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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

FACULDADE DE GESTÃO DE RECURSOS FLORESTAIS E FAUNÍSTICOS


Licenciatura em Contabilidade e Auditoria, 4º Ano, 1º Semestre
Cadeira de Ética e Deontologia Profissional

Justiça

Discente: Laura Agostinho Nhampossa

Docente: Pe. Dr. Inácio Mole

Lichinga, 19 de Maio de 2020

Índice
1. Introdução.................................................................................................................................3
2. Conceito de Justiça...................................................................................................................4
3. Finalidade do direito e a realização da justiça..........................................................................5
4. A finalidade da justiça e a transformação social......................................................................5
5. O problema da lei injusta..........................................................................................................6
6. Justiça social.............................................................................................................................6
7. Critica.......................................................................................................................................7
8. Conclusao.................................................................................................................................8
9. Referencias bibliográficas........................................................................................................9

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1. Introdução
O presente trabalho tem como tema Justiça. Sendo a justiça um atributo da conduta humana, e
não do mercado. De modo que não se pode considerar a justiça como objetivo da ordem social.
Suas concepções e aplicações praticas varia de acordo com o contexto social e sua respectiva
interpretativa, sendo comumente alvo de controvérsias entre pensadores e estudiosos. Nisto,
importa referir que também foi necessário apresentar referências bibliográficas que conferem a
credibilidade da informação contida no trabalho, pois estas constituem suporte científico do
mesmo.

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2. Conceito de Justiça
O conceito de justiça (e injustiça), de bem (e mal) são posteriores ao acordo constitutivo do
Estado entre os homens. A única lei natural que subsiste ao pacto é a de obedecer irrestritamente
a vontade do soberano, pois é esta a única garantia de vida em sociedade provida de paz e
segurança. O fundamento do poder do soberano é a materialização da segurança para os súditos.
(Filgueiras, p.68).
Na Grécia, a justiça era representada por uma deusa, Temis, e mas tarde Dice, que era
representada de olhos abertos. Já na Roma antiga, a justiça (lustitia) era representada por uma
estátua com olhos vendados, cujos valores máximos “todos são iguais perante a lei” e “todos tem
iguais garantias legais”, ou ainda “todos tem direitos iguais”. A justiça deve buscar a igualdade
entre cidadãos. (Filgueira, p.68).

Justiça é um atributo da conduta humana, e não do mercado. De modo que não se pode
considerar a justiça como objetivo da ordem social. Apesar de em sua obra Direito, legislação e
liberdade ele não proceder a uma crítica sistemática à proposta de Rawls, é possível identificar
as razões mais proeminentes para tal afirmação de Hayek a partir da retomada de alguns traços
distintivos da teoria justiça como equidade. De uma maneira geral, pode-se afirmar que, em sua
teoria de justiça como equidade (justice as fairness), parte do pressuposto de que a vida não é
justa, propondo uma concepção procedimental de liberalismo que permita a distribuição de bens
de maneira igualitária, com vistas ao bem-estar social.
“A justiça envolve justificação e julgamento, não sendo possível que o indivíduo justifique
valores e normas em contraposição aos seus vínculos, valores comuns, laços obrigatórios,
costumes ou tradições”. (Rawls, p. 56).
O primado da justiça, de acordo (Rawl, p. 93), parte da precedência da neutralidade em relação
às concepções de bem. Ao abandonar uma concepção de bens sociais, o liberalismo do mesmo
autor institui um preconceito na “posição original” para a construção de instituições imparciais.
Isto significa que o pressuposto de motivação pelo desinteresse mútuo presume uma sociedade
individualista a partir da qual o melhor para cada indivíduo é seguir o seu próprio caminho
independentemente das imposições da comunidade. A teoria da justiça de Rawls visa superar as
concepções perfeccionistas da moral, com o objectivo de produzir uma sociedade tolerante e
cooperativa e, dessa maneira, justa.

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3. Finalidade do direito e a realização da justiça
Segundo (Filho, p. 58) Direito e justiça são conceitos que se entrelaçam, a tal ponto de serem
considerados uma só coisa pela consciência social. Fala-se no direito com o sentido de justiça e
vice-versa. Sabemos todos, entretanto, que nem sempre eles andam juntos. Nem tudo que é
direito é justo e nem tudo que é justo é direito. Porque isso acontece?

Isso acontece porque a ideia de justiça engloba valores inerentes ao ser humano, transcendentais,
tais como a liberdade, igualdade, fraternidade. Dignidade, equidade, honestidade, moralidade,
segurança, em fim tudo aquilo que vem sendo chamado de direito natural desde a antiguidade. O
direito, por seu turno, é uma invenção humana, um fenômeno histórico e cultural concebido
como técnica para a pacificação social e a realização da justiça. Em suma, enquanto é um sistema
aberto de valores, em constante mutação, o direito é um conjunto de princípios e regras destinado
a realiza-la. E nem sempre o direito alcança esse considerado, quer por não ter acompanhado as
transformações sociais, quer pela incapacidade daquelas que o conceberam, e quer, ainda, por
falta de disposição política para implementa-lo, tornando por isso um direito injusto. (Filho,
p.58)

Creio ser possível dizer que a justiça está para o direito como o horizonte está para cada um de
nós. Quanto mais caminhamos em direcção ao horizonte dez passos, cem passos, mil passos,
mais ele se afasta de nos, na mesma proporção. Nem por isso o horizonte deixa de ser importante
porque é ele que nos permite caminhar. Pois também o direito, na permanente busca da justiça,
esta sempre caminhando, em constante evolução.

4. A finalidade da justiça e a transformação social


Se a finalidade do direito, como enfatizado, é a realização da justiça, qual seria a finalidade da
justiça? Essa é a segunda questão que gostaria de destacar. A finalidade da justiça é a
transformação social. É a construção de uma sociedade justa, como expressamente previsto no
artigo 3º da nossa constituição. (Filho, p. 58)

E o que é uma sociedade justa? A própria constituição nos responde. É uma sociedade sem
preconceitos e discriminação de raça, sexo, cor ou idade; uma sociedade livre, solidaria, sem
pobreza e desigualdades sociais, na qual a cidadania e dignidade da pessoa humana estão no topo
da pirâmide jurídica. E se assim é então isso importa dizer que, como operador do direito, jamais

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poderemos aplicar o direito deforma a contrariar esta finalidade, ainda que a lei não seja a
melhor. (Filho, p. 60)

5. O problema da lei injusta


Com frequência ouvimos dizer que a questão da lei justa ou injusta é problema do legislador e
não do juiz. Quem fez a lei é que tem que responder pelos seus efeitos sociais, positivos ou
negativos. Isso não deixa de ser verdade. Mais ate que ponto isso exclui a responsabilidade do
juiz e dos operadores do direito em geral? Afinal, quem aplica o direito? Quem aplica a lei
injusta? O resultado prático e concreto de uma lei só se verifica quando ela é aplicada, e isso não
é tarefa do legislador. Logo, assim como a má lei é responsabilidade ética do legislador, a má
sentença, a eficácia de vida que dela resulta é responsabilidade ética do juiz. Eis ai motivo pelo
qual não podemos interpretar e aplicar nenhuma lei, qualquer que seja a sua hierarquia, de modo
a resultar na indignidade da pessoa humana, na desigualdade social, ou, ainda, no aumento da
pobreza, porque isso importaria na negação da própria justiça. E nos, Lembremo-nos disso,
temos compromisso com o direito, temos compromisso com a justiça, e não apenas com a lei. Se
a sentença é justa ou injusta isso não é problema do legislador mas sim do juiz e dos demais
operadores de direito, que o ajudaram na elaboração da lei do caso concreto. (Filho, p. 60)

6. Justiça social
Segundo (Rawls, p. 66) É uma construção moral e política baseada na igualdade de direitos e na
solidariedade coletiva. Em termos de desenvolvimento, a justiça social é vista como o
cruzamento entre o pilar econômico e o pilar social.

O conceito surge em meados do sec.XIX, referido as situações de desigualdade social, e define a


busca de equilíbrio entre partes desiguais, por meio de criação de proteções (ou desigualdade de
sinais contrários), a favor dos mais fracos. Para ilustrar o conceito diz-se que, enquanto a justiça
tradicional é cega a justiça social deve tirar a venda para ver a realidade e compensar as
desigualdades que nela se produzem. No mesmo sentido, diz-se que, enquanto a chamada justiça
comutativa é a que se aplica aos iguais, a justiça social corresponderia a justiça distributiva,
aplicando se aos desiguais.

Rawls defende que uma sociedade será justa se respeitar (3) princípios:

 Garantia de liberdades fundamentais para todos;


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 Igualdade equitativa de oportunidades;
 Manutenção de desigualdades apenas para favorecer os mais desfavorecidos.

7. Critica

A justiça consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.
Ela se traduz na atitude determinada pela vontade de reconhecer o outro como pessoa com
direitos e deveres. A justiça social representa um verdadeiro desenvolvimento da justiça geral,
reguladora das relações sociais com base no critério da observância da lei. A justiça social,
exigência conexa com a questão social, diz respeito aos aspectos sociais, políticos e econômicos
e, sobretudo, á dimensão estrutural dos problemas e das respectivas soluções. (pensamento social
da igreja católica P.45)

A justiça mostra-se particularmente importante no contexto actua, em que o valor da pessoa, da


sua dignidade e dos seus direitos, a despeito das proclamações de intentos, é seriamente
ameaçado pela generalizada tendência a recorrer exclusivamente aos critérios da utilidade e do
ter. Também a justiça com base nestes critérios, é considerada de modo redutivo, ao passo que
adquire um significado mas pleno e autentico na antropologia cristã. A justiça, com efeito, não é
uma simples convenção humana, porque o que é “justo” não é originalmente determinado pela
lei, mas pela identidade profunda do ser humano.

A plena verdade sobre o homem permite superar a visão contratualista da justiça, que é a visão
limitada, e abrir também para a justiça o horizonte da solidariedade e do amor; a justiça sozinha
não basta; e pode mesmo chegar a negar-se a si própria, se não se abrir aquela forca mas
profunda que é o amor. Ao valor da justiça a doutrina social da igreja a costa o da solidariedade,
enquanto via privilegiada da paz. (pensamento social da igreja católica, P.45)

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8. Conclusão
No decorrer do trabalho, ficou evidente que a justiça é um atributo da conduta humana, e não do
mercado. De modo que não se pode considerar a justiça como objetivo da ordem social. A única
lei natural que subsiste ao pacto é a de obedecer irrestritamente a vontade do soberano, pois é
esta a única garantia de vida em sociedade provida de paz e segurança. O fundamento do poder
do soberano é a materialização da segurança para os súditos.

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9. Referências bibliográficas

FILGUEIRA. Fernando (2010). Estado, justiça e reconhecimento. (pdf)

FILHO. C. Sérgio (2002). Direito, justiça e sociedade. (pdf)

RAWLS. J. Liberal (1971). Teoria da justiça. (pdf)

RAWLS.J. Liberal (2001) justiça como equidade. Editora Columbia unveristy press. (pdf)

SAPATO. B. Rafael (coord.). (2014). Manual de fundamentos de teologia católica. Beira.