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Escola Superior de Enfermagem do Porto

1º Ano da Licenciatura em Enfermagem

Ano Letivo de 2017/18 – 2º semestre

Anatomia

ICBAS/ UP Maria João Oliveira (mjoliveira@icbas.up.pt)


ESEP Coordenação Professora Bárbara Leitão
QUEM ME VAI ENSINAR ANATOMIA?

Maria João Oliveira


mjoliveira@icbas.up.pt

Judite Novais Barbosa


mjbarbosa@icbas.up.pt

Paula Proença
pferreir@icbas.up.pt
QUAL É O PROGRAMA DA ANATOMIA E SUA PLANIFICAÇÃO?

1ªaula: Judite Novais Barbosa (25 setembro 2017)


Introdução à Anatomia Humana. Introdução à Osteologia.
Esqueleto axial: Cabeça óssea - ossos do crânio.

2ª aula: Judite Novais Barbosa (02 outubro 2017)


Esqueleto axial: Cabeça óssea - ossos da face. Coluna vertebral,
costelas e esterno.

3ª aula: Judite Novais Barbosa (09 outubro 2017)


Esqueleto dos Membros – superior e inferior.
Artrologia: Estrutura geral das articulações móveis. As grandes
articulações.

4ª aula: Judite Novais Barbosa (16 outubro 2017)


Miologia geral. Miologia dos membros. Miologia do dorso, face e
pescoço. Miologia do tórax, abdómen, pelve.

5ª aula: Mª João Oliveira (23 outubro 2017)


Aparelho digestivo: tubo digestivo, peritoneu e glândulas anexas.

6ª aula: Mª João Oliveira (30 outubro 2017)


Aparelho respiratório.
QUAL É O PROGRAMA DA ANATOMIA E SUA PLANIFICAÇÃO?

7ª aula: Mª João Oliveira (06 novembro 2017)


Aparelho urogenital.

8ª aula: Paula Ferreira (20 novembro 2017)


Aparelho circulatório: Coração e irrigação arterial.

9ª aula: Paula Ferreira (04 dezembro 2017)


Aparelho circulatório: Retorno venoso e sistema linfático.

10ª aula Mª João Oliveira (12 dezembro 2017)


Sistema nervoso: organização geral e fundamentos celulares.
Sistema nervoso central: espinhal medula, hemisférios cerebrais,
diencéfalo, tronco cerebral, meninges, líquido cefalorraquidiano.

11ª aula: Paula Ferreira (08 janeiro 2018)


Sistema nervoso periférico e sistema nervoso autónomo.

12ª aula: Paula Ferreira (15 janeiro 2018)


Estesiologia e glândulas endócrinas.
POR ONDE VÃO ESTUDAR ANATOMIA?

Bibliografia Principal:
Gray’s anatomy: descriptive and applied
Atlas of Human Anatomy de Netter H. Netter
Bibliografia Complementar:
1. “Anatomia & Fisiologia” de
Seeley, Stephens e Tate, 6ª
edição, Lusociência.
COMO IRÃO SER AVALIADOS A ANATOMIA?

O estudante será avaliado por um teste composto por 50 perguntas de


escolha múltipla que poderá ser realizado:

1. No final do semestre – “Frequência”

2. Época Normal.

3. Época de Recurso.

Onde terá que terá que atingir 9,5 valores em 20 valores para ser
aprovado à unidade curricular.
O QUE É A ANATOMIA?

A palavra ANATOMIA vem do grego (anatome) = Separar

Ciência que estuda a Morfologia.

Ciência sobre a qual assenta o desenvolvimento do


CONHECIMENTO MÉDICO MODERNO.
HÁ VÁRIOS TIPOS DE ANATOMIA?
COMO SE PODE ESTUDAR ANATOMIA?

Por Sistemas ou por Regiões


QUAIS OS GRANDES MESTRES DA ANATOMIA?
Herófilo Claudius Galenus
335 – 280 a. c. 131 – 201 a. d.

Andreas Vesalius
1514 – 1564

“De Humani Corporis Fabrica”


Século XIX: Conjugação da Anatomia com a Cirurgia

Atualmente: Anatomia é essencial para alunos da área das


ciências médicas.

“A Anatomia deve ser considerada como a base sólida de


toda a arte da medicina e como sua introdução essencial”
(Vesalius, 1543)”
OS MEUS MESTRES!

Prof. Doutor Artur Águas

Prof. Doutor Nuno Grande


Postura Anatómica
Humana em Medicina

Postura anatómica que


foi escolhida pela
Medicina como
referência universal:

Posição ortostática,
assente na planta
dos pé e com os
membros superiores
em supinação
(palma da mão virada
para diante).
Referenciais Topográficos
Planos Anatómicos:
Sagital –
medial vs lateral.

Axial, Horizontal ou
Transverso –
superior vs
inferior.

Coronal –
anterior vs
posterior.

(Estruturas dos
membros:
proximal e distal)
Corte Sagital
Corte Coronal

Corte Axial,
Horizontal ou
Transverso
Vários tipos de cortes
Capítulo 1:
Osteologia

Estudo dos ossos e da forma como estes se


organizam.

Esqueleto entende-se um conjunto de ossos


organizados na sua verdadeira posição.
Esqueleto Humano:
sistematização.

Axial:
Cabeça.
Coluna vertebral (e
caixa torácica:
costelas e esterno).

Apendicular:
Membros.
Ossos de ligação ao
esqueleto axial
(cinturas escapular
e pélvica).
O esqueleto apresenta diferenças de género:
exemplo dos ossos pélvicos

Bacias feminina e masculina


O esqueleto apresenta diferenças com a idade:
exemplo das fontanelas da 1ª infância.

Os ossos cranianos só fecham por volta dos 2 anos de


idade.
O esqueleto apresenta diferenças com a idade:
exemplo da mandíbula da velhice.

A altura da mandíbula diminui.


Estrutura macroscópica de um osso

Periósteo

Cartilagem articular

Tecido ósseo compacto

Tecido ósseo esponjoso


Estrutura macroscópica de um osso

Tecido ósseo esponjoso

Tecido ósseo compacto Tecido ósseo esponjoso visto por SEM (Scanning
Electron Microscopy)
Classificação dos Ossos
1.Tendo em a conta a extensão relativa
das suas 3 dimensões:
Longos
Planos / Chatos
Curtos
Irregulares.

2.Tendo em conta o processo de


ossificação:
Membranosos
Encondrais

3.Tendo em conta a posição que ocupam


em relação ao plano sagital:
Pares / Duplos
Ímpares / Únicos
Tipos de Ossos / Estrutura tridimensional

Longos,

Planos
(ou chatos),

Curtos,

Irregulares.
Ossos Longos (comprimento mais extenso que largura e espessura)

Elementos anatómicos:
Corpo (diáfise)

Extremidades (epífises).
Estrutura macroscópica de um osso longo

Têm canal
medular (*).

Osso compacto
(cortical) e
esponjoso
(trabecular).

Medula vermelha e
amarela.

Ossos encondrais
e pares.
*
Ossos Planos ou Chatos (comprimento e largura mais
extensos do que a espessura).

Elementos anatómicos:
2 faces
Bordos
Ângulos.
Estrutura macroscópica de um osso plano

Constituídos por 3 camadas:

Tábua externa – diploé – tábua interna

Compacto – esponjoso-compacto

Podem ser pares ou ímpares, de


crescimento encondral ou
membranoso.
Ossos Curtos

Irregularmente
cubóides.

Elementos
anatómicos: faces,
bordos e ângulos.
Ossos Irregulares

Os elementos anatómicos são variáveis de osso para osso


mas incluem faces, bordos e ângulos.
Acidentes ósseos articulares
Relevo cabeça calótica

cabeça
hemisférica

côndilo
Acidentes ósseos articulares
Mistos
Cavi// glenóide
Reentrância Tróclea /Antitróclea

Cavidade cutilóide
Acidentes ósseos não articulares
protuberância

Relevo – Em todos os sentidos


tubérculo

tuberosidade
Acidentes ósseos não articulares
Relevo – Predomínio do comprimento crista

espinha

linha
Acidentes ósseos não articulares

Relevo – Predomínio da altura (em ponta)

Apófise
Acidentes ósseos não articulares

Reentrância

Chanfradura
Fossa

Fosseta/Fóvea
Acidentes ósseos não articulares

Reentrância

Buraco
Sulco ou goteira
Canal
Esqueleto Axial:
1. Cabeça Óssea.
A Cabeça Óssea
ou Caveira
Crânio e Face.

Crânio: calote e
base.
Face: maciço e
mandíbula.
Crânio: calote e
base.

É definida uma
linha precisa de
separação entre
calote e base.
Linha de separação entre calote e
base.
*

De diante para trás:

Glabela (*).

Bordos orbitários superior e lateral.

Corpo do zigomático.

Apófise zigomática do temporal

Protuberância occipital exterior.


Calote ou
Bóvea
Superfície regular
e convexa.

Virtual ausência
de orifícios,
com excepção
dos buracos de
veias
emissárias.
Base craniana
Separação de três
andares:
1. anterior ou
superior,
2. médio e
3. posterior ou
inferior.

Superfície
irregular.

Grande número
de orifícios.
Faces endocraniana e exocraniana da base do crânio
Base
Radiografia simples da cabeça com incidência lateral dos raios
X.
Ossos do Crânio: anatomia individual.
Parietal

Localização superior no crânio.

Osso que contribui as paredes e


o teto do crânio.

Osso par.

Osso chato ou plano.


Parietal

endocraniana
Elementos a descrever:
2 faces (exo e endocraniana)
4 bordos;
4 ângulos.

exocraniana
Parietal - Face exocraniana
Bossa parietal.

Linhas temporais do parietal (superior e


inferior).

Buraco parietal (para veia emissária) que


desaparece com a idade.
Parietal - Face endocraniana
(Hemi-) sulco sagital superior.

Fossetas aracnoideias ou de
Pacchioni.
Face endocraniana

“Folha de figueira”: sulcos


vasculares desenhados pelos
ramos das artérias meníngeas
médias.
Lesão traumática dos vasos da “folha de figueira” e
hematomas epidurais.
Dura mater
Hematoma Epidural
Epi e Subdural
Hematoma subaracnóideu
Parietal - Bordos

Sagital
(interparietal)

Anterior (frontal)

Inferior (escamoso)

Posterior (occipital)
Junto ao bordo Interparietal:
Buraco Parietal.

Entre os parietais e o occipital


podem surgir ossos suturais,
wormianos
(extranumerários).

Pequenas peças autónomas.

Número variável.

Tamanho variável.

Frequentes no lambda.
Parietal: Bordos Interparietais / Face endocraniana
Sulco devido ao seio venoso sagital ou
longitudinal superior.
Radiografia simples da cabeça com incidência lateral dos raios
X.
Parietal - Ângulos
Posterossuperior ou
Occipital (sulco sagital superior)

Anterossuperior
Frontal – ângulo reto
(sulco sagital superior)

Postero-inferior
ou Mastoideu (sulco do seio
transverso)

Anteroinferior ou esfenoidal (ramo


anterior da artéria meníngea
média)
Objetivo: Identificar os bordos e ângulos do parietal.
Em que zona do parietal se encontra o orifício produzido
por bala?
Occipital
Localização posteroinferior no crânio.

Contribui para a calote e base craniana.

Osso ímpar.

Osso Chato ou plano.

Forma aproximadamente trapezóide.


Occipital

Elementos anatómicos:

2 faces:
anterior (endocraniana)
posterior (exocraniana).

4 bordos:
2 superiores (direito e esquerdo)
2 inferiores (direito e esquerdo).

4 ângulos:
superior,
inferior (anterior)
2 laterais (direito e esquerdo).
Occipital

Três porções (ontogénese):


1. escama,
2. massas laterais,
3. apófise basilar.
Occipital – Escama / Face exocraniana
Protuberância occipital exterior.

Crista occipital exterior.

Linhas nucais:
Suprema.
Superior.
Inferior.
Occipital – Escama / Face endocraniana
A cruz do occipital separa a escama em 4 fossas:
2 cerebrais (superiores)
2 cerebelosas (inferiores).

No centro da cruz localiza-se protuberância occipital interior ou


“lagar de Herófilo”.
Occipital – Escama / Face exocraniana

Fossas cerebrais e cerebelosas


Occipital - Cruz

Braço Vertical (de cima para baixo):

Sulco do seio sagital superior.

Crista occipital interior (porção


superior).

Lagar de Herófilo.

Crista occipital interior (porção


inferior).

Impressão vermiforme (região


triângular).
Occipital - Cruz

Braço Horizontal

Sulcos dos seios venosos


transversos ou laterais.
Seio venoso sagital ou longitudinal superior
Parietais (2 bordos superiores):
Seio sagital ou longitudinal superior.

Occipital (face endocraniana):


Cruz do occipital
Seios Venosos Sigmóideus

Temporal
Sulco do Seio Transverso e Sulco do Seio Sigmóide
(na face endocraniana do osso temporal)
Seio Venoso Sagital Inferior
ou Recto
Está contido na foice do
cérebro (dependência da
dura mater que não se
insere na tábua interna de
nenhum osso craniano).

Não deixa marca óssea !


Occipital: Buraco magno ou buraco occipital

Limitado por:
Escama (metade posterior)
Massas Laterais (porção
latero-anterior).
Apófise Basilar (anterior).
Occipital: Buraco magno
É atravessado por:
- Bulbo raquidiano (ou
medulla oblongata).
- Artérias vertebrais.
- Nervo espinhal.
Occipital: Massas laterais / face exocraniana

Côndilos occipitais.
Buraco condiliano (posterior) para veia emissária.
Canal do nervo hipoglosso (XII).
Occipital: Massas Laterais / face endocraniana

Buraco Jugular
Entre o bordo das massas
laterais do occipital e o bordo
inferomedial do rochedo do
temporal.
Occipital: Apófise basilar / Face endocraniana.

Ladeira para suportar o tronco


cerebral (em particular o seu
componente intermédio:
a protuberância ou ponte).
Occipital - Bordos
Superiores –

Serreados ou
denteados.

Articulam-se com os
parietais (lambda).

Região onde os
ossos wormianos ou
suturais são mais
frequentes.
Occipital - Inferiores

Inferiores –
Articulam-se com o
rochedo do temporal.

Metade superior –
grosseiramente
serreada ou denteada.

Metade inferior -
Desenha o orifício
jugular (e saliências a
ele associadas).
Occipital - Ângulos
Superior – parietal ou lambdóide.

Laterais – mastoideu (articula-se com a


mastóide do temporal).

Inferior – esfenoidal (funde-se com o clivo do


esfenóide).
Centro da visão:
localização no lobo occipital
Frontal

Contribui para a calote craniana.

Forma a testa.
Frontal
Contribui para a calote craniana.

Forma a testa.

É um osso “pneumático” (tem ar dentro da


escama).

Osso ímpar.

Geométricamente pode ser visto como a


junção de 2 componentes:

Escama (vertical): espessa e


em curva de convexidade
anterior.

Lâmina horizontal: fina e


com duas convexidades
superiores (tecto das órbitas).
Radiografia simples da cabeça com incidência
lateral dos raios X.
Frontal: Escama

Elementos Anatómicos:

2 Faces:
Anterior (exocraniana)
Posterior (endocraniana)

3 Bordos
Superior (parietal ou escamoso).
Anterior (orbitário ou anteroinferior).
Posterior (esfenoetmoidal ou posteroinferior).

2 Ângulos
Frontal: Escama / Face exocraniana ou anterior.

• Glabela.
• Bossas frontais.
• Arcadas supraciliares.
• Buraco supraorbital.
• Sutura metópica (completa os
2 ossos frontais).
Frontal: Escama / Face exocraniana ou anterior.

Crista lateral do frontal (linha temporal


inferior).

Faceta temporal do frontal.


Frontal: Face endocraniana (ou posterior).
Sulco do seio sagital (longitudinal superior).
Crista sagital do frontal.
Buraco cego.
Frontal : Crista sagital
Inserção da foice do cérebro:
componente da dura mater que
separa parcialmente os 2 hemisférios
cerebrais.
Frontal: Face endocraniana (ou posterior).

• Fossas do frontal.
• “Impressões digitais” e “saliências ou impressões mamilares” (dos
giros ou circunvoluções cerebrais).
Frontal: Seios do frontal
Seios frontais:
Extensão variável.
Assimétricos.
Abrem no meato
médio das fossas
nasais.
Frontal: Seios do frontal
Frontal: Seios do frontal
Fraturas e
afundamentos da
escama do frontal:

Hematomas
palpebrais.
Frontal: Lâmina Horizontal / Face exocraniana (inferior)

Chanfradura etmoidal.
Espinha nasal do frontal.
Orifícios dos seios frontais.
Fossas orbitárias.
Fosseta lacrimal (anterolateral)
Frontal: Lâmina Horizontal / Face endocraniana (superior)

Chanfradura etmoidal.
Iminências orbitárias
Impressões ou
saliências mamilares.
Frontal: Bordos
Superior (parietal ou escamoso).

Anterior (orbitário ou
anteroinferior).

Posterior (esfenoetmoidal ou
posteroinferior).
Frontal: Bordo Superior

Denteado ou serreado.
Sutura coronal com os
dois parietais.
Frontal: Bordo Posterior

Articulação com a
lâmina horizontal
do etmóide (medial)
e as pequena e
grande asas do
esfenóide (lateral).
Frontal: Ângulos Laterais (ou Esfenoidais)

Outras denominação:
Apófise orbital lateral
ou apófise
zigomática do
frontal.

Convergência dos 3
bordos (orbital,
escamoso e
posterior).

Articulação com o
malar e a grande
asa do esfenóide.
Objetivo: Identificar os bordos e ângulos do frontal.
Leucotomia Préfrontal

Leucotomia pré-frontal e lobotomia frontal são duas técnicas absolutamente distintas. Leucotomia
préfrontal (Egas Moniz, 1936) - do grego leuco = branco + tomos = corte - significa corte da
substância branca localizada no região préfrontal do cérebro. Este corte é feito através de um
pequeno instrumento desenvolvido por Egas Moniz designado por leucótomo.”in wikipédia”.
Objetivo: Identificar os bordos, ângulos e seios do
frontal.