Doenças Provindas de Empresas Siderúrgicas: SILICOSE

No Brasil, as doenças profissionais e os acidentes de trabalho constituem um grande problema de saúde pública. A silicose é a mais antiga e grave doença ocupacional conhecida, ocorre em indivíduos que inalaram pó de sílica durante muitos anos. A sílica é o principal constituinte da areia, e, por essa razão, a exposição a essa substância é comum entre os trabalhadores de mineração, os cortadores de arenito e de granito, os operários de fundições e os ceramistas. Normalmente, os sintomas manifestam-se somente após vinte a trinta anos de exposição ao pó. No entanto, em ocupações que envolvem a utilização de jatos de areia, a escavação de túneis e a produção de sabões abrasivos, que produzem em quantidades elevadas de pó de sílica, os sintomas podem ocorrer em menos de dez anos. Existem históricos registrados, a cerca de dois mil anos, do uso demáscaras por trabalhadores que buscavam proteção contra as poeiras de sílicas consideradas perigosas, foi observado que a mistura da poeira com o ar, ocasionava um comprometimento pulmonar. Assim, umidificação e ventilação no interior das minas diminuem a quantidade de poeira no ar, reconhecida como causas de doenças pulmonares, sendo comum em certas minas a tosse e dispnéia. Para BRASIL(1978) ³As operações de perfuração ou corte devem ser realizados por processos umidificados para evitar a dispersão da poeira no ambiente de trabalho´. Conforme a segurança e saúde ocupacional na mineração. Atualmente em países desenvolvidos, a legislação inclui severas regras de profilaxia atuando com fiscalização, as pneumoconioses mais estudadas são as dos minérios de carvão, principalmente na diminuição do teor de poeiras respiráveis.

Nestes ambientes são encontradas inúmeras substâncias ou produtos presentes destacando-se o cimento, a borracha, as madeiras, os derivados de petróleo, as resinas epóxi, o cromo e o níquel. Com aplicação de princípios de proteção respiratória e controles de medicina do trabalho podem reduzir esses riscos. É importante que haja avaliação do serviço de engenharia, segurança e medicina do trabalho (SESMT), determinando o grau de risco e os tipos de equipamentos de proteção individual (EPI) que o trabalhador necessita para cada local e função que ele venha exercer. Fazer o controle periódico da saúde do trabalhador, para realizar o remanejamento do mesmo se houver necessidade. Proporcionar treinamento quanto ao uso de EPI e salientar sua importância,³todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde do trabalho´ (BRASIL, 1978). Estas ações seguramente requerem um trabalho multidisciplinar com intenso envolvimento do SESMT, para obter êxito operacional. Para Haag (2001, p.20) ³Aplicar os conhecimentos da engenharia de segurança e da medicina do trabalho e a todos os seus componentes, inclusive máquinas e equipamentos, visando eliminar ou reduzir os riscos à saúde do trabalhador´. Esta pesquisa tem por finalidade trazer mais informações sobre a silicose para profissionais de saúde, doença pulmonar ocupacional no trabalhador de mineração, a metodologia adotada foi à abordagem de pesquisa bibliográfica em revista, artigos, literaturas especializada na área e normas regulamentadoras (NR).

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A silicose livre é resultante da exposição do quartzo especialmente nas minerações subterrâneas. A sílica livre pode ocorrer nas indústrias extrativas de minerais, britagem, moagem, lapidação, nas indústrias de transformação (cerâmicas, fundições, vidro, sabões, abrasivos, marmorarias), e em algumas atividades como os protéticos, jateadores de areia, trabalhos com rebocos ou esmeril de pedra, escavação de túneis, cavadores de poços e artistas plásticos com atividades de artesanato. Entre as patologias pulmonares relacionadas ao trabalho destaca-se a pneumoconiose dos trabalhadores do carvão, a asbestose provocada pela exposição ao amianto, a asma ocupacional, a bronquite crônica e o câncer de pulmão. A sílica cristalina é extremamente tóxica para o macrófago alveolar, devido as suas propriedades de superfície que levam a lise celular. Segundo Lemle (1994, p.168) ³a repercussão funcional pode ser mínima ou nula, de modo que pode haver alterações radiológicas significativas sem grande repercussão clínico-funcional. Um bom exemplo é a silicose, em seus estágios iniciais´.

A dispnéia aos esforços é o principal sintoma. porém seu desenvolvimento ocorre em estágios mais iniciais.3 com redação dada pela Portaria número 8. p. não mostra alterações significativas no aparelho respiratório. de 8-5-1996. encontra-se nódulos silicóticos. é a mais comum. então estas partículas com diâmetro inferior a dez micra atingem o interior do pulmão provocando uma reação dos tecidos de caráter inflamatório com cicatrização posterior. são produzidas lesões nodulares por todo o pulmão. a repetição deste processo acaba provocando o endurecimento e ocasionando uma pequena formação de nódulos no tecido pulmonar. que predominam nos terços superiores dos pulmões. qual o equipamento de proteção individual (EPI) usado. menores que um centímetro de diâmetro. que pode variar de dez a vinte anos. os nódulos aumentam e coalescem´. A histologia mostra nódulos com camadas concêntricas de colágeno e presença de estruturas polarizadas a luz. na avaliação da doença profissional a investigação radiológica é muito importante. com grande potencial de evolução para a forma complicada da doença. normalmente após cinco a dez anos do inicio da exposição. são inaladas. os nódulos podem coalescer formando conglomerados maiores e substituindo o parênquima pulmonar por fibrose colágena. e ocorre após longo tempo do inicio da exposição. espirometria. constituindo parâmetros na documentação epidemiológica. data. é importante também que ele assine esta anamnese.De acordo com Brunner & Suddarth (1998. semelhantes aos da forma crônica. Os sintomas respiratórios costumam ser precoces e limitantes. INVESTIGAÇÃO DA DOENÇA A investigação da doença pulmonar deve ocorrer em duas abordagens: Anamnese: Exames clínicos. esta silicose e observada em cavadores de poços. e o exame físico a maioria das vezes. e com a persistência da exposição este acúmulo resultará na perda de elasticidade do pulmão e a respiração exige um maior esforço. com a progressão da doença. Com o passar do tempo e a exposição contínua. Um raio X de tórax anormal é aceito como evidência legal. com componente inflamatório intersticial intenso e descamação celular nos alvéolos. sendo consideradas um corpo estranho no organismo. Exames complementares como Raio X de tórax com PA (Póstero Anterior). É caracterizada pela presença de pequenos nódulos difusos. com a identificação. Silicose acelerada ou subaguda é caracterizada por apresentar alterações radiológicas mais precoces. como a formação de conglomerados e fibrose maciça. CLASSIFICAÇÃO DA SILICOSE Silicose crônica e também conhecida como forma nodular simples. este tipo de silicose pode ser observado nas indústrias de cerâmica.4. constando um questionário objetivo. junto com o médico em local especifico. local de trabalho (atual e anterior) material ao qual está exposto.458) ³Quando as partículas de sílica. As micro-partículas de sílica conseguem ultrapassar as paredes dos alvéolos. como prova de que ele realmente respondeu estas questões conforme a norma regulamentadora número sete (NR 7) Subitem 7.4. os pacientes costumam ser assintomáticos ou apresentar sintomas que são precedidos pelas alterações radiológicas. a níveis relativamente baixos de poeira. que apresentam propriedades fibrogênicas. tempo de exposição. . respondido pelo indivíduo.

Para Nettina (1998. são bilaterais com áreas calcificadas. muitas vezes acompanhadas por nodulações maldefinidas. produção de expectoração e dispnéia. DIAGNÓSTICO Os indivíduos com silicose nodular simples. pode causar doenças com exposição curtas de dois a seis meses. têxteis.Silicose aguda é a forma mais rara desta doença. o padrão radiológico é bem diferente das outras formas. mesmo na ausência de tumor a dispnéia e tosse improdutiva surgem. tintas. ou corpos ferruginosos. O espessamento e placas pleurais são os achados mais comuns radiologicamente. cianose e hipocratismo digital podem se manifestar quando há derrame pleural. são muito resistente à destruição a agentes químicos e físicos. Ao exame físico auscultam-se crepitações difusas. p. não tem dificuldade em respirar. também contendo placas de fibrose pleural. está associada à exposição maciça à sílica livre. crocidolita (asbesto azul) e amosita (asbesto marrom). aparecem como fibras de coloração marrom ou negra. estertores subcrepitantes finos de bases pulmonares podem ser auscultados em estágios mais avançados. após vinte ou trinta anos de exposição à medida que a doença evolui estes sintomas progridem. Os corpos de asbestos. seguem o padrão reticular e costuma iniciar pelas metades inferiores dos pulmões. A silicose conglomerada pode causar tosse. dor torácica do tipo ventilatório dependente é relatada. esta forma ocorre no jateamento de areia ou moagem de pedra.208) ³as pneumopatias ocupacionais se desenvolvem lentamente (durante mais de 20 a 30 anos) e são assintomáticas nos seus estágios iniciais´. por períodos que podem variar de meses a anos. O mecanismo de lesão não é bem conhecido. são visíveis em 50% dos casos. plásticos. hitológicamente é representada pela proteinose alveolar associada a infiltrado inflamatório intersticial. podendo evoluir para a morte por insuficiência respiratória. no princípio a dispnéia verifica-se só durante os momentos de atividades. a crisotila (asbesto branco). o risco vai desde a extração. lonas de freio de carro. mas tem tosse e expectoração devida à irritação das grandes vias aéreas confundindo com bronquite. ocorre tosse seca e comprometimento do estado geral. . ASBESTOSE A asbestose é a cicatrização disseminada do tecido pulmonar causada pela aspiração de pó de asbesto (amianto). pode também se desenvolver ate trinta anos mais tarde. isolantes. Este termo é usado para descrever seis variedades de silicatos minerais fibrosos. supõe-se que a fibra de asbesto é inalada e penetram no parênquima pulmonar desencadeando um edema das células alveolares. mas acaba se manifestando também durante o repouso. que segue de uma alveolite descamativa e espessamento das paredes alveolares e obliteração de alvéolos por feixes de colágeno. sendo representados por infiltrações alveolares difusas e progressivas. São usados na construção civil. no meio da fibrose. A dispnéia pode ser incapacitante.

0 Radiografia de uma pessoa com Silicose. Imagens: Firgura 1. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). a história ocupacional baseia-se no Raio X de tórax compatível com inclusão de outras doenças ocasionando o aspecto radiográfico. a qual pode evoluir para a morte. o pulmão lesado submete o coração. E necessário à prova de função respiratória e a determinação da capacidade laborativa. também são três vezes mais propensos a desenvolver a tuberculose. para avaliar a gravidade da doença. é utilizada uma classificação padronizada dos laudos. A silicose diagnostica-se com uma radiografia ao tórax que mostra o padrão típico de cicatriz e nódulos. . fornecida pela organização internacional do trabalho.A respiração pode piorar depois de dois a cinco anos mesmo tendo deixado de trabalhar com a sílica. sempre comparando com as radiografias padrão. sua interpretação deve ser realizada por três leitores. nos que não estão afectados pela silicose. Em alguns casos outros exames serão necessários para investigação mais elaborada à biópsia pulmonar raramente é necessária. a um esforço excessivo e pode causar insuficiência cardíaca. os indivíduos com silicose exposto ao microorganismo causador da tuberculose (Mycobacterium tuberculosis).

como asma e a bronquite. por exemplo. no entanto. PNEUMOCONIOSE Definições As pneumopatias relacionadas etiológicamente à inalação de poeiras em ambientes de trabalho são genericamente designadas como pneumoconioses (do grego. como as alveolites alérgicas por exposição a poeiras orgânicas e outros agentes. Essas considerações têm importância quando se estudam os processos fisiopatogênicos subjacentes a essas doenças. alguns autores apontam para o fato de que o termo pneumoconiose pode não ser adequado quando aplicado a determinadas pneumopatias mediadas por processos de hipersensibilidade atingindo o parênquima pulmonar. Apesar de esse conceito englobar a maior parte das alterações pulmonares envolvendo o parênquima. . a doença pulmonar pelo berílio. as reações de vias aéreas. Para fins práticos. ou a pneumopatia pelo cobalto.Figura 1. e o enfisema. o termo pneumoconiose ser á utilizado neste protocolo para designar genericamente todas as doenças pulmonares parenquimatosas causadas por inalação de poeiras independente do processo fisiopatogênico envolvido.1 Uma pessoa com Silicose. São excluídas dessa denominação as alterações neoplásicas. conion = poeira).

ser divididas em fibrogênicas e não fibrogênicas de acordo com o potencial da poeira em produzir fibrose reacional. seus agentes etiológicos e sua apresentação anatomopatológica. O Quadro 1. como a silicose e a asbestose.As pneumoconioses podem. e a baritose. outros. Ressalte -se que a lista não é exaustiva. de outro. existe a possibilidade fisiopatogênica de poeiras tidas como não fibrogênicas produzirem algum grau de fibrose dependendo da dose. das condições de exposição e da origem geológica do material. ou ainda não contempladas pela literatura científica. Apesar de existirem tipos bastante polares de pneumoconioses fibrogênicas e não fibrogênicas. didaticamente. abaixo. de um lado. poeiras causadoras e processos anatomopatológicos subjacentes . apresenta uma lista de pneumoconioses com denominações mais específicas. Quadro 1 ± Pneumoconioses. não excluindo outras possibilidades etiológicas mais raras.

.

. O ramo de mineração e garimpo expõe trabalhadores a poeiras diversas como ferro. como mineração e transformação de minerais em geral. construção civil (fabricação de materiais construtivos e operações de construção). vidros. cerâmica. zinco. agricultura e indústria da madeira (poeiras orgânicas). Epidemiologia As ocupações que expõem trabalhadores ao risco de inalação de poeiras causadoras de pneumoconiose estão relacionadas a diversos ramos de atividades. metalurgia. auxita. entre outros. rochas potássicas e fosfáticas. algumas estimativas de número de expostos foram feitas baseadas em censos recentes.Continuação. Considerando-se estes ramos de atividade. manganê s. asbesto. calcário.

através do sistema ciliar a partir dos bronquíolos terminais. em 1996. papéis especiais. Dados recentes de estimativa de expostos à sílica no Brasil apontam que para o período de 1999 a 2000. Dados de 1991 estimavam em 100 mil o número de mineiros ativos registradose cerca de 400 mil os trabalhadores en volvidos em atividades de garimpo. transporte linfático (conhecidos como clearence) e a fagocitose pelos macrófagos alveolares. Entretanto. estimava em 8. substâncias que o organismo pouco consegue combater com seus mecanismos de defesa imunológica e/ou leucocitária. por sua vez. juntas e gaxetas e produtos têxteis). feldspato. digeridos ou destruídos pela .5 milhões de trabalhadores. quartzo. argilas e outros minerais contendo sílica livre.7 milhões de trabalhadores expostos a poeiras orgânicas principalmente. quartzito. 815. Este número caiu nos últimos quatro anos devido à perda de mercado e substituição do asbesto em alguns produtos industrializados. materiais de fricção. produtos de cimento-amianto. O transporte mucociliar é pr edominantemente realizado pelo sistema mucociliar ascendente (80%). O setor agrícola. diferentemente do que ocorre com microorganismos que podem ser fagocitados. No mesmo ano. a estimativa na construção civil era de 4. com cerca de 43% deles potencialmente expostos a poeiras. Patogenia e fisiopatologia Para que ocorra pneumoconiose é necessário que o material particulado seja inalado e atinja as vias respiratórias inferiores. cerca de 1.5 milhões de trabalhadores em atividade. calcula-se que outros 250 mil ± 300 mil trabalhadores estejam expostos de forma inadvertida nos setores de construção civil e manutenção mecânica. contava com 16.953 trabalhadores vinculados a empregos formais estavam expostos à sílica por mais de 30% de sua jornada de trabalho.granito. que recebe partículas livres ou fagocitadas por macrófagos alveolares. As pneumoconioses são doenças por inalação de poeiras. Cerca de 20% do transporte pulmonar é realizado pelo sistema linfático. em quantidade capaz de superar os mecanismos de depuração: o transporte mucociliar. Na indústria de transformação o IBGE. A exposição ao asbesto envolve cerca de 20 mil trabalhadores empregados na extração e transformação do mineral (mineração de asbesto.

são mais lesivas) da dose (que depende. no caso do asbesto. se perpetuado pela inalação crônica e/ou em quantidade que supera as defesas. Partículas com diâmetros de 5 a 10 m. embora em menor proporção. presença de outras poeiras. fibras mais finas e longas. Para ter eficácia em atingir as vias respiratórias inferiores as partículas devem ter a mediana do diâmetro aerodinâmico inf erior a 10 m. estanose (Sn).HISTÓRIA DE EXPOSIÇÃO. etc. pois acima deste tamanho são retidas nas vias aéreas superiores. Na dependência do conhecimento do tipo de poeira inalada. também têm condição de se depositar nessas regiões e produzir doença. Pneumoconioses não-fibrogênicas: caracterizam-se. e dar início ao processo inflamatório que. fagocitadas ou não. . do ponto de vista histopatológico. com nenhum ou discreto grau de desarranjo estrutural. A fração respirável (<5 m) tem maior chance de se depositar no trato respira tório baixo (bronquíolos terminais e respiratórios e os alvéolos). DIAGNÒSTICO DAS PNEUMOCONIOSES 1 . com ausência ou discreta proliferação fibroblástica e de fibrose. da concentração no ar inalado. podendo ser moduladas por fatores imunológicos individuais e em muitos casos pelo tabagismo. de doenças pulmonares prévias. além de leve infiltrado inflamatório ao redor. É feita de acordo com o relato da função do trabalhador . Geralmente aparece um aspecto nodular simples ou até mais complexos de acordo com o tipo de exposição. baritose (Ba). do volume/minuto e do tempo de exposição).RADIOGRAFIA DE TÓRAX. agentes expostos e tempo de exposição. pode levar à instalação das alterações pulmonares.ação de anticorpos e de células de defesa por meio das enzimas lisossomais e outros mecanismos. 2 . a pneumoconiose leva denominação específica como siderose ( Fe). As reações pulmonares à deposição de poeiras inorgânicas no ulmão vão depender das características físico -químicas do aerossol (como por exemplo: partículas menores e recém-fraturadas de sílica. por lesão de tipo macular com deposição intersticial peribronquiolar de partículas. entre outros.

ASBESTOSE A asbestose é definida como uma fibrose intersticial difusa dos pulmões como conseqüência da exposição ao asbesto .gados de carbono.FIBROSE MACIÇA PROGRESSIVA. em quantidades maiores que as comumente encontradas na população geral. clínica. sobretudo para o patologista geral. 3 ± TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA A Tomografia pode ser necessária em alguns casos como na siderose . No caso do GRAFITE pode aparecer alvéolos cheios de macrófagos carre. Sua abordagem deverá ser multidisciplinar e incluir avaliação epidemiológica. Geralmente não há necessidade de biopsia para o diagnóstico.BIOPSIA PULMONAR. As características clínicas e histopatológicas da fibrose são semelhantes a outras causas de fibrose intersticial. A lesão patognomonica de silicose é o nódulo silicótico. Silica Amorfa. Na biopsia podemos observar alterações relacionadas aos diversos agentes causadores de pneumoconiose . Na rotina diagnóstica. como Grafite.EXAME IMUNOLÓGICO Pode ser necessário em alguns casos.Na siderose pode mostrar a presença de micronódulos mal definidos e difusos. onde pode ser visto em uma localização centro -nodular ou aspecto de vidro fosco.EXAME DE ESCARRO. Outras alterações como faveolamento periféricos em campos periféricos massa conglomeradas . com SILÍCIO a retenção de pó dentro dos pulmões ocorre com ou sem fibrose. sobretudo pela falta de critérios padronizados à microscopia óptica e necessidade de se . 5 . 6 . É feita quando não for possível elucidar o mesmo com os métodos já relacionados. Pode mostrar pigmento de carvão. radiológica. e outras. Silício. patológica e provas de função pulmonar. com exceção do achado de fibras ou CA no tecido pulmonar. irregularidades pleurais e área s de empiema. há dificuldades na caracterização morfológica da doença. na SILICOSE pode ocorrer distorção da arquitetura pulmonar. 4 .

Todavia. sobretudo. pois poderão fornecer informações específicas sobre o tipo de exposição. Asbestose com altos níveis de exposição está geralmente associada com sinais radiológicos de fibrose parenquimatosa. Torna -se. especialmente a presença de an fibólios e sua comparação com as populações não expostas. imperioso o conhecimento dos padrões morfológicos de apresentação da doença pulmonar e. bem como a contagem do número de CA devem ser realizadas sempre que possível. Do ponto de vista da anatomia patológica. . é possível que fibrose leve possa ocorrer em baixos níveis de exposição. A contagem do tipo e número de fibras por grama de pulmão seco. o interstíc io axial (vias aéreas). entende -se por doença intersticial difusa o comprometimento inflamatório/fibrótico/remodelador do tecido conjuntivo de sustentação das estruturas parenquimatosas pulmonares.realizar microscopia eletrônica para contagem e identificação d as fibras. septal (alvéolos) e periférico (subpleural). portanto. e critérios radiológicos nem sempre serão preenchidos em casos de fibrose parenquimatosa detectada histologicamente. a saber. sua correlação com a radiologia.

CAP-NIOSH. .No Quadro abaixo é apresentada a classificação para as formas histoanatômicas de envolvimento pulmonar na exposição ao asbesto.22) A fim de padronizar o diagnóstico histológico e a graduação da asbestose. em nossa rotina temos utilizado a classificação modificada do College of American Pathologists and National Institute for Ocupational Safety and Health .(22) preconizada por RoggliPratt.(11.13.(13) por ser mais abrangente e levar em consideração lesões precoces e avançadas.

(11) de acordo com a extensão histoanatômica de envolvimento. citocinas. e dificuldades diagnósticas. sendo então classificada como fibrose intersticial graus II. As fibras de asbesto depositam-se ao longo das bifurcações brônquicas. instala -se a obliteração fibrótica e remodelamento do ácino pulmonar. respectivamente. o interstício de sustentação dos bronq uíolos respiratórios.Lesões precoces envolvem o interstício axial de sustentação das vias aéreas (bronquíolos terminais). sendo por isso classificadas por alguns autores como bronquiolites associadas ao asbesto (11) ou fibrose intersticial grau I.(23) O quadro histopatológico é inicialmente dominado por reação inflamatória rica em células linfóides e macrofágicas. ou seja.UIP. A sistemática para o diagnóstico de asbestose pulmonar deverá incluir: biópsia pulmonar aberta. fibrose intersticial graus II. da Classificação Internacional das Pneumonias Intersticiais Idiopáticas proposta recentemente pela American Thoracic Society eEuropean Respiratory Society. diagnóstico de asbestose pulmonar (correlação clínico-radiológica-funcional e grau de exposição). identificação e contagem de fibras e CA ao microscópio eletrônico. III e IV (13) ou. A interação macrófago/linfócito culmina com a liberação de substâncias ativadas. numa seqüência progressiva envolvendo bronquíolos e tecido alveolado do ácino pulmonar (ductos. . sacos e alvéolos). que dão início ao remodelamento pulmonar. III e pneumonia intersticial usual.(13) Subseqüentemente. que alargam e deformam o tecido conjuntivo intersticial. responsáveis pela digestão enzimática do citoesqueleto pulmonar e ativação de f ibroblastos. A fibrose intersticial grau IV(13) ou asbestose pulmonar (11) corresponde ao padrão histológico pneumonia intersticial usual . a doença progride para envolver o ácino pulmonar. com conseqüente faveolamento e perda funcional das áreas de trocas gasosas. Com o progredir da doença. histopatologia. ductos e alvéolos adjacentes.

(11. (1. Inúmeros estudos epidemiológicos demonstram essa correlação. de câncer de pulmão em portadores de asbestose. sendo possível a ocorrência de qualquer um deles. pequenas e grandes células) podem estar relacionados com a exposição ao asbesto. da carga ou dose de exposição e do tipo de fibra envolvido.12) Alguns estudos revelam altas freqüências.13-14) O risco é maior ainda quando a asbestose está presente. adenocarcinoma. e não há diferenças em relação aos cânceres atribuídos a outras causas. (10) sendo que o risco relativo também parece aumentar em relação à gravidade da fibrose pulmonar e da carga de fibras no pulmão. Entretanto sua ocorrência depende.CÃNCER DE PULMÃO O risco de câncer de pulmão em populações expostas ao asbesto é sabidamente conhecido. (22) .(10-12) Figura: Câncer de Pulmão Os quatro tipos maiores de câncer de pulmão (escamoso. acima de 40%.(22) enquanto outras pesquisas mostram proporções de até 18% em algumas coortes. Não há predileção para um tipo histológico ou outro. dentre outros fatores.

deva ser determinada a carga de tipos de fibras no tecido pulmonar. pois com pouco tempo de exposição em altas concentrações. o risco para seu aparecimento é duas ou mais vezes maior.ano) da exposição cumulativa. As estimativas do risco relativo de câncer de pulmão relacionado com a exposição ao asbesto são baseadas em diferentes estudos de bases populacionais. (22) não é possível provar com precisão determinística que o asbesto seja o fator causal para determinado paciente. A carga pulmonar de 2 milhões de fibras de anfibólio maiores que 5 m por grama de pulmão seco ou de 5 milhões de fibras de anfibólio menores que 1 m pode correlacionar -se com o dobro do risco de aparecimento do câncer de pulmão. elementos vinculados a causas requerem conclusões médicas baseadas em análises probabilísticas para qu e se possa inferir ou imputar a determinada exposição o fator causal ou contribuinte . (1. Os achados de 5.(1.000 CA por grama de pulmão seco ou de 5 a 10 CA por ml de lavado broncoalveolar são comparáveis à carga de fibras e quando essa concentração é menor que 10.10) Em exposições muito elevadas (sinais de asbesto na atividade ocupacional de isolamento térmico ou acústico). que no nível de 25 fibras -ano tem um risco estimado duas vezes maior de ocorrência deste tu mor. a análise de fibras por microscopia elet rônica é recomendada. em função de seu clearance mais rápido. Devido à alta incidência de câncer de pulmão na população geral. (1. em que estão presentes fumantes e não fumantes (30% ocorrem em não fumantes e não expostos ao amianto). ou menor biopersistência.000 a 15. bem como a contagem de CA no tecido e lavado broncoalveolar. da mesma forma que os anfibólios. não se acumula nos pulmões. o risco de câncer de pulmão pode dobrar mesmo com exposições menore s que um ano. sempre que possível.5% a 4% para cada fibra por centímetro cúbico por ano (fibra .000 CA/grama de pulmão seco. nas quais não se evidencia consenso.10) Sabendo-se que a crisotila. Esta concentração de fibras guarda um paralelismo com a contagem de CA. mas sim pontos controversos. visto como um indivíduo.10) Esta é seguramente uma das principais razões para que. Entretanto. considera-se como melhor indicador para risco de câncer de pulmão a exposição cumulativa em fibras-ano e não a análise da carga de fibras no tecido pulmonar.Em qualquer circunstância é de fundamental importância estimar -se a carga ou dose de exposição. mesmo quando a asbestose está presente. O risco relativo para esse tipo de tumor é estimado em 0.

Quando isoladas. podem ser associadas a exposições mais intensas. ten do em vista estes fatores que atribuem maior risco de neoplasia. especialmente conhecendo se suas ações sinérgicas multiplicativas ASMA ³A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas. cheias de muco e excessivamente sensíveis aos estímulos´. alguns autores referem que a não ocorrência de asbestose não seja condição para excluir -se essa fibra como fator contribuinte para o aparecimento da neoplasia. A presença de asbestose é um indicador de alta exposição ao asbesto e também pode ser considerada como risco adicional para o câncer de pulmão. Quando muito ex pressivas. com espessamento pleural difuso. estreitas. irritantes químicos. os efeitos do risco de exposição ao asbesto devem ser devidamente considerados. Em indivíduos susceptíveis esta inflamação causa episódios recorrentes de tosse. bilaterais ou não. . ³Quando expostos a estes estímulos. chiado. (12) Dessa forma. aperto no peito. Estes casos devem ser considerados como preditivos ou indicadores de morbidade e sua atribuição ao câncer deverá ter suporte consistente na história ocupacional. ar frio ou exercícios´. extensas. as vias aéreas ficam edemaciadas (inchadas). e dificuldade par a respirar. fumaça de cigarro. com substancial exposição cumulativa e contagem de fibras e CA no tecido pulmonar. ou pouco expressivas podem ser correlacionadas a baixas exposições. A exposição cumulativa ao asbesto. Entretanto.para a doença. deve ser considerada um dos principais critérios para atribuição do risco para câncer de pulmão . bilaterais. (GINA ± Iniciativa Global para a Asma) Na definição acima. Embora os efeitos do consumo tabágico nos casos de câncer de pulmão sejam conhecidos e estimados. (10) No mesmo sentido. em bases probabilísticas. consideramos que em estudos epidemiológicos prospectivos os portadores de placas pleurais devem ser reavaliados. A inflamação torna as vias aéreas sensíveis a estímulos tais como alérgenos. temos algumas pistas importantes sobre esta doença: Doença inflamatória: ± significa que seu tratamento deve ser feito com um antiinflamatório. a presença de placas pleurais é um indicador de exposição ao asbesto.

são as manifestações de uma piora da inflamação. O nome asma estava vinculado aos casos mais graves. as vias aéreas se tornam edemaciadas. determinam a presença da doença. a presença de muco e o estreitamento das vias aéreas dificultando a passagem de ar. é preciso ter uma predisposição genética que. bronquite alérgica ou bronquite asmática. a inflamação dos brônquios e diferente da asma pode ter sua causa bem definida. que também chamamos de desencadeadores. Nem toda a pessoa com alergia tem asma e nem todos os casos de asma podem ser explicados somente pela resposta alérgica do organismo a determinados estímulos. na verdade. A inflamação torna as vias aéreas sensíveis a estímulos: é a inflamação que deixa as vias aéreas mais sensívei s. 2004) . por exemplo. Os mecanismos que causam a asma são complexos e variam entre a população. a asma era chamada de bronquite. daí os sintomas da asma nos momentos de crise. somada a fatores ambientais. Antigamente. Se não for tratada. a asma pode ter um impacto significativo na qualidade de vida de uma pessoa. é possível levar uma vida produtiva e ativa. se controlada. Episódios recorrentes de sintomas:. o que confirma o importante papel da inflamação nesta doença. Também difere da asma por apresentar um tempo de início definido e poder ser totalmente tratada. cheias de muco: . No entanto. esta sim presente cronicamente. Classificação da intensidade da asma: (Global Initiative for Asthma. mas pode ser controlada. Quando expostos a estímulos.Doença crônica: ± a asma não tem cura.os sintomas não estão presentes o tempo todo. Indivíduos susceptíveis: ± nem todas as pessoas têm asma. uma infecção por bactérias ou vírus.existem estímulos que desencadeiam as crises de asma. estreitas. causa o inchaço. A presença destes estímulos. A bronquite é. O nome correto é simplesmente ASMA.

porém.A asma pode ser classificada como intermitente ou persistente. provas de função pulmonar: pico do fluxo expiratório (PFE) ou volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF ¹) > 60% do esperado. provas de função pulmonar: pico do fluxo expiratório (PFE) ou volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF ¹) >60% e < 80% do esperado. presença de sintomas noturnos pelo menos uma vez por semana. o quanto interfere no dia -a-dia do asmático e. provas de função pulmonar normal no período entre as crises. porém. sintomas noturnos esporádicos (não mais do que duas vezes ao mês). presença de sintomas noturnos mais de duas vezes ao mês. Dentro dos quadros persistentes são definidos diferentes níveis de intensidade da doença: leve. menos de uma vez por semana. Asma Persistente Leve: presença de sintomas pelo menos uma vez por semana. crises de curta duração (leves). as crises podem afetar as atividades diárias e o sono. menos de uma vez ao dia. . sintomas noturnos freqüentes. Asma Persistente Moderada: sintomas diários. Asma Persistente Grave: sintomas diários. Esta classificação se faz de acordo com a presença dos sintomas (freqüência e intensidade). o comprometimento de sua função pulmonar. Asma Intermitente: sintomas menos de uma vez por semana. moderada ou grave. provas de função pulmonar normal no período entre as crises. crises freqüentes.

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