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UNIVERSIDADE DA REGIÃO DE JOINVILLE UNIVILLE

DEPARTAMENTO DE COMÉRCIO EXTERIOR

APOSTILA DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Professor: Airton Nagel Zanghelini

Joinville

2011

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

4

1.1

PLANO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DA DISCIPLINA RELAÇÕES INTERNACIONAIS

(RINT)

4

1. 2 O ESTUDO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

5

1.3

PARADIGMAS DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

6

2. PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

10

2.1 ANTECEDENTES DA PRIMEIRA GUERRA

10

2.2 O CONFLITO

11

2.3 UM NOVO PANORAMA MUNDIAL

13

3. SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (1939-1945)

15

3.1 ANTECEDENTES DA SEGUNDA GUERRA

15

3.2 O INÍCIO DO CONFLITO

15

3.3 DESENVOLVIMENTO DO CONFLITO E FATOS HISTÓRICOS IMPORTANTES:

15

3.4 O FINAL DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS

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4. ORIENTE MÉDIO

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4.1 INTRODUÇÃO

18

4.2 BERÇO DAS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES HUMANAS

19

4.3 O JUDAÍSMO E A HISTÓRIA DO POVO HEBREU

20

4.4 O ISLAMISMO E A EXPANSÃO ÁRABE

21

4.5 O CONFLITO ÁRABE-ISRAELENSE

23

5. A NOVA ORDEM GEOPOLÍTICA INTERNACIONAL

26

5.1 A GUERRA FRIA (A VELHA ORDEM)

26

5.2 A NOVA ORDEM INTERNACIONAL

27

5.3 OS BLOCOS ECONÔMICOS

30

5.4 OS BRIC BRASIL, RÚSSIA, INDIA E CHINA

32

5.5 TERRORISMO E CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES

33

6. PAÍSES E SUAS CULTURAS

38

6.1 INTRODUÇÃO

38

6.2 DADOS SOCIOECONOMICOS DOS PAÍSES

39

6.3 CULTURA DOS PAÍSES

55

7. DADOS E INDICADORES SOCIOECONOMICOS

68

7.1 DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

68

7.2 A DESIGUALDADE DE RENDA NA AMÉRICA LATINA E NO BRASIL

71

3

8. COMÉRCIO EXTERIOR EM 2010: BRASIL, SC E

74

8.1 COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO EM 2010

74

8.2 COMÉRCIO EXTERIOR DE SANTA CATARINA EM 2010

77

8.3 COMÉRCIO EXTERIOR DE JOINVILLE EM 2010

79

9. INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS

81

9.1 MULTINACIONAIS BRASILEIRAS

81

9.2 WEG: UMA MULTINACIONAL DO NORTE DE SANTA CATARINA

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4

1. INTRODUÇÃO

1.1 Plano de ensino e aprendizagem da disciplina relações internacionais (RINT)

Objetivo geral da disciplina

Ao final da realização do programa de Relações Internacionais, o estudante deverá ser capaz de entender, analisar e avaliar os fenômenos políticos, econômicos e sociais contemporâneos no mundo e nas relações internacionais, demonstrando ter adquirido competências para decidir sobre o modo de agir como profissional de comércio exterior.

Objetivos específicos da disciplina

Discutir as grandes questões internacionais, através da apresentação dos diferentes enfoques, para que o aluno possa entender e formar opinião;

Exercitar o planejamento de negócios e de empresas voltadas para comércio internacional em função das relações políticas e econômicas do Brasil com os outros países;

Simular situações de mercado e as decisões mais convenientes para os agentes econômicos em cada caso;

Discutir a influência das diferenças culturais nos negócios internacionais.

Contribuição da disciplina para a profissão

Visão do ambiente geopolítico e econômico global;

Entendimento das diferentes culturas dos países e regiões;

Capacidade de agir diante das diferenças políticas e ideológicas dos países e regiões;

Competência crítica diante dos grandes temas econômicos do Brasil e do mundo;

Visão macroeconômica dos cenários nacionais e internacionais que lhe confira maior capacidade de tomar decisões com baixo risco;

Conhecimento técnico das políticas econômicas do Brasil e sua influência nos negócios internacionais.

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Bibliografia básica

GARCIA, Eugênio Vargas. Cronologia das relações internacionais do Brasil. Rio de Janeiro: Contraponto Editora, 2006.

OLIVEIRA,Odete Maria de. Relações Internacionais: estudos de introdução. 2.ed. Curitiba: Juruá, 2004.

RIBEIRO,Wagner Costa. Relações internacionais: cenários para o século XXI. São Paulo: Scipione, 2000.

RODRIGUES, Gilberto M. A. Brasiliense, 2001.

O que são relações internacionais.

São Paulo:

1. 2 O estudo das relações internacionais

O estudo das Relações Internacionais objetiva entender e analisar, de

forma sistemática, relações políticas, econômicas e sociais entre países e atores internacionais como Estados, organismos internacionais, organizações não-

Para alcançar um objetivo tão abrangente, o estudo das Relações Internacionais abrange diversas áreas do conhecimento, como Ciências Políticas, História, Geografia, Economia, Direito internacional entre outras.

As guerras, a paz, a diplomacia, as interações econômicas e culturais entre

diferentes povos são alguns dos elementos que compõem a esfera do internacional e que têm implicações e efeitos sobre os homens. Dadas essas características, as RI são definidas como uma disciplina do campo das ciências sociais, que investigará a dimensão do internacional. Embora hoje seja considerada uma disciplina fundamental para o estudo desse objeto específico, as Ri são uma matéria de estudo relativamente recente. Até as duas Guerras Mundiais, pensar o internacional era uma tarefa distribuída entre as demais Ciências sociais, não havendo identidade particular na área. (PECEQUILO, 2004).

Desde quando se estudam Relações Internacionais?

Do ponto de vista acadêmico, a disciplina de Relações Internacionais nasceu na Universidade de Gales (Grã Bretanha), no início da década de 1920, logo após o fim da Primeira Guerra Mundial. No Brasil, o primeiro curso de Graduação em Relações Internacionais foi criado em 1974 na Universidade Nacional de Brasília (UNB) e o primeiro programa de Doutorado em Relações Internacionais foi instituído em 2001 na PUC-Rio.

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Porém, a Disciplina de Relações Internacionais percorreu longo trajeto antes de poder posicionar-se como conhecimento. Não é possível identificar uma data exata e nem mesmo aproximada do surgimento das Relações Internacionais já que estas se deram desde os primeiros relacionamentos humanos em suas ainda recentes comunidades, tendo seguimento através de outros fatos de entrosamento, como guerras, religião e comércio. Posteriormente, com o surgimento dos tratados e acordos, formou-se o Direito das Gentes concomitante, curiosamente, com relações de poder e de conquistas dominantes dessas épocas, assinaladas por grandes impérios. Com o aparecimento do Estado-Nação poderoso e soberano, após a Idade Média, os povos aproximaram-se, estabelecendo interessante interação entre os indivíduos e suas sociedades, fortalecendo, como conseqüência, suas relações, chamadas Relações Internacionais, pois até essa época os relacionamentos verificados entre as comunidades tinham natureza meramente circunstancial. Desconheciam-se o princípio do equilíbrio de poder ou da força, a manutenção do status quo e da defesa coletiva, emergindo apenas dos séculos XV e XVI as primeiras alianças políticas de competição pelo poder. Estudos e reflexões sobre essa complexa temática reúnem-se em torno de um rico acervo teórico, legado por juristas, filósofos, cientistas sociais e políticos ligados a esse âmbito. Na conquista de sua independência científica, as Relações Internacionais foram antecedidas por outros conhecimentos, como o Direito Internacional, a História dos Tratados, a História da Diplomacia e o conhecimento da própria Diplomacia como disciplina. (OLIVEIRA, 2004).

1.3 Paradigmas das relações internacionais

Thomas S. Kuhn inaugurou o uso da expressão paradigma no estudo dos fenômenos científicos, a partir de sua obra A estrutura das revoluções científicas, em 1962. Ele se referia às suposições fundamentais que os especialistas fazem sobre o fenômenos que estão estudando . Um paradigma das Relações Internacionais é portanto, uma visão, uma interpretação, uma perspectiva dos fenômenos internacionais ou mundiais, amparada em algum método, cuja pretensão é explicar e dar sentido para os fatos que estão se desenrolando no cenário internacional. Assim, o termo paradigma (de origem grega, com o significado de modelo, padrão) quando aplicado ao campo de estudo das Relações Internacionais, tem o sentido de modelo mais adequado à compreensão da realidade internacional que está sendo analisada. Entre as décadas de 1970 e 1980, quando a discussão dos paradigmas das Relações Internacionais foi objeto de diversas publicações, emergiram alguns modelos de classificação das relações internacionais.

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Modelo Idealista

O período idealista das Relações Internacionais situa-se entre os dois grandes conflitos mundiais. Este modelo ficou conhecido como idealista porque buscava introduzir projetos inspirados em regras éticas e que, transformadas em princípios jurídicos, serviriam como padrões às Relações Internacionais. Caracterizava-se por um conjunto de princípios universais que defendia a necessidade de estruturar o mundo buscando o entendimento, através de condutas pacifistas, onde a confiança e a boa vontade sejam os motores que movimentam a História.

Foram destaque do período idealista as ações do presidente Woodrow Wilson, dos EUA e o surgimento da Liga das Nações. A eclosão da Segunda Guerra Mundial representou o fim do paradigma idealista e deu lugar ao Modelo Realista.

Modelo Realista

O Realismo político consolidou-se com o início da Guerra Fria a partir de 1947 e tem suas raízes nos pensamentos de Nicolau Maquiavel (1532) em sua obra O Príncipe, e de Thomas Hobbes (1615), em Leviatã. Os historiadores das Relações Internacionais consideram o tratado de Vestfália, em 1648, que estabeleceu o Sistema Europeu de Estados e criou um equilíbrio de poder entre as potências da época, como o ponto de partida das relações internacionais modernas segundo os padrões do realismo político. Hans Morgenthau (conhecido como o novo Maquiavel) consolidou nos EUA a teoria do realismo político em sua obra Política entre as nações.

Características principais:

a) A política interna e a política externa são consideradas duas áreas distintas e

independentes entre si.

b) Reconhece como único ator internacional relevante o Estado.

c) O poder e o uso da força constituem o traço forte do paradigma realista.

d) A cooperação internacional é problemática.

e) A ordem é imposta ou é resultado de acordo entre as grandes potências.

f) O surgimento de novas potências tende a perturbar a ordem estabelecida.

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Modelo da Dependência

Com a criação da CEPAL, na década de 1960, a intelectualidade latino- americana começou a produzir a partir de uma visão autóctone, teorias a respeito do desenvolvimento econômico. Desse esforço surgiu aquela que viria a ser a maior contribuição do chamado Terceiro Mundo para a disciplina Relações Internacionais: a Teoria da Dependência. Esse novo modelo centra sua atenção nas relações econômicas internacionais e observa que entre elas se estabelecem termos de desigualdade e dominação, de natureza desequilibrada e injusta do sistema internacional, de dependência entre muitos Estados que são explorados por poucos. O Paradigma da Dependência (de inspiração estruturalista ou neomarxista) defende também que os Estados são atores importantes do sistema, mas não são os únicos. Organizações Internacionais, empresas multinacionais e movimentos de libertação nacional são reconhecidos, e tidos como de extrema importância. Passou-se a utilizar os termos centro para designar os países ricos e periferia para referir-se a países pobres. A CEPAL inspirou vários pensadores a analisar a problemática do subdesenvolvimento dos países sul-americanos buscando ir além da visão puramente econômica. Dentre estes, destacam-se os cientistas sociais brasileiros Celso Furtado, Fernando Henrique Cardoso e Helio Jaguaribe e o uruguaio Eduardo Galeano. Este paradigma é pessimista em relação à possibilidade de convivência harmônica entre os atores internacionais, permanecendo a idéia de haver sempre no jogo internacional um ganhador e um perdedor.

Modelo Neo-Realista

Durante os anos 1980, inspirados pela política externa do presidente Ronald Reagan, os autores realistas ressurgiram, agregando novas características ao modelo, o que lhes conferiu a possibilidade de adaptar-se aos novos fatores das Relações Internacionais. Esta nova versão do paradigma realista incorporou métodos científicos e matemáticos de análise, dando mais credibilidade à visão realista. Em 1983, Kenneth Waltz, publicou a Teoria das relações internacionais onde procurou estabelecer uma verdadeira teoria geral sobre a política internacional. O neo-realismo buscou restabelecer a primazia do Estado e de seu poder de força militar nas Relações Internacionais dentro de um contexto agora globalizado, mantendo o papel de subordinação dos atores não-estatais.

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Modelo Interdependente

Surgiu no final dos anos sessenta juntamente com o modelo dependente, em consequência da insatisfação intelectual estabelecida face ao paradigma realista. É também denominado paradigma do Transnacionalismo, do Multicentrismo ou do pluralismo, ou ainda sociedade global ou mundial. Este paradigma passa a analisar a importância da dimensão econômica mundial. Segundo a tese de Marshall McLuhan, em sua obra O Meio é a Mensagem, de 1967, os meios de transporte e de comunicação em massa vieram transformar o mundo numa imensa aldeia global. Este fato motivou as bases desse novo paradigma, pois os fenômenos internacionais não poderiam mais ser interpretados na visão dos modelos realista ou dependente, pois o planeta havia entrado em uma nova era de globalização da economia. As bases desse paradigma não são novas. Alcançam reflexos no pensamento dos estóicos, evoluindo às formulações de Kant. O que traz de novo é o modo de ver a realidade global de nossos dias, diferente daquela que originou o desenvolvimento do paradigma realista, que se apegou ao princípio da segurança nacional, além das influências diplomáticas e das forças militares, pressupostos agora inúteis em face da proliferação dos organismos internacionais, surgimento da interdependência, dos atores não-estatais e das corporações transnacionais.

Fontes:

1. OLIVEIRA,Odete Maria de. Relações Internacionais: estudos de introdução. 2.ed. Curitiba: Juruá, 2004.

2. PECEQUILO, Cristina Soreanu. Introdução às Relações Internacionais:

temas, atores e visões. Petrópolis. Vozes, 2004.

3. RODRIGUES, Gilberto M. A. O que são relações internacionais. São Paulo:

Brasiliense, 2001.

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2. PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914-1918).

2.1 Antecedentes da Primeira Guerra

A Primeira Guerra Mundial causou o colapso de quatro impérios e mudou de

forma radical o mapa geopolítico da Europa e do Oriente Médio.

O período compreendido entre 1871 e 1914 foi definido por alguns historiadores

como um momento de "Paz Armada". Havia um certo otimismo, marcado pela crença de que a humanidade atingira a maturidade necessária à resolução pacífica dos conflitos internacionais, apesar de dispor de uma grande quantidade

de armas e soldados. No entanto, a configuração da economia européia originada

do desenvolvimento industrial e da expansão imperialista, calcada na disputa entre

as potências industrializadas por territórios, principalmente na Ásia e na África, apontava para um clima de instabilidade e insegurança.

A Tríplice Aliança e a Tríplice Entente

Depois do ano de 1905, começou a se configurar um sistema de alianças entre as nações da Europa, que acabaram se dividindo em dois blocos: Alemanha, Áustria- Hungria e Itália, que formavam a Tríplice Aliança, e Inglaterra, França e Rússia, que compunham a Tríplice Entente.

França e Rússia, que compunham a Tríplice Entente. Figura 1: Alianças militares em 1914 A Tríplice

Figura 1: Alianças militares em 1914 A Tríplice Aliança está representada em castanho, a Tríplice Entente em verde e

as nações neutras em pêssego.

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Exacerbação do nacionalismo

O período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial foi marcado por uma exacerbação do nacionalismo. As potências, de modo geral, cultivavam um discurso e uma mentalidade baseados em suas glórias militares, no poder bélico e na supremacia nacional. Ao mesmo tempo, ocorre uma expansão da indústria bélica e um desenvolvimento tecnológico que aumenta a eficácia das máquinas de guerra.

A essa conjuntura acrescentou-se uma série de disputas em regiões fronteiriças,

com populações formadas por mais de uma nacionalidade, como na Alsácia e na Lorena (entre a Alemanha e a França), no Trentino em Trieste (Itália e Império Austríaco), e na península Balcânica (disputada pela Rússia e pela Áustria).

Estopim da guerra: assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando

No período entre 1905 e 1914, ocorreram vários incidentes diplomáticos, que contribuíram para abalar a relação entre os países europeus, culminando com o assassinato, por um ativista sérvio, do arquiduque Francisco Ferdinando, provável herdeiro do Império Austro-húngaro. O incidente, ocorrido em Sarajevo, capital da Bósnia, gerou uma crise entre a Áustria-Hungria e a Sérvia.

O império Austro-húngaro fez um ultimato à Sérvia, exigindo a investigação do

crime e o combate aos movimentos subversivos com a colaboração de oficiais austríacos, que foi recusado. A resposta sérvia desencadeou o rompimento das relações diplomáticas entre as duas nações e, em 28 de julho, a Áustria declarou guerra à Sérvia.

2.2 O conflito

O Império Austro-Húngaro começou o bombardeio à Belgrado (capital sérvia) em

29 de Julho. No dia seguinte, a Rússia, que sempre tinha sido uma aliada da

Sérvia, deu a ordem de locomoção a suas tropas. Os alemães, que tinham garantido o apoio ao Império Austro-Húngaro no caso de uma eventual guerra declararam guerra à Russia.

Além disso, a Alemanha colocou em prática o “Plano Schlieffen” que previa a invasão da França, Inglaterra e Rússia, começando por invadir a Bélgica para, através dela, invadir a França. Esse ato fez com que o Império Britânico saísse da sua posição neutra e declarasse guerra à Alemanha em 4 de Agosto.

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A guerra ganhou proporções nunca vistas anteriormente, envolvendo 27 nações,

um contingente de 40 milhões de soldados aliados e 21 milhões de combatentes dos Impérios Centrais (Alemanha e Áustria-Hungria), com um número de mortes

superior a 15 milhões.

O uso das novas tecnologias

Ao contrário das guerras tradicionais, cujos resultados dependiam principalmente

do tamanho dos exércitos, a Primeira Guerra Mundial caracterizou-se pela luta de

trincheiras, bombardeios e pelo emprego das novas tecnologias: aviões, submarinos, tanques e metralhadoras, fruto do desenvolvimento industrial.

A capacidade técnico-industrial foi, portanto, um fator fundamental para dar

suporte a uma guerra que os estadistas não esperavam que durasse tanto. A Inglaterra teve uma participação fundamental através do emprego de sua poderosa marinha no cerco à Alemanha que, por sua vez, recorreu ao uso de submarinos para romper o bloqueio que lhe foi imposto.

A entrada em cena dos EUA e o fim da guerra

Após o bombardeio de um navio por um submarino alemão, o que provocou a

morte de 1.200 pessoas, dentre os quais cidadãos americanos, os Estados Unidos

se

posicionam contra os alemães e, em abril de 1917, entraram na guerra.

A

entrada dos norte-americanos no conflito rompeu a situação de equilíbrio entre

as

forças até então envolvidas, que, de ambos os lados, apresentavam sinais de

exaustão. Em 29 de setembro de 1918, os militares alemães declararam a seu governo que seria impossível vencer a guerra e iniciaram-se as negociações para

a rendição, que ocorreu a 11 de novembro daquele ano.

Com a vitória dos aliados, os Impérios Centrais entraram em colapso e passaram por processos de fragmentação, dando origem a uma série de repúblicas independentes: Iugoslávia, Checoslováquia, Hungria, Áustria, Polônia e Bulgária. Na Alemanha, o regime monárquico foi substituído pelo republicano, com a instalação da chamada República de Weimar.

O Tratado de Versalhes

Os aliados, por seu lado, investiram sobre os espólios dos vencidos: a França reivindicava a devolução da Alsácia-Lorena, a Inglaterra tencionava eliminar o poderio naval alemão, a Itália queria a anexação da "Italia irredenta" (Região de Trento), as nações balcânicas reivindicavam independência e o Japão empenhava-se em empenhar seu poder no Pacífico.

O presidente Wilson apresentou ao Congresso Norte-americano 14 pontos que

julgava importantes para o estabelecimento da paz, que resultaram no Tratado de

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Versalhes, assinado em junho de 1919 e que formalizou o término da Primeira Guerra Mundial. Um dos pontos propostos pelos EUA foi a criação de uma associação de nações para garantir a independência dos países, que resultou na criação da Liga das Nações, em 16 de janeiro de 1920, com sede em Genebra, na Suíça.

O Tratado de Versalhes, bem como os outros que vieram a seguir, determinaram

severas medidas de reparação de guerra contra os países vencidos, como a perda de direitos comerciais e de exploração de territórios colonizados. Além de um endividamento absurdo, a título de indenização para os países vencedores, estabeleceram-se restrições pesadas à soberania política e militar aos derrotados.

2.3 Um novo panorama mundial

Por fim, com o término da guerra, houve uma mudança substancial no panorama da economia mundial. Os países europeus, que ocupavam lugar de destaque, sofreram um esgotamento de suas economias, em razão dos gastos com a guerra. Duas nações passaram a ocupar o lugar privilegiado que antes era dos países europeus, emergindo como novas potências: Estados Unidos e Japão.

O conflito rompeu definitivamente com a antiga ordem mundial criada após as

Guerras Napoleônicas, marcando a derrubada do absolutismo monárquico na Europa. Dinastias imperiais europeias como as das famílias Habsburgos, Romanov e Hohenzollern, que vinham dominando politicamente a Europa e cujo poder tinha raízes nas Cruzadas, também caíram durante os quatro anos de guerra.

Três impérios europeus foram destruídos e consequentemente desmembrados:

O fracasso da Rússia na guerra acabou contribuindo para a queda do sistema de

Czares e para a Revolução Russa (1917) que inspirou outras em países tão diferentes como China e Cuba, e que serviu também, após a Segunda Guerra Mundial, como base para a Guerra Fria. No Oriente Médio o Império Turco- Otomano foi substituído pela República da Turquia e muitos territórios por toda a região acabaram em mãos inglesas e francesas.

Na Europa central novos estados (Tchecoslováquia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Estônia e Iugoslávia) "nasceram" depois da guerra. Áustria, Hungria e Polônia foram redefinidos. Pouco tempo depois da guerra, em 1923, os Fascistas tomaram

o poder na Itália. A derrota da Alemanha na guerra e o fracasso em resolver

assuntos pendentes no período pós-guerra, alguns dos quais haviam sido causas da Primeira Guerra, acabaram por criar condições para a ascensão do Nazismo e para a Segunda Guerra Mundial em 1939, vinte anos depois.

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3. SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (1939-1945)

A Segunda Guerra Mundial refletiu a disputa econômica e política dos grandes

países industrializados, mas também um confronto em torno do melhor modelo ideológico capaz de orientar, naquele momento histórico, o desenvolvimento da humanidade. Em campos diferentes se defrontavam três sistemas políticoeconômicos: as democracias liberais capitalistas, os nazi-fascistas e os

comunistas.

3.1 Antecedentes da Segunda Guerra

No ambiente geopolítico, o mundo apresentava um equilíbrio precário desde o fim da Primeira Guerra, em 1918. Vários fatores influenciaram o início deste conflito que se iniciou na Europa e, rapidamente, espalhou-se pela África e Ásia. Dentre eles destacam-se a grave crise econômica que afetava EUA e Europa na

década de 1930 e o surgimento de governos totalitários com ideologias militaristas

e expansionistas, como o nazismo, liderado por Hitler na Alemanha e o fascismo,

liderado por Benito Mussolini na Itália. Na Ásia, o Japão também possuía fortes desejos de expandir seus domínios para territórios vizinhos e ilhas da região.

Estes três países se uniram e formaram o Eixo, um acordo com características militares e com planos de conquistas para expansão dos seus territórios. Em 1938

a Alemanha deu início a seu plano de expansão invadindo a Áustria e parte da Tchecoeslováquia.

3.2 O Início do conflito

Em setembro de 1939, tropas alemãs invadiram a Polônia. De imediato, a França

e a Inglaterra declararam guerra à Alemanha. Desde o início ficou claro que as

ações de Hitler visavam exterminar os povos que o nazismo considerava inferiores ou indesejáveis, como judeus, eslavos, ciganos, além de homossexuais e

deficientes físicos e mentais, em nome da formação da raça ariana. A maioria dos milhões de judeus exterminados nos campos de concentração vivia na Polônia.

3.3 Desenvolvimento do Conflito e Fatos Históricos Importantes:

Depois da rápida vitória sobre a Polônia, as tropas alemãs não pararam mais. Atacaram primeiramente a França, que também sucumbiu em poucos dias, e depois a Inglaterra, que resistiu heroicamente e enfrentaria os alemães e seus aliados, italianos e japoneses, até o fim da guerra, na Europa, no norte da África e no Oriente. O primeiro-ministro britânico Winston Churchill foi o primeiro estadista ocidental a perceber a ameaça nazista e a ela se opor tenazmente.

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Entre 1939 e 1941, a Alemanha havia conquistado, além da Polônia e da França a Iugoslávia, Ucrânia, Noruega e territórios no norte da África. O Japão anexou a Manchúria, enquanto a Itália conquistava a Albânia e territórios da Líbia.

No Ásia, o Japão desenvolvia uma política expansionista similar à de Hitler. Havia conquistado parte da China em 1937 e em seguida o Exército e a Marinha Imperial do Japão invadiram também a Indochina, Indonésia, Malásia, Filipinas e Birmânia). No final de 1941, bombardeou a ilha de Pearl Harbour, pertencente aos Estados Unidos. Atacados por um aliado de Hitler, os americanos, que até então só prestavam ajuda econômica e forneciam armamentos aos ingleses, decidiram entrar na guerra, que se estendeu pelo mundo inteiro. Assistiu-se então a um velocíssimo desenvolvimento bélico norte-americano, o que colocaria o país na posição de maior potência militar do século 20.

Na Europa, a guerra envolvia a população civil, além da militar, e provocou uma grande devastação humana operada pelo avanço nazi-fascista. Já nos oceanos Pacífico e Índico, as batalhas se travavam entre navios e aviões ou em territórios cuja população local - muitas vezes indígena - não se envolvia no conflito. Mesmo assim, o número de mortos e feridos foi grande entre os militares, em especial do Japão e dos Estados Unidos, os principais protagonistas das batalhas nessa região.

Em meados de 1941, rompendo um acordo que tinha com Stálin, Hitler atacou a União Soviética. Contrariando as estratégias de seus generais, que queriam primeiro tomar Moscou, fez questão de invadir Leningrado, símbolo da Revolução Russa de 1917. Porém, Leningrado resistiu bravamente durante meses, até que, em fevereiro de 1943, os alemães, não acostumados ao frio intenso da Rússia, foram vencidos pelos soviéticos. A partir daí os russos deram início à contra-ofensiva, pressionando alemães a retrocederem para seu país, enquanto, na Europa ocidental, americanos e ingleses reconquistavam posições na Itália e na França.

Em 6 junho de 1944 (o chamado Dia D), ocorreu o desembarque das tropas aliadas na Normandia (França). Ao mesmo tempo, as populações dos territórios invadidos pelos nazistas organizavam movimentos de resistência à ocupação, sabotando os alemães e cooperando com os aliados.

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3.4 O Final da Segunda Guerra Mundial e suas Consequências

O Eixo, formado pela Alemanha, Itália e Japão, foi derrotado pelos aliados depois

de seis anos de conflito. Na Alemanha, ocupada pelos aliados, Hitler suicidou-se e seus generais se renderam incondicionalmente em 8 de maio de 1945. Na Ásia, o

Japão resistiu mais alguns meses, até que as cidades de Hiroshima e Nagasaki foram destruídas pelas bombas atômicas norte-americanas, em agosto do mesmo ano. Foi a primeira vez que se usou armas nucleares num conflito e seu poder de devastação obrigou os japoneses à rendição.

Mais de 40 milhões de pessoas morreram no conflito. Os prejuízos foram enormes, principalmente para os países derrotados: além dos mortos e feridos, cidades destruídas, indústrias e zonas rurais arrasadas e dívidas incalculáveis.

Com o final do conflito, em 1945, foi criada a ONU ( Organização das Nações Unidas ), cujo objetivo principal seria a manutenção da paz entre as nações.

Novas relações geopolíticas se configuraram após a guerra, já que seus principais vencedores eram adversários ideológicos e possuíam uma capacidade bélica

equivalente, o que os impedia de partir para um conflito aberto. Iniciou-se, assim,

o período conhecido como Guerra Fria, colocando agora, em lados opostos,

Estados Unidos e União Soviética. Uma disputa geopolítica entre o capitalismo norte-americano e o socialismo soviético, onde ambos países buscaram ampliar suas áreas de influência sem entrar em conflitos armados.

Fontes:

1. UOL Educação / história: Disponível em:

3. Segunda Grande Guerra. Disponível em: http://pt.worldwar-two.net/

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4. ORIENTE MÉDIO

4.1 Introdução

Região localizada no sudoeste da Ásia, tem como climas predominantes o desértico e o semiárido. No que se refere ao relevo destacam-se os planaltos. Os principais rios são o Tigre, o Eufrates e o Jordão.

A maioria da população do Oriente Médio, estimada de 270 milhões de habitantes,

professa a religião muçulmana (ou islamismo). Contudo, além do islamismo, o Oriente Médio foi também o berço do judaísmo e do catolicismo.

O Oriente Médio é uma das regiões mais conflituosas do mundo. Diversos fatores

contribuem para esse fato, como:

sua posição no contexto geopolítico mundial, entre três continentes (Europa, Ásia e África); suas condições naturais, pois a maior parte dos países ali localizados dependem de água de países vizinhos; a presença de recursos estratégicos no subsolo, como o petróleo; a origem dos conflitos entre árabes e israelenses.

ORIENTE

MÉDIO

dos conflitos entre árabes e israelenses. ORIENTE MÉDIO Oriente M édio tradicional Grande Oriente Médio

Oriente M édio

tradicional

entre árabes e israelenses. ORIENTE MÉDIO Oriente M édio tradicional Grande Oriente Médio (definição do G8)

Grande Oriente

Médio

(definição do

G8)

entre árabes e israelenses. ORIENTE MÉDIO Oriente M édio tradicional Grande Oriente Médio (definição do G8)

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4.2 Berço das primeiras civilizações humanas

As primeiras civilizações humanas nasceram e se desenvolveram nas proximidades dos grandes rios, no Oriente. A aridez do clima e a baixa fertilidade do solo obrigaram essas sociedades a utilizarem, com racionalidade e eficiência, os recursos hídricos disponíveis para a prática da agricultura. Entre elas destacaram-se Egito e Mesopotâmia.

EGITO

O rio Nilo foi responsável pelo florescimento da civilização egípcia. Suas margens eram aproveitadas para o cultivo de alimentos que sustentavam uma população organizada em comunidades camponesas, controladas por um Estado fortemente centralizado, a quem deveriam pagar pesados impostos. As obras de irrigação (diques, depósitos de água, canais), realizadas por numerosa mão-de-obra escrava, permitiram o desenvolvimento da civilização.

MESOPOTÂMIA

Situada entre os rios Tigre e Eufrates, a Mesopotâmia foi um importante império na Antigüidade. Alvo de permanentes ataques e invasões, sua história é marcada pela sucessão de dominações de povos de diversas origens: sumérios, assírios, babilônios Essas civilizações produziram rica cultura, cujos vestígios ainda hoje podem ser vistos como as grandes pirâmides do Egito. Ambas acabaram sendo dominadas pelos persas, povo militarista e guerreiro que construiu vasto império no Oriente.

e guerreiro que construiu vasto império no Oriente. Figura 4: Mesopotâmia e o Império Persa Figura
e guerreiro que construiu vasto império no Oriente. Figura 4: Mesopotâmia e o Império Persa Figura

Figura 4: Mesopotâmia e o Império Persa

Figura 3: EGITO e o Oriente médio tradicional

20

Outras civilizações do Antigo Oriente

Ainda no Oriente, desenvolveram-se civilizações onde a agricultura não desempenhou papel econômico significativo, mas se destacaram em outros aspectos: os povos fenícios, persas e hebreus.

FENÍCIOS

A principal atividade econômica dos fenícios foi o comércio marítimo. Dotada de

vantagens geográficas e naturais, a Fenícia foi a civilização dos navegadores e

mercadores da Antigüidade.

A talassocracia (governo dos comerciantes) era diferente do restante doOriente,

onde predominava a aristocracia. Da cultura fenícia herdamos o alfabeto com 22 letras. A Fenícia tornou-se

província do Império Persa no século I a.C.

PERSAS

Povo militarista e guerreiro, os persas conheceram o apogeu durante o reinado de Dario I, idealizador de um sistema administrativo altamente eficiente. Além de manterem uma postura de respeito aos usos e costumes dos povos dominados, os persas contavam com boa rede de estradas, moeda única,

governadores leais ao poder central

elementos que lhes permitiram garantir o

império durante séculos. Foi somente no século I a.C. que o Império Persa foi subjugado por Alexandre da Macedônia.

HEBREUS

A história hebraica é marcada por constantes deslocamentos, fixando-se durante

séculos no território denominado Palestina.

O solo pouco apropriado para a agricultura fez deles um povo de pastores.

Sua característica mais conhecida foi o fato de, ao criar a sua religião, o judaísmo, terem se tornado a primeira civilização monoteísta da História.

4.3 O judaísmo e a história do povo hebreu

Povo de origem semita (descendentes de Sem, filho de Noé), os hebreus fixaram- se na Mesopotâmia onde se organizaram em tribos. Seu primeiro Patriarca foi Abraão que abandonou o politeísmo e converteu-se ao monoteísmo. Abraão conduziu seu povo para a Palestina, porém, a aridez e a escassez de terras férteis na região levaram os descendentes de Abraão a abandonar a Palestina e migrar para o Egito, onde permaneceram como escravos por cerca de 500 anos.

21

Liderados por Moisés, os hebreus retornaram à Palestina por volta de 1250 a.C, num processo conhecido como Êxodo. Mas a região já havia sido ocupada por outro povo: os filisteus. A unidade religiosa dos hebreus auxiliou-os na vitória sobre os filisteus, que foram subjugados, e lhes permitiu a reocupação do território. A partir de então, os hebreus viveram o período mais glorioso de sua história. As tribos se unificaram e passaram a respeitar um único chefe.

Sob o reinado de Salomão, os hebreus atingiram seu apogeu. Todavia, o império não sobreviveu à morte de Salomão. Seus filhos dividiram o território: Israel, ao norte, e Judá, ao sul. O cisma enfraqueceu o império e favoreceu o domínio de diferentes povos sobre a região como os babilônios, os persas, os macedônicos e os romanos. Quando a Palestina tornou-se província do império romano, nasceu Jesus, que criou uma nova religião monoteísta: o cristianismo.

Os cristãos, mesmo sendo alvo de terríveis perseguições pelos imperadores romanos, já que renegavam a divindade do imperador, aumentaram consideravelmente em número nos primeiros séculos da Era Cristã e sua religião acabou se convertendo na religião oficial do Império Romano. Ainda durante o domínio romano sobre a Palestina (por volta de 70 d.C.), ocorreu a Diáspora hebraica. Os hebreus abandonaram a Palestina e se dispersaram pelo mundo.

Assim, entre os séculos I e XX de nossa era, os hebreus foram um povo sem território, sem pátria, sem Estado, vítimas de grandes perseguições como as da Inquisição e do Nazismo. Sonhavam, contudo, em retornar à terra que Deus lhes havia prometido. Somente após a segunda guerra mundial, diante do extermínio de 6 milhões de judeus, a recém criada ONU concordou em dar aos judeus o território e o Estado tão desejado. Em 1948, foi criado o Estado de Israel em território palestino, acarretando sérios conflitos na região.

4.4 O Islamismo e a Expansão Árabe

Os árabes, povo de origem semita como os hebreus, viviam em tribos, não possuindo, portanto, um Estado unificado. Praticavam uma religião politeísta que cultuava ídolos cujas imagens estavam agrupadas na Caaba (templo), em Meca. Peregrinos de toda a Arábia realizavam peregrinações à cidade para adorar seus ídolos. Isso, até o surgimento do islamismo, uma religião monoteísta que nasceu nessa região, durante a Idade Média, e se difundiu pelo Mediterrâneo ao longo dos séculos VII e VIII.

22

Maomé foi um órfão criado por um tio que lhe deu uma boa formação. Ao viajar com caravanas, conheceu culturas e religiões variadas, que acabaram por influenciá-lo na formulação de sua doutrina. Em 610, Maomé recebeu revelações divinas que o convenceram de que só há um Deus, que é Alah, e ele, Maomé, é o seu profeta. Mao, já que a defesa do monoteísmo ameaçava os negócios dos ricos mercadores da cidade.

Em 622, Maomé teve que fugir e refugiou-se em Medina, onde foi acolhido por seus habitantes que adotaram sua doutrina. Esse episódio, chamado Hégira, marca o início do calendário islâmico. mé iniciou suas pregações entre os habitantes de Meca, mas acabou sendo perseguido Os ensinamentos de Maomé foram reunidos no livro sagrado do islamismo, o Alcorão. Dentre eles, o profeta destaca o esforço para conquistar adeptos, denominado jihad (guerra santa). Em 630, os seguidores de Maomé ocuparam e dominaram a cidade de Meca, realizando, de uma só vez, a unificação religiosa e política da Arábia.

Após a morte do profeta, em 632, o poder passou a ser exercido pelos califas (sucessores do profeta) que construíram um vasto império que se estendia da Pérsia até a Península Ibérica, incluindo o Oriente Médio e o norte da África. Além de controlarem toda a atividade comercial da região, impedindo o acesso dos cristãos, os árabes adotaram uma política de tolerância cultural em relação aos povos dominados. Assim, além de influenciar e receber influências desses povos, os árabes contribuiram muito para a preservação do legado cultural clássico.

Disputas políticas e religiosas entre os califas que governavam o império acabaram por enfraquecê-lo, tornando-o vulnerável a invasões e ataques como os dos turcos, mongóis e cruzados, que fragmentaram o poder dos árabes.

A religião islâmica, porém, mesmo com o declínio político dos árabes, enraizou-se

em diversas partes do mundo.

Sunitas e Xiitas

A morte de Maomé, em 632, dividiu seus seguidores em dois grupos: os sunitas e

os xiitas. Os sunitas seguem os ensinamentos de Maomé contidos em um conjunto de textos chamado SUNA que, para eles, é uma importante fonte de verdade ao lado do Alcorão. Os xiitas só admitem o Alcorão como fonte sagrada.

São defensores intransigentes dos fundamentos da fé islâmica e contrários à ocidentalização.

Os sunitas correspondem a 85% dos muçulmanos e os xiitas, aos restantes 15%. Os xiitas são maioria em poucos países como o Irã, o Iraque e o Bahrein.

23

4.5 O conflito árabe-israelense

Origens do conflito

O conflito entre árabes e judeus é relativamente recente, ao contrário do que

muitos acreditam. Até o final do século 19, judeus e diferentes povos árabes viviam em relativa harmonia. Os problemas ganharam corpo com a crise dos grandes impérios, ao término do século 19, que permitiu o avanço de inúmeros movimentos nacionalistas. Entre os novos movimentos estavam o nacionalismo árabe que defendia a criação de um grande Estado árabe independente dos turcos, e o sionismo (referência à Colina de Sion, em Jerusalém), defensor da volta dos judeus à Palestina.

A

1ª Guerra Mundial (1914-1918) selou o fim dos grandes impérios e redesenhou

o

mapa do Oriente Médio, que antes era dominado pelos turcos. Os ingleses

receberam um mandato da Liga das Nações para ocupar por 30 anos os atuais Iraque, Jordânia e Palestina. A França ficou com o que hoje são a Síria e o Líbano. Árabes e judeus passaram então a disputar espaço na Palestina sob mandato britânico. Os sionistas traziam jovens pioneiros da Europa Oriental para

cultivar terras compradas dos árabes por milionários judeus. E os nacionalistas árabes lançavam ataques armados contra as novas comunidades judaicas. Os britânicos ficavam no meio do caminho, ora limitando a imigração judaica, ora restringindo os ataques dos militantes árabes.

Criação do Estado de Israel

Entre os anos 1930 e 1940, intensificou-se consideravelmente a imigração judaica para a Palestina. Porém, o descontrolado ingresso de judeus na Palestina acarretou sérios problemas já às vésperas da Segunda Grande Guerra: as áreas de assentamento judeu e palestino não foram delimitadas e grupos de características étnicas e religiosas tão diferentes tiveram que compartilhar o mesmo território, de onde resultaram graves hostilidades entre ambos.

Após o holocausto promovido pelos nazistas durante a Segunda Guerra, houve

consenso na recém criada ONU sobre a criação de um Estado judeu na Palestina.

A medida foi apoiada pelos Estados Unidos e Inglaterra, interessados em

estabelecer um aliado na região, já que não confiavam nos Estados árabes que a cercavam. Os palestinos, por sua vez, também almejavam a criação de um Estado

independente em território palestino e, para isso, contavam com o apoio dos países árabes.

Em 1947, a ONU estabeleceu a divisão do território palestino entre judeus, que ocupariam 57% das terras com seus 700 mil habitantes, e palestinos, cuja população de cerca de 1,3 milhão de habitantes ocuparia os restantes 43% do território. Em maio de 1948, o futuro primeiro-ministro David Ben Gurion anunciou a criação do Estado de Israel.

24

As guerras entre Israel e países árabes

Com a retirada das tropas britânicas que ocupavam a região, começou, em 1948, uma guerra entre Israel e a Liga Árabe, criada em 1945 e que reunia Estados

Árabes que procuravam defender a independência e a integridade de seus membros. A guerra foi liderada pela Jordânia e pelo Egito. Israel venceu o conflito

e ocupou áreas reservadas aos palestinos, ampliando para 75% o domínio sobre as terras da região. O Egito assumiu o controle sobre a Faixa de Gaza e a Jordânia criou a Cisjordânia.

Desde então, houve três grandes guerras entre Israel e os países árabes: em 1956, 1967 e 1973.

Em 1956, o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser declarou guerra à Inglaterra, França e Israel com o objetivo de assumir definitivamente o controle sobre o canal de Suez, em mãos européias desde sua construção. Para isso contou com o apoio da União Soviética, país que, no contexto da Guerra Fria, apoiava todas as iniciativas de libertação nacional a fim de conquistar aliados para o bloco socialista. Durante o conflito, Israel ocupou a Península do Sinai, mas, devolveu-a logo em seguida, devido à pressão norte-americana.

Para defender a luta palestina no sentido da criação de um Estado autônomo, foi criada a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), em 1964, tendo como líder Iasser Arafat . Nas fileiras da OLP, surgiu o Al Fatah, braço armado da organização que prega a luta armada e o terrorismo para destruir Israel. A OLP só recentemente foi reconhecida por Israel como representante dos interesses palestinos na questão territorial.

Em 1967, eclodiu a “guerra dos 6 dias”. Após a retirada das tropas da ONU que

guardavam a fronteira entre Egito e Israel, soldados israelenses avançaram sobre

a Península do Sinai, a Faixa de Gaza e as colinas de Golã. A população palestina

teve que se refugiar em países vizinhos - sobretudo ao sul do Líbano. A OLP adotou o terrorismo como estratégia de luta contra Israel que, por sua vez, com amplo apoio das potências ocidentais, desenvolvia respeitável aparato bélico.

A Guerra do Yom Kippur, em 1973, tive início no feriado judeu que leva esse nome. Egito e Síria desfecharam ataque simultâneo a Israel e conseguiram avançar nas primeiras 48 horas. Mas, na segunda semana de guerra os sírios foram expulsos das colinas de Golam e o exército egípcio teve que retroceder para o seu território, do outro lado do canal de Suez. que revidou prontamente, vencendo as forças agressoras. Nas áreas que iam sendo ocupadas por Israel, principalmente em Gaza e na Cisjordânia, surgiram colônias judaicas protegidas por soldados israelenses. A estratégia visava consolidar o domínio sobre o território.

25

Acordos de paz

Quando o presidente Anuar Sadat assumiu a presidência do Egito, assumiu uma postura de distanciamento da União Soviética e de aproximação dos Estados Unidos. Daí surgiram conversações de paz entre egípcios e israelenses que resultaram num acordo formalizado em Camp David (EUA), em 1979. O acordo não agradou nem aos judeus instalados nas colônias do Sinai, de Gaza e da Cisjordânia, nem aos árabes que esperavam maiores concessões por parte dos israelenses. Por isso, Sadat, considerado por muitos, traidor da causa árabe no Oriente Médio, foi assassinado em 1981.

Na década de 1980, depois do atropelamento e morte de quatro palestinos por um caminhão do exército israelense, em 1987, jovens árabes, munidos de paus e pedras, enfrentaram, nas ruas, os soldados de Israel e o levante se alastrou. A repressão israelense foi brutal. Desde então, os choques entre palestinos e colonos nas áreas de ocupação israelense têm sido freqüentes.

As conversações de paz entre árabes e israelenses só foram retomadas em 1993, quando o Primeiro Ministro de Israel Itzhak Rabin e o líder da OLP Arafat realizaram um encontro em Oslo, onde ficou decidido que, de forma gradual, Israel devolveria a Faixa de Gaza (área pobre onde se espremem 800 mil palestinos) e de Jericó, na Jordânia, para a administração direta e autônoma dos palestinos. Os cerca de 100 mil colonos judeus ali instalados permaneceriam protegidos pelo exército israelense. Ao acordo, opuseram-se as facções palestinas hostis a Arafat. Para piorar o quadro, em 1995, durante um comício pela paz em Tel Aviv, um estudante judeu de 27 anos, membro de uma organização extrema direita, assassinou Itzhak Rabin.

Em 2000 os conflitos entre palestinos e judeus aumentaram, tendo início uma nova intifada. A situação, piorou quando, no início de 2001, o conservador Ariel Sharon foi eleito Primeiro Ministro de Israel, revelando o sentimento dominante entre os israelenses de não retomar as negociações para a criação do Estado Palestino enquanto durar a intifada. Diante da violência dos atentados terroristas promovidos pelo Hamas e pelo Hezbolah, grupos extremistas árabes que pregam o extermínio dos judeus, as ações do exército israelense também têm sido cada vez mais cruéis, atingindo, inclusive, a população civil das regiões dominadas.

Fontes:

1. RIBEIRO, Wagner Costa. Relações Internacionais: cenários para o século XXI. São

Paulo: Scipione, 2000.

2. UOL Educação / Colégio Stockler. Disponível em:

26

5. A NOVA ORDEM GEOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Geopolítica é uma disciplina das Ciências Humanas que mescla a Teoria Política

à

desempenham em função de suas características geográficas: localização,

território, posse de recursos naturais, contingente populacional.

As constantes alterações que têm ocorrido no mapa da Europa nos últimos anos são o sinal de que vivemos um período de transição. É a estruturação da chamada nova ordem geopolítica internacional, que vem substituir a velha ordem, que era marcada pela oposição entre Estados Unidos e União Soviética, em um período conhecido como guerra fria.

nações

considerando

o

papel

político

internacional

que

as

5.1 A Guerra Fria (a velha ordem)

A guerra fria começou a se desenhar após a Segunda Guerra Mundial. A partir de

então, o cenário geopolítico internacional ficou marcado pela bipolaridade entre as

duas grandes potências vencedoras - a capitalista, representada pelos Estados Unidos, e a socialista (ou comunista), representada pela União Soviética. Não foi por acaso que esses dois países se transformaram nas superpotências dominantes do cenário mundial. Eles foram decisivos para vencer a guerra contra

o Eixo (Alemanha, Itália e Japão), quando se uniram à Inglaterra e aos outros países aliados.

No caso dos Estados Unidos, o seu território e a sua população ficaram a salvo de ataques militares, porque estavam longe do palco da guerra, que se desenvolveu na Europa e na Ásia. Assim, enquanto as bases industriais da Europa e do Japão foram destruídas, as indústrias americanas atuaram em plena capacidade de produção fornecendo armas, tanques e aviões. Já a União Soviética se destacou pela grande capacidade militar, principalmente quando conseguiu expulsar as tropas alemãs do seu território e as empurrou de volta às fronteiras do seu próprio país. Devido ao importante papel da União Soviética na derrota do exército nazista, desde de fevereiro de 1945 os soviéticos transformaram todo o leste europeu em uma grande área ocupada, alegando a necessidade de manter a segurança junto às suas fronteiras.

A partir desse momento se estabeleceu a chamada "cortina de ferro", com a divisão da Europa em duas regiões geopolíticas: a Europa Ocidental, sob a influência dos Estados Unidos, e a Europa Oriental, sob a influência da União Soviética. A própria Alemanha foi dividida, em 1949, em dois países: República Federal da Alemanha (RFA), capitalista, e República Democrática Alemã (RDA), socialista. O símbolo maior dessa divisão foi a construção do muro de Berlim. Construído em 1961 pelos soviéticos, para consolidar a divisão da capital, evitando a fuga de alemães orientais para o lado capitalista, o muro foi o grande

27

símbolo da bipolaridade na disputa ideológica e militar entre os dois grandes vencedores da Segunda Guerra Mundial.

Alegando a necessidade de defender seus aliados, as duas superpotências se posicionavam como inimigas e criavam estratégias para se proteger uma da outra. Para conter a influência Soviética, os Estados Unidos financiaram a reconstrução e o fortalecimento econômico da Europa, através do Plano Marshal e instalaram um arsenal nuclear nos países da Europa Ocidental e bases militares na Àsia e na Oceania. Por seu lado, já em 1948 a União Soviética transformou as áreas de ocupação do Leste em governos pró-soviéticos, controlando-os de forma absolutamente autoritária, e também criou mecanismos de auxílio e cooperação econômica no interior do bloco socialista, através do Comecon.

Nesse período, do ponto de vista do equilíbrio do poder, foram criadas duas grandes Organizações militares: a Otan, em 1949, que tinha como principal

objetivo impedir a expansão dos sistemas socialistas e o Pacto de Varsóvia, em 1955, que visava conter a expansão capitalista. Essas organizações, bem como

as guerras localizadas entre as duas superpotências, foram expressão clara de

como o controle mundial efetivou-se através do chamado "equilíbrio do terror". A

corrida tecnológica que colocou os dois países em posição militar de destruir o mundo todo, principalmente através das armas nucleares, serviu como eficaz mecanismo de controle mundial.

Do ponto de vista ideológico, se estabeleceram dois pontos de vista antagônicos entre países, organizações e indivíduos: ou se era alinhado ao capitalismo, ou ao socialismo. Enquanto os Estados Unidos, ao defender os princípios capitalistas do livre mercado, buscavam o controle do mercado mundial, a União Soviética buscava implantar o seu projeto de revolução comunista, através da tomada do poder em cada país. Essa luta por manter e ampliar os aliados de cada um dos lados é que ficou conhecida como Guerra Fria.

Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, essa velha ordem mundial começou a ruir. Muitos consideram que a queda do muro marcou o fim da guerra fria. Outros

consideram como o marco final da guerra fria a desarticulação do império soviético, a partir da independência da Estônia, da Letônia e da Lituânia, no início

da década de 1990. Outros ainda, defendem que a guerra fria acabou quando a

União Soviética foi formalmente extinta, em 1991, dando lugar à independência da

Rússia e das demais ex-repúblicas soviéticas, que viriam a formar a Comunidade

de Estados Independentes (CEI).

5.2 A Nova ordem internacional

O cenário internacional mudou, no final do século XX, quando passaram a

prevalecer valores como a democracia representativa, a economia de mercado. Além disso, o sistema internacional passou a ser o resultado da interação dos Estados-nação e das empresas transnacionais, mas também de outros atores

28

internacionais como as Organizações Não-governamentais (ONGs). Este novo cenário passou a ser conhecido como a Nova Ordem Internacional.

Se durante a Guerra Fria o mundo era bipolarizado, sob o ponto de vista político- ideológico, a nova ordem é multipolar. Nela, o mundo está dividido em áreas de influência econômica. As alianças militares perderam o sentido, pelo menos no que se refere à oposição capitalismo-comunismo. Hoje, tem lugar a expansão das alianças econômicas: União Européia, Nafta, ALCA, Mercosul, APEC. No contexto da economia globalizada, os blocos econômicos são um grande impulso para a otimização do crescimento econômico integrado. Os Estados-Nação perderam espaço para a ação das transnacionais.

A nova ordem internacional acabou com vários conflitos diretamente ligados à

ação das superpotências. Mas fez surgir outros, na sua maioria de origem étnica, religiosa e nacional. No contexto econômico, prevalece a abertura dos mercados,

o fim de restrições comerciais e a implantação de um comércio mais amplo,

regulado pela OMC Organização Mundial do Comércio. A palavra de ordem é a inserção no mercado mundial. Os capitais estão cada vez mais livres e, perante uma variada gama de possibilidades de investimentos, deslocam-se facilmente de

um país para outro, de uma economia menos atraente para outra mais atraente, até que uma outra surja, num fluxo contínuo de investimentos que se movimentam ao sabor dos ventos da economia.

Características da velha e da nova ordem geopolítica

Poder político Poder político Ameaças Ameaças

Poder político

Poder político

Ameaças

Ameaças

Poder militar

Poder militar

Velha

Velha

Bipolaridade

Bipolaridade

Radicalização

Radicalização

2 2

superpotências

superpotências

Radicalização 2 2 superpotências superpotências Nova Nova Multipolaridade Multipolaridade

Nova

Nova

Multipolaridade

Multipolaridade

Terrorismo

Terrorismo

Hegemonia EUA

Hegemonia EUA

Terrorismo Terrorismo Hegemonia EUA Hegemonia EUA Blocos Blocos G7 e emergentes G7 e emergentes
Terrorismo Terrorismo Hegemonia EUA Hegemonia EUA Blocos Blocos G7 e emergentes G7 e emergentes
Terrorismo Terrorismo Hegemonia EUA Hegemonia EUA Blocos Blocos G7 e emergentes G7 e emergentes
Blocos Blocos G7 e emergentes G7 e emergentes Abertas Abertas Inserção global Inserção global Abertura

Blocos

Blocos

G7 e emergentes

G7 e emergentes

Abertas

Abertas

Inserção global

Inserção global

Abertura

Abertura

Contagiantes

Contagiantes

Supranacionalismo

Supranacionalismo

Muito relevante

Muito relevante

Divisão

Divisão

Economia

Economia

Fronteiras

Fronteiras

Ideologias

Ideologias

Políticas

Políticas

Crises

Crises

Agentes

Agentes

Governança

Governança

Cortina de ferro

Cortina de ferro

Hegemonias G-7

Hegemonias G-7

Fechadas

Fechadas

Nacionalismos

Nacionalismos

Protecionismo

Protecionismo

Confinadas ao país

Confinadas ao país

Estado-nação

Estado-nação

Pouco relevante

Pouco relevante

29

Transformações geopolíticas no século XX

A velha geopolítica: divisões

Transformações geopolíticas no século XX A velha geopolítica: divisões A nova ordem geopolítica: multipolaridade 29

A nova ordem geopolítica: multipolaridade

Transformações geopolíticas no século XX A velha geopolítica: divisões A nova ordem geopolítica: multipolaridade 29

30

5.3 Os blocos econômicos

Os blocos são associações de países cujo objetivo é estabelecer relações comerciais privilegiadas entre si. Esse processo é iniciado com a abolição de tarifas comerciais e pode chegar, no limite, ao fim de fronteiras e até a uma união econômica, com uma moeda comum. Assim, de acordo com o seu nível de evolução, os blocos econômicos são classificados em quatro tipos.

A formação de blocos econômicos regionais em modalidades semelhantes às existentes no mundo atual ocorreu, pela primeira vez, próximo ao final da 2ª Guerra Mundial, com a criação do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo). Após a guerra, a idéia de integração econômica baseada em uma economia supranacional começou a ganhar força na Europa Ocidental.

Diante da perspectiva de concorrer com os Estados Unidos, fazer frente ao crescimento da União Soviética e reduzir o risco de os nacionalismos provocarem novos conflitos, os países europeus firmaram uma série de acordos com o objetivo de unir o continente, reestruturar, fortalecer e garantir a competitividade de suas economias.

Posteriormente, a experiência européia foi estendida a outros continentes e foram desenvolvidas várias iniciativas de integração regional. Entretanto, a única que teve permanência e consistência em suas ações foi a Comunidade Econômica Européia (CEE), transformada em 1992 em União Européia (UE).

Modalidades de integração regional

Zona de livre-comércio Redução ou eliminação das tarifas alfandegárias entre os países membros.

União aduaneira Além de abrir os mercados internos, regulamenta o comércio do bloco com as nações de fora.

Mercado comum Permite ainda a livre circulação de capitais, serviços e pessoas no interior do bloco.

União econômica e monetária Evolução do mercado comum. Os países adotam a mesma política de desenvolvimento e uma moeda única. É o atual estágio da União Européia.

31

Principais blocos econômicos

PRINCIPAIS BLOCOS ECONÔMICOS

PRINCIPAIS BLOCOS ECONÔMICOS

Nº DE

Nº DE

PAÍSES- PAÍSES-

MEMBROS

MEMBROS

OBJETIVOS

OBJETIVOS

1. 1.

NAFTA. Tratado de Livre Comércio da

NAFTA. Tratado de Livre Comércio da

América do Norte.

América do Norte.

2. 2.

MCCA. Mercado Comum Centro

MCCA. Mercado Comum Centro

Americano.

Americano.

6 6

3 3

Zona de livre comércio.

Zona de livre comércio.

União alfandegária.

União alfandegária.

3. 3.

CARICOM. Comunidade Econômica do

CARICOM. Comunidade Econômica do

Caribe.

Caribe.

5 5

União aduaneira.

União aduaneira.

Coordenação de políticas públicas.

Coordenação de políticas públicas.

4. 4. PA. Pacto Andino. PA. Pacto Andino. 5 5 Mercado comum. Mercado comum. Atuação
4. 4. PA. Pacto Andino. PA. Pacto Andino. 5 5 Mercado comum. Mercado comum. Atuação
4. 4. PA. Pacto Andino. PA. Pacto Andino. 5 5 Mercado comum. Mercado comum. Atuação

4. 4.

PA. Pacto Andino.

PA. Pacto Andino.

5 5

Mercado comum.

Mercado comum.

Atuação conjunta para desenvolvimento.

Atuação conjunta para desenvolvimento.

5. 5.

MERCOSUL. Mercado Comum do Sul.

MERCOSUL. Mercado Comum do Sul.

4 4

Mercado comum.

Mercado comum.

Coordenação de políticas industriais.

Coordenação de políticas industriais.

6. 6.

UE. União Européia.

UE. União Européia.

25 25

Zona de livre comércio.

Zona de livre comércio.

Harmonização de políticas públicas.

Harmonização de políticas públicas.

União monetária.

União monetária.

PRINCIPAIS BLOCOS ECONÔMICOS

PRINCIPAIS BLOCOS ECONÔMICOS

7. 7.

EFTA. Associação Européia de Livre

EFTA. Associação Européia de Livre

Comércio.

Comércio.

Nº DE

Nº DE

PAÍSES- PAÍSES-

MEMBROS

MEMBROS

6 6

OBJETIVOS

OBJETIVOS

Área de livre comércio.

Área de livre comércio.

PAÍSES- MEMBROS MEMBROS 6 6 OBJETIVOS OBJETIVOS Área de livre comércio. Área de livre comércio.

8. 8.

9. 9.

10. 10.

11. 11.

12. 12.

13. 13.

CEI. Comunidade de Estados

CEI. Comunidade de Estados

Independentes.

Independentes.

UEA. União dos Estados Africanos.

UEA. União dos Estados Africanos.

AFTA. Associação das Nações do

AFTA. Associação das Nações do

Sudeste Asiático.

Sudeste Asiático.

APEC. Cooperação Econômica Ásia-

APEC. Cooperação Econômica Ásia-

Pacífico-América.

Pacífico-América.

ALCA. Associação de Livre Comércio das

ALCA. Associação de Livre Comércio das

Américas.

Américas.

CESA. Comunidade Econômica Sul-

CESA. Comunidade Econômica Sul-

Americana

Americana

12 12

38 38

5 5

18 18

34 34

9 9

Acordos multilaterais militares e econômicos.

Acordos multilaterais militares e econômicos.

Coordenação de políticas públicas.

Coordenação de políticas públicas.

Acordo multilateral de defesa e não-

Acordo multilateral de defesa e não-

agressão.

agressão.

Constituição de fundo de desenvolvimento.

Constituição de fundo de desenvolvimento.

Acordo de livre comércio.

Acordo de livre comércio.

Fórum de cooperação econômica.

Fórum de cooperação econômica.

Área expandida de livre comércio.

Área expandida de livre comércio.

Área de livre comércio.

Área de livre comércio.

Acordo multilateral de integração.

Acordo multilateral de integração.

Bloco expandido: Mercosul e Andinas.

Atuação conjunta para desenvolvimento.

Atuação conjunta para desenvolvimento.

Integração física.

Integração física.

conjunta para desenvolvimento. Integração física. Integração física. Bloco expandido: Mercosul e Andinas.

Bloco expandido: Mercosul e Andinas.

32

5.4 OS BRIC Brasil, Rússia, India e China

O acrônimo BRIC foi criado por Jim O'Neill, economista-chefe do banco Goldman Sachs em Nova York. O'Neill argumentava que, nos próximos 50 anos, essas quatro nações viriam a dominar a economia mundial.

Somadas, elas compreendem hoje 25% da área habitável, 40% da população e 15% da economia do planeta. Será que se trata de uma esperança realista? Hoje os BRIC somados respondem por apenas 12% do PIB mundial. Mas juntos detêm US$ 3 trilhões em reservas cambiais.

Há fortes indícios de que os quatro países do BRIC têm procurado formar um "clube político" ou uma "aliança", buscando converter seu crescente poder econômico em uma maior influência geopolítica.

Em junho de 2009, os líderes dos países do BRIC realizaram sua primeira reunião, na Rússia, e emitiram uma declaração apelando para o estabelecimento de uma ordem mundial multipolar. Os líderes dos países participantes do BRIC sugeriram que as economias emergentes e em desenvolvimento devem ter mais voz e representação nas instituições financeiras internacionais e que os seus líderes e diretores devem ser designados por meio de processos seletivos abertos, transparentes e baseados no mérito.

Os líderes do BRIC pedem, ainda, apoio aos países pobres e o suporte às energias renováveis. Em declaração anexa sobre segurança alimentar, os BRICs defenderam a transferência de tecnologia para a produção de biocombustíveis e o desenvolvimento técnico da produção agrícola.

A ênfase, porém do encontro, foi voltada para a cooperação para a reforma do sistema financeiro mundial.

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5.5 Terrorismo e Choque de Civilizações

Terrorismo: o que é isso?

Terrorismo é um método que consiste no uso de violência, física ou psicológica, por indivíduos, ou grupos políticos, contra a ordem estabelecida através de um ataque a um governo ou à população que o legitimou, de modo que os estragos psicológicos ultrapassem largamente o círculo das vítimas.

Atentados no século XXI

11 de setembro de 2001: World Trade Center - USA

Ícones da identidade nacional norte-americana foram alvejados com desconcertante facilidade. Dois aviões sequestrados por terroristas da rede Al- Qaeda puseram abaixo as torres gêmeas do World Trade Center. Uma terceira aeronave foi lançada sobre o Pentágono, sede do poder militar dos EUA, nos arredores de Washington. No total, mais de 5.000 pessoas morreram. Os ataques mudaram a cara do terror internacional.

11 de março de 2004: bombas nos trens em Madri

Uma série de bombas explodidas em trens metropolitanos matou mais de 200 pessoas e deixou quase 1.500 feridos em Madri. O crime monstruoso, perpetrado contra vítimas inocentes a caminho do trabalho, deixou uma dúvida: o autor. Inicialmente, o governo espanhol acusou o grupo separatista basco ETA. Mais

tarde surgiram indícios de que se poderia tratar de nova investida dos fanáticos da

Al Qaeda.

2004: Terrorismo em escola da Rússia

Cerca de 30 terroristas invadiram o ginásio de uma escola, onde pais e alunos comemoravam o primeiro dia de aula do ano letivo russo.

A ação terrorista durou três dias e só terminou quando forças policiais russas

mataram a maioria dos terroristas e libertaram os reféns sobreviventes. Foram encontrados mais de 200 mortos e mais de 700 feridos.

O ataque foi perpetrado por terroristas chechenos e árabes.

Julho de 2005: bombas em Londres

Ocorreram 4 explosões de bombas, três delas em trens do metrô e a última dentro de um ônibus. Detonadas de forma coordenada no horário de maior movimento no centro da cidade, deixaram mais de 50 mortos e 700 feridos.

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Londres constituiu-se em alvo óbvio por reunir características que o fundamentalismo muçulmano abomina: centro financeiro mundial, síntese do Ocidente e do capitalismo moderno, metrópole cosmopolita, tolerante com a diversidade humana.

2008: ataques na Índia

Um grupo de cerca de 30 terroristas se espalhou pela área turística de Mumbai realizando massacres em diferentes pontos da cidade. Depois, os terroristas se entrincheiraram em três locais: os hotéis Taj Mahal e Oberoi-Trident, os mais luxuosos da cidade, e em um centro religioso judaico localizado em uma galeria comercial, fazendo centenas de reféns. O saldo final ultrapassou os 200 mortos e 400 feridos.

Maiores organizações terroristas

Brigadas vermelhas

Organização política terrorista da extrema-esquerda italiana que desenvolveu a sua actividade durante os anos 70 e o início da década de 80. Tratava-se de um grupo de guerrilha clandestino que esteve implicado em atos de sabotagem, sequestros e atentados. Foi responsável, entre outras, pela morte do democrata-cristão e primeiro-ministro Aldo Moro (1978). Duas dezenas de membros do grupo foram condenados a prisão perpétua.

IRA - Exército Republicano Irlandês

As rivalidades entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte remontam ao século 17. É uma história de confrontos entre a maioria protestante, identificada com os interesses do domínio britânico e, de outro, a minoria católica, que luta pelo fim da dominação inglesa.

A Irlanda se tornou independente em 1922. Mas, a parte católica, conhecida com Irlanda do Norte, continuou sob domínio do Reino Unido. Em 1969 a Irlanda do Norte foi ocupada pelo exército britânico.

Em 1972, mais de uma dezena de jovens irlandeses católicos foram mortos no Domingo Sangrento (Bloody Sunday). Cerca de 3.600 pessoas morreram na Irlanda em 30 anos de conflitos entre o IRA e grupos paramilitares protestantes. O conflito só terminou em 2005, quando o IRA anunciou o fim da "luta armada" e entregou as armas.

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Organização pela Libertação da Palestina (OLP)

Organização política formada em 1964 com o objetivo de lutar pela independência

da Palestina, território que fora ocupado por Israel.

De 1968 a 2004 teve como presidente Yasser Arafat, líder do Al Fatah (uma das forças de libertação da Palestina que se juntaram para criar a OLP, e se tornou o seu braço armado). Em 1993 Arafat e Yitzhak Rabin, primeiro-ministro israelita, assinaram o acordo de

paz que permitiu a criação da Autoridade Nacional Palestina, governada pela OLP.

Al Fatah x Hamas

Porém, o outro principal grupo terrorista, o Hamas, acusou a Al Fatah de conivência com Israel e os dois grupos se tornaram rivais.

O Hamas assumiu o comando da Faixa de Gaza e se tornaram comuns os

confrontos entre os dois grupos pelo poder na Palestina.

O Hamas intensificou também os conflitos com Israel, dificultando a manutenção

do acordo de paz, que veio a ser quebrado em 2000.

Jihad Islâmica

A palavra "jihad" significa luta e é utilizada por alguns grupos terroristas do Oriente

Médio como "guerra santa" contra a existência do Estado de Israel.

A Jihad Islâmica é um grupo fundado no início dos anos 80, no Egito, e assumiu a

responsabilidade pela morte de 18 soldados em um ponto de ônibus em Beit Lid, em 1995. Diversos ataques terroristas suicidas foram atribuídos a esse grupo.

ETA -Euskadi Ta Azkatasuna (Pátria basca e liberdade)

Em 2009 o grupo separatista basco, ETA, completou 50 anos. Neste período, cometeu 825 assassinatos e feriu centenas de pessoas, apresentando como justificativa a luta contra o governo da Espanha pela completa independência de um território de 20.000 km² e população que mal supera 2 milhões de habitantes.

Surgiu como um movimento de resistência estudantil, que se opunha radicalmente

à ditadura militar do general espanhol Francisco Franco. Após a morte de Franco em 1975, o País Basco se tornou uma Comunidade Autônoma com direito a arrecadar os próprios impostos, ensinar a língua basca nas escolas e eleger Parlamento e presidente próprios. Porém, o ETA continuou a praticar atos violentos, reclamando independência total.

Muitas das vítimas são membros da polícia, juízes franceses e espanhóis, políticos que se opõem às reivindicações do ETA. O auge foi o assassinato do primeiro-ministro Carrero Blanco, em 1973.

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O choque de civilizações

Em O Choque de Civilizações, publicado em meados dos anos 90, Huntington previa que os conflitos globais no século XXI não seriam mais motivados por

desavenças entre países, mas entre civilizações, caracterizadas estas por valores, instituições e, sobretudo, religiões.

O choque mais iminente, escreveu, era aquele que contraporia o Ocidente ao

mundo muçulmano. "Os fatos estão provando que minha tese tem certo grau de veracidade", diz o professor. "Gostaria que não fosse assim."

Principais civilizações:

Civilização confuciana ou sínica

Inclui principalmente a China, mas também o sudeste asiático, como Coréia, Tibete, Vietnã, etc.

Civilização japonesa

O Japão há muito já possui uma cultura autônoma. A civilização nipônica seria a

única civilização que abrange um pais só e é formada por elementos da civilização sínica e dos povos altaicos, de onde é oriunda. Atualmente recebe forte influência

da civilização ocidental. Em tese, tal civilização englobaria também a Coréia do Sul, mas esta seria considerada sínica mais por questões políticas.

Civilização hindu

Expandiu-se a partir do vale do rio Indo e seria representada hoje principalmente pela Índia, embora inclua outros países hindus como o Camboja.

Civilização Islâmica

A civilização do mundo islâmico teria surgido na Arábia e assimilado as culturas,

turca, libanesa, persa, malaia entre outras. A Civilização Islâmica também estaria

profundamente presente no Norte da África.

Civilização ocidental

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Civilização ortodoxa

A região vizinha à Rússia.

Civilização latinoamericana

Híbrido da civilização ocidental com a população indígena local.

Civilização da África subsaariana

A civilização africana, ou mais especificamente subsaariana já que o norte da África pertence à civilização muçulmana, teria a África do Sul como seu estado- núcleo.

Fontes:

1. RIBEIRO, Wagner Costa. Relações Internacionais: cenários para o século

XXI. São Paulo: Scipione, 2000.

2. Algosobre.com. Disponível em

3. UOL Educação / Geografia. Disponível em

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6. PAÍSES E SUAS CULTURAS

6.1 Introdução

A cultura está para um povo assim como a personalidade está para o indivíduo.

Qualquer povo tem uma maneira muito peculiar de viver e de compreender a vida. Ou seja, a cultura é mutável, dinâmica, passa de uma pessoa para a outra sem fazermos força. Ela determina nossa forma de pensar, de amar, de decidir e de agir.

Os preconceitos e estereótipos são comuns na vida internacional. Temos uma tendência natural a julgar os outros com base em nossas vivências e padrões. A capacidade de primeiro ouvir, observar, analisar e só depois julgar é fundamental nas relações internacionais.

Assim, o primeiro passo para administrar o choque cultural e ter sucesso em uma negociação internacional ou até mesmo em uma viagem turística, é conhecer o outro país.

Para auxiliá-lo nessa tarefa, são apresentadas a seguir algumas informações sobre os países mais importantes economicamente, ou com os quais o Brasil, Santa Catarina e Joinville mantêm maior volume de comércio exterior.

Inicialmente são apresentados alguns dados econômicos, demográficos, históricos e geográficos dos países selecionados. Na sequência, chama-se a atenção para algumas características peculiares da cultura de cada um deles. Por último, são relacionadas também as características desejáveis para se tornar um bom negociador internacional.

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6.2 Dados socioeconomicos dos países

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

- Declarada

- Reconhecida

4 de julho de 1776 (234 anos)

3 de setembro de 1783 (227 anos)

- Total

9 372 610 km² (4.º)

- Censo 2010

308 745 538 hab.

33 hab./km² (143.º)

PIB

- Total

Lista 2010 do FMI

US$ 14,62 trilhões (1.º)

US$ 47.123 ()

- Gini (2007)

- IDH (2010)

46,3 alto

78,2 anos (38.º)

O país tem enormes recursos minerais, com grandes depósitos de ouro, petróleo, carvão e urânio. Na agricultura, está entre os maiores produtores mundiais de milho, trigo, açúcar e tabaco, entre outras produções. A indústria de manufatura americana é diversificada, com automóveis, aviões e produtos eletrônicos. O maior setor econômico, no entanto, é o de serviços: cerca de três quartos dos habitantes dos Estados Unidos trabalham nesse setor.

Hispânicos constituem uma considerável parcela da população americana, sendo atualmente a maior minoria étnico-racial dentro dos Estados Unidos, compondo cerca de 13,4% da população americana.

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CHINA (República Popular da China)

- República Popular

- Total

9.596.960 km² (3.º)

- Estimativa de 2010

1.338.612.968 hab. (1.º)

139.6 hab./km²

PIB

- Total

Lista 2010 do FMI

US$ 5,75 trilhões (2.º)

US$ 7.518 (93.º)

41,5 alto

0.663 (89.º) médio

73,0 anos (82.º)

Com 1,3 bilhões de habitantes (22% do planeta), a China desempenha um papel importante no comércio internacional, por ser o maior consumidor mundial de aço

e concreto (usa, respectivamente, um terço e mais da metade daqueles insumos) e o segundo maior importador de petróleo. É o terceiro maior importador do mundo e o segundo maior exportador, em termos globais.

Desde 1978, o país implementa reformas para adotar, em alguma medida, uma economia de mercado, o que ajudou a tirar 400 milhões de pessoas da pobreza. Entretanto, o país enfrenta outros problemas econômicos, inclusive o rápido envelhecimento da população e uma crescente disparidade entre a renda urbana

e a rural.

JAPÃO

41

- Total

377.873 km² (62.º)

- Estimativa de 2007

127.433.494 hab. (10.º)

337 hab./km² (30.º)

PIB

- Total

Lista 2010 do FMI US$ 5,39 trilhões (3.º) US$ 33.828 (24º)

38,1

82,6 anos (1.º)

O Japão possui a nona maior população do mundo, com cerca de 128 milhões de habitantes. A Região Metropolitana de Tóquio é a maior área metropolitana do mundo, com 37 milhões de habitantes.

Com um PIB de 4,9 trilhões de dólares,o Japão é a segunda economia mundial (dados de 2008). Essa posição é resultado da cooperação entre o governo e a indústria, de uma profunda ética do trabalho, investimentos em alta tecnologia e baixos gastos com sua defesa.

Dentre as principais atividades industriais estão:

automóveis, eletrônica, informática, siderurgia, metalurgia, construção naval e

química, com destaque para as indústrias com tecnologia de ponta nesses setores.

engenharia, produção de

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ALEMANHA (República Federal da Alemanha)

- Total

357 051 km² (63.º)

- Estimativa de 2010

81 757 600 hab. (15.º)

229 hab./km² (55.º)

PIB

- Total

Lista 2010 do FMI

US$ 3,31 trilhões (4.º)

US$ 35.930 (19.º)

79,4 anos (23.º)

Desde a revolução industrial o país tem sido criador, inovador e beneficiário de uma economia globalizada. A Alemanha é a maior economia da Europa e a quarta maior do mundo.

Um dos principais fatores da riqueza alemã é a exportação de bens produzidos no país, principalmente na área de engenharia, como automóveis, máquinas, metais e produtos químicos. A Alemanha é o maior produtor de turbinas eólicas e de tecnologia de energia solar do mundo.

As maiores feiras internacionais comerciais são realizadas todos os anos em cidades alemãs como Hannover, Frankfurt e Berlim. Frankfurt é o centro financeiro do país e um dos centros financeiros da Europa.

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FRANÇA (República francesa)

- Total

543 965 km² (40.º)

- Estimativa de 2010

65 447 374 hab. (20.º) 115 hab./km² (89.º)

PIB

- Total

Lista 2010 do FMI US$ 2,55 trilhões (5º) US$ 34.092 (23.º)

28 baixo 0,872 (14.º) muito elevado 80,7 anos (10.º)

A França tem sido uma grande potência por muitos séculos, com forte influência

Destacam-se no parque industrial francês as grandes montadoras de automóveis

e aviões, as indústrias mecânicas, elétricas, químicas e alimentícias, geralmente situadas perto dos centros urbanos. A França também desenvolveu uma extraordinária tecnologia de ponta: informática, eletrônica e aeronáutica. Por ser uma potência militar, destaca-se também a indústria de armamentos.

É o país mais visitado no mundo, recebendo 82 milhões de turistas estrangeiros

por ano.

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REINO UNIDO DA GRÃ-BRETANHA E IRLANDA DO NORTE

- Total

244.820 km² (79.º)

- Estimativa de 2007

60.975.000 hab. (22.º) 246 hab./km² (48.º)

PIB

- Total

Lista 2010 do FMI US$ 2,26 trilhões (6º) US$ 35.053 (20º)

34 médio 0,849 (26.º) muito elevado 79,4 anos (22.º)

A indústria química e farmacêutica é forte no Reino Unido. Porém, o setor de serviços representa 73% do PIB com predomínio dos serviços financeiros, especialmente bancos e empresas de seguros.

Londres é o maior centro financeiro do mundo com a Bolsa de Valores de Londres, a Bolsa Internacional de Opções, o Mercado de Contrato de Futuros (LIFFE), e o Mercado de Seguros Lloyd's of London.

O Reino Unido é classificado como a sexta maior destinação turística no mundo.

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ITÁLIA (República italiana)

- Total

301 230 km² (69.º)

- Estimativa de 2009

60 303 800 hab. (23.º) 200,12 hab./km² (39.º)

PIB

- Total

Lista 2010 do FMI US$ 2,04 trilhões (7º) US$ 29.418 (27.º)

- Gini (2000)

36 médio 0,854 (23.º) muito elevado 80,5 anos (12.º)

A Itália tem um número menor de corporações multinacionais do que outras economias de mesma dimensão. A principal força econômica do país tem sido a sua grande base de pequenas e médias empresas e o turismo.

As principais exportações da Itália são:

Produtos químicos e petroquímicos (Eni),

Tecnologia aeroespacial e de defesa (Alenia, Agusta, Finmeccanica)

Iates (Ferretti, Azimut).

BRASIL (República federativa do Brasil)

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- Declarada

- Total

8 514 876,599 km² (5.º)

- Censo 2010

190 732 694 hab. (5.º)

22 hab./km² (182.º)

PIB

- Total

Lista 2010 do FMI

US$ 2,02 trilhões (8º)

US$ 11.445 (71.º)

49,3

0,699 (73.º) elevado

72,4 anos (92.º)

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ARGENTINA (República argentina)

- Proclamada

- Reconhecida

- Total

2 780 400 km² (8.º)

- Estimativa de 2008

39 745 613 hab. (31.º) 14 hab./km² (165.º)

PIB (base PPC)

- Total

Estimativa de 2007 US$ 523,7 bilhões (23.º) US$ 15.603 (52.º)

49 alto 0,775 (46.º) elevado 75,3 anos (59.º)

Possuindo um dos solos mais férteis do mundo (Pampa), destaca-se na alta produtividade de grãos. Produz e exporta principalmente: trigo, milho e soja.

A seguir vem a produção de erva-mate, aveia, cevada, girassol, batata, algodão.

A pecuária é de extrema importância para a economia argentina.

A carne de vaca e a lã produzidas no país situam-se entre as melhores do mundo, cabendo menção às técnicas de refrigeração e processamento de carnes e seus subprodutos.

Destaca-se também a vinicultura.

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CHILE (República do Chile)

- Iniciada

- Formalmente declarada

- Total

756.950 km² (38.º)

- Estimativa de 2010

17.063.000 hab. (60.º) 22 hab./km² (194.º)

PIB (base PPC)

- Total

Estimativa de 2009 US$ 161,781 bilhões (44.º) US$ 14.982 (55º)

52 alto 0,783 (45.º) elevado[1] 78,6 anos (35.º)

O Chile tem a economia mais estável da América Latina, centrada nas exportações de seus produtos, com destaque para:

produtos semimanufaturados de cobre, de cuja exportação o Chile é grande dependente;