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Índia: desocupação de uma fábrica da Honda

Avançar e recuar como ondas. Espalhar as ideias, opiniões e práticas. Este é o momento para os
trabalhadores de uma fábrica se tornarem trabalhadores de mil fábricas.

05/02/2020

Por Faridabad Majdoor Samachar

Na semana passada publicamos o texto Índia: terceirizados ocupam


fábrica da Honda, escrito pelos Angry Workers of the World, sobre a
ocupação de uma fábrica por trabalhadores terceirizados em Manesar.
O texto abaixo tem uma perspectiva de conjunto dos acontecimentos,
detalhando o cotidiano da ocupação até o seu desfecho e re etindo
sobre a experiência da ocupação, suas forças e fraquezas, as divisões
entre trabalhadores efetivos e terceirizados, as tensões entre
trabalhadores e sindicatos, as tensões entre trabalhadores e empresa.
Por m, o texto também re ete sobre as possibilidades de expansão e
fortalecimento do movimento.

Novo eixo, novo terreno, novo ambiente: atividades de trabalhadores terceirizados na fábrica da Honda
Motorcycle & Scooters India em Manesar

A edição de novembro do Majdoor Samachar estava quase pronta para ser publicada. Recebemos e
acrescentamos a seguinte mensagem de um terceirizado através de uma empresa de terceirizados dentro da
fábrica da Honda no dia 5 de Novembro: “No turno A, durante o intervalo do almoço às onze e meia, os
trabalhadores não foram aos refeitórios. Eles se reuniram em um lugar da fábrica. Cacofonia eufônica! A
produção parou na fábrica. O turno B chegou à fábrica. Os operários do turno A não saíram da fábrica. Fora
da fábrica, 250-300 trabalhadores, e dentro da fábrica Honda milhares de trabalhadores reuniram-se num
só lugar.” Depois que os trabalhadores permanentes saíram da fábrica, mil e quinhentos trabalhadores
terceirizados permaneceram dentro da fábrica. Eles ocuparam a fábrica por quinze dias. Isso trouxe à tona,
com incrível clareza, as mudanças que aconteceram durante esses 25-30 anos. Isto se mostrou muito
importante para todos os trabalhadores. Não só isso, foi importante para uma arena mais ampla. Por isso,
apesar de ocupar mais espaço, estamos publicando os trechos do aadan-pradaan (roda de conversa)
realizado entre 5 e 28 de novembro:

7 de Novembro: Trabalhadores temporários da fábrica de bicicletas e motonetas Honda ocuparam a fábrica.

Ontem, a gerência da Honda tentou iniciar a produção usando efetivos, temporários, aprendizes e
funcionários. (Os temporários da empresa trabalham há anos na fábrica, e continuarão temporários por
mais dois anos antes de serem efetivados). Apenas 50 veículos em um dia. Através de uma noti cação, a
gerência os convocou a todos para o mesmo turno hoje. Os efetivos decidiram car nos seus próprios
departamentos e recusaram-se a trabalhar na linha de montagem. As linhas de montagem fecharam.

# Aviso da Direção para suspender a produção nos dias 8 e 9 de Novembro.

# O aviso de suspensão de trabalho está dando um pretexto aos trabalhadores permanentes para não virem à
fábrica amanhã e no dia seguinte.

# Amanhã e depois de amanhã a gerência e o governo, juntos, poderiam fazer alguma coisa para expulsar os
trabalhadores temporários da fábrica.

# Solução… somente unidos.

Agora, dentro ou fora da fábrica, a tarefa imediata parece ser pensar e preparar-se para derrotar o que é,
provavelmente, um ataque iminente por parte da empresa e do governo.

# Isto não é uma luta de vida ou morte. É como as ondas do oceano, avançando e recuando repetidamente,
continuamente. É bom ter conversas sobre os caminhos para esgotar os poderosos.

# A companhia e o governo estão assustados. Eles estão desconcertados. A sua fraqueza é simbolizada pelos
seus preparativos.

A autocon ança de todos vocês, trabalhadores temporários, é algo fantástico. É preciso manter a calma.
Discussões prolongadas sobre as sugestões de todos são indispensáveis.

# O ambiente mudou. O ambiente precisa ser mudado ainda mais.

Isto não é nem uma luta pela honra, nem uma luta de vida ou morte. Isto não é algo a ser levado a uma mesa
de negociação.

A mesa e as negociações tornaram-se irrelevantes. Elas se tornaram obsoletas. Tornaram-se inúteis.

Todos sabem disso.

Avançar e recuar como ondas. Espalhar as ideias, opiniões e práticas. Este é o momento para os
trabalhadores de uma fábrica se tornarem trabalhadores de mil fábricas.

A consternação da empresa e do governo vai aumentar ainda mais.

# Parece que a falência está coberta pelo traje de gala.

8 de Novembro: Agora a comida e a água de todos os trabalhadores ocupantes foram cortadas.


# Ninguém está autorizado a entrar nas instalações da empresa.

# Bloquear a entrada hoje é um passo defensivo da atemorizada gestão da Honda.

Incapaz de entender o que está acontecendo, a Honda bloqueou as entradas para provocar os milhares de
trabalhadores que ocupavam a fábrica, e também os trabalhadores no piquete do lado de fora da fábrica. Os
trabalhadores provocados fazem coisas que permitem que os poderosos entrem pela ação policial.

A lição aprendida com as experiências de 2011 dos trabalhadores da fábrica Maruti Suzuki Manesar é não ser
provocado. Os trabalhadores não foram provocados mesmo quando prenderam seus companheiros de
trabalho chamados para negociações.

Em outubro de 2011, quando a fábrica foi desocupada pela segunda vez, um trabalhador da Maruti
compartilhou o seguinte sobre o tempo passado juntos na fábrica: “Nós, que trabalhávamos juntos há anos,
sentimo-nos durante esses sete dias como se estivéssemos nos vendo pela primeira vez. Conversamos
muito. Nós cantávamos. Nós dançamos. Eram os melhores dias das nossas vidas”. E a gerência da Maruti
teve de recuar, dando concessões e mais concessões.

Para os trabalhadores temporários reunidos na fábrica Honda, a fábrica é agora o seu espaço. Muitas
conversas. Muito descanso. Cantam à vontade. Compõem novas canções. E transmitem as suas canções e
conversas para nós, do lado de fora.

Aproveitem. É um momento de júbilo. Estes são momentos de alegria. Vamos tornar este tempo e estes
momentos mais memoráveis.

A gerência da Honda não sabe o que fazer.

9 de Novembro: Esta noite, por volta das 8:30, os trabalhadores que ocupam a fábrica Honda receberam
biscoitos, lanches, pão e suco.

# Amanhã, amigos, venham das 11 às 12 horas para encorajar estes irmãos casuais, e se puderem cozinhar
em casa, então tragam comida para que não que ninguém para trás no movimento dos nossos irmãos…
Tragam bidi[1] para fumar…

# Aumentou a discussão e o apoio aos trabalhadores rmes na ocupação da fábrica.

10 de Novembro: Caro Associado, devido à situação prevalecente na fábrica, as operações foram suspensas e
a fábrica permanecerá fechada até novas intimações.

# O que signi ca isto?

Isto signi ca que a empresa não sabe o que fazer. A gerência suspendeu a produção por dois dias pensando
que no 8º, 9º ou 10º dia vocês adoecerão.

# O que signi ca a seguir?

A nova e signi cativa diferença frente às ocupações da Maruti Suzuki em 2011-12[2] é que milhares de
trabalhadores terceirizados estão juntos conduzindo a agitação. Não há base para um acordo de negociação
de demanda representativa para manter o status quo. Este é um novo terreno.
12 de Novembro: Hoje, a edição de novembro do Majdoor Samachar esteve disponível perto da casa de força
no Setor 3 do Distrito Industrial Modelo (DIM) de Manesar[3] das 5:30 às 9:30 da manhã. 1800+500+250
cópias entre trabalhadores de muitas fábricas no DIM de Manesar. Depois conhecemos trabalhadores no
piquete fora da fábrica da Honda.

Somos gratos aos trabalhadores da Honda que nos encontraram alegremente, disseram o que queriam dizer,
ouviram-nos, discutiram. Foi um bom exemplo de aadaan-pradaan (roda de conversa) para nós.

Somos gratos aos trabalhadores da Honda que também tentaram fazer com que a edição de novembro do
Majdoor Samachar não fosse lida pelos trabalhadores da Honda. Eles devem ter tido as suas razões para
fazê-lo.

Depois de conhecer os trabalhadores da Honda, parece que:

Algumas secções estão perturbadas com o entusiasmo dos trabalhadores entrincheirados na fábrica da
Honda.
O problema deles parece ser que a ocupação da fábrica pode continuar por muito tempo se os trabalhadores
ocupantes não estiverem em perigo.
A gerência fechou os refeitórios e manteve os trabalhadores, rmemente entrincheirados na fábrica, com
fome por 24 horas.
Havia o receio de que a situação pudesse piorar se os trabalhadores que ocupavam a fábrica continuassem
com fome. O sindicato dos trabalhadores permanentes da Honda apresentou-se e colocou comida à
disposição dos trabalhadores terceirizados que ocupavam a fábrica.
[Propaganda de que 2.500 trabalhadores ocupantes da fábrica tinham começado uma greve de fome até a
morte. O sindicato da Honda parou o fornecimento de comida.] Para garantir que não entrasse comida na
fábrica de nenhum lado, alguns dos terceirizados presentes no piquete fora da fábrica foram colocados como
guardas adicionais.
O método testado e aprovado de criar uma emergência está a ser aplicado na fábrica da Honda. “O mau
acordo teve de ser aceito devido a uma situação de emergência” é uma ladainha ouvida ad nauseam.

Rir. Cantar. Dançar. Ao ver trabalhadores alegres, os patrões suam frio.


Quanto mais o acordo é adiado, mais forte se torna a posição dos trabalhadores terceirizados. As discussões
entre os trabalhadores de milhares de fábricas no DIM de Manesar estão a dar-lhes força. É preciso expandir
ainda mais estas relações.

13 de Novembro: Avançou a tática de manter famintos os trabalhadores ocupantes da fábrica. No interior,


três trabalhadores adoeceram. Os líderes, ao baterem na tecla de “milhares de trabalhadores dentro da
fábrica em jejum até a morte”, lembraram as decepções do épico Mahabharata.

14 de Novembro: Às 2:30 da noite, um operário adoeceu. Foi enviado para o Hospital Estadual da Previdência
dos Trabalhadores.

# Aqueles que estão contra ti, o seu plano é criar uma situação de emergência. Debatam entre si. É a vosso
favor ou é a favor da companhia que vocês estejam com fome?

# Em vez de ser sério, este é o momento para rir e cantar. O plano de emergência da companhia vai para o
brejo.
A alegria do trabalhador é angustiante para os líderes e gerentes.

# O turno B, a caminho da fábrica, e o turno A dos trabalhadores terceirizados na fábrica Maruti Suzuki de
Gurgaon, que voltava do trabalho, mostraram grande interesse, curiosidade, esperança e entusiasmo na
agitação tocada pelos terceirizados na fábrica Honda desde de 5 de Novembro.

15 de Novembro: A conspiração para criar uma emergência e resolver rapidamente a situação ao manter os
trabalhadores famintos entrou em colapso no momento em que foi revelada. Leite, pão e bananas estão a ser
dadas aos trabalhadores ocupantes dentro da fábrica.

17 de Novembro: Estou do lado de fora da fábrica da Honda. Falei com alguns trabalhadores sobre dar
comida lá dentro. Eles disseram que estão dando aos trabalhadores ocupantes apenas a comida su ciente
para que sobrevivam… eles estão apenas a tentar esgotar os trabalhadores lá dentro.

1) Os terceirizados da fábrica Honda em Manesar que ocupam a fábrica desde 4-5 de Novembro não estão a
seguir as ordens de ninguém.

Eles não estão sentados lá dentro porque algum líder lhes disse fazê-lo.

Eles não estão sentados lá dentro porque algum tribunal os ordenou.

Eles não estão sentados lá dentro sob as instruções de algum sindicalista.

Na verdade, os trabalhadores terceirizados não podem ter nenhum delegado sindical.

Não havendo absolutamente nenhum espaço para negociações, nessas circunstâncias esses trabalhadores
tomam decisões coletivas baseadas em seu pensamento e compreensão.

Parece ser um terreno novo. Isto é absolutamente diferente da briga em curso no mundo para manter o
status quo intacto. Terceirizados mantendo-se rmes na ocupação da fábrica da Honda parecem fazer parte
das tentativas de trazer uma mudança real para a sociedade.

2) Aqueles que querem expulsar os terceirizados, que ocupam a fábrica da Honda desde 4-5 de novembro,
estão assustados.
O que quer que pensem em fazer, enxergam de imediato outros danos, e também se apercebem de um
grande perigo.

Milhares de fábricas estão ao lado umas das outras. Milhões de trabalhadores estão perto uns dos outros. Na
capital e arredores, dez milhões de trabalhadores fabris, juntos.

O governo está de mãos atadas. Se eles usarem a polícia, há a possibilidade de a situação car fora de
controle. Milhões de trabalhadores próximos uns dos outros podem tornar a situação explosiva em minutos.
O que pode o exército fazer?

A gerência da Honda não sabe o que fazer? O que podem fazer os seguranças?

Os trabalhadores terceirizados entendem e reconhecem muito bem o sindicato dos trabalhadores efetivos da
fábrica Honda e seus líderes. Mas o que mais os líderes de vários matizes podem fazer em busca de “apoio”?

O que os tribunais podem fazer? A violação das leis é comum no “Estado de Direito” e a adesão às leis é a
exceção. Portanto, os tribunais continuam adiando, dando data após data. E, é comum não implementar as
decisões dos tribunais.

3) A cada dia que passa, a posição dos terceirizados é cada vez mais forte. A posição da Honda Company está
a car cada vez mais fraca a cada dia que passa.

18 de Novembro: Precisamos falar sobre o assunto.

O governo, o departamento do trabalho e todos os sindicatos da região de Gurgaon (incluindo o sindicato da


Honda) têm, por enquanto, resgatado a Honda, presa num beco sem saída. Não há mais necessidade de dizer
nada sobre as garantias dos líderes e funcionários.

Na fábrica da Honda em Manesar, os terceirizados desocuparam a fábrica. Eles tiraram o controle da


gerência sobre a fábrica por 13-14 dias. Os trabalhadores criaram um espaço para si próprios. Esta
experiência exige muitas discussões. Agora, a questão é aumentar o espaço dos próprios trabalhadores. A
questão é criar um espaço próprio para os trabalhadores, para além das paredes de uma fábrica. Este é o
momento de criar e espalhar o espaço em muitas fábricas, em toda a área industrial. Os terceirizados da
Honda mostraram um pouco disso.

23 de Novembro: Lemos o aviso especial da gerência da Honda Manesar. Algumas coisas neste contexto:

Em Faridabad, de 1990 a 2000, muitos desses avisos foram vistos. O processo foi um pouco como este:

Após o aviso, os representantes esquentam. Condições inaceitáveis. Não assinam. Nenhuma entrada na
fábrica. Piquetes no lado de fora. Por um lado, o locaute patronal ilegal e, por outro, a greve também é ilegal.
Naquela altura, estava em curso uma grande transformação no processo de produção. A procura no mercado
tinha diminuído muito. O piquete continua inde nidamente fora da fábrica. Murcha. Há uma reestruturação
por parte da empresa. Ou declaração de falência, venda de ativos. Os trabalhadores obtiveram quantias
extremamente pequenas de seus direitos trabalhistas nos tribunais.

Parece que este processo está de novo em jogo. Mas agora os trabalhadores estão alerta. Portanto, este
processo não será e caz.
Os novos métodos adotados pelos trabalhadores: ocupação coletiva, contagiosa e rápida dos locais de
trabalho, e o encerramento das negociações.

Bons tempos estão à frente.

24 de Novembro: Saudações. Atingir o sucesso está cando difícil. Seis pessoas do sindicato também foram
suspensas pela gerência. O resultado não está à vista. Incapaz de entender o que está por vir. Ofertas de
subcontratantes. Alguns quebraram as leiras, o que é terrível.

# Quando vocês estavam dentro da fábrica, a gerência da Honda era muito fraca.
Depois de vocês saírem da fábrica, a balança inclinou-se a favor da gerência da Honda.

Em tais oportunidades no futuro, é preciso pensar em meios e métodos para car por períodos mais longos
na fábrica. Agora, é preciso chegar aos trabalhadores de outras fábricas do CIM de Manesar. Suas
experiências de 15 dias dentro da fábrica precisam ser espalhadas por toda a área industrial.

A gestão está assustada com duas coisas. Uma é quando os trabalhadores ocupam a fábrica, e a outra é
quando os trabalhadores espalham as suas experiências e ideias. Espalhe o que você fez nos últimos 15 dias.
Esta é a sua força.

25 de Novembro: Sentados dentro e fora da fábrica durante 15 dias, trabalhadores terceirizados da fábrica da
Honda em Manesar tornaram-se um eixo. O apoio e a oposição giram em torno deles.

Parece que um novo terreno se constituiu/foi constituído. Trabalhadores temporários, trabalhadores


eventuais, trabalhadores terceirizados, eles constituem o eixo, parecem ser um novo fenômeno. Quando se
diz que “os trabalhadores levaram as coisas muito à frente”, pode-se dizer que é uma expressão desta
novidade.

Os trabalhadores que saíram da fábrica da Honda em Manesar depois de 15 dias de ocupação estão se
livrando do seu cansaço. Eles estão a adquirir energia. Tornando-se fortes e robustos, eles vão levar o
fenômeno muito adiante. Em todas as áreas industriais, os trabalhadores temporários irão acelerar ainda
mais a transformação.

O novo terreno veio com novas questões. Ninguém sabe agora quais são os caminhos.

Perto da fábrica, os mil e quinhentos trabalhadores responderam a muitas perguntas com incrível e
espantosa clareza. As velhas perguntas estão, agora, ultrapassadas.
O novo terreno precisa de um novo pensamento. As novas perguntas e a ampla troca por meio do aadaan-
pradaan (roda de conversa) parecem ser uma necessidade primária.

— [Depois de assinar as condições de acordo com as indicações da direção da Honda, os trabalhadores


permanentes entraram na fábrica de 25 a 28 de Novembro].

28 de Novembro: Das 6:00 da manhã às 9:30 da manhã, estávamos perto da casa de força no Setor 3 do DIM
de Manesar em conversa com trabalhadores de diferentes fábricas. Depois, com um pouco de apreensão,
decidimos encontrar os trabalhadores da Honda no nosso regresso. Agora, sentados fora da fábrica, os
terceirizados tiveram de ser entrevistados.

No momento em que os conhecemos, camos entusiasmados. Os trabalhadores que estiveram dentro da


fábrica de 4 a 18 de Novembro conheceram-nos com entusiasmo.

Um operário: Ao sair da fábrica estava no fundo no poço.

Vários operários: No momento em que saímos da fábrica, camos fracos. A balança virou-se a favor da
empresa. A gerência retirou-nos do portão da fábrica. Fomos obrigados a nos sentar neste terreno vazio e
distante, coberto por árvores.

Os trabalhadores pegaram cópias da edição de novembro do Majdoor Samachar e começaram a distribuí-las


eles próprios. Isto refrescou as memórias de 12 de novembro, quando algumas pessoas no portão da fábrica
tinham tentado parar a circulação do Majdoor Samachar entre os trabalhadores dentro e fora da fábrica.

A manifestação de 27 de novembro organizada pelo Conselho Sindical de Gurgaon na sede da administração


distrital e as garantias aí dadas foram postas de lado pelos trabalhadores, pela simples menção da “garantia
de duzentos por cento” do presidente do sindicato da Honda em nome deste Conselho, no dia 18 de
Novembro, dois dias após a saída dos trabalhadores da fábrica.

Quanto ao prolongamento da permanência e enfraquecimento dos trabalhadores: ao contrário dos


trabalhadores de outros lugares, nós, os trabalhadores da Honda, não nos tornaremos fracos. Os
trabalhadores da Honda que não vieram da Lua.

Discussões em alguns grupos sobre o aumento da força dos trabalhadores:

Conversas sobre caminhos para transformar os trabalhadores de uma fábrica em trabalhadores de milhares
de fábricas.

Menção de ocupar seis a sete locais em vez do que se encontra atualmente no DIM de Manesar.

Em relação à ocupação em um local muito importante, alguns detalhes da experiência dos trabalhadores da
fábrica Honda Tapukara em Jantar Mantar, em Déli, foram compartilhadas.

Foram discutidas experiências em Faridabad, e na Área Industrial de Okhla (Déli), de trabalhadores de uma
fábrica levando suas experiências entre trabalhadores de milhares de fábricas, escrevendo em papelão.

Discussão sobre 30-40 trabalhadores da Honda de pé durante o turno da manhã com seus cartazes escritos
ao longo de estradas em 6-7 lugares no DIM de Manesar, onde um grande número de trabalhadores vai
labutar nas fábricas.
Parece que os mil e quinhentos terceirizados que ocuparam a fábrica da Honda durante 15 dias têm a
capacidade de levar as coisas muito longe.

Notas

[1] “Bidi” é um tipo de cigarro em que o tabaco é enrolado em folhas secas de tendu ou temburini, muito
popular na Índia, utilizado até mais do que o cigarro tradicional; seria o equivalente ao cigarro de palha
rústico, ou ao cigarro de fumo de corda/rolo conhecido como pacaia em algumas regiões do Brasil.

[2] Os trabalhadores da Maruti Suzuki em Manesar viveram desde 2011 uma intensi cação de suas lutas
laborais, incluindo uma ocupação de fábrica em junho e duas em outubro. Nas palavras de um gerente
anônimo: “vias de fato e casos de trabalhadores cuspindo na cara dos gerentes eram comuns”. O episório
mais conhecido é o da chamada “violência na Maruti Suzuki”. Em julho de 2012 a fábrica da Maruti Suzuki
em Manesar viveu dias de protesto contra as péssimas condições de trabalho: um supervisor assediou um
funcionário de casta baixa, Jiya Lal, até provocar sua demissão por haver supostamente espancado um
supervisor; isto, e as más condições de trabalho (terceirizados recebem menos da metade que os efetivos),
resultaram numa série crescente de atritos entre os trabalhadores da Maruti Suzuki e seguranças
contratados pela empresa, até que, no dia 18 deste mês, os trabalhadores atacaram sicamente os gerentes,
matando um deles e ferindo outros cem, e incendiaram duas plantas da empresa. A Maruti Suzuki mandou
fechar a fábrica (a legislação sindical indiana – Industrial Disputes Act 1947 – permite o lockout), e acionou
o governo estadual de Manesar, que deu início a uma onda de prisões: noventa e um trabalhadores foram
presos no mesmo dia, acusados de “planejar” a ação, outros cento e quarenta e oito foram presos no dia
seguinte, e a gerência da Maruti Suzuki prestou queixa contra seiscentos trabalhadores por assassinato,
tentativa de assassinato, dano a patrimônio, tumulto e lesões corporais. A Maruti Suzuki, que anteriormente
se comprometera a pagar pelos dias do lockout, demitiu quinhentos e quarenta trabalhadores e ordenou aos
restantes retomar as atividades sem pagar o que devia. A Suzuki, de quem a Maruti é subsidiária, exigiu
providências duras por parte do governo de Manesar e reabriu a fábrica, sob proteção de mil e quinhentos
policiais, com apenas 10% de sua capacidade produtiva, que foi aumentando gradativamente até retornar à
normalidade. Quase um ano depois, em julho de 2013, os trabalhadores da Maruti Suzuki zeram greve de
fome contra as prisões de seus colegas. Dos cento e quarenta e oito trabalhadores presos, cento e dezessete
foram absolvidos em março de 2017; dos trinta e um condenados por vários crimes e contravenções, dezoito
foram condenados a penas mais brandas, e treze receberam prisão perpétua pelo assassinato do gerente –
doze dos quais eram dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da Maruti Suzuki.

[3] Industrial Model Township – Manesar (“Distrito Indistrial Modelo – Manesar) é o nome de um distrito
industrial na pequena cidade indiana de Manesar (18.511 habitantes, segundo o censo de 2011). Está
integrado ao Projeto de Corredor Industrial Déli-Mumbai (por meio do Corredor de Carga Dedicado do
Oeste) e também sob a área de in uência do Corredor Industrial Amritsar-Déli-Calcutá (por meio do
Corredor de Carga Dedicado do Leste). Além de encontrar-se nestes entroncamentos ferroviários, Manesar
está a 44km do centro da capital indiana, Nova Déli; a 32km do Aeroporto Internacional Indira Gandhi, em
Nova Déli; e a 17km de Gurugram/Gurgaon, a quem serve como cidade satélite. Todos estes fatores fazem do
Distrito Industrial Modelo de Manesar uma peça importante no planejamento econômico indiano. Estão
presentes no DIM de Manesar, além da metalúrgica Maruti Suziki e da automobilística Honda Motorcycles
and Scooters India (HMSI), plantas de empresas como Alcatel-Lucent (equipamentos de telecomunicação),
Alere (equipamentos de diagnóstico médico), BorgWarner (peças automotivas), Baxter International
(equipamentos médicos), Denso (peças automotivas), Hero (peças automotivas e motores elétricos),
Johnson Matthey (química e metais preciosos), Keysight (eletrônicos), Mankind Pharma (farmacêutica) e
Samsung (eletrônicos).
Traduzido pelo Passa Palavra a partir do original disponível no site do Faridabad Majdoor Samachar.
Ilustram este artigo obras do artista indiano Maqbool Fida Husain.