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In: PEDRINI, A. G.(Org) Educação Ambiental Marinha e Costeira no Brasil.

Implantação de Trilhas Subaquáticas para uso em Educação


Ambiental em Unidades de Conservação.

Gisa Eneida Marques Machado


Cristina Aparecida Gomes Nassar
Alexandre de Gusmão Pedrini

Introdução
A atividade turística vem aumentando, anualmente, de forma gradativa em
todo o mundo, envolvendo milhões de dólares. Ecoturismo é uma modalidade que,
de forma sustentável, utiliza o patrimônio natural e cultural, incentivando e
buscando sua conservação e a formação de uma consciência ambientalista,
através da interpretação do ambiente, promovendo o bem estar das populações
envolvidas (SAAB & DAEMON, 1995). O ecoturismo possui incorporado no seu
conceito a proposta de não causar qualquer tipo de impactação negativa às áreas
naturais onde é desenvolvido. Porém, vários autores vêm mostrando que a
atividade ecoturística tanto terrestre como costeira ou submarina vem causando
sérios estragos, principalmente, em áreas protegidas, podendo em pouco tempo
descaracterizar uma região (UNDERWOOD & KENNELY, 1990; RUSCHMANN &
SOLHA, 2004; PEDRINI, 2006b; 2007; PEDRINI et al., 2007b; 2008a, b, c). As diferentes
percepções de direito a uso em áreas naturais, particularmente, em unidades de
conservação vêm gerando diversos conflitos entre comunidades inseridas nessas
unidades e seus representantes legais (CUNHA, 1993; SIMOES, 2005; PEDRINI
& PINHO, 2006; LOPES, 2006; UEJIMA, 2007). Suas motivações circulam entrem
disputa e direito pela terra, até a necessidade de geração de renda que atenda e
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satisfaça, simultaneamente, a legislação e os interesses dessas comunidades


(RUSCHMANN & SOLHA, 2004; MEDEIROS et al 2006). Veja Pedrini et al
(capítulo desse livro) para alguns exemplos de problemas e conflitos que podem
ocorrer em unidades de conservação localizadas nas regiões costeira e marinha
no Brasil.
A implantação de uma atividade ecoturística em ambiente natural tem como
necessidade primária o engajamento da comunidade local com o ambiente em
questão (BRASIL, 2005). Se de um lado, o interesse do visitante e a disposição
para atuar na atividade podem significar o sucesso ou o fracasso de um projeto,
por outro, é a participação dos moradores, que propicia à atividade, seu principal
elemento de manutenção, divulgação e gestão. Pedrini (2006b) fornece um
panorama atual de projetos brasileiros onde ocorrem forte interação entre
atividades de educação ambiental, em especial no ambiente marinho, e as
atividades de preservação, recuperação e conservação de biomas e ecossistemas
naturais.
Os atores envolvidos com o ecoturismo costeiro e marinho raramente se
reúnem para construir normas de convivência, visando uma adequada gestão dos
recursos naturais e construídos. Um exemplo disso foi a construção coletiva do
documento intitulado como “Carta da Ilha Anchieta” (2001) produto do “Workshop:
Diretrizes para Prática do Mergulho Recreativo, Turístico e de Lazer (RTL) em
Unidades de Conservação”, segundo Augustowski & Francine (2002). Esse
documento transformou-se posteriormente na Instrução Normativa nº 100 (IBAMA,
2006) que fornece as bases para a regulamentação da prática de atividades em
ambiente marinho em unidades de conservação. O documento ressalta a
importância da Educação Ambiental (EA) como fonte de informação e interação de
moradores e visitantes com o ambiente costeiro e a valorização de sua
conservação. Ele também estabelece os princípios globais para a realização de
trilhas, com a finalidade de evitar impactos negativos do mergulho.

A adoção de trilhas na Educação Ambiental Marinha e Costeira (EAMC)


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A adoção de trilhas costeiras e subaquáticas como estratégia para realizar


projetos de EA é tema ainda pouco conhecido no Brasil. Na parte costeira temos o projeto
Trilha da Vida (TV) idealizado por José Matarezi da Universidade do Vale do Itajaí. Em
vários trabalhos a TV foi caracterizada, mas o trabalho reflexivo mostrando sua
efetividade está melhor apresentado no trabalho de MATAREZI et al. (2003). Nesse
trabalho o autor a apresenta como “Trilha da Vida: Re-descobrindo a Natureza com
os Sentidos” que foi criada e desenvolvida, desde 1997, em parceria com a ONG
Movimento Verde Mar Vida – MVMV (Florianópolis, SC) com apoio da Fundação O
Boticário de Proteção à Natureza. Esse projeto caracteriza-se como um “Experimento
Educacional Transdisciplinar”, em que as pessoas vivenciam situações de olhos
vendados, exercendo intensamente o tato, olfato, paladar e audição na Floresta
Atlântica e ecossistemas costeiros.

Na parte marinha dois trabalhos são emblemáticos no Brasil. O primeiro é o


trabalho de Wegner (2002) que, na realidade é o único apresentando uma
metodologia detalhada de planejamento para a implantação de uma trilha
submarina numa ilha do estado de Santa Catarina. Porém sua preocupação foi a
de propor um produto ecoturístico. Ele inicia sua metodologia apresentando
detalhado estudo dos parâmetros ambientais como batimetria, estudos das
correntes e ventos, de locais potencialmente adequados para implantar uma trilha,
etc. Em seguida formula mapas, demarca áreas, capacita monitores e estuda as
preferências de usuários potenciais para praticar mergulhos. Nesse caso, há
preocupação de estudar os ecoturistas e suas demandas e não a população local
de baixa renda que poderia se beneficiar do ecoturismo, segundo preza o seu
conceito.
O segundo trabalho é o de Berchez et al (2005) que implantaram uma trilha
submarina na parte marinha do entorno do Parque Estadual da Ilha Anchieta,
estado de São Paulo, com o fim de realizar atividades de Educação Ambiental
Marinha aos ecoturistas que visitam essa área protegida. Esse estudo mostrou
que as atividades ecoturísticas causavam impacto negativo, mas que eram
minimizadas ou extintas quando eram ministradas preleções (“briefings”) aos
praticantes das atividades com monitores oferecidas pelo Projeto TrilhaSub da
Universidade de São Paulo. Essa atividade foi recentemente avaliada por Pedrini
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et al (2007b) tendo se mostrado eficaz como atividade de interpretação ambiental


(PEDRINI, 2007) tal como prevista pela legislação ambiental. No entanto, esse
trabalho também não envolveu a comunidade tradicional da unidade de
conservação e a trilha periodicamente precisa ser recuperada, pois não há uma
adequada manutenção da trilha e seus pontos interpretativos.
Assim, um planejamento responsável para a implantação de uma trilha
subaquática envolve etapas que antecedem a implantação e, que irão determinar
o funcionamento e a manutenção da atividade, devendo envolver a comunidade
humana da localidade. Não basta ter a idéia do projeto, é necessário adequá-lo às
necessidades, a vocação, a vontade e as expectativas dos grupos envolvidos
(moradores-visitantes-gestores). A participação da comunidade local não pode
ser simplesmente um ato de consulta aos moradores, e sim um compromisso de
atuação e contribuição permanente por parte da comunidade envolvida
(RUSCHMANN & SOLHA, 2004). Como uma etapa que antecede a implantação,
o planejamento deve cumprir uma linha de investigação construtiva. O resultado
desse planejamento não só fornecerá a disponibilidade do mercado para o
produto, mas também as necessidades dos grupos, para o efetivo engajamento na
construção das estratégias para sua implantação.
O objetivo do presente capítulo é apresentar uma metodologia para a
implantação de uma trilha subaquática em uma unidade de conservação (UC),
como forma de geração de renda a comunidades tradicionais ainda existentes
tanto nos limites da UC como no seu entorno. Busca a valorização sócio-
ambiental, através de uma atividade auto-sustentável e participativa de EA e que
se bem administrada irá auxiliar na conservação do patrimônio natural.
Será apresentado um Estudo de Caso (MACHADO, 2007) realizado no
Núcleo Picinguaba do Parque Estadual da Serra do Mar como subsídio para a
implantação de uma trilha subaquática por uma comunidade tradicional inserida
em unidade de conservação para a prática de EAM.
A Figura 1 apresenta as etapas principais para se proceder a um estudo
para planejar participativamente uma trilha subaquática para uso em EA. Cada
uma das etapas será detalhada, a seguir, para o caso estudado.
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DIAGNÓSTICO PRELIMINAR
Primeira parte

Existência e disponibilidade de local para a atividade; levantamento das


características da comunidade residente e existência de mercado para o produto.

Autorização para a realização da pesquisa


e contato com a comunidade local

LEVANTAMENTO DAS BASES NORTEADORAS

Seleção do local por Entrevista com moradores Entrevista com visitantes


biólogos e moradores
Segunda parte

perfil dos futuros


perfil do visitante
gestores da atividade
Possibilidade de uso e
manejo do local selecionado Interesse pela atividade
Interesse pela atividade
Adaptação da infra Necessidade
estrutura existente de capacitação
Formas de divulgação

Conhecimento prévio do ambiente marinho

RETORNO ÀS PARTES
Terceira parte

Divulgação dos resultados das etapas anteriores para a


administração da UC e para a comunidade envolvida.

Estabelecimento
de parcerias

Figura 1: Esquema da seqüência de abordagens realizadas para o estudo de


implantação da trilha subaquática na Unidade de Conservação.

A primeira parte envolveu uma sondagem inicial onde o grupo buscou, de


forma informal, as condições básicas para o funcionamento de uma trilha
subaquática, ou seja, verificar: a) a existência e disponibilidade de um local para a
prática; b) as características da comunidade residente e c) a existência de
mercado para o produto (trilha subaquática).
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Essa parte envolveu levantamentos bibliográficos que forneceram a base


para a construção das pesquisas, formas de consulta e acesso aos grupos
envolvidos. As informações foram direcionadas ao conhecimento da extensão da
área geográfica, características do ambiente natural, origem étnica das
comunidades, legislação e entidades legais direta e indiretamente envolvidas.
Para a escolha do local para a implantação da trilha subaquática foram
realizados mergulhos autônomos e em apnéia, entre outubro de 2006 e abril de
2007. Durante os mergulhos foram feitas observações e registro de imagem dos
locais, a fim de selecionar os pontos de relevância interpretativa. As áreas
investigadas estavam todas inseridas na enseada do Cambury. Foram vistoriados
cinco pontos nesta enseada, todos eles sugeridos pelos moradores. Durante o
processo de seleção foram considerados aspectos relacionados à distribuição e
associação das principais espécies presentes nos costões (flora e fauna local) e
beleza cênica. Além destes, foram ainda considerados: segurança, presença de
pontos de interpretação sócio-ambiental, distância do ponto de acesso e formas
de deslocamento disponíveis.
Com base nos primeiros resultados, passou-se as etapas de construção e
adequação da pesquisa às características dos moradores. O passo seguinte foi o
de estabelecer contato com a direção da unidade de conservação, para autorizar o
estudo e desenhar as primeiras ações para o início do projeto. Em seguida foram
realizados contatos com os representantes das comunidades e associações
existentes no local. Com a sinalização positiva das partes envolvidas (gestores da
UC e comunidade) foi realizada uma pesquisa de opinião sobre a aceitação da
atividade.
Nessa segunda parte do projeto, o processo ganhou um caráter
investigativo onde foram levantadas as necessidades quanto ao: a) uso e manejo
do ambiente selecionado; b) treinamento das comunidades envolvidas para atuar
diretamente na manutenção e monitoramento do ambiente; c) contato e parcerias
necessárias para as campanhas de capacitação, educação ambiental e
treinamento da comunidade para atuar na atividade; d) interesse do visitante pela
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atividade; e) perfil do visitante e as formas de divulgação da atividade; f) local para


recepção, palestras e treinamentos.
Durante um feriado prolongado, foram realizadas cinqüenta entrevistas com
visitantes, nas praias da UC. Nessa abordagem foram enfocados dois aspectos: o
perfil do visitante e o mercado para o produto. Esses dados nortearão os cuidados
com a divulgação para o público, a orientação/explanação antes da prática da
atividade, a capacitação da comunidade para fornecer segurança e informação
para os visitantes e as melhores formas de manutenção do interesse da
comunidade visitante.
O grau de aceitação da atividade por parte dos moradores foi obtido através
de pesquisa aplicada entre a comunidade quilombola e caiçara do Cambury,
totalizando trinta questionários, de um total de 70 famílias. Esta pesquisa enfocou
três aspectos: a) o perfil da comunidade; b) o interesse da comunidade na
atividade e c) conhecimento da rotina da atividade. Essas informações
forneceram os dados que determinou se a comunidade teria interesse em atuar na
trilha e a disponibilidade em receber treinamento. A entrevista teve ainda o
objetivo de avaliar o real envolvimento da comunidade com o turismo local. Nessa
fase do trabalho, as entrevistas foram realizadas pelos monitores do Núcleo
Picinguaba, também moradores do bairro.
O resultado dessa etapa forneceu as diferentes expectativas da
comunidade para a implantação de uma nova atividade para o turismo, a visão do
mercado e da abrangência da atividade na economia local e as necessidades de
adaptação ao novo perfil exigido pela atividade. Os moradores puderam ainda
expor seus conhecimentos quanto ao ambiente natural que envolve a atividade,
suas limitações para a prática da atividade e a existência de infra-estrutura local
(recepção, armazenamento de equipamento, palestra e exposição).
O estudo buscou ainda, avaliar o conhecimento prévio dos visitantes e moradores

sobre o ambiente marinho, mais especificamente, os costões rochosos. As


informações dessa etapa serão a base para a construção de propostas de temas e
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conteúdos para as atividades de divulgação, palestras e cursos. Com essa


finalidade foram realizadas atividades lúdicas como jogo-da-velha com algas,
“Quebra-cabeça” de seis faces e “Jogo-da-memória” com organismos marinhos e
“Seu Mestre mandou” catar o lixo (figura 2) na praia de maior visitação, que
possibilitaram o contato com diferentes faixas etárias, tanto de moradores quanto
de visitantes.

Figura 2: Atividades lúdicas realizadas na praia de maior visitação na UC.

Em uma terceira etapa os resultados foram apresentados aos gestores do


parque e a comunidade local, com as devidas adequações ao público alvo
(relatórios e reuniões).

1. Diagnóstico preliminar
1.1.Caracterização a comunidade onde a trilha poderá ser instalada
A Enseada do Cambury compõe o conjunto de enseadas que recorta a
região costeira do Núcleo Picinguaba, estado de São Paulo, sendo um dos
ambientes procurados pelo turismo ecológico para, entre outras atividades, a
prática de esportes náuticos como o “surf” e o mergulho autônomo, este último
com suas variações sujeitas a normas e fiscalização em áreas protegidas
(Figura 3).
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Figura 3: Localização da Enseada do Cambury no Núcleo Picinguaba


(Município de Ubatuba – São Paulo).

O bairro do Cambury (Núcleo Picinguaba) localizado no município de


Ubatuba, possui comunidades tradicionais (quilomboa e caiçara), que na década
de 60 sofreram diferentes tipos de intervenções, como a construção da BR-101 e
a incorporação ao Parque Estadual da Serra do Mar. Em função dessas
intervenções, houve o desencadeamento de um turismo intenso e um avanço da
especulação imobiliária. A inserção de 100% de seu território na unidade de
conservação, impossibilitou que a comunidade continuasse com seus costumes
tradicionais seculares. Atualmente, as poucas áreas de roças remanescentes e a
pesca artesanal não conseguem fornecer o sustento mínimo para a população
que, em determinadas épocas do ano, sofre com a falta de alimento. O contato
direto com os visitantes ocorre em épocas de feriados, temporadas e férias
escolares. Alguns moradores receberam treinamento e capacitação para serem
incorporados nas rotinas das atividades desta unidade como funcionários braçais,
cozinheiros, vigilantes ou monitores ecológicos, atuando dentro das diretrizes que
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regem as atividades desenvolvidas em áreas de proteção ambiental. Apesar dos


esforços em aproveitar o potencial local nas atividades desta UC, muitos
moradores ainda se encontram desempregados e sem opção de renda.

1.2. Autorização para a realização da pesquisa


Uma vez que o trabalho seria realizado em uma UC foi fundamental a anuência
dos gestores para a realização dos estudos de campo e contato com a
comunidade local.

2. Levantamento das bases norteadoras


2.1. A seleção do local da trilha
O local selecionado para a trilha subaquática foi um costão rochoso com
acesso a partir da principal praia da comunidade do Cambury. Nesse trecho da
enseada já existem quiosques de alimentação e diversos “campings”. O local
atendeu a todos os requisitos, tendo ainda como atrativos a presença de cultivo de
mariscos, pesca de cerco e a existência de práticas históricas da comunidade.
Todas essas atividades poderão compor o conteúdo de interpretação e enriquecer
o roteiro da visita. Um local alternativo seria o lado oposto da enseada, no entanto,
o trecho já é utilizado como ponto de entrada e saída dos barcos de pesca.
Segundo os próprios moradores, essa atividade colocaria em risco os
mergulhadores.

2.2. Interesse dos moradores pela atividade


As atividades atualmente desenvolvidas pelos moradores (Figura 4) se
dividiram entre aquelas relacionadas ao turismo (30%), trabalhos realizados na
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comunidade (20%) e aqueles que se encontram desempregados (20%).

sem atividade
atividades

comunidade científica

turismo

0 10 20 30 40
percentagem (%)

Figura 4: Atividades desenvolvidas pelos moradores do Bairro do Cambury.

A expectativa da comunidade em relação à trilha subaquática foi


conservadora, como pode ser observado na figura 5. Muitos vêem com reservas a
trilha como atividade transformadora de sua realidade, possivelmente, em função
de expectativas anteriormente frustradas, com projetos semelhantes. A falta de
acesso à energia elétrica é um ponto marcante no dia-a-dia da comunidade.

atrair o turismo

geração de renda para os moradores

conscientização para a comunidade


expectativa

conscientização para o turismo não predatório

controle e valorização do ambiente

capacitação para o ecoturismo

oportunidade para o comercio local

0% 20% 40% 60% 80% 100%


alta media baixa

Figura 5: Expectativa da comunidade em relação à implantação da trilha


subaquática.
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Mesmo diante desse quadro, cerca de 75% dos entrevistados gostaria de


receber treinamento para atuar como monitor na trilha subaquática. Entre os
possíveis motivos que levariam ao impedimento em participar deste treinamento,
85% indicaram a falta de equipamento e 15% o fato de não saberem nadar. A
maior parte dos moradores entrevistados já participaram das atividades oferecidas
pelo parque (passeios terrestres e aquáticos, palestras e apresentação de vídeos).
A pesquisa indicou que 80% dos moradores possui alguma experiência em
práticas de atividades em ambiente marinho. Destes, a maioria atua na pesca
(63%), seguida de mergulho (27 %) e atividades diversas (10%).
Alguns moradores além de utilizarem suas embarcações para a pesca,
também disponibilizam as mesmas, para visitas turísticas às praias e ilhas de
difícil acesso. Já durante as etapas de coleta de dados, os moradores se
empenharam em efetuar mudanças em suas embarcações, para melhor adequá-
las a prática da atividade proposta. Com base nas informações obtidas na
pesquisa, já foram providenciados: piso antiderrapante para as lanchas de
alumínio, coberturas, escadas para embarque e desembarque, recipientes para
acomodação do material a bordo e kits de primeiros socorros.
Apesar do grande conhecimento do mar, a maioria dos entrevistados
demonstrou desconhecimento de qualquer atrativo que possa levar os turistas,
que não buscam a pescaria como fonte de lazer, até o costão e a visitar a região
submersa. Com exceção de uma estrutura utilizada como recife artificial, os
próprios pescadores só tinham conhecimento do potencial da área, para cerco de
peixes.
Os moradores se mostraram preocupados com a falta de equipamento
adequado para o início da atividade. Esse resultado aponta para consciência da
comunidade em seus limites financeiros e dificuldades de se equiparem para o
início do processo de treinamento (material básico de mergulho em apnéia, bóias,
placas etc). Em função desse resultado, foram realizados contatos preliminares
com algumas empresas que já se mostraram interessadas em participar do
projeto, através da doação ou venda de material a preço de custo.
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2.3. Interesse dos visitantes pela atividade


O perfil dos visitantes indicou que 12% possuíam pós-graduação e 48%
possuíam graduação. Quanto à cidade de origem, 80% são oriundos de cidades
costeiras e 20% do interior. As atividades na praia são a razão de 58% dos
entrevistados procurarem o parque, o restante se divide entre as diversas
atividades e visitas disponibilizadas aos visitantes (ex. visita a Casa da Farinha,
Passeio de Bote no Mangue). Dentre os que procuram atividades na praia (Figura
6), o mergulho livre é o que possui a maior percentagem de adeptos (50%). A
quase totalidade dos que realizam essa atividade (92%), gostaria de participar da
trilha subaquática.

60
50
percentagem (%)

40
30
20
10
0
Mergulho

Aula de

"Banana

esportiva
Campo

de barco
Passeio

Pesca
Boat"

Atividades

Figura 6: Atividades procuradas pelos visitantes que buscam a praia como


opção de lazer.
Os visitantes receberam uma lista com seis itens para que indicassem a
ordem de importância das características mais importantes no monitor da trilha. A
característica “ter conhecimento do ambiente a ser visitado” ficou em primeiro
lugar (72%), o que destaca a importância da capacitação dos monitores antes do
início da atividade e a confiança que os visitantes possuem no indivíduo que
executa tal atividade. Outro item que mereceu destaque foi a preocupação com a
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segurança, já que 24% consideraram importante que o “monitor esteja equipado


com material de segurança e primeiros socorros”.
Quando indagado sobre a melhor forma de divulgação da trilha subaquática
(Figura 7), os visitantes consideraram que a melhor forma de divulgação seria
através do “site” do parque (44%), seguido da divulgação nas pousadas da região
(24%). Deve-se destacar que a opção “não divulgar” ficou em terceiro lugar
(14%). Formas mais populares de divulgação (correio, rádio e folhetos) foram
descartadas. Tal fato, de certa forma, evidencia o nível social dos participantes.
percentagem (%)

50
40
30
20
10
0
não divulgar

combustível
Pousadas

jornais

radios
correio

folhetos
"site"

postos de

forma de divulgação

Figura 7: Melhores formas de divulgação da trilha subaquática segundo os


visitantes.

A pesquisa foi bem recebida pelos participantes (moradores e visitantes),


que se mostraram dispostos a colaborar e interessados no produto final do
trabalho. A sondagem de planejamento também contou com um levantamento de
impedimentos ou incidentes que desvalorizariam a atividade (Figura 8). Os
resultados apontaram para os defeitos e falhas relacionados à manutenção e
conservação do equipamento como o mais grave.
15

45
Problemas que podem inviabilizar um embarque

30
15
seguro.

0
Falha no motor
Falta de espaço na embarcação

Dificuldade no embarque e

Motor vazando oleo

Motor fumaçando

Piso derrapando

Partes cortantes na embarcação

Higiene da embarcação

Higiene do equipamento

Equipamentos defeituosos

Ausencia de coletes salva-vidas


desembarque

Figura 8: Problemas que desvalorizam e inviabilizam a prática da atividade.

Os visitantes quando indagados se estariam dispostos a pagar pelo


acompanhamento de monitores ao longo da trilha, afirmaram que sim, no entanto,
os valores informados foram inferiores a expectativa da comunidade. Na verdade
o valor sugerido pelos potenciais gestores da atividade, se assemelha ao de
outras atividades já praticadas na unidade de conservação. A comunidade além
da trilha subaquática em si, poderá se beneficiar, indiretamente, através do
oferecimento de serviços, tais como alimentação, aluguel de roupas e
equipamentos, além da venda de artesanato local.
A pesquisa realizada junto à comunidade cientifica e estudantes praticantes
de mergulho, indicou os principais organismos que deverão constar nas palestras
que antecederam o acesso a trilha, visando evitar a ocorrência de acidentes com
os visitantes (Figura 9). Ouriços (30%) e peixe-pedra (30%) foram os organismos
mais citados. Esse problema poderá ser minimizado, com a confecção de um guia,
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contendo os principais riscos provenientes da atividade, que deverá ser oferecido


aos visitantes.

20%
30%
5%

15%
30%

ouriço peixe-pedra coral


moreía medusas

Figura 9: Organismos que oferecem riscos ao visitante ao longo da trilha.

O levantamento de campo indicou que a região possui infra-estrutura para


promover treinamento e capacitação, tanto para a atuação direta (monitores)
quanto indireta (serviços). Os acampamentos, bares e a própria associação
quilombola podem ser utilizados como elementos de atração de visitantes. Os
moradores e a direção da UC indicaram o centro cultural da comunidade como
melhor opção de localização, espaço e estrutura para expor e acomodar o material
a ser utilizado na trilha subaquática, recepção de visitantes e exposições.

2.4. Conhecimento prévio do ambiente marinho


O conhecimento prévio sobre o ambiente marinho foi avaliado durante as
atividades na praia de maior movimento do núcleo. Durante as atividades foi
possível observar o elevado conhecimento sobre o ambiente marinho e grau de
cuidado e conscientização já adquiridos pelos visitantes. Tanto as crianças quanto
os adultos, traziam noções adquiridas de fontes formais e informais. O acesso a
canais de “televisão por assinatura”, programas de informação ambiental e de
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divulgação da vida selvagem e marinha foram as formas mais apontadas, como


fonte de aquisição do conhecimento. As campanhas de educação ambiental a
serem implantadas deverão ser norteadas por esses resultados.
Quanto aos moradores, a sondagem de conteúdo indicou grande
desconhecimento do ambiente marinho. Apesar de se tratar de uma comunidade
de região costeira, os entrevistados mostraram pouco conhecimento sobre os
organismos dos costões rochosos. A base do conhecimento da comunidade se
restringia, basicamente, sobre noções dos tipos de peixes da região e seu período
de pesca. A diversidade dos organismos e suas relações biológicas, apresentada
através de jogos, foi recebida com muita curiosidade e espanto. Poucos
entrevistados tinham conhecimento mínimo desse ambiente. Ao serem
apresentados a um álbum com imagens coletadas nos costões da região, os
moradores usaram nomes populares diferentes e por vezes demonstraram
desconhecer a existência dos organismos apresentados.
Com esses dados ficou claro a necessidade de se investir na construção de
conhecimento sobre o ambiente marinho, uma vez que o aumento da
compreensão da importância do ecossistema local, certamente levará a um maior
interesse em sua preservação.

3. Retorno às partes
Divulgação dos resultados

Finalizadas as etapas de pesquisas e seleção de área para implantação da


trilha subaquática, iniciou-se a terceira etapa do projeto, onde os resultados foram
apresentados tanto à administração da UC quanto à comunidade envolvida, em
reunião aberta.
Participaram da reunião representantes dos monitores ecológicos (já atuam
na região), pescadores e suas esposas, além de líderes comunitários.
A reunião teve início com a atividade de dinâmica de grupo (turbilhão de
palavras), que visou despertar a atenção da comunidade para as questões que se
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relacionam a manutenção e aspecto geral da localidade onde a trilha será


implantada. Juntos eles foram capazes de detectar os principais aspectos
negativos que hoje afastam os turistas da praia onde a comunidade está instalada.
Esses aspectos são a presença de lixo, o uso de drogas e o consumo de bebida
alcoólica em local público. Os participantes discutiram ainda modelos de placas
para sinalização e formas de inibir práticas ilegais na comunidade.
Após as discussões iniciais foram apresentados os resultados da pesquisa.
Os participantes perceberam a importância dos resultados obtidos como
instrumento norteador na elaboração do projeto da trilha, especialmente, no que
diz respeito: ao nível de escolaridade como diferencial do turista da região; ao
interesse do visitante por áreas preservadas e pelo mar; às atividades já
realizadas em outras regiões costeiras, a disposição para participar da trilha
subaquática; os impedimentos e riscos como pontos de maior atenção durante a
implantação, as formas de divulgação, a importância da manutenção do ambiente
e dos equipamentos.
Durante a exibição do vídeo com as imagens subaquáticas coletadas na
região escolhida para a trilha, os participantes mostraram admiração e entusiasmo
com a atividade. Muitos dos participantes estavam vendo pela primeira vez o
fundo do mar da praia onde moram. Após o esclarecimentos das dúvidas e do
debate entre os participantes, o grupo percebeu o leque de abrangência da
atividade e as oportunidades que poderiam advir da mesma. Os moradores
demonstraram conhecimento das limitações de conteúdo específico e da
necessidade de parcerias, para obter capacitação nas diferentes áreas e setores a
serem desenvolvidos. Foi demonstrado um interesse específico em itens como:
hotelaria, higiene alimentar, artesanato, venda e manutenção de equipamentos
fotográficos, confecção de postais entre outros.
No decorrer da apresentação o grupo verbalizou muitas vezes a
necessidade de campanhas de educação ambiental para a comunidade, para que
todas as atividades sejam desenvolvidas dentro de modelos ecologicamente
corretos.
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Considerações finais
Vale ressaltar, que a implantação desta atividade está diretamente voltada
às necessidades econômicas eminentes da comunidade. A idéia de implantar
uma trilha subaquática está sendo sugerida como forma de atrair o visitante para
essa enseada da UC, descentralizando o acesso a uma área muito visitada e
proporcionando oportunidade de expansão da economia local para um outro bairro
(Cambury). Esse objetivo vai de encontro ao Tratado Internacional de Educação
Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global (TEASS) que
cita como um dos itens do plano de ação, a busca por “alternativas de produção
autogestionária apropriadas econômicas e ecologicamente, que contribuam para
uma melhoria da qualidade de vida”.
A presente proposta se enquadra perfeitamente nas linhas de ação e
estratégias do Programa Nacional de Educação Ambiental-ProNEA (BRASIL,
2005), especialmente, quanto ao fato de estimular e apoiar a “inserção da
educação ambiental nas práticas de ecoturismo, visando garantir a
sustentabilidade social, ecológica e econômica das comunidades receptoras e
proporcionando uma interação adequada dos turistas com os ecossistemas
locais”.
A comunidade recebeu os resultados com entusiasmo e demonstrou
interesse em manifestar-se junto aos representantes da administração da UC e
em dar continuidade ao projeto. Uma iniciativa que tem como objetivo fornecer
uma opção de geração de renda, aliada a gestão e sustentabilidade social, cultural
e ambiental, certamente contará com o apoio da administração da UC. Os
gestores da UC têm demonstrado o interesse em implantar e divulgar o projeto de
trilha subaquática nessa e em outras comunidades da região.
A proposta da trilha subaquática executada pela comunidade se enquadra
na lista de finalidades que envolvem a educação ambiental mencionada por Dias
(2001), dentre elas a de: promover a compreensão da existência e da importância
da interdependência econômica, social, política e ecológica; proporcionar a todas
as pessoas a possibilidade de adquirir os conhecimentos, o sentido dos valores, o
interesse ativo, e as atitudes necessárias para protegerem e melhorarem o meio
20

ambiente; induzir novas formas de conduta, nos indivíduos e na sociedade, a


respeito do meio ambiente.
O contato direto com os visitantes identificou que estes possuem um alto
nível de conhecimento do ambiente marinho e também um alto grau de cuidado e
conscientização, no que diz respeito à conservação do ambiente. Tanto as
crianças quanto os adultos trazem noções adquiridas de fontes formais e
informais. As palestras e exposições que antecederam a participação na trilha
deverão obrigatoriamente, levar essas características em consideração.
Para que a trilha cumpra seu papel de formação e construção de uma
mentalidade ambientalista, preleções e um acompanhamento atento aos
mergulhadores, deve ocorrer durante toda a atividade, evitando-se o máximo
possível os impactos negativos sobre a comunidade marinha (Pedrini et al 2007a;
Berchez et al 2005). Devem ser estabelecidos procedimentos e cuidados antes da
implantação da trilha, nos moldes dos que já ocorrem em trilhas interpretativas
marinhas em localidade do litoral paulista (Pedrini et al 2007a).
Outro problema que deve ser destacado é o pequeno número de
funcionários lotados no parque, que são insuficientes para a manutenção e
fiscalização de toda a área. Portanto, toda e qualquer atividade nova, que venha a
ser implantada, deverá ser mantida e conservada (inclusive equipamentos) pelo
empreendedor, nesse caso, a própria comunidade com apoio de patrocinadores.
Tratada como instrumento da gestão ambiental a trilha subaquática extrapola sua
dimensão social e passa a ser ainda uma forma de fiscalização e monitoramento.
A exemplo do que já existe em outras trilhas subaquáticas, fichas de
identificação dos organismos mais conspícuos estão sendo produzidas e serão
fornecidas à comunidade, a fim de tornar a atividade mais participativa e
educativa. As fotografias subaquáticas e dados sobre a biologia e ecologia dos
organismos serão adaptados a painéis permanentes que ficaram em exposição no
centro de visitantes (Berchez et al 2007). Os cursos de capacitação de monitores
e de introdução à biologia marinha estão sendo planejados para serem
executados antes da próxima temporada de férias de verão.
21

A consciência de que os coordenadores que atuarem nas etapas a seguir


serão mediadores de um processo, é prioritário para o sucesso desta atividade.
Ficou claro para a administração desta UC que as diversas tentativas anteriores
de implantar formas de gestão nesta comunidade fracassaram, quando seus
idealizadores apresentaram modelos prontos e rápidos.
Todo o processo de implantação da trilha subaquática deve envolver a
participação da comunidade em cada momento de criação. Cada idéia, cada
detalhe tem que existir como fruto dos costumes locais, para que durante as fases
futuras, todos vejam em cada placa, cada enfeite, cada visitante satisfeito o
reflexo de seus sonhos e a lembrança de como o processo foi construído.

Resumo
O presente capítulo apresenta uma metodologia para a implantação de uma trilha
subaquática em uma unidade de conservação, como forma de geração de renda
para as comunidades tradicionais e como estratégia para a realização de projetos
de educação ambiental. O estudo de caso apresentado foi desenvolvido na
Enseada do Cambury no Parque Estadual da Serra do Mar-Núcleo Picinguaba
(Ubatuba-São Paulo) e foi executado em três etapas: 1) estudo preliminar para
caracterização da comunidade local, da existência do mercado e para a escolha
do local de implantação da atividade; 2) levantamento das bases norteadoras
(ambiente, comunidade e visitantes) e 3) retorno às partes com a divulgação do
resultado junto à administração da unidade de conservação e à comunidade
envolvida. O resultado indicou que deverá ser feito um grande esforço na
capacitação dos moradores para atuarem na trilha, bem como na infra-estrutura
para a recepção dos visitantes. O trabalho teve a efetiva participação da
comunidade que viu com entusiasmo o potencial da atividade e demonstraram
grande interesse em implantá-la.
Palavras chave: ecoturismo, unidade de conservação, trilha subaquática,
educação ambiental, comunidades tradicionais, zona costeira.
22

Abstract
This chapter presents a methodology to implement an underwater trail at a
conservation unit as a way to provide incomes to traditional communities and as a
strategy to the development of environmental educational projects. The case
presented was carried out at Enseada do Cambury in the Serra do Mar State Park-
Picinguaba Unit (Ubatuba-São Paulo) and was conducted in three stages: 1)
characterization of the local community by an informal approach, search for a
potential market and for a site to implement the activity; 2) basic survey of the
environment, visitors and local community and 3) report of the results to the
conservation unit administration and the community involved. The results indicated
that a strong effort must be applied to improve the local working skills to act on the
trail. It also indicated that the present infra-structure must be adapted to better
serve the visitors. The community worked effectively on this study, showing
enthusiasm with the potential of the activity and the possibility of it implementation
soon.
Key-words: ecotourism, conservation unit, underwater trail, environmental
education, traditional communities, coastal zone.

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