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Nasci e fui criado na igreja.

Então, para mim, não é novidade ver as


pessoas se entregando a sua vida a Cristo. E, posso dizer, que não há
nada tão lindo e intenso. Enquanto o pastor faz o apelo, convidando a
pessoa para deixar todas as suas dúvidas,
ansiedades, frustrações, medos... tudo nas
mãos de Cristo, confessar os seus pecados, se
arrepender dos seus maus caminhos, e,
daquele dia em diante, confiar em Deus...
meu corpo todo fica arrepiado. Orando,
clamo para que o Espírito Santo faça a obra,
ajude aqueles que estão ouvindo a ter
coragem para tomar essa importante
decisão... E como é gostoso ouvir “lá atrás, já te
vi, Deus te abençoe!”.
Meu coração bate mais rápido, e baixinho balbucio um
ardente “aleluia!” , e a cada novo irmão, que embarca nessa vida, ainda mais, meu coração,
se enche de alegria.... Sempre que posso, ou tenho coragem, abraço o novo irmão, e
sabendo das dificuldades e alegrias da vida seguindo a Cristo, digo “Bem vindo a bordo”.
Acredito que todo crente, a sua maneira, se alegra com um novo irmão. Mas festa boa é a
que rola no céu. Anjos louvando, o ESD* fazendo festa e Cristo, que tava torcendo pacas
por isso, se enche de alegria, aperta a mão contra o peito, como se quizesse te abraçar, e diz
“Agora tu é meu... meu...” E esse foi um domingo perfeito, volto alegre para casa pedindo a
Deus oportunidade para pregar o evangelho, e ver meus amigos, como eu, ter a certeza da
companhia constante de Cristo, terem a mesma alegria de serem chamados filhos de Deus.
No entanto, se em um outro Domingo, aquele mesmo irmão, de
novo, aceitasse a Cristo, eu, de verdade, ficava aborrecido. Ou
no mínimo torcia o nariz... pensava que o pobre coitado, não
havia entendido que só se entrega a vida para Cristo uma vez.
Na terceira vez, que nosso amigo aceitava a Cristo, eu tinha a
certeza que ele nada havia entendido, e já começava a cogitar a
idéia de alguém ir explicar direito o que era exatamente aceitar a
Cristo.
Vivi com essa concepção por muitos anos. Em congressos, em séries
de conferência, acampamento, programas evangelísticos... Ficava feliz
quando alguém aceitava a Cristo. Mas pedia para que
aquele novo irmão em Cristo, só aceitasse a Cristo, uma
vez...
Na tenda da esperança, por 20 dias e noites, muitas pessoas aceitaram a Cristo, e
algumas, para meu desespero, aceitaram a Cristo muitas vezes....
Passada a Tenda, lendo o depoimento da Naty (Natalya Aires), uma amiga que lá na tenda
ganhei. Fiquei profundamente pasmo....
Naty era uma das voluntárias em tempo integral. Ficou na Tenda 24h por todos os dias. E
sempre depois de toda pregação, era uma que rapidamente se levantava e ia orar com os
novos irmãos. Ela anotava o seu nome, orava, abraçava, e voltava com um sorriso e um
olhar de pura satisfação. Todas as noites...
Não sei quantas vezes Naty fez, em diferentes noites, essa oração com a mesma pessoa.
Como um bom observador, confesso, que muitos outros não tinham essa disposição, de
todas as noites, receber e anotar o nome (de novo) de um mesmo irmão. Até mesmo o
pastor falava durante o apelo que, “quem já tinha aceitado a Cristo, não precisava levantar a
mão de novo não...” Era o mesmo que não falar. E o irmãozinho levantava a mão, de novo,
e de novo, se colocava a chorar....Eu, devo confessar que não iria até lá... Mas Deus que é
misericordioso, e sempre tem um servo obediente para enviar, enviava Naty, e... sem que eu
soubesse, estava prestes a uma lição importante me ensinar.
Depois da tenda, lendo o depoimento da Naty no blog. “A peia celeste comeu no meu
lombo!” Fiquei pasmo ao ler o seguinte relato de Naty.

“Participei da equipe de evangelismo de rua e lá tive contato direto com a realidade local,
e então pude sentir a carência existente em cada olhar, em cada coração vazio e triste sem
CRISTO...e para a Glória de Deus tive a oportunidade de levar a palavra que liberta, que
é vida e luz, o verdadeiro Divino Pai Eterno...tive a oportunidade de levar Cristo aquelas
pessoas....
Pessoas como o Sr. Roberto, como o Rangel que toda vez que o Pastor fazia o apelo
levantava a mão por ter medo que Jesus saísse de seu coração e de sua vida.”

Aiiiii meu Ego! Doeu!!! Já dizia Thatá (de maneira incrivelmente sábia), que eu até tinha fé
e dedicação, mas me faltava visão... E como falta. Falta visão de Deus. E visão de Deus não
é ver o futuro ou interpretar sonhos, ou ter alguma revelação... Não!
Visão de Deus é ver o mundo como Deus o vê, com um amor tão profundo, tão
intenso que foi capaz de enviar seu único filho, entregando-o para morrer
em nosso resgate; porque era o único jeito de nos ter por perto.Um amor
que parece tão maluco, que ao invés de me julgar por todos meus erros,
tirar sarro, me humilhar e me magoar, prefere esquecer tudo, me abraçar e
chamar de filho, se eu, a Ele, esses erros confessar.
Jamais imaginei que, aqueles pequenos irmãos se entregavam, todos os
dias, por medo de que Jesus saísse do seu coração e da sua vida. É disso que
a bíblia tá falando quando fala em TEMOR À DEUS. TEMOR é TER
AMOR tão forte que dá medo de magoar a quem tanto se ama... medo de se
distanciar, medo de a companhia, a presença de Deus perder....
Minha atitude, até hoje, deve ter e muito magoado a Deus. Mas sou grato a
Ele por ter aprendido mais essa lição. Hoje, minha oração, é por esse mesmo
TEMOR. E ao acordar, todo dia, a todo momento, também quero levantar minha
mão, em sinal que peço a Cristo, para morar em meu coração.