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ILHA SOLTEIRA

XII Congresso Nacional de Estudantes de Engenharia Mecânica - 22 a 26 de agosto de 2005 - Ilha Solteira - SP

Paper CRE05-CM29

ESFORÇOS DE CORTE NO PROCESSO DE FURAÇÃO DO AÇO VP50IM – 32 E 40 HRC EM


RELAÇÃO AO AÇO DIN 1.2711

Daniel F. Freitas e Marcelo V. de Carvalho


ITA, Instituto Tecnológico de Aeronáutica, Departamento de Engenharia Mecânica Aeronáutica
Praça Marechal Eduardo Gomesl, 50, Bairro CTA, CEP 12228-900, São José dos Campos, SP
E-mail para correspondência: danielff@ita.br

Introdução
Este trabalho foi proposto para substancialmente analisar o desempenho do aço VP50 IM (40 HRC) em
relação ao aço DIN 1.2711 (40 HRC) e com o similar VP50 IM, no entanto, numa dureza menor de 32 HRC.
Esses aços são tipicamente aplicados no chão-de-fábrica de ferramentarias.
Para tal, realizaram-se testes de furação, operação considerada “gargalo” em ferramentarias, com uma
determinada condição de corte, recomendada pelo fabricante de ferramentas Titex Plus, em comum-acordo com
o ITA.

Objetivos
O objetivo principal era estudar a usinabilidade desses três distintos aços de desenvolvimento da empresa
Villares Metals. O parâmetro avaliado foi: esforços de usinagem.
O processo de furação está sujeito a uma variedade de influências, tais como escolha dos parâmetros de
corte, aplicação de fluido de corte, geometria de ferramenta, desgaste de ferramenta, etc. Portanto, somente um
número limitado de variáveis poderia ser investigado no escopo (tempo e recursos disponíveis) deste trabalho. O
parâmetro variado foi o material da peça.
Este projeto foi coordenado pelo Prof. Jefferson Gomes e contou ainda com o suporte tecnológico da AIM,
tendo a Empresa associada Titex Plus (ferramentas de corte), como parceiro de suporte.

Metodologia
Antecipadamente aos ensaios, foram preparadas folhas de registro de dados em uma seqüência pré-definida.
Cada folha de registro de dados foi exclusiva para uma ferramenta, uma combinação de condições de usinagem e
um critério de fim de vida.
O suporte de fixação da ferramenta de corte foi mantido sempre na mesma posição, de modo a assegurar o
mesmo balanço de ferramenta para todas as situações. Antes da troca de cada ferramenta de corte, foi garantida a
limpeza do assento do suporte, assegurando desta forma um posicionamento adequado da ferramenta.
Medidas de força e momento torçor: As medições de força e momento torçor foram realizadas
paralelamente ao ensaio de vida de ferramenta. A primeira medição para cada ferramenta de corte era realizada
no início de cada experimento. Outra medição era realizada quando se alcançasse um desgaste de flanco médio
de 0,1 mm e a última com o final de vida estipulado obtido (VB= 0,2 mm).

Resultados
Força de corte axial e momento torçor: Com a evolução do desgaste das ferramentas foram medidas a
força de corte axial e o momento torçor (figuras 1 e 2). Percebe-se que tanto a força de corte quanto o momento
torçor são maiores, quando usinando DIN 1.2711, comprovando a pior usinabilidade.
1200

Força na direção axial (Fz) [N]


1000

800

600

400

200

0
0 5 10 15 20 25 30 35
Comprimento usinado (L) [m]

DIN 1.2711 - 40 HRC VP50IM-40 HRC VP50IM-32 HRC

Figura 1 – Evolução da força de corte axial com o desgaste da ferramenta de corte.

250
Momento Torçor (Mt ) [N.cm]

200

150

100

50

0
0 5 10 15 20 25 30 35
Comprimento usinado (L) [m]

DIN 1.2711 - 40 HRC VP50IM-40 HRC VP50IM-32 HRC

Figura 2 – Evolução do momento torçor com o desgaste da ferramenta de corte.

Conclusões
Foi comparada a usinabilidade por testes de furação de dois aços, tipicamente utilizados no chão de fábrica,
DIN 1.2711 e VP50 IM, este último com durezas de 32 e 40 HRC, respectivamente.
Sobre essas análises, as seguintes conclusões podem ser formuladas:
1. A força de corte axial obtida para o aço VP50 IM (32 HRC) foi em torno de 520 N e para o VP50 IM
(40 HRC) de aproximadamente 970 N. Já para o aço DIN 1.2711 essa força foi de aproximadamente 1100 N.
2. O mesmo comportamento foi obtido para o momento torçor. Para o aço DIN 1.2711 esse momento foi
de aproximadamente 200 N.cm, significativamente maior do que para o VP50 IM (40 HRC), de 180 N.cm. Para
o aço VP50 IM (32 HRC) foi obtido um momento na ordem de 35 N.cm.

Referências Bibliográficas
Mesquita, R.A., Jarreta, D.D. e Barbosa, C.A., “Estudo comparativo para VP50 IM® e DIN 1.2711,
Contribuição técnica apresentada no 2º Encontro da Cadeia Produtiva de Ferramentas, Moldes e Matrizes,
São Paulo, Outubro, 2004.
Mesquita, R.A., Sokolowski, A. e Barbosa, C.A., “Desenvolvimento de aços especiais com usinabilidade
melhorada”, Artigo publicado na Revista Máquinas e Metais, pp. 86 -112, Maio, 2003.
Kovach, C. e Moskowitzm A., “Efeitos do Manganês e do Enxofre na Usinabilidade de Aços Martensíticos
Inoxidáveis”,Transactions AIME, Vol. 245, Oct. P. 2157, 1969.