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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIHORIZONTES

CINTIA MOREIRA GONÇALVES


Direito das Obrigações – Aula 2

Dos atos unilaterais – declarações unilaterais e públicas de vontade como


fonte de direitos obrigacionais. Segundo Caio Mário da Silva Pereira “se
concretiza como fato humano puro, dotado de poder criador, independente de
adesão da outra parte”. São eles:

1 Promessa de Recompensa – ocorre quando alguém se compromete a


recompensar, ou gratificar, a quem preencha certa condição, ou desempenhe
certo serviço, independente de se atuou pelo interesse da promessa (art. 855
CC). Ex.: recompensa por um animal desaparecido.

Revogação da Promessa – serviço ainda não prestado, condição não


preenchida, promessa sem prazo determinado, revogação pelo mesmo órgão
que a divulgou.

2 Gestão de Negócios – Segundo Caio Mário “às vezes uma pessoa realiza
atos no interesse de outra, como se fosse seu representante, embora não
investido dos poderes respectivos, arrogando-se assim, a qualidade de gestor
de negócios alheios”. Ex.: quando alguém faz reparos necessários em prédio
alheio para evitar ruína, quando visinho apaga incêndio, quando diretor de
clínica contrata oculista para tratar de uma criança independente de
autorização prévia dos pais. (art. 861 CC)

3 Pagamento Indevido – Segundo Monica Queiroz “ocorre o pagamento


indevido quando o solvens paga à pessoa equivocada por engano, ou quando
paga à pessoa correta, porém paga quantia ou coisa além do que esta tem
direito”.

Requisitos:
a) realização de um pagamento;
b) ausência de fundamento jurídico para o pagamento;
c) engano da parte que realizou o pagamento.
Regras:
a) Quem paga mal, paga duas vezes – quem paga equivocadamente a outra
pessoa não se desonera da obrigação;
b) Quem paga mal tem o direito de repetir o indébito – aquele que pagou
equivocadamente poderá pedir de volta o que houver pago por engano. (art.
877 CC)

Hipóteses em que não é possível a repetição: Arts. 880, 882 e 883 CC.

4 Frutos, acessões, benfeitorias e deteriorações supervenientes ao


pagamento indevido - Caso à coisa dada em pagamento indevido tenham
sobrevindo frutos, acessões, benfeitorias e deteriorações, as regras a serem
aplicadas serão as previstas nos arts. 1214 e 1222 CC. No caso das acessões
as regras são as do art. 1253 e seguintes do CC.
Na alienação de imóvel dado em pagamento indevido será observado se a
alienação foi a título oneroso e se deu de boa-fé (haverá apenas restituição do
valor do imóvel) ou se a alienação foi a título oneroso e se deu de má-fé
(haverá restituição do valor do imóvel acrescido de perdas e danos.
Em ambas as hipóteses, o terceiro de boa fé poderá reter o imóvel, em
concordância com a teoria da aparência.
Se a alienação foi a título gratuito ou oneroso, se o terceiro adquirente agiu de
má-fé, aquele que pagou por engano poderá reivindicar o imóvel e o terceiro
que adquiriu gratuitamente, ou terceiro que agiu de má-fé, teria que restituir o
imóvel.

5 Enriquecimento sem causa – significa o mesmo que enriquecimento


indevido ou enriquecimento ilícito. Arts. 884 a 886 CC.

Requisitos:
a) diminuição patrimonial ou empobrecimento do lesado;
b) aumento patrimonial do beneficiado;
c) relação de causalidade entre enriquecimento de um e empobrecimento
do outro e,
d) ausência de causa jurídica que justifique o enriquecimento de um e o
empobrecimento do outro. (segundo enunciado 35 da I J.D.C., a
expressão “se enriquecer a custa de outrem” não significa
necessariamente empobrecimento de outrem – art. 884 CC).

Efeitos: Art. 884 CC


Subsidiariedade: Art. 886 CC