Programa de Formação de Profissionais de Nível Técnico para a Área da Saúde no Estado de São Paulo

Curso Técnico de Nível Médio em Enfermagem
Módulo de Habilitação

Guia Curricular – Área I
Promovendo a Saúde

Programa de Formação de Profissionais de Nível Técnico para a Área da Saúde no Estado de São Paulo

Curso Técnico de Nível Médio em Enfermagem
Módulo de Habilitação

Guia Curricular – Área I
Promovendo a Saúde

Governador do Estado
Secretário da Saúde Secretário Adjunto da Saúde Chefe de Gabinete da Saúde Coordenador da Coordenadoria de Recursos Humanos da Saúde Secretário da Gestão Pública Secretário de Desenvolvimento Diretora Superintendente do Centro Paula Souza Secretário da Educação

José Serra
Luiz Roberto Barradas Barata Nilson Ferraz Paschoa Reinaldo Noboru Sato Paulo Henrique D´Angelo Seixas Sidney Beraldo Geraldo Alckmin Laura Laganá Paulo Renato Costa Souza

Diretor Executivo
Diretora Técnica de Políticas Sociais Coordenador Equipe Técnica

Geraldo Biasoto Junior
Vera Lúcia Cabral Costa Sergio da Hora Rodrigues Andrea Terumi Okida Shimura Cecília Maria Castex Aly Heinemann Cibele Cristina Moreira Sancha Cintia Hiromi Mizuno Claudia Martinez Emilia Emi Kawamoto Guadalupe Maria Jungers Abid de Almeida Julia Ikeda Fortes Leda Zorayde de Oliveira Luci Emi Guibu Marcela Ribeiro Rodella Soares Mari Shirabayashi Paula Regina Di Francesco Picciafuoco Vânia de Carvalho Ferreira Valeria Morgana Penzin Goulart Julia Ikeda Fortes Solange de Carvalho Oliveira Vânia de Carvalho Ferreira Iorrani Bispo dos Santos Maria Cecília Manchon Arantes

Coordenação Técnica-Pedagógica

Colaboradores

Maio de 2009 .Programa de Formação de Profissionais de Nível Técnico para a Área da Saúde no Estado de São Paulo Curso Técnico de Nível Médio em Enfermagem Módulo de Habilitação Guia Curricular – Área I Promovendo a Saúde São Paulo.

). Oliveira. 1ª Edição – Ano 2009 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Centro de Documentação da FUNDAP.7307 331. São Paulo : FUNDAP. 428 – 05411-902 – São Paulo SP – Tel. Vânia de Carvalho (coord. Trabalhadores em saúde.761614 Fundação do Desenvolvimento Administrativo – FUNDAP Rua Cristiano Viana. Solange de Camargo (coord. I. desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial.76161073 331. (11) 3066-5500 . CDD – 610.É permitida a reprodução parcial ou total desta obra. 2009. Fortes. SP.). 2. Enfermagem – Estudo. IV. 3. 144p. Fundação do Desenvolvimento Administrativo – FUNDAP. II. (Programa de Formação de Profissionais de Nível Técnico para a Área da Saúde no Estado de São Paulo) ISBN 978-85-7285-111-4 1. Vânia de Carvalho Ferreira.). Julia Ikeda (coord. Ferreira. Reciclagem profissional – Saúde. III. Solange de Carvalho Oliveira. Brasil) Curso técnico de nível médio em enfermagem – módulo de habilitação: guia curricular – área I promovendo a saúde / coordenação técnica pedagógica Julia Ikeda Fortes.

848 de 19/12/2008. a cada dia mais envelhecida. Neste cenário de transformações destacam-se. o aumento da oferta de serviços e a necessidade de organização das Redes de Atenção à Saúde vêm demandando transformações no processo de trabalho a fim de assegurar. sobretudo na área de enfermagem. afastados das escolas de educação profissional. o Programa de Formação de Profissionais de Nível Técnico para a Área de Saúde no Estado de São Paulo. principalmente. buscando enfrentar o grande desafio de qualificar trabalhadores técnicos do setor. tendo em vista a mudança do perfil de saúde da população e os avanços tecnológicos agregados pelos serviços. epidemiológica e sanitária. o singular quadro sanitário do país. no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). necessidade sentida de forma mais aguda pelos pequenos municípios. Outra revela o grande número de trabalhadores que necessitam. que se soma a outras como a de higiene dental. o Governo do Estado de São Paulo criou através do Decreto Estadual nº 53. de aprimoramento na sua formação profissional.Apresentação A formação de recursos humanos para a saúde tem representado um desafio permanente para os governantes comprometidos com a melhoria da qualidade do cuidado. . com os seguintes objetivos: • ampliar a escolaridade da população por meio da formação de profissionais de nível técnico com habilitações para o ingresso no mercado de trabalho. respostas eficazes às necessidades de saúde. Uma refere-se à criação de número expressivo de novos postos de trabalho na área da saúde. Apesar do investimento em formação dos trabalhadores realizado pelo PROFAE. no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. análises clínicas. Programa de Profissionalização dos Trabalhadores de Enfermagem. vigilância ambiental. e • melhorar a qualidade dos serviços de saúde prestados à população. manutenção de equipamentos. que qualificou cerca de 323. Nesse quadro. com rapidez. que apresenta tanto doenças típicas dos países desenvolvidos como doenças decorrentes da pobreza. As mudanças no perfil da população brasileira. duas situações pertinentes ao mundo do trabalho que envolve a formação profissional. não se fez acompanhar de uma política permanente de formação desses trabalhadores.000 trabalhadores em nível federal. que representa cerca de metade dos postos de trabalho na área da saúde. farmácia. Essa situação é evidenciada. considerando os investimentos realizados e a capilaridade do modelo de atenção à saúde adotado no país. radiologia.

estruturado em três grandes áreas de conhecimento. com uma proposta pedagógica que privilegia a construção coletiva do conhecimento.Participando da gestão em saúde desenvolve conteúdos com vistas à eficiência e eficácia do processo de trabalho da enfermagem. A Área II . A Área I . constituindo-se como essencial apoio para o desenvolvimento das competências do técnico de enfermagem. nas diferentes unidades de produção de serviços de saúde e a inserção do técnico de enfermagem no papel de colaborador. Escolas Técnicas do SUS e escolas privadas credenciadas. bem como a atuação do profissional de enfermagem na promoção da saúde e prevenção de agravos. articulando saberes. constitui a primeira etapa do programa a ser desenvolvido em cooperação com a rede de escolas do Centro Paula Souza. tem como recurso livros didáticos especialmente elaborados para atender ao aluno-trabalhador do setor saúde na sua trajetória formativa. os fatores envolvidos no processo de saúde e adoecimento. Trata-se de instrumento essencial para o aluno e professor que buscam uma formação profissional transformadora e significativa. destinado aos que já possuem qualificação de auxiliar de enfermagem. na sua área de atuação. capaz de provocar mudanças no seu processo de trabalho. o Curso Técnico de Nível Médio em Enfermagem – Módulo de Habilitação. práticas e atitudes a partir da experiência do aluno e do contexto em que trabalha e vive.Cuidando do cliente em estado crítico traz conteúdos que visam o desenvolvimento de competências para o atendimento de clientes em situações de urgência e emergência e assistência de enfermagem àqueles em estado crítico. Geraldo Biasoto Junior 6 . agregando. competências de gestão.Promovendo a saúde constitui o primeiro livro do curso e aborda questões fundamentais para o entendimento do sistema de saúde vigente no nosso país. o TECSAUDE elege a enfermagem para iniciar o desenvolvimento dos cursos por constituir o maior contingente de pessoal na área da saúde e com sua qualificação representar impacto significativo na melhoria da qualidade de assistência prestada à população. Dessa forma. A Área III . O curso. O presente conjunto didático tem o propósito de contribuir para a formação dos profissionais de enfermagem.Considerando as inúmeras áreas que ainda necessitam de qualificação e aprimoramento profissional.

Habilidades • Identificar os processos de organização dos serviços de saúde locorregionais e as ações de saúde coletiva desenvolvidas no município. grupos e comunidades.Currículo ÁrEa I PROMOVENDO A SAÚDE ÁrEa II CUIDANDO DO CLIENTE EM ESTADO CRÍTICO Teóricoprático 340 560 Estágio Supervisionado 220 ÁrEa III PARTICIPANDO DA GESTÃO EM SAÚDE Teóricoprático 100 140 Estágio Supervisionado 40 Teóricoprático 160 Estágio Supervisionado 40 200 Curso Técnico de Nível Médio em Enfermagem ÁrEa I – Promovendo a Saúde Competência • Desenvolver em equipe ações de promoção da saúde e de prevenção de agravos a indivíduos em diferentes faixas etárias. . a famílias. • Estabelecer vínculo e comunicação eficientes com a população. considerando a comunidade como um dos atores na efetivação das ações de Vigilância em Saúde.

• Utilizar e operar equipamentos de trabalho. • Identificar os riscos ambientais que afetam a saúde da população e do trabalhador. adotando princípios bioéticos. do planejamento. execução e avaliação de programas de imunização. identificando fontes de dados para investigação. com a equipe. dentro dos princípios de segurança. organização e avaliação das ações para a promoção da saúde e da cidadania. com a equipe multiprofissional. com a equipe. • Participar da elaboração de propostas e do desenvolvimento de ações educativas em saúde. com a equipe multiprofissional.• Participar. • Participar na promoção/manutenção do ambiente terapêutico e na recuperação do cliente quanto à sua integridade mental. 8 . • Participar de pesquisa em saúde/enfermagem. • Estabelecer contato interpessoal terapêutico com o cliente e seus familiares. • Participar. do planejamento. aplicar princípios ergonômicos e técnicas adequadas de prevenção de acidentes e descarte de resíduos. • Participar de atividades terapêuticas observando e registrando o estado do cliente. emocional e no equilíbrio com o meio em que vive. • Identificar as ações previstas para cada fase da organização do sistema de informação em saúde e participar da coleta e processamento de informações para a saúde. • Estabelecer relação entre a saúde mental e a qualidade de vida. prevenção e controle. da instalação dessas ações. assim como as medidas de vigilância. • Participar. • Identificar a inserção da saúde mental nos processos de organização dos serviços de saúde. utilizando recursos da comunidade nas ações de saúde coletiva.

• Saúde mental: evolução histórica. princípios orientadores. com transtornos de personalidade. comunicação terapêutica. de humor/afeto. • Educação em Saúde. alimentares decorrentes do uso de substâncias psicoativas. • Política Nacional de Humanização (PNH). • Vigilância em Saúde: vigilância epidemiológica. • Sistema de Informação em Saúde. vigilância sanitária. • Política Nacional de Saúde e Modelos de Atenção à Saúde: bases legais. ambiente terapêutico. • Estratégia de saúde da família (ESF). financiamento e controle social. • Ações de enfermagem ao cliente e à família. • Pesquisa científica e sua aplicabilidade em saúde/enfermagem.Base Tecnológica • Processo saúde-doença. organizacionais. vigilância em saúde ambiental e vigilância em saúde do trabalhador. • Reabilitação psicossocial e inclusão. . integralidade do cuidado. • Princípios bioéticos. • As responsabilidades das esferas de governo na Atenção Básica de Saúde. de pensamento. de ansiedade. reforma psiquiátrica no Brasil e rede de atenção. • Técnicas e procedimentos de enfermagem nas ações de promoção da saúde e prevenção de agravos. • Educação Permanente em Saúde: estratégia para o desenvolvimento de ações educativas em saúde. • Ações da Enfermagem em Saúde Mental: papel da enfermagem.

SIMBOLOGIa UTILIZaDa Informação complementar Questão Exercício. reflexão 10 . atividade Pesquisa Esclarecimento Análise.

..................................... TEXTO 6 – Política Nacional de Humanização ........................................... TEXTO 10 – Educação Permanente em Saúde ....................................................................................... UNIDaDE II – POLÍTICa NaCIONaL DE SaÚDE TEXTO 2 – Reforma Sanitária no Brasil . 100 TEXTO 13 – Rede de atenção aos portadores de transtornos mentais ....... 79 84 70 62 25 33 40 44 54 17 O SUS no Estado de São Paulo UNIDaDE I – O SUS NO ESTaDO DE SÃO PaULO TEXTO 11 – O SUS no Estado de São Paulo ............................................... UNIDaDE III – SISTEMa DE INFOrMaÇÃO EM SaÚDE TEXTO 7 – Sistema de Informação em Saúde .................................... UNIDaDE V – EDUCaÇÃO EM SaÚDE TEXTO 9 – Educação e saúde na prática do técnico de enfermagem ..................................................................................Sumário Promoção da Saúde UNIDaDE I – PrOCESSO SaÚDE – DOENÇa TEXTO 1 – O processo saúde-doença ... TEXTO 4 – Território . 92 atenção à Saúde Mental No SUS UNIDaDE I – SaÚDE MENTaL NO SUS TEXTO 12 – O contexto histórico da loucura e da Reforma Psiquiátrica .................................................. 109 ............................ TEXTO 5 – Vigilância em Saúde ....................................... UNIDaDE IV – PESQUISa EM SaÚDE TEXTO 8 – Pesquisa Científica ............................... TEXTO 3 – Estratégia de Saúde da Família ................

....................................... comunicação e relação terapêutica ........UNIDaDE II – aBOrDaGEM TEraPÊUTICa EM SaÚDE MENTaL TEXTO 14 – Ambiente..................................... 114 UNIDaDE III – rECONHECENDO aLTEraÇÕES MENTaIS TEXTO 15 – O cuidado em saúde mental: reconhecendo as alterações ............ 126 12 .. 120 UNIDaDE IV – TraNSTOrNOS MENTaIS: IDENTIFICaÇÃO E aÇÕES DE ENFErMaGEM TEXTO 16 – Ações de enfermagem em saúde mental .

Promoção da Saúde .

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renda e consumo 2. suas causas e determinantes.1.Construir o conceito de saúde com base nos modos de viver da população. Conteúdos 1. UNIDaDE I Objetivos Específicos I.Sistematização do conceito de saúde enquanto produção social.Leitura e discussão do texto: O processo saúde-doença. Qualidade de Vida e Saúde: Processo saúde-doença do trabalhador UNIDADE I – PROCESSO SAÚDE – DOENçA 15 . 3.Análise do processo saúde-doença considerando: trabalho. avaliação: processual dos conteúdos relevantes Integração Curricular: ÁrEa I ÁrEa II ÁrEa III A Atenção à Saude Mental no SUS: Processo saúde-doença mental Cuidando do Paciente em Estado Crítico: Processo saúde-doença em situações clínicas e cirúrgicas críticas Trabalho. renda e consumo e a análise dos modos de viver da população.Modos de viver da população: • meio ambiente • saneamento • moradia • transporte • alimentação • lazer • saúde • educação • posse da terra Método 1.Processo Saúde-Doença Objetivo Refletir sobre o processo de saúde e adoecimento. direito de cidadania e princípio ético.Debate sobre o processo saúde-doença considerando as possibilidades de acesso ao trabalho. 2.

Perfil epidemiológico: • eterminantes políticos. políticos e econômicos. ambientais e culturais relacionados às doenças e agravos. 2.Levantamento das doenças e agravos mais comuns em seu município/estado por meio de trabalho em grupos.Debate sobre a relação entre as condições de vida e trabalho da população de seu município /estado e as mudanças no perfil epidemiológico. culturais • udança do perfil demográfico M Método 1.Objetivos Específicos I. ambientais. 4.Analisar o perfil epidemiológico de seu município/estado. avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade I Integração Curricular: ÁrEa I O SUS no Estado de São Paulo: Perfil epidemiológico do município/estado Sugestão de ações para estágio supervisionado: Pesquisa de dados epidemiológicos e demográficos de seu município/estado Entrevista com moradores da comunidade em sua área de atuação para identificar a percepção da população sobre condições de vida e de saúde.Análise dos determinantes sociais. 3. 16 16 PROMOçãO DA SAÚDE .Discussão sobre as possíveis causas relacionadas à determinação dessas doenças/agravos e identificação dos grupos da população mais expostos. Conteúdos 2. socioecoD nômicos. 2.

o conceito de saúde para além da simples ausência de doenças. bem como. no estado de saúde das pessoas e no perfil epidemiológico. A limitação ou o avanço do conhecimento. Essas mudanças não acontecem por acaso. então. A partir da década de 1970. dos ambientes natural. na Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde. realizada em Alma-Ata. assim. a forma do homem se relacionar com o meio em que vive. em determinado espaço físico e tempo. consequentemente. Observamos que. Passou-se a apontar as constantes mudanças na relação do homem com o meio ambiente por causa da exploração ambiental. as formas de atendimento das necessidades de saúde mudam. do crescimento demográfico. considerando. Condicionante social de saúde: resultante de circunstâncias ou de decisão prévia. (Aurélio. Determinantes sociais não são uma rede de causalidade e sim um complexo de fenômenos sociais interligados que produzem riscos diferenciados à saúde de comunidades e indivíduos. resultados de um processo complexo e dinâmico que se produz no interior da sociedade.compreende o campo de ação social do Estado orientado para a melhoria das condições de saúde do indivíduo e da coletividade. 1996).TExTO 1 O Processo Saúde-Doença Saúde e doença são processos íntimos e limítrofes. Determinantes Sociais de Saúde (DSS) são as características sociais dentro das quais a vida transcorre (Tarlov. que visam atender às pessoas em seus estados de saúde e de doença. os movimentos políticos mundiais orientam-se para uma política de saúde para todos. Limítrofe . 1986). saúde e doença como um processo determinado pelas condições socioeconômicas e políticas nas quais as pessoas vivem e trabalham. as culturas dos povos. Os problemas de saúde são. Saúde para todos no ano 2000 foi a meta proposta em 1978. patrocinada pela Organização Mundial de Saúde e Unicef. das relações com o mundo do trabalho e do avanço da tecnologia como interferências diretas no modo de viver da população e. por meio do acesso à renda que possibilita o consumo de bens e serviços e do exercício da cidadania. ampliando. UNIDADE I – PROCESSO SAÚDE – DOENçA 17 . A forma com que o homem evolui e sua interação com o meio em que vive. de forma a atender de fato às necessidades da população. são os principais fatores que definem os caminhos para o desenvolvimento de políticas públicas de saúde. social e do trabalho. URSS. sua visão sobre o processo de ter saúde e de adoecer. de forma individual ou coletiva. que se manifestam continuamente durante a vida das pessoas. ao longo de nossa história de vida e da vida de nossos antepassados.que serve de limite comum. Políticas públicas de saúde . definem os determinantes do processo saúde-doença de uma geração ou um momento histórico.

os níveis de saúde da população expressam a organização social e econômica do país. É preciso compreender o que determina o processo de saúde e de doença para que as atividades/ações propostas pelas políticas de saúde/serviços de saúde venham a atender as necessidades das pessoas. de condições de vida e de trabalho dos indivíduos. Desenvolver o processo de trabalho em saúde é hoje um dos grandes desafios para os profissionais da área. da família e da sociedade. ao lazer. criativo. a moradia. Carta de Ottawa . nos espaços de saúde coletiva. o trabalho. solidário. viciada na atuação curativa. É preciso incorporar novos olhares para fora e para dentro das Unidades de Saúde. à alimentação. construído pelos gestores. Quais são as principais doenças que acometem os trabalhadores da área de saúde? Promoção da Saúde é definida como o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da qualidade de vida e saúde.Como é o lugar onde você mora? Em que é necessário intervir para melhorar a situação de saúde local? A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes. entre outras. com resultados voltados para a melhoria da qualidade de vida. compreendendo os fatores genéticos. imunológicos e psicológicos. Desenvolver ações de promoção da saúde e prevenção de agravos. o meio ambiente. destacando-se a relação com a sociedade e com o trabalho. Lei nº 8. de vivências. 18 18 PROMOçãO DA SAÚDE . cujas ações estão voltadas somente para a solução de queixas específicas e pontuais. à poluição ambiental. a acidentes de trânsito. 1986. atrelando a esses olhares a noção de saúde como processo de movimento instável. o transporte. É nessa lógica que percebemos mudanças consideráveis no perfil epidemiológico. ao êxodo rural desgovernado. o meio ambiente. o acesso a bens e serviços essenciais. pelo conjunto de trabalhadores das equipes Pesquise o conceito de determinante e condicionante. rompendo com a prática dos serviços. Essa nova forma de atuação pressupõe um trabalho consciente. à assistência à saúde. a educação. à educação. a saúde. quando passamos a conviver com uma alteração no quadro de doenças da população. aos meios de transporte. tanto nas atividades individuais como nas coletivas. o saneamento básico. incluindo uma maior participação no controle deste processo. ao saneamento. exige da equipe de enfermagem um agir profissional dentro desse contexto. e as características particulares de cada pessoa.080/90. a alimentação. à violência urbana. considerando o estilo de vida resultante de acesso à moradia. de ordem biológica. com a inclusão de moléstias relacionadas ao trabalho. Canadá. entre outros. o lazer. São determinantes do processo saúde-doença os modos de viver da população.

habitação. ambiente. habitação. que tem como objetivo a promoção da qualidade de vida e a redução da vulnerabilidade e dos riscos à saúde relacionados aos seus determinantes e condicionantes – modos de viver. passo decisório para a formulação de conceitos e mudanças no estilo de vida. Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. ______. Integração da saúde com as demais áreas de gestão pública parte do pressuposto de que a saúde é produção resultante de múltiplas políticas sociais. promovendo. e dá outras providências. atenção primária e promoção da saúde. famílias ou grupos sociais são formas de ampliar a possibilidade da atenção à saúde. a integração da saúde com as demais áreas de gestão pública. trabalho e emprego. Dispõe sobre as condições para a promoção. cujas ações devam contemplar o atendimento ampliado de saúde. ainda. abrangendo setores como educação. Por meio da Portaria nº 687/GM de 30 de março de 2006. propiciando à população espaços para troca de conhecimento sobre o processo saúde-doença.de saúde e pelos usuários do serviço. educação. Ministério da Saúde. cultura. Ministério da Saúde. v. Brasília: Ministério da Saúde. p 47.080. o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Promoção da Saúde. Brasília: Conass. Para entender a gestão do SUS. o serviço e o funcionamento dos serviços correspondentes. Bibliografia BRASIL. 8. de 19 de setembro de 1990. ou meios para atender às demandas oriundas das necessidades das pessoas. Conhecer os determinantes de saúde da população do município/bairro/território de atuação dos profissionais da saúde e buscar dentro das políticas públicas de saúde estratégias. ______. UNIDADE I – PROCESSO SAÚDE – DOENçA 19 . Lei nº 8. CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE. condições de trabalho. de 20 de setembro de 1990. 8. Manual de Enfermagem. dentre outros. 2007. 2003. Profissionalização de Auxiliares de Enfermagem: cadernos do aluno: Saúde Coletiva. proteção e recuperação da saúde. Programa Saúde da Família. Coleção Progestores. acesso a bens e serviços essenciais. lazer. Diário Oficial da União. Atenção Primária e Promoção da Saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz. para a consolidação das propostas e apropriação do direito à saúde e à cidadania. 2007. Conass. 2001. v.

ROUQUAYROL.1. 1999.FUNDAçãO OSwALDO CRUZ. Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde . mód. 2003. I. ed.Proformar Un. M. . 5. Z. Epidemiologia e Saúde. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. Rio de Janeiro: Fiocruz. Rio de Janeiro: Médica e Científica.

UNIDaDE II Objetivos Específicos II. tomando por base: Constituição Federal.1.Construção de uma linha do tempo identificando os marcos da Política Nacional de Saúde.Discussão e sistematização sobre os princípios do SUS.Política Nacional de Saúde Objetivo Reconhecer os princípios norteadores e organizacionais da Política Nacional de Saúde.Sistema Único de Saúde • Princípios finalísticos e diretrizes estratégicas Método 1.Pesquisa em grupos sobre a Reforma Sanitária Brasileira e a criação do Sistema Único de Saúde. 4. 3.Brasileira • História • Base Legal 2. avaliação: processual dos conteúdos relevantes Integração Curricular: ÁrEa I ÁrEa I ÁrEa III Política Nacional de Humanização A Saúde Mental no SUS Unidade Trabalho e Saúde: Política de Saúde do Trabalhador UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 21 . Relatórios das Conferências Nacionais de Saúde.Política Nacional de Saúde 3. Pacto pela Saúde.Conhecer a história das Políticas Públicas de Saúde. Conteúdos 1. Normas Operacionais Básicas.A Reforma Sanitária.Leitura e discussão do texto: Reforma Sanitária no Brasil. 2. Lei Orgânica de Saúde.

3. Elaboração de mapa do território em sua área de atuação.Estratégia de Saúde da Família • Princípios: integralidade. biossegurança quanto à prevenção de acidentes e descarte de resíduos). dinamização e avaliação das ações para a promoção da saúde e da cidadania. avaliação: processual dos conteúdos relevantes Integração Curricular: ÁrEa III Trabalho e Saúde Curso de auxiliar de Enfermagem: Enfermagem em Saúde Coletiva: Imunização Curso de auxiliar de Enfermagem: Introduçao à Enfermagem: Técnica de administração de medicamentos Sugestão de ações para estágio supervisionado: Participação com a equipe de saúde de ações de planejamento. integração com a rede de serviços de saúde do município.Organização e participação em seminário sobre integralidade da atenção à saúde no SUS.Objetivos Específicos II. com destaque para a imunização (calendário vacinal.Pesquisa em grupos sobre a instalação da ESF em seu município/Estado. 4. Estabelecimento de comunicação e vínculo eficientes com a população em sua área de atuação. responsabilidade clínica e territorial. população adscrita. com destaque para as possibilidades de atuação do técnico de enfermagem.Programas do Ministério da Saúde em interface com a ESF • Programa Nacional de Imunização (PNI) Método 1. Elaboração de cadastramento das famílias em sua área de atuação.Leitura e discussão dos textos: Estratégia de Saúde da Família e Território.Reconhecer a Estratégia de Saúde da Família como eixo fundamental para o modelo de promoção da saúde. com destaque para Programa Nacional de Imunização (PNI). corresponsabilidade da população • Estabelecimento de vínculo com a comunidade • Território e população adscrita.2. 2. desenvolvendo atividades de competência do Técnico de Enfermagem.Pesquisa em grupos sobre os princípios que norteiam a Estratégia de Saúde da Família e sua importância enquanto política pública. rede de frios. mapeamento do território e cadastramento das famílias • Composição da equipe do PSF • Processo de trabalho no PSF • Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) • Inserção da ESF na rede de serviços do município (referência e contrarreferência) 2.Apresentação dos trabalhos e sistematização sobre as ações do técnico de enfermagem previstas nos programas de saúde ministeriais. 22 PROMOçãO DA SAÚDE . Programa de Saúde da Mulher e da Criança. Destaque para as técnicas de elaboração e interpretação de mapas do território e para o cadastramento das famílias. Conteúdos 1. 7. 8. com identificação de situações que oferecem riscos à saúde.Apresentação dos trabalhos e debates sobre os aspectos conceituais e práticos da ESF. 6. técnicas de administração de medicamentos. fichas utilizadas para alimentação do SIAB. composição da equipe e seu processo de trabalho. Participação com a equipe de Saúde da Família das ações de atenção básica em sua área de atuação. Programa do Idoso.Observação das equipes de SF sobre as ações desenvolvidas nas comunidades com vistas à identificação de: território. 5.Pesquisa sobre as ações previstas nos programas de saúde ministeriais que são incorporadas nas ações da ESF.

Leitura e discussão do texto: Vigilância em Saúde. Conteúdos 1.Vigilância em Saúde • Vigilância epidemiológica das doenças transmissíveis Vigilância epidemiológica • das doenças crônicas nãotransmissíveis • Vigilância em Saúde Ambiental • Vigilância em saúde do trabalhador • Vigilância sanitária 3. ambiental e sanitária em sua área de atuação.Apresentação dos trabalhos com classificação dos riscos ambientais. 3. desenvolvendo atividades de competência do técnico de enfermagem.Vigilância em Saúde • Conceito • Histórico 2. 5.Trabalho em grupos para elaboração de propostas de intervenção com vistas a minimizar e/ou controlar situações de risco à saúde. epidemiológicos e sanitários e sistematização do conceito de risco. 6.Riscos à saúde • Condições de saneamento básico e abastecimento de água • Presença de focos de vetores e roedores • Contaminação atmosférica e/ou de recursos hídricos • Atividades sanitárias ilegais • Presença de áreas de conflitos sociais e violência etc Método 1.Apresentação dos trabalhos e debate sobre a importância da vigilância enquanto monitoramento contínuo da incidência de doenças e agravos por meio de coleta sistemática de dados de morbidade e mortalidade.Objetivos Específicos II. avaliação: processual dos conteúdos relevantes Sugestão de ações para estágio supervisionado: Participação junto à equipe de vigilância das ações de vigilância epidemiológica.Pesquisa e debate sobre a atuação da enfermagem nas ações de vigilância em seu município. 4. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 23 .Pesquisa no sistema de saúde do município sobre as ações desenvolvidas pelos serviços de vigilância e sobre a organização dos sistemas municipal e estadual de vigilância.Reconhecer a Vigilância como estratégia para a promoção da saúde e prevenção/controle de doenças e agravos. Levantamento das situações que oferecem riscos à saúde da população e do trabalhador em sua área de atuação. 2.3.

Pesquisa sobre a Política Nacional de Humanização. 2.Levantamento das ações previstas em seu município/estado para a execução da Política de Humanização.Debate sobre o entendimento do conceito de humanização e suas possíveis aplicações nas relações sociais e nas práticas de saúde.Leitura e discussão do texto: Política Nacional de Humanização. avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade II Integração Curricular: ÁrEa III Trabalho e Saúde ÁrEa III Gestão de Pessoas: Ética e bioética Curso de auxiliar de Enfermagem: Enfermagem: Clínica/Cirúrgica/Materno-Infantil Sugestão de ações para estágio supervisionado: Levantamento das ações de humanização adotadas em seu município\estado 24 PROMOçãO DA SAÚDE .Reconhecer a Política Nacional de Humanização enquanto eixo articulador das práticas de saúde no SUS. 4.Objetivos • Efetivação dos princípios do SUS • Superação de desafios importantes como o acolhimento.Princípios da PNH • Indissociabilidade entre a atenção e a gestão dos processos de produção de saúde • Transversalidade • Autonomia e Protagonismo dos Sujeitos • Valorização da dimensão subjetiva. 6.1. Conteúdos 1.Objetivos Específicos II.4. coletiva e social • Fortalecimento do controle social • Compromisso com a democratização da relação de trabalho e valorização dos trabalhadores de saúde • Valorização da ambiência Método 1. 3.Política Nacional de Humanização 1.Apresentação dos trabalhos.Apresentação dos trabalhos e debate sobre as possibilidades de articulação desta estratégia com as demais políticas e programas do SUS. seus objetivos e princípios. 5. a valorização do trabalho em saúde e a integração das ações no processo de atenção • Perspectiva de rede (integralidade dos níveis de atenção/modelos de atenção e da gestão) 1.2.

induzido pelo processo da industrialização brasileira1. político e social que o país viveu anteriormente. Assim. estendendo a cobertura da atenção à saúde e à seguridade social apenas aos trabalhadores inseridos no mercado de trabalho e aos seus familiares. depois Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (Inamps). Modelo de Atenção à Saúde: forma de organização tecnológica do processo de trabalho em saúde. convém realizarmos uma breve retrospectiva histórica para conhecermos os determinantes históricos que impulsionaram o processo de construção do Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda que sua instituição formal tenha se dado na Constituição Federal de 1988. quais são os problemas que você enfrenta quando busca atendimento de saúde? Elabore uma lista apontando os problemas e as possíveis soluções para o seu enfrentamento. a partir da crise do modelo médico assistencial privatista que se tornou hegemônico na segunda metade do século 20.TExTO 2 reforma Sanitária no Brasil Para entender melhor a política de saúde do país. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 25 . inicialmente os Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs). O quadro ao final deste texto apresenta as características do modelo médico-assistencial privatista. do modelo sanitarista que o sucedeu e ainda o modelo de vigilância proposto para atender à política de promoção da saúde. suas origens remontam há muito mais tempo. o Sistema Único de Saúde vem mostrando resultados inquestionáveis para a população brasileira. Esse modelo foi marcado pelo Como usuário do SUS. superioridade ou domínio de alguém sobre algo. Sistema Único de Saúde. Brasília : Conass. Unidade I Módulo I. após duas décadas de existência. O SUS vem sendo instalado como um processo social em permanente construção. o sistema de saúde é produto de todo o contexto econômico. (Proformar. 2007. embora persistam ainda muitos problemas que desafiam o cotidiano dos gestores e profissionais de saúde. v.1. O modelo médico-assistencial privatista desenvolveu-se como componente do sistema previdenciário. não sendo possível dissociá-los. Da mesma maneira que somos fruto do nosso passado e da nossa história. Coleção Progestores. 2003). Para entender a gestão do SUS. 1 Conselho Nacional de Secretários Saúde. Hegemonia: Supremacia.

em detrimento de medidas de saúde pública. pela criação de um complexo médico-industrial. com a criação do Programa de Interiorização das Ações de Saúde e Saneamento (Piass) a partir dos primeiros projetos-piloto de medicina comunitária. inclusive o Brasil. 2003). nos anos 1970. À medida que os anos foram passando. começavam a se desenvolver as primeiras experiências de municipalização da saúde. Paralelamente. queda acentuada da qualidade de vida e de trabalho da população. realizado no ano de 1979 em Brasília. crescem movimentos sociais pela redemocratização do país e políticas alternativas para o setor saúde. respectivamente. As mudanças que ocorreram a partir dos meados de 1970. aumento da desigualdade social. o Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes) apresentou o projeto denominado Sistema Único de Saúde. que trouxe a proposta de adoção dos cuidados básicos de saúde. especializada e individualizada. determinaram o esgotamento desse modelo de atenção à saúde. caracterizados por profunda crise econômica e política. correlacionando-as. o Brasil passa a viver sob nova ordem. integração das ações preventivas e curativas e participação da população. e pela prestação de serviços de saúde predominantemente pelo setor privado. agravando o quadro de saúde no país.Faça uma pesquisa a respeito das sucessivas mudanças do setor previdenciário ocorridas no século passado até a criação do SUS. São nesses espaços de construção da medicina comunitária que surge o movimento sanitário. com universalização do direito à saúde. 26 PROMOçãO DA SAÚDE . com o golpe militar. os movimentos pela redemocratização tomaram força. destacouse pela concentração de renda. fortemente influenciado pela Confe- Por que redemocratização do país? Lembremos um pouco da nossa história: Em 1964. Os primeiros sinais de mudança surgiram em 1979. O fim desse regime foi fundamental para a consolidação da Reforma Sanitária. com a inserção dos grandes monopólios internacionais do setor farmacêutico e de equipamentos hospitalares. liderado por setores mais progressistas da área da saúde. criou os programas de Extensão da Cobertura da Atenção Primária (APS) entendida como nível básico de atenção. com as políticas de saúde. privilegiamento da prática médica curativa. No 1º Simpósio Nacional de Política de Saúde. que. em contraposição ao modelo excludente ao qual tinha acesso apenas a população economicamente ativa. constituindo-se na base políticoideológica da reforma sanitária brasileira. culminando com o fim do regime militar em 1984. O movimento sanitário caracterizouse pela forte oposição à ditadura militar e engajamento em favor dos direitos coletivos. Medicina Comunitária: Movimento de reforma da organização dos serviços de saúde surgido nos Estados Unidos na década de 1960. realizados por instituições acadêmicas e Secretarias de Saúde. colocando como proposta um sistema público. (Proformar. À luz desses princípios orientadores surgem projetos como a Prev-Saúde. sobretudo a partir da década de 1970. em 1980. Seus conceitos foram progressivamente incorporados aos processos de formulação de políticas em vários países. Unidade I Módulo I. introduzindo-se um conjunto de idéias transformadoras para o setor saúde que ficou conhecido como Reforma Sanitária. de caráter preventivo e coletivo. O modelo de desenvolvimento vigente. marcado pela repressão dos direitos civis e centralização do poder político e econômico. descentralizado. Paralelamente.

e reconhece-se a sua determinação interssetorial. o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais. Sistema Único de Saúde A saúde na Constituição Federal Brasileira de 1988 está colocada no Título VIII da Ordem Social.080 expressa o conceito ampliado de saúde: A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes. a moradia. iniciando-se o processo de construção do SUS nessas esferas de governo. A Constituição Federal de 1988. Municipalização das ações e serviços de saúde: Forma de descentralização político-administrativa do sistema de saúde adotada nos anos 1990. a constituição de instâncias colegiadas gestoras das ações de saúde. realizada em Alma-Ata (localizada no atual Cazaquistão).080.142. sob a responsabilidade política dos governos. em 1987. o saneamento básico. de 28 de dezembro de 1990. de acordo com determinados estágios equivalentes ao grau de responsabilidade assumido pelo município com relação ao sistema de serviços de saúde. Art. da descentralização e da participação social. a descentralização.3º da Lei nº 8. em 1978. com destaque para a universalização da assistência. Prevê a transferência de poder e de recursos aos municípios. a reformulação do Sistema Nacional de Saúde e financiamento setorial. a municipalização e integração das ações curativas–preventivas e educativas. os Estados e os municípios elaboraram as Constituições Estaduais e as Leis Orgânicas Municipais. Essa doutrina influiu na criação do Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde (Suds). Por sua vez. a educação. reafirmou-se ser a saúde um dos direitos fundamentais do homem. proteção e recuperação da saúde.142. que regulamenta a participação da comunidade no SUS. o transporte. a renda. as Ações Integradas de Saúde (AIS) em 1983. de 19 de setembro de 1990 e 8. tendo como temas centrais a saúde como direito. 2003). organizado segundo os princípios da universalidade. a integralidade das ações. Nesse evento foram lançadas as bases doutrinárias de um novo sistema público de saúde. projeto interministerial (Previdência – Saúde – Educação) preconizando a participação popular. que foi regulamentado dois anos depois pelas Leis nº 8. incorporando parcialmente as propostas concebidas pelo movimento da reforma sanitária brasileira. (Proformar. bem como contra a inacessibilidade dos serviços médicos às grandes massas populacionais. que dispõe acerca das condições para a promoção. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 27 .rência de Alma-Ata. Um fato muito importante que marcou a história da saúde no Brasil foi a 8ª Conferência Nacional de Saúde (8ª CNS). foi o ponto culminante na discussão contra a elitização da prática médica. precedendo-se à criação do SUS. Na Conferência. Sua regulamentação se dá por meio da Lei nº 8. os níveis de saúde da população expressam a organização socioeconômica do País. a alimentação. o trabalho. realizada em 1986. compreendendo os artigos de número 196 a 200. criou o SUS.080. e da Lei nº 8. o meio ambiente. da integralidade das ações. A Conferência Internacional sobre a Atenção Primaria à Saúde. tendo como referência um conceito ampliado de saúde. Capítulo II da Seguridade Social e seção II da Saúde. a saúde como direito de todos e dever do Estado e a criação de um sistema único. entre outros. Unidade I Módulo I.

tornando-se o principal responsável pelas ações e serviços de saúde. geográficos. Ressalta-se que a implantação do SUS foi se dando de forma progressiva. O que você sabe sobre a atuação do Conselho de Saúde em seu município? Procure informações sobre local e agenda de reuniões e as possibilidades de sua participação enquanto trabalhador de saúde e cidadão.Já no início da instalação do SUS foi possível constatar as mudanças. assumindo a regionalização da assistência por meio de Planos Diretores de Regionalização (PDR) e de Investimentos. que não estavam afiliadas ao Sistema de Assistência Médica e Previdenciária por estarem à margem do mercado de trabalho formal. NOAS-SUS nº 01/2001. A organização regionalizada da assistência pressupõe a divisão do território estadual em regiões/microrregiões de saúde. O acesso a esse sistema. coordenados pelos gestores estaduais. CIB: Comissão integrada por representantes dos gestores municipais (Colegiado de Secretários Municipais de Saúde – COSEMS) e estadual (Secretaria Estadual de Saúde). Seguiu-se a Norma Operacional da Assistência à Saúde. Você poderá ter acesso à Normas Operacionais Básicas consultando a pasta de legislação do SUS em www. um sistema decisório compartilhado pelas diferentes instâncias federativas.saude. a NOB/SUS-96 consolidou a política de municipalização. estaduais (Conselho Nacional de Secretários de Saúde – CONASS) e federal (Ministério da Saúde). dessa forma. com a participação dos municípios. de oferta de serviços e de acessibilidade. definidas segundo critérios sanitários. às demais pessoas da população.gov. CIT: Comissão integrada por representantes dos gestores municipais (Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde – CONASEMS). a assistência era prestada em unidades ambulatoriais com poucos recursos e em hospitais filantrópicos como indigentes. 28 PROMOçãO DA SAÚDE .br. epidemiológicos. além de definir as formas de gestão e de repasse de recursos para os municípios. Em 1996. ou seja. só era oportunizado aos que tinham carteirinha do Inamps. põe fim à maneira iníqua como eram tratadas as pessoas economicamente excluídas. como popularmente se dizia. estabelecendo o pleno exercício do poder municipal na função de gestor da atenção à saúde. com o cuidado de não provocar rupturas bruscas que levassem a desestruturar as condições e práticas existentes. O processo de descentralização nos anos 90 foi direcionado pela edição das Normas Operacionais Básicas (NOBs) do SUS. sociais. Em 1993. A afirmação saúde é direito de todos e dever do Estado expressa no art. a NOB/SUS-93 institucionalizou as Comissões Intergestores Tripartite (CIT) e Bipartite (CIB) criando. 196 da Constituição.

O acesso igualitário baseia-se na equidade. Ministério da Saúde. renda. Brasília : CONASS. o direito de preservarem sua medicina tradicional e sua cultura. mas um acordo interfederativo – que articula o Pacto pela Vida. idade. SUS: avanços e desafios. Princípios do SUS A saúde é um direito fundamental de todo ser humano e compete ao poder público garantir este direito. tem o desenvolvimento e inclusão social entre suas linhas de ação e estabelece o apoio aos projetos de saúde da população negra. Embora tenhamos uma legislação afirmando que o acesso às ações e aos serviços de saúde é direito de todos. Há problemas de carência de recursos. 2002. o Pacto em Defesa do SUS e o Pacto de Gestão. A Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial articula-se com vários ministérios. estende a discussão da saúde para fora dos limites setoriais e aprofunda a descentralização do SUS para Estados e municípios de forma compartilhada2. inclusive. tratamentos dialíticos. ou seja. seja de raça. Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas. dentre outros. Coleção Progestores. que visem à redução dos riscos de adoecer e possibilitando o acesso universal (princípio da universalidade) e igualitário (princípio da equidade) às ações e serviços de promoção. 2007. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 29 . que em linhas gerais significa trabalhar as questões de saúde para a redução das desigualdades sociais e regionais. A Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas assegura aos povos indígenas o acesso à atenção integral à saúde. cirurgias cardíacas. deu-se o Pacto pela Saúde – um movimento de mudança que não é uma norma operacional. com o reconhecimento de necessidades diferentes entre sujeitos também diferentes. proteção e recuperação da saúde.1 ed. reconhecendo. religião ou outras características sociais ou pessoais. para atingir direitos iguais. Conselho Nacional de Secretários Saúde. cor. A universalidade traz o entendimento de que compete ao SUS atender toda a população sem qualquer espécie de discriminação. Sistema Único de Saúde. é entendida como o direito do cidadão ao atendimento preventivo e Políticas públicas têm sido implementadas para a promoção da inclusão e igualdade étnica-racial. mas também se deve às demandas universais da população mais carente e às demandas setorizadas dos serviços que envolvem maiores custos como transplantes. 2 Fonte: BRASIL. a cada um de acordo com sua necessidade.Em 2006. na prática observamos que existem demandas que não são respondidas pelo sistema. sexo. A integralidade da assistência. mediante políticas econômicas e sociais. O Pacto pela Saúde introduz um sentido de gestão pública por resultados e de responsabilização sanitária. princípio de justiça social.

Importante ferramenta desse princípio são os Conselhos de Saúde.curativo. ao de maior complexidade – atenção secundária . um grupo social ou uma comunidade ampliar sistematicamente sua capacidade de realização – empreender ações. proporciona o desenho de um modelo que deve se adequar às necessidades coletivas de saúde. no nível ambulatorial ou emergencial e em todos os níveis de complexidade do sistema. dentro de uma região. Na operacionalização do SUS. 3 CONASS.Brasília : CONASS. Unidade I Módulo I. deverá oferecer àquela população o atendimento a cuidados básicos – atenção primária. A regionalização e a hierarquização da rede de serviços assistenciais vêm no sentido de organizar a descentralização de suas ações e serviços. Coleção Progestores. juntamente com a descentralização. Esse princípio possibilita a participação de todos na formulação de políticas de saúde e identifica o município como o gestor mais próximo da comunidade e. o maior conhecedor de suas necessidades e singularidades. órgãos deliberativos que “buscam participar da discussão das políticas de saúde tendo uma atuação independente do governo. diferente do anterior em que a população se adequava ao que existia. em instâncias colegiadas nos diferentes níveis de governo. (PROFORMAR. com direção única e privilegiando a municipalização.1. As regiões se organizam buscando o uso racional do sistema. Conselho Nacional de Secretários Saúde. e onde se manifestam os interesses dos diferentes segmentos sociais. possibilitando a negociação de propostas e o direcionamento de recursos para diferentes prioridades”3. embora façam parte de sua estrutura. O empoderamento da comunidade. 30 PROMOçãO DA SAÚDE . portanto. o princípio da descentralização pressupõe que cada esfera de governo tem a sua responsabilidade e direito. Empoderamento é a condição de uma pessoa. v. 2003).e o acesso ao atendimento hospitalar e à reabilitação – atenção terciária e secundária. negociar e pactuar com outros atores sociais a favor do bem comum. podendo adequar ações e estratégias em função dessa realidade. estabelece o controle social na formulação e acompanhamento das políticas do sistema. A hierarquização. Sistema Único de Saúde. como parte de um município grande ou agregando um ou mais municípios e complementando dessa forma a oferta de serviços. A participação da população. 2007. consultas ambulatoriais e a procedimentos de alta complexidade. O cidadão deve ter acesso a ações básicas como vacinação. Para entender a gestão do SUS.

Bibliografia
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. ______. Ministério da Saúde. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, o serviço e o funcionamento dos serviços correspondentes, e dá outras providências. Diário Oficial da União, de 20 de setembro de 1990. ______. Ministério da Saúde. Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS} e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília. ______. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Política Nacional de atenção à Saúde dos Povos Indígenas. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. ______. Ministério da Saúde. NOB 01/1993 (Norma Operacional Básica), 1993. ______. Ministério da Saúde. NOB 01/1996 (Norma Operacional Básica), 1996. ______. Ministério da Saúde. NOAS 01/2001 (Norma Operacional da Assistência à Saúde), 2001. ______. Ministério da Saúde. NOAS 01/2002 (Norma Operacional da Assistência à Saúde), 2002. CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE. Coleção Progestores. Para entender a gestão do SUS. SUS: avanços e desafios. Brasília: CONASS, 2006. ______. Coleção Progestores. Para entender a gestão do SUS. O Sistema Único de Saúde. v. 1. Brasília : CONASS, 2007. FUNDAçãO OSwALDO CRUZ. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde PROFORMAR. un. I, mód.1. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003.

UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE

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aNExO
Modelos assistenciais
Modelo
Modelo médicoassistencial privatista

Sujeito
Médico • especialização • complementaridade (paramédicos)

Objeto
Doença (patologia e outras) Doentes (clínica e cirurgia) Modos de transmissão Fatores de risco

Meios de Trabalho
Tecnologia médica (indivíduo)

Formas de Organização
Rede de serviços de saúde Hospital

Modelo sanitarista

Sanitarista • auxiliares

Tecnologia sanitária

Campanhas sanitárias Programas especiais Sistemas de vigilância epidemiológica e sanitária

Vigilância em Saúde

Equipe de saúde População (cidadãos)

Danos, riscos, necessidades e determinantes dos modos de vida e saúde (condições de vida e trabalho)

Tecnologias de comunicação social, de planejamento e programação local situacional e tecnologias médicosanitárias

Políticas públicas saudáveis Ações intersetoriais Intervenções específicas (promoção, prevenção e recuperação) Operações sobre problemas e grupos populacionais

Fonte: TEIXEIRA, 2001 in: PROFORMAR, Unidade I, Módulo I.

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PROMOçãO DA SAÚDE

TExTO 3

Estratégia de Saúde da Família

No início da década de 80, alguns países iniciaram as primeiras atividades de mudança nos serviços primários de saúde que foram reconhecidas mundialmente como resolutivas e de impacto - Cuba, Canadá e Inglaterra. A partir dessas experiências mundiais, no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a organizar o Sistema de Atenção à Saúde com valorização para o primeiro nível de atenção, a Atenção Básica (AB) ou Atenção Primária à Saúde (APS), operacionalizando a universalização do acesso aos serviços com equidade, descentralização da gestão, integralidade das ações e participação social. Para a execução da Atenção Básica, em 1994, originou-se no Brasil o Programa de Saúde da Família, proposto pelo governo federal aos municípios, por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O Programa de Saúde da Família (PSF) constituiu-se numa das principais estratégias de reorganização dos serviços e de reorientação das práticas profissionais na promoção da saúde, prevenção de agravos, tratamento e reabilitação; nas modalidades de alocação de recursos e remuneração das ações básicas de saúde. Atualmente, o PSF é definido como Estratégia de Saúde da Família (ESF), pois o termo “programa” se reporta a uma atividade com início, desenvolvimento e finalização. A ESF visa à reorganização da atenção primária e não prevê um tempo para finalizar esta reorganização. Estruturada como estratégia, para dar conta do processo de reorganização da rede de atenção básica, a Saúde da Família, por esta potencialidade, é tam-

Família – Conjunto de pessoas ligadas por laços de parentesco, dependência doméstica, ou normas de convivência, residentes na mesma unidade domiciliar, ou pessoa que mora só em uma unidade familiar. IBGE.

Atenção Básica - um conjunto de ações, de caráter individual ou coletivo, situadas no primeiro nível de atenção nos sistemas de saúde, dirigidas à promoção, prevenção de agravos, o tratamento e a reabilitação.
(Ministério da Saúde, 2004).

Participação Social – Envolvimento ativo da população organizada na tomada de decisão e no controle social sobre as políticas e o sistema de saúde. A participação social no SUS é garantida mediante a atuação dos Conselhos de Saúde em todos os níveis – nacional, estadual e municipal – bem como por meio das Conferências de Saúde, realizadas periodicamente. Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde(PROFORMAR, - Unidade I, Módulo 1, p. 19, 2003).

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algumas ferramentas são bastante eficazes. Essas ações são desenvolvidas por uma equipe multiprofissional. resultando na reorganização da demanda por meio do conhecimento da comunidade e do estabelecimento de prioridades. dando conta de aproximadamente 85% da demanda exigida pela clientela. uma vez que a problemática ambiental. facilitando o processo de trabalho da equipe: • Visita domiciliária – possibilita identificar como se expressam. É uma das estratégias da Clínica Ampliada. com intensa participação da população. com o estabelecimento do contato mais próximo com as adversidades da vida e das pessoas. sua causalidade e consequências são fatores determinantes de risco para a saúde humana. visando a maior equidade da assistência em saúde. as singularidades de suas vidas. Esta mudança de paradigma está pautada numa visão ampliada do processo saúde – doença. de suas famílias e sua realidade social e comunitária. Possibilita compreender o todo dos sujeitos. resultando em melhorias importantes nas condições de saúde da população.1). Traz como pressupostos. dirigidas ao indivíduo e à comunidade. oferecer às famílias ações de saúde preventivas e curativas em suas próprias comunidades. sendo considerada como a porta de entrada dos usuários para os serviços de saúde. Considerando que a ESF realiza ações de saúde preventivas e curativas. com a mudança do foco de atuação – do indivíduo para a família e para o ambiente onde ela vive. de suas famílias e suas comunidades. (Ceccim e Machado. à família ou à coletividade que é prestada nos domicílios ou nos diversos recursos sociais locais. Nessa lógica. quais padrões de solidariedade se desenvolvem no interior do universo familiar e como estes podem contribuir para o processo de cuidado. as formas de trabalho e vida dos membros que a compõem. em resposta às necessidades de uma atenção integral.bém uma política de reorganização de todo o sistema de saúde. Além de buscar a identificação dessa funcio- 34 PROMOçãO DA SAÚDE . s/d. A visita domiciliária é uma forma de atenção em Saúde Coletiva voltada para o atendimento ao indivíduo. p. O principal objetivo é o de reorientar as práticas de atenção à saúde. Pela Portaria GM/MS nº 648. na família. a apropriação das condições ambientais pela equipe de saúde da família torna-se necessária. como essas formas são socializadas entre os membros. de 28/3/2006 ficou estabelecido que a Saúde da Família é o modelo prioritário do Ministério da Saúde para organizar a Atenção Básica. cura ou recuperação de um dos seus membros.

A equipe ampliada.nalidade familiar. 2000). Dependência recíproca. Solidariedade: sentido moral que vincula o indivíduo à vida. um auxiliar de consultório dentário e um técnico em higiene dental. aos interesses e às responsabilidades de um grupo social. Você poderá aprofundar o estudo sobre Educação em Saúde nas próximas unidades do programa. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 35 . por decisão do indivíduo ou família. com uma população delimitada sob sua responsabilidade. unidades de saúde da família. • Internação Domiciliária . um enfermeiro. (Coren SP. a ESF apoia e maneja a situação para promover a qualidade de vida neste momento. identificar as famílias com maiores riscos sociais de adoecer e morrer e menores potencialidades para o seu enfrentamento. A visita domiciliária pode utilizar como instrumentos a entrevista e a observação sistemática. Possibilita também. Por ter território definido. residências e comunidade. presta assistência integral. Composição da equipe e características do processo de trabalho em Saúde da Família: O trabalho das Equipes de Saúde da Família é o elemento-chave para a busca permanente de comunicação e troca de experiências e conhecimentos entre os integrantes da equipe e destes com a população. ideológicas e de reprodução da força de trabalho da família na sociedade. quando grande parte dos cuidados pode ser realizada pelos familiares. As equipes são compostas. no mínimo por um médico. econômicas. além de organizar o acesso aos serviços de saúde para priorização do atendimento a essas famílias. A atuação das equipes se dá principalmente nos seguintes espaços: unidades básicas de saúde. a equipe pode intervir sobre os fatores de risco aos quais a comunidade está exposta. um dentista. Relação de responsabilidade entre pessoas unidas por interesses comuns.tratamento realizado em casa. tem também. um auxiliar de enfermagem e seis agentes comunitários de saúde. a sua prática compreende ainda entender as funções sociais. de maneira que cada elemento do grupo se sinta na obrigação moral de apoiar os outros. Cada equipe se responsabiliza pelo acompanhamento de cerca de 3000 a 4500 pessoas ou de mil famílias de uma determinada área e estas passam a ter corresponsabilidade no cuidado à saúde. permanente e de qualidade e realiza ações de promoção por meio de práticas de educação em saúde.

a produção de informações sobre a saúde da população exige o conhecimento do total de moradores da área de adscrição. • Definição precisa do território de atuação. na execução e na avaliação das ações. buscando parcerias e integrando projetos sociais e setores afins. • Trabalho interdisciplinar e em equipe. com atualização contínua. • Promoção e desenvolvimento de ações intersetoriais. • Acompanhamento e avaliação sistemática das ações postas em prática. integrando as áreas técnicas e profissionais de diferentes formações. mapeamento e reconhecimento da área. pois a equipe saúde da família é responsável pelas ações de vigilância em saúde que vão além da utilização da UBS por cuidado em saúde. O cadastramento da população residente no território é necessário. das famílias e da própria comunidade. voltados para a promoção da saúde. no planejamento. Além disso. 2007). visando à readequação do processo de trabalho. demográficas e epidemiológicas do território. econômicas. compromisso e respeito. priorizando solução dos problemas de saúde mais frequentes. • Prática do cuidado familiar ampliado. • Valorização dos diversos saberes e práticas na perspectiva de uma abordagem integral e resolutiva. possibilitando a criação de vínculos de confiança com ética. de acordo com prioridades e sob a coordenação da gestão municipal.Analise as atividades que caracterizam o processo de trabalho em Saúde da Família e pense em como o técnico de enfermagem pode se inserir nesse processo. que compreenda o segmento populacional determinado. • Promoção e estímulo à participação da comunidade no controle social. de forma sistemática. 36 PROMOçãO DA SAÚDE . efetivada por meio do conhecimento da estrutura e da funcionalidade das famílias que visa propor intervenções que influenciem os processos de saúde-doença dos indivíduos. culturais. os dados para a análise da situação de saúde considerando as características sociais. Que conhecimentos são necessários para desenvolver as competências para este novo modelo de atenção? O processo de trabalho das equipes de Saúde da Família se caracteriza por atividades como: • Manter atualizado o cadastramento das famílias e dos indivíduos e utilizar. programação e execução das atividades segundo critérios de risco à saúde. • Diagnóstico. (CONASS.

No modelo de assistência da ESF. Utiliza ainda. estimulando a organização das comunidades para exercer o controle social das ações e serviços de saúde. com ênfase nas suas características socioeconômicas. como de promoção da saúde ou curativas. A característica principal das Equipes de Saúde da Família é o estabelecimento de vínculos de compromisso e de corresponsabilidade com a população. • Aspectos integrais da saúde do indivíduo e da sua família: tanto nas ações preventivas. • Formação de equipe multiprofissional adequada ao número de clientes assistidos. • Identificar os problemas de saúde mais comuns e situações de risco as quais a população está exposta. de forma a intervir em situações que transcendem a especificidade do setor saúde e que tem efeitos determinantes sobre as condições de vida e de saúde dos indivíduos-famílias-comunidade. atribuições básicas da Equipe de Saúde da Família: • Conhecer a realidade das famílias pelas quais são responsáveis. sistemas de informação para o monitoramento e a tomada de decisões. demográficas e epidemiológicas. • Responsabilidade pela prestação da assistência por área territorial: planejamento mais adequado das atividades. psicoculturais. por meio do contato com a Unidade de Saúde da Família (USF) e encaminhamento às unidades de referência. atuando de forma intersetorial. as principais mudanças estão relacionadas com: • Mudança de enfoque: modelo centrado na atenção à saúde. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 37 . por meio de parcerias estabelecidas com diversos segmentos sociais e institucionais.

• Resolver a maior parte dos problemas de saúde detectados e. garantir a continuidade do tratamento. respondendo de forma contínua e racionalizada à demanda. • Executar. de doenças infectocontagiosas em geral. 38 PROMOçãO DA SAÚDE . atuando no controle de doenças transmissíveis como a tuberculose. • Desenvolver processos educativos por intermédio de grupos dirigidos à recuperação da autoestima. • Incentivar a formação e/ou participação ativa nos Conselhos Locais de Saúde e no Conselho Municipal de Saúde. nos diversos ciclos da vida. a qualidade de vida e contribuir para que o meio ambiente torne-se mais saudável. buscando contatos com indivíduos sadios ou doentes. • Valorizar a relação com o usuário e com a família para a criação de vínculo de confiança. a hanseníase. as DST e Aids. • Promover. quando isso não for possível. • Prestar assistência integral. • Programar as atividades e reestruturar o processo de trabalho. que é fundamental no processo de cuidar. um plano local para o enfrentamento dos fatores que colocam em risco a saúde. enfatizando os direitos de saúde e as bases legais que os legitimam. por meio da adequada referência do caso. os procedimentos de vigilância à saúde e de vigilância epidemiológica. de acordo com a qualificação de cada profissional. o conceito de cidadania. • Discutir de forma permanente. apoio mútuo e melhoria do autocuidado. troca de experiências.• Elaborar. das doenças e agravos não transmissíveis e de doenças relacionadas ao trabalho e ao meio ambiente. visando promover a saúde pela educação sanitária. • Promover ações intersetoriais e parcerias com organizações formais e informais existentes na comunidade para o enfrentamento conjunto dos problemas. com a participação da comunidade. com a equipe e a comunidade. por meio da educação continuada.

2003. CORBO. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. Módulo 1. Ministério da Saúde. Departamento de Atenção Básica. Comunicação em Saúde: Principais momentos do PSF. HEIMANN. L. Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde PROFORMAR. Rio de Janeiro: Fiocruz. a Implantação da Unidade de Saúde da Família. A. M. MOROSINI. D. Cadernos de Atenção Básica. Programa Saúde da Família. Estratégia do Programa de Saúde da Família e Programa Agentes Comunitários de Saúde. Manual de Enfermagem. v. 2002. Profissionalização de Auxiliares de Enfermagem. M. S. 2007. (org). 2001. M. Caderno 1. Disponível em: <http://www. Saúde Coletiva. GOVERNO DO ESTADO DE SANTA CATARINA. atenção Básica à Saúde no Contexto do SUS: Novas Estratégias e reafirmação dos Princípios de acessibilidade. 4. Secretaria de Políticas de Saúde. Coleção Educação Profissional e Docência em Saúde: a formação e o trabalho do agente comunitário de saúde.ensp. ______. 2005. Ministério da Saúde. Integralidade e Intersetorialidade. Rio de Janeiro: Fiocruz. Modelos de atenção e a saúde da família. ______. Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. Brasília: 2000. H. Acesso em: 10 de março de 2009. Rio de Janeiro: EPSJV/Fiocruz. São Paulo: NISIS/SES. Radis.html>. MENDONçA. Brasília. (org). Rio de Janeiro: Fiocruz. Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. Brasília: Ministério da Saúde. Comunicação em Saúde. Programa Saúde da Família.Bibliografia BRASIL. Santa Catarina. Ministério da Saúde.fiocruz. ______. Cadernos do Aluno. 2000. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 39 . Unidade I..br/radis/23-web-01. V. FUNDAçÃO OSwALDO CRUz.

CONASS. trabalhadores e cidadãos/usuários). 2007. Esses fatores e suas inter-relações são os determinantes do processo saúde-doença sobre os quais a equipe de saúde e a própria população tem co-responsabilidade. ele é o lócus onde se verifica a interação população-serviços no nível local. influenciada por fatores socioeconômicos. Segundo Mendes. 2004. de todas as instituições. isto é. tal qual ele é. o território-espaço vai para além de um simples recorte político-operacional do sistema de saúde. 1993. 40 PROMOçãO DA SAÚDE . Caracteriza-se por uma população específica. Milton Santos foi um geógrafo brasileiro de projeção internacional que se dedicou aos estudos de geografia humana. o espaço vivido pelos homens. políticos e epidemiológicos. Visite a UBS próxima de sua casa e procure saber qual é a sua área de abrangência. que é por ele considerado como território usado pelos homens. Barcellos e Rojas. o significado é muito mais amplo do que uma extensão geográfica. Garantir a possibilidade desse reconhecimento e análise de impacto exige a construção de métodos para serem aplicados nesse território-espaço – o que na saúde denomina-se “territorialização”. A definição proposta por Santos (2003) nos mostra a sua complexidade. sendo também. pensamos em espaços onde se dão as relações sociais e ambientais. os quais para sua resolução devem ser compreendidos e visualizados pelos diferentes atores sociais ali implicados (gestores. o teatro da ação de todas as empresas. vivendo em tempo e espaço singulares. contando com o apoio de outros setores afins ao sistema de serviços de saúde. bem como para a análise dos impactos dos serviços sobre os indicadores de saúde desse espaço.TExTO 4 Território Quando falamos em território. com problemas e necessidades de saúde determinados. Esta é a definição de território vivo que incorpora a rede de relações humanas que vão se desenvolvendo sobre uma base geográfica. Seu reconhecimento é fundamental para a caracterização da população e dos determinantes de saúde. Pesquise sobre sua vida e obra. culturais. portanto.

ainda. saber como vive. • Reconhecer a área de abrangência. No mapa são localizadas as características mais relevantes do ambiente natural e construído (características geográficas. 2003. cuja base metodológica de ação e ponto de partida deram-se pelo processo de territorialização.Fica evidente que o entendimento/apropriação do território por parte dos grupos técnicos e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) tende a influir diretamente na forma como esse território será incorporado à prática de ações de saúde. adoece e morre a população em determinados lugares e situações. Facilita. um processo de reorganização da atenção básica. para o enfrentamento de problemas e necessidades de saúde da população que o habita e o produz socialmente. Barcellos. inicia-se a partir de 1994. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 41 . por meio da construção de identidades e de políticas. Para a apropriação do território como espaço de produção de saúde. como processos vivos de produção de condições de saúde. construídas nas bases da solidariedade e da corresponsabilidade (gestão/atores sociais). possibilitando: • Aprender a aplicar novas metodologias relativas ao processo de territorialização em saúde. Módulo 3. Unidade I. remete à necessidade de formular estratégias para as políticas efetivas. Territorialização O reconhecimento dos espaços de convivência social. A territorialização possibilita o diagnóstico da situação de saúde e condições de vida. a identificação de problemas e necessidades a serem enfrentadas e revela potencialidades locais. infraestrutura. por meio da análise do que determina e condiciona cada situação. C. recursos sociais). Essas informações subsidiam a busca de soluções adequadas que possam melhorar as condições de vida e saúde locais. ou seja. utilizando como modelo a Saúde da Família. para contemplar ações de saúde coletiva envolvidas no contexto. O. Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde-PROFORMAR. O mapeamento é uma importante ferramenta para a definição e visualização da área de abrangência do território.

referências bibliográficas e sistemas administrativos. a partir daí. Para o diagnóstico da situação de saúde do território destacam-se os seguintes tipos de dados: • Demográficos: referem-se à população. de domicílios e variáveis sociais. socioeconômico e ambiental. • Ambientais e de condições de vida: características do território. epidemiológico. entender as diferentes representações dos atores sobre os serviços de saúde e sobre a comunidade. produção na rede de serviços básicos de saúde e em outras instituições de saúde. • Serviços de saúde: descrevem os recursos de saúde e a produção de serviços – recursos físicos.gov. • Conhecer e se apropriar do território a partir das demandas/necessidades da população. Nesse contexto. Área de abrangência: área sob a responsabilidade de um determinado serviço de saúde ou equipe de Estratégia de Saúde da Família. • Realizar levantamento dos problemas que definam o diagnóstico da comunidade.saude. • Morbidade: refere-se à ocorrência de doenças e agravos à saúde. • Conhecer as condições de infraestrutura da área e recursos sociais.• Identificar acessibilidade e barreiras. o número de habitantes de uma área ou distribuição de subgrupos populacionais (por idade ou sexo). • Mortalidade: refere-se aos óbitos. Disponível em <www. das pessoas que frequentam esses serviços de saúde e. que identificam o contexto de vida da população ou de indivíduos.br/psf/programa/comofunciona. financeiros.asp>. que deverão trabalhar em prol da resolutividade dos agravos à saúde que acometem os membros daquele território. Qual a história dos serviços de saúde. humanos. fica evidente a necessidade de os diferentes atores sociais conhecerem a história dos indivíduos. bem como da prevenção de agravos e da promoção da saúde naquele espaço. do seu território de corresponsabilidade e como esse território se insere na dinâmica da vida de cada um. 42 PROMOçãO DA SAÚDE . • Identificar o perfil demográfico. • Documentos e registros administrativos: legislação médico-sanitária. • Identificar as lideranças formais e informais.

atenção primária e promoção da saúde. n. O Território no Programa de Saúde da Família. 2007.2. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio.>. ______. MENDES. DONATO. Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde PROFORMAR.ufu. BARCELLOS. 2007. Acesso em: 11 de março de 2009. F. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. 8. 2005. MONKEN. 2003. Rio de Janeiro. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 43 . Rio de Janeiro: Fiocruz. A..hygeia.ig.1. v. Coleção Progestores.Hygeia revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde. I. v. Cadernos de Saúde Pública. PEREIRA.21. Brasília: Conass. v. FUNDAçãO OSwALDO CRUZ. Para entender a gestão do SUS. O Território e o Processo Saúde-Doença. São Paulo. mai-jun. BARCELLOS.2. mód. C. 3. Vigilância em saúde e território utilizado: possibilidades teóricas e metodológicas. v. R. C. M. Educação Profissional e Docência em Saúde: a formação e o trabalho do agente comunitário de saúde. Território: Espaço Social de Construção de Identidades e de Políticas. Disponível em: <www. Rio de Janeiro: Fiocruz. jun 2006.3. M. n.br.Bibliografia CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE.. un. Rio de Janeiro. 2003.

142. por isso precisa ser construída com a participação ativa dos trabalhadores de saúde e da população. 1 . os recursos disponíveis para atender às necessidades e demandas da população. que passam a envolver não apenas as doenças transmissíveis. O termo Vigilância em Saúde é resultado de debates que visam à articulação de conhecimentos e técnicas vindos da epidemiologia. tendo como fundamento o modelo de Vigilância da Saúde.TExTO 5 Vigilância em Saúde Nos últimos 20 anos.Vigilância em Saúde como análise de Situações de Saúde Monitoramento da situação com a ampliação de objetos de vigilância epidemiológica. apresentando algumas discussões: Modelo de Atenção à Saúde – forma de organização de prestação de serviços e do conteúdo das ações de saúde. da melhor forma possível. A Vigilância em Saúde nasce das questões sociais. fruto do debate sobre a crise da saúde e do movimento sanitarista que culminaram na definição do SUS na Constituição Federal de 1988 e suas posteriores regulamentações por meio das Leis nº 8. tornando-se referencial para o processo de mudança no modelo de atenção.080 e nº 8. ambas de 1990. O SUS hoje é uma realidade. O conceito de Vigilância em Saúde deve ser entendido como uma forma de pensar e de agir. o sistema de saúde brasileiro vem passando por um amplo processo de transformação. que tem como objetivo realizar a análise permanente da situação de saúde da população e a organização e execução de práticas de saúde adequadas ao enfrentamento dos problemas existentes. Parte desse processo é a reorganização da atenção à saúde. em permanente processo de construção e renovação a fim de atender às necessidades da população brasileira no âmbito da saúde. na medida em que implica mudanças na forma de pensar e agir. mas também as investigações e a organização de bancos de dados sobre outros 44 PROMOçãO DA SAÚDE . de modo que o Estado e municípios possam utilizar. assim como do planejamento e das ciências sociais em saúde.

doenças crônicas. destinadas a controlar determinantes. Tecnologias de Vigilância em Saúde: conjunto de métodos. 2 . constituindo-se em espaço privilegiado para a implementação das campanhas de imunização e programas de controle de endemias e epidemias. passou a utilizar a denominação de Vigilância em Saúde. de fato. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 45 . Diante dessas discussões. numa estratégia de organização de um conjunto de políticas e práticas que assumem configurações específicas de acordo com a situação de saúde das populações de um determinado território. com uma prática que organiza processos de trabalho em saúde. bem como os aspectos relativos à organização e produção dos serviços de saúde. acidentes e violência. Salienta o desenvolvimento de políticas públicas saudáveis e de ações sociais organizadas em defesa da saúde e das melhorias de condições de vida. 3 . como mortalidade materno-infantil. com a criação de Departamentos de Vigilância em Saúde. ao expressar a Vigilância em Saúde como um modelo assistencial alternativo que reúne um conjunto de práticas sanitárias que requerem tecnologias distintas. em substituição a anterior epidemiologia e controle de doenças.Vigilância em Saúde como Proposta de Integração Institucional entre a Vigilância Epidemiológica e a Vigilância Sanitária Essa vertente se concretizou em várias reformas administrativas realizadas pelas secretarias de saúde nos anos 1990. contribuindo para um planejamento mais abrangente. riscos e danos. por meio de operações montadas sobre os problemas nas diferentes fases do processo saúde-doença. Articula o enfoque populacional (promoção).agravos. fica evidenciado que a Vigilância em Saúde articula os vários níveis de prevenção. de 15 de junho de 2004. com o de risco (prevenção) e o clínico (assistência).172. A Portaria GM/MS nº 1. Enfatiza também a dimensão gerencial. resultando no fortalecimento das ações de vigilância sanitária e articulação com os centros de saúde do trabalhador. técnicas e instrumentos utilizados no desenvolvimento das distintas práticas que compõem o elenco de atividades da Vigilância em Saúde. para enfrentar problemas no cotidiano em um território delimitado.Vigilância em Saúde como uma Proposta de redefinição das Práticas Sanitárias Destaca a dimensão técnica. Constitui-se.

conforme demonstrado no quadro abaixo: Sujeito Equipe de Saúde População Objeto Danos. 46 PROMOçãO DA SAÚDE . • Vigilância de doenças transmitidas por vetores e antropozoonoses. descrição. necessidades e condições de vida dos diversos grupos populacionais. • Imunizações. Antropozoonose – infecção transmitida ao homem.Processo de trabalho da Vigilância em Saúde O processo de trabalho de Vigilância em Saúde implica o trabalho coletivo realizado pela equipe de saúde do nível local e pela população. Fonte:Teixeira. discutidas e acordadas entre a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS). • Investigação epidemiológica.Operações sobre problemas e grupos populacionais. riscos. Secretaria de Estado da Saúde (SES) e as secretarias municipais de Saúde (SMS) nas quais se destacam: • Notificação de doenças e agravos. prevenção e recuperação). • Controle de doenças. Formas de Organização . análise e intervenção sobre os problemas. de planejamento e programação local situacional e tecnologias médico-sanitárias. • Vigilância ambiental. • Diagnóstico laboratorial de agravos de saúde pública. 2001. . Meios de Trabalho Tecnologias de comunicação social.Políticas públicas saudáveis. ações Prioritárias de Vigilância em Saúde: As ações prioritárias de Vigilância em Saúde estabelecem um conjunto de atividades e metas. .Intervenções específicas (promoção. por meio da identificação. por reservatório animal. necessidades e determinantes dos modos de vida e saúde (condições de vida e trabalho).

Compreende uma série de funções específicas. • Ações básicas de vigilância sanitária. com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos (doenças transmissíveis e doenças e agravos não transmissíveis). Vigilância Epidemiológica . Vigilância Sanitária. imunização. Essas ações prioritárias propõem atividades e metas que visam fortalecer o Sistema Nacional de Vigilância em Saúde. • Acompanhamento das atividades programadas. confirmação laboratorial. de forma que as medidas de intervenção pertinentes possam ser desencadeadas com oportunidade e eficácia. Vigilância em Saúde Ambiental e Vigilância em Saúde do Trabalhador. A Vigilância em Saúde compreende a Vigilância Epidemiológica. investigação.VE Definida como um conjunto de ações que proporciona o conhecimento. • Elaboração de estudos e pesquisas em epidemiologia. organização e operacionalização dos serviços de saúde. tendo como objetivo aumentar a capacidade dos estados e municípios em assumir as atividades de notificação. Constitui-se importante instrumento para o planejamento. • Alimentação e manutenção de sistemas de informação.• Monitorização de agravos de relevância epidemiológica. bem como a normatização das atividades técnicas correlatas. permitindo conhecer o comportamento da doença ou agravo selecionado como alvo das ações. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 47 . a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva. • Divulgação de informações epidemiológicas. sistemas de informação e vigilância ambiental em saúde.

Para o desenvolvimento do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE) a atual orientação estabelece como prioridade o fortalecimento dos sistemas municipais de Vigilância Epidemiológica. análise e interpretação dos dados coletados. A natureza do trabalho em Vigilância Sanitária é bastante complexa e diferencia-se das outras práticas de saúde. • Processamento. • Divulgação de informações pertinentes.VISa Definida como um conjunto de ações capazes de eliminar.São funções da Vigilância Epidemiológica: • Coleta de dados. diminuir ou prevenir riscos à saúde e intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente. As mudanças no perfil epidemiológico das populações. As secretarias estaduais de Saúde devem assumir as responsabilidades de coordenação. Vigilância Sanitária . em anexo. têm propiciado a incorporação das doenças e agravos não transmissíveis às atividades da Vigilância Epidemiológica. 48 PROMOçãO DA SAÚDE . • Promoção das ações de controle indicadas. que devem ser dotados de autonomia técnico-gerencial para enfocar os problemas de saúde próprios de suas áreas de abrangência. com o declínio das taxas de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias e o crescente aumento das mortes por causas externas e doenças crônico-degenerativas. • Avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas. inclusive da área jurídico-legal para que suas ações estejam respaldadas e não possam ser anuladas. A Vigilância Sanitária utiliza. O campo de atuação e as atribuições previstas para a Vigilância Sanitária demandam saberes de vários campos do conhecimento. Veja as ações da Vigilância Sanitária. • Recomendação das medidas de controle apropriadas. supervisão e monitoramento das ações. da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde.

com a finalidade de identificar as medidas de prevenção e controle dos fatores de risco ambientais relacionados às doenças ou outros agravos à saúde. para a UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 49 ..) risco é a probabilidade de ocorrência de efeitos adversos relacionados a objetos submetidos a controle sanitário. grau de risco. com o objetivo de adotar ou recomendar medidas para a remoção ou redução da exposição a essas situações de risco. cuja especificidade está centrada na relação da saúde com o ambiente. processos de trabalho e assistência. 2001). gerenciamento de risco e risco potencial. (. potencial de riscos. Vigilância em Saúde do Trabalhador . (Brasil. apoiados nos princípios da vigilância em saúde.. • Vigilância em Saúde Ambiental Relacionada à Qualidade do Ar (Vigiar).) A legislação mais recente procura utilizá-lo na forma de expressões mais precisas tais como fatores de risco. Áreas prioritárias de atuação da Vigilância em Saúde Ambiental (VSA): • Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua). • Vigilância em Saúde Ambiental Relacionada às Substâncias Químicas (Vigiquim). • Vigilância em Saúde Ambiental Relacionada a Fatores Físicos (Vigifis). Risco: (. Vigilância em Saúde ambiental . 2000).VSa É definida como um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento e a detecção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana. Busca a identificação de situações de risco ou perigos no ambiente que possam causar doenças. grupos de risco. (COSTA. a norma sanitária que estabelece parâmetros e padrões.como um dos seus principais instrumentos.. • Vigilância em Saúde Ambiental dos Riscos Decorrentes dos Desastres Naturais (Vigidesastres).. incapacidades e mortes. • Vigilância em Saúde da População Exposta ao Solo Contaminado (Vigisolo).Visat Conjunto de práticas sanitárias articuladas suprassetorialmente.

melhoria das condições de vida e saúde da população. visando eliminá-los ou controlá-los. visando eliminá-los ou. executar e avaliar intervenções sobre esses aspectos. estratégias de produção de conhecimentos e mecanismos de intervenção sobre os processos de produção. Devem ser consideradas no planejamento das ações de Visat. aproximando os diversos objetos comuns das práticas sanitárias àqueles oriundos da relação entre o trabalho e a saúde. Considerando o SUS como um processo em permanente construção. A Vigilância em Saúde do Trabalhador deve atuar de forma contínua e sistemática no sentido de detectar. relacionando-os com as causas e as medidas de prevenção. nas estruturas existentes nesse setor. • Avaliar o impacto das medidas adotadas. faz-se ne- 50 PROMOçãO DA SAÚDE . ramos produtivos. pretende acrescentar ao conjunto de ações de vigilância em saúde. na sua impossibilidade. nas três esferas de governo. • Estabelecer sistemas de informação da saúde do trabalhador. perfil epidemiológico e a participação dos trabalhadores e das comunidades. Nesse sentido. atenuá-los e controlá-los. questões como território. • Conhecer a realidade da saúde da população trabalhadora. Deve ser compreendida como parte da Vigilância em Saúde. São objetivos da Visat: Faça um levantamento sobre os principais agravos que acometem o trabalhador de saúde no exercício de sua profissão. • Subsidiar a tomada de decisões dos órgãos competentes. com a finalidade de planejar. independentemente da forma de inserção no mercado de trabalho e do vínculo trabalhista estabelecido. pesquisar e analisar os fatores determinantes e condicionantes dos agravos à saúde relacionados aos processos e ambientes de trabalho. • Intervir nos fatores determinantes de agravos à saúde da população trabalhadora. apontando para a reorganização do modelo de atenção à saúde. conhecer.

de 19 de setembro de 1990.142. Guia de Vigilância Epidemiológica. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. de 20 de setembro de 1990. de 15 de junho de 2004. Ministério da Saúde. de forma individual e coletiva e em uma perspectiva do comprometimento do fazer. ______. nos níveis institucional. 8. na área de Vigilância em Saúde. O desenvolvimento das práticas de Vigilância em Saúde implica processo de reflexão. na disponibilidade ao novo e nas possibilidades que se abrem para os atores que compõem o processo de trabalho em saúde. dos grupos sociais e das pessoas. Diário Oficial da União. de 28 de dezembro de 1990. 8. principalmente. Dispõe sobre as condições para a promoção. estados.172. Diário Oficial da União. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 51 . define a sistemática de financiamento e dá outras providências. Bibliografia BRASIL. Regulamenta a NOB/SUS 01/96 no que se refere às competências da União. Lei n. 6. ______. proteção e recuperação da saúde. Portaria n. Sanitária. operacional. em que as Vigilâncias Epidemiológica. Departamento de Vigilância Epidemiológica. municípios e Distrito Federal. Ministério da Saúde. 2007. ed. Ministério da Saúde. o serviço e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. organizacional e. Secretaria de Vigilância em Saúde. 17 de junho de 2004.cessário compreender o modelo de Vigilância em Saúde proposto. Constituição (1988). Ministério da Saúde. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União. 1. ______. Lei n.080. Ambiental e da Saúde do Trabalhador devam estar integradas. Brasília. Brasília: Ministério da Saúde. Pressupõe a esses atores o desenvolvimento da capacidade de observar e analisar os problemas de saúde da população. ______.

• Medicamentos de uso humano. aditivos alimentares. hemoterápicos e de diagnóstico laboratorial e por imagem. hospitalares e coletivos. Fundamentos de Vigilância Sanitária. limites de contaminantes orgânicos. 2004. suas substâncias ativas e demais insumos. O Processo de trabalho da Vigilância em Saúde. Para entender a gestão do SUS. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. seus insumos. reagentes e insumos destinados a diagnóstico. 2007. Coleção Progestores. produtos de higiene pessoal e perfume. ______. resíduos de agrotóxicos e de medicamentos veterinários. • Saneantes destinados à higienização. Brasília: Conass. 6. Rio de Janeiro: Fiocruz. • Conjuntos. ______. Vigilância em Saúde. 2007. I. 52 PROMOçãO DA SAÚDE . 2000. processos e tecnologias. produtos e serviços: • Alimentos. Para entender a gestão do SUS. anexo ações da Vigilância Sanitária Cabe à Vigilância Sanitária desenvolver um conjunto de ações relacionadas aos seguintes bens. • Equipamentos e materiais médico-hospitalares. Coleção Progestores. E. • Cosméticos. suas embalagens. Vigilância em Saúde. FUNDAçãO OSwALDO CRUZ. CONSELHO NACIONAL DOS SECRETÁRIOS DE SAÚDE. 2004. v. v. inclusive bebidas. A. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. 6. odontológicos. II. águas envasadas. Rio de Janeiro: Fiocruz/EPSJV/PROFORMAR. Brasília: Conass. O SUS e a Vigilância em Saúde. desinfecção ou desinfestação em ambientes domiciliares. Rio de Janeiro: Fiocruz/EPSJV/PROFORMAR.COSTA.

equipamentos. salões de beleza. ambientes e procedimentos envolvidos em todas as fases dos processos de produção dos bens e produtos. • Órgãos. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 53 . academia de ginástica.• Imunobiológicos e suas substâncias ativas. bem como aqueles que impliquem a incorporação de novas tecnologias. radio-fármacos e produtos radioativos utilizados em diagnóstico e terapia. asilos para idosos. • Quaisquer produtos que envolvam a possibilidade de risco à saúde. tecidos humanos e veterinários para uso em transplantes ou reconstituições. presídios. obtidos por engenharia genética. os realizados em regime de internação. • Serviços direcionados para a atenção ambulatorial. clubes. • Instalações físicas. incluindo a destinação dos respectivos resíduos. cemitérios. • Cigarros. • Radioisótopos para uso diagnóstico in vivo. • Serviços como: creches. cantinas e refeitórios escolares. cigarrilhas. sangue e hemoderivados. tecnologias. por outro procedimento ou ainda submetidos a fontes de radiação. charutos e qualquer outro produto fumígero. submetidos ao controle e fiscalização sanitária. derivado ou não do tabaco. os serviços de apoio diagnóstico e terapêutico.

Módulo I. • Pouco fomento à cogestão e à valorização dos trabalhadores e usuários no processo de produção de saúde. Quando um usuário do SUS necessita de certa ação que não está disponível em sua unidade básica de referência. como: • Fragmentação do processo de trabalho e das relações entre os diferentes profissionais. trabalhadores e gestores. universalidade e equidade na implementação da rede de serviços de saúde em nosso país. Subjetivismo: tendência em reduzir toda a realidade à concepção do sujeito. feita a ação. 2003). Minidicionário da Língua Portuguesa. (AURÉLIO. A construção histórica do SUS tem sido marcada pelo esforço em materializar os princípios da integralidade. (PROFORMAR Unidade I. apesar dos saberes acumulados no que se refere aos seus princípios norteadores e à descentralização da atenção e da gestão. 54 PROMOçãO DA SAÚDE . do eu. Entretanto. Sistema de Referência (SR) e Contrarreferência (CR): é um sistema de informação que garante ao cidadão o atendimento integral às suas necessidades de saúde – a integralidade das ações. o SUS ainda enfrenta vários problemas. (Deleuze) Entende-se por humanização a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde: usuários. • Fragmentação da rede assistencial dificultando a complementaridade entre a rede básica e o sistema de referência. ele deve ser encaminhado a outro estabelecimento de saúde de diferente complexidade. Em seguida. • Sistema Público de Saúde burocratizado e verticalizado. • Despreparo dos profissionais para lidar com a dimensão subjetiva nas práticas de atenção. • Baixo investimento na qualificação dos trabalhadores em relação ao trabalho em equipe e gestão participativa. o qual deverá realizar o procedimento solicitado.TExTO 6 Política Nacional de Humanização Antes de entender é preciso sentir. o paciente deverá ser encaminhado de volta à sua unidade básica de origem para dar continuidade ao seu atendimento. 2008).

É uma rede de afetos. Rede em Saúde: conjunto de equipamentos/serviços/sujeitos de produção de saúde articulados entre si. alguns se referem à formação e à atuação dos trabalhadores de saúde. com a superação de desafios importantes como o acolhimento. comprometido com a defesa da vida e fortalecido na pactuação democrática e coletiva de seu processo. que permeia os diferentes espaços de saúde e agrega os diversos núcleos de saber/ poder (gestores. a compreensão e a generosidade no trato com os usuários dos serviços de saúde. Redes Frias: definida como plano extenso. Construir tal política impõe que o SUS seja tomado em sua perspectiva de rede (integralidade dos níveis de atenção/modelos de atenção e da gestão). 2003). trabalhadores e usuários) que se ocupam da produção da saúde e do sujeito. Como você analisa esses problemas e suas possíveis causas? Como poderiam ser enfrentados ou minimizados? Acolhimento: Prática que tem como princípios a solidariedade. Unidade I. Embora necessária. com base na PNH. não é suficiente. trabalhadores e usuários. Surge como política transversal. que afeta a rede fria. • Contagiar por atitudes e ações humanizadoras a rede do SUS. invisível. fazendo com que eles se sintam bemvindos e à vontade no grupo que os acolheu Com isso poderão desenvolver a confiança. A PNH busca colaborar na efetivação dos princípios do SUS. apresentando modos de funcionamento padronizados e burocráticos. nuances. Nesse sentido. Dentre as propostas da PNH. com forma – fluxograma. incluindo gestores. o Ministério da Saúde. • Oferecer um eixo articulador das práticas em saúde. a Humanização no SUS. como você enquanto trabalhador da saúde e da enfermagem poderia se engajar? UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 55 . Redes Quentes: supõem desejos. instituiu a Política Nacional de Humanização (PNH). Foi formulada a partir da sistematização de experiências bem-sucedidas de práticas de humanização nas ações de atenção e gestão desenvolvidas por estados. municípios e serviços de saúde. Pretendendo-se um SUS para além desse cenário. Cria uma essência e submete a outras regras. cumplicidades. Propõe ações micropolíticas (de relações entre os sujeitos). a autoestima e a cooperação na melhoria de sua saúde e de sua qualidade de vida. a valorização do trabalho em saúde e a integração das ações no processo de atenção. Dentre os problemas apontados sobre a atenção e a gestão no SUS. Módulo I. se propõe a: • Traduzir os princípios do SUS em modos de operar dos diferentes equipamentos e sujeitos da rede de saúde. • Construir trocas solidárias e comprometidas com a dupla tarefa de produzir saúde e sujeitos.• Formação dos trabalhadores de saúde distante do debate e da formulação da política pública de saúde. em 2003. destacando um aspecto subjetivo nelas presente. • Fragilidade do controle social nos processos de gestão e atenção do SUS. (PROFORMAR.

Instituinte: parte do princípio do que está instituído (normalizado) para encontrar nele a possibilidade de novas formas de ser e de fazer. coletiva e social. estimulando processos de educação permanente. com destaque para: 56 PROMOçãO DA SAÚDE . usuários e trabalhadores da saúde. • Compromisso com a democratização da relação de trabalho e valorização dos trabalhadores de saúde. (CASTORIADIS. • Autonomia e protagonismo dos sujeitos – a corresponsabilidade entre gestores. • Valorização da dimensão subjetiva. • Valorização da ambiência. A PNH não é uma política instituída. o que se reflete em mudanças nas práticas de saúde. fortalecendo/estimulando processos integradores e promotores de compromissos/responsabilidades. Não deve ser interpretada como uma política capaz de resolver os problemas do SUS. mas aponta alguns dispositivos que podem ser somados a outras políticas para melhoria da qualidade de vida da população. com organização de espaços saudáveis e acolhedores de trabalho. 1992).Princípios da PNH • Indissociabilidade entre a atenção e a gestão dos processos de produção de saúde – incorporação da humanização no desenvolvimento de práticas interdependentes e complementares. • Transversalidade – concepções e práticas que atravessam as diferentes ações e instâncias aumentam o grau de abertura da comunicação intra e intergrupos e ampliam as grupalidades. mas instituinte. em todas as práticas de atenção e gestão no SUS. fortalecendo o trabalho em equipe multiprofissional. o estabelecimento de vínculos solidários e a participação coletiva na produção da saúde e produção de sujeitos. • Fortalecimento do controle social com caráter participativo em todas as instâncias gestoras do SUS.

para definição de propostas de ações.O PTS é um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas para um sujeito individual ou coletivo. é uma reunião de toda a equipe em que todas as opiniões são importantes para ajudar a entender o sujeito com alguma demanda de cuidado em saúde e. consequentemente. como também é conhecido. responsabilizando-se integralmente por ele. nos parece melhor porque destaca que o projeto pode ser feito para grupos ou famílias e não só para indivíduos.Equipe de Referência é um grupo multiprofissional. além do diagnóstico psiquiátrico e da medicação. O nome Projeto Terapêutico Singular. garantindo atenção resolutiva e articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência quando necessário. Assim. • Projeto Terapêutico Singular . além de frisar que o projeto busca a singularidade (a diferença) como elemento central de articulação (lembrando que os diagnósticos tendem a igualar os sujeitos e minimizar as diferenças: hipertensos. ao mesmo tempo. resultado da discussão coletiva de uma equipe interdisciplinar. quando necessário. permitindo que ele expresse suas preocupações. a clientela é assistida pela sua equipe básica de referência e. caracterizado pelo objetivo de cada serviço de saúde.recepção do usuário. etc. UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 57 . Portanto. (Ministério da Saúde.). no tratamento dos usuários. • Equipes de Referência e Equipe de Apoio Matricial . com apoio matricial se necessário. diabéticos. angústias e. em lugar de Projeto Terapêutico Individual. permitindo que o critério de priorização da atenção seja o agravo à saúde e/ou grau de sofrimento e não mais a ordem de chegada.• Acolhimento com classificação de risco . O acolhimento vem mudar a lógica do atendimento. 2007). Está inserida em uma matriz organizacional (Equipe de Apoio Matricial). desde sua chegada. ouvindo sua queixa. tendo uma clientela sob sua responsabilidade. As equipes de referência passam a ser a estrutura permanente e nuclear dos serviços de saúde. buscam-se recursos de uma equipe de retaguarda especializada na rede de serviços matriciais de apoio. Foi bastante desenvolvido em espaços de atenção à saúde mental como forma de propiciar uma atuação integrada da equipe valorizando outros aspectos.

como luminosidade. Reconhecer e propiciar o direito de acompanhante a todo cliente internado possibilitando a manutenção do vínculo com seu mundo pessoal. • Programa de Formação em Saúde e Trabalho e Comunidade Ampliada de Pesquisa . da atenção dispensada ao usuário. a família e o contexto. profissional e de relações interpessoais. a ambiência é marcada tanto pelas tecnologias médicas presentes.trabalho clínico que visa o sujeito e a doença. indicam caminhos e intermedia as relações. podendo ser expresso na forma do acolhimento. ruídos do ambiente. a elaboração de projeto terapêutico (PTS). reconhecimento da clientela e construção de vínculo. 58 PROMOçãO DA SAÚDE . ações de incentivo e valorização do trabalho em equipe e participação em processos de educação permanente. O componente afetivo também se faz presente na ambiência. Nos serviços de saúde. social. Exemplos de Sistema de Escuta Qualificada: Instalação de ouvidorias dirigidas ao cliente interno e externo traz as demandas do usuário e/ou trabalhador de saúde e constitui-se em instrumento gerencial. olfato. • Projeto Acolhendo os Familiares/rede social participante . • Sistemas de Escuta qualificada para usuários e trabalhadores da saúde . dando-lhe voz e direito de opção. o usuário e os seus familiares. tendo como objetivo produzir saúde e aumentar a autonomia do sujeito. audição. direcionado para a atenção acolhedora. Uso de instrumentos como pesquisas para medir o nível de satisfação do cliente.• Ambiência . pois levanta problemas.ambiente físico. de acordo com sua disponibilidade. temperatura.Modelos de gestão participativa em que se inclui a sociedade civil. independentemente de idade ou grau de dependência e propiciando condições adequadas para sua permanência. • Clínica Ampliada .Promover capacitações sistemáticas. aproxima os diversos atores do sistema de saúde. Envolver o cliente no Projeto Terapêutico entendendo-o como protagonista no processo de produção de sua própria saúde. da interação entre os trabalhadores e gestores. o direito à visita ao familiar internado.Instituição de Visita Aberta ampliando para a família. quanto por outros componentes estéticos ou sensíveis apreendidos pelo olhar. resolutiva e humana. conforme a vulnerabilidade de cada caso e a ampliação dos recursos de intervenção sobre o processo saúde-doença. da família e da comunidade. Utiliza como meios de trabalho a integração de equipe multiprofissional. os trabalhadores e gestores dos serviços de saúde.

fortalecer. por meio de UNIDADE II – POLíTICA NACIONAL DE SAÚDE 59 . Ao proporcionar os processos de mudança do ponto de vista do indivíduo e valorizálos. apoiar e disseminar as Ações de Humanização nos serviços de saúde próprios do Estado. com atividades de valorização e de cuidados aos trabalhadores da saúde. pesquisar e levantar os pontos críticos do funcionamento dos serviços. • Grupo de Trabalho de Humanização .• Programas de Qualidade de Vida e Saúde para os Trabalhadores da Saúde Desenvolver programas com foco no trabalhador. • contribuir para a formação permanente em humanização. tendo como atribuições: difundir a PNH. intervindo diretamente na qualidade da atenção da rede de serviços do SUS.Constituído por representantes de profissionais e demais trabalhadores em cada equipamento de saúde. entre outros. a humanização da assistência tem procurado: • estimular. promove também transformações na sua prática de produção da saúde. • estimular. acompanhar e dar suporte às comissões de humanização dos hospitais e ambulatórios. Traz em sua essência a transformação das relações sociais. valores que promovam maior autonomia dos sujeitos e participação coletiva na gestão. promover o trabalho em equipes multiprofissionais. A Secretaria de Estado da Saúde deve dar continuidade e aprofundamento ao processo de humanização nas unidades de saúde estaduais. incentivar a democratização da gestão. contemplando ações dirigidas para a promoção da saúde e qualidade de vida no trabalho. • contribuir para a articulação e integração da política de humanização por meio de um diálogo constante com as demais coordenadorias. • ampliar e potencializar as concepções e práticas de humanização nos serviços da SES-SP. No âmbito da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP). propor mudanças que beneficiem usuários e trabalhadores. A Política Nacional de Humanização (PNH) nos possibilita rever os processos de trabalho.

Voluntariado. Brasília. na lógica da humanização. Leia Comigo. Conte Comigo. o cuidado em saúde deve ser visto não como operação e monitoramento do tratamento ou como atenção aos aspectos periféricos do bem-estar do paciente. Método Mãe Canguru. Programa de Prestação de Serviços à Comunidade. Bibliografia BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. ed. Humaniza SUS. de reflexão crítica e de transformação da prática. Leituras Complementares. mód. 1.PROFORMAR. a Humanização como Eixo Norteador das Práticas de atenção e Gestão em todas as Instâncias do SUS. Nesse caso. pensando no processo de produção da saúde. como: Jovens Acolhedores. Série B. Brasília. ______. destacando o cuidado como categoria reconstrutiva. 2006. 60 PROMOçãO DA SAÚDE . FUNDAçãO OSwALDO CRUZ. equipe de referência e projeto terapêutico singular . ______. Programa de Formação de agentes Locais de Vigilância em Saúde . Textos Básicos de Saúde. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. Secretaria de Atenção à Saúde. mas. Rio de Janeiro. Ministério da Saúde. remetemo-nos à questão do cuidado. Rio de Janeiro: Fiocruz. 2007. Política Nacional de Humanização. Cartilhas de Humanização. 2003. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Brinquedoteca. Visita Aberta. ______. Iniciativa Hospital Amigo da Criança. un. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. 2004. 2. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Cantinho da Beleza. 2007. I. Humaniza SUS. entre outras ações. Ministério da Saúde. Finalmente.projetos. Formação de Apoiadores para a Política Nacional de Humanização da Gestão e da Atenção à Saúde. Acolhimento com Classificação de Risco. Clínica ampliada. Brasília: Ministério da Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização.

2.Apresentação dos trabalhos. Sugestão de ações para estágio supervisionado: Pesquisa sobre os indicadores de saúde de seu município/estado.1. organização e gestão de dados do Sistema de Informação de Saúde.Pesquisa em bases de dados (www. UNIDADE III – SISTEMA DE INFORMAçãO EM SAÚDE 61 . com destaque para as possibilidades de atuação do técnico de enfermagem. planos e programas de saúde.br) sobre a estrutura do Sistema e os Subsistemas de Informações em Saúde mais utilizados.Levantamento de indicadores de saúde mais utilizados. organização e gestão do sistema de informação. 4.Debate sobre a importância dos registros em saúde para a alimentação do sistema.Processo de produção da informação: • Coleta de dados • Armazenamento/processamento • Interpretação e distribuição da informação 3.Levantamento no serviço de instrumentos utilizados para alimentar os sistemas de informação em saúde. 2.Reconhecer os indicadores de saúde.Leitura e discussão de texto: Sistema de Informação em Saúde. 3.datasus. Integração curricular: ÁrEa I Vigilância em Saúde. 5. 1. elaboração dos conceitos de dados e informação e debate sobre a importância da alimentação.Interpretação dos indicadores por meio de exercícios com cálculos matemáticos.Indicadores de saúde • Coeficiente de mortalidade • Coeficiente de morbidade • Coeficiente de prevalência • Coeficiente de incidência • Taxa de letalidade 1.Sistema de Informação em Saúde Objetivo Reconhecer os sistemas de informação enquanto ferramentas para a formulação e avaliação das políticas.2.Dado e informação 2. UNIDaDE III Conteúdos 1.Identificar os sistemas de informação utilizados em saúde. III. Acompanhamento no serviço do processo de alimentação.Sistemas de Informação em Saúde: • Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) • Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA-SUS) • Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) • Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI) • Sistema de Informação de Nascidos Vivos (Sinasc) • Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) • Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH-SUS) • Sistema de Informação relacionado ao controle do câncer de colo de útero (Siscolo) • Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS) • Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) • Cadastro do Cartão Nacional de Saúde (CNS/Cadsus) • Imunizações (SI-PNI) Método 1. avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade III.gov. Objetivos Específicos III.

cirur- Dado é um valor quantitativo referente a um fato ou circunstância.TExTO 7 Sistema de Informação em Saúde Sabemos que em saúde a informação é um recurso muito importante e por meio dela podemos tomar decisões. raios-X. ao ambiente. (Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde-PROFORMAR. 2003). melhor será a tomada de decisão e mais eficaz serão as ações propostas. Unidade II. Unidade II. não chega a ser uma informação. de natureza multimídia (laboratório. 2003). quanto para situações de saúde mais abrangentes. Produzir dados significa produção da informação de forma sistematizada. Uma boa definição de informação é a de que se trata de um conjunto estruturado de dados de modo que possa ser entendido por todos os seus usuários. que se constituirão no Sistema de Informação em Saúde. Dado é uma descrição limitada da realidade (Moraes. gerados pelos Sistemas de Informação em Saúde podem ser classificados em três tipos: • epidemiológicos: desenvolvidos e utilizados para fins de vigilância. diagnósticos. Módulo 5. Quanto mais informações são coletadas. produzirão os bancos de dados. Módulo 5. assim. Para a obtenção e utilização dessas informações nos diversos espaços de produção de saúde. ao trabalho. • clínicos: armazenam dados clínicos (resultados de exame. a produção de dados. medidas antropométricas). • administrativos: desenvolvidos para fins contábeis e de controle de produção de serviços de saúde prestados. mas não trazem dados clínicos. Os dados. maior clareza se tem da situação. ou o número bruto que ainda não sofreu qualquer tratamento estatístico (Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde(PROFORMAR. As informações dão suporte ao Planejamento Participativo Estratégico-situacional. doenças e agravos de notificação compulsória. gerando. englobando dados sobre eventos vitais (nascimentos e óbitos). avaliação e pesquisa. entre outros. Isso serve tanto para um determinado problema de saúde de um usuário do SUS. agrupados por características específicas. é preciso que se realize o seu registro. 62 PROMOçãO DA SAÚDE . O trinômio Informação-Decisão-Ação é considerado a base da prática estratégica em saúde. procedimentos realizados. 1994). Esses bancos. Contém dados demográficos dos pacientes atendidos. relacionadas a um grupo de pessoas ou uma coletividade.

são medidassíntese que contêm informações relevantes sobre determinados atributos e dimensões do estado de saúde. sendo a esfera responsável pela organização. possibilitando a análise de situações em nível local. acompanhamento e avaliação dos modelos de atenção à saúde e das ações de prevenção e controle das doenças. acompanhamento e avaliação dos modelos de atenção à saúde e das ações de prevenção e controle das doenças. Mortalidade e morbidade são alguns dos indicadores de saúde mais conhecidos. orientando a instalação. Os Sistemas de Informação em Saúde são informatizados. como a esperança de vida ao nascer. São de utilização obrigatória para os estados e municípios. subordinados ao Ministério da Saúde. A construção de um indicador é um processo cuja complexidade pode variar desde a simples contagem direta de casos de determinada doença. coordenação. até o cálculo de proporções. e sua operacionalização é feita por meio de portarias ministeriais. taxas ou índices mais sofisticados. como também incidência e prevalência.gia) ou de diferentes utilidades de saúde. orientando a instalação. Pesquise como são realizados esses cálculos. Esses sistemas são instrumentos de trabalho muito importantes para a área da saúde. Vistos em conjunto. relembrando conhecimentos matemáticos de coeficientes e proporções. (Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde-PROFORMAR. Indicadores de saúde Em termos gerais. Pesquise os indicadores de seu município/Estado. Para a operacionalização da informação pelos SIS. ainda. 2003). pois a informação é a base para a gestão dos serviços. de sua manutenção/alimentação e sua utilização. supervisão e execução das atividades exigidas. (Opas/OMS). criados para avaliação. é necessária a obtenção de requisitos técnicos e profissionais no planejamento. Módulo 5. devem gerar informações/dados de qualidade. Esses sistemas constituem instrumentos de trabalho muito importantes para a área da saúde. apoiando o processo de tomada de decisões. UNIDADE III – SISTEMA DE INFORMAçãO EM SAÚDE 63 . Portanto. planos e programas de saúde. devem refletir a situação sanitária de uma população e servir para a vigilância das condições de saúde. O Sistema de Informação em Saúde (SIS) integra as estruturas organizacionais dos sistemas de saúde. Faz-se necessário. Unidade II. que retratem fielmente a situação de saúde da população no país. que todos os envolvidos no processo de trabalho em saúde tenham a compreensão de sua importância/objetivo. de ações e serviços no âmbito do SUS. A análise desses dados permite a construção de importantes indicadores para a descrição do perfil de saúde de uma região. pois a informação é a base para a gestão dos serviços. gestão e alimentação do SIS. monitoramento e planejamento. com o propósito de facilitar a formulação e avaliação das políticas. bem como do desempenho do sistema. Esses ainda são de disponibilidade restrita. razões.

Sinan – Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Tem por objetivo o registro e o processamento dos dados sobre agravos de notificação em todo o território nacional. processamento. fornecendo informações para análise do perfil da morbidade e contribuindo. Esse sistema possibilita uma análise global e integrada de todos os agravos definidos para desencadear as medidas de controle. para a tomada de decisões nos níveis municipal. controle e gestão do atendimento ambulatorial do SUS. Sistemas de Informação em Saúde: SIAB – Sistema de Informação da Atenção Básica . SIA-SUS – Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS . dessa forma. realizado pelo Estado e municípios. públicas e privadas. devendo ser objeto de análise e discussão das equipes e dos gestores da Estratégia de Saúde da Família.Instrumentos que agregam dados e possibilitam informações sobre a população atendida. É o principal instrumento de coleta de dados das doenças de notificação compulsória e outros agravos. bem como da população. em todo o território nacional. 64 PROMOçãO DA SAÚDE . Esses dados são recolhidos por meio das fichas de cadastramento e acompanhamento. eliminação e/ou erradicação das doenças transmissíveis. SI-PNI – Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização Visa contribuir para o controle. e fornecê-los para todos os níveis do Sistema de Saúde.São etapas do processo de informação dos SIS: coleta. estadual e federal. registro. Contém dados sobre o número de atendimentos realizados por tipo de procedimentos e. dependendo deste. apresentação e difusão de dados e geração de informação. Sinasc – Sistema de Informação de Nascidos Vivos – Tem por objetivo coletar dados sobre nascimentos. e suas orientações devem ser de conhecimento geral das instituições de saúde. análise. destinados a auxiliar a operacionalização.Conjunto de programas de processamento de dados criados conforme as normas do Ministério da Saúde. O documento de entrada do sistema é O Programa Nacional de Imunizações (PNI) foi criado pelo Ministério da Saúde em 1973. por grupo populacional.

das três esferas de governo. que funciona por meio da coleta e processamento de informações sobre receitas totais e despesas com ações e serviços públicos de saúde.Declaração de Nascimento). foi desenvolvido o Sistema de Seleção de Causa Básica (SCB). para apoiar esse processo. problemas de qualidade de coleta e processamento das lâminas.a Declaração de Nascido Vivo (DN . áreas com problemas de acompanhamento e encaminhamento das mulheres. permite que estudos epidemiológicos se utilizem mais de seus dados. padronizado em todo o país. Inicialmente produzido para controlar e fiscalizar as internações hospitalares é principalmente um instrumento para pagamento. O documento básico é a Declaração de Óbito (DO). realizado pelo estado e municípios. Importante ferramenta para o gestor na avaliação e planejamento das ações a serem realizadas: identificar serviços ou áreas mais necessitadas de capacitação. gestão e controle social do SUS. controle e gestão do atendimento hospitalar do SUS. O documento básico é a Autorização de Internação Hospitalar (AIH). Pela quantidade de informações de que dispõe. Possibilita o conhecimento da estrutura do financiamento da Saúde Pública no Brasil e facilita o controle. SIH-SUS – Sistema de Informações Hospitalares do SUS – Um complexo de programas de processamento de dados destinados a auxiliar a operacionalização. UNIDADE III – SISTEMA DE INFORMAçãO EM SAÚDE 65 . SIM – Sistema de Informação de Mortalidade – Permite a obtenção regular de dados sobre mortalidade. Siscolo – Sistema de Informação relacionado ao controle do câncer de colo de útero – Permite o gerenciamento das informações oriundas das unidades de saúde. a avaliação e a gestão dos gastos públicos e das Políticas de Saúde. SIOPS – Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde – Instrumento de planejamento. A codificação da causa básica do óbito depende do conhecimento de um especialista e.

Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde. Outros sistemas de informação (bases de dados demográficos/pesquisas) poderão ser utilizados junto aos SIS. para subsidiar a análise da situação sanitária. A pesquisa em saúde também encontra nesses sistemas dados relevantes. que indicam caminhos para a busca de novos conhecimentos e tecnologia para o setor. o mesmo ocorrendo com o Ministério da Saúde. CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – Permite a identificação dos profissionais de saúde cadastrados na rede de prestadores de serviços das operadoras. a tomada de decisões baseada em evidências. O IBGE vem aperfeiçoando suas pesquisas e estudos e as formas de acessá-los. possibilitando à Agência Nacional de Saúde Suplementar verificar as diversas categorias e especialidades disponíveis para os seus usuários. O acesso às informações do sistema deve respeitar o direito do usuário à privacidade e à confidencialidade. a fim de identificar o cidadão no sistema local e. Ministério da Saúde. normalizadas. CNS/Cadsus – Cadastro do Cartão Nacional de Saúde . disponível em: < www. CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE. ao mesmo tempo. possibilitar a agregação de informações no âmbito federal e o acompanhamento do fluxo deste usuário no interior do sistema de saúde. Atualmente muitos dados estão disponíveis por meios eletrônicos. elaborados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).1.O Cartão Nacional de Saúde é considerado um instrumento fundamental para articular a execução descentralizada dos serviços e o caráter nacional e único do Sistema de Saúde. pelo Departamento de Informática do SUS. Brasília: Ed.Saúde Suplementar é um conjunto de instituições privadas que oferece serviços de atenção à Saúde sob a forma de pré ou pós-pagamento (isto é. gov. Brasília: Conass. v. 2007. cujas atividades são reguladas. Brasília: Conass. O SUS de a a Z: garantindo saúde nos municípios. 2005. Coleção Progestores para entender a gestão do SUS: O Sistema Único de Saúde. São eles o Censo Demográfico.datasus. do Ministério da Saúde. planos e seguros de saúde). Coleção Progestores para entender a gestão do SUS: Vigilância em Saúde. Bibliografia BRASIL. 66 PROMOçãO DA SAÚDE . II. 2007. controladas e fiscalizadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). 6. o planejamento e a programação das ações em saúde. Tomos I. a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e a Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária (PMAS). O cartão tem uma numeração nacional (baseada no número do PIS/ Pasep). ______. v.br >. Datasus.

Educação Profissional e Docência em Saúde: a formação e o trabalho do agente comunitário de saúde.FUNDAçãO OSwALDO CRUZ. Educação Profissional e Docência em Saúde: a formação e o trabalho do agente comunitário de saúde. OPAS/OMS Organização Pan-Americana de Saúde.1. ______. v. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. Rio de Janeiro: Fiocruz. Indicadores básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações. Políticas de Saúde: a organização e a operacionalização do Sistema Único de Saúde. Programa de Formação de agentes Locais de Vigilância em Saúde . mód. ______. 5. 3. 2007. 2007. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio.PROFORMAR. Organização Mundial de Saúde. un. 2004. II. O Território e o Processo Saúde-Doença. UNIDADE III – SISTEMA DE INFORMAçãO EM SAÚDE 67 . Rio de Janeiro: Fiocruz. Rio de Janeiro: Fiocruz. v. Brasília: 2002.

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Tomar por referência as etapas para elaboração de projeto de pesquisa abordada no texto: Pesquisa Científica. no serviço ou na comunidade. instrumentos. com destaque para o conceito de bioética.Discussão sobre o conceito de pesquisa. 5. sobre tema pertinente às ações do técnico de enfermagem.Levantamento de situações da vida cotidiana e profissional em que se utiliza a pesquisa 2. adequação ao perfil de atuação do técnico.Projeto de pesquisa: etapas • O Tema • O Problema • A Hipótese • Os Objetivos • A Metodologia • O Orçamento 3. 4. UNIDADE IV – PESQUISA EM SAÚDE 69 .Comitê de Ética em Pesquisa/CEP Método 1.Debate sobre aspectos éticos e legais evolvidos na realização de pesquisas em saúde. Levantamento de Instituições que contam com a atuação de Comitês de Ética em Pesquisa. considerando-se viabilidade de execução. relacionando com a Bioética. quantitativa 2. relevância do tema. avaliação: processual dos conteúdos relevantes e avaliação de produto parcial da Unidade IV Sugestão de ações para estágio supervisionado: Pesquisa em anais de Congressos de Enfermagem sobre as pesquisas e trabalhos científicos realizados pela enfermagem.1. Conteúdos 1. sob orientação do instrutor.Pesquisa Científica • Métodos: qualitativa.Analisar o papel da pesquisa e sua aplicação em saúde e as etapas de elaboração de um projeto de pesquisa.Apresentação dos trabalhos.Princípios éticos e legais • Bioética. com análise dos projetos.Participação de oficinas de trabalho em grupos para elaboração de projeto de pesquisa. 3.Identificar as linhas de pesquisa em Saúde. 4. IV.2. UNIDaDE IV Objetivos Específicos IV.Pesquisa em Saúde Objetivo Reconhecer a importância da pesquisa enquanto ferramenta na produção de conhecimentos e no desenvolvimento profissional em saúde. fontes. seus métodos. contextualização à realidade do serviço e da comunidade. Realização de pesquisa individual ou em grupos. Sugestão de tema: Problemas de saúde mais comuns relacionados ao campo de atuação do técnico de enfermagem.

literário. pela necessidade em conhecer melhor. relacionadas a interesses e circunstâncias socialmente condicionadas. de S. a pesquisa deve ser vista como recurso na produção de conhecimentos. a pesquisa vincula pensamento e ação. embora seja uma prática teórica. Na enfermagem. 70 PROMOçãO DA SAÚDE . Petrópolis: Vozes. modificar ou intervir em uma dada realidade. a pesquisa é considerada atividade básica da ciência na sua indagação e construção da realidade. a sociedade tem avançado em seu desenvolvimento e na aquisição de conhecimentos. muitas vezes. com a realização das primeiras defesas de teses que possibilitou à enfermagem maior credibilidade profissional. a pesquisa se intensifica a partir de 1970. É a pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a atualiza frente à realidade do mundo. gerando conhecimento científico e promovendo o crescimento tecnológico. artístico etc.ed. se não tiver sido. 1994.TExTO 8 Pesquisa Científica Movida pela curiosidade e. São frutos de determinada inserção no real. Toda pesquisa se inicia com a formulação de um problema e o objetivo é encontrar a solução. um problema da vida prática. portanto. Maria C. processos de trabalho e construção de novos paradigmas. A pesquisa contribuiu substancialmente para o desenvolvimento de povos e nações. nada pode ser intelectualmente um problema. método e criatividade. Em saúde. constituindo-se em ferramenta necessária à revisão de práticas. Portanto. contribuindo para a promoção da saúde e do crescimento profissional. Quando não temos problemas não somos instigados a 1 MINAYO. 3. Pesquisa Social: teoria. Ou seja. Todos nós podemos ser pesquisadores na medida em que temos um problema e vamos à busca de conhecimentos para resolvê-lo. em primeiro lugar. As questões da investigação estão. Pesquisa: Conjunto de atividades que têm por finalidade a descoberta de novos conhecimentos no domínio científico. Segundo Minayo. nele encontrando suas razões e seus objetivos1.

quantificados. deduzir. o que garante a igual consideração dos interesses envolvidos. não perdendo o sentido de sua destinação sócio-humanitária (justiça e equidade). Ministério da Saúde. • ponderação entre riscos e benefícios. Além da metodologia para a realização da pesquisa. o princípio da justiça conduz à reflexão ética orientada pela garantia do respeito à dignidade humana na realização das pesquisas. A Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde aprova diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. tanto atuais como potenciais. mesmo não sendo pesquisadores. no que se refere ao método. 16 de outubro de 1996. analisar.pensar. (Conselho Nacional de Saúde. dos cientistas ou de interesses industriais e comerciais.2 Pesquise o número de estabelecimentos de saúde existentes no seu município. individuais ou coletivos (beneficência). na pesquisa científica precisamos definir o assunto a ser pesquisado. quase que diariamente de forma intuitiva. respeitá-los em sua autonomia e defendê-los em sua vulnerabilidade. a pesquisa envolvendo seres humanos deverá sempre tratá-los em sua dignidade. Resolução 196/96 de 10 de outubro de 1996. Diário Oficial da União. Considera-se qualitativa aquela em que a análise é procedida por indução. em que os fenômenos são medidos. da ciência. UNIDADE IV – PESQUISA EM SAÚDE 71 . Em síntese. não podendo o pesquisado ser utilizado como meio de satisfação de interesses de terceiros. onde os fenômenos não são mensuráveis. nos inúmeros questionamentos que se apresentam no cotidiano. • relevância social da pesquisa com vantagens significativas para os sujeitos da pesquisa e minimização do ônus para os sujeitos vulneráveis. Já a quantitativa trabalha com análise do ponto de vista estatístico. Verifique também quantos são públicos e quantos são privados. pode ser quantitativa ou qualitativa. Comissão Nacional de Ética em Pesquisa). é necessário respeitar os princípios éticos e legais. crítica. Essa atividade praticamos. O que se estuda é caracterizado pelo subjetivismo. A Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde estabelece que as pesquisas envolvendo seres humanos devem atender às exigências éticas e científicas fundamentais como: • consentimento livre e esclarecido dos indivíduos-alvo e a proteção a grupos vulneráveis e aos legalmente incapazes (autonomia). Ser um pesquisador é exercer a capacidade que todos temos de reflexão. 2 Conselho Nacional de Saúde. A pesquisa. análise e criatividade. Porém. conhecê-lo profundamente e desenvolvê-la segundo metodologia estabelecida. comprometendo-se com o máximo de benefícios e o mínimo de danos e riscos. • garantia de que danos previsíveis serão evitados (não maleficência). Nesse sentido. O bemestar das pessoas que se submetem a pesquisas deve sempre prevalecer sobre os interesses da ciência e mesmo da sociedade.

de conhecimento. Construí-lo em forma de pergunta ajuda a identificar o que se deseja pesquisar. É o planejamento da pesquisa. é fator essencial para a formulação do problema e deve estar dentro dos limites do pesquisador. fornece clareza dos passos a serem seguidos e prevê situações que podem dificultar o seu desenvolvimento. portanto com acesso às fontes de consulta. evitando dupla interpretação. A justificativa para a escolha do tema envolve a apresentação dos fatos e motivos que levaram a essa pesquisa. analisar a viabilidade dos métodos e técnicas a serem utilizados. Nessa etapa.Da mesma forma. 72 PROMOçãO DA SAÚDE . ser de área de interesse do pesquisador. comunidades e coletividades. As etapas a seguir relacionadas devem ser cumpridas para a concretização do projeto. Todo projeto de pesquisa necessita ser aprovado pelo CEP e no caso de pesquisa em grupos vulneráveis. A elaboração de projeto de pesquisa consiste na descrição detalhada de todas as ações para aquilo que se pretende realizar. tempo ou custos. É ele que desenha os cenários. é necessário considerar sua relevância e possíveis contribuições e. O Tema Para a definição do tema a ser pesquisado. principalmente. É responder à pergunta: Por que fazer?. de caráter multidisciplinar e transdisciplinar. Para a formulação do problema é necessário ter clareza e objetividade. define que em toda instituição em que se realize pesquisa envolvendo seres humanos deverá ser criado o Comitê de Ética em Pesquisa/CEP. Todo problema precisa ser passível de solução. O Problema A revisão da literatura. deverá ser convidado um representante para participar da análise do projeto. Para a pesquisa é necessária a indicação da teoria que a fundamenta.

testável para o problema proposto. a Metodologia A metodologia da pesquisa indica o que será feito para se atingir os objetivos estabelecidos. e tem a missão de contribuir para o aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde (SUS).496. Disponível em: < bvsms. a coleta de dados. Para a sua formulação utilizam-se várias fontes como teorias. UNIDADE IV – PESQUISA EM SAÚDE 73 . pelo Decreto nº 3. Conheça mais sobre as pesquisas fomentadas pelo SUS. independentemente do fato de ser verdadeira ou falsa.a Hipótese É uma possível explicação ou resposta. provar. o que será utilizado e onde será realizada.saude. coordenando e induzindo o desenvolvimento de atividades de ciência. mas unicamente a título de um princípio a partir do qual se pode deduzir um determinado conjunto de consequências. Existem os objetivos gerais que oferecem uma visão ampla da pesquisa e os específicos que descrevem aspectos detalhados. Nessa etapa estabelecemos resultados esperados. articulando. os passos a serem dados. qual o resultado final de sua pesquisa. outras pesquisas e inclusive a intuição do pesquisador. a população pesquisada. Os Objetivos Os objetivos estabelecem aonde se pretende chegar. os instrumentos utilizados. Hipótese: proposição que se admite. É o que antecipa a resposta ao problema. tecnologia e inovação em saúde. como será realizada a análise dos dados e a forma do relatório. cronograma de execução. ou seja. São enunciados em verbos no infinitivo e referem-se ao que é pretendido medir. O Orçamento O orçamento constitui-se em instrumento importante para a viabilização da pesquisa não descartando a possibilidade da necessidade de revisão ou cortes no decorrer da pesquisa. Detalhamos de que forma. 2008). Pode ser colocada em forma de pergunta ou afirmação. Acesso em: 16 de março de 2009.br/bvs/publicacoes/contribuicoes_20_anos_ SUS. Compreende a relação dos recursos necessários e seus custos estimados.pdf>. (Brasil.gov. Todo modelo de instrumento deve ser anexado ao projeto. O Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) da Secretaria de Ciência e Tecnologia (SCTIE) do Ministério da Saúde foi instituído no ano de 2000. Ministério da Saúde.

Tecnologia e Insumos Estratégicos. ______.   1993 . Diário Oficial da União. 2008. Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.br/bvs/publicacoes/contribuicoes_20_ anos_SUS. Identifique no seu cotidiano situações problemas que poderiam ser pesquisadas e discuta com sua equipe de trabalho as possibilidades existentes para a realização de atividade científica. CARDOSO. Traga o que você discutiu no trabalho e aprimore a proposta com auxílio do professor (a) e colegas de estudo. Quais são os dados levantados? Quais encaminhamentos são adotados? Você pode. novembro de 1998. Conselho Nacional de Saúde. Cadernos de Ética em Pesquisa.   Disponível em: <http://www.referências bibliográficas É nesse item que serão relacionados os livros citados no projeto de pesquisa utilizando-se a orientação da Associação Brasileira de Normas Técnicas. spe.pdf>. Pesquisa 1. O desenvolvimento da pesquisa no Brasil.br/scielo. Conselho Nacional de Saúde. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. UFSC. junto com colegas de estudo e com auxílio do docente. S. Departamento de Ciência e Tecnologia. Acesso em: 18 de março de 2009. Brasília: Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência. Publicação da Conep. Ministério da Saúde. L.saude. n. Ministério da Saúde. Pesquisa para saúde: contribuições aos 20 anos do SUS.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11691993000300007&lng=en& nrm=iso>. BRASIL. Metodologia da pesquisa. Rev. Bibliografia ANGERAMI. Textos Básicos de Saúde. J. Enfermagem. Série B. Disponível 74 PROMOçãO DA SAÚDE . scielo. 2001.2. Acesso em: 16 de março de 2009. Florianópolis.  n. Verificar se na sua instituição de trabalho existe pesquisa de satisfação do cliente. Disponível em: < bvsms.  Ribeirão Preto.  v. Resolução 196/96 de 10 de outubro de 1996. 1. aprimorar seus conhecimentos acerca de pesquisa. Administração. 16 de outubro de 1996. ______. E. Ano I.gov. Latino-Am.

ufpr.edu. UNIDADE IV – PESQUISA EM SAÚDE 75 . L.ufrgs. Disponível em: <http:// www. Pesquisa Científica. Projeto de pesquisa: o que é e como se faz. T.campus2. Projeto de Pesquisa.pro.  v. M. C.php?script=sci_ arttext&pid=S0104-11692004000500015&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 18  de março de 2009. Disciplina: Metodologia da Pesquisa Jurídica. (org) et al..doc>. Disponível em: < http://www.br/bioetica/normart. O que é pesquisa? Disponível em: <http:// people.  2004 . Diretrizes e Leis em Pesquisa em Saúde. Cuidando.pdf> . Cadernos acadêmicos ritter dos reis. Oct. O projeto de pesquisa. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Universidade do Sul de Santa Catarina – Unisul.  Ribeirão Preto. 4.%20pesquisa%20cientifica. Porto Alegre: 2004.br/~ines/pccsi/O_Projeto de Pesquisa_2004B.uniritter. R.  n. Acesso em: 18 de março de 2009. unisul. V.ronaldomartins. 2001. LIMA. Acesso em: 18 de março de 2009. Latino-Am.doc>.br/w2/editora/downloads/Caderno_Academico-vol_4.br/~jiani/metodologia/pesquisa1. HOUAISS.br/~nilce/metodolog. E. MARTINS.   Disponível em: <http://www. GOLDIM. Normas.br/materiais/didaticos/ProjetodePesquisa. Rio de Janeiro: Objetiva. Acesso em: 18 de março de 2009.S.pucrs. Enfermagem. Acesso em: 18 de março de 2009. 5. CAREGNATO. HEERDT. Disponível em: < http://www. CARVALHO. J. pesquisando e ensinando: acerca de significados e implicações da prática da enfermagem.doc>.M. R. Acesso em: 18 de março de 2009. 12.VILLAR.scielo. Rev. Disponível em: <http://inf. Acesso em: 18 de março de 2009.em: <http://www. (org).br/scielo.pdf>. B.A.htm>.

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Debate sobre as consequências individuais e sociais da opção por práticas pedagógicas tradicionais ou problematizadoras. campanhas pelos meios de comunicação de massa). 2.Alternativas pedagógicas • Pedagogia tradicional • Pedagogia tecnicista • edagogia problematizadora P 2. centradas na transmissão de informações e de práticas que favorecem a participação social e o empoderamento.Análise das características de práticas educativas tradicionais. UNIDADE V – EDUCAçãO E SAÚDE 77 .Educação e Saúde Objetivo Participar de práticas de educação em saúde tendo por referência os princípios da educação problematizadora. avaliação: processual dos conteúdos relevantes Sugestão de ações para estágio supervisionado: Observação e acompanhamento de práticas educativas realizadas no serviço.Leitura e discussão de texto: Educação e saúde na prática do técnico de enfermagem e debate sobre o papel do educador e do aprendiz em cada uma delas. grupos de discussão. 5.1.Pesquisa e observação das práticas educativas mais comuns em saúde (palestras. em escolas ou na comunidade.Reconhecer as práticas educativas mais comuns em saúde e seus princípios pedagógicos.Práticas educativas em saúde Método 1. UNIDaDE V Objetivos Específicos V. Conteúdos 1. 3. participação social e ética. 4.Debate sobre a relação entre opção pedagógica e princípios de cidadania.

2. SUS e Política Nacional de Humanização (PNH) Sugestão de ações para estágio supervisionado: Participar de atividades de Educação Permanente em Saúde em seu município/local de trabalho 78 PROMOçãO DA SAÚDE . atitudes e comportamentos favoráveis ao cuidado em saúde Método 1.Política de Educação Permanente em Saúde: • rticulação de gestão. avaliação: processual dos conteúdos relevantes Sugestão de ações para estágio supervisionado: Realização de atividades de educação em saúde no serviço ou na comunidade.Pesquisa em grupos sobre a instituição da Política de Educação Permanente em seu município/Estado e em seu local de trabalho. 3.Objetivos Específicos V. 4.Reconhecer os princípios da Política de Educação Permanente.Dramatização de propostas de educação em saúde para intervenção nos problemas de saúde em sua área de atuação com base nas pesquisas realizadas na unidade anterior. atenção. Objetivos Específicos V. sobre tema pertinente às ações do técnico de enfermagem e considerando as pesquisas realizadas na unidade anterior.Planejamento de ações educativas com vistas à intervenção nos problemas de saúde identificados em sua área de atuação. formaA ção e controle social • orresponsabilidade dos profissionais C e serviços pelo cuidado e pela cura • osturas criativas de construção de coP nhecimentos referenciadas nas necessidades dos usuários • esenvolvimento conjunto de conheD cimentos. Conteúdos 1.Planejar ações de educação em saúde.Pesquisa sobre os princípios que norteiam a Política de Educação Permanente e sua importância enquanto política pública.Apresentação dos trabalhos e debate sobre os aspectos conceituais e práticos da Política de Educação Permanente. avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade V Integração Curricular: ÁrEa I Política Nacional de Saúde.3. com destaque para as possibilidades de atuação do técnico de enfermagem. 2.Planejamento de atividades de educação em saúde: • Clientela • Conteúdo • Objetivos M • etodologia /técnicas de ensino • ecursos didáticos R • valiação da aprendizagem A • Carga horária Método 1. Conteúdos 1.2.Leitura e discussão do texto: Educação Permanente em Saúde.

a atitude que tomamos na vida reflete as experiências vividas ao longo de nossa existência. não existe participação. Esta teoria pedagógica Paulo Freire chamou de educação bancária. como participante da equipe. Desse modo. a chamada bancária. foi ou continua sendo um ato passivo. Procure se lembrar de seus professores e como era aprender. Frequentamos escolas e experimentamos modelos tradicionais de aprendizado. Cliente é admitido na unidade de internação com um quadro de hipertensão arterial sistêmica. O docente transmite o conhecimento que detém e o aluno escuta. cliente. seja na promoção da saúde. Nessa situação. Aprender. reflexão e seu conhecimento e suas convicções totalmente desconsideradas. Em nenhum momento busca saber sobre as condições que fizeram com que a pressão arterial atingisse esses níveis. a enfermagem desenvolve constantemente ações de educação. O técnico questiona como ele.TExTO 9 Educação e Saúde na Prática do Técnico de Enfermagem No seu cotidiano de trabalho. Discorre então sobre todos os cuidados a serem tomados para a manutenção da pressão arterial em níveis pressóricos normais. guardadas as raras exceções em que nos sentimos respeitados e incluídos no exercício do aprender. Para melhor entendimento das concepções pedagógicas. entre elas. para a grande maioria. Entendemos que só podemos oferecer ao outro aquilo que conhecemos e que está internalizado em nós. recuperação ou reinserção do cliente na sociedade. vivencia essas experiências de educação e as reproduz como apreendeu nos bancos escolares. podemos dizer que o profissional utilizou Volte ao período em que cursou o ensino fundamental. O técnico de enfermagem. deixou que a sua situação de saúde chegasse a esse ponto. Pensemos numa situação hipotética A. reportando-se à educação. propomos trazer situações rotineiras do nosso cotidiano em que desenvolvemos ações de educação em saúde. e seu primeiro contato é com o técnico de enfermagem que o recebe e verifica os sinais vitais. Por que em algumas aulas era prazeroso e fácil aprender? Em quais momentos o aprendizado era difícil? Por quê? A dificuldade estava relacionada a quê? UNIDADE V – EDUCAçãO E SAÚDE 79 . médio ou mesmo o curso de auxiliar de enfermagem.

Acesso em: 21 de março de 2009.br/index. políticos e culturais. 80 PROMOçãO DA SAÚDE .php?option=com_glossary&fu nc=view&Itemid=82&catid=40&t erm=Magister+dixit>. Em outras palavras. Essa prática foi bastante utilizada durante o regime militar em que imperava a racionalidade e o aspecto mais importante relacionava-se à sua eficiência profissional e capacidade de produzir. Essa opção pedagógica. uma meta. O que me impressionou muito foi que cada uma dessas opções pedagógicas produz efeitos marcadamente diferentes no individuo e na sociedade. desse modo. foram preparados para atingir um fim. Situação hipotética B O técnico de enfermagem recebe um paciente diabético que procura a Unidade Básica de Saúde para realizar curativo de uma lesão em seu pé. ou mesmo. (Palestra Bordenave).O mestre disse. mas meros tarefeiros. afetivos. socioeconômicos. ou de falta dele. propostas do educando não são contempladas. Assim é a pedagogia tradicional. chamada tecnicista ou do condicionamento. sua realidade e seus conhecimentos. Esse aluno provavelmente será um profissional habilidoso. Muitas escolas preparam seus alunos dessa forma. podem ser atribuídos. São profissionais que não sabem refletir sobre suas ações. na América Latina. questionamentos. Mais uma vez se desconsiderou o sujeito.adv. É uma pedagogia centrada em quem detém o conhecimento e da valorização dos conteúdos educativos. o fazer pedagógico precisa estar fundamentado em uma abordagem interdisciplinar que possibilite a compreensão de aspectos cognitivos. sem que questionem porque fazem ou como fazem. Portanto. privilegiando a formação técnica. individualistas. questionar técnicas. ou seja. A ação baseou-se essencialmente no aspecto técnico da realidade encontrada. especifica os materiais necessários para a realização correta do curativo e o que deve ser observado no processo de cicatrização. críticas. sua participação pode ser muito ativa no executar e menos no pensar. que executará todas as técnicas com grande maestria e cumprirá de forma eficiente suas tarefas. constituindo uma prática pedagógica socialmente contextualizada. também chamada de transmissão. o cliente permaneceu calado e passivo. Recebe o cliente e faz uma orientação extremamente cuidadosa e detalhada sobre a maneira adequada de cuidar da lesão. Indica soluções necessárias à assepsia. Disponível em: < http://buenoecostanze. tornam as pessoas competitivas. A intenção é transformar aquele que aprende e encaixá-lo na sociedade existente. magíster dixit: Termo latino . não apenas à injusta estrutura social. Comprovei assim que muitos de nossos problemas de desenvolvimento. apresenta-se como um importante instrumento de transformação social. Dessa forma exercemos a prática educativa de maneira autoritária e paternalista. não há interação entre sujeito/realidade/conhecimento. (Metodologia da Problematização no Ensino em Enfermagem: uma reflexão do vivido no PROFAE/RS). o processo educativo interativo favorece o intercâmbio de saberes e oferece os subsídios necessários para o crescimento de todos os participantes envolvidos e. a pedagogia tradicional ou bancária.Considerando-se que os indivíduos vivenciam diferentes contextos sociais. mas também à pedagogia vertical do magíster dixit tradicionalmente praticada. sua estória de vida. pois é assim que acontece quando utilizamos esse método. Para o técnico é visível que a lesão está em precárias condições pela falta de cuidado.

Havendo interação. Essa opção pedagógica compreende várias fases. Esta pedagogia desenvolve o pensamento crítico e a capacidade da coletividade em transformar realidades. É nessa troca rica de experiências que o saber coletivo é construído possibilitando a formação de sujeitos e a transformação social. A solução estaria então em simplificar a linguagem? Não. agendando novo encontro para avaliação da aplicabilidade dessas soluções em sua realidade de vida. O grupo passa a discutir os problemas encontrados. ou ainda segundo Paulo Freire. Os facilitadores trocam com o grupo as informações mais técnicas que podem subsidiar o entendimento de situações específicas. Trabalhar dessa forma é basear a prática educativa na pedagogia problematizadora.Bordenave).Situação hipotética C O técnico de enfermagem trabalha na Unidade Básica de Saúde e faz parte de um grupo de orientação sobre aleitamento materno. o contexto de vida e saberes de cada um se torna conhecido. O docente assume o papel de facilitador do processo ensino-aprendizagem e todos trocam experiências e conhecimentos. necessidades. A equipe que desempenha o papel de facilitadores estimula a participação para que surjam as situações problema. a incomunicação vai continuar. Na primeira fase os educandos são convidados a observar uma dada realidade. Valendo-se do saber popular naquilo que um é rico o outro é pobre e viceversa. Em seguida passam a discutir as prováveis maneiras de se solucionar os problemas apresentados. (Palestra . analisando criticamente cada situação e suas várias possibilidades. que gente com pouca educação não compreende. podemos dizer que assim todos aprendem. preferencialmente do seu cotidiano. Na metodologia problematizadora o professor assume o papel de facilitador e não daquele que ensina e a construção do conhecimento é feita buscando o entendimento da realidade por meio de questionamentos e reflexões. pedagogia libertadora. e a expressar seus entendimentos segundo suas percepções. sobre a experiência de amamentar. porque o problema básico não está na linguagem empregada. UNIDADE V – EDUCAçãO E SAÚDE 81 . mas na relação social existente entre os atores. Enquanto esta relação de superioridade-inferioridade não mudar. da autonomia. O início do trabalho educativo se dá com o relato das mães para o grupo. como aluno ou já profissional. analisando aquela realidade concreta e chegando a um ou mais Você. viveu situações como a apresentada no caso C? Pôde participar de atividades que julgou que estava ensinando e ao término da prática educativa percebeu que mais aprendeu do que ensinou? Esses profissionais costumam usar um vocabulário técnico. É quando constatam situações sociais.

A coragem de pôr em prática um autêntico trabalho de educação que identifica a alfabetização com um processo de conscientização. art. Para a teorização do problema as informações devem ser buscadas em outras fontes como palestras. textos. terceira fase. o que é verdadeiramente importante e passível de ação para a solução.projetomemoria.Considera o ato de ler e aprender como condições para a cidadania autêntica e a transformação do mundo. Na medida em que o entendimento e conceituação do problema são construídos os educandos se transformam em professores de si próprios. A teorização. A construção do conhecimento a partir daí transforma-se numa realidade 82 PROMOçãO DA SAÚDE .Ele foi quase tudo o que deve ser como educador.jsp Paulo Reglus Neves Freire nasceu no dia 19 de setembro de 1921. O facilitador contribui para a sistematização da discussão/estudo produzida pelo grupo podendo também levar contribuições teóricas sobre o assunto estimulando a busca de novos conhecimentos. o aluno participante desenvolve um olhar crítico às situações de vida. Paulo Freire . em Recife. A fase seguinte é de reflexão sobre o problema encontrado e suas possíveis causas... uma das regiões mais pobres do país.problemas. de análise e a capacidade de entender não somente o problema. O facilitador participa com perguntas buscando orientar a discussão. mas a inserção do objeto de estudo em uma realidade mais ampla faz deles cidadãos com capacidade de transformar realidades. Pernambuco.jsp). A elaboração de soluções/hipóteses possíveis para resolver os problemas faz parte da etapa seguinte. não mais educativa. .. como vídeos. Nesse processo a criatividade e a crítica devem ser estimuladas.. Transforma-se em prática de vida. de professor de escola a criador de idéias e “métodos”.br/PauloFreire/index...art. capacitando o oprimido tanto para a aquisição dos instrumentos de leitura e escrita quanto para a sua libertação fez dele um dos primeiros brasileiros a serem exilados (http://www. Na pedagogia da problematização. Passa-se a identificar os pontos-chave do problema. filmes. vai em busca de conhecimento para compreendê-las e torna-se criativo e inovador ao propor soluções ocorrendo assim uma mudança individual e coletiva. O uso do raciocínio. . onde logo cedo pôde experimentar as dificuldades de sobrevivência das classes populares.. depois de elencadas as soluções mais pertinentes. o grupo irá aplicá-las à realidade.br/ PauloFreire/index. livros. outras inexequíveis e assim passam a trabalhar com hipóteses pertinentes àquela realidade. Os educandos compreendem nesta fase que algumas soluções são viáveis. representa o estudo do problema. A última etapa.projetomemoria. Conheça mais sobre esse educador em: http://www. Internet. O facilitador pode utilizar estratégias para auxiliar na compreensão.

11. Anna Nery.usp. B. Disponível em: <http://antares.pdf>.F..nates. M. no. A. que se utilize desta prática no seu cotidiano e seja um agente de transformação. J. M. Esc. CABRAL. SANTOS. B. M.2 . jun.ucpel. br/revista2/artigo3. O desenvolvimento de um comunicador para o desenvolvimento.60.pdf >. PIERANTONI.pdf>. [online]. Consultor Internacional em Comunicação e Educação. Disponível em: <http://www. Entrevista.br/novo/revista/pdf/v006n2/Pesquisa1. A. Acesso em: 21 de março de 2009. Disponível em:<http://www. a pedagogia da problematização como prática emancipatória da formação em enfermagem. R.. Disponível em: <200.org. FARAH. BORDENAVE. N.ufjf. a problematização e a aprendizagem baseada em problemas: diferentes termos ou diferentes caminhos? Disponível em: <http://www. Acesso em: 21 de março de 2009. a utilização da metodologia da Problematização no Curso Introdutório para Saúde da Família do Pólo de Capacitação da UFJF.social que propicia o desenvolvimento de um cidadão.222. M. ALMEIDA. I.N. 2007. Bibliografia BERBEL.171/PDF/a%20pedagogia%20da%20problematizacao. Acesso em: 21 de março de 2009. Acesso em: 21 de março de 2009. C. D.br/regiocom/upload/File/Palestra-Bordenave. B. br/pdf/ean/v11n2/v11n2a21.eerp.tche. A. SCHAURICH. RODRIGUES. Acesso em: 21 de março de 2009.pdf>. D.. vol. Metodologia da problematização no ensino em Enfermagem: uma reflexão do vivido no PrOFaE / rS. Propomos a você técnico de enfermagem. T. F. UNIDADE V – EDUCAçãO E SAÚDE 83 .interface...portalbvsenf. S.pdf>. NERY.

então. A complexidade com que se dão esses processos. considerando. seus determinantes e os princípios do SUS.TExTO 10 Educação Permanente em Saúde No processo de trabalho em saúde. gestão e controle social em saúde. Nessa lógica. baseados em situações reais e locorregionais. para a formulação de uma política de educação em saúde. no sentido de enfrentar as mudanças aceleradas e os desafios gerados no desempenho do trabalho. O desenvolvimento de uma política de educação em saúde deve reunir educação. resultando num processo de reflexão e construção de inovações para uma política nacional de formação e desenvolvimento de profissionais de saúde. nos diversos níveis de atenção à saúde. o desafio colocado aos trabalhadores é o de desenvolver ações para enfrentar a problemática de saúde/doença. desenvolvidos na lógica da integralidade. é imprescindível pensar em estratégias e ações que possam garantir a qualificação dos trabalhadores. 84 PROMOçãO DA SAÚDE . segundo estratégias de promoção da saúde como qualidade de vida. com o objetivo de garantir pessoal qualificado para a compreensão e intervenção intersetorial e. exige uma compreensão e um acompanhamento contínuo que interfere nas práticas diárias dos serviços. Para o fortalecimento dessas ações faz-se necessária a utilização de potencialidades individual e coletiva do conjunto de atores. Esse contexto de produção de saúde acena. sujeitos dinâmicos nesse processo. integrante do cotidiano do sistema de saúde. com caráter de educação permanente. nos diferentes cenários do SUS. sobretudo.

é instituído no Brasil por meio da Portaria Ministerial nº 198. social e historicamente construídas. estruturadas a partir da problematização. onde o aprender e o ensinar se incorporam no cotidiano das organizações desse trabalho. inventor de novidade. singular em cada caso ou realidade. Alteridade – qualidade do que pertence ao outro. um grupo social. a Política de Formação e Desenvolvimento para o SUS: Caminhos da Educação Permanente em Saúde.Política de Educação Permanente em Saúde. serviço) e cidadania (controle social.2003. incentivando o assumir de posturas criativas de construção de conhecimentos. I. BRASIL. é uma atividade da educação problematizadora. Traz em seu arcabouço ênfase no ensino e na cidadania. bem como a luta por um desenho orientado pelas complexidades locais e pela responsabilidade dos profissionais e serviços pelo cuidado e pela cura. Articula gestão. pois a educação em saúde se dá nas relações cotidianas e é parte integrante dos processos de trabalho em saúde. de perguntação e de implicação. Devemos considerar que somos todos educadores em saúde. alteridade com os movimentos populares. atitudes e comportamentos favoráveis ao cuidado em saúde. o trabalho (gestão setorial. atenção. A Educação Permanente em Saúde sugere e qualifica uma ligação orgânica entre o ensino (educação formal. mediante o processo de empoderamento. colocar-se ou constituir-se como outro. UNIDADE V – EDUCAçãO E SAÚDE 85 . pertencente ao mundo dos movimentos. Mód. Problematização – movimento de tensionar. de desacomodação.996 . Un. I. onde a aprendizagem é interpretada como atividade inventiva. Educação Permanente em Saúde (EPS) . educação continuada). práticas participativas. que são extremamente dinâmicas. resultando em aumentos de potências. Tais diretrizes têm como referência as necessidades dos usuários. negociar e pactuar com outros atores sociais a favor do bem comum. Ambos os documentos são referência para a definição do campo de saberes e práticas da Educação e Ensino da Saúde. Empoderamento – é a condição de uma pessoa. Propõe que os processos de formação dos trabalhadores de saúde tomem como referência as necessidades de saúde das pessoas. educação em serviço. ligações com a sociedade civil). com a aprovação do Conselho Nacional de Saúde. é editada a Portaria Ministerial nº 1. 2003). voltados para o desenvolvimento conjunto/coletivo de conhecimentos. prévio e a experiência presente.Em 2003. o que é ou está no outro. (BRASIL. produzindo saúde e produzindo sujeitos implicados na produção de saúde.É a aprendizagem no trabalho. 2005 a). Ela aciona movimentos de estranhamento. ou uma comunidade ampliar sistematicamente sua capacidade de realização. Em 2006. (PROFORMAR. Ser outro. empreender ações. formação e controle social com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas. das populações e tenham como objetivo a transformação das práticas profissionais e da própria organização do trabalho. entre o saber anterior. práticas profissionais. Pensar problematicamente é colocar perguntas no lugar de respostas. Faz-se necessário que todos os profissionais de saúde participem dos processos de educação permanente em saúde e sintam-se corresponsáveis por este processo.

Torna-se necessário repensar a Educação em Saúde sob a perspectiva da participação social. podendo ocorrer espontaneamente ao longo de toda a vida. Levar a prática educativa para o cotidiano do processo de trabalho do técnico de enfermagem pressupõe considerar que: • Todas as relações sociais são potencialmente educativas. como no ambiente familiar. utilizando-se de metodologias ativas. na sala de aula. que se movimentam em direção a um projeto de vida libertador. na igreja. devendo incluir entre seus objetivos de trabalho a intenção de: • Partilhar conhecimentos sobre saúde. cabem ao técnico de enfermagem e demais profissionais de saúde. na escola. É um componente que está presente desde a Carta de Ottawa. de relacionar-se emocionalmente com os fatos da vida. Significa que o técnico de enfermagem também tem responsabilidades pelas ações educativas da equipe de saúde. 86 PROMOçãO DA SAÚDE . Dessa forma. no trabalho. pensar intelectualmente sobre o que nos cerca. Em grupo. acontecendo em lugares sociais. • Interagir conscientemente com os sujeitos sociais (indivíduos. contemplando o universo dos processos de trabalho e as vivências acumuladas. instituições e grupos) que ativamente podem fazer a diferença. conceber novas alternativas de interferir na realidade e ainda. compreendendo que as verdadeiras práticas educativas só têm lugar entre sujeitos sociais e considerar que a Educação em Saúde é uma estratégia para a constituição de sujeitos ativos. • Contribuir para que as populações reconheçam as situações de risco à saúde nas quais estão envolvidas. Carta de Ottawa – Documento resultante da 1ª Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde. • Educar é um processo por meio do qual se criam formas de perceber a realidade. participar de práticas educativas na lógica da educação permanente em saúde. ocorrida em 1986 no Canadá. faça uma discussão sobre sua experiência na participação em treinamentos/capacitações no serviço e aponte o que foi considerado de importante no desenvolvimento deles. na rua.

São Paulo. al. ______. 2008-9. CECCIM. 1997. além de identificar os resultados alcançados também fornece subsídios para a reprogramação das ações. UNIDADE V – EDUCAçãO E SAÚDE 87 . interpretação e o estabelecimento de prioridades.6. sua discussão. B. flexível e ordenadas. O planejamento prevê as seguintes fases: • Diagnóstico – compreende a coleta de dados. é fundamental que as ações educativas sejam planejadas de forma participativa. • Plano de ação – determina os objetivos. Deve iniciar-se na etapa de diagnóstico e acompanhar todas as fases do planejamento. v. Santa Catarina: 2007. Ministério da Saúde. Após a execução. EPSJV. a Estratégia Saúde da família como Objeto de Educação em Saúde. Identifique juntamente com sua equipe de trabalho. • Avaliação – verificação se os objetivos propostos foram ou não contemplados. bem como indica a necessidade de novas ações de diagnóstico. Educação e Saúde. 2007. podendo ser reavaliadas e reformuladas durante o processo. Ministério da Saúde. BRASIL. um problema de saúde que esteja ocorrendo na sua área de trabalho e elabore um plano de ação educativa. Trabalho. 2005. C. recursos e cronograma de atividades. a avaliação. • Execução – operacionalização do plano de ação. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz.Nessa perspectiva. Educação Permanente em Saúde: desafio ambicioso e necessário. et. análise. B. Rio de Janeiro: EPSJV/Fiocruz. Secretaria de Estado da Saúde. Porto Alegre. população alvo. Educação em Saúde. Bibliografia BESEN. R. SãO PAULO. Manual para Operacionalização das ações Educativas no SUS. metodologia.

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O SUS no Estado de São Paulo .

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3. resolutividade.Apresentação dos trabalhos com sistematização das competências dos três níveis de gestão do SUS.Analisar as competências dos níveis federal. UNIDADE I – O SUS NO ESTADO DE SãO PAULO 91 . 4. considerando-se o perfil epidemiológico e demográfico no município/Estado.Níveis de Gestão do SUS: • Ministério da Saúde • Secretaria de Estado da Saúde • Secretaria Municipal de Saúde Método 1.O SUS no Estado de São Paulo Objetivo Reconhecer a estrutura do SUS no Estado de São Paulo e o papel da Secretaria de Estado da Saúde (SES) na coordenação do sistema de saúde no âmbito estadual.Pesquisa em grupos para levantamento da rede de serviços do SUS disponíveis em seu município/Estado. I.1.Pesquisa sobre as competências dos níveis federal. 2.Debate sobre as características da rede de serviços no que se refere a acesso. 1. cobertura. terciário e quaternário). 2.Debate sobre as propostas do Plano Estadual de Saúde do Estado de São Paulo. estadual e municipal na gestão do SUS. com base na leitura do texto anterior.2.Leitura e discussão do texto: O SUS no Estado de São Paulo. secundário. 3. 1.3.Rede de Serviços do SUS: • Atenção Primária à Saúde: Unidades Básicas de Saúde e Estratégia de Saúde da família • Rede de Serviços de Média e Alta Complexidade Ambulatorial e Hospitalar I. Conteúdos 1.O Plano Estadual de Saúde do Estado de São Paulo – PES • Eixos Prioritários avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade I Integração Curricular: ÁrEa I Política Nacional de Saúde Sugestão de ações para Estágio Supervisionado: Pesquisa sobre os processos de organização dos serviços de saúde locorregionais e das ações de saúde implantadas no município. UNIDaDE I Objetivos Específicos I. 2.Apresentação dos trabalhos e classificação dos serviços conforme a complexidade das ações de saúde oferecidas e dos recursos tecnológicos necessários (níveis primário.Caracterizar a estrutura da rede de serviços do SUS em seu município/Estado. estadual e municipal na gestão do SUS e na execução das ações e serviços de saúde.Conhecer o Plano Estadual de Saúde e seus eixos prioritários.

desempenha papel importante nas políticas públicas de saúde. de uma população de 41. Em 2005. As políticas públicas de saúde no Brasil estão substanciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em relação ao perfil populacional. Princípio doutrinário que caracteriza a estrutura constitucional do Estado. Em São Paulo.3%). O Estado de São Paulo.1%. na faixa etária menor de 1 ano.8 %. representava 51.209. (AURÉLIO. no período de 1991/2005. político e cultural.9% e a feminina 29.5 milhões de idosos. em 1988. Assegurando os princípios da universalidade. A população masculina registrou aumento de 26. o SUS contribui de forma significativa para melhorar os indicadores de saúde e a qualidade de vida da população. consolidando-se como Estado de referência para as questões de saúde. com grau de urbanização de aproximadamente. 95% do total da população do Estado. e representa um dos mais importantes projetos sociais já lançados no mundo. as Políticas de Saúde do Estado de São Paulo O Estado de São Paulo situa-se na região sudeste do País. a faixa etária com maior taxa média anual de crescimento foi a acima de 60 anos (47.4 para 3.5% da população da Região Sudeste. com uma extensão territorial de 248.623 habitantes. Conjunto de objetivos que dão forma a determinado programa de ação governamental e condicionam a sua execução. criado pela Constituição Federal Brasileira. esta taxa foi de 14. segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2007. integralidade e equidade no atendimento aos cidadãos brasileiros. Tem uma situação privilegiada no contexto brasileiro. a população no Estado de São Paulo. Sua divisão territorial jurídico-administrativa é de 645 municípios.TExTO 11 O Sus no Estado de São Paulo Política: Arte de bem governar os povos. pela sua localização geográfica e seu desenvolvimento econômico. No período de 1991 a 2004.663. Sistema de regras respeitantes à direção dos negócios públicos. 92 O SUS NO ESTADO DE SãO PAULO . passando de 2. observa-se um aumento progressivo da esperança de vida da população. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa). 15 regiões administrativas de governo e 17 regiões de saúde. seguindo os princípios do SUS. com uma estimativa.43 km².

2%. É nesse contexto que se desenvolvem. o SUS/SP realizou 29% das internações de cirurgias oncológicas. o SUS-SP. Em 2006. a partir de 2007. além de responsabilizar-se pela média e alta complexidade. no ano considerado. Todo esse processo.05. estabelecido entre a SES-SP e os gestores municipais. os municípios passaram a ser responsáveis pela garantia do primeiro nível de atenção à saúde dos cidadãos – vacinação. mas em espaços regionais de negociação e pactuação. Taxa de Fecundidade Total – número médio de filhos vivos tidos por uma mulher ao final do seu ciclo reprodutivo residente em determinado espaço geográfico e ano considerado. veio. A Taxa de Fecundidade Total (TFT). mas também num amplo e inclusivo pacto. a capacidade de atuar de forma integrada e cooperativa da SES-SP. passando de 68. em 2000. Compromisso expresso não só no Plano Estadual de Saúde. o Pacto de Gestão pela Saúde e o Plano Estadual de Saúde. Uma delas gerencia uma máquina extremamente diversificada que presta serviços de média e alta complexidades. Esperança de vida ao nascer – indicador que mensura a probabilidade de tempo de vida média da população residente em determinado espaço geográfico. Ainda. 52% das internações de transplantes. em torno de 64 Colegiados de Gestão Regionais. era de 2. produz e distribui fármacos e imunoderivados. novamente. do governo federal.5 para 73. questionar a eficácia sistêmica. oriundos das Políticas do Pacto pela Saúde. que obedece diretrizes fundamentais que garantem o acesso às ações e serviços de saúde a todos que vivem ou transitam pelo território paulista e a promoção da equidade em um sistema ainda significativamente desigual. e produz. O Estado de São Paulo apresenta a maior e mais complexa rede de atendimento em saúde do País. no Instituto Butantã. garante fornecimento de medicamentos para Estados e municípios por intermédio da Fundação para o Remédio Popular (FURP).4 anos. A intensa mobilização desencadeada por esses processos resultou num grande compromisso público assumido pela SES-SP com a sociedade. consolida seu papel como gestor estadual caracterizado por duas vertentes. onde estão as principais unidades de referência nacional. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. consulta médica básica em pediatria. mais da metade das vacinas e soros distribuídos no país.o número médio de anos de vida aumentou em 7. UNIDADE I – O SUS NO ESTADO DE SãO PAULO 93 . investiga e produz conhecimento em saúde coletiva. ginecologia e pré-natal e outras – e pela garantia da universalidade no acesso. executa vigilância sanitária e epidemiológica. Com a instituição do SUS e o movimento de descentralização dos serviços. O gestor estadual avalia e acompanha as atividades desenvolvidas pela esfera municipal. como protagonista do processo de construção do SUS-SP. agora difundido não mais em novas estruturas administrativas. reorganizados agora. 32% dos gastos de ressonância magnética e 38% de tomografia computadorizada do país. A outra se vincula à gestão de um sistema de saúde altamente complexo.

nos quais os atores identificaram os problemas e potencialidades em saúde. integradores e resolutivos. no âmbito estadual. compartilharam enredos. no Estado de São Paulo. para incorporar a análise da situação de saúde. por meio da elevação da qualidade das ações. praticamente conquistada na atenção básica ou primária. as prioridades nacionais. O PES-SP criou nove Eixos Prioritários. para o SUS-SP. • Criar mecanismos de acesso a serviços e ações de saúde. regionalização. mais inclusivos. reconhecidas pelo governo de São Paulo. hierarquização e investimentos do SUS. com redução das desigualdades regionais e aperfeiçoamento da qualidade das ações de saúde. nas regiões geográficas ou em grupos populacionais que ainda não dispõem adequadamente de assistência de média e alta complexidade. São eles: 1. a serem enfrentados pelo PES. focalizaram prioridades. desenhado em bases regionais. são: • Aperfeiçoar a universalidade da atenção à saúde. fundamento de todo o sistema de saúde e essencial para reduzir as desigualdades. o conhecimento técnico acumulado sobre os principais problemas do SUS. 94 O SUS NO ESTADO DE SãO PAULO . incluindo os procedimentos de maior complexidade. definiram estratégias e agiram para construir melhores cenários.O Plano Estadual de Saúde do Estado de São Paulo – PES O Plano Estadual de Saúde de São Paulo foi elaborado no contexto do Pacto pela Saúde – 2006. desenvolvendo sua capacidade de planejamento e gestão. e as estaduais. ainda encontradas na situação de saúde da população. Os principais desafios da política de saúde no Estado de São Paulo. definidas no Plano Nacional de Saúde e no Pacto pela Saúde. • Fortalecer a SES-SP em seu papel coordenador do sistema de saúde. por meio de avanços na gestão. Ampliação do acesso da população.

que os gestores de forma solidária. Redução da mortalidade infantil e materna. Plano Estadual de Saúde 2008-2011. São Paulo. são elaborados os Planos Operativos Anuais (POA). É nesse cenário desafiador. ______. São Paulo: SES-SP. devem planejar e executar suas políticas de saúde. prestando conta à sociedade. de um instrumento para o aperfeiçoamento da gestão estadual. UNIDADE I – O SUS NO ESTADO DE SãO PAULO 95 . mas repleto de possibilidades. Gestão da Educação e do Trabalho. 4. O POA 2008 não é estático. 8. Secretaria de Estado da Saúde. 9. Com base no Plano Estadual de Saúde – 2008/2011. os trabalhadores e usuários conhecerem e se apropriarem dessas políticas e estratégias para efetivar ações de saúde de qualidade e resolutas.2. Fortalecimento e aperfeiçoamento da capacidade de gestão estadual. Controle de riscos. 7. de fato. 2008. 2008. 6. doenças e agravos prioritários. Tecnologia e inovações em saúde. Incentivo ao desenvolvimento de ações de promoção de saúde. 20 anos do SUS São Paulo. Desenvolvimento de serviços e ações de saúde destinados aos segmentos populacionais mais vulneráveis aos riscos de adoecimento ou aos portadores de necessidades específicas. Bibliografia SãO PAULO. 5. 3. apresenta limitações que devem ser aprimoradas pelo próprio processo de discussão e implementação com a convicção de que se trata. Fortalecimento da participação da comunidade e do controle social na gestão do SUS. e.

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atenção à Saúde Mental no SUS .

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A saúde mental no SUS
Objetivo
Reconhecer a Política Nacional de Saúde Mental e seu contexto histórico.

UNIDaDE

I

Objetivos Específicos
I.1- Analisar o contexto histórico da loucura e da Reforma Psiquiátrica no Brasil

Conteúdos
1- Contexto histórico da loucura e do tratamento psiquiátrico 2- Reforma psiquiátrica no Brasil: • Desospitalização • Luta antimanicomial

Método
1- Debate sobre a situação dos doentes mentais e do tratamento psiquiátrico no País e no Estado, com destaque para o estigma da loucura. 2- Pesquisa sobre a história da loucura e da psiquiatria e sobre o movimento da Reforma Psiquiátrica. 3- Apresentação dos trabalhos com sistematização sobre os princípios da reforma psiquiátrica e da Política de Saúde Mental do País e no Estado. 4- Leitura e discussão do texto: O contexto histórico da loucura e da Reforma Psiquiátrica. 1- Levantamento da rede de atenção à saúde mental em seu município/Estado e suas características. 2- Apresentação dos trabalhos com sistematização dos níveis de complexidade da rede de atenção à saúde mental e itinerário terapêutico. 3- Leitura e discussão do texto: Rede de atenção aos portadores de transtornos mentais. 4- Debate sobre avanços e desafios na implementação da política de atenção à saúde mental em seu município/Estado.

I.2- Caracterizar a rede de atenção aos portadores de transtornos mentais

1- Política Nacional de Saúde Mental 2- Rede de atenção aos portadores de transtornos mentais • entros de Atenção C Psicossocial (CAPS, CAPSi e CAPSad) • Itinerário terapêutico • rogramas: De volta para casa, P Desospitalização, e Luta antimanicomial

avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade I Integração Curricular: ÁrEa I Política Nacional de Saúde, SUS e Política Nacional de Humanização (PNH) Sugestão de ações para Estágio Supervisionado: Pesquisa sobre a inserção da atenção à saúde mental nos processos de organização dos serviços de saúde locorregionais.

UNIDADE I – A SAÚDE MENTAL NO SUS

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TExTO 12 O contexto histórico da loucura e da reforma psiquiátrica

Durante muito tempo a assistência às pessoas com transtornos mentais foi organizada conforme o modelo baseado na internação e afastamento do convívio social, em instituições com características manicomiais e tratamento fundamentado na medicalização, desconsiderando-se totalmente os fatores psicossociais e direitos relacionados à sua cidadania. Conforme veremos adiante, essa situação mudou muito, sendo resultado de movimentos que foram ganhando força a partir da Reforma Sanitária, que propunham a extinção progressiva dos manicômios e a organização da atenção baseada no modelo da promoção de saúde. As instituições abertas, como Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Centros de Convivência, unidades de Saúde Mental em hospital geral, são alguns recursos que foram criados para assistir às pessoas com transtornos mentais. Novas demandas surgem com esse novo cenário, dentre elas, a necessidade de capacitar os profissionais inseridos nos diversos níveis de atenção à saúde, considerando-se que a assistência secularmente realizada em hospital psiquiátrico passa a ser realizada na rede de saúde, tendo como porta de entrada as Unidades Básicas de Saúde/Estratégia de Saúde da Família (ESF). É premente que a equipe de saúde esteja preparada para minimamente reconhecer o portador de transtornos mentais, prestar atendimento e agir de forma adequada em situações de crise. Lembramos que ao atender um cliente é importante estimularmos suas potencialidades e, também, conhecermos sua realidade e suas vivências, para a individualização dos cuidados. Porém, quando recebemos uma pessoa tida como “diferente”, nem sempre atentamos para os “pré” conceitos existentes, que, muitas vezes, são reflexos da nossa história de vida.

Segundo dados epidemiológicos, os transtornos mentais e comportamentais afetam universalmente 25% da população em uma determinada fase da vida. Estão presentes em 10% da população adulta e em 10% a 20% de crianças e adolescentes (Relatório sobre a saúde no mundo, 2001). O uso prejudicial de álcool e outras drogas acomete grande parte da população, em especial o do primeiro, cuja dependência afeta 11,2% da população brasileira, seguido pelo tabaco (9%), benzodiazepínicos (1,1%), maconha (1%) e os solventes (0,8%).
(CEBRID, I Levantamento domiciliar sobre o uso de psicotrópicos, 2002). (SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE SãO PAULO. 20 anos do SUS São Paulo, 2008).

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ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS

Propomos, então, discussões para a revisão de conceitos e, assim, contribuir para a humanização do atendimento nos serviços de saúde, independentemente do nível de atenção, bem como, para a promoção da cidadania dessas pessoas.

Um bom exemplo de como é difícil saber lidar com o incomum consta do livro O Alienista, de Machado de Assis, que retrata o dilema “quem é/está louco?”. Sabemos que o “desafio” de cuidar desses clientes pode se transformar em um gratificante aprendizado.

Compreendendo a história da loucura: uma viagem através dos séculos1
Quando você escuta a palavra LOUCURA, o que vem à sua mente? Não raras as vezes quando fazemos esta pergunta a diversos grupos de pessoas, costumamos escutar definições relacionadas a temas como: o louco é alguém que é “agressivo”... “perigoso”...; ou ainda, “lugar de louco é no hospício”; “eu morro de medo de encontrar um ‘doido’ pela rua”... “temos que chamar a polícia”!!! É ou não assim que, muitas vezes, pensamos ou escutamos as pessoas se referirem aos doentes mentais? Pois é!!! Contudo, você sabia que nem sempre foi assim? Alguma vez você já parou para pensar que em outros tempos e lugares “os loucos” não tinham que ser presos em manicômios e/ou afastados da sociedade? Sabia que o próprio nome “loucura” é algo bem mais recente do que geralmente pensamos ser? E que as noções de periculosidade e incapacidade são construções que mais têm a ver com interesses econômicos do que com a realidade dos fatos? Diversos estudos nos revelam que a loucura nem sempre foi vista sob o olhar da medicina e da psicologia. Um tema, hoje tão controverso, foi objeto das mais variadas explicações, passando desde o campo da mitologia até o da religião. Na Grécia Antiga, o “louco” era considerado uma pessoa com poderes

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ALVES, C. F. O. Texto n. 1. Compreendendo a história da loucura: uma viagem através dos séculos. Guia Curricular Área III. Participando do processo de recuperação da saúde individual em situações clínicas, cirúrgicas e de emergências. Primeira unidade - Participando da Assistência à Saúde Mental. Escola Técnica de Saúde Profª Valéria Hora. UNCISAL. Maceió. Alagoas, 2007.

UNIDADE I – A SAÚDE MENTAL NO SUS

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diversos. O que dizia era ouvido como um saber importante e necessário, capaz de interferir no destino dos homens. A loucura era tida como uma manifestação dos deuses, sendo, portanto, reconhecida e valorizada socialmente. Não havia necessidade de seu controle e/ou exclusão. No início da Idade Média, a loucura era vista como expressão das forças da natureza ou algo da ordem do não-humano. Era exaltada, num misto de terror e atração. Mais tarde, era tida como possessão por espíritos maus, os quais precisavam ser expulsos mediante práticas inquisitoriais, sob o controle da Igreja. Com o emergir do Racionalismo, época em que houve uma grande valorização do pensamento científico racional, a loucura deixa de pertencer ao âmbito das forças da natureza ou do divino, assumindo o status de desrazão (ou falta de raciocínio racional), sendo o “louco” aquele que transgride ou ignora a moral racional. Neste contexto, surge a associação com a periculosidade, visto que, uma vez desarrazoado, representa o não-controle, a ameaça e, por conseguinte, o perigo. A loucura ganha um caráter moral, passando a ser algo desqualificante, e que traz consigo um conjunto de vícios, como preguiça e irresponsabilidade. Atrelado a isto, no século XVII, com o Mercantilismo, predominava o pressuposto de que a população era o bem maior de uma nação, devido ao lucro que podia trazer por meio do trabalho. Daí, todos aqueles que não podiam contribuir para o processo de produção, comércio e consumo, começam a ser excluídos do convívio social e encarcerados, sob a prerrogativa do controle social a tudo que fosse desviante. Velhos, crianças abandonadas, aleijados, mendigos, portadores de doenças venéreas e os loucos passam a ocupar verdadeiros depósitos humanos. Foi aí que surgiram os primeiros Hospitais Gerais com o intuito de servir de depósito para aqueles que deviam ser isolados da sociedade “sã” e “produtiva”. Mais tarde, com o início da Revolução Francesa (1789), os ideais de ‘Liberdade, Igualdade e Fraternidade’ preconizaram um movimento de reabsorção, pela sociedade, destes excluídos. Os loucos continuaram presos, só que, agora, sendo denominados de doentes mentais. Foram criados, então, hospitais próprios para os doentes mentais, denominados de manicômios, cujas carac-

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ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS

terísticas principais eram o isolamento e o tratamento baseado em punições e castigos, pois se acreditava que só assim poder-se-ia curar o ”louco” de sua alienação. A ação agregava noções de cuidado e de castigo, sendo o doente mental destinado ao isolamento e à punição. Foi nesse período, marcado pela luta dos direitos de cidadania e de valorização do homem, que surge na França, Phillipe Pinel, médico criador de proposta humanitária para os portadores de transtornos mentais, proposta essa que, aliada à prática da docência, trouxe inovações clínicas, notadamente sobre os estudos da influência de tóxicos nas alterações do comportamento e a conceituação de esquizofrenia, dentre outros. Jean Martin Charcot, médico e contemporâneo de Pinel, realizou estudos sobre histeria e o tratamento baseado na hipnose. Nessa época, Freud dedica-se à teoria da psicanálise, sendo pioneiro nessa área.

Freud (1856 – 1939) é considerado um dos maiores pensadores do século 20. Médico neurologista, dedicou-se aos estudos da mente humana e sua estrutura, que a partir de longa prática clínica, consolidou a teoria conhecida como Psicanálise. É um método de tratamento para perturbações ou transtornos psíquicos, largamente utilizado no mundo todo.

a reforma psiquiátrica: um novo capítulo na construção de cidadania para o portador de sofrimento psíquico2
Como já vimos anteriormente, o “louco”, depois denominado de doente mental, representou uma associação de perigo e irrecuperabilidade. Entretanto, com o início do século XX e as primeiras tentativas de discussão do papel do manicômio no tratamento da loucura, perceberam-se diversas manifestações, em diversos lugares do planeta, na tentativa de promover uma mudança radical neste modelo excludente e preconceituoso. A princípio, os movimentos diziam respeito apenas à busca pela humanização nos hospícios. Partia-se de uma crítica à estrutura de isolamento asilar, vista como responsável pelos altos índices de cronificação que, por ser o mani-

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ALVES, C. F. O. Texto n. 2. “A Reforma Psiquiátrica: um novo capítulo na construção de cidadania para o portador de sofrimento psíquico”. Guia Curricular Área III. Participando do processo de recuperação da saúde individual em situações clínicas, cirúrgicas e de emergências. Primeira unidade - Participando da Assistência à Saúde Mental. Escola Técnica de Saúde Profª Valéria Hora. UNCISAL. Maceió. Alagoas, 2007.

UNIDADE I – A SAÚDE MENTAL NO SUS

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sobretudo. e o da Antipsiquiatria. antes propõe uma nova forma de olhar e cuidar da mesma. sendo rechaçadas. Basaglia assume a direção do Hospital Psiquiátrico de San Giovanni. assim como 104 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . na visão social acerca do fenômeno da loucura. negado. não só na assistência hospitalar. Tal movimento. deveria ser urgentemente reformado. Suas propostas encontram fortes reações do poder político local. em Trieste. nos Estados Unidos. o qual. pedissem demissão em massa. além do domínio da psiquiatria. uma vez que havia se afastado de sua finalidade.cômio uma instituição de cura. portanto. Com o trabalho nesta instituição. O movimento de desinstitucionalização da psiquiatria italiana inicia-se a partir da experiência de Franco Basaglia na direção do Hospital Psiquiátrico de Gorizia (1961 a 1968). Outros movimentos. dizendo respeito ao sujeito. torna-se-lhe evidente que o manicômio é um lugar de segregação. na década de 60. em seguida. perfeitamente convencido da impossibilidade de reformar o manicômio. também nos anos 60. optassem em dar alta coletiva aos pacientes e. Dá-se início a um projeto mais sólido de desinstitucionalização. que tem por objetivo a desconstrução do aparato manicomial. fato que fez com que os técnicos do hospital. também convencidos da inviabilidade manicomial. vendo-a como algo inerente à condição humana. utilizando algumas contribuições do modelo das Comunidades Terapêuticas. superado e questionadas as suas finalidades num contexto mais geral das instituições sociais (BASAGLIA apud AMARANTE. indicavam a necessidade de transformações mais radicais no modelo de assistência ao portador de sofrimento psíquico. à comunidade e aos demais atores sociais. como o das Comunidades Terapêuticas. Entretanto. deve ser combatido. isto é. o da Psiquiatria Comunitária. denominado de Psiquiatria Democrática (1961). foi na Itália que surgiu o movimento que marcou definitivamente a mudança de rumo. à família. mas. que teve como precursor o médico Franco Basaglia. Em 1971. ocorrido na Inglaterra. 1992). de violência e morte. não nega a existência da doença mental. no início da década de 50.

tendo em vista a promoção da cidadania e bem-estar social àqueles que padecem de sofrimento psíquico. da premissa de que deveria ser produzido um novo imaginário social para a loucura. mas como uma pessoa. vivenciamos importante momento histórico. que a desvinculasse dos conceitos de periculosidade. Tal postura não intentava negar a existência da doença. A instituição psiquiátrica deveria ser negada. considerando sua complexidade. se resumida a um de seus aspectos. dentre outros. a própria estrutura social teria que promover a revisão de valores e práticas institucionais excludentes. voltando toda a atenção ao sujeito. por meio de um trabalho interdisciplinar e psicossocial. nem muito menos o sofrimento vivenciado pelo sujeito. no qual a loucura tem sido revisitada e novas construções têm sido feitas. no Brasil. incapacidade.de toda a lógica de segregação que lhe é implícita. fundamentalmente. que não poderia ser abordada em sua totalidade. permitindo sua inserção como mais um dos diversos aspectos da vida do sujeito. de forma a gerar uma nova relação entre o “louco” e a sociedade. a reforma psiquiátrica no Brasil O início do processo de Reforma Psiquiátrica no Brasil é contemporâneo aos acontecimentos do processo de redemocratização do País e ao mo- UNIDADE I – A SAÚDE MENTAL NO SUS 105 . buscando-se substituir os serviços e tratamentos oferecidos pela lógica hospitalocêntrica. mas retirá-los do primeiro plano. Sujeito este que passa a ser considerado não apenas como um doente. por intervenções que visassem a reinserção social do sujeito no pleno exercício de sua cidadania. de forma que hoje. Estas noções influenciaram grandemente diversos outros países. com toda a sua cultura de exclusão. Além disso. Basaglia parte. enquanto saber e poder. Tratava-se de uma tentativa de colocar a doença entre parênteses. preguiça.

com grande repercussão. Sob a influência do projeto de lei Paulo Delgado. SP). cujo lema. No ano de 1987 são realizadas a I Conferência Nacional de Saúde Mental (Rio de Janeiro. socioculturais e conceituais. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental : 15 anos depois de Caracas. vimento sanitário que emerge em favor da mudança dos modelos de atenção e de gestão em saúde. que formam uma rede de serviços para o atendimento da demanda psiquiátrico-psicológica de uma determinada região geopoliticocultural. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental : 15 anos depois de Caracas. surgem as primeiras leis em vários Estados brasileiros que determinam a substituição progressiva dos leitos psiquiátricos por uma rede integrada de atenção à saúde mental. OPAS. É um movimento que vai além da assistência em saúde mental e compreende profundas transformações nas dimensões jurídicas. apontando-se para uma prática baseada nos princípios de inclusão. foi influenciado pela Psiquiatria Democrática Italiana. que propõe a extinção progressiva dos manicômios no País e a criação de recursos assistenciais substitutivos. 106 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . Brasil. Neste mesmo ano cria-se o primeiro CAPS no Brasil. que passa a protagonizar e a construir a partir deste período a denúncia da violência dos manicômios. ambulatórios de saúde mental. solidariedade e cidadania. totalmente indefesos às medidas punitivas e aprisionadoras. membros de associações de profissionais e pessoas com longo histórico de internações psiquiátricas. políticas. sindicalistas. O Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM). OPAS. Ministério da Saúde. por meio de variados campos de luta. criam-se serviços como Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). não sendo apenas uma retórica. novembro de 2005. residências para os egressos do hospital e associações. centros de convivência. A intervenção na Casa de Saúde Anchieta/Santos demonstrou de forma inequívoca a possibilidade de construção de uma rede de cuidados efetivamente substitutiva ao hospital psiquiátrico. DAPE. da mercantilização da loucura. hospitais-dia. dentre outros. surge neste ano. visto anteriormente. era possível e exequível. Brasil. em 1989. Entretanto. A experiência do município de Santos passa a ser um marco no processo de Reforma Psiquiátrica brasileira. inserida no amplo contexto internacional em prol de mudanças pela superação da violência asilar. são criadas cooperativas. RJ) e o II Congresso Nacional do Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (Bauru. novembro de 2005. Buscase romper a lógica de exclusão e segregação dos portadores de transtornos mentais. um hospital psiquiátrico no qual foram constatados maus-tratos e mortes de pacientes. Neste período. Ainda no ano de 1989. Por uma Sociedade sem Manicômios. Trata-se da primeira demonstração. Ministério da Saúde. Brasília. e. bem como a regulamentação dos direitos da pessoa com transtornos mentais. de que a Reforma Psiquiátrica. cabe dizer que a reforma psiquiátrica traz marcas históricas próprias. associações de familiares. sobretudo este Movimento. Brasília. É. movimento plural formado por trabalhadores integrantes do movimento sanitário. dá entrada no Congresso Nacional o projeto de lei do deputado federal Paulo Delgado. Neste contexto. inicia-se o processo de intervenção da Secretaria Municipal de Saúde de Santos (SP) na Casa de Saúde Anchieta. na cidade de São Paulo. residências terapêuticas. da hegemonia de uma rede privada de assistência e a construir coletivamente uma crítica ao chamado saber psiquiátrico e ao modelo hospitalocêntrico na assistência às pessoas com transtornos mentais.O ano de 1978 costuma ser identificado como o de início efetivo do movimento social pelos direitos dos pacientes psiquiátricos em nosso País. são implantados no município de Santos os Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS) que funcionam 24 horas.

Atualmente. com iniciativas importantes para a transformação de conhecimentos e de suas práticas. houve redução de 67. 157 ambulatórios de saúde mental. é necessário ponderar sobre questões que afetam o ser humano. Entretanto. 7 oficinas terapêuticas e 194 Residências Terapêuticas. Portanto. não é seu lugar. Em 20 anos do SUS no Estado de São Paulo.. constata-se que ainda é insuficiente perante a demanda existente. Embora seja considerada uma grande rede de serviços. um pouco mais motivado. Qual a impressão que o cliente pode ter do serviço? Quem estará correto.. um dos grandes desafios agora são os recursos humanos que abrangem todos os profissionais que de alguma forma terão contato com os usuários dos serviços.216 de 06/04/2001. a contradição poderá acarretar a deterioração do vínculo usuário-equipe. os quais necessitam estar qualificados e preparados para assumir esse compromisso. enfim. além de 904 beneficiários no Programa de Volta para Casa. 7 hospitais-dia. qualquer pessoa que trabalhe no local. o Estado de São Paulo tem uma tradição de vanguarda nas reformulações políticas em saúde mental.3% do número de leitos em hospitais psiquiátricos que não apresentavam condições assistenciais mínimas para o tratamento de pessoas com transtornos mentais. o profissional da higiene e limpeza. O cliente. tanto quanto em relação àqueles que o assistem. materializado no primeiro CAPS criado em São Paulo. mas o segurança que fica na recepção do serviço. Quando se diz todos. Em 2001 é sancionada a Lei nº 10. prossegue com a expansão de rede de serviços abertos para o atendimento de pessoas com transtorno mental. O que você pensa disso? UNIDADE I – A SAÚDE MENTAL NO SUS 107 .. O processo de mudança. 2008. a rede pública de atenção à saúde mental é integrada por 58 hospitais psiquiátricos.. e a participar das atividades terapêuticas. a andar ao invés de dormir a tarde toda na sala de televisão. a copeira. ainda mergulhado em preconceitos que nossa sociedade alimenta. vai até a porta da copa pedir um copo descartável e ouve um sonoro “você não pode vir aqui. Foi encorajado a mostrar iniciativa. o agente administrativo. a copeira ou o técnico de enfermagem? Em quem confiar? Nessa hipótese. SES-SP. 182 CAPS. além dos aspectos estruturais. 217 unidades básicas de saúde com equipes de saúde mental. que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. vá ver TV”. ou seja. no Estado de São Paulo. Imagine que o cliente está no CAPS e acaba de ser atendido pelo técnico de enfermagem. são TODOS de fato: não só os profissionais da equipe terapêutica.136 leitos e ainda 540 leitos psiquiátricos em hospitais gerais. Porque deve haver sintonia. tanto no olhar que se dirige ao cliente e seus familiares. uma conduta harmônica para o atendimento humanizado.Como vimos. com 12. o que demonstra o firme propósito do Estado na consolidação da política de atenção à saúde mental.

20 anos do SUS São Paulo. Secretaria de Estado da Saúde. 2008. de 6 de abril de 2001. Brasília. novembro de 2005. Ministério da Saúde. 216. Brasília. OPAS. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental : 15 anos depois de Caracas. Coordenação Geral de Saúde Mental. Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil.Bibliografia BRASIL. Lei nº. 10. novembro de 2005. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o Modelo Assistencial em Saúde Mental. ______. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental : 15 anos depois de Caracas. SãO PAULO. Secretaria de Atenção à Saúde. Ministério da Saúde. ______. 108 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . São Paulo: SES/SP. Diário Oficial da União de 8 de abril de 2001. OPAS.

sobre as formas de tratamento dispensadas. Participando do processo de recuperação da saúde individual em situações clínicas. cirúrgicas e de emergências. Desde as primeiras queixas ou sinalizações em torno da existência de um sofrimento psíquico intenso (como uma tristeza que se prolonga por muito tempo.Compreendendo o percurso da atenção à Saúde Mental. UNCISAL.9 Itinerário Terapêutico . dentre inúmeras outras) é preciso que haja a consciência 1 ALVES. Não somente pelo caráter de sofrimento e dor indecifrável à qual se submete o paciente. Maceió. “ver vultos”. durante séculos. de alguma forma.Participando da Assistência à Saúde Mental. UNIDADE I – A SAÚDE MENTAL NO SUS 109 . o tratar e o reabilitar. na medida em que se percebe a existência de manifestações que. Texto. modo como são popularmente denominadas as crises referentes ao sofrimento psíquico em suas mais diversas formas e manifestações. C. Guia Curricular Área III. Alagoas. é preciso que. Primeira unidade . na direção de construirmos uma nova compreensão social sobre a humanização do tratamento aos portadores de sofrimento psíquico. o diagnosticar. surgem diversos questionamentos acerca de quais as condutas e procedimentos apropriados para cuidar daqueles pacientes. tendo em vista a continuidade da vida fora dos muros dos hospitais. sinalizem a doença mental. O. F.TExTO 13 rede de atenção aos portadores de transtornos mentais Itinerário terapêutico: compreendendo o percurso da atenção à saúde mental1 O “adoecer dos nervos”. geralmente consiste em momento controverso e mobilizador. 2007. um estado ansioso que compromete a qualidade de vida de uma pessoa ou ainda manifestações ‘esquisitas’ como o “conversar sozinho”. “escutar vozes estranhas”. O imaginário popular é repleto das mais diversas ideias e representações sobre o sofrimento psíquico e. também. aos doentes mentais. entendamos como ocorre este processo entre o adoecer. Assim. antes de tudo. mas. principalmente. porque. Escola Técnica de Saúde Profª Valéria Hora.

como “benzer.” É importante percebermos que estas atitudes fazem parte das crenças populares. muito provavelmente. sofrerá ainda mais. precisamos revelar à sociedade a indicação adequada de tratamento. SES-SP. situações desta natureza. de modo que apresentar tais manifestações não é sinônimo de condenação ou inutilidade eterna. e. como já vimos. Neste sentido. entre o adoecer. A partir daí. prevê a construção de uma rede de serviços articulados à atenção básica. é importante compreender que qualquer pessoa pode vivenciar. levar a um culto religioso etc. aos recursos do território e a outras políticas setoriais. Sendo assim. A reforma psiquiátrica preconiza a necessidade de existência de amplas redes de serviços que ofereçam o necessário suporte aos portadores de sofrimento psíquico em crise ou fora dela. 2008. cuidado e tratamento. deve existir uma série de serviços de cunho extra-hospitalar que deem conta da demanda nos mais diversos níveis de complexidade. que precisa ter seus profissionais habilitados e sensibilizados para as abordagens iniciais aos portadores de sofrimento psíquico. muito menos de perigo incontrolável. de âmbito territorial. para que possamos realizar os encaminhamentos e orientações apropriados a cada caso. se não for bem acolhido. alguém que passa a apresentar estas características precisa de atenção. apoiados na Lei nº 10. Essa rede compreende desde a Atenção Básica. Fundamentada na redução progressiva e planejada de leitos em hospitais psiquiátricos e sua substituição por uma rede de atenção em saúde mental. alguma vez em sua vida. tirar mal olhado. o tratar e o reinserir na comunidade que chamamos de itinerário terapêutico. geralmente para aqueles casos onde não foram suficientes as outras intervenções. no nosso papel de profissionais de saúde. sendo a internação hospitalar o último recurso a ser empregado. por meio de atos normativos. Na verdade.sobre a existência de uma rede de serviços que sirva de referência para o cuidado e atenção de alguém que vive estas situações. Contudo. porque. a comunidade busca explicações e soluções baseadas em crenças e rituais religiosos. faz-se necessário que conheçamos a rede de saúde de nosso município. Geralmente. a Política de Saúde Mental do SUS. O que fazer. 110 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . 20 anos do SUS São Paulo. quando estas manifestações começam a ocorrer. já está sofrendo e.216 (2001) e nas recomendações da III Conferência de Saúde Mental (2000). São Paulo. imundície ou outras questões de cunho preconceituoso. então? É a esse percurso.

que visam realizar a manutenção do acompanhamento àqueles pacientes sem a indicação para tratamentos intensivos. Outro elemento importantíssimo neste contexto são os ambulatórios especializados. está sendo incentivada pelo Programa De Volta Para Casa. Vivemos dias de reforma. 2008. antes precisa contar com o apoio. igrejas. Somos participantes desta história. não podemos perder de vista seu aprimoramento e concretização. familiares.Neste cenário encontram-se os Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). II e III. isto é. Bibliografia SãO PAULO. Secretaria de Estado da Saúde. II. Reinserção esta que. empresas. por meio de uma intervenção multiprofissional e interdisciplinar. de 11 de novembro de 2000. precisamos dar nossa contribuição para a melhoria da atenção a esta importante parcela da sociedade. UNIDADE I – A SAÚDE MENTAL NO SUS 111 . compreensão e engajamento dos mais diversos setores sociais. que têm por papel acolher às demandas de uma determinada localidade. I. por meio de parcerias e conscientização popular sobre agravo e as possibilidades de vinculação e vida social. 20 anos do SUS São Paulo. Estabelece Centros de Atenção Psicossocial: Caps. II e IV. é preciso haver clareza acerca da necessidade de uma rede de reabsorção social deste usuário ao seu seio comunitário. atualmente. Cria o Cuidador em saúde e os Serviços de Residência Terapêutica de Saúde mental : anexos I. nem todos os municípios têm ainda uma rede que propicie itinerário humanizado e eficiente.336. São Paulo: SES-SP. do Ministério da Saúde. portanto. Essas mudanças foram asseguradas pelos seguintes documentos legais: Portaria n. É verdade que tal conquista ainda está em construção. De qualquer maneira. 1. dentre outros. As Residências Terapêuticas acolhem os pacientes crônicos de longa permanência em hospitais psiquiátricos e que não possuem vínculos familiares que lhes permitam a reinserção nas suas famílias de origem. Portaria n. onde.220. representados principalmente pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e internações hospitalares. de 19 de março de 2002. centros comunitários. por meio de bolsa-auxílio aos usuários que saíram do hospital. O tratamento não se encerra com a alta e nem se resume à unidade de saúde. Após os períodos de tratamento mais intensivos.

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3.Análise sobre as características do ambiente dos serviços de atenção à saúde no sentido de favorecerem o tratamento e recuperação da saúde.Ambiente Terapêutico • Características 2.Debate sobre o entendimento do grupo sobre ambiente e relação terapêutica.Dinâmica de grupo sobre as formas de comunicação verbal e não-verbal. com o objetivo de caracterizar situações terapêuticas e não-terapêuticas. UNIDADE II – ABORDAGEM TERAPêUTICA EM SAÚDE MENTAL 113 .Leitura e discussão do texto: Ambiente.Comunicação • Verbal • Não-verbal 3. Conteúdos 1.Caracterizar ambiente e relação terapêutica. 6. rigidez/flexibilidade de normas e rotinas do serviço.Comunicação terapêutica Método 1. Destaque para condições ambientais de conforto e segurança. Participar na promoção/manutenção do ambiente terapêutico e na recuperação do cliente quanto à sua integridade mental. emocional e no equilíbrio com o meio em que vive. 2. como também nas relações interpessoais na equipe de saúde.1. 4. qualidade da relação profissional/cliente. comunicação e relação terapêutica.Debate sobre a importância da comunicação no estabelecimento de relações terapêuticas profissional-paciente. 5.Dramatização de situações vivenciadas em nível pessoal/familiar em que foi necessário atendimento/hospitalização em serviço de saúde.Abordagem terapêutica em saúde mental Objetivo Reconhecer a importância da relação interpessoal terapêutica em saúde mental. UNIDaDE II Objetivos Específicos II. avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade II Integração Curricular: ÁrEa I Processo saúde-doença ÁrEa III Qualidade de vida no trabalho Sugestão de ações para Estágio Supervisionado: Estabelecer relação interpessoal terapêutica com o cliente e seus familiares.

Considerar esses aspectos é relevante em qualquer serviço de saúde. dependendo da relação que se estabelece entre o profissional e o cliente. Não cabe discutirmos aqui se ele volta ou não ao setor. quando se tem uma estrutura física bem-cuidada e um processo de trabalho organizado. espaço onde ele consiga se sentir bem e seguro. É necessário que as atividades desenvolvidas sejam supervisionadas.O ambiente deve ser arejado e de preferência amplo e bem iluminado. Rio de Janeiro: Fiocruz. mas quanto é prejudicial ao cliente e aos seus familiares adiar por mais tempo o tratamento. que podem ser geradas pela própria causa que nos levou a procurar o serviço. comunicação e relação terapêutica Quando procuramos atendimento em um serviço de saúde. que ocorre com maior fluidez. muito além do que estávamos esperando. É normal criarmos expectativas em situações como estas. 2003. ainda. como pode ocorrer. Brasília: Ministério da Saúde. pode-se determinar sua adesão ao tratamento ou o seu afastamento. A qualidade da relação que se estabelece com o cliente ao recebê-lo no setor faz parte do que denominamos ambiente terapêutico. 1 Brasil. por exemplo. em situações de agressividade ou tentativa de suicídio. São fatores que promovem ambiente terapêutico1: • Planta física . somos tomados por expectativas que podem ser correspondidas plenamente. porém. em saúde mental deve ocupar uma posição privilegiada tendo em vista que. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: saúde mental. 114 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . ou. em parte. de modo a transmitir sensação de segurança e bem- No ambiente terapêutico o cliente deve ser protegido de causar dano a si próprio ou aos demais. na maioria das vezes envolvem fatores como o ambiente e a maneira como os profissionais se relacionam e tratam os seus clientes. porém.TExTO 14 ambiente. Reafirmamos a importância da interação. Ministério da Saúde. e que propicie a recuperação da saúde. seja qual for o nível de complexidade da atenção. física e psicologicamente.

É importante a participação de todos nesta questão. Ao contrário.Num ambiente terapêutico. Muitas vezes devido ao fato de que os transtornos mentais não são transmissíveis.estar. para evitar surtos de doenças infectoparasitárias. aconchegante. o paciente não vegeta pelos corredores e salas em uma atitude passiva. • Arrumação e decoração . além de tumultuar o ambiente. exercícios físicos. possibilita a identificação de possíveis alterações.Ninguém pode se sentir bem num ambiente fisicamente sujo. também. uma escolha inadequada pode causar irritação e até mesmo desencadear crises. porém. trabalhos manuais e outros. no caso.O excesso de mobília ou o mobiliário colocado incorretamente. Por isso. O profissional deve se preocupar em tornar o local o mais belo e agradável possível. ou seja. é importante que ela se mantenha não somente pela questão do bem-estar. • Atividades . tal técnica deve sempre ser orientada por um profissional competente (se possível. um musicoterapeuta). Também se devem evitar objetos e adornos que possam pôr em risco a segurança. que fazem parte da crença de cada pessoa. assim como objetos ou imagens religiosas ou ritualísticas. a utilização de aparelhos sonoros nem sempre favorece a formação de um ambiente terapêutico. embora tenha tempo para repousar ou refletir. Você acredita que os fatores ambientais e interpessoais presentes em seu local de trabalho promovem sua saúde mental? Se não. mas. inclusive dos pacientes. reunião de grupo. • Som ambiente . que ações você proporia para melhorá-lo? a observação de cliente com transtorno mental A observação do comportamento de cliente que apresenta transtorno mental é instrumento valioso para a intervenção terapêutica. ele se mantém em atividade. prevê complicações e até previne UNIDADE II – ABORDAGEM TERAPêUTICA EM SAÚDE MENTAL 115 . No entanto. • Higiene ambiental . pode atrapalhar o atendimento num caso de emergência.Não obstante os avanços da musicoterapia. os profissionais de saúde tendem a relaxar com a manutenção da higiene. simples. Neste ambiente.

condições socioeconômicas e culturais. nem sempre sua adesão ocorre naturalmente. Foi incorporada em ciências humanas referindo-se à capacidade que a pessoa tem de superar as adversidades e sair fortalecido. sua postura. porém. obter dados que irão complementar o trabalho da equipe terapêutica. É por meio da interação com o cliente que a equipe estabelece formas de ajudá-lo a enfrentar a situação e a superar os seus problemas. movimentos e gestos. idade que aparenta ter. tem a oportunidade de observar seu comportamento e. de reavaliá-lo e adequá-lo às exigências do momento. compromete toda a dinâmica familiar. ao entrar em contato com o cliente que chega ao serviço de saúde. dessa forma. Estabelecer comparação das características do cliente com outras pessoas da mesma faixa etária. Nesse processo destaca-se a importância da atuação do técnico de enfermagem que. pois o comportamento de muitas pessoas com transtorno mental é extremamente desgastante. o uso de adornos e maquiagem. A participação da família nesse processo é fundamental. visto que grande parte dos transtornos mentais é crônica e regida por seu próprio dinamismo. na medida em que possibilita distinguir a sua singularidade. Dizemos que tanto o cliente como a família necessitam ser cuidados e 116 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . o que. as expressões faciais. seu cuidado com a higiene corporal. É bem possível que a atividade psicomotora esteja alterada. • Atividade psicomotora e comportamento Observar especialmente a maneira como as informações. A observação criteriosa e direcionada nos permite verificar: • Aparência A observação sobre a maneira como o cliente com transtorno mental se apresenta pode revelar condições muito diferentes do padrão dito normal. o estado de suas roupas e a maneira como se veste. Esse olhar abrange o estado geral do cliente. pode facilitar a condução do caso. diga-se. Outra alternativa para levantar dados significativos é por meio de contato com seus familiares e amigos. Reconhecer precocemente as alterações significa abreviar o sofrimento psíquico. ainda. pois cria a oportunidade de iniciar o tratamento ou.a reincidência de surtos. • Contato com a equipe multiprofissional Resiliência é um termo usado em física que significa a capacidade que possui um corpo para recuperar sua forma original após ser submetido a uma pressão. acontecimentos e atividades são processadas pelo cliente.

Rio de Janeiro: Fiocruz. Uma vez estabelecida. distintas de meros contatos sociais. relação terapêutica: a ferramenta indispensável2 Relação terapêutica é aquela que se estabelece entre os membros-integrantes da equipe terapêutica. encontrou. Manual de enfermagem psiquiátrica. de aceitação e de comunicação clara. Aconselhei que tivesse mais fé em Deus. necessidades. et al.B. A comunicação terapêutica consiste na habilidade profissional em usar seu conhecimento sobre comunicação para ajudar a pessoa com tensão temporária. Para que o profissional consiga estabelecer uma relação terapêutica. A comunicação verbal com o paciente portador de transtorno mental nem sempre é muito fácil e algumas técnicas podem auxiliar para favorecer o autoconhecimento do paciente na mesma medida em que você o compreende. torna-se uma ferramenta de trabalho importantíssima para que o profissional possa intervir junto ao paciente. para ser terapêutica. necessita de um início de confiança. Diz que ela nunca o amou e que só se casou com ele para não ficar solteira.tratados. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: saúde mental. acabam se tornando pessoas resilientes e bastante motivadas e interessadas no tratamento. sentimentos e emoções com os do paciente. Brasil. Entretanto.se a seguinte anotação: “Paciente tenso com o fato de sua mulher não ter comparecido à visita.M. valores morais. Certa vez. superando bloqueios à autorrealização para enfrentar seus problemas. 2 Considerar que as relações interpessoais que assumimos no ambiente de trabalho para promover a assistência de enfermagem são terapêuticas. 2001). num registro de enfermagem. a conviver com outras pessoas e a se ajustar ao que não pode ser mudado. é muito importante o seu autoconhecimento. depois de conviverem com tantas crises. o que o levaria a fazer interpretações erradas. não pensasse mais em morrer. crenças. (TEIXEIRA. portanto. para que não confunda seus desejos.” Uma relação. Fala que quer morrer por isso. muitos familiares. os familiares e todo o grupo de pacientes. 2003 UNIDADE II – ABORDAGEM TERAPêUTICA EM SAÚDE MENTAL 117 . Brasília: Ministério da Saúde. Ministério da Saúde. e que assim que estivesse bom voltasse para sua terra e arrumasse uma outra mulher.

É uma pausa mais ou menos longa na conversação que deve ser respeitada para que o paciente possa refletir. et al. • Propostas abertas . com o objetivo de fazê-lo tomar consciência sobre o que foi dito. mostrando-se receptivo. 2001. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: saúde mental. • Clarificação . et al. Ministério da Saúde. • Silêncio . O Guia da Enfermagem: Fundamentos para assistencia.. M.B. • Paráfrase . A. 118 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS .Consiste em repetir ao paciente o conteúdo do que disse. para que se compreenda o que foi dito ou até para complementar uma ideia exposta.Pode-se pedir ao paciente que torne a mensagem mais clara. Ministério da Saúde. TEIXEIRA. 2. 2008. 1. de maneira que ele perceba a sua importância. PROFAE. Bibliografia BRASIL. São Paulo: Atheneu. • Escuta . • Frases por repetição .B.Quando um paciente fica bloqueado. olhando-o numa atitude aberta.Você poderá encontrar mais dados sobre Comunicação na Área III. São Paulo: Iátria. Manual de enfermagem psiquiátrica.É muito importante que você ouça o que o paciente tem a dizer. Brasília: Ministério da Saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz. 2003 RODRIGUES. ed. pode-se repetir uma palavra ou uma frase no decorrer da conversa para motiválo a falar mais.Trata-se de permitir que o paciente conduza e escolha o assunto.a reimpr.

avaliação: processual dos conteúdos relevantes e de produto parcial da Unidade III Integração Curricular: curso de aux. possibilitando a identificação de alterações. 4. de enfermagem: anatomia e fisiologia. UNIDaDE III Objetivos Específicos III.Trabalho em grupo sobre alterações características de transtornos mentais com base na leitura e discussão do texto: O cuidado em saúde mental: reconhecendo as alterações. Participar de atividades terapêuticas observando e registrando o estado do cliente.Sistematização das alterações de funções mentais abordadas no texto. UNIDADE III – RECONHECENDO ALTERAçõES MENTAIS 119 . 2.Reconhecendo alterações mentais Objetivo Reconhecer a importância da observação como ferramenta para as ações de enfermagem na atenção a clientes com alterações mentais.Observação: • Aparência • Atividade psicomotora • Comportamento Funções psíquicas • Alterações da consciência • Alterações da atenção • Alterações da orientação • Alterações da memória • Alterações da afetividade • Alterações da vontade • Alterações do pensamento • Alterações de sensopercepção • Alterações da linguagem Método 1. Utilizar dicionário de termos técnicos como apoio.Caracterizar alterações das funções psíquicas. Conteúdos 1. enfermagem clínica Sugestão de ações para estágio supervisionado: Desenvolver ações de enfermagem a clientes com alterações de comportamento. relacionando-as com situações vivenciadas no cuidado com estes pacientes. 3.Debate sobre a importância da observação do comportamento do cliente. prevenção de complicações e até da reincidência de surtos.Participação de dinâmica de grupo sobre observação. psicologia.1.

(Dalgalarrondo. mas há um estrei- 120 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . em vigília. culturais e políticas. estado de sonolência que pode ser apenas despertado por forte estímulo (geralmente doloroso). Embora as principais funções psíquicas do ser humano sejam aqui apresentadas de forma isolada. sociais. o qual pode apresentar diversos graus: obnubilação. A definição psicológica leva em consideração a capacidade de a pessoa entrar em contato com a realidade. É sempre a pessoa na sua totalidade que adoece. exercendo considerável impacto sobre as pessoas. p. os dados epidemiológicos mostram alta prevalência de transtornos mentais e comportamentais na população em geral. alterações da consciência Dentre as funções psíquicas destaca-se a consciência. acordado. com implicações psíquicas. ao fato de estar desperto. famílias e comunidades. A consciência pode sofrer alterações patológicas. rebaixamento do nível de consciência. perceber e conhecer os seus objetos. A definição neuropsicológica trata a palavra consciência no sentido de estado vígil. Várias funções psíquicas podem estar alteradas em uma pessoa acometida por transtorno mental e os profissionais responsáveis pelos seus cuidados e tratamento necessitam estar atentos às suas manifestações. mais especificamente.é impossível separar a atividade mental em áreas distintas. acompanhado de inibição da psicomotricidade. na prática isso não ocorre . estupor. o paciente pode aparentar pleno domínio de sua lucidez. estado no qual não há nenhuma atividade voluntária consciente. Você se recorda dos dados epidemiológicos sobre os transtornos mentais que vimos no texto 12? Não existem funções psíquicas isoladas e alterações psicopatológicas compartimentalizadas desta ou daquela função. caracterizada pela lentidão na compreensão e dificuldade de concentração. coma. P. 60). O rebaixamento do nível de consciência ocorre também nos quadros de delirium e estado onírico. econômicas. lúcido. 2000. outra forma de alteração de consciência. assim como os transtornos associados ao uso de álcool e demais substâncias psicoativas. ou. Nos estados crepusculares.TExTO 15 O cuidado em saúde mental: reconhecendo as alterações Como já vimos.

quase sempre visuais.incapacidade parcial ou total de recordar fatos e experiências passadas. distração – revela a incapacidade de manter o foco da atenção em determinado estímulo. Constam do rol das alterações a desorientação cronopsíquica – a pessoa perde a referência de data (dia. 68). É como se ele estivesse voltado “para dentro. relacionada ao desejo de se concentrar em algo e. mês e ano) e a dupla orientação – a pessoa vivencia dois mundos ao mesmo tempo. P. UNIDADE III – RECONHECENDO ALTERAçõES MENTAIS 121 . presente. alterações da memória A memória é a capacidade de reter experiências passadas e evocá-las no momento presente.” Ocorre em quadros histéricos agudos e em pessoas com epilepsia. por exemplo. alterações da orientação A orientação expressa a consciência que a pessoa tem de si e também a capacidade de se situar no tempo e no espaço (lugar). Delirium é o termo atual mais utilizado para designar a maior parte das síndromes confusionais agudas. condizente a um sonho muito vívido (com predomínio das alucinações visuais). Há rebaixamento leve a moderado do nível de consciência. Dentre as alterações de memória destacam-se a amnésia . ilusões e/ou alucinações. (Dalgalarrondo. agindo no automático. o real e o psicótico. e a paramnésia – ocorrem distorções dos dados de memória em que o fato evocado não tem relação com o objeto original da percepção. ente ou objeto. voltando-se para determinada situação. 2000. Pode ser voluntária ou ativa. p. atenção e interesse afetivo. agitação ou lentificação psicomotora. acompanhado dos seguintes sintomas: desorientação temporoespacial. A capacidade de memorizar está intimamente ligada ao nível de consciência.. com dificuldade em se concentrar. involuntária ou passiva. alterações da atenção A atenção é uma dimensão da consciência definida como a capacidade de se concentrar em uma atividade ou ação. ansiedade. Exemplos de alterações: desatenção – a pessoa manifesta incapacidade de direcionar o foco para determinado estímulo. quando ocorre independentemente do desejo da pessoa.tamento transitório da mesma. em psicoses tóxicas e síndromes de abstinência das drogas. Estado onírico: alteração da consciência. com turvação da consciência e confusão mental.

alterações de sensopercepção Sensopercepção é a capacidade de perceber e interpretar as sensações e percepções advindas dos sentidos. a lentificação e o bloqueio (parada súbita e inesperada de seus pensamentos. São exemplos de alterações do curso de pensamento: a aceleração. religiosos. Os estímulos podem ser: auditivos. ecolalia 122 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . quando vinham fluindo normalmente). táteis e gustativos.alterações da afetividade Afetividade diz respeito à capacidade de experimentar sentimentos e emoções. São exemplos de alterações: ilusão – percepção deformada de um objeto existente. a forma. labilidade afetiva . e conteúdo identificado como o assunto em si. a maneira como o pensamento flui. a desagregação do pensamento (perda da coerência do pensamento. Uma pessoa pode apresentar apatia – diminuição da excitabilidade emotiva e afetiva. da forma: a fuga de ideias (uma ideia se segue a outra de forma extremamente rápida).mudanças súbitas e imotivadas do estado afetivo. alterações da linguagem A linguagem é o principal instrumento de comunicação do ser humano. e ambivalência afetiva – sentimentos opostos ao mesmo objeto ou estímulo. ou seja. que representa a estrutura básica do pensamento. etc. Exemplos de alterações: disartria – problemas em articular as palavras. alucinação – sensações e percepções em que o objeto não existe. alterações do pensamento O processo do pensar envolve o curso do pensamento. visuais. olfativos. ideias fragmentadas). e do conteúdo. embotamento afetivo – perda de todo tipo de vivência afetiva. relacionado a temas sobre perseguição.

P. Ministério da Saúde. afasia . DALGALARRONDO. Rio de Janeiro: Fiocruz.não conseguir falar. PROFAE. Porto Alegre : Artmed. M. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: saúde mental. Manual de enfermagem psiquiátrica. Bibliografia BRASIL. UNIDADE III – RECONHECENDO ALTERAçõES MENTAIS 123 ..B. 2000. 2. e mutismo – manter-se mudo. Brasília: Ministério da Saúde. TEIXEIRA..repetir as últimas palavras proferidas por alguém.ed. et al. 2002. Ministério da Saúde. logorreia – fala acelerada e compulsiva. 2001. São Paulo: Atheneu.

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enfermagem: clínica. Lembrar de discussões da unidade anterior sobre ambiente e relação terapêutica.Apresentação dos trabalhos e sistematização sobre a assistência de enfermagem indicada conforme a alteração de comportamento apresentada. • A organização da rede de atenção • stratégias para a redução de E danos e riscos associados ao consumo prejudicial 2. Utilizar dicionário de termos técnicos como apoio. curso de auxiliar de enfermagem: introdução à enfermagem: administração de medicamentos Sugestão de ações para estágio supervisionado: Desenvolver ações de enfermagem a clientes com transtornos mentais. 4. o conforto e a manutenção das condições clínicas dos clientes.2. 3.2. 1.Transtornos do humor 1. Utilizar e operar equipamentos de trabalho.Transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool e outras drogas.Exposição de filmes sobre transtornos mentais e debate.Transtornos alimentares 1.Reconhecer a assistência de enfermagem indicada para clientes com alterações de comportamento mais comuns em transtornos mentais.Transtornos de personalidade 1. avaliação: processual dos conteúdos relevantes Integração Curricular: curso de auxiliar de enfermagem: anatomia e fisiologia.1.Trabalho em grupo sobre alterações características de transtornos mentais com base na leitura e discussão do texto: Ações de enfermagem em saúde mental.Transtornos de ansiedade 1.5.3. relacionando-as com situações vivenciadas na assistência a estes pacientes. Participar de atividades terapêuticas observando e registrando o estado do cliente.Transtornos mentais 1. 2. aplicar princípios ergonômicos e técnicas adequadas à prevenção de acidentes e descarte de resíduos.Transtornos mentais: identificação e ações de enfermagem Objetivo Caracterizar os principais transtornos mentais relacionando com as ações de enfermagem. Objetivos Específicos IV. UNIDaDE IV Conteúdos 1.Assistência de enfermagem ao cliente com principais alterações de comportamento • cliente ansioso • cliente deprimido • cliente agitado • cliente que se acha perseguido c • liente com comportamento antissocial Método 1. UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 125 . materno-infantil.Dinâmica de grupo para a sensibilização dos alunos em relação aos clientes com transtornos mentais 2.4.Caracterizar os transtornos mentais mais comuns.Sistematização das características dos transtornos mentais abordadas no texto. dentro dos princípios de segurança.1.Trabalho em grupo para a elaboração de plano de cuidados de enfermagem para clientes com alterações de comportamento mais comuns em transtornos mentais. Destaque para cuidados de enfermagem sobre a segurança. IV.

garanta as especificidades acumu- Binário: que tem dois elementos ou que comporta dois aspectos que se opõem. em cada história de vida. Perdemos as contribuições das análises propiciadas pelo recorte da saúde coletiva que capta as expressões de uma comunidade. O que estamos querendo aqui destacar é: esta lógica deve ser combatida em prol de outra maneira de pensar e fazer que experimente as diferentes contribuições. A Política do Ministério da Saúde para atenção integral a usuários de álcool e outras drogas. de outro. O primeiro tem como seu foco as manifestações individuais das alterações da saúde. promoção e prevenção.TExTO 16 ações de enfermagem em saúde mental a lógica que separa o campo da saúde1 Sempre foi um desafio para as práticas de saúde aliar o âmbito clínico de intervenção com o da saúde coletiva. fazendo-as interpelações umas das outras. tratamento e reabilitação. de histórias que se cruzam configurando a história em certo momento. Quando seguimos esta lógica. enquanto que o segundo efetua um outro tipo de corte. tem resultado em embates de saber/poder que (re)afirmam suas verdades em campos separados e. a das binarizações. Perdemos as contribuições da experiência clínica que está voltada para as características singulares que se expressam em cada corpo. de uma categoria social ou de gênero. em cada sujeito. 126 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . 2003. tomando a incidência e a prevalência das alterações em plano coletivo. esta divisão entre a clínica de um lado. grande parte das vezes. Parece que hoje aí reside o grande desafio: instaurar em todos os campos da saúde pública uma atitude que. de um tipo de afecção. Menos do que contribuir para o avanço de dispositivos e instrumentos de diagnóstico. oponentes. Brasília: Ministério da Saúde. A esta outra lógica chamamos transversalização. todos perdemos. ao mesmo tempo. de uma localidade. 1 Ministério da Saúde. e a saúde coletiva.

novos dispositivos de intervenção. espelha de certa maneira a lógica da transversalização. reforça a importância do domínio clínico em consonância com a saúde coletiva. a responsável por um terço de todas as causas de desabilitação por condições neuropsiquiátricas no mundo (wHO. Isto significa que a depressão unipolar será.7% dos anos vividos com alguma desabilitação. 2008.ladas ao longo do tempo em cada núcleo de saber e. A depressão unipolar é a principal causa de desabilitação na Europa e estima-se que se torne a segunda colocada no ranking da carga de doença em 2020. BRASIL. mutismo. sentimento de culpa. Uma pessoa com depressão apresenta manifestações clínicas resultantes de alterações: • afetivas: tristeza. A iniciativa do Ministério da Saúde visando a incorporação de ações de saúde mental no conjunto de ações que compõem o cuidado integral à saúde na atenção básica. ideias autodestrutivas. apatia. sozinha. que a partir do histórico e tradicional modelo hospitalocêntrico/manicomial. que é nossa capacidade de vivenciarmos internamente nossas emoções e nossos sentimentos. Quem ganha com isto? Os usuários do sistema de saúde e todos aqueles comprometidos com a saúde enquanto defesa da vida. Nessa doença ocorrem dificuldades na área do afeto. de modo a construir novos olhares. choro fácil. consiga fazer atravessar tais saberes uns sobre os outros. melancolia. para além disso. As transformações conceituais e estruturais da atenção à saúde mental. • ideativas: pessimismo em relação a tudo. logo atrás da doença isquêmica do coração. Nos transtornos afetivos destacam-se a depressão unipolar e o transtorno afetivo bipolar. diminuição da libido. UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 127 . memória e atenção reduzidas. angústia. vergonha e incapacidade. perda de interesse geral. inutilidade e fracasso. Principais tipos de transtornos mentais TRANSTORNOS DO HUMOR Os transtornos do humor são também denominados transtornos afetivos. • neurovegetativas: fadiga. responsável por 5. desespero. cansaço fácil. lentificação psicomotora. • cognitivas: dificuldade em tomar decisões. passa a voltar-se para a atenção descentralizada e de base comunitária (PSF). concentração. 2004b). • vontade e psicomotricidade: tendência a ficar na cama o dia todo. negativismo. desânimo. Agência Nacional de Saúde Suplementar. • autovaloração: baixa autoestima.

fobia social. Disponível em: <http://www. os sintomas físicos também aparecem. Em transtornos da ansiedade generalizada (TAG). multidões e temor em ficar sozinho. labilidade de humor. que. euforia. cefaleia. Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) é caracterizado pelo estado de humor que oscila entre dois polos. mostrou que a incidência de depressão nessa localidade chega a 22%.medo de altura. alterações na pressão arterial e temperatura. desencadeando alterações fisiológicas. irritada. tremores. Em transtornos fóbico-ansiosos.A depressão. não provocam medo às pessoas. pele úmida. acha que não tem problemas e não procura tratamento. calafrios. maiores de 18 anos. provocando taquicardia. gasto excessivo. ainda que seja em sua própria casa. psicológicas e comportamentais. Acesso em: 10 de março de 2009. comportamento inadequado. ou seja. tensa. 128 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS .org. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Familiares. avião. medo persistente de se expor em qualquer situação de grupo. Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA). com 793 pessoas na cidade de São Paulo. geralmente. IBOPE e Parceiros. Ansiedade intensa estimula o sistema nervoso autônomo. pupilas dilatadas. com dificuldade em se concentrar. taquipneia. TRANSTORNOS DE ANSIEDADE A ansiedade é uma reação emocional à percepção de um perigo real ou imaginário. segundo Código Internacional de Doenças (CID-10). de forma recorrente. em geral. Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA). inquietação motora. Qualquer pessoa está predisposta a viver momentos de ansiedade. palpitações. isso pode ocasionar grande sofrimento psíquico. Fonte: Associação Brasileira de Familiares. a pessoa apresenta agitação psicomotora (hiperatividade). inicia muitas atividades sem concluí-las. de diferentes classes sociais. variando entre a mania e a depressão. moderada ou grave. Na mania. relaxamento dos músculos lisos da bexiga e intestinos. é classificada em leve.abrata. que torna a aparecer depois de haver desaparecido. Pesquise sobre os principais medicamentos utilizados no tratamento da depressão unipolar e transtorno bipolar e os cuidados de enfermagem na sua administração. desinibição exagerada. tontura.br>. falta de senso crítico. hiperatividade. por exemplo. São as fobias específicas . muito pelo contrário. após um susto ou ao receber uma notícia perturbadora. Tem ideias de grandeza. autoestima exagerada. animais. agorafobia. É difícil convencer a pessoa de que está doente. a pessoa fica angustiada. fala muito (logorreia) e troca o tempo todo de assunto (fuga de ideias). além de prejudicar sua vida social e profissional. o que é considerado normal. Dependendo do grau de ansiedade que a pessoa vive. Em manias graves não é incomum o aparecimento de delírios e/ou alucinações. boca seca. e. homens e mulheres. os sintomas de ansiedade aparecem diante de algum objeto bem-definido e/ou situações. aversão excessiva a lugares abertos.

embotada ou inapropriada. Tem início abrupto. 2002. ouve e sente coisas que não são reais. de pavor. com sinais de palpitação. porém. relacionadas. A pessoa com TOC apresenta pensamentos ou ações repetitivas sobre as quais não tem controle e suas repetições se assemelham a verdadeiros rituais. o pensamento se encontra invariavelmente esvaziado UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 129 . ela vivencia como se “real” fosse. O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) é um transtorno de ansiedade que se caracteriza por obsessões e reações compulsivas. tendem a se repetir outras vezes. a afetividade fica comprometida. Em geral. O transtorno é conhecido como a síndrome do pânico. ao perigo imaginário de morte iminente. Bock. parestesias. dor no peito. A alteração da percepção produz alucinações – a pessoa vê. A pessoa que vive essa situação não tem o alcance de que a ameaça não existe. mas uma coisa é importante: ele é um homem e tem necessidade de afeto. de dinheiro e de trabalho. sendo assaltada pelo ímpeto desesperado de fugir daquela situação. medo de perder o controle ou de enlouquecer. em geral. Franco Basaglia. as crises são rápidas e passam em alguns minutos. é um homem total e nós devemos responder não à sua esquizofrenia mas ao ser social e político. As crises de pânico são manifestações de intensa ansiedade. Esquizofrenia Estou de acordo que um esquizofrênico é um esquizofrênico. acompanhadas de sintomas somáticos resultantes de estimulação do sistema nervoso autônomo. TRANSTORNOS DO PENSAMENTO Pesquise sobre os principais medicamentos utilizados nos transtornos de ansiedade e os cuidados de enfermagem na sua administração. A esquizofrenia é um dos mais graves transtornos mentais e o que mais se distancia de nosso ideal sobre normalidade. com a sensação de que está em grande perigo. Isso deixa a pessoa constantemente atemorizada. sensação de falta de ar. por isso é a mais identificada pelas pessoas como loucura.Em transtornos de pânico a pessoa tem a sensação de morte. Há um desgaste muito grande de energia.

porém. a pessoa se enxerga “gorda”. anorexia nervosa Uma alteração característica do portador de anorexia é a distorção da imagem corporal. ficar se balançando. A atividade psicomotora também pode estar alterada . incapacidade de experimentar culpa e de aprender com a experiência. ou. personalidade psicopática ou sociopatia. têm aumentado significativamente também entre os homens. destacando-se a anorexia e a bulimia nervosa. transtorno associal da personalidade. Não é rara a aparência do portador de esquizofrenia ser precária e bizarra. pois. Uma pessoa com transtorno de personalidade antissocial é descrita como tendo baixa tolerância às frustrações e um baixo limiar para descarga de agressão. sendo frequentes sadismo e crueldade. fazer movimentos estranhos. às regras e às obrigações sociais. particularmente com a punição. imerso em percepções distorcidas do mundo e de si mesmo.e sem sentido – discurso desorganizado. É comum nessas pessoas a existência de baixa estima. acaba deixando sua autoimagem de lado. necessidade compulsiva de fazer exercícios e ginástica para perder peso. irresponsabilidade e desrespeito às normas. o receio de engordar atormenta a pessoa o tempo todo. propensão marcante para culpar os outros. sintomas de de- 130 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . Transtorno de personalidade antissocial O CID-10 considera a personalidade antissocial sinônimo de transtorno amoral de personalidade. Em geral traz sérios comprometimentos à saúde. Muitas vezes tal comportamento é alcunhado de estranho. permanecer totalmente imóvel. comunicação bastante prejudicada.é comum o cliente efetuar movimentos constantes. indiferença e insensibilidade pelos sentimentos alheios. Em consequência. apesar de muito magra. dificuldade no convívio social e tendência ao isolamento. Mesmo com o peso muito abaixo do normal. TRANSTORNOS ALIMENTARES Os transtornos alimentares são mais comuns em mulheres. ainda. Veste-se em conformidade com pensamentos delirantes que apresenta. Pesquise sobre os principais medicamentos utilizados nos transtornos de personalidade e os cuidados de enfermagem na sua administração. TRANSTORNO DE PERSONALIDADE Pesquise sobre os principais medicamentos utilizados no tratamento de transtornos do pensamento e os cuidados de enfermagem na sua administração.

desperta sentimentos de culpa e vergonha. Sente que não tem controle sobre a situação. Pesquise sobre os principais medicamentos utilizados nos transtornos alimentares e os cuidados de enfermagem na sua administração. o que. Coordenação Geral de Saúde Mental. sexo.730) dos antigos 1º e 2º graus em dez capitais brasileiras (Galduróz et. Cerca de 10% das populações dos centros urbanos de todo o mundo consomem abusivamente substâncias psicoativas. 2003). independentemente da idade. TRANSTORNOS MENTAIS E DE COMPORTAMENTO DECORRENTES DO USO DE ÁLCOOL E OUTRAS SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS O consumo abusivo de drogas é considerado um problema de saúde pública. estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicoativas (CEBRID) sobre o uso indevido de drogas por estudantes (n = 2. 1997) revelou porcentual altíssimo de adolescentes que já haviam feito uso de álcool na vida: 74. bem como o rompimento de outros laços sociais que reforçam a percepção pública deste uso como próximo ao crime. Não podemos nos afastar deste intrincado ponto onde as vidas. Bulimia nervosa Na bulimia nervosa há um comportamento variável.. Estudos mostram o uso cada vez mais precoce de substâncias psicoativas.5% dos estudantes faltaram à escola. Secretaria de Atenção à Saúde. após beber. novembro de 2005. 2 Se nas práticas de saúde nosso compromisso ético é o da defesa da vida. Quanto ao uso frequente.DAPE. a organização da rede de atenção2 A necessidade de definição de estratégias específicas para a construção de uma rede de assistência aos usuários de álcool e outras drogas. mas também onde cada vida é expressão da história de muitas vidas. (BRASIL. muitas vezes sucumbem ao aprisionamento. ingere grandes quantidades de alimento de uma só vez (episódios bulímicos) às escondidas. Brasília. temos que nos colocar na condição de acolhimento. e que 11. Ficou constatado que 19. de novos agenciamentos e outras construções. Ministério da Saúde. com ênfase na Brasil. al. pois afeta não só o dependente. indução de vômitos e prática exagerada de exercícios. faltando a compreensão do fenômeno como reflexo de questões multifatoriais. nível de instrução e poder aquisitivo (OMS. Pessoas com comportamento bulímico geralmente são tidas como perfeccionistas e dependentes da aprovação dos outros para a manutenção da autoestima. Também faz uso de laxantes. Pessoas com anorexia nervosa podem apresentar desnutrição grave. diuréticos e enemas de forma indiscriminada. Entende-se por droga psicoativa qualquer substância química que provoca modificação em nosso funcionamento mental. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental : 15 anos depois de Caracas. 2003). e para a mesma amostra.7%. cujos efeitos alteram nosso comportamento. ora a pessoa mantém jejum prolongado e quando não suporta a privação. em seu processo de expansão. 2001 apud BRASIL. UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 131 . mas também o coletivo. OPAS. incluindo o álcool. sob o efeito do álcool. Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil.1%. perdem-se de seu movimento de abertura e precisam. chegamos a 14.pressão e perturbações do sono.5% brigaram. (BRASIL. temos altos índices de abandono escolar. No Brasil. onde cada vida se expressará de uma maneira singular. de um coletivo. Há uma extrema preocupação com a forma e o peso. Como consequências. fatalmente. 2003). para desviar do rumo muitas vezes visto como inexorável no uso de drogas.

no âmbito do SUS. o Programa Nacional de Atenção Comunitária Integrada aos Usuários de Álcool e outras Drogas. o programa organiza as ações de promoção. com indicadores epidemiológicos relevantes. levou o Ministério da Saúde a instituir. Diante da diversidade das características populacionais existentes no País e da variação da incidência de transtornos causados pelo uso abusivo e/ou dependência de álcool e outras drogas. esta estratégia. prevenção. Os Centros de Atenção Psicossocial para Atendimento de Pacientes com dependência e/ou uso prejudicial de álcool e outras drogas (CAPSad) são os dispositivos estratégicos desta rede. Estratégias para a redução de danos e riscos associados ao consumo prejudicial3 O conceito de redução de danos vem sendo consolidado como um dos eixos norteadores da política do Ministério da Saúde para o álcool e outras drogas. articulada à rede de atenção psicossocial e fundada na abordagem de redução de danos. é internacionalmente reconhecida como alternativa pragmática e eficaz no campo da prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis/Aids. e passam a ser estabelecidos sobretudo em grandes regiões metropolitanas e em regiões ou municípios de fronteira. proteção à saúde e educação das pessoas que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas e estabelece uma rede estratégica de serviços extra-hospitalares para esta clientela.reabilitação e reinserção social. No 3 idem 132 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . assumida pelo Ministério da Saúde desde 1994. no ano de 2002. Originalmente apresentada de forma favorável na prevenção de doenças transmissíveis.

e a ampliação do número de unidades de tratamento para o uso nocivo de álcool e outras drogas. implica um conjunto de intervenções de saúde pública que visam prevenir as conseqüências negativas do uso de álcool e outras drogas. ofertando o que é possível e o que é necessário. sem julgamento. por meio de trabalho de campo. de cada usuário. as demandas de cada situação. são estratégias de redução de danos a ampliação do acesso aos serviços de saúde. resgatando o usuário em seu papel autorregulador. cachimbos) para prevenir a infecção dos vírus HIV e hepatites B e C entre usuários de drogas. decorre que a abordagem de redução de danos. sem a exigência imediata e automática da abstinência. UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 133 . especialmente dos usuários que não têm contato com o sistema de saúde. Pesquise sobre o álcool e outras drogas psicoativas de maior impacto epidemiológico. a elaboração e distribuição de materiais educativos para usuários de álcool e outras drogas. o paradigma da redução de danos se situa como estratégia de saúde pública que visa a reduzir os danos causados pelo abuso de drogas lícitas e ilícitas. Estabeleça correlação com as propostas terapêuticas e os cuidados de enfermagem. Deste marco ético em defesa da vida. sempre estimulando sua participação e seu engajamento. mental e social. A estratégia de redução de danos e riscos associados ao consumo prejudicial de drogas vem permitindo que as práticas de saúde acolham. A estratégia de redução de danos sociais reconhece cada usuário em suas singularidades. agulhas. traçando com ele estratégias que estão voltadas para a defesa de sua vida. Assim. informando sobre as formas mais seguras do uso de álcool e outras drogas e sobre as consequências negativas do uso de substâncias psicoativas. e incentivando-o à mobilização social. a distribuição de insumos (seringas. considerando suas repercussões na área física. os programas de prevenção de acidentes e violência associados ao consumo. ao mesmo tempo em que aponta para as diretrizes do tratamento e da construção da rede de atenção para as pessoas que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas. entre outras.campo do álcool e outras drogas.

O cuidado de enfermagem. É indispensável que a assistência aos portadores de transtornos mentais. Nesses casos. Assim. as ações de cuidado devem ser vistas como um “processo permanente de busca de equilíbrio dinâmico de todos os fatores que compõem a vida humana” (BOFF. seja realizada dentro dos princípios éticos e humanos. restabelecimento dos vínculos afetivos. 134 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . 2. 1999 apud Brasil..reimpr. ed. em todos os níveis de atenção à saúde. tais comportamentos são vistos em diferentes transtornos. O que cura é a alegria. visto que é o cliente na sua totalidade que adoece e é nessa dimensão que os cuidados devem ser prestados. 4 Adaptado de BRASIL. Nise da Silveira O comportamento que os clientes com transtornos mentais apresentam é resultante de diversas alterações que ocorrem em suas funções psíquicas. 2008). destaca a importância do técnico de enfermagem na equipe de saúde que provê o tratamento e sua recuperação.Prestando assistência de enfermagem ao cliente com principais alterações de comportamento4 O que melhora no atendimento é o contato afetivo de uma pessoa com outra. As relações de cuidado devem ocorrer na perspectiva sujeito-sujeito e não na perspectiva sujeito-objeto. Saber identificar no cliente os principais comportamentos e conseguir lidar com cada um deles individualmente para atendê-lo em suas necessidades. Ministério da Saúde. sociais e da qualidade de vida. promovendo maior autonomia. 2003. o que varia é a predominância que alguns exercem sobre os outros. cumpre apenas a função didática. 1. interação e comunhão. O planejamento da assistência e a prescrição de enfermagem para atender às necessidades do cliente são realizados pelo enfermeiro. As mesmas alterações podem aparecer em vários transtornos e. O cuidado é uma característica essencial do ser humano e pressupõe uma postura de convivência. Rio de Janeiro: Fiocruz. o que cura é a falta de preconceito. organizado pelas alterações de comportamento mais comuns que o cliente com transtorno mental apresenta. aumento da capacidade de gerenciamento da própria vida. quando isso acontece. Brasília: Ministério da Saúde. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: saúde mental.

não acha? Na manutenção de um ambiente terapêutico. Portanto. aumentando assim a tensão. pois sentir-se só diante de tantos medos pode ser ainda mais assustador. Mostrar-se tranquilo. Esta pessoa pode apresentar um padrão respiratório ineficaz. na conversação também pode ajudar. você deve observar a possibilidade de ele estar com roupas muito apertadas. É importante orientar sempre a pessoa em relação ao tempo. espaço e pessoas caso esteja desorientado. correndo-se o risco de fazê-lo entrar em pânico. Dizer-lhe que não deve se preocupar pode fazer com que se sinta incompreendido e sozinho. porém não competitivas. até que se sinta seguro. além de observar a coloração de mucosas e leito ungueal. UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 135 . Comece participando com ele. ouvir as queixas e receios é essencial. assim como vários aspectos para a sua ansiedade. As excretas devem ser observadas e anotadas. É inútil tentar provocar situações para que ele “perca o medo”. Inicialmente. porém é inútil tentar lhe mostrar que o medo que sente é irreal. utilizando frases curtas. Pode ser bastante salutar a sua participação em atividades simples. É muito importante observar também o padrão de alimentação (pode apresentar hiperfagia) e uma nutricionista pode lhe fornecer orientações quanto à dieta mais adequada para evitar aumento ponderal exagerado. em todos os casos. com um tom de voz firme. Muitas vezes queixa-se de medos injustificáveis. e auxiliálo e estimulá-lo na execução de exercícios respiratórios. e você deve estimulá-lo. “incomoda” e solicita a equipe em demasia.Cuidados de enfermagem ao cliente ansioso Você se lembra das reações de um paciente com transtorno de ansiedade? Podem apresentar vários níveis. é esperado que ele apresente medo de realizá-las.

é contraindicado tecer comentários quanto a essa atitude. e “sentir pena” pode não ser a melhor forma de demonstrá-lo. vestuário. é necessário que o profissional se conscientize de que “sentir pena” não só não ajuda como pode atrapalhar. pois a pergunta não irá induzi-lo. É um bom momento para fazê-lo sentir-se valorizado. 136 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . tudo o que possa pôr em risco a sua integridade física – até que passe o perigo. peso. por razões óbvias. Sua presença constante. Esta vigilância deve ser discreta para não lembrar a todo instante ao paciente o grau de periculosidade a que se expõe. é muito importante a enfermagem estar atenta às questões como a alimentação e hidratação.Cuidados de enfermagem ao cliente deprimido Este é um cliente que se apresenta triste. Você pode perguntar ao paciente se deseja morrer. Pode ser muito difícil ver nos outros um quadro agravado do que sentimos. É comum encontrarmos membros da equipe que não gostam de trabalhar com esse tipo de paciente. ouvindo-o e participando das atividades. Para lidar com este tipo de transtorno. culpado e isolado. e depressão não é um problema incomum. O maior risco em lidar com esse tipo de paciente é o de suicídio (esse risco aumenta quando começa a melhorar de seu transtorno). Um paciente deprimido costuma se descuidar de seus cuidados básicos por não valorizá-los ou por achar que deve ser punido. Por isso. é uma boa maneira de manter a vigilância e integrá-lo ao grupo. Este deve ser mantido sob vigilância quando em uso de objetos pontiagudos e cortantes e cordas – isto é. É descrito muitas vezes como “baixo astral”. O ambiente terapêutico requer respeito. você pode lembrá-lo de que já fez referência à vontade ou tentativa de morrer e que a equipe deseja protegê-lo. No entanto. atividades e padrões de sono e repouso. fornecerá um dado para seus cuidados. Caso o paciente pergunte se está sendo vigiado. eliminações intestinais. Porém.

com o cuidado de não fazê-lo de forma autoritária para não provocar reações desagradáveis que possam gerar a necessidade de contê-lo. A melhor forma de interagir com ele é chamá-lo para as atividades e conversar sobre assuntos gerais. A aferição de seus sinais vitais. porém é importante estar a par que este paciente pode estar pronto a responder de maneira ameaçadora. dançar. É preciso ter cuidado com mensagens verbais e não-verbais. perda ponderal e grau de hidratação são imprescindíveis. porém somente após ter criado com ele uma relação de confiança e. Você deve estabelecer limites para ele. É como se estivesse se defendendo todo o tempo. com cores berrantes e vários enfeites. utilizandoos de forma desarmônica. etc. mesmo assim. Qualquer atitude não planejada pode resultar em desconfiança. interpreta mal qualquer comentário. Este é um paciente que dorme pouco e em geral acorda cedo. É muito importante que lhe sejam oferecidos líquidos e alimentos que possa ingerir enquanto mantém a atividade. Cuidados de enfermagem com cliente que se acha perseguido É claro que sua desconfiança pode apresentar um grau variado. desde dúvidas até delírios paranoicos. para evitar que UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 137 . Com frequência. agitando-se e tornandose agressivo. Ganhar a confiança deste paciente não é fácil. cantar. causando o seu afastamento. mantê-la é quase impossível. pois sua hiperatividade não lhe permite sentar para alimentar-se. e numa equipe despreparada pode muitas vezes ser alvo de zombarias e deboches. Pode se vestir de maneira extravagante. Por estas razões tende a provocar o medo em outras pessoas. Também se alimenta mal.Cuidados de enfermagem ao cliente agitado A equipe muitas vezes descreve esse paciente como “irritante”. gritar. É extremamente ativo e pode falar. No entanto.

podem estar incluídos os dependentes de drogas ilícitas e os alcoolistas. É importante que o profissional de saúde esteja alerta a estas manobras. Pelo mesmo motivo. Não se consideram doentes e. que ele mesmo prepare seus alimentos.“ suas suspeitas se confirmem”. geralmente o fazem por alguma imposição. pode ser uma boa maneira de ganhar sua confiança. É conveniente solicitar a ajuda de mais pessoas do serviço e até mesmo conter o paciente em caso de 138 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . para não ser usado. Porém não deve se expor desnecessariamente. Manter uma conduta firme e franca com o paciente. ou administrá-los na forma líquida. É bastante útil estimulá-los a participar de atividades. Nesta categoria. deve-se verificar sua boca após a administração de medicamentos. Cuidados de enfermagem ao cliente com comportamento antissocial São vistos na equipe como “sedutores” e desafiadores. ouvindo seus receios. A alimentação e a hidratação desse paciente podem estar prejudicadas. Por isso é aconselhável permitir que o cliente escolha o que deseja comer e. pois ele pode achar que estão tentando envenená-lo. Apresentam boa verbalização. Deve-se estar alerta aos sinais de intoxicação ou abstinência. Recomenda-se evitar situações que lhe provoquem ansiedade. são inteligentes e agradáveis. Em relação ao potencial de violência. atributos que muitas vezes usam para atrair simpatia e conseguir o que querem. Conselhos ou promessas “arrancadas” destes pacientes não serão capazes de resolver seus problemas enquanto não admitirem que tem um problema para controlar o uso da substância. se possível. se buscam o serviço de Saúde Mental. não se deve demonstrar receio.

Diretrizes assistenciais para a saúde mental na saúde suplementar .216 de 28 de janeiro de 2001. Ministério da Saúde. é necessária a utilização de técnicas apropriadas e uma boa dose de compreensão e carinho. São Paulo: Saraiva . Perante a necessidade de contenção mecânica. ela deve vir acompanhada de respeito. BRASIL. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: saúde mental . Lei Federal 10. Ministério da Saúde. evitando-se desafios do tipo: “Vem me bater agora!” Também é indispensável que se explique ao paciente que a medida adotada se deu porque ele passou do limite ou para protegê-lo.. Rio de Janeiro: ANS. como conduta violenta que implique em risco de lesões físicas para si e para os outros.L. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. A.. Ministério da Saúde. FURTADO. é importante que esta seja feita por profissionais preparados. seja qual for a medida adotada. O que não deve ser esquecido é que. 13 ed. 2003. As contenções mecânicas são indicadas para os estados de agitação não controláveis com medicação ou em episódios agudos.reimpr. para evitar agravos ao paciente.necessidade. Brasília: Ministério da Saúde. Bibliografia BOCK. ______. A Política do Ministério da Saúde para atenção integral a usuários de álcool e outras drogas. ed. M. Diário Oficial da União. As contenções podem ser medicamentosas (químicas) ou mecânicas (físicas).M. Rio de Janeiro: Fiocruz. Agência Nacional de Saúde Suplementar. 2003. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia.B. Para tal. de 9 de abril de 2001. 2008. ______. ______. Brasília: Ministério da Saúde. 2002. 2. 1. O. TEIXEIRA. UNIDADE IV – TRANSTORNOS MENTAIS: IDENTIFICAçãO E AçõES DE ENFERMAGEM 139 .

P. TEIXEIRA. São Paulo: Atheneu.DALGALARRONDO. M.sociopatia Bicho de Sete Cabeças – manicômio 140 ATENçãO À SAÚDE MENTAL NO SUS . anexo Sugestão de filmes Rain Man – autismo As Horas – depressão Uma Mente Brilhante – esquizofrenia Mr Jones – transtorno bipolar Melhor Impossível – transtorno obsessivo compulsivo O Silêncio dos Inocentes . 2000. 2001. Manual de enfermagem psiquiátrica. Porto Alegre: Artmed. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais.B. e cols.

✎ Anotações .

✎ Anotações .

000 .Ficha Técnica Projeto Gráfico e Editoração Capa Ilustrações Revisão Marli Santos de Jesus Ricardo Ferreira Didiu Rio Branco Benedito Amancio do Vale Dante Pascoal Corradini Formato Tipologia Papel Número de páginas Tiragem 210 x 205 mm Optima Capa | Triplex 250 g/m2 Miolo | Offset 90 g/m2 144 10.

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SECRETARIA DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE GESTÃO PÚBLICA SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO SECRETARIA DA SAÚDE .

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