Direito Penal – LFG – Intensivo I

Prof.: Rogério Sanches Bibliografia: 1. Cezar Roberto Bitencourt, 2. Parte Geral de Rogério Greco; Coleção Ciências Criminais, LFG – www.livrariart.com.br ÍNDICE DIREITO PENAL:......................................................................................................................................4 Conceito:..................................................................................................................................................4 Finalidade / Função: ................................................................................................................................4 Direito Penal Objetivo e Direito Penal Subjetivo:...................................................................................4 FONTES DO DIREITO PENAL: ...............................................................................................................5 Fonte material:.........................................................................................................................................5 Fonte formal:............................................................................................................................................5 Fontes Mediatas:......................................................................................................................................5 INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL: .......................................................................................................7 Finalidade:...............................................................................................................................................7 Espécies:..................................................................................................................................................7 PRINCÍPIOS NORTEADORES DO DIREITO PENAL: ..........................................................................9 Princípios relacionados com a missão fundamental do Direito Penal:....................................................9 Princípios relacionados ao fato do agente:.............................................................................................10 Princípios relacionados com o agente do fato:......................................................................................14 Princípios relacionados à pena:..............................................................................................................16 LEI PENAL NO TEMPO:.........................................................................................................................18 Sucessão de leis penais no tempo:.........................................................................................................18 LEI PENAL NO ESPAÇO:.......................................................................................................................23 Princípios:..............................................................................................................................................23 IMUNIDADES:.........................................................................................................................................27 Constitucionalidade:..............................................................................................................................27 Espécies de Imunidades:........................................................................................................................27 TEORIA DO CRIME SEGUNDO LFG: ..................................................................................................32 Fato Típico:............................................................................................................................................32 TEORIA DO CRIME: TEORIA GERAL DA INFRAÇÃO PENAL: .....................................................38 Conceito de Infração Penal:...................................................................................................................39 Conceito Analítico de Crime, de acordo com as várias Teorias:...........................................................39 Sujeito Ativo do Crime:.........................................................................................................................40 Sujeito Passivo do Crime:......................................................................................................................41 Objeto Material:.....................................................................................................................................41 Objeto Jurídico:......................................................................................................................................41 TEORIA DO CRIME: SUBSTRATOS DO CRIME:...............................................................................42 FATO TÍPICO:......................................................................................................................................42 1) CONDUTA:..............................................................................................................................42 Crime Doloso: ...............................................................................................................................45 Crime Culposo:..............................................................................................................................49 Crime Preterdoloso:.......................................................................................................................51 Erro de tipo:...................................................................................................................................52 - Conceito:......................................................................................................................................52 - Erro de Tipo x Erro de Proibição:...............................................................................................53 - Espécies de Erro de Tipo:............................................................................................................53 a) Essencial: ..................................................................................................................................53 1

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b) Acidental: .................................................................................................................................53 - Erro de Tipo x Delito Putativo por Erro de Tipo:.......................................................................56 Erro de subsunção:.........................................................................................................................56 Erro Provocado Por Terceiro:........................................................................................................57 Ação (Crime Comissivo):..............................................................................................................57 Omissão (Crime Omissivo):..........................................................................................................57 Crime de conduta mista:................................................................................................................58 2) RESULTADO:..........................................................................................................................60 Espécies:........................................................................................................................................60 Classificação do crime quanto ao resultado:..................................................................................60 3) NEXO CAUSAL:......................................................................................................................61 Conceito de Relação de Causalidade: ...........................................................................................61 Concausas: ....................................................................................................................................63 4) TIPICIDADE:............................................................................................................................66 Conceito de Tipicidade Conglobante: ...........................................................................................67 Conseqüência: ...............................................................................................................................67 Espécies de Tipicidade Formal:.....................................................................................................67 ILICITUDE:...........................................................................................................................................69 → Conceitos de Ilicitude: .............................................................................................................69 → Relação Tipicidade x Ilicitude:.................................................................................................69 → Ilicitude x Antijuridicidade:......................................................................................................70 → Causas Excludentes da Ilicitude:..............................................................................................70 a) Estado de Necessidade: .............................................................................................................70 b) Legítima Defesa: .......................................................................................................................73 c) Estrito Cumprimento do Dever Legal: ......................................................................................75 d) Exercício Regular de um Direito: .............................................................................................75 e) Ofendículos: ..............................................................................................................................76 f) Classificação do Excesso nas descriminantes/justificantes:.......................................................77 g) Consentimento do Ofendido: ....................................................................................................77 → Descriminantes Putativas: ........................................................................................................78 CULPABILIDADE:..............................................................................................................................80 → Teorias da Culpabilidade:.........................................................................................................80 → Elementos da Culpabilidade:....................................................................................................81 a) Imputabilidade: .........................................................................................................................82 b) Potencial consciência da ilicitude:.............................................................................................85 c) Exigibilidade de conduta diversa: .............................................................................................87 PUNIBILIDADE:..................................................................................................................................89 → Causas de extinção da punibilidade:.........................................................................................89 → Hipóteses do art. 107, CP:........................................................................................................90 I) Pela morte do agente: ................................................................................................................90 II) Pela anistia, graça ou indulto:...................................................................................................90 III) Pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso:.............................93 IV) Pela prescrição, decadência ou perempção:............................................................................93 - Decadência:.................................................................................................................................93 - Perempção:..................................................................................................................................94 - Prescrição:...................................................................................................................................94 Prescrição da pretensão punitiva: ..................................................................................................95 Prescrição da pretensão executória: ............................................................................................100 V) Pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada:........103 VI) Pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite:.................................................104 VII) Pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei:.................................................................105 ITER CRIMINIS:....................................................................................................................................107 Conceito:..............................................................................................................................................107 2

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Fase Interna:.........................................................................................................................................107 Fase Externa:........................................................................................................................................107 Crime consumado:...............................................................................................................................108 Classificação doutrinária do crime quanto ao momento consumativo:...............................................108 Crime Tentado:....................................................................................................................................109 Infrações penais que não admitem tentativa:.......................................................................................111 Art. 15, CP: Desitência Voluntária e Arrependimento Eficaz:............................................................112 - Desistência Voluntária:..............................................................................................................112 - Arrependimento Eficaz:.............................................................................................................113 Art. 16, CP: Arrependimento Posterior:..............................................................................................114 Art. 17, CP: Crime Impossível:...........................................................................................................116 CONCURSO DE PESSOAS:..................................................................................................................118 Conceito:..............................................................................................................................................118 Classificação doutrinária quanto ao concurso de agentes:...................................................................118 Concurso de pessoas nos crimes monossubjetivos:.............................................................................118 Requisitos para o concurso de pessoas:...............................................................................................121 Participação de menor importância – Art. 29, §1º, CP:.......................................................................122 Cooperação dolosamente distinta – Art. 29, §2º, CP:..........................................................................123 Elementares e Circunstâncias:.............................................................................................................123 Observações finais:..............................................................................................................................124 CONFLITO APARENTE DE NORMAS:..............................................................................................126 Conceito:..............................................................................................................................................126 Requisitos:...........................................................................................................................................126 Fundamentos:.......................................................................................................................................126 Princípios orientadores:.......................................................................................................................126 CLASSIFICAÇÕES DOUTRINÁRIAS DOS CRIMES:.......................................................................130 1ª Classificação:...................................................................................................................................130 2ª Classificação:...................................................................................................................................130 3ª Classificação:...................................................................................................................................130 4ª Classificação:...................................................................................................................................131 5ª Classificação:...................................................................................................................................131 6ª Classificação:...................................................................................................................................131 7ª Classificação:...................................................................................................................................131

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bem como a convivência harmônica entre os membros do seu grupo. mas forma de defesa. b) Limitação espacial: art. atrelado aos fins da pena. o sistema. pelos grupos tribais.Sob o aspecto formal.Direito Penal – LFG – Intensivo I (27/01/09) DIREITO PENAL: Conceito: .: CPB) .Já sob o enfoque sociológico. portanto. c) Limitação modal: Princípio da dignidade da pessoa humana (e este princípio não comporta nenhuma exceção). “Art. Direito Penal é mais um instrumento (ao lado dos demais ramos do direito) de controle social de comportamentos desviados. visando assegurar a necessária disciplina social. → Poder Punitivo do Estado: é limitado: a) Limitação temporal: ex.Funcionalismo Teleológico: para os funcionalistas teleológicos (Roxin). que tolera a aplicação pelos grupos privados (indígenas) de sanções penais (exceto pena cruel. valendo-se das medidas de políticas criminais. a função do direito penal é resguardar a norma. É a única exceção (atenção: a legítima defesa não é pena. proibida em qualquer caso a pena de morte. pois não dá o direito de punir).DP Subjetivo: é o direito de punir do Estado. mas há uma exceção: Estatuto do Índio (Lei 6. o direito posto. a ação penal privada também não configura exceção. o fim do direito penal é assegurar bens jurídicos. este ramo do direito deve ser a “ultima ratio” (Princípio da Intervenção mínima). infamante ou pena de morte). de sanções penais ou disciplinares contra os seus membros. Direito Penal é um conjunto de normas que qualifica certos comportamentos humanos como infrações penais. Será tolerada a aplicação. art. IMPORTANTE!!! Direito Penal Objetivo e Direito Penal Subjetivo: . 57.” 4 . Ambos se complementam – o DP objetivo é expressão ou emanação do DP subjetivo. . As correntes funcionalistas se dividem em: . O direito de punir é monopólio do Estado. define os seus agentes e fixa as sanções a serem-lhes aplicadas.: a prescrição (há 2 exceções: racismo e formação de grupos armados). referimos ao funcionalismo. desde que não revistam caráter cruel ou infamante. 5º.Funcionalismo Sistêmico: para os funcionalistas sistêmicos (Jakobs). 57).001/73. CP (Princípio da Territorialidade – como regra). de acordo com as instituições próprias.DP Objetivo: é o conjunto de leis penais em vigor no País (ex. . Finalidade / Função: Quando se fala em finalidades do direito penal. O que diferencia o direito penal dos outros ramos é a drasticidade de suas sanções (é o único que tem como conseqüência a pena privativa de liberdade).

Imediatas: lei. LFG adota esse entendimento. A única fonte que cria crime e comina pena é a lei. É o processo de exteriorização da fonte material – são elas: FONTES FORMAIS Antes EC 45/04 – doutrina clássica Depois EC 45/04 – doutrina moderna 1. Mediatas: costumes e princípios regular infração penal e sua pena). o lugar de onde vem e como se exterioriza a norma jurídica.U. 2.Não há crime sem lei anterior que o defina. 22. I. Há duas espécies de fontes: Fonte material: Também chamada fonte de produção ou de criação. tratados internacionais. que está de acordo com a lei de introdução ao Código Civil. Mediatas: doutrina. Costumes e princípios não positivados configuram fontes informais. CP . Costume não cria crime e nem comina pena.Direito Penal – LFG – Intensivo I FONTES DO DIREITO PENAL: Estudo da origem.). somente impede que seja aplicada. 2. Não mais repercute negativamente na sociedade. 3ª corrente: não existe costume abolicionista. CR). mas quando o fato já não é mais indesejado pelo meio social a lei deixa de ser aplicada. 2ª corrente: não existe costume abolicionista. jogo do bicho. 1º. CR/88). P. Não há pena sem prévia cominação legal. 22. Enquanto não revogada por outra lei. Por outro lado. gerais. O costume não abole a lei. Prevalece esta corrente. É o órgão encarregado da criação do DP – em regra apenas a União está autorizada a produzir/criar DP (☺art. Fonte formal: Também chamada fonte de revelação ou divulgação. constituição. a norma tem plena eficácia.. 3. OBS. mas LC poderá autorizar os Estados a legislar sobre matéria específica (☺art. aplicado aos casos em que a infração penal não mais contraria o interesse social. 1. 1ª corrente: admite-se o costume abolicionista. Fontes Mediatas: Costumes e Princípios Gerais do Direito:  Costumes: espécie de fonte formal mediata consistente nos comportamentos uniformes e constantes pela convicção de sua obrigatoriedade e necessidade jurídica. sob pena de ferir o princípio da reserva legal (Art. jurisprudência (súmula vinculante). Imediatas: lei (única capaz de 2. 5 . o costume revoga crime e pena? 1. Ex.

Ex. entram com status infraconstitucional.: ☺Lei 11.A pena aumenta-se de um terço. § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. Esses princípios podem ser positivados ou não. Repouso noturno depende do costume da localidade. A lei tem que obedecer a CR (controle de constitucionalidade – difuso ou concentrado) e os tratados (controle de convencionalidade – será sempre difuso). Obs. CP . O costume aclara o significado de uma expressão. § 1º. que criou a citação por hora certa (ou seja.719/08. por três quintos dos votos dos respectivos membros. Art. Se ratificados com quorum especial. em cada Casa do Congresso Nacional. 6 . CR. 2. 5. não pessoal) no processo penal (e isso contraria a Convenção Americana de Direitos Humanos – Pacto de São José da Costa Rica). em dois turnos. de um tipo penal. Tratados Internacionais:  Tratados de Direitos Humanos: 1.Direito Penal – LFG – Intensivo I A função do costume é interpretativa. entram com status de EC. serão equivalentes às emendas constitucionais. Art. 155. se o crime é praticado durante o repouso noturno. Se ratificados com quorum comum.  Princípios Gerais do Direito: direito que vive na consciência comum de um povo. porém supralegal.

OBS. Ex.: ☺art.1) declarativa: a letra da lei corresponde exatamente àquilo que o legislador quis dizer.Constranger mulher à conjunção carnal. mediante violência ou grave ameaça: abrange o transexual (possui uma dicotomia física e psicológica). ou todo instrumento com ou sem finalidade bélica. c. Ao contrário da interpretação do Código Penal. pois é feita pelos estudiosos que fizeram o código penal.3) jurisprudencial: fruto das decisões reiteradas dos nossos tribunais.2) doutrinária ou científica: dada pelos estudiosos (ex.2) extensiva: amplia-se o alcance das palavras para se alcançar a vontade do texto. b) Quanto ao modo: b. III . Rogério Greco diz que se o transexual se submeter a uma cirurgia definitiva e altera os registros. encerra de forma genérica. CP . 121. b.: conceito de funcionário público para fins penais – art. 2) Interpretação extensiva x Interpretação analógica x Analogia: A interpretação analógica não se confunde com interpretação extensiva.: exposição de motivos do CP). mas que serve de ataque ou defesa (sentido impróprio) – o Direito Penal Brasileiro não veda a interpretação extensiva contra o réu.5) Progressiva – interpreta-se considerando os avanços tecnológicos e da medicina. explosivo.2) teleológica: indaga-se a vontade ou intenção objetivada na lei. § 2° Se o homicídio é cometido: I . poderá ser vítima de estupro. b. 157. 7 . fogo. 213. a. Espécies: a) Quanto ao sujeito que a interpreta (origem): a. Na interpretação analógica o significado que se busca é extraído do próprio dispositivo que.1) autêntica ou legislativa: dada pela própria lei (ex. OBS.com emprego de veneno. CP). permitindo ao intérprete encontrar outros casos.mediante paga ou promessa de recompensa. 327. A interpretação da exposição de motivos do Código Penal é doutrinária. c.3) histórica: indaga-se a origem da lei.3) restritiva: reduz-se o alcance das palavras para corresponder à vontade do texto. Art. Há autores que entendem que a progressiva classifica-se quanto ao resultado. a. b. MUDOU 213!!! c) Quanto ao resultado: c. depois de enunciar exemplos. que é autêntica.1) gramatical ou literal: leva em conta o sentido literal das palavras.4) sistemática: a lei é interpretada com o conjunto da legislação ou mesmo considerando os princípios gerais do direito.: art. O legislador não consegue prever todos os meios.Direito Penal – LFG – Intensivo I INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL: Finalidade: Sua finalidade é extrair da norma o seu real significado. O legislador não consegue prever todas as hipóteses de motivos torpes. asfixia. → Questões: 1) O Direito Penal Brasileiro admite interpretação extensiva contra o réu? Ex. Ex. §2º. ou por outro motivo torpe. tortura ou outro meio insidioso ou cruel. b. ou de que possa resultar perigo comum. Leva-se em conta expressões genéricas e abertas utilizadas pelo legislador (exemplos seguidos de encerramento genérico). I: “arma” – instrumento fabricado com finalidade bélica (sentido próprio).

uma vez que Constituição também é lei superior e prevê essa equiparação. não incriminadora. é desnecessário mudar inúmeros artigos do Código Penal para se observar o princípio da legalidade. (encontro casos semelhantes). Posição minha (Vinícius): Desde quando a Constituição equiparou a união estável ao casamento não se pode continuar interpretando o Direito Penal de forma taxativa. inclusive penal. A expressão cônjuge abrange o companheiro? Depende. Deve se ter em vista que a intenção do constituinte era justamente alargar o espectro de proteção do companheiro em todos os níveis. motivo pelo qual o aplicador do direito socorre-se daquilo que o legislador previu para outro caso similar. Ademais.Direito Penal – LFG – Intensivo I Interpretação Extensiva Interpretação analógica Diante de uma palavra eu amplio seu Exemplos + encerramento genérico alcance. Há lei. desde que pro réu. abrange. partimos do pressuposto de que não existe uma lei a ser aplicada ao caso concreto. Nesse caso. ao contrário dos anteriores. legalista neste ponto como os aplicadores do Direito vem fazendo. A analogia só pode ser in bonam partem. Já a analogia trata-se de uma regra de integração. e não de interpretação. O criminoso não poderia se valer da estrita legalidade de cada dispositivo penal em prol de sua impunidade. Há lei. É possível analogia no direito penal. 8 . Se for para beneficiar.

deve limitar a sua proteção aos bens jurídicos mais relevantes do homem. Natureza: fatos da natureza. STJ IDEM – STF e STJ só trabalham com requisitos objetivos.2. Humanos: 1.2. 334.1. Nenhuma periculosidade da ação. Não aplica aos crimes contra a Administração pública – o bem jurídico não é o patrimônio. 1. Desejados: não interessam para o direito penal. inclusive ao descaminho.2. 1. Princípio da insignificância não se aplica aos crimes não patrimoniais. O direito Penal é seletivo. Inexpressividade da lesão provocada.2. para ser utilizado de forma legítima. 4. Aplica aos crimes contra a administração pública. o direito penal exige relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. Ex. dos quais o homem não participa.Direito Penal – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS NORTEADORES DO DIREITO PENAL: Princípios relacionados com a missão fundamental do Direito Penal: a) Princípio da exclusiva proteção de bens jurídicos: o Direito Penal. Fragmentariedade: norteia a intervenção no caso concreto. Ocupa somente de uma parte dos bens jurídicos protegidos pela ordem jurídica. Significa o direito penal de agir como última ratio. Fatos: 1. falsificação de moedas. mas a moralidade administrativa. o direito penal deve aguardar a ineficácia dos demais direitos. Serve não só para dizer onde o Direito Penal deve agir. 2. não interessam ao direito penal. STF Critérios: 1. *Não se aplica aos crimes contra a IDEM.1. Analisa a realidade econômica do país. 2. fé-pública. c) Princípio da Insignificância é desdobramento lógico da fragmentariedade. 3. 9 . Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento. Para intervir. Analisa a significância da lesão para a vítima. Indesejados: prevalece o princípio da intervenção mínima. acrescido ainda da relevante lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. CP. que tem como características: 1. Subsidiariedade: norteia a intervenção em abstrato (criação de tipos penais) do direito penal. mas onde o direito penal deve deixar de intervir (intervenção positiva + negativa). Para intervir. art. OBS. b) ***Princípio da intervenção mínima: o Direito Penal está legitimado a agir quando houver o fracasso dos demais ramos do Direito. Mínima ofensividade da conduta do agente.

representante do povo.. • Fundamento jurídico: uma lei prévia e clara produz importante efeito intimidativo. • 2ª corrente: vem da carta de João Sem Terra de 1. pois é presumido absolutamente por lei. determinado (à alguém) ou indeterminado (carece de vítima certa). (06/02/09) c) ***Princípio da legalidade: ☺art. • Fundamento democrático: respeito à divisão de poderes ou separação de funções. Art. para individualizar a pena. Origem do princípio da legalidade: • 1ª corrente: princípio da legalidade vem do direito romano. A doutrina moderna critica a contravenção penal da vadiagem – estilo de vida – direito penal do autor. 59. não foi recepcionado pela CR. CP – não há crime (infração penal – abrange a contravenção) sem lei anterior que o defina. é a corrente que vem prevalecendo. iii. não há pena sem prévia cominação legal. b) Princípio da ofensividade (ou lesividade): para que ocorra a infração penal é imprescindível que ocorra uma efetiva lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado – Crimes de perigo abstrato: o perigo não precisa ser comprovado. nem pena sem prévia cominação legal. cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. Na doutrina.Direito Penal – LFG – Intensivo I Princípios relacionados ao fato do agente: a) Princípio da materialização do fato: o Estado só pode condenar criminalmente condutas humanas voluntárias. assim. sem esquecer por completo a pessoa do autor. não constituam delito. deve ser o responsável pela criação de crimes. Perigo abstrato: pune-se alguém sem prova concreta do perigo (fere o Princípio da ampla defesa). fatos. Legalidade toma a expressão lei no sentido amplo (art. O Brasil adota o Direito Penal do fato. art. Crime de perigo concreto: o perigo precisa ser comprovado. Art. 10 . 1º. já reserva legal toma lei no sentido estrito. Fundamentos do princípio da legalidade: • Fundamento político: o poder punitivo não pode ser arbitrário. Convenção Americana de Direitos Humanos: (ninguém poderá ser condenado por atos ou omissões que no momento em que forem cometidos. isso seria direito penal do autor. isto é. 2º. de acordo com o direito aplicável. 3ª corrente: princípio da legalidade = anterioridade + princípio da reserva legal. Ex.Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime. CP. 2ª corrente: princípio da legalidade não se confunde com princípio da reserva legal. tendo sido recepcionada pela revolução francesa. 5°. CR). 1ª corrente: princípio da legalidade = princípio da reserva legal.. O direito penal não pode punir pelo que a pessoa é. 9°. 59 – este art. ii. É a corrente que prevalece. É uma garantia do indivíduo contra o arbítrio estatal. abrangendo somente lei ordinária e lei complementar. CP . O STF está discutindo o crime de perigo abstrato no porte de arma sem munição. Exige-se a vinculação do poder executivo e poder judiciário a leis formadas de forma abstrata. O princípio da legalidade constitui uma real limitação ao poder estatal de interferir na esfera de liberdades individuais. O parlamento. para o STF os crimes de perigo devem ser concretos e determinados. pelo que fez ou pelo estilo de vida. colide com o Princípio da exteriorização do fato. ☺LCP. LEX POPULI (LFG) Vi.não há crime sem lei anterior que o defina. • 3ª corrente: O princípio da legalidade teve origem no iluminismo.215. i. XXXIX . Art. porte de arma sem munição não seria crime.).

o 2ª corrente: abrange a medida de segurança. portanto não pode versar sobre direito penal. o Lei delegada: não pode versar sobre direitos individuais. mas ignora o princípio da anterioridade. processual penal e processual civil. OBS. O STF. • Lei (estrito) deve ser anterior aos fatos que busca incriminar (princípio da anterioridade) – evitar retroatividade maléfica. até ser convertida em lei. por exemplo. 11 . Abrange medida de segurança? o 1ª corrente: não abrange medida de segurança. por lei delegada. MP do estatuto do desarmamento vigorou durante 5 anos. cidadania. se diversa. 62. políticos e eleitorais. mas é possível MP versando sobre direito penal não incriminador. Possível pergunta no concurso da defensoria: o art. o Medida provisória pode criar crime? Não.818/PR. Pode ser concedida. pois também é espécie de sanção penal. considerar os seguintes fatores: • Não há crime sem lei. Art. que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República. pois esta não tem finalidade punitiva. mas não é lei em sentido estrito. § 1º . pois é ato do executivo com força normativa. a matéria reservada à lei complementar. tomada em seu sentido estrito. entretanto. 3º As medidas de segurança regem-se pela lei vigente ao tempo da sentença. Hoje prevalece esta corrente. • Não há pena sem prévia cominação legal. Não há pena sem prévia cominação legal. 1°.Direito Penal – LFG – Intensivo I Art. CP: Não há crime (infração penal – abrange a contravenção) sem lei anterior que o defina. com efeito extintivo da punibilidade). direitos individuais. no RE 254. o Medida provisória pode versar sobre direito penal não incriminador?  1ª corrente: majoritária (Munoz Conde) MP não pode versar sobre direito penal. Art. CR. 3°.  2ª corrente: minoritária (LFG) não é possível MP incriminadora. nem a legislação sobre: II . Para que o princípio da legalidade seja uma garantia. mas sim curativa. não importando se incriminador ou não incriminador – art. • Não há crime sem lei anterior: abrange as contravenções penais. discutindo os efeitos benéficos da MP 1571/97 (que permitiu o parcelamento de débitos tributários e previdenciários. prevalecendo. CPM foi recepcionado pela CR/88? Respeita a reserva legal. a lei vigente ao tempo da execução. proclamou sua admissibilidade em favor do réu. os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal.nacionalidade. CR: § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: I – relativa a: b) direito penal. 68. o Resoluções do CNJ/CNMP/TSE: ato não legislativo com força normativa – não pode.Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional.

Lei 7. lei de drogas (o que vem a ser droga é um complemento dado pelo executivo – Vinícius . Quanto mais garantias. necessária. 236 . CP.Contrair casamento.170/83. induzindo em erro essencial o outro contraente. certa. anterior. a) Norma penal em branco: depende de complemento normativo (norma). 121. O costume interpretativo é admitido. Ex. roubar.Devastar. Princípio da taxatividade ou determinação. Garantismo: O princípio da legalidade é o pilar do “garantismo”. conceito de funcionário público para fins penais. manter em cárcere privado. provocar explosão. Lei certa – de fácil entendimento: evitar ambigüidade. saquear.Direito Penal – LFG – Intensivo I • • • Lei (estrito) escrita – evitar o costume incriminador. Lei (estrito) estrita – evitar a analogia incriminadora. • Lei necessária: evitar a hipertrofia do direito penal (desdobramento da intervenção mínima). (2) Heteróloga (heterovitelina): complemento emana de instância legislativa diversa (ex.) ii) Imprópria (em sentido amplo): o complemento normativo emana do legislador (homogênea). Ex. art.Garantia do cidadão: escrita estrita certa necessária Legenda: . (1) Homóloga (homovitelina): complemento emana da mesma instância legislativa (lei penal complementada pela lei penal). lei penal complementada pela lei civil). por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas. Atos de terrorismo – expressão incerta. praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo. violação de direitos autorais. Uma expressão ambígua permite a arbitrariedade. depredar. 12 . Ex. Art. Ex. ☺ Gráfico: s/ Lei anterior . menor o poder punitivo do estado. Art. Redução ao máximo do poder punitivo e aumento ao máximo da garantia do cidadão. CP.Poder Punitivo Estatal: Lei penal em branco Lei penal: 1) Completa: dispensa complemento normativo (dado pela norma) ou valorativo (juiz). Não há crime: sem lei. Poder punitivo x garantia do cidadão. escrita. estrita. extorquir. incendiar. i) Própria (em sentido estrito): quando o complemento normativo não emana do legislador (heterogênea). ou ocultando-lhe impedimento (Código Civil) que não seja casamento anterior.Portaria do Ministério da Saúde verificar se está correto. 20 . seqüestrar. 2) Incompleta: depende de complemento normativo ou valorativo.

e) Princípios Gerais do Direito (a doutrina os classifica como fonte imediata. Mas há argumento para debater essa tese: o legislador discutiu e votou a lei. Questão: NPB heterogênea é constitucional? Por ex. pois podem até mesmo fundamentar a inconstitucionalidade de uma lei). por. devem ser obedecidos não somente as formas e 13 .. Norma penal em branco ofende a legalidade? Críticas: 1) Fere a taxatividade. Ex. Vi . no caso da Lei de drogas. quem está trazendo o principal conteúdo incriminador é o Poder Executivo. Não basta uma legalidade formal (obediência aos trâmites legislativos procedimentais – LEI VIGENTE) havendo que existir uma legalidade material.B. Superadas as críticas. mas o Executivo. 2) Fontes mediatas: a) Doutrina. Rogério Greco entende que a NPB em sentido estrito é inconstitucional (fere o fundamento democrático do princípio da legalidade . dando autorização para o Executivo para atuar. a NPB invertida só pode ter como complemento outra lei. mais precisamente seu fundamento democrático. representante do povo. III) Jurídico: uma lei prévia e clara produz importante efeito intimidativo. limitando-se a autoridade administrativa a explicitar um desses requisitos. jamais ato do Executivo – garantismo. Obs. Fontes Formais do Direito Penal 1) Fontes imediatas a) Lei b) CR c) Tratados Internacionais de Direitos Humanos. 2) N. o juiz é que irá valorar a negligência no caso concreto. (lex populi – LFG – Lei penal só é legítima se aprovada pelo próprio povo. Os costumes são fontes informais. já que quem dá o conteúdo criminoso nesses casos não é o legislador eleito para isso. representado ou não – LFG traz dúvida se tratado internacional poderia ser fonte de direito penal porque não foi dado ao Congresso o poder de alterar a substância da lei. estrito (complemento do executivo. deve ser o responsável pela criação de crimes. conclui-se que a norma penal em branco é constitucional. Contra-argumento: o legislador já criou o tipo penal incriminador com todos seus requisitos básicos. que estaria usurpando a função do legislador (Executivo não pode ditar o que é crime).☺ logo abaixo).P. até porque o Legislativo não tem condições de estabelecer tais conceitos.Direito Penal – LFG – Intensivo I iii) Norma Penal em branco ao revés/invertida: o complemento diz respeito à sua sanção. II) Democrático: o Parlamento. Ex. Fere a legalidade. crime culposo. OBS.: diferentemente da NPB heterogênea. d) Jurisprudência. portanto.). isto é. Fundamentos do Princípio da Legalidade: I) Político: impede o poder punitivo com base no livre arbítrio. Assim. b) Tipo aberto: depende de complemento valorativo (juiz). f) Atos administrativos complemento (norma penal em branco em sentido estrito). não é inconstitucional a lei. Vinicius – com súmulas vinculantes apenas. podendo apenas aprova-la ou rejeita-la).Drogas novas mais facilmente tipificadas. Contra-argumento: enquanto não complementada não tem eficácia jurídica ou social. como o que é droga ou não. Lei 2889/56 (pune o genocídio).

Era estendido para ex-autoridades (fere o princípio da isonomia). o Decisão tem efeito erga omnes. o Decisão tem efeito inter partes. Maneiras de se declarar inválida uma lei penal (formas de se fiscalizar a materialidade de uma lei): • Controle concentrado: lei . O STF entendeu que as hipóteses de foro por prerrogativa de função são inconstitucionais. o seu conteúdo e dos tratados internacionais de direitos humanos (garantias – LEI VÁLIDA). Não existe no direito penal responsabilidade coletiva. Não há responsabilidade penal sem dolo ou culpa. • Controle difuso abstrativizado: Lei – TJ/TRF – STJ – STF o Ação indireta. Princípios relacionados com o agente do fato: a) Princípio da responsabilidade pessoal: proíbe-se o castigo penal pelo fato de outrem. A denúncia tem que descrever a responsabilidade individual. dignidade da pessoa humana. rixa (art.STF o Ação direta – a lei é questionada diretamente no STF o Analisa a lei em abstrato. b) Princípio da responsabilidade penal subjetiva: não basta que o fato seja materialmente causado pelo agente. o Analisa lei em abstrato. aceita-se crime ambiental desde que respeitada a dupla imputação de forma a não ferir este princípio da responsabilidade pessoal. II. os descendentes e o espólio não são responsáveis. STF julgou inválidas duas leis vigentes: • Foro por prerrogativa de função. • Controle difuso: lei – TJ – STJ . o controle é de convencionalidade (difuso). a lei percorreu os outros tribunais. Se tortura pode progredir. o Efeito erga omnes. é uma responsabilidade coletiva. recursos. Este princípio também é utilizado para questionar a responsabilidade penal da pessoa jurídica. etc. o Antes de chegar no STF. O castigo penal é sempre individualizado pelo fato do agente. vagas e imprecisas. 14 . É um desdobramento lógico do princípio da individualização da pena. aceito ou previsível.).Direito Penal – LFG – Intensivo I procedimentos impostos pela CF. o Analisa o caso concreto. Vi . dando efeito erga omnes. os demais crimes hediondos também podem. Ou seja. mas também. e atos de improbidade (fere a constituição. principalmente nos crimes societários. Iniciou-se com um HC e o STF analisou a lei de forma abstrata. etc. 29.Gilmar Mendes é quem preconizou essa teoria da abstrativização. CP. Vale lembrar também que contra a PJ. • Controle de convencionalidade: o Se o tratado tem status de EC. só podendo ser responsabilizado se foi querido. CP). o regime integralmente fechado foi declarado inconstitucional no controle difuso abstrativizado.STF o Ação indireta (HC. Fere o princípio da razoabilidade. É a regra geral. Declarado inconstitucional. pois só pode estender o rol por EC). 28. pois ofende o princípio da isonomia. o Se o tratado tem status de supralegalidade.ruim • Regime integralmente fechado. V. Proíbe denúncias-crime genéricas. o Ex. e principalmente. ☺ art. o controle é de constitucionalidade. Para muitos. Vinícius – Aqui vale lembrar que mesmo que a multa como pena pecuniária transformada em dívida ativa é extinta caso o agente faleça. mas há duas exceções trazidas pela doutrina de responsabilidade objetiva (sem dolo ou culpa): embriaguês não acidental (art.

é o que fomenta o in dubio pro reo (que é um princípio norteador das provas. opera uma inversão no ônus da prova). a potencial consciência da ilicitude e a exigência de conduta diversa. . 2. Esta igualdade trazida pela CR e pela CADH é uma igualdade substancial. 9/STJ). Para Mirabete. que é relativa. CPP.259/01 (juizados especiais federais): pena máxima abstrata não superior a dois anos. a CR não traz o princípio de inocência. O desacato (art. O réu não poderá apelar sem recolher-se à prisão. Assim.Direito Penal – LFG – Intensivo I 137. Lei 10. 312. . §U).: art.***É possível no processo penal execução provisória? Condenado provisório preso Condenado provisório solto É possível execução provisória – Súm. Nesse ponto. Aplicações práticas: .259/01 revogou a lei 9. (Redação dada pela Lei nº 5. ou condenado por crime de que se livre solto. também tem previsão no art. A diferença entre ambas é apenas o órgão julgador. caso este comprove que o menor é seu dependente). salvo se for primário e de bons antecedentes.: o inciso III deste art. . A maioria utiliza ambos princípios como sinônimos. Não admite execução provisória.072/90 (crimes hediondos) – regime integral fechado (o STF declarou inconstitucional esse regime). A Convenção Americana de Direitos Humanos prevê o princípio da presunção de inocência de forma expressa no art. mas o princípio de não culpa. 716. ou prestar fiança. é utilizado para negar a responsabilidade penal da pessoa jurídica. 24 da CADH – é garantido a todos a igualdade perante a lei.11. CP – pena de 6m a 2 anos) é considerado crime de menor potencial ofensivo. é criticado.1ª corrente (art.719.Lei 8. a exemplo da responsabilidade pessoal. Isso porque um ordenamento que prevê um sistema de prisão temporária. mas foi democratizado e está sendo utilizado inclusive pelo juiz na interpretação). 5º. 117. é excepcionalíssima . prevê pena máxima abstrata não superior a um ano. a responsabilidade penal do acusado deve ser comprovada pelo órgão de acusação (a presunção de inocência. pois trataSTF e Resolução 19. Art. Isso afeta o princípio da isonomia. LEP (Obs. de 22. segundo este princípio. Súm. ou seja. com potencial consciência da ilicitude.2ª corrente (LEP e CR/88) – não admite prisão provisória com fundamento no 15 . CNJ. O fato é o mesmo. prisão somente após condenação definitiva (a prisão provisória precisa de imprescindibilidade. 5°.Art. Aplicações práticas: . c. LVII .099/95 – Juizados Especiais Estaduais: infração de menor potencial ofensivo.941.1973) (Revogado pela Lei nº 11. a lei 10.☺art. O STF já havia declarado este artigo não recepcionado pela CR/88. d) Princípio da igualdade ou isonomia: tem previsão no art. da CR – todos são iguais perante a lei. caput. para que alcance também o condenado homem.ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Pendente Recurso Especial/Extraordinário: Pendente Recurso Especial/Extraordinário: é possível execução provisória. mas pode haver tratamentos desiguais no Direito Penal. sem distinção de qualquer natureza. se de ofensa ao princípio da presunção de inocência e não culpa. c) Princípio da culpabilidade: a culpabilidade tem como elementos a imputabilidade. 594.Lei 9. e) Princípio da presunção de inocência: todos devem ser presumidos inocentes até trânsito em julgado de sentença condenatória. CPP) – admitia prisão provisória. merecendo uma interpretação constitucional para que se obedeça ao Princípio da Isonomia. não há responsabilidade penal sem que o agente seja capaz. pois feria o princípio de presunção de inocência e não culpa. Conseqüências do Princípio: a.099/95. Esse princípio. assim reconhecido na sentença condenatória. sendo dele exigível comportamento diverso. preventiva não é coerente com o princípio da presunção de inocência. 637. sem que se fira o princípio da isonomia. equiparado a crime hediondo) – regime inicial fechado. 8°. . b. Lei 9.455/97 (tortura.ex. 331. de 2008). independentemente da espécie. .

. O princípio da proporcionalidade geralmente é estudado sob o ângulo da proibição do excesso. Mas deve ser estudado ainda sob o ângulo da proibição da insuficiência da intervenção estatal.ADMITE-SE A PROGRESSÃO DE REGIME DE CUMPRIMENTO DA PENA OU A APLICAÇÃO IMEDIATA DE REGIME MENOS SEVERO NELA DETERMINADA. Para defensoria: presunção de inocência. 319-A. para a execução da sentença. Ambos princípios eram bastante suscitados até quando se admitia regime integralmente fechado (abolido pela lei 11. Magistratura: ambos. STF . discute-se se o regime disciplinar diferenciado (RDD) é inconstitucional.). sem desconsiderar as qualidades do agente. em votação de 7x4. O STJ tende para a 1ª corrente. ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA. no momento judicial (aplicação da pena em concreto) e no momento em que se executa a pena (execução penal). adotou a 2ª corrente. .464/07). que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo: (Incluído pela Lei nº 11. CADH (toda pessoa tem direito a que se respeite a sua integridade física psíquica e moral).466. 1. os originais baixarão à primeira instância. 2. CP. O art. 637. Art. SÚMULA Nº 716. Hoje. 5º. CADH (ninguém deve ser submetido a torturas. Este princípio tem que ser observado no momento da criação da lei (pena abstrata). cruel ou degradante. de rádio ou similar. da criação da lei. O juiz pode deixar de aplicar a pena. No primeiro momento. Foi superado pela LEP e pela CR. pois é proporcional ao fato praticado. quer-se que a sociedade se sinta intimidada a agir. nem a penas ou tratos cruéis. e uma vez arrazoados pelo recorrido os autos do traslado. Proibição do excesso Evitar a hipertrofia da punição. O STF. É um princípio constitucional implícito decorrente do princípio da individualização da pena. 637. ☺art. O recurso extraordinário não tem efeito suspensivo. MP/PF e PC: presunção de não culpa. Ex. já se está buscando uma prevenção geral. Princípios relacionados à pena: a) Princípio da proibição da pena indigna: a ninguém pode ser imposta uma pena ofensiva à dignidade da pessoa humana. 16 Proibição da insuficiência da intervenção estatal Evitar a punição insignificante – incapaz de atender aos princípios da pena e gerar impunidade. o RDD é constitucional. CPP. ULTRAPASSADO! Art. ☺art.. Só serve como alerta para o legislador. b) Princípio da humanização das penas: nenhuma pena pode ser desumana. Para o STJ. 5º. O TJ/SP não submeteu à cláusula de reserva de plenário – decidiu pela inconstitucionalidade do RDD. CPP está ultrapassado. de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico.Direito Penal – LFG – Intensivo I princípio da presunção de inocência. de 2007). c) Princípio da proporcionalidade: a pena deve ser proporcional à gravidade da infração ou desvaloração da ação criminosa. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público.

diz expressamente que a pena não pode passar da pessoa do delinqüente. fundamentando-se no seguinte: a primeira condenação leva em conta o fato. é adotada por ex. CP) fere o bis in idem? Ela é utilizada como agravante num segundo crime.. em seu art. d) Princípio da pessoalidade da pena: tem guarida constitucional. da CR (a pena de confisco passaria da pessoa do delinqüente). já na segunda condenação leva-se em conta o que a primeira condenação influencia na personalidade do agente (e não o fato novamente). Vide multa acima. O Princípio é absoluto ou relativo? Uma primeira corrente diz que é relativo. que é a correta. 61. até o limite do valor do patrimônio transferido.Material: ninguém pode ser condenado pela segunda vez em razão do mesmo fato. mas a maioria da doutrina discorda. estendidas aos sucessores e contra eles executadas. 5º. A reincidência (art. mas um efeito da condenação. não é uma exceção porque não é pena. Visa tão somente reconhecer maior reprovabilidade na conduta daquele que é contumaz violador da lei penal. ☺art. nos termos da lei. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. 5º. não trazendo nenhuma exceção a esta regra. uma segunda corrente. afirmando que é apenas uma circunstância necessária para a individualização da pena. . afirmando que a exceção vem prevista no mesmo art. Abuso de autoridade é um exemplo de ofensa ao princípio da insuficiência da intervenção estatal. É o entendimento adotado pelo STJ. podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser. Paulo Range e Paulo Queiroz). 3. afirma que o Princípio é absoluto e o que está disposto no restante do art.Execucional: ninguém pode ser executado duas vezes por condenações relacionadas ao mesmo fato. Também a CADH. CP – são circunstâncias que sempre agravam a pena. há quem diga que a reincidência é uma hipótese clara de bis in idem (LFG. – Exemplo de ofensa ao princípio da insuficiência da intervenção estatal. 61. I.Direito Penal – LFG – Intensivo I Pena: detenção. XLV: nenhuma pena passará da pessoa do condenado. por Flávio Monteiro de Bastos. 17 .: estar a vítima grávida no crime de aborto. quando não constituem ou qualificam o crime (ex. pois estar grávida é condição para que ocorra o crime de aborto). V e) Princípio da vedação do bis in idem: tem 3 significados: . assim. no art. .Processual: ninguém pode ser processado duas vezes pelo mesmo crime.

Sucessão de leis penais no tempo: no momento do tiro – lei A e no momento da sentença – lei B. o agente era menor de 18 anos. em regra. A lei deve se adequar ao fato e fica com ele até o fim. mas. Caso a lei B seja mais benéfica. exceções fundamentadas em razões político-sociais (lei penal mais benéfica).No momento do tiro.No momento do disparo. Quando a vítima morreu. como a aferição da prescrição. Como decorrência do princípio da legalidade. regram os fatos praticados a partir do momento em que passam a ser leis penais vigentes.Estando no horário de verão. neste caso aplica-se o CP ou o ECA? Correntes a respeito do tema: uma primeira corrente afirma que o horário de verão é transitório (não traz segurança).. porém. Aplicações práticas: . Ex. Se no momento da conduta a vítima era menor de 14 anos. CP) – esta lei é irretroativa (art. 4º. quando benéfica (excepcionalmente). principalmente. 121. cede diante de alguns casos. fictício e tem como finalidade economizar energia. ser retroativa ou ainda ultrativa. permitir entrada de celular em presídios – lei posterior que tipificou a conduta (art. ele tem outras importâncias. A lei penal pode. CP (irretroatividade).Direito Penal – LFG – Intensivo I LEI PENAL NO TEMPO: (10/02/09) A lei nasce para regulamentar os fatos praticados durante a sua vigência. como o prof. essa mesma regra (da irretroatividade). a lei vigente ao tempo da realização do fato criminoso (tempus regit actum). art. CP). para aferir a imputabilidade do agente. salvo se sobrevier lei posterior mais benéfica. Situações: a) Momento da conduta (fato atípico). aplica-se a lei vigente no momento da conduta (lei A). No momento da morte. aplica-se.o agente já era maior de 18 anos – aplica-se o ECA. incide a causa de aumento da pena . . Quando há uma efetiva sucessão de leis penais no tempo surge um conflito. e o agente desconhecendo esta situação. a vítima era maior de 14 anos. 319-A.) Sendo doloso o homicídio. a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. a vítima era menor de 14 anos. mas sim o ECA (o agente é inimputável). mas há quem não concorde com esta tese. 18 . ainda que outro seja o momento do resultado. CP. no qual completaria 18 anos (portanto acha que é inimputável ao tempo do crime). Ocorre que esta regra do art. Contudo. Sucessão de leis penais no tempo: Para a solução deste problema utiliza-se a regra do art. 1º. não se deve aplicar o CP neste caso. Em momento posterior. § 4o (. . logo. mas leva-se em conta a exceção prevista nos arts. CP: considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão. ☺art. 1°.CP. Em regra. pratica o crime às 23:30 do dia x que antecede ao seu aniversário. as leis penais. . ou seja. 2º e 3º. cria-se lei incriminadora. em princípio. Quando o crime se considera praticado no tempo? Há 3 teorias: a) Teoria da Atividade: tempo da conduta b) Teoria do Resultado: tempo da consumação c) Teoria Mista: tanto o tempo da conduta quanto o da consumação O nosso CPB preferiu a Teoria da Atividade (LUTA). ela irá retroagir.. 4º não serve somente para explorar qual lei será aplicada ao fato no caso concreto.

local e modo de execução = crime único (ficção jurídica). CP.) cessando em virtude dela a execução (. sempre aplica-se a última lei.. b) é uma hipótese de extinção da punibilidade (é a adotada pelo CPB . Parágrafo único . Ex. Art. CF. (. XXXVI . CP). CP (adultério). se mais benéfica.Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime.a lei não prejudicará o direito adquirido. local e modo de execução. 2°. extinguindo.Direito Penal – LFG – Intensivo I b) Momento da conduta (fato típico A punido com 2 a 4 anos) – momento posterior. Portanto.2ª corrente: considerando a finalidade da vacatio legis. como no último ato. 107 .. por conseguinte.1ª corrente: lei abolicionista não retroage na vacatio.. 1°. pois é desprovida de eficácia jurídica e social e por isso não pode retroagir (é a corrente majoritária). morte extinguem a punibilidade. 5 furtos praticados nas mesmas condições de tempo. retroagir para ser aplicada neste estado. passou a ser aplicada pena de 2 a 8 anos (lei B). Sucessão da lei penal no tempo e a continuidade delitiva: Crime continuado: reiteração de crimes nas mesmas circunstâncias de tempo. prescrição. aplica-se aos fatos anteriores. ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. a lei pode.pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso. Lei abolicionista.). Durante a prática.). altera-se a pena para 2 a 5 anos – lei irretroativa (art. Lei abolicionista não respeita coisa julgada: Art. . era aplicada pena de 2 a 4 anos (lei A). Ex..2ª corrente: se o crime é único. decadência. que de qualquer modo favorecer o agente. art. c) Momento da conduta (lei penal A) – momento posterior o legislador aboliu a lei A. em momento posterior foi abolido. que é justamente para que se dê conhecimento da lei. desde que o seu destinatário demonstre conhecimento (é a corrente minoritária). Art.. .☺art. . A lei do abolitio criminis é retroativa.Extingue-se a punibilidade: III . Ex.) os efeitos penais da sentença condenatória.1ª corrente: aplica-se a lei mais benéfica – lei A. pena da corrupção era de 1 a 8 anos e passou a ser de 2 a 12. O art. A defensoria adota a 2ª corrente. para que as pessoas se acostumem com a lei. correntes acerca da sua natureza jurídica: a) é uma hipótese de exclusão da tipicidade. ainda que mais gravosa. e não o direito de punir do Estado. . o tipo permanece. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. XXXVI da CF. 2°. d) No momento da conduta (Lei A – 2 a 4 anos) – momento posterior lei B (1 a 2 anos). 19 . (. 2°. A sentença condenatória continua servindo como título executivo (efeitos civis). Vinicius – preferi esta corrente. A lei é retroativa: Art. No início da prática. a punibilidade (adotada por Flávio Monteiro de Barros). CP). Lei abolicionista que ainda se encontra na vacatio legis opera seus efeitos? Há 2 correntes: . 240.. Ex. 5°. 2º . ele se considera tanto no 1° ato. CP ao determinar que lei abolicionista não respeita a coisa julgada não ofende o art. Para o legislador é considerado um único crime.A lei posterior. 2°. cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais (não abrange os efeitos civis) da sentença condenatória. 2º. Art. pois o mandamento constitucional tutela a garantia do cidadão. 5°.Abolitio criminis – nomenclatura e natureza jurídica: supressão da figura criminosa (☺art.

343/06 pune traficante com pena de 5 a 15. Alcança tudo que for praticado durante sua vigência. etc. 14 (lei drogas antiga) – pena do art. .3ª corrente: não pode combinar. criando uma terceira lei – lex tercia (Nelson Hungria).2ª corrente: admite combinação considerando poder o juiz ignora-la no todo. Rogério Greco. há julgados em que o STF admitiu combinação de leis. Ex. Juiz da execução não pode presidir tal instrução.1ª corrente: não pode combinar leis. aplica-se ao fato praticado durante sua vigência. O STF contrariou a doutrina e entendeu que aplica-se a última lei. STF . Sucessão de leis penais e Combinação de leis: Momento do crime – lei A (2 a 4 anos + 10 a 30 d. competindo ao réu escolher qual lei deve ser aplicada. mesmo que mais gravosa. Na 1ª fase de concursos é adotada essa corrente. SE A SUA VIGÊNCIA É ANTERIOR À CESSAÇÃO DA CONTINUIDADE OU DA PERMANÊNCIA. 3º. 20 . Se o juiz pode o mais. mas traz um privilégio de diminuir a pena em 1/3. calamidades. causa de diminuição em razão do pequeno prejuízo) é necessário socorrer à revisão criminal.Se eu estiver diante de uma mera aplicação matemática (ex.m. A lei 11.m. diminuição de pena em razão da idade) – juiz da execução. Lei 6368/76 pune o traficante com pena de 3 a 15 anos. embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram.Quando conduzir a juízo de valor (ex. 288. ele pode o menos.) . se o réu for primário. .572/90). epidemias. SÚMULA Nº 611. . STJ: vem admitindo combinação de leis.Direito Penal – LFG – Intensivo I SÚMULA Nº 711. . compete ao juízo das execuções a aplicação de lei mais benigna. É caso de ultratividade maléfica autorizada por lei.Lei Excepcional ou Temporária em sentido amplo: é a que atende a transitórias necessidades estatais. CP: A lei excepcional ou temporária. o furto será qualificado enquanto perdurarem as enchentes em Santa Catarina. A própria doutrina afirma que é também posição do STF e do STJ. . Prevalece na doutrina moderna: LFG. STF: Art. Damásio. logo poderá em parte. Ultratividade das leis excepcionais e temporárias ☺Art.A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME CONTINUADO OU AO CRIME PERMANENTE.) Momento da sentença – lei B (2 a 8 anos + 10 a 20 d. Aplicação da lei penal mais favorável na fase de execução: R: depende. tais como guerras. . Perdura por todo o tempo excepcional (não tem prefixado no seu texto o tempo de sua vigência) – terá plena eficácia e vigência enquanto perdurar a calamidade ou urgência.Lei Temporária ou Lei Temporária em sentido estrito: é aquela que tem prefixado no seu texto o tempo de sua vigência. Apesar de a doutrina afirmar que prevalece a 1ª corrente. Tem 1 julgado de 2008 no STJ – Ministra Laurita Vaz. STF . que é ignorar em parte. CP (lei 8. O STJ vem aplicando a redução da lei nova na lei velha. Prevalece na doutrina clássica. que é ignorar o todo.Transitada em julgado a sentença condenatória. pois assim agindo o magistrado está legislando.

surge a questão de saber se. salvo para beneficiar o réu. sedução. deve-se atentar se a alteração da norma extra-penal implica ou não supressão criminosa. porque não trata exatamente da mesma matéria. o Alteração para descriminalizar – retroage. É uma hipótese de supressão da figura criminosa. 217. Se ela altera o direito ou o entendimento sobre o direito. sempre que se alteram as respectivas normas complementares. as duas doutrinas chegam ao mesmo resultado. tem que retroagir. XL . quando o seu complemento for norma infralegal. • 21 . Ou seja.a lei penal não retroagirá. (Francisco de Assis Toledo). se a alteração não implica supressão criminosa (Ex. 240. Na hipótese de norma penal em branco. Qual a diferença da abolitio criminis e o princípio da continuidade normativo-típica? • Abolitio criminis: o Revogação Formal: a intenção do legislador é não mais considerar o fato como crime. 3° não foi recepcionado pela CF (art. “É uma mudança de roupagem”. CP foram revogados. o art.: Portaria de congelamento de preços). Não mais se pune em lugar algum. porém. art. Não há. art. A SV será tratada como se lei fosse. porém por caminhos ou justificativas diversas. o Permanência do conteúdo em outro tipo penal. Se a alteração implica supressão criminosa. ISSO!! ***Como se aplica a retroatividade da lei penal no caso de norma penal em branco? A lei penal em branco pode ser: • Homogênea (lei complementada por outra lei) – alteração benéfica retroage. Há. pois no Brasil. 3º. aplicando-se o espírito do art. Retroatividade ou Ultratividade de Súmula Vinculante: Caso hipotético (porque ainda não existe Súmula Vinculante de natureza estritamente penal): supondo que o STF sumule de maneira vinculante a questão do porte de arma sem munição ser crime e. Ocorre dupla revogação: formal e material. o processo de condenação é extremamente moroso. mera atualização de tabela) não retroage. em relação a essas alterações. sua alteração não retroage.Direito Penal – LFG – Intensivo I É importante a ultratividade dessas leis para evitar a sua ineficácia.). se num estado de emergência (ex. uma segunda corrente (Flávio Monteiro de Barros) que investiga o momento em que surgiu a norma infralegal e sua alteração: se num estado de normalidade (ex. do mesmo fato típico (é a anterior que deixa de ter vigência em razão de sua excepcionalidade). deve incidir as regras da retroatividade. A lei nova não revoga a anterior. Contudo. o Revogação material (conteúdo). 3°. ou seja.: Portaria da Lei de Drogas). durante o processo o STF cancele essa SV. sofrendo alteração de conteúdo. o Ex. Quando o complemento for lei (NPB homogênea) a sua alteração benéfica sempre retroagirá. portanto. CP. retroage (Ex. retirar da portaria respectiva a substância lança perfume). Para Zaffaroni. se não tiverem eficácia após cessar sua vigência não têm razão de existir. • Heterogênea (lei complementada por outra espécie): o Alteração para atualizar – não retroage. sua alteração benéfica retroage. CP e adultério. Por isso é que não há nenhuma inconstitucionalidade no art. um conflito de leis penais no tempo (na medida em que a lei posterior não cuida do mesmo crime definido na anterior). 5°. Princípio da continuidade normativo-típica: o Revogação formal: a intenção do legislador é manter o fato como crime. Se houver esse cancelamento a sua alteração retroage para beneficiar o réu.

Direito Penal – LFG – Intensivo I o Ex. mas passou a configurar o art. que é mais benéfica Acho que 148 é seqüestro ou cárcere privado. que é mais benéfica (ainda que se condene no art. § 1°. 22 . § 1°. Atentar que a pena posterior (do art. foi revogado. Passou a ser uma qualificadora do art. IV. 148. Não deixou de ser crime. assim. IV. art. 148. 148. deve-se observar o Princípio da Anterioridade. 219. Vinicius. rapto violento.Olhar. 219. mantém-se a pena do art. §1º) é mais grave. mantendo-se a pena do art. 219. CP. 148.

5º. em alto-mar. Princípio da Territorialidade – art. quando no estrangeiro e aí não sejam julgados. onde quer que se encontre. 7°. 2ª hipótese: crime praticado fora do Brasil. • • 1°) Delimitou o espaço da lei brasileira.) ao crime cometido no território nacional”. mas a lei aplicada é estrangeira (está no art. Ex. o art.: imunidade diplomática (trazida por convenção.. 6) Princípio da representação (subsidiariedade ou da bandeira): a lei nacional aplica-se aos crimes praticados em aeronaves e embarcações privadas.☺art. TPI. Ex.. 2) Princípio da nacionalidade ativa: aplica-se a lei da nacionalidade do sujeito ativo. eventualmente. CP: “aplica-se a lei brasileira (. 5°. tratados e regras de direito internacional”). Assim. • • • 1ª hipótese: crime praticado no Brasil. 5º. Vini. independentemente do local em que foi realizado. 5) Princípio da justiça penal universal: o agente fica sujeito à lei penal do país em que for encontrado. excepcionado pela intraterritorialidade (territorialidade temperada pela intraterritorialidade). o Aeronave privada ou embarcação – somente quando em alto-mar ou correspondente espaço aéreo. 5º adota o Princípio da territorialidade. 5º se excepciona (“sem prejuízo de convenções. §1º. Não importando o local do crime ou a nacionalidade da vítima. 23 . CP) o Aeronave ou embarcação pública/serviço do governo – é extensão do território brasileiro. 3) Princípio da nacionalidade passiva: aplica-se a lei da nacionalidade do sujeito ativo quando atingir um co-cidadão (exige-se coincidência de nacionalidades). aplicação da lei brasileira. 5°. o estudo da lei penal no espaço visa descobrir o âmbito territorial da aplicação da lei penal brasileira. 3ª hipótese: crime praticado no Brasil.Direito Penal – LFG – Intensivo I LEI PENAL NO ESPAÇO: Sabendo que um fato punível pode. É como se estivesse trocando de país. 2°) Define território nacional (art. Princípio da Intraterritorialidade. CP). §§ 1° e 2°. Aplica-se aos crimes em que o Brasil se obriga a reprimir. Princípios: Os conflitos da lei penal no espaço são solucionados por meio de 06 princípios: 1) Princípio da Territorialidade: aplica-se a lei do local do crime. O princípio regra para o Brasil (e para quase todos os países) é o Princípio da Territorialidade – ☺art. atingir os interesses de dois ou mais estados igualmente soberanos. a grávida tinha que sair do barco privado brasileiro e entrar no barco holandês pra deixar de ser crime o aborto. não importando a nacionalidade dos sujeitos ou dos bens jurídicos lesados. conforme assinado em tratados. pois o próprio art. Não importando o local do crime ou nacionalidade do agente. tratado ou regra de direito internacional). → Território nacional: espaço físico + espaço jurídico (espaço por ficção ou equiparação . 5° como exceção). Não importando o local do crime. aplicação da lei brasileira. Princípio da Extraterritorialidade – art. Esta territorialidade aqui é relativa ou temperada. bem como a forma como o Brasil se relaciona com outros países em matéria penal. Imunidade diplomática. 4) Princípio da defesa (real): aplica-se a lei da nacionalidade da vítima ou bem jurídico.Obs: Por isso que.

É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada. no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. Onde um crime se considera praticado no Brasil? → definição do lugar do crime: Há 3 teorias: a) da atividade.Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão. Já no crime plurilocal. se ele desceu por interesses particulares. 6º. → Princípio da Reciprocidade: ☺art. bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. . O Brasil adotou a Teoria mista ou da ubiqüidade (LUTA) .Crime plurilocal x crime à distância: no crime à distância o delito percorre pluralidade de Estados soberanos (que têm seu próprio direito penal) e aí surge um conflito internacional de jurisdição a ser resolvido pela Teoria da Ubiqüidade (art. CP (atividade + resultado). O tratado que previa isso não existe mais. e estas em porto ou mar territorial do Brasil. §2º. ☺§2º. aplica-se a lei brasileira. 5º). não há aí conflito internacional de jurisdição (a jurisdição será brasileira).Para os efeitos penais. mera cogitação ou ato preparatório não é crime praticado no nosso território (mera cogitação ou preparação não valem – algum momento da execução tem que atingir o nosso território para que o crime aqui seja punível). mercantes ou de propriedade privada. de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem. achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente. considera-se praticado no Brasil também. ou seja. Vinicius – É dizer. nasceu para solucionar o conflito internacional de jurisdição). mas sim um conflito interno de competência. respectivamente. Não se aplica a lei penal brasileira nas aeronaves ou embarcações estrangeiras públicas. do art. no entanto. CP – ou seja. b) do resultado. bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras. mas sim o instituto da passagem inocente (aplicado quando a aeronave passa pelo território nacional apenas como passagem necessária para chegar ao seu destino). § 2º . que apenas sobrevoou o país. que se achem. continuam ostentando sua bandeira. Problemas trazidos pela doutrina (Basileu Garcia): a) os destroços de navio que naufragou em alto mar. 24 . § 1º . a bordo de avião. o delito percorre a pluralidade de locais de um mesmo Estado. inviolável. 6º . Art. Embaixada não é extensão do território que representa. é indispensável que haja pelo menos o início da execução. consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras. 5º. Cuidado: crime praticado durante vôo sobre o espaço aéreo brasileiro – aplica-se o instituto da passagem inocente: o crime cometido dentro do território nacional. 5º. este art. A embaixada é. no todo ou em parte.Direito Penal – LFG – Intensivo I OBS. ou c) da ubiqüidade (ou mista). aplica-se a lei da nacionalidade do agente (crime praticado em balsa construída por destroços de 2 navios de nacionalidades diferentes que naufragaram em alto mar). aplica-se a lei de seu pais. importantes: no Brasil. CP (é também adotado pelo Brasil). se ele desceu de seu navio a serviço de seu pais. CP: É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada. c) estrangeiro que atraca em costa brasileira e pratica crime contra brasileira. 6º. Obs.☺art. b) na dúvida. achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente. e estas em porto ou mar territorial do Brasil. não se aplica a lei penal brasileira (o §2º do art.

de empresa pública. (atenção: no caso da Lei 9. o Brasil aplica sua lei – Ext. sociedade de economia mista. Vinícius – Se não forem julgados no estrangeiro. por quem está a seu serviço”: Princípio da defesa.. Há 3 Correntes: d. de Estado. b) “Contra o patrimônio ou a fé pública da União. embora cometidos no estrangeiro (. §3º: 2 Correntes: 1) Princípio da nacionalidade passiva (Flávio Monteiro de Barros e LFG – mas não é a corrente correta). CPP: A competência será. 25 . mercantes ou de propriedade privada.1) Princípio da defesa ou real somente o genocídio cometido contra nacional (é o que prevalece na doutrina). logo deve haver previsão expressa na lei : ☺art.Direito Penal – LFG – Intensivo I Assim. Extraterritorialidade incondicionada (§1º). 70. por tratado ou convenção. quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados”: Princípio da representação. Extraterritorialidade condicionada (§2º). §3º: § 3° A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil. determinada pelo lugar em que se consumar a infração. do Distrito Federal. b) “Praticados por brasileiro”: Princípio da nacionalidade ativa.Inciso I: a) “Contra a vida ou a liberdade do Presidente da República”: Princípio da defesa. d. CP: . 7º.)”: Art. quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil”. c) “Contra a administração pública. proteção ou real. reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: a) não foi pedida ou foi negada a extradição. ou. autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público”: Princípio da defesa. de Território.3) Princípio da nacionalidade ativa (mas esta corrente não é correta). Para dirimir conflito interno de competência utilizamos o art. → Hipóteses de Extraterritorialidade: são hipóteses excepcionais (assim como as de intraterritorialidade). 63 da lei 9099/95). .Inciso II: a) “Que.. de regra. mas sim para definir jurisdição. d. proteção ou real. se. proteção ou real. Extraterritorialidade incondicionada (§1º).099/95 aplica-se a Teoria da Atividade: art. Extraterritorialidade condicionada (§2º). d) “De genocídio. CP: “Ficam sujeitos à lei brasileira. c) “Praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras. Extraterritorialidade condicionada (§2º). o art. pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. o Brasil se obrigou a reprimir”: Princípio da justiça universal. incondicionada. 6º não serve para dirimir competência. de Município. b)houve requisição do Ministro da Justiça. no caso de tentativa. 7º. Extraterritorialidade incondicionada (§1º).2) Princípio da justiça universal.

quando diversas. . ou seja. não estar extinta a punibilidade. 2º. 8º. o juiz não pode receber a inicial.” Na extraterritorialdade incondicionada podemos nos deparar com a dupla condenação. Non bis in idem tbm. há o dispositivo previsto no art. art. 26 . CP: “A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime. d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter ai cumprido a pena – o Brasil respeita a coisa julgada estrangeira e a pena cumprida no exterior. o que seria bis in idem. b) ser o fato punível também no país em que foi praticado – é condição objetiva de punibilidade. ou seja.Vítima brasileira ou agente do crime sob jurisdição brasileira.Não existe extraterritorialidade em se tratando de contravenções penais (o CP não prevê e a LCP proíbe). mas se o juiz apurar que o fato não é punível no outro país ele absolve o réu. e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou. Questão: Existe algum caso de extraterritorialidade previsto em lei especial? Sim. e b) houver requisição do Ministro da Justiça.455/97. Art. Assim. CR/88 diz: “as causas relativas a direitos humanos. há na hipótese do §3º (caso de estrangeiro que cometeu crime contra brasileiro no exterior) duas exigências: a) não ter sido pedida ou negada a extradição. segundo a lei mais favorável. pode haver processo. É da competência da Justiça Federal. ou nela é computada. que entendem que o Brasil adota todos os princípios). qual é o princípio que o Brasil não adota nunca? O Princípio da nacionalidade passiva (salvo para Flávio Monteiro de Barros e LFG. (Ex do navio holandês e a ausência de punição) c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição – também é condição objetiva de punibilidade. para evitar o bis in idem.: . Assim. quando idênticas”. Ademais. V-A.No caso do inciso II (praticados por brasileiros) os requisitos são cumulativos (faltando um deles não ocorre a extraterritorialidade). cumulativo com alínea anterior. Os requisitos ou condições cumulativas são as seguintes: a) entrar o agente no nosso território (entrar não se confunde com permanecer! Aqui não importa se ele permanece no nosso território ou não) – é condição de procedibilidade. Obs.Direito Penal – LFG – Intensivo I 2) Princípio da defesa ou real (é a corrente correta). enquanto não se provar que o agente entrou no nosso território não pode haver processo. da Lei de Tortura – Lei 9. Vinícius . 109. por outro motivo.

mas existem). Não conferem privilégios. que são imunes em qualquer caso). causa pessoal de exclusão de pena. . inviolabilidade ou indenidade (esta última é trazida por Zaffaroni – guardar essa denominação!). real. (20/08/08) b) Parlamentar: b. Atenção: . 3. . mas ao cargo que ela ocupa. de que desfrutam: a) os chefes de governo ou de Estado estrangeiro.1) Imunidade Parlamentar Absoluta: é também chamada de material. c) os funcionários do corpo diplomático e sua família. b) embaixador e sua família*. segundo Pontes de Miranda. Espécies de Imunidades: a) Diplomática: . 27 . 53. LFG entende que se trata de uma causa impeditiva da punibilidade.: ONU). mas funcional. 4. segundo Magalhães Noronha.O diplomata não pode renunciar esta imunidade se perceber que as conseqüências no seu país são mais severas. despir o diplomata dessa imunidade. palavras ou votos” – ocorre que a jurisprudência do STF ampliou a imunidade para abranger também as esferas administrativa e política (estas imunidades não estão expressas na CR. porque só desempenha papel eminentemente administrativo e não representativo. caput. mas o país que ele serve pode tirar.Imunidade não quer dizer que quem a detém não deve obediência à nossa lei. causa de irresponsabilidade. substancial. e) agentes consulares?** (*) a esposa do embaixador tem imunidade desde que ela não seja da nacionalidade do país que ele esteja servindo. quando em serviço. sua família e membros da sua comitiva. mas que eles escapam às suas conseqüências jurídicas (serão punidos somente em seu país). .A imunidade diplomática não impede investigação policial. ☺ art. segundo Aníbal Bruno. porque a imunidade não é pessoal. 2. segundo Basileu Garcia. cláusula excludente de crime. ela não serve à pessoa. por isso são constitucionais e não ferem o Princípio da Isonomia. causa que se opõe à formação do crime.Natureza jurídica dessa imunidade (indenidade): Há 6 correntes: 1. . CR: “os Deputados e Senadores são invioláveis civil e penalmente por quaisquer de suas opiniões.Natureza jurídica dessa imunidade: a maioria entende que é uma causa pessoal de isenção de pena. d) funcionários das organizações internacionais (ex. (**) os agentes consulares são imunes só no que diz respeito aos crimes relacionados à sua função (diferentemente dos demais. mas sim prerrogativas funcionais.Direito Penal – LFG – Intensivo I IMUNIDADES: Constitucionalidade: Pergunta: as imunidades ferem o Princípio da isonomia? Não.Conceito: é prerrogativa funcional de direito público internacional.

E esta é a posição adotada pelo STF. Desta forma. e neste caso o nexo funcional é presumido (o ofendido deve comprovar a inexistência de nexo). essa imunidade é uma prerrogativa extraordinária que não alcança inquéritos policiais. que é norteada pelo princípio do “tempus regit actum”. o Congresso não pode sustar atos investigatórios (inquérito civil ou policial). Mas há quem discorde disso. senão vejamos: Antes da EC 35/01 O STF precisava da autorização da casa legislativa respectiva para processar o parlamentar.. o parlamentar é que deve comprovar o nexo funcional. Nesse caso. seus processos então passaram a ser conduzidos pelo STF. Obs. De acordo com o STF. Tem várias espécies: I) Quanto ao processo: ☺art. 53. dada pela EC 35/01. ou seja. pela Teoria da Hiperassessoriedade o fato principal tem que ser típico + ilícito + culpável + punível. mas sim correlata com a sua função). nesta hipótese o nexo funcional não é presumido (se o ofendido entrar com uma queixa-crime. mas a maioria da doutrina restringe esta imunidade para a imunidade relativa (e não à absoluta). STF – diz que a imunidade não se estende ao co-réu. mas tão somente o andamento processual. 245.Quanto à punibilidade do partícipe: Pela Teoria da Assessoriedade Mínima basta que o fato principal seja típico para que se possa punir o partícipe.Direito Penal – LFG – Intensivo I 5. . Nucci. ou seja. ou até mesmo em outro Estado da Federação. 4º e 5º. porque ela alterou garantia parlamentar. no entanto. o STF precisará de autorização da Câmara dos Deputados ou não? Resposta: prevalece que essa EC é irretroativa. apesar do assessor do deputado não estar imune. O MPF ofereceu denúncia contra ele por fatos praticados antes da EC 35. ☺Súm. nem sempre essa imunidade foi assim. causa de incapacidade pessoal penal por razões políticas. pela Teoria da Assessoriedade Máxima o fato principal deve ser típico + ilícito + culpável. se entender que a imunidade exclui a tipicidade. b. b) ofensa proferida fora das dependências da Casa Legislativa. §§ 3º. segundo Frederico Marques. A imunidade abrangia crimes praticados antes ou depois da diplomação.2) Imunidade Parlamentar Relativa: é também chamada de imunidade formal. 28 . vai estar penalmente beneficiado pela imunidade.: essa EC 35 é irretroativa ou pode alcançar os fatos praticados antes de sua vigência? Ex. segundo Zaffaroni e LFG. só podendo alcançar os fatos praticados da sua vigência em diante. Esses parágrafos tiveram redação nova. A imunidade só alcança delitos praticados após a diplomação. causa de atipicidade (exclusão do fato típico). A imunidade abrangia crimes comuns ou funcionais. Mas há uma outra corrente que afirma que pode retroagir sim porque a EC só alterou regra processual. . pela Teoria da Assessoriedade Média ou Limitada basta que o fato principal seja típico + ilícito para que se possa punir o partícipe. não se poderá punir o partícipe. O Brasil adotou a Teoria da Assessoriedade Limitada ou Média. CR. sustar o andamento do processo). 6. ou seja. que a ofensa não foi gratuita. A imunidade continua abrangendo crimes comuns ou funcionais.O que é englobado pela imunidade. Assim.: Paulo Maluf – em tese ele praticou crimes antes da EC 35 e se elegeu deputado após 2001. Depois da EC 35/01 O STF não precisa de autorização para processar o parlamentar (a casa respectiva pode. segundo o STF: a) ofensa proferida nas dependências da Casa Legislativa. como por ex.

STF foi cancelada). III) Quanto ao foro: ☺art. CPP não se estende ao parlamentar investigado ou processado. após a diplomação dos deputados e senadores. §6º. Essa prerrogativa não alcança processos civis. está superada! A imunidade do parlamentar não está restrita ao seu Estado.O parlamentar que se licencia para exercer cargo no Executivo. A imunidade só é constitucional porque é funcional. 3. 53. será o STF. Em regra ele não tem imunidade relativa. Ocorre que esta Súm. o agente atribui qualidade negativa à vítima (é um xingamento). mas não é a majoritária. que já está tramitando). O foro natural. Se o cargo novo tiver alguma imunidade. 140. desde que propter officio? ☺Súm. STF). são julgados pelo STF. §1º. se for estendida para após o mandato não seria mais relativa à função.Vereador: em regra. Exceção: salvo em flagrante de crime inafiançável. É a CR excepcionando a si mesma (já que ambas as competências são constitucionais). Obs. . perde todas as imunidades absolutas ou relativas. inafiançável e de ação penal pública incondicionada (pode o parlamentar ser preso por este crime). O crime de racismo é imprescritível.A imunidade do Deputado Estadual é restrita ao seu Estado ou se aplica ao Brasil inteiro. ele delas gozará. vereador só tem imunidade material (opiniões. porque a competência do foro especial está prevista na CR e não na Constituição Estadual. STF. Esta imunidade dura enquanto durar o mandato.Deputado Estadual tem as mesmas imunidades do Deputado Federal? Sim! ☺art. Quanto à prisão civil (ex. O foro especial só dura enquanto perdurar o mandato e alcança crimes praticados antes e depois da diplomação (início da legislatura). 27. a imunidade passaria a ser pessoal e não mais funcional (a Súm. Regra: parlamentar não pode ser preso. que diz que é restrita. somente processos penais (a lei que tentou dar ao parlamentar foro especial para atos de improbidade foi considerada inconstitucional – essa alteração tem que ser feita por EC.: o art. A prerrogativa que o deputado tem diz respeito às prisões provisórias. não permanece com as suas imunidades parlamentares. 4. É uma imunidade dada ao parlamentar para que ele não informe dados recebidos. como aconteceu no Piauí e no RJ. O foro especial do Deputado Estadual é o TJ (crimes não federais) ou TRF (crimes federais). o CN pode sustar? A imunidade só alcança delitos e não atos de improbidade! Assim. CR. sem incorrer na pena de crime de falso testemunho. → Observações finais: . Esse foro (TJ). limitada ao município em que exerce a vereança. CR. §1º. Deputados e Senadores não vão ao Júri. só pode suspender o andamento de ação penal e não de ação por ato de improbidade. 721.: devedor de alimentos). 53. 221. Quando acabar o mandato o processo volta para a origem. 394. porque ela é afiançável. e mesmo assim. palavras e votos). Mas há corrente no sentido contrário. não alcançando a prisão definitiva (prisão-pena). que pode ser cumprida em face de parlamentar. CR – Princípio da Simetria. caso contrário não (☺Súm. prescritível e de ação penal privada. Mas atenção: Deputado Federal e Deputado Estadual não 29 . . IV) Quanto ao dever de testemunha: ☺art. inclusive. Parlamentar pode ser preso por chamar uma pessoa negra de nome indevido? É preciso diferenciar a injúria qualificada do art. se apartando a pessoa do grupo. §2º. Só caberá a definitiva ou a provisória fruto de flagrante por crime inafiançável. Não é uma imunidade ampla e irrestrita não. . esta não é cabível contra os deputados e senadores. STF: foi cancelada). §3º do crime de racismo. 53. prevalece sobre o Júri (☺Súm. já no racismo existe segregação. enquanto na injúria não. II) Quanto à prisão: ☺art. mas a Constituição Estadual pode dar ao vereador foro especial (e esta é a única imunidade relativa que ele pode ter). Na injúria qualificada.Direito Penal – LFG – Intensivo I E o andamento de ACP por improbidade.

porque neste caso a competência foi trazida só pela Constituição Estadual e não pela Federal. (Súm. mas o vereador vai. STF). 721. 30 .Direito Penal – LFG – Intensivo I vão a Júri.

Direito Penal – LFG – Intensivo I 31 .

Assim. um fato. e 3) ameaça de pena. Esse aspecto material é o que surgiu de novo. Ou seja. Celso de Mello).☺HC 84412: descaracterização da tipicidade penal em seu aspecto material – Rel.com 2 elementos = Fato Típico + Antijurídico . Atenção: Crime é diferente de fato punível – o fato punível exige 3 requisitos: 1) fato formal e materialmente típico.com 3 elementos = Fato Típico + Antijurídico + Culpável .com 5 elementos = Ação + Típica + Antijurídico + Culpável + Punível Atualmente existe um Conceito Constitucionalista de crime. A punibilidade é um aspecto extremamente importante no direito penal. à luz da CR. como o furto de uma folha de papel . O que chama a atenção nesse conceito constitucional é o aspecto material da tipicidade: significa ofensa ao bem jurídico.Direito Penal – LFG – Intensivo I TEORIA DO CRIME SEGUNDO LFG: (04/03/09) – Aula com o LFG: Conceitos legalistas de crime (conceitos do tempo do paradigma legal): . segundo este conceito o Fato Típico tem dois componentes). 2) antijuridicidade. Ou seja. que o LFG chama de punibilidade. Segundo este conceito. do ponto de vista constitucional. Fato Típico: → Evolução histórica do fato típico: Quadro sinóptico: 32 .com 4 elementos = Fato Típico + Antijurídico + Culpável + Punível . se não ofende o bem jurídico não é materialmente típico (ex. mesmo formalmente típico. para que o fato seja punível é preciso que ocorra o crime e a ameaça de pena.: fato insignificante. crime tem 2 requisitos: Fato formal e materialmente típico + Antijuridicidade (ou seja. fato punível é crime + punibilidade.

é valorativamente neutro. um fato ilícito.Mezger. . . 3) nexo de causalidade (relação de causa e efeito). O leigo tem uma consciência de ilicitude distinta do jurídico.: O tipo penal não é valorativamente neutro.Críticas sobre o conceito de dolo: como se pode exigir do homem comum que tenha consciência da ilicitude? Mezger respondeu a esta questão com a “Teoria da Valoração Paralela na Esfera do Profano” – profano quer dizer leigo. 2) resultado naturalístico (para os crimes materiais).Requisitos: 1) conduta. o fato típico é distinto da antijuridicidade. O que mudou não foram nominalmente os requisitos. ou seja. Kant falava em fato e valor. o dolo é mero vínculo subjetivo do agente com o fato. O tipo penal tem apenas uma dimensão (objetiva). O tipo penal tem apenas uma dimensão (objetiva). . .Direito Penal – LFG – Intensivo I Teoria: Causalismo / Naturalismo / Causalnaturalismo Época e Expoentes: Conceito de Fato Típico e Obs. ou seja. Basta a consciência paralela. que passou a ser valorativo). começo do século XX . composto de 2 requisitos: 1) consciência do fato e vontade de praticá-lo. subsunção do fato à lei).FT é o fato objetivo e valorativo (o tipo não é valorativamente neutro). Nada no direito é neutro. dolo e culpa estavam dentro da culpabilidade.Obs. a tipicidade é indício da antijuridicidade (Mayer – Ratio Cognoscendi) – se o fato é típico. o tipo é valorativo sempre. É o fato valorado negativamente pelo legislador. 4) adequação típica (mesmos da teoria anterior.Requisitos da tipicidade: 1) conduta humana voluntária.Final do século XIX. . 2) consciência da ilicitude (dolus malus).Fato Típico é o fato objetivo e valorativamente neutro. deve-se analisar como um leigo encara a ilicitude. . O desvalor da conduta é bem maior do que o do resultado. 4) adequação típica (um fato adequado à lei. é também antijurídico. 2) resultado naturalístico (para os crimes materiais.Obs.Os 4 requisitos são todos carregados de valor. Segundo essa teoria não existe direito sem valores. .Século XX (1900 a 1930) .: tipo penal é a mera descrição abstrata do crime. mas o enfoque. .Von Liszt e Beling (desenvolveu a teoria da tipicidade em 1906). 3) nexo de causalidade. . Nelson Hungria 33 . No neokantismo. Exemplo de diferença entre ambas as teorias: no causalismo. não é necessário ser jurista. o dolo é normativo ou jurídico. Gerais: . Neokantismo Neokantismo é o retorno da filosofia de valores de Kant.

. Antes. “Dolo está na cabeça do réu e a culpa está na cabeça do juiz”. A conduta deve ser valorada nesta dimensão da tipicidade. .O fato típico tem 3 dimensões: I) objetiva (com os quatro mesmos requisitos dos demais).Requisitos da parte objetiva: conduta. Funcionalismo Moderado / Teleológico . Ler artigo do LFG que trata da teoria de Roxin.Aspecto subjetivo: dolo e culpa – estão na tipicidade (isso já é pacificado). A essência da teoria de Roxin gira em torno de riscos proibidos ou permitidos. se está fora da norma. Welzel o chama de tipo complexo. Normativo em penal é o que exige juízo de valor. Requisito subjetivo em penal é o que está na cabeça do réu. mas sim um dado normativo. deve-se valorar duas coisas: a conduta e o resultado. “para si ou para outrem” é a intenção especial). II) subjetiva (da qual faz parte só o dolo. não é típica do ponto de vista valorativo). É o juiz que valora a culpa. sendo o dolo um requisito subjetivo. ex. se praticada em contexto de risco permitido não é delito. adequação típica (os mesmos 4 das outras teorias).Claus Roxin . OBS. dolo e culpa estavam na culpabilidade.Fato típico tem 2 dimensões: é objetivo e subjetivo. não responde). por meio dos seguintes critérios: 1) criação ou incremento de um risco proibido ou relevante (sigla para memorizar: “CIRPRE”) pela conduta (se a conduta cria um risco permitido. o agente responde. resultado. ou seja. a culpa não é um dado subjetivo.Porque o tipo penal vem composto de 2 partes.Welzel errou em um ponto: culpa não é um requisito subjetivo e sim. assim. A conduta mesmo formalmente típica. 2) para a valoração do resultado há 2 critérios: a) ele tem que ser objetivamente imputável ao risco criado (nexo entre o risco criado e o resultado ocorrido – é o “nexo de imputação”).Hans Welzel . . exige um juízo de valor do juiz). nexo.No Brasil só chegou em 1970.1939 a 1960 (apogeu) . e b) resultado deve estar no âmbito de proteção da norma (se o resultado está no âmbito da norma. a dimensão subjetiva do tipo compõe-se de dolo e de intenções especiais (estas últimas para alguns tipos penais. . III) normativa ou valorativa (o juiz tem que valorar a conduta do agente) → Teoria da Imputação Objetiva: segundo esta teoria.1968 . 34 . normativo.Direito Penal – LFG – Intensivo I Finalismo .: furto – “subtrair” é o dolo. Dolo e culpa está na essência da conduta e a conduta está no tipo. .

. é correr um risco permitido. Ex7. O médico pratica formalmente a conduta ao “cortar” o paciente. a loja que vende arma de fogo não responde pelo risco. o taxista é partícipe. .Década de 80 . o que está permitido ou determinado ou fomentado por uma norma não pode estar proibido por outra – por isso deve-se examinar todas as normas do ordenamento jurídico conglobadamente. que o informa antes que irá matar alguém. fazer uma corrida de táxi é a função social que cumpre. nexo de causalidade e adequação típica – igual aos demais).é valorativa: 1) juízo de valoração da conduta (pelo critério do “cirpre” – criação ou incremento de risco proibido ou relevante) – quem atua para evitar risco de maior dano não responde pelo crime (é uma regra de imputação objetiva). Ex4. tal conduta não pode ser crime). com base na criação ou incremento de risco proibido ou relevante. .Tipo penal: aspecto objetivo e subjetivo idênticos à Teoria de Roxin. .Direito Penal – LFG – Intensivo I Funcionalismo Reducionista / Contencionista Para Zaffaroni a tipicidade também tem 3 dimensões. em contrapartida. taxista que leva passageiro. O padeiro não responde. porque vender pão é criar risco permitido e nessa fase não se analisa o dolo do agente (teoria da imputação objetiva). Para Zaffaroni. Ex6.2001 .Dimensão objetivo formal (conduta. Cada autor parte de um funcionalismo. Neste caso. Tanto as lesões esportivas como as intervenções médicas eram tratadas como excludentes de antijuridicidade (exercício regular de direito). Vender pão é atividade objetiva. lesões esportivas são criações de riscos permitidos. . comprador informa padeiro que irá matar a sogra envenenando o pão.LFG Fato típico tem 3 dimensões: formal. O que faz parte da tipicidade conglobante: a) imputação objetiva (concorda com a teoria de Roxin) (se existe uma norma que fomenta ou que determina ou que permite uma conduta. + b) resultado jurídico: ofensa ao bem jurídico pela lesão ou pelo perigo concreto (deriva do princípio da ofensividade – é a lesão ou o perigo concreto de lesão ao bem jurídico). Ex1. Teoria Constitucionalista do Delito . e se alguém descobrir uma norma que permita determinada conduta. O juiz faz a análise valorativa da conduta. responde pelo delito. Ex2.Dimensão subjetiva (dolo + intenções especiais). Quem responde pelo risco é quem comprou o carro e não quem o vendeu.Zaffaroni (argentino) . este resultado jurídico tem que preencher 6 requisitos (sob pena de ser atípico): 35 . não responde. Taxista não responde pelo delito. Funcionalismo: parte de uma concepção do direito penal.***Teoria da Tipicidade Conglobante: o tipo tem que ter uma 3ª dimensão (como também pensava Roxin). taxista informa endereço da vítima ao passageiro para que execute o crime. Ele não fugiu do papel de taxista. se cria riscos permitidos. 2) juízo de valoração do resultado jurídico com base em 6 critérios (Zaffaroni) – para ser relevante. o direito penal serve para conter o abuso do estado. Se o agente cria riscos proibidos. resultado naturalístico. pois fez além de sua atividade como taxista. Quem realiza riscos normais não responde por nada. Ex3. As dimensões formal e subjetiva continuam iguais às demais. Ex5. concessionária vende um carro. e. para Zaffaroni esta 3º dimensão é a Tipicidade Conglobante. subjetiva e material.Dimensão material ou normativa . intervenção médica constitui um risco permitido.

Este modelo “está morto. d) deve ser intolerável. O crime é um fato que viola a norma e ofende o valor protegido pela norma. O da frente atropela e mata um transeunte. (**) Outro fundamento: o modelo legalista nasce com Savigny. o valor é a vida). quando se dizia que o fato adequado à lei é antinormativo). Ex2. mas que são toleradas. Outra teoria que pode ser aplicada é a auto-colocação da vítima em perigo em razão de conduta própria. Ex2.Direito Penal – LFG – Intensivo I a) deve ser concreto: ou seja. sobrinho quer matar o tio. art. Ex3. uma vez que não há perigo abstrato em direito penal. Quem realiza uma atividade respeitando as regras dessa atividade pode confiar que as outras pessoas irão atuar de acordo com as regras. sem farol. significativo. então é preciso agregar ao FT o aspecto valorativo. embora ainda não sepultado”. A empurra B na piscina. o fato é atípico. A norma primária é dirigida a todos. importante. 229 – motel é tolerável. A não responde pela morte de C. grave: se o resultado for insignificante. Programa excursão do tio a uma floresta onde há grande 36 . pois o aborto nesse caso é tolerável. Ex.XX. morreu com os julgamentos de Nuremberg. O princípio da confiança relaciona-se com a teoria dos riscos permitidos. No sec. e) nexo de imputação entre o resultado e o risco criado: deve ser objetivamente imputável ao risco criado. a norma secundária é dirigida ao juiz (ex. A norma que exige farol na bicicleta é para evitar acidente próprio. Juiz. confiando que os pedestres irão esperar.Razão da exigência de uma dimensão material na tipicidade: a) Teoria tridimensional do direito (fundamento da teoria desenvolvida acima): desenvolvida por Miguel Reale – o direito é fato. o preceito secundário é “pena de 6 a 20 anos de reclusão”). sua essência é “todo direito se funda na lei”. o fato é atípico. só atende aos interesses gerais. que significa outro). Assim: o fato que viola o valor é antinormativo (para os constitucionalistas – diferentemente do que se pensava antigamente – paradigma legalista –. . dois ciclistas trafegam no acostamento a noite. Lei não se confunde com o Direito. maus-tratos aos animais por peões.“matar alguém” – o preceito primário é “é proibido matar”. 121 . A insignificância do objeto furtado exclui a tipicidade material e não formal. Ex1. Ambos morrem. mas um pedestre avança na faixa e é atropelado. O preceito primário da norma secundária dirigida ao juiz é “Sr. Ex1. se para isso for preciso violar o Direito. Há ofensas que são graves. por este modelo não se aceita perigo abstrato em Direito Penal. feto anencefálico nunca sobrevive – aborto. Toda norma existe para proteger um valor. aplique a pena a quem viola a norma primária” → toda norma primária existe para proteger um valor (neste ex. STF. ???? b) deve ser transcendental: o resultado tem que afetar terceiros. em 1945 (dos nazistas. Promotor denuncia ambos por homicídio culposo. no entanto. Ex1. de acordo com a jurisprudência. cirurgião pressupõe que o anestesista fez a anestesia de forma correta. A cultura aceita esse tipo de atividade. não há crime. Cada um responde pelo risco que criou e nos limites do risco criado. C tenta salvar B. a lei é o instrumento de se fazer justiça). Ex1. motorista segue sinal verde. valor e norma (*). o protagonista de toda a vida do Estado é o legislador (que não erra nunca. f) resultado deve estar no âmbito de proteção da norma. Nasce então o Neoconstitucionalismo e o Direito penal constitucionalizado. Ofensa contra mim não é penalmente relevante.412. nasce o positivismo legalista para reforçar o antigo modelo legalista.: art. logo. o segundo porque se tivesse farol teria evitado o acidente. HC 84. c) deve ser relevante. O CP permite apenas 2 hipóteses de aborto. mas todas as normas têm sempre um preceito primário e um preceito secundário. uma parte da doutrina não o admite. que pensavam ter somente cumprido a lei) – não se pode cumprir a lei. HC 81057 – porte de arma desmuniciada. Segundo a opinião do LFG. Ex3. (**) (*) Primeiro fundamento: A norma penal pode ser primária ou secundária. e não o próprio agente (Princípio da Alteralidade – vem do latim alter. cabe perigo abstrato dentro do direito penal. ADPF 54 – STF irá decidir em abril sobre essa questão. b) Do legalismo ao constitucionalismo (atualmente se segue o neoconstitucionalismo e neoprocessualismo).

mas a imputação é objetiva. O atirador de facas é que criou o risco proibido. Ex2. portanto. A viagem resulta na morte do tio – programar uma excursão é criar risco permitido. embora confie em sua habilidade. dolo eventual do atirador.Direito Penal – LFG – Intensivo I incidência de raios. o atirador de facas responde pela morte. portanto o dolo será analisado depois. não foi a conduta da vítima que a matou. portanto o sobrinho não poderá ser responsabilizado pelo delito. 37 . Ex1. Auto-colocação da vítima em risco por conduta própria. atirador de facas responde por homicídio? Não foi a vítima que se matou. ou seja. Existe dolo da pessoa que organiza a excursão.

A Lei de Introdução ao Código Penal apresenta uma diferenciação entre eles: crime ou delito tem pena de detenção ou reclusão.Sinônimos de Contravenção Penal: crime anão. por isso é Dualista ou Binário. IV.O que leva o legislador a rotular um comportamento como contravenção penal ou como crime? Ex. 21. LCP). As duas espécies são: crime (ou delito. É a regra. prestação de serviços à comunidade ou medida educativa. como prevê a lei. 109. a contravenção penal do art. 5º e 6º. delito liliputiano. disse quais são as penas possíveis de serem aplicadas a crimes no Brasil. pois. CR). Tudo isso aconteceu por mera opção política.343/06: posse de droga para uso próprio – tem como sanção a advertência sobre os efeitos das drogas. e a partir do Estatuto do Desarmamento. que é seu sinônimo) e contravenção penal. crime vagabundo. CP. Mas existe uma exceção (e não é a conexão entre contravenção e crime federal – nesse caso haveria o desmembramento): contravenção penal praticada por quem detém foro por prerrogativa de função federal do 38 II) Espécie de ação penal Ação penal pública ou ação penal privada. Mas o STF não reconhece essa jurisprudência e por isso não encontra exceções ao art. Por isso. Exceção criada pela jurisprudência: se o crime do art. . A tentativa não é punível (☺art. 17 da LCP. III) Punição da tentativa IV) Extraterritorialidade V) Competência para processo e julgamento A tentativa é punível Admite Pode ser da Justiça Estadual ou da Federal . 28. porque o tipo da AP não deve estar ligado à gravidade do delito (tanto é que um dos crimes mais graves que existem é o estupro e é perseguido por AP Privada). seria. dependendo do crime. 17. 4º. Lei 11. de 97 a 2003 passou a ser crime. Isso porque a CR. . Mas essa opção política não vem do nada. ☺art. estão embasadas nas seguintes diferenças entre crimes e contravenções: Crime I) Pena privativa de liberdade Reclusão ou detenção Contravenção Penal Prisão simples (☺arts. 2º. . uma infração penal sui generis. Não admite (☺art. LCP (vias de fato) também deve ser perseguida por APP Condicionada. e não Incondicionada. em algumas hipóteses passou a ser até mesmo inafiançável (a ponto do STF dizer que isso já foi um exagero). já a contravenção penal tem pena de prisão simples. até 1997 era contravenção penal. 129.O Brasil prevê duas espécies de infrações penais. Só pode ser da Justiça Estadual (☺art. LCP). há quem entenda (LFG) que não se trata nem de crime e nem de contravenção penal. LCP). Mas a LICP não dá todas as respostas.: porte ilegal de arma de fogo. que é posterior à LICP. (que é o mais) é perseguido por Ação Penal Pública condicionada.Direito Penal – LFG – Intensivo I TEORIA DO CRIME: TEORIA GERAL DA INFRAÇÃO PENAL: (11/03/09) . LCP) Ação Penal Pública incondicionada (☺art. caput. Mas o STF entende que esse comportamento é crime sim. Não estamos mais limitados ao conceito da LICP.

10. consistente num comportamento humano causador de lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. VI) Limite de cumprimento da pena 30 anos O período de prova será de 2 a 4 ou de 4 a 6 anos. juiz federal que pratica contravenção penal será julgado no TRF. de acordo com as várias Teorias: Teoria: Teoria Causalista: Conceito: crime é fato típico + ilícito + culpável (dolo e culpa estão na culpabilidade). 6°. a depender do tipo de “sursis” A pena pode começar no regime fechado ou ir para o fechado por meio da regressão 5 anos (☺art. 39 . LCP). Teoria Neokantista: crime é fato típico + ilícito + culpável (é uma teoria que tem por base a Teoria Causal.Direito Penal – LFG – Intensivo I contraventor.Conceito analítico: leva em consideração os elementos que compõem a infração penal. nem mesmo por meio da regressão (art. jamais poderá começar ou ir para o regime fechado.Conceito formal: sob o enfoque formal. mas. passível de sanção penal. . sob ameaça de pena. ex. Teoria Finalista Dissidente: Teoria Social da Ação: crime é fato típico + ilícito (não há culpabilidade – esta é mero pressuposto de aplicação da pena). Conceito Analítico de Crime. 11.Conceito material: é o comportamento humano causador de relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. Conceito de Infração Penal: . LCP) VII) “Sursis” O período de prova será de 1 a 3 anos (☺art. . . A estrutura do crime que prevalece é a seguinte: Crime = fato típico + ilicitude + culpabilidade. Esse conceito varia conforme a teoria adotada. está o fato de que o neokantista admite elementos valorativos no tipo). crime é aquilo que está estabelecido em uma norma penal incriminadora. Analisa o crime sob a ótica de sua estrutura. Teoria Finalista: crime é fato típico + ilícito + culpável (o dolo e a culpa migram para o fato típico). LCP).Formal-material: é aquilo que está estabelecido em lei. dentre algumas de suas diferenciações. VIII) Regime de cumprimento de pena A pena de uma contravenção penal só pode ser cumprida em regime aberto ou semi-aberto. passível de sanção penal.

Pessoa Jurídica não pratica e nem pode ser responsabilizada penalmente. pois 1) ofende o princípio da responsabilidade subjetiva (PJ não tem dolo. por ex. 2. o Princípio da Insignificância). 1) Trata-se de uma responsabilidade objetiva autorizada pela CR (já que a CR pode excepcionar-se a si mesma). com idade mínima de 18 anos. Sujeito Ativo do Crime: O que é sujeito ativo do crime? É o autor da infração penal. 3) o que passa da PJ condenada são os efeitos da condenação.Direito Penal – LFG – Intensivo I crime é fato típico + ilícito + culpável (o dolo e a culpa integrantes do fato típico voltam a ser analisados na culpabilidade). crime é fato típico + ilícito + culpável Funcionalismo Sistêmico (a preocupação não é resguardar o bem jurídico. como. capaz. Funcionalismo Teleológico (de Roxin): crime é fato típico + ilícito + reprovabilidade (a culpabilidade é limite da pena e não elemento do crime. admitindo princípios gerais do direito. 40 . o fato típico + ilícito sem pena em abstrato não é crime). nem culpa). a preocupação é resguardar o bem jurídico. ainda que não positivados). não admitindo princípios gerias não positivados. 3º. pois. STJ entende que não se trata de uma responsabilidade objetiva ou subjetiva. 3) ofende o princípio da responsabilidade pessoal (responsabilizar PJ é o mesmo que responsabilidade coletiva). a norma. mas sim de uma responsabilidade social. 2) PJ responde pelos seus atos. o império da ou Radical (de Jackobs): norma. 4) ofende o princípio da personalidade das penas (a pena ultrapassa da pessoa do condenado).605/98). Quem pode ser sujeito ativo? Qualquer pessoa física. ou órgão colegiado. Pessoa jurídica pode ser autora de crime? Há 3 correntes: 1. podendo ser por ele responsabilizada penalmente. O STJ já adotou a 3ª corrente. adaptando-se o juízo de culpabilidade às suas características. Pessoa Jurídica não pratica crime nem mesmo ambiental. Sistema da dupla imputação: a responsabilidade da pessoa jurídica não exclui a da pessoa física.. a que prevalece. Lei 9. Pessoa Jurídica pratica crime ambiental (☺CR e Lei 9. A responsabilidade da PJ parte da premissa de que seria um caso de responsabilidade penal objetiva. É. 3. mas pode ser responsabilizada penalmente nas infrações contra o meio ambiente. no interesse ou benefício da sua entidade). Trata-se de uma responsabilidade penal social que exige dois requisitos (☺art. A PJ (co-responsável) tem que ser denunciada juntamente com a pessoa física autora do crime. 2) ofende o princípio da culpabilidade (PJ não tem potencial consciência da ilicitude). É a posição do LFG e do Fernando Galvão. previsão de pena – a culpabilidade é mero pressuposto da pena.605/98: infração praticada por decisão do representante legal ou contratual. mas o sistema. Teoria Constitucionalista: crime é fato típico + ilícito + punibilidade em abstrato (isto é.

Nenhuma das duas correntes admite que pessoa jurídica seja vítima de injúria.Existe crime sem objeto jurídico: não.Pessoa jurídica pode ser vítima de crime contra a honra (calúnia. Quem? Pode ser qualquer pessoa física ou jurídica. entendendo-se que “pessoa” ali empregada é só a pessoa física. latrocínio. 138. difamação e injúria)? a) Segundo uma primeira corrente. . grave ameaça ou fraude. sob o argumento de que os arts. 339.: art. Objeto Material: É a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta criminosa. roubo. . que atinge a dignidade e o decoro – honra subjetiva (sendo que a pessoa jurídica não a tem). estão no título “Crimes contra a pessoa”.Sujeito passivo próprio: é aquele de quem a lei exige uma qualidade ou condição especial para que seja vítima (ex. 213 – estupro. É possível privar o Diretor da sua liberdade de locomoção e condicionar sua liberdade ao pagamento de uma quantia que pertence à pessoa jurídica (a pessoa jurídica que será lesada no seu patrimônio).Crimes vagos: crimes cujo sujeito passivo é indeterminado (ex.Direito Penal – LFG – Intensivo I Sujeito Passivo do Crime: É a pessoa ou o ente que sofre as conseqüências da infração penal. CP – protege a honra do inocente e a regularidade das atividades da Administração Pública..: violação de correspondência – são vítimas o destinatário e o remetente. no homicídio – o sujeito passivo e o objeto se confundem na mesma pessoa. 41 . 231. estupro qualificado pela morte. podendo ser a ela imputada falsamente a prática de um crime). . em que a vítima é o filho recém nascido. o objeto material é o próprio objeto. Objeto Jurídico: É o interesse tutelado pela norma.Crimes de dupla subjetividade passiva: há crimes que têm obrigatoriamente pluralidade de sujeitos passivos. Ex. No crime de furto. como. . são os “crimes de dupla subjetividade passiva” (ex.Pessoa jurídica pode ser vítima de extorsão mediante seqüestro? Sim. A prof. 139 e 140. Punir alguém sem se procurar defender interesses.Crimes de dupla objetividade jurídica: crimes em que o tipo penal protege mais de um objeto jurídico (tem pluralidade de bens jurídicos). É adotada por Mirabete. . b) Segundo uma segunda corrente. 123 – infanticídio. e art. c) Segundo uma terceira corrente a pessoa jurídica não pode ser vítima de crimes contra a honra (nenhum). . por ex. pode ser de qualquer pessoa. não há prática de prostituição ainda – o tipo pune um comportamento sem se preocupar com um bem jurídico).: crimes contra a família). CP – seria um exemplo de crime carente de objeto jurídico (porque não tem violência. Alice Bianchini diz que o crime de tráfico internacional de pessoas (comércio sexual) – art.Existe crime sem objeto material? A doutrina cita dois delitos que não possuem objeto material: ato obsceno e falso testemunho. o sujeito passivo é o dono do objeto. caput. art. Pode se confundir com o sujeito passivo do crime. pessoa jurídica pode ser vítima apenas de difamação (é a corrente majoritária). pode ser vítima de calúnia e difamação (se admitindo que pessoa jurídica pratica crime (ambiental). o tipo penal exige. em que se exige que a vítima seja mulher). abortamento não consentido – são vítimas a gestante e o feto).: denunciação caluniosa. mas não é necessário que o seqüestro seja do diretor. não é Direito Penal. Mas não é o posicionamento da doutrina em geral. . CP. .

consistente numa conduta produtora de um resultado que se ajusta formal e materialmente a um tipo penal. Para a maioria. Ele é subsidiário e fragmentário.Conceito analítico: é o primeiro substrato do crime. primeiro requisito ou elemento do crime. . para o Causalismo. norteado pelo Princípio da Intervenção Mínima. → Elementos do Fato Típico: conduta.Conceito material: fato típico é um fato humano indesejado. resultado.Da natureza . O DP só está interessado nos fatos humanos indesejados que consistam numa conduta produtora de um resultado (nexo causal) que se ajuste formal e materialmente (tipicidade) a um tipo penal. o crime tem um terceiro substrato que é a culpabilidade. Conduta é ação consistente num movimento humano voluntário que causa modificação no mundo exterior. está desprovida de dolo e culpa (que são espécies da culpabilidade). nexo causal e tipicidade: 1) CONDUTA:   Conceito analítico: é elemento do fato típico. a conduta/tipo é objetiva. Existem fatos humanos desejados e indesejados.indesejados. não admitindo qualquer valoração. Vejamos: a) Para a Teoria Causalista. e a conduta pertence ao fato típico. Também chamados de elementos ou requisitos do crime. O segundo é a ilicitude. ilícito e culpável. Nem todos os fatos humanos indesejados interessam ao DP. Os desejados não interessam ao DP. . . O DP é norteado pelo Princípio da Intervenção Mínima. Conceito material: varia de acordo com o conceito analítico de crime que se adota (do Causalismo até a Teoria Funcionalista de Jakobs).: a conduta. Obs. FATO TÍPICO: .Direito Penal – LFG – Intensivo I TEORIA DO CRIME: SUBSTRATOS DO CRIME: Lembramos que inúmeros são os fatos que ocorrem no mundo. crime é um fato típico.indesejados → conduta – resultado – nexo – tipicidade Daí derivam os substratos do crime (segundo Bettiol). Os fatos podem ser humanos ou da natureza. Críticas: 42 . O Direito Penal é seletivo (fatos da natureza dos quais não participam o homem não interessam para o DP). que é uma conseqüência jurídica.desejados . O primeiro substrato do crime é o Fato Típico.Humanos Fatos . Da conjugação dos três substratos nasce a punibilidade.

: continua desprovida de dolo e culpa (estes são requisitos. atendendo à culpabilidade (.partindo de conceitos naturalistas. CP – “com o fim de prejudicar direito”. É uma teoria contraditória. 59: “o juiz. já que há tipos que têm elementos normativos que precisam ser valorados. . eu sou o vidente”.1: o dolo e a culpa migram da culpabilidade para o fato típico. d) Para o Finalismo Dissidente. expressando uma valoração negativa da lei.ignora a presença de elementos subjetivos do tipo. entendendo-se como tal dolo e culpa. ilícito e culpável.)”. onde não há intenção. Obs2. A única diferença está no conceito e na natureza jurídica da culpabilidade. mas houve uma corrente que se tornou bipartite.2: reconhece elementos objetivos. Obs3. é ação ou omissão. Obs. crime continua sendo fato típico. não abrange os crimes omissivos. normativos e subjetivos. conduta é conceituada como comportamento humano socialmente relevante.: dolo e culpa integram a conduta. ficou contraditória quando reconheceu elementos normativos e subjetivos do tipo. O tipo penal não é constituído somente de elementos objetivos (ex. e o crime está despido da culpabilidade. que tem base causalista.o finalismo só explica o crime doloso. voltam a ser analisados na culpabilidade (acabam trazendo também um grau de reprovação). crime tem 3 substratos: fato 43 .o causalismo ignora elementos normativos do tipo. Já se vê na conduta para onde se dirigiu o comportamento. 299. . sendo também frágil quanto aos crimes omissivos. porém. Críticas: . Crítica: . que é a grande diferença em relação à teoria finalista. crime também é fato típico. e não mais espécies. em que há inação. tendo como fundamento a redação do art.o finalismo centralizou sua teoria no desvalor da conduta. o crime é fato típico e ilícito. Quem traz esta discussão bem explicada é Francisco de Assis Toledo. c) Para o Finalismo. Reconhece a presença de elementos normativos. dolo e culpa estão na culpabilidade (ex. “Comportamento humano voluntário causador de modificação no mundo exterior”. sendo mero pressuposto de aplicação da pena. f) Para o Funcionalismo Teleológico ou Moderado (de Roxin). adotando a estrutura do finalismo.. Obs1. ignorando o desvalor do resultado. a conduta continua integrando o fato típico. no mais são idênticos (inclusive quanto ao conceito de conduta). não mais neutra. ilícito e culpável. . pois tem base causalista. e) Para a Teoria Social da Ação. é elemento subjetivo do tipo).Direito Penal – LFG – Intensivo I . elementos da culpabilidade. Obs. mas reconhece elementos normativos do tipo (indo de encontro às premissas de sua base). para o Finalismo. E conduta continua integrando o fato típico. mas discorda quanto ao conceito material de conduta. Segundo ela. por ser movimento. O finalista diz: “o causalista é cego.: admite elementos não objetivos no tipo. CP – “sem justa causa”).dolo e culpa na culpabilidade.: art. deixa de ser concebida como mero processo causal para ser enfocada como exercício de uma atividade finalista (exercício vidente). para esta teoria.: Prefere comportamento ao invés de ação. 154. abrangendo o crime omissivo. é frágil quanto ao crime culposo. Conduta. o crime também é fato típico. O finalismo nasceu tripartite.: art. como queria o causalismo). a vontade do agente. Obs. Há quem diga que o nosso CPB adotou esta teoria. .a conduta. A conduta. b) Para o Neokantismo.. ilícito e culpável (volta a ser um conceito tripartite). Conduta: “Movimento humano voluntário psiquicamente dirigido a um fim”. Crítica: a teoria não é clara quanto ao significado da expressão “socialmente relevante”.

trabalha com política criminal. Porque não é positivado). O Funcionalismo surgiu na Alemanha. consiste no comportamento humano voluntário. Segundo a doutrina majoritária. Reprovabilidade = imputabilidade + potencial consciência da ilicitude + exigibilidade de conduta diversa + necessidade da pena.reduz direitos e garantias fundamentais. É exatamente nos fins que se diferenciam ambos os funcionalismos. g) Para o Funcionalismo Sistêmico ou Radical (de Jakobs). Para Jakobs. ilícito e culpável e a conduta se encontra. ai então se analisa a culpabilidade.a doutrina de Jakobs serve a estados totalitários. Crítica: . Admite a aplicação de princípios gerais não positivados (não expressos na lei). havendo limites. Obs. orientada pelo Princípio da intervenção mínima. Trabalha com imputação objetiva do resultado. Leva em consideração somente as necessidades do sistema. por isso se fala em “Direito Penal do Inimigo”. não ao indivíduo. Para Roxin. A conduta está no fato típico. assim. Crítica: a reprovabilidade não é elemento. pune-se a formação da quadrilha ou bando. conduta é a causação (provocação) de um resultado evitável.Direito Penal – LFG – Intensivo I típico. Surge o “Direito Penal do Inimigo”.Direito Penal do Inimigo Características: 1) Antecipação da punibilidade com a tipificação de atos preparatórios (incrimina meros atos preparatórios). pode acabar exumando (fazendo ressurgir) estados totalitários.Jakobs só trabalha com o que está positivado. mas sim com o império do sistema. Se a pena for necessária. não reconhece a aplicação de princípios gerais não positivados (não aplica o Princípio da Insignificância e política criminal.: dolo e culpa permanecem no fato típico. ilicitude e reprovabilidade. a partir de 1970. substrato do crime e sim. . 44 . no Brasil. Funcionalismo Teleológico (Roxin) Preocupa-se com os fins do direito penal.a preocupação de Jakobs não é mais com a lesão ao bem jurídico.: . frustrando as expectativas normativas ou comportamento humano voluntário violador do sistema. o Princípio da Insignificância. que deixou de pertencer ao crime e passou a ser limite da pena. causador de relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão a bens jurídicos tutelados. como por ex. . 2) Desproporcionalidade das penas. Norteia-se em finalidades de política criminal. diferencia-se de Roxin.direito penal tem como finalidade proteger bens jurídicos indispensáveis à convivência social. como forma de submeter a dogmática penal aos fins específicos do direito penal. Obs. não obedece a norma. com o que é lei. frustrando as expectativas normativas. norma. . Função preventiva geral da pena. . o respeito ao sistema – quem não respeita o sistema posto. crime continua sendo fato típico. Funcionalismo Radical (Jakobs) Preocupa-se com os fins da pena.dolo e culpa permanecem no fato típico. . sua conseqüência. pois não admite. . também. conduta. violador do sistema. no fato típico. é um inimigo. Busca a proteção de bens jurídicos indispensáveis Busca a reafirmação da autoridade do direito. a preocupação de Roxin é somente com a proteção de bens jurídicos (esta é sua finalidade principal).

. 18.: a coação moral irresistível exclui a culpabilidade. Ex. Dizem que. . São elas: (☺Zaffaroni) I) Caso fortuito ou força maior: exclui a voluntariedade do movimento. Surgiu na era do terrorismo. Conclusões: .A doutrina moderna trabalha com o funcionalismo teleológico de Roxin.Notar que a expressão “movimento humano voluntário” é uma constante em todas as teorias.O Código Penal Militar é causalista – dolo e culpa estão na culpabilidade (art. Atenção para a defensoria pública da União! .Dentre essas 7 teorias supra apresentadas. 4) Criação de tipos de perigo abstrato. b) ação (crime comissivo) ou omissão (crime omissivo). I. CRIME DOLOSO: . STF não tem admitido crime de perigo abstrato. II) Coação física irresistível: exclui a voluntariedade do movimento – obs. provocado não exclui a conduta. MP/MG trabalha com o funcionalismo teleológico. impondo-se penas sem observância de garantias penais e processuais). arma desmuniciada para o STF não é crime. CP – quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. 45 . porém corrigido na reprovabilidade (dever-se-ia retirar a reprovabilidade e retornar à culpabilidade). Aplicada no Brasil: violação de domicílio. Dolo e culpa estão intimamente ligados à voluntariedade do crime.: o ato reflexo proposital .Direito penal de 2ª velocidade (1 era mais moderno): direito penal das penas alternativas. inclusive.Direito penal de 1ª velocidade: pena privativa de liberdade. leis dos crimes hediondos. Surgiu quando o mundo estava mais calmo. crimes omissivos próprios. IV) Estado de inconsciência: sonambulismo e hipnose (pois não há vontade dominando o movimento). o movimento deixa de ser voluntário. Direito reducionista: reduz direitos e garantias fundamentais.Concurso público em SP. 33). na doutrina e jurisprudência brasileira ainda prevalece o Finalismo Clássico (tripartite). É um denominador comum. 5) Surgimento das chamadas “leis de luta ou de combate”. 6) Restrição de garantias penais e processuais (direito penal de 3ª velocidade.  Espécies de conduta: a) dolosa ou culposa. . .Previsão legal: art. Surgiu com o pós-guerra.  Assim. III) Atos reflexos: exclui a voluntariedade do movimento. por ser uma veia do direito penal do inimigo. predomina o Finalismo Dissidente (bipartite) – cuidado com os concursos! . é a teoria adotada por nosso código. em cima desse denominador comum é que estudaremos agora as causas de exclusão da conduta (as hipóteses de exclusão da conduta excluem a conduta pouco importando a teoria adotada). Ex. etc. Eras do direito penal (o direito penal varia conforme o seu inimigo): . salvo defensoria. que deixa de ser dominável pela vontade – obs.Direito Penal – LFG – Intensivo I 3) Criação de tipos de mera conduta.Direito penal de 3ª velocidade: (2 eras mais moderno) imposição de penas sem garantias penais e processuais. Regime Disciplinar Diferenciado.

A liberdade do movimento é matéria da culpabilidade. → Teorias do Dolo: a) Teoria da Vontade: dolo é a vontade consciente de querer praticar a infração penal – adotada no Brasil quando se fala em “dolo direto” (querer o resultado – art. Dolo direto ou determinado: configura-se quando o agente prevê o resultado. ainda assim. decide continuar agindo.Direito Penal – LFG – Intensivo I → Conceito de dolo: É a vontade livre e consciente dirigida a realizar (ou aceitar realizar) a conduta prevista no tipo penal incriminador.: dolo não se confunde com mero desejo – no dolo. prevê lesão corporal ou homicídio e dirige sua conduta para lesão corporal ou homicídio. Se a vontade não é livre. Crítica: é uma teoria muito ampla. → Espécies de Dolo: 1. assumindo o risco de produzi-lo (era o que faltava para deixar de abranger a culpa consciente) – adotada no Brasil para o chamado “dolo eventual” (assumir o risco de produzir o resultado – art. decide continuar a conduta.elemento intelectivo: consciência (previsão) Obs. há excludente de culpabilidade. 18. quer produzir lesão. Há diferentes intensidades de vontade. b) Teoria da Representação: ocorre dolo toda vez que o agente prevê o resultado como possível e. espera o resultado delitivo como conseqüência de conduta alheia ou evento alheio (no desejo o resultado não é conseqüência da conduta).1. pessoa prevê lesão e homicídio. No desejo. Há a mesma intensidade de vontade de provocar um ou outro resultado. 1ª parte). → Elementos do dolo: 1. 18. mas também assume o risco da morte. vontade + livre = dolo + culpabilidade (interfere na exigibilidade de conduta diversa) vontade (sem “livre”) = dolo sem culpabilidade Dolo só tem 2 elementos: vontade e consciência. Crítica: a vontade não precisa ser livre (este conceito está ultrapassado!). c) Teoria do Consentimento ou Assentimento: ocorre dolo toda vez que o agente prevê o resultado como possível e. com sua conduta. Dolo eventual: o agente prevê uma pluralidade de resultados. Mistura dolo eventual e culpa consciente. porém dirige sua conduta na realização de um deles. Dolo alternativo: o agente prevê uma pluralidade de resultados. a culpa consciente.2. 2ª parte). ainda assim. Ex. 2. não busca realizar resultado certo e determinado. É gênero e tem duas espécies: 2. pessoa prevê homicídio e busca realizar homicídio. Ex. 46 . Ex. Dolo indireto ou indeterminado: o agente. abrange algo que não é dolo. aceitando produzir o outro. a liberdade da vontade não é elemento do dolo (conduta é movimento voluntário e não movimento livre e voluntário).elemento volitivo: vontade (querer ou aceitar) 2. o agente quer o resultado delitivo como conseqüência de sua própria conduta. dirigindo sua conduta na busca de um ou de outro. dirigindo a sua conduta na busca de realizar esse mesmo resultado. 2.

a Teoria da Representação foi adotada no dolo de 2º grau (o agente prevê o resultado e não pára de agir). 13. Ex. 9. 132.: esta última classificação (dolo genérico ou específico) está ultrapassada. com relação aos demais agiu com dolo de 2° grau. 6. não se aplica mais. Portanto. OBS. 7. CP – exposição da vida ou saúde a perigo. com relação ao desafeto agiu com dolo de 1° grau.: art. nós adotamos as 3 teorias: teoria da vontade no dolo direto. pois no dolo de 2º grau o resultado não diretamente querido é necessário para se alcançar a finalidade buscada. Obs. 4. Dolo cumulativo: o agente pretende alcançar dois resultados em seqüência. Dolo antecedente Dolo concomitante Dolo subseqüente 47 . 5. coloca bomba no avião. Dolo de dano: a vontade do agente é causar efetiva lesão ao bem jurídico tutelado. Ex. indicando a finalidade especial. Mero ato preparatório não configura crime. teoria do assentimento no dolo eventual e teoria da representação no dolo de 2º grau. Assim. atualmente. Dolo geral (ou erro sucessivo): ocorre quando o agente supondo já ter alcançado um resultado por ele visado pratica nova ação que efetivamente o provoca. 10. Dolo de perigo: a vontade do agente é apenas expor a risco o bem jurídico tutelado (ex. não isentando o agente de pena. e o dolo específico é o dolo acrescido de elementos subjetivos do tipo. desnecessário. 12. Eventual (possível) e Desnecessário.: dolo geral pressupõe o início da execução. Dolo específico: o agente tem vontade de realizar a conduta descrita no tipo penal buscando um fim específico.: não se confunde com dolo eventual.: caso dos Nardone: casal estrangula filha e pensando que já estava morta a joga pela janela. para ele. mas necessário para alcançar o fim último. Dolo subseqüente.: segundo LFG. Dolo de propósito: é um dolo refletido – nem sempre majora a pena. a intenção do agente é matar. Obs. ainda. Dolo de 2º grau (ou necessário): o agente. se fala em dolo com ou sem elemento subjetivo do tipo (“com o fim de”). enquanto no dolo eventual o outro resultado não é necessário. Dolo de 1º grau: é sinônimo de dolo direto. 8. Esquema: Dolo de 2º grau: Dolo eventual: Resultado não diretamente querido: Certo e Necessário. É um caso de progressão criminosa. O dolo genérico é o dolo. Dolo concomitante. Dolo genérico: o agente tem vontade de realizar a conduta descrita no tipo penal sem um fim específico. Dolo de ímpeto: é um dolo repentino – configura atenuante de pena (sempre). Resultado não diretamente querido: Incerto. pessoa quer matar desafeto. realiza outro não diretamente visado. para alcançar o resultado querido. a intenção é periclitar a vida de outrem). aí é que a menina morre. pessoa quer ferir e depois matar. ☺ aula de erro de tipo Obs. mas sim possível (eventual) e. É uma espécie de erro de tipo acidental. Ex.Direito Penal – LFG – Intensivo I 3. Dolo antecedente. 11. Ex. O homem médio também imaginaria que ela estava morta. quando eu falo em bem jurídico vida.

tão somente os elementos naturais. Dolo natural: é o dolo adotado pela Teoria Normativa Pura da Culpabilidade (de base Finalista). portanto: a imputabilidade. de vontade e de atual consciência da ilicitude (este 3° elemento é um elemento normativo). a exigibilidade de conduta diversa e a potencial consciência da ilicitude. e dolo e culpa. exigibilidade de conduta diversa. Elementos: imputabilidade. O elemento normativo que pertencia ao dolo tornou-se elemento da própria culpabilidade. mas estes não são espécies da culpabilidade (ela é uma coisa só. não encontramos mais o dolo e a culpa na culpabilidade. O dolo do bêbado é analisado no momento em que ele estava bebendo (anterior à conduta).Direito Penal – LFG – Intensivo I Antecede a conduta. Os elementos da culpabilidade são. mas deixou de ser atual para ser potencial (potencial consciência da ilicitude). É o dolo normativo. na culpabilidade continuamos encontrando o dolo e a culpa. assim. é constituído de consciência. mas sim sob a ótica do leigo. do profano. O dolo. e como elemento a imputabilidade. 48 . só divergindo daquela no tratamento de certas discriminantes putativas. Tem base Finalista. Mas há uma exceção.☺art. então. a ter como elementos: imputabilidade. exigibilidade de conduta diversa. Tem base Neokantista (e este parte do causalismo). em regra. CP. Espécies: dolo e culpa. não se divide). 15. É elemento da culpabilidade e tem como requisitos: a) consciência. para esta teoria. Elementos: imputabilidade. b) vontade. pune-se somente o dolo concomitante. 14. A culpa migra completa. É uma hipótese de dolo antecedente punível. é o dolo natural. É idêntica à extremada. É mera Presente ao tempo da conduta. ou seja. Está despido do elemento normativo (consciência atual da ilicitude). e c) consciência atual da ilicitude (elemento normativo). ☺Quadro de análise da Culpabilidade: Teoria Psicológica da Culpabilidade Tem base causalista. o dolo migra somente com a consciência e vontade (migra despido do elemento normativo). 28. A culpabilidade passa. mas não mais atual e sim potencial (potencial consciência da ilicitude). cogitação. em que não há dolo na conduta. assim. mas a vontade e a consciência anterior basta: embriaguez voluntária e completa (teoria da “actio libera in causa”) . Dolo e culpa migraram para o Fato Típico. a culpabilidade tem como espécies o dolo e a culpa. dolo normativo e culpa. II. o qual passa a integrar a própria culpabilidade. No Brasil. Espécies: não tem.“Valoração Paralela na esfera do profano”: quer dizer que o dolo normativo se analisa não sob a ótica de um jurista. Teoria Psicológica Normativa da Culpabilidade Teoria Normativa Pura (ou Extremada) da Culpabilidade Teoria Limitada da Culpabilidade . Não há mais elemento normativo. A consciência e vontade em momento anterior ou posterior à ação não interessa. Integra o Fato Típico e tem como elementos a consciência e a vontade. Posterior à conduta. Dolo normativo: dolo adotado pela Teoria Psicológica Normativa da Culpabilidade (de base Neokantista).

por exemplo. A imprudência e imperícia são espécies da negligência.719/08. → Conceito: Consiste numa conduta voluntária que realiza um fato ilícito não querido ou aceito pelo agente. a mutatio só existe com aditamento. que é indispensável) – não pode ser formal ou de mera conduta. 18. como. É aqui que são analisadas as modalidades de culpa (formas de violação). No Brasil. c) imperícia: falta de aptidão técnica para o exercício de arte. 38. Assim. com nova redação.Pergunta: o inimputável tem dolo? O doente mental. Obs. ☺art. isto é. pouco importando a nova pena. Na dúvida. com a nova lei. II. ou seja.: a denúncia tem que apontar e descrever a modalidade de culpa. II. CRIME CULPOSO: . caso contrário será inepta. 384. que é formal. basta que o paciente 49 . O inimputável sofre sanção penal. que são: a) imprudência: afoiteza. ofício ou profissão. da espécie medida de segurança. (25/03/09) 3.Conduta humana: ação ou omissão. sem modificação no mundo exterior. e a mutatio com aditamento (quando a pena era superior à original). De acordo com esta corrente.Parte da doutrina diz que o tipo de dolo deve interferir na pena. o art. aponta-se negligência.Direito Penal – LFG – Intensivo I . todo crime culposo é material (que é o crime em que o tipo penal é composto de conduta e resultado naturalístico.Previsão legal: art.2: Quanto à Mutatio Libelli – antes da Lei 11. → Elementos da Culpa: 1.Violação de um dever de cuidado objetivo: o agente atua em desacordo com o que esperado pela lei e pela sociedade. Obs. dispensando o resultado naturalístico – o crime se consuma antes mesmo do paciente fazer uso da medicação.343/06). tem consciência e vontade dentro do seu precário mundo valorativo. . por ex. o dolo direto deveria ser mais severamente punido que o dolo eventual. inimputabilidade é excludente da culpabilidade e não da tipicidade. o MP tem que aditar a denúncia se for o caso de substituir a imperícia pela imprudência. negligência ou imperícia”. havia a mutatio sem aditamento (quando a nova pena não era superior à original). mas que foi por ele previsto (culpa consciente) ou lhe era previsível (culpa inconsciente). por este conceito. na modalidade “prescrever”. b) negligência: falta de precaução. A doença mental não exclui o fato típico e sim a culpabilidade. por exemplo. CP: “Diz-se o crime culposo quando o agente deu causa ao resultado por imprudência. e que podia ser evitado se o agente atuasse com o devido cuidado. CPM: conceito de crime culposo (pode ser usado nas provas abertas com consulta à legislação seca). 2. principalmente em se tratando de dolo direto e eventual. tem dolo. Nova Lei de Drogas (Lei 11. 33. Agora. Assim. ☺art. basta que o médico a prescreva. Ocorre que existem exceções..Resultado: não há crime culposo sem resultado naturalístico. A imprudência e imperícia são antecedidas pela negligência.

P. existe esta crítica ao crime culposo.Pergunta: Crime culposo é constitucional? Fere o Princípio da Legalidade? Segundo o Princípio da Legalidade. O crime culposo é espécie de tipo “aberto”. tem que estar expressamente prevista em lei . Crime: tipos completos e tipos incompletos.Direito Penal – LFG – Intensivo I tome contato com a receita. que não tem este elemento: a culpa consciente. Os incompletos dependem de complemento normativo ou valorativo: N. Sem esse resultado não há consumação. a ação do tipo não está determinada legalmente. Ex. CP. decide prosseguir com a conduta. a culpa. respeitam a anterioridade. escrita. O tipo penal descreve mera conduta. estrita. para ser punida. ele tem uma margem que fica a critério do juiz valorar. Há um tipo de crime culposo. 18. Não tem como o legislador prever todas as hipóteses de conduta culposa. Para combater este argumento fala-se que o tipo culposo traz o mínimo de determinação necessário para obedecer ao Princípio da Legalidade. 4. só se pune a modalidade dolosa. o resultado naturalístico é indispensável. Crime material Crime formal ou de consumação antecipada Crime de mera conduta O tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. Nos delitos culposos. Desta forma. por isso. Ex. tem efetiva previsão (o agente efetivamente tomou conhecimento do perigo).☺art. Não se confunde com previsão. prevalece que o crime culposo obedece ao mínimo de determinação necessária. Ex. Assim.P. O tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. “abertos”. extorsão. → Espécies de crimes culposos: a) Culpa consciente: o agente. ele dá o mínimo de determinação e o juiz complementa. portanto é dispensável. onde há efetivo conhecimento do crime. deve estar presente a possibilidade de o agente conhecer o perigo. Os crimes culposos são feitos mediante lei. Mas será que o crime não fere o princípio da taxatividade? Apesar de haver doutrina (minoritária) ensinando que o tipo aberto fere o princípio da taxatividade. ou seja. O exaurimento é considerado na pena. 50 . ou seja. Seus tipos são. violação de domicílio. contudo.Previsibilidade: o resultado deve ter sido abrangido pela previsibilidade do agente. são escritos. em que o juiz deve valorar o caso concreto). certa e necessária. (complemento normativo) e tipo aberto (complemento valorativo. porque neste caso o agente tem mais do que previsibilidade.U. acreditando que o resultado não ocorrerá ou que pode evitá-lo com suas habilidades (é a culpa com previsão). O único doutrinador que citou essa exceção foi Flávio Monteiro de Barros. homicídio. não há crime sem lei anterior. 6. .Tipicidade: a regra é punir-se somente crime doloso. estritos. apesar de prever o resultado.B. sem resultado naturalístico.. dependendo de complementação judicial durante a análise do caso concreto. No silêncio.Nexo de Causalidade entre conduta e resultado 5. mas esse resultado é mero exaurimento. já que ele retira o critério da certeza exigível pela legalidade.

por erro. É. É uma espécie de crime agravado pelo resultado. 3ª) crime culposo agravado dolosamente: ex. evitável. culpa por assimilação ou culpa por equiparação. CP: “Pelo resultado que agrava a pena só responde o agente que o houver causado ao menos culposamente”. poderia prever a ocorrência daquele resultado (é uma culpa sem previsão.: homicídio no trânsito (culposo) qualificado pela omissão de socorro (art. CRIME PRETERDOLOSO: . 19. qualquer outra pessoa. 2ª figura). Sinônimos de culpa imprópria: culpa por extensão. racha: os tribunais superiores vêm decidindo que racha é dolo eventual (prova do CESPE). Apesar de a ação ser dolosa. CP. naquelas circunstâncias. → Compensação de culpas: existe no Direito Penal brasileiro? A culpa concorrente da vítima se compensa com a culpa do agente? Não! No Direito Penal não existe compensação de culpas. 20. segunda parte. uma conseqüência de uma descriminante putativa por erro evitável. § 4°. (ver livro do Greco sobre este ponto). que está no campo da vontade e não da consciência. É gênero do qual são espécies a culpa consciente e a culpa inconsciente. .: lesão seguida de morte – somente esta 4ª espécie é que é considerada crime preterdoloso. que. → Conceito: Crime preterdoloso é uma espécie de crime agravado pelo resultado.: incêndio culposo qualificado pela morte culposa. §1º. ☺art. Ex. d) *Culpa imprópria: é aquela em que o agente. ☺art.É também chamado de Crime Preterintencional. o agente responde por culpa por razões de política criminal. portanto. entretanto. c) Culpa própria: é aquela em que o agente não quer e não assume o risco de produzir o resultado.: homicídio qualificado. Neste caso. Se o erro for inevitável não há crime. supondo estar agindo acobertado por uma excludente da ilicitude (descriminante putativa). fantasia certa situação de fato. era objetiva e subjetivamente previsível. provoca intencionalmente um resultado ilícito. 121. . ☺Quadro Sinóptico: Vontade Dolo Direto Querer Dolo Eventual Assume o risco de produzir Culpa Consciente Não querer/não assumir/ não aceitar/acreditar poder evitar Culpa Inconsciente Previsibilidade Não quer / não assume o risco de produzi-lo Atentar para a diferença entre o dolo eventual e a culpa consciente..Espécies de crime agravado pelo resultado: 1ª) crime doloso agravado dolosamente: ex. mas com previsibilidade).. 4ª) crime doloso agravado culposamente: ex.. Ocorre quando o agente pratica um crime distinto do que havia 51 Previsão/Consciência Previsão Previsão Previsão . Mas a culpa concorrente da vítima pode atenuar a responsabilidade do agente. e.”).Direito Penal – LFG – Intensivo I b) Culpa inconsciente: o agente não prevê o resultado. 59. em razão disso.bem como ao comportamento da vítima.Previsão legal: art. CP (“. 2ª) crime culposo agravado culposamente: ex. constituído de dolo no antecedente e culpa no conseqüente..

Resultado diverso do pretendido (art. Vias de fato seguida de morte configura homicídio culposo.Conduta dolosa visando determinado resultado (= a lesão). 20. bate a cabeça numa mesa e morre. justificantes ou qualquer dado que se agregue a determinada figura típica. 2. da um chute na vítima que cai e bate a cabeça num prego (coisa que não é comum num tatame) e morre. § 3°. Na execução (art. Entende-se por erro de tipo aquele que recai sobre as elementares (causa de atipicidade absoluta ou relativa). a vítima cai. CP). CP) c. 3.Previsão legal: art. Inevitável: exclui dolo/culpa (não há previsibilidade) b. Acidental a. Empurrar não é lesionar. É um misto de dolo (na conduta) e culpa (no resultado). decorrência de negligência. o agente responderá apenas pela lesão e não pela morte (a morte não poderá ser imputada ao agressor). O agente responde só pela lesão. Vias de fato seguida de morte não configura o crime do art. É lesão corporal seguida de morte (está numa sala cheia de mesas. → Elementos do Preterdolo: (Ex.3*: se o agente só empurrou e a vítima caiu. bateu a cabeça e morreu. Evitável: exclui dolo. 73) d. ficando a contravenção absorvida. Sobre o objeto b. circunstâncias do crime (podendo excluir causas de aumento. CP.Provocação de resultado culposo mais grave do que o originalmente projetado (= morte). ou presunções legais). imprudência ou imperícia. Erro de tipo: 1. O resultado não pode ser imputado ao agente (não era previsível). 1. Ex.2: se o agente está num tatame. §3º . 74) e. 20. Quanto à pessoa (art. Atenção: é imprescindível que o resultado mais grave seja culposo! Se o resultado mais grave é fruto de caso fortuito ou força maior. 129. Ex. Ex. ERRO DE TIPO: .Direito Penal – LFG – Intensivo I projetado cometer. O resultado não foi fruto de culpa. ( é punível por culpa) 2. agravantes.: de crime: lesão corporal seguida de morte).Conceito: É a falsa percepção da realidade. advindo resultado mais grave. §3.1: se o agente quis ferir. era previsível que isso podia ocorrer). local próprio para brigas.Nexo causal entre conduta e resultado (= art. Sobre o nexo causal . Essencial (não há consciência) a.lesão seguida de morte (isso seria analogia in malam partem). Empurrar é vias de fato (mera contravenção). dá um soco. 52 . 129.

. decorrência da má representação do objeto. portanto. exclui a culpa – assim. o grau de instrução. Evitável (inescusável): exclui consciência e permanece a previsibilidade – se exclui a consciência. não há vontade. mas desconhece sua proibição. b. se alertado. . que não quer. corrige o erro e continua agindo ilicitamente. porque existe previsibilidade. o agente pára de agir. se o homem médio pudesse evitar. Trabalha com as circunstâncias do caso concreto.Direito Penal – LFG – Intensivo I . Nesse caso. O erro de tipo acidental se divide em 5 espécies: 1. O agente sabe o que faz. O agente percebe a realidade. peguei um guarda-chuva e. Ex. Conseqüência: a. e se exclui a previsibilidade. também exclui o dolo. .. era inevitável. a ilicitude. No erro de tipo acidental. secundários do tipo. o agente faz sua conduta recair sobre coisa diversa da pretendida. acidentais. o agente. percebi que não era o meu: erro de tipo.Espécies de Erro de Tipo: a) Essencial: Recai sobre dados principais do tipo. há culpa. se não pudesse. mas acabo furtando um relógio de latão. É a corrente que predomina na doutrina moderna. é uma criação doutrinária. Sobre o objeto: .2ª corrente: aponta que é difícil descrever um homem médio. caçador acha que estava matando um animal. que podem interferir na evitabilidade ou inevitabilidade do erro. o marido a constrange acreditando que não era uma atitude ilícita (pensou que estava no seu direito): erro de proibição. . etc. b) Acidental: Recai sobre dados periféricos. mas permanece a previsibilidade (a culpa permanece) – punese a modalidade culposa. O erro de proibição é a falsa percepção da ilicitude do comportamento. Ex. Deve-se levar em conta a idade.Erro de Tipo x Erro de Proibição: O erro de tipo é a falsa percepção da realidade. 53 . Se eu falo de erro. há 2 correntes: . No erro de tipo o agente não sabe o que faz. pois não há previsibilidade. Prevalece entre os doutrinadores clássicos. Ou seja. exclui o dolo. em qualquer hipótese exclui o dolo. No erro de tipo essencial.1: sai de uma festa. Se previsível ao homem médio. se avisado. já no erro evitável há culpa. quero subtrair um relógio de ouro. ao chegar em casa.Conceito: representação equivocada do objeto material coisa. Inevitável (escusável): exclui consciência e previsibilidade – se exclui consciência.1ª corrente: trabalha com o homem médio (homem de diligência mediana). se prevista em lei. era evitável. O erro inevitável exclui também a culpa. o agente não responde nem por dolo e nem por culpa.2: o marido quer manter conjunção carnal com a esposa.Ex. mas mata um homem. portanto.Previsão legal: não existe. Ex. exclui o dolo. Para decidir se o erro é evitável ou inevitável. Não existe previsão.

Ex. mas acaba acertando o tio (erro relacionado à falta de perícia do agente). não exclui culpa. o agente responde pelo crime. 20. Diferenças: nos dois casos o agente atinge pessoa diversa. quero matar meu pai. 3.Conseqüência jurídica (solução que se dá para esta espécie de erro): é dada pela doutrina. mato seu irmão gêmeo (NÃO HÁ ERRO DE EXECUÇÃO.Previsão legal: art. SOMENTE DE REPRESENTAÇÃO). .Conceito: representação equivocada do objeto material pessoa. Atentar para a espécie acidente. As conseqüências são as mesmas.: Zaffaroni discorda. 70.Direito Penal – LFG – Intensivo I . Não há erro na execução. entendendo que o agente deve responder pelo crime considerando a situação que melhor beneficiar ao réu (aplicação do princípio do in dubio pro reo). Art. atingida e não a pretendida. por acidente ou erro no uso dos meios de execução. porém. . CP O agente representa mal e executa bem. Eu executo bem um alvo mal representado – eu respondo por parricídio (homicídio do pai). Espécies de aberratio ictus: Por acidente: A vítima pode ou não estar no local. Suas conseqüências são: não exclui dolo. Obs. Ex. porém. já que não há previsão legal. CP O agente representa bem e executa mal.Conseqüência jurídica: é dada pela lei – não exclui dolo. Se atingida também a pessoa visada. se a questão perguntar sobre o erro quanto ao objeto material (que é a coisa ou pessoa sobre a qual recai a conduta criminosa) é preciso falar do erro quanto ao objeto e quanto à pessoa (e não só quanto ao objeto!).Obs. concurso formal de delitos (art. 73 . pretendida (vítima virtual). por acidente ou erro (. não isenta de pena. Nesse erro o agente representa equivocadamente alguém. porém. não exclui culpa. 20. mesmo tendo matado o tio! . atingindo pessoa diversa da pretendida. mas responde pelo crime em relação à pessoa visada.: mãe envenena a comida pretendendo matar o marido. por inabilidade minha acabo atingindo o meu vizinho. . Erro na execução ( aberratio ictus): .Quando. o agente responde pelo crime. 54 . visada (o juiz pode aplicar o princípio da insignificância). .. .Ex. 20. §3º). Quanto à pessoa: . à sua falta de habilidade..Ex.: o objeto material se divide em coisa e pessoa – assim. O erro está ligado à falta de perícia do agente. CP. e não a efetivamente atingida. Obs. CP). representando equivocadamente a pessoa que entra na casa. o agente responde pelo crime considerando a coisa efetivamente lesada.Previsão legal: art. §3º. CP – é chamado pela doutrina de aberratio ictus. mas: Art. atinge pessoa diversa da pretendida. §3º. não isenta de pena. Por erro no uso dos meios de execução: A vítima está no local.). .Conseqüência jurídica: não exclui dolo nem culpa. 73.Conceito: o agente. eu miro o meu pai. 2. que se postava ao lado do meu pai. Art.: a doutrina moderna divide a aberratio ictus em duas espécies: por acidente ou por erro no uso dos meios de execução. apesar de corretamente representada. 73. considerando-se também a vítima virtual (mesma conseqüência do art.: filho que mira no pai. não isenta o agente de pena. mas as espécies são diferentes. mas o filho come a comida e morre.

É a chamada aberratio criminis. CP se o resultado produzido é menos grave (bem jurídico menos valioso) que o resultado pretendido. produz o resultado visado. 73.Previsão legal: art. 74. a doutrina é que trouxe a solução para esse caso. O sujeito responde pelo resultado considerando a vítima pretendida. Alerta Zaffaroni não se aplicar o art. por erro na execução. 74. No exemplo.Conceito: o agente.Conseqüência jurídica: não isenta de pena. que se divide em duas espécies: I) erro sobre o nexo causal em sentido estrito: o agente. No entanto. se existir a figura culposa. não exclui culpa e não isenta de pena. ferindo bem jurídico de natureza diversa. . Invertendo o exemplo acima: eu quero matar o motorista. Coisa – coisa → erro sobre o objeto Pessoa – pessoa → art. por ex. mas com bens jurídicos diversos (o resultado pretendido é diverso do efetivamente conseguido). que é seguida pela jurisprudência (caso contrário. por acidente ou erro no uso dos meios de execução. porém. é uma criação doutrinária. CP: Tem-se um resultado diverso do pretendido. . provoca resultado diverso do pretendido. CP). o crime será processado na JF e não na JE. concurso formal de delitos (art. acaba por atingir o motorista. Portanto. porém. num muro. Aberratio ictus é um instituto do direito penal e não do direito processual penal. com nexo diverso. 70. o art. Este erro é o chamado aberratio causae. porém com outro nexo. porém. com um resultado diverso. O CP não prevê essa hipótese. por erro na execução atinjo a viatura. Erro sobre o nexo causal ( aberratio causae): . Ex. CP. um tiro que não acerta seu alvo sempre vai parar em algum lugar. 74 trata também de erro na execução. Não exclui dolo. Se provocar também o resultado pretendido. §3º ou art. afinal. responde por homicídio culposo. visando produzir determinado resultado mediante certo nexo causal. 73. mediante um só ato. CP: Tem-se um resultado igual ao pretendido. mas mato agente federal – houve erro na execução (art. que vem a falecer. o agente responderá pelo resultado diverso do pretendido a título de culpa. O processo penal para fins de competência trabalha com a vítima real. 73. Respondo como se eu tivesse atingido a vítima virtual. Não isenta de pena. 74. 20.Conceito: o agente. O agente atinge bem jurídico diverso (coisa – pessoa). 73 Coisa – pessoa / pessoa – coisa→ art. porém.). . 74 (01/04/09) 5. Resultado diverso do pretendido: . CP). sob pena de prevalecer a impunidade.Previsão legal: não existe. Neste caso. 4. o agente responde pelo resultado diverso do pretendido a título de culpa (pelo resultado efetivamente provocado). É também uma espécie de erro na execução.Direito Penal – LFG – Intensivo I OBS. . a tentativa branca jamais seria punida. Eu quero matar um investigador da polícia civil. Diferenças entre as duas figuras: Art. acaba por produzir o resultado visado.: o agente quer danificar o veículo do seu desafeto. O agente atinge o mesmo bem jurídico (pessoa – pessoa). o agente deve responder pela tentativa do resultado pretendido não alcançado. assim como o art.Ex. porém. Art.: o agente empurra uma pessoa para que ela 55 .

e não o produzido. Ex. vindo a morrer afogada. mas qual nexo será considerado? O pretendido ou o efetivo? Dependendo do nexo pode gerar uma qualificadora.2: atiro na vítima e imaginando estar morta. Ex. ignora a ausência de alguém).2: o agente atira em pessoa que já estava morta. No restante são totalmente diversos. 2ª) o agente responde pelo crime considerando o nexo efetivo (real). atirar contra um animal). 3ª) O agente responde pelo crime considerando o nexo mais benéfico (in dubio pro reo. suficiente para a provocação do resultado desejado (o agente. produz o resultado visado. O agente ignora a presença de uma elementar (ex. Ex.: o agente atira em um arbusto pensando ser um animal. Ex.Zaffaroni). e acaba atingindo um animal. responde por homicídio). de modo geral. prevalece a 2ª corrente. pensando estar viva. com nexo de causalidade diverso. o agente responde pelo crime considerando o resultado provocado (queria matar. para evitar a responsabilidade penal objetiva.Conseqüência jurídica: é a doutrina que traz – o erro não exclui dolo nem culpa. Aberratio causae: dolo geral.Direito Penal – LFG – Intensivo I caia no mar e morra afogada. Mas esta é a única semelhança entre eles. a joga pela janela e. Ex. Aberratio ictus: erro na execução. ERRO DE SUBSUNÇÃO: 56 . a jurisprudência é muito pobre de exemplos. Não é caso de responsabilidade penal objetiva porque o dolo se dirige ao resultado e o resultado é atingido. antes que ela caia no mar. Erro de Tipo: O agente não sabe o que faz (falsa percepção da realidade). . O agente pratica fato típico sem querer.: o agente atira em um arbusto pensando ser uma pessoa. O agente pratica um fato atípico sem querer.1: o agente esgana o pescoço da filha querendo matá-la e. porque naquele caso o promotor afirmou que quando a menina foi jogada pela janela o autor do fato sabia que ela ainda estava viva). O agente ignora a ausência de uma elementar (ex. O agente imagina estar agindo licitamente (ex. não isenta o agente de pena. quando esta cai ao chão vem a morrer (é diferente do caso da Isabela Nardone. O agente imagina estar agindo ilicitamente (ex. pensando que ela já está morta. deve-se considerar o nexo que prejudica menos o réu . Há doutrina que não diferencia o nexo causal em duas espécies. porém. II) dolo geral: o agente.Erro de Tipo x Delito Putativo por Erro de Tipo: Nos dois casos o agente não sabe o que faz. jogo o corpo no mar. mediante conduta desenvolvida em dois ou mais atos. ignorava a elementar alguém). aberratio causae é erro sobre o nexo causal. aceita qualquer meio para atingir o fim). Na doutrina. . ou seja. São institutos absolutamente opostos. Para aqueles que não a diferencia. Delito Putativo por Erro de Tipo: O agente não sabe o que faz (falsa percepção da realidade). Há 3 correntes: 1ª) o agente responde pelo crime considerando o nexo pretendido. atirar contra uma pessoa). ela bate a cabeça numa pedra e morre por traumatismo craniano. afastando a responsabilidade objetiva. Aberratio criminis: resultado diverso do pretendido. e acaba atingindo uma pessoa.

constranger. AÇÃO (CRIME COMISSIVO): O crime comissivo está descrito num tipo proibitivo. notificar. A enfermeira não responde por nada e o médico responde por homicídio doloso. fica isento de pena. 20. A norma mandamental (manda agir) pode decorrer: a) do próprio tipo penal: o tipo penal descreve a omissão..2: o médico negligentemente prescreve injeção errada. Configura a regra no CP. pois não há falsa percepção da realidade. . matar. MP denuncia por falsidade de documento público. OMISSÃO (CRIME OMISSIVO): O crime omissivo está previsto num tipo mandamental. o agente erra por conta própria. não isenta de pena. CP). provocado). O enganado. CP. engana a enfermeira e troca a ampola da injeção. não tem previsão legal. que é o tipo através do qual o Direito Penal protege bens jurídicos determinando a realização de condutas valiosas (socorrer. CP: equiparação. pessoa falsifica cheque (Banco Itaú).2: o agente ignora o conceito de funcionário público para fins penais: jurado pede dinheiro. corrupção. podendo o erro gerar. . vez que o agente sabe da ilicitude do seu comportamento. .Conceito: não se confunde com o erro de tipo. no máximo. 297. o agente deixa de agir de acordo com o que determinado por lei (inação). Também não se confunde com erro de proibição. 57 .Conseqüência jurídica: quem determina o erro dolosamente. portanto.1: o médico quer matar o paciente. falsificar. Ex. Se o condenado alega que não sabia que era equiparado a documento público. Art. responde por crime culposo (hipótese de autoria mediata). O agente interpreta equivocadamente o sentido jurídico do seu comportamento.Direito Penal – LFG – Intensivo I O Erro de Subsunção não configura nem erro de tipo e nem erro de proibição! Previsão legal: é uma criação doutrinária.Conceito: no erro de tipo. mas ao erro de subsunção (questão do MP). ou seja. se não age com dolo nem culpa.Conseqüência jurídica: é trazida pela doutrina – não exclui dolo nem culpa. Ex. o que a norma proíbe. Ex. É uma situação absolutamente oposta à anterior. faz aquilo que a lei não quer. No crime omissivo. há uma terceira pessoa que induz o agente a erro (trata-se de erro não espontâneo e sim. o agente responde pelo crime. Ex. § 2°. Trata-se de erro que recai sobre valorações jurídicas equivocadas. a enfermeira aplica a injeção e o paciente morre.” → crime omissivo próprio ou puro. . o agente infringe um tipo proibitivo (ação).).). sobre interpretações jurídicas errôneas.1. §2º. ERRO PROVOCADO POR TERCEIRO: . mas não sabe que é funcionário público para fins penais e pratica. uma atenuante inominada (art.Previsão legal: art. guardar etc. Nas duas hipóteses o médico age como autor mediato. No crime comissivo. é erro de tipo ou erro de proibição? Não se enquadra a nenhum deles. 66. subtrair. São tipos penais que têm a expressão “deixar de. por si só. A enfermeira a aplica e mata o paciente. responde por crime doloso.. que é um tipo através do qual o Direito Penal protege bens jurídicos proibindo algumas condutas desvaliosas (ex. etc. Já no erro determinado por terceiro. quem determina o erro culposamente.

é um dever de solidariedade humana (ex. ação e omissão. mas sim um dever especial de evitar o resultado. Exemplos: . A omissão da professora é imprópria (art.Admite tentativa (pois responde por um tipo conduta). o agente responde pelo crime como se o tivesse praticado por ação (tipo comissivo). P.Direito Penal – LFG – Intensivo I b) de uma cláusula geral: o dever de agir está descrito em norma geral. mas recai sobre pessoa especial. § 2°. Ação seguida de omissão – mas aqui há divergência na doutrina. Revisão: O Direito Penal se preocupa com os fatos.Existe um dever genérico de agir. Crime Omissivo Impróprio: . A omissão não está descrita no tipo.Existe uma subsunção direta (fato/norma). §2º. há quem entenda que se trata de crime omissivo puro. Ex. É endereçado a personagens especiais referidos no art. 58 . CRIME DE CONDUTA MISTA: É um crime que reúne as duas espécies de comportamento. O tipo descreve uma ação. . comissivo).Não existe um mero dever de agir. se preocupa com fatos humanos. 13. e este dever não é genérico. 13. Crime Omissivo Próprio: . mas o prof. II.Art.Não admite tentativa (são delitos de mera . Para que a omissão se ajuste à ação. CP). o DP quer punir o agente pelo que ele faz e não pelo que ele é (Princípio da Materialização dos fatos). Ela não vigiou os meninos e um deles caiu e morreu. . CP: apropriação indébita previdenciária (recolhe contribuição – conduta comissiva e deixa de repassar à previdência – conduta omissiva). se não enquadrar: omissão própria. mas por homicídio. 169. .. 13. § 2°. . 168-A. 13.U.Apropriação indébita de coisa achada (art. § 2°. Para encaixar a omissão em um dos dois tipos deve se verificar se o omitente se encaixa no art. descorda. A omissão se ajusta perfeitamente ao tipo penal. Destes últimos é que se ocupa o DP. o agente responde por crime comissivo. § 2°. ☺art. 13. CP → crime omissivo impróprio ou impuro. O omitente impróprio é um garante ou garantidor e responde não por omissão de socorro. §2º. O tipo penal traz as duas espécies de comportamento. . o dever de agir deriva da própria norma mandamental. o dever de evitar o resultado deriva de cláusula geral (art. atinge a todos indistintamente. não se preocupa com fatos da natureza dos quais não participam o homem. Os fatos humanos podem ser desejados ou indesejados. não no tipo. A omissão está descrita num tipo incriminador. professora levou 2 alunos para conhecer uma caverna. b): responde por homicídio culposo. eu preciso passar 1° pelo art. CP). O agente responde penalmente porque não evita o resultado que estava obrigado a evitar.Natureza jurídica: uma realidade onde falta a causalidade. Apesar da omissão. O DP é seletivo. . ou seja. 13.Existe uma subsunção indireta.: dever de agir no socorro do próximo).Natureza jurídica: ausência de ação esperada. Se enquadrar: omissão imprópria.

Agora passaremos ao estudo do Resultado e do Nexo Causal. Já estudados a conduta (conceitos. o DP é norteado pelo Princípio da Intervenção Mínima. O Fato Típico é constituído de conduta. Esta é a introdução para qualquer dissertação sobre fato típico. ele é subsidiário e fragmentário. espécies. dolo/culpa e ação/omissão). ou seja. tipicidade e culpabilidade.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ademais. resultado. nexo causal e tipicidade. 59 .

: violação de domicílio. por ex. nexo e tipicidade.: art. 60 . resultado. subjetivamente o agente quer mais do que objetivamente se exige – ex. 213. etc.: extorsão (☺Súm. Ex. art. Assim. 3) Crime de mera conduta: o tipo penal descreve uma mera conduta. 2) Todos os crimes têm resultado normativo (lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado)? Sim. resultado. interessa resultado naturalístico. 196. b) Resultado Normativo ou Jurídico: da conduta do agente resulta lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. O que a doutrina majoritária entende é que o resultado é o normativo. ao contrário. 3) Qual espécie de resultado integra o fato típico (conduta. 155. Não há crime sem resultado normativo. a consumação é antecipada para o momento da conduta. não exigindo o enriquecimento do agente. O crime de mera conduta não tem. No momento de se analisar a tipicidade material (valoração da conduta e resultado) analisa-se o resultado normativo. 2ª corrente: (mais moderna. nexo. Tipo incongruente: há incongruência entre os elementos objetivos e subjetivos do tipo. Crime: Material: Formal: De Mera Conduta: O tipo penal descreve: Conduta + Resultado Naturalístico indispensável Conduta + Resultado Naturalístico dispensável Uma mera conduta Questões: 1) Todo crime tem resultado naturalístico? Não. não tem resultado naturalístico. estaremos diante de um mero exaurimento. art. por isso este crime é chamado também de crime de consumação antecipada. 2) Crime formal: o tipo penal descreve conduta mais um resultado naturalístico que é dispensável. influenciada pelo funcionalismo) para a tipicidade formal (mera operação de ajuste fato/norma). Assim. Ex.: crime de extorsão. resultado. pelo qual se quer constranger + enriquecimento e o legislador se contenta com o mero constrangimento. etc. Obs. o que será considerado pelo juiz na fixação da pena. Ex. nem todos os crimes geram alteração no mundo exterior. e o crime formal o dispensa.Direito Penal – LFG – Intensivo I 2) RESULTADO: Espécies: a) Resultado Naturalístico (ou material): da conduta do agente resulta alteração física no mundo exterior (a morte no homicídio. tipicidade) e fato típico de crime não material (conduta e tipicidade). A conseqüência é a necessidade de diferenciação entre fato típico de crime material (conduta. e o resultado naturalístico é indispensável para a sua consumação. todos têm conduta. STJ).). nexo causal e tipicidade)? 1ª corrente: o resultado que integra o fato típico é o resultado naturalístico. Classificação do crime quanto ao resultado: 1) Crime material: o tipo penal descreve uma conduta mais um resultado naturalístico.. o tipo congruente é. No crime formal. Ocorrendo o resultado naturalístico que é dispensável. crimes contra a honra. a diminuição patrimonial nos crimes contra o patrimônio etc. 121. extorsão mediante seqüestro. aquele em que há uma congruência entre os elementos subjetivos e objetivos do tipo.: O crime formal é um crime de tipo incongruente.

ligando conduta ao resultado normativo. CP adotou a chamada “Causalidade Simples”. Importante: O art. é causa. Se foi imprescindível. é dizer. portanto. A causalidade simples pode regressar ao infinito (uma eliminação atrás da outra. O estudo da causalidade busca concluir se o resultado. 1) compro veneno (causa). nos crimes materiais e com nexo normativo em todos os delitos.: moeda falsa. Ex. é causa. o aplicador deve proceder à eliminação da conduta do sujeito ativo para concluir pela persistência ou desaparecimento do resultado. equivalendo-se em seu valor (Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais ou Conditio Sine Qua Non). 2) compro bolo (causa). Ex. É preciso somá-la à Teoria da Eliminação Hipotética dos Antecedentes Causais – no campo mental da suposição e da cogitação. 61 . 5) sirvo o bolo para a vítima (causa). O CP trata da relação de causalidade no art. 13. Mas isso não significa que a pessoa seria responsável por aquilo do qual foi causador. é aquele crime em que você quer mais do que o legislador exige (e. somente crime material possui nexo causal. . 3) NEXO CAUSAL: Conceito de Relação de Causalidade: O nexo causal é vínculo entre conduta e resultado. Atenção: Para ser causa. deve-se pegar o resultado e analisar todos os comportamentos pretéritos e ver qual deles foi ou não imprescindível para o resultado. inserindo-se na sua esfera de autoria por ter sido ele o agente do comportamento. 3) misturo o bolo com veneno (causa). CP. 159. morte (venefício). não são responsáveis). ilicitude e culpabilidade.Delito de tendência interna transcendente atrofiado de 2 atos: o resultado naturalístico também dispensável depende de novo comportamento do agente. como um fato. Persistindo. A responsabilidade exige dolo/culpa. Ex.: art. generalizando as condições. . sabe-se que para saber o que é causa. A relação de causalidade está presente em todos os crimes (é requisito essencial do fato típico)? 1ª corrente: parte da premissa que o resultado que integra o fato típico é o material. por isso. todas as causas concorrentes se põem no mesmo nível de importância. até o infinito) – o que seria um absurdo (o pai e a mãe do agente são causa. objetivamente. ao sujeito ativo. 13. O que é causa? Aplicando-se a teoria da equivalência dos antecedentes causais. Portanto. Mas como saber se a conduta foi ou não determinante para a produção do resultado? A Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais sozinha não é suficiente. mas eles não agem com dolo ou culpa. não é causa. Para saber o que é causa aplica-se a Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais + Teoria da Eliminação Hipotética dos Antecedentes Causais.Direito Penal – LFG – Intensivo I Delito de tendência interna transcendente: é uma espécie de delito de intenção. não deixa de ser uma espécie de delito formal). caput. bastaria um nexo físico. desaparecendo. 4) tomo suco de laranja (não é causa). decorreu da ação e se pode ser atribuído.Delito de tendência interna transcendente de resultado cortado: o resultado naturalístico dispensável depende de comportamento de terceiros alheios à execução. 2ª corrente (fundamento funcionalista): trabalha com nexo material.

a Teoria da Imputação Objetiva enriquece a relação de causalidade acrescentando o nexo normativo. 62 . Conclusões: 1) A imputação objetiva é uma análise que antecede a imputação subjetiva (quer evitar a análise de dolo e culpa). Assim: insurgindo-se contra o regresso ao infinito. erigindo uma relação de causalidade jurídica ou normativa.Nexo normativo: a) Criação ou incremento de risco não permitido (não tolerado pela sociedade). um novo filtro. 3) Criada para se contrapor aos dogmas da teoria da equivalência. Imputação Objetiva Causalidade objetiva . pois objetiva não imputar o fato ao agente. que é formada pelo dolo/culpa. Causalidade psíquica Causalidade psíquica: . evitando que ela regresse ao infinito. Obs. É este último que vai limitar a causa. É um corretivo do nexo causal. a partir daí já se pode analisar a responsabilidade. por sua vez. não há nexo normativo e. a responsabilidade. É exatamente contra esse regresso ao infinito que surge a Imputação Objetiva. 4) Uma vez concluída pela não imputação objetiva. mas também do nexo normativo. 2) Aplica-se a imputação no comportamento e no resultado. O nome correto seria Teoria da Não imputação objetiva. dolo/culpa.Direito Penal – LFG – Intensivo I Causalidade objetiva (nexo causal) + causalidade psíquica (dolo/culpa) = responsabilidade pelo fato (imputação do crime). a criação ou incremento de um risco não permitido deve ser analisado na tipicidade material (é um corretivo da tipicidade). Não venefício): é causa objetiva do resultado.Nexo causal (físico) (Mera relação de causa/efeito). afasta-se o fato típico. OBS. decorrente da causalidade simples. Finalismo (Causalidade Simples) Causalidade objetiva . ilicitude e culpabilidade). b) Realização do risco no resultado (resultado na linha de desdobramento normal da conduta). A causa regressa ao infinito. A causa depende tão somente do nexo físico. Não há nexo normativo (fazer o bolo não cria risco não será responsabilizada porque não há permitido). Para LFG. na análise da causa.Nexo causal (físico) A causa exige a análise não apenas do nexo físico. Se um desses elementos não existe. ilicitude e culpabilidade.Dolo/culpa . A causalidade psíquica é que impede o regresso ao infinito. não há causa. A causalidade objetiva regressa ao infinito. b) realização do risco no resultado: a exigência de que o resultado esteja na linha de desdobramento causal normal da conduta. A Imputação Objetiva não substitui a teoria do nexo causal. encontra limites. portanto. composto de: a) criação ou incremento de um risco não permitido (não tolerado pela sociedade). Somente depois disso é que se analisará a responsabilidade (dolo/culpa. “Tia Boleira” (no caso do homicídio “Tia Boleira”: é causa objetiva do resultado. para limitá-la a fim de que ela não regresse ao infinito. . apenas acrescenta.Dolo/culpa.

mas atentar para o entendimento da jurisprudência: se não tiver conhecimento da causa efetiva (hemofilia) responde por tentativa. § 1°. TENTATIVA. Assim. Ex. Esta é a primeira conclusão. Disso resulta que B responde por homicídio tentado. Mas e A? A causa efetiva da morte foi o tiro. 13.Direito Penal – LFG – Intensivo I (08/04/09) Concausas: Pluralidade de causas concorrendo para a produção do mesmo evento. B também quer matar C. O tiro não se originou direta ou indiretamente do envenenamento. é claro. concausa absolutamente independente pré-existente. chega às 19:00 hs e dá um tiro em C C morre em razão do tiro Se C morre em razão do tiro. CONSUMAÇÃO. o Pré-existente: causa efetiva anteceder a causa concorrente. As concausas podem ser divididas em: • Absolutamente independentes: a causa efetiva do evento não se origina direta ou indiretamente da causa concorrente. um não sabe da presença do outro. para evitar a responsabilidade penal objetiva. Ex. o Superveniente: a causa efetiva é posterior à causa concorrente. o Concomitante: a causa efetiva se dá no mesmo momento que a causa concorrente. também nas concausas absolutamente independentes concomitantes o segundo agente também responde por tentativa. Assim. o Pré-existente: causa efetiva anteceder a causa concorrente. mas viu outra causa concorrendo com o resultado que ele almejava. tem como conseqüência a punição a título de tentativa. C morre em razão do veneno. que concorreu. CONSUMAÇÃO. B responde pelo homicídio. responde por homicídio. 1: A. B. → Conseqüências: Ex. estamos diante de concausas absolutamente independentes. às 19:00 hs deu veneno para C B. TENTATIVA. A responde por tentativa. A causa efetiva do resultado é pré-existente (o veneno ocorreu antes do tiro). A causa efetiva do resultado morte (veneno) é absoluta ou indiretamente dependente do tiro? Não. O estudo das concausas serve para B. TENTATIVA. Portanto. Esta é a primeira conclusão. mas como responsabilizar A? O estudo das concausas serve para analisar qual o tratamento será dado ao agente responsável pela causa concorrente. O tiro é concomitante ao envenenamento. A dá um tiro e B emprega veneno. 2: A. • Relativamente independentes: a causa efetiva do evento se origina direta ou indiretamente da causa concorrente. 63 . o Concomitante: a causa efetiva se dá no mesmo momento que a causa concorrente.: A quer matar C. CP). às 20:00 hs deu um tiro em C C morreu às 21:00 em razão do veneno O tratamento para A é indiscutível: responde por homicídio. São concausas concomitantes. São concausas absolutamente independentes. o *Superveniente: a causa efetiva é posterior à causa concorrente (art. às 19:00 hs está envenenando C B.

que foi se deitar Às 20:00 hs ocorreu uma queda de um lustre na cabeça de C C morreu às 21:00 de traumatismo craniano A causa efetiva da morte foi o traumatismo craniano. 64 . 3: A. Ex. a doença não teria causado a morte. Está-se diante de um evento previsível. O agente responde por consumação. §1º. por si só. Mas ainda assim há concausas (envenenamento concorrendo com a queda do lustre). Segundo a doutrina. A facada (causa concorrente) desencadeou uma doença que B já tinha. evitando-se a responsabilidade penal objetiva. pré-existentes ou concomitantes. 13. B já era hemofílico. Conclusão: se relativamente independentes. 6: é o caso do art. Da conduta. É a que mais cai em concurso! I) que por si só produziu o resultado: o resultado sai da linha de desdobramento da causa concorrente. em função de hemorragia anormal A causa efetiva não foi a facada e sim a hemofilia.causalidade simples). Se não houvesse a facada. Resultado Causa concorrente II) que não por si só produziu o resultado: o resultado encontra-se na linha de desdobramento causal normal da causa concorrente. Ex. Da conduta esperava-se uma determinada linha causal. A jurisprudência moderna diz: responde por homicídico consumado desde que saiba que a vítima era hemofílica. Assim. não se esperava outra linha causal (não se trata de algo imprevisível. O art. A concausa é absolutamente independente e superveniente. O resultado será a punição a título de consumação. Ex. CP (até então era o art. e ela tomou outra. A responde por tentativa. é uma concausa relativamente independente concomitante. concomitante ou superveniente). A responde por homicídio consumado. se não tivesse conhecimento responderia por tentativa. então a concausa é pré-existente. caput – teoria da equivalência dos antecedentes . absurdo). que exclui a imputação quando. 5: A dá um tiro em B B vê a bala vindo em sua direção e enfarta antes da bala o atingir B morre em razão do enfarto. O agente responde por tentativa. 13. produziu o resultado.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ex. 13. É o exemplo trazido pela doutrina. às 19:00 hs envenenou C. é um evento imprevisível ao agente. mas é absurdo. Conclusão: toda concausa absolutamente independente gera punição a título de tentativa (não importa se pré-existente. §1º só existe para explicar a concausa relativamente independente superveniente. Tratam-se de concausas relativamente independentes. porém. terá como conseqüência a consumação. 4: A dá uma facada em B (a facada por si só não é capaz de matar) B era hemofílico B morre porque é hemofílico. O fato é atípico.

isto é. é o nexo existente entre a conduta omitida e o resultado nos crimes omissivos impróprios. é equiparado ao verdadeiro causador do resultado (estamos diante de um nexo de não impedimento). o sujeito não causou. a presença de nexo causal entre conduta omitida (e esperada) e o resultado concreto. O art. §1º. O erro médico é posterior. o tipo penal não está preocupado com o resultado. A responde por tentativa. a mais adequada à produção do resultado ocorrente. No hospital o teto cai em cima de B. B morre em razão do esmagamento pelo teto. Aqui há a atividade omitida e o resultado. Não havia possibilidade de se conhecê-la. (Ex. A concausa aqui também é relativamente independente superveniente. 13. Estamos diante de um crime de resultado material. consoante as regras de experiência comum. Está na linha de desdobramento causal normal da conduta. imposto normativamente. . para a maioria da doutrina. omissão de socorro. fosse a conduta do agente.Direito Penal – LFG – Intensivo I Causa concorrente Resultado Exemplos: A dá um tiro em B. Na verdade. somente haverá imputação do fato se. o vínculo é jurídico. Segundo a causalidade simples: se retirar o tiro. não é naturalístico (do nada não pode vir nada). adquirindo uma linha autônoma. A partir do art. No hospital ocorre um erro médico B vem a falecer em função do erro médico. 13. B vai para o hospital. dispensando. Esse nexo. O erro médico é superveniente que não por si só produziu o resultado. Ocorre que a queda do teto não está na linha de desdobramento normal da conduta. B morre de infecção hospitalar.crime omissivo próprio (puro): há somente a omissão de um dever de agir. a vítima não teria ido para o hospital. no conjunto das causas. A concausa é relativamente independente superveniente. mas as causas são relativamente independentes. conseqüentemente. exigindo. § 1° é a gênese da imputação objetiva no Brasil (nexo normativo – resultado no desdobramento normal da conduta). 65 . Causalidade nos crimes omissivos: Pergunta: Existe nexo causal em crime omissivo? Para responder a esta pergunta é importante saber que existe dois tipos de crimes omissivos: . Obs. Para concursos (especialmente CESPE). portanto o agente responde pela consumação. Neste caso. Até a relativamente independente concomitante trabalha-se com a causalidade simples (art. CP não se trabalha mais com Causalidade Simples e sim com a chamada “Causalidade Adequada”. B vai para o hospital. é a nomenclatura dada por Zaffaroni. Aqui há divergência na jurisprudência. A dá um tiro em B. Ou seja. não é uma situação previsível. É um evento imprevisível que sai da linha de desdobramento causal normal de um tiro. mas como não o impediu. caput). A dá um tiro em B. via de regra. a simples omissão do dever de agir configura o crime). a relação de causalidade naturalística (são delitos de mera conduta. A responde por consumação.crime omissivo impróprio (impuro): o dever de agir é para evitar um resultado concreto. prevalece que a infecção hospitalar se equipara a erro médico (não por si só produz o resultado) – responde por consumação. segundo a qual. 13. no entanto. portanto.: Nexo de evitação: é sinônimo de nexo de não impedimento. B é internado no hospital. A causa efetiva foi o erro médico. mera atividade).

Nexo. Assim.Nexo.Resultado. o nexo causal e a tipicidade penal. por sua vez.Conduta. que se compõe da conduta. contudo. . é a relevância da lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. continuamos a ter a conduta.Tipicidade penal = Tip.Conduta. O pai desta evolução foi Roxin. Dentro do crime.Nexo . . . O fato praticado. do resultado. Doutrinas + Modernas No passado.Resultado. Tipicidade Conglobante (Zaffaroni) Crime: Crime: FT FT . A maioria da doutrina afirma que ele é funcionalista. lesão ou perigo de lesão ao bem Material + Atos jurídico tutelado).Tipicidade Formal + . Formal + Tip. o resultado. tipicidade penal era sinônimo de tipicidade formal. Começou-se a falar na tipicidade material com o funcionalismo. passando a ser a tipicidade formal + tipicidade material. uma mera operação de ajuste. Crime: Fato Típico: .Resultado . Isso foi evoluindo. O atual estágio da tipicidade. . Antinormativos).Conduta.Tipicidade material + . e mais precisamente dentro do fato típico. . que deixou de ser uma mera operação de ajuste. é: crime = fato típico.Tipicidade penal = Tip. Os atos antinormativos são os atos não determinados ou não incentivados por lei.Atos antinormativos 66 . . Tipicidade material. já configurava fato típico.Direito Penal – LFG – Intensivo I 4) TIPICIDADE: Teorias Tradicionais Crime: FT .Tipicidade penal = tipicidade formal (operação de ajuste fato/lei incriminadora). O pai desta corrente é Zaffaroni. .Resultado. Formal .Conduta .Tipicidade Conglobante . se ajustado à lei.Tipicidade penal . Tipicidade penal era apenas e tão somente tipicidade formal. ele mesmo se afirma finalista. É um finalista que já falava em tipicidade conglobante. que atualmente é a tipicidade formal + tipicidade conglobante. . Material (relevância da + Tip. Atos antinormativos: atos não determinados ou não incentivados por lei. A doutrina brasileira diverge se Zaffaroni é funcionalista ou finalista. A tipicidade conglobante é uma tipicidade material + atos antinormativos. . do nexo causal e da tipicidade penal. ou seja. Conglobante (Tip. nada mais era do que uma subsunção fato / lei incriminadora. No entanto.Nexo.

Direito Penal – LFG – Intensivo I Exemplos: 1) Subtração de um lep-top: conduta se ajusta ao art. Material). 157. e. portanto. CP (tip. 155. CP (concurso de pessoas) também é uma norma de extensão. a própria tipicidade penal). Conceito de Tipicidade Conglobante: Trata-se de um corretivo da tipicidade penal.: o art. estamos diante de uma adequação mediata. a lei não obrigou e nem incentivou a realizar o furto (ato antinormativo). há insignificância na conduta (não há tipicidade material). lesão relevante ao patrimônio (tip. Material). assim. Por isso. 155. Espécies de Tipicidade Formal: A Tipicidade Formal pode se dar de duas formas: a) Tipicidade Formal Direta: o ajuste fato / lei incriminadora se dá de forma imediata. 14. 14. se excluída. Conduta se ajusta ao art. tolerados e. sendo necessário recorrer à uma norma de extensão (art. ocorre a adequação imediata. 121 pune “matar alguém” – A tentou matar B. II estende a incriminação no tempo e. como atos meramente permitidos. passando a excluir a própria tipicidade penal. Segundo este entendimento. por isso. Esta (tipicidade penal) tem como requisitos a tipicidade formal (operação de ajuste) e tipicidade conglobante (constituída de tipicidade material e antinormatividade do ato). a lei não obrigou e nem incentivou a realizar o furto (ato antinormativo). a própria tipicidade penal. o delegado não pode deixar de autuar em flagrante com base na tipicidade material (esse é o entendimento que prevalece). isto é. continuam como excludentes da ilicitude e não da tipicidade. isto é. por ato antinormativo entende-se aquele não determinado ou incentivado por lei. face à resistência do dono dos bens. 67 . mas sim permitidos. O delegado é o senhor da tipicidade formal e não da tipicidade material.: o art. Obs. que. espera-se de um ordenamento jurídico “ordem”. 3) Juiz expede a seguinte ordem: realizar constrição de certos bens. oficial agiu determinado por lei (ato normativo). Oficial de justiça realiza a constrição de bens mediante força policial. isto é. O art. Ex. Ex. 29. lesão relevante ao patrimônio (tip. pressupondo norma de extensão. Conseqüência: O estrito cumprimento de um dever legal e o exercício regular de um direito incentivados deixam de excluir a ilicitude (como antes se pensava). Analisando a tipicidade conglobante. 2) Subtração de caneta big: conduta se ajusta ao art. CP (tip. OBS. 121 pune “matar alguém” – A matou B e este fato se adequou imediatamente à lei incriminadora. pois são atos normativos (que excluem a tipicidade conglobante. o ECDL e ERD incentivado deixam de excluir a ilicitude e migram para o fato típico. exclui a tipicidade conglobante e. Por tipicidade material entende-se a relevância da lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado e.: A legítima defesa e o estado de necessidade não são atos incentivados pelo Estado. pois são considerados atos normativos. O art. De acordo com Zaffaroni. Formal). e este fato não se adequa imediatamente à lei incriminadora. Formal). II – tentativa) para que haja essa adequação. b) Tipicidade Formal Indireta: o ajuste fato / lei incriminadora se dá de forma mediata. o Princípio da Insignificância exclui a tipicidade material. CP (tip. tolerados. Formal). os vários ramos do direito determinando e incentivando os mesmos comportamentos (é uma incoerência o direito penal julgar típico comportamento que outros ramos determinam ou incentivam). é chamada de norma de extensão temporal.

O art.Direito Penal – LFG – Intensivo I chamada norma de extensão pessoal. para os crimes omissivos impróprios. §2º também traz uma norma de extensão chamada causal. ?? 68 . 13.

Mas a presunção é relativa. pois elementos explícitos. todo tipo penal é constituído de elementos positivos e de elementos negativos. elementos implícitos. ensina que o ônus da prova é da acusação (FT/ilicitude/culpabilidade). inexistindo qualquer exceção determinando.Elementos positivos (explícitos): têm que ocorrer para que o fato seja típico. Obs. A ilicitude confirma a tipicidade. porém por caminhos diversos. o FT só permanece típico se ilícito. 69 . FT existe por si só. São institutos absolutamente autônomos.Elementos negativos (implícitos): não devem ocorrer para que o fato permaneça típico. Para a doutrina. aceitássemos o Tipo Total do injusto. FT e ilicitude não têm implicação nenhuma. a tipicidade não gera qualquer juízo de valor no campo da ilicitude. pois. que ele também é ilícito. sendo. são elementos que não devem ocorrer para que o fato seja típico. “É crime matar alguém. Comprovando que o fato é típico. por exemplo. por sua vez. servindo como sua essência. CP – os elementos positivos são “matar alguém”. são. Em resumo. A tipicidade conglobante não traz a LD e o EN. seria o MP quem teria que comprovar a excludente de ilicitude. se desaparecer a ilicitude o fato típico permanece (Mayer) → é a Teoria que prevalece. e ilicitude existe por si só. “Teoria da Identidade” (Mezger). É aqui que nasce o “tipo total de injusto”. no entanto. Os elementos negativos. aceitarmos o Tipo Total do injusto. OBS. Conclusão: cabe ao réu comprovar causa excludente da ilicitude. Tipo penal: . o outro permanece. .Direito Penal – LFG – Intensivo I ILICITUDE: → Conceitos de Ilicitude: a) Conceito Analítico: ilicitude é o segundo substrato do crime (lembrar que quem fala em substratos do crime é Bettiol). trata-se de conduta típica não justificada. 4ª) Teoria dos Elementos Negativos do Tipo: alcança a mesma conclusão da anterior. → Relação Tipicidade x Ilicitude: Francisco de Assis Toledo fala sobre princípios básicos de direito penal e é quem melhor explica essa relação. O fato só será típico. quem deve provar que o fato não é ilícito é o réu. b) Conceito Material: por ilicitude ou antijuridicidade entende-se a relação de contrariedade entre o fato típico (e não o mero fato – atenção!) e o ordenamento jurídico como um todo. 121. Ex. estado de necessidade. relativamente. Se um desaparecer. os elementos negativos são “legítima defesa. Para esta corrente. estrito cumprimento do dever legal e exercício regular do direito” (Merkel). será o MP quem terá que comprovar a excludente de ilicitude. Os elementos positivos são os que devem ocorrer para que o fato seja típico. sem implicações mútuas. Se. Há 4 correntes: 1ª) Corrente da Autonomia ou da Absoluta Independência: para esta corrente.: art. a tipicidade gera indícios de ilicitude. presume-se. adotou-se a teoria da ratio cognoscendi. o FT presume relativamente a ilicitude. incentivando ou permitindo a conduta típica. 2ª) Corrente da Indiciariedade ou da Ratio Cognoscendi: por esta teoria. 3ª) Corrente da Absoluta Dependência ou da Ratio Essendi: para esta corrente. Se. salvo se em legítima defesa”: traz para a tipicidade todas as descriminantes. Se afirmarmos que o FT presume ilicitude. no entanto. Paulo Rangel. se também ilícito.

→ Ilicitude x Antijuridicidade: • • 1ª corrente: ilicitude é sinônimo de antijuridicidade (sinônimos). 21. por ex.Justificante supralegal: o consentimento do ofendido. CPP: O juiz absolverá o réu. 2ª corrente: (Francisco de Assis Toledo) o correto é ilicitude e não antijuridicidade.CP.Legislação extravagante: Lei 9. → Requisitos: 1) Objetivos: estão todos no próprio art. São elas: (15/04/09) a) Estado de Necessidade: ☺art. . I e art. Assim. . O STF entende que exclui a tipicidade.: Apesar de o tema ser controvertido. mencionando a causa na parte dispositiva. Se há dois bens jurídicos em perigo de lesão. nas circunstâncias. CP. 386. VI. nos arts. 24. 23. diante do caso concreto. Mas não é o que prevalece. **A lei 11. cujo sacrifício.. sob os seguintes argumentos: o O CP só faz menção à ilicitude (LFG). o Estado permite que seja sacrificado um deles. parte especial. há quem afirme que a imunidade parlamentar absoluta exclui a ilicitude. entende que na dúvida quanto à presença de uma descriminante. 70 . 23. A jurisprudência está então concordando com Paulo Rangel. parte geral: art. a tutela penal não pode salvaguardar a ambos (atentar para essa frase. ilicitude (que seria antijuridicidade) e culpabilidade.690/08 deu nova redação ao art. todos do Código Penal). para salvar de perigo atual direito próprio ou de terceiro. 22. sem filiar-se a qualquer corrente.Direito Penal – LFG – Intensivo I Já a jurisprudência. sacrificando um bem jurídico. o legislador seguiu a jurisprudência (que não deixou claro se adotou a teoria dos elementos negativos do tipo ou a teoria da ratio essendi). CP. 23. Obs. pois.CF/88: imunidade parlamentar absoluta. ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais). não era razoável exigir-se. Como que o crime pode ser e logo em seguida não ser? Como que o crime tem que ser duas coisas opostas (jurídico e antijurídico)? → Causas Excludentes da Ilicitude: Sinônimos: justificantes ou descriminantes. desde que reconheça: VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 28. o magistrado deve absolver (in dúbio pro reo). que é bastante importante na diferenciação entre estado de necessidade e legítima defesa). 24. 128 (aborto permitido: o médico pode realizar abortamento se a gestante corre risco de vida) e 142 (imunidade nos crimes contra a honra). Conceito: considera-se em estado de necessidade quem pratica um fato típico.CP. 20. . 26 e § 1o do art. . o O crime é formado por FT (que é o fato jurídico). . pois trabalha com tipicidade conglobante.

.O agente deve escolher discricionariamente a vida de quem irá salvar. Greco). CP (Mirabete – corrente adotada pelo MP). §2º. a segurança particular. que exclui a culpabilidade.Direito Penal – LFG – Intensivo I a) Perigo atual: existência de perigo atual. . d) Inexistência do dever legal de enfrentar o perigo: significa dever imposto por lei. Prevalece a primeira corrente. sob os argumentos de que se o legislador quisesse abranger o perigo iminente ele o teria feito. Capez. algo muito distante para permitir o sacrifício de bem jurídico alheio. é a corrente que prevalece. 2ª corrente: o causador doloso e culposo não podem alegar EN. fundamenta ainda que a expressão vontade é indicativa de dolo (LFG. É preciso que o único meio para salvar direito próprio ou de terceiro seja o cometimento de fato lesivo. Se o bem protegido vale mais do que o sacrificado o EN é o justificante. caracteriza-se LD. apesar do silêncio da lei.O perigo só deve ser enfrentado enquanto comportar enfrentamento. como por ex. Teorias: . num incêndio. Se eu posso salvar o meu direito fugindo. uma segunda corrente. sacrificando bem jurídico alheio (perigo iminente não é compatível com esse requisito). 2ª corrente: o consentimento do terceiro somente é dispensável quando o bem em risco for indisponível. .Perigo é imaginário (fantasiado pelo agente): estado de necessidade putativo (não exclui a ilicitude). Esta segunda corrente é a que prevalece e é melhor para a primeira fase das provas. Se o meio era simplesmente o mais cômodo não se permite o EN. como por ex. Damásio. Para agir em EN de terceiro é necessária autorização? 1ª corrente: o EN de terceiro dispensa consentimento do terceiro (a lei não exige. Perigo iminente é incompatível com a inevitabilidade do comportamento lesivo. A vida de uma pessoa não é mais valiosa do que a de outra (ainda que uma delas seja muito mais velha. Significa a proporcionalidade comparando o bem protegido e o bem sacrificado. a fuga é a melhor opção ao EN. OBS.(patrimônio) Vale = ou + 71 . que exclui a ilicitude. ☺quadro: Teoria EN justificante (exclui a ilicitude) EN exculpante (exclui a culpabilidade) Bem protegido Vale + (vida) Vale = ou Bem sacrificado Vale . c. o EN é exculpante. c) O agente deve agir para salvar direito próprio (EN próprio) ou alheio (EN de terceiro). que costuma preferir a letra de lei. . 24: “que não provocou por sua vontade”: essa expressão é indicativa de dolo ou dolo/culpa? 1ª corrente: somente o causador doloso não pode alegar EN (ninguém pode valer-se da própria torpeza).Este perigo não tem destinatário certo (na LD há destinatário certo).Ex. no entanto. será necessário o consentimento). se advir de injusta agressão humana. do homem ou de um animal. Bittencourt. EN exculpante. diz que só está abrangido o perigo atual. o dever simplesmente contratual. que pode advir da natureza. (Capez). EN justificante. jamais o iminente. . Se protejo um bem de igual ou menor valor que o bem sacrificado.Teoria Diferenciadora: ela diferencia duas espécies de EN: 1. f) Inexigibilidade do sacrifício do direito ameaçado. com o fundamento de que ninguém é obrigado a aguardar um risco concreto para proteger seu bem jurídico (LFG). b) A situação de perigo não pode ter sido causada voluntariamente pelo agente. Art. já tenha vivido toda uma vida). o primeiro a sair correndo não pode ser o bombeiro. a vida (se for o patrimônio. fundamentando-se no art. e) Inevitabilidade do comportamento lesivo. abrange-se o perigo iminente. . e 2.O perigo atual abrange o perigo iminente (prestes a ocorrer)? Quanto a isso há duas correntes: uma primeira corrente diz que. 13. teria sido expresso (como o foi na LD) e o perigo iminente é perigo do perigo. então não cabe ao intérprete fazê-lo). não é exigido.

b) Estado de necessidade de terceiro. que é o perigo atual). se o bem protegido é de valor menor que o sacrificado pode gerar uma diminuição da pena. 2) Quanto ao elemento subjetivo do agente: a) Estado de necessidade real: o perigo existe – exclui a ilicitude. d) insuficiência dos recursos auferidos pelo agente com o trabalho ou impossibilidade de trabalhar (ou seja. o agente terá que reparar o dano causado ao terceiro. Quando há desproporcionalidade. desde que: a) o fato seja praticado para mitigar a fome. CPM). só se reconhece o EN justificante (exclui a ilicitude). para a teoria unitária.Direito Penal – LFG – Intensivo I . bem como referindo-se “às circunstancias do fato”. exigindo a lei (art. Atentar que na teoria diferenciadora. 3) Quanto ao terceiro que sofre a ofensa: a) Estado de necessidade agressivo: para proteger direito. 72 .Pergunta: é possível EN em crime habitual ou em crime permanente? A maioria da doutrina não reconhece EN nessas espécies de delito. ou seja. o agente sacrifica bem jurídico do próprio causador do perigo. o agente sacrifica bem jurídico de pessoa alheia à provocação do perigo. será EN justificante. EN nada mais é do que os 6 requisitos objetivos + o requisito subjetivo (que é a ciência do perigo atual). O EN justificante ocorre quando o bem protegido vale mais ou igual ao bem sacrificado. b) Estado de necessidade defensivo: para proteger direito. tornam incompatível a descriminante do EN. É ato lícito no direito penal e no direito civil. 24) a inevitabilidade do comportamento lesivo. Assim. 24. 39. § 2°). . podendo entrar posteriormente com ação regressiva. b) Estado de necessidade putativo: o perigo é imaginário. → Classificação doutrinária do Estado de Necessidade: 1) Quanto à titularidade: a) Estado de necessidade próprio. A ação do EN (como única possibilidade de afastar o perigo) deve ser objetivamente necessária e subjetivamente conduzida pela vontade de salvamento. ☺quadro: Teoria EN justificante Possível redução de pena Bem protegido Vale + ou = Vale Bem sacrificado Vale .ou = Vale + **Obs. c) que haja subtração de coisa capaz de diretamente mitigar a fome.: Só o CPM adotou a Teoria Diferenciadora (☺art. Ver entendimento da jurisprudência no livro do Greco. fantasiado pelo agente – não exclui a ilicitude (porque falta o 1º requisito objetivo. não é tese exclusiva de desempregado – tese defendida pela Defensoria). É ato lícito no direito penal. O CP adotou a Teoria Unitária (art. 2) Subjetivos: é o conhecimento da situação de fato justificante (ciência de que se está diante de um perigo atual). o furto famélico pode ser alegado por quem tenha emprego. quando os bens têm igual valor será EN exculpante. .Pergunta: furto famélico (subtrair para saciar a fome) constitui EN? Sim. b) que seja o único e derradeiro recurso do agente (inevitabilidade do comportamento lesivo). pois. não causadora do perigo.Teoria Unitária: já nesta teoria. mas é ato ilícito no direito civil.

mas sim de quem é agredido.1: LD diante de um fato insignificante (Princípio da Insignificância) – o possuidor do bem atingido pode reagir para repelir a agressão.Agressão injusta é sinônimo de fato típico. caracteriza-se uma agressão injusta. mas se se tratar de um perigo atual. Atenção: é caso de LD. 25. do homem ou até de um animal. o agredido deve fugir para evitar a lesivo. porque a injustiça da agressão não é analisada sob a ótica de quem agride. → Diferença entre Estado de Necessidade e Legítima Defesa: Estado de Necessidade Conflito entre vários bens jurídicos diante de uma situação de perigo (ex. é possível uma agressão injusta atípica. se se entender como LD. O perigo decorre da força da natureza. porque a LD putativa é ilegítima. → Requisitos/elementos Objetivos: 1) Agressão injusta: conduta humana que ataca ou coloca em perigo bens jurídicos de alguém. independentemente da ciência do agressor. Cabe ainda LD putativa de LD putativa. CP – conceito.Repelir um ataque de um animal é LD (ou é EN)? Depende do tipo de ataque. por isso é perfeitamente possível EN de EN. Tem destinatário certo. Portanto. é perfeitamente possível a LD de um comportamento omissivo (ex. Se é um ataque espontâneo. por isso não existe LD de LD. A agressão é dirigida. Ataque a bem jurídico. uma pessoa sendo atacada por outra). se for EN. sendo possível. Se Não exige inevitabilidade do comportamento possível. O perigo decorre de uma agressão humana. evitar a agressão. Inevitabilidade do comportamento lesivo. Considerações: . O perigo não tem destinatário certo. Se se entender que é EN só se pode sacrificar o animal se a fuga for impossível. Mas atenção: é possível LD real de LD putativa. Se o ataque foi provocado pelo dono. será EN. . . será LD. Os interesses em conflito são legítimos. a fuga é obrigatória. 73 .: aquele que agride o carcereiro que se recusa a cumprir um alvará de soltura). estamos diante de um perigo atual. o agredido não precisa fugir para agressão. ainda que os dois interesses sejam ilegítimos. portanto. porque ainda que o Princípio da Insignificância torne o fato atípico.A injustiça da agressão deve ser do conhecimento do agredido. a agressão continua sendo injusta (tanto que será possível a responsabilidade civil). pode-se enfrentar o animal.Direito Penal – LFG – Intensivo I b) Legítima Defesa: ☺art.: dois náufragos disputando a única bóia salva-vida). Os interesses do agressor são ilegítimos – um dos interesses tem que ser ilegítimo.Ataque de um doente mental: ao se repelir esse ataque será LD ou EN? Se se tratar de uma agressão injusta. . . Pode ser uma ação ou omissão. a fuga não é exigida. Se for LD não é necessário fugir da agressão. logo é EN. ou é possível uma agressão injusta atípica? Ex. pois o animal é instrumento do agente. o que configura LD. Legítima Defesa Ameaça ou ataque a um bem jurídico (ex.Existe LD de omissão? Sim.

mas é agressão injusta que autoriza LD do proprietário. . se o agente está diante de uma agressão injusta. 3º) teses da defesa. É isso que a lei nova corrige. há LD putativa.: ainda que nenhuma das partes tenham alegado o excesso. . . E se a agressão. Assim. antes da lei o excesso brotava naturalmente da negativa da moderação. Depois da Lei 11.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ex. Antes: 1º) o juiz quesitava a materialidade e a autoria.2: LD contra furto de uso (ninguém é obrigado a deixar que ele aconteça). Se estamos diante de uma agressão passada.: ameaça de morte feita por um bandido preso para quando sair da prisão – a agressão não é atual e nem iminente. 3º) questiona se os jurados absolvem o réu. Furto de uso não é típico. Agora: 1º) o juiz analisa a materialidade e o nexo. 2º) autoria.689/08 materialidade + nexo autoria quesita se o jurado absolve o réu. É importante agora saber como era antes da Lei 11. 4º) causas de diminuição. . Meio necessário é o meio menos lesivo entre os meios à disposição do agredido no momento da agressão. se esta agressão injusta e futura for certa. porém futura. E o quesito da legítima defesa? Antes da Lei 11. ele precisará ser debatido em plenário. suficiente para repelir o comportamento injusto. Encontrado o meio necessário. não há que se alegar LD justificante (esta exige a atualidade ou iminência da agressão). a repulsa configura vingança. for certa? Ex.atual. todos os quesitos da LD ficam abrangidos por esta pergunta. que não exclui a ilicitude.iminente.689/08 1) materialidade + autoria 2) nexo 3) legítima defesa: . apesar de futura. nasce o excesso. 3) Uso moderado dos meios necessários: o desrespeito a esse requisito é que faz nascer o excesso. Meio de defesa: necessários.uso moderado (Para o jurado reconhecer a LD ele tinha que responder sim para todos esses itens) Obs.Se a agressão injusta for imaginada.meio necessário. 4) Agir para salvar direito próprio ou alheio: é aqui que nasce a LD própria e a LD de terceiro.agressão injusta. Ou seja. Assim. Entretanto. para que se configure a LD. já fica descartada a LD. se os jurados negarem o uso moderado o juiz era obrigado a quesitar quanto ao excesso. 5º) teses da acusação. ela é mera suposição. o excesso não é mais uma tese que brota naturalmente. Ou seja. → Requisito Subjetivo: 74 . Moderados: 2) Agressão injusta atual ou iminente: a agressão atual é a agressão presente. excluindo a culpabilidade (LD exculpante). deve-se fazer uso deste de forma moderada. Ademais. Da imoderação. se estamos diante de uma agressão futura. configura inexigibilidade de conduta diversa. 4º) teses da acusação e 5º) agravantes e atenuantes. . a iminente é a que está prestes a ocorrer.689/08 e como ficou depois. a agressão deve ser atual ou iminente. Se a resposta for negativa. 2º) quesitava o nexo causal. caso alguma parte nele demonstre interesse.

CP (não tem um artigo próprio como a LD e o EN). nas mesmas circunstâncias de fato. mas é possível uma LD real e uma LD putativa). assim como o fim é exigido para a prática do crime. não pode ser proibido).Direito Penal – LFG – Intensivo I É o conhecimento da situação de fato justificante ou do estado de agressão injusta.: lembrar que é impossível duas LD reais conviverem. Ex. no desempenho de suas atividades. Obs.“Estrito cumprimento”: quer dizer razoabilidade.Dever legal: o que significa “legal”? A expressão “lei” aqui é tomada em sentido amplo. mas neste sentido ele é a minoria da doutrina (MP/MG utiliza bastante a doutrina de Francisco de Assis Toledo). a integridade física ou a própria vida. 2) LD Agressiva: a reação do agredido constitui fato típico. exatamente para assegurar o cumprimento da lei. 3) LD Subjetiva: é o excesso esculpável na LD.: art. III. também é exigido para a excludente. tal intervenção é justificada pelo estrito cumprimento de um dever legal (ECDL). 23. c) Estrito Cumprimento do Dever Legal: Previsão: art. 5) LD Real: a agressão existe. devem agir interferindo na esfera privada dos cidadãos. Ou seja. Atenção: adotando-se a Teoria da Tipicidade Conglobante. O Exercício regular de um direito (ERD) compreende ações do cidadão comum autorizadas pela existência de direito definido em lei e condicionadas à regularidade do exercício desse direito (proporcionalidade e indispensabilidade). pode-se alegar o ECDL ainda que o dever esteja expresso em Portaria. Dentro de limites aceitáveis. uma depois da outra). 4) LD Sucessiva: ocorre na repulsa contra o excesso abusivo do agente agredido (temos duas LD.: Francisco de Assis Toledo abrange também os costumes. CPP – flagrante obrigatório compulsório (“as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito”). Essa intervenção redunda em agressão a bens jurídicos como a liberdade de locomoção. proporcionalidade. é uma LD seguida de outra LD (Obs. → O ECDL também exige um requisito subjetivo: o agente tem que ter ciência de que age no estrito cumprimento de um dever legal. CP (não tem um artigo próprio como a LD e o EN). o ECDL deixa de ser descriminante e passa a ser excludente da tipicidade (trata-se de ato normativo determinado por lei. III. caso em que qualquer pessoa. Conceito e requisitos: são trazidos pela doutrina. 301. Os agentes públicos. se excederia (elimina a culpabilidade). Conceito e requisitos: são trazidos pela doutrina. portanto. d) Exercício Regular de um Direito: Previsão legal: art. 23. → Requisitos Objetivos: . . não raras vezes. 75 . 6) LD putativa: a agressão é imaginária. De acordo com o finalismo. → Classificações doutrinárias: 1) LD Defensiva: a reação do agredido não constitui um fato típico.

É a corrente majoritária. configura uma hipótese de ERD. desforço imediato (instituto do Direito Civil empregado na defesa da posse). ainda que sejam castigos físicos (desde que respeitada a proporcionalidade). incentivado por lei migra para a tipicidade como sua excludente. etc. Se ele é somente permitido exclui a ilicitude (mas o fato é típico e também antinormativo). exclui a tipicidade. acionado ou não. Nesse caso o cidadão está autorizado a agir. Crítica à Zaffaroni: Zaffaroni claramente reconhece duas espécies de ERD: o que é fomentado (ou incentivado) e o que é apenas permitido (tolerado). → Requisitos do ERD: 1) Indispensabilidade: impossibilidade de recurso útil aos meios coercitivos normais para evitar a inutilização prática do direito.). Não existe ERD meramente permitido.: art. O ofendículo acionado está repelindo uma injusta agressão ao patrimônio e.: castigos impostos pelos pais aos filhos. ele é sempre fomentado. acionado ou não. 2ª) O ofendículo. enquanto não acionado. Ex. o ofendículo configura um caso de ERD e a defesa mecânica predisposta um caso de LD.: descarga elétrica no trinco). configura LD. Ex. (21/04/09) e) Ofendículos: Significa o aparato pré-ordenado para a defesa do patrimônio (exs. 2) Proporcionalidade: o exercício precisa ser “regular”. 4ª) Diferencia ofendículo de defesa mecânica predisposta. etc. 3) Ciência de que está agindo no exercício regular do direito (é o requisito subjetivo). deixa de servir como descriminante para passar a excluir a própria tipicidade (trata-se de ato normativo incentivado por lei). CPP (na espécie flagrante facultativo de qualquer um do povo).: cacos de vidro no muro. ponta de lança na murada. castigos impostos pelos professores em face dos alunos. de ERD fomentado: o flagrante facultativo. cerca elétrica. o ERD permitido ficou esvaziado. Ex. o exercício do poder familiar. configura ERD. o ERD fomentado. Tudo o que é direito a Constituição sempre incentivará às pessoas a fazerem valer o seu direito. é incentivado pela Constituição. configura uma legítima defesa. Natureza jurídica: há 4 correntes: 1ª) O ofendículo. Ocorre que o esporte violento. Atenção: adotada a Teoria da Tipicidade Conglobante. ou seja. de ERD permitido: esportes violentos. já na defesa mecânica predisposta o aparato está oculto (ex.Direito Penal – LFG – Intensivo I → Espécies de ERD: a) Pro magistratu: situações em que o Estado não pode estar presente para evitar lesão ao bem jurídico ou recompor a ordem pública. Um animal pode ser considerado um ofendículo? Sim. b) Direito de castigo: corresponde ao dever de educação. Se ele é fomentado. Enquanto não acionado é uma hipótese de LD antecipada. 3ª) O ofendículo. penhor legal (como o caso de retenção da bagagem pela hospedaria). o aparato é visível. Os ofendículos podem ser utilizados. portanto. mas é importante que exista proporcionalidade. 76 . Assim. No ofendículo. Exs. 301. mais do que permitido.

excluir a culpabilidade (inexigibilidade de conduta diversa). CP: “O agente. o consentimento exclui a tipicidade. por força de acidente. R. . Se o excesso é doloso responde por crime doloso. temos o excesso exculpante (inexigibilidade de conduta diversa) – o excesso exculpante é uma causa supralegal no direito comum. que concorda com a doutrina moderna. 107. causa lesão. CP). ao reagir moderadamente. parágrafo único. d) Excesso acidental: ocorre quando o agente. art. Lembrar do exemplo da legítima defesa futura. estupro. 45. A integridade física é um bem indisponível? A doutrina clássica rotula a incolumidade pessoal como bem indisponível. V. É uma renúncia do titular do direito tutelado a essa mesma tutela. CPM). g) Consentimento do Ofendido: Trata-se de uma descriminante supralegal.099/95. piercings. Ex. Se não agiu com dolo ou culpa. P. mas pode caracterizar renúncia ou perdão do ofendido – extinção da punibilidade. de reação moderada passa para a imoderada). Esse excesso exculpante está expressamente previsto no CPM. Aplica-se esse artigo em qualquer das hipóteses de descriminantes. desde o princípio. intensifica a ação justificada e ultrapassa os limites legais permitidos (ou seja.O consentimento deve ser manifestado antes ou durante a prática do fato (se o consentimento for posterior não exclui a ilicitude.: atirar em criança que furtou uma maça). esperada e certa). → Observações: 1) Todo fato ilícito penal = ilícito civil. etc. Bitencourt) rotula a incolumidade pessoal como bem relativamente disponível. é necessária a autorização da vítima para processar aquele que cometeu a lesão. já atua fora dos limites legais (ex. OBS. é uma causa legal (☺art. Nem todo fato lícito penal = lícito civil. 77 .O ofendido deve ser capaz de consentir – saber o que está fazendo (e esta capacidade não coincide com a capacidade legal) – consentimento válido. a) Excesso crasso: ocorre quando o agente.O consentimento deve ser expresso (é cada vez mais frequente doutrina admitindo o consentimento tácito – o direito penal português admite o consentimento tácito). diante de uma situação fática agressiva.. O fato é típico. se o excesso é culposo o agente responde por crime culposo.O dissentimento (não consentimento) do ofendido não pode configurar elementar do tipo.U. Será disponível quando: 1) se tratar de lesão leve e 2) lesão que não contrarie a moral e os bons costumes (ex. .). .*O bem renunciado deve ser disponível. Se o não consentimento integrar o tipo. A doutrina moderna (C.Direito Penal – LFG – Intensivo I f) Classificação do Excesso nas descriminantes/justificantes: Previsão legal: art. . pois transformou a lesão leve em pública condicionada. conforme o caso. . Pode servir como causa supralegal desde que presentes os seguintes requisitos: . b) Excesso Extensivo ou excesso na causa: ocorre quando o agente reage antes da efetiva agressão (futura. ilícito. tatuagens. em qualquer das hipóteses deste artigo.O bem deve ser próprio. 23. responderá pelo excesso doloso ou culposo”. que inicialmente agia dentro do direito.O consentimento deve ser livre e consciente – consentimento válido. além da reação moderada. c) Excesso Intensivo: ocorre quando o agente. . mas pode. Essa previsão está no art. 88 da Lei 9.

isenta de pena.É isento de pena quem.sendo inevitável: exclui o dolo e a culpa.sendo evitável: exclui o dolo e o agente responde pelo crime culposo. a teoria limitada da culpabilidade: 1) o art. se evitável: exclui dolo. se evitável. É uma causa de exclusão da ilicitude / fantasiada pelo agente. CP: . há 2 correntes: 1ª) Entende tratar-se de erro de tipo (Teoria Limitada da Culpabilidade) – art. Obs. → Descriminantes Putativas: (Assunto importante para o MP/MG).: marido que acha que pode manter conjunção carnal violenta com a esposa quando ela se recusa. agente limita-se unicamente a se defender. § 1º . Essa corrente também é seguida por Flávio Monteiro de Barros. Legítima defesa agressiva = reação é um fato típico. 24. Se optou o legislador por 78 . Ex. Prevalece. Erro de tipo: se inevitável. Ex. exclui dolo/culpa. 21. Será erro de tipo ou de proibição conforme o tipo de descriminante. segundo LFG. Podem ser de 3 espécies: a) o agente erra quanto à autorização: o agente supõe estar autorizado. Segundo nos ensina. tem ciência da situação de fato. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo. Obs. Ex. supõe situação de fato que. 20 (que trata de erro de tipo) quanto o art. agente reage com um soco. mata e percebe que a pessoa iria somente falar ao celular . por erro plenamente justificado pelas circunstâncias. 20. isentará o agente de pena. § 1° do CP. mas se evitável responderá o agente por culpa. 2ª) Entende tratar-se de erro de proibição (Teoria Extremada da Culpabilidade) – art. por razões de política criminal.sendo inevitável: isenta o agente de pena. no entanto. § 1°. 20. A descriminante putativa corresponde a um erro.sendo evitável: é causa que diminui a pena. . nem a teoria limitada. 20. Ex. E. CP: . Encontrou no direito penal uma autorização (art. tornaria a ação legítima. Ambas as hipóteses se equiparam ao erro de proibição. diminui pena. adotou uma teoria extremada sui generis.: imaginando que seria agredido. A primeira parte refere-se à teoria extremada e a segunda parte adotou a teoria limitada. c) o agente erra quanto aos requisitos: supõe presente situação de fato que não existe. Agressivo. o art. 20. pois se inevitável. O agente desconhece a situação de fato. CP ao prever isenção de pena quando o erro é inevitável traz uma conseqüência lógica quando se exclui dolo e culpa. Ex.LD que não existe. . Por isso.: em ambas as hipóteses (a e b) o agente sabe o que faz.: o agente revida um tapa no rosto com um tiro. Erro de proibição: se inevitável. 21 (que é erro de proibição). N.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ex. 2) Legítima defesa defensiva = reação é um fato atípico. o código penal brasileiro não adotou a teoria extremada. b) o agente erra quanto aos limites: o equívoco está nos limites da reação (proporcionalidade da descriminante). Qual teoria o CP adotou? Art. Lícito penal = ilícito civil. Sobre o erro quanto à situação de fato. mas se equivoca quanto à proibição. se existisse. CP). 2) a descriminante putativa sobre situação de fato encontra-se no parágrafo que poderia assessorar tanto o art.

3) a exposição de motivos é expressa. adotando a teoria limitada da culpabilidade (Assis Toledo). 79 .Direito Penal – LFG – Intensivo I inseri-lo no art. é porque equipara este erro ao erro de tipo. 20.

Direito Penal – LFG – Intensivo I

CULPABILIDADE: A culpabilidade é ou não o terceiro substrato do crime? Ela integra ou não o crime? Depende da corrente que se segue. Há duas correntes principais: 1ª) Corrente Bipartida: a culpabilidade não integra o crime. Objetivamente, para a existência do crime, é prescindível a culpabilidade. O crime existe por si mesmo com os requisitos fato típico e ilicitude (bipartite). Mas o crime só será ligado ao agente se este for culpável. Conclusão: para a corrente bipartida a culpabilidade é pressuposto de aplicação da pena, mero juízo de reprovação e censura. 2ª) Corrente Tripartida: a culpabilidade integra sim o crime, sendo o seu terceiro substrato. É um juízo de reprovação extraído da análise como o sujeito ativo se situou e posicionou, pelo seu conhecimento e querer, diante do episódio injusto. A tipicidade, a ilicitude e a culpabilidade são pressupostos de aplicação da pena (corrente tripartite). A corrente bipartida busca nos seduzir da seguinte maneira: o CP é bipartido, já que quando se está diante de uma causa de exclusão do fato típico o CP diz que não há crime, esta é a prova primeira de que o fato típico está umbilicalmente ligado ao crime (se não há FT não há crime); ainda, quando se está diante de uma causa de exclusão da ilicitude o nosso CP também diz que não há crime, o que prova que esta também está umbilicalmente ligada ao crime. No entanto, quando se está diante de uma causa de exclusão da culpabilidade o CP diz que se trata de uma hipótese de isenção de pena (o crime permanece, só não se impõe uma pena). No entanto, o CP brasileiro não é tão técnico, pois há hipóteses em que se refere à exclusão de tipicidade e ilicitude como “isento de pena”. A grande crítica que a corrente tripartida faz sobre a bipartida: ambas consideram a culpabilidade como um juízo de censura, mas a teoria bipartida está admitindo casos em que se tem crime, pois o fato é típico e ilícito, mas será um crime sem censura, o que não pode ser admissível numa sociedade. A corrente bipartida, no entanto, rebate a esta crítica relembrando o erro de tipo: na descriminante putativa, que é uma causa que exclui o fato típico, o CP fala em “isento de pena”. Conclui-se que nem sempre quando se exclui o fato típico, o CP é fiel à expressão “não há crime” e nem sempre quando se exclui a culpabilidade o CP é fiel a expressão “isento de pena”. *Concurso federal e estadual (fora de SP): adota a corrente tripartida. A corrente bipartida é adotada por alguns concursos estaduais de SP (por ex. MP/SP). → Teorias da Culpabilidade: São 4 as Teorias da Culpabilidade: 1) Teoria Psicológica: tem base causalista. - Espécies: dolo e culpa; - Elemento: imputabilidade. A culpabilidade é pobre para essa teoria. - Críticas: o erro dessa teoria foi reunir como espécies fenômenos completamente diferentes: dolo (querer) e culpa (não querer). 2) Teoria Psicológica-normativa: tem base neokantista. O Neokantismo é uma dissidência do próprio causalismo, daí se infere que na culpabilidade continuaremos encontrando dolo e culpa, mas não como espécies. A primeira coisa que esta teoria decide é justamente que a culpabilidade não tem espécies, 80

Direito Penal – LFG – Intensivo I
mas sim elementos (e não mais um só elemento), que são: a imputabilidade, a exigibilidade de conduta diversa, a culpa e o dolo. Ou seja, o dolo e a culpa que na primeira teoria eram espécies, passaram a ser elementos da culpabilidade e, ainda, se antes esta tinha apenas um elemento, foi enriquecido com mais elementos. Ademais, segundo esta teoria, o dolo era constituído, além da consciência e da vontade, de um elemento normativo: a atual consciência da ilicitude – este dolo é, pois, chamado de dolo normativo. - Espécies: xxxx - Elementos: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa, culpa ou dolo (consciência, vontade e consciência atual da ilicitude). Dolo normativo: adotado pelos neokantistas, adeptos da teoria psicológica-normativa da culpabilidade, o dolo normativo integra a culpabilidade como seu elemento, tendo como requisitos: a) consciência, b) vontade, c) atual consciência da ilicitude (elemento normativo). Consciência é saber o que faz; consciência da ilicitude é a ciência de que o que se faz contraria o ordenamento jurídico. Essa consciência deve ser valorada na esfera do profano (não como um jurista, e sim como um homem médio, leigo) – valoração paralela na esfera do profano. - Críticas: o dolo e a culpa não podem estar na culpabilidade, mas fora dela, para sofrerem a incidência do juízo de censurabilidade (só é possível censurar aquilo que está fora, portanto, a culpabilidade só pode censurar o dolo e a culpa se estiverem fora dela). 3) Teoria Normativa pura ou Teoria Extremada da Culpabilidade: tem base finalista. Ela migra o dolo e a culpa para o fato típico. Até então a culpabilidade era constituída de imputabilidade, de exigibilidade de conduta diversa, de culpa e de dolo (e o dolo era constituído de consciência, de vontade e de atual consciência da ilicitude). A partir dessa teoria, a imputabilidade e a exigibilidade de conduta diversa permanecem na culpabilidade, mas a culpa e o dolo migram para o fato típico, sendo que o dolo migra apenas com elementos naturais (consciência e vontade), e por isso é chamado de dolo natural. A atual consciência da ilicitude permanece na culpabilidade, mas modificada em potencial consciência da ilicitude. Dolo natural: adotados pelo finalistas, adeptos da Teoria normativa pura da culpabilidade, migra para o fato típico, tendo como requisitos apenas elementos naturais, quais sejam: consciência e vontade. A consciência da ilicitude deixa de pertencer ao dolo para integrar a própria culpabilidade, porém não mais como atual e sim potencial. - Elementos: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa e potencial consciência da ilicitude. - Críticas: esta teoria se equivoca ao equiparar a descriminante putativa sobre situação fática (art. 20, § 1°) a uma espécie de erro de proibição, pois seria, na verdade, erro de tipo. Essa crítica é feita pela teoria limitada. 4) Teoria Limitada da Culpabilidade: ela é igual à Teoria Extremada, com apenas uma diferença. Ela também tem base finalista, a culpabilidade é constituída também de culpabilidade, de exigibilidade de conduta diversa e de potencial consciência da ilicitude. A única diferença entre as duas é no tratamento de uma espécie de descriminante putativa sobre a situação de fato, que na Teoria Extremada é considerada como erro de proibição, enquanto que na Teoria Limitada ela é tratada como erro de tipo. Fora esta única diferença, elas são idênticas. - Elementos: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa e potencial consciência da ilicitude. OBS. art. 20, § 1° refere-se a erro de tipo. É a teoria que prevalece. O Brasil (Francisco de Assis Toledo) adotou a Teoria Limitada da Culpabilidade. → Elementos da Culpabilidade: A culpabilidade é do fato (objetiva) ou do agente (subjetiva)? Segundo LFG e Zaffaroni, a culpabilidade é objetiva, pressuposto de um direito penal do fato. Culpabilidade subjetiva é sinônimo de direito penal do autor.

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Direito Penal – LFG – Intensivo I
O prof. não concorda. A culpabilidade é subjetiva (seus elementos estão ligados ao agente do fato e não ao fato do agente). O direito penal permanece sendo do fato (incriminam-se condutas e não pessoas), mas a reprovação recai sobre a pessoa do fato. A culpabilidade é do agente, é subjetiva (e não objetiva), não tem nada a ver com direito penal do autor. O nosso direito penal é do fato, tanto o é que o tipo penal tem que versar sobre os fatos (o tipo penal não pode incriminar alguém pelo que ele é, e sim pelo que ele faz). São elementos da culpabilidade: a) Imputabilidade: → Conceito: É a capacidade de imputação, ou seja, a possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de uma infração penal. A imputabilidade é o conjunto de condições pessoais que confere ao sujeito ativo a capacidade de discernimento e compreensão, para entender seus atos e determinar-se conforme esse entendimento. O CP não dá um conceito positivo de imputabilidade (ou seja, o que é). Ele define imputabilidade a contrário senso, ou seja, ele diz exatamente o que não é imputável, dando um conceito negativo. No Direito Civil se fala em capacidade ou incapacidade para negócios jurídicos; no Direito Penal se fala em imputabilidade ou inimputabilidade. A imputabilidade no Direito Penal está para a capacidade no Direito Civil, assim como a inimputabilidade está para a incapacidade. Imputabilidade é sinônimo de responsabilidade? Não. A imputabilidade é pressuposto, a responsabilidade é conseqüência. Exemplo de imputável que não responde: os parlamentares, detentores de imunidade quanto as suas opiniões, palavras e votos (eles são absolutamente irresponsáveis). (29/04/09) → Sistemas de inimputabilidade: I) Sistema Biológico: leva em conta apenas o desenvolvimento mental do agente, isto é, doença mental ou idade, não importando se no momento da conduta tinha capacidade de entendimento e autodeterminação. Pelo sistema biológico, pois, todo louco é inimputável. II) Sistema Psicológico: é exatamente o oposto do anterior – o que interessa para aquele não interessa para este, e vice-versa. Este critério considera apenas se o agente, no momento da conduta tinha capacidade de discernimento e autodeterminação, independentemente da presença de eventual anomalia psíquica. III) Sistema Biopsicológico: considera inimputável o agente que, em razão de sua condição mental, era, ao tempo da conduta, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato (capacidade de entendimento) ou de determinar-se de acordo com esse entendimento (autodeterminação). Assim, nem todo louco é inimputável. É o sistema adotado, em regra, no Brasil (☺art. 26, caput, CP) – excepcionalmente adotamos o sistema biológico. → Hipóteses de inimputabilidade: 1- Inimputabilidade em razão de anomalia psíquica: Art. 26, CP: “É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado (SISTEMA BIOLÓGICO), era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento” (SISTEMA PSICOLÓGICO). 82

A imputabilidade deve ser analisada no momento da conduta. Este art. ☺art.☺art. motivo pelo qual parte da doutrina chama esse agente de imputável com responsabilidade penal diminuída). em que temos um imputável. 27 . Pergunta: a semi-imputabilidade do art. mas somente para ampliá-la. O critério para definir menoridade não é científico e muda de país para país. ao mesmo tempo que o juiz absolve.U. logo.U. 228. nesse caso. 2. P. e não postulados científicos.: a expressão “doença mental” merece uma interpretação extensiva – deve ser tomada em sua maior amplitude e abrangência. Atenção: Esta hipótese não pode ser confundida com aquela do P.atenuante (art. CR/88 pode ser alterado para reduzir a maioridade? Há duas correntes: uma primeira (LFG e a maioria) entende que trata-se de uma cláusula pétrea. A CR/88 repetiu a redação do CP. 4º. Obs. semi-responsabilidade é compatível com as agravantes e qualificadoras subjetivas. Eventual emancipação civil antecipa a menoridade penal? Não. por sua vez. 28. Paixão Se patológica. III. 26). P. O inimputável deve ser denunciado e processado. qualquer enfermidade que venha a debilitar as funções psíquicas do agente. “Desenvolvimento incompleto ou retardado”: aquele que ainda não concluiu ou atingiu a maturidade psíquica. pode ser equiparada a doença mental (art. essa perturbação mental interfere no estado anímico ou motivo do crime. isto é. não podendo ser alterado para restringir a menoridade. é compatível com circunstâncias agravantes ou qualificadoras subjetivas? Para a maioria da doutrina. §1º). não importando a condição do agente no momento do resultado . ao final. pois a perturbação mental não exclui o dolo. uma EC pode reduzir a menoridade. O preceito constitucional segue critérios de política criminal. Esse art. Por que foi escolhida pelo CP esta idade de 18 anos? O art. A doutrina chama esse responsável do P. esta pode ser considerada uma doença. III..Direito Penal – LFG – Intensivo I No Brasil.U. 27. adotou o critério biológico. 26. O direito penal trabalha com uma idade cronológica de 18 anos. A minoria entende que apesar de não eliminar o dolo. pouco importando se ele sabia ou não o que estava fazendo. 5º. 228. pode gerar uma atenuante (art.U.Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis.. 65. dependendo do grau de desequilíbrio causado pela paixão. imposição de sanção penal da espécie medida de segurança. 98 complementa o art. Denomina-se absolvição imprópria porque. 121. a redução da menoridade fere direitos e garantias fundamentais. devendo o juiz escolher entre uma diminuição na pena e uma substituição da pena por medida de segurança. c) ou privilégio (art. O art. mas com responsabilidade penal diminuída. Emoção Pode gerar: . CP. ele impõe uma sanção (medida de segurança). 26. assim. O CP/84 fixou a maioridade em 18 anos no art. 83 . não é caso de inimputabilidade. ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial (ECA). uma segunda corrente (Capez) não reconhece status de cláusula pétrea para este art. I CP: a emoção (estado súbito e passageiro) ou a paixão (sentimento crônico e duradouro) não excluem a imputabilidade.Inimputabilidade em razão da idade do agente: Art. OBS.5 da Convenção Americana de Direitos Humanos dá liberdade para cada estado signatário. de semi-imputável (denominação equivocada. tem também que ser incapaz de entender o caráter ilícito do fato. a emoção. se o agente já completou 18 anos ele é imputável. pois apesar de o fato praticado não ser crime (teoria tripartite) haverá.. o acusado (semi-imputável) é processado e condenado. não basta ser louco para ser inimputável. Mas atenção: segundo a Defensoria Pública. no art. sendo incompatível com as circunstâncias subjetivas. c). Portanto. por razões de política criminal. 65. trata-se de um critério de política criminal.

28. até o estado de paralisia e coma. isenta de pena (☺art. Embriaguez não acidental: (pode ser) Esta embriaguez também pode ser completa ou 1) Voluntária: ocorre quando o agente quer se incompleta. Conceito de embriaguez: é a intoxicação aguda e transitória causada pelo álcool (ou substância de efeitos análogos).U. ☺art. tomar gelatina de pinga sem saber. 84 . 2) Culposa: quando a pessoa não quer se embriagar. 2) Força maior: o agente é obrigado a ingerir a substância. Se doença mental. Teoria da Actio libera in causa: o ato transitório revestido de inconsciência decorre de ato antecedente que foi livre na vontade. como é uma agravante de pena. Embriaguez preordenada: é aquela em que o Também pode ser completa ou incompleta. imputabilidade. P. 61. 1) Completa: não há capacidade de entendimento e autodeterminação. 26. O uso indiscriminado dessa teoria pode gerar responsabilidade penal objetiva.Embriaguez ☺art. Não excluem a imputabilidade (☺art. 26. O agente se embriaga negligentemente. 28. será tratada de acordo com o art. l. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento” (CRITÉRIO PSICOLÓGICO). 2) Incompleta: não há inteira capacidade de entendimento e autodeterminação. II. proveniente de caso fortuito ou força maior (CRITÉRIO BIOLÓGICO). embriagar. §1º. na seguinte hipótese: motorista completamente embriagado atropela e mata um pedestre.Direito Penal – LFG – Intensivo I . art. 28. cujos efeitos podem progredir de uma ligeira excitação inicial. caput. Este agente se embriaga para praticar o crime. Adotou o critério biopsicológico.diminuição de pena (ex. transferindo-se para esse momento anterior a constatação da imputabilidade. por embriaguez completa. ☺ as seguintes 5 situações. § 1°). ao tempo da ação ou da omissão. II). mas acaba se embriagando (porque exagera na dose). 121. Grau: Esta embriaguez. Análise da embriaguez. É caso de inimputabilidade. Acarreta uma diminuição de pena (art. 3. equipara-se a Também pode ser completa ou incompleta. §2º).critério biopsicológico). era. Só é possível punir a embriaguez não acidental completa e a embriaguez preordenada completa devido à teoria da actio libera in causa. 28. de acordo com sua origem e seu grau: Origem: Embriaguez acidental: (proveniente de) 1) Caso fortuito: o agente desconhece o caráter inebriante da substância que ingere. Se incompleta. A tipo de embriaguez não só não exclui a embriaguez é meio para a prática do crime. completa. será analisada de acordo com art. CP: “É isento de pena o agente que. quanto ao grau pode ser completa ou incompleta. Ex. Embriaguez patológica: é doentia. §1º .

Nenhuma dessas 4 primeiras situações traz a responsabilidade penal objetiva. um querer. c) cronológico (ao tempo da ação ou omissão). 21. Art. 3 . acreditou poder evitá-lo. atropela e aqui então uma vontade. 2 . atropela e assumiu o risco de produzi-lo. Analisando-se o momento em previsível. ou ser menor de 18 anos ou padecer de embriaguez completa. não previa o resultado Depois.O agente bebia e previa o resultado. completamente embriagado.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ato antecedente livre na vontade: Ato transitório revestido de inconsciência (ingestão da bebida) (atropelamento) 1 . Para a embriaguez isentar o agente de culpabilidade é imprescindível a presença dos 4 requisitos: a) causal (proveniente de caso fortuito ou força maior). atropela e atropelamento. 21. Analisando-se o momento em que ele era livre na vontade.O agente bebia com vontade para comemorar Depois. existia Depois. b) quantitativo (completa). A análise do fato sob a teoria da actio libera in causa traz a responsabilidade penal objetiva (o mendigo teria sido atropelado de qualquer forma. trazendo a hipótese em que esta elementar desaparece. d) consequencial (inteira incapacidade intelectiva ou volitiva). mata uma pessoa. poderá diminuí-la de um sexto a um terço. atropela e negligentemente. CP . ou seja. o erro sobre a ilicitude do fato. mas. completamente embriagado. se evitável. 4 .O agente bebia e previa o atropelamento. Mas. sendo indispensável a potencial consciência da ilicitude (possibilidade de conhecer que o fato contraria o direito). traz uma hipótese de exclusão desta. se inevitável isenta o réu de pena. Agiu negligentemente. OBS.O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato. Somente quando presentes os 4 requisitos é que a embriaguez exclui a imputabilidade. O CP trata da PCI no seu art. de madrugada. não basta ser imputável. completamente embriagado. Para que seja inimputável. e por isso é refutada pela doutrina moderna. Índio: Não existe exclusão da imputabilidade pelo simples fato de uma pessoa ser um índio. Analisando-se o momento em que ele era livre na vontade. Não era uma situação previsível. b) Potencial consciência da ilicitude: Para que o agente seja culpável. mata uma pessoa. mata uma pessoa. e se evitável poderá diminuir de 1/6 a 1/3 a pena. Depois. completamente embriagado. o índio deve ter alguma anomalia psíquica. conclui-se que o agente vai responder a título de dolo eventual. Atenção: o simples desconhecimento da lei é inescusável. atropela e alguma coisa e não previa o resultado mata um mendigo que estava dormindo na atropelamento. conclui-se que o agente vai responder a título de culpa inconsciente. que ele era livre na vontade. ainda que o agente não estivesse embriagado). porém. isenta de pena. rodovia.Enquanto bebia o agente previu o resultado e Depois. conclui-se que o agente vai responder a título de culpa consciente. se inevitável. Analisando-se o momento em que ele era livre na vontade. completamente embriagado. a 5ª situação traz: 5 . porém este resultado era-lhe mata uma pessoa.O agente bebia. 85 . conclui-se que o agente vai responder a título de dolo direto.

se evitável. Erro de Proibição . . 21. Exclui apenas o dolo. ou seja.Direito Penal – LFG – Intensivo I Situações e suas conseqüências: 1ª) o agente desconhece a lei. Para distinguir se o erro é evitável ou inevitável. vontade e atual consciência da ilicitude).Evitável: exclui consciência atual. a o a a Pergunta: Qual é a conseqüência da consciência da ilicitude deixar de ser atual (Teoria psicológica-normativa) para ser potencial (Teoria normativa pura)? Teoria Psicológico-normativa A culpabilidade é constituída de imputabilidade. mas pode gerar atenuante de pena (☺art. 2ª) o agente conhece a lei. culpa e dolo (e este era constituído de consciência. porém não tem potencial consciência da ilicitude do seu comportamento. possibilidade de conhecer a proibição do fato. 21. marido acredita que está no seu direito manter conjunção carnal com sua mulher. b) evitável: era previsível.Inevitável: exclui consciência atual ou potencial da ilicitude. CP). Atenção: → Diferenças entre Erro de tipo e Erro de proibição: Erro de Tipo . Erro de proibição: (só exclui a culpabilidade no erro inevitável. nem sempre quem conhece a lei conhece a ilicitude. porém tem potencial consciência da ilicitude. II. A doutrina moderna analisa as circunstâncias do caso concreto. Não há erro de proibição. e. dado por LFG: fabricar açúcar em casa é crime (Dec-lei 16/66) → é caso típico de erro de proibição (☺art. assim. por isso só exclui a atual consciência da ilicitude. mas pune forma culposa. . . 86 . só diminui a pena (não exclui a culpabilidade). CP). isenta de pena. isto é. b) evitável.Inevitável: exclui consciência atual ou potencial da ilicitude.O erro de tipo essencial (que sempre exclui consciência – ou seja. pois o erro evitável não exclui potencial consciência).O agente não sabe o que faz. . Teoria Normativa-pura A culpabilidade é constituída de imputabilidade. em qualquer caso exclui dolo) se divide em: a) inevitável: e neste caso ele exclui previsibilidade. sem seu consentimento. exigibilidade de conduta diversa.O erro de proibição também pode ser: a) inevitável: exclui a atual e a potencial consciência da ilicitude (exclui a culpabilidade – isenta o agente de pena). Erro de proibição: (todo erro de proibição exclui a culpabilidade – há consciência atual em ambas as hipóteses) .Evitável: exclui consciência atual. Exclui dolo e culpa. assim. mas desconhece ser ilícito. se não era possível conhecer a ilicitude → erro de proibição (art. Assim. não lhe era possível conhecer a proibição – ex. Se inevitável. CP). concluindo. exigibilidade de conduta diversa e da potencial consciência da ilicitude. Ex. se prevista em lei. diminui a pena. . 3ª) o agente desconhece a lei e não tem potencial consciência da ilicitude do seu comportamento. e nem sempre quem não conhece a lei desconhece a ilicitude.O agente sabe o que faz. 65. utilizava-se a análise do homem médio.

. e o subordinado também. O subordinado não é culpável nos estritos limites do cumprimento da ordem. 22 (a conseqüência também está nesse artigo). tem duas excludentes. tivesse o agente possibilidade de realizar outra conduta. na condição de autor mediato. ou de um grupo.: se a coação moral for resistível. de superior hierárquico. ??? c) Exigibilidade de conduta diversa: Não é suficiente que o sujeito seja imputável e tenha cometido o fato com possibilidade de lhe conhecer o caráter ilícito para que surja a reprovação social (culpabilidade). b. . na condição de autor imediato (art. 22: “Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem. ao se contentar com a potencial consciência. a coação irresistível há que partir de uma pessoa. I. pois no evitável a potencial consciência persiste.que seja oriunda de superior hierárquico: ordem de superior hierárquico é a manifestação de vontade do titular de uma função pública a um funcionário que lhe é subordinado. O coator responde por quais crimes? Responde pelo crime como autor mediato + tortura.deve ser irresistível: aquela em que o coato não tinha alternativa a não ser sucumbir a ela (ou seja. não importando se evitável ou inevitável. 22. Erro de proibição indireto: é o erro de proibição oriundo de uma descriminante putativa. Conseqüência: só é punível o autor da ordem. Situações: 1ª) ordem ilegal: o superior hierárquico pratica crime. prevendo como elementar indireta da culpabilidade a consciência atual da ilicitude. A ECD. não é necessário que o mal prometido pelo coator se dirija contra o coato. Requisitos: . homem traído em uma cidade pequena sente-se coagido pela sociedade). poderá configurar apenas uma atenuante de pena (☺art. Obs. A doutrina não trabalha sobre esse entendimento. A sociedade não pode delinqüir. eclesiástica (bispo e sacerdote) e privada (diretor e gerente de empresa). CP.que a ordem não seja manifestamente (claramente) ilegal. c.Direito Penal – LFG – Intensivo I Assim: A Teoria psicológico-normativa. Requisitos: . CP. é de sucumbência inevitável).deve haver uma coação moral: promessa de realizar um mal injusto e grave. não manifestamente ilegal. Já a Teoria normativapura. 65. 22. III.455/97). ai está também o direito. acaba por isentar o agente de pena no simples erro de proibição. pois. onde ela existe. ou seja. pois. no CP. 69. de acordo com o ordenamento jurídico. Obs. elas: I) Coação irresistível: Previsão legal: art. ☺art. 1°. lei 9. CP). nunca da sociedade. pois ambos excluem a atual consciência. Além dos dois primeiros elementos exige-se que nas circunstâncias de fato. CP) ???. temos duas hipóteses de inexigibilidade de conduta diversa. somente isenta o agente de pena quando o erro de proibição for inevitável. Não abrange a superioridade doméstica (pai e filho). Pergunta: é possível alegar coação irresistível da sociedade? (Ex. Conseqüências: só será punível o autor da coação (autor mediato). Entende que responde por constrangimento ilegal (art. Pode se dirigir contra pessoas ligadas ao coato. Observações: a coação física exclui conduta (tipicidade). e ambas estão no art. II) Obediência hierárquica: Previsão legal: art. Assim. 87 . São. 1ª parte. só é punível o autor da ação ou da ordem”. 2ª parte.

mais inovador do que destruidor. legítima defesa futura e certa. Ex. Tem como requisitos: a) desobediência fundada na proteção de direitos fundamentais. praticar algum delito. sendo. estará isento de pena aquele que. 1ª parte). 2ª parte).doença mental (art.: pai que não permite a transfusão de sangue no filho testemunha de Jeová). É possível causa supra legal de exclusão da culpabilidade. São. e a necessidade da pena. 88 . pois.erro de proibição inevitável (art. b) dano causado pela desobediência não deve ser relevante.coação moral irresistível (art. 3ª) ordem não claramente ilegal: o superior hierárquico pratica crime. O caso concreto pode gerar outras hipóteses não previstas em lei. 26. → Culpabilidade Funcional: é a culpabilidade para Roxin. caput). pela exigibilidade de conduta diversa – esta é uma válvula de escape para outras hipóteses de exclusão das dirimentes da culpabilidade. Este rol é taxativo. Este rol não é taxativo.embriaguez acidental e completa (art. .menoridade (art. Não há como o legislador prever todas as hipóteses de inexigibilidade de conduta diversa. ilícito e reprovável. abortamento do feto anencefáleco para a gestante. Resumindo: Culpabilidade – dirimentes: 1) Imputabilidade: . hipóteses exemplificativas. 27). o subordinado é não culpável (era inexigível comportamento diverso). 2) Potencial consciência da ilicitude: . Assim: Por mais previdente que seja o legislador. § 1°). 22. 22. 3) Exigibilidade de conduta diversa: . → *Desobediência civil: a desobediência civil é um fato que objetiva. a potencial consciência da ilicitude. . invasões de movimento sem terra: para ser não culpável não pode causar dano relevante. no final das contas. (em última instância). a exigibilidade de conduta diversa. Para Roxin. e o subordinado estão ambos no estrito cumprimento de um dever legal (não respondem pro nada). A Culpabilidade (funcional) não atua como elemento da reprovabilidade. → Cláusula de consciência: nos termos da cláusula de consciência. por motivo de consciência ou crença. mudar o ordenamento. Aqui termina o estudo das dirimentes. A reprovabilidade tem como elementos: a imputabilidade. 28. Ex. desde que não fira direitos fundamentais individuais (ex. .Direito Penal – LFG – Intensivo I 2ª) ordem legal: o superior hierárquico. É a única hipótese e é taxativa. ela sim pressupõe a reprovabilidade e atua como limite da pena. crime é um fato típico.obediência hierárquica (art. não pode prever todos os casos em que a inexigibilidade de outra conduta deve excluir a culpabilidade. 21).

se precede à sentença irrecorrível. Este é o conceito dado por Frederico Marques. a reparação do dano. na lei de crimes ambientais e na legislação tributária também há casos. 3) Legislação especial: ex. 107. O rol do art. O direito de punir é limitado. . 107 2) CP – parte especial: art. A punibilidade não é substrato do crime.099/95 (transação penal e suspensão condicional do processo). extingue a punibilidade. .Direito Penal – LFG – Intensivo I (13/05/09) PUNIBILIDADE: Os substratos do crime são: fato típico. já que é o direito de punir do Estado. 4) CR/88: Apesar de minoritária. → Causas de extinção da punibilidade: 1) CP – parte geral: art. Crime . 76 e art. portanto. 5) Causa supralegal: ex. legítima defesa futura e certa. 554. não é absoluto. CRIME Fato Típico Ilícito Culpável Punível  Punibilidade é o direito que tem o Estado de aplicar a pena cominada no preceito secundário da norma penal incriminadora. O direito de punir. causando dano ou lesão jurídica. CP) 3) limite modal: Princípio da Humanidade ou da Humanização das penas (são proibidas as penas cruéis. seria aplicado o arrependimento posterior. desumanas e degradantes). As hipóteses de extinção da punibilidade estão no art. abortamento do feto anencefálico para a mãe). mas sim sua conseqüência jurídica. 5º. 312. Se não houvesse a súmula. STF: “O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos. contra quem praticou a conduta descrita no preceito primário. se lhe é posterior. CP. desobediência civil. encontra limites: 1) limite temporal: prescrição 2) limite espacial: Princípio da Territorialidade (art.: art. A punibilidade não é um substrato do crime. após o recebimento da denúncia. haveria mera diminuição de pena. pois. e pode ser extinto.causas de extinção supralegal: . a reparação do dano antes da sentença definitiva extingue a punibilidade): “No caso do parágrafo anterior. da Lei 9.: ☺súm. não obsta ao prosseguimento da ação penal” – é uma causa de extinção trazida pela jurisprudência. é uma conseqüência do crime. há corrente lecionando que a imunidade parlamentar absoluta é causa de extinção da punibilidade (mas atenção: para o STF é causa de atipicidade – e esta é uma mostra de que o STF está adotando a tipicidade conglobante).Ilicitude: consentimento do ofendido. 89 .Culpabilidade: inexigibilidade de conduta diversa (ex. §3º (no peculato culposo.FT: princípio da insignificância (exclui a tipicidade material – relevância da lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado). 89. reduz de metade a pena imposta”. 107 é meramente exemplificativo. ilicitude e culpabilidade.

não há sentido a sua reabilitação. graça ou indulto: Anistia. graça e indulto são espécies de renúncia estatal ao direito de punir. CP. CP: I) Pela morte do agente: Pela expressão “agente” entende-se indiciado. só resta ao MP perseguir a pena da falsidade material. CPP) – só se prova pela certidão original de óbito. 236. CP: “Contrair casamento. Em caso de morte presumida (por tempo de ausência ou de provável morte). A reabilitação. é uma causa personalíssima de extinção da punibilidade (não se estende aos co-autores ou partícipes). Vejamos cada um desses institutos: → Anistia: 90 . réu.1ª corrente: havendo trânsito em julgado e sendo vedada a revisão criminal em favor da sociedade. Os efeitos civis permanecem. .Direito Penal – LFG – Intensivo I → Hipóteses do art. passa a ser considerada também um ato judicial inexistente. O crime que teve a punibilidade extinta não pode ser exumado. apenas os efeitos penais). A doutrina clássica não admite. Considerando que a sentença se baseou em fato inexistente (objeto de certidão falsa). II) Pela anistia. A morte da vítima extingue a punibilidade do agente nas ações penais privadas personalíssimas (o único caso de crime de ação penal personalíssima é do art. como também reiniciar o processo antes extinto pelo art. A morte do agente extingue a punibilidade eliminando todos os efeitos penais de uma eventual condenação. recorrente ou recorrido e o reeducando. por óbvio. A condenação conserva a qualidade de título executivo judicial. A prova da morte é caso de prova tarifária ou rígida. CR: “nenhuma pena passará da pessoa do condenado”).A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que. só a titularidade do direito de ação). 107.Conseqüências: . A morte do agente não impede revisão criminal (uma vez que não extingue todos os efeitos. 62. induzindo em erro essencial o outro contraente. XLV. Esta corrente é defendida por Mirabete e Pachelli. Mas na doutrina prevalece a 1ª corrente. É perfeitamente possível haver anistia. anule o casamento”). No STF prevalece a 2ª corrente. Certidão de óbito falsa . ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior. não é possível: se o condenado já morreu. A morte extingue a punibilidade do agente a qualquer tempo – eis um desdobramento do Princípio da Personalidade ou Pessoalidade da Pena (☺art. Parágrafo único . a doutrina moderna vem admitindo como prova hábil para extinguir a punibilidade a sentença que reconhece a morte presumida (ex. por motivo de erro ou impedimento. 107.: LFG). Pode o MP não somente perseguir a pena da falsidade documental. A morte. sendo uma exceção ao Princípio da Liberdade de Provas (☺art. 5º.2ª corrente: certidão falsa – fato inexistente – sentença inexistente – os efeitos de sentença inexistente não sofrem qualidade de coisa julgada material. não sofrendo os seus efeitos a qualidade da coisa julgada material. por sua vez. graça ou indulto em crime de ação penal de iniciativa privada (o Estado não transfere o direito de punir.

esquece um fato criminoso. STF – essa execução provisória exige. a) irrestrita. b) condicionada. os institutos pressupõem condenação. quando concedida antes da condenação. b) especial. Como vimos. E a graça e o indulto. concedidos ou delegados pelo Presidente da República. através da qual o Estado. A anistia apaga apenas os efeitos penais. 84. São institutos extintivos da punibilidade. etc. ela trabalha casos concretos. Uma vez concedida. hoje. a chamada lei penal anômala. mas continua a condenação servindo para reincidência. ☺Súm. porque a lei posterior revogadora prejudicaria os anistiados. quando concedida após a condenação. primariedade). servindo como título executivo. não pode a anistia ser revogada. 2°. encampada pela jurisprudência. Ou seja. já que a anistia esquece um fato. Porém. Súm. É concedida através de ato legislativo federal. o condenado só não cumpre o restante da pena. quando versa sobre crime político. A graça e o indulto pressupõem condenação definitiva. Atingem somente os efeitos executórios penais da condenação. CR). já na abolitio criminis ocorre a supressão do tipo penal. com a graça ou com o indulto. etc. violando o princípio constitucional de que a lei não pode retroagir para prejudicar o acusado. reparação do dano). lei penal devidamente discutida no Congresso e sancionada pelo Executivo. LEP. 716. de acordo com doutrina moderna. quando a lei não impõe condição para a sua concessão. a) comum. quando a lei impõe condição/requisitos para a sua concessão (ex. preservando o tipo penal (não se trata de supressão da figura criminosa). Isso quer dizer que o preso condenado provisoriamente tem direito à graça ou ao indulto. podem ser concedidos antes da condenação? Não. a condenação e seus efeitos secundários (penais ou civis). em razão de clemência. PU. quando não exige condição pessoal do beneficiado (atinge a todos indistintamente).. ainda que esta seja provisória. → Graça e Indulto: A doutrina costuma conceituar graça e indulto conjuntamente. o trânsito em julgado para o Ministério Público? Ou mesmo que o Ministério Público ainda esteja recorrendo cabe graça e indulto? O MP recorreu contra a pena. subsistindo o crime. são espécies de renúncia estatal ao direito de punir. pode o recorrido fazer jus ao indulto? Ou o recorrido só pode ser agraciado se o recurso for apenas dele? 91 . O instrumento de anistia é a lei (e não o decreto. analisa casos abstratos. política. que é o instrumento da graça e do indulto). os efeitos civis permanecem. quando exige condição pessoal do beneficiado (ex. *Classificação doutrinária de anistia: a) própria. ou seja. 716. antes do trânsito em julgado da sentença condenatória” e o art. via decreto presidencial (☺art. b) imprópria. Esta lei é uma lei penal.Direito Penal – LFG – Intensivo I É espécie de renúncia estatal ao direito de punir. incide sobre o tipo (recai sobre a lei). pois o tronco dos dois institutos é o mesmo. pelo menos. Anistia se difere de abolitio criminis. social. incide sobre o fato. A anistia pode ser concedida antes (própria) ou depois (imprópria) da condenação. apagando seus efeitos penais. XII. Conceito comum: são benefícios que extinguem a punibilidade. pressupondo sentença condenatória. a) incondicionada. b) restrita. quando versa sobre crime comum. gerando maus antecedentes. STF: “Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a aplicação imediata de regime menos severo nela determinada.

92 . XLIII. a) Incondicionados: quando não impõem condições. §6º da lei. então todos os crimes hediondos equiparados devem fazer jus ao indulto. É a única diferença entre os dois institutos.É o benefício individual e depende de provocação do interessado. entende que a proibição é constitucional. abrange o indulto. 5º. pois a Constituição traz vedações máximas taxativas. b) 2ª corrente. Observações: ☺art. o legislador ordinário não poderá estender ao indulto. b) 2ª Corrente (STF): não revogou. se o recurso do MP não tiver efeito suspensivo. a reparação de dano. 5º diz que a lei definirá. pois a lei de tortura é especial. No mais.Direito Penal – LFG – Intensivo I ☺Resolução nº 19 do CNJ. Não poderia o legislador ordinário suplantá-las. O legislador não pode criar outras hipóteses. CR: “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura . o terrorismo e os definidos como crimes hediondos. devendo ser prontamente remetida ao Juízo da Execução Criminal”. b) Parciais: provocam diminuição ou substituição/comutação da pena. O principal argumento é o seguinte: quando proíbe a graça. Classificação doutrinária da graça e do indulto: a) Plenos: quando extinguem totalmente a pena. o legislador ordinário não poderá estender ao indulto.072/90. diferenciando-se do indulto coletivo. no seu art. O que causou essa omissão? Vejamos os entendimentos: a) 1ª Corrente (LFG e Alberto Silva Franco): se permite indulto é porque revogou implicitamente a proibição da lei 8. Isso é constitucional ou inconstitucional? a) 1ª corrente (LFG e Alberto Silva Franco): entende que é inconstitucional. Isso está no art. os executores e os que. ressalvada a hipótese de possibilidade de interposição de recurso com efeito suspensivo por parte do Ministério Público. a CR proíbe graça e anistia. pois. dizendo que o crime de tortura é insuscetível de anistia e graça. veio a lei 9. 1º. A graça é chamada de Indulto Individual. Ela trabalha com o Princípio da Especialidade. Portanto. O que a lei 8. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. O benefício para a tortura não se estende aos demais crimes hediondos ou equiparados. . etc.Onde estão as hipóteses de imprescritibilidade? Na Constituição da República. que é a do STF.072/90. Essa primeira corrente tem os argumentos bastante sedutores. por eles respondendo os mandantes.455/97. O art. A lei de tortura não vedou o indulto. É a única diferença entre os dois institutos. a primariedade do agente. trazendo a Constituição vedações mínimas. Cabe. art.É o benefício coletivo e independe de provocação do interessado. Indulto . b) Condicionados: quando impõem condições como. Quando tudo parecia resolvido. se omitirem”. a execução provisória.Onde estão as hipóteses de prisão civil no Brasil? Na Constituição da República. O legislador ordinário não poderá criar outras hipóteses. Diferenças entre graça e indulto: Graça .072/90 fez? Ela prevê o indulto. graça e indulto. Como permite indulto para tortura. Portanto. deu uma carta branca ao legislador constituinte. 2º. A lei 8. por exemplo. a saber: . diz que os crimes hediondos são insuscetíveis de anistia. podendo evitá-los. sob pena de ferir o Princípio da Isonomia. 1º: “A guia de recolhimento provisório será expedida quando da prolação da sentença ou acórdão condenatório. Portanto.

IV) Pela prescrição. P. que. diz que os crimes são insuscetíveis de anistia. demonstrando. O prazo a ser aplicado é o da regra geral de 6 meses. Na 2ª hipótese. não se interrompe e não se prorroga. CP (conta o dia do início). graça e indulto. decadência ou perempção: . a inércia do seu titular. Isso não compete ao Presidente da República. ocorre decadência sem extinção da punibilidade. do dia em que se esgota o prazo para oferecimento da denúncia”. O prazo decadencial é. Não é o que prevalece. contado do dia em que veio a saber quem é o autor do crime. CPP e art.O prazo de decadência de 3 meses da lei de imprensa não é mais aplicado (o STF declarou que esta lei não foi recepcionada pela CR/88). devemos nos lembrar da Lei de Drogas (Lei 11. é possível graça e indulto para medidas de segurança.10. Mas não há mais esse prazo. portanto.Direito Penal – LFG – Intensivo I Por fim. o ofendido decai do direito de queixa ou de representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses. 38. Não existe decadência na requisição do Ministro da Justiça. o indulto parcial (é aquele que permite a substituição de internação por tratamento ambulatorial). por conseguinte. Privada A. apesar de incomum. no caso do § 3º do art. em seu art. Pública Condicionada e A. CP: “Salvo disposição expressa em contrário. P. 103 prevê apenas queixa ou representação). Prevalece que a medida de segurança é ordenada por perícia médica. III) Pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso: (Abolitio criminis). Este tema foi estudado no início do curso. . Termo inicial do prazo decadencial: A. é contado conforme o art. LFG diz que. e a lei de tortura foi fiel à redação constitucional. Previsão legal: art.DECADÊNCIA: Conceito: é a perda do direito de ação pela consumação do termo prefixado pela lei para o oferecimento da queixa (nas ações penais privadas) ou representação (nas ações penais públicas condicionadas).343). É possível graça e indulto para medida de segurança? Tem doutrina admitindo. 44. 100 deste Código. não há suspensão do prazo decadencial. 6 meses. mas ao órgão técnico. Esse prazo não se suspende. o seu direito de punir (perda reflexa). em regra. *Questão de concurso: na 1ª hipótese. já que o crime não existe mais. a decadência na lei de imprensa era passível de suspensão (o direito de resposta suspendia o prazo decadencial). Principalmente. 93 . ou. pois o MP continua legitimado (continua titular da ação). pois não há previsão legal (o art. Extinto o direito de ação. 103. Esse prazo decadencial é um prazo penal. P. Como essa lei não foi recepcionada. Privada Subsidiária Queixa ou representação: dia em que se conhece a Queixa subsidiária: dia em que se esgota o prazo autoria para o oferecimento da denúncia. se decorrer o prazo de 6 meses ocorre decadência extinguindo a punibilidade. claramente. OBS.O crime de adultério tinha o prazo de decadência de 1 mês. A lei de drogas foi fiel à redação da lei dos crimes hediondos. perde o estado. Mas há exceções (“Salvo disposição expressa em contrário”): .

ocorre a perempção. CPP. Não se aplica à ação penal privada subsidiária da pública (não extingue a punibilidade). 3) Ocorrida a perempção. 36: CADI. O que importa é que a interposição do recurso seja tempestiva. Previsão legal: art. CR. iniciada esta. pois gerou perempção. XLII. 5) Querelante ingressou com queixa-crime. não comparecer em juízo. O juiz abre vista para apresentar as razões. o querelante comum requer condenação: o juiz pode absolver ou condenar. sendo o querelante pessoa jurídica. Em razão da improcedência. Temos 2 exceções: 1. O juiz abriu vista para apresentação de contra-razões.quando. Racismo – ☺art. que foi julgada improcedente. ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais: não se considera ato de comparecimento obrigatório à audiência de conciliação. a qualquer ato do processo a que deva estar presente. O querelado (réu) recorreu. MP requer a absolvição: o juiz pode absolver ou condenar. pois o MP reassume. Por mais grave que seja o crime.quando. a perempção para um não afeta o direito do outro.PEREMPÇÃO: É uma sanção processual imposta ao querelante inerte ou negligente. ??? 4) *Querelante ingressou com queixa-crime. As razões foram apresentadas intempestivamente. ele prescreve. MP requer a condenação: juiz pode absolver ou condenar. Neste caso. 60. o processo não pode ser reiniciado (pois houve extinção da punibilidade). sem motivo justificado. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático – ☺art. Se o querelante pedir implicitamente a condenação não há perempção (só há perempção quando o querelante requer a absolvição).PRESCRIÇÃO: Conceito: É a perda do direito do Estado punir ou executar a punição já imposta em face do decurso do tempo. O querelante não apresentou contrarazões. II . 94 .Direito Penal – LFG – Intensivo I . Ação de grupos armados. . e 2. CR. Ação penal indireta: é o fenômeno em que o querelante subsidiário se queda inerte e o MP retoma o processo.quando. Prescrição tem a ver com pretensão. 60. ou sobrevindo sua incapacidade. dentro do prazo de 60 (sessenta) dias. para prosseguir no processo. civis ou militares. As razões intempestivas configuram mera irregularidade. III . o querelante interpôs recurso tempestivamente.quando o querelante deixar de comparecer. 2) Na hipótese de dois querelantes. que foi julgada procedente. falecendo o querelante. A jurisprudência entende que contra-razões é uma peça obrigatória. ressalvado o disposto no art. Hipóteses de perempção (art. esta se extinguir sem deixar sucessor: Questões de concurso: 1) Crimes conexos de ação privada: é possível a perempção de um e não de outro? Havendo crimes conexos pode ocorrer a perempção de um e o prosseguimento em relação ao outro. qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo. É um desdobramento lógico do princípio da disponibilidade da ação penal privada. Se o querelante não comparece significa apenas que não quer fazer acordo. o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos: prevalece que a perempção não depende de prévia advertência. CPP): I . querelante comum requer absolvição: o juiz não pode condenar. IV . 5º. 5º. em regra. XLIV. implicando a extinção da punibilidade. Neste caso não há perempção. É a perda da pretensão punitiva ou da pretensão executória em razão do recurso do tempo.

se perde a finalidade preventiva da pena. 95 . 140. extinguem todos os efeitos (civis e penais) de eventual condenação provisória. etc.716/89) O agente segrega a vítima do convívio social Imprescritível Inafiançável A. Atenção: se tiver causa de aumento variável (ex: 1/3 a 2/3). 1ª corrente: considerando que a CF/88 rotulou a tortura como um delito prescritível. O instituto da prescrição está fundamentado em quê? Damásio traz 13 fundamentos (Ex: o decurso do tempo faz punir uma pessoa psicologicamente. Não bastasse isso.P. CP) O agente atribui qualidade negativa Prescritível Afiançável A. pode ocorrer a perda da finalidade preventiva da pena. Para encontrar a pena máxima em abstrato. deve prevalecer a CF/88. 109. tem status supralegal. ou seja. Pública Incondicionada O crime de tortura prescreve? CF/88 diz que a tortura é prescritível.P. Antes de analisarmos cada uma das suas espécies. Se enfraquece a prova. Pelo próprio conceito de prescrição. 1/3. não do Estado. 2ª corrente: considerando que no conflito entre a CF/88 e os tratados de direitos humanos deve prevalecer a norma que melhor atende os direitos do homem (princípio pro homine). é necessário trabalhar com a que menos diminui. 3ª corrente: a imprescritibilidade trazida pelo tratado é incompatível com o direito penal moderno e com o estado democrático de direito. ou seja. O Tratado de Roma (de direitos humanos) foi aprovado no Brasil com quorum comum. CP. não há interesse de punir. não há interesse de punir. já se percebe que há duas hipóteses. O Tratado de Roma (que instituiu o T. O STJ (sob a ótica civil) acolhe a 2ª corrente. Vamos sintetizá-los. e só é possível se ampliar as garantias do homem. Essa discussão é recente. É importante distinguir os crimes de injúria qualificada pelo preconceito e o racismo: Injúria Qualificada pelo preconceito ou racismo impróprio (art. E se tiver causa de diminuição variável (ex: 1/3 a 2/3). Deve-se trabalhar com a “Teoria da Pior das Hipóteses” (deve-se encontrar sempre a maior pena). O Estado diz que depende da gravidade do crime praticado.P.): diz que os crimes do TPI são imprescritíveis (inclui a tortura). 2/3.I. etc. Ele irá analisar a pena máxima em abstrato prevista para o crime. deve considerar causas de aumento e de diminuição de pena? Sim. Privada Racismo (lei 7.Direito Penal – LFG – Intensivo I O legislador ordinário não poderá criar outras exceções. Essa prescrição tem 04 subespécies: a) Prescrição da pretensão punitiva em Abstrato: ☺art. nem Emenda Constitucional o pode.). prevalece a norma do tratado que torna a tortura delito imprescritível. é preciso saber porque existe a prescrição. portanto tem status supralegal. documento que torna a tortura imprescritível. O fundamento básico da prescrição pode assim ser resumido: o tempo faz desaparecer o interesse social de punir. é necessário trabalhar com a que mais aumenta. a saber: Prescrição da pretensão punitiva: Ocorre antes do trânsito em julgado da condenação para ambas as partes. Gilmar Mendes já deu a entender que adota a 1ª corrente. considerando que o Tratado de Roma. Por que existe esse artigo? O Estado deve dizer para nós até quando perdura o seu direito de punir. Criar outras hipóteses de imprescritibilidade é ampliar o direito de punir do Estado.

. Exceção: a atenuante da menoridade e da senilidade reduz o prazo prescricional pela metade – ☺art. Efeitos da prescrição da pretensão punitiva em abstrato: . CP) 96 . CP): Os incisos V e VI interrompem a prescrição da pretensão executória. A falsificação de documentos só foi revelada com o fato. há balizas prescricionais. 111 c/c art. 111. III . III . não é seguro considerar agravante ou atenuante antes de o juiz se manifestar. que traz uma regra e 3 exceções): I . III. maior de 70 (setenta) anos”. CP. 111. a prescrição não corre. a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um. Numa extorsão mediante seqüestro.nos crimes permanentes. Se o juiz condenar A e absolver B. menor de 21 (vinte e um) anos.pelo recebimento da denúncia ou da queixa. ou. CP: “São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era. É necessário analisar duas espécies de balizas prescricionais: 1. do dia em que cessou a atividade criminosa: do último ato executório. a prescrição não corre.pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis”. crime de seqüestro. não se operando qualquer efeito de eventual condenação.no caso de tentativa. Não tem valor definido em lei. II . inviabilizando qualquer análise do mérito. ficando a critério do juiz. exclui-se o dia do fim). O primeiro ato ocorreu em dezembro de 2006. Ex: casa de prostituição. Esse crime só se consuma com reiteração de ato. Hipóteses de interrupção da prescrição (art. Marco Aurélio ficou vencido.Eventual sentença condenatória provisória é rescindida. ao tempo do crime. 115. Obs. IV. 397. de acordo com o art. permite inclusive o julgamento antecipado da lide – absolvição sumária. O Min. Por isso. A reincidência aumenta o prazo da prescrição executória. inclusive para B que foi absolvido.Direito Penal – LFG – Intensivo I Exceção: Não se considera aumento oriundo de concurso de crimes – ☺art. ela pôde ser condenada por tudo. O STF equiparou crime habitual a crime permanente. Logo. No caso de concurso de crimes. já se tem o crime. Irá interromper para todos os autores. Procedimento diverso do Júri: há 03 balizas prescricionais: I – Data do fato (☺art. . a prescrição é interrompida. CP. do dia em que cessou a permanência: Crime permanente enquanto não cessar a permanência. 119. da data em que o fato se tornou conhecido.Desaparece para o Estado o seu direito de punir. Termo inicial da prescrição (art. Essa casa continuou servindo para esses atos até dezembro de 2008. O Min. isoladamente”. IV . Enquanto ela manteve o Pedrinho com ela. mesmo que o resgate já tenha sido pago. 117. enquanto a vítima não for libertada. O prazo é penal (computa-se o dia do início.do dia em que o crime se consumou: esta é a regra. a prescrição não corre.pela pronúncia. deve considerar a agravante e a atenuante de pena? Uma agravante tem aumento determinado por lei ou fica a critério do juiz? Fica a critério do juiz. na data da sentença.O acusado não será responsabilizado pelas custas processuais. A partir do segundo ato. IV . 117: “O curso da prescrição interrompe-se: I . Para encontrar a pena máxima em abstrato.pela decisão confirmatória da pronúncia. Marco Aurélio alegou analogia in malan partem. 117.: quando se diz que inviabiliza a análise do mérito. A prescrição começa a correr do segundo ato ou começa a correr quando se fechar a casa de prostituição? O STF equiparou esse fato ao art. quando foi fechada. A prescrição deveria correr a partir do segundo ato sexual. Este assunto será comentado adiante. CP – enquanto não cessados os atos habituais. II . CPP. se houver prestado. cada crime prescreve isoladamente: “No caso de concurso de crimes. Por que a mãe do Pedrinho foi condenada? Porque a mãe do Pedrinho foi preenchida pelo inciso III e pelo inciso IV. ☺art. 111. Obs. Não basta o primeiro ato sexual comercializado dentro dessa casa.: E no caso de crime habitual. ☺art.nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil.Terá direito a restituição integral da fiança. . quando começará a correr prescrição? Crime habitual é um crime que para a sua tipificação exige reiteração de atos.

Procedimento do Júri: Há 05 balizas prescricionais. 111. 191. quanto tempo o Estado tem para publicar a condenação? 08 anos. ato infracional também prescreve. CP) III – Pronúncia (☺art. ??? 2. CP) IV – Confirmação da Pronúncia (☺art. Então. mas sim. STJ – A pronúncia é causa interruptiva da prescrição. CP). 117. mas a confirmação de uma condenação no procedimento ordinário não zera. quanto tempo tem para transitar em julgado? Mais 08 anos. Se o Estado conseguiu publicar a condenação (só a condenatória interrompe. sem ser provocado. mas o STJ sumulou a segunda – ☺Súm. Se o Estado recebeu em 08 anos. 117. interrompendo essa prescrição? 08 anos (de acordo com o art. É uma condenação pelos jurados. Ex: Imagine um crime de furto simples – pena de 01 a 04 anos e multa. O Ato infracional prescreve? É um fato previsto como crime praticado por adolescente infrator. Se o MP tivesse denunciado por homicídio culposo desde logo. O crime é processado diverso do júri. A prescrição é matéria de ordem pública. CP). 338. 117. julgando e condenando por homicídio culposo. deve-se zerar o cronômetro. CP). Daqui vai até o trânsito em julgado. CP) III – Publicação da sentença condenatória (☺art. I. ainda que o Tribunal do Júri venha a desclassificar o crime. o cronômetro zera. Portanto. Quanto tempo o Estado tem para receber a inicial. O procedimento é do Júri. Por isso. Data do fato é o termo inicial (☺art. Em cada interrupção. A confirmação zera no júri. V – Condenação. ele terá 3 balizas prescricionais. o tribunal só confirma a condenação: o acórdão confirmatório não interrompe a prescrição. 111. Quantas balizas se têm? 5. Ex: Vamos supor que o MP denunciou por homicídio doloso. CP) II – Recebimento da inicial (☺art. IV. Há duas correntes: I) nos atos infracionais não há pretensão punitiva do Estado. 117. Os jurados. Os jurados condenam por homicídio culposo. a absolutória não). Somente o acórdão condenatório (que reforma uma absolvição de 1° grau) interrompe a prescrição. ocorrerá a prescrição da pretensão punitiva. Se o Estado extrapolar 08 anos em qualquer uma das balizas. CPP. I – Data do fato (☺art.Direito Penal – LFG – Intensivo I II – Recebimento da inicial (☺art. Daqui vai até a decisão final (com o trânsito em julgado). o cronômetro zera. II) realizando analogia. Qual das duas correntes prevalece? O MP/SP adota a primeira. III. 61. continua considerando a pronúncia e a confirmação da pronúncia como interruptivas da prescrição? ☺Súm. teriam 3 balizas prescricionais. 97 . o juiz deve declará-la de ofício em qualquer fase do processo. CP). Como o cronômetro zerou. Se o juiz condena. Então. I. STJ: A prescrição penal é aplicável nas medidas sócio-educativas. 109. 117. não há prescrição de atos infracionais. II. O juiz pode reconhecer a prescrição de ofício? Ou depende de provocação? ☺art. sócio-educativa. pois não se pode negar uma determinada carga punitiva nas medidas sócio-educativas.

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b) Prescrição da pretensão punitiva superveniente (intercorrente): ☺art. 109 e art. 110, §1º, CP: A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação, ou depois de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada. Antes da sentença recorrível, não se sabe qual a quantidade ou o tipo da pena a ser fixada pelo juiz, razão pela qual o lapso prescricional regula-se pela pena máxima prevista em lei. Trabalhava-se com a pena máxima, porque a pena poderia em tese chegar ao máximo. Contudo, fixada a pena, ainda que provisoriamente, transitando esta em julgado para a acusação, não mais existe razão para se levar em conta a pena máxima em abstrato, já que a pena aplicada (provisória) passou a ser a pena máxima para o caso concreto. Mesmo que haja recurso da defesa, está vedada a reformatio in pejus. Características dessa espécie de prescrição: - Pressupõe sentença ou acórdão penal condenatório; - Os prazos prescricionais são os mesmos do art. 109, CP; - Conta-se a prescrição da publicação da sentença condenatória até a data do trânsito julgado final (para ambas as partes); - Pressupõe trânsito em julgado para a acusação ou o seu recurso improvido, no que se relaciona com a pena aplicada. Somente esse pressuposto que transforma a prescrição em abstrato em superveniente. Efeitos (os mesmos da prescrição da pretensão punitiva em abstrato, pois são espécies do mesmo gênero): - Desaparece para o estado seu direito de punir, inviabilizando qualquer análise de mérito. - Eventual sentença condenatória provisória é rescindida, não se operando qualquer efeito (penal ou civil). - O acusado não será responsabilizado pelas custas processuais. - Restituição da fiança (se a houver prestado). Ex: furto simples – 01 a 04 anos. Quantas balizas prescricionais? 03. Da data do fato até o recebimento da inicial, o Estado tem 08 anos para receber. Recebida a inicial, quanto tempo o Estado tem para publicar a condenação? 08 anos. Publicada a condenação, quanto tempo o Estado tem para o trânsito em julgado final? Vamos supor que ele foi condenado a 01 ano. Quanto tempo o Estado tem? Não há dados suficientes. Primeira situação = MP recorre. Se o MP recorre não pode falar da prescrição superveniente. Essa pena pode chegar até 04 anos. Então, continua utilizando a pena do art. 109, CP. Ou seja, os mesmos 08 anos. Segunda situação = MP não recorre. E agora? Se o MP não recorrer, não se trabalhará com a pena de 04 anos, mas com a pena de 01 ano. Logo, deverá trabalhar com a pena de 01 ano c/c com o art. 109, CP. Conclui-se que o Estado terá 04 anos. Falará em prescrição punitiva superveniente. Obs.: Importante parcela da doutrina (Cezar Roberto Bittencourt) ensina que eventual recurso da acusação só evita a prescrição superveniente se, buscando aumento da pena, for provido e a pena aumentada pelo Tribunal. Se o MP só atacar benefícios, buscar cassação de sursi, a pena terá transitado em julgado. Neste caso, opera-se a prescrição superveniente. O juiz de 1º grau pode reconhecer a prescrição superveniente? Há divergência. Uma 1ª Corrente (Fernando Capez) entende que não pode, pois com a sentença o juiz esgota a sua jurisdição. Uma 2ª Corrente (LFG) entende que, sendo matéria de ordem pública, o juiz pode reconhecer a prescrição a qualquer tempo (art. 61, CPP), desde que haja o trânsito para a acusação. Essa segunda corrente é a que prevalece.

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c) Prescrição da pretensão punitiva retroativa: ☺art. 109 e art. 110, §2º, CP: A prescrição, de que trata o parágrafo anterior, pode ter por termo inicial data anterior à do recebimento da denúncia ou da queixa. O nosso legislador é “leigo” nesse caso, porque ele coloca a prescrição retroativa no §2º, e dá a impressão de que só se pensa na retroativa se não conseguir encontrar a superveniente, quando o certo é exatamente o contrário. A PPP Retroativa pressupõe trânsito em julgado para a acusação. Ex.: furto simples, cuja pena é de 1 a 4 anos. Da data do fato trabalhamos com a prescrição da pretensão punitiva em abstrato. Assim, o Estado tem 8 anos para receber essa inicial. Supondo que ele receba em 5 anos, não prescreveu e, não só não prescreveu como também se interrompe a prescrição quando do recebimento, zerando o cronômetro. Do recebimento até a publicação da condenação, o Estado tem mais 8 anos. Se o Estado publica a condenação em 2 anos, também não prescreveu. Supondo que nessa condenação o juiz aplicou uma pena de 1 ano e desta pena o MP não recorre. Assim, a pena de 1 ano passou a ser a pior das hipóteses. É exatamente esta pena que, combinada ao prazo do art. 109, é que encontramos o prazo de 4 anos. O Estado tem então que julgar o recurso da defesa em 4 anos. Antes mesmo de torcer para o Estado não julgar esse recurso da defesa em 4 anos pode-se analisar se ocorreu a prescrição retroativa. Na primeira baliza (5 anos) houve prescrição retroativa. A prescrição da pretensão punitiva retroativa tem o mesmo fundamento, as mesmas características e idênticas conseqüências da prescrição superveniente, mas, tem por termo inicial data anterior à sentença condenatória recorrível. Ou seja, ao contrário da superveniente, vai da sentença condenatória recorrível para trás (e não para frente). No mais são iguais.

d)

Em perspectiva ou Por Prognose ou Antecipada ou Virtual: São todas expressões sinônimas para a mesma coisa. Ela não tem previsão legal. É criação da jurisprudência com a qual o STF não concorda. Ex.: crime de furto, cuja pena é de 1 a 4 anos. Dentro de uma prescrição da pretensão punitiva em abstrato, o Estado tem 8 anos para receber a inicial. Decorridos 6 anos, o Estado ainda não a recebeu. Ocorre que o indiciado é primário, tem bons antecedentes, não há causas de aumento, e não há agravantes. Assim, em perspectiva, de maneira antecipada, por prognose, é possível imaginar que a pena em concreto dele será de 1 ano (levando-se em conta todas essas considerações). Se esta é a pena e se dela o MP não recorreria porque justa, a prescrição retroativa fatalmente será de 4 anos, e já temos 6 anos sem que tenha sido recebida a inicial, pode-se, por economia processual, em face de clara falta de interesse de agir, ter a prescrição da pretensão punitiva em perspectiva. Na prescrição da pretensão punitiva em perspectiva, o juiz, analisando as circunstâncias do fato, bem como as condições pessoais do agente, antevê a ocorrência da prescrição da pretensão punitiva retroativa, concluindo pela falta de interesse de agir do órgão acusador. O STF não aceita essa criação jurisprudencial e não trabalha com ela. O MP e a magistratura de SP a admite. No mais, ela tem as mesmas características das demais prescrições da pretensão punitiva. Ela apaga todos os efeitos (penais ou extra-penais).

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Prescrição da pretensão executória: ☺art. 110, caput, CP. Ocorre depois do trânsito em julgado final pras duas partes (não só para o MP, caso seja trânsito em julgado só para o MP fala-se ainda em prescrição da pretensão punitiva). Características: - considera-se a pena em concreto (não há mais razão para se aplicar a pena máxima em abstrato porque já se tem a pena em definitivo), - pressupõe trânsito em julgado final, e - os prazos são os do art. 109, CP, aumentados de 1/3 se o agente for considerado reincidente na sentença (atenção: o que é aumentado de 1/3 é o prazo prescricional, e não a pena!). Cuidado: não se aplica este aumento se esta prescrição for da pretensão punitiva (isso seria analogia in mallam partem), só na prescrição da pretensão executória. Reconhecida esta espécie de prescrição, quais são as conseqüências? Extingue-se somente a pena aplicada, sem, contudo, rescindir a sentença condenatória (que produz efeitos penais e extra-penais – ou seja, continua gerando reincidência, continua sendo executada como título judicial, etc.). Ou seja, subsistem todos os efeitos secundários da condenação. Ela só impede a execução da pena. Os demais efeitos permanecem. Inicia-se do trânsito em julgado para a acusação (art. 112, CP). Ex. se o acusado foge da prisão, começa a correr o prazo prescricional (inciso II). A prisão e a fuga interrompem essa prescrição. Art. 113, CP: no caso de fuga, a prescrição regula-se pelo prazo restante a ser cumprido.

(27/05/09) Para recordar: furto, cuja pena é de 1 a 4 anos. Da data do fato até o recebimento da inicial falase em prescrição da pretensão punitiva em abstrato. Do recebimento da inicial até a publicação da sentença da condenação, fala-se em prescrição da pretensão punitiva em abstrato. Publicada a condenação, até o trânsito em julgado definitivo (sem se dizer que transitou para o MP), fala-se ainda em prescrição da pretensão punitiva em abstrato. Mas, tendo transitado para a acusação (que não recorreu ou teve seu recurso improvido), agora sim fala-se em prescrição da pretensão superveniente (que vai da publicação da sentença pra frente) ou na retroativa (que vai da publicação da sentença para trás). Agora: transitada em julgado definitivamente a sentença condenatória, podemos falar em prescrição da pretensão executória, que começa a ser contada, em regra, do trânsito em julgado para o MP (☺art. 112, CP). Ela pressupõe um transito em julgado definitivo, mas o seu termo inicial é o trânsito em julgado para o MP (ela retroage no trânsito em julgado). Art. 112 – Termo inicial da prescrição após a sentença condenatória irrecorrível: “... do dia em que transita em julgado a sentença condenatória para a acusação...”. Ocorre que o próprio art. 112 traz 2 exceções: no caso de sursis ou livramento condicional, ela começa a correr do dia em que se revogam tais benefícios, ou, em caso de fuga, ela começa a correr do dia em que houve a fuga. Essa pretensão executória começa a correr e pode ser interrompida. ☺art. 117, V e VI, CP: ela interrompe-se pelo início ou continuação do cumprimento da pena e pela reincidência (obs.: os primeiros 4 incisos dizem respeito à interrupção da prescrição da pretensão punitiva, mas os dois últimos dizem respeito à prescrição da pretensão executória, que também pode ser interrompida).

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O Estado recebeu a denúncia em 10/05/93. considerando o tempo pretérito. em grau de recurso. mesmo com o advento do Estatuto do idoso.U. CP. cuja pena é de 1 a 4 anos. não terá o benefício. Redução dos prazos de prescrição pela metade. Do recebimento da denúncia. o condenado tiver mais de 70 anos. 115. maior de 70 (setenta) anos. Ocorreu a prescrição? Não ocorreu o tempo superior a 4 anos desde o trânsito em julgado para o MP. . Este é o prazo prescricional. portanto. mas sim causas suspensivas da prescrição (causas que fazem parar o cronômetro). 115. O MP não recorreu. mesmo em acórdão meramente confirmatório. menor de 21 (vinte e um) anos. O réu foi condenado a 1 ano. Os incisos I e II trazem a suspensão da PPP. CP 10 meses (ele já cumpriu 2 meses. . A interrupção vem tratada no art. CP: São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era. 116. Pergunta: houve prazo superior a 4 anos? Não houve. ☺art. ou seja. Mas vamos supor que o Estado conseguiu prender no dia 12/06/98. A publicação da condenação ocorreu no dia 08/04/98. CP. ou. portanto. Isso significa que devemos jogar no art. Mas vamos supor que o Estado só conseguiu prender o agente dia 10/10/99. Então também não podemos falar nela. É necessário ter 21 anos na data da conduta. Houve a prescrição da pretensão executória? O termo inicial é o trânsito em julgado para o MP. porque este é o restante da pena a cumprir. Pouco importa a idade que se tinha no momento da conduta do crime. Interrompe a execução e zera o prazo. Atenção: são os prazos prescricionais que são reduzidos pela metade e não a pena. . na data da sentença.O STF decidiu que o Estatuto do Idoso (que determina que é idoso quem tem mais de 60 anos) não alterou o art. Essa condenação transitou em julgado para o MP em 09/05 do mesmo ano. Se na 1ª condenação for absolvido. Mas não temos 4 anos de 95 a 98. mas é a mesma coisa.Ademais. Então. ao tempo do crime. suspensão pára o cronômetro”.Esta hipótese de benefício prescricional não foi abolida pelo novo CC. ☺art. A defesa recorre e o processo é julgado definitivamente em 10/06/98. Observações: . Diferenças: . quanto tempo o Estado tinha até a data do fato? 4 anos.É preciso olhar a idade do criminoso (menor de 21 anos) no tempo da conduta (ação ou omissão) e não do resultado. Essa é a posição do STF. CP – ele não traz causas interruptivas da prescrição. O CP está preocupado com a idade biológica e não com a capacidade civil do agente. 101 . a prescrição é regulada pelo tempo que resta da pena”. 116. CP: “no caso de evadir-se o condenado ou de revogar-se o livramento condicional. que aconteceu em 01/01/90. traz a suspensão da pretensão da prescrição executória (PPE). Já o P.Direito Penal – LFG – Intensivo I Exemplos: Furto. . só o idoso com mais de 70 anos é beneficiado. “Interrupção zera o cronômetro. o sujeito tem mais de 70 anos. e por isso o Estado terá 2 anos para recapturá-lo. 109. ele fugiu faltando 10 meses).interrupção: dá novo lapso prescricional. Ocorreu alguma prescrição? Não se pode falar em prescrição da pretensão punitiva em abstrato. Se for condenado com menos de 70 anos e. 117. A lei chama de causas impeditivas.suspensão: não dá novo lapso prescricional. conta-se a prescrição a partir do acórdão condenatório. desconsiderando o tempo pretérito. na data da sentença. Mas e a superveniente? É também em 4 anos. 113. será reduzido o prazo se. Mas supondo que passados 2 meses ele foge. Então não houve a prescrição da pretensão punitiva retroativa. Causas suspensivas: ☺art. Agora o Estado tem quanto tempo para recuperálo? ☺art. neste caso sim podemos falar em prescrição da pretensão executória (4 anos do dia 09/05/95 até a data da prisão – 10/10/99). É necessário ter 70 anos até a primeira condenação (essa condenação pode ser de 1° grau ou em grau de recurso).

: enquanto se cumpre uma pena por um crime não pode correr o prazo prescricional para os outros crimes. ☺CR.Se a pena de multa é a única aplicada. Trata da prescrição da pretensão executória: “Depois de passado em julgado a sentença condenatória”. Após. É possível: É possível: PPP: pena máxima em abstrato. Há aquelas que são obrigatórias e as que são facultativas. 116 é apenas exemplificativo. O processo fica suspenso até o comparecimento espontâneo ou forçado do acusado (até demonstrar que tem ciência da acusação). art. . Outras causas suspensivas As causas suspensivas não estão apenas no CP. prescreve também juntamente com a prescrição da pena privativa de liberdade. . São as questões das quais dependem o reconhecimento da existência do crime. prescreve em 2 anos. Não se trata de uma hipótese de imprescritibilidade. ☺inciso II – não corre a prescrição enquanto o agente cumpre a pena no estrangeiro. §§ 3° ao 5º: imunidade que tem o deputado pelos crimes praticados após a diplomação – “a sustação do processo suspende a prescrição enquanto durar o mandato”. porque se o prazo existe é porque pode haver a prescrição.830/80 (que fala que o não pagamento da multa é dívida ativa). 114. ☺art. Questões prejudiciais suspendem a prescrição. CP: prescrição da pena de multa. 2ª corrente: só se aplica a PPP. 89. se reduz a pena ou se substitui por medida de segurança.Direito Penal – LFG – Intensivo I ☺inciso I – Questões prejudiciais dos arts. causa suspensiva prevista em legislação especial: ☺Lei 9. Há também causa suspensiva prevista no CPP: ☺art. . E a PPE existe na medida de segurança? PPE: pena em concreto. porque a executória Para o semi-imputável. a prescrição é a mesma pressupõe fixação de pena. 2) Prescrição da pretensão executória da multa: . nem constituir advogado. Há. ficarão suspensos o processo e o prazo prescricional. acima exposta. prescreve em 2 anos. O art. 1) Prescrição da pretensão punitiva da multa: . as causas suspensivas e interruptivas são aquelas previstas na Lei de Execução Fiscal. a doutrina entende que ambas são abrangidas. art. §6º – suspensão condicional do processo – não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão condicional do processo. Já a prescrição ficaria suspensa pelo tempo da prescrição da pretensão punitiva do Estado. Observações: As causas suspensivas e interruptivas da prescrição da pena de multa são as da lei de execução fiscal e não as do CP! Com o advento da Lei 6.099/95. do CPP.Se a multa for cumulativamente cominada com pena privativa de liberdade (“e multa”).U. Ocorre que o STF entendeu que a prescrição também ficará suspensa até o comparecimento do acusado. A prescrição na medida de segurança: Medida de segurança: sanção penal imposta ao agente inimputável ou semi-imputável. Embora a lei não seja expressa. 53.Se a pena de multa for a única cominada. É uma proteção à nossa soberania. desde que na facultativa o juiz resolva acatá-la. prescreve junto com a privativa de liberdade. Quando a captura 102 . prescreve junto com a privativa de liberdade. 366. Inimputável Semi-imputável Processo – absolvição + medida de segurança Processo – condenação (pena). 92 a 94. CPP – se o acusado citado por edital não comparecer. PPP: pena máxima em abstrato.Se ela foi cumulativamente aplicada. o juiz decide (prazo mínimo de 1 a 3 anos). ainda. ☺P.Se a pena de multa for alternativamente cominada com pena privativa de liberdade (“ou multa”). 1ª corrente: só se aplica a PPP.

Antes da lei 9. CP). Existe renúncia em ação penal pública? Antes da lei 9.Não gera extinção da punibilidade. Cabe renúncia em ação penal privada subsidiária? Sim.Pode ser: lógica. O STF adota essa corrente. consumativa ou temporal. não gera renúncia tácita. convidar caluniador para ser padrinho de casamento). Conceito: entende-se o ato unilateral do ofendido ou de seu representante legal abdicando do direito de promover a ação penal privada. V) Pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito. Preclusão Perda de uma faculdade processual. mas é uma renúncia que não gera a extinção da punibilidade. punibilidade.tácita: prática de ato incompatível com a vontade de exercer a queixa (ex. Ela impede o processo. 107.Direito Penal – LFG – Intensivo I do inimputável ocorrer após o decurso do prazo mínimo de sanção. 103 . QUADRO RESUMO: Decadência Prescrição . PU admite renúncia em ação penal pública condicionada à representação. 74. CP . Nem sempre a prescrição acarreta a perda do direito de ação. antecede o início da ação penal. . por seu representante legal ou procurador com poderes especiais. todavia. PU: o acordo homologado acarreta renúncia ao direito de queixa ou representação.Perda do direito de . Exceção: art. não a implica. Perempção . deve ser analisada a real necessidade da medida. CP. CPP: A renúncia expressa constará de declaração assinada pelo ofendido. Ela pode ser extraprocessual: . . em dano causado pelo crime não gera renúncia tácita regra. 3ª corrente: aplicam-se ambas as prescrições (PPP e PPE).099/95 Depois da lei 9. extinguindo-se a punibilidade. Consequência: Consequência: extinção da extinção da punibilidade.Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com a vontade de exercê-lo. nos crimes de ação privada: Renúncia: art.099/95 A renúncia é instituto exclusivo de ação penal de A renúncia é.099/95 O fato de receber o ofendido a indenização do O fato de receber o ofendido a indenização.Perda da pretensão ação em face do punitiva ou executória. V. Parágrafo único. Acordo judicial acarreta renúncia tácita? Art. (art.Sanção processual ao querelante inerte ou desidioso.099/95 Depois da lei 9. 74. em regra. calculando-se a executória com base na pena máxima em abstrato fixada para o crime. O MP passa a ser o único legitimado.expressa: art. instituto possível somente iniciativa privada. o fato de receber o ofendido a indenização do dano causado pelo crime. Exceção: art. A renúncia é sempre extraprocessual. 50. . 104. decurso do tempo. 1ª parte. É possível renúncia depois que o processo já começou? Não. PU. Conseqüência: extinção da punibilidade. 104. na ação penal privada.

49. simplesmente. É possível perdão condicionado? E aceitação condicionada? Todo perdão e toda aceitação são incondicionados. O que é retratar-se? Não significa. processual . Decorrente do princípio da disponibilidade. Conceito: é o ato pelo qual o ofendido ou seu representante legal desiste de prosseguir com andamento de processo já em curso. dos autos (ex. Pluralidade de autores: se a vítima perdoa o autor 1. ocorre renúncia. Não há exceção! Na ação penal privada subsidiária é possível o perdão do ofendido. Antes. se a vítima renuncia com relação a um autor. No caso em que há várias vítimas e apenas um autor: as vítimas têm direitos autônomos e independentes. Pode ser expressa ou tácita (ex. 104. Pressupõe processo já formado. 2ª parte. CP . Pode ser expressa. declaração em cartório). processual . 104 . negar ou confessar o fato. Extraprocessual. Só é possível o perdão do ofendido em ação penal privada.bojo dos autos. O perdão é um ato bilateral (diferente da renúncia que é unilateral).O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa ou tacitamente. Perdão do ofendido: art. tacitamente perdoa o autor 2. V. Ato unilateral. Excepcionalmente é cabível em ação penal Exclusivo de ação penal privada. Obsta a formação do processo. Qualquer condição deve ser tida pelo juiz como não escrita. desculpando o ofensor pela prática do crime. pública. Ato bilateral. É mais: é retirar totalmente o que disse.bojo dos autos. Extingue-se a punibilidade de quem aceitou o perdão. Perdão Pode ser: extraprocessual – fora dos autos (ex. Pode ser expresso ou tácito. O artigo 49 traz o critério da extensibilidade da renúncia. mas não há extinção da punibilidade. 107.Direito Penal – LFG – Intensivo I A renúncia admite retratação? Art. Aceitação Recusa Pode ser: extraprocessual – fora Pode ser: extraprocessual – fora dos autos (ex. Pode ser extra ou processual. Não existe silêncio). Renúncia Perdão Decorrente do princípio da oportunidade. CPP). Em síntese. O perdão deve ser concedido durante o processo. Pelo princípio da indivisibilidade. no cartório). processual . no cartório). O que extingue a punibilidade é o perdão aceito. Após o trânsito em julgado (na fase de execução) não é possível. recusa tácita. CP. O instituto da renúncia decorre do princípio da oportunidade da ação privada. O MP retoma a legitimidade: ação penal indireta. é trazer a verdade novamente à tona. nos casos em que a lei a admite: Esta retratação é a retratação extintiva da punibilidade. (03/06/09) VI) Pela retratação do agente. A ação privada passa pelo crivo da conveniência e oportunidade da vítima. tacitamente renuncia com relação aos demais (art.bojo dos autos. O perdão decorre do princípio da disponibilidade.

Só ocorre nos casos em que a lei admite. 143. §2º. §2º. art. Momento da retratação: a retratação para extinguir a punibilidade deve ocorrer até quando? Pode se retratar em grau de recurso? Pode se retratar na fase de execução penal? Em todas essas hipóteses. dispensa a concordância da vítima. CP) 2. Difamação (☺art. é ato unilateral. essa retratação se comunica ao advogado? 1ª corrente: incomunicável. Não cabe analogia. a retratação só cabe nos casos expressamente previstos em lei. fica isento de pena. que acaba morrendo. o juiz poderá deixar de aplicar a pena. ou seja. 143. não obstante a prática de um fato típico e antijurídico por um sujeito comprovadamente culpado. Calúnia (☺art. a retratação não extingue a punibilidade (☺art. antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito. CP: Na hipótese de homicídio culposo. mas específica. 342. A retratação representa prova na esfera cível. Nesse artigo. 143. Ex. O perdão judicial. nos casos previstos em lei: O perdão judicial também só cabe nas hipóteses taxativamente previstas em lei. CP: “O querelado fica isento de pena”. antes da sentença. se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. nas hipóteses taxativamente previstas em lei. §2º. é a perda do interesse estatal de punir. O querelado que. deixa de lhe aplicar a sanção penal. CP) 4. É o juiz que irá decidir se aceita ou não a retratação. São hipóteses taxativas. Estamos diante de uma circunstância objetiva. no silêncio. o agente se retrata ou declara a verdade”. a retratação deve ocorrer antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito e não no processo em que se apura o ilícito. Nesse artigo. Ex. CP – “antes da sentença”). CP) “Art. Falsa perícia (☺art. Conceito de perdão judicial: É o instituto pelo qual o juiz. é incomunicável. Obs. 342. A retratação é norma de exceção. Isto é. Assim. logo. a retratação é subjetiva. a retratação é objetiva. extinguindo somente a punibilidade do agente que se retratou. levando em consideração determinadas circunstâncias que concorrem para o evento. nem toda doutrina distingue as duas hipóteses! VII) Pelo perdão judicial. O que aconteceu com a lei de imprensa? Ela foi considerada não recepcionada pela CF/88 na ADPF nº 130. aplica-se o CP no tocante à retratação. §5°. em que se requere dano moral. 105 .” 3. 143. 342. Falso testemunho (☺art. Assim. 143. tio que mata sobrinha em acidente de carro. o juiz não pode perdoar. 121.: A Lei de imprensa prevê a retratação na calúnia. Quais são essas hipóteses? 1. pai que esquece o filho dentro do carro. Mas atenção. Em grau de recurso. diferentemente do perdão do ofendido. No caso do falso testemunho e da falsa perícia. CP) “§ 2o O fato deixa de ser punível se. logo é comunicável. se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação. pode se retratar até a sentença de 1º grau. ☺art. Ato unilateral: A retratação para extinguir a punibilidade prescinde da concordância da vítima. dispensa a concordância do agente. 342. na difamação e na injúria.Direito Penal – LFG – Intensivo I Não é uma causa extintiva da punibilidade geral. §2º: “O fato deixa de ser punível”. OBS. CP – “antes da sentença” – c/c art. A retratação é causa objetiva ou subjetiva de extinção da punibilidade? A retratação se comunica aos autores e partícipes que não se retrataram ou é personalíssima? Ex: 03 pessoas caluniaram outra e apenas uma se retrata – a retratação dela atinge aos demais? Ex: o advogado convenceu a testemunha a mentir. 2ª corrente: ☺art. Em apertada síntese. acidente que deixa o motorista tetraplégico (não é necessário haver afeto entre acusado e vítima). a testemunha se retrata.

Se entendermos que é declaratória. 120. a saber: 1ª corrente: Condenatória. o juiz é obrigado a perdoar. não subsistindo qualquer efeito condenatório. Portanto. Se o MP recorre. ou seja. Ônus da prova: é da defesa.Direito Penal – LFG – Intensivo I Trata-se de verdadeiro direito subjetivo do réu e não faculdade do juiz. em que sentença condenatória. Como provar isso? Basta ler o art. pressupõe-se que a pessoa tem culpa. ou seja. sempre dependerá do devido processo legal. 2ª: Há ainda uma segunda repercussão prática: se se entende que é condenatória. Trata-se de uma exceção. a prescrição está correndo desde o recebimento da denúncia. não servirá como título executivo. Quando se perdoa. logo. STJ: A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade. 3ª: Capez encontra uma terceira repercussão prática. Ex: pai que deixa o filho morrer dentro do carro. discorda: caso se entenda que é condenatória. 2ª corrente: Meramente declaratória extintiva da punibilidade. não há perdão judicial. Se a defesa não consegue provar que as conseqüências a atingiram de forma grave. A intenção do legislador foi dar a essa sentença a natureza de condenatória. o juiz pode declarar a qualquer tempo. A corrente que prevalece é a segunda – ☺Súm. pode ser concedido na fase de inquérito. com a qual o prof. Se o MP discorda do juiz e recorre. não se aplica o in dúbio pro reo. É necessário aguardar o devido processo legal. Aplicações práticas: 1ª: Caso se entenda que é condenatória. excepcionalmente. ela deverá aguardar o devido processo legal. ele sabe que a prescrição está correndo desde a sentença condenatória. Esta súmula é contra legem. se se entende que é meramente declaratória. 18. ela não interrompe a prescrição. pressupõe devido processo legal. O juiz não vai perdoar quem ele convenientemente entender que deva ser perdoado. não será considerada para reincidência. É obvio que a declaratória não gera reincidência. CP: “A sentença que conceder perdão judicial não será considerada para efeitos de reincidência”. Caso se entenda que é meramente declaratória. servirá como título executivo. Natureza jurídica da sentença concessiva do perdão judicial: temos basicamente duas correntes. ela interrompe a prescrição. esse artigo não faria mais do que “chover no molhado”. Preenchidos os requisitos. caso se entenda que é meramente declaratória. caberia na fase de apreciação do inquérito policial. 106 . Esta súmula está errada. Onde está o equívoco dessa corrente? “Por um agente comprovadamente culpado” – isso significa que o perdão judicial reconhece culpa.

de uma fase interna. É dividido em duas macrofases: interna (cogitação e atos preparatórios) e externa (execução e consumação). criando-lhe uma situação concreta de perigo. Fase Externa: 3) Execução: A execução traduz a maneira pela qual o agente atua exteriormente para realizar o núcleo típico. porque para aqueles que admitem a punição pelos atos preparatórios há exceção). 2) Atos Preparatórios: São os chamados conatus remotus. → Teorias que buscam diferenciar atos preparatórios de atos de execução: 1ª) Teoria da Hostilidade ao Bem Jurídico (ou Critério Material): para esta teoria. não estão preparando um crime. pelo que cogita. os atos preparatórios são impuníveis. A punição da quadrilha ou bando é pelo crime e não pelo ato preparatório (quando as pessoas se reúnem. mas só pelo fato advindo dessa cogitação. como vimos. Em regra. ato executório é o que inicia a realização do núcleo do tipo. Ou seja. Apesar da maioria da doutrina trazer esta exceção. o prof. necessariamente. Em regra. De toda forma. Trata-se. não concorda.Direito Penal – LFG – Intensivo I ITER CRIMINIS: Conceito: O iter criminis é o caminho percorrido ou a ser percorrido pela infração penal. É o conjunto de fases que se sucedem cronologicamente no desenvolvimento do delito doloso.) 107 . pois faz parte da fase interna do crime. Há quem diga que existem atos preparatórios excepcionalmente puníveis: art. juntamente com a doutrina mais moderna. o agente procura criar condições para realizar a conduta delituosa. É adotada por Frederico Marques e Fernando Capez. para a maioria da doutrina é um ato preparatório punível. ninguém pode ser punido pelo que pensa. CP – formação de quadrilha ou bando. Ela não implica. não há aplicação do direito penal do inimigo. Ex. no estupro quando se começa a constranger. (É a que prevalece em nossa doutrina. atos executórios são aqueles que atacam o bem jurídico. embora nenhuma delas sozinha se sustenta. 2ª) Teoria Objetiva-formal: para esta teoria. é pressuposto mínimo para a punição (em regra.: no furto só se tem início a execução quando se começa a subtrair. e entende. Fase Interna: 1) Cogitação: Por força do Princípio da materialização do fato a mera cogitação é impunível. Mas o direito penal do inimigo é muito criticado. mas já o estão executando). mas na simples idéia do crime. Obs. Nesta fase. É uma aplicação do direito penal do inimigo (Jakobs). premeditação. que não há exceção a esta regra de que os atos preparatórios não são puníveis. que. É adotada por Nelson Hungria. A doutrina moderna entende que todo ato preparatório é impunível.: A cogitação não é sinônimo de premeditação. 288.

CP (ignora a definição legal de crime consumado). mas este resultado naturalístico é prescindível. Atenção: Consumação não se confunde com exaurimento. e este resultado naturalístico é imprescindível para a consumação. essa súmula considera o crime consumado antes de reunidos todos os elementos do tipo. Ex.Direito Penal – LFG – Intensivo I 3ª) Teoria Objetiva-individual: para esta teoria. CP. Ex. A consumação encerra o iter criminis. ela contraria o art. que é o instante da composição plena do fato criminoso. . I.Súmula 711. Discorda da aplicação isolada dessas teorias. o juiz deve conjugar as 3 teorias. furto. embora seja aplicada pelo STF. nele encerrando o iter criminis. 4) Consumação: O iter criminis se encerra com a consumação. e há crimes que necessariamente percorrem as 4 fases (crimes materiais).: extorsão (súmula 96.A prescrição só começa a correr depois de cessada a permanência.: homicídio. Conceito: considera-se crime consumado a realização do tipo penal por inteiro. de acordo com o plano do agente. 2) Crime formal: o tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. atos executórios são aqueles que. ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima”. abrange aquele que pula o muro para executar o furto. É um bom argumento para uma prova da Defensoria Pública. etc. STJ). STF: “Há crime de latrocínio quando o homicídio se consuma. 108 . Há crimes cuja consumação se protrai no tempo até que cesse o comportamento do agente (crime permanente).Admite flagrante a qualquer tempo da permanência.: violação de domicílio. É adotada por Zaffaroni. Quem faz essa crítica é Rogério Greco. a consumação se dá no momento da conduta. Classificação doutrinária do crime quanto ao momento consumativo: 1) Crime material: o tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. Ex. 610. 14. Ou seja. etc.. Somente as 3 teorias conjugadas no caso concreto chegam ao verdadeiro início da execução. → Cuidado: nem todos os crimes percorrem essas 4 fases! Há crimes que se consumam com o fim dos atos executórios (crimes formais). se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. nos quais a obtenção da vantagem é mero exaurimento. realizam-se no período imediatamente anterior ao começo da execução típica. Ex. trata-se de mero exaurimento. concussão. Diz-se o crime consumado quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal. sem resultado naturalístico. Segundo ele é uma súmula contra legem. O crime exaurido deve ser mais severamente punido. Para Flávio Monteiro de Barros. Há 3 peculiaridades a respeito do crime permanente: . Crime consumado não se confunde com crime exaurido. STF: a lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente. Exaurimento (ou esgotamento pleno) são os acontecimentos posteriores ao iter criminis. por isso ele é também chamado crime de consumação antecipada. dispensável. Crime consumado: Previsão legal: ☺art. O exaurimento deve ser considerado na fixação da pena pelo juiz. . tem crimes que se consumam com os simples atos executórios (crimes de mera conduta). Ocorrendo o resultado naturalístico. 3) Crime de mera conduta: o tipo penal descreve somente a conduta. 14. I. ☺Súm.

não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. mas tentativa de crime. em regra. o critério objetivo. Qual a natureza jurídica do crime tentado? A tentativa é uma norma de extensão temporal (☺Tipicidade). É ela violação incompleta da mesma norma de que o crime consumado representa violação plena. P. Diz-se o crime tentado quando iniciada a execução. Portanto. Há doutrina acrescentando ainda um 3º elemento (LFG. 14. . Ela amplia a incriminação a fatos humanos praticados de forma incompleta. mas objetivamente incompleta. Questão: é correto falar em “crime de tentativa” ou “tentativa de crime”? A tentativa não constitui crime sui generis. O conceito dado pela doutrina é idêntico ao conceito legal.Direito Penal – LFG – Intensivo I Atenção: A doutrina moderna vem falando em consumação formal e consumação material. no Brasil. CP.Consumação formal: ocorre quando se dá o resultado naturalístico nos crimes materiais. Flávio Monteiro de Barros): 3) Dolo de consumação – mas na verdade este elemento já se encontra nas circunstâncias alheias à vontade do agente. O prof. formal e de mera conduta. (e só ele) entende haver um 4º elemento da tentativa: o resultado possível (o resultado não alcançado deveria ser possível). → Elementos da tentativa: (requisitos) 1) Início da execução. ao contrário do tipo consumado). não há crime de tentativa. Ou seja. pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado diminuída de 1/3 a 2/3”. a regra é a diminuição da pena de 1/3 a 2/3. O crime consumado é subjetivamente completo e objetivamente acabado. → Conseqüências de um crime tentado: ☺art.CP: “Salvo disposição em contrário. com pena autônoma. A tentativa é subjetivamente completa (já que o dolo do crime tentado é o mesmo do crime consumado). 2) Não consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente. É uma norma de extensão e não um tipo autônomo. e por isso chama o crime impossível também de tentativa (tentativa inidônea). Crime Tentado: Previsão legal: ☺art. ou quando o agente realiza a conduta descrita nos crimes formais ou de mera conduta. Consumação formal está ligada à tipicidade formal e consumação material está ligada à tipicidade material.. para que se possa diferenciar a tentativa do crime impossível.Consumação material: ocorre quando se dá a relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. E é por ser objetivamente incompleta que o nosso código admite essa redução de pena (se fôssemos analisar pelo aspecto subjetivo não haveria razão para a diminuição da pena). Portanto. 109 . O que vem a ser isso então? Vejamos: . Tipo manco: é o tipo tentado (que tem a “perna” objetiva menor do que a subjetiva. II. 14.U. Mas a doutrina não acrescentou esse elemento. Isso não tem nada a ver com crime material. adotou-se.

já que quando consumado o fato é atípico – porque se alguém conseguir consumá-los ele já não estará mais sob a soberania brasileira): crimes de lesa pátria . deixando de praticar todos os atos executórios à sua disposição. Assim. Esse crime. maior a redução. Obs.”. a conseqüência da tentativa é a redução da pena. Atenção: não confundir crime falho com crime impossível! Crime falho é crime punível na forma tentada (é punível!). Portanto.Direito Penal – LFG – Intensivo I Atenção: há casos excepcionais em que o Brasil adotou o critério subjetivo. o juiz não analisará a quantidade de atos praticados.: Como sabemos. 110 .170/83 . tendo uma maior redução. a tentativa que mereceria a maior redução é a tentativa imperfeita. → Formas de tentativa: 1) Quanto ao iter criminis percorrido: a) Tentativa perfeita: o agente. mas que tenha sido quase fatal). apesar de não alcançado por circunstâncias alheias à vontade do agente. não consegue consumar o crime por circunstâncias alheias à sua vontade. b) Tentativa não cruenta: a vítima não é atingida. e quanto menos atos executórios. chama-se “crime de atentado ou empreendimento”.: ☺art. Assim. maior a redução. CP: “Evadir-se ou tentar evadir-se o preso.: pode ter dado um único tiro. tendo uma menor redução. É punida mais severamente. este crime só é punível quando tentado. porque no crime formal e no crime de mera conduta. 11. menor a redução. quanto mais atos executórios. mas a consumação é atípica (ou seja..: a tentativa perfeita (onde se esgotam os atos executórios) só é possível nos crimes materiais. Crimes de atentado são formas excepcionais de punir a tentativa. para o qual o legislador adotou o critério subjetivo. variando de 1/3 a 2/3. se o agente esgotou os atos executórios já se tem a consumação. mas sim o quão próximo do resultado o agente chegou (ex. não há porque diminuir a pena. conforme o maior percurso percorrido no caminho do crime. 2) Quanto ao resultado produzido na vítima: a) Tentativa cruenta: a vítima é atingida.☺Lei dos crimes contra a segurança nacional – Lei 7. Mas o entendimento acima não é o que prevalece.. menor a redução. 352. sofrendo a mesma reprimenda da consumação. então. Ex. e quanto menos próximo. No Código Eleitoral há a previsão de que é crime votar ou tentar votar em nome de outrem. apesar de esgotar todos os atos executórios à sua disposição. É também chamada de “tentativa vermelha”. Obs. é também chamada de “tentativa acabada” ou de “crime falho”. b) Tentativa imperfeita: o agente é impedido de prosseguir no seu intento. O legislador não diferencia a pena para aquele que evadiu ou que tentou evadir. 3) Quanto à possibilidade de alcançar o resultado: a) Tentativa idônea: o resultado. Prevalece o entendimento de que a redução da pena na tentativa deve ser inversamente proporcional à produção do resultado. É punida menos severamente. É também chamada de “tentativa branca”. e não mais uma tentativa. Conclusão: quanto mais próximo de causar o resultado. era possível de ser alcançado. 9º e art. é também chamada de “tentativa inacabada”. Nesses casos se analisa o aspecto subjetivo do delito e. Há jurisprudência norteando a redução da pena na tentativa. Atenção: exemplo de crime cuja tentativa é possível.☺art.

: há. Não admite tentativa porque o resultado também é involuntário. ou seja. pois nada mais é do que sinônimo de crime impossível. O desafeto não morre. o agente responderá por tentativa de aborto qualificado preterdolosamente. 5) Crime habitual: este crime só existe após a reiteração de atos. é um crime voluntário punido culposamente por razões de política criminal. Ele não tem vontade no resultado. É o próprio art. Trata-se de qualificadora preterdolosa. que. Infrações penais que não admitem tentativa: 1) Crime culposo: não há dolo de consumação. 2) Crime preterdoloso: não há dolo de consumação quanto ao resultado mais grave. a tentativa é possível sim. Isso significa que a tentativa é possível de fato. Obs. b) Tentativa qualificada: é também chamada de “tentativa abandonada”. 14. Imaginemos que no caso concreto o aborto fique frustrado. Obs. É impunível. mas a morte da gestante acontece. tanto que é punível. Se a conduta antecedente dolosa foi a que ficou frustrada (e dolo admite tentativa). Aqui o resultado não ocorre por circunstâncias inerentes à vontade do agente. 4) Quanto à vontade do agente: a) Tentativa simples: o resultado não ocorre por circunstâncias alheias à vontade do agente. o crime é consumado. Há doutrina admitindo a tentativa na culpa imprópria. apesar de ocorrido o resultado culposo. jurisprudência admitindo a tentativa. no entanto. Obs. II. o resultado é involuntário. o fato é atípico. 4) Crime de atentado ou empreendimento: a doutrina critica dizendo que aqui a tentativa é punida com a mesma pena da consumação.: tentativa de aborto qualificado pela morte da gestante.: tem um crime pelo qual o agente é punido por culpa apenas por razões de política criminal. só não é punível. com a prática de 2 ou mais atos. É caso de tentativa de homicídio. Antecedente Doloso Frustrado Ex. Ex. 111 . Se o erro era evitável o agente responde por culpa. na verdade. imaginando estar na iminência de ser atacado e o ataca (dá um tiro). Ela nada mais é do que gênero do qual são espécies a desistência voluntária e do arrependimento eficaz (☺art. Ex.: O agente vê seu desafeto e erra. CP). O art.Direito Penal – LFG – Intensivo I b) Tentativa inidônea: o resultado era absolutamente impossível de ser alcançado (por absoluta ineficácia do meio ou impropriedade do objeto). Com a prática de 1 ato. já que o agente age com dolo no aborto e culpa na morte da gestante. Ou seja. é um acontecimento de fato. Ela só não permite a redução da pena (Rogério Greco). ficou frustrada a conduta antecedente dolosa. 15. Aborto Culposo Consumado Morte da gestante Consequente 3) Contravenção penal: atenção para isso! Não é verdade que a tentativa aqui não é possível.: a doutrina admite tentativa no crime preterdoloso quando. 4º da LCP diz não ser punível a tentativa de contravenção penal. CP. já que o agente teve dolo ao agir – trata-se da culpa imprópria. só não nos interessa juridicamente.

O art. 129. Temos duas espécies de crimes unissubsistentes: . só responde pelos atos já praticados”. é óbvio que ele está ali praticando o crime sim e. 1ª parte. portanto. 121. já que suicídio não é crime (o crime é participar dele). Se a pessoa não morre e nem sofre lesões. Olha-se o pior resultado. ou seja.2ª situação: agente dispara – atinge a vítima. Exemplo: agente quer ferir.Desistência Voluntária: → Previsão legal: art. aquele que participou não responde por tentativa (Bittencourt discorda. 4) *Crime de atentado: Obs.: art. .Direito Penal – LFG – Intensivo I Ex. Há doutrina que admite tentativa no dolo eventual: a vontade refere-se a um querer e a um aceitar. 15 traz espécies de tentativa qualificada ou abandonada.3ª situação: agente dispara – atinge a vítima. CP). CP) – ou seja. 122. CP) – se o agente é surpreendido aplicando alguma substância em alguém (numa primeira pessoa). art. 150. 129. CP (participação em suicídio) – se a pessoa tentou se suicidar. apenas assumindo o risco de produzi-lo. CP: DESITÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ: “O agente que. Obs. 6) Crimes unissubsistentes: não admitem tentativa porque a sua execução não admite fracionamento. Culpa imprópria.crimes omissivos puros ou próprios. . O art. não é unissubsistente): violação de domicílio (art. 122.: curandeirismo (art. CP). CP. Ex. CP). a doutrina admite a tentativa. CP. a tentativa não é punível. Exceção: art. 8) Dolo eventual: o agente não quer o resultado. . voluntariamente. e . 7) Crimes que só são puníveis quando ocorre determinado resultado: ex. (17/06/09) ART.: prevalece na jurisprudência que se admite sim a tentativa (esse “assumir o risco” não deixa de ser uma vontade). mas aceita matá-la. 2) Crimes preterdolosos. que não morre: lesão consumada (art. a conduta do partícipe é atípica. desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza.1ª situação: agente dispara – não atinge a vítima: tentativa de lesão (art. excepcionalmente. 5) Crime habitual. admite tentativa se o suicida sofre lesão corporal grave). 150. Resumo: (o que está destacado deve ser levado em consideração apenas em provas abertas) 1) *Crimes culposos. que morre: homicídio consumado a título de dolo eventual (art. Obs. CP. . Obs. 284. há um crime de mera conduta que admite tentativa (e por isso. Obs. mas não obtém êxito. 7) Infrações que dependem de resultado naturalístico. a maioria admite tentativa. Rogério Grego discorda. 14 traz a tentativa simples. 3) Contravenção penal. tentar entrar no domicílio de alguém (☺Flávio Monteiro de Barros). 15. 15.crimes de mera conduta: neste temos uma exceção. Atenção para não confundir com tentativa de suicídio. 112 . 6) *Crime unissubsistente – omissivo puro/mera conduta. mas há uma fila de pessoas esperando para serem atingidas.

Para os concursos.Resultado frustrado por circunstâncias alheias à vontade do agente. uma margem de ação. não configura desistência voluntária. → Conseqüência da desistência voluntária: o agente só responde pelos atos já praticados.: . pois deve ser sempre definitiva para configurar a tentativa abandonada. . ele já consumou o crime formal e o de mera conduta. mas deixa para adentrar no imóvel no dia seguinte. Prevalece a 2ª corrente. 2ª parte. se. desenvolve nova conduta. desejando retroceder na atividade delituosa percorrida.Zaffaroni dá um sinônimo para arrependimento eficaz: resipiscência. trata-se de influência externa subjetiva. Tentativa . 2) Não consumação por circunstâncias inerentes à vontade do agente: isto é o que a diferencia da tentativa. Se a causa que determina a desistência é circunstância exterior. Há duas correntes: 1ª) a desistência momentânea é irrelevante.Resultado frustrado por circunstâncias inerentes à vontade do agente. Para a jurisprudência e para a defensoria. admite-se interferência externa. . 3) A desistência deve ser voluntária: a voluntariedade não se confunde com espontaneidade. mas não quero.Direito Penal – LFG – Intensivo I → Conceito: O agente abandona a execução do crime quando ainda lhe sobra. . → Elementos: 1) Início da execução. Assim. que compele o agente a renunciar o propósito criminoso. do ponto de vista objetivo. não há diferença nas duas hipóteses. Pergunta: Adiamento da execução configura desistência voluntária? Ex. há essa diferenciação. há tentativa. .Conseqüência: o agente só responde pelos atos já praticados. uma influência externa objetiva. mas não posso. aproveitandose dos atos já cometidos. Atenção: Voluntária é a desistência sugerida ao agente por outra pessoa. . 15. CP. retrocedendo no seu comportamento. Obs. → Conceito: O arrependimento eficaz ocorre quando o agente. portanto.: o agente remove as telhas. Desistência voluntária .*somente crimes materiais admitem arrependimento eficaz. → Elementos: 1) Início da execução. 113 . ou seja. haverá tentativa. porque se o agente já esgotou os atos executórios. na desistência eu posso prosseguir.Arrependimento Eficaz: → Previsão legal: art. responde por tentativa. 2ª) se o agente apenas suspende a execução e continua a praticá-la posteriormente.Início da execução. . No arrependimento eficaz o agente esgota os atos executórios e passa a agir de forma inversa. sendo ambos casos de desistência. 2) Não consumação por circunstâncias inerentes à vontade do agente (é o que o diferencia da tentativa). no entanto. É a chamada “Ponte de ouro”: retroceda que eu te dou um benefício. “Fórmula de Frank”: na tentativa eu quero prosseguir. não renova a execução por sua própria vontade. após terminada a execução criminosa. não se exige espontaneidade. configura desistência voluntária.Início da execução.Conseqüência regra: redução de pena.

reparado o dano ou restituída a coisa. quando não se usa grave ameaça ou violência contra a vítima. que ocorre antes da consumação. que é uma violência imprópria. não se admitiria o arrependimento posterior. . Na doutrina prevalece a segunda corrente. Arrependimento Eficaz . Obs. “Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa. O arrependimento ineficaz é mera circunstância atenuante de pena (o crime é consumado).Direito Penal – LFG – Intensivo I 3) O arrependimento deve ser voluntário (não precisa ser espontâneo) e eficaz.Início da execução. CP: ARREPENDIMENTO POSTERIOR: → Previsão legal: art.Não consumação por circunstâncias inerentes à vontade do agente. . . Obs. Mas.Início da execução. a pena será reduzida de 1/3 a 2/3”.Não consumação por circunstâncias inerentes à vontade do agente. e que.: Crimes violentos culposos admitem arrependimento posterior. A tentativa passa a ser atípica ou exclui a punibilidade? A razão para isso vem explicada em duas correntes: 1ª: Causa de exclusão da tipicidade: a tentativa é uma norma de extensão (atipicidade indireta). a jurisprudência admite o arrependimento posterior. 16. ou seja. portanto não há tipicidade.: o roubo admite o arrependimento posterior quando praticado na hipótese da segunda parte do art. Ocorre que tem uma minoria da doutrina que acredita que mesmo neste caso ocorre violência. diferente do arrependimento eficaz.O agente só responde pelos atos até então praticados ART.: hipnose. por qualquer meio. Desistência Voluntária . → Conseqüência do arrependimento eficaz: o agente só responde pelos atos até então praticados. CP. 14. até o recebimento da denúncia ou da queixa. → Requisitos: 1) Crime cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa: Obs.*O agente abandona antes de esgotar os atos executórios. portanto. .O agente só responde pelos atos até então praticados. não punível por razões de política criminal (fomentar o agente a desistir ou arrepender). O arrependimento é posterior à consumação. por ato voluntário do agente. II exige que a circunstância seja alheia à vontade. (Nelson Hungria).*O agente esgota os atos executórios.: o agente não responde por tentativa. 16. . Há circunstâncias inerentes à vontade do agente. 114 . 2) Restituição ou reparação do dano: atenção: a restituição e a reparação têm de ser integral (se somente parcial. não permite o benefício). 2ª: Causa de extinção da punibilidade: existe tentativa pretérita. se a vítima concorda com a reparação parcial. → Natureza jurídica: É causa geral de diminuição de pena. (Miguel Reali Júnior). O art. 157: “depois de havê-la. reduzido à impossibilidade de resistência” (ex. como o próprio nome indica. psicotrópicos como o “boa noite cinderela”). . Obs.

CPP: o processo está completo com a citação e não é possível citar sem que tenha havido o recebimento da inicial. haverá a extinção da punibilidade. CPP. ou seja. em que o agente se arrepende e devolve a coisa subtraída – o agente responde pelo que? ☺art. debates e julgamento). 65. CPP (o recebimento do art. 2ª) A ordem é: I) oferecimento da inicial. o juiz absolveria o agente do quê. II) recebimento da inicial. se dá quando? ☺art. não cabe o benefício. se pagar antes do recebimento da denúncia é hipótese de perdão criado pela jurisprudência. a partir da Lei 11. Ou seja. Ou seja. Prevalece hoje a 1ª corrente. CPP significa “se não rejeitar”). chama de recebimento o que está escrito no art. III) defesa escrita. IV) possibilidade de absolvição sumária.O agente se arrepende e impede. Atenção: o termo final é o recebimento e não o oferecimento da denúncia. Fundamentos: . → Critério adotado pelo juiz para a diminuição da pena: É a presteza na restituição da coisa ou na reparação do dano. VI) audiência concentrada. ainda que não espontâneo. Mas. Arrependimento Eficaz Arrependimento Posterior . 554. Nos casos de crime contra a ordem tributária. após o recebimento da denúncia.o juiz não pode absolver sumariamente antes do recebimento da acusação (o termo correto seria rejeitar a denúncia) – afinal. faltando um deles. 396. se ainda não houve acusação? c) Crime cometido sem violência ou grave ameaça a pessoa que não faz jus ao arrependimento posterior: estelionato na modalidade de cheque sem fundo – ☺Súm. Mas quando exatamente isso ocorrerá? Há duas correntes: 1ª) A ordem é: I) oferecimento da inicial. e não mera faculdade do juiz.719/08 (que trata do procedimento comum). II) citação. 395 e 396. Isso repercute. III) citação. 363. Se após o recebimento da denúncia.☺ art.Direito Penal – LFG – Intensivo I 3) A restituição ou reparação tem que ocorrer até o recebimento da denúncia. CPP. admite arrependimento posterior. 4) Voluntariedade: o ato basta ser voluntário. 396. evita a . chama de recebimento o que está escrito no art. 399. V) se não absolver sumariamente passa-se à audiência concentrada (instrução.: furto qualificado pelo rompimento de obstáculo. V) recebimento da inicial. não obsta ao prosseguimento da ação penal” – ou seja. Importantes: a) Violência contra a coisa admite arrependimento posterior? Ex. IV) possibilidade de absolvição sumária. no momento do arrependimento posterior e também no momento da interrupção da prescrição. Quanto mais rápido isso ocorrer. configurará direito subjetivo do réu. Atenção: esses requisitos são cumulativos. é mera atenuante de pena (art. .O agente se arrepende quando já houve a consumação consumação (o arrependimento posterior pressupõe a consumação) → Obs. é claro. CP). maior será o benefício. se estiverem todos presentes. 16: violência contra pessoa! Violência contra coisa não impede o benefício. b) O recebimento da denúncia. STF: “O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos. ele a receberá. Se o juiz não rejeita a denúncia. 115 .

Mas no caso do peculato doloso. §3º . 312. eis que também está contaminada pelo direito penal do autor.Direito Penal – LFG – Intensivo I d) Art. f) O arrependimento posterior é comunicável ou incomunicável? É circunstância objetiva que se comunica. demonstra o agente ser perigoso. Não é a teoria adotada no Brasil. quer em razão dos meios empregados. O Brasil adotou a Teoria Objetiva Temperada – “ineficácia absoluta do meio ou absoluta impropriedade do objeto”. 17. mesmo que a inidoneidade seja relativa. 3) Teoria Objetiva: se subdivide em: a) Objetiva Pura: não há tentativa. CP: CRIME IMPOSSÍVEL: “Não se pune a tentativa quando. ainda que o crime se mostre impossível de ser consumado. por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto. ART. “tentativa inidônea” ou “quase-crime”. e não pelo perigo de fato praticado. não podendo ser estendida a outros. Esta teoria pune o agente pelo crime. e) Peculato doloso: faz jus ao arrependimento posterior? Quanto ao peculato culposo ele é possível. razão pela qual deve ser punido. e sim pelo tentado. → Previsão legal: art. Se a impossibilidade ou impropriedade for relativa. trata-se de circunstância subjetiva incomunicável. 16. É adotada por LFG. É a corrente que prevalece. há tentativa. é impossível consumar-se o crime”. pois se relativa. → Elementos do Crime Impossível: Tentativa Idônea Início da execução Tentativa Inidônea (Crime impossível) Início da execução 116 . b) Objetiva Temperada: a ineficácia do meio e a impropriedade do objeto devem ser absolutas. 17. → Sinônimos de crime impossível: “crime oco”. É a corrente mais correta. mas não pelo crime consumado. pois exige voluntariedade. estaríamos admitindo a redução de pena para quem não cumpriu todos os requisitos do art. logo. há jurisprudência do STJ não admitindo o arrependimento posterior em crimes contra a Administração Pública. 2) Teoria Subjetiva: sendo a conduta subjetivamente perfeita (vontade consciente de praticar o crime). Não é a teoria adotada pelo Brasil. CP. CP. deve o agente sofrer a mesma pena da tentativa. todos os participantes receberão o benefício. quer por falta do objeto material. reparado o dano até a sentença irrecorrível (e não o recebimento da denúncia). A impossibilidade absoluta e a relativa são impuníveis. a tentativa é punível. → Teorias: 1) Teoria Sintomática: com sua conduta. ou é circunstância subjetiva que não se comunica? Há duas correntes: 1ª) o arrependimento posterior é circunstância objetiva comunicável. porque a moralidade administrativa jamais poderá ser integralmente reparada. Caso contrário. justamente porque quem adota esta teoria está adotando o direito penal do autor: pune-se a pessoa pelo perigo que ela representa. extingui-se a punibilidade. → Conceito: Diz-se impossível o crime quando o comportamento do agente é inapto à produção (consumação) do crime. 2ª) segundo Luiz Regis Prado.se o peculato é culposo.

Para o estudo desse tema lembramos aqui de duas espécies de prisão em flagrante: 1. em hipótese alguma. A empregada pega o dólar e sai correndo.A inidoneidade absoluta do meio configura falta de potencialidade causal.A inidoneidade absoluta do objeto ocorre quando a pessoa ou coisa que representa o ponto de incidência da conduta não serve à consumação do delito. chamamos a atenção para uma Súmula do STF: ☺ Súm. Tudo depende da preparação. impunível (delito putativo por obra do agente provocador). Trata-se. não deixando tempo para o patrão vigiar as saídas. a empregada não conseguiria praticar o delito (sair com o dinheiro de dentro da casa – esfera de vigilância da vítima). Mirabete. ele a induziu a praticar o crime e ele deixou todas as saídas vigiadas. Esse flagrante é espécie de flagrante preparado – prepara-se o flagrante sem induzir o delito. tornou-se crime impossível. Ex: atirar em cadáver. Ora. Flagrante provocado: a postura da autoridade é a de induzir à prática criminosa. Se tornasse o crime impossível. logo. Conclui-se. portanto. Ex: suponhamos que o patrão deixou o dólar. Ex: acionar arma desmuniciada. portanto. Porém. não há crime. pois os instrumentos postos a serviço da conduta não são eficazes. Trata-se de um flagrante provocado consumado. pela forma como o flagrante foi preparado. Quando a empregada pega o dinheiro. Questão de concurso – MP: Sistema de vigilância em supermercado torna o crime patrimonial impossível? A jurisprudência majoritária entende que o sistema de vigilância por si só não torna o crime impossível. 145 do STF. mulher. No lugar da dentista colocaram uma investigadora disfarçada. Ex: suponhamos que o patrão queira verificar se a empregada dele é honesta e então pega um dólar e deixa em cima da mesa. Flagrante esperado: a postura da autoridade é de espera. supondo-se grávida quando em verdade não está. O flagrante provocado é crime impossível. temos a preparação do flagrante nas duas espécies. O irmão comentou com ela o modus operandi do estuprador. o patrão já fica esperando o final do expediente. Dentro do tema crime impossível. para a produção do resultado. Ele estava diante de um flagrante esperado. abortamento por meio de rezas e despachos (há jurisprudência sobre isso). Esse flagrante é espécie de flagrante preparado – prepara-se o flagrante induzindo o delito. Ex: Em Campinas. com razão. logo. Nesse caso. nenhum estuprador conseguiria estuprar nenhuma vítima. Ela diz que quando a preparação do flagrante torna impossível a sua consumação. Logo. Ele colocou o dólar. de crime impossível. . 145. A súmula trata do gênero.Direito Penal – LFG – Intensivo I Não consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente Dolo de consumação Resultado possível (o resultado não alcançado era possível). teve uma época em que um estuprador estuprava dentistas. Do jeito que o patrão preparou o flagrante. punível. O que se entende por inidoneidade absoluta do meio ou absoluta impropriedade do objeto material? . que o flagrante esperado pode ou não ser crime e o flagrante provocado pode ou não ser crime. • Absoluta impropriedade do objeto material. Não consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente Dolo de consumação Resultado impossível de ser alcançado: • Absoluta ineficácia do meio. aguardando a prática do delito anunciado. pratica manobras abortivas. 117 . não se trata de crime impossível. Eles suspeitavam de uma pessoa e a induziram até o consultório desta dentista. Não é isso que diz a Súm. seria o local predileto de todos os furtadores do Brasil. discorda disso. Uma dentista tinha um irmão investigador. A doutrina diz que o flagrante esperado é crime possível. pressuposto para a prisão. 2. O crime impossível é hipótese de atipicidade.

É quem realiza o verbo nuclear. Zaffaroni): autor é quem tem o domínio final sobre o fato. I. que não é mais crime. O exemplo clássico não existe mais – era o adultério. nada mais é do que concurso de crimes (uma ou mais pessoas praticando vários delitos). Essa teoria não reconhece a figura do partícipe. por sua vez. é quem subtrai. Não se pode confundir concursus deliquentium com concursus delictorum. Obs. O tipo penal pressupõe o encontro das condutas. porque no crime plurissubjetivo o concurso de agente já é elementar do tipo. c) de condutas convergentes: o crime nasce do encontro das condutas. b) de condutas contrapostas: várias condutas voltam-se umas contra as outras. CP. Ex. 121. Esta teoria não faz distinção entre autores e partícipes. autor. Autor: Há 3 teorias: a) Teoria Restritiva ou Objetiva: autor é aquele que pratica conduta descrita no tipo. O autor intelectual representa um agravante de pena – ☺ art. de alguma forma. é quem falsifica ou altera. Todos que. Ex: quadrilha (art. 288. Ex: rixa (art. Esta teoria só tem aplicação nos crimes 118 . colaboraram para o sucesso da empreitada criminosa. Classificação doutrinária quanto ao concurso de agentes: A doutrina divide os crimes em 2 grandes grupos: 1. O concursus delictorum. O concursus deliquentium é o verdadeiro concurso de pessoas. CP). é quem mata. podendo ser o agente intelectual (aquele que tramou a empreitada criminosa). etc. são autores. 62. Estamos diante de um crime de concurso necessário.Direito Penal – LFG – Intensivo I CONCURSO DE PESSOAS: Conceito: Número plural de pessoas concorrendo para o mesmo evento. quem tem o poder de decisão. atual: bigamia. na falsidade de documentos. 312. art. Ele se subdivide em 3 espécies: a) de condutas paralelas: várias condutas auxiliam-se mutuamente. art. autor. São vontades que convergem. no furto. Crime Plurissubjetivo: crime que só pode ser praticado por número plural de pessoas. no homicídio. c) Teoria do Domínio do Fato (LFG. Crime Monossubjetivo: crime praticado por uma ou mais pessoas. É a teoria que prevalece entre os doutrinadores clássicos. 137. 213. 2. CP). Ex: autor. O tema concurso de pessoas só se preocupa com o crime monossubjetivo. Estamos diante de um crime de concurso eventual. b) Teoria Extensiva ou Subjetiva ou Unitária: é diametralmente oposta à primeira teoria. Concurso de pessoas nos crimes monossubjetivos: É necessário aqui lembrarmo-nos de 3 conceitos: 1.: o autor nem sempre realiza o verbo nuclear. Ex: ☺art.

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dolosos, sendo inaplicável nos crimes culposos. Atenção: esta teoria já vem sendo adotada pelo STF em suas decisões. 2. Co-autor: Em síntese, é a reunião de vários autores. O conceito de co-autor depende da teoria adotada para o conceito de autor. a) Teoria Restritiva: co-autor é o número plural de praticantes do núcleo do tipo. Ex: Várias pessoas devem subtrair, várias pessoas devem matar. b) Teoria Extensiva ou Subjetiva ou Unitária: é o número plural de pessoas concorrendo de qualquer maneira para a realização do crime. c) Teoria do Domínio do Fato: é a pluralidade de pessoas com domínio sobre o fato unitário. Várias pessoas dominam o fato em conjunto. O que é co-autor sucessivo? A regra é que todos os co-autores iniciem juntos a empreitada criminosa (co-autoria concomitante). Mas, pode acontecer que alguém, ou mesmo um grupo, já tenha começado a executar o crime, quando outra pessoa adere à conduta criminosa daquela, e agora, unidos pelo vínculo subjetivo, passam a praticar a infração penal. Ex: A começou a matar uma pessoa. B e C entram no meio do caminho e passam a matar com A. Após a consumação não é possível co-autoria sucessiva. Depois de consumado, qualquer adesão superveniente configurará crime autônomo. Ex. favorecimento pessoal e favorecimento real nada mais são do que adesões supervenientes à consumação do crime. Todos os crimes admitem co-autoria? Crime comum Não exige qualidade ou condição especial do agente. Admite co-autoria. Admite participação. Crime Próprio Crime de Mão Própria Exige qualidade ou Exige qualidade ou condição especial condição especial do do agente. agente. Admite co-autoria. Não admite co-autoria. É chamado de “delito de conduta infungível” (só o sujeito que pode praticar). Admite participação. Admite participação. Ex. peculato. Ex.: falso testemunho.

No caso em que advogado orienta testemunha a mentir, para o STF há co-autoria (art. 342, CP) e não participação. A explicação é que: o STF utilizou a expressão co-autor como sinônimo de concorrente (portanto, utilizou a expressão de forma equivocada) ou adotou a teoria do domínio do fato. É mais plausível que seja a última hipótese, o que comprova que está adotando a teoria do domínio do fato. Como chama a teoria em que o autor não precisa praticar o núcleo? Teoria do Domínio do Fato. Então, o advogado tinha o domínio da ação criminosa. (23/06/09) 3. Partícipe: Entende-se por partícipe o coadjuvante do crime (fato determinado praticado por autor conhecido e individualizado). O partícipe não realiza sequer em parte o núcleo do tipo. 119

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Vejamos as formas de participação: a) Material: dá-se pelo “auxiliar”, isto é, prestar assistência material. Ex: emprestar a arma para um homicídio, emprestar o carro para um roubo. b) Moral: dá-se pelo “induzir” ou “instigar”. O verbo induzir significa que o partícipe faz nascer a idéia criminosa. O verbo instigar significa que o partícipe reforça uma idéia que já existe. Deve-se deixar isso bem claro na denúncia. Deve-se, pois, descrever a modalidade, a forma de participação, sob pena de inépcia (denúncia genérica). OBS. Se cotejada a atuação do partícipe com o tipo legal delitivo violado, para efeito de verificação da tipicidade, será manifesta a falta de adequação, pois o partícipe não realiza ato de configuração típica. A tipicidade é indireta (depende de norma de extensão). O partícipe é aquele que fica vigiando para ver se alguém aparece, é aquele que empresta uma arma, etc. A conduta do partícipe, por si só, é atípica. Só se torna típica em razão do fato que ele está assessorando. O art. 122, CP não é um caso de participação. Induzir ou instigar é a conduta típica. Suicídio não é crime. Quando se fala em adequação, fala-se de norma de extensão pessoal e espacial – ☺art. 29, CP. Se não fosse esse art. 29, o partícipe não teria adequação típica. O partícipe nada mais é do que um comportamento acessório. Analisando a punibilidade do partícipe, há 4 teorias. Vejamos: a) Teoria da Acessoriedade Mínima: essa teoria condiciona a punição do partícipe a que a conduta principal que ele assessora seja típica. Se a conduta principal for típica, ainda que lícita, já se pode punir o partícipe. Essa teoria é injusta porque pune o partícipe de condutas acobertadas por excludentes da ilicitude. Ex.: induzir alguém a agir em legítima defesa – quem agiu em legítima defesa não responde, mas quem induziu, responde. b) Teoria da Acessoriedade Média ou Limitada: essa teoria condiciona a punição do partícipe a que a conduta principal que ele assessora seja típica e ilícita, ainda que não culpável. c) Teoria da Acessoriedade Máxima: essa teoria condiciona a punição do partícipe a que a conduta principal que ele assessora seja típica, ilícita e culpável. Se o fato não é culpável, não se pune nem o autor, nem o partícipe. d) Teoria da Hiperacessoriedade: essa teoria condiciona a punição do partícipe a que a conduta principal que ele assessora seja típica, ilícita, culpável e punível. A doutrina a critica muito. Essa hiperacessoriedade tornou praticamente impunível a participação. Qual é a corrente que prevalece? No Brasil, prevalece a teoria da acessoriedade média ou limitada. Isso significa o que, no Brasil, para se punir o partícipe, basta que o fato principal seja típico e ilícito, ainda que não culpável. No Brasil, existe a figura do autor mediato, mas que só tem razão de ser de acordo com a teoria da acessoriedade máxima. Quando se fala em imunidade parlamentar absoluta, isso toma extrema importância. Imunidade parlamentar absoluta é aquela que diz que o parlamentar é absolutamente inviolável em sua opinião, palavra e voto. Muito se discute a natureza jurídica da imunidade parlamentar absoluta, sendo para muitos hipótese de isenção de pena. Nesse caso, sendo fato principal típico e ilícito, é possível punir o partícipe (o assessor do parlamentar). O STF, no entanto, decidiu que esta imunidade exclui a tipicidade do comportamento, isentando de pena também os eventuais partícipes (teoria da acessoriedade limitada). 4. Autor mediato: Trata-se de uma criação doutrinária para suprir as lacunas da lei. Considera-se autor mediato aquele que, sem realizar diretamente a conduta prevista no tipo (diferença para o autor imediato), comete o fato punível por meio de outra pessoa, usada como seu instrumento.

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O conceito de autor mediato lembra bastante o conceito de partícipe. A diferença é que o autor mediato utiliza-se de outrem como seu instrumento. O partícipe é coadjuvante; o autor mediato é o personagem principal. Vejamos: Ex: A se vale de um inimputável, de um doente mental, para matar alguém. A é autor, co-autor ou partícipe? O autor realiza o núcleo do tipo. Se não for autor, também não poderá ser co-autor. Então, A será partícipe? Há uma lacuna. A doutrina preencheu essa lacuna, dizendo que se trata de AUTORIA MEDIATA. O Código Penal prevê 4 hipóteses de autoria mediata: a) Erro determinado por terceiro – ☺art. 20, §2º, CP. O terceiro é o autor mediato. b) Coação moral irresistível – ☺art. 22, 1ª parte, CP; c) Obediência hierárquica – ☺art. 22, 2ª parte, CP; e d) Caso de instrumento impunível – ☺art. 62, III, CP: “ou não-punível em virtude de condição ou qualidade pessoal” – ex. valer-se de um inimputável. É possível autoria mediata em crime próprio? Entende-se perfeitamente possível a autoria mediata em crime próprio. O estupro é crime próprio? É, porque exige qualidade especial do agente – o agente deve ser homem. Ex: Um homem pode induzir um doente mental a praticar conjunção carnal com uma mulher. O homem será autor mediato. Se uma mulher induz um doente mental a estuprar outra mulher, ela praticará estupro na condição de autor mediato. Foi a resposta dada pelo TJ de Santa Catarina. OBS. Quanto a isso há divergência na doutrina. Para LFG, Alexandre Carvalho, Paulo Queiroz, entre outros, o autor mediato deve possuir as qualidades ou condições especiais exigidas do autor imediato descrito no tipo. Como o tipo do art. 213, CP quer que o autor imediato seja homem, a mulher não seria autora mediata. Ela iria responder por constrangimento. Essa foi a resposta num concurso do MP/MG. É possível autoria mediata em crime de mão própria (conduta infungível)? Sendo de conduta infungível, não se tem admitido autoria mediata em crime de mão própria. Mas atenção: há uma exceção – falso testemunho. Autor de escritório: forma especial de autoria mediata, pressupõe uma máquina de poder determinando a ação dos “funcionários”, aos quais, no entanto, não podem ser considerados meros instrumentos nas mãos dos “chefões”. O autor de escritório tem poder hierárquico sobre os seus “soldados” (ex. no caso do PCC, o Marcola é o autor de escritório; comando vermelho, etc.). Requisitos para o concurso de pessoas: 1. Pluralidade de agentes; 2. Relevância causal das várias condutas (nexo causal); 3. Liame subjetivo entre os agentes (nexo psicológico): este é o requisito mais importante – deve o concorrente (co-autor ou partícipe) estar animado da consciência que coopera e colabora para o ilícito, convergindo a sua vontade ao ponto comum da vontade dos demais participantes. Obs.1: é imprescindível homogeneidade de elementos subjetivos. Só pode concorrer dolosamente em crime doloso e culposamente em crime culposo. Não existe concurso doloso em crime culposo e vice-versa. Ex: emprestar revólver para um homicida sem saber que ele irá matar alguém, quem emprestou não será concorrente. Não houve liame subjetivo. Apesar de pluralidade de agentes e relevância causal das várias condutas, faltou o liame subjetivo. Obs.2: quando se fala em liame subjetivo, jamais imagine que se está falando em ajuste prévio. Não se exige acordo de vontades, bastando vontade de cooperar na ação de outrem. Ex: A empregada 121

. Eles não são co-autores. mas há conseqüências distintas para cada um dos agentes. mas responderão pelo mesmo crime tentado por questão de política criminal (para não correr o risco de apenar injustamente o inocente). Participação de menor importância – Art. Na autoria colateral. Ela aderiu à vontade do ladrão. Porém. Ex: motorista que fica aguardando os ladrões roubarem um banco. Não existe co-autor de menor importância. CP. Consequência: ambos respondem por tentativa (in dubio.Direito Penal – LFG – Intensivo I doméstica vê um famoso ladrão rondando a vizinhança e deixa a porta da casa aberta para que o ladrão entre. 29. 334. 4) Testemunha subornada e quem suborna a testemunha: ☺art. a pena será reduzida de 1/6 a 1/3. Nesse caso. 124 e 126. em que não se apura a identidade dos autores do crime. Cada um responderá pelo seu crime. Obs. O motorista garante o sucesso da empreitada. B responderá por homicídio tentado. Conseqüência: o agente que não conseguiu consumar o crime em razão da sua conduta responde por tentativa. os dois responderão por tentativa. Por isso que se fez referência ao motorista. 4. Logo. A irá responder por homicídio consumado. porém nela não se consegue determinar qual dos comportamentos causou o resultado. A teoria pluralista serve como exceção. Ou seja. prevista no art. Ex: A e B querem a morte de C. que traz a Teoria Monista ou Unitária (várias pessoas concorrem para o mesmo fato e sofrem a mesma conseqüência). sabese quem foi o responsável pelo resultado. A participação dele é de menor importância? Não. e não aos ladrões. com relevância causal das várias condutas. Isso torna a empregada doméstica uma partícipe do crime. 2) corrupção ativa e corrupção passiva. Essa causa de diminuição do §1º só serve para o partícipe. Há autoria incerta. §1º. Em nenhum momento eles ajustaram o crime. 122 . CP: O art. Exemplos: 1) aborto – art. O fato de ser motorista do ladrão não é uma pequena eficiência. Isso que a irá diferenciar da autoria incerta. há uma autoria colateral ou uma autoria incerta (é pluralidade de agentes. CP. 29. §1º c/c art. sem liame subjetivo entre elas). pro reo).: Autoria Desconhecida ou Ignorada: não se confunde com autoria incerta ou colateral. não atuam unidos pelo liame subjetivo. A e B não estão unidos subjetivamente. 29 traz o que a doutrina chama de “participação de menor importância”. A dá um tiro e B dá um tiro. A autoria desconhecida ou ignorada é matéria de processo penal. CP. em que vários agentes concorrem para o mesmo fato. Se a sua participação no crime for de menor importância. é matéria de prova.Autoria Colateral: fala-se em autoria colateral quando dois ou mais agentes. Identidade de infração penal: A identidade de infração é um requisito ou conseqüência do concurso de agentes? A doutrina moderna vem dizendo que a identidade de infração penal é uma conseqüência-regra do concurso de agentes. e B também dá um tiro. . 3) Contrabando e descaminho e o crime de facilitação de contrabando e descaminho: ☺art.Autoria Incerta: nada mais é do que espécie de autoria colateral. não há concurso de pessoas. 318 c/c art. Entende-se por participação de menor importância aquela participação de pequena eficiência para a execução do crime. mas houver pluralidade de agentes e relevância causal das várias condutas. embora convergindo suas condutas para a prática de determinado fato criminoso. Cada um é autor do seu crime. Ex: A e B querem a morte de C. 343. A e B não estão unidos subjetivamente. 342. Toda co-autoria tem igual importância. Tem doutrina que coloca um 4º requisito no concurso de pessoas. A dá um tiro.3: Se não houver liame subjetivo. CP. C morre em razão do tiro de A. Não se sabe se a morte de C foi em razão do tiro de A ou do tiro de B. Obs. já se pode ter certeza de que não se tem concurso de agentes.

se A previu o estupro. sendo este imprevisível. O que são elementares? Faltando. o §2º também se aplica aos co-autores (abrange partícipe e co-autor). responderá só pelo furto. alterando somente a pena. Ex: funcionário público – se acrescido ao delito de apropriação indébita. ☺art. O resultado morte do latrocínio pode advir de dolo ou culpa. A agiu com culpa pelo resultado morte. B praticou o crime de latrocínio.. se A não previu o latrocínio. Ex: violência – se agregada ao furto. se retirado do homicídio. 30 diz que as elementares e as circunstâncias podem ser: objetivas ou subjetivas. Atenção: não se pode esquecer que o latrocínio é crime doloso ou preterdoloso. Não se aplica o §2º para crime preterdoloso. sendo ele imprevisível. B responderá por latrocínio doloso e A responderá por latrocínio preterdoloso. vira roubo. o fato permanece o mesmo crime. volta a ser apropriação indébita. Se era previsível. “Se algum dos concorrentes quis participar (. Mas e A. Quando B entra na casa. Elementares e Circunstâncias: A identidade de infrações é um requisito ou uma conseqüência do concurso? A doutrina moderna estipula que é conseqüência. continua homicídio. A circunstância não interfere na tipicidade. CP: Temos aqui o que a doutrina chama de “cooperação dolosamente distinta” ou participação em crime menos grave. A fica na condição de vigia e B entra na casa. Responderá por furto mais estupro. §2º. CP: esse artigo tem uma redação que a doutrina não obedece tanto. além de furtar. 157. vira furto. 2. mas sem privilégio. Quando chegam na casa.Direito Penal – LFG – Intensivo I Cooperação dolosamente distinta – Art. Ex: Vamos supor que A e B combinam um furto (art. 29. se retirado do peculato. se A não previu o latrocínio. O art. se A não previu o estupro. mas na sanção penal. 3. responderá pelo quê? Depende: 1. Ex: Vamos supor que A e B combinam um roubo (art. com privilégio. se A não previu o estupro. Ao contrário do que ocorre no §1º. continua homicídio. sem aumento. 2. É perfeitamente possível a existência de elementares e circunstâncias. Ela monta um gráfico que foi aceito pela jurisprudência. Responderá por furto mais a pena majorada até metade. 123 . A responderá pelo estupro? Depende: 1. ele resolve. também responderá pelo crime. se A previu o latrocínio. responderá só pelo furto. também responderá por ele. mas era previsível (possibilidade de prever). Ex: domínio de violenta emoção logo em seguida a justa provocação da vítima – se somado ao homicídio. CP). vira peculato. E o que é circunstância? Faltando. A fica vigiando e B entra na casa. responderá só pelo roubo. responderá por latrocínio. 30. responderá pelo quê? A doutrina diz que ele responderá por roubo majorado até metade. com a pena majorada. ele se depara com a moradora. 155. Quando B entra na casa. o fato deixa de ser crime ou passa a configurar outro delito. CP). 3. Então. mas ele era previsível. Logo. se retirada do roubo.)”. estuprar a moradora.. ele se depara com o morador e mata-o para poder roubar. aceitando-o.

Ex: meio cruel. O arrependimento passa a ser circunstância alheia à vontade do partícipe. A é auxiliado pelo particular B. Ele queria que a gestante respondesse pelo art. É necessário saber se B tem conhecimento a respeito das condições pessoais de A. sendo o fato principal atípico. que interferem na pena. estado anímico do agente ou condições pessoais. Se tiver. Comunica-se. São aquelas que interferem somente na pena. 123. CP: É uma observação mais histórica do que atual. configuram circunstâncias objetivas. 31. Trata-se de elementar subjetiva. o fato principal continua sendo típico e ilícito (a tentativa é típica e ilícita). a reincidência não muda o crime. portanto. na condição de partícipe. somente não será responsabilizado se conseguir fazer com que o agente principal não pratique a conduta delituosa. Ex: reincidência – presente ou não. E o A? também responderá por lesão corporal ou responderá por homicídio tentado? Depende da natureza jurídica que se dá à desistência voluntária e ao arrependimento eficaz. arrepende-se e socorre eficazmente C. CP traz uma hipótese de atipicidade da tentativa ou de não punibilidade da tentativa? Se entendermos como atipicidade. o coadjuvante e o colaborador? Vamos supor que A induz B a matar C. B responderá também por peculato. nele incutindo a idéia criminosa. responderá por lesão corporal. modo surpresa. depois de efetuar 2 tiros contra C. E se for o contrário? E se quem se arrepende for o partícipe? Ele responderá pelo crime? Se o partícipe houver induzido o autor. Que crime pratica B? Depende. O Código Penal só reconhece a elementar subjetiva e objetiva. e não no tipo. 123 passará para o art. 121. As circunstâncias são comunicáveis apenas se objetivas. Lembre-se de que o arrependimento deve ser eficaz. 15. As elementares são comunicáveis. ao se arrepender. ou seja. Reparem que B se arrependeu de maneira eficaz – ocorreu então a tentativa abandonada. portanto. Fala sobre o delito do infanticídio. A punição do partícipe está de acordo com a Teoria da Acessoriedade Limitada. As elementares e as circunstâncias subjetivas estão ligadas ao motivo. funcionário público. A elementar personalíssima é contra legem. Se entendermos como não punibilidade. O art. ao partícipe. o crime será modificado (de art. Qual é o crime cometido por A e qual é o crime cometido por B? A comete peculato. o partícipe será punido por tentativa de homicídio. Se retirarmos o estado puerperal. Ex: A. A doutrina costuma dar como exemplo a quadrilha ou bando (crimes em que o legislador pune meros atos preparatórios). dependendo de requisitos subjetivos. (Prevalece a corrente que traz que o art. 123 e os concorrentes pelo art. mas a pena. A elementar personalíssima não tem guarida legal. CP). Por que isso? A comunicabilidade não é absoluta. As circunstâncias subjetivas são sempre incomunicáveis. portanto. B. 121.Direito Penal – LFG – Intensivo I As elementares e as circunstâncias objetivas estão ligadas ao meio/modo de execução. Nélson Hungria chamava estado puerperal de “elementar personalíssima” para evitar que o infanticídio se comunicasse a co-autores e partícipes. Se não tiver conhecimento. desde que obviamente ingressem na esfera de consciência do partícipe. ☺art. (Se o partícipe houver induzido ou instigado o autor 124 . Observações finais: ☺art. 15 é uma hipótese de punibilidade da tentativa). responderá por simples apropriação indébita. Se não integrarem o tipo. O próprio Nélson Hungria se retratou posteriormente. pois o estado puerperal é o desequilíbrio físico-psíquico da parturiente. Não se comunica. Isso evita eventual responsabilidade penal objetiva. CP: “salvo disposição expressa em sentido contrário”. não tem como punir o partícipe por tentativa de homicídio. quer se apropriar de bens públicos que tem em sua posse em razão do cargo. → Punibilidade da participação no caso de desistência voluntária ou arrependimento eficaz do autor principal: Se o autor principal desistir voluntariamente ou se arrepender eficazmente impedirá a punição do partícipe? Beneficiará o partícipe. B deixa de responder por tentativa de homicídio e responderá pelos atos até então praticados. Por isso que é uma observação histórica. pouco importa se objetivas ou subjetivas. CP.

desde que o omitente: 1) tenha o dever jurídico de evitar o resultado (☺art. Não é raro o MP denunciar o padrasto por estupro e denunciar a mãe que tinha conhecimento do estupro e nada faz. É necessário ter o aderir subjetivamente para evitar a responsabilidade penal objetiva. → É possível participação por omissão? Tem como ser partícipe de um crime. O passageiro será partícipe. o passageiro será co-autor. omitindo-se? Sim. essas 3 pessoas são co-autoras de omissão de socorro. quando induz a dirigir em alta velocidade. mas não participação. que é impunível). a se arrepender. uma tábua para cair numa caçamba. fazendo do agente autor. 3) haja a relevância da omissão.) .2ª Corrente (Rogério Greco): Admite participação também. 125 . 2) adira subjetivamente (juntar sua vontade à do autor principal). o policial responderá por estupro na condição de omitente.3ª Corrente: é a que prevalece. Ela é partícipe por omissão. e não co-autores. E quem não tem o dever jurídico de evitar o resultado? Responderá como partícipe? A abstenção de atividade apenas pode determinar uma participação penalmente relevante se foi anteriormente prometida pelo omitente como condição de êxito para a ação criminosa (se não houve promessa. somente não será responsabilizado penalmente se conseguir fazer com que o autor não pratique a conduta criminosa (deve ser eficaz).1ª Corrente (Majoritária): Crime culposo admite co-autoria. do alto de um prédio. a concausação culposa importa sempre em autoria. Pode-se induzir ou instigar alguém a omitir socorro. 13. mas todos os presentes que se omitirem são autores de sua omissão. segundo ela crime omissivo admite participação. Eles lançam.1ª Corrente: crime omissivo não admite concurso de agentes (todos os omitentes são autores da sua omissão). → É possível concurso de agentes em crimes omissivos? É possível ser partícipe de omissão de socorro? Há divergência. Ocorre um atropelamento. . §2º. Ex: Um policial percebe que a mulher está sendo levada para um matagal. Vejamos: . Logo. Se o policiar aderir subjetivamente ao estupro (quer ou assume o risco) e há uma relevância da omissão. → É possível concurso de agentes em crimes culposos? Ex: Imagine dois trabalhadores de uma obra. O passageiro. mas não co-autoria (cada omitente é autor da sua omissão). Logo. CP). Os dois funcionários são autores ou co-autores desse homicídio culposo? Ex: Motorista e passageiro. Por que não admite participação? Qualquer concausação culposa importa violação do dever objetivo de cuidado. Para essa corrente. e nele se encaixa todo comportamento que viola o dever objetivo de cuidado.) → É possível participação da participação? É possível participação em cadeia? É perfeitamente possível. Ex: A induz B a instigar C a auxiliar D a matar E. (o crime culposo é normalmente definido por um tipo penal aberto.Direito Penal – LFG – Intensivo I e vier.2ª Corrente: crime omissivo admite concurso de agentes (tanto co-autoria quanto participação). é mera conivência atípica ou participação negativa. O passageiro induz o motorista a dirigir em alta velocidade. Percebe que a mulher seria estuprada. A tábua cai e mata um pedestre. Ex: vizinho que percebe que a casa do outro está sendo assaltada e nem liga para a polícia. se 3 pessoas estão vendo alguém precisando de socorro e nada fazem. . O motorista é autor de homicídio culposo? E o passageiro? Vejamos as correntes sobre o tema: . está sendo tão negligente quanto o motorista.

126 . mais grave. Vejamos: 1. Princípio da Especialidade: A lei especial derroga a lei geral. necessariamente. Ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo crime (Princípio do Non Bis In Idem). Apenas uma norma deve se adequar ao fato. 2. O STJ e o STF não estão atentando para a vigência. em regra. CP. Este conflito se resolve. duas ou mais normas vigentes são aplicáveis. pela posterioridade e. entendendo que para a doutrina moderna há apenas 3 princípios. não concorda. Há quem diga em “conflito aparente de leis”. Duas ou mais leis vigentes aparentemente aplicáveis. “A lei é especial quando contém todos os elementos típicos da lei geral mais alguns específicos (chamados de especializantes)”. O assunto é difícil. mas a doutrina moderna prefere chamar de “conflito aparente de normas”. pois se uma norma não estiver vigente. Fato único. Obs. no segundo. As duas normas devem estar vigentes. O direito é um sistema coerente. aparentemente. temos vários crimes ajustando-se a várias normas. Logo. temos duas leis vigentes e um só fato. Fundamentos: Quais os fundamentos para se estudar o conflito aparente de normas? Vejamos: 1. é necessário que ele tenha instrumentos para resolver o conflito interno. a um só fato. Princípios orientadores: A doutrina costuma falar em 4 princípios.Direito Penal – LFG – Intensivo I CONFLITO APARENTE DE NORMAS: Há muita divergência sobre esse tema. Inclusive no que diz respeito ao próprio título. Requisitos: Do conceito se extraem 2 requisitos do conflito aparente de normas: 1.: o conflito aparente de normas não se confunde com o concurso de crimes: no primeiro. estar-se-á diante de um conflito da lei penal no tempo. pela lei mais benéfica – ☺art. 2. A lei especial não é. porque a jurisprudência não segue o que a doutrina prega. Isso é um erro crasso. 4º. excepcionalmente. O prof. Por isso que o conflito será sempre aparente. Conceito: Ocorre o conflito aparente de normas quando.

mas não pode tratar dessa forma. 311 e o art.072/90 – dispôs que a proibição é somente de fiança. O art. Logo. A norma menos grave deve ser subsidiária. como um “soldado de reserva”. Tem jurisprudência nesse sentido. Além desse argumento. Essa é a posição dos Tribunais Superiores. A relação entre as normas subsidiárias e principal é de maior ou de menor gravidade. 123 é especial e. Porém. 302 do CTB que também pune o homicídio culposo no trânsito – com veículo automotor. não impedindo a liberdade provisória. No entanto. Ex: Art.2: Art. Quando se diz “equiparados” é necessário lembrar-se do tráfico. O infanticídio também pune “matar alguém”. Nessa hipótese de conflito aparente. segundo Nélson Hungria. mas de sucessão de lei penal no tempo. 312 está punindo em alta velocidade. Veio a Lei 11. Veio a Lei 11. 307. O crime mais grave pode ser o estelionato. O art. A fotográfica integra documento. A pena mais grave seria do art. Deve evitar o bis in idem. mas negligentemente. tem-se o art. 312 têm ponto em comum. o tráfico permite liberdade provisória? O STJ tem vários argumentos. 311. O STJ e o STF impedem a liberdade provisória não só para o tráfico. Obs. Se o fato de abrangência comum não consegue preencher os requisitos da norma mais grave. mas eles protegem o crime de forma diferente. Aparentemente. 127 . será crime de falsidade documental. ela é mais benéfica. Exemplo de norma especial mais grave do que a norma geral: Homicídio culposo e homicídio culposo no trânsito.464/07 que revogou o inciso I do art. o comportamento dela se subsume ao art.343 é lei especial se comparada aos crimes hediondos que é lei geral. 121 e ao art. Um deles é que a Lei 11. Está equivocado! O STJ está tratando o caso como conflito aparente de normas. deverá aplicar a hipótese do crime mais grave. O elemento pessoal (estado puerperal) e o elemento cronológico (“logo após”). É uma subsidiariedade expressa. O art. Princípio da Subsidiariedade: Uma lei tem caráter subsidiário relativamente à outra (dita principal) quando o fato por ela incriminado é também incriminado pela outra (mais grave). 302 é de especialidade. o art. As duas normas estão vigentes. mas para todos os crimes equiparados. ele diz que a liberdade provisória está vedada implicitamente ao ser vedada a fiança. pois não significa que lei especial é mais grave. 132. Portanto. Esses 4 elementos são os famosos “especializantes”. O problema aqui não é de conflito aparente de normas. 121. Código Penal – “se o fato não constitui crime mais grave”. mesmo assim. Aplica-se a norma principal (mais grave). no conflito aparente. 121. Há 02 espécies de subsidiariedade: a) Expressa ou Explícita: Quando a lei expressamente dita a subsidiariedade. aplica-se a norma menos grave. a mãe que mata o próprio filho durante ou após o parto. deve resolver o problema pela posterioridade. CTB. É possível liberdade provisória no tráfico? Tem a Lei 8. e não de espécie e gênero como na especialidade. 121 com o art. Ex: homicídio com infanticídio – o homicídio pune “matar alguém”. A relação do art. 123. b) Implícita ou Tácita: Quando um delito de menor gravidade integra a descrição de um delito de maior gravidade. §3º pune o homicídio culposo.Direito Penal – LFG – Intensivo I A doutrina moderna fala em “norma” ao invés de “lei”. O nascente ou o neonato como sujeito passivo. 2.072/90 proibindo para crimes hediondos e equiparados fiança + liberdade provisória.1: Art. O art.343/06 (lei específica para o tráfico) que proíbe para tráfico fiança + liberdade provisória. 123 tem a parturiente como sujeito ativo. CP – “se o fato não constitui elemento de crime mais grave”. Se agora cabe liberdade provisória para os crimes hediondos e equiparados. Ex.: Substituir fotografia na carteira de identidade – que crime que configura? Tem gente que fala em “falsa identidade”. Ex. 2º da Lei 8. O art. A norma fica. Para tratar assim é necessário que as duas normas estejam vigentes. tendo o âmbito de aplicação comum (mas abrangência diversa). Trata-se de crime de perigo e de crime de dano. A lei especial revoga a lei geral. 307 diz que é falsa identidade se não constituir elemento de crime mais grave. atropelou alguém.

Um crime que é parte de um todo. É o crime-meio que o agente escolheu dentre os crimes possíveis. o agente responde somente pelo crime mais grave. posteriormente. tenho que ferir). afasta-se a aplicação da regra subsidiária. Súmula 17 do STJ: a relação da falsidade documental e do estelionato é de crime-meio para crime-fim. quer ferir e. para tanto. de meio para fim. responde apenas pelo estelionato. Ex: falsidade documental com estelionato. portanto. Obs. Três são as principais hipóteses de aplicação do Princípio da Consunção: a) Crime Progressivo: Nada mais é do que a aplicação do Princípio da Consunção. depois da ofensa. exige lesão ao mesmo bem jurídico. obrigatório. o agente quer cometer o crime menos grave (e consuma). o agente delibera realizar crime maior (quero ferir e. para ficar absorvido o crime meio. ficando absorvido). Na progressão criminosa é um crime que se dá em dois momentos (dois atos). A lesão é um crime de passagem.Direito Penal – LFG – Intensivo I Em ambas as hipóteses (subsidiariedade expressa ou tácita). 17 do STJ. Tem súmula do STJ que ignora isso – ☺Súm. resolve matar). Como chama o crime de lesão corporal nesse caso? “Crime de ação de passagem” (crime obrigatório para se atingir um crime mais grave. b) Fato anterior impunível (antefactum impunível): são fatos anteriores que estão na linha de desdobramento da ofensa mais grave (relação crime-meio para crime-fim). O cheque se esgota na compra. Na progressão criminosa. crime progressivo não se confunde com progressão criminosa. Princípio da Consunção ou Absorção: Verifica-se a relação de consunção quando o crime previsto por uma norma (consumida) não passa de uma fase de realização do crime previsto em outra norma (consuntiva) ou é uma forma normal de transição para o último (crime progressivo). por um crime menos grave. Atenção: crime progressivo não se confunde com progressão criminosa. prevalece o todo. O crime consumido e o crime consuntivo devem proteger o mesmo bem jurídico. Atenção: a jurisprudência não observa isso. No caso do fato anterior impunível. precisa passar pela falsidade documental? Não. tem de passar pelo crime de lesão corporal (lesão e homicídio). não é hipótese de crime progressivo. Essa súmula está aplicando o princípio da Consunção. Se envolver bens jurídicos diversos. Um crime que é meio de um crime fim. 128 . o fim almejado é o homicídio. Assim. obrigatoriamente. jamais diria que a falsidade documental fica absorvida pelo crime de estelionato. portanto. Ex. emite-se cheque falso para realizar determinada compra. Aplica-se o princípio de que a lei primária derroga a lei subsidiária. o agente primeiramente. Depois de cometê-lo. O contrário ocorre com o cartão de crédito que não se exaure na compra. Na progressão criminosa. Para matar alguém. É crime progressivo? O estelionato. em princípio. o crime foi casualmente o meio para atingir o crime-fim. Ex: Tem como matar alguém sem ferir ou ferir a integridade física de uma pessoa? Não tem. No crime progressivo. Primeiro. É uma nova vontade que surge na execução. Qual é a sensível diferença do crime progressivo para o fato anterior impunível? A diferença é que no crime progressivo. O crime progressivo se dá quando o agente para alcançar o resultado/crime mais grave passa. Nos dois casos. a doutrina. a jurisprudência costuma adotar o concurso material. 3. ocorrendo o delito principal (mais grave). Logo. Se a jurisprudência observasse isso. A consunção pressupõe que os crimes protejam o mesmo bem jurídico. necessariamente. desde o início o agente deliberou o crime mais grave (quero matar. é punido também o crime de falsidade. envolve-se o mesmo bem jurídico. só se aplica o crime fim. necessariamente. Nesse princípio. No crime progressivo. o crime anterior é indispensável. Para o STJ. o crime-fim absorve o crime meio somente quando se exaure no crime-fim. ele resolve matar. Absorver um pelo outro é o mesmo que um bem jurídico ficar sem proteção. a relação entre as normas é de parte para todo.

Isso significa que se praticou 4 crimes de tráfico? Se os 4 núcleos forem praticados num mesmo contexto fático.: Tem doutrina que diz que o Princípio da Subsidiariedade nem precisava existir. O requisito de conflito aparente de normas é a pluralidade de normas aplicáveis. Consumou o furto. Para a doutrina moderna. pune-se ambos os crimes). Logo. 129 . O que são esses crimes? São crimes compostos de pluralidade de verbos nucleares (ações típicas). Mas o que vale um talão de cheque? Para que se tenha algum lucro. Lei de Drogas 11. O Princípio da Alternatividade tem aplicação nos crimes plurinucleares ou de ação múltipla ou de conteúdo variado. pois estaria incluído na especialidade e não consunção. (. é o crime-meio. responderá pelos dois crimes. Princípio da Alternatividade: A doutrina moderna diz que ele não resolve o conflito aparente de norma. Esse artigo traz 18 núcleos. 33. exportar. Obs. por ele não podendo ser punido. O estelionato fica absorvido pelo furto. Há jurisprudência nesse sentido. portanto. trazer consigo e vender. 4. a alternatividade resolve conflito interno de uma norma.. não desnatura a unidade do crime e então só há um crime de tráfico. Ex: A furtou um talão de cheque. Pelo posfactum impunível. Se o agente importar. é necessário passar o cheque no comércio. Ignora o Princípio da Consunção. fabricar. que fica absorvido. Atenção: se importar maconha e vender cocaína não estão no mesmo contexto fático.)”. Ex: A vende o carro como se fosse dele. 33.Direito Penal – LFG – Intensivo I c) Fato posterior impunível (posfactum impunível): O fato posterior impunível retrata o exaurimento do crime principal praticado pelo agente.343/06 – “importar. O antefactum. praticou 4 núcleos do art. No posfactum. Furtar o carro e vender o carro está na linha do desdobramento da busca do lucro pelo furto.. somente o furto seria punido. Ex: art. remeter. guardar. mas resolve o conflito aparente interno de uma norma. o que fica absorvido é o crime praticado depois de exaurir o crime querido. a subtração do talão de cheque seguida de estelionato é concurso material de delito (há vítimas diversas. Para Francisco de Assis Toledo.

Crimes instantâneos de efeitos permanentes: Ocorrem quando. Crime Vago: São os que têm por sujeito passivo entidade sem personalidade jurídica. sem continuidade temporal. 180. A consumação se dá num determinado instante. Crime de Opinião: São os crimes que consistem em abuso de liberdade de pensamento. Tem gente entende que só o louco pratica um crime sem motivo. 1ª Classificação: 1. Ele é autônomo na punição. 2. 3. Crimes permanentes: São os que causam uma situação danosa ou perigosa que se prolonga no tempo. à tipicidade. Pode punir o receptador mesmo tendo absolvido o furtador. CP. O ato obsceno é crime especial por que ele não tem o quê? É um crime que não tem objeto material. 5. critica a existência dessa modalidade de delito. como a família. Ex: receptação (adquire coisa produto de crime anterior).: Damásio diz que todo crime tem efeito permanente. Para punir o receptador não precisa punir o furtador. No roubo. não havendo deliberação. Delito de Circulação: Praticado por intermédio de automóvel. Ex: seqüestro. O crime é acessório somente quanto à existência. seja pela palavra. Os parlamentares são imunes a esses crimes de opinião. o público ou a sociedade. furto. 2ª Classificação: 1. é um efeito permanente. Crime de Ímpeto: É aquele em que a vontade delituosa é repentina. consumada a infração em dado momento. 2. 3ª Classificação: 1. Ex: homicídio.Direito Penal – LFG – Intensivo I CLASSIFICAÇÕES DOUTRINÁRIAS DOS CRIMES: Eduardo Corrêa escreveu um livro que traz mais de 180 classificações de crime. A doutrina. para existirem. portanto. é um efeito permanente. §4º. Ex: homicídio emocional. Delito Transeunte e Não-transeunte: a) Transeunte: É aquele que não deixa vestígio. Crimes principais: São os que existem independentemente de outro. ao ser agredido. No furto. furto. os efeitos permanecem independentemente da vontade do sujeito ativo. Ex: homicídio. 2. imprensa ou qualquer outro meio de transmissão. 6. Crimes instantâneos: São os que se completam num só momento. pressupõem outros. 4. Crimes acessórios: São os crimes que. 3. Atenção: não se confunde com motivo fútil (motivo pequeno). Aqui veremos as principais. Basta haver prova de que a coisa é produto do crime . Ex: Ato obsceno. ao perder o objeto. 130 . instantâneo ou não. Obs. fruto do domínio de violenta emoção. Crime Gratuito: São os crimes praticados sem motivo. b) Não-transeunte: É aquele que deixa vestígios.☺art. sendo indispensável a perícia.

Delitos de Obstáculo (Delitos de Perigo de Perigo): Refere-se a incriminações que antecipam a intervenção penal a momentos anteriores à realização do perigo concreto e imediato. Não está dizendo que a paralisação dos empregados é crime. Delitos de Preparação: São aqueles que retratam atos preparatórios que foram tipificados como crimes autônomos. Ex: art. 5ª Classificação: 1. as circunstâncias demonstram que a sanção penal é desnecessária. 6ª Classificação: 1. Delito Monossubjetivo: São aqueles que podem ser praticados por uma ou mais pessoa. 2. 264. Delito Plurissubjetivo: São aqueles de concurso necessário. 2. Crime de greve: Crimes praticados durante a paralisação dos empregados. 2. Delito Bagatelar Impróprio: Apesar de a conduta gerar relevante lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico. 131 . CP . Crime Bagatelar Próprio: A conduta não gera lesão ou perigo lesão ao bem jurídico (hipótese de atipicidade material). 2. O plurissubjetivo se divide em 03: a) Condutas paralelas b) Condutas contrapostas c) Condutas convergentes 3. Ex: furto.Pune-se o perigo do arremesso que gera o perigo do perigo que esse arremesso possa gerar. Ex: lesão corporal seguida de morte praticada durante uma greve. Crimes de Lock Out: Crimes praticados durante a paralisação dos empregadores.Direito Penal – LFG – Intensivo I 4ª Classificação: 1. roubo. Delito Eventualmente Coletivo: São aqueles crimes que se praticados por número plural de agentes aumenta a pena. São aqueles de concurso eventual. Ex: quadrilha ou bando. 7ª Classificação: 1. Este nada mais é do que a exteriorização do Princípio da Bagatela Impróprio. Ex: homicídio. Ex: perdão judicial.

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