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1 PERSPECTIVA HISTÓRICA DO MERCADO MUSICAL E

NOVOS PARADIGMAS CULTURAIS E COMERCIAIS

Profa. Alexandre de Sá Oliveira


Link do Currículo Lattes:
<http://lattes.cnpq.br/5652745436213816>

Objetivos de aprendizagem

Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:

• conhecer o posicionamento do mercado da música dentro da


economia criativa;
• identificar as bases do novo paradigma do mercado cultural da
música;
• escolher dentre as atividades que compõem o ecossistema da
música, aquele para o qual possua talento e afinidade.

Iniciando o tema

Quase sempre, quando converso com pessoas que apreciam a música como
um produto cultural essencial em suas vidas, dois temas estão sempre presentes: as
preferências pessoais e o reconhecimento das dificuldades para se viver da música.

A produção e o consumo da música são muitas vezes conservadores e a boa música é


sempre aquela que nos toca de maneira particular. Quanto a viver da música, usualmente
pensamos no artista que se apresenta em um palco, que interpreta suas composições ou
as composições de outros compositores, esquecendo-nos que este mercado possui uma
das cadeias produtivas mais complexas, profissionais e competitivas.

O talento e o conhecimento estão presentes em todas as atividades que fazem


parte desse mercado, no qual entender de música é essencial, porém não suficiente

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para se garantir o sucesso. O conhecimento musical, de marketing, de gestão financeira


e de pessoas estão entre as competências essenciais para se atuar no mercado cultural
musical, e como em qualquer atividade profissional, exige habilidades que contribuam
para o sucesso pessoal e profissional.

O amadorismo, refletido muitas vezes na ingenuidade daquele que atua


nesse mercado, deve ser enriquecido com conhecimento, boa dose de estudo e de
profissionalismo. Acredite em mim, isso é fundamental e não inibirá, absolutamente, o
seu talento e capacidade criativa.

O objetivo dessa disciplina é convidá-lo ou convidá-la a refletir sobre seus sonhos,


sua necessidade de se expressar por meio de seu talento e de sua ocupação profissional,
sem preconceitos e com excelência, pois o consumidor está cada vez mais exigente, os
recursos são escassos e a competição, nem sempre leal, é uma realidade a ser melhor
compreendida e enfrentada com profissionalismo.

Nessa Unidade, vou trazer alguns aspectos relativos ao comportamento do mercado


da Economia Criativa, do mercado cultural da Música e quero dialogar com você sobre
a necessidade de revermos nossos preconceitos e aceitar os novos paradigmas desse
mercado.

O talento e a capacidade de nos expressarmos por meio de quem somos não está
em questão, a não ser a constatação de que o conhecimento e a profissionalização
são meios para produzirmos com qualidade, produtividade e alcançarmos a necessária
sustentabilidade econômico-financeira.

E que comece o espetáculo, pois, como dizem os poetas, “todo artista tem de ir
aonde o povo está” e “o show tem que continuar!”.

1.1 A Economia Criativa e o Mercado Cultural da Música

Segundo Silva e Barlach (2016), um campo de estudos que se encontra ainda


explorado indevidamente no Brasil é aquele que trata da “Economia criativa”, termo
que surgiu na década de 1990, primeiramente na Austrália, ganhando maior visibilidade
posteriormente na Inglaterra. Sua introdução teve o intuito de identificar a criatividade
como algo valioso e vendável, um ramo de negócios concreto e com um enorme potencial
gerador de riqueza.

As autoras ainda explicam ser importante ressaltar que o conceito de indústria ou


setor criativo não é o mesmo conceito de indústria cultural, apesar de ambas trabalharem
com o valor simbólico como um dos atributos a serem valorizados nas produções culturais.

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A diferença residiria não no assunto estudado pelas duas abordagens, mas pela visão que
cada uma possui do mesmo.

Lembre-se
Enquanto a indústria cultural nasceu de uma crítica feita por Theodor Adorno
e Max Horkheimer contra a banalização, padronização e comercialização de
obras artísticas na sociedade capitalista, a indústria criativa (ou setor criativo)
se refere aos aspectos positivos dessa mesma comercialização, afirmando que
ela permite que a arte possua sua valorização monetária no mercado, o que
ocorre desde o início da civilização.

As autoras destacam que há duas formas de se enxergar a criatividade, considerando


as atividades do setor criativo: a primeira se refere ao ato de criar partindo de algo
inexistente, e a segunda se refere ao uso de diferentes combinações, rearranjos e
modificações em objetos e processos já existentes anteriormente, ambas tributárias do
talento pessoal.

Quanto ao consumo dos produtos do setor criativo, este é caracterizado por três
fatores principais: qualidade incerta, efeitos das influências sociais e o fenômeno da
demanda reversa. A qualidade incerta está relacionada à avaliação subjetiva dos produtos
da indústria criativa, já que esta avaliação depende do gosto de cada consumidor.

O consumo desses produtos é influenciado também por interferências sociais, pois


se um indivíduo encontra dificuldade em analisar um produto subjetivamente, ele acaba
por seguir o que a maioria da sociedade dita. Por fim, essa influência social faz com que o
produto possa ser excessivamente exposto, gerando a chamada “demanda reversa”, que
acaba com a popularidade desse mesmo produto (SILVA; BARLACH, 2016 apud MOLTENI;
ORDANINI, 2003).

Especificamente com relação à indústria fonográfica, por exemplo, mas não apenas
nela, a tecnologia teve um impacto importante. A distribuição de músicas como produto
a ser consumido é um bom exemplo da dinâmica da economia criativa e sua relação com
a tecnologia.

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Antigamente, a música era intermediada por suportes físicos como discos


de vinil ou, posteriormente, CDs e DVDs. Hoje, são disponibilizadas para
o consumo através dos streamings, que se referem a canais disponíveis na
internet, os quais permitem que se ouça música ou assista a um vídeo, em
‘tempo real’, em vez de baixar um arquivo em seu computador e vê-lo mais
tarde.

Essa realidade revolucionou custos, processos produtivos, demandou novas


categorias de profissionais e exige uma necessária adaptação de todos os profissionais
que atuam ou pretendem atuar nesse mercado.

Mas eu não pretendo me referir nessa Unidade apenas à música como produto
consumível, mas à toda a cadeia produtiva do mercado cultural da música, pois você
pode estudar seriamente música e suas atividades complementares, como engenharia,
produção, gestão, marketing, finanças etc. Ou seja, na cadeia produtiva da música,
conhecer de música pode oferecer muito mais oportunidades do que apresentar-se
artisticamente em um palco.

Finalizando esse primeiro tópico, vou relatar uma experiência pessoal. Sou pai de
dois filhos que, não por acaso, nasceram com diferentes talentos. Um deles, meu filho,
demonstrou cedo o talento para a música. O jovem cresceu, desenvolveu seu talento,
estudou no Conservatório de Música da cidade de Itajaí, conquistando certa expertise.

Há alguns anos atrás, quando estava concluindo o ensino médio, manifestou a


intenção de estudar música, com o que consenti imediatamente, pois acredito que nos
expressamos melhor como profissionais quando nos dedicamos a atividades para as quais
temos talento e com as quais temos afinidade.

Porém, minha esposa manifestou, em particular, uma pertinente preocupação


quanto ao seu futuro, e dialogamos sobre as reais possibilidades de alguém viver da
música no Brasil. Naquela oportunidade, tentei fazê-la entender que o conhecimento no
campo da música permitiria que ele escolhesse atuar na cadeia produtiva da música, e
não apenas como um artista em um palco.

Ele poderia atuar, por exemplo, como compositor, intérprete, arranjador, produtor
musical, técnico de som, produtor de palco, produtor cultural, agente musical, com
marketing cultural, como professor de música etc.

Por essa razão, mas não apenas por ela, quero falar sobre a cadeia produtiva da
música, dentro de um contexto mais universal e, em particular, no contexto brasileiro,
com o propósito de dialogarmos sobre as inúmeras oportunidades para um profissional
com formação em música.

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1.2 Uma agenda para o mercado da música no Brasil

De acordo com Vidigal e Siqueira (2017), os processos econômicos conduzidos por


organizações e agentes culturais no país, importantes atividades do setor econômico
criativo, representam hoje aproximadamente 2,64% do Produto Interno Bruto (PIB)
Nacional, ou seja, R$ 155,6 bilhões de toda a riqueza produzida no Brasil.

De acordo com a FIRJAN (2016, apud VIDIGAL; SIQUEIRA, 2017), o setor apresentou
um crescimento acumulado de quase 70% nos últimos 10 anos (FIRJAN, 2014), constituindo-
se em 3,5% da cesta de exportação brasileira (OAS, 2013), contribuindo com 11,4% de valor
econômico adicionado ao total geral da economia brasileira (IBGE, 2013), mobilizando
um mercado interno de aproximadamente US$ 10,6 bilhões (FGV PROJETOS, 2015).

O estudo destaca alguns desafios que se apresentam, cuja superação é necessária


para que efetivamente a economia da música brasileira possa se aproveitar de todo o
seu potencial e distribua de forma mais democrática seus resultados, pois os autores
do estudo ressaltam que hoje observa-se um grande volume e diversidade da produção
simbólica autoral nacional, com importantes vantagens comparativas na produção de
conteúdos culturais.

Apenas como exemplos, constata-se um alto consumo interno de música brasileira,


mas com concentração em determinados gêneros mediados pelas majors (grandes grupos
de mídia nacionais e estrangeiros) por meio de práticas como o jabá, algoritmos e playlists,
além de uma alta taxa de informalidade dos empreendimentos musicais brasileiros,
propiciando a precarização de questões trabalhistas e previdenciárias, assim como a
precariedade do sistema nacional de circulação e infraestruturas locais e regionais.

Em seu estudo, Vidigal e Siqueira (2017) destacam que a partir de alterações


estruturais ocorridas nas cadeias produtivas da música nas últimas duas décadas,
especialmente, mas não apenas, na da música gravada, emergiu um ambiente no qual a
atuação governamental, em seus mecanismos de fomento, regulação e indução, torna-se
importante, visando propiciar o crescimento econômico orgânico e estruturado do setor
musical brasileiro, de forma a promover uma economia da música competitiva, dinâmica,
diversificada e equilibrada.

Nesse contexto, iniciou-se um processo de reflexão visando uma melhor compreensão


quanto às cadeias produtivas do setor musical brasileiro, com suas diferentes cenas,
cenários e circuitos, visando a articulação de um programa integrado para superação dos
estrangulamentos estruturais observados.

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Na prática
Assista ao documentário “Música ao lado”, de Karina Fogaça e Marcel Fracassi
(2016). O documentário aborda o contexto da música autoral brasileira por
meio da análise de pequenas casas de shows paulistanas, dos seus desafios e
da sua contribuição para a cadeia produtiva.

O primeiro desafio foi propor uma ação que tivesse como ponto central de atuação
a dimensão econômica das políticas públicas de cultura, sem abdicar de uma intervenção
que a subjugasse às dimensões simbólicas e cidadãs. Partindo de pesquisas acadêmicas
e estudos sobre essa economia, os autores apresentam a seguir propostas para uma
agenda, de maneira a possibilitar uma compreensão e atuação mais sistêmica na solução
de possíveis desafios.

Foram levantadas, metodologicamente, 24 propostas de projetos organizadas em


quatro sistemas que articulam ações e funções estratégicas de forma a possibilitar uma
otimização dos recursos institucionais e financeiros necessários, visando o desenvolvimento
do mercado da música no Brasil:

• Financiamento: criar mecanismos e arranjos de apoio financeiro a


empreendimentos e iniciativas culturais que estimulem a estruturação,
sustentabilidade e inovação das diferentes etapas dos ciclos econômicos da
música brasileira;

• Formação: disponibilizar recursos e desenvolver processos voltados ao


reconhecimento e ao desenvolvimento individual e coletivo de conhecimentos,
habilidades e atitudes relacionados às competências técnicas e gerenciais do
campo cultural, que contribuam para a profissionalização e inclusão produtiva
de agentes econômicos da música nacional e para a redução das assimetrias
regionais e sociais;

• Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação: desenvolver um conjunto articulado


e sistematizado de conhecimentos tradicionais e técnico-científicos, aplicado à
solução de problemas, ativação de oportunidades e compreensão de cenários e
dinâmicas, que contribuam para a geração de benefícios econômicos a agentes
e organizações da música brasileira, além do aperfeiçoamento de políticas
públicas na dimensão econômica da cultura; e

• Regulação: demandar a atuação indireta do Estado no mercado, por meio de


ações de adequação ou criação de marcos legais e regulatórios nos campos

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trabalhista, previdenciário, tributário e autoral, criando um ambiente propício


para o desenvolvimento e fortalecimento dos circuitos e agentes econômicos
da música brasileira.

Lembre-se
Assim como qualquer outro segmento da economia, o mercado da música
precisa se profissionalizar, adequar-se a uma sociedade mais informada,
exigente, plural e tecnologicamente conectada. Não há como fugir desse
desafio! Estudar, buscar novos conhecimentos, habilidades e desenvolver
competências, além das mais óbvias, é uma questão irrenunciável, inadiável.
Esse é o novo paradigma do mercado da música no Brasil.

1.3 Marcos técnicos do mercado da música

A necessária profissionalização dos atores no mercado da música passa pela


definição de marcos regulatórios, os quais visariam orientar os esforços no âmbito das
políticas públicas e da iniciativa privada, tendo como objetivo a melhoria da qualidade, da
produtividade e do desenvolvimento de um mercado competitivo, próspero e profissional.

Visando o desenvolvimento de um processo integrado aos marcos programáticos do


Sistema Federal de Cultura e, em especial, do Ministério da Cultura, Vidigal e Siqueira
(2017) ressaltam a tese derivada dos estudos encaminhados nos âmbitos público e privado:
a tese da tridimensionalidade das políticas públicas de cultura.

Essa proposta pode ser sintetizada da seguinte forma:

a) dimensão cidadã, alusiva ao conjunto de valores sociais construídos a partir de


uma perspectiva sociológica da cultura;

b) a dimensão simbólica, versando sobre os repertórios estéticos, operados a


partir do processo cultural; e

c) a dimensão econômica, referente ao papel da cultura no desenvolvimento


socioeconômico do país e de sua contribuição para geração de emprego, renda e
riqueza, buscando compreender o papel do Estado na redução das desigualdades
regionais, na promoção da sustentabilidade dos processos culturais e na inclusão
produtiva.

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Defrontou-se, a partir dessa delimitação, com três desafios a serem enfrentados,


sendo o primeiro deles o de estabelecer uma estratégia que tenha como foco a dinamização
econômica dos ciclos econômicos da música brasileira, sem subjugar ou desconsiderar
suas dimensões cidadã e simbólica.

O segundo desafio refere-se à necessidade de se desenvolver um programa para


a economia da música como um instrumento de exercício e fortalecimento do pacto
federativo, iniciando com a reflexão sobre os âmbitos gerenciais e programáticos do
processo, apoiado nas funções básicas do Estado: a) regulação, ou a articulação de um
sistema regulatório equilibrado e adequado às atividades econômicas e seus agentes;
b) fomento, voltado ao desenvolvimento de sistemas, mecanismos e arranjos efetivos
e contínuos de fomento técnico e financeiro; e c) indução, no sentido de gerar e gerir
referenciais técnicos, conceituais e políticos de estímulos para políticas públicas no país,
notadamente aquelas que se relacionam com o mercado brasileiro da música.

Segundo os autores (2017), há ainda o desafio de gerar uma matriz capaz de conjugar
uma visão ampla sobre um fenômeno complexo como o da economia da música no país,
priorizando sua aplicação ao conjunto de ações a serem sugeridas visando dinamizar o
mercado da música.

Saiba mais

Conheça a síntese do relatório do Ministério da Cultura sobre estratégias


para dinamizar as cadeias produtivas da música.
Acesse: <http://culturadigital.br/pna/files/2016/05/
economiadamusica_relatorio-5.pdf>.

Considerando esses três principais desafios, os autores delimitaram o escopo da


sua investigação para a elaboração do artigo “O desenvolvimento de uma agenda para
a economia da música: uma estratégia para dinamização do setor musical brasileiro”,
utilizando como referencial o Framework for Cultural Statistics, importante documento
desenvolvido pelo Instituto de Estatística da Unesco (2009), o qual propõe delimitar as
atividades econômicas e ocupações que comporiam o espectro da cultura, particularmente
a economia da música.

Com base no estudo e em diversas outras fontes de dados, os autores desenvolveram


a seguinte classificação de empreendimentos e empreendedores do setor da música,
além de um conjunto de atividades econômicas e ocupações profissionais desse mesmo
mercado.

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Quadro 1: Classificação Nacional de Atividades Econômicas ligadas à música (CNAE).

Reprodução de som em qualquer suporte


Fabricação de instrumentos musicais, peças e acessórios
Comércio varejista especializado em instrumentos musicais e acessó-
rios
Comércio varejista de discos, CDs, DVDs e fitas
Gravação de som e edição de música
Ensino de Música
Produção Musical
Atividades de sonorização e de iluminação
Gestão de espaços para artes cênicas, espetáculos e outras atividades
artísticas
Discotecas, danceterias, salões de dança e similares
Fonte: Vidigal; Siqueira (2017).

Já a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) trata do enquadramento formal


de agentes econômicos, considerando-se o seguinte conjunto de ocupações específicas,
considerando a ainda limitada correspondência ao conjunto de ocupações que possa estar
relacionado indiretamente ao campo musical:

Quadro 2: Classificação Brasileira de Ocupações.


Musicoterapeuta
Professor de música no ensino superior
Tecnólogo em produção fonográfica
Compositor
Músico arranjador
Músico regente
Musicólogo
Músico intérprete cantor
Músico intérprete instrumentista
Técnico em gravação de áudio
Técnico em instalação de equipamentos de áudio
Técnico em masterização de áudio
Projetista de som
Técnico em sonorização
Técnico em mixagem de áudio
Projetista de sistemas de áudio
Microfonista
DJ (Disc Jockey)
Supervisor de fabricação de instrumentos musicais

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Afinador de instrumentos musicais


Confeccionador de acordeão
Confeccionador de instrumentos de corda
Confeccionador de instrumentos de percussão (pele, couro ou plástico)
Confeccionador de instrumentos de sopro (madeira)
Confeccionador de instrumentos de sopro (metal)
Confeccionador de órgão
Confeccionador de piano
Restaurador de instrumentos musicais (exceto cordas arcadas)
Reparador de instrumentos musicais
Luthier (restauração de cordas arcadas)
Fonte: Vidigal; Siqueira (2017).

Como pode ser observado na classificação proposta pelos autores, há uma


diversidade de atividades e ocupações, nas quais o conhecimento sobre música e atividades
complementares oferecem promissoras oportunidades a todos que se identificam com o
setor e alimentam o querer atuar nesse ambiente.

A seguir, abordarei, como conclusão da Unidade, porém ainda de forma superficial,


o tema da moda adaptado ao setor da economia da música: o Ecossistema do Negócio da
Música.

1.4 Sistemas da economia da música

De acordo com o Sebrae (2015) em seu estudo “Música Tocando Negócios: um guia
para ajudar você a empreender na música”, o Ecossistema da Música pode ser definido
como:

[...] um conjunto formado por comunidades de negócios (show business,


indústria fonográfica e direito autoral) que se inter-relacionam no
microambiente de mercado com seus clientes, concorrentes, fornecedores
e colaboradores, mas também interagem com forças externas no
macroambiente de mercado, a saber: tecnologia, economia, política e
sociedade.

O show business refere-se à cadeia produtiva que gira em torno da apresentação


musical e do artista. A indústria fonográfica envolve a distribuição (física ou digital) de
fonogramas e de videofonogramas para o comércio atacadista, varejista ou diretamente
ao público. E o direito autoral trata da exploração econômica dos direitos de autor e dos
demais que lhe são conexos.

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Segundo o Sebrae (2015), no Brasil, as oportunidades de negócio podem ser


distribuídas em 14 atividades econômicas, identificadas segundo a Classificação Nacional
de Atividades Econômicas (CNAE) e diretamente relacionadas com a indústria da
música, abrangendo as atividades fonográficas, de direitos autorais e do show business,
contemplando todas as etapas da cadeia produtiva: formação, produção, distribuição,
promoção, comercialização e exibição de bens ou de serviços musicais.

Lembra quando eu disse que atuar no mercado da música é muito mais diverso
do que apenas pensar no artista no palco? Na verdade, há uma “cadeia produtiva”, um
conjunto de atividades conexas e complementares à atividade musical, demandando
uma necessidade de qualificação e profissionalismo para se tornar próspera. Estas são as
atividades indicadas pelo documento do Sebrae:

• reprodução de som em qualquer suporte;

• fabricação de instrumentos musicais, peças e acessórios;

• comércio varejista especializado em instrumentos musicais e acessórios;

• comércio varejista de discos, CDs, DVDs e fitas;

• gravação de som e edição de música;

• atividades de rádio;

• portais e provedores de conteúdo na internet;

• agenciamento e empresariamento artístico;

• ensino de música.

Saiba mais

Conheça a realidade do mercado musical e da cadeia produtiva da


música no Rio Grande do Sul, no artigo disponível em:
<https://revistas.fee.tche.br/index.php/indicadores/article/
viewFile/4041/3941>.

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Finalizando o Tema

Parafraseando o físico e filósofo da ciência Thomas Kuhn, um paradigma refere-se


a conceitos e práticas aceitos por determinada comunidade em um dado momento.

Como tive a oportunidade de manifestar no início dessa Unidade, o mercado da


música no Brasil é conservador, no sentido de que se romantiza práticas ultrapassadas
e preconceituosas, as quais muitas vezes inibem ou retardam a adoção de práticas
pragmáticas e efetivas para o profissional que atua no ecossistema do negócio da música.

Posso afirmar, sem qualquer receio, que, ao contrário do que se possa pensar,
profissionalismo, materializado no conhecimento, na técnica, e no uso da tecnologia,
nada tem a ver com a substituição a desvalorização do talento musical. Ao contrário,
ser um idealista pragmático é uma obrigação de qualquer profissional que queira vencer
nesse mercado.

Este é o paradigma que deve orientar e animar nossos esforços na busca de carreiras
sustentáveis econômica e financeiramente, sem que se tenha que subjugar a qualidade,
seja o que isso signifique para você.

Profissionais querem se expressar através de seus talentos e com os quais tenham


afinidade, tornando-se profissionais realizadores, empreendedores em sua área de
atuação. E nesse sentido, o mercado da música em particular e da economia criativa
em geral precisa entender a importância da qualidade na formação dos profissionais da
indústria criativa para a prosperidade individual e para a satisfação dos consumidores de
música no Brasil e o mundo.

Referências

SILVA, R.; BARLACH, L. Indústrias criativas: as transformações do mercado musical.


Revista Brasileira de Iniciação Científica, v.3, n.5, 2016.

SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. Música, tocando


negócios: um guia para ajudar você a empreender na música. Brasília, 2015.

VIDIGAL, G.; SIQUEIRA, T. O desenvolvimento de uma agenda para a Economia da


Música: uma estratégia para a dinamização do setor musical brasileiro. In: Atlas
Econômico da Cultura Brasileira, Metodologia I. Porto Alegre: Editora da UFRGS/
CEGOV, 2017.

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