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Revista Litteris Linguistica

Julho de 2010
Número 5

GÊNEROS OU TIPOS TEXTUAIS: O QUE ESTAMOS ENSINANDO?

Karen Alves de Andrade

(Universidade Federal de Minas Gerais – Belo Horizonte, MG, Brasil)1

Neste artigo, são apresentadas algumas consequências decorrentes da mudança de


paradigmas no ensino de Língua Portuguesa, enfatizando a importância da introdução
dos gêneros textuais no ensino e de sua distinção em relação aos tipos textuais. Os
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) são tomados como exemplo e ratificam a
necessidade de consolidação desses conceitos para viabilizar um ensino eficiente de
língua materna.

Palavras-chave: ensino, gêneros textuais, PCN, tipos textuais, língua materna

ABSTRACT

In this article we present some consequences of the paradigm shift in the teaching of
Portuguese language, emphasizing the importance of the introduction of text genres in
teaching and their distinction in relation to text types. The National Curriculum
Parameters (PCN) are taken as an example and ratify the need to consolidate these
concepts to enable effective mother tongue education.

Key-words: teaching, text genres, PCN, types genres, native language

1
Mestranda em Linguística pelo Programa de Pós-graduação da Faculdade de Letras da UFMG. Pesquisa
as produções de texto nos livros didáticos de língua portuguesa, sob a perspectiva dos gêneros textuais e
também as provas de vestibulares aplicadas no Brasil. Ministra curso de capacitação de professores e faz
parte de equipes de correção e elaboração de avaliações sistêmicas. E-MAIL:
karenalvesandrade@yahoo.com.br

Revista Litteris
ISSN 1983 7429
www.revistaliteris.com.br
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Julho de 2010
Número 5

GÊNEROS OU TIPOS TEXTUAIS: O QUE ESTAMOS ENSINANDO?

Karen Alves de Andrade

(Universidade Federal de Minas Gerais – Belo Horizonte, MG, Brasil)

RESUMO

Neste artigo, são apresentadas algumas consequências decorrentes da mudança de


paradigmas no ensino de Língua Portuguesa, enfatizando a importância da introdução
dos gêneros textuais no ensino e de sua distinção em relação aos tipos textuais. Os
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) são tomados como exemplo e ratificam a
necessidade de consolidação desses conceitos para viabilizar um ensino eficiente de
língua materna.

Palavras-chave: ensino, gêneros textuais, PCN

ABSTRACT

In this article we present some consequences of the paradigm shift in the teaching of
Portuguese language, emphasizing the importance of the introduction of text genres in
teaching and their distinction in relation to text types. The National Curriculum
Parameters (PCN) are taken as an example and ratify the need to consolidate these
concepts to enable effective mother tongue education.

Key-words: teaching, text genres, PCN

O ensino é recorrentemente definido com instrumento de grande valor social e


econômico nos diversos tipos de sociedade e o domínio da língua materna, em sua
variedade de prestígio, como sinônimo do sucesso desse ensino. Dessa forma, visando
ensinar a variedade padrão, o ensino em nosso país privilegiou por anos a fixação de
regras gramaticais e a reprodução sistemática de modelos de texto. A concepção de
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linguagem contemplada nesses momentos repercutia em um ensino equivocado da
língua, do qual se tem vestígios até os dias de hoje.

Entretanto, uma diversidade de estudos linguísticos provocou grandes progressos no


ensino de Português - uma nova visão de língua e um novo olhar sobre o texto

trouxeram avanços significativos no trabalho em sala de aula - e, ao longo dos anos,


mudanças ocorreram para desmitificar a associação entre língua culta e conhecimento.
Apesar disso, avaliações sistêmicas como a Prova Brasil e o ENEM 2 ainda denunciam a
inabilidade de muitos alunos em operar com a língua, o que nos faz questionar o que
persiste em limitar o progresso da educação brasileira em Língua Portuguesa.

Novas teorias e metodologias são constantemente produzidas nas universidades,


contudo, não são esses os profissionais que, na maioria das vezes, atuam na base de
nossa educação. É comum que o professor de educação básica desconheça tais
novidades e acabe por reproduzir o ensino que recebeu, focado em uma visão estática e
reducionista da língua.

Seguindo uma série de estudos linguísticos, encabeçada por Bakhtin, acredita-se que um
dos meios eficientes de se alcançar progressos no ensino de língua materna é o trabalho
com os gêneros textuais. Todo usuário da língua fala, lê, escreve, enfim, se comunica
por diferentes gêneros textuais - faz escolhas a cada momento, adapta sua fala e enfatiza
diferentes aspectos do discurso. O que na verdade se faz é escolher, mesmo que
intuitivamente, um gênero textual para as diferentes situações comunicativas das quais
participa. Sendo assim, a que o ensino deveria ater-se senão à forma utilizada para a
efetivação das práticas de linguagem?

É nessa perspectiva que se defende que o ensino deve basear-se no domínio dos gêneros
textuais, de forma a apresentar e desenvolver nos alunos habilidades específicas para
utilizarem a língua nas diversas situações de uso da linguagem, seguindo os contornos
sócias já pré estabelecidos e configurados nos gêneros.

2
Mais informações em: Resultados SAEB 2003. INEP/MEC, versão preliminar, 2004. Disponível em
<http://inep.gov.br/basica/saeb/publicacoes.htm
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Os gêneros textuais são, conforme SCHNEUWLY & DOLZ (2004, p. 74)
“instrumentos que fundam a possibilidade de comunicação”, funcionando como um
modelo comum ao qual o falante da língua deve lançar mão para interagir nas diversas
situações comunicativas de seu dia-a-dia. Em seu cotidiano, o falante se depara com
inúmeras situações em que deve fazer uso da linguagem – seja para fazer-se entender ou
para compreender algo. Porém, cada um desses momentos possui especificações que
ditam “o que dizer”, “como dizer” e “à quem dizer”. Depreendem-se, então, os 3
elementos caracterizadores dos gêneros textuais: o conteúdo temático, a estrutura
composicional e o estilo.

Visto que um dos papéis da escola, no que concerne ao ensino de língua materna, é
preparar os alunos para dominar a língua em várias situações, fornecendo-lhes
instrumentos eficazes que lhes possibilitem um comportamento discursivo consciente e
voluntário (SCHNEUWLY E DOLZ, 2004, p.49), passa a ser clara a necessidade de se
trabalhar os textos como eventos comunicativos, que se manifestam nos gêneros
textuais. Segundo SCHNEUWLY E DOLZ (2004, p. 71), “o gênero é que é utilizado
como meio de articulação entre as práticas sociais e os objetos escolares, mais
particularmente no domínio do ensino da produção de textos orais e escritos”.
COSCARELLI (2007, p.4) reforça que “a idéia de trabalhar com os gêneros na escola
surgiu da necessidade de trazermos o contexto, ou seja, a situação de produção e
recepção daquele texto, para a sala de aula. Quem escreve precisa saber para quem está
escrevendo, o que quer dizer e com que objetivo está escrevendo.” A escola e os
educadores devem estar prontos, então, para incluir em suas salas de aulas essa
novidade não tão recente, mas ainda desconsiderada em algumas práticas escolares.

Gêneros ou Tipos Textuais?

De acordo com LOPES-ROSSI (2002), que está em consonância com SCHNEUWLY E


DOLZ (1996), é por meio do domínio do funcionamento da linguagem em situações de
comunicação que os alunos se tornam autônomos no processo de produção escrita.
Visto que os gêneros textuais são o meio pelo qual as práticas de linguagem se
incorporam nas atividades dos alunos, torna-se indispensável o entendimento da
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importância da transição do ensino fundamentado nas tipologias textuais para dar lugar
aos gêneros textuais.

Os tipos textuais são constructos teóricos, determinados por propriedades linguísticas


inerentes que constituem sequências no interior dos gêneros textuais. De forma distinta
aos gêneros, os tipos, ou tipologias textuais, não compõem uma lista aberta, mas
abarcam um número limitado de construções teóricas, definidas pela natureza retórica
dos textos. São formas de organização do discurso que não compreendem práticas
sócio-discursivas, já que não se realizam, como afirma LOPES-ROSSI (2002), como
modelos típicos de enunciados usados em situações reais de comunicação.

Segundo SCHNEUWLY E DOLZ (2004, p. 58), por algum tempo as tipologias textuais
foram consideradas uma “saída promissora”. Porém, percebeu-se que o trabalho com
tipologias traz consigo importantes limitações, ainda que apresentasse conhecimentos
muito relevantes sobre o funcionamento da linguagem. As tipologias são elementos que
devem ser levados em conta no trabalho com textos, mas não devem ser o eixo
norteador das práticas escritas. Ainda conforme os autores, isso ocorre visto o trabalho
com tipologias não centrar-se no texto nem nos gêneros como objeto de estudo, mas sim
as operações de linguagem que os constituem, ou seja, “a análise se exerce sobre
subconjuntos particulares de unidades linguísticas que formam configurações,
traduzindo as operações de linguagem postuladas”.

Sendo assim, para atender às orientações dadas nos PCN - que apresentam como foco as
funções sociodiscursivas da linguagem e se preocupam com o desenvolvimento dos
alunos em diversas situações comunicativas – as atividades de produção escrita
deveriam lançar mão dos gêneros textuais, criando condições de escrita semelhantes
àquelas que o aluno vivenciará em sua vida social. Entretanto, os próprios PCN
confundem algumas vezes as terminologias e tendem a incentivar a produção de tipos
no lugar dos gêneros textuais.

Os PCN e o ensino de língua portuguesa

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Os Parâmetros Curriculares Nacionais são um instrumento desenvolvido por
especialistas e educadores do Brasil visando criar um referencial para o ensino do país.
Seu objetivo principal e direcionar e auxiliar as equipes escolares no planejamento e na
execução de práticas didáticas, além de incentivar a reflexão dos professores e demais
profissionais da educação acerca de suas práticas. É um instrumento que serve, também,
para prover conhecimento aos educadores com menor acesso às informações, dando-
lhes a oportunidade de reconhecer e praticar novas metodologias educativas.

A finalidade dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua


Portuguesa é constituir-se em referência para as discussões
curriculares da área - em curso há vários anos em muitos estados e
municípios - e contribuir com técnicos e professores no processo de
revisão e elaboração de propostas didáticas. (BRASIL. Ministério da
Educação. PCN Ensino fundamental, 1998, p. 13).

Especificamente na área de Língua Portuguesa, percebemos que há uma


transição de um ensino mediado pela normatividade da gramática para uma abordagem
mais comunicativa da língua. Nesse trajeto, há uma intensa valorização dos textos e dos
gêneros textuais como meio ideal para se trabalhar a linguagem.

Os textos organizam-se sempre dentro de certas restrições de natureza


temática, composicional e estilística, que os caracterizam como
pertencentes a este ou aquele gênero. Desse modo, a noção de gênero,
constitutiva do texto, precisa ser tomada como objeto de ensino.
(BRASIL. Ministério da Educação. PCN Ensino fundamental, 1998,
p. 23).

Ao produzirmos textos, o fazemos de uma forma, como uma finalidade e acerca


de certo conteúdo. Essa produção depende da situação interativa em que o sujeito se
encontra e que varia conforme esse contexto. Todo esse “entorno” delimitado pelo
gênero textual e deve ser dominado pelos alunos de forma a se tornarem capazes de
interagir em diferentes situações comunicativas. É, então, objetivo dos PCN levar o
aluno a

(...) utilizar as diferentes linguagens - verbal, musical, matemática,


gráfica, plástica e corporal - como meio para produzir, expressar e
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comunicar suas idéias, interpretar e usufruir das produções culturais,
em contextos públicos e privados, atendendo a diferentes intenções
e situações de comunicação; (BRASIL. Ministério da Educação.
PCN Ensino fundamental, 1998, p. 8 - grifo meu).

Desde a divulgação dos PCN, esperava-se que as dificuldades, no que diz


respeito ao trabalho com o texto, fossem sanadas ou quase desaparecessem. Entretanto,
apesar de haver o eixo norteador para o ensino da língua, permanecem lacunas
originadas no desconhecimento, além, claro, dos resquícios de uma educação, com
excesso de regras e tradicionalismos, preservada durante anos.

Certamente, os PCN são instrumentos valiosos na reestruturação do ensino em


nosso país e procuram ser coerentes com as demandas na educação brasileira. O
material é de fácil acesso físico, disponibilizado nas escolas públicas e particulares,
bibliotecas e internet, mas é, ao mesmo tempo, distante do professor que desconhece as
discussões ali apresentadas e os fundamentos que as sustentam. Isso, sem considerarmos
que, em várias escolas, as perspectivas inovadoras tardam em chegar e ainda encontram
resistência em sua aceitação.

Sendo assim, o professor sabe que deve trabalhar com os gêneros textuais, mas
desconhecendo como fazê-lo, acaba por reproduzir as práticas anteriores do ensino em
que pouco se aprendia. Ele acaba, muitas vezes, por promover equívocos e manter o
modelo de ensino tradicionalista, preocupado com definições e regras, concentrando
seus esforços na caracterização e categorização de textos.

É necessário reconhecer que a língua deve ser considerada não como um


instrumento de transmissão de mensagens, mas como processo de interação entre
sujeitos, em que há constante (re)construção de sentido e formulação de hipóteses,
através das pistas deixadas em qualquer texto oral ou escrito. E, enfim, entender que,
visto que a linguagem se materializa em textos, orais ou escritos, o aperfeiçoamento da
prática de interação linguística só é possível tendo o texto como unidade suporte.

Em relação às consequências do ensino inadequado dos gêneros textuais nas


escolas, DELL’ISOLA (2007, p.20) alerta
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(...) para o perigo de se categorizar os gêneros, partindo-se de uma
mentalidade normativa, reguladora, em que os textos são
simplesmente rotulados e, daí para frente, ensinam-se formas
engessadas como se houvesse uma configuração rígida para cada
gênero textual. (DELL’ISOLA, 2007, p.20).

Contudo, as dificuldades encontradas na realização dos PCN não se situam


apenas nas dificuldades encontradas pelos educadores. Retomando a questão dos tipos e
gêneros textuais, ressalta-se que o próprio PCN, ainda que por diversas vezes sinalize a
importância de um ensino balizado pelos gêneros, estimula não a produção dos mesmos,
mas de tipos de texto. É o que se observa no quadro a seguir, que, abordando a
produção escrita, lista algumas expectativas em relação ao aluno:

No processo de produção de textos escritos, espera-se que o aluno:

 redija diferentes tipos de textos, estruturando-os de maneira a garantir:

* a relevância das partes e dos tópicos em relação ao tema e propósitos do texto;

* a continuidade temática;

* a explicitação de informações contextuais ou de premissas indispensáveis à


interpretação;
(Quadro baseado em BRASIL. Ministério da Educação. PCN Ensino fundamental, 1998, p. 51)

Percebe-se, portanto, ou uma confusão na nomenclatura ou uma incongruência entre as


propostas apresentadas pelo documento. É certo que mudanças são lentas e, às vezes,
penosas, mas se o próprio PCN comete deslizes na definição de seu objeto de estudo,
quanto mais o professor, que nem sempre está ligado às pesquisa e discussões
acadêmicas pertinentes ao assunto.

Observa-se também que, ainda que o enunciado refira-se à redação de diferentes tipos
textuais, os subitens que o seguem referem-se ao tema, ao propósito, à continuidade
temática e ao contexto que são elementos constituintes dos gêneros textuais. Vê-se que
as implicações do trabalho com gêneros são reconhecidas, mas atribuídas a um conceito
inadequado, que é o de tipos de textos.

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Deve-se, então, amadurecer essas questões, firmando os textos e os gêneros nos quais
eles se manifestam como o objeto de ensino em língua portuguesa e reconhecendo os
tipos, ou tipologias textuais, como subconjuntos de unidades linguísticas subjacentes
aos gêneros.

Considerações finais

O ensino de Língua Portuguesa tem sido desde os anos 70 um dos pontos centrais para
a melhoria do ensino do país e, desde então, muitos avanços tem ocorrido, dentre eles o
reconhecimento dos gêneros textuais como instrumento eficaz para o ensino de língua
materna. É necessário, porém, que o conceito de gênero seja consolidado na esfera
educacional, assim, como o reconhecimento dos tipos como internos e dependentes do
gênero. Dessa forma, mais um passo será dado em direção a um ensino que privilegie
uma concepção de língua atrelada à função social da linguagem.

REFERÊNCIAS

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros


Curriculares Nacionais: Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental. Brasília, 1998.

COSCARELLI, Carla Viana. Gêneros textuais na escola. Juiz de Fora, n.2, 2007. Disponível
em <http://www.revistaveredas.ufjf.br/volumes/veredas_ensino/artigo05.pdf>. Acesso em: 02
ago.2008.

DELL’ISOLA, Regina Lúcia Péret. Retextualização de gêneros escritos. Rio de Janeiro:


Lucerna, 2007.

DOLZ, Joaquim; SCHNEUWLY, Bernard. Gêneros Orais e Escritos na Escola. Campinas:


Mercado das Letras, 2004.

LOPES-ROSSI, Maria Aparecida Garcia. O desenvolvimento de habilidades de leitura e de


produção de textos a partir de gêneros discursivos. In: LOPES-ROSSI, Maria Aparecida Garcia
(Org.). Gêneros discursivos no ensino de leitura e produção de textos. Taubaté – SP: Cabral
editora e livraria universitária, 2002.

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