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Adolfo Bezerra de Menezes A Loucura sob Novo Prisma
(Estudo Psíquico-Fisiológico) FEESP Federação Espírita do Estado São Paulo

Camille Pissarro Paisagem de Chaponval

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Conteúdo resumido Tem sua primeira edição em 1920, pela tipografia Bohemias. Estudo de caráter psíquico-filosófico aprofunda a pesquisa espírita, comprovando o pensamento como função específica do espírito, sendo a loucura resultado, em alguns casos, da ação fluídica de espíritos desencarnados sobre o espírito encarnado. Sumário Apresentação / 03 Introdução / 04 Ao Leitor / 07 Cap. I - Existe no homem um princípio espiritual? / 10 Cap. II - Do espírito em suas relações / 65 Cap. III - Obsessão / 120

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Apresentação As "Edições FEESP" têm a indizível satisfação de apresentar mais uma edição da obra "A Loucura sob novo Prisma", de autoria do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, um dos maiores vultos do Espiritismo brasileiro. Escrita no último quartel do século passado, esta obra é de inquestionável atualidade, enfocando, em seu texto, interessantes explicações sobre a loucura, detendo-se prolongadamente na análise da loucura sem lesão cerebral, quando ela ocorre devido à interferência de Espíritos menos esclarecidos, mais conhecida por obsessão ou possessão espiritual. Por isso ele afirma a certa altura do livro: pelos meios espíritas, que nos dão a ciência da loucura por obsessão, é que podemos fazer, com segurança, o diagnóstico diferencial desta espécie, ainda desconhecida da Medicina, que a confunde com a loucura por lesão cerebral. E, uma vez feito aquele diagnóstico, cumpre aplicar-se à obsessão um tratamento especial, como é de lógica rigorosa. Esse tratamento é misto, isto é, moral e terapêutico, principalmente moral. No princípio, enquanto os fluidos maléficos do obsessor não têm produzido lesão cerebral, deve-se procurar elevar os sentimentos do obsediado, incutindo-lhe na alma a paciência, a resignação e o perdão para seu perseguidor, e o desejo humilde de obtê-lo, se em outra existência foi ele o ofensor. Temos a certeza plena de que "A Loucura sob novo Prisma" representará mais um contributo das "Edições FEESP", para que as bibliotecas espíritas e de pessoas leigas interessadas na matéria não fiquem desprovidas de subsídios tão valiosos, escrito por um médico que, no século passado, destacou-se pelos seus elevados dotes morais e pelo seu acendrado amor ao próximo. Bezerra de Menezes escreveu

conhecida pelo nome de . para uns. órgão do pensamento. que a alienação mental. chegando ao espirituais se apresentem loucura. proponho-me. de que toda perturbação do estado fisiológico do ser humano procede invariavelmente de uma lesão orgânica. embora possam elas concorrer para o caso. mesmo quando a alma esteja no pleno exercício daquela faculdade. pois. dar-se-á o caso da loucura. glândula secretora do pensamento.°. quando o olho. a preencher essa lacuna. sofrer lesão. quer em relação à sua perturbação. em tese. os homens da ciência têm até hoje.loucura -. nem os segundos explicam sua maneira de compreender a ação do cérebro. Efetivamente. dos produtos da faculdade pensante. demonstrando. que tolha a passagem do raio luminoso. além de mais. não dependem de lesão do cérebro. Espíritos desencarnados exercem sobre os ponto de fazer com que as obsessões com todos os caracteres de verdadeira A Editora Introdução Levados pelo princípio. quer em relação à função. no caso da loucura. instrumento da visão. como espírita que era. é efeito de um estado patológico do cérebro. como verdade incontroversa. e. Nem os primeiros. uma vez que o cérebro padeça de lesão orgânica que o torne instrumento incapaz da boa transmissão. que julgam ser uma lei natural. que o pensamento é pura função da alma ou Espírito. portanto. .4 com amplo conhecimento compreendia a ação que os encarnados. pela razão de ser o cérebro instrumento das manifestações. que suas perturbações. Neste ligeiro trabalho. em geral. para outros. de causa. com fatos de rigorosa observação: 1. como dar-se-á o da cegueira.

assim como o mau estado do instrumento de transmissão determina o que chamamos . que lhe perturba a transmissão. mas um fenômeno mórbido de duplo caráter: material e imaterial. inteligentes. que há loucos cujo cérebro não apresenta lesão orgânica de qualidade alguma. sem a mínima lesão cerebral. que. resultante da ação fluídica de Espíritos inimigos sobre a alma ou Espírito encarnado no corpo.loucura por obsessão. Em oposição à denominação de loucura científica. Feito isto. pode-se dar .°.alienação mental -. designaria esta segunda espécie pela denominação de . assim. em todos os tempos e países. mas eu demonstrarei. podendo ser. embora esteja são o instrumento da transmissão. seu gerador ou secretor. emana viciado da fonte. tem o caráter material ou orgânico. por ação fluídica de influências estranhas. em larga escala. por igual. tem o caráter imaterial e fluídico. fazendo-a desordenadamente. fica perfeitamente claro que a loucura não é um caso patológico invariável em sua natureza. isto é. menos que tudo. Quando resulta de algo que afeta a faculdade pensante. mesmo. pois que nada poderei acrescentar aos trabalhos importantíssimos que a seu respeito têm produzido os maiores vultos da medicina oficial. a que chamarei científica . .5 Este caso de lesão cerebral explica a loucura. fundamentalmente. origem natural do pensamento. 2. o mau estado desta determina a alienação.°. o que prova que o cérebro não é órgão do pensamento. Toda a questão se resume em provar-se. não me ocuparei senão acidentalmente. e.e dá-se. e prova mais que. que a loucura. embora em perfeito estado se ache a fonte do pensamento. Da primeira espécie. com que designei a que representa o primeiro caráter. 3. também. que demonstrarei. por isso. perfeitamente caracterizada.porque é a conhecida pela Ciência. Quando é conseqüente da afecção do cérebro.

no empenho de tornar patente a causa do mal .e. como caso patológico. os meios curativos da nova espécie ou obsessão. Na 2. Na 3. quer do mal (obsessão). não me iludo com a presunção de que lhe posso dar feliz sucesso. são aí expostos com suas cores naturais. Ninguém conhece meu obscuro nome . ainda não reconhecida. eu farei meditado estudo. nem estudada no mundo científico. cuja simples enunciação já deve ter feito muita gente atirar longe o pobre livro.apreciando-lhe os sintomas. e não de modesto médico.º direi sobre esta loucura. que.6 Meu estudo limitar-se-á à segunda espécie. qual sou. escrupulosamente conservadas .e só não se imporão à crença dos que deles tomarem conhecimento. neste livro. pois. Dividirei. finalmente.a sintomatologia necessária ao diagnóstico. se tentasse iludir com falsidades a quem o ler de boa fé. porque o observador foi um ninguém. Na l. entretanto. . colhendo os elementos para seu diagnóstico diferencial. Sobre este importante assunto.e obras de tanta monta requerem nomes aureolados. Empreendendo tão grandioso trabalho. determinando-lhe a causa . e prescrevendo os meios com que se deve tentar a cura do terrível mal. a presunção de poder assegurar. encontrará a indobrez de caráter do homem que se preza . Os fatos citados. de par com a fraqueza intelectual na exibição e na apreciação dos fatos que servem de base ao meu pequeno edifício.º tratarei do pensamento em seu princípio causal e em suas manifestações.e que se aviltaria a seus próprios olhos. quer da diferenciação entre as duas espécies de loucura . Tenho. este livro em três partes. a quem o ler.º tratarei das relações do nosso Espírito com os Espíritos livres do espaço. donde a loucura por obsessão.

com sua sede no cérebro. segundo uns.7 Max Ao Leitor Até hoje. não pode ser o mesmo que o de loucura sem lesão dele. . como órgão transmissor. Se a variedade das causas pode conformar-se com unidade da espécie mórbida. não pode haver. portanto. de um modo permanente.e essa afirmação do ilustre sábio é robustecida pela observação de outros não menos considerados no mundo científico. verificado que há loucura com e sem lesão cerebral. a Ciência só conhece a loucura que resulta. é evidente que um caso de loucura. e. que há dois casos bem distintos de loucura .ou que há loucura de duas espécies. Assim.esta é a lei invariável para a Ciência. segundo todos. pois. Está. o célebre alienista Esquirol atesta a existência de casos. mas o estado patológico do indivíduo é sempre o mesmo: a loucura caracterizada pela perturbação mental e pela sede no cérebro. com lesão daquele órgão. Podem variar causas e formas. por ele observados. da perturbação do pensamento. segundo outros. como órgão produtor. o mesmo não se dá com variedade de condições da sede ou do órgão essencial. o fenômeno psíquico-patológico da loucura. dependendo o pensamento do cérebro. mas órgão essencial. e de rigor que constituam espécies distintas. Sem que o cérebro sofra. de loucura sem a mínima lesão cerebral . Esta é a doutrina corrente . para a Ciência. havendo casos de naturezas diferentes. Entretanto. É intuitivo que.

mais confiante na luz que baixa do Alto sobre todo aquele que procura a verdade e o bem de boa vontade. para não confundi-las no mesmo tratamento.é óbvio que a Ciência explica a loucura com lesão do cérebro. da loucura sem lesão cerebral. isto é. função perturbada . como afeta.8 Estas espécies se determinam pela presença ou ausência da lesão cerebral. Sendo assim . órgão doente. Mas. . porém. empenhar todas as forças intelectuais da Humanidade na solução do problema de máxima importância para ela.eu vou tentar o máximo esforço no intuito de resolver o problema da loucura em sua nova face. o fato é da mais simples compreensão. do que nas pequeninas forças da minha obscura mentalidade . a parte mais sensível da natureza humana. A loucura apaga a luz da razão e reduz o homem à triste condição animal. ou alienação mental. O olho doente produz necessariamente a perturbação da visão. não é fácil de entrar na compreensão humana. isto. pois. sim. função perfeita. não é a mesma coisa que aquela em que o órgão em questão se acha em seu perfeito estado fisiológico. A questão não pode. por muito tempo. coincidindo com o mais perfeito estado fisiológico do cérebro. O olho perfeitamente são não se compadece com a perturbação da visão. ficar insolúvel.e em face da lei: órgão são. como é isto. se o cérebro é órgão do pensamento? Coincidindo a loucura ou alienação mental com qualquer estado patológico do cérebro. sendo elas de naturezas diferentes. principalmente afetando. A alienação que resulta da alteração do órgão do pensamento. Importa. A loucura. Compreende-se quanto importa a prática diferençar uma espécie da outra. Eu vou . mas não a loucura sem tal lesão.

donde a explicação da loucura sem lesão do cérebro.º: Existe a alma? Qual a sua natureza? 2. estabelecer as bases de um diagnóstico diferencial de uma para outra espécie. "Cave ne cadas. outra. científica.9 Meu plano é determinar a natureza especial da loucura sem lesão cerebral. e oferecer os meios curativos deste gênero desconhecido de loucura.º: Quais as relações do pensamento com o cérebro? Dividirei este trabalho em duas partes: uma filosófica. com que ora me ocupo.º: Qual a origem do pensamento? 4. é indispensável resolver as seguintes questões preliminares: l. que compreende o diagnóstico e o tratamento." . precedidos de um estudo da natureza do gênero especial de loucura. Para a determinação da natureza da nova espécie de loucura.º: Como se relaciona a alma com o corpo? 3. que compreenderá a solução destas quatro questões .

esta questão deve ser resolvida com precisão e clareza. não é coisa de simples curiosidade. noutro. outro. em nosso tempo. uma vez que ali está o nada. porém. na constituição do nosso ser. que fala aos sentidos. por mais selvagens que sejam. conseguintemente. num caso. é imortal. e que é. é livre e. porque é a pedra fundamental do edifício da vida terrestre e de todas as vidas. por isso. pela existência da alma ou pelo exclusivismo da matéria. nossas ações tomarão bem diferente orientação conforme for ela resolvida pela afirmativa ou pela negativa.10 Capítulo I Existe no homem um princípio espiritual? Ninguém pode recusar o estudo desta questão. para o estudo experimental da magna questão. e. o grande método científico. Se o homem é meteoro. responsável. outro. não temos que prestar contas de nossas obras na vida. Saber. para o estudo especulativo. suas inclinações. Nossos pensamentos. para prevenir-se contra futuras tempestades? Também. visto como. suas paixões. para a experiência. se acabamos com a morte ou se sobrevivemos à decomposição do corpo. . pois. do mais palpitante interesse para o ser humano. quanto não lucrará em conhecer-se a si mesmo. em que vai desaparecer? Se. este capítulo em dois parágrafos: um. Dividiremos. para sempre. que brilha por um momento e some-se. no turbilhão universal. pesa-nos a responsabilidade de cada uma delas. com efeito. nossos sentimentos. corroborada pela autoridade dos maiores vultos da Humanidade. um para a demonstração racional. por que contrariar seus gostos.

quando a todas as nossas disposições naturais correspondem necessariamente objetos correlativos. E por que tal instintiva e espontânea revolta no nosso ser. que imprime alto cunho à natureza hominal. só por obcecação se pode admitir que o homem se confunda com os seres que lhe são inferiores: surgir à vida e se extinguir com ela. reduzir-se-ão a nada? Toda a nossa natureza se revolta contra semelhante pensamento. e a razão e a consciência repelem-no. a luz para a de ver. Sendo tão superior. que com as lâmpadas de sua inteligência iluminam o mundo. entre a nossa espécie e as espécies animais.? Que tal sentimento é natural. o aroma para a de cheirar. escandalizadas. Os grandes vultos.11 Demonstração racional e de autoridade da existência da alma Incontestavelmente o homem não é puro animal. como entre os animais e os vegetais. Jean Louis Armande de Quatrefages de Bréau.destino superior. pois é universal . que arrancam à Natureza seus mais recônditos segredos. vegetal. Há. que dividiu toda a criação do nosso planeta em quatro reinos: mineral. acabarão como vil inseto. como sejam: os sons para a nossa disposição natural de ouvir. animal e hominal. etc. não se pode pôr em dúvida. tão perfeita diferença. E o que seria esse sentimento íntimo sem objetivo. se efetivamente temos que acabar como o cavalo de nossa montaria? É porque o homem traz consigo o gérmen da verdade. que deixam na Terra memória eterna de sua gloriosa passagem. ao ponto de dominar todos os seres criados. o conhecimento inato de seu destino . que repele tudo o que tende a apagar aquela impressão. fora de nós. uma das mais respeitáveis competências do nosso século.e ninguém acreditará que seja concepção humana aquilo . tão convencido foi dessa distinção.

se a natureza humana é perfectível. por condição essencial de seu ser. e que guarda à força de hábito. ao passo que as nossas são. mas isso que aprende. e essencialmente. pois. Não se diga. se possui o que quer que seja de inteligente. pois. como ter por destino desaparecer no nada? Haverá quem ponha em dúvida aquele característico da nossa espécie. não o pode cultivar como o homem. e que fala à razão e à consciência de todos os homens. fálas-ão até ao fim dos tempos. o que quer dizer: submissa à lei do progresso para a perfeição. que parece elevar-se ao raciocínio. E todo o que se compara a qualquer das espécies animais.e todos as fazem hoje tão bem como as fizeram desde o princípio -. por sua natureza. individualmente. não é capaz de transmitir aos de sua raça . e. pois as suas são.a animal algum. imperfectível. perfectíveis. e cujo curso natural nenhum tem o poder de alterar. eminentemente perfectível. pois. aprender alguma coisa. Vemo-los praticar obras tão admiráveis como não as faz o homem. que são as mesmas em todos os homens. trabalhando com perseverante paciência. que o bruto possui faculdades equivalentes às dos homens. individualmente. O mais adiantado dos seres animais. que não é natural à sua espécie. se a morte nos reduzir ao nada? . é função natural. diante do incessante progresso realizado por ela. e nenhum pode fazê-las melhor que outro . Pode. mas não é obra de sua inteligência. É coisa análoga às nossas funções orgânicas. tanto que todos os da sua espécie as fazem. desde os tempos primitivos? E. como realizar sua missão.12 que está no coração. reconhece a verdade daquele sentimento inato-espontâneo. O homem é.

espontânea. e por modo ainda não geralmente conhecido. desde o bandido até o justo. ou com a morte não acaba o ser humano. o destino do ser perfectível até a perfeição. Platão explicou-o pela preexistência. não somente coloca a perfeição humana em altura digna da obra-prima de Deus. mal o tenha concluído! E tanto o destino humano se acha fora desta vida corporal. que nossa natureza aspira a algo que não nos pode ser dado nela. de caráter universal . seja um simples adorno para a vida . como explica a morte de homens em condições rudimentares de progresso. como todas as leis naturais. Malebranche. Ou a lei não é igual. Foi esta eterna e universal intuição da alma humana que levou um dos mais profundos pensadores. último e mais alto grau da perfectibilidade. Como explicar-se o fato de o ser mortal aspirar ao imortal? Só admitindo-se que a natureza. sim. o que é mais inaceitável do que a falsa apreciação de certos homens. a nossa natureza nos mente. a lei do progresso é. a que podemos chamar "a intuição natural" do futuro excelso que nos foi posto e nos chama a todos. a traduzi-la nesta sublime frase: Sors tua mortalis. como é o homem. não é realizável.e que seja conseguida nos curtos momentos da vida? Ridícula extravagância! Demais. . no fim da vida terrestre. que vai além.e o que observamos é acabarem os homens em infinita variedade de graus de progresso. Isto. Repetimos: se esta aparição que brota. Só um louco pode erguer um monumento sem igual. Este sentimento inato em todos os homens. de nosso ser. non est mortale quod optas. é uma mentira de nossa natureza.13 Quererão que a perfeição. para ter o gosto de arrasá-lo. desde o boçal até o sábio. realizar seu destino. O simples bom-senso repele a coexistência da lei do progresso humano e da redução do ser humano ao nada.

temos que." Por isto. por sua vez. o tempo de sete anos. porém. Quem vive 49 anos. como axioma científico. que mal entrevemos. é o fenômeno da memória. o movimento incessante da matéria e as transformações resultantes daquele movimento. de Vierodt. se apoiaram nos de Cuvier e de Flaurens. inclusive os ossos. pode manter-se ante o bom-senso. mais arrasta à convicção de que não acabamos com a morte . e. quantos sete anos tivermos vivido.14 "Antes de virmos a esta vida. donde essa reminiscência. Se é assim. Moleschott. que. para a renovação de todo o organismo humano. e a ninguém é dado contestá-lo. um dos chefes da escola materialista. constitui sete pessoas diferentes. na vida. em períodos de 20 a 30 dias. Não queremos tanto.e. ou esta conclusão. a que chamamos intuição de um futuro. que se operam em nosso organismo. imaterial. de Lehumann. O que. o divino filósofo ensinava que "aprender é recordar".inalterável ou indecomponível. que. já tivemos outras. mudamos completamente de corpo . que passamos no mundo dos Espíritos. envoltos no véu da carne. e no tempo intermediário. Ou não há lógica para o materialista.de que existe em nós um princípio imortal . deduzida de seus próprios princípios. portanto. que dão. que constitui a essência de nosso ser. de sete em sete anos. se o homem é exclusivamente matéria! Uma doutrina que debita monstruosidades destas. perde sete vezes sua personalidade. e até mesmo ante o senso comum? . apoiando-se nos trabalhos de Thompson. aceitamos a opinião de outros. sustenta. Diz o sábio químico que os fatos justificam plenamente a crença de que nosso corpo renova sua substância sucessivamente. é inatacável. adquirimos o conhecimento das grandezas a que somos destinados. mudamos de ser tantas vezes. portanto. se somos exclusivamente matéria.

que o ser essencial. negam! * O § 1. ainda que vejam. como sermos hoje o mesmo ser que fomos na infância . embora não fossem bem definidas sua condição e relações. se hoje nos lembramos de fatos da nossa infância. isto a que chamamos . Qual deve ceder? E como o ser novo pode guardar memória dos fatos que se passaram com o ser extinto? A memória do passado não se explica senão pela permanência do ser.. Vem da mais remota antigüidade a crença universal de ter o homem dupla natureza. ainda.como nos lembrarmos hoje de fatos daquele tempo? Dai ao homem a essência imutável. imaterial.° do capítulo que nos tem ocupado não foi esgotado com a ligeira prova racional. como conciliar o fato científico com o princípio materialista. Se. a prova de autoridade.alma ou Espírito. é porque somos hoje o mesmo ser que éramos naquele tempo.e se esta é substituída por outra de sete em sete anos. e. que foi presente aos fatos ora lembrados.. Falta. pois. Não é preciso mais para convencer a quem estiver de boa fé.de que existe nele um princípio imaterial. jamais podereis seriamente explicar o fenômeno da memória .15 Não há. somos exclusivamente matéria . guardará a memória dos tempos passados. e mudai quantas vezes quiserdes seu corpo material. quanto aos outros.e este fenômeno é prova irresistível e esmagadora de que o homem não é somente corpo. matéria . Sem isto. porém. .

embora sua doutrina . firmada nos princípios da Igreja Romana. formou a mais elevada expressão da sabedoria antiga. e que produziu gênios. o imortal Platão. se divergiam quanto à compreensão dos fenômenos do entendimento. por onde explicava as idéias inatas. dizendo no seu Fedon: que aprender é recordar o que a alma já sabe de passadas existências. um notável eclipse. tanto no Oriente. é verdade. cuja existência prova cabalmente. aí fica estampado o modo de pensar da antigüidade. dando-lhe por objeto o estudo da alma. com aqueles dois vultos. Seu discípulo. e designadamente Leucipo e Epicuro. Entre a antigüidade espiritualista e o moderno espiritualismo. como Plotino. deuse. devido à filosofia de São Tomás. Orígenes. por exemplo. mas sempre sustentou o princípio anímico. que levantou a fé pan-viva contra a razão: o condenado racionalismo. acreditavam na alma. como no Ocidente. Os cínicos e os estóicos não destoaram da geral opinião. que fecha o ciclo da Filosofia antiga. pois dos Arianos procedeu à ciência dos Egípcios. . Em resumo. Aristóteles. acreditava na existência da alma.16 Foi Sócrates quem traçou o círculo da Filosofia. Zenon bem pouco diferia de Epicuro. Os sensualistas. Porfírio e Jâmblico. E todas as escolas filosóficas dos tempos passados. que foi a fonte onde beberam os povos da Europa. levou mais longe suas indagações: afirmou a existência do mundo dos Espíritos e a preexistência da alma. não só era essencialmente espiritualista. como até sustentava as idéias de Platão: da preexistência e da pluralidade de vidas corporais.de procederem da sensação todas as nossas idéias . e destes a da Grécia. diretor da máquina orgânica do homem.destruísse o que afirmavam. e a escola de Alexandria. eram acordes quanto à existência do elemento espiritual. que. que até ali compreendia todos os ramos dos conhecimentos humanos.

Descartes. pois. O ecletismo arrancou a Humanidade à obsessão do materialismo de Bacon e da teologia de São Tomás. a bandeira da negação materialista. os Cousin. os discípulos da escola fundada por Descartes: Bossuet. trabalharam pela restauração do espiritualismo abalado os Jouffroy. Sobre os escombros da antigüidade surgiu. mas a morte não lhe permitiu concluir a obra. mas. ergueu-se a combatê-la o espiritualismo cristão. restabeleceu os princípios da existência e da imortalidade da alma. pura emanação da alma. Fénelon. pela supressão dos exageros de uma e de outra parte. levantou-se o grande vulto de Leibnïtz. Contra Bacon. A sombra das novas idéias. criando a ciência indutiva. em terreno digno do homem livre e esclarecido. pelos chefes do ecletismo: Tomás Reid e Emmanuel Kant. no mundo. a escola materialista. e deu à questão da imaterialidade na alma o mais assinalado triunfo. que foi adotada. Felizmente a revolta teve quem a combatesse e colocasse. . mais o é a do pensamento. contra os sectários da doutrina do filósofo inglês. os primeiros que hastearam. Gassendi e Locke. se é incontestável a existência do corpo. Entre os dois campos. mutatis mutandis. etc.17 A revolta contra essa imposição da Igreja foi ao extremo de suprimir a alma. Descartes. Malebranche. com seu método quase positivista. concluindo que. de que se constituiu principal motor o célebre Bacon. prestes. os Villemain e muitos outros grandes vultos. pretendendo realizar a conciliação dos dois princípios. em que beberam o veneno do materialismo Hobbes. o princípio comprometido pela ambição de domínio da Igreja Romana.

e fez desses dois pontos seus formidáveis baluartes. portanto. ainda mal esclarecida. A força! Mas que é a força? Admites a matéria. se julgou senhor do campo. afirmais a existência da força. de uma hipótese gratuita. pois. para cuja estabilidade concorre variadíssimos sistemas de leis. qual deles tem a propriedade de apreciar a força? Se. por seus fundamentos. e é por esta união que se explica a evolução e a transformação dos seres. e foi assentar sua tenda no terreno da Ciência. que prova positiva já foi descoberta de sua realidade? A pedra fundamental do materialismo não passa. "O Universo.18 O materialismo. por momentos. Acompanhemo-lo aí. que. estais em contradição com vós mesmos. porém. recolheu-se. dizei-nos: Quem lhe dá o cunho aprimorado. Perscrutou a organização do Universo e do corpo humano. pois o homem não poda admitir a existência de que não lhe é apreciável pelos órgãos (sentidos) que o põem em relação com o mundo exterior." Eis a base essencial do sistema que vamos analisar. não admitindo senão o que é acessível aos sentidos. e. acrescentando ao grande postulado este soberbo complemento: "A matéria é inseparável da força. Suponhamos. que esta incongruência não alui. ruem os fundamentos do vosso sistema. o turbilhão infinito de todos os seres é matéria. o vosso edifício. corrido da Filosofia. que jamais se entrechocam? . Quem deu ao homem o direito de afirmar que só pode existir o que é acessível aos sentidos? Dada que seja razoável tal concepção. o equilíbrio admirável. a que seus fanáticos adoradores julgam dar força invencível. constituindo o movimento incessante e a harmonia universal". porque é apreciada por nossos sentidos. a sublime harmonia de suas peças. a despeito disto. isto é.

tudo é sujeito . o artista é a própria estátua. aí temos: que o criador é sujeito à sua criatura. só existe matéria. foi quem criou todos os seres e lhes pôs as leis que os regem. a que é passivamente submissa. Aí. e se transforma. todo o mundo físico evolve. A matéria. modelada e transformada por leis de sua criação. o criador e regedor de todos os seres do Universo está fora de sua criação. conseguintemente. como o artista se distingue de sua obra.19 Quem produziu e mantém esta incomparável estrutura. respondeis. inerente à matéria. porém. que rege por sua suprema vontade. mas força que lhe é dada por um poder estranho e superior. se tudo procede da matéria. não por lhe ser própria. e tudo se regula por leis postas por ela. . a vossa força e matéria possuem uma ciência e um poder infinito! Será assim? Reparai bem. considerai a matéria trabalhada pela força. é sujeita a própria matéria às leis que dela procedem. que a ciência dos homens nem de longe poderá imitar? A força e a matéria. é submissa! Já vedes que o vosso sistema leva ao mais ridículo absurdo! Separai. pois. em virtude das quais tudo é e tudo se regula no Universo. Se é. pois. a força da matéria. antes. se esse vosso poder. que a matéria criou as leis. logo. então. em sua infinita variedade. E. mas. dele procedem às leis eternas e imutáveis. dotado de onisciência e onipotência. a causa primária de todas as coisas. Em virtude dessa força. criador e mantenedor do Universo. é o princípio original. Aqui. no vosso plano. manifestada em suas leis eternas e imutáveis. mas por disposição do superior poder. ou. que modela e transforma em belíssima estátua. segundo as leis postas por aquele absoluto poder.e. e tudo é. Mas tudo é matéria. a que ela mesma.

que não é matéria. por sua lei. senão obliterando a razão. Infeliz comparação. Sempre adstrito a esta doutrina. como a luz do dia atesta a presença do Sol no nosso horizonte. em seu equilíbrio harmônico e inalterável. Assim.º parte deste capítulo. Passemos ao exame do homem.20 Comparai os dois planos . conseguintemente. . sob o ponto de vista das teses materialistas. lógica e racionalmente e sem a obsessão do espírito de sistema. o materialista recorre a subterfúgios. que há no homem um princípio imaterial: a alma. o materialismo não explica o Universo. confessai que o primeiro é uma grandeza. Pouco. que solapa pela base a doutrina em cujo apoio é invocada! O pensamento está no caso da força ligada à matéria. não pode ser apreciado por nenhum dos nossos sentidos. prova de que nem tudo o que é pode ser acessível aos nossos sentidos . rechaça a lei fundamental do materialismo. portanto. nos cumpre dizer em contestação da doutrina que não admite senão matéria. O estudo atento da Natureza atesta.e que não é somente por estes que temos a ciência de tudo o que é. na l.e. pois. então. de que o essencial é o pensamento. e. e que o segundo é uma miséria. como o fígado segrega a bílis". nem se confunde com o universo material. certos fenômenos humanos. e precisando remover dificuldade de explicar. e eleva às alturas de axioma que "o cérebro é que segrega o pensamento. a existência de um ser onisciente e onipotente. Já demonstramos. ao passo que o espiritualismo o explica de um modo condigno de sua excelsa magnitude.

pela interrupção da ação do instrumento . do sangue? Sãs capazes de afirmá-lo! Cabanis julgou cortar a dificuldade por esta tergiversação. também. pois. e que estas se restabeleciam logo que era ele evacuado. que o pus acumulado na superfície do cérebro destruía nossas faculdades. igualmente. embora não saiba o que é o cérebro e o que é a vida. de que seja extraída . que assim não é .e se a bílis é extraída ou segregada do sangue. Que relação tem isto com o fato de segregar o cérebro. onde descobrirá o cérebro a substância de que possa extrair o pensamento? Será. emite-as sob a forma de idéias. por instrumento de sua manifestação. Melhor andou Broussais em seu testamento: "Desde que conheci. . ao cérebro.e que há meios de po-lo em harmonia com aquela lei.fato que tanto o impressionou.da mesma natureza. fica racionalmente explicado o fato da interrupção. pois órgão secretor e substância segregada são. e este. e as impressões não são substâncias materiais. e é que. ou segrega o pensamento das impressões. isoladas. O fígado segrega a bílis muito naturalmente. órgão material. ao invés de o cérebro ser agente do pensamento. pela cirurgia. embora custe tanto quanto conservar gelo em cima de uma chapa incandescente. operando sobre elas. o pensamento.21 Suponhamos. que é imaterial? Demais. não pude deixar de reconhecer que elas são atos do cérebro. uma secreção requer substância. mas o cérebro é órgão material." O cérebro extrai." Broussais não refletiu numa coisa. porém. de natureza material . que nada o abona: "As impressões chegam.

do materialismo. que não aceita.a alma . Cabanis e Broussais. ao contrário do que afirmam Moleschott. precisa ser inteligente. a par do material . se mostra sujeita às próprias forças humanas. precisa ser. poderoso e livre. que dá ao cérebro a simples função de órgão transmissor. atribuir à máquina do Universo sua própria criação! A despeito. a memória e o fogo do gênio. único na posse da inteligência e da força infinitas. que não vale a pena combatê-la. conservarem intactos o juízo." E o professor Lordat escreveu um notável tratado sobre a insenectude do senso íntimo nos velhos. em todas as suas manifestações. dando ao ser pensante . que a fazem pasmosa. que. como nenhum homem o pode ser.22 Nunca houve quem negasse a necessidade do cérebro na manifestação do pensamento. bem velhos. pois. máxime quando a doutrina espiritualista. portanto. e porventura mais imperradamente que o . Em última análise: O criador da excelsa máquina do Universo precisa ser superior a todas as maravilhas. a idéia do mundo imaterial.a idéia de Deus e da alma. não será tempo perdido dizermos duas palavras sobre o positivismo.a faculdade de pensar. E tanto é assim. A procedência original do pensamento de um órgão material é tão repugnante. de elaborar o pensamento. isto é. que o eminente Longet diz: "Vêem-se crianças raquíticas assombrarem pela precocidade de sua inteligência. e velhos. satisfaz perfeitamente a razão. Nem o selvagem atribuirá ao relógio a sua autoria! Mais que selvagem é. Antes de darmos o remate a este parágrafo do capítulo II do nosso trabalho. pois. não possui àquelas propriedades. o que está hoje fora de contestação. A matéria. que são sua consubstanciação. continua e continuará. sempre triunfante. Vogt. a questão é ser agente ou instrumento.

Dentre seus discípulos. de que o positivismo é a larga porta ou o plano inclinado. dedicou toda a vida à sustentação da doutrina do mestre. logicamente. a existência do imaterial . porém. que se permitiam os filósofos.23 materialismo. saiu um ambicioso de renome. que Huxley qualifica de Catolicismo sem Cristianismo. porém. Comte fechou a inteligência e a razão no estreito círculo da observação e da experiência. que imaginou o sistema positivista. Eis. ninguém aplaudirá. a crise original do positivismo: não aceitar senão o provado materialmente. caíram no materialismo. Augusto Comte. Entretanto. de Deus e da alma humana. o método de Bacon. O positivismo é. O que. Um dos mais notáveis. Littré. confessava que alguma coisa existe inapreciável aos sentidos. só admitindo o que pode ser provado pela experiência material. em sua essência. conseguintemente. ao mesmo tempo em que admite algo fora disso! Os discípulos do inventor desse incongruente sistema dividiram-se em duas sub-escolas: a dos que mantiveram a pura doutrina do mestre. Saint Simon era espiritualista de vistas muito mais largas do que o geral dos filósofos do século XVIII. pois. Ninguém deixará de aplaudir um tentame de opor barreira a desvarios na aquisição de nossos conhecimentos. . restabelecido para corrigir os excessos. e de estabelecer um critério para as indagações científicas. guardando restrita neutralidade (nominal) entre o materialismo e o espiritualismo. e a dos que. que chega a ser repulsiva. donde seu misticismo religioso. é opor-se à licença uma restrição tão meticulosa.e.

só aceita para a coordenação da Ciência aquilo que dão os sentidos pela experiência. quando for possível. jamais o positivismo constituirá uma ciência. e não proceder senão por meio de provas reais e por observação. se ele admite o elemento material. sem cogitar de suas causas. o positivismo não tem razão para negar nem para afirmar que existe alguma coisa além dessa origem e desse fim. A esse respeito diz Delanne: É possível este equilíbrio recomendado por Littré? "Quando as leis da Natureza manifestam um admirável encadeamento entre os fenômenos. É um modo singular de fazer a Ciência. a fim de prevê-las. E mais um meio de restringir que de ampliar o conhecimento da verdade." E. Nunca passará de um registro de fatos verificados. porque. é limitar-se a observar relações naturais. é possível limitar-se ao estreito . dissemos. o positivista não pode cogitar de problemas que escapam à ação de seu método. exprimindo-se assim: "Não conhecendo nem a origem nem o fim das coisas. pois. desde que despreza as relações de causa e efeito.24 Nominal. Robinet escreveu: "O caráter essencial da mentalidade positivista é afastar toda a imaginação na explicação ias coisas. O próprio Littré recomenda absoluta abstenção de toda questão relativa à essência das coisas. ou suportá-las. para o positivista. quando não for possível modificá-las. para modificá-las em nossa vantagem. mas. visto que não inquire senão das relações entre fenômenos. Nem mesmo constituirá um sistema um método científico. O Universo contém um número infinito de seres." Sendo assim. sem classificação nem dedução. ele não compreende senão os que se revelam pela experiência material.

de que a substância nervosa pensa? Ninguém. no prefácio do Leblais sobre o materialismo: "O físico reconhece que a matéria pesa. Littré renegou seu programa e seu método. acima transcrita? Entretanto. aceitando a tese materialista na fé dos padrinhos. sem se procurar uma causa. O próprio Littré. jamais. E. Littré não aceita somente a substância nervosa pensante." Afirmar que o psicologista reconhece que a substância nervosa pensa. embora proclame sua isenção. a psicologista. aceita sem reservas os princípios fundamentais do materialismo. mesmo que no-lo proíbam. é o primeiro que a quebra.25 círculo dos fatos conhecidos. cuja senha é: afastar toda a imaginação na explicação das coisas. que a substância nervosa pensa. A invencível curiosidade humana nos impele a transpor os limites. Eles se manifestam francamente materialistas. que recomenda a abstenção. esta afirmação é do próprio Littré! E que prova lhe deram. e dizer-se: . como o têm feito seus discípulos e companheiros. principalmente a um positivista. O positivismo. voluntariamente ou não. não é natural parar-se em meio do caminho. o homem de ciência é chamado a pronunciar-se num ou noutro sentido. não é destruir a recomendação de Littré. pois. e. É que estreitíssimos são os laços que unem as duas escolas. nem um nem outro. diz que ela tem em si . qualquer que ela seja?" Não. os psicologistas. como o prova a seguinte passagem do mestre.Não passemos daqui. sem que. o conseguiu provar. e nega uma gota de água ao espiritualismo. examinando o Universo e as leis que o regem. tenham a pretensão de explicar por que uma pesa e a outra pensa.

é ocioso repetir argumentos para casos idênticos. princípio fundamental do mais puro materialismo. E. provado racionalmente e atestado pelas legiões dos maiores vultos de todo o mundo. .26 mesma sua própria causa. abandonam aquele programa e abraçam.° do presente capítulo. temo-lo tratado racionalmente . as teses materialistas. nem a inteligência de Buchner. O positivismo é. pois. e firma-se na crença da Humanidade: vox populi. Cabe-nos. o que será o trabalho do § 2. Se. de um modo tão veemente. como as citadas.pela autoridade dos sábios de todos os tempos . materialista. Como logrou o ilustre filósofo este conhecimento pelo método positivista? Não há quem o possa descobrir. está dito o que deveremos dizer-lhes. Não é. em iodos os tempos. que está fora do círculo de suas indagações. Nem os conhecimentos químicos de Moleschott. A questão em relação ao positivismo é esta: Se se limitam ao seu programa de não afirmar nem negar o que lhes escapa à experiência material. sem as suas rigorosas experimentações. nada têm com a alma. pois emana da razão e da consciência universais. agora. a tarefa de provar experimentalmente a verdade de seu ser. de Luys podem abalar o princípio da existência da alma. pois. porém. tal princípio um produto de imaginação. uma vez que demonstramos que o materialismo não prevalece contra a verdade da existência do mundo imaterial. que pretende assentar sobre suas ruínas. Até aqui.e pela destruição do castelo materialista. de Carlos Vogt. consciente ou inconscientemente.

o esquecimento. e de falar. o corpo cai em colapso. dorme o homem! . está vivo. Em cada um dos três processos. podem ser divididos em duas ordens: a das que resultam da dedução. Se o homem fosse exclusivamente matéria. donde a inconsciência. logo. como o clorofórmio. cuja ação suspendem. e assim é. empregados como anestésicos. e se o maquinismo humano se compusesse exclusivamente de órgãos materiais. atuando sobre o aparelho nervoso do sentimento. Os meios químicos. de um princípio distinto do corpo. pois que produzem idênticos efeitos. que traz a inconsciência e o esquecimento. Anestesia e sonambulismo. sobre o mesmo aparelho nervoso. devem operar do mesmo modo sobre o organismo. impossíveis seriam manifestações daquela ordem. perto ou longe. de descrever tudo o que vê. por força da vontade. ao passo que o indivíduo. produzindo o mesmo efeito do sono e da paralisia. A matéria dorme. donde a insensibilidade produzida pelo éter. Os mesmos fenômenos.27 Demonstração experimental da existência da alma As provas diretas da existência. desde que se desse a suspensão da vida de relação. As primeiras são um meio termo entre as racionais e as verdadeiramente experimentais. por anestesia e por sono magnético. pelo mesmo modo produzidos. e goza a faculdade de ver. etc. e a das que afetam os sentidos. produzem o sono. a insensibilidade. e consistem nas manifestações anímicas. pelo clorofórmio. apesar de não se achar em seus sentidos. resultam do sonambulismo magnético. no homem. O sonambulismo hipnótico atua. até. de coisas que não conhece.

aquelas três ordens de experiências demonstram. Efetuava a operação. Quereis as provas? Ei-las: O venerando Velpeau. o homem! É prova dedutiva do fato experimental. do princípio distinto do corpo. o fenômeno da paralisia da sensibilidade física. A matéria dorme. não somente os anestesiados. e de que esse elemento. do que no estado ordinário. dá-se. para operar de um câncer no seio. além da que pode alcançar a do corpo. quando foi surpreendido por dizer-Ihe a mulher. no ano de 1842. do homem. de que falamos. enquanto este cai em colapso. E subiu de ponto sua estupefação. cuja atividade subsiste enquanto se suspende a dos órgãos corporais. bem distante do lugar da operação. logo. o que se passava em casa de uma sua amiga. em relatório apresentado à Academia de Ciências de Paris. dão mais brilhantes manifestações daquela ordem de fenômenos.28 Entretanto. como já foi dito. a quem se referira a operada. a existência. em vista de fatos provados. coisa é de que não se pode duvidar. de par com . nos três casos de inação do corpo. e tão distinto que. No Hipnotismo. que era real o que ela relatara. sem cantar a palinódia. de que há nele outro elemento. Ora. quando soube da dama. não. porém. à saciedade. hipnóticos ou magnéticos. nome com que a ciência hodierna envernizou o Magnetismo. como os sonambulizados. A respeitabilidade do professor Velpeau garante a veracidade do fato. em completo sono anestésico. para poder aceitá-lo. o alongamento de nossa intelectualidade. refere o seguinte: Tratava-se de uma senhora que o sábio professor cloroformizou. ele ostenta mais nitidamente a pujança de suas faculdades especiais. desprendido da matéria corpórea. tanto mais que era ele adversário intransigente do Magnetismo e de tudo o que se lhe pudesse referir. de que o homem não é só matéria. estende a vista infinitamente além do espaço.

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a inconsciência e com a clarividência, observada por Velpeau na anestesia. O célebre médico inglês Braid refere, baseado em inúmeras experiências, que os hipnotizados, não doentes, escrevem, desenham e descobrem objetos ocultos, tendo os olhos fechados, e ouvem a longa distância, chegando a predizer fatos. O Dr. Bremaud, tão respeitável pelo saber como pelo caráter, refere o seguinte caso: Um de seus parentes, em sono hipnótico, resolveu facilmente um problema de trigonometria que, despertado, Ihe foi impossível resolver. As experiências de Braid, de Donato, de Bernheim e, ultimamente, de Charcot, confirmam aquele fato por outros não menos surpreendentes. Aqui, temos mais que no caso de Velpeau, porque temos a manifestação de conhecimentos, ou de capacidade, que a pessoa não possui no estado normal. Este fato é inexplicável aos homens que acreditam no exclusivismo de nossa composição material, tanto como aos que, embora admitindo a alma, entendem que é ela criada, ao mesmo tempo em que o corpo, para esta vida única. Este fato só pode ser explicado pela dupla natureza do ser humano: corporal e espiritual - e pela preexistência da alma. Com efeito; o parente de Bremaud não vê como a operada de Velpeau, fatos que se dão na ocasião; ele resolve um problema, que exige ciência de que é ignorante. Como é isto? A menos que se dê ao Hipnotismo o poder de plantar ciência em cérebros vazios dela, só pelo princípio espírita da preexistência da alma poder-se-á explicar semelhante fato, impossível em qualquer outra hipótese.

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Aquele Espírito (alma) conhecia, de passadas existências, a trigonometria - e, por lei das reencarnações dos Espíritos, seu conhecimento ficou latente, como todos os que, na nova existência, não são cultivados. Latente, mas nunca perdido para o Espírito, que, deixada esta vida, os tira de seu seio. Desprendido, pois, por momentos, da matéria que lhe servia de véu, o Espírito enfrentou uma questão que lhe era conhecida, e facilmente a resolveu. Voltando, porém, ao corpo, corrido novamente o véu, o esquecimento do passado trouxe-Ihe a impossibilidade de resolver a questão, agora desconhecida. E, pois, evidente que este fato tem, como forçada dedução, a prova real da existência e da preexistência da alma. O sonambulismo magnético, ou, vulgarmente, o sonambulismo, afirma tanto quanto a anestesia e o hipnotismo a dualidade do ser humano. Voltaire confessou que, dormindo, isto é, em sonambulismo natural, corrigiu um dos cantos de La Henriade, que muito sobrelevou os que compôs acordado. Massillon compôs, dormindo, muitos dos seus monumentais sermões. E Burdach refere que, no dia 17 de Junho de 1882, dormindo à sesta, sonhou que o sono não passa da supressão do antagonismo muscular, entre a distensão e a retração. Contente com a luz que este pensamento lhe parecia derramar sobre os fenômenos vitais, despertou; porém, súbito, aquela luz desapareceu, par ser aquele pensamento alheio às suas idéias. "Entretanto, tornou-se ele, diz o sábio, o gérmen de minhas futuras concepções."

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Os casos de Voltaire e de Massillon poderão ser atribuídos ao hábito; o de Burdach, porém, nunca; porque o sábio fisiologista confessa que estava fora do círculo de suas idéias. Este fato, pois, revela, como uma experiência material, a existência, no homem, de um princípio, que não dorme enquanto dorme o corpo, e que, desprendido do corpo, vê mais claro e mais longe; recorda conhecimentos de outras eras, que jazem latentes, no ser misto, na presente existência. O que, porém, é mais significativo, em nosso caso, é o fato referido por Esquirol: de um farmacêutico que se levantava todas as noites, em estado sonambúlico, para aviar as receitas que lhe ficavam do dia. Para verificar se o fazia automaticamente ou por força do hábito, um médico meteu, entre as receitas que ficaram por aviar, a seguinte: Sublimado corrosivo... 2 oitavas Água destilada... 4 onças Para tomar de uma vez. O farmacêutico, como de costume, foi ao trabalho, que executou sem embaraço, até que chegou àquela receita. Leu-a muitas vezes, e, por fim, monologou em voz alta, de ouvida pelo doutor, oculto. "É impossível que não se tenha enganado! "Dois grãos já eram demais, quanto mais 2 oitavas! "Duas oitavas são quase 150 grãos. É mais do que o necessário para envenenar vinte pessoas! "O doutor enganou-se, e eu não preparo isto." Eis o que corta todas as dúvidas, porque, nem de leve, pode ser atribuído ao hábito, e, pelo contrário, dá testemunho irrecusável de que o Espírito, sem o concurso da matéria, raciocina, compara e resolve. O que aí fica exposto, parece-nos prova cabal de que existe no homem a dualidade reconhecida de todos os tempos, cujos elementos são de naturezas diferentes, por lei suprema unidos e harmonizados,

nos casos de anestesia. O doutor Charpignon refere um fato que esmaga as pretensões do materialismo em desespero. O corpo entra com os elementos necessários à vida num ambiente material. para a vida terrena. entram para a constituição humana. como das faculdades da alma. Entretanto. como órgão gerador do pensamento. as funções do cérebro continuam em exercício. dizem. . varrer da liça a ação cerebral. e esta modificação e conseqüente distinção parecem-nos patentes. com os fatos de Velpeau. e é ele que faz tudo o que se atribui ao princípio anímico. deduzem. ou Espírito e matéria. Corpo e alma. de hipnotismo e de sonambulismo. para dar vida comum e transitória. Enquanto o sono paralisa os sentimentos. pela qual se fazem órgãos da visão o epigastro e os dedos. Preferimos. as funções presididas pelo grande simpático continuam em seu exercício. por esta. e destruir por seus fundamentos a ridícula teoria. cada um com seu contingente de meios. atribuindo ao cérebro o que se passa na anestesia. Podíamos com o que temos exposto. bater o adversário. porém. O Espírito entra com os que devem vivificar o corpo. rebater a estólida pretensão que deu azo a Debay para imaginar a teoria vesânica da ramificação do nervo óptico.32 em suas funções. de Bremaud e de Esquirol. eterna e eternamente perfectível. e. no raso de Esquirol. no hipnotismo e no sonambulismo. haurir o néctar da vida espiritual. de reduto em reduto até fazê-lo render-se à discrição. contra a qual se levantam o bom-senso e a Ciência. para o progresso do ser imortal. Podíamos. Pelo mesmo modo. Da união resulta uma modificação das propriedades do corpo. a cegueira materialista contesta estas coisas tão claras.

por eles é que recebemos? Como explicar-se este fato de ver-se com os olhos fechados e a distância que. nem pelos olhos. para se baterem contra os que sustentam a existência da alma. para termos as impressões que.33 "Certa noite. Nunca. o que a moça vira de Orleans. nem com eles abertos. exclamou: Aonde vai. em suas indagações científicas. e escreveu-lhe imediatamente. onde encontro o Sr. Debay imaginou sua teoria para os casos de verem. os sonâmbulos. e eis que se prova hoje que os sonâmbulos vêem a léguas de distância. nem com eles auxiliados. pediu para ir visitar sua irmã. naturalmente. mas numa distância de se poder ver. poderse-ia ver? . Jeanneau em trajes domingueiros. verificando-se o fenômeno até mesmo entre antípodas. Jeanneau? "Onde vos achais? perguntou o doutor. cogitou de casos como o de Charpignon. cujo caminho lhe era conhecido. achando-se em sono magnético. como explicarse a transposição dos sentidos. a desnecessidade dos órgãos dos sentidos. A Ciência marchou. sem dúvida para visitar algum castelão. uma sonâmbula a serviço do doutor. Primeiramente. a teoria de Debay cai por terra. Sr. quanto mais pelos dedos e pelo epigastro. em Blois. "Uma das pessoas presentes conhecia Jeanneau. isto é. "A resposta confirmou. ver uma pessoa em Meung. pedindo-lhe que lhe dissesse se realmente passeava àquela hora." Raciocinemos. com os olhos fechados. a léguas de distância. do que resulta despedaçar-se de encontro à rocha da verdade mais um argumento do materialismo. "Em Meung. porém. pois. E perguntaremos aos que se valem de qualquer pau podre. pode-se. de Orleans. em todos os pontos. "De repente.

no estado sonambúlico. quanto é conforme com a razão e com a Ciência explicá-la pela ação direta do principio vidente. portanto. Tão irracional é. como no sono natural. por exemplo. que a põe em relação com o mundo externo. é a matéria. é porque. que requerem. É. pelos órgãos do corpo. explicar a visão. desprendida do corpo. foi o que o determinou. o qual tem as propriedades dos fluidos elétrico. é porque quem vê não são os olhos. . nas condições ordinárias. que aumenta pelo sonambulismo. por isso. e. para o qual as leis que regem o fenômeno material da vista nenhum poder têm. saiba Debay que o médium de Charpignon viu de Orleans a Meung através da parede do gabinete onde o sábio trabalhava. Aceitemos. com isto. que vão a muitas léguas ver o que aí se passa? Dizem que é a força visual. e. calorífico e luminoso. não se rende o materialismo. portanto. e em contravenção com as leis naturais. e ir ao longe. jamais se poderá fazê-la trazer à retina a impressão de um objeto. como essencial. terá também o de suprimir as leis da óptica. e diz: O cérebro é uma pilha de fluido nervoso. a alma. e a alma. mas. parcial e momentaneamente independente dos órgãos materiais. é porque esse outro é de natureza a desprender-se do corpo. qualquer que seja o grau de aumento da força visual. Ainda. espiritual. O sonambulismo. mas. sim. não o órgão visual. a relação do objeto com a retina. se o fato se deu em tais condições. que está além de uma parede. não precisa deles para ver. espraiar sua vista imaterial. pois. em condições de serem impossíveis as leis da óptica. nas condições expostas.34 É o cérebro. no espaço. pelo raio luminoso? Se não lhe cabe tão estupendo poder. mas um outro. assim como tem o poder de aumentar descomunalmente a força visual. reconhecidas pela Ciência.

mesmo no corpo humano. o calórico. para isto dotado dos convenientes aparelhos. que se modificam pelo fato da união. então.35 sob o impulso da vontade rompe os espaços e vai. encenada no corpo. ouve. sim. Enquanto subsiste o enclausuramento. É por isto que o sonâmbulo vê com olhos fechados. que possui a propriedade de transferir-se ou prolongar-se. tudo será claro. Os materialistas hão de confessar que. poderão tais canalículos prolongar-se de Orleans a Meung? Douta ignorância! Desenganem-se. sem restrições às suas faculdades. ela não pode dispensar o concurso do corpo. isto é. e sim por intermédio dos órgãos corporais. gosta e apalpa. Se considerarmos a homem composto de corpo e alma. o fluido nervoso. achando-se. esta é mais racional e conforme com a Ciência e com os fatos. tendo cada um suas qualidades especiais. porém. que se desprende. Desde. porém. que viajou de Orleans a Meung. mesmo temporariamente. ele existe enclausurado nos canalículos que constituem a rede nervosa. e a luz. mas que. Os fatos citados só podem ser explicados pela ação da alma. Foi. e vê a léguas e léguas de distância. cheira. não as pode receber diretamente. . não o cérebro em si mesmo. A alma é que vê. do invólucro carnal. a alma é que recebe as impressões que vêm do exterior e se condensam no cérebro. Eis por que é essencial à visão a integridade do olho e do nervo óptico. ao longe. como um raio luminoso. sem olhos. como acontece nos sonos. Como. até à evidência. desde que vive a vida própria. pois. receber as impressões que transmite ao cérebro. Esquecem-se os sustentadores desta sublime descoberta de que o fluido nervoso não é livre. teoria por teoria. mas. como o elétrico. exerce-as sem dependência dos respectivos órgãos: vê.

o castelo do materialismo. de acordo com a verdade. no sonambúlico. arrasado está. pois os sustentadores do puro materialismo nos fazem a graça de admitir uma como alma. com isto. e por que é desnecessário. a segunda vista. na autoridade e na Ciência. a questão que temos trazido até aqui. Sim ou não. fazendo o fluido nervoso. e está decidida a sorte das duas escolas. a doutrina materialista inverte toda a ciência fisiológica. como vamos ver. enfim. sem precisar derrogar as leis conhecidas da Ciência. Se se provar que um indivíduo. E. com a consciência de sua individualidade e a memória de quem foi e do que fez na vida corpórea. entre materialistas e espiritualistas. é: se a alma sobrevive ao corpo. fazendo os órgãos saírem à procura das impressões. pois. a cujo enterro assistimos. Explica a visão ao longe. não há questão de palavras. . A Doutrina Espírita explica. A verdadeira expressão do que realmente separa os dois campos. ir a Blois. na consciência. * A verdadeira expressão da luta. pelo concurso dos sentidos. toca ao termo fatal. Com efeito.36 Explica por que é indispensável o aparelho material. não é propriamente determinar se existe a alma. Aqui. no estado normal. apoiando-nos na razão. se manifestou e comunicou suas impressões de além-túmulo. passando às provas experimentais da existência da alma. resultante das energias materiais e semelhante à força vital que se esgota e desaparece com a morte. e firmado em rocha viva o do espiritualismo. no caso de Charpignon. por fora do aparelho visual.

Entremos na prova decisiva.ª . São autênticas. porque a autoridade do escritor sagrado não permite que se lhe atribua intenção de enganar com falsos propósitos. dividindo o estudo especial. porém.ª . condenando a evocação dos mortos.Tradição popular.37 ao ponto de não poder mais ser envolvida em sofismas e tergiversações. em três partes: l. visto que só os profetas o podiam fazer. 1.Fatos de nossa própria observação. porque o patriarca era infenso àquelas práticas. não pode ser posta em dúvida a manifestação dos mortos. no seio da massa popular. pois. O primeiro é este mesmo ato de Moisés. (l) (1) Moisés proibiu que os adivinhos e feiticeiros evocassem os mortos.ª .) .Fatos autenticados pelos maiores vultos da Ciência.ª . vox Dei . encontram-se provas autênticas da manifestação das almas que se foram desta vida.e não deixa de ter. têm o maior valor moral os fatos que vamos referir. vigorou sempre. pois é inegável que o povo possui uma intuição que surpreende os sinceros. E são insuspeitas. ao ponto de ameaçar com morte aos que provocassem tais comunicações. Na Bíblia. (N. a Ciência não se firma em conjeturas. Como. 2. desçamos aos fatos que dêem vida à crença popular.Tradição popular Em todos os tempos e em todos os países. Se tem algum valor o provérbio: vox populi. 3. E. se tem algum valor aquele provérbio. Assim. a crença de que as almas dos mortos vêm falar aos vivos.

) Dir-se-á que a prática era real. mas que era bruxaria . encontra-se. seria ridículo figurar aquela proibição em livro tão respeitável. ou é falso o que atesta o venerando escritor. (2) (2) Fato que. a alma acudiu ao chamado e revelou ao rei seu próximo fim. fez-lhe sentir que a Deus devia o benefício. oferecendo-lhe a família. e teve encontro com um mancebo. espalhada por todas as camadas sociais. Passando destas tradições escritas e autenticadas pelo autor da Bíblia. agradecida. desapareceu da vista de todos. a . façamos obra com outras inéditas. este: Saul recorreu à profetisa de Endor. e. diz a Bíblia.e que foi por isso que Moisés a proibiu. não pode ser negado pelos adeptos de qualquer ramo do Cristianismo. para curar a cegueira do pai. e declarou ter sido Ananias. vai ser reduzida a pó pelo segundo fato. para falar à alma de Samuel. metade de sua fortuna. Os mortos não acudiam aos chamados. não há para onde fugir. além de gratuita. cujo fel mandou guardar. a mais irrecusável prova da verdade do fato. E. ou Samuel sobreviveu à morte do corpo. De volta a casa. No Brasil e em Portugal. escrito pelo maior vulto da antigüidade sagrada. filho de Azarias. Tal proibição é. que poderão ser autenticadas. dessa forma. portanto. (N.38 Se o fato não se desse ou não passasse de coisa imaginaria. produziu a cura. Aceitemos a declinatória. Está no mesmo caso e conduz às mesmas deduções o que se encontra no livro de Tobias: O moço foi longe da casa paterna. mesmo porque. Dizendo isso. e. Aqui. que o acompanhou e o livrou de ser devorado por um peixe. tanto que falou a Saul. de cujos usos e costumes temos maior conhecimento.

respondeu à senhora. as Lendas e Narrativas do ilustre Alexandre Herculano as atestam. . . o castiçal em seu lugar. o filho de seu primeiro matrimônio. Acesa a vela. depois de longa discussão. senhora tão distinta pela inteligência como por virtudes. Daremos aqui alguns dos muitos que conhecemos. . com ela. que.39 crença nas almas do outro mundo. Acreditando que gatos ou ratos lançaram abaixo o estimado objeto. ao que acudiu o homem. enquanto o marido já dormia. estudando na Faculdade de Direito. tinha em S. ouviu distintamente o som da queda de pesado castiçal de prata. um fato singular para a senhora. dizendo: . quase não há uma família. sim: garanto que caiu. ao apagar a vela para dormir. e. pousado sobre uma mesa. Paulo. na noite desse mesmo dia. Maria Cândida de Lacerda Machado. ainda acordada. apagaram de novo a vela e voltaram à cama. D. viu. Em Portugal. firmada em fatos presenciados por pessoas respeitáveis.disse ele. que não tenha um fato a referir da aparição de mortos. No Brasil. recebeu carta do moço. Um dia. até que resolveram repousar. Deu-se. que eu estava acordada. então. que se achava de perfeita saúde. foram surpreendidos com a presença do castiçal no seu lugar! Muito tempo levaram em conjeturar. dizia o erudito Dr. Manuel Soares da Silva Bezerra.Agora. acordou o marido. E.Não. Imediatamente fere-lhes os ouvidos o som da queda do castiçal. que viveu na boa sociedade do Rio de Janeiro. a alguma distância da cama. acendendo a vela.Foi sonho .

. dormindo em rede. na província do Ceará. Ao despertar. nem no dia seguinte. 80 léguas distantes da Capital. e. por ter sido rendido no comando. e a voz articulou estas simples palavras: . soltos. então capitão e geralmente conhecido por capitão Lucas. deixou. que nos deram a notícia do fato."Luquinhas (era como o tratava). Entre os que foram visitá-la. Achava-se comandando o destacamento na cidade do Crato. chegou o vapor de Santos. no mesmo dia. veio à notícia da morte do jovem. e. fazendo.40 Uma mão deslizou doce e amavelmente pela testa de D. figuraram os Drs. por ele. acreditando na morte da irmã. única via célere. adeus!" Não dormiu mais. correu por eles até as pontas. em poucos dias. que. e do fato fez referência aos amigos da cidade. o que sempre foi seu gosto. colhido por uma enfermidade. que me vem dar sinal de ter morrido! . foi acordado por lhe abalarem sensivelmente. . de então. quem o pudesse fazer. Paulo. tomando-lhe os bastos e longos cabelos. respeitáveis médicos.Reconheci-lhe a mão. com meus cabelos.É meu filho. fechado. Maria. soou-lhe aos ouvidos a voz flébil de sua irmã predileta que se achava na Capital. nem durante o resto da noite. e. quando famílias amigas acudiam a convencê-la de que era infundado seu juízo à vista da carta que dava o moço de perfeita saúde. entre a Corte e a província de S.exclamou a angustiada senhora. É ele! E não houve como dissuadi-la daquela idéia. Mariano José Machado e Joaquim Pinto Neto Machado. com o coronel Luís Torres. Análogo a este fato é o que se deu. exatamente no dia em que foi aqui recebida sua carta. Dois ou três dias depois. . uma noite. que levou a prantear o filho. não havendo no quarto.

chorando todos. tendo à cabeceira . naquela noite falecera a querida irmã do capitão. cerca das onze horas da noite. foi subitamente despertada pelos gritos de uma jovem. que dizia ter visto um homem penetrar em seu quarto. enquanto vivo. o que nos comunicou e a outros amigos. tranqüilizando a própria moça. Só o velho pai. declarando que o homem era seu irmão Manuel. incrédulo. enfrentando o insolente. ou antes. que o caro amigo viera. Procurou. como pôde. Poucos dias depois da morte. que ousara entrar em seu aposento reservado. faleceu na Capital Federal. dormindo. manifestou-se ao capitão do Exército Manuel Raimundo de Sousa. Foi um tumulto na casa. para prova da verdade da tradição. ele mesmo. que lhe referia o seguinte: No dia 15. que conciliou o sono e. Rodeada dos seus. o qual foi o próprio a referir-nos o fato. irmã querida de Manuel Seve. achando-se toda a família agasalhada. Era natural do Maranhão. onde ainda se achava. Para ele. soltou um brado de espanto. tão depressa foi reconhecido. na persuasão de que aquilo fora sinal de que o amado Manuel tinha morrido. o qual desapareceu de sua vista. recebeu o padre Seve. pois ela ainda o via.41 Efetivamente. dizendo-lhe que dera à família. sinal de seu passamento. e no sonho viu o irmão estendido num sofá. cobrou ânimo e. no dia 15 de Julho de 1895. Pelo vapor do Norte. viu o fato por um prisma sem dúvida mais aterrador para seu coração. acalmar a tempestade. sonhou. moço de espírito elevado e nosso companheiro de estudos experimentais sobre Espiritismo. uma carta do pai. aquilo era efeito de alucinação. pelas seis horas da tarde. irmão do morto e seu hóspede. onde tinha a família paterna. o capitão Raimundo. trazer o sinal de sua morte. Ainda um outro. Manuel Seve. imediatamente. no meio da sala. A amada filha estava alucinada.

avaliar as experiências dos grandes luminares da Ciência sobre a sobrevivência da alma. pois. quando nosso . porque não podia abafar a verdade. Pouco se nos dá que esta nossa franca e destemida declaração nos acarrete o escárnio de uns e a excomunhão de outros. que demos. É. A comunicação feita ao capitão e a apresentação à irmã. porém. com a consciência de sua individualidade. de uma vez por todas. não abalou a crença do velho pai. na mesma noite de seu desprendimento aqui na Capital. a quem pedia explicação de tão estupendo acontecimento. sobre a qual um crucifixo e duas velas. à hora do costume. estando o corpo coberto por um lençol. 2. pois. onde. nos parecem suficientes. completam-se no sentido de fazerem patente a verdade do sucesso. o da aparição da alma de Seve no Maranhão. invocando-se o testemunho do padre.42 uma mesa. que era o quadro real do que se deu aqui. um fato tão autenticado quanto é possível exigir-se. que não o deu. dando-lhe a triste nova. isto. com a vida das almas. Saibam. mas que. os três. O estupendo sucesso foi narrado nos jornais desta Capital. não desmentiu o fato. que somente ao Espiritismo pediremos a chave do pavoroso mistério que tem feito recuar os mais robustos talentos ante a idéia de se preocuparem com assuntos do mundo invisível. agora. Ora. e nós presenciamos.ª Fatos autenticados pelos maiores vultos da ciência Já sabemos que nos cabe. Centenas equivalentes poderíamos dar aqui. também. por que e padre. que. depois do meio-dia. foi para seu emprego. lhe foi entregue um telegrama do filho padre. O que aí fica narrado é o transunto da carta do velho Seve ao filho padre.

dos Wallace. (l) (1) Convidamos o leitor a ler a obra . de autoria de Crookes. se impõe à nossa atenção: saber se esses movimentos e ruídos são dirigidos por alguma inteligência. lhes era associada. dos Victor Hugo. dos Sardou. os segredos do Espiritismo. sem temer o ridículo: "Tendo-me convencido da verdade desses fatos. Perscrutemos. tenho apreciado fatos extraordinários". (N. dos Zoellner. pois. . dos Flammarion e de inúmeros outros sábios. "Uma questão importante. William Crookes submeteu a exame experimental as manifestações espíritas.) Suas vistas e seu procedimento acham-se estampados neste trecho do seu livro: "Em presença de tais fenômenos (espíritas). diz ele. com a coragem dos Crookes." E continua: "Desde o princípio de minhas pesquisas. dos Varley.43 fim é o descobrimento da verdade. se não os dirigia. como são os instrumentos de que se serve. no intuito de demonstrar a falsidade delas. mas. os passos do observador devem ser guiados por uma inteligência tão fria e tão desapaixonada. Entretanto. diz o observador. Babinet e Chevreuil. E. que sempre custou caro aos argonautas da Ciência." "Por este modo tão correto.Fatos Espíritas. eu demonstrei que a força produtora de tais fenômenos não era cega. sim. uma Inteligência que. apraz-nos transcrever alguns trechos dessa importante obra impugnada de modo a provocar o riso de Faraday." Que fatos são os de que fala o sábio? O leitor pode conhecê-los. manuseando seu livro. minuciosa exposição das experiências que fez e a que deu o título de "Estudos sobre o novo Espiritualismo". seria uma covardia moral recusar-lhes meu testemunho.

para dar uma comunicação. por meio de pancadas em minha mão. tão precisas. quando chegava à letra necessária à composição do nome que a força invisível queria dizer. procurando demonstrar que a desconhecida Inteligência ora era inferior à do médium. a meu pedido. "Assim que fiz a pergunta. uma mensagem pelo alfabeto de Morse? "Tenho toda a razão para assegurar que aquele alfabeto era completamente desconhecido de todos os presentes. mudou o caráter do movimento da prancheta. que lhe dirigia os movimentos. fortes ou fracas. chegando a mandar reconsiderar as questões que lhe propunha. ora em completa oposição aos seus desejos. quando não eram razoáveis. durante uma sessão com Home. encaminhou-se espontaneamente para ele. Conta ele que. a pouca distância das mãos daquele médium. "As letras me foram dadas com a rapidez de eu não poder apanhar todas as palavras. "Por um vocabulário de sinais.44 "E assim que. e me foram feitas várias comunicações. mas eu tinha colhido quantum satis para reconhecer que dirigia a prancheta um bom mestre do sistema de Morse. as pancadas se davam no número exigido. e começou a mensagem pedida. e nos lugares designados. pelo que foi perdida a mensagem." Crookes fez outras bem importantes considerações. "As pancadas eram tão claras. e a prancheta estava tão evidentemente sob a inteligência de um poder invisível. foram-me dadas respostas a questões por mim levantadas. previamente combinados. a prancheta suspendia-se de um lado e batia. que eu exclamei: A Inteligência que dirige esta prancheta pode mudar o caráter de seus movimentos e dar-me. "Eu lia o alfabeto e." . e eu mesmo mal o conhecia. uma prancheta que estava sobre a mesa.

"A prancheta começou a mover-se lentamente. ou se não é de rigor que tenha sido ele produzido por Inteligência estranha. que falta para tomá-la por um Espírito? E o que nos vai dar o próprio Crookes. pois. refere o sábio o seguinte fato: "Uma dama escrevia automaticamente.honra -. depois desta experiência. e eu quis verificar se ela o fazia inconscientemente. que se servia do cérebro da dama. evitei propositadamente olhar para o jornal. e à dama era impossível vê-lo. que. provada a existência de uma Inteligência invisível. afirmava. porque estava encoberto por meu corpo. Ora. pelos sinais conhecidos. como de um instrumento de música. Sim. atribuir-se aquele fenômeno à força psíquica? Como? Se ninguém ali sabia qual a palavra que estava debaixo do dedo. mas escreveu a palavra . "Eu disse. "A prancheta de que ela se servia. todos completamente ignorantes do que estava oculto pelo dedo. que estava na mesa. . decida se pode ter sido produzido pela força psíquica do médium ou de alguém presente. dando assim manifestação a seus músculos. a palavra que está debaixo do meu dedo." Como. como se qualificou ela mesma. atrás de mim. a Inteligência que a dirigia era de um ser invisível. em consciência.45 Continuando. invisível. Preste o leitor atenção a este fato. então. "Dizei-me. a essa Inteligência: Vedes o que está nesta sala? Sim. Vedes este jornal e podeis lê-lo? E logo pus o dedo sobre um exemplar do Times. e. para a qual a matéria é transparente. com dificuldade. embora posta em movimento pela mão da dama. "Quando fiz esta experiência. respondeu novamente. respondeu. exatamente a que meu dedo cobria.

adejado em torno de mim. "Eu obtive muitas vezes palavras e comunicações escritas em papel marcado com o meu sinete nas mais rigorosas condições de fiscalização. escreveu Crookes: "A escrita direta é a expressão empregada para designar o que é produzido sem a intervenção do homem." Crookes refere ainda os seguintes casos. foi vista por . escreveu rapidamente no papel. "Uma perfeita mão luminosa desceu do teto.46 A escrita direta desfaz toda a dúvida sobre a existência de Inteligências invisíveis. "O primeiro foi numa sessão. "Eu estava sentado ao pé da médium. "Como o espaço não me permite entrar em todos os pormenores. Fox. e eu tinha um lápis entre meus dedos. limitar-me-ei a citar os casos em que meus olhos e ouvidos foram testemunhas da operação. "Ouvi. Com as mãos. Uma sombra. por segundos. Srta. semelhante a forma humana. que dão nova expressão às suas experiências: "Durante uma sessão com Home. eu segurava as da médium. e. estranhas à influência do mundo visível. tinha seus pés. depôs o lápis e se elevou até se perder na escuridão. no escuro. sob os meus. depois de ter. no escuro. e não havia presentes senão minha mulher e uma parenta. Havia papel sobre a mesa. tirou-me o lápis. eu vi agitarem-se as cortinas de uma janela que ficava a dois e meio metros de Home. Sobre ela. o ruído do lápis sobre o papel. porém o resultado não foi menos satisfatório. "Eram tão rigorosas as precauções por mim tomadas. que meu espírito ficou convencido. em minha casa e de dia. e. como se eu tivesse visto formarem-se os caracteres.

entrou a médium para o gabinete. era separado da sala em que estavam os assistentes. "Satisfeita a necessidade de inspecionar-se a câmara e de examinarem-se as fechaduras. noutro ponto. o médium Home. a médium. sem perigo para ela. em pé. embora já por outros observados. e que e devido à condensação do corpo fluídico. a Inteligência que produzia os fenômenos observados e descritos por Crookes vai-se afastando tanto da imaginária força psíquica. cair em sono que desse para ela se manifestar. apareceu Katie. Leiamos o que observou o ilustre sábio sobre a materialização daquela Inteligência.47 todos. "O fantasma aproximou-se de uma dama. Cook. e desapareceu logo que ela deu um grito de medo. "Pouco tempo depois. sentada fora do círculo dos assistentes. que reveste os Espíritos. "Esta figura foi visível por muitos minutos. e pude bem ouvir seus gemidos e queixumes. dissipou-se. mas retirou-se. "A sessão foi em casa de Luxmore. ao pé do reposteiro. foi tomar um harmônio e o tocou. por um reposteiro. o Espírito materializado. . fenômeno surpreendente." Como se vê. atrás do qual estava sentada a Srta." Passemos ao segundo caso: "Uma figura fantástica avançou de um canto da sala. "Eu estava a poucos passos do reposteiro. dizendo que sua médium não estava bem disposta. e as cortinas cessaram de mover-se. onde ficou a médium. ao mesmo tempo. para confundir-se com os Espíritos ou almas dos que morreram. e por isso não podia. Enquanto a observávamos. quanto caminha veloz. a todos que viam. e o gabinete. agitando as cortinas com a mão. Continuemos e teremos prova cabal de não ser ela outra coisa.

O prosseguimento destas extraordinárias experiências levou o sábio a dizer: "Sou feliz por poder assegurar que obtive. diante de mim. "A 12 de Março. a prova positiva de que os gemidos vinham do gabinete. em uma sessão. e não descreverei senão as que recentemente colhi. que Katie partilhava. achando-se diante de mim a forma de Katie. "Entretanto.48 "Suas fadigas continuaram por todo o tempo da sessão. "Katie estava. e. e de nos haver dirigido a palavra por algum tempo. a prova absoluta do que avancei na precedente carta. chamou-me. então. e depois de Katie ter passado por entre nós. era coisa muito séria. onde se achava Cook. "Havia já algum tempo que eu experimentava com uma lâmpada de óleo fosforado. que está pendida para o chão. com seu constante vestido branco e o infalível turbante. em minha casa." Eis aí a Inteligência invisível manifestada por um Espírito visível. ouvi distintamente um gemido de Cook. no intuito de fazer visíveis alguns fenômenos misteriosos do gabinete. para dizer-me: Entre e levante a cabeça da minha médium. como o fumo. enfim. nas numerosas ocasiões em que Cook se prestou às sessões. embora Katie estivesse fora. que fala que anda. e que (vê-lo-emos) é tangível como qualquer pessoa viva. vimo-la retirar-se para detrás do reposteiro que nos separava de Cook. uma vez. para ser baseada em suposições. tendo a propriedade de desfazer-se rapidamente. tendo para isto boas razões. . "Como obter aquela prova? "Por enquanto não falarei da maior parte das provas que me forneceu Katie. em minha casa. "Pouco depois.

por cima de Cook. pedindo-me que não a observasse. a viva satisfação de verificar que ela não estava vestida como Katie. em posição de ver o que se passava no reposteiro. rapaz de 14 anos. e. a quem chamei. e. entregando-me e dizendo: Agora entre e venha ver minha médium. que estava sentado defronte de mim. "Não eram decorridos cinco segundos entre o momento em que vi Katie de vestido branco e me achei com Cook e acomodei-a no sofá. vi Cook deitada no sofá. e. apareceu-me Katie e disseme que lhe era. mas. possível apresentar-se-me conjuntamente com sua médium.49 "Imediatamente dirigi-me para Cook. à luz da lâmpada. talvez. "Realmente. entregou-me a lâmpada. "Meu filho. "O gás foi quase apagado. como a tinha deixado. sem resposta. que se achava em profunda letargia. dizendo que não conseguira resultado. tendo. que esgotaria todo o fluido da médium. afastando-se Katie. olhando em torno de mim. tomando-me a lâmpada. conseguiria seu intento. a cuja luz se me apresentou por alguns segundos. "Ergui-a e coloquei-a em posição cômoda. "Voltei para o meu lugar. posteriormente. onde Katie me disse que não tinha saído de junto de mim. foi para junto de Cook. . mas. para me dar passagem. estava em penosa posição. com seu vestido habitual de veludo. "Perguntou-me então se não poderia ensaiar uma experiência. disse-me que viu distintamente a lâmpada flutuando no ar. sim. não vi Katie. pendente. "Voltando ao meu posto de observação. mais. e ela me pediu a lâmpada de óleo fosforado. apesar da escuridão. "Segui-a de perto. mas que. e sua cabeça. "No fim de alguns minutos. Cook tinha escorregado um pouco do sofá.

50 derramando luz sobre ela. e não a de um visitante do outro mundo. tomei a lâmpada e penetrei onde se achava a médium. um ser tão natural como Cook. de ser o fantasma. Valkman ficará contente em saber que pude confirmar sua asserção. de que me servi convenientemente. passeou na sala. "Graciosamente foi-me dada à licença. "Durante umas duas horas. "Katie disse-me. porém. a médium. e a sensação que me deu foi a de uma pessoa viva. porque eu sabia a importância que se liga às primeiras impressões. e não queria confiar somente em minha memória. "M. tateando. conversando familiarmente com as pessoas presentes. "Entrei cautelosamente e procurei. aliás. que descobri sentada no chão. . se era um Espírito. nenhuma resistência opôs ao exame. que. que grafasse tudo que eu falasse no quarto. deitada no sofá. "Nunca aparecera Katie tão perfeitamente. como homem bem-educado. então. mas que não vira quem a suspendia. "Muitas vezes tomou-me o braço. previamente pedido a um dos meus amigos presentes. era em todo o caso uma senhora. "Tinha. porém. "Passo à sessão em casa de Hachney. que. e pedi-lhe permissão para tomá-la em meus braços. que se apoiasse em mim. a fim de verificar as interessantes observações que alguém havia recentemente feito referido vagamente. "Diminuí a luz. "Aquela sensação foi tão forte que tive ímpetos de fazer uma nova e curiosa experiência. hábil estenógrafo. que se julgava com força para mostrar-se juntamente com sua médium. Refleti.

e reconheceremos a verdade da manifestação tangível de um Espírito.desejo fazer conhecer algumas diferenças que observei entre Katie e Cook. como se apresentara naquela sessão. "Antes de terminar .5 cm maior que o de Cook. quer por dolo da médium. ontem. tendo os pés descalços. "Há sensíveis diferenças nos modos das duas. como no princípio da sessão." Diante da minuciosa exposição do sábio observador. mas. Em minha casa. fez sinal de compreender-me. vi-o 1." Pelo que se conhece. parecendo completamente insensível. porém. "Elevando a lâmpada. "O talhe da primeira é variável. até quanto a se exprimirem. a que eu tive em meus braços. . prossigamos. e não uma criação de cérebro doentio. sobre as propriedades do perispírito. Katie esteve com o pescoço nu. movi a lâmpada de modo a iluminar todo o corpo de Katie e a bem reconhecer que era realmente ela.é Crookes quem fala . que torna a pele áspera. "A cor de Katie é clara. porém. enquanto Cook tem uma cicatriz bem visível. desaparecem as suspeitas de serem as duas a mesma pessoa. era apenas maior um centímetro. quer por desdobramento (bicorporeidade) dela. olhei em torno e vi Katie por detrás e bem junto de Cook. hoje. e via moça vestida de veludo preto. e mostrava uma pele macia ao tato. vestida de roupas curtas e flutuantes. poder-se-ia supor que foi um desdobramento da médium que produziu a dupla aparição. Cook é morena. com a cabeça. "Ela não falou. à noite. "Ontem.51 "Deixei penetrar ar na lâmpada. "As orelhas de Katie são muito mais longas e seu rosto mais comprido. "Segurando uma das mãos de Cook.

os assistentes tiveram ocasião de ver. eu pedi Katie o favor de ser o último que a visse.) Além de que todas as suas experiências foram feitas em presença de muitas pessoas tão respeitáveis quão competentes. Crookes refere aí como conseguiu. banhada em lágrimas. E. "Depois de ter corrido o reposteiro. muitos outros sábios realizaram experiências semelhantes. pura ilusão do respeitável sábio? (1) (1) Posteriormente. tirarem fotografias do Espírito e da sua médium. Seriam as provas da aparição daquele Espírito. juntas. "Cook ergueu-se. e seu característico é que a imagem em nada pode diferir do corpo material. ". inanimada.Desperta. aí vem sua última carta desfazer qualquer vacilação. ". "Tenho a mais absoluta certeza de que Cook e Katie duas pessoas distintas. "Quando chegou o momento de deixar-nos. convidou-me a segui-la ao quarto da médium. todos os presentes. um por um. está completa a minha missão. conversou comigo por algum tempo. bem distintos. "Ela chamou. . quanto aos sinais físicos. e suplicando-lhe que se demorasse por mais tempo.Não posso minha querida.52 Os desdobramentos são fenômenos hoje conhecidos da Ciência. Deus te abençoe. Durante esse trabalho. por indicação de Katie. "Terminadas as despedidas. tão minuciosa. e em presença de todos. e foi ter com Cook. aos quais dirigiu palavras afetuosas e conselhos. que é chegada a hora de deixar-te. escrupulosa e cientificamente colhidas. disse. ao menos quanto ao corpo. o Espírito e sua médium Katie e Cook. para permanecer com ela até ao fim. (N.

É verdade que Dassier. e. que o Espírito é imortal. que ia cair convulsivamente. sem o rigor das observações científicas? A resposta está na obra de Crookes. não acaba na morte. que ainda subsiste depois da morte. arma sofisma à sua própria consciência." É preciso admitir que se possa conversar com a própria sombra. instantaneamente. de insânia. conservando sempre a consciência de sua individualidade. para ter a idéia de que Katie era desdobramento de Cook. como os fenômenos observados por Crookes dão testemunho irrecusável de um Espírito sob a forma corporal. à vista de todos. eu corri a sustentar Cook. emperrado materialista. materialmente provado. para formular tais e quejandas hipóteses. . Por mais que choquem as crenças gerais. ao mesmo tempo.53 "Conversou com Cook até que as lágrimas desta lhe tolheram a voz. o nome e a alta competência do observador se impõem aos mais refratários. que há Espíritos. não vi mais Katie. pode-se dizer. com seu vestido branco. e que o ser humano. ou que homens da maior responsabilidade combinaram-se para darem por verdade uma mentira. É preciso admitir que Crookes e seu respeitável auditório foram tomados. E. obrigado a confessar que viu aparições espirituais. Seriam as experiências insubsistentes. cuja essência é o Espírito. por não se ter ainda de todo extinguido o fluido vital!!! É necessário decidido propósito de repelir a luz. os fatos atestados por Crookes. e que a tomava e deixava. miserável embuste. imaginando que o Espírito é a figura do homem material. olhando em torno. para ter-se o pensamento de que o médium e o Espírito são a mesma pessoa. "Fazendo como me havia recomendado.

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Se o fluido vital ainda subsiste, subsistir deve a matéria vitalizada: - o corpo; portanto, não pode verificar-se a morte. Além de que uma figura ou imagem, que fala, que raciocina, que toma na mão uma lâmpada, que dá conselhos, que faz, em suma, o que fez Katie, não é coisa mais estupenda do que admitir no homem uma parte que morre e outra que é imortal, duas substâncias distintas? Para todo homem sensato, confessar Dassier que viu aparições, é confessar verdadeiros os fatos citados por Crookes. Esta confissão, de tão insuspeita origem, vale pela mais robusta prova que possam dar os processos positivistas. O fato é tão real que um materialista da intransigência de Dassier não lhe pôde negar seu testemunho! Com o que temos longamente exposto, fica plenamente elucidada nossa tese. Não será, porém, ocioso corroborar as experiências de Crookes com as de outros sábios. Aos estudos de Varley, ajuntaremos os de Wallace, por ele próprio publicados em uma notável carta dirigida ao Times, para explicar como e por que se fez espírita. O venerando sábio, que disputava a Darwin a descoberta da lei do transformismo, escreveu: "Como tenha sido increpado, por muitos dos vossos correspondentes, como um homem de Ciência, que acredita no Espiritismo, peço licença para dizer-vos em que fundamentos assenta minha crença. "Comecei minhas pesquisas, há quase oito anos, por uma feliz circunstância que me facilitou experimentar, em minha casa e em larga escala, com a assistência de pessoas da maior confiança, sendo, então, muito menos freqüentes e acessíveis os maravilhosos fenômenos. "Tive a satisfação de provocar, por numerosas e rigorosas provas, movimentos inexplicáveis por causas físicas conhecidas ou por imaginações.

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"Familiarizado, assim, com aqueles fenômenos, cuja realidade não pode ser posta em dúvida, tive ocasião de compará-los com as manifestações dos médiuns de profissão, e de reconhecer que existe, entre uns e outros, perfeita identidade de causa. "Pude, igualmente, obter, pela mais paciente observação, as mais curiosas e seguras provas da realidade, cujas minúcias exigiriam volumes. Ser-me-á, porém, permitido descrevê-las ligeiramente, a fim de mostrar como se pode evitar a fraude. "Uma dama, que nunca vira fenômenos espíritas, pediu-me, e à minha irmã, para acompanhá-la a um médium afamado. "Obtivemos uma sessão em pleno dia. "Depois de grande número de pancadas e movimentos, coisa muito comum, nossa amiga perguntou se era possível evocar-se uma pessoa com quem desejava falar. "A resposta afirmativa, a dama começou a ler as letras do alfabeto impresso, enquanto eu tomava as que eram dirigidas para formarem o nome. "Nem eu nem minha irmã sabíamos o nome do homem evocado: nem sequer conhecíamos os dos parentes mortos. "Também ela nunca tinha visto o médium. "As letras que tomei, foram: Y, R, N, E, H, N, O, S, P, M, O, H, T. "Logo que foram designadas as três primeiras, a dama exclamou: isto não significa coisa alguma. É melhor começar de novo! "Justamente naquele momento, as pancadas designaram o E, e veio-me ao pensamento, por já ter lido um fato semelhante, o que podia ser; e disse: Continue, que suponho saber o que significa isto. "Quando a dama acabou de proclamar as letras, eu lhe apresentei o papel em que as tinha tomado; ela, porém, não lhes descobriu sentido. "Operei, então, uma divisão pelo primeiro H; e pedi-lhe que lesse cada seção de trás para diante.

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"Apareceu-lhe assim, com grande espanto seu, o nome de Henry Thompson, seu filho morto, que ela evocara. "Esta experiência, cuja exata descrição garanto, foi e é, a meu ver, a completa refutação a todas as explicações até hoje dadas a respeito dos meios empregados para indicar por pancadas os nomes dos mortos..." Este fato, garantido por um homem da estatura moral e científica de Wallace, e escudado nas observações análogas de Robert Chambers, do professor William Gregory, do professor Hare, do Dr. Guilly de Malvern e do juiz Edmonds, a não ser repelido por mentiroso, é de convencer os mais refratários. Continuemos. O barão Guldenstubbé publicou, em 1857, um livro curioso, intitulado A realidade dos Espíritos e o fenômeno maravilhoso de sua escrita direta. Conta o Autor como foi levado a fazer experiências. Andava à procura de provas palpáveis, ao mesmo tempo que inteligentes, do mundo dos Espíritos, para demonstrar, por meio irrecusável, a existência da alma. Colocou papel e lápis numa caixa, que fechou à chave, e a ninguém comunicou esse ensaio. Para maior segurança, guardou consigo a chave. Esperou em vão doze dias; porém, ao décimo terceiro dia foi surpreendido pelo aparecimento de alguns caracteres. Repetiu a experiência, dez vezes no mesmo dia, para convencer-se de que não fora vítima de ilusões. Deu parte a seu amigo, conde d'Ourches, de sua maravilhosa descoberta, e, juntos, fizeram repetidas tentativas, obtendo o conde uma comunicação de sua mãe, morta havia cerca de vinte anos, cuja letra foi reconhecida.

uma mesa e quatro cadeiras.57 Oxon. que tenho observado por médiuns conhecidos e por damas e cavalheiros de força medianímica. como os professores Fechner. e essas experiências me provaram que todas eram sempre obtidas pelo mesmo processo. sobre a escrita direta. e. de uma luminosa mão arrancarlhe o lápis e escrever à sua vista. e Slade colocou-a numa borda da mesa. Zoellner. sobre o papel escrupulosamente marcado e colocado em lugar especial. donde não pudesse ser removido. "Vi escritas produzidas quase instantaneamente. sem intervenção de lápis. tendo em cima um lápis. Weber e Schreibner." E o caso observado por Crookes. "Eu e o professor Braune. "Tinha eu comprado uma ardósia. o lápis correr como se fora guiado por invisível mão. vi psicografias obtidas em caixas fechadas (escrita direta). outras vezes. "Ao passo que se vê. algumas vezes. Fechner e Slade sentamo-nos ao redor da mesa. desde que fizemos uma cadeia pela ligação de nossas mãos. . "Notamos que este não se moveu. papel metido em envelopes fechados. "No curso de minhas observações.Coisas do outro mundo: "Há cinco anos sou familiarizado com os fenômenos de psicografia. firmando suas asseverações no testemunho de pessoas respeitáveis. as expõe assim: "Na noite de 16 de Novembro de 1876. o sábio alemão. aparecer a escrita. em sua obra . onde o médium Slade nunca tinha entrado. o sábio professor que experimentou por cinco anos. coloquei numa sala. vê-se. e em ardósias dobradas. deram-se pancadas na mesa. exprime-se nestes termos.

"Uma segunda sessão se realizou em minha casa. e. e Slade colocou-a. à sua presença. "Surpreendeu-nos esta manifestação de tão possante força mecânica. davam-se. enquanto tinha firmada a esquerda no meio da mesa. Se os mais notáveis homens de Ciência podem ser suspeitos de loucura ou de embuste. "Os estilhaços caíram a metro e meio tava de costas. voltando-nos. e nós. "Violenta detonação deu-se. colocou uma ardósia.58 "Limpou-se a ardósia. com a assistência de Weber e de Schreibner. que só a má-fé ou cegueira invencível podem recusar. expressamente por mim comprada. quando Slade levantou a ardósia. pôs-se em movimento e afastou-se alguns pés da parede. ao que respondeu ele que. sobre a mesa. como descarga de botelhas de Leyde. e eu perguntei a Slade o que significava aquilo. liam-se nela estas palavras. em inglês: Não tivemos intenção de fazer mal. e. reconhecemos que uma porta. de meia polegada de espessura. pelo fato de afirmarem que viram. quando esta foi retirada. e de ser o . os cinco dedos da mão direita. às vezes. "Inopinadamente. e. "Começou a escrita. sem o menor contato de Slade. um móvel que estava a distância de Slade e lhe ficava pelas costas. assustados. se tinha rachado de cima a baixo. aqueles fenômenos. "Ouvimos o ruído do lápis na lousa." Para que mais provas da existência dos Espíritos e da comunicação dos vivos com os chamados mortos? O que aí fica exposto procede de fontes tão respeitáveis. tendo Slade imóveis às mãos. por cima dela. Relevem o que aconteceu. verificou-se que tinha muitas linhas escritas. com dois lápis. aberta. "Como falava em pé. sobre a cabeça do professor Braune. "Foi isto escrito.

Em uma de nossas sessões de experiência. como acontece com todos com quem trabalhamos. por ser um o destinado para o trabalho. o designado para o trabalho. Será porque. não. O próprio médium. fica esse predisposto.59 que viram contrário ao que se tem por verdade. as que temos nós mesmos feito em nossa estreitíssima esfera. porque nenhum saiu do seu assento. para não faltarmos ao programa que prometemos seguir. e outro é o sonambulizado? Aqui. apesar de todos se concentrarem. também não. com exceções caríssimas. demonstrativos da existência da alma. somente cai em sonambulismo. mas quando o designado está predisposto e os assistentes com a atenção sobre ele. Quem fez aquela operação? Os assistentes. limitaremos a exposição dos fatos da nossa observação. de que serve multiplicar testemunhos.ª . sem a intervenção visível de ninguém. e é somente sobre ele que se encontra a influência fluídica dos assistentes? Parece razoável. nem da concentração do médium. . pois concentrados estão todos. o médium José Inácio da Silveira ficou sonambulizado espontaneamente. 3.Fatos de nossa observação Para não darmos maior desenvolvimento a este capítulo. como usam os magnetizadores e hipnotizadores. porque de três ou quatro presentes. nenhum fez passes. dúvida não pode haver de que a ação não procede dos assistentes. daremos. que já demasiado longo vai. em seguimento às observações daqueles sábios. e de que modo há de a Ciência limpar-se dos erros que a inquinam? Em todo caso.

morto havia vinte anos. nada sabia de Teologia. por ser muito caridoso. Inquirindo a respeito. assistia silencioso a freqüentes discussões que tínhamos sobre Espiritismo com o conselheiro Mac-Dowell. que conheceu em sua terra um padre daquele nome. no caso em questão. e que se chamara José Pereira do Amaral. sustentando a doutrina da igreja Romana contra a Espírita. e não descobrindo nós o agente. como só podia fazê-lo quem possuísse vastos conhecimentos da matéria. não pode ser senão que o médium não falou por si. a quem não é arrastado por fanatismo ou por espírito de sistema. discutiu conosco. O médium Silveira. deputado pelo Pará e ministro da Justiça. nesse estado. sendo a sonambulização uma operação que requer agente e paciente. temos razão para concluir que o agente é invisível. não havendo entre os assistentes quem partilhe as idéias que sustenta? A explicação que acode. fanático católico romano. . quanto o discurso foi sobre Teologia. e no fim declarou-nos que o era. sendo moço de vinte e poucos anos.60 Inquestionavelmente. e conhecido por padre Caridade. do Faial. José Augusto Ramos da Silveira. Em nosso caso. e o fato só tem esta explicação: sonambulização por agente invisível. e empregado no comércio. soubemos do Sr. mas que estranha inteligência aproveitou sua mediunidade. e o discursador declarou ser padre. dizíamos. no entanto. o fato é este. Compreendemos que falava um padre. e. Tergiversem quanto quiserem. é isto tanto mais racional. ficou sonambulizado e. Outro fato digno de atenção: O doutor Alcoforado. O médium falava de Teologia. deputado pela província de Pernambuco. Como explicar esse fato de discorrer amplamente um médium sobre assunto que ignora.

por ter o médium concluído seu trabalho. que não podia fazê-lo. lembrei-me de que a moléstia data exatamente do tempo daquele fato. "Fui ao médium João Gonçalves do Nascimento. José Bernardo Alcoforado. pensando bem. lembrei-me. e. que não me conhece. que é real. "Entretanto. . tomando o lápis. declarando que todo o mal provem da inflamação de um ponto da medula. mas disposto a estudar a questão. pois. de que alguns querem explicar este fenômeno pela transmissão do pensamento. que não viu nem examinou o doente. descrever com a maior precisão todos os seus sofrimentos. e. mas quem não tem a lamentável fraqueza de crer em demônios. escreveu exata e minuciosamente quanto padece meu pai. à polêmica. fiquei em dúvida se não seria do meu pensamento que Nascimento recebera todos aqueles conhecimentos." O conselheiro explicou tudo pelo demônio. só me pediu o nome de batismo e a idade do doente. que me cativou o interesse. nem jamais supus que tivesse ele relação com a moléstia. e. acrescentou. "Maravilhou-me o fato de um homem que não é médico. dissipou-se. os dois. não podia ter havido transmissão de pensamento. porém. pois. sempre calado. como no caso vertente. julgo que o médium descobriu a verdadeira causa do mal. o Dr. que se acha na cidade do Recife e sofre há cerca de dois anos. e. conquanto mesmo isto me fosse admirável. "Tal dúvida.61 Um dia. no entanto. para experiência. "Nascimento. discriminando o que é sintomático do que é orgânico. para todo o seu trabalho. interveio Alcoforado. "Eu não pensava em semelhante fato. quando voltávamos. dizendo: "Tenho-os ouvido. efeito de uma queda meu pai dera de um cavalo. por achar-se a centenas de léguas de distância. pedi-lhe o diagnóstico da moléstia de meu pai. como o explicará? A rapidez elétrica com que o médium descreve a moléstia de quem se acha a centenas de léguas.

E. temos reconhecido à evidência que o lápis é tocado pelo Espírito de um médico. cientificamente considerado. desde que seja médium. diz. Tudo isto. procurando devassar o mistério de tão estupendo fato. o que ele previamente declara? Muitas vezes temos recorrido a esses médiuns especiais. e prescreve-lhe o remédio. de Demeure. o que revela a obra de um médico distinto e invisível. não encontra explicação satisfatória em nenhum ramo das ciências conhecidas. e admirado a ciência do seu lápis. de Nelaton e de mudos mais. e por bom número de médiuns. nos temos socorrido do saber de Jaccoud. nos tem auxiliado com suas luzes no tratamento de moléstias nervosas.62 O fato. que se repete entre nós. nem possui instrução alguma. chamados receitistas. sem que alguém lhe tivesse ligado a mínima importância. como. com esse remédio. não menos surpreendente. de referir ele o que foi passado dois anos antes. fizemos. em contradição com sua ignorância pessoal. da qual recolhemos a maior vantagem. uma conferência com três médicos do Espaço. cura-o. pois o médium nem conhece de Medicina. todos os dias. o que faz mais notável médico. e mais do que o mais notável deles. Quando tivemos uma filha gravemente doente. e. sem conhecer do doente mais que o nome e a idade. o que é confirmado pela mediunidade vidente. de fazer qualquer homem. quer quanto ao diagnóstico. Charcot. por meio de três médiuns receitistas. o que sofre. em outras. que não faz caprichos de ocultar-se. pois a milhares de léguas. Qual delas descobrirá o segredo desse espantoso fenômeno. pelo lápis. por mais de uma vez. quer quanto ao tratamento. A perfeição do diagnóstico. . se curável é. dando francamente o nome que teve em vida.

duas ligeiras provas da verdade deste postulado. como ficou provado. julgamos ter desempenhado a tarefa que nos impusemos. Alcoforado. não há percepção. fornecidas pelos anestésicos. e. sua sobrevivência ao que denominamos . Temos. pois. quem duvidar do nosso testemunho. além do corpo material. um princípio imaterial que constitui sua verdadeira personalidade.e sua comunicação com os vivos? Com estas provas. como sustentam os materialistas. visto o contrário. com a faculdade pensante. e sem sensação. porém. a que chamamos . E. Logo.materiais . por experiências irrecusáveis. pois. logo. desde que houvesse paralisia dos nervos sensitivos. não haveria sensação. o longo desenvolvimento que temos dado a questão. no sentido de percepção. A outra consideração é esta: Não é mais lícito duvidar de que a alma sobrevive ao corpo. faça como o Dr. subsistente mesmo após a morte. no entanto. ela se apresenta. é fácil responder aos três quesitos: . Que maior evidência podem exigir os que não aceitam a existência da alma. depois da morte. pelo Hipnotismo e pelo Magnetismo. além disto. torna ocioso descermos a demonstrações de que é alma que encerra o pensamento. que nenhum homem de boa-fé pode recusar. que há perturbação mental com o cérebro são. temos visto. é da escola. e perfeita lucidez com o cérebro lesado. não é o cérebro que produz o pensamento. Bem firmados como foram estes dois postulados.morte . Se o cérebro fosse o órgão secretor do pensamento. o pensamento é atributo da alma.por serem tão diretas e positivas. de demonstrar que no homem existe. Daremos.63 Estes fatos se produzem toda a vez que os provoquemos.

o cérebro influi sobre a faculdade pensante. embora neste terreno reclame solução. mas. Ao 3. porque é essencial ao nosso fim saber qual a natureza dessas forças invisíveis que atuam sobre nós. o cérebro não segrega o pensamento.°. ainda mais. questão é que só entende com os espiritualistas. pois. Serem tais obras produzidas por Espíritos das trevas. sabido o princípio de que o pensamento é função. ou. e impressões por causas exteriores. a intelectualidade não pode ser função do cérebro. que arrasam as teorias dos que vêem nas modulações da matéria a variedade infinita dos seres que constituem o turbilhão universal.64 Ao 1. ou por Espíritos humanos. Estas considerações são deduzidas dos fenômenos espíritas. e temo-los até por imaginação. e mesmo depois da morte. Será isto assunto do capítulo seguinte. tanto não é essencial. por outra. Ao 2. Obras dos Espíritos ou dos demônios são sempre aríetes. como a secreção da bílis é do fígado. pois. está prejudicado. que evidenciam a sobrevivência da alma. mesmo admitida a hipótese católica: de serem obras de Satanás. ou. Por elas ficam os materialistas sem base para o seu edifício. como o olho sobre a de ver e o ouvido sobre a de ouvir. não tem a faculdade de pensar. é a alma que a exerce livremente fora do corpo. .°. que temos pensamento. e como instrumento influi na operação. tem a de reduzir a pó as falsas doutrinas dos materialistas e positivistas. É instrumento e não agente.°. donde o engano dos que o tomam por agente. enquanto lhe está ligada. É um espelho onde se refletem as impressões externas e no qual a alma toma delas conhecimento. e ela não pode dispensar o concurso deste. não. O Espiritismo. se outra virtude não tivesse. e até a ordem e a harmonia que existem na movimentação desses seres.

que é seu destino. e que mais interessa ao fim do presente livro. e continuar a ser a mesma individualidade quando deixa o corpo. ser o homem corpo e alma. o modo por que se serve a alma do cérebro. O ponto capital deste novo estudo. para fazer a luz intelectual. Flammarion firmou o princípio de que não é somente a Terra que serve de habitação à espécie humana. a pluralidade de existências corpóreas da alma. pelas vias do progresso. Provado. Foi o que nos deu o capítulo I deste trabalho. já largamente desenvolvida na primeira parte. pois.65 Capítulo II Do espírito em suas relações Neste capítulo trataremos das três questões que. exclusivamente terrestre. sim. experimentalmente provada pelo Espiritismo. e que pode ser. nem é na Terra que começou e acabará sua marcha. acidentalmente revestido de um corpo material. . aos bilhões. provado fica ser ele essencialmente Espírito. que pode ser chamado o pedant do sábio francês. Agora que está liquidada a questão com os impugnadores da existência do Espírito. todos os astros espalhados pelo espaço sem fim. nova e mais temerosa luta se levanta com a Igreja Romana sobre as relações do Espírito. à saciedade. com a maior precisão. com a da existência da alma. a toda hora. até à perfeição. Pezzani. constituem os elementos essenciais para a solução da magna questão que é o objeto deste livro: a loucura sob novo prisma. mas. aqui. demonstrou. como foi. é determinar. A espécie humana não é. e eles mesmos inúmeros. verdade consagrada no Evangelho.

pois de outro modo não haveria onde se proverem de habitantes os milhares de milhões existentes e os que lhes aumentam o número. Deus. pois. não há quem atribua aos pais a criação do Espírito dos filhos. criou desde o princípio dos tempos. e criará. A prótese divina nem teve princípio nem terá fim. não devem aos pais senão o corpo. . Se o são naquele ato ou se antes. fosse inerte. os dois novos princípios: pluralidade de mundos e pluralidade de existências da alma. por sua constante criação. E. e vejamos o que de sua combinação resulta. é evidente que todos os dias são criados esses Espíritos que nascem. além do materialista. como se entende pela Cosmogonia bíblica. questão é que não importa discutir aqui. A criação constante dos segundos é dedução forçada da pluralidade de mundos habitados. que se combinam e se completam. e só a Deus devem seu Espírito. se as crianças que nascem. surgem das brumas do ignoto dois altos princípios ou leis. pois. A criação constante dos primeiros já é princípio corrente na Ciência. em repouso. e desta se destacam os núcleos de novos gigantes do espaço. porque o movimento e a ação caracterizam a vida. pois. Cria mundos e cria Espíritos. que chegou a determinar como do fluido cósmico sai a nebulosa. pois. por toda a eternidade. Parece que. temos a prova material desta verdade. O essencial é saber que são constantemente criados. como lhes é irrecusável a do corpo. Além de que. por um momento. no eterno e incessante nascimento de seres humanos na Terra. inativo.66 E. incessantemente. Tomemos. Deus não criou somente o nosso mundo e descansou. para firmarem em nova base a Ciência cosmogônica. se. e o Criador cessaria de o ser.

e. por uma constante modalidade. sempre segundo as mesmas leis. latentes. assim. reguladas em todos os indivíduos siderais. mas dotados de inteligência. estabeleceu a lei da criação de mundos. pois não há razão para diferenças. em identidade de condições intelectuais e morais. hoje em franca comunicação conosco. nem as leis do mundo material. passando pelas mesmas fases e segundo as mesmas leis. como quaisquer outras. pois. adquirem determinado movimento. ainda e sempre segundo as mesmas leis. e. e da inocência inconsciente à mais sublimada virtude. pela qual devemos conquistar o conhecimento universal. pelo contrário.67 Deus cria mundos. isto é. como pelo desenvolvimento do senso moral devemos conquistar a virtude universal. tomam posição em meio dos astros. todas as faculdades de que necessitarão para realizar sua transformação da ignorância nativa à mais alta sabedoria. que não se conformam com os infinitamente perfeitos atributos do Criador. faculdade que se vai desenvolvendo. mostra-nos a observação que tudo no Universo obedece a normas fixas. em identidade de condições. sempre segundo as mesmas leis. além disto. Os núcleos destacam-se da nebulosa. embora muitos disso duvidem. Os Espíritos criados. Somos todos criados em estado de inocência. antes. sem consciência do bem e do mal. desenvolvem-se. trazem consigo. temos a prova experimental de tão racional presunção nas revelações que nos fazem os habitantes do mundo invisível. Somos todos criados em estado de ignorância. enfim. ou. preferências e exclusões. pois não há razão para exceções. . são variáveis. A gênese e a evolução planetária são. Deus cria Espíritos em identidade de condições. à medida que vamos usando do nosso livre arbítrio.

É do bom ou mau uso que fazem desse sublime dom. que desprezar os recursos que lhe foram dados. fará carreira mais lenta. menos dolorosa. e. tanto como excelso destino.68 Com estas armas. o que procede de modo aposto. para alcançar aquele destino. e. as mesmas armas para seguirem o seu destino. recompensas e castigos. verdadeira Cápua dos Espíritos. é responsável. no desenvolvimento de sua perfectibilidade. mas. como quiser. pois. e entregar-se aos gozos materiais. conseguintemente. e o que faz que os ignorantes atribuam a Deus tais variedades. de que todos são dotados para subirem ao destino a todos marcado. fará carreira mais rápida e. o homem é senhor de seu destino. por lei fatal. Deus deu sempre sem exceção. da qual resulta que assim como somos livres de praticar o . o Criador completou sua obra dotando-os da mais plena liberdade no emprego daquelas armas. O homem (espírito) que faz bom uso de sua liberdade. Aquele. no aperfeiçoamento intelectual e moral de seu ser. Não. nos pousos da longa viagem. conseguintemente. a liberdade ou o poder de cada um empregá-los. sobrecarrega-se de deméritos. E. no mundo moral. ou que dormir. O que se empenhar. e idêntico. mais tormentosa. adquire méritos. Méritos e deméritos provocam. dando aos Espíritos as mesmas condições originais. as leis de Deus têm a mesma inexorabilidade que as do mundo físico. que se observam no seio da Humanidade. que resultam as variedades de todo o gênero. por isso mesmo que é livre. preguiçoso. totis viribus. Nasce daí uma nova ordem de cogitações. porém. pela liberdade. "Cada um segundo suas obras" é a grande lei da evolução espiritual.

que é seu destino alcançar. cuja gênese já foi sumariamente esboçada. não se limita a evolução espiritual. pois. desde que termina suas provas nesta vida. Assim. não pudesse realizá-lo em outra vida. é o fato constituinte de morrerem crianças sem terem feito uso de suas faculdades.e a melhor prova de que não é ela a única que os Espíritos têm à sua disposição. o prêmio ou o castigo suas obras. Tendo marcado aos Espíritos um alvo. para realizar sua completa evolução. se a criança que morre. os que nos julgamos incursos. merecedores de penas ou recompensas. em Espírito. em relação aos que já têm passado por muitas . Essa Justiça não cogita de personalidades: é indefectível. de ser a infinita perfeição. O complemento natural e lógico do livre arbítrio. Convém. por isso mesmo. é o tempo à disposição do Espírito. porém. deu-lhes Deus recursos contra elas. O Onisciente deixaria de o ser.nesta que conhecemos aqui . ou antes. porém. É o mesmo que dizer: convém saber como se faz a evolução dos Espíritos. como complemento de nossa liberdade. para o espaço receber. Cada um. a liberdade não sofre restrições. Muito naturalmente: assim como os mundos recém-formados são grosseiros e imperfeitos. somos. e plena é a responsabilidade pelo uso que dela se fizer. se seu altíssimo destino pudesse ser alcançado em uma única existência .69 bem ou o mal. Pouco mais que o bruto seria o homem. e conhecendo até onde podem eles ser arrastados por suas fraquezas. sem satisfazer o fim para que veio à vida. no desenvolvimento da perfectibilidade humana. nas mesmas condições da que perdeu. determinar de que modo devemos usar do tempo que nos é dado. se sua matéria se tornou incompatível com a vida. sempre associando sua justiça à sua misericórdia. Nisto. segundo a lei na Justiça eterna.

os espíritos recém-criados são o que se pode chamar larva humana.70 evoluções. logo que são criados. recentemente vinculado na Ciência. passa ao vegetal. de iniciação. É o de Darwin. Para tais homens. por fim. . de fato a doutrina de Darwin não altera as relações que ligam os Espíritos e os mundos. sobe ao animal e termina no ser materialmente homem. tais mundos. é investido do senso moral. que começa. e moralmente Espírito. ainda sem consciência. um sistema que parece protestar contra essa harmonia tão natural. como a iniciação espiritual. o Espírito começa inerte. pelo mesmo modo. pelo qual o homem é o último elo da cadeia da criação. e. ou antes: daqui começa a longa série de relações entre os Espíritos e os mundos que lhes cabe habitar. adquire o movimento e o sentimento. passando por indefiníveis transformações. e. que Quatrefages classificou num quarto reino: o hominal. sem consciência. eis por que. iniciação por iniciação. para tais mundos. constitui os seres dos três reinos da Natureza e o homem. assim. atrasados e no período de sua iniciação. e é este que. há perfeita similitude entre os mundos e os Espíritos: atraso por atraso. Deus só criou um elemento: o fluido universal. segundo o grau de progresso de uns e de outros. Por este sistema. que ele é propriamente Espírito. com forma apreciável. se opera em mundos de iniciação. É então. que são colocados e rompem sua marcha os Espíritos. pelo senso moral e consciente. Por este sistema. tais homens. reguladas por leis eternas e invariáveis. Aqui se ajustam perfeitamente os dois princípios: pluralidade de mundos e pluralidade de existências da alma. no mineral. O homem é o grande estuário aonde vem desaguar e confundir-se todas as águas da criação. embora pareça. torna-se vivente. Daí resulta que é nos mundos atrasados. Há. e só então. Neste ponto.

Suponhamos. Tanto o prêmio como o castigo não podem ter duração eterna. que a terra é o mundo de nossa iniciação espiritual. que se possa gabar de haver atingido. é óbvio que. apenas conseguirá. sendo indefinida. E ao que ficaria reduzida a perfectibilidade humana. Terminando a primeira existência corpórea. no dizer dos católicos. começando o exercício de suas faculdades intelectuais e afetivas. os primeiros degraus da longa escada. recebe a conseqüência de suas faltas. Quem já houve. não precisariam mais progredir. na vida da Terra. o Espírito que empregou esforços. e os que fossem para o inferno. desse o inestimável prêmio da glória devida a todo o mérito. até chegarem ao termo de sua perfectibilidade. para progredir. por limitado mérito. se conseguir. que dormiu ou só fez mal. um progresso intelectual e moral que seja a última expressão da perfeição humana? A perfectibilidade humana. se. . porque não foi completado o ciclo do progresso. Deus não seria Pai. aí. vão progressivamente adquirindo conhecimentos e sentimentos mais apurados. o homem não alcança o destino para que foi criado. porém. assim os Espíritos.71 segundo suas respectivas graduações nas vias do progresso a que são sujeitos. não poderiam fazê-lo. Outras existências e maiores esforços são indispensáveis para a consecução do altíssima fim. cuja realização é lei do ser racional. aquele. recebe o prêmio de animação. para mais fácil compreensão. se condenasse seus filhos a penas eternas por faltas de um momento. se não passasse do que sabemos e praticamos nesta vida? Os que fossem para o Céu. Como um corpo posto em movimento adquire progressivamente maior velocidade. assim como não seria juiz reto. no tempo de sua vida.

pois. segundo a Igreja Romana. e se no fim do mundo. mediante provas incompletas. é estulto pensar que ainda se tenha de progredir. e de prosseguir no curso. se o homem é essencialmente perfectível. e seguem rumos opostos: um estuda e outro vadia. para quê? Por último. após esta vida. por ter sido aprovada no primeiro estádio. dispensando-se do trabalho aquele que poderia falir mais tarde. Se. Nem um. por ter sido reprovado. o que se habilitaria amanhã. O primeiro é aprovado. E isto é sábio. que redundariam em injustiça e crueldade? Além disto. e. fica dispensado de trabalhar. Dois irmãos matricularam-se numa academia. até chegar ao último. sem mais recurso. não investe aquele de toda a ciência da academia. para galgar os superiores estádios. porém.72 Uma comparação grosseira tornará mais claro o absurdo de ficar definido para sempre o destino das almas. Assim. teremos . A aprovação. se nas coisas humanas não se admitem julgamentos definitivos. se depois de ligeira prova os Espíritos têm seu destino irrevogável. depois dessa existência? No céu. o outro é reprovado. estudar e merecer. e condenando-se. e o primeiro pode vir a desmerecer. no seguimento do curso. como admitir-se em Deus tais leviandades e precipitações. no inferno. no fim do ano. porque o segundo pode. tem de haver completa separação dos glorificados e dos condenados. nem outro. ter-se-ia prejulgado injustamente. o julgamento das provas do primeiro estádio fosse definitivo. como admitir penas e prêmios eternos. fica privado de repetir o ano. em que se distribui o honroso prêmio de doutor. e se numa existência não pode chegar ao último grau de sua perfectibilidade. assim como a reprovação não fecha a este as portas do templo.

73 a eternização do mal. Não vemos. na escala ascensional. desenvolve sua perfectibilidade até à perfeição angélica. a cosmogonia espírita demonstra racional e experimentalmente que a larva humana se desenvolve. recusar-se-lhes a continuação de suas práticas terrenas. e que o anjo bíblico não é senão o homem (Espírito) limpo de toda a impureza. aqui na Terra. eivada da superstição dos povos antigos. pressurosos. criados fora da Humanidade. É o inverso do que se dá com os bons. por igual a Jeová. ou antes. não nos identificamos com a verdade e com o bem. a quantos lhes for possível. o senhor dos condenados. . segundo seu grau de atraso ou de progresso. Enquanto. os homens bons procurando chamar todos ao bem. porque Satanás ficará sendo. Deus do céu e senhor dos bemaventurados! Isto não pode calar no pensamento de quem reconhece em Deus os altos atributos de justiça. O Espírito humano é. quem representa os papéis que a cosmogonia romana. ao ponto de procurarem arrastar. para sua danação. então. para aí. portanto. O céu torna impossível o inferno. porém. Iluminando estes pontos negros da cosmogonia católica romana. por toda a eternidade. misericórdia e amor infinitos. que se esforçam constantemente para atrair ao bem quantos lhes é possível. por um decreto especial de Deus. se Satanás a ele fosse igual em poder. e os homens maus procurando arrastar todos para o mal? Por que. Deus não seria Deus. a maior parte repastase nas trevas e no mal. atribui aos anjos e aos demônios. lá do mundo dos Espíritos? Voltemos ao nosso principal assunto. se alguns caminham. o deus do inferno. a vitória do mal.

Na Terra. neste caso. sim. de onde a luta. ou. para a vida de relação. para que destarte se desenvolva e progrida. na Terra. Esta é esmeril. pois. chega-se forçosamente a uma de duas conclusões: ou fazemos o restante progresso no mundo espiritual. Além de ser isto uma verdade provada pela cosmogonia espírita. ou fazemo-lo voltando à vida corpórea. não pode ir realizá-lo no espaço. pois. porque. Não quer isto dizer que no mundo invisível os Espíritos não progridam. porque seria isto a prova da desnecessidade de ter vindo a esta vida. se Deus assim tivesse disposto. e por ela o progresso. fala à razão e ao coração. nenhuma vida corpórea teriam tido. fica banida a primeira hipótese. diz bem claro que tal união é condição essencial do plano divino. mas. por tudo isso. se.74 Partindo do princípio axiomático de que nesta vida ninguém alcança o supremo saber e a suprema virtude. a criança que morre sem ter feito. obriga-o à resistência. se evidencia que tal modo de existir é necessário ao progresso do Espírito. antes.o corpo é o esmeril essencial à lapidação do brilhante bruto ou Espírito atrasado. acresce que a segunda oferece uma perspectiva arrebatadora. A primeira hipótese não pode ser aceita. nenhum progresso. e que. e. Sim. sem recurso a um corpo. lógico é que é ele indispensável até que complete esse progresso. no que entende com a matéria. pela existência corpórea que temos. embora por tempo limitado. de ter Deus ligado o Espírito ao corpo. arrastando naturalmente o Espírito à satisfação de desejos impuros. e que só quando ele é completamente realizado é que o Espírito pode deixar de viver em relação com a matéria. que há progresso que só pode ser realizado em trato com a matéria. a matéria . Se os Espíritos pudessem fazer sua evolução. O fato. e patenteia o mistério da união íntima da justiça e da . que são o termo da perfectibilidade humana.

sofrerá maiores penas e voltará em mais dolorosas existências corpóreas. até que conquiste o maior grau de progresso do mundo em que iniciou a vida hominal. falir novamente. e voltará. se não falir. . lei que só castiga por amor e só premia com justiça. e reconheceremos a verdade deste conceito. bem disposto. deu boas provas e recebeu o prêmio de animação. Se. a fé enche-o de bons desejos. isto é. porém. não somente progressiva. a linha reta do progresso. e. para a perfeição. criado imperfeito. no mesmo estado. É intuitivo que a divisão do tempo em períodos alternados de vida corpórea e de vida espiritual realiza um sistema de superior concepção. até que se arrependa do mal que fez e deseje repará-lo. pois. Aquele que deu ruins provas e recebeu castigo corretivo. como o que em sua primeira existência deu boas provas. produz a atenuação de suas dores.75 misericórdia da lei de Deus. e. isto é. de mais alto alcance. colocado nas mesmas condições em que as cometeu. dependente da sua vontade. Volta. em sua primeira existência. As vidas corpóreas. para entrar nas vias do progresso. de novo seguirá. e nova existência corpórea. logo. É por isto que as vidas múltiplas são uma necessidade. sucessivas e solidárias. volta a fazer novas. a esperança toma o lugar do desespero. como meio de provar a sinceridade de seu arrependimento e de lavá-lo das passadas faltas. Esta modificação. são o único meio de se harmonizarem a liberdade humana e a justiça divina. nas condições de homem. mas também reparadora. Sigamos a marcha do Espírito. Aquele que. se reincidir nos erros. O que caiu no estado de vida corpórea vem reparar a falta. demorase a sofrê-lo no espaço. lhe é oferecida.

desde que reencarna. e do que lhe é obrigação presente. Só as resoluções fracas e insinceras se apagam. poderá ser-lhe patente.natureza nova arrasta-o para o caminho da regeneração. desde que tenha conquistado merecimentos para ligar as duas existências: delituosa e reparadora.76 Se a reparação se fizesse sem o concurso do corpo. Nem se diga que a ignorância do passado. a lembrança do que foi e do compromisso que tomou quando desencarnado. em provas pela reencarnação. antes de terem consciência. A prova desta verdade. por faltar a memória do passado e a ciência do presente. que este. pratica-as rigorosamente na vida corpórea. boas ou más disposições morais. desde que o Espírito perde a memória de as haver tomado. Isto que esquece. O homem. em opostos sentidos. um duplo arrastamento. embora não saiba por que. O propósito feito de emendar-se.natureza velha arrastam-no para a trilha seguida na existência ou existências condenadas. no Espírito. e em seus variados lances. não falta. a que chamaremos . sente no correr da vida. além de ilógico e irracional. E a magnitude deste sublime plano mais sobressai em razão da lei que apaga. principal autor da queda. pelo repúdio dos antigos abusos. . As resoluções sérias e profundas gravam-se por tal modo no Espírito. pouco ou nenhum valor moral teria. Os sentimentos do passado. tira os fundamentos da luta. para ter plena liberdade na prática reparadora. está no fato de mostrarem as crianças. o Espírito. que é condição de todo o progresso. A luta que ponha em ação a liberdade. na nova existência espiritual. de constante observação. a que chamaremos .

ou mais moço. Do que fica exposto sobre esta primeira fase da evolução espiritual. mediante maior ou menor série de vidas aí passadas. desde que um Espírito mais velho. outras cometemos. se nos lavamos das faltas que fizemos. não arrancou completamente de si os maus instintos que o dominaram. entre a alma e a besta. porque. ou ficam tempo esquecido sem caminhar. mas. que reclamam igual lavagem. o homem velho. arrastado pelas paixões que o dominaram. resulta já um fato bem digno de atenção: uns Espíritos seguem. não acaba aí nossa missão na Terra. o que explica. a maior antigüidade. sobe necessariamente a mundo mais adiantado. muita vez. Como quer que seja. todas as probabilidades são em favor de seu reerguimento. é chegado o momento de subir a um mundo imediatamente superior. bem disposto. ao passo que outros. portanto. sem luzes para bem compreender. porém. da reparação. sem desvios. Não é. se o Espírito. embora o acreditasse. Desde que um Espírito criado em um mundo de iniciação tem adquirido o máximo desenvolvimento que aí se pode alcançar.77 É o que de Maistre reconheceu. ao alto destino humano. A alma será o homem novo. têm toda a probabilidade de terminar pela queda e pela reincidência. o Espírito renunciou sinceramente àqueles maus instintos. O caso. pode ser lento. encurtando assim o tempo de sua viagem. a bater-se sempre com a besta. do fiel desempenho do compromisso tomado. porém. . tem adquirido o máximo saber e a máxima virtude de um mundo. Se o propósito de desfizer o mal feito não for sincero e entranhado. mas é infalível. porventura mais leves. é que. ensinou que há no homem a alma e a besta. seu maior adiantamento. isto é. mas o maior esforço dos Espíritos. Se. O progresso. ou caminham por desvios que alongam indefinidamente o tempo da jornada. por este molde. a luta entre a natureza velha e a natureza nova.

subindo àquele grau em que os conhecemos. desde o mais atrasado até o mais adiantado. intelectual e moralmente. e. será dos últimos. com outros nomes e em outras existências. eles vão sempre subindo. portanto. e hoje. vai-se aproximando do altíssimo destino humano. Como vimos. com tais nomes. nem foram criados com a elevação que ostentaram. à medida que realizam um certo grau de progresso. enérgica ou frouxamente. nem a adquiriram na vida em que foram. e do de um sistema mais atrasado aos de mais adiantado sistema. de onde percorrem os espíritos. de degrau em degrau. como já fez no outro. por meio de toda espécie de sofrimentos. até chegar a Deus. porém. desde sua criação. apareceram nele. em que altos planetas habitarão? Assim. vão habitar em mundos correspondentes a seu estado de adiantamento. conhecidos. porém. Sócrates. até se limparem de toda mácula da matéria. que admiramos. as várias categorias dos mundos. Platão e muitos outros. a mais perfeita relação entre a categoria dos mundos e a de seus habitantes. sendo habitados por Espíritos atrasados. vai o Espírito desenvolvendo sua perfectibilidade. Dá-se. em sua infinita ascensão. fazendo parte de classes atrasadas. de outros inferiores. até a maior perfeição humana. Vieram ao nosso planeta. subirá ao fastígio do saber e da moralidade desse novo mundo. passando de mundo a mundo. Há. parece razoável concluir que os Espíritos se purificam. e foram. dos mais atrasados. uma importante consideração a fazer sobre o modo por que os Espíritos evolvem. . são a sede do mal. Daí a bem fecunda convicção de que os mundos dos inferiores. pelo que observamos na Terra. Ora.78 Aí.

o calor vai diminuindo. O mal é um modo da evolução do Espírito como o calor o é da evolução de um planeta. todas as regiões da Terra gozarão uma temperatura invariável e amena. se demoram até que. inquinar.79 São mundos de provações. e onde os que. a atmosfera dos corpos celestes é incandescente. No princípio. sua superfície será naturalmente expurgada de todo elemento mórbido e dotada de elementos favoráveis à prolongação da vida de seus habitantes. com seu vírus. resfriam e gelam. Pensam falsamente. podem. como o revelam os vulcões extintos. Com o tempo. Por outra: um dia. A julgar-se pelo que observamos com relação ao nosso planeta. subir a mais alta sociedade. e não por favor. com visos de razão. em que os pontos mais afastados da eclíptica percorrida pelo Sol. muito tem que baixar a temperatura dos planetas. Assim pensam. portanto. O mal não tem existência própria. como o provam os vulcões ativos e os desequilíbrios de sua temperatura superficial. e daí vai sempre baixando. dissemos. até as condições da Terra. apesar de bem adiantada. este mundo de dares e sofrimentos se transformará em mundo de bem-estar . Um dia. pelo que aqui observamos. para a qual entram por direito. não pode. A julgar-se. e à medida que aqueles corpos vão sofrendo transformações. os que têm por verdade aquilo que vêem. é presumível. avigorados pelo exercício. ainda não é chegada a seu termo. para chegarem às condições de passagem a uma ordem superior. até descer a uma temperatura suportável. qualquer mundo ou pessoa. não resistindo à atração do mal. são verdadeiras escolas onde os Espíritos vêm fazer a ginástica moral. a ausência da aparição de novos e a doce temperatura da maior parte de sua superfície. sua evolução. revestidos de reais merecimentos à sua custa e por seu esforço adquiridos.

sempre e sempre. pois. enquanto atrasados. E o que dizemos da Terra é o que tem sucedido. Abandona. por conseguinte. avançando em sua desmaterialização. adquirindo maior intensidade e brilho. duas fases bem distintas na evolução humana: a que se caracteriza pela preponderância de sentimentos materiais. com seus precipícios e negros abismos. sim. nem mais podem ser por ele contaminados. Há.80 e de gozo. todas as infinitas espécies do mal. a ponto de já ter a intuição do fim para que foi criado. queremos dizer. renuncia ao seu passado e abraça a clara luz que não se extingue e. antes. Enquanto o Espírito é rude no princípio de sua evolução. e a . de onde o desenfreamento de todas as paixões. onde os Espíritos que aí encarnarem farão seu progresso. desde então. desde que ele se tenha ensaboado. é o que sucederá a todos os mundos que povoam o Universo. Não é. com suas claridades. O mal segue as mesmas graduações. Avançando mais e mais. nem mais o produzem. por entre sorrisos e flores. este senão modos da evolução dos Espíritos. mas que não mais se sente. enfim. Avançando em sua carreira. não mais por entre lágrimas e espinhos. na satisfação das paixões carnais. os Espíritos fazem que ele passe por análogas transformações. Semelhantemente. e a material. os que se adiantam limpam-se dos sentimentos que geram o mal. mas. seus instintos são materiais. É como o fético que exala o indivíduo que não se lava. os sentimentos de que emanavam. chega a compreender a diferença entre a vida espiritual. aqueles instintos se modificam e sua natureza se corrige ao ponto de já ter a consciência de que a felicidade não consiste no gozo material. como miasmas mefíticos. Desse ponto em diante. ou. vai sempre.

que possuímos latentes. A perfectibilidade humana é. enquanto percorremos a primeira fase. pois. porém. mas que se estende à glorificação do nosso ser. apurada e depurada. e nós subimos. purgatórios ou infernos. porém. enquanto houver no Espírito um mau sentimento. não tem fim à vida que teremos nos superiores. se assim podemos considerar os de provas e expiações. sem amarguras. sempre crescentes. que reclama esforço eterno. mas que chega a um estado deslumbrante. sem jamais chegar à perfeição absoluta. no qual. Entrando. que passamos a linha que supera as duas fases. e que nos são instrumentos . fazemos o progresso que não se limita a vencermos o mal que inoculamos. tem ele de arrancá-lo por dolorosa operação. da criação universal. Este período de progresso. cujas condições felizes requintam. verdadeiros paraísos.81 que se caracteriza pela ausência de tais sentimentos. habitamos mundos mais ou menos atrasados. sem mais nuvens que as ensombrem. Assim. na segunda fase. um movimento eternamente ascendente. Enquanto não passamos da primeira. e a que consiste na submissão à Lei. Desde. Correspondentemente. para o Espírito. mas sofrendo. do que fomos na Terra. se nós gastamos milhares de séculos nos mundos inferiores. ainda para nós quase completamente misterioso. vamos habitar mundos mais ou menos adiantados. ponto escuso no plano majestoso. porque perfeito. fazemo-lo gozando alegrias e felicidades. progredimos. A perfectibilidade humana chega a um grau tão elevado que não há. porque. Em cada degrau da infinita escada. ou a que consiste no desprezo da Lei. e entramos na segunda. à medida que sobem. de modo que o Espírito nunca cessa de subir. só guardamos a essência. só Deus. rebentam de nosso ser faculdades novas. em absoluto. visto que o antídoto do mal é a dor. tem uma duração infinita. na infinita escala.

não usávamos. nas asas dos ventos. e ao alcance de sua vista o infinito. que podem ser por ele apreciadas. Antes de termos ascendido à Terra. As novas relações que aqui nos foram dadas conhecer e apreciar. o que foi a larva humana. terá debaixo dos pés os orbes. as variabilíssimas faces do maravilhoso conjunto. até então latentes. então. aos que ainda se arrastarem pelo lodo dos mundos atrasados. de todas as faculdades que aqui nos são apanágio. pois. Então. o que na Terra foi desprezível escravo ou repelido selvagem. ocultas em seu seio. Então. apresentado o arqui-sublime fecho do soberano edifício. por isto. ser-lhes-á. para o que lhes serão despertadas as mais requintadas faculdades. porque não nos era oportuno. como anjo do Senhor. Também. determinaram o desabrochamento de alguma ou algumas das que nos são agora familiares. fraca amostra da infinita grandeza da obra do Criador. como julgamos que este foi criado para esta vida. . A criação não é somente o que cai na órbita da nossa acanhada percepção atual. E. e conjuntamente lhes vai permitindo pôr em atividade os precisos instrumentos. tábua rasa de sentimentos morais e de concepções intelectuais. e só então. quando tiverem olhos para suportar mais intensa luz. vai apresentando aos Espíritos.82 para devassarmos as novas e arrebatadoras relações da criatura com o Criador. e que julgamos serem propriedade do nosso Espírito. aparecerá. o homem terrestre. e nem sequer suspeitávamos que as possuíssemos. nunca tivemos a perspectiva das grandezas que esmaltam o panorama que hoje descortinamos. Deus. no tempo em que vivemos em mundos mais atrasados. na medida de seu progresso. do homem com a Natureza e com Deus.

homens que assim procedem? Pois bem. que nos faz todo o mal. que nos assiste para o bem. sim. assim o demônio é o Espírito ainda impuro. e o do homem mau leva sua maldade. fazem como Espíritos o que faziam como homens. mas. muito naturalmente. Os Espíritos apresentam-se a nossos olhos com a forma material que tiveram em vida. aqui. que se repasto no mal. Assim como o anjo é um Espírito purificado. o estudo cosmogônico. por simples gosto ou por vingança de passadas ofensas. esses tais. às práticas que tiveram como homens. que lhe permite revestir-se de um corpo acidental? Permita o leitor que suspendamos. e por experiências científicas. De tal fato não é lícito duvidar. Espíritos humanos que passaram pelo cadinho da purificação e que se elevaram para darem glória ao Pai. pois. quando deixam o corpo. os anjos. e. como ensinam. como as do venerando sábio William Crookes.83 Não são estes. Não vemos. E aí está o anjo. Como explicar-se tão estranho fenômeno? Será a própria alma que toma aquela forma. que encerra o principal elemento do nosso problema: A loucura sob novo prisma. como Espíritos. Um e outro se dão. é do Espírito. ou cerca-se ela de algum elemento material. criação especial. e que tratemos séria e detidamente desta questão. A bondade ou a maldade não é do corpo. sendo atestado universalmente pelos que têm tido aparições de além-túmulo. o Espírito do homem bom leva para o espaço sua bondade. que corre a todo ponto para fazê-lo. na Terra. e aí está o demônio. com que nos temos ocupado. pois. pelos médiuns videntes. .

A questão da união da alma com o corpo tem ocupado os maiores Espíritos do mundo. Deus modifica a alma. imortal e consciente de sua personalidade. harmonicamente. Por ela. ao ponto de ser difícil discriminar no homem a parte com que concorrem para a vida comum. tendo cada um sua esfera de ação. verdadeira surpresa para a Ciência. o corpo? Tomar a alma a forma material do corpo não é mais entranhável do que unir-se a este. de que tratávamos no que entende com aquele problema. em vez de esclarecer. pois. o homem é uma dualidade de indivíduos distintos. Comecemos. tendo os dois perfeita correlação nos atos humanos. para depois estudarmos o fenômeno da aparição sob a forma corpórea. que vivem em comum.84 Depois dela. e dá movimento ao corpo. voltaremos ao assunto: à parte cosmogônica. Sendo a alma uma substância imaterial. prestando-se cada um ao serviço do outro. A alma e o corpo. manifestados no outro. com o material. como é que se apresenta sob a forma material de um corpo? E. pelo estudo desse modo incompreensível de correspondência entre a alma e o corpo. completamente estranhos um ao outro. Cada um dos dois é. na razão dos movimentos do corpo. desde que Sócrates lançou aos ventos o nosce te ipsum. seguem no curso da vida duas linhas paralelas. antes de tudo. mas ocasião dos fenômenos. na razão das volições da alma. Julgamos ter provado a existência da alma. como é que o imaterial pode ligar-se e funcionar. Esta explicação obscurece. . não causa. portanto. pois é indecomponível. durante a vida. Descartes explicou-a pelas causas ocasionais.

85 Ninguém. e vice-versa. isto é. e do corpo sobre a alma. A este sistema chama-se: harmonia preestabelecida. ao mesmo tempo. que fazem com que as modificações operadas num se transmitam ao outro. que transmite à alma. participante da natureza de um e de outra. Sua teoria do influxo físico. Este fluido. mas há. e. os Espíritos. mais ou menos condensado. da ação direta da alma sobre o corpo. As causas ocasionais caem e cairão por si mesmas. fluido universal. O corpo e a alma agem separadamente. O mediador plástico recebe. São como dois relógios. as mesmas horas. desconhece que a alma impera sobre o corpo. entretanto. laços de comunicação. produz as diversas espécies de seres da criação: os corpos pesados. nada mais é do que o próprio problema a resolver. Cudworth concebeu a idéia de uma substância intermediária ao corpo e à alma. as impressões do corpo. os imponderáveis. não resistirão a um exame sério. A teoria de Leibnitz. de modo que dão sempre. por conseguinte. . Tudo no Universo procede do elemento ou fluido cósmico. embora exerça este sobre ela manifesta influência. por sua natureza material. É o mediador plástico. Euler resolveu a questão pela questão. participa da fragilidade desta autonomia de ambos os elementos constitutivos do homem. não resistem. dispensa qualquer análise. acertados um pelo outro. Cudworth teve a intuição da verdade. igual no fundo à de Descartes. os essencializados. por sua natureza imaterial. Leibnitz deu quase a mesma explicação. entre eles.

considerarmos o mediador plástico de Cudworth de natureza fluídica. podem fazê-lo por intermédio de um terceiro. como o corpo. quer dizer: semimaterial e semi-espiritual. a um imponderável ou essencializado. os . precisa daquele intermediário. pois. mas pode ligarse. mais denso ou mais rarefeito. teremos. com o qual o corpo não seja incompatível.86 O Espírito e o corpo têm. quanto mais se tomarmos um corpo de matéria radiante ou do quarto estado? Se. sem deixar de ser da ordem material. é o invólucro fluídico do Espírito. perispírito. a mesma origem. e. o corpo que aí tem de tomar. Efetivamente. um meio de comunicação entre a alma e o corpo. por exemplo. e. Na Terra. se a matéria da luz já tem muito da natureza espiritual. pois. em sua peregrinação pelos mundos materiais. o Espírito que vem encarnar já tem seu perispírito menos denso do que foi num mundo mais atrasado. O perispírito ou corpo astral de todas as vidas. Nem outra coisa é o que a Ciência espírita designa com o nome de perispírito. e se os extremos da escala dos seres não se podem ligar diretamente. muito razoavelmente. que se lhes aproxime em composição ou natureza. tudo em perfeita relação: Espírito. pois. até que se tenha elevado. o Espírito não se liga diretamente ao corpo. de que Moisés fez o terceiro elemento do ser humano. à altíssima posição de puro Espírito. O perispírito. é mais ou menos material. de um Espírito começa muito denso e vai-se rarefazendo na razão do progresso do Espírito e dos mundos por onde ele passa. Assim. corpo e mundo. O Espírito. por conseguinte. mesmo na Terra. para viver em um mundo material. por seu progresso. segundo o mundo é mais ou menos atrasado. Espírito sem mais revestimento.

por tal arte. das quais uma segrega o fluido sensível. de onde decorrem os dois sistemas de nervos. dividido em duas capacidades por uma membrana orgânica. Pelo perispírito ou mediador. de um grau de Baumé.87 Espíritos que mais progresso tem realizado influem. sobre seu perispírito. o Espírito põe-se em relação com o corpo. é a grande pilha que segrega o fluido nervoso de que os fios de cada sistema são simples canais condutores. no fim de certo tempo será estabelecido perfeito equilíbrio de densidade entre os dois líquidos. branca e cinzenta. pelo sistema nervoso sensitivo. Este recebe. mas dá idéia do fenômeno físico da ação e reação do Espírito sobre o corpo e vice-versa. como um espelho. sentindo-a. como melhor se compreenderá pela seguinte figura: Tome-se um vaso. conhecimento delas e imprime no perispírito suas volições. no outro. fazendo que ele. . O cérebro. O Espírito (alma) toma. no que permitam as condições do Planeta. Assim. e ali gravada no perispírito. no perispírito. e a outra o motor. O próprio corpo também experimenta aquela influência. todas as impressões do corpo. se um mosquito nos pica. e. procura remover a causa. reflete-as. por exemplo. e. de dez graus do mesmo areômetro. a impressão é levada ao cérebro pelos nervos sensíveis ou do sentimento. Apesar de tão diferentes em densidade. e apesar da membrana intermediária. que é ligado a todas as moléculas do corpo. se rarefaça. e. e. mediante o concurso dos nervos motores. A comparação não é perfeita. a alma toma dela conhecimento e sente a dor. Encham-se os dois compartimentos de líquidos cujas densidades sejam: num. por isso. que são transmitidas ao corpo. mediante o perispírito. e é por isso que o cérebro é constituído de duas substâncias.

e dos seus órgãos. são devidos às faculdades anímicas. suponhamos. separada do corpo. que recebe. e tudo isto em grau superior. que. concentradas no cérebro. pela impulsão dada ao cérebro. ela exercita todas as funções psíquicas que exercia quando ligada ao corpo. e é quem transmite ao corpo as volições da alma. Entretanto. são ou doentio. Logo. e mesmo independente delas. pois também recebe impressões morais. segundo as impressões que recebe do exterior. a função do corpo. pois cessa desde que esta se retire. pela morte ou por simples desprendimentos. os fenômenos intelectuais e morais. embora o corpo não dê nem tire à alma influência alguma. é quem transmite à alma as impressões do corpo. . o qual. sempre pela força da vontade anímica. bem ou mal aparelhado. a sensibilidade. possui e exercita a inteligência e a razão. e não às propriedades do corpo. o braço. para matar ou afugentar o mosquito. não mais física apenas.88 Esta resolução traduz-se em movimento imposto ao corpo pelo Espírito. que quer. e tem idéias e pensamentos sem a intervenção dos sentidos corporais. A alma é que sente. a vontade. a consciência. põe em ação os nervos motores necessários à ação de mover. que se manifestam no correr da vida corpórea. que a transmite ao cérebro. influi poderosamente. O perispírito. O corpo é simples meio de pôr a alma em relação com o mundo externo. é de simples aparelho ou instrumento da alma. E tanto é assim. não sendo mais tolhida pelas prisões carnais. portanto. a memória. como centro do sistema nervoso. em geral. em particular. ligando-se-lhe pelo perispírito. mediante o perispírito. sobre o desempenho das funções anímicas. como instrumento. Logo.

se não dispuser de instrumentos aperfeiçoados. mas. ao irracional. vendo-se nivelado. pois o melhor artista não conseguirá fazer obra digna do seu talento." Pode o Espírito fazer menos do que lhe permite o aparelho que lhe foi dado. O Espírito pode ser rico de saber. sim. pela contenção do Espírito inteligente. e pode bem raro. fazer mais. qual o meio? O meio não pode ser senão o de lhe dar um corpo. E. o exemplo vivo da dependência da alma em relação ao corpo. e a todos dá os mesmos meios para desenvolverem sua perfectibilidade. mas os órgãos materiais. portanto. porventura luminosíssima. exemplo que se traduz por este apotegma: "A alma tem o corpo de que precisa para sua missão na vida terrena. em sua completa expressão. pelos quais se manifestam as luzes do saber espiritual. resultado da incapacidade do instrumento de que dispõe. para não poder manifestar sua inteligência. no juízo do mundo. para fazer tal expiação. O Idiotismo é um meio de expiação. O idiota não é um Espírito privado de inteligência. O idiotismo ou ausência de manifestações inteligentes não é. o corpo. . não têm a capacidade suficiente. revestindo o ser racional. Aí está. um instrumento completamente incapaz.89 E esta é a melhor prova de ser ele puro instrumento. condição original de um Espírito. como seu instrumento. são órgãos de animal. Isso responde aos que argumentam com a coincidência de pobreza intelectual nos que têm cérebro pouco desenvolvido! Os idiotas de nascença oferecem-nos o melhor exemplo da influência do corpo sobre a alma. vencendo a natural resistência desse aparelho. Isto por obra de sua vontade. que Deus cria a todos em identidade de condições.

é evidentemente devido ao desdobramento momentâneo dos elementos constitutivos do homem: o corpo e a alma. se o corpo pode ser tal. a alma pode desprender-se do corpo. pois. embora temporariamente. e como. a grande distância. A bicorporeidade é a faculdade. só pode ser explicado pela permanência do corpo no lugar em que está materialmente. . quando livre do corpo. é a bicorporeidade. dissemos. precisamos demonstrar que ela encerra um princípio verdadeiro. poderia estar ao mesmo tempo em dois lugares. porque o corpo não pode trasladarse. deixando-o. e pelo desprendimento do Espírito. não o pode fazer do mesmo modo. Já não se impugna o fenômeno do desprendimento. porém. que ainda provoca o riso alvar de muita gente. Se. não determina a morte. mas de que serve. A prova mais positiva da existência do perispírito. colhida pelo hipnotismo e pelo sonambulismo. que dúvida pode haver de ser a bicorporeidade um desdobramento dos dois elementos: corpo e alma? A questão é saber como o Espírito desprendido do corpo pode tomar a forma deste. nem possa bem receber as volições da alma? O perispírito nunca lhe falta. O fato. E não podia deixar de ser isso. e. nem. que pode ir manifestar-se noutro lugar. ou dom. mesmo no caso de idiotismo. que nem transmita bem as impressões externas. é saber-se que. quando presa a este. mesmo que se admitisse este impossível.90 O essencial. e se já sabemos que ela se apresenta com a forma corporal. que têm certos indivíduos de se apresentarem ao mesmo tempo em dois lugares distintos. pois já é hoje conquista da Ciência. pois. O perispírito não lhe falta em qualquer ocasião. num momento. se a alma manifesta perfeitamente seus dotes. na união do corpo com a alma. Este fenômeno. para dissipar toda dúvida que possa inquinar as deduções que dessa proposição vamos tirar.

e já é coisa tão conhecida na Ciência. Temos tido. Ora. Um destes deixou-nos. o perispírito. por terem eles necessidade de acudir ao reclamo do corpo. sábio materialista. que reservamos para fecho da tese que desenvolvemos. E algumas vezes temos sido interrompidas no colóquio com esses. tudo é o mesmo. que se manifestam. por tê-lo ido procurar. referido por Delanne. até que possa tomar as formas do corpo. ou acordá-lo. O fato da bicorporeidade é atestado por testemunhas irrecusáveis. vem rapidamente a ele. Logo. fica-lhe preso por um cordão perispiritual. O Espírito desprendido nunca abandona completamente o corpo. Mas. advertido pelo cordão que o liga e lhe faz sentir a necessidade. condensa. Citaremos aqui um. nós mesmos. tão bem como pelos Espíritos livres. em sua casa. . quem afirma a verdade da bicorporeidade? É a questão cardeal. desde que se desprendam? O fenômeno é devido ao perispírito. se isto se verifica em Espíritos desencarnados.. senão em uma aparição que ali se dera. tanto num como noutro caso. e tanto o Espírito encarnado como o desencarnado o produzem. fato é que já a Ciência explica.. e. que mantém a vida. desde que há necessidade de animá-lo. firmada em rigorosa observação. por médiuns sonambúlicos.91 Já se sabe que o Espírito. como o das manifestações. porque não ser o mesmo com os encarnados. grande cópia de observações sobre desprendimentos espontâneos. para manifestar-se visivelmente. por atos de sua vontade. e é por ele referido nestes termos: "Foi em 1858. um indivíduo com quem ajustara fazerem uma viagem. na colônia francesa daquela capital. quando passou pelo Rio de Janeiro. Seja o que impressionou a Dassier. Quanto a não se dar a morte. Não se falava.

real ou ilusória. Venho do Rio de Janeiro e descobri a rua e a casa do nossa amigo Fritz. e disse-lhe: . deixando o marido atônito com aquela história. achava-se à porta de sua casa. "A expressão de sua fisionomia e a singularidade de seu modo de andar. viajava para o Rio de Janeiro. trazendo nos braços sua filhinha. e tomará conta dela. faleceu antes de chegar. em busca de compatriotas ali estabelecidos. impressionaram-no vivamente. Fritz. que lhe pareceu uma de suas compatriotas. quando lá chegares. e. respondeu o operário. "No mesmo dia e à mesma hora.Olha bem. e. . não deu crédito. Estou certa de que. mas conservava os traços de Lota. que parecia de uma visão. "No dia da sua morte. esteve por longo tempo em síncope. ele reconhecerá a pequena. disse ao marido: . "Alguns minutos depois expirou. não te parece que é Lota. e viu uma mulher. a que. mulher e uma filha ainda criança. adoeceu a mulher.Morro satisfeita. "Tinha as faces encovadas por extrema magreza. composta de marido. mas guardou bem vivas as circunstâncias da aparição. "A mulher olhava-o com ar suplicante. chamou um dos seus operários. Ele estava à porta e eu apresentei-lhe a pequena. "Na longa travessia. o alsaciano de quem acima falei. no Rio de Janeiro. quando voltou a si. e parecia apresentar-lhe a criança. aliás. principalmente as do dia e da hora. porque não receio mais pela sorte de nossa filhinha.92 "Uma família alsaciana. mulher do nosso compatriota Schmidt? ". "Para assegurar-se de que não era vítima de uma ilusão.Não posso afirmar porque não a vejo bem. também alsaciano e da mesma localidade. esposa de seu amigo Schmidt. devido à falta de tratamento e de alimentação conveniente. "Fritz a ninguém referiu aquele fato.

disse-lhe: . condensação. por ser Dassier um dos mais intransigentes adversários do Espiritismo. este fato de Dassier. segundo. se assim podemos dizer. especialmente das manifestações espíritas. A natureza imaterial do Espírito é incompatível com sua materialização. já o dissemos. repeti-lo-emos à saciedade. e. Estes casos provam. no que foi descrito por Crookes. principalmente. antes de seu amigo falar-lhe. ou. Este elemento fluídico. logo. é que se condensa. inseparável do Espírito. no caso vertente. nem pura matéria. "Então se lhe avivou a lembrança da visita de Lota. além da alma e do corpo. existe no homem um terceiro elemento: matéria semiespiritual. de que não se pode duvidar. e toma a forma e as propriedades do corpo. prova que. pois Lota tinha o corpo a bordo. envolto no perispírito. e se apresentou sob a forma corpórea. que nem é puro espírito. Enquanto Lota estava em sono letárgico. isto em tal dia e em tal hora. pelo qual foi reconhecida. com a filha ao colo. apareceu-lhe Schmidt.93 "Alguns dias depois. que antes de morrer veio apresentar-me sua filhinha. no Rio de Janeiro. que lhe deu a forma material de seu corpo. portanto. isto é. transformação. a transformação foi certamente do perispírito. como o de Crookes. "Eram precisamente o dia e a hora em que se deu o fato a bordo. dá pleno testemunho da bicorporeidade. e.Pobre amigo. A alma não pode transformar-se em corpo. que este elemento acompanha a alma em todas as suas . e. E não pode ter senão a explicação que demos para a bicorporeidade em geral. do imaterial e do material." Esse fato. antes. que existe em nós um terceiro elemento fluídico. seu Espírito desprendeuse do corpo e voou ao Rio de Janeiro. para que eu tomasse conta dela. primo. já sei que tua mulher morreu em viagem. pois o encontramos nos encarnados e desencarnados. pois.

surpreendido de ver que o ausente estava presente. talvez por desejo de mostrar que. talvez por satisfazer vaidade pessoal. poderíamos colher de autores que trataram da matéria. por estar ausente aquele nosso companheiro. O primeiro e o último destes cavalheiros são médiuns psicográficos. tendo as propriedades da matéria. também se trabalha no cultivo da Ciência.prova provada. com o valor deste de Dassier. suspende a argumentação. Drummond Júnior. especial teima. e já se achando em renhida discussão conosco. a que não concorreu o mesmo Dr. mas seria levar muito longe o que já se pode chamar . um Espírito que batalhava conosco sobre certos pontos do Espiritualismo. embora no que hoje se chama o quarto estado. Maia Lacerda e Dr. Muitos outros casos. é que torna as condições e formas materiais nas manifestações dos Espíritos. pelo médium restante. faltou Maia Lacerda. Abel Matos. Minutos depois. Manifestou-se. de anteriores manifestações. Semanalmente fazemos em nossa casa. em geral. terceiro. uma sessão espírita de estudos experimentais. vamos dar notícia de um fato tão valioso como o de Dassier. pelo cirurgião-dentista Tiago Bevilaqua e pelo distinto industrial Drummond Júnior. nesta cidade do Rio de Janeiro. em outra sessão. Maia . neste recanto do mundo.94 existências. por ter viajado para o Estado de Minas. Entretanto. para ponto distante da nossa residência cerca de 600 quilômetros. e particularmente do Espiritismo. mas. em que somos acompanhados pelos engenheiros Dr. A uma das sessões de trabalho. fato de que fomos observadores. sonambúlicos e de outras espécies. que. acusando pesar. porque podia aquilo ser um embuste para nos enganar. Ficamos em dúvida. com quem mantinha.

Com esses fatos temos provado. É mais um passo que vamos dar para chegarmos. que outros. em obediência ao plano que traçamos sobre as relações dos dois elementos apostos explicar como. desenvolverão em bem da Ciência e da Humanidade. espécies de loucura. o incompreensível fenômeno do imaterial ligar-se ao material. até hoje cegas completamente a tal respeito . durante a vida corpórea. tão diferentes. especialmente durante o sano. confundindo no diagnóstico. Muitos outros fatos desta ordem temos tido em nossos trabalhos particulares. depois de separada do corpo. à questão magna.até hoje. aparelhados de todos os instrumentos. embora perfuntoriamente. dirigindo-nos a palavra. que não de boa vontade. Resta-nos. senão reunir e metodizar o que se acha esparso pelas páginas anteriores. no tratamento. as duas. apresentando os próprios sinais físicos que caracterizaram na vida corpórea o indivíduo que ela animou. portanto. Este problema já tem sido grandemente esclarecido em toda a discussão precedente. mais bem providos de saber. e. * . O desdobramento ou lei da bicorporeidade não pode mais ser posto em dúvida. por nos ter dado a prova. tivemos a certeza da presença de seu Espírito. que foi posta como o objeto deste pequeno trabalho. pelo que nenhuma dúvida nos ensombra a crença do desprendimento do Espírito. não nos faltando. assim como sua explicação pelo Espiritismo. a alma toma ou pode tomar a forma material deste.95 Lacerda. para funcionarem de acordo. para sua completa elucidação. agora.

e vai. reconhecida fica a do modo pelo qual se manifestam. Se o leitor. pois. é só dar crédito ao que se vê. a forma do corpo que tiveram na vida. que é imponderável e invisível. a tradição.96 Não é mais lícito duvidar hoje de que os Espíritos revestem. a descrição minuciosa dos sinais. da pessoa em cujo nome se apresenta um Espírito. pode deixar de crer que é o próprio. é recusar o testemunho. Pôr em dúvida o fato das manifestações. pelos de outros. Reconhecida a realidade da comunicação dos Espíritos. atestado por uma infinidade de caracteres respeitabilíssimos. uma vez que o médium nunca viu aquele que descreveu? E. É verdade que nem todos possuem a faculdade de vê-los. principalmente a propósito da bicorporeidade. no correr do nosso estudo. se destaca do corpo. receber de um médium. perdido o corpo carnal. Isto não pode ser hoje contestado. quando quer. A questão é saber-se como o Espírito. para se nos manifestarem. com as formas do seu ser hominal. às vezes característicos. é passar uma esponja sobre todo o passado e destruir de um traço a História da Humanidade. porque é fenômeno ao alcance de quem quiser ver. fora dele. que não é vidente. apresentar-se. pelos pormenores com que os descrevem. Espíritos revestidos de um corpo que tem os sinais característicos do que os revestiu na vida material. Assim como a alma. podem ver. temos tratado da espécie. assim. . pelo fluídico ou perispiritual. revestida do perispírito. ela o supre. e pelo mesmo modo. a forma que tomam para se fazerem visíveis e serem reconhecidos. pode tornar-se visível e tangível. pois. os que não podem ver por seus olhos. que o é. mas os que a possuem suprem. durante a vida corpórea. isto é. Para o leitor já não é isto novidade. a vários propósitos. a deficiência dos outros.

varia de mundo a mundo. e concorre para a mais grosseira ou mais fina organização do perispírito. habitantes das regiões etéreas. e de modificar-se o fluido universal de conformidade com o maior ou menor grau de progresso dos mundos que envolve. o perispírito de um habitante do Planeta ou mundo mais atrasado que a Terra. sempre em perfeita relação com o grau de progresso dos Espíritos que nele vivem. o puro dos puros. e a do Cristo. é mais grosseiro. entre nós. não poderá descer a nós com seu perispírito natural. logo. um Espírito. o fato dá-se: da passagem de Espíritos por mundos que não são da ordem do seu. Como se opera tal fenômeno? Os Espíritos ensinam que o perispírito é tirado pelo Espírito do fluido universal que envolve nosso planeta. Também. Mas. Pela mesma razão. que habitou em mundos superiores à Terra. enquanto seu grau de progresso não o livra da Terra. Por esta lei.97 É sempre o perispírito que representa o papel do corpo. O meio. como nos de manifestações. se um Espírito terrestre pudesse subir a um mundo superior. ou de tornar seu perispírito harmônico com esses meios? . há de haver lei que harmonize o princípio acima estabelecido com os fatos aqui indicados. de modo a constituí-lo em condições de tolerar vários meios em que precise manter-se. Daí vem que. como no-lo provam a vinda. tanto nos casos de bicorporeidade. com seu perispírito grosseiro. em razão de serem tais mundos e seus habitantes mais atrasados. dos anjos ou puros Espíritos. é mais delicado o perispírito dos habitantes de mundos mais adiantados que a Terra. não suportaria a superioridade daquele meio. segundo já se disse. Terá o Espírito o poder de modificar seu perispírito. incompatível com o meio terrestre.

É. mas o modo de operar ou a lei pela qual o Espírito consegue aquela transformação. segundo o médium é mais ou menos capaz de dispensar-lhes fluido vital. de transparente que é naturalmente. . precisam os Espíritos do fluido vitalizado dos encarnados. coisa análoga a da hidrófana. Sabemos. porém só se manifestam onde e quando encontram médium de tais efeitos. isto é. de moda a fazê-lo opaco. perde a opacidade e fica transparente.públicas -. em vista das experiências públicas de Crookes. esta ainda não é conhecida. e de que não temos o direito de duvidar. de que se servem eles para jogar com os fluidos. e que. mergulhada na água. e muito menos tangível ou com o perispírito condensado até a materialização temporária. que. entretanto. O motivo é a vontade. compreende-se facilmente que. combinando-os de modo a obterem as precisas condições perispirituais para aquele fim. Dissemos . nenhum Espírito pode manifestar-se visível. que. eles se supram do fluido vital do médium. Eles estão em constante relação conosco. É. para se mostrarem. a maior modificação que o Espírito lhe pode imprimir. portanto. diz Delanne. a vontade o princípio motor da condensação e materialização do perispírito. Efetivamente. e lhes é preciso retirá-los de encarnados que têm a faculdade de desprendê-lo de si. a Ciência já possui muitos. É esta a razão por que. porque foram presenciadas por muitas pessoas de alto valor científico. por meio desse agente. e nós temos presenciado alguns casos comprobatórios dessa verdade. ou ao que se passa quando se embebe em óleo uma folha de papel. e manifestam-se mais ou menos nitidamente. sem médium. que são médiuns especiais. Sabido isto. produzem em seu perispírito uma alteração molecular. que eles não possuem.98 Ensinam elevados Espíritos que a vontade é força irresistível. para consegui-lo.

que garantiu sua autenticidade: "Escapa-me o nome do industrial. em virtude das leis já expostas. através de uma mesa de mogno. alguns não encontraram a roupa que haviam despido. Por aí se compreende como pode o perispírito materializar-se sob a influência da vontade e mediante o fluido vital de terceiro. ele dava tanto valor à boa qualidade de seus produtos. com o alongado pecíolo. como à conveniência de seus operários. que foi transmitido a Krotzoff. refere este outro. ainda hoje vigorante. Probo. . Allan Kardec. apesar de imponderáveis. "Segundo o costume da Rússia. Nas manifestações visíveis. Crookes refere o fato de uma visível mão fluídica. na fábrica. Na bicorporeidade não há necessidade de médium. "Uma manhã. Eles. humano e em boas condições de fortuna. casa e comida à custa do patrão. que. produz a transparência. na bicorporeidade o médium é o próprio indivíduo que se desdobra. em vez de ser refratada. fazendo-os até atravessar a matéria. pelo barão Tcherhazoff. com os quais vivia na mais perfeita harmonia. porque o corpo fluídico. que reveste o Espírito. parece que inglês. Os Espíritos não gozam somente o poder de dar-se a forma que tiveram em vida. se supre do fluido vital do próprio organismo. eles tinham. porque o Espírito livre não dispõe de fluido vital. sim. ou antes. ao levantarem-se de suas camas.99 A opacidade é devida à luz. diante do auditório. possuem também o de exercitarem estas funções materiais. na Revue Spirite de Abril de 1860. de S. que. pela modificação de seu perispírito. uma vez penetrando num corpo. Petersburgo. É assim que transportam objetos pesados. tomou de um vaso um lilás e fê-lo passar.

"Uma noite. "Pouco a pouco foi amiudando. foram descobrir a roupa no celeiro. Todos protestavam por sua inocência. para ficarem um em cima e outro embaixo e cercarem o mau gracejador. "Aproximou-se da secretária. que via perturbar-se o trabalho. acreditando ter sido brincadeira. já assombrados. reproduzindo-se o fenômeno. havia pouco. "Então o patrão aconselhou que se dividissem em dois grupos. "Por conselho seu. e temia perder os operários. que não eram os seus. achava-se ele sentado em meio da família. foi seu gabinete aberto e a vela acesa. "Dessas acusações passaram a lutas sangrentas. pelo que julgou o patrão necessário fechar a fábrica. em que . quando. o tinha fechado e apagado a vela. mas com isto nada se adiantou. depois de muitas buscas. e acusando-se um ao outro. para surpreender-se o culpado. na chaminé e até sobre o telhado.100 "Não podendo pensar em roubo. "Ainda foi inútil essa providência. "Levantou-se precipitadamente. organizou-se uma ronda noturna. questionaram uns os outros. o fato se repetiu sem que se pudesse ainda descobrir o autor. e descobriu aí um tinteiro de vidro e uma pena. como todos os seus. abrindo a porta. a ver o que era. "Algum tempo depois. e uma folha dc papel. triste e a cismar. o que causou sérios cuidados ao patrão. sem descobrirem quem lhos dava. até dar-se todas as noites. "Debalde procurou o patrão descobrir o autor da brincadeira. "Enfim. e eis que ouviram grande rumor no quarto próximo de seu escritório. tinham os operários de passar por escadas escuras. sendo ambos os grupos batidos. e aconteceu que alguns receberam aí empurrões e bofetadas. e a primeira coisa que viu. "Para subirem a seus cômodos.

o de fabricarem objetos. cujas leis ainda não são conhecidas. cuja loja era em pavimento térreo. tendo já fechado a porta de minha casa.101 estavam escritas estas palavras: "Faça demolir a parede em tal lugar (na escada). mas nunca se pôde descobrir de quem foram aqueles ossos. Após. A moeda. que foram enterradas no cemitério. respondeu: Ontem à noite. que lhe pagarei. ouvi bater à janela. Enterre-os em sagrado". uma realidade. e aí encontrará ossos humanos. "Tendo-lhe cedido os dois objetos. pena e tinteiro. viu que era de cobre. que se desfazem com a mesma facilidade com que são organizados. mas a multiplicidade de fatos daquele gênero prova que há. e. mas que não pude depois encontrar. correndo-se casa por casa. "Fui abri-la a um homem. porém. não demonstra somente a propriedade que possuem os Espíritos de transportar objetos pesados. o qual reconheceu por seus aqueles objetos. Parece uma cena mágica. cujas feições não pude distinguir. mas. "Interrogado sobre a pessoa a quem os tinha dado. Este fato. em tudo isto. tudo entrou em ordem. logo. ela tinha as propriedades de um corpo sólido. logo. fenômenos que já temos visto. ceda-me um tinteiro e uma pena." Demoliu-se a parede indicada e encontraram-se ossadas humanas. desapareceu depois de vista. ele jogou ao assoalho uma pesada moeda de cobre. que ouvi tinir. disseme: Por favor. e no dia seguinte começaram as indagações para descobrir-se de onde provinham papel. . também. O mercador ouviu o tinido da moeda. chegou-se à de um mercador de tais gêneros. autenticado pela autoridade. tinha a forma do objeto que representava. "Levou à polícia aquele papel.

. assim como produzem corpos visíveis.102 Entretanto. Corremos a ela e perguntamos ao farmacêutico se tinha verdeParis. pois sabemos que os Espíritos se servem. não estamos completamente às cegas. ao que respondeu afirmativamente. Todas as noites. por maior que fosse a vigilância das pessoas da casa. um grande vidro fechado em que guardava aquela espécie. Recorremos a um médium e obtivemos a presença do Espírito. colega de Carvalho na direção de um Banco. vendo quão pouco Ihe restava do muito que ali depositara. na mesma rua. do alto. de elementos existentes no fluido universal. por que não produzirem a visibilidade do seu perispírito? Em 1894. sobre um fato que incomodava vivamente a um seu amigo e a toda a família deste. porém. em relação ao perispírito. à casa perseguida. que despiam ao se deitarem. fomos consultados pelo Comendador José Alves Ribeira de Carvalho. estabelecido com fábrica de gravatas à rua de São Pedro. como a eletricidade se serve para colher e combinar os que constituem os aerólitos. e nos denunciou de onde tirara a tinta: uma farmácia existente a uns 150 metros. Estava provada a verdade do que nos revelara o Espírito. e vimos a realidade do fato. com o Sr. desde que desencarna. nesta cidade. Para terminar este ligeiro estudo. Retirando. daremos aqui uma sucinta idéia do modo pelo qual procede o Espírito. que nos deu a razão daquela maldade. fomos os três. manifestou a maior surpresa. Em todo caso. inclusive as de vestir. Júlio Richard. eram borradas de tintas verde (verde-Paris) todas as peças de roupa do serviço. Fomos. para seus fins. um dos mais importantes industriais do Rio de Janeiro.

que é perfeitamente deste mundo. "Um dia. alimento da vida corpórea. precisam de repouso. Às vezes. entreter-vos conosco. ou porque o Espírito é muito adiantado. além dos médiuns videntes o acusarem. a vida ainda não se tem esgotada.103 No momento em que se esgota o fluido vital. mas o perispírito já está quase completamente desprendido do corpo. que não o perturbaremos. com a diferença de que este sente comoções que o esteio não sente. Na "Revue Spirite". naquele estado. de 1859. ou por violência. não é brusca e instantânea. então.respondeu. as próprios Espíritos o revelam.meu Espírito destaca-se efetivamente do corpo. pois. É vosso Espírito que está aqui. disse que estava fatigada. Podeis. que entra em decomposição. Schultz. molécula a molécula. como nos casos do sono e do desdobramento bicorporal. isto é. . mas fica-lhe preso. . antes do completo esgotamento do fluido vital. porém. segundo as leis da matéria. Este fato não é imaginário. A alma. e lhe apresentamos o seguinte argumento: . o Espírito separa-se do seu revestimento material." O desprendimento antecipado. "Meu corpo serve de esteio ao meu Espírito. só se dá. e estas comoções fatigam muito o cérebro. evocada enquanto dormia. ligado ao corpo. que ele nada sofrerá. pois. de Paris.Vosso corpo pode repousar. "É por isto que meu corpo. . como um balão cativo. e não ele. encontra-se a seguinte exposição: "Mme. tanto como meu Espírito. A separação. deu-nos várias vezes brilhantes provas de sua lucidez. uma de nossas amigas. depois de longa conversa. pois depende da completa desagregação do perispírito.Estais enganado . está presa ao moribundo por ligeiros filamentos perispiríticos.

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Quem viveu mais da vida espiritual que da material; quem foi, na vida, mais afeiçoado ao dever do que às pessoas; quem não se engolfou nos gozos carnais, assiste como espectador às últimas vibrações de suas forças vitais, só esperando a derradeira para voar ao mundo dos Espíritos. As vezes, porém, já se tem esgotada a vida orgânica; já o corpo tem entrado em decomposição, e o Espírito se sente preso a ele. Também não é este um fato imaginário. Além de que os Espíritos o atestam, nós podemos conscienciosamente afirmá-lo, porque temos tido, por dezenas, fatos de Espíritos se manifestarem, convictos de ainda viverem com seu corpo, e sentindo-o com os sofrimentos que teve. No "Céu e Inferno", de Allan Kardec, encontram-se comunicações de infelizes que levaram anos e anos sentindo-se ligados ao corpo, sofrendo o horror da decomposição deste e sentindo o roer dos vermes nas carnes maceradas. É o mais duro dos castigos, essa perturbação que dá a ilusão de se estar vivo, sendo pasto de vermes. Isto, porém, só acontece aos que viveram pela matéria, cevando-se nos gozos das paixões carnais. É o oposto do que acontece aos que viveram pelo Espírito e para o Espírito, os quais, antes mesmo da extinção da vida, já se sentem destacados do corpo, prelúdio os gozos da vida real. Entre estes dois extremos, há infinita variedade, como é fácil compreender. Natural é que se desprenda alegre, do corpo em que esteve encarnado, o Espírito que viveu sobranceira aos gozos e grandezas da vida material, e que se desprenda triste o que nunca pensou nos gozos e grandezas da vida espiritual. A razão, pois, vem em apoio da revelação que fazem os Espíritos, a respeito do que acontece no momento da chamada morte.

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Rompidos todos os laços que prendiam a alma ao corpo, é então que vem àquela a consciência do seu estado, e de que já não pertence mais ao mundo dos encarnados, e, sim, ao dos Espíritos, sua verdadeira pátria, da qual fora desterrada. Nova espécie de existência começa, ou antes, recomeça para ela. O perispírito, mais ou menos material, mais ou menos fluídico, segundo o grau de atraso ou de adiantamento, dá-lhe a forma do corpo que teve, sem possuir, no entanto, os órgãos corporais, pelo que não sente realmente as impressões e sensações materiais. Sente, porém, muito mais livres e desenvolvidas as impressões anímicas, porque, agora, já lhe não tolhe o desenvolvimento de suas faculdades o dique ou prisão corporal. Assim é que a Espírito preso ao corpo só pode ver os objetos que lhe ferem a retina, ao passo que, livre do corpo, a órbita de sua visão quase não tem limite, ou só tem o que lhe traça seu atraso ou seu adiantamento. Efetivamente, sempre que chamamos um Espírito que nos dá prescrições médicas, ele nos atende imediatamente, deixando bem provada sua identidade. É esta uma prova de que os Espíritos gozam da faculdade de conhecer nosso pensamento e de poderem vir até nós, com uma percepção e velocidade que não temos na Terra. Disto, que parece extraordinário, temos tido inúmeras provas, de que daremos aqui duas. Em uma sessão, a que foi chamado por evocação o grande orador brasileiro José Bonifácio, disse ele que desde a Terra cultivara a sublime Doutrina que eleva a criatura até aos pés do seu Criador. Entretanto, pensamos nós, não tiveste a coragem de confessá-la publicamente. Concluída a manifestação, e quando o médium se sentava, vimo-lo reerguer-se, dizendo:

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- Ia-me esquecendo de responder ao pensamento reservado de um dos amigos aqui presentes. E respondeu-nos, expondo as razões por que procedera daquele modo, em bem da grande causa da libertação dos escravos. O outro fato se deu na sessão ordinária de um grupo, e em presença de grande número de pessoas. O médium Brito Sarmento, posto em estado sonambúlico, transmitiu-nos a promessa de Fénelon, de dar-nos um trabalho para nós desconhecido. Mandou-nos escolher três dentre os presentes, para fazerem perguntas mentais, a que ele responderia pelo médium. Escolhemos o Dr. Bernardino Bastos, o Coronel Cardoso e o Sr. Silva, genro do bem conhecido Visconde do Rio Branco. Com surpresa e espanto de todos, foram respondidas categoricamente as perguntas mentais que fizeram aqueles três distintos cavalheiros. A prova foi brilhante, mas, atendendo a que incrédulos, que ali se achassem, poderiam suspeitar que tivesse havido mancomunação entre nós, o médium e os três cavalheiros, dirigimo-nos ao Espírito, fazendo-o sentir nosso receio, e pedindo-Ihe, se fosse possível, que atendesse a quem quisesse fazer perguntas mentais. Respondeu-nos que, só para não fatigar o médium, limitara o número de perguntas, e que, julgando razoáveis nossos escrúpulos, estava pronto a responder a quem quer que fosse. Dos presentes, só um quis usar da licença, concedida a todos, e este, à resposta que lhe foi dada, ficou tão exaltado que, de voz em grito, pronunciou estas palavras: - Pensei que era uma farsa tudo isto de Espiritismo, e vim aqui para confirmar-me no meu juízo. Agora, porém, tenho em mim mesmo a prova da verdade do Espiritismo. Este homem não podia adivinhar meu pensamento, para responder exatamente o que eu pedi!

Não há demônios pessoais. Não há inferno. julgamos inútil dizer que os Espíritos livres não sentem fadiga. do Espírito em suas relações com o corpo. não sentem fome nem sede. que ao nosso Espírito eles falam a linguagem dos Espíritos: a troca de pensamentos. Reatando. Merecem o mais atento estudo os conceitos lançados nesta ligeira exposição. pois não há penas eternas e materiais. mas. nem penas eternas. nem um único mundo. * A ligeira apreciação que acabamos de fazer. pois. resultam as seguintes conseqüências lógicas: Não há uma única vida. que precisamos conhecer a fundo. Vimos que os Espíritos não são criados para o corpo. mas sim a do pensamento. sim. pois não há inferno. não padecem moléstias. procuraremos resumir o mais possível o que nos resta dizer sobre as relações dos Espíritos. ou pela ignorância invencível. por uma face ainda não conhecida. que só podem ser impugnados. não falam linguagem articulada. pelo que. para podermos resolver a questão da loucura. . ou pela incredulidade sistemática. o interrompido curso. só por meio de um médium nos podem falar a nós. que este lhes é dado como instrumento de progresso. pois os Espíritos têm mais de uma vida corpórea. não precisam de repouso. Vimos que uma vida única é insuficiente para o amplo desenvolvimento da perfectibilidade humana. interrompeu nossa exposição sobre a nova cosmogonia. Destes dois postulados.107 Passando adiante. Não há penas eternas.

novas revolucionárias da velha ordem estabelecida. verdadeira não pode ser a relativa aos outros. deve necessariamente fazer paradas. e para a Humanidade épocas que se abrem pelo desabrochar de grandes idéias. Na eterna marcha para a perfeição. chegarão. o Espírito vai ganhando luz. que vai evoluindo. porém. criação de um só par humano. visto que a própria Bíblia atesta a existência de outros seres humanos na Terra. Eles apagam velhas crenças. e a virtude da sua completa desmaterialização. e sem que dele procedessem. alargam progressivamente os limites do seu mundo pessoal. e que se fecham pela consolidação dessas idéias em uma nova organização. concessões necessárias ao atraso da Humanidade. possuirão a ciência das leis da criação. Estes princípios. são tão conformes com a razão e com o simples bom-senso. e o rústico não compete com o ilustrado. de si próprios. Então. vão vendo melhor e mais claro em torno de si. enfim. a estender esses limites até confundi-los com os do Universo. que o Espiritismo consagra. que são para o homem as vidas corpóreas. vai reconhecendo e repelindo certos preconceitos mais grosseiros e divisando horizontes menos escuros. à medida que vai tendo luz. . A medida. como se cobria com ele a poligamia de Abraão e o dente por dente de Moisés. ao tempo de Adão. sendo evidentemente falsa a tradição relativa aos que decaíram. Não houve. O menino não vale o homem feito. pois. Crescendo no tempo. que é condição para ver a Deus. e. e. vão tomando posse do meio em que se acham. cobertas com o estandarte da religião. É esta a norma de evolução dos Espíritos.108 Não há anjos. finalmente. ajuntam conhecimentos e sentimentos de que formam seu pecúlio e sua atmosfera. criação especial. que entram naturalmente pela alma.

pois. sempre havidos por verdades. e puro ouro passado pelo cadinho dos conhecimentos e da experiência que vamos adquirindo. Quem estudar o regime humano. Em qualquer ponto do caminho de nossa evolução encontraremos. em cada período histórico. A verdade. cultivando uma ou mais gerações exclusivamente o intelectual. porque não pode ter ainda a pedra de toque da verdade absoluta. retirando dela os materiais que julgou bons. quase sempre. . e todos os dias procurar fortificar sua abra. científico e religioso. alternativamente. sem eiva de falsidade. instintivo e naturalmente. senão de mais alta moralidade. porquanto a verdade inteira só a podemos colher no último estádio de nossa peregrinação. na compreensão humana. onde Espíritos de um progresso correlativo vêm depurar-se pela luta na separação do joio e do trigo. sobre a base do que julga que ela é. O homem. é erguer. não pode haver em nossa Humanidade sistema filosófico. restos de fezes acumulados por nossa primitiva ignorância.109 Assim como de cada existência corpórea o indivíduo humano colhe mais ou menos saber e moralidade. o gênero humano avantaja-se às passadas gerações pela conquista de mais alta ciência. assim. tem caráter absoluto e relativo. procura-a. relativo em sua compreensão. elas mesmas. será levado a confundir fezes com ouro. para ulteriormente. mas. E. necessariamente. absoluto em si mesma. porque o progresso não se faz sempre simultaneamente e equigradativamente pelo lado intelectual e pelo moral. desde que entrou na ordem dos seres. todos os dias. mas que reconhece imprestáveis. mundo atrasado. o edifício de suas crenças. pois. quantas vezes se deixa levar por miragens? Seu destino è alcançá-la. Aquela mistura é necessária na Terra. mas sim. se darem ao cultivo da moral. que lhe desfazem erros e preconceitos. em qualquer desses períodos.

de que já nos ufanamos. cuja luz material nossos olhos terrestres não poderiam suportar. só porque chocam as que temos por verdadeiras. é proporcional e comparável a que nos dá o Sol. em sua maioria. centro do nosso sistema planetário. e igualmente relativa ao grau de progresso individual? Cada Espírito desenvolve. É a obra dos Espíritos que vieram já adiantados e com a missão de desfazer a dos atrasados recalcitrantes. Pois se ela mesma não sabe quanto caminho tem a fazer. e se uma geração que surge é composta. em que possa dizer: toquei o marco terminal. nesse período. tendo banido o tirano. o Deus de tremenda majestade. Vêem-se destacar. em todas as relações. pois é pelo choque das idéias novas que se tem constituído a Ciência. Além. está em que a Ciência caminha sempre. A luz do progresso que podemos aqui receber. encarada por diversas faces. dos que mais tem progredido. é o mais grosseiro dos erros do homem. em cujo nome se passavam à espada homens. nos mundos de superiores sistemas. que é a mesma. mulheres e crianças das cidades vencidas. Se. largo passo pelas vias do progresso. em cada uma de suas paradas terrestres. a Humanidade fará. porém. em todas as relações que nossos olhos da alma aqui não poderiam igualmente suportar.110 Resulta daí que repelir idéias novas. e foi por tal arte que a religião chegou às alturas em que se acha. como termos a pretensão de possuir a verdade científica e a religiosa. a sua perfectibilidade. a Humanidade atravessará um período de . possantes inteligências que dão másculo impulso a todos os ramos de conhecimentos humanos. que é nosso destino conquistar. surge uma geração em sua maior parte composta de Espíritos atrasados. é trancar as portas ao progresso. em todos os países. mais ou menos. A prova de que nada sabemos do infinito saber. receberemos mais ampla revelação da verdade.

Desde o princípio de sua evolução. invisível. e. que encarnaram naquele país. pela França. ao ponto de acreditarmos que vivemos pela primeira vez e única. é porque Deus não permite que a luz se apague. e todas as conquistas do passado. os Espíritos vão constantemente. estabelecendo relações de amor e de ódio com aqueles com quem tratam. pelas vidas e pelos mundos. a todo o mundo. parentes e amigos.111 raquitismo. irmãos. em que se rompem os laços desta vida. trancará o templo da Ciência. com a missão de acenderem ali o grande facho que iluminasse a Terra. encanecidos no labor de seu aperfeiçoamento. Em cada existência corpórea. têm pai. O movimento assombroso que uma geração deu à França. É por esta modalidade que vemos todos os povos apresentarem períodos de grande fulgor a par de outros de negra escuridade. Há. já madura para aquelas conquistas? Foram velhos habitantes do nosso globo. mulher. as condições de progresso: ensino que podemos aproveitar. ficam abafados. se não se perderam no incêndio da biblioteca de Alexandria. porém. que foi senão obra de uma falange de Espíritos adiantados. do mesmo modo como têm indiferentes. no mundo espiritual. . No momento. pois. Estes sentimentos. mãe. que mais desenvolveram no espaço. se quisermos. durante a seguinte em que perdemos a memória do que fomos. para nova geração dali arrancá-la. e desde que recobramos a memória do passado. aí estão conosco as velhas relações. ou estas relações de uma existência. e permite que seja guardada no fundo dos claustros. estacionará. esquecidos. pela comunicação e convivência com Espíritos superiores. desafetos e inimigos. filhos. ou pela invasão das massas bárbaras do Norte.

de pensamentos e de aspirações. ligados por bons intuitos. É uma renovação de afetos e de repulsões. que sofriam por sua perseguição. que no mundo dos Espíritos há as mesmas relações que na vida material. porque são livres e guardam a lembrança do que lhes fomos. daremos as provas autênticas desta verdade. e os que nos odiaram e continuam a votar-nos ódios. que perdemos. ligados pela similitude de sentimentos. ou nos aparecem inimigos que supúnhamos mortos. e nós o temos feito centenas de vezes. É bem verdade. ligados por intuitos maus. tais como as que nos comovem na Terra. pelo que terá proteção e perseguição. que parece imaginário. com a diferença das que se perdem com o corpo. ficam boas. quando encontramos entes queridos. como de ter inimigos. e. Sobre a influência dos inimigos a nos arrastarem para o mal. Se um que volta à vida carnal é do grupo dos maus. Os amigos nos ajudam. conjuntamente com os amigos e inimigos que fizemos na existência última. Há seu tempo e em lugar próprio. atuando sobre nosso Espírito para o bem. para virmos a esta vida. e. temos tido provas destas: chamamo-los com o auxílio dos bons. acercam-se de nós. os bons. com estes. e pode fazêlo quem o puser em dúvida. podemos reconhecê-lo experimentalmente.112 Os que nos amaram e nos amam sempre. desde que se arrependem e se reconciliam. os maus. Nós perdemos a lembrança deles quando os deixamos. suas vítimas. . pois. Isto. Há grupos familiares. quase sempre logramos convencê-los de que maior mal fazem a si do que às suas vítimas. mas eles nos acompanham com seu amor ou seu ódio. nem por isto deixa de ter amigos. de quem estivemos por longo tempo separados.

A diferença é que aqui conhecemos os que nos impulsionam. no sentido de seus intentos. pelo ensino da verdade. aproveitando a pouco e pouco as nossas fraquezas. Não vemos. Resulta do que fica exposto que nesta vida temos amigos visíveis e invisíveis. indivíduos insinuarem-se no ânimo de outros e os arrastarem a desatinos? Pois é pelo mesmo modo que os Espíritos. de cunho maravilhoso. perseguidores. com arte. e nós nos decidimos livremente por uns ou por outros. por piores que sejam. pela razão. mas nunca tolhido. conseguem fazer da nossa vontade seu instrumento. e que temos inimigos visíveis e invisíveis. há uma luta constante. mas. os maus nos aconselham para o mal. coisa que se pareça com os contos fantásticos de Hoffmann. e. em derredor de cada vivente. por melhores que sejam. os inimigos. que escapam às nossas vistas. outras vezes. com seduções. É ocasião de darmos ao leitor os fundamentos que temos para afirmarmos coisas desta ordem. às vezes. Não é o mesmo que vemos em nossa sociedade? Os bons nos aconselham para o bem. empreendido na mais pura intenção. e. com astúcia. Conseguintemente. chega-se a domar o leão. . Nenhum tem o poder de coagi-la. tem em torno de si. pois. porque seu livre arbítrio pode ser auxiliado ou embaraçado.113 Todos. e de nosso espírito sua vítima. que nos ajudam em nossa missão. Espíritos protetores. segundo o lado para onde pender o espírito vivente. tanto como pela sinceridade. que procuram fazernos todo o mal. inimigos feitos no tempo de seu maior atraso. sempre dirigida para o bem. Uns e outros como operam? Procurando subjugar-nos a vontade. que descem à vida corpórea. na qual triunfam. os amigos. entre nós. Não queremos fazer deste trabalho.

Para não alongarmos. do Sr. Frederico Pereira da Silva Júnior. é o fundamento sólido em que nos baseamos para dar a público. coisas tão maravilhosas. porém. sob a responsabilidade de nosso nome. o ponto mais difícil de aceitar da nova cosmogonia. . Foi em presença do Sr. tem sido ensinado pelos Espíritos. tudo. fácil é ter-se a prova. a prova experimental por que temos escrupulosamente feito passar cada idéia daquele ensino. pode verificar-se o fato com o mesmo rigor experimental com que Crookes. este trabalho. Tudo. citaremos apenas três. que tão eloqüentemente fala à razão e ao coração. explica todos os outros. Pelos processos espiríticos. comandante do cruzador da Alfândega "Orion". Da perseguição movida por Espíritos desencarnados aos encarnados. eles mesmos problemáticos? Não foi exclusivamente na letra do que eles ensinaram que firmamos nossa crença.114 De tudo o que temos exposto. prova inconcussa. que preferimos às demais. capazes de firmarem inabalável convicção em espíritos livres de preconceitos sistemáticos e de obcecação por fanatismo. caso alguém se abalance a impugná-las. em presença de sua respeitabilíssima senhora. A respeito das perseguições. possuímos grande cópia de observações. empregado público. a quem devemos a cosmogonia. mas que. João Kall. por estarem vivas e presentes as testemunhas. João Gonçalves do Nascimento. nada é produto de nossa imaginação ou da imaginação de alguém. que são rigorosamente científicos. tudo. Dir-nos-ão. A experiência. uma vez provado. do Sr. negociante da praça do Rio de Janeiro. porém: Que crédito merecem esses ensinos de Espíritos. Lombroso e outros verificaram o fato das manifestações dos Espíritos.

pelo que a família o guardava em um quarto. a família de Raul Couto. com a idéia fixa de suicídio. Longa foi a luta com esse Espírito. Manuel Raimundo de Souza. Raul. à distância que vai da Gamboa. e só na segunda-feira seguinte foi que pudemos ter notícia da que se passara com Raul. Soubemos então. onde trabalhávamos. par fim. para vingar-se do mal que lhe fizeram em passada existência. mas. em sua casa. como de um longo pesadelo. despertava. Pediram-nos. onde morava. declarando que já fizera acabar pelo suicídio o pai de Raul. e que ao mesmo fim levaria o filho. aí está para atestar a verdade. prestando-se a isso o médium de incorporação. Raul Cauto. na Faculdade do Rio de Janeiro. por quem se tornara indiferente. talvez uns quinze quilômetros. ao Engenho Novo. suspendera o curso de seus estudos médicos.115 do Sr. demos princípio ao trabalho. estudante de medicina e objeto da nossa observação. depois de muitas sessões. chamou a mãe e mais pessoas da família. e tivemos a confirmação pessoal do seguinte: Na sexta-feira. Além disto. e do major da Guarda Nacional. Efetivamente. e tão bem se achou que na semana seguinte voltou aos seus estudos. que fizéssemos o possível para restituir a razão ao pobre moço. que fazíamos semanalmente. depois do arrependimento de seu perseguidor. Frederico Pereira da Silva Júnior. por tanto . Severo da Cunha Machado. havia cerca de dois anos. por ter sido subitamente acometido de loucura. saiu do seu isolamento. conseguimos convencê-lo do mal que a si mesmo causava. com todas as precauções. pouco mais ou menos à hora em que o Espírito inimigo desistiu sinceramente da perseguição. e. capitão do Exército. depois de reconhecido que a loucura era obra de um inimigo do espaço. verificamos que o pai de Raul acabara pelo suicídio. Foi isso numa sexta-feira. O Espírito perseguidor veio enfurecido.

. e nós asseguramos que mais ou menos rápida. Dr. O angustiado marido veio a nós e pediu-nos conselho. temos sempre observado esse fenômeno. de não a poder ter o marido senão no Hospício dos Alienados. fizemos a evocação do Espírito perseguidor de Alice. e que perseguia a moça. como médico e espírita. Dr. Canongia. fato que é comprovado pelas suas aprovações na Faculdade. o negociante Matos Cid. quando ele tinha por ela uma louca paixão. é fato digno da maior atenção. por tal modo que apenas adiantamos em saber que era ou tinha sido português. portanto.116 tempo interrompidos. Veio em fúrias e inconvenientemente. Francisco Leite Bittencourt Sampaio. Foi o caso de ter ido à casa de uma "curandeira" a esposa de um moço muito conhecido da nossa sociedade. mais ou menos lenta. e tanto se aplicou. o Dr. por tê-lo desprezado. o guarda-livros José Augusto da Silveira Ramos. desde que o perseguidor se converte. Passemos a outro caso: Os jornais desta Capital deram notícia de mais uma vítima do Espiritismo. Antônio Luís Saião. Foi. Pedro Saião. nós e o médium Frederico Júnior. nome da esposa de Canongia. Perseguia-a e persegui-la-ia por toda a vida. Reunidos. tivemos várias ocasiões de vê-lo e de reconhecer a completa integridade de suas faculdades mentais. A coincidência da renúncia do perseguidor com o reerguimento das faculdades mentais. que colheu e publicou as lições feitas durante o ano pelo professor de anatomia da Faculdade. o Sr. cirurgião-dentista Tiago Bevilaqua. e de ter saído dali louca. Durante os seguintes dois ou três anos. o negociante Pedra Richard. registrado por toda a imprensa da Capital Federal o fato da loucura da moça e da sua reclusão ao hospício.

com o marido e os filhinhos. Apesar de retirada a causa. . e ultimamente fazendo atos de rematada loucura. aos poucos. tendo reconhecido que não era mais vivente. Reconciliado. que era às quatro horas da tarde. oito dias depois. esteve mais cordato. e sim apenas despontado. O dia seguinte era o de nossos estudos experimentais. que ela teve razão de sobra para me repelir. porteiro da Escola Municipal de São José. há já seis anos. como estivera persuadido até ali. exclamou. . dissemos à mãe do rapaz que o trouxesse naquele dia. que trabalhava como marceneiro numa fábrica de móveis da rua da Conceição. desconfiando da existência de uma influência estranha. nesta Capital. onde vive perfeitamente. fomos procuradas pela mulher de Bruno. mas dá tanta luz à questão. que o preferimos a outros. ante o qual ficou horrorizado. às dez horas da manhã. saiu do hospício e voltou a sua casa.117 Na sessão seguinte. foi devido aos fluidos maus do perseguidor. até que. O fato de não ter a razão imediatamente voltado. logo que cessou a pressão. que se tornara intolerável. que levam mais ou menos tempo a ser eliminados. porque o efeito já estava bem gravado e precisava de tempo para se desfazer. segundo o grau de receptividade moral do perseguido. para acudirmos ao rapaz. retirou-se do nosso meio. Isto é uma lei patológica. pois. pois. procurando rixas com as pessoas da família. ouviu nosso arrazoado. Antônio José Bruno.Agora reconheço. e. que não nos cabe aqui desenvolver. para que examinássemos antes da sessão. Um dia. não cessou logo o efeito. e desde aquele dia Alice começou a manifestar melhoras. sem mais sombras de perturbação mental. O terceiro fato é incompleto. recobrou a razão. tem um filho de seu nome. e foi-lhe dado ver o quadro de sua anterior existência.

Não houve argumento. não houve esforço que abalasse o infeliz. que o vimos nascer e crescer. há o poder da justiça do Senhor. dizendo-nos: . para não mais poderes fazer-lhe mal. saiu o perseguidor. que. professor. teria sido tomado. retira-o de tua ação. onde se achava conosco o Comendador Domingos Gonçalves Pereira Nunes. que não tivemos dúvida sobre sua presença ali. mal foi tomando uma cadeira sem saber do que se tratava. um Espírito superior. O médium Brito recebeu o Espírito que antes quisera tomá-lo de surpresa.118 Veio com extraordinária relutância. mas aproveitamos o tempo. que. João Batista Maia de Lacerda. mas olhava-nos com olhos de tigre. reuniram-se na sala dos trabalhos o Dr. entrou na sala. que. deu-nos o seu ultimato: Não há poder capaz de suspender minha vingança! . respondeu-lhe. o qual começou. Não lhe arrancamos nem uma palavra. em razão de sermos antigo médico da família. em vista da humildade com que tua vítima tem sofrido tua perseguição. A hora da sessão.Venho pagar-te o sermão de hoje de manhã. com tal fúria. e outros. tendo o rapaz voltado para casa. o médium Brito Sarmento.Há. mas o caso foi que o perseguido apresentou-se-nos cinco dias depois. Em meio daquele trabalho. não houve razão. Firme como uma rocha. se não fora Brito médium perfeitamente desenvolvido. e principalmente ao seu perseguidor. foi acometido pelo Espírito. em perfeito estado mental. . Lourenço Rodolfo de Ataíde. Veio. Fazendo juras de mostrar seu inquebrantável poder. moralizando-o. Comendador João Gonçalves Pereira Nunes. e veio por nos dever respeito e obediência. e disse-nos que vinha agradecer-nos a cura. e que dali seguia para a fábrica onde já havia retomado seu lugar. pelo médium Lacerda.

porém. na sanha de seu ódio. e os maus para o mal. queremos fazer bem patente que os inimigos invisíveis não se diferenciam dos visíveis. no capítulo precedente. que é este que transmite. . toma tal império sobre nossa alma. Do que fica exposto. satisfeita a 4. por um procedimento em tudo reto. em bem e mal nosso. e pela energia de nossa vontade. Por este modo fica. a outro. que é ele que dá aos Espíritos desencarnados a forma e caracteres do corpo que tiveram. Entretanto.ª e 3. as impressões. que atuam sobre nós. A influência maléfica dos primeiros. O que.ª. o que nos foi impossível neste caso. e que põe em relevo o seguinte notável fato: O mesmo caráter moral do homem. a um. se não sabemos ou não tentamos rebater. cercados de amigos e de inimigos. senão quanto aos meios que empregam para satisfazê-lo. assim no espaço os bons e os maus agem sobre nós. nesta vida. no presente capítulo. como. 2. Daí a seguinte conclusão: Assim como na Terra os bons nos chamam para o bem. pois. que aí deixamos longamente descrita. as volições. é o do seu Espírito. é a evolução dos Espíritos. sobreleva do que nos ocupou nesta parte do nosso trabalho. como a um autômato.ª interrogação da Introdução. Com isto. e dirige. e. porque temos sempre conseguido a reconciliação da vítima com o algoz. Vivemos. também dissemos que dela ressaltava muita luz. resulta que a alma se relaciona com o corpo pelo perispírito. na outra vida. por meios fluídicos. o foram a l. que a domina.119 Dissemos que esta observação não foi completa.ª. o que se patenteia pela comparação com as duas anteriores.

Capítulo III Obsessão A Cosmogonia espírita. quando o órgão transmissor do pensamento está lesado. não acusa a mínima lesão dele. a verdade é que há casos bem verificados de perturbação mental sem lesão orgânica do cérebro. com efeito. o mesmo não acontece nos casos notados por Esquirol. Entretanto. como produzir tão delicado fenômeno. e que. no primeiro caso. Vimos. razão esclarecida. como é inexplicável no segundo. uma vez admitido que o cérebro é o gerador do pensamento. que razão pode haver para perturbar-se completamente sua função. Esquirol. quanto à fisiologia do cérebro.obsessão -. outras vezes. achando-se ele em perfeito estado fisiológico? É tão natural a loucura.120 É a isto que se chama . achando-se tal órgão em condições de não funcionar regularmente? Por outro lado. como haver pensamento harmônico. esboçada no precedente capítulo. portanto. reflexão raciocinada. de que vamos tratar no seguinte capítulo. Se é o cérebro que transforma as impressões em concepções. que a loucura coincide às vezes com uma lesão daquele órgão. revelou à Ciência fatos que não são explicáveis pela lei a que se atribuem todos os casos de loucura. enche uma lacuna da Ciência. de coincidir ela com a perfeita integridade do cérebro. Se é fácil explicar a perturbação mental. o que diz bem . ou se é ele que gera a pensamento.

necessidade do cérebro. Assim é.121 positivamente que a loucura não depende essencialmente do estado mórbido do cérebro. e ninguém ignora que o anestésico evita que sintamos a dor. é ela quem pensa e o transmite pelo cérebro. e não pode ser cientificamente contestado. por lesão orgânica ou por influências perturbadoras de suas funções. Quando os instrumentos da sensibilidade são perturbados ou paralisados em sua ação. A alma é que possui. estes fatos de observação nos arrastam ao seguinte princípio: A moléstia dos nervos sensitivos impede o sentimento ou perverteo. sofrem em sua integridade. enquanto lhe estiver presa. como fazer-se obra perfeita com instrumento incapaz? Com a vista. com o olfato. no homem. Se assim é. com a audição. independente daquele órgão. ou. a conseqüência irrecusável é que o cérebro não gera o pensamento. é que. dá-se a mesma coisa. Dir-se-á que é por entorpecimento do cérebro. De fato. toda a vez que o instrumento não estiver em boas condições. E tanto é procedente este juízo. por todo o tempo da moléstia ou da influência perturbadora. que lhes servem de instrumentos. com o paladar e com o tato. quando os órgãos corporais. para transmiti-lo. por suas relações com o corpo. seu instrumento. a sensibilidade ou faculdade de sentir se interrompe. em virtude da mesma lei. . Como quer que seja. quando a loucura coincidir com a lesão cerebral. tendo. antes. donde a inevitável coação. a faculdade de pensar. que todas as faculdades e sentidos humanos se perturbam. A alma é o princípio causal do pensamento. pode o pensamento sofrer perturbações.

mas que. descreve fielmente o que está e o que se passa em torno dela. e. e nos casos de anestesia local? A impressão não chega ao cérebro. em estado sonambúlico. pois os nervos condutores são entorpecidos. Este fato. dá-se a perturbação da visão e até a cegueira. Se o olho sofre. Quantas vezes passamos por um objeto. mas. Conhecemos uma. cegueira por lesão do órgão da visão. só por si. mesmo que possa trabalhar. o instrumento do sentimento físico. mas. não o vemos? O mesmo acontece com a audição. que muitas vezes os objetos ferem a retina e não são vistos. e há cegueira ou falta de visão. com o fato de recebermos um ferimento e não lhe sentirmos a dor. só depois de muito tempo. encaramo-lo. tanto não é o olho que vê. de não poder receber a impressão da luz. pois. Há. que. conquanto seja este o meio natural. torna evidente que o nosso centro sensitivo está fora do cérebro. em muitos casos. às vezes. Nota-se. porque ele é o órgão condensador das impressões que dão à alma o sentimento. quando o cérebro não pode trabalhar regularmente. concentrados em um pensamento. E nós já provamos que a sensibilidade e a insensibilidade são da alma e não do cérebro. é que temos o conhecimento de nos terem dito coisas que não ouvimos . com relação à sensibilidade. senão quando a alma descansa de suas preocupações.122 Decerto que é. embora o cérebro haja recebido a impressão. que é cega de todo. mesmo que o órgão esteja são e receba a impressão dos objetos exteriores. a mesmo que com a inteligência: há perturbações intelectuais. e os sonâmbulos. portanto. mas. encerrados em quatro paredes vêem objetos a centenas de léguas a distância.

mesmo que funcionem fisiologicamente os respectivos órgãos materiais. a serviço da alma. é a alma. para quem sabe refletir. é tão natural como o artista não manifestar seu talento. servindo-se a alma do cérebro. sente. É como torná-lo mais límpido e sublimado. E quantas vibrações sonoras se perdem. e tem as impressões de tato. nítido. o princípio de que todo o organismo é instrumento da alma. conforme a maior ou menor perfeição daquele instrumento. sendo sempre superior a do que dispõe de melhor instrumento. pois. raciocina. duvidoso. as faculdades são da alma e o meio material de pô-las em relação com o mundo material é que pertence ao cérebro e suas dependências. sente o cheiro. quem pensa. não ouvimos. o gosto. não pensamos. por não lhes prestarmos atenção? Não é. E. isto é. que o cérebro não é mais do que um instrumento material. ouvir e . portanto. quando o respectivo instrumento é mais bem organizado. Quem exerce as funções da vida de relação. que temos um mundo de pensamentos sem objetivo fora de nós. como instrumento de manifestação de suas faculdades. explicada fica a razão por que não vemos. delibera. deve tê-la mais brilhante ou mais imperfeita. Bem firmado. dos quais um tem cérebro mais normal. quando é destinado a servir a Espíritos mais adiantados. e isto em virtude da lei de se ver. quando o cérebro sofre. E nós sabemos que ele é tanto mais bem organizado.123 na ocasião. pois. É realmente lógico que. não manifestar o pensamento claro. ouve. devem manifestar capacidade diferentes. de que o cérebro pode receber as impressões. no mundo material. guarda a memória dos sucessos. Dois homens. Assim. quando lhe faltam os instrumentos. tanto é assim. E. em suas manifestações. pois. para pô-la em relação com o mundo material. vê.

o louco for sonambulizado ou se seu Espírito for atraído a um médium sonambúlico. e que esse instrumento estava deteriorado. sem a interrupção da vida. pois. O homem vê. uma vez que ela rompa momentaneamente os laços que a prendem àquele instrumento. discorrerá corretamente. A revelação de Velpeau. Se. independentemente do organismo. como no tempo em que estava em seu perfeito juízo. destacada ela momentaneamente do corpo. fato que. mas liguemo-lo à lei que rege os fenômenos humanas da vida de relação. Em tais condições. como ligada ao corpo. quando não tivéssemos a de Bernheim. Os Espíritos desencarnados manifestam-se com as faculdades e sentidos humanos. seus pensamentos se manifestarão com a natural nitidez. e que pode ser verificado pelos que só crêem no que vêem. ouve. de desprendimentos da alma. Não repisemos este ponto. verificaremos o fato notabilíssima de o louco manifestar tanta ou maior lucidez. independente da máquina material que lhe serve geralmente para aquelas funções. isto porque tais funções são exclusivas da alma.124 pensar. e que disponha de outro em boas condições. exerce-as tão bem ou melhor. bastaria para prová-la. para se manifestar independente do órgão doentio. Repetimos. raciocina. II deste trabalho. pois: se obtivermos o desprendimento do Espírito. tanto que. as quais têm abalado as doutrinas filosóficas mais bem firmadas. por exemplo. . E que se achava louco. felizmente. porque sua alma estava dependente do instrumento de manifestação natural de seus pensamentos. nos casos. caso sua loucura seja a resultante de lesão cerebral. está autenticado. citamos as experiências demonstrativas deste fato. No cap.

com que nos vamos ocupar. da outra espécie. Em tal hipótese. o que é racional é tratarem-se todos os casos de loucura pelo mesmo sistema. e já sabemos que é no agente (o motor) que devemos procurá-la. É fora de toda a dúvida que. Neste caso. não só para satisfação de uma muito natural curiosidade. sendo o cérebro instrumento de manifestação do pensamento.125 E será este o meio de distinguir-se a loucura propriamente dita. como para obter-se uma segura orientação no tratamento da mais cruel das enfermidades do homem. ou por lesão do órgão ou por lesão do agente. do engenho. enquanto acreditar que a loucura depende exclusivamente do cérebro. não pode alterar-se. mantendo-se ele são. E quando o cérebro nada sofrer? . o mesmo não se dá quando perfeito o estado do cérebro (engenho). é preciso procurar a causa do mal fora do órgão. ou por ter quebrado uma peça ou por desarranjo do motor. A Ciência nadará em um oceano de incertezas. pois. senão por causa que afete o Espírito. Se. a loucura se explica perfeitamente pelo desarranjo cerebral (o engenho). pelo emprego dos meios que curem o cérebro. Ora. da que lhe abate o caráter essencial de ser humano. O que determina tão singular perversão de uma faculdade da alma é digno das mais sérias pesquisas. Assim. Uma função só se perturba. sendo o agente do pensamento o Espírito ou a alma. um engenho pode parar. é óbvio que à alma ou Espírita se filiam os casos de loucura que não têm sede no cérebro. São os casos observados por Esquirol e por outros respeitáveis fisiologistas.

são suscetíveis de cura. chamar-lhe-emos loucura moral. Importa. não se pode alcançar pelos mesmos meios. e que. os que dependem do cérebro dos que nada têm com ele.126 Distinguir. . logo. Um hipocondríaco. por tratar-se da perturbação da faculdade anímica. a Ciência precisa bem conhecer esta diferença. A cura das moléstias de fundo orgânico e a das que são efeitos de causas morais. confundindo-se na ordem das loucuras incuráveis. até hoje. A Ciência precisa distinguir as causas físicas das morais. segundo a espécie. em seu empenho de curar. Para distinguir-se esta nova espécie. trata-se por meios terapêuticos. ou mais apropriadamente: loucura psicológica. ela não tem cogitado de discernir espécies de loucura. uns de outros casos. porque. como o provam os exemplos acima citados. noutros casos. nuns casos. para não continuar a desordem no tratamento. abrir larga discussão sobre este ponto. Ora. para poder aplicar às moléstias os meios correlativos. como temas demonstrado. a loucura. inúmeros casos de natureza desconhecida. como são quase todas as causadas por lesão cerebral. moléstias morais. portanto. e não do instrumento da manifestação. é exclusivamente aplicável aos casos orgânicos. apesar da ponta do véu levantada por Esquirol. é moléstia de fundo orgânico. para variar de ação. Ninguém se propõe a curar. com tisanas. Tudo o que ela sabe. e é de fundo espiritual. é facilitar a marcha da Ciência. até hoje. Parece intuitivo que não pode convir a ambas as espécies o mesmo tratamento. por lesão do fígado. mas um que sofre de spleen não se cura com aquele tratamento. pois. nem a curar por meios morais moléstias orgânicas.

firmaremos em provas de fato o que vamos expender. Como. há ensejo para descobrirlhe a natureza. encontra sempre a mais enraivecida oposição. por mais sublimada que seja. Já sabe. que vamos procurar o valor do nosso X. como já foi amplamente explicado. no estudo da etiologia. sendo nós o primeiro que a comete. visto que. conseguintemente. A empresa é árdua. cumpre-nos indagar como e por que se dão aquelas perturbações. que se funda na observação e na experiência. Também já o foi que a variedade de disposições intelectuais e morais dos homens e a resultante do maior ou menor esforço empregado por cada um em suas vidas anteriores. Por sucessivas existências. porém. cujas primeiras ilações já deslumbrando o mundo. que formam o contexto daquela ciência. São ilações lógicas dos princípios irrecusáveis. preocupando os mais altos espíritos de todos os países. e. fantasias as considerações que. por bem da Humanidade. que nos temos posto: conhecer a causa da loucura psíquica. por isto. toda idéia nova. o leitor que vamos procurá-la nas idéias enunciadas pela ciência espírita. encaminham-se os Espíritos ao destino humano. e maior progresso da Ciência. porém. sem onde beber luz. nos propomos desenvolver aqui. Não são. e quais os meios de combatê-las: etiologia e tratamento. É neste princípio tão racional quão de fácil experimentação. * A preexistência dos Espíritos encarnados é a chave do primeiro problema. .127 Como quer que seja.

e os levarem para onde querem. para satisfazerem uma vingança. depois da morte. a virtude ou a maldade que teve na vida corpórea. Chegam a dominar nossa vontade. maus sentimentos. assim. Não nos espancam nem nos ferem o corpo. ao ponto de nos tornarem submissos. mas não vemos na vida como certos perversos vão pouco a pouco seduzindo aqueles que marcam para suas vítimas. da influência dos Espíritos sobre os viventes. do mesmo modo como vemos criaturas arriscarem a vida. no espaço. E. obra de seu atraso. na última ou em qualquer das passadas existências. Assim. Esses maus Espíritos. resoluções terríveis. uns sobre os outros. a desejar o bem de seus semelhantes. e disporem da sua vontade? O fato. Tal influência apresenta diversos graus: vai da simples insinuação à dominação completa da vontade. como em vida atuavam materialmente. Assim como há na Terra quem faz o mal só pelo gosto de fazê-lo. têm a faculdade de fazer-nos mal. pois. O que foi caridoso continua. mas nos inspiram maus pensamentos. compreende-se que cada homem leva para a vida espiritual o saber ou a ignorância. como um hipnotizado. e não ao corpo. no espaço. atuando fluidicamente sobre nós.128 E como o saber e a virtude pertencem ao Espírito. o mundo dos Espíritos é o reflexo do mundo a que chamamos dos viventes. é o mesmo da que estes exercem. Temos o direito e o poder de reagir. . que representam o papel atribuído ao demônio. o que foi malfeitor continua a desejar todo o mal aos que ainda penam na Terra. até dominá-los. esses tais não esquecem o mal que se lhes fez e de que juraram vingar-se. assim. esses mesmos continuam sua danação. repelindo suas insinuações.

jamais os maléficos. rompe por suas mãos o cordão sanitário que o isolava dos maus Espíritos. que só arrastam para o mal: jamais os benéficos. ao que leva vida desregrada. Se forem bons. sempre respeitável por seu caráter. Se. ao que modela suas ações. dentro da qual somente podem penetrar Espíritos da nossa natureza. que tantas vezes nos compungem e escandalizam. Se o homem bom. porém. Cada um de nós forma sua atmosfera moral. que é por isto assistido pelos bons Espíritos. na repulsão daquela causa perturbadora. pelas normas do dever e do bem. Vice-versa. ou mais ou menos para a submissão. Dá-se então. se entrega ao desânimo. conforme a natureza dos nossos sentimentos. . segundo o bem. salvo os que vierem em missão de caridade. não podem chegar senão Espíritos adiantados. pode ser eficaz ou inútil. Se a fraqueza é transitória e o reerguimento pronto. a nossa resistência rechaçará todos os ataques do inimigo. o infeliz. longe de reagir sobre si mesmo. porque seu livre arbítrio é incoercível. o eclipse apenas visível aos habitantes do mundo espiritual será um ponto negro no livro de sua vida. seus amigos invisíveis se afastarão e os inimigos o tomarão a si. desfalece na prática do bem. seus pensamentos e seus sentimentos. de que o acusará a própria consciência. de ver-se um homem. uma infinita variedade. se nos permitem a expressão. não podem chegar senão Espíritos atrasados. serão ventos a auxiliarem as correntes do inimigo.129 O uso que fazemos do nosso livre arbítrio. Entre estes extremos. que são os únicos que a podem respirar. Se forem maus. mais preocupado com a satisfação de seus instintos carnais do que com o cumprimento de seus deveres. Assim. descer à maior baixeza. propendendo mais ou menos para a resistência. um desses descalabros morais.

principalmente. sempre livres em escolher a sociedade de nossa alma. pois. e de Espíritos que nos arrastam para o mal. já uma vez superior à sua vontade. Começa tremendo. em remota existência. Nem uns. Isto é obra do arrastamento. O homem bom. como quem foi surpreendido. sedentos de vingança contra nós. mas é o nosso livre arbítrio que nos faz aceitar antes estas do que aquelas sugestões. . vivemos rodeados de Espíritos que nos inspiram para o bem. e. por circunstância imprevista. o de abrirmos a porta a uns tantos que. além de maus. para a qual descobre escusas. ei-lo impelido pelo plano inclinado. mas que. que caiu. Com ele abriu a porta aos maus Espíritos. em vez de vomitar o veneno. e acaba desprezando o que sempre teve por sagrado e abraçando como sagrado o que sempre teve por desprezível. tinha nos seios da alma uma paixão que subjugava. fazendo nossas vítimas quantos incorreram em nosso desagrado. separando-o da esposa amada. abusamos do poder. que o provocam a saciar aquela paixão. que esmagamos o coração de um infeliz. nem outros podem calcar o nosso livre arbítrio. um dia. a dos amigos ou a dos inimigos. Dando preferência à dos maus Espíritos. pela influência do inimigo senhor da praça. quando o mal já estava feito. portanto. ergueu-se energicamente. e fê-lo esquecer o dever. Assim. e um pouco por já ter a alma desvirginada. não corremos somente o risco de tomarmos maus conselheiros. Despertado. Somos. e o gérmen da perdição fecundou-se em seu seio. ainda. Suponhamos que. Eis o desfalecimento.130 Estudai esses desastres e reconhecereis que são sempre devidos a um desfalecimento seguido de um arrastamento. vai-se paulatinamente acostumando à falta. senão. sejam também nossos inimigos pessoais. procurou encobrir a falta.

procura descobrir onde paira seu cruel verdugo. por obra de um sincero arrependimento. enquanto a mansa ovelha dorme tranqüila. sentindo que se abala a atmosfera isoladora do que fora seu verdugo. mal teve a consciência de seu estado de espírito livre. tenha vindo sinceramente resoluto a reparar suas maldades. a que ninguém pode chegar senão pelo amor a Deus e ao próximo. e acompanha-o na nova existência. Esta vítima de nossa perversidade expirou jurando vingança. que não compreendia a sublimidade do destino humano. seus pensamentos. seu desprendimento do corpo. empresta-lhe cores mais tenebrosas. continuou a respirar somente vingança. O espírito maléfico acende-se em satânicas alegrias. assiste com satânico prazer à sua reencarnação. Explora habilmente a causa da perturbação da alma que quer esmagar. vê-lo invulnerável pela prática do bem. mal pensando que é tão vigiada e ameaçada. e não permitirão a aproximação de maus Espíritos. Neste caso. a satisfazer as quase extintas esperanças de vingar-se. Fareja. sentimentos e obras se modelarão pelas normas essenciais à sua missão reparadora. Espírito atrasado. e ele na fúria do maior desespero. vê lá do espaço. que o arrancará por fim a seu ódio! O lobo dá mil voltas em torno do redil. . acompanha-o na erraticidade. Que suplício para aquele inimigo. Suponhamos que o reencarnado.131 dos ternos filhinhos que acabaram na miséria. Lá está a brecha por onde penetrar. e. e destarte vai semeando a perdição. Suponhamos que se dá aqui um caso de desfalecimento. esperando o momento suspirado de cair sobre ele. com a solicitude de seu ódio. e a memória de sua extinta vida corpórea.

. ele retribui-lhe no décuplo. e o é. e no caso não se dá semelhante coisa. Para chegar a este resultado procura perturbar-lhe a razão. dizemos. do ser pensante e do órgão da manifestação do pensamento. porque não se pode compreender como uma lesão orgânica e uma influência moral possam produzir o mesmo resultado. dá o assalto à fortaleza: subjuga a vontade de sua vítima. e. quanto mais o esmaga.132 Sutilmente. e. disfarçado em amigo. é a loucura psíquica. ainda quer mais. porque esta depende da lesão orgânica do cérebro. mas a sede de vingança mais se abrasa. quando se acha senhor da confiança. porém. nos casos de loucura. É loucura. até fazer dela instrumento passivo da sua. insinua-se. Conhecida a dupla causa da moléstia que apresenta os mesmos sintomas. É a loucura em que Esquirol não encontrou lesão cerebral. Chegado ao ponto de ter completamente hipnotizado sua presa. Mais ou menos. já sabemos como. mesmo depois de tê-lo feito um louco. é curioso conhecer como podem causas de naturezas tão diferentes produzirem efeitos tão semelhantes. A este estado. que se dão em espetáculo entre os alienados. quanto mais se sacia. porque há efetivamente uma perturbação das faculdades mentais. a Ciência chama loucura. mas não é a loucura por tal conhecida. mas a esta loucura o Espiritismo chama obsessão. embora tenha muito diversas origens. Sua sede está saciada. mais trabalha por esmagá-lo. se rompe a harmonia de ação da alma e do cérebro. fála passar por qualquer dessas inumeráveis variedades de perversão moral. É curioso. o que consegue par mil modos: ora aproveitando as afecções orgânicas. O que o infeliz lhe fez. ora jogando com as afecções morais.

Vejamos agora como se dá a mesma loucura. de só o poder fazer imperfeitamente. exacerba-se. Poderia tolher toda comunicação. O que. A alma aqui formula os pensamentos como sempre. e. por influência fluídica dos Espíritos. alterado. no empenho de produzir essa perturbação que se toma por loucura. mas não suprime a função. senão imperfeitamente. sem lesão cerebral. porque a alma não enlouquece.133 O fato dá-se pela simples razão de não poder o aparelho prestar-se ao serviço. por qualquer motivo. Temos. como o formulou a alma. então. A alma pensa. por estar este truncado. perturbado em sua função. de sua parte. Se a lesão se acalma. pois. O cérebro. pois. é a interposição dos fluidos do Espírito obsessor. mas seu pensamento não pode utilizar-se do cérebro. de modo que fica interrompida a comunicação regular dos dois. Quando. determina em tais casos a perturbação mental? O que determina. entre o agente e o instrumento. mas a perturbação na transmissão do pensamento. perturba. sem a mínima perturbação. Isto é nos casos de loucura por lesão cerebral. mas seu intuito é fazer considerar louca sua vítima. a manifestação dá-se mais regularmente como nos períodos lúcidos. e. por obsessão. em razão da barreira posta pelo obsessor. . e não podendo transmitir integralmente o pensamento. agente e instrumento nas condições precisas para a elaboração e transmissão dos pensamentos. pois. dá-se o recrudescimento da perturbação. determina a loucura. ou antes. por seu estado mórbido. não a perturbação mental. o cérebro está nas melhores condições para transmiti-los.

existe entre o modo por que age a causa da loucura propriamente dita. onde não existe. não sucede quando se trata de casos com os quais não concorre lesão alguma cerebral. uma carta sem assinatura. "Por não fazer esta distinção. lhe foi repentinamente dada. que tal irregularidade é devida. quer venham do meio em que se acha em relação à matéria. Eis aí a diferença que. disse ele.134 Temos. que tanto na loucura. o espírito é lúcido. que nos eram intuitivamente sugeridas quando recebemos. e noutro caso tudo se limita a não poderem aquelas cogitações chegar integralmente ao cérebro. não pode ele receber as impressões com a natural regularidade. que. e a da loucura chamada obsessão. tanto num como noutro caso. . num caso. como na obsessão. o mal consiste na irregularidade da transmissão ou manifestação do pensamento. à incapacidade material do cérebro para receber e transmitir fielmente as cogitações do espírito. quer venham do mundo espiritual. outra interna. "O mesmo. E temos mais. em sua gênesis. querendo sempre ver lesão. senão perturbação determinada por um agente que escapa a todos os meios terapêuticos. "Nas perturbações devidas a forças traumáticas. e de restituí-lo a suas naturais funções materiais. "Sendo o agente inteligente o que recebe as impressões. porém. portanto. encontra o alienista meios mais ou menos seguros de regularizar o aparelho cerebral. é que a Medicina tem caído em malogros. às vezes. desde que no perispírito se dêem alterações perturbadoras. pelo correio. Escrevíamos estas linhas. cujo autor nos enviou a seguinte comunicação. e ele graciosamente nos oferecia: "Duas causas podem concorrer para o fato da perturbação mental: uma externa. e que.

e infiel será a reprodução de vossa imagem. basta para assinalar a diferença que existe entre os dois estados em que pode achar-se o Espírito encarnado. sem grande desarranjo. quer por meio do aparelho cerebral. no segundo. "Esta figura. "No primeiro caso. e se transformariam. há o que. para a qual só há uma terapêutica: a espiritual. "No segundo. em seu perispírito. "Colocai. "No primeiro caso. quer diretamente por meio do aparelho semimaterial. as idéias que lhe chegam. quando as imagens vêm pelo aparelho cerebral. senão muito incompletamente. os hospícios só receberiam os doentes do primeiro caso. as imagens que lhe chegam. "Se os alienistas procurassem dirigir seus estudos de conformidade com os novos ensinos que se vão propagando por toda a parte. com mais razão. "Colocai diante de vós um espelho que tenha defeito nalguns pontos. em casas de caridade e em salas de moralização.135 "Nas lesões cerebrais. e este se acha afetado. toscamente esboçada. talvez. . produz o transtorno que se observa na manifestação dessas mesmas idéias. não pode receber e transmitir. "É o caso da loucura por obsessão. com relação à manifestação de seus pensamentos. "É o caso da loucura por lesão do cérebro. há uma loucura que a Medicina pode curar. porém. se denomina obsessão. modernamente. o mal vem do espelho que está estragado. "Lendo o Espírito. entre vós e um espelho em perfeito estado corpo que possa embaraçar a transmissão da luz que de vós parte para o espelho. não podendo o aparelho transmissor receber. vem da interposição de um corpo estranho. entre o aparelho refletor e o corpo que se lhe apresenta. as impressões e concepções. tal que não reflita a imagem completa dos objetos se lhe apresentam. quando não há lesão cerebral. e sim perturbação da recepção das imagens e da sua reflexão.

no entanto. não pode o Espírito receber impressões. com relação à Fisiologia. ter sensações produzidas por objetos do mundo exterior. conseguintemente. que as desordens nas funções orgânicas. o agente inteligente ressente-se necessariamente de impressões mais ou menos vivas. sem relação alguma com o aparelho cerebral. antes impossíveis. "Neste caso. e veremos se. partidas do mundo espiritual. . por este lado. o cérebro nada recebe que lhe pudesse vir por eles. "E desde que. por causa das grandes dores que produziam. "Ora.136 "Nestas condições. "Depois da descoberta dos anestésicos. pôde-se tentar um grande número de operações. se efetue a ação de elementos perturbadores. isto é. conforme a natureza dos elementos que afluírem. podem fazerse sentir por diferentes modos. eles serviriam para o tratamento dos doentes de uma e de outra espécie de loucura. lê e traduz as imagens que elas aí imprimem. conforme a natureza e força desses elementos. por sua vez. "Passarei agora a considerar o assunto sob outro ponto de vista. por assim dizer. de dentro para fora. na economia perispiritual. se o pensamento. outras. todas as concepções do Espírito fossem oriundas ou formadas pelo trabalho material do sistema nervoso. uma paralisia dos nervos que servem de condutores às impressões externas para o aparelho cerebral. fica ele melhor esclarecido. por terem causas diversas. reclamam diversos meios reparadores. o qual. por qualquer circunstância. "Já se vê. pura e simplesmente. agente inteligente. as idéias. onde o Espírito. não teríamos estes fenômenos que se notam nos anestesiados: de continuarem a manifestar concepções do agente inteligente. "Interrompidos os fios condutores. e. as transmite ao perispírito. tendo somente impressões que partem. pois. "A anestesia é. apesar da incapacidade daquele sistema para receber e transmitir impressões.

de influências estranhas. diferentes regiões e diferentes habitantes: um completo sistema planetário. "Devo ficar aqui. sim. mas. quanto maior for a esfera moral de cada um. mas. peço licença para mais uma observação. obrigando-a a submeter-se à sua vontade. "Não quero dizer absolutamente. . no planeta chamado corpo humano. em relação ao seu espírito. procure fazer o diagnóstico diferencial das duas espécies de loucura. "Nos casos. mais fácil e segura será sua intimidade e relações com os seres elevados do mundo espiritual. porém. faz-se mister que o clínico. que circula o corpo e envolve o espírito. "Esse planeta tem sua atmosfera. que tanto mais se eleva e se difunde no espaço. é semelhante a um planeta em relação ao astro em torno do qual faz seu giro. em que tal circunstância não se der. incumbido dessa ordem de enfermidade. vícios que alterem profundamente as condições naturais de sua existência. "O corpo humano.137 "Não devo esquecer-me de dizer aqui que as obsessões abandonadas podem produzir no organismo lesões que tornem necessário o tratamento misto: terapêutico e moral. que se realizam as relações do mundo espiritual com o corporal. no sentido de impor à matéria e de esta obedecer cegamente ao seu império e à sua vontade. no de não contrair. constituindo assim planetas de primeira. de segunda e de terceira grandeza. "É por essa atmosfera ou laço fluídico. antes de terminar. "O agente espiritual deve ter predomínio absoluto sobre a matéria. que obedece às mesmas leis das que nos são conhecidas. "Quanto mais larga e elevada for a atmosfera de um corpo. "Há.

para o médico.138 "Trabalhe cada um por elevar a atmosfera que o envolve. etc. sim. do médium. a falta. de haver loucura sem lesão do aparelho cerebral.Hahnemann. não é do Espírito. que parece ter sido ditada expressamente para este trabalho. e breve. que não dispunha." Transcrevemos. bom amigo. descido do espaço. A exposição não é clara como conviria a um assunto ainda não conhecido da Ciência. o pensamento de Hahnemann ficou suficientemente inteligível. até este ponto. etc. e concorre para confirmar aquelas observações a Ciência espírita. do material preciso para receber ensinos científicos. as revelações do mundo dos Espíritos elevados virão dissipar as trevas que ainda envolvem a Terra. e os Espíritos o confirmam. o que basta para se inferir que há duas espécies de loucura. como o seria para um matemático. Temos. O pensamento perde força e clareza pela fraqueza e ignorância do aparelho que o recebe. que ensina como os Espíritos atrasados atuam sobre os viventes. . sem dúvida. poder falar corretamente sobre uma questão de sua especialidade. faz-se mister um instrumento adequado. . É intuitivo que. por simples desejos de fazer mal ou por vingança. isto é. mas. já escrito até o ponto em que nos foi ela enviada. porém. Isto é de observação constante. Entretanto. esta comunicação. "Até outra vez. que tudo concorre para tornar evidente a dualidade causal da loucura. apesar de mal apanhado. verbum ad verbum. Concorrem as observações dos fisiologistas. muito breve. em resumo. A comparação do espelho é perfeita e ensina claramente como se dão as perturbações nos casos de lesão cerebral e nos de integridade do cérebro. pois.. tirando-lhes a liberdade e a razão.

se ainda pode haver dúvida. contra o qual não há razão que prevaleça. Se não tivéssemos precedido este estudo de provas experimentais. porém. a longa e desenvolvida explicação de um Espírito (Hahnemann) que teve na Terra reconhecida competência na matéria. só o capricho. Temos a certeza de que não vagamos por mundos imaginários. atribuindo o fato ao demônio. aos rigores do método experimental. não só da verdade espírita. os pontos preliminares. o que temos exposto é quanto basta para reconhecer a dualidade da loucura. exposta a doutrina onde se encontram as leis que a explicam. Concorre. sim. de que assentamos nosso juízo sobre fatos reais. e lhes garantimos esplêndido resultado. Assim pudéssemos ter igual certeza sobre outras ordens de verdades. e antes de mais.139 Disto fala a Igreja. finalmente. única até hoje conhecida: fazer o diagnóstico diferencial. sobre uma verdade que desafia toda contradição. Tomem o trabalho de explorar a mina. Para o homem livre de preconceitos. sobre fundamentos experimentais. aí fica o campo aberto ao estudo e observação dos que a tiverem. vem de molde. poderá recusar fé a um sistema de provas. * Definida a questão. que fogem. . e não teme absolutamente o julgamento do futuro. Estabelecidos. por enquanto. proveniente da nossa deficiente exposição. uma esfinge. quais temos dado. como da comunicação dos Espíritos. discriminá-la da outra espécie. apesar das razões espíritas e da comunicação de Hahnemann. a loucura sob novo prisma. a observação de Esquirol ficaria como um problema. E. mas. como foram.

pois estudava Medicina. O mesmo olhar desvairado. donde a coexistência das duas causas da perturbação mental. e das que nos podem dar o conhecimento da obsessão ou loucura produzida por ação fluídica de Espíritos. ficava calmo. tanto que até hoje se tem confundido um com o outro. que a obsessão desprezada determina lesão orgânica do cérebro. o fenômeno natural da transmissão do pensamento é perturbado pelo mesmo modo sensível. tratar dos meios de reconhecermos a loucura procedente de lesão cerebral. de conversar criteriosamente sobre qualquer assunto. quando foi assaltado. mesmo literário ou científico. moço de grande inteligência e de coração bem formado. a parte mais difícil do empenho que tomamos. Notávamos. passado o acesso e entrado no período lúcido. Efetivamente. ora a prostração até ao indiferentismo. Hahnemann disse. É esta. Mais de uma vez. Um de nossos filhos. Infelizmente temos experiência feita com o maior interesse sobre este ponto da magna questão. e nós temos observado. manifestava perfeita consciência. porventura. Desde que. a mesma apatia fisionômica. nós um singular fenômeno: quando o doente. porque as manifestações apreciáveis das duas espécies são as mesmas. o outro igualmente os tem. ora a excitação até a fúria. pois. sempre a incoerência das idéias. tanto numa como noutra. memória completa e razão clara. se um pode cair no idiotismo. Quem vê um louco vê um obsidiado. . foi subitamente tomado de alienação mental. embora por causas diferentes. Os mais notáveis médicos do Rio de Janeiro fizeram o diagnóstico: loucura. o outro também. Se um tem momentos lúcidos. compreende-se que dificílimo deve ser o diagnóstico diferencial. e como loucura o trataram sem que obtivessem o mínimo resultado.140 Vamos.

Obsessão. queria tirar vingança. . a que em vão tentava resistir.141 afirmou-nos que bem conhecia estar praticando mal. principalmente. continuando o cérebro lesado. é a parto as obsessões. Não foi possível acalmar-lhe a sanha. disseramnos aqueles colegas que era inconveniente e perigoso conservar o doente em casa. . Veio o Espírito inimigo. se dava aquele fenômeno de perfeita clarividência ou de nítida transmissão dos pensamentos. acrescentando: além do tratamento terapêutico.Não posso fazer-te o que. que refervia à medida que se lhe falava em paz. que também concorreu para meu mal. amor e perdão. porque és mais adiantado. acompanhamos o juízo dos médicos. no homem. a ele faço. como o útero na mulher. que. disse bramindo. é indispensável evocar o obsessor. que resolvemos atender a um amigo que havia muito nos instava para que recorrêssemos ao Espiritismo. Apesar de não podermos explicar como. nossos colegas. a primeira a que assistimos. e alcançar dele que desista da perseguição. Foi ante esta dolorosa contingência de uma separação mais dolorosa que a da morte. principalmente porque o Espírito se referiu a um pensamento nosso. mas castigo-te indiretamente na pessoa de teu filho amado. por falharem todos os meios empregados. de ser o caso verdadeira loucura. Saímos abatidos e confusos por tudo o que vimos e ouvimos. que deve ser rígido sobre o baço. e que urgia mandá-lo para o hospício. respondeu-nos o Espírito que veio à nossa evocação. por mal que lhe havíamos feito em passada existência. Desanimados. de quem. Foi marcado o dia para a aconselhada evocação. que se dirigiu exclusivamente à nossa pessoa. sempre ligadas a uma lesão orgânica. a ninguém revelado. mas que era arrastado por uma força superior à sua vontade. durante os acessos.

e por tanto tempo a sofreu. e hoje se acha na plenitude das mediunidades . O que é essencial saber é que a justiça de Deus se cumpria no fato que tão dolorosamente nos fazia sangrar o coração. Neste ínterim.142 A este trabalho. O instrumento ainda não se restabeleceu. ao que acabamos de referir. à hora de deitar-se. Travou-se entre os dois uma discussão. . que o cavalheiro com quem se deu este fato era médium inconsciente. porém não recuperou a vivacidade de sua inteligência. sem mais ter acessos. vindo ele. mais cheio de ódio e sedento de vingança. um amigo nosso. onde um homem. que não vem a propósito transcrever aqui. psicográfica e sonambúlica. parecendo às vezes que o inimigo se abrandava. esperança que em breve se dissipava. noutro dia. gemia suas misérias e as de sua mulher e filhinhos. viu aquele amigo uma masmorra imunda e tenebrosa. sem nenhum resultado. seguiram-se outros. privados de todo apoio. e olhando na direção da voz. acorrentado e agrilhoado. ele ficou calmo. Ouviu então uma voz que lhe disse: Vê. o deixou. para que tivesse a luz e reconhecesse o mal que a si próprio estava fazendo. que seu cérebro se ressentiu. . quando o obsessor. continuou a sofrer a perseguição. e à sua prece do costume ajuntou uma especial em favor do Espírito nosso perseguidor. O moço era vítima de seus abusos noutra existência. e o pior reduziu os entes que mais amei na vida? perguntou a voz que vinha do prisioneiro.Queres que perdoe a quem me reduziu a este estado.vidente. de forma que. tão distinto por sua ilustração como pelo seu caráter. auditiva. Devemos acrescentar. nos comunicou o nos esclareceu sobre aquele ódio intransigente: Orava ele. afinal arrependido.

em trabalhos espíritas. pois. que é o órgão atacado pelo obsessor. e. Dissemos acima que. em razão de haver pessoas refratárias. desde que tivemos certeza de ser o mal obra de um Espírito. mesmo porque só existe para ela a loucura. para que. o cérebro. Quando não colhe resultado (e nunca o poderá colher nos casos de obsessão). não tendo a Ciência meio seguro de fazer aquele diagnóstico. Nos casos de obsessão. fazer de pronto o diagnóstico diferencial. se for obsessão. se obtivéssemos a sonambulização ou a hipnotização (que são a mesma coisa) do louco propriamente dito. para verificarmos se existe a obsessão. mas a loucura vence-se pelo tratamento terapêutico. mas. como o declara Charcot. O médico materialista só vê desarranjos mentais. senão os morais. e o nosso doente. porque o instrumento se ressente por muito tempo do mal que o afetou. quanto importa. no Espiritismo científico. prova de que a alma conserva intacta sua faculdade pensante. teríamos necessariamente a lucidez de seu espírito. não chegue esta a desorganizar o cérebro. É verdade. Este fato não se dá sempre. E assim acabam infelizes vítimas da Ciência. temos naturalmente a mesma dificuldade. é que o mal é incurável. por não ser sempre possível hipnotizar. com toda a suficiência. só aplica o tratamento apropriado à loucura. mesmo que não possa manifestá-la pelo instrumento especial. nem de leve suspeita que sua é a falta. Vê-se.143 Dir-se-á: a loucura também se cura. é óbvio que devemos procurar recursos. quando for possível? . diante de um caso de loucura. de cerca de três anos. o que julga. e os doentes curados dela também ficam assim. nunca mais tomou remédios. Ora. portanto.

tratando de uma jovem. não sabe ao que deve seu desgraçado estado. Se este meio nos falha. no hospício. E acrescentamos que os fatos vieram provar a verdade do que soubemos: manifestando-se o perseguidor. quer se trate de loucura. por louca. por onde a descobrimos. nos casos de loucura. pelos ensinos dos Espíritos. conjeturando que a falha não se dará em todos os casos. pois. para colhermos os meios de distinguilos? Há pouco dissemos que soubemos ser Florinda uma alienada por obsessão. não recorrermos a esta fonte. apesar de ter seu espírito o pleno. Florinda. mas. enquanto a Ciência a tinha na conta de alienada por loucura. nenhuma luz nos pôde dar. em primeiro lugar. caso de suas faculdades mentais. Já daí se infere que. Ultimamente. Assim. É verdade que maus Espíritos podem. o obsidiado nada perde com tal . então. recorrer sempre a ele e a outros. porém. nenhum espírito perseguidor virá à evocação. mediante os esclarecimentos prestados pelos hipnotizados. este processo espírita dá a diferença dos dois casos. e. mas. não devemos cruzar os braços. foi o Espiritismo. apresentar-se. Por que. nos casos de alienação mental por lesão do cérebro. sim. por mais que questionássemos sobre a causa de sua detenção no hospício. em segundo lugar. para nos enganarem. a mistificação deixa sempre uma pontinha. mas que soubemos ser obsidiada reconhecemos que o espírito da doente. embora lúcido. quer de obsessão. visto que não há perseguição. temo-nos sido permitido evocar o espírito de Florinda.144 Por muito tempo acreditamos ser este um precioso meio de distinguir. Efetivamente. como obsessores. Quem veio definir a diferença dos princípios causais da alienação mental. que se acha.

evocamos o Espírito que possa causá-la. Esta espécie tem por condição a perturbação funcional de um órgão que. a um Espírito. mediunimicamente. compreende-se que não é racional aplicar-se a todos os alienados o mesmo sistema de tratamento. enfraquecendo as energias morais do indivíduo. moraliza-se o Espírito enganador. e ocupemo-nos com o tratamento da loucura por obsessão. é aproveitado pelo obsessor para seu nefando fim. e nenhum se apresentará. em todos os casos. O método que seguimos. tendo cada uma mui diversa causa.145 mistificação. e o obsessor virá em confirmação do que foi dito. sobre a natureza da alienação mental. e procedermos à contraprova do que recebemos em resposta. é consultarmos. que do espaço faz a caridade de receitar para os homens doentes. no caso que se nos apresenta. a cura do órgão doente fecha a porta à maléfica influência. sempre com resultado. que é fácil desmascarar. . Deixemos aos alienistas o cuidado de tratarem a loucura propriamente dita. Neste caso. a cura pelos meios morais será a melhor prova da exatidão do diagnóstico. enquanto o espírito obsessor não tem ainda dominado o Espírito ou a vontade de sua vítima. procedemos do mesmo modo. * Reconhecida a dupla espécie de loucura. Se nos disser que é obsessão. ou apresentar-se-á um mistificador. prova que nunca nos falhou em dezenas de experimentações. Na maior parte dos casos. porque. Se nos disser que é loucura propriamente.

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Quando, porém, esta já é dominante, inútil será o tratamento terapêutico, aliás, necessário à cura do órgão afetado, porque o mal já é independente do ponto que lhe deu acesso. Entretanto, nunca esse tratamento deve ser desprezado, primeiro, porque nunca se deve desprezar uma enfermidade, e, segundo, porque, embora se logre afastar o obsessor, outros e outros virão, se não se tiver tido a precaução de fechar-lhes a porta. Para bem compreender-se o que aí fica exposto, é preciso saber-se que, se um Espírito obsidia por ódio e por vingança, inúmeros são os que o fazem pelo nefando prazer de causar dano a seu semelhante, só pelo gosto do mal. Sendo assim, e sabido que os Espíritos malignos entram pela porta que lhes abrem as moléstias do corpo, desde que as do espírito concorram, é óbvio que, embora a cura daquelas nada influa sobre o que já entrou, embaraçará os que estão fora. E eis por que é de rigor curar-se a lesão de qualquer órgão doente dos obsidiados. Conjuntamente com este esforço, devem-se empregar todos os meios de moralizar o Espírito do obsidiado, fazendo-o ver que seus defeitos, seus vícios, seus maus sentimentos, tudo o que não é conforme com os preceitos do Evangelho, atrai para junto de si nuvens de Espíritos, que se apraze com aqueles elementos do mal, assim como afasta de si os bons Espíritos, seus protetores, donde ficar ele à mercê dos que só não fazem mal quando não podem. Se se conseguir a regeneração do infeliz, não somente o livraremos de seu obsessor, pois a obsessão é uma pena e ninguém sofre pena depois de arrependido, como fica completamente abroquelado contra os dardos de quantos pretendam fazer-lhe mal. Como, porém, moralizar um louco? Já dissemos que o espírito não enlouquece e que a loucura consiste, não na perturbação do pensamento, mas, sim, na de sua manifestação.

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Sendo assim, e visto que os Espíritos quer desencarnados, quer encarnados, acodem à evocação, sempre que é feita no intuito do bem, eis como se consegue moralizar um louco ou obsidiado. Em nossos trabalhos experimentais, temos tido inúmeras ocasiões de evocar o Espírito de pessoas obsidiadas, para moralizá-las, e sempre que as encontramos dóceis aos nossos conselhos, temos conseguido romper as trevas da inconsciência que as envolviam. Casos, porém, temos visto, de Espíritos refratários, dominados do sentimento de orgulho ou de outros maus, e nestes todo o esforço tem sido inútil. Deste gênero, referimos um caso a que assistimos no grupo espírita dirigido pelo ilustrado e virtuoso Dr. Antônio Luís Saião. (1)
(1) Autor da obra Elucidações Evangélicas. (N. E.)

O obsidiado, Carlos Batista - moço de tão bom comportamento, que o fazia estimado por quantos o conheciam - quando, evocado para reconciliar-se com o obsessor, que se convertera, repeliu o inimigo, de joelhos a seus pés, e todos os conselhos e rogos do grupo, dizendo que pouco lhe importava sofrer, porque contava que um dia faria sofrer o mesmo que tanto mal lhe fizera, e agora lhe pedia perdão. O resultado do seu endurecimento foi retirar-se, regenerado, o obsessor, e continuar ele em sua alienação, por obra de outros, atraídos por suas ruins disposições morais. É, portanto, condição de cura dos obsidiados, além do tratamento das lesões orgânicas, que tenham dado entrada ao obsessor, a moralização do Espírito deles mesmos, e esta mais do que aquela. Não pára, porém, aí o tratamento. Ao mesmo tempo em que se empregam aqueles dois meios, devese trabalhar com o mais amoroso empenho na moralização do Espírito obsessor, fazendo-o sentir a imensa responsabilidade que chama sobre si, calcando aos pés a lei do amor ao próximo, e o sublime exemplo do perdão, dado por Jesus, do alto da cruz. Em dezenas de trabalhos desta

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ordem, só um Espírito encontramos que resistiu a tudo, preferindo toda a espécie de sofrimento, a largar das suas garras a presa, em quem cevava velho ódio de passadas existências. Convém, porém, observar que, embora a loucura por obsessão não dependa de lesão cerebral, pode esta lesão vir a dar-se, por causa da obsessão. Não é causa; mas pode vir a ser efeito. A ação fluídica do obsessor sobre o cérebro, se não for removida a tempo, dará necessariamente em resultado o sofrimento orgânico daquela víscera, tanto mais profundo, quanto mais tempo estiver sob a influência deletéria daqueles fluidos. Não vemos uma afecção do fígado, produzindo a perturbação no sistema circulatório, refletir sintomaticamente sobre o coração, que, pelo correr do tempo, vem a sofrer organicamente. Qualquer órgão do corpo humano, perturbado em sua função por uma causa permanente, não acaba por sofrer essencialmente? O que era sintomático passa a ser essencial. Pois é em virtude dessa lei que o cérebro, perturbado em sua função pelos fluidos do obsessor, acaba por sofrer em sua organização. Neste caso, embora se liberte da ação obsessora, não poderá, senão por longo e sábio tratamento, recuperar o obsidiado sua lucidez intelectual. E é de simples intuição, porque, cessando a causa perturbadora da manifestação do pensamento, não pode desaparecer esta perturbação, visto como o órgão da transmissão está inábil, e sê-lo-á, por mais ou menos tempo, para o exercício da função. Aqui, dar-se-á a loucura, não mais pela obsessão, porém pela lesão do cérebro, tal qual no caso da loucura propriamente dita. Cura-se a obsessão, mas não os efeitos materiais, ou antes, reduzse uma loucura por obsessão às legítimas condições da loucura propriamente dita, somente com a diferença de imbecilidade ou

Alcançado este desiderato. enquanto os fluidos maléficos do obsessor não têm produzido lesão cerebral. se em outra existência foi ele o ofensor. Pelos meios espíritas. * Em resumo. com segurança. E. Esse tratamento é misto. e a regeneração de seus obsessores. deve-se evocar o do obsessor. fica da obsessão debelada uma depressão cerebral. cumpre aplicar-se à obsessão um tratamento especial. só uma vez em vinte e tantos casos foi malogrado nosso esforço nesse sentido. sem o que jamais poderá tomar a via que conduz às regiões da felicidade. principalmente moral. deve-se procurar elevar os sentimentos do obsidiado. Quando. produzindo lesões orgânicas em uma ou mais vísceras. moral e terapêutico. em dores. porém. fazendo-o conhecer a lei pela qual terá de pagar. é que podemos fazer. uma vez feito aquele diagnóstico. incutindo-lhe na alma a paciência. Como vimos. isto é. alcançamos a cura completa dos obsidiados. a resignação e o perdão para seu perseguidor. que a confunde com a loucura por lesão cerebral.149 idiotismo. em geral. todas as que tem feito sua vítima sofrer. e o desejo humilde de obtê-lo. a ação fluídica do obsessor tem castigado por muito tempo o aparelho material da vítima. em vez de excitação. Em todos os demais. e trabalhar com ele no sentido de removê-lo da perseguição. como é de lógica rigorosa. ainda desconhecida da Medicina. porque. No princípio. pela evocação do Espírito encarnado. o tratamento deve compreender a . o diagnóstico diferencial desta espécie. que nos dão a ciência da loucura por obsessão.

Perseverança e fé. e a reação. coroará nossos esforços. e rogando a Deus que dê vida aos nossos pensamentos. é longa. que leva o indivíduo a uma indiferença desesperadora. conjuntamente. embora lenta. O que mais sobressai nestes casos de obsessão. para que possam produzir frutos do bem. pedindo aos sábios escusas para a nossa ousadia. Perseverança e fé vencerão todas as dificuldades. cuja causa já foi removida. quer do obsessor. a atenção dos competentes. e. como acontece sempre que combatemos uma enfermidade inveterada por longo abandono. mesmo quando o perseguidor tem abandonado sua vítima. Depomos. para a questão que levantamos. e tudo cederá. Em geral. Max FIM . a pena. esta parte da cura. que empreendemos no simples intuito de chamar.150 moralização acima prescrita. é a depressão cerebral. para a cura das lesões orgânicas. quer do obsidiado. pois. Já vai longo demais este ensaio. porque se tem de reconstituir quase todo o organismo. as aplicações terapêuticas.