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AS SUBJETIVIDADES DA REALIDADE VIVENCIADA NO

ESPAÇO RIBEIRINHO: JUVENTUDE E GÊNERO NA COMUNIDADE DE NAZARÉ”

Elisângela Ferreira Menezes1


Rúbia Elza Martins de Sousa 2

Resumo: O Artigo pretende elucidar sobre a cultura ribeirinha de Porto Velho e suas relações com a juventude e
gênero. Este é parte da pesquisa de mestrado em geografia que foi realizado entre 2012 e 2014 na Universidade Federal
de Rondônia. O Distrito de Nazaré localiza-se a beira do Rio Madeira há 150 km da Capital Porto Velho-RO. Nazaré é
um Distrito de Porto Velho e possui dez comunidades próximas, mas a sede fica em Nazaré, lá se encontra cerca de
40% da população. Em relação a outros distritos do Baixo- Madeira, Nazaré é o menos populoso. Somando todas as
comunidades são no total cerca de 1.300 moradores. A comunidade de Nazaré era um antigo seringal chamado na época
de Boca do Furo, era composto por 25 Famílias e surgiu na década de 1940 após o fim do segundo ciclo da borracha.
Portando, a partir das antigas estruturas do seringal Boca do Furo em que havia o barracão e as tabernas onde os
seringueiros pegavam os alimentos, foram se formando um pequeno vilarejo com estrutura comunitária que contava
com escola, posto de saúde, igrejas católicas e evangélicas, associação de produtores, casa de farinha comunitária,
alguns pequenos comércios, centro comunitário e cemitério. (LIMA; SOUZA, 2002, 171). As comunidades que fazem
parte do Distrito de Nazaré são: Vista Alegre, Boa Vitória, Nazaré, Pombal, Tira Fogo, Ilha de Iracema, Bonfim, Santa
Catarina, Laranjal, Conceição de Galera e Papagaios.
Palavras-chave: Gênero. Juventude. Comunidade ribeirinha

Introdução

Antes de dar início ao trabalho em si, ressaltamos a importância de tratar dos temas que
aludem grupos e populações singulares por seu modo de vida. O tema proposto corrobora com
outros estudos realizados neste espaço. Ao longo de 15 anos, o Grupo de Estudos e Pesquisas em
Geografia, Mulher e Relações de Gênero- GEPGÊNERO da Universidade Federal de Rondônia,
vem realizando estudos voltados para a temática das mulheres ribeirinhas, entre outros temas. O que
colabora com o crescimento das pesquisas na região amazônica. O crescimento dos estudos com
populações Tradicionais vem mostrando um diferencial como aporte de valorização das populações
que muitas vezes é marginalizada dentro do campo do saber científico.

O tema juventude surgiu em 2012, em uma pesquisa de Mestrado em Geografia desta


mesma Universidade. O tema sobre juventude ribeirinha é pouco explorado nos estudos
acadêmicos, por esse motivo, nos propomos a esse desafio; Entender as dinâmicas das juventudes
ribeirinhas de Porto Velho, bem como as relações de gênero, entendendo este como produto e
produtor de sentidos e significados das práticas sociais.

Neste breve trabalho buscaremos esboçar sobre o contexto da juventude ribeirinha e as


questões de gênero. Dessa forma, o artigo visa colaborar com um breve relato dos resultados das
pesquisas com juventude ribeirinha, que busca entender as especificidades e singularidades

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Doutoranda em Geografia da Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho, Brasil.
2
Doutoranda em Geografia da Universidade Federal de Goiás, Goiânia, Brasil..

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presentes neste grupo. Este estudo foi realizado durante a pesquisa de Mestrado em Geografia
realizado entre 2012 e 2014 na Universidade Federal de Rondônia.

O contexto das populações ribeirinhas amazônicas: Fronteira étnica, mundo vivido e a


colonialidade

O campo de pesquisa se localiza no Distrito de Nazaré e Boa Vitória, uma comunidade


ribeirinha que fica há 150 km da capital Porto Velho, tendo como pano de fundo as relações de
gênero sendo esse produto e produtor de sentidos que pulverizam as relações sociais. Como aporte
teórico deste tema, dentro do campo teórico, situa-se diversas vozes que produzem conhecimento
sobre o assunto como Nascimento Silva (2004); Motta-Maués (1993); Abramovay (2003); Fraxe
(2005), entre outros.

As populações ribeirinhas de Porto Velho são marcadas pela identidade e invisibilidade, a


primeira é reflexo de grandes movimentos migratórios que ocorreram na região no fim do século
XIX e que também mesclam com a vivência entre os indígenas da região. Como apontado por
Terezinha Fraxe:

O homem amazônico é fruto da confluência de sujeitos sociais distintos —


ameríndios da várzea e/ou terra firme, negros, nordestinos e europeus de diversas
nacionalidades (portugueses, espanhóis, holandeses, franceses, etc) — que inauguram
novas e singulares formas de organização social nos trópicos amazônicos.(FRAXE, 2009,
s.p)

E são estes sujeitos sociais que motivam a pesquisa em questão. Pois na tentativa de
entender suas vivências podemos compreender suas práticas e o que elas significam para eles, como
simbolizam esses elementos no seu cotidiano de vida. Quando se trata da invisibilidade, os
discursos sobre a Amazônia tentam mostrar somente seus aspectos ambientais de fauna e flora,
porém os sujeitos que ali vivem sofrem com os silêncios e ausências, como se ali não houvesse a
presença humana.

O Distrito de Nazaré é uma comunidade que tem características próprias das ocupações do
Baixo- Madeira. Nazaré era um antigo seringal chamado de Boca do Furo, era composto por 25
famílias e surgiu na década de 1940 após o fim do segundo ciclo da borracha. Portando, a partir das
antigas estruturas do seringal Boca do Furo em que havia o barracão e as tabernas onde os
seringueiros pegavam os alimentos, foi formando um pequeno vilarejo com estrutura comunitária
que contava com escola, posto de saúde, igrejas católicas e evangélicas, associação de produtores,

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casa de farinha comunitária, alguns pequenos comércios, centro comunitário e cemitério. (LIMA;
SOUZA, 2002, 171). As comunidades que fazem parte do Distrito de Nazaré são: Vista Alegre, Boa
Vitória, Nazaré, Pombal, Tira Fogo, Ilha de Iracema, Bonfim, Santa Catarina, Laranjal, Conceição
de Galera e Papagaios.
Atualmente o Distrito inclui dez comunidades, mas a sede fica em Nazaré, lá se encontra
cerca de 40% da população. Grande parte de sua população é formada por descendentes de
nordestinos e indígenas que ocupavam a região. A produção destaca-se pelo desenvolvimento da
atividade da pesca onde ainda há um grande potencial, plantios de melancia, mandioca e banana,
extrativismo de frutas como manga, goiaba, banana, açaí, castanha, abacaba, piquiá, tucumã, entre
outros, são produtos da região, e a produção da farinha, que é usada tanto para a venda como para o
consumo da família, a caça é comum para o consumo, mas tem diminuído, pois as restrições das leis
ambientais já não permite essa atividade.
Saindo de Porto Velho, é necessário pelo menos 7 horas de viagem de barco (tipo recreio)
ou 4 horas de voadeira (lancha com motor de 40 HP) para chegar em Nazaré. Esses são os únicos
meios de transporte para locomoção entre a cidade e o Distrito. Com a falta de alternativas de
transporte, muitos problemas podem ocorrer, principalmente no caso de um acidente ou possível
emergência que possa acontecer na comunidade.
Distrito de Nazaré tem se destacado cada vez mais por ser também um polo cultural, durante
todo o ano ocorrem oito festejos e quatro grupos culturais se apresentam durantes estes festejos,
dentre eles temos a existência de um grupo que tem se destacando não só dentro do Distrito, mas já
é conhecido no Estado de Rondônia, o grupo “Minhas Raízes” ganha cada cez mais destaque, pois
sua importância se dá na manutenção e resistência da cultura local, que impulsiona e expressa à
identidade ribeirinha, composta em sua maioria por jovens e crianças, o grupo tem levado o legado
beradeiro, mostrando a importância da tradição, das lendas, danças, histórias que fazem parte da
vivência do povo ribeirinho.
Dentre os dilemas e desafios mais recentes enfrentados pela Comunidade é com as usinas
Hidrelétricas de Santo Antônio e Girau que tem prejudicado suas atividades produtivas como a
pesca e o plantio das roças. A interferência deste tipo de projeto foi agressivo e modificou o ritmo
de vida das populações tradicionais, e os mesmos resistem em não sair de suas propriedades, esse
movimento de resistência é possível identificar em toda região do Baixo-Madeira.
A população também enfrenta mazelas sociais entre seus jovens que é o consumo de drogas
e bebidas alcoólicas, salientou-se um tema polêmico, mas que preocupava os pais, jovens e as

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pessoas mais velhas da comunidade, visto que, era o crescente uso de drogas e bebidas alcoólicas, a
preocupação dos pais é com os adolescentes e jovens que no caminho da escola estavam fazendo o
uso de drogas, o aumento de estabelecimentos que vendem bebida alcoólica também foram
problemas colocados pelos próprios moradores.
A temporalidade da vida ribeirinha é diferenciada, sendo considerado como um povo
“lento”, pois geralmente não vivem a efemeridade da vida urbana e capitalista. É importante
perceber que o termo beradeiro tomou uma conotação negativa como povo preguiçoso, fora do
“padrão” hegemônico defendido pelos grupos dominantes que colonizaram nossa região.
Trataram de subalternizar o beradeiro e reduzi-lo apenas no “mestiço ou índio preguiçoso”.
Seus conhecimento e práticas, os saberes-fazeres são ainda vistos como inferiores, sem necessidade,
sem valor. O que remonta a ideia de desvalorização do saber tradicional como estratégia de
dominação na qual se apresenta o aspecto da colonialidade.
A vida ribeirinha em essência, não se preocupa em acumular bens, pois há um processo de
interiorização de práticas tradicionais. Eles têm uma relação íntima e diferenciada com a natureza.
Esses elementos fazem parte de suas construções simbólicas e também oferece elementos da vida
material, com isso criam um laço com o lugar, o espaço em que vivem faz parte do imaginário e é
marcado por uma forte afeição pelo espaço habitado. Nesse entendimento:

(...) os ribeirinhos que organizam seu modo de vida segundo movimento das cheias e
vazante dos rios, lagos, paranás, igapós, furos e igarapés. Cada uma dessas categorias
possui sua própria forma de se organizar e produzir seu espaço. O modo de ser ribeirinho
está caracterizado por uma concepção de natureza diferente, por integrar em seu modo de
vida os elementos essenciais disponíveis: as águas e as matas e desses elementos
estabelecer suas estratégias de sobrevivência, seus valores éticos, estéticos e seus sonhos.
(NASCIMENTO SILVA, 2004, p.22).

Nesse aspecto, o viver “ribeirinho” está relacionado não somente em morar à beira do rio,
mas, sobretudo está apoiado em vários elementos materiais e imateriais característicos do seu modo
de vida. Seu olhar e percepção de mundo são diferenciados. O beradeiro é a identidade negada,
pela existência de sujeitos que não vivem a lógica do capital.
Como já mencionado, o fato de que durante as últimas décadas do século XX e mesmo até
os dias de produção deste trabalho o “beradeiro” era categoria pejorativa na fala do rondoniense
como alguém “pouco instruído, preguiçoso e ignorante” e muitas vezes “incapaz de aprender certas
coisas”. O movimento beradeiro tem recuperado o orgulho de ser da beira do rio e as riquezas desta
cultura.

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Dentre os dilemas mais recentes enfrentados pela Comunidade é a existência das usinas
Hidrelétricas de Santo Antônio e Girau que provocou drásticas mudanças em suas atividades, tanto
no que se refere às atividades produtivas como a pesca e o plantio das roças como na forma de
subjetividade construída social e cultural por esses povos. Com o projeto de desenvolvimento
capitalista e sua agressividade tem modificado constantemente o ritmo de vida das populações
tradicionais.
Retomamos o entendimento de que quanto maior a distância do centro, nos referindo ao
centro urbano do poder, mais os grupos são marginalizados geo/politico e economicamente, isto
significa que, Porto velho e suas áreas rurais são tratadas como periferias do Brasil, nós como o
outro na visão do centro-sul do Brasil, como subalternos e inferiores povos amazônicos.
Os grupos externos utilizam-se deste espaço como local de apropriação dos recursos naturais
e humanos, até mesmo dos conhecimentos em forma pesquisas, porém utiliza-se desprezando os
sujeitos sociais que aqui vivem. Isso nos mostra muito sobre os sujeitos do terceiro mundo
(SPIVAK, 2010), como são alvo de discursos sem que eles mesmos possam falar. Por isso, defende-
se a ideia de que o ribeirinho é incapaz de falar, suprime-se sua capacidade de falar para que este
possa ser o objeto da fala do outro.

Representações de gênero e Juventude Ribeirinha em Nazaré: Ressonâncias da


identidade amazônica

As representações de gênero e juventude de Nazaré estão intimamente ligadas com suas


construções socioculturais. Quando se trata da juventude, pode-se entender que as fases da vida
estão atreladas à processos historicamente e culturalmente construídos. Por isso, o momento de
refletir sobre uma dada fase da vida, requer uma visão macro do processo histórico e espacial da
realidade.
As fases da são marcadas por “ritos de passagem”, esses eventos remetem a uma transição
de um momento da vida. O nascimento, a menstruação, casamento, primeiro emprego, enfim.
Construímos e marcamos essas fases em nossa vida com elementos subjetivos e objetivos
entrelaçando o cotidiano do nosso espaço vivido.
Pensar em transições das fases da vida em culturas diversas significa pensar de que forma
elas interagem com as mudanças ocorridas em uma escala maior, convivendo em um mundo
globalizado, e capitalista. Possivelmente, podemos encontrar heterogeneidades nas formas de ver e
pensar cada fase de vida do indivíduo.

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Igualmente, pode-se observar que nas comunidades ribeirinhas da Amazônia, esses
processos podem apresentar características próprias, isso não significa afirmar os jovens também
não interagem com outras culturas, mas a partir de referências urbanas, pode-se expressar práticas
de assimilação e/ou rejeição. Portanto, a juventude rural está marcada por elementos de mudanças e
permanências.
Ao tratar sobre as questões de gênero em Nazaré, elucida-se ao conceito que remete as
representações do ser em uma sociedade, homem, mulher, gay, lésbica, transexual. São identidades
marcadas por elementos socioculturais. Buscamos entender alguns elementos importantes para a
vida das moças e dos rapazes que sobre suas questões que refletem em suas vivências. As relações
de gênero surgem como um aporte teórico de estudo que demonstra a importância dos estudos
dentro do campo do saber científico. (SILVA, 2008) considera que os gêneros são construídos
socialmente, onde não existe uma universalidade. Ela também descreve que o gênero “é entendido
enquanto um conceito/representação, e enquanto representação, uma construção social
permanentemente renovada, diferenciada espacial e temporalmente”, (SILVA, 2007).

Sobre a vida cotidiana na comunidade, há uma diversidade de pensamentos, há joens que


querem permanecer na comunidade, em outros surgem o desejo de conviver em um ambiente
urbano. Tanto nas opiniões de moças como dos rapazes percebe-se o desejo de ficar na
comunidade. Um grande dilema para eles situa-se no campo profissional. Pelo desejo de realização
profissional, muitos jovens vão em busca de trabalho nas zonas urbanas.

Em grande parte há uma negação dos jovens em vivenciar a dinâmica do trabalho agrícola,
pois de um modo geral, há uma desvalorização do trabalho agrícola gera também uma
descontinuidade, pois os jovens não querem continuar as atividades dos pais. Permanece quem é
trabalhador rural é visto como inferior ao restante dos trabalhadores. Por isso, há certa resistência
entre os jovens de buscarem seu sustento por meio do trabalho agrícola, pela pesca ou extrativismo
que são atividades características dos ribeirinhos.
Há uma identificação com as práticas tradicionais da comunidade, mas há também certa
negação de expressar suas particularidades, por medo e vergonha de ser discriminado pela
população urbana Esse fato não significa que eles rejeitem a vida do campo, mas como aborda
Wanderley (2000), a vida no campo é um espaço de vida singular, constituído a partir de dinâmicas
sociais internas e externas que aproxima os membros de uma comunidade rural, porem interage
com as complexidades da vida moderna em espaços urbanos. Brumer (2007, p.38). Há também uma

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tendência dos rapazes se envolverem mais nos trabalhos dos pais, enquanto as moças se restringem
ainda a atividade doméstica, quando estávamos percebemos no trabalho de campo que as moças
saem pouco de casa, a elas são atribuídas atividades que lhe restringem ao espaço da casa,

Divisão do trabalho: trabalhos de homens e trabalhos de mulheres

A realidade das comunidades rurais está atrelada no trabalho com a terra. No caso de Nazaré
está presente o cultivo principalmente da melancia e mandioca, como já mencionado os jovens não
demostram o interesse de continuar a profissão dos pais. Outrossim, temos uma característica
comum no envolvimento dos jovens com o trabalho, de um modo geral eles acabam buscando
alternativas dentro do contexto sociocultural para obterem renda. No quadro abaixo temos um
resumo das atividades desenvolvidas pelos jovens conforme o gênero.

Homens Mulheres

Pesca Pesca

Plantios de roça (mandioca, melancia, banana); Extrativismo de frutas; produção de farinha;


extrativismo; comercialização da farinha; criação de criação de pequenos animais
animais de grande porte.

Garimpo (mandador, mergulhador, mecânico, Garimpo (cozinheira, prostituição)


outros).

Transporte fluvial (bandeirinha, operador de Transporte fluvial(cozinheira, faxineira)


barco, ajudante/carregador)

Construção de embarcações (canoas, rabetas, Artesanato, fabricação de pães e doces.


barcos de grande porte)

Atividades comerciais Atividades domésticas

Elaborado por (MENEZES, 2017).

As relações de gênero ligado ao trabalho mostra que há uma desigualdade no


reconhecimento da importância do trabalho da mulher, elas em muitos casos acumula várias
atividades durante o dia, e na maioria das vezes o seu trabalho é considerado somente uma ajuda.
Desse modo, há uma disparidade e assimetrias entre trabalhos de homem e trabalhos de mulheres.
Em uma análise sobre o trabalho feminino Nascimento Silva problematiza que:

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Além da responsabilidade de todo trabalho ligado à casa, as mulheres Trabalham nas
atividades da agricultura juntamente com seus companheiros. Embora elas desempenhem
atividades na lavoura juntamente com homens, seus companheiros consideram a atuação
feminina no trabalho agrícola como “ajuda” e não propriamente como um trabalho
produtivo. Isso se reflete nas tomadas de decisões sobre a propriedade que, em geral, são
masculinas. O trabalho da mulher rural continua sendo considerado apenas na esfera
reprodutiva, invisível e desvalorizado; já o trabalho do homem é ligado a produção e a
comercialização, angariando expressão monetária, o que gera valorização na sociedade.
(NASCIMENTO SILVA, 2011, p.141)

Temos então a expressão dos jovens em relação ao trabalho produtivo, as mulheres por um
lado tem dificuldade de se sentirem valorizadas nas suas atividades produtivas, por ainda imperar o
pensamento patriarcal e sexista dentro do âmbito familiar, e por outro lado, os homens também
expressaram que querem seguir outros caminhos profissionais, por mais que fiquem em Nazaré.
Ainda é muito recente a ideia de empoderamento feminino na comunidade, por isso as relações
ainda tomam esse viés sexista. Sobre a juventude rural Brumer salienta:
Outro aspecto apontado pelas pesquisas sobre os jovens rurais é a predominância de moças
e rapazes que saem das áreas rurais, levando à relativa masculinizarão do campo. Assim,
existem diferenças nos processos de socialização e nas oportunidades de inserção na
atividade agrícola para os rapazes e moças. (BRUMER, 2007, p.39)

Na identidade ribeirinha, o feminino e o masculino ainda passam pelo imaginário sexista e


opostos entre si. Contudo os avanços estão acontecendo, contudo como um processo lento. Nesse
meio elas se manifestam de formas bem sutis, com naturalidade entre seus moradores, as
mentalidades tem se renovado no sentido de ver com mais igualdade ambos os gêneros. Os
estereótipos de identidades que permeiam a nossa sociedade estão em constante mudança, o lazer,
mostra-se como um reflexo da mudança nos papéis e nos estereótipos de gênero.
Os papéis de gênero perpassam pela construção do imaginário cultural dessas populações
bem como em suas práticas tradicionais das representações de gênero: a exemplo o fato das as
meninas quando menstruadas não podem tomar banho de rio, pois há perigo de ser encantada pelo
boto, ou mesmo ser atacada por ele. As mulheres quando grávidas na área ribeirinhas tem uma
série de restrições alimentares para que a crianças não sofram de certos males.

O grafismo indígena que é uma prática em Nazaré só é realizado pelos homens e só pode
preparar o jenipapo (uma espécie de erva que serve para tingir) se não tiver relação sexual, pois para
eles o fato de manter relação pode estragar ou(aguar) o jenipapo. O siringandô que é uma dança
típica de regiões ribeirinhas na qual os papéis de gênero são marcados, o cajueiro e o cajuá do
siringandô representam a mulher tentando capturar o homem.

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Ademais, temos clara que as representações da juventude em Nazaré, refletem um conjunto
de elementos dos quais as questões de gênero propiciam entender que as moças e os rapazes
vivenciam este lugar de formas distintas, mas, ao mesmo tempo compartilham em conjunto
vivências comuns, entre os amigos e familiares.

Considerações Finais

Nestes termos o objetivo deste trabalho foi esboçar sobre o contexto da juventude ribeirinha
e as questões de gênero. Dessa forma, o artigo colaborou com um breve relato dos resultados das
pesquisas com juventude ribeirinha, que busca entender as especificidades e singularidades
presentes nesses grupos que se reflete na própria dinâmica social que eles constroem. Ademais, o
intuito era mostrar que nesta região não existe o “vazio demográfico” que se coloca na mídia e nos
discussões. Evidenciamos que aqui existem as “Amazônias” e que o estudo dessas particularidades
pode contribuir para a abrangência da compreensão da cultura local e a formação da sociedade de
Porto Velho, onde ressaltamos também a importância da Amazônia ser pensada a partir do local
onde a vida acontece. Ressaltamos a importância dos estudos de gênero em regiões rurais, estes
podem revelar que os papéis ainda seguem o padrão tradicional e sexista de desvalorização de um
gênero em relação a outro.

Referências

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The subjectivities of reality lived in riverside space: Youth and Gender in the Community of
Nazaré

Abstract: He article intends to elucidate about the riverside culture of Porto Velho and its relations
with youth and gender. This is part of the masters research in geography that was conducted
between 2012 and 2014 at the Federal University of Rondônia. The District of Nazaré is located on
the Madeira River, 150 km from the Capital of Porto Velho-RO. Nazaré is a district of Porto Velho
and has ten communities nearby, but the headquarters is in Nazaré, where there are about 40% of

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the population. In relation to other districts of Lower Madeira, Nazaré is the least populous.
Summing up all the communities are in total about 1,300 residents. The community of Nazaré was
an old rubber ranch called in the time of Boca do Furo, it was composed of 25 families and arose in
the 1940s after the end of the second rubber cycle. From the old structures of the rubber grove
where there was the barracks and taverns where the rubber tappers took food, a small village with a
community structure was formed, with a school, a health center, Catholic and evangelical churches,
Association of producers, community flour house, some small trades, community center and
cemetery. The communities that are part of the District of Nazaré are: Vista Alegre, Boa Vitória,
Nazaré, Pombal, Tira Fogo, Ilha de Iracema, Bonfim, Santa Catarina, Laranjal, Conceição de Galera
and Papagaios (LIMA and SOUZA, 2002, 171).
Keywords: Gender. Youth. Riverside community

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