Direito Penal – LFG – Intensivo I

Prof.: Rogério Sanches Bibliografia: 1. Cezar Roberto Bitencourt, 2. Parte Geral de Rogério Greco; Coleção Ciências Criminais, LFG – www.livrariart.com.br ÍNDICE DIREITO PENAL:......................................................................................................................................4 Conceito:..................................................................................................................................................4 Finalidade / Função: ................................................................................................................................4 Direito Penal Objetivo e Direito Penal Subjetivo:...................................................................................4 FONTES DO DIREITO PENAL: ...............................................................................................................5 Fonte material:.........................................................................................................................................5 Fonte formal:............................................................................................................................................5 Fontes Mediatas:......................................................................................................................................5 INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL: .......................................................................................................7 Finalidade:...............................................................................................................................................7 Espécies:..................................................................................................................................................7 PRINCÍPIOS NORTEADORES DO DIREITO PENAL: ..........................................................................9 Princípios relacionados com a missão fundamental do Direito Penal:....................................................9 Princípios relacionados ao fato do agente:.............................................................................................10 Princípios relacionados com o agente do fato:......................................................................................14 Princípios relacionados à pena:..............................................................................................................16 LEI PENAL NO TEMPO:.........................................................................................................................18 Sucessão de leis penais no tempo:.........................................................................................................18 LEI PENAL NO ESPAÇO:.......................................................................................................................23 Princípios:..............................................................................................................................................23 IMUNIDADES:.........................................................................................................................................27 Constitucionalidade:..............................................................................................................................27 Espécies de Imunidades:........................................................................................................................27 TEORIA DO CRIME SEGUNDO LFG: ..................................................................................................32 Fato Típico:............................................................................................................................................32 TEORIA DO CRIME: TEORIA GERAL DA INFRAÇÃO PENAL: .....................................................38 Conceito de Infração Penal:...................................................................................................................39 Conceito Analítico de Crime, de acordo com as várias Teorias:...........................................................39 Sujeito Ativo do Crime:.........................................................................................................................40 Sujeito Passivo do Crime:......................................................................................................................41 Objeto Material:.....................................................................................................................................41 Objeto Jurídico:......................................................................................................................................41 TEORIA DO CRIME: SUBSTRATOS DO CRIME:...............................................................................42 FATO TÍPICO:......................................................................................................................................42 1) CONDUTA:..............................................................................................................................42 Crime Doloso: ...............................................................................................................................45 Crime Culposo:..............................................................................................................................49 Crime Preterdoloso:.......................................................................................................................51 Erro de tipo:...................................................................................................................................52 - Conceito:......................................................................................................................................52 - Erro de Tipo x Erro de Proibição:...............................................................................................53 - Espécies de Erro de Tipo:............................................................................................................53 a) Essencial: ..................................................................................................................................53 1

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b) Acidental: .................................................................................................................................53 - Erro de Tipo x Delito Putativo por Erro de Tipo:.......................................................................56 Erro de subsunção:.........................................................................................................................56 Erro Provocado Por Terceiro:........................................................................................................57 Ação (Crime Comissivo):..............................................................................................................57 Omissão (Crime Omissivo):..........................................................................................................57 Crime de conduta mista:................................................................................................................58 2) RESULTADO:..........................................................................................................................60 Espécies:........................................................................................................................................60 Classificação do crime quanto ao resultado:..................................................................................60 3) NEXO CAUSAL:......................................................................................................................61 Conceito de Relação de Causalidade: ...........................................................................................61 Concausas: ....................................................................................................................................63 4) TIPICIDADE:............................................................................................................................66 Conceito de Tipicidade Conglobante: ...........................................................................................67 Conseqüência: ...............................................................................................................................67 Espécies de Tipicidade Formal:.....................................................................................................67 ILICITUDE:...........................................................................................................................................69 → Conceitos de Ilicitude: .............................................................................................................69 → Relação Tipicidade x Ilicitude:.................................................................................................69 → Ilicitude x Antijuridicidade:......................................................................................................70 → Causas Excludentes da Ilicitude:..............................................................................................70 a) Estado de Necessidade: .............................................................................................................70 b) Legítima Defesa: .......................................................................................................................73 c) Estrito Cumprimento do Dever Legal: ......................................................................................75 d) Exercício Regular de um Direito: .............................................................................................75 e) Ofendículos: ..............................................................................................................................76 f) Classificação do Excesso nas descriminantes/justificantes:.......................................................77 g) Consentimento do Ofendido: ....................................................................................................77 → Descriminantes Putativas: ........................................................................................................78 CULPABILIDADE:..............................................................................................................................80 → Teorias da Culpabilidade:.........................................................................................................80 → Elementos da Culpabilidade:....................................................................................................81 a) Imputabilidade: .........................................................................................................................82 b) Potencial consciência da ilicitude:.............................................................................................85 c) Exigibilidade de conduta diversa: .............................................................................................87 PUNIBILIDADE:..................................................................................................................................89 → Causas de extinção da punibilidade:.........................................................................................89 → Hipóteses do art. 107, CP:........................................................................................................90 I) Pela morte do agente: ................................................................................................................90 II) Pela anistia, graça ou indulto:...................................................................................................90 III) Pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso:.............................93 IV) Pela prescrição, decadência ou perempção:............................................................................93 - Decadência:.................................................................................................................................93 - Perempção:..................................................................................................................................94 - Prescrição:...................................................................................................................................94 Prescrição da pretensão punitiva: ..................................................................................................95 Prescrição da pretensão executória: ............................................................................................100 V) Pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada:........103 VI) Pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite:.................................................104 VII) Pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei:.................................................................105 ITER CRIMINIS:....................................................................................................................................107 Conceito:..............................................................................................................................................107 2

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Fase Interna:.........................................................................................................................................107 Fase Externa:........................................................................................................................................107 Crime consumado:...............................................................................................................................108 Classificação doutrinária do crime quanto ao momento consumativo:...............................................108 Crime Tentado:....................................................................................................................................109 Infrações penais que não admitem tentativa:.......................................................................................111 Art. 15, CP: Desitência Voluntária e Arrependimento Eficaz:............................................................112 - Desistência Voluntária:..............................................................................................................112 - Arrependimento Eficaz:.............................................................................................................113 Art. 16, CP: Arrependimento Posterior:..............................................................................................114 Art. 17, CP: Crime Impossível:...........................................................................................................116 CONCURSO DE PESSOAS:..................................................................................................................118 Conceito:..............................................................................................................................................118 Classificação doutrinária quanto ao concurso de agentes:...................................................................118 Concurso de pessoas nos crimes monossubjetivos:.............................................................................118 Requisitos para o concurso de pessoas:...............................................................................................121 Participação de menor importância – Art. 29, §1º, CP:.......................................................................122 Cooperação dolosamente distinta – Art. 29, §2º, CP:..........................................................................123 Elementares e Circunstâncias:.............................................................................................................123 Observações finais:..............................................................................................................................124 CONFLITO APARENTE DE NORMAS:..............................................................................................126 Conceito:..............................................................................................................................................126 Requisitos:...........................................................................................................................................126 Fundamentos:.......................................................................................................................................126 Princípios orientadores:.......................................................................................................................126 CLASSIFICAÇÕES DOUTRINÁRIAS DOS CRIMES:.......................................................................130 1ª Classificação:...................................................................................................................................130 2ª Classificação:...................................................................................................................................130 3ª Classificação:...................................................................................................................................130 4ª Classificação:...................................................................................................................................131 5ª Classificação:...................................................................................................................................131 6ª Classificação:...................................................................................................................................131 7ª Classificação:...................................................................................................................................131

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“Art. 57). proibida em qualquer caso a pena de morte. referimos ao funcionalismo.Funcionalismo Teleológico: para os funcionalistas teleológicos (Roxin). que tolera a aplicação pelos grupos privados (indígenas) de sanções penais (exceto pena cruel. → Poder Punitivo do Estado: é limitado: a) Limitação temporal: ex. valendo-se das medidas de políticas criminais. mas forma de defesa.” 4 . atrelado aos fins da pena. de acordo com as instituições próprias. art. . As correntes funcionalistas se dividem em: . portanto. bem como a convivência harmônica entre os membros do seu grupo.: a prescrição (há 2 exceções: racismo e formação de grupos armados).Sob o aspecto formal. de sanções penais ou disciplinares contra os seus membros. visando assegurar a necessária disciplina social. Finalidade / Função: Quando se fala em finalidades do direito penal. CP (Princípio da Territorialidade – como regra). 5º. mas há uma exceção: Estatuto do Índio (Lei 6. este ramo do direito deve ser a “ultima ratio” (Princípio da Intervenção mínima). c) Limitação modal: Princípio da dignidade da pessoa humana (e este princípio não comporta nenhuma exceção). pois não dá o direito de punir). .: CPB) . O direito de punir é monopólio do Estado. Ambos se complementam – o DP objetivo é expressão ou emanação do DP subjetivo. Direito Penal é mais um instrumento (ao lado dos demais ramos do direito) de controle social de comportamentos desviados. desde que não revistam caráter cruel ou infamante.Já sob o enfoque sociológico. IMPORTANTE!!! Direito Penal Objetivo e Direito Penal Subjetivo: .Direito Penal – LFG – Intensivo I (27/01/09) DIREITO PENAL: Conceito: .001/73. Será tolerada a aplicação. o direito posto. o fim do direito penal é assegurar bens jurídicos. b) Limitação espacial: art. O que diferencia o direito penal dos outros ramos é a drasticidade de suas sanções (é o único que tem como conseqüência a pena privativa de liberdade). a função do direito penal é resguardar a norma. Direito Penal é um conjunto de normas que qualifica certos comportamentos humanos como infrações penais.DP Subjetivo: é o direito de punir do Estado. a ação penal privada também não configura exceção. 57. pelos grupos tribais. É a única exceção (atenção: a legítima defesa não é pena. infamante ou pena de morte). define os seus agentes e fixa as sanções a serem-lhes aplicadas. o sistema.Funcionalismo Sistêmico: para os funcionalistas sistêmicos (Jakobs).DP Objetivo: é o conjunto de leis penais em vigor no País (ex.

É o processo de exteriorização da fonte material – são elas: FONTES FORMAIS Antes EC 45/04 – doutrina clássica Depois EC 45/04 – doutrina moderna 1. a norma tem plena eficácia. que está de acordo com a lei de introdução ao Código Civil.). Enquanto não revogada por outra lei. jurisprudência (súmula vinculante). É o órgão encarregado da criação do DP – em regra apenas a União está autorizada a produzir/criar DP (☺art. aplicado aos casos em que a infração penal não mais contraria o interesse social. 1. jogo do bicho. 22. Fontes Mediatas: Costumes e Princípios Gerais do Direito:  Costumes: espécie de fonte formal mediata consistente nos comportamentos uniformes e constantes pela convicção de sua obrigatoriedade e necessidade jurídica. mas LC poderá autorizar os Estados a legislar sobre matéria específica (☺art. constituição. somente impede que seja aplicada. Não há pena sem prévia cominação legal. A única fonte que cria crime e comina pena é a lei. mas quando o fato já não é mais indesejado pelo meio social a lei deixa de ser aplicada. o costume revoga crime e pena? 1. Por outro lado. P. Imediatas: lei (única capaz de 2. CP . OBS. Não mais repercute negativamente na sociedade. Prevalece esta corrente. LFG adota esse entendimento. 1ª corrente: admite-se o costume abolicionista. 2. o lugar de onde vem e como se exterioriza a norma jurídica. CR/88). Costumes e princípios não positivados configuram fontes informais. gerais. 1º. 22.. 2ª corrente: não existe costume abolicionista. Ex. O costume não abole a lei. tratados internacionais. 3. Há duas espécies de fontes: Fonte material: Também chamada fonte de produção ou de criação. Mediatas: costumes e princípios regular infração penal e sua pena). sob pena de ferir o princípio da reserva legal (Art. 2. 5 .Direito Penal – LFG – Intensivo I FONTES DO DIREITO PENAL: Estudo da origem. Costume não cria crime e nem comina pena.U. CR). I. 3ª corrente: não existe costume abolicionista. Mediatas: doutrina.Não há crime sem lei anterior que o defina. Imediatas: lei. Fonte formal: Também chamada fonte de revelação ou divulgação.

serão equivalentes às emendas constitucionais. Tratados Internacionais:  Tratados de Direitos Humanos: 1.A pena aumenta-se de um terço. Obs. 155. O costume aclara o significado de uma expressão. se o crime é praticado durante o repouso noturno. não pessoal) no processo penal (e isso contraria a Convenção Americana de Direitos Humanos – Pacto de São José da Costa Rica).Direito Penal – LFG – Intensivo I A função do costume é interpretativa. entram com status infraconstitucional. 6 .: ☺Lei 11. Se ratificados com quorum comum.  Princípios Gerais do Direito: direito que vive na consciência comum de um povo.719/08. de um tipo penal. § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. que criou a citação por hora certa (ou seja. Esses princípios podem ser positivados ou não. Repouso noturno depende do costume da localidade. A lei tem que obedecer a CR (controle de constitucionalidade – difuso ou concentrado) e os tratados (controle de convencionalidade – será sempre difuso). em dois turnos. Se ratificados com quorum especial. CP . § 1º. porém supralegal. em cada Casa do Congresso Nacional. Ex. CR. Art. entram com status de EC. 2. Art. por três quintos dos votos dos respectivos membros. 5.

OBS.3) restritiva: reduz-se o alcance das palavras para corresponder à vontade do texto.2) teleológica: indaga-se a vontade ou intenção objetivada na lei. → Questões: 1) O Direito Penal Brasileiro admite interpretação extensiva contra o réu? Ex.mediante paga ou promessa de recompensa.: exposição de motivos do CP). ou por outro motivo torpe. a. A interpretação da exposição de motivos do Código Penal é doutrinária.4) sistemática: a lei é interpretada com o conjunto da legislação ou mesmo considerando os princípios gerais do direito. OBS. 157. Leva-se em conta expressões genéricas e abertas utilizadas pelo legislador (exemplos seguidos de encerramento genérico). poderá ser vítima de estupro.3) jurisprudencial: fruto das decisões reiteradas dos nossos tribunais. pois é feita pelos estudiosos que fizeram o código penal.com emprego de veneno.: conceito de funcionário público para fins penais – art. encerra de forma genérica. 213. Há autores que entendem que a progressiva classifica-se quanto ao resultado. ou todo instrumento com ou sem finalidade bélica. que é autêntica.: art. CP .Constranger mulher à conjunção carnal. permitindo ao intérprete encontrar outros casos. 7 . b. explosivo.3) histórica: indaga-se a origem da lei. Na interpretação analógica o significado que se busca é extraído do próprio dispositivo que. mediante violência ou grave ameaça: abrange o transexual (possui uma dicotomia física e psicológica).1) gramatical ou literal: leva em conta o sentido literal das palavras. depois de enunciar exemplos. 121. Ex.2) extensiva: amplia-se o alcance das palavras para se alcançar a vontade do texto.1) autêntica ou legislativa: dada pela própria lei (ex. b) Quanto ao modo: b.2) doutrinária ou científica: dada pelos estudiosos (ex. a. O legislador não consegue prever todos os meios.5) Progressiva – interpreta-se considerando os avanços tecnológicos e da medicina. O legislador não consegue prever todas as hipóteses de motivos torpes.1) declarativa: a letra da lei corresponde exatamente àquilo que o legislador quis dizer. Rogério Greco diz que se o transexual se submeter a uma cirurgia definitiva e altera os registros. ou de que possa resultar perigo comum. Ao contrário da interpretação do Código Penal. c. CP). asfixia. tortura ou outro meio insidioso ou cruel.Direito Penal – LFG – Intensivo I INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL: Finalidade: Sua finalidade é extrair da norma o seu real significado. mas que serve de ataque ou defesa (sentido impróprio) – o Direito Penal Brasileiro não veda a interpretação extensiva contra o réu. 2) Interpretação extensiva x Interpretação analógica x Analogia: A interpretação analógica não se confunde com interpretação extensiva. §2º. III . fogo. c.: ☺art. Ex. MUDOU 213!!! c) Quanto ao resultado: c. 327. b. § 2° Se o homicídio é cometido: I . Art. b. b. I: “arma” – instrumento fabricado com finalidade bélica (sentido próprio). Espécies: a) Quanto ao sujeito que a interpreta (origem): a.

Posição minha (Vinícius): Desde quando a Constituição equiparou a união estável ao casamento não se pode continuar interpretando o Direito Penal de forma taxativa. não incriminadora.Direito Penal – LFG – Intensivo I Interpretação Extensiva Interpretação analógica Diante de uma palavra eu amplio seu Exemplos + encerramento genérico alcance. O criminoso não poderia se valer da estrita legalidade de cada dispositivo penal em prol de sua impunidade. uma vez que Constituição também é lei superior e prevê essa equiparação. A analogia só pode ser in bonam partem. Ademais. motivo pelo qual o aplicador do direito socorre-se daquilo que o legislador previu para outro caso similar. abrange. A expressão cônjuge abrange o companheiro? Depende. é desnecessário mudar inúmeros artigos do Código Penal para se observar o princípio da legalidade. Se for para beneficiar. e não de interpretação. Há lei. ao contrário dos anteriores. É possível analogia no direito penal. Já a analogia trata-se de uma regra de integração. desde que pro réu. legalista neste ponto como os aplicadores do Direito vem fazendo. Nesse caso. Há lei. partimos do pressuposto de que não existe uma lei a ser aplicada ao caso concreto. inclusive penal. Deve se ter em vista que a intenção do constituinte era justamente alargar o espectro de proteção do companheiro em todos os níveis. (encontro casos semelhantes). 8 .

Ocupa somente de uma parte dos bens jurídicos protegidos pela ordem jurídica. b) ***Princípio da intervenção mínima: o Direito Penal está legitimado a agir quando houver o fracasso dos demais ramos do Direito. deve limitar a sua proteção aos bens jurídicos mais relevantes do homem. Para intervir. 4. Aplica aos crimes contra a administração pública. acrescido ainda da relevante lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. para ser utilizado de forma legítima. 2. c) Princípio da Insignificância é desdobramento lógico da fragmentariedade. Fatos: 1. art. que tem como características: 1.Direito Penal – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS NORTEADORES DO DIREITO PENAL: Princípios relacionados com a missão fundamental do Direito Penal: a) Princípio da exclusiva proteção de bens jurídicos: o Direito Penal. Nenhuma periculosidade da ação. *Não se aplica aos crimes contra a IDEM. Analisa a realidade econômica do país. inclusive ao descaminho. mas onde o direito penal deve deixar de intervir (intervenção positiva + negativa).1. Para intervir. 3. 9 . Fragmentariedade: norteia a intervenção no caso concreto. fé-pública. Serve não só para dizer onde o Direito Penal deve agir. falsificação de moedas. 2. Natureza: fatos da natureza. 1. 1. 334. O direito Penal é seletivo.2. OBS. o direito penal deve aguardar a ineficácia dos demais direitos. Ex.2. Desejados: não interessam para o direito penal. Subsidiariedade: norteia a intervenção em abstrato (criação de tipos penais) do direito penal. o direito penal exige relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado.2. STJ IDEM – STF e STJ só trabalham com requisitos objetivos. não interessam ao direito penal. CP. Analisa a significância da lesão para a vítima. Inexpressividade da lesão provocada. Mínima ofensividade da conduta do agente. Não aplica aos crimes contra a Administração pública – o bem jurídico não é o patrimônio.1. dos quais o homem não participa. Significa o direito penal de agir como última ratio. Indesejados: prevalece o princípio da intervenção mínima. mas a moralidade administrativa.2. Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento. STF Critérios: 1. Princípio da insignificância não se aplica aos crimes não patrimoniais. Humanos: 1.

Fundamentos do princípio da legalidade: • Fundamento político: o poder punitivo não pode ser arbitrário. art.Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime. O Brasil adota o Direito Penal do fato. Legalidade toma a expressão lei no sentido amplo (art. determinado (à alguém) ou indeterminado (carece de vítima certa). Perigo abstrato: pune-se alguém sem prova concreta do perigo (fere o Princípio da ampla defesa). • 3ª corrente: O princípio da legalidade teve origem no iluminismo. cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. É a corrente que prevalece. Art. abrangendo somente lei ordinária e lei complementar. LEX POPULI (LFG) Vi. CP – não há crime (infração penal – abrange a contravenção) sem lei anterior que o defina. b) Princípio da ofensividade (ou lesividade): para que ocorra a infração penal é imprescindível que ocorra uma efetiva lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado – Crimes de perigo abstrato: o perigo não precisa ser comprovado. 1º.215. O STF está discutindo o crime de perigo abstrato no porte de arma sem munição.. 5°. não foi recepcionado pela CR. 59. Origem do princípio da legalidade: • 1ª corrente: princípio da legalidade vem do direito romano. Exige-se a vinculação do poder executivo e poder judiciário a leis formadas de forma abstrata. fatos. • Fundamento jurídico: uma lei prévia e clara produz importante efeito intimidativo. sem esquecer por completo a pessoa do autor.não há crime sem lei anterior que o defina.). representante do povo. CR). 1ª corrente: princípio da legalidade = princípio da reserva legal. O parlamento. ii.Direito Penal – LFG – Intensivo I Princípios relacionados ao fato do agente: a) Princípio da materialização do fato: o Estado só pode condenar criminalmente condutas humanas voluntárias. iii. 10 . • 2ª corrente: vem da carta de João Sem Terra de 1. deve ser o responsável pela criação de crimes. CP . É uma garantia do indivíduo contra o arbítrio estatal. Art. Art. para individualizar a pena. 9°. porte de arma sem munição não seria crime. Crime de perigo concreto: o perigo precisa ser comprovado.. nem pena sem prévia cominação legal. O princípio da legalidade constitui uma real limitação ao poder estatal de interferir na esfera de liberdades individuais. já reserva legal toma lei no sentido estrito. • Fundamento democrático: respeito à divisão de poderes ou separação de funções. para o STF os crimes de perigo devem ser concretos e determinados. i. 3ª corrente: princípio da legalidade = anterioridade + princípio da reserva legal. isto é. pelo que fez ou pelo estilo de vida. tendo sido recepcionada pela revolução francesa. CP. Ex. colide com o Princípio da exteriorização do fato. isso seria direito penal do autor. é a corrente que vem prevalecendo. 2º. XXXIX . ☺LCP. 2ª corrente: princípio da legalidade não se confunde com princípio da reserva legal. assim. de acordo com o direito aplicável. Convenção Americana de Direitos Humanos: (ninguém poderá ser condenado por atos ou omissões que no momento em que forem cometidos. O direito penal não pode punir pelo que a pessoa é. não há pena sem prévia cominação legal. (06/02/09) c) ***Princípio da legalidade: ☺art. A doutrina moderna critica a contravenção penal da vadiagem – estilo de vida – direito penal do autor. 59 – este art. não constituam delito. pois é presumido absolutamente por lei. Na doutrina.

68. não importando se incriminador ou não incriminador – art. 3°. políticos e eleitorais. considerar os seguintes fatores: • Não há crime sem lei. mas sim curativa. discutindo os efeitos benéficos da MP 1571/97 (que permitiu o parcelamento de débitos tributários e previdenciários. que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional. O STF. por exemplo. 3º As medidas de segurança regem-se pela lei vigente ao tempo da sentença. pois também é espécie de sanção penal. no RE 254. Não há pena sem prévia cominação legal. CPM foi recepcionado pela CR/88? Respeita a reserva legal. Art. o Medida provisória pode criar crime? Não. se diversa. • Não há pena sem prévia cominação legal. pois esta não tem finalidade punitiva. Abrange medida de segurança? o 1ª corrente: não abrange medida de segurança. a matéria reservada à lei complementar. Pode ser concedida.Direito Penal – LFG – Intensivo I Art. § 1º . mas ignora o princípio da anterioridade. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República. entretanto. 62. • Não há crime sem lei anterior: abrange as contravenções penais. CP: Não há crime (infração penal – abrange a contravenção) sem lei anterior que o defina. os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal. mas não é lei em sentido estrito. proclamou sua admissibilidade em favor do réu. pois é ato do executivo com força normativa.nacionalidade. 11 . cidadania. Possível pergunta no concurso da defensoria: o art. • Lei (estrito) deve ser anterior aos fatos que busca incriminar (princípio da anterioridade) – evitar retroatividade maléfica. CR: § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: I – relativa a: b) direito penal. MP do estatuto do desarmamento vigorou durante 5 anos. o Medida provisória pode versar sobre direito penal não incriminador?  1ª corrente: majoritária (Munoz Conde) MP não pode versar sobre direito penal. o Lei delegada: não pode versar sobre direitos individuais. com efeito extintivo da punibilidade). o Resoluções do CNJ/CNMP/TSE: ato não legislativo com força normativa – não pode. processual penal e processual civil. até ser convertida em lei.818/PR. nem a legislação sobre: II . Hoje prevalece esta corrente. prevalecendo. mas é possível MP versando sobre direito penal não incriminador. tomada em seu sentido estrito. 1°.  2ª corrente: minoritária (LFG) não é possível MP incriminadora. o 2ª corrente: abrange a medida de segurança. direitos individuais.Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional. Para que o princípio da legalidade seja uma garantia. Art. portanto não pode versar sobre direito penal. OBS. a lei vigente ao tempo da execução. CR. por lei delegada.

incendiar. escrita. 2) Incompleta: depende de complemento normativo ou valorativo. roubar. Poder punitivo x garantia do cidadão. CP. • Lei necessária: evitar a hipertrofia do direito penal (desdobramento da intervenção mínima). Lei (estrito) estrita – evitar a analogia incriminadora. O costume interpretativo é admitido. certa. Ex. seqüestrar.Garantia do cidadão: escrita estrita certa necessária Legenda: . saquear. induzindo em erro essencial o outro contraente. i) Própria (em sentido estrito): quando o complemento normativo não emana do legislador (heterogênea). depredar.Poder Punitivo Estatal: Lei penal em branco Lei penal: 1) Completa: dispensa complemento normativo (dado pela norma) ou valorativo (juiz). 12 . art. Ex. por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas.Portaria do Ministério da Saúde verificar se está correto. 20 .Devastar. Garantismo: O princípio da legalidade é o pilar do “garantismo”.Contrair casamento.Direito Penal – LFG – Intensivo I • • • Lei (estrito) escrita – evitar o costume incriminador. Lei certa – de fácil entendimento: evitar ambigüidade. ou ocultando-lhe impedimento (Código Civil) que não seja casamento anterior. CP. lei de drogas (o que vem a ser droga é um complemento dado pelo executivo – Vinícius . Atos de terrorismo – expressão incerta. Ex. Art. provocar explosão. necessária. anterior. conceito de funcionário público para fins penais. ☺ Gráfico: s/ Lei anterior . 121. estrita. a) Norma penal em branco: depende de complemento normativo (norma). manter em cárcere privado. Princípio da taxatividade ou determinação. violação de direitos autorais. (1) Homóloga (homovitelina): complemento emana da mesma instância legislativa (lei penal complementada pela lei penal). Ex. lei penal complementada pela lei civil). 236 . (2) Heteróloga (heterovitelina): complemento emana de instância legislativa diversa (ex. extorquir. Quanto mais garantias. Art.170/83. Redução ao máximo do poder punitivo e aumento ao máximo da garantia do cidadão. Uma expressão ambígua permite a arbitrariedade. Não há crime: sem lei. menor o poder punitivo do estado.) ii) Imprópria (em sentido amplo): o complemento normativo emana do legislador (homogênea). Lei 7. praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo.

mas o Executivo. Contra-argumento: o legislador já criou o tipo penal incriminador com todos seus requisitos básicos. estrito (complemento do executivo. f) Atos administrativos complemento (norma penal em branco em sentido estrito). conclui-se que a norma penal em branco é constitucional. d) Jurisprudência. OBS. que estaria usurpando a função do legislador (Executivo não pode ditar o que é crime). b) Tipo aberto: depende de complemento valorativo (juiz). como o que é droga ou não. a NPB invertida só pode ter como complemento outra lei. portanto. pois podem até mesmo fundamentar a inconstitucionalidade de uma lei). no caso da Lei de drogas.: diferentemente da NPB heterogênea. quem está trazendo o principal conteúdo incriminador é o Poder Executivo. o juiz é que irá valorar a negligência no caso concreto. isto é. devem ser obedecidos não somente as formas e 13 . Contra-argumento: enquanto não complementada não tem eficácia jurídica ou social. Obs. Vi . já que quem dá o conteúdo criminoso nesses casos não é o legislador eleito para isso. Os costumes são fontes informais.B. dando autorização para o Executivo para atuar. Fontes Formais do Direito Penal 1) Fontes imediatas a) Lei b) CR c) Tratados Internacionais de Direitos Humanos. Ex. jamais ato do Executivo – garantismo. até porque o Legislativo não tem condições de estabelecer tais conceitos. Fere a legalidade.P. podendo apenas aprova-la ou rejeita-la). por. Lei 2889/56 (pune o genocídio).Direito Penal – LFG – Intensivo I iii) Norma Penal em branco ao revés/invertida: o complemento diz respeito à sua sanção. III) Jurídico: uma lei prévia e clara produz importante efeito intimidativo. Ex. Não basta uma legalidade formal (obediência aos trâmites legislativos procedimentais – LEI VIGENTE) havendo que existir uma legalidade material.☺ logo abaixo). (lex populi – LFG – Lei penal só é legítima se aprovada pelo próprio povo. Assim. Superadas as críticas.Drogas novas mais facilmente tipificadas. limitando-se a autoridade administrativa a explicitar um desses requisitos. 2) N. II) Democrático: o Parlamento.. Fundamentos do Princípio da Legalidade: I) Político: impede o poder punitivo com base no livre arbítrio. e) Princípios Gerais do Direito (a doutrina os classifica como fonte imediata. Rogério Greco entende que a NPB em sentido estrito é inconstitucional (fere o fundamento democrático do princípio da legalidade . representado ou não – LFG traz dúvida se tratado internacional poderia ser fonte de direito penal porque não foi dado ao Congresso o poder de alterar a substância da lei. representante do povo. não é inconstitucional a lei. Questão: NPB heterogênea é constitucional? Por ex. Norma penal em branco ofende a legalidade? Críticas: 1) Fere a taxatividade. deve ser o responsável pela criação de crimes. 2) Fontes mediatas: a) Doutrina.). Vinicius – com súmulas vinculantes apenas. crime culposo. Mas há argumento para debater essa tese: o legislador discutiu e votou a lei. mais precisamente seu fundamento democrático.

• Controle difuso: lei – TJ – STJ . ☺ art. Se tortura pode progredir. V. o Antes de chegar no STF. mas há duas exceções trazidas pela doutrina de responsabilidade objetiva (sem dolo ou culpa): embriaguês não acidental (art. Não existe no direito penal responsabilidade coletiva. Para muitos. 14 . etc. • Controle difuso abstrativizado: Lei – TJ/TRF – STJ – STF o Ação indireta. STF julgou inválidas duas leis vigentes: • Foro por prerrogativa de função. aceito ou previsível. dando efeito erga omnes. vagas e imprecisas. o Efeito erga omnes.Direito Penal – LFG – Intensivo I procedimentos impostos pela CF. pois só pode estender o rol por EC).). Ou seja. o regime integralmente fechado foi declarado inconstitucional no controle difuso abstrativizado. O STF entendeu que as hipóteses de foro por prerrogativa de função são inconstitucionais. Iniciou-se com um HC e o STF analisou a lei de forma abstrata. o Ex. b) Princípio da responsabilidade penal subjetiva: não basta que o fato seja materialmente causado pelo agente. 28. o controle é de convencionalidade (difuso). Não há responsabilidade penal sem dolo ou culpa. aceita-se crime ambiental desde que respeitada a dupla imputação de forma a não ferir este princípio da responsabilidade pessoal. Declarado inconstitucional. É a regra geral. e principalmente.Gilmar Mendes é quem preconizou essa teoria da abstrativização.STF o Ação indireta (HC. Fere o princípio da razoabilidade. principalmente nos crimes societários. recursos. Vale lembrar também que contra a PJ. é uma responsabilidade coletiva. dignidade da pessoa humana.STF o Ação direta – a lei é questionada diretamente no STF o Analisa a lei em abstrato. etc. Este princípio também é utilizado para questionar a responsabilidade penal da pessoa jurídica. o Decisão tem efeito inter partes. É um desdobramento lógico do princípio da individualização da pena. CP. a lei percorreu os outros tribunais. Era estendido para ex-autoridades (fere o princípio da isonomia). • Controle de convencionalidade: o Se o tratado tem status de EC. CP). o Decisão tem efeito erga omnes. rixa (art. O castigo penal é sempre individualizado pelo fato do agente. o Se o tratado tem status de supralegalidade. Vi . Princípios relacionados com o agente do fato: a) Princípio da responsabilidade pessoal: proíbe-se o castigo penal pelo fato de outrem. só podendo ser responsabilizado se foi querido. mas também. o Analisa lei em abstrato. e atos de improbidade (fere a constituição. 29.ruim • Regime integralmente fechado. os descendentes e o espólio não são responsáveis. Vinícius – Aqui vale lembrar que mesmo que a multa como pena pecuniária transformada em dívida ativa é extinta caso o agente faleça. pois ofende o princípio da isonomia. o controle é de constitucionalidade. II. Maneiras de se declarar inválida uma lei penal (formas de se fiscalizar a materialidade de uma lei): • Controle concentrado: lei . o seu conteúdo e dos tratados internacionais de direitos humanos (garantias – LEI VÁLIDA). o Analisa o caso concreto. Proíbe denúncias-crime genéricas. os demais crimes hediondos também podem. A denúncia tem que descrever a responsabilidade individual.

c. mas o princípio de não culpa. Aplicações práticas: . Súm.Direito Penal – LFG – Intensivo I 137. Para Mirabete. a CR não traz o princípio de inocência. Pendente Recurso Especial/Extraordinário: Pendente Recurso Especial/Extraordinário: é possível execução provisória.Art. mas pode haver tratamentos desiguais no Direito Penal. . (Redação dada pela Lei nº 5. preventiva não é coerente com o princípio da presunção de inocência. a potencial consciência da ilicitude e a exigência de conduta diversa. é excepcionalíssima .719.☺art. é criticado. é utilizado para negar a responsabilidade penal da pessoa jurídica. §U).259/01 revogou a lei 9.072/90 (crimes hediondos) – regime integral fechado (o STF declarou inconstitucional esse regime).2ª corrente (LEP e CR/88) – não admite prisão provisória com fundamento no 15 . 117. CNJ. sendo dele exigível comportamento diverso. Não admite execução provisória. . Nesse ponto. não há responsabilidade penal sem que o agente seja capaz. prisão somente após condenação definitiva (a prisão provisória precisa de imprescindibilidade. que é relativa.11. a lei 10. Art. Isso porque um ordenamento que prevê um sistema de prisão temporária. com potencial consciência da ilicitude. c) Princípio da culpabilidade: a culpabilidade tem como elementos a imputabilidade.Lei 9. e) Princípio da presunção de inocência: todos devem ser presumidos inocentes até trânsito em julgado de sentença condenatória.ex.099/95 – Juizados Especiais Estaduais: infração de menor potencial ofensivo. 5º. CPP) – admitia prisão provisória. de 2008). O réu não poderá apelar sem recolher-se à prisão. se de ofensa ao princípio da presunção de inocência e não culpa. independentemente da espécie. A maioria utiliza ambos princípios como sinônimos.Lei 8. Lei 9. LVII . . 716. é o que fomenta o in dubio pro reo (que é um princípio norteador das provas. também tem previsão no art. merecendo uma interpretação constitucional para que se obedeça ao Princípio da Isonomia. A Convenção Americana de Direitos Humanos prevê o princípio da presunção de inocência de forma expressa no art. A diferença entre ambas é apenas o órgão julgador. . opera uma inversão no ônus da prova). CPP. ou seja. ou condenado por crime de que se livre solto.ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. 9/STJ). Esse princípio. Assim. 637. O desacato (art. salvo se for primário e de bons antecedentes. a exemplo da responsabilidade pessoal. Esta igualdade trazida pela CR e pela CADH é uma igualdade substancial. 8°. d) Princípio da igualdade ou isonomia: tem previsão no art. O STF já havia declarado este artigo não recepcionado pela CR/88. prevê pena máxima abstrata não superior a um ano. ou prestar fiança. O fato é o mesmo. pois trataSTF e Resolução 19.1973) (Revogado pela Lei nº 11.: o inciso III deste art. caput. 24 da CADH – é garantido a todos a igualdade perante a lei. 331. mas foi democratizado e está sendo utilizado inclusive pelo juiz na interpretação).941. sem distinção de qualquer natureza. para que alcance também o condenado homem. assim reconhecido na sentença condenatória. de 22. a responsabilidade penal do acusado deve ser comprovada pelo órgão de acusação (a presunção de inocência. LEP (Obs. sem que se fira o princípio da isonomia. .455/97 (tortura. Lei 10. 312.259/01 (juizados especiais federais): pena máxima abstrata não superior a dois anos. caso este comprove que o menor é seu dependente). 2. CP – pena de 6m a 2 anos) é considerado crime de menor potencial ofensivo. Aplicações práticas: . 5°. segundo este princípio. da CR – todos são iguais perante a lei. 594. Isso afeta o princípio da isonomia. equiparado a crime hediondo) – regime inicial fechado. Conseqüências do Princípio: a.1ª corrente (art.***É possível no processo penal execução provisória? Condenado provisório preso Condenado provisório solto É possível execução provisória – Súm. pois feria o princípio de presunção de inocência e não culpa.: art. b.099/95.

MP/PF e PC: presunção de não culpa. Proibição do excesso Evitar a hipertrofia da punição. e uma vez arrazoados pelo recorrido os autos do traslado. No primeiro momento. sem desconsiderar as qualidades do agente. Para defensoria: presunção de inocência. Foi superado pela LEP e pela CR. quer-se que a sociedade se sinta intimidada a agir. b) Princípio da humanização das penas: nenhuma pena pode ser desumana. CADH (toda pessoa tem direito a que se respeite a sua integridade física psíquica e moral). 319-A. 16 Proibição da insuficiência da intervenção estatal Evitar a punição insignificante – incapaz de atender aos princípios da pena e gerar impunidade. O STF. O TJ/SP não submeteu à cláusula de reserva de plenário – decidiu pela inconstitucionalidade do RDD. Magistratura: ambos. da criação da lei. Art. Mas deve ser estudado ainda sob o ângulo da proibição da insuficiência da intervenção estatal. . c) Princípio da proporcionalidade: a pena deve ser proporcional à gravidade da infração ou desvaloração da ação criminosa. os originais baixarão à primeira instância. O art. SÚMULA Nº 716. Hoje..ADMITE-SE A PROGRESSÃO DE REGIME DE CUMPRIMENTO DA PENA OU A APLICAÇÃO IMEDIATA DE REGIME MENOS SEVERO NELA DETERMINADA. STF . 637.466. discute-se se o regime disciplinar diferenciado (RDD) é inconstitucional. pois é proporcional ao fato praticado. Ex. já se está buscando uma prevenção geral. Para o STJ.Direito Penal – LFG – Intensivo I princípio da presunção de inocência. adotou a 2ª corrente. CADH (ninguém deve ser submetido a torturas. para a execução da sentença. 637. O princípio da proporcionalidade geralmente é estudado sob o ângulo da proibição do excesso. 5º. em votação de 7x4.. o RDD é constitucional. ☺art. de rádio ou similar. ULTRAPASSADO! Art.). cruel ou degradante. de 2007). CP. Só serve como alerta para o legislador. O juiz pode deixar de aplicar a pena. CPP está ultrapassado. É um princípio constitucional implícito decorrente do princípio da individualização da pena. Ambos princípios eram bastante suscitados até quando se admitia regime integralmente fechado (abolido pela lei 11. nem a penas ou tratos cruéis. ☺art. 5º. de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico. CPP. Este princípio tem que ser observado no momento da criação da lei (pena abstrata).464/07). que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo: (Incluído pela Lei nº 11. ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA. no momento judicial (aplicação da pena em concreto) e no momento em que se executa a pena (execução penal). 1. O STJ tende para a 1ª corrente. O recurso extraordinário não tem efeito suspensivo. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público. Princípios relacionados à pena: a) Princípio da proibição da pena indigna: a ninguém pode ser imposta uma pena ofensiva à dignidade da pessoa humana. 2.

por Flávio Monteiro de Bastos. é adotada por ex. CP) fere o bis in idem? Ela é utilizada como agravante num segundo crime. diz expressamente que a pena não pode passar da pessoa do delinqüente. I. há quem diga que a reincidência é uma hipótese clara de bis in idem (LFG. . O Princípio é absoluto ou relativo? Uma primeira corrente diz que é relativo. afirmando que é apenas uma circunstância necessária para a individualização da pena. ☺art. – Exemplo de ofensa ao princípio da insuficiência da intervenção estatal. Paulo Range e Paulo Queiroz). mas a maioria da doutrina discorda. da CR (a pena de confisco passaria da pessoa do delinqüente).. d) Princípio da pessoalidade da pena: tem guarida constitucional.Processual: ninguém pode ser processado duas vezes pelo mesmo crime.: estar a vítima grávida no crime de aborto. Visa tão somente reconhecer maior reprovabilidade na conduta daquele que é contumaz violador da lei penal. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. 5º. uma segunda corrente. nos termos da lei. afirma que o Princípio é absoluto e o que está disposto no restante do art. 17 . . 61. 5º. pois estar grávida é condição para que ocorra o crime de aborto). Abuso de autoridade é um exemplo de ofensa ao princípio da insuficiência da intervenção estatal. afirmando que a exceção vem prevista no mesmo art. em seu art. assim. já na segunda condenação leva-se em conta o que a primeira condenação influencia na personalidade do agente (e não o fato novamente). até o limite do valor do patrimônio transferido. no art.Direito Penal – LFG – Intensivo I Pena: detenção. mas um efeito da condenação. que é a correta.Material: ninguém pode ser condenado pela segunda vez em razão do mesmo fato. fundamentando-se no seguinte: a primeira condenação leva em conta o fato. XLV: nenhuma pena passará da pessoa do condenado.Execucional: ninguém pode ser executado duas vezes por condenações relacionadas ao mesmo fato. não trazendo nenhuma exceção a esta regra. podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser. não é uma exceção porque não é pena. 3. estendidas aos sucessores e contra eles executadas. A reincidência (art. É o entendimento adotado pelo STJ. CP – são circunstâncias que sempre agravam a pena. Também a CADH. V e) Princípio da vedação do bis in idem: tem 3 significados: . 61. Vide multa acima. quando não constituem ou qualificam o crime (ex.

Como decorrência do princípio da legalidade. a lei vigente ao tempo da realização do fato criminoso (tempus regit actum). CP (irretroatividade). cria-se lei incriminadora. CP).Direito Penal – LFG – Intensivo I LEI PENAL NO TEMPO: (10/02/09) A lei nasce para regulamentar os fatos praticados durante a sua vigência. essa mesma regra (da irretroatividade). CP: considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão. neste caso aplica-se o CP ou o ECA? Correntes a respeito do tema: uma primeira corrente afirma que o horário de verão é transitório (não traz segurança). ainda que outro seja o momento do resultado. Situações: a) Momento da conduta (fato atípico). No momento da morte. pratica o crime às 23:30 do dia x que antecede ao seu aniversário. principalmente. cede diante de alguns casos. aplica-se a lei vigente no momento da conduta (lei A). Quando o crime se considera praticado no tempo? Há 3 teorias: a) Teoria da Atividade: tempo da conduta b) Teoria do Resultado: tempo da consumação c) Teoria Mista: tanto o tempo da conduta quanto o da consumação O nosso CPB preferiu a Teoria da Atividade (LUTA). . porém. mas leva-se em conta a exceção prevista nos arts. permitir entrada de celular em presídios – lei posterior que tipificou a conduta (art.Estando no horário de verão. não se deve aplicar o CP neste caso. A lei deve se adequar ao fato e fica com ele até o fim. as leis penais. aplica-se. como a aferição da prescrição.No momento do tiro. ele tem outras importâncias. salvo se sobrevier lei posterior mais benéfica. quando benéfica (excepcionalmente). Sucessão de leis penais no tempo: Para a solução deste problema utiliza-se a regra do art. incide a causa de aumento da pena . 1°. ela irá retroagir. em regra. . Em regra. ou seja.CP. a vítima era menor de 14 anos. CP.) Sendo doloso o homicídio. ser retroativa ou ainda ultrativa. exceções fundamentadas em razões político-sociais (lei penal mais benéfica). . 1º.. em princípio. mas.No momento do disparo. fictício e tem como finalidade economizar energia. Aplicações práticas: . Quando há uma efetiva sucessão de leis penais no tempo surge um conflito. para aferir a imputabilidade do agente. mas há quem não concorde com esta tese. 18 . mas sim o ECA (o agente é inimputável). 319-A. Em momento posterior. CP) – esta lei é irretroativa (art. Quando a vítima morreu. Caso a lei B seja mais benéfica. Contudo. 121. Se no momento da conduta a vítima era menor de 14 anos.Sucessão de leis penais no tempo: no momento do tiro – lei A e no momento da sentença – lei B.. A lei penal pode. § 4o (. no qual completaria 18 anos (portanto acha que é inimputável ao tempo do crime). a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. o agente era menor de 18 anos. Ocorre que esta regra do art. ☺art.o agente já era maior de 18 anos – aplica-se o ECA. 4º. como o prof. 4º não serve somente para explorar qual lei será aplicada ao fato no caso concreto. regram os fatos praticados a partir do momento em que passam a ser leis penais vigentes. a vítima era maior de 14 anos. e o agente desconhecendo esta situação. art. 2º e 3º. logo. Ex.

sempre aplica-se a última lei. aplica-se aos fatos anteriores. Sucessão da lei penal no tempo e a continuidade delitiva: Crime continuado: reiteração de crimes nas mesmas circunstâncias de tempo. Portanto. a lei pode. Ex. Durante a prática.☺art. c) Momento da conduta (lei penal A) – momento posterior o legislador aboliu a lei A.2ª corrente: considerando a finalidade da vacatio legis. 5 furtos praticados nas mesmas condições de tempo. b) é uma hipótese de extinção da punibilidade (é a adotada pelo CPB .1ª corrente: lei abolicionista não retroage na vacatio.. 2°. CP). cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais (não abrange os efeitos civis) da sentença condenatória.Extingue-se a punibilidade: III . pois é desprovida de eficácia jurídica e social e por isso não pode retroagir (é a corrente majoritária).Abolitio criminis – nomenclatura e natureza jurídica: supressão da figura criminosa (☺art. CF. por conseguinte. 19 . Para o legislador é considerado um único crime. local e modo de execução = crime único (ficção jurídica). . ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. O art. o tipo permanece. Parágrafo único . pois o mandamento constitucional tutela a garantia do cidadão.pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso. retroagir para ser aplicada neste estado. art. . 2º. era aplicada pena de 2 a 4 anos (lei A).). CP). Ex. d) No momento da conduta (Lei A – 2 a 4 anos) – momento posterior lei B (1 a 2 anos). 2°.. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. para que as pessoas se acostumem com a lei. pena da corrupção era de 1 a 8 anos e passou a ser de 2 a 12. Vinicius – preferi esta corrente. A defensoria adota a 2ª corrente. ainda que mais gravosa. 2°. No início da prática. CP ao determinar que lei abolicionista não respeita a coisa julgada não ofende o art.A lei posterior. XXXVI .. que de qualquer modo favorecer o agente. A lei do abolitio criminis é retroativa.) cessando em virtude dela a execução (. 107 . passou a ser aplicada pena de 2 a 8 anos (lei B).Direito Penal – LFG – Intensivo I b) Momento da conduta (fato típico A punido com 2 a 4 anos) – momento posterior. . Ex. . 5°. Lei abolicionista. ele se considera tanto no 1° ato. decadência.. XXXVI da CF. morte extinguem a punibilidade. (. A sentença condenatória continua servindo como título executivo (efeitos civis). se mais benéfica. CP (adultério). Lei abolicionista que ainda se encontra na vacatio legis opera seus efeitos? Há 2 correntes: .). Lei abolicionista não respeita coisa julgada: Art. 1°. A lei é retroativa: Art. extinguindo.) os efeitos penais da sentença condenatória.. Art.a lei não prejudicará o direito adquirido. (. local e modo de execução. 2°.Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime. que é justamente para que se dê conhecimento da lei. a punibilidade (adotada por Flávio Monteiro de Barros). desde que o seu destinatário demonstre conhecimento (é a corrente minoritária). e não o direito de punir do Estado. correntes acerca da sua natureza jurídica: a) é uma hipótese de exclusão da tipicidade. Art. CP. prescrição. 5°. altera-se a pena para 2 a 5 anos – lei irretroativa (art. Art.1ª corrente: aplica-se a lei mais benéfica – lei A. 2º . 240. como no último ato. Ex.2ª corrente: se o crime é único. em momento posterior foi abolido..

m. Sucessão de leis penais e Combinação de leis: Momento do crime – lei A (2 a 4 anos + 10 a 30 d. STJ: vem admitindo combinação de leis. CP (lei 8. Tem 1 julgado de 2008 no STJ – Ministra Laurita Vaz. STF . STF: Art. epidemias. embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram. . tais como guerras. A lei 11. STF . 14 (lei drogas antiga) – pena do art.3ª corrente: não pode combinar. 288. O STJ vem aplicando a redução da lei nova na lei velha. . Prevalece na doutrina clássica. O STF contrariou a doutrina e entendeu que aplica-se a última lei. SE A SUA VIGÊNCIA É ANTERIOR À CESSAÇÃO DA CONTINUIDADE OU DA PERMANÊNCIA.) . Prevalece na doutrina moderna: LFG. Rogério Greco. . É caso de ultratividade maléfica autorizada por lei. ele pode o menos. 3º.Lei Excepcional ou Temporária em sentido amplo: é a que atende a transitórias necessidades estatais. pois assim agindo o magistrado está legislando. Aplicação da lei penal mais favorável na fase de execução: R: depende. competindo ao réu escolher qual lei deve ser aplicada. . aplica-se ao fato praticado durante sua vigência. Ultratividade das leis excepcionais e temporárias ☺Art. Alcança tudo que for praticado durante sua vigência. Perdura por todo o tempo excepcional (não tem prefixado no seu texto o tempo de sua vigência) – terá plena eficácia e vigência enquanto perdurar a calamidade ou urgência. que é ignorar o todo.572/90). 20 . SÚMULA Nº 611.Direito Penal – LFG – Intensivo I SÚMULA Nº 711. calamidades.343/06 pune traficante com pena de 5 a 15. o furto será qualificado enquanto perdurarem as enchentes em Santa Catarina.) Momento da sentença – lei B (2 a 8 anos + 10 a 20 d. criando uma terceira lei – lex tercia (Nelson Hungria).Lei Temporária ou Lei Temporária em sentido estrito: é aquela que tem prefixado no seu texto o tempo de sua vigência. que é ignorar em parte. Juiz da execução não pode presidir tal instrução. compete ao juízo das execuções a aplicação de lei mais benigna. etc. Na 1ª fase de concursos é adotada essa corrente. Se o juiz pode o mais. CP: A lei excepcional ou temporária.1ª corrente: não pode combinar leis. causa de diminuição em razão do pequeno prejuízo) é necessário socorrer à revisão criminal. se o réu for primário. A própria doutrina afirma que é também posição do STF e do STJ.2ª corrente: admite combinação considerando poder o juiz ignora-la no todo.Quando conduzir a juízo de valor (ex. .m.Se eu estiver diante de uma mera aplicação matemática (ex. Ex. Damásio. diminuição de pena em razão da idade) – juiz da execução. mas traz um privilégio de diminuir a pena em 1/3. . Apesar de a doutrina afirmar que prevalece a 1ª corrente.A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME CONTINUADO OU AO CRIME PERMANENTE. mesmo que mais gravosa. há julgados em que o STF admitiu combinação de leis.Transitada em julgado a sentença condenatória. logo poderá em parte. Lei 6368/76 pune o traficante com pena de 3 a 15 anos.

CP e adultério. 217. A SV será tratada como se lei fosse. salvo para beneficiar o réu. ou seja. tem que retroagir.a lei penal não retroagirá. Se houver esse cancelamento a sua alteração retroage para beneficiar o réu. Não há. porque não trata exatamente da mesma matéria. sua alteração benéfica retroage. CP. sempre que se alteram as respectivas normas complementares. o Permanência do conteúdo em outro tipo penal. Na hipótese de norma penal em branco. Contudo. Se a alteração implica supressão criminosa. ISSO!! ***Como se aplica a retroatividade da lei penal no caso de norma penal em branco? A lei penal em branco pode ser: • Homogênea (lei complementada por outra lei) – alteração benéfica retroage. retirar da portaria respectiva a substância lança perfume). sua alteração não retroage.Direito Penal – LFG – Intensivo I É importante a ultratividade dessas leis para evitar a sua ineficácia. o Alteração para descriminalizar – retroage.: Portaria de congelamento de preços). 240. o processo de condenação é extremamente moroso. “É uma mudança de roupagem”. se não tiverem eficácia após cessar sua vigência não têm razão de existir. porém por caminhos ou justificativas diversas. porém. uma segunda corrente (Flávio Monteiro de Barros) que investiga o momento em que surgiu a norma infralegal e sua alteração: se num estado de normalidade (ex. 5°.: Portaria da Lei de Drogas). do mesmo fato típico (é a anterior que deixa de ter vigência em razão de sua excepcionalidade). Ocorre dupla revogação: formal e material. quando o seu complemento for norma infralegal. Quando o complemento for lei (NPB homogênea) a sua alteração benéfica sempre retroagirá. deve incidir as regras da retroatividade. Por isso é que não há nenhuma inconstitucionalidade no art. 3º. em relação a essas alterações. se a alteração não implica supressão criminosa (Ex. sedução. o Ex. Não mais se pune em lugar algum. 3° não foi recepcionado pela CF (art. deve-se atentar se a alteração da norma extra-penal implica ou não supressão criminosa. Se ela altera o direito ou o entendimento sobre o direito. as duas doutrinas chegam ao mesmo resultado. Princípio da continuidade normativo-típica: o Revogação formal: a intenção do legislador é manter o fato como crime. (Francisco de Assis Toledo). A lei nova não revoga a anterior. art. surge a questão de saber se. se num estado de emergência (ex. art. 3°. Há. portanto. pois no Brasil. mera atualização de tabela) não retroage. CP foram revogados. • Heterogênea (lei complementada por outra espécie): o Alteração para atualizar – não retroage. sofrendo alteração de conteúdo. XL . Ou seja.). o Revogação material (conteúdo). aplicando-se o espírito do art. durante o processo o STF cancele essa SV. Retroatividade ou Ultratividade de Súmula Vinculante: Caso hipotético (porque ainda não existe Súmula Vinculante de natureza estritamente penal): supondo que o STF sumule de maneira vinculante a questão do porte de arma sem munição ser crime e. • 21 . o art. um conflito de leis penais no tempo (na medida em que a lei posterior não cuida do mesmo crime definido na anterior). Qual a diferença da abolitio criminis e o princípio da continuidade normativo-típica? • Abolitio criminis: o Revogação Formal: a intenção do legislador é não mais considerar o fato como crime. retroage (Ex. Para Zaffaroni. É uma hipótese de supressão da figura criminosa.

CP. mantendo-se a pena do art. 219. 219. Vinicius. art. IV. IV. § 1°. 148. 148. 148. §1º) é mais grave. rapto violento.Direito Penal – LFG – Intensivo I o Ex. Não deixou de ser crime. 148. assim. § 1°. Atentar que a pena posterior (do art. mas passou a configurar o art.Olhar. que é mais benéfica (ainda que se condene no art. 219. mantém-se a pena do art. Passou a ser uma qualificadora do art. deve-se observar o Princípio da Anterioridade. foi revogado. 22 . que é mais benéfica Acho que 148 é seqüestro ou cárcere privado.

Princípio da Extraterritorialidade – art. o Aeronave privada ou embarcação – somente quando em alto-mar ou correspondente espaço aéreo. 5º. 6) Princípio da representação (subsidiariedade ou da bandeira): a lei nacional aplica-se aos crimes praticados em aeronaves e embarcações privadas. Vini. • • 1°) Delimitou o espaço da lei brasileira. • • • 1ª hipótese: crime praticado no Brasil. independentemente do local em que foi realizado. 2°) Define território nacional (art. 23 . mas a lei aplicada é estrangeira (está no art. o art. Não importando o local do crime. a grávida tinha que sair do barco privado brasileiro e entrar no barco holandês pra deixar de ser crime o aborto. Imunidade diplomática. §1º. Não importando o local do crime ou a nacionalidade da vítima. conforme assinado em tratados. Ex. 4) Princípio da defesa (real): aplica-se a lei da nacionalidade da vítima ou bem jurídico. Assim. CP: “aplica-se a lei brasileira (.) ao crime cometido no território nacional”. 3ª hipótese: crime praticado no Brasil. aplicação da lei brasileira. Princípios: Os conflitos da lei penal no espaço são solucionados por meio de 06 princípios: 1) Princípio da Territorialidade: aplica-se a lei do local do crime. tratado ou regra de direito internacional). Ex.Direito Penal – LFG – Intensivo I LEI PENAL NO ESPAÇO: Sabendo que um fato punível pode. 5º adota o Princípio da territorialidade. 5º se excepciona (“sem prejuízo de convenções. CP) o Aeronave ou embarcação pública/serviço do governo – é extensão do território brasileiro. quando no estrangeiro e aí não sejam julgados. TPI. 5° como exceção). Não importando o local do crime ou nacionalidade do agente.Obs: Por isso que. Esta territorialidade aqui é relativa ou temperada. Aplica-se aos crimes em que o Brasil se obriga a reprimir. em alto-mar. 5) Princípio da justiça penal universal: o agente fica sujeito à lei penal do país em que for encontrado. Princípio da Territorialidade – art. tratados e regras de direito internacional”). 5°. §§ 1° e 2°. É como se estivesse trocando de país. aplicação da lei brasileira. Princípio da Intraterritorialidade. CP). não importando a nacionalidade dos sujeitos ou dos bens jurídicos lesados. 7°. 5º. excepcionado pela intraterritorialidade (territorialidade temperada pela intraterritorialidade). eventualmente. 5°. 2ª hipótese: crime praticado fora do Brasil. pois o próprio art. onde quer que se encontre. o estudo da lei penal no espaço visa descobrir o âmbito territorial da aplicação da lei penal brasileira. bem como a forma como o Brasil se relaciona com outros países em matéria penal. 2) Princípio da nacionalidade ativa: aplica-se a lei da nacionalidade do sujeito ativo. → Território nacional: espaço físico + espaço jurídico (espaço por ficção ou equiparação ..: imunidade diplomática (trazida por convenção.☺art.. O princípio regra para o Brasil (e para quase todos os países) é o Princípio da Territorialidade – ☺art. 3) Princípio da nacionalidade passiva: aplica-se a lei da nacionalidade do sujeito ativo quando atingir um co-cidadão (exige-se coincidência de nacionalidades). atingir os interesses de dois ou mais estados igualmente soberanos.

5º. ou seja.É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada. respectivamente. achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente. que apenas sobrevoou o país. CP (atividade + resultado). de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem. ou c) da ubiqüidade (ou mista). e estas em porto ou mar territorial do Brasil. b) do resultado. no todo ou em parte. mercantes ou de propriedade privada. 6º. Onde um crime se considera praticado no Brasil? → definição do lugar do crime: Há 3 teorias: a) da atividade. aplica-se a lei de seu pais. é indispensável que haja pelo menos o início da execução. 5º. não há aí conflito internacional de jurisdição (a jurisdição será brasileira). § 1º . → Princípio da Reciprocidade: ☺art. 6º .Crime plurilocal x crime à distância: no crime à distância o delito percorre pluralidade de Estados soberanos (que têm seu próprio direito penal) e aí surge um conflito internacional de jurisdição a ser resolvido pela Teoria da Ubiqüidade (art. bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras. 24 .Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão. mas sim o instituto da passagem inocente (aplicado quando a aeronave passa pelo território nacional apenas como passagem necessária para chegar ao seu destino).☺art. inviolável. b) na dúvida. §2º. A embaixada é. 6º. Não se aplica a lei penal brasileira nas aeronaves ou embarcações estrangeiras públicas. nasceu para solucionar o conflito internacional de jurisdição). achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente. a bordo de avião. do art. importantes: no Brasil. O tratado que previa isso não existe mais. se ele desceu por interesses particulares. e estas em porto ou mar territorial do Brasil. Vinicius – É dizer. Cuidado: crime praticado durante vôo sobre o espaço aéreo brasileiro – aplica-se o instituto da passagem inocente: o crime cometido dentro do território nacional. Embaixada não é extensão do território que representa. continuam ostentando sua bandeira.Direito Penal – LFG – Intensivo I OBS.Para os efeitos penais. se ele desceu de seu navio a serviço de seu pais. CP – ou seja. ☺§2º. que se achem. c) estrangeiro que atraca em costa brasileira e pratica crime contra brasileira. este art. no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. mas sim um conflito interno de competência. consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras. Problemas trazidos pela doutrina (Basileu Garcia): a) os destroços de navio que naufragou em alto mar. Obs. o delito percorre a pluralidade de locais de um mesmo Estado. no entanto. Já no crime plurilocal. CP: É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada. aplica-se a lei brasileira. bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. aplica-se a lei da nacionalidade do agente (crime praticado em balsa construída por destroços de 2 navios de nacionalidades diferentes que naufragaram em alto mar). não se aplica a lei penal brasileira (o §2º do art. O Brasil adotou a Teoria mista ou da ubiqüidade (LUTA) . considera-se praticado no Brasil também. mera cogitação ou ato preparatório não é crime praticado no nosso território (mera cogitação ou preparação não valem – algum momento da execução tem que atingir o nosso território para que o crime aqui seja punível). . CP (é também adotado pelo Brasil). 5º). Art. § 2º .

de empresa pública. proteção ou real. por tratado ou convenção. reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: a) não foi pedida ou foi negada a extradição. c) “Praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras. o Brasil se obrigou a reprimir”: Princípio da justiça universal. 6º não serve para dirimir competência. CPP: A competência será. 70.. quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil”. . Extraterritorialidade condicionada (§2º). de Município. quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados”: Princípio da representação. d. embora cometidos no estrangeiro (. o art. Para dirimir conflito interno de competência utilizamos o art. de regra. CP: .Direito Penal – LFG – Intensivo I Assim.)”: Art. Extraterritorialidade condicionada (§2º). sociedade de economia mista. b) “Praticados por brasileiro”: Princípio da nacionalidade ativa. de Território. autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público”: Princípio da defesa. b)houve requisição do Ministro da Justiça. Há 3 Correntes: d. no caso de tentativa. do Distrito Federal. CP: “Ficam sujeitos à lei brasileira. determinada pelo lugar em que se consumar a infração. incondicionada.Inciso II: a) “Que. se.2) Princípio da justiça universal.. mercantes ou de propriedade privada. 63 da lei 9099/95). Extraterritorialidade condicionada (§2º). pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. Extraterritorialidade incondicionada (§1º).Inciso I: a) “Contra a vida ou a liberdade do Presidente da República”: Princípio da defesa. d.3) Princípio da nacionalidade ativa (mas esta corrente não é correta). d) “De genocídio. (atenção: no caso da Lei 9. 25 . de Estado. b) “Contra o patrimônio ou a fé pública da União. proteção ou real. proteção ou real. mas sim para definir jurisdição. o Brasil aplica sua lei – Ext. logo deve haver previsão expressa na lei : ☺art. Vinícius – Se não forem julgados no estrangeiro. Extraterritorialidade incondicionada (§1º). §3º: 2 Correntes: 1) Princípio da nacionalidade passiva (Flávio Monteiro de Barros e LFG – mas não é a corrente correta). §3º: § 3° A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil. 7º. por quem está a seu serviço”: Princípio da defesa. c) “Contra a administração pública.1) Princípio da defesa ou real somente o genocídio cometido contra nacional (é o que prevalece na doutrina). → Hipóteses de Extraterritorialidade: são hipóteses excepcionais (assim como as de intraterritorialidade). ou. 7º.099/95 aplica-se a Teoria da Atividade: art. Extraterritorialidade incondicionada (§1º).

o que seria bis in idem. segundo a lei mais favorável. Ademais. quando diversas.” Na extraterritorialdade incondicionada podemos nos deparar com a dupla condenação. há o dispositivo previsto no art. ou seja. que entendem que o Brasil adota todos os princípios). 8º. Non bis in idem tbm. É da competência da Justiça Federal. art. enquanto não se provar que o agente entrou no nosso território não pode haver processo. 2º. CP: “A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime. há na hipótese do §3º (caso de estrangeiro que cometeu crime contra brasileiro no exterior) duas exigências: a) não ter sido pedida ou negada a extradição. qual é o princípio que o Brasil não adota nunca? O Princípio da nacionalidade passiva (salvo para Flávio Monteiro de Barros e LFG. Art.Não existe extraterritorialidade em se tratando de contravenções penais (o CP não prevê e a LCP proíbe). e b) houver requisição do Ministro da Justiça. Obs.No caso do inciso II (praticados por brasileiros) os requisitos são cumulativos (faltando um deles não ocorre a extraterritorialidade). ou nela é computada. (Ex do navio holandês e a ausência de punição) c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição – também é condição objetiva de punibilidade. mas se o juiz apurar que o fato não é punível no outro país ele absolve o réu.: . o juiz não pode receber a inicial. ou seja. . Vinícius . d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter ai cumprido a pena – o Brasil respeita a coisa julgada estrangeira e a pena cumprida no exterior. V-A. e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou. 26 . 109. Questão: Existe algum caso de extraterritorialidade previsto em lei especial? Sim. cumulativo com alínea anterior. não estar extinta a punibilidade. Assim. CR/88 diz: “as causas relativas a direitos humanos. da Lei de Tortura – Lei 9. quando idênticas”. Os requisitos ou condições cumulativas são as seguintes: a) entrar o agente no nosso território (entrar não se confunde com permanecer! Aqui não importa se ele permanece no nosso território ou não) – é condição de procedibilidade. para evitar o bis in idem. b) ser o fato punível também no país em que foi praticado – é condição objetiva de punibilidade. por outro motivo.455/97.Vítima brasileira ou agente do crime sob jurisdição brasileira. Assim. pode haver processo.Direito Penal – LFG – Intensivo I 2) Princípio da defesa ou real (é a corrente correta).

Natureza jurídica dessa imunidade: a maioria entende que é uma causa pessoal de isenção de pena. 53. sua família e membros da sua comitiva. mas o país que ele serve pode tirar. Espécies de Imunidades: a) Diplomática: . CR: “os Deputados e Senadores são invioláveis civil e penalmente por quaisquer de suas opiniões. despir o diplomata dessa imunidade. porque só desempenha papel eminentemente administrativo e não representativo. mas funcional. LFG entende que se trata de uma causa impeditiva da punibilidade. causa que se opõe à formação do crime. ☺ art. substancial. . segundo Aníbal Bruno. segundo Magalhães Noronha. quando em serviço.A imunidade diplomática não impede investigação policial. 3. mas ao cargo que ela ocupa. segundo Pontes de Miranda. cláusula excludente de crime. (20/08/08) b) Parlamentar: b. que são imunes em qualquer caso). 4.Natureza jurídica dessa imunidade (indenidade): Há 6 correntes: 1. 27 . . . c) os funcionários do corpo diplomático e sua família.O diplomata não pode renunciar esta imunidade se perceber que as conseqüências no seu país são mais severas. causa de irresponsabilidade. 2. mas sim prerrogativas funcionais. causa pessoal de exclusão de pena. e) agentes consulares?** (*) a esposa do embaixador tem imunidade desde que ela não seja da nacionalidade do país que ele esteja servindo. por isso são constitucionais e não ferem o Princípio da Isonomia. de que desfrutam: a) os chefes de governo ou de Estado estrangeiro. porque a imunidade não é pessoal. . segundo Basileu Garcia. Não conferem privilégios. mas que eles escapam às suas conseqüências jurídicas (serão punidos somente em seu país). Atenção: . real. caput.Conceito: é prerrogativa funcional de direito público internacional. b) embaixador e sua família*. inviolabilidade ou indenidade (esta última é trazida por Zaffaroni – guardar essa denominação!).1) Imunidade Parlamentar Absoluta: é também chamada de material. (**) os agentes consulares são imunes só no que diz respeito aos crimes relacionados à sua função (diferentemente dos demais.Direito Penal – LFG – Intensivo I IMUNIDADES: Constitucionalidade: Pergunta: as imunidades ferem o Princípio da isonomia? Não. ela não serve à pessoa. d) funcionários das organizações internacionais (ex. palavras ou votos” – ocorre que a jurisprudência do STF ampliou a imunidade para abranger também as esferas administrativa e política (estas imunidades não estão expressas na CR.: ONU).Imunidade não quer dizer que quem a detém não deve obediência à nossa lei. mas existem).

pela Teoria da Assessoriedade Máxima o fato principal deve ser típico + ilícito + culpável. apesar do assessor do deputado não estar imune. porque ela alterou garantia parlamentar. O Brasil adotou a Teoria da Assessoriedade Limitada ou Média. De acordo com o STF. mas a maioria da doutrina restringe esta imunidade para a imunidade relativa (e não à absoluta). A imunidade abrangia crimes comuns ou funcionais. pela Teoria da Hiperassessoriedade o fato principal tem que ser típico + ilícito + culpável + punível. 6. só podendo alcançar os fatos praticados da sua vigência em diante.Quanto à punibilidade do partícipe: Pela Teoria da Assessoriedade Mínima basta que o fato principal seja típico para que se possa punir o partícipe. .O que é englobado pela imunidade. E esta é a posição adotada pelo STF. b) ofensa proferida fora das dependências da Casa Legislativa. dada pela EC 35/01. mas tão somente o andamento processual. ou seja. Depois da EC 35/01 O STF não precisa de autorização para processar o parlamentar (a casa respectiva pode. essa imunidade é uma prerrogativa extraordinária que não alcança inquéritos policiais. CR. senão vejamos: Antes da EC 35/01 O STF precisava da autorização da casa legislativa respectiva para processar o parlamentar. ☺Súm. que a ofensa não foi gratuita. A imunidade continua abrangendo crimes comuns ou funcionais. .Direito Penal – LFG – Intensivo I 5. no entanto. causa de atipicidade (exclusão do fato típico). O MPF ofereceu denúncia contra ele por fatos praticados antes da EC 35. Obs. 4º e 5º. A imunidade abrangia crimes praticados antes ou depois da diplomação. segundo Zaffaroni e LFG. 53. mas sim correlata com a sua função).. e neste caso o nexo funcional é presumido (o ofendido deve comprovar a inexistência de nexo). pela Teoria da Assessoriedade Média ou Limitada basta que o fato principal seja típico + ilícito para que se possa punir o partícipe. Desta forma.2) Imunidade Parlamentar Relativa: é também chamada de imunidade formal. seus processos então passaram a ser conduzidos pelo STF. o Congresso não pode sustar atos investigatórios (inquérito civil ou policial). Mas há uma outra corrente que afirma que pode retroagir sim porque a EC só alterou regra processual. nem sempre essa imunidade foi assim. A imunidade só alcança delitos praticados após a diplomação. 245. como por ex. Nesse caso. vai estar penalmente beneficiado pela imunidade. que é norteada pelo princípio do “tempus regit actum”. segundo o STF: a) ofensa proferida nas dependências da Casa Legislativa. Esses parágrafos tiveram redação nova.: Paulo Maluf – em tese ele praticou crimes antes da EC 35 e se elegeu deputado após 2001.: essa EC 35 é irretroativa ou pode alcançar os fatos praticados antes de sua vigência? Ex. causa de incapacidade pessoal penal por razões políticas. o parlamentar é que deve comprovar o nexo funcional. se entender que a imunidade exclui a tipicidade. ou seja. b. o STF precisará de autorização da Câmara dos Deputados ou não? Resposta: prevalece que essa EC é irretroativa. nesta hipótese o nexo funcional não é presumido (se o ofendido entrar com uma queixa-crime. STF – diz que a imunidade não se estende ao co-réu. sustar o andamento do processo). ou seja. Nucci. ou até mesmo em outro Estado da Federação. 28 . Assim. §§ 3º. não se poderá punir o partícipe. Tem várias espécies: I) Quanto ao processo: ☺art. segundo Frederico Marques. Mas há quem discorde disso.

que já está tramitando). O foro natural. será o STF. Obs. Deputados e Senadores não vão ao Júri. perde todas as imunidades absolutas ou relativas. que diz que é restrita. mas a Constituição Estadual pode dar ao vereador foro especial (e esta é a única imunidade relativa que ele pode ter). CPP não se estende ao parlamentar investigado ou processado. §1º. Mas atenção: Deputado Federal e Deputado Estadual não 29 . 27. vereador só tem imunidade material (opiniões. . a imunidade passaria a ser pessoal e não mais funcional (a Súm. 3. → Observações finais: . O foro especial só dura enquanto perdurar o mandato e alcança crimes praticados antes e depois da diplomação (início da legislatura). 53.Vereador: em regra. §6º. 140. enquanto na injúria não.Deputado Estadual tem as mesmas imunidades do Deputado Federal? Sim! ☺art. somente processos penais (a lei que tentou dar ao parlamentar foro especial para atos de improbidade foi considerada inconstitucional – essa alteração tem que ser feita por EC. Parlamentar pode ser preso por chamar uma pessoa negra de nome indevido? É preciso diferenciar a injúria qualificada do art. A prerrogativa que o deputado tem diz respeito às prisões provisórias. como aconteceu no Piauí e no RJ. O crime de racismo é imprescritível. palavras e votos). Não é uma imunidade ampla e irrestrita não. Em regra ele não tem imunidade relativa. Quanto à prisão civil (ex. Regra: parlamentar não pode ser preso. 4. desde que propter officio? ☺Súm. Ocorre que esta Súm. . porque a competência do foro especial está prevista na CR e não na Constituição Estadual. Quando acabar o mandato o processo volta para a origem. 394. 721. o CN pode sustar? A imunidade só alcança delitos e não atos de improbidade! Assim. Na injúria qualificada.A imunidade do Deputado Estadual é restrita ao seu Estado ou se aplica ao Brasil inteiro. III) Quanto ao foro: ☺art. §3º do crime de racismo. É a CR excepcionando a si mesma (já que ambas as competências são constitucionais). mas não é a majoritária. 53. prevalece sobre o Júri (☺Súm. STF foi cancelada). caso contrário não (☺Súm. que pode ser cumprida em face de parlamentar. .Direito Penal – LFG – Intensivo I E o andamento de ACP por improbidade. após a diplomação dos deputados e senadores. II) Quanto à prisão: ☺art. já no racismo existe segregação. o agente atribui qualidade negativa à vítima (é um xingamento). inclusive. são julgados pelo STF. STF). esta não é cabível contra os deputados e senadores. Mas há corrente no sentido contrário. CR. IV) Quanto ao dever de testemunha: ☺art. §2º. STF: foi cancelada). §1º. sem incorrer na pena de crime de falso testemunho. está superada! A imunidade do parlamentar não está restrita ao seu Estado. Esta imunidade dura enquanto durar o mandato. 53.: o art. prescritível e de ação penal privada.: devedor de alimentos). porque ela é afiançável. STF. e mesmo assim. Só caberá a definitiva ou a provisória fruto de flagrante por crime inafiançável. ele delas gozará. só pode suspender o andamento de ação penal e não de ação por ato de improbidade. inafiançável e de ação penal pública incondicionada (pode o parlamentar ser preso por este crime). Se o cargo novo tiver alguma imunidade. limitada ao município em que exerce a vereança. 221. Essa prerrogativa não alcança processos civis. CR – Princípio da Simetria. É uma imunidade dada ao parlamentar para que ele não informe dados recebidos.O parlamentar que se licencia para exercer cargo no Executivo. CR. se for estendida para após o mandato não seria mais relativa à função. A imunidade só é constitucional porque é funcional. não permanece com as suas imunidades parlamentares. Exceção: salvo em flagrante de crime inafiançável. O foro especial do Deputado Estadual é o TJ (crimes não federais) ou TRF (crimes federais). não alcançando a prisão definitiva (prisão-pena). Esse foro (TJ). se apartando a pessoa do grupo.

porque neste caso a competência foi trazida só pela Constituição Estadual e não pela Federal. 721. STF). 30 . mas o vereador vai. (Súm.Direito Penal – LFG – Intensivo I vão a Júri.

Direito Penal – LFG – Intensivo I 31 .

☺HC 84412: descaracterização da tipicidade penal em seu aspecto material – Rel. segundo este conceito o Fato Típico tem dois componentes). Segundo este conceito. Esse aspecto material é o que surgiu de novo. fato punível é crime + punibilidade. do ponto de vista constitucional. O que chama a atenção nesse conceito constitucional é o aspecto material da tipicidade: significa ofensa ao bem jurídico.com 4 elementos = Fato Típico + Antijurídico + Culpável + Punível . um fato. Fato Típico: → Evolução histórica do fato típico: Quadro sinóptico: 32 . que o LFG chama de punibilidade. 2) antijuridicidade. e 3) ameaça de pena. à luz da CR. se não ofende o bem jurídico não é materialmente típico (ex. crime tem 2 requisitos: Fato formal e materialmente típico + Antijuridicidade (ou seja. Atenção: Crime é diferente de fato punível – o fato punível exige 3 requisitos: 1) fato formal e materialmente típico. A punibilidade é um aspecto extremamente importante no direito penal. mesmo formalmente típico. Celso de Mello).com 2 elementos = Fato Típico + Antijurídico . Ou seja. Assim.com 3 elementos = Fato Típico + Antijurídico + Culpável . como o furto de uma folha de papel .: fato insignificante. para que o fato seja punível é preciso que ocorra o crime e a ameaça de pena.com 5 elementos = Ação + Típica + Antijurídico + Culpável + Punível Atualmente existe um Conceito Constitucionalista de crime.Direito Penal – LFG – Intensivo I TEORIA DO CRIME SEGUNDO LFG: (04/03/09) – Aula com o LFG: Conceitos legalistas de crime (conceitos do tempo do paradigma legal): . Ou seja.

: tipo penal é a mera descrição abstrata do crime. Basta a consciência paralela. o dolo é mero vínculo subjetivo do agente com o fato.Requisitos: 1) conduta. 4) adequação típica (um fato adequado à lei. o dolo é normativo ou jurídico. . 3) nexo de causalidade (relação de causa e efeito). O desvalor da conduta é bem maior do que o do resultado. 3) nexo de causalidade.Obs. composto de 2 requisitos: 1) consciência do fato e vontade de praticá-lo. subsunção do fato à lei). 2) resultado naturalístico (para os crimes materiais). ou seja. O tipo penal tem apenas uma dimensão (objetiva). . é valorativamente neutro. Neokantismo Neokantismo é o retorno da filosofia de valores de Kant. começo do século XX . deve-se analisar como um leigo encara a ilicitude.Os 4 requisitos são todos carregados de valor. mas o enfoque. Gerais: .Obs. Segundo essa teoria não existe direito sem valores. o fato típico é distinto da antijuridicidade.Von Liszt e Beling (desenvolveu a teoria da tipicidade em 1906). que passou a ser valorativo).Requisitos da tipicidade: 1) conduta humana voluntária.: O tipo penal não é valorativamente neutro. . O que mudou não foram nominalmente os requisitos. 2) consciência da ilicitude (dolus malus). É o fato valorado negativamente pelo legislador. . Exemplo de diferença entre ambas as teorias: no causalismo. o tipo é valorativo sempre. 2) resultado naturalístico (para os crimes materiais. não é necessário ser jurista. a tipicidade é indício da antijuridicidade (Mayer – Ratio Cognoscendi) – se o fato é típico. O leigo tem uma consciência de ilicitude distinta do jurídico. Kant falava em fato e valor. O tipo penal tem apenas uma dimensão (objetiva). é também antijurídico. dolo e culpa estavam dentro da culpabilidade. .Mezger. ou seja.Críticas sobre o conceito de dolo: como se pode exigir do homem comum que tenha consciência da ilicitude? Mezger respondeu a esta questão com a “Teoria da Valoração Paralela na Esfera do Profano” – profano quer dizer leigo. 4) adequação típica (mesmos da teoria anterior. No neokantismo.Fato Típico é o fato objetivo e valorativamente neutro. . .FT é o fato objetivo e valorativo (o tipo não é valorativamente neutro).Século XX (1900 a 1930) . . . um fato ilícito. Nelson Hungria 33 .Final do século XIX.Direito Penal – LFG – Intensivo I Teoria: Causalismo / Naturalismo / Causalnaturalismo Época e Expoentes: Conceito de Fato Típico e Obs. Nada no direito é neutro.

. OBS.Claus Roxin . “para si ou para outrem” é a intenção especial). resultado. . Dolo e culpa está na essência da conduta e a conduta está no tipo. a dimensão subjetiva do tipo compõe-se de dolo e de intenções especiais (estas últimas para alguns tipos penais. 2) para a valoração do resultado há 2 critérios: a) ele tem que ser objetivamente imputável ao risco criado (nexo entre o risco criado e o resultado ocorrido – é o “nexo de imputação”). dolo e culpa estavam na culpabilidade. . A conduta mesmo formalmente típica. II) subjetiva (da qual faz parte só o dolo. III) normativa ou valorativa (o juiz tem que valorar a conduta do agente) → Teoria da Imputação Objetiva: segundo esta teoria. Funcionalismo Moderado / Teleológico . a culpa não é um dado subjetivo. sendo o dolo um requisito subjetivo. Welzel o chama de tipo complexo.Direito Penal – LFG – Intensivo I Finalismo . ex.: furto – “subtrair” é o dolo.Welzel errou em um ponto: culpa não é um requisito subjetivo e sim.Aspecto subjetivo: dolo e culpa – estão na tipicidade (isso já é pacificado). adequação típica (os mesmos 4 das outras teorias).Requisitos da parte objetiva: conduta. A conduta deve ser valorada nesta dimensão da tipicidade.1939 a 1960 (apogeu) . . Antes. Normativo em penal é o que exige juízo de valor. Requisito subjetivo em penal é o que está na cabeça do réu. 34 .Fato típico tem 2 dimensões: é objetivo e subjetivo. não é típica do ponto de vista valorativo). deve-se valorar duas coisas: a conduta e o resultado. e b) resultado deve estar no âmbito de proteção da norma (se o resultado está no âmbito da norma.1968 . “Dolo está na cabeça do réu e a culpa está na cabeça do juiz”. Ler artigo do LFG que trata da teoria de Roxin.O fato típico tem 3 dimensões: I) objetiva (com os quatro mesmos requisitos dos demais). mas sim um dado normativo. nexo. exige um juízo de valor do juiz).No Brasil só chegou em 1970. ou seja. se está fora da norma. É o juiz que valora a culpa.Hans Welzel . não responde). A essência da teoria de Roxin gira em torno de riscos proibidos ou permitidos. normativo. por meio dos seguintes critérios: 1) criação ou incremento de um risco proibido ou relevante (sigla para memorizar: “CIRPRE”) pela conduta (se a conduta cria um risco permitido. . se praticada em contexto de risco permitido não é delito. assim. o agente responde.Porque o tipo penal vem composto de 2 partes.

Neste caso. comprador informa padeiro que irá matar a sogra envenenando o pão. Tanto as lesões esportivas como as intervenções médicas eram tratadas como excludentes de antijuridicidade (exercício regular de direito). concessionária vende um carro. . o direito penal serve para conter o abuso do estado. Vender pão é atividade objetiva. 2) juízo de valoração do resultado jurídico com base em 6 critérios (Zaffaroni) – para ser relevante. Ex1. Cada autor parte de um funcionalismo. pois fez além de sua atividade como taxista. Se o agente cria riscos proibidos.LFG Fato típico tem 3 dimensões: formal.Zaffaroni (argentino) . Teoria Constitucionalista do Delito . que o informa antes que irá matar alguém.Década de 80 .2001 . . Funcionalismo: parte de uma concepção do direito penal. tal conduta não pode ser crime). O que faz parte da tipicidade conglobante: a) imputação objetiva (concorda com a teoria de Roxin) (se existe uma norma que fomenta ou que determina ou que permite uma conduta. e. Quem responde pelo risco é quem comprou o carro e não quem o vendeu. As dimensões formal e subjetiva continuam iguais às demais. nexo de causalidade e adequação típica – igual aos demais). Ex4.Dimensão material ou normativa . subjetiva e material. lesões esportivas são criações de riscos permitidos. se cria riscos permitidos. Ex6. este resultado jurídico tem que preencher 6 requisitos (sob pena de ser atípico): 35 . Ex3. taxista informa endereço da vítima ao passageiro para que execute o crime. para Zaffaroni esta 3º dimensão é a Tipicidade Conglobante. Ex7.Dimensão subjetiva (dolo + intenções especiais). em contrapartida.é valorativa: 1) juízo de valoração da conduta (pelo critério do “cirpre” – criação ou incremento de risco proibido ou relevante) – quem atua para evitar risco de maior dano não responde pelo crime (é uma regra de imputação objetiva). . não responde. Ele não fugiu do papel de taxista.Dimensão objetivo formal (conduta. intervenção médica constitui um risco permitido. Ex5.Direito Penal – LFG – Intensivo I Funcionalismo Reducionista / Contencionista Para Zaffaroni a tipicidade também tem 3 dimensões. Ex2. O médico pratica formalmente a conduta ao “cortar” o paciente. a loja que vende arma de fogo não responde pelo risco. . + b) resultado jurídico: ofensa ao bem jurídico pela lesão ou pelo perigo concreto (deriva do princípio da ofensividade – é a lesão ou o perigo concreto de lesão ao bem jurídico). Para Zaffaroni. porque vender pão é criar risco permitido e nessa fase não se analisa o dolo do agente (teoria da imputação objetiva). com base na criação ou incremento de risco proibido ou relevante. taxista que leva passageiro. . Taxista não responde pelo delito.***Teoria da Tipicidade Conglobante: o tipo tem que ter uma 3ª dimensão (como também pensava Roxin). responde pelo delito. o que está permitido ou determinado ou fomentado por uma norma não pode estar proibido por outra – por isso deve-se examinar todas as normas do ordenamento jurídico conglobadamente. o taxista é partícipe. O juiz faz a análise valorativa da conduta. Quem realiza riscos normais não responde por nada. fazer uma corrida de táxi é a função social que cumpre. resultado naturalístico.Tipo penal: aspecto objetivo e subjetivo idênticos à Teoria de Roxin. é correr um risco permitido. O padeiro não responde. e se alguém descobrir uma norma que permita determinada conduta.

o protagonista de toda a vida do Estado é o legislador (que não erra nunca. Há ofensas que são graves. Quem realiza uma atividade respeitando as regras dessa atividade pode confiar que as outras pessoas irão atuar de acordo com as regras. Programa excursão do tio a uma floresta onde há grande 36 . Ambos morrem. grave: se o resultado for insignificante. b) Do legalismo ao constitucionalismo (atualmente se segue o neoconstitucionalismo e neoprocessualismo). confiando que os pedestres irão esperar. Promotor denuncia ambos por homicídio culposo. Toda norma existe para proteger um valor. e não o próprio agente (Princípio da Alteralidade – vem do latim alter. Ex2.Razão da exigência de uma dimensão material na tipicidade: a) Teoria tridimensional do direito (fundamento da teoria desenvolvida acima): desenvolvida por Miguel Reale – o direito é fato. morreu com os julgamentos de Nuremberg. de acordo com a jurisprudência. importante. mas todas as normas têm sempre um preceito primário e um preceito secundário. o fato é atípico. aplique a pena a quem viola a norma primária” → toda norma primária existe para proteger um valor (neste ex. feto anencefálico nunca sobrevive – aborto. 229 – motel é tolerável. logo. o segundo porque se tivesse farol teria evitado o acidente. Juiz. HC 84. se para isso for preciso violar o Direito. mas um pedestre avança na faixa e é atropelado. então é preciso agregar ao FT o aspecto valorativo. STF. A insignificância do objeto furtado exclui a tipicidade material e não formal. d) deve ser intolerável. c) deve ser relevante. HC 81057 – porte de arma desmuniciada. A cultura aceita esse tipo de atividade. Cada um responde pelo risco que criou e nos limites do risco criado. O crime é um fato que viola a norma e ofende o valor protegido pela norma. Segundo a opinião do LFG. não há crime. o fato é atípico. uma parte da doutrina não o admite. Assim: o fato que viola o valor é antinormativo (para os constitucionalistas – diferentemente do que se pensava antigamente – paradigma legalista –. Ofensa contra mim não é penalmente relevante. Nasce então o Neoconstitucionalismo e o Direito penal constitucionalizado. art. Ex1. Ex1. Ex1. (**) (*) Primeiro fundamento: A norma penal pode ser primária ou secundária.Direito Penal – LFG – Intensivo I a) deve ser concreto: ou seja. Outra teoria que pode ser aplicada é a auto-colocação da vítima em perigo em razão de conduta própria. quando se dizia que o fato adequado à lei é antinormativo). ???? b) deve ser transcendental: o resultado tem que afetar terceiros. o valor é a vida). por este modelo não se aceita perigo abstrato em Direito Penal. C tenta salvar B.XX. (**) Outro fundamento: o modelo legalista nasce com Savigny. Ex3. 121 . sobrinho quer matar o tio. No sec. uma vez que não há perigo abstrato em direito penal. O princípio da confiança relaciona-se com a teoria dos riscos permitidos. no entanto. cabe perigo abstrato dentro do direito penal. Ex. a lei é o instrumento de se fazer justiça). o preceito secundário é “pena de 6 a 20 anos de reclusão”). O preceito primário da norma secundária dirigida ao juiz é “Sr.“matar alguém” – o preceito primário é “é proibido matar”. que significa outro). . Ex2. maus-tratos aos animais por peões. embora ainda não sepultado”. O da frente atropela e mata um transeunte. motorista segue sinal verde. f) resultado deve estar no âmbito de proteção da norma. só atende aos interesses gerais. mas que são toleradas. e) nexo de imputação entre o resultado e o risco criado: deve ser objetivamente imputável ao risco criado. que pensavam ter somente cumprido a lei) – não se pode cumprir a lei. dois ciclistas trafegam no acostamento a noite. cirurgião pressupõe que o anestesista fez a anestesia de forma correta. A não responde pela morte de C. sem farol. valor e norma (*). nasce o positivismo legalista para reforçar o antigo modelo legalista. pois o aborto nesse caso é tolerável. ADPF 54 – STF irá decidir em abril sobre essa questão. A norma primária é dirigida a todos. Este modelo “está morto. sua essência é “todo direito se funda na lei”. A empurra B na piscina.412. Ex3. em 1945 (dos nazistas. Ex1. significativo. a norma secundária é dirigida ao juiz (ex. O CP permite apenas 2 hipóteses de aborto.: art. A norma que exige farol na bicicleta é para evitar acidente próprio. Lei não se confunde com o Direito.

Direito Penal – LFG – Intensivo I incidência de raios. portanto o dolo será analisado depois. Ex2. ou seja. portanto. Auto-colocação da vítima em risco por conduta própria. atirador de facas responde por homicídio? Não foi a vítima que se matou. portanto o sobrinho não poderá ser responsabilizado pelo delito. Existe dolo da pessoa que organiza a excursão. A viagem resulta na morte do tio – programar uma excursão é criar risco permitido. mas a imputação é objetiva. Ex1. O atirador de facas é que criou o risco proibido. embora confie em sua habilidade. dolo eventual do atirador. o atirador de facas responde pela morte. não foi a conduta da vítima que a matou. 37 .

A Lei de Introdução ao Código Penal apresenta uma diferenciação entre eles: crime ou delito tem pena de detenção ou reclusão. de 97 a 2003 passou a ser crime. delito liliputiano. Não admite (☺art.O Brasil prevê duas espécies de infrações penais. estão embasadas nas seguintes diferenças entre crimes e contravenções: Crime I) Pena privativa de liberdade Reclusão ou detenção Contravenção Penal Prisão simples (☺arts. e a partir do Estatuto do Desarmamento. 21. Mas essa opção política não vem do nada. crime vagabundo. CR). Isso porque a CR. pois. LCP) Ação Penal Pública incondicionada (☺art. Só pode ser da Justiça Estadual (☺art. É a regra. uma infração penal sui generis. disse quais são as penas possíveis de serem aplicadas a crimes no Brasil. LCP).Sinônimos de Contravenção Penal: crime anão. 5º e 6º. 109. (que é o mais) é perseguido por Ação Penal Pública condicionada. em algumas hipóteses passou a ser até mesmo inafiançável (a ponto do STF dizer que isso já foi um exagero). Mas o STF entende que esse comportamento é crime sim. 4º. e não Incondicionada. A tentativa não é punível (☺art. Tudo isso aconteceu por mera opção política.O que leva o legislador a rotular um comportamento como contravenção penal ou como crime? Ex. Lei 11. Mas existe uma exceção (e não é a conexão entre contravenção e crime federal – nesse caso haveria o desmembramento): contravenção penal praticada por quem detém foro por prerrogativa de função federal do 38 II) Espécie de ação penal Ação penal pública ou ação penal privada. prestação de serviços à comunidade ou medida educativa. Mas a LICP não dá todas as respostas. CP. Exceção criada pela jurisprudência: se o crime do art. a contravenção penal do art. . 17. 17 da LCP. até 1997 era contravenção penal. como prevê a lei. que é seu sinônimo) e contravenção penal. LCP (vias de fato) também deve ser perseguida por APP Condicionada. por isso é Dualista ou Binário. III) Punição da tentativa IV) Extraterritorialidade V) Competência para processo e julgamento A tentativa é punível Admite Pode ser da Justiça Estadual ou da Federal . As duas espécies são: crime (ou delito. há quem entenda (LFG) que não se trata nem de crime e nem de contravenção penal. 2º.Direito Penal – LFG – Intensivo I TEORIA DO CRIME: TEORIA GERAL DA INFRAÇÃO PENAL: (11/03/09) . Mas o STF não reconhece essa jurisprudência e por isso não encontra exceções ao art. que é posterior à LICP. dependendo do crime. IV. Não estamos mais limitados ao conceito da LICP. já a contravenção penal tem pena de prisão simples. .: porte ilegal de arma de fogo. porque o tipo da AP não deve estar ligado à gravidade do delito (tanto é que um dos crimes mais graves que existem é o estupro e é perseguido por AP Privada). LCP). 28. Por isso. 129. seria. LCP). . caput.343/06: posse de droga para uso próprio – tem como sanção a advertência sobre os efeitos das drogas. ☺art.

passível de sanção penal. LCP) VII) “Sursis” O período de prova será de 1 a 3 anos (☺art.Direito Penal – LFG – Intensivo I contraventor. Conceito Analítico de Crime.Conceito material: é o comportamento humano causador de relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. de acordo com as várias Teorias: Teoria: Teoria Causalista: Conceito: crime é fato típico + ilícito + culpável (dolo e culpa estão na culpabilidade). Teoria Neokantista: crime é fato típico + ilícito + culpável (é uma teoria que tem por base a Teoria Causal. Teoria Finalista: crime é fato típico + ilícito + culpável (o dolo e a culpa migram para o fato típico).Conceito formal: sob o enfoque formal.Conceito analítico: leva em consideração os elementos que compõem a infração penal. ex. juiz federal que pratica contravenção penal será julgado no TRF. VI) Limite de cumprimento da pena 30 anos O período de prova será de 2 a 4 ou de 4 a 6 anos. 39 . jamais poderá começar ou ir para o regime fechado. nem mesmo por meio da regressão (art. LCP). mas. . consistente num comportamento humano causador de lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. Teoria Finalista Dissidente: Teoria Social da Ação: crime é fato típico + ilícito (não há culpabilidade – esta é mero pressuposto de aplicação da pena). A estrutura do crime que prevalece é a seguinte: Crime = fato típico + ilicitude + culpabilidade. 11. . Analisa o crime sob a ótica de sua estrutura. . dentre algumas de suas diferenciações. LCP). está o fato de que o neokantista admite elementos valorativos no tipo). passível de sanção penal. Esse conceito varia conforme a teoria adotada. a depender do tipo de “sursis” A pena pode começar no regime fechado ou ir para o fechado por meio da regressão 5 anos (☺art. sob ameaça de pena. VIII) Regime de cumprimento de pena A pena de uma contravenção penal só pode ser cumprida em regime aberto ou semi-aberto. Conceito de Infração Penal: . crime é aquilo que está estabelecido em uma norma penal incriminadora. 10. 6°.Formal-material: é aquilo que está estabelecido em lei.

Pessoa Jurídica não pratica e nem pode ser responsabilizada penalmente. O STJ já adotou a 3ª corrente. 2. Lei 9. como. Sujeito Ativo do Crime: O que é sujeito ativo do crime? É o autor da infração penal. 3º. por ex. STJ entende que não se trata de uma responsabilidade objetiva ou subjetiva. 2) ofende o princípio da culpabilidade (PJ não tem potencial consciência da ilicitude).. nem culpa). A responsabilidade da PJ parte da premissa de que seria um caso de responsabilidade penal objetiva. Pessoa jurídica pode ser autora de crime? Há 3 correntes: 1.605/98: infração praticada por decisão do representante legal ou contratual. o Princípio da Insignificância). 2) PJ responde pelos seus atos. não admitindo princípios gerias não positivados. a preocupação é resguardar o bem jurídico. ou órgão colegiado. a que prevalece. Funcionalismo Teleológico (de Roxin): crime é fato típico + ilícito + reprovabilidade (a culpabilidade é limite da pena e não elemento do crime. 40 . 3) ofende o princípio da responsabilidade pessoal (responsabilizar PJ é o mesmo que responsabilidade coletiva). 4) ofende o princípio da personalidade das penas (a pena ultrapassa da pessoa do condenado). com idade mínima de 18 anos. previsão de pena – a culpabilidade é mero pressuposto da pena. o fato típico + ilícito sem pena em abstrato não é crime). admitindo princípios gerais do direito. o império da ou Radical (de Jackobs): norma. capaz. Trata-se de uma responsabilidade penal social que exige dois requisitos (☺art. ainda que não positivados). a norma. no interesse ou benefício da sua entidade). pois. Teoria Constitucionalista: crime é fato típico + ilícito + punibilidade em abstrato (isto é. adaptando-se o juízo de culpabilidade às suas características.605/98). mas pode ser responsabilizada penalmente nas infrações contra o meio ambiente. Quem pode ser sujeito ativo? Qualquer pessoa física. Sistema da dupla imputação: a responsabilidade da pessoa jurídica não exclui a da pessoa física. mas o sistema. podendo ser por ele responsabilizada penalmente.Direito Penal – LFG – Intensivo I crime é fato típico + ilícito + culpável (o dolo e a culpa integrantes do fato típico voltam a ser analisados na culpabilidade). É a posição do LFG e do Fernando Galvão. A PJ (co-responsável) tem que ser denunciada juntamente com a pessoa física autora do crime. mas sim de uma responsabilidade social. Pessoa Jurídica pratica crime ambiental (☺CR e Lei 9. Pessoa Jurídica não pratica crime nem mesmo ambiental. pois 1) ofende o princípio da responsabilidade subjetiva (PJ não tem dolo. crime é fato típico + ilícito + culpável Funcionalismo Sistêmico (a preocupação não é resguardar o bem jurídico. É. 3) o que passa da PJ condenada são os efeitos da condenação. 3. 1) Trata-se de uma responsabilidade objetiva autorizada pela CR (já que a CR pode excepcionar-se a si mesma).

CP – seria um exemplo de crime carente de objeto jurídico (porque não tem violência. em que se exige que a vítima seja mulher). mas não é necessário que o seqüestro seja do diretor.: art. . Punir alguém sem se procurar defender interesses. Pode se confundir com o sujeito passivo do crime. .Existe crime sem objeto jurídico: não. b) Segundo uma segunda corrente. .Direito Penal – LFG – Intensivo I Sujeito Passivo do Crime: É a pessoa ou o ente que sofre as conseqüências da infração penal. o tipo penal exige. 213 – estupro. entendendo-se que “pessoa” ali empregada é só a pessoa física. Objeto Jurídico: É o interesse tutelado pela norma. por ex. pessoa jurídica pode ser vítima apenas de difamação (é a corrente majoritária). . Nenhuma das duas correntes admite que pessoa jurídica seja vítima de injúria. art. É possível privar o Diretor da sua liberdade de locomoção e condicionar sua liberdade ao pagamento de uma quantia que pertence à pessoa jurídica (a pessoa jurídica que será lesada no seu patrimônio). . 41 . roubo.Pessoa jurídica pode ser vítima de crime contra a honra (calúnia..: violação de correspondência – são vítimas o destinatário e o remetente. como. 138. CP – protege a honra do inocente e a regularidade das atividades da Administração Pública.Crimes vagos: crimes cujo sujeito passivo é indeterminado (ex.: crimes contra a família). difamação e injúria)? a) Segundo uma primeira corrente.Existe crime sem objeto material? A doutrina cita dois delitos que não possuem objeto material: ato obsceno e falso testemunho. não há prática de prostituição ainda – o tipo pune um comportamento sem se preocupar com um bem jurídico). 231. latrocínio. Alice Bianchini diz que o crime de tráfico internacional de pessoas (comércio sexual) – art. É adotada por Mirabete. podendo ser a ela imputada falsamente a prática de um crime).Pessoa jurídica pode ser vítima de extorsão mediante seqüestro? Sim. . . sob o argumento de que os arts. estupro qualificado pela morte. e art. . Quem? Pode ser qualquer pessoa física ou jurídica. 339. o objeto material é o próprio objeto. pode ser vítima de calúnia e difamação (se admitindo que pessoa jurídica pratica crime (ambiental). Ex. são os “crimes de dupla subjetividade passiva” (ex. c) Segundo uma terceira corrente a pessoa jurídica não pode ser vítima de crimes contra a honra (nenhum). estão no título “Crimes contra a pessoa”. CP. que atinge a dignidade e o decoro – honra subjetiva (sendo que a pessoa jurídica não a tem). pode ser de qualquer pessoa. grave ameaça ou fraude. em que a vítima é o filho recém nascido. não é Direito Penal. no homicídio – o sujeito passivo e o objeto se confundem na mesma pessoa. 123 – infanticídio.Crimes de dupla objetividade jurídica: crimes em que o tipo penal protege mais de um objeto jurídico (tem pluralidade de bens jurídicos). caput. Objeto Material: É a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta criminosa. 139 e 140.Sujeito passivo próprio: é aquele de quem a lei exige uma qualidade ou condição especial para que seja vítima (ex. No crime de furto.: denunciação caluniosa. Mas não é o posicionamento da doutrina em geral. o sujeito passivo é o dono do objeto. A prof.Crimes de dupla subjetividade passiva: há crimes que têm obrigatoriamente pluralidade de sujeitos passivos. abortamento não consentido – são vítimas a gestante e o feto).

Críticas: 42 . Nem todos os fatos humanos indesejados interessam ao DP.Conceito material: fato típico é um fato humano indesejado. O Direito Penal é seletivo (fatos da natureza dos quais não participam o homem não interessam para o DP). Obs. Os desejados não interessam ao DP. Conduta é ação consistente num movimento humano voluntário que causa modificação no mundo exterior. Conceito material: varia de acordo com o conceito analítico de crime que se adota (do Causalismo até a Teoria Funcionalista de Jakobs). ilícito e culpável.indesejados → conduta – resultado – nexo – tipicidade Daí derivam os substratos do crime (segundo Bettiol). e a conduta pertence ao fato típico. que é uma conseqüência jurídica. resultado. Vejamos: a) Para a Teoria Causalista. Para a maioria. Também chamados de elementos ou requisitos do crime. para o Causalismo. O DP é norteado pelo Princípio da Intervenção Mínima.Conceito analítico: é o primeiro substrato do crime. Os fatos podem ser humanos ou da natureza. não admitindo qualquer valoração. O segundo é a ilicitude. está desprovida de dolo e culpa (que são espécies da culpabilidade).Da natureza . crime é um fato típico. nexo causal e tipicidade: 1) CONDUTA:   Conceito analítico: é elemento do fato típico. Da conjugação dos três substratos nasce a punibilidade. primeiro requisito ou elemento do crime. consistente numa conduta produtora de um resultado que se ajusta formal e materialmente a um tipo penal. → Elementos do Fato Típico: conduta.desejados .Humanos Fatos . norteado pelo Princípio da Intervenção Mínima. o crime tem um terceiro substrato que é a culpabilidade. . .: a conduta.Direito Penal – LFG – Intensivo I TEORIA DO CRIME: SUBSTRATOS DO CRIME: Lembramos que inúmeros são os fatos que ocorrem no mundo. . O primeiro substrato do crime é o Fato Típico. Existem fatos humanos desejados e indesejados. O DP só está interessado nos fatos humanos indesejados que consistam numa conduta produtora de um resultado (nexo causal) que se ajuste formal e materialmente (tipicidade) a um tipo penal.indesejados. Ele é subsidiário e fragmentário. FATO TÍPICO: . a conduta/tipo é objetiva.

não abrange os crimes omissivos. elementos da culpabilidade. adotando a estrutura do finalismo. ignorando o desvalor do resultado.: art. Crítica: a teoria não é clara quanto ao significado da expressão “socialmente relevante”. a vontade do agente. Segundo ela. sendo mero pressuposto de aplicação da pena. d) Para o Finalismo Dissidente. expressando uma valoração negativa da lei.a conduta. crime também é fato típico. Obs. que é a grande diferença em relação à teoria finalista. abrangendo o crime omissivo.partindo de conceitos naturalistas. .: admite elementos não objetivos no tipo.. O finalista diz: “o causalista é cego. que tem base causalista. Conduta. sendo também frágil quanto aos crimes omissivos.. para o Finalismo. é frágil quanto ao crime culposo. Conduta: “Movimento humano voluntário psiquicamente dirigido a um fim”. Obs2. atendendo à culpabilidade (.: continua desprovida de dolo e culpa (estes são requisitos. pois tem base causalista.o finalismo centralizou sua teoria no desvalor da conduta. Já se vê na conduta para onde se dirigiu o comportamento. Obs1. “Comportamento humano voluntário causador de modificação no mundo exterior”.dolo e culpa na culpabilidade. e não mais espécies. 299. ilícito e culpável. mas reconhece elementos normativos do tipo (indo de encontro às premissas de sua base). f) Para o Funcionalismo Teleológico ou Moderado (de Roxin). Quem traz esta discussão bem explicada é Francisco de Assis Toledo. CP – “com o fim de prejudicar direito”.)”. Críticas: . e o crime está despido da culpabilidade. A única diferença está no conceito e na natureza jurídica da culpabilidade. onde não há intenção. . O tipo penal não é constituído somente de elementos objetivos (ex. não mais neutra.1: o dolo e a culpa migram da culpabilidade para o fato típico. mas houve uma corrente que se tornou bipartite.ignora a presença de elementos subjetivos do tipo. dolo e culpa estão na culpabilidade (ex. CP – “sem justa causa”). para esta teoria. em que há inação.o causalismo ignora elementos normativos do tipo. no mais são idênticos (inclusive quanto ao conceito de conduta).o finalismo só explica o crime doloso. ficou contraditória quando reconheceu elementos normativos e subjetivos do tipo.: Prefere comportamento ao invés de ação. mas discorda quanto ao conceito material de conduta. Crítica: . Obs3. porém. Reconhece a presença de elementos normativos. Há quem diga que o nosso CPB adotou esta teoria. ilícito e culpável. É uma teoria contraditória. ilícito e culpável (volta a ser um conceito tripartite). Obs. deixa de ser concebida como mero processo causal para ser enfocada como exercício de uma atividade finalista (exercício vidente). é elemento subjetivo do tipo). Obs. crime tem 3 substratos: fato 43 . entendendo-se como tal dolo e culpa. crime continua sendo fato típico. c) Para o Finalismo. 59: “o juiz. a conduta continua integrando o fato típico. voltam a ser analisados na culpabilidade (acabam trazendo também um grau de reprovação). por ser movimento. A conduta. O finalismo nasceu tripartite. 154. E conduta continua integrando o fato típico. o crime também é fato típico. b) Para o Neokantismo. como queria o causalismo). é ação ou omissão. . . conduta é conceituada como comportamento humano socialmente relevante. já que há tipos que têm elementos normativos que precisam ser valorados. eu sou o vidente”.: dolo e culpa integram a conduta.: art.Direito Penal – LFG – Intensivo I . o crime é fato típico e ilícito. normativos e subjetivos.2: reconhece elementos objetivos. tendo como fundamento a redação do art. e) Para a Teoria Social da Ação.

orientada pelo Princípio da intervenção mínima. ai então se analisa a culpabilidade. norma. . por isso se fala em “Direito Penal do Inimigo”. pode acabar exumando (fazendo ressurgir) estados totalitários. não obedece a norma.Direito Penal do Inimigo Características: 1) Antecipação da punibilidade com a tipificação de atos preparatórios (incrimina meros atos preparatórios). a preocupação de Roxin é somente com a proteção de bens jurídicos (esta é sua finalidade principal). frustrando as expectativas normativas. no Brasil. havendo limites. no fato típico. A conduta está no fato típico. Norteia-se em finalidades de política criminal. Obs. Função preventiva geral da pena.Jakobs só trabalha com o que está positivado. pune-se a formação da quadrilha ou bando. Funcionalismo Radical (Jakobs) Preocupa-se com os fins da pena. violador do sistema. consiste no comportamento humano voluntário. Para Roxin. Crítica: .direito penal tem como finalidade proteger bens jurídicos indispensáveis à convivência social. Crítica: a reprovabilidade não é elemento. causador de relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão a bens jurídicos tutelados. é um inimigo. assim. mas sim com o império do sistema. conduta é a causação (provocação) de um resultado evitável. g) Para o Funcionalismo Sistêmico ou Radical (de Jakobs).trabalha com política criminal. com o que é lei. Para Jakobs. É exatamente nos fins que se diferenciam ambos os funcionalismos. a partir de 1970. frustrando as expectativas normativas ou comportamento humano voluntário violador do sistema. como por ex.a doutrina de Jakobs serve a estados totalitários. Surge o “Direito Penal do Inimigo”.: dolo e culpa permanecem no fato típico. sua conseqüência. 44 . não ao indivíduo. 2) Desproporcionalidade das penas. crime continua sendo fato típico.a preocupação de Jakobs não é mais com a lesão ao bem jurídico. Funcionalismo Teleológico (Roxin) Preocupa-se com os fins do direito penal. Trabalha com imputação objetiva do resultado. diferencia-se de Roxin. Admite a aplicação de princípios gerais não positivados (não expressos na lei). Se a pena for necessária. . também. pois não admite. . Reprovabilidade = imputabilidade + potencial consciência da ilicitude + exigibilidade de conduta diversa + necessidade da pena. conduta. que deixou de pertencer ao crime e passou a ser limite da pena.dolo e culpa permanecem no fato típico.reduz direitos e garantias fundamentais. Obs. .Direito Penal – LFG – Intensivo I típico. ilicitude e reprovabilidade.: . o Princípio da Insignificância. Segundo a doutrina majoritária. como forma de submeter a dogmática penal aos fins específicos do direito penal. Leva em consideração somente as necessidades do sistema. Porque não é positivado). . o respeito ao sistema – quem não respeita o sistema posto. ilícito e culpável e a conduta se encontra. não reconhece a aplicação de princípios gerais não positivados (não aplica o Princípio da Insignificância e política criminal. substrato do crime e sim. Busca a proteção de bens jurídicos indispensáveis Busca a reafirmação da autoridade do direito. . O Funcionalismo surgiu na Alemanha.

: o ato reflexo proposital . predomina o Finalismo Dissidente (bipartite) – cuidado com os concursos! . Ex. por ser uma veia do direito penal do inimigo.A doutrina moderna trabalha com o funcionalismo teleológico de Roxin. que deixa de ser dominável pela vontade – obs. 45 . etc. Dolo e culpa estão intimamente ligados à voluntariedade do crime. I. Surgiu na era do terrorismo. na doutrina e jurisprudência brasileira ainda prevalece o Finalismo Clássico (tripartite).Direito penal de 2ª velocidade (1 era mais moderno): direito penal das penas alternativas.: a coação moral irresistível exclui a culpabilidade. 4) Criação de tipos de perigo abstrato. é a teoria adotada por nosso código.  Espécies de conduta: a) dolosa ou culposa. Surgiu quando o mundo estava mais calmo. 6) Restrição de garantias penais e processuais (direito penal de 3ª velocidade. em cima desse denominador comum é que estudaremos agora as causas de exclusão da conduta (as hipóteses de exclusão da conduta excluem a conduta pouco importando a teoria adotada). provocado não exclui a conduta. crimes omissivos próprios. arma desmuniciada para o STF não é crime. . Dizem que. Conclusões: . 5) Surgimento das chamadas “leis de luta ou de combate”.Notar que a expressão “movimento humano voluntário” é uma constante em todas as teorias. STF não tem admitido crime de perigo abstrato. inclusive.Direito penal de 3ª velocidade: (2 eras mais moderno) imposição de penas sem garantias penais e processuais. leis dos crimes hediondos. b) ação (crime comissivo) ou omissão (crime omissivo). Ex. É um denominador comum.  Assim.Direito penal de 1ª velocidade: pena privativa de liberdade. CRIME DOLOSO: . Atenção para a defensoria pública da União! . MP/MG trabalha com o funcionalismo teleológico. . impondo-se penas sem observância de garantias penais e processuais). . . Direito reducionista: reduz direitos e garantias fundamentais. salvo defensoria. CP – quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. 18.Dentre essas 7 teorias supra apresentadas. Aplicada no Brasil: violação de domicílio. III) Atos reflexos: exclui a voluntariedade do movimento. o movimento deixa de ser voluntário.O Código Penal Militar é causalista – dolo e culpa estão na culpabilidade (art. Eras do direito penal (o direito penal varia conforme o seu inimigo): . II) Coação física irresistível: exclui a voluntariedade do movimento – obs. São elas: (☺Zaffaroni) I) Caso fortuito ou força maior: exclui a voluntariedade do movimento. Regime Disciplinar Diferenciado.Concurso público em SP. porém corrigido na reprovabilidade (dever-se-ia retirar a reprovabilidade e retornar à culpabilidade). IV) Estado de inconsciência: sonambulismo e hipnose (pois não há vontade dominando o movimento). Surgiu com o pós-guerra.Direito Penal – LFG – Intensivo I 3) Criação de tipos de mera conduta. 33).Previsão legal: art.

assumindo o risco de produzi-lo (era o que faltava para deixar de abranger a culpa consciente) – adotada no Brasil para o chamado “dolo eventual” (assumir o risco de produzir o resultado – art. c) Teoria do Consentimento ou Assentimento: ocorre dolo toda vez que o agente prevê o resultado como possível e. pessoa prevê homicídio e busca realizar homicídio. a liberdade da vontade não é elemento do dolo (conduta é movimento voluntário e não movimento livre e voluntário). Mistura dolo eventual e culpa consciente. Dolo eventual: o agente prevê uma pluralidade de resultados.: dolo não se confunde com mero desejo – no dolo. Ex. mas também assume o risco da morte. 2. a culpa consciente. ainda assim.elemento volitivo: vontade (querer ou aceitar) 2. abrange algo que não é dolo. Dolo alternativo: o agente prevê uma pluralidade de resultados. 18. → Teorias do Dolo: a) Teoria da Vontade: dolo é a vontade consciente de querer praticar a infração penal – adotada no Brasil quando se fala em “dolo direto” (querer o resultado – art. Crítica: a vontade não precisa ser livre (este conceito está ultrapassado!). 2ª parte). Há diferentes intensidades de vontade. A liberdade do movimento é matéria da culpabilidade. → Espécies de Dolo: 1. decide continuar a conduta. com sua conduta.elemento intelectivo: consciência (previsão) Obs. pessoa prevê lesão e homicídio. b) Teoria da Representação: ocorre dolo toda vez que o agente prevê o resultado como possível e.1.2. Ex. não busca realizar resultado certo e determinado. Ex. 2. o agente quer o resultado delitivo como conseqüência de sua própria conduta. dirigindo sua conduta na busca de um ou de outro. há excludente de culpabilidade. Se a vontade não é livre. 46 . Há a mesma intensidade de vontade de provocar um ou outro resultado. ainda assim. Dolo direto ou determinado: configura-se quando o agente prevê o resultado. Crítica: é uma teoria muito ampla. decide continuar agindo. 18. quer produzir lesão. É gênero e tem duas espécies: 2. Dolo indireto ou indeterminado: o agente. No desejo. espera o resultado delitivo como conseqüência de conduta alheia ou evento alheio (no desejo o resultado não é conseqüência da conduta). aceitando produzir o outro. vontade + livre = dolo + culpabilidade (interfere na exigibilidade de conduta diversa) vontade (sem “livre”) = dolo sem culpabilidade Dolo só tem 2 elementos: vontade e consciência. → Elementos do dolo: 1. prevê lesão corporal ou homicídio e dirige sua conduta para lesão corporal ou homicídio. 1ª parte). dirigindo a sua conduta na busca de realizar esse mesmo resultado. porém dirige sua conduta na realização de um deles.Direito Penal – LFG – Intensivo I → Conceito de dolo: É a vontade livre e consciente dirigida a realizar (ou aceitar realizar) a conduta prevista no tipo penal incriminador.

Obs. Obs. Portanto. 7. Resultado não diretamente querido: Incerto. Eventual (possível) e Desnecessário.Direito Penal – LFG – Intensivo I 3. mas necessário para alcançar o fim último. 13. Dolo subseqüente.: caso dos Nardone: casal estrangula filha e pensando que já estava morta a joga pela janela. Ex. não isentando o agente de pena. Dolo específico: o agente tem vontade de realizar a conduta descrita no tipo penal buscando um fim específico. teoria do assentimento no dolo eventual e teoria da representação no dolo de 2º grau. não se aplica mais. Mero ato preparatório não configura crime. ainda. Dolo antecedente. Dolo de dano: a vontade do agente é causar efetiva lesão ao bem jurídico tutelado. para alcançar o resultado querido. e o dolo específico é o dolo acrescido de elementos subjetivos do tipo. 5. pessoa quer ferir e depois matar. desnecessário. atualmente. Dolo de ímpeto: é um dolo repentino – configura atenuante de pena (sempre). Dolo de propósito: é um dolo refletido – nem sempre majora a pena. Esquema: Dolo de 2º grau: Dolo eventual: Resultado não diretamente querido: Certo e Necessário.: art. O dolo genérico é o dolo. indicando a finalidade especial. 8. enquanto no dolo eventual o outro resultado não é necessário.: não se confunde com dolo eventual. Dolo genérico: o agente tem vontade de realizar a conduta descrita no tipo penal sem um fim específico. com relação ao desafeto agiu com dolo de 1° grau. para ele. pessoa quer matar desafeto. com relação aos demais agiu com dolo de 2° grau. a Teoria da Representação foi adotada no dolo de 2º grau (o agente prevê o resultado e não pára de agir). Dolo cumulativo: o agente pretende alcançar dois resultados em seqüência. 9. Dolo geral (ou erro sucessivo): ocorre quando o agente supondo já ter alcançado um resultado por ele visado pratica nova ação que efetivamente o provoca. nós adotamos as 3 teorias: teoria da vontade no dolo direto. Dolo de 1º grau: é sinônimo de dolo direto. aí é que a menina morre.: esta última classificação (dolo genérico ou específico) está ultrapassada. Assim. 12. ☺ aula de erro de tipo Obs. a intenção do agente é matar. Dolo concomitante. OBS. Ex. coloca bomba no avião. Dolo de 2º grau (ou necessário): o agente. 4. Ex. É um caso de progressão criminosa. realiza outro não diretamente visado. 10. 11. CP – exposição da vida ou saúde a perigo. É uma espécie de erro de tipo acidental.: dolo geral pressupõe o início da execução. 6. Dolo de perigo: a vontade do agente é apenas expor a risco o bem jurídico tutelado (ex.: segundo LFG. se fala em dolo com ou sem elemento subjetivo do tipo (“com o fim de”). pois no dolo de 2º grau o resultado não diretamente querido é necessário para se alcançar a finalidade buscada. O homem médio também imaginaria que ela estava morta. quando eu falo em bem jurídico vida. mas sim possível (eventual) e. Dolo antecedente Dolo concomitante Dolo subseqüente 47 . 132. a intenção é periclitar a vida de outrem). Ex.

ou seja. Dolo natural: é o dolo adotado pela Teoria Normativa Pura da Culpabilidade (de base Finalista). Os elementos da culpabilidade são. mas sim sob a ótica do leigo. O dolo do bêbado é analisado no momento em que ele estava bebendo (anterior à conduta). Teoria Psicológica Normativa da Culpabilidade Teoria Normativa Pura (ou Extremada) da Culpabilidade Teoria Limitada da Culpabilidade . exigibilidade de conduta diversa. 48 . e dolo e culpa. na culpabilidade continuamos encontrando o dolo e a culpa. É elemento da culpabilidade e tem como requisitos: a) consciência. assim. portanto: a imputabilidade.“Valoração Paralela na esfera do profano”: quer dizer que o dolo normativo se analisa não sob a ótica de um jurista. Tem base Finalista. Elementos: imputabilidade. de vontade e de atual consciência da ilicitude (este 3° elemento é um elemento normativo). o qual passa a integrar a própria culpabilidade. mas a vontade e a consciência anterior basta: embriaguez voluntária e completa (teoria da “actio libera in causa”) . tão somente os elementos naturais. é constituído de consciência. é o dolo natural. Dolo normativo: dolo adotado pela Teoria Psicológica Normativa da Culpabilidade (de base Neokantista). então. só divergindo daquela no tratamento de certas discriminantes putativas. o dolo migra somente com a consciência e vontade (migra despido do elemento normativo). O dolo. cogitação. Espécies: não tem. assim. mas estes não são espécies da culpabilidade (ela é uma coisa só. É idêntica à extremada. É uma hipótese de dolo antecedente punível. II. Espécies: dolo e culpa. a culpabilidade tem como espécies o dolo e a culpa. ☺Quadro de análise da Culpabilidade: Teoria Psicológica da Culpabilidade Tem base causalista. a ter como elementos: imputabilidade. A culpa migra completa. em regra. Está despido do elemento normativo (consciência atual da ilicitude). mas não mais atual e sim potencial (potencial consciência da ilicitude). A culpabilidade passa. Não há mais elemento normativo. para esta teoria. A consciência e vontade em momento anterior ou posterior à ação não interessa. mas deixou de ser atual para ser potencial (potencial consciência da ilicitude). CP. Integra o Fato Típico e tem como elementos a consciência e a vontade. Posterior à conduta. Dolo e culpa migraram para o Fato Típico. 15. 28. e c) consciência atual da ilicitude (elemento normativo). não se divide). e como elemento a imputabilidade. b) vontade. 14. É o dolo normativo. em que não há dolo na conduta. É mera Presente ao tempo da conduta. Mas há uma exceção. O elemento normativo que pertencia ao dolo tornou-se elemento da própria culpabilidade. não encontramos mais o dolo e a culpa na culpabilidade. pune-se somente o dolo concomitante. exigibilidade de conduta diversa. a exigibilidade de conduta diversa e a potencial consciência da ilicitude.☺art. do profano. Tem base Neokantista (e este parte do causalismo).Direito Penal – LFG – Intensivo I Antecede a conduta. No Brasil. dolo normativo e culpa. Elementos: imputabilidade.

Violação de um dever de cuidado objetivo: o agente atua em desacordo com o que esperado pela lei e pela sociedade. basta que o paciente 49 . dispensando o resultado naturalístico – o crime se consuma antes mesmo do paciente fazer uso da medicação. Assim. por este conceito. 384. A imprudência e imperícia são antecedidas pela negligência. todo crime culposo é material (que é o crime em que o tipo penal é composto de conduta e resultado naturalístico. ofício ou profissão. ou seja. II.Direito Penal – LFG – Intensivo I . principalmente em se tratando de dolo direto e eventual. A doença mental não exclui o fato típico e sim a culpabilidade. 18. Obs. o dolo direto deveria ser mais severamente punido que o dolo eventual. . tem consciência e vontade dentro do seu precário mundo valorativo. No Brasil.2: Quanto à Mutatio Libelli – antes da Lei 11. → Conceito: Consiste numa conduta voluntária que realiza um fato ilícito não querido ou aceito pelo agente.Parte da doutrina diz que o tipo de dolo deve interferir na pena. O inimputável sofre sanção penal. Assim. com nova redação. o MP tem que aditar a denúncia se for o caso de substituir a imperícia pela imprudência. da espécie medida de segurança. É aqui que são analisadas as modalidades de culpa (formas de violação). (25/03/09) 3. pouco importando a nova pena. ☺art.Conduta humana: ação ou omissão. CPM: conceito de crime culposo (pode ser usado nas provas abertas com consulta à legislação seca). na modalidade “prescrever”. que são: a) imprudência: afoiteza. A imprudência e imperícia são espécies da negligência. sem modificação no mundo exterior.343/06). a mutatio só existe com aditamento. inimputabilidade é excludente da culpabilidade e não da tipicidade. CRIME CULPOSO: . Nova Lei de Drogas (Lei 11.. Ocorre que existem exceções. c) imperícia: falta de aptidão técnica para o exercício de arte. mas que foi por ele previsto (culpa consciente) ou lhe era previsível (culpa inconsciente). 38. 2. aponta-se negligência. caso contrário será inepta.Pergunta: o inimputável tem dolo? O doente mental. por exemplo.Previsão legal: art.: a denúncia tem que apontar e descrever a modalidade de culpa.719/08. Na dúvida. basta que o médico a prescreva. tem dolo. e a mutatio com aditamento (quando a pena era superior à original). que é indispensável) – não pode ser formal ou de mera conduta. que é formal. com a nova lei. isto é. De acordo com esta corrente. Agora. 33. negligência ou imperícia”. → Elementos da Culpa: 1. Obs. havia a mutatio sem aditamento (quando a nova pena não era superior à original). b) negligência: falta de precaução. e que podia ser evitado se o agente atuasse com o devido cuidado. o art. por exemplo. como. por ex.Resultado: não há crime culposo sem resultado naturalístico. ☺art. CP: “Diz-se o crime culposo quando o agente deu causa ao resultado por imprudência. II.

ele dá o mínimo de determinação e o juiz complementa. contudo. são escritos. 50 . No silêncio.P. não há crime sem lei anterior. a ação do tipo não está determinada legalmente. Não se confunde com previsão. respeitam a anterioridade. ou seja. tem que estar expressamente prevista em lei . por isso. ou seja. CP. O exaurimento é considerado na pena. o resultado naturalístico é indispensável. Assim. escrita. portanto é dispensável.Previsibilidade: o resultado deve ter sido abrangido pela previsibilidade do agente.Direito Penal – LFG – Intensivo I tome contato com a receita.Tipicidade: a regra é punir-se somente crime doloso. Seus tipos são. sem resultado naturalístico. (complemento normativo) e tipo aberto (complemento valorativo. deve estar presente a possibilidade de o agente conhecer o perigo. certa e necessária. 4. Desta forma. em que o juiz deve valorar o caso concreto). Há um tipo de crime culposo. Ex. O único doutrinador que citou essa exceção foi Flávio Monteiro de Barros. onde há efetivo conhecimento do crime. estrita. que não tem este elemento: a culpa consciente. dependendo de complementação judicial durante a análise do caso concreto. existe esta crítica ao crime culposo. só se pune a modalidade dolosa. já que ele retira o critério da certeza exigível pela legalidade. Ex. Nos delitos culposos.Pergunta: Crime culposo é constitucional? Fere o Princípio da Legalidade? Segundo o Princípio da Legalidade. a culpa.☺art. tem efetiva previsão (o agente efetivamente tomou conhecimento do perigo). prevalece que o crime culposo obedece ao mínimo de determinação necessária.Nexo de Causalidade entre conduta e resultado 5. decide prosseguir com a conduta. O tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. O tipo penal descreve mera conduta. Crime: tipos completos e tipos incompletos. Crime material Crime formal ou de consumação antecipada Crime de mera conduta O tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. homicídio. extorsão. para ser punida. Os incompletos dependem de complemento normativo ou valorativo: N. ele tem uma margem que fica a critério do juiz valorar. Não tem como o legislador prever todas as hipóteses de conduta culposa. acreditando que o resultado não ocorrerá ou que pode evitá-lo com suas habilidades (é a culpa com previsão). Mas será que o crime não fere o princípio da taxatividade? Apesar de haver doutrina (minoritária) ensinando que o tipo aberto fere o princípio da taxatividade. porque neste caso o agente tem mais do que previsibilidade. Os crimes culposos são feitos mediante lei. → Espécies de crimes culposos: a) Culpa consciente: o agente. Sem esse resultado não há consumação.. “abertos”. 18. Para combater este argumento fala-se que o tipo culposo traz o mínimo de determinação necessário para obedecer ao Princípio da Legalidade.U. 6. P. apesar de prever o resultado.B. estritos. O crime culposo é espécie de tipo “aberto”. . Ex. mas esse resultado é mero exaurimento. violação de domicílio.

Ocorre quando o agente pratica um crime distinto do que havia 51 Previsão/Consciência Previsão Previsão Previsão . era objetiva e subjetivamente previsível. CRIME PRETERDOLOSO: . . Apesar de a ação ser dolosa. ☺art. supondo estar agindo acobertado por uma excludente da ilicitude (descriminante putativa).bem como ao comportamento da vítima. ☺art. 20.. evitável. É uma espécie de crime agravado pelo resultado. Ex. culpa por assimilação ou culpa por equiparação. racha: os tribunais superiores vêm decidindo que racha é dolo eventual (prova do CESPE).. provoca intencionalmente um resultado ilícito. portanto. 121. c) Culpa própria: é aquela em que o agente não quer e não assume o risco de produzir o resultado. naquelas circunstâncias. §1º. CP: “Pelo resultado que agrava a pena só responde o agente que o houver causado ao menos culposamente”. (ver livro do Greco sobre este ponto). 3ª) crime culposo agravado dolosamente: ex. 2ª) crime culposo agravado culposamente: ex.É também chamado de Crime Preterintencional.. entretanto. 4ª) crime doloso agravado culposamente: ex. É. → Conceito: Crime preterdoloso é uma espécie de crime agravado pelo resultado. segunda parte. Se o erro for inevitável não há crime. o agente responde por culpa por razões de política criminal. que. poderia prever a ocorrência daquele resultado (é uma culpa sem previsão. 19. Mas a culpa concorrente da vítima pode atenuar a responsabilidade do agente. que está no campo da vontade e não da consciência. Neste caso. 59.. É gênero do qual são espécies a culpa consciente e a culpa inconsciente. fantasia certa situação de fato.: lesão seguida de morte – somente esta 4ª espécie é que é considerada crime preterdoloso. qualquer outra pessoa.”). e. mas com previsibilidade). 2ª figura). § 4°. . constituído de dolo no antecedente e culpa no conseqüente. Sinônimos de culpa imprópria: culpa por extensão.: homicídio no trânsito (culposo) qualificado pela omissão de socorro (art. → Compensação de culpas: existe no Direito Penal brasileiro? A culpa concorrente da vítima se compensa com a culpa do agente? Não! No Direito Penal não existe compensação de culpas. CP. d) *Culpa imprópria: é aquela em que o agente.: incêndio culposo qualificado pela morte culposa.Previsão legal: art. uma conseqüência de uma descriminante putativa por erro evitável.: homicídio qualificado. em razão disso. por erro.Direito Penal – LFG – Intensivo I b) Culpa inconsciente: o agente não prevê o resultado.Espécies de crime agravado pelo resultado: 1ª) crime doloso agravado dolosamente: ex. ☺Quadro Sinóptico: Vontade Dolo Direto Querer Dolo Eventual Assume o risco de produzir Culpa Consciente Não querer/não assumir/ não aceitar/acreditar poder evitar Culpa Inconsciente Previsibilidade Não quer / não assume o risco de produzi-lo Atentar para a diferença entre o dolo eventual e a culpa consciente. CP (“.

era previsível que isso podia ocorrer). → Elementos do Preterdolo: (Ex. Evitável: exclui dolo. 74) e.Direito Penal – LFG – Intensivo I projetado cometer. circunstâncias do crime (podendo excluir causas de aumento. justificantes ou qualquer dado que se agregue a determinada figura típica. 129.lesão seguida de morte (isso seria analogia in malam partem). 2. 3. 73) d. Vias de fato seguida de morte não configura o crime do art. Atenção: é imprescindível que o resultado mais grave seja culposo! Se o resultado mais grave é fruto de caso fortuito ou força maior. Resultado diverso do pretendido (art. Erro de tipo: 1. CP. ( é punível por culpa) 2. Ex. agravantes. Quanto à pessoa (art. O resultado não pode ser imputado ao agente (não era previsível). Sobre o nexo causal . CP). Vias de fato seguida de morte configura homicídio culposo. bate a cabeça numa mesa e morre. Entende-se por erro de tipo aquele que recai sobre as elementares (causa de atipicidade absoluta ou relativa). ou presunções legais). local próprio para brigas. 1. decorrência de negligência.Previsão legal: art. 52 . Acidental a. Empurrar não é lesionar. 20. a vítima cai. Sobre o objeto b.Provocação de resultado culposo mais grave do que o originalmente projetado (= morte). ficando a contravenção absorvida. Inevitável: exclui dolo/culpa (não há previsibilidade) b. § 3°. bateu a cabeça e morreu.3*: se o agente só empurrou e a vítima caiu. O resultado não foi fruto de culpa. O agente responde só pela lesão. o agente responderá apenas pela lesão e não pela morte (a morte não poderá ser imputada ao agressor). 129. dá um soco. ERRO DE TIPO: . Ex.1: se o agente quis ferir. Essencial (não há consciência) a. Ex. §3º . Na execução (art. É um misto de dolo (na conduta) e culpa (no resultado). imprudência ou imperícia. da um chute na vítima que cai e bate a cabeça num prego (coisa que não é comum num tatame) e morre. Empurrar é vias de fato (mera contravenção). É lesão corporal seguida de morte (está numa sala cheia de mesas. CP) c. §3. 20.: de crime: lesão corporal seguida de morte).2: se o agente está num tatame.Conceito: É a falsa percepção da realidade. advindo resultado mais grave.Conduta dolosa visando determinado resultado (= a lesão).Nexo causal entre conduta e resultado (= art.

O agente percebe a realidade.Conceito: representação equivocada do objeto material coisa. a ilicitude. já no erro evitável há culpa. o agente não responde nem por dolo e nem por culpa. É a corrente que predomina na doutrina moderna. Se previsível ao homem médio. corrige o erro e continua agindo ilicitamente.Direito Penal – LFG – Intensivo I . também exclui o dolo. se avisado. porque existe previsibilidade. decorrência da má representação do objeto. etc. caçador acha que estava matando um animal. se prevista em lei.1: sai de uma festa.2: o marido quer manter conjunção carnal com a esposa. O erro de proibição é a falsa percepção da ilicitude do comportamento. . o marido a constrange acreditando que não era uma atitude ilícita (pensou que estava no seu direito): erro de proibição. percebi que não era o meu: erro de tipo. exclui a culpa – assim. se alertado. era inevitável. exclui o dolo. acidentais.1ª corrente: trabalha com o homem médio (homem de diligência mediana). No erro de tipo essencial. No erro de tipo acidental. Ex. mas acabo furtando um relógio de latão. . que podem interferir na evitabilidade ou inevitabilidade do erro. 53 . é uma criação doutrinária. mas desconhece sua proibição. e se exclui a previsibilidade. O agente sabe o que faz.2ª corrente: aponta que é difícil descrever um homem médio. ao chegar em casa. portanto.. Não existe previsão. b) Acidental: Recai sobre dados periféricos. . Ex. exclui o dolo.Previsão legal: não existe. o agente faz sua conduta recair sobre coisa diversa da pretendida. não há vontade. o agente. O erro inevitável exclui também a culpa.Ex. quero subtrair um relógio de ouro. era evitável. Se eu falo de erro. mas mata um homem. Conseqüência: a. O erro de tipo acidental se divide em 5 espécies: 1. o grau de instrução. que não quer. mas permanece a previsibilidade (a culpa permanece) – punese a modalidade culposa.Erro de Tipo x Erro de Proibição: O erro de tipo é a falsa percepção da realidade. peguei um guarda-chuva e. secundários do tipo. Deve-se levar em conta a idade. Nesse caso. portanto. No erro de tipo o agente não sabe o que faz. em qualquer hipótese exclui o dolo. Sobre o objeto: .Espécies de Erro de Tipo: a) Essencial: Recai sobre dados principais do tipo. pois não há previsibilidade. Evitável (inescusável): exclui consciência e permanece a previsibilidade – se exclui a consciência. b. Ex. Ou seja. Trabalha com as circunstâncias do caso concreto. se não pudesse. Para decidir se o erro é evitável ou inevitável. o agente pára de agir. Inevitável (escusável): exclui consciência e previsibilidade – se exclui consciência. há 2 correntes: . . se o homem médio pudesse evitar. Prevalece entre os doutrinadores clássicos. há culpa.

por inabilidade minha acabo atingindo o meu vizinho. entendendo que o agente deve responder pelo crime considerando a situação que melhor beneficiar ao réu (aplicação do princípio do in dubio pro reo).Obs. mas o filho come a comida e morre. SOMENTE DE REPRESENTAÇÃO). e não a efetivamente atingida. . Ex. por acidente ou erro no uso dos meios de execução. atinge pessoa diversa da pretendida. As conseqüências são as mesmas. porém.Quando. Atentar para a espécie acidente. 73.Previsão legal: art. Erro na execução ( aberratio ictus): .Conceito: o agente. já que não há previsão legal. não exclui culpa. Art.Ex.Conseqüência jurídica: não exclui dolo nem culpa. Nesse erro o agente representa equivocadamente alguém. o agente responde pelo crime. CP O agente representa bem e executa mal.: a doutrina moderna divide a aberratio ictus em duas espécies: por acidente ou por erro no uso dos meios de execução. §3º).. 20.: Zaffaroni discorda. 20. porém. §3º.Ex. quero matar meu pai. CP. .: o objeto material se divide em coisa e pessoa – assim.: filho que mira no pai. Espécies de aberratio ictus: Por acidente: A vítima pode ou não estar no local. Diferenças: nos dois casos o agente atinge pessoa diversa.Conseqüência jurídica (solução que se dá para esta espécie de erro): é dada pela doutrina. O erro está ligado à falta de perícia do agente.: mãe envenena a comida pretendendo matar o marido. Art. que se postava ao lado do meu pai. Não há erro na execução. . concurso formal de delitos (art. . Quanto à pessoa: . 73 .). §3º. 73. representando equivocadamente a pessoa que entra na casa. não exclui culpa. pretendida (vítima virtual). mesmo tendo matado o tio! . o agente responde pelo crime. considerando-se também a vítima virtual (mesma conseqüência do art. Eu executo bem um alvo mal representado – eu respondo por parricídio (homicídio do pai). mas acaba acertando o tio (erro relacionado à falta de perícia do agente). por acidente ou erro (. não isenta de pena. Se atingida também a pessoa visada. 70. mas: Art. 3. à sua falta de habilidade. o agente responde pelo crime considerando a coisa efetivamente lesada.Conceito: representação equivocada do objeto material pessoa. não isenta de pena. mas as espécies são diferentes. porém. 20. Obs. se a questão perguntar sobre o erro quanto ao objeto material (que é a coisa ou pessoa sobre a qual recai a conduta criminosa) é preciso falar do erro quanto ao objeto e quanto à pessoa (e não só quanto ao objeto!). .Conseqüência jurídica: é dada pela lei – não exclui dolo.. não isenta o agente de pena. CP). mas responde pelo crime em relação à pessoa visada. 54 . atingida e não a pretendida.Direito Penal – LFG – Intensivo I . Obs. Suas conseqüências são: não exclui dolo.Previsão legal: art. eu miro o meu pai. mato seu irmão gêmeo (NÃO HÁ ERRO DE EXECUÇÃO. visada (o juiz pode aplicar o princípio da insignificância). CP – é chamado pela doutrina de aberratio ictus. atingindo pessoa diversa da pretendida. . CP O agente representa mal e executa bem. apesar de corretamente representada. Por erro no uso dos meios de execução: A vítima está no local. Ex. 2.

provoca resultado diverso do pretendido. acaba por produzir o resultado visado. é uma criação doutrinária. que se divide em duas espécies: I) erro sobre o nexo causal em sentido estrito: o agente. porém. Aberratio ictus é um instituto do direito penal e não do direito processual penal. a doutrina é que trouxe a solução para esse caso. 74 trata também de erro na execução.Previsão legal: não existe. CP.Conceito: o agente. 74. . visando produzir determinado resultado mediante certo nexo causal. Art. O sujeito responde pelo resultado considerando a vítima pretendida. Diferenças entre as duas figuras: Art.Ex. . CP). . CP se o resultado produzido é menos grave (bem jurídico menos valioso) que o resultado pretendido.). O processo penal para fins de competência trabalha com a vítima real. Resultado diverso do pretendido: .Previsão legal: art. produz o resultado visado. acaba por atingir o motorista. mediante um só ato. 74 (01/04/09) 5. ferindo bem jurídico de natureza diversa. porém com outro nexo. sob pena de prevalecer a impunidade. o art. por erro na execução. não exclui culpa e não isenta de pena. . Se provocar também o resultado pretendido. §3º ou art. 74. É a chamada aberratio criminis.Direito Penal – LFG – Intensivo I OBS. É também uma espécie de erro na execução. porém. Portanto. O CP não prevê essa hipótese. 20. 74. o agente responderá pelo resultado diverso do pretendido a título de culpa. por ex. porém. um tiro que não acerta seu alvo sempre vai parar em algum lugar. mas com bens jurídicos diversos (o resultado pretendido é diverso do efetivamente conseguido). Não exclui dolo. mas mato agente federal – houve erro na execução (art. responde por homicídio culposo. afinal. Coisa – coisa → erro sobre o objeto Pessoa – pessoa → art. Respondo como se eu tivesse atingido a vítima virtual.Conseqüência jurídica: não isenta de pena. com um resultado diverso. O agente atinge bem jurídico diverso (coisa – pessoa). num muro. porém. Eu quero matar um investigador da polícia civil. CP: Tem-se um resultado igual ao pretendido. CP). 70. por erro na execução atinjo a viatura. No entanto. Alerta Zaffaroni não se aplicar o art. a tentativa branca jamais seria punida. Invertendo o exemplo acima: eu quero matar o motorista. 73. que vem a falecer. Ex. Erro sobre o nexo causal ( aberratio causae): . 73. Este erro é o chamado aberratio causae. 4. O agente atinge o mesmo bem jurídico (pessoa – pessoa). 73 Coisa – pessoa / pessoa – coisa→ art. porém.: o agente empurra uma pessoa para que ela 55 . Neste caso. por acidente ou erro no uso dos meios de execução. que é seguida pela jurisprudência (caso contrário. 73. o crime será processado na JF e não na JE. No exemplo. Não isenta de pena. assim como o art. o agente responde pelo resultado diverso do pretendido a título de culpa (pelo resultado efetivamente provocado). se existir a figura culposa. o agente deve responder pela tentativa do resultado pretendido não alcançado.Conceito: o agente.: o agente quer danificar o veículo do seu desafeto. concurso formal de delitos (art. com nexo diverso. CP: Tem-se um resultado diverso do pretendido.

Há doutrina que não diferencia o nexo causal em duas espécies.Direito Penal – LFG – Intensivo I caia no mar e morra afogada. mediante conduta desenvolvida em dois ou mais atos. e acaba atingindo um animal. quando esta cai ao chão vem a morrer (é diferente do caso da Isabela Nardone. vindo a morrer afogada. antes que ela caia no mar. Erro de Tipo: O agente não sabe o que faz (falsa percepção da realidade). ignora a ausência de alguém). Para aqueles que não a diferencia. não isenta o agente de pena.: o agente atira em um arbusto pensando ser um animal. ignorava a elementar alguém). Não é caso de responsabilidade penal objetiva porque o dolo se dirige ao resultado e o resultado é atingido. afastando a responsabilidade objetiva. e acaba atingindo uma pessoa. Ex. . Há 3 correntes: 1ª) o agente responde pelo crime considerando o nexo pretendido. 2ª) o agente responde pelo crime considerando o nexo efetivo (real). ela bate a cabeça numa pedra e morre por traumatismo craniano. Ex. Delito Putativo por Erro de Tipo: O agente não sabe o que faz (falsa percepção da realidade). . atirar contra um animal). mas qual nexo será considerado? O pretendido ou o efetivo? Dependendo do nexo pode gerar uma qualificadora. O agente ignora a ausência de uma elementar (ex. responde por homicídio). deve-se considerar o nexo que prejudica menos o réu . a jurisprudência é muito pobre de exemplos. Ex. Aberratio criminis: resultado diverso do pretendido. ERRO DE SUBSUNÇÃO: 56 . Ex. Aberratio ictus: erro na execução. Ex.Zaffaroni).Erro de Tipo x Delito Putativo por Erro de Tipo: Nos dois casos o agente não sabe o que faz. o agente responde pelo crime considerando o resultado provocado (queria matar. Aberratio causae: dolo geral. aceita qualquer meio para atingir o fim). jogo o corpo no mar.Conseqüência jurídica: é a doutrina que traz – o erro não exclui dolo nem culpa. aberratio causae é erro sobre o nexo causal. pensando estar viva. O agente imagina estar agindo ilicitamente (ex. pensando que ela já está morta. suficiente para a provocação do resultado desejado (o agente. porque naquele caso o promotor afirmou que quando a menina foi jogada pela janela o autor do fato sabia que ela ainda estava viva). O agente imagina estar agindo licitamente (ex.2: atiro na vítima e imaginando estar morta. Na doutrina. com nexo de causalidade diverso. produz o resultado visado.2: o agente atira em pessoa que já estava morta. O agente pratica um fato atípico sem querer. Mas esta é a única semelhança entre eles. e não o produzido. porém. de modo geral. São institutos absolutamente opostos.: o agente atira em um arbusto pensando ser uma pessoa.1: o agente esgana o pescoço da filha querendo matá-la e. II) dolo geral: o agente. O agente ignora a presença de uma elementar (ex. 3ª) O agente responde pelo crime considerando o nexo mais benéfico (in dubio pro reo. a joga pela janela e. para evitar a responsabilidade penal objetiva. ou seja. O agente pratica fato típico sem querer. atirar contra uma pessoa). No restante são totalmente diversos. prevalece a 2ª corrente.

O agente interpreta equivocadamente o sentido jurídico do seu comportamento. A norma mandamental (manda agir) pode decorrer: a) do próprio tipo penal: o tipo penal descreve a omissão. mas ao erro de subsunção (questão do MP). engana a enfermeira e troca a ampola da injeção. faz aquilo que a lei não quer. Ex. 297. não tem previsão legal. portanto. o agente erra por conta própria. ERRO PROVOCADO POR TERCEIRO: . MP denuncia por falsidade de documento público. pessoa falsifica cheque (Banco Itaú).2: o agente ignora o conceito de funcionário público para fins penais: jurado pede dinheiro.Conceito: não se confunde com o erro de tipo.Conceito: no erro de tipo. AÇÃO (CRIME COMISSIVO): O crime comissivo está descrito num tipo proibitivo. Trata-se de erro que recai sobre valorações jurídicas equivocadas. São tipos penais que têm a expressão “deixar de. por si só.” → crime omissivo próprio ou puro. No crime comissivo. a enfermeira aplica a injeção e o paciente morre. Ex. responde por crime culposo (hipótese de autoria mediata). que é um tipo através do qual o Direito Penal protege bens jurídicos proibindo algumas condutas desvaliosas (ex.Conseqüência jurídica: é trazida pela doutrina – não exclui dolo nem culpa.1. sobre interpretações jurídicas errôneas. Configura a regra no CP. corrupção. 66. 20. . § 2°. o agente infringe um tipo proibitivo (ação). O enganado. é erro de tipo ou erro de proibição? Não se enquadra a nenhum deles. No crime omissivo. guardar etc. podendo o erro gerar. Ex.. .Direito Penal – LFG – Intensivo I O Erro de Subsunção não configura nem erro de tipo e nem erro de proibição! Previsão legal: é uma criação doutrinária. ou seja. .Conseqüência jurídica: quem determina o erro dolosamente.1: o médico quer matar o paciente. fica isento de pena. CP). quem determina o erro culposamente. há uma terceira pessoa que induz o agente a erro (trata-se de erro não espontâneo e sim. Ex. mas não sabe que é funcionário público para fins penais e pratica. o agente deixa de agir de acordo com o que determinado por lei (inação).. . §2º. responde por crime doloso. CP. notificar.).2: o médico negligentemente prescreve injeção errada.). matar. constranger. uma atenuante inominada (art. no máximo. A enfermeira não responde por nada e o médico responde por homicídio doloso. não isenta de pena. Se o condenado alega que não sabia que era equiparado a documento público. que é o tipo através do qual o Direito Penal protege bens jurídicos determinando a realização de condutas valiosas (socorrer. o agente responde pelo crime. falsificar. se não age com dolo nem culpa. É uma situação absolutamente oposta à anterior. etc. A enfermeira a aplica e mata o paciente. provocado). 57 .Previsão legal: art. OMISSÃO (CRIME OMISSIVO): O crime omissivo está previsto num tipo mandamental. pois não há falsa percepção da realidade. Nas duas hipóteses o médico age como autor mediato. Já no erro determinado por terceiro. subtrair. Também não se confunde com erro de proibição. Art. o que a norma proíbe. CP: equiparação. vez que o agente sabe da ilicitude do seu comportamento.

mas sim um dever especial de evitar o resultado. eu preciso passar 1° pelo art. Crime Omissivo Impróprio: . se preocupa com fatos humanos. A omissão não está descrita no tipo.Natureza jurídica: ausência de ação esperada. Apesar da omissão. § 2°.U. P. 13. e este dever não é genérico.Existe um dever genérico de agir.Admite tentativa (pois responde por um tipo conduta). Ela não vigiou os meninos e um deles caiu e morreu. CRIME DE CONDUTA MISTA: É um crime que reúne as duas espécies de comportamento. §2º. A omissão está descrita num tipo incriminador.Apropriação indébita de coisa achada (art. Se enquadrar: omissão imprópria. não se preocupa com fatos da natureza dos quais não participam o homem. ☺art. professora levou 2 alunos para conhecer uma caverna. 13. . 13.Existe uma subsunção direta (fato/norma). CP). § 2°. O tipo penal traz as duas espécies de comportamento. mas o prof. 13. §2º. § 2°. § 2°. Revisão: O Direito Penal se preocupa com os fatos. mas recai sobre pessoa especial. 58 . . A omissão da professora é imprópria (art. CP → crime omissivo impróprio ou impuro. Os fatos humanos podem ser desejados ou indesejados. 169. ação e omissão. . CP: apropriação indébita previdenciária (recolhe contribuição – conduta comissiva e deixa de repassar à previdência – conduta omissiva). . atinge a todos indistintamente. 13. descorda. Crime Omissivo Próprio: . Ex. Para encaixar a omissão em um dos dois tipos deve se verificar se o omitente se encaixa no art.Natureza jurídica: uma realidade onde falta a causalidade. Para que a omissão se ajuste à ação.Não admite tentativa (são delitos de mera . 168-A. . O tipo descreve uma ação.Existe uma subsunção indireta. há quem entenda que se trata de crime omissivo puro. II. 13. A omissão se ajusta perfeitamente ao tipo penal.Direito Penal – LFG – Intensivo I b) de uma cláusula geral: o dever de agir está descrito em norma geral. o dever de evitar o resultado deriva de cláusula geral (art. o DP quer punir o agente pelo que ele faz e não pelo que ele é (Princípio da Materialização dos fatos). Exemplos: . ou seja. se não enquadrar: omissão própria. mas por homicídio. o agente responde pelo crime como se o tivesse praticado por ação (tipo comissivo). o dever de agir deriva da própria norma mandamental. O DP é seletivo. comissivo). b): responde por homicídio culposo.: dever de agir no socorro do próximo).. CP). O agente responde penalmente porque não evita o resultado que estava obrigado a evitar. não no tipo. O omitente impróprio é um garante ou garantidor e responde não por omissão de socorro.Art. . o agente responde por crime comissivo. Destes últimos é que se ocupa o DP.Não existe um mero dever de agir. Ação seguida de omissão – mas aqui há divergência na doutrina. é um dever de solidariedade humana (ex. É endereçado a personagens especiais referidos no art.

resultado.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ademais. O Fato Típico é constituído de conduta. ou seja. espécies. dolo/culpa e ação/omissão). ele é subsidiário e fragmentário. Agora passaremos ao estudo do Resultado e do Nexo Causal. 59 . Esta é a introdução para qualquer dissertação sobre fato típico. Já estudados a conduta (conceitos. tipicidade e culpabilidade. o DP é norteado pelo Princípio da Intervenção Mínima. nexo causal e tipicidade.

Ocorrendo o resultado naturalístico que é dispensável. estaremos diante de um mero exaurimento. subjetivamente o agente quer mais do que objetivamente se exige – ex. O crime de mera conduta não tem. não exigindo o enriquecimento do agente. por isso este crime é chamado também de crime de consumação antecipada. influenciada pelo funcionalismo) para a tipicidade formal (mera operação de ajuste fato/norma). 155. a diminuição patrimonial nos crimes contra o patrimônio etc.Direito Penal – LFG – Intensivo I 2) RESULTADO: Espécies: a) Resultado Naturalístico (ou material): da conduta do agente resulta alteração física no mundo exterior (a morte no homicídio. e o crime formal o dispensa. resultado.. crimes contra a honra. No crime formal. etc. Obs. aquele em que há uma congruência entre os elementos subjetivos e objetivos do tipo. todos têm conduta. nem todos os crimes geram alteração no mundo exterior.: violação de domicílio. tipicidade) e fato típico de crime não material (conduta e tipicidade). Classificação do crime quanto ao resultado: 1) Crime material: o tipo penal descreve uma conduta mais um resultado naturalístico. 121. A conseqüência é a necessidade de diferenciação entre fato típico de crime material (conduta. Ex. 2) Todos os crimes têm resultado normativo (lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado)? Sim. nexo. 2) Crime formal: o tipo penal descreve conduta mais um resultado naturalístico que é dispensável. Tipo incongruente: há incongruência entre os elementos objetivos e subjetivos do tipo. resultado. nexo causal e tipicidade)? 1ª corrente: o resultado que integra o fato típico é o resultado naturalístico. Ex. nexo e tipicidade. pelo qual se quer constranger + enriquecimento e o legislador se contenta com o mero constrangimento. 3) Qual espécie de resultado integra o fato típico (conduta. etc. art. o tipo congruente é. 3) Crime de mera conduta: o tipo penal descreve uma mera conduta. extorsão mediante seqüestro. Não há crime sem resultado normativo.: crime de extorsão. b) Resultado Normativo ou Jurídico: da conduta do agente resulta lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. 196. No momento de se analisar a tipicidade material (valoração da conduta e resultado) analisa-se o resultado normativo. resultado. Ex.: extorsão (☺Súm. interessa resultado naturalístico. 213. O que a doutrina majoritária entende é que o resultado é o normativo. 2ª corrente: (mais moderna. art. Crime: Material: Formal: De Mera Conduta: O tipo penal descreve: Conduta + Resultado Naturalístico indispensável Conduta + Resultado Naturalístico dispensável Uma mera conduta Questões: 1) Todo crime tem resultado naturalístico? Não.). não tem resultado naturalístico.: art. STJ). o que será considerado pelo juiz na fixação da pena. 60 . Assim. Assim. por ex. a consumação é antecipada para o momento da conduta. ao contrário. e o resultado naturalístico é indispensável para a sua consumação.: O crime formal é um crime de tipo incongruente.

ligando conduta ao resultado normativo. O CP trata da relação de causalidade no art. o aplicador deve proceder à eliminação da conduta do sujeito ativo para concluir pela persistência ou desaparecimento do resultado. generalizando as condições. A responsabilidade exige dolo/culpa. não são responsáveis). nos crimes materiais e com nexo normativo em todos os delitos. É preciso somá-la à Teoria da Eliminação Hipotética dos Antecedentes Causais – no campo mental da suposição e da cogitação. 3) NEXO CAUSAL: Conceito de Relação de Causalidade: O nexo causal é vínculo entre conduta e resultado. O que é causa? Aplicando-se a teoria da equivalência dos antecedentes causais. somente crime material possui nexo causal. Importante: O art. morte (venefício). Ex. objetivamente. A causalidade simples pode regressar ao infinito (uma eliminação atrás da outra. Portanto.: art. decorreu da ação e se pode ser atribuído. como um fato. Se foi imprescindível. 3) misturo o bolo com veneno (causa). O estudo da causalidade busca concluir se o resultado. Ex. CP. A relação de causalidade está presente em todos os crimes (é requisito essencial do fato típico)? 1ª corrente: parte da premissa que o resultado que integra o fato típico é o material. bastaria um nexo físico. . 13. é aquele crime em que você quer mais do que o legislador exige (e. ilicitude e culpabilidade.Direito Penal – LFG – Intensivo I Delito de tendência interna transcendente: é uma espécie de delito de intenção. 159.: moeda falsa. portanto. . 1) compro veneno (causa). é dizer. CP adotou a chamada “Causalidade Simples”.Delito de tendência interna transcendente de resultado cortado: o resultado naturalístico dispensável depende de comportamento de terceiros alheios à execução. não deixa de ser uma espécie de delito formal). Atenção: Para ser causa. todas as causas concorrentes se põem no mesmo nível de importância. 5) sirvo o bolo para a vítima (causa). 2) compro bolo (causa). é causa. ao sujeito ativo. Persistindo. Para saber o que é causa aplica-se a Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais + Teoria da Eliminação Hipotética dos Antecedentes Causais. caput. equivalendo-se em seu valor (Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais ou Conditio Sine Qua Non). mas eles não agem com dolo ou culpa. desaparecendo. até o infinito) – o que seria um absurdo (o pai e a mãe do agente são causa. é causa. Mas isso não significa que a pessoa seria responsável por aquilo do qual foi causador. 4) tomo suco de laranja (não é causa).Delito de tendência interna transcendente atrofiado de 2 atos: o resultado naturalístico também dispensável depende de novo comportamento do agente. 2ª corrente (fundamento funcionalista): trabalha com nexo material. por isso. 61 . inserindo-se na sua esfera de autoria por ter sido ele o agente do comportamento. 13. Mas como saber se a conduta foi ou não determinante para a produção do resultado? A Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais sozinha não é suficiente. deve-se pegar o resultado e analisar todos os comportamentos pretéritos e ver qual deles foi ou não imprescindível para o resultado. Ex. sabe-se que para saber o que é causa. não é causa.

É exatamente contra esse regresso ao infinito que surge a Imputação Objetiva. . a partir daí já se pode analisar a responsabilidade. É um corretivo do nexo causal. erigindo uma relação de causalidade jurídica ou normativa. pois objetiva não imputar o fato ao agente. A causa depende tão somente do nexo físico. Se um desses elementos não existe. por sua vez. Imputação Objetiva Causalidade objetiva . 62 . a Teoria da Imputação Objetiva enriquece a relação de causalidade acrescentando o nexo normativo. decorrente da causalidade simples. Assim: insurgindo-se contra o regresso ao infinito. A causalidade psíquica é que impede o regresso ao infinito. composto de: a) criação ou incremento de um risco não permitido (não tolerado pela sociedade). “Tia Boleira” (no caso do homicídio “Tia Boleira”: é causa objetiva do resultado. Para LFG. A causalidade objetiva regressa ao infinito. 4) Uma vez concluída pela não imputação objetiva.Nexo normativo: a) Criação ou incremento de risco não permitido (não tolerado pela sociedade). a criação ou incremento de um risco não permitido deve ser analisado na tipicidade material (é um corretivo da tipicidade). um novo filtro. não há nexo normativo e. Obs. Causalidade psíquica Causalidade psíquica: . b) realização do risco no resultado: a exigência de que o resultado esteja na linha de desdobramento causal normal da conduta. não há causa. mas também do nexo normativo. É este último que vai limitar a causa. b) Realização do risco no resultado (resultado na linha de desdobramento normal da conduta). A Imputação Objetiva não substitui a teoria do nexo causal. encontra limites. Somente depois disso é que se analisará a responsabilidade (dolo/culpa. 2) Aplica-se a imputação no comportamento e no resultado. Não venefício): é causa objetiva do resultado.Dolo/culpa. O nome correto seria Teoria da Não imputação objetiva. ilicitude e culpabilidade.Nexo causal (físico) A causa exige a análise não apenas do nexo físico.Dolo/culpa . portanto. Conclusões: 1) A imputação objetiva é uma análise que antecede a imputação subjetiva (quer evitar a análise de dolo e culpa). que é formada pelo dolo/culpa. apenas acrescenta. Não há nexo normativo (fazer o bolo não cria risco não será responsabilizada porque não há permitido). 3) Criada para se contrapor aos dogmas da teoria da equivalência. A causa regressa ao infinito. na análise da causa. Finalismo (Causalidade Simples) Causalidade objetiva . OBS. para limitá-la a fim de que ela não regresse ao infinito. dolo/culpa. ilicitude e culpabilidade). afasta-se o fato típico.Direito Penal – LFG – Intensivo I Causalidade objetiva (nexo causal) + causalidade psíquica (dolo/culpa) = responsabilidade pelo fato (imputação do crime). a responsabilidade.Nexo causal (físico) (Mera relação de causa/efeito). evitando que ela regresse ao infinito.

CP). Ex.Direito Penal – LFG – Intensivo I (08/04/09) Concausas: Pluralidade de causas concorrendo para a produção do mesmo evento. CONSUMAÇÃO. → Conseqüências: Ex. às 19:00 hs deu veneno para C B. concausa absolutamente independente pré-existente. o Pré-existente: causa efetiva anteceder a causa concorrente. responde por homicídio. o Concomitante: a causa efetiva se dá no mesmo momento que a causa concorrente. O tiro é concomitante ao envenenamento. é claro. Assim. B também quer matar C. o Superveniente: a causa efetiva é posterior à causa concorrente. 1: A.: A quer matar C. A responde por tentativa. A causa efetiva do resultado é pré-existente (o veneno ocorreu antes do tiro). Esta é a primeira conclusão. às 19:00 hs está envenenando C B. o Concomitante: a causa efetiva se dá no mesmo momento que a causa concorrente. Ex. estamos diante de concausas absolutamente independentes. São concausas absolutamente independentes. um não sabe da presença do outro. o Pré-existente: causa efetiva anteceder a causa concorrente. O estudo das concausas serve para B. § 1°. 13. 63 . Esta é a primeira conclusão. São concausas concomitantes. o *Superveniente: a causa efetiva é posterior à causa concorrente (art. mas como responsabilizar A? O estudo das concausas serve para analisar qual o tratamento será dado ao agente responsável pela causa concorrente. TENTATIVA. Portanto. Mas e A? A causa efetiva da morte foi o tiro. às 20:00 hs deu um tiro em C C morreu às 21:00 em razão do veneno O tratamento para A é indiscutível: responde por homicídio. TENTATIVA. tem como conseqüência a punição a título de tentativa. O tiro não se originou direta ou indiretamente do envenenamento. CONSUMAÇÃO. TENTATIVA. Disso resulta que B responde por homicídio tentado. mas atentar para o entendimento da jurisprudência: se não tiver conhecimento da causa efetiva (hemofilia) responde por tentativa. que concorreu. A dá um tiro e B emprega veneno. mas viu outra causa concorrendo com o resultado que ele almejava. • Relativamente independentes: a causa efetiva do evento se origina direta ou indiretamente da causa concorrente. para evitar a responsabilidade penal objetiva. B. C morre em razão do veneno. Assim. chega às 19:00 hs e dá um tiro em C C morre em razão do tiro Se C morre em razão do tiro. As concausas podem ser divididas em: • Absolutamente independentes: a causa efetiva do evento não se origina direta ou indiretamente da causa concorrente. 2: A. B responde pelo homicídio. também nas concausas absolutamente independentes concomitantes o segundo agente também responde por tentativa. A causa efetiva do resultado morte (veneno) é absoluta ou indiretamente dependente do tiro? Não.

por si só. pré-existentes ou concomitantes. CP (até então era o art. A concausa é absolutamente independente e superveniente. Da conduta. absurdo). O agente responde por tentativa. 3: A. É a que mais cai em concurso! I) que por si só produziu o resultado: o resultado sai da linha de desdobramento da causa concorrente. 4: A dá uma facada em B (a facada por si só não é capaz de matar) B era hemofílico B morre porque é hemofílico.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ex. Tratam-se de concausas relativamente independentes. se não tivesse conhecimento responderia por tentativa. é um evento imprevisível ao agente. porém. O art. a doença não teria causado a morte. Conclusão: se relativamente independentes. Conclusão: toda concausa absolutamente independente gera punição a título de tentativa (não importa se pré-existente. É o exemplo trazido pela doutrina. 13. O fato é atípico. é uma concausa relativamente independente concomitante. Ex. O agente responde por consumação. produziu o resultado. §1º. Da conduta esperava-se uma determinada linha causal. Mas ainda assim há concausas (envenenamento concorrendo com a queda do lustre). A responde por tentativa. e ela tomou outra. Resultado Causa concorrente II) que não por si só produziu o resultado: o resultado encontra-se na linha de desdobramento causal normal da causa concorrente. A jurisprudência moderna diz: responde por homicídico consumado desde que saiba que a vítima era hemofílica. 13. caput – teoria da equivalência dos antecedentes . que exclui a imputação quando. às 19:00 hs envenenou C.causalidade simples). 64 . Segundo a doutrina. 13. Se não houvesse a facada. O resultado será a punição a título de consumação. Ex. mas é absurdo. B já era hemofílico. não se esperava outra linha causal (não se trata de algo imprevisível. então a concausa é pré-existente. em função de hemorragia anormal A causa efetiva não foi a facada e sim a hemofilia. Assim. A facada (causa concorrente) desencadeou uma doença que B já tinha. Ex. que foi se deitar Às 20:00 hs ocorreu uma queda de um lustre na cabeça de C C morreu às 21:00 de traumatismo craniano A causa efetiva da morte foi o traumatismo craniano. Está-se diante de um evento previsível. §1º só existe para explicar a concausa relativamente independente superveniente. 6: é o caso do art. evitando-se a responsabilidade penal objetiva. A responde por homicídio consumado. concomitante ou superveniente). terá como conseqüência a consumação. 5: A dá um tiro em B B vê a bala vindo em sua direção e enfarta antes da bala o atingir B morre em razão do enfarto.

O erro médico é posterior. segundo a qual. Até a relativamente independente concomitante trabalha-se com a causalidade simples (art. exigindo. prevalece que a infecção hospitalar se equipara a erro médico (não por si só produz o resultado) – responde por consumação. Ocorre que a queda do teto não está na linha de desdobramento normal da conduta. no conjunto das causas. a mais adequada à produção do resultado ocorrente. A responde por tentativa. a simples omissão do dever de agir configura o crime). para a maioria da doutrina. adquirindo uma linha autônoma. A dá um tiro em B. 13. no entanto. Estamos diante de um crime de resultado material. a presença de nexo causal entre conduta omitida (e esperada) e o resultado concreto. Não havia possibilidade de se conhecê-la. mas as causas são relativamente independentes. 13.crime omissivo próprio (puro): há somente a omissão de um dever de agir. dispensando.: Nexo de evitação: é sinônimo de nexo de não impedimento. B vai para o hospital. Está na linha de desdobramento causal normal da conduta. o tipo penal não está preocupado com o resultado. §1º. CP não se trabalha mais com Causalidade Simples e sim com a chamada “Causalidade Adequada”. Esse nexo. B é internado no hospital. A dá um tiro em B. via de regra. a vítima não teria ido para o hospital. mas como não o impediu. Obs. Causalidade nos crimes omissivos: Pergunta: Existe nexo causal em crime omissivo? Para responder a esta pergunta é importante saber que existe dois tipos de crimes omissivos: . Segundo a causalidade simples: se retirar o tiro. A partir do art. é equiparado ao verdadeiro causador do resultado (estamos diante de um nexo de não impedimento). 65 . imposto normativamente. Aqui há a atividade omitida e o resultado. omissão de socorro. não é naturalístico (do nada não pode vir nada). Para concursos (especialmente CESPE). o sujeito não causou.crime omissivo impróprio (impuro): o dever de agir é para evitar um resultado concreto. não é uma situação previsível. O erro médico é superveniente que não por si só produziu o resultado. Na verdade. a relação de causalidade naturalística (são delitos de mera conduta. portanto. . somente haverá imputação do fato se. B vai para o hospital. consoante as regras de experiência comum. § 1° é a gênese da imputação objetiva no Brasil (nexo normativo – resultado no desdobramento normal da conduta). fosse a conduta do agente. caput). O art. No hospital ocorre um erro médico B vem a falecer em função do erro médico. B morre de infecção hospitalar. 13. isto é. A responde por consumação. o vínculo é jurídico. Neste caso. (Ex. é a nomenclatura dada por Zaffaroni.Direito Penal – LFG – Intensivo I Causa concorrente Resultado Exemplos: A dá um tiro em B. A causa efetiva foi o erro médico. Aqui há divergência na jurisprudência. portanto o agente responde pela consumação. Ou seja. mera atividade). A concausa aqui também é relativamente independente superveniente. É um evento imprevisível que sai da linha de desdobramento causal normal de um tiro. B morre em razão do esmagamento pelo teto. conseqüentemente. No hospital o teto cai em cima de B. é o nexo existente entre a conduta omitida e o resultado nos crimes omissivos impróprios. A concausa é relativamente independente superveniente.

contudo.Tipicidade material + .Nexo. Atos antinormativos: atos não determinados ou não incentivados por lei. O pai desta evolução foi Roxin. o nexo causal e a tipicidade penal. do nexo causal e da tipicidade penal. continuamos a ter a conduta. . já configurava fato típico.Nexo.Nexo. O fato praticado. . Isso foi evoluindo. se ajustado à lei.Resultado.Atos antinormativos 66 . Formal . Material (relevância da + Tip. . é: crime = fato típico. nada mais era do que uma subsunção fato / lei incriminadora. . que se compõe da conduta.Tipicidade penal . . Crime: Fato Típico: .Conduta. . por sua vez. . A doutrina brasileira diverge se Zaffaroni é funcionalista ou finalista.Tipicidade penal = Tip.Tipicidade Conglobante . ou seja. O atual estágio da tipicidade. Conglobante (Tip. uma mera operação de ajuste. No entanto. Tipicidade Conglobante (Zaffaroni) Crime: Crime: FT FT . Antinormativos).Direito Penal – LFG – Intensivo I 4) TIPICIDADE: Teorias Tradicionais Crime: FT . . o resultado.Tipicidade penal = tipicidade formal (operação de ajuste fato/lei incriminadora). que deixou de ser uma mera operação de ajuste. que atualmente é a tipicidade formal + tipicidade conglobante.Resultado.Conduta. A maioria da doutrina afirma que ele é funcionalista.Resultado . Tipicidade material. Dentro do crime. ele mesmo se afirma finalista. O pai desta corrente é Zaffaroni. tipicidade penal era sinônimo de tipicidade formal. Formal + Tip. Começou-se a falar na tipicidade material com o funcionalismo. Os atos antinormativos são os atos não determinados ou não incentivados por lei. .Resultado. Assim. A tipicidade conglobante é uma tipicidade material + atos antinormativos. do resultado. e mais precisamente dentro do fato típico. lesão ou perigo de lesão ao bem Material + Atos jurídico tutelado).Conduta .Tipicidade penal = Tip. é a relevância da lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. É um finalista que já falava em tipicidade conglobante.Nexo .Conduta. Tipicidade penal era apenas e tão somente tipicidade formal.Tipicidade Formal + . passando a ser a tipicidade formal + tipicidade material. Doutrinas + Modernas No passado.

Ex. II estende a incriminação no tempo e. oficial agiu determinado por lei (ato normativo). OBS. pois são atos normativos (que excluem a tipicidade conglobante. tolerados. espera-se de um ordenamento jurídico “ordem”. tolerados e. 121 pune “matar alguém” – A matou B e este fato se adequou imediatamente à lei incriminadora. 14. CP (tip. e. Conseqüência: O estrito cumprimento de um dever legal e o exercício regular de um direito incentivados deixam de excluir a ilicitude (como antes se pensava). Conceito de Tipicidade Conglobante: Trata-se de um corretivo da tipicidade penal. assim. pois são considerados atos normativos. Por isso.Direito Penal – LFG – Intensivo I Exemplos: 1) Subtração de um lep-top: conduta se ajusta ao art. 14. b) Tipicidade Formal Indireta: o ajuste fato / lei incriminadora se dá de forma mediata. Obs. Analisando a tipicidade conglobante. o Princípio da Insignificância exclui a tipicidade material. De acordo com Zaffaroni. a lei não obrigou e nem incentivou a realizar o furto (ato antinormativo). Material). há insignificância na conduta (não há tipicidade material). Oficial de justiça realiza a constrição de bens mediante força policial. que. lesão relevante ao patrimônio (tip. e este fato não se adequa imediatamente à lei incriminadora. isto é. Conduta se ajusta ao art. 67 . Por tipicidade material entende-se a relevância da lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado e. Espécies de Tipicidade Formal: A Tipicidade Formal pode se dar de duas formas: a) Tipicidade Formal Direta: o ajuste fato / lei incriminadora se dá de forma imediata. isto é. estamos diante de uma adequação mediata. O delegado é o senhor da tipicidade formal e não da tipicidade material. Esta (tipicidade penal) tem como requisitos a tipicidade formal (operação de ajuste) e tipicidade conglobante (constituída de tipicidade material e antinormatividade do ato). Ex. por ato antinormativo entende-se aquele não determinado ou incentivado por lei. Formal). CP (concurso de pessoas) também é uma norma de extensão. isto é. se excluída. a própria tipicidade penal. mas sim permitidos. 155.: A legítima defesa e o estado de necessidade não são atos incentivados pelo Estado. II – tentativa) para que haja essa adequação.: o art. 3) Juiz expede a seguinte ordem: realizar constrição de certos bens. CP (tip. O art. Formal). a lei não obrigou e nem incentivou a realizar o furto (ato antinormativo). sendo necessário recorrer à uma norma de extensão (art. 121 pune “matar alguém” – A tentou matar B. é chamada de norma de extensão temporal. Segundo este entendimento. 29. portanto. os vários ramos do direito determinando e incentivando os mesmos comportamentos (é uma incoerência o direito penal julgar típico comportamento que outros ramos determinam ou incentivam). 155. exclui a tipicidade conglobante e. como atos meramente permitidos. a própria tipicidade penal).: o art. 2) Subtração de caneta big: conduta se ajusta ao art. 157. O art. por isso. Formal). Material). o delegado não pode deixar de autuar em flagrante com base na tipicidade material (esse é o entendimento que prevalece). continuam como excludentes da ilicitude e não da tipicidade. pressupondo norma de extensão. CP (tip. face à resistência do dono dos bens. lesão relevante ao patrimônio (tip. passando a excluir a própria tipicidade penal. o ECDL e ERD incentivado deixam de excluir a ilicitude e migram para o fato típico. ocorre a adequação imediata.

O art. para os crimes omissivos impróprios. §2º também traz uma norma de extensão chamada causal. 13.Direito Penal – LFG – Intensivo I chamada norma de extensão pessoal. ?? 68 .

todo tipo penal é constituído de elementos positivos e de elementos negativos. aceitarmos o Tipo Total do injusto. A ilicitude confirma a tipicidade. Se um desaparecer. FT e ilicitude não têm implicação nenhuma. estrito cumprimento do dever legal e exercício regular do direito” (Merkel). presume-se. por sua vez. FT existe por si só. O fato só será típico. CP – os elementos positivos são “matar alguém”. servindo como sua essência.Elementos positivos (explícitos): têm que ocorrer para que o fato seja típico. seria o MP quem teria que comprovar a excludente de ilicitude. Mas a presunção é relativa. no entanto. são. porém por caminhos diversos. Paulo Rangel. se também ilícito. a tipicidade não gera qualquer juízo de valor no campo da ilicitude. Para a doutrina. Em resumo. 2ª) Corrente da Indiciariedade ou da Ratio Cognoscendi: por esta teoria. pois. Para esta corrente. relativamente. 121. por exemplo.: art. Ex. a tipicidade gera indícios de ilicitude. Se afirmarmos que o FT presume ilicitude. será o MP quem terá que comprovar a excludente de ilicitude. salvo se em legítima defesa”: traz para a tipicidade todas as descriminantes. Conclusão: cabe ao réu comprovar causa excludente da ilicitude. estado de necessidade. Os elementos positivos são os que devem ocorrer para que o fato seja típico. trata-se de conduta típica não justificada. elementos implícitos.Direito Penal – LFG – Intensivo I ILICITUDE: → Conceitos de Ilicitude: a) Conceito Analítico: ilicitude é o segundo substrato do crime (lembrar que quem fala em substratos do crime é Bettiol). os elementos negativos são “legítima defesa. “É crime matar alguém. ensina que o ônus da prova é da acusação (FT/ilicitude/culpabilidade). 4ª) Teoria dos Elementos Negativos do Tipo: alcança a mesma conclusão da anterior. o FT presume relativamente a ilicitude. “Teoria da Identidade” (Mezger). → Relação Tipicidade x Ilicitude: Francisco de Assis Toledo fala sobre princípios básicos de direito penal e é quem melhor explica essa relação. Há 4 correntes: 1ª) Corrente da Autonomia ou da Absoluta Independência: para esta corrente. o FT só permanece típico se ilícito. pois elementos explícitos. Se. São institutos absolutamente autônomos. adotou-se a teoria da ratio cognoscendi. aceitássemos o Tipo Total do injusto. e ilicitude existe por si só. sendo. Tipo penal: . quem deve provar que o fato não é ilícito é o réu. Se. 69 . se desaparecer a ilicitude o fato típico permanece (Mayer) → é a Teoria que prevalece. o outro permanece. inexistindo qualquer exceção determinando. Comprovando que o fato é típico. OBS. É aqui que nasce o “tipo total de injusto”. Os elementos negativos. são elementos que não devem ocorrer para que o fato seja típico. b) Conceito Material: por ilicitude ou antijuridicidade entende-se a relação de contrariedade entre o fato típico (e não o mero fato – atenção!) e o ordenamento jurídico como um todo. incentivando ou permitindo a conduta típica. que ele também é ilícito. A tipicidade conglobante não traz a LD e o EN. Obs. . no entanto. 3ª) Corrente da Absoluta Dependência ou da Ratio Essendi: para esta corrente.Elementos negativos (implícitos): não devem ocorrer para que o fato permaneça típico. sem implicações mútuas.

o O crime é formado por FT (que é o fato jurídico). . pois trabalha com tipicidade conglobante. Como que o crime pode ser e logo em seguida não ser? Como que o crime tem que ser duas coisas opostas (jurídico e antijurídico)? → Causas Excludentes da Ilicitude: Sinônimos: justificantes ou descriminantes. pois. . o legislador seguiu a jurisprudência (que não deixou claro se adotou a teoria dos elementos negativos do tipo ou a teoria da ratio essendi). VI. 24.CP.CP. Assim. ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência. CP.: Apesar de o tema ser controvertido. desde que reconheça: VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. CPP: O juiz absolverá o réu..690/08 deu nova redação ao art. Mas não é o que prevalece. . Conceito: considera-se em estado de necessidade quem pratica um fato típico. → Ilicitude x Antijuridicidade: • • 1ª corrente: ilicitude é sinônimo de antijuridicidade (sinônimos). São elas: (15/04/09) a) Estado de Necessidade: ☺art. → Requisitos: 1) Objetivos: estão todos no próprio art. A jurisprudência está então concordando com Paulo Rangel. 26 e § 1o do art. mencionando a causa na parte dispositiva. todos do Código Penal). Se há dois bens jurídicos em perigo de lesão. para salvar de perigo atual direito próprio ou de terceiro. 23. nas circunstâncias. diante do caso concreto. parte geral: art. que é bastante importante na diferenciação entre estado de necessidade e legítima defesa). o magistrado deve absolver (in dúbio pro reo). 70 . não era razoável exigir-se. nos arts. o Estado permite que seja sacrificado um deles. O STF entende que exclui a tipicidade. 128 (aborto permitido: o médico pode realizar abortamento se a gestante corre risco de vida) e 142 (imunidade nos crimes contra a honra). . há quem afirme que a imunidade parlamentar absoluta exclui a ilicitude. CP. a tutela penal não pode salvaguardar a ambos (atentar para essa frase.Legislação extravagante: Lei 9.Justificante supralegal: o consentimento do ofendido. sacrificando um bem jurídico. I e art. Obs. 24.Direito Penal – LFG – Intensivo I Já a jurisprudência. parte especial. 23. **A lei 11.CF/88: imunidade parlamentar absoluta. sob os seguintes argumentos: o O CP só faz menção à ilicitude (LFG). por ex. 28. 20. . ilicitude (que seria antijuridicidade) e culpabilidade. 386. 22. 21.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais). entende que na dúvida quanto à presença de uma descriminante. 23. sem filiar-se a qualquer corrente. cujo sacrifício. 2ª corrente: (Francisco de Assis Toledo) o correto é ilicitude e não antijuridicidade.

sob os argumentos de que se o legislador quisesse abranger o perigo iminente ele o teria feito. que exclui a ilicitude. algo muito distante para permitir o sacrifício de bem jurídico alheio. (Capez). b) A situação de perigo não pode ter sido causada voluntariamente pelo agente. então não cabe ao intérprete fazê-lo). que costuma preferir a letra de lei. com o fundamento de que ninguém é obrigado a aguardar um risco concreto para proteger seu bem jurídico (LFG).O perigo atual abrange o perigo iminente (prestes a ocorrer)? Quanto a isso há duas correntes: uma primeira corrente diz que. que pode advir da natureza. f) Inexigibilidade do sacrifício do direito ameaçado. Se protejo um bem de igual ou menor valor que o bem sacrificado. é a corrente que prevalece. diz que só está abrangido o perigo atual. 13. c. como por ex. CP (Mirabete – corrente adotada pelo MP). .Este perigo não tem destinatário certo (na LD há destinatário certo). e) Inevitabilidade do comportamento lesivo. EN exculpante. A vida de uma pessoa não é mais valiosa do que a de outra (ainda que uma delas seja muito mais velha. não é exigido. a vida (se for o patrimônio. a fuga é a melhor opção ao EN. É preciso que o único meio para salvar direito próprio ou de terceiro seja o cometimento de fato lesivo.Perigo é imaginário (fantasiado pelo agente): estado de necessidade putativo (não exclui a ilicitude). Significa a proporcionalidade comparando o bem protegido e o bem sacrificado.(patrimônio) Vale = ou + 71 . caracteriza-se LD. Teorias: . Greco). . 2ª corrente: o causador doloso e culposo não podem alegar EN. uma segunda corrente. OBS. Se o meio era simplesmente o mais cômodo não se permite o EN. Capez. como por ex.Direito Penal – LFG – Intensivo I a) Perigo atual: existência de perigo atual.O perigo só deve ser enfrentado enquanto comportar enfrentamento. teria sido expresso (como o foi na LD) e o perigo iminente é perigo do perigo. a segurança particular. 24: “que não provocou por sua vontade”: essa expressão é indicativa de dolo ou dolo/culpa? 1ª corrente: somente o causador doloso não pode alegar EN (ninguém pode valer-se da própria torpeza).Teoria Diferenciadora: ela diferencia duas espécies de EN: 1. já tenha vivido toda uma vida). Art. 2ª corrente: o consentimento do terceiro somente é dispensável quando o bem em risco for indisponível. num incêndio. Perigo iminente é incompatível com a inevitabilidade do comportamento lesivo. o primeiro a sair correndo não pode ser o bombeiro. Prevalece a primeira corrente. d) Inexistência do dever legal de enfrentar o perigo: significa dever imposto por lei. abrange-se o perigo iminente. Se eu posso salvar o meu direito fugindo. ☺quadro: Teoria EN justificante (exclui a ilicitude) EN exculpante (exclui a culpabilidade) Bem protegido Vale + (vida) Vale = ou Bem sacrificado Vale . o dever simplesmente contratual. sacrificando bem jurídico alheio (perigo iminente não é compatível com esse requisito). no entanto. se advir de injusta agressão humana. . será necessário o consentimento). Se o bem protegido vale mais do que o sacrificado o EN é o justificante. §2º.O agente deve escolher discricionariamente a vida de quem irá salvar. Bittencourt. c) O agente deve agir para salvar direito próprio (EN próprio) ou alheio (EN de terceiro).Ex. o EN é exculpante. Esta segunda corrente é a que prevalece e é melhor para a primeira fase das provas. EN justificante. . apesar do silêncio da lei. que exclui a culpabilidade. Para agir em EN de terceiro é necessária autorização? 1ª corrente: o EN de terceiro dispensa consentimento do terceiro (a lei não exige. e 2. Damásio. do homem ou de um animal. fundamentando-se no art. . fundamenta ainda que a expressão vontade é indicativa de dolo (LFG. jamais o iminente. .

24) a inevitabilidade do comportamento lesivo. o furto famélico pode ser alegado por quem tenha emprego. b) que seja o único e derradeiro recurso do agente (inevitabilidade do comportamento lesivo). b) Estado de necessidade defensivo: para proteger direito. . que é o perigo atual). 3) Quanto ao terceiro que sofre a ofensa: a) Estado de necessidade agressivo: para proteger direito. ou seja. ☺quadro: Teoria EN justificante Possível redução de pena Bem protegido Vale + ou = Vale Bem sacrificado Vale . o agente sacrifica bem jurídico de pessoa alheia à provocação do perigo.ou = Vale + **Obs. será EN justificante. exigindo a lei (art. EN nada mais é do que os 6 requisitos objetivos + o requisito subjetivo (que é a ciência do perigo atual). É ato lícito no direito penal. Ver entendimento da jurisprudência no livro do Greco. Assim. o agente sacrifica bem jurídico do próprio causador do perigo.Teoria Unitária: já nesta teoria. bem como referindo-se “às circunstancias do fato”. O EN justificante ocorre quando o bem protegido vale mais ou igual ao bem sacrificado. não é tese exclusiva de desempregado – tese defendida pela Defensoria). o agente terá que reparar o dano causado ao terceiro. O CP adotou a Teoria Unitária (art. 24.Direito Penal – LFG – Intensivo I . se o bem protegido é de valor menor que o sacrificado pode gerar uma diminuição da pena. mas é ato ilícito no direito civil. quando os bens têm igual valor será EN exculpante. d) insuficiência dos recursos auferidos pelo agente com o trabalho ou impossibilidade de trabalhar (ou seja. Atentar que na teoria diferenciadora. 2) Quanto ao elemento subjetivo do agente: a) Estado de necessidade real: o perigo existe – exclui a ilicitude.Pergunta: furto famélico (subtrair para saciar a fome) constitui EN? Sim. 72 . não causadora do perigo. tornam incompatível a descriminante do EN. → Classificação doutrinária do Estado de Necessidade: 1) Quanto à titularidade: a) Estado de necessidade próprio. desde que: a) o fato seja praticado para mitigar a fome. pois. c) que haja subtração de coisa capaz de diretamente mitigar a fome. fantasiado pelo agente – não exclui a ilicitude (porque falta o 1º requisito objetivo.: Só o CPM adotou a Teoria Diferenciadora (☺art.Pergunta: é possível EN em crime habitual ou em crime permanente? A maioria da doutrina não reconhece EN nessas espécies de delito. para a teoria unitária. . b) Estado de necessidade putativo: o perigo é imaginário. CPM). 39. só se reconhece o EN justificante (exclui a ilicitude). 2) Subjetivos: é o conhecimento da situação de fato justificante (ciência de que se está diante de um perigo atual). A ação do EN (como única possibilidade de afastar o perigo) deve ser objetivamente necessária e subjetivamente conduzida pela vontade de salvamento. b) Estado de necessidade de terceiro. É ato lícito no direito penal e no direito civil. § 2°). podendo entrar posteriormente com ação regressiva. Quando há desproporcionalidade.

caracteriza-se uma agressão injusta. ainda que os dois interesses sejam ilegítimos. se for EN. Considerações: . se se entender como LD. . Atenção: é caso de LD. Se é um ataque espontâneo. → Diferença entre Estado de Necessidade e Legítima Defesa: Estado de Necessidade Conflito entre vários bens jurídicos diante de uma situação de perigo (ex.Ataque de um doente mental: ao se repelir esse ataque será LD ou EN? Se se tratar de uma agressão injusta. CP – conceito. .A injustiça da agressão deve ser do conhecimento do agredido. Tem destinatário certo. O perigo decorre de uma agressão humana.Direito Penal – LFG – Intensivo I b) Legítima Defesa: ☺art. Os interesses em conflito são legítimos. Se for LD não é necessário fugir da agressão. é perfeitamente possível a LD de um comportamento omissivo (ex. por isso é perfeitamente possível EN de EN. 73 . pode-se enfrentar o animal. mas se se tratar de um perigo atual. mas sim de quem é agredido. a fuga não é exigida. o agredido deve fugir para evitar a lesivo. estamos diante de um perigo atual. Pode ser uma ação ou omissão. Legítima Defesa Ameaça ou ataque a um bem jurídico (ex.1: LD diante de um fato insignificante (Princípio da Insignificância) – o possuidor do bem atingido pode reagir para repelir a agressão. por isso não existe LD de LD. . porque a injustiça da agressão não é analisada sob a ótica de quem agride. a agressão continua sendo injusta (tanto que será possível a responsabilidade civil). será EN. ou é possível uma agressão injusta atípica? Ex. pois o animal é instrumento do agente. 25. Ataque a bem jurídico. O perigo não tem destinatário certo. porque a LD putativa é ilegítima. é possível uma agressão injusta atípica. Mas atenção: é possível LD real de LD putativa. Se o ataque foi provocado pelo dono.: aquele que agride o carcereiro que se recusa a cumprir um alvará de soltura). o que configura LD. O perigo decorre da força da natureza.: dois náufragos disputando a única bóia salva-vida). Se se entender que é EN só se pode sacrificar o animal se a fuga for impossível. evitar a agressão. a fuga é obrigatória. Cabe ainda LD putativa de LD putativa. Portanto.Existe LD de omissão? Sim. A agressão é dirigida. Os interesses do agressor são ilegítimos – um dos interesses tem que ser ilegítimo. logo é EN. uma pessoa sendo atacada por outra). porque ainda que o Princípio da Insignificância torne o fato atípico. portanto. Inevitabilidade do comportamento lesivo.Repelir um ataque de um animal é LD (ou é EN)? Depende do tipo de ataque. sendo possível. independentemente da ciência do agressor. . → Requisitos/elementos Objetivos: 1) Agressão injusta: conduta humana que ataca ou coloca em perigo bens jurídicos de alguém. Se Não exige inevitabilidade do comportamento possível. do homem ou até de um animal. o agredido não precisa fugir para agressão.Agressão injusta é sinônimo de fato típico. será LD.

Entretanto. 3º) questiona se os jurados absolvem o réu. Antes: 1º) o juiz quesitava a materialidade e a autoria.689/08 materialidade + nexo autoria quesita se o jurado absolve o réu. mas é agressão injusta que autoriza LD do proprietário. já fica descartada a LD.Se a agressão injusta for imaginada. nasce o excesso. deve-se fazer uso deste de forma moderada. excluindo a culpabilidade (LD exculpante). se o agente está diante de uma agressão injusta.689/08 1) materialidade + autoria 2) nexo 3) legítima defesa: .atual. Ademais. . E o quesito da legítima defesa? Antes da Lei 11. se estamos diante de uma agressão futura. que não exclui a ilicitude. Encontrado o meio necessário. Se estamos diante de uma agressão passada.: ameaça de morte feita por um bandido preso para quando sair da prisão – a agressão não é atual e nem iminente. Depois da Lei 11. . porém futura. Da imoderação. ele precisará ser debatido em plenário. Se a resposta for negativa.agressão injusta. E se a agressão.meio necessário. 4º) causas de diminuição. 3º) teses da defesa. suficiente para repelir o comportamento injusto. Meio de defesa: necessários. configura inexigibilidade de conduta diversa. se esta agressão injusta e futura for certa. Meio necessário é o meio menos lesivo entre os meios à disposição do agredido no momento da agressão. ela é mera suposição. . 2º) quesitava o nexo causal. o excesso não é mais uma tese que brota naturalmente. Ou seja. para que se configure a LD. → Requisito Subjetivo: 74 . for certa? Ex.2: LD contra furto de uso (ninguém é obrigado a deixar que ele aconteça).Direito Penal – LFG – Intensivo I Ex. Assim. Furto de uso não é típico.: ainda que nenhuma das partes tenham alegado o excesso. É isso que a lei nova corrige. caso alguma parte nele demonstre interesse.689/08 e como ficou depois. 4) Agir para salvar direito próprio ou alheio: é aqui que nasce a LD própria e a LD de terceiro. É importante agora saber como era antes da Lei 11. antes da lei o excesso brotava naturalmente da negativa da moderação. todos os quesitos da LD ficam abrangidos por esta pergunta. . 3) Uso moderado dos meios necessários: o desrespeito a esse requisito é que faz nascer o excesso. Moderados: 2) Agressão injusta atual ou iminente: a agressão atual é a agressão presente. não há que se alegar LD justificante (esta exige a atualidade ou iminência da agressão). 4º) teses da acusação e 5º) agravantes e atenuantes. . apesar de futura. 2º) autoria. a repulsa configura vingança. se os jurados negarem o uso moderado o juiz era obrigado a quesitar quanto ao excesso. a agressão deve ser atual ou iminente.uso moderado (Para o jurado reconhecer a LD ele tinha que responder sim para todos esses itens) Obs. Ou seja. a iminente é a que está prestes a ocorrer.iminente. 5º) teses da acusação. Assim. Agora: 1º) o juiz analisa a materialidade e o nexo. há LD putativa.

uma depois da outra). 4) LD Sucessiva: ocorre na repulsa contra o excesso abusivo do agente agredido (temos duas LD. exatamente para assegurar o cumprimento da lei. a integridade física ou a própria vida. Os agentes públicos. CPP – flagrante obrigatório compulsório (“as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito”). → Requisitos Objetivos: . .: Francisco de Assis Toledo abrange também os costumes. 3) LD Subjetiva: é o excesso esculpável na LD. d) Exercício Regular de um Direito: Previsão legal: art. devem agir interferindo na esfera privada dos cidadãos. 23. o ECDL deixa de ser descriminante e passa a ser excludente da tipicidade (trata-se de ato normativo determinado por lei.: lembrar que é impossível duas LD reais conviverem.: art. mas é possível uma LD real e uma LD putativa). é uma LD seguida de outra LD (Obs.Dever legal: o que significa “legal”? A expressão “lei” aqui é tomada em sentido amplo.Direito Penal – LFG – Intensivo I É o conhecimento da situação de fato justificante ou do estado de agressão injusta. → Classificações doutrinárias: 1) LD Defensiva: a reação do agredido não constitui um fato típico. nas mesmas circunstâncias de fato. → O ECDL também exige um requisito subjetivo: o agente tem que ter ciência de que age no estrito cumprimento de um dever legal. 5) LD Real: a agressão existe. se excederia (elimina a culpabilidade). proporcionalidade. De acordo com o finalismo. III. CP (não tem um artigo próprio como a LD e o EN). Atenção: adotando-se a Teoria da Tipicidade Conglobante. III. Conceito e requisitos: são trazidos pela doutrina. não pode ser proibido). tal intervenção é justificada pelo estrito cumprimento de um dever legal (ECDL). 23. 2) LD Agressiva: a reação do agredido constitui fato típico. também é exigido para a excludente. caso em que qualquer pessoa. portanto. 75 . Ou seja. no desempenho de suas atividades. Essa intervenção redunda em agressão a bens jurídicos como a liberdade de locomoção. Obs.“Estrito cumprimento”: quer dizer razoabilidade. Dentro de limites aceitáveis. pode-se alegar o ECDL ainda que o dever esteja expresso em Portaria. c) Estrito Cumprimento do Dever Legal: Previsão: art. Ex. O Exercício regular de um direito (ERD) compreende ações do cidadão comum autorizadas pela existência de direito definido em lei e condicionadas à regularidade do exercício desse direito (proporcionalidade e indispensabilidade). não raras vezes. CP (não tem um artigo próprio como a LD e o EN). 6) LD putativa: a agressão é imaginária. 301. mas neste sentido ele é a minoria da doutrina (MP/MG utiliza bastante a doutrina de Francisco de Assis Toledo). Conceito e requisitos: são trazidos pela doutrina. assim como o fim é exigido para a prática do crime.

o exercício do poder familiar. 2) Proporcionalidade: o exercício precisa ser “regular”. → Requisitos do ERD: 1) Indispensabilidade: impossibilidade de recurso útil aos meios coercitivos normais para evitar a inutilização prática do direito. Ex. já na defesa mecânica predisposta o aparato está oculto (ex.). portanto. ainda que sejam castigos físicos (desde que respeitada a proporcionalidade). o aparato é visível. No ofendículo. Exs. desforço imediato (instituto do Direito Civil empregado na defesa da posse). Ex. de ERD permitido: esportes violentos.: art. é incentivado pela Constituição. Se ele é fomentado. etc. cerca elétrica. acionado ou não. castigos impostos pelos professores em face dos alunos. configura LD. ou seja. o ofendículo configura um caso de ERD e a defesa mecânica predisposta um caso de LD. Enquanto não acionado é uma hipótese de LD antecipada. Um animal pode ser considerado um ofendículo? Sim. 4ª) Diferencia ofendículo de defesa mecânica predisposta. ele é sempre fomentado. exclui a tipicidade. penhor legal (como o caso de retenção da bagagem pela hospedaria). Se ele é somente permitido exclui a ilicitude (mas o fato é típico e também antinormativo). Assim. incentivado por lei migra para a tipicidade como sua excludente.: cacos de vidro no muro. 3) Ciência de que está agindo no exercício regular do direito (é o requisito subjetivo). Tudo o que é direito a Constituição sempre incentivará às pessoas a fazerem valer o seu direito. o ERD fomentado. O ofendículo acionado está repelindo uma injusta agressão ao patrimônio e. etc. (21/04/09) e) Ofendículos: Significa o aparato pré-ordenado para a defesa do patrimônio (exs. CPP (na espécie flagrante facultativo de qualquer um do povo). o ERD permitido ficou esvaziado. Os ofendículos podem ser utilizados. 301. deixa de servir como descriminante para passar a excluir a própria tipicidade (trata-se de ato normativo incentivado por lei). 76 . Crítica à Zaffaroni: Zaffaroni claramente reconhece duas espécies de ERD: o que é fomentado (ou incentivado) e o que é apenas permitido (tolerado). Atenção: adotada a Teoria da Tipicidade Conglobante. configura ERD. 2ª) O ofendículo. Ocorre que o esporte violento. 3ª) O ofendículo. configura uma hipótese de ERD. É a corrente majoritária. Nesse caso o cidadão está autorizado a agir. mais do que permitido. Não existe ERD meramente permitido. Ex. de ERD fomentado: o flagrante facultativo.: castigos impostos pelos pais aos filhos. Natureza jurídica: há 4 correntes: 1ª) O ofendículo. configura uma legítima defesa. mas é importante que exista proporcionalidade. b) Direito de castigo: corresponde ao dever de educação. acionado ou não.Direito Penal – LFG – Intensivo I → Espécies de ERD: a) Pro magistratu: situações em que o Estado não pode estar presente para evitar lesão ao bem jurídico ou recompor a ordem pública.: descarga elétrica no trinco). enquanto não acionado. ponta de lança na murada.

Essa previsão está no art. em qualquer das hipóteses deste artigo. É uma renúncia do titular do direito tutelado a essa mesma tutela.O bem deve ser próprio.099/95. parágrafo único.Direito Penal – LFG – Intensivo I f) Classificação do Excesso nas descriminantes/justificantes: Previsão legal: art. Será disponível quando: 1) se tratar de lesão leve e 2) lesão que não contrarie a moral e os bons costumes (ex. é uma causa legal (☺art. g) Consentimento do Ofendido: Trata-se de uma descriminante supralegal. Esse excesso exculpante está expressamente previsto no CPM.: atirar em criança que furtou uma maça).O consentimento deve ser expresso (é cada vez mais frequente doutrina admitindo o consentimento tácito – o direito penal português admite o consentimento tácito). ao reagir moderadamente. . temos o excesso exculpante (inexigibilidade de conduta diversa) – o excesso exculpante é uma causa supralegal no direito comum. . 45.O consentimento deve ser livre e consciente – consentimento válido. c) Excesso Intensivo: ocorre quando o agente. esperada e certa). tatuagens. A integridade física é um bem indisponível? A doutrina clássica rotula a incolumidade pessoal como bem indisponível. CP). ilícito. CP: “O agente. 107. se o excesso é culposo o agente responde por crime culposo. CPM). R. Nem todo fato lícito penal = lícito civil. mas pode. .).*O bem renunciado deve ser disponível. Lembrar do exemplo da legítima defesa futura. Bitencourt) rotula a incolumidade pessoal como bem relativamente disponível. etc. b) Excesso Extensivo ou excesso na causa: ocorre quando o agente reage antes da efetiva agressão (futura. Pode servir como causa supralegal desde que presentes os seguintes requisitos: . causa lesão. 23. diante de uma situação fática agressiva.O dissentimento (não consentimento) do ofendido não pode configurar elementar do tipo. excluir a culpabilidade (inexigibilidade de conduta diversa).O consentimento deve ser manifestado antes ou durante a prática do fato (se o consentimento for posterior não exclui a ilicitude. Aplica-se esse artigo em qualquer das hipóteses de descriminantes. V. → Observações: 1) Todo fato ilícito penal = ilícito civil. intensifica a ação justificada e ultrapassa os limites legais permitidos (ou seja. OBS. por força de acidente. .. Se o excesso é doloso responde por crime doloso. . estupro. o consentimento exclui a tipicidade. conforme o caso. é necessária a autorização da vítima para processar aquele que cometeu a lesão. que concorda com a doutrina moderna. piercings.U. . d) Excesso acidental: ocorre quando o agente. a) Excesso crasso: ocorre quando o agente. desde o princípio. que inicialmente agia dentro do direito. responderá pelo excesso doloso ou culposo”. Ex. 77 . pois transformou a lesão leve em pública condicionada. além da reação moderada. art. Se não agiu com dolo ou culpa. P. 88 da Lei 9. mas pode caracterizar renúncia ou perdão do ofendido – extinção da punibilidade. A doutrina moderna (C.O ofendido deve ser capaz de consentir – saber o que está fazendo (e esta capacidade não coincide com a capacidade legal) – consentimento válido. já atua fora dos limites legais (ex. O fato é típico. Se o não consentimento integrar o tipo. de reação moderada passa para a imoderada).

mas se evitável responderá o agente por culpa. 20 (que trata de erro de tipo) quanto o art. CP). por erro plenamente justificado pelas circunstâncias. se existisse. Ex. 21. isenta de pena. b) o agente erra quanto aos limites: o equívoco está nos limites da reação (proporcionalidade da descriminante). Se optou o legislador por 78 . A primeira parte refere-se à teoria extremada e a segunda parte adotou a teoria limitada. mata e percebe que a pessoa iria somente falar ao celular . Segundo nos ensina. agente reage com um soco.É isento de pena quem. o art. se evitável: exclui dolo. Será erro de tipo ou de proibição conforme o tipo de descriminante.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ex.LD que não existe.: marido que acha que pode manter conjunção carnal violenta com a esposa quando ela se recusa. Prevalece. Erro de proibição: se inevitável. 20. CP ao prever isenção de pena quando o erro é inevitável traz uma conseqüência lógica quando se exclui dolo e culpa. Encontrou no direito penal uma autorização (art. Obs. . Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo. pois se inevitável. 20. Por isso. tem ciência da situação de fato. supõe situação de fato que. agente limita-se unicamente a se defender. . Lícito penal = ilícito civil. Ex. Qual teoria o CP adotou? Art. Erro de tipo: se inevitável. tornaria a ação legítima. isentará o agente de pena. 20. mas se equivoca quanto à proibição. N. no entanto. o código penal brasileiro não adotou a teoria extremada. Ex. diminui pena. CP: . há 2 correntes: 1ª) Entende tratar-se de erro de tipo (Teoria Limitada da Culpabilidade) – art. Sobre o erro quanto à situação de fato.: o agente revida um tapa no rosto com um tiro. Ex. Ambas as hipóteses se equiparam ao erro de proibição. CP: .sendo inevitável: exclui o dolo e a culpa. E. 20. § 1° do CP.sendo inevitável: isenta o agente de pena. 2) a descriminante putativa sobre situação de fato encontra-se no parágrafo que poderia assessorar tanto o art. por razões de política criminal. nem a teoria limitada. segundo LFG. O agente desconhece a situação de fato. Agressivo. a teoria limitada da culpabilidade: 1) o art. adotou uma teoria extremada sui generis.: imaginando que seria agredido. § 1°. Essa corrente também é seguida por Flávio Monteiro de Barros. exclui dolo/culpa.sendo evitável: é causa que diminui a pena. A descriminante putativa corresponde a um erro. É uma causa de exclusão da ilicitude / fantasiada pelo agente. Legítima defesa agressiva = reação é um fato típico.: em ambas as hipóteses (a e b) o agente sabe o que faz. Obs.sendo evitável: exclui o dolo e o agente responde pelo crime culposo. 2ª) Entende tratar-se de erro de proibição (Teoria Extremada da Culpabilidade) – art. § 1º . se evitável. c) o agente erra quanto aos requisitos: supõe presente situação de fato que não existe. Podem ser de 3 espécies: a) o agente erra quanto à autorização: o agente supõe estar autorizado. 2) Legítima defesa defensiva = reação é um fato atípico. 24. 21 (que é erro de proibição). Ex. → Descriminantes Putativas: (Assunto importante para o MP/MG).

20.Direito Penal – LFG – Intensivo I inseri-lo no art. 3) a exposição de motivos é expressa. adotando a teoria limitada da culpabilidade (Assis Toledo). 79 . é porque equipara este erro ao erro de tipo.

Direito Penal – LFG – Intensivo I

CULPABILIDADE: A culpabilidade é ou não o terceiro substrato do crime? Ela integra ou não o crime? Depende da corrente que se segue. Há duas correntes principais: 1ª) Corrente Bipartida: a culpabilidade não integra o crime. Objetivamente, para a existência do crime, é prescindível a culpabilidade. O crime existe por si mesmo com os requisitos fato típico e ilicitude (bipartite). Mas o crime só será ligado ao agente se este for culpável. Conclusão: para a corrente bipartida a culpabilidade é pressuposto de aplicação da pena, mero juízo de reprovação e censura. 2ª) Corrente Tripartida: a culpabilidade integra sim o crime, sendo o seu terceiro substrato. É um juízo de reprovação extraído da análise como o sujeito ativo se situou e posicionou, pelo seu conhecimento e querer, diante do episódio injusto. A tipicidade, a ilicitude e a culpabilidade são pressupostos de aplicação da pena (corrente tripartite). A corrente bipartida busca nos seduzir da seguinte maneira: o CP é bipartido, já que quando se está diante de uma causa de exclusão do fato típico o CP diz que não há crime, esta é a prova primeira de que o fato típico está umbilicalmente ligado ao crime (se não há FT não há crime); ainda, quando se está diante de uma causa de exclusão da ilicitude o nosso CP também diz que não há crime, o que prova que esta também está umbilicalmente ligada ao crime. No entanto, quando se está diante de uma causa de exclusão da culpabilidade o CP diz que se trata de uma hipótese de isenção de pena (o crime permanece, só não se impõe uma pena). No entanto, o CP brasileiro não é tão técnico, pois há hipóteses em que se refere à exclusão de tipicidade e ilicitude como “isento de pena”. A grande crítica que a corrente tripartida faz sobre a bipartida: ambas consideram a culpabilidade como um juízo de censura, mas a teoria bipartida está admitindo casos em que se tem crime, pois o fato é típico e ilícito, mas será um crime sem censura, o que não pode ser admissível numa sociedade. A corrente bipartida, no entanto, rebate a esta crítica relembrando o erro de tipo: na descriminante putativa, que é uma causa que exclui o fato típico, o CP fala em “isento de pena”. Conclui-se que nem sempre quando se exclui o fato típico, o CP é fiel à expressão “não há crime” e nem sempre quando se exclui a culpabilidade o CP é fiel a expressão “isento de pena”. *Concurso federal e estadual (fora de SP): adota a corrente tripartida. A corrente bipartida é adotada por alguns concursos estaduais de SP (por ex. MP/SP). → Teorias da Culpabilidade: São 4 as Teorias da Culpabilidade: 1) Teoria Psicológica: tem base causalista. - Espécies: dolo e culpa; - Elemento: imputabilidade. A culpabilidade é pobre para essa teoria. - Críticas: o erro dessa teoria foi reunir como espécies fenômenos completamente diferentes: dolo (querer) e culpa (não querer). 2) Teoria Psicológica-normativa: tem base neokantista. O Neokantismo é uma dissidência do próprio causalismo, daí se infere que na culpabilidade continuaremos encontrando dolo e culpa, mas não como espécies. A primeira coisa que esta teoria decide é justamente que a culpabilidade não tem espécies, 80

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mas sim elementos (e não mais um só elemento), que são: a imputabilidade, a exigibilidade de conduta diversa, a culpa e o dolo. Ou seja, o dolo e a culpa que na primeira teoria eram espécies, passaram a ser elementos da culpabilidade e, ainda, se antes esta tinha apenas um elemento, foi enriquecido com mais elementos. Ademais, segundo esta teoria, o dolo era constituído, além da consciência e da vontade, de um elemento normativo: a atual consciência da ilicitude – este dolo é, pois, chamado de dolo normativo. - Espécies: xxxx - Elementos: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa, culpa ou dolo (consciência, vontade e consciência atual da ilicitude). Dolo normativo: adotado pelos neokantistas, adeptos da teoria psicológica-normativa da culpabilidade, o dolo normativo integra a culpabilidade como seu elemento, tendo como requisitos: a) consciência, b) vontade, c) atual consciência da ilicitude (elemento normativo). Consciência é saber o que faz; consciência da ilicitude é a ciência de que o que se faz contraria o ordenamento jurídico. Essa consciência deve ser valorada na esfera do profano (não como um jurista, e sim como um homem médio, leigo) – valoração paralela na esfera do profano. - Críticas: o dolo e a culpa não podem estar na culpabilidade, mas fora dela, para sofrerem a incidência do juízo de censurabilidade (só é possível censurar aquilo que está fora, portanto, a culpabilidade só pode censurar o dolo e a culpa se estiverem fora dela). 3) Teoria Normativa pura ou Teoria Extremada da Culpabilidade: tem base finalista. Ela migra o dolo e a culpa para o fato típico. Até então a culpabilidade era constituída de imputabilidade, de exigibilidade de conduta diversa, de culpa e de dolo (e o dolo era constituído de consciência, de vontade e de atual consciência da ilicitude). A partir dessa teoria, a imputabilidade e a exigibilidade de conduta diversa permanecem na culpabilidade, mas a culpa e o dolo migram para o fato típico, sendo que o dolo migra apenas com elementos naturais (consciência e vontade), e por isso é chamado de dolo natural. A atual consciência da ilicitude permanece na culpabilidade, mas modificada em potencial consciência da ilicitude. Dolo natural: adotados pelo finalistas, adeptos da Teoria normativa pura da culpabilidade, migra para o fato típico, tendo como requisitos apenas elementos naturais, quais sejam: consciência e vontade. A consciência da ilicitude deixa de pertencer ao dolo para integrar a própria culpabilidade, porém não mais como atual e sim potencial. - Elementos: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa e potencial consciência da ilicitude. - Críticas: esta teoria se equivoca ao equiparar a descriminante putativa sobre situação fática (art. 20, § 1°) a uma espécie de erro de proibição, pois seria, na verdade, erro de tipo. Essa crítica é feita pela teoria limitada. 4) Teoria Limitada da Culpabilidade: ela é igual à Teoria Extremada, com apenas uma diferença. Ela também tem base finalista, a culpabilidade é constituída também de culpabilidade, de exigibilidade de conduta diversa e de potencial consciência da ilicitude. A única diferença entre as duas é no tratamento de uma espécie de descriminante putativa sobre a situação de fato, que na Teoria Extremada é considerada como erro de proibição, enquanto que na Teoria Limitada ela é tratada como erro de tipo. Fora esta única diferença, elas são idênticas. - Elementos: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa e potencial consciência da ilicitude. OBS. art. 20, § 1° refere-se a erro de tipo. É a teoria que prevalece. O Brasil (Francisco de Assis Toledo) adotou a Teoria Limitada da Culpabilidade. → Elementos da Culpabilidade: A culpabilidade é do fato (objetiva) ou do agente (subjetiva)? Segundo LFG e Zaffaroni, a culpabilidade é objetiva, pressuposto de um direito penal do fato. Culpabilidade subjetiva é sinônimo de direito penal do autor.

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Direito Penal – LFG – Intensivo I
O prof. não concorda. A culpabilidade é subjetiva (seus elementos estão ligados ao agente do fato e não ao fato do agente). O direito penal permanece sendo do fato (incriminam-se condutas e não pessoas), mas a reprovação recai sobre a pessoa do fato. A culpabilidade é do agente, é subjetiva (e não objetiva), não tem nada a ver com direito penal do autor. O nosso direito penal é do fato, tanto o é que o tipo penal tem que versar sobre os fatos (o tipo penal não pode incriminar alguém pelo que ele é, e sim pelo que ele faz). São elementos da culpabilidade: a) Imputabilidade: → Conceito: É a capacidade de imputação, ou seja, a possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de uma infração penal. A imputabilidade é o conjunto de condições pessoais que confere ao sujeito ativo a capacidade de discernimento e compreensão, para entender seus atos e determinar-se conforme esse entendimento. O CP não dá um conceito positivo de imputabilidade (ou seja, o que é). Ele define imputabilidade a contrário senso, ou seja, ele diz exatamente o que não é imputável, dando um conceito negativo. No Direito Civil se fala em capacidade ou incapacidade para negócios jurídicos; no Direito Penal se fala em imputabilidade ou inimputabilidade. A imputabilidade no Direito Penal está para a capacidade no Direito Civil, assim como a inimputabilidade está para a incapacidade. Imputabilidade é sinônimo de responsabilidade? Não. A imputabilidade é pressuposto, a responsabilidade é conseqüência. Exemplo de imputável que não responde: os parlamentares, detentores de imunidade quanto as suas opiniões, palavras e votos (eles são absolutamente irresponsáveis). (29/04/09) → Sistemas de inimputabilidade: I) Sistema Biológico: leva em conta apenas o desenvolvimento mental do agente, isto é, doença mental ou idade, não importando se no momento da conduta tinha capacidade de entendimento e autodeterminação. Pelo sistema biológico, pois, todo louco é inimputável. II) Sistema Psicológico: é exatamente o oposto do anterior – o que interessa para aquele não interessa para este, e vice-versa. Este critério considera apenas se o agente, no momento da conduta tinha capacidade de discernimento e autodeterminação, independentemente da presença de eventual anomalia psíquica. III) Sistema Biopsicológico: considera inimputável o agente que, em razão de sua condição mental, era, ao tempo da conduta, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato (capacidade de entendimento) ou de determinar-se de acordo com esse entendimento (autodeterminação). Assim, nem todo louco é inimputável. É o sistema adotado, em regra, no Brasil (☺art. 26, caput, CP) – excepcionalmente adotamos o sistema biológico. → Hipóteses de inimputabilidade: 1- Inimputabilidade em razão de anomalia psíquica: Art. 26, CP: “É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado (SISTEMA BIOLÓGICO), era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento” (SISTEMA PSICOLÓGICO). 82

sendo incompatível com as circunstâncias subjetivas. e não postulados científicos. Mas atenção: segundo a Defensoria Pública.Direito Penal – LFG – Intensivo I No Brasil. OBS. nesse caso. Esse art. CR/88 pode ser alterado para reduzir a maioridade? Há duas correntes: uma primeira (LFG e a maioria) entende que trata-se de uma cláusula pétrea. O preceito constitucional segue critérios de política criminal. pois a perturbação mental não exclui o dolo. 228. dependendo do grau de desequilíbrio causado pela paixão. A CR/88 repetiu a redação do CP. ele impõe uma sanção (medida de segurança).: a expressão “doença mental” merece uma interpretação extensiva – deve ser tomada em sua maior amplitude e abrangência.☺art. “Desenvolvimento incompleto ou retardado”: aquele que ainda não concluiu ou atingiu a maturidade psíquica. no art. mas com responsabilidade penal diminuída. por razões de política criminal.. ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial (ECA). assim. §1º). O inimputável deve ser denunciado e processado. 2. isto é. mas somente para ampliá-la. Emoção Pode gerar: .Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis. esta pode ser considerada uma doença.atenuante (art. essa perturbação mental interfere no estado anímico ou motivo do crime. A doutrina chama esse responsável do P..U. não basta ser louco para ser inimputável. a redução da menoridade fere direitos e garantias fundamentais. adotou o critério biológico. Por que foi escolhida pelo CP esta idade de 18 anos? O art. O CP/84 fixou a maioridade em 18 anos no art. Paixão Se patológica.U. Este art.U. não é caso de inimputabilidade. 83 . III. 26. Denomina-se absolvição imprópria porque. 65. c). P. de semi-imputável (denominação equivocada. 65. Obs. c) ou privilégio (art. 98 complementa o art. não importando a condição do agente no momento do resultado . O art. pois apesar de o fato praticado não ser crime (teoria tripartite) haverá. uma segunda corrente (Capez) não reconhece status de cláusula pétrea para este art. pode gerar uma atenuante (art. A minoria entende que apesar de não eliminar o dolo. P. 27. 228. A imputabilidade deve ser analisada no momento da conduta. 5º. é compatível com circunstâncias agravantes ou qualificadoras subjetivas? Para a maioria da doutrina. o acusado (semi-imputável) é processado e condenado. logo. pode ser equiparada a doença mental (art. Pergunta: a semi-imputabilidade do art. motivo pelo qual parte da doutrina chama esse agente de imputável com responsabilidade penal diminuída). Portanto. a emoção..U. Atenção: Esta hipótese não pode ser confundida com aquela do P. 26. I CP: a emoção (estado súbito e passageiro) ou a paixão (sentimento crônico e duradouro) não excluem a imputabilidade. 28. ao mesmo tempo que o juiz absolve. tem também que ser incapaz de entender o caráter ilícito do fato. 27 . 26).Inimputabilidade em razão da idade do agente: Art. 121. devendo o juiz escolher entre uma diminuição na pena e uma substituição da pena por medida de segurança. trata-se de um critério de política criminal. ao final.5 da Convenção Americana de Direitos Humanos dá liberdade para cada estado signatário. não podendo ser alterado para restringir a menoridade. Eventual emancipação civil antecipa a menoridade penal? Não. semi-responsabilidade é compatível com as agravantes e qualificadoras subjetivas. imposição de sanção penal da espécie medida de segurança. III. O critério para definir menoridade não é científico e muda de país para país. ☺art. O direito penal trabalha com uma idade cronológica de 18 anos. qualquer enfermidade que venha a debilitar as funções psíquicas do agente. por sua vez. se o agente já completou 18 anos ele é imputável. uma EC pode reduzir a menoridade. CP. pouco importando se ele sabia ou não o que estava fazendo. 4º. em que temos um imputável.

§ 1°). inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento” (CRITÉRIO PSICOLÓGICO). ☺ as seguintes 5 situações. 26. 3. Teoria da Actio libera in causa: o ato transitório revestido de inconsciência decorre de ato antecedente que foi livre na vontade. II). Grau: Esta embriaguez.diminuição de pena (ex. será tratada de acordo com o art. 28.U. art. II. Se doença mental. transferindo-se para esse momento anterior a constatação da imputabilidade. mas acaba se embriagando (porque exagera na dose). embriagar. isenta de pena (☺art. era. por embriaguez completa. ao tempo da ação ou da omissão. Embriaguez não acidental: (pode ser) Esta embriaguez também pode ser completa ou 1) Voluntária: ocorre quando o agente quer se incompleta. proveniente de caso fortuito ou força maior (CRITÉRIO BIOLÓGICO). §1º. cujos efeitos podem progredir de uma ligeira excitação inicial. §1º . Conceito de embriaguez: é a intoxicação aguda e transitória causada pelo álcool (ou substância de efeitos análogos). de acordo com sua origem e seu grau: Origem: Embriaguez acidental: (proveniente de) 1) Caso fortuito: o agente desconhece o caráter inebriante da substância que ingere. §2º). como é uma agravante de pena. Acarreta uma diminuição de pena (art. Ex. na seguinte hipótese: motorista completamente embriagado atropela e mata um pedestre. 61. l. Não excluem a imputabilidade (☺art. O uso indiscriminado dessa teoria pode gerar responsabilidade penal objetiva. quanto ao grau pode ser completa ou incompleta. A tipo de embriaguez não só não exclui a embriaguez é meio para a prática do crime. 84 . P. ☺art. Este agente se embriaga para praticar o crime. É caso de inimputabilidade. Análise da embriaguez. O agente se embriaga negligentemente. 121. será analisada de acordo com art. completa. tomar gelatina de pinga sem saber. Se incompleta. Adotou o critério biopsicológico. 2) Incompleta: não há inteira capacidade de entendimento e autodeterminação. 2) Força maior: o agente é obrigado a ingerir a substância. CP: “É isento de pena o agente que. até o estado de paralisia e coma. caput.Embriaguez ☺art. 28. equipara-se a Também pode ser completa ou incompleta. 28. 28. Embriaguez preordenada: é aquela em que o Também pode ser completa ou incompleta. 1) Completa: não há capacidade de entendimento e autodeterminação. 26. imputabilidade. 2) Culposa: quando a pessoa não quer se embriagar.Direito Penal – LFG – Intensivo I . Só é possível punir a embriaguez não acidental completa e a embriaguez preordenada completa devido à teoria da actio libera in causa.critério biopsicológico). Embriaguez patológica: é doentia.

c) cronológico (ao tempo da ação ou omissão). atropela e alguma coisa e não previa o resultado mata um mendigo que estava dormindo na atropelamento. O CP trata da PCI no seu art. mata uma pessoa. OBS. um querer. conclui-se que o agente vai responder a título de dolo eventual. traz uma hipótese de exclusão desta. completamente embriagado. ou seja. e por isso é refutada pela doutrina moderna. que ele era livre na vontade. mata uma pessoa. Índio: Não existe exclusão da imputabilidade pelo simples fato de uma pessoa ser um índio. b) quantitativo (completa). o erro sobre a ilicitude do fato.O agente bebia. 3 . Analisando-se o momento em previsível. completamente embriagado. mas. Não era uma situação previsível. se inevitável isenta o réu de pena. 4 . porém este resultado era-lhe mata uma pessoa. conclui-se que o agente vai responder a título de culpa consciente.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ato antecedente livre na vontade: Ato transitório revestido de inconsciência (ingestão da bebida) (atropelamento) 1 . Para que seja inimputável.O agente bebia com vontade para comemorar Depois. trazendo a hipótese em que esta elementar desaparece. 21. acreditou poder evitá-lo. d) consequencial (inteira incapacidade intelectiva ou volitiva). Art.Enquanto bebia o agente previu o resultado e Depois. 21. Analisando-se o momento em que ele era livre na vontade. não basta ser imputável. se inevitável. Somente quando presentes os 4 requisitos é que a embriaguez exclui a imputabilidade. atropela e aqui então uma vontade.O desconhecimento da lei é inescusável. Atenção: o simples desconhecimento da lei é inescusável. Mas. Agiu negligentemente. rodovia. sendo indispensável a potencial consciência da ilicitude (possibilidade de conhecer que o fato contraria o direito). b) Potencial consciência da ilicitude: Para que o agente seja culpável. se evitável. poderá diminuí-la de um sexto a um terço. Para a embriaguez isentar o agente de culpabilidade é imprescindível a presença dos 4 requisitos: a) causal (proveniente de caso fortuito ou força maior). completamente embriagado. ou ser menor de 18 anos ou padecer de embriaguez completa. mata uma pessoa. não previa o resultado Depois.O agente bebia e previa o atropelamento. 2 . o índio deve ter alguma anomalia psíquica. Nenhuma dessas 4 primeiras situações traz a responsabilidade penal objetiva. e se evitável poderá diminuir de 1/6 a 1/3 a pena. CP .O agente bebia e previa o resultado. O erro sobre a ilicitude do fato. Analisando-se o momento em que ele era livre na vontade. Depois. conclui-se que o agente vai responder a título de culpa inconsciente. atropela e assumiu o risco de produzi-lo. porém. completamente embriagado. Analisando-se o momento em que ele era livre na vontade. isenta de pena. atropela e atropelamento. 85 . A análise do fato sob a teoria da actio libera in causa traz a responsabilidade penal objetiva (o mendigo teria sido atropelado de qualquer forma. completamente embriagado. conclui-se que o agente vai responder a título de dolo direto. ainda que o agente não estivesse embriagado). atropela e negligentemente. a 5ª situação traz: 5 . existia Depois. de madrugada.

Teoria Normativa-pura A culpabilidade é constituída de imputabilidade. porém não tem potencial consciência da ilicitude do seu comportamento.Evitável: exclui consciência atual. . 21. CP).O agente sabe o que faz. 86 . nem sempre quem conhece a lei conhece a ilicitude. Erro de proibição: (só exclui a culpabilidade no erro inevitável. porém tem potencial consciência da ilicitude. exigibilidade de conduta diversa. Se inevitável. concluindo. mas pune forma culposa. por isso só exclui a atual consciência da ilicitude. assim. 2ª) o agente conhece a lei. não lhe era possível conhecer a proibição – ex. . .O erro de tipo essencial (que sempre exclui consciência – ou seja. a o a a Pergunta: Qual é a conseqüência da consciência da ilicitude deixar de ser atual (Teoria psicológica-normativa) para ser potencial (Teoria normativa pura)? Teoria Psicológico-normativa A culpabilidade é constituída de imputabilidade. Atenção: → Diferenças entre Erro de tipo e Erro de proibição: Erro de Tipo . . Para distinguir se o erro é evitável ou inevitável. Ex. Exclui apenas o dolo. sem seu consentimento. só diminui a pena (não exclui a culpabilidade). vontade e atual consciência da ilicitude). utilizava-se a análise do homem médio.O agente não sabe o que faz. 3ª) o agente desconhece a lei e não tem potencial consciência da ilicitude do seu comportamento. mas desconhece ser ilícito. A doutrina moderna analisa as circunstâncias do caso concreto.Evitável: exclui consciência atual. diminui a pena. possibilidade de conhecer a proibição do fato. CP). culpa e dolo (e este era constituído de consciência. exigibilidade de conduta diversa e da potencial consciência da ilicitude.Inevitável: exclui consciência atual ou potencial da ilicitude. mas pode gerar atenuante de pena (☺art. isto é. ou seja. Não há erro de proibição. se evitável. dado por LFG: fabricar açúcar em casa é crime (Dec-lei 16/66) → é caso típico de erro de proibição (☺art. isenta de pena. Erro de Proibição . se prevista em lei.Direito Penal – LFG – Intensivo I Situações e suas conseqüências: 1ª) o agente desconhece a lei.Inevitável: exclui consciência atual ou potencial da ilicitude. em qualquer caso exclui dolo) se divide em: a) inevitável: e neste caso ele exclui previsibilidade. assim. Assim.O erro de proibição também pode ser: a) inevitável: exclui a atual e a potencial consciência da ilicitude (exclui a culpabilidade – isenta o agente de pena). Erro de proibição: (todo erro de proibição exclui a culpabilidade – há consciência atual em ambas as hipóteses) . marido acredita que está no seu direito manter conjunção carnal com sua mulher. e. . Exclui dolo e culpa. CP). se não era possível conhecer a ilicitude → erro de proibição (art. b) evitável. 65. b) evitável: era previsível. pois o erro evitável não exclui potencial consciência). II. e nem sempre quem não conhece a lei desconhece a ilicitude. 21.

87 . Observações: a coação física exclui conduta (tipicidade). só é punível o autor da ação ou da ordem”. ai está também o direito.deve ser irresistível: aquela em que o coato não tinha alternativa a não ser sucumbir a ela (ou seja. e o subordinado também. O subordinado não é culpável nos estritos limites do cumprimento da ordem.que a ordem não seja manifestamente (claramente) ilegal. II) Obediência hierárquica: Previsão legal: art. b. nunca da sociedade. onde ela existe. de acordo com o ordenamento jurídico. Requisitos: . de superior hierárquico. Não abrange a superioridade doméstica (pai e filho). pois no evitável a potencial consciência persiste. acaba por isentar o agente de pena no simples erro de proibição.Direito Penal – LFG – Intensivo I Assim: A Teoria psicológico-normativa. não importando se evitável ou inevitável. Erro de proibição indireto: é o erro de proibição oriundo de uma descriminante putativa. 2ª parte. Já a Teoria normativapura. tivesse o agente possibilidade de realizar outra conduta. III.: se a coação moral for resistível. ou seja. pois ambos excluem a atual consciência. Pergunta: é possível alegar coação irresistível da sociedade? (Ex. Situações: 1ª) ordem ilegal: o superior hierárquico pratica crime. a coação irresistível há que partir de uma pessoa. 65. pois. 22 (a conseqüência também está nesse artigo). ao se contentar com a potencial consciência. . Além dos dois primeiros elementos exige-se que nas circunstâncias de fato. A doutrina não trabalha sobre esse entendimento. CP. lei 9. Conseqüência: só é punível o autor da ordem. ☺art. na condição de autor imediato (art. é de sucumbência inevitável). A sociedade não pode delinqüir. CP. pois. não manifestamente ilegal. ??? c) Exigibilidade de conduta diversa: Não é suficiente que o sujeito seja imputável e tenha cometido o fato com possibilidade de lhe conhecer o caráter ilícito para que surja a reprovação social (culpabilidade). Requisitos: . 22. Obs. 1ª parte. 22: “Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem. Pode se dirigir contra pessoas ligadas ao coato. Assim. ou de um grupo. I. A ECD. eclesiástica (bispo e sacerdote) e privada (diretor e gerente de empresa). c. homem traído em uma cidade pequena sente-se coagido pela sociedade). prevendo como elementar indireta da culpabilidade a consciência atual da ilicitude. O coator responde por quais crimes? Responde pelo crime como autor mediato + tortura. tem duas excludentes.deve haver uma coação moral: promessa de realizar um mal injusto e grave. 1°. 69. poderá configurar apenas uma atenuante de pena (☺art. no CP. CP) ???.455/97). Conseqüências: só será punível o autor da coação (autor mediato). São. . na condição de autor mediato. CP). somente isenta o agente de pena quando o erro de proibição for inevitável. temos duas hipóteses de inexigibilidade de conduta diversa. e ambas estão no art. Entende que responde por constrangimento ilegal (art. Obs.que seja oriunda de superior hierárquico: ordem de superior hierárquico é a manifestação de vontade do titular de uma função pública a um funcionário que lhe é subordinado. elas: I) Coação irresistível: Previsão legal: art. não é necessário que o mal prometido pelo coator se dirija contra o coato. 22.

Assim: Por mais previdente que seja o legislador. 1ª parte). crime é um fato típico. São. 28. ela sim pressupõe a reprovabilidade e atua como limite da pena. § 1°). hipóteses exemplificativas. Este rol é taxativo. 3) Exigibilidade de conduta diversa: . 22. . Resumindo: Culpabilidade – dirimentes: 1) Imputabilidade: . desde que não fira direitos fundamentais individuais (ex. A reprovabilidade tem como elementos: a imputabilidade. Tem como requisitos: a) desobediência fundada na proteção de direitos fundamentais. É possível causa supra legal de exclusão da culpabilidade. → Cláusula de consciência: nos termos da cláusula de consciência. Aqui termina o estudo das dirimentes.: pai que não permite a transfusão de sangue no filho testemunha de Jeová). A Culpabilidade (funcional) não atua como elemento da reprovabilidade. 88 .obediência hierárquica (art. pela exigibilidade de conduta diversa – esta é uma válvula de escape para outras hipóteses de exclusão das dirimentes da culpabilidade. (em última instância). estará isento de pena aquele que. abortamento do feto anencefáleco para a gestante. a exigibilidade de conduta diversa. Para Roxin. o subordinado é não culpável (era inexigível comportamento diverso).coação moral irresistível (art. mudar o ordenamento. por motivo de consciência ou crença. e o subordinado estão ambos no estrito cumprimento de um dever legal (não respondem pro nada). O caso concreto pode gerar outras hipóteses não previstas em lei.embriaguez acidental e completa (art. 21). . invasões de movimento sem terra: para ser não culpável não pode causar dano relevante. sendo. 27). e a necessidade da pena. . legítima defesa futura e certa.doença mental (art. Não há como o legislador prever todas as hipóteses de inexigibilidade de conduta diversa.Direito Penal – LFG – Intensivo I 2ª) ordem legal: o superior hierárquico. mais inovador do que destruidor. Ex. 26. 3ª) ordem não claramente ilegal: o superior hierárquico pratica crime. Este rol não é taxativo. no final das contas. → Culpabilidade Funcional: é a culpabilidade para Roxin. caput). não pode prever todos os casos em que a inexigibilidade de outra conduta deve excluir a culpabilidade. É a única hipótese e é taxativa. b) dano causado pela desobediência não deve ser relevante. praticar algum delito.erro de proibição inevitável (art. pois. 22. 2ª parte). ilícito e reprovável. → *Desobediência civil: a desobediência civil é um fato que objetiva. a potencial consciência da ilicitude. 2) Potencial consciência da ilicitude: . Ex.menoridade (art.

causas de extinção supralegal: . na lei de crimes ambientais e na legislação tributária também há casos. legítima defesa futura e certa. há corrente lecionando que a imunidade parlamentar absoluta é causa de extinção da punibilidade (mas atenção: para o STF é causa de atipicidade – e esta é uma mostra de que o STF está adotando a tipicidade conglobante). não obsta ao prosseguimento da ação penal” – é uma causa de extinção trazida pela jurisprudência. é uma conseqüência do crime. se lhe é posterior. O rol do art. . CP) 3) limite modal: Princípio da Humanidade ou da Humanização das penas (são proibidas as penas cruéis. 107 é meramente exemplificativo. Este é o conceito dado por Frederico Marques. 89 . Se não houvesse a súmula. abortamento do feto anencefálico para a mãe). . 89. contra quem praticou a conduta descrita no preceito primário. 312. 76 e art. causando dano ou lesão jurídica.099/95 (transação penal e suspensão condicional do processo). reduz de metade a pena imposta”. CRIME Fato Típico Ilícito Culpável Punível  Punibilidade é o direito que tem o Estado de aplicar a pena cominada no preceito secundário da norma penal incriminadora. 5) Causa supralegal: ex. não é absoluto.Direito Penal – LFG – Intensivo I (13/05/09) PUNIBILIDADE: Os substratos do crime são: fato típico. O direito de punir é limitado. 107. → Causas de extinção da punibilidade: 1) CP – parte geral: art.FT: princípio da insignificância (exclui a tipicidade material – relevância da lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado). portanto. 4) CR/88: Apesar de minoritária. O direito de punir. da Lei 9. Crime . desumanas e degradantes). desobediência civil. 5º. A punibilidade não é um substrato do crime. seria aplicado o arrependimento posterior. e pode ser extinto. 3) Legislação especial: ex.: ☺súm. 107 2) CP – parte especial: art. ilicitude e culpabilidade.Ilicitude: consentimento do ofendido. 554. CP. pois. já que é o direito de punir do Estado. §3º (no peculato culposo. haveria mera diminuição de pena. extingue a punibilidade.: art. A punibilidade não é substrato do crime. se precede à sentença irrecorrível. após o recebimento da denúncia. a reparação do dano antes da sentença definitiva extingue a punibilidade): “No caso do parágrafo anterior. mas sim sua conseqüência jurídica. a reparação do dano.Culpabilidade: inexigibilidade de conduta diversa (ex. STF: “O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos. As hipóteses de extinção da punibilidade estão no art. encontra limites: 1) limite temporal: prescrição 2) limite espacial: Princípio da Territorialidade (art.

passa a ser considerada também um ato judicial inexistente. por óbvio. 5º. XLV. induzindo em erro essencial o outro contraente. como também reiniciar o processo antes extinto pelo art. Considerando que a sentença se baseou em fato inexistente (objeto de certidão falsa). por sua vez. 107. Vejamos cada um desses institutos: → Anistia: 90 . recorrente ou recorrido e o reeducando. Parágrafo único . anule o casamento”). a doutrina moderna vem admitindo como prova hábil para extinguir a punibilidade a sentença que reconhece a morte presumida (ex. 107. A reabilitação. graça ou indulto em crime de ação penal de iniciativa privada (o Estado não transfere o direito de punir. A morte. A prova da morte é caso de prova tarifária ou rígida. CP: I) Pela morte do agente: Pela expressão “agente” entende-se indiciado. II) Pela anistia. A doutrina clássica não admite. No STF prevalece a 2ª corrente. A condenação conserva a qualidade de título executivo judicial. É perfeitamente possível haver anistia. graça e indulto são espécies de renúncia estatal ao direito de punir. 236.Direito Penal – LFG – Intensivo I → Hipóteses do art. Pode o MP não somente perseguir a pena da falsidade documental. Esta corrente é defendida por Mirabete e Pachelli. não é possível: se o condenado já morreu. 62. Em caso de morte presumida (por tempo de ausência ou de provável morte). graça ou indulto: Anistia. A morte da vítima extingue a punibilidade do agente nas ações penais privadas personalíssimas (o único caso de crime de ação penal personalíssima é do art. não há sentido a sua reabilitação. por motivo de erro ou impedimento. A morte extingue a punibilidade do agente a qualquer tempo – eis um desdobramento do Princípio da Personalidade ou Pessoalidade da Pena (☺art.: LFG).2ª corrente: certidão falsa – fato inexistente – sentença inexistente – os efeitos de sentença inexistente não sofrem qualidade de coisa julgada material. réu. . CPP) – só se prova pela certidão original de óbito. Certidão de óbito falsa . O crime que teve a punibilidade extinta não pode ser exumado. não sofrendo os seus efeitos a qualidade da coisa julgada material. A morte do agente extingue a punibilidade eliminando todos os efeitos penais de uma eventual condenação. Mas na doutrina prevalece a 1ª corrente. só resta ao MP perseguir a pena da falsidade material. sendo uma exceção ao Princípio da Liberdade de Provas (☺art. é uma causa personalíssima de extinção da punibilidade (não se estende aos co-autores ou partícipes). apenas os efeitos penais).A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que. CP.Conseqüências: . A morte do agente não impede revisão criminal (uma vez que não extingue todos os efeitos. Os efeitos civis permanecem. CR: “nenhuma pena passará da pessoa do condenado”). ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior. CP: “Contrair casamento. só a titularidade do direito de ação).1ª corrente: havendo trânsito em julgado e sendo vedada a revisão criminal em favor da sociedade.

Esta lei é uma lei penal. os institutos pressupõem condenação. 716. E a graça e o indulto. servindo como título executivo. o condenado só não cumpre o restante da pena. pressupondo sentença condenatória. b) condicionada. apagando seus efeitos penais. em razão de clemência. São institutos extintivos da punibilidade. de acordo com doutrina moderna. a condenação e seus efeitos secundários (penais ou civis). CR). quando versa sobre crime comum. LEP. A graça e o indulto pressupõem condenação definitiva. 84. A anistia pode ser concedida antes (própria) ou depois (imprópria) da condenação. a) incondicionada. É concedida através de ato legislativo federal. a) comum. não pode a anistia ser revogada. ela trabalha casos concretos. quando não exige condição pessoal do beneficiado (atinge a todos indistintamente). que é o instrumento da graça e do indulto). via decreto presidencial (☺art. através da qual o Estado. reparação do dano). encampada pela jurisprudência. b) imprópria. Isso quer dizer que o preso condenado provisoriamente tem direito à graça ou ao indulto. primariedade). O instrumento de anistia é a lei (e não o decreto. Anistia se difere de abolitio criminis. pode o recorrido fazer jus ao indulto? Ou o recorrido só pode ser agraciado se o recurso for apenas dele? 91 . → Graça e Indulto: A doutrina costuma conceituar graça e indulto conjuntamente. social. quando exige condição pessoal do beneficiado (ex. quando concedida antes da condenação. Ou seja. gerando maus antecedentes. o trânsito em julgado para o Ministério Público? Ou mesmo que o Ministério Público ainda esteja recorrendo cabe graça e indulto? O MP recorreu contra a pena. STF: “Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a aplicação imediata de regime menos severo nela determinada. já que a anistia esquece um fato. PU. com a graça ou com o indulto. mas continua a condenação servindo para reincidência. ainda que esta seja provisória. Conceito comum: são benefícios que extinguem a punibilidade. quando a lei não impõe condição para a sua concessão. porque a lei posterior revogadora prejudicaria os anistiados. já na abolitio criminis ocorre a supressão do tipo penal. 716. Uma vez concedida. pelo menos. incide sobre o tipo (recai sobre a lei). os efeitos civis permanecem. etc. A anistia apaga apenas os efeitos penais.. preservando o tipo penal (não se trata de supressão da figura criminosa). subsistindo o crime. 2°. XII. pois o tronco dos dois institutos é o mesmo. STF – essa execução provisória exige. Como vimos. antes do trânsito em julgado da sentença condenatória” e o art. incide sobre o fato. *Classificação doutrinária de anistia: a) própria. analisa casos abstratos. b) restrita. são espécies de renúncia estatal ao direito de punir. política. ☺Súm. podem ser concedidos antes da condenação? Não. Porém. b) especial. quando versa sobre crime político. lei penal devidamente discutida no Congresso e sancionada pelo Executivo. quando concedida após a condenação.Direito Penal – LFG – Intensivo I É espécie de renúncia estatal ao direito de punir. a) irrestrita. a chamada lei penal anômala. hoje. Atingem somente os efeitos executórios penais da condenação. concedidos ou delegados pelo Presidente da República. quando a lei impõe condição/requisitos para a sua concessão (ex. esquece um fato criminoso. ou seja. etc. violando o princípio constitucional de que a lei não pode retroagir para prejudicar o acusado. Súm.

no seu art. O que causou essa omissão? Vejamos os entendimentos: a) 1ª Corrente (LFG e Alberto Silva Franco): se permite indulto é porque revogou implicitamente a proibição da lei 8. o legislador ordinário não poderá estender ao indulto. então todos os crimes hediondos equiparados devem fazer jus ao indulto. No mais. Observações: ☺art. Portanto. b) Condicionados: quando impõem condições como. Ela trabalha com o Princípio da Especialidade. O art. a primariedade do agente. diz que os crimes hediondos são insuscetíveis de anistia. O legislador ordinário não poderá criar outras hipóteses. por exemplo. 1º. deu uma carta branca ao legislador constituinte. Portanto. o legislador ordinário não poderá estender ao indulto. Como permite indulto para tortura. por eles respondendo os mandantes.É o benefício coletivo e independe de provocação do interessado. Essa primeira corrente tem os argumentos bastante sedutores. Diferenças entre graça e indulto: Graça . 5º diz que a lei definirá. 92 . ressalvada a hipótese de possibilidade de interposição de recurso com efeito suspensivo por parte do Ministério Público. CR: “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura . Isso está no art. É a única diferença entre os dois institutos. b) 2ª corrente. Não poderia o legislador ordinário suplantá-las. a reparação de dano. a CR proíbe graça e anistia. É a única diferença entre os dois institutos. §6º da lei. Indulto . se o recurso do MP não tiver efeito suspensivo. podendo evitá-los. trazendo a Constituição vedações mínimas. os executores e os que.Onde estão as hipóteses de prisão civil no Brasil? Na Constituição da República. O benefício para a tortura não se estende aos demais crimes hediondos ou equiparados. veio a lei 9.Onde estão as hipóteses de imprescritibilidade? Na Constituição da República. Isso é constitucional ou inconstitucional? a) 1ª corrente (LFG e Alberto Silva Franco): entende que é inconstitucional. que é a do STF. Quando tudo parecia resolvido.072/90. pois a lei de tortura é especial. abrange o indulto. a saber: . pois a Constituição traz vedações máximas taxativas. . O principal argumento é o seguinte: quando proíbe a graça.072/90. Portanto. graça e indulto. dizendo que o crime de tortura é insuscetível de anistia e graça.É o benefício individual e depende de provocação do interessado. O que a lei 8.455/97. art. 2º. entende que a proibição é constitucional. o terrorismo e os definidos como crimes hediondos. sob pena de ferir o Princípio da Isonomia. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. pois. 1º: “A guia de recolhimento provisório será expedida quando da prolação da sentença ou acórdão condenatório. XLIII. devendo ser prontamente remetida ao Juízo da Execução Criminal”. se omitirem”. b) Parciais: provocam diminuição ou substituição/comutação da pena. A lei de tortura não vedou o indulto. Classificação doutrinária da graça e do indulto: a) Plenos: quando extinguem totalmente a pena. etc. O legislador não pode criar outras hipóteses. A lei 8. diferenciando-se do indulto coletivo. b) 2ª Corrente (STF): não revogou. A graça é chamada de Indulto Individual.Direito Penal – LFG – Intensivo I ☺Resolução nº 19 do CNJ.072/90 fez? Ela prevê o indulto. 5º. a) Incondicionados: quando não impõem condições. a execução provisória. Cabe.

Isso não compete ao Presidente da República. demonstrando.343). por conseguinte. O prazo decadencial é. 100 deste Código. Termo inicial do prazo decadencial: A. 93 . ocorre decadência sem extinção da punibilidade. é possível graça e indulto para medidas de segurança. e a lei de tortura foi fiel à redação constitucional. P. CP (conta o dia do início). CP: “Salvo disposição expressa em contrário. É possível graça e indulto para medida de segurança? Tem doutrina admitindo. não há suspensão do prazo decadencial. perde o estado. no caso do § 3º do art. diz que os crimes são insuscetíveis de anistia. não se interrompe e não se prorroga. OBS. 103 prevê apenas queixa ou representação). claramente. O prazo a ser aplicado é o da regra geral de 6 meses. Mas há exceções (“Salvo disposição expressa em contrário”): . Privada A. mas ao órgão técnico. Não existe decadência na requisição do Ministro da Justiça. a decadência na lei de imprensa era passível de suspensão (o direito de resposta suspendia o prazo decadencial). P. Previsão legal: art. IV) Pela prescrição. o indulto parcial (é aquele que permite a substituição de internação por tratamento ambulatorial). Não é o que prevalece. 44. Pública Condicionada e A.O prazo de decadência de 3 meses da lei de imprensa não é mais aplicado (o STF declarou que esta lei não foi recepcionada pela CR/88). do dia em que se esgota o prazo para oferecimento da denúncia”. já que o crime não existe mais. portanto. . apesar de incomum. Extinto o direito de ação. Este tema foi estudado no início do curso. Esse prazo decadencial é um prazo penal. Privada Subsidiária Queixa ou representação: dia em que se conhece a Queixa subsidiária: dia em que se esgota o prazo autoria para o oferecimento da denúncia. decadência ou perempção: .Direito Penal – LFG – Intensivo I Por fim. CPP e art. é contado conforme o art. em seu art. em regra. ou. Mas não há mais esse prazo. III) Pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso: (Abolitio criminis). devemos nos lembrar da Lei de Drogas (Lei 11.10. Principalmente.O crime de adultério tinha o prazo de decadência de 1 mês. Na 2ª hipótese. Como essa lei não foi recepcionada. pois o MP continua legitimado (continua titular da ação). graça e indulto. o ofendido decai do direito de queixa ou de representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses.DECADÊNCIA: Conceito: é a perda do direito de ação pela consumação do termo prefixado pela lei para o oferecimento da queixa (nas ações penais privadas) ou representação (nas ações penais públicas condicionadas). LFG diz que. 103. pois não há previsão legal (o art. Prevalece que a medida de segurança é ordenada por perícia médica. Esse prazo não se suspende. que. P. 6 meses. o seu direito de punir (perda reflexa). se decorrer o prazo de 6 meses ocorre decadência extinguindo a punibilidade. *Questão de concurso: na 1ª hipótese. a inércia do seu titular. 38. A lei de drogas foi fiel à redação da lei dos crimes hediondos. contado do dia em que veio a saber quem é o autor do crime.

civis ou militares. 3) Ocorrida a perempção.Direito Penal – LFG – Intensivo I . 5º. 60. sendo o querelante pessoa jurídica. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático – ☺art. a perempção para um não afeta o direito do outro. MP requer a absolvição: o juiz pode absolver ou condenar. MP requer a condenação: juiz pode absolver ou condenar. o querelante comum requer condenação: o juiz pode absolver ou condenar. em regra. IV . A jurisprudência entende que contra-razões é uma peça obrigatória. querelante comum requer absolvição: o juiz não pode condenar. XLII. ocorre a perempção. CPP): I . 5) Querelante ingressou com queixa-crime. . falecendo o querelante. ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais: não se considera ato de comparecimento obrigatório à audiência de conciliação. qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo. O juiz abre vista para apresentar as razões. CPP. Previsão legal: art.quando o querelante deixar de comparecer. XLIV. o processo não pode ser reiniciado (pois houve extinção da punibilidade). 60. a qualquer ato do processo a que deva estar presente. esta se extinguir sem deixar sucessor: Questões de concurso: 1) Crimes conexos de ação privada: é possível a perempção de um e não de outro? Havendo crimes conexos pode ocorrer a perempção de um e o prosseguimento em relação ao outro. Hipóteses de perempção (art. Racismo – ☺art. o querelante interpôs recurso tempestivamente.PEREMPÇÃO: É uma sanção processual imposta ao querelante inerte ou negligente. É um desdobramento lógico do princípio da disponibilidade da ação penal privada. Neste caso não há perempção. pois o MP reassume. O juiz abriu vista para apresentação de contra-razões. ele prescreve. que foi julgada improcedente. Em razão da improcedência. para prosseguir no processo. dentro do prazo de 60 (sessenta) dias. não comparecer em juízo. Se o querelante pedir implicitamente a condenação não há perempção (só há perempção quando o querelante requer a absolvição). As razões foram apresentadas intempestivamente. e 2. que foi julgada procedente.quando. Neste caso. III . Se o querelante não comparece significa apenas que não quer fazer acordo. iniciada esta. CR. CR. Por mais grave que seja o crime. 2) Na hipótese de dois querelantes. ressalvado o disposto no art. As razões intempestivas configuram mera irregularidade. pois gerou perempção. 94 .quando.PRESCRIÇÃO: Conceito: É a perda do direito do Estado punir ou executar a punição já imposta em face do decurso do tempo. Prescrição tem a ver com pretensão. o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos: prevalece que a perempção não depende de prévia advertência. Temos 2 exceções: 1. É a perda da pretensão punitiva ou da pretensão executória em razão do recurso do tempo. O querelante não apresentou contrarazões. O querelado (réu) recorreu. ??? 4) *Querelante ingressou com queixa-crime. Não se aplica à ação penal privada subsidiária da pública (não extingue a punibilidade). sem motivo justificado. implicando a extinção da punibilidade. Ação de grupos armados. II . Ação penal indireta: é o fenômeno em que o querelante subsidiário se queda inerte e o MP retoma o processo. O que importa é que a interposição do recurso seja tempestiva. 36: CADI.quando. ou sobrevindo sua incapacidade. 5º.

extinguem todos os efeitos (civis e penais) de eventual condenação provisória. 3ª corrente: a imprescritibilidade trazida pelo tratado é incompatível com o direito penal moderno e com o estado democrático de direito. Privada Racismo (lei 7. deve prevalecer a CF/88.P. 95 . é necessário trabalhar com a que menos diminui. Gilmar Mendes já deu a entender que adota a 1ª corrente. Atenção: se tiver causa de aumento variável (ex: 1/3 a 2/3). portanto tem status supralegal. é preciso saber porque existe a prescrição. O Estado diz que depende da gravidade do crime praticado. já se percebe que há duas hipóteses. 109. etc. não do Estado. a saber: Prescrição da pretensão punitiva: Ocorre antes do trânsito em julgado da condenação para ambas as partes. Para encontrar a pena máxima em abstrato. 1ª corrente: considerando que a CF/88 rotulou a tortura como um delito prescritível. Criar outras hipóteses de imprescritibilidade é ampliar o direito de punir do Estado. não há interesse de punir. É importante distinguir os crimes de injúria qualificada pelo preconceito e o racismo: Injúria Qualificada pelo preconceito ou racismo impróprio (art. O Tratado de Roma (de direitos humanos) foi aprovado no Brasil com quorum comum.P. CP) O agente atribui qualidade negativa Prescritível Afiançável A. Deve-se trabalhar com a “Teoria da Pior das Hipóteses” (deve-se encontrar sempre a maior pena). Essa discussão é recente. E se tiver causa de diminuição variável (ex: 1/3 a 2/3). considerando que o Tratado de Roma. etc. O STJ (sob a ótica civil) acolhe a 2ª corrente. não há interesse de punir.I.). Por que existe esse artigo? O Estado deve dizer para nós até quando perdura o seu direito de punir. ou seja.Direito Penal – LFG – Intensivo I O legislador ordinário não poderá criar outras exceções. Se enfraquece a prova. Ele irá analisar a pena máxima em abstrato prevista para o crime.): diz que os crimes do TPI são imprescritíveis (inclui a tortura).P. Não bastasse isso. prevalece a norma do tratado que torna a tortura delito imprescritível. 140. pode ocorrer a perda da finalidade preventiva da pena. Pública Incondicionada O crime de tortura prescreve? CF/88 diz que a tortura é prescritível. Pelo próprio conceito de prescrição. 2ª corrente: considerando que no conflito entre a CF/88 e os tratados de direitos humanos deve prevalecer a norma que melhor atende os direitos do homem (princípio pro homine). se perde a finalidade preventiva da pena. Vamos sintetizá-los. documento que torna a tortura imprescritível. Antes de analisarmos cada uma das suas espécies. Essa prescrição tem 04 subespécies: a) Prescrição da pretensão punitiva em Abstrato: ☺art. tem status supralegal. O instituto da prescrição está fundamentado em quê? Damásio traz 13 fundamentos (Ex: o decurso do tempo faz punir uma pessoa psicologicamente. 2/3. 1/3. ou seja.716/89) O agente segrega a vítima do convívio social Imprescritível Inafiançável A. deve considerar causas de aumento e de diminuição de pena? Sim. O Tratado de Roma (que instituiu o T. CP. nem Emenda Constitucional o pode. O fundamento básico da prescrição pode assim ser resumido: o tempo faz desaparecer o interesse social de punir. e só é possível se ampliar as garantias do homem. é necessário trabalhar com a que mais aumenta.

quando começará a correr prescrição? Crime habitual é um crime que para a sua tipificação exige reiteração de atos. Irá interromper para todos os autores. da data em que o fato se tornou conhecido. Obs.pela pronúncia. II . A prescrição começa a correr do segundo ato ou começa a correr quando se fechar a casa de prostituição? O STF equiparou esse fato ao art. O STF equiparou crime habitual a crime permanente.do dia em que o crime se consumou: esta é a regra. ☺art. ao tempo do crime. O prazo é penal (computa-se o dia do início. há balizas prescricionais. A falsificação de documentos só foi revelada com o fato. Marco Aurélio alegou analogia in malan partem. crime de seqüestro. Logo. 111.Eventual sentença condenatória provisória é rescindida. Este assunto será comentado adiante. de acordo com o art. deve considerar a agravante e a atenuante de pena? Uma agravante tem aumento determinado por lei ou fica a critério do juiz? Fica a critério do juiz.: quando se diz que inviabiliza a análise do mérito. O Min. Efeitos da prescrição da pretensão punitiva em abstrato: . 117: “O curso da prescrição interrompe-se: I . A partir do segundo ato. IV. inclusive para B que foi absolvido. Essa casa continuou servindo para esses atos até dezembro de 2008.Direito Penal – LFG – Intensivo I Exceção: Não se considera aumento oriundo de concurso de crimes – ☺art.pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis”. do dia em que cessou a permanência: Crime permanente enquanto não cessar a permanência. não se operando qualquer efeito de eventual condenação.pela decisão confirmatória da pronúncia. Enquanto ela manteve o Pedrinho com ela.: E no caso de crime habitual. a prescrição não corre.O acusado não será responsabilizado pelas custas processuais. O primeiro ato ocorreu em dezembro de 2006. 117.pelo recebimento da denúncia ou da queixa. A prescrição deveria correr a partir do segundo ato sexual. Numa extorsão mediante seqüestro. 111 c/c art. ☺art. IV . a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um. 111. . Ex: casa de prostituição. 111. menor de 21 (vinte e um) anos. CP: “São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era. CP. Obs. Para encontrar a pena máxima em abstrato. Por isso. na data da sentença.Desaparece para o Estado o seu direito de punir. já se tem o crime.nos crimes permanentes. cada crime prescreve isoladamente: “No caso de concurso de crimes. maior de 70 (setenta) anos”. No caso de concurso de crimes. CPP. . Se o juiz condenar A e absolver B.nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil. 117. IV . A reincidência aumenta o prazo da prescrição executória. quando foi fechada. É necessário analisar duas espécies de balizas prescricionais: 1. O Min. Esse crime só se consuma com reiteração de ato. a prescrição não corre. III . ela pôde ser condenada por tudo. 115. que traz uma regra e 3 exceções): I . mesmo que o resgate já tenha sido pago. permite inclusive o julgamento antecipado da lide – absolvição sumária. Marco Aurélio ficou vencido. enquanto a vítima não for libertada. inviabilizando qualquer análise do mérito.Terá direito a restituição integral da fiança. ou. ficando a critério do juiz. se houver prestado. Exceção: a atenuante da menoridade e da senilidade reduz o prazo prescricional pela metade – ☺art. isoladamente”. a prescrição é interrompida. Termo inicial da prescrição (art. . Por que a mãe do Pedrinho foi condenada? Porque a mãe do Pedrinho foi preenchida pelo inciso III e pelo inciso IV. CP. do dia em que cessou a atividade criminosa: do último ato executório.no caso de tentativa. II . Procedimento diverso do Júri: há 03 balizas prescricionais: I – Data do fato (☺art. a prescrição não corre. exclui-se o dia do fim). 397. Não basta o primeiro ato sexual comercializado dentro dessa casa. Hipóteses de interrupção da prescrição (art. CP): Os incisos V e VI interrompem a prescrição da pretensão executória. 119. III . III. não é seguro considerar agravante ou atenuante antes de o juiz se manifestar. CP) 96 . CP – enquanto não cessados os atos habituais. Não tem valor definido em lei.

338. Em cada interrupção. CP). O crime é processado diverso do júri. CP) III – Pronúncia (☺art. Procedimento do Júri: Há 05 balizas prescricionais. Quanto tempo o Estado tem para receber a inicial. ele terá 3 balizas prescricionais. Por isso. Daqui vai até a decisão final (com o trânsito em julgado). 109. O juiz pode reconhecer a prescrição de ofício? Ou depende de provocação? ☺art. ocorrerá a prescrição da pretensão punitiva. Daqui vai até o trânsito em julgado. sem ser provocado. STJ: A prescrição penal é aplicável nas medidas sócio-educativas. Ex: Vamos supor que o MP denunciou por homicídio doloso. 191. I. Somente o acórdão condenatório (que reforma uma absolvição de 1° grau) interrompe a prescrição. teriam 3 balizas prescricionais. A prescrição é matéria de ordem pública. V – Condenação. ??? 2. Os jurados condenam por homicídio culposo. 117. Há duas correntes: I) nos atos infracionais não há pretensão punitiva do Estado. quanto tempo tem para transitar em julgado? Mais 08 anos. É uma condenação pelos jurados. CP) III – Publicação da sentença condenatória (☺art. CPP. deve-se zerar o cronômetro. 117. o tribunal só confirma a condenação: o acórdão confirmatório não interrompe a prescrição. sócio-educativa. 97 . quanto tempo o Estado tem para publicar a condenação? 08 anos. I – Data do fato (☺art. Qual das duas correntes prevalece? O MP/SP adota a primeira. ainda que o Tribunal do Júri venha a desclassificar o crime. 117. Ex: Imagine um crime de furto simples – pena de 01 a 04 anos e multa. o cronômetro zera. Se o MP tivesse denunciado por homicídio culposo desde logo. CP). Quantas balizas se têm? 5. CP). II) realizando analogia. I. 111. Se o Estado conseguiu publicar a condenação (só a condenatória interrompe. interrompendo essa prescrição? 08 anos (de acordo com o art.Direito Penal – LFG – Intensivo I II – Recebimento da inicial (☺art. STJ – A pronúncia é causa interruptiva da prescrição. CP) IV – Confirmação da Pronúncia (☺art. Então. pois não se pode negar uma determinada carga punitiva nas medidas sócio-educativas. 61. Se o Estado recebeu em 08 anos. mas sim. Como o cronômetro zerou. Então. Os jurados. 117. II. CP) II – Recebimento da inicial (☺art. não há prescrição de atos infracionais. continua considerando a pronúncia e a confirmação da pronúncia como interruptivas da prescrição? ☺Súm. o cronômetro zera. o juiz deve declará-la de ofício em qualquer fase do processo. III. Se o Estado extrapolar 08 anos em qualquer uma das balizas. Portanto. 117. O Ato infracional prescreve? É um fato previsto como crime praticado por adolescente infrator. IV. julgando e condenando por homicídio culposo. O procedimento é do Júri. Se o juiz condena. CP). 111. Data do fato é o termo inicial (☺art. mas o STJ sumulou a segunda – ☺Súm. a absolutória não). A confirmação zera no júri. mas a confirmação de uma condenação no procedimento ordinário não zera. ato infracional também prescreve.

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b) Prescrição da pretensão punitiva superveniente (intercorrente): ☺art. 109 e art. 110, §1º, CP: A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação, ou depois de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada. Antes da sentença recorrível, não se sabe qual a quantidade ou o tipo da pena a ser fixada pelo juiz, razão pela qual o lapso prescricional regula-se pela pena máxima prevista em lei. Trabalhava-se com a pena máxima, porque a pena poderia em tese chegar ao máximo. Contudo, fixada a pena, ainda que provisoriamente, transitando esta em julgado para a acusação, não mais existe razão para se levar em conta a pena máxima em abstrato, já que a pena aplicada (provisória) passou a ser a pena máxima para o caso concreto. Mesmo que haja recurso da defesa, está vedada a reformatio in pejus. Características dessa espécie de prescrição: - Pressupõe sentença ou acórdão penal condenatório; - Os prazos prescricionais são os mesmos do art. 109, CP; - Conta-se a prescrição da publicação da sentença condenatória até a data do trânsito julgado final (para ambas as partes); - Pressupõe trânsito em julgado para a acusação ou o seu recurso improvido, no que se relaciona com a pena aplicada. Somente esse pressuposto que transforma a prescrição em abstrato em superveniente. Efeitos (os mesmos da prescrição da pretensão punitiva em abstrato, pois são espécies do mesmo gênero): - Desaparece para o estado seu direito de punir, inviabilizando qualquer análise de mérito. - Eventual sentença condenatória provisória é rescindida, não se operando qualquer efeito (penal ou civil). - O acusado não será responsabilizado pelas custas processuais. - Restituição da fiança (se a houver prestado). Ex: furto simples – 01 a 04 anos. Quantas balizas prescricionais? 03. Da data do fato até o recebimento da inicial, o Estado tem 08 anos para receber. Recebida a inicial, quanto tempo o Estado tem para publicar a condenação? 08 anos. Publicada a condenação, quanto tempo o Estado tem para o trânsito em julgado final? Vamos supor que ele foi condenado a 01 ano. Quanto tempo o Estado tem? Não há dados suficientes. Primeira situação = MP recorre. Se o MP recorre não pode falar da prescrição superveniente. Essa pena pode chegar até 04 anos. Então, continua utilizando a pena do art. 109, CP. Ou seja, os mesmos 08 anos. Segunda situação = MP não recorre. E agora? Se o MP não recorrer, não se trabalhará com a pena de 04 anos, mas com a pena de 01 ano. Logo, deverá trabalhar com a pena de 01 ano c/c com o art. 109, CP. Conclui-se que o Estado terá 04 anos. Falará em prescrição punitiva superveniente. Obs.: Importante parcela da doutrina (Cezar Roberto Bittencourt) ensina que eventual recurso da acusação só evita a prescrição superveniente se, buscando aumento da pena, for provido e a pena aumentada pelo Tribunal. Se o MP só atacar benefícios, buscar cassação de sursi, a pena terá transitado em julgado. Neste caso, opera-se a prescrição superveniente. O juiz de 1º grau pode reconhecer a prescrição superveniente? Há divergência. Uma 1ª Corrente (Fernando Capez) entende que não pode, pois com a sentença o juiz esgota a sua jurisdição. Uma 2ª Corrente (LFG) entende que, sendo matéria de ordem pública, o juiz pode reconhecer a prescrição a qualquer tempo (art. 61, CPP), desde que haja o trânsito para a acusação. Essa segunda corrente é a que prevalece.

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c) Prescrição da pretensão punitiva retroativa: ☺art. 109 e art. 110, §2º, CP: A prescrição, de que trata o parágrafo anterior, pode ter por termo inicial data anterior à do recebimento da denúncia ou da queixa. O nosso legislador é “leigo” nesse caso, porque ele coloca a prescrição retroativa no §2º, e dá a impressão de que só se pensa na retroativa se não conseguir encontrar a superveniente, quando o certo é exatamente o contrário. A PPP Retroativa pressupõe trânsito em julgado para a acusação. Ex.: furto simples, cuja pena é de 1 a 4 anos. Da data do fato trabalhamos com a prescrição da pretensão punitiva em abstrato. Assim, o Estado tem 8 anos para receber essa inicial. Supondo que ele receba em 5 anos, não prescreveu e, não só não prescreveu como também se interrompe a prescrição quando do recebimento, zerando o cronômetro. Do recebimento até a publicação da condenação, o Estado tem mais 8 anos. Se o Estado publica a condenação em 2 anos, também não prescreveu. Supondo que nessa condenação o juiz aplicou uma pena de 1 ano e desta pena o MP não recorre. Assim, a pena de 1 ano passou a ser a pior das hipóteses. É exatamente esta pena que, combinada ao prazo do art. 109, é que encontramos o prazo de 4 anos. O Estado tem então que julgar o recurso da defesa em 4 anos. Antes mesmo de torcer para o Estado não julgar esse recurso da defesa em 4 anos pode-se analisar se ocorreu a prescrição retroativa. Na primeira baliza (5 anos) houve prescrição retroativa. A prescrição da pretensão punitiva retroativa tem o mesmo fundamento, as mesmas características e idênticas conseqüências da prescrição superveniente, mas, tem por termo inicial data anterior à sentença condenatória recorrível. Ou seja, ao contrário da superveniente, vai da sentença condenatória recorrível para trás (e não para frente). No mais são iguais.

d)

Em perspectiva ou Por Prognose ou Antecipada ou Virtual: São todas expressões sinônimas para a mesma coisa. Ela não tem previsão legal. É criação da jurisprudência com a qual o STF não concorda. Ex.: crime de furto, cuja pena é de 1 a 4 anos. Dentro de uma prescrição da pretensão punitiva em abstrato, o Estado tem 8 anos para receber a inicial. Decorridos 6 anos, o Estado ainda não a recebeu. Ocorre que o indiciado é primário, tem bons antecedentes, não há causas de aumento, e não há agravantes. Assim, em perspectiva, de maneira antecipada, por prognose, é possível imaginar que a pena em concreto dele será de 1 ano (levando-se em conta todas essas considerações). Se esta é a pena e se dela o MP não recorreria porque justa, a prescrição retroativa fatalmente será de 4 anos, e já temos 6 anos sem que tenha sido recebida a inicial, pode-se, por economia processual, em face de clara falta de interesse de agir, ter a prescrição da pretensão punitiva em perspectiva. Na prescrição da pretensão punitiva em perspectiva, o juiz, analisando as circunstâncias do fato, bem como as condições pessoais do agente, antevê a ocorrência da prescrição da pretensão punitiva retroativa, concluindo pela falta de interesse de agir do órgão acusador. O STF não aceita essa criação jurisprudencial e não trabalha com ela. O MP e a magistratura de SP a admite. No mais, ela tem as mesmas características das demais prescrições da pretensão punitiva. Ela apaga todos os efeitos (penais ou extra-penais).

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Prescrição da pretensão executória: ☺art. 110, caput, CP. Ocorre depois do trânsito em julgado final pras duas partes (não só para o MP, caso seja trânsito em julgado só para o MP fala-se ainda em prescrição da pretensão punitiva). Características: - considera-se a pena em concreto (não há mais razão para se aplicar a pena máxima em abstrato porque já se tem a pena em definitivo), - pressupõe trânsito em julgado final, e - os prazos são os do art. 109, CP, aumentados de 1/3 se o agente for considerado reincidente na sentença (atenção: o que é aumentado de 1/3 é o prazo prescricional, e não a pena!). Cuidado: não se aplica este aumento se esta prescrição for da pretensão punitiva (isso seria analogia in mallam partem), só na prescrição da pretensão executória. Reconhecida esta espécie de prescrição, quais são as conseqüências? Extingue-se somente a pena aplicada, sem, contudo, rescindir a sentença condenatória (que produz efeitos penais e extra-penais – ou seja, continua gerando reincidência, continua sendo executada como título judicial, etc.). Ou seja, subsistem todos os efeitos secundários da condenação. Ela só impede a execução da pena. Os demais efeitos permanecem. Inicia-se do trânsito em julgado para a acusação (art. 112, CP). Ex. se o acusado foge da prisão, começa a correr o prazo prescricional (inciso II). A prisão e a fuga interrompem essa prescrição. Art. 113, CP: no caso de fuga, a prescrição regula-se pelo prazo restante a ser cumprido.

(27/05/09) Para recordar: furto, cuja pena é de 1 a 4 anos. Da data do fato até o recebimento da inicial falase em prescrição da pretensão punitiva em abstrato. Do recebimento da inicial até a publicação da sentença da condenação, fala-se em prescrição da pretensão punitiva em abstrato. Publicada a condenação, até o trânsito em julgado definitivo (sem se dizer que transitou para o MP), fala-se ainda em prescrição da pretensão punitiva em abstrato. Mas, tendo transitado para a acusação (que não recorreu ou teve seu recurso improvido), agora sim fala-se em prescrição da pretensão superveniente (que vai da publicação da sentença pra frente) ou na retroativa (que vai da publicação da sentença para trás). Agora: transitada em julgado definitivamente a sentença condenatória, podemos falar em prescrição da pretensão executória, que começa a ser contada, em regra, do trânsito em julgado para o MP (☺art. 112, CP). Ela pressupõe um transito em julgado definitivo, mas o seu termo inicial é o trânsito em julgado para o MP (ela retroage no trânsito em julgado). Art. 112 – Termo inicial da prescrição após a sentença condenatória irrecorrível: “... do dia em que transita em julgado a sentença condenatória para a acusação...”. Ocorre que o próprio art. 112 traz 2 exceções: no caso de sursis ou livramento condicional, ela começa a correr do dia em que se revogam tais benefícios, ou, em caso de fuga, ela começa a correr do dia em que houve a fuga. Essa pretensão executória começa a correr e pode ser interrompida. ☺art. 117, V e VI, CP: ela interrompe-se pelo início ou continuação do cumprimento da pena e pela reincidência (obs.: os primeiros 4 incisos dizem respeito à interrupção da prescrição da pretensão punitiva, mas os dois últimos dizem respeito à prescrição da pretensão executória, que também pode ser interrompida).

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116. maior de 70 (setenta) anos. suspensão pára o cronômetro”. Redução dos prazos de prescrição pela metade. desconsiderando o tempo pretérito. o condenado tiver mais de 70 anos. Houve a prescrição da pretensão executória? O termo inicial é o trânsito em julgado para o MP.Direito Penal – LFG – Intensivo I Exemplos: Furto. Agora o Estado tem quanto tempo para recuperálo? ☺art. que aconteceu em 01/01/90. . O CP está preocupado com a idade biológica e não com a capacidade civil do agente. “Interrupção zera o cronômetro. Mas supondo que passados 2 meses ele foge. 115.O STF decidiu que o Estatuto do Idoso (que determina que é idoso quem tem mais de 60 anos) não alterou o art. CP – ele não traz causas interruptivas da prescrição. Atenção: são os prazos prescricionais que são reduzidos pela metade e não a pena. Diferenças: . O MP não recorreu. . 117. mesmo com o advento do Estatuto do idoso. na data da sentença. Este é o prazo prescricional. Do recebimento da denúncia. só o idoso com mais de 70 anos é beneficiado. . 115. Já o P. porque este é o restante da pena a cumprir. traz a suspensão da pretensão da prescrição executória (PPE). ☺art. Essa condenação transitou em julgado para o MP em 09/05 do mesmo ano. Interrompe a execução e zera o prazo. mesmo em acórdão meramente confirmatório.U. 101 . A defesa recorre e o processo é julgado definitivamente em 10/06/98. CP: São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era. a prescrição é regulada pelo tempo que resta da pena”. Ocorreu alguma prescrição? Não se pode falar em prescrição da pretensão punitiva em abstrato. quanto tempo o Estado tinha até a data do fato? 4 anos. CP: “no caso de evadir-se o condenado ou de revogar-se o livramento condicional. 113. CP. Se na 1ª condenação for absolvido. Pergunta: houve prazo superior a 4 anos? Não houve. ou seja. ☺art. Causas suspensivas: ☺art. Então não houve a prescrição da pretensão punitiva retroativa. portanto. Pouco importa a idade que se tinha no momento da conduta do crime. CP 10 meses (ele já cumpriu 2 meses. e por isso o Estado terá 2 anos para recapturá-lo. Mas vamos supor que o Estado só conseguiu prender o agente dia 10/10/99. .Esta hipótese de benefício prescricional não foi abolida pelo novo CC. 116. mas é a mesma coisa. Mas vamos supor que o Estado conseguiu prender no dia 12/06/98. Os incisos I e II trazem a suspensão da PPP.interrupção: dá novo lapso prescricional.É preciso olhar a idade do criminoso (menor de 21 anos) no tempo da conduta (ação ou omissão) e não do resultado. portanto. O Estado recebeu a denúncia em 10/05/93. Mas não temos 4 anos de 95 a 98. será reduzido o prazo se. o sujeito tem mais de 70 anos. ou. não terá o benefício.Ademais. Isso significa que devemos jogar no art. Se for condenado com menos de 70 anos e.suspensão: não dá novo lapso prescricional. O réu foi condenado a 1 ano. ele fugiu faltando 10 meses). menor de 21 (vinte e um) anos. mas sim causas suspensivas da prescrição (causas que fazem parar o cronômetro). Essa é a posição do STF. ao tempo do crime. A lei chama de causas impeditivas. CP. cuja pena é de 1 a 4 anos. A publicação da condenação ocorreu no dia 08/04/98. em grau de recurso. 109. É necessário ter 70 anos até a primeira condenação (essa condenação pode ser de 1° grau ou em grau de recurso). Então. considerando o tempo pretérito. Ocorreu a prescrição? Não ocorreu o tempo superior a 4 anos desde o trânsito em julgado para o MP. Mas e a superveniente? É também em 4 anos. Observações: . conta-se a prescrição a partir do acórdão condenatório. neste caso sim podemos falar em prescrição da pretensão executória (4 anos do dia 09/05/95 até a data da prisão – 10/10/99). Então também não podemos falar nela. A interrupção vem tratada no art. É necessário ter 21 anos na data da conduta. na data da sentença.

Já a prescrição ficaria suspensa pelo tempo da prescrição da pretensão punitiva do Estado. prescreve também juntamente com a prescrição da pena privativa de liberdade. .830/80 (que fala que o não pagamento da multa é dívida ativa).Direito Penal – LFG – Intensivo I ☺inciso I – Questões prejudiciais dos arts. O processo fica suspenso até o comparecimento espontâneo ou forçado do acusado (até demonstrar que tem ciência da acusação). ☺P. Após. a doutrina entende que ambas são abrangidas. E a PPE existe na medida de segurança? PPE: pena em concreto. . Outras causas suspensivas As causas suspensivas não estão apenas no CP. São as questões das quais dependem o reconhecimento da existência do crime. as causas suspensivas e interruptivas são aquelas previstas na Lei de Execução Fiscal. art. se reduz a pena ou se substitui por medida de segurança. ainda. 2ª corrente: só se aplica a PPP. 114. art. Embora a lei não seja expressa.Se ela foi cumulativamente aplicada. causa suspensiva prevista em legislação especial: ☺Lei 9. 1ª corrente: só se aplica a PPP.U. ☺inciso II – não corre a prescrição enquanto o agente cumpre a pena no estrangeiro. Ocorre que o STF entendeu que a prescrição também ficará suspensa até o comparecimento do acusado. a prescrição é a mesma pressupõe fixação de pena. prescreve em 2 anos. 89. 116 é apenas exemplificativo.099/95. porque a executória Para o semi-imputável. acima exposta.Se a pena de multa é a única aplicada. Há aquelas que são obrigatórias e as que são facultativas. 1) Prescrição da pretensão punitiva da multa: . §6º – suspensão condicional do processo – não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão condicional do processo. CPP – se o acusado citado por edital não comparecer. nem constituir advogado. Inimputável Semi-imputável Processo – absolvição + medida de segurança Processo – condenação (pena). PPP: pena máxima em abstrato. CP: prescrição da pena de multa. §§ 3° ao 5º: imunidade que tem o deputado pelos crimes praticados após a diplomação – “a sustação do processo suspende a prescrição enquanto durar o mandato”. prescreve em 2 anos. 92 a 94. Observações: As causas suspensivas e interruptivas da prescrição da pena de multa são as da lei de execução fiscal e não as do CP! Com o advento da Lei 6.Se a pena de multa for alternativamente cominada com pena privativa de liberdade (“ou multa”). o juiz decide (prazo mínimo de 1 a 3 anos). 53. Não se trata de uma hipótese de imprescritibilidade. ficarão suspensos o processo e o prazo prescricional. É possível: É possível: PPP: pena máxima em abstrato. porque se o prazo existe é porque pode haver a prescrição. É uma proteção à nossa soberania. prescreve junto com a privativa de liberdade. Questões prejudiciais suspendem a prescrição. do CPP. . prescreve junto com a privativa de liberdade.: enquanto se cumpre uma pena por um crime não pode correr o prazo prescricional para os outros crimes. O art. Trata da prescrição da pretensão executória: “Depois de passado em julgado a sentença condenatória”.Se a multa for cumulativamente cominada com pena privativa de liberdade (“e multa”). Há também causa suspensiva prevista no CPP: ☺art. ☺art. ☺CR. 2) Prescrição da pretensão executória da multa: . Quando a captura 102 . A prescrição na medida de segurança: Medida de segurança: sanção penal imposta ao agente inimputável ou semi-imputável. desde que na facultativa o juiz resolva acatá-la. Há. 366.Se a pena de multa for a única cominada.

Exceção: art. PU.tácita: prática de ato incompatível com a vontade de exercer a queixa (ex. Preclusão Perda de uma faculdade processual. antecede o início da ação penal.099/95 Depois da lei 9. CP. Ela pode ser extraprocessual: . . todavia. V.Perda da pretensão ação em face do punitiva ou executória. calculando-se a executória com base na pena máxima em abstrato fixada para o crime. 104. punibilidade.Direito Penal – LFG – Intensivo I do inimputável ocorrer após o decurso do prazo mínimo de sanção. por seu representante legal ou procurador com poderes especiais. Parágrafo único. Perempção . não a implica.Pode ser: lógica. V) Pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito. O MP passa a ser o único legitimado. 3ª corrente: aplicam-se ambas as prescrições (PPP e PPE).099/95 Depois da lei 9. Acordo judicial acarreta renúncia tácita? Art. Existe renúncia em ação penal pública? Antes da lei 9. Ela impede o processo. extinguindo-se a punibilidade. o fato de receber o ofendido a indenização do dano causado pelo crime. Nem sempre a prescrição acarreta a perda do direito de ação. Consequência: Consequência: extinção da extinção da punibilidade. 74. PU: o acordo homologado acarreta renúncia ao direito de queixa ou representação. CPP: A renúncia expressa constará de declaração assinada pelo ofendido. decurso do tempo.Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com a vontade de exercê-lo. .expressa: art. consumativa ou temporal. É possível renúncia depois que o processo já começou? Não. mas é uma renúncia que não gera a extinção da punibilidade.Sanção processual ao querelante inerte ou desidioso. Exceção: art. Conceito: entende-se o ato unilateral do ofendido ou de seu representante legal abdicando do direito de promover a ação penal privada. 1ª parte. QUADRO RESUMO: Decadência Prescrição . na ação penal privada. CP .099/95 A renúncia é instituto exclusivo de ação penal de A renúncia é. nos crimes de ação privada: Renúncia: art.Perda do direito de . 107. Cabe renúncia em ação penal privada subsidiária? Sim.099/95 O fato de receber o ofendido a indenização do O fato de receber o ofendido a indenização. CP). não gera renúncia tácita. em dano causado pelo crime não gera renúncia tácita regra. (art. instituto possível somente iniciativa privada. deve ser analisada a real necessidade da medida. 103 . A renúncia é sempre extraprocessual. O STF adota essa corrente. em regra. 74. 50. PU admite renúncia em ação penal pública condicionada à representação. Conseqüência: extinção da punibilidade. 104. convidar caluniador para ser padrinho de casamento). .Não gera extinção da punibilidade. Antes da lei 9.

Pluralidade de autores: se a vítima perdoa o autor 1. tacitamente renuncia com relação aos demais (art. V. no cartório). Decorrente do princípio da disponibilidade. processual . Ato bilateral. Pode ser expressa. 104 . Aceitação Recusa Pode ser: extraprocessual – fora Pode ser: extraprocessual – fora dos autos (ex. negar ou confessar o fato. Perdão do ofendido: art.bojo dos autos. O artigo 49 traz o critério da extensibilidade da renúncia. Conceito: é o ato pelo qual o ofendido ou seu representante legal desiste de prosseguir com andamento de processo já em curso. Pelo princípio da indivisibilidade. desculpando o ofensor pela prática do crime. O perdão deve ser concedido durante o processo. nos casos em que a lei a admite: Esta retratação é a retratação extintiva da punibilidade. CPP). É mais: é retirar totalmente o que disse. Antes. O instituto da renúncia decorre do princípio da oportunidade da ação privada. recusa tácita. Pressupõe processo já formado. declaração em cartório). O MP retoma a legitimidade: ação penal indireta. No caso em que há várias vítimas e apenas um autor: as vítimas têm direitos autônomos e independentes. Em síntese. se a vítima renuncia com relação a um autor. A ação privada passa pelo crivo da conveniência e oportunidade da vítima. tacitamente perdoa o autor 2. Qualquer condição deve ser tida pelo juiz como não escrita. 107.bojo dos autos. Após o trânsito em julgado (na fase de execução) não é possível. Perdão Pode ser: extraprocessual – fora dos autos (ex. Não há exceção! Na ação penal privada subsidiária é possível o perdão do ofendido. Obsta a formação do processo. O que é retratar-se? Não significa. Extraprocessual. simplesmente. Ato unilateral. Pode ser expressa ou tácita (ex. mas não há extinção da punibilidade. (03/06/09) VI) Pela retratação do agente. Renúncia Perdão Decorrente do princípio da oportunidade. O perdão é um ato bilateral (diferente da renúncia que é unilateral). CP. Excepcionalmente é cabível em ação penal Exclusivo de ação penal privada.bojo dos autos. processual . 104. CP . Pode ser extra ou processual. é trazer a verdade novamente à tona. É possível perdão condicionado? E aceitação condicionada? Todo perdão e toda aceitação são incondicionados. 49. no cartório). Pode ser expresso ou tácito. Só é possível o perdão do ofendido em ação penal privada. O que extingue a punibilidade é o perdão aceito. Não existe silêncio). O perdão decorre do princípio da disponibilidade.Direito Penal – LFG – Intensivo I A renúncia admite retratação? Art. Extingue-se a punibilidade de quem aceitou o perdão. pública. ocorre renúncia. processual . 2ª parte.O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa ou tacitamente. dos autos (ex.

143. logo. Ex. a retratação só cabe nos casos expressamente previstos em lei. a retratação não extingue a punibilidade (☺art. que acaba morrendo. O que aconteceu com a lei de imprensa? Ela foi considerada não recepcionada pela CF/88 na ADPF nº 130. Isto é. Não cabe analogia. Assim. 143. a retratação deve ocorrer antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito e não no processo em que se apura o ilícito. fica isento de pena. A retratação é norma de exceção. nas hipóteses taxativamente previstas em lei. 121. diferentemente do perdão do ofendido. se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação.Direito Penal – LFG – Intensivo I Não é uma causa extintiva da punibilidade geral. §2º. Em apertada síntese. aplica-se o CP no tocante à retratação. CP – “antes da sentença” – c/c art. Ato unilateral: A retratação para extinguir a punibilidade prescinde da concordância da vítima. 342. nos casos previstos em lei: O perdão judicial também só cabe nas hipóteses taxativamente previstas em lei. não obstante a prática de um fato típico e antijurídico por um sujeito comprovadamente culpado. mas específica. art. dispensa a concordância da vítima. A retratação é causa objetiva ou subjetiva de extinção da punibilidade? A retratação se comunica aos autores e partícipes que não se retrataram ou é personalíssima? Ex: 03 pessoas caluniaram outra e apenas uma se retrata – a retratação dela atinge aos demais? Ex: o advogado convenceu a testemunha a mentir.: A Lei de imprensa prevê a retratação na calúnia. 2ª corrente: ☺art. é a perda do interesse estatal de punir. 342. dispensa a concordância do agente. a testemunha se retrata. Calúnia (☺art. Difamação (☺art. antes da sentença. ☺art. Momento da retratação: a retratação para extinguir a punibilidade deve ocorrer até quando? Pode se retratar em grau de recurso? Pode se retratar na fase de execução penal? Em todas essas hipóteses. nem toda doutrina distingue as duas hipóteses! VII) Pelo perdão judicial. É o juiz que irá decidir se aceita ou não a retratação. Mas atenção. Ex. o agente se retrata ou declara a verdade”. Falso testemunho (☺art. deixa de lhe aplicar a sanção penal. Nesse artigo. ou seja. acidente que deixa o motorista tetraplégico (não é necessário haver afeto entre acusado e vítima). extinguindo somente a punibilidade do agente que se retratou. é ato unilateral. logo é comunicável. o juiz não pode perdoar. em que se requere dano moral. Estamos diante de uma circunstância objetiva. O perdão judicial. Conceito de perdão judicial: É o instituto pelo qual o juiz. §2º. Obs. a retratação é subjetiva. OBS. Em grau de recurso. No caso do falso testemunho e da falsa perícia. CP – “antes da sentença”). §2º: “O fato deixa de ser punível”. São hipóteses taxativas. 143. 143. Assim. 342. Quais são essas hipóteses? 1. pai que esquece o filho dentro do carro. antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito. Só ocorre nos casos em que a lei admite. o juiz poderá deixar de aplicar a pena. levando em consideração determinadas circunstâncias que concorrem para o evento. CP: “O querelado fica isento de pena”. Falsa perícia (☺art. §2º. 105 . CP) “§ 2o O fato deixa de ser punível se. Nesse artigo. na difamação e na injúria. O querelado que. é incomunicável. CP: Na hipótese de homicídio culposo. CP) “Art. CP) 2. 342. §5°. A retratação representa prova na esfera cível. pode se retratar até a sentença de 1º grau. tio que mata sobrinha em acidente de carro. CP) 4. essa retratação se comunica ao advogado? 1ª corrente: incomunicável. 143. a retratação é objetiva. se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. no silêncio.” 3.

excepcionalmente. Trata-se de uma exceção. pressupõe-se que a pessoa tem culpa. Quando se perdoa. Esta súmula está errada. ela interrompe a prescrição. não será considerada para reincidência. Se entendermos que é declaratória. A intenção do legislador foi dar a essa sentença a natureza de condenatória. a prescrição está correndo desde o recebimento da denúncia. o juiz é obrigado a perdoar. 18. ou seja. Aplicações práticas: 1ª: Caso se entenda que é condenatória. não se aplica o in dúbio pro reo. Ex: pai que deixa o filho morrer dentro do carro. servirá como título executivo. Se o MP recorre. 2ª: Há ainda uma segunda repercussão prática: se se entende que é condenatória. não há perdão judicial. 106 . o juiz pode declarar a qualquer tempo. pressupõe devido processo legal. pode ser concedido na fase de inquérito. É obvio que a declaratória não gera reincidência. a saber: 1ª corrente: Condenatória. Se a defesa não consegue provar que as conseqüências a atingiram de forma grave. Portanto. ou seja. caberia na fase de apreciação do inquérito policial. sempre dependerá do devido processo legal. Caso se entenda que é meramente declaratória. logo. discorda: caso se entenda que é condenatória. ela deverá aguardar o devido processo legal.Direito Penal – LFG – Intensivo I Trata-se de verdadeiro direito subjetivo do réu e não faculdade do juiz. se se entende que é meramente declaratória. CP: “A sentença que conceder perdão judicial não será considerada para efeitos de reincidência”. Ônus da prova: é da defesa. Esta súmula é contra legem. Preenchidos os requisitos. É necessário aguardar o devido processo legal. A corrente que prevalece é a segunda – ☺Súm. 3ª: Capez encontra uma terceira repercussão prática. Natureza jurídica da sentença concessiva do perdão judicial: temos basicamente duas correntes. com a qual o prof. ela não interrompe a prescrição. STJ: A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade. esse artigo não faria mais do que “chover no molhado”. em que sentença condenatória. 120. O juiz não vai perdoar quem ele convenientemente entender que deva ser perdoado. não servirá como título executivo. Se o MP discorda do juiz e recorre. não subsistindo qualquer efeito condenatório. 2ª corrente: Meramente declaratória extintiva da punibilidade. caso se entenda que é meramente declaratória. Onde está o equívoco dessa corrente? “Por um agente comprovadamente culpado” – isso significa que o perdão judicial reconhece culpa. Como provar isso? Basta ler o art. ele sabe que a prescrição está correndo desde a sentença condenatória.

no estupro quando se começa a constranger. e entende. mas só pelo fato advindo dessa cogitação.) 107 . como vimos.Direito Penal – LFG – Intensivo I ITER CRIMINIS: Conceito: O iter criminis é o caminho percorrido ou a ser percorrido pela infração penal. Fase Interna: 1) Cogitação: Por força do Princípio da materialização do fato a mera cogitação é impunível. Em regra. criando-lhe uma situação concreta de perigo. mas na simples idéia do crime. Apesar da maioria da doutrina trazer esta exceção. ninguém pode ser punido pelo que pensa. não há aplicação do direito penal do inimigo. 288. porque para aqueles que admitem a punição pelos atos preparatórios há exceção). Ex. embora nenhuma delas sozinha se sustenta. 2) Atos Preparatórios: São os chamados conatus remotus. o agente procura criar condições para realizar a conduta delituosa. juntamente com a doutrina mais moderna. que não há exceção a esta regra de que os atos preparatórios não são puníveis. mas já o estão executando). premeditação. não concorda. De toda forma. de uma fase interna. os atos preparatórios são impuníveis. É uma aplicação do direito penal do inimigo (Jakobs). Ela não implica. É adotada por Frederico Marques e Fernando Capez. Nesta fase.: no furto só se tem início a execução quando se começa a subtrair. É dividido em duas macrofases: interna (cogitação e atos preparatórios) e externa (execução e consumação). não estão preparando um crime.: A cogitação não é sinônimo de premeditação. Mas o direito penal do inimigo é muito criticado. necessariamente. o prof. CP – formação de quadrilha ou bando. (É a que prevalece em nossa doutrina. 2ª) Teoria Objetiva-formal: para esta teoria. → Teorias que buscam diferenciar atos preparatórios de atos de execução: 1ª) Teoria da Hostilidade ao Bem Jurídico (ou Critério Material): para esta teoria. ato executório é o que inicia a realização do núcleo do tipo. para a maioria da doutrina é um ato preparatório punível. Obs. é pressuposto mínimo para a punição (em regra. Há quem diga que existem atos preparatórios excepcionalmente puníveis: art. pois faz parte da fase interna do crime. A punição da quadrilha ou bando é pelo crime e não pelo ato preparatório (quando as pessoas se reúnem. Fase Externa: 3) Execução: A execução traduz a maneira pela qual o agente atua exteriormente para realizar o núcleo típico. É adotada por Nelson Hungria. Trata-se. pelo que cogita. atos executórios são aqueles que atacam o bem jurídico. Em regra. que. Ou seja. A doutrina moderna entende que todo ato preparatório é impunível. É o conjunto de fases que se sucedem cronologicamente no desenvolvimento do delito doloso.

3) Crime de mera conduta: o tipo penal descreve somente a conduta. tem crimes que se consumam com os simples atos executórios (crimes de mera conduta). Somente as 3 teorias conjugadas no caso concreto chegam ao verdadeiro início da execução. Ou seja. Para Flávio Monteiro de Barros.A prescrição só começa a correr depois de cessada a permanência. Há 3 peculiaridades a respeito do crime permanente: . de acordo com o plano do agente. O exaurimento deve ser considerado na fixação da pena pelo juiz. CP. Crime consumado: Previsão legal: ☺art. realizam-se no período imediatamente anterior ao começo da execução típica.Direito Penal – LFG – Intensivo I 3ª) Teoria Objetiva-individual: para esta teoria. 14.Admite flagrante a qualquer tempo da permanência. Diz-se o crime consumado quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal. 108 . Ex. se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. sem resultado naturalístico. ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima”. nos quais a obtenção da vantagem é mero exaurimento. mas este resultado naturalístico é prescindível. Ex.Súmula 711. Ex. Quem faz essa crítica é Rogério Greco.: violação de domicílio. ela contraria o art. Exaurimento (ou esgotamento pleno) são os acontecimentos posteriores ao iter criminis. I. É adotada por Zaffaroni. a consumação se dá no momento da conduta. STF: “Há crime de latrocínio quando o homicídio se consuma. trata-se de mero exaurimento. nele encerrando o iter criminis. STJ). CP (ignora a definição legal de crime consumado). Classificação doutrinária do crime quanto ao momento consumativo: 1) Crime material: o tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. ☺Súm. etc. que é o instante da composição plena do fato criminoso. I. Há crimes cuja consumação se protrai no tempo até que cesse o comportamento do agente (crime permanente). concussão. Segundo ele é uma súmula contra legem. Discorda da aplicação isolada dessas teorias. Atenção: Consumação não se confunde com exaurimento. etc. 4) Consumação: O iter criminis se encerra com a consumação. o juiz deve conjugar as 3 teorias. → Cuidado: nem todos os crimes percorrem essas 4 fases! Há crimes que se consumam com o fim dos atos executórios (crimes formais). Ocorrendo o resultado naturalístico. atos executórios são aqueles que. essa súmula considera o crime consumado antes de reunidos todos os elementos do tipo.: homicídio. Conceito: considera-se crime consumado a realização do tipo penal por inteiro. e há crimes que necessariamente percorrem as 4 fases (crimes materiais). Crime consumado não se confunde com crime exaurido. furto. É um bom argumento para uma prova da Defensoria Pública. e este resultado naturalístico é imprescindível para a consumação. 2) Crime formal: o tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. A consumação encerra o iter criminis. STF: a lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente. . Ex. O crime exaurido deve ser mais severamente punido. embora seja aplicada pelo STF. . 610. 14.: extorsão (súmula 96. por isso ele é também chamado crime de consumação antecipada.. abrange aquele que pula o muro para executar o furto. dispensável.

U. no Brasil. Portanto. Consumação formal está ligada à tipicidade formal e consumação material está ligada à tipicidade material. 2) Não consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente. → Elementos da tentativa: (requisitos) 1) Início da execução. com pena autônoma. Crime Tentado: Previsão legal: ☺art. Flávio Monteiro de Barros): 3) Dolo de consumação – mas na verdade este elemento já se encontra nas circunstâncias alheias à vontade do agente. Qual a natureza jurídica do crime tentado? A tentativa é uma norma de extensão temporal (☺Tipicidade). Há doutrina acrescentando ainda um 3º elemento (LFG. para que se possa diferenciar a tentativa do crime impossível. Mas a doutrina não acrescentou esse elemento. ou quando o agente realiza a conduta descrita nos crimes formais ou de mera conduta. 14. mas objetivamente incompleta. Diz-se o crime tentado quando iniciada a execução.Direito Penal – LFG – Intensivo I Atenção: A doutrina moderna vem falando em consumação formal e consumação material.. não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.Consumação material: ocorre quando se dá a relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. ao contrário do tipo consumado). E é por ser objetivamente incompleta que o nosso código admite essa redução de pena (se fôssemos analisar pelo aspecto subjetivo não haveria razão para a diminuição da pena). a regra é a diminuição da pena de 1/3 a 2/3. Ela amplia a incriminação a fatos humanos praticados de forma incompleta.CP: “Salvo disposição em contrário. não há crime de tentativa. P. Ou seja. O crime consumado é subjetivamente completo e objetivamente acabado. e por isso chama o crime impossível também de tentativa (tentativa inidônea). O prof. pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado diminuída de 1/3 a 2/3”. CP. . (e só ele) entende haver um 4º elemento da tentativa: o resultado possível (o resultado não alcançado deveria ser possível). formal e de mera conduta. 14. Questão: é correto falar em “crime de tentativa” ou “tentativa de crime”? A tentativa não constitui crime sui generis. em regra. O que vem a ser isso então? Vejamos: . o critério objetivo. 109 . Tipo manco: é o tipo tentado (que tem a “perna” objetiva menor do que a subjetiva. A tentativa é subjetivamente completa (já que o dolo do crime tentado é o mesmo do crime consumado). Portanto. É ela violação incompleta da mesma norma de que o crime consumado representa violação plena. mas tentativa de crime. → Conseqüências de um crime tentado: ☺art. adotou-se. É uma norma de extensão e não um tipo autônomo. II.Consumação formal: ocorre quando se dá o resultado naturalístico nos crimes materiais. O conceito dado pela doutrina é idêntico ao conceito legal. Isso não tem nada a ver com crime material.

: pode ter dado um único tiro. é também chamada de “tentativa acabada” ou de “crime falho”. 9º e art. porque no crime formal e no crime de mera conduta. Há jurisprudência norteando a redução da pena na tentativa. tendo uma menor redução.: ☺art.. menor a redução. Nesses casos se analisa o aspecto subjetivo do delito e.. 352.170/83 . Atenção: não confundir crime falho com crime impossível! Crime falho é crime punível na forma tentada (é punível!). b) Tentativa não cruenta: a vítima não é atingida. então. mas a consumação é atípica (ou seja. Ex. deixando de praticar todos os atos executórios à sua disposição. não há porque diminuir a pena. não consegue consumar o crime por circunstâncias alheias à sua vontade. Assim. Crimes de atentado são formas excepcionais de punir a tentativa. É também chamada de “tentativa vermelha”. e quanto menos atos executórios. era possível de ser alcançado. → Formas de tentativa: 1) Quanto ao iter criminis percorrido: a) Tentativa perfeita: o agente. CP: “Evadir-se ou tentar evadir-se o preso. Portanto. chama-se “crime de atentado ou empreendimento”. a tentativa que mereceria a maior redução é a tentativa imperfeita. para o qual o legislador adotou o critério subjetivo. se o agente esgotou os atos executórios já se tem a consumação. mas sim o quão próximo do resultado o agente chegou (ex. este crime só é punível quando tentado. a conseqüência da tentativa é a redução da pena. tendo uma maior redução. Prevalece o entendimento de que a redução da pena na tentativa deve ser inversamente proporcional à produção do resultado. apesar de esgotar todos os atos executórios à sua disposição. 2) Quanto ao resultado produzido na vítima: a) Tentativa cruenta: a vítima é atingida. Conclusão: quanto mais próximo de causar o resultado. o juiz não analisará a quantidade de atos praticados. Obs. maior a redução.☺art. 3) Quanto à possibilidade de alcançar o resultado: a) Tentativa idônea: o resultado. conforme o maior percurso percorrido no caminho do crime. É punida menos severamente. quanto mais atos executórios. Esse crime. Obs. sofrendo a mesma reprimenda da consumação. e quanto menos próximo. É punida mais severamente. Assim. mas que tenha sido quase fatal). É também chamada de “tentativa branca”. maior a redução. já que quando consumado o fato é atípico – porque se alguém conseguir consumá-los ele já não estará mais sob a soberania brasileira): crimes de lesa pátria . Atenção: exemplo de crime cuja tentativa é possível.Direito Penal – LFG – Intensivo I Atenção: há casos excepcionais em que o Brasil adotou o critério subjetivo. 110 .: a tentativa perfeita (onde se esgotam os atos executórios) só é possível nos crimes materiais.☺Lei dos crimes contra a segurança nacional – Lei 7. é também chamada de “tentativa inacabada”. O legislador não diferencia a pena para aquele que evadiu ou que tentou evadir. No Código Eleitoral há a previsão de que é crime votar ou tentar votar em nome de outrem. variando de 1/3 a 2/3. apesar de não alcançado por circunstâncias alheias à vontade do agente. Mas o entendimento acima não é o que prevalece. 11. b) Tentativa imperfeita: o agente é impedido de prosseguir no seu intento. e não mais uma tentativa.”. menor a redução.: Como sabemos.

b) Tentativa qualificada: é também chamada de “tentativa abandonada”. Trata-se de qualificadora preterdolosa. CP. com a prática de 2 ou mais atos. O art. o crime é consumado. II. Ex. só não é punível. jurisprudência admitindo a tentativa. a tentativa é possível sim. ficou frustrada a conduta antecedente dolosa. 2) Crime preterdoloso: não há dolo de consumação quanto ao resultado mais grave. 4º da LCP diz não ser punível a tentativa de contravenção penal. é um crime voluntário punido culposamente por razões de política criminal. Ele não tem vontade no resultado. imaginando estar na iminência de ser atacado e o ataca (dá um tiro).: a doutrina admite tentativa no crime preterdoloso quando. Ela só não permite a redução da pena (Rogério Greco). Isso significa que a tentativa é possível de fato. Ex.: há. ou seja. Com a prática de 1 ato. Ela nada mais é do que gênero do qual são espécies a desistência voluntária e do arrependimento eficaz (☺art. 5) Crime habitual: este crime só existe após a reiteração de atos. É o próprio art. o fato é atípico. no entanto. que. já que o agente age com dolo no aborto e culpa na morte da gestante. já que o agente teve dolo ao agir – trata-se da culpa imprópria. só não nos interessa juridicamente. Infrações penais que não admitem tentativa: 1) Crime culposo: não há dolo de consumação. 14. 15. O desafeto não morre. 4) Quanto à vontade do agente: a) Tentativa simples: o resultado não ocorre por circunstâncias alheias à vontade do agente. Imaginemos que no caso concreto o aborto fique frustrado. É caso de tentativa de homicídio. Obs. 4) Crime de atentado ou empreendimento: a doutrina critica dizendo que aqui a tentativa é punida com a mesma pena da consumação. Aqui o resultado não ocorre por circunstâncias inerentes à vontade do agente. o resultado é involuntário. o agente responderá por tentativa de aborto qualificado preterdolosamente. CP).: O agente vê seu desafeto e erra. Se a conduta antecedente dolosa foi a que ficou frustrada (e dolo admite tentativa). 111 .Direito Penal – LFG – Intensivo I b) Tentativa inidônea: o resultado era absolutamente impossível de ser alcançado (por absoluta ineficácia do meio ou impropriedade do objeto). tanto que é punível. pois nada mais é do que sinônimo de crime impossível. Há doutrina admitindo a tentativa na culpa imprópria. Aborto Culposo Consumado Morte da gestante Consequente 3) Contravenção penal: atenção para isso! Não é verdade que a tentativa aqui não é possível. Não admite tentativa porque o resultado também é involuntário. É impunível. apesar de ocorrido o resultado culposo. Antecedente Doloso Frustrado Ex. Obs. é um acontecimento de fato. Ou seja.: tentativa de aborto qualificado pela morte da gestante. na verdade. Obs.: tem um crime pelo qual o agente é punido por culpa apenas por razões de política criminal. mas a morte da gestante acontece. Se o erro era evitável o agente responde por culpa.

15.2ª situação: agente dispara – atinge a vítima. CP) – ou seja. 2) Crimes preterdolosos. apenas assumindo o risco de produzi-lo. portanto. . 15 traz espécies de tentativa qualificada ou abandonada. Olha-se o pior resultado. CP). tentar entrar no domicílio de alguém (☺Flávio Monteiro de Barros). e . (17/06/09) ART. . Obs. 7) Infrações que dependem de resultado naturalístico. Obs. Exemplo: agente quer ferir.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ex. CP). CP) – se o agente é surpreendido aplicando alguma substância em alguém (numa primeira pessoa). 129. ou seja. 6) Crimes unissubsistentes: não admitem tentativa porque a sua execução não admite fracionamento. 112 . 14 traz a tentativa simples.3ª situação: agente dispara – atinge a vítima. desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza. há um crime de mera conduta que admite tentativa (e por isso. Obs. Se a pessoa não morre e nem sofre lesões. Exceção: art. Rogério Grego discorda.: art. 129. . 122. O art. 4) *Crime de atentado: Obs. a tentativa não é punível. a conduta do partícipe é atípica.: prevalece na jurisprudência que se admite sim a tentativa (esse “assumir o risco” não deixa de ser uma vontade). CP. 150. Ex.crimes de mera conduta: neste temos uma exceção. excepcionalmente. só responde pelos atos já praticados”. Temos duas espécies de crimes unissubsistentes: . 8) Dolo eventual: o agente não quer o resultado.1ª situação: agente dispara – não atinge a vítima: tentativa de lesão (art. 122. já que suicídio não é crime (o crime é participar dele). O art. 5) Crime habitual. 3) Contravenção penal. Há doutrina que admite tentativa no dolo eventual: a vontade refere-se a um querer e a um aceitar. mas há uma fila de pessoas esperando para serem atingidas. CP (participação em suicídio) – se a pessoa tentou se suicidar. 15. que não morre: lesão consumada (art. 121. Culpa imprópria. . 150. mas não obtém êxito. Resumo: (o que está destacado deve ser levado em consideração apenas em provas abertas) 1) *Crimes culposos. 6) *Crime unissubsistente – omissivo puro/mera conduta. não é unissubsistente): violação de domicílio (art. Obs. Atenção para não confundir com tentativa de suicídio. a maioria admite tentativa. admite tentativa se o suicida sofre lesão corporal grave). é óbvio que ele está ali praticando o crime sim e. aquele que participou não responde por tentativa (Bittencourt discorda. mas aceita matá-la. CP. a doutrina admite a tentativa. 7) Crimes que só são puníveis quando ocorre determinado resultado: ex.Desistência Voluntária: → Previsão legal: art. 284. CP: DESITÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ: “O agente que.: curandeirismo (art. CP. que morre: homicídio consumado a título de dolo eventual (art.crimes omissivos puros ou próprios. voluntariamente. CP). art. 1ª parte.

15. mas não quero. Há duas correntes: 1ª) a desistência momentânea é irrelevante. ou seja. não configura desistência voluntária. uma influência externa objetiva.Resultado frustrado por circunstâncias alheias à vontade do agente. mas deixa para adentrar no imóvel no dia seguinte. → Elementos: 1) Início da execução. É a chamada “Ponte de ouro”: retroceda que eu te dou um benefício. “Fórmula de Frank”: na tentativa eu quero prosseguir. admite-se interferência externa. CP. . pois deve ser sempre definitiva para configurar a tentativa abandonada. se. aproveitandose dos atos já cometidos. uma margem de ação.: . Assim. Prevalece a 2ª corrente. trata-se de influência externa subjetiva. Para os concursos. desejando retroceder na atividade delituosa percorrida.Início da execução. após terminada a execução criminosa. .Zaffaroni dá um sinônimo para arrependimento eficaz: resipiscência. retrocedendo no seu comportamento. Para a jurisprudência e para a defensoria. Obs. portanto.Resultado frustrado por circunstâncias inerentes à vontade do agente. responde por tentativa. configura desistência voluntária. há tentativa. ele já consumou o crime formal e o de mera conduta. Se a causa que determina a desistência é circunstância exterior. . haverá tentativa. .Direito Penal – LFG – Intensivo I → Conceito: O agente abandona a execução do crime quando ainda lhe sobra.Conseqüência regra: redução de pena. porque se o agente já esgotou os atos executórios. → Elementos: 1) Início da execução. 2ª) se o agente apenas suspende a execução e continua a praticá-la posteriormente.: o agente remove as telhas. 2) Não consumação por circunstâncias inerentes à vontade do agente: isto é o que a diferencia da tentativa. sendo ambos casos de desistência. → Conseqüência da desistência voluntária: o agente só responde pelos atos já praticados. no entanto. 3) A desistência deve ser voluntária: a voluntariedade não se confunde com espontaneidade. não há diferença nas duas hipóteses. No arrependimento eficaz o agente esgota os atos executórios e passa a agir de forma inversa. não se exige espontaneidade. há essa diferenciação. 113 .Arrependimento Eficaz: → Previsão legal: art. 2) Não consumação por circunstâncias inerentes à vontade do agente (é o que o diferencia da tentativa). . Desistência voluntária . Atenção: Voluntária é a desistência sugerida ao agente por outra pessoa. não renova a execução por sua própria vontade. na desistência eu posso prosseguir. que compele o agente a renunciar o propósito criminoso.*somente crimes materiais admitem arrependimento eficaz. 2ª parte. desenvolve nova conduta. mas não posso.Conseqüência: o agente só responde pelos atos já praticados. do ponto de vista objetivo.Início da execução. Pergunta: Adiamento da execução configura desistência voluntária? Ex. Tentativa . → Conceito: O arrependimento eficaz ocorre quando o agente. .

→ Conseqüência do arrependimento eficaz: o agente só responde pelos atos até então praticados.*O agente esgota os atos executórios. 16. Na doutrina prevalece a segunda corrente. O art. O arrependimento é posterior à consumação. . que é uma violência imprópria. O arrependimento ineficaz é mera circunstância atenuante de pena (o crime é consumado).O agente só responde pelos atos até então praticados ART.: o agente não responde por tentativa. (Nelson Hungria). 157: “depois de havê-la. II exige que a circunstância seja alheia à vontade.O agente só responde pelos atos até então praticados. Há circunstâncias inerentes à vontade do agente. por qualquer meio. não punível por razões de política criminal (fomentar o agente a desistir ou arrepender). . como o próprio nome indica. a jurisprudência admite o arrependimento posterior.Direito Penal – LFG – Intensivo I 3) O arrependimento deve ser voluntário (não precisa ser espontâneo) e eficaz. diferente do arrependimento eficaz. reduzido à impossibilidade de resistência” (ex.*O agente abandona antes de esgotar os atos executórios. . (Miguel Reali Júnior). Desistência Voluntária . . 114 .Não consumação por circunstâncias inerentes à vontade do agente. Obs. que ocorre antes da consumação. por ato voluntário do agente. quando não se usa grave ameaça ou violência contra a vítima. reparado o dano ou restituída a coisa. e que. . “Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa. se a vítima concorda com a reparação parcial. Obs. 2) Restituição ou reparação do dano: atenção: a restituição e a reparação têm de ser integral (se somente parcial. Arrependimento Eficaz .Início da execução. Ocorre que tem uma minoria da doutrina que acredita que mesmo neste caso ocorre violência. portanto. Mas.Não consumação por circunstâncias inerentes à vontade do agente. até o recebimento da denúncia ou da queixa.Início da execução. 16. a pena será reduzida de 1/3 a 2/3”. A tentativa passa a ser atípica ou exclui a punibilidade? A razão para isso vem explicada em duas correntes: 1ª: Causa de exclusão da tipicidade: a tentativa é uma norma de extensão (atipicidade indireta). . portanto não há tipicidade. ou seja.: Crimes violentos culposos admitem arrependimento posterior. → Requisitos: 1) Crime cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa: Obs. 14. CP: ARREPENDIMENTO POSTERIOR: → Previsão legal: art. Obs.: o roubo admite o arrependimento posterior quando praticado na hipótese da segunda parte do art. 2ª: Causa de extinção da punibilidade: existe tentativa pretérita. → Natureza jurídica: É causa geral de diminuição de pena. CP. não se admitiria o arrependimento posterior. psicotrópicos como o “boa noite cinderela”).: hipnose. não permite o benefício).

ele a receberá. Se o juiz não rejeita a denúncia. se dá quando? ☺art. não cabe o benefício. é mera atenuante de pena (art.719/08 (que trata do procedimento comum). III) citação. no momento do arrependimento posterior e também no momento da interrupção da prescrição.☺ art. . 399. II) citação. em que o agente se arrepende e devolve a coisa subtraída – o agente responde pelo que? ☺art. → Critério adotado pelo juiz para a diminuição da pena: É a presteza na restituição da coisa ou na reparação do dano. não obsta ao prosseguimento da ação penal” – ou seja. Arrependimento Eficaz Arrependimento Posterior . haverá a extinção da punibilidade. CPP: o processo está completo com a citação e não é possível citar sem que tenha havido o recebimento da inicial. debates e julgamento). faltando um deles. chama de recebimento o que está escrito no art. VI) audiência concentrada.o juiz não pode absolver sumariamente antes do recebimento da acusação (o termo correto seria rejeitar a denúncia) – afinal. Isso repercute. admite arrependimento posterior. maior será o benefício. ou seja. o juiz absolveria o agente do quê. CPP (o recebimento do art. Mas quando exatamente isso ocorrerá? Há duas correntes: 1ª) A ordem é: I) oferecimento da inicial. evita a . Nos casos de crime contra a ordem tributária. chama de recebimento o que está escrito no art. STF: “O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos. 65. 2ª) A ordem é: I) oferecimento da inicial. Mas. 363. se estiverem todos presentes.Direito Penal – LFG – Intensivo I 3) A restituição ou reparação tem que ocorrer até o recebimento da denúncia. V) recebimento da inicial. CPP. CPP significa “se não rejeitar”). IV) possibilidade de absolvição sumária. 396. Atenção: o termo final é o recebimento e não o oferecimento da denúncia. 395 e 396. 554. e não mera faculdade do juiz. a partir da Lei 11. 4) Voluntariedade: o ato basta ser voluntário. Importantes: a) Violência contra a coisa admite arrependimento posterior? Ex. 396. configurará direito subjetivo do réu. CP). IV) possibilidade de absolvição sumária. 16: violência contra pessoa! Violência contra coisa não impede o benefício. é claro.: furto qualificado pelo rompimento de obstáculo. após o recebimento da denúncia. Atenção: esses requisitos são cumulativos. se pagar antes do recebimento da denúncia é hipótese de perdão criado pela jurisprudência. Ou seja. ainda que não espontâneo. Prevalece hoje a 1ª corrente.O agente se arrepende e impede. II) recebimento da inicial. CPP.O agente se arrepende quando já houve a consumação consumação (o arrependimento posterior pressupõe a consumação) → Obs. se ainda não houve acusação? c) Crime cometido sem violência ou grave ameaça a pessoa que não faz jus ao arrependimento posterior: estelionato na modalidade de cheque sem fundo – ☺Súm. 115 . Ou seja. Se após o recebimento da denúncia. V) se não absolver sumariamente passa-se à audiência concentrada (instrução. Fundamentos: . Quanto mais rápido isso ocorrer. b) O recebimento da denúncia. III) defesa escrita.

→ Sinônimos de crime impossível: “crime oco”. 312. logo. “tentativa inidônea” ou “quase-crime”. a tentativa é punível. 17. por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto. há tentativa. Não é a teoria adotada no Brasil. razão pela qual deve ser punido. Não é a teoria adotada pelo Brasil. mesmo que a inidoneidade seja relativa. pois se relativa. CP. é impossível consumar-se o crime”. porque a moralidade administrativa jamais poderá ser integralmente reparada. Se a impossibilidade ou impropriedade for relativa.Direito Penal – LFG – Intensivo I d) Art. §3º . 16. eis que também está contaminada pelo direito penal do autor. há jurisprudência do STJ não admitindo o arrependimento posterior em crimes contra a Administração Pública. A impossibilidade absoluta e a relativa são impuníveis. → Elementos do Crime Impossível: Tentativa Idônea Início da execução Tentativa Inidônea (Crime impossível) Início da execução 116 . → Conceito: Diz-se impossível o crime quando o comportamento do agente é inapto à produção (consumação) do crime. Esta teoria pune o agente pelo crime.se o peculato é culposo. É a corrente que prevalece. ou é circunstância subjetiva que não se comunica? Há duas correntes: 1ª) o arrependimento posterior é circunstância objetiva comunicável. → Previsão legal: art. quer por falta do objeto material. e não pelo perigo de fato praticado. Caso contrário. → Teorias: 1) Teoria Sintomática: com sua conduta. pois exige voluntariedade. Mas no caso do peculato doloso. deve o agente sofrer a mesma pena da tentativa. não podendo ser estendida a outros. ainda que o crime se mostre impossível de ser consumado. estaríamos admitindo a redução de pena para quem não cumpriu todos os requisitos do art. mas não pelo crime consumado. quer em razão dos meios empregados. todos os participantes receberão o benefício. ART. demonstra o agente ser perigoso. O Brasil adotou a Teoria Objetiva Temperada – “ineficácia absoluta do meio ou absoluta impropriedade do objeto”. justamente porque quem adota esta teoria está adotando o direito penal do autor: pune-se a pessoa pelo perigo que ela representa. 17. e sim pelo tentado. extingui-se a punibilidade. b) Objetiva Temperada: a ineficácia do meio e a impropriedade do objeto devem ser absolutas. 2) Teoria Subjetiva: sendo a conduta subjetivamente perfeita (vontade consciente de praticar o crime). É a corrente mais correta. 3) Teoria Objetiva: se subdivide em: a) Objetiva Pura: não há tentativa. reparado o dano até a sentença irrecorrível (e não o recebimento da denúncia). CP. 2ª) segundo Luiz Regis Prado. e) Peculato doloso: faz jus ao arrependimento posterior? Quanto ao peculato culposo ele é possível. f) O arrependimento posterior é comunicável ou incomunicável? É circunstância objetiva que se comunica. CP: CRIME IMPOSSÍVEL: “Não se pune a tentativa quando. É adotada por LFG. trata-se de circunstância subjetiva incomunicável.

O irmão comentou com ela o modus operandi do estuprador. Logo. Trata-se. 145. portanto. discorda disso. aguardando a prática do delito anunciado. Nesse caso. Porém. chamamos a atenção para uma Súmula do STF: ☺ Súm. A doutrina diz que o flagrante esperado é crime possível. Se tornasse o crime impossível. Flagrante esperado: a postura da autoridade é de espera. • Absoluta impropriedade do objeto material. teve uma época em que um estuprador estuprava dentistas. Ex: suponhamos que o patrão queira verificar se a empregada dele é honesta e então pega um dólar e deixa em cima da mesa. portanto. Flagrante provocado: a postura da autoridade é a de induzir à prática criminosa. pratica manobras abortivas. pois os instrumentos postos a serviço da conduta não são eficazes. A súmula trata do gênero. Ex: Em Campinas. seria o local predileto de todos os furtadores do Brasil. mulher. Esse flagrante é espécie de flagrante preparado – prepara-se o flagrante sem induzir o delito. logo. Trata-se de um flagrante provocado consumado. punível. não deixando tempo para o patrão vigiar as saídas. Para o estudo desse tema lembramos aqui de duas espécies de prisão em flagrante: 1. que o flagrante esperado pode ou não ser crime e o flagrante provocado pode ou não ser crime. com razão. supondo-se grávida quando em verdade não está. Não é isso que diz a Súm. No lugar da dentista colocaram uma investigadora disfarçada. 2. de crime impossível.A inidoneidade absoluta do objeto ocorre quando a pessoa ou coisa que representa o ponto de incidência da conduta não serve à consumação do delito. não há crime. pressuposto para a prisão. Tudo depende da preparação. Mirabete. nenhum estuprador conseguiria estuprar nenhuma vítima. Esse flagrante é espécie de flagrante preparado – prepara-se o flagrante induzindo o delito. Dentro do tema crime impossível. o patrão já fica esperando o final do expediente. 117 . . temos a preparação do flagrante nas duas espécies. Do jeito que o patrão preparou o flagrante. O que se entende por inidoneidade absoluta do meio ou absoluta impropriedade do objeto material? . Ex: suponhamos que o patrão deixou o dólar. Ele colocou o dólar. Uma dentista tinha um irmão investigador. não se trata de crime impossível. Não consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente Dolo de consumação Resultado impossível de ser alcançado: • Absoluta ineficácia do meio. logo. Conclui-se. Ex: acionar arma desmuniciada.A inidoneidade absoluta do meio configura falta de potencialidade causal. Ora. O flagrante provocado é crime impossível. pela forma como o flagrante foi preparado. O crime impossível é hipótese de atipicidade. Questão de concurso – MP: Sistema de vigilância em supermercado torna o crime patrimonial impossível? A jurisprudência majoritária entende que o sistema de vigilância por si só não torna o crime impossível. Quando a empregada pega o dinheiro. 145 do STF. para a produção do resultado. Eles suspeitavam de uma pessoa e a induziram até o consultório desta dentista. abortamento por meio de rezas e despachos (há jurisprudência sobre isso). Ela diz que quando a preparação do flagrante torna impossível a sua consumação. impunível (delito putativo por obra do agente provocador). ele a induziu a praticar o crime e ele deixou todas as saídas vigiadas. tornou-se crime impossível. Ex: atirar em cadáver.Direito Penal – LFG – Intensivo I Não consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente Dolo de consumação Resultado possível (o resultado não alcançado era possível). Ele estava diante de um flagrante esperado. em hipótese alguma. A empregada pega o dólar e sai correndo. a empregada não conseguiria praticar o delito (sair com o dinheiro de dentro da casa – esfera de vigilância da vítima).

121. art. O concursus deliquentium é o verdadeiro concurso de pessoas. etc. Obs. 288. I. porque no crime plurissubjetivo o concurso de agente já é elementar do tipo. CP. quem tem o poder de decisão. colaboraram para o sucesso da empreitada criminosa. Ex. O concursus delictorum. autor. É quem realiza o verbo nuclear. 213. Estamos diante de um crime de concurso eventual. O exemplo clássico não existe mais – era o adultério. Essa teoria não reconhece a figura do partícipe. no furto. é quem falsifica ou altera. b) de condutas contrapostas: várias condutas voltam-se umas contra as outras.Direito Penal – LFG – Intensivo I CONCURSO DE PESSOAS: Conceito: Número plural de pessoas concorrendo para o mesmo evento. Ex: ☺art. Esta teoria não faz distinção entre autores e partícipes. Estamos diante de um crime de concurso necessário. 312. Crime Monossubjetivo: crime praticado por uma ou mais pessoas. é quem mata. no homicídio. nada mais é do que concurso de crimes (uma ou mais pessoas praticando vários delitos). Ex: quadrilha (art. é quem subtrai. O tema concurso de pessoas só se preocupa com o crime monossubjetivo. 62. O tipo penal pressupõe o encontro das condutas. Ex: autor. 2. Esta teoria só tem aplicação nos crimes 118 . Ex: rixa (art. Ele se subdivide em 3 espécies: a) de condutas paralelas: várias condutas auxiliam-se mutuamente. podendo ser o agente intelectual (aquele que tramou a empreitada criminosa). Concurso de pessoas nos crimes monossubjetivos: É necessário aqui lembrarmo-nos de 3 conceitos: 1. c) Teoria do Domínio do Fato (LFG. Todos que. São vontades que convergem. Autor: Há 3 teorias: a) Teoria Restritiva ou Objetiva: autor é aquele que pratica conduta descrita no tipo. CP).: o autor nem sempre realiza o verbo nuclear. Crime Plurissubjetivo: crime que só pode ser praticado por número plural de pessoas. O autor intelectual representa um agravante de pena – ☺ art. Classificação doutrinária quanto ao concurso de agentes: A doutrina divide os crimes em 2 grandes grupos: 1. que não é mais crime. autor. atual: bigamia. 137. Não se pode confundir concursus deliquentium com concursus delictorum. CP). são autores. c) de condutas convergentes: o crime nasce do encontro das condutas. art. É a teoria que prevalece entre os doutrinadores clássicos. Zaffaroni): autor é quem tem o domínio final sobre o fato. por sua vez. de alguma forma. na falsidade de documentos. b) Teoria Extensiva ou Subjetiva ou Unitária: é diametralmente oposta à primeira teoria.

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dolosos, sendo inaplicável nos crimes culposos. Atenção: esta teoria já vem sendo adotada pelo STF em suas decisões. 2. Co-autor: Em síntese, é a reunião de vários autores. O conceito de co-autor depende da teoria adotada para o conceito de autor. a) Teoria Restritiva: co-autor é o número plural de praticantes do núcleo do tipo. Ex: Várias pessoas devem subtrair, várias pessoas devem matar. b) Teoria Extensiva ou Subjetiva ou Unitária: é o número plural de pessoas concorrendo de qualquer maneira para a realização do crime. c) Teoria do Domínio do Fato: é a pluralidade de pessoas com domínio sobre o fato unitário. Várias pessoas dominam o fato em conjunto. O que é co-autor sucessivo? A regra é que todos os co-autores iniciem juntos a empreitada criminosa (co-autoria concomitante). Mas, pode acontecer que alguém, ou mesmo um grupo, já tenha começado a executar o crime, quando outra pessoa adere à conduta criminosa daquela, e agora, unidos pelo vínculo subjetivo, passam a praticar a infração penal. Ex: A começou a matar uma pessoa. B e C entram no meio do caminho e passam a matar com A. Após a consumação não é possível co-autoria sucessiva. Depois de consumado, qualquer adesão superveniente configurará crime autônomo. Ex. favorecimento pessoal e favorecimento real nada mais são do que adesões supervenientes à consumação do crime. Todos os crimes admitem co-autoria? Crime comum Não exige qualidade ou condição especial do agente. Admite co-autoria. Admite participação. Crime Próprio Crime de Mão Própria Exige qualidade ou Exige qualidade ou condição especial condição especial do do agente. agente. Admite co-autoria. Não admite co-autoria. É chamado de “delito de conduta infungível” (só o sujeito que pode praticar). Admite participação. Admite participação. Ex. peculato. Ex.: falso testemunho.

No caso em que advogado orienta testemunha a mentir, para o STF há co-autoria (art. 342, CP) e não participação. A explicação é que: o STF utilizou a expressão co-autor como sinônimo de concorrente (portanto, utilizou a expressão de forma equivocada) ou adotou a teoria do domínio do fato. É mais plausível que seja a última hipótese, o que comprova que está adotando a teoria do domínio do fato. Como chama a teoria em que o autor não precisa praticar o núcleo? Teoria do Domínio do Fato. Então, o advogado tinha o domínio da ação criminosa. (23/06/09) 3. Partícipe: Entende-se por partícipe o coadjuvante do crime (fato determinado praticado por autor conhecido e individualizado). O partícipe não realiza sequer em parte o núcleo do tipo. 119

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Vejamos as formas de participação: a) Material: dá-se pelo “auxiliar”, isto é, prestar assistência material. Ex: emprestar a arma para um homicídio, emprestar o carro para um roubo. b) Moral: dá-se pelo “induzir” ou “instigar”. O verbo induzir significa que o partícipe faz nascer a idéia criminosa. O verbo instigar significa que o partícipe reforça uma idéia que já existe. Deve-se deixar isso bem claro na denúncia. Deve-se, pois, descrever a modalidade, a forma de participação, sob pena de inépcia (denúncia genérica). OBS. Se cotejada a atuação do partícipe com o tipo legal delitivo violado, para efeito de verificação da tipicidade, será manifesta a falta de adequação, pois o partícipe não realiza ato de configuração típica. A tipicidade é indireta (depende de norma de extensão). O partícipe é aquele que fica vigiando para ver se alguém aparece, é aquele que empresta uma arma, etc. A conduta do partícipe, por si só, é atípica. Só se torna típica em razão do fato que ele está assessorando. O art. 122, CP não é um caso de participação. Induzir ou instigar é a conduta típica. Suicídio não é crime. Quando se fala em adequação, fala-se de norma de extensão pessoal e espacial – ☺art. 29, CP. Se não fosse esse art. 29, o partícipe não teria adequação típica. O partícipe nada mais é do que um comportamento acessório. Analisando a punibilidade do partícipe, há 4 teorias. Vejamos: a) Teoria da Acessoriedade Mínima: essa teoria condiciona a punição do partícipe a que a conduta principal que ele assessora seja típica. Se a conduta principal for típica, ainda que lícita, já se pode punir o partícipe. Essa teoria é injusta porque pune o partícipe de condutas acobertadas por excludentes da ilicitude. Ex.: induzir alguém a agir em legítima defesa – quem agiu em legítima defesa não responde, mas quem induziu, responde. b) Teoria da Acessoriedade Média ou Limitada: essa teoria condiciona a punição do partícipe a que a conduta principal que ele assessora seja típica e ilícita, ainda que não culpável. c) Teoria da Acessoriedade Máxima: essa teoria condiciona a punição do partícipe a que a conduta principal que ele assessora seja típica, ilícita e culpável. Se o fato não é culpável, não se pune nem o autor, nem o partícipe. d) Teoria da Hiperacessoriedade: essa teoria condiciona a punição do partícipe a que a conduta principal que ele assessora seja típica, ilícita, culpável e punível. A doutrina a critica muito. Essa hiperacessoriedade tornou praticamente impunível a participação. Qual é a corrente que prevalece? No Brasil, prevalece a teoria da acessoriedade média ou limitada. Isso significa o que, no Brasil, para se punir o partícipe, basta que o fato principal seja típico e ilícito, ainda que não culpável. No Brasil, existe a figura do autor mediato, mas que só tem razão de ser de acordo com a teoria da acessoriedade máxima. Quando se fala em imunidade parlamentar absoluta, isso toma extrema importância. Imunidade parlamentar absoluta é aquela que diz que o parlamentar é absolutamente inviolável em sua opinião, palavra e voto. Muito se discute a natureza jurídica da imunidade parlamentar absoluta, sendo para muitos hipótese de isenção de pena. Nesse caso, sendo fato principal típico e ilícito, é possível punir o partícipe (o assessor do parlamentar). O STF, no entanto, decidiu que esta imunidade exclui a tipicidade do comportamento, isentando de pena também os eventuais partícipes (teoria da acessoriedade limitada). 4. Autor mediato: Trata-se de uma criação doutrinária para suprir as lacunas da lei. Considera-se autor mediato aquele que, sem realizar diretamente a conduta prevista no tipo (diferença para o autor imediato), comete o fato punível por meio de outra pessoa, usada como seu instrumento.

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O conceito de autor mediato lembra bastante o conceito de partícipe. A diferença é que o autor mediato utiliza-se de outrem como seu instrumento. O partícipe é coadjuvante; o autor mediato é o personagem principal. Vejamos: Ex: A se vale de um inimputável, de um doente mental, para matar alguém. A é autor, co-autor ou partícipe? O autor realiza o núcleo do tipo. Se não for autor, também não poderá ser co-autor. Então, A será partícipe? Há uma lacuna. A doutrina preencheu essa lacuna, dizendo que se trata de AUTORIA MEDIATA. O Código Penal prevê 4 hipóteses de autoria mediata: a) Erro determinado por terceiro – ☺art. 20, §2º, CP. O terceiro é o autor mediato. b) Coação moral irresistível – ☺art. 22, 1ª parte, CP; c) Obediência hierárquica – ☺art. 22, 2ª parte, CP; e d) Caso de instrumento impunível – ☺art. 62, III, CP: “ou não-punível em virtude de condição ou qualidade pessoal” – ex. valer-se de um inimputável. É possível autoria mediata em crime próprio? Entende-se perfeitamente possível a autoria mediata em crime próprio. O estupro é crime próprio? É, porque exige qualidade especial do agente – o agente deve ser homem. Ex: Um homem pode induzir um doente mental a praticar conjunção carnal com uma mulher. O homem será autor mediato. Se uma mulher induz um doente mental a estuprar outra mulher, ela praticará estupro na condição de autor mediato. Foi a resposta dada pelo TJ de Santa Catarina. OBS. Quanto a isso há divergência na doutrina. Para LFG, Alexandre Carvalho, Paulo Queiroz, entre outros, o autor mediato deve possuir as qualidades ou condições especiais exigidas do autor imediato descrito no tipo. Como o tipo do art. 213, CP quer que o autor imediato seja homem, a mulher não seria autora mediata. Ela iria responder por constrangimento. Essa foi a resposta num concurso do MP/MG. É possível autoria mediata em crime de mão própria (conduta infungível)? Sendo de conduta infungível, não se tem admitido autoria mediata em crime de mão própria. Mas atenção: há uma exceção – falso testemunho. Autor de escritório: forma especial de autoria mediata, pressupõe uma máquina de poder determinando a ação dos “funcionários”, aos quais, no entanto, não podem ser considerados meros instrumentos nas mãos dos “chefões”. O autor de escritório tem poder hierárquico sobre os seus “soldados” (ex. no caso do PCC, o Marcola é o autor de escritório; comando vermelho, etc.). Requisitos para o concurso de pessoas: 1. Pluralidade de agentes; 2. Relevância causal das várias condutas (nexo causal); 3. Liame subjetivo entre os agentes (nexo psicológico): este é o requisito mais importante – deve o concorrente (co-autor ou partícipe) estar animado da consciência que coopera e colabora para o ilícito, convergindo a sua vontade ao ponto comum da vontade dos demais participantes. Obs.1: é imprescindível homogeneidade de elementos subjetivos. Só pode concorrer dolosamente em crime doloso e culposamente em crime culposo. Não existe concurso doloso em crime culposo e vice-versa. Ex: emprestar revólver para um homicida sem saber que ele irá matar alguém, quem emprestou não será concorrente. Não houve liame subjetivo. Apesar de pluralidade de agentes e relevância causal das várias condutas, faltou o liame subjetivo. Obs.2: quando se fala em liame subjetivo, jamais imagine que se está falando em ajuste prévio. Não se exige acordo de vontades, bastando vontade de cooperar na ação de outrem. Ex: A empregada 121

§1º. CP. 29. sem liame subjetivo entre elas). Essa causa de diminuição do §1º só serve para o partícipe. B responderá por homicídio tentado. não atuam unidos pelo liame subjetivo. Há autoria incerta. sabese quem foi o responsável pelo resultado. §1º c/c art. porém nela não se consegue determinar qual dos comportamentos causou o resultado. 4. e não aos ladrões. Cada um é autor do seu crime. Isso que a irá diferenciar da autoria incerta. A dá um tiro e B dá um tiro. Ou seja. Conseqüência: o agente que não conseguiu consumar o crime em razão da sua conduta responde por tentativa. A dá um tiro. CP. Por isso que se fez referência ao motorista.: Autoria Desconhecida ou Ignorada: não se confunde com autoria incerta ou colateral. Logo. pro reo).Autoria Colateral: fala-se em autoria colateral quando dois ou mais agentes. mas houver pluralidade de agentes e relevância causal das várias condutas. Obs. é matéria de prova. Identidade de infração penal: A identidade de infração é um requisito ou conseqüência do concurso de agentes? A doutrina moderna vem dizendo que a identidade de infração penal é uma conseqüência-regra do concurso de agentes. CP. mas responderão pelo mesmo crime tentado por questão de política criminal (para não correr o risco de apenar injustamente o inocente). 343. C morre em razão do tiro de A.Autoria Incerta: nada mais é do que espécie de autoria colateral. 29. Cada um responderá pelo seu crime. Toda co-autoria tem igual importância.3: Se não houver liame subjetivo. 122 . 29 traz o que a doutrina chama de “participação de menor importância”. Exemplos: 1) aborto – art. Nesse caso. Ela aderiu à vontade do ladrão. não há concurso de pessoas.Direito Penal – LFG – Intensivo I doméstica vê um famoso ladrão rondando a vizinhança e deixa a porta da casa aberta para que o ladrão entre. O fato de ser motorista do ladrão não é uma pequena eficiência. 342. os dois responderão por tentativa. 318 c/c art. 3) Contrabando e descaminho e o crime de facilitação de contrabando e descaminho: ☺art. O motorista garante o sucesso da empreitada. Eles não são co-autores. que traz a Teoria Monista ou Unitária (várias pessoas concorrem para o mesmo fato e sofrem a mesma conseqüência). com relevância causal das várias condutas. A autoria desconhecida ou ignorada é matéria de processo penal. Obs. já se pode ter certeza de que não se tem concurso de agentes. 2) corrupção ativa e corrupção passiva. há uma autoria colateral ou uma autoria incerta (é pluralidade de agentes. a pena será reduzida de 1/6 a 1/3. CP: O art. Não se sabe se a morte de C foi em razão do tiro de A ou do tiro de B. Ex: A e B querem a morte de C. mas há conseqüências distintas para cada um dos agentes. A e B não estão unidos subjetivamente. Participação de menor importância – Art. A teoria pluralista serve como exceção. Na autoria colateral. 124 e 126. em que não se apura a identidade dos autores do crime. Consequência: ambos respondem por tentativa (in dubio. Se a sua participação no crime for de menor importância. CP. A e B não estão unidos subjetivamente. Porém. . Isso torna a empregada doméstica uma partícipe do crime. e B também dá um tiro. 4) Testemunha subornada e quem suborna a testemunha: ☺art. . Entende-se por participação de menor importância aquela participação de pequena eficiência para a execução do crime. embora convergindo suas condutas para a prática de determinado fato criminoso. Ex: motorista que fica aguardando os ladrões roubarem um banco. prevista no art. 334. Ex: A e B querem a morte de C. Em nenhum momento eles ajustaram o crime. A participação dele é de menor importância? Não. A irá responder por homicídio consumado. Tem doutrina que coloca um 4º requisito no concurso de pessoas. em que vários agentes concorrem para o mesmo fato. Não existe co-autor de menor importância.

Quando B entra na casa. Não se aplica o §2º para crime preterdoloso. vira furto.Direito Penal – LFG – Intensivo I Cooperação dolosamente distinta – Art. 2. se retirada do roubo. 155. Ao contrário do que ocorre no §1º. Elementares e Circunstâncias: A identidade de infrações é um requisito ou uma conseqüência do concurso? A doutrina moderna estipula que é conseqüência. ☺art. responderá pelo quê? A doutrina diz que ele responderá por roubo majorado até metade. além de furtar. sendo ele imprevisível. continua homicídio. Ex: domínio de violenta emoção logo em seguida a justa provocação da vítima – se somado ao homicídio.)”. 2. Ela monta um gráfico que foi aceito pela jurisprudência. 29. responderá pelo quê? Depende: 1. o §2º também se aplica aos co-autores (abrange partícipe e co-autor). A circunstância não interfere na tipicidade. com a pena majorada. sem aumento. A fica vigiando e B entra na casa. ele resolve. 123 . CP: Temos aqui o que a doutrina chama de “cooperação dolosamente distinta” ou participação em crime menos grave. ele se depara com a moradora. Mas e A. CP). A responderá pelo estupro? Depende: 1. vira peculato. mas sem privilégio. também responderá pelo crime. responderá só pelo furto. mas na sanção penal. A fica na condição de vigia e B entra na casa. 3. se A não previu o estupro. E o que é circunstância? Faltando. Se era previsível. Ex: Vamos supor que A e B combinam um roubo (art. CP: esse artigo tem uma redação que a doutrina não obedece tanto. Logo. responderá só pelo furto. “Se algum dos concorrentes quis participar (. Quando chegam na casa. É perfeitamente possível a existência de elementares e circunstâncias. sendo este imprevisível. mas era previsível (possibilidade de prever). Ex: violência – se agregada ao furto. se retirado do peculato. com privilégio. mas ele era previsível.. volta a ser apropriação indébita. continua homicídio. se A previu o estupro. Ex: funcionário público – se acrescido ao delito de apropriação indébita. se retirado do homicídio.. Atenção: não se pode esquecer que o latrocínio é crime doloso ou preterdoloso. B praticou o crime de latrocínio. Ex: Vamos supor que A e B combinam um furto (art. CP). O resultado morte do latrocínio pode advir de dolo ou culpa. O que são elementares? Faltando. B responderá por latrocínio doloso e A responderá por latrocínio preterdoloso. se A não previu o latrocínio. estuprar a moradora. Responderá por furto mais a pena majorada até metade. vira roubo. responderá por latrocínio. A agiu com culpa pelo resultado morte. ele se depara com o morador e mata-o para poder roubar. 30 diz que as elementares e as circunstâncias podem ser: objetivas ou subjetivas. responderá só pelo roubo. Quando B entra na casa. o fato permanece o mesmo crime. aceitando-o. alterando somente a pena. §2º. se A não previu o estupro. Então. Responderá por furto mais estupro. O art. 157. se A previu o latrocínio. se A não previu o latrocínio. o fato deixa de ser crime ou passa a configurar outro delito. também responderá por ele. 30. 3.

123. configuram circunstâncias objetivas. Trata-se de elementar subjetiva. o partícipe será punido por tentativa de homicídio. Se não integrarem o tipo. A elementar personalíssima é contra legem. ao se arrepender. O art. 123 passará para o art. A elementar personalíssima não tem guarida legal. Ex: A. Ele queria que a gestante respondesse pelo art. Qual é o crime cometido por A e qual é o crime cometido por B? A comete peculato. depois de efetuar 2 tiros contra C. responderá por simples apropriação indébita. São aquelas que interferem somente na pena. É necessário saber se B tem conhecimento a respeito das condições pessoais de A. Se não tiver conhecimento. CP: É uma observação mais histórica do que atual. responderá por lesão corporal. portanto. Nélson Hungria chamava estado puerperal de “elementar personalíssima” para evitar que o infanticídio se comunicasse a co-autores e partícipes. As elementares e as circunstâncias subjetivas estão ligadas ao motivo. 121. (Se o partícipe houver induzido ou instigado o autor 124 . B. quer se apropriar de bens públicos que tem em sua posse em razão do cargo. 31. a reincidência não muda o crime. Ex: meio cruel. portanto. Se tiver. o fato principal continua sendo típico e ilícito (a tentativa é típica e ilícita). e não no tipo. ☺art. desde que obviamente ingressem na esfera de consciência do partícipe. o crime será modificado (de art. Que crime pratica B? Depende. 123 e os concorrentes pelo art. Se entendermos como não punibilidade. 15. não tem como punir o partícipe por tentativa de homicídio. → Punibilidade da participação no caso de desistência voluntária ou arrependimento eficaz do autor principal: Se o autor principal desistir voluntariamente ou se arrepender eficazmente impedirá a punição do partícipe? Beneficiará o partícipe. B deixa de responder por tentativa de homicídio e responderá pelos atos até então praticados. pouco importa se objetivas ou subjetivas. sendo o fato principal atípico. CP traz uma hipótese de atipicidade da tentativa ou de não punibilidade da tentativa? Se entendermos como atipicidade. nele incutindo a idéia criminosa. o coadjuvante e o colaborador? Vamos supor que A induz B a matar C. Se retirarmos o estado puerperal. que interferem na pena. B responderá também por peculato. O arrependimento passa a ser circunstância alheia à vontade do partícipe. As circunstâncias são comunicáveis apenas se objetivas. CP). dependendo de requisitos subjetivos. Não se comunica. pois o estado puerperal é o desequilíbrio físico-psíquico da parturiente. 121. estado anímico do agente ou condições pessoais. E se for o contrário? E se quem se arrepende for o partícipe? Ele responderá pelo crime? Se o partícipe houver induzido o autor. Observações finais: ☺art. A é auxiliado pelo particular B. portanto. Ex: reincidência – presente ou não. somente não será responsabilizado se conseguir fazer com que o agente principal não pratique a conduta delituosa. Isso evita eventual responsabilidade penal objetiva. Por isso que é uma observação histórica.Direito Penal – LFG – Intensivo I As elementares e as circunstâncias objetivas estão ligadas ao meio/modo de execução. As circunstâncias subjetivas são sempre incomunicáveis. Lembre-se de que o arrependimento deve ser eficaz. A punição do partícipe está de acordo com a Teoria da Acessoriedade Limitada. (Prevalece a corrente que traz que o art. Fala sobre o delito do infanticídio. CP. ou seja. CP: “salvo disposição expressa em sentido contrário”. Por que isso? A comunicabilidade não é absoluta. A doutrina costuma dar como exemplo a quadrilha ou bando (crimes em que o legislador pune meros atos preparatórios). Reparem que B se arrependeu de maneira eficaz – ocorreu então a tentativa abandonada. modo surpresa. E o A? também responderá por lesão corporal ou responderá por homicídio tentado? Depende da natureza jurídica que se dá à desistência voluntária e ao arrependimento eficaz. O próprio Nélson Hungria se retratou posteriormente. ao partícipe. arrepende-se e socorre eficazmente C. 15 é uma hipótese de punibilidade da tentativa). mas a pena. As elementares são comunicáveis. O Código Penal só reconhece a elementar subjetiva e objetiva. Comunica-se. funcionário público. na condição de partícipe.

uma tábua para cair numa caçamba. essas 3 pessoas são co-autoras de omissão de socorro. que é impunível). segundo ela crime omissivo admite participação. omitindo-se? Sim. fazendo do agente autor. é mera conivência atípica ou participação negativa. §2º. do alto de um prédio. A tábua cai e mata um pedestre. Ex: vizinho que percebe que a casa do outro está sendo assaltada e nem liga para a polícia. a se arrepender. → É possível concurso de agentes em crimes culposos? Ex: Imagine dois trabalhadores de uma obra. Ex: Um policial percebe que a mulher está sendo levada para um matagal. a concausação culposa importa sempre em autoria. se 3 pessoas estão vendo alguém precisando de socorro e nada fazem. (o crime culposo é normalmente definido por um tipo penal aberto. Ela é partícipe por omissão. 2) adira subjetivamente (juntar sua vontade à do autor principal). Logo.1ª Corrente (Majoritária): Crime culposo admite co-autoria. 3) haja a relevância da omissão. mas todos os presentes que se omitirem são autores de sua omissão.) → É possível participação da participação? É possível participação em cadeia? É perfeitamente possível. → É possível concurso de agentes em crimes omissivos? É possível ser partícipe de omissão de socorro? Há divergência. E quem não tem o dever jurídico de evitar o resultado? Responderá como partícipe? A abstenção de atividade apenas pode determinar uma participação penalmente relevante se foi anteriormente prometida pelo omitente como condição de êxito para a ação criminosa (se não houve promessa. Logo. 13. Vejamos: . O passageiro induz o motorista a dirigir em alta velocidade. CP). Pode-se induzir ou instigar alguém a omitir socorro. o passageiro será co-autor. 125 . Ocorre um atropelamento. Eles lançam. e nele se encaixa todo comportamento que viola o dever objetivo de cuidado. Se o policiar aderir subjetivamente ao estupro (quer ou assume o risco) e há uma relevância da omissão. É necessário ter o aderir subjetivamente para evitar a responsabilidade penal objetiva. o policial responderá por estupro na condição de omitente. Por que não admite participação? Qualquer concausação culposa importa violação do dever objetivo de cuidado. O passageiro será partícipe. mas não co-autoria (cada omitente é autor da sua omissão).2ª Corrente: crime omissivo admite concurso de agentes (tanto co-autoria quanto participação).) . quando induz a dirigir em alta velocidade. . está sendo tão negligente quanto o motorista. → É possível participação por omissão? Tem como ser partícipe de um crime.3ª Corrente: é a que prevalece. O passageiro. e não co-autores. Para essa corrente. Percebe que a mulher seria estuprada. .Direito Penal – LFG – Intensivo I e vier. Ex: A induz B a instigar C a auxiliar D a matar E.1ª Corrente: crime omissivo não admite concurso de agentes (todos os omitentes são autores da sua omissão). somente não será responsabilizado penalmente se conseguir fazer com que o autor não pratique a conduta criminosa (deve ser eficaz). mas não participação. Os dois funcionários são autores ou co-autores desse homicídio culposo? Ex: Motorista e passageiro. Não é raro o MP denunciar o padrasto por estupro e denunciar a mãe que tinha conhecimento do estupro e nada faz. O motorista é autor de homicídio culposo? E o passageiro? Vejamos as correntes sobre o tema: .2ª Corrente (Rogério Greco): Admite participação também. desde que o omitente: 1) tenha o dever jurídico de evitar o resultado (☺art.

Apenas uma norma deve se adequar ao fato. no segundo. pela posterioridade e. Obs. Princípios orientadores: A doutrina costuma falar em 4 princípios. “A lei é especial quando contém todos os elementos típicos da lei geral mais alguns específicos (chamados de especializantes)”. pela lei mais benéfica – ☺art. 2. estar-se-á diante de um conflito da lei penal no tempo. duas ou mais normas vigentes são aplicáveis. entendendo que para a doutrina moderna há apenas 3 princípios. O assunto é difícil. Isso é um erro crasso. O direito é um sistema coerente. CP. Requisitos: Do conceito se extraem 2 requisitos do conflito aparente de normas: 1. a um só fato. necessariamente. pois se uma norma não estiver vigente.Direito Penal – LFG – Intensivo I CONFLITO APARENTE DE NORMAS: Há muita divergência sobre esse tema. Fundamentos: Quais os fundamentos para se estudar o conflito aparente de normas? Vejamos: 1. aparentemente. 2. Logo. é necessário que ele tenha instrumentos para resolver o conflito interno. 4º. Duas ou mais leis vigentes aparentemente aplicáveis.: o conflito aparente de normas não se confunde com o concurso de crimes: no primeiro. O prof. Inclusive no que diz respeito ao próprio título. porque a jurisprudência não segue o que a doutrina prega. Ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo crime (Princípio do Non Bis In Idem). A lei especial não é. O STJ e o STF não estão atentando para a vigência. não concorda. Conceito: Ocorre o conflito aparente de normas quando. mais grave. As duas normas devem estar vigentes. temos duas leis vigentes e um só fato. temos vários crimes ajustando-se a várias normas. Princípio da Especialidade: A lei especial derroga a lei geral. 126 . Vejamos: 1. em regra. Por isso que o conflito será sempre aparente. Este conflito se resolve. Há quem diga em “conflito aparente de leis”. Fato único. excepcionalmente. mas a doutrina moderna prefere chamar de “conflito aparente de normas”.

Ex: homicídio com infanticídio – o homicídio pune “matar alguém”. §3º pune o homicídio culposo. mas de sucessão de lei penal no tempo. será crime de falsidade documental. Ex. A norma menos grave deve ser subsidiária. É uma subsidiariedade expressa. O art. Veio a Lei 11. A lei especial revoga a lei geral. Há 02 espécies de subsidiariedade: a) Expressa ou Explícita: Quando a lei expressamente dita a subsidiariedade. Portanto. O art. o art. O elemento pessoal (estado puerperal) e o elemento cronológico (“logo após”). Logo. O crime mais grave pode ser o estelionato. ele diz que a liberdade provisória está vedada implicitamente ao ser vedada a fiança. Ex: Art. a mãe que mata o próprio filho durante ou após o parto. atropelou alguém. A pena mais grave seria do art. Nessa hipótese de conflito aparente. como um “soldado de reserva”.343/06 (lei específica para o tráfico) que proíbe para tráfico fiança + liberdade provisória.2: Art. É possível liberdade provisória no tráfico? Tem a Lei 8. A fotográfica integra documento. no conflito aparente. deve resolver o problema pela posterioridade. Para tratar assim é necessário que as duas normas estejam vigentes. 123 é especial e. Se agora cabe liberdade provisória para os crimes hediondos e equiparados. As duas normas estão vigentes. tendo o âmbito de aplicação comum (mas abrangência diversa). 127 . O art. 132. Ex. Trata-se de crime de perigo e de crime de dano. 307. ela é mais benéfica. pois não significa que lei especial é mais grave. Exemplo de norma especial mais grave do que a norma geral: Homicídio culposo e homicídio culposo no trânsito. b) Implícita ou Tácita: Quando um delito de menor gravidade integra a descrição de um delito de maior gravidade. 121. 302 do CTB que também pune o homicídio culposo no trânsito – com veículo automotor. O art.Direito Penal – LFG – Intensivo I A doutrina moderna fala em “norma” ao invés de “lei”. A norma fica. Princípio da Subsidiariedade: Uma lei tem caráter subsidiário relativamente à outra (dita principal) quando o fato por ela incriminado é também incriminado pela outra (mais grave). O STJ e o STF impedem a liberdade provisória não só para o tráfico. 123. mas para todos os crimes equiparados. aplica-se a norma menos grave. 121. Esses 4 elementos são os famosos “especializantes”. 312 está punindo em alta velocidade.072/90 – dispôs que a proibição é somente de fiança. 123 tem a parturiente como sujeito ativo. A relação do art. segundo Nélson Hungria. Está equivocado! O STJ está tratando o caso como conflito aparente de normas. Além desse argumento. 307 diz que é falsa identidade se não constituir elemento de crime mais grave. 312 têm ponto em comum. CTB. Código Penal – “se o fato não constitui crime mais grave”. 311. 121 e ao art. 302 é de especialidade. Tem jurisprudência nesse sentido. o comportamento dela se subsume ao art. Porém. CP – “se o fato não constitui elemento de crime mais grave”. Aparentemente. No entanto.1: Art. Aplica-se a norma principal (mais grave). mas eles protegem o crime de forma diferente. 311 e o art.072/90 proibindo para crimes hediondos e equiparados fiança + liberdade provisória. não impedindo a liberdade provisória. mesmo assim. O nascente ou o neonato como sujeito passivo.343 é lei especial se comparada aos crimes hediondos que é lei geral. O infanticídio também pune “matar alguém”. Veio a Lei 11. tem-se o art. mas negligentemente. mas não pode tratar dessa forma. 2. Se o fato de abrangência comum não consegue preencher os requisitos da norma mais grave. e não de espécie e gênero como na especialidade.464/07 que revogou o inciso I do art. O problema aqui não é de conflito aparente de normas. Quando se diz “equiparados” é necessário lembrar-se do tráfico. Deve evitar o bis in idem. A relação entre as normas subsidiárias e principal é de maior ou de menor gravidade. 121 com o art. deverá aplicar a hipótese do crime mais grave. Essa é a posição dos Tribunais Superiores. 2º da Lei 8. O art. o tráfico permite liberdade provisória? O STJ tem vários argumentos. Um deles é que a Lei 11. Obs.: Substituir fotografia na carteira de identidade – que crime que configura? Tem gente que fala em “falsa identidade”.

Princípio da Consunção ou Absorção: Verifica-se a relação de consunção quando o crime previsto por uma norma (consumida) não passa de uma fase de realização do crime previsto em outra norma (consuntiva) ou é uma forma normal de transição para o último (crime progressivo). exige lesão ao mesmo bem jurídico. jamais diria que a falsidade documental fica absorvida pelo crime de estelionato. Na progressão criminosa. Atenção: a jurisprudência não observa isso. resolve matar). não é hipótese de crime progressivo.Direito Penal – LFG – Intensivo I Em ambas as hipóteses (subsidiariedade expressa ou tácita). O contrário ocorre com o cartão de crédito que não se exaure na compra. ele resolve matar. Assim. só se aplica o crime fim. tem de passar pelo crime de lesão corporal (lesão e homicídio). o agente primeiramente. É uma nova vontade que surge na execução. Ex. de meio para fim. emite-se cheque falso para realizar determinada compra. No crime progressivo. b) Fato anterior impunível (antefactum impunível): são fatos anteriores que estão na linha de desdobramento da ofensa mais grave (relação crime-meio para crime-fim). envolve-se o mesmo bem jurídico. No crime progressivo. ficando absorvido). Ex: falsidade documental com estelionato. Se a jurisprudência observasse isso. Se envolver bens jurídicos diversos. O crime consumido e o crime consuntivo devem proteger o mesmo bem jurídico. Logo. o crime anterior é indispensável. para tanto. Ex: Tem como matar alguém sem ferir ou ferir a integridade física de uma pessoa? Não tem. quer ferir e. responde apenas pelo estelionato. Na progressão criminosa. necessariamente. É o crime-meio que o agente escolheu dentre os crimes possíveis. No caso do fato anterior impunível. o agente quer cometer o crime menos grave (e consuma). Qual é a sensível diferença do crime progressivo para o fato anterior impunível? A diferença é que no crime progressivo. obrigatório. crime progressivo não se confunde com progressão criminosa. portanto. Atenção: crime progressivo não se confunde com progressão criminosa. Aplica-se o princípio de que a lei primária derroga a lei subsidiária. Para matar alguém. depois da ofensa. desde o início o agente deliberou o crime mais grave (quero matar. o fim almejado é o homicídio. a doutrina. posteriormente. prevalece o todo. Um crime que é meio de um crime fim. ocorrendo o delito principal (mais grave). Primeiro. Absorver um pelo outro é o mesmo que um bem jurídico ficar sem proteção. Como chama o crime de lesão corporal nesse caso? “Crime de ação de passagem” (crime obrigatório para se atingir um crime mais grave. 3. Depois de cometê-lo. obrigatoriamente. Nos dois casos. para ficar absorvido o crime meio. em princípio. Essa súmula está aplicando o princípio da Consunção. por um crime menos grave. Nesse princípio. 17 do STJ. precisa passar pela falsidade documental? Não. Obs. Tem súmula do STJ que ignora isso – ☺Súm. o crime-fim absorve o crime meio somente quando se exaure no crime-fim. afasta-se a aplicação da regra subsidiária. Súmula 17 do STJ: a relação da falsidade documental e do estelionato é de crime-meio para crime-fim. O crime progressivo se dá quando o agente para alcançar o resultado/crime mais grave passa. é punido também o crime de falsidade. O cheque se esgota na compra. A lesão é um crime de passagem. o agente responde somente pelo crime mais grave. Para o STJ. 128 . necessariamente. É crime progressivo? O estelionato. a jurisprudência costuma adotar o concurso material. A consunção pressupõe que os crimes protejam o mesmo bem jurídico. portanto. o crime foi casualmente o meio para atingir o crime-fim. Um crime que é parte de um todo. Três são as principais hipóteses de aplicação do Princípio da Consunção: a) Crime Progressivo: Nada mais é do que a aplicação do Princípio da Consunção. o agente delibera realizar crime maior (quero ferir e. tenho que ferir). a relação entre as normas é de parte para todo. Na progressão criminosa é um crime que se dá em dois momentos (dois atos).

portanto. trazer consigo e vender. o que fica absorvido é o crime praticado depois de exaurir o crime querido. Furtar o carro e vender o carro está na linha do desdobramento da busca do lucro pelo furto. Lei de Drogas 11. Pelo posfactum impunível. guardar. Logo. Consumou o furto. somente o furto seria punido. Esse artigo traz 18 núcleos. pois estaria incluído na especialidade e não consunção. é o crime-meio. 4. (. Para Francisco de Assis Toledo. Ex: art. O antefactum. O estelionato fica absorvido pelo furto. O Princípio da Alternatividade tem aplicação nos crimes plurinucleares ou de ação múltipla ou de conteúdo variado. exportar. não desnatura a unidade do crime e então só há um crime de tráfico. Para a doutrina moderna. fabricar. 129 . Há jurisprudência nesse sentido. responderá pelos dois crimes. a alternatividade resolve conflito interno de uma norma. pune-se ambos os crimes). remeter. é necessário passar o cheque no comércio. O requisito de conflito aparente de normas é a pluralidade de normas aplicáveis. Se o agente importar. Ex: A furtou um talão de cheque. mas resolve o conflito aparente interno de uma norma.. praticou 4 núcleos do art.Direito Penal – LFG – Intensivo I c) Fato posterior impunível (posfactum impunível): O fato posterior impunível retrata o exaurimento do crime principal praticado pelo agente. que fica absorvido. por ele não podendo ser punido. Obs. O que são esses crimes? São crimes compostos de pluralidade de verbos nucleares (ações típicas). Ignora o Princípio da Consunção. a subtração do talão de cheque seguida de estelionato é concurso material de delito (há vítimas diversas.. Isso significa que se praticou 4 crimes de tráfico? Se os 4 núcleos forem praticados num mesmo contexto fático. Princípio da Alternatividade: A doutrina moderna diz que ele não resolve o conflito aparente de norma.343/06 – “importar. 33. 33. No posfactum. Mas o que vale um talão de cheque? Para que se tenha algum lucro. Ex: A vende o carro como se fosse dele.: Tem doutrina que diz que o Princípio da Subsidiariedade nem precisava existir.)”. Atenção: se importar maconha e vender cocaína não estão no mesmo contexto fático.

Ex: Ato obsceno. §4º. O ato obsceno é crime especial por que ele não tem o quê? É um crime que não tem objeto material.☺art. é um efeito permanente. Ex: homicídio. 2ª Classificação: 1. não havendo deliberação. Crime de Opinião: São os crimes que consistem em abuso de liberdade de pensamento. Crimes acessórios: São os crimes que. 130 . Crimes principais: São os que existem independentemente de outro. Crime Gratuito: São os crimes praticados sem motivo.: Damásio diz que todo crime tem efeito permanente. 2. 180. sem continuidade temporal. No furto. Ex: receptação (adquire coisa produto de crime anterior). 3. A doutrina. Basta haver prova de que a coisa é produto do crime . à tipicidade. Ex: homicídio emocional. Crime Vago: São os que têm por sujeito passivo entidade sem personalidade jurídica. Delito de Circulação: Praticado por intermédio de automóvel.Direito Penal – LFG – Intensivo I CLASSIFICAÇÕES DOUTRINÁRIAS DOS CRIMES: Eduardo Corrêa escreveu um livro que traz mais de 180 classificações de crime. ao perder o objeto. Ele é autônomo na punição. 6. O crime é acessório somente quanto à existência. 2. Crimes instantâneos: São os que se completam num só momento. Delito Transeunte e Não-transeunte: a) Transeunte: É aquele que não deixa vestígio. pressupõem outros. os efeitos permanecem independentemente da vontade do sujeito ativo. Aqui veremos as principais. Atenção: não se confunde com motivo fútil (motivo pequeno). CP. 4. é um efeito permanente. ao ser agredido. furto. 3ª Classificação: 1. Crimes instantâneos de efeitos permanentes: Ocorrem quando. Obs. portanto. b) Não-transeunte: É aquele que deixa vestígios. 1ª Classificação: 1. sendo indispensável a perícia. Crimes permanentes: São os que causam uma situação danosa ou perigosa que se prolonga no tempo. consumada a infração em dado momento. critica a existência dessa modalidade de delito. Ex: homicídio. Para punir o receptador não precisa punir o furtador. No roubo. 3. fruto do domínio de violenta emoção. furto. Ex: seqüestro. para existirem. Tem gente entende que só o louco pratica um crime sem motivo. como a família. Crime de Ímpeto: É aquele em que a vontade delituosa é repentina. 5. seja pela palavra. Pode punir o receptador mesmo tendo absolvido o furtador. 2. instantâneo ou não. imprensa ou qualquer outro meio de transmissão. A consumação se dá num determinado instante. Os parlamentares são imunes a esses crimes de opinião. o público ou a sociedade.

2. São aqueles de concurso eventual. Ex: quadrilha ou bando. Delito Monossubjetivo: São aqueles que podem ser praticados por uma ou mais pessoa. 7ª Classificação: 1. Ex: furto. roubo. Ex: lesão corporal seguida de morte praticada durante uma greve. Crimes de Lock Out: Crimes praticados durante a paralisação dos empregadores. Crime de greve: Crimes praticados durante a paralisação dos empregados. 131 . 2. CP . Ex: perdão judicial. 264. Crime Bagatelar Próprio: A conduta não gera lesão ou perigo lesão ao bem jurídico (hipótese de atipicidade material). O plurissubjetivo se divide em 03: a) Condutas paralelas b) Condutas contrapostas c) Condutas convergentes 3. as circunstâncias demonstram que a sanção penal é desnecessária.Pune-se o perigo do arremesso que gera o perigo do perigo que esse arremesso possa gerar. Delito Bagatelar Impróprio: Apesar de a conduta gerar relevante lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico. 5ª Classificação: 1. Delito Plurissubjetivo: São aqueles de concurso necessário. Este nada mais é do que a exteriorização do Princípio da Bagatela Impróprio. Delitos de Obstáculo (Delitos de Perigo de Perigo): Refere-se a incriminações que antecipam a intervenção penal a momentos anteriores à realização do perigo concreto e imediato. Não está dizendo que a paralisação dos empregados é crime. Delitos de Preparação: São aqueles que retratam atos preparatórios que foram tipificados como crimes autônomos.Direito Penal – LFG – Intensivo I 4ª Classificação: 1. 6ª Classificação: 1. 2. Ex: homicídio. Delito Eventualmente Coletivo: São aqueles crimes que se praticados por número plural de agentes aumenta a pena. Ex: art. 2.

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