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Absenteísmo por causa odontológica - Análise comparativa entre

funcionários da Prefeitura do Município de São José dos Campos e


segurados do Instituto Nacional de Previdência Social - Inamps

José Roberto Sá Lima


- Mestre em Clínicas Odontológicas pela Faculdade de Odontologia da USP
- Doutor em Anatomia pelo I.C.B. - USP
- Prof. Titular de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial da Fac. de Odontologia de São José dos Campos - UNESP
- Prof. Responsável do Curso de Pós-Graduação em Prótese-Buco-Maxilo-Facial, nível de mestrado e doutorado, da Fac. de Odontologia de
São José dos Campos - UNESP
- Prof. Responsável pela Disciplina de Anestesia Local do Curso de especialização em Odontopediatria do Departamento de Ortodontia e
Odontopediatria da Fac. de Odontologia de São José dos Campos - UNESP
- Prof. Responsável pela Disciplina de Informática do Curso de Pós-graduação em Dentística Restauradora, nível de mestrado, do
Departamento de Dentística Restauradora da Fac. de Odontologia de São José dos Campos - UNESP

O trabalho torna-se cada vez mais efetivo e fundamental no avanço sócio-econômico de nossa sociedade. A saúde ou bem estar do
trabalhador devem estar voltadas às atenções dos responsáveis pelas diretrizes de um país que tenha sua economia embasada no labor
desses mesmos trabalhadores; estes, portanto, devem ser o objetivo da preservação, conservação de um completo bem estar, físico, mental e
social. Portanto o máximo da sua capacidade produtiva tornar-se-á plena quando a população trabalhadora estiver satisfeita em suas
necessidades básicas de saúde. Assim sendo, o não comparecimento a sua atividade laboral pelo absenteísmo-doença romperá o equilíbrio
saúde e produtividade, fator gerador do desenvolvimento tecnológico. O estudo do Absenteísmo Odontológico no Brasil é extremamente
dificultoso em conseqüência de não existir uma guarda dos documentos pertinentes, em detrimento de estudos estatísticos. Não existem
valores palpáveis para aferirmos o número de dias perdidos de trabalho por razões de absenteísmo odontológico quer seja a nível nacional,
estadual e municipal. Não existe, portanto, informações tanto a respeito do ônus econômico que tais faltas possam acarretar, como também no
nível de insatisfação do trabalhador pela quebra da binômio saúde-trabalho. A falta de dados a respeito do Absenteísmo Odontológico implica,
sem dúvida alguma em nada se saber do comportamento do trabalhador nesse sentido. Assim sendo julgamos interessante estudá-lo.
INTRODUÇÃO

O trabalho torna-se cada vez mais efetivo e fundamental no avanço sócio-econômico de nossa
sociedade.

A saúde ou bem estar do trabalhador devem estar voltadas às atenções dos responsáveis pelas diretrizes
de um país que tenha sua economia embasada no labor desses mesmos trabalhadores; estes, portanto,
devem ser o objetivo da preservação, conservação de um completo bem estar, físico, mental e social.
Portanto o máximo da sua capacidade produtiva tornar-se-á plena quando a população trabalhadora estiver
satisfeita em suas necessidades básicas de saúde.

Assim sendo, o não comparecimento a sua atividade laboral pelo absenteísmo-doença romperá o
equilíbrio saúde e produtividade, fator gerador do desenvolvimento tecnológico.

O estudo do Absenteísmo Odontológico no Brasil é extremamente dificultoso em conseqüência de não


existir uma guarda dos documentos pertinentes, em detrimento de estudos estatísticos.

Não existem valores palpáveis para aferirmos o número de dias perdidos de trabalho por razões de
absenteísmo odontológico quer seja a nível nacional, estadual e municipal. Não existe, portanto,
informações tanto a respeito do ônus econômico que tais faltas possam acarretar, como também no nível
de insatisfação do trabalhador pela quebra da binômio saúde-trabalho.

A falta de dados a respeito do Absenteísmo Odontológico implica, sem dúvida alguma em nada se
saber do comportamento do trabalhador nesse sentido. Assim sendo julgamos interessante estudá-
lo.

REVISÃO DA LITERATURA

BEATJER (1950) (1) publicou o resultado de um estudo do trabalho da mulher, dedicando especial atenção
ao problema do Absenteísmo-Doença. Concluiu que o absenteísmo-doença entre as mulheres excedia
ao dos homens. Seus resultados são iguais aos obtidos por BRINTON (1945) (4).

INDULSKI(1964-1968) (9,10), também chegou a conclusão que o percentual de Absenteísmo-Doença


entre as mulheres é maior que entre os homens. O Autor chamou esse percentual de tempo perdido e
encontrou um total de 4,99% de absenteísmo entre as mulheres, enquanto que para os homens esse total
foi de 4,77%.

SMITH (1966) (12) ao estudar o Absenteísmo-Doença preocupou-se com os problemas relacionados


aos transtornos financeiros causados pela falta de trabalho, tanto aos custos direto no salário e
indiretos referentes aos prejuízos causados pela não produtividade a má qualidade final do produto.

CARNE (1969) (6) ao estudar o absenteísmo deu um enfoque diferente ao demonstrar que algumas
variáveis, no sexo masculino, apresentam uma superioridade, mas no consenso geral, o Absenteísmo-
doença é superior no sexo feminino em relação ao masculino.

CALLE RIVIEGO (1971) (5) após estudar o absenteísmo-doença chegou a conclusão que em 42.349,5
dias de trabalho perdidos por motivos de doença, 30.000,5 (70,8%) ocorreu entre trabalhadores do sexo
feminino.

Em 1972 BEWS (3), também verificou que a relação das ausências no trabalho por doença, distribuia-se
entre os dois sexos na proporção de 192 por 104, com predominância nas mulheres.

Nesse mesmo ano, THOMPSON (13), estudou o absenteísmo-doença na Grã-Bretanha. Verificou que
durante o período de 1967 a 1969, havia ocorrido 5 milhões de licenças que implicaram na perda de
quatro milhões de dias de trabalho. Desse total, 76,2% correspondiam às mulheres.

NOGUEIRA & LAURENTI (1975) (11) após estudarem o absenteísmo-doença, afastando algumas
variáveis como mulheres grávidas, não encontraram muitas diferenças quando consideraram o
sexo. O índice de freqüência em 1.000 dias/pessoa foi de 2,67% para os trabalhadores do sexo masculino
e 2,88% para os do feminino. Para o índice de gravidade da doença em 1.000 dias/pessoa, foi de 9,33%
para o sexo masculino e de 8,53% para o feminino. Afirmaram, ainda, que para estes trabalhadores,
somente algumas variáveis são superiores no sexo masculino, mas de uma forma geral existe uma
superioridade do sexo feminino.

DIACOV & SÁ LIMA (1988) (7) após estudarem 7.012 casos de absenteísmo odontológico em
trabalhadores da Prefeitura Municipal de São José dos Campos, concluíram que o maior índice de
absenteísmo odontológico ocorreu na faixa etária de 20 a 30 anos (incompletos), nos trabalhadores
de sexo masculino que exerciam função burocrática. Concluíram ainda que a medida que aumenta a
faixa etária diminui o índice de absenteísmo por causas odontológicas.

PROPOSIÇÃO

Com o objetivo de contribuirmos para um melhor conhecimento do Absenteísmo por causa


Odontológica, estudaremos comparativamente as variáveis implícitas no processo: faixa etária,
sexo e função (burocrática e não burocrática) entre funcionários da Prefeitura Municipal de São José dos
Campos e segurados do Instituto Nacional de Previdência Social - INAMPS - Regional de São José dos
Campos.

MATERIAL E MÉTODO

Para alcançarmos os objetivos de nossa proposição, empregamos o seguinte:

A Amostra foi constituída por 1.774 atestados odontológicos, que constituíram dois grupos: Prefeitura e
Inamps.

O grupo Prefeitura foi constituído por 701 atestados odontológicos, de funcionários da Prefeitura Municipal
de São José dos Campos

O grupo Inamps foi constituído por 1073 atestados odontológicos de segurados do Instituto Nacional de
Previdência Social - INAMPS - Regional de São José dos Campos.

Tabela 1 - Distribuição da amostra de acordo com o grupo

Grupos

Prefeitura Inamps Total

Nº de Atestados 701 1073 1.774

O método foi o mesmo empregado por DIACOV & SÁ LIMA (1988)7, ou seja, após a obtenção dos
atestados, estes foram examinados, tendo por critério, para posterior análise estatística o levantamento e a
tabulação das seguintes variáveis: sexo, faixa etária e função.

A análise estatística empregada foi a quantitativa e sua significância estabelecida pelo teste "Z". (BERQUÓ
et al (1981) (2).

RESULTADOS

As tabelas a seguir, numeradas de 2 a 5, apresentam os resultados obtidos segundo a metodologia


aplicada.
As tabelas numeradas de 6 a 7 apresentam a significância estatística.

Tabela 2 - Absenteísmo por causa Odontológica relacionando faixa etária e sexo no grupo Prefeitura

Faixa Etária
Sexo
(em anos)

Masculino Feminino Total

10 - 20 134 28 162

20 - 30 140 134 274

30 - 40 92 101 193

40 - 50 42 21 63

50 + 9 - 9

Total 417 284 701

Tabela 3 - Absenteísmo por causa Odontológica relacionando faixa etária e sexo no grupo Inamps

Faixa Etária
Sexo
(em anos)

Masculino Feminino Total

10 - 20 155 51 206

20 - 30 231 205 436

30 - 40 146 151 297

40 - 50 63 45 108

50 + 11 15 26
Total 606 467 1073

Tabela 4 - Absenteísmo por causa Odontológica relacionando faixa etária e função no grupo Prefeitura

Faixa Etária
Função
(em anos)

Não Burocrática Burocrática Total

10 - 20 76 86 162

20 - 30 91 183 274

30 - 40 97 96 193

40 - 50 37 26 63

50 + 9 - 9

Total 310 391 701

Tabela 5 - Absenteísmo por causa Odontológica relacionando faixa etária e função no grupo Inamps

Faixa Etária
Função
(em anos)

Não Burocrática Burocrática Total

10 - 20 172 82 254

20 - 30 234 162 396

30 - 40 137 101 238

40 - 50 90 61 151

50 + 24 10 34

Total 657 416 1073

Tabela 6 - Significância estatistística da aplicação do " test" quando consideramos o sexo em função da
faixa etária

Faixa Etária
Sexo
(em anos)

Masculino Feminino
* *

10 - 20 2,289** -0,460

20 - 30 -1,486 0,877

30 - 40 -0,755 0,909

40 - 50 1,680 -1,052

50 + 0,389 -3,051

* = calc. > 1,96 = 5% = (1,96)

** Estatísticamente Significante para calc. > 5% = (1,96)

Tabela 7 - Significância estatistística da aplicação do " test" quando consideramos a função em relação a
faixa etária

Faixa Etária
Função
(em anos)

Não Burocrática Burocrática

* *

10 - 20 -0,607 0,798

20 - 30 -1,924** 2,256**

30 - 40 3,537** 0,090

40 - 50 -0,758 -3,668**

50 + -0,599 -3,085**

* = calc. > 1,96 = 5% = (1,96)


** Estatísticamente Significante para calc. > 5% = (1,96)

ANÁLISE DOS RESULTADOS

Os dados obtidos segundo a metodologia aplicada resumem o total das proporções de atestados
Odontológico, considerando-se as relações faixa etária e sexo e faixa etária e função (Não
burocrática e Burocrática), nos grupos Prefeitura Municipal de São José dos Campos e INAMPS.

As proporções que refletem os números de Absenteísmo por causa Odontológica no grupo Prefeitura
Municipal de São José dos Campos segundo a relação faixa etária/sexo encontram-se descritos na tabela
2.

A tabela 3 apresenta os resultados das proporções que refletem os números de Absenteísmo por causa
Odontológica no grupo INAMPS segundo a relação faixa etária/sexo.

As proporções que exprimem os números de Absenteísmo por causa Odontológica no grupo Prefeitura
Municipal de São José dos Campos segundo a relação faixa etária e função (Não burocrática e
Burocrática), encontram-se descritos na tabela 4.

A tabela 5 apresenta os resultados das proporções que refletem os números de Absenteísmo por causa
Odontológica no grupo INAMPS segundo a relação faixa etária e função (Não burocrática e Burocrática).

As tabelas 6 e 7 respectivamente mostram o resultado da aplicação do " test" para análise estatística
entre duas proporções de grupos independentes. O objetivo do " test" foi verificar estatísticamente se as
diferenças encontradas ocorrem de modo uniforme segundo as faixas etárias em ambos os grupos
estudados. Tal condição não se verificou em qualquer dos casos analisados. Isoladamente nossos
resultados demonstram que para algumas faixas etárias estabeleceu-se um diferença estatísticamente
significante para calc.>1,96 = 5% = (1,96).

DISCUSSÃO

A falta de informações na literatura evidencia o quanto é difícil de estabelecermos comparação de


resultados quando o assunto abordado é o absenteísmo por causa odontológica.

DIACOV & SA-LIMA (1988) (7) ao estudarem o absenteísmo por causa odontológica afirmaram que a
comparação de resultados de autores da área odontológica com resultados de autores da área
médica, torna-se impossível em razão dos fatores etiológicos, embora pertençam a áreas correlatas.

Ao realizarmos o estudo comparativo do absenteísmo-doença por causa odontológica em duas entidades


representativas da classe laboral brasileira, nossos resultados demonstraram haver uma diferença
estatisticamente significante ao nível de 99% de predomínio de absenteímo na faixa etária de 10 a 20
anos para o sexo masculino. Estes resultados confirmam os achados de CARNE (1967) (6) e se opõe
aos de FORSSMAN (1964) (8), embora suas pesquisas tenham sido desenvolvida em área correlata.

Da mesma forma nossos resultados nos fazem discordar de BEATJER (1950) (1) quando afirmou que o
absenteísmo-doença independe da função. Nossos resultados demonstram haver um diferença
estatisticamente significante ao nível de 99% nas faixas etárias de 20 a 30, 40 a 50 e de 50 anos para mais.

CONCLUSÕES

Após análise estatística dos resultados obtidos segundo a metodologia aplicada, concluímos:

• No que diz respeito ao Absenteísmo por causa Odontológica, as diferenças entre as proporções
consideradas, foram, estatísticamente significantes ao nível de 5%, quando consideramos o sexo
masculino em relação a faixa etária de 10 a 20 anos. Nas demais faixas etárias para ambos os
sexos, não se verificou uma diferença entre proporções estatisticamente significante.

• No que tange ao Absenteísmo por causa Odontológica, as diferenças entre as proporções


consideradas, foram, estatísticamente significantes ao nível de 5%, quando consideramos a função
não burocrática em relação às faixas etárias de 20 a 30 e de 30 a 40 anos. Para as demais faixa
não se verificou uma diferença entre proporções estatisticamente significante.

• No que concerne ao Absenteísmo por causa Odontológica, as diferenças entre as proporções


consideradas, foram, estatísticamente significantes ao nível de 5%, quando consideramos a função
burocrática em relação às faixas etárias de 20 a 30, de 40 a 50 e de mais de 50 anos. Para as
demais faixa etária não se verificou uma diferença entre proporções estatisticamente significante.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. BEATJER, A.M. - Women in industry:their health and efficiency. Phila-delphia, Launders,1950.

2. BERQUÓ, E.S., SOUZA, J.M.P., GOTLIEB, S.L.D. Bioestatística. São Paulo. Ed. Pedagógica e
Universitária. 1981, 350p.

3. BEWS, D.C. - Monitoring disability absence in a employee group. J. Occoup. Med., v.14, p.911-7, 1972.

4. BRINTON, H.P. - Las mujeres en la industria. In: GAFAFER, W.M. Manual de la Hygiene Industrial.
Washington, Organización Panamericana de la Salud.1945. p.364-87.

5. CALLE ROVIREGO, B. de la - El trabajo de la mujer. In: INSTITUTO NACIONAL DE PREVENCIÊN.


Tratado de hygiene y seguridad del trabajo Madrid, 1971. p.219-26.

6. CARNE, S.S. - Absence certification:analysis of one group practice in 1967. Brit. med. J., v.1, p.147-9,
1969.

7. DIACOV, N. & SÁ LIMA, J.R. - Absenteísmo Odontológico. Rev. Odontol. UNESP, v.17, p.183-9, 1988.

8. FORESSMAN, S. - Women at work: helth and socio medical problems related to the employment of
women. Industr. Med. Surg., v.33, p.125-29, 1964

9. INDULSKI, J. - Certain factors affecting the sick absenteysm of women. Santé publ., v.10, p.23-4, 1968.

10. INDULSKI, J. - Some problems of the sick - news absenteysm in textile industry. Santé publ., v.7, p.423-
36, 1964.

11. NOGUEIRA, D.P. & LAURENTI, R. - Absenteísmo por doenças em mu-lheres. Rev. Saúde Publ., v.9,
p.393-9, 1975.

12. SMITH, D.J. - Absenteysm in industry. Illinois med. J., v.129, p.225-9, 1966.

13. THOMPSON, D. - Sickness absence in the civil service. Proc. Roy. Soc. Med., v.65, p.572-97, 1972.

Artigo publicado no Odontologia.com.br em 29 de Outubro de 2001, no endereço:


http://www.odontologia.com.br/artigos.asp?id=22

Data do acesso: 14 de Maio de 2009