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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Notas de Aula de – Introdução à Economia II


Macroeconomia

QUE O ESTUDO DESTE SEMESTRE POSSA NOS ACRESCENTAR UMA


SÓLIDA FORMAÇÃO EM ECONOMIA, E MAIS ESPECIFICAMENTE EM
MACROECONOMIA. MAS QUE TAMBÉM POSSAMOS COMPREENDER QUE,
SEM DEIXAR DE RESPEITAR AS DIFERENÇAS, SOMOS TODOS
LEGATÁRIOS DE UMA MESMA HISTÓRIA E FORMAÇÃO ECONÔMICA E QUE
E POSSUÍMOS A RESPONSABILIDADE DE CONSTRUIRMOS UM BRASIL
MELHOR, MAIS PRÓSPERO E MAIS JUSTO PARA AS PRÓXIMAS GERAÇÕES
DO NOSSO POVO.

Que Deus ilumine nosso caminho!

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Recado ao aluno(a)

O objetivo deste trabalho é apenas substituir a rotina de “ditar a


matéria” em sala de aula. Além de cansativo, perdemos muito tempo com todo
o trabalho de ditar, copiar e ditar de novo...
Também não queria deixar os alunos sem um material de fácil
acesso e conteúdo mais simples e sintético. Assim, aproveitei que alguns
alunos digitavam a matéria de sala e, com algumas correções e acrescentando
alguns detalhes, estas notas de aula nasceram. Agradeço muito a todos
aqueles que me forneceram suas “anotações digitais” para compor este
trabalho.
Veja: não se trata de uma apostila, livro texto ou coisa do gênero.
O que você tem em mãos é apenas um conjunto de anotações, por isso “notas de
aula”. Não substitui a leitura da bibliografia indicada no curso. Apenas
economiza trabalho manual e nos poupa tempo!
Assim, leve sempre estas notas para a aula. Você poderá
acompanhar melhor o curso e, se quiser, fazer mais anotações e complementar
o seu material de estudo.
Bom estudo e bom semestre!

Data

PP

PF

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Sumário
1) Escolas de Pensamento Econômico ......................................................................................... 7
1.1. Escola Liberal Clássica ....................................................................................................... 7
1.2. Crítica ao liberalismo.......................................................................................................... 8
1.3. Crítica Keynesiana .............................................................................................................. 9
a) Contexto histórico: Crise de 1929...................................................................................... 9
b) Intervenção do Estado ..................................................................................................... 10
1.4. Neoliberalismo.................................................................................................................. 12
Monetarismo ........................................................................................................................ 14
2) Introdução à macroeconomia e Estudos dos agregados macroeconômicos ........................... 17
2.0. Curto e Longo Prazo em Economia .................................................................................. 17
2.1. Noções de Contabilidade Nacional;................................................................................. 17
Balanço de Pagamentos ....................................................................................................... 18
Produto Interno Bruto (PIB) ................................................................................................ 19
2.2. Riqueza, Renda e distribuição. ........................................................................................ 22
Distribuição da Riqueza ....................................................................................................... 23
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) ........................................................................ 31
Índice de Progresso Social (IPS). ......................................................................................... 32
2.3. Taxa de Câmbio ................................................................................................................ 34
1.3) Taxa de Câmbio, Balança Comercial e Aplicações Financeiras. ..................................... 35
Taxa de Câmbio e o resultado da Balança Comercial.......................................................... 35
Taxa de Cambio e Resultado de aplicações Financeiras ...................................................... 38
2.4. O Investimento e a Taxa de Juros. ................................................................................... 39
Expectativas e incertezas ..................................................................................................... 41
2.5. Inflação ............................................................................................................................. 43
Moeda .................................................................................................................................. 43
Funções da Moeda ............................................................................................................... 45
Inflação e índice de Inflação ................................................................................................ 45
Tipos de inflação. ................................................................................................................. 46
A Curva de Phillips .............................................................................................................. 47
Efeitos da inflação sobre a economia. .................................................................................. 48
Conflito redistributivo .......................................................................................................... 49
Regime de Metas para Inflação............................................................................................ 51
1.6. O Nível de Emprego. ....................................................................................................... 53
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A Lei de Okun...................................................................................................................... 55
3) Estado, Orçamento e Déficit Público. .................................................................................... 57
3.1. Orçamento ........................................................................................................................ 59
3.2. Receita e Despesas Públicas e o Déficit Público .............................................................. 62
Receita Pública..................................................................................................................... 62
Despesa Pública ................................................................................................................... 64
3.3. Déficit Público .................................................................................................................. 68
4) Sistema Financeiro Nacional – SFN ...................................................................................... 69
4.1. Subsistema Normativo ...................................................................................................... 69
Entidades Normativas .............................................................................................................. 70
I) Conselho Monetário Nacional - CMN ............................................................................. 70
II) Banco Central do Brasil - BCB ....................................................................................... 70
Instrumentos de política monetária ...................................................................................... 71
III) Comissão de Valores Mobiliários - CVM ..................................................................... 72
IV) Superintendência de Seguros Privados - SUSEP .......................................................... 74
V) Superintendência Nacional de Previdência Complementar - PREVIC .......................... 74
4.2. Subsistema de Intermediação ........................................................................................... 75
Entidades Operadoras - Órgãos Oficiais.................................................................................. 75
A) Banco do Brasil - BB ...................................................................................................... 75
B) Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES............................ 75
C) Caixa Econômica Federal - CEF ..................................................................................... 76
Instituições financeiras: ........................................................................................................... 76
Os Bancos Comerciais (BC) ................................................................................................ 76
Os Bancos de Desenvolvimento: ......................................................................................... 78
As Cooperativas de Crédito: ................................................................................................ 78
Os Bancos de Investimentos: ............................................................................................... 78
Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimentos: ...................................................... 79
Sociedade Corretoras: .......................................................................................................... 79
Sociedades Distribuidoras:................................................................................................... 79
Sociedade de Arrendamento Mercantil: ............................................................................... 79
Associações de Poupança e Empréstimo: ............................................................................ 79
Sociedades de Crédito Imobiliário: ...................................................................................... 80
Investidores Institucionais: .................................................................................................. 80

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Entidades Fechadas de Previdência Privada: ....................................................................... 80


Companhias Hipotecárias: ................................................................................................... 80
Agências de Fomento:.......................................................................................................... 80
Bancos Múltiplos: ................................................................................................................ 81
Bancos Cooperativos: .......................................................................................................... 81
Outros Intermediários Financeiros ....................................................................................... 81
Instituições Auxiliares ......................................................................................................... 81
5) Multiplicador Keynesiano ...................................................................................................... 82
6) A Destruição Criadora em Schumpeter.................................................................................. 85
7) REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: ...................................................................................... 88

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1) Escolas de Pensamento Econômico

1.1. Escola Liberal Clássica


O liberalismo surge com a crise do Antigo Regime e o questionamento
dos poderes absolutos do Estado. A intervenção sistemática do governo na economia e a
dificuldade de ação política levam a burguesia a uma série de movimentos para a
tomada do poder.
Isto pode ser visto nos ideais da revolução francesa, ou seja, liberdade e
igualdade. Não deve haver privilégio e é a competência demonstrada no mercado que
dirá quem deve e quem não deve permanecer. Além disso, todos devem ter o direito de
votar e serem votados e novamente a competição irá privilegiar os melhores.
O liberalismo clássico é uma ideologia ou corrente do pensamento
político que defende a maximização da liberdade individual mediante o exercício dos
direitos e da lei. O liberalismo defende uma sociedade caracterizada pela livre iniciativa
integrada num contexto definido. Tal contexto geralmente inclui um sistema de governo
democrático, o primado da lei, a liberdade de expressão e a livre concorrência
econômica.
As teses do liberalismo econômico foram criadas no século XVIII com
clara intenção de combater o mercantilismo, cujas práticas já não atendiam às novas
necessidades do capitalismo. O pressuposto básico da teoria liberal é a emancipação da
economia de qualquer dogma externo a ela mesma.
O criador da teoria mais aceita na economia moderna, nesse sentido, foi
sem dúvida Adam Smith, economista Escocês, que desenvolveu a teoria do liberalismo,
apontando como as nações iriam prosperar. Nela ele confrontou as ideias de Quesnay e
Gournay, afirmando que a desejada prosperidade econômica e a acumulação de riquezas
não são concebidas pela atividade rural e nem comercial. Para Smith o elemento de
geração de riqueza está no potencial de trabalho, trabalho livre sem ter, logicamente, o
estado como regulador e interventor.
O mercado regularia tudo através da “Mão Invisível”. Esse foi o termo
introduzido por Adam Smith em "A Riqueza das nações" para descrever como numa
economia de capitalista livre, (inexistência de uma entidade coordenadora, ou seja, um

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estado que intervenha na economia), a interação dos indivíduos parece resultar numa
ordem, que maximiza a riqueza individual e social. Aqueles que são mais competentes
são premiados e os aqueles que não conseguem se adaptar as exigências (preço,
qualidade etc.) são retirados do mercado.
Além disso, como o mercado tende a ampliar sempre a competição, a
sociedade estará sempre avançando, progredindo para um estágio melhor. Tudo isso
ocorre como se houvesse uma "mão invisível" que nos orientasse, não havendo
necessidade de intervenção do Estado.
Outro ponto fundamental é o fato de que todos os agentes econômicos
são movidos por um impulso de crescimento e desenvolvimento econômico, que
poderia ser entendido como uma ambição ou ganância individual. No cômpito geral,
isso traria benefícios para toda a sociedade, uma vez que a soma desses interesses
particulares promoveria a evolução generalizada, um equilíbrio perfeito.
São princípios do liberalismo:
a) Propriedade privada;
b) Livre iniciativa;
c) Livre concorrência;
d) O Estado não deve interferir na economia, pois esta deve ser deixada para a
regulação de mercado;
e) Cabe ao Estado a manutenção dos contratos dentro do princípio do Pacta sunt
servanda1.

1.2. Crítica ao liberalismo


Durante o séc. XIX, e principalmente nas últimas décadas deste, o
liberalismo passou a ser questionado. A sociedade se encontrava dividida em dois

1
PACTA SUNT SERVANDA é o Princípio segundo o qual o contrato obriga as partes nos limites da lei.
É uma regra que versa sobre a vinculação das partes ao contrato, como se norma legal fosse, tangenciando
a imutabilidade. A expressão significa, em tradução livre, “os pactos devem ser cumpridos”.
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grupos: uma enorme massa de pessoas pobres e, de outro lado, um pequeno grupo de
ricos.
As expressões liberdade e igualdade foram usadas em muitos discursos,
mas nunca se materializaram no mundo real, pois a exploração do mais fraco
ultrapassou os limites do aceitável.
A criação de classes sociais tão diferentes obrigava os mais pobres a todo
tipo de sofrimento e humilhação. Ao negar a uma gigantesca massa de pessoas um
mínimo de dignidade, a igualdade é ferida de morte.
Sem o mínimo existencial o ser humano passa a ser tratado como uma
coisa. A liberdade também fenece diante da fome e da miséria. . E é isso que a pobreza
extrema faz: retira do homem sua condição de ser humano, denegrindo-o da forma mais
vil e cruel.
O pior de tudo: o individuo violentado em seus direitos fundamentais não
tem a quem recorrer, pois o Estado apenas se guia pelo ideal do "laissez faire - laissez
passer", sem intervir...
Veremos dois tipos diferentes de questionamentos com relação ao
liberalismo. A primeira crítica é a MARXISTA. Nela busca-se a derrocada do
capitalismo e a construção de um novo sistema (Revolução). A segunda crítica é a
KEYNESIANA, que visa mudar o capitalismo para que este continue existindo
(Reforma). Isso ocorrerá através de uma intervenção do Estado, corrigindo as possíveis
falhas do mercado.

1.3. Crítica Keynesiana


a) Contexto histórico: Crise de 1929.
No início do século XX, os Estados Unidos viviam um período de
prosperidade e de pleno desenvolvimento, até que a partir de 1925, apesar de toda a
euforia, a economia norte-americana começou a passa por sérias dificuldades. Os
valores das ações estavam em níveis elevadíssimos, fora da realidade.
Em 24 de outubro, 70 milhões de títulos foram jogados no mercado -
mas não encontraram quem os comprasse. Sem demanda pelos papéis, os preços das

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ações e dos títulos despencaram, gerando uma onda de desconfiança irracional. O dia
passou à história como "Quinta-Feira Negra".
Mas se engana que acredita que a crise de 29 nasceu do mercado de
ações. Este foi apenas o estopim da crise. Podemos identificar dois motivos que
acarretaram a crise:
O aumento da produção não acompanhou o aumento dos salários. Além de a
mecanização ter gerado muito desemprego. A crise de 1929 foi, portanto, uma crise
de superprodução que com grande intensidade se alastrou por toda a economia
norte-americana com reflexos em todo o mundo ocidental capitalista.
A recuperação dos países europeus, logo após a 1ª Guerra Mundial. Esses eram
potenciais compradores dos Estados Unidos, porém reduziram isso drasticamente
devido à recuperação de suas econômicas.
Diante da contínua produção, gerada pela euforia norte-americana, e a
falta de consumidores, houve uma crise de superprodução. Os agricultores, para
armazenar os cereais, pegavam empréstimos, e logo após, perdiam suas terras. As
indústrias foram forçadas a diminuir a sua produção e demitir funcionários, agravando
mais ainda a crise.
A crise naturalmente chegou ao mercado de ações. Os preços dos papéis
na Bolsa de Nova York, o maior dos centros capitalistas da época, despencaram,
ocasionando a quebra da bolsa. A partir daí a crise virou uma bola de neve: milhares de
bancos, indústrias e empresas rurais foram à falência e pelo menos 12 milhões de norte-
americanos perderam o emprego em questão de meses.

b) Intervenção do Estado
Com esta forte crise, a política liberal que era a tônica da ação do
governo passou a ser questionada. A ideia de que o Estado não deve interferir foi
colocada em xeque. Para solucionar a crise, o eleito presidente Franklin Roosevelt,

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propôs mudar a política de intervenção americana. Surge, em 1932, o New Deal (novo
acordo)2, que foi implementado a partir de 1933.
O antigo acordo era o liberalismo, porém com o novo acordo o Estado
passa a intervir na economia principalmente, no caso Norte Americano, através de obras
públicas. O objetivo era gerar empregos e ativar a economia.
Oferecendo uma saída para a crise vivenciada, John Maynard Keynes
postulou uma teoria que rompia totalmente com a ideia liberalista do “deixai fazer”,
afirmando que o Estado deveria sim, interferir na sociedade, na economia e em quais
áreas achasse necessário. Essa foi a base do New Deal.
Desta forma, se antes, o Estado não interferia na economia, deixando
tudo agir conforme o mercado, agora passaria a intervir fortemente. O resultado disso
foi a criação de grandes obras de infraestrutura, salário-desemprego e assistência aos
trabalhadores, concessão de empréstimos, etc. Com isso, os Estados Unidos
conseguiram retomar seu crescimento econômico, de forma gradual, tentando esquecer
a crise que abalou o mundo.
As obras públicas tinham como objetivo a geração de emprego. A ação
do Estado deveria ser orientada para fortalecer a economia e ampliar o seu
desenvolvimento. Keynes disse que o principal objetivo era a busca do PLENO
EMPREGO, ou seja, os trabalhadores deveriam estar empregados.
A partir da segunda guerra mundial, o Estado passa a atuar como agente
do desenvolvimento, não apenas para gerar empregos, mas também para romper
barreiras e superar dificuldades que geravam entraves para o crescimento da economia.
Assim, durante o séc. XX vamos ver crescer a ação do Estado e sua interferência na
vida privada.
O modelo do Estado intervencionista (Welfare State) foi adotado por
muitos países, principalmente na Europa, após o fim da Segunda Guerra Mundial, já

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Cerca de 3 anos mais tarde, em 1936, essas políticas econômicas foram teorizadas e racionalizadas por
Keynes em sua obra clássica Teoria geral do emprego, do juro e da moeda.
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que a interferência estatal parecia essencial para a recuperação do mundo no pós-guerra.


Além disso, vários países, incluindo o Brasil, tiveram no Estado um indutor de
crescimento econômico.
Devido a longa era de prosperidade - quase 30 anos de crescimento - que
impulsionou o mundo ocidental depois da segunda guerra, graças as diversas adoções
das políticas keynesianas e sociais-democratas, os liberais recolheram-se para a sombra.
Mas a partir da crise do petróleo de 1973, seguida pela onda inflacionaria que
surpreendeu os estados de bem-estar social, o liberalismo gradativamente voltou à cena.
Porém não era mais movimento do século XIX, era algo que queria se mostrar como
novo: o neoliberalismo.

1.4. Neoliberalismo
Neoliberalismo, em sentido amplo, é a retomada dos valores e ideais do
liberalismo político e econômico que nasceu do pensamento iluminista e dos avanços da
economia decorrentes da revolução industrial do final do século XVIII, com a
adequação necessária à realidade política, social e econômica de cada nação em que se
manifesta.
Em sentido mais estrito designa, nas democracias capitalistas no final do
século XX e início do XXI, as posições pragmáticas e ideologicamente pouco definidas
dos defensores da política do "estado mínimo". Este deve interferir o menos possível na
liberdade individual e nas atividades econômicas da iniciativa privada e, ao mesmo
tempo, questionava o estado de bem-estar social.
O movimento se inicia a partir dos anos 603, e principalmente no final
dos anos 70, com a crise dos países centrais, o keynesianismo também foi passou a ser
questionado, pois problemas como inflação e instabilidade econômica tornaram-se reais.

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Apesar do fato de que o grande inspirador do neoliberalismo foi Friedrich August von Hayek. No livro
O Caminho da Servidão (de 1944), o autor afirma que o intervencionismo estatal leva "a civilização ao
colapso". Hayek expôs os princípios básicos de sua teoria, segundo a qual o crescente controle do estado
é o caminho que leva à completa perda da liberdade e a sérios problemas econômicos.
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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Foi assim que nasceu um novo modelo de liberalismo: o neoliberalismo4, o qual


estabelecia certo limite ao Estado e afirmava que as garantias da liberdade econômica e
política estavam ameaçadas pelo excesso de intervencionismo.
Assim, o Neoliberalismo é a resposta à crise do capitalismo decorrente,
segundo os neoliberais, da expansão da intervenção do Estado do mercado e na vida
privada. Outra faceta específica da política neoliberal também atinge diretamente a
relação de gastos que o Estado mantém com as necessidades essenciais da sociedade
civil.
A síntese deste período é o chamado Consenso de Washington, que é
um conjunto de medidas - que se compõe de algumas medidas/regras básicas -
formulado em novembro de 1989 por economistas de instituições financeiras situadas
em Washington D.C., como o FMI, o Banco Mundial e o Departamento do Tesouro dos
Estados Unidos. Tal consenso foi desenvolvido a partir de um texto do economista John
Williamson, do International Institute for Economy, e que se tornou a política oficial do
Fundo Monetário Internacional em 1990, quando passou a ser "receitado" para
promover o "ajustamento macroeconômico" dos países em desenvolvimento que
passavam por dificuldades.
Vamos assistir no final do séc. XX uma série de privatizações, reformas
de cunho liberal da constituição, desregulamentação da economia, etc. O pacta sunt
servanda voltou ao discurso e a intervenção do Estado nos contratos passou a ser
questionada.
Dessa forma, as recomendações apresentadas giraram em torno de três
ideias principais: abertura econômica e comercial, aplicação da economia de mercado e
controle fiscal macroeconômico. Resumidamente, podemos citar como medidas
principais deste período neoliberal:

4
Entre as décadas de 1970 e 1980 observamos que os primeiros governos neoliberais ganharam espaço
no cenário político internacional. Ronald Reagan, nos Estados Unidos; Margaret Thatcher, no Reino
Unido; e Helmut Kohl, na Alemanha são considerados os primeiros grandes precursores desse modelo de
desenvolvimento. Logo em seguida, outras nações menos desenvolvidas, como Brasil e Argentina,
tomaram medidas em favor desse novo molde.
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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Abertura comercial, abertura ao investimento estrangeiro direto, com eliminação de


restrições e barreiras à circulação de capital;
Privatização das estatais. O plano de privatizações foi a principal marca do período,
inspirado fortemente as ações da dupla Ronald Reagan (presidente dos EUA entre
1984 e 1988) e Margareth Tatcher (primeira-ministra da Inglaterra entre 1979 e
1990).;
Aumento do numero de concessões e permissões, repassando serviços e bens
públicos para a administração da iniciativa privada;
Desregulamentação da economia (revogação e mudança das leis que atuam na
economia);
Processo de desmonte do Estado pelo fechamento de órgãos públicos ou pelo
processo de piora e precarização dos serviços prestados pelo Estado.
Em linhas gerais, não foi preconizada nenhuma medida “inédita” durante
o Consenso de Washington. As ideias desse “receituário”, já eram proclamadas pelos
governos dos países desenvolvidos, principalmente EUA e Reino Unido, desde as
décadas de 1970 e 1980, quando o Neoliberalismo começou a avançar pelo mundo.
Além disso, instituições como o FMI e o Banco Mundial já colocavam a cartilha
neoliberal como pré-requisito necessário para a concessão de novos empréstimos e
cooperação econômica.
Além disso, outras duas ideias eram defendidas. A primeira era a
disciplina fiscal, em que o Estado deveria cortar gastos e eliminar ou diminuir as suas
dívidas, reduzindo custos e funcionários.
A segunda era uma reforma fiscal e tributária, em que o governo deveria
reformular seus sistemas de arrecadação de impostos a fim de que as empresas
pagassem menos tributos.

Monetarismo
O principal nome do monetarismo é Milton Friedman (1912-2006), líder
de um grupo de defensores do livre mercado na Universidade de Chicago. Podemos
resumir o monetarismo em duas proposições básicas: (a) a instabilidade da oferta de
moeda e (b) a estabilidade da demanda de moeda. Dessas premissas surge o diagnóstico;
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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

as flutuações cíclicas das economias podem ser atribuídas à instabilidade da oferta de


moeda. Sendo assim, a terapia correta é que os bancos centrais devem atuar sempre no
sentido de garantir uma taxa fixa de crescimento monetário (conhecida como a x-rule ).
Eis algumas das conclusões dos monetaristas:
1. Existe uma relação consistente, embora não precisa, entre crescimento na oferta
monetária e crescimento na renda nominal.
2. Leva algum tempo até que o crescimento na oferta de moeda afete a renda.
3. Uma alteração na taxa de crescimento da oferta de moeda leva de 6 a 9 meses para
afetar a taxa de crescimento da renda nominal.
4. Mudanças naquela taxa de crescimento afetam primeiro o produto real e só depois é
que se refletem exclusivamente sobre o nível de preços.
5. Apenas transitoriamente é possível manter a economia acima de sua capacidade
normal ou natural mediante políticas keynesianas de "sintonia fina'' do lado da
demanda. A insistência do governo em fazê-lo apenas fará com que a inflação se
acelere.
6. "A inflação é sempre e em qualquer lugar um fenômeno monetário".
7. O déficit público pode ou não ser inflacionário: o será se for financiado por expansão
monetária, isto é, por aumentos no papel moeda e nos depósitos bancários.
8. A expansão monetária inicialmente reduz as taxas de juros, mas, na medida em que
os gastos e os preços aumentam, a demanda de empréstimos crescerá, o que elevará no
futuro as taxas de juros. Isto explica porque os monetaristas sempre insistiram na
afirmativa de que a política monetária não deve ser guiada pelas taxas de juros.
9. Além disso, as variações de preços provocadas pela instabilidade da oferta de moeda
acabam introduzindo discrepâncias entre as taxas de juros reais e as nominais, que
terminam gerando distúrbios nos setores reais (produção) da economia.
Friedman e os monetaristas trabalhavam com a hipótese de que as
expectativas são adaptativas, ou seja, de que, com o passar do tempo, os agentes
econômicos percebiam os erros cometidos em suas avaliações e os corrigiam, até que,
no "longo prazo", eles fossem totalmente eliminados.
A política monetária não deveria ser usada para objetivos de pleno
emprego, mas apenas para proporcionar a estabilidade de preços necessária para o
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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

crescimento sustentado da economia, que é considerado como uma questão


essencialmente de oferta (e não de demanda, como no keynesianismo), de expansão da
capacidade produtiva ao longo do tempo.

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Muitos argumentam que com a crise iniciada em 2007 e que se agrava


em 2008, nos EUA, o neoliberalismo, novamente, começa a sair de cena. A presença do
Estado e a intervenção na economia já é uma realidade. E a cada momento fica mais
forte: colocado como meio para salvaguardar os empregos e diminuir seus efeitos na
sociedade ou ajudar as empresas (principalmente instituições financeiras) a
sobreviverem a essa violenta turbulência.
Um dos exemplos disso foi o que aconteceu com a General Motors
(GM), um dos grandes ícones do desenvolvimento econômico norte-americano, que foi
a bancarrota. A solução para evitar um eventual "desastre" na economia interna dos
EUA foi a "estatização" pelo governo. Com a avalanche que atingiu o centro do
império, abalando os principais pilares do modelo neoliberal, o caso da GM é simbólico
e para muitos significa o fim da hegemonia do neoliberalismo.

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2) Introdução à macroeconomia e Estudos dos agregados macroeconômicos

2.0. Curto e Longo Prazo em Economia


A questão do prazo é definida em termos de existência ou não de fatores
fixos de produção, que são aqueles que permanecem inalterados, quando a procura
varia, enquanto que os fatores de produção variáveis se alteram, com a variação da
quantidade produzida. Exemplos de fatores fixos: capital físico, instalações da empresa.
Exemplos de fatores variáveis: mão de obra e matérias-primas utilizadas.
Define-se curto prazo como o período no qual existe pelo menos um fator
de produção fixo; já a longo prazo, todos os fatores variam.

2.1. Noções de Contabilidade Nacional;

A Contabilidade Nacional é um instrumento estatístico, mas de natureza


contábil, que procura fornecer uma representação sintética da realidade econômica de
um país, o que se torna indispensável a todos os responsáveis das decisões econômicas,
tanto os poderes políticos como as empresas.
Hoje, praticamente, não existe nenhum país que não tenha a sua
Contabilidade Social, através da qual se pode ter uma visão relativamente exata do
estado econômico do país e do seu ritmo de crescimento.
Os objetivos da contabilidade nacional são:
Medir a atividade econômica - normalmente durante um ano e em cada país, e pode
fornecer valores para calcular indicadores como consumo, produção, rendimento,
investimento, etc.
Fazer previsões de caráter econômico - todos os governos, em tomada de decisões
para evitar ou minimizar crises econômicas.
Tomar decisões econômicas mais fundamentadas - tem a haver com as medidas de
recursos implementadas pelo Estado para suprir eventuais causas (ex. aumento dos
impostos, diretos ou indiretos).

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Efetuar comparações no tempo e no espaço - permite analisar os diferentes agentes


macroeconômicos: produto, rendimento e despesa. A análise destes faz-se entre
países a nível mundial ao longo dos anos.
Controlar os fluxos financeiros – evitando assim, a lavagem de dinheiro e a evasão
de divisas;
Conhecer melhor o desempenho da economia nacional.

Balanço de Pagamentos

É a demonstração contábil das relações econômicas e financeiras em


residentes e não residentes de um país. Podemos subdividir o balanço de pagamento
sem duas partes. A primeira chama-se transações correntes ou conta-corrente e a
segunda, conta de capital.
1) transações correntes ou conta corrente (a+b+c):
a) Balança comercial: é o saldo da exportação de bens e da importação. Se a
exportação é maior do que a importação, o saldo líquido será positivo (favorável) e
há superávit. Se importarmos mais que exportamos, o saldo líquido será negativo
(desfavorável). Logo, haverá déficit.

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

b) Balança de serviços: na balança de serviços, será registrado o pagamento e o


recebimento por serviços prestados. São exemplos de itens desta balança:
b.1) Serviços não- fator (fretes, seguros, turismo etc.)
b.2) Serviços de capital (recebimento de juros5, remessas de lucros)
b.3) Serviços de mão-de-obra (remessa de trabalhadores do exterior)

c) Transferências unilaterais: são doações, envio de dinheiro por parentes, etc.


O saldo da conta-corrente será a+b+c

2) Conta de capital: na conta de capital serão registrados os seguintes itens:


 Empréstimos;
 Investimentos de curto, médio e longo prazo6;
 Amortização de dívida7;
Resultado do BALANÇO DE PAGAMENTOS (BP = 1 + 2) = alterações nas
reservas internacionais líquidas.

Produto Interno Bruto (PIB)

O produto interno bruto (PIB) representa a soma (em valores monetários)


de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região (quer sejam
países, estados ou cidades), durante um período determinado (mês, trimestre, ano, etc).
O PIB é um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia com o objetivo de
mensurar a atividade econômica de uma região. No Brasil, a responsabilidade pelo
cálculo já esteve a cargo da Faculdade Getúlio Vargas até 1990. Em seguida, o IBGE
passou a fazer a medição.

5
Por causa deste item juros, a balança de serviços do Brasil possui forte tendência de ser sempre
deficitária.
6
Correspondem a investimentos que o Brasil recebe ou que as em empresas brasileiras fazem em outros
países.
7
É quando pagamos dívida em si, o corpo da dívida, e não mais apenas os juros, que correspondem aos
serviços da dívida.
19
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Desta forma, o PIB é um índice para saber como vai a atividade


econômica de uma determinada região, medindo a produção econômica e o nível de
geração de riqueza de determinado local. Quanto maior a produção, maiores o consumo,
o investimento e a venda, logo, maior será o PIB.
Para o cálculo do PIB, são considerados o que as empresas dos setores
primário (agropecuária e extrativismo vegetal), secundário (indústrias, construção civil
e extrativismo mineral) e terciário (comércio e serviços) estão produzindo e gerando em
termos de riqueza; e o que as famílias, as instituições e o governo estão consumindo. O
dado também analisa os investimentos realizados em determinados setores e os
resultados das importações e exportações de mercadorias.
Mas observe que na contagem do PIB, considera-se apenas bens e
serviços finais, excluindo da conta todos os bens de consumo de intermediário. Isso é
feito com o intuito de evitar o problema da dupla contagem, quando valores gerados na
cadeia de produção aparecem contados duas vezes na soma do PIB.
A duplicidade dos pagamentos pode ocorrer, por exemplo, quando é
produzido o vidro de um carro e o computo na conta final, assim como também lanço o
valor total do carro que foi revendido para um terceiro. Sendo assim, para evitar a
duplicidade do pagamento, computo apenas o carro que foi entregue a um consumidor
final. Se a empresa que produz o vidro vende diretamente para o consumidor final
(imagine que o vidro do carro quebrou), neste caso haverá a contabilidade deste item no
PIB.
A diferença entre o Produto Interno Bruto (PIB) e o Produto Interno
Líquido (PIL) traduz-se no valor das depreciações8. Ao contrário do PIB, o PIL tem em
conta o valor da depreciação do capital. PIL = PIB - depreciações

8
Depreciação significa "desgaste” (e consequente desvalorização) de um bem intrisecamente relacionado
com as atividades da entidade, de modo que tal desgaste, conforme diz o próprio nome, é proveniente de
transcorrer de sua vida útil pois longo do tempo, com a obsolescência natural ou desgaste com uso na
produção, os ativos vão perdendo valor, essa perda de valor é apropriada pela contabilidade
periodicamente até que esse ativo tenha valor reduzido a zero.
20
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

O PIB difere do PRODUTO NACIONAL BRUTO (PNB) basicamente


pela renda líquida enviada/recebida do exterior. O PNB é gerado a partir da soma do
PIB mais entradas e saídas de capital. Esta renda representa a diferença entre recursos
enviados ao exterior (pagamento de fatores de produção internacionais alocados no
país) e os recursos recebidos do exterior.
O conceito de PIB, como o próprio nome sugere, é a soma de tudo o que
foi produzido dentro de um país. Se pensarmos em uma economia isolada do mundo,
saberemos que toda a riqueza produzida por ela, será utilizada nesta mesma nação, pelos
seus habitantes.
O PIB, porém não identifica o que acontece com uma parte da produção
em uma economia onde os fatores – trabalhadores ou capital – possam ter vindo de
outro país. Por exemplo, um brasileiro que vá ao Japão para trabalhar, receberá um
salário, e provavelmente enviará parte deste salário para a família que deixou no Brasil,
ou mesmo economizará no Japão e levará a poupança acumulada para o Brasil quando
retornar. A questão é que a parte da sua produção equivalente ao que ele envia para o
Brasil, não pertence à nação japonesa, mas sim a nação brasileira.
Para mensurar a parte da produção de um país, que realmente pertence a
este é necessário utilizar o conceito de PNB, que nada mais é do que o PIB acrescido da
produção internacional de fatores domésticos (produção japonesa de um trabalhador
brasileiro) menos a produção nacional de fatores estrangeiros (ex.: produção nacional da
Volkswagen que é revertida para aquele país como remessa(fator : Capital)).
A diferença entre a renda enviada ao exterior e a renda recebida do
exterior chamamos de Renda líquida Enviada ao Exterior ou RLEE. Alguns livros
textos utilizam o contrário, e trabalham com a Renda Líquida Recebida do Exterior ou
RERE.
RLEE = Renda Enviada de Fatores Internacionais empregados domesticamente -
Renda recebida de fatores domésticos no exterior.
RLRE = Renda recebida de fatores domésticos no exterior – Renda Enviada de
Fatores Internacionais empregados domesticamente.
Portanto: PNB = PIB + RLRE (ou) PNB = PIB – RLEE

21
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

A renda per capita ou rendimento per capita é um indicador que ajuda


a saber o grau de desenvolvimento de um país ou região e consiste na divisão da renda
nacional (produto nacional bruto ou, algumas vezes, o produto interno bruto é usado), se
a distribuição fosse igualitária, se todos tivessem acesso a partes iguais do todo.
Embora seja um índice muito útil, por se tratar de uma média esconde
várias disparidades na distribuição de renda. Por exemplo, um país pode ter uma boa
renda per capita, mas um alto índice de concentração de renda e grande desigualdade
social (como o caso do Brasil).
Assim, como fica a questão: PIB e renda per capita versus qualidade de
vida?

2.2. Riqueza, Renda e distribuição.


A desigualdade social, de forma genérica, refere-se a processos
relacionais na sociedade que têm o efeito de limitar ou prejudicar o status de um
determinado grupo, classe ou círculo social.
As áreas de desigualdade social incluem, além das questões econômicas,
o acesso aos direitos de voto, a liberdade de expressão e de reunião, de acesso à
educação, saúde, habitação de qualidade, viajar, ter transporte, férias e outros bens e
serviços sociais.
Além de que também pode ser pensada a igualdade/desigualdade quando
olhamos para a qualidade da vida familiar e local, possibilidade de ter uma ocupação,
satisfação no trabalho, acesso ao crédito etc. Se estas divisões econômicas endurecem,
elas podem levar a desigualdade social. Logo, muitas das vezes que falamos em
desigualdade social estamos pensando em renda e riqueza.
É importante diferenciarmos a renda da riqueza. Renda é a remuneração
que o proprietário do fator de produção recebe pela sua utilização no processo
produtivo. O conceito de distribuição de renda faz referência à forma como a receita
obtida por um país ou região é distribuída entre sua população local.
Assim, o empresário recebe renda em forma de lucro, devido ao
investimento do capital necessário á produção. O trabalhador recebe salário, que é a
renda auferida pelo trabalho que realizou. Desta forma, renda é fluxo. Algo que

22
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

recebemos (por mês, por semana etc.) para fazer frente as nossas despesas e, quem sabe,
para pouparmos um pouco para o futuro.
Por outro lado, riqueza é o valor total dos bens que constituem o
patrimônio. Ou seja, riqueza é estoque. A palavra riqueza é muitas vezes confundida
com renda. Estes dois termos descrevem elementos diferentes, porém relacionados.
Riqueza consiste nos itens de valor econômico que um indivíduo possui (patrimônio),
enquanto a renda é um fluxo de entrada periódica de itens de valor econômico (salário,
por exemplo).
Um país pode ser “muito rico” e seus habitantes muito pobres. Ou pode
não ser tão rico e seus habitantes desfrutarem de um padrão de vida superior ao de um
país que tenha uma renda per capita maior. O que determina essa diferença é o perfil da
distribuição de renda, ou seja, como o PIB que é produzido no país se distribui entre os
habitantes. Assim, o grande problema é que a renda per capta é uma média e, devido à
concentração de renda, não reflete a realidade da maioria da população, pois uma média
pode conter distorções.
Da mesma forma, um aumento do PIB9, dada a concentração de renda,
não significa que a população em geral melhorou a qualidade de vida. Desta forma, PIB
e Renda per capta, sozinhos não podem dizer com segurança o que aconteceu com a
qualidade de vida.

Distribuição da Riqueza
No Brasil a concentração de renda é um dos mais graves problemas
sociais. Vivemos num país de contrastes absurdos. Nossa História ajudou a construir
este abismo entre ricos e pobres. Quais seriam os principais fatores que levaram o Brasil
a ser um dos campeões mundiais da desigualdade?
Em largas pinceladas podemos afirmar que:

9
Importante salientar que o crescimento econômico é requisito básico para a melhora da distribuição
funcional da renda a favor dos trabalhadores.
23
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

A escravidão que durou séculos10 concentrou toda a renda na mão de poucos,


alijando uma massa gigantes pessoas de qualquer riqueza material;
O modelo econômico baseado no latifúndio agroexportador não privilegiava a
formação de um mercado interno. Este modelo favorecia o surgimento de uma
agricultura marginal de subsidência que corroborava com uma crescente concentração
de renda;
Durante o século XX tivemos dois grandes períodos de ditaduras (Ditadura
Vargas11 e a Ditadura Militar12). Historicamente regimes ditatoriais concentram a renda
de forma brutal e não foi diferente no Brasil;
Ocorreu um processo inflacionário13 que durou mais de três décadas (entre o final
dos anos 50 e meados dos anos 90 do século XX).
Para analisar estas questões de distribuição de renda na economia foram
criados diversos índices estatísticos. Dentre os mais conhecidos encontra-se o P90/P10
(10% mais ricos a 10% mais pobres), que mede quanto o grupo formado pelos 10%

10
No Brasil, a escravidão teve início com a produção de açúcar na primeira metade do século XVI. No
Brasil, sua abolição se deu em 13 de maio de 1888. Se a lei deu a liberdade jurídica aos escravos, a
realidade foi cruel com muitos deles. Sem moradia, condições econômicas e assistência do Estado, muitos
negros passaram por dificuldades após a liberdade. Muitos não conseguiam empregos e sofriam
preconceito e discriminação racial. A grande maioria passou a viver em habitações de péssimas condições
e a sobreviver de trabalhos informais e temporários
11
Estado Novo é o nome do regime político brasileiro fundado por Getúlio Vargas em 10 de novembro
de
1937, após ter dado um golpe que rompeu a ordem democrática e instaurou um regime de exceção que
durou até 29 de outubro de 1945. A ditadura Vargas foi marcada pela centralização do poder,
nacionalismo e por seu autoritarismo. Foi imposta a Constituição de 1937, inspirada no fascismo italiano,
a "polaca", foi elaborada para ser uma Carta "livre das peias da democracia liberal" nas palavras do
responsável por sua elaboração, o Ministro da Justiça Francisco Campos.
12
O Regime ditatorial civil/militar foi o período da política brasileira em que presidentes militares
conduziram o país. Essa época ficou marcada na história do Brasil através da prática de vários Atos
Institucionais que colocavam em prática a censura, a perseguição política, a supressão de direitos civis
mais básicos, a falta total de democracia, a centralização de poder e a repressão brutal àqueles que eram
contrários ao regime ditatorial. A Ditadura civil militar no Brasil teve seu início com o golpe militar de 31
de março de 1964, resultando no afastamento do Presidente da República, João Goulart, e tomando o
poder o Marechal Castelo Branco. Este golpe de estado instituiu um regime de exceção que durou até 15
de janeiro de 1985.
13
Os efeitos da inflação serão estudados no item 1.5.
24
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

mais ricos da população recebe em comparação ao grupo dos 10% mais pobres. Outro
índice muito conhecido é o Coeficiente de Gini14.
Quanto menor o Gini (mais próximo de zero), menos desigual está o
país, ou seja, menor a diferença de renda dos indivíduos mais ricos e mais pobres do
ponto de vista das remunerações que recebem.
O coeficiente de Gini do Brasil em 2001 era de 0,5946 , melhor apenas
que a Guatemala, Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana,
Lesoto e Namíbia (hoje somos o décimo sexto pior). A concentração de renda
permaneceu praticamente inalterada durante as últimas quatro décadas do século XX,
com seus índices oscilando dentre as 10 últimas posições do mundo, dando os primeiros
sinais reais de melhora somente a partir de 2003. Nos últimos anos, o país tem
conseguido aliar o crescimento econômico com a redução da desigualdade.

Como se vê no gráfico (índice de Gini no Brasil), em 1960 a posição do


Brasil no índice era de 0,5367. Durante a ditadura militar a desigualdade foi
aumentando e mesmo após a redemocratização o país continuou promovendo

14
Desenvolvido pelo matemático italiano Corrado Gini, o Coeficiente de GINI é um parâmetro
internacional usado para medir a desigualdade de distribuição de renda entre os países.
25
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

concentração de renda chegando ao ponto máximo em 1990, cinco anos após o fim
daquela ditadura.
A partir de 1990, a desigualdade começou a cair, ainda que de forma
suave. A partir de 2003, começou a cair em ritmo três vezes maior do que foi visto nos
anos 90 do século XX, chegando, em 2013, a 0,519 – inferior ao que vigia em 1960.
Segundo comunicado do IPEA intitulado "A Década Inclusiva" a renda
do trabalho foi essencial para a forte - e inédita - redução de desigualdade no Brasil nos
últimos dez anos, responsável por cerca de dois terços da queda de pouco mais de 10%
do coeficiente de Gini no período.
Ao mesmo tempo, ressalta o instituto, sem as políticas de redistribuição
de renda patrocinadas pelo Estado brasileiro desde o início dos anos 2000, a
desigualdade teria caído 36% a menos na década passada.
A Previdência Social também é responsável por quase 20% do resultado
da melhora da distribuição de renda do Brasil neste período.
De forma resumida, a chamada “década da inclusão” ocorreu,
principalmente devido há alguns fatores. Destes destacamos:

A redemocratização em 1985 abriu as portas para que as pessoas pudessem


reivindicar os mais básicos direitos, inclusive uma melhora nas condições de trabalho e
incrementos na renda;
A queda da inflação pós Plano Real15 (1994);
Elevação dos níveis salariais;
Geração de emprego;
Elevação da formalização do emprego;
Ocorreu um aumento dos chamados gastos sociais do Governo;

15
Plano Real foi um programa brasileiro de controle da inflação adotado no Governo do Presidente
Itamar Franco e que teve como princípios as ideias dos economistas da PUC-Rio André Lara Resende
e Pérsio Arida. Tinha como objetivo a estabilização monetária. Em 27 de fevereiro de 1994 foi instituído
a Unidade Real de Valor (URV), estabeleceu regras de conversão e uso de valores monetários, iniciou a
desindexação da economia, e determinou o lançamento de uma nova moeda, o Real.
26
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Tais fatores conjugados com um crescimento da economia nacional


fizeram com que o Brasil se tornasse menos desigual.

27
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Todavia, ainda estamos numa situação muito ruim e aquém das nossas
reais possibilidades. Nossa história carrega a marca triste de séculos de escravidão,
ditaduras e inflação crônica entre os anos 60 e 90 do século passado. Entre outros
fatores, isso fez com que a concentração de renda na nossa sociedade beire o absurdo
para um país tão rico.
Apesar dos avanços da última década, hoje somos o décimo sexto pior do
mundo e apenas em 2010 conseguimos voltar ao patamar de 1960 (desfazendo o estrago
provocado nas décadas de 60, 70 e 80 do século passado). Mas mesmo com as melhoras
recentes, não se iludam, pois muito ainda deve ser feito para construirmos um país
minimamente justo para todos os brasileiros.
Apenas como exemplo, uma das facetas da realidade que deve ser
mudada é o modelo de tributação no Brasil que é altamente concentrador de renda. Isso
porque o Estado cobra impostos de todos, inclusive - e principalmente - dos muito
pobres ("tributação indireta regressiva", que incide sobre os bens de consumo popular e
da classe média, que são fortemente tributados).

28
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

O décimo mais pobre sofre uma carga total equivalente a 32,8% da sua
renda, enquanto o décimo mais rico, apenas 22,7%. Isso provoca a perpetuação do
efeito 'concentrador de renda', inaceitável num país com acentuada desigualdade de
renda como o Brasil.
Índice de Gini no Mundo (dados da CIA World Factbook)

Com relação à distribuição da riqueza, o quadro é radical e


assustadoramente pior. Imagine pensar que o patrimônio de apenas 85 das famílias
mais ricas do mundo equivale às posses de metade da população mundial mais pobre. E
se você soubesse que apenas 0,7% da população mundial controlam 41% da riqueza do
mundo, acharia um absurdo? Pois, essas informações são verdadeiras e foram reveladas
em uma nova pesquisa realizada pela Oxfam Internacional.
Os 50% mais pobres da população respondem por apenas 1% da riqueza
do planeta, aponta a ONU. Quase 90% da riqueza do mundo está sob o controle de
moradores da América do Norte, Europa e dos países de renda elevada na região Ásia-
Pacífico, como o Japão e a Austrália.

29
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

A renda pessoal está distribuída de maneira tão desigual no mundo que


os 2% mais ricos da população adulta detêm mais de 50% dos ativos mundiais,
enquanto os 50% de pessoas mais pobres detêm apenas 1% da riqueza do planeta. Tal
quadro leva a uma realidade trágica, ou seja, há uma massa gigantesca de pobres e
miseráveis no mundo, em contraste com uma parcela pequena de pessoas muito, muito
ricas.
Segundo os dados do Credit Suisse 2013 Wealth Report, para uma
população de 07 bilhões de pessoas no mundo, observe como a situação atual é tão
absurda, que poderia ser considerada surreal:
1. Qualquer pessoa que possua bens em valor total superior a dez mil dólares (um
carro usado) possui mais riqueza do que 04 bilhões e 809 milhões de pessoas no mundo
inteiro (68,7% da população mundial). Está, portanto, na metade superior da posse de
riquezas;
2. Quem possui bens em valor superior a 100 mil dólares (uma casa simples em
Petrópolis/RJ ou um carro de luxo) possui mais riqueza do que 06 bilhões e 412 milhões
de pessoas. Pertence aos 8,4% mais ricos do mundo;
3. Quem tem bens que na sua totalidade iguala ou supera o valor de um milhão de
dólares (por exemplo: uma ótima casa em Petrópolis e dois bons automóveis, mais uma
boa casa alugada e uma casa de praia), possui mais riqueza do que 06 bilhões e 951
milhões de pessoas. Faz parte da fatia correspondente a 0,7% da população mundial (49
milhões de pessoas), mais rica do que os 99,3% restantes.

30
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Se você está fazendo um curso superior, possui uma boa casa em


Petrópolis/RJ, um carro e está lendo estas notas de aula, a estatística diz que, muito
provavelmente, você está entre os 02% ou 04% mais ricos do mundo. Assustador como
está concentrada a riqueza no mundo, não acha?

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)


Alguns índices têm sua origem na sociologia e ajudam a compreender
como os habitantes de um país se beneficiam (ou não) com a riqueza ali produzida. O
principal deles é o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, que será visto no neste
item.
Para afirmar que a qualidade de vida aumenta, deve-se observar o acesso
à educação, à saúde, ao saneamento básico etc. É possível estudar a evolução da
qualidade de vida ao examinar algumas outras variáveis, como, por exemplo, ocorre
com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU ou o Índice de Progresso
Social (IPS).
Desenvolvido pelo economista paquistanês Mahbud Ul Ha q,16 o Índice
de Desenvolvimento Humano (IDH) é utilizado pelo Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento desde o ano de 1993; este índice utiliza certos critérios de
avaliação (renda, longevidade e educação) para medir o desenvolvimento humano em
177 países, podendo ser utilizado também, observando-se as modificações para adequá-
lo a núcleos sociais menores.
O índice varia de zero (nenhum desenvolvimento humano) até 1
(desenvolvimento humano total), sendo os países classificados deste modo:
Quando o IDH de um país está entre 0 e 0,499, é considerado baixo.
Quando o IDH de um país está entre 0,500 e 0,799, é considerado médio.
Quando o IDH de um país está entre 0,800 e 1, é considerado alto.

16
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi desenvolvido pelo economista paquistanês Mahbub ul
Haq em 1990, com a colaboração do economista indiano Amartya Sen (ganhador do Prêmio Nobel de
Economia em 1988).
31
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

No critério educação, considera-se a taxa de alfabetização e a taxa de


matrícula; no critério longevidade considera-se a expectativa de vida ao nascer; e no
critério renda considera-se o PIB per capita (PIB total dividido pelo número de
habitantes do país) medido em dólares.

Mapa indicando o Índice de Desenvolvimento Humano de 2011

Índice de Progresso Social (IPS).


O Índice de Progresso Social (IPS) combina uma série de indicadores
sociais e ambientais, provenientes de bases de dados internacionais, além de pesquisas
de percepção, com objetivo de identificar o cenário, os desafios e as oportunidades de
progresso social dos países.

32
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Desenvolvido pelo especialista mundial em competitividade Michael


Porter e por economistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT), o índice é
respaldado por empresas privadas e instituições sem fins lucrativos, como Deloitte,
Skoll Foundation, Fundación Avina, Cisco e Banco Compartanos.
O Índice, construído pela instituição global sem fins lucrativos Social
Progress Imperative17, revela uma série de tendências, confirmando que crescimento
econômico nem sempre resulta em progresso social. O Índice foi, criado por uma equipe
comandada pelo professor Michael Porter, da Harvard Business School, é considerado
complementar ao PIB (Produto Interno Bruto) e a outros indicadores econômicos no
estabelecimento de uma compreensão mais holística do desempenho geral dos países.
Edição 2014 do Índice de Progresso Social

“Até hoje, sempre se supôs que há uma relação direta entre crescimento
econômico e bem-estar. No entanto, o Índice de Progresso Social mostra que nem todo
crescimento econômico é igual. Embora um alto PIB per capita seja relacionado a

17
www.socialprogressimperative.org,. Sítio de internet em inglês.
33
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

progresso social, essa conexão está longe de ser automática. Com níveis similares de
PIB, vemos que alguns países alcançam níveis de progresso social muito mais elevados
que outros”, afirma Michael Porter (grifo nosso).

2.3. Taxa de Câmbio


A taxa de câmbio nominal é a proporção em que se troca duas moedas
diferentes, por exemplo, o dólar e o real. Quando a taxa de câmbio sobe, a moeda
nacional está se desvalorizando ou se depreciando. Obviamente, neste caso, a moeda
estrangeira se valorizou. Por outro lado, quando a taxa de câmbio cai, vamos dizer que a
moeda nacional está valorizada (apreciada) e a moeda estrangeira se desvalorizou.
A taxa de câmbio é um dos preços mais importantes de uma economia,
pois intermedeia as relações comerciais e financeiras de um país com o resto do mundo.
Para os exportadores interessa uma taxa de câmbio o mais alta possível, pois assim
aumentam as receitas em reais das exportações em dólares. Para os importadores, por
outro lado, é interessante que o preço do dólar seja o menor possível, pois assim suas
despesas ficam menores.
A escolha de uma determinada política cambial é de extrema
importância. A taxa de câmbio é essencial para dar proteção contra produtos importados
e também permitir que o consumidor tenha poder de compra.
O sistema de câmbio fixo apresenta uma relação constante entre a troca
de duas moedas. É estabelecido através de uma decisão governamental e a manutenção
da taxa de câmbio é responsabilidade da autoridade monetária. Esta passa a atuar
sempre que o mercado pressiona o mercado de câmbio. O governo deve atuar
comprando ou vendendo moeda estrangeira para manter a taxa de câmbio fixa.
Já o regime de flutuação cambial (ou câmbio perfeitamente flexível)
apresenta uma relação livremente determinada pelo confronto entre oferta e demanda de
divisas no mercado cambial. Na prática, significaria uma ausência de política cambial,
onde a própria movimentação de capitais vai determinar a taxa de câmbio. Assim, por
exemplo, se muitos dólares entram no Brasil a tendência da taxa de câmbio é cair.

34
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Também é possível o regime de bandas cambiais. Nele a taxa de


câmbio pode variar dentro de um limite pré-estabelecido pela autoridade monetária. É
determinado uma taxa de câmbio que determina o ponto médio ou central da banda e
uma amplitude, que é a variação acima ou abaixo do ponto central pela qual o Banco
Central18 (Bacen) não irá intervir no mercado.
Assim, por exemplo: O Bacen determina que a taxa média será de R$
1,95/Dólar e que a variação pode ser de R$ 0,05 para mais ou para menos. Quando a
taxa de câmbio se aproximar de R$ 1,90/Dólar o Bacen vai comprar dólares e aumentar
a taxa de câmbio. Por outro lado, se a taxa subir para próximo de R$ 2,00, o Bacen vai
ter que vender dólares para pressionar o câmbio para baixo.

1.3) Taxa de Câmbio, Balança Comercial e Aplicações Financeiras.


Taxa de Câmbio e o resultado da Balança Comercial
A mudança na taxa de câmbio pode baratear um produto importado ou
tornar o produto nacional mais competitivo. Para entendermos esta relação vamos
estudar dois exemplos. Inicialmente, vamos ver como a variação da taxa de câmbio
influencia a exportação. Imaginemos um produtor nacional que exporta um produto
qualquer. Ele produz mil unidades de um produto que é vendido no exterior por dez
dólares.

Primeiro exemplo: EXPORTADOR


1º MOMENTO - R$2,00  US$1,00
Quantidade (Q) =1000 produtos
Preço no mercado externo (Pext)= US$ 10,00
Receita em dólares (RUS$)= US$ 10.000,00

18
Banco Central do Brasil - BACEN - é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério da Fazenda,
criada para ser o agente da sociedadae brasileira na promoção da estabilidade do poder de compra da
moeda brasileira. Objetivos: zelar pela adequada liquidez da economia; manter as reservas internacionais
do País em nível adequado; estimular a formação de poupança em níveis adequados; zelar pela
estabilidade e promover o permanente aperfeiçoamento do Sistema Financeiro Nacional.
35
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Receita em reais (RR$)= R$ 20.000,00


Custo Total de Produção (CT)= R$ 15.000,00
Sendo assim, o lucro do exportador será correspondente à receita em reais subtraída do
valor do custo (RR$ – CT). Logo, tendo a receita R$ 20.000,00 e o custo R$ 15.000,00, o
lucro será de R$ 5.000,00.

Veremos agora duas possíveis variações:

2º MOMENTO - R$ 1,00  US$ 1,00:


Q=1000 produtos
Pext= US$ 10,00
RUS$= US$ 10.000,00
RR$= R$ 10.000,00
CT= R$ 15.000,00
LUCRO (prejuízo): RR$ – CT = - 5.000,00

Conclui-se ainda que, tendo uma queda na taxa de câmbio e por tanto a
valorização da moeda nacional ocorreu um prejuízo para o exportador. Assim, com a
taxa de câmbio mais baixa fica mais difícil a exportação. Isso impacta negativamente a
Balança Comercial.

3º MOMENTO - R$ 3,00  US$ 1,00


Q= 1000 produtos
Pext= US$ 10,00
RUS$= US$ 10.000,00
RR$= R$ 30.000,00
CT= R$ 15.000,00
LUCRO: RR$ – CT = 15.000,00
Sendo assim, aumentando a taxa de câmbio, o lucro do exportador
aumentará. Isso criará um incentivo à exportação que vai elevar os resultados da
Balança Comercial do Brasil. Podemos concluir que, quando há uma alta na taxa de
36
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

câmbio, há também um incentivo às exportações e vice-versa. Vejamos agora o que


acontece com o importador, dadas as mesmas taxa de câmbio.
------xxxxxx------

Segundo exemplo: IMPORTADOR

Agora, vamos verificar o que acontece com um importador no caso de


uma variação cambial. Supomos que um vendedor brasileiro importa laptops para
vender no Brasil. Cada um deles custa (preço + imposto + frete), US$ 500,00 (Peua). O
preço de venda no Brasil é de R$ 1.600,00 (PBR).

1º MOMENTO - R$2,00  US$1,00


Peua= US$ 500,00
Custo em Reais (CR$)= R$1.000,00
PBR=R$ 1.400,00
LUCRO: R$ 400,00 (por unidade vendida)

Veremos agora duas possíveis variações:

2º MOMENTO - R$ 1,00  US$ 1,00:


Peua = US$ 500,00
CR$ = R$ 500,00
PBR = R$1.400,00
LUCRO: R$ 900,00 (por unidade vendida)
Neste caso, com a queda da taxa de câmbio o vendedor de produtos
importados teve um aumento no lucro. Isso pode provocar um crescimento da
importação e pressionar negativamente a Balança Comercial.

3º MOMENTO - R$ 1,00  US$ 3,00:


Peua = US$ 500,00
CR$ = R$ 1.500,00
PBR = R$ 1.400,00

37
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

LUCRO (prejuízo): - R$100,00 (por unidade vendida)

Sendo assim, tendo a alta na taxa de câmbio e a consequente valorização


do dólar e a desvalorização do real, verifica-se que não há lucro e a tendência é que se
tenha prejuízo. Para o importador, um aumento de câmbio é muito ruim. Assim, a
desvalorização do real tende a diminuir a importação. Isso pode ter um resultado
benéfico para a Balança Comercial.

OBS 01: Quanto mais desvalorizada a moeda nacional (taxa de câmbio alta), maior será
a tendência de superávit. O contrário também se verifica.

OBS 02: Sempre que houver uma rápida alta na taxa de câmbio, haverá uma tendência
de inflação, independente do fato do produto ser totalmente nacional ou não.

OBS 03: Quando a taxa de câmbio cai e as importações aumentam, a indústria nacional
se vê prejudicada e há uma tendência de aumentar o desemprego. Por isso dizemos que
“quando a importação aumenta, estamos exportando os empregos”. Se eu compro os
produtos, obviamente, eu não produzo no Brasil, não necessitando mão-de-obra. Sendo
assim, estimulo a geração de empregos no exterior.

Taxa de Cambio e Resultado de aplicações Financeiras


Agora vamos imaginar que um agente externo vai fazer uma aplicação
financeira no Brasil, ou seja, vai colocar seu rico dinheirinho em uma aplicação
qualquer que tenha uma taxa de juros fixa por mês. Apenas para facilitar nossas contas,
imaginemos uma taxa de 10,0% ao mês (sei que a taxa é muito alta, mas o número serve
para facilitar o nosso exemplo).
O estrangeiro aplicou US$ 100,00 no Brasil. Para isso ele deve trocar
seus Dólares por Reais. No dia em que le fez a aplicação vamos imaginar que a taxa de
cambio é R$ 2,00 para cada US$ 1,00.
Como a taxa de cambio vai impactar o resultado da aplicação?
A) Se durante o mês da aplicação a taxa de cambio ficar estável, teremos:
Capital inicial (CI) em Dólares: US$ 100,00

38
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Capital inicial em Reais: R$ 200,00


Taxa de juros fixa: 10,0%/mês.
Resultados em Reais: R$ 220,00
Resultado em Dólares: US$ 110,00
Ganho real: 10,0%

B) Se durante o mês da aplicação a taxa de cambio cair para R$ 1,00 para US$ 1,00.
Capital inicial (CI) em Dólares: US$ 100,00
Capital inicial em Reais: R$ 200,00
Taxa de juros fixa: 10,0%/mês.
Resultados em Reais: R$ 220,00
Resultado em Dólares: US$ 220,00 (R$ 1,00 para US$ 1,00)
Ganho real: 120,0%

C) Se durante o mês da aplicação a taxa de cambio sobe para R$ 3,00 para US$ 1,00.
Capital inicial (CI) em Dólares: US$ 100,00
Capital inicial em Reais: R$ 200,00
Taxa de juros fixa: 10,0%/mês.
Resultados em Reais: R$ 220,00
Resultado em Dólares: US$ 73,33 (R$ 3,00 para US$ 1,00)
Ganho real: -26,67%

Logo podemos afirmar que se há uma tendência de alta na taxa de


cambio (depreciação da moeda nacional), teremos uma forte chance de ocorrer uma
fuga/afastamento de capitais do país para evitar maiores prejuízos. Isso pode determinar
uma deterioração da Conta de Capital do Balanço de Pagamentos.

2.4. O Investimento e a Taxa de Juros.


O termo investimento refere-se ao uso de recursos para ampliar a produção,
modernizá-la, ou buscar melhorias e eficiência na atividade econômica. Investir é
comprar máquinas ou equipamentos, contratar mão-de-obra, ampliar a planta
construída, seja com um galpão novo, ampliando o prédio etc.
39
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Erroneamente as aplicações financeiras são chamadas de investimento, quando


na verdade são formas de poupança. Não é tecnicamente correto usar a expressão:
investir em poupança. São conceitos divergentes, poupar é guardar dinheiro, sob
qualquer forma.
O aumento do investimento agregado vai gerar uma série de efeitos, dentre
eles:
a) aumento do PIB e da renda per capita;
b) geração de empregos, excetuando os casos de investimento em tecnologia poupadora
de mão-de-obra;
c) melhora das expectativas sobre a economia;
d) aumento das oportunidades para os jovens que ingressam no mercado de trabalho;
e) modernização e recuperação do capital depreciado Ex: pintura das paredes.
f) no que diz respeito a investimento público, um aumento pode gerar melhoria nos
serviços e na infra-estrutura.
O investimento depende sempre da expectativa de lucro que o
empresário possui. A expectativa é tão importante porque o investimento é feito no
presente e o empresário precisa acredita que o lucro virá no futuro. É o retorno, ou a
possibilidade de lucro, que vai mover o empresário a investir.
Alguns itens podem favorecer o aumento do investimento
agregado. Eles vão atuar criando expectativas favoráveis à condução dos negócios e à
obtenção dos lucros.
Estabilidade política e institucional, ou seja, manutenção da democracia, das
instituições. Se isso não ocorrer, o Estado passa insegurança à sociedade e está
perde o horizonte de planejamento.
Estabilidade no ordenamento jurídico, com claros marcos regulatórios. Não é
recomendado mudar constantemente as leis, alterando as regras do jogo, sem aviso
ou necessidade. O empresário tem um gasto enorme de tempo e de dinheiro para
tentar acompanhar todas as mudanças. Isso ocorre principalmente com relação às
leis trabalhistas, tributárias, de direito econômico, etc;
Política monetária (taxa de juro e nível de oferta de crédito) e Política Fiscal
(tributos) que desonere o empresário e incentive o investimento, a geração de
40
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

emprego e de renda. Quanto maior a taxa de juros e os tributos, menor será o nível
de investimento levado a cabo pelos empresários. Além disso, os consumidores vão
evitar os financiamento nas compras a crédito, como veículos, por exemplo.
Melhorias na educação;
Melhoria na infraestrutura de transportes, distribuição de energia elétrica,
telecomunicações, etc. Se não tiver água, conexão na internet contínua, luz sem
quedas e etc. para que uma empresa possa funcionar sem problemas, a região não
vai atrair investimentos.
É necessário que haja um clima de otimismo e que reflita a possibilidade de
crescimento econômico (estamos abertos para negócios)19;
Credibilidade internacional e política de apoio e incentivo a exportação;
Fortalecimento do mercado interno com bons níveis de emprego e renda. Criação de
mercado interno através da geração de emprego. Empregos geram renda, assim
como renda gera consumo. O empresário precisa vender, logo, precisa de um forte
mercado interno.
Baixa inflação;

Expectativas e incertezas
Na nossa vida ninguém tem antevisão perfeita do futuro20. Isso pode ser
visto quando no primeiro dia de aula você se depara com um professor que explica,
aparentemente, bem a matéria (que parece ser interessante) e é simpático com os alunos.
Isso vai gerar uma expectativa de que o curso será bom e que o semestre será agradável
e proveitoso. Porém isso é só uma expectativa, pois o futuro é sempre incerto.
Em economia o mesmo pode ocorrer. Um determinado ambiente
econômico pode se mostrar mais favorável e gerar expectativas de que a economia vai

19
Ex: 11 de setembro de 2001. Os investidores poderiam ficar com medo de que seus investimentos
fossem destruídos por ataques terroristas. O prefeito de NY Rudolph Juliani, foi ao famoso e tradicional
programa Saturday Night Live e após as homenagens e discursos emocionados, fez questão de dizer a
frase “We are open to business”. A intenção era evitar um clima de pessimismo e mostrar que a economia
girava normalmente sua engrenagem.
20
Mesmo que alguns charlatões tentem vender previsões para aquelas pessoas menos informadas.
41
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

crescer e que os negócios serão lucrativos. Neste caso temos expectativas positivas
sobre o futuro.
Outra situação pode gerar um quadro de insegurança com aumento das
incertezas sobre o futuro, dificultando o planejamento ou apontando um futuro difícil
devido a problemas que são esperados graças as nossas expectativas.
Num quadro de boas expectativas o empresário vai investir para tentar
aproveitar o bom momento que (supostamente) ira ocorrer. Isso vai gerar empregos,
aumentar a produção etc. Também o consumidor vai gastar mais e a economia vai
crescer.
Porém num quadro de expectativas negativas os agentes econômicos vão
tomar uma posição conservadora e não arriscar investir/gastar, pois não há grandes
possibilidades de retorno. É o que chamamos de preferência pela liquidez, pois as
pessoas e empresas vão optar por ativos líquidos e fugir de opções que demorem em dar
retorno e que apresentem dificuldade de resgate. É melhor esperar a crise passar e o
futuro ficar previsível e apresentar melhores perspectivas.
Podemos resumir os fatores que elevam o nível de incerteza, gerando
expectativas negativas:
Alteração sistemática das leis que atuam diretamente sobre a economia (Leis
Trabalhista, tributárias etc. );
Elevada inflação;
Deterioração das contas públicas;
Condições adversas das contas nacionais;
Insegurança no mercado internacional;

São consequências:
Diminuição do investimento;
Aumento do desemprego;
Recessão;
Preferência por ativos líquidos, normalmente encontrados no mercado financeiro.

42
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

2.5. Inflação
Moeda
A moeda, como hoje a conhecemos, é o resultado de uma longa
evolução. No início não havia moeda, praticava-se o escambo, ou seja, simples troca de
mercadoria por mercadoria, sem equivalência de valor. Assim, quem pescasse mais
peixe do que o necessário para si e seu grupo trocava este excesso com o de outra
pessoa que, por exemplo, tivesse plantado e colhido mais milho do que fosse precisar.
Esta elementar forma de comércio foi dominante no início da civilização, podendo ser
encontrada, ainda hoje, entre povos de economia primitiva, em regiões onde, pelo difícil
acesso, há escassez de meio circulante, e até em situações especiais, em que as pessoas
envolvidas permutam objetos sem a preocupação de sua equivalência de valor.
As primeiras moedas foram mercadorias e deveriam ser suficientemente
raras, para que tivessem valor, e, como já foi dito, ter aceitação comum e geral. Elas
tinham, então, valor de uso; e como esse valor de uso era comum e geral elas tinham,
consequentemente, valor de troca. O abandono da exigência do valor de uso dos bens,
em detrimento do valor de troca, foi gradativo.

Entre os bens usados como moeda mercadoria21 estão o gado, que tinha a
vantagem, de multiplicar-se entre uma troca e outra; o sal na Roma Antiga; o dinheiro
de bambu na China; o dinheiro em fios na Arábia.

As moedas-mercadorias variaram amplamente de comunidade para


comunidade e de época para época, sob marcante influência dos usos e costumes dos
grupos sociais em que circulavam. Assim, por exemplo, na Babilônia e Assíria antigas

21
O gado, principalmente o bovino, foi dos mais utilizados; apresentava vantagens de locomoção própria,
reprodução e prestação de serviços, embora ocorresse risco de doenças e de morte. O sal foi outra moeda–
mercadoria; de difícil obtenção, principalmente no interior dos continentes, era muito utilizado na
conservação de alimentos. O Sal e a carne deixaram marca de sua função como instrumento de troca em
nosso vocabulário, pois, até hoje, empregamos palavras como pecúnia (dinheiro) e pecúlio (dinheiro
acumulado) derivadas da palavra latina pecus (gado). A palavra capital (patrimônio) vem do latim capita
(cabeça). Da mesma forma, a palavra salário (remuneração, normalmente em dinheiro, devida pelo
empregador em face do serviço do empregado) tem como origem a utilização do sal, em Roma, para o
pagamento de serviços prestados.
43
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

utilizava-se o cobre, a prata e a cevada como moedas; na Alemanha medieval,


utilizavam-se gado, cereais e moedas cunhadas de ouro e prata; na Austrália moderna
fizeram a vez de moeda o rum, o trigo e até a carne.
Com o tempo, as moedas-mercadorias foram sendo descartadas. As
principais razões para isso foram:
1. Elas não cumpriam satisfatoriamente a característica de aceitação geral exigida nos
instrumentos monetários. Além disso, perdia-se a confiança em mercadorias não
homogêneas, sujeitas à ação do tempo, de difícil transporte, divisão ou manuseio.
Além disso, algumas destas moedas-mercadorias podiam estragar com o tempo;
2. A característica valor de uso e valor de troca tornava o novo sistema muito
semelhante ao escambo e suas limitações intrínsecas.
Os metais preciosos passaram a ser usados por terem uma aceitação mais
geral e uma oferta mais limitada, o que lhes garantia um preço estável e alto. Além
disso, não se desgastavam, eram facilmente reconhecidos, divisíveis/maleáveis e de
fácil transporte.
Na Idade Média, surgiu o costume de se guardar os valores com um
ourives (antigos bancos), pessoa que negociava objetos de ouro e prata. Este, como
garantia, entregava um recibo. Com o tempo, esses recibos passaram a ser utilizados
para efetuar pagamentos, circulando de mão em mão e dando origem à moeda de papel.
A moeda-papel veio para contornar os inconvenientes da moeda metálica
(peso, risco de roubo), embora valessem com lastro nela. Assim surgem os certificados
de depósito, emitidos por casas de custódia em troca do metal precioso nela depositado.
Por ser lastreada, essa moeda representativa poderia ser convertida em metal precioso a
qualquer momento, e sem aviso prévio, nas casas de custódia.
Com o passar do tempo e o aumento de emissões além do estoque de
ouro passamos a ter a chamada moeda fiduciária, ou seja, sem lastro. O lastro metálico
integral mostrou-se desnecessário quando foi constatado que a reconversão da moeda-
papel em metais preciosos não era solicitada por todos os seus detentores ao mesmo
tempo. É claro que isso gerou um grande problema, pois num momento de crise as
pessoas correram para os “bancos” para trocar seus papeis por ouro, mas e não havia
ouro para todos.
44
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Com isso surge o padrão-ouro e a emissão de moeda de papel foi


estatizada, dando lugar ao papel moeda emitido pelo Estado. Os governos emitiam
moeda na medida em que guardavam mais ouro. Isso, em tese, garantia o valor da
moeda, que estava atrelada ao ouro. A passagem da moeda-papel para o papel-moeda é
tida como uma das mais importantes e revolucionárias etapas da evolução histórica da
moeda.
Porém o padrão-ouro não durou para sempre. No dia 15 agosto de 1971,
diante das pressões protecionistas por parte do Congresso norte-americano, do declínio
relativo da sua competitividade e sem conseguir alcançar qualquer acordo com os países
aliados, Nixon optou pela ruptura unilateral da conversibilidade em ouro do dólar.
Assim, a moeda passou a não ter mais nenhum lastro físico. Daí vem a
pergunta: por que R$ 1,00 vale R$ 1,00? A resposta é: porque nós acreditamos nisso.
Logo a confiança na economia de um país é a pedra de toque de todo o sistema
financeiro.

Funções da Moeda
Habitualmente distinguem-se as três funções desempenhadas pela moeda
numa economia. São elas:
Meio de pagamento ou instrumento de troca: Serve nos atos de compra e venda
funcionando como meio intermediário das trocas, desde que a quantidade de moeda
permita alcançar qualquer bem ou serviço, bem como liquidar qualquer divida.
Unidade de conta ou medida de valor: O Real é a unidade de medida que permitia
estabelecer o valor dos bens em relação aos outros. Sabendo o preço de um bem,
fazendo as contas sabe-se o valor total dos bens adquiridos. Exemplo: Um caderno custa
R$ 1,50, logo três cadernos custam R$ 4,50.
Instrumento de reserva de valor: É possível guardar moeda, ou seja, poupar, para
adquirir bens ou serviços no futuro, podendo assim ser utilizada em qualquer momento.

Inflação e índice de Inflação


Inflação é a alta generalizada dos preços, com perda de poder de compra
da moeda. Isso é diferente do índice de inflação, que é a tentativa de medir a alta dos
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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

preços que aconteceu no mundo real. Este índice é composto por uma cesta de bens que
nasce de uma pesquisa dos hábitos de consumo da população. Busca-se saber o que, em
média, as pessoas consomem e em que lugar. Montada essa cesta de bens e serviços,
passamos a acompanhar a evolução dos preços.
No Brasil há três índices de inflação mais usados: o IPC (medido pela
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo, a Fipe), o
INPC (do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE) e o IGP (Índice Geral de
Preços, calculado pela Fundação Getúlio Vargas).
Desta forma, o impacto da variação dos preços é sentido de forma
diferente por cada indivíduo. Dependendo do consumo, algumas variações podem ser
sentidas com mais ou menos força.

Tipos de inflação.
Inflação de demanda: A inflação de demanda é acarretada basicamente por uma
defasagem entre a quantidade ofertada e a quantidade demandada, sendo esta última
bem maior do que a primeira, causando dessa forma uma pressão nos preços em função
de certo patamar de demanda reprimida.
Quando o governo apresenta um déficit orçamentário, uma das formas de
tentar resolver o problema é através da emissão de papel moeda. Um aumento da
expansão monetária sem consequente aumento de produção poderá implicar em uma
demanda maior que a oferta, provocando a expansão dos preços.
Dentro deste contexto a inflação da moeda estreitamente relacionada
com a inflação de demanda, pois quando o governo pratica a emissão de moeda
(aumentando a base monetária) cria na população, a curto prazo, a idéia do aumento do
poder aquisitivo.

Inflação de custos: Associado a um aumento nos custos, tais como matéria prima,
salários, impostos, combustível etc. Quando um sindicato negocia com o empresário um
aumento de salários, ele repassa esse aumento de salário para os produtos. Os aumentos
dos preços de produtos implicarão em novas exigências de aumento de salários.

46
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Inflação estrutural: A inflação estrutural está estreitamente relacionada com a


ineficiência de serviços fornecidos pela infraestrutura de uma determinada economia.
Essa ineficiência, obviamente eleva desnecessariamente os custos dos serviços
prestados pelo governo, acarretando dessa maneira uma majoração dos custos de
produção e em seguida o aumento dos preços das mercadorias no mercado.
Fica claro perceber que se as estradas de um determinado país estão em
péssimo estado de conservação, consequentemente os custos de transporte e distribuição
ficarão mais elevados. Se os portos são ineficientes, as exportações acabarão ficando
mais caras e o produto ficará pouco competitivo no mercado internacional.

Inflação inercial: A inflação corrente é resultado da inflação passada, ou seja há


uma realimentação da inflação através de mecanismos de indexação22 – atrelam os
preços do presente à inflação passada. Estes podem ser:
a. Formais - regras específicas e legais de aumento, por exemplo de alugueis, energia
elétrica, telefonia etc.;
b. Informais - quando os agentes aumentam os preços porque os outros também o
fizeram.

A Curva de Phillips
A Curva de Phillips é assim chamada por ter sido descoberta em 1958,
quando Willian Phillips traçou um diagrama relacionando a taxa de desemprego à taxa
de inflação no Reino Unido, de 1861 a 1957. Dois anos depois, P. Samuelson e R.
Solow (ambos posteriormente agraciados com o prêmio Nobel) repetiram o exercício
para os EUA, com dados de 1900 a 1960, chegando à conclusão de que lá também havia
uma relação inversa entre inflação e desemprego.

22
Vincular um aumento a outro. Ex: O pai indexou a mesada do filho: Pra cada meio ponto (0,5) que o
CR crescer, aumentará sua mesada em 5%. Caso ocorra uma queda de meio ponto, haverá redução do
mesmo percentual.
47
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Assim, em macroeconomia, a curva de Phillips representa uma relação de


trade-off entre inflação e desemprego, que permite analisar a relação entre ambos, no
curto prazo. Segundo esta teoria, desenvolvida pelo economista neozelandês Willian
Phillips, uma menor taxa de desemprego leva a um aumento da inflação, e uma maior
taxa de desemprego a uma menor inflação.
Desde então, difundiu-se a implicação para a política econômica de que
seria possível escolher em que ponto a economia deveria estar na curva de Phillips:
inflação baixa com desemprego alto, inflação alta com desemprego baixo, ou um ponto
intermediário.

Efeitos da inflação sobre a economia.


A inflação provoca perda do poder aquisitivo da moeda. Isso faz com
que o dinheiro valha cada vez menos, sendo necessária uma quantidade cada vez maior
dele para adquirir os mesmos produtos.
O processo inflacionário, quando instalado, é de difícil controle.
Funciona como um círculo vicioso, obrigando a realização de reajustes periódicos de
preços e salários, com o seu consequente agravamento. E quem mais sofre com tudo
isso é a camada mais pobre da população, que não tem como se proteger.

48
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Em épocas de inflação galopante, tivemos no Brasil contas bancárias


com reajustes diários como forma de repor o poder de compra que o dinheiro perdia de
um dia para o outro. Mas as pessoas mais pobres não tinham (e ainda não têm) acesso a
contas bancárias, não podendo se utilizar desse benefício.
Podemos resumir as consequências assim:
A crescente incerteza pode desestimular o investimento e a poupança.
Redistribuição: Haverá redistribuição da renda, que se transfere progressivamente
daqueles com rendas mais baixa para os de renda mais alta e acesso ao sistema
financeiro, assim como os empresários; A renda também tende a ir para o Estado
que indexa seus tributos (isso será visto um pouco mais a frente).
Aumento dos custos relativos à maior velocidade de circulação do dinheiro (o
exemplo simples é das pessoas que precisarão ir mais ao banco). Também devem ser
considerados os custos, para empresas, da mudança continuada de preços (por
exemplo, restaurantes que precisam constantemente refazer seus cardápios).
Descontrole dos preços relativos e absolutos revelando uma total desorganização das
estruturas mais básicas da economia;

Conflito redistributivo
No ambiente no qual a inflação é alta e se mantém assim por muito
tempo, passa a ocorrer uma redistribuição de renda entre as camadas sociais. Os mais
ricos, ou seja, aqueles que têm acesso ao sistema financeiro e também os empresários,
conseguem se defender da inflação.
Os mais pobres não são capazes disso e veem sua renda ser corroída dia
após dia. O que acontece é um processo de migração da renda, que sai dos mais pobres
e vai para os mais ricos, concentrando a riqueza do país.

49
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Para se defender da inflação, o governo também indexou23 a sua receita.


Foram criados os índices de referência, que subiam todo dia. O contribuinte, por
exemplo, ao pegar o carnê do IPTU, se espantava, pois o imposto devido era de 300
UFIR’s.
A UFIR (Unidade Fiscal de Referência) era reajustada diariamente,
fazendo com que o governo defendesse o próprio poder de conquistar uma parcela da
riqueza social. O governo aumentava o preço como os empresários, para manter a sua
renda real inalterada ou ainda mesmo aumentá-la. O objetivo era se defender da
inflação.
Desta forma, parte da riqueza também é perdida pelos mais pobres e
apropriada pelo governo. Novamente, os mais pobres são os mais prejudicados. A esta
transferência de renda para o governo demos o nome de “imposto inflacionário”24.
Assim, são os mais pobres que sofrem mais com a inflação e o conflito redistributivo.

23
Sempre que a inflação subia o valor da UFIR (Unidade Fiscal de Referência) subia junto. Em alguns momentos
isso acontecia diariamente e o valor do tributo aumentava todo dia.
24
“Imposto inflacionário” é apenas um apelido. Não se trata de um imposto tecnicamente falando. O que ocorrer é
que há uma quantidade de dinheiro que sai do bolso da população mais carente e vai para os cofres públicos. Como
isso é muito parecido com um imposto, acabou ganhando o apelido. É muito comum, também, chamar o “imposto
inflacionário de pior de todos impostos”. Isso se deve ao fato de que ele atinge principalmente os mais pobres (quanto
mais pobre mais o cidadão sofre com a inflação) numa completa inversão do principio de que tem mais deve pagar
mais imposto (princípio da capacidade contributiva) e, além disso, nós “pagamos” um pouco todo dia, toda hora...
sem saber ou sentir diretamente.

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Regime de Metas para Inflação

O Banco Central do Brasil é uma autarquia responsável diretamente pelas


políticas monetárias do país, é a principal autoridade monetária e o guardião do valor da
moeda. Antes de sua criação, em 31 de dezembro de 1964, os órgãos responsáveis pelas
políticas monetárias do Brasil eram a Superintendência da Moeda e do Crédito
(SUMOC), o Banco do Brasil e o Tesouro Nacional, atuando no controle monetário, na
função de banco do governo e na emissão de papel-moeda, respectivamente.
Basicamente, as funções do Banco Central do Brasil se concentram na
supervisão da política monetária e cambial do país e na fiscalização do sistema
financeiro nacional. De forma específica, as principais funções do BACEN são:
1. Emissão de papel moeda (operacionalizada pela Casa da Moeda);
2. Banco dos Bancos - Realização de operações de redesconto e empréstimos de
assistência à liquidez às instituições financeiras;
3. Banco dos Bancos - Recebimento dos depósitos compulsórios dos bancos
comerciais;

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

4. Formulação, execução e acompanhamento da política cambial e de relações


financeiras com o exterior;
5. Organização, disciplinamento e fiscalização do Sistema Financeiro Nacional, do
Sistema de Pagamento Brasileiro e do Sistema Nacional de Habitação e ordenamento do
mercado financeiro.
6. Guardião da moeda, ou seja, implementa medidas para o controle da inflação,
conforme veremos a seguir.
O Banco Central se compromete a atuar de forma a garantir que a taxa de
inflação esteja em linha com uma meta pré-estabelecida anunciada publicamente. Para
isso ele utiliza a taxa de juros.
Objetivo da política monetária é trazer a inflação para dentro das metas
estabelecidas, minimizando as mudanças súbitas de preço, com aumentos excessivos
que podem prejudicar a economia.
Assim, sempre que a inflação se acelera há um aumento na taxa básica de
juros , ou seja, aquela que é paga pelo governo para pegar empréstimos. Destarte, esta é
a taxa mínima cobrada na economia. O aumento da taxa de juros básica provoca um
efeito que eleva todas as outras taxas de juros na economia.
Isso desestimula o consumo, pois as parcelas da compra a prazo ficam
mais caras. Também desincentiva o investimento devido ao encarecimento do crédito
para o empresário. Isso sinaliza lucros menores! Assim, a economia desaquece e o
aumento de preços é desestimulado.
Devemos observar que no Brasil a diferença entra a taxa mínima e a
cobrada ao consumidor (nós, por exemplo) é gritante. Isso ocorre porque os bancos
cobram uma diferença exorbitante entre o que eles pagam de rendimento as aplicações
financeiras e o que eles cobram que vai tomar um empréstimo.
Esta diferença, chamada de spread bancário, pode ser facilmente notada
quando comparamos o que o correntista recebe num fundo de investimento (algo
próximo de 1,0 %) e o que é cobrado no cheque especial (uma taxa média de juros de,
aproximadamente, 8,0%).

52
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

1.6. O Nível de Emprego.


O nível de emprego ou desemprego vai depender de como vamos definir
o que é estar empregado. Os institutos de pesquisa utilizam diferentes metodologias
para avaliar o desemprego.
Cabe ressaltar que o desemprego voluntário não entra nas estatísticas,
pois não representa, a priori, um problema. Desta forma, todos os índices procuram
captar quantas pessoas querem trabalhar e não conseguem achar uma oportunidade.
Assim, o desemprego involuntário é o real problema e é ele que aparece nos índices dos
institutos de pesquisa.
Desta forma, existem dois tipos de desemprego: o voluntário (em que a
pessoa não quer trabalhar, seja lá por qual motivo) e o involuntário (o que não trabalha,
mas está procurando emprego).
Como já dissemos, os índices de desemprego dos diferentes institutos
apresentam resultados distintos porque utilizam metodologias diferentes. Por exemplo,
como vamos classificar a pessoa que vende doce no sinal? Estaria ele empregado ou
não?

OBS: Não podemos confundir a definição de emprego e desemprego utilizada pelos


institutos de pesquisa com a definição do Direito Trabalhista do vínculo empregatício.
O objetivo dos institutos de pesquisa é fazer uma análise econômico-social. Enquanto o
direito trabalhista busca identificar o vínculo para estabelecer os direitos e as
obrigações para ambas as partes da relação trabalhista. Para verificarmos se há vínculo
trabalhista, devemos examinar três pontos (CLT, artigo 3º):
Existe subordinação? O trabalhador faz parte de uma engrenagem produtiva,
com cadeia de comando, chefes e subordinados ou algo semelhante?
Existe habitualidade (um horário a ser cumprido)?
Existe pagamento regular de salário?
Podemos classificar o desemprego involuntário de diversas maneiras.
Para o nosso curso, acredito que devemos usar a forma mais usual e mais aceita. Logo,
teremos:

53
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

a) Desemprego sazonal: ocorre devido a variações nas estações do ano e em outras


mudanças naturais, por exemplo, o trabalhador rural.
b) Desemprego cíclico: ocorre porque a economia entrou em um ciclo de
desaquecimento gerado pela sua própria dinâmica. É diferente do primeiro tendo em
vista que não depende da estação, independe do tempo e do clima, pois se deve a uma
queda (crise), gerando uma desaceleração. Como isso é temporário, com o tempo a
economia pode voltar a uma situação de maior aquecimento, num ciclo sem fim.

OBS.: Para tentar combater os efeitos da sazonalidade e dos ciclos de desaceleração da


economia o governo, normalmente, lança mão de investimento e políticas econômico-
sociais chamadas de instrumentos anticíclicos. O objetivo é sustentar o emprego e/ou a
renda para que os trabalhadores afetados tenham a manutenção da dignidade até um
momento de melhora da atividade econômica.
Podemos citar como exemplo a execução de uma obra pública, como a
construção de uma barragem num determinado local que na época da entressafra
apresenta elevado nível de desemprego.
Outra possibilidade são os programas como o PAC e agora o PAC 2, que
mantém o nível de investimento na economia, sem deixar que esta fique completamente
estagnada. Não podemos deixar de citar o próprio seguro desemprego25, um exemplo
clássico de tentativa de manutenção da renda, enquanto o trabalhador procura um novo
emprego.

c) Desemprego conjuntural: Ocorre quando há um desajuste momentâneo entre oferta


e procura de emprego. O que ocorre é uma fricção devido ao fato de que existe o
emprego e existe o desempregado, ainda eles não se encontraram.
Uma forma de resolver este problema é criar um local onde quem
precisa de emprego e que oferece emprego se encontrem. Assim nasceram os centros de

25 Não há confusão entre estes programas e aqueles que procuram garantir uma renda mínima ao
trabalhador, como o bolsa família. Neste caso estamos falando de distribuição de rendae garantia de
mínimo existencial.

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

integração empresa escola (CIEE) e o Sistema Nacional de Emprego (SINE26). Nestes


trabalhadores e empresários se cadastram e o encontro é feito 27, diminuindo o tempo de
espera.
d) Desemprego estrutural: É aquele que ocorre quando o posto de trabalho
desaparece. Isto acontece quando temos mudança na tecnologia28 ou alterações nos
hábitos de consumo29.
Neste caso a solução é o (re)treinamento30 do trabalhador, para que ele
possa assumir um outro posto de trabalho. Assim, deve ser ensinado um novo ofício
que encontre oferta de trabalho no mercado. Uma opção é o Fundo de Amparo ao
Trabalhador (FAT) que possui como principais ações dois programas: o Programa do
Seguro-Desemprego (com as ações de pagamento do benefício do seguro-desemprego,
de qualificação e requalificação profissional) e os Programas de Geração de Emprego
e Renda31.

A Lei de Okun
Artur Okun é conhecido principalmente pela lei de Okun, que descreve uma
relação linear entre as mudanças na taxa de desemprego e o crescimento do produto
nacional bruto: por cada ponto percentual de diminuição do desemprego, o PIB real
cresce em três por cento.

26 Em Petrópolis temos uma unidade do SINE na Rua General Ozório, nº 12 – Centro (espero que ninguém
precise!).
27 É quase a mesma lógica de uma agência de namoro/casamento?
28 Ex¹: pessoas que realizam trabalhos repetitivos e perigosos são substituídas por robôs. Aquela “vaga”

empregatícia deixa de existir, o trabalhador não tem como se empregar mais naquela função, tendo que,
provavelmente, aprender uma outra profissão.
29 Ex²: As pessoas que produziam chapéus, no século XIX e início do XX, tiveram de mudar os produtos do

empreendimento, pois os hábitos de consumo mudaram e dificilmente usa-se chapéu.


30 Quando se trata de uma empresa inteira chamamos de reconversão.
31 Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (TEM), o Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT - é um fundo

especial, de natureza contábil-financeira, destinado ao custeio do Programa do Seguro-Desemprego, do


Abono Salarial e ao financiamento de Programas de Desenvolvimento Econômico.
A principal fonte de recursos do FAT é composta pelas contribuições para o Programa de Integração Social -
PIS, e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PASEP.

55
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

A Lei de Okun está baseada em dados da década de 1950 e teve a precaução de


advertir que a lei era válida somente para taxas de desemprego entre o 3,0 e 7,5%.
Como muitas outras leis econômicas, a Lei de Okun é só a observação de uma
regularidade (do mundo real) empírica que não se baseia em nenhum raciocínio
econômico forte. Contudo, tem sobrevivido ao longo do tempo. James Tobin, que foi
companheiro de Okun em Yale e no Conselho de Assessores econômicos do presidente
Kennedy, qualificou a Lei como "uma das regularidades empíricas mais confiáveis da
macroeconomia".

56
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

3) Estado, Orçamento e Déficit Público.

O Estado moderno, regido pelas regras do Direito e atuante na Economia


Nacional, caracteriza-se pela sua complexidade, bem como por sua intervenção, em
diferentes graus, nas atividades da sociedade. Para cumprir o seu objetivo primordial – o
bem comum – o Estado desenvolve um sem número de atividades que podem ser
divididas, didaticamente, em dois grandes grupos: ATIVIDADES-FIM (educação,
saúde, segurança, etc) e ATIVIDADES-MEIO (tributação, atividades financeiras, etc).
Para que o Estado cumpra com a sua finalidade, deve ser possuidor de
meios financeiros que o possibilitem de realizar as suas atividades, para isso o Estado
exerce a sua atividade financeira. Podemos assim conceituar atividade financeira do
Estado como o conjunto de atos que visam à obtenção de recursos para propiciar a
realização das atividades essenciais do Estado, bem como a gestão, controle e dispêndio
de tais recursos.
O Governo intervém de várias formas no mercado. Por intermédio da
política fiscal e da política monetária, por exemplo, é possível controlar preços, salários,
inflação, impor choques na oferta ou restringir a demanda.
O Estado pode intervir diretamente na economia conforme a previsão
legal do art. 173, CRFB. Além disso, o Estado pode repassar para a iniciativa privada a
gestão e a execução de determinadas atividades em que ele é o titular, como por
exemplo:
A) Permissão : É o ato administrativo (simples ato unilateral de outorga, com caráter
negocial) precário através do qual o Poder Público transfere a execução de serviços
públicos a particulares. Quando excepcionalmente confere-se prazo certo às permissões
são denominadas pela doutrina de permissões qualificadas (aquelas que trazem
cláusulas limitadores da discricionariedade). O Poder Público poderá desfazer a
permissão sem o pagamento de uma indenização, pois não há um prazo certo e
determinado. Assim a permissão é precária (pode ser desfeita a qualquer momento).
B) Concessão: instrumento contratual através da qual se transfere a execução de
serviço público para particulares, por prazo certo e determinado. Os prazos das
concessões são maiores que os dos contratos administrativos em geral. O Poder Público

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

não poderá desfazer a concessão sem o pagamento de uma indenização, pois há um


prazo certo e determinado. Assim, a concessão não é precária (não pode ser desfeita a
qualquer momento).
A lei 11.079/04 instituiu as normas gerais para licitação e contratação de
parcerias público-privadas (PPP). Estas parcerias ocorrem em virtude da ausência de
recursos públicos para a execução de obras de infraestrutura. Busca-se assegurar a
prestação de serviços públicos de melhor qualidade, a um menor custo e contando com
a agilidade da iniciativa privada. O particular deverá custear a execução da obra, mas o
poder público prestará a garantia.
------xxxx------

Os principais instrumentos e recursos utilizados pelo Governo para


intervir na Economia, podem ser resumidos nos itens que seguem:

A) Política Fiscal - envolve a administração e a geração de receitas, além do


cumprimento de metas e objetivos governamentais no orçamento, utilizado para a
alocação, distribuição de recursos e estabilização da economia. É possível, com a
política fiscal, aumentar a renda e o PIB e aquecer a economia, com uma melhor
distribuição de renda.

Uma questão central sobre o sistema fiscal é saber se ele encorajaria ou


não o crescimento econômico. Neste sentido, as opções de reforma tributária que
aumentariam a atividade econômica seriam aquelas que diminuiriam relativamente às
alíquotas dos impostos indiretos e as que incentivariam os produtos básicos. Isto
apontaria, no caso de um deslocamento da tributação da renda para o consumo, para a
necessidade de definir alíquotas de forma seletiva, onerando menos os produtos de
consumo popular.
Uma política de redução da carga tributária seria interessante em termos
de crescimento econômico. Mas, esta questão estaria amarrada ao financiamento dos
gastos públicos porque se, por decorrência de uma redução da carga tributária, houvesse
um desequilíbrio nas finanças públicas, isto poderia neutralizar o crescimento por causa
do aumento da necessidade de financiamento do setor público.

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

B) Política Regulatória - envolve o uso de medidas legais como decretos, leis,


portarias, etc., expedidos como alternativa para se alocar, distribuir os recursos e
estabilizar a economia. Com o uso das normas, diversas condutas podem ser banidas,
como a criação de monopólios, cartéis, práticas abusivas, poluição, etc.

C) Política Monetária – envolve o controle da oferta de moeda, da taxa de juros e do


crédito em geral, para efeito de estabilização da economia e influência na decisão de
produtores e consumidores. Com a política monetária, pode-se controlar a inflação,
preços, restringir a demanda, etc.

3.1. Orçamento
O Estado precisa, como qualquer um de nós, de uma previsão de gastos e
receitas para poder planejar uma ação concreta no âmbito econômico, social, criação de
infraestrutura etc. Assim, o ORÇAMENTO PÚBLICO é fundamental para a
organização das finanças do Estado, garantido previsibilidade, transparência, controle
externo, fiscalização etc. O orçamento tem duração de um ano, de 01 de Janeiro até 31
de dezembro (um ano, período de um exercício fiscal)
O Orçamento Público funciona como um balizador na Economia. Se
temos elevados investimentos governamentais no Orçamento, provavelmente o número
de empregos aumentará, assim como a renda agregada melhorará. Em compensação, um
orçamento restrito em investimentos, provocará desemprego, desaceleração da
economia, e decréscimo no produto interno bruto.
Dentre as funções consubstanciadas no Orçamento Público, destacamos:
Função alocativa - Oferecer bens e serviços (públicos puros) que não seriam
oferecidos pelo mercado ou seriam em condições ineficientes (meritórios ou
semipúblicos) e. criar condições para que bens privados sejam oferecidos no mercado
(devido ao alto risco, custo, etc.) pelos produtores, por investimentos ou intervenções,
corrigir imperfeições no sistema de mercado (oligopólios, monopólios, etc.) e corrigir
os efeitos negativos de externalidades.

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Função distributiva – Tornar a sociedade menos desigual em termos de renda e


riqueza, através da tributação e transferências financeiras, subsídios, incentivos fiscais,
alocação de recursos em camadas mais pobres da população, etc.
Função estabilizadora – ajustar o nível geral de preços, nível de emprego, estabilizar
a moeda, mediante instrumentos de política monetária, cambial e fiscal, ou outras
medidas de intervenção econômica (controles por leis, limites).
O Orçamento Público, em sentido amplo, é um documento legal
(aprovado por lei) contendo a previsão de receitas e a estimativa de despesas a serem
realizadas por um Governo em um determinado exercício (geralmente um ano).
O orçamento público no Brasil após anos 60 é chamado de Orçamento-
Programa, pois este é um plano de trabalho expresso por um conjunto de ações a
realizar e pela identificação dos recursos necessários à sua execução.
Esse tipo de orçamento caracteriza-se pelo fato da elaboração
orçamentária ser feita em função daquilo que se pretende realizar no futuro, ou seja,
permite identificar os programas de trabalho do governo, seus projetos e atividades e
ainda estabelece os objetivos, as metas, os custos, e os resultados alcançados.
A característica marcante do orçamento-programa É a de está
intimamente ligado ao sistema de planejamento e aos objetivos que o Governo pretende
alcançar, durante um período determinado de tempo. O documento contém a estimativa
de arrecadação das receitas federais para o ano seguinte e a autorização para a
realização de despesas do Governo. Porém, está atrelado a um forte sistema de
planejamento público das ações a realizar no exercício.
Existem princípios básicos que devem ser seguidos para elaboração e
controle dos Orçamentos Públicos, que estão definidos no caso brasileiro na
Constituição, na Lei 4.320/64, no Plano Plurianual, na Lei de Diretrizes Orçamentárias
e na recente Lei de Responsabilidade Fiscal.
A Constituição Federal de 1988 atribui ao Poder Executivo a
responsabilidade pelo sistema de Planejamento e Orçamento, e a iniciativa dos
seguintes projetos de lei:
 Plano Plurianual (PPA)

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

 Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)

 Lei de Orçamento Anual (LOA)

O PPA é a lei que define as prioridades do Governo pelo período de 4


(quatro) anos. O projeto de lei do PPA deve ser enviado pelo Presidente da República
ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto do primeiro ano de seu mandato (4 meses
antes do encerramento da sessão legislativa).
De acordo com a Constituição Federal, o PPA deve conter “as diretrizes,
objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras
delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada”.
A LDO é a lei anterior à lei orçamentária, que define as metas e
prioridades em termos de programas a executar pelo Governo. O projeto de lei da LDO
deve ser enviado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional até o dia 15 de abril de
cada ano (8 meses e meio antes do encerramento da sessão legislativa).
De acordo com a Constituição Federal, a LDO estabelece as metas e
prioridades para o exercício financeiro subseqüente, orienta a elaboração do Orçamento
(Lei Orçamentária Anual), dispõe sobre alterações na legislação tributária e estabelece a
política de aplicação das agências financeiras de fomento.
Com base na LDO aprovada a cada ano pelo Poder Legislativo, a
Secretaria de Orçamento Federal, órgão do Poder Executivo, consolida a proposta
orçamentária de todos os órgãos dos Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) para
o ano seguinte no Projeto de Lei encaminhado para discussão e votação no Congresso
Nacional.
Por determinação constitucional, o Governo é obrigado a encaminhar o
Projeto de Lei Orçamentária Anual ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto de
cada ano (4 meses antes do encerramento da sessão legislativa). Acompanha o projeto
uma Mensagem do Presidente da República, na qual é feito um diagnóstico sobre a
situação econômica do país e suas perspectivas.
A Lei Orçamentária Anual disciplina todos os programas e ações do
governo federal no exercício. Nenhuma despesa pública pode ser executada sem estar
consignada no Orçamento. No Congresso, deputados e senadores discutem na Comissão

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Mista de Orçamentos e Planos a proposta orçamentária (projeto de lei) enviada pelo


Poder Executivo, fazendo modificações que julgar necessárias, por meio de emendas,
votando ao final o projeto.
A Constituição determina que o Orçamento deva ser votado e aprovado
até o final de cada Legislatura (15.12 de cada ano). Depois de aprovado, o projeto é
sancionado e publicado pelo Presidente da República, transformando-se na Lei
Orçamentária Anual.
A Lei Orçamentária Anual (LOA ) estima as receitas e autoriza as
despesas do Governo de acordo com a previsão de arrecadação. Se durante o exercício
financeiro houver necessidade de realização de despesas acima do limite que está
previsto na Lei, o Poder Executivo submete ao Congresso Nacional um novo projeto de
lei para alterar o orçamento (que é uno) solicitando crédito adicional.
O acompanhamento da execução do Orçamento brasileiro tem sido
facilitado a partir da implantação do Sistema Integrado de Administração Financeira
(SIAFI) do governo federal, que permite a unificação das contas públicas e o
acompanhamento em tempo quase real da destinação das verbas orçamentárias.
Em outras palavras, é um Sistema informatizado que processa e controla
as execuções orçamentária, financeira, patrimonial e contábil da União, através de
terminais instalados em todo o território nacional. Tem como premissa básica a
contabilização de todos os atos e fatos praticados pelos Gestores públicos.

3.2. Receita e Despesas Públicas e o Déficit Público

Receita Pública

Receita é a soma de dinheiro que o Estado recebe para fazer face à


realização dos gastos públicos. Não podemos confundir receito com patrimônio ou
direitos da Fazenda.
As receitas podem ser:
 Ordinárias: são aquelas que são periódicas e compõem permanentemente o
Orçamento do Estado;

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

 Extraordinárias: são aquelas que se produzem excepcionalmente (doações ou tributos


não extraordinários).
Os tributos formam a maior parte da receita da União, Estados e
Municípios e abrangem impostos, taxas, contribuições e empréstimos compulsórios. O
Imposto de Renda é um tributo, assim como a taxa do lixo cobrada por uma prefeitura e
o IPVA, que é Estadual.
Eles podem ser diretos ou indiretos. No primeiro caso, são os
contribuintes que devem arcar com a contribuição, como ocorre no Imposto de Renda.
Já os indiretos incidem sobre o preço das mercadorias e serviços.
São espécies de tributo:
A. Imposto - Não há uma destinação específica para os recursos obtidos por meio do
recolhimento dos impostos. Em geral, é utilizado para o financiamento de serviços
universais, como educação e segurança. Eles podem incidir sobre o patrimônio (como o
IPTU e o IPVA), renda (Imposto de Renda) e consumo, como o IPI que é cobrado dos
produtores e o ICMS que é pago pelo consumidor.
B. Taxa - esse tributo está vinculado (contraprestação) a um serviço público específico
prestado ao contribuinte e prestado pelo poder público, como a taxa de lixo urbano ou a
taxa para a confecção do passaporte.
C. Contribuições - elas são divididas em dois grupos: de melhoria ou especiais. No
primeiro caso estão as contribuições cobradas em uma situação que representa um
benefício ao contribuinte, como uma obra pública que valorizou seu imóvel. Já as
contribuições especiais são cobradas quando há uma destinação específica para um
determinado grupo, como o PIS (Programa de Integração Social) e Pasep (Programa de
Formação do Patrimônio do Servidor Público), que são direcionados a um fundo dos
trabalhadores do setor privado e público.
D. Empréstimo Compulsório. Somente à União, nos casos excepcionais definidos em
lei complementar, poderá instituir empréstimo compulsório ao qual se aplicarão as
disposições constitucionais relativas aos tributos e às normas gerais de Direito
Tributário. No empréstimo forçado, não há acordo de vontades, nem contrato de
qualquer natureza. Unilateralmente, o Estado compele alguém, sob sua jurisdição, a

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

entregar-lhe dinheiro, prometendo o reembolso sob certas condições ou dentro de certo


prazo.
E. Contribuição especial – (artigo 149 e 195 da CR e artigo 217 do CTN) também
chamada de contribuição social, surgiu para permitir ao Estado prestar serviços de
alguns setores específicos que são indispensáveis. São as entidades sociais (seguridade)
e as entidades profissionais. Ou seja, é uma hipótese legal decorrente de intervenção no
domínio econômico, prestação de serviço social e organização e funcionamento de
órgãos sindicais e profissionais. Estas contribuições são pagas antecipadamente para
que o contribuinte usufrua futuramente. Segundo o STF, possui quatro modalidades,
que são:
 contribuição social geral
 contribuição de intervenção no domínio econômico
 contribuição profissional
 contribuição securitária (diferente de previdenciária)
F. Contribuição de iluminação pública – (artigo 149-A da CR) de acordo com o
informativo 540, foi incluída pelo STF como nova espécie de tributo. A iluminação
pública consiste num serviço público uti universi, isto é, de caráter geral e indivisível,
prestado a todos os cidadãos, indistintamente, não sendo possível, sob o aspecto
material, incluir todos os seus beneficiários no pólo passivo da obrigação tributária.
Assim, atendidos os demais princípios tributários e os critérios de razoabilidade e
proporcionalidade, não é inconstitucional identificar o sujeito passivo da obrigação em
função de seu consumo de energia elétrica, tendo sido, inclusive, essa a intenção do
constituinte derivado ao criar o novo tributo, conforme relatório da PEC 559/2002.

Despesa Pública
Despesa é a soma dos gastos realizados pelo Estado para a realização de
suas obras e prestações de serviço. A realização da despesa passa por três fases (Lei
4.320/64): o empenho, a liquidação e o pagamento. Porém se estamos falando de obras,
serviços ou compras devemos ter uma fase inicial que é a licitação.

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

A licitação é uma regra imposta ao poder público. A licitação não passa


de um procedimento administração vinculado, previsto em lei, através do qual a
administração pública ou as pessoas elencadas em lei vão selecionar a melhor proposta
dentre as apresentadas por vários interessados para a celebração do futuro contrato.
A administração pública, para celebrar contratos, tem que, previamente,
em regra, fazer um procedimento licitatório. E aí o procedimento licitatório visa garantir
a igualdade, a impessoalidade de tratamento, a moralidade.
Quer dizer, a licitação é uma regra moralmente e constitucionalmente
exigível, que a administração pública tem que se submeter, em regra, para fazer
contratos. O administrador público gere coisa pública e para gastar esse dinheiro, ele
tem que fazer valer a impessoalidade, tem que dar igualdade e oportunidade para
aqueles particulares que querem contratar com o poder público.
A Licitação se divide em três tipos:

Menor Preço: critério de seleção em que a proposta mais vantajosa para a


Administração é a de menor preço. É utilizado para compras e serviços de modo geral e
para contratação e bens e serviços de informática, nos casos indicados em decreto do
Poder Executivo.
Melhor Técnica: critério de seleção em que a proposta mais vantajosa para a
Administração é escolhida com base em fatores de ordem técnica. É usado
exclusivamente para serviços de natureza predominantemente intelectual, em especial
na elaboração de projetos, cálculos, fiscalização, supervisão e gerenciamento e de
engenharia consultiva em geral, e em particular, para elaboração de estudos técnicos
preliminares e projetos básicos e executivos.
Técnica e Preço: critério de seleção em que a proposta mais vantajosa para a
Administração é escolhida com base na maior média ponderada, considerando-se as
notas obtidas nas propostas de preço e de técnica. É obrigatório na contratação de bens e
serviços de informática, nas modalidades tomada de preços e concorrência.
Além disso, a licitação pode se apresentar em cinco diferentes
modalidades:

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Concorrência – O Estado publica o interesse de realizar ou comprar algo e


“convida” os agentes privados a participarem, dentro das condições previstas no edital,
da licitação. Como se percebe a concorrência é para contratos de alto vulto, por isso
mesmo de maior risco para a administração pública trazendo um procedimento com
maiores formalidades como forma de prevenção contra possíveis prejuízos;
Tomada de preços – Tomada de preços é a modalidade de licitação entre
interessados devidamente cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas
para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas,
observada a necessária qualificação;
Convite – convite é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente
ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de 3
(três) pela unidade administrativa;
Concurso – É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha
de trabalho técnico, científico ou artístico, com instituição de prêmio ou remuneração
aos vencedores;
Leilão – É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para venda de
bens móveis inservíveis da Administração, de produtos legalmente apreendidos/
penhorados ou para a alienação de bens imóveis adquiridos em procedimentos judiciais
ou de doação, a quem oferecer maior lance.
Pregão – Pregão é a modalidade de licitação para aquisição de bens e serviços
comuns em que a disputa pelo fornecimento é feita em sessão pública, por meio de
propostas e lances, para classificação e habilitação do licitante com a proposta de menor
preço.
A licitação não ocorrerá quando estiver presente a inexigibilidade, ou
seja, a competição é impossível, não existe nem a possibilidade de competição. Ou
porque só existe um fornecedor do bem/serviço ou porque as características do
contratado são características que não admitem, em princípio, uma competição.
Além disso, existe a dispensa de licitação. Em tese, trata-se de situação
na qual a licitação seria exigível, porque haveria possibilidade de competição, em tese
haveria mais de um interessado em prestar aquele serviço ou fornecer aquele bem. Mas

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

o legislador vai estabelecer situações excepcionais em que o interesse social, o interesse


público, poderá pedir a ausência de licitação.
Terminada a fase licitatória, a despesa vai se concretizar passando pelos
seguintes estágios:
1) EMPENHO DA DESPESA é ato pelo qual se reserva, no orçamento, a quantia
necessária para o pagamento de uma despesa específica;
2) LIQUIDAÇÃO – a autoridade pública verifica se há o empenho e se o bem foi
entregue ou o serviço prestado. Calcula-se o a importância exata a pagar e emite-se a
ORDEM DE PAGAMENTO, pelo ordenador da despesa.
3) PAGAMENTO – as tesourarias ou estabelecimentos bancários autorizados pagam a
despesa.
As despesas empenhadas, mas não pagas no exercício fiscal atual (até 31
de dezembro), se transformam em restos de despesas e devem ser pagas no exercício
seguinte. A inscrição de valores em restos a pagar terá validade até 31 de dezembro do
ano subsequente. Findo este prazo, os saldos remanescentes serão automaticamente
CANCELADOS, podendo o credor, no prazo de 5 anos do dia da inscrição de buscar
judicialmente.
Isso não se confunde com os precatórios que nascem da inclusão, no
orçamento das entidades de direito público, de verba necessária ao pagamento de seus
débitos oriundos de sentenças transitadas em julgado. Os pagamentos far-se-ão
exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios.
Assim, podemos dizer que não havia previsão inicial de que aquele gasto
seria feito, ele nasceu de uma sentença judicial e, a partir da condenação, foi instituída a
necessidade de pagamento. Imagine que um carro oficial, por falta de manutenção,
perde o controle e invade a calçada, vindo a ferir uma pessoa de forma grave. Seria um
absurdo achar que isso estava previsto no orçamento! Não cabe falar em resto de
despesa. Após um processo judicial surgirá a obrigação do Estado de indenizar a vítima
(em 100 salários mínimos, por exemplo). É daí que surge a despesa que origina o
precatório.

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

3.3. Déficit Público


Devemos lembrar que se o Governo, em qualquer nível, mostra que não
tem condições honrar seus compromissos isso vai gerar expectativas negativas no
mercado interno e externo. Isso pode ser péssimo para a economia, com calotes aos
agentes privados, com a perda de divisas, corte de financiamentos, entre outros
problemas.
Consequências gerais do descontrole das políticas públicas: criação de
expectativas negativas, possibilidade de calote do Estado, inflação (se houver emissão
de moeda), fuga de capitais internacionais, descontrole das varáveis macroeconômicas
(juros, câmbio etc).
Basicamente o financiamento do déficit público pode ocorrer de três
formas. A primeira seria a emissão de papel moeda (o governo faz dinheiro e paga as
próprias contas). Isso seria ruim, pois poderia aumentar a inflação e, também, abalaria a
confiança na seriedade do Estado.
Outra forma seria obter junto ao mercado financeiro empréstimos para
tentar saldar os compromissos. Teremos o problema do aumento da dívida pública.
Além disso, como há menos dinheiro para a iniciativa privada pegar emprestado, a taxa
de juros vai aumentar. Isso vai encarecer o investimento e as compras a prazo,
desacelerando a economia.
Por fim, teríamos a possibilidade de aumentarmos os tributos – elevando
a arrecadação e saldando o déficit. Contudo, elevar a carga tributária vai encarecer os
bens e serviços, gerando diminuição da atividade produtiva . A medida é impopular e
gera expectativas negativas, pois a sociedade vai perceber que o governo repassará para
ela o custo de uma gestão ruim .

OBS.: Sempre que se fala em déficit público, temos a sugestão de corte


dos gastos públicos. Essa medida é válida para evitar que a dívida aumente ou que num
futuro (mesmo que breve) ela possa ser paga. Todavia, as três medidas que vimos
anteriormente visam à solução de um problema que não pode esperar para ser resolvido.
Assim, o corte de gastos para equilibrar receita e despesa pode até ser uma solução,
mas não elimina a necessidade de financiamento do déficit público já existente.
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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

4) Sistema Financeiro Nacional – SFN

O Sistema Financeiro Nacional – SFN é formado pelo conjunto de


instituições dedicadas a proporcionar condições satisfatórias para a manutenção de um
fluxo de recursos entre poupadores e investidores, no País. Seu principal objetivo e
viabilizar a intermediação entre poupança e investimento, possibilitando ao setor
produtivo maior eficiência.

4.1. Subsistema Normativo

As entidades normativas são responsáveis pela definição das políticas e


diretrizes gerais do sistema financeiro, sem função executiva. Em geral, são entidades
colegiadas, com atribuições específicas e utilizam-se de estruturas técnicas de apoio
para a tomada das decisões. Atualmente, no Brasil funcionam como entidades
normativas o Conselho Monetário Nacional – CMN, o Conselho Nacional de Seguros
Privados - CNSP e o Conselho Nacional de Previdência Complementar – CNPC.
As entidades supervisoras, por outro lado, assumem diversas funções
executivas, como a fiscalização das instituições sob sua responsabilidade, assim como
funções normativas, com o intuito de regulamentar as decisões tomadas pelas entidades
normativas ou atribuições outorgadas a elas diretamente pela Lei. O Banco Central do
Brasil – BCB, a Comissão de Valores Mobiliários – CVM, a Superintendência de
Seguros Privados – SUSEP e a Superintendência Nacional de Previdência
Complementar – PREVIC são as entidades supervisoras do nosso Sistema Financeiro.
Além destas, há as entidades operadoras, que são todas as demais
instituições financeiras, monetárias ou não, oficiais ou não, como também demais
instituições auxiliares, responsáveis, entre outras atribuições, pelas intermediações de
recursos entre poupadores e tomadores ou pela prestação de serviços. Abaixo, breve
relação dessas instituições, com descrição das principais atribuições de algumas delas.

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Entidades Normativas
I) Conselho Monetário Nacional - CMN
É o órgão deliberativo máximo do Sistema Financeiro Nacional. O CMN
não desempenha função executiva, apenas tem funções normativas. Atualmente, o CMN
é composto por três membros:
 Ministro da Fazenda (Presidente);
 Ministro do Planejamento Orçamento e Gestão; e
 Presidente do Banco Central.

Trabalhando em conjunto com o CMN funciona a Comissão Técnica da


Moeda e do Crédito (Comoc), que tem como atribuições o assessoramento técnico na
formulação da política da moeda e do crédito do País. As matérias aprovadas são
regulamentadas por meio de Resoluções, normativos de caráter público, sempre
divulgadas no Diário Oficial da União e na página de normativos do Banco Central do
Brasil.

II) Banco Central do Brasil - BCB


O Banco Central do Brasil foi criado em 1964 com a promulgação da Lei da
Reforma Bancária (Lei nº 4.595 de 31.12.64).
Sua sede é em Brasília e possui representações regionais em Belém, Belo
Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São
Paulo.
É uma autarquia federal que tem como principal missão institucional
assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda nacional e um sistema financeiro
sólido e eficiente.
A partir da Constituição de 1988, a emissão de moeda ficou a cargo
exclusivo do BCB.
O presidente do BCB e os seus diretores são nomeados pelo Presidente da
República após a aprovação prévia do Senado Federal, que é feita por uma arguição
pública e posterior votação secreta. Entre as várias competências do BCB destacam-se:

70
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda nacional e da solidez do


Sistema Financeiro Nacional;
Banco dos Bancos;
Banco do Governo;
Executar a política monetária mediante utilização de títulos do Tesouro Nacional;
Fixar a taxa de referência para as operações compromissadas de um dia, conhecida
como taxa SELIC;
Controlar as operações de crédito das instituições que compõem o Sistema
Financeiro Nacional;
Formular, executar e acompanhar a política cambial e de relações financeiras com o
exterior;
Fiscalizar as instituições financeiras e as clearings (câmaras de compensação);
Emitir papel-moeda;
Executar os serviços do meio circulante para atender à demanda de dinheiro
necessária às atividades econômicas;
Manter o nível de preços (inflação) sob controle;
Manter sob controle a expansão da moeda e do crédito e a taxa de juros;
Operar no mercado aberto, de recolhimento compulsório e de redesconto;
Executar o sistema de metas para a inflação;
Divulgar as decisões do Conselho Monetário Nacional;
Manter ativos de ouro e de moedas estrangeiras para atuação nos mercados de
câmbio;
Administrar as reservas internacionais brasileiras;
Zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras nacionais;
Conceder autorização para o funcionamento das instituições financeiras.

Instrumentos de política monetária


Os principais instrumentos de política monetária do BACEN são:
DEPÓSITO COMPULSÓRIO: Uma fração do dinheiro que é depositado no BC
deve ser obrigatoriamente depositado no Banco Central: o chamado Depósito
Compulsório. Esse depósito é determinado por lei e visa o controle da criação de moeda
71
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

escritural e do nível de crédito na economia. O que acontece é que não é a moeda física
que se multiplica, mas, sim, a moeda escritural criada pelo BC.
Outro instrumento de controle monetário é o REDESCONTO Bancário, no qual o
Banco Central concede “empréstimos” aos bancos comerciais a taxas acima das
praticadas no mercado. Os chamados empréstimos de assistência à liquidez são
utilizados pelos bancos comerciais somente quando existe uma insuficiência de caixa
(fluxo de caixa), ou seja, quando a demanda de recursos depositados não cobrem suas
necessidades. Quando a intenção do Banco Central é de injetar dinheiro no mercado, ele
baixa a taxa de juros para estimular os bancos comerciais a pegar estes empréstimos. Os
bancos comerciais por sua vez, terão mais disponibilidade de crédito para oferecer ao
mercado, consequentemente a economia aquece.
OPEN MARKET (Mercado Aberto), são as operações com títulos públicos é mais
um dos instrumentos disponíveis de Política Monetária. Este instrumento, considerado
um dos mais eficazes, consegue equilibrar a oferta de moeda e regular a taxa de juros
em curto prazo. A compra e venda dos títulos públicos se dá pelo Banco Central. De
acordo com a necessidade de expandir ou reter a circulação de moedas do mercado, as
autoridades monetárias competentes resgatam ou vendem esses títulos.
Se existe a necessidade de diminuir a taxa de juros e aumentar a
circulação de moedas, o Banco Central compra (resgata) títulos públicos que estejam
em circulação. Se a necessidade for inversa, ou seja, aumentar a taxa de juros e diminuir
a circulação de moedas, o Banco Central vende (oferta) os títulos disponíveis.
Outra finalidade dos títulos públicos é a de captar recursos para o
financiamento da dívida pública, bem como financiar atividades do Governo Federal,
como por exemplo, Educação, Saúde e Infraestrutura.
Persuasão Moral;
Controle de crédito: controlar o volume de crédito e distribuição das linhas de
crédito, impondo taxas, condições e períodos.
Taxa SELIC.

III) Comissão de Valores Mobiliários - CVM


A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foi criada em 07 de
72
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

dezembro de 1976 pela Lei 6.385 para fiscalizar e desenvolver o mercado de valores
mobiliários no Brasil.
A Comissão de Valores Mobiliários é uma autarquia federal vinculada ao
Ministério da Fazenda, porém sem subordinação hierárquica.
Com o objetivo de reforçar sua autonomia e seu poder fiscalizador, o
governo federal editou, em 31.10.01, a Medida Provisória nº 8 (convertida na Lei
10.411 de 26.02.02), pela qual a CVM passa a ser uma "entidade autárquica em regime
especial, vinculada ao Ministério da Fazenda, com personalidade jurídica e patrimônio
próprios, dotada de autoridade administrativa independente, ausência de subordinação
hierárquica, mandato fixo e estabilidade de seus dirigentes, e autonomia financeira e
orçamentária" (art. 5º).
É administrada por um Presidente e quatro Diretores nomeados pelo
Presidente da República e aprovados pelo Senado Federal. Eles formam o chamado
"colegiado" da CVM. Seus integrantes têm mandato de 5 anos e só perdem seus
mandatos "em virtude de renúncia, de condenação judicial transitada em julgado ou de
processo administrativo disciplinar" (art. 6º § 2º). O Colegiado define as políticas e
estabelece as práticas a serem implantadas e desenvolvidas pelas Superintendências, as
instâncias executivas da CVM.
Sua sede é localizada na cidade do Rio de Janeiro com Superintendências
Regionais nas cidades de São Paulo e Brasília. Essas são algumas de suas atribuições:
 Estimular a formação de poupança e a sua aplicação em valores mobiliários;
 Assegurar e fiscalizar o funcionamento eficiente das bolsas de valores, do
mercado de balcão e das bolsas de mercadorias e futuros;
 Proteger os titulares de valores mobiliários e os investidores do mercado contra
emissões irregulares de valores mobiliários e contra atos ilegais de
administradores de companhias abertas ou de carteira de valores mobiliários;
 Evitar ou coibir modalidades de fraude ou de manipulação que criem condições
artificiais de demanda, oferta ou preço dos valores mobiliários negociados no
mercado;
 Assegurar o acesso do público a informações sobre os valores mobiliários
negociados e sobre as companhias que os tenham emitido;
73
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

 Assegurar o cumprimento de práticas comerciais equitativas no mercado de


valores mobiliários;
 Assegurar o cumprimento, no mercado, das condições de utilização de crédito
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional.
 Realizar atividades de credenciamento e fiscalização de auditores independentes,
administradores de carteiras de valores mobiliários, agentes autônomos, entre
outros;
 Fiscalizar e inspecionar as companhias abertas e os fundos de investimento;
 Apurar, mediante inquérito administrativo, atos ilegais e práticas não-equitativas
de administradores de companhias abertas e de quaisquer participantes do
mercado de valores mobiliários, aplicando as penalidades previstas em lei;
 Fiscalizar e disciplinar as atividades dos auditores independentes, consultores e
analistas de valores mobiliários.

IV) Superintendência de Seguros Privados - SUSEP


A Susep é o órgão responsável pelo controle e fiscalização dos mercados
de seguro, previdência privada aberta, capitalização e resseguro. Criada em 1966 pelo
Decreto-Lei 73/66, que também instituiu o Sistema Nacional de Seguros Privados, de
que fazem parte o CNSP, o IRB, as sociedades autorizadas a operar em seguros privados
e capitalização, as entidades de previdência privada aberta e os corretores habilitados.
É uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, administrada por
um Conselho Diretor, composto pelo Superintendente e por quatro Diretores. Essas são
algumas de suas atribuições:
Fiscalizar a constituição, organização, funcionamento e operação das
Sociedades Seguradoras, de Capitalização, Entidades Abertas de Previdência Privada e
Resseguradores, na qualidade de executora da política traçada pelo CNSP; Atuar no
sentido de proteger a captação de poupança popular que se efetua através das operações
de seguro, previdência privada aberta, de capitalização e resseguro.

V) Superintendência Nacional de Previdência Complementar - PREVIC


A PREVIC atua como entidade de fiscalização e de supervisão das
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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

atividades das entidades fechadas de previdência complementar e de execução das


políticas para o regime de previdência complementar operado por essas entidades. É
uma autarquia vinculada ao Ministério da Previdência Social.

4.2. Subsistema de Intermediação

Sistema composto por todas as instituições que trabalham na


intermediação financeira e realização da transferência de recursos entre fornecedores e
tomadores de recursos por meio de regras bem definidas. É composto por instituições
financeiras bancárias ou não:

Entidades Operadoras - Órgãos Oficiais


A) Banco do Brasil - BB
O Banco do Brasil é o mais antigo banco comercial do Brasil e foi criado
em 12 de outubro de 1808 pelo príncipe regente D. João. Logo possui mais de 200 anos
de fundação, a pesar de n”ao ter operado por todo este tempo. É uma sociedade de
economia mista de capitais públicos e privados. É também uma empresa aberta que
possui ações cotadas na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBOVESPA).
O BB opera como agente financeiro do Governo Federal e é o principal
executor das políticas de crédito rural e industrial e de banco comercial do governo. E a
cada dia mais tem se ajustado a um perfil de banco múltiplo tradicional.

B) Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES


Criado em 1952 como autarquia federal, hoje é uma empresa pública
vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com
personalidade jurídica de direito privado e patrimônio próprio. É responsável pela
política de investimentos a longo prazo do Governo Federal, necessários ao
fortalecimento da empresa privada nacional.
Com o objetivo de fortalecer a estrutura de capital das empresas privadas

75
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

e desenvolvimento do mercado de capitais, o BNDES conta com linhas de apoio para


financiamentos de longo prazo a custos competitivos, para o desenvolvimento de
projetos de investimentos e para a comercialização de máquinas e equipamentos novos,
fabricados no país, bem como para o incremento das exportações brasileiras.
Os financiamentos são feitos com recursos próprios, empréstimos e
doações de entidades nacionais e estrangeiras e de organismos internacionais, como o
BID. Também recebe recursos do PIS e PASEP.
Conta com duas subsidiárias integrais, a FINAME (Agência Especial de
Financiamento Industrial) e a BNDESPAR (BNDES Participações), criadas com o
objetivo, respectivamente, de financiar a comercialização de máquinas e equipamentos;
e de possibilitar a subscrição de valores mobiliários no mercado de capitais brasileiro.
As três empresas, juntas, compreendem o chamado "Sistema BNDES".

C) Caixa Econômica Federal - CEF


Criada em 12 de janeiro de 1861 por Dom Pedro II com o propósito de
incentivar a poupança e de conceder empréstimos sob penhor. É a instituição financeira
responsável pela operacionalização das políticas do Governo Federal para habitação
popular e saneamento básico. A Caixa é uma empresa 100% pública e não possui ações
em bolsas.
Além das atividades comuns de um banco comercial, a CEF também
atende aos trabalhadores formais - por meio do pagamento do FGTS, PIS e seguro-
desemprego , e aos beneficiários de programas sociais e apostadores das Loterias. As
ações da Caixa priorizam setores como habitação, saneamento básico, infraestrutura e
prestação de serviços.

Instituições financeiras:
Os Bancos Comerciais (BC)
Os bancos comerciais são instituições financeiras privadas ou públicas
que têm como objetivo principal proporcionar suprimento de recursos necessários para
financiar, a curto e em médio prazo, o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

serviços, as pessoas físicas e terceiros em geral. A captação de depósitos à vista,


livremente movimentáveis, é atividade típica do banco comercial, o qual pode também
captar depósitos a prazo. Deve ser constituído sob a forma de sociedade anônima e na
sua denominação social deve constar a expressão "Banco" (Resolução CMN 2.099, de
1994).
Assim, os BC são intermediários financeiros que transferem recursos dos
agentes superavitários para os deficitários, mecanismo esse que acaba por criar moeda
através do efeito multiplicador. Os BC's podem descontar títulos, realizar operações de
abertura de crédito simples ou em conta corrente, realizar operações especiais de crédito
rural, de câmbio e comércio internacional, captar depósitos à vista e a prazo fixo, obter
recursos junto às instituições oficiais para repasse aos clientes, etc.
Em finanças, risco sistêmico refere-se ao risco de colapso de todo um
sistema financeiro ou mercado, com forte impacto sobre as taxas de juros, câmbio e os
preços dos ativos em geral, e afetando amplamente a economia - em contraste com o
risco associado a uma entidade individual, um grupo ou componente de um sistema.
Assim, pode ser definido como uma instabilidade potencialmente
catastrófica do sistema financeiro, causada ou exacerbada por eventos ou condições
peculiares que afetem os intermediários financeiros. Riscos sistêmicos são decorrentes
das interligações e da interdependência entre os agentes de um sistema ou mercado, no
qual a insolvência ou falência de uma única entidade ou grupo de entidades pode
provocar falências em cadeia, o que poderia levar o sistema inteiro ou o mercado como
um todo à bancarrota.
Tal evento é potencializado: de um lado os depósitos são (normalmente)
feitos à vista e podem ser sacados a qualquer momento e por outro lado temos que
aquilo que os BC têm a receber está alongado no tempo (parcelamentos que demoram
muitos meses ou anos para se encerrar). Além disso, temos a possibilidade de criação de
moeda pelos BC.
Moeda escritural é um tipo de dinheiro não físico usado como meio de
pagamento, ou seja, o saldo em conta corrente. Ela é movimentada principalmente por
depósitos e transferências eletrônicas entre contas bancárias. Outros meios de
movimentação são os cheques e os cartões de crédito e débito. O banco depositário pode
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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

realizar empréstimos com parte do dinheiro do correntista, que dificilmente irá sacar
todo o seu dinheiro de uma só vez. Por lei, o banco precisa guardar apenas uma pequena
fração do dinheiro depositado, podendo emprestar o restante para criar crédito.
A moeda criada pelos BC`s não existe fisicamente falando, é só um valor
no sistema eletrônico do banco. Quando o cliente saca alguma quantia, na verdade ele
está pegando o dinheiro existente da reserva que o banco mantém dos vários clientes. O
problema é: e se todos os clientes, de repente, exigissem o seu dinheiro de volta? O
banco não teria como fazer isso, pois só tem uma porção desse dinheiro.
Um instrumento de contenção da multiplicação de moeda escritural é o
depósito compulsório, empregado pelos Bancos Centrais de todo o mundo para limitar a
sua criação.

Os Bancos de Desenvolvimento:
O já citado BNDES é o principal agente de financiamento do governo
federal. Destacam-se outros bancos regionais de desenvolvimento como, por exemplo, o
Banco do Nordeste do Brasil (BNB), o Banco da Amazônia, dentre outros.

As Cooperativas de Crédito:
Equiparando-se às instituições financeiras, as cooperativas normalmente
atuam em setores primários da economia ou são formadas entre os funcionários das
empresas. No setor primário, permitem uma melhor comercialização dos produtos rurais
e criam facilidades para o escoamento das safras agrícolas para os consumidores. No
interior das empresas em geral, as cooperativas oferecem possibilidades de crédito aos
funcionários, os quais contribuem mensalmente para a sobrevivência e crescimento da
mesma. Todas as operações facultadas às cooperativas são exclusivas aos cooperados.

Os Bancos de Investimentos:
Os BI captam recursos através de emissão de CDB e RDB, de capitação e
repasse de recursos e de venda de cotas de fundos de investimentos. Esses recursos são
direcionados a empréstimos e financiamentos específicos à aquisição de bens de capital
pelas empresas ou subscrição de ações e debêntures. Os BI não podem destinar recursos
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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

a empreendimentos mobiliários e têm limites para investimentos no setor estatal.

Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimentos:


as "financeiras" captam recursos através de letras de câmbio e sua função é financiar
bens de consumo duráveis aos consumidores finais (crediário). Tratando-se de uma
atividade de alto risco, seu passivo é limitado a 12 vezes seu capital mais reservas.

Sociedade Corretoras:
essas sociedades operam com títulos e valores mobiliários por conta de terceiros. São
instituições que dependem do BACEN para constituírem-se e da CVM para o exercício
de suas atividades. As "corretoras" podem efetuar lançamentos de ações, administrar
carteiras e fundos de investimentos, intermediar operações de câmbio, dentre outras
funções.

Sociedades Distribuidoras:
tais instituições não têm acesso às bolsas como as Sociedades Corretoras. Suas
principais funções são a subscrição de emissão de títulos e ações, intermediação e
operações no mercado aberto. Elas estão sujeitas a aprovação pelo BACEN.

Sociedade de Arrendamento Mercantil:


operam com operações de "leasing" que tratam-se de locação de bens de forma que, no
final do contrato, o locatário pode renovar o contrato, adquirir o bem por um valor
residencial ou devolver o bem locado à sociedade. Atualmente, tem sido comum
operações de leasing em que o valor residual é pago de forma diluída ao longo do
período contratual ou de forma antecipada, no início do período. As Sociedades de
Arrendamento Mercantil captam recursos através da emissão de debêntures, com
características de longo prazo.

Associações de Poupança e Empréstimo:


são sociedades civis onde os associados têm direito à participação nos resultados. A
captação de recursos ocorre através de caderneta de poupança e seu objetivo é
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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

principalmente financiamento imobiliário.

Sociedades de Crédito Imobiliário:


ao contrário das Caixas Econômicas, essas sociedades são voltadas ao público de maior
renda. A captação ocorre através de Letras Imobiliárias depósitos de poupança e
repasses de CEF. Esses recursos são destinados, principalmente, ao financiamento
imobiliário diretos ou indiretos.

Investidores Institucionais:
os principais investidores institucionais são: Fundos Mútuos de Investimentos: são
condomínios abertos que aplicam seus recursos em títulos e valores mobiliários
objetivando oferecer aos condomínios maiores retornos e menores riscos.

Entidades Fechadas de Previdência Privada:


são instituições mantidas por contribuições de um grupo de trabalhadores e da
mantenedora. Por determinação legal, parte de seus recursos devem ser destinados ao
mercado acionário. Seguradoras: são enquadradas coo instituições financeiras segundo
determinação legal. O BACEN orienta o percentual limite a ser destinado aos mercados
de renda fixar e variável.

Companhias Hipotecárias:
dependendo de autorização do BACEN para funcionarem, tem objetivos de
financiamento imobiliário, administração de crédito hipotecário e de fundos de
investimento imobiliário, dentre outros.

Agências de Fomento:
sob supervisão do BACEN, as agências de fomento captam recursos através dos
Orçamentos públicos e de linhas de créditos de LP de bancos de desenvolvimento,
destinando-os a financiamentos privados de capital fixo e de giro.

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Bancos Múltiplos:
como o próprio nome diz, tais bancos possuem pelo menos duas das seguintes carteiras:
comercial, de investimento, de crédito imobiliário, de aceite, de desenvolvimento e de
leasing. A vantagem é o ganho de escala que tais bancos alcançam.

Bancos Cooperativos:
são verdadeiros bancos comerciais surgidos a partir de cooperativas de crédito. Sua
principal restrição é limitar suas operações em apenas uma UF, o que garante a
permanência dos recursos onde são gerados, impulsionando o desenvolvimento local.

Outros Intermediários Financeiros


São também intermediários do Sistema Financeiro Nacional:
 Administradoras de Consórcio;
 Sociedades corretoras de câmbio;
 Sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários;
 Sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários.

Instituições Auxiliares
Também compõem o Sistema Financeiro Nacional, como entidades
operadoras auxiliares, as entidades administradores de mercados organizados de valores
mobiliários, como os de Bolsa, de Mercadorias e Futuros e de Balcão Organizado.
Além das entidades relacionadas acima, também integram o SFN as
companhias seguradoras, as sociedades de capitalização, as entidades abertas de
previdência complementar e os fundos de pensão.

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

5) Multiplicador Keynesiano

OBS: A partir de um determinado nível de renda, o aumento dos


rendimentos gera um acréscimo de consumo numa proporção menor.

A Propensão marginal a consumir (c) mede quanto se incrementa no


consumo de uma pessoa quando há um acréscimo em sua renda disponível (a renda
disponível depois do pagamento dos impostos) em uma unidade monetária.
Se a propensão marginal a consumir é 1, o indivíduo gasta
completamente toda a nova renda que adquire. Se fosse 0, então pouparia toda a nova
renda.

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Multiplicador sem Governo e economia fechada: 1/(1-c)


Multiplicador com Governo: 1/1-c(1-t)
Multiplicador com economia aberta: 1/[1-c(1-t)+m]
Propensão marginal a poupar. s=(1-c)
Explicando de outra forma: Keynes se contrapõe à Lei de Say através do
princípio da demanda efetiva, uma vez que para ele a ideia que toda oferta gera sua
própria demanda não se aplicava para as novas sociedades industriais. Ao separar a
demanda agregada em investimento (I) e consumo (C) torna-se possível demonstrar que
a oferta inicial pode ser diferente da demanda final, ou seja, ao contrário dos clássicos, é
a demanda, ou melhor, as expectativas da demanda, que determinam a oferta.
Sabe-se que o consumo tende a crescer com uma elevação da renda e que
o crescimento menos proporcional daquele permite a poupança de uma maior parcela da
renda. Nos moldes primitivos essa poupança seria o próprio investimento, o que
significa que a oferta, nesse caso gera sua própria demanda. Mas o contexto em uma
economia monetária, a poupança se transforma, ex-ante, em ativos financeiros que
podem ou não ser transformados em investimentos: o ponto de equilíbrio não decorre
mais da poupança, mas do investimento realizado.
Logo, decorrente da função consumo, é a renda e, consequentemente , o
consumo e a poupança ex-post que decorrem do investimento e não o inverso.
Sendo:
Y = renda ou produto;
DA = demanda agregada;
C = consumo;
I = investimento;
S = poupança:
c (>0 e <1) = propensão marginal a consumir;
A = uma constante;
para Y = DA = C + I,
com C = A +cY,
obtem-se: Y = A + cY + I
Y -cY = Y(1-c) = A + I, onde, Y = (A+ I)
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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

1/(1-c)
Como C + S = Y: Y - C = S = I
O multiplicador Keynesiano, em negrito, multiplica o gasto autônomo
mais o investimento, determinando a renda. O aumento do gasto autônomo através do
investimento provoca tanto um aumento na demanda agregada como uma elevação da
renda através da propensão a consumir.
Assim sendo sempre que I se eleva, ocorre um aumento multiplicado da
renda até que, dado c, tem-se uma S equivalente ao I. Da mesma forma, mantido I
constante, caso se busque aumentar S , reduzindo-se C, reduz-se o multiplicador,
provocando queda na renda até que S se equilibre com I. A ideia é que I determina DA
e consequentemente o nível de renda e nível de emprego.
Com baixo I, renda e demanda são baixas e nível de emprego também,
independente do nível salarial dos trabalhadores. Isso caracteriza desemprego
involuntário, onde a tentativa de ampliar uma S baixa para ampliar o I, como se suponha
a ortodoxia neoclássica, só piora a situação. Para Keynes, os empresários se envolvem
em dois tipos de decisões: quanto produzir - quanto contratar de mão-de-obra para
operar a capacidade produtiva existente - e quanto investir, ou seja, quanto gastar para
ampliar essa mesma capacidade.
No curto prazo as decisões são tomadas pelas expectativas de demanda
em termos imediatos: com crescimento das vendas e queda nos estoques, amplia-se a
produção e vice-versa. No curto prazo, portanto, a lógica é baseado no princípio da
demanda efetiva. No longo prazo a decisão não é imediata e nem confiável: ocorre
comparação entre expectativa de rendimentos futuros e o custo do investimento.

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

6) A Destruição Criadora em Schumpeter

Para Schumpeter, a dinâmica capitalista se dá de forma cíclica e a


inovação tecnológica é o determinante do desenvolvimento. Assim, a inovação explica
o desenvolvimento e o ciclo.
Fundamentada na herança do equilíbrio geral, a teoria de Schumpeter
está centrada na noção de dois momentos de equilíbrio. A economia caminha entre
fluxos circulares definindo momentos de ruptura e mudança, onde a inovação tem
posição central.
Para o autor não faz sentido falar em livre circulação da informação. Não
é verificado na prática que todos sabem fazer tudo, todo o tempo. Para corroborar com
esta visão, Moreira observa que, “no mercado [...], contrariamente à suposição
neoclássica, a tecnologia não é perfeitamente comerciável. Embora o conhecimento
possa sê-lo, a capacidade de fazer uso eficiente [...] não é” (MOREIRA, 1995, p. 38).
O fluxo circular é um momento da sociedade, onde esta apenas se
reproduz, refazendo o equilíbrio. Assim, as formas de produção, nível de renda e
emprego, relações sociais etc. se reproduzem indefinidamente numa rotina letárgica. As
mudanças que podem ocorrer são apenas problemas friccionais de mera adaptação – o
crescimento vegetativo. Desta forma, no fluxo circular, o capitalista se reduz a um
organizador da produção.
Com isso, as categorias capitalistas vão esvaecendo e a economia se
transforma num jogo de soma zero. É a inovação que vai tirar a economia do fluxo
circular.
O estímulo para o início de um novo ciclo econômico viria de inovações
tecnológicas introduzidas por empresários empreendedores, pois, sem eles a economia
se manteria em equilíbrio estático, onde as próprias categorias capitalistas lucro e juros
desaparecem.
Para Schumpeter, inovação não se restringe à invenção e patentes;
admite outras formas como sejam a descoberta de novas matérias primas ou novas
fontes de aprovisionamento, a inovação de mecanismos de tratamento e transporte de
mercadorias, inovações organizativas nas empresas ou no comércio. Mas para que as
85
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

inovações se tornarem importantes, a ponto de influírem na evolução econômica, elas


têm de materializar-se (em equipamentos renovados e/ou empresas novas ou
reorganizadas e/ou processos produtivos ou procedimentos renovados e/ou novos
produtos) e para tal requerem uma componente subjetiva, personificada num
empreendedor que introduz a inovação e é depois seguido por muitos outros, atraídos
pelo exemplo de sucesso.
Um exemplo eventualmente surpreendente é o procedimento ou a
reorganização do funcionamento de mercado designado "just in time" que, uma vez
surgido na indústria automóvel, se espalhou pelos mais variados sectores industriais.
Gera-se como ficou dito uma avalanche de inovações, com repercussão na afluência de
crédito para o sector econômico emergente, enquanto os sectores tradicionais são
penalizados. Segue-se uma expansão econômica, multiplicação de novas empresas,
aumento de crédito e investimento, de receitas e de emprego, e subida de preços. É a
"prosperidade".
Partindo da ruptura causada pelo empresário visionário que obteve
recursos e introduziu mudança significativa na forma de produção ou na estrutura
mercadológica, há, graças à inovação primária , uma forte onda de investimentos num
processo de destruição de antigas estruturas e criação de novos arranjos no sistema
capitalista.
A isto segue uma onda secundária, onde inovações de segunda ordem
são introduzidas. As taxas de crescimento permanecem positivas, porém declinantes.
Neste momento, os processos de difusão e cópia levam toda a economia às inovações
que se cristalizam, e a economia tende a voltar para a situação de fluxo circular, até que
apareça uma nova ruptura e o ciclo se reinicie.
Portanto, surgem duas situações de equilíbrio intercaladas por um
momento de ruptura e destruição criativa. Assim, Schumpeter reflete sobre o
desenvolvimento econômico capitalista, conseguindo trabalhar a mudança de qualidade
no sistema e o surgimento de ciclos de crescimento.
Schumpeter apresenta uma teoria sobre a evolução da dinâmica
capitalista e sobre as consequências da inovação, mas o debate sobre a gênese da
inovação vai ser abordado pelos autores chamados de Neo-Schumpeterianos.
86
Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

Esta corrente de autores pretende romper com os pressupostos


metodológicos tradicionais e inserir uma noção de trajetória ao invés de equilíbrio.
Partem então para uma análise evolucionária, onde os modelos buscam compreender
através das busca por inovações as estratégias temporais das empresas que, neste
ambiente, são o ponto de partida, dado que há apenas uma racionalidade limitada dos
agentes e não uma racionalidade maximizadora neoclássica.

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Notas de aula – Introdução à Economia II - Macroeconomia

7) REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

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