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Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997 Tradução portuguesa do livro: The European Scene: A

Tradução portuguesa do livro:

The European Scene: A Geographic Perspective de James R. McDonald

Porto, 2009

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Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Edição: Porto, Dezembro 2009

Tradução: Ana Ferreira, Ana Pereira, Ana Martins, António Cerqueira, Bruno Silva, Carla Martins, Carla Moreira, Carla Ribeiro, Filipa Ferreira, Helena Carvalho, Isabel Ferreira, Maria Campos, Maria Duarte, Maria Soares, Marisa Tavares, Miguel Rocha, Patrícia Peixoto Pinto - HISTÓRIA

A presente tradução não foi revista cientificamente nem editada por tradutor profissional e destina-se a uso particular. As notas dos tradutores (ndt) são apontamentos de leitura sem propósito definitivo.

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

O Cenário Europeu: uma Perspectiva Geográfica

Introdução:

EUROPA: CONTINENTE EM MUDANÇA

A Europa ao longo dos anos foi um continente que sofreu dramáticas mudanças. As grandes paisagens históricas reflectiram o passado de pessoas e ideias que tinham uma verdadeira preocupação na modernização do mundo: todas essas razões formaram a essência de um continente politicamente e economicamente fragmentado. A partir da década de 90, a Europa reforçou as tendências da sua própria história e com os recentes acontecimentos globais tornou-se mais uma vez um continente de alteração profunda e súbita. Essas alterações foram desafiadoras às suas próprias tradições, bem como a ordem mundial estabelecida. Dois dos grandes desenvolvimentos, cada um com importantes e múltiplas implicações, despertaram uma nova Era de revolução na Europa: um está em causa, com a destruição e reconstrução de uma velha ordem, o outro com a construção de algo inteiramente novo. Durante o período 1989 a 1991, o mundo teve uma diferente atenção, onde se verificou uma súbita e total mudança da Europa, numa espécie de exercício corrente de eventos, tendo havido um colapso universal imprevisto de quase todos os regimes comunistas do Leste da Europa. Os progressivos insucessos dos Estados dirigidos por economias administradas para manter os objectivos das nações e as exigências de consumismo combinaram várias políticas, que provêem da União Soviética, impossibilitando a militarização em toda a região mudando o ambiente político e o reconhecimento em curso

de um breve espaço de tempo.

Não surpreendentemente, estas alterações, na sua realidade, tiveram um efeito de ondulação das implicações para o resto da Europa e de facto, para todo o mundo. Mais tarde, a União Soviética albergou uma colecção de quinze países independentes e muito diversos, dos quais alguns se considerem muito Europeus e outros procuram um lado de inspiração. A agitação inevitável gerada pelo fim súbito de um sistema monolítico clássico teve também profundas implicações para a Europa. Nem o após - Soviético dos anos 90 foram uma época de paz e sem restrições e de cooperação para a Europa. A evolução dramática da situação na qual era em 1990 pacífica na Jugoslávia trouxe para toda

a Europa o início de uma fragilidade, e a corrente tranquilidade geral, levantou questões importantes tais como a futura evolução política do continente. Contraponto novamente às divisões nacionais e zelosamente protegidas fronteiras de meio século atrás, a Europa parece seriamente enveredar por um curso de económicas e, eventualmente, talvez, por uma união política sem precedentes na sua história inteira. A União Europeia, desde o seu modesto começo em 1957, tornou-se uma instituição poderosa desafiadora de uma estrutura estabelecida de Estado-nação, características de uma Europa histórica e uma imagem internacional do continente como continente poderoso economicamente mas desesperadamente

fragmentado. Os primeiros anos do século XXI foram críticos para a União e a Europa tomou medidas decisivas para atingir um grau de integração que lhe permitiam recapturar a sua posição histórica como o motor da economia mundial e o árbitro de ordem política.

A partir destes dois grandes acontecimentos e da sua interacção, houve um certo fluxo de alterações

significativas nas realidades e ideias dos europeus. Antigas alianças militares e económicas formam derrubadas, ou foram forçadas a reexaminar criticamente as suas futuras funções. Nacionalidades e etnias, foram muito tempo estranguladas por governos repressivos ou centralizados, desta

forma houve um despertar Europeu.

O desastre ambiental que houve em grande parte da Europa Oriental, tornou-se como principal nome do

progresso económico, tendo sido exposto, tornando-se uma preocupação de prioridade máxima para todo o

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continente e das organizações internacionais e para as suas unidades de políticas locais e até mesmo para seus cidadãos individuais. Aproximando-se o final do século XX, a Europa é, portanto, de muitas maneiras o continente mais interessante de todos a considerar, tendo havido uma mudança. Inúmeros aspectos da sua geografia política, cultural e económica estão mudando para além do reconhecimento. Ainda, ao mesmo tempo, há uma certa continuidade para a Europa que é tranquilizador e promissor. Isto é, as paisagens naturais do continente, com um forte componente de gerências humanas, continuaram a ser notavelmente intemporais. A vitalidade e a criatividade das pessoas da Europa produziram o dinamismo e a variedade que são a marca do continente, persistindo numa uniformização. A força económica da Europa continua a ter um impacto decisivo sobre todo o mundo. A continuidade e a mudança, são talvez as palavras que melhor descrevem a Europa na década de 90, são também as que resumem a abordagem geográfica de tempo e espaço. A geografia da Europa, em seguida, deve tentar abarcar tantas variáveis relevantes da situação moderna quanto possível. Mas como esse trabalho deve ser organizado? Quais são as estruturas possíveis que devem ser consideradas?

SISTEMÁTICA VERSUS ABORDAGENS REGIONAIS

A geografia estuda os fenómenos físicos, culturais e económicos da terra em interacções espaciais.

Praticamente tudo é organizado ou inteiramente aleatório em toda a superfície do globo. A geografia visa descrever e explicar os padrões de distribuição muitas vezes complexos e sugerir novas formas de ver que podem ajudar a interpretar o passado, justificar o presente e eventualmente prever o futuro. Muitos livros que estudam a Europa, por exemplo alguns estudos clássicos regionais, tendem a organizar o material quase inteiramente por país ou por grande sub-região (por exemplo, ―nórdicos‖). Esta abordagem baseia-se sobre o conceito geográfico familiar de ―região‖, e como a unidade final de síntese, onde a informação geográfica de espaço pode ser diferenciado de qualquer outra, descrito em termos de

características particulares de acidentes geográficos, clima, culturas, evolução histórica, práticas económicas, modos de vida, de perspectivas políticas. Usando essa abordagem para a Europa, nós podemos, portanto, (após algumas breves observações gerais) discutir a região de quarenta e quatro, mais ou menos, de cada uma das Nações (processo quer em ordem alfabética (um caso extremo) da Albânia à Jugoslávia; ou, mais lógica, por sub-região Alemanha, Suíça e Áustria, por exemplo, discutido seguidamente como ―Europa central‖). O certo é que entre estes a Europa no tamanho de um continente pequeno tem muitas características, que inevitavelmente é cortado através das fronteiras nacionais: padrões básicos de clima, por exemplo, problemas de ar ou de água, poluição, ou a área em que um determinado idioma é falado. Ao longo do último meio século, esta tendência tem sido marcada, assim as nações europeias têm desenvolvido instituições políticas e económicas importantes, em que muitas delas são agrupadas (União Europeia é um caso em apreço) e que estão tendo o efeito gradual de reduzir a importância das fronteiras nacionais. Desfocando-se, assim, como limites regionais. Actualmente muitas decisões cruciais na Europa estão sendo feitas através de quadros multinacionais, de um tipo ou de outro, e o significado desta, só pode ser explicado imperfeitamente em qualquer contexto tradicional subdividido regionalmente. Além disso, existe rápidos avanços nas comunicações, transporte e outros aspectos da revolução tecnológica nos finais do século XX, passando um pouco a ―homogeneizar‖ a Europa em termos de informação, de circulação e de padrões económicos e de problemas; esta tendência tem sido acelerada com

as mudanças políticas da última década.

A internacionalização das cidades modernas e a importância crescente das redes interurbanas, que

ignoraram literalmente muitas distinções convencionais entre nações, também têm desempenhado um papel fundamental neste processo, como também têm as grandes internacionais e internas migrações humanas que recentemente criaram algumas sociedades verdadeiramente cosmopolitas em muitos distritos urbanos da Europa.

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O resultado dessas tendências de interacção tem sido para compor a tradicional abordagem regional para

descrever o continente um pouco datado. No entanto, claramente não é possível ignorar completamente as unidades nacionais e sub-regionais, que são em parte tão familiares da Europa, e que continuam a desempenhar um papel-chave na realidade, bem como no imaginário na funcionalidade diária do continente. Certamente, temos de considerar alguns desses pontos. Uma estratégia básica para considerar a informação geográfica - a abordagem de sistemática é os padrões de distribuição de todos os fenómenos básicos que devem ser considerados a fim de obter alguma compreensão da região total em discussão (novamente, a Europa no presente caso) e observados, referindo onde quer que elas ocorrem, em vez de discutidos país por país. Os acidentes geográficos e sua importância, características de população e disponibilidade de recursos, assim, são considerados num continente, pai de base nacional. Esta abordagem tem uma série de vantagens. Em primeiro lugar, ele permite que a ―visão geral‖ de vários tópicos surjam mais claramente, sendo difíceis de realizar quando as informações relevantes estão espalhadas em vários pontos do texto. Em segundo lugar, permite que haja um agrupamento lógico de unidades distintas que em caso contrário, poderia ser fragmentado. Por exemplo, faz mais sentido para discutir as características dos Alpes como uma região montanhosa única e complexa, do que à repartição entre descrições separadas no âmbito da Áustria, Suíça,

Alemanha, França, Itália e Eslovénia. Finalmente, a diminuição da importância muitas vezes artificial de limites políticos como determinantes pontos geográficos, que permite surgir uma imagem mais moderna de interacções internacionais.

È oferecida na Europa a abordagem de base à apresentação de informação geográfica, sendo um sistema

sistemático, com exemplos de locais nacionais ou locais específicos utilizados em muitos pontos para enfatizar os padrões que estão em desenvolvimento. A última parte do livro, no entanto, é composto por um número de perfis nacionais e sub-regionais, possuindo dos quais informações básicas sobre as grandes nações europeias, onde são resumidas, e as principais

características nacionais são identificadas. Desta forma, espera-se que os dois pontos tradicionais da geografia a sistemática e regional possam ser combinados, a fim de melhorar a compreensão destes fascinantes continentes.

PORQUE A EUROPA?

De todas as principais regiões do mundo, a Europa é, de muitas maneiras, o continente menos provável candidato para um papel de destaque. É, para começar, o mais pequeno de longe dos continentes (sendo excluída a antiga União Soviética) e consiste em grande parte de um conjunto de ilhas e penínsulas anexada as extremidades ocidentais da grande terra euro-asiático.

A Europa é um continente deficiente em quase todos os minerais de grande importância, de mercadorias de

energia, de matérias-primas e até mesmo de alguns produtos agrícolas. O continente como um todo é um importador líquido de enormes itens básicos e existe apenas em alguns países o desenvolvimento através da sua produção, sendo assim a exportação relevante e desempenhando um importante papel económico em vários pontos da Europa. Se, no entanto, na tentativa de compreender a importância da Europa, podemos transformar a sua população, num quadro consideravelmente em mudança. É, com efeito, os povos da

Europa seus números, suas habilidades, sua inventividade e, acima de tudo seu impacto sobre o resto do mundo que deram à Europa o sucesso, a prosperidade, a autoconfiança e papel-chave nos assuntos do mundo que ele ainda goza. Este é um padrão que ainda persiste: muitos americanos sabem os nomes de países da Europa com 5 ou 10 mil pessoas Suíça, Suécia, República da Irlanda, por exemplo mas em todo o mundo outras nações com populações dez vezes maiores permanecem totalmente e embaraçosamente, desconhecidas. Europa descobriu não apenas o novo mundo nos séculos de XV e XVI, onde se há exercido um controle colonial sobre grande parte do mundo de uma só vez ou outra até meados do século XX. Durante o mesmo período, a Europa há exportado milhões de cidadãos indesejados ou subvalorizados para preencher grandes áreas do

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mundo. Além disso, onde quer que os europeus e a Europa influenciem ocorreu uma mudança cultural

significativa muito permanente O Inglês e o Francês tornaram-se línguas de comunicação internacional

e generalizada em zonas de África e na Ásia (na Índia moderna poderia provavelmente não funcionar como uma nação multi-étnica sem a ―cola‖ dos Ingleses). As ideias europeias e filosofias frequentemente substituídas por valores mais antigos e sistemas de organização jurídica e social são a regra geral.

Por último, tem sido o modelo económico europeu que se tornou, em grande medida, a maravilha do mundo, para ser invejado, disputado por quase todas as nações.

O sistema da agricultura da Europa (culturas e tecnologias) espalhou-se onde quer que os europeus se

estabeleçam. Noutros países, os europeus estabeleceram plantações para satisfazer as suas próprias necessidades; estes ainda são um elemento fundamental das economias de numerosos países tropicais e subtropicais. Foram também os europeus que controlaram e beneficiaram a maior parte da negociação de longa distância. Mais importante, o modelo europeu da indústria, definiu o padrão para o mundo. Assim, a Europa tem um significado no mundo que ultrapassa em muito o tamanho e recursos internos. Nenhuma parte do globo escapou totalmente à sua influência.

Os limites da Europa Algumas decisões arbitrárias

Em que é que consiste a Europa? Quais são os seus limites?

A leste, a Europa mistura-se imparcialmente com a Ásia. O plano, inexpressivo das paisagens da Alemanha

do Norte ou Polónia, permanece inalterado por centenas de quilómetros dentro da Rússia, enquanto que as alterações climatéricas e muitos padrões culturais são transitórios. Apenas as montanhas Ural que se estendem de Norte-Sul até a Rússia Ocidental demonstram um contraste evidente. Não é de admirar que estas sejam usadas como linhas de divisão entre a Europa e a Rússia Asiática. Deveríamos aceitar este limite (que ainda é bastante usado) e incluir todo o oeste no nosso estudo? Não há dúvida, nesta consideração, de que as diversas nações ganharam independência sobre o colapso da URSS estar ligado à Europa por várias razões da História, política e economia, assim como pela semelhança de muitas das suas paisagens físicas. Contra isto, no entanto, é o enorme tamanho e complexidade da federação russa, cuja república e regiões competem, interagem em inúmeras formas de criar quotidiano da nação.

As relações de Moscovo com a Europa são, sem dúvida, importantes, mas também as são com a Ásia Central ou a vasta região oriental que são áreas de pequena influência europeia. Deste modo, é melhor

excluir a Rússia da nossa discussão europeia, excepto naquelas áreas cuja sua inclusão é necessária para a sua melhor compreensão (em consideração à vida política das nações da Europa Oriental, por exemplo). As fronteiras ocidentais da Rússia, serão para nós onde a Europa agora termina, apesar das três novas nações ex-soviéticas - as repúblicas Bálticas - com o seu forte carácter europeu, assim como as outras três ao longo

da fronteira ocidental da ex URSS- Ucrânia, Bielorrússia e Moldávia são certamente mal incluídas.

Outra área de incerteza centra-se na bacia do Mediterrâneo. Cerca de vinte nações modernas situam- se no ou à volta do mar clássico da antiguidade, e para todas elas, o mar representa uma importante componente da vida nacional. É certamente razoável considerar a região como um todo, e não simplesmente

o seu Norte, franja europeia: A Espanha tem mais em comum do que com a Suécia, no entanto,

arbitrariamente excluímos o Norte de África e o Médio-Oriente. Como um compromisso parcial a unidade essencial da terra do Mediterrâneo será enfatizada quando se discute a região. Um problema final de definição inclui Turquia, como Rússia, um país cultural e economicamente situado entre Este e Oeste, com uma divisão física tradicional. A linha dos Urais entre a Europa e a Ásia passa desde o Mar Negro até ao Mar Mediterrâneo ao longo de um canal internacionalizado, conhecido geralmente como Estreito da Turquia. Este problema é mais complicado pelo facto de que a grande cidade de Istambul reside na costa europeia. Desde que esta era uma das maiores e mais influentes cidades europeias em vários séculos, é

difícil considerá-la hoje ―não europeia‖. Como é a URSS, contudo, a Turquia é provavelmente melhor

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discutida como a unidade nacional no contexto da Ásia Oriental, subtraindo uma área menor para se considerar como parte da Europa. Para concluir, é importante reflectir que as mudanças políticas e a ascensão do nacionalismo desde 1989 fez até o número de países se alterarem. Da lista de 1989, que continha 33 nações, pelo menos uma, Alemanha do oeste, já não existe actualmente devido a uma reunião da nação alemã. Por outro lado, atritos internos resultaram numa separação violenta da Jugoslávia em duas nações. Noutro local, as repúblicas bálticas (Estónia, Letónia, Lituânia), tendo agora a sua independência devido a uma fragmentação da união soviética, são adicionadas à lista europeia. Outras nações que pertenciam a ex-URSS, como a Ucrânia e a Moldávia, surgem independentes.

1 - Geografia Física da Europa

Geografia Física São os padrões dos fenómenos naturais na superfície terrestre e têm muito a ver com a distribuição da humanidade e as perspectivas de sucesso económico. Os elementos da geografia física geralmente incluem processos geológicos, a paisagem, tempo e clima, a vegetação natural e os solos. Todos estes, isoladamente ou em combinação, têm um grande impacto sobre as actividades humanas. Na verdade,

o pensamento geográfico durante os anos 1920 e 1930 tendeu para a opinião de que quase todos os padrões humanos e económicos podem ser explicados na base da sua relação com o mundo natural. No entanto este conceito ("determinismo ambiental") perdeu a graça, pois não tem em conta os factores históricos, culturais e políticos que também interferem na distribuição humana e as suas actividades, no entanto, exprime uma relação muito real: é muito difícil de entender as paisagens humanas observadas em qualquer parte do mundo ou região sem ter alguma apreciação dos factores do ambiente natural, que exercem sem dúvida a sua influência.

O crescimento do interesse ambiental nos últimos anos e a realização progressiva de um número crescente

de todos os povos do mundo que são obrigados a relacionar-se com o mundo natural em muitos aspectos importantes, têm levado a um renovado interesse na compreensão dos padrões e processos do mundo natural. Tanto a Europa como outras regiões e partes do mundo, são condicionadas pela realidade de seu ambiente natural, o que pode ser útil para explicitar essas relações de uma forma geral.

A influência de factores geológicos e físicos no ambiente

É muito fácil dizer que os europeus são fortemente influenciados pelo seu ambiente natural, mas o que exactamente significa isto? Algumas das formas em que esta relação poderia ser identificada são as seguintes:

1) Distribuição da População: Olhando para um mapa de densidade populacional na Europa (ou, aliás, qualquer outro continente), é evidente que as pessoas não se encontram uniformemente dispostas ao longo da paisagem. Há por vezes vários factores que levam mais pessoas para um lugar e menos para outro. Entre estes factores encontramos as realidades físicas. Simplificando, existe uma correlação negativa entre altura e população: menos pessoas vivem nas montanhas do que nas planícies ou nos vales. Mas porque é que isto é verdade? Se a imagem das montanhas no nosso tempo é uma imagem positiva, porque é que as pessoas não vivem lá? A resposta é que a humanidade é uma espécie de necessidade económica e as montanhas oferecem poucas oportunidades para o progresso económico e até mesmo para a sobrevivência.

2) Actividade de Relações Económicas: As terras altas do mundo são de baixa densidade populacional, principalmente devido à dificuldade de ganhar a vida neste ambiente. Primeiro de tudo, as zonas montanhosas são caracterizadas pela superfície em declive íngreme (encostas íngremes). Há pouca terra plana nas montanhas e isso é muito mau para a agricultura, uma das necessidades básicas da economia humana. Em segundo lugar, o clima das montanhas é também um factor de inibição, em termos de agricultura e de outras economias tradicionais. Regiões serranas são caracterizados pelos invernos mais frios e longos, portanto, estas regiões não têm qualquer vantagem para competir com as regiões mais favorecidas

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em termos de produção agrícola. Finalmente, as encostas íngremes e de carácter geral, acidentadas das montanhas representam graves problemas de isolamento. Também em termos económicos e culturais, as terras altas estão "longe", de ser uma atracção para a ocupação humana, logo esta ocupação é restrita. Obviamente, as pessoas que moram nas montanhas tentaram encontrar soluções para lidar com esses problemas, mas no entanto o mapa da população mostra claramente que a maioria das pessoas não quer viver nas montanhas.

3) Influências Climáticas: As condições climáticas são também importantes para explicar a distribuição das pessoas e as suas actividades. Ao bloquear ou canalizando os ventos e o movimento das massas de ar que dominam as condições climáticas da superfície da terra, as montanhas têm um efeito profundo em padrões de precipitação e temperatura em vastas zonas na maioria dos continentes e isto também influencia o assentamento humano e a sua actividade. Na Europa, por exemplo, as barreiras principais das montanhas (Alpes, Pirenéus) têm uma tendência geral leste-oeste, e é, portanto, paralelo ao principal fluxo de massas de ar. Assim, estas montanhas não representam um entrave à livre circulação de humidade e temperaturas do oceano relativamente leve em grande parte da massa terrestre europeia, enquanto que ao mesmo tempo que criam as flagrantes diferenças entre Europa Central e a região do Mediterrâneo, o sul. Em contraste, as montanhas do norte da Europa, principalmente aqueles que dividem a Noruega da Suécia, funcionam aproximadamente Norte-Sul, ou seja, são perpendiculares ao movimento das massas de ar. Assim, a diferença de condições climáticas entre o litoral, leve molhado da Noruega e do interior mais frio e seco da Suécia é impressionante, especialmente durante os meses de inverno.

4) Lugares de Liquidação: Os acidentes também são importantes na determinação da localização de milhares de aldeias e cidades na Europa. Neste sentido é importante lembrar que a Europa é um continente em que a humanidade tem deixado a sua marca ao longo do tempo. As decisões humanas sobre onde se fixarem foram muitas vezes feitas num momento em que a capacidade tecnológica, para fazer face com os problemas ambientais, era limitada e qualquer vantagem oferecida pelo ambiente natural assumiu uma importância considerável.

era limitada e qualquer vantagem oferecida pelo ambiente natural assumiu uma importância considerável. 8 / 105

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Os romanos, entre outros, criaram as suas famosas estradas pois estavam sempre à procura de uma melhor

e mais fácil passagem. Esta foi uma estrutura bem organizada. No entanto as rotas e os locais definidos já

tiveram a sua origem na antiguidade e na Idade Média e muitos destes locais surgem devido à oferta do meio ambiente.

5) Fronteiras e interesses políticos; separação cultural: Os elementos do ambiente natural muitas vezes desempenham um papel importante na determinação das fronteiras entre as nações. Estes limites podem desempenhar um papel crucial na história política do mundo das diversas regiões. A importância dos limites ―naturais‖ das fronteiras tem desempenhado um papel importante na determinação das fronteiras nacionais ao longo da história. As fronteiras naturais são fixadas ao longo do litoral ou graças aos altos cumes de montanhas. Por exemplo, a 22 milhas (35 Quilómetros) do canal que separa a Inglaterra da França (até a conclusão recente do Canal da Mancha) foi muito importante na protecção da Grã-Bretanha permitindo um desenvolvimento independente. Também a Suíça vê as suas fronteiras divididas a muito tempo graças as elevações dos Alpes e das montanhas Jura. O rio Reno também serviu como fronteira entre a França e a Alemanha, no entanto quando as fronteiras naturais não são fáceis de delimitar (planícies, etc.) surgem, por vezes, conflitos e guerras entre os países. Nenhum país da Europa tem uma história tão conturbada como a Polónia. Esse bom número de problemas que tem afectado os polacos ao longo dos séculos pode ser atribuído ao facto de as fronteiras da Polónia, tanto para leste como para oeste serem somente expressas por rios pequenos ou mesmo só em linhas num mapa. As barreiras montanhosas impedem a circulação de pessoas e isto é um factor importante pelas diferenças culturais, tais como a língua. Por exemplo, a França e a Espanha, tem uma fronteira em comum de 480 quilómetros. Isto leva a que haja uma barreira cultural significativa entre os povos que poderiam ser muito mais semelhantes. Outros exemplos deste processo na Europa, são os estados suíços, que incluem um forte senso de independência devido ao isolamento cultural vales alpinos.

6) Distribuição de Recursos: Quase todos os recursos minerais existentes foram valorizados pelos seres humanos em vários momentos da história. Estes recursos minerais são formados por certos processos geológicos. Isto significa que eles são distribuídos de forma desigual e que existe uma forte correlação entre a localização desses recursos e do ambiente geológico. Carvão, petróleo e gás natural, por exemplo, são produtos derivados de materiais orgânicos (restos vegetais e animais). Assim, para encontrá-los, é necessário ir para as áreas da superfície terrestre onde a rocha é tão antiga que antecede as formas de vida maior. (Norte da Europa). Em contraste, os minerais metálicos, em ouro e prata com os minerais industriais são geralmente formados em associação com os mesmos processos geológicos que produzem montanhas. Na Europa, como em outros lugares, as terras altas foram assim a principal fonte de metais ao longo da história e a mineração continua a ser um apoio importante da economia de montanha em muitos países.

7) Perigo Físico: Outra das influências do ambiente nas actividades humanas e nas suas decisões é a ameaça directa de um perigo físico. As margens do sul da Europa - a bacia Mediterrânea e as suas extensões para o Médio Oriente - são algumas das regiões mais geologicamente activas da crosta terrestre (outra é a borda do Oceano Pacífico) e

estão sujeitas a erupções vulcânicas e a abanos das placas tectónicas. Isto causa anualmente perda de vidas

e muitos danos. Um princípio básico da geologia é que as forças que moldaram a terra como a vemos hoje

são as mesmas que as que ainda operam para produzir uma mudança. Este princípio é bem ilustrado no Mediterrâneo, onde existem vários vulcões activos, incluindo o Monte Etna, na Sicília, que eclodiu recentemente, em 1983, e o Monte Vesúvio, perto de Nápoles, no sul da Itália, cuja famosa erupção em 79 DC, que enterrou com toneladas de cinza as cidades romanas de Pompeia

e Herculano. Mais grave ainda do que a ameaça de erupções vulcânicas é o perigo dos terramotos em toda a bacia do Mediterrâneo. Temos como exemplo os desastres na Arménia (1988) e Irão (1990).

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O Mediterrâneo é a zona de contacto entre duas grandes placas da crosta terrestre, a Eurásia e o Africano. Estas duas placas empurram-se uma contra a outra e daqui resulta os choques e terramotos que afectam profundamente a cultura humana na superfície terrestre. Os cidadãos que morram no Norte da Europa, tem pouco a temer destes processos geológicos. No entanto o Sul tem que temer estes processos geológicos pois são uma ameaça diária. É também importante salientar a ilha da Islândia, pois é outro ponto "geológico quente". Na junção de duas das principais emendas da crosta terrestre, a Islândia é o cenário de actividade vulcânica contínua, com novas erupções que ocorrem quase que anualmente. Pelo lado positivo, os islandeses fizeram uso máximo do seu ambiente natural para gerar uma grande parte de suas necessidades energéticas por meio geotérmico. A água quente e calor para as cidades da ilha é em grande parte assegurado por este cenário.

Sistemas de Rios

Outro aspecto do ambiente natural da Europa, que teve uma profunda influência sobre a distribuição da população e sobre a actividade económica humana é o sistema de rios. A abundância de rios e fluxos que caracterizam quase todos os continentes (excepto para algumas das partes mais secas da região do Mediterrâneo) teve uma importância crucial para povos primitivos e têm continuado a desempenhar um papel central na evolução dos padrões culturais e económicos.

1) Meios de Transporte: Antes do século XIX, o meio mais seguro e confiável de transporte em toda parte do mundo era o barco. As estradas eram primitivas, difíceis e muitas vezes perigosas. Na Europa os canais ligavam as populações e as economias das nações. A localização em uma via navegável foi um requisito primordial para milhares de vilas e cidades da Europa moderna. A sua localização está ligada a um fluxo. Estes fluxos eram a maneira de as cidades e vilas se ligarem ao mundo exterior.

o

abastecimento directo de água para as populações. Embora, os Romanos tenham construído aquedutos para fornecer água para várias cidades no mundo seco Mediterrâneo, a maioria dos europeus optaram pela solução mais simples; viveram perto dos cursos de água.

2)

Abastecimento

ou

distribuição

de

água:

Os

Fluxos

e

rios

da

Europa

também

serviram

para

3) Poder: Um equilibrado escoamento sazonal e um grande número de colinas ou montanhosas permitiu na maior parte da Europa uma estabilidade do sistema de sítios de energia hidráulica, que forneceu a energia para a indústria nas fábricas. As suas lagoas são muitas vezes uma relíquia do passado.

As regiões Geográficas Físicas da Europa

Terras Altas Ao considerar as principais divisões físicas da Europa, é conveniente pensar numa série de paralelos, geralmente zonas leste-oeste e perceber que geologicamente falando as áreas montanhosas mais importantes da Europa do norte são mais Velhas e as do sul mais jovem. As terras altas podem ser divididas em quatro grupos, com base na idade:

1) O escudo feno escandinavo: Esta parte do norte da Finlândia e da Suécia, com extensão na península de Kola, Rússia, é a formação rochosa mais antiga conhecida na superfície terrestre. Formadas pelo menos à, 600 milhões de anos atrás, estas rochas cristalinas foram suavizadas pelas forças da erosão.

2) As formações caledónias: Há cerca de 300 milhões de anos atrás, a orogenia Caledonian, ou o período de formação de montanhas, criou uma nova série de montanhas na Europa, das quais as mais importantes são as terras altas escandinavos que ocupam a maior parte da Noruega e dividem este país da Suécia. Rugosas, com cumes até 5000 pés (1525 metros), e severamente erodidas devido à tardia glaciação, estas montanhas situam-se entre as mais desabitadas e dispersas regiões da Europa. As terras altas escocesas (―Caledónia‖,

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antigo nome para a Escócia), os planaltos escoceses do Sul, Gales, o ―distrito do Lago‖ de Inglaterra, e as montanhas Irlandesas datam também deste tempo.

3) As formações Hercínicas: Há cerca de 100 milhões de anos atrás, outra das principais orogenias produziram o complexo sistema de colinas e montanhas baixas que caracterizam bastante a Europa central. Variando na elevação até 6000 pés (1830 metros), sendo mais comum uma variação de 2000-3000 pés (610- 915 mt), geralmente florestada, estas áreas são provavelmente melhor tipificadas pela extensão de ―Mittelgebirge‖(?) do centro e sul da Alemanha e da República Checa, incluindo a famosa Floresta Negra (―Schwartzwald‖). Desta idade são as ―Ardennes‖ e ―Vosges‖ do norte da França e Bélgica, o Maciço Central da Britania e Normandia (também em França), os ―Apeninos‖ e a ―Cornualha‖ na Grã-Bretanha. Similar na idade mas bem diferentes na estrutura é o Alto planalto que forma a maior parte da Península Ibérica. Com uma formação geralmente plana com cerca de 800 pés (2440 mt) de elevação, dissecada pelos principais rios, o planalto Ibérico é uma região exclusiva ―pedoforma‖ (landform) na Europa.

4) As formações Alpinas: Ao Sul, finalmente, a orogenia Alpina criou as mais novas e mais espectaculares formações na Europa. Com cerca de 20 milhões de anos, as montanhas deste período são recentes o suficiente para estarem menos erodidas do que certas extensões mais a Norte, e as maiores elevações do continente, foram consequentemente encontradas aqui. ―Mont Blanc‖, nos Alpes franceses, perto da vulgar fronteira de Itália com a Suíça, é o pico mais alto da Europa. Com 15.771 pés (4807 mt), não está de todo entre os maiores, mas não deixam de ser impressionantes - permanentemente cobertos com neve e nuvens é um dos vários picos que excedem os 10.000 pés (3500 mt). Os Alpes são na realidade uma complexa serie de cadeias montanhosas exibindo grande variedade geológica e topográfica. Começando com os Alpes Marítimos, que correm em direcção ao Norte, desde o Mediterrâneo entre França e Itália, logo depois correm para leste, onde se encontram as maiores extensões na Suíça, Norte de Itália e Áustria. Mais adiante, a formação Alpina continua nas várias massas montanhosas nos Estados da Jugoslávia, Bulgária e Grécia, conectando além disto com as montanhas do Médio Oriente. As extensões Cárpatas da Europa Oriental são também da idade Alpina. A Oeste dos Alpes, os Pirenéus separam a França da Espanha. Um único bloco virado para Norte, os Pirenéus são de alguma forma uma barreira mais difícil e imponente do que os Alpes: comparativamente, existem ainda menos estradas além da fronteira, excepto ao longo da estreita costa. Apesar de não serem tão altos como os Alpes (o pico mais alto é o ―Pico de Aneto, Espanha, com 11.168 pés – 3404 mt), os Pirenéus e a sua extensão ao longo da costa do Norte de Espanha, assim como as cantábricas têm um forte impacto em padrões climáticos e actividades humanas.

Modificações Tardias:

Como outrora reparamos, geologia ensinou que o processo sobre o qual as paisagens se formam perante nós, é o mesmo que continua a modificá-las. Este princípio é claramente ilustrado na geografia física da Europa. Menções já foram feitas às contínuas actividades tectónicas que particularmente caracterizam a Islândia e a região Mediterrânea (ver ―perigos físicos‖ neste capítulo). Um processo ainda mais recente que modificou as paisagens de uma grande parte da Europa foi a Glaciação do Pleistoceno. Tal como no Norte da América do Norte, o Norte da Europa foi invadido por folhas de gelo continentais por 4 ocasiões neste período, o mais recente avanço de derretimento foi acerca de 12 mil anos atrás (não mais do que 8 mil anos em muitas partes do Norte da Escandinávia). Isto significa que as paisagens modificadas pelo gelo, não tiveram tempo (geologicamente falando) de regressar à sua condição pré-glacial. O maior centro de acumulador de gelo foi em ―cima‖ do escudo ―Feno-Escandinavo‖, e à medida que o gelo se move para o sul, estas paisagens no norte da Europa são severamente erodidas e eventualmente cobre todo o continente a Norte do Mar Báltico. As centenas de lagos que são hoje destaques na Finlândia e Suécia são ―lembretes‖ deste recente período de limpeza glacial e rompimento na drenagem.

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

A Oeste, a grande folha de gelo praticamente cobre as montanhas Escandinavas, ―gouging‖ os vales na costa norueguesa centenas de pés abaixo do nível do mar (ao contrário das correntes, o gelo consegue cortar por vales bem abaixo do nível dos lagos ou mar, desde que a pressão traseira seja mantida. Quando o gelo eventualmente retrocede, o mar invade estes vales profundos, penetrando na terra em alguns casos por mais de 100 milhas (160 Km), criando as famosas ―fiordes‖ que tanto caracterizam a moderna costa norueguesa. A sul do moderno Mar Báltico, que rudemente coincide com o avanço ―Austral‖ da mais recente folha de gelo Pleistoceno, cheias do gelo derretido depositou uma grande quantidade de areia relativamente infértil e cascalho que foi levada pelos glaciares, criando hoje uma surpreendente improdutiva e escassas paisagens populadas no Norte da Alemanha e Polónia.

Percepção: Noruega e a sua costa ―Fiorde‖ Nenhuma outra nação europeia foi mais profundamente, influenciada pelas circunstâncias do seu ambiente natural do que a Noruega. Largamente confinada ao estreito declive ocidental das montanhas escandinavas, entre a Suécia e o Atlântico, o país tem 1100 milhas (1770 Km), mas raramente mais de 100 milhas (160 Km) de diâmetro, excepto na extremidade da secção mais a sul. Alinhado o Nordeste com o Sudeste, a paisagem que é agora Noruega, estava deste modo quase nos ângulos certos do derramar dos glaciares sobre as montanhas e no Atlântico. O gelo íngreme cortante, vales em forma de ―U‖ ao longo dos cursos dos pré- existentes rios, e, já que gelo em movimento é inteiramente capaz de erodir abaixo do nível do mar, aprofundou estes vales por centenas de pés. Eventualmente, à medida que o clima terrestre aquece, o nível de derretimento excede o nível do avanço do gelo, causando uma ―retirada‖ nos glaciares, permitindo que a água do mar encha estes profundos vales. Os ―Fiordes‖ são verdadeiramente espectaculares e são uma das mais impressionantes paisagens da Europa moderna. Alguns, tais como, as ―Sognefyord‖ ou os ―Hardangerfyord‖, com as suas muitas extensões, prolongam-se por mais 100 milhas (160 Km) do interior para o mar aberto. Os maiores navios do mundo, conseguem navegar facilmente, ancorando se necessário a alguns metros da costa. No entanto, ao mesmo tempo colocaram problemas substanciais no desenvolvimento cultural e económico da Noruega. Apesar de bons portos naturais, os seus lados íngremes e o carácter robusto dos seus sertões glaciados significa que existe pouca terra lisa e poucas ―terras com água‖ nas interacções associadas. Os pequenos pedaços de terra capazes de suportar a agricultura e o estabelecimento estão no topo das ―fiordes‖, onde os vales de gelo esculpido não estão mais sob o nível do mar. Estas áreas são conhecidas como ―Viks‖, e foi aqui que os ―Vikings‖ navegaram com excesso de população e recursos limitados para aterrorizar e colonizar outras partes da Europa e até América do Norte. Um dos problemas dos ―Fiordes‖, só pode ser atravessado por barco, por ar, ou vias tortuosas em torno das suas extremidades interiores. Desde que a Noruega é um país linear, as ligações do transporte e da comunicação entre as suas várias regiões são vitais, contudo estes são rendidos frequentemente fisicamente impossíveis ou proibitivamente caro pelo profundo, dissecar (?) dos vales fiordes (dissecting fjorded)? Uma viagem inteiramente terrestre entre o sul e o Norte (sem usar os ferries consumidores de tempo e com restrições de peso) só é possível desviando pela Suécia. Deste modo, as paisagens naturais ameaçam a unidade nacional. Tentar manter a população e uma economia viável nas várias regiões semi-isoladas pelos ―fiordes‖ é um dos mais pressionados e perplexos problemas da moderna Noruega.

Enquanto os glaciares continentais estiveram activos no Norte da Europa, o clima frio e a abundante precipitação nos Alpes fizeram nascer outra larga expansão de montanhas ou glaciares Alpinos que modificaram substancialmente estas recentes montanhas e as suas circundantes regiões. Num movimento descendente do gelo permanente e campos de neve em elevação superiores, estes íngremes glaciares esculpidos, vales lisos e fundos em forma de ―U‖, erodiram muitos picos montanhosos em denteados ―chifres‖ (o Matterhorn na Suíça é o mais famoso), criando o espectacular cenário que associamos hoje em dia aos Alpes. Inúmeras cataratas, e os bens conhecidos lagos da Suíça, Áustria, e Norte de Itália são os ―restos, sobras‖ do período glaciar enquanto os glaciares podem ainda ser vistos hoje de elevações mais altas. O que

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

pode ser chamado de ―benefício adicional‖ forneceu à civilização moderna nesta região pela idade do gelo é o maior (ou melhor) acesso para o interior fornecido pelos vales glaceados. Nestes vales encontramos concentrados a maior parte da fixação e a maior nº de transportes. Noutro local, outras montanhas da idade das Alpinas, sendo mais baixa a elevação, latitude mais a sul, e/ou mais perto da costa, não acumulou tanto gelo na mesma extensão como os Alpes, deste modo foi menos modificado no processo da erosão glacial. Os Pirenéus são um bom exemplo disto. Apesar de haver alguns recursos glaciais a altas altitudes, a maior parte da cadeia foi muito pouco influenciada, uma das razões porque o acesso em muitas partes dos Pirenéus ser tão difícil é a falta de amplos vales glaciares, como os que foram criados nos Alpes. Será que a Idade do gelo está a terminar? Ou será que a terra está noutra fase interglacial? Estas questões intrigantes são solicitadas pelo facto do período entre a retirada da última ―folha de gelo‖ e hoje (alguns 10.000 anos para uma figura média) é mais curto do que o período entre qualquer dos outros avanços do gelo pleistoceno. Pode ser, consequentemente, que um quinto avanço do gelo (e possivelmente outros) esteja no futuro terrestre. Existe hoje muita especulação acerca da mudança do clima e do papel do homem neste acontecimento (ver capítulo 2- ―Tempo e clima Europeu‖); e enquanto as maiores discussões sejam o provável aquecimento global nos anos que se seguem, o facto é que o arrefecimento terrestre na atmosfera de cerca de 2 ou 3 graus célsius, (por exemplo, pelo cenário ―Inverno nuclear‖) será o suficiente para despertar a acumulação de gelo renovado no Norte da Europa, que certamente adiciona o interesse ao debate científico.

Terras baixas Europeias Na discussão da geografia física europeia, a atenção recai sempre nas terras altas, que com as montanhas e colinas rudes, como constatamos, inibem a fixação e a economia humana. Dando ênfase ao facto de que a Europa é formada por uma série de terras pouco prometedoras, assim como nos lembra a diferença entre um turista e um residente: as montanhas espectaculares da Suíça ou a beleza assombrada das terras altas escocesas formam paisagens que gostamos bastante de visitar, mas não podem ser a casa para muita gente. Isto é um facto em todo mundo; a maior parte da população encontra-se aglomerada somente numa pequena percentagem de toda a massa da terra. As razões são evidentes: agricultura, transportes, construções

citadinas - todas as actividades vitais da cultura moderna - a população reúne-se onde o tempo é de acordo e onde a terra é plana, fértil e ―bem drenada‖. A escassez de algumas áreas torna-se evidente à medida que percorremos o mundo, observa-se os conflitos territoriais quando as pessoas e actividades competem por uma parcela de ―espaço bom‖.

A cena europeia dá-nos uma vantagem ideal para apreciar esta realidade.

De facto, existe apenas uma grande área contígua essencialmente plana na Europa. É a região fronteiriça com o mar do Norte, com uma extensão ao longo do Báltico, conhecido como ―Linha do Mar do Norte ou

Grande Planície Europeia‖. Incluindo o Norte de França, Inglaterra oriental, Bélgica, Holanda, Norte da

Alemanha e Polónia, e partes da Dinamarca e sul da Suécia, ampliando a leste até às grandes planícies europeias da Rússia e Ucrânia, esta vasta extensão de terras baixas sobressai em qualquer mapa com um foco de população, cidades, agricultura, vias de transporte, desenvolvimento industrial, e inúmeras medidas de sucesso e progresso humano. É de longe a mais importante parte da Europa hoje em dia. E à medida que

o continente caminha para um novo século, esta é a região que ainda lidera o caminho. Do ponto de vista de

um turista, as paisagens aqui são aborrecidas e sem interesse; da perspectiva de um geógrafo, aqui é o coração da Europa. Neste contexto, vale a pena lembrar que, com poucas excepções, a prosperidade em qualquer região deve-se quase sempre a uma agricultura com sucesso, a lavoura gera lucros que são investidos noutras actividades. Isto coloca as ricas zonas de agricultura mundial - incluindo muito da ―Linha do Mar do Norte‖ – numa perspectiva adequada, dando ênfase a um sinistro facto: existem muito poucas regiões assim. Além da ―Linha do Mar do Norte‖ e das suas extensões para Este, a outra grande área de terra plana, na Europa é o vale central do ―Rio Danúbio‖ e os seus afluentes na Europa oriental, conhecidos por ―Alföld‖.

Esta região, que inclui grande parte da Hungria e partes da Sérvia, Croácia, Bósnia, Roménia, e Áustria, tem sido o ―breadbasket‖ do Sudoeste da Europa há séculos.

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Apesar da área sofrer em alguns locais de cheias e excesso de salina no solo, é claro que continua a ser o grande foco de actividade nesta parte da Europa. Talvez não seja surpreendente que as pessoas ―Magyar‖ (húngaros), que ocuparam grande parte de Alföld desde o século X, conseguiram manter as suas ricas tradições culturais numa região com constante agitação política. Além da planície do mar do norte e do Alföld, áreas planas, as terras produtivas europeias consistem principalmente em vales com rios e por vezes estreitas faixas de planície costeira. O ―vale do Pó‖ no norte de Itália é o mais significante (a tradicional terra do ―coração‖ na nação italiana), mas em quase todos os países a pequena extensão de terra de qualidade representada por este recurso assumiu um raro grau de importância.

Litorais O litoral europeu geralmente reflecte as grandes regiões ‖pedoforma‖ do interior, no sentido em que grande parte é rugosa e montanhosa. A maior parte da costa mediterrânea, Escandinávia, Finlândia e grande parte da costa inglesa são deste tipo, enquanto somente o mar do Norte (Norte da Normandia em França), a margem sul do Báltico, sudoeste francês, e algumas partes da costa mediterrânea têm margens suaves. Muitas planícies costeiras, por outro lado aquelas relacionadas com rios como Pó, Rhone, Reno e Danúbio, são geralmente terras mais húmidas e pantanosas, que requerem enorme esforço humano e engenho para torná-las produtivas. Como resultado destas condições, as regiões costeiras são muitas vezes isoladas dos seus sertões, e o desenvolvimento dos portos e docas, que contribuem e dependem tanto para a prosperidade europeia, têm sido uma proposição difícil. Sem surpresa, os poucos bons portos com fáceis conexões, a ricos sertões (como por exemplo Marselha, França) têm sido locais importantes desde a antiguidade remota.

Rios e Correntes:

Finalmente, qualquer breve revisão da geografia física europeia deverá reforçar novamente a importância do sistema dos grandes rios da região. Para um continente antigo como a Europa, ou seja, um local onde os humanos estão presentes em grande número desde à muito tempo atrás, a água corrente tem uma importância excepcional, e a localização de locais, estabelecimento de padrões de transporte, e localização da actividade económica muitas vezes ainda presente hoje podem ser explicados, num grande número de casos pela relação com a água corrente. Já fizeram menções da clássica trilogia das vantagens da localização da água: fornecimento de água, transportes e poder. Muitos rios serão identificados e discutidos a diferentes alturas neste texto. Menções serão feitas aqui, contudo, de alguns que tem uma proeminência especial na cena europeia. Atendendo na Suíça, o Reno liga as óptimas regiões industriais da França oriental e Alemanha ocidental, ao Mar do Norte através da Holanda. Também na Suíça, o Rhone corre em direcção ao sul da França para o Mediterrâneo. O Danúbio, que nasce não muito longe do Reno na Alemanha é o maior rio correndo para Leste, conectando praticamente todas as regiões no sudoeste da Europa. O Sena na França e o Tamisa na Inglaterra são importantes principalmente porque servem para ligar duas grandes cidades europeias (Paris e Londres) pelo mar, enquanto o Pó é o clássico rio do Norte de Itália. Na parte ocidental da antiga União Soviética, os grandes rios correm de Norte para Sul; e o ―Dreiper‖, ―Dreister‖, e especialmente o Volga tiveram papéis importantes na história humana e económica da Rússia, Ucrânia, Bielorrússia e Moldávia. Estes e muitos outros rios servem hoje para ―coser o tecido‖ da Europa, providenciando água, poder e transportes, como têm feito desde os primeiros tempos.

Perguntas:

Que são os Fjords noruegueses? Como estas características influenciaram o desenvolvimento da nação norueguesa?

Em sentido geográfico, o que é provável constituir um limite ―bom‖ entre nações? Considere alguns exemplos europeus.

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Na Europa, há minério de ferro mas nenhum carvão é encontrado em Suécia do norte. Que pode isto dizer-nos sobre o relacionamento entre processos geológicos e recursos modernos?

Os terramotos são ocorrências comuns na Europa do sul, mas são raros no norte. Porque é isto?

França e Espanha compartilham de um limite comum longo - 300 milhas (485 quilómetros) - contudo desenvolveram línguas e culturas completamente diferentes. Que aspecto físico do seu limite ajuda esclarecer isto?

2- EUROPA: Tempo e Clima, Vegetação e Solos

Tempo e Clima

De todos os factores dos ambientes naturais que influenciaram o rumo dos eventos humanos e serviram para distinguir as regiões mundiais umas das outras, o tempo (ocorrências diárias do fenómeno atmosférico) e o clima (o padrão característico de uma determinada área) são os mais significativos. Apesar de não haver meios absolutos determinativos, o tempo e o clima normalmente fornecem várias compreensões de inúmeras

variações, nas culturais e económicas paisagens da terra. Como um exemplo notável, o clima é um absoluto ponto de partida para a agricultura, não é suficiente a hábil gestão ou entradas tecnológicas para atenuar os efeitos do cultivo, que são mais frios ou secos, de que o normal. Gestão do tempo, e até previsões fiáveis, continuam a confundir a ciência. A relação entre agricultura

e clima é desta maneira em todo o mundo e muito nas notícias. Secas em África, chuvas e ventos

imprevisíveis na Índia, geadas na Flórida, Verões frescos na Ucrânia: tudo tem impacto económico na população. Á medida que a população mundial continua a aumentar rapidamente, pondo pressão adicional, em todos os sistemas de produção de comida, a questão do clima torna-se mais aguda.

FACTORES QUE INFLUENCIAM O TEMPO E O CLIMA

Seis factores:

1) LATITUDE: Distância entre um ponto qualquer da Terra e o equador, medida em graus. Um dos principais factores que influenciam o clima e o estado do tempo. Sendo a Terra uma esfera, a quantidade de energia solar é maior nas regiões junto ao equador, onde o ângulo solar ao meio-dia é igual durante o ano todo, o que não acontece nos pólos. Visto ser a energia solar que transmite á Terra a dinâmica da sua atmosfera o resultado das diferenças latitudinais dá origem á formação de 3 núcleos de pressão baseados na proximidade constante das regiões quentes ou frias. As altas temperaturas do equador dão origem a uma zona de baixas pressões, 5º acima do equador, responsável pela humidade e condicionando a chuva nas regiões com baixa latitude. Em contraste o frio das regiões polares em cada hemisfério cria uma zona polar onde as altas pressões e as condições frias são a realidade climática. Entre estes 2 extremos há regiões intermédias cuja latitude influência o clima predominante. A Europa, localizada a altas latitudes é caracterizada por um clima mais frio.

2) ROTAÇÃO DA TERRA: A rotação da Terra cria zonas dinâmicas de pressão e sistemas de movimentação de ar (vento) que influenciam o clima mundial e tem um impacto grande na Europa.

A rotação do ar cria 2 zonas de altas pressões: áreas subtropicais, compensadas pelas áreas de baixas

pressões. O efeito de CORIOLIS consiste na diferença que existe entre o hemisfério Norte e o Sul. No Norte o

ar gira para a direita e no Sul para a esquerda. Esta curiosidade científica é vital para caracterizar o clima

europeu.

3) MUDANÇAS DE ESTAÇÃO: deriva da inclinação de 23,5º da Terra sobre si própria em relação ao Sol. A incidência dos raios solares não é igual para toda a superfície terrestre o que provoca as estações e a sua alternância ao longo do ano. Para a Europa este é um factor climático muito importante.

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

4) CONTRASTE TERRA-MAR: A aproximação de uma determinada região às águas do mar é factor determinante do seu clima. As regiões do litoral, devido á proximidade com o mar não sentem as diferenças de temperatura de forma tão profunda como as regiões do interior. A Europa, pela sua posição geográfica, é fortemente influenciada pela aproximação ao mar.

5) CORRENTES OCEÂNICAS: Tanto a proximidade como a temperatura das águas do mar são factores que influenciam o clima das regiões do litoral. O movimento das águas, dos oceanos e das correntes marítimas provocam uma dinâmica que pode de tempos a tempos ter efeitos dramáticos. As correntes tropicais que se movem a altas latitudes são correntes quentes, tendo origem nas latitudes superiores e movendo-se para o equador. Neste contexto a Europa é altamente influenciada pelas correntes quentes do Atlântico, com origem no equador, e que temperam as águas na costa europeia a altas latitudes.

6) BARREIRAS MONTANHOSAS: Na Europa a principal barreira montanhosa é de origem alpina os Alpes

e os Pirenéus formam uma barreira entre o Norte e o Sul e a região Mediterrânica.

Na Escandinávia a maior barreira inclina-se de Nordeste para Sudoeste. Ao longo da costa Norueguesa as

condições moderadas contrastam com o clima frio do interior da Suécia. Podemos concluir que a Europa tem 3 grandes climas e alguns microclimas com alguma relevância, o que nos permite fazer a seguinte divisão:

- Europa Norte e Central;

- Europa Mediterrânica;

- Costa Europeia;

- Europa condicionada pelas barreiras montanhosas.

Os três principais tipos de clima

- CLIMA MARITIMO COSTEIRO: abrange a região Norte, incluindo a Grã-Bretanha, Irlanda, Norte da França, países da Benelux, Oeste da Alemanha, Sul da Escandinávia. Caracteriza-se por ser um clima influenciado pelas condições marítimas, pelas temperaturas amenas tanto de Inverno como de Verão e pela distribuição das chuvas ao longo do ano. Devido às águas temperadas da Costa Europeia e aos poucos obstáculos levantados pela barreira montanhosa, podemos dizer que a maior da Europa tem um clima moderado.

- CLIMA CONTINENTAL: com uma crescente latitude, uma crescente distância entre a água do mar e uma

crescente elevação na Europa, as variações do clima são maiores. Os invernos frios começam a ser raros e os verões tendem a tornar-se mais quentes. O resultado é este típico clima continental em que as características terrestres se sobrepõem às marítimas. Este tipo de clima estende-se da Alemanha Central à Polónia, República Checa, Eslováquia, Escandinávia (com excepção do extremo norte onde o clima é mais severo). No clima continental os invernos são frios, a chuva é repartida pelo ano, os verões apresentam-se mais quentes, apesar de no Norte e Leste as temperaturas se manterem baixas.

- CLIMA MEDITERRÂNICO: a região Sul da Europa é caracterizada pelo tipo único de clima no mundo

Mediterrânico. Durante o Inverno os ventos da cintura Ocidental influenciam a bacia Mediterrânica regulando

as tempestades e distribuindo as chuvas de forma adequada ao longo do ano. Nos meses de Verão a região é influenciada pela pressão subtropical pelos ventos que migram do Saara resultando em temperaturas quentes. As montanhas como os Alpes e os Pirenéus, que se inclinam de Este para Oeste bloqueiam o movimento das massas do ar e acentuam a diferença entre o clima da Europa Central. Este tipo de clima surge nas regiões Espanholas, Sul de Portugal, Croácia, Montenegro, Albânia, Ilhas Mediterrânicas e Norte de África. Este tipo de clima serve de suporte a uma variada vegetação natura.

MICRO CLIMAS

Junto com estes 3 grandes tipos de clima há ainda pequenas regiões como a Sérvia, Hungria, Roménia, Bulgária, e Sérvia, onde a latitude combinada com o afastamento das águas provoca o aparecimento de um clima de estepe.

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Na Escandinávia e Centro do Árctico onde os Invernos são longos e frios clima tundra. Através do clima é possível entender melhor a Europa. Os insectos, pragas, pestes e doenças provocados por insectos. Outra vantagem europeia é a ausência de tempestades violentas. A sua localização moderada liberta de furacões, tornados. Pela sua moderação a nível de temperatura e chuva, a Europa providência hospitalidade para os homens que a visitam, proporcionando desenvolvimento das actividades económicas. Factores históricos, políticos e técnicos tem um peso maior no avanço, apesar do clima continuar a ser a obra de referência.

apesar do clima continuar a ser a obra de referência. Perguntas:  temperatura média de Janeiro

Perguntas:

temperatura média de Janeiro em Marquette, Michigan é 16 graus de Farenheit (- 9 graus Célsius). Em Bresta, França, a média de Janeiro é 45 graus de Farenheit. (7 graus Célsius). Ambas as

A

estações estão nos graus mais ou menos idênticos da latitude (46 a 48 norte). Como se pode explicar

a

diferença nas temperaturas médias de Janeiro?

Spokane-Washington e Basileia-Suíça são encontrados aproximadamente 250 milhas (400 quilómetros), da costa ocidental de um continente aproximadamente 48 graus de latitude norte, e estão aproximadamente na mesma elevação. Contudo Basileia é consideravelmente mais suave no inverno, fresco no verão, e mais molhado do que Spokane. Como se pode esclarecer isto?

Suponha que ―o efeito estufa‖ é uma realidade. Especule sobre as mudanças que isto pode produzir na Europa no ano 2050.

As partes do planalto Ibérico em Espanha são as únicas paisagens verdadeiramente semiáridas da Europa, a oeste da Ucrânia. Porque estão estas áreas são usualmente secas?

A luz do sol é ―garantida‖ para obter por umas férias do verão na Europa, você visitaria a região Mediterrânea. Porquê?

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Vegetação Natural

Entendendo o padrão geral de distribuição de relevo e tipos de clima que caracteriza a Europa constitui um bom retrato dos ambientes naturais que podem ser encontradas lá. Dois outros elementos, sobre a qual

os seres humanos têm dependendo e que tenham modificado substancialmente, devem ser considerados

para preencher alguns dos detalhes da paisagem. Estes elementos são a vegetação natural que existia antes da intervenção humana e que podem, ocasionalmente, sobreviver ou (mais frequentemente) foram substituídas por outras formas, e os solos, sobre o qual a mais crítica de todas as actividades económicas humanas - a agricultura - é fundada. Uma vez que estes dois elementos devem muito de seu padrão de distribuição para as mudanças climáticas de lugar para lugar, é adequado discuti-los neste momento.

Quando os primeiros seres humanos se começaram a expandir na Europa de forma significativa - talvez cerca de 60.000 anos atrás - encontraram um continente em geral florestado que previa um desafio e uma oportunidade. Ao longo dos séculos, com a melhor tecnologia, como a necessidade de arrotear mais terras para a agricultura tornou-se universal, e como a procura de madeira como combustível e material de construção aumentou de forma constante, a maior parte da cobertura florestal original foi removida. Na verdade, até meados do século XX, a Europa poderia ser correctamente identificada como o continente com a menor percentagem das suas terras como floresta ou outros tipos de vegetação natural. Capa original só poderia ser encontrada nos distritos mais remotos do norte da Europa ou nas zonas montanhosas, ou quando

algum ―acidente‖ da história poderia ter mantido um pedaço de floresta segura do machado. Recentemente, a preservação e recuperação de áreas florestais, bem como outros tipos de vegetação natural, tornaram-se uma prioridade nacional para a maioria das nações, com o resultado que a Europa é, por agora, provavelmente, o local que mais tem contribuído para essa preservação. Reflorestamento de grandes áreas é generalizada, proporcionando tanto uma eventual colheita de dinheiro (o clima geralmente ameno promove o crescimento rápido), e outras vantagens, tais como espaço de recreação, habitat dos animais selvagens, e protecção de bacias hidrográficas. Pouco deste esforço admirável foi concebido para reproduzir fielmente a capa original, no entanto. Florestas de coníferas, mais "úteis" e de crescimento mais rápido, muitas vezes substituem as florestas folhosas de outros tempos. Orgulho europeu numa paisagem recém reflorestada tem se reflectido na preocupação recente sobre as consequências ambientais das chuvas ácidas

e outros poluentes sobre as florestas de cada região (ver discussão ambiental, capítulo 13).

Os tipos de cobertura vegetal natural encontrados originalmente na Europa, e que ainda podem ser observados, pelo menos parcialmente, estão intimamente relacionadas com os padrões climáticos. Este é, naturalmente, uma vez que as distribuições climáticas que temos observado, foram sugeridas por um botânico, Wladimir Koppen, que baseou o seu trabalho sobre as mudanças nas comunidades vegetais. Assim, tal como existem três principais regiões climáticas na Europa, existem também três tipos distintos de vegetação natural:

1. A larga floresta estacional decidual (floresta decídua temperada) - Sob o clima de feição marítima da Costa

Oeste, com temperaturas geralmente suaves e precipitação abundante, uma floresta de folhosas desenvolve-

se com base em espécies conhecidas para latitudes médias de todos os continentes, como o carvalho, olmo,

bordo, e faia. Com a mudança sazonal de estação, diminuição dos dias, as árvores perdem as folhas durante um curto período, mas no ambiente ameno das planícies do Mar do Norte, a primavera chega mais cedo, e as folhas e as flores começam a reaparecer logo em Fevereiro, em alguns locais favorecidos. Muito pouco dessa

floresta original permanece. Só em alguns casos, pequenas peças foram preservadas, como na caça real (por exemplo, a "Nova Floresta" no sul da Inglaterra datam da época de Guilherme o Conquistador), onde árvores

de

grande porte podem ainda ser vistas.

2.

A floresta sempre-verde needleleaf (a floresta de coníferas) - Afastando-nos da costa oeste e movendo-nos

mais para leste, mais para norte, ou mais acima nas encostas de montanhas, a cobertura vegetal também muda. Como o clima fica mais frio e mais seco (a água congelada é inútil para as plantas, os invernos são frios e secos), as plantas mais adaptadas para suportar condições de seca começam a dominar. Com as suas

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

pequenas folhas, raízes profundas, casca grossa, mais perenes (coníferas) espécies como pinheiros, abetos, etc, são, portanto, bem sucedidos neste ambiente, e assim dominam a composição da floresta. Há uma ampla zona de transição, é claro, como o clima se deteriora progressivamente de oeste para leste, entre as folhosas aberta florestas decíduas da Europa Ocidental e da floresta de coníferas sólidos, ou taiga, do norte da Europa e da imensidão da Sibéria. É, aliás, pela mesma razão, a seca, que as espécies de coníferas são amplamente distribuídas por todo o litoral da Europa e outros continentes. Os solos arenosos comuns aos ambientes costeiros permitem que a chuva se infiltre rapidamente, muitas vezes antes que a vegetação a utilize plenamente. O resultado, mesmo em áreas de chuvas abundantes, pode efectivamente ser de uma condição de seca para a comunidade vegetal.

3. A floresta de matagal mediterrânico- Com o seu regime climático único, particularmente com a estação de verão seco, a região mediterrânica do sul da Europa (e, na verdade todas as áreas do mundo deste clima característico) coloca problemas fora do comum para a sua comunidade vegetal. Por um lado, temperaturas amenas e chuva moderada durante os meses de Inverno permitem à vegetação que cresça normalmente, o que é geralmente um período de dormência. Por outro lado, a seca do verão, com temperaturas mais elevadas associadas, significa que as plantas devem ser especialmente adaptadas para sobreviver. O resultado destas contradições é uma comunidade vegetal ao contrário de qualquer outra no mundo. Todas as plantas nativas do Mediterrâneo têm certas características adaptativas: tamanho pequeno, pequenas folhas, raízes profundas para obter qualquer humidade disponível, casca grossa para proteger o tronco contra a perda excessiva de água, e uma ampla cobertura para sombrear a planta e reduzir a evaporação. O mais característico dessas comunidades vegetação original é uma colecção de plantas raquíticas, em média, talvez um metro (3 pés) de altura, que forma uma terra contínua cobertura em grande parte da bacia do Mediterrâneo, e que é conhecido por um nome diferente em cada um dos as culturas limítrofes: Maquis no sul da França, Macchia em Espanha (e Chaparral na região de clima mediterrânico do Sul da Califórnia!) As árvores maiores da região partilham estas mesmas características. Estes poderão incluir o azeite (veja a discussão da economia do Mediterrâneo, capítulo 8), vários tipos de pinheiros pequenos, e uma variedade de carvalhos vivos, incluindo o sobreiro famoso, cuja casca grossa protectora é retirada e utilizada pelo homem sem danos permanentes para a árvore. Um problema particular na avaliação da vegetação mediterrânica surge em considerar o quanto da cobertura original foi perdida como um resultado da intervenção humana, e ao mesmo tempo, quanto da situação actual, é coberta por espécies introduzidas. Tão tarde como o início do período clássico - talvez 3000 anos atrás - o Mediterrâneo, assistia a um longo período relativamente mais frio e mais húmido do clima pós- glacial, era muito mais densamente arborizadas, como os escritos de muitos proeminentes autores gregos do tempo de sugerir. Isto tornou-se um ambiente muito frágil, no entanto, e com os números de expansão da humanidade e da capacidade crescente da tecnologia para modificar a paisagem, o Mediterrâneo foi amplamente desmatado e, de facto, o ambiente severamente danificados (ver discussão Ambiental, Capítulo 13) pelos precoces séculos da era Cristã). Ao mesmo tempo, a disseminação de novas tecnologias também incluíram a introdução da irrigação na região. Estas técnicas foram geralmente apresentadas como parte do impacto islâmico dos séculos VIII e IX, e alterou drasticamente a face vegetativa de toda a bacia mediterrânica. As temperaturas amenas, sol abundante, e, pelo menos, quantidades moderadas de solo bom significa que, com a adição de fontes de água permanentes, como grandes rios ou aquedutos poderia ser usado para fornecer anos de irrigação rodada, o Mediterrâneo tornou-se algo muito semelhante ao proverbial Jardim do Éden. Muitas das plantas que nós mais estreitamente associamos ao Mediterrâneo não sobreviveriam sem a certeza da irrigação durante os verões secos. Certamente, as mais conhecidas dessas plantas são as frutas cítricas: nativa do sudeste da Ásia, laranjas, limões e outras plantas cítricas tornaram-se lendárias no Mediterrâneo (uma cidade na Espanha deu o seu nome para a laranja Valência, mas eles dependem totalmente de irrigação para a sobrevivência. Além disso, uma variedade verdadeiramente desconcertante de outras plantas exóticas de todo o mundo encontra-se na paisagem mediterrânica moderna onde a água pode ser fornecida de forma consistente.

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Além destes três principais regiões de vegetação natural na Europa, um número menor de tipos de complexos vegetativo podem ser reconhecidos, a maioria dos quais são novamente inteiramente consistente com as restrições climáticas. Por exemplo, na periferia extrema da Europa (bem como de outras regiões circumpolares da América do Norte e Rússia, e nas elevações mais elevadas de intervalos maiores de montanha da Europa, muito curtos períodos de crescimento e Invernos extremamente frios, significa que as árvores não podem sobreviver, e a vegetação de base torna-se um complexo de pequenos arbustos e flores especialmente adaptados conhecidas colectivamente como a tundra. Este ainda delicada vegetação fornece

o fundamento básico que abrange toda a Região Norte.

Relacionadas ao complexo tundra encontra-se a vegetação arbustiva, encontrada em muitos dos ambientes costeiros da Europa Norte e ocidental. Aqui, o vento constante de oeste, muitas vezes de velocidade considerável, a humidade evapora rapidamente, para que, mesmo em regiões de chuvas, a comunidade vive uma seca virtual. Além disso, o vento exerce um efeito mecânico poderosa intempérie, literalmente moer afastado dos brotos de crescimento das plantas, excepto quando estes são protegidos nos vales ou nas

encostas de morros reverso. Entre as plantas que sobrevivem nas paisagens, muitas vezes estéril terras altas da Escócia e País de Gales, Bretanha, e em outras regiões expostas são conhecidas espécies, tais como a urze, tojo e giesta.

A Europa tem muito pouco verdadeiramente clima seco e, portanto, mostra poucas áreas de vegetação de

terra firme. Nos climas semi-áridos da Espanha central e do sul, algumas áreas de grama curta ou vegetação estepe são encontrados, mas isto é de forma limitada. Na verdade, a maioria de todos os sub-representados pelos campos, somente no vale do Danúbio médio (ou Alfold) na Hungria e em regiões adjacentes da Europa Oriental há qualquer extensão considerável de pastagens, e por causa de problemas do solo (veja a seguir) discussão, isso não é quase como uma região de pastagens produtivas como a Ucrânia, a norte-americana Midwest, ou os pampas argentinos O famoso estepes da Ucrânia e sul da Rússia, com base em um clima semi-árido, estão entre os melhores do mundo Prados conhecido, e tornaram-se uma região vital de cereais (principalmente trigo) de produção.

SOLOS

Junto com o clima, os solos são o mais importante e determinante da produtividade agrícola, e o padrão de sua distribuição, pode assim estar estreitamente relacionado com factores como a produção de alimentos e a renda agrícola. Levantamento do mundo, é interessante e sóbrio para perceber o quão pequeno da superfície

da terra é abençoada com solos ricos. Europa, infelizmente deficiente (excepto para a Ucrânia), em tipos do mundo no solo mais produtivo, no entanto, goza de uma variedade de solos que, com uma gestão cuidadosa

e uso inteligente, pode ser razoavelmente produtiva. Uma das razões pelas quais as inovações, tais como rotação de culturas agrícolas foram aperfeiçoadas na Europa foi a necessidade constante, tanto para conservar e melhorar a base de solo existente. Os solos são os produtos a longo prazo de uma ampla gama de factores naturais.

O resultado é um padrão muito complexo, especialmente em escala local, onde as pequenas alterações no

ambiente natural podem gerar dezenas de tipos de solos diferentes dentro de uma única milha quadrada. Além disso, a classificação do solo é complicado e sujeito a revisão constante. A classificação mais aceita na actualidade - a dos Estados Unidos Departamento de Agricultura - é conhecido como o Comprehensive Soil Classification System (CSCS).

Na larga escala deste livro, pode ser melhor para simplificar a distribuição de solos por reconhecer que existem, basicamente, três complexos processos pelos quais os solos são formados: os do meio húmido, latitudes médias, o mundo tropical, e os desertos. Cada um desses processos varia consideravelmente em intensidade e no padrão resultante dos solos específicos e definições tendem a deles, para ser ampla e não estritamente científica.

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As

Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997 As características descritivas ajudam a explicar a natureza de

características descritivas ajudam a explicar a natureza de muitas das paisagens características do mundo, e para fornecer algumas pistas sólidas como a distribuição da população e da actividade agrícola. No Norte da Europa, as difíceis condições climatéricas e falta de vegetação significativa produzir um grupo de solos pouco desenvolvidos conhecido no CSCS como Cambissolos. Dada a sua localização de latitude média alta e geralmente com chuvas bem distribuídas, no entanto, os solos da Europa são em grande parte o resultado de podzólico. Nas regiões de tundra do Norte num extremo da Europa, as condições climáticas são más e a falta de vegetação significativa, produz um grupo de solos pouco desenvolvidos conhecido no CSCS como Cambissolos, dada a sua latitude meados TC de alta e geralmente chuvas bem distribuídas. No entanto, para LS da Europa são em grande parte o resultado do processo de podzólico. Sob a floresta de coníferas sólida (ou taiga) do norte da Europa e da Rússia, o podzol verdadeiro (o termo podzol deriva do termo russo para "solo cinzento"), os solos que se formam são ácidos, fortemente lixiviados nas camadas superiores, bem como nas camadas inferiores, e quase totalmente ingovernáveis e estéril. Estes são conhecidos na classificação CSCS como spodisols. No entanto, grande parte da Europa as condições não são, felizmente, tão extrema. Temperaturas mais amenas, os invernos mais curtos, e uma floresta mista ou com larga cobertura resulta de menos água ácido e, portanto, os solos tem algum potencial. Reconhecíveis níveis de lixivização acima e abaixo dos solos, que são chamados de cinzento -castanho Podzólicos, e são esses, muitas vezes pesados e difíceis de trabalhar, sobre a qual se baseia a agricultura europeia. Estes também podem ser referidos como alfisol. Áreas significativas de Organossolos (BOG charneca e solos), e Entissolos (solos imaturos em depósitos aluviais ou areia) também são encontrados na Europa, enquanto os

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solos das áreas montanhosas podem ser extremamente complexos, como resultado da variação de inclinação e microclimas locais. Há, claramente, muitas áreas diferentes importantes como os padrões serem uniformes. Existe uma forte correlação, de facto, entre pequenas regiões de solos extraordinariamente ricos e económicos (e até mesmo política) de sucesso. Por exemplo, algumas partes da Europa central são cobertas por uma fina camada de vento ocasionais de material fundido que datam do recuo da camada de gelo mais recente. Este material, conhecido pelo termo alemão limoso (também chamado de limoso na França), aumenta consideravelmente a fertilidade natural do solo e é responsável por essa rica região agrícola como a bacia de Paris e na região central da Alemanha Borde (ver perfis regionais). De maneira semelhante, a profundidade, os sedimentos ricos do vale do rio muitos (como o Pó do norte da Itália) ter-lhes dado um significado incomum no desenvolvimento de vários países. Por outro lado, onde os solos são produzidos pelo processo de podzólico em tais rochas ácidas como granito, o resultado é uma agricultura relativamente pobre em que são conhecidos como "frio" solos. Muitos calcários, por outro lado, irão produzir solos muito ricos. Na região do Mediterrâneo do sul da Europa, o padrão de tipos de solo, é ainda mais complicado do que em outros lugares. Apesar das baixas temperaturas e chuvas abundantes moderadamente produz condições podzólico durante os meses de inverno, nos verões quentes a seca complica o quadro consideravelmente. Como a evaporação de superfície ultrapassa largamente as chuvas, a humidade se move para cima do solo por acção capilar, assim redistribui minerais do fundo para cima criando solos muito produtivos que têm uma tendência manter-se bem. Se a agricultura moderna é, por vezes, menos importante no Mediterrâneo do que se poderia esperar, a culpa é do clima seco e uma crescente falta de terras plana, ao invés das condições do solo. Também na zona do Mediterrâneo, a actividade vulcânica generalizada produz bolsas de qualidade do solo como os minerais, muitas vezes, resiste a lava rico ao longo do tempo. Embora pareça temerário, as aldeias são construídas e agricultura ocorre surpreendentemente perto da cratera do Monte. Etna, na Sicília, por exemplo. Os agricultores estão dispostos a arriscar o perigo e a necessidade periódica de abandonar suas terras e casas por causa das colheitas que podem esperar dos solos vulcânicos. Como nota final, deve ser lembrado que grande parte da Europa, devido à sua ausência geral de pastagem, também sem grandes extensões de solos magníficos que apoia a agricultura, abundante na Ucrânia ou Iowa. Estes são conhecidos tradicionalmente como Chernozems (terra preta "em russo‖), ou como molissolos na classificação CSCS. Excepto para a Ucrânia, a única outra região bastante grande de pastagem Europeia - o Alfold, ou a bacia central do Rio Danúbio -, é certamente produtivo, mas muito do seu valor está comprometido pela má drenagem e uma tabela elevada da água, que produzem vastas áreas da solos encharcados ou alcalino.

Perguntas:

Descreva o processo podzólico da formação do solo. Como os solos podzólicos cinzentos- marron comuns na Europa diferem do podzólicos verdadeiro? - PODZÓLICOS VERDADEIROS Rússia são inférteis cinzentos e ingovernáveis;

Que é o Loess? Em que partes da Europa serviu para aumentar a fertilidade do solo?;

Descreva os maquis, ou floresta de arbustos Mediterrânea. Porque esta comunidade de plantas incomuns se desenvolveu na Europa do sul? - plantas nativas do mediterrâneo, p.19;

O Reflorestamento é agora prática comum na maioria de países europeus, contudo muitos ecologistas e os ecólogos não são satisfeitos inteiramente com os resultados. Porque? - planta-se espécies que não são de origem, demoram mt tempo a crescer;

A cobertura natural pré- humana da vegetação de Europa incluiu muitas poucas áreas de pastagens. Porque é isto significativo? - porque o relevo é muito acidentado.

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Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997 Capítulo 3 - A Europa no Mundo De

Capítulo 3 - A Europa no Mundo

De todas as tendências que influenciam o desenvolvimento e as perspectivas das várias regiões do mundo, as características da população é talvez a mais significativa. Observadores mais atentos notaram que seja qual for o problema que um indivíduo coloque no topo da sua lista seja a fome, pobreza, tensões internacionais, stress ambiental, etc. o aumento súbito dos números populacionais torna as condições de vida piores. É de facto, possível fazer uma estimativa com alguma precisão relativa à situação económica de qualquer país ou população baseando-se em estatísticas demográficas por si só; somente aqueles países com reservas maciças de recursos para a exportação escapam a esta regra até certo ponto. A crise populacional (conforme muitos a vêem) tem duas componentes: aumento prodigioso do crescimento populacional, especialmente nos países menos desenvolvidos. Ambas estas tendências estão a criar condições sem paralelo na história da humanidade; e sem modelos históricos com que se guiar, podemos somente tentar adivinhar as suas implicações para o futuro.

O aumento da população europeia ao longo dos séculos dá-nos algumas dicas úteis sobre o que está a acontecer hoje noutras partes do mundo. Antes de analisar esta evolução de forma mais detalhada, contudo, poderá ser útil passar um breve olhar à população mundial em 1996, para avaliar a posição da Europa dentro do contexto global. Na imagem 3.1, as maiores regiões do mundo (pequenas populações tais como a da Oceânia não foram aqui tomadas em consideração) estão divididas em dois grupos: economias desenvolvidas e economias menos desenvolvidas. È importante anotar, que o termo ―desenvolvido‖ è um termo bastante pesado e tem que ser manipulado com bastante cuidado. Muitas das regiões mundiais que são ricas e altamente desenvolvidas no

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sentido cultural, são somente pobres na sua economia, e o termo ― subdesenvolvido‖ pode frequentemente ser considerado insultuoso. Em termos de desenvolvimento serão usados nestas questões somente no sentido económico. Não obstante, os números são reveladores em termos de semelhanças nas características da população exibidas por regiões de nível de desenvolvimento economicamente comparável. As três primeiras regiões constituem largamente o mundo economicamente desenvolvido ou ―rico‖. As características populacionais são nitidamente similares, apresentando baixas taxas de natalidade e mortalidade, correspondentemente taxas moderadas de crescimento populacional, e um longo período necessário para duplicar a população (se, de facto isto vier a acontecer). É de notar que mesmo entre estas regiões, a Europa tem vindo de longe a aproximar-se da estabilização da sua população aos níveis actuais. O aumento anual na América do Norte é pouco mais alto devido à imigração (400.000 imigrantes legais entram nos Estados Unidos anualmente); enquanto uma taxa um pouco mais alta de natalidade na antiga União Soviética reflecte o facto de mais ou menos metade desta população ser composta por grupos não europeus que continuam a ter taxas de fertilidade mais elevadas. Outra característica comum à população destas três maiores regiões é a percentagem relativamente moderada da população total abaixo dos quinze anos de idade (22 a 25 por cento). Este factor será discutido posteriormente nesta secção. Finalmente, em termos de sucesso económico (enquanto medido pelo produto nacional bruto por capita – ―GNP‖), estas três regiões encontram-se nitidamente à frente da média europeia apesar dos problemas relativos ao actual ajustamento económico que afectam a Europa de leste e os estados sucessores da União Soviética.

O segundo grupo de regiões mais influentes constitui os ―não-ter‖ económicos do mundo (embora seja de notar que tal amplitude de grupos de tratamento de nações relativamente ricas tais como o Japão, Hong Kong, África do Sul, e Estados petrolíferos do Médio Oriente com os seus muito mais desfavorecidos vizinhos). Aqui novamente, as características populacionais mostram substanciais similitudes dentro do grupo; mas são radicalmente diferentes daquelas das regiões desenvolvidas. È especialmente de notar que embora as taxas de mortalidade sejam pouco diferentes das da Europa, as taxas de natalidade são entre duas a quatro vezes superiores. Assim, fica claro que a relativamente contínua alta taxa de natalidade é responsável pela sua extraordinária taxa de aumento anual, assim como um tempo de duplicação que parece desconfortavelmente curto. Além disso, sinais do futuro podem ser lidos no facto de 37 a 45 por cento da população dessas regiões se situa hoje abaixo dos 15 anos de idade. Finalmente, apesar das poucas regiões ricas agrupadas geograficamente nesta categoria, é evidente pelos dados do GNP que existe uma grande lacuna entre o mundo desenvolvido e menos desenvolvido em termos económicos. O resumo dos números mundiais na linha seguinte (fig.3.1) é de interesse casual talvez de conversas de cocktail (festas) mas mesmo assim contêm algumas mensagens significativas. Em primeiro lugar, é óbvio que a população mundial está a aumentar a uma taxa de escalonamento de mais ou menos um bilião de pessoas por cada 12 anos. Em segundo lugar, embora a taxa mundial do aumento da população tenha declinado de 2.0 por cento para 1.5 por cento durante os vinte últimos anos um facto notável por si só isso representa uma taxa inquietante de crescimento. Em terceiro lugar, uma taxa mundial do dobro em apenas quarenta e cinco anos significa simplesmente que a maior parte dos estudantes de geografia de hoje, podem esperar com uma certa confiança encontrar-se viva dentro desse período de tempo e testemunhar uma população substancialmente excedendo os 10 biliões. Este é um número baseado não sobre um eventual acréscimo da taxa de natalidade, mas em projecções razoavelmente moderadas envolvendo famílias de pessoas habitando já a terra. Finalmente, o número relativamente alto (32 por cento) representando a população mundial mais nova, explica a razão pela qual os números totais têm tendência a subir, independentemente da evolução da taxa de natalidade; também ressalta os enormes problemas que enfrentam os países em desenvolvimento onde a ―disposição‖/‖previsão‖de serviços e empregos para tais números é altamente problemática. É um pensamento preocupante para a maioria dos estudantes de geografia de comprovar, enquanto avançam para além dos seus vinte anos, passam a pertencer à metade mais velha da população mundial. Na secção final do quadro, alguns países foram seleccionados para demonstrar vários modelos das mudanças da população. A Hungria é um exemplo do padrão geral da estabilidade da população europeia, neste caso que mostra uma perda da população uma vez que a taxa de mortalidade na população mais velha

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excede uma taxa de natalidade particularmente baixa. Esta perda de vitalidade demográfica representa de momento uma das grandes preocupações para os Húngaros (assim como para os dirigentes de vários países europeus), uma vez que a diminuição da quantidade de jovens cidadãos levanta questões substanciais relativas ao fornecimento de mão-de-obra, à preparação militar, e às tendências a longo prazo. A Nicarágua é o exemplo de uma pequena nação com um aumento da baixa de população. Apesar dos números serem baixos (4.6 milhões) o desdobramento de tempo de apenas vinte e seis anos revela que um país pobre sem extensos recursos se tornará sem sombra de dúvida ainda mais pobre com o passar do tempo.

A China é seleccionada no quadro em grande partida devido à sua enorme fracção de 22 por cento da totalidade da população mundial; nitidamente, seja o que for que a China faça relativamente à população aparece rapidamente nos quadros mundiais. O que a China tem vindo a fazer, frequentemente através de métodos draconianos, tem reduzido a sua taxa de crescimento populacional de um sem precedentes décimo de um por cento por ano. Tem sido esta dramática redução que tem permitido a descida drástica do número mundial de crescimento anual nos últimos anos. Não obstante, não é necessário uma grande matemática para calcular que, mesmo com um aumento da taxa muito abaixo da média mundial, a China continua a somar pessoas a uma média de mais de 11 milhões por ano. Por último, a Etiópia é escolhida como exemplo de um dos países mais pobres do mundo; continua a ter uma das mais altas taxas de mortalidade de todas as nações modernas, mas encontra-se em declínio, e a alta taxa de natalidade demonstra que os números se estão a acumular, também aqui a velocidade sem precedentes. Com um GNP per capita só de $130, é legítimo perguntar-se o que advirá dos 750,000 recém- nascidos cada ano na Etiópia. Existem muitas lições a retirar do estudo deste quadro, ou de qualquer um dos inúmeros dados similares que documentam o actual aumento rápido da população mundial. Sugerimos aqui somente uma pequena parte dos mais impressionantes. Por exemplo existe uma clara correlação entre o aumento populacional e o bem-estar económico, mesmo a esta escala. Um aumento económico consistente de aproximadamente 3 por cento por ano é considerado mais que satisfatório no mundo moderno, ainda que sejam de observar as diferenças existentes enquanto que aplicado a países diferentes. Na Europa, com praticamente nenhum aumento populacional, nenhum aumento económico é aplicado directamente para melhorar o bem-estar da população actual. Nos países desenvolvidos com taxas de aumento populacional de 3 por cento ou melhor (existem muitos), uma taxa de 3 por cento de aumento populacional só serve para alimentar novas bocas ao mesmo nível deprimente; não existe real progresso. Outro factor preocupante è que enquanto a população mundial aumenta a um ritmo extravagante, o maior acréscimo ocorre naquelas nações que menos o podem suportar. Por exemplo, entre 1993 e 1994, alguns 87 milhões de pessoas foram somadas aos números mundiais. Do seu total, só 9.4 milhões acresceram os números do mundo desenvolvido, (conforme Fig.3.1 incluindo também o Japão e a Oceânia), enquanto mais de 78 milhões foram somados aos países do mundo menos desenvolvido, que na sua maioria já se encontram em dificuldade para lidar com os números já existentes. Como estas populações crescentes colocam um freio no crescimento económico real, o resultado será, inevitavelmente, um mundo mais pobre em vez de um mundo mais rico.

Percepção: Uma Europa em declínio?

Desde que a população europeia estabilizou em termos numéricos não para de representar uma pequena parte da população mundial. Em 1990 a Europa representava 25% da população mundial; em 1994 este número cai para os 13% (incluindo a Rússia e as outras nações da antiga União Soviética). É óbvio para qualquer pessoa que a população mundial vai ter de estabilizar a dada altura e de qualquer forma. Muitas projecções para o futuro afirmam que a Europa e as outras regiões desenvolvidas chegarão a um ponto de verdadeiro crescimento nulo (crescimento-zero) em meados do século XXI, e que os países menos desenvolvidos estabilizarão por volta do ano de 2100. Se de facto esta projecção se tornar real (e alguns críticos chegam a considerar esta visão até bem optimista) o total da população mundial vai andar entre os 10 biliões (estimativa por baixo) e os 12 biliões. Neste caso a população europeia, que de certo vai naturalmente

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estabilizar primeiro do que qualquer outra região, vai representar ainda uma parte mais pequena do total da população. De facto, as actuais nações desenvolvidas, incluindo o Japão, Oceânia, e outras como a América do norte, Europa e Rússia, vão representar pouco mais de 10% da população mundial.

Como é que a população europeia evoluiu neste sentido? Uma vez que a Europa é o continente que chegou mais longe em termos de estabilidade populacional, é justo que se tenha em consideração o processo responsável por este resultado, e se calhar questionarmo-nos se os países subdesenvolvidos podem olhar para Europa como exemplo a seguir. O fundo da questão é o que se chama de transição demográfica, um processo que a Europa já há muito completou e que as regiões subdesenvolvidas ainda agora começam a viver. Durante grande parte da história do homem as taxas de natalidade e as taxas de mortalidade eram muito elevadas, com as mortes a ultrapassar os nascimentos em anos de fome e peste. Só de peste bubónica, morreram no século XIV, cerca de 25% da população europeia. O resultado foi naturalmente um crescimento populacional muito lento. A Europa tinha cerca de 40 milhões de habitantes no início da era cristã e 10 séculos depois o número excedeu por muito pouco os 80 milhões: uma taxa de crescimento anual na ordem dos 0,1%. Actualmente a Europa voltou a mesma taxa de crescimento: 0,1% por ano. Convencionalmente aponta-se o ano de 1650 para marcar o início da transição demográfica europeia, quando se dão grandes

mudanças que começam a alterar a face do continente, incluindo certamente a população. No final do século XVII e durante o século XVIII, a taxa de mortalidade na Europa começou a baixar. No entanto, ao mesmo tempo a taxa de natalidade permaneceu alta, e o resultado foi o aumento da população. A taxa de mortalidade baixou antes da taxa de natalidade (esta é uma constante por todo o mundo) porque as taxas de mortalidade são controladas tecnologicamente. Pois a Europa começou a testemunhar os desenvolvimentos na área médica, na saúde pública, na educação e na produtividade agrícola, e cada vez mais a tradição da elevada taxa de mortalidade foi passada para trás; de ano para ano a esperança média de vida sobe e a taxa de mortalidade desce. A taxa de natalidade permaneceu alta por um longo período de tempo, no entanto como as taxas são controladas de uma forma cultural, logo não são sujeitas a controlos tecnológicos, que tão dramaticamente reduziram as mortes. O valor de grandes famílias estava tão enraizados na mentalidade europeia, que varias gerações de mudanças radicais nas realidades económicas

e sociais no continente, foram sucedendo e valores tradicionais mantiveram-se incutidos na maioria da

população. Nesses séculos (como na maior parte da história) onde a maior parte da população vivia da terra, quanto maior fosse a família mais mão-de-obra havia para trabalhar, logo maior prosperidade. Na ausência de um sistema organizado de segurança social, as crianças eram vistas como a única esperança para os parentes mais velhos, enquanto que a necessidade de assegurar a descendência era um poderoso incentivo para a maioria das sociedades europeias. Durante os séculos de alta taxa de mortalidade, consequentemente, as famílias grandes significavam tanta prosperidade como segurança para o futuro; é por isso que este conceito de família numerosa foi difícil de ultrapassar culturalmente. Com a crescente modernização da Europa, especialmente com a implementação da revolução industrial e a consequente mudança da população rural para a população urbana, as famílias numerosas começaram a ser a excepção e não a regra. Inevitavelmente, o espaço era escasso para a habitação urbana

e as crianças raramente poderiam contribuir, significativamente, para o bem-estar económico da família,

como era habitual no meio rural. Além disso, como a educação generalizada e mais tarde obrigatória, o recenseamento de crianças aumentou acentuadamente. Como estas mudanças contribuíram para alterar o tecido da sociedade no século XIX, a população começou a declinar de forma mais acentuada de modo que, por volta de 1930 um novo equilíbrio de população foi estabelecido, onde se registou uma descida da taxa de natalidade e de mortalidade, que resultou numa taxa pequena de crescimento, ao contrário das taxas muito mais elevadas dos três séculos anteriores. Durante o período em que as taxas de natalidade e de mortalidade estavam muito afastadas uma da outra, isto é de 1700 a 1900, a Europa testemunhou uma verdadeira explosão populacional. Este problema foi resolvido, claro está, com a emigração em massa de milhões de europeus, uma vez que os números

aumentaram muito mais depressa do que as oportunidades económicas (ver as migrações europeias, capitulo 4). Um dos grandes parâmetros da transição demográfica tem a sua explicação nos actuais países

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subdesenvolvidos (como já vimos, são os pontos cruciais onde as taxas de natalidade baixaram muito, enquanto as taxas de natalidade permaneceram elevadas). É onde o processo vai correr o seu curso normal, dado que actualmente, é impossível as migrações em massa. Uma outra forma de considerar os dados da população, e de uma forma que é reveladora da natureza dos europeus, é a construção de pirâmides de população, diagramas em que a percentagem de população em cada grupo etário é mostrada através de uma barra (os masculinos estão separados dos femininos, na representação): quanto maior a barra maior a percentagem total de população. As acções europeias, geralmente, apresentam pirâmides com efeitos praticamente rectangulares. Isto significa que cada geração é aproximadamente do mesmo tamanho, um resultado claro de uma taxa de crescimento nulo. Esta situação é muito vantajosa para a Europa, uma vez que permite aos governos e agências planear antecipadamente, com uma considerável segurança. O nível de serviços que deve ser providenciada aos jovens, o número de empregos que serão necessários e as necessidades de uma classe idosa, podem geralmente ser resolvidos porque eles são praticamente os mesmos em cada geração. As gerações desenvolvidas têm uma base de pirâmides mais largas, reflectindo a grande percentagem de população nos grupos mais novos (recorde-se que 44% da população africana tem menos de 15 anos de idade; esta situação chega aos 48% em alguns países). Os problemas de providenciar a educação, serviços e trabalho para números tão elevados, é obviamente complicado, enquanto a maior parte destas gerações são a razão pela qual a população mundial continuará a crescer rapidamente, no futuro mesmo que as taxas de crescimento comecem a declinar. Nos E.U.A. a população típica europeia, que se desenvolveu por volta de 1940, ficou ressentida pelo baby- boom de 1950/60, e é impossível termos noção das dificuldades que estas gerações sofreram, com uma população tão mal distribuída. Os problemas da América em relação a educação, emprego, segurança social para a 3ª idade são problemas solucionáveis em países ricos. Os problemas bem mais sérios de instabilidade em países pobres fazem com que o futuro para estas gerações seja, no mínimo, incerto.

A distribuição da população europeia

Deparando especificamente para a distribuição da população europeia, um número significativo de situações salientam-se. É de salientar que inicialmente a população europeia estava dividida num grande número de países no entanto as populações desses mesmos países são relativamente pequena. Dos 44 países (registados) somente seis (Rússia; Ucrânia; Alemanha; França; Itália; e Grã-Bretanha) têm populações com mais de 50 milhões de habitantes, só a Rússia e a Alemanha superam os 60 milhões (de acordo com as novas tendências estes valores podem estar a diminuir). A Rússia é agora o 6º maior país do mundo (sendo que foi o 3º maior nos tempos da União Soviética). Apesar da uniformização da Alemanha ter gerado uma população de 81 milhões de habitantes não passa do 2º maior país europeu e 11º mundial, apenas outros 3 excedem os 20 milhões (Espanha. Polónia; e Roménia) no entanto mais de metade dos países destacados (24) tem pouco mais de 10 milhões de habitantes, o que se apresenta com certo choque uma vez que se tratam de países com grande carga histórica mundial tanto politica como culturalmente, a Suíça (7 milhões) e a Suécia (8.8 milhões) são bons exemplos. Adiante o ritmo de crescimento apresentado na tabela representa o facto da Europa, de todos os outros continentes, ser o mais provável a atingir um nível de crescimento populacional 0. Em 1996 nove países (Alemanha; Hungria; Estónia; Letónia; Bulgária; Croácia; Rússia; Roménia e Ucrânia) viram as suas taxas de natalidade ligeiramente abaixo da taxa de mortalidade, resultado, uma ligeira perda populacional. Em 7 outros países registados, apresentaram mudanças tão pouco como 0.1 %, que em termos estatísticos não têm significado. Na verdade o único país europeu que ultrapassou a taxa de natalidade mundial foi a pequena Albânia (1.8%), um país em vias de desenvolvimento de (acordo com os padrões europeus) no mar Adriático. Apesar disso apenas a Islândia e Chipre tiveram resultados superiores a 1 % anual Dois pontos devem ser considerados sobre a população europeia, em primeiro lugar apesar de alguma vantagem a longo prazo, o crescimento estável ou negativo pode trazer problemas, se as gerações mais jovens são pequenas então as questões relativamente a mão-de-obra e a continuidade das tradições aumentam.

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

A Alemanha por exemplo teve de ser forçada a aumentar o período de recrutamento militar uma vez os números deste serviço estavam a diminuir. É de salientar que o aumento da longevidade de uma população estável pode aumentar o número de idosos e com isto causar um certo incómodo as gerações mais jovens. O segmento que mais cresce actualmente na Europa, a nível percentual, são as pessoas com mais de 85 anos. As minorias de trabalhadores com idades reduzidas vêm as suas contribuições fiscais aumentadas para manter as gerações mais idosas, tal como as despesas com saúde a aumentar. Sem dúvida que as famílias pouco numerosas e a taxa de crescimento baixa é comum nos europeus, mesmo com os inúmeros esforços de alguns governos para incentivarem a taxa de natalidade (educação grátis; benefícios fiscais) em suma, os números estáveis mantêm-se a regra. Em segundo lugar, tornou-se claro que a Europa tem relativamente poucos problemas populacionais quando comparado com a maior parte do mundo, isto não significa que não existam quaisquer problemas de todo. Os números populacionais devem ser sempre considerados tendo em base económica que a mantém. Não existe outra palavra descrever sobrepopulação. A Europa como a devemos ver é um continente com recursos (comida; energia; minerais) inadequados para as necessidades dos crescentes níveis de satisfação das nações, apenas importando grandes quantidades de recursos em partes do mundo pode suportar todas as necessidades. Qualquer entrave quer por disputas políticas, guerras ou o rápido crescimento das necessidades dos países de terceiro mundo, pode significar que a Europa estaria a enfrentar um grave problema de sobrepopulação em que o número populacional, mesmo que crescendo de forma lenta, iria exceder os recursos.

Capítulo 4 - O Papel da Migração

A América do Norte é o continente mais fortemente marcado pela imigração. A Europa foi a principal fonte

migratória. Os Europeus colonizaram muitas partes do mundo, levando as suas ideias e os seus sistemas económicos para onde se dirigissem. Todavia, dentro do próprio continente europeu, também houve migração. Pode-se então distinguir três categorias distintas dentro da Europa: a emigração; o movimento da população de um país para outro (dentro da Europa); e a migração interna (movimentos dentro de uma nação em particular). Finalmente, na década de 1990, a Europa tornou-se um continente de imigração, ou seja, acolheu refugiados políticos de outras partes da Europa e do mundo, bem como refugiados económicos que procuram uma vida melhor.

Emigração

Até à Idade Média, a Europa era uma região de imigração; os povos do Oriente chegaram em vagas sucessivas. Os povos celtas que se encontram hoje na Escócia, Irlanda, País de Gales e Bretanha foram os primeiros imigrantes que foram obrigados a recuar para as franjas do extremo ocidental da Europa, por pressão dos recém-chegados do leste. No entanto a partir da época Moderna, a Europa começou em grande medida a sua experiência colonial (séculos XVI e XVII), que culminou com o êxodo em massa dos europeus. A Europa foi um continente de emigração em escala gigantesca. Os números são impressionantes: por volta de 1830, a população europeia rondava os 250 milhões, e em 1930, quando a Grande Depressão cerca de 60 milhões de pessoas deixaram a Europa, 40 milhões deles permanentemente. Estes emigrantes eram na maioria jovens, membros economicamente activos da sociedade. Uma vez que estes saem da Europa levam os seus filhos e isto, leva

a um impacto a longo prazo. Para entender essas migrações numa escala tão vasta, é necessário considerar as condições na Europa e as regiões que recebem os emigrantes.

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Na verdade, o que poderia ter provocado este movimento humano? Convém recordar, que a maioria das migrações tem sido historicamente actos de desespero. No entanto muitas pessoas migram muitas vezes a procura de um melhor emprego, novas oportunidades ou simplesmente o desejo de ver algo novo. Neste contexto, podemos dizer que houve pelo menos cinco tipos de pressões que levaram à migração Europeia.

1 - A pressão populacional e económica: A Europa, no século XIX, teve uma taxa de crescimento

demográfico muito elevada. A taxa de crescimento da população ultrapassou o crescimento económico. Rapidamente a Europa passou de um mundo rural para uma sociedade urbana e de uma agricultura para uma economia industrial. No entanto a Europa começa a ficar cheia de pessoas e as oportunidades existentes não satisfaziam todos. Esta situação leva ao desencadear de uma emigração.

2 Instabilidade Política: Também a instabilidade política é outro facto que leva à emigração. A Europa tem

uma longa história de guerras e turbulências. O século XIX, foi um século de lutas internas e internacionais; vivia-se num clima de incertezas; a população tinha medo. A Europa passou, depois da Era Napoleónica, pelas revoluções (1848) que levaram à reunificação da Itália e da Alemanha, a guerra Franco-Prussiana (1870-71), os conflitos que existiam entre países deste continente, que culminaram com o cataclismo da I Guerra Mundial, e o colapso económico. Todos estes factores aumentaram a mentalidade migratória.

3 A demanda de Trabalho Agrícola: Mais significativo que estes dois factores anteriores foi sem dúvida a

crescente procura de trabalho agrícola em muitos países ―europeizados‖, como a América do Norte. Os americanos empurraram os colonos para oeste, além da fronteira dos Apalaches, nos primeiros anos após a Guerra Civil, para proporcionar estabilidade. Isto levou também ao aparecimento e rápida expansão de uma rede ferroviária. Isto levou a que muitos colonos fossem para essas áreas do Centro e Oeste, pois aqui encontravam um trabalho e terrenos muito baratos (quase dados) para que pudessem construir as suas casas e as suas explorações. O colono poderia melhorar as explorações da fazenda, isto num período de cinco anos. Estas ofertas agrícolas, nestas regiões levavam a que muitos europeus aproveitassem estas oportunidades para melhorar as suas vidas.

4 Colonialismo: Um factor de atracção adicional foi o crescimento da expansão da exploração colonial

europeia.

O século XIX foi a maré alta da actividade colonial na África e parte da Ásia e América. Procuravam-se

pessoas, (ou pelo menos os europeus) para servir o exército na administração colonial, ou como colonos para

"mostrar a bandeira".

5 O Barco a Vapor: Com todos os elementos existentes para uma migração em massa da Europa apenas

resta uma questão final: COMO?

Sendo as áreas privilegiadas para emigração para além mar, o transporte marítimo torna-se vital. Até à invenção do barco a vapor 2 problemas se levantavam: o preço excessivamente caro das passagens, e a imprevisibilidade das viagens: o clima, o vento determinavam o tempo que levaria a chegar ao destino, tornando as viagens, por vezes, incertas e perigosas.

O barco a Vapor apareceu no final do século XVIII: o 1º barco comercial com sucesso data de 1807. A partir

de 1840 Samuel Cunard oferecia viagens transatlânticas em navios concebidos para esse fim. Um pouco por

todas as cidades da Europa as companhias de navegação a vapor foram abrindo e atraindo passageiros.

A maior parte dos países europeus foi marcado fortemente por grandes períodos de migração, e apesar de nem todos serem coincidentes, podemos dividi-los em 3:

- 1820-1870 Dominado pela Grã-Bretanha, incluindo a Irlanda, e o Norte da Europa.

- 1840-1890 Um período intermédio, dominado pela migração da população alemã.

- 1890-1930 Um período tardio em que as ondas migratórias partiram do Sul e Este da Europa à procura de verdes pastos.

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

De notar que nem todos os países aderiram ao mesmo tempo, nem da mesma forma. A França, por exemplo,

foi sempre muito modesta em termos de nº de emigrantes. As razões devem-se, talvez, ao facto de a

densidade populacional francesa não ser das maiores, e dessa forma, tornar-se compatível com a área agrícola de que dispõem o que permitiu o desenvolvimento de uma população rural. A Suíça também foi um dos países que pouco contribuiu em termos migratórios, bem como Portugal e Espanha, que só muito mais

tarde vão sofrer uma onda migratória significativa.

A IRLANDA: Um estudo de caso Nenhum país europeu contribuiu tanto para o nº de emigrantes como a Irlanda, durante os séculos XIX e XX.

O caso Irlandês permitiu caracterizar a vaga migratória como sendo aquela que permite identificar o

sofrimento humano e a busca de uma vida melhor como uma das principais razões para profundas alterações sociais económicas bem como da reorganização da população mundial. Em 1840 a Irlanda era uma colónia britânica. Sua independência só se torna efectiva em 1922. A maior parte das famílias ricas inglesas eram as detentoras de grandes parcelas de terreno em solo irlandês, o que controlava e condicionava o desenvolvimento económico. A Indústria era mínima e pouco desenvolvida, as cidades eram reduzidas e a maior parte da população agrícola não tinha grandes perspectivas de desenvolvimento. Mesmo assim, a introdução do cultivo da batata branca proporcionou uma base de subsistência estável. A batata junto com vegetais e combinada com um pequeno pedaço de carne consistia a base da sua alimentação. Em 1844 uma doença misteriosa atacou toda a cultura de batata, o que levou ao colapso económico em 1846. Sem alimento, nem reservas, os irlandeses viram-se forçados a consumir cereais. Devido a uma prática intensiva de monocultura eles viram-se sem alimentos, sem bens materiais e sem dinheiro para pagar suas rendas. Milhares pereceram ou foram expulsos de suas terras. Face a esta situação as opções para os Irlandeses eram poucas. Quando as companhias de navegação abriram seus serviços fazendo transporte de Cork para o Novo Mundo, milhões de Irlandeses, agricultores bem sucedidos, embarcaram sem dinheiro e sem bens, em busca de uma vida. Eles ramificavam-se onde o barco atracava: Nova Iorque, Boston, Filadélfia, Montereal e outras cidades do norte da América. Nenhuma outra nação contribuiu tanto para o nº de emigrantes como a Irlanda.

MIGRAÇÂO INTRA-CONTINENTAL

Juntamente com a vaga migratória que caracterizou a Idade Moderna e, que permitiu a expansão das ideias e influências europeias por quase todo o mundo, a população continental ia sendo substancialmente reorganizada devido a ondas de migração interna, de um país para o outro dentro da própria Europa. Estes movimentos deveram-se a 2 factores: perseguição que originou o procurar refúgio noutro país e desemprego que leva as pessoas em busca de emprego.

Migração de refugiados durante períodos de guerra civil, tensão política vividas na Europa nos séculos recentes, populações locais viram-se forçadas a abandonar suas casas e a procurar refúgio noutros países. Estes movimentos estão na origem de muitos dramas humanos e servem para caracterizar o mapa cultural da Europa em vários períodos. Durante e após a II Grande Guerra a população polaca sofreu grandes transformações. Mais tarde durante os conflitos nos Balcãs foi necessário um plano para recolocar nos seus países Gregos, Turcos, Búlgaros enquanto minorias étnicas eram eliminadas. De forma geral podemos dizer que enquanto as fronteiras rígidas europeias foram sendo redefinidas, milhares de europeus procuraram melhores condições de vida noutros países.

Migração Laboral: De todas as formas de migração intracontinental, nenhuma contribuiu mais para alterar as paisagens humanas da Europa no passado século XX, que a migração laboral, ou o movimento de milhões

de trabalhadores da Europa do sul (e de outros países da franja Mediterrânica) para as oportunidades de

trabalho no norte. Esta foi uma migração impressionante em termos numéricos (talvez porque estiveram

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

envolvidas 10 milhões de pessoas), e foi para muitas regiões a ―emigração "dos tempos modernos, em comparação com as movimentações para o Novo Mundo que aconteceu à um século atrás (século XIX).

Com a reconstrução das diversas economias europeias logo a seguir à Segunda Guerra Mundial tornou-se claro que algumas estavam a crescer mais rapidamente do que outras. Alemanha Ocidental, França e Suíça, por exemplo, expandiram-se muito rapidamente (no entanto, apesar da Suíça não ter participado na guerra, a sua economia estagnou; a Itália, Grécia, Jugoslávia, Turquia, Espanha e Portugal ficaram para trás. Um resultado imediato desse crescimento foi a desigualdade do desenvolvimento e grandes disparidades em matéria de emprego: os países do norte, muitas vezes com mão de obra esgotada pela guerra, foram incapazes de encontrar mão-de-obra suficiente para fazer o trabalho, enquanto o desemprego permaneceu muito elevado no sul (cerca de 4,5 milhões estavam desempregados ou subempregados em Itália em 1952).

Governos do Norte e indústrias individuais começaram a recrutar activamente trabalho do sul, e outra forma

de migrações tinha começado.

As migrações de trabalho europeu dos anos 1960 e 1970 tiveram efeitos positivos e negativos. No lado positivo, os trabalhos foram apresentados com bons salários para milhões de trabalhadores que não teriam tantas perspectivas nos seus próprios países. Estes salários foram a salvação literal de inúmeras aldeias, onde o "dinheiro de remessas" enviado para casa pelos residentes que trabalham na Região Norte, foi a

principal fonte de apoio económico. Além disso, os orçamentos de muitos países do Sul foram compensados na sua totalidade, pelas receitas fiscais e rendimentos de capital auferidos por trabalhadores emigrados no estrangeiro. Destes migrantes de trabalho, há a intenção de retornar à sua pátria, o dinheiro que ganham é geralmente investidos em casas, podendo, assim, construir o futuro desenvolvimento do seu país. Por outro lado, há um certo lado escuro para esta migração. A maioria dos migrantes têm sido canalizados para empregos de baixo estatuto, com baixos salários que os cidadãos dos países mais ricos estão cada vez menos dispostos a aceitar: Serviços de reparação e limpeza de rua, trabalhar em sistemas de transporte público, os empregos não qualificados em construção e indústria, etc. Isto ao mesmo tempo cria uma imagem de segunda classe para o trabalhador e também inibe a indústria da modernização no trabalho de novos modos de poupança.

O influxo de um grande número de diferentes povos com níveis de língua e cultura diferentes em muitas

cidades da Europa setentrional e central também elevou a intolerância racial e cultural (muitos países europeus também receberam imigrantes provenientes da sua exploração colonial, que agravou o problema). Novos guetos de trabalhadores estrangeiros surgiram e as questões de estatuto de igualdade e tolerância têm sido levantadas em muitos países, uma vez que estes tinham a visão ingénua de que eram imunes a essas pressões. Além disso, como as economias da maioria das nações europeias estabilizou-se nos últimos anos, o desemprego tornou-se num problema irritante, e a pergunta em 1960: "Onde é que podemos começar o trabalho?", inverteu-se na década de 1990: "Como podemos induzir estes trabalhadores a ir para casa?" Como um proeminente estadista europeu observou "Recebemos as pessoas e Enviamo-las para o trabalho", questões interligadas de assimilação, educação, segurança social e outros benefícios, o repatriamento, e os

direitos humanos tornaram-se complexos problemas políticos em muitos países. Um resultado muito visível deste processo foi a diversidade muito maior que hoje caracteriza quase todas as grandes cidades europeias. Antigamente as cidades da maioria das nações europeias estavam bastante estereotipadas com tipos étnicos nacionais, como têm crescido rapidamente durante os últimos cinquenta anos, tornaram-se cada vez mais cosmopolitas relativamente às respectivas populações, culturas e estilos. Assim, nos últimos anos, particularmente desde 1989, quando os dramáticos acontecimentos na Europa oriental e na então União Soviética começaram a derrubar as barreiras rígidas, permitiu o intercâmbio de ideias e aumentou a consciência das oportunidades; a Europa tornou-se novamente um continente de imigração, enquanto os fluxos migratórios dentro do continente têm aumentado a níveis raramente vistos antes. Migração líquida anual para a Alemanha (então Alemanha ocidental) no início de 1980, por exemplo,

foi

de cerca de 3.000, mas em 1989, houve um notável aumento do número para 378,000. Ao mesmo tempo,

as

fronteiras relativamente abertas das nações do sul da Europa formado pelo mar Mediterrâneo ofereceram

um convite tentador para potenciais migrantes económicos dos países do Norte Africano, onde o crescimento rápido da população está a colocar pressão sobre os recursos económicos.

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Desde o período de migração de trabalho em 1960-80 (ver discussão acima), os europeus em geral acostumaram-se com a presença no seu meio de modestas minorias com diferentes línguas e etnias. No entanto, um maior número de imigrantes, especialmente de "não-europeus", combinado com a recessão persistente e altas taxas de desemprego, característica da Europa durante a década de 1990, criaram uma situação política perigosa. Demonstrações de sucesso (por vezes violenta) e eleitorais nos extremistas anti- estrangeiros ou mesmo partidos neo-fascistas tornaram-se parte perturbadora do cenário político na Alemanha, França, Itália e outros países. Confrontados com pressões de teses, a maioria dos governos estão agora a tentar fazer demarcações mais rígidas entre os requerentes de asilo legítimo (quase sempre admitidos, por razões humanitárias) e migrantes economicamente motivados que procuram apenas uma vida melhora. Como a inexorável população da Europa, pode muito bem ser necessário considerar a admissão de um maior número de migrantes em idade de trabalho simplesmente para preencher os postos de trabalho e pagar as contas da segurança social.

Migração Interna Um último tipo de migração que está a servir para redistribuir a população da Europa numa escala dramática

é a migração interna, ou movimentos de população dentro de um determinado país. Sempre que as

oportunidades económicas estão presentes, este tipo de migração é geralmente favorecida, uma vez que

mesmo se forem forçadas a deixar suas casas por causa de várias pressões, os migrantes são capazes de permanecer dentro de um contexto familiar linguístico e cultural; deixando uma vila pobre no sul da Itália para uma cidade industrial no norte do país, é claramente uma experiência menos dolorosa do que deixar o país por completo, pelo menos para a maioria das pessoas. De longe, o tipo mais prevalente de migração interna foi o movimento das áreas rurais para as cidades da Europa. As cidades têm sido uma característica importante da paisagem europeia durante muitos séculos (ver discussão de urbanização, capítulo 6), mas mantiveram-se geralmente muito pequenas: um lugar de dez mil pessoas era muito grande para os padrões da Idade Média. Com o impacto da revolução industrial e a consequente destruição de inúmeros meios de subsistência rurais, a corrida para as cidades foi tomada em dimensões reais. Muitas das cidades capitais da Europa (Londres e Paris são bons exemplos) cresceram a um ritmo impressionante ao longo dos séculos XIX e início do século XX, tornando-se tão grandes que foi quase incontrolável. Nos anos mais recentes, a ênfase foi colocada em pequenos centros regionais ou cidades secundárias dentro da órbita das capitais, mas a deriva do campo permanece a mesma na maioria dos casos. Num continente onde a paisagem que sempre me pareceu bem organizada e bem cuidada, e onde a mão humana está em toda parte, esta é uma tendência preocupante. O abandono das terras está a aumentar em muitas áreas, e o campo nitidamente em baixo em muitos países. Há uma clara tendência migratória de compensação, no qual aposentados, pessoas cuja subsistência não está vinculado a um lugar específico, e aqueles que não podem mais suportar as pressões da vida moderna urbana, retornam a um estilo de vida rural, mas até agora seus números não compensam as partidas para o brilho das cidades.

O fenómeno relacionado com a migração nas áreas montanhosas também continua a um ritmo constante. É

literalmente verdade que a população da Europa está agora a viver em média numa menor elevação do que em qualquer momento na história recente! Este padrão é, obviamente, relacionado com a deriva mais geral em direcção a cidades, pois as perspectivas económicas em regiões montanhosas estão cada vez menos atraentes para muitos moradores, como a população rural em geral. Em alguns países, o abandono das terras em altitudes elevadas não é considerado um problema sério, e pode de facto fazer mais terras disponíveis para recreação ou áreas de deserto, muito deficiente em muitas partes da Europa. Na Suíça, porém, onde os produtos lácteos de pastagens de alta montanha são uma parte crítica do abastecimento alimentar nacional (veja a discussão da economia alpina, capítulo 8), o declínio das populações de montanha é visto com alarme. Para tentar conter a onda e manter os agricultores sobre a terra, o governo suíço oferece empréstimos de baixo custo de exploração, baseados na altitude. Quanto maior a sua exploração, as condições mais atraentes para um empréstimo que são capazes de negociar.

Em alguns casos, a migração interna pode ser o resultado final de um longo processo de circulação internacional. Moradores de vilas remotas na Grécia, Turquia, ou no sul da Itália, por exemplo, podem ter

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participado em migrações de trabalho para a Suíça ou a Alemanha, economizando seu dinheiro e investindo numa empresa urbana ou numa casa - pequeno edifício ou apartamento. Na conclusão do seu contrato de trabalho, eles podem, ao retornar à pátria, optar por viver na cidade onde o investimento foi feito, e não na aldeia. Tornam-se assim migrantes num sentido rural-urbano, após um período intermédio de exílio rentável.

Capítulo 5 - Língua Materna da Europa e Influência da Religião

Entre os vários elementos culturais que servem para distinguir os vários tipos de cultura, a língua e a religião são dos mais básicos e importantes. Na Europa eles deixaram marcas profundas e irreversíveis.

A LÍNGUA

A língua tornou-se um factor de expressão de identidade e em muitas regiões e muitos países a língua que se

fala revela o essencial acerca das crenças de cada um. Este facto revelou-se pertinente na Europa, onde a malha estrutural da língua é complicada, mesmo no final

do século XX.

O

que faz com que uma língua seja bem sucedida? O que explica que ela seja considerada como universal?

O

que a leva a um nível apenas académico? É o que iremos analisar de seguida.

Factores de competição da Língua

UTILIDADE Para ser bem sucedida qualquer língua tem que ser útil, ou seja, deve ser usada por todos com um determinado propósito. A língua que no dia-a-dia é mais falada é aquela que ao longo dos tempos sobrevive e se desenvolve, independentemente do contributo que dá para o conhecimento. Latim, por exemplo, é importante pela literatura e filosofia que lhe está adjacente, mas no entanto não deixa de ser considerada uma ―língua morta‖. Outras línguas já são importantes pela utilidade económica. Sendo usadas

para as relações comerciais entre os povos elas apresentam características especiais. Num nível diferente o INGLÊS aquela que é considerada a universal ganhou importância pelo seu uso a nível económico, científico e tecnológico. Sendo a língua materna da maior parte dos países desenvolvidos tecnologicamente,

e sendo aquela que a mis facilidade tem em aderir a novas ideias, tornou-se a língua de preferência para a maior parte dos países.

ESTATUTO OFICIAL OU ADMINISTRATIVO - Para além da utilidade é importante que uma língua revele ter alguma autoridade e peso oficial. Durante o Império Romano e, mais tarde durante um largo período da história da Igreja, o Latim mostrou a sua influência e peso político ou administrativo. Milhares de europeus foram ―forçados‖ a conhecer e dominar a língua pelo poder que ela representava. O peso da influência de uma língua avalia-se pelo processo educativo. Por isso cada país se esforça, mesmo nas minorias étnicas, por garantir que nas escolas a língua materna seja ensinada. O ensino de uma língua comum reforça o sentimento de nacionalidade e coesão nacional. Juntamente com a educação a imprensa, ou ―média‖, determina a importância de uma língua, na medida em que é responsável pela difusão das ideias e das notícias. Falamos dos jornais, mas especialmente da rádio e TV.

ESTRUTURA INTERNA para além dos dois factores acima mencionados, a facilidade de comunicação e adaptação é extremamente importante. O sucesso de uma língua ou a sua total extinção depende da sua estrutura interna. Isto explica em parte a razão porque algumas línguas europeias são bem sucedidas e aceites, enquanto outras apenas se limitam a uma minoria. Não se pode negar que a língua inglesa é a mais bem sucedida da Europa e até do mundo. A sua estrutura interna e o facto de se adaptar bem a novos conceitos explica porquê. Para além de um vocabulário extenso mas fácil de aprender é uma língua expressiva. Claro que nem todos ficam felizes com isso. Os franceses, por exemplo, orgulhosos da sua língua materna, não permitem que em documentos oficiais seja utilizado o inglês. O FRANCÊS é também outra das

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

línguas mais importantes da Europa. A estrutura interna da língua e o grau de dificuldade de aprendizagem levaram-na para um nível mais diplomático.

SOMANDO PONTOS NOS MOVIMENTOS DE AUTONOMIA Algumas língua minoritárias ganharam importância pelo facto de em termos políticos terem conseguido a independência, face a países de grande poder politico. Nestes casos a língua tornou-se um factor de autonomia e identidade cultural. A história europeia conta vários exemplos de língua que foram relegadas para 2º ou até 3º plano em prol da coesão nacional. França, Espanha e Grã-Bretanha são alguns desses exemplos. Em alguns casos a situação tornou- se difícil e levou excessos de violência em prol do sentimento de independência Córsega / França, País Basco / Espanha.

O MAPA LINGUÍSTICO EUROPEU

Leva-nos á fonte, ou seja, á busca da língua materna O Indo - Europeu. Isso leva-nos a uma divisão em 5 grandes grupos a nível europeu:

- As línguas germânicas características da região norte e central do Ocidente da Europa. Inglês, alemão,

austríaco, suíço, belga, polaco, e outros. O Inglês tornou-se a 2ª língua de preferência a nível europeu. - Línguas Românicas O 2º maior grupo da Europa, que deriva do Latim, pela influência do Império

Romano. Característico da região Sul da Europa. Francês, italiano, espanhol ou castelhano, português, romeno. Para além de inúmeras minorias. O latim terá sido a língua que mais influência teve na Europa. - Línguas Eslavas O ocidente da Europa é marcado por histórias de invasões, divisões culturais, fragmentação de territórios, caracteriza-se por uma proliferação de línguas influenciadas por uma componente eslava, como o Búlgaro e o russo.

- Línguas Célticas derivam de uma onda de emigração que marcou a Europa mesmo no princípio da sua história. Centra-se na Irlanda, País de Gales, Escócia.

- Outras línguas indo-europeias Grego, Albanês.

- Língua Urais partes da Rússia.

- Línguas do Ocidente Médio a Europa influenciou também a língua falada em Malta, Chipre, e certas regiões do Norte de África.

- Basco língua falada pelas populações que habitam junto dos Pirenéus.

falada pelas populações que habitam junto dos Pirenéus. Estudo de caso: Acomodação na Suíça, Stress na

Estudo de caso: Acomodação na Suíça, Stress na Bélgica

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Como já reparámos a maior parte dos países europeus conta com pequenas minorias linguísticas cujos

sentimentos culturais, por vezes, colocam problemas ao nível político e económico. Para enfatizar esta complexidade, iremos considerar 2 casos específicos europeus, com uma língua materna complicada, uma das quais consegue com sucesso sobreviver e a outra com maior dificuldade.

O 1º exemplo é a Suíça. Esta pequena nação Alpina está rodeada de países fortes, com uma língua potente e

culturas distintas: Alemanha, Áustria, França e Itália. Tendo em conta esta orientação, a Suíça apresenta grandes grupos populacionais a falar as línguas dominantes dos seus vizinhos, tendo sido relegado para cada região escolher qual a língua ―oficial‖, sem haver uma união linguística a nível nacional. Assim, a Norte e Este do país 65% da população fala alemão, sendo esta a língua oficial. Apenas 18% da população fala francês a Oeste, e a Sul 12% da população fala italiano.

A situação mais interessante refere-se à região de GRISONS, onde a língua falada é o romeno, uma minoria

linguística latina que rapidamente desapareceu em competição com o alemão, mas que em 1938 foi salva da extinção ao ser-lhe atribuído o estatuto de oficial. Este será o exemplo mais característico para realçar os

direitos individuais de cada região administrativa suíça. Não temos dúvidas que apenas umas centenas de pessoas saberão falar Romeno, mas a região de Grisons em orgulho em ser identificada por esta antiguidade cultural reconhecida como sendo importante. Longe de ser estática a Língua materna suíça está em permanente mudança. Em 1978 na região do JURA,

foi criado um grupo linguístico Francês tendo em conta o peso económico e cultural. No campo da educação,

e de forma a criar uma relativa harmonia linguística no país, é pedido às escolas de cada região que as crianças aprendam aquela que é a língua mais falada em termos gerais. Os documentos oficiais são publicados em Alemão, Francês e Italiano, de forma a garantir uma equidade de importância.

O segundo exemplo é a Bélgica. Sendo um país relativamente novo, todas as suas componentes ficaram

totalmente montadas apenas em 1830, o que levou á coexistência de 2 grupos bem diferentes num mesmo

país.

O Sul e o Este dividem a Bélgica ao meio, onde a população fala francês e é conhecida como os Wallons. A

Norte e Oeste a língua falada é o flamengo, um dialecto germânico. A diferença linguística á acompanhada por muitas outras características que distinguem os dois grupos. Assim os Wallons são na sua maioria de estatura pequena, protestantes, a sua actividade principal é a indústria e o seu voto inclina para o Socialismo. Os Flamengos são de estatura alta, com uma tradição religiosa católica, agricultores de profissão e conservadores a nível político. Como podemos ver a diferença linguística é apenas a ponta do iceberg que esconde uma disparidade a nível cultural e económico. Para a história moderna a Bélgica apresenta a sua força económica no Sul, onde a indústria é poderosa. Por isso os Wallons controlam o poder político da nação. Nos anos mais recentes tem-se assistido a um crescendo na região Flamenga. O declínio das minas e da indústria mineira no Sul, relacionada com o desenvolvimento do porto de Antuérpia, fez mudar o eixo económico da Bélgica. Para além disso a maioria da população é de origem flamenga. Isto levou a que os Flamengos exigissem uma maior participação a nível político. Casos bizarros de ambos os grupos a tentarem defender a sua posição e o manter da sua língua: as crianças apenas aprendem a língua que se fala no lado em que habitam, os partidos políticos dividem-se em dois grupos, dependendo da língua falada na sua região e até a Universidade de Lorena tem que acomodar as duas línguas, com o mesmo curso a ser ministrado em dobro. Bruxelas é a referência para esta questão linguística, onde o multilinguismo é comum devido á sua importância ao nível da União Europeia, não sendo possível uma concordância. Em 1994 o país foi dividido em 3 semi-autónomas regiões. Se isto servirá para satisfazer as aspirações de cada grupo ou apenas para fragmentar ainda mais a Bélgica, só o tempo o dirá.

Influências Religiosas

Entre as instituições culturais nas quais tem fortemente marcado o carácter da região Europeia, religião certamente ocupa um lugar privilegiado. Apesar que no nosso tempo a religião tem um papel modesto no dia- a-dia das vidas da maioria dos cidadãos. Quase que não se fazem decisões críticas nacionais na base da

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

religião e a tolerância religiosa é a regra em todos excepto em algumas áreas. É bem lembrado que a religião

foi durante muitos séculos o foco central de muitas pessoas. Algumas das mais brutais guerras na história

europeia foram lutadas na sua maioria por assuntos religiosos, mais nos quais parecem triviais para nós ou pelo menos é mais importante o debate teológico. Para os estudantes de geografia no final do século XX a religião na Europa é talvez a mais impressionante e

termos de vastidão de arquitectura monumental. Os persistentes padrões culturais e as peculiares divisões politicas que reflectem os valores de tempos antigos, no quais tem sido mantidos até os dias de hoje.

As sonantes catedrais góticas do século XIII certamente entre as construções mais conhecidas da Europa, a

divisão intrigante de certos desenhos suíços, em duas pequenas categorias: todos reflectem a importância da

religião nas vidas das primeiras gerações de Europeus.

Ao

mesmo tempo uma área da Europa moderna Irlanda do Norte ou ULSTER é uma das poucas partes

do

mundo onde a crítica pessoal e decisões nacionais são ainda feitas tendo em conta a religião. A incómoda

questão de Ulster é uma das mais persistentes e perigosas em toda a Europa, e serve talvez como uma janela a olhar para trás para os séculos passados, quando a vida da maioria das pessoas foi circunscrita pelo poder espiritual e temporal da religião organizada. Uma razoável quantia da devastação física e cultural está correntemente a afligir os estados da Jugoslávia e é baseado em tolerância religiosa. É claramente vantajoso examinar alguns desses temas mais detalhadamente.

É razoável falar que a Europa é um continente cristianizado. A maioria dos triunfos e tragédias da fé

cristã foram conseguidos dentro da Europa, e foi de dentro da Europa que a cristandade espalhou-se pelas

Américas e pela maioria das outras partes do mundo. Das suas origens do Médio Oriente, a fé espalhou-se rapidamente em quase toda a Europa,

particularmente quando, através da conversão do Imperador, o Império Romano tornou-se cristianizado. Só

em

algumas tradições tais como a arvore de Natal são relembradas hoje da fé pré-cristã que foi varrida à dois

mil

anos atrás.

Isto não é certamente o lugar para uma detalhada busca de história religiosa da Europa nem para uma discussão entre comparações religiosas. O que interessa a nós geógrafos são evidências na paisagem moderna que reflecte vinte séculos de religião como um foco central da actividade humana. Por exemplo em milhares de cidades europeias e vilas algumas construções religiosas igrejas, catedrais capelas estão no centro da comunidade e foi claramente o ponto fulcral no qual o lugar desenvolveu-se ao longo dos séculos.

Durante o colapso da autoridade romana a Igreja permaneceu como a única instituição bem organizada e disciplinada no continente europeu e participou num papel importante na regulação temporal e também espiritual dos assuntos das populações locais. Isto significava que a Igreja ao crescer tornava-se no foco da actividade não meramente nos domingos e noutras datas religiosas mas também no dia-a-dia.

A turbulenta história do Cristianismo na Europa foi deixando provas abundantes físicas e humanas. O século

XX o atrito entre o oeste e o este, por exemplo, Roma e Constantinopla aclamaram a representação da igreja

e isto levou uma separação da igreja, cerimonias e cultural religiosas que são importantes aspectos do este-

oeste a que leva a que haja diferenças na Europa. Um dos mais críticos eventos da história europeia foi a

divisão da igreja do oeste em grupos católicos e protestantes. Não há necessidade de traçar uma rota destes atritos detalhadamente. Mas muitos aspectos da Europa moderna ainda reflectem a amargura e turbulência dos tempos. Historiadores económicos estimaram por exemplo que as energias e recursos gastos pelos europeus lutando uns contra ou outros em nome da religião retardou o desenvolvimento económico no continente pelo menos um século. Ao mesmo tempo a migração em massa de várias pessoas para uma área da Europa religiosamente ―amigável‖ tornou-se ao mesmo tempo protestante ou católica, enriqueceu alguns países enquanto empobrecia outros. O erguer da Prússia como o mais importante estado do norte da Alemanha foi consideravelmente ajudado pelo influxo da capital e capacidade representada pelos refugiados francês protestantes (Huguenotes). Similarmente, Amesterdão apropriou-se de um estado de uma das mais ricas cidades Europeias. (mapa p. 88)

A destruição feita à arte religiosa e a arquitectura durante esta época também foi enorme o que

representa uma grande perda actualmente. A dissolução das ordens religiosas na Inglaterra, por Henrique VIII

em 1530 significa que actualmente só podemos ver as ruínas das grandes abadias ou mosteiros desse país.

A Geografia política moderna da Europa reflecte esta antiga tensão religiosa entre os cantões da Suíça que

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são bastante pequenos, três estão subdivididos em meios cantões com bandeiras e identidades distintas. Este padrão é explicado pelas antigas lutas religiosas que não conseguem concordar com uma única religião para esse cantão, por isso os seus habitantes preferem dividir-se em protestantes e católicos em vez de fazerem guerra por isto. Outras influências religiosas também tiveram um papel importante no desenvolvimento da Europa e

deixaram traços visíveis nas paisagens modernas. O Judaísmo espalhou-se pela Europa ao mesmo tempo que o cristianismo e as minorias judaicas começaram a ser mais importantes na vida comercial e cultural dos países devido às diferenças do dogma religioso e dos padrões culturais os judeus foram vistos como suspeitos pelos cristãos. Normalmente não podiam adquirir terra e tiveram a necessidade de se tornarem moradores urbanos, e mesmo nas cidades a sua diferença fez com que eles fossem postos de lado. O Termo gueto é originário de Itália e significa as cidades onde os judeus viviam. Durante séculos na Europa oscilou-se entre tolerância e grande perseguição desta religião. Culturalmente e filosoficamente, os judeus foram sempre suspeitos das dificuldades políticas e económicas dos países da Europa. Outra grande religião que deixou a sua marca na Europa moderna foi o Islamismo, um produto do médio oriente. Maomé morreu a 632 e em menos de dois anos depois, as primeiras armadas islâmicas foram expulsas da Arábia para oeste e para leste, começando uma manifestação pela conquista religiosa e cultural. Só um século mais tarde em 732 é que as forças islâmicas conquistaram quase toda a Península Ibérica, atravessaram os Pirenéus e entraram em França.

Na turbulenta história do sudoeste da Europa a influência islâmica chegou mais tarde. No século XVI

o Império Otomano controlou a Grécia, a Sérvia, a Bósnia a Macedónia, Monte Negro, Albânia, a Bulgária e a

Roménia, e o sudeste da Hungria até ao fim do Império em 1918. Os métodos e objectivos do domínio Islâmico (ou seja Muçulmano) variaram entre oeste e este. Em Espanha os governadores dos mouros actuaram de uma forma independente e estiveram preocupados com o progresso e desenvolvimento. Universidades, a agricultura, irrigação e outros trabalhos públicos, foram feitos no período muçulmano. No lado este, a preocupação islâmica foi sobretudo vocacionada para a manutenção

da ordem e recolha de impostos. O desenvolvimento local, nomeadamente da indústria, nunca foi favorecido,

e algumas autoridades atribuem o subdesenvolvimento relativo do sudeste da Europa hoje para os longos séculos passaram sob o governo muçulmano. Do ponto de vista da Geografia moderna, o período islâmico na Europa deixou lembranças ricas e

palpáveis. Muitas mesquitas, agora convertidas para outros usos; ainda se podem ver os jardins e os palácios de Granada, Córdoba e outras cidades espanholas, sendo estas grandes maravilhas arquitectónicas europeias. Inúmeros nomes de locais e costumes reflectem as origens muçulmanas, por exemplo Albânia é um nome árabe.

O Kosovo e maioritariamente povoado por albaneses muçulmanos e é uma fonte de grande

preocupação para controlo do governo sérvio. Grande parte do povo árabe da Bósnia faz parte dos grupos vitimados nas guerras civis dos anos 90. A chegada de emigrantes árabes e o movimento das ex colónias

para os seus países expandiu o islamismo para os países da Europa ocidental.

A influência Islâmica na Europa

Mapa: A expansão do Islamismo para a Península Ibérica, no período de 632-732 DC.

Islâmica na Europa Mapa: A expansão do Islamismo para a Península Ibérica, no período de 632-732

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Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997 Mapa: Crescimento do Império Turco que dominou a

Mapa: Crescimento do Império Turco que dominou a Europa de Leste até ao século XIX e XX. Actualmente todas as religiões têm representação na Europa. A tolerância religiosa e universal e foi fanatismo religioso já não é tão substancial. O conflito jugoslavo está relacionado com um carácter mais étnico do que religioso. As excepções a esta regra são a Bósnia e a Irlanda no Norte onde a questão religiosa está quase sempre presente no espírito de todos., onde a maioria das decisões do quotidiano são feitas tendo em base a religião e onde continuam o morrer pessoas por causa das crenças religiosas.

A teia da Irlanda do Norte

Poucas nações europeias têm uma história tão complicada como a Irlanda do Norte. A Irlanda foi cristianizada no século V no entanto durante o início do século XII, no tempo de Henrique II, a ilha foi politicamente conquistada pelos ingleses. A Irlanda a partir daí permaneceu uma colónia Inglesa. No século XVII uma troca crucial ocorreu na Inglaterra. Após a morte de Elisabete III (uma protestante) o trono reverteu-se para Jaime I (um católico). Várias alterações aconteceram na Inglaterra e grande parte da população protestante, descontente, emigrou para a Irlanda. A maioria deles ficou na província a norte Ulster. No entanto quando a independência da Irlanda aconteceu em 1922, a questão do

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protestantismo do norte tornou-se evidente. Seis condados do norte permaneciam do Reino Unido e o resto da ilha tornava-se independente República da Irlanda. Basicamente os protestantes de Ulster desejavam continuar a fazer parte da Inglaterra protestante, vendo nessa associação a sua melhor defesa contra as potenciais pressões católicas. No entanto, a maioria dos Irlandeses católicos têm como principal objectivo a reunificação da ilha sobre um mesmo governo. Outro aspecto importante é que em Ulster, como a maioria é protestante, os católicos que vivem lá são privados de certos trabalhos, dos votos e de influência política. Isto é sem dúvida muito mau.

Capítulo 6 - A fixação da Urbanização da Europa

A Europa é um dos velhos continentes, no sentido em que os homens estiveram na região em números substanciais há já muito tempo (comparando, por exemplo, com as Américas). Como resultado, a humanidade tem deixado as suas marcas na cena europeia através de um quadro de tempo excepcional e a paisagem moderna do continente reflecte claramente e de várias formas os muitos séculos de cuidado humano. Por exemplo, enquanto a agricultura se espalhou pela Europa para substituir uma economia de caça/colecta, há uns quatro a cinco mil ano, várias soluções para o problema de como a terra deveria ser dividida e trabalhada despertou nos povos um acréscimo de conhecimento e expansão de tecnologias. Na origem, muita da terra era trabalhada de acordo com um simples sistema de ―um-campo‖, no qual o assentamento (aldeia) era rodeado por uma zona de espaço constantemente cultivado (o ―infield‖ ou ―campo interior‖) no qual os membros da comunidade partilhavam a terra de qualidade variada; e pela zona de pastagem (o ―outfield‖ ou ―campo exterior‖), onde os animais pastavam. No período romano, este sistema primitivo tinha já sido substituído pela organização em ―three field‖ ou ―três campos‖, que reflectia uma compreensão maior sobre a necessidade de conservar a qualidade dos solos. Nesta organização, a terra que rodeava a aldeia era dividida em explorações permanentes, as quais podiam ser compradas, vendidas, herdadas, divididas, sofrer imposição de impostos ou manipuladas de qualquer outra forma. Cada quinta (exploração) era então subdividida em três parcelas paralelas de campo que ia da fronteira da aldeia (para facilitar o seu acesso) até ao fim da superfície lavrada. Um dos campos fornecia o grão principal à alimentação (trigo), o segundo era destinado a uma cultura alternativa para a alimentação, enquanto o terceiro era deixado em repouso para a obtenção de uma melhor produtividade da terra.

O resultado desta prática era uma rede de lotes compridos e estreitos que se espalharam através da Europa agrícola e se tornou uma figura permanente nas suas paisagens. Hoje, a agricultura é muito mais científica e produtiva, e os arcaicos sistemas de ―três campos‖ desapareceram há muito (tendo no entanto perdurado em partes da Rússia até ao século vinte). Contudo os lotes compridos e estreitos subsistem em muitas áreas: um exemplo clássico do impacto humano na paisagem e a sua persistência através do tempo.

Dispersão vs Aglomeração Para além da forma como a própria terra foi dividida, os assentamentos rurais na Europa tomou uma ou duas formas: aglomeração ou dispersão. Assentamentos dispersos (ou isolados), nos quais cada quinta ou pequeno agrupamento de quintas se encontra a alguma distância dos vizinhos, não è uma forma comum na Europa. Esta forma está ligada às tradições Celtas em algumas regiões pouco habitadas e talvez em raros períodos da história quando a paz e a tranquilidade reinavam na Europa e o custo de vida nas cidades e aldeias (incluindo especialmente a recolha de impostos) era relativamente alto. Muito mais conhecido è o modelo de aldeias aglomeradas ou aldeias ―enucleadas‖, com populações variando dos cem, ou menos, a alguns milhares de habitantes, que se espalhou através da maior parte da Europa até aos dias de hoje. Estas aldeias de explorações agrícolas são uma característica da cena rural em quase todos os países europeus, e claro talvez representem virtualmente a junção de populações inteiras das grandes áreas às mais pequenas. O visitante da Europa, passeando através hectares de terra de cultivo trabalhada e produtiva, será levado a assumir erradamente que a densidade da população é muito baixa, enquanto esta se encontra na realidade concentrada numa grande aldeia que aparece de repente por detrás

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de uma curva da estrada. Em vez de viverem nas suas terras, os agricultores vivem na aldeia, deslocando-se diariamente aos seus campos. Até mesmo os animais são levados da aldeia para as terras de pastagem e voltam todos os dias, e è frequente um motorista ficar preso na estrada devido à deslocação dos animais tanto de manhã como à tarde. Os grupos humanos tenderam a formar assentamentos aglomerados por várias razões, mas a mais

significativa è sem dúvida a defesa/protecção. Durante os longos séculos da história, a Europa esteve mais frequentemente irrequieta, não assente, sem leis, e extremamente perigosa, especialmente para os mais fracos e isolados. O agrupamento de pessoas proporcionava uma margem óbvia de segurança, uma vez que muitas mãos e muitos olhos davam até a uma pequena aldeia, um certo sentido de segurança. As aldeias agrícolas, por muito grandes e bem protegidas que fossem, não tinham defesa contra os exércitos grandes e bem equipados, mas podiam defender-se contra os bandos de assaltantes e bandidos ocasionais que eram comuns na Europa até há bem pouco tempo. A defesa (protecção) podia também ser maior dependendo da escolha do sítio. Terras altas, tais como os montes, eram preferidas ou as ilhas ou qualquer outra localidade que forçaria os invasores a lutar em desvantagem. Se uma estrutura feita pelo homem castelos, sobrados, igrejas fortificadas, etc. era construída como suplemento às vantagens da paisagem natural, um grau significativo de protecção podia ser garantido. Assim na Europa de hoje, literalmente, milhares de sítios, incluindo aldeias e cidades que se desenvolveram bastante, são estabelecidas à volta de um monte, no cimo do qual è possível encontrar-se fortificações em ruínas ou restauradas, nas quais os habitantes locais puseram as suas esperanças de sobrevivência durante muitos séculos. Tendo um monte fortificado no meio da cidade, è sem dúvida de pouca ajuda hoje em dia para facilitar os problemas modernos relacionados com os acessos, transportes, e comunicações; e nenhuma cidade seria erigida sobre os critérios de defesa nos dias de hoje. Contudo, mais uma vez os juízos dos homens e as suas decisões dos séculos anteriores continuam parte integrante da paisagem Europeia actual. Localizações noutros lugares da Europa também estão geralmente associadas às vantagens do sítio fornecido pelo ambiente natural. Cursos de água são um exemplo notável. Uma vez que eram em simultâneo

a fonte básica de fornecimento de água, virtualmente o único acesso e meio de transporte e a principal fonte

de energia durante longos séculos na história europeia, os cursos de água tenderam a focar assentamento na maioria dos países. Onde existisse vantagens maiores, por exemplo onde um rio pudesse ser atravessado com maior facilidade, ou onde quedas de águas ou cursos rápidos pudessem aumentar o potencial de energia, foram erigidos muitos lugares que vieram a tornar-se grandes cidades: Paris deve a sua localização exactamente no ponto onde o rio Sena podia ser mais facilmente atravessado por meio de pequenas ilhas no canal. Rotas de passagem através de grandes cadeias de montanhas, ou qualquer outra característica física que tendesse a concentrar ou canalizar a circulação de mercadorias ou de pessoas, eram também locais favorecidos para os assentamentos. Em resumo, em qualquer parte onde o ambiente natural fornecesse alguma vantagem de localização, tanto a nível de protecção como a nível económico, os antigos europeus acharam por bem estabelecer assentamentos.

Urbanização

A Europa è hoje um continente dominado pelas suas cidades. Nelas se concentram as suas populações e as

suas energias, se definem as suas culturas e os seus problemas, e geralmente reflectem a Europa para o mundo. Pelo meio dos anos 1800, o Reino Unido era o primeiro e principal país do mundo a ter mais de

metade da sua população a viver nas cidades, e se viajarmos pela Europa, são as cidades que se destacam

e nos ficam em mente: Londres e Paris, Madrid e Roma, Estocolmo e Berlim, Amesterdão e Viena; evocam

imagens dos seus respectivos países numa medida extraordinária. Assim sendo, è por vezes difícil determinar o sentido real de um fenómeno de urbanização a larga escala, tanto na Europa como em qualquer parte do mundo. Há mais ou menos dois mil anos, Roma antiga talvez tenha atingido uma população de mais de um milhão de pessoas (as estimativas são muito variáveis); mas com o colapso do Império Romano, uma cidade ―milionária‖ só pôde ser vista novamente na Europa quando Londres atingiu esse número mágico no início do século dezanove. Durante os séculos intermediários, as cidades eram uma excepção e não a regra, e alguns lugares muito famosos tinham populações que nos parecem hoje ridiculamente pequenas. No decorrer da Idade Média e do Renascimento,

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997 apenas um punhado de capitais importantes (Paris, Londres,

apenas um punhado de capitais importantes (Paris, Londres, Constantinopla, Córdoba) já ultrapassava cem mil habitantes e as vilas de dez mil ou cinco mil habitantes eram já em muitos casos de grande relevância. Apesar dos modelos urbanos gregos e romanos serem certamente bem conhecidos, muitas vezes através de escavações arqueológicas, a cidade europeia moderna iniciou a sua forma durante a Idade Média e era baseada em certos elementos muito consistentes e que fizeram muito para dar carácter às cidades do nosso tempo. Novamente, as decisões tomadas pelos grupos humanos a um ponto remoto do passado tiveram implicações substanciais para a paisagem urbana de hoje. Em particular, a maioria das primeiras cidades que eram baseadas na interacção de três elementos: a igreja, o mercado, e as muralhas. Com a queda de Roma do século V ao século VII DC, a igreja Cristã tornou-se a única instituição com alguma organização, estabilidade, e autoridade em várias partes da Europa. Como tal, passou a desempenhar o papel de ponto de referência temporal e espiritual para a comunidade, resolvendo os problemas do dia-a-dia dos seus paroquianos e realizando a missa do Domingo. Isso tornou a igreja não só como instituição mas também como edifício, muito importante nos assuntos de inúmeras comunidades europeias. A arquitectura da igreja focava-se assim e inevitavelmente tanto no talento como nas aspirações dos residentes locais, deste modo tornando a importância física da igreja como o centro da vida local. Assim, frequentemente as cidades e as vilas desenvolveram-se em redor da igreja, o que persiste em muitas cidades europeias de hoje.

Apesar do conceito de cidades com muralhas na Europa finalmente ter sucumbido às realidades da guerra moderna no século XIX, o seu legado ainda persiste. Excepto, onde algumas barreiras físicas o impediram, as cidades expandiram-se de uma forma não planeada, em forma de ―alforreca‖, onde paredes circulares eram a

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forma mais barata e eficaz de as fecharem. À medida que as linhas de muralhas iam sendo abandonadas sucessivamente, a pedra era geralmente usada em novas paredes, enquanto o espaço livre era convertido em ruas e ocasionalmente em espaços verdes. Sendo assim, a maioria das cidades europeias têm uma forma circular característica, e muitas redes importantes de avenidas e ruas circunferenciais foram construídas nos vestígios das linhas de antigas muralhas. O crescimento rápido das cidades europeias começou com o início da revolução industrial, e de facto,

a urbanização de várias nações pode ser datado muito precisamente a coincidir com o chegar da indústria

moderna, com grande ênfase na concentração do mercado, do trabalho e do capital. Os ritmos de crescimento urbano mais espectaculares ocorreram principalmente em meados do século XIX até à data da primeira Guerra Mundial, à medida que os artesãos empobrecidos da zona rural em grande número fugiram do campo para a cidade, (êxodo rural) onde todos os trabalhos tinham desaparecido. Hoje, tanto Londres

como Paris estão entre as maiores cidades do mundo, mas o ritmo de crescimento geral das grandes cidades

é pequeno, como os problemas e inconveniências epidémicas do urbanismo do século XX atrasaram a sua

expansão. Crescimento suburbano e especialmente a expansão dos centros tradicionais mais pequenos e desenvolvimento de ―novas cidades‖ ou comunidades planeadas, estão a ganhar um maior aumento urbano, enquanto populações rurais estão perto da estabilidade em muitos países e continuam a declinar noutros.

Percepção: A evolução de Paris Cada cidade europeia tem o seu carácter distinto e a sua própria história, e cada um trouxe a herança dos bons tempos e dos maus tempos, políticas e guerras, poder e declínio, para criar uma realidade k pode ser observada no final do século XX. Todavia, há pontos comuns k ligam o desenvolvimento da maioria das cidades europeias, tal que a análise da sua evolução e dos problemas de uma pode providenciar conhecimento sobre as outras também. Apesar de uma das maiores cidades da Europa, Paris, permanecer de muitas formas um bom exemplo de como locais urbanos responderam à alteração ao longo dos séculos. Poucas cidades demonstram tão claramente as vantagens da localização como Paris. O povoamento

original, à volta do séc. III a.C., era numa ilha (actualmente Ile de la Cité) no meio do Sena. A tribo Parisii ganhou então uma fonte de recursos de alimentação, de água e uma medida de segurança contra ataques. Os romanos capturaram o local em 51 a.C., vendo-a como um local ideal para atravessar o rio por meio de duas pequenas pontes. Então, o povoamento tornou-se rapidamente num centro importante administrativo e comercial na rua romana principal Norte-Sul. A primeira muralha foi construída no banco Norte (ou direita) ??? no séc. XI (circundou cerca 52 acres) (penso que isto tem a ver com o que o professor disse na aula que as grandes cidades nasceram num ponto alto, um monte), e a contínua expansão da cidade levou à construção adicional de paredes da muralha em 1200 e 1370, como resultado disso pontos de referência modernos tais como o Louvre e a Bastilha foram adicionados à cena urbana. No séc. XVI e inícios do séc. XVII, Paris uma vez mais cresceu para lá dos seus limites, e mais uma linha de muralha foi construída. Neste momento, o material da muralha anterior foi utilizado para parcialmente construir a nova, e o espaço vazio com o passar do tempo tornou-se um anel de grandes avenidas que formaram uma ligação de transporte vital

e confirma a forma circular da cidade. Pela altura da revolução, muito do que existia da muralha foi mais uma vez demolido e transformado num segundo anel de largas avenidas que são ainda uma parte fulcral da rede de ruas urbanas. Mas surpreendentemente (considerando o declínio da muralha como defesa contra a artilharia moderna), Paris

estava novamente circundada por muralhas e fortificações nos anos de 1840. Durante a desastrosa (para os franceses) guerra franco-prussiana de 1870-71, estas defesas salvaram Paris de uma invasão, apesar de não

a salvar da fome nem da derrota. Nos tempos modernos, este anel de defesas foi transformado numa auto-

estrada, que está quase sempre engarrafada com trânsito automóvel. (Os cínicos? afirmam que isto é provavelmente a barricada mais eficaz ao movimento para dentro e fora da cidade do que eram as antigas linhas de muralhas!) Mesmo assim, a noção das defesas circulares morreram. Nos finais de 1800, um último anel de fortes foi construída em pontos de terreno alto á volta da cidade. Caro e nunca realmente funcional, estas posições não foram totalmente abandonadas até à chegada do avião que pôs num ―descanso eterno‖ a

ideia de defender a cidade com muralhas.

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Enquanto Paris se expandia para lá das suas linhas sucessivas de muralhas, outros problemas, muitos deles também epidémicos para outras cidades europeias, começaram a emergir. O centro da cidade medieval evoluiu de um modo aleatório e casual, sem qualquer reflexão no planeamento ou nas necessidades das gerações vindouras. Era uma cidade pedestre (para peões), sem provisionamento até para os serviços mais básicos, para não falar nas exigências das civilizações mais avançadas tecnologicamente. As cidades crescem, o centro permaneceu vital apenas enquanto a sua economia pudesse funcionar e os requisitos dos seus habitantes permanecessem modestos. Paris, contudo, como a maioria das cidades europeias e em grande contraste com a maioria das cidades americanas, não cresceu com o automóvel e é deste modo compacta: o centro não poderia ser realmente abandonado para os subúrbios. O esforço de gerações sucessivas de planeadores franceses em ―fazer alguma coisa‖ sobre uma sempre expansiva e exigente Paris não precisa de ser detalhada aqui. Tal como em outros lugares, é basicamente um drama a longo prazo de necessidades vs recursos, a visão vs pedantismo, e uma escassa apreciação do bem comum, com política iminente a cada momento. Dos anos 1850, quando o famoso barão Haussmann estabeleceu grande parte da grandeza da cidade central com a aprovação do imperador Napoleão III, até á chegada das linhas férreas, até à construção do sistema subterrâneo por volta do séc. XX, até às contribuições dos mais reconhecidos arquitectos das nações (e do mundo), Paris tentou estar à altura da sua reputação como uma das maiores cidades do mundo, tanto contemporânea como humana. De meados do século XX em diante, no entanto e especialmente desde a chegada da posse em massa do automóvel em 1950, Paris foi vítima do seu próprio sucesso, como um íman para emigrantes para outras regiões, turistas, negócio, e instituições internacionais. A questão mais uma vez, colocada por muitas outras cidades europeias - tornou-se: como é possível construir uma cidade competitiva do século XX, com toda a infra-estrutura de alta tecnologia requerida, sem destruir a escala humana, arquitectura histórica, e a sua grande significância para turistas e cidadãos? Para algumas cidades, a escolha é simples. Aquelas que foram devastadas pela guerra, especialmente por bombardeamentos aéreos da II guerra mundial (Roterdão na Holanda ou as cidades Ruhr da Alemanha, por exemplo), tiveram pouca opção de escolha excepto senão reconstruir no estilo mais moderno, recriando a sua herança cultural da melhor forma possível. Para Paris e muitas outras cidades relativamente não danificadas, no entanto, o problema era sensivelmente mais acentuado. Os franceses tiveram geralmente tentado lidar com a modernização de vários distritos enquanto tentavam manter muito da sua arquitectura e tradição o mais que possível, geralmente usando um novo museu ou teatro como foco, enquanto melhoravam ligações de transportes e encorajavam o re-desenvolvimento comercial. Alguns destes projectos foram bem sucedidos, outros nem por isso; muitos tiveram o resultado de mudar a cara da cidade numa escala local, enquanto mantinham a imagem geral da ―cidade das luzes‖. Um projecto específico entre muitos vai servir como exemplo. Paris nunca teve uma baixa no estilo americano de múltiplos edifícios altos encaixados no centro da cidade central. Isto era em grande parte o resultado de uma limitação de 30 metros colocada nos edifícios durante o tempo de Luís XIV, por razões estéticas e de saúde pública. Paris até aos dias de hoje tem um dos perfis mais plano de qualquer grande cidade. No entanto, isto coloca a cidade numa grande desvantagem em atrair o tipo de sedes corporativas e outras iniciativas de negócios em grande escala, cruciais para a vitalidade de qualquer metrópole moderna. Desde os finais de 1950’s a França tem estado a construir uma das maiores, mais moderna e mais tecnologicamente eficiente cidade central da Europa num local conhecido como La Defense, que está actualmente no exterior dos limites da cidade de Paris para nordeste. Com todas as construções modernas, conectadas à Paris central por uma nova linha subterrânea expressa, La Defense é um mundo de vidro e cimento, áspero e desumanizado; mas o seu sucesso é evidente e os críticos são forçados a admitir que é, no mínimo, melhor que o ter feito no coração de Paris. (Aqui está a ideia que La Defenso como sendo uma cidade exclusivamente industrializada poderia vir a estragar Paris, daí estar nos limites da cidade).

CAPÍTULO 7 - A pré-agricultura na Europa; domesticação de plantas e animais e a sua difusão na Europa

A importância da Europa no mundo deriva em grande parte da sua longa tradição de força económica e seu incomparável sucesso em aproveitar o resto do sistema económico do mundo. Através da emigração, intervenção colonial e controlo das instituições financeiras, as nações europeias forjaram uma rede mundial

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de riqueza e influência que tem persistido até aos dias de hoje. Vale a pena relembrar, contudo, o excepcional impacto da Europa lá fora que foi solidamente fundido na longa e gradual acumulação de riqueza das pátrias (em casa). A evolução da economia europeia é uma longa história de invenção e inovação, interesse próprio e rivalidades internacionais, exploração e mudanças tecnológicas.

Economias primitivas Ao longo de quase toda a história humana, a base de toda a economia era a simplicidade: caça e colheita viver literalmente da terra era a forma de todos ganhar a vida. Para aqueles de nós que se surpreendeu com as complicações económicas e o stress dos tempos modernos, a ideia de regressar a simples condições e deixar a natureza fornecer é muitas vezes apelativa, mas o problema com este sistema de caça e colheita é que só conseguia manter pouquíssimas pessoas. A norma estimativa é de cerca de uma pessoa por metro quadrado (mais ou menos dependendo da riqueza do ambiente); assim até uma pequena tribo ou grupo necessitava de uma base de terra substancial para a sua sobrevivência, vagueando incessantemente à procura de alimento. De facto uma das razões básicas do porquê da total população mundial permanecer tão baixa, por tanto tempo era que até o fraco aumento em números rapidamente começou a pesar na pequena base de recursos. Efectivamente a superpopulação num planeta escassamente povoado parecia um problema improvável mas era uma realidade da Idade da Pedra. Com o passar do tempo e a evolução das sociedades humanas, mais especializações começaram a aparecer em muitas partes do mundo conforme as pessoas começaram a interagir mais de perto com o limitado número de recursos animais e plantas, assim asseguravam o mais estável fornecimento de comida e permitiam um modesto aumento na densidade populacional (de cinco para dez pessoas por metro quadrado dependendo outra vez da qualidade do ecossistema). Geógrafos culturais e antropologistas reconhecem tais relações como as planícies Indianas e o búfalo do Norte da América, as tribos circumpolar do árctico e a foca e o urso polar, e outros.

Percepção: os Lapões e as suas formas de fuga Na Europa uma sociedade especializada em caça e colheita que contínua a sobreviver marginalmente é a de Lapps (Sami) do Norte da Escandinava, Finlândia, península do Kola da Rússia; e o seu tradicional recurso animal: a rena. Durante séculos os Lapões construíram uma economia e na verdade uma forma de vida seguindo as migrações das renas pois são animais que se movem num grande círculo invernando ao longo das margens relativamente suaves do Atlântico movendo-se depois para o interior para reproduzir e pastar durante o curto verão do Árctico. Comida, roupa, abrigos, ferramentas e simbolismo cultural chegou a todos os Lapões através do veado. No nosso tempo a atracção do mundo exterior com promessas de vida mais recompensadoras atingiu os Lapões destruindo grande parte das suas tradições. Renas são conduzidos por snowmobile, os jovens saem para empregos na mineração ou na indústria e o turismo traz o dinheiro que tornam os costumes de ontem transaccionáveis, mas que muda rapidamente os valores humanos. Não obstante o pequeno número de Lapões que continuam a praticar um estilo de vida tradicional de pastoreio é visto com contínuo respeito na veneração pelos seus parentes ―modernizados‖. Com a excepção dos Lapões, a economia europeia passou de simples para complexa, de rural para urbana, de marginal para afluente. Tem sido um longo processo flutuando através de 9000anos no tempo e envolvendo de um ponto a outro quase todo o mundo. Isto é em grande escala a história do crescente domínio da Europa na economia global.

Domesticações A evolução da economia moderna capaz de suportar a densidade populacional que caracteriza o mundo de hoje teve a sua origem no início da agricultura. A história da agricultura é complicada, envolvendo muitas mudanças graduais na cultura, materiais, posses de terra e sistema de marketing. Visto que os nossos interesses são principalmente com as paisagens podemos manter muita dessa história em segundo plano; contudo a importância vital da agricultura em todas as regiões do mundo moderno significa que podemos considerar certos processos chave em detalhe. Primeiro que tudo entre estes estão as domesticações de

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plantas e animais sem os quais a agricultura como a conhecemos e que forma a base de todos os outros processos económicos, nunca teria sido possível.

Domesticação de plantas. Das centenas de milhares de espécies de plantas conhecidas para a ciência moderna é intrigante notar que apenas poucas centenas têm sido domesticadas pelos humanos para fornecer a base do seu abastecimento alimentar. É ainda mais interessante e talvez mais sensato para relembrar que apenas três dessas plantas trigo, arroz e milho formam de uma maneira ou de outra a base de alimentação da maior parte da população do mundo. Domesticações, portanto, têm envolvido apenas um pequeno número de plantas. As plantas domesticadas têm conquistado muitas partes do mundo difundindo-se a partir dos seus centros juntamente com as ideias agrícolas e tecnologias, para outras regiões. Tais áreas como Índia, Sul da China, sudoeste da Ásia e México estão entre os mais importantes centros de domesticação. Para a Europa a região chave foi os vales do sistema de rios Tigre Eufrates (também conhecido como Mesopotâmia) no Meio Oriente, país agora conhecido por Iraque. De quase todos os casos de domesticação, o elemento chave parece ter sido a combinação de alguns acontecimentos aleatórios na comunidade vegetal (tais como a mutação genética) produzindo uma oportunidade única e a presença de humanos em grande número e de inteligência capaz de perceber o potencial daquilo que observavam. Alguns 9000anos BP a Mesopotâmia era um poço de água rico em pastagens (Glaciares prolongados do Norte da Europa trouxeram condições frias e húmidas nessa região) que suportam uma densidade populacional de caçadores e ceifeiros. Toda a base de cultura cereal trigo, arroz, aveia, cevada que caracterizam a agricultura europeia teve a sua origem nas mutações genéticas que tiveram lugar nas pastagens e das quais os humanos foram inteligentes o suficiente para agradecer as possibilidades. Uma importante mutação resultante da fecundação cruzada natural de espécies de erva fez com que as sementes ou grãos permanecessem ramificadas na haste da planta mesmo quando madura. Esta é uma proposição perdida para a planta uma vez que não são difundidas pelo vento ou outro processo e assim a mutação que seria seleccionada contra desaparece relativamente rápido. Humanos como ceifeiros de alimentos pré históricos ao invés de botânicos do século XX, todavia, viram algo diferente. Se os grãos permanecem agrupados na haste, colher era mais fácil: mais comida podia ser colhida em menos tempo. Quando a mulher ou homem teve a sabedoria para plantar algumas sementes em vez de as comer e quando fora de cada ano cresceu somente essas plantas com essas mutações particulares que foram seleccionadas para semear, as leis da genética, fornecem gradualmente uma cada vez maior percentagem de plantas com essas características. Assim, através de séculos os humanos mudaram gradualmente de ceifeiros para agricultores com surpreendentes consequências par o futuro do mundo. Arroz e milho, as grandes domesticações da Ásia e das Américas, respectivamente, também derivam da grasslike e também parecem ter sido domesticadas pela mesma combinação de mutação genética e inteligência. Isto é interessante para relembrar que, o campo de trigo moderno, abandonado pelo agricultor pode reverter para uma variedade de erva ou outras plantas em poucos anos: estas têm mais sucesso que a domesticação humana em qualquer competição natural. Com algum controlo sobre a reprodução de plantas a agricultura pôde começar a promover uma das grandes bacias hidrográficas da história humana. O conceito chave é a produção excedente. Em vez de alimentar uma só pessoa ou uma família como ceifeiro, homem (ou mulher), como agricultor era capaz de crescer o suficiente para suportar talvez cinco, dez ou mais pessoas. Esta mudança significa que essas pessoas libertaram-se da necessidade de todos os dias descobrir comida virando-se para outras ocupações, tornando-se artesãos, homens de ofício e eventualmente padres, filósofos, administradores, soldados, taxadores de colheitas e outras ocupações associadas com o aumento das civilizações modernas. Além disso, o crescimento da produção excedente também conduziu para uma evolução da economia de mercado e de comércio de utensílios agrícolas, com a rede de transporte e instituições financeiras implicadas nessas actividades. Além disso a passagem de nómadas, caça e colheita para uma economia sedentária, de produtos agrícolas significou que as ideias das pessoas sobre a terra começaram a deparar-se com profundas alterações. Para uma tribo nómada, a terra por si só não tinha valor: apenas o que pode fornecer é

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importante. Para um agricultor, contudo, a terra tornou-se o mais precioso recurso. Pode ser comprada, vendida, herdada, taxada, hipotecada, brigada. Em resumo todas as nossas ideias modernas sobre a terra e

a sua importância mística de ―quinta real‖ detiveram-se desde o início da agricultura. Finalmente, o aumento da agricultura foi uma óbvia pré-condição de crescimento das cidades e assim das sociedades urbanas que dominam o mundo actualmente. Os caçadores e ceifeiros precisam de espaço e vivem em movimento dificilmente teriam um modo de vida condizente com a vida em concentrações densas. A produção agrícola excedente significa que nem toda a gente precisa de ser produtor alimentar, como também que nem toda a gente teria de viver da terra. A ―cidade‖ tornou assim possível esta realidade pela primeira vez. Não é certamente coincidência que o mundo é o primeiro a reconhecer que as cidades começaram a aparecer nos ricos pantanosos (well-watered) vales da Ásia e do Médio Oriente, ao mesmo tempo que a agricultura foi aparecendo difundida. As antigas cidades fundadas na Mesopotâmia tais como Ur

e Suméria oferecem uma clara evidência dessa relação. Entre cerca de 9000 e 6000anos atrás (as datas dependem de sitio para sitio) as culturas domesticadas, ideias, ferramentas e tecnologias da agricultura básica gradualmente filtrou a sua forma dentro da Europa levando ao longo da maré de constante movimento de leste para oeste que caracterizou a Eurásia por tantos séculos. Havia duas principais redes para a difusão das tecnologias agrícolas dentro da Europa. Uma através da bacia do Mar Mediterrâneo, onde cresceram as capacidades navegadoras juntamente com o mercado e as possibilidades comerciais espalhando a agricultura e a importância da produção alimentar excedente a sul da Europa. O outro era junto ao vale do rio Danúbio seguindo a corrente de montanhas do Mar Negro no coração da Europa central. Como o Danúbio é o único grande rio na Europa que segue de oeste para leste, estes vales sempre foram o maior corredor de invasão, comércio e de difusão de ideias. O processo do desenvolvimento agrícola na Europa foi muito longo, complicado pelo facto de que o ambiente europeu era muito diferente do Médio Oriente, muitos instrumentos estratégicos que poderiam resultar bem numa fixação poderiam ser substancialmente modificados na outra. Em particular, o tempo, climas frios e pesados solos podzólicos da maior parte do norte e centro da Europa foram bastante diferentes das culturas quentes e solos leves da Mesopotâmia. Exploração arqueológica revelou que as primeiras áreas do norte da Europa para a agricultura não foram os pesados solos da floresta mas sim os leves solos arenosos formados nos depósitos glaciares ao longo do Mar do Norte. Ainda que de inferior qualidade esses solos poderiam, aparentemente, ser distribuídos com mais facilidade usando simples equipamentos, então disponíveis para os primeiros agricultores.

Domesticação animal Numa fracção de tempo não inconsistente com e domesticação de plantas e em muitos sítios do mundo, os humanos começaram a domesticar animais par seu uso dando outra dimensão para o desenvolvimento económico e de mercado. Em alguns aspectos, a domesticação animal é um passo lógico, para além das especializadas economias de caça e colheita, que já se tinha focado em um ou mais animais. Mudando de um sistema envolvente seguindo os animais nos seus movimentos sazonais para um controlo envolvente desses movimentos (ainda que os aspectos sazonais possam ser exactamente os mesmos) é um pequeno passo. Controlar os animais naturalmente implica abastecer de comida, água, protecção e outros serviços, contudo, as economias de pastoreio que foram extensamente distribuídas sobre o mundo moderno foram muito diferentes na sua complexidade e organização na sociedade pré-agrícola de caça e colheita. Ainda que um razoável número de espécies animais terem sido domesticados pela humanidade, por uma razão ou por outra só relativamente poucos têm tido um verdadeiro impacto dramático no progresso e no desenvolvimento das sociedades. Na Europa esta lista inclui: gado vacum, cavalos, porcos, aves de capoeira, ovelhas e cabras. (Para não dizer fora da Europa, iguais espécies como camelos, lamas, búfalos de água e muitas outras). È importante lembrar que todavia existem três formas principais de domesticação animal que tem beneficiado a humanidade. A primeira é a mais óbvia, a domesticação animal assegurou uma fonte mais confiável de comodidades cruciais para a melhoria da disponibilidade de alimento, vital para a expansão de outros aspectos da economia. Carne, bem como leite fresco e tais produtos relacionados como o queijo têm sido um componente premiado da dieta europeia como adição de proteínas necessárias de várias culturas cultivadas

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para consumo humano. Além disso a cabra e especialmente a ovelha fornecem a matéria-prima para maioria das indústrias europeias: têxteis. A ovelha tem, de facto, sido um animal preferido em maior parte da Europa como resultado do seu multifacetado carácter: carne, leite e lã. O segundo, a domesticação de animais fornece o veículo económico com que os humanos foram habilitados para penetrar em muitos ambientes que tinham sido, anteriormente, inóspitos. Apesar disso, como numa espécie animal a humanidade é extraordinariamente adaptável à maioria das regiões climáticas, é sempre confrontado com a necessidade de abastecer de alimentos (ou algo que possa ser trocado por comida). Uma vez que os animais domésticos são inerentemente portáteis e por causa da variedade de produtos que podem fornecer, têm permitido aos humanos viverem em números modestos em tais ambientes inóspitos como o deserto ou montanhas (de que uma parcela surpreendente da terra é composta). Na Europa, a domesticação de animais permitiu às pessoas desenvolverem distintos e duradouros sistemas económicos em ambas as regiões alpinas e mediterrânicas. Finalmente e a mais importante domesticação animal foi a que disponibilizou uma melhoria das fontes de energia. Pela primeira vez os humanos foram capazes de quebrar os limites de energia da sua própria estrutura muscular, através da mobilização de animais de peso maior e endurecer a execução de uma variedade de tarefas para expandir dramaticamente as suas possibilidades económicas. Vale a pena reflectir da era da domesticação animal (uns 9000anos atrás) para a perfeição da máquina de vapor nos anos de 1700, apenas modestos acréscimos foram notados no fornecimento de energia humana: a importância quantificada de domesticação animal é assim impressionante. Previsivelmente foi na expansão da agricultura que a domesticação animal como fonte de poder desempenhou o seu papel mais vital. Mesmo com as novas culturas, ferramentas e ideias, a produtividade agrícola foi inevitavelmente limitada por uma falta de poder; um humano, sozinho (ou mesmo com um família) pode somente lidar com tarefas em número restrito relativamente à terra. A adição de grandes e potentes animais na equação (por exemplo bois) significou que mais superfície de terra poderia ser cultivada pela mesma força de trabalho e no mesmo tempo. Consequentemente, a produtividade e o volume da produção excedente aumentou drasticamente, e todas as socioeconomias spin-offs já discutidas foram aceleradas ou acentuadas. Deste modo, as culturas e os animais, as ferramentas e as ideias, os problemas e os lucros da agricultura espalharam-se do Médio-Oriente para a Europa. Cedo a agricultura formou a base do crescimento económico em todas as secções do continente e a sua produtividade constante e prosperidade razoável forneceram uma base de alimentos para uma população em expansão que então começou a acumular capital que será vital para o investimento nas novas estruturas industriais que transformarão a Europa nos futuros séculos. É agora possível olhar em detalhe para o modelo básico da agricultura que se desenvolveu na Europa, onde muitas culturas familiares e ideias serão notadas (a agricultura americana é afinal de contas uma extensão do modelo europeu) assim como alguns factores de produção mais recentes baseados na expansão colonial da Europa nos anos 1500.

CAPÍTULO 8 - Economias Europeias Clássicas: Alpina e Mediterrânica

Ao considerar a complexidade económica da Europa, é útil reconhecer que uma grande parte do continente exibe padrões muito semelhantes de actividade humana. Embora respeitando a grande variedade de condições locais culturais encontradas na Europa, não deixa de ser possível generalizar duas economias especializadas que são muito semelhantes em qualquer nação onde possam ser encontradas. Baseadas essencialmente em padrões de respostas humanas semelhantes aos desafios ambientais, estas são a economia Clássica Alpina e a economia Clássica mediterrânica. O termo "Alpina" implica regiões de altitude relativamente elevada e algumas outras características relacionadas; mas não se refere apenas aos Alpes. Assim, as Montanhas Rochosas da América do Norte ou os Himalaias da Ásia, por exemplo, podem-se dizer que são "Alpinas". O uso generalizado do termo refere-se ao facto de que a maioria das características e das condições do ambiente de montanha foram primeiramente identificadas e estudadas por cientistas europeus nos Alpes; os exemplos concretos, em seguida, tornaram- se universais. Não existe elevação mínima acima do qual. As condições "Alpinas" ocorrem automaticamente;

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mas o ambiente das terras altas é comum na Europa, e enquanto os Alpes, os Pirenéus, os Cárpatos, as montanhas escandinavas, Jura, os Apeninos, as terras altas da Escócia, e até os Urais da Rússia são exemplos óbvios, e existem vários outros em menores escalas em quase todas as partes do continente. A semelhança nos padrões económicos encontrados em todas as regiões alpinas está relacionada com certas limitações impostas e as oportunidades oferecidas pelo ambiente.

impostas e as oportunidades oferecidas pelo ambiente. Características do ambiente alpino Os problemas colocados

Características do ambiente alpino Os problemas colocados para o ajuste económico e humano do ambiente alpino são de vários tipos:

- Declive. O que melhor define a paisagem de montanha é uma percentagem de superfície terrestre que varia

entre uma elevação moderada e forte, contrariamente a uma elevação fraca. As áreas de grande altitude, com elevação em vez de relevo inclinado constituem "planaltos" em vez de montanhas, como no caso da Península Ibérica. Os ângulos de inclinação excessiva impedem a agricultura convencional de diversas maneiras. O uso das máquinas e animais em maior número ainda é difícil, senão mesmo impossível. Mais significativamente, os processos geomorfológicos arrastam-se, tais como os solos tendem a remover o declive do solo pela gravidade tão rapidamente como se formam. Os solos de montanha, portanto, tendem a ser finos e ásperos. Além disso, a acção da glaciação, hoje activa mesmo nos Alpes, montanhas escandinavas, e partes dos Pirenéus, corrói, afastando qualquer material não consolidado que possa a estar no caminho do gelo.

- Clima- As regiões montanhosas, embora não necessariamente de grande elevação, são invariavelmente

superiores à planície vizinha. Este espaço extra modifica os climas locais, mais uma vez, geralmente em detrimento da agricultura, e produz as condições mais extremas e graves. Em particular, uma maior altitude significa invernos mais frios, maiores e geadas no início do Outono. Este é um problema menor no sul da Europa, onde as temperaturas mais frias podem realmente ser economicamente mais vantajosas, comparando com as regiões central e norte, onde as temperaturas mais frias da montanha reduzem o crescimento da maioria das culturas principais. O aumento da precipitação (ver discussão climática, capitulo 2) pode ocasionalmente ser útil (como em partes do sul da Europa), em grande parte onde a queda de neve é excessiva em altitudes mais elevadas, e o tempo fresco e húmido no verão e no Outono, inibe o crescimento das plantas e maturação oportuna. No entanto, deve ser lembrado que os climas das montanhas são

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extremamente complexos, e que alguns enclaves micro climáticos (tais como vales abrigados ou vertentes viradas a Sul) podem apresentar oportunidades incomuns para a agricultura.

- Isolamento- Com a crescente sofisticação e urbanização das economias europeias desde a Revolução Industrial, as regiões de montanhas tornaram-se cada vez mais uma desvantagem devido ao seu isolamento físico dos centros de desenvolvimento. O "Isolamento", nesse sentido, não significa necessariamente o afastamento (Pois os Alpes estão, geograficamente no coração da Europa), mas sim a separação de tempo e dinheiro em detrimento das regiões alpinas. Em termos de acessibilidade e custos de transporte, estas áreas

têm caído cada vez mais para trás. Ferrovias e rodovias modernas são muito raras e caras para construir aqui

em comparação com as regiões da Europa de várzea. Assim custa mais e leva mais tempo para fornecer as

indústrias com as suas matérias-primas e para movimentar produtos no mercado. A ausência, por óbvias razões geográficas, de transporte de água em regiões montanhosas é profundamente sentida. Há muito poucas indústrias tradicionais capazes de superar esses inconvenientes de isolamento suficiente para fazer face a uma Europa altamente competitiva em que a localização ideal é, normalmente, a chave para o sucesso.

Apoio Económico Convencional: As Tradições Alpinas Embora não seja totalmente verdade que os factores geográficos (as especificidades do ambiente alpino, por exemplo) determinem absolutamente a gama de actividades humanas, certamente que proporcionam um quadro de recompensas e punições para consumo humano de decisões económicas. Qualquer estudo comparativo de culturas revela que, mesmo tendo em conta a diversidade espectacular da condição humana,

as pessoas em semelhantes circunstâncias ambientais têm evoluído de forma independente de estratégias

semelhantes para optimizar as suas perspectivas económicas. Como referido acima, os graves desafios colocados pelas terras alpinas não obtiveram respostas económicas dos grupos humanos em muitas partes

do mundo, dadas as suas variadas perspectivas culturais e históricas. Numa sociedade tradicional, o que se

pode fazer nas montanhas europeias?

1) Pastorícia- A economia mais ampla das regiões de montanha do mundo, incluindo a Europa, é, sem

dúvida, a pecuária, ou a gestão de animais e a comercialização dos seus produtos. A criação de animais desempenhou o papel principal na liquidação e na humanização das montanhas europeias e, apesar dos contratempos, é ainda hoje o principal apoio económico em muitos distritos. Os animais - geralmente o gado

no norte, ovinos e caprinos no sul - são criados justamente porque permitirá que todos os problemas dos

Alpes, já referidos, sejam parcialmente superados. Os animais em primeiro lugar são ―portáteis‖. Ou seja, eles são uma indústria que pode facilmente passar para onde os recursos necessários estão disponíveis para consulta. No mundo dos Alpes, as culturas não podem amadurecer, mas uma colheita de feno geralmente pode ser cortada, e até mesmo nas mais altas e íngremes pastagens está disponível durante algumas semanas do ano. Ao mover os animais em pastoreio por um tempo abundante, os grupos humanos aumentam a comida limitada de recursos energéticos do ambiente alpino. Este processo deu origem a movimentos de humanos/animais conhecidos como a transumância, familiar nas regiões montanhosas de todo o mundo, mas particularmente bem definidas na Europa.

O padrão clássico da transumância revela uma resposta extremamente afinada com possibilidades

ambientais. De uma aldeia, de baixa altitude, as manadas de animais são levadas para pastagens com uma cobertura de neve, deixando essas áreas no final da Primavera e início do Verão. As aldeias próprias dessas pastagens remotas são habitadas apenas durante o curto período de crescimento. Tradicionalmente, o

movimento de animais é realizado sob o seu próprio poder, embora em tempos modernos seja comum o transporte em camiões, especialmente quando são bastante longas as distâncias envolvidas. Os membros da família - as crianças mais velhas ou avós - podem ficar com os animais, vivendo em cabanas durante todo o Verão. Apesar dos vaqueiros contratados (podendo ser estudantes) agora frequentemente a realizar este trabalho sazonal, o conceito de família alargada tem marcado muitos padrões sociais nas montanhas. Os animais são usados, fora da cidade (nas terras ao redor da fazenda casa ou vila), para produzir dois ou três cortes de feno, bem como quaisquer outras culturas permitidas pelas condições climáticas, garantindo assim um abastecimento alimentar de Inverno para os animais. Todos os recursos terrestres e

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pastagens da região montanhosa são totalmente utilizados - uma adaptação clássica humana a circunstâncias difíceis. Os movimentos de transumância não são necessariamente restritos aos montes e pode envolver a versão horizontal, bem como os movimentos verticais. Nos séculos anteriores, vastos movimentos sazonais de animais foram um fenómeno comum em muitos países (Espanha, como um caso clássico); mover o gado numa procura constante de alimentos, muitas vezes em conflito com as populações mais constante. Uma vantagem económica resultante da presença de animais em regiões montanhosas é que eles são capazes de vencer uma extensão considerável de terreno para superar os problemas de isolamento e afastamento. Assim, o animal clássico das regiões montanhosas dos Alpes europeus para o Norte é a vaca de leite, produzindo uma mercadoria que pode ser processada de forma simples, localmente e transformada em produtos que são relativamente não-perecíveis e não de tempo específico. Como exemplo, uma roda de "Swiss" (queijo - tipo comum) melhora na qualidade com vários meses de envelhecimento, logo o tempo de transporte para mercados distantes não é um factor - problema. Os custos de transporte torna-se um problema, é claro, para produtos desse tipo, visto que contam com menores custos de produção e uma reputação de qualidade para se manter competitiva. Outros produtos à base de leite, não-perecíveis, são o chocolate de leite e outros doces, (também importantes em muitas cidades pequenas e aldeias de montanha) que são suportados em grande parte pelas indústrias de transformação de leite modesto das pastagens altas. Com o melhor acesso nas estradas e o aumento da disponibilidade de transporte refrigerado, o fornecimento de leite fresco para os mercados urbanos tornou-se uma possibilidade técnica, embora a concorrência de lacticínios mais perto das cidades seja uma concorrência ―à altura‖. Na Europa do Sul e Sudeste, onde os padrões climáticos criam um pasto escasso, ou na Grã-Bretanha (em grande parte, por razões tradicionais), as ovelhas ou cabras são mesmo os animais dominantes. Além de serem capazes de extrair uma vida nua de paisagens muito promissoras (ver discussão posterior da

economia do Mediterrâneo), as ovelhas são o clássico "para todos os fins" dos animais, tanto para carne, leite

e lã. Elas têm desempenhado um papel importante na Europa, a nível económico, ambiental e até mesmo a

nível histórico-cultural. No século XX, a economia animal das regiões alpinas perdeu importância. Isto está relacionado com o declínio geral da população das áreas montanhosas, e particularmente o facto de que é extremamente difícil ganhar o que poderíamos chamar de uma "primeira vida do século vinte", com todo o conforto material implícito, pela criação de animais nas montanhas. Assim, enquanto ainda há substancial sociedades nómadas em muitas regiões, o seu declínio é impecável. A perda desta economia é de facto de grande parte da população das montanhas da Europa, é motivo de preocupação em muitas capitais europeias. Se ninguém vive nas montanhas, não há ninguém para gerir a paisagem, lidar com os problemas, e na generalidade criar

o ambiente, ordenado manicured(?) que reflecte o orgulho nacional para os europeus e um modo de vida

invejável para os turistas. Quem poderia visualizar um vale alpino sem as suas fazendas, flores, bovinos elegantemente distribuídos? Para alguns países, o problema é consideravelmente mais profundo. Na Suíça, por exemplo, a perda da população das montanhas constitui uma séria ameaça à segurança nacional de base. Os suíços que confiam nos produtos Alpinos (queijo nomeadamente) como uma componente fundamental da sua oferta de alimentos, em caso de um novo conflito europeu em que a sua neutralidade poderia ser novamente testada e as suas possibilidades de importação restritas. Se a transumância, desaparece por completo, de onde virá o queijo? Como resultado, a Suíça tem nos seus livros algumas das legislações mais incomuns do mundo. O crédito do governo, por exemplo, está relacionado com a altitude: quanto maior a exploração de um agricultor, mais abundante e vantajosa para os empréstimos que serão elegíveis!

Percepção: "ALPAGE" NA SUÍÇA MODERNA Os suíços também foram activos na promoção de refinamentos modernos sobre o tema da transumância, como o que é chamado no francês-alpage cantões de língua. Este sistema é utilizado em muitos casos onde as terras mais altas de uma aldeia tenham sido abandonadas por agricultores locais. A aldeia arrenda as terras por uma modesta taxa para candidatos qualificados (muitas vezes os alunos ou ex-agricultores que residem na cidade sem um emprego de verão em particular), que então fazem contratos com as fazendas em

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toda a área de "placa" de gado para a temporada. O leite pode ser transformado em queijo no local, sendo vendido para as cooperativas ou os mercados da região. Como uma fonte de renda extra, alguns alpagists (?) também podem engordar os porcos no leite desnatado retirado do processo de fabricação de queijos. No final do verão, os lucros são divididos, os animais são devolvidos aos seus proprietários, os agricultores de ―part- time‖ voltam para as suas casas e vidas na cidade. Assim, o sistema é mantido, pelo menos em parte, em uma próspera nação alpina moderna.

2) Florestas- Outro amplo apoio económico das terras Alpinas é o cultivo, colheita e processamento de produtos de floresta. Como observado anteriormente, a Europa é um continente cujas florestas começaram a crescer sob intensa pressão muito cedo na história. Uma vez que o consumo de madeira e produtos de madeira tem abrandado o seu ritmo de expansão, a procura superou largamente a produção, e muitas regiões da Europa tem agora as suas necessidades de importação de madeira. Neste contexto (discutido mais detalhadamente na secção florestal, capítulo 9), as áreas montanhosas têm lucrado com o isolamento que as diferencia da integração da Europa. As montanhas tendem a ser os locais, se houver, onde as florestas têm sobrevivido, relativamente, a salvo das pressões dos solos das planícies densamente povoadas. Além disso, os distritos de montanha, onde foram desmatados (um processo que durou até o final do século XIX), a erosão do solo e consequente flooaing (?) eram tão catastróficos que até mesmo os governos que nunca tinham pensado nos seus recursos ambientais como algo inesgotável foram transferidos para realizar projectos de recuperação. Encostas reflorestadas e atitudes científicas para a gestão florestal reflectem algumas das mais antigas preocupações ecológicas da Europa. Hoje, controlado o madeiramento, baseia-se principalmente sobre a vegetação de coníferas do ambiente alpino, é difundido em regiões montanhosas, onde fornece localmente emprego modesto mas importante, que pode também incluir madeira local, indústrias de transformação e de transporte. Essas actividades básicas - a pecuária e silvicultura estão associadas a ambientes alpinos em todo o mundo. Eles são, no entanto, essencialmente, de natureza extensiva, apoiando populações pequenas em grandes áreas. A falta de mais intensas formas económicas, é claro, a razão das montanhas europeias serem escassamente habitadas e tornando-se assim cada vez mais uma série de actividades tradicionais que fornecem economias mais concentradas, e estas muitas vezes por conta da localização e sobrevivência de grandes cidades e mais densamente povoadas, as zonas rurais dentro do ambiente de montanhas.

3. A AGRICULTURA INTENSIVA- Embora como um problema geral de declive e clima fazem a agricultura convencional nas montanhas um compensador se não impossível a actividade, há algumas excepções impressionantes. Onde bolsões de bom solo se formam, como, por exemplo, ao longo das planícies de inundação do rio ou em grandes vales glaciares, a agricultura pode ser tão intensa e produtiva como em regiões mais favorecidas. Além disso, a complexidade climática das regiões alpinas cria microclimas locais com mais estações de crescimento (vales abrigados das tempestades, a sul-encostas viradas a receber maior insolação), e nestas condições de alta cultura de valor pode gerar prosperidade local considerável. A vinha, por exemplo, é cultivada com sucesso na virada para sul nas encostas mais baixas dos Alpes suíços (no Lago de Genebra, por exemplo), e prospera nas laterais ensolaradas do Hercynian, formações de colinas de idade ao norte até a região do Reno-Mosel da Alemanha. Onde a agricultura é possível, milho para forragem, grãos pequenos, pomares e caminhão-viveiro pequenos frutos e produtos hortícolas são facilmente encontradas, que podem ser completadas por estufas para fornecer calor extra e ampliar a estação de crescimento. Porque estas áreas favorecidas são relativamente raras e estão espalhadas por entre as montanhas europeias, que têm assumido uma importância maior do que seu tamanho e produtividade mereceria em regiões de várzea. Importação de produtos alimentares de base é muito caro para os moradores da montanha, e estas áreas, assim, preenchem um papel fundamental nas economias dos alimentos Alpinos, enquanto ao mesmo tempo, apoiam as actividades de serviços e de indústria leve, que pode ser importante para uma grande área de terras altas.

4. Mineração- Ainda mais concentrado do que as áreas de agricultura convencional são um outro pilar económico tradicional das montanhas: Distritos de mineração. A mineração é uma actividade que é,

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evidentemente, local onde a substância valor for encontrada, e uma vez que os processos geológicos de formação de montanha (vulcanismo, nomeadamente intrusiva) são também aqueles associados com a deposição de minérios de minerais não metálicos, as montanhas europeias originalmente continham um grande volume e variedade de commodities (?), de ouro e prata ao cobre, estanho, chumbo, zinco minério de ferro, e muitos outros metais industriais. Uma vez que a maioria destes minerais têm sido trabalhados e taxados pelo homem desde há muitos séculos atrás, os grandes depósitos da Europa estão neste momento de uma forma geral esgotados (ver discussão sobre os recursos da Europa, cap. 10). Apenas em áreas muito remotas e de difícil acesso (tais como as minas de ferro da Áustria ou do norte da Suécia), ou em casos onde o mineral em questão tinha pouco valor até ao século XX (como é o caso do urânio do maciço central da França) tem significado um grande suporte económico das regiões Alpinas. De qualquer forma muitas das pequenas cidades de montanha e cidades em geral devem a sua localização e importância às antigas explorações de minerais. Onde essas comunidades tiveram a capacidade de diversificar a sua economia, ou de adquirir importantes serviços e funções administrativas, conseguiram assim sobreviver e prosperar.

5. Energia hídrica- Outro factor de concentração relativo á vida e às economias de montanha tem sido tradicionalmente a energia hídrica. Neste caso, dois dos problemas que atingem o homem nos ambientes alpinos que são as inclinações e a precipitação têm sido transformados em aspectos positivos. A água a descer por uma forte inclinação representa um enorme potencial, e onde a precipitação moderada e o gradual degelo cria cursos de água constantes (que é o caso de praticamente toda a Europa fora da zona mediterrânea), as possibilidades desta energia estão bem patentes. A tecnologia dos moinhos de água e as indústrias associadas a ela ficaram conhecidas como a humanização do continente europeu (ver discussão sobre recursos energéticos, capitulo 10). A energia hídrica oferece uma atractiva possibilidade de penetrar e de viver com normalidade no difícil mundo das montanhas, a abundância e os preços baixos da energia servem para compensar o isolamento e os custos elevados dos transportes. Muitas das antigas indústrias conseguiram estabelecer-se nestas áreas e competir com sucesso com outras indústrias de actividade semelhante de regiões mais favorecidas, até ao século XX, e muitas das grandes cidades de montanha de hoje podem buscar as suas origens a antigos sítios de moinhos (que ainda hoje existem). Combinando a energia com a produção da economia local dispersa, estas cidades especializaram- se em produtos de madeira, de pele, têxteis, e calçado. Tirando estes pontos dispersos que oferecem desenvolvimento e estabilidade através destas economias, tradicionalmente a vida nas montanhas nunca foi fácil. Com o declínio das minas e o fechar de muitas industrias relativas ao têxtil o despovoamento e as condições duras de vida têm marcado as regiões de montanha durante o século XX. As desvantagens deste ambiente para muitas actividades, no entanto, tornaram-se em vantagens para outras, e as terras altas da Europa estão agora a testemunhar pelo menos três tipos de desenvolvimento, que, embora não podendo atrair de novo os contingentes populacionais do século XVIII, têm conseguido manter uma estabilidade em muitos locais montanhosos e criar esperança para outros.

Alterações modernas na economia Alpina

- Da energia hídrica à hidroelectricidade- As tradicionais indústrias alpinas baseadas no uso do energia hídrica para fazer funcionar moinhos e produzir serras, martelos e outros simples mecanismos entraram em forte declínio, mas o potencial energético mantêm-se e o desenvolvimento tecnológico permitiu que as regiões montanhosas lucrem com a geração da hidroelectricidade. A energia hidráulica está actualmente mais desenvolvida na Europa do que em qualquer outro continente, alguns países (mais notavelmente a Suíça) utilizam cerca de 100% do potencial desta energia. Para muitos distritos de montanha, este recurso significou renovação e prosperidade. Com a crescente eficiência nas transmissões de energia de longa distância, esta pode ser transferida para regiões planas fortemente habitadas ou mesmo exportadas para países vizinhos. Ao mesmo tempo uma abundância de electricidade barata é atractiva para muitas indústrias modernas, incluindo as metalúrgicas que estão dispostas a assentar nestas regiões de montanha mesmo com as desvantagens do isolamento e dos custos de transportes. No entanto a substituição de muitas das pequenas

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áreas de produção de energia hídrica por grandes zonas de produção hidráulica é outro processo de concentração das economias alpinas: a grande maioria das pequenas cidades entram em declínio e poucas cidades se tornam prósperas.

- Turismo- Talvez as mudanças mais originais nas economias e paisagens das montanhas da Europa durante o século passado tenha sido o resultado do espectacular crescimento do turismo (ver discussão do turismo europeu, capitulo 12). Viajar pelas montanhas era praticamente desconhecido antes de 1850, que se desenvolve muito lentamente até ao surgimento das férias pagas nos anos 30, e que se expande dramaticamente com o crescimento dos desportos de inverno que começam por volta dos anos 50. Aqui, mais uma vez, as desvantagens das terras altas para as actividades tradicionais - isolamento, verões frescos, queda de neve no inverno tornaram-se vantagens, chamando o turismo das zonas congestionadas da Europa. Uma vez mais, no entanto, o impacto económico destas actividades de montanha não está bem distribuído. Devido á necessidade de providenciar caras e elaboradas infra-estruturas (teleféricos de ski, piscinas, hotéis, acessos etc.) para suportar o negócio do turismo nos sítios que se justificam, este tende a concentrar-se em alguns pontos bem conhecidos. Resorts com Zermatt na Suíça, e Chamonix em França são ricos e mundialmente conhecidos, mas a escassos quilómetros podem ser encontradas quintas abandonadas e vilas alpinas em decadência.

- Retorno das Migrações- Mais recentemente, a crescente aceitação de estilos de vida não tradicionais em sociedades tradicionais europeias, bem como uma certa desilusão com o ritmo frenético da vida da cidade, criou um desvio substancial da população de volta às áreas rurais e, principalmente, o isolamento e a tranquilidade das montanhas. As aposentadorias são responsáveis por parte desta tendência, mas cada vez mais envolvidas são as famílias economicamente activas, que procuram criar ou recriar uma forma mais satisfatória de vida. Embora esta tendência seja modesta, de modo algum, contrabalançando o êxodo das regiões semelhantes, cria uma certa animação em muitos distritos, reflectindo atitudes daqueles que são desafiados pela vida Alpina, em vez de repelidos por eles. O crescimento do artesanato e das actividades artesanais, da prestação de serviços qualificados aprendidos na cidade, do estilo de vida cada vez mais portátil da era do computador, e a revitalização das explorações agrícolas abandonadas estão entre os impactos económicos deste pequeno, mas crescente grupo. Além disso, um certo número de pequenas indústrias, especialmente aquelas envolvidas com tecnologia avançada e, portanto, menos dependentes das limitações da localização tradicional, tais como os custos de transporte (ver a discussão da localização industrial, Capítulo 11), encontraram nas montanhas uma atmosfera agradável.

Na Europa, como em todo lado, a maior parte das montanhas ou ambientes alpinos apresentam características físicas semelhantes, o que coloca problemas económicos semelhantes para os seres humanos, e que deu origem a padrões semelhantes de actividades, independentemente das fronteiras de cada país. Actividades extensivas como o pastorício e silvicultura são comuns as montanhas da Europa, embora suportem uma diminuição estável da população. Actividades intensivas, incluindo a extracção de minérios, indústria com energia hidráulica, ou actividades agrícolas em terras pouco férteis, são onde as populações mais se situam nas regiões alpinas. Recentemente a energia hidráulica e o crescimento do turismo trouxe prosperidade a relativamente poucos sítios, enquanto que as montanhas (vistas como um todo) continuam a perder população e vitalidade.

A economia mediterrânica clássica O segundo padrão tradicional da economia prevalece sobre grande parte da Europa e está associado com a bacia do mediterrânico. Esta região engloba um dos mais distintivos ambientes naturais, que historicamente trouxe grandes problemas de adaptação à economia humana. Apesar de não ser tão inibidor como as zonas alpinas, e deste modo mais densamente povoado e mais intensamente utilizado, a região mediterrânica precisa de algumas compensações específicas e talvez não surpreendentemente, grupos de pessoas de quase toda a parte da bacia chegaram praticamente às mesmas conclusões em relação ao que resulta e ao que não resulta. Na Espanha e na Grécia, todas as partes intervenientes da costa Europeia mediterrânica, e

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ainda também a uma parte substancial da costa africana e do médio oriente foi encontrada a mesma solução da economia tradicional. A cultura e linguagem varia muito, tal como a história e a política, mas economicamente as terras mediterrânicas são outra das regiões mais consistentes da Europa.

Características do ambiente mediterrânico Tal como nas terras alpinas, tanto as plataformas como o clima criam um característico, muitas vezes difícil, ambiente à volta do mediterrânico. As categorias de problemas sugeridas para o mundo alpino (ver discussão

anterior sobre a economia alpina) também são encontradas aqui.

1-Declive: A maior parte da costa, especialmente do lado europeu, é áspero e delineado por colinas ou montanhas. Apenas junto da costa de Laguedoc no sul da França, oeste do delta do rio Rhône, a cabeça do mar adriático na Itália e nas bocas dos grandes rios (na Espanha por exemplo) são áreas importantes da costa de planícies, e mesmo estas são muitas vezes razoavelmente estreitas. As limitações do declive foram deste modo importantes factores negativos para o desenvolvimento da economia.

2- Clima: Talvez ainda significante tem sido o distintivo clima mediterrânico (Ver a discussão sobre clima capitulo 2), que oferece tanto difíceis desafios como óptimas potenciais vantagens. Como os Alpes, Pirenéus, e outras elevações com direcção leste-oeste, protegem o mediterrâneo das tempestades atlânticas e das temperaturas baixas do inverno do norte, a região goza invernos temperados e verões quentes, com muito sol. Tal parece ideal para a agricultura, mas a seca de verão que alcança períodos de 4 meses ou mais apresenta sérios problemas: as plantas estão sem chuva durante o seu período natural de crescimento. Este período previsível de verão seco foi o factor mais importante na determinação da evolução da economia mediterrânica.

3- Isolamento: Embora o mar mediterrânico em si tenha sido historicamente uma influência unificante, muitas vezes no coração do desenvolvimento europeu, muitas áreas perto da costa sofrem do mesmo isolamento e dispendioso acesso que causa tantos problemas nas regiões alpinas. As colinas e as montanhas do sul de Espanha, sul de Itália, Croácia, Macedónia ou as aldeias protegidas da Grécia, que embora não estejam a mais de poucas milhas do mar, são tão isoladas no tempo e espaço que parecem que estão no mais remoto canto dos Alpes Austríacos. Como o balanço do poder económico mudou ao longo dos séculos da bacia mediterrânica para o ―North sea plain‖, o problema da isolação (que em termos económicos é ser uma localidade não competitiva) piorou. Muitos distritos que tiveram um pouco de riqueza nos sécs. XV ou XVI tornaram-se actualmente os menos desenvolvidos da Europa (cauda da Europa). Contra este passado, as economias tradicionais que emergiram em todas as secções do mediterrâneo, planearam estratégias similares para superar os obstáculos naturais.

Culturas colheitas No ambiente de verão seco do mediterrâneo, deu-se muita importância obviamente às culturas que não só podiam sobreviver, mas desenvolver-se juntamente com a humidade durante a época de amadurecimento. Isto formou 3 grupos:

- Espécies de grão, especialmente trigo;

- Espécies de árvores, especialmente oliveiras;

- videira.

Todas estas plantas são nativas do Mediterrâneo ou do Médio Oriente, onde são domesticadas e em conjunto o pão, o azeite e o vinho formam a base da alimentação para o mediterrâneo. Trigo (ver discussão sobre domesticação, capitulo 7) espalhou-se, desde a sua origem na Mesopotâmia para se tornar o grão base da alimentação da Europa e por extensão, norte da América, Austrália, Rússia, norte da China, Argentina e regiões dispersas. A grande popularidade, produtividade e adaptabilidade para uma vasta

faixa de condições naturais faz o trigo, mesmo ainda actualmente, a maior cultura cultivada. Contudo, mesmo

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com o sucesso em ampla escala, o trigo continua a ser uma planta mediterrânica. As temperaturas amenas, os invernos e primaveras húmidos e os verões secos são exactamente as condições adequadas para o trigo. O trigo e os seus substitutos (aveia e cevada) têm sido a ―base da vida‖ para os mediterrâneos. A antiga cidade de Roma nunca teria crescido tanto (provavelmente pelo menos um milhão de habitantes) senão pelas vastas espécies de trigo cultivadas no norte da África e trazidas para a capital por uma ―ponte de barcos‖ contínua.

A oliveira, uma planta nativa do mediterrâneo, lidera a lista de culturas de árvores que contribuiu também

muito para o fornecimento de comida. Uma pequena árvore, que facilmente se espalha, com pequenas estreitas folhas verdes, com grandes raízes e com casca grossa (característico da vegetação mediterrânica),

a oliveira espalha-se hoje em milhares de hectares na maioria dos países desta região. Embora a oliveira, convenientemente tratada, é largamente consumido como fruta (o seu fruto), foi o seu óleo que teve um importante papel na economia alimentar mediterrânica e continua a ser o seu produto mais importante actualmente.

O espremer, refinar e transporte do azeite tem sido o negócio mais importante do mediterrâneo ao longo de

muitos anos; os jarros para o armazenamento e transporte do óleo estão entre os mais generalizados

achados de peças de cerâmica encontrados nas escavações arqueológicas. Juntamente com a oliveira, muitos outros tipos de árvores ambos de fruta (como damascos) e nozes

(nomeadamente amêndoas) - sobreviverão e produziram colheitas apesar dos verões secos. Estas plantas, também muito distribuídas em toda a região, formaram deste modo importantes fontes nutricionais e fontes e comercio para a economia agrícola. Outras árvores, embora não comestíveis, isto é, sem fruto, também desempenharam um papel importante na economia por exemplo o sobreiro com a cortiça. Esta é outra típica árvore mediterrânica que tem casca grossa para proteger contra a perda excessiva e água através do tronco

e membros. A sua cobertura (a cortiça) é periodicamente colhida sem danificar a planta. Tal acontece especialmente em Portugal e Espanha.

A terceira componente vital da economia da agricultura mediterrânica é o vinho. Outra domesticação. Esta

planta sempre deu fruto, passas e vinho para todas as civilizações à volta das costas mediterrânicas às quais Homero designou ―mar vinho-escuro‖. Os mediterrânicos fornecem esta bebida a quase todo mundo. A vinha, como planta nativa, é como o trigo bem adaptado aos ritmos das estações do mediterrâneo. Humidade, temperaturas leves na primavera asseguram um crescimento e florescimento, enquanto que o longo e seco verão amadurece e reduz a água, deste modo aumentando o açúcar nos bagos e eventualmente o nível de álcool do vinho. Exceptuando as nações do norte de África e médio oriente, cujas escrituras muçulmanas têm rígidas instruções (é de realçar que a Algéria e Marrocos, com o seu passado de colónias francesas, continuam importantes produtores de vinho apesar do domínio dom islão), todas nações mediterrânicas continuam hoje importantes produtores de vinho, embora muito dos produtos ―desenvolvidos no verão‖ tendem a ser grosseiros e de qualidade modesta (ver discussão da agricultura europeia, capitulo 9). Não surpreendentemente, quase todos os outros produtores do mundo de vinho também partilham do clima mediterrânico (com verões secos): Califórnia, Sul África, Chile e sul Austrália.

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Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997 Pastorícia Apesar destes produtos terem um papel

Pastorícia Apesar destes produtos terem um papel fundamental na alimentação, estes não foram os únicos que permitiram o crescimento das civilizações mediterrânicas, isto é, eles não forem os únicos componentes da economia clássica mediterrânica. Como nas regiões alpinas os problemas de topografia e clima fez a economia da pastorícia uma alternativa útil à agricultura tradicional. Em contraste com as montanhas, contudo, as diferenças significantes no mediterrâneo têm menos a ver com as diferenças nas temperaturas das estações (pouco gelo e raramente neva na zona da costa), do que com a desigual distribuição da precipitação. Em vez das luxuriantes pastagens de verão das zonas altas do centro e norte da Europa, o mediterrâneo oferece apenas uma vez por ano pastagens e geralmente menos nutritiva vegetação (que é especialmente raro durante o verão. Como resultado o gado não se dá bem e como tal é substituído, no mediterrâneo, por ovelhas e cabras que melhor utilizam os poucos recursos disponíveis (embora todo o mediterrâneo tenha paga um alto preço). Em qualquer altura, a carne, o leite e a lã destes animais com multi utilidades foram o principal suporte da economia de enumeras comunidades em todos os países mediterrâneos. A transumancia, neste caso, foi quase sempre uma deambulação, tanto vertical como horizontal, na procura de comida; e os rebanhos ainda hoje são vistos a atravessar as barreiras das colinas no sul da Itália, a pastar e fertilizar os chãos de colheitas de Espanha, alimentando-se em espaço aberto entre blocos de apartamentos nas cidades da Sérvia e vagueando junto aos vales dos rios e bermas de estradas em todo o mediterrâneo.

O mar como um recurso As regiões da bacia do mediterrâneo gozam de um recurso desconhecido para o mundo alpino: o mar em si mesmo. Tal deu uma dimensão inteiramente diferente às culturas e á economia ao longo das costas do mar, quase todas as quais pelo menos periodicamente, orientados para a água.

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Inicialmente o mediterrâneo foi uma das maiores artérias de trocas e comércio, ligando a Europa à África, Médio Oriente e eventualmente à Ásia. Milhares de ideias e de inovações, em todas as áreas, foram difundidas para a Europa através das rotas do mediterrâneo; a evolução do transporte marítimo pode ser seguida aqui ao longo dos séculos. Grandes civilizações desde a antiguidade clássica até ao renascimento deveram o seu sucesso na maior parte ao controlo e exploração das ligações de comércio do mediterrâneo. Mesmo actualmente, a sua importância é enorme, e grandes portos como o de Marselha (França), Génova (Itália) e Barcelona (Espanha) estão entre os mais importantes da Europa. Numa escala mais local, a indústria da pesca suportou a economia de muitas pequenas localidades da costa em todas as nações (ver discussão da pesca europeia, capitulo 9). As colinas acidentadas e as montanhas de quase todo o lado europeu da bacia puxam em direcção ao mar, dividindo a linha costeira em numerosas pequenas enseadas e pequenos portos. A pesca, como uma actividade, foi deste modo sempre dividida em frotas não maiores do que umas poucas dúzias de navios. Geralmente, a maior parte da pesca no mediterrâneo não anda mais do que um dia no mar, os barcos andam em águas locais e retornam para vender a sua pesca. Este padrão foi reforçado pelo factor familiar do isolamento: antes da refrigeração do peixe ou do rápido congelamento, os pequenos barcos de pesca das vilas, reduzidos às suas enseadas, não tinham maneira de comercializar a sua pesca no densamente populacional norte, o que geralmente significa que o peixe e mariscos serviam apenas para consumo local (o que podia ser deficiente em proteínas). O mediterrâneo nunca foi um dos maiores ―comerciantes‖ de peixe e com a diminuição de muitas espécies em resultado da poluição e/ou sobrepesca tal é ainda mais verdade actualmente. Contudo, o colorido e a animação dos portos, a culinária tradicional que utiliza o peixe fresco, as lendas e a místicidade do pescador são um elemento fundamental do mundo mediterrânico de uma ponta da bacia à outra ponta.

Irrigação Um último elemento da economia tradicional do mediterrâneo, que também se espalhou pela bacia é a tecnologia da irrigação. Sem a possibilidade de água no verão seco, a agricultura é limitada a culturas que se adaptem a este clima (já faladas anteriormente). Com a água o ambiente mediterrâneo que é quente, com sol e geralmente com solos produtivos, transforma-se numa das zonas mais produtiva. Os romanos foram claro, um dos primeiros ―engenheiros hidráulicos‖, trazendo a água, através de aquedutos, por grandes distâncias para responder às grandes necessidades da capital e de muitos centros provinciais por todo o império. Algumas destas infra-estruturas ainda existem actualmente, ou ainda estão a ser parcialmente usadas, a famosa Pont de Gard no sul de França que outrora trouxe água a cidade de Nîmes, por exemplo. Contudo os romanos pouco uso faziam da água em relação à irrigação, excepto à pequena dimensão dos jardins. O uso da irrigação em grande escala foi introduzido na Europa pelos árabes, que trouxeram a tecnologia do médio oriente (já que varreram o norte de África em direcção a Península Ibérica). Apenas se podia usar a irrigação onde existiam fontes permanentes de água. Deste modo ocorria nos vales e zonas de inundação dos grandes rios (que em muitos casos representa a maior parte de terra plana existente) e aí a irrigação espalhou-se rapidamente. Deste modo estas áreas tornaram-se prósperas concentrando a vida económica das regiões a um nível espantoso. Em Espanha, estes férteis, ricos e irrigados vales de rios, que muitas vezes são grandes contrastes dos declives semi-áridos longe da água, são conhecidas como huertas; a área à volta da cidade de Valência é um bom exemplo. A introdução desta tecnologia também fez com que a expansão de um grande leque de espécies fosse possível. Talvez o grupo mais conhecido destas plantas são os citrinos. Nativos do sul de Ásia, laranjas, limões requerem relativamente água abundante para sobreviver e dar frutos. Importado pelos árabes (que fizeram longas viagem ao este), eles espalharam rapidamente para a zona irrigada do mediterrâneo, tornando-se produtos base das economias locais. É difícil imaginar a paisagem do mediterrâneo (incluindo a Califórnia) sem eles. Na Espanha, Valência até deu o seu nome a uma variedade nova que se tornou conhecida por todo o mundo. Culturas que se adaptam ao clima seco, pastoreio, irrigação e o mar: estes tornaram-se o suporte da economia mediterrânica, de uma ponta a outra da bacia. Tal como a economia alpina, a economia mediterrânica alterou-se um pouco recentemente, embora muitas das tradições ainda existem. O que é mais

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importante em relação as mudanças actuais é que geralmente afectam todos os países do mediterrâneo em forma igual. Toda a região continua a mostrar uma homogeneidade notável no padrão da economia

Mudanças modernas na economia do mediterrâneo Durante recentes séculos, o relativo poder económico mudou-se para as zonas baixas à volta do mar do norte. Se compararmos a importância de Portugal e Espanha ou até muitas partes de Itália por exemplo, a sua importância é só uma pequena fracção do que era no séc. XVII à medida que o mediterrâneo se deixava alcançar pelas zonas ―pobres‖ da Europa, contudo (juntamente com muitas nações de oriente), muitos investimentos vieram para zonas seleccionadas da bacia. Mais uma vez estas modificações foram iguais para toda a zona.

Irrigação na economia moderna

A tecnologia da irrigação, a chave tradicional para a prosperidade económica das huertas espanholas e

noutros pontos a volta da bacia onde permanentes fontes de água estão disponíveis, assumiu ainda um significado ainda maior na região no presente. Nas nações a norte da Europa atingiram prosperidade com o início da idade industrial, o apetite por tão luxuosas comidas tal como frutos frescos e vegetais também começou a aumentar. Infelizmente devido ao clima dessas regiões só é possível cultivar tais produtos por

uma curta estação do ano: (?)Bounty do verão e Outono é seguido pelas couves e nabos de inverno. Esta demanda incompleta apresenta uma oportunidade para as áreas próximas (para reduzir os custos de transporte) para produzir estes produtos durante um longo tempo: o mediterrâneo. Deste modo durante o séc. XX com o avanço da produção, transporte e eficiência, a região do mediterrâneo

teve um papel importante na provisão de toda a Europa com muitas estações de produção de fruta e vegetais - mais ou menos o mesmo papel que a Califórnia tem no norte América. Com a abertura de novos mercados

e o crescimento das oportunidades, muitos países deram os passos para melhorar a produtividade da sua

terra mediterrânica, com uma melhor organização e melhor provisão de água. Utilizar o superávit da água dos

Alpes e Pirenéus, por exemplo, tem sido um projecto prioritário notável na França, onde o Rhône foi embelezado com canais de represas, e geralmente complexos sistemas de controlo e distribuição de água. O trabalho em Donzére-Montdragon e no rio Durance são especialmente impressionantes.

Turismo No mediterrâneo, como nas regiões alpinas da Europa, a maior mudança económica no passado século teve relacionado com o grande crescimento do turismo (ver discussão sobre turismo, capitulo 12). As modernas viagens de verão na Riviera francesa ou na costa Espanha del sol. Ninguém podia imaginar que metade da humanidade tenha visitado (mais do que 100 milhões de visitantes ―descem‖ o mediterrâneo anualmente, a maioria em Julho e Agosto), é difícil de acreditar que em 1820 ninguém ia aquelas costas onde existia a malária e piratas a não ser por um motivo muito forte. Apenas quando esses flagelos foram ultrapassados é que uma população com dinheiro (oriundo da industrialização do norte da Europa), que tinha dinheiro e tempo, começou a ir para estas zonas. O turismo começou a modificar as paisagens e perspectivas das cidades e vilas mediterrânicas e a ser enraizado nas tradições. Começou com a aristocracia britânica que ―descobriu‖ a Riviera em 1820 /1830, mais e mais pessoas do norte vieram para estas costas, especialmente no inverno, quando o frio, húmido e poluído ambiente das crescentes cidades industriais se tornam tanto psicologicamente como fisicamente piores de suportar. Mais tarde no séc. XX apareceu os subsídios de férias e uma maior distribuição de boas condições de saúde. O mediterrâneo descobriu então a sua verdadeira vocação moderna: uma espécie de terra prometida para o verão dos turistas. Tal como as terras alpinas, os factores que tanto dificultaram a economia, tal como a secura do verão, tornou-se numa mais-valia. Numa altura em que o turismo quer mais do que apenas umas semanas em Julho e Agosto com sol e mar, o mediterrâneo é o destino ideal. E ainda não está a mais do que um dia nas auto-estradas ou uma hora ou duas de avião da maior parte dos centros populosos do norte da Europa. Quer o turismo seja uma bênção ou algo mau ou alguma coisa entre as duas, é uma questão que pode ser formulada de varias formas, mas a verdade é que mudou muito a face do mediterrâneo. Se andarmos um pouco para o interior acidentado, do outro lado da fachada brilhante para os turistas ainda

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podemos encontrar vilas não muito desenvolvidas, os elementos tradicionais ainda podem ser encontradas, e essas pessoas ainda lutam para sobreviver num ambiente um pouco inóspito para a sua sobrevivência.

Desenvolvimento da indústria Por último, a economia do mediterrâneo foi modificada recentemente por indústrias internacionais. Aqui o mar é outra vez uma mais-valia: as rotas para a Europa e a vantagem de um transporte barato. Tal foi fundamental para promover o crescimento desta nova indústria. Deste modo o transporte marítimo de produtos, tais como o petróleo do médio oriente, faz do mediterrâneo um sítio óptimo para refinarias e industriais petroquímicas e operações que envolvam o transporte marítimo. Ferro e indústrias de aço que usam produtos transportados por navio também se situam na costa. Devido ao baixo nível económico de muitas regiões os governos encorajam o crescimento de indústrias (ver discussão sobre factores de localização da industria, capitulo 11). O complexo desenvolvimento de França em Fos, perto de Marselha, e muitos projectos em grande escala no sul de Itália (aço em Taranto e petroquímicos em Bari) são exemplos destas influências.

Sumário Como no caso alpino o ambiente natural da bacia do mediterrânico (é claramente verões secos) criou desafios particulares e oportunidades para a economia humana. Outra vez existe uma similitude grande entre todos os países desta zona tanto em termos dos problemas como das soluções, por isso pode-se verdadeiramente dizer uma única economia mediterrânica. Apenas há a distinção da velocidade de desenvolvimento, que distingue os países mais ricos dos mais pobres. Culturas que se dão em climas secos, nomeadamente o trigo, oliveira e as vinhas, formam a base da alimentação mediterrânica, enquanto as ovelhas e cabras dominam a economia de pastorício que se espalham pelo acidentado terreno da bacia mediterrânica. O mar foi um enorme recurso para a maior parte dos países da costa, dando uma pesca modesta e uma rota vital de transporte para o sul e leste. A introdução da irrigação pelos muçulmanos trouxe muita prosperidade para muitas regiões com possibilidade de água e a introdução de novas culturas, como os citrinos. Nos tempos modernos o espalhar da irrigação fez com que continua-se a produção dos produtos em todas as estações do ano e o desenvolvimento da indústria moderna, baseada ainda nas ligações e dando vitalidade a muitas partes do mediterrâneo. Mas foi sem dúvida o enorme crescimento do turismo que mais fez para redefinir o carácter distintivo das regiões mediterrânicas.

Capítulo 9 - Agricultura, Floresta e Pesca na Europa

Agricultura

Um padrão distintivo da agricultura começou a surgir com as plantas e animais domesticados do Médio Oriente (ver discussão sobre domesticação, capitulo 7), com a tecnologia associada, os métodos agrícolas e as ideias sobre a terra difundidas na Europa. Se as origens da agricultura na bacia da Mesopotâmia datam de cerca de 9000 AC, a sua lenta infiltração na Europa (largamente através da bacia mediterrânea ou ao longo do vale do Danúbio) significa que só cerca de 4000 AC, a agricultura se estabeleceu de forma geral por quase todo o continente. O processo foi lento, entre devido, em outros motivos às diferenças climáticas e diferenças dos solos entre a Europa e o Médio Oriente. Existem por exemplo evidências, que os primórdios da agricultura no norte da Europa tiveram lugar nos solos leves e areosos associados a certas paisagens glaciais. Embora relativamente inférteis, estes podem ter sido tratados com arados leves mais familiarizados com as terras áridas. Só muito mais tarde, com a ajuda de juntas de bois e enormes arados de rodas, os europeus puderam enfrentar com êxito os solos de heavy, e de floresta podzólicos, que cobriam grande parte do continente. No desenvolvimento e refinamento da agricultura europeia, o poder animal, e o seu desenvolvimento eventual para o poder mecânico, tiveram um papel fundamental. A produção ficava muitas vezes ao aquém da procura, o trabalho agrícola representava uma comodidade surpreendentemente escassa em muitos países

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por várias ocasiões, e a mecanização tornou-se um tema constante. Isso deu origem a um sistema extensivo de agricultura, salientando as entradas de energia, de capital e sempre que possível unidades maiores de terra (embora o tamanho das ―fazendas‖ na Europa se tenha mantido relativamente pequeno), ao contrário da mão-de-obra. Este facto contrasta marcadamente com a Ásia, ou com um sistema intensivo no qual o reforço de mão-de-obra tem sido tradicionalmente usado para se conseguir maior produtividade. O modelo europeu de agricultura parece muito familiar para a maioria dos americanos, porque saiu praticamente dos navios com os primeiros colonos europeus. Com poucas excepções, as culturas, técnicas, e ideias para a agricultura que caracterizam a agricultura americana são de origem europeia.

Cultura do grão

Existe entre os povos do mundo uma incrível semelhança em tudo o que compõe a alimentação nacional, e neste modelo de agricultura tradicional, a Europa é representativa de muitas outras regiões. Por exemplo, temos algumas culturas de grão que formam quase sempre o elemento básico do consumo alimentar dos homens: o trigo, o arroz e o milho, são de uma forma ou de outra, a base alimentar de uma vasta maioria da população mundial.

o arroz e o milho, são de uma forma ou de outra, a base alimentar de

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Na Europa, o grão preferido foi sempre o trigo, e o padrão do seu cultivo sugere a importância cultural que o seu consumo assumiu. Desde o tempo das suas origens Mesopotâmias, o trigo tornou-se na cultura clássica das terras de pastagens semi-áridas do mundo; de facto uma das suas principais vantagens é o facto de produzir uma cultura abundante e valiosa em muitas regiões que são inadaptáveis a nível climático para qualquer outro tipo de cultivo significativo. Na Europa, o trigo tornou-se rapidamente a cultura clássica da bacia mediterrânea (ver discussão sobre a economia mediterrânea, capitulo 8), até ao ponto em que a sua procura se tornou tão intensa através do continente que o seu cultivo se espalhou gradualmente por todo o território onde pudesse ser produzido. A curta época de crescimento do trigo e a sua modesta necessidade de humidade facultam um cultivo ideal para muitos climas, mas não se dá muito bem em condições de frio, nem em condições chuvosas durante a época de maturação, assim não se pode desenvolver com êxito em muitas partes da Europa do norte e do oeste, onde os climas marítimos e continentais tornam o seu cultivo difícil. O estatuto do pão de trigo ou pão leve está profundamente enraizado na história e nas tradições da Europa. Deste modo, onde o trigo pode possivelmente crescer, será devido a uma configuração ideal ou

apenas marginal; o gosto cria o valor. O país de maior produtividade de trigo é a França, onde os solos ricos

e as terras planas do bacio parisiense criam uma das regiões agrícolas mais favoráveis do mundo. O trigo

também se dá bem conforme foi visto, em todos os países do bacio mediterrâneo; mas talvez o factor mais evidente seja o facto do trigo também crescer preferencialmente em locais tão marginais como a Inglaterra e

a Suécia do sul. Mais para o Este, os climas semi-áridos e os solos de estepes de pastagem da Ucrânia

fazem deste país um dos maiores produtores de trigo do mundo. Onde o trigo não pode crescer, outros grãos são cultivados como provimento de alimento básico. De entre eles, o centeio é rei, pois é o único grão para alem do trigo que produz um verdadeiro pão ―levantado‖.

O centeio está muito associado ás terras do norte e do oeste da Europa, estendendo-se para a Rússia, onde

tolera os verões frios e chuvosos que tornam impossível o cultivo do trigo. A inferioridade histórica do centeio

torna-se interessante na inversão dos valores da modernidade. Durante séculos, os europeus distinguiam-se socialmente de acordo com o tipo de pão que consumiam. Os ricos, poderosos e bem sucedidos, atestavam estas suas virtudes em parte ao consumirem trigo ou pão ―branco‖; os pobres ou proscritos tinham que se contentar com uma crosta de centeio ou pão ―preto‖! Hoje em dia, muitos europeus (e Americanos) evitam o pão ―branco‖ e gastam quantias impressionantes em iguarias de vários tipos de pão ―preto‖! Tais grãos menores como o centeio (as refeições de centeio são tradicionais na alimentação da Escócia essencialmente por o trigo não crescer nas suas terras) e a cevada, originalmente cultivada no Médio Oriente, preenchem as lacunas alimentares dos Europeus onde o trigo não é bem sucedido.

Culturas de Raízes e de Outros Vegetais

Para além de uma alimentação baseada no grão, a maioria das culturas mundiais depende de alguma forma da cultura de raízes como suplemento alimentício. Este facto é particularmente importante devido à capacidade de armazenamento do interior da terra para muitas de estas plantas ao longo de períodos da história anteriores ao advento da refrigeração, do enlatamento ou da ultra-congelação; e ainda permanece um propósito vital em muitas regiões onde estas técnicas de preservação ainda não se encontram bem desenvolvidas. Na Europa, muitos tipos de beterraba desempenharam este papel, incluindo particularmente a

grande beterraba forrageira cor de laranja que era tradicionalmente usada para alimentar o gado. Para o consumo humano, raízes tais como a cenoura, o nabo, a ―pastinaga‖ e a ―rutabaga‖ (um gosto definitivamente adquirido) representam esse aspecto alimentício, mantendo um papel modesto na nutrição moderna apesar das motivos originais do seu cultivo se encontrarem já ultrapassados. Os vegetais de superfícies representam uma parte importante da maioria dos hábitos alimentares, e na Europa estes também eram muito usados tanto para o sustento humano como para o sustento animal. As plantas da família da couve repolho incluindo os brócolos, a couve, a couve-flor e as couves de Bruxelas encontraram grande receptividade no padrão de cultivo europeu. Hoje, os legumes frescos fazem parte do dia

a dia da alimentação tanto da maioria dos europeus como da maioria dos americanos. O progresso dos

transportes e as técnicas de marketing traduzem-se na possibilidade de produtos que eram antigamente unicamente sazonais (a alface e os tomates, por exemplo) passarem a poder ser saboreados ao longo do ano

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

todo. De facto, é simples de observar o êxito da economia dos países europeus através da observação da variedade de vegetais disponível nos mercados durante os meses de inverno.

Óleos e Gorduras

Todos os hábitos alimentares precisam de alguma fonte de gordura ou óleos. Na Europa, esta necessidade foi parcialmente colmatada por plantas tais como a azeitona (em particular nas regiões do mediterrâneo), e o girassol, uma cultura tradicional em muitas partes dos países da Europa de leste e da Rússia. De outro modo, os animais têm sido a fonte desta necessidade, os produtos lacticínios tendo sido durante a maior parte da história da Europa mais importantes que a carne enquanto produto animal.

Culturas de Bebidas

Finalmente, quase todas as culturas parecem preencher as necessidades para o cultivo de Bebida; um dos conhecimentos mais antigos dos homens parece ter sido a capacidade de fazer fermentar! Na Europa, onde foi inventada, a cerveja foi durante muito tempo abundantemente consumida nas regiões centrais e do norte, onde a cevada cresce muito bem. Várias formas de cidras também se tornaram comuns na Inglaterra, na França e noutros lugares, levando à proliferação de árvores de maçãs nos campos e ao longo das estradas. Apesar de darem cor a uma parte do cenário europeu, estas árvores (frequentemente já muito velhas e só marginalmente produtivas) impedem o desenvolvimento de campos maiores e de práticas agrícolas mais modernas em muitas regiões; muitos governos ofereceram ―benefícios‖ a agricultores particulares, para a remoção de macieiras ―relíquia‖ dividindo com estes o custo implicado. Na Europa, contudo, a vinha, tem sido ao longo do tempo a principal cultura de bebida. Esta planta é outra domesticação vinda do Médio Oriente, e o seu cultivo à volta do Mediterrâneo remonta aos primórdios da história (ver discussão sobre a economia mediterrânea, capitulo 8). Conforme aconteceu com o trigo, a vinha adquiriu uma imagem fortemente positiva na Europa, tornando-se a bebida dos ―bem-formados‖ e ―bem sucedidos‖ (e de todos aqueles que tivessem recursos para uma panela!). Assim o seu cultivo só se difundiu (muito por obra dos Romanos) até ás margens da Europa do norte pois aí a vinha assim como o trigo, não toleram as temporadas chuvosas e frias de amadurecimento, tão características dessas latitudes. Contudo, até para o norte, qualquer pequeno aproveitamento de microclima, como os declives virados para sul, era dado ao cultivo da vinha; os vinhos dos vales dos rios Reno e Moselle são mundialmente famosos, e até a Suíça produz um volume surpreendente de bom vinho nos declives relativamente ensolarados dos lagos Genebra e Neuchatel. No entanto muitos vinhos do norte eram de carácter totalmente duvidoso. Uma lenda da Bretanha, no norte-oeste da França, diz que são necessários três homens e uma parece para consumir o vinho local: um para o beber, dois para o segurar, e a parede par o impedir de cair ao para trás! Nos tempos modernos, o cultivo da vinha continua a ser um contributo importante na economia rural em quase todos os distritos onde floresce e sobrevive. A razão para tal é puramente económica: pode obter- se um maior lucro a partir dos vinhos de alta qualidade do que a partir de qualquer outra cultura. Uma vez que existe uma inundação de vinho barato no mercado europeu, a maioria dos produtores fazem tudo para levantar as suas produções e merecer algum reconhecimento de designação de qualidade (rigorosamente controlado por todos os governos) para que os seus produtos possam alcançar os primeiros prémios tanto no estrangeiro como no em território nacional. Não é surpreendente que os dois cultivos europeus mais comuns o trigo e a vinha cresçam frequentemente associados uns ou outros.

Chegadas da América

Uma vez que os exploradores europeus se moveram pelo mundo nos séculos quinze e dezasseis, descobriram não só novas nações e culturas exóticas, como também uma variedade de culturas alimentares desconhecidas pela Europa. Enquanto muitas destas se mantiveram somente como curiosidades, ou eram inadaptáveis ás condições de cultivo da Europa, pelo menos duas delas tiveram um impacto maior, e estabeleceram-se como componentes básicos da economia agrícola europeia: a batata branca e o milho. A batata foi uma adaptação vinda das altas terras das Andes do sul da América, onde se tornou na cultura de alimentação básica do Império Inca. Trazida para a Europa pelos espanhóis após a conquista da

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

América, a batata foi de início, julgada venenosa e era vista de forma muito suspeita. Contudo por volta do século dezassete, o seu alto teor nutritivo, o seu potencial de armazenamento durante meses a fio, e a sua adaptabilidade ao frio, aos climas húmidos e aos solos areosos dos países do norte da Europa, tornaram-na num grande êxito. Viu-se como é que a economia irlandesa se tornou totalmente dependente da batata (ver a discussão ―migrações‖, capitulo 4), e uma popularidade idêntica prevaleceu através de toda a Europa. De facto, a batata veio preencher o nicho alimentar vital nas regiões do norte onde o cultivo do trigo era mais marginal, e a zona geralmente situada ao longo dos portos do mar Báltico Escandinávia, Finlândia, Alemanha do norte, Polónia, os Estados Bálticos e a Rússia do noroeste ficou conhecida como o ―cinto centeio-batata‖, devido à importância destas duas culturas na alimentação local. Hoje, a batata encontra-se no menu de quase todos os países europeus: o que os americanos chamam de ―batatas fritas francesas‖ são chamadas pelos franceses simplesmente de ―batatas fritas‖. A outra mais importante cultura vinda das Américas e trazida para a Europa foi o milho (ou, usando o termo americano, o ―corn‖). A cultura do milho, uma adaptação do Vale do México, já se tinha espalhado através das Américas aquando do impacto europeu. Se a lenda referente aos Nativos Americanos que no inicio da Nova Inglaterra se aproximavam dos peregrinos com oferendas de milho, è verídica ou não, nessa altura a sua cultura já estava espalhada bem para além do seu local de origem. Contudo, o milho enquanto grão, não è uma cultura muito adaptada à maioria das partes da Europa. Uma estação de crescimento bem mais longa que a do trigo, e de preferência com noites de verão longas, quentes e húmidas (como por exemplo no ―Cinto de Milho‖ americano) fez com que o milho só se tornasse uma cultura de alimento tradicional em algumas regiões onde as condições climáticas eram favoráveis, em particular no bacio do Danúbio (especialmente a Hungria, Roménia e Moldávia), no sudoeste da França, a região da Galiza de Espanha, e algumas partes da Itália. Todavia, a seguir à segunda guerra mundial, uma parte do Plano Marshall, com o qual os Estados Unidos ajudaram as nações destruídas da Europa a reconstruir as suas economias, incluía a introdução de novas variedades de milho híbrido que tinha sido desenvolvido para a agricultura Americana nos anos 20 e 30. Estas variedades altamente lucrativas tornaram-se rapidamente num êxito, mas mais significativa foi a tomada de consciência que toda a planta do milho se podia converter em silagem verde e alimentar directamente os animais, eliminando assim a necessidade de amadurecimento do grão. Coincidindo com um aumento rápido no consumo de carne na Europa e consequentemente com o aumento da escassez de alimento animal de alta qualidade, este factor levou o milho a tornar-se na cultura de mais rápida expansão na Europa durante os últimos cinquenta anos. Cresce agora em quase qualquer meio ambiente, até nas sombras dos Alpes, e até substituiu o trigo em algumas partes da rica bacia de Paris.

O papel moderno da Agricultura

Esta variedade de culturas e os longos séculos de agricultura como modo de vida para a maioria da população da Europa, tiveram como resultado o desenvolvimento de um forte sentido de auto-suficiência: os agricultores comiam e vestiam o que criavam, e quanto mais variedade numa quinta, melhor a vida se tornava, ou pelo menos havia uma maior garantia de que os desastres da vida podiam ser prevenidos. Assim uma pequena, quinta europeia comum teria uma cultura de grão, culturas de raízes e de vegetais, uma cultura de bebida e uma variedade de animais. Este modelo veio para o Mundo Novo caracterizar a quinta familiar americana comum, com a sua forte ênfase na auto-suficiência. Nos tempos actuais, a agricultura mantém-se uma parte importante da economia europeia. A agricultura é produtiva e geralmente lucrativa, apesar da empregabilidade neste sector se encontrar em declínio. Em geral, os países do sul e do este da Europa dependem mais da agricultura como rendimento e empregabilidade, enquanto os países do norte e do oeste se voltaram rapidamente para a indústria e para os sectores de serviços. A empregabilidade na agricultura nos quinze países da União Europeia (ver discussão sobre organizações internacionais, capitulo 14) varia com médias de só 6.2%; mas com números muito mais elevados no leste: mais de 30% do trabalho dos romenos continua a ser efectuado na agricultura. No entanto, alguns dos países mais desenvolvidos da Europa do Oeste, tais como a Dinamarca, continuam a ter uma componente de êxito na agricultura orientada para a exportação enquanto esteio económico.

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997 A agricultura desempenhou um papel vital na ascensão

A agricultura desempenhou um papel vital na ascensão económica da Europa. Foi de facto, o sucesso agrícola do continente a longo prazo e através dos séculos, baseado na acumulação de conhecimentos e no desenvolvimento de tecnologias dos seus agricultores, que proporcionou uma produção de excedente, fornecedora da alimentação urbana e um capital de investimento que cedo levou à industrialização e finalmente à imagem moderna da Europa enquanto continente rico e poderoso, como modelo original do mundo. Hoje, enquanto muitos países se mantêm importadores do suplemento alimentar básico que os seus espaços lotados (ou, no Este, produção ineficiente) não conseguem produzir, a Europa tornou-se nitidamente num continente exportador. Com a França e a Itália a liderar o mercado e com uma forte ênfase na qualidade, a Europa contribuiu substancialmente par o excedente mundial de alimentos. Mais ainda, as politicas e economias agrícolas permanecem no centro de muitos debates e desentendimentos europeus, e a política agrícola pode levantar debates mais entusiastas nos parlamentos nacionais do que qualquer outro assunto.

Floresta (Silvicultura)

Outra actividade económica primária amplamente espalhada pela Europa é a Silvicultura, ou a exploração comercial de várias fontes de madeira. Apesar de estaticamente a silvicultura desempenhar um papel muito modesto nas economias da maioria dos países e empregar somente uma pequena fracção de mão-de-obra, quase todas as nações têm certas regiões nas quais esta actividade é substancialmente mais importante. Alem disso só para poucas nações, a silvicultura representa uma fonte económica das mais vitais.

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Quando os homens apareceram, a Europa era principalmente um continente de floresta (ver discussão sobre a vegetação natural, capitulo 2), e as terras maduras e densas de arvoredo tanto representavam problemas como recursos para o desenvolvimento económico do homem. Por um lado, a floresta representava um inimigo: era escura, sem caminhos, cheia de animais, era vista como a assombração do sobrenatural. A percepção europeia da ―floresta‖, conforme aparece na literatura e no folclore, era até muito

recentemente geralmente uma percepção negativa: não existe nenhum bom conto de fadas onde não exista uma bruxa escondida numa cabana nas profundezas da floresta. A um nível mais prático, mas contribuindo ainda para uma noção negativa da floresta, era o facto que desta ter que ser destruída antes do começo de qualquer agricultura extensiva. Outro confronto clássico: a longa e fastidiosa luta contra o avanço das árvores (durante qualquer período de abandono da terra, estas eram sempre rápidas a invadir as terras limpas e a começar o complexo processo de sucessão, trazendo novamente a floresta de volta). Contudo, se o arvoredo em si era de pouco contributo para os europeus até á era ecológica do século vinte (apanhar nozes e outros produtos da floresta e deixar os animais vaguear pela vegetação ao seu alcance, eram actividades comuns mas geralmente marginais), as árvores podadas e cheias ofereciam uma categoria completamente diferente de recursos para uma população europeia em expansão. Para alem de representar o combustível universal, a madeira era usada para fazer vastas quantidades de carvão que foi o requisito básico para a fundição do ferro durante muitos séculos (ver a discussão sobre recursos energéticos, capitulo 10). Alem disso, a madeira foi usada para construir as cidades europeias em expansão e as marinhas crescentes, e para fornecer inúmeras ligações ferroviárias, as construções das minas, e muitos outros requisitos matérias para a era industrial que emergia rapidamente. Remover as florestas era assim visto como uma actividade positiva em dois sentidos: limpar a terra para uma potencial agricultura enquanto simultaneamente se produzia o recurso mais valioso. Contudo, este enorme ataque acelerado às florestas da Europa, teve como resultado uma desflorestação geral na maior parte do continente. Relatórios contemporâneos falam da perda total da floresta através da bacia mediterrânea desde os tempos clássicos, e no tempo da revolução industrial e dos seus motores a vapor vorazes que fizeram do carvão o seu combustível, a Europa era uma das regiões do mundo com menos floresta. A procura da madeira não diminuiu na Europa com o passar do tempo; somente o seu uso modificou. A madeira mantêm-se um importante material para a construção, mas o seu papel enquanto combustível na metalurgia, nas minas e nos meios de transporte foi substituído pela procura para a polpa de madeira, o papel

e todo o tipo de produto derivado. A grande vantagem das florestas enquanto recurso, é claro, é o facto de crescerem novamente e enquanto hoje são muito raras as antigas árvores enormes que compunham as florestas originais, vinte e

cinco a quarenta anos são suficientes para recriar uma paisagem de arvoredo, e para produzir a polpa de madeira tão necessária. Contudo, em quase todos os países europeus, grandes extensões de terra foram replantadas para produzir florestas, e as práticas de gestão florestal melhoraram e modernizaram-se. Alem de representar um recurso de rendimento para regiões muitas vezes isoladas, a reflorestação também traz inúmeros efeitos benéficos para o meio ambiente. O escoamento lento da precipitação reduz a erosão do solo

e permite maior infiltração de água nos reservatórios de águas subterrâneas, o habitat dos animais selvagens

é ampliado e melhorado, e são fornecidas possibilidades para actividades recreativas humanas. Reflorestações efectuadas muito anteriormente caracterizaram-se por um crescimento rápido de árvores coníferas, que frequentemente substituíram o que tinham sido florestas mistas ou folhosas, criando assim um ambiente mais estéril. A pressão por parte de grupos ambientais levou a uma mudança de filosofia em muitos países, onde o restabelecimento de algo parecido com as florestas originais está agora na moda. Enquanto uma base florestal de rendimento sustentado é hoje uma meta de quase todas as nações, o consumo continua a aumentar e a pressão sobre os recursos florestais disponíveis é forte. Isto significa que aqueles países onde grandes extensões da floresta original sobreviveram, através da baixa densidade populacional e isolamento histórico das principais áreas de consumo, estão hoje em dia numa posição vantajosa. Isto inclui particularmente os países Alpinos nomeadamente a Áustria e os da extremidade do

norte Suécia, Finlândia, Noruega que estão entre os líderes mundiais de exportação de madeira e

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

celulose (polpa de madeira) ou seus produtos. Karelia e a região da Península de Kola no Noroeste Rússia dependem fortemente dos recursos florestais. Embora a silvicultura seja obviamente um componente menor da complexa economia da maioria dos países europeus, para alguns tem um papel absolutamente vital. A Finlândia por exemplo tem uma população de apenas cerca de 5 milhões, no entanto fica atrás apenas do Canadá (29 milhões) e da Suécia (9 milhões) como um exportador de madeira e seus produtos. Mais de 40 por cento das exportações do país em termos de valor é composto por produtos florestais e, quando o valor adicional de indústrias de transformação de madeiras, o fabrico de equipamentos associados, a exportação de móveis e artesanato, com base em madeira, e o grande volume de conhecimentos técnicos relacionados com a floresta disponibilizados para o mundo são considerados, o esmagador valor das suas florestas para a economia da Finlândia torna-se evidente.

Pesca

Os humanos alimentaram-se pelo pesca, substancialmente mais do que praticaram agricultura, e uma vez que a Europa é um continente em que quase todos os países têm uma ―fatia‖ de litoral (ou pelo menos uma variedade de lagos e recursos do rio), pescar tem sido fundamental, bem como elemento ―colorido‖ da economia praticamente já em liquidação humana que pode ser rastreada. Desde peixes e outros frutos do mar tendem a estragar rapidamente, consumi-los frescos era uma possibilidade não acessível a todos mas os próprios habitantes das zonas costeiras, ao mesmo tempo variados métodos de preservação, criaram uma variedade de comidas que os europeus ainda hoje apreciam. Salmão fumado e arenques são delícias bem conhecidas, e ao longo do cais dos portos de pesca antiga como o Bergen, Noruega, ainda podem ser vistas nos armazéns onde milhares de bacalhaus são salgados, secos e literalmente embalados para a expedição por toda a Europa. A pesca europeia era estimulada pela localização de muitas nações do Mar do Norte, um dos grandes territórios de pesca. Mais tarde os pescadores europeus aventuraram para mais longe, para os ricos ―bancos‖ ao largo da costa da Terra Nova, no Norte da América. Nestas duas áreas, águas rasas, turbulência e a mistura de correntes quentes e frias fornecem luz e nutrientes perto da superfície, estimulando assim a produção de plâncton, base da cadeia dos alimentos do mar. Outra útil característica biológica destes mares do norte é que, embora existam espécies que tendem a ser de peixe relativamente pequeno, ocorrem em largas concentrações, por isso é fácil pescar exclusivamente para uma espécie única, e.g. bacalhau, arenques, sardinhas. Assim, as nações das costas do Atlântico e Mar do Norte com fácil acesso para grandes stocks de peixes e muitas vezes com longas tradições marítimas, tornaram-se e permaneceram entre as principais nações de pesca. Os países do sul, com as excepções da face do Atlântico Portugal e Espanha, são menos importantes nesta indústria. O Mar Mediterrâneo e o Mar Negro, com a sua falta de água e suas condições cada vez mais poluídas, são comparativamente pobres em pesca e uma típica captura pode conter apenas poucos peixes de variadas espécies. Não é de admirar que algumas dos cozinhados típicos da região do Mediterrâneo consistem em ensopados de peixes, em que tudo o que vier à rede vai para a panela. Uma vez que apenas poucos países europeus tem litoral, uma vez que tem apenas poucas áreas com lagos abundantes (o Norte e a área Alpina), e uma vez que a poluição em muitas áreas atingiu dimensões tais que comprometeram todos os stocks de peixes, a pesca em água doce, numa base comercial, é muito menos importante que a pesca marítima. Muitos séculos de sobrepesca têm empobrecido gravemente em muitos casos a população de peixes, apesar da pesca desportiva ser ainda conhecida em toda a Europa. Foi um grande choque à alguns anos atrás para a Suíça e residentes franceses na costa do Lago de Geneva descobrir que o lago perch que são uma iguaria apreciada nos restaurantes junto ao lago, estão agora a ser amplamente oferecidos congelados do Canadá. (ver a discussão do ambiente, cap.13). Como podem imaginar num continente com tantas divisões politicas, a pesca é dividida entre muitos países. Europa excepto para a Rússia captura aproximadamente 15 por cento de peixes do mundo, mas a Noruega só, em pouco menos de 3 por cento, está entre as principais nações pesqueiras do mundo (geralmente em nono nos últimos anos). Dinamarca, Islândia, Espanha, e Reino Unido são os outros produtores líderes, mas outros nove países também têm uma significante contribuição para a captura total.

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Para a maioria dessas nações, como o caso da silvicultura, pescar é apenas uma pequena nota para a economia global, mas para alguns é um apoio vital. A importância da pesca para a Noruega, com apenas 4.3 milhões de pessoas, é óbvia; mas a Noruega tem outro grande recurso, nomeadamente o petróleo do Mar do Norte. Um caso mais interessante é a Islândia, quarta nação líder em pesca na Europa (e décima nona no mundo) apesar de ter uma população de menos de 300,000. Pesca e produtos de pesca são responsáveis por mais de dois terços das receitas da exportação da Islândia e é de surpreender que os islandeses são muitos sensíveis sobre embarcações de pesca de outras nações que explorem as suas águas territoriais. Pescar é um colorido, animado e intemporal elemento em inúmeras pequenas cidades costeiras europeias. Também fornece um componente de boas-vindas na dieta e muitas vezes uma fonte de receitas da exportação. Infelizmente, porém, a pesca, no sentido tradicional é uma indústria em queda. Realmente não há vida para ser feita a bordo do navio de pesca de pequeno porte que vende as suas escassas capturas fora do cais, no final de cada dia e, apesar dos pequenos pescadores estimarem sua independência, as crianças muitas vezes procuram recompensas melhor em terra à base de trabalho industrial ou de serviços. Mais do peixe do mundo está agora a ser travado numa forma altamente automatizada, por navios de grande porte com abundante e caros equipamentos e poucos países europeus, com excepção da Noruega, têm sido capazes de suportar os enormes investimentos necessários para completar com os gigantes da indústria de longa distância: Japão e Rússia. Deve ser ainda feita a menção à importante indústria de marisco realizadas ao longo de muitas costas europeias. Ostras, moluscos, bivalves e outros animais que prosperam nas águas rasas da zona costeira tem sido historicamente um item de destaque na dieta da Europa, e sua produção tem rendido uma boa vida para muitos pescadores. Recentemente, porém, o aumento da poluição do ambiente costeiro (uma zona particularmente vulnerável onde a rica produtividade biológica e o desenvolvimento humano têm um confronto imediato) tem reduzido drásticamente a indústria em várias áreas. Ideias criativas, como a criação de marisco em ilhas artificiais no mar, têm restaurado em certa medida, a produção, mas a época em que meia dúzia de ostras grandes, pão preto e manteiga e um copo de vinho branco constituíam um lanche barato no café local é longo passado.

Capítulo 10 Recursos Europeus

O êxito no desenvolvimento e crescimento económico de qualquer uma das regiões do mundo depende da utilização inteligente dos recursos disponíveis, ou da aquisição daqueles que estão sobreaproveitados. "Recurso" é, obviamente, um termo muito amplo, que pode implicar a população, terra, água, ou muitos outros itens, num sentido mais convencional, aplica-se aos depósitos de minerais de diversas espécies, e é

nesse sentido - com algumas excepções

- que o termo será usado aqui.

A maioria dos países europeus

foram, pelo menos, modestamente, dotados de uma variedade de recursos minerais, mas uma longa história de crescimento económico e consumo/utilização de recursos fez com que nos tempos modernos, o continente se tenha tornado um grande importador de tais facilidades. A discussão dos recursos europeus e a sua utilização podem ser normalmente divididos em duas partes: energia e fontes de combustível e minerais

metálicos e não metálicos.

 

Energia e Recursos de Combustível

Tradicionais fontes de energia

Energia Animal- Para a maior parte da história da Humanidade, os Europeus, bem como o resto da população mundial estavam limitados a três fontes básicas de energia para além da sua própria força braçal:

força animal, do vento, e a água das correntes. Não obstante todos estes recursos terem-se desenvolvido em tecnologia e complexidade, é notável que o enorme impacto energético com a domesticação dos animais (ver

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

debate sobre domesticações, Capítulo 7) não voltou a ser duplicado até ao aperfeiçoamento do motor a vapor quase 9000 anos mais tarde. Repare, por exemplo, que a velocidade a que uma pessoa se podia mover não excedia o passo / trote de um cavalo (cerca de 8mph) até ao aparecimento dos caminhos de ferro o que aconteceu há menos de 2 séculos! Apesar da força animal ter sido uma melhoria significativa comparativamente à fraca estrutura muscular humana, as suas aplicações eram necessariamente limitadas, ficando altamente restringidas ao uso na agricultura. Os animais serviam para fazer rodar a mó, bombear àgua, ou produzir outros movimentos simples; mas o seu impacto era sobretudo sentido na agricultura, a puxar o arado ou arrastar ―máquinas―. No entanto uma das particularidades importantes dos animais era a sua portabilidade. Verificou-se que os animais ―ofereceram‖/ abriram aos seres humanos muita terra inóspita, provendo uma espécie de base económica capaz de valorizar estes territórios difíceis. Na Europa a adaptação animal às mais variadas condições atmosféricas significou que eles podiam tornar-se uma fonte de força/energia quase universal.

Energia Eólica- A força do vento quase tornou-se numa fonte de recursos standard apesar da sua distribuição ser necessariamente mais restrita à dos animais. As zonas do litoral de quase todo o Oeste europeu onde sopravam os ventos de Oeste com grande regularidade bem como muitas zonas do interior onde altas e expostas áreas faziam do vento um cenário diário constante, foram bem utilizadas para o aproveitamento da força do vento. À medida que as complexas tecnologias de motorização e transformação de energia e as suas aplicações foram-se gradualmente aperfeiçoando, começaram a emergir moinhos por todo o continente. Embora a força do vento servisse para executar uma certa variedade de funções mecânicas simples (serrar, moer, etc.) foi nos dispositivos para bombear que adquiriu a sua maior importância. Os moinhos da Holanda foram usados para drenar as terras originais que foram repescadas debaixo do mar, e tornaram-se um símbolo tão forte da batalha dos holandeses contra as forças da natureza que actualmente são preservados como monumentos nacionais, embora o seu uso como bombeadores/moedores tenha praticamente desaparecido.

Energia Hidráulica- A mais importante destas primeiras fontes de energia na Europa, foi a água. A conjugação da topografia montanhosa geral através da maior parte do Continente e as correntes regulares da maior parte dos rios e afluentes durante todo o ano (com excepção para as terras secas, no verão, da região mediterrânea) significou que a força da água podia ser uma fonte maior e mais fiável do que o vento. A força da água está mais concentrada do que as outras forças energéticas primitivas e nas vésperas da Revolução Industrial, múltiplas combinações de moinhos de água foram dando força a indústrias de dimensões apreciáveis. A ―fábrica ‖ que na maior parte dos casos era um moinho, tornou-se o centro da vida comunitária em muitas partes da Europa: ― Moeiro ou Miller‖ (em muitas línguas) tornou-se um apelido muito comum; e muita da actividade económica se desenvolvia em volta da zona do moinho, que em muitos casos se tornou o núcleo principal da cidade ou do seu crescimento. Literalmente em muitos milhares de lugares europeus actuais as suas origens estão na zona dos moinhos e embora a cidade se tenha desenvolvido mais recentemente de formas muito diferentes, ainda se pode encontrar perto do centro o edifício da fábrica original, muitas vezes com a sua característica represa.

A Madeira como um recurso tradicional de combustível- O outro componente energético do crescimento da economia, para além da energia, é o combustível/gás; e o gás básico europeu no século XVIII era a madeira (tal como ainda hoje permanece em zonas do Mundo menos desenvolvidas). A madeira como combustível tinha muitas vantagens. A sua combustão é talvez a mais simples de todas as tecnologias. Sendo um continente quase totalmente de floresta, a Europa tinha um fornecimento abundante; e como um combustível metalúrgico a madeira (na forma refinada de carvão) fornecia as altas temperaturas necessárias para derreter o ferro de melhor qualidade. Além disso, a madeira sempre foi uma material de construção por excelência, e à medida que as cidades, navios e outras construções da Europa cresciam e se multiplicavam, as florestas do continente começaram a encolher de uma forma alarmante. E também uma grande área de floresta foi destruída simplesmente para limpar a terra para a agricultura. Não acontece por acidente o género de relação adversária que existe em tanta da literatura de folclore da Europa. As florestas e os seus perigosos habitantes

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foram constantemente reprimidos; de outro modo teriam certamente reclamado as suas terras dificilmente conquistadas. No final do século XVII, a escassez de madeira começou a criar o que se chamou uma ― crise de energia antecipada ―. A Desflorestação, que estreitou a bacia hidrográfica mediterrânica das suas coberturas originais desde os tempos clássicos, espalhou-se a todos os cantos do continente; só as áreas mais remotas e desabitadas foram poupadas. Há medida que a crise foi aumentando o preço da madeira subiu rapidamente. Tendo usado toda a madeira local disponível para carvão, as fornalhas de ferro (oficinas metalúrgicas) ao enfrentarem uma cada vez maior procura sentiram a necessidade de importar madeira de destinos cada vez mais longínquos. Uma estimativa dos custos de produção em Inglaterra por volta do ano de 1750 mostrava que cerca de 90% do custo do fabrico de ferro contabilizava-se pela necessidade de importar madeira de paragens distantes. Nesta conjuntura entrou em cena o que muitas autoridades consideraram a invenção individual mais importante (em termos do seu total impacto tecnológico, económico e social) na história da humanidade: a máquina a vapor perfeita. Este engenho é largamente atribuído a James Watt (1769), que dramaticamente melhorou engenhos/máquinas existentes (sobretudo pela substituição de acessórios metálicos por madeira) e com isso, dando à Revolução industrial o maior salto nas disponibilidades energéticas desde que a domesticação dos animais teve lugar muitos séculos antes. Se a máquina a vapor pôs os animais existentes, o vento, e as tecnologias energéticas da água, como águas estagnadas no desenvolvimento da Europa, também colocou uma questão angustiante: O que usar como combustível? Como uma máquina de combustão estrangeira (queimando o gás fora da máquina; com efeito água a ferver para produzir vapor), a máquina a vapor podia utilizar madeira; mas não havia madeira nenhuma! Neste vazio instalou-se o próximo componente mais importante no cenário dos recursos da Europa: o carvão.

O Carvão

―A pedra que queima‖ era conhecida do Homem desde há muitos séculos, mas o seu uso em larga escala começou somente no advento da máquina a vapor e nas exigências da Revolução Industrial. O seu crescimento rápido como combustível de aquecimento das casas combinado com as exigências industriais em flecha expandiu o consumo de forma prodigiosa. Além disso, o carvão, na sua forma purificada de coque, fornecia também madeira (carvão de lenha) como um combustível metalúrgico, e como a procura de ferro e aço cresciam, era necessário cada vez mais carvão. Rapidamente surgiu a pergunta: Quem tem carvão? Cedo ficou claro que pela primeira vez na história das necessidades enérgicas e de combustível na Europa, os europeus estavam a lidar com um recurso que não era de maneira nenhuma largamente distribuído. Enquanto os animais, o vento e a água eram todos relativamente comuns (todas as nações tinham algum) o carvão estava, pela natureza da sua formação geológica, confinado a algumas poucas regiões com condições para o seu desenvolvimento. Assim, no meio da pressa para encontrar reservas de carvão a Europa começou pela primeira vez a descobrir injustiças nacionais baseadas na presença ou ausência de um recurso vital, uma realidade que se veio a provar muito preocupante nos anos futuros. Cedo se tornou aparente que alguns países estavam muito mais bem fornecidos de carvão do que outros, e em termos gerais é razoável dizer que esses países (ou eventuais países) que tinham o carvão de melhor qualidade e de trabalho mais fácil rapidamente se tornaram nas nações com maior poder económico no continente (Grã-Bretanha, Alemanha, França, Bélgica, e mais tarde a Rússia e a Ucrânia); enquanto as nações relativamente mais vazias (Itália, Suécia, Portugal) tenderam a ver o seu desenvolvimento industrial a ficar para trás, e muitas vezes a diminuir o papel de influência que em séculos anteriores tinham gozado. Enquanto que muitos outros factores históricos, sociais e políticos certamente terão contribuído para o reordenamento das relações de poder nos séculos XVIII e XIX na Europa, a distribuição desigual de carvão teve um papel crucial. O carvão é o resultado de um processo geológico que converte a vegetação em várias qualidades de material combustível, empregando calor e pressão. Durante períodos da história da Terra quando vastas áreas da Europa e de outros continentes estavam cobertas de pântanos pouco fundos onde árvores mortas se

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

acumulavam debaixo das águas durante milhões de anos (o ambiente de baixo oxigénio debaixo das águas preservava muita a madeira).

oxigénio debaixo das águas preservava muita a madeira). Legenda: Carvão, Lenhite, Petróleo e Gás Há medida

Legenda: Carvão, Lenhite, Petróleo e Gás

Há medida que os climas mudavam outros materiais areia, cascalho miúdo, lama/lodo ficavam depositados por cima da vegetação, formando eventualmente grés, argila xistosa e outro tipo de pedras. Excepto onde a erosão afastava estas formações, o carvão era assim preservado para futuro uso humano. A qualidade do eventual produto depende largamente da quantidade de tempo durante o qual o processo de formação teve lugar e consequentemente na pureza do carbono resultante. A primeira etapa é turfa que é o material pouco consolidado com baixos valores de aquecimento. Pode, contudo, ser seco e usado como combustível caseiro ou numa escala maior como gerador de energia. A Irlanda e a Rússia, com grandes áreas de atoleiros de turfa são as principais nações europeias de consumo. Se o processo continuar, o produto seguinte é a lenhite, ou ―carvão castanho‖ . Este material de baixa qualidade é um recurso comum na Alemanha de Leste, Polónia e República Checa e a sua tão largamente espalhada utilização como combustível de aquecimento e produção de energia nesta região foi uma das principais causas de pressões ambientais (ver capitulo 13).

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

No topo da escala de qualidade estão os recursos resultantes da culminação do ciclo da formação de carvão.

O mais importante dos quais é o carvão betuminoso, várias classes dos quais eram (e até certo ponto

continuam a ser) os combustíveis preferenciais quer para o uso doméstico quer industrial durante a ―Idade do Carvão ― (grosso modo 1750 – 1950). O carvão betuminoso de boa qualidade era também usado na manufactura de coque metalúrgico. O de melhor qualidade e valor dentre todos é a antracite, uma forma

quase pura de carbono que queima quase sem fumo. Infelizmente, apesar das suas muitas vantagens valores de aquecimento mais elevados, menor poluição a antracite é comparativamente mais rara e logo excessivamente cara.

Petróleo

Por volta do século XIX a roda tecnológica voltou mais uma vez á Europa com a invenção nacional de um mecanismo de combustão. Genericamente associado aos alemães Daimler e Benz em 1885, esta nova fonte de energia veio revolucionar muitos aspectos da sociedade humana (sobretudo ao nível dos transportes) nuns surpreendentes poucos anos. Embora o motor de combustão nacional não fosse grandemente representativo num aumento total de energia comparado com o da máquina a vapor, o facto do

combustível/gás ser queimado dentro do mecanismo eliminando o fervedor exterior, o fornecimento de água e

a

fonte de combustível sólido, que tornou a máquina a vapor genericamente um aparelho demasiado grande

e

pesado. O motor nacional de combustão oferecia as vantagens de ser pequeno, de fácil mobilidade e muito

diversificado o que, particularmente evidenciado pelo automóvel, se tornou a fonte de energia preferida do mundo moderno. Após várias experiências (o motor de combustão nacional, com carburação própria, mover-se-á com uma grande variedade de combustível liquido), a gasolina refinada do petróleo tornou-se o combustível standard

para estes novos motores, particularmente nos Estados Unidos e na Europa, onde o petróleo era usado como

lubrificante e noutras aplicações de menor importância durante muitos anos. No entanto, mais uma vez, como

a procura de petróleo começou a crescer e as suas potenciais utilizações a multiplicarem-se , a questão que

se

colocou foi: ― onde o podemos descobrir ―? Embora a sua formação como um gás fóssil seja semelhante à

do

carvão, o petróleo é um bem muito mais raro devido à sua natureza liquida ou ( no caso do gás natural

)gasosa. Mais uma vez formado em mares pouco profundos, neste caso produto de microorganismos, tem de haver estruturas geológicas apropriadas para obter o petróleo e/ou o gás , ou estes simplesmente desaparecem nas formações rochosas ou se evaporam no ar tão rapidamente quanto se demoraram a formar. Encontrar petróleo em grandes quantidades foi no entanto, na época antes do desenvolvimento de explorações técnicas sofisticadas, uma espécie de lotaria geológica, com grandes recompensas somente para alguns ganhadores! Infelizmente para as nações europeias, a corrida inicial para o fornecimento de petróleo foi muito curta. Nenhum dos principais poderes Europeus, incluindo todos os que tinham enriquecido devidos às reservas de carvão, tendo encontrado terra suficiente, dificilmente obteve petróleo, a não ser uma modesta parte, nos primeiros anos da era da combustão nacional. A Roménia foi a única nação europeia onde se encontrou importantes depósitos de petróleo, que de facto liderou a produção mundial durante alguns anos em meados

dos anos 1800 até que a produção da Rússia e depois da América se tornaram dominantes no final do século. A importância histórica dos campos romenos em Ploesti foi talvez mais vivamente ilustrada pelo seu papel como alvo de um dos maiores assaltos aéreos contra a ocupação alemã da Europa em 1942. Embora com custos enormes quer humanos quer dos meios aéreos o assalto foi encarado como um investimento estrategicamente útil destinado a interromper a produção numa das únicas maiores fontes de petróleo então disponível para a máquina de guerra Alemã. No início dos anos 60, a marcha da tecnologia tornou disponível equipamento capaz de fazer perfurações por debaixo das águas relativamente pouco profundas do Mar do Norte. Anteriormente, investigações geológicas tinham já revelado a existência de formações de produção de petróleo, mas só depois de se terem desenvolvidos plataformas estáveis (e muito dispendiosas) para perfurações, formando caminho em direcção

à posição certa e abraçando o leito do mar assemelhando-se a ilhas artificiais é que se pôde finalmente desenvolver a exploração pormenorizada e a sua eventual produção ser contemplada. Desde meados dos

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

anos 70 que se produz petróleo e gás em larga escala proveniente das águas territoriais do Mar do Norte da Grã Bretanha e da Noruega, e embora seja expectável que a produção baixe o Mar do Norte trouxe boas e entre em declínio no inicio do próximo século o Mar do Norte trouxe boas reservas enérgicas e rendimentos aos dois participantes. Uma vez que as margens continentais pouco profundas são essencialmente parte da terra principal , podem encontrar-se formações de produção de petróleo noutros lugares em volta dos mares europeus. Entre outras iniciativas , exploram-se agora as costas de Espanha ao largo do Mediterrâneo, e no Mar Egeu entre a Grécia e a Turquia. Se a procura não der frutos, será difícil para os Europeus resistir à mínima possibilidade.

Os Impactos da importação de Petróleo- Contudo, nem a descoberta de petróleo no Mar do Norte

fez muito pela maior parte das nações europeias. O consumo do petróleo em países muito industriais e com um grande sector automóvel como a França, Alemanha e Itália, atingiu níveis dramáticos. Sem reservas domésticas algumas nações europeias encontraram-se na posição de ter de importar petróleo em cerca de 80% das suas necessidades enérgicas, um nível considerado perigoso para a segurança nacional. Isto conduziu a uma variedade de padrões económicos dentro da Europa, bem como a maiores esforços para atingir níveis mais realísticos de energia auto-suficiente.

A importação de petróleo, para quase todos os países da Europa ocidental, significa voltarem-se para as

nações produtoras de petróleo do Médio Oriente. O único curso mundial é o movimento de petróleo do Golfo Pérsico (ou Arábia) para a Europa. Petroleiros destas águas navegam continuamente do Canal do Suez ou ( os maiores) do Cabo da Boa Esperança para a Europa. Uma vez que as costas Europeias mais próximas para a fonte de petróleo ficam contudo nas extremidades ocidentais do continente, surgiram várias cidades portuárias orientadas para o petróleo, que de outro modo provavelmente não existiriam. Bantry Bay na Irlanda, Milford Haven no Pais de Gales e a Corunha em Espanha são lugares pouco prováveis para viver e

no entanto estas cidades exclusivamente importadoras e processadoras de petróleo estão entre os portos mais importantes na Europa. Estes desenvolvimentos atraíram outras industriais dependentes do petróleo - ou energia e o resultado geral da importação de petróleo em larga escala foi mudar o equilíbrio do crescimento económico na Europa, de alguma forma mais para as franjas do continente do que acontecia na era pré-petróleo. Durante a era soviética, as nações da Europa de Leste dependiam do petróleo da Rússia, geralmente fornecimento e preços baixos. O colapso deste sistema (soviético) significou que esses países têm que adquirir o seu fornecimento de petróleo aos preços do mercado e este ajustamento económico foi um dos mais difíceis da realidade pós-soviética.

A dependência do petróleo elevou também a preocupação e interesse europeu pelos países do médio

oriente. Todas as iniciativas para manutenção da paz ou prospectos de estabilidade naquela região problemática têm o apoio a provação europeias (de notar por exemplo a participação da França na ―Guerra do Golfo‖ de 1991). Contudo de uma forma geral as nações europeias com as suas economias altamente

dependentes da energia e com sociedades de grande consumo energético, estão mais sensíveis aos seus interesses na conservação de energia e no desenvolvimento de fontes de energia alternativa.

Conservação e Novas Fontes de Energia

Uma vez que a maior parte dos Estados Europeus tem pouco petróleo quase desde o início da era do petróleo e uma vez que este combustível se tornou na fonte de energia por excelência do século vinte, os Europeus têm lutado por lidar com a questão do fornecimento/reservas de energia seguro. O petróleo tem sido, sem surpresas, visto e apreçado como um bem escasso na Europa, por oposição aos Estados Unidos onde a abundância de reservas de petróleo (e presumivelmente ―inesgotável‖) tem conduzido à sua subavaliação. Os preços de gasolina elevados na Europa (3 a 4 dólares por litro na maior parte dos países) continuava a ser a regra nos anos 90, e estes serviram efectivamente para conservar o petróleo reduzindo a velocidade de condução, encorajando os transportes públicos e promovendo o desenvolvimento de veículos mais pequenos e de gasto de combustível mais eficiente. Enquanto os Estados Unidos pode ser visto como um país com uma economia criada na energia barata, as nações da Europa sem excepção têm muito mais baixos níveis de consumo de energia per capita sobretudo petróleo.

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

A

procura de novos fornecimentos de petróleo convencional tem sido exaustiva na Europa; mas exceptuando

o

Mar do Norte, os melhoramentos na prospecção e reconversão tecnológica têm sido fracos. O Gás natural,

relacionado com o petróleo na sua formação também é escasso. O maior campo marítimo foi descoberto em Groningen, uma província no nordeste da Holanda; os lucros com a venda deste gás aos países sedentos de energia permitiu aos holandeses levar a cabo um extenso programa de serviços sociais. Um campo mais

modesto em Lacq, na região da Aquitânia, no sudeste de França foi igualmente importante para o desenvolvimento regional; e claro o Mar do Norte foi também uma bonança de gás natural bem como petróleo para a Grã Bretanha e Noruega. Estes abastecimentos podem contudo estar a diminuir e a escassez deste combustível limpo e versátil explica o grande interesse europeu no desenvolvimento e aquisição de parte destas vastas reservas de gás na Sibéria Russa.

No quadro da figura 10.4:

Nota1- A Grã-Bretanha e a Noruega sozinhas ( Mar do Norte) são responsáveis por 87% da produção europeia. Apesar de ter somente 9% da produção mundial de crude, a Europa tem cerca de 22% da capacidade mundial de refinaria. Excepção para a Ex- União Soviética, a Europa tem somente aproximadamente 1.7% das reservas mundiais.

Nota2: Estes 3 países produzem cerca de 60% do total da Europa . A importância do Mar do Norte é mais uma vez óbvia.

Nota3: Em termos de importância global da energia nuclear para a economia nacional a França

é claramente o líder mundial.

Rússia e outras nações da EX-URRS não estão incluidos nos totais da Europa

Fonte: Imagens económicas do Mundo, 1995

Apesar do facto de os preços do petróleo relativamente baixos nos anos 90 terem transformado a pesquisa em energia alternativas um propósito demasiado caro, também as futuristicas fontes de energia tentaram fortemente os europeus. A pesquisa da fusão nuclear avança em 1996 mais e de forma mais bem fundamentada na Europa do que nos Estados Unidos , com o Centro Europeu para a Pesquisa Nuclear ( CERN) perto de Genebra na Suiça e outros sítios atraindo fundos para pesquisa provenientes de várias nações. A energia solar é também uma promessa atractiva, particularmente no que se refere às regiões solarengas do Mediterrâneo; e a pesquisa na concentração, recolha e distribuição desta fonte ilimitada está bem avançada em toda a Europa. No inicio dos anos 80 a energia solar proveniente da estação experimental

francesa de Odille, nos Pirinéus tornou-se no principal sistema de distribuição do país, permitindo assim uma avaliação dos problemas e custos de produção em larga escala e tornando a França na primeira nação onde

a energia solar se distribua por detrás de células solares e edifícios aquecidos individualmente com luz solar. Para a maior parte dos países europeus, no entanto, (como de facto para quase todo o mundo) a questão crucial no campo da energia é como tapar a lacuna entre o declínio das fontes convencionais (sobretudo o petróleo e em algumas regiões o gás) no inicio do século XXI e a chegada de qualquer coisa mais do que as quantidades experimentais de fontes de energia do futuro (fusão e solar), um aspecto que não será genericamente considerado como realista antes de meados do século XXI. Para a Europa, acostumada ao longo de muitos anos a lidar com escassez de energia as opções parecem mais claras do que para os Estados Unidos, que ainda parece manter esperanças extravagantes na manutenção de reservas de petróleo barato. E assim, a maior parte dos países europeus permanecem altamente dependentes do desenvolvimento de tecnologias de energia intermédias; utilizando recursos já disponíveis e ideias que já provaram ser fiáveis, fazem grandes esforços para se prepararem para a próxima crise energética.

A maior diferença entre a Europa e a América no acesso à energia encontra-se no acesso à energia nuclear

convencional (cisão). A França é actualmente o líder inquestionável na tecnologia e utilização da electricidade nuclear, e muitas outras nações europeias expandiram a sua capacidade geradora de nuclear de forma

continuada e deliberada apesar das questões ambientais que tal política tem levantado, até as que estiveram

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

em foco de forma dramática em 1986 com o desastre de Chernobyl Muitos países decidiram agora que os

riscos nucleares são maiores do que os benefícios e por isso fizeram marcha atrás ou abandonaram os seus programas nesta área. Tal não aconteceu, no entanto , em França. (ver Percepção, Capitulo 17). Além disso, a Europa ainda tem grandes reservas de carvão, mesmo se muito dos recursos que restam são

de inferior qualidade e/ou adquiridos muito caros. A tecnologia de transformação de carvão noutras formas de

energia (até em gasolina, o que não tão surpreendentemente, foi iniciado por cientistas alemães durante a 2ª Guerra Mundial) é bem conhecida na Europa e como o preço do petróleo inevitavelmente voltou ao seus níveis mais elevados do inicio dos anos 80, o custo desta tecnologia acaba por ser tornar mais razoável mesmo tendo em conta o rótulo do preço a pagar em termos do ambiente (ver discussão ambiental, capitulo

13).

Outras tecnologias relacionadas com a energia que interessam aos europeus inclui a energia geotermal (largamente espalhada na Islândia e em Bilardello, Itália); novas formas de gerar energia eólica que estão actualmente em desenvolvimento (A Dinamarca é um líder mundial nesta tecnologia) ; e de reciclagem com perda de calor em muitos processos industrias. A Europa foi também o primeiro continente a gerar electricidade a partir da energia das correntes/ marés. A estação energética das correntes/marés no Rio Rance na Bretanha, França está a trabalhar desde os anos 60 e tem fornecido dados úteis sobre a fiabilidade deste processo. Enquanto nenhuma destas fontes não-convencionais gera energia suficiente para provocar um impacto real nas necessidades europeias, muitas delas são de exigente importância local e em conjunto enfatizam a determinação europeia em manter um papel de liderança no desenvolvimento de novas energias alternativas para o século XXI e libertar o continente, numa escala alargada, da pesada dependência das fontes de energia estrangeira . Como ponto final, devemos fazer notar que a energia hidroeléctrica embora largamente apreciada devido ao seu carácter ―limpo‖ em termos ambientais e à sua capacidade para revitalizar regiões montanhosas longínquas, tem poucas hipóteses de se expandir para além da sua actual e bem modesta participação no total do pacote energético. A maior parte dos países europeus desenvolveram o seu potencial hidroeléctrico até ao limite (A suíça é o exemplo clássico de uma região alpina que já não pode abastecer as suas necessidades somente com a energia hidráulica); e embora algumas poucas nações tenham excedente de energia hidráulica para vender (Noruega, por exemplo), o cenário geral é de declínio, mais do que aumento,

da partilha de fornecimentos de energia nacional.

Minerais metálicos e não metálicos

Se o desenvolvimento dos recursos energéticos na Europa, como se notou atrás, contém alguma lição é de que a Europa estava genericamente bem fornecida (embora de uma forma pobremente distribuída) de carvão, e tinha escassez de petróleo; ambos os factos muito contribuíram para determinar a história política e económica do continente. Vale a pena lembrar contudo, que nenhum recurso tem valor de per si a não ser que um grupo humano o cobice; o carvão tinha pouco interesse antes do desenvolvimento da máquina a vapor, enquanto o petróleo era somente um lubrificante (ou um medicamento!) até ao século XIX. Por outro lado, a maior parte da história da humanidade foi baseada na exploração dos metais, e esta tecnologia estende-se bem nos primórdios dos tempos. Quando os limites das fontes de energia humana eram os animais para a força e a madeira como combustível, as populações já aprendiam o processo de fundir o bronze com o cobre e um pouco de estanho para fazer um produto mais forte e útil. A tecnologia do bronze também parece ter-se concentrado no Médio Oriente onde a domesticação de animais e plantas mostraram ter um papel importante nos assuntos da humanidade, e o trabalho do metal difundido pela Europa numa época ligeiramente mais cedo. As grandes Idades da cultura da humanidade nos tempos primitivos, são de facto as chamadas Idade dos Metais, capacidades que os caracterizavam: Se a Idade do Bronze data-se por volta de 9000 anos BP, a Idade do Ferro que se seguiu generalizou-se na Europa por volta de 2000 anos BP.

O que significa esta antiguidade de fabricação de metal é que, combinada com o inicio da sofisticação

tecnológica encontrada na Europa, foi grande a pressão exercida nos recursos minerais metálicos na Europa durante muitos mais tempo do que os seus recursos de combustível. Há alguma evidência que as minas de estanho de Cornwall naquilo que é hoje a Inglaterra ocidental - tenha sido conhecidas pelas populações da

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Idade do Bronze do Médio Oriente 9000 anos antes. (O cobre era abundante mas o estanho muito escasso na região) e que as viagens marítimas tenha sido levadas a cabo para adquirir esse metal precioso (uma viagem equivalia a trazer materiais da lua nos nossos tempos). Isto significa que a Europa que originalmente tinha uma quantidade razoável da maior parte dos metais, tenha hoje quantidades importantes de muito poucos não que nunca tenham estado presentes, mas que tenham sido tão fortemente explorados durante todos os séculos de desenvolvimento da Europa. Os minerais metálicos diferem nitidamente dos recursos de combustível na natureza da sua formação. Carvão, petróleo e gás estão relacionados nos processos de sedimentação; são materiais orgânicos que se encontram debaixo de mares pouco profundos e em enormes pântanos. Por outro lado os minerais estão relacionados com processos geológicos das zonas de montanha. A actividade tectónica associada à pressão da crosta terrestre traz também à superficie uma variedade de minerais com o material fundido do interior da terra. A deposição do mineral moderno é conhecida ocorrer, por exemplo, ao longo dos sulcos suboceânicos na crosta terrestre que marcam as divisões das placas continentais. Uma vez que, como já se disse, a Europa é um grande continente montanhoso, existem por toda a parte, amplamente distribuídas, grandes áreas de importantes depósitos de minerais, com a maior parte dos países a saborear pelo menos uma pequena parte de minerais pré-industriais tão valiosos como o ouro, a prata e sobretudo o minério de ferro. Mesmo durante os primeiros séculos da Idade do Ferro, um aparecimento vulgar deste mineral em formas que podia ser utilizado pela primitiva tecnologia de fazer o ferro (o ferro é um dos componentes mais comuns na crosta terrestre) significava que a fundição era uma actividade já largamente espalhada.

Minério de ferro- Á medida que a marcha e o campo de acção da industrialização avançava, culminando no entanto nas exigências extravagantes de recursos da revolução industrial, grandes corpos de minério de ferro, sobretudo os que ficavam perto dos campos de carvão ficaram rapidamente esgotados.

Europa: Localização de Minerais Metálicos Seleccionados

Europa: Localização de Minerais Metálicos Seleccionados Legenda: Recursos de minerais metálicos: Minério de ferro,

Legenda: Recursos de minerais metálicos: Minério de ferro, Bauxite, Cobre, Chumbo/ Zinco

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Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Foi notoriamente o caso quer na Alemanha quer na Grã-Bretanha. Como resultado, actualmente só existem duas principais regiões de produção de minério de ferro na Europa, no ocidente da Rússia e na Ucrânia ( nenhuma delas muito significativa numa escala mundial), e algumas outras áreas onde a produção modesta consegue pelo menos reduzir o nível das importações. A sobrevivência de pelo menos duas importantes regiões produtoras deve ser explicada por factores excepcionais.

A região mais importante na produção de minério de ferro actualmente no norte da Europa fica situada no

extremo norte da Suécia onde as cidades de Kiruna e Gallivare são o centro de uma região que produz minério de elevado graduação (contém até 60% de ferro). O minério é transportado de Lulea no Báltico (onde

existe uma pequena fábrica de aço) no Verão,

Figura 10.8- Europa: outros recursos minerais

Nota1: com 25% da produção mundial de aço e só 3% da produção de minério de ferro é óbvio que a Europa é um grande importador deste bem. Cerca de 19 países europeus produzem actualmente aço.

Nota2: Embora a Europa seja um importador de bauxite, este é um dos poucos minerais cuja produção está mais próxima da procura. Isto reflecte o facto de o alumínio ser uma tecnologia do século 20; assim, as reservas da Europa não se esgotaram.

Nota3: Cobre e chumbo são típicos do padrão europeu por comparação com outros minerais metálicos industriais: fornecimento modesto e forte importação.

Rússia e outras nações da Ex-URRS não estão incluídas nos totais europeus.

Fonte: Imagens Económicas do Mundo, 1995.

No Inverno de Narvik, na Noruega dado que o Atlântico permanece sem gelo enquanto o Báltico gela. Este minério permanece para utilização actualmente porque se situa numa região remota e isolada (cerca de 67

graus latitude norte), e o facto de os pequenos depósitos de minério de ferro no sudeste da Suécia eram os adequados às necessidades nacionais até há bem pouco tempo. Só com o esgotar das outras fontes europeias e o crescimento do comércio mundial de minério de ferro, tornaram os depósitos em Kiruna comercialmente atractivos.

A segunda maior região produtora de minério de ferro é Lorraine, no Leste da França e o Luxemburgo. Nesta

região, os minérios contém muito menos ferro (cerca de 20%) mas a sua localização no coração da maior zona industrial da Europa parece tê-los tornado a escolha lógica para a sua utilização e gasto iniciais. Porque que é que ainda permanecem? Aqui a resposta não está num isolamento físico mas sim numa composição química. A maior parte dos minérios de Lorraine contêm fósforo como contaminaste o que significava que enquanto podiam ser usados em materiais de ferro primitivos, eram virtualmente desprezíveis na era da explosão dos fornos e crescente procura de ferro e aço de qualidade ( o fósforo torna o ferro fraco e instável, e pode também contaminar os fornos). Não foi antes do desenvolvimento em 1870 do processo de Gilchrist, o método de uso de tijolos cerâmicos no interior do forno para remover o fósforo quimicamente durante a queima, que os minérios de Lorraine puderam ser completamente utilizados na moderna produção do aço. Assim, permanece o minério actualmente.

e os campos mais pequenos são cada vez mais

inadequados para satisfazer a procura actualmente, a Europa com as excepções da Rússia e Ucrânia é em geral a região de maior importação de minério de ferro. O minério do Canadá, América do Sul e África Ocidental é um bem significativamente importado e a confiança nestas fontes estrangeiras tem sido o maior factor na deslocação da industria do ferro e do aço europeia para zonas costeiras. Outras indústrias minerais demonstram o seguinte: a Europa é um continente deficitário com recursos disponíveis locais cada vez

Outros Metais- Uma vez que

Kiruna , Lorraine

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

menores. O cobre, chumbo, zinco, estanho, as ligas de ferro e de facto quase toda a espécie de minérios metálicos têm que ser importados. Na generalidade, os países do sudeste da Europa onde a industrialização chegou tarde possuem a maior parte do que resta das reservas europeias destes minerais mas nenhum deles está entre os líderes mundiais. A Rússia com os seus vastos recursos na Sibéria é o líder mundial na produção de quase todos os minerais metálicos. Uma excepção a esta regra geral é o bauxite, ou o minério de alumínio, que se encontra em França, (sendo o seu nome proveniente da aldeia de Les Baux perto do Mediterrâneo) e em quantidades moderadamente importantes em diversos países do Sudeste Europeu. Apesar da oferta estar longe de igualar a procura, a Europa está mais perto da auto-suficiência deste mineral do que de qualquer outro, enquanto a Rússia é o líder mundial. Este facto demonstra que o alumínio é sem dúvida um produto do século 20, exigindo tecnologia avançada para o seu fabrico; por isso não havia o mínimo interesse no seu minério o qual de facto se parece mais com um material argiloso/ pó/barro do que com qualquer metal importante.

Minerais não metálicos- A outra grande categoria de minerais é a dos não-metálicos: a areia, saibro, pedras de construção e produtos similares. Não obstante importantes localmente todos os países europeus têm na sua generalidade stocks suficientes destes materiais que, sendo o seu valor pequeno, raramente integram uma grande lista de interesse comercial. Um elemento de variedade na Europa resiste ao facto que os

edifícios mais velhos foram normalmente construídos sempre com materiais locais disponíveis. A pedra era naturalmente a mais usada e daí as diferenças na cor e textura dos seus edifícios permitem distinguir cidades

e dar aos edifícios um aspecto uniforme bastante diferente do dos seus vizinhos.

Alguns tipos de materiais não metálicos usados na construção têm porém valor suficiente para atravessarem

o mundo e assim trazer prosperidade às regiões que o produzem. Exemplo significativo é o mármore uma

variedade resistente de água de pedra, transformada, suficientemente duro para sofrer um polimento e resistente ao uso, podendo também conter veios químicos bonitos de diferentes cores. Alguns mármores europeus tais como os de Carrara no norte de Itália, são altamente apreciados internacionalmente. Finalmente, a categoria de minerais não metálicos inclui também uma grande variedade de químicos naturais, ou ― sais‖ tal como potassa, gesso, sal-gema, e muitos outros usados como fertilizantes e como base de indústrias químicas significativas em vários países. Estes minerais têm sido historicamente especialmente importantes na Europa central, onde muitos nomes de lugares de língua germânica contêm ― Salz‖ (por exemplo Salzburg na Austria) ou ― Hall‖, são exemplos da sua importância extraordinária ao longo dos tempos.

Percepção: Competição dos Recursos e História da Europa

À medida que o aumento da procura dos recursos minerais desigualmente distribuídos se tornou mais intensa

na Europa a seguir à Revolução Industrial e a incapacidade das fronteiras nacionais garantirem uma justa distribuição, destas vantagens se tornou visível, o controlo dos minerais solicitados tornou-se um aspecto importante da política em muitos estados europeus. O resultado foi um aumento de tensão extra numa era já fortemente nacionalista. A distribuição desigual dos recursos foi claramente um factor que contribuiu para as pressões políticas e ao completo estado de guerra que caracterizou a Europa até 1945. A parte do continente junto ao Mar do Norte incluindo o norte de França, Bélgica, Luxemburgo, a Holanda e a Alemanha Ocidental é uma lição objectiva de resultados positivos e negativos da distribuição irregular dos recursos minerais vitais. Não obstante algumas fronteiras nacionais nesta região como as da Bélgica datam unicamente do inicio do século 19, outras como as de Luxemburgo recuam ao tempo dos primeiros reis francos. De forma geral, as fronteiras estavam bem limitadas antes que o crescente interesse nos minerais conduzisse a uma sistemática investigação geológica da sua localização. Logo que a importância dos recursos do carvão e do minério de ferro se tornaram claras durante a expansão da Revolução Industrial através do continente no inicio do século 19, aumentaram as tensões e a competição entre estas velhas fronteiras, conduzindo em alguns casos a lutas desastrosas, quando os diversos países procuraram manipular os seus destinos e assegurar o sucesso controlando os recursos.

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

Os campos de carvão partilhados pela Bélgica e França, ou pela Bélgica, a Holanda, e Alemanha somente causaram problemas internacionais de pouca relevância; mas os recursos partilhados pela Alemanha e França foram um osso duro de contencioso entre estas duas grandes forças. Os grandes campos de carvão do Ruhr- o maior e de melhor qualidade, depósito da Europa estão muito próximo desta fronteira, enquanto os de Saar, o terceiro mais importante campo do continente a seguir ao Ruhr e Silésia ( excluindo a Rússia e a Ucrânia ) estão claramente na fronteira. Além do mais o minério de Ferro do campo de Lorraine de crescimento significativo com o desenvolvimento do processo de GilChrist fica tentadoramente perto da fronteira alemã. Assim, entre os complexos objectivos de guerra de ambas as nações rivais em 1870-71, 1914-18 e 1939-45, houve o controlo eficaz do carvão e do minério de ferro e o consequente domínio das indústrias regionais de ferro e aço. Quando a Alemanha (ou Prússia, em 1870) conquistou a supremacia, como em 1870 ou 1940, os campos de Lorraine foram anexados à Alemanha (quer Lorraine e a provincial vizinha de Alsácia permaneceram de facto como parte da Alemanha entre 1871 e 1918) . Quando a França venceu, como em 1918 ou 1945, todo o Saarland foi anexado à França, sendo a parte da Alemanha restituído após alguns anos. Referido este episódio amargo da História, com o seu cruel toque de miséria humana e devastação económica é fácil de perceber que o primeiro objectivo da Comunidade Económica Europeia depois da 2ª Guerra Mundial (ver discussão das organizações internacionais, capítulo 14) foi internacionalizar as indústrias do carvão e do aço tornando os recursos igualmente acessíveis a todos afastando assim, pelo menos, a tentação de futura agressão. De referir que na mesma região o lado mais positivo foram duas vantagens nacionais. Por um acaso da História, a Holanda adquiriu um pedaço da província de Limburg que se estende para Sul entre a Bélgica e a

Alemanha. Aproximadamente vinte milhas (32 Km) de largura no seu ponto mais estreito, esta faixa

da Holanda

- quase um segundo plano geográfico - mostrou-se superior na área de carvão, que se estende do norte da Bélgica para a área em torno de Aachen, na Alemanha, que se tornou fundamental para o desenvolvimento económico da nação. Apesar de hoje

praticamente abandonada, este pequeno campo de carvão holandês é um bom exemplo do recurso direito,

disponível, no momento certo para ter um grande impacto na economia nacional.

 

Ainda mais espetacular é o caso do pequeno Luxemburgo, cujo antigo limite sul com os interesses da França- um pequeno canto do campo de minério de ferro da Lorena. Este recurso, como se poderia imaginar, foi de

enorme importância para uma nação de 999 quilómetros quadrados e população de menos de 400.000!

De

fato, parece razoável supor que, sem esta vantagem do Grão-Ducado há muito teria sido absorvido pela Bélgica (com o qual já compartilha uma estreita união económica). Dentro de um quilómetro da fronteira francesa, uma das maiores fábricas de ferro integradas e usinas de aço na Europa foi construída para aproveitar o minério. Ao longo de 1960 e 1970, esta fábrica era o único suporte principal da economia do Luxemburgo. Com o declínio da produção de aço como uma actividade fundamental em toda a Europa, ele foi substituído em importância pelo sector bancário e as instituições internacionais sentem-se em casa no Luxemburgo, mas os recursos minerais quando encontrados, continuam a ser uma prova marcante de

vantagens económicas que podem trazer

em países desfavorecidos.

Capítulo 11 - Localização industrial na Europa: a evolução do modelo industrial

Economicamente, o aspecto mais significativo da Europa é a sua força industrial e o seu papel fundamental de actividade em todas as nações europeias. Isto é verdade por três razões básicas. Em primeiro lugar, apesar de a agricultura ser um componente importante da economia na maioria dos países, o seu papel é menor quando se compara à indústria de todos, porém quase todos ganham a maior parte da sua renda nacional de produção e exportação de bens industriais. Enquanto o emprego no sector terciário (prestação de bens e serviços) está a aumentar rapidamente, a indústria continua a ser o motor da economia europeia. Além disso, o modelo europeu de operação industrial (projecto de fábrica e operação; estrutura de gestão do trabalho) estruturas fortemente enraizadas no padrão colonial de importação de materiais, acrescentando o valor da transformação industrial na Europa, e reexportação de produtos acabados, continua a ser a única alternativa viável do modelo industrial em todo o mundo de hoje. Melhorado aqui e ali (como nos Estados Unidos ou no Japão), e muito condenado (embora avidamente copiados) pelos socialistas e pelos países do ―terceiro-mundo‖, o modelo europeu nunca foi realmente substituído. A actual corrida dos países ex-comunistas da Europa Oriental é para reestruturar as bases industriais, isto ao longo de linhas mais

Tradução do livro: The European Scene: A Geographic Perspective de J. McDonald, Prentice Hall, 1997

tradicionais, e não com uma visão socialista, mas relevando o sucesso do modelo de base ocidental. Finalmente, a força tradicional europeia, industrial e infra-estrutura, existente de desenvolvimento industrial permitiu que muitos países europeus permanecessem na vanguarda da mudança industrial moderna (especialmente incluindo a aplicação de novas tecnologias importantíssimas), apesar da desvantagem de tamanho moderado, as deficiências de recursos, e muitas vezes antiquadas instalações. Há inúmeras maneiras de ver a indústria na Europa, mas para os nossos propósitos duas abordagens podem ser destacadas: as razões de localização industrial e da evolução da indústria, que permitiu à Europa tornar- se tão dominante nesta área. Após este debate, que será útil, pelo menos irá se olhar uma região industrial europeia (região do Ruhr) em alguns detalhes, a fim de ver como as considerações de restrições de

localização e do processo histórico têm interagido para criar a imagem moderna.

industrial pode ser entendida com um simples olhar para o mapa da Europa. A actividade industrial, tal como tantos outros factores cuja distribuição pode ser analisada em termos geográficos, não é de forma uniformemente espalhada ao longo da paisagem. Algumas áreas parecem atrair muito mais do que uma participação média da indústria, enquanto outros sofrem um declínio ou uma estagnação, como resultado de incapacidade de recrutar ou manter a indústria. Quais são as razões para isso? Olhando mais de perto, é possível reconhecer uma zona geral de produtos industriais (e concentração na realidade económica global) cerca de 200 milhas (320 quilómetros) de largura que se estende em uma curva de Midelands da Inglaterra através do norte da França e dos Estados do Benelux, em central Alemanha, Ridor berço do Reno para a Suíça, que termina na Itália do norte: uma distância de cerca de 1200 milhas (1760 quilómetros), com uma extensão de leste para sul da Polónia e da República Checa (figura 11.2). Esta região tem uma concentração notável da indústria, rotas de transporte, população, centros urbanos, e, para esse efeito, a agricultura de qualidade é, na verdade, o coração económico da Europa. Os países e regiões, dentro ou perto do ―coração‖ económico da Europa têm, geralmente, as estatísticas mais impressionantes, reflectindo o crescimento económico, os padrões de vida e condições sociais em toda a Europa. Aumentando-se a distância a partir desta zona, que normalmente implica uma maior dificuldade em acompanhar o progresso económico do continente. Porém é possível fazer-se isso, através de uma combinação de inovação tecnológica, inteligência política, coesão social e, como as nações escandinavas abundantemente demonstram. Mas geralmente, no entanto, as nações europeias ou regiões na franja do coração económico tiveram a maior dificuldade de enfrentar tal facto. Os países na parte inferior das listas económicas europeias, como Portugal, Grécia, Albânia, Bulgária, Irlanda, Eslováquia, e muitas das peças europeias formadas da antiga União Soviética, devem pelo menos com dificuldades a pura Geografia: o afastamento das suas localizações. Mesmo nas nações mais centrais, o mesmo fenómeno pode ser observado. Regiões atrasadas nos países altamente desenvolvidos, em contrário são geralmente aquelas localizadas mais distantes do eixo de desenvolvimento. Exemplos disto são o Sul de Itália, regiões remotas do oeste e sul da França, País de Gales e Escócia Highland, na Grã-Bretanha (ver discussão de línguas minoritárias, capítulo 5). O descrédito geral do modelo económico socialista desde a década de 1980 colocou as nações europeias do leste numa desvantagem adicional, que seria para fazer a base industrial mais competitiva com o Ocidente. As deficiências reveladas da economia planificada e o planeamento centralizado e a burocracia governamental, tornaram difícil para esses países lucrarem rapidamente de novas liberdades políticas, enquanto ao mesmo tempo, racionalizam a produção industrial ao longo das linhas ocidentais o que muitas vezes gera dificuldades consideráveis na forma de aumento do desemprego e fechamento de fábricas inevitável.

A importância da localização

FACTORES DE LOCALIZAÇÃO INDUSTRIAL

No entanto, deixando de lado os aspectos negativos da distribuição industrial, quais serão os factores que podem ser identificados como cruciais para a localização da indústria e para o estabelecimento do poder económico moderno na Europa?

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É talvez possível reconhecer nove factores, alguns dos quais têm sido fundamentais em qualquer idade, alguns deles têm diminuído a sua importância ao longo do tempo, e alguns ainda são provavelmente, hoje em dia de grande maior importância, aliás mais importantes do que em qualquer momento no passado. Assim todos os factores juntos permitem-nos compreender com alguma clareza o padrão complexo da indústria europeia.

MERCADO: Para explicar a posição da maioria das actividades industriais em qualquer parte do mundo, existe a interacção de três factores intimamente relacionados: mercado, fonte de materiais e transporte. A análise destes factores, na verdade, constitui a base da maioria dos trabalhos práticos de localização industrial, tanto na Europa como em outros lugares. Destes, o mercado é normalmente o mais significativo. Na ausência de outras razões, a indústria tende a localizar pontos de venda para o mercado, reduzindo assim os custos de transporte e desse modo podendo se adaptar rapidamente às mudanças no mercado. Para muitos tipos de produção, o mercado "implica grandes concentrações de pessoas, de preferência com algum poder de compra, e este por sua vez, traduz-se em cidades. Muitos tipos de indústrias, notadamente aqueles que produzem bens de consumo, têm, portanto, de se localizar em áreas urbanas, (e como estes se expandiram têm por isso o seu interesse para patamar mais industrial) Esta espécie de "bola de neve" efeito, segundo o qual as cidades atraem indústria, que por sua vez, atrai trabalho adicionais e serviços, criando uma cidade maior que atraia mais indústria, e assim por diante, é um dos conceitos críticos no desenvolvimento económico moderno, especialmente no sentido de revitalizar regiões mais atrasadas. As cidades, com maiores concentrações de pessoas, são também mais propícias para a existência de variedade de mercados especializados, e para representar uma maior riqueza de pequenas comunidades ou áreas rurais. Isso atrai uma gama ainda maior da actividade de fabrico: daqueles cujos mercados são pequenos, mas exclusivos, ou cujos produtos são caros. A concentração de roupas de alta moda e artigos de luxo como outros itens fabricados em Paris, Londres, Milão, e algumas outras cidades europeias são um bom exemplo deste padrão. Dadas essas relações, é evidente que as cidades e produção estão estreitamente relacionadas, e é, portanto, nenhuma surpresa ao saber que o crescimento da indústria e a rápida expansão das cidades na Europa foram fenómenos contemporâneos. Para muitas indústrias, é claro, que "o mercado" representa algo totalmente diferente do que as concentrações de pessoas simples. Particularmente para os fabricantes de "produções" de mercadorias, ou para aqueles que geralmente fazem outras coisas e não recorreram a um ―final de consumismo‖, o mercado "poderia ser outra fábrica‖ ou conjuntos de indústrias (que podem não ter nada haver com um a localização urbana). O Ferro, o aço, a química fabrica, ou a produção de máquinas de todos os tipos, todas as indústrias de importância vital europeu são exemplos de actividades que, muitas vezes se localizam para o mercado, no entanto há que se realçar que o termo de mercado é um conceito muito diferente para o autor de "consumidor" de mercadorias.

que o termo de mercado é um conceito muito diferente para o autor de "consumidor" de

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Fornecimento de materiais: A aquisição de tudo o que é usado no processo de produção é de interesse para os analistas de localização industrial, e pode ser considerado o pólo oposto da localização do mercado. Às vezes, as posições de mercado e os materiais são próximos, e por vezes eles demonstram-se de um mundo distante, no entanto alguns existem conectados num lugar ao longo de uma linha hipotética, que é o local ideal para a actividade de produção. Este factor é às vezes identificado como "matérias -primas", mas este termo é um pouco enganador, pois implica estritamente materiais transformados (madeira, carvão, minério de ferro, etc), enquanto na realidade os materiais que são utilizados pela maioria de fábricas já são pelo menos semi-acabados (placas ou cabos de aço, produtos químicos refinados, etc.) Em termos gerais, se os materiais utilizados num processo de produção (fabrico) são pesados, e / ou de baixo valor, será deste modo vantajoso para a indústria se localizar o mais próximo possível da fonte de materiais, a fim de reduzir os custos de transporte excessivo. O exemplo clássico deste tipo de localização é o fabrico de cimento, que é quase sempre localizado directamente de onde é feito, isto é, sobre a rocha de produto (geralmente calcário). Aliás quando as pedreiras de rocha movem uma distância relativamente curta da fábrica, muitas vezes é mais barato construir uma nova fábrica, do que transportar a rocha, mesmo que seja um acréscimo pouco de cem metros! Este princípio conta para a localidade da indústria europeia, e para o tipo de cidades costeiras. A Europa como um continente que tem de importar uma parte tão grande da sua base, os materiais não transformados, viveu um período importante da sua indústria a lidar com madeira, grãos, petróleo e minérios metálicos, assim assistiu-se a uma mudança gradual ao longo do tempo de concentrações nas cidades portuárias principais em torno do extenso litoral. Por outro lado, se uma actividade de produção está preocupada com a utilização de materiais que são pequenos, leves e / ou de alto valor, não há absolutamente nenhuma razão para considerar uma localização da fonte de abastecimento, uma vez que os custos de transporte são susceptíveis a ser um item de menor importância, dada a natureza dos bens envolvidos. As modernas indústrias de ―alta tecnologia‖, por exemplo, que poderiam usar essas ―matérias-primas‖ como componentes electrónicos ou chips de silícon, podem literalmente transportar, tanto os seus materiais e produtos por via aérea sem considerar os custos excessivos. Assim, livre de restrições básicas de localização, essas indústrias irão se localizar no mercado, com outros elementos característicos localmente importantes, com conforto e um estilo da vida atraente "cinturão do sol", fenómeno que está longe de ser desconhecido na Europa!

e, o terceiro factor de particular importância na

determinação da localização industrial é o transporte, ou o infra-estrutura e o custo do transporte de mercadorias ―de‖ e ―para‖ o local de produção. Em escala local, instalações industriais são muitas vezes em locais onde há uma abundante variedade de opções de transporte acessível, facilmente disponíveis. As ligações ferroviárias, intercâmbios, aeroportos e / ou cursos de água perto ai são considerações muito convincente para muitas indústrias. Isto significa, naturalmente, que nas partes da Europa, onde a rede de transporte é mais densa, construem uma vantagem na atracção de novas industrias, logo, é vantajoso para a expansão da indústria. Assim, as terras relativamente planas da planície do mar do Norte, úteis para a agricultura, para o crescimento urbano, e construção de vias de transporte rápido, também contêm uma parte impressionante da indústria continental (fazem parte dos importantes corredores de transporte os vales do Reno e Ródano). Em uma escala maior, o facto que nem todos os meios de transporte são igualmente caros tem um forte efeito sobre a distribuição da actividade industrial da Europa enquanto os fabricantes tentam minimizar os custos de aquisição dos materiais e alcançar os seus mercados. A realidade básica é que o transporte de água é quase sempre o meio mais barato de mercadorias que circulam ao redor, especialmente quando as pressões de tempo não são uma consideração importante. Isso, combinado com o facto, mencionado anteriormente, que a Europa depende em um grau extraordinário de importação de materiais básicos para a sua indústria, explicando a importância excepcional dos rios do continente, lagos, sistemas de canais, zonas costeiras e na estratégia de localização industrial. Especialmente quando o valor é baixo, e os materiais de alto peso estão envolvidos, sendo importante para manter o transporte confinado tanto quanto possível da água, e mesmo sobre relativamente curtas distâncias, vias navegáveis será usado sempre que for possível para mover o carvão, pedra, a areia, minérios, materiais não perecíveis, produtos agrícolas, e outros,

Transporte:

O

elo que une materiais

e mercados

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e outros. Apenas gasodutos podem ser comparados com os anteriores em termos de custos de transporte, e

quando estes são muito importantes para a Europa, eles não podem lidar com o volume ou a variedade de materiais encontrados na frota de barcaças que lhe parecem estar sempre presentes nas vias. O transporte ferroviário e rodoviário custa mais do que o transporte de água, mas estes têm as vantagens de uma maior flexibilidade e rapidez de serviço. O transporte ferroviário é geralmente vantajoso em longas distâncias, o transporte rodoviário, num raio menor, embora estas distinções são frequentemente menores na Europa. Os produtos de alto valor e os produtos de baixo peso (tais como bens de consumo orientado) irão ser utilizados

em qualquer uma destas possibilidades de transporte, dependente de factores locais. Air Freight, finalmente,

é de longe o meio de transporte mais caro, mas onde os materiais transportados são muito valiosos e tempo é um factor de ―crítica‖, que podem ser empregadas.

Trabalho: Embora, com o declínio geral da intensidade do trabalho na indústria europeia ao longo dos últimos cinquenta anos ou mais, a oferta de trabalho como factor de localização viu diminuir o seu papel, o seu significado antigo "ajuda a explicar a localização de uma parte importante do parque industrial. Em particular, desde a época da revolução industrial a larga escala da indústria exige mais trabalhadores, e a localização nas cidades de crescimento foi, portanto, uma necessidade, a cidade era uma vez um mercado e uma fonte de trabalho e de relações entre o crescimento urbano e expansão industrial foi, assim, reforçada. Nos tempos modernos, porém, o quadro mudou. A percentagem da força de trabalho empregada na indústria transformadora está em declínio em quase todos os países europeus tentam, especialmente em comparação

a sector de emprego de serviços. Além disso, a prevalência de épocas de jornais de circulação nacional,

rádios e televisão significa que a notícia de oportunidades de emprego dos trabalhadores qualificados chega onde quer que estejam: o trabalho vai passar para a indústria, em vez de a indústria ser forçada a procurar trabalho. Ao longo de grande parte do século XX, o resultado foi uma queda do trabalho como factor de localização. Os empregadores ainda estão ansiosos, porém, para reduzir despesas trabalhistas, que são geralmente uma grande parte de seu pacote de custo global. Isto dá uma vantagem potencial para os países

e regiões mais pobres, onde as escalas salariais são mais baixos. Assim, desde que as competências de

trabalho são comparáveis e os factores de localização, pelo menos neutro, muitas indústrias de ponta com sucesso mudaram-se para locais mais baratos de fabricação. Em uma era de sindicalização generalizada, os custos trabalhistas têm atenuado em certa medida, fora de uma região de um país para outro, mas os custos para a mesma quantidade de trabalho continuam a ser bastante superiores em cidades do que nas cidades menores, e muitas regiões deprimidas em vários países procuram para atrair empregos industriais com a promessa de um trabalho mais barato. No entanto este processo pode ter resultados inesperados Quando o governo francês convenceu a empresa de automóveis Citroen (agora parte da Peugeot) o construir uma nova fábrica de montagem de grande distância, na Bretanha, no início dos anos 1960, foi constrangido a descobrir que algumas pessoas na região do local sabia muito sobre a colocação de carros juntos! Forçado a atrair a mão-de-obra a área de Paris iniciaram com incentivos caros programas de treino apropriados, a empresa aprendeu uma dura lição sobre o valor do trabalho adequadas como factores básicos de localização.

Capital: Tal como acontece com o trabalho, a importância da disponibilidade de capital é um importante factor de localização industrial que também diminuiu com o tempo. A sua importância histórica, entretanto, ainda lhe ajuda a explicar a concentração da indústria europeia até hoje. Para a maior parte da história europeia, o capital era uma mercadoria relativamente rara, concentrada nas mãos de alguns governos e famílias bancário, todos com interesses urbanos e de localizações. Assim, a provisão de recursos financeiros para o estabelecimento de nova indústria era uma possibilidade restrita, e uma vez que muitos credores conservadores estavam relutantes em ver seu movimento de capital investido muito além de sua visão e controle diário, a indústria foi mais cedo concentrado. O resultado: mais uma maneira em que os processos de urbanização e industrialização prosseguiram em paralelo na Europa do século XVIII durante boa parte do século XX. No presente momento, este padrão foi alterado de várias maneiras. Primeiro, há mais capital de investimentos disponíveis para a indústria europeia do que tem sido o caso, o que significa que sua distribuição geográfica é muito menos restrita. Segundo, a flexibilidade dos bancos têm aumentado e as suas expectativas mudaram consideravelmente. Hoje em dia, qualquer potencial mutuário, sem dúvida, é

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convidado a apresentar números que mostram que eles tinham feito a lição de casa ", isto é, que a proposta de uma fábrica tinha sido plenamente analisada de acordo com a moderna teoria da localização (mercados, fornecimento de materiais, transporte e alguns outros factores relevantes). A localização ideal, em outras palavras, pode não ter nada a ver com a localização do credor. No entanto, essa ideia é uma inovação recente, e uma parcela bastante grande da indústria mais velhos da Europa deve a sua localização pelo menos parcialmente, para onde o dinheiro necessário pode ser encontrado.

Poder e custos de combustível: Como um factor de localização industrial, o custo da energia e combustível é uma consideração relativamente menor para a maioria das indústrias. Quando pequenas quantidades desses recursos são necessários, os custos são relativamente semelhantes em toda a Europa, e diferenças raramente seria tão grande a ponto de influenciar o processo de planeamento local. Para algumas indústrias, no entanto, os custos de energia é de tal consideração uma esmagadora de que eles vão para localizar um fornecimento fiável de energia barata, independentemente da distância dos mercados ou materiais, ou de quaisquer outras considerações. A localização das indústrias, a menos que desafia a análise do papel dos custos de energia é entendida. Um caso notável na Europa e noutros lugares, é o refino de alumínio. Devido ao enorme refino de alumínio há uma procura de energia do processo, que é realizada, por exemplo, em pontos remotos na costa da Noruega (país com oferta abundante de energia hidroeléctrica barata), embora não haja bauxite (?) e só muito pequeno mercado nesse país.

As necessidades de espaço: Na Europa, uma das formas em que a localização industrial tem vindo a mudar mais rapidamente nos últimos anos é na resposta de necessidade de maiores quantidades de espaço em inúmeros processos de fabricação ( ou seja de produção). O crescimento das operações de linha de montagem e os custos relativamente elevados de movimento vertical, em edifícios industriais, colocou um prémio único em estruturas - a história de grandes dimensões. Essa mudança na concepção moderna, nitidamente em contradição com a tradicional de localizar os valores da indústria nas cidades, onde mercado, trabalho e capital podem estar presentes, o espaço era normalmente restrito. Além disso, como vimos, a relação de industrialização e urbanização era tal que muitas cidades europeias realmente cresceram em torno de fábricas no século XIX, e ainda, é de realçar o facto, de ser comum encontrar uma variedade incomum de indústria de base localizada no coração destas cidades. Com a necessidade de um design mais eficiente e maior quantidade de espaço para tornar mais clara a preocupação de construção ou expansão industrial no final do século XX, muitas operações de fabrico europeu encontram-se forçadas a tomar decisões difíceis. Os seus presentes locais, são fortemente impactadas pelo crescimento urbano denso, a aquisição de terrenos adequados para o crescimento em suas posições actuais é muitas vezes impossível, ou pelo menos proibitivamente caro. Para resolver este problema, muitas indústrias afastaram-se dos seus locais originais por completo, muitas vezes vender o valioso terreno urbano, num lucro substancial, e construindo novas fábricas em zonas rurais, onde os custos de terrenos são menos e os governos locais podem oferecer incentivos de localização. O problema com esta estratégia é que, se afastam da cidade, com seus mercados, conexões de transporte, base das comunicações, e outras vantagens, os riscos da indústria de perder sua vantagem competitiva. Um bom compromisso é o de encontrar um local longe o suficiente da cidade para oferecer um espaço adequado, mas perto o suficiente para manter a maioria das outras vantagens, assim, o crescimento das cidades menores e cidades num raio de 120 milhas (200 quilómetros) ou assim dos grandes centros é uma das características mais marcantes da evolução demográfica Europeia no momento presente. Um processo adicional interessante que ocorre como resultado desta mudança de localização industrial é a libertação de grandes extensões de terrenos industriais antigos nos bairros centrais de muitas cidades europeias. Numa altura em que estes locais estão tentando lidar com os problemas modernos de transporte, habitação, espaço de recreação, a prestação de serviços, e habitabilidade geral, enquanto ao mesmo tempo, reter o turista vai atrair uma certa peculiaridade de encanto dos bairros mais antigos, assim a terra pode ser um activo mais valioso no planeamento urbano e do desenvolvimento. E