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Planejamento e

Controle da
Produção
Material Teórico
Sistemas da Produção

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Dr. Antonio Marcos Crivelaro

Revisão Textual:
Prof. Ms. Claudio Brites
Sistemas da Produção

• Introdução

• Atividades do Planejamento e Controle


da Produção;

• Sistemas de Produção

Compreender a importância do planejamento e do controle


da produção, seus objetivos e atividades componentes como
ferramentas do processo produtivo de bens e serviços, na
apropriação e otimização de recursos de produção.
Identificar e compreender os sistemas de produção em
manufatura.

Nesta unidade, serão apresentados os objetivos do planejamento e controle da produção –


PCP, bem como suas principais atividades nas etapas de planejamento e programação dos
recursos e do controle do processo. São apresentados, também, os sistemas de produção dos
processos de conversão (manufatura) e de transferência (serviços).
Para melhor aprendizado, é muito importante que você leia e estude o material teórico
da unidade e a bibliografia recomendada. Também é fundamental que você participe das
atividades propostas para a unidade.

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Unidade: Sistemas da Produção

Contextualização

Aspectos do dia a dia de nossa vida pessoal ocorrem também nas atividades profissionais.
Exemplo disso é a necessidade da formulação de planos e do estabelecimento de objetivos a
serem alcançados, algo que ocorre também nas indústrias e empresas prestadoras de serviços.
Toda vez que são formulados objetivos é necessário formular planos de como atingi-los. Nesse
planejamento, é necessário definir e organizar instalações, equipamentos, recursos humanos e
as quantias monetárias necessárias para a implantação de determinadas ações. No âmbito da
administração da produção, esse processo é realizado pela função do Planejamento e Controle da
Produção, que fornece informações necessárias para o dia a dia do sistema produtivo, reduzindo
os conflitos existentes entre os vários departamentos da empresa (por exemplo: estoques e vendas).
Exemplificando com fatos do cotidiano, o que é necessário para realizar um churrasco
entre amigos utilizando a churrasqueira a carvão do condomínio? Para que ocorra um correto
dimensionamento nas quantidades de carnes, pães, vinagrete, saladas, bebidas e sobremesas
(sem esquecer-se do carvão!), é necessário saber quantos convidados estarão presentes e qual é
o consumo médio de cada item citado. Tendo essas informações, estabelecem-se as quantidades
de cada produto e os equipamentos necessários (espetos, grelhas, facas etc.). Quantas pessoas
ficarão na churrasqueira manuseando as carnes e quantas ficarão no apoio servindo os amigos?
Todas essas preocupações são consideradas quando se contrata uma empresa especializada em
fazer churrascos em condomínios.
Uma empresa especializada na realização de eventos se preocupa, porém, com mais itens, por
exemplo: a manutenção das churrasqueiras portáteis (caso necessite utilizar no local do evento),
a utilização de espetos e grelhas profissionais que ofereçam maior produtividade e facilidade
de limpeza, a previsão de uma reserva de segurança na quantidade de carne e o carvão a ser
comprado. E a carne é macia? De nada adianta todas essas preocupações se ocorrer a seleção
de produtos com baixa qualidade.
Após conhecer vários aspectos dessa empresa, falta saber o preço desse churrasco. Para conseguir
um bom preço, é necessário efetuar cotação com no mínimo três empresas de porte similar.
Imaginando agora que a empresa já foi contratada e chegou o momento de começar a colocar
as carnes para assar, pergunta-se: qual a melhor estratégia de produção de churrasco? Assar
antecipadamente 25% das carnes para que no momento de pico todos os participantes sejam
atendidos prontamente? Ou assar apenas o que for solicitado? E se a demanda for superior à
planejada, existe a possibilidade de trazer mais carnes para o churrasco?
A experiência da equipe também é importante para saber oferecer a carne no ponto desejado
pelo cliente (mal passada, ao ponto ou muito assada), no manuseio da maior quantidade de
carne possível na área disponível da churrasqueira, na distribuição com agilidade das carnes
fatiadas a todos os participantes e na limpeza dos ambientes da churrasqueira e da área de
alimentação ao término do evento.
Assim, com esse exemplo simples de nosso cotidiano, lembramos que a empresas pode
apresentar situações muito mais complexas em seu dia a dia.
Cabe ao engenheiro de produção identificar os processos de produção envolvidos, suas
características e fatores intervenientes.

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Introdução

O Planejamento e Controle da Produção, também denominado pela sigla PCP, consiste em


um processo utilizado no gerenciamento das atividades de produção.
Inicialmente é importante conhecer algumas definições básicas:
Produto – é tudo o que pode ser comercializado, sendo dividido em Bens e Serviços;
Bens – são os produtos dos quais se tem propriedade. Eles podem ser tangíveis, ou seja,
podem ser tocados – como um aparelho de telefone –, ou intangíveis, que não podem ser
tocados – como as ideias, os projetos e as fórmulas;
Serviços – são os produtos dos quais não se tem propriedade. Eles são inerentes a quem
presta os serviços. Por exemplo: os serviços de consultoria, de vigilância ou de limpeza;
Matérias primas – são os materiais básicos empregados para a execução de um produto.
A matéria-prima é o material base de um produto, sendo a ele agregada. Por exemplo: o
plástico é matéria-prima na produção do acabamento dos automóveis;
Insumos – são todos os tipos de produtos necessários para a fabricação de outros, mas que
não fazem parte desses. Por exemplo: máquinas, água e energia elétrica;
Produtividade – é a capacidade de se produzir mais utilizando cada vez menos recursos
e em menos tempo. O foco da produtividade é a redução de custos da produção para a
melhoria competitiva no mercado. Por exemplo: a variação da produtividade de um setor
entre os períodos diurno e noturno;
Produção – é uma medida que avalia os resultados de uma atividade. Por exemplo: quantas
peças foram produzidas por hora;
Eficiência – medida de desempenho que relaciona o consumo e o disponível. Por exemplo:
a comparação entre o consumo de energia elétrica de duas máquinas similares;
Eficácia – medida de desempenho que relaciona as ações realizadas em relação às
propostas. Por exemplo: um aumento ou redução da produção realizada em relação à
produção planejada;
Cliente – é quem paga pelo produto;
Consumidor – é quem utiliza o produto;
Manufatura – sistema produtivo com a utilização de máquinas;

O PCP é um processo que tem seu início no planejamento dos produtos que serão produzidos
(bens) ou realizados (serviços), passando pela programação dos recursos necessários para
sua produção/realização (financeiros, materiais e humanos) nos diversos horizontes de tempo
(curto, médio e longo prazos), concluindo com a etapa de controle do processo, que consiste
no monitoramento e na correção de eventuais desvios da produção planejada, possibilitando a
diminuição de seus custos operacionais.

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Unidade: Sistemas da Produção

A definição numérica dos horizontes de planejamento:


- Curto prazo: de 3 meses a 12 meses;
- Médio prazo: de 12 meses a 36 meses;
- Longo prazo: de 36 meses a 60 meses.

Planejamento de longo prazo é algo que você começa hoje para terminar daqui algum tempo,
digamos, quatro anos depois, num cenário sem mudanças que alterem sua decisão – uma obra,
um curso, um programa, um governo, etc. Planejamentos de longo prazo viraram quase uma
lenda nas empresas. Podem até existir, mas a maior parte dos profissionais nunca viu.
“Drucker1 repetia sempre que ‘O planejamento estratégico não trata de decisões
futuras. Trata do que haverá no futuro com base nas decisões do presente’.
Estratégico é um futuro incerto e que os elementos e indicações do presente
permitem que se especule, se desenhem cenários, se faça previsões. Em relação
ao futuro e se atue em função disso, operacionalmente naquela direção. E no
caminho se mantenha, corrija, ou se ajuste o cenário projetado. O estratégico é
o incerto, sobre o qual se quer antecipar. É a mobilização de todos os recursos
da empresa no âmbito global visando atingir objetivos definidos previamente. É
uma metodologia gerencial que permite estabelecer o caminho a ser seguido pela
empresa, visando elevar o grau de interações com os ambientes interno e externo.
Num mundo como o de hoje, onde a inovação se dá a qualquer momento e
em qualquer campo e onde a obsolescência não tem prazo, chegar na frente
é ser mais competitivo que os demais. Nesse sentido pensar estrategicamente
é o diferencial. O conhecimento da organização, da sua arquitetura, de seus
processos e a organização como um sistema gerador de bens e serviços,
fornecerá a base para o planejamento”.
Fonte: http://www.partnerconsulting.com.br/artigos_det.asp?artigo=95&pagina=2

Na etapa de planejamento, devem ser determinadas as quantidades dos bens que serão
produzidos ou dos serviços que serão realizados, bem como definidas o melhor arranjo
físico para o processo de produção, com o objetivo de realizar o melhor aproveitamento do
fluxo de insumos.
O PCP tem a função principal de auxiliar os gestores no gerenciamento da produção e
oferecer suporte a suas tomadas de decisões, porque as metas de produção a serem atingidas
são de sua responsabilidade.
A empresa que não possuir um PCP bem configurado terá dificuldades em alcançar os índices
de produtividade e qualidade que o mercado exige e não conseguirá gerenciar suas ações de
maneira mais objetiva, dinâmica e eficaz.
Uma das maiores dificuldades para o bom desempenho da função PCP refere-se aos
relacionamentos. Por administrar informações de diversas áreas, o PCP está em constante
processo de negociação com os diferentes agentes dentro do processo produtivo.

1 Peter Drucker (1909-2005), professor austríaco considerado um dos maiores pensadores da administração moderna.

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A figura 1 apresenta alguns dos possíveis questionamentos que o gerente de produção mantém
com os gerentes de vendas, marketing, suprimentos e logística, por exemplo; as respostas devem
ser obtidas por meio da colaboração de todas as áreas envolvidas.

Problemas pertinentes ao sistema produtivo:

- Como manter níveis de produção estáveis se a demanda é totalmente instável?

- É possível a produção atender ao planejamento, otimizando ao máximo os recursos existentes


sem deixar de atender aos clientes?

- Como evitar a falta de diferentes materiais, nas diferentes quantidades, em prazos distintos,
com fornecedores variados e evitando uma demanda instável que inviabilize o plano de
produção e de vendas?

- Qual é o nível de estoque mais baixo possível de cada matéria-prima, insumo ou produto acabado,
levando em consideração não imobilizar demasiadamente os recursos financeiros da empresa?

Neste início de século 21, em um mundo globalizado que deseja automatizar ao máximo
as etapas de cada processo de manufatura, deve-se decidir qual mão de obra será utilizada –
humana ou mecânica – para a transformação das matérias primas e dos insumos em produtos
ou serviços finais.
A figura 2 apresenta um robô com uma garra para pegar objetos e a figura 3 apresenta uma
mulher trabalhado em uma linha de montagem de motores à combustão.

Figura 2 - Robô pegando uma lata de refrigerante. Figura 3 - Operária de uma fábrica de motores.

Domínio Público The Library of Congress

Explore
A importância do PCP: https://www.youtube.com/watch?v=JV43F5Upr6M

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Unidade: Sistemas da Produção

Atividades do Planejamento e Controle da Produção

O PCP envolve diversas atividades, destacam-se:

- Previsão da demanda: os gerentes de produção buscam dimensioná-la e os


respectivos recursos materiais e humanos necessários por meio da utilização de métodos
estatísticos ou subjetivos de previsão. A previsão da demanda é a principal informação
empregada pelo PCP e afeta de forma direta o desempenho esperado das funções de
planejamento e controle do sistema produtivo. A previsão de demanda assume um
papel ainda mais importante quando a empresa adota uma estratégia de produção para
estoque. Essas previsões são usadas em dois momentos distintos: longo prazo (bens/
serviços, instalações, equipamentos) e curto prazo (planos de produção, armazenagem
e compras, sequenciamento de etapas de produção). A figura 4 apresenta uma
prateleira de supermercado contendo produtos de higiene e beleza. Esses produtos
não apresentam períodos de sazonalidade de vendas porque são utilizados diariamente
pelos seus consumidores. A figura 5 é uma planta de apartamento localizado em uma
cidade litorânea. Imóveis desse tipo apresentam maior procura para compra e aluguel
nos meses com as temperaturas mais altas no ano.
Figura 4 - Venda de produtos de higiene e beleza. Figura 5 - Apartamento localizado em cidade praiana.

Domínio Público Imobiliária THÁ - Terrasse Noveau

-
Planejamento da capacidade de Figura 6 - Transporte de madeira em caminhão excedendo o peso.
produção: a partir da previsão de
demanda para datas futuras e da análise
da capacidade real atualmente instalada,
determina-se a necessidade de adequação
(aumento ou redução) da capacidade de
produção para melhor atender a demanda
a médio e longo prazo. A mudança da
capacidade se baseia, dessa forma, na
previsão da demanda. Há duas estratégias
básicas para decidir sobre a alteração da The Library of Congress
capacidade: a antecipação à demanda e o acompanhamento da demanda. Frequentemente,
os sistemas operacionais são projetados para serem operados abaixo da capacidade,

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o que se denomina como folgas ou ociosidades. Contudo, existem casos em que, quando
um sistema opera com filas de espera, a capacidade está sendo usada ao máximo, ou seja,
100% de sua capacidade. Existem ainda casos em que o sistema opera muito acima da
capacidade, por exemplo: quando um caminhão transporta excesso de peso configurando
situação de risco. A figura 6 apresenta uma situação de excesso de peso no transporte de
madeira a ser utilizada na indústria de papéis.

- Planejamento agregado da produção Figura 7 - Garrafas de cerveja.

(PAP): o principal objetivo do PAP é


elaborar um plano de produção que
atenda a demanda futura pelo menor
custo possível. Tem como foco obter a
estratégia de produção mais adequada
para a empresa, determinando níveis
de produção, de força de trabalho e de
estoques para atender a uma demanda
flutuante. Existem outros fatores que devem
ser levados em conta no PAP: múltiplas Petr Vins/Freeimages.com

localidades produtivas e de distribuição com custos diferenciados; custos de transporte e


de impostos diferentes de acordo com a origem e o destino do produto; sazonalidade dos
custos de produção; e múltiplos estágios de produção. Consta do PAP as decisões sobre
os volumes de produção e estoque mensais, a contratação de pessoas, o uso de horas
extras e os contratos de fornecimento e serviços logísticos. A indústria cervejeira (figura
7) necessita de um PAP muito bem elaborado porque possui vários pontos de fabricação,
uma quantidade muito maior de locais de armazenamento e uma distribuição varejista de
dimensões nacionais – além desses aspectos, também influenciam os custos logísticos e a
escolha geográfica da fonte de água que abastece a cervejaria, por exemplo.

-
Programação mestra da produção Figura 8 - Barras de aço – matéria-prima.

(PMP): trata-se da operacionalização


dos planos de produção no curto prazo
por meio de uma integração plena com
o planejamento estratégico da empresa.
Na PMP, são analisados e direcionados
os recursos (máquinas, pessoas, matérias
primas, insumos) no tempo certo para a
determinação do programa de produção dos
vários produtos que a empresa fabrica. Nessa
etapa, temos uma definição mais precisa dos Gavin Fordham/Freeimages.com

itens e das quantidades de produção e de estoque, com um grau de detalhamento maior que
o utilizado no planejamento agregado, incluindo não apenas previsões de demanda, como
também pedidos efetivados. A PMP tem a função de balancear e coordenar suprimentos e
demanda dos produtos acabados, decidir a necessidade de uso de horas extras e subcontratações,
variar os tempos de entrega e recusar pedidos que não possam ser entregues na data solicitada.

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Unidade: Sistemas da Produção

Assim, a PMP tem a finalidade de definir o que a empresa planeja produzir – indicando
configuração, quantidades e datas específicas – de modo que atenda a demanda identificada
e compatível com a capacidade produtiva da empresa. As decisões tomadas por meio do
planejamento de capacidade afetam os seguintes aspectos de desempenho da empresa: receita
(decisão de produção para estoques e para a antecipação da demanda), qualidade dos serviços
(grandes flutuações de capacidade), velocidade de resposta à demanda (uso de capacidade
excedente) e confiabilidade (proximidade dos níveis de demanda e de capacidade produtiva).
A figura 8 apresenta barras de aço que são matéria-prima na confecção de peças mecânicas.

- Programação detalhada da produção Figura 9 - Painel de máquinas de conformação mecânica.

(PDP): é a operacionalização propriamente


dita do “chão da fábrica”, definindo as
atividades de administração de materiais,
sequenciamento as ordens de produção
e a emissão e liberação dessas ordens.
Algumas medidas de desempenho podem
ser avaliadas para verificar os custos e
o tempo de fabricação, sabendo assim
como está a eficácia do detalhamento
da programação: tempo de fluxo das Alaasafei/Freeimages.com

ordens (intervalo entre a liberação e a conclusão da ordem de produção), tempo total


de processamento de um grupo de tarefas, atraso total em relação aos prazos de entrega
acordados e estoque em processo (quantidade de ordens de produção abertas).

- Controle da produção: é a última etapa do PCP e consiste no acompanhamento dos


processos produtivos, tem a finalidade de verificar o andamento da produção conforme o
planejado. As fases do controle da produção são:
- Estabelecimento de padrões: quantidade (volume de produção e quantidade de estoque),
qualidade (matéria-prima e especificações de produto), tempo (tempo padrão ou médio
para produzir um determinado produto) e custo (de produção, de venda e de estocagem);
- Avaliação do desempenho: monitoramento das atividades e comparação com os padrões
estabelecidos. Os métodos mais utilizados são os controles visual e por amostragem;
- Ação corretiva: correção de falhas no processo produtivo.
A figura 10 apresenta uma peça mecânica de precisão contendo roscas, parafusos e partes
destinadas a acoplamento. A confecção de rosca em peças gera o aparecimento de uma grande
quantidade de cavacos metálicos (figura 11).
Figura 10 - Peça mecânica de precisão. Figura 11 - Cavacos metálicos.

Damian Searles/Freeimages.com Piotr Menducki/Freeimages.com

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No plano da gestão ambiental, o problema básico Figura 12 - Caçamba com resíduos a serem reciclados.
da indústria brasileira é o elevado volume de resíduos
derivados da atividade produtiva, causado pelo alto
índice de perdas de matérias-primas no processo
produtivo. Outro agravante é a variação da composição
dos materiais que formam o produto.
O descarte de lixo industrial deve ser feito com base
nas leis ambientais e buscando a prática da reciclagem.
A figura 12 apresenta uma caçamba metálica repleta de Domínio Público
resíduos com destino à reciclagem.

Revisão
. PCP - Planejamento e Controle da Produção.
. PAP - Planejamento Agregado da Produção.
. PMP - Programação Mestra da Produção.
. PDP - Programação Detalhada da Produção.

Sistemas de Produção
Sistemas de produção podem ser definidos como tipos de processos utilizados em manufatura
de bens e execução de serviços. É a maneira pela qual organiza-se a produção de bens e serviços
com características diferentes de volume e variedade.
Os processos de conversão estão relacionados à manufatura (mudança no formato da
matéria-prima e mudança da composição do produto) e os processos de transferência aos
serviços (transferência de conhecimentos e/ou tecnologia).
Os tipos de sistema de manufatura são: tradicional, cruzada de Schroeder e produção enxuta.
No sistema tradicional, há três tipos de processos diferentes: contínuo (produção em massa), por
lotes (produção por encomenda) e de grandes projetos (produção sem repetição).
Figura 13 - Extração de petróleo.
No sistema de manufatura tradicional,
tipo produção contínua, ocorrem grandes
volumes e pouca variedade. Os produtos
são padronizados, não flexíveis e as etapas de
produção fluem numa sequência prevista de
um posto de trabalho para outro. A extração
de petróleo e o seu refinamento é um exemplo
de produção continua (figura 13).
Luiz Baltar/Freeimages.com

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Unidade: Sistemas da Produção

Figura 14 - Fabricação de doces.


No sistema de manufatura tradicional,
tipo produção por lotes, cada categoria de
produto tem o seu processo e, ao fim de cada
lote, os produtos podem ser diversificados.
Há famílias de produtos com pouca variação.
A programação da produção deve ser do
conhecimento de todos antes do início do
processo. O controle de estoques deve ser
perfeito. A figura 14 apresenta a confecção de
Joe Zlomek/Freeimages.com
um lote de doces.
Figura 15 - Ponte antiga na cidade de Florença (Itália).
No sistema de manufatura tradicional,
tipo produção de grandes projetos,
os volumes são baixos e possuem grande
variedade. É um processo de longa duração
e com início e fim bem definidos. As tarefas
possuem pouca ou nenhuma repetitividade.
A construção de pontes e estradas de ferro
se enquadram nessa categoria. A figura 15
Gosiakkk/Freeimages.com
apresenta uma ponte histórica.
O sistema de manufatura cruzada de Schroeder considera duas dimensões: de um lado,
a dimensão tipo de fluxo de produto, que tem maneira semelhante à classificação tradicional;
de outro, a dimensão tipo de atendimento ao consumidor. O sistema de produção cruzada de
Schroeder considera as seguintes dimensões de atendimento ao consumidor:
- Sistemas orientados para estoque: buscam oferecer atendimento rápido e previsão de
demanda (gestão de estoque e planejamento da capacidade);
- Sistemas orientados para encomendas: discussão de prazo de entrega e preço e oferta de
produtos adequados à necessidade dos clientes;
Figura 16 - Sistema de Produção Cruzada de Schroeder.

O sistema de manufatura da produção enxuta é também conhecido como TPS (Toyota


Production System ou, em português, Sistema Toyota de Produção), Lean Manufacturing e
Produção Lean. A adoção de conceitos ligados à produção enxuta auxilia a manutenção da
competitividade da empresa porque busca maior qualidade e eficiência a menor custo.

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Produção Enxuta:
Um conjunto de princípios, práticas e ferramentas usadas para criar um valor
preciso ao consumidor – sendo estes um produto ou serviço com melhor
qualidade e poucos defeitos – com menos esforços humanos, menos espaço,
menos capital e menos tempo do que os sistemas tradicionais de produção em
massa (LEAN ENTERPRISE INSTITUTE, 2007).

Atualmente, raros são os exemplos onde é possível desassociar a produção de bens e a


prestação de serviços. A administração de serviços externos (para o público externo às empresas)
ganhou atenção geral por se apresentar como grande diferencial competitivo em um mundo no
qual há muita semelhança entre os bens, a maioria com certificados de qualidade padronizados.
A administração de serviços interna (para o público interno das empresas) ganhou destaque
por causa da enorme quantidade de atividades de produção que existe dentro de um sistema
composto por subsistemas, pois vários desses subsistemas são compostos por serviços que dão
suporte à atividade de manufatura da empresa (administração financeira, administração de
recursos humanos, etc.).
A prestação de serviço é fortemente influenciada pela mão de obra e pelos desejos do cliente.
O contato da mão de obra prestadora dos serviços com os clientes e o aspecto subjetivo de
atuação do profissional são exemplos da dificuldade de gerenciamento de serviços.
Os sistemas de prestação de serviços são:

Serviços profissionais – a prestação de serviços especializados com alta customização.


Suas características são:
. Alto contato com os clientes, adaptável para atender às necessidades individuais deles;
. Baseados em pessoas, ênfase no processo (como o serviço é prestado);
. Cada projeto é diferente e há alta customização (atendimento personalizado).
Exemplos: consultoria de gestão, advogados, arquitetos, engenheiros, médicos, cirurgiões,
auditores, etc.

Serviços de massa – a prestação de serviços gerais com baixa customização. Suas


características são:
. Lidam com muitas transações de clientes;
. Baseados em equipamentos, ênfase no produto (o que é fornecido);
. Pessoal, em geral não especializado, com tarefas precisamente definidas e rotinas
preestabelecidas;
. Baixa customização.
Ex.: supermercados, aeroportos, livrarias, emissoras de televisão, polícia, serviços públicos, etc.

Lojas de serviço – a prestação de serviços com customização por segmentação de mercado.


Suas características são:
. Posicionado entre os extremos dos dois tipos anteriores: níveis de contato com o
cliente, customização, volume de clientes e liberdade de decisão do pessoal que
atende/presta o serviço;
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Unidade: Sistemas da Produção

. Envolve pessoas e equipamentos;


. Ênfase no produto e nos processos.
Ex.: bancos, lojas, restaurantes, operadoras de turismo e lazer, escolas, hotéis, etc.

Você Sabia ?
O pensamento enxuto criado pelo Sistema Toyota de Produção tem como base cinco princípios:
1) Valor: o cliente é quem deve definir o valor e cabe às empresas determinarem qual é essa
necessidade, procurar satisfazê-la e cobrar por isso um preço específico;
2) Fluxo de Valor: dissecar a cadeia produtiva e a eliminação dos processos que não agregam valor;
3) Fluxo Contínuo: o feito imediato da criação de fluxos contínuos pode ser sentido na redução
dos tempos de concepção de produtos, de processamento de pedidos e de estocagem;
4) Produção Puxada: o consumidor passa a “puxar” o fluxo de valor, reduzindo a necessidade
de estoque e valorizando o produto;
5) Perfeição: a busca do aperfeiçoamento contínuo em direção a um estado ideal deve nortear
todos os esforços da empresa com processos transparentes a todos os membros da cadeia.

Trocando Ideias
Qual o sistema de produção mais adequado para a produção de alimentos congelados?
Resposta: Ao manusear a embalagem de um alimento congelado, devem ser verificadas as datas
de fabricação, de vencimento da validade para consumo e o número do lote. Essas informações
permitem auxiliar a empresa no rastreamento do produto e, também, fica claro que na produção
de alimentos congelados é utilizado o sistema de manufatura tradicional tipo produção por lotes.
Grande quantidade de produtos congelados é primeiramente fabricada para, depois, utilizando-se
de campanhas de marketing, ser vendida.

Ideias-chave
O PCP é um processo, cujas fases são:
Planejamento dos produtos – o que, quanto e quando será produzido (bens) ou realizado (serviços);
Programação dos recursos – quanto e quando os recursos (financeiros, materiais e humanos)
são necessários;
Controle do processo – como e quando fazer o monitoramento do processo.

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Material Complementar

• YAMAUTE, Nilton M.; CHAVES, Carlos Alberto; CARDOSO, Álvaro Azevedo. Princípios de
Gestão da Produção Enxuta: a arma da Toyota para destronar a GM. Disponível em:
<http://www.aedb.br/seget/artigos07/1059_Artigo_STP_Nilton_%20SEGeT%20FINAL.pdf>.

• WALTER, Alexandre. Um método de modelagem de sistemas de produção de


serviços baseado no mecanismo da função produção. Disponível em: <http://www.
producao.ufrgs.br/arquivos/publicacoes/Alexandre%20Walter.PDF>.

• LAZARIN, Daniel França. Estratégia de produção e a abordagem da manufatura


enxuta: estudos de caso no setor de autopeças brasileiro. Disponível em: <http://
www.bdtd.ufscar.br/htdocs/tedeSimplificado//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=6321>.

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Unidade: Sistemas da Produção

Referências

ANTUNES FILHO, J. A. V. e outros. Sistemas de Produção – conceitos e práticas para


projeto e gestão da produção enxuta. Porto Alegre: Bookman, 2008.

CORRÊA, H.L.; GIANESI, I.G.N.; CAON, M. Planejamento, programação e controle da


produção. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2007.

COSTA NETO, P.L.O. Qualidade e competência nas decisões. São Paulo: Editora Blücher,
2007.

FERNANDES, F.C. F.; GODINHO FILHO, M. Planejamento e Controle da Produção – dos


fundamentos ao essencial. São Paulo: Atlas, 2010.

HENRIQUE, L.C.; CARLOS, A.C. Administração de produção e operações. São Paulo:


Atlas, 2004.

NIGEL, S.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da produção. São Paulo: Atlas,
2002.

ROCHA, D. R. da. Gestão da Produção e Operações. Rio de Janeiro: Ciência Moderna,


2008.

SILVA, EDUARDO BATISTA. Planejamento e controle da Produção sob a ótica da


empresa. In: www.pece.org.br/cursos/TGP/monografias/MBA-MONO- EduardoBatista.pdf.
Acessado em 10/03/2009.

LEAN ENTERPRISE INSTITUTE (2007). Léxico Lean. Glossário ilustrado para


praticantes do Pensamento Lean. Disponível em <http://www.lean.org.br/o_que_e.aspx>
e <http://www.lean.org.br/5_principos.aspx>.

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Anotações

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