como Jesus pode nos tirar
de todas as prisões, o seu relato está no testemunho 8, Aprisionamento por
satanismo e jogos de RPG, com o tema “Gótico: satanistas amadores”.

Ainda expressar a minha gratidão à pastora Geísa Faleiro Schulze, que tem
acompanhado e ministrado diversas pessoas, que relatam que estavam presas
espiritualmente. Ela compartilha dos depoimentos no testemunho 7,
Aprisionamento pela imaginação, com o tema “Numa casa criada nos ares” e
no capítulo 13 “Cidades e nações aprisionadas”.

E, por fim, mas não menos importante, a equipe editorial, coordenada pelo
jornalista e editor, Thiago Baeta Corrêa, que me ajudou em novos estudos
para a realização dessa nova edição. Sem eles, não seria possível cumprir esse
chamado para escrever os testemunhos vivos, de que Jesus é o nosso
Redentor.

www.AgapeReconciliacao.com.br

Principais Enfoques Ministério Ágape Reconciliação

Tema principal: IGREJA CURADA, NAÇÃO TRANSFORMADA.

Há mais de 25 anos, o Ministério trabalha com a missão de ministrar vidas


para a Cura da Igreja como corpo de Cristo e transformar a sociedade, além
de ter por objetivo formar e treinar líderes para atuarem na libertação, cura
interior e guerra espiritual estratégica.

O Ministério Ágape Reconciliação tem como valores a honra a Deus na


dependência total do Espírito Santo, a Palavra como medida irrevogável da
nossa fé e conduta, honrar os líderes e a não negociação com o pecado.

Transmitimos a importância de zelar pela prática da Palavra de Deus, ser a


extensão do Ministério de Jesus, e Refleti-lo em: honestidade, verdade,
humildade e responsabilidade. Ser assíduo nas convocações e ter dedicação
total, unidade e intercessão constante.

Acreditamos que pontualidade, ordem, limpeza, trabalho concluído e cortesia,


fazem parte do trabalho do cristão.
O mandamento “Amar ao próximo” é estendido com uma vida de amor e
compaixão, cultivando a alegria, a fé e muita esperança, promovendo a
reconciliação.
Pioneiro no Brasil como Ministério de Libertação, mais de 3000
congregações (igrejas) foram ministradas de forma coletiva e mais de
100.000 pessoas individualmente.

O Ministério Ágape Reconciliação já viajou por quase todo o território


brasileiro, exceto Sergipe. Visitou países como Paraguai, Estados Unidos,
Peru, Guatemala, Costa Rica, Portugal, Japão, Hong Kong, Inglaterra, Itália,
Alemanha e Moçambique.
Principais atividades do Ministério

1. SEMINÁRIOS AMAR
Seminários realizados em finais de semana.
São realizados em igrejas locais, a convite do pastor. Começam na sexta-feira
à noite, continuam no sábado (o dia todo) e encerram-se no domingo à tarde.
São Compostos por palestras e ministrações individuais e/ou coletivas, dentro
de seus respectivos temas:

1.1 SEMINÁRIO DE LIBERTAÇÃO E CURA INTERIOR


O objetivo do Seminário de Libertação e Cura Interior é despertar a Igreja de
Cristo para a realidade da batalha espiritual que ela enfrenta e, por intermédio
de ministrações coletivas e individuais, trazer libertação e cura interior, para
que a mudança possa dar-se de dentro para fora, a ponto de Deus extrair o
melhor de cada um de nós, e nos permitir desenvolver uma verdadeira
maturidade cristã.

Duração: Sexta-feira à noite || Sábado: manhã | tarde (aconselhamento


individual) | noite. Domingo: manhã | tarde (aconselhamento individual)

O Seminário é realizado em nossa Sede AMAR (Rua Júlio de Castilhos, 1033


- Belenzinho SP)em um final de semana por mês. E, também, a convite de
pastores e lideranças das igrejas de diversas localidades.

1.2 SEMINÁRIO DE CONQUISTA DAS CIDADES


Pode ser realizado com a participação de várias igrejas da localidade, com o
enfoque de aplicar os princípios de batalha espiritual para que a cidade seja
alcançada.

Duração: Sexta-feira à noite || Sábado: manhã | tarde (aconselhamento


individual) | noite. Domingo: manhã | tarde (aconselhamento individual) O
Seminário é realizado a convite do pastor e liderança de uma igreja local.

1.3 SEMINÁRIO DE CURA DA IGREJA


Seu enfoque é na cura da Igreja como corporação, promovendo
reconciliações e trazendo cura para os crentes locais.
Duração: Sexta-feira à noite || Sábado: manhã | tarde (aconselhamento
individual) | noite. Domingo: manhã | tarde (aconselhamento individual) O
Seminário é realizado a convite do pastor e liderança de uma igreja local.

1.4 SEMINÁRIO DE INTERCESSÃO


O foco é treinar intercessores e prepará-los para uma melhor atuação no
ministério de intercessão da igreja local.

Duração: Sexta-feira à noite || Sábado: manhã | tarde (aconselhamento


individual) | noite. Domingo: manhã | tarde (aconselhamento individual) O
Seminário é realizado a convite do pastor e liderança de uma igreja local.

1.5 SEMINÁRIO PARA FILHOS DE PASTORES


Esse Seminário é especial para filhos de pastores. Deus está levantado uma
nova geração para continuar manifestando o seu poder. Sempre existirá
remanescentes que levarão a mensagem de Deus, uma voz profética que
declarará Suas maravilhas de geração a geração. Um povo que não morrerá,
mas andará em novidade de vida.

Duração: Sexta-feira à noite || Sábado: manhã | tarde (aconselhamento


individual) | noite. Domingo: manhã | tarde (aconselhamento individual) O
Seminário é realizado em nossa sede, ou a convite de igrejas locais.

1.6 Curso Intensivo de Libertadores (Especial)


Ministrado para pessoas que tenham um chamado para atuar na área de
libertação e cura interior.

É ministrado para grupos de 150 a 250 cursistas, com aulas teóricas e


práticas. Duração: Inicio Sexta-feira à noite, término Terça-feira.
O Seminário é realizado em nossa sede, ou a convite de igrejas locais

2. CENTRO DE TREINAMENTO
Esses cursos são ministrados no período de cinco meses, exceto o Curso de
Conhecimento Bíblico, o qual se estende por dois anos e meio.

Nós, como cristãos fomos chamados para algo além do que pensamos a
respeito do nosso Ministério!
Não devemos ficar nas quatro paredes, mas precisamos nos equipar para
anunciar o Evangelho e tudo aquilo que Deus tem realizado em nós, e por
meio de nós!

Com a visão de ensinar e treinar a Igreja, para novos desafios dentro da era
da globalização, o Ministério Ágape Reconciliação, o convida para participar
do Centro de Treinamento para Líderes.

Os cursos oferecidos são:

2.1 CFL - CURSO FORMAÇÃO DE LIBERTADORES


O curso (CFL) tem como objetivo levar o cristão a viver uma vida de
liberdade, e manifestar o poder do Reino de Deus, em todas as esferas de sua
vida. E através do conhecimento adquirido, proclamar a libertação aos cativos
e anunciar, pela capacitação do Espírito Santo, as boas novas.

O Curso é ministrado de forma teórica e prática, onde os alunos poderão ver e


testemunhar a importância da libertação e cura interior.

2.2 CCI - CURSO CURA INTERIOR


O curso (CCI) ensinará o aluno a entender os níveis que estruturam o ser
humano: espírito, alma e corpo. E como tratar à luz da Palavra e direção do
Espírito Santo os traumas que bloqueiam a nossa vida.

A cura interior é o processo de purificação da alma, diferente da cura física,


que é o processo de purificação do corpo, e da libertação, que é a purificação
do espírito.

O curso ensinará as partes da alma, que precisam de cura, através da obra


redentora que Cristo fez por nós na cruz.

2.3 CFI - CURSO FORMAÇÃO DE INTERCESSORES


O curso (CFI) auxilia a pessoa que tem o chamado à intercessão a
desenvolver a sua vocação, por meio de aulas e ministrações práticas.

São ensinos bíblicos e profundos que servirão de apoio à igreja local, bem
como para o desenvolvido do aluno nas questões de oração e intercessão.
2.4 CFP - CURSO FORMAÇÃO PROFéTICA
O curso (CFP) tem como objetivo equipar o Corpo de Cristo, para discernir o
tempo profético.

Todos nós fomos chamados para profetizar. O curso mostrará como o cristão
pode viver de forma espiritual e mover-se no que está no coração e na mente
de Deus. Todas as Escrituras estão inseridas no nível profético.

Depois do derramamento do Espírito Santo, a Igreja começou a caminhar no


sobrenatural. Através do CFP, as pessoas poderão entender o passo a passo,
sobre o profético e também a função e o ofício do profeta, desmistificando
esse dom e ministério que Deus, com tanto amor, deu ao Corpo de Cristo.

2.5 CLI - CURSO LIBERTAÇÃO INFANTIL


O Principal esforço das trevas atualmente é destruir a família. E uma grande
área do ataque de Satanás são as crianças. O inimigo está atacando a mente
dos nossos pequeninos, por meio da tecnologia avançada: TV, jogos, filmes,
músicas, e ensinos não fundamentados na verdade.

Investir em crianças é investimento eterno. Ministrar e libertar crianças é


compreender o Reino de Deus, e ativar a nova geração.

2.6 CAP - CURSO ATIvAÇÃO PROFéTICA


Além do CFP (Curso de Formação Profética), o Centro de Treinamento para
Líderes AMAR leciona o CAP, que tem por objetivo ativar o Corpo de Cristo
em níveis do dom profético, levando os alunos a vivenciarem o poder do
Espírito Santo na vida de cada um e em seus ministérios.

2.7 CFA - CURSO FORMAÇÃO DE ADORADORES


O objetivo do curso (CFA) é ministrar cada filho e adorador, ensinando os
níveis de louvor e adoração dentro do corpo de Cristo (Igreja), bem como de
forma individual.

O CFA prepara uma liderança de adoradores que tome a posição de levar as


gerações a se unirem e, juntas como Igreja, adorarem a Deus, corajosamente,
entrando na sala do trono.
2.8 CCB - CURSO CONHECIMENTO BíBLICO
O Conhecimento da Palavra de Deus é fundamental para todo o cristão, pois
ela é a sua arma de guerra, sua fonte de autoridade e poder. Nas mãos do
Espírito Santo, a Palavra torna-se poderosa para destruir fortalezas.

O curso (CCB) propõe dar as ferramentas básicas para quem deseja conhecer
e entender a Bíblia, numa visão de Batalha Espiritual. Como interpretá-la,
como estudá-la. Mostrar porque ela é necessária e como utilizá-la faz parte do
curso, que apresenta uma visão panorâmica de todos os seus livros que
compõem a Bíblia.

2.9 CDI - CURSO CURA DA IGREJA


Para que a Igreja possa alcançar os de fora, ela precisa estar curada! Muitas
igrejas deveriam estar bem, atuando na sociedade como luz do mundo, no
entanto, algumas estão enfermas e com problemas, a ponto de não poderem
transmitir vida. Por conta dessa verdade, determinadas igrejas acabam até
mesmo fechando as portas!
Não fechemos os olhos. Antes, tenhamos discernimento e estejamos com o
coração sintonizado com Deus. Não com um espirito critico, acusando-nos
uns aos outros, mas estejamos verdadeiramente dispostos a receber a
orientação do Pai para essa tarefa.

Vamos aprender os mandamentos de Cristo!

2.10 CIE - CURSO DE INTERCESSÃO ESTRATéGICA


O módulo de Intercessão Estratégica da Escola Brasil de Joelhos tem como
objetivo formar pessoas que possam integrar equipes proféticas que assumam
a responsabilidade de cuidar de uma determinada área, em qualquer parte do
país (cidades, estados ou nações), no sentido de mapeá-la e integrá-la à Rede
Brasileira de Oração, Intercessão e Jejum - foco Intercessão Estratégica.

Esse módulo inicial terá a duração de 60 horas, em cinco meses, já


computadas as atividades complementares, extra-classe, que serão realizadas
pelos alunos.

Sobre a Editora AMAR


Há mais de 30 anos, a Dra. Neuza Itioka atua no campo de batalha espiritual.
Como ferramenta de libertação, ela escreveu algumas obras, e, por meio, dos
títulos publicados pela fundadora do Ministério Ágape Reconciliação, nasceu
a Editora AMAR, tendo como tema “A Verdadeira Libertação começa pelo
Conhecimento”, e, como um ramo da Editora, surgiu a ideia de termos o
espaço físico a Livraria AMAR, que tem como missão levar a palavra de
Deus e atingir todas as esferas da sociedade com o verdadeiro conhecimento:
A Palavra.

www.lojaAMAR.com.br
siga-nos nas redes sociais: /NeuzaItioka
/AgapeReconciliacao /EditoraAMAR
/NeuzaItioka
/AgapeReconciliacao
Livros Editora AMAR:

: A Cruz e a Batalha Espiritual - Neuza Itioka;


: A Igreja e a Batalha Espiritual - Neuza Itioka;
: A Noiva Restaurada - Neuza Itioka
: Cristo nos resgata de toda maldição - Neuza Itioka;
: Deuses da Umbanda - Neuza Itioka;
: Deus Quer a Sua Cidade - Neuza Itioka;
: Libertando-se de Prisões Espirituais - Neuza Itioka;
: Restauração Sexual - Neuza Itioka;
: Sublime Redenção - Milton A. Andrade;
: Santidade e Poder - Milton A. Andrade;
: Plena Paz - Milton A. Andrade;
: vida em Abundância - Milton A. Andrade;
: Fontes para o Equilíbrio Emocional - Ana Ribeiro
: Proteção Espiritual Para Criança - Eber C. Mendes
: Saindo da Idolatria (Livros 1 e 2) - Renata Figueiredo
: A Sexta viagem – da Maçonaria ao Primeiro Amor - Eliel G. Leal :
Jovens Guerreiros e Adoradores - Renata Figueiredo
: Quebrando o Jugo - J. S. Eurípedes
: Justiça de Deus - Walter Nather Jr.
: Manual Prático de Direito Eclesiástico - Taís Amorim de Andrade
Piccinini : Quando a Cruz se transformou em espada - Merrill Bolender :
De onde você veio? - Almir Passoni
: Espírito Maligno, Qual é o teu nome? - Almir Passoni