SÉRIE SEGURANÇA NAS ESCOLAS

Gestão Administrativa
Por Yannik D´Elboux editorial@humanaeditorial.com.br

Alunos do Colégio Morumbi Sul têm entrada exclusiva controlada por seguranças escolares

ENTRADA CONTROLADA
Sistema de identificação é essencial para garantir segurança no ambiente escolar, mas não pode prejudicar o bom fluxo de alunos, pais e funcionários

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ais do que a qualidade do ensino, a segurança nas escolas figura como a principal preocupação dos pais de estudantes da rede privada. Pelo menos é o que revela uma pesquisa conduzida com 104 pais de crianças e adolescentes que estudam em instituições de ensino particulares. Dos entrevistados, 87% colocaram a segurança como prioridade, atrás da qualidade da formação oferecida, apontada como maior preocupação por 81% dos pais, segundo lugar na lista dos aspectos mais relevantes para as famílias em relação aos serviços prestados pelas escolas privadas. Divulgada no ano passado, a pesquisa foi feita pelo Ibope Inteligência, a pedido do grupo de alimentação GRSA. Para auxiliar os gestores a refletirem mais sobre o tema, a fim de serem capazes de atender uma das principais expectativas dos pais, a Gestão Educacional abordará, nesta nova série de reportagens, as questões mais importantes relativas à segurança na visão de especialistas que atuam no setor escolar. E a segurança começa pelo controle de acesso, tanto dos alunos quanto dos visitantes, às dependências do estabelecimento de ensino. 30
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Existem várias formas de controlar a entrada e saída, porém, para a pedagoga e consultora em segurança Yara Gonçalves Dias, especialista em escolas, antes de tomar qualquer decisão, a instituição de ensino deve possuir um projeto personalizado, com base em um diagnóstico de segurança e uma análise de riscos, com a indicação de todos os equipamentos e procedimentos necessários tendo em vista a sua realidade específica. Yara também chama a atenção para o âmbito estrutural. “Boa parte das escolas no nosso país tem arquitetura de 30 anos atrás. Nestes casos, é necessária uma reforma arquitetônica com vistas a limitar o acesso de pessoas não autorizadas às áreas restritas”, esclarece a consultora. O primeiro passo no controle de acesso consiste na identificação de todas as pessoas que circulam no ambiente escolar. Para que isso aconteça, dependendo do tamanho da instituição de ensino, geralmente é necessário restringir os locais de entrada. Foi o que aconteceu com o Colégio Morumbi Sul, em São Paulo, depois da instalação de um sistema de registro eletrônico para visitantes, em maio deste

ano. Pais, fornecedores e outros visitantes precisam passar obrigatoriamente por uma única portaria de acesso, diferente da entrada exclusiva para alunos, para passarem pela identificação, que inclui cadastro de documento, foto e informação sobre o departamento ou a pessoa que irá visitar. Antes desse sistema, a identificação era manual e realizada em mais portarias. Apesar dos novos procedimentos, as famílias não reclamaram. “A reação nos surpreendeu, pois foi muito positiva. Apesar da mudança na rotina de entrada e saída, os pais aprovaram a iniciativa. Eles sabem que isso significa mais segurança para os alunos e os elogios foram muitos”, relata Ana Paula Santos, assessora de comunicação do Colégio Morumbi Sul. Para a identificação dos alunos e funcionários, além do uso de uniformes, é cada vez mais comum a instalação de catracas eletrônicas com uso de cartão de proximidade ou tecnologia biométrica, por meio da leitura da digital. Na opinião do pedagogo, psicopedagogo e consultor em segurança escolar Carlos Alberto Reis de Oliveira, que também já atuou como encarregado de segurança em instituições de ensino, todos os sistemas de controle de acesso são válidos, contudo é imprescindível pensar na fluidez dos alunos pelas portarias. Neste sentido, ele faz uma sugestão: “A presença de seguranças escolares facilita ou mesmo, em alguns casos, evita investimentos em alternativas que eles mesmos podem substituir de forma eficiente, pois em pouco tempo são capazes de identificar cada aluno visualmente.” A consultora Yara Dias faz uma ressalva com relação ao uso de catracas biométricas. Ela acredita que esse tipo de equipamento não é indicado para ambientes escolares em função da quantidade de pessoas que irão utilizá-lo e dos erros de leitura que podem ocorrer. Mas Yara defende a identificação constante de todas as pessoas dentro do estabelecimento de ensino. “O ideal é que todos que adentram a instituição com frequência estejam devidamente identificados por crachás, preferencialmente com foto – pais, alunos e professores –, e que existam cartões de identificação para os veículos”, reforça. Para facilitar o controle de acesso, a consultora também sugere escalonar horários de entrada e saída dos diferentes níveis de ensino, uma forma de evitar as aglomeraPARA ASSINAR: www.gestaoeducacional.com.br

Departamento de Marketing Colégio Morumbi Sul

ções durante os períodos de maior movimentação. Outra dica é evitar que os pais levem seus filhos até a porta da sala de aula, sobretudo para os alunos a partir do ensino fundamental, deixando-os no pátio ou na área designada para esse fim, o que contribui muito para a organização do trabalho da equipe de segurança. No Colégio Morumbi Sul, foi adotada uma medida para facilitar o acesso durante o embarque e desembarque dos alunos. A instituição possui uma rua interna para que os pais que chegam de carro acessem o pátio central. “A solução foi criada para evitar as filas duplas e garantir segurança aos nossos alunos no embarque e desembarque”, explica a assessora Ana Paula. A despeito de todas as rotinas de segurança que as escolas possam seguir – para atender o principal anseio dos pais no que se refere à proteção das crianças e dos adolescentes durante o período em que estes estiverem sob a guarda do colégio –, é importante não transformar as instituições de ensino em “prisões”. Para que as escolas não incorram nesse erro, Yara Dias afirma que é essencial que a segurança “converse” com o setor pedagógico e vice-versa. “Cada um destes setores fala línguas diferentes e assim a escola acaba adquirindo ares de prisão. Para que isto mude são necessários treinamentos com foco específico na segurança em escolas, pois estes estabelecimentos, por suas peculiaridades, não podem ter o projeto e os procedimentos de segurança iguais aos de uma empresa”, ressalta. Para que a segurança na entrada e saída funcione da forma mais eficiente possível, segundo os especialistas, é essencial investir em planejamento e profissionais especializados. Não adianta gastar com tecnologia de ponta se a equipe não estiver preparada. “O que dificulta o controle de acessos são exigências sem os devidos procedimentos previamente definidos, bem como pessoal destreinado e/ou equipamentos insuficientes ou inexistentes”, destaca Carlos Oliveira. DETECTOR DE METAIS Depois da tragédia de Realengo, quando um atirador matou alunos da escola Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, muito se falou sobre a instalação de detectores de metais para evitar a entrada de armas nas instituições de ensino, como forma de prevenir
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a violência. Uma grande quantidade de projetos de lei está sendo avaliada em todas as instâncias e até alguns já foram aprovados, como em Vitória (ES), onde uma lei municipal tornou obrigatória a instalação desses equipamentos nas escolas públicas e particulares. O consultor Oliveira é a favor do uso de detectores, apesar de reconhecer que o método não é infalível. Para evitar a demora na entrada, ele afirma que é possível calibrar os equipamentos para a detecção apenas de alta concentração de metais, para que pequenos objetos no interior das mochilas dos alunos não sejam detectados e não inviabilizem o tráfego. Já a consultora Yara posiciona-se contra o uso de detectores de metais e não vê a necessidade da instalação desses equipamentos. “Tudo o que se indica em segurança deve ser pensado, estudado, para não cairmos no erro de usarmos paliativos que tratarão o ápice quando o problema é na base. (...) Escola não é presídio que precisa de revista geral para a manutenção da segurança e tranquilidade”, enfatiza. Apesar de ser favorável aos detectores, Oliveira também orienta que deve haver bom senso na abordagem aos jovens, já que o constrangimento ao menor e adolescente é ilegal. Para Yara, a base de todo o trabalho de segurança deve ser sempre a prevenção. “Costumo dizer que em segurança 10% é risco e 90% prevenção”, resume. G

A SÉRIE SEGURANÇA NAS ESCOLAS Veja a programação dos temas na Gestão Educacional: • Controle de acesso: como controlar a entrada de pessoas na escola (edição de setembro) • Sistemas de vigilância/câmeras na escola (edição de outubro) • Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (edição de novembro) • Plano de Emergência e Evacuação (edição de dezembro) • Como diminuir os riscos de acidentes (edição de janeiro de 2012)
Divugação

A consultora Yara Gonçalves Dias defende que todos que circulem pela escola com frequência estejam identificados com crachás, preferencialmente com foto

O BÊ-Á-BÁ DO CONTROLE DE ACESSO • O primeiro aspecto a ser observado é o estrutural: é necessário ter uma sala destinada à recepção e triagem dos visitantes; • Manter cadastro atualizado com foto de todos que adentram a instituição de ensino, sejam eles pais, funcionários, alunos ou prestadores de serviço; • Ter instalado um software de controle de acesso com webcam para visitantes eventuais e prestadores de serviços; • Cadastrar os veículos que adentram o estacionamento da escola com cartão personalizado para os visitantes frequentes; • Fazer a checagem por ocasião da entrada na instituição; • Manter câmeras de segurança nas entradas de pedestre e veículos focando o rosto (pedestres e motoristas); • Manter câmeras de segurança nas entradas de veículos focando a placa e o modelo do veículo; • Os funcionários e a equipe de segurança devem passar por treinamentos periódicos específicos para estarem sempre atualizados; • Fazer a segurança de maneira rigorosa, porém sem perder a docilidade; • Desenvolver projetos de conscientização para que as famílias compreendam a necessidade da disseminação da cultura de segurança, que, além de difundir a não violência, mostra que todos são agentes na manutenção da segurança.
Fonte: Yara Gonçalves Dias, pedagoga e consultora em segurança, especialista em escolas.

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