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Espaço em Revista 2009

ISSN: 1519-7816 vol. 11 nº 2 jul./dez. 2009 páginas: 169-179

IMPLANTAÇÃO DE TRILHA INTERPRETATIVA EM ÁREAS DE MATA CILIAR


E CERRADO NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS, UNIDADE
UNIVERSITÁRIA DE IPAMERI (GO)

Israel Gamboa1
E-mail: israelgamboa@gmail.com

Vitor Corrêa de Mattos Barretto2


E-mail: barrettovitor@yahoo.com.br

Marcus Vinicius Moreira Xavier3


Email: marcusilpf@hotmail.com

Resumo: O processo de degradação de uma considerável parte das matas


ciliares foi resultado da expansão desordenada das fronteiras agrícolas. Com o
objetivo de contribuir para a formação da consciência ambiental de estudantes
universitários, de nível fundamental e médio e despertar uma visão crítica do meio
em que vivem, foi implantada uma trilha interpretativa em área de mata ciliar e
Cerrado na Universidade Estadual de Goiás (UEG), Unidade Universitária de
Ipameri (GO). A demarcação do trajeto da Trilha foi realizada no dia 12 de
setembro de 2009, por membros do Núcleo de Estudos Ambientais (NEA). Foi
realizada a manutenção e abertura da trilha dentro da Mata, bem como uma
limpeza, abrindo uma “picada” de aproximadamente 1,0 m de largura, extraindo-
se cipós, galharia e tocos do solo. O trajeto da Trilha possui 1,5 km de extensão,
de baixo nível de dificuldade, intensidade leve e baixo nível técnico. O tempo
necessário para percorrer os 09 pontos de interpretação alocados na Trilha do
Lava-Pés varia de trinta minutos a duas horas. Foram alocados 09 pontos de
interpretação.
Palavras-chave: Educação ambiental. Mata ciliar. Trilha interpretativa.

Abstract: The degradation of the Riparian forest was the result of the
disorganized and thoughtless expansion of the agricultural borders. There was a
focus on creating an environmental awareness starting at primary school all the
way through to university. There has been an Interpretative Track using a section
of the Riparian and Cerrado forest preserved at the State University of Goiás
(SUG), Unity of Ipameri-GO. On the 12th September the direction of the track was
realized by the members of the Environmental Studies Group (ESG). There has
been a couple of things done to the track, a widening by around one meter, and
the clearing of any plants that might have been on the track. There has also been
a 1.5km extension with thought going into making it low impact and easier to

1
Graduando em agronomia. Estudante da Universidade Estadual de Goiás, UnU Ipameri (GO).
Núcleo de Estudos Ambientais (NEA).
2
Docente da Universidade Estadual de Goiás, UnU Ipameri (GO). Núcleo de Estudos Ambientais
(NEA).
3
Graduando em engenharia florestal. Estudante da Universidade Estadual de Goiás, UnU Ipameri
(GO). Núcleo de Estudos Ambientais (NEA).
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manage. It takes approximately thirty minutes up to two hours to walk though all
nine plots on the Lava-Pés.
Key words: Environmental education. Riparian forest. Interpretative track.

1 Introdução

O processo de degradação de matas ciliares historicamente tem


resultado da expansão desordenada das fronteiras agrícolas, que na maioria dos
casos contou com um planejamento ambiental prévio, que possibilitasse delimitar
as áreas que deveriam ser ocupadas pela atividade agropecuária e as áreas que
deveriam ser preservadas em função de suas características ambientais e legais
(RODRIGUES; GANDOLFI, 2000).
A ganância e a desinformação de proprietários rurais, vinculada a
outras dificuldades em se fazer cumprir a lei e a pobreza são os motivos que tem
contribuído para elevar o índice de degradação das matas ciliares (SOUZA et al.,
2005). Em função disso, as matas ciliares em diversas regiões do Brasil estão
reduzidas a fragmentos esparsos e profundamente perturbadas (PINTO et al.,
2005).
É importante ressaltar que a preservação das nascentes presentes
nesta área, permite controlar e preservar a qualidade e quantidade da água
disponível tanto sob a superfície, quanto em lençol freático (SOUZA et al., 2007).
Por isto, Borges et al. (2005) ressaltam a importância de se promover
uma maior consciência político-ambiental, integrada à educação e ao
cumprimento das leis de proteção à vida e ao meio ambiente por agentes sociais
para reverter a maioria dos processos de degradação da paisagem aqui
representada pelas matas ciliares.
O Código Florestal (Lei Federal 4.771/65) é o principal instrumento
jurídico brasileiro que normatiza a proteção dos recursos ambientais (BRASIL,
1965). Nesta Lei consta que é proibido qualquer uso ou manejo com fins
econômicos em Área de Preservação Permanente (APP) e se preconiza que a
floresta ou outra forma de vegetação natural é considerada APP quando situada
ao entorno das nascentes, ao longo dos cursos d’água e na bordas de tabuleiros.
Em relação a isto, o domínio do cerrado encontra-se em uma situação
preocupante do ponto de vista da degradação sendo incluído na lista dos

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ecossistemas de maior diversidade e dos mais ameaçados do mundo (MYERS et


al., 2000).
Diante dessa situação, a interpretação ambiental é uma técnica
didática, flexível e moldável às mais diversas situações, que busca esclarecer os
fenômenos da natureza em linguagem acessível e adequada, utilizando os mais
diversos meios. Procura promover no público o sentimento de pertinência à
natureza, através da sua transformação íntima em relação aos recursos naturais,
sua compreensão e entendimento, na esperança de gerar interesse,
consideração, respeito pela natureza e, conseqüentemente, pela vida
(GUIMARÃES, 1998).
É clara a estreita relação entre interpretação e educação Ambiental,
uma vez que ambas, mesmo enquanto ciências distintas buscam a mudança de
postura das pessoas frente à natureza. Porém, a diferença reside no fato de
Educação Ambiental ser um processo continuado, que deve acontecer ao longo
de todas as fases de formação do indivíduo, enquanto a Interpretação Ambiental
é projetada para um momento específico e de curta duração, ou seja, enquanto o
visitante permanece no local (SILVA et al., 2006).
Nesse sentido, de acordo com Santos et al. (2007), as trilhas
interpretativas se enquadram como alternativas na forma organizada e consciente
de usufruir uma área natural, dando condições aos visitantes, de despertar a
sensibilização para a preservação da natureza.
A trilha de interpretação é definida como sendo um percurso em um
sítio natural propiciando explicações sobre o meio ambiente, flora, fauna e
fenômenos naturais locais, que promovem o contato mais estreito entre o homem
e a natureza (GUILLAUMON et al., 1977). Por isto, o uso de trilhas para a
interpretação de áreas naturais tem sido freqüentemente recomendado por
oferecer oportunidades de contato direto com o ambiente natural, direcionado ao
aprendizado e à sensibilização. Além disso, proporcionam oportunidades de
reflexão sobre valores, indispensáveis a mudanças comportamentais que estejam
em equilíbrio com a conservação dos recursos naturais (CURADO; ANGELINI,
2006).
A trilha interpretativa é uma das ferramentas de educação ambiental
que ajuda a promover a percepção das pessoas, de modo que possam despertar
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o interesse pela preservação de um espaço ao qual elas têm acesso e contato


com as espécies. Há o reconhecimento crescente de que o envolvimento da
população local é o elemento principal que está faltando nas estratégias de
manejo e conservação (PRIMACK; RODRIGUES, 2001).
As trilhas apresentam ônus baixo para sua estruturação, constituem um
instrumento pedagógico prático e dinâmico, proporcionando uma aproximação à
realidade dos temas abordados; suscitam uma dinâmica de observação, de
reflexão e de sensibilização; proporcionam uma diversificação de atividades e
também um comportamento a ser adotado. Seu inconveniente é que exigem
manutenção e fiscalização permanente, principalmente em áreas onde há
ocupação urbana nas adjacências (ESPIRITO SANTO, sem data).
Bizerril (2003), Bizerril e Faria (2003) afirmam que a educação
ambiental feita diretamente no campo é um forte instrumento na conscientização
da riqueza e beleza do domínio cerrado, que muitas vezes, é tratado como um
ecossistema pobre e sem valor para a conservação.
Com o objetivo de contribuir para a formação da consciência ambiental
de estudantes universitários, de nível fundamental e médio e despertar uma visão
crítica do meio em que vivem, foi implantada uma trilha interpretativa em área de
mata ciliar e Cerrado na Universidade Estadual de Goiás, Unidade Universitária
de Ipameri (GO).

2 Materiais e métodos

2.1 Caracterização da área para implantação da trilha interpretativa

A trilha localiza-se em área da fazenda experimental da Universidade


Estadual de Goiás (UEG), Unidade Universitária de Ipameri, com as seguintes
coordenadas: 17º43’04”S e 48º08’23.54”O (Figura 1A). A trilha abrange uma área
de Mata Ciliar, cortada pelo afluente do Córrego Lava-Pés, e Cerrado. A área de
vegetação ciliar possui uma parte em bom estado de preservação e outra já
alterada pela ação antrópica.
As nascentes do Córrego Lava-Pés encontram-se em área rural de
propriedade particular e em área pública, pertencente à Unidade Universitária de
Ipameri da Universidade Estadual de Goiás. O Córrego Lava-Pés é um importante

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afluente do Ribeirão Vai-Vem, o qual corta a cidade na maior parte de sua


extensão, desaguando no perímetro urbano de Ipameri (FIRMINO, 2003).

2.2 Implantação da trilha interpretativa

O percurso da Trilha dentro da Mata Ciliar e no Cerrado foi definido por


já existir caminhos demarcados na área, pois esta localiza-se próxima a um bairro
e recebe visitação da população.
A demarcação do trajeto da Trilha foi realizada no dia 12 de setembro
de 2009, por membros do NEA da UEG. Os mesmos realizaram a manutenção e
abertura de alguns trechos da trilha dentro da mata. Realizaram a limpeza do
caminho, abrindo “picada” de aproximadamente 1,0 m de largura, extraindo cipós,
galharia, tocos do solo e outros elementos que pudessem obstruir a passagem e
oferecer segurança aos visitantes. O trajeto da Trilha possui, aproximadamente,
1,5 quilômetro de extensão (Figura 1B).

A) B)

Figura 1 - Vista geral das matas ciliares da Universidade Estadual de Goiás,


UnU Ipameri (GO) (A). Detalhe em amarelo do trajeto da Trilha Interpretativa
do Lava-Pés e alguns pontos de restauração ecológica, na Universidade
Estadual de Goiás, UnU Ipameri (GO) (B). Google Earth, 2007.

2.3 Determinação dos pontos interpretativos

Os membros do NEA realizaram o percurso ao longo da trilha para


definir os prováveis pontos de interpretação, no dia 12 de setembro de 2009.
Foram alocados 09 pontos de interpretação, procurando ressaltar a beleza cênica
natural, a importância da vegetação nativa e ciliar e das águas do Córrego Lava-

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Pés. Os pontos de interpretação foram: P1 – recepção dos visitantes; P2 – Área


de Preservação Permanente sem vegetação com poleiros artificiais; P3 – Área de
Preservação Permanente sem presença de vegetação ciliar; P4 – Presença de
coletores de sementes para auxiliar no enriquecimento de clareiras; P5 –
Coroamento de regeneração natural; P6 – Transposição de galharia para auxiliar
na disseminação e dispersão de sementes; P7 – Córrego Lava-Pés preservado;
P8 – Transição Mata Ciliar com Cerrado; P9 – Espécies nativas do Cerrado
(Ananas ananassoides - Ananás, Stryphnodendron barbatiman Mart. –
Barbatimão, Qualea grandiflora – Pau-terra).

2.4 Definição do nome para a trilha

Com a participação de todos os membros do NEA, foi realizada uma


discussão para determinar o nome mais característico para a trilha. Algumas
sugestões foram: Trilha da UEG, Trilha dos Ananás, Trilha do Lava-Pés, Trilha
Água Limpa. Após o debate a decisão foi consensual em torno do nome Trilha do
Lava-Pés.

3 Resultados e discussões

A presença de clareiras dentro da mata, devido principalmente aos


desmatamentos e efeito de borda e, consequentemente, sulcos de erosão foram
primordiais na implementação de técnicas de restauração ecológica de áreas
degradadas. Ainda, por se tratarem de modelos pouco onerosos e de fácil
implementação, optou-se por implantar na área de mata ciliar, poleiros artificiais,
transposição de galharia, coletores de sementes e realização de coroamento da
regeneração natural como mostrado nas Fotografias 1 e 2.
Os poleiros artificiais visam atrair aves e morcegos para áreas abertas,
pois segundo Reis et al. (2003), sabe-se que estes são os animais mais efetivos
na dispersão de sementes e propiciar ambientes para que esses animais possam
pousar, constitui uma das formas mais eficientes de atrair sementes em áreas
degradadas (Fotografia 1B).
As leiras de galharia no campo constituem, além de incorporação de
matéria orgânica no solo e potencial de rebrotação e germinação, abrigos e
microclima adequados para diversos animais, como roedores, cobras e avifauna,
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pois são locais para ninhos e alimentação. As leiras normalmente são ambientes
propícios para o desenvolvimento de larvas de coleópteros decompositores da
madeira, cupins e outros insetos (REIS et al., 2003).
A serapilheira por ser composta por folhas, frutos, sementes e outros
componentes vegetais e eventualmente conter exemplares de insetos e outros
organismos, a sua deposição em novas áreas poderá enriquecê-las com outras
espécies ou mesmo com organismos benéficos (BRAGA et al., 2007).
De acordo com Martins (2009), o coroamento da regeneração natural
de espécies arbóreas ao redor dessas plantas auxilia a capacidade de auto-
recuperação que o ecossistema ainda pode possuir, pois estimula o crescimento
de plântulas suprimidas em áreas invadidas por gramíneas ou em pastagens
abandonadas.
A Trilha do Lava-Pés é classificada como interpretativa, de curta
distância e monitorada simples. Apresenta 1,5km de extensão sendo de baixo
nível de dificuldade, intensidade leve e requer baixo nível técnico, de acordo com
Andrade (sem data), a qual pode ser percorrida por visitantes de qualquer idade,
principalmente crianças.
O tempo necessário para percorrer a Trilha do Lava-Pés varia de
acordo com as características de cada grupo, variando de trinta minutos a duas
horas. A Trilha é de rápido acesso e com diversos pontos para descanso e pontos
de interpretação (Fotos 1 e 2).

A) B)

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C) D)

Foto 1 - Trilha interpretativa do Lava-Pés na Universidade Estadual de Goiás,


Unidade de Ipameri (GO). Início da Trilha do Lava-Pés (A). Primeiro ponto de
interpretação da Trilha Lava-Pés com poleiro artificial de bambu (B). Vista
aproximada do poleiro artificial de bambu (C). Terceiro ponto de interpretação da
Trilha Lava-Pés com um coletor de sementes (D).

A) B)

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C) D)

Foto 2 - Vista parcial da Trilha do Lava-Pés dentro da mata ciliar (A). Terceiro
ponto de interpretação com o coroamento de regeneração natural (B). Quarto
ponto de interpretação com galharia amontoada (C). Quinto ponto de
interpretação no afluente do Córrego Lava-Pés e samambaiaçu (D).

Os visitantes devem ser divididos em grupos de dez pessoas e cada


grupo deve ser acompanhado por dois guias capacitados. Assim, a Trilha do
Lava-Pés permite aos visitantes uma percepção do reflexo degradante da
atividade antrópica em área de preservação permanente e, possibilita ressaltar o
valor de atitudes de conservação, tais como as técnicas de restauração ecológica,
na obtenção de um meio ambiente equilibrado. O percurso na Trilha do Lava-Pés
tem ainda como atrativos a presença de espécies vegetais como Ananás (Ananas
ananassoides), Pequizeiro (Caryocar brasiliense), Cajueiro (Anacardium
othonianum), Pata-de-vaca-roxa (Bauhinia purpurea L.), Barbatimão
(Stryphnodendron barbatiman Mart.), dentre outras.
Segundo Magro & Freixêdas (1998), cabe ao planejador de trilhas
despertar a curiosidade do visitante sobre os recursos existentes, preocupando-se
sempre em aumentar a qualidade da experiência durante a visita. Na Trilha
interpretativa do Lava-Pés também foram elaboradas e instaladas algumas placas
informativas com explicações. Houve também a preocupação por parte dos
idealizadores da Trilha com os aspectos ambientais do local, evitando causar o
mínimo impacto ambiental na área.

4 Considerações finais

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O uso de trilhas interpretativas é um importante recurso didático de


educação não-formal, que auxilia na educação ambiental. A implantação da Trilha
do Lava-Pés está contribuindo como atividade de prática pedagógica para a
educação ambiental de estudantes universitários, de nível médio e fundamental.
Além disso, trata-se de um instrumento importante para a promoção da
conscientização da população e comunidade científica sobre a importância da
preservação e conservação do meio ambiente.

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