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Uma investigação sobre a acessibilidade digital dos sites dos Institutos
Federais do Centro-Oeste
Conference Paper · June 2023
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Renan Vinicius Aranha
University of São Paulo
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IX Encontro Anual de Tecnologia da Informação do Oeste Goiano - ENATI 2023, Iporá – GO, 14 a 17 de Junho de 2023.
Uma investigação sobre a acessibilidade digital dos sites dos
Institutos Federais do Centro-Oeste
Ryan Breno da Silva Correa1 , Nathalia Gomes Teixeira1 , Renan Vinicius Aranha1
1
Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) - Campus Pontes e Lacerda
{breno.correa,nathalia.teixeira}@estudante.ifmt.edu.br
renan.vinicius@ifmt.edu.br
Abstract. The accessibility of government websites, particularly educational
institutions, is a fundamental concern to ensure digital inclusion and equal
access to public services. In this context, this study presents an accessibility
assessment of the websites of the Federal Institutes of Education, Science, and
Technology located in the Central-West region of Brazil, analyzing their com-
pliance with established guidelines and regulations. Conducted automatically
using the Google Lighthouse tool, the evaluation revealed that the majority of
the websites had widely known issues regarding digital accessibility, such as
insufficient contrast ratio.
Resumo. A acessibilidade dos sites governamentais, em especial das
instituições de ensino, é uma uma preocupação fundamental para garantir a
inclusão digital e a igualdade de acesso aos serviços públicos. Neste contexto,
este trabalho apresenta uma avaliação de acessibilidade dos sites dos Institutos
Federais de Educação, Ciência e Tecnologia instalados na região Centro-Oeste
do Brasil, analisando a conformidade com as diretrizes e regulamentações es-
tabelecidas. Realizada de forma automática, com o uso da ferramenta Google
Lighthouse, a avaliação revelou que a maioria dos sites apresentava proble-
mas amplamente conhecidos com relação à acessibilidade digital, como taxa
de contraste insuficiente.
1. Introdução
A acessibilidade digital, assim como a acessibilidade em espaços fı́sicos, é um direito
garantido às pessoas com deficiência (PCDs) pelo Decreto no 6.949/2009 [Brasil 2009].
Tal prerrogativa exerce papel imprescindı́vel no presente contexto social, visando a ga-
rantir, em perspectiva ao Desenho Universal [Melo et al. 2022], que todo indivı́duo te-
nha fácil acesso aos sistemas computacionais. Com o aumento da oferta de serviços
públicos na Internet, observável ao longo dos últimos anos, houve também um aumento de
serviços disponibilizados à população exclusivamente por meios digitais [Dantas 2022].
Nesse sentido, há esforços no âmbito de governo eletrônico que suscitam o desenvolvi-
mento de serviços digitais acessı́veis por meio da aplicação, por exemplo, de orientações
como as disponı́veis no Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico (eMAG)
[Oliveira and Eler 2015]. Desenvolvido com base no WCAG (Web Content Accessibi-
lity Guidelines), referência internacional para a acessibilidade na web, o eMAG apresenta
especificações a serem adotadas em sites e sistemas vinculados ao governo brasileiro.
Apesar da previsão legal e da existência de orientações como as disponı́veis
no eMAG, sabe-se que os sites de diversas instituições públicas possuem limitações
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relacionadas à acessibilidade digital. Dentre tais entes governamentais, encontram-se
instituições públicas de ensino superior, como as universidades e institutos federais
[Adão et al. 2022, Pimenta and Silva 2021]. No contexto educacional, a acessibilidade
digital das plataformas utilizadas pelas instituições pode exercer papel crucial para a in-
clusão e permanência de PCDs em tais instituições, tanto como discentes quanto como
servidores. Há, nesse contexto, diversos estudos da literatura que discorrem proble-
mas relacionados à acessibilidade nos sites e sistemas acadêmicos dessas instituições
[Adão et al. 2022, Pimenta and Silva 2021, Campos et al. 2021, Santos 2021]. Em com-
plemento, uma análise de PPCs dos cursos de graduação conexos à área de Informática
revela um maior foco das instituições em temas envolvendo a acessibilidade nos espaços
fı́sicos do que a acessibilidade digital [Correa et al. 2023].
Evidencia-se, portanto, o óbice entre o que é proposto no supracitado decreto e a
implementação na prática. Assim, com intuito de investigar a conjuntura da acessibilidade
digital nas instituições de ensino, este trabalho descreve um estudo com o objetivo de des-
crever uma avaliação preliminar da acessibilidade digital em sites de Institutos Federais
(IFs) de Educação, Ciência e Tecnologia instalados na região Centro-Oeste do Brasil: i)
o Instituto Federal de Brası́lia (IFB); ii) o Instituto Federal de Goiás (IFG); iii) o Instituto
Federal Goiano (IF Goiano); iv) o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT); e v) o Insti-
tuto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS). Para essa avaliação, foi utilizado o software
Lighthouse, que revelou a necessidade da implementação de melhorias pelas instituições
de ensino.
2. Materiais e Métodos
Para investigar o panorama da acessibilidade digital nos sites dos Institutos Federais de
Educação, Ciência e Tecnologia da região Centro-Oeste do paı́s, foram definidas as se-
guintes questões de pesquisa (QPs):
1. QP1: No contexto da acessibilidade digital, quais as principais limitações encon-
tradas nos sites dos Institutos Federais da região Centro-Oeste do Brasil?
2. QP2: Os sites das instituições de ensino fornecem informações sobre os recursos
de acessibilidade digital disponı́veis?
Para responder às QPs, foi realizada uma avaliação preliminar de acessibilidade
no portal principal de cada instituto federal. A avaliação preliminar visa a identificar
problemas de acessibilidade em páginas representativas, com o apoio de ferramentas
semi-automáticas [Freire 2008]. No âmbito deste estudo, foram selecionadas páginas
usualmente vinculadas à reitoria de cada instituto, a partir do domı́nio raiz (por exem-
plo: http://ifb.edu.br). Nos casos em que o domı́nio raiz conduzia o usuário a
uma tela de boas-vindas, foi considerada como página a ser avaliada aquela que conti-
nha as notı́cias referentes à instituição. A Tabela 1 apresenta a URL (Uniform Resource
Locator) analisada para cada instituto federal, bem como a data de acesso.
Especificamente em relação à QP1, foi realizada uma avaliação preliminar de
acessibilidade nos sites do IFB, IFG, IF Goiano, IFMS e IFMT, com o intuito de identifi-
car quais problemas podem implicar em dificuldades de uso às pessoas com deficiências.
A avaliação de acessibilidade foi realizada de forma automática, com o uso do Google
Lighthouse, software que auxilia desenvolvedores a analisar sites, incluindo avaliações de
desempenho, tempo de carregamento e acessibilidade.
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Instituto URL Data de acesso
IFB https://www.ifb.edu.br 29/04/2023
IFG https://ifg.edu.br 29/04/2023
IF Goiano https://ifgoiano.edu.br/home/index.php 29/04/2023
IFMS https://ifms.edu.br 29/04/2023
IFMT https://ifmt.edu.br/inicio 29/04/2023
Tabela 1. Listagem de Institutos Federais e páginas avaliadas.
Integrada ao navegador Google Chrome, a ferramenta foi utilizada para identifi-
car eventuais falhas relacionadas à acessibilidade no sites dos Institutos Federais da região
Centro-Oeste do paı́s. No contexto da acessibilidade digital, entre outros aspectos, o Goo-
gle Lighthouse identifica: i) falhas associadas às cores (taxa de contraste); ii) ı́cones com
links que levam os usuários a outras páginas; iii) imagens sem texto alternativo. Cada
critério avaliado é apresentado pela ferramenta como uma auditoria. Por considerar as
recomendações do WCAG, o Google Lighthouse apresenta-se como ferramenta adequada
para a avaliação de acessibilidade de sites governamentais, uma vez que o eMAG con-
siste em especificações baseadas no WCAG. Em relação à QP2, durante o acesso ao site
de cada IF, foi observada também a presença dos seguintes recursos de acessibilidade:
aumento ou diminuição do tamanho da fonte, mudança de contraste de cores e intérprete
virtual de Libras (Lı́ngua Brasileira de Sinais).
3. Resultados
A Figura 1 apresenta, em um gráfico de colunas, a nota obtida por cada IF na avaliação de
acessibilidade efetuada pelo Google Lighthouse, bem como o total de auditorias aprova-
das, que representam os critérios de acessibilidade atendidos. Foram atribuı́das as seguin-
tes notas a cada instituto: IFMS, 90; IFMT, 82; IF Goiano, 82; IFB, 79; e IFG, 67. Há,
portanto, uma diferença de 23 pontos entre a primeira e a última instituição. A variação
do ı́ndice é curiosa já que, dos cinco IFs, apenas o IFMT não adota um template baseado
no antigo Portal Padrão do Governo Federal. Apesar da semelhança visual, fatores rela-
cionados ao código-fonte, customizados ou implementados por cada instituição, podem
justificar tal variação.
A Figura 2 complementa essa análise, evidenciando as categorias de problemas e
sua quantidade de ocorrências no site de cada IF (QP1). Observa-se, em especial, que a
categoria com maior quantidade de ocorrências de problemas é a “Os links não têm um
nome compreensı́vel” (Recomendação 3.5 do eMAG), envolvendo especialmente o IFB
e o IFMT com, respectivamente, 32 e 26 ocorrências encontradas na página avaliada.
O segundo principal problema identificado envolve a taxa de contraste entre as cores
(Recomendação 4.1 do eMAG).
Em termos gerais, os problemas comumente encontrados no site dos IFs, segundo
o levantamento deste estudo, possuem soluções de baixa complexidade, já contempladas
pelo eMAG. Portanto, podem ser implementadas sem considerável esforço pela equipe de
Tecnologia da Informação (TI) das referidas instituições, visando a melhorar o desempe-
nho dos sites institucionais no quesito de acessibilidade digital.
Quanto aos recursos de acessibilidade disponibilizados por cada instituição (QP2),
observa-se que IFB, IFG, IF Goiano e IFMS disponibilizam, no cabeçalho da página avali-
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82 8 2
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79
80
6 7
67
60
Índice
40
20 16
16
13
13 13
13
11
11 11
11
0
IFB IFG IF Goiano IFMS IFMT
Nota geral Auditorias aprovadas
Figura 1. Índices obtidos por cada Instituto Federal na avaliação de acessibili-
dade do Google Lighthouse.
As cores de primeiro e
segundo plano não tem uma 15 10 18 3 3
taxa de contraste suficiente
Os elementos
ou não tem um titulo
1
Os elementos de titulo não
aparecemem uma ordem 1 1 1
sequencial descendente
Os links não tem
um nome compreensível 32 9 14 2 26
Os elementos de formulário
não têm etiquetas associadas 1
Os elementos de imagem
não tem atributos 20
Os botões não têm
um nome acessível
1 1 1
IFB IFG IF Goiano IFMS IFMT
Figura 2. Quantidade, por instituto federal, de problemas de acessibilidade iden-
tificados.
ada, um link para mais informações sobre a acessibilidade do site. Há, ainda, informações
complementares sobre a navegação pelo teclado, bem como a possibilidade de ativar um
recurso de alto contraste. No site do IFMT, há informações sobre a navegação pelo te-
clado, mas não é possı́vel alternar o contraste das cores. Em todos os sites, é possı́vel
ativar o recurso de intérprete virtual de Libras, o vLibras, por meio da barra do Governo
Federal, que precede o conteúdo de cada IF.
4. Considerações finais
Este estudo investigou a acessibilidade dos sites dos institutos federais na região Centro-
Oeste do Brasil, em conformidade com as leis que regulamentam a acessibilidade em
sites governamentais. Os resultados evidenciam que, mesmo sendo prevista por lei, a
implementação da acessibilidade digital nos sites das instituições públicas de ensino ainda
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não ocorreu de forma plena. Faz-se necessária, ainda, a implementação de diretrizes de
acessibilidade, a realização de treinamento para desenvolvedores e designers, além da
participação ativa de pessoas com deficiências no processo de desenvolvimento dos sites.
Como continuação deste trabalho, é importante prosseguir com a investigação, incluindo:
i) a verificação a acessibilidade de sites de instituições de outras regiões; ii) a realização de
inspeções de acessibilidade com especialistas no assunto. A continuidade desse trabalho
é extremamente relevante para que esse assunto seja destacado adequadamente e para que
ocorram as mudanças necessárias, garantindo a acessibilidade conforme determinado pela
legislação.
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