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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS

INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE

Farmacologia
Das Doenças Renais

Prof. Dr. Marcelo Duzzioni


Laboratório de Neurofarmacologia e Fisiologia Integrativa
marceloduzzioni@hotmail.com
INTRODUÇÃO

➢ Rim:

- Em forma de grão de feijão;

- Situado fora da cavidade peritoneal, um de cada lado


da coluna vertebral, ao nível da 12ª vértebra torácica à
terceira vértebra lombar;

- No adulto, possui de 10 a 12 cm de comprimento, 5 a 6


cm de largura e 2,5 cm de espessura, e pesa cerca de
113 a 170g.
INTRODUÇÃO

➢ Funções do rim:

- Excreção de produtos de degradação, como ureia,


ácido úrico e creatinina;

- Regulação do conteúdo de NaCl, de eletrólitos e do


volume do líquido extracelular;

- Equilíbrio ácido-base.
INTRODUÇÃO

➢ A composição do filtrado renal assemelha-se a do plasma,


sendo a principal diferença a quantidade muito pequena
de proteínas ou de substâncias ligadas às proteínas.

➢ Cerca de 99% do filtrado renal são reabsorvidos, enquanto


algumas substâncias são secretadas.

Volume de urina 1,5 L


INTRODUÇÃO

• Valores para um adulto jovem sadio (taxa de filtração glomerular, 125 mL/min)
• 1 mEq = 1mmol para íons monovalentes
FÁRMACOS QUE ATUAM SOBRE O RIM
FÁRMACOS QUE ATUAM SOBRE O RIM

1) Diuréticos Osmóticos.

2) Diuréticos de Alça.

3) Diuréticos Tiazídicos.

4) Diuréticos do Ducto Coletor (Poupadores de K+).


1) DIURÉTICOS OSMÓTICOS

➢ Substâncias que são facilmente filtradas no glomérulo,


sofrem limitada reabsorção pelos túbulos renais e são, do
ponto de vista farmacológico, relativamente inertes.

↑ Pressão osmótica intraluminal


1) DIURÉTICOS OSMÓTICOS

➢ Reduzem a reabsorção de água em regiões no interior do


néfron permeáveis a água (no TCP, no ramo descendente
da alça de Henle e nos DC).

➢ Pode algumas vezes resultar em:


- Hipernatremia (↑ [Na+] sangue)
- Natriurese vigorosa
1) DIURÉTICOS OSMÓTICOS

➢ Fármacos:

Manitol e ureia devem ser administrados intravenosamente.


1) DIURÉTICOS OSMÓTICOS

➢ Usos terapêuticos:

- Síndrome do desequilíbrio da diálise.

Causa desconhecida, mas acreditasse que seja por causa da rápida remoção
de ureia do sangue.
Carcateriza-se por confusão mental, cefaleia, náuseas, vômitos, tremores,
agitação, delírio, contrações musculares ou mesmo crise convulsiva
generalizada.
1) DIURÉTICOS OSMÓTICOS

➢ Usos terapêuticos:

Por ↑ a pressão osmótica, extraem água dos olhos e cérebro

- Controle da pressão intraocular durante ataques agudos


de glucoma e para reduções de curta duração na pressão
intraocular pré-operatória e pós-operatória.

- Manitol e ureia são usados para reduzir edema cerebral


antes e após neurocirurgia.
2) DIURÉTICOS DE ALÇA

➢ Mecanismo de ação:

Bomba Na+/K+-ATPase
Sistema de co-transporte
Na+/K+/2Cl-
Sistema de co-transporte
de K+/Cl- eletroneutro

Reabsorção:
Ca++
Mg++
K+
2) DIURÉTICOS DE ALÇA

➢ Mecanismo de ação:

- Além de inibir a reabsorção de Na+, ocorre ↓ na


rebasorção de Ca2+ e Mg2+, secreção ↑ K+
(hipopotassemia).
2) DIURÉTICOS DE ALÇA

➢ Fármacos:
- Furosemida (Protótipo, Lasix®);
- Bumetanida (Bumex®); Derivados da sulfonamida
- Torsemida (Demadex®);
- Ácido etacrínico (Edecrin®).
2) DIURÉTICOS DE ALÇA

➢ Fármacos:

Além da potência a incidência de alergias difere entre os diferentes fármacos


2) DIURÉTICOS DE ALÇA

➢ Efeitos indesejados:

- Perda de K+, resultando em hipocalemia;

- Alcalose metabólica, devido a excreção de H+;

- Depleção de íons divalentes, em particular Ca2+ e Mg2+;

- Não relacionados as ações renais:


• Náusea;
• Reações alérgicas (em especial os derivados da
sulfonamida);
• Surdez (complicado com o uso concomitante de
aminoglicosídio).
2) DIURÉTICOS DE ALÇA
Disfunção glomerular;
Causa: diabetes, lúpus e
➢ Usos clínicos: imunocomplexos;
Caracteriza-se por
proteinúria, edema,
hipoalbuminemia e
hipercolesterolemia.

Insuficiência Renal Aguda


(IRA), mas não há
evidências que o ↑ do
débito urinário, promovido
pelos diuréticos de alça,
aumente a recuperação
das células epiteliais renais
do evento isquêmico ou
tóxico que precipitou a IRA.
3) DIURÉTICOS TIAZÍDICOS

➢ Mecanismo de ação:

Túbulo Contorcido Distal (TCD)

Bomba Na+/K+-ATPase
Sistema de co-transporte
Na+/Cl-
Sistema de co-transporte
de K+/Cl- eletroneutro
3) DIURÉTICOS TIAZÍDICOS

➢ Fármacos:

Protótipo
3) DIURÉTICOS TIAZÍDICOS

➢ Considerações Gerais:

- Promovem ↑ na reabsorção transcelular de Ca2+;

Em ambos os efeitos, o mecanismo de ação é desconhecido.

- A Hidroclorotiazida ↓ a tolerância a glicose e pode


desmascarar a presença de diabetes.
3) DIURÉTICOS TIAZÍDICOS

➢ Efeitos indesejados:

- Ocorrência de efeitos indesejados graves é rara;


- Depleção de K+;
- Alcalose metabólica;
- ↑ [ácido úrico]plasmática.
- Não relacionados às ações renais:
• Hiperglicemia;
• ↑ do colesterol plasmático;
• Impotência masculina (reversível);
• Hipersensibilidade.
3) DIURÉTICOS TIAZÍDICOS

➢ Usos terapêuticos:
4) DIURÉTICOS DO DUCTO COLETOR

➢ Mecanismo de ação: Impedem a reabsorção de Na+ no


DC.

Antagonistas dos
canais de Na+

Antagonistas da
aldosterona
4) DIURÉTICOS DO DUCTO COLETOR

➢ Mecanismo de ação: Por que impedir a reabsorção de


Na+?

Reabsorção de Na+ - +
despolariza a
membrana apical. - +
- +
- +
- +
- +
- - ++
4) DIURÉTICOS DO DUCTO COLETOR

➢ Fármacos:

• Amilorida e Trianterona:

- São utlizados no tratamento da hipertensão;


- Podem causar hipercalemia;
- Podem diminuir a secreção de H+, levando ao
desenvolvimento de acidose metabólica.
4) DIURÉTICOS DO DUCTO COLETOR

➢ Fármacos:

• Espironolactona:

- Desconforto gastrintestinal são frequentes;


- Pode causar hipercalemia;
- Podem diminuir a secreção de H+, levando ao
desenvolvimento de acidose metabólica;
- Usada na insuficiência cardíaca, hiperaldosteronismo
primário (síndrome de Conn) e secundário (causada por
cirrose hepática complicada por ascite.
CONCLUSÃO

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DOENÇAS RENAIS

➢ Insuficiência Renal Aguda

➢ Doença Renal Crônica


INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA (IRA)

➢ Perda, de maneira súbita, da função renal.

➢ Caracterizada pela anúria (< 100 mL/24h) ou oligúria (100


a 400 mL/24h).

➢ Considerada uma doença do paciente hospitalizado.

Taxa de mortalidade é elevada!


(> 50%)
INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA (IRA)

➢ Causas:

• Pré-renal: Hipovolemia (hemorragia e sobrecarga de diuréticos),


Diminuição do débito cardíaco (arritmia e insuficiência cardíaca
congestiva), Vasodilatação periférica, Vasoconstrição renal e
fármacos (AINEs e IECA).

• Renal: Hemodinâmicas (hemorragias e politraumatismos),


Nefrotóxicas (aminoglicosídeos, AINEs, sulfas, aciclovir, metais
pesados), Doenças glomerulares e vasculares (glomerulonefrites)
e Nefrite intersticial aguda.

• Pós-renal: Obstrução bilateral dos ureteres (tumores da próstata


e cálculos), Obstrução em bexiga e Obstrução uretral.
INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA (IRA)

➢ Sintomas:
• Náuseas, vômitos, hipertensão, edema, contrações
musculares, alterações da consciência e até coma.

➢ Deve ser evitada ou tratada para que as lesões não se


tornem irreversíveis.

➢ Tratamento:
• Suporte nutricional (pacientes apresentam alto risco
para desenvolver desnutrição: hipercatabolismo e
redução na ingesta de alimentos);
• Diálise;
• Fármacos (manitol, furosemida e dopamina) →
questionável!
DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC)

➢ Alteração na taxa de filtração glomerular (TFG < 60


mL/min/1,73 m2 ou TFG > 60 mL/min/1,73 m2, mas
associada a presença de lesão parenquimatosa, e.g.,
proteinúria) mantida por pelo menos 3 meses.

➢ Causas mais frequentes:


• Nefropatia hipertensiva;
• Nefropatia diabética;
• Glomerulonefrites crônicas;
• Doença renal policística (hereditária).
DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC)

➢ Mecanismos comuns às diversas causas de DRC:


DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC)

Proteinúria

Fibrose Renal
DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC)

➢ Sinais e sintomas:
DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC)

➢ Sinais e sintomas:

• Hipertensão:
O controle adequado da hipertensão arterial sistêmica (HAS) é o
principal fator implicado no retardo da progressão da DRC em
suas mais diversas etiologias, além de ser importante em diminuir
o dano causado a outros órgãos-alvo.

• Dislipidemia:
Altos níveis sanguíneos de VLDL e baixos de HDL.

• Alterações hematológicas:
Anemia (Hb < 13,5 g/dL nos ♂ e < 12 g/dL nas ♀). Causa:
Deficiência na produção de eritropeitina (redução da massa
eritrocitária → anemia normocrômica e normocítica).
DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC)

➢ Sinais e sintomas:

• Alterações osteometabólicas:

Retenção de fósforo e hiperfosfatemia;

Déficit de vitamina D (diminuição da produção de 1,25-(OH)


vitamina D3);

Hipocalcemia;

Alterações funcionais nos receptores de cálcio e vitamina D das


paratireoides; Resistência óssea à ação do PTH
(hiperparatireoidismo).
DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC)

➢ Tratamento:

• Controle da Hipertensão Arterial:

É a medida nefroprotetora mais importante e eficaz;

Todas as classes de anti-hipertensivos podem ser utilizadas na


DRC;
DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC)

➢ Tratamento:

• Controle da Hipertensão Arterial:

Entretanto, inibidores da enzima conversora de angiotensina


(IECA) e antagonistas do receptor de angiotensina 1 (AT1)
apresentam um papel nefroprotetor → efeitos sobre as arteríolas
eferentes e vias inflamatórias e fibrogênicas.

IECA e AT1 usados como monoterapia.


DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC)
Renina:
Secretada pelo aparelho
justaglomerular

↓ pressão de perfusão renal


↓ [Na+] no TCD
Agonistas β-adrenérgicos
PGI2

Angiotensina II
Peptídio natiurético atrial
DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC)

➢ Tratamento:

• Controle da Hipertensão Arterial:

Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA),


exemplos:

- Captopril (protótipo);
- Enalapril;
- Ramipril;
- Lisinopril.
DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC)

➢ Tratamento:

• Controle da Hipertensão Arterial:

Antagonistas do receptor de angiotensina 1 (AT1), exemplos:

- Losartan;
DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC)

➢ Tratamento:

• Controle glicêmico

• Controle do peso

• Controle de outros fatores de risco (sedentarismo e


tabagismo)

• Orientação nutricional
DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC)

➢ Tratamento:

• Distúrbios do cálcio, fósforo, vitamina D e PTH:

Hipocalcemia → reposição de cálcio (carbonato ou acetato de


cálcio);

Hiperfosforemia → dieta ou quelantes de fósforo (níveis séricos >


5,5 mg/dL): 1) a base de cálcio (carbonato e acetato de cálcio); 2)
a base de alumínio (hidróxido de alumínio); e 3) aqueles sem
cálcio e sem alumínio (Cloridrato de Sevelamer);

Vitamina D → Ergocalciferol oral ou intramuscular;

PTH → vitamina D ativa (calcitriol ou análogos sintéticos).


DOENÇA RENAL CRÔNICA (DRC)

➢ Tratamento:

• Distúrbios hematológicos:

Eritropoietina recombinante humana na dose 80 a 100 UI/kg


dividido em 2 a 3 doses/semana, preferencialmente por via
subcutânea (ou 120 a 180 UI/kg, se administração endovenosa).

Os índices hematimétricos devem ser reavaliados


periodicamente.
ESQUIZOFRENIA

OBRIGADO!