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Publicado em 31.01.

2020

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Nesta semana, a volatilidade tem atingido fortemente as Bolsas de Valores
em todo o mundo, especialmente a brasileira. Essa volatilidade acima do
esperado se deve à preocupação com a disseminação do chamado
coronavírus, doença infecciosa que tem afetado alguns milhares de
chineses ao longo das últimas semanas.

Desse modo, devido à sua rápida disseminação, o governo chinês tem se


esforçado para controlar o tráfego de chineses dentro do país, bem como
decretar paralização em muitas fábricas, o que, obviamente, tem afetado a

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cotação de muitas commodities no mercado internacional. De nossa parte,
acreditamos que essa turbulência não passa de um temor momentâneo e
que pode gerar boas oportunidades de compra de ativos que outrora não
estavam abaixo do preço-teto de compra.

No passado, tivemos inúmeros casos de surtos semelhantes, que causaram


quedas momentâneas nas Bolsas de Valores. No entanto, essas quedas
logo foram esquecidas e os fundamentos econômicos rapidamente levados
em consideração na precificação dos ativos.

Na imagem abaixo, é possível vermos, através do estudo feito pela


corretora americana Charles Schwab, que, apesar das diversas pandemias
ocorridas nos últimos 50 anos, o mercado jamais deixou de seguir a sua
trajetória de valorização, inclusive no curto prazo, o que para nós pode ser
considerado um período de 1 ou 2 anos.

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No entanto, esse fato ressalta um ponto importante a ser lembrado: a
alocação adequada em renda fixa. Como podemos ver através das nossas
carteiras recomendadas, não recomendamos uma exposição de 100% em
renda variável. Obviamente, o tamanho da exposição depende de cada
investidor.

Ainda assim, entendemos que seja muito importante que as pessoas


possuam uma reserva de emergência para poder aportar em momentos
mais oportunos e acelerar seu processo de independência financeira.
Desse modo, recomendamos que o nosso assinante fique atento quanto à
sua exposição em renda variável, especialmente quando se está
começando a trilhar a sua caminhada dentro do mercado de capitais.

Dentro da nossa carteira Suno Valor, destacamos que a CVC continua


sendo uma opção bastante atrativa de investimento, levando em conta o
potencial de valorização dos papéis e crescimento dos resultados da
companhia, à medida que a série de adversidades ocorridas ao longo de
2019 venham sendo resolvidas.

Sem dúvida, a CVC apresentou uma das piores performances da Bolsa em


2019, sofrendo uma desvalorização de 27,7% ao longo do ano passado. No
entanto, como já ressaltamos, esses problemas vivenciados pela empresa

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foram de natureza conjuntural, tais como a quebra da Avianca Brasil e o
caso do acúmulo de óleo nas praias do Nordeste do país.

Para trazer ainda mais pressão negativa sobre as ações no curto prazo, o
Coronavírus surge como um fator agravante. Apesar de não termos casos
confirmados da doença no Brasil, a demanda por viagens internacionais
naturalmente acaba sendo impactada.

Apesar desses efeitos pontuais, que criam uma verdadeira “tempestade


perfeita”, acreditamos que a posição de liderança da CVC no mercado
brasileiro continua bastante consistente. Ao possuir lojas físicas, os
diferenciais de atendimento dessa rede oferecem uma espécie de suporte
e “calor humano”, principalmente para os clientes que estão programando
suas viagens a turismo.

Como prova dessa qualidade superior no atendimento, podemos ver que o


NPS (Net Promoter Score), métrica que tem como objetivo medir a
satisfação e lealdade dos clientes com as empresas, é bastante elevado e
está em crescimento constante.

Fonte: CVC

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Isso se reflete em uma sólida posição de liderança dentro do seu setor de
atuação. Na imagem abaixo, podemos ver que a companhia está
encabeçando em todas as preferências por idade e classes sociais, sendo
facilmente considerada a top of mind do seu setor de atuação.

Fonte: CVC

No entanto, apesar da superioridade, a empresa não passou incólume pela


crise que assolou o setor recentemente. Com uma forte queda na oferta de
assentos, o preço das passagens aéreas disparou e a CVC precisou abrir
mão de suas margens, além de reembolsar vários clientes que tiveram seus
voos cancelados.

Como forma de tentar compensar essa realidade, o governo anunciou que


trará uma série de medidas visando reduzir o preço das passagens aéreas
no Brasil e aumentar a competitividade no setor, o que favorece a
companhia ao aumentar a oferta de aeronaves disponíveis.

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Além disso, a CVC tem continuado seu processo de consolidação,
aproveitando a multicanalidade e a presença online para impulsionar o seu
negócio. Dentro dessa estratégia, a CVC concluiu a compra da Almundo, no
quarto trimestre.

A Almundo é um player muito importante na Argentina e irá fazer a CVC


dobrar de tamanho nesse país no ranking de agências de turismo.
Essa empresa atua sob o modelo multicanal, na Argentina e no México,
através de uma rede de 95 lojas, call centers, plataformas Web mobile e
aplicativos. Segundo a CVC, as reservas nas plataformas digitais
representam 50% do total de vendas da Almundo.

Segundo um diretor da companhia, a intenção da CVC é adotar a


tecnologia da Almundo nas empresas da CVC no Brasil e na Argentina,
principalmente através do Submarino Viagens e na CVC Lazer.

Dessa maneira, a CVC demonstra estar focada em sua estratégia de


transformação digital e omnichannel (múltiplos canais), de modo a tentar
aumentar a sua competitividade dentro do mercado de turismo na América
do Sul.

Portanto, acreditamos que, apesar de ter passado por um ano bastante


desafiador, a CVC conseguiu se manter lucrativa, inclusive reduzindo a sua
alavancagem, que saiu de 2,04 vezes os últimos 12 meses para 1,88 vez no
fim do terceiro trimestre de 2019.

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Esperamos que, à medida que a economia trilhe uma trajetória de
crescimento consistente, com o aumento da renda média do consumidor, a
empresa apresente um ótimo potencial de crescimento de seus resultados.

Seguimos confiantes no case de CVC para o longo prazo. O fato da empresa


negociar hoje em menos de 15 vezes o Lucro Líquido esperado para 2020,
bem como atuar num segmento que cresce historicamente mais que o
dobro do PIB, nos faz ver na CVC, atualmente, uma ótima opção de
investimento para o longo prazo.

Na semana passada, a M. Dias Branco anunciou um programa de recompra


de até 10% das ações da empresa que estão em negociação no mercado.
Segundo a companhia, o programa começou em 21/01/2020 e irá até
21/07/2021.

Por meio desse fato relevante, a M. Dias Branco afirmou que a quantidade
de ações a ser adquirida no âmbito do programa estará limitada a
8.472.614 ações ordinárias, nominativas, escriturais e sem valor nominal da
empresa.

Como já dissemos em outros relatórios, programas de recompra de ações


anunciados pelas empresas normalmente funcionam como um importante
indicativo de ação barata, pois a administração acredita que comprar ações

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no mercado naquele determinado preço é uma das melhores formas de
remunerar o capital dos acionistas, aumentando o lucro por ação de cada
investidor do papel.

É importante frisar que a empresa fez a seguinte afirmação em seu


comunicado de recompra: “É importante destacar que os mercados de
biscoitos e massas na região Nordeste, onde temos parte expressiva de
nossas vendas, apresentou desempenho abaixo da média nacional, com
retração dos volumes”.

De maneira geral, não acreditamos que a região Nordeste continuará a


desempenhar uma trajetória de vendas declinantes por muito tempo. Essa
é uma região que ainda possui uma boa perspectiva de desenvolvimento e
crescimento da renda per capta, o que contribui diretamente na venda de
biscoitos e massas, sobretudo naquelas marcas de maior valor agregado.

A Iochpe-Maxion, maior produtora de rodas do mundo e um dos maiores


produtores de componentes estruturais das Américas, vem apresentando
uma performance bastante positiva em suas ações desde que
recomendamos a compra de seus papéis, em outubro de 2019.

Enquanto o Ibovespa acumula uma rentabilidade de 11,2% desde


11/10/2019, data da recomendação de MYPK3, as ações da empresa

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acumulam um retorno de 20,55%, bastante expressivo para um curto
período de tempo.

Acreditamos que essa performance positiva deve-se à melhora na


percepção de valor desse ativo, que vinha sendo negociado a um valuation
extremamente atrativo, inclusive abaixo do valor patrimonial, na ocasião da
recomendação.

Apesar das recorrentes valorizações, acreditamos que essa companhia


ainda possui boas perspectivas futuras, levando em conta sua estratégia de
crescimento orgânico pautado em regiões de elevado crescimento
(demografias favoráveis), fortalecimento da empresa nas suas negociações
com fornecedores e clientes, devido aos ganhos de escala.

Para o ano que vem, vemos uma pressão nos negócios da empresa ligados
ao mercado americano e europeu, uma vez que há perspectivas de
desaceleração na produção de veículos. No entanto, esse efeito deve ser

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compensado parcialmente por um avanço nas vendas para o mercado
interno e também para a Ásia, onde a empresa vem ganhando espaço e
desenvolvendo novos negócios.

Na Índia, após um impacto pontual em 2019, oriundo de restrições


pontuais de crédito, as medidas recentemente adotadas pelo BC indiano
devem também voltar a impulsionar o segmento automotivo, beneficiando
a companhia.

Vale lembrar que, recentemente (3T19), a Iochpe Maxion inaugurou uma


fábrica de rodas de alumínio na Índia, com capacidade instalada de 2
milhões de rodas, a qual tem um ramp-up previsto da planta dentro de um
período médio de 12 a 18 meses, que ajudará também a compensar o
desempenho mais fraco da Europa e da América do Norte.

Para o segundo semestre deste ano, também está previsto o início de


aumento de produção em uma fábrica na Tailândia, com capacidade de
400 mil rodas por ano, que já deverá incrementar o Ebitda da empresa,
parcialmente, para o final deste ano.

Aqui é importante ter em mente que, tanto a operação na Índia quanto a


operação na Tailândia, são ativos que devem operar com quase nenhuma
ociosidade e já possuem grande demanda contratada. A estimativa é que
essas plantas operem com Margem Ebitda próxima de 13% após todo
processo de ramp-up.

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As maiores margens dessas operações, somadas ao crescimento mais
acelerado desses mercados, serão fundamentais para a elevação da
rentabilidade consolidada da empresa no longo prazo. Há também uma
tendência favorável para a empresa, em termos de market share
(participação de mercado) nos mercados da Europa e América do Norte.

A companhia, através de seu time extremamente capacitado de engenharia


e investimentos constantes em P&D (Pesquisa e desenvolvimento), tem
atuado ativamente na redução do peso de suas rodas, o que torna a Iochpe
um player cada vez mais competitivo, em escala global, e com vantagens
tecnológicas importantes dentro de uma tendência global que visa, cada
vez mais, a redução das emissões de CO2.

Fonte: Iochpe Maxion

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Por fim, um outro fator que deverá auxiliar os resultados, em 2020, é a
redução da taxa Selic, tendo em vista que cerca de 37% da dívida da
empresa está indexada ao CDI.

Caso a Selic seja mantida em 4,5%, esse efeito deve acarretar uma redução
de cerca de R$ 13 milhões de despesas financeiras para 2020, o que, aliado
com a meta de desalavancagem da companhia, que pretende encerrar
2020 com uma Dívida Líquida/Ebitda em torno de 1,5 vez, ajudará a
segurar os resultados em 2020.

Desse modo, sabendo que o valuation da empresa ainda está atrativo


(EV/Ebitda projetado de 5,7 vezes) frente a outros competidores de setores
semelhantes, e levando em consideração todas essas boas perspectivas
para o longo prazo, decidimos aumentar o preço-teto da Iochpe-Maxion
para R$ 25,00.

Este valor ainda representa uma grande margem de segurança em nossos


modelos, já que representa um múltiplo EV/Ebitda de cerca de 5,95 vezes,
abaixo dos principais pares do setor.

Além disso, após uma recente atualização de nossas premissas e um corte


de 100bps no WACC (custo médio ponderado de capital) real estimado
para Iochpe (de 8% para 7% ao ano), nosso preço justo para MYPK3 situa-
se agora em torno de R$ 42,23, pelo método de Fluxo de Caixa
Descontado (FCD), o que representa um potencial upside (valorização) de
mais de 88% frente às cotações de fechamento de ontem.

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Seguimos, portanto, totalmente confortáveis com o case de Iochpe Maxion
para o longo prazo e vemos a companhia como uma excelente opção para
os investidores comprarem uma ótima empresa por um preço que não
reflete o seu valor intrínseco de forma adequada, e ainda deve entregar
dividendos atrativos (Yield projetado próximo de 4%).

Plantão de Dúvidas
Envie suas dúvidas referentes a este relatório. Elas serão respondidas em uma live especial!
Acesse: https://sunoresearch.typeform.com/to/o490bk

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CARTEIRA RECOMENDADA VALOR

Preço de entrada
Ranking Suno Ticker Início Alocação Preço atual Preço teto Recomendação Variação
ajustado*

1 ITSA4 18/08/2017 10,0% R$ 12,83 R$ 14,00 R$ 7,43 Comprar 72,68%

2 BRAP4 10/01/2020 5,0% R$ 37,17 R$ 43,00 R$ 38,29 Comprar -2,93%

3 MYPK3 11/10/2019 5,0% R$ 21,89 R$ 25,00 R$ 18,54 Comprar 18,07%

4 CVCB3 22/11/2019 5,0% R$ 36,20 R$ 46,00 R$ 41,49 Comprar -12,75%

5 RLOG3 26/07/2019 5,0% R$ 20,80 R$ 23,00 R$ 18,65 Comprar 11,53%

6 SUZB3 11/01/2019 5,0% R$ 40,10 R$ 42,00 R$ 38,43 Comprar 4,35%

7 GEPA4 18/08/2017 10,0% R$ 50,00 R$ 50,00 R$ 32,08 Aguardar 55,86%

8 ALUP11 05/01/2018 5,0% R$ 29,98 R$ 28,00 R$ 17,05 Aguardar 75,84%

9 KLBN11 24/05/2019 5,0% R$ 20,82 R$ 17,00 R$ 14,74 Aguardar 41,25%

10 MDIA3 07/06/2019 5,0% R$ 41,26 R$ 40,00 R$ 37,52 Aguardar 9,97%

11 CGRA4 18/08/2017 10,0% R$ 33,00 R$ 28,00 R$ 21,94 Aguardar 50,41%

12 SULA11 18/08/2017 10,0% R$ 63,40 R$ 48,00 R$ 16,33 Aguardar 288,24%

13 COCE5 18/08/2017 5,0% R$ 62,13 R$ 55,00 R$ 47,08 Aguardar 31,97%

14 B3SA3 01/06/2018 5,0% R$ 48,14 R$ 32,00 R$ 21,22 Aguardar 126,86%

15 Renda Fixa 10,0%

RECOMENDAÇÕES ENCERRADAS *

Ativo Início Preço de entrada** Final Preço de saída Desempenho

WSON33 18/08/2017 R$ 31,65 21/12/2018 R$ 39,95 26,2%

SQIA3 20/10/2017 R$ 27,01 10/05/2019 R$ 40,30 49,2%

SMLS3 18/08/2017 R$ 57,52 13/12/2019 R$ 38,50 -33,07

ECOR3 23/02/2018 R$ 9,40 30/08/2019 R$ 12,40 32%

HAPV3 18/05/2018 R$ 29,16 10/01/2020 R$ 62,04 112,76%

WATCHLIST **

Ticker Empresa Setor Preço atual (R$) Preço para possível entrada*

CSAN3 Cosan S.A Diversificado R$ 68,95 Abaixo de R$ 35,00

FLRY3 Fleury Saúde R$ 28,44 Abaixo de R$ 17,00

GGBR4 Gerdau S.A Metalúrgica R$ 17,91 Abaixo de R$ 12,50

RAPT4 Randon S.A Bens Industriais R$ 11,84 Abaixo de R$ 7,50

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investidor em suas decisões de investimento; porém o
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da conveniência e oportunidade da movimentação de sua
carteira de investimentos e pela tomada de decisão quanto à
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valores mobiliários.

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investimento e o investidor deverá verificar e atentar para as
informações próprias ao seu perfil de investimento, uma vez
que as informações constantes deste material não são
adequadas para todos os investidores. Quaisquer projeções de
risco ou retorno potenciais são meramente ilustrativas e,
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como previsão de eventos futuros e/ou garantia de resultados.

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