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Procedimento

Operacional Padrão
POP/UNIDADE DE REABILITA-
ÇÃO/019/2015
Oxigenoterapia Hospitalar em
Adultos e Idosos
Versão 1.0

UNIDADE DE
REABILITAÇÃO
Procedimento Operacional
Padrão

POP/UNIDADE DE REABILITAÇÃO/019/2015
Oxigenoterapia Hospitalar em Adultos e Idosos

Versão 1.0
® 2015, Ebserh. Todos os direitos reservados
Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh
www.Ebserh.gov.br

Material produzido pela Unidade de Reabilitação do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do


Triângulo Mineiro / Ebserh
Permitida à reprodução parcial ou total, desde que indicada a fonte e sem fins comerciais.

Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ministério da Educação

POP: Oxigenoterapia Hospitalar em Adultos e Idosos – Unidade de Reabi-


litação do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo
Mineiro – Uberaba: EBSERH – Empresa Brasileira de Serviços Hospitala-
res, 2015.

Palavras-chaves: 1 – POP; 2 – Terapia Inalatória com Oxigênio; 3 – Hospi-


talar
HOSPITAL DE CLÍNICAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO
ADMINISTRADO PELA EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES
(EBSERH)
Avenida Getúlio Guaritá, nº 130
Bairro Abadia | CEP: 38025-440 | Uberaba-MG
Telefone: (034) 3318-5200 | Sítio: www.uftm.edu.br

ALOIZIO MERCADANTE OLIVA


Ministro de Estado da Educação

NEWTON LIMA NETO


Presidente da Ebserh

LUIZ ANTÔNIO PERTILI RODRIGUES DE RESENDE


Superintendente do HC-UFTM

AUGUSTO CÉSAR HOYLER


Gerente Administrativo do HC-UFTM

DALMO CORREIA FILHO


Gerente de Ensino e Pesquisa do HC-UFTM

MURILO ANTONIO ROCHA


Gerente de Atenção à Saúde do HC-UFTM

JUVERSON ALVES TERRA JUNIOR


Chefe do Setor de Apoio Terapêutico do HC-UFTM

RENATA DE MELO BATISTA


Chefe da Unidade de Reabilitação do HC-UFTM

EXPEDIENTE

Unidade de Reabilitação do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo


Mineiro

Produção
HISTÓRICO DE REVISÕES

Autor/responsável por
Data Versão Descrição Gestor do POP
alterações

Trata da padronização do uso da


15/10/2015 1.0 oxigenoterapia em adultos e Renata de Melo Batista Mayara Simões
idosos no ambiente hospitalar
SUMÁRIO

OBJETIVO ...................................................................................................................................7

GLOSSÁRIO ...............................................................................................................................7

APLICAÇÃO ...............................................................................................................................7

I. INFORMAÇÕES GERAIS ..............................................................................................8

Introdução..................................................................................................................................8

Objetivos ...................................................................................................................................9

Indicações ................................................................................................................................10

Orientações segundo Guideline British Thoracic Society .......................................................10

Sistemas de administração .......................................................................................................12

Sistemas de baixo fluxos.......................................................................................................13

Cateter nasal .....................................................................................................................13

Cateter tipo óculos ou cânula nasal ..................................................................................13

Máscara facial simples .....................................................................................................14

Máscara com reservatório ................................................................................................14

Máscara de traqueostomia ................................................................................................15

Sistema de alto fluxo ............................................................................................................16

Máscara de Venturi ...........................................................................................................16

Efeitos ...................................................................................................................................16

Efeitos Benéficos ..............................................................................................................16

Efeitos Deletérios ..............................................................................................................17

II. DESCRIÇÃO DA TAREFA ...................................................................................................18

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Conduta .................................................................................................................................18

Oxigenoterapia por cateter nasal ........................................................................................18

Oxigenoterapia por cateter tipo óculos ou cânula nasal ....................................................19

Oxigenoterapia por máscaras .............................................................................................19

III. FLUXOGRAMA ....................................................................................................................20

REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................................................22

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OBJETIVO

Padronizar, entre a equipe de fisioterapeutas do Hospital de Clínicas da Universidade Federal


do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), o uso e a oferta de oxigênio em ambiente hospitalar em pacien-
tes adultos e idosos.

GLOSSÁRIO

HC-UFTM – Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro


DF – Distrito Federal
Ebserh – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
Ed. - Edifício
POP – Protocolo Operacional Padrão
O2 – Oxigênio
BTS - British Thoracic Society
IRpA – Insuficiência Respiratória Aguda
PaO2 - Pressão arterial de oxigênio
PaCO2 - Pressão arterial de gás carbônico
mmHg – Milímetros de mercúrio
SpO2 - Saturação periférica de oxigênio
DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
CO2 – Gás Carbônico
NBZ – Nebulização
L/min – Litros por minuto
FiO2 – Fração inspirada de Oxigênio

APLICAÇÃO
Todos os setores de internação de pacientes adultos e idosos do HC-UFTM

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I. INFORMAÇÕES GERAIS

I.I Introdução
Em 1920, o oxigênio (O2) começou a ser utilizado como recurso terapêutico em ambiente
hospitalar. Desde então, nota-se a necessidade de uma intervenção multiprofissional, entre os profis-
sionais da área da saúde, para oferta adequada desse gás aos pacientes que necessitam fazer o uso da
oxigenoterapia. Todos os membros da equipe multiprofissional, incluindo médicos, enfermeiros, fi-
sioterapeutas, entre outros, devem estar atentos às indicações, às formas de administração do suporte
de O2, aos efeitos benéficos e deletérios, e a dosagem a ser fornecida ao paciente (LAGO, INFAN-
TINI e RODRIGUES, 2010).
A oxigenoterapia consiste na administração de O2 numa concentração de pressão superior à
encontrada na atmosfera ambiental para corrigir e atenuar deficiência de O2 ou hipóxia, aplicada tan-
to em situações clínicas agudas quanto crônicas (LAGO, INFANTINI e RODRIGUES, 2010).
Em 2008, a British Thoracic Society (BTS) publicou a primeira orientação sobre o uso emer-
gente de O2 em adultos. O O2 médico, como outros gases médicos, é considerado um medicamento e
deve ser prescrito. A prescrição deve respeitar as indicações definidas e incluir as especificações da
dose, sistema de administração, duração da terapia e monitorização (O’DRISCOLL, HOWARD e
DAVISON, 2008).
A razão mais comum para a utilização da oxigenoterapia é a insuficiência respiratória aguda
(IRpA), em que há impossibilidade do sistema respiratório manter os valores da pressão arterial de
oxigênio (PaO2) e/ou da pressão arterial de gás carbônico (PaCO2) (LINDAHL, 2008). A American
Association for Respiratory Care cita, como principais indicações de oxigenoterapia, pacientes com
PaO2 < 60 mmHg ou saturação periférica de oxigênio (SpO2) < 90%, em ar ambiente, e/ou SpO2 <
88% durante exercício ou sono em portadores de doenças cardiorrespiratórias (KALLSTROM,
2002).
A impossibilidade do sistema respiratório em manter os valores adequados dos gases no san-
gue é devido a dois fatores: primeiramente, a hipoventilação, ou seja, quando ocorre a oxigenação
inadequada dos pulmões, por algum motivo; e em segundo, a incapacidade dos tecidos em utilizar o
O2, seja por uma doença pulmonar, que provoque alteração nas trocas gasosas, diminuindo os níveis
de O2 nos alvéolos e consequentemente, na corrente sanguínea, ou, seja por uma doença cardíaca,
que afete o transporte de O2 aos tecidos (GUYTON, 1997).
As manifestações clínicas mais comuns da hipoxemia são (GUYTON, 1997):
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 Hipoxemia leve a moderada:
o Taquipneia/Dispneia
o Palidez
o Taquicardia
o Agitação
o Desorientação
o Cefaleia
o Hipertensão leve
o Vasoconstrição periférica
 Hipoxemia grave:
o Taquipneia/Dispneia
o Cianose
o Taquicardia/bradicardia/arritmias
o Sonolência
o Confusão mental/tempo de reação lenta
o Hipertensão e hipotensão eventual
o Perda de coordenação
o Baqueteamento
o Coma

I.II Objetivos
O principal objetivo da oxigenoterapia é aumentar a quantidade de O2 carreado no sangue pe-
las hemoglobinas até o tecido (LAGO, INFANTINI e RODRIGUES, 2010), ou seja, visa-se reverter
o quadro de hipóxia tecidual, que se caracteriza pela diminuição dos níveis de O2 existentes nos teci-
dos e órgãos, não havendo O2 suficiente para realização das funções metabólicas normais, ocasionan-
do a morte celular (GUYTON, 1997).
Além disso, o uso do suporte de O2 visa: aumento da sobrevida e da tolerância ao exercício,
diminuição do tempo de hospitalização, diminuição da dispneia, diminuição da pressão da artéria
pulmonar e resistência vascular pulmonar, melhora do desempenho psicomotor e melhora da quali-
dade de vida (LAGO, INFANTINI e RODRIGUES, 2010).

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I.III Indicações

A oxigenoterapia é indicada sempre em situações de hipoxemia, ou seja, quando a PaO2 ‹


60mmHg e SpO2 ‹ 90%, em ar ambiente e repouso, e/ou SpO2 < 88% durante exercícios ou sono em
cardiopatas ou pneumopatas (LAGO, INFANTINI e RODRIGUES, 2010).

Além disso, o suporte de O2 é indicado em casos de:


 Parada Cardiorrespiratória (através do manejo do ressuscitador manual);
 Infarto Agudo do Miocárdio (como forma de diminuir a sobrecarga cardíaca);
 Intoxicação por gases (principalmente o monóxido de carbono);
 Traumatismos graves;
 Angina instável;
 Recuperação pós-anestésica (procedimentos cirúrgicos);
 Insuficiência respiratória aguda ou crônica agudizada;
 Insuficiência cardíaca congestiva;
 Apneia obstrutiva do sono;

I.IV Orientações segundo Guideline BTS (O’DRISCOLL, HOWARD e DAVISON, 2008).

- A oxigenoterapia é um tratamento da hipoxemia e não da sensação de falta de ar, ou seja, é com-


provado que pacientes que sentem dispneia, porém não estão hipoxêmicos, não se beneficiam do su-
porte complementar de O2;
- Todos os pacientes que fizerem uso do O2 devem ser monitorados quanto à oximetria de pulso, a-
través de um oxímetro;
- Oxigênio deve ser prescrito para atingir uma saturação-alvo de 94-98% para a maioria dos pacien-
tes graves, ou 88-92% para aqueles em risco de Insuficiência Respiratória do tipo Hipercápnica;
- A equipe deve ser treinada para ofertar o gás na medida necessária e de forma correta;
- A oxigenoterapia deve estar prescrita no receituário médico, todos os dias até a sua interrupção;
- A faixa de saturação alvo recomendado para pacientes com doença aguda não em risco de insufici-
ência respiratória é 94-98%. Alguns indivíduos normais, especialmente pessoas com idade igual ou

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maiores de 70 anos, podem ter medidas de SpO2 abaixo de 94% e não necessitam de terapia de oxi-
gênio quando clinicamente estável;
- Para a maioria dos pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) ou outros fatores
de risco conhecidos para insuficiência respiratória (por exemplo, obesidade mórbida, deformidades
da parede torácica ou desordens neuromusculares), uma meta de saturação de 88-92% é sugerido en-
quanto se aguarda a disponibilidade de resultados de gases no sangue;
- Sempre manter o paciente posicionado em uma postura mais reto possível (ou a postura mais con-
fortável para o paciente), a menos que haja boas razões para imobilizar o paciente, por exemplo,
traumas medulares ou esqueléticos;
- A SpO2 deve ser verificadas pela oximetria de pulso por equipe treinada, em todos os pacientes com
queixas de dispneia e com doença aguda (suplementada por gasometria arterial, quando necessário);
- A gasometria arterial é necessária nas seguintes situações:
a) Todos os pacientes criticamente enfermos;
b) Hipoxemia inesperada ou inadequada (SpO2 < 94%) ou qualquer paciente que necessita de
O2 para atingir esse intervalo alvo;
c) A deterioração da SpO2 ou aumento da falta de ar em um paciente com hipoxemia previa-
mente estável (por exemplo, DPOC);
d) Qualquer paciente com fatores de risco para Insuficiência Respiratória hipercápnica que
desenvolve dispneia aguda, diminuição da SpO2 ou sonolência ou outros sintomas de reten-
ção de CO2;
e) Pacientes com dispneia que podem apresentar risco de condições metabólicas, tais como
cetoacidose diabética ou acidose metabólica por insuficiência renal;
f) Pacientes com falta de ar aguda que apresentem perfusão periférica comprometida, no qual
não conseguem obter um sinal de oximetria confiável.
- Mulheres grávidas que sofrem de grande trauma, sepse ou doença aguda (relacionados com diminu-
ição líquido amniótico, embolia, eclâmpsia ou hemorragia pré-parto ou pós-parto) devem receber a
mesma terapia com O2 como quaisquer outros paciente, com um alvo de SpO2 = 94-98%;
- Grávidas com Insuficiência Cardíaca com Hipoxemia devem fazer uso da oxigenoterapia durante o
trabalho de parto;
- O uso de oxigênio durante o parto é generalizada, mas há evidência de que isto pode ser prejudicial
para o feto, portanto, o uso de oxigênio durante o parto não é recomendado atualmente em situações
em que a mãe não é hipoxêmica;
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- Todos os documentos que registram medidas de oximetria devem indicar se o paciente está respi-
rando o ar ambiente ou em uma dose especificada de oxigênio suplementar;
- A falta de uma prescrição não deve impedir a oferta de O2, sendo dada quando necessário em uma
situação de emergência. No entanto, um registo escrito subsequente deve ser feito;
A umidificação não é necessária para a entrega de baixos fluxos de O2 ou para o uso a curto
prazo de O2 de alto fluxo. É necessário usar O2 umidificado para pacientes que necessitam de:
 sistemas de alto fluxo por mais de 24 horas ou que relatam desconforto das vias aéreas superiores
devido à secura;
 Na situação de emergência uso de oxigênio umidificado pode ser confinada a pacientes com tra-
queostomia ou com vias aéreas artificiais;
 A umidificação pode também ser benéfica para pacientes com secreções viscosas causando difi-
culdade com expectoração;
 Para pacientes com asma, a nebulização (NBZ) deve ser realizada através do O 2 canalizado. O
paciente deve ser alterado novamente para sua máscara de costume quando a terapia de NBZ estiver
completa;
 Em casos de pacientes com acidose hipercápnica, os portadores de DPOC, a NBZ deve ser condu-
zida por ar comprimido e, se necessário, deve-se ofertar O2 suplementar concomitantemente por câ-
nula nasal de 2-4 L/min para manter uma SpO2 de 88-92%.

I.V Sistemas de administração


Para realização da oferta de O2 suplementar, existem dois tipos de sistemas: o sistema de bai-
xo fluxo e o de alto fluxo.
A forma de administração da oxigenoterapia irá depender de diversos fatores, dentre eles: se
o paciente é respirador oral ou nasal, do fluxo necessário a ser ofertado, do grau de desconforto respi-
ratório do paciente, da gravidade da hipoxemia, da necessidade ou não de umidificação e, principal-
mente, deve-se levar em consideração a tolerância do paciente (SARMENTO, 2010).
Para garantir uma oferta adequada de O2, deve-se, inicialmente, posicionar o paciente de ma-
neira correta, o mais reto possível, na posição supino, com a cabeceira elevada à 45-60º, o mais con-
fortável possível.
Após o posicionamento, deve-se atentar à patência de vias aéreas. É de suma importância pa-
ra o sucesso na oxigenoterapia, a via aérea do paciente esteja pérvia, ou seja, sem obstruções, como
secreções. Por isso, antes mesmo da oferta de O2 ou do aumento do fluxo ofertado ao paciente, deve-
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se realizar a higienização das vias aéreas, através de manobras fisioterapêuticas, seguidas ou não pela
aspiração da via aérea, se necessário.
Quanto à necessidade ou não da umidificação nos sistemas de alto e baixo fluxos, verifica-se
que, de acordo com a literatura, não se faz necessário o uso de umidificação quando oferta-se baixos
fluxos de O2, até 4 L/min pela cânula nasal, pois a própria nasofaringe consegue umidificar
corretamente esse fluxo de O2 ofertado. Porém, quando oferta-se um fluxo acima de 4 L/min faz-se
necessário o uso da umidificação, pois a nasofaringe não consegue umidificar o ar entregue às
narinas em um fluxo mais alto. Quanto aos pacientes traqueostomizados, faz-se sempre necessário, a
qualquer fluxo, o uso da umidificação artificial, pois o suporte de O2 está sendo entregue diretamente
à traqueia do paciente, não passando pela nasofaringe (KOCK KS, ROCHA PAC, SILVESTRE JC et
al, 2014).
Os sistemas de baixo de fluxo são: catéter nasal, catéter tipo óculos, máscara facial simples,
máscara com reservatório e máscara de traqueostomia. Já o sistema de alto fluxo são as máscaras de
Venturi (MACHADO, 2008).

I.V.I Sistemas de baixo fluxo:


I.V.I.I Cateter Nasal
Dispositivo constituído por um tubo plástico fino, no qual em sua extremidade distal há di-
versos orifícios pelos quais o O2 é entregue à traqueia do paciente. Esse cateter deve ser introduzido
na cavidade nasal a uma distância equivalente ao comprimento entre o nariz e o lóbulo da orelha.

www.suru.com estudianteparamedico.wordpress.com

Vantagens: barato, fácil de adquirir, não dificulta a fala e a deglutição.


Desvantagens: deve ser removido e substituído a cada 8 horas, permite um fluxo de 1-5
L/min, irritação da nasofaringe, náuseas e vômitos.
I.V.I.II Cateter tipo óculos ou cânula nasal
Dispositivo constituído por um tubo plástico com duas saídas de ar que devem ser colocadas
nas narinas do paciente, para oferta de O2. FiO2 ofertada de 24% a 40%.

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www.estaemdompedrito.com www.estaemdompedrito.com

Vantagens: confortável por longos períodos de tempo, não impede a fala, a tosse e a degluti-
ção, não invasivo, não há risco de reinalação de CO2, terapia domiciliar prolongada.
Desvantagens: permite um fluxo de O2 de 1 a 5 L/min, utilizado apenas por pacientes que são
respiradores nasais, pode causar irritação de mucosa nasal quando ofertados fluxos maiores, resse-
camento, dermatites e até sangramento nasal.

I.V.I.III Máscara facial simples


Dispositivo de oferta de oxigênio através de uma máscara conectada a um umidificador atra-
vés de um circuito. FiO2 ofertada de 40% a 60%.

www.engesp.com.br www.equipomexmedical.com

Vantagens: abrange nariz e boca, podendo ser utilizado nos pacientes respiradores nasais e
orais, permite fluxos mais altos de 4 a 15L/min, sendo que na literatura visa-se utilizar essa máscara
com um fluxo até 8 L/min, pois acima disso, a perda do O2 no ar é maior.
Desvantagens: dificulta fala, deglutição e expectoração, sensação de claustrofobia, requer um
correto posicionamento e fixação.

I.V.I.IV Máscara com Reservatório


Consiste em uma máscara acoplada diretamente a uma bolsa inflável de 1 litro. Deve ser uti-
lizada quando for necessário oferta de fluxos de 7 a 10 L/min (FiO2 60% a 100%).
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Existem dois tipos de máscara com reservatório:
1 - máscara sem reinalação, que possui uma válvula unidirecional entre a máscara e a bolsa
inflável, na qual permite a passagem apenas de O2 em um único sentido, do reservatório à máscara,
impedindo assim, a passagem de CO2 para a bolsa inflável, e consequentemente a reinalação de CO2.
Esta máscara permite uma FiO2 de 60 a 100% e deve-se haver um fluxo suficiente para evitar o co-
lapso do reservatório;
2 - máscara com reinalação parcial, que não possui a válvula unidirecional, portanto, há uma
mistura de gases (O2 e CO2) no reservatório havendo a reinalação de CO2 pelo paciente. A máscara
permite uma FiO2 de 60 a 80%, e faz-se necessário um fluxo de O2 adequado para esvaziar somente
um terço do seu conteúdo no reservatório.

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I.V.I.V Máscara de traqueostomia


Interface que consiste em uma máscara que deve ser posicionada diretamente sobre a traque-
ostomia do paciente. Essa máscara é conectada ao umidificador através de um circuito.

www.medicalexpo.es

Vantagens: permite a oferta de fluxo de 1 a 15 L/min, FiO2 (35% a 60%), permite utilizar sis-
tema de Venturi, não causa desconforto ao paciente.

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Desvantagens: requer uma adequada fixação da máscara na direção da traqueostomia, correta
higienização da interface, pode ocasionar úlcera por pressão na região da fixação da máscara, requer
umidificação contínua.

I.V.II Sistema de alto fluxo:


I.V.II.I Máscara de Venturi
Único sistema de alto fluxo que permite fornecer concentrações controladas de oxigênio (Fi-
O2 conhecidas que variam de 24 a 50%). A entrega do fluxo deve ser maior ou igual à demanda ven-
tilatória do paciente. Permite uma entrega de fluxos de O2 que variam de 40 a 78 L/min. A reinalação
de CO2 não é um problema, pois há na máscara diversos orifícios de saída de ar. Além essa disso,
esse dispositivo requer uma umidificação, devido à entrega de altos fluxos de O2 diretamente na tra-
queia do paciente.

I.VI Efeitos
I.VI.I Efeitos Benéficos
Sabe-se que o uso da oxigenoterapia acarreta diversos efeitos positivos, dentre eles (WIL-
KINS, STOLLER e KACMAREK , 2009).
 Melhora da troca gasosa pulmonar;
 Melhora do débito cardíaco;
 Vasoconstrição sistêmica;
 Vasodilatação arterial pulmonar;
 Diminuição da pressão arterial pulmonar;

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 Diminuição da resistência arterial pulmonar;
 Diminuição do trabalho da musculatura cardíaca.

I.VI.II Efeitos Deletérios


Além dos efeitos positivos, a oxigenoterapia pode ocasionar diversos efeitos deletérios, sendo
por isso, considerado um medicamento. Dependendo do tempo e da concentração de O2 inadequados,
que o paciente ficará exposto, poderá acarretar alterações no Sistema Nervoso Central, Respiratório e
Cardiovascular (WILKINS, STOLLER e KACMAREK, 2009).
Os principais efeitos deletérios ocasionados pelo uso inadequado da oxigenoterapia são
(WILKINS, STOLLER e KACMAREK, 2009):
 Toxicidade pulmonar: estudos revelam que um paciente exposto a uma FiO2 > 60% por mais de
48 horas ou uma FiO2 de 100% por 12 horas ou mais apresentam sinais de toxicidade pulmonar;
 Depressão do sistema respiratório: principalmente em pacientes com hipercapnia (DPOC), apre-
sentam rebaixamento do sistema respiratório com a presença de altas quantidades de O2 circulantes
no sangue, o que promove uma diminuição da frequência respiratória e consequentemente aumento
da hipercapnia;
 Atelectasias por absorção: altas quantidades inaladas de O2 promovem uma diminuição da quanti-
dade de outros gases dentro do alvéolo, principalmente do nitrogênio, que é um dos responsáveis por
manter o alvéolo aberto. A ausência desse gás no interior do alvéolo promove o seu colabamento e
com isso aumento das áreas de atelectasia;
 Aumento do efeito shunt e diminuição da relação V/Q: com aumento das áreas atelectasiadas, o-
correrá uma diminuição da relação ventilação/perfusão;
 Diminuição do surfactante pulmonar: altas concentrações de oxigênio inaladas interferem direta-
mente na produção de surfactantes pelos pneumócitos tipo II, gerando aumento das áreas com atelec-
tasias.
De acordo com David et al (2004), um indivíduo exposto a uma FiO2 de 100% por 12 a 24
horas, apresenta sinais de traqueobronquite, tosse seca, dor torácica subesternal, diminuição da clea-
rence mucociliar e da capacidade vital; - por 24 a 30 horas, as respostas fisiológicas seria parestesias,
náuseas, vômitos, alteração da síntese proteica nas células endoteliais e alteração na função celular; -
por 30 a 48 horas, ocorre diminuição da complacência pulmonar e da capacidade de difusão e au-
mento da diferença artério-alveolar de oxigênio; - por 48 a 60 horas, inativação do surfactante devido

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a um edema alveolar por aumento da permeabilidade da membrana alvéolo-capilar e; - por mais de
60 horas, paciente evolui com Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo com elevado risco de
óbito.

II. DESCRIÇÃO DA TAREFA

II.I Conduta

II.I.I Oxigenoterapia por cateter nasal

 Higienizar as mãos;
 Explicar o procedimento e a finalidade ao paciente;
 Reunir todo o material necessário na bandeja e colocar sobre a mesa de cabeceira;
 Preencher o frasco umidificador com água destilada, no máximo 2/3 de sua capacidade, caso
o paciente queixe de incômodo ou secura;
 Testar a saída de oxigênio na régua de gazes ou rede portátil (torpedo de oxigênio);
 Instalar o fluxômetro, caso este já não esteja na saída de oxigênio e conectá-lo ao umidifica-
dor;
 Conectar o cateter nasal a extensão e este ao umidificador;
 Calçar as luvas de procedimento não estéreis;
 Colocar o cliente em posição decúbito dorsal em semi-fowler;
 Avaliar as narinas quanto à integridade, desvio de septo e perviedade, solicitando ao cliente
que assoe uma narina e oclua a outra, identificando a mais adequada para inserir o cateter;
 Medir a distância entre a fossa nasal e o lóbulo da orelha e demarque com fita adesiva cirúr-
gica;
 Umedecer a gaze com água destilada, passar no cateter até a demarcação, elevar a ponta do
nariz usando o dedo indicador e introduzir o cateter de forma suave e firme até a demarcação;
 Fixar o catéter com a fita adesiva cirúrgica no nariz e na testa ou então na face lateral do ros-
to;
 Conectar a extensão no cateter nasal e regular o fluxômetro, conforme prescrição médica ou
saturação periférica;
 Reunir e retirar todo o material da unidade do cliente;
 Retirar as luvas;

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 Higienizar as mãos;
 Avaliar o cliente quanto ao alívio dos sinais e sintomas;
 Realizar o revezamento do catéter nasal nas narinas a cada 8 horas e observar a integri-
dade e perviedade do catéter.

II.I.II Oxigenoterapia por catéter tipo óculos ou cânula nasal

 Higienizar as mãos;
 Explicar o procedimento e a finalidade ao cliente;
 Reunir todo o material na bandeja e colocar sobre a mesa de cabeceira;
 Preencher o frasco umidificador com água destilada, no máximo 2/3 de sua capacidade, caso
fluxo maior que 4 L/min ou caso paciente queixe de secura ou desconforto;
 Testar a saída de oxigênio na régua de gazes ou rede portátil (torpedo de oxigênio);
 Instalar o fluxômetro, caso este já não esteja na saída de oxigênio e conectá-lo ao umidifica-
dor;
 Conectar o cateter tipo óculos a extensão e este ao umidificador;
 Calçar as luvas de procedimento não estéreis;
 Colocar o cliente em posição decúbito dorsal em semi-fowler;
 Introduzir as pontas da cânula nas narinas do cliente e ajustar acima e atrás de cada orelha e
abaixo da região mentoniana;
 Regular o fluxômetro conforme prescrição médica ou saturação periférica;
 Reunir e retirar todo o material da unidade do cliente;
 Retirar as luvas e higienizar as mãos;
 Avaliar o cliente quanto ao alívio dos sinais e sintomas;
 Realizar a troca do cateter a cada 24 horas e observar a integridade da pele do paciente.

II.I.III Oxigenoterapia por Máscaras

 Higienizar as mãos;
 Explicar o procedimento e finalidade ao cliente;
 Reunir todo o material na bandeja e colocar sobre a mesa de cabeceira;

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 Preencher o frasco umidificador com água destilada, no máximo 2/3 de sua capacidade. Para
máscara de Venturi preencher o frasco com água destilada no limite mínimo;
 Testar a saída de oxigênio na régua de gazes ou rede portátil (torpedo de oxigênio);
 Instalar o fluxômetro, caso este já não esteja na saída de oxigênio e conectá-lo ao umidifica-
dor;
 Conectar a máscara a extensão e esta ao umidificador. Para máscara com reservatório, encher
a bolsa antes de colocá-la no cliente;
 Posicionar a máscara sobre o nariz e a boca. Disponha as tiras ao redor da face e ajuste-as pa-
ra que se adapte confortavelmente a face. Caso seja paciente traqueostomizado, posicionar a
máscara na região em frente a traqueostomia e ajustar a fixação ao redor do pescoço do paci-
ente;
 Utilizar gazes dobradas protegendo as orelhas;
 Regular o fluxômetro conforme prescrição médica ou saturação periférica;
 Reunir e retirar todo o material da unidade do cliente;
 Retirar as luvas e higienizar as mãos;
 Avaliar o cliente quanto ao alívio dos sinais e sintomas;
 Higienizar a máscara, sempre que necessário, e sempre verificar a integridade da pele do pa-
ciente que entra em contato com a máscara ou com a fixação.

III. FLUXOGRAMA

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