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COMENTÁRIOS SOBRE AS QUESTÕES DE DIREITO TRIBUTÁRIO DO 25º CONCURSO DO MPF

Prof. João Paulo Carregal Procurador da Fazenda Nacional

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QUESTÃO 22

QUESTÃO 22 LETRA A Primeiramente é necessário identificar a natureza
QUESTÃO 22 LETRA A Primeiramente é necessário identificar a natureza

LETRA A

Primeiramente é necessário identificar a natureza jurídica das contribuições para a Seguridade Social cuja natureza é de subespécie das Contribuições Especiais, de natureza tributária, se submetendo aos Princípios Constitucionais Tributários do art. 150 CRFB, com fulcro no art. 149 c/c art 195 da CRFB.

A letra a está equivocada pois, tais contribuições cuja topografia constitucional está no rol do art. 195 CRF, estatui em seu § 6 a submissão de tais exações ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal, Mitigada ou Especial, ou seja, somente poderão ser exigidas decorridos 90 dias

da lei que as instituiu ou as modificou.

Nada impede que decorridos 90 dias de sua publicação sejam exigidas no mesmo exercício financeiro, que corresponde ao ano civil, pois não se submetem ao Princípio da Anterioridade do Exercício Financeiro, já que neste caso aplica-se o Princípio da Especialidade, pois tais contribuições possuem regramento específico.

O STF possui jurisprudência consolidada atinente a não submissão de tais contribuições à

Anterioridade do art. 150, III, b CRFB, cognominando de Anterioridade Especial a do § 6 art. 195 CRFB, conforme se extrai da análise do RE 195712/RS.

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LETRA B

Equivocada, pois as contribuições para a Seguridade Social poderão ser instituídas por Lei Ordinária desde que seus fatos geradores e bases de cálculo sejam correspondentes às hipóteses arroladas nos incs. do art. 195 CRFB, já que pela leitura constitucional que o STF faz ao interpretar o art. 149 c/c art. 146, III, a CRFB, somente os impostos deverão ter seus fatos geradores, contribuintes e bases de cálculo previstos em norma geral por Lei Complementar, ver RE 389849 AgR/SC.

Todavia, a União poderá exercer sua competência residual para instituir contribuições sociais residuais que não possuam fato gerador e base de cálculo das contribuições já previstas constitucionalmente, com fulcro no § 4 art. 195 CRFB, e nestes casos a instituição deverá ser por Lei Complementar.

LETRA C

Equivocada, pois conforme entendimento do STF exarado no julgamento da ADC 1, a avocação da capacidade ativa tributária pelo Ente que detém a competência não desnatura sua índole de contribuições parafiscais, desde que o produto de sua arrecadação seja destinado aos fins constitucionalmente previstos.

É o que ocorre atualmente, desde o advento da Lei 11.457/2007 que avocou à União a cobrança, arrecadação e fiscalização de contribuições antes delegadas ao INSS, porém a CSLL, p.ex., que se configura como contribuição para a Seguridade Social, sempre foi cobrada pela União, por intermédio da RFB cujo lançamento lhe compete e judicialmente pela PGFN, ambos órgãos da Adm. Direta da União, sem desnaturar sua natureza de contribuição, conforme julgamento da ADC 1.

LETRA D

Correta, conforme já explicitado na análise da letra a e previsão constitucional do §6 art. 195 CRFB.

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QUESTÃO 24

QUESTÃO 24 LETRA A Ao meu ver está equivocada, pois encargo fiscal é
QUESTÃO 24 LETRA A Ao meu ver está equivocada, pois encargo fiscal é

LETRA A

Ao meu ver está equivocada, pois encargo fiscal é conceito técnico e amplo podendo ser conceituado como aquilo que adere a algo substancial. Assim, no caso da dívida tributária seria uma imposição de responsabilidade pecuniária pelo inadimplemento do crédito tributário ou seu pagamento a destempo.

Poderá ser a multa punitiva e moratória, a imposição de juros, correção monetária e demais encargos legais, como, p.ex. o previsto no DL 1.025/1969 que se destina a cobrir todas as despesas necessárias para a cobrança da dívida da União, além de abarcar honorários.

Neste caso, pela sua amplitude conceitual, não há falar-se em exceção à Legalidade com espeque nos inc. I, III e V do art. 97 do CTN.

LETRA B

Ao meu sentir, o equívoco reside na parte que afirma autorizar ao Poder Executivo no exercício do Poder Regulamentar agregar componentes quando o tipo tributário, descrição material da exação, for um conceito aberto.

Trata-se do fato gerador material e sua definição se submete ao Princ. da Estrita Legalidade (art. 150, I, CRFB e art. 97, III, CTN).

Não se confunde com o entendimento exarado pelo STF de delegação intra legem, quando se autoriza que o Poder Executivo delimite o alcance de expressões legais, cujos conceitos são abertos.

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Contudo, entre delimitar conceito, ou complementá-lo, na dicção do Supremo, e agregar componentes vai uma diferença que desbordará da legalidade do ato.

A discussão recaiu na análise da Constitucionalidade do SAT e na possibilidade do Poder

Executivo definir conceitos legais abertos, entendendo o Supremo pela possibilidade de tal

delegação intra legem no RE 343446/SC de Relatoria do Min. Carlos Velloso e pela constitucionalidade do SAT, advertindo que se o regulamento desborda dos limites legais, haverá crise de legalidade e não constitucionalidade.

LETRA C

A resposta parece ser a correta, pois, segundo aponta o § 2 art. 97 do CTN, não constitui

majoração de tributo, para fins do inc. II do referido artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. O Objetivo de tal norma é excepcionar a atualização, no caso a

correção monetária, da estrita legalidade. Ver o AI 170271 AgR/SP, STF.

LETRA D

A incorreção da assertiva está na atribuição do Poder Executivo para reduzir e restabelecer

alíquotas do ICMS Monofásico sobre combustíveis, já que segundo o § 5 do art. 155 CRFB tal

atribuição será do Convênio, no caso, CONFAZ, diferentemente da CIDE-Combustíveis, cuja atribuição será do Poder Executivo, conforme art. 177 § 4 inc. I “b” da CRFB.

QUESTÃO 25

cuja atribuição será do Poder Executivo, conforme art. 177 § 4 inc. I “b” da CRFB.

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A questão trata da imunidade do inc. VI art. 150 CRFB.

Imunidade é uma limitação constitucional ao poder de tributar e se configura como uma hipótese de não incidência constitucionalmente qualificada, não se confundindo com a isenção, pois esta e modalidade de exclusão do crédito tributário, para o STF seria uma dispensa legal de pagamento de tributo, na forma do art. 175, CTN.

Para se compreender o real alcance da imunidade e diferenciá-la do tratamento conferido pelo STF à isenção, necessário ter em conta que a imunidade é um recorte na competência do Ente.

Assim, se não fosse a imunização constitucional o Ente competente poderia, em tese, tributar, porém, como há um impedimento constitucional não há falar-se em exercício de competência nestes casos.

Já a isenção, cuja previsão é infraconstitucional, é normal excepcional, pois em que pese a Constituição dar poder ao Ente tributar tal signo presuntivo de riqueza, e o faz mediante lei, lei posterior exime parcela de contribuintes de pagar o tributo. Ora a regra é o pagamento, a exceção é a hipótese que o dispensa de pagar.

Assim, ainda que o art. 111, II, CTN não existisse no ordenamento é princípio comezinho de direito que as regras excepcionais se interpretam restritivamente.

Hipótese diversa é a imunidade, pois aqui não há exceção já que a própria Constituição alija o Ente de tributar em dadas situações, e aqui não há falar-se em interpretação restritiva da imunidade.

Tendo em vista essa análise, é por isso que o Supremo alarga a abrangência da imunidade em alguns casos, porém se se tratasse de isenção não o poderia fazer.

No caso da questão, o primeiro cuidado a se analisar é a abrangência, pois não há especificação de nenhuma alínea, ela quer a análise global do inciso VI que abrange uma séria de imunidades em suas alíneas, quais sejam, a recíproca, a subjetiva, objetiva e subjetiva- objetiva.

LETRA A

Está equivocada, pois o dever do Estado não é incentivar a manifestação religiosa e sim garantir um direito fundamental de liberdade de culto em um autêntico direito de defesa, ou seja, não deve embaraçar ou impedir a manifestação religiosa, porém não deve incentivá-la, pois o Estado é laico.

Nesse sentido imporante a leitura do RE 237718, nas transcrições do inf. 277 do STF, em sua parte final, pois em que pese o acórdão abordar a imunidade de entidades de assistência social, na parte final das transcrições aborda a diferença desta para a imunidade dos templos, inclusive utilizando o termo da questão, “propriedades não afetas ao culto”.

Assim, propriedade alheias ao culto devem ser tributadas não sendo albergadas pela imunidade, salvo se relacionadas com a atividades essenciais da entidade.

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LETRA B

É a correta se coadunando com a jurisprudência do Supremo que vem estendendo a imunidade recíproca às empresas públicas e sociedades de economia mista que prestem serviços públicos de prestação obrigatória e exclusiva do Estado. Ver AC 1851 QO/RO.

LETRA C

Equivocada, pois no que tange à imunide recíproca, independe a natureza da renda, já que seu objetivo é proteger o Pacto Federativo, dando-lhe interpretação elástica.

LETRA D

Equivocada, pois a imunidade do art. 150 CRFB só abrange IMPOSTOS. Haja vista, p.ex., o dever de recolhimento de contribuições patronais pelos Entes Políticos, tanto como contribuintes, como responsáveis.

QUESTÃO 27

de contribuições patronais pelos Entes Políticos, tanto como contribuintes, como responsáveis. QUESTÃO 27

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A CSLL é tributo na modalidade contribuição social para seguridade social, cujo fato gerador e base de cálculo é o lucro do empregador, empresa ou entidade a ela equiparada na forma da lei, nos termos do inc. III, art. 195 CRFB. Sua previsão é fruto do Poder Constituinte Originário, não havendo falar-se de normas constitucionais originárias inconstitucionais.

Assim, ainda que se falasse em bis in idem seria uma exceção constitucional autorizada pelo PCO, contudo, para tanto deveria haver exata coincidência entre os conceitos de renda e lucro, o que é controvertido.

Não seria hipótese de bitributação, pois para tanto deveriam figurar dois entes de competência distintas trbutando a mesma grandeza econômica, e não é o que ocorre, pois aqui teríamos o mesmo Ente (União) competente para instuir tributo sobre a renda e o lucro e caso se equiparassem tais conceitos seria um bis in idem constitucionalmente autorizado.

Em que pese a controvérsia da matéria, o STF possui forte jurisprudência em diferenciar lucro de receita e assim a CSLL não estaria abrangida pela imunidade do art. 149 § 2, I CRFB, conforme RE 564413/SC.

QUESTÃO 28

do art. 149 § 2, I CRFB, conforme RE 564413/SC. QUESTÃO 28 LETRA A A assertiva

LETRA A

A assertiva está correta, pois segundo dicção do texto constitucional no § 1 art. 150 CRFB o IR, previsto no inc. III do art. 153 CRFB de competência da União, em que pese se submeter ao Princípio da Anterioridade do Exercício Financeiro, não se submete ao Princípio da Noventena.

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Demais disso, sua finalidade é eminentemente fiscal, ou seja, seu objetivo precípuo é carrear recursos para o orçamento da União.

Apenas para recordar, a diferença entre imposto com finalidade fiscal e de finalidade extrafiscal, está no fato de que enquanto a finalidade fiscal objetiva puramente a arrecadação de recursos para os cofres públicos, a extrafiscal além desse viés, serve como instrumento de intervenção do Estado na ordem econômica e social.

Todavia, todo imposto possui uma carga de fiscalidade, ainda que seu fim precípuo seja extrafiscal. No caso do IR, em que pese a preponderância de sua carga fiscal há presente um viés extrafiscal, qual seja, de intervenção do Estado na ordem social ao tributar de forma mais elevada os que possuem maior renda e distribuir tais recursos para toda a sociedade, visando concretizar o Princípio da Justiça Social e da Distribuição Equitativa dos valores arrecadados de uma parcela da sociedade para toda ela, como instrumento de política financeira.

LETRA B

Equivocada, pois em que pese o acerto inicial da assertiva o seu final está errado.

O ICMS e IPI são impostos indiretos e assim comportam a repercussão econômica do encargo

financeiro, nos termos do art. 166, CTN.

Impostos indiretos são aqueles que devido a sua natureza comportam a transferência de seu encargo financeiro, ou seja, do ônus econômico da tributação.

Vislumbra-se aqui a bipartição da figura do contribuinte entre o de direito e o de fato. Aquele

é quem realiza pessoal e diretamente o fato gerador da imposição e este é quem assume as consequências patrimoniais da tributação do contrbuinte de direito.

Assim, enquanto contribuinte de direito possui relação jurídico-tributária com o Fisco, o de fato não, pois sua relação se dá com o contribuinte de direito e não com o Fisco, não lhe autorizando a discussão da imposição nem lhe atribuindo legitimidade para repetir o indébito.

A repercussão é jurídica e econômica, pois são impostos que devido a sua natureza admitem

destaque na nota fiscal para fins de materialização do direito de crédito e controle sobre a

imposição.

Para visualizar, se um vendedor aliena sua mercadoria no valor de 100 reais e agrega ao valor da mercadoria 10 reais de ICMS quem arca com esse valor factualmente é o adquirente, contribuinte de fato, mas quem realiza o fato gerador é o alienante contribuinte de direito. Neste ponto ocorre a repercussão econômica do tributo.

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LETRA C

Equivocada, pois, o Sujeito Ativo da obrigação tributária será sempre o Estado em que localizado o destinatário final da aquisição da mercadoria ou do produto importado.

Sujeito Ativo da relação jurídico-tributária é o Ente que possui o poder-dever de arrecadar, fiscalizar e cobrar o tributo objeto da prestação.

Em regra, como no caso do ICMS, o Sujeito Ativo será o Ente que além da competência (indelegável) goza da capacidade tributária ativa, mas nada impede a delegação da capacidade tributária ativa para um terceiro, como já ocorreu com o INSS na arrecadação das contribuições patronais de competência da União, e nestes casos, será o ente delegatário que figurará como sujeito ativo da relação.

O Estado-membro ou DF competente para tributar a operação será aquele que onde estiver situado o domicílio do adquirente destinatário da mercadoria, nos termos do art. 155 § 2, IX, “a” da CRFB.

Na denominada importação indireta em que um terceiro atua como intermediário na Importação cujo destino do bem será o do real importador.

Neste caso se um intermediário realiza a importação em um estado para repassar ao real adquirente, destinatário jurídico e final do produto em outro estado, a tributação será de competência do estado onde esteja o domicílio deste último.

Nesse sentido analisar no EDcl no AgRg no Ag 825553 / MG, STJ.

LETRA D

A análise passa pela interpretação do inc. III art. 151 da CRFB. Segundo ineterpretação constitucional pelo STF a CRFB veda que a União legislando como ente autônomo componente da Federação, atuando como Pessoa Jurídica de Direito Público Interno, institua isenção de tributo de competência de outro Ente como forma de manter o pacto federativo e evitar a invasão de competência de um ente sobre outro.

Todavia, não há vedação para isenção heterônomas quando a União atua representando a República Federativa do Brasil, como Pessoa Jurídica de Direito Público Externo, celebrando convenções e tratados com outros países. Nesse sentido, RE 543943 AgR/PR.

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QUESTÃO 29

QUESTÃO 29 A análise das assertivas recai sobre uma das modalidades de
QUESTÃO 29 A análise das assertivas recai sobre uma das modalidades de

A análise das assertivas recai sobre uma das modalidades de lançamento, previsto no § 4 do art. 150, CTN, cognominado Lançamento por Homologação ou ainda Autolançamento.

Apenas para recordar, são três as espécies de lançamento: Ofício, Declaração e Homologação.

No lançamento por homologação, o contribuinte ou reponsável efetua entrega da declaração, presta informações, calcula o tributo e efetua o pagamento antecipado que nos termos do § 1 art. 150, CTN extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento pela Autoridade administrativa competente.

As assertivas foram elaboradas de forma truncada e em uma análise mais técnica todas estariam erradas. Contudo, vamos tentar extrair a menos incorreta, se é que se pode assim falar.

LETRA A

Em minha análise, esta seria a assertiva correta, com fulcro no art. 3 LC 118/2005 c/c art. 168, I CTN.

Isto porque, para fins de repetição de indébito se considera extinto o crédito tributário com a efetivação do pagamento antecipado.

Ademais, em qualquer modalidade de lançamento o crédito tributário restará extinto pelo pagamento, com fulcro no inc. I art. 156 CTN.

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LETRA B

Equivocada, pois segundo atual jurisprudência do E.STJ a entrega da declaração constitui o crédito tributário, ver Resp 962379/RS e Súmula 436, STJ.

Assim, realizada a entrega da declaração há a constituição do crédito iniciando a fluência do prazo prescricional para inscrever em dívida ativa e cobrar o crédito judicialmente.

No caso, se não houver antecipação do pagamento não há o que homologar, mas por ventura, se houver entrega da declaração há constituição do crédito e desnecessidade de realização de lançamento de ofício já que o crédito estará constituído.

A assertiva fala que se não houver pagamento antecipado não haverá o que homologar, certo, porém, o lançamento de ofício só é cabível quando não há entrega da declaração ou entrega da declaração parcial ensejando a realização do lançamento nos termos do inc. I art. 173 CTN para constituir parte do crédito ou todo o crédito não declarado.

Assim, ainda que não efetuado o pagamento antecipado mas exista entrega da declaração não há falar-se em lançamento de ofício e sim inscrição em Dívida Ativa e cobrança posterior do crédito, a contar da data do vencimento da obrigação ou da entrega da declaração, caso esta seja posterior ao vencimento, ver Resp 1.155127/PI e AgRg nos EREsp 1097703/SC, STJ.

LETRA C

Equivocada, pois, o pagamento de crédito tributário prescrito é indevido já que em direito tributário, a prescrição extingue o crédito de pleno direito, com base no inc. V, art. 156, CTN, diversamente no âmbito do direito civil que a prescrição fulminaria a pretensão e não o direito.

LETRA D

Equivocada, pois, segundo jurisprudência pacífica no E. STJ nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, caso haja entrega da declaração já não há mais falar-se em aplicação do art. 138 CTN, denúncia espontânea. Ver Súmula 360, STJ.

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QUESTÃO 30

QUESTÃO 30 Trata da isenção, modalidade de exclusão do crédito

Trata da isenção, modalidade de exclusão do crédito tributário (art. 175, CTN) e segundo o STF dispensa legal de pagamento do tributo.

Por configurar norma excepcional sua interpretação é literativa, restritiva, nos termos do inc. II, art. 111, CTN.

LETRA A

Equivocada, pois, nos termos do art. 104, III, CTN a lei que venha a extinguir ou reduzir isenção dos impostos sobre patrimônio e renda, aplica-se, salvo disposição expressa em contrária, no primeiro dia do exercício financeiro seguinte observado o disposto no art. 178 CTN, ver RE 97455/RS e Resp 605719/PE.

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LETRA B

Equivocada, pois, com a revogação da lei isentiva não há falar-se em efeito repristinatório, já que ela não revogou a norma de incidência tributária. A lei isentiva modifica alguns padrões da norma matriz de incidência excluindo o crédito tributário, na forma do art. 175, CTN.

LETRA C

Parece a correta, pois as disposições do convênio são legítimas para autorizar o ente federativo a prever isenção no âmbito de seus territórios, no caso de ICMS, contudo, há controvérsia sobre a necessidade de lei ou decreto legislativo da assembléia legislativa estadual para produção de efeitos em seu âmbito territorial, na forma do art. 4 da LC 24/1975. Ver RE 539130 STF.

Todavia, segundo análise do RE acima referido, para perfectibilizar a isenção deve haver decreto legislativo ou lei promulgada pela Assembléia do estado-membro.

LETRA D

A questão parece errada no ponto que a lei estabele isenção para todos os tributos federais, e aí incluiria taxa e contribuição, já que ambas são espécies tributárias, leitura do inc. I art 177 CTN e interpretação literal das normas isentivas na forma do inc. II art. 111 CTN.

Caberia interpretação no sentido de que o inc. I art. 177 CTN exigiria lei expressa para isentar tais tributos, porém, eu ficaria com a interpretação do parágrafo acima.

Boa sorte aos amigos e estamos abertos ao debate*

Abraços,

João Paulo

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