Você está na página 1de 31

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

<CABBCABCCBBACADAADDAACBDACDAABAAADDA
ADDABCAAD>
EMENTA: INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA -
DIREITO ADMINISTRATIVO – SERVIDORA PÚBLICA DA HEMOMINAS
– INCIDÊNCIA DA GRATIFICAÇÃO DE INCENTIVO À
EFICIENTIZAÇÃO DOS SERVIDORES (GIEFS) PARA CÁLCULO DA
GRATIFICAÇÃO NATALINA – POSSIBILIDADE – PREVISÃO
CONSTITUCIONAL ESPECÍFICA - INTERPRETAÇÃO CONFORME -
ARTS. 39, § 3º C/C ART. 7º, VIII E ART. 6º DA LEI ESTADUAL 9.729/88
– EFEITO CASCATA NÃO INCIDENCIA - REFORMA DA SENTENÇA.
- O art. 7º, VIII, da Constituição Federal, que se aplica aos servidores
públicos em razão da previsão específica no art. 39, § 3º, em
consonância com o art. 6º da Lei Estadual nº 9.729/88, determina que
o décimo terceiro seja calculado com base na remuneração integral,
devendo ser reconhecida a incidência da gratificação de incentivo à
eficientização dos servidores (GIEFS) para cálculo da gratificação
natalina.
- A previsão constante o art. 37, XIV, da Constituição Federal que
veda a incidência de acréscimos pecuniários percebidos por
servidor público para cômputo e acúmulos para fins de concessão
de acréscimos ulteriores, denominada efeito cascata, não é absoluta,
e cede, no que se refere ao décimo terceiro salário, diante do
tratamento diferenciado que segundo a própria Constituição deve ser
calculado sobre o salário global do servidor.

V.V
EMENTA: INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA.
SERVIDOR PÚBLICO. HEMOMINAS. PAGAMENTO DE DÉCIMO
TERCEIRO SALÁRIO. INCLUSÃO DA “GIEFS” NA BASE DE
CÁLCULO.
- A remuneração do servidor público é calculada com base na soma
do vencimento e das vantagens permanentes instituídas por lei.
- Tratando-se de verba transitória, recebida em razão do desempenho
do servidor, a “GIEFS – Gratificação de Incentivo à Eficientização
dos Serviços” não se incorpora à remuneração e, por isso, não deve
ser incluída na base de cálculo do décimo terceiro salário.

Fl. 1/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002 - COMARCA DE


Belo Horizonte - Requerente(s): SEGUNDA CÂMARA CÍVEL DO TJMG
- Requerido(a)(s): ÓRGÃO ESPECIAL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO
ESTADO DE MINAS GERAIS - Interessado: MARCIA MARIA
ABRANTES VARGAS, HEMOMINAS FUNDAÇÃO CENTRO
HEMATOLOGIA HEMOTERAPIA MINAS GERAIS

ACÓRDÃO

Vistos etc., acorda, em Turma, a 1ª Câmara Unif.


Jurisp. Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na
conformidade da ata dos julgamentos, por maioria, em ACOLHER O
INCIDENTE, NOS TERMOS DO VOTO DA 1ª VOGAL, VENCIDOS A
RELATORA E OS 6º E 7º VOGAIS.

DESA. ALBERGARIA COSTA


RELATORA.

DESA. SANDRA FONSECA


RELATORA PARA O ACÓRDÃO
(ART.122, RITJMG)

Fl. 2/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

DESA. ALBERGARIA COSTA (RELATORA)

VOTO

Trata-se de incidente de uniformização de


jurisprudência suscitado pela 2ª Câmara Cível deste Tribunal de
Justiça do Estado de Minas Gerais, envolvendo a incidência da
GIEFS na base de cálculo da gratificação natalina de servidor
público.

O incidente foi distribuído perante os membros da 1ª


Câmara de Uniformização de Jurisprudência Cível, e a mim
sorteado, nos termos no art. 524 do Novo Regimento Interno deste
Egrégio Tribunal.

A Procuradoria-Geral de Justiça ofertou o parecer


de fls.290/297, opinando pelo acolhimento do incidente na forma do
entendimento jurisprudencial majoritário, segundo o qual enquanto o
GIEFS deve incidir como base de cálculo para o pagamento das
gratificações natalinas dos servidores do Hemominas que dele
fazem jus.

É o relato da espécie.

Conheço do presente incidente de uniformização de


jurisprudência, em razão da reconhecida divergência de
entendimento acerca da matéria no âmbito deste Tribunal de Justiça
de Minas Gerais.

Infere-se dos autos que o autor propôs a presente


ação contra a Hemominas, pretendendo incluir a “GIEFS –
Gratificação de Incentivo à Eficientização dos Serviços” na base de
cálculo da gratificação natalina (décimo terceiro salário), bem como
o pagamento das diferenças vencidas.

O núcleo da controvérsia, portanto, reside na


definição da amplitude do conceito de remuneração, a fim de se

Fl. 3/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

verificar a possibilidade de pagamento do décimo terceiro salário


com base nos valores recebidos a título de GIEFS.

Sabe-se que a remuneração não se confunde com o


vencimento. Como ensina Celso Antônio Bandeira de Mello1,
“vencimento é a retribuição pecuniária fixada em lei pelo exercício de
cargo público”, enquanto remuneração é a soma do “vencimento do
cargo mais as vantagens pecuniárias permanentes instituídas por lei”

Com efeito, para incorporação na remuneração,


exige-se que a parcela tenha caráter permanente. Tal não ocorre
com a GIEFS, eis que se trata de uma gratificação transitória,
devida em razão do desempenho do servidor.

É o que dispõe a Lei Estadual nº 11.406/94:

“Art. 112 - A GIEFS será atribuída mensalmente


aos servidores pertencentes ao Quadro de Pessoal
e ao Quadro Especial de Pessoal das fundações
referidas no artigo anterior e àqueles colocados à
disposição dessas entidades, bem como aos
contratados, mediante contrato de direito
administrativo, por essas fundações, e que nelas
estejam em efetivo exercício, considerando-se os
seguintes indicadores e critérios de avaliação:
I - o desempenho institucional, vinculado a metas
de produtividade e de qualidade dos serviços
prestados pelas unidades administrativas;
II - a participação individual do servidor, vinculada
ao seu esforço para a consecução das metas
mencionadas no inciso anterior, à sua qualificação
e à quantidade de trabalho efetivamente
executado.”

“Art. 116 - Farão jus à GIEFS os servidores e os


contratados cujo desempenho, no período
apurado pela avaliação, tenha atingido o padrão

1 Curso de Direito Administrativo, 19ª edição, p. 287.

Fl. 4/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

estabelecido como suficiente no Plano Global de


Avaliação específico de cada entidade.”

Assim, se a GIEFS não se incorpora à remuneração


para todos os fins legais, o pagamento do décimo terceiro salário
não pode ser calculado com base na gratificação.

Isso posto, rogando vênia aos demais pares que


possuem entendimento em sentido diverso, acolho a presente
uniformização no sentido de reconhecer que a GIEFS – Gratificação
de Incentivo à Eficientização dos Serviços não pode integrar a base
de cálculo do décimo terceiro salário, já que não se incorpora à
remuneração para todos os fins legais.

É como voto.

DESA. SANDRA FONSECA

VOTO

Após detida análise dos autos peço vencia para


divergir da eminente relatora, pelas razões que passo a expor:

A controvérsia reside na possibilidade de incidência da


Gratificação de Incentivo à Eficientização dos Servidores (GIEFS) para
cálculo do décimo terceiro salário.

A Gratificação de Incentivo à Eficientização do Serviço


– GIEFS foi instituída pela Lei Estadual nº. 11.406/94, que prevê:

"Art. 111 - Fica instituída a Gratificação de


Incentivo à Eficientização dos Serviços - GIEFS - no
âmbito da Fundação Centro de Hematologia e
Hemoterapia do Estado de Minas Gerais - HEMOMINAS
- e da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais -
FHEMIG.

Fl. 5/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

Art. 112 - A GIEFS será atribuída mensalmente


aos servidores pertencentes ao Quadro de Pessoal e ao
Quadro Especial de Pessoal das fundações referidas no
artigo anterior e àqueles colocados à disposição dessas
entidades, bem como aos contratados, mediante
contrato de direito administrativo, por essas fundações, e
que nelas estejam em efetivo exercício, considerando-se
os seguintes indicadores e critérios de avaliação:

I - o desempenho institucional, vinculado a metas


de produtividade e de qualidade dos serviços prestados
pelas unidades administrativas;

II - a participação individual do servidor, vinculada


ao seu esforço para a consecução das metas
mencionadas no inciso anterior, à sua qualificação e à
quantidade de trabalho efetivamente executado."
Com relação à gratificação natalina, a Constituição
Federal estende tal garantia aos servidores públicos prevendo em seu
parágrafo 3º do art. 39:

Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e


os Municípios instituirão conselho de política de
administração e remuneração de pessoal, integrado por
servidores designados pelos respectivos Poderes.

(...)

§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo


público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV,
XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei
estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando
a natureza do cargo o exigir.
Por sua vez, o art. 7º, VIII, reconhece como direito o
pagamento do décimo terceiro salário, da seguinte forma:

"Art. 7º. - São direitos dos trabalhadores urbanos e


rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:

(...)

VIII - décimo terceiro salário com base na


remuneração integral ou no valor da aposentadoria";

Fl. 6/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

A Lei Estadual nº 9.729/88, e seu art. 6º, em harmonia


com a Constituição da República, reconhece aos servidores a garantia
do pagamento da gratificação natalina, tendo como base a
remuneração global, vejamos:

"Art. 6º - A Gratificação de Natal, instituída pelas


Leis nºs 8.701 e 8.702, ambas de 18 de outubro de 1984,
é devida no valor correspondente à remuneração ou aos
proventos percebidos no mês de dezembro, excetuado o
abono-família, a partir do exercício de 1988".
Como cediço, a remuneração não se confunde com
vencimento, pois, enquanto o "vencimento é a retribuição pecuniária
fixada em lei pelo exercício de cargo público", a remuneração é a soma
do "vencimento do cargo mais as vantagens pecuniárias permanentes
instituídas por lei" (DE MELLO, Celso Antônio Bandeira, in “Curso de
Direito Administrativo”, 19ª edição, p. 287).

Dessa forma, fazendo a interpretação conforme a


Constituição, conclui-se que a gratificação natalina deve ser paga no
valor da remuneração do servidor, devendo abranger além do
vencimento do cargo as vantagens pecuniárias recebidas e instituídas
por lei.

É que, dentro da harmonia do sistema jurídico, em se


tratando de remuneração do servidor, em cuja matéria todo o comando
de validade encontra-se no âmbito Constitucional, é preciso harmonizar
a normatização à Carta Federal.

Assim, a Constituição Federal excepciona a forma de


recebimento do décimo terceiro salário, determinando que a
gratificação natalina seja calculada na forma da remuneração integral,
não podendo se questionar se a GEFIS, por ser uma verba de natureza
transitória, mas recebida durante todo o ano pelo servidor, deve ou não
integrar a remuneração.

Ora, no caso não se discute a integração da verba


para fins de aposentadoria ou concessão de outras vantagens, mas
tão-somente a respeito do cálculo do décimo terceiro salário, que como
dito, em consonância com o padrão constitucional e em conformidade
com a norma estadual, atribui ao servidor a garantia do recebimento no
valor da remuneração global.

Fl. 7/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

O texto constituinte não traz palavras inúteis passíveis


de redução quando interpretadas, principalmente quando se tratam de
direito e garantias, sendo certo que se o art. 7º VIII determinou que o
pagamento do décimo terceiro salário tenha com base a remuneração
integral, deve a sua base de cálculo compreender a quantia total que
percebe o servidor, nela incluída o valor da GIEFS, pago mensalmente
na forma regular.

Nesse sentido, vem posicionando este Tribunal:

ADMINISTRATIVO - AÇÃO ORDINÁRIA DE


COBRANÇA - SERVIDOR PÚBLICO DO HEMOMINAS -
13º SALÁRIO - BASE DE CÁLCULO - REMUNERAÇÃO
INTEGRAL - INCIDÊNCIA SOBRE A GRATIFICAÇÃO -
GIEFS - POSSIBILIDADE - INTELIGÊNCIA DO ART. 7º,
VII DA CR/88.

- O 13º salário deve ser calculado com base na


remuneração integral do servidor, ou seja, vencimento-
base acrescido de gratificações, em razão do que
determina o art. 7º, VII, da CR/88. (Apelação cível nº
1.0024.10.090415-0/001, rel. Des. Vieira de Brito, j.
14/7/2011, p. 26/10/2011).

Administrativo. Servidor Público. Fundação


Hemominas. Gratificação. GIEFS. Base de Cálculo da
Gratificação Natalina.

A Gratificação de Incentivo à Eficientização do


Serviço (GIEFS) concedida aos servidores da
Hemominas compõe a remuneração e deve ser
considerada para a base de cálculo da gratificação
natalina" ( p. 28/8/2011).

"APELAÇÃO CÍVEL - DIREITO


ADMINISTRATIVO - SERVIDOR PÚBLICO -
FUNDAÇÃO HEMOMINAS - GRATIFICAÇÃO DE
INCENTIVO À EFICIENTIZAÇÃO DO SERVIÇO
(GIEFS) - INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA
GRATIFICAÇÃO NATALINA - ART. 7º, VIII, DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL E ART. 6º DA LEI
ESTADUAL 9.729/88 - POSSIBILIDADE - PAGAMENTO
DAS DIFERENÇAS - INEXISTÊNCIA DE REFLEXOS
-RECURSO PROVIDO PARA JULGAR

Fl. 8/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

PARCIALMENTE PROCEDENTE PEDIDO O PEDIDO


INICIAL.

1. A Gratificação de Incentivo à Eficientização dos


Serviços (GIEFS), paga aos servidores da Fundação
HEMOMINAS, compõe a sua remuneração, constituindo,
portanto, base de cálculo da gratificação natalina.

2. Não sendo a gratificação de natal considerada


para cálculo de qualquer outra vantagem, não há que se
falar em reflexos decorrentes do reconhecimento do
direito pleiteado.

3. Recurso a que se dá provimento, para julgar


procedente em parte o pedido inicial" (Apelação cível nº
0904234-42.2010.8.13.0024, rel. Desª Áurea Brasil, j.
30/6/2011).

DIREITO CONSTITUCIONAL - DIREITO


ADMINISTRATIVO - APELAÇÃO - REEXAME
NECESSÁRIO - CONHECIMENTO DE OFÍCIO -
SERVIDORA PÚBLICA DA HEMOMINAS - DÉCIMO
TERCEIRO SALÁRIO - BASE DE CÁLCULO -
INCLUSÃO DA GRATIFICAÇÃO DE INCENTIVO À
EFICIENTIZAÇÃO DOS SERVIÇOS (GIEFS) -
CABIMENTO - SENTENÇA CONFIRMADA - RECURSO
PREJUDICADO.

- A Constituição Federal, em seu artigo 39,


parágrafo 3º, estende aos servidores públicos o direito
enumerado no artigo 7º, inciso VIII, que determina o
pagamento de décimo terceiro salário com base na
remuneração, cujo conceito abrange a soma de todas as
parcelas recebidas. Portanto, no caso, tem a autora,
servidora da Hemominas, direito de ter incluída na base
de cálculo de sua gratificação natalina, a Gratificação de
Incentivo à Eficientização dos Serviços (GIEFS), que
integra sua remuneração. (Apelação cível nº
1.0024.10.115663-6/001, rel. Des. Moreira Diniz, j.
14/7/2011).
Além disso, cumpre destacar que a previsão constante
o art. 37, XIV, da Constituição Federal que veda a incidência de
acréscimos pecuniários percebidos por servidor público para cômputo
e acúmulos para fins de concessão de acréscimos ulteriores,
denominada efeito cascata, não impede a incidência da GIEFS na base
de cálculo do décimo terceiro salário, pois a gratificação natalina não é

Fl. 9/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

uma vantagem pecuniária incluída mês a mês na remuneração do


servidor, mas uma parcela paga anualmente, somente no mês de
dezembro, que segundo a constituição deve ser calculada sobre o
salário global do servidor.

A propósito:

REEXAME NECESSÁRIO E APELAÇÃO CÍVEL -


DIREITO ADMINISTRATIVO - SERVIDOR PÚBLICO -
FUNDAÇÃO HEMOMINAS - GRATIFICAÇÃO DE
INCENTIVO À EFICIENTIZAÇÃO DO SERVIÇO
(GIEFS) - INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA
GRATIFICAÇÃO NATALINA - ART. 7º, VIII, DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL E ART. 6º DA LEI
ESTADUAL 9.729/88 - POSSIBILIDADE - PAGAMENTO
DAS DIFERENÇAS - INEXISTÊNCIA DE REFLEXOS -
SENTENÇA CONFIRMADA, NO REEXAME
NECESSÁRIO. 1. A Gratificação de Incentivo à
Eficientização dos Serviços (GIEFS), paga aos
servidores da Fundação Hemominas, compõe a sua
remuneração, constituindo, portanto, base de cálculo da
gratificação natalina. 2. Não sendo a gratificação de
natal considerada para cálculo de qualquer outra
vantagem, não há de se falar em reflexos
decorrentes do reconhecimento do direito pleiteado.
3. Sentença confirmada, em reexame necessário.
Prejudicado o recurso voluntário. (Processo nº
1.0024.11.069640-8/001, Rel. Versiani Penna, j.
21/02/2013). (g.n)
Ante ao exposto, reitero vênia à relatora e acolho o
incidente de uniformização de jurisprudência para declarar que a
GIEFS integra a base de cálculo do décimo-terceiro salário.

DESA. ÁUREA BRASIL

VOTO

Peço vênia à eminente Relatora para divergir de seu


judicioso voto, porquanto esposo posicionamento diverso em relação à
matéria tratada nos autos.

Fl. 10/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

De início, cumpre verificar como se dá, nos termos da


legislação aplicável, o cálculo da gratificação natalina, para aferir se a
inclusão da GIEFS em sua base de cálculo se enquadra nos ditames
legais.

O décimo terceiro salário foi instituído no Poder


Executivo do Estado de Minas Gerais pela Lei n. 8.701/84, sob a
rubrica “Gratificação de Natal”, conforme os artigos que se transcrevem
a seguir:

Art. 11 - Fica instituída Gratificação de Natal, para o


pessoal civil e militar do Poder Executivo, a ser paga
anualmente no mês de dezembro.

§ 1º - A gratificação de que trata este artigo


correspondente a um duodécimo do valor do símbolo, nível,
padrão do respectivo vencimento ou do soldo, por mês de
efetivo exercício.

§ 2º - No exercício de 1984 a gratificação


corresponderá a 25 (vinte e cinco por cento) do valor a que
se refere o parágrafo anterior.

§ 3º - A fração igual ou superior a 15 (quinze) dias de


efetivo exercício será havida como mês integral, para efeito
de cálculo da gratificação prevista neste artigo.

§ 4º - O valor da Gratificação de Natal não integrará o


valor do símbolo, nível, padrão do respectivo vencimento ou
do soldo, para cálculo de vantagem de qualquer natureza.

Art. 12 - Consideram-se como efetivo exercício do


cargo, para fins de percepção da gratificação de que trata o
artigo anterior, os afastamentos remunerados previstos em
lei.

Art. 13 - A Gratificação de Natal estende-se ao inativo


e ao reformado, tomando-se como base do cálculo o valor
do símbolo, nível ou padrão de vencimento ou soldo,
correspondente ao cargo, posto ou graduação com o qual o
funcionário ou militar passou à inatividade.
Com a promulgação da Constituição da República de
1988, tal direito ganhou contorno constitucional, passando a ser
previsto no art. 39, § 3º, c./c. art. 7º, VIII, do novo Texto, in verbis:

Fl. 11/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os


Municípios instituirão, no âmbito de sua competência,
regime jurídico único e planos de carreira para os servidores
da administração pública direta, das autarquias e das
fundações públicas. (...)

§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo


público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV,
XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei
estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando a
natureza do cargo o exigir.

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e


rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social: (...)

VIII - décimo terceiro salário com base na


remuneração integral ou no valor da aposentadoria;
Como se vê, a Constituição estabeleceu que o décimo
terceiro salário tem por base a remuneração integral do servidor. Este
comando foi respeitado pela Lei n. 9.729/88, que adequou a legislação
mineira à nova ordem constitucional, nos seguintes termos:

Art. 6º - A Gratificação de Natal, instituída pelas Leis


nºs 8.701 e 8.702, ambas de 18 de outubro de 1984, é
devida no valor correspondente à remuneração ou aos
proventos percebidos no mês de dezembro, excetuado o
abono-família, a partir do exercício de 1988.
A norma, portanto, é clara no sentido de que a
gratificação de natal deve ser calculada com base na remuneração
percebida pelo servidor no mês de dezembro. Entretanto, não
apresentam, nem a Constituição nem a legislação ordinária, a definição
do termo “remuneração”, razão pela qual a controvérsia se assenta
justamente em quais benefícios e vantagens percebidos pelo servidor
podem assim ser considerados.

Nesse passo, a Fundação Hemominas, invocando o


princípio da legalidade, sustenta não ser a GIEFS componente da
remuneração dos seus servidores, ao argumento de que não há
previsão legal estabelecendo que a gratificação em comento possua
natureza remuneratória.

Fl. 12/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

Contudo, a limitação imposta pelo princípio da


legalidade à atuação da Administração Pública não deve ser
interpretada com o rigor pretendido pela Fundação. Se assim o fosse,
exigir-se-ia do legislador previsão minuciosa de todas as situações da
vida humana, e vigoraria a proibição de utilização de termos fluidos,
devendo a lei conter todas as definições por ela utilizadas, o que é
impossível, sendo, ainda, sabidamente, pouco recomendável.

Diante dessa realidade, apresentam-se, a doutrina e a


jurisprudência, como fontes supletivas do Direito Administrativo, aptas
a, validamente, tratar da interpretação das normas legais, e propor
definições aos termos de que a lei não se ocupou por completo.

Sobre a distinção entre remuneração e vencimento,


leciona Celso Antônio Bandeira de Mello:

Vencimento é a retribuição pecuniária fixada em lei


pelo exercício de cargo público (art 40 da Lei 8.112). O valor
previsto como correspondente aos distintos cargos é
indicado pelo respectivo padrão. O vencimento do cargo
mais as vantagens pecuniárias permanentes instituídas por
lei constituem a remuneração (art. 41) (Curso de Direito
Administrativo. 14. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2002,
p. 277).
No mesmo diapasão, ensina Hely Lopes Meirelles:

(...) Remuneração, dividida em (b1) vencimentos, que


corresponde ao vencimento (no singular, como está claro no
art. 39, § 1º, da CF, quando fala em “fixação dos padrões de
vencimento”) e às vantagens pessoais (que, como diz o
mesmo art. 39, §1º, são os demais componentes do sistema
remuneratório do servidor público titular de cargo público na
Administração direta, autárquica e fundacional) (...) (Direito
administrativo brasileiro. 28. ed., São Paulo: Malheiros,
2003, p. 449).
E, ainda, Zanella Di Pietro:

... Vencimento é a retribuição pecuniária pelo efetivo


exercício do cargo, correspondente ao padrão fixado em lei
(art. 40 da Lei 8.112/90) e remuneração é o vencimento e
mais as vantagens pecuniárias atribuídas em lei (art. 41).

Fl. 13/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

Com relação às vantagens pecuniárias, Hely Lopes


Meirelles (1989:400) faz uma classificação que já se tornou
clássica; para ele, “vantagens pecuniárias são acréscimos
de estipêndio do funcionário, concedidas a título definitivo
ou transitório, pela decorrência do tempo de serviço (ex
facto temporis), ou pelo desempenho de funções especiais
(ex facto officii), ou em razão das condições anormais em
que se realiza o serviço (propter laborem), ou, finalmente,
em razão de condições pessoais do servidor (propter
personam). As duas primeiras espécies constituem os
adicionais (adicionais de vencimento e adicionais de
função), as duas últimas formam a categoria das
gratificações de serviço e gratificações pessoais”
(Direito administrativo. 15. ed., São Paulo: Atlas, 2003, p.
492-493).
A GIEFS, portanto, a meu sentir, está compreendida
no conceito doutrinário e jurisprudencial de remuneração e deve, por
isso, ser considerada para o cálculo da gratificação natalina, se o
servidor a tiver percebido no mês-base (dezembro).

Ressalto que a alegação de que a GIEFS trata-se de


vantagem de natureza transitória, e caráter propter laborem –
entendimento que encontrou guarida no judicioso voto precedente –,
não possui relevância para a sua exclusão da gratificação natalina,
uma vez que a regra constitucional é clara ao determinar o pagamento
de décimo terceiro salário com base na remuneração, não impondo
qualquer condição no sentido alegado.

Outrossim, também não vislumbro ofensa ao artigo 37,


inciso XIV, da Constituição da República, com a redação dada pela EC
19/98, que veda o cômputo de acréscimos pecuniários percebidos por
servidor público para fim de concessão de acréscimos ulteriores. Com
redobrada vênia, não ocorre, in casu, o efeito cascata, porquanto,
como bem ponderou o e. Desembargador Moreira Diniz, no voto
condutor da Apelação Cível n. 1.0024.10.115663-6/001, “o décimo
terceiro salário não é uma vantagem pecuniária incluída na
remuneração mensal do servidor, mas uma parcela paga
isoladamente, que, por determinação constitucional, deve ser calculada
sobre o vencimento básico e demais vantagens”.

Fazem jus, portanto, os servidores da Fundação, à


inclusão da GIEFS na base de cálculo da gratificação natalinal.

Fl. 14/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

Com tais considerações, acolho o incidente de


uniformização de jurisprudência para declarar que a GIEFS integra a
base de cálculo do décimo-terceiro salário.

DES. OLIVEIRA FIRMO

VOTO

1. Senhor Presidente, com a devida vênia, divirjo do voto da


Relatora.

II –

2. Conforme bem identificado pela relatoria, o ponto


controvertido da questão da incidência da GIEFS na base de cálculo
da gratificação natalina do servidor público estadual é a amplitude da
interpretação que se dê ao instituto da remuneração.

3. E isso porque o décimo terceiro salário, instituído pela Lei no


4.090/1962, de caráter nacional, tem base de cálculo proporcional à
remuneração do empregado devida no mês de dezembro, nos
seguintes termos:

Art. 1o No mês de dezembro de cada ano, a todo empregado será


paga, pelo empregador, uma gratificação salarial,
independentemente da remuneração a que fizer jus.
§1o A gratificação corresponderá a 1/12 avos da remuneração
devida em dezembro, por mês de serviço, do ano
correspondente. (destaquei)

Fl. 15/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

4. A lei foi recepcionada pela Constituição Federal (CF) de 1988,


que assegurou o direito aos trabalhadores urbanos e rurais no art. 7o,
VIII, atribuindo-lhe estatura de direito social fundamental.

5. O voto condutor adota conceito da doutrina de CELSO ANTÔNIO


BANDEIRA DE MELLO, no sentido de que “vencimento é a retribuição
pecuniária fixada em lei pelo exercício de cargo público” e
remuneração, a soma do “vencimento do cargo mais as vantagens
pecuniárias permanentes instituídas por lei”. Com base nessa
premissa, conclui que a GIEFS não integra a base de cálculo do
décimo terceiro salário, já que seria vantagem transitória.

6. Esse conceito foi extraído pelo prestigiado doutrinador da letra


dos art. 40 e 41, da Lei federal no 8.112/1990,(2) que dispõe sobre o
regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das
autarquias e das fundações públicas federais.

7. Pesa considerar, todavia, que o regime constitucional dos


servidores públicos estendeu-lhes determinados direitos sociais
assegurados aos trabalhadores, dentre eles o de recebimento do
décimo terceiro salário (art. 39, §3o, da CF), calculado com base na
remuneração integral, é dizer, na remuneração completa, total, sem
restrição ou redução:

2 - Art. 40.  Vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público,


com valor fixado em lei.
Art. 41.  Remuneração é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens
pecuniárias permanentes estabelecidas em lei.

Fl. 16/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

Art. 39. ..................................................


(...)
§3o Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o
disposto no art. 7o, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII,
XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos
diferenciados de admissão quando a natureza do cargo o exigir.

Art. 7o ...................................................
(...)
VIII – décimo terceiro salário com base na remuneração
integral ou no valor da aposentadoria; (...) (destaquei).

8. De mesma sorte, o art. 31, da Constituição Estadual também


assegura aos servidores públicos civis do Estado de Minas Gerais
o direito à percepção da gratificação natalina, na mesma extensão,
posto que mediante mera remissão à CF:

Art. 31. O Estado assegurará ao servidor público civil da


Administração Pública direta, autárquica e fundacional os direitos
previstos no art. 7o , incisos IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI,
XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, da Constituição da República e
os que, nos termos da lei, visem à melhoria de sua condição
social e da produtividade e da eficiência no serviço público, em
especial o prêmio por produtividade e o adicional de desempenho.
(destaquei).

9. Além disso, no âmbito infraconstitucional, a matéria está


disciplinada pela Lei estadual (LE) no 9.722/88, que estabelece que o
valor do décimo terceiro salário corresponde à remuneração
recebida pelo servidor no mês de dezembro, excluído da base de
cálculo apenas o abono família, literalmente:

Art. 6o A Gratificação de Natal, instituída pelas Leis nos 8.701 e 8.702,


ambas de 18 de outubro de 1984, é devida no valor correspondente à
remuneração ou aos proventos percebidos no mês de dezembro,
excetuado o abono-família, a partir do exercício de 1988. (destaquei).

Fl. 17/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

10. A GIEFS foi instituída pela LE no 11.406/1994 e é devida


mensalmente aos servidores da HEMOMINAS e da FHEMIG
pertencentes ao quadro de pessoal, àqueles que se encontrem à sua
disposição e aos contratados administrativamente pelas fundações
em referência, nos seguintes termos, no que interessa ao caso:

Art. 111. Fica instituída a Gratificação de Incentivo à


Eficientização dos Serviços - GIEFS - no âmbito da Fundação
Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado de Minas Gerais
- HEMOMINAS - e da Fundação Hospitalar do Estado de Minas
Gerais - FHEMIG.

Art. 112. A GIEFS será atribuída mensalmente aos servidores


pertencentes ao Quadro de Pessoal e ao Quadro Especial de
Pessoal das fundações referidas no artigo anterior e àqueles
colocados à disposição dessas entidades, bem como aos
contratados, mediante contrato de direito administrativo, por essas
fundações, e que nelas estejam em efetivo exercício,
considerando-se os seguintes indicadores e critérios de avaliação:
I - o desempenho institucional, vinculado a metas de produtividade
e de qualidade dos serviços prestados pelas unidades
administrativas;
II - a participação individual do servidor, vinculada ao seu esforço
para a consecução das metas mencionadas no inciso anterior, à
sua qualificação e à quantidade de trabalho efetivamente
executado.

Art. 116. Farão jus à GIEFS os servidores e os contratados cujo


desempenho, no período apurado pela avaliação, tenha atingido o
padrão estabelecido como suficiente no Plano Global de Avaliação
específico de cada entidade.

11. Embora de valor variável, condicionado à medida da


produtividade individual do servidor e do desempenho da instituição,
a GIEFS é devida mensalmente a todos os servidores (de caráter
efetivo, colocados à disposição das fundações e contratados
administrativamente) que se encontrem em efetivo exercício na
FHEMIG e na HEMOMINAS.

Fl. 18/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

12. É, pois, concedida em caráter geral e paga com habitualidade,


embora em valor dependente, em parte, de um trabalho a ser feito
(pro labore faciendo), o que a caracteriza como gratificação inerente
ao exercício de cargo ou função. Embora temporária, a GIEFS é
parcela da remuneração do servidor, independentemente de ser
incorporável (ou não) aos proventos de aposentadoria ou de compor
(ou não) o núcleo irredutível dos vencimentos dos ocupantes de
cargos e empregos públicos (art. 37, XV, da CF),(3) pois não são
essas as pretensões deduzidas pelos servidores.
13. Com tais considerações, estou em que a normatização da
matéria não comporta a exegese restritiva que se lhe empresa o voto
relator.

14. Por derradeiro, registro – embora em nada pretendendo ser


porta voz daquele órgão fracionário – que na 7a Câmara Cível, de
que sou membro, é unânime o entendimento no sentido da
integração da GIEFS à base de cálculo da gratificação natalina do
servidor público civil estadual (v.g., AC no 1.0024.10.115009-2/001,
Rel. Des. WANDER MAROTTA, j. 20.3.2012, pub. 30.3.2012; RN/AC no
1.0024.10.117197-3/001, Rel. Des. BELIZÁRIO DE LACERDA, j. 23.4.2013,
pub. 26.4.2013; AC no 1.0024.10.090416-8/001, Rel. Des. PEIXOTO
HENRIQUES, j. 21.8.2012, pub. 31.8.2012; AC no 1.0024.10.116499-

3 - Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios
de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao
seguinte: (...)
XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos
são irredutíveis, ressalvado o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos
arts. 39, §4o, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (...)

Fl. 19/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

4/001, Rel. Des. WASHINGTON FERREIRA, j. 13.3.2012, pub. 23.3.2012 e,


Rel. Des. OLIVEIRA FIRMO, AC no 1.0024.10.115813-5/001, j.
25.10.2011, pub. 4.11.2011).

III –

15. POSTO ISSO, ACOLHO O INCIDENTE PARA DECIDIR NO


SENTIDO DE QUE A GIEFS INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DO
DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DOS SERVIDORES DA FHEMIG E
DA HEMOMINAS.

É o voto.
DES. MOREIRA DINIZ

Na egrégia 4ª. Câmara Cível, que integro,


a posição que prevalece, como resultado de 4 (quatro) julgamentos
de feitos envolvendo o tema, é de que a gratificação em comento
integra a remuneração.
Transcrevo a fundamentação de um dos
votos lá proferidos:
“Quanto à questão da base de cálculo do
décimo terceiro salário, a sentença também não merece reparo.
O legislador constituinte, no artigo 39,
parágrafo 3º, estendeu ao servidor público o direito dos
trabalhadores ao “décimo terceiro salário, com base na
remuneração integral ou no valor da aposentadoria” (artigo 7º,
XVIII, da Constituição Federal).
A expressão “remuneração integral”, em
se tratando de servidor público, deve ser interpretada como sendo o
vencimento básico e as demais vantagens pecuniárias.
No âmbito do Estado de Minas Gerais,
ressaltando que a HEMOMINAS é vinculada à Secretaria de Estado
da Saúde, a lei 9.729/88 estabelece:

Fl. 20/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

“Art. 6º - A Gratificação de Natal,


instituída pelas Leis nºs 8.701 e 8.702,
ambas de 18 de outubro de 1984, é
devida no valor correspondente à
remuneração ou aos proventos
percebidos no mês de dezembro,
excetuado o abono-família, a partir do
exercício de 1988.”
A distinção entre os conceitos de
vencimento e remuneração é trazida por Diógenes Gasparini, nos
seguintes termos:
“Em acepção estrita, é a retribuição
pecuniária a que faz jus o funcionário
pelo efetivo exercício do cargo.
Corresponde ao padrão do cargo
fixado em lei. Nesse sentido, a
retribuição é sempre indicada pela
mencionada palavra (vencimento),
grafada no singular. Em sentido lato,
é a retribuição pecuniária,
correspondente ao padrão mais
vantagens (adicionais, gratificações)
percebidas pelo funcionário público.
É, em tais termos, indicada pela
palavra vencimentos, escrita no
plural. Nesse sentido, remuneração e
vencimentos têm o mesmo
significado” ("Direito Administrativo",
São Paulo, Saraiva, 1989, p. 121).
Portanto, a base de cálculo do décimo
terceiro salário do servidor é a quantia total que o mesmo recebe
mensalmente, o que, no caso da autora, compreende o montante
correspondente à Gratificação de Incentivo à Eficientização dos
Serviços (GIEFS), como se pode ver nos demonstrativos de
pagamento de fls. 11/53.
Em relação à alegação da ré, de que a
GIEFS é uma gratificação precária e condicionada ao cumprimento
de determinadas condições do serviço, só seria relevante se a
autora almejasse sua incorporação definitiva ao vencimento, mas

Fl. 21/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

não é esse o caso, pois, aqui, o que se pretende é o reflexo da


referida gratificação no décimo terceiro salário.
Também não há como falar em ofensa
ao artigo 37, inciso XIV, da Constituição Federal, porque o referido
dispositivo veda o chamado efeito cascata, ou seja, proíbe que uma
um acréscimo pecuniário concedido ao servidor seja incluído na
base de cálculo dos acréscimos posteriores, sendo certo que o
décimo terceiro salário não é uma vantagem pecuniária incluída na
remuneração mensal do servidor, mas uma parcela indenizatória
paga isoladamente, que, por determinação constitucional, deve ser
calculada sobre o vencimento básico e demais vantagens.
Quanto ao artigo 37, inciso XIII, da
Constituição Federal, também não socorre a ré, pois, ao vedar a
equiparação de quaisquer espécies remuneratórias, a norma busca
evitar que a lei, na fixação da remuneração de pessoal do serviço
público, preveja para um cargo, remuneração igual a de outro, com
atribuição desigual, não sendo esse o caso dos autos.
Em relação à questão do teto estipulado
na Lei de Responsabilidade Fiscal para pagamento de despesa
com servidor, observo que, se o direito de um servidor está previsto
na lei, como é o caso da inclusão da GIEFS na base de cálculo do
décimo terceiro salário, que decorre da Constituição Federal (art.
39, § 3º, c/c art. 7º, VIII) e da legislação estadual (art. 6º. da lei
9.729/88), o Poder Judiciário não pode deixar de reconhecê-lo em
razão de possível extrapolação do limite de gastos com pessoal.
E nem se alegue que deve ser feita
compensação com valores já pagos relativos à GIEFS, eis que a
inclusão da referida parcela na base de cálculo do décimo terceiro
salário decorre de lei, repito.
Assim, como bem decidido pela
sentenciante, deve a GIEFS ser considerada para o cálculo do
décimo terceiro salário.”
O acórdão restou assim ementado:
“DIREITO CONSTITUCIONAL – DIREITO ADMINISTRATIVO –
DIREITO PROCESSUAL CIVIL – REEXAME NECESSÁRIO –
APELAÇÃO – SERVIDORA PÚBLICA DA HEMOMINAS – DÉCIMO
TERCEIRO SALÁRIO – BASE DE CÁLCULO – INCLUSÃO DA
GRATIFICAÇÃO DE INCENTIVO À EFICIENTIZAÇÃO DOS
SERVIÇOS (GIEFS) – POSSIBILIDADE – JUROS DE MORA E

Fl. 22/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

CORREÇÃO MONETÁRIA – TERMO INICIAL – SENTENÇA


PARCIALMENTE REFORMADA – RECURSO PREJUDICADO.

- A base de cálculo do décimo terceiro salário do servidor é sua


remuneração, ou seja, a quantia total que recebe, o que, no
caso da autora, servidora da HEMOMINAS, compreende o
montante correspondente à Gratificação de Incentivo à
Eficientização dos Serviços (GIEFS).
- Os juros de mora devem incidir a partir da citação, conforme
disposto no artigo 405 do Código Civil, e a correção monetária
deve incidir desde a data em que cada parcela devia ter sido
paga corretamente, tendo em vista que é uma forma de
atualização da moeda.

DESA. TERESA CRISTINA DA CUNHA PEIXOTO

VOTO

Peço vênia para divergir da douta Relatora, a fim de reconhecer


que a GIEFS – Gratificação de Incentivo à Eficientização dos Serviços
deve integrar a base de cálculo do décimo terceiro salário, tendo em
vista o disposto no artigo 7º, VIII c/c artigo 39, parágrafo 3º, da
Constituição da República:

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e


rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
VIII - décimo terceiro salário com base na
remuneração integral ou no valor da
aposentadoria;

Fl. 23/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

Art.39 (...)
§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo
público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII,
XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX,
podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados
de admissão quando a natureza do cargo o exigir.

O Estado de Minas Gerais regulamentou a questão atinente ao


pagamento de décimo terceiro salário, dispondo o artigo 6º da Lei nº
9.729/88 que:

Art.6º - A Gratificação de Natal, instituída pelas


Leis nºs 8.701 e 8.702, ambas de 18 de outubro de
1984, é devida no valor correspondente à
remuneração ou aos proventos percebidos no mês
de dezembro, excetuado o abono-família, a partir
do exercício de 1988.
Da leitura dos textos normativos supra transcritos percebe-se,
com bastante clareza, que a base de cálculo da “gratificação natalina”
corresponde à remuneração integral percebida pelo servidor público
estadual no mês de dezembro.

E, por remuneração integral, entende-se a soma do vencimento-


base com as vantagens pecuniárias tanto de natureza permanente
quanto transitória percebidas pelo servidor no mês em questão.

Nesse sentido, a lição de José dos Santos Carvalho Filho:

(...) o montante percebido pelo servidor público a


título de vencimentos e de vantagens pecuniárias.
É, portanto, o somatório das várias parcelas
pecuniárias a que faz jus, em decorrência de sua
situação funcional.
(...) a Lei nº. 8.112/90, que é o estatuto federal,
define a remuneração como a soma do vencimento
do cargo e das vantagens permanentes. Em nosso

Fl. 24/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

entender, o legislador não primou pela boa técnica.


O fato de ser permanente ou transitória a
vantagem pecuniária não a descaracteriza como
parcela remuneratória. Assim, por exemplo, se um
servidor percebe por apenas dois meses uma
gratificação de difícil acesso, que não é vantagem
permanente, nesse período essa parcela integrou
sua remuneração. (Manual de Direito
Administrativo, 24ª edição, 2011, p. 673).

Logo, a despeito da natureza “propter laborem” da Gratificação


de Incentivo à Eficientização dos Serviços, ela integra a remuneração
do servidor público e, por conseqüência, deve ser incluída na base de
cálculo do décimo terceiro salário, caso percebida no mês de
dezembro.

Nesse sentido se posiciona a 8ª Câmara Cível deste Tribunal,


da qual faço parte:

EMENTA: ADMINISTRATIVO - AÇÃO ORDINÁRIA


- SERVIDORA DA FHEMIG - GRATIFICAÇÃO DE
INCENTIVO À EFICIENTIZAÇÃO DOS SERVIÇOS
- BASE DE CÀLCULO DO DÉCIMO TERCEIRO
SALÁRIO - INTEGRAÇÃO - PROCEDÊNCIA DO
PEDIDO - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS -
APRECIAÇÃO EQUITATIVA - MANUTENÇÃO DO
'DECISUM'.
1. À luz do art. 6º da Lei Estadual n.º 9.729/88, a
gratificação natalina devida a servidora da FHEMIG
deve ser paga com base na sua remuneração
integral, em que se inclui a Gratificação de
Incentivo à Eficientização dos Serviços - GIEFS,
conforme precedentes desta 8ª Câmara Cível, não
obstante a natureza 'propter laborem' da parcela.
(...) (TJMG, 8ª CaCiv, RN/AC nº.
1.0024.10.115013-4/001, rel. Des. Edgard Penna
Amorim, j. em 02/05/2013).

Fl. 25/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

EMENTA: REEXAME NECESSÁRIO/APELAÇÃO


CÍVEL. PROCESSUAL CIVIL. PRESCRIÇÃO.
ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO
ESTADUAL. GRATIFICAÇÃO DE INCENTIVO À
EFICIENTIZAÇÃO DO SERVIÇO (GIEFS).
VANTAGEM PECUNIÁRIA QUE INTEGRA O
CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. INCLUSÃO NA
BASE DE CÁLCULO DA GRATIFICAÇÃO
NATALINA. RECURSO CONHECIDO E NÃO
PROVIDO.
(...) 2. A norma inserta no art. 7º, inciso VIII, da
Constituição da República confere aos
trabalhadores o direito social à percepção do
décimo terceiro salário - gratificação natalina - pago
com base na remuneração integral, ao passo que a
norma inserta no §3º, do art. 39, estende tal direito
aos servidores públicos.
3. No âmbito do Estado de Minas Gerais, a
gratificação natalina é paga em valor equivalente à
remuneração do mês de dezembro, excluída
apenas a vantagem pecuniária paga a título de
abono-família.
4. A gratificação de incentivo à eficientização dos
serviços - GIEFS -, embora possua natureza
transitória, integra o conceito de vencimentos ou
remuneração, razão pela qual deve ser computada
na base de cálculo da gratificação natalina, caso
tenha sido percebida pelo servidor no mês de
dezembro. (TJMG, 8ª CaCiv, RN/AC nº.
1.0024.10.115769-1/001, rel.Des. Bitencourt
Marcondes, j. em 07/02/2013).
EMENTA: EMENTA: AÇÃO ORDINÁRIA -
FUNDAÇÃO HEMOMINAS - REFLEXOS DO
GIEFS NO CÁLCULO DA GRATIFICAÇÃO DE
FÉRIAS - INTERESSE PROCESSUAL -
UTILIDADE - PLANO DAS ASSERÇÕES -
SENTENÇA REFORMADA.
(...) 3. No âmbito do Estado de Minas Gerais, a
gratificação natalina é paga em valor equivalente à
remuneração do mês de dezembro, excluída

Fl. 26/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

apenas a vantagem pecuniária paga a título de


abono-família. (TJMG, 8ª CaCiv, AC nº.
1.0024.10.116059-6/001, rel. Des. Elpídio
Donizetti, j. em 08/11/2012).

Pelo exposto, renovando vênia à douta Relatora, acolho o


incidente de uniformização de jurisprudência para declarar que a
GIEFS, caso percebida pelo servidor público estadual no mês de
dezembro, integra a base de cálculo do décimo terceiro salário.

DES. ALBERTO VILAS BOAS

VOTO

Com efeito, a GIEFS foi instituída pela Lei Estadual n.


11.406/94 – contemplando os servidores da Fhemig e Hemominas –, e
posteriormente estendida aos servidores da Funed, por força da Lei
Estadual n. 12.764/98, mantido o regramento então estabelecido.

A Lei Estadual n. 11.406/94 assim dispõe:

“Art. 112. A GIEFS será atribuída


mensalmente aos servidores pertencentes ao
Quadro de Pessoal e ao Quadro Especial de
Pessoal das fundações referidas no artigo
anterior e àqueles colocados à disposição
dessas entidades, bem como aos
contratados, mediante contrato de direito
administrativo, por essas fundações, e que
nelas estejam em efetivo exercício,
considerando-se os seguintes indicadores e
critérios de avaliação:

Fl. 27/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

I - o desempenho institucional, vinculado a


metas de produtividade e de qualidade dos
serviços prestados pelas unidades
administrativas;
II - a participação individual do servidor,
vinculada ao seu esforço para a consecução
das metas mencionadas no inciso anterior, à
sua qualificação e à quantidade de trabalho
efetivamente executado.

Art. 113. O Plano Global de Avaliação, no


âmbito de cada Fundação mencionada no
art. 111 desta lei, conterá os indicadores e os
critérios do desempenho institucional e da
participação individual do servidor, terá como
diretriz básica a perspectiva do usuário e será
aprovado por deliberação do respectivo
Conselho Curador e homologado pela
Comissão Estadual de Política de Pessoal -
CEP.

Art. 114. No processo de avaliação, serão


observadas, ainda, as seguintes diretrizes:

I - integração, nos níveis institucional e


individual;
II - continuidade;
III - participação;
IV - nível de escolaridade;
V - jornada de trabalho.

Art. 115. O resultado da avaliação servirá de


base para o cálculo da GIEFS nos meses
subsequentes.
...

Art. 119. É da responsabilidade da FHEMIG e


da HEMOMINAS o pagamento da GIEFS
com recursos próprios.

Art. 120. O valor total mensal da GIEFS não


poderá ultrapassar 30% (trinta por cento) da

Fl. 28/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

receita diretamente arrecadada,


respectivamente, pela HEMOMINAS e pela
FHEMIG.”

Verifica-se, por conseguinte, que o pagamento da


gratificação em tela está submetido a uma série de requisitos, não só
relativos à produtividade do servidor, mas, também, ao desempenho
institucional, havendo, ainda, limitação quanto ao montante financeiro
total destinado a seu pagamento.

Portanto, é possível constatar que a GIEFS é de


natureza propter laborem, tem caráter eventual e somente é paga
mediante determinadas condições. Dessa forma, não pode ser
considerada para fins de percepção do décimo terceiro salário,
notadamente porque ausente previsão legal a validar esta
argumentação.

Fundado nessas razões, acolho o incidente de


uniformização de jurisprudência para declarar que a GIEFS não integra
a base de cálculo do décimo-terceiro salário.

DESA. HILDA MARIA PÔRTO DE PAULA TEIXEIRA DA COSTA

VOTO

Acompanho o voto da em. Des. Relatora para acolher o


Incidente de Uniformização e reconhecer que a GIEFS-Gratificação de
Incentivo à Eficientização dos Serviços não pode integrar a base de
cálculo do décimo terceiro salário, pelos fundamento a seguir.

Observa-se que, pela Lei nº11.406/94, o percebimento da


gratificação deve fundar-se na verificação de indicadores e critérios de
avaliação e desempenho da unidade administrativa e dos servidores,
como também, vincular-se ao cumprimento dos requisitos de

Fl. 29/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

participação individual na consecução das metas de produtividade e


qualidade dos serviços, bem como de qualificação e quantidade de
serviços prestados pelo servidor.

Dessa forma, a gratificação em tela, é vantagem


pecuniária transitória que não incorpora automaticamente ao
vencimento, nem gera direito subjetivo à continuidade de sua
percepção. Inclusive inexiste disposição legal que autorize a
incorporação da referida gratificação ao vencimento do servidor, sendo
a Instrução Normativa do Hemominas PRE n. 017/2005, expressa em
dispor que a GIEFS não tem natureza salarial:

“3.1. A Gratificação de Incentivo à


Eficientização dos Serviços, doravante
denominada simplesmente GIEFS, constitui
um estímulo concedido pela Fundação
Hemominas, em decorrência da produção e da
qualidade dos serviços efetivamente
prestados, configurando-se em benefício que
Instituição outorga aos seus servidores e não
tem natureza salarial.”

Portanto, como a GIEFS não se trata de vantagem


incorporável ao vencimento, descabe a sua inclusão para o cálculo da
13º salário.

Em face do exposto, acolho o Incidente de Uniformização


de Jurisprudência, na esteira do voto da em. Desa. Relatora.

Fl. 30/31
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Inc Unif Jurisprudência Nº 1.0024.10.090327-7/002

SÚMULA: "INCIDENTE ACOLHIDO, NOS TERMOS


DO VOTO DA 1ª VOGAL, VENCIDOS A RELATORA E OS 6º E 7º
VOGAIS."

Fl. 31/31