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RESUMO: O presente artigo pretende de forma simples e acessível, contribuir para o alcance de novas discussões no tocante às medidas de ressocialização do preso, com a finalidade da preservação da dignidade da pessoa humana, severamente desrespeitada nos nossos estabelecimentos prisionais brasileiros. Não é intenção deste autor divulgar à respeito do tema de forma imparcial ou até mesmo se utilizar da oportunidade tão somente para ³atirar pedras´ no contemporâneo sistema penal que tanto nos aborrece, nossa intenção ao desenvolvê-lo é contribuir para seu melhoramento, visto que as tentativas conhecidas não conseguiram lograr êxito. SUMÁRIO: 1- INTODUÇÃO; 2 ± DESENVOLVIMENTO; 2.1 ± Abordagem Constitucional; 2.2 ± Ceará; 2.3 ± Bahia; 2.4 ± Espírito Santo; 3 ± CONSIDERAÇÕES FINAIS; REFERÊNCIA.

1 INTRODUÇÃO Este artigo científico tem como escopo a discussão de políticas de ressocialização do preso, sob a ótica do princípio da dignidade da pessoa humana, que possibilite a reinserção do ex-presidiário ao grupo social do qual foi excluído em decorrência do cometimento de ilícito penal, uma vez que a pena imposta ao presidiário não tem como finalidade lhe trazer malefícios após o seu cumprimento. No entanto, o que ocorre no atual sistema penal brasileiro é que o ex-presidiário carrega consigo um pesado estigma resultante do cumprimento de medidas privativas de liberdade, o que agrava ainda mais o caráter punitivo da sentença condenatória. Partindo-se dessa premissa, a sociedade pergunta-se: Por que não prestigiar o caráter ressocializador da pena em detrimento ao punitivo? Com esse artigo, pretende-se sugerir as políticas necessárias para que a ressocialização seja encarada com maior seriedade pelos profissionais responsáveis por assegurar que o preso, uma vez solto, não torne a infringir a lei e com isso colocar a sociedade em um nível mínimo exigível de segurança pública. Pretende-se também investigar as causas que tornam o sistema penal brasileiro tão ineficiente, já que se gastam tantos milhões para aglomerar centenas de milhares de cidadãos, que, ao fim do cumprimento de suas penas, descobrem que a maior delas ainda está por vir, a rejeição social. Sabe-se bem que a tomada de adequadas medidas de ressocialização e a diminuição da reincidência estão diretamente relacionadas. Com isso, entende-se que a educação prisional é uma forma segura de obtenção de maiores resultados em se tratando de segurança públic a,

1 ABORDAGEM CONSTITUCIONAL A priori.a reincidência que tanto nos apavora está diretamente ligada ao falido sistema de ressocialização vigente no nosso país e talvez no mundo. de modo a responder às questões norteadoras propostas por este autor que vos escreve. 1 .4 sendo esta constatação fundamental para a escolha do tema abordado. que além de informar visa contribuir com ricas sugestões que torne possível o alcance dos anseios da sociedade no que tange ressocialização do preso. em síntese. quais sejam pesquisa exploratória ou bibliográfica. tais como produções literárias. é inaceitável que nossos presos continuem sendo ³adestrados´ como cães nos nossos estabelecimentos prisionais. trata-se. já não mais cabe apenas prevenção ou repressão. internet e discussões nos meios de comunicação de massa. para tanto. que consiste na utilização das mais diversas formas de obtenção do conhecimento. políticas sócio-educativas capazes de tornar o infrator mais uma vez apto a integrar o grupo social do qual foi excluído em virtude do cometimento de ilícito penal1. com a nobre intenção de devolvê-lo para a sociedade apto a reintegrar o grupo social do qual foi extirpado. como já foi abordado. Nota-se que os atuais mecanismos de ressocialização vêm se mostrando ineficazes. considero de suma importância fazermos uma breve delimitação do tema em questão para garantirmos o sucesso deste artigo. por tanto. uma vez que. de proporcionar durante o cumprimento de medida privativa de liberdade. artigos de jornais. é preciso que saibamos lidar com os infratores visando evitar que os mesmos jamais tornem a cometer os erros que os levaram à prisão. A metodologia a ser utilizada nesse artigo consiste na abordagem do tema sob a ótica de três formas de pesquisa. 2 DESENVOLVIMENTO 2. e pior com o dinheiro da pesada carga tributária que pagamos Trata-se daquelas medidas adotadas pelo juízo de execução que visam a não reincidência do criminoso que nesse momento encontra-se sob custódia do estado. pesquisa descritiva e pesquisa explicativa. visto que já existem diversas discussões acerca de uma série de institutos penais que se demonstraram ineficazes. é necessário que saibamos na essência o significado desta expressão. nos resta a responsabilidade objetiva de repensarmos tal instituto dado sua importância inalienável.

minuciosamente. para eles são verdadeiros celeiros do crime. cita-se como um belo exemplo. a melhoria da realidade prisional brasileira. o que não ocorre nos demais presídios brasileiros. portanto. pois. De acordo com os ensinamentos de Bernard Shaw ³para emendar um indivíduo é preciso melhorá-lo e não o melhoramos fazendo-lhe o mal´. quando me propus a escrever este artigo pretendia. necessário selecionar quais penas e quais os modos de aplicá-las. quais sejam. já que. de tal modo que conservadas as proposições. que entendemos idôneos para o alcance dos nossos objetivos. Entendemos que o consagrado princípio da proporcionalidade da pena é perfeitamente delimitado por Beccaria. Discussões a respeito do tema vêm ao longo da historia da humanidade demonstrando diversas fases e concepções equivocadas no tocante a medidas de ressocialização. haja vista que não basta empregar o caráter punitivo da pena ao réu. Michel. e a menos tormentosa no corpo do réu´2. causem impressão mais eficaz e mais duradoura no espírito dos homens. Vigiar e punir. como ocorre com os presídios administrados pela Apac 5onde os presos são tratados de forma diferente. recuperam e ao mesmo tempo ressocializam o detento. Petrópolis: Vozes. modelos de penitenciárias que recuperam boa parte de seus internos que estão espalhadas pelo mundo e mesmo em nosso meio existem penitenciárias que. Cumpre observar que as citações mencionadas demonstram que seus autores não estão preocupados em ³punir mais e sim punir melhor´ frase magna do talentoso Michel Foucault3. sexo e violência sobre tudo. onde às vezes são forçados a esquecerem que são seres humanos. 1977 Termo comumente utilizado pelos próprios detentos descrevendo os presídios brasileiros. 5 Associação de proteção e Assistência ao Condenado 4 . nos dias atuais não mais é aceitável convivermos com a idéia de estabelecimentos prisionais com a fama degradante de ³escolas do crime´4. como se fossem pessoas detentoras de direitos e deveres assim como qualquer outra. mais importante que ele se mostra seu lado educativo. vamos nos ater aos modelos.5 todos os dias seja no ³cafezinho´ que tomamos ou no arroz que colocamos sobre a nossa mesa. 3 2 FOUCAULT. uma vez que além de onerar a sociedade a reincidência nos coloca num total quadro de insegurança. drogas. Segundo Beccaria ³é. onde tudo é possível. tal método não contribuiria para o avanço das discussões pretendidas nesse artigo. com seus modos inovadores. explanar cada um deles. no entanto. sabiamente ele nos ensina que devemos dosar a pena. para que ela alcance seu escopo e nós não corramos o risco de ser perversos.

tais como uma instituição penitenciária idônea. funcionários capacitados. os índices de violência irão baixar e a qualidade de vida irá melhorar. demonstra algumas medidas que muitas das vezes pode substituir o cerceamento à liberdade7.6 Nos presídios sob administração da Apac não existem policiais civis nem militares. o dinheiro não é proibido. ou seja.5 por cento. No entanto. Tal fato implicará diretamente n vida dele a próprio e também na vida da sociedade que sentirá os efeitos de tal recuperação. 7 Na composição do artigo. ao ser tratado com dignidade e respeito. o uso de roupas normais é permitido. na Argentina e no Peru. quando o indivíduo necessita de tratamento ressocializante. a super lotação dos presídios que hoje é tormento para a sociedade irá diminuir sensivelmente. . É preciso que existam certas condições para que a recuperação do infrator ocorra. penas que não retiram o condenado do meio social e o código de processo penal. Dessa forma. os internos têm as chaves de todas as portas e portões da unidade ± inclusive entrada e saída. pois para a sociedade nada como a reclusão para ³emendar´ o indivíduo transgressor. visto o descrédito das mesmas. O caminho para a recuperação é justamente aquele adotado pela Apac que administra presídios no Brasil. seja obsoleto. No interior da unidade há lanchonete e sorveterias. contra 85 por cento 6de instituições tradicionais. encontrando muita resistência da sociedade no tocante. doação de alimentos aos necessitados. recuperados de seus erros. ainda que. Existem casos em que o melhor caminho a ser seguido não é a reclusão e sim penas alternativas como prestação de serviços à comunidade. é preciso que se recorra à pena privativa de liberdade apenas em casos extremos. na nossa opinião. vê que é possível recuperar-se e não mais ter uma vida delituosa como antes. enfim. é preciso que a capacidade da unidade não seja extrapolada e aqui está a importância das penas alternativas 6 Dados apresentados pelo conselho de administração da APAC e sob sua responsabilidade quanto a sua veracidade. É estupidez imaginar que homens amontoados como animais enjaulados podem um dia voltar à sociedade. tivemos a oportunidade de nos aprofundarmos nas discussões a respeito das medidas alternativas de cumprimento de pena. Todas essas mudanças implicam na porcentagem de reincidência: 4. O apenado.

o legislador previu uma série de normatizações que visam adoção de critérios . devemos entender que tais dispositivos. teve o cuidado de garantir a liberdade do apenado. no entanto há infrações que ante a sua gravidade devem ser punidas com a restrição da liberdade. A Constituição Federal. Diante disso. quais sejam. que estabelece são e iguais garantindo perante também a a lei. o que a contra-senso continua tutelando a liberdade. até porque. visto a sua importância incontestável. E havendo a necessidade da privação da liberdade do apenado. deixando tal medida como excepcionalidade. evidenciando-se o seu aspecto fundamental. Entende-se. consagra o direito ao apenado de uma série de medidas alternativas de cumprimento de penas. Ainda que haja expressamente a proibição de restrição a liberdade na Constituição da República. diante da ineficiência dos nossos institutos prisionais e o seu alto custo para o estado. não que fazendo do distinção direito de à qualquer vida. no título Dos Direitos e Garantias Fundamentais.7 em casos que o emprego delas é possível. 5º. liberdade. tais medidas se mostram uma saída de grande valia para a sociedade. como exemplo no caput do art. prestigiando assim a liberdade. dessa vez da coletividade que não deve viver em cárcere temendo a criminalidade. portanto. à segurança e à propriedade. Uma pena justa é necessária. que ao indivíduo é garantido o direito à liberdade toda vez que houver medidas alternativas capazes de alcançar o objetivo ressocializador da pena. já que a própria constituição elenca oportunidades em que o individuo será privado dela. pois servirá de exemplo às outras pessoas que tencionem agir ilicitamente. visto a gravidade do seu delito. servindo de exemplo. a pena privativa de liberdade não deve ser a solução para todos os casos. à igualdade. que podem variar do pagamento de multa até a prestação de serviços sociais. sob dois argumentos. podemos concluir que o legislador constituinte ao editar a carta magna. garantir a segurança da sociedade e reprimir. é uma garantia relativa. à inviolabilidade Todos natureza. É importante também que haja uma pena condizente com o ato praticado. ao cometimento de ilícitos similares.

ainda aqueles que se encontram privados da sua liberdade. quando lhe assegura medidas alternativas de cumprimento de penas e até mesmo penas alternativas. princípio germinado em toda a constituição. pois não basta amontoar-se homens delinqüentes enjaulados. que é sem dúvida a grande preocupação da sociedade e do estado. a idade e o sexo do apenado´ o que evidencia que não basta privar a liberdade do criminoso. isso vai depender do caso concreto. seja da sociedade quando impõe ao criminoso as severas privações da sua liberdade. já que como foi visto. infraconstitucional Pensar qual o não Inegável. Outro dispositivo que evidencia tal preocupação do legislador é o do artigo 5° inciso XLIX que nos ensina que: ³É assegurado a presos o os respeito à integridade física e mental´ ora. terá é a jamais pisar primazia contrário portanto. é preciso lhes dar a possibilidade de repensar sua atitude e com isso ter a oportunidade de arrependerem-se dos seus crimes. aplicando as penas guardando as devidas proporções. no incontroláveis. o no da condão Estado que de Democrático mera modificar de como indiscutível Constituição principal elemento regulador da vida social e da atividade estatal. de acordo com a natureza do delito. A inobservância das medidas de ressocialização do preso. filhos da nação. que podem agravar ou atenuar a forma do cumprimento da medida. sendo assim a chance de reincidência certamente diminuirá sensivelmente. que ganhou força com o surgimento das entidades internacionais de proteção ao ser humano. portanto. princípios. dispõe com clareza que o estado deve se preocupar com todos os seus filhos. deve fazê-lo de forma -se criteriosa. assim facilitando o alcance da ressocialização. é sem dúvida uma afronta a nossa carta magna. que para o direito brasileiro. basicamente impõe ao estado o tratamento respeitoso aos cidadãos. mas parece-nos faltar tal preocupação todas as vezes que nos deparamos com as 8 Conceito abstrato. seja do indivíduo transgressor. Assim. no entanto. seja qual for a medida. sejam criminosos ou não. para não corrermos o risco de transformá -los monstros legislação tais Direito. conforme podemos constatar no artigo 5° inciso XLVIII ³a pena será cumprida em estabelecimentos distintos. mais um dispositivo que consagra a contemporânea necessidade de se aplicar medidas assecuratórias da dignidade da pessoa humana.8 asseguradores de medidas adequadas em consonância com gravidade do crime e as peculiaridades do infrator. . deve-se preservar a dignidade da pessoa humana8. inquestionável que o espírito constitucional é o da preservação da liberdade.

ou seja. quem nunca foi vítima de algum desses criminosos. tranqüilidade ou pior. Assim. Contudo. pois se tornou uma máxima indesejável o entra e sai desses homens da prisão. Ora.9 condições desumanas as quais os presos são submetidos nos nossos contemporâneos ³carandirus´9. que impiedosamente nos abordam nos sinas e ruas mal iluminadas. sabemos que o problema da ressocialização não é um privilégio do Brasil. No entanto. ao contrário. não é justo pagarmos por sua estada nos nossos estabelecimento prisionais´. entendemos que. a vida. aqueles os principais do já direitos citado e garantias 5º. tamanha frustração. por incrível que possa parecer podem andar armados de facas e revólveres. o que de certo modo nos acomoda e tira o peso dos ombros é o conhecimento da realidade do mundo atual. do contrário. enquanto nós cidadãos de bem temos que nos esconder dentro da nossa própria insignificância. o mundo todo. No entanto é difícil nos preocuparmos com ressocialização daqueles que nos tiraram nossos bens. familiares. não se sabe o que é pior. é comum ouvir relatos do tipo: ³não compro um carro melhor por medo de ser vítima de um assalto´ ou ³esses monstros merecem morrer. visto que eles. e sem um pingo de decência seguem seu caminho levando consigo uma vida inteira de trabalho árduo. realmente é uma triste realidade que nos faz muitas vezes até pensar numa ineficaz penalidade de morte. os mais lúcidos e inteligentes pensadores da humanidade já comungaram dessa idéia retrógrada. a idéia explorado por este autor passa por dentre as 9 Extinta Casa de Detenção de São Paulo . os gastos milionários em mantê -los sob vigilância do estado ou a total insegurança da sociedade que fica no meio de um literal fogo cruzado custeado pelos nossos pesados impostos. visando uma estatística menos impiedosa no que tange a criminalidade deveríamos nos preocupar com os ³manos´ encarcerados nos ³centros de qualificação de criminosos´ espalhados por todo o país. compreendemos que não basta que haja respeito aos cidadãos que livremente circulam por nossas calçadas e praias da área nobre. não é o ódio e repúdio que a constituinte prega em seu Mágno texto. individuais que considera são justamente o constantes artigo inviolável direito à vida. ela prevê um tratamento humano àqueles que por motivos diversos transgrediram as regras da vida em sociedade. ainda que não demonstre nos seus horários nobres têm grande preocupação. é. e temos que confessar. realmente é assustador o ponto que alcançamos.

nesse artigo. no fim do primeiro semestre de 2009. digo. mas sim. tentando resolver o problema de segurança pública de fora para dentro. agindo circunstancialmente. quando na verdade deveríamos estar ressocializando os nossos marginais. não somente para observar as exigências normativas desse trabalho.10 preconizadas pela constituição. São diversas as obras literárias que de uma forma ou de outra. para que assim quem sabe. para uma capacidade presidiária de 270 mil vagas. pensando em prestigiar os autores aos quais nós mais nos identificamos resolvi citar algumas dessas publicações. visto que não podemos sonhar com a mesma sabendo da nossa imaturidade no tratamento daqueles que estão sob a custódia do estado. pois nos parece óbvio que estamos distante de um quadro de segurança pública mínimo exigível. não dá para falar em ressocialização sem observância de um tratamento humanitário a esses pobres coitados que se aglomeram nos nossos presídios. na nossa opinião. sem condições de higiene. visto que este já é de conhecimento geral e materializa a ineficácia do nosso sistema de segurança pública. locais onde o homem está devidamente abandonado pelo Estado e digo sem medo de causar pavor. ao menos plante uma semente nos corações dos colegas que escolheram o estudo do direito como uma atitude capaz de confrontar a dura realidade social que nos apavora. a população carcerária no país. sei do quê estou falando. já estive do lado de dentro de uma dessas masmorras. mas imaginemos a simples proposta do tema já nos causa imensa fadiga. como pensar em redução da criminalidade se não sabemos sequer o que fazer com os meliantes sob a nossa tutela? Conseguem entender o tamanho do nosso problema? Estamos dando voltas em círculos como dizia minha avó materna nas vezes que tentava procrastin a execução das ar lições de casa que precediam o horário da diversão. não podemos aceitar com naturalidade os fatídicos noticiários matinais acerca do crescimento da criminalidade em nossa historia. Essa superlotação traz a reboque vários outros problemas: de um lado o Estado agindo com desrespeito aos direitos humanos e aos princípios . coerentes ou não tentam enfrentar o problema da ressocialização. para que essas idéias possam ecoar entre aqueles que lerão o mesmo. é indescritivelmente horroroso. se não resolver. ambientes fétidos e insalubres. Presídios superlotados. Sem dúvidas as discussões a respeito do tema são de grande importância para mudarmos os rumos da sociedade. A situação do complexo prisional brasileiro (com raras exceções) é perturbadora. Segundo estudos de organizações não governamentais. era de aproximadamente 469 mil presos.

como saneamento básico. muito raramente é alcançado. transporte de massa. 10 Lei n. no entanto.126. são atitudes inusitadas que vem ao longo da história da humanidade nos ensinando que a resolução dos grandes problemas muitas das vezes está bem distante das divagações a respeito do tema que se mo stram reiteradamente frustradas. parques. tais modelos. ressocializar o preso para que este retorne à sociedade. são diversas modalidades de concessão dos serviços que deveriam ser prestados pelo Estado. de 11/07/84 (Lei de Execução Penal: art. conservação de estradas. jardins dentre outros. quanto ao preso. respeite a dignidade do apenado. para nós. de outro.11 da individualização. caput) . as experiências de alguns estados brasileiros com o sistema de gestão compartilhada e a utilização do instituto das parcerias público-privadas na gestão prisional. fornecimento de energia elétrica. com o intuito de se encontrar instrumental hábil a tornar a execução penal um instituto que. os presos corrompendo agentes públicos. gerenciando e comandando os mais diversos delitos de dentro das celas. confessamos que reagimos com estranheza e descontentamento. e as condições da realidade carcerária no país. organizando. da gestão desse sistema fundamental para a saúde da sociedade.º 7210. por que não tentarmos um dos modelos previstos em nossa legislação de desconcentração da função estatal? Digo. se partirmos da premissa que tais mecanismos privilegiam a excelência na execução dos serviços delegados. particular-estado. proporcionalidade e personalidade na execução da pena. porque não se utilizar dessa receita para resolver de uma vez por todas o nosso ³monstro´ chamado ressocialização? Na nossa humilde opinião. se é possível retirar das mãos do Estado a execução de serviços públicos essências à sociedade. na prática. conseguimos superar esse preconceito ao analisarmos a questão de forma mais minuciosa. visam desonerar o Estado para que assim ele possa dar total atenção à direção da vida em sociedade e conservar o bem comum. O objetivo basilar da Lei de Execuções Penais. pois bem. Quando fomos apresentados ao tema concernente à privatização do sistema prisional brasileiro. por tanto. podemos imaginar uma futurista resolução do problema da ressocializaçao. para então analisar as práticas internacionais no campo das privatizações de presídios. Este artigo cita as determinações da Lei de Execução Penal10. ou a compartilização. sem dúvidas o particular poderia perfeitamente alcançar a perfeição que o estado não teve tempo nem dinheiro de alcançar. dando a ele a oportunidade de se ressocializar e retornar ao convívio em sociedade.

O condenado será alojado em cela individual que conterá dormitório. Art. quais sejam: Art. Este é um dos argumentos apresentados pelos que são contrários à delegação dos serviços prisionais. A assistência material ao preso e ao internado consistirá no fornecimento de alimentação. Art. O estabelecimento penal. Parágrafo único. para que se adotado. conforme a sua natureza deverá contar em suas dependências com áreas e serviços destinados a dar assistência. O estabelecimento penal deverá ter lotação compatível com a sua estrutura e finalidade. b) área mínima de 6. educação. e a fiscalização do cumprimento da pena competem ao Estado. recreação e prática esportiva. deve-se analisar e respeitar as opiniões contrárias a este mecanismo. A punição.ed. falta somente aplicabilidade. Comentários à Lei de Execução Penal. porque isso representaria uma ³subserviência´ do Poder Público ao modelo de economia 11 NOGUEIRA. 85. 12. p. São Paulo: Saraiva. vestuário e instalações higiênicas. seja executado de forma inequívoca e não seja mais uma frustração aos anseios da coletividade. Art. 2. atendendo a sua natureza e peculiaridades. 88. insolação e condicionamento térmico adequado à existência humana. Em princípio. aparelho sanitário e lavatório. para que de uma vez por todas entendamos que o problema não é falta de normatização ou inexperiência desta.12 Resolvemos. trabalho. Parágrafo único. 1984. O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária determinará o limite máximo de capacidade do estabelecimento. IX . São requisitos básicos da unidade celular: a) salubridade do ambiente pela concorrência dos fatores de aeração. entendem que permitir que entidades privadas executem as penas aplicadas pelos juízos de execução vai de encontro aos princípios e finalidades do Estado. a execução. 83. Além da apresentação das idéias favoráveis a privatização do sistema prisional brasileiro e os notáveis dispositivos concernentes ao tema. Paulo Lúcio.00m2 (seis metros quadrados). para fundamentar a questão indicar alguns dispositivos da lei de execuções penais11.

22. com patrimônio próprio e capital exclusivo da União ou de suas entidades da Administração Indireta. muito mais importantes do que o debate sobre se a execução da pena fica ou não a cargo do Estado são os efetivos benefícios que uma administração privada pode trazer. E aí reside uma discussão relevante a respeito da natureza jurídica da conduta do Estado acerca da execução da pena. por motivos de conveniência ou contingência administrativa. conforme art. assim. prestando serviços de apoio social que visam a ressocialização do preso. A delegação do serviço prisional a particulares implicaria gerenciamento por ´patrões´ privados do trabalho prestado. não havendo interesse. que são entidades da Administração Pública Indireta.13 liberal12. demonstram-se menos sujeitas às rebeliões ou à prática de condutas criminosas a partir das celas dos presidiários. porque instituem normas rígidas de convivência interna e externa (encontro com familiares) e prestam serviços de saúde e de educação essenciais à vida do preso. bem como assistência jurídica qualificada (art. nesse caso. mas formalmente não o integra. Ou seja. uma vez que o responsável pela execução da pena auferiria lucros com o trabalho empregado pelo carcerário. de sua parte. As prisões no Brasil. Porém. LEP). já que ele não é obrigado a trabalhar (art. cujas adminis trações competem ao parceiro particular (e isso é juridicamente possível porque a Constituição Federal permite supletivamente que os Estados federados legislem sobre direito penitenciário. priorizando o status quo13. 11. A 12 Consiste numa menor interferência do estado na iniciativa privada. criada por lei para desempenhar atividades de natureza empresarial que o Governo seja levado a exercer. não é o Estado propriamente. que detêm atribuições delegadas pelos órgãos da administração direta a que se submetem. incorrendo. quanto menos atribuições ao estado mais liberal seria a economia do estado. 34. 14 Refere-se as fundações que possuem personalidade jurídica de pessoa de direito público. CF) ± quando gerenciado por fundação14 ou empresa pública 15. numa ilegalidade. princípio daquela relação jurídica como exemplo. 13 Estado original. A concessionária do serviço público é uma entidade paraestatal que está ao lado do Estado. a LEP só autoriza o trabalho dentro de uma prisão ± a critério do preso. que trabalha em regime de colaboração com o Poder Público. 5º. podendo tal entidade revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito . Outro obstáculo à instituição da delegação de serviços prisionais decorreria da Lei de Execuções Penais (Lei 7. em ³ressocializá-lo´. devido a muitas discussões a respeito dessa política de interferência mínima do estado surgiu nos Estados Unidos o meio termo para esse sistema. E também porque a execução das penas é uma atividade jurisdicional. I). XLVII. c. tanto para o carcerário como para a sociedade. denominado neo-liberalismo. 15 Empresa Pública é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado.210/84) ± LEP. não podendo o Estado delegar uma função exclusivamente sua. Em seu art.

Não podemos furtar à sociedade o direito de dias mais tranqüilos por conta de uma burocracia idiota. Daí o seu interesse em tratar os carcerários dignamente. entendemos que diante do tamanho do problema da ressocialização. desse modo. são falaciosas. prospere. Se bastasse a fiscalização. Isto é. o caos atual não existiria e tampouco a demanda e o interesse por essa forma moderna de administração prisional. discussão importante. fará o pagamento da gestão privada prisional. e o Estado não necessita empregar recursos de grande monta imediatamente para a construção do prédio. uma condescendência do Estado com a política econômica neoliberal. Quando trabalham. Um benefício direto para o Estado. tola. o particular vai aos poucos amortizando os investimentos feitos. mas no caso da concessão o custo é suportado pelo parceiro privado. E isso nada tem a ver com ³exploração capitalista´. é o de que a empresa privada emprega recursos próprios. desculpas. não podemos deixar que a legislação que ³fecha a porta´ para a privatização do sistema penitenciário. O Estado. A sociedade já está abarrotada de justificativas ideológicas para a falta de resolução dos problemas que a afetam prejudicialmente. os presidiários autorizam a retenção de parte de seu salário para o pagamento dos serviços que a eles são prestados. o controle e a execução das penas por parte do Estado para que o sistema carcerário fosse suficientemente bom para realocar o presidiário à condição de membro da sociedade. . mas com uma forma razoável e simples de mostrar para o sujeito que não existe ³almoço grátis´. como é comum de se ver nos presídios públicos cuja administração seja prestada pelo Estado. Uma rebelião causa prejuízos. com a participação de particulare tornaria a s. aliar eficiência à efetividade. O que se quer é que o Estado utilize produtivamente os recursos de que dispõe para resolver os problemas sociais. quando da formação de contrato de parceria público-privada para a construção e administração de presídio. Críticas no sentido de que a administração privada dos presídios é inviável por que o Estado não tem estrutura política para fiscalizar e controlar as atividades dos entes privados. Assim. posteriormente. o que poderia acarretar. se este representar a resolução da questão.14 Penitência Industrial de Joinville é exemplo de administração privada que dá certo e se coaduna com a função ressocializadora da pena. Enfim.

corregedor-geral de justiça . é incisivo: "A Secretaria de Segurança e Direitos Humanos do Estado não exerce efetivo controle sobre a atuação da empresa que administra uma penitenciária e uma cadeia pública em Manaus. ao contrário. foram destruídos. deve acompanhar sua evolução. portanto. reguladora das condutas humanas. diante da atual Lei de execuções penais a adoção de tal medida. presídio com capacidade para 450 presos do regime fechado e 138 vagas no regime semi-aberto (estas não terceirizadas. gabinetes odontológicos e o departamento jurídico. pois esta é a forma mais eficaz de se preencher as lacunas legislativas que recorrentemente a sociedade tropeça. Não há treinamento adequado. o Instituto Penal Antonio Trindade.15 assim fica mais formal. destinado aos presos provisórios. há abundante disposição na já citada LEP que apontam para esta possibilidade. foi da Companhia Nacional de Administração Prisional (CONAP). que durou mais de 14 horas. também aparentemente eficaz seria a adoção de uma política de compartilização da gestão do sistema. falta assistência médica e de higiene. visto que tal possibilidade não é vedada por nenhuma de nossas legislações. se a legislação impede a concessão do sistema penitenciário e sua modificação importaria muito trabalho legislativo e tempo que não dispomos. a culpa pela rebelião. mudemos a legislação. elaborado pelo Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva. A segunda medida inusitada. O relatório do sistema prisional brasileiro de 2006. considero possível. E quando as . Na avaliação da comissão que inspecionou o incidente. no tocante à fiscalização por parte da administração Pública em penitenciárias administradas pelo modelo de co-gestão. presídio de segurança máxima com capacidade para 496 presos do regime provisório. Em 2007 houve uma rebelião no Instituto Penal Antônio Trindade. quando os ambulatórios. sob pena de ³prostituirmos´ a idéia original de alcançar o sucesso tão sonhado. Exemplo que não deve ser seguido é o demonstrando no Amazonas. a sociedade está em mudança constante e a lei. se for preciso. com capacidade para 614 internos. sendo administradas pela Secretaria de Justiça do Estado). e o Complexo Penitenciário Anísio Jobim. "constatamos que a atuação da CONAP nessa cadeia é péssima. Ouvimos vários detentos e o que ouvimos e vimos nos leva a constatar que a rebelião foi culpa da falta de preparo de agentes da CONAP" disse João Simões .ao deixar o presídio. onde houve a parceria com a empresa Companhia Nacional de Administração Penitenciária (CONAP) para terceirizar serviços na área de três penitenciárias: o Complexo Penitenciário Unidade Prisional do Puraquequara.

do que naquelas penitenciárias totalmente estatais. lavanderia. o benefício da redução da pena (remição). São 16 penitenciárias com 7. no que se refere ao meio ambiente e à assistência ao preso. que supervisionavam a qualidade de trabalho da . lavanderia e embalagens de produtos. que foi o pioneiro nesse sistema. nesse sistema. pioneiro na gestão compartilhada de presídios. em 1999. requerem informações sobre o contrato celebrado entre o Estado e a empresa. A aplicação da Lei de Execução Penal. tais como: refeições. é mais facilmente efetivada. que vem a olhos vistos diminuindo a reincidência dos provenientes dessas instituições. As experiências nacionais estão em algumas penitenciárias do Amazonas. No Brasil as experiências que temos são de gestão compartilhada de presídios. contudo. Espírito Santo e Santa Catarina (o Paraná. por um período de até cinco anos. odontológico. Com capacidade para 240 presos. Ao estado cabia a nomeação do diretor. até para melhorarem seu desempenho" Deve-se. escola. e recebiam como remuneração 75% do salário-mínimo. atividade recreativa) fosse executado no horário em que o interno não estivesse trabalhando. do vice-diretor e do diretor de disciplina. No barracão da fábrica na área da penitenciária trabalhavam 70% dos internos. retomou totalmente a administração de seus presídios). médico. proporcionando trabalho e profissionalização. entre outros. necessidades de rotina. Os custodiados que não estavam implantados no canteiro da fábrica trabalhavam em outros locais. psicológico. tais como: faxina. O Estado entrega.16 sociedades civis. eles não aceitam ser avaliados. O Paraná. Bahia. [06]A empresa Humanitas Administração Prisional S/C. são tratados como intrusos. da cozinha aos agentes penitenciários. Em suma. viabilizando. serviço social. iniciou com a Penitenciária Industrial de Guarapuava. parceira da co-gestão. Esses canteiros funcionavam em 3 turnos de 6 horas. tais como. dentro dos padrões da cidadania e da fiscalização pública. assistência médica. verificar também os ótimos exemplos desse modelo. uma prisão para a empresa cuidar de toda a administração interna. uniformes. além de melhores condições para sua reintegração à sociedade. tinha o objetivo de cumprir as metas de ressocialização do interno e a interiorização das unidades penais (preso próximo da família e local de origem).346 detentos. era a responsável pela alimentação. Ceará. psicológica e jurídica dos presidiários. cozinha. o Centro dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Manaus. parcerias para emprego de detentos (regime semi-aberto). o que vem trazendo resultados positivos tanto econômicos como sociais. possibilitando que todo o tratamento penal (atendimento jurídico. Na co gestão o Estado terceiriza serviços ao parceiro privado.

campo de futebol.] nossa penitenciária é terceirizada. Além do trabalho. tráfico de entorpecentes. No presídio existe toda uma infra-estrutura no sentido de dar efetividade ao princípio da ressocialização do preso. da nossa competência. lanchonete. a prisão de Piraquara e a prisão de Foz do Iguaçu. circuito interno de monitoramento por vídeo. salas de aula. alimentação e outros serviços que englobam a chamada atividade-meio é uma empresa que cuida. padaria. refeitórios e lavanderia. Possui 66 celas coletivas para cinco presos cada uma e 117 celas para dois presos cada. biblioteca e administração. A maioria dos criminosos desse presídio havia cometido delitos graves. painéis com orações e mensagens bíblicas. Em 2001 foi inaugurado o Núcleo de Ressocialização com a finalidade de preparar o encarcerado para ele enfrentar a discriminação ou as reservas da população com ex-presidiários. de calçados e bijuterias. o preso recebe aulas e ouve palestras de psicólogos [09]. à execução mesma da pe é na. cabines telefônicas. dos exercícios físicos e da recreação. Em Maringá. Antes de o governo finalizar esses contratos de co-gestão. como homicídio. enfermaria. latrocínio e estupro. fábricas de velas. O Paraná.00 (mil e duzentos reais) por preso/mês. consultórios médicos-odontológicos. essa questão de limpeza.200.17 empresa contratada e faziam valer o cumprimento da Lei de Execuções Penais.em 2005 . quando em 2005 ainda vigia o contrato com a empresa Humanitas. A parte referente à administração da pena. Através do trabalho. A reincidência criminal com os egressos do presídio de Guarapuava ..era de 6%. a PIRC tem capacidade para 549 presidiários [08]. os internos ganham dignidade e obtêm o . como disse o juiz da execução penal da Comarca. a Casa de Custódia de Londrina. tal índice alcançava 30% e a média nacional é de 70%. farmácia. em Juazeiro do Norte. quadras poliesportivas. Destinada aos presos do regime fechado. auditório. no mesmo Estado.. Então. o sistema havia se estendido para a Casa de Custódia de Curitiba.2 CEARÁ No Ceará a implantação da co-gestão iniciou em 2000 na Penitenciária Industrial Regional do Cariri. pagava cerca de R$ 1. "quartos de convivência familiar". 2. A execução penal permanece nas mãos do estado. José Josival da Silva: "[.

assistentes sociais. o diretor-adjunto e o chefe de segurança. era de aproximadamente 13. Na saúde o atendimento é feito por uma equipe composta de um médico. Em 2002 o Ceará implantou esse mesmo modelo na Penitenciária Industrial Regional de Sobral ± PIRS e no Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira II. 150 presidiários fabricam folheados.. dentistas. nutricionistas e professores até o agente penitenciário. Conjunto Penal de Juazeiro. A infra-estrutura física é dotada de um núcleo de saúde.] a importância central aqui é recuperar o homem pelo trabalho". dois enfermeiros e três assistentes sociais.919 custodiados (5. um psiquiatra. "a preocupação apenas é manter o cidadão preso.659 presos na polícia e 8. trabalhem a questão da ressocialização do apenado. Nas palavras do próprio juiz José Josival: "[. A lotação máxima alcançada foi de 520 internos ± a PIRC possui capacidade para 549 .18 benefício da remição. chamado de agente de disciplina. A assistência jurídica é prestada por quatro advogados (para internos que não possuem defensores). com uma produção de 250 mil peças/mês. advogados. Entretanto. a guarda da muralha é feita pela Polícia Militar. desde o supervisor administrativo. através de parceria com a empresa Criativa Jóias. uma enfermaria e um centro cirúrgico no qual são feitos procedimentos cirúrgicos de baixa e média complexidade. totalizando 1. Conjunto Penal de Itabuna e Conjunto Penal de Lauro de Freitas. sem que se possa dar qualquer destaque a projetos que. A unidade . uma equipe de assistentes sociais dos quadros da própria CONAP realiza esse trabalho. psicólogos. Cinco presídios são administrados na forma de gestão compartilhada: o Conj nto Penal de u Valença. Segundo um relatório elaborado pela Pastoral Carcerária. Nessa penitenciária.3 BAHIA A população carcerária na Bahia. Conjunto Penal de Serrinha. 2. a realidade nessas unidades é de que. Cada preso recebe 75% do salário mínimo por mês e a remição da pena. efetivamente.260 na Superintendência de Assuntos Penais). um dentista. Nessas unidades o Estado indica o diretor-geral.717 internos..(dados de 2005). em dezembro de 2007. A educação do preso se dá através de uma escola de ensino fundamental e médio na qual os internos podem receber a instrução escolar. A parte religiosa é efetivada através de diferentes cultos. em que são prestados atendimentos ambulatoriais. Ainda com relação à assistência ao egresso. dois psicólogos. médicos. A empresa administra todo o restante.

oficina de trabalho e sistema eletrônico para fechamento de porta. além de quatro para visitas íntimas. O presídio abriga 324 internos em regime semi-aberto. Em Colatina a capacidade é para 300 vagas. em 2007 a Pastoral Carcerária firmou convênio de gestão compartilhada com o governo estadual para administrar a unidade penal de Simões Filho. 2. onde 24 são destinadas à ala feminina. a Colônia. Nesse setor é que são selecionados os internos para as atividades nos canteiros de trabalho. dispõe de cozinha. defensoria pública e assistência psicológica. no município de Colatina. que tem capacidade para cerca de 250 pessoas. e na Penitenciária de Segurança Máxima (PSMA) em Viana. ambulatório com consultório médico. kits de higiene. Com 58 celas. uniformes (agentes. Há também salas específicas para estudos. espaços e salas para a administração. mantendo serviços ocupacionais em um setor de seleção e ocupação. para efeito de remuneração e emissão de atestado de trabalho para a remição da pena. Todas as alas do presídio são monitoradas por um sistema de câmeras. alimentação e serviços de apoio à cozinha.4 ESPÍRITO SANTO No Espírito Santo o modelo de co-gestão está presente na Penitenciária de Segurança Média de Colatina. que não é terceirizado". psicológico e atendimento odontológico. alojamento para agentes. fornecimento de colchões. na região metropolitana de Salvador. salas para assistência social e jurídica.19 penal da Secretaria da Justiça que tem mais detentos em atividade laborativa é o Conjunto Penal de Jequié. A Penitenciária de Segurança Máxima de Viana tem capacidade para 500 vagas. uma sala de múltiplo uso e uma biblioteca. Ainda oferece trabalho e educação para os internos do presídio. A empresa terceirizada é o Instituto Nacional de Administração Prisional Ltd a (INAP) que arca com os custos para aquisição. roupas de cama. lavanderia. internos e funcionários). odontológico e enfermaria. circuito interno de TV. além de áreas de visitas para familiares e seis quartos para encontros íntimos em cada ala. instalação de uma estrutura para atendimento médico. instalação e manutenção de equipamentos de segurança. . Em experiência inédita no país. onde os internos frequentam aulas do ensino básico e fundamental. quatro salas para fins pedagógicos e educacionais.

a expressão privatização dos presídios pode ser vista sobre quatro aspectos: o primeiro deles é que teríamos a administração total do presídio pela empresa privada que acomodaria os reclusos. Privatização de Presídios e Criminalidade. financiar e operar. a definição de prioridades. o que os levou a um níivel considerável de excelência no que tange diversas camadas de organização político-social. surge em 1984. o segundo aspecto seria a construção de presídios financiados pelas empresas privadas. Instituiu-se o modelo em apreço em 1992. como por exemplo a administração de presídios. 2000. Diante do quadro insatisfatório. durante a gestão de Margaret Thatcher. sob a denominação de Public Finance Iniciative. redefinindo-o como Public Private Partnership. aparentemente conduzindo-as ao fracasso. Laurindo Dias. construir. é a utilização de trabalho dos presos pela empresa privada. alimentação e vestuário. com a posterior locação pelo Estado. por último.20 Comprovando a tese desse autor que o problema da ressocialização não é um privilégio do Brasil e sim de proporções globais. a remoção de obstáculos técnicos e uma abordagem flexível que permitiu que as PPPs admitissem outros modelos além do modelo típico. São Paulo: Editora Max Limonad. Nos Estados Unidos. Outro modelo. Diante da influência dessa nova política penitenciária não demorou muito tempo para que a privatização dos presídios se difundisse por todo o mundo. nos seguintes moldes: A correção de rumos incluiu a formação de uma força-tarefa do Tesouro para coordenar os projetos. durante alguns longos anos. citaremos exemplos desesperados que tem o mesmo escopo das discussões aqui abordadas. . saúde. e a ressocialização dos seus detentos é notável. a experiência inglesa é pioneira e possui os projetos mais antigos e vultosos no âmbito das parcerias público-privadas. ante a crise 16 MINHOTO. é o caso da empresa particular fornecer serviços terceirizados nos setores da educação. com o fim de contornar a ausência de investimentos do Poder Público em áreas estratégicas. sob a égide de conceber. o governo de Tony Blair se propôs a reestruturar o programa. Estima-se atualmente que o governo britânico celebra aproximadamente 48 contratos do gênero por ano. O Professor Laurindo Dias Minhoto 16 lembra que o fenômeno da privatização na Inglaterra. A rapidez e falta de coordenação dos projetos prejudicaram inicialmente a gestão das parcerias público-privadas.

no entanto. com algumas ressalvas.21 do sistema penitenciário inglês que se afundava na ineficácia das instituições prisionais e o alto custo do sistema prisional. boa sorte Brasil! CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS . os franceses preferem não reve números. Essa é mais uma prova que o modelo é promissor. a lar mídia estima que tais medidas inovadoras têm alcançado cerca de 30% de diminuição da reincidência. que sonham em diminuir as suas taxas de reincidência. estabelecendo uma parceria entre Estado e iniciativa privada no tocante a responsabilidade. Outro exemplo de país que adotou o modelo americano é a França. que vagarosamente vem alcançando seus objetivos. gerenciamento e administração do sistema prisional. portanto. mais um estímulo aos países como o Brasil.

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