UNIVERSIDADE DA REGIÃO DE JOINVILLE – UNIVILLE DEPARTAMENTO DE COMÉRCIO EXTERIOR

APOSTILA DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS Professor: Airton Nagel Zanghelini

Joinville 2011

2

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 4 1.1 PLANO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DA DISCIPLINA RELAÇÕES INTERNACIONAIS (RINT) ........................................................................................................................... 4 1. 2 O ESTUDO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS ............................................................... 5 1.3 PARADIGMAS DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS........................................................... 6 2. PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914-1918). ...................................................... 10 2.1 ANTECEDENTES DA PRIMEIRA GUERRA .................................................................... 10 2.2 O CONFLITO ............................................................................................................ 11 2.3 UM NOVO PANORAMA MUNDIAL............................................................................... 13 3. SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (1939-1945) ........................................................ 15 3.1 ANTECEDENTES DA SEGUNDA GUERRA .................................................................... 15 3.2 O INÍCIO DO CONFLITO ............................................................................................. 15 3.3 DESENVOLVIMENTO DO CONFLITO E FATOS HISTÓRICOS IMPORTANTES:................... 15 3.4 O FINAL DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS ......................... 17 4. ORIENTE MÉDIO .................................................................................................... 18 4.1 INTRODUÇÃO........................................................................................................... 18 4.2 BERÇO DAS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES HUMANAS ...................................................... 19 4.3 O JUDAÍSMO E A HISTÓRIA DO POVO HEBREU ............................................................ 20 4.4 O ISLAMISMO E A EXPANSÃO ÁRABE ....................................................................... 21 4.5 O CONFLITO ÁRABE-ISRAELENSE .............................................................................. 23 5. A NOVA ORDEM GEOPOLÍTICA INTERNACIONAL ....................................... 26 5.1 A GUERRA FRIA (A VELHA ORDEM) .......................................................................... 26 5.2 A NOVA ORDEM INTERNACIONAL............................................................................. 27 5.3 OS BLOCOS ECONÔMICOS ......................................................................................... 30 5.4 OS BRIC – BRASIL, RÚSSIA, INDIA E CHINA ............................................................ 32 5.5 TERRORISMO E CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES ............................................................... 33 6. PAÍSES E SUAS CULTURAS................................................................................... 38 6.1 INTRODUÇÃO........................................................................................................... 38 6.2 DADOS SOCIOECONOMICOS DOS PAÍSES .................................................................... 39 6.3 CULTURA DOS PAÍSES .............................................................................................. 55 7. DADOS E INDICADORES SOCIOECONOMICOS ............................................... 68 7.1 DISTRIBUIÇÃO DE RENDA ........................................................................................ 68 7.2 A DESIGUALDADE DE RENDA NA AMÉRICA LATINA E NO BRASIL............................... 71

2

3 8. COMÉRCIO EXTERIOR EM 2010: BRASIL, SC E JOINVILLE. ....................... 74 8.1 COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO EM 2010 .............................................................. 74 8.2 COMÉRCIO EXTERIOR DE SANTA CATARINA EM 2010 ............................................... 77 8.3 COMÉRCIO EXTERIOR DE JOINVILLE EM 2010 ........................................................... 79 9. INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS ........................................................ 81 9.1 MULTINACIONAIS BRASILEIRAS ............................................................................... 81 9.2 WEG: UMA MULTINACIONAL DO NORTE DE SANTA CATARINA.................................. 82

3

4

1. INTRODUÇÃO

1.1 Plano de ensino e aprendizagem da disciplina relações internacionais (RINT)
Objetivo geral da disciplina Ao final da realização do programa de Relações Internacionais, o estudante deverá ser capaz de entender, analisar e avaliar os fenômenos políticos, econômicos e sociais contemporâneos no mundo e nas relações internacionais, demonstrando ter adquirido competências para decidir sobre o modo de agir como profissional de comércio exterior. Objetivos específicos da disciplina   Discutir as grandes questões internacionais, através da apresentação dos diferentes enfoques, para que o aluno possa entender e formar opinião; Exercitar o planejamento de negócios e de empresas voltadas para comércio internacional em função das relações políticas e econômicas do Brasil com os outros países; Simular situações de mercado e as decisões mais convenientes para os agentes econômicos em cada caso; Discutir a influência das diferenças culturais nos negócios internacionais.

 

Contribuição da disciplina para a profissão       Visão do ambiente geopolítico e econômico global; Entendimento das diferentes culturas dos países e regiões; Capacidade de agir diante das diferenças políticas e ideológicas dos países e regiões; Competência crítica diante dos grandes temas econômicos do Brasil e do mundo; Visão macroeconômica dos cenários nacionais e internacionais que lhe confira maior capacidade de tomar decisões com baixo risco; Conhecimento técnico das políticas econômicas do Brasil e sua influência nos negócios internacionais.

4

5 Bibliografia básica GARCIA, Eugênio Vargas. Cronologia das relações internacionais do Brasil. Rio de Janeiro: Contraponto Editora, 2006. OLIVEIRA,Odete Maria de. Relações Internacionais: estudos de introdução. 2.ed. Curitiba: Juruá, 2004. RIBEIRO,Wagner Costa. Relações internacionais: cenários para o século XXI. São Paulo: Scipione, 2000. RODRIGUES, Gilberto M. A. O que são relações internacionais. São Paulo: Brasiliense, 2001.

1. 2 O estudo das relações internacionais
O estudo das Relações Internacionais objetiva entender e analisar, de forma sistemática, relações políticas, econômicas e sociais entre países e atores internacionais como Estados, organismos internacionais, organizações nãogovernamentais e empresas transnacionais. Para alcançar um objetivo tão abrangente, o estudo das Relações Internacionais abrange diversas áreas do conhecimento, como Ciências Políticas, História, Geografia, Economia, Direito internacional entre outras. As guerras, a paz, a diplomacia, as interações econômicas e culturais entre diferentes povos são alguns dos elementos que compõem a esfera do internacional e que têm implicações e efeitos sobre os homens. Dadas essas características, as RI são definidas como uma disciplina do campo das ciências sociais, que investigará a dimensão do internacional. Embora hoje seja considerada uma disciplina fundamental para o estudo desse objeto específico, as Ri são uma matéria de estudo relativamente recente. Até as duas Guerras Mundiais, pensar o internacional era uma tarefa distribuída entre as demais Ciências sociais, não havendo identidade particular na área. (PECEQUILO, 2004). Desde quando se estudam Relações Internacionais? Do ponto de vista acadêmico, a disciplina de Relações Internacionais nasceu na Universidade de Gales (Grã Bretanha), no início da década de 1920, logo após o fim da Primeira Guerra Mundial. No Brasil, o primeiro curso de Graduação em Relações Internacionais foi criado em 1974 na Universidade Nacional de Brasília (UNB) e o primeiro programa de Doutorado em Relações Internacionais foi instituído em 2001 na PUC-Rio.

5

6 Porém, a Disciplina de Relações Internacionais percorreu longo trajeto antes de poder posicionar-se como conhecimento. Não é possível identificar uma data exata e nem mesmo aproximada do surgimento das Relações Internacionais já que estas se deram desde os primeiros relacionamentos humanos em suas ainda recentes comunidades, tendo seguimento através de outros fatos de entrosamento, como guerras, religião e comércio. Posteriormente, com o surgimento dos tratados e acordos, formou-se o Direito das Gentes concomitante, curiosamente, com relações de poder e de conquistas dominantes dessas épocas, assinaladas por grandes impérios. Com o aparecimento do Estado-Nação poderoso e soberano, após a Idade Média, os povos aproximaram-se, estabelecendo interessante interação entre os indivíduos e suas sociedades, fortalecendo, como conseqüência, suas relações, chamadas Relações Internacionais, pois até essa época os relacionamentos verificados entre as comunidades tinham natureza meramente circunstancial. Desconheciam-se o princípio do equilíbrio de poder ou da força, a manutenção do status quo e da defesa coletiva, emergindo apenas dos séculos XV e XVI as primeiras alianças políticas de competição pelo poder. Estudos e reflexões sobre essa complexa temática reúnem-se em torno de um rico acervo teórico, legado por juristas, filósofos, cientistas sociais e políticos ligados a esse âmbito. Na conquista de sua independência científica, as Relações Internacionais foram antecedidas por outros conhecimentos, como o Direito Internacional, a História dos Tratados, a História da Diplomacia e o conhecimento da própria Diplomacia como disciplina. (OLIVEIRA, 2004).

1.3 Paradigmas das relações internacionais
Thomas S. Kuhn inaugurou o uso da expressão paradigma no estudo dos fenômenos científicos, a partir de sua obra A estrutura das revoluções científicas, em 1962. Ele se referia às suposições fundamentais que os especialistas fazem sobre o fenômenos que estão estudando . Um paradigma das Relações Internacionais é portanto, uma visão, uma interpretação, uma perspectiva dos fenômenos internacionais ou mundiais, amparada em algum método, cuja pretensão é explicar e dar sentido para os fatos que estão se desenrolando no cenário internacional. Assim, o termo paradigma (de origem grega, com o significado de modelo, padrão) quando aplicado ao campo de estudo das Relações Internacionais, tem o sentido de modelo mais adequado à compreensão da realidade internacional que está sendo analisada. Entre as décadas de 1970 e 1980, quando a discussão dos paradigmas das Relações Internacionais foi objeto de diversas publicações, emergiram alguns modelos de classificação das relações internacionais.

6

7

Modelo Idealista O período idealista das Relações Internacionais situa-se entre os dois grandes conflitos mundiais. Este modelo ficou conhecido como idealista porque buscava introduzir projetos inspirados em regras éticas e que, transformadas em princípios jurídicos, serviriam como padrões às Relações Internacionais. Caracterizava-se por um conjunto de princípios universais que defendia a necessidade de estruturar o mundo buscando o entendimento, através de condutas pacifistas, onde a confiança e a boa vontade sejam os motores que movimentam a História. Foram destaque do período idealista as ações do presidente Woodrow Wilson, dos EUA e o surgimento da Liga das Nações. A eclosão da Segunda Guerra Mundial representou o fim do paradigma idealista e deu lugar ao Modelo Realista. Modelo Realista O Realismo político consolidou-se com o início da Guerra Fria a partir de 1947 e tem suas raízes nos pensamentos de Nicolau Maquiavel (1532) em sua obra O Príncipe, e de Thomas Hobbes (1615), em Leviatã. Os historiadores das Relações Internacionais consideram o tratado de Vestfália, em 1648, que estabeleceu o Sistema Europeu de Estados e criou um equilíbrio de poder entre as potências da época, como o ponto de partida das relações internacionais modernas segundo os padrões do realismo político. Hans Morgenthau (conhecido como o novo Maquiavel) consolidou nos EUA a teoria do realismo político em sua obra Política entre as nações. Características principais: a) A política interna e a política externa são consideradas duas áreas distintas e independentes entre si. b) Reconhece como único ator internacional relevante o Estado. c) O poder e o uso da força constituem o traço forte do paradigma realista. d) A cooperação internacional é problemática. e) A ordem é imposta ou é resultado de acordo entre as grandes potências. f) O surgimento de novas potências tende a perturbar a ordem estabelecida.

7

8

Modelo da Dependência Com a criação da CEPAL, na década de 1960, a intelectualidade latinoamericana começou a produzir a partir de uma visão autóctone, teorias a respeito do desenvolvimento econômico. Desse esforço surgiu aquela que viria a ser a maior contribuição do chamado Terceiro Mundo para a disciplina Relações Internacionais: a Teoria da Dependência. Esse novo modelo centra sua atenção nas relações econômicas internacionais e observa que entre elas se estabelecem termos de desigualdade e dominação, de natureza desequilibrada e injusta do sistema internacional, de dependência entre muitos Estados que são explorados por poucos. O Paradigma da Dependência (de inspiração estruturalista ou neomarxista) defende também que os Estados são atores importantes do sistema, mas não são os únicos. Organizações Internacionais, empresas multinacionais e movimentos de libertação nacional são reconhecidos, e tidos como de extrema importância. Passou-se a utilizar os termos centro para designar os países ricos e periferia para referir-se a países pobres. A CEPAL inspirou vários pensadores a analisar a problemática do subdesenvolvimento dos países sul-americanos buscando ir além da visão puramente econômica. Dentre estes, destacam-se os cientistas sociais brasileiros Celso Furtado, Fernando Henrique Cardoso e Helio Jaguaribe e o uruguaio Eduardo Galeano. Este paradigma é pessimista em relação à possibilidade de convivência harmônica entre os atores internacionais, permanecendo a idéia de haver sempre no jogo internacional um ganhador e um perdedor.

Modelo Neo-Realista Durante os anos 1980, inspirados pela política externa do presidente Ronald Reagan, os autores realistas ressurgiram, agregando novas características ao modelo, o que lhes conferiu a possibilidade de adaptar-se aos novos fatores das Relações Internacionais. Esta nova versão do paradigma realista incorporou métodos científicos e matemáticos de análise, dando mais credibilidade à visão realista. Em 1983, Kenneth Waltz, publicou a Teoria das relações internacionais onde procurou estabelecer uma verdadeira teoria geral sobre a política internacional. O neo-realismo buscou restabelecer a primazia do Estado e de seu poder de força militar nas Relações Internacionais dentro de um contexto agora globalizado, mantendo o papel de subordinação dos atores não-estatais.

8

9

Modelo Interdependente Surgiu no final dos anos sessenta juntamente com o modelo dependente, em consequência da insatisfação intelectual estabelecida face ao paradigma realista. É também denominado paradigma do Transnacionalismo, do Multicentrismo ou do pluralismo, ou ainda sociedade global ou mundial. Este paradigma passa a analisar a importância da dimensão econômica mundial. Segundo a tese de Marshall McLuhan, em sua obra O Meio é a Mensagem, de 1967, os meios de transporte e de comunicação em massa vieram transformar o mundo numa imensa aldeia global. Este fato motivou as bases desse novo paradigma, pois os fenômenos internacionais não poderiam mais ser interpretados na visão dos modelos realista ou dependente, pois o planeta havia entrado em uma nova era de globalização da economia. As bases desse paradigma não são novas. Alcançam reflexos no pensamento dos estóicos, evoluindo às formulações de Kant. O que traz de novo é o modo de ver a realidade global de nossos dias, diferente daquela que originou o desenvolvimento do paradigma realista, que se apegou ao princípio da segurança nacional, além das influências diplomáticas e das forças militares, pressupostos agora inúteis em face da proliferação dos organismos internacionais, surgimento da interdependência, dos atores não-estatais e das corporações transnacionais. Fontes: 1. OLIVEIRA,Odete Maria de. Relações Internacionais: estudos de introdução. 2.ed. Curitiba: Juruá, 2004. 2. PECEQUILO, Cristina Soreanu. Introdução às Relações Internacionais: temas, atores e visões. Petrópolis. Vozes, 2004. 3. RODRIGUES, Gilberto M. A. O que são relações internacionais. São Paulo: Brasiliense, 2001.

9

10

2. PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914-1918).

2.1 Antecedentes da Primeira Guerra
A Primeira Guerra Mundial causou o colapso de quatro impérios e mudou de forma radical o mapa geopolítico da Europa e do Oriente Médio. O período compreendido entre 1871 e 1914 foi definido por alguns historiadores como um momento de "Paz Armada". Havia um certo otimismo, marcado pela crença de que a humanidade atingira a maturidade necessária à resolução pacífica dos conflitos internacionais, apesar de dispor de uma grande quantidade de armas e soldados. No entanto, a configuração da economia européia originada do desenvolvimento industrial e da expansão imperialista, calcada na disputa entre as potências industrializadas por territórios, principalmente na Ásia e na África, apontava para um clima de instabilidade e insegurança. A Tríplice Aliança e a Tríplice Entente Depois do ano de 1905, começou a se configurar um sistema de alianças entre as nações da Europa, que acabaram se dividindo em dois blocos: Alemanha, ÁustriaHungria e Itália, que formavam a Tríplice Aliança, e Inglaterra, França e Rússia, que compunham a Tríplice Entente.

Figura 1: Alianças militares em 1914 A Tríplice Aliança está representada em castanho, a Tríplice Entente em verde e as nações neutras em pêssego.

10

11

Exacerbação do nacionalismo O período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial foi marcado por uma exacerbação do nacionalismo. As potências, de modo geral, cultivavam um discurso e uma mentalidade baseados em suas glórias militares, no poder bélico e na supremacia nacional. Ao mesmo tempo, ocorre uma expansão da indústria bélica e um desenvolvimento tecnológico que aumenta a eficácia das máquinas de guerra. A essa conjuntura acrescentou-se uma série de disputas em regiões fronteiriças, com populações formadas por mais de uma nacionalidade, como na Alsácia e na Lorena (entre a Alemanha e a França), no Trentino em Trieste (Itália e Império Austríaco), e na península Balcânica (disputada pela Rússia e pela Áustria). Estopim da guerra: assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando No período entre 1905 e 1914, ocorreram vários incidentes diplomáticos, que contribuíram para abalar a relação entre os países europeus, culminando com o assassinato, por um ativista sérvio, do arquiduque Francisco Ferdinando, provável herdeiro do Império Austro-húngaro. O incidente, ocorrido em Sarajevo, capital da Bósnia, gerou uma crise entre a Áustria-Hungria e a Sérvia. O império Austro-húngaro fez um ultimato à Sérvia, exigindo a investigação do crime e o combate aos movimentos subversivos com a colaboração de oficiais austríacos, que foi recusado. A resposta sérvia desencadeou o rompimento das relações diplomáticas entre as duas nações e, em 28 de julho, a Áustria declarou guerra à Sérvia.

2.2 O conflito
O Império Austro-Húngaro começou o bombardeio à Belgrado (capital sérvia) em 29 de Julho. No dia seguinte, a Rússia, que sempre tinha sido uma aliada da Sérvia, deu a ordem de locomoção a suas tropas. Os alemães, que tinham garantido o apoio ao Império Austro-Húngaro no caso de uma eventual guerra declararam guerra à Russia. Além disso, a Alemanha colocou em prática o “Plano Schlieffen” que previa a invasão da França, Inglaterra e Rússia, começando por invadir a Bélgica para, através dela, invadir a França. Esse ato fez com que o Império Britânico saísse da sua posição neutra e declarasse guerra à Alemanha em 4 de Agosto.

11

12 A guerra ganhou proporções nunca vistas anteriormente, envolvendo 27 nações, um contingente de 40 milhões de soldados aliados e 21 milhões de combatentes dos Impérios Centrais (Alemanha e Áustria-Hungria), com um número de mortes superior a 15 milhões. O uso das novas tecnologias Ao contrário das guerras tradicionais, cujos resultados dependiam principalmente do tamanho dos exércitos, a Primeira Guerra Mundial caracterizou-se pela luta de trincheiras, bombardeios e pelo emprego das novas tecnologias: aviões, submarinos, tanques e metralhadoras, fruto do desenvolvimento industrial. A capacidade técnico-industrial foi, portanto, um fator fundamental para dar suporte a uma guerra que os estadistas não esperavam que durasse tanto. A Inglaterra teve uma participação fundamental através do emprego de sua poderosa marinha no cerco à Alemanha que, por sua vez, recorreu ao uso de submarinos para romper o bloqueio que lhe foi imposto. A entrada em cena dos EUA e o fim da guerra Após o bombardeio de um navio por um submarino alemão, o que provocou a morte de 1.200 pessoas, dentre os quais cidadãos americanos, os Estados Unidos se posicionam contra os alemães e, em abril de 1917, entraram na guerra. A entrada dos norte-americanos no conflito rompeu a situação de equilíbrio entre as forças até então envolvidas, que, de ambos os lados, apresentavam sinais de exaustão. Em 29 de setembro de 1918, os militares alemães declararam a seu governo que seria impossível vencer a guerra e iniciaram-se as negociações para a rendição, que ocorreu a 11 de novembro daquele ano. Com a vitória dos aliados, os Impérios Centrais entraram em colapso e passaram por processos de fragmentação, dando origem a uma série de repúblicas independentes: Iugoslávia, Checoslováquia, Hungria, Áustria, Polônia e Bulgária. Na Alemanha, o regime monárquico foi substituído pelo republicano, com a instalação da chamada República de Weimar. O Tratado de Versalhes Os aliados, por seu lado, investiram sobre os espólios dos vencidos: a França reivindicava a devolução da Alsácia-Lorena, a Inglaterra tencionava eliminar o poderio naval alemão, a Itália queria a anexação da "Italia irredenta" (Região de Trento), as nações balcânicas reivindicavam independência e o Japão empenhava-se em empenhar seu poder no Pacífico. O presidente Wilson apresentou ao Congresso Norte-americano 14 pontos que julgava importantes para o estabelecimento da paz, que resultaram no Tratado de

12

13 Versalhes, assinado em junho de 1919 e que formalizou o término da Primeira Guerra Mundial. Um dos pontos propostos pelos EUA foi a criação de uma associação de nações para garantir a independência dos países, que resultou na criação da Liga das Nações, em 16 de janeiro de 1920, com sede em Genebra, na Suíça. O Tratado de Versalhes, bem como os outros que vieram a seguir, determinaram severas medidas de reparação de guerra contra os países vencidos, como a perda de direitos comerciais e de exploração de territórios colonizados. Além de um endividamento absurdo, a título de indenização para os países vencedores, estabeleceram-se restrições pesadas à soberania política e militar aos derrotados.

2.3 Um novo panorama mundial
Por fim, com o término da guerra, houve uma mudança substancial no panorama da economia mundial. Os países europeus, que ocupavam lugar de destaque, sofreram um esgotamento de suas economias, em razão dos gastos com a guerra. Duas nações passaram a ocupar o lugar privilegiado que antes era dos países europeus, emergindo como novas potências: Estados Unidos e Japão. O conflito rompeu definitivamente com a antiga ordem mundial criada após as Guerras Napoleônicas, marcando a derrubada do absolutismo monárquico na Europa. Dinastias imperiais europeias como as das famílias Habsburgos, Romanov e Hohenzollern, que vinham dominando politicamente a Europa e cujo poder tinha raízes nas Cruzadas, também caíram durante os quatro anos de guerra. Três impérios europeus foram destruídos e consequentemente desmembrados: Alemão, o Austro-Húngaro e o Russo. Nos Bálcãs e no Médio Oriente o mesmo ocorreu com o Império Turco-Otomano. O fracasso da Rússia na guerra acabou contribuindo para a queda do sistema de Czares e para a Revolução Russa (1917) que inspirou outras em países tão diferentes como China e Cuba, e que serviu também, após a Segunda Guerra Mundial, como base para a Guerra Fria. No Oriente Médio o Império TurcoOtomano foi substituído pela República da Turquia e muitos territórios por toda a região acabaram em mãos inglesas e francesas. Na Europa central novos estados (Tchecoslováquia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Estônia e Iugoslávia) "nasceram" depois da guerra. Áustria, Hungria e Polônia foram redefinidos. Pouco tempo depois da guerra, em 1923, os Fascistas tomaram o poder na Itália. A derrota da Alemanha na guerra e o fracasso em resolver assuntos pendentes no período pós-guerra, alguns dos quais haviam sido causas da Primeira Guerra, acabaram por criar condições para a ascensão do Nazismo e para a Segunda Guerra Mundial em 1939, vinte anos depois.

13

14 Fontes: 1. UOL Educação. Disponível em: http://educacao.uol.com.br/historia/primeira-guerra-mundial-estopim-foiassassinato-de-arquiduque.jhtm . 2. Wikipedia: Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Guerra_Mundial.

14

15

3. SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (1939-1945)

A Segunda Guerra Mundial refletiu a disputa econômica e política dos grandes países industrializados, mas também um confronto em torno do melhor modelo ideológico capaz de orientar, naquele momento histórico, o desenvolvimento da humanidade. Em campos diferentes se defrontavam três sistemas políticoeconômicos: as democracias liberais capitalistas, os nazi-fascistas e os comunistas.

3.1 Antecedentes da Segunda Guerra
No ambiente geopolítico, o mundo apresentava um equilíbrio precário desde o fim da Primeira Guerra, em 1918. Vários fatores influenciaram o início deste conflito que se iniciou na Europa e, rapidamente, espalhou-se pela África e Ásia. Dentre eles destacam-se a grave crise econômica que afetava EUA e Europa na década de 1930 e o surgimento de governos totalitários com ideologias militaristas e expansionistas, como o nazismo, liderado por Hitler na Alemanha e o fascismo, liderado por Benito Mussolini na Itália. Na Ásia, o Japão também possuía fortes desejos de expandir seus domínios para territórios vizinhos e ilhas da região. Estes três países se uniram e formaram o Eixo, um acordo com características militares e com planos de conquistas para expansão dos seus territórios. Em 1938 a Alemanha deu início a seu plano de expansão invadindo a Áustria e parte da Tchecoeslováquia.

3.2 O Início do conflito
Em setembro de 1939, tropas alemãs invadiram a Polônia. De imediato, a França e a Inglaterra declararam guerra à Alemanha. Desde o início ficou claro que as ações de Hitler visavam exterminar os povos que o nazismo considerava inferiores ou indesejáveis, como judeus, eslavos, ciganos, além de homossexuais e deficientes físicos e mentais, em nome da formação da raça ariana. A maioria dos milhões de judeus exterminados nos campos de concentração vivia na Polônia.

3.3 Desenvolvimento do Conflito e Fatos Históricos Importantes:
 Depois da rápida vitória sobre a Polônia, as tropas alemãs não pararam mais. Atacaram primeiramente a França, que também sucumbiu em poucos dias, e depois a Inglaterra, que resistiu heroicamente e enfrentaria os alemães e seus aliados, italianos e japoneses, até o fim da guerra, na Europa, no norte da África e no Oriente. O primeiro-ministro britânico Winston Churchill foi o primeiro estadista ocidental a perceber a ameaça nazista e a ela se opor tenazmente.

15

16  Entre 1939 e 1941, a Alemanha havia conquistado, além da Polônia e da França a Iugoslávia, Ucrânia, Noruega e territórios no norte da África. O Japão anexou a Manchúria, enquanto a Itália conquistava a Albânia e territórios da Líbia. No Ásia, o Japão desenvolvia uma política expansionista similar à de Hitler. Havia conquistado parte da China em 1937 e em seguida o Exército e a Marinha Imperial do Japão invadiram também a Indochina, Indonésia, Malásia, Filipinas e Birmânia). No final de 1941, bombardeou a ilha de Pearl Harbour, pertencente aos Estados Unidos. Atacados por um aliado de Hitler, os americanos, que até então só prestavam ajuda econômica e forneciam armamentos aos ingleses, decidiram entrar na guerra, que se estendeu pelo mundo inteiro. Assistiu-se então a um velocíssimo desenvolvimento bélico norte-americano, o que colocaria o país na posição de maior potência militar do século 20. Na Europa, a guerra envolvia a população civil, além da militar, e provocou uma grande devastação humana operada pelo avanço nazi-fascista. Já nos oceanos Pacífico e Índico, as batalhas se travavam entre navios e aviões ou em territórios cuja população local - muitas vezes indígena - não se envolvia no conflito. Mesmo assim, o número de mortos e feridos foi grande entre os militares, em especial do Japão e dos Estados Unidos, os principais protagonistas das batalhas nessa região. Em meados de 1941, rompendo um acordo que tinha com Stálin, Hitler atacou a União Soviética. Contrariando as estratégias de seus generais, que queriam primeiro tomar Moscou, fez questão de invadir Leningrado, símbolo da Revolução Russa de 1917. Porém, Leningrado resistiu bravamente durante meses, até que, em fevereiro de 1943, os alemães, não acostumados ao frio intenso da Rússia, foram vencidos pelos soviéticos. A partir daí os russos deram início à contra-ofensiva, pressionando alemães a retrocederem para seu país, enquanto, na Europa ocidental, americanos e ingleses reconquistavam posições na Itália e na França. Em 6 junho de 1944 (o chamado Dia D), ocorreu o desembarque das tropas aliadas na Normandia (França). Ao mesmo tempo, as populações dos territórios invadidos pelos nazistas organizavam movimentos de resistência à ocupação, sabotando os alemães e cooperando com os aliados.

16

17

3.4 O Final da Segunda Guerra Mundial e suas Consequências
O Eixo, formado pela Alemanha, Itália e Japão, foi derrotado pelos aliados depois de seis anos de conflito. Na Alemanha, ocupada pelos aliados, Hitler suicidou-se e seus generais se renderam incondicionalmente em 8 de maio de 1945. Na Ásia, o Japão resistiu mais alguns meses, até que as cidades de Hiroshima e Nagasaki foram destruídas pelas bombas atômicas norte-americanas, em agosto do mesmo ano. Foi a primeira vez que se usou armas nucleares num conflito e seu poder de devastação obrigou os japoneses à rendição . Mais de 40 milhões de pessoas morreram no conflito. Os prejuízos foram enormes, principalmente para os países derrotados: além dos mortos e feridos, cidades destruídas, indústrias e zonas rurais arrasadas e dívidas incalculáveis. Com o final do conflito, em 1945, foi criada a ONU ( Organização das Nações Unidas ), cujo objetivo principal seria a manutenção da paz entre as nações. Novas relações geopolíticas se configuraram após a guerra, já que seus principais vencedores eram adversários ideológicos e possuíam uma capacidade bélica equivalente, o que os impedia de partir para um conflito aberto. Iniciou-se, assim, o período conhecido como Guerra Fria, colocando agora, em lados opostos, Estados Unidos e União Soviética. Uma disputa geopolítica entre o capitalismo norte-americano e o socialismo soviético, onde ambos países buscaram ampliar suas áreas de influência sem entrar em conflitos armados. ___________________ Fontes: 1. UOL Educação / história: Disponível em: http://educacao.uol.com.br/historia/segunda-guerra-mundial-1-conflito-matoumilhoes-de-pessoas.jhtm 2. Wikipedia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_Mundial 3. Segunda Grande Guerra. Disponível em: http://pt.worldwar-two.net/

17

18

4. ORIENTE MÉDIO 4.1 Introdução
Região localizada no sudoeste da Ásia, tem como climas predominantes o desértico e o semiárido. No que se refere ao relevo destacam-se os planaltos. Os principais rios são o Tigre, o Eufrates e o Jordão. A maioria da população do Oriente Médio, estimada de 270 milhões de habitantes, professa a religião muçulmana (ou islamismo). Contudo, além do islamismo, o Oriente Médio foi também o berço do judaísmo e do catolicismo. O Oriente Médio é uma das regiões mais conflituosas do mundo. Diversos fatores contribuem para esse fato, como: •sua posição no contexto geopolítico mundial, entre três continentes (Europa, Ásia e África); •suas condições naturais, pois a maior parte dos países ali localizados dependem de água de países vizinhos; •a presença de recursos estratégicos no subsolo, como o petróleo; •a origem dos conflitos entre árabes e israelenses.

ORIENTE MÉDIO

Oriente Médio tradicional

Grande Oriente Médio (definição do G8)

18

19

4.2 Berço das primeiras civilizações humanas
As primeiras civilizações humanas nasceram e se desenvolveram nas proximidades dos grandes rios, no Oriente. A aridez do clima e a baixa fertilidade do solo obrigaram essas sociedades a utilizarem, com racionalidade e eficiência, os recursos hídricos disponíveis para a prática da agricultura. Entre elas destacaram-se Egito e Mesopotâmia. EGITO O rio Nilo foi responsável pelo florescimento da civilização egípcia. Suas margens eram aproveitadas para o cultivo de alimentos que sustentavam uma população organizada em comunidades camponesas, controladas por um Estado fortemente centralizado, a quem deveriam pagar pesados impostos. As obras de irrigação (diques, depósitos de água, canais), realizadas por numerosa mão-de-obra escrava, permitiram o desenvolvimento da civilização. MESOPOTÂMIA Situada entre os rios Tigre e Eufrates, a Mesopotâmia foi um importante império na Antigüidade. Alvo de permanentes ataques e invasões, sua história é marcada pela sucessão de dominações de povos de diversas origens: sumérios, assírios, babilônios... Essas civilizações produziram rica cultura, cujos vestígios ainda hoje podem ser vistos como as grandes pirâmides do Egito. Ambas acabaram sendo dominadas pelos persas, povo militarista e guerreiro que construiu vasto império no Oriente.

Figura 4: Mesopotâmia e o Império Persa Figura 3: EGITO e o Oriente médio tradicional

19

20 Outras civilizações do Antigo Oriente Ainda no Oriente, desenvolveram-se civilizações onde a agricultura não desempenhou papel econômico significativo, mas se destacaram em outros aspectos: os povos fenícios, persas e hebreus. FENÍCIOS A principal atividade econômica dos fenícios foi o comércio marítimo. Dotada de vantagens geográficas e naturais, a Fenícia foi a civilização dos navegadores e mercadores da Antigüidade. A talassocracia (governo dos comerciantes) era diferente do restante doOriente, onde predominava a aristocracia. Da cultura fenícia herdamos o alfabeto com 22 letras. A Fenícia tornou-se província do Império Persa no século I a.C. PERSAS Povo militarista e guerreiro, os persas conheceram o apogeu durante o reinado de Dario I, idealizador de um sistema administrativo altamente eficiente. Além de manterem uma postura de respeito aos usos e costumes dos povos dominados, os persas contavam com boa rede de estradas, moeda única, governadores leais ao poder central... elementos que lhes permitiram garantir o império durante séculos. Foi somente no século I a.C. que o Império Persa foi subjugado por Alexandre da Macedônia. HEBREUS A história hebraica é marcada por constantes deslocamentos, fixando-se durante séculos no território denominado Palestina. O solo pouco apropriado para a agricultura fez deles um povo de pastores. Sua característica mais conhecida foi o fato de, ao criar a sua religião, o judaísmo, terem se tornado a primeira civilização monoteísta da História.

4.3 O judaísmo e a história do povo hebreu
Povo de origem semita (descendentes de Sem, filho de Noé), os hebreus fixaramse na Mesopotâmia onde se organizaram em tribos. Seu primeiro Patriarca foi Abraão que abandonou o politeísmo e converteu-se ao monoteísmo. Abraão conduziu seu povo para a Palestina, porém, a aridez e a escassez de terras férteis na região levaram os descendentes de Abraão a abandonar a Palestina e migrar para o Egito, onde permaneceram como escravos por cerca de 500 anos.

20

21 Liderados por Moisés, os hebreus retornaram à Palestina por volta de 1250 a.C, num processo conhecido como Êxodo. Mas a região já havia sido ocupada por outro povo: os filisteus. A unidade religiosa dos hebreus auxiliou-os na vitória sobre os filisteus, que foram subjugados, e lhes permitiu a reocupação do território. A partir de então, os hebreus viveram o período mais glorioso de sua história. As tribos se unificaram e passaram a respeitar um único chefe. Sob o reinado de Salomão, os hebreus atingiram seu apogeu. Todavia, o império não sobreviveu à morte de Salomão. Seus filhos dividiram o território: Israel, ao norte, e Judá, ao sul. O cisma enfraqueceu o império e favoreceu o domínio de diferentes povos sobre a região como os babilônios, os persas, os macedônicos e os romanos. Quando a Palestina tornou-se província do império romano, nasceu Jesus, que criou uma nova religião monoteísta: o cristianismo. Os cristãos, mesmo sendo alvo de terríveis perseguições pelos imperadores romanos, já que renegavam a divindade do imperador, aumentaram consideravelmente em número nos primeiros séculos da Era Cristã e sua religião acabou se convertendo na religião oficial do Império Romano. Ainda durante o domínio romano sobre a Palestina (por volta de 70 d.C.), ocorreu a Diáspora hebraica. Os hebreus abandonaram a Palestina e se dispersaram pelo mundo. Assim, entre os séculos I e XX de nossa era, os hebreus foram um povo sem território, sem pátria, sem Estado, vítimas de grandes perseguições como as da Inquisição e do Nazismo. Sonhavam, contudo, em retornar à terra que Deus lhes havia prometido. Somente após a segunda guerra mundial, diante do extermínio de 6 milhões de judeus, a recém criada ONU concordou em dar aos judeus o território e o Estado tão desejado. Em 1948, foi criado o Estado de Israel em território palestino, acarretando sérios conflitos na região.

4.4 O Islamismo e a Expansão Árabe
Os árabes, povo de origem semita como os hebreus, viviam em tribos, não possuindo, portanto, um Estado unificado. Praticavam uma religião politeísta que cultuava ídolos cujas imagens estavam agrupadas na Caaba (templo), em Meca. Peregrinos de toda a Arábia realizavam peregrinações à cidade para adorar seus ídolos. Isso, até o surgimento do islamismo, uma religião monoteísta que nasceu nessa região, durante a Idade Média, e se difundiu pelo Mediterrâneo ao longo dos séculos VII e VIII.

21

22 Maomé foi um órfão criado por um tio que lhe deu uma boa formação. Ao viajar com caravanas, conheceu culturas e religiões variadas, que acabaram por influenciá-lo na formulação de sua doutrina. Em 610, Maomé recebeu revelações divinas que o convenceram de que só há um Deus, que é Alah, e ele, Maomé, é o seu profeta. Mao, já que a defesa do monoteísmo ameaçava os negócios dos ricos mercadores da cidade. Em 622, Maomé teve que fugir e refugiou-se em Medina, onde foi acolhido por seus habitantes que adotaram sua doutrina. Esse episódio, chamado Hégira, marca o início do calendário islâmico. mé iniciou suas pregações entre os habitantes de Meca, mas acabou sendo perseguido Os ensinamentos de Maomé foram reunidos no livro sagrado do islamismo, o Alcorão. Dentre eles, o profeta destaca o esforço para conquistar adeptos, denominado jihad (guerra santa). Em 630, os seguidores de Maomé ocuparam e dominaram a cidade de Meca, realizando, de uma só vez, a unificação religiosa e política da Arábia. Após a morte do profeta, em 632, o poder passou a ser exercido pelos califas (sucessores do profeta) que construíram um vasto império que se estendia da Pérsia até a Península Ibérica, incluindo o Oriente Médio e o norte da África. Além de controlarem toda a atividade comercial da região, impedindo o acesso dos cristãos, os árabes adotaram uma política de tolerância cultural em relação aos povos dominados. Assim, além de influenciar e receber influências desses povos, os árabes contribuiram muito para a preservação do legado cultural clássico. Disputas políticas e religiosas entre os califas que governavam o império acabaram por enfraquecê-lo, tornando-o vulnerável a invasões e ataques como os dos turcos, mongóis e cruzados, que fragmentaram o poder dos árabes. A religião islâmica, porém, mesmo com o declínio político dos árabes, enraizou-se em diversas partes do mundo. Sunitas e Xiitas A morte de Maomé, em 632, dividiu seus seguidores em dois grupos: os sunitas e os xiitas. Os sunitas seguem os ensinamentos de Maomé contidos em um conjunto de textos chamado SUNA que, para eles, é uma importante fonte de verdade ao lado do Alcorão. Os xiitas só admitem o Alcorão como fonte sagrada. São defensores intransigentes dos fundamentos da fé islâmica e contrários à ocidentalização. Os sunitas correspondem a 85% dos muçulmanos e os xiitas, aos restantes 15%. Os xiitas são maioria em poucos países como o Irã, o Iraque e o Bahrein.

22

23

4.5 O conflito árabe-israelense
Origens do conflito O conflito entre árabes e judeus é relativamente recente, ao contrário do que muitos acreditam. Até o final do século 19, judeus e diferentes povos árabes viviam em relativa harmonia. Os problemas ganharam corpo com a crise dos grandes impérios, ao término do século 19, que permitiu o avanço de inúmeros movimentos nacionalistas. Entre os novos movimentos estavam o nacionalismo árabe que defendia a criação de um grande Estado árabe independente dos turcos, e o sionismo (referência à Colina de Sion, em Jerusalém), defensor da volta dos judeus à Palestina. A 1ª Guerra Mundial (1914-1918) selou o fim dos grandes impérios e redesenhou o mapa do Oriente Médio, que antes era dominado pelos turcos. Os ingleses receberam um mandato da Liga das Nações para ocupar por 30 anos os atuais Iraque, Jordânia e Palestina. A França ficou com o que hoje são a Síria e o Líbano. Árabes e judeus passaram então a disputar espaço na Palestina sob mandato britânico. Os sionistas traziam jovens pioneiros da Europa Oriental para cultivar terras compradas dos árabes por milionários judeus. E os nacionalistas árabes lançavam ataques armados contra as novas comunidades judaicas. Os britânicos ficavam no meio do caminho, ora limitando a imigração judaica, ora restringindo os ataques dos militantes árabes. Criação do Estado de Israel Entre os anos 1930 e 1940, intensificou-se consideravelmente a imigração judaica para a Palestina. Porém, o descontrolado ingresso de judeus na Palestina acarretou sérios problemas já às vésperas da Segunda Grande Guerra: as áreas de assentamento judeu e palestino não foram delimitadas e grupos de características étnicas e religiosas tão diferentes tiveram que compartilhar o mesmo território, de onde resultaram graves hostilidades entre ambos. Após o holocausto promovido pelos nazistas durante a Segunda Guerra, houve consenso na recém criada ONU sobre a criação de um Estado judeu na Palestina. A medida foi apoiada pelos Estados Unidos e Inglaterra, interessados em estabelecer um aliado na região, já que não confiavam nos Estados árabes que a cercavam. Os palestinos, por sua vez, também almejavam a criação de um Estado independente em território palestino e, para isso, contavam com o apoio dos países árabes. Em 1947, a ONU estabeleceu a divisão do território palestino entre judeus, que ocupariam 57% das terras com seus 700 mil habitantes, e palestinos, cuja população de cerca de 1,3 milhão de habitantes ocuparia os restantes 43% do território. Em maio de 1948, o futuro primeiro-ministro David Ben Gurion anunciou a criação do Estado de Israel.

23

24 As guerras entre Israel e países árabes Com a retirada das tropas britânicas que ocupavam a região, começou, em 1948, uma guerra entre Israel e a Liga Árabe, criada em 1945 e que reunia Estados Árabes que procuravam defender a independência e a integridade de seus membros. A guerra foi liderada pela Jordânia e pelo Egito. Israel venceu o conflito e ocupou áreas reservadas aos palestinos, ampliando para 75% o domínio sobre as terras da região. O Egito assumiu o controle sobre a Faixa de Gaza e a Jordânia criou a Cisjordânia. Desde então, houve três grandes guerras entre Israel e os países árabes: em 1956, 1967 e 1973. Em 1956, o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser declarou guerra à Inglaterra, França e Israel com o objetivo de assumir definitivamente o controle sobre o canal de Suez, em mãos européias desde sua construção. Para isso contou com o apoio da União Soviética, país que, no contexto da Guerra Fria, apoiava todas as iniciativas de libertação nacional a fim de conquistar aliados para o bloco socialista. Durante o conflito, Israel ocupou a Península do Sinai, mas, devolveu-a logo em seguida, devido à pressão norte-americana. Para defender a luta palestina no sentido da criação de um Estado autônomo, foi criada a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), em 1964, tendo como líder Iasser Arafat . Nas fileiras da OLP, surgiu o Al Fatah, braço armado da organização que prega a luta armada e o terrorismo para destruir Israel. A OLP só recentemente foi reconhecida por Israel como representante dos interesses palestinos na questão territorial. Em 1967, eclodiu a “guerra dos 6 dias”. Após a retirada das tropas da ONU que guardavam a fronteira entre Egito e Israel, soldados israelenses avançaram sobre a Península do Sinai, a Faixa de Gaza e as colinas de Golã. A população palestina teve que se refugiar em países vizinhos - sobretudo ao sul do Líbano. A OLP adotou o terrorismo como estratégia de luta contra Israel que, por sua vez, com amplo apoio das potências ocidentais, desenvolvia respeitável aparato bélico. A Guerra do Yom Kippur, em 1973, tive início no feriado judeu que leva esse nome. Egito e Síria desfecharam ataque simultâneo a Israel e conseguiram avançar nas primeiras 48 horas. Mas, na segunda semana de guerra os sírios foram expulsos das colinas de Golam e o exército egípcio teve que retroceder para o seu território, do outro lado do canal de Suez. que revidou prontamente, vencendo as forças agressoras. Nas áreas que iam sendo ocupadas por Israel, principalmente em Gaza e na Cisjordânia, surgiram colônias judaicas protegidas por soldados israelenses. A estratégia visava consolidar o domínio sobre o território.

24

25 Acordos de paz Quando o presidente Anuar Sadat assumiu a presidência do Egito, assumiu uma postura de distanciamento da União Soviética e de aproximação dos Estados Unidos. Daí surgiram conversações de paz entre egípcios e israelenses que resultaram num acordo formalizado em Camp David (EUA), em 1979. O acordo não agradou nem aos judeus instalados nas colônias do Sinai, de Gaza e da Cisjordânia, nem aos árabes que esperavam maiores concessões por parte dos israelenses. Por isso, Sadat, considerado por muitos, traidor da causa árabe no Oriente Médio, foi assassinado em 1981. Na década de 1980, depois do atropelamento e morte de quatro palestinos por um caminhão do exército israelense, em 1987, jovens árabes, munidos de paus e pedras, enfrentaram, nas ruas, os soldados de Israel e o levante se alastrou. A repressão israelense foi brutal. Desde então, os choques entre palestinos e colonos nas áreas de ocupação israelense têm sido freqüentes. As conversações de paz entre árabes e israelenses só foram retomadas em 1993, quando o Primeiro Ministro de Israel Itzhak Rabin e o líder da OLP Arafat realizaram um encontro em Oslo, onde ficou decidido que, de forma gradual, Israel devolveria a Faixa de Gaza (área pobre onde se espremem 800 mil palestinos) e de Jericó, na Jordânia, para a administração direta e autônoma dos palestinos. Os cerca de 100 mil colonos judeus ali instalados permaneceriam protegidos pelo exército israelense. Ao acordo, opuseram-se as facções palestinas hostis a Arafat. Para piorar o quadro, em 1995, durante um comício pela paz em Tel Aviv, um estudante judeu de 27 anos, membro de uma organização extrema direita, assassinou Itzhak Rabin. Em 2000 os conflitos entre palestinos e judeus aumentaram, tendo início uma nova intifada. A situação, piorou quando, no início de 2001, o conservador Ariel Sharon foi eleito Primeiro Ministro de Israel, revelando o sentimento dominante entre os israelenses de não retomar as negociações para a criação do Estado Palestino enquanto durar a intifada. Diante da violência dos atentados terroristas promovidos pelo Hamas e pelo Hezbolah, grupos extremistas árabes que pregam o extermínio dos judeus, as ações do exército israelense também têm sido cada vez mais cruéis, atingindo, inclusive, a população civil das regiões dominadas.

Fontes:
1. RIBEIRO, Wagner Costa. Relações Internacionais: cenários para o século XXI. São Paulo: Scipione, 2000. 2. UOL Educação / Colégio Stockler. Disponível em: http://educacao.uol.com.br/historia/index-o.jhtm 3. Wikipedia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Conflito_árabe-israelense

25

26

5. A NOVA ORDEM GEOPOLÍTICA INTERNACIONAL
Geopolítica é uma disciplina das Ciências Humanas que mescla a Teoria Política à Geografia, considerando o papel político internacional que as nações desempenham em função de suas características geográficas: localização, território, posse de recursos naturais, contingente populacional. As constantes alterações que têm ocorrido no mapa da Europa nos últimos anos são o sinal de que vivemos um período de transição. É a estruturação da chamada nova ordem geopolítica internacional, que vem substituir a velha ordem, que era marcada pela oposição entre Estados Unidos e União Soviética, em um período conhecido como guerra fria.

5.1 A Guerra Fria (a velha ordem)
A guerra fria começou a se desenhar após a Segunda Guerra Mundial. A partir de então, o cenário geopolítico internacional ficou marcado pela bipolaridade entre as duas grandes potências vencedoras - a capitalista, representada pelos Estados Unidos, e a socialista (ou comunista), representada pela União Soviética. Não foi por acaso que esses dois países se transformaram nas superpotências dominantes do cenário mundial. Eles foram decisivos para vencer a guerra contra o Eixo (Alemanha, Itália e Japão), quando se uniram à Inglaterra e aos outros países aliados. No caso dos Estados Unidos, o seu território e a sua população ficaram a salvo de ataques militares, porque estavam longe do palco da guerra, que se desenvolveu na Europa e na Ásia. Assim, enquanto as bases industriais da Europa e do Japão foram destruídas, as indústrias americanas atuaram em plena capacidade de produção fornecendo armas, tanques e aviões. Já a União Soviética se destacou pela grande capacidade militar, principalmente quando conseguiu expulsar as tropas alemãs do seu território e as empurrou de volta às fronteiras do seu próprio país. Devido ao importante papel da União Soviética na derrota do exército nazista, desde de fevereiro de 1945 os soviéticos transformaram todo o leste europeu em uma grande área ocupada, alegando a necessidade de manter a segurança junto às suas fronteiras. A partir desse momento se estabeleceu a chamada "cortina de ferro", com a divisão da Europa em duas regiões geopolíticas: a Europa Ocidental, sob a influência dos Estados Unidos, e a Europa Oriental, sob a influência da União Soviética. A própria Alemanha foi dividida, em 1949, em dois países: República Federal da Alemanha (RFA), capitalista, e República Democrática Alemã (RDA), socialista. O símbolo maior dessa divisão foi a construção do muro de Berlim. Construído em 1961 pelos soviéticos, para consolidar a divisão da capital, evitando a fuga de alemães orientais para o lado capitalista, o muro foi o grande

26

27 símbolo da bipolaridade na disputa ideológica e militar entre os dois grandes vencedores da Segunda Guerra Mundial. Alegando a necessidade de defender seus aliados, as duas superpotências se posicionavam como inimigas e criavam estratégias para se proteger uma da outra. Para conter a influência Soviética, os Estados Unidos financiaram a reconstrução e o fortalecimento econômico da Europa, através do Plano Marshal e instalaram um arsenal nuclear nos países da Europa Ocidental e bases militares na Àsia e na Oceania. Por seu lado, já em 1948 a União Soviética transformou as áreas de ocupação do Leste em governos pró-soviéticos, controlando-os de forma absolutamente autoritária, e também criou mecanismos de auxílio e cooperação econômica no interior do bloco socialista, através do Comecon. Nesse período, do ponto de vista do equilíbrio do poder, foram criadas duas grandes Organizações militares: a Otan, em 1949, que tinha como principal objetivo impedir a expansão dos sistemas socialistas e o Pacto de Varsóvia, em 1955, que visava conter a expansão capitalista. Essas organizações, bem como as guerras localizadas entre as duas superpotências, foram expressão clara de como o controle mundial efetivou-se através do chamado "equilíbrio do terror". A corrida tecnológica que colocou os dois países em posição militar de destruir o mundo todo, principalmente através das armas nucleares, serviu como eficaz mecanismo de controle mundial. Do ponto de vista ideológico, se estabeleceram dois pontos de vista antagônicos entre países, organizações e indivíduos: ou se era alinhado ao capitalismo, ou ao socialismo. Enquanto os Estados Unidos, ao defender os princípios capitalistas do livre mercado, buscavam o controle do mercado mundial, a União Soviética buscava implantar o seu projeto de revolução comunista, através da tomada do poder em cada país. Essa luta por manter e ampliar os aliados de cada um dos lados é que ficou conhecida como Guerra Fria. Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, essa velha ordem mundial começou a ruir. Muitos consideram que a queda do muro marcou o fim da guerra fria. Outros consideram como o marco final da guerra fria a desarticulação do império soviético, a partir da independência da Estônia, da Letônia e da Lituânia, no início da década de 1990. Outros ainda, defendem que a guerra fria acabou quando a União Soviética foi formalmente extinta, em 1991, dando lugar à independência da Rússia e das demais ex-repúblicas soviéticas, que viriam a formar a Comunidade de Estados Independentes (CEI).

5.2 A Nova ordem internacional
O cenário internacional mudou, no final do século XX, quando passaram a prevalecer valores como a democracia representativa, a economia de mercado. Além disso, o sistema internacional passou a ser o resultado da interação dos Estados-nação e das empresas transnacionais, mas também de outros atores

27

28 internacionais como as Organizações Não-governamentais (ONGs). Este novo cenário passou a ser conhecido como a Nova Ordem Internacional. Se durante a Guerra Fria o mundo era bipolarizado, sob o ponto de vista políticoideológico, a nova ordem é multipolar. Nela, o mundo está dividido em áreas de influência econômica. As alianças militares perderam o sentido, pelo menos no que se refere à oposição capitalismo-comunismo. Hoje, tem lugar a expansão das alianças econômicas: União Européia, Nafta, ALCA, Mercosul, APEC. No contexto da economia globalizada, os blocos econômicos são um grande impulso para a otimização do crescimento econômico integrado. Os Estados-Nação perderam espaço para a ação das transnacionais. A nova ordem internacional acabou com vários conflitos diretamente ligados à ação das superpotências. Mas fez surgir outros, na sua maioria de origem étnica, religiosa e nacional. No contexto econômico, prevalece a abertura dos mercados, o fim de restrições comerciais e a implantação de um comércio mais amplo, regulado pela OMC – Organização Mundial do Comércio. A palavra de ordem é a inserção no mercado mundial. Os capitais estão cada vez mais livres e, perante uma variada gama de possibilidades de investimentos, deslocam-se facilmente de um país para outro, de uma economia menos atraente para outra mais atraente, até que uma outra surja, num fluxo contínuo de investimentos que se movimentam ao sabor dos ventos da economia. Características da velha e da nova ordem geopolítica

Velha Poder político Ameaças Poder militar Divisão Economia Fronteiras Ideologias Políticas Crises Agentes Governança Bipolaridade Radicalização 2 superpotências Cortina de ferro Hegemonias G-7 Fechadas Nacionalismos Protecionismo Confinadas ao país Estado-nação Pouco relevante

Nova Multipolaridade Terrorismo Hegemonia EUA Blocos G7 e emergentes Abertas Inserção global Abertura Contagiantes Supranacionalismo Muito relevante

28

29 Transformações geopolíticas no século XX A velha geopolítica: divisões

A nova ordem geopolítica: multipolaridade

29

30

5.3 Os blocos econômicos
Os blocos são associações de países cujo objetivo é estabelecer relações comerciais privilegiadas entre si. Esse processo é iniciado com a abolição de tarifas comerciais e pode chegar, no limite, ao fim de fronteiras e até a uma união econômica, com uma moeda comum. Assim, de acordo com o seu nível de evolução, os blocos econômicos são classificados em quatro tipos. A formação de blocos econômicos regionais em modalidades semelhantes às existentes no mundo atual ocorreu, pela primeira vez, próximo ao final da 2ª Guerra Mundial, com a criação do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo). Após a guerra, a idéia de integração econômica baseada em uma economia supranacional começou a ganhar força na Europa Ocidental. Diante da perspectiva de concorrer com os Estados Unidos, fazer frente ao crescimento da União Soviética e reduzir o risco de os nacionalismos provocarem novos conflitos, os países europeus firmaram uma série de acordos com o objetivo de unir o continente, reestruturar, fortalecer e garantir a competitividade de suas economias. Posteriormente, a experiência européia foi estendida a outros continentes e foram desenvolvidas várias iniciativas de integração regional. Entretanto, a única que teve permanência e consistência em suas ações foi a Comunidade Econômica Européia (CEE), transformada em 1992 em União Européia (UE).

Modalidades de integração regional Zona de livre-comércio – Redução ou eliminação das tarifas alfandegárias entre os países membros. União aduaneira – Além de abrir os mercados internos, regulamenta o comércio do bloco com as nações de fora. Mercado comum – Permite ainda a livre circulação de capitais, serviços e pessoas no interior do bloco. União econômica e monetária – Evolução do mercado comum. Os países adotam a mesma política de desenvolvimento e uma moeda única. É o atual estágio da União Européia.

30

31 Principais blocos econômicos
PRINCIPAIS BLOCOS ECONÔMICOS 1. NAFTA. Tratado de Livre Comércio da América do Norte. 2. MCCA. Mercado Comum Centro Americano. 3. CARICOM. Comunidade Econômica do Caribe. 4. PA. Pacto Andino. 5. MERCOSUL. Mercado Comum do Sul. Nº DE PAÍSESMEMBROS 3 6 5 5 4 OBJETIVOS

Zona de livre comércio. União alfandegária. União aduaneira. Coordenação de políticas públicas. Mercado comum. Atuação conjunta para desenvolvimento. Mercado comum. Coordenação de políticas industriais. Zona de livre comércio. Harmonização de políticas públicas. União monetária.

6. UE. União Européia.

25

PRINCIPAIS BLOCOS ECONÔMICOS 7. EFTA. Associação Européia de Livre Comércio. 8. CEI. Comunidade de Estados Independentes.

Nº DE PAÍSESMEMBROS 6 12

OBJETIVOS

Área de livre comércio. Acordos multilaterais militares e econômicos. Coordenação de políticas públicas. Acordo multilateral de defesa e nãoagressão. Constituição de fundo de desenvolvimento. Acordo de livre comércio. Fórum de cooperação econômica. Área expandida de livre comércio. Área de livre comércio. Acordo multilateral de integração. Bloco expandido: Mercosul e Andinas. Atuação conjunta para desenvolvimento. Integração física.

9. UEA. União dos Estados Africanos.

38

10. AFTA. Associação das Nações do Sudeste Asiático. 11. APEC. Cooperação Econômica ÁsiaPacífico-América. 12. ALCA. Associação de Livre Comércio das Américas. 13. CESA. Comunidade Econômica SulAmericana

5 18 34

9

31

32

5.4 OS BRIC – Brasil, Rússia, India e China
O acrônimo BRIC foi criado por Jim O'Neill, economista-chefe do banco Goldman Sachs em Nova York. O'Neill argumentava que, nos próximos 50 anos, essas quatro nações viriam a dominar a economia mundial. Somadas, elas compreendem hoje 25% da área habitável, 40% da população e 15% da economia do planeta. Será que se trata de uma esperança realista? Hoje os BRIC somados respondem por apenas 12% do PIB mundial. Mas juntos detêm US$ 3 trilhões em reservas cambiais. Há fortes indícios de que os quatro países do BRIC têm procurado formar um "clube político" ou uma "aliança", buscando converter seu crescente poder econômico em uma maior influência geopolítica. Em junho de 2009, os líderes dos países do BRIC realizaram sua primeira reunião, na Rússia, e emitiram uma declaração apelando para o estabelecimento de uma ordem mundial multipolar. Os líderes dos países participantes do BRIC sugeriram que as economias emergentes e em desenvolvimento devem ter mais voz e representação nas instituições financeiras internacionais e que os seus líderes e diretores devem ser designados por meio de processos seletivos abertos, transparentes e baseados no mérito. Os líderes do BRIC pedem, ainda, apoio aos países pobres e o suporte às energias renováveis. Em declaração anexa sobre segurança alimentar, os BRICs defenderam a transferência de tecnologia para a produção de biocombustíveis e o desenvolvimento técnico da produção agrícola. A ênfase, porém do encontro, foi voltada para a cooperação para a reforma do sistema financeiro mundial.

32

33

5.5 Terrorismo e Choque de Civilizações
Terrorismo: o que é isso? Terrorismo é um método que consiste no uso de violência, física ou psicológica, por indivíduos, ou grupos políticos, contra a ordem estabelecida através de um ataque a um governo ou à população que o legitimou, de modo que os estragos psicológicos ultrapassem largamente o círculo das vítimas. Atentados no século XXI 11 de setembro de 2001: World Trade Center - USA Ícones da identidade nacional norte-americana foram alvejados com desconcertante facilidade. Dois aviões sequestrados por terroristas da rede AlQaeda puseram abaixo as torres gêmeas do World Trade Center. Uma terceira aeronave foi lançada sobre o Pentágono, sede do poder militar dos EUA, nos arredores de Washington. No total, mais de 5.000 pessoas morreram. Os ataques mudaram a cara do terror internacional. 11 de março de 2004: bombas nos trens em Madri Uma série de bombas explodidas em trens metropolitanos matou mais de 200 pessoas e deixou quase 1.500 feridos em Madri. O crime monstruoso, perpetrado contra vítimas inocentes a caminho do trabalho, deixou uma dúvida: o autor. Inicialmente, o governo espanhol acusou o grupo separatista basco ETA. Mais tarde surgiram indícios de que se poderia tratar de nova investida dos fanáticos da Al Qaeda. 2004: Terrorismo em escola da Rússia Cerca de 30 terroristas invadiram o ginásio de uma escola, onde pais e alunos comemoravam o primeiro dia de aula do ano letivo russo. A ação terrorista durou três dias e só terminou quando forças policiais russas mataram a maioria dos terroristas e libertaram os reféns sobreviventes. Foram encontrados mais de 200 mortos e mais de 700 feridos. O ataque foi perpetrado por terroristas chechenos e árabes. Julho de 2005: bombas em Londres Ocorreram 4 explosões de bombas, três delas em trens do metrô e a última dentro de um ônibus. Detonadas de forma coordenada no horário de maior movimento no centro da cidade, deixaram mais de 50 mortos e 700 feridos.

33

34 Londres constituiu-se em alvo óbvio por reunir características que o fundamentalismo muçulmano abomina: centro financeiro mundial, síntese do Ocidente e do capitalismo moderno, metrópole cosmopolita, tolerante com a diversidade humana. 2008: ataques na Índia Um grupo de cerca de 30 terroristas se espalhou pela área turística de Mumbai realizando massacres em diferentes pontos da cidade. Depois, os terroristas se entrincheiraram em três locais: os hotéis Taj Mahal e Oberoi-Trident, os mais luxuosos da cidade, e em um centro religioso judaico localizado em uma galeria comercial, fazendo centenas de reféns. O saldo final ultrapassou os 200 mortos e 400 feridos.

Maiores organizações terroristas Brigadas vermelhas Organização política terrorista da extrema-esquerda italiana que desenvolveu a sua actividade durante os anos 70 e o início da década de 80. Tratava-se de um grupo de guerrilha clandestino que esteve implicado em atos de sabotagem, sequestros e atentados. Foi responsável, entre outras, pela morte do democrata-cristão e primeiro-ministro Aldo Moro (1978). Duas dezenas de membros do grupo foram condenados a prisão perpétua. IRA - Exército Republicano Irlandês As rivalidades entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte remontam ao século 17. É uma história de confrontos entre a maioria protestante, identificada com os interesses do domínio britânico e, de outro, a minoria católica, que luta pelo fim da dominação inglesa. A Irlanda se tornou independente em 1922. Mas, a parte católica, conhecida com Irlanda do Norte, continuou sob domínio do Reino Unido. Em 1969 a Irlanda do Norte foi ocupada pelo exército britânico. Em 1972, mais de uma dezena de jovens irlandeses católicos foram mortos no Domingo Sangrento (Bloody Sunday). Cerca de 3.600 pessoas morreram na Irlanda em 30 anos de conflitos entre o IRA e grupos paramilitares protestantes. O conflito só terminou em 2005, quando o IRA anunciou o fim da "luta armada" e entregou as armas.

34

35

Organização pela Libertação da Palestina (OLP) Organização política formada em 1964 com o objetivo de lutar pela independência da Palestina, território que fora ocupado por Israel. De 1968 a 2004 teve como presidente Yasser Arafat, líder do Al Fatah (uma das forças de libertação da Palestina que se juntaram para criar a OLP, e se tornou o seu braço armado). Em 1993 Arafat e Yitzhak Rabin, primeiro-ministro israelita, assinaram o acordo de paz que permitiu a criação da Autoridade Nacional Palestina, governada pela OLP. Al Fatah x Hamas Porém, o outro principal grupo terrorista, o Hamas, acusou a Al Fatah de conivência com Israel e os dois grupos se tornaram rivais. O Hamas assumiu o comando da Faixa de Gaza e se tornaram comuns os confrontos entre os dois grupos pelo poder na Palestina. O Hamas intensificou também os conflitos com Israel, dificultando a manutenção do acordo de paz, que veio a ser quebrado em 2000. Jihad Islâmica A palavra "jihad" significa luta e é utilizada por alguns grupos terroristas do Oriente Médio como "guerra santa" contra a existência do Estado de Israel. A Jihad Islâmica é um grupo fundado no início dos anos 80, no Egito, e assumiu a responsabilidade pela morte de 18 soldados em um ponto de ônibus em Beit Lid, em 1995. Diversos ataques terroristas suicidas foram atribuídos a esse grupo. ETA -Euskadi Ta Azkatasuna (Pátria basca e liberdade) Em 2009 o grupo separatista basco, ETA, completou 50 anos. Neste período, cometeu 825 assassinatos e feriu centenas de pessoas, apresentando como justificativa a luta contra o governo da Espanha pela completa independência de um território de 20.000 km² e população que mal supera 2 milhões de habitantes. Surgiu como um movimento de resistência estudantil, que se opunha radicalmente à ditadura militar do general espanhol Francisco Franco. Após a morte de Franco em 1975, o País Basco se tornou uma Comunidade Autônoma com direito a arrecadar os próprios impostos, ensinar a língua basca nas escolas e eleger Parlamento e presidente próprios. Porém, o ETA continuou a praticar atos violentos, reclamando independência total. Muitas das vítimas são membros da polícia, juízes franceses e espanhóis, políticos que se opõem às reivindicações do ETA. O auge foi o assassinato do primeiro-ministro Carrero Blanco, em 1973.

35

36

O choque de civilizações Em O Choque de Civilizações, publicado em meados dos anos 90, Huntington previa que os conflitos globais no século XXI não seriam mais motivados por desavenças entre países, mas entre civilizações, caracterizadas estas por valores, instituições e, sobretudo, religiões. O choque mais iminente, escreveu, era aquele que contraporia o Ocidente ao mundo muçulmano. "Os fatos estão provando que minha tese tem certo grau de veracidade", diz o professor. "Gostaria que não fosse assim." Principais civilizações: Civilização confuciana ou sínica Inclui principalmente a China, mas também o sudeste asiático, como Coréia, Tibete, Vietnã, etc. Civilização japonesa O Japão há muito já possui uma cultura autônoma. A civilização nipônica seria a única civilização que abrange um pais só e é formada por elementos da civilização sínica e dos povos altaicos, de onde é oriunda. Atualmente recebe forte influência da civilização ocidental. Em tese, tal civilização englobaria também a Coréia do Sul, mas esta seria considerada sínica mais por questões políticas. Civilização hindu Expandiu-se a partir do vale do rio Indo e seria representada hoje principalmente pela Índia, embora inclua outros países hindus como o Camboja. Civilização Islâmica A civilização do mundo islâmico teria surgido na Arábia e assimilado as culturas, turca, libanesa, persa, malaia entre outras. A Civilização Islâmica também estaria profundamente presente no Norte da África. Civilização ocidental Civilização grego-romana, judaico-cristã. Englobaria toda a Europa e a chamada "anglosfera" (Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia).

36

37

Civilização ortodoxa A região vizinha à Rússia. Civilização latinoamericana Híbrido da civilização ocidental com a população indígena local. Civilização da África subsaariana A civilização africana, ou mais especificamente subsaariana já que o norte da África pertence à civilização muçulmana, teria a África do Sul como seu estadonúcleo. Fontes: 1. RIBEIRO, Wagner Costa. Relações Internacionais: cenários para o século XXI. São Paulo: Scipione, 2000. 2. Algosobre.com. Disponível em http://www.algosobre.com.br/geografia/capitalismo-e-socialismo-da-guerra-fria-anova-ordem.html 3. UOL Educação / Geografia. Disponível em http://educacao.uol.com.br/geografia/blocos-economicos.jhtm.

37

38

6. PAÍSES E SUAS CULTURAS

6.1 Introdução
A cultura está para um povo assim como a personalidade está para o indivíduo .
Qualquer povo tem uma maneira muito peculiar de viver e de compreender a vida. Ou seja, a cultura é mutável, dinâmica, passa de uma pessoa para a outra sem fazermos força. Ela determina nossa forma de pensar, de amar, de decidir e de agir. Os preconceitos e estereótipos são comuns na vida internacional. Temos uma tendência natural a julgar os outros com base em nossas vivências e padrões. A capacidade de primeiro ouvir, observar, analisar e só depois julgar é fundamental nas relações internacionais. Assim, o primeiro passo para administrar o choque cultural e ter sucesso em uma negociação internacional ou até mesmo em uma viagem turística, é conhecer o outro país. Para auxiliá-lo nessa tarefa, são apresentadas a seguir algumas informações sobre os países mais importantes economicamente, ou com os quais o Brasil, Santa Catarina e Joinville mantêm maior volume de comércio exterior. Inicialmente são apresentados alguns dados econômicos, demográficos, históricos e geográficos dos países selecionados. Na sequência, chama-se a atenção para algumas características peculiares da cultura de cada um deles. Por último, são relacionadas também as características desejáveis para se tornar um bom negociador internacional.

38

39

6.2 Dados socioeconomicos dos países
ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA Capital Cidade mais populosa Língua oficial Governo - Presidente - Vice-presidente Independência - Declarada - Reconhecida - Constituição atual Área - Total População - Censo 2010 - Densidade PIB - Total - Per capita Indicadores sociais - Gini (2007) - IDH (2010) - Esper. de vida 46,3 – alto 0,902 (4.º) – muito elevado 78,2 anos (38.º) Washington, D.C. Nova Iorque Inglês República federal presidencialista Barack Obama Joe Biden do Reino da Grã-Bretanha 4 de julho de 1776 (234 anos) 3 de setembro de 1783 (227 anos) 21 de junho de 1788 9 372 610 km² (4.º) 308 745 538 hab. 33 hab./km² (143.º) Lista 2010 do FMI US$ 14,62 trilhões (1.º) US$ 47.123 (6º)

O país tem enormes recursos minerais, com grandes depósitos de ouro, petróleo, carvão e urânio. Na agricultura, está entre os maiores produtores mundiais de milho, trigo, açúcar e tabaco, entre outras produções. A indústria de manufatura americana é diversificada, com automóveis, aviões e produtos eletrônicos. O maior setor econômico, no entanto, é o de serviços: cerca de três quartos dos habitantes dos Estados Unidos trabalham nesse setor. Hispânicos constituem uma considerável parcela da população americana, sendo atualmente a maior minoria étnico-racial dentro dos Estados Unidos, compondo cerca de 13,4% da população americana.

39

40

CHINA (República Popular da China) Capital Cidade mais populosa Língua oficial Governo - Presidente - Primeiro-ministro Estabelecimento - República Popular Área - Total População - Estimativa de 2010 - Densidade PIB - Total - Per capita Indicadores sociais - Gini (2007) - IDH (2010) - Esper. de vida 41,5 – alto 0.663 (89.º) – médio 73,0 anos (82.º) Pequim Xangai Chinês Mandarim República Socialista unipartidária² Hu Jintao Wen Jiabao 1 de outubro de 1949 9.596.960 km² (3.º) 1.338.612.968 hab. (1.º) 139.6 hab./km² Lista 2010 do FMI US$ 5,75 trilhões (2.º) US$ 7.518 (93.º)

Com 1,3 bilhões de habitantes (22% do planeta), a China desempenha um papel importante no comércio internacional, por ser o maior consumidor mundial de aço e concreto (usa, respectivamente, um terço e mais da metade daqueles insumos) e o segundo maior importador de petróleo. É o terceiro maior importador do mundo e o segundo maior exportador, em termos globais. Desde 1978, o país implementa reformas para adotar, em alguma medida, uma economia de mercado, o que ajudou a tirar 400 milhões de pessoas da pobreza. Entretanto, o país enfrenta outros problemas econômicos, inclusive o rápido envelhecimento da população e uma crescente disparidade entre a renda urbana e a rural.

40

41

JAPÃO Capital Língua oficial Governo - Imperador - Primeiro-ministro Fundação Nacional - Constituição Meiji - Constituição do Japão Área - Total População - Estimativa de 2007 - Densidade PIB - Total - Per capita Indicadores sociais - Gini (2002) - IDH (2010) - Esper. de vida 38,1 0,884 (11.º) – muito elevado 82,6 anos (1.º) Tóquio Japonês Monarquia constitucional Akihito Naoto Kan 11 de fevereiro, 660 a.C. 29 de novembro de 1890 3 de maio de 1947 377.873 km² (62.º) 127.433.494 hab. (10.º) 337 hab./km² (30.º) Lista 2010 do FMI US$ 5,39 trilhões (3.º) US$ 33.828 (24º)

O Japão possui a nona maior população do mundo, com cerca de 128 milhões de habitantes. A Região Metropolitana de Tóquio é a maior área metropolitana do mundo, com 37 milhões de habitantes. Com um PIB de 4,9 trilhões de dólares,o Japão é a segunda economia mundial (dados de 2008). Essa posição é resultado da cooperação entre o governo e a indústria, de uma profunda ética do trabalho, investimentos em alta tecnologia e baixos gastos com sua defesa. Dentre as principais atividades industriais estão: engenharia, produção de automóveis, eletrônica, informática, siderurgia, metalurgia, construção naval e química, com destaque para as indústrias com tecnologia de ponta nesses setores.

41

42 ALEMANHA (República Federal da Alemanha) Capital Cidade mais populosa Língua oficial Governo - Presidente - Chanceler Formação - Unificação - República Federal Entrada na UE Área - Total População - Estimativa de 2010 - Densidade PIB - Total - Per capita Indicadores sociais - IDH (2010) - Esper. de vida 0,885 (10.º) – muito elevado 79,4 anos (23.º) Berlim Berlim Alemão República Federal Parlamentarista Christian Wulff Angela Merkel 18 de Janeiro de 1871 23 de Maio de 1949 25 de Março de 1957 357 051 km² (63.º) 81 757 600 hab. (15.º) 229 hab./km² (55.º) Lista 2010 do FMI US$ 3,31 trilhões (4.º) US$ 35.930 (19.º)

Desde a revolução industrial o país tem sido criador, inovador e beneficiário de uma economia globalizada. A Alemanha é a maior economia da Europa e a quarta maior do mundo. Um dos principais fatores da riqueza alemã é a exportação de bens produzidos no país, principalmente na área de engenharia, como automóveis, máquinas, metais e produtos químicos. A Alemanha é o maior produtor de turbinas eólicas e de tecnologia de energia solar do mundo. As maiores feiras internacionais comerciais são realizadas todos os anos em cidades alemãs como Hannover, Frankfurt e Berlim. Frankfurt é o centro financeiro do país e um dos centros financeiros da Europa.

42

43 FRANÇA (República francesa) Capital Cidade mais populosa Língua oficial Governo - Presidente - Primeiro-ministro Formação - Estado francês - Constituição atual Entrada na UE Área - Total População - Estimativa de 2010 - Densidade PIB - Total - Per capita Indicadores sociais - Gini (2005) - IDH (2010) - Esper. de vida 28 – baixo 0,872 (14.º) – muito elevado 80,7 anos (10.º) Paris Paris Francês República unitária semipresidencial Nicolas Sarkozy François Fillon 843 (Tratado de Verdun) 1958 (5ª República) 25 de Março de 1957 543 965 km² (40.º) 65 447 374 hab. (20.º) 115 hab./km² (89.º) Lista 2010 do FMI US$ 2,55 trilhões (5º) US$ 34.092 (23.º)

A França tem sido uma grande potência por muitos séculos, com forte influência mundial nas áreas econômica, cultural, militar e política. Destacam-se no parque industrial francês as grandes montadoras de automóveis e aviões, as indústrias mecânicas, elétricas, químicas e alimentícias, geralmente situadas perto dos centros urbanos. A França também desenvolveu uma extraordinária tecnologia de ponta: informática, eletrônica e aeronáutica. Por ser uma potência militar, destaca-se também a indústria de armamentos. É o país mais visitado no mundo, recebendo 82 milhões de turistas estrangeiros por ano.

43

44 REINO UNIDO DA GRÃ-BRETANHA E IRLANDA DO NORTE Capital Cidade mais populosa Língua oficial Governo - Monarca - Primeiro-ministro Formação - Tratado de União - Tratado Anglo-Irlandês Entrada na UE Área - Total População - Estimativa de 2007 - Densidade PIB - Total - Per capita Indicadores sociais - Gini (2005) - IDH (2010) - Esper. de vida 34 – médio 0,849 (26.º) – muito elevado 79,4 anos (22.º) Londres Londres inglês Sistema parlamentarista e monarquia constitucional Elisabete II David Cameron 1 de maio de 1707 12 de abril de 1922 1 de janeiro de 1973 244.820 km² (79.º) 60.975.000 hab. (22.º) 246 hab./km² (48.º) Lista 2010 do FMI US$ 2,26 trilhões (6º) US$ 35.053 (20º)

A indústria química e farmacêutica é forte no Reino Unido. Porém, o setor de serviços representa 73% do PIB com predomínio dos serviços financeiros, especialmente bancos e empresas de seguros. Londres é o maior centro financeiro do mundo com a Bolsa de Valores de Londres, a Bolsa Internacional de Opções, o Mercado de Contrato de Futuros (LIFFE), e o Mercado de Seguros Lloyd's of London. O Reino Unido é classificado como a sexta maior destinação turística no mundo.

44

45 ITÁLIA (República italiana) Capital Cidade mais populosa Língua oficial Governo - Presidente - Primeiro-ministro Formação - Unificação - República Área - Total População - Estimativa de 2009 - Densidade PIB - Total - Per capita Indicadores sociais - Gini (2000) - IDH (2010) - Esper. de vida 36 – médio 0,854 (23.º) – muito elevado 80,5 anos (12.º) Roma Roma Italiano República parlamentarista Giorgio Napolitano Silvio Berlusconi 17 de março de 1861 2 de junho de 1946 301 230 km² (69.º) 60 303 800 hab. (23.º) 200,12 hab./km² (39.º) Lista 2010 do FMI US$ 2,04 trilhões (7º) US$ 29.418 (27.º)

A Itália tem um número menor de corporações multinacionais do que outras economias de mesma dimensão. A principal força econômica do país tem sido a sua grande base de pequenas e médias empresas e o turismo. As principais exportações da Itália são:  Automóveis (Fiat, Aprilia, Ducati, Piaggio),  Produtos químicos e petroquímicos (Eni),  Tecnologia aeroespacial e de defesa (Alenia, Agusta, Finmeccanica)  Moda (Armani, Valentino, Versace, Benetton, Dolce & Gabbana, Roberto Cavalli, Prada, Luxottica),  Alimentos (Ferrero, Barilla, Parmalat, Martini & Rossi, Campari,)  Veículos de luxo (Ferrari, Maseratti, Lamborghini, Pagani)  Iates (Ferretti, Azimut).

45

46 BRASIL (República federativa do Brasil) Capital Cidade mais populosa Língua oficial Governo - Presidente - Vice-presidente - Presidente da Câmara dos Deputados - Presidente do Senado Federal - Presidente do STF - Número de ministérios Independência - Declarada - República Área - Total População - Censo 2010 - Densidade PIB - Total - Per capita Indicadores sociais - Gini (2008) - IDH (2010) - Esper. de vida 49,3 0,699 (73.º) – elevado 72,4 anos (92.º) Brasília São Paulo Português República federativa presidencialista Dilma Rousseff Michel Temer Marco Maia José Sarney Cezar Peluso 38 do Reino de Portugal 7 de setembro de 1822 15 de novembro de 1889 8 514 876,599 km² (5.º) 190 732 694 hab. (5.º) 22 hab./km² (182.º) Lista 2010 do FMI US$ 2,02 trilhões (8º) US$ 11.445 (71.º)

46

47 ARGENTINA (República argentina) Capital Cidade mais populosa Língua oficial Governo - Presidente - Vice-presidente e Presidente do Senado Independência - Proclamada - Reconhecida Área - Total População - Estimativa de 2008 - Densidade PIB (base PPC) - Total - Per capita Indicadores sociais - Gini (2006) - IDH (2010) - Esper. de vida  49 – alto 0,775 (46.º) – elevado 75,3 anos (59.º) Buenos Aires Buenos Aires espanhol República federal presidencialista Cristina Fernández de Kirchner Julio Cobos da Espanha 9 de julho de 1816 21 de setembro de 1863 2 780 400 km² (8.º) 39 745 613 hab. (31.º) 14 hab./km² (165.º) Estimativa de 2007 US$ 523,7 bilhões (23.º) US$ 15.603 (52.º)

Possuindo um dos solos mais férteis do mundo (Pampa), destaca-se na alta produtividade de grãos. Produz e exporta principalmente: trigo, milho e soja.  A seguir vem a produção de erva-mate, aveia, cevada, girassol, batata, algodão.  A pecuária é de extrema importância para a economia argentina.  A carne de vaca e a lã produzidas no país situam-se entre as melhores do mundo, cabendo menção às técnicas de refrigeração e processamento de carnes e seus subprodutos.  Destaca-se também a vinicultura.

47

48 CHILE (República do Chile) Capital Cidade mais populosa Língua oficial Governo - Presidente Independência - Iniciada - Formalmente declarada Área - Total População - Estimativa de 2010 - Densidade PIB (base PPC) - Total - Per capita Indicadores sociais - Gini (2009) - IDH (2010) - Esper. de vida 52 – alto 0,783 (45.º) – elevado[1] 78,6 anos (35.º) Santiago Santiago Espanhol República presidencialista Sebastián Piñera da Espanha 18 de Setembro de 1810 12 de Fevereiro de 1818 756.950 km² (38.º) 17.063.000 hab. (60.º) 22 hab./km² (194.º) Estimativa de 2009 US$ 161,781 bilhões (44.º) US$ 14.982 (55º)

O Chile tem a economia mais estável da América Latina, centrada nas exportações de seus produtos, com destaque para:  produtos semimanufaturados de cobre, de cuja exportação o Chile é grande dependente;  celulose, metanol, produtos químicos e insumos agrícolas;  salmão e vinho;  frutas e hortaliças.

Contudo, apesar de ostentar alguns dos melhores indicadores de desenvolvimento humano, competitividade, estabilidade política e PIB per capita, o Chile apresenta, ao mesmo tempo, uma grande desigualdade de renda.

48

49 PAÍSES BAIXOS Capital Cidade mais populosa Língua oficial Governo - Monarca - Primeiro-ministro Independência - Declarada - Reconhecida Entrada na UE Área - Total População - Estimativa de 2007 - Densidade PIB (base PPC) - Total - Per capita Indicadores sociais - IDH (2010) - Esper. de vida - Mort. infantil 0,890 (7.º) – muito elevado 79,8 anos (17.º) 4,7/mil nasc. (19.º) Amsterdam Amsterdam Neerlandês Monarquia constitucional Beatriz Mark Rutte da Espanha 26 de julho de 1581 30 de janeiro de 1648 25 de Março de 1957 41.528 km² (131.º) 16.570.613 hab. (61.º) 395 hab./km² (23.º) Estimativa de 2006 US$ 541 bilhões (23.º) US$ 35.078 40.777 (8.º)

Os Países Baixos tem sido um dos grandes centros da economia mundial desde o século XVII. A atividade industrial desenvolve-se predominantemente nas indústrias de processamento de alimentos, nas indústrias químicas, no refinamento de petróleo e em equipamentos elétricos. Seu setor agrícola altamente mecanizado emprega apenas 4% da mão-de-obra, mas gera grandes excedentes para a indústria alimentar e para a exportação. Os Países Baixos são sede de grandes multinacionais, como a petrolífera Royal Dutch Shell, o banco ABN AMRO, a empresa de eletrônica Philips, a cervejaria Heineken, a empresa aérea KLM e a Unilever.

49

50 FEDERAÇÃO RUSSA Capital Cidade mais populosa Língua oficial Governo - Presidente - Primeiro-ministro Independência - Declarada - Concluída Área - Total População - Estimativa de 2010 - Densidade PIB - Total - Per capita Indicadores sociais - Gini (2005) - IDH (2010) - Esper. de vida 30,9 – alto 0,719 (65.º) – elevado 65,5 anos (137.º) Moscou Moscou Russo Outras 31 línguas são cooficiais República Federal Semipresidencialista Dmitri Medvedev Vladimir Putin da União Soviética 12 de Junho de 1990 25 de Dezembro de 1991 17.075.200. km² (1.º) 141.927.297 hab. (9.º) 8,3 hab./km² (209.º) Lista 2010 do FMI US$ 1,48 trilhões (10º) US$ 15.807 (51.º)

A Rússia possui a maior reserva de gás natural do mundo, a segunda maior reserva de carvão e a oitava maior reserva de petróleo. O país é fortemente dependente de exportações de matérias-primas, que incluem, além do do petróleo e do gás natural, metais e madeira, correspondendo a mais de 80% do total das exportações, o que deixa o país vulnerável às oscilações dos preços do mercado mundial. Mesmo assim, a economia russa tem apresentado forte crescimento. Entre 1999 e 2005, o PIB cresceu cerca de 6.7% ao ano.

50

51 COREIA DO SUL (República da Coreia) Capital Cidade mais populosa Língua oficial Governo - Presidente - Primeiro-ministro Independência - Declarada - Constituição - Governo proclamado Área - Total Fronteira População - Densidade PIB - Total - Per capita Indicadores sociais - Gini (2008) - IDH (2010) - Esper. de vida 31,3 – baixo 0,877 (12.º) – muito elevado 78,6 anos (34.º 48 636 068 hab. (26.º) 493 hab./km² (12.º) Lista 2010 do FMI US$ 1 358 037 milhões (15.º) US$ 29.791 (25.º) Seul Seul Coreano República Semipresidencialista Lee Myung-bak Kim Hwang-sik História 1 de março de 1919 17 de julho de 1948 15 de agosto de 1948 99 720 km² (108.º) com a Coreia do Norte

O crescimento econômico da Coreia do Sul nos últimos 30 anos foi espetacular. O PIB per capita, que era apenas de US$ 100 em 1963, chegou a quase US$ 9.800 em 2002. Na década de 1970 a Coreia do Sul começou a destinar recursos para a indústria pesada e indústria química, e para as indústrias eletrônicas e de automóveis. Entre fins dos anos 1990 e começo do século XXI, a tecnologia sul-coreana ultrapassou a do Japão e de Taiwan, passando a dominar internacionalmente o setor de semicondutores e tecnologia da informação. As multinacionais Samsung e LG são exemplo do alto nível tecnológico da economia sul coreana.

51

52 INDIA (República da India) Capital Cidade mais populosa Língua oficial Governo - Presidente - Primeiro-ministro Independência - Declarada - República Área - Total População - Estimativa de 2008 - Densidade PIB - Total - Per capita Indicadores sociais - Gini (2004) - IDH (2010) - Esper. de vida 36,8 – médio 0,519 (119.º) – médio 64,7 anos (139.º) Nova Délhi Bombaim Hindi, inglês e mais 21 línguas nacionais. República federal Democracia parlamentar Pratibha Patil Manmohan Singh do Reino Unido 15 de agosto do 1947 26 de janeiro de 1950 3.287.590 km² (7.º) 1.132.446.000 hab. (2.º) 329 hab./km² Lista 2010 do FMI US$ 2,965 trilhões (4.º) US$ 3.290 (127.º)

Durante as últimas décadas a economia indiana tem tido uma taxa de crescimento anual do produto interno bruto ao redor de 5,8%, convertendo-se em uma das economias de mais rápido crescimento no mundo. A Índia conta com a maior força de trabalho do mundo, com mais de 513,6 milhões de pessoas. As principais indústrias são: têxtil, máquinas, produtos químicos, aço, transportes, cimento, mineração e o comércio de softwares. As principais exportações incluem os derivados de petróleo, alguns produtos têxteis, pedras preciosas, softwares, engenharia de bens, produtos químicos, peles e couros. Entre as principais importações estão o petróleo cru, máquinas, jóias, fertilizantes e alguns produtos químicos.

52

53 MÉXICO (Estados unidos mexicanos) Capital Cidade mais populosa Língua oficial Cidade do México Cidade do México Espanhol ou castelhano; são reconhecidos oficialmente 68 agrupamentos linguísticos indígenas. República presidencialista Felipe Calderón da Espanha 16 de setembro de 1810 27 de setembro de 1821 1 958 201 km² (14.º) 112.322.757 hab. 55 hab./km² (142.º) Lista 2010 do FMI US$ 1,465 trilhão (12.º) US$ 14.266 (61.º) 46,1 – alto 0,750 (56.º) – elevado 76,2 anos (48.º)

Governo - Presidente Independência - Declarada - Reconhecida Área - Total População - Censo 2010 - Densidade PIB - Total - Per capita Indicadores sociais - Gini (2008) - IDH (2010) - Esper. de vida

A economia do México baseia-se no comércio, na indústria, na agricultura e na exploração mineral. A expansão da agricultura e a criação de gado (30 milhões de cabeças de gado bovino) tiveram um enorme impacto sobre as áreas de floresta que, no período de 1981-90, desapareceram à razão de 6,8% em cada ano. A indústria extrativa engloba: petróleo, ferro, zinco, cobre, chumbo, prata, ouro, entre outros. Os produtos industriais são: equipamentos para os transportes, produtos alimentares, bebidas, tabaco, produtos químicos, produtos metálicos, produtos minerais, derivados do papel e têxteis. Os principais parceiros comerciais do México são os EUA, a Espanha, a Alemanha, o Canadá, o Japão e o Brasil.

53

54 ESPANHA (Reino de Espanha) Capital Cidade mais populosa Língua oficial Madrid Madrid Castelhano (ou espanhol) Com estatuto cooficial: catalão, valenciano, galego, basco e aranês. Monarquia Constitucional Parlamentar Juan Carlos I José Luis Rodríguez Zapatero 1469 1 de Janeiro de 1986 504.030 km² (51.º) 46.063.511 hab. (27.º) 90 hab./km² (106.º) Lista 2010 do FMI US$ : 1,37 trilhões (12.º) US$ : 29.651 (26.º) 32 – médio 0,863 (20.º) – muito elevado 80,9 anos (6.º)

Governo - Monarca - Presidente do Governo Formação - Unificação Entrada na UE Área - Total População - Estimativa de 2008 - Densidade PIB - Total - Per capita Indicadores sociais - Gini (2005) - IDH (2010) - Esper. de vida

Tradicionalmente, a Espanha sempre foi um país agrícola e ainda é um dos maiores produtores da Europa ocidental. Mas, desde a sua adesão à União Européia em 1986, a Espanha tornou-se um país altamente industrializado. Destaca-se na construção naval, siderurgia, indústrias químicas e no setor têxtil. A produção de vinho e de azeite e a pesca também têm forte participação na economia. Além disso, a Espanha tornou-se um dos principais destinos turísticos do mundo.

54

55

6.3 Cultura dos países Estados Unidos
Os Estados Unidos gostam de se considerar um país multicultural, de liberdade, democracia e oportunidade para todos, embora enfrentem graves problemas sociais. São hábeis negociadores, pragmáticos, diretos, às vezes um tanto rudes para nós brasileiros, não acostumados à assertividade (*). A grande maioria das pessoas fala apenas inglês, embora o país seja realmente um caldeirão de raças e religiões. Em geral, por não sentirem necessidade, as pessoas acabam acomodando-se ao próprio idioma, desconhecendo os esforços necessários do estrangeiro para comunicar-se e compreender os demais. Costumam falar rápido e usam muitas gírias. São bem humorados e gostam de piadas, mas evitam incursões nas áreas étnicas ou raciais, dois dos grandes tabus do país. São grandes apreciadores dos esportes. Em ordem de importância o basquete, o beisebol, futebol e golfe, este último mais popular entre mais velhos e pessoas de negócios. São desconfiados e qualquer pergunta informal sobre se uma mulher é casada pode ser vista como interesse sexual. O contato físico é evitado e a distância para conversas também deve ser grande. São conservadores e práticos na forma de vestir. Rejeitam roupas muito curtas ou apertadas. Certifique-se de não expor demais o corpo porque também pode ser visto como vulgar ou exibicionista. Muitos consideram os americanos a sociedade mais litigiosa do mundo, tanto que há advogados prontos para a briga em qualquer segmento da sociedade. Tem a produtividade como a regra número um e não compreendem gestos e atitudes lentas. O conceito de privacidade é altíssimo, por isso espere sempre que eles digam se você pode ou não entrar em determinado ambiente, se pode ou não pegar algo emprestado se há possibilidade de pedir algum favor ou gentileza (mesmo que remota). Assim como eles são “egoístas” aos nossos olhos, nos somos invasivos e prevalecidos para eles. Pode parecer agressivo para os brasileiros, mas os americanos falam de maneira direta e clara do que gostam e não gostam e o que esperam ou não do comportamento das pessoas.
(*) Assertividade qualidade ou condição do que é assertivo, afirmativo. O assertivo, quando declara algo, positivo ou negativo, assume inteiramente a validade do que disse.

55

56

China
Características da cultura chinesa Na milenar filosofia chinesa, a realidade está em constante mutação. Tudo o que existe é composto por duas forças complementares: O Yin e o Yang. Eles representam a dualidade, a polaridade de tudo o que existe. Juntos, representam a união e complementaridade entre os opostos e estabelecem o equilíbrio da vida e do universo. Os chineses são extremamente ciosos de seu legado cultural. Assim, paralelamente ao gigantismo de sua população e à pujança de sua economia, os chineses arvoram-se em uma certa superioridade moral com respeito ao Ocidente. Essa visão está presente em outras sociedades asiáticas, como é o caso da indiana e da japonesa. Como lidar com os chineses Os chineses são calmos até demais. Não se vê chinês com cara de estressado. E não se ouvem buzinas nos engarrafamentos. Deve-se a todo custo evitar confrontos e a polidez de trato e a moderação dos gestos são fundamentais. Toda e qualquer decisão deve ter uma orientação de longo prazo até como forma de justificar a lentidão das negociações. O chinês mais velho presente a uma reunião, ainda que se mantenha silencioso e retraído, deve ser objeto de respeito e é a ele que as atenções devem ser dirigidas. As decisões que importam raramente serão tomadas por ocasião das reuniões; elas serão discutidas entre eles e só serão participadas à outra parte quando estiverem devidamente prontas. Deve-se a todo custo evitar confrontos e a polidez de trato e a moderação dos gestos são fundamentais. Toda e qualquer decisão deve ter uma orientação de longo prazo até como forma de justificar a lentidão das evoluções. A troca de presentes é um bom pretexto para que o relacionamento se torne melhor. Em geral, a troca é efetuada durante um banquete ou ao término das negociações. Os presentes devem ser entregues ou recebidos com as duas mãos. Quando recebidos não devem ser abertos na presença de quem os oferece. Na troca de presentes deve haver equilíbrio, nada de tão pequeno valor que ofenda o presenteado ou muito caro que possa parecer suborno. Na etiqueta da China, antes de receber um presente a pessoa recusa ate três vezes. Insista neste limite. Não ofereça relógios porque há conotação de doença e morte. Não ofereça nada na quantidade de quatro que é relacionado com a morte. Na hora de embrulhar,

56

57 tome cuidado com certas cores como a branca que é sinal de luto. As cores mais recomendadas são vermelha e dourada. Os chineses recusam gorjetas. Um viajante relatou que ao oferecer uma gorjeta a uma garçonete, ela empurrou a mão dele e saiu correndo, corada de vergonha. Quando você deixa a gorjeta na mesa, o funcionário corre atrás de você para devolver o dinheiro. A culinária da parte norte da China (inclusive de Pequim) se caracteriza principalmente pela importância das massas e frituras: talharim, pastéis, bolinhos de carne, etc. Já os pratos da região do sul do país são bastante variados. É lá que são apreciadas as iguarias mais exóticas. Tais hábitos, bastante exóticos para os padrões ocidentais, foram assimilados pelos chineses em virtude dos períodos de pobreza, guerra e carência alimentar por que passaram ao longo da história. É procedente a crença que diz que os chineses comem praticamente tudo o que se move. A maioria dos pratos na culinária chinesa é servido em pedaços, em tamanhos próprios para serem comidos sem cortar. Tradicionalmente, a cultura chinesa considera o uso de facas e garfos à mesa como uma coisa bárbara, uma vez que esses são vistos como armas. Além disso, não é considerado cortês fazer que o convidado tenha trabalho de cortar sua própria comida. Pocure deixar um pouco de comida no prato, pois um prato vazio para os chineses não significa que você gostou da comida, mas que o anfitrião foi ineficiente ao te servir.

57

58

Japão
Os japoneses são bastante diferentes realmente. Isso se dá por três razões cruciais: a especificidade do idioma, o isolamento histórico e o crescimento populacional derivado de sua condição geográfica. Eles fazem parte de uma cultura reativa, o que significa serem silenciosos, discretos, observadores e cautelosos no falar. Os silêncios são formas de respeito e atenção ao interlocutor. Por isso, não force os japoneses a manterem conversas longas e diretas nem a decidirem coisas imediatamente. Eles primeiro observam, pensam; depois, agem. No caso de conflito com eles, jamais seja direto, querendo resolver as questões ao nosso estilo, mais voltado para a ação! Eles detestam confrontações e farão de tudo para evitá-las, além de serem tímidos e por isso mesmo dificultarem as conversações. Eles têm medo de serem ofensivos ou rudes e algumas vezes poderão responder que sim, mesmo quando preferiam ter dito não. A lealdade e honestidade são valores importantes nesta cultura, principalmente em ambientes de trabalho. Caso esteja indo para um curso ou trabalho temporário, faça o possível para conquistar a confiança de seus líderes. Isso lhe garantirá um relacionamento duradouro com eles. Curvar-se diante do interlocutor é uma postura mais importante do que imaginamos. Pode significar cumprimentos, desculpas, reverência, gratidão, indicando sempre humildade e respeito que são as tônicas da cultura japonesa. O ângulo da curva diz respeito ao quanto se deve reverenciar a outra pessoa. Aos iguais, igual angulação, aos mais velhos ou figuras de autoridade, uma inclinação maior. Espirrar ou usar lenços é visto como algo desagradável entre eles. Procure fazê-lo em um banheiro ou longe do grupo. Já chupar ou lamber os dedos durante uma refeição não apresenta nenhum problema. Os motoristas de táxi dificilmente falam inglês, assim, procure ter o cartão do seu hotel em mãos para quando precisar voltar para ele.

58

59

Alemanha
A Alemanha não é um país multicultural como Austrália ou Brasil por isso o povo não desenvolveu estratégias de relacionamento com os estrangeiros. Assim, seu ajustamento será muito importante para poder inserir-se na comunidade deles. As características básicas do povo alemão são o relacionamento rígido com o uso do tempo, a conclusão de uma tarefa para dar início à outra, a forte crença na honestidade, e a preferência pela clareza e formação de opiniões mais do que pela diplomacia ou polidez. Não necessitam, nem esperam ser elogiados. Supõese que tudo está satisfatório, ao menos que a pessoa mencione algum desconforto e se o fizer, será muito discretamente. Os trens chegam e saem pontualmente, os projetos são programados com cuidado, e os relatórios são meticulosamente detalhados. Esta orientação para o planejamento é o jeito de viver deles: das portas do escritório que são sempre fechadas, aos carros que estão permanentemente limpos, as sinaleiras fechadas e todos os carros parados, mesmo que não haja sequer um pedestre próximo. Os sorrisos são dedicados apenas aos amigos, e ao serem apresentados a outras pessoas os alemães poderão parecer antipáticos e bastante reservados. Ao ser apresentado a uma mulher, espere para ver se deve estender sua mão ou não. Isso porque os alemães mantêm um espaço pessoal maior em torno deles. A aproximação e o contato corporal não são bem-vindos, já calorosos acenos de mãos como cumprimentos serão sempre bem-vindos. Cada vez que você bebe um copo, seja de cerveja ou de vinho, eles serão preenchidos sistematicamente. Quanto mais você bebe, mais estarão oferecendo bebida a você. Então, saiba quando parar. Uma antiga tradição alemã consiste em nunca cortar algo em seu prato com uma faca, desde que se possa cortar antes com um garfo (por exemplo, batatas), e nunca cortar a salada ou a alface (e sim dobrá-la e engolir inteiro). Você poderá estranhar bastante os alemães no começo, mas no fim, acabará admirando eles. Acredite!

59

60

Reino Unido
Características dos britânicos: • Serenidade e fleugma nas piores situações • Ridicularizam povos extrovertidos • País conservador e controlador, submerso na história • São introvertidos, pacientes e quietos • Gostam de privacidade • Planejam seus atos • Fazem uma coisa por vez • Criam burocracias desnecessárias • Valorizam a qualidade de vida, sobretudo em família • Valorizam mais suas crenças e valores do que “o que você faz” • Não misturam trabalho com vida social • Não gostam que você use demasiadamente o termo “eu” . Dicas ao visitante: • Pontualidade • Decisões lentas • Só aperto de mão • Mantenha distância física ao conversar – não toque! • Não faça perguntas pessoais • Não encare a pessoa • Bata discretamente no nariz para indicar que algo é segredo • Presentes não fazem parte da cultura dos negócios • Não trate de assuntos de trabalho no jantar • Não brinde a pessoas mais velhas • São os piores cozinheiros do mundo • Bebidas são mais importantes do que a comida • Particularmente chás e cervejas. Como se vestir: • Homens: ternos escuros, camisas sem bolsos e gravatas monocromáticas • Mulheres: de forma conservadora e clássica.

60

61

França
Comportamento É mais importante quem você é do que o que você faz. Trabalhe para viver, não viva para trabalhar. Sociedade muito estratificada (competição entre classes). Respeito à privacidade (bata antes de entrar). Reservados e formais (não os chame pelo primeiro nome). Objetivos de longo prazo (não são imediatistas) Em Paris os banheiros são públicos (tenha moedinhas em mãos). Status e liderança Estilo de liderança autocrático Executivos elitistas Tolerantes com falhas e equívocos Paternalistas Debatem com subordinados Como estabelecer empatia com franceses:  Evite pensar em voz alta. Eles estão atentos;  Eles são muito argumentativos;  Suas verdadeiras intenções não são expostas de imediato;  As relações custam a maturar. Nada de intimidades imediatas;  As discussões são encaradas como exercícios intelectuais. Eles querem conhecê-lo;  Eles se acham intelectualmente superiores;  O que vale é a lógica;  Atente para a “visão francesa” a respeito do mundo e das coisas. Vestuário Homens  Vestem-se de forma conservadora  Tecidos pesados  Cores escuras  Evitam cores brilhantes  Não afrouxam as gravatas  Não retiram paletós nos escritórios Mulheres  Vestem-se de forma conservadora  Evitam cores brilhantes.

61

62

Itália
As empresas italianas A Itália tem um número menor de corporações multinacionais do que outras economias de mesma dimensão. Em contrapartida, a principal força econômica do país tem sido a sua grande base de pequenas e médias empresas. Estas empresas italianas reagem à concorrência asiática concentrando-se em produtos mais avançados tecnologicamente, enquanto deslocam manufaturas de menor nível tecnológico para fábricas instaladas em países onde a mão-de-obra é mais barata. De acordo com dados do Banco Mundial, a Itália tem elevados níveis de liberdade de investir, fazer negócios, e comércio. Por outro lado, a Itália tem muita burocracia, altos níveis de corrupção (comparado com outros países europeus) e altos impostos. Características dos italianos: Os italianos costumam cumprimentar a todos, inclusive os estrangeiros, com um abraço. O abraço, o beijo, o toque corporal é muito bem vindo e incentivado entre os italianos. Da mesma forma a distância entre eles é bem menor do que a do restante dos países europeus. O contato ocular também é importante para os italianos. Por isso não estranhe a proximidade que algumas pessoas poderão ter ao chegar perto para conversar ou sentar. Em geral os italianos não lidam bem com as regras. Na verdade, bem menos que os brasileiros. É comum vê-los desorganizados numa fila, passar a linha amarela de segurança do metrô, passar na frente de um atendimento de café num balcão. As italianas e os italianos gostam de se vestir bem e procuram estar sempre produzidos e elegantes. Em alguns lugares mesmo os estrangeiros serão proibidos de entrar se estiverem de bermudas, shorts ou ombros de fora, principalmente nas igrejas. A hospitalidade tem um papel chave na cultura italiana e envolverá sempre fartas refeições, geralmente um jantar em um belo restaurante. Lembre-se que na Itália a mesa das refeições é quase um altar sagrado. Por isso, caso pense em recusar um convite para jantar, isso será sentido como um insulto. Ao chegar num jantar, da mesma forma que no Brasil, nunca se sente à mesa antes de ser convidado pelo anfitrião. Os cafés podem ser encontrados em toda a parte. São lugares para tomar o caféda-manhã, um cafezinho despretensioso, o almoço, um aperitivo de happy-hour, uns petiscos à noite, ou até mesmo um simples sorvete. São populares, servem de encontros sociais, e abrem praticamente de manhã, tarde e noite.

62

63

Argentina
Os argentinos dão muito valor às relações pessoais. Conhecendo a pessoa, podese intuir como ela se comportará nos negócios. Por isso, não se surpreenda se, em uma reunião de negócios, eles começarem querendo saber como foi sua viagem, o que achou da cidade e outras perguntas para saber seus gostos e suas opiniões. Muitas vezes só depois de várias reuniões é que se chega à negociação de fato. É importante cumprimentar a todos os presentes, quando chega e também se despedir de cada um quando vai embora. Depois dos cumprimentos e apresentações, recomenda-se trocar cartões de visita para todos saberem os cargos e nomes com quem está tratando. As decisões são tomadas pela cúpula da empresa. Por isso, a negociação costuma ter êxito quando os executivos de alto nível participam. E, neste caso, a pontualidade é importante. Nas negociações, os argentinos costumam ser tranquilos e moderados, tanto no tom de voz como nos gestos. Por isso, se o interlocutor erguer o tom de voz ou usar atitudes agressivas, perderá pontos no conceito deles. Se você não domina o espanhol, contrate um intérprete. Eles tem mais dificuldade em entender o português do que nós em entender o espanhol.

México
O mexicano é caloroso e em pouco tempo já o estará convidando para conhecer os amigos e freqüentar a sua casa. Nas empresas percebe-se uma grande distância hierárquica: as relações patrãoempregado são muito estratificadas. Os mexicanos são pouco preocupados com o tempo. Os mexicanos “aceitam” propina com muita facilidade. É preciso dar gorjeta até para o ascensorista. O México deverá ser um dos últimos países do mundo a abolir esta prática.

63

64

Chile
Os chilenos tem bom senso do humor, caráter hospitaleiro, são sinceros e tolerantes. Prova disso é a constatação de que a sociedade chilena não está dividida por conflitos étnicos, religiosos ou regionais. Os empresários chilenos tem valores tradicionais e dão grande valor à honestidade e à atitude profissional. Para estabelecer relações comerciais com empresas chilenas é necessário um intermediário (consultor ou empresa). Se quiser um contato de negócios com altos executivos, comece a tratar com as suas secretárias. São elas que lhe abrirão as portas dos seus chefes. As reuniões devem ser marcadas com pelo menos 3 semanas de antecedência. Faça uma confirmação um pouco antes da sua viagem e outra quando tiver chegado ao destino. Os melhores horários são entre 10 e 13 horas e entre 15 e 17 horas. Fique atento também à época do ano, porque as temperaturas variam muito no Chile. E não marque nada para Janeiro e Fevereiro, porque é o período de férias e o verão, no Chile, dura pouco. Quando começam de manhã, as reuniões costumam se prolongar com um almoço, onde tanto se pode falar de negócios como de outros assuntos. A pontualidade é imprescindível. Os chilenos são tradicionais também na forma de se trajar. Procure usar terno escuro, de corte clássico. A culinária do país é especialmente baseada em frutos do mar, devido à extensa costa que ele possui. Também destaca-se na alimentação dos chilenos o uso de carne vermelha, frutas e vegetais.

64

65

Espanha
Falar da Espanha não é muito fácil. Existe apenas uma França ou uma Inglaterra, mas existem várias Espanhas. Por isso, o melhor a fazer é checar de qual origem vem esse espanhol, e a partir daí, procurar entendê-lo. A vida na Espanha é em muitas maneiras a antítese da nossa: eles são barulhentos, fumam muito e trabalham lentamente. Entretanto de nada adiantará queixar-se ou irritar-se. Não se deve confundir a efervescência inata de um espanhol com raiva ou outra emoção mais profunda. Eles costumam falar alto, em tom forte e com algumas expressões duras como dejame en paz ou callate e isso é normal para eles. Há uma larga escala de gestos que acompanha toda a animada conversação dos espanhóis. A linguagem corporal é evidente – caretas de indiferença, baforadas de raiva, mãos que se agitam para baixo para dar ênfase ao discurso, etc. Portanto, não hesite em perguntar a um colega de confiança se você tiver dificuldade para compreender determinados gestos. Evite fazer observações que possam desrespeitar as tradições ou práticas espanholas que você pode encontrar e não entender perfeitamente. Honra e orgulho são fundamentais na cultura espanhola. Você deve evitar insultos ou brincadeiras jocosas ou que possa ferir o ego masculino a todo custo. A atitude espanhola para com a administração do tempo é notoriamente flexível. Nada é feito com pressa. Assim, se um garçom não vier à sua mesa imediatamente, você não deve condená-lo. Nas cidades do interior da Espanha, é comum no horário do almoço encontrar o comércio local fechado por um período médio de duas horas. Os nativos vão para casa, vestem seus pijamas, ligam o despertador e dormem por pelo menos uma hora (la siesta) e então retornam a suas atividades. Dirigir na Espanha pode ser uma experiência perigosa e irritante. As regras de trânsito são observadas, mas o volume de tráfego e o ritmo de dirigir, especialmente nos grandes centros, podem desconcertar os brasileiros. Um lanche popular é o bocadillo (um pão recheado com presunto, queijo, etc..) mas a preferência espanhola, durante todo o dia, é pelas tapas. As tapas são oferecidas em qualquer bar, café ou restaurante através de placas com suas centenas de escolhas: tipicamente haverá azeitonas, vegetais crus e cozidos, carnes curadas e cozidas, vários queijos, peixes ou marisco.

65

66

Características do verdadeiro Executivo Internacional
Ele sabe se comportar. Seja aqui, em Nova York, em Hong Kong ou em Berlim. Sabe comportar-se de forma interculturalmente educada. Em todo lugar que vá, seguramente será um hóspede bem recebido. Sabe receber bem. Comumente as pessoas pensam que devem conhecer as melhores atitudes para serem bem-vindas em outro país. Mas ser solidário com os recém-chegados, saber entender as diferenças culturais do convidado estrangeiro também é fundamental. É permanentemente curioso e criativo. sabe encontrar as semelhanças, e sabe que somente aceitando o outro poderá vir a ser aceito. É um cidadão intercultural. Quase como uma habilidade intuitiva, aprende a se comunicar no idioma local e procura fazê-lo; sabe apreciar a boa comida, a boa bebida e a boa música, sabe relacionar-se com os símbolos, os hábitos e as regras locais; acaba enriquecendo seu universo com detalhes que passariam insignificantes para um turista desavisado. Entende de negociação como ninguém. Nós nos referimos aqui à negociação interpessoal, onde sem deixar de ser ele um brasileiro -, consegue ser ao mesmo tempo um cidadão de outros territórios e terras longínquas. Ele sabe que negociação é adaptação; Vive com elegância o paradoxo do estrangeiro: como ser um deles sem deixar de ser eu mesmo e ao mesmo tempo tornar-me um deles? Ele não é um turista. As pessoas que vão às compras em Nova York ou conhecem 10 países da Europa em 2 semanas têm perfis bem diferentes do que se pode chamar de cidadão intercultural. O turista tende a ser superficial no seu encontro, tratando a cultura local como uma mercadoria a ser explorada e aproveitada. A arte do encontro fica esquecida. Mostra vontade de aprender sempre. A vida internacional é péssima para quem acha que chegará onde pretende com cursos esporádicos de aperfeiçoamento ou confiando “no jeitinho brasileiro”. Quem não for movido a muita curiosidade e não estiver permanentemente aberto ao novo somará muito pouco.

66

67 O turista em geral é superficial. Não procura entender o ponto de vista do outro. Vê o mundo a partir de seus padrões. Pode gostar de Madri, porque comeu pratos suculentos e viu alguns monumentos deslumbrantes, e detestar Paris porque a vendedora da loja o atendeu mal. E pode odiar Roma porque choveu o dia todo quando esteve lá. Quando voltar é capaz de dizer aos amigos que a Espanha é imperdível, mas que não vale a pena conhecer a França e a Itália. Já o profissional de comércio exterior, ou um executivo internacional não pode tirar conclusões a partir da ponta do iceberg como fazem muitos turistas. Ele vive um aprendizado contínuo. Daí a necessidade de ser curioso, de perguntar, pesquisar, de tentar entender a cultura do outro. Sabe ouvir e observar antes de julgar Os preconceitos e estereótipos são comuns na vida internacional. Temos uma tendência natural a julgar os outros com base em nossas vivências e padrões. A capacidade de primeiro ouvir, observar, analisar e só depois julgar é fundamental para o sucesso do Executivo Internacional. O que diferencia o executivo internacional é a atitude que ele leva na bagagem. Tem habilidade em comunicar. Se no espaço restrito em que vivemos e exercemos nossas atividades, comunicar com clareza já é vital, imagine em escala internacional! Logo, além do domínio de mais de uma língua, habilidades de comunicação são indispensáveis. _______________________ Fontes: 1. SEBBEN, Andrea; DOURADO FILHO, Fernando. Os nortes da bússola: manual para conviver e negociar com culturas estrangeiras. Porto Alegre: Ed. Artes e Ofícios, 2005. 2. Portal São Francisco / geografia. Disponível em: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/materias/index-geografia.php 3. Wikipedia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_países 4. Worldbank / dados. Disponível em: http://data.worldbank.org/

67

68

7. DADOS E INDICADORES SOCIOECONOMICOS

7.1 Distribuição de Renda

PNUD O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) é o órgão da ONU que tem por mandato promover o desenvolvimento e eliminar a pobreza no mundo. Entre outras atividades, o PNUD produz relatórios e estudos sobre o desenvolvimento humano sustentável e as condições de vida das populações, bem como executa projetos que contribuam para melhorar essas condições de vida, nos 166 países onde possui representação. Dentre os principais indicadores utilizados pelo PNUD para medir e acompanhar as condições de vida das populações dos países do mundo estão:   Índice (ou coeficiente) de Gini (medição da desigualdade a partir da renda per capita); Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), (elaborado pelo próprio PNUD).

Índice (ou coeficiente) de Gini O índice ou coeficiente de Gini é uma medida de concentração ou desigualdade. É comumente utilizado para calcular a desigualdade da distribuição de renda mas pode ser usado para qualquer distribuição. O índice de Gini aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos. Numericamente, varia de "0 a 1", onde o zero corresponde a completa igualdade de renda, ou seja, todos têm a mesma renda e 1 que corresponde à completa desigualdade, isto é, uma só pessoa detém toda riqueza, e as demais nada tem. O índice ou coeficiente de Gini foi desenvolvido pelo estatístico italiano Corrado Gini, e publicado no documento "Variabilità e mutabilità“ em 1912. O coeficiente de Gini é expresso numericamente, variando de "0 a 1“. O índice de Gini é expresso em pontos percentuais (é igual ao coeficiente multiplicado por 100).

68

69

IDH O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida comparativa que engloba três dimensões: renda, educação e longevidade. É uma maneira padronizada de avaliação e medida do bem-estar de uma população. O índice foi desenvolvido em 1990 pelos economistas Amartya Sen e Mahbub ul Haq, e vem sendo usado desde 1993 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no seu relatório anual. Todo ano, os países membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas. Critérios de avaliação do IDH Renda: A renda é calculada tendo como base o PIB per capita (por pessoa) do país. Como existem diferenças entre o custo de vida de um país para o outro, a renda medida pelo IDH é em dólar PPC (Paridade do Poder de Compra), que elimina essas diferenças. Índice de educação: Para avaliar a dimensão da educação o cálculo do IDH considera dois indicadores. O primeiro, com peso dois, é a taxa de alfabetização de pessoas com 15 anos ou mais de idade; O segundo indicador é a taxa de escolarização. Longevidade: O item longevidade é avaliado considerando a expectativa de vida ao nascer. Esse indicador mostra a quantidade de anos que uma pessoa nascida em uma localidade, em um ano de referência, deve viver. Reflete as condições de saúde e de salubridade no local, já que o cálculo da expectativa de vida é fortemente influenciado pelo número de mortes precoces.

69

70 PIB per capita dos países em 2008 - em US$

Posição em 2008 1 2 3 4 5 6 54 165 166 167 168 169 170

País Luxemburgo Noruega Suíca Irlanda Dinamarca Islandia BRASIL Etiópia Malawi Guiné-bissau Libéria Rep. Democr. Congo Burundi

Pib per capita 111.182 94.359 64.011 63.178 62.327 52.549 8.400 328 299 273 229 180 144

Fonte: Banco Mundial

IDH dos países em 2010 (estimativas)

Posição em 2010 1 2 3 4 5 6 73 169
Fonte: Wikipedia

País Noruega Austrália Nova Zelândia Estados Unidos Irlanda Liechstentein Brasil Zimbabwe

IDH 0,938 0,937 0,907 0,902 0,895 0,891 0,699 0,140

70

71

7.2 A desigualdade de renda na América Latina e no Brasil
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) advertiu que a desigualdade é uma séria ameaça para o desenvolvimento da América Latina. Pela primeira vez, o órgão produziu um relatório sobre distribuição de renda nessa região - e comparou os dados com os do restante do mundo. Conclusão: dos 15 países com maior desigualdade, 10 estão na América Latina e no Caribe! O relatório do Pnud também mostra que no Brasil o índice de Gini é de 0,56. Apesar do Brasil ter aumentado sistematicamente o IDH nos últimos anos, ainda é o 10º no ranking de países mais desiguais. Na América Latina o Brasil está igual ao Equador e só está melhor do que a Bolívia e o Haiti. O índice de Gini foi calculado com dados de 2006, então não considera avanços recentes da economia brasileira. Mesmo assim, apesar do aumento ocorrido nos gastos sociais nos últimos dez anos, o Brasil ainda apresenta uma baixa mobilidade social e educacional entre gerações. No entanto, o coordenador do relatório regional, Luis Felipe López Calva, salienta que o Brasil foi "um dos países mais exitosos em reduzir a desigualdade nos últimos anos". Para mudar a realidade do país e da região como um todo, o relatório destaca que são necessárias "ações concretas, integrais e eficazes", com políticas públicas que tenham alcance e envolvimento dos cidadãos. "Os planos contra a pobreza não são suficientes. São necessárias políticas contra a desigualdade", enfatizou López. Estados do Brasil – PIB per capita em 2008 - em R$

Posição em 2008 1 2 3 4 5 6 23 24 25 26 27 28

Mudança comparada a 2007 (0) (0) (0) +1 -1 (0) (0) (0) (0) (0) (0) (0)

Estado Distrito Federal São Paulo Rio de Janeiro Santa Catarina Espírito Santo Rio Grande do Sul Pará Ceará Paraíba Alagoas Maranhão Piauí

Pib per capita 45.978 24.457 21.621 20.369 20.230 18.378 7.993 7.112 6.866 6.227 6.104 5.373
71

72

Municípios de Santa Catarina: maiores PIB e PIB per capita em 2008

Pos. 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º

Município Joinville Itajaí Florianópolis Blumenau Jaraguá do Sul Chapecó São José São Francisco do Sul Criciúma Lages Brusque

PIB 2008 (R$ bilhões) 13,2 10,2 8,1 7,4 4,8 4,3 4,1 3,8 2,8 2,4 2,6

PIB per capita 2008 (em R$) 26.865 59.928 20.184 24.959 35.226 25.003 20.553 80.396 14.927 14.145 23.176

Pos. 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º

Município PIB per capita (R$) São Francisco do Sul 80.396 Itajaí 59.928 Treze Tílias 52.557 Vargem Bonita 41.649 Cordilheira Alta 41.185 Seara 39.893 Guaramirim 36.097 Jaraguá do Sul 35.226 Videira 32.677 Braço do Trombudo 32.442

Fonte: IBGE / Economia / PIB dos municípios

72

73 Brasil: IDH, PIB per capita e expectativa de vida por estado.

Melhores indicadores

Estado Distrito Federal Santa Catarina São Paulo Rio de Janeiro Rio Grande do Sul Paraná
Piores indicadores

IDH (2007) 0,900 0,860 0.857 0.852 0,847 0,846

PIB per capita Expectativa de (2007) vida (2007) 40.696 75,3 17.834 75,3 22.667 74,2 19.245 73,1 16.689 75,0 15.711 74,1

Estado Paraíba Ceará Pernambuco Piauí Maranhão Alagoas

IDH (2007) 0,752 0,749 0,742 0,740 0,724 0,722

PIB per capita Expectativa de (2007) vida (2007) 6.097 69,0 6.149 70,3 7.337 68,3 4.662 68,9 5.165 67,6 5.858 66,8

Fontes: IBGE / Economia / PIB dos municípios Wikipedia

73

74

8. COMÉRCIO EXTERIOR EM 2010: Brasil, SC e Joinville.

8.1 Comércio exterior brasileiro em 2010
Em 2010, o comércio exterior brasileiro registrou corrente de comércio recorde de US$ 383,6 bilhões, com ampliação de 36,6% sobre 2009, quando atingiu US$ 280,7 bilhões. As exportações encerraram o período com valor de US$ 201,9 bilhões. As importações foram de US$ 181,6 bilhões. Em relação a 2009, as exportações apresentaram crescimento de 32,0% e as importações de 42,2%. O saldo comercial atingiu US$ 20,3 bilhões em 2010, representando queda de 19,8% sobre o saldo em 2009, de US$ 25,3 bilhões, motivado por um maior aumento das importações em relação às exportações. O grupo de produtos industrializados respondeu por mais da metade (55,7%) do total exportado pelo Brasil no ano de 2010. Do lado da importação, as compras de matérias-primas e intermediários representaram 46,2% da pauta total, e as de bens de capital, 22,6%. Isso demonstra que a pauta brasileira de importação é fortemente vinculada a bens direcionados à atividade produtiva. Por mercados de destino, destacam-se as vendas para a Ásia. As vendas aumentaram 39,9%, garantindo à região a primeira posição de mercado comprador de produtos brasileiros em 2010. América Latina e Caribe e a União Européia também registraram aumento expressivo de, respectivamente, 34,6% e 26,7%.

74

75

Exportações do BRASIL: países de destino em 2010 – em US$ milhões

2010
1 China 2 Estados Unidos 3 Argentina 4 Países Baixos 5 Alemanha 6 Japão 7 Reino Unido 8 Chile 9 Itália 10 Rússia 30.786 19.307 18.523 10.228 8.138 7.141 4.635 4.258 4.235 4.152

%
15,25 9,56 9,17 5,07 4,03 3,54 2,3 2,11 2,1 2,06

2009
21.004 15.602 12.785 8.150 6.175 4.270 3.727 2.657 3.016 2.869

Importações do BRASIL: países de origem em 2010 – em US$ milhões

2010
1 Estados Unidos 2 China 3 Argentina 4 Alemanha 5 Coréia do Sul 6 Japão 7 Nigéria 8 Itália 9 França 10 Índia

%

2009
20.032 15.911 11.282 9.869 4.819 5.368 4.761 3.665 3.616 2.191

27.039 14,89 25.593 14,09 14.426 7,94 12.552 6,91 8.422 4,64 6.982 3,84 5.920 3,26 4.838 2,66 4.800 2,64 4.242 2,34

75

76

BRASIL: principais produtos exportados em 2009 e 2010 – em US$ milhões
BRASIL: Produtos importados
PETROLEO EM BRUTO AUTOMOVEIS DE PASSAGEIROS MEDICAMENTOS PARA MEDICINA HUMANA E VETERINARIA PARTES E PECAS PARA VEICULOS AUTOMOVEIS E TRATORES OLEOS COMBUSTIVEIS (OLEO DIESEL,"FUEL-OIL",ETC.) CIRCUITOS INTEGRADOS E MICROCONJUNTOS ELETRONICOS

2010 10.097,4 8.543,4 5.639,7 5.232,6 5.201,9 3.991,4

Part. % 5,6 4,7 3,1 2,9 2,9 2,2

2009 9.185,7 5.466,4 4.088,2 3.653,1 1.677,1 2.905,4

BRASIL: principais produtos importados em 2009 e 2010 – em US$ milhões

2010
PETROLEO EM BRUTO AUTOMOVEIS DE PASSAGEIROS MEDICAMENTOS PARA MEDICINA HUMANA E VETERINARIA PARTES E PECAS PARA VEICULOS AUTOMOVEIS E TRATORES OLEOS COMBUSTIVEIS (OLEO DIESEL,"FUEL-OIL",ETC.) CIRCUITOS INTEGRADOS E MICROCONJUNTOS ELETRONICOS

Part. % 5,6 4,7 3,1 2,9 2,9 2,2

2009 9.185,7 5.466,4 4.088,2 3.653,1 1.677,1 2.905,4

10.097,4 8.543,4 5.639,7 5.232,6 5.201,9 3.991,4

BRASIL: principais empresas exportadoras em 2010 – US$ milhões F.O.B.

2010
1 VALE S.A. 2 PETROBRAS 3 BUNGE ALIMENTOS S/A 4 EMBRAER 5 SAMARCO MINERACAO 6 CARGILL AGRICOLA 7 ADM DO BRASIL 8 BRASKEM S/A 9 SADIA S.A. 10 BRF - BRASIL FOODS 11 ARCELORMITTAL BRASIL

%
11,91 9,01 2,13 2,06 1,59 1,50 1,30 1,22 1,13 1,05 1,01

2009
10.826 12.307 4.344 4.053 1.461 2.336 2.770 1.893 1.873 1.506 1.691

24.043 18.187 4.301 4.160 3.214 3.028 2.631 2.471 2.286 2.127 2.030

76

77

8.2 Comércio exterior de Santa Catarina em 2010

Exportações de SC: países de destino em 2010 em US$ milhões
PAÍSES DE DESTINO 1. Estados Unidos 2. Países Baixos (Holanda) 3. Argentina 4. Japão 5. Alemanha 6. Reino Unido 7. México 8. China 2010 906 634 550 479 305 300 287 271 % 11,9 8,4 7,3 6,3 4,0 4,0 3,8 3,6 2009 746 527 409 315 272 231 156 110

Importações de SC: países de origem em 2010 em US$ milhões

PAÍSES DE ORIGEM 1. China 2. Chile 3. Argentina 4. Estados Unidos 5. Alemanha 6. Índia 7. Coreia do Sul

2010 3.105 1.433 1.080 860 498 426 422

% 25,9 12,0 9,0 7,2 4,2 3,6 3,5

2009 1.713 735 870 619 317 198 196

77

78

SC: principais produtos exportados em 2010 – em US$ milhões F.O.B.
PRODUTOS EXPORTADOS 1. Pedaços e miudezas de galos/galinhas 2. Fumo manufaturado em folhas secas 3. Motocompressor hermético 4. Carnes de galos/galinhas não cortadas 5. Blocos de cilindros, cabeçotes p/ motores 6. Preparações alimentícias de galos...

2010

%

2009 991 679 344 266 112 277

1.154 15,2 730 460 329 290 282 9,6 6,1 4,4 3,8 3,7

SC: principais produtos importados em 2010 em US$ milhões F.O.B.
PRODUTOS IMPORTADOS 1. Catodos de cobre refinado 2. Polietilenos s/ carga D>=0,94 em formas 3. Polímeros de etileno em forma primária 4. Fio de fibras artificiais 5. Fio texturizado de poliesteres 6. Fio de algodão 7. Policloreto de vinila 2010 1.420 238 184 163 146 139 137 % 11,9 2,0 1,5 1,4 1,2 1,2 1,2 2009 689 151 158 168 109 58 41

SC: principais empresas exportadoras em 2010 em US$ milhões F.O.B.
EMPRESAS 1. Seara Alimentos S/A 2. WEG Equipamentos Elétricos S/A 3. Sadia S/A 4. Whirpool S/A 5. BRF – Brasil Foods S/A 6. Universal Leaf Tabacos Ltda. 7. Tupy S/A 8. Souza Cruz S/A 2010 647 582 550 525 524 417 381 354 2009 623 519 473 506 359 379 168 306

78

79

8.3 Comércio exterior de Joinville em 2010

Exportações de Joinville: países de destino em 2010 - US$ milhões F.O.B.

PAÍSES DE DESTINO 1. Estados Unidos 2. México 3. Argentina 4. Itália 5. Alemanha 6. Bélgica 7. Reino Unido

2010 320 202 128 104 82 76 72

% 18,7 11,8 7,5 6,1 4,8 4,4 4,2

2009 257 100 117 70 49 118 43

79

80

Importações de Joinville: países de origem em 2010 – US$ milhões F.O.B.
PAÍSES DE ORIGEM 1. China 2. Alemanha 3. Chile 4. Estados Unidos 5. Argentina 6. Coreia do Sul 7. México 2010 579 165 119 87 86 70 35 % 39,5 11,3 8,1 5,9 5,8 4,8 2,4 2009 318 70 40 55 46 23 10

Joinville: principais produtos exportados em 2010 - US$ milhões F.O.B.
PRODUTOS EXPORTADOS 1. Motocompressor hermético 2. Fumo / fls. Secas etc. Virginia 3. Blocos de cilindros, cabeçotes mot. 4. Refrigeradores combin. c/ congel. 5. Partes e acess. p/ trator e automovel 6. Virabrequins (cambotas) 2010 460 365 290 80 42 41 % 27,0 21,4 17,0 4,7 2,5 2,4 2009 344 326 112 70 19 12

Joinville: principais produtos importados em 2010 - US$ milhões F.O.B.
PRODUTOS IMPORTADOS 1. Catodos de cobre refinado e elementos 2. Aparelhos receptores TV em cores 3. Subestações isoladas a gás 4. Aparelhos videofonicos de gravação/rep. 5. Fornos de microondas uso doméstico 6. Aparelhos radio combinado com som. 2010 111 72 41 33 31 28 % 7,6 4,9 2,8 2,3 2,1 1,9 2009 12 42 0 32 14 19

Fontes: 1. MDIC/Estatísticas de comércio exterior. Disponível em: http://www.mdic.gov.br//sitio/interna/index.php?area=5 2. Indicadores Joinville. Disponível em: http://www.indicadoresjoinville.com.br/ 80

81

9. INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS

9.1 Multinacionais brasileiras
A participação de empresas brasileiras no mercado externo, processo também conhecido como internacionalização, bateu recorde em 2010. A primeira causa é consequência, dentre outros fatores, da desvalorização de empresas estrangeiras, que ainda não se recuperaram totalmente da crise. A segunda é a valorização do real frente ao dólar, que dá maior poder de compra às empresas brasileiras. A lógica é a da "perda de oportunidade". Ou seja, se a empresa brasileira não entrar no mercado americano, por exemplo, companhias de outras nacionalidades – como chinesas e coreanas – vão ocupar esse espaço. "E quando isso acontece, elas ganham escala e podem praticar preços menores. Já as brasileiras perdem espaço lá fora e ainda correm o risco de ter seu produto com competidores mais baratos inclusive no mercado doméstico", diz o professor de comércio internacional da Fundação Instituto de Administração (FIA), José Roberto Araújo Cunha . Uma das empresas brasileiras que mais se internacionalizaram nos últimos anos, a Gerdau também está entre aquelas que aproveitaram para fazer negócios no semestre, com um investimento de US$ 1,6 bilhão na Ameristeel, baseada nos Estados Unidos, onde já era majoritária. O professor da FIA diz que as empresas buscam espaço em outros mercados não apenas para ampliar seus lucros, mas também para ter acesso direto ao consumidor – especialmente quando existem barreiras comerciais. Fonte: BBC Brasil

81

82

9.2 WEG: uma multinacional do norte de Santa Catarina
Maior fabricante latino americana de motores elétricos e uma das maiores do mundo, a WEG atua nas áreas de:  comando e proteção,  variação de velocidade,  automação de processos industriais,  geração e distribuição de energia e  tintas e vernizes industriais.
Produzindo inicialmente motores elétricos, a WEG começou a ampliar suas atividades a partir da década de 80, com a produção de:  componentes eletroeletrônicos,  produtos para automação industrial,  transformadores de força e distribuição,  tintas líquidas e em pó,  vernizes eletroisolantes,  sistemas elétricos industriais completos..

Unidades no Brasil

Unidades no exterior

• Jaraguá do Sul - PF 1 • Jaraguá do Sul - PF 2 • Blumenau • Gravataí • Guaramirim • Hortolândia • São Bernardo do Campo • Manaus • Itajaí

Córdoba Buenos Aires San Francisco Huehuetoca Nantong Maia

82

83

WEG Faturamento - R$ bilhões
5,5 4,55 3,53 2,98 5,11 5,28

2005

2006

2007

2008

2009

2010

WEG Colaboradores
19.956 14.098 15.000 21.877 19.535 22.232

2005

2006

2007

2008

2009

2010

Fontes: 1. Fundação Dom Cabral. Disponível em: http://www.fdc.org.br/pt/pesquisa/internacionalizacao/Documents/Pesquisa_Global _Players_II.pdf 2. WEG / Números. Disponível em: http://www.weg.net/br/Sobre-a-WEG/Numeros

83

84 AUTOR Nome Formação Airton Nagel Zanghelini Mestre em Relações Econômicas e Sociais Internacionais Pós-graduado em Administração Financeira Pós-graduado em Economia de Empresas Graduado em Matemática Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Professor Universitário airton.zanghelini@terra.com.br

Atuação

E-mail

84

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful