A Construção do Cérebro

Cientistas mostram que as experiências durante a infância alimentam os circuitos nervosos e determinam o futuro da inteligência. Pesquisadores de diversas partes do mundo estão descobrindo que há etapas definidas para o desenvolvimento do cérebro das crianças, e informam que a inteligência, a sensibilidade e a linguagem podem e devem ser aprimoradas na escola, no clube e, especialmente, dentro de casa. E maior surpresa: o gosto pela ciência, pela arte e pelas línguas ocorre muito mais cedo do que se imaginava. Os 400 gramas de massa cinzenta de um recém-nascido guardam os neurônios de toda uma vida. As conexões, entretanto, ainda não estão totalmente desenvolvidas. As fibras nervosas capazes de ativar o cérebro têm de ser construídas, e o são pelas exigências, pelos desafios e estímulos a que uma criança é submetida, a maior parte entre o nascimento e os 4 anos de idade. “As primeiras experiências da vida são tão importantes que podem mudar por completo a maneira como as pessoas se desenvolvem”, disse o neuropediatra Harry Chugani, Professor da Universidade de Wayne EUA. Conclusão: o cérebro precisa de estímulos. Sem isso, por mais rica que seja a herança genética recebida, nada feito. Os testes clínicos mostraram que bebês que passaram a maior parte de seu primeiro ano de vida dentro de um berço, sem maiores contatos físicos, têm um desenvolvimento anormal. Pouco estimuladas, não desenvolveram os sentidos de equilíbrio e localização corporal, escreveu a neorobiologista Carla Shatz, professora da Universidade da Califórnia. A partir dessas constatações, os neurobiologistas começaram a estudar o que chamam de “janelas de oportunidades”. Da mesma forma que o sentido da visão depende de conexões feitas até os dois anos, e que os circuitos da linguagem se consolidam até um máximo de dez anos, eles julgaram lícito cogitar que outros dons podiam ter também janelas de oportunidades que, uma vez exploradas conduziriam a adultos com determinadas capacidades. Confirmado. Musicalidade, raciocínio lógico-matemático, inteligência espacial, capacidades relativas aos movimentos do corpo, entre outras, dependem de circuitos que são plugados logo na primeira infância, época em que a criança aprende a aprender. O tempo é essencial. “Não se pode ultrapassar a idade de maturação cerebral, afirma o neuropediatra Mauro Muszkat, professor da Universidade Federal de São Paulo. Imagens tomográficas de cérebros de crianças desde o nascimento até os 12 meses de vida mostram esse esforço emocionante que as crianças fazem para amadurecer. Desde o nascimento, a massa encefálica vai acelerando seu nível metabólico e intensifica-se a atividade mental. As mesmas imagens, quando coletadas num adulto de 28 anos, porém, mostram que o tempo joga contra. O dínamo cerebral de uma criança de 1 ano é mais carregado do que do adulto, mesmo que ela mal consiga balbuciar “papá” e “mamá” enquanto o adulto se delicia com alta literatura. A música é um dos estímulos mais potentes para ativar os circuitos do cérebro. A janela de oportunidades musical abre-se aos 3 e fecha-se aos 10 anos. Não por acaso, conhecem-se tão poucos concertistas que tenham iniciado no aprendizado musical depois de iniciada a adolescência. Em outubro de 1995, pesquisadores da Universidade de Konstanz, Alemanha, estudaram o cérebro de nove músicos destros, do naipe de cordas de uma orquestra local. Graças ao exame de ressonância nuclear magnética, perceberam que as porções cerebrais relacionadas aos movimentos do polegar e do dedo mindinho da mão esquerda eram maiores do que entre os não músicos. Nessa diferença, não importava a quantidade de horas dedicadas no estudo musical, e sim, em que idade eles haviam sido apresentados aos instrumentos – sempre cedo. Mas a música não serve apenas para incentivar as crianças a ler uma partitura, apreciar um concerto mais tarde e, quem sabe, evitar que se tornem metaleiras insuportáveis. É capaz de imprimir no cérebro a compreensão da melodia das próprias palavras. Aos 8 anos, o poeta inglês W.H. Auden (1907-1973) era submetido a sessões operísticas intensas por sua mãe, Constance Rosalie. Ela gostava especialmente de Tristão e Isolda, de Wagner, e reproduzia com Auden os duetos da obra. Estaria aí uma possível explicação para a extraordinária musicalidade dos poemas de Auden, feitos mais para ser lidos em voz alta. A divisão melódica das obras clássicas exige um tipo de automatismo matemático acurado. Essa seria a razão porque as conexões nervosas acionadas ao se executar uma peça estejam tão próximas do córtex cerebral esquerdo, daquelas usadas ao se fazer uma operação aritmética ou lógica. A música relaciona-se ainda a outros dons, como a capacidade de percepção de sons sutis. O professor neurologista Luiz Celso Vilanova já observou que os alunos de medicina habituados a ouvir música clássica têm maior facilidade para auscultar corações e pulmões. Gordon Shaw e Frances Rauscher, da Universidade da Califórnia, num trabalho com dezenove pré-escolares, descobriram que, após oito meses de aulas de piano e canto, as crianças se saíram muito melhor na cópia de desenhos geométricos do que as que não tiveram aulas de música. Os pequenos músicos eram melhores na percepção espacial e muito mais eficientes, por exemplo, no jogo de quebra-cabeça. Mozart neles, então. E rápido. De todas essas pesquisas , a conclusão inevitável é que quanto mais se expuser a criança a estímulos benéficos, mais ela poderá aproveitar as potencialidades de seu cérebro. A influência do ambiente doméstico conta. A história emocional da criança, idem. Mas é preciso cuidado. As conseqüências da estimulação exagerada podem ser desastrosas. Respeite os ritmos da criança. Seria errado supor que é possível programar um cérebro infantil a partir de uma seqüência infalível de estímulos dados por pais e professores. Se fosse, quem quisesse fazer de seu filho um músico só teria o trabalho de entregá-lo a um professor de piano desde cedo. A fórmula deu certo com um gênio como Mozart, mas ninguém lembra que o mesmo tratamento foi dado a sua irmã Maria Anna, chamada carinhosamente pelo compositor de Nannerl. Ninguém pode garantir que determinado estímulo gere um comportamento específico. Para ficar no exemplo do pequeno Auden, cantando árias de Wagner: como nesses ensaios o futuro poeta fazia o papel de Isolda, e sua mãe o de Tristão, talvez esteja aí a explicação não só para a musicalidade de Auden, mas para o seu homossexualismo.

Agora os cientistas sabem por quê. O interesse pelo desenvolvimento cognitivo-musical tem crescido substancialmente nos últimos tempos. Pesquisadores acreditam que a música é uma forma superior de ensinar os estudantes primários o conceito de frações. no prelo. Um grupo teve lições de piano e ]cantava diariamente no coro. crianças préescolares tiveram desempenho 34% melhor em testes de raciocínio tempero-espacial que aquelas que não tiveram. É também nesta época que as crianças desenvolvem suas preferências e memórias musicais (veja Ilari & Polka. sabe-se hoje que é no período entre o nascimento e o décimo aniversário que as distinções entre alturas. pois. 1999). Depois de aprenderem as notas musicais e divisões rítmicas os estudantes de música tiveram notas 100% maiores que seus companheiros que tiveram aulas de frações pelos métodos tradicionais. matéria com várias artes incluindo a música. matemática. Crianças que estudam música saem-se melhor na escola e na vida. na qual o indivíduo pode melhor concentrar em qualquer campo de pesquisa e do pensamento filosófico. Platão disse uma vez que a música é “um instrumento educacional mais potente do que qualquer outro”. Naquele tempo as crianças cantavam e formavam o Grande Coral apresentando-se em estádios de futebol. Isso também parece ser o caso do desenvolvimento auditivo. 1995). A Universidade da Califórnia em Irvine descobriu que após seis meses tendo aulas de piano. e há inúmeras demonstrações empíricas das competências cognitivas do recém-nascido (veja Eliot. Por motivos alheios aos mestres da música. alunos de música em idade escolar têm menos problemas com álcool e drogas. psicologia do desenvolvimento. A Música e o Desenvolvimento da Mente no Início da Vida: investigação. timbres e intensidades se desenvolvem e se tornam mais refinadas (Werner & Vandenbos. atingindo desempenho 80% superior ao que seus colegas conseguiram em inteligência espacial – habilidade de visualizar o mundo acuradamente. Segundo um estudo conduzido na Universidade do Texas. contribuído para a extinção do departamento de música nas escolas e colégios. o cérebro humano é mais maleável e os efeitos da aprendizagem são maiores que em qualquer outra fase da vida (Flohr. linguagem e leitura) e discute suas implicações para a educação musical brasileira e para o desenvolvimento musical como um todo. Alunos adolescentes. O que aconteceu? O rendimento escolar caiu e o problema de disciplina e de drogas nas escolas aumentou. são emocionalmente mais saudáveis e se concentram melhor que seus colegas não músicos. fatos e mitos Beatriz Ilari (UFPR) Resumo: O objetivo deste artigo é discutir os efeitos de transferência cognitiva entre a música e outros contextos e áreas do conhecimento. estudaram o poder da música observando dois grupos de crianças em idade préescolar. eles acreditam. Assim a música foi ficando de lado. a maioria dos professores com pouco ou nenhum conhecimento de música. 1996. Trehub & Schellenberg. equilibra as emoções proporcionando paz de espírito. 2000). Trainor. Na mesma universidade. O desenvolvimento cognitivo-musical nesta época ocorre através de processos como impregnação e imitação (Ilari . Miller & Deebus. centros de convenções e outros especialmente em datas cívicas. Especificamente. Pesquisas recentes sugerem que John Locke (1632-1704) estava mesmo equivocado quando sugeriu que o ser humano vem ao mundo com a tabula rasa. o artigo trata de quatro relações de causa e efeito que envolvem a música (inteligência. educação e psicologia da música vêm fomentando um interesse crescente acerca do desenvolvimento cognitivo-musical do ser humano. psicobiologia. Aulas de música na infância realmente desenvolvem o cérebro.A Importância da Música nas Escolas [*] A educação física desenvolve o físico enquanto a música desenvolve a mente. as crianças musicadas. normalmente recebem notas mais altas nos testes de aptidão escolar. que estudaram música obtiveram 52 pontos mais na parte verbal de seus testes de aptidão escolar e 37 pontos a mais em matemática (89 pontos combinados) que aqueles sem instrução em música. de três anos de idade eram experts no domínio de quebra-cabeças. nenhum treino ou aquelas que tiveram aulas de informática. Descobertas recentes da neurociência. Durante a infância. Após oito meses. treina o cérebro para formas superiores de raciocínio. Vendo toda a problemática acima descrita percebemos que já é hora de entendermos a importância da música nas escolas. Como exemplo. Quanto mais cedo começar o treino musical maior a área do cérebro desenvolvida. 1993). em média 25% maior nos músicos. em colégios com regime de internato. No tempo do grande compositor Heitor Villa-Lobos foi introduzida na grade curricular a disciplina de música nas escolas do Brasil. Pesquisadores alemães descobriram que a área do cérebro utilizada para analisar tons musicais é. tal disciplina foi mudada para Educação Artística. A música.

motor. até o presente momento não foram encontradas réplicas do efeito. e o entretenimento (Gregory.também conhecidos como efeitos de transferência entre contextos e áreas do conhecimento (para uma discussão consulte Schellenberg. informais e acadêmicas (para exemplos consulte Schellenberg. na televisão e até mesmo em contextos educacionais. Nos últimos anos. Trainor. escolhi quatro relações de causa e efeito que envolvem a música. realizadas através do canto. Sabe-se hoje em dia que a inteligência humana é multifacetada e que as habilidades especiais constituem apenas parte do conjunto de habilidades que constituem a inteligência humana (Gardner. a mando do então governador Zell Milner. o endosso de normas culturais e étnicas. 2001). Outras experiências sobre os efeitos da música no desenvolvimento da inteligência humana também foram realizadas. 2002). Segundo o político. Costa-Giomi (1999). 2002. 1998. Não ignorando as diferenças individuais. Geralmente. que prometiam desenvolver bebês mais inteligentes e mais aptos a obterem um lugar em universidades famosas como a renomada Universidade de Yale (Schoenstein. cognitivo e social. por exemplo. era significativo porém muito pequeno estatisticamente (veja Nantais & Schellenberg. quando estas frases são pronunciadas. As crianças participantes do experimento e que tinham entre 6 e 9 anos de idade. Schoenstein. bem como afastam muitos indivíduos daquilo que chamo de motivações ‘reais’ para o ensino e para o aprendizado musical (veja Ilari. 1985). Shaw & Ky. que. No entanto. dos efeitos da aprendizagem musical em outras áreas do conhecimento . Um exemplo disso foi o chamado ‘Efeito Mozart’. Schellenberg. além de ajudar a fortalecer as ligações afetivas nas famílias. além de tudo. como no silêncio e na presença de peças de Mozart e Phillip Glass. receberam um piano em suas casas e tiveram aulas semanais gratuitas por três anos consecutivos. sobretudo no que tange à percepção e produção musicais de bebês e crianças. frases como ‘a música deixa o ser humano mais inteligente’ ou ‘ela estuda música e por isso é muito boa de raciocínio’ podem ser ouvidas em diversos ambientes – em conversas informais entre amigos. o ‘Efeito Mozart’ não causou polêmica apenas junto à população. compararam a performance de ratos de laboratório e de estudantes universitários em condições sonoras variadas. Primeira relação: O aprendizado musical e o desenvolvimento da inteligência humana Nos últimos anos. 2004).A. 1996. tenho me dedicado ao estudo dos mecanismos e processos mentais envolvidos no desenvolvimento da mente musical humana. Trehub & Schellenberg. criando muita polêmica entre estudiosos da música e da lingüística (exemplo sonoro 2). eu e meus colegas de área temos procurado compreender e modelar os processos mentais envolvidos nas atividades musicais da infância (para exemplos consulte Gardner. e transmitidos (ou retransmitidos) em conversas. mas gerou grandes disputas nas grandes rodas científicas. 2003).& Majlis. 2004. Contudo. um dos problemas que tenho encontrado refere-se à existência de diversos mitos. Como sugerem diversos estudiosos. Diversas experiências foram realizadas com o intuito de replicar ou refutar os resultados encontrados pelo time de Rauscher. que causou (e ainda causa) muita polêmica. de um estado com indivíduos mais inteligentes que a média. há uma tendência natural em associarmos o aprendizado musical a atributos ou rendimentos em outras áreas do conhecimento. em círculos familiares. as experiências sonoro-imitativas desenvolvidas através de jogos e brincadeiras e que denotam possíveis sobreposições entre a música e a linguagem na infância. algum tempo mais tarde. Estes mitos afetam (e muito) as práticas musicais realizadas em conservatórios e escolas de música de todo o país. deu origem a uma verdadeira febre de consumo da música de Mozart e de programas ‘mágicos’ de educação musical. no prelo. A cada ano as crianças passavam por uma bateria de testes de inteligência e tinham suas pontuações comparadas àquelas de um grupo controle. entre crianças e adultos. a disseminação prematura pela mídia dos resultados de uma investigação científica preliminar deu origem ao famigerado ‘Efeito Mozart’. e. a criança faz a transição entre os sons que aprendeu ainda no útero materno (exemplo sonoro 1). Mozart. nome atribuído a uma pequena melhoria em um sub-teste (habilidades espaciais) do famoso teste Stanford Binet de inteligência ocorrida logo após a audição de uma determinada obra musical de W. Trevarthen. Almeida et al 2003). ao realizar pesquisas nesta área. Há cerca de uma década. 1983). 1995. do movimento corporal e/ou da execução instrumental (exemplo sonoro 3). 1995). Além disso. Como não poderia deixar de ser. 1999. portanto. por exemplo. 2004). O ‘Efeito Mozart’. 1999. inclusive de emoção. Outro caso interessante e também relativo ao tal efeito foi a distribuição de CDs intitulados ‘Construa o cérebro de seu bebê através da música de Mozart’ em todas as maternidades do estado da Geórgia (EUA) no ano de 1998. 1997. e concluíram que a audição da música de Mozart causava um progresso temporário nas habilidades espaciais de seus participantes. Seus pesquisadores (veja Rauscher. 2002). Talvez esses fatores expliquem sua ubiqüidade. a distribuição do CD supostamente ‘garantiria’ o desenvolvimento da inteligência dos bebês e. uma das principais contestações da comunidade científica referiu-se ao equívoco dos defensores do efeito ao tomarem as habilidades espaciais como se elas fossem sinônimos da inteligência humana. suas produções musicais. alguns dos quais estabelecidos há muito tempo. estudou os efeitos de três anos de aprendizado do piano ao desenvolvimento cognitivo de crianças canadenses. A minha fala hoje trata das relações causais. e está normalmente associado a diversas funções psico-sociais como a comunicação. Minhas pesquisas procuram compreender como. que hoje é marca registrada. Huron. Ilari. Para a fala de hoje. 1993. As pontuações obtidas pelas crianças musicalizadas . e que vêm sendo disseminados pela mídia. Hargreaves. as práticas musicais das crianças e dos adultos são relevantes porque auxiliam no desenvolvimento auditivo.

apesar de a música e a linguagem aparentarem ter relações muito próximas. as crianças musicalizadas tiveram um desempenho melhor nos testes de Q. É possível que estudos futuros revelem o potencial da música no desenvolvimento da inteligência. e de outras disciplinas. entre a educação musical e o desenvolvimento da inteligência. Nos estudos revisados. 1996. culturais e étnicas. conforme ocorreu no estudo de Costa-Giomi (1999) e nos estudos do ‘Efeito Mozart’. Em outras palavras. Do ponto de vista da psicologia do desenvolvimento. econômicas. Entretanto. Cutietta (1996a) revisou a literatura e encontrou uma relação estreita entre o aprendizado das duas formas de comunicação humana por sons. O que o pesquisador encontrou foram estudos em que os alunos que eram bons em música eram também bons alunos de matemática.foram melhores que as obtidos pelas crianças do grupo controle nos dois primeiros anos. 1996).. Schellenberg (2004) apontou para a necessidade de realização de outros estudos uma vez que a possibilidade de haver uma relação. que podem ser traçadas no decorrer de toda a vida. embora os resultados tenham sido significativos. onde há programas fortes de educação musical na escola. 1999). o efeito foi estatisticamente pequeno. (2) aulas de canto coral através do Método Kodály e (3) aulas de teatro. ritmo e timbre. por exemplo. é importante considerar que. há sugestões de que a música e a linguagem estão muito próximas e são igualmente importantes na infância (Trainor. Após um ano de instrução. Trevarthen. Trehub. . sua revisão de literatura não encontrou nenhuma relação causal entre a aprendizagem musical e as habilidades matemáticas. é preciso muito cuidado com as generalizações já que não há nenhuma garantia de que ao aprender uma disciplina o aluno terá sucesso na outra. como ficou dito. Segunda relação: O aprendizado musical e o raciocínio lógico-matemático A discussão acerca da existência de uma relação causal entre a música e a matemática é bastante antiga. Cutietta não encontrou estudos que versassem sobre o aprendizado musical como elemento de ‘melhoria’ ou aperfeiçoamento das habilidades matemáticas. Alguns estudos investigaram as relações causais entre o aprendizado da música e o aprendizado da linguagem. tornam-se mais independentes no decorrer do desenvolvimento infantil e praticamente se dissociam quando as crianças aprendem a diferenciar o canto da fala. 2003) sugeriu que os músicos possuem uma habilidade superior aos não-músicos na percepção da prosódia na fala tanto em frases faladas como em frases musicais análogas. tanto a música quanto a matemática faziam parte dos conhecimentos dos indivíduos ilustrados e respeitados socialmente por suas capacidades intelectuais. e alguns estudiosos chegaram a sugerir que a melodia (e não o conteúdo semântico das palavras) é a mensagem principal que os bebês captam (Fernald. embora a música e a matemática tenham uma relação estreita. já que. mas que os alunos matriculados em cursos e aulas de música sejam alunos mais aplicados que a média. Terceira relação: O aprendizado musical e o aprendizado da linguagem Diversos estudos da neurociência sustentam o argumento de que a música e a linguagem são duas formas de comunicação humana através de sons que possuem tanto diferenças quanto semelhanças de processamento e de localização espacial no cérebro (veja Marin & Perry. tal habilidade se estende à interpretação do conteúdo emocional. seguidas pelas crianças oriundas do curso de teatro. relações causais sólidas entre o aprendizado musical e a inteligência ainda não foram encontradas. é importante notar que estudos com relações causais sólidas e apresentando um grande efeito estatístico entre a música e o desenvolvimento do intelecto humano não são encontrados na literatura científica. 2001). o que sugere um efeito mínimo. Considerando que os estudos revisados por Cutietta foram conduzidos principalmente na América do Norte e na Europa. por exemplo. A própria história da música fornece uma possível explicação para tamanho interesse nesta relação. bem como de seus métodos de investigação. que comparou o desempenho de crianças de 6 anos de idade que cursaram uma entre três modalidades artísticas: (1) aulas de piano. Além disso. até o presente momento. que freqüentemente se confundem no início da vida. no prelo.I. No entanto. todo cuidado é pouco no estabelecimento de relações causais entre elas já que não há garantias de que haverá. é possível que não exista necessariamente uma relação causal sólida entre a música e a matemática. possui muitas características musicais (Ilari. 1996. há muitas relações matemáticas contidas na própria estrutura musical. bons alunos também na matemática. Porém. 1989). parece ser real. 2003). sendo. ao término do terceiro ano do projeto. Segundo os pesquisadores. Trainor. necessariamente. Além disso.. portanto. Na Antigüidade. transferência cognitiva de uma área para a outra. Um outro estudo (Thompson. Entretanto. ainda que pequena. Contudo. Resultados semelhantes foram encontrados por Schellenberg (2004). a criança pré-verbal está atenta e responde igualmente aos contornos melódicos da fala e do canto dirigido a ela (Trainor. A fala dirigida aos bebês. que é transmitido através da prosódia contida tanto na fala quanto na música. Além disso. as crianças do grupo controle. Além disso. Comentando os resultados de seu estudo. o que torna bastante próxima a relação entre as duas áreas. possivelmente porque tais estudos são difíceis de serem realizados já que são longitudinais e envolvem uma série de questões sociais. é preciso muita cautela na interpretação dos resultados das pesquisas acima mencionadas. Segundo a interpretação de Cutietta. os alunos musicalizados mostraram um desempenho superior ao de seus colegas não-musicalizados em tarefas de percepção e de articulação da fala. Schellenberg & Husain. Cutietta (1996b) revisou a literatura sobre o assunto e concluiu que há alguma relação estreita entre a música e a matemática. é necessária muita cautela no assunto. e por último.I. com um grupo controle em testes de Q. a música e a linguagem compartilham algumas propriedades acústicas como altura. Cutietta (1996a) sugere que há uma possível relação entre a aprendizagem musical e o aprendizado de línguas estrangeiras. porém foram equivalentes entre os grupos. A música e a linguagem. No entanto.

criação. muitos estudos das relações de transferência cognitiva entre as áreas servem razões muito mais econômicas que propriamente psicológicas ou educacionais. Além disso. que fomentam e garantem o desenvolvimento cognitivo musical das crianças. Porém. movimento. criam e brincam com a música simplesmente porque é natural (e muito divertido) fazê-lo. o fazer musical da aula de música envolve diversas formas de aprendizagem contidas em atividades como audição. composição. os mesmos estudos transformam a música em um meio e não em um fim em si. Estas relações são interessantes e possuem algum valor se tomarmos um ponto de vista exclusivamente científico-teórico. Outros estudos revisados anteriormente por Cutietta (1995) sugerem uma forte correlação entre a educação musical e o rendimento de leitura em alunos com idade variável entre 5 e 19 anos. 2002. Embora existam poucos estudos. nas possíveis omissões de dados (como ocorreu no caso ‘Efeito Mozart’). Um estudo recente conduzido por Anvari e colegas (2002) sugeriu que a percepção musical tem uma relação estreita com o desenvolvimento da leitura e com a consciência fonológica (isto é. que influenciam diretamente a validade e aplicabilidade dos estudos. mas novos estudos ainda são necessários para determinarmos se há. Em primeiro lugar. representação. no exercício dessas formas de aprendizagem os alunos podem ter uma sensação de realização pessoal. Os estudos resenhados sugerem que as crianças musicalizadas podem aprender a ler mais depressa. É também imprescindível questionarmos até que ponto há importância em estabelecermos relações causais entre a música e outras áreas. muitas vezes. de uma área de conhecimento para a outra. e também buscarmos informações nas entrelinhas. isso raramente ocorre e diversos problemas decorrem da aplicação das relações causais entre a música e outros contextos ou áreas. Em segundo lugar. e identidade social. tempo. mentais e espirituais” e a arte contribui muito para esse desenvolvimento integral. 1983). Como sugere Schoenstein (2002). Gorski Damaceno [*] A Educação conforme a escritora americana Ellen White é o “desenvolvimento harmônico das faculdades físicas. é importante questionarmos as relações causais entre a música e as outras áreas do conhecimento porque elas influenciam nossas motivações e atitudes diante do desenvolvimento infantil. as investigações acerca dos efeitos da música no desenvolvimento intelectual ainda estão em fase preliminar e há poucos fatos comprovados e muitos mitos (veja Ilari. No entanto. que são transmitidos e desenvolvidos através da educação musical. os resultados apresentados até o momento são bastante sólidos. políticas e econômicas que freqüentemente transcendem à própria razão de ensinarmos música. Trehub & Schellenberg. a música carrega traços de história. é importante frisar novamente que. dançam. a aplicação dos estudos de transferência entre a música e outras áreas acaba estabelecendo relações completamente estapafúrdias. é importante que sejam consideradas as distinções entre os diversos tipos de transferência (distante e próxima) no exame dos estudos sobre os efeitos de transferência entre contextos e áreas de conhecimento. trouxe à tona a questão dos efeitos da educação musical em uma área fundamental: a alfabetização. a habilidade que o ouvinte tem de segmentar a fala em unidades menores e ainda assim reconhece-las independentemente de variações em altura. sobretudo em um país como o nosso que luta pela inserção da música como disciplina obrigatória na educação básica. Sem falar que. até o presente. Como foi dito anteriormente. 2003). canto. culturas e classes sociais cantam. dança e execução instrumental entre outras. avaliarmos os resultados. ao meu ver. Em conjunto. realizadas dentro e fora da escola. Todas estas atividades auxiliam no desenvolvimento da inteligência musical (veja Gardner. São as experiências musicais de qualidade.Quarta relação: O aprendizado musical e a leitura O interesse pelos efeitos da música no desenvolvimento cognitivo nos últimos anos. Como exemplo. não foram encontradas relações causais entre os dois aprendizados. A Música no Contexto da Arte e Educação Ana Maria N. impondo razões educacionais. estes estudos sugerem que o aprendizado musical pode ser útil para o desenvolvimento da leitura. sociais. improvisação. Enquanto evidências sólidas e convincentes não são apontadas. timbre e contexto). de fato. 1995). de diversas etnias. e no caso específico da educação musical. a música constitui uma importante forma de comunicação e expressão humana e praticamente todos os povos do mundo possuem algum tipo de música (Ilari & Majlis. Além disso. cultura. os maiores efeitos da música são aqueles contidos nas experiências que ocorrem diariamente em todas as partes do mundo. uma transferência cognitiva generalizada. raramente ouvimos alguém dizer ‘ele estuda física para ser bom em culinária’ ou ‘ela faz teatro para aprender a nadar’. do ensino e da aprendizagem musicais. Considerações Finais Apesar dos avanços científicos recentes. as amostras e os contextos. como sugere Schellenberg (2004). É necessário indagarmos sobre os métodos de investigação. Se por um lado os estudos sobre os prováveis benefícios extra-musicais da música parecem fomentar argumentos promissores para a educação musical. A música tem valor próprio e há muitas razões que justificam sua inserção na escola. . quando crianças. È possível que as pesquisas futuras apresentem evidências que apontem para enormes efeitos e benefícios da educação musical no desenvolvimento cognitivo. de bem estar e de prazer que resulte naquilo que Csikszentmihalyi (1990) chamou de fluxo. Em terceiro lugar. reprodução.

fluência. Isto e mais o consenso antimusical de alguns pedagogos do nosso país “Música não serve para nada”. desde os tempos remotos. Opinião assim e. ouvindo e tocando instrumentos até construídos pelos próprios alunos. Todos os pais e educadores devem se convencer de que a música é um inestimável beneficio para a formação. pouco compatível com a sublimação cultural e mais a radiocacofonia. As músicas podem ser integradas numa peça de teatro. O que acontece. desenvolvimento e equilíbrio da personalidade da criança e adolescente. Advoga-se a tese de maior intercambio entre arte. Exprime o que de mais profundo há no espírito humano”. numa coreografia. atual Ensino Médio. depois. O objetivo deve ser o desenvolvimento das faculdades intelectuais e sensoriais e a busca de uma interação enriquecedora entre ambas. foram coroados pelos seus esforços. Talvez. concepção esta inteiramente errada. Por outro lado. que provocam fenômenos de rejeição acústica. outro cuidou dos efeitos de luz e som. alguns pouco interessados em aperfeiçoar-se. Portanto as generalizações aos músicos e artistas são simplesmente absurdas! A música no decorrer de nossa vida e. uma grande auxiliadora pedagógica par se aprender as demais matérias. tornam essas aulas maçantes. flexibilidade e originabilidade. ensinam a desouvir. têm um efeito terapêutico muito grande. sem formação especializada ou. criatividade. A utilização da música na educação de crianças é um grande estimulo ao desenvolvimento do pensamento criativo. confiança. O conceito de ensino da arte como adorno para as moças da classe alta até meados deste século. como arte turva. A primeira. e apresentou um programa para pais e alunos da escola. na experiência artística-musical. Sabemos que os gregos. professor e aluno selecionam o material. música.A escritora brasileira Ana Mae Tavares Bastos Barbosa mencionou: “Educação é o caminho que leva alguém a realizar as próprias descobertas e alcançar sua expressão própria”. cansam e desgastam grandemente o sistema nervoso. equilíbrio. melodia. Para nosso trabalho muitas vezes era pouco tempo e os alunos não se incomodavam em marcar ensaios extras. senso estético. Todas estas idéias negativas de música formadas no século XX e a vinda de músicas ruidoras que. tinham como disciplinas primordiais à educação física e a música. de que “toda pessoa é talentosa”. afetividade. sexualizada. cotidiana e permanente. daí o termo “musicoterapia”. ensaiam bem para que saibam as letras com precisão rítmica e melódica. sua agudeza de observação. A classe trabalhou unida e arduamente. ciência e técnica e. deixam as pessoas irritadas e extremamente cansadas. devido ao machismo existente em todo o mundo. desinibição. dramatizaram. procurando despertar no estudante sua sinceridade de emoção. auto-afirmação. Instrumentos e Belas Artes não possuem sexo. à medida que vão realizando as improvisações. cantores e pintores de maior projeção de todos os séculos são homens. interlúdio e poslúdio. Até ligam sempre os artistas a pessoas desajustadas e metidas com drogas. ainda pior.692/71 o Brasil instituiu duas horas por semana para Arte nas escolas. o grupo dos músicos providenciou os fundos musicais e tocou na abertura. ajudando na cura de várias enfermidades. onde dividimos a classe em vários grupos. outros interpretaram os papéis. Os três elementos fundamentais da música. . Pela lei 5. as músicas eruditas em geral. colocam numa ordem. leitura dinâmica. Grau. Achamos interessante mencionar uma experiência com nossos alunos da Educação Artística do 2o. da imaginação e de noção de forma. sem idéias renovadoras. numa festival ou num recital ou concerto. Infelizmente. pois faziam por prazer e com gosto. sempre representou uma forma de libertação emocional. O professor deve estimular os alunos à composição de músicas instrumentais e vocais. Deve permitir em primeiro lugar a exploração livre pelos alunos. São apropriados a todos independentemente de sexo. escolhemos um tema onde um grupo escreveu o roteiro da peça... Todos os alunos se realizaram e. concentração. é que muitas vezes professores pouco motivados. em todas as épocas. impulsiva. fixou a idéia que as belas artes e o estudo do piano e canto são só para o sexo feminino. harmonia e ritmo. para desenvolver um bom físico e a segunda para uma mente sadia. felizes. Segundo o educador Paulo Dourado: “A música é a mias abstrata das manifestações do homem. outro pintou e improvisou o cenário. Também para desenvolver: a coordenação motora. devem ser desenvolvidos cantando. instintiva. “Mente sã em corpo são”. podendo despertar perigosos impulsos para o efemininamento e a boemia. Tanto que os pianistas. sua fantasia e criatividade. alguns ainda advogam que as experiências em arte são luxo dispensável.

escola e sociedade. podem contribuir para o equilíbrio emocional. Aqui pretendemos oferece-lhe uma solução diferente. ou que espécie de valores ela está colecionando para o futuro. estamos preocupados com muitas coisas: disciplina (ou falta dela). é de suma importância a fim de proporcionar uma melhor integração do indivíduo na família. por pessoas devidamente especializadas. Isto significa que 99% dos pais não liga para esse eficiente e vital método para melhorar a vida de suas crianças. Desde que David acalmou o rei Saul com música. E aprendem os pais como o filho ataca um problema.. Realmente nossos filhos também não param quase em casa.. Igualmente. Mas os jovens músicos estudam onde os pais podem vêlos. E sobre tudo. demonstrar lógica e afeição torna-se quase impossível enquanto nossas gerações agirem como se estivessem em órbitas diferentes. ou para onde ela vai. e a sua própria. mas ás vezes melhorar as relações do dia-a-dia com ele. Uma solução maravilhosamente simples? Talvez. nos preocupamos com nós mesmos. vadiagem. "Se a Música é o Alimento do Amor.. pais. e uma variedade de males e vícios. Você não precisa fazer um curso para estudar a criança. estudando convivendo com os amigos. Estudos recentes mostraram que as famílias que cultivam a música tomam interesse também em todas as fases da vida deles. a juventude tem pouca chance de exteriorizar sua energia interior. vivendo através deles.. Em síntese. os mais velhos. Hoje em dia quase toda a educação se faz longe do lar. um lugar de alegrias e entretenimento e que nós. falta de comunicação entre as gerações: estatísticas ameaçadoras sobre delinqüência juvenil. Como a Música Pode Melhorar o Entendimento Entre Você e Seu Filho Você adora seu filho.É nosso objetivo reforçar que a música e. Todos os pais querem que seus filhos sintam o lar como um paraíso de paz.uma solução fácil. ou pelo menos uma das fontes onde o amor se abastece. estamos a sua volta para criar e preservar um coração feliz. Nós podemos estar vivendo uma era que gira em torno da criança mas. ou consultar especialistas para criar esses laços de estreitamento da família.e ouvi-los. e acima de todos os nossos receios. econômica e antiga. coordena e persevera. que o ensino da música na arte educação. envolve uma intensa relação entre pais e filhos. A observação dessas exteriorizações da personalidade permite melhor entendimento do caráter do filho e uma forma de tratá-lo mais sensatamente. Isto não é mágica é lógica. Causar-lhe-á espanto como uma clarineta pode agrupar um lar ou substituir um psicanalista. Compartilhar idéias e interesses. A musica permanece como uma das poucas atividades cujo núcleo encontra-se no lar moderno. as artes em geral. tem menos oportunidades para obras criativas. mulheres e crianças descobriram que é possível criar melhor entendimento e harmonia doméstica através da música. simplesmente fiquemos com eles. . a musica parece ser a fonte do amor. E verdade que gastamos quase todo o nosso tempo cozinhando para eles. De fato estamos tão atarefados fazendo que pouco tempo nos sobra para que. o centro dessa era raramente é o lar. quão profundo é o nosso amor por eles. menos de 1% das crianças brasileiras estão sujeitas a um preparo musical adequado ou sendo treinadas em um instrumento musical. Todo o processo: a escolha do instrumento. Qual o Caminho? Hoje em dia nós. Vamos dar uma olhada em alguns dos benefícios que a musica tem para oferecer. infelizmente. comprando por causa deles. como pais. A medida que os anos passam nossa ansiedade vai aumentando. indagando ás vezes por que não vemos mais claramente o que os nossos jovens querem ou entendemos o que eles realmente sentem.. conferenciando sobre eles. Sentada olhando e falando e aplaudindo. A pressão das forças externas causa um impacto violento em nós e tenciona os laços familiares a um ponto critico. Mas. Todos nós temos momentos em que queremos entender nossos filhos um pouco mais e melhor. Muito constrangedor é verificarmos que a juventude se torna uma espectadora passiva.. planejando em torno deles. Não estamos certos de como essa mocidade folgada está crescendo. ou tirar umas férias da família. psicológico e social do educando. fazê-los compreender o quanto nos preocupamos com eles. Esse procedimento produz calorosas e estreitas relações e reduz a ansiedade. Eles ficam fora. em casa. Vamos Fazê-la" (Shakespeare) Você perguntará agora o que isso tem a ver com a música. Sob essas circunstancias a disciplina de torna cada vez mais difícil.. que muito raramente participa daquilo que está fazendo. enfrenta as frustrações. Mas antes vejamos quais os problemas domésticos que dão maior relevo a esses benefícios. sua compra e o estudo nele. os homens.

Joãozinho. de fato. expressão e atendimento. ele está pronto e amadurecido para ele e o receberá com uma fonte de conforto e de alegria. por causa de seu instrumento ele encontrará amigos em todos os círculos e suas chances serão. Ninguém nega que para se atingir a uma harmonia deve-se começar por aquilo que é perfeito. dependendo de sua imaginação e das músicas que ele escolher. muito maiores. ele pode retroceder em seu instrumento. A música estreita as relações entre você e seu filho de uma outra maneira. Porque. dias bons e maus. Mais tarde. conversar com Peter Pan ou pular com Pedrinho no Sitio do Pica-Pau Amarelo. mas ele encontrou sua forma de "escape" como um participante ativo e não como um simples espectador. se ele insiste para que ela estude é por que está suficientemente envolvido para querer isso. se o pai a critica por uma nota desafinada. Ele verá que existem momentos em que compromissos. Quando você e seu filho comentam o progresso dele e demonstra se orgulhar disso. Por seus momentos de ansiedade ou tensão Joãozinho será punido. Na infância as bonecas e os amigos imaginários satisfazem essa necessidade. harmonia familiar. Criticas construtivas não inibem a criança. Ele reclama muito? Realmente não Joãozinho. quando essas "escapadas" da infância precisam ser substituídas. A música tem muitas faces e muitas virtudes. prazer. Assim que Joãozinho for se desenvolvendo no uso de seu amigo. Felicidade – na idade adulta – significa encarar a realidade. Mas. um pequeno trompete pode construir. pode ir para qualquer lugar. é um ser emocional. aprendendo a gostar de si mesmo. mas a indiferença sim. então. Essa integração. todas essas forças antagônicas são uma parte normal da existência humana. ele. ele também adquirirá nova segurança em si mesmo e incrementará seu respeito pessoal. Agora por fim. fazer o que quiser. Um instrumento musical ajudará Joãozinho a tornar-se: 1) um melhor irmão. A criança saberá que. a assoprar fora sua fúria ao invés de se bater por ela com os punhos. "A Música é a Linguagem Universal da Humanidade". Onde quer que esteja todos entenderão o que ele diz por que seu instrumento tem uma linguagem melhor e mais profunda que a das palavras.Neste ponto você talvez diga: Oh! Inclusive diga que a música cria também atritos. Esse inanimado amigo o ensinará a enfrentar a tristeza e a frustração de forma diferente. sente-se estimulado para maior esforço por causa de seu orgulho. "A Música Tem Encantos que Enternecem o Selvagem". Joãozinho estará dando o primeiro passo num ajustamento bem sucedido no grupo. para ele bastante ego. Em suma. ou expelir grandes sons. cooperação. e divisão se desenvolve em torno de sons e notas e traduz-se em afeição e harmonia humana. existe alguma coisa (ou alguém) que o apoiará. respeito pessoal. com sua clarineta. amor e ódio. encontrar quem quiser. uma palavra deve ser dita sobre os instrumentos musicais como uma fonte de alegria e duradouro prazer. um instrumento musical é o substituto ideal. de praticar ou de melhorar por causa deles. sons melodiosos e discordantes. ele provavelmente tem irmãos e irmãs em casa. que lhe dará uma chance de expressão pessoal. rivais na escola e algumas dúvidas íntimas acerca de si mesmo. ele está dedicando seu tempo para ouvi-la. nem deixam de se amar. Pais e filhos emocionalmente sadios não se assustam ou se ressentem por sentimentos discordantes. lutas com os irmãos e insegurança pessoal. Com o tempo ele começa a tocar um instrumento musical (de forma ideal em torno de seu 10° aniversário). encorajamento e repreensão. Ouvir-se-ão notas desafinadas e barulho. E pode fazer mais. ou cooperação são tão necessários. afinal. Pode manter Joãozinho mais em casa. por seu lado. escape. Entretanto quando ele recebe um instrumento musical. ele pode ir à batalha. Em seu instrumento ele pode criar ou expressar grandes pensamentos. Abra-te Sésamo! Um instrumento musical é a chave que abre um tesouro: talento engenhosidade. Ele pode ser sonhador e fugitivo. ou se livrar grandes problemas. Pode torná-lo desejoso de realizações ou compreensivo e obediente para os pais. ou viajar no Rio Amazonas. 2) um indivíduo alegre e 3) um membro mais cooperador de um grupo. Aprendendo a viver consigo mesmo como um indivíduo. ou renúncias. Sem se resignar à angústia da realidade ou a ridicularização dos amigos. apanhará ou sofrerá caçoada. Por mais que ele viva e em qualquer lugar a que for. Você está certo neste ponto. Desde que muitos pais estão freqüentemente preocupados com a felicidade de seus filhos. muitos pais negam essa experiência a seus filhos? Porque eles obstinadamente viram as costas para tanta riqueza potencial? As razões que os pais dão para essa relutância são inúmeras e nós tivemos o trabalho de catalogar as principais: 1 – Meu Filho Não Tem Talento! . mas felicidade também significa encontrar um caminho aceitável de "escape" quando "estamos saturados do mundo". Ele terá que enfrentar – ou não enfrentar – competições e brigas na escola. e algumas vezes relutância para uma pratica constante.

Ainda mais estranho quando pensamos que a música é a única das distrações que será duradoura durante a vida de seu filho – e melhor harmonia de seu lar – olhe para aqueles cujos instrumentos musicais enriqueceram sua vidas através dos anos. nenhuma carreira é um caminho para a música. se eles o tivessem colocado em contato com a música quando criança. Nós. antigo e indubitavelmente econômico para solidariedade familiar. Nós. marinheiro. Psiquiatras sabem que uma boa parte da delinqüência e do desajustamento do individuo deriva de um lar em que os pais deixavam as atitudes ao livre arbítrio da criança. você o estará incentivando a seguir o seu próprio caminho. meu filho". assobiando balançando e cantando. puna uma criança de 6 anos e ele cantará sua música privativa. dedilhando. O mundo da criança está saturado de ritmo e de melodia. lembramos da música como era em nosso tempo. alfaiate. soldado. isso significará que ele deve ser um atleta que não aprecie música? Doutor. uma enormidade de escalas e anos de prática para que algum progresso fosse notado. Mesmo que ele se disponha a seguir os passos que você quer.. se você perder o seu respeito. A educação musical mudou bastante e a criança adquire um senso de empreendimento. E Provavelmente Desistiria! As crianças. Que decepção terá se ele fraudar sua boa fé. de realização em muito pouco tempo. 6 – Meu Filho Levaria Anos Para Aprender. pais. se somente os talentosos se tornassem aprendizes de música quem assistiria nossas Sinfônicas. mas cada uma delas é enriquecida pela recompensa que a música dá. mas simplesmente pela experiência que dela emana. hoje em dia. É supondo sua reação que devemos negar-lhe essa agradável experiência? O contato com o aprendizado musical. Agora que acabou de ler. dará nova dimensão á sua personalidade. Se seus pais não o tivessem estereotipado. mesmo que breve. a profundidade desse caminho fácil. não pelas notas. mas é perigoso colocarmos nossas necessidades na frente das deles.Como você pode saber enquanto ele não esteve submetido a uma situação de aprendizado em que a música estivesse envolvida? Mesmo que você esteja certa. os pais damos desculpas e buscamos fracos argumentos para negar música a nossos filhos. Estará ele ou ela preparado para a música? Qual o instrumento mais apropriado? Certos tipos de crianças são mais aptas para serem bem sucedidas com este ou aquele instrumento? O educador musical da . ou apreciaria nossos músicos ou compraria discos? 2 – Meu Filho Não é o Tipo! Nós devemos catalogar.. tocando-a. a música deve permanecer sendo como a caridade. deve ser dada somente aos necessitados e aos talentosos? Não são todas as crianças que devem ter mais cultura? Não devemos dar a todas a oportunidade de uma enriquecedora aventura? Porque negar a seu filho a alegria da música? E ainda mais. talvez agora você tivesse uma fonte extra de verdadeiro prazer. 5 – Eu Quero Uma Criança Varonil! Numa época em que muitos pais lavam pratos e em que muitas mães são obrigadas a trabalhar fora como podemos dizer qual o interesse ou atividade que é masculino ou feminino? Quer um exemplo mais positivo do que o fato de que um dos primeiros homens a pisar na Lua era músico e passou seu tempo de isolamento. Elas precisam de pais que façam as escolhas. E supondo que seu filho tente e desista. aprendem música mais rapidamente. não para um fim longínquo. As crianças gastam uma boa parte de seu tempo zunindo. As crianças não sabem que experiências ou aprendizados são bons para elas. nenhuma direção e nenhum controle. batendo. como um bom pai você pode se tornar um melhor pai por fazer com que a nova geração passe a fazer música. Talvez você ache que seu filho tenha o "tipo atlético" por que quer que ele seja o esportista que você nunca chegou a ser. que a conduzam em certas direções e que lhes abram novos horizontes que facilitarão o seu futuro. não pelos resultados. tocando um instrumento. Lembre-se que a "musica é o alimento do amor" e que. você pode ter perguntas sobre as oportunidades que seu filho ou filha terá na banda de música. ou deseje e falhe. Como podemos avaliar o que isso significará para ele quando adulto? Lembre-se. Fazendo o jogo "depois de você. quando do regresso. ou seja. a música é uma das poucas coisas que a criança pode fazer. 4 – Meu Filho Nunca Pediu Para Aprender Música! Ele lhe pede permissão para ir à igreja? À escola? Felizmente você assume a responsabilidade por essas decisões como uma parte de sua atividade de pai. 3 – Meu Filho Não Demonstra Nenhum Interesse Pela Música! Tem certeza? Quase toda criança se manifesta através de músicas e sons. rotular e enquadrar todo mundo? É natural que nós desejamos que nossos filhos tenham o que nós uma vez já desejamos e não tivemos. É de se estranhar que somente 1% de nós veja a sabedoria. de uma caneta a um gurizinho e ele baterá um ritmo fascinante. não por que seus amigos fazem a mesma coisa. Cante um acalanto e o bebê se acalma. onde se dava inteira liberdade.

. (El Ritmo Musical – Mathis Lussy). mas não tão forte (mf) como o 1°. uma frase inteligível. A segunda parte do tempo é fraca. deve-se respeitar a sintaxe de ambas. "Por si só. ou ainda acentuação freqüente em outro tempo do compasso sem ser o 1° — único tempo realmente acentuado (Hino 590).sangue tupi. simples ou composto. a parte acentuada. O Motivo equivale à palavra na poesia. estruturado na . Ex: Casinha Pequenina: Tinha um coqueiro do lado. Fraseologia Musical Outro aspecto importante é reconhecer os limites da frase musica. Não é preciso muito preparo para identificar as sílabas tônicas e átonas das palavras. Sintomas de ritmo mal expresso podem ser: a incidência de barras antes de pausas (Hino 245).. os sons não constituem a música. Vem que eu quero te dar.alternativa proposta no exemplo 2 do Apêndice) [1]. Infelizmente isto nem sempre ocorre. E só então que passam a pertencer ao domínio da arte". substituir mentalmente a indicação incorreta pela certa. em uma idéia musical. assim como as palavras isoladas não constituem a linguagem. a expressão objetiva da duração dos sons é feita pelo uso das figuras e pausas. somente quando unidas entre si por um vínculo lógico respondendo às leis do entendimento. Os outros tempos do compasso são igualmente fracos em qualquer das fórmulas. (São palavras de Charles Gounod). Índia: . assim a falsa acentuação do 3º tempo passa a funcionar como legítima parte forte do 2° tempo (Hino 1 e 392). Seu centro de gravidade é o tempo forte do compasso. Algumas vezes o próprio compositor deixa de refletir o suficiente para colocar a barra na posição correta ou escolher a fórmula ideal para representar objetivamente o ritmo de sua música (ver o exemplo no apêndice)... Qualquer fórmula de compasso quaternário. enquanto o motivo. Além da dificuldade para bem adaptar letra à música cuja grafia não expressa com clareza a cadência que lhe é própria. — Compassos Compostos (unidade de tempo pontuada) têm divisão ternária. As palavras. está simplesmente abanando a mão e confundindo aqueles que ele conduz. afeta também sua interpretação. sendo a primeira parte forte seguida de duas partes fracas. O Compasso deve ser a expressão objetiva do ritmo através das fórmulas de compasso e barras bem aplicadas. Ou notas fracas como as prolongadas por ligadura (Hino 480). a indicação correta deveria ser: 2 compassos binários com uma nova barra antes do falso 3° tempo (Hino 145 . tens o cheiro da flor. Vamos colocar em primeiro lugar a importância do respeito às sílabas tônicas e sons acentuados da Música. (melhor seria: Tinha ao lado coqueiro).. O compasso quaternário costuma ser mal interpretado acarretando certa confusão. O ponto de partida para a frase musical é o motivo[2]. As fórmulas e barras de compasso são as referências básicas para identificar os sons acentuados na música. deve indicar 1 tempo forte seguido de 3 tempos fracos. de inter-relação — que são as que regulam sua sucessiva ou simultânea produção — para converter-se realmente. Em Música. Divisão dos Tempos — Compassos Simples têm divisão binária dos tempos sendo a parte inicial do tempo. Na combinação das duas linguagens o número de sílabas do verso poético deve corresponder ao número de sons para que o pensamento se complete ao mesmo tempo.banda deve ser um professor treinado e qualificado através de anos de experiência em trabalhar com as crianças para organizá-la em cooperação com o diretor da Escola? Critérios para Relacionar Letra e Música Tércio Simon Para obter bom resultado na associação dessas duas linguagens. O regente que não faz coincidir o som acentuado com seu gesto mais enfático. Já na Música surgem algumas dúvidas. Tempo Forte — Todo compasso deve ter início com o tempo forte. a fórmula correta é binária com os tempos convertidos em partes de tempo. Quando o 3° tempo é mais acentuado que o 2° e o 4°. Quando o 3° tempo é forte como o 1°. Palavras bem colocadas não terão as sílabas átonas associadas a notas mais acentuadas que as que correspondem às sílabas tônicas (vício comum em músicas folclóricas e sertanejas). Obs.: O grifo indica sílabas que recebem acento forçado pelas notas acentuadas. portanto a barra de compasso só está bem colocada quando vem antes do som mais acentuado. A diferença é que o compasso tem início no tempo forte.. formam uma proposição. Acontece o mesmo com os sons que devem obedecer a certas leis de atração. Os sons se agrupam em células que associadas vão formar as frases e períodos da música. Acompanhante e regente deveriam perceber o problema e mesmo sem modificar a escrita. Há normalmente o mesmo número de motivos e compassos. A expressão objetiva da altura dos sons é feita pela posição das notas na pauta e determinada com mais precisão utilizando as claves.

completando o período musical. no 1° caso só combinação binária.Música e Poesia forem compatíveis e ambas resultarem de legítima inspiração religiosa. A mescla de combinação binária com ternária pode formar frases de 5. meia-frase. Motivo de uma nota só — será formado pela nota do tempo forte.relaçãoarsis/tesis (impulso/repouso). A menor frase terá 4 motivos (2 meias-frases binárias — frase quadrada). e a maior. costuma terminar no tempo forte (repouso). frase ou período. Conclusão O verso ideal conserva as sílabas tônicas onde há nota acentuada. 7 ou 8 motivos (combinações assimétricas). O lº motivo combinado com mais um ou dois motivos. melodia e harmonia. terá 9 motivos (3 meias-frases de 3 motivos). Quando o verso tem mais sílabas que as notas da frase musical. Quando ele tem várias notas pode conter uma ou mais palavras. ou as sílabas excedentes invadem notas de outro elemento da frase musical. A combinação dos períodos forma a obra musical (Ex. e a que ocorre entre uma meia-frase e outra. Não cabem aqui onde a intenção é apenas dar uma idéia de como se estrutura a frase musical. Esta pode vir seguida de uma ou duas meias-frases formadas por dois ou três motivos. (EX. Mesmo assim a sensação é mais ou menos incômoda sempre que uma palavra é cortada por uma dessas divisões. As divisões mais enfáticas da música são: o fim do período ou o fim da frase. Se ainda. A 1ª frase pode vir seguida de uma ou duas frases que respondem à 1ª. . Deus será glorificado e todo crente elevado espiritualmente. simetria total em 2 períodos). e não usa palavras que avancem além dos limites do motivo. formam a meia-frase. São divisões menos enfáticas: a separação dos motivos que formam a meia-frase.: 1° motivo do Hino 1 – palavra monossilábica). 6. Se essas características se repetem em todas as estrofes expressando o pensamento de forma lógica e bela — devemos estar diante de uma obra de arte. [1] Todos os hinos mencionados referem-se ao Hinário Adventista [2]Os critérios para a divisão dos motivos são baseados nas leis do ritmo.: Hino 1 – é formado por 4 frases quadradas. mas a palavra não deve ser cortada pelo motivo. torna-se necessário o uso de contração (geralmente forçada). e no 2° caso só combinação ternária.

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