DIREITO CIVIL III

Contratos
O contrato tem uma função social, sendo veículo de circulação da riqueza, centro da vida dos negócios e propulsor da expansão capitalista. Segundo Clóvis Beviláqua, contrato é "um acordo de vontades que tem por fim criar, modificar e extinguir direitos". No sistema jurídico francês o contrato opera a transferência dos direitos reais. Já no direito alemão e no nosso direito, o contrato só cria obrigações. O Estado intervém constantemente na relação contratual privada para assegurar a supremacia da ordem pública, prevalecendo o interesse público (a coletividade), razão do dirigismo contratual em certos setores. • contrato é uma das fontes das obrigações. • Outra fonte das obrigações são os atos ilícitos. É uma responsabilidade extra-contratual (arts. 186 e 927 NCC). • Quando uma pessoa contrata outra, e esta deixa de cumprir com a obrigação, surge para o credor o direito de ajuizar uma ação, porque houve uma responsabilidade contratual (art. 389 NCC). DIREITO SUBJETIVO Existe um SUJEITO ATIVO, que é titular de um direito, e um SUJEITO PASSIVO, que tem um dever jurídico (dar, fazer, não fazer = direito obrigacional). O SUJEITO PASSIVO pode descumprir com a obrigação, quando então surge a responsabilidade (e, em conseqüência, uma ação). Existe, entre eles, uma RELAÇÃO JURÍDICA. Um exemplo é o contrato de locação (que é um título executivo extrajudicial). O locador pode entrar com ação de despejo, ou então com ação de execução. • Com relação ao contrato, estamos diante de um DIREITO SUBJETIVO. • O contrato cria, modifica ou extingue direitos. NEGÓCIO JURÍDICO ATO JURÍDICO DIREITO POTESTATIVO Só existe o SUJEITO ATIVO. Não existe o SUJEITO PASSIVO, nem o dever jurídico. Um exemplo é o sujeito que quer vender o seu imóvel. Outro exemplo é a promessa de recompensa (quando o fato se concretizar, passa a ser um direito subjetivo – uma relação jurídica). Outros exemplos são a dissolução de sociedade, de condomínio, a rescisão de contrato de trabalho.

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Seus efeitos são provocados pelas partes, embora estejam na lei. Exemplo: aluguel de um imóvel. O direito é pós-existente. Pode-se criar cláusulas no contrato, desde que não contrarie a lei.

Seus efeitos são provenientes da própria lei. Exemplo: reconhecimento da paternidade (registro de um filho); o pai passa a ter obrigação de mantê-lo. O direito é preexistente. A parte não pode criar direitos; a própria lei diz quais são os direitos.

São diferenciados pelos seus EFEITOS (preexistentes/pós-existentes). São diferenciados pelo Código Civil de 2003. • OBRIGAÇÃO DE MEIO – Ele só é obrigado a aplicar as diligências (a técnica). É o caso de um advogado. No entanto, se ele promete ganhar uma causa, a obrigação que era de meio passa a ser OBRIGAÇÃO DE RESULTADO. Um cirurgião, ao realizar uma cirurgia reparadora, tem obrigação de meio; ao realizar uma cirurgia estética, tem obrigação de resultado.

Princípios fundamentais do regime contratual
1. AUTONOMIA DA VONTADE Ampla liberdade de contratar. A promessa deve ser comprida (pacta sunt servanda). Art. 421 NCC. As partes são livres para contratar. Não pode haver nenhuma coação, caso contrário o contrato será anulado. Esta autonomia da vontade não é absoluta; ela é relativa: não é possível violar a norma, porque prevalece a supremacia da ordem pública (prevalece o interesse público). O Estado está sempre interferindo nas relações jurídicas para preservar o interesse público. Um exemplo é o CDC, a Lei de Economia Popular, a Lei de Locações, etc. 2. SUPREMACIA DA ORDEM PÚBLICA Limita o princípio da autonomia da vontade, dando prevalência ao interesse público, razão da intervenção do Estado. São exemplos a Lei do Inquilinato (Lei 8245), o CDC e a Lei de Usura. O interesse público prevalece sobre o interesse particular. O conteúdo do contrato não pode violar a norma. A forma é livre, e as partes são livres para contratar, mas desde que não viole a norma, porque existe a supremacia da ordem pública. Também não se pode contratar sobre um objeto impossível. O contrato tem que ser lícito, possível e determinado. Tendo estas características, surge a obrigatoriedade dos contratos. 3. FORÇA OBRIGATÓRIA (OBRIGATORIEDADE) – Pacta Sunt Servanda É a força vinculante das convenções. Pelo princípio da autonomia da vontade, ninguém é obrigado a contratar mas, se o fizerem, devem cumprir o contrato. Existe a necessidade da 2

segurança dos negócios, por geraria a balbúrdia e o caos. Qualquer modificação no contrato terá que ser bilateral (todos os envolvidos têm que participar). Uma exceção a este princípio é a revisão dos contratos através da onerosidade excessiva (art. 478 NCC). Segundo a teoria da onerosidade excessiva, se a situação do fato modificar-se em razão de acontecimento extraordinário e imprevisível que torne excessivamente oneroso para o devedor o seu adimplemento, poderá este requerer ao juiz que o isente da obrigação, parcial ou totalmente, e ainda podendo adequar o contrato. Um exemplo é o art. 6º, V, do CDC. É o caso das guerras, das calamidades públicas, do contrato de leasing atrelado ao Dólar. Se não houver nenhuma violação da norma, prevalece a obrigatoriedade. Os pactos têm que ser cumpridos, mas desde que não violem a norma (desde que não tenham nulidades: erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão , fraude). O estado de perigo foi inserido no art. 156 do NCC, e a lesão foi inserida no art. 157 do NCC. Mas há exceções quanto a este princípio: TEORIA DA ONEROSIDADE EXCESSIVA – Quando ocorrer, após a elaboração do contrato, algum fato superveniente, imprevisível e extraordinário, que cause prejuízo a uma das partes, aquela parte prejudicada pode rever o contrato (onerosidade excessiva). Foi o caso dos contratos de leasing, feitos em Dólar. Nestes casos, este princípio pode ser quebrado. Esta teoria só pode ser argüida nas prestações continuadas. Além disso, para argüi-la, deve-se estar em dia com as obrigações. TEORIA DA IMPREVISÃO – Alguns autores falam na cláusula rebus sic stantibus (Teoria da Imprevisão). Outros autores dizem ainda que não há diferença nenhuma entre as duas teorias. 4. CONSENSUALIDADE OU CONSENSUALISMO O contrato resulta do consenso, do acordo de vontades, independentemente da entrega da coisa. Os contratos são, em regra, consensuais. Alguns, no entanto, são reais, porque se aperfeiçoam com a entrega da coisa. É o caso, por exemplo, do contrato de depósito, de comodato e de mútuo. Os contratos se perfazem com o consenso. Não é preciso a entrega da coisa. Os contratos se aperfeiçoam sem a necessidade da entrega da coisa. Há exceções, que são o DEPÓSITO, o MÚTUO e o COMODATO. No caso da venda de um imóvel, tem que ser feito o registro da escritura (direito real). Atualmente a promessa de compra e venda é um direito real. 5. BOA-FÉ Exige que as partes se comportem de forma correta, clara, transparente, sem segundas intenções, não somente durante as tratativas, como também durante a formação e o cumprimento do contrato. Se coaduna com o seguinte princípio de Direito: "ninguém pode beneficiar-se da própria torpeza". Significa transparência, ética. As partes têm que ser transparentes desde as tratativas até o cumprimento do contrato.

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PROBIDADE Significa honradez. advogado prestigiado. Trata-se. 8. neste caso. No entanto. dar em penhor uma coisa que não lhe pertence (sem que ela tenha poderes para isto). está dentro do princípio da boafé. PRESSUPOSTOS São as condições sob as quais se desenvolve e pode desenvolver-se o contrato. Somente as partes que contrataram podem pleitear alguma coisa (ou seus sucessores). Muitas vezes ocorre divergência entre a vontade real e a declarada. etc). No entanto. Pressupostos e requisitos de validade do contrato 1. indispensáveis à validade de qualquer contrato. a. o ato está produzindo efeitos (o nulo convalece).6. cantor conhecido. FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO O contrato foi feito para gerar circulação de riqueza. Idoneidade do objeto É necessário que seja um objeto lícito e possível. Legitimação das partes Para exercer o direito de ação. Também não é possível um contrato sobre o transporte de uma praia. Este princípio. b. de um objeto ilícito. o objeto é impossível. não basta ao titular ser capaz. Não é possível que a herança de uma pessoa viva constitua objeto de contrato (art. por exemplo. RELATIVIDADE A força de lei que a convenção adquire somente se manifesta entre os próprios contratantes e seus sucessores. se a obrigação for personalíssima (infungível). os sucessores não poderão pleitear nada. REQUISITOS São considerados elementos intrínsecos. Neste caso. Sujeitos É necessário que haja capacidade das partes (agente capaz). segundo o entendimento de alguns autores. É o caso. 1. Há casos em que nem mesmo aos herdeiros se manifesta a força contratual. 7. Somente eles podem ter direitos e deveres. Consentimento A declaração de vontade há de ser emitida em correspondência ao conteúdo do contrato que o declarante tem em vista. Requer ainda que seja parte legítima e tenha interesse a ser protegido. por exemplo. se o sujeito é absolutamente incapaz e ninguém reclama. c. Uma pessoa não pode. 426 NCC). dos contratos personalíssimos (cirurgião plástico famoso. Agrupam-se em três categorias: a. A regra é que o nulo não convalece. São vícios do consentimento: • O erro 4 .

Quando há aceitação. Ao pegar o contrato de venda de um imóvel e levar a registro imobiliário. • Compra de imóvel pelo Sistema Financeiro de Habitação. Objeto É a prestação das partes. O contrato é um direito obrigacional. O contrato. feita pelo policitante ou proponente à outra parte. • Compra de lote em loteamento. Esta é diferença entre o direito real e o direito obrigacional. denominada oblato ou solicitado. PROPOSTA 5 . 156 NCC) ð novo! É a motivação econômica do contrato. No caso dos bens móveis a tradição é a entrega da coisa. Os dois elementos imprescindíveis para a formação do contrato são: • A proposta e • A aceitação O vínculo contratual nasce quando a proposta e a aceitação se integram. a. Em ambos os casos a compra pode ser feita por instrumento particular. Os contatos formais ou solenes constituem exceção (art. Causa b. O contrato consensual torna-se perfeito e acabado no momento em que nasce o vínculo entre as partes. 157 NCC) ð novo! O estado de perigo (art. Basta a formalização (a assinatura). não há necessidade da entrega da coisa. o oblato torna-se aceitante. Há duas exceções ao fato da compra de imóveis exigir instrumento público. No caso dos bens imóveis. No direito real há a necessidade da tradição. NULIDADE • É a sanção por meio da qual a lei priva de eficácia o contrato que é celebrado contra preceito • Pode ser total (atinge todo o contrato) ou parcial (atinge apenas uma ou algumas de suas cláusulas). denominada POLICITAÇÃO. • Pode ser arguída por qualquer interessado. Formação dos contratos A formação do contrato nasce com a assinatura. nasce um direito real (com a transcrição do contrato no registro imobiliário). O direito real só se aperfeiçoa com a entrega da coisa. a entrega é o registro da escritura. 108 NCC). • Não convalece pelo decurso de tempo. Forma Vigora o princípio da forma livre. pressupõe uma proposta. c. como acordo de vontades.• • • • O dolo A coação A lesão (art. É o que leva o contratante a perseguir seu objeto. Já no direito pessoa (caso dos contratos).

não têm força vinculante. uma das partes pode pretender apenas obter informações para saber se interessa ou não o contrato. O inconveniente desta teoria é deixar ao arbítrio do proponente a formação e o momento do contrato. Já no contrato entre ausentes. Mas os incisos do art. telegrama. Algumas vezes há necessidade de escritura pública (caso de venda de imóvel de valor superior a 30 6 . Entre pessoas presentes. As indagações. apontamentos. pois poderia. troca de cartas para esclarecimentos. TEORIA DA EXPEDIÇÃO Considera-se aperfeiçoado o contrato epistolar no momento em que o oblato expedisse a aceitação. não vinculam as partes. encontramos as teorias da: • Informação ou cognição • Agnição ou declaração • Expedição TEORIA DA INFORMAÇÃO OU COGNIÇÃO Considera-se aperfeiçoado o contrato epistolar (por correspondência) somente quando a aceitação chega ao conhecimento do proponente. NEGOCIAÇÕES PRELIMINARES Antes de aceitar. nos termos do art. Deve conter todas as cláusulas essenciais.É a firme declaração receptícia de vontade dirigida à pessoa com a qual pretende alguém celebrar um contrato ou um ato público. o contrato se forma onde elas se encontram. 435. acolheu a Teoria da Expedição. pois o aceitante poderia alegar que não o aceitou. Interessa saber onde os contratos se formam para determinar o foro competente. por exemplo. o contrato se forma no lugar em que foi proposto. O contrato entre presentes é realizado por pessoas que estejam juntas ou mediante acordo telefônico. 434. visitas. não advém a obrigação de contratar. Lugar da formação dos contratos O contrato reputa-se celebrado onde foi proposto. Uma crítica a esta teoria é o fato de que ela deixa ao arbítrio do aceitante a formação e o momento do contrato. TEORIA DA AGNIÇÃO OU DECLARAÇÃO Considera-se aperfeiçoado o contrato epistolar desde o momento em que o oblato aceitasse a proposta. Para verificar o momento exato da formação do contrato é preciso distinguir os contratos entre presentes e entre ausentes. ou seja. fax). Estas etapas estão no âmbito das tratativas. Entre pessoas distantes uma da outra. Forma e prova dos contratos Aplica-se à prova dos contratos o disposto em relação aos atos jurídicos em geral. 434 apresentam exceções a esta teoria. de modo que o consentimento do oblato implique a formação do contrato. em seu art. também denominado contrato por correspondência (efetuado por carta. O nosso Código Civil de 2003. minutas. o proponente dizer que não recebeu a aceitação.

Este direito é pessoal (obrigacional). ou se a compra é de um lote. são aplicáveis a interpretação literal. nada impede que a prova seja feita mediante a apresentação de um documento denominado "começo de prova por escrito". 112. não se poderá fazer o registro (no registro de imóveis). 819. Há exceções: se a compra foi feita pelo Sistema Financeiro de Habitação. O art. É um direito pessoal entre as partes. e da fiança. sociológica. salvo quando a lei exigir. neste caso ocorrerá uma inversão do ônus da prova. Exemplo: um contrato verbal de locação pode ser provado pelo recibo dado pelo locador ao locatário. 112 (intenção das partes). São aplicáveis os princípios gerais de interpretação da lei. 113. Há de ser feita uma interpretação sistemática (Código Civil + CPC). É admissível a prova testemunhal em negócios jurídicos de maior valor existindo começo de prova por escrito. 113 (boa-fé e usos do lugar). esta pode ser feita por instrumento particular (e pode-se registrar no RGI). este contrato acessório também tem que ser por escrito): • Encontramos o princípio do respeito à intenção das partes no art. • Encontramos o princípio da boa-fé e do uso do lugar onde ocorreu a celebração no art. além disso. Se um locatário faz o pagamento dos alugueres mediante cheque nominal ou depósito em conta corrente do locador. Mas pode ser feita por instrumento público.vezes o maior salário mínimo vigente no país). a regra geral é que os contratos são de forma livre. pode o contrato tanto ser verbal como por escrito. 114. por analogia). 401 do CPC. Interpretação dos contratos Toda manifestação de vontade necessita de interpretação para que se saiba o seu significado. sistemática e lógica. Se um imóvel for comprado por escritura particular. • Encontramos a interpretação restritiva dos contratos benéficos em geral no art. havendo normas próprias de hermenêutica. No Direito brasileiro. Sendo o valor maior que 10 vezes o salário mínimo. Mesmo tratando-se de um contrato verbal. 114 (interpretação estrita) e 819 (não admite a interpretação extensiva da fiança. a prova não pode ser exclusivamente testemunhal. complementando-se com a prova testemunhal. 7 . Segundo o art. cabendo ao locador provar que as quantias recebidas correspondiam a outro negócio existente entre as partes (aplicação do CDC. 107. OBSERVAÇÃO: O contrato de fiança tem vênia conjugal (os dois cônjuges têm que assiná-lo). o Código Civil fixa os princípios de hermenêutica contratual nos seus arts. no art. tendo em vista a falta de técnica com a qual são feitos os contratos. realizando-se por documento particular ou público. Quando não há exigência legal quanto à forma. 108 dispõe sobre a escritura pública de direitos reais sobre imóveis de valor superior a 30 vezes o maior salário mínimo do país. O valor da prova testemunhal é limitado aos contratos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior valor de referência do salário mínimo. onde não se admite interpretação extensiva. Ou seja. conforme dispõe o art. histórica. e não real.

extingue ou modifica obrigações. quanto aos efeitos. devemos dar importância aos arts. promessa de recompensa. etc). e redigidos de modo obscuro. Com relação ao CDC. Classificação dos contratos Os contratos dividem-se. • O art. Já nos contratos bilaterais. ou de crédito. Este termo tem origem na palavra grega sinalagma. O ato jurídico bilateral torna-se contrato quando cria. A tradição. Quando ocorre mais de uma declaração de vontade. gera obrigações para ambos os contratantes – obrigações recíprocas. modifica. O CDC também prevê a inversão do ônus da prova: cabe ao fornecedor provar tudo aquilo que o consumidor está afirmando. seu conteúdo é exclusivamente patrimonial. 481) – o comprador deve pagar o preço e o vendedor deve entregar a coisa. inexistindo qualquer obrigação por parte do donatário. se dá com a inscrição da estrutura no registro imobiliário. Um exemplo é a adoção pura: somente o doador se obriga. onde o locador cede o uso e gozo (fruição) do objeto. No momento da formação do contrato de compra e venda o comprador não adquire a coisa. com preço pago. que significa reciprocidade de prestações. de conteúdo exclusivamente patrimonial (exemplo: locação. Ele adquire um mero direito obrigacional (pessoal). Não é contrato quando cria. Ele só será o proprietário da coisa quando houver a tradição. na coisa móvel. Um exemplo é o contrato de compra e venda (art. a simples formação do contrato. este será unilateral. O mesmo ocorre na locação de coisas. o ato jurídico passa a ser bilateral. Na coisa imóvel. 46 impõe a ineficácia para os contratos não comunicados previamente de seu conteúdo ao consumidor. Alguns julgadores entende que somente um dos cônjuges assinou. O casamento e a adoção criam deveres jurídicos sem conteúdo patrimonial (existe dever de assistência moral. casamento – são atos jurídicos bilaterais). denominados contratos sinalagmáticos. extingue direitos ou deveres sem conteúdo patrimonial (exemplo: adoção. educacional. CONTRATOS UNILATERAIS b. ambas as partes têm dever jurídico. Classificação dos contratos baseada no número de partes contratantes sobre as quais recai o dever jurídico Se somente um dos contratantes tiver dever jurídico em virtude do contrato. etc. Ocorre ato jurídico unilateral quando só há uma única declaração de vontade. ou seja.Denomina-se outorga uxória. em: a. CONTRATOS PLURILATERAIS Não devemos confundir o ato jurídico unilateral com o contrato unilateral. 47 assevera que as cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor. Na classificação dos atos jurídicos atende-se o número de declarações de vontade. Numa compra e venda. e o locatário deve pagar o aluguel. Exemplo: testamento. devendo entregar ao donatário a coisa doada. Quando ocorre a doação de um bem. 46 e 47: • O art. não gera para o comprador a propriedade (não cria para ele 8 . mas falta o conteúdo exclusivamente econômico). podendo ou não ter natureza contratual. ele só responderá pela parte dele. compra e venda. se dá com a entrega da coisa.

pode-se reservar para si o usufruto daquilo que está sendo doado. Há. o doador só tem sacrifício. Ele só passa a ser proprietário da coisa com a tradição. por sua vez. no mínimo.um direito real). uma praça. Sob os efeitos que acarreta. É o caso da compra e venda. de duas manifestações de vontade. Na doação. em razão de certas 9 . enquanto que o donatário só tem vantagem (ele apenas tem que ir ao cartório dizer que aceita a doação). Os que geram obrigações recíprocas são bilaterais (contratos sinalagmáticos – geram obrigações recíprocas). os contratos se classificam em unilaterais e bilaterais. e os que criam obrigações unicamente para um dos contratantes são chamados unilaterais. uma escola. Há uma reciprocidade entre vantagem e sacrifício. contratos tipicamente comutativos. pois somente se constitui mediante concurso de vontades. etc. Contratos onerosos Ambos os contratantes obtêm proveito. porque todo contrato resulta. Na compra e venda. Sob o critério da formação. sendo unilateral. ou seja. ao qual corresponde um sacrifício. o contrato é sempre bilateral. e tem o sacrifício de pagar o preço. A doação com encargo é um contrato unilateral imperfeito (enquanto que a doação pura é um contrato unilateral). Na doação pura. só há obrigação. Pode-se também colocar uma cláusula de reversão (doar para o filho e colocar cláusula de reversão para o caso da morte do filho). Contratos gratuitos ou benéficos São contratos em que apenas uma das partes aufere benefício ou vantagem. Os contratos onerosos subdividem-se em COMUTATIVOS e ALEATÓRIOS. como a compra e venda. é um ato jurídico unilateral. obrigando-o a construir um monumento. onde as partes podem antever as vantagens e os sacrifícios. torna-se bilateral em virtude de uma modalidade ou cláusula contratual. A doação com encargo importa em transformação do contrato em bilateral. Comutativos são aqueles de prestações certas e determinadas. enquanto que o testamento. Para a outra parte. o vendedor tem a vantagem ou benefício de receber o preço. ela é considerada como direito real. É o caso da doação pura. A doação pura é diferente da doação com gravame. que. Já o comprador tem a vantagem ou benefício de receber a coisa. e tem o sacrifício de entregar a coisa. A doação é um contrato. É uma categoria intermediária entre os contratos unilaterais e os contatos bilaterais. Um exemplo é o contrato de doação (unilateral por excelência) com a criação de um encargo para o donatário. que geralmente se eqüivalem porque não envolvem nenhum risco. Se a promessa de compra e venda for registrada. Parece absurdo denominar-se um contrato de unilateral. Contratos unilaterais imperfeitos Alguns autores os denominam contratos bilaterais imperfeitos. porém. É o caso da compra e venda. sacrifício.

2. não podendo modificá-lo. enquanto que outros entendem que é uma responsabilidade objetiva (é um fato previsível. São exemplos a compra e venda a prazo e o contrato de locação (pagamento do aluguel). risco. CONTRATOS DE EXECUÇÃO DIFERIDA Devem ser cumpridos em um só ato. VENDA DE COISAS FUTURAS – Caracteriza-se quando alguém vende a colheita futura declarando que a venda ficará perfeita e acabada haja ou não safra. CONTRATOS DE TRATO SUCESSIVO OU DE EXECUÇÃO CONTINUADA Estes contratos são aqueles que se cumprem por meio de atos reiterados. porque se encontram em pé de igualdade. devido à preponderância da vontade de um dos contratantes. Alguns autores entendem que o assalto a ônibus é um fato fortuito externo. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA RESPONSABILIDADE OBJETIVA • Dano • Nexo causal • Culpa (lato sensi – abrange também o dolo) • Dano • Nexo causal Momento em que os contratos devem ser cumpridos 1. VENDA DE COISAS EXISTENTES MAS EXPOSTAS A RISCO – Os CONTRATOS ALEATÓRIOS caracterizam-se pela incerteza para ambas as partes. acaso. Contratos de adesão Não permitem esta liberdade. energia elétrica. mas a entrega da coisa se dá em momento futuro. O Princípio da Onerosidade Excessiva só se aplica a estes contatos. Um exemplo é o contrato de compra e venda. o contrato com concessionárias de serviço público (água. com relação às vantagens e sacrifícios que um deles pode advir. São exemplos o seguro.circunstâncias. 10 . Um exemplo são os contratos de jogo. 3. Estes são de duas espécies: 1. sendo cumpridos imediatamente após a sua celebração. o consórcio. que elabora todas as cláusulas. por isso. Contratos paritários São os contratos do tipo tradicional. Esta é a regra mas. tornam-se aleatórios e. Um exemplo é um contrato onde fica pactuado que a entrega da coisa será em data futura (uma colheita. O outro adere ao modelo previamente confeccionado. etc). algumas vezes não ocorre assim. o contrato bancário. no entanto. CONTRATOS DE EXECUÇÃO INSTANTÂNEA OU IMEDIATA Estes contratos se consumam num só ato. em que as partes discutem livremente as condições. por exemplo). denominam-se CONTRATOS ACIDENTALMENTE ALEATÓRIOS. pelo menos na cidade do Rio de Janeiro). Um exemplo é a compra e venda à vista. pois a perda ou lucro dependem de um fato futuro que significa sorte. 2. como no caso do contrato bancário. as apostas e o seguro. Alguns autores incluem como exemplo o transporte coletivo (que é um contrato verbal).

se configurará o esbúlio possessório. com uma oficina mecânica. São exemplos o contrato de locação e o contrato de comodato. constitui a substância do ato. É o caso de um contrato feito com um cantor famoso. esta é a regra. 6. 3. O que importa é que seja executado. Art. São intransmissíveis aos sucessores. Um exemplo é o contrato com um pintor de parede. bastando o consentimento para a sua formação. Com relação ao sublocatário. CONTRATOS DERIVADOS OU SUB-CONTRATOS São os que têm por objeto direitos estabelecidos em outro contrato. CONTRATOS CONSENSUAIS São os que se aperfeiçoam. denominado principal. CONTRATOS IMPESSOAIS São aqueles cujas prestações podem ser cumpridas pelo obrigado ou por um terceiro. com prazo para desocupação (se ele não desocupar.Tipos de contrato 1. 482). com o consentimento. Ou então. há uma infração contratual. CONTRATOS PERSONALÍSSIMOS OU INFUNGÍVEIS OU INTUITO PERSONA São os celebrados em atenção às qualidades pessoais de um dos contratantes. CONTRATOS PRINCIPAIS São os que têm existência própria e não dependem de qualquer outro. CONTRATOS SOLENES São os que devem obedecer à forma prescrita em lei para se aperfeiçoarem. independentemente da entrega da coisa (art. 2. 108). que enseja uma reintegração de posse). deve-se discriminar o locador ou terceiros ocupantes. com um empreiteiro. 5. o contrato de locação e o comodato. São exemplos o contrato de compra e venda. São exemplos a fiança (cujo contrato principal é o contrato de locação) e a cláusula penal. Um exemplo é a escritura de compra e venda de imóvel cujo valor seja superior a 30 salários mínimos (art. 7. o obrigado não pode fazer-se substituir por outrem. na petição inicial da ação de despejo. etc. CONTRATOS NÃO SOLENES São os contratos de forma libre. Quando a forma é exigida como condição de validade do negócio. 184. com um advogado famoso (desde que a procuração não tenha poderes para substabelecer. quando então o contrato deixa de ser personalíssimo). Pode ser verbal ou escrito. 8. 11 . e a ação é de despejo. Em regra. ele deverá ser notificado (para constituir em mora). 4. CONTRATOS ACESSÓRIOS São os que têm uma existência subordinada à do contrato principal. Por isso. Eles seguem o destino do principal: nulo este. com um cirurgião plástico famoso. Se o contrato não permite a sublocação e o locatário subloca. e não podem ser objeto de cessão. os contratos têm forma livre. mas existem exceções no caso da compra de imóveis pelo Sistema Financeiro de Habitação e no caso da compra de lotes – em ambos pode ser utilizado instrumento particular. nulo também será o negócio acessório. São exemplos a sublocação e a sub-empreitada.

podendo. 476. antes de cumprir a sua obrigação. acarreta a nulidade absoluta ou a nulidade relativa. Defeitos decorrentes do não preenchimento de seus REQUISITOS SUBJETIVOS (capacidade das partes e libre consentimento). 9. Trata-se de cláusula solve et repete. coação. Em conseqüência. O cumprimento é o fim normal do contrato. exigir a do outro. Se não foi estipulado o momento da execução. produzem os efeitos que lhes são próprios e extinguem-se. visto que a essência dos contratos bilaterais é o sinalagma (reciprocidade das obrigações). 12 . O cumprimento da prestação libera o devedor e satisfaz o credor. Exemplos: 1. além do consentimento. Nesta hipótese. A exceção de inadimplemento somente pode ser oposta quando a lei ou o próprio contrato não determinar a quem cabe primeiro cumprir a obrigação. tem direito de invocar a exceção do contrato não cumprido. é válida a cláusula contratual que restringe o direito das partes de se utilizarem do art. dolo. Se forem sucessivas não cabe a aludida exceção. • NULIDADE RELATIVA (anulabilidade) Advém de imperfeição da vontade. Extinção dos contratos Os contratos se extinguem normalmente por sua execução voluntária. São exemplos o comodato. considerando o princípio da continuidade dos serviços públicos. CONTRATOS REAIS São os que exigem. em regra. a entrega da coisa que lhes serve de objeto. entendem-se simultâneas as prestações. Algumas vezes o contrato extingue-se antes de ter alcançado o seu fim. o depósito e o mútuo. e impede que o contrato produza efeitos desde a sua formação (ex tunc). pela execução. para se aperfeiçoarem. pela qual obrigase o contratante a cumprir a sua obrigação mesmo diante do descumprimento da do outro. A extinção dá-se . Esta cláusula é encontrada nos contratos administrativos. de seus REQUISITOS OBJETIVOS (objeto lícito e possível) e de seus REQUISITOS FORMAIS (forma prescrita em lei). diferida ou continuada. ou seja. Ela ou é emanada de um relativamente incapaz não assistido ou então contém algum dos vícios de consentimento (erro. lesão). • NULIDADE ABSOLUTA Decorre de transgressão a um preceito de ordem pública. as prestações têm que ser simultâneas. CAUSAS ANTERIORES OU CONTEMPORÂNEAS (extinção dos contratos por anulação) a. fraude. Os contratos em geral têm um ciclo: nascem do acordo de vontades. sem que as obrigações tenham sido cumpridas voluntariamente. é consensual. conforme dispõe o art. Nos contratos bilaterais nenhum dos contratantes pode. posteriormente. Com relação ao art. 476. que afetam a validade do negócio.O contrato de compra e venda. de modo geral. 477. seja instantânea. voltar-se contra a outra parte para pedir o cumprimento da prestação ou as perdas e danos. Em homenagem ao princípio da autonomia da vontade.

420).Como pode ser sanada. autoriza qualquer das partes a rescindir o ajuste mediante declaração unilateral da vontade. sobrevenham. É o remédio concedido à parte para romper o vínculo contratual mediante ação judicial. dificultando o cumprimento da obrigação por parte de um dos contratantes. e até mesmo não argüida no prazo prescricional. Possui uma modalidade. mas a toda a qualquer pessoa que se encontra naquela mesma posição (caso do leasing. RESILIÇÃO Modo de extinção dos contratos por vontade de um ou dos dois contratantes. Admite-se como causa de resolução dos contratos comutativos de execução diferida. pois a regra é a impossibilidade de um contratante romper o vínculo contratual por sua exclusiva vontade. a excessiva onerosidade que. continuada ou periódica. 474 e 475 NCC. art. Um exemplo é uma execução continuada cujo contrato seja por prazo indeterminado (qualquer uma das partes pode romper). por exemplo. ou TÁCITA. que é a redibição (existência de vício redibitório como. b. CAUSAS SUPERVENIENTES À FORMAÇÃO DO CONTRATO a. • CONDIÇÃO RESOLUTIVA Pode ser EXPRESSA quando convencionada para a hipótese de inadimplemento. reza ter 1000m2 e. não extinguirá o contrato enquanto não se ajuizar uma ação que a decrete. quando se faz a medição. 1. Em todo contrato bilateral há uma cláusula resolutiva TÁCITA. sujeitando-se à perda do sinal (art. Não é cabível a onerosidade excessiva nos contratos aleatórios. • DIREITO DE ARREPENDIMENTO Quando expressamente previsto no contrato. sendo ex nunc os efeitos da sentença. por exemplo). A prestação não deve ser excessivamente onerosa apenas em relação ao devedor. O modo normal da resilição bilateral é o DISTRATO. na compra de um terreno que. mediante o negócio extintivo. 13 . observa-se que tem 850 m2). Outro exemplo é o mandato (que pode ser revogado). em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. 53 CDC). • RESILIÇÃO UNILATERAL Pode ocorrer somente em determinados contratos. autorizando o lesado pelo inadimplemento a pleitear a resolução do contrato com perdas e danos (arts. RESOLUÇÃO Decorre de comportamento culposo de um dos contratantes. Emprega-se também o vocábulo RESCISÃO. causando prejuízo ao outro. na escritura. • RESILIÇÃO BILATERAL As próprias partes deliberam dissolvê-lo. Produz efeitos ex tunc.

portanto. Tratando-se de um bem imóvel. Ambas as partes têm dever jurídico. manifestado no contrato. só existe o direito real quando o contrato é levado a registro (quando então o comprador passa a ser o proprietário). No direito brasileiro e no direito alemão o contrato de compra e venda não transfere a propriedade. 2. ele cria a obrigação de transferir a propriedade. A compra e venda. Art. o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. Parágrafo único. quando um contrato é celebrado. Subentende-se a tradição quando o transmitente continua a possuir pelo constituto possessório. determinada soma de dinheiro ou valor fiduciários equivalente" (Orlando Gomes). 1. recebendo. realizando-se a transferência pela tradição (bens móveis – art. Neste caso. CESSAÇÃO Quando ocorre a morte de um dos contratantes. que se encontra em poder de terceiro.a. Ele é. 1. § 1o Enquanto não se registrar o título translativo. 1245). O direito francês e o direito italiano admitem a transferência da propriedade pelo simples consenso entre as partes. a transferência do domínio de determinado bem mediante uma contraprestação em dinheiro. em contraprestação. se diz que ele inadimpliu com a obrigação. o negócio jurídico em que as partes visam. 482): Art. Art. A propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição. quando cede ao adquirente o direito à restituição da coisa. desde que as partes acordarem no objeto e no preço. No caso de um bem móvel. CONSENSUAL Se aperfeiçoa com o acordo de vontades. considerar-se-á obrigatória e perfeita. BILATERAL OU SINALAGMÁTICO Pois gera obrigações recíprocas para o comprador (de pagar o preço em dinheiro) e para o vendedor (de transferir o domínio da coisa).245. ou quando o adquirente já está na posse da coisa. ele gera um mero direito pessoal.267. § 2o Enquanto não se promover. a decretação de invalidade do registro. quando pura. e o respectivo cancelamento. Se o vendedor não entregar a coisa. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. No Brasil. o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. por meio de ação própria. 1267 e bens imóveis – art. a propriedade é transferida no momento da entrega da coisa (quando ocorre a tradição). 482. 14 . CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO DE COMPRA E VENDA 1. como vantagem econômica. Contrato de Compra e Venda O contrato de compra e venda é "aquele pelo qual uma das partes se obriga a transferir a propriedade de uma coisa à outra. por ocasião do negócio jurídico. independentemente da entrega da coisa (art.

quando pura. Em certos casos se exige a escritura pública. as prestações são certas e as partes podem antever as vantagens e os sacrifícios. a forma dos contratos é livre. Um exemplo de contrato aleatório é a venda de uma colheita futura. mas há exceções. por exemplo. ou seja. ao qual corresponde um sacrifício. 1.cabe ação. e o outro. a pagar-lhe certo preço em dinheiro. os contratos de compra e venda são cumutativos. Vendedor PROVEITO = receber o preço SACRIFÍCIO = entregar a coisa Comprador PROVEITO = receber a coisa SACRIFÍCIO = pagar o preço 4. como nos casos do financiamento pelo SFH e do loteamento. art. Art. 11 – Loteamentos • Lei 6766/79. não solene (não exige solenidade). Nestes casos. CUMUTATIVIDADE Em regra. art. considerar-se-á obrigatória e perfeita. Não dispondo a lei em contrário. 26 ELEMENTOS ESSENCIAIS NO CONTRATO DE COMPRA E VENDA Art. art. proposta pelo comprador. ONEROSIDADE Ambos os contratantes obtêm proveito. um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. desde que as partes acordarem no objeto e no preço. 3. 481. que geralmente se equivalem. pode-se utilizar o instrumento particular. §5º . FORMA LIVRE Em regra. A compra e venda. como. 108: Art. 108. ou seja. 5. 482. Pelo contrato de compra e venda. 108.Sistema de Habitação • Decreto-Lei 58/37. venha ou não a haver safra. a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição. Estes exemplos de exceções quando à necessidade de escritura pública encontram-se nas seguintes legislações: • Lei 4380/64. no caso do art. transferência. modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. 61. No caso do art. a substância do ato é a escritura pública. podendo transformar-se em aleatório quando tem por objeto coisas futuras ou coisas existentes mas sujeitas a risco. CONSENSO (manifestação de vontade) 15 .

É ilícita a venda de herança de pessoa viva (art. Se o comprador tinha conhecimento de que a pessoa se encontrava viva. O herdeiro pode fazer uma cessão de direitos hereditários. Somente é lícita a cessão de direitos hereditários (pessoa morta). por exemplo. estará sujeito a uma regra em Direito segundo a qual não se pode alegar o desconhecimento da lei. tais como o ar. denomina-se CESSÃO. as próprias e as alheias. VENDA DE COISA ALHEIA: Nada obsta que se efetue a venda de bem que ainda não lhe pertence. Este contrato será nulo. O cessionário entra no processo sucessório na qualidade de herdeiro. a não ser que os herdeiros já tenham elaborado a partilha. Se for 16 . a luz natural. 426): Art. COISA 3. Se o vendedor consegue adquiri-lo para fazer a entrega prometida. Neste caso. o ato é nulo. o cessionário se torna titular das relações jurídicas da sucessão. as futuras. Neste caso. existe entendimento de que. Se o vendedor não entregar a coisa. ainda não há como discriminar o(s) bem(ns). Se um herdeiro quiser vender um bem. praias e estradas. mas sim transfere o patrimônio ativo e passivo tal qual como se encontrava no momento da abertura da sucessão. Com ela. PREÇO EM DINHEIRO Faltando um desses elementos. uma vez que o herdeiro não vende os bens que lhe caberão no quinhão. e bens públicos tais como praças.2. o cessionário pode até mesmo abrir o inventário. resolve-se em perdas e danos (toda obrigação não cumprida resolve-se em perdas e danos. compreendidos os direitos. Um exemplo são os frutos de colheita esperada. A cessão não tem a finalidade de transferência do domínio. mas apenas cria a obrigação de transferi-la. Não é possível discriminar o(s) bem(ns). A cessão de direitos hereditários cede o todo. a venda resolve-se em perdas e danos. No entanto. PREÇO É a quantia que o comprador se obriga a pagar ao vendedor. porque este só se exerce sobre coisas. Uma vez que o contrato não transfere a propriedade do bem. 426. ele é obrigado a dar preferência aos demais herdeiros. é lavrada uma escritura (escritura de cessão de bens hereditários). se o comprador alegar que foi levado a erro. A venda de bens incorpóreos. e deve consistir em dinheiro. nada impede a venda de coisa que ainda não existe. O vendedor só está obrigado a garantir a sua qualidade de herdeiro. as coisas presentes. Caso contrário. COISA Em princípio. configura-se uma fraude. se o juiz ainda não homologou a partilha. cumprirá a obrigação. Ainda nestes casos. o negócio jurídico pode ser anulado. Admite-se a venda de coisas futuras. Na cessão de herança. todas as coisas no comércio podem ser objeto de venda: os bens corpóreos. a água fluente. a não ser que se comprove o caso fortuito ou força maior). Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. Existem coisas que não podem ser vendidas.

lugar e pelo modo ajustados. uma DAÇÃO EM PAGAMENTO (que é uma forma de extinção da obrigação). sob pena de anulabilidade do negócio jurídico. vil. ou lhe diminuam o valor. pois é inadmissível o preço simulado. • EVICÇÃO Art. o alienante responde pela evicção. e que já tiverem sido postas à disposição do comprador. O ato é anulável. • VÍCIO REDIBITÓRIO Art. pesando. Nos contratos onerosos. o contrato define-se como PERMUTA OU TROCA. A substituição de dinheiro por outra coisa. neste caso. bastando que constitua a parcela principal (maior). os casos fortuitos. pois não é um ato perfeito. se estiver em mora de as receber. que comumente se recebem. § 2o Correrão também por conta do comprador os riscos das referidas coisas. Não se exige que seja exclusivamente em dinheiro. ocorrentes no ato de contar. O preço deve ser sério. O responsável tem que ratificar. haverá. Subsiste esta garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública. depois de concluído o contrato. 492. irrisório. consentida pelo vendedor. e os do preço por conta do comprador. CONSENTIMENTO Deve ser livre e espontâneo. ABSOLUTAMENTE INCAPAZ O ato é anulável. Requer capacidade das partes. Até o momento da tradição. 441. DEVERES DECORRENTES DA LEI • VÍCIOS Art. Trata-se de exceção da regra de que "o nulo não convalece jamais" (Orlando Gomes) Regra: a nulidade absoluta não convalece. 17 . os riscos da coisa correm por conta do vendedor.outra coisa. não o converte em troca ou permuta. que a tornem imprópria ao uso a que é destinada. contando. O preço deve ser fixado em moeda corrente do país. medindo ou assinalando. § 1o Todavia. 447. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos. quando postas à sua disposição no tempo. ELEMENTOS SECUNDÁRIOS OU NATURAIS Ao lado dos elementos essenciais existem elementos secundários que se presumem existentes na compra e venda: 1. correrão por conta deste. marcar ou assinalar coisas. RELATIVAMENTE INCAPAZ Pode vender.

VENDA AD CORPUS Se faz sem determinação da área do imóvel ou estipulação do preço por medida de extensão. 496): Art. Em vez de rejeitar a coisa. dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação obrigatória. O vendedor é o responsável pelas certidões negativas (despesas da tradição). 442 fala do ato de REDIBIR (rescindir). O bem é vendido como corpo certo. • O comprador pode reclamar abatimento através da AÇÃO ESTIMATÓRIA ou quanti minoris. Isto de destina a evitar quaisquer fraudes. VENDA AD MENSURAM 18 . individualizado por suas características e confrontações. 441). Salvo cláusula em contrário. nos termos do art. CORREM POR CONTA DO COMPRADOR AS DESPESAS DE ESCRITURA. não sendo o vendedor obrigado a entregar a coisa antes de receber o preço. Não sendo a venda a crédito.A doação pura é um contrato gratuito e. 491. quando for rural. caso o casamento tenha sido realizado em comunhão de bens. 50% da outra metade constituem a legítima e os outros 50% constituem a parte que o testador pode dispor como quiser. salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Já na doação com encargo. o vendedor não é obrigado a entregar a coisa antes de receber o preço. 442. metade do patrimônio pertence à meeira. Numa sucessão. • O art. E POR CONTA DO VENDEDOR AS DE TRADIÇÃO: Art. portanto. Os ascendentes não podem vender ao descendente sem que os outros descendentes expressamente consintam (art. A venda à vista é realizada mediante o pagamento do preço. 491: Art. 496. pode o adquirente reclamar abatimento no preço. não é possível aplicar o instituto da evicção. é possível. • A AÇÃO REDIBITÓRIA e a AÇÃO ESTIMATÓRIA são as duas espécies do gênero AÇÃO EDILÍCIA. e a cargo do vendedor as da tradição. a mais importante distinção se faz entre a venda ad corpus e a venda ad mensuram. Em ambos os casos. ficarão as despesas de escritura e registro a cargo do comprador. A referência à dimensão não descaracteriza a venda ad corpus se não tem a função de condicionar o preço. da AÇÃO REDIBITÓRIA. redibindo o contrato (art. MODALIDADES ESPECIAIS DE VENDA Dentre as vendas imobiliárias. Art. 490. e também por sua denominação. Parágrafo único. 1. É anulável a venda de ascendente a descendente. ou seja. O imposto de transmissão inter vivos (ITBI) deve ser pago pelo comprador.

Se a duas ou mais pessoas couber o direito de retrato sobre o mesmo imóvel. fazendo com que prevaleça uma espécie de pacto comissório. poderá ser exercido contra o terceiro adquirente. extingue todos os direitos de terceiros posteriores à alienação primitiva. por exemplo.Na venda ad mensuram a determinação da área do imóvel constitui elemento determinante da fixação do preço. 505. até e enquanto não for integralmente pago o comprador. 19 . 507. 508. se efetuaram com a sua autorização escrita.428. ou seja. de ficar com o imóvel dado em garantia. na hipótese de não pagamento do devedor. Verdadeira cláusula resolutória da propriedade. A retrovenda só se aplica aos imóveis. Art. contanto que seja integral. o comprador não tem pretensão alguma quando as dimensões do imóvel forem inferiores às que se pactuou. para exercer o direito de resgate. Parágrafo único. a partir da data da venda. É nula a cláusula que autoriza o credor pignoratício. ou para a realização de benfeitorias necessárias. só se pode pedir a complementação da área (ação ex empto). não será o vendedor restituído no domínio da coisa. RETROVENDA Encontra-se normatizada nos artigos 505 a 508: Art. inclusive as que. proibido pelo nosso Direito no tocante à garantia hipotecária (art. Observação: Se a venda for ad corpus. no máximo. Se o comprador se recusar a receber as quantias a que faz jus. Tem efeitos reais. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos. sem necessidade de que o bem seja vendido em hasta pública. A retrovenda tem sido utilizada para a garantia de direitos. que é cessível e transmissível a herdeiros e legatários. 505. as depositará judicialmente. conforme dispõe o art. 1. restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador. 3 anos. 506. e só uma o exercer. poderá o comprador intimar as outras para nele acordarem. valendo contra terceiros. Verificada a insuficiência do depósito judicial. durante o período de resgate. Parágrafo único. 1428): Art. O direito de retrato. a resolução do contrato (ação redibitória) ou o abatimento do preço (ação estimatória ou quant minores) quando a venda for ad mensuram. Art. alguém compra um terreno à razão de "x" Reais por metro quadrado). anticrético ou hipotecário a ficar com o objeto da garantia. e pode ser exercida durante um prazo de caducidade de. o vendedor. A área é expressamente condição do preço quando este se estipula por medida de extensão (quando. poderá o devedor dar a coisa em pagamento da dívida. prevalecendo o pacto em favor de quem haja efetuado o depósito. Art. substituindo a hipoteca e permitindo ao credor. Após o vencimento. se a dívida não for paga no vencimento.

tornando-se desnecessário mencioná-la expressamente (contudo. penhor e anticrese. é vedada em casos de hipoteca. nos termos da lei. no valor de R$ 300. LEI 6899 (Processo Civil) Determina a aplicação de correção monetária. Seu patrimônio incluía um imóvel avaliado em R$ 300. e não num direito real. poderá exigir a coisa do terceiro que a houver adquirido. Um dos filhos queria comprar este imóvel e seu pai.00. Os tribunais de justiça passaram a entender como nulo o pacto de retrovenda com a finalidade usurária. como ocorre na retrovenda. A estipulação do pacto comissório não afasta a intervenção judicial para a resolução do contrato (é necessário entrar com uma ação). 504. O direito de preferência é intransferível. inventariante. importando na criação de um direito obrigacional que se resolve em perdas e danos. É a cláusula resolutiva incluída numa compra e venda a prazo. Ocorre que foi feita uma escritura com o valor de R$ 50. PACTO COMISSÓRIO Encontra-se normalizado no art. 33 da Lei 8245/91. requereu alvará judicial para a venda do mesmo. 1166 do Código Civil de 1916. uma escritura de retificação. nos 20 .000. Trata-se de uma propriedade temporária. nos termos do art. A preferência tem sido assegurada ao locatário conforme dispõe o art. não há inconveniente em explicitá-la). então. pela qual se faculta ao vendedor resolver o contrato se o comprador não pagar o preço até certa data.00. ou reclamar a indenização correspondente por parte do alienante. Se a alienação ocorrer sem o conhecimento do titular do direito de preferência ou. Foi feita. deixando João. volta o bem ao patrimônio do vendedor. o que prejudicaria os demais herdeiros no momento da partilha. Maria faleceu. o pedido estará implícito. no entanto.É uma propriedade resolúvel. Esta cláusula. Desfeita a venda. sujeita a condição ou a termo resolutivos.000. seu marido (meeiro) e três filhos. na hipótese de revenda do bem. o titular da preferência declarar que pretende usar o seu direito e a venda for realizada em favor de terceiro. Orlando Gomes assevera que a cláusula está subentendida em todos os contratos bilaterais (condição resolutiva tácita). VENDA COM RESERVA DE DOMÍNIO O Código Civil de 1916 não normalizava esta hipótese.000.00. PREEMPÇÃO OU PREFERÊNCIA (artigos 513 a 520) É uma faculdade pessoal que se assegura ao vendedor para readquirir a coisa vendida em igualdade de condições com o terceiro comprador. É aplicável tanto aos bens móveis como aos bens imóveis. Se alguém entrar com ação e não requerer os juros e a correção monetária. se dada a ciência. mas o Código Civil vigente o faz.

523. Art. Na dúvida. tudo na forma da lei processual. Se o vendedor receber o pagamento à vista. automóveis e outros bens individualizados. O contrato deve ser registrado no Registro de Títulos e Documentos para surtir efeitos em relação a terceiros. só adquire a proipriedade após integralizar o pagamento do preço. Normalmente. Art. O vendedor somente poderá executar a cláusula de reserva de domínio após constituir o comprador em mora. geralmente dividido em prestações. Art. ou poderá recuperar a posse da coisa vendida. A operação financeira e a respectiva ciência do comprador constarão do registro do contrato. se não se realizar o pagamento.termos dos artigos 521 a 528: Art. posteriormente. pode o vendedor reservar para si a propriedade. Consiste na cláusula inserida na compra e venda a crédito de objetos individuados ou infungíveis. Já o comprador permanece na posse da coisa na condição de depositário. decide-se a favor do terceiro adquirente de boa-fé. serão averbadas 21 . 129. Na segunda hipótese do artigo antecedente. a partir de quando lhe foi entregue. poderá o vendedor mover contra ele a competente ação de cobrança das prestações vencidas e vincendas e o mais que lhe for devido. 525. não obstante tenha a posse da coisa comprada. 521. Não pode ser objeto de venda com reserva de domínio a coisa insuscetível de caracterização perfeita. Art. mediante protesto do título ou interpelação judicial. Art. ou. até que o preço esteja integralmente pago. A coisa deve ser inconfundível para ser passível de busca e apreensão. para estremá-la de outras congêneres. Verificada a mora do comprador. é facultado ao vendedor reter as prestações pagas até o necessário para cobrir a depreciação da coisa. A cláusula de reserva de domínio será estipulada por escrito e depende de registro no domicílio do comprador para valer contra terceiros. O excedente será devolvido ao comprador. À margem dos respectivos registros. são objetos do contrato eletrodomésticos. Art. A transferência de propriedade ao comprador dá-se no momento em que o preço esteja integralmente pago. pelos riscos da coisa responde o comprador. tendo direito a uso e gozo da coisa. a benefício de qualquer outro. 527. mediante financiamento de instituição do mercado de capitais. Art. as despesas feitas e o mais que de direito lhe for devido. Diz o art. 526. a esta caberá exercer os direitos e ações decorrentes do contrato. O vendedor prossegue sendo o proprietário da coisa até a solução do preço. pela qual o comprador. Na venda de coisa móvel. 528. 129 da Lei 6015/73 (Lei de Registros Públicos): Art. 522. Todavia. 524. e o que faltar lhe será cobrado.

quaisquer ocorrências que os alterem. se obriga a aguardar a resposta de um pretendente. também chamado de promessa de compra e venda. É necessário registrar a promessa de compra e venda. Art. O instituto da venda com reserva de domínio perdeu muito com a introdução em nosso Ordenamento Jurídico do instituto da alienação fiduciária em garantia. PROMESSA UNILATERAL DE VENDA (opção) É aquela em que uma das partes. 538. cujo preço. ou pré-contrato. no entanto. COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA O compromisso de compra e venda. poderá ser lavrada promessa de compra e venda em vez da escritura de compra e venda? Poderá ser feita uma promessa de compra e venda com quitação de preço. a comprar determinado bem. Geralmente este fato ocorre quando o comprador não dispõe ainda do valor necessário para o pagamento do imposto de transmissão. é pago parceladamente (em prestações). que tem por fim a celebração de uma escritura de compra e venda. PROMESSA DE COMPRA E VENDA BILATERAL Ocorre quando uma das partes se obriga a vender e. 538. devendo levar um compromisso escrito do proprietário de que o mesmo irá vender o imóvel tão logo seja aprovado o financiamento. que então assinarão a escritura de compra e venda. é um contrato preliminar. 22 . Se o bem for comprado à vista. Neste caso. a outra. por liberalidade. num prazo fixado. Considera-se doação o contrato em que uma pessoa. quer em relação às obrigações. quer em atinência às pessoas que nos atos figurarem. impropriamente chamada por alguns de escritura definitiva. transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. a sentença do juiz corresponde a uma escritura. e o vendedor pode outorgar procuração para três pessoas de confiança do comprador. Satisfeitos os deveres das partes (documentação do alienante – e do adquirente – e preço pago pelo adquirente). O comprador. para que surja o direito real. que pretende alienar. na maioria das vezes. Tilico pretende adquirir um imóvel com financiamento. inclusive quanto à prorrogação dos prazos. Doação A doação encontra-se normalizada no art. que se revelou mais eficaz na proteção do credor. AÇÃO DE ADJUDICAÇÃO COMPULSÓRIA É possível quando o vendedor não quer assinar a escritura de compra e venda. assina-se a escritura de compra e venda. tem que provar que pagou o preço.

A exceção é a doação verbal de bens móveis de pequeno valor: Art. independentemente da entrega da coisa. se lhe seguir incontinenti a tradição. a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição. A doação far-se-á por escritura pública ou instrumento particular. entende-se que ele aceitou a doação tacitamente. Será bilateral quando for MODAL ou COM ENCARGO. se. a doação é: a. A regra. A doação verbal será válida. se lhe seguir incontinenti a tradição. ELEMENTO OBJETIVO Consiste na diminuição do patrimônio do doador.Toda liberalidade pressupõe gratuidade. do mútuo e do depósito. a lei impõe a forma escrita) É necessário realizar uma interpretação sistemática dos artigos 541 e 108: Art. b. b. modificação ou renúncia de direitos 23 . Não dispondo a lei em contrário. versando sobre bens móveis e de pequeno valor. não há necessidade da entrega da coisa. d. A doação é um contrato em que uma pessoa transfere para outra bens do seu patrimônio. ELEMENTO SUBJETIVO É a vontade de doar. não sendo imposto qualquer ônus ou encargo ao beneficiário. c. No entanto. findo o prazo sem que o donatário tenha se manifestado. Parágrafo único. GRATUITA (é um contrato gratuito). transferência. O donatário pode aceitar tácita ou expressamente. A doação é sempre inter vivos e. nos contratos. neste caso. versando sobre bens móveis e de pequeno valor. onde o donatário os aceita. Art. para que os contratos se aperfeiçoem. 541. pois se aperfeiçoa com o acordo de vontades entre doador e donatário. é a consensualidade. No caso da doação de bens móveis de pequeno valor. É o caso do comodato. a título gratuito. 541. é necessário o pagamento do imposto de transmissão. Mas há exceções quanto a isto. UNILATERAL. 108. que é a título oneroso). CARACTERÍSTICAS DA DOAÇÃO Em regra. CONSENSUAL. Basta que haja um acordo de vontades (manifestação de vontade). em relação aos bens imóveis. e a doação se caracteriza por ser a título gratuito (diferentemente da compra e venda. A doação verbal será válida. pois cria obrigações para somente uma das partes (o doador). para que este contrato se aperfeiçoe é necessária a entrega da coisa (contrato real). O donatário aceita tacitamente quando o doador estipula um prazo. o contrato será oneroso se houver tal imposição. SOLENE (em geral. se. ELEMENTOS DA DOAÇÃO a. pois constitui uma liberalidade. Portanto. Parágrafo único. A doação far-se-á por escritura pública ou instrumento particular.

O juiz só poderá homologar a separação quando perceber que o casal não tem condições de viver junto. 539. Se ela for feita através de instrumento particular. é minoritária). É elaborada uma petição com cláusulas: com quem ficará a guarda dos filhos (e se será compartilhada). pode ser levada a registro. pois cabe ao Estadojuiz tentar preservar a família). O juiz é obrigado a marcar uma audiência de conciliação (ele não pode homologar a separação. se a doação não for sujeita a encargo. PROMESSA DE DOAÇÃO Se. por instrumento público. 541 se refere aos bens móveis. será necessário o instrumento público. as duas partes precisam afirmar que concordam com o que está na petição. sob pena de nulidade. perante o juiz. ele não cumpre com a sua promessa. entende-se que o art. 539: Art. é lavrada a promessa de compra e venda.00. por exemplo. a declaração. pelo casal. do único imóvel aos filhos. subentende-se que ele aceitou). É muito comum nas separações consensuais a destinação. para declarar se aceita ou não a liberalidade. ACEITAÇÃO DA DOAÇÃO É imprescindível. Portanto. com a devida ratificação. dentro dele. Se o imóvel é financiado. esta equivale à escritura e. A separação judicial consensual. na qual os cônjuges podem constituir um único advogado. a aceitação terá que ser expressa. Desde que o donatário. por parte do vendedor. não faça. porém. o vendedor terá que assinar a escritura. Se o juiz prolatar uma sentença. 24 . ciente do prazo. O STF já decidiu que a promessa de doação aos filhos do casal em acordo de separação judicial. e o comprador pode exigir o cumprimento da obrigação de fazer. do nome do cônjuge mulher. No entanto. nos termos do art. surgirá para ele uma obrigação de fazer – obrigação de que seja lavrada outra escritura. o oficial rejeitará. Na ratificação. Desta forma. O doador pode fixar prazo ao donatário. ou dois – um para cada um. não haveria como o promissário exigir do prometente o cumprimento da promessa. uma segunda corrente admite a utilização de perdas e danos (esta corrente. portanto. no caso. da doação de um bem que vale R$ 100. pois o art. afinal. Se o vendedor negar o instrumento público. 108 refere-se aos bens imóveis.reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. Tem que ser feita uma ratificação das cláusulas pelas partes.000. Se a doação for com encargo. não pode ser unilateralmente retratada por um dos cônjuges. etc. De acordo com esta interpretação. um pai promete doar para seu filho (e há testemunhas disto) e. se o promissário se mantiver calado. podendo ser expressa ou tácita. Ao final do pagamento. Se a escritura adequada não há como levar a registro. A aceitação tácita só vale no caso da doação pura (neste caso. entender-se-á que aceitou. ao ser levada para registro. estaremos diante de uma matéria controvertida. Há argumentos no sentido de que é inerente à doação o ânimo de liberalidade. a questão dos alimentos. por exemplo.

MODAL OU ONEROSA – Com restrição O encargo pode ser em benefício do doador. é essencial que ocorra a aceitação (não havendo. desde que se trate de doação pura. findo o qual se encontra o donatário em mora ou. ESPÉCIES DE DOAÇÃO A doação pode ser: • PURA OU TÍPICA – Sem qualquer restrição • COM ENCARGO. para se aperfeiçoar. pois a doação. ele pode ser constituído em mora através de uma notificação). ele fica inadimplente (em mora). Se este não for cumprido. 543. 1692 (o pai não pode ser. Se o donatário for relativamente incapaz.Só será possível a forma de aceitação tácita (caso em que o silêncio vale como manifestação de vontade) se o donatário tiver conhecimento do prazo assinalado. O falecimento do doador antes de ser aceita a doação acarreta a resolução. por ser nela constituído (mora ex persona – se não há prazo. 543: Art. Com relação à aceitação antes do Código Civil vigente. exige-se a nomeação de curador especial para a aceitação. O pai e o Ministério Público são partes legítimas para requerer o suprimento judicial. A doação ao nascituro submete-se à condição suspensiva de seu nascimento com vida. por sua vez. A tendência jurisprudencial. 542 dispõe sobre a doação ao nascituro: Art. uma creche. Se não ocorrer. E outra entendia que todos poderiam aceitar. um hospital. Se o donatário for absolutamente incapaz. A doação feita ao nascituro valerá. de terceiro ou no interesse geral. sendo aceita pelo seu representante legal.692. ao mesmo tempo. é no sentido de que não há mais necessidade. é necessário que o devedor seja notificado. se não foi assinado. No Código Civil vigente esta questão está disposta no art. no entanto. caduca a liberalidade. O dispositivo do Código Civil de 1916 que dispunha sobre esta questão era o art. 1. doador e representante – neste caso. há necessidade de aceitação. 542. dispensa-se a aceitação. Pode ser estipulado um prazo. Na doação de pai a filho menor ou na doação com imposição de ônus (reserva de usufruto). Exemplo: a doação de um imóvel para a construção de uma escola. Se. conforme dispõe o art. o ato é nulo). ele nasce e vem a morrer algum tempo depois. Art. abrese o processo sucessório (o bem doado vai para os seus ascendentes). existiam duas correntes: 1. Quando o contrato não tem prazo para ser cumprido (contrato por prazo indeterminado). 1170. 25 . Sendo absolutamente incapaz. pois havia falta de limitação na lei (esta era a decisão do STJ). Uma delas entendia que somente os menores púberes poderiam aceitar 2. não existe esta necessidade. a requerimento deste ou do Ministério Público o juiz lhe dará curador especial. e ocorrendo nas doações puras. configura-se uma colisão de interesses). etc (interesse geral). Sempre que no exercício do poder familiar colidir o interesse dos pais com o do filho. O art. dando-lhe um prazo razoável.

002. a mesma é pura. Os outros 50% são a parte disponível (que ele pode doar para quem quiser. É o caso. Logo. ela eqüivale a pagamento. quando então o doador lhe faz uma doação pelos serviços prestados. 2. 547. o valor dos bens conferidos será computado na parte indisponível. Parágrafo único. ou do interesse geral. Art. sob pena de sonegação. 547. Para cálculo da legítima. Art. muito embora a propriedade deixe de ser plena. O doador pode estipular que os bens doados voltem ao seu patrimônio. O fato da doação sujeitar-se a colação no inventário do doador se destina a evitar que um herdeiro seja prejudicado. A doação com reserva de usufruto não é onerosa. sendo ele casado). se sobreviver ao donatário. o Ministério Público detém legitimidade para exigir o seu cumprimento após a morte do doador. depois da morte do doador. não haverá necessidade de colação. constituindo liberalidade no excesso). visa-se a recompensa de serviços ou favores prestados ao doador (nesta parte. 2011). Se o doador tem apenas um herdeiro necessário. Art. e terá lugar em se verificando a condição resolutiva (morte do donatário). 26 . a conferir o valor das doações que dele em vida receberam. Parágrafo único. de um médico que presta serviços e não cobra. As doações remuneratórias de serviços feitos ao ascendente também não estão sujeitas a colação.011. Os descendentes que concorrerem à sucessão do ascendente comum são obrigados. O doador só pode doar a sua parte disponível. de terceiro.• Com prazo – Interpelação tácita • Sem prazo – Interpelação expressa Se o encargo é de interesse geral. A doação pode ser celebrada com cláusula de reversão. pertence à meeira (cônjuge mulher). O donatário é obrigado a cumprir os encargos da doação. 553. por exemplo. exceto para amante. sem aumentar a disponível.. mesmo quando o serviço tenha sido prestado em cumprimento do dever filial (art. 2002). 50% do patrimônio restante é a parte legítima (será dividida entre os herdeiros necessários). A doação de ascendente a descendente está sujeita a colação no inventário do primeiro (art. Art. com exceção da doação remuneratória. Parágrafo único. Há os que entendem que basta ser apresentada a certidão de óbito do donatário ao oficial do cartório do Registro Geral de Imóveis. 553. Se desta última espécie for o encargo. conforme o art. caso forem a benefício do doador. se este não tiver feito. para igualar as legítimas. 2. o Ministério Público poderá exigir sua execução. Não prevalece cláusula de reversão em favor de terceiro. Metade do patrimônio do doador (cônjuge varão). Na doação remuneratória. conforme dispõe o parágrafo único do art. O CPC não disciplina procedimento para o doador obter a reversão. sendo ele casado em regime de comunhão universal de bens.

2005. sem reserva de partes. por via de ação pauliana. até onde baste. Art. em seguida. Se o que garante o pagamento da dívida é o patrimônio do devedor (art. 2. e. Art.005. § 2o Se o testador. É o caso. 1967). de preferência. certos herdeiros e legatários. dispuser que se inteirem. A ação pauliana ou revogatória é utilizada em casos de fraude contra credores. Ao final. Art. Parágrafo único. não bastando.006. o valor dos bens sujeitos a colação. ao serem submetidos à colação. também os legados. 2006 e 1847). 1014. parágrafo único. abatidas as dívidas e as despesas do funeral. É possível a dispensa da colação se a doação for de bem que integre a metade disponível do doador (art. 591). se caracteriza uma fraude. serão proporcionalmente reduzidas as quotas do herdeiro ou herdeiros instituídos. 2005). 1.847. não seria chamado à sucessão na qualidade de herdeiro necessário. Importa em que se reduza às justas proporções da legítima (art. e o credor pode executá-lo. devem ter seus valores ajustados à época da sucessão (art. na proporção do seu valor.para que seja feita a averbação. É nula a doação inoficiosa na parte em que exceder a de que podia o devedor dispor. Presume-se imputada na parte disponível a liberalidade feita a descendente que. observando-se a seu respeito a ordem 27 . É possível a dispensa da colação se a doação for de bens que integram a metade disponível do credor (arts. O credor pode então ajuizar ação pauliana para anular o negócio jurídico. prevenindo o caso. Os bens. Calcula-se a legítima sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão. 2. se ele fizer uma doação do seu patrimônio para um herdeiro. a redução far-se-á nos outros quinhões ou legados. A colação serve para igualar a legítima (para não prejudicar os demais herdeiros necessários). por exemplo. contanto que não a excedam. No pólo passivo deverão constar o devedor e o terceiro que recebeu o bem em doação. É nula a doação de todos os bens. O oficial receberá o óbito. de conformidade com o disposto nos parágrafos seguintes. § 1o Em se verificando excederem as disposições testamentárias a porção disponível. adicionando-se. As disposições que excederem a parte disponível reduzir-se-ão aos limites dela. e encaminhará ao juiz (para que haja uma decisão judicial). aquele bem retorna ao patrimônio do devedor. Art.967. computado o seu valor ao tempo da doação. A doação de bens em detrimento de credores enseja a sua revogação. de um devedor que não quer pagar. A doação aos filhos eqüivale a uma antecipação da sua legítima. A dispensa da colação pode ser outorgada pelo doador em testamento. ao tempo do ato. São dispensadas da colação as doações que o doador determinar saiam da parte disponível. ou no próprio título de liberalidade. do CPC). Note que não se tributa a reversão. 1.

Metade do seu patrimônio é a legítima (pertence aos herdeiros necessários). esta doação é INOFICIOSA. A colação se destina a igualar a legítima (seu valor é corrigido desde a época da doação). ainda que adotivo. ou irmão do doador. A doação do cônjuge adúltero ao seu cúmplice pode ser anulada pelo outro cônjuge. Não se pode renunciar antecipadamente o direito de revogar a liberalidade por ingratidão do donatário. até dois anos depois de dissolvida a sociedade conjugal. num prazo máximo de até dois anos depois de dissolvida a sociedade conjugal. Os bens que excederem devem ser restituídos in natura ou por seu valor.se. No caso da morte do indivíduo. REVOGAÇÃO DA DOAÇÃO A revogação da doação encontra-se normalizada nos artigos 555 e seguintes do Código Civil vigente: Art. A doação pode ser revogada por ingratidão do donatário. porque pode ocorrer a redução do patrimônio doado.estabelecida no parágrafo antecedente. 550. Podem ser revogadas por ingratidão as doações: I . (DISPOSITIVO NOVO – Não existia no Código Civil de 1916) 28 . ou por seus herdeiros necessários. 555. ascendente. 558.se cometeu contra ele ofensa física. III . Art. Um indivíduo. Este filho deverá trazer para o inventário a sala comercial ou o equivalente em dinheiro. 550: Art. que ele pode doar para quem quiser. ou por inexecução do encargo.000 e três filhos. (percebe-se que este dispositivo não atinge os casos de difamação) IV . Os outros 50% são a parte disponível. para acertar com os demais herdeiros (trazer à colação). descendente. sendo ele casado.000 (correspondente a uma sala comercial). mediante seu empobrecimento subsequente. o herdeiro que recebeu a mais tem que trazer para o inventário. for o cônjuge.000. Se ele doa a um dos herdeiros mais de 50% do seu patrimônio (ultrapassa e alcança a legítima). nos casos do artigo anterior. recusou ao doador os alimentos de que este necessitava. exceto para a amante.se o donatário atentou contra a vida do doador ou cometeu crime de homicídio doloso contra ele. 556. que possui um patrimônio de 300. II . Pode ocorrer também a revogação quando o ofendido.000 e dois filhos. conforme preceitua o art. e não no momento da sucessão.se o injuriou gravemente ou o caluniou. Art. 557. Um indivíduo tem um patrimônio de 300. A doação do cônjuge adúltero a seu cúmplice é anulável pelo outro ou por seus herdeiros necessários. podendo ministrá-los. se na primeira hipótese não for mais viável. Art. Aprecia-se o excesso no momento da liberalidade. doa bens para um de seus filhos no valor de 130. Nota-se que ele ultrapassou a legítima em 30.

O direito de revogar a doação não se transmite aos herdeiros do doador. As onerosas só podem sê-lo em decorrência da inexecução do encargo. o doador o notifica. passados dois anos. se este falecer depois de ajuizada a lide. o doador poderá pedir a revogação da ação) Art. de um indivíduo que doa antes de ser vítima do homicídio e. Pedro não constrói no terreno doado a alegada clínica. IV .as que se fizerem em cumprimento de obrigação natural. João doa um terreno ao médico Pedro para que o mesmo edifique uma clínica geriátrica. (É o caso. João. ainda assim. um DIREITO PERSONALÍSSIMO) Art. neste caso. se o terreno foi vendido antes da propositura da ação. Não havendo prazo para o cumprimento. II . comprovada a mora do donatário. antes de morrer. Art. exceto se aquele houver perdoado. quando não possa restituir em espécie as coisas doadas. por exemplo.as doações puramente remuneratórias. então. a contar da ciência do fato pelo doador (art. 563. a ação caberá aos seus herdeiros. Art. A revogação por qualquer desses motivos deverá ser pleiteada dentro de um ano. dando-lhe um prazo razoável. e. 29 . mas sujeita-o a pagar os posteriores. Mas aqueles podem prosseguir na ação iniciada pelo doador. No caso de homicídio doloso do doador. o doador poderá notificar judicialmente o donatário. continuando-a contra os herdeiros do donatário. 559). (DISPOSITIVO NOVO – Não existia no Código Civil de 1916) (É o caso. nem obriga o donatário a restituir os frutos percebidos antes da citação válida. De acordo com o art. ele não o faz. a venda é válida. 562.as oneradas com encargo já cumprido. e acaba vendendo o terreno. A doação onerosa pode ser revogada por inexecução do encargo. não realizar a obra. perdoa o donatário) Art. de um indivíduo que doa um terreno para alguém. por exemplo. para constituir o donatário em mora. os herdeiros do doador podem apenas prosseguir na ação que foi ajuizada. III . promove ação contra Pedro. se o donatário incorrer em mora.Art. a indenizá-la pelo meio termo do seu valor. 559. A revogação reclama a propositura de uma ação no prazo de um ano. João só vai poder reaver o correspondente em dinheiro. 564. 561. 1360. a contar de quando chegue ao conhecimento do doador o fato que a autorizar. e de ter sido o donatário o seu autor. A ação é personalíssima. portanto. (O direito de revogar a doação é. Só podem ser revogadas as doações puras. assinando-lhe prazo razoável para que cumpra a obrigação assumida. A revogação por ingratidão não prejudica os direitos adquiridos por terceiros. para que este construa um hospital e.as feitas para determinado casamento. nem prejudica os do donatário. Não se revogam por ingratidão: I . 560. se o donatário.

Revogar é o poder em que o doador torna sem efeito a doação. prevalecem as alienações praticadas pelo donatário. lhe faz uma doação no valor de 70. tem direito de exigir do donatário ou de seus herdeiros a competente indenização. Empréstimo Abrange o COMODATO e o MÚTUO. restando à pessoa. Se os serviços prestados representam 50. não afeta os atos praticados pelo donatário anteriormente.000.360. não podendo recuperar a coisa. em cujo benefício houve a resolução. o possuidor.Art. para ser usada temporariamente e. ação contra aquele cuja propriedade se resolveu para haver a própria coisa ou o seu valor. Se a propriedade se resolver por outra causa superveniente. É o caso. será considerado proprietário perfeito. com exceção do COMODATO. que se perfazem com a entrega da coisa. A doação remuneratória não pode ser revogada. o contrato se perfaz com o acordo de vontades. 579 e seguintes: Art. a título gratuito. do MÚTUO e do DEPÓSITO. Caso ele não possuam mais nenhum patrimônio. Sendo revogada a doação pura. em troca de uma vaga em um determinado 30 .000 como doação remuneratória. em troca dos serviços prestados. Podem ser revogadas as doações pura e com encargo. O médico Pedro presta serviços durante muito tempo a João e este. deve-se buscá-la no patrimônio do médico Pedro. COMODATO É um contrato unilateral (somente uma das partes se obriga). o doador. ou seja. Não haverá comodato se o uso for cedido mediante compensação. O efeito é ex nunc (não retroage).000 como doação pura. 579. 1. ser restituída. de um indivíduo que cede uma casa a título de comodato. O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. a execução ficará prejudicada. Assim. após. Encontra-se regulamentado nos arts. recuperando a coisa doada em virtude do não cumprimento do encargo. nos quais se entrega uma coisa para uso e restituição.000. Perfaz-se com a tradição do objeto. considera-se 20. Neste caso. por exemplo. pelo qual alguém entrega a outrem coisa infungível. CONTRATO DE COMODATO Gratuito Unilateral Real CONTRATO DE COMPRA E VENDA Oneroso Bilateral ou sinalagmático Consensual Em regra. e 50. que a tiver adquirido por título anterior à sua resolução.

• MORA EX PERSONA – Tem que haver notificação. No mútuo transfere-se o domínio da coisa para o mutuário. por exemplo. nos termos do art. se caracteriza o esbúlio possessório. que pode inclusive aliená-lo. 397. O inadimplemento da obrigação. qualidade e quantidade (arts. pois não há relação locatícia. permanecendo o comodante como o dono da mesma. trata-se de CONTRATO INOMINADO. 171. I. GRATUITO. mesmo 31 . o comodatário não pode alienar a coisa. obrigando-se esta a restituir-lhe coisa do mesmo gênero. sob pena de praticar crime de estelionato. Se. a pessoa não restitui o imóvel. dando um prazo – Parágrafo único do art. 3. no seu termo. do Código Penal. 586. por exemplo. MÚTUO É o contrato pelo qual uma das partes transfere a coisa fungível a outra. e é constituído em mora. Se o contrato for por prazo indeterminado. 586 e seguintes). pois trata-se de esbúlio possessório. Contrato inominado é aquele que não está tipificado no Código Civil (mas que. qualidade e quantidade. constitui de pleno direito em mora o devedor. que significa mútuo com juros). 397. uma das partes já pensa em não cumprir a sua obrigação. positiva e líquida. o comodatário não entregar a coisa. Se o contrato nada disser. embora alguns autores entendam que. CARACTERÍSTICAS DO MÚTUO 1.colégio particular para o seu filho. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. Parágrafo único. findo o prazo estipulado na notificação. A ação que cabe neste caso é a de reintegração de posse. Haverá esbúlio possessório a justificar ação de reintegração de posse se não houver a devolução do bem. Um indivíduo cede um imóvel em comodato com prazo de 5 meses. RESERVA MENTAL Ocorre. podendo tornar-se oneroso se houver contraprestação para o mutuário como. Não havendo termo. será bilateral. quando. a lei determina que esta obrigação é do comodatário. Neste caso. UNILATERAL (se oneroso. etc). Não é o caso de ação de despejo. no entanto. pois se aperfeiçoa com a tradição. Art. O comodato acarreta para o comodatário a obrigação de restituir a coisa. No contrato de comodato poderá constar uma cláusula determinando que a pessoa não pagará nenhuma outra despesa (taxa de condomínio. • MORA EX RE – Já existe um termo – Art. 397. É um contrato real. Terminado este prazo. Art. não pode violar a lei e os princípios). O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero. o comodante terá que notificar o comodatário (judicial ou extrajudicialmente). No comodato. CONTRATO REAL 2. §2º. a mora se constitui mediante interpelação (notificação) judicial ou extrajudicial. o pagamento de juros (mútuo feneratício ou frutífero. desde o momento do contrato.

ESPÉCIES DE DEPÓSITO 1. Um exemplo de depósito miserável são os casos de guerra. para guardar. Pode ser gratuito ou oneroso. 627. O depósito de bens fungíveis é considerado depósito irregular. 627 e seguintes). 646). IX). No Direito Brasileiro. tendo em vista que a legislação da reforma bancária (Lei 4595/64) atribuiu expressamente competência ao Conselho Monetário Nacional para limitar as faixas de juros (art. Pelo contrato de depósito recebe o depositário um objeto móvel. 2. e o seu objeto mais comum é o dinheiro. Implica em TRANSLAÇÃO DO DOMÍNIO DA COISA PARA O MUTUÁRIO. Só se realiza o contrato com a entrega real da coisa depositada. TEMPORÁRIO 5. conforme prevê o art. com a justificativa de que estas são limitadas pela reforma bancária. começou a discutir sobre a validade dos juros contratados por instituições financeiras em bases superiores às fixadas pela Lei de Usura (Decreto 22626/33). Um exemplo de depósito legal é a entrega de um objeto achado na rua à uma autoridade (o indivíduo tem que fazê-lo. embora consinta o depósito judicial ou seqüestro de bens imóveis (arts. DEPÓSITO OBRIGATÓRIO – É o realizado em desempenho de obrigação legal (depósito legal – art.com o pagamento de juros. incêndio. O mútuo recai em coisas fungíveis. até que o depositante o reclame. O contrato de depósito implica na guarda temporária de móvel (infungível) pelo depositário. podendo ser bilateral quando o depositante remunera o depositário ou indeniza despesas por este feitas. É um contrato intuito personae. revolução. O depósito é um contrato real. 666 e 822 a 825). quando os móveis das pessoas (que foram salvos da calamidade pública) vão para um depósito. A jurisprudência. Exige forma escrita (art. o contrato continua sendo unilateral) 4. 1233) ou em virtude de calamidade pública (depósito miserável). Art. 4º. pois o depositante não pode exigir a devolução dos mesmos bens que entregou. mas sim de igual quantidade de unidades e da mesma qualidade. EXTINÇÃO DO CONTRATO E PRISÃO DO 32 . Já o depósito de coisas fungíveis equipara-se ao mútuo. DEPÓSITO VOLUNTÁRIO OU CONVENCIONAL – Decorre da vontade das partes. a partir de 1965. É vedada a capitalização (juros sobre juros) dos juros (anatocismo). 645. que decorre da confiança que o depositário merece do depositante. O depósito é regular quando se tratar de coisas infungíveis. caso não consiga encontrar o dono do objeto). Esta lei fez com que o STF entendesse que o art. unilateral ou bilateral. só cria obrigações para o depositário. só se admite o depósito de bens móveis. e irregular quando se tratar de coisas fungíveis. 192 da CRFB/88 não se aplica às instituições financeiras. Sendo o contrato de depósito normalmente unilateral. obrigando-se este à devolução do bem quando exigido pelo depositante. Depósito Importa na guarda temporária de um bem móvel pelo depositário até o momento em que o depositante o reclame (arts. inundação.

Art. quando não puder continuar a guardá-la ou quando suspeitar que se trata de coisa furtada ou roubada. CARACTERÍSTICAS 1. Mandato Se o interessado na realização de um negócio jurídico não pode ou não quer praticá-lo tem a possibilidade de efetuá-lo por intermédio de outra pessoa. A base do mandato decorre de confiança entre os contratantes. etc. A CRFB/88 proíbe a prisão por dívida. a instituição pode retomar o bem. e pedir a prisão. CONSENSUAL – Não há necessidade de entrega da coisa (diferentemente do mútuo). O Pacto de São José da Costa Rica determina que não cabe prisão com relação a dívidas. a lei civil admite a prisão do depositário infiel como medida coercitiva a fim de obrigá-lo a devolver a coisa depositada (art. DECISÕES JUDICIAIS – Nomeação do advogado dativo ou do defensor público. diz-se que há REPRESENTAÇÃO. DISPOSIÇÕES LEGAIS – REPRESENTAÇÃO LEGAL DO ABSOLUTAMENTE INCAPAZ – Para qualquer ato não é necessário mandato. 652. Basta o acordo entre as partes. MANDANTE – Quem concede o mandato. em nome e por conta do mandante. mas reconhece a possibilidade de prisão do depositário infiel e do devedor de alimentos (art.DEPOSITÁRIO INFIEL O contrato se extingue: 1. 5. Neste caso. Seja o depósito voluntário ou necessário. 2. Decurso do prazo. Pelo perecimento da coisa. MANDATÁRIO – É aquele que passa a atuar na vida jurídica. MANDATO é a relação contratual pela qual uma das partes se obriga a praticar por conta da outra um ou mais atos jurídicos (o contrato cria ocrigações). c. que é o fundamento do contrato de depósito. A REPRESENTAÇÃO surge em virtude: a. Caso o bem não esteja mais com a pessoa. Pelo depósito judicial da coisa por parte do depositário. contrato. Na alienação fiduciária (não pagamento de prestações). procuração. e ressarcir os prejuízos. Pela morte do depositário. outorga. b. b. PARTES DO MANDATO a. 5º. NÃO SOLENE 33 . 4. investindo o mandatário de poderes para representá-lo. Pelo distrato. Protegendo a confiança. o depositário que não o restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a um ano. 652). 3. LXVII). o juiz pode converter esta busca e apreensão em depósito. 2. ACORDO DE VONTADE DAS PARTES – Representação convencional.

equivalendo à venda ou cessão de direitos. art. sem fim mercantil. É um mandato irrevogável e subsiste após a morte do mandante (é uma exceção ao disposto no inciso II da Lei 682). A PROCURAÇÃO é o instrumento (é a forma) do mandato (art. arts. o vendedor lhe outorga uma procuração. em nome do mandante. por exemplo). uma vez que não tinha numerário suficiente para pagar o ITBI. 673. 1542). o que se fez foi uma compra e venda. dizendo que o preço já foi pago. COMERCIAL – Quando um comerciante confia a outrem a gestão de um ou mais negócios mercantis. 685) Outorgada no interesse do mandatário. a determinada pessoa (CPC. PODERES GERAIS – Referente a todos os negócios do mandante (só confere poderes de administração). pode-se renunciar ao direito de recorrer. 108 e 215). São exemplos de casos em que o relativamente incapaz não precisa da intervenção do seu assistente: • Conflitos trabalhistas (CLT. Por exemplo: outorgar escritura do imóvel da rua "x". 4. O mandato só passa a existir depois de aceito pelo mandatário. a procuração em causa própria exige a forma de escritura pública (arts. Numa separação consensual. inclusive os relativamente incapazes. decorrendo do começo da execução do contrato. podendo ser tácito. que fica isento de prestar constas. Todas as pessoas capazes podem outorgar mandato. 792) • Faculdade de apresentar queixa crime (CPP. segunda parte). Quando tem por objeto o bem imóvel. §2º). Se isto acontecer. na realidade. o preço e o consenso (assim como na compra e venda). O mandato só é admissível para os atos que não têm natureza personalíssima (não se pode conceder mandato para fazer testamento. em convenção das partes. art. tem poderes amplos. 34 . 2. A procuração é aparente pois. art. 50. CLASSIFICAÇÃO 1. CIVIL – Realizado entre não comerciantes. número "y". embora se admita o mandato para. É usada na cessão de títulos de clube e na alienação de bens imóveis. PRESUMIDAMENTE UNILATERAL E GRATUITO – Podendo. 3. É necessária a existência dos três elementos: a coisa. Não necessita ser explícito. tornar-se imperfeitamente BILATERAL E ONEROSO. a sentença automaticamente transita em julgado. casar com pessoa determinada (art. 215. quando tratar-se de ato profissional e houver remuneração. que deverão ser assistidos. §3º) O analfabeto só pode conceder procuração por instrumento público (art. 38). Exemplo: Não podendo João realizar uma escritura pública de compra e venda de um imóvel. nomeando-o seu procurador em causa própria. PODERES ESPECIAIS – É para um fim específico e determinado. 34 e 50) • Requerer o registro de nascimento (Lei 6005.3. PROCURAÇÃO EM CAUSA PRÓPRIA (art. para vender determinado imóvel pelo preço "x".

ao substabelecer. A garantia do pagamento de dívida. neste caso. Se divide em: 1. Pode ser expressa ou tácita. QUANDO O OUTORGANTE PROÍBE – O procurador. SEM RESERVA – Ele deixa de ser procurador e é substituído pelo substabelecido. a menos que prove que sobreviriam ainda que não tivesse ocorrido o substabelecimento. COM RESERVA – O procurador permanece cumulativamente (ele e o substabelecido). GESTÃO DE NEGÓCIOS É o caso de atuação sem mandato. Existência de uma obrigação acessória com caráter de garantia. pratica atos em favor deste último. • REVOGAÇÃO – É o ato unilateral do mandante. IMPLICAMENTOS NO SUBSTABELECIMENTO 1. da ratificação do dono. 2. A gestão se aproxima do mandato. ELEMENTOS ESSENCIAIS 1. QUANDO A PROCURAÇÃO É OMISSA QUANTO AO SUBSTABELECIMENTO. neste caso. o procurador responde somente se o substabelecido proceder culposamente. como se estivesse agindo pessoalmente. em que o gestor. COM AUTORIZAÇÃO – O procurador só será responsável pelos atos do substabelecimento se este for pessoa notoriamente incapaz. Trata-se. ou fiança). 2.POSTULAÇÃO EM CAUSA PRÓPRIA Consiste na atuação do advogado que move ou se defende em juízo seu próprio interesse. PESSOAL (garantia fidejussória. também denominada CAUÇÃO. penhor. pelo qual rescinde. 682) • RENÚNCIA – É uma declaração unilateral de vontade do mandatário. O imóvel abate a dívida. pode ser: a. 687). 861). de culpa in eligendo. 35 . transformando-se em mandante e fazendo do gestor um mandatário (art. REAL (direitos reais de garantia: hipoteca. EXTINÇÃO DO MANDATO (art. 3. ocorrendo esta última quando o mandante nomeia novo mandatário (art. mas depende. responde até pelos prejuízos resultantes do caso fortuito. Existência de uma obrigação principal válida. anticrese) A anticrese se dá quando o devedor tem um imóvel e o credor. Alguns autores entendem que.O procurador continua responsável perante o outorgante. ou seja. para que lhe sejam aplicáveis as normas sobre o mandato. Fiança Ocorre FIANÇA quando alguém se obriga a pagar dívida alheia. b. sem que exista um contrato entre as partes. sem autorização do dono da coisa. culpa em eleger aquela pessoa. para receber seu crédito utiliza os frutos deste imóvel. SUBSTABELECIMENTO É o negócio unilateral derivado pelo qual o procurador transfere no todo ou em parte os poderes recebidos do outorgante. 2.

Ele pode entrar com processo cautelar pedindo ao juiz uma liminar. o bem não pode ser alienado (a pessoa não pode dispor dele).A FIANÇA se caracteriza pela fé depositada no fiador. Quando uma ação incidia sobre o bem do casal (para penhorá-lo). decorre de seguir a obrigação do fiador o destino da obrigação principal. Assim também se dá na anticrese. se ela tem o "nome limpo" (é bom pagador. 1280 (caução pelo dano iminente). Um exemplo é o art. é a confiança que o credor deposita no fiador. A fiança é pessoal. A fiança (fidejussória) é pessoal (não é uma garantia real). Trata-se de uma interpretação teleológica – com base no fim social ao qual a norma se destina. se o fiador for casado. o bem imóvel. Neste caso. solicitando uma caução para garantir. como garantia. idôneo). salvo tendo dado poderes especiais por instrumento público. Mas o imóvel que a pessoa possui não garante nada (ele pode inclusive vendê-lo). o outro cônjuge tinha que entrar com embargos de terceiro. Os analfabetos não podem prestar fiança. 1745 ("mediante termo" significa caução – ele se responsabiliza). JUDICIAL Em geral. Um exemplo é o art. Com o penhor ocorre o mesmo: o que garante o empréstimo é a jóia. São verificados os bens da pessoa. sendo exigida uma garantia de uma das partes no processo. 2. É um contrato GRATUITO. Normalmente é assinada 36 . Trata-se de um contrato ACESSÓRIO. O STF e o STJ vêm entendendo ser nula a fiança prestada sem a outorga do outro cônjuge. obviamente. É o caso. ou seja. de um sujeito que possui um título que será protestado (e vai negativá-lo no SPC). • REAL – É inerente à coisa. 835 do CPC. onde a garantia são os frutos do imóvel. ESPÉCIES DE FIANÇA 1. 799 do CPC. explicando-se a denominação de caução fidejussória. o credor tem mais garantia. Outro exemplo é o art. por exemplo. Por exemplo: um sujeito empresta dinheiro e. extinguindo-se e anulando-se com esta. LEGAL A própria lei fala. • PESSOAL – A garantia é a pessoa. No caso da hipoteca. Outro exemplo é o art. para que não seja lesado (o que pode ocorrer devido ao fato da pessoa não saber ler). Trata-se da outorga uxória ou marital. É um contrato UNILATERAL. Se procura salvaguardar o analfabeto. a lei usa o termo de caução. existe a hipoteca de um imóvel. O que está em jogo é o nome da pessoa. podendo se tornar oneroso quando o afiançado remunera o fiador pela fiança prestada (as fianças bancárias). como havia meação (50%). ou vice-versa. É uma imposição da lei (imposição legal). Antigamente só o marido assinava. pois cria dever para o fiador em relação ao credor. O bem de família é impenhorável.

Ambos são garantias. até a contestação da lide. CONVENCIONAL Decorre da vontade das partes. enquanto que o AVAL é um título de crédito. Na relação interna. 3. na defesa de seus direitos quanto ao credor. o benefício de divisão. A FIANÇA é um contrato. podendo obter não somente a devolução do que pagou. existentes no município e suficientes para solver o débito. em contrato próprio ou no contrato principal. entende-se que são solidários. ou seja. A fiança não se presume. O fiador pode se sub-rogar porque é um terceiro interessado. Mas nada impede que a fiança seja feita à parte do contrato de locação (um contrato de fiança separado do contrato principal). e a lei fala que este se sub-roga automaticamente. A lei diz que ela pode se sub-rogar. salvo se limitaram a responsabilidade de cada um ou convencionaram a divisão das responsabilidades. para que não haja enriquecimento sem causa. manifestada por escrito. não valendo como fiança as simples referências à idoneidade do devedor. No caso de pluralidade de fiadores. Tornou-se tradicional todo contrato de locação estabelecer a responsabilidade do fiador. Na relação externa. A fiança pode ser estipulada sem o consentimento do devedor (art. CONCEITO DE BENEFÍCIO DE ORDEM É a possibilidade dada ao fiador de. sub-rogase nos direitos do credor contra o afiançado. o fiador pode opor ao credor os benefícios de ordem e de divisão. cujas obrigações se garante. ESTRUTURA DA FIANÇA 1. O fiador. 2. portanto. cartas de recomendação ou aquela em que o terceiro promete fazer o melhor esforço para que o devedor pague a dívida. Pode haver vários fiadores para um único débito.uma promissória. Pode haver mais de um fiador e o locador entrar com ação mandando citar somente um deles (apesar de não ter havido renúncia). também podendo constar de simples carta ou declaração na qual seja inequívoca a vontade do fiador de garantir pagamento de dívida alheia. em juízo. RELAÇÃO EXTERNA – Entre o fiador e o credor. O fiador só responde pelas obrigações explicitamente assumidas. 820). a fim de evitar a execução dos seus próprios bens (decorre da natureza subsidiária da responsabilidade do fiador). indicar bens do devedor livres e desembaraçados. locação e fiança. Ele terá então 30 dias para propor a ação principal. É 37 . desaparecendo quando o fiador renuncia expressamente a este benefício ou se obriga como principal pagador e devedor solidário. e esta é anexada aos autos. Assina-se. é colocada cláusula através da qual o fiador renuncia aos benefícios de ordem e de divisão. salvo convenção em contrário existente entre as partes ou se a fiança for solidária. Geralmente quando o contrato de locação tem fiança e é elaborado pelo locador. tendo pago o débito do devedor. o vínculo existente entre o fiador e o afiançado. admite-se a SUBROGAÇÃO do primeiro nos direitos do credor. como ainda os juros do desembolso e a indenização em perdas e danos. ou ainda sendo o afiançado pessoa insolvente ou falida. não admitindo-se interpretação extensiva. RELAÇÃO INTERNA – Entre o fiador e o afiançado. Nesta última hipótese admite-se que aleguem.

para se sub-rogar. não bastando para isentar de responsabilidade o fiador a simples notificação do credor (art. extinguindo-se a anterior. podese entrar com declaratória de exoneração. o credor pode ajuizar ação de cobrança cumulada com despejo. notifica-se o locador dizendo que não se tem mais como se responsabilizar. VERBETE N° 214 DA SÚMULA DO STJ: O fiador. O aditamento para aumento do aluguel tem que ter a concordância do fiador. o qual. ou seja. sob pena de infringir o contrato. A sentença é proferida em ação declaratória de exoneração. não haver ajuste amigável. O fiador não pode ser obrigado a sê-lo ad eternum. existe cláusula dizendo que "se responsabiliza até a entrega das chaves". Tem que haver possibilidade de se desobrigar. precisa que o credor expressamente transfira aquele crédito. executa-se o mesmo processo (notificação. Na fiança por tempo ilimitado. admite-se que o fiador possa exonerar-se da fiança em qualquer tempo. A morte. ou uma viagem. podem se dar duas situações: • Extingue-se a obrigação • O fiador só se exonera do excesso do valor COTA CONCOMINIAL 38 . Neste caso. para descendente ou para ascendente) • Infringência contratual Se a fiança tiver prazo. vai notificar o locador para arrumar outro. A ação é de despejo por infringência contratual. como garantidor. mediante acordo ou sentença. Se o fiador pagar. e não perpétuo.diferente do terceiro não interessado. Há discussão na jurisprudência. A este instituto se chama NOVAÇÃO OBJETIVA – cria-se uma nova obrigação. extingue a fiança. 836 a 839). então. Mas outro motivo justificável pode ser a idade do fiador. EXTINÇÃO DA FIANÇA Como qualquer contrato. Trata-se de uma exoneração. na locação. etc). O locador. na hora do contrato. A ação de despejo pode ser por: • Falta de pagamento • Retomar (para uso próprio. Se ele não resilidir (não houver resilição). Quando. Ele manda citar o afiançado e o fiador. ele terá direito de se subrogar – nos próprios autos ele cobra do afiançado. a fiança também é temporária. O contrato é temporário. e deve um dia chegar ao fim (arts. O fiador. que é uma forma indireta de resolução da obrigação (a forma direta é o cumprimento espontâneo da obrigação). não responde por obrigações resultantes de aditamento ao qual não anuiu. 835). continuando responsável pelo débito existente até a sua exoneração. Caso isto ocorra. por exemplo. Se o afiançado não paga. tem que pagar (senão o credor pode acionar os seus bens – o que garante uma dívida é o patrimônio.

868 ("operações arriscadas") Vantagem das Cláusulas Gerais Deixa o sistema do Código Civil com mais mobilidade. 77. O fiador pode chamar ao processo os outros. quando para a ação seja citado apenas um deles. vinculandoo ao mesmo tempo em que lhe dão liberdade para decidir (a norma não prevê a conseqüência – o juiz cria a solução). para que seja dividida a responsabilidade. O art. Ela decorre de um direito real. 39 . O juiz vai então declarar na sentença as responsabilidades dos co-obrigados. O chamamento ao processo é para evitar um tratamento diferenciado uma injustiça). quando se depara com um contrato onde se discute a função social do mesmo. É dado demasiado poder ao juiz. Pluralidade de fiadores – existe solidariedade. 187 Art. abrandando a rigidez da norma. e não contra o promitente comprador. Desvantagem das Cláusulas Gerais Confere certo grau de incerteza. Numa promessa de compra e venda não registrada (não tem publicidade). e cada um tem um pensamento. 421 Art. na própria ação em que o fiador seja réu. O credor pode ajuizar contra todos ou contra um.É uma obrigação propter rem (obrigação híbrida) – parte real e parte obrigacional. a ação tem que ser movida contra o proprietário. Uma ação de cobrança terá que cobrar do proprietário (é inerente à coisa). II do CPC permite o chamamento ao processo. 422 Art. deve preencher os claros para se entender o que seja "função social". dada a possibilidade de o juiz criar a norma pela determinação dos conceitos. dos outros fiadores. Elas são normas orientadoras sob a forma de diretrizes dirigidas precipuamente ao juiz. Exemplos: • • • • • • Art. CLÁUSULAS GERAIS O novo Código Civil possui muitas CLÁUSULAS GERAIS. Pouco importa se há contrato entre o proprietário e outra pessoa. O juiz. 623 ("razoável") Art.

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