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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE DIREITO DEPARTAMENTO DE DIREITO PÚBLICO DISCIPLINA: DIREITO PENAL III PROFESSOR: SAMUEL MIRANDA

ARRUDA MONITOR: RAHYM COSTA DA SILVA NOTA DE AULA - 04

CAPÍTULO II DA FALSIDADE DE TÍTULOS E OUTROS PAPÉIS PÚBLICOS
No presente capítulo, conforme aduz Capez, a lei penal cuida de proteger certos papéis públicos representativos de valores ou concernentes a valores de responsabilidade do Estado, ou à arrecadação das rendas públicas.

Falsificação de papéis públicos
Art. 293 - Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:
I - selo destinado a controle tributário, papel selado ou qualquer papel de emissão legal destinado à arrecadação de tributo; II - papel de crédito público que não seja moeda de curso legal; III - vale postal; IV - cautela de penhor, caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro estabelecimento mantido por entidade de direito público; V - talão, recibo, guia, alvará ou qualquer outro documento relativo a arrecadação de rendas públicas ou a depósito ou caução por que o poder público seja responsável; VI - bilhete, passe ou conhecimento de empresa de transporte administrada pela União, por Estado ou por Município: Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. § 1 Incorre na mesma pena quem:
o

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I - usa, guarda, possui ou detém qualquer dos papéis falsificados a que se refere este artigo; II - importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda, fornece ou restitui à circulação selo falsificado destinado a controle tributário; III - importa, exporta, adquire, vende, expõe à venda, mantém em depósito, guarda, troca, cede, empresta, fornece, porta ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, produto ou mercadoria: a) em que tenha sido aplicado selo que se destine a controle tributário, falsificado; b) sem selo oficial, nos casos em que a legislação tributária determina a obrigatoriedade de sua aplicação. § 2º - Suprimir, em qualquer desses papéis, quando legítimos, com o fim de torná-los novamente utilizáveis, carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 3º - Incorre na mesma pena quem usa, depois de alterado, qualquer dos papéis a que se refere o parágrafo anterior. § 4º - Quem usa ou restitui à circulação, embora recibo de boa-fé, qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem este artigo e o seu § 2º, depois de conhecer a falsidade ou alteração, incorre na pena de detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa. § 5 Equipara-se a atividade comercial, para os fins do inciso III do § 1 , qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em vias, praças ou outros logradouros públicos e em residências.
o o

▪ Tipo Penal:

Este tipo penal prevê a conduta de falsificar, ou seja, imitar a verdade de modo a causar engano no homem médio. A falsificação pode ocorrer através de dois modos: a) Seja fabricando, ou seja, criando os objetos materiais descritos no caput do art. 293; ou b) O agente altera os referidos objetos materiais, realizando a modificação de seu valor para maior. Os objetos materiais estão descritos no próprio caput do artigo, onde se elenca quaisquer dos supramencionados papéis públicos. Ressalte-se que a hipótese prevista no inciso III, cujo objeto material é o vale postal, encontra-se revogada pelo art. 36 da Lei n. 6.438/78. ▪ Sujeitos: Ativo: Qualquer pessoa

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que necessita de complementação (deve a lei estipular quais casos em que se o selo oficial se mostra obrigatório). bem como outros afirmam que o sujeito ativo será punido apenas pelo crime de falsificação (o uso seria. vende. quando legítimos. com o fim de torná-los novamente utilizáveis. troca. 3 . mantém em depósito. Essa divergência. e multa. adquire. pois a punição do uso e da falsificação é a mesma. em qualquer desses papeis. empresta. troca. 213 . possui ou detém qualquer dos papéis falsificados a que se refere o art. em que tenha sido aplicado selo que se destine a controle tributário. o Estado. nos casos em que a legislação tributária determina a obrigatoriedade de sua aplicação Trata-se de norma penal em branco. sem selo oficial. b) Importa. cominando a pena de 1 a 4 anos de reclusão. praças ou outros logradouros públicos e em residências. pune-se com a mesma pena o sujeito ativo que: a) Usa. c) Importa. porta ou. exporta. exporta. ▪ Consumação: O crime se consuma com a mera falsificação. post factum impunível). empresta. o ▪ Modalidade da supressão de carimbo ou sinal de inutilização de papeis públicos: O §2º prevê a conduta do agente que suprimir. falsificado. produto ou mercadoria: c. diverge a doutrina. seja esta realizada através da fabricação ou alteração. portanto. 293 dispõe que se equipara a atividade comercial. ▪ Modalidade Equiparada: Uso de papéis públicos falsificados Conforme dispõe o §1º. cede. guarda. pois há quem considere que o uso absorve a falsificação (o crimefim absorve o crime-meio). guarda. Secundariamente. utiliza em proveito próprio ou alheio. expõe à venda. guarda. no exercício de atividade comercial ou industrial. fornece ou restitui à circulação selo falsificado destinado a controle tributário. Caso haja uso posterior ao objeto falsificado. o indivíduo que veio a sofrer dano com a conduta. carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização. fornece.Passivo: Primeiramente. vende.2. adquire. leva ao mesmo resultado. c. inclusive o exercido em vias. de qualquer forma. na prática. O §5º do art. para os fins do inciso III do § 1 . cede. qualquer forma de comércio irregular ou clandestino.1.

adquirir. ▪ Tipo Penal: O art. conforme assevera o art.reclusão.P. fornecer.O uso destes documentos depois de alterado está previsto no §3º. depois de conhecer a falsidade ou alteração. teoricamente.P. adquirir. Assim como no crime de moeda falsa. pune-se a conduta que. para o sujeito ativo que fabricar. a que se referem este artigo e o seu § 2º. Petrechos de falsificação Art. de um a três anos. ▪ Causa de aumento de pena: Caso o agente que cometeu o crime seja um funcionário público que se vale do cargo para cometê-lo. aumenta-se a pena de sexta parte. Também se aplica a disposição do art. a pena é aumentada de sexta parte. seria ato preparatório da falsificação de papeis públicos. fornecer. Quanto a falsificação e o uso. 4 . e comete o crime prevalecendo-se do cargo. 295 . Art.Se o agente é funcionário público. qualquer dos papéis falsificados ou alterados. pois .Fabricar. cominando uma pena de detenção de 6 meses a 2 anos ou multa ao agente que usa ou restitui à circulação. que comina a mesma pena da supressão. 294 prevê reclusão de 1 a 3 anos. 294 . faz-se as mesmas considerações do ponto a) do tópico concernente à modalidade equiparada. possuir ou guardar objeto especialmente destinado à falsificação de qualquer dos papéis referidos no artigo anterior: Pena . e multa. 293. e multa. ▪ Modalidade Privilegiada: O § 4º do art. 295 do C. 293 prevê uma hipótese privilegiada. embora recibo de boa-fé. em sendo o sujeito ativo um funcionário público que se vale do cargo para cometer o crime. 295 do C. a pena é aumentada de sexta parte.. possuir ou guardar objeto especialmente destinado à falsificação de papéis a que se refere o art.

pois. como ocorre. não irão incidir os crimes de falsidade documental. em um testamento. ou seja. Mirabete conceitua documento como toda peça escrita que condensa graficamente o pensamento de alguém. Além disso. portanto. b) Identificação do autor: É necessário que a peça escrita seja identificada pelo nome ou assinatura do seu autor. ser apto a gerar efeitos e consequências no plano jurídico. c) Seu conteúdo manifesta uma vontade ou registra um dado fato: A peça escrita deve conter. Deste conceito. também. também. ou seja. é preciso que não tenha ocorrido falsidade material (o documento precisa ser formalmente perfeito). não detectaria a por perícia. para que se possa falsificar um documento. Deve-se. Os elementos acima elencados são comutativos. d) Eficácia probatória: o documento deve ser dotado de relevância jurídica. Ressalte-se que nenhum documento pode conter falsidade material E falsidade ideológica.CAPÍTULO III DA FALSIDADE DOCUMENTAL A compreensão dos crimes elencados no capítulo de falsidade documental deve partir da assimilação do conceito de documento. para haja falsidade ideológica. uma declaração de vontade ou atestar determinado fato. Deve o documento. Portanto. Parte da doutrina afirma que deve ser escrito sobre papel. pergaminho ou material similar. por exemplo. realizar a distinção entre falsidade ideológica e falsidade material: Falsidade Material A falsidade é quanto à forma do documento (apesar de a ideia/conteúdo nele contido também ser falso) Falsidade Ideológica A falsidade é quanto à ideia/conteúdo do documento Como a falsidade recai sobre a forma do O documento é materialmente perfeito. podendo provar um fato ou realização de algum ato dotado de significação jurídica. possuir valor probatório por si só. portanto. esta poderia ser detectada A perícia. a ausência de quaisquer destes desnatura o objeto como documento. não pode essa falsificação ser grosseira. documento. Se a falsificação não tiver idoneidade para enganar o homem médio. 5 . falsidade. o a peça escrita apócrifa (aquela que não possui a autoria identificada) não pode ser considerada um documento. retiram-se os elementos que caracterizam o documento: a) Forma escrita: é necessário que o documento esteja sobre a forma escrita.

Incorre nas mesmas penas: I . siglas ou quaisquer outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública.Se o agente é funcionário público. ▪ Tipo Penal: O presente tipo penal prevê a conduta do agente que falsifica o selo ou sinal público. 296 . § 1º . e multa. fabricando-os ou alterando-os: I . na hipótese anterior.selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público.selo público destinado a autenticar atos oficiais da União. b) Se o papel estava sob a guarda do agente ou foi obtido por outro meio criminoso. Esta falsificação pode se dar através de: a) Fabricação: implica em criação ou contrafação do selo ou sinal público b) Alteração: modificação do selo ou sinal público que é verdadeiro ▪ Objeto Material: Os objetos materiais do crime podem ser: 6 . e comete o crime prevalecendo-se do cargo.quem utiliza indevidamente o selo ou sinal verdadeiro em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio.P. ou a autoridade.reclusão.). Bitencourt dispõe que: a) É crime de falsidade ideológica. sendo preenchido de forma abusiva. se a folha foi abusivamente preenchida pelo agente. ou sinal público de tabelião: Pena . logotipos. § 2º .Falsificar. 297 ou 298 do C. II . II . há crime de falsidade material (Art. de dois a seis anos. falsifica ou faz uso indevido de marcas. III .Quanto à falsidade de folha assinada em branco.quem faz uso do selo ou sinal falsificado. c) Quando. houver revogação do mandato (procuração) ou “tiver cessado a obrigação ou faculdade de preencher o papel”. aumenta-se a pena de sexta parte. de Estado ou de Município.quem altera. o crime é de falsidade material. Falsificação do selo ou sinal público Art. que tinha sua posse legítima.

sendo conduta atípica.P. 297 . é o mesmo.Falsificar. b) Selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público. c) Altera. de Estado ou de Município: não se pode confundir este selo com o selo ou estampilha disposto no inciso I do art. A utilização devida do selo ou sinal público não configura crime. 296 assevera que. 296 que são cominadas as mesmas penas ao agente que: a) Faz uso do selo ou sinal público: A doutrina também diverge quanto à absorção do uso pelo falso ou do falso pelo uso. 7 . Passivo: O Estado. caso o agente que comete o crime seja um funcionário público que se vale do cargo para cometê-lo. a pena é aumentada da sexta parte. 293 do C. ▪ Sujeitos: Ativo: Qualquer pessoa. b) Utiliza indevidamente o selo ou sinal verdadeiro em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio: Neste caso. o selo ou sinal público são verdadeiros. documento público. porém. de dois a seis anos. logotipos. seja pela modalidade de fabricação. porém. seja pela modalidade de alteração. pois a pena a ser cominada é igual para as duas possibilidades. é indevida. no todo ou em parte. e multa.reclusão. O resultado prático final. falsifica ou faz uso indevido de marcas.a) Selo público destinado a autenticar os atos oficiais da União. sua utilização. ▪ Consumação: O crime se consuma com a mera falsificação. siglas ou quaisquer outros símbolos utilizados ou identificadores de órgão ou entidades da Administração Pública. ▪ Modalidade Equiparada: Dispõe o §1º do art. ou sinal público de tabelião. ▪ Causa de Aumento de Pena: O §2º do art. ou a autoridade. Falsificação de documento público Art. ou alterar documento público verdadeiro: Pena . (cuja destinação é o controle tributário).

executivos e judiciários.em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social. 8 . como. a doutrina realiza outra subdivisão: a) Documento formal e substancialmente público: trata de questões de natureza pública. como. nome do segurado e seus dados pessoais. b) Documento formalmente público. III .na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social.Se o agente é funcionário público. Ambas as condutas são condutas de falsidade material. II . por exemplo. as ações de sociedade comercial. § 4 Nas mesmas penas incorre quem omite. no exercício de suas funções e na forma da lei. § 2º .Para os efeitos penais. Trata-se do conceito de documento formalmente público. ▪ Objeto Material Documento público é aquele que foi emitido por funcionário público. a escritura pública de uma transferência de propriedade imóvel. o o o ▪ Tipo Penal O art. por exemplo. o título ao portador ou transmissível por endosso. e comete o crime prevalecendo-se do cargo. aquelas que dispõem sobre atos legislativos.§ 1º . nos documentos mencionados no § 3 . equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal. a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. porém substancialmente privado: trata de questões cujo conteúdo é de interesse privado. porém. pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório. foi modificado pelo agente.na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social. Esta falsificação pode ser total (o documento é criado por completo) ou parcial (ocorre algum acréscimo ao documento) b) Alterar: o documento é verdadeiro. 297 prevê as condutas de: a) Falsificar: implica na criação de um novo documento. Além da necessidade de ser formalmente público. declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita. aumenta-se a pena de sexta parte. declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. a remuneração. § 3 Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: I . os livros mercantis e o testamento particular.

▪ Documento Público por equiparação: Para os efeitos penais. Assim. incorre nas mesmas penas quem insere ou faz inserir: a) Na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social. equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal. o crime será o de falsificação de documento público. o título ao portador ou transmissível por endosso. as ações de sociedade comercial. os livros mercantis e o testamento particular. Passivo: O Estado e.A cópia autenticada de um documento particular continua sendo documento particular. a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. 297 dispõe que. Esta equiparação NÃO se reflete no âmbito civil. ▪ Sujeitos: Ativo: Qualquer pessoa. secundariamente. mas a ideia nele contida não é. Já o §4º do art. a pena é aumentada da sexta parte. em que o documento é formalmente verdadeiro. caso o agente que cometa o crime seja funcionário público e este se prevalece do cargo para cometê-lo. pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório. c) Em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social. 297 dispõe sobre condutas de falso ideológico. declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. ▪ Causa de Aumento de Pena: O §1º do art. b) Na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social. ▪ Formas Equiparadas: O legislador dispõe no §3º do art. Um particular pode cometer o crime de falsidade de documento público. desde que falsifique documento que deveria ter sido feito por funcionário público ou altere documento por este feito. declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita. Se a falsidade for em relação à autenticação. a remuneração. 9 . nome do segurado e seus dados pessoais. 297 aduz que nas mesmas penas incorre quem omite nos documentos mencionados no § 3o. terceiro que veio a ser lesado pelo crime.

a falsidade deve recair sobre falsidade de documento público. não se poderia falar em unidade de ideação. que. é por este absorvido. o falso se esgota naquela conduta. enquanto o estelionato atinge o patrimônio. 298 . portanto. c) O estelionato é absorvido pelo falso: Neste caso. de um a cinco anos. a pena será a mesma. b) O uso é absorvido pela falsificação.Falsificar. não poderá mais servir a nenhum outro crime.reclusão.Quando o falso se exaure no estelionato. pois há diversas orientações divergentes.▪ Concurso de crimes: Trata-se de assunto polêmico na doutrina.No que se refere ao concurso entre o USO e a FALSIFICAÇÃO de documento público. portanto. Compete-nos elencar estes posicionamentos: . com ele. o crime fim. d) O falso é absorvido pelo estelionato: (STJ) – trata-se aplicação da Súmula 17 do STJ. cometer estelionato. b) Haverá concurso material: pois haverá duplicidade de condutas. Exemplo típico é o emprego de uma folha de cheque falsificada. Falsificação de documento particular Art. o falso deve servir tão somente para aquele crime. se o agente quer falsificar um documento público e. absorção de um crime pelo outro.No que se refere à possibilidade de concurso entre o USO de documento falso e o estelionato. Não pode haver. cuja pena é superior à do estelionato. Portanto. e multa. sendo bens jurídicos diversos. 10 . no todo ou em parte. existem duas correntes: a) O uso de documento falso absorve a falsificação – prevalece. que prevê uma situação específica: Súmula 17 . e não apenas uma. Damásio dispõe que. Em termos práticos. sem mais potencialidade lesiva. uma vez utilizada. documento particular ou alterar documento particular verdadeiro: Pena . . nesta hipótese. existem quatro correntes: a) Haverá concurso formal (STF) – afirma-se que o crime de falso atinge a fé pública.

com vários núcleos: a) Omitir em documento público ou particular declaração que nele deveria constar: conduta omissiva em que o agente não insere a declaração que deveria constar no documento. ▪ Elemento subjetivo: É o dolo. bem como eventual terceiro lesado pela conduta. alterando-se o objeto material. criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: Pena . b) Inserir declaração falsa ou diversa da que deveria constar 11 . consubstanciado na vontade livre e consciente de falsificar ou alterar documento particular. 299 . aumentase a pena de sexta parte. ▪ Tipo Penal: Trata-se de um crime de ação múltipla. Parágrafo único . e multa. A falsidade presente neste tipo é de natureza material. e reclusão de um a três anos. ▪ Objeto Material: É o documento particular. se o documento é público. declaração que dele devia constar.Omitir. ▪ Sujeitos: Ativo: Qualquer pessoa Passivo: Estado. Falsidade ideológica Art. cujo conceito é residual: serão documentos particulares todos aqueles que não sejam públicos. ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita. e multa.reclusão. em documento público ou particular. de um a cinco anos. 297 e seu §2º. e comete o crime prevalecendo-se do cargo.Se o agente é funcionário público.▪ Tipo Penal: Estão previstas as mesmas condutas do crime de falsificação de documento público. se o documento é particular. não são aqueles compreendidos pelo art. com o fim de prejudicar direito. logo. ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil.

se o documento é público. e não apenas o dolo genérico. de um a cinco anos. firma ou letra que o não seja: Pena . conforme dispõe o § único do art. 300 traz como conduta típica a de reconhecer como verdadeira a firma ou letra que não o é. ▪ Elemento Subjetivo: É o dolo. a conduta de inserir só pode ser realizada por funcionário público. ▪ Sujeitos: Ativo: Qualquer pessoa. ▪ Causa de Aumento de Pena: Aumenta-se a pena em 1/6 se o agente é funcionário público e pratica o crime valendo-se do cargo. Caso o documento seja público. que é a intenção de prejudicar direito. e multa.reclusão. 12 . criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. a conduta é atípica. bem como o terceiro eventualmente lesado pela conduta. ▪ Objeto Material: Pode ser o documento público ou particular falsos. e multa.Reconhecer. Passivo: É o Estado. é necessário que o agente tenha um fim especial de agir. o agente repassa a informação para que terceira pessoa de boa-fé realize a conduta. 300 . Caso não haja quaisquer destas finalidades. Trata-se de hipótese de falsidade ideológica que recai sobre um documento materialmente falso. se o documento é particular. ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil.c) Faz inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita: neste caso. pois o agente dolosamente os reconhece como verdadeiros. no exercício de função pública. Falso reconhecimento de firma ou letra Art. 299. e de um a três anos. ▪ Tipo Penal: O art. como verdadeira. Conforme aduz a redação típica.

trata-se de uma hipótese de falsidade ideológica. fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público. no exercício de suas funções. Capez afirma que o tipo contenta-se com o dolo eventual: logo. ▪ Elemento Subjetivo: É o dolo. É necessário que o atestado ou certidão seja destinado à obtenção de algum benefício de caráter público.Atestar ou certificar falsamente. afirma a verdade de um fato ou circunstância contida em um documento público. isenção de ônus ou de serviço de caráter público. 301 . haverá crime. não há crime. 13 .detenção. pois o agente tem que possuir a vontade consciente de realizar tal reconhecimento.▪ Sujeitos: Ativo: Somente pode ser o funcionário público no exercício de sua função e dotado de fé pública para reconhecer firma ou letra. Como a própria epígrafe do tipo aduz. (Ex: servidor emite certidão de tempo de serviço). se o funcionário tiver dúvidas quanto à autenticidade da letra ou firma do documento e ainda assim as reconhecer como verdadeiras. ▪ Tipo penal e Objeto material: A compreensão das condutas típicas está intimamente relacionada à compreensão dos objetos materiais do tipo penal. ou qualquer outra vantagem: Pena . Caso faça por desídia. (Ex: servidor que emite atestado de boa conduta). pois não há previsão de modalidade culposa. em razão de função pública. portanto. Já a certidão é o documento pelo qual o funcionário. quais sejam: Atestado é um documento que traz em si o testemunho de um fato ou circunstância. Trata-se. bem como o terceiro eventualmente lesado pela conduta. Certidão ou atestado ideologicamente falso Art. de dois meses a um ano. de crime próprio. Passivo: É o Estado.

o médico emite atestado com conteúdo falso. Falsidade material de atestado ou certidão § 1º . ou alterar o teor de certidão ou de atestado verdadeiro. O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. e não apenas o funcionário público.Falsificar. 14 . É crime próprio.Se o crime é cometido com o fim de lucro. Trata-se de hipótese de falsidade ideológica. no todo ou em parte. o que diferencia a conduta da demonstrada no caput. 302 . aplica-se também multa. o atestado ou certidão mostram-se materialmente falsificados. no exercício da sua profissão. Parágrafo único . atestado ou certidão. isenção de ônus ou de serviço de caráter público. de três meses a dois anos. além da pena privativa de liberdade. ▪ Tipo Penal: Nesta hipótese. Passivo: É o Estado. Quanto ao “qualquer outra vantagem”. ▪ Tipo penal: Neste crime. para prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público. O sujeito ativo só pode ser o médico.Dar o médico.▪ Sujeitos: Ativo: Só pode ser cometido por funcionário público em razão da função.detenção.Se o crime é praticado com o fim de lucro. Falsidade de atestado médico Art. atestado falso: Pena . diverge o entendimento jurisprudencial se a vantagem tem que ser da mesma natureza das enumeradas no próprio §1º (vantagem de caráter público) ou se também pode ser de natureza privada. ou qualquer outra vantagem: Pena . configurando crime próprio. a de multa. aplica-se. § 2º . de um mês a um ano.detenção.

por exemplo.P. Caso um veterinário ou um dentista se faz passar por médico para emitir atestado. Trata-se de dispositivo revogado pelo art. 303 . A conduta de fazer uso possui várias acepções doutrinárias.317 do C. Importante asseveração é que. portanto. de conduta atípica. não apresentou o documento.).538/78. o crime é de corrupção passiva (previsto no art.O tipo não exige a obtenção de nenhuma vantagem. dentre as quais se destaca: a) a saída do documento da esfera individual do agente. incorre no crime de falsidade ideológica. 297 a 302: Pena . Trata-se. faz uso do selo ou peça filatélica.Na mesma pena incorre quem. de um a três anos. de modo a iniciar uma relação com outra pessoa. 15 . para fins de comércio.a cominada à falsificação ou à alteração. 39 da Lei n. a que se referem os arts. Reprodução ou adulteração de selo ou peça filatélica Art. Caso o agente seja funcionário público e pratica a conduta com fim de obter vantagem indevida (como lucro). salvo quando a reprodução ou a alteração está visivelmente anotada na face ou no verso do selo ou peça: Pena . Isto porquê o agente não usou.detenção. ▪ Tipo penal: O presente delito é denominado pela doutrina como “crime remetido”. O simples porte. ou b) empregar o documento de acordo com a sua destinação probatória. Parágrafo único .Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica que tenha valor para coleção. 6. não haverá crime. e multa. na hipótese do documento ser apreendido em poder do agente em decorrência de busca domiciliar. pois faz menção à outros dispositivos presentes no próprio Código Penal. não configura o crime. 304 .Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados. Uso de documento falso Art. portanto.

o tipo penal prevê diversas condutas. ▪ Sujeitos: Ativo: Qualquer pessoa. o crime é único. Isto decorre em virtude do Código de Trânsito Brasileiro exigir que o motorista porte a CNH e a exiba quando solicitado. Supressão de documento Art. 299 (documento público ou particular ideologicamente falso). não pode ser aplicado à Carteira Nacional de Habilitação – CNH alguém conduz um veículo automotor.reclusão. Caso diversos documentos falsos forem utilizados em um mesmo contexto. sem ter sido destruído ou ocultado.É recorrente o entendimento jurisprudencial de que esse entendimento. ▪ Elemento Subjetivo: É o dolo de fazer uso dos referidos documentos. porém. e multa. ▪ Objeto Material: Os documentos podem ser os dos arts. 301 (certidão ou atestado ideologicamente ou materialmente falso) e 302 (atestado médico falso). de um a cinco anos. de que não podia dispor: Pena . se o documento é particular. 297 (documento público). ▪ Tipo Penal: Não obstante a epígrafe do artigo. Passivo: É o Estado. Neste caso em específico. documento público ou particular verdadeiro. se o documento é público. 298 (documento particular). deixando de existir.Destruir. e secundariamente. o terceiro prejudicado. quais sejam: a) Destruir: o documento foi eliminado. suprimir ou ocultar. (ex: tornar determinada informação ilegível) 16 . e multa. de dois a seis anos. 305 . 300 (documento em que há falso reconhecimento da firma ou letra). ou em prejuízo alheio. e reclusão. (ex: queimar) b) Suprimir: fazer com que o objeto desapareça. “portar” teria o mesmo significado que “fazer uso”. em benefício próprio ou de outrem.

17 . Caso esteja ausente este elemento subjetivo específico. a conduta poderá ensejar em outro crime (Bitencourt cita o crime de dano). até mesmo o proprietário do documento que não poderia dele dispor. ▪ Elemento Subjetivo: É o dolo específico. Apesar de estar no capítulo sobre falsidade documental. consistente em obter benefício próprio ou para outrem. bem como eventual terceiro prejudicado. marca ou sinal empregado pelo poder público no contraste de metal precioso ou na fiscalização alfandegária. fabricando-o ou alterando-o.reclusão ou detenção.Se a marca ou sinal falsificado é o que usa a autoridade pública para o fim de fiscalização sanitária. e multa. ou comprovar o cumprimento de formalidade legal: Pena .c) Ocultar: significa esconder o documento para que não seja encontrado. ▪ Sujeitos: Ativo: Qualquer pessoa. ▪ Objeto Material: É o documento público ou particular de que o agente não poderia dispor. de dois a seis anos. ou para outros fins. falsificado por outrem: Pena . ou para autenticar ou encerrar determinados objetos. Art. e multa. 306 . não implica necessariamente em uma falsidade. Parágrafo único . Passivo: É o Estado. ou usar marca ou sinal dessa natureza.Falsificar. de um a três anos.reclusão. ou causar prejuízo à terceiro. CAPÍTULO IV DE OUTRAS FALSIDADES Falsificação do sinal empregado no contraste de metal precioso ou na fiscalização alfandegária.

Falsa identidade e uso de documento de identidade alheia – prevalece este último. pois é necessário que haja o fim especial de obter vantagem. b) Sujeito atribui a se identidade de pessoa fictícia. em proveito próprio ou alheio. ou de causar dano a outrem.Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem. ou multa. . São compreendidas as seguintes hipóteses: a) Sujeito atribui a si identidade de outra pessoa real. ▪ Concurso de crimes: . O entendimento doutrinário aduz que a falsidade engloba também os dados referentes ao estado civil e condição social. o crime passa a ser o de uso de documento falso. ▪ Tipo penal: A conduta descrita no art. pois a identidade aqui compreendida diz respeito aos caracteres próprios de uma pessoa. 307 é a de atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade. ▪ Elemento subjetivo: Trata-se de dolo específico. . 18 . 307 . ▪ Sujeitos: Ativo: Qualquer pessoa.Falsa identidade e Estelionato – prevalece o estelionato. bem como qualquer outro indivíduo que venha a ser prejudicado. Caso haja. NÃO pode haver documento. Para que haja falsa identidade. c) Imputa-se a outrem identidade real ou fictícia. de três meses a um ano. ou para causar dano a outrem: Pena . Passivo: O Estado. se o fato não constitui elemento de crime mais grave. em proveito próprio ou alheio.Falsa identidade Art.Falsa identidade e Uso de documento falso – no crime de falsa identidade não há emprego de qualquer identidade.detenção.

quais sejam: a) Usar como próprio documento alheio – neste caso. domicílio e residência. e multa. estado. bem como.detenção. título de eleitor. quem. Parágrafo único. profissão. ▪ Tipo penal: No presente artigo. b) Ceder a outrem. 68. seja onerosa ou gratuita. Incorre na pena de prisão simples. se o fato não constitui elemento de crime mais grave. Passivo: O Estado. caderneta de reservista ou qualquer documento de identidade alheia ou ceder a outrem. Art. para que dele se utilize. de quatro meses a dois anos. consistente na vontade livre e consciente de realizar as condutas descritas no tipo penal. Recusar à autoridade. quando por esta. se o fato não constitui infração penal mais grave. 19 . e multa. para que dele se utilize. de duzentos mil réis a dois contos de réis. 68 da Lei de Contravenções Penais Art. 308 . documento próprio ou de terceiro – o crime se consuma com a mera tradição.Obs: Contravenção do art.Usar. não necessitando qualquer fim especial de agir. há duas condutas distintas. eventualmente. nas mesmas circunstâncias. o crime se consuma com o mero uso dos documentos indicados no caput. de duzentos mil réis a dois contos de réis. A principal distinção é que na contravenção de recusa de dados sobre a própria identidade ou qualificação os dados são fornecidos a partir da solicitação da autoridade. do documento verdadeiro. o terceiro prejudicado. próprio ou de terceiro: Pena . como próprio. ▪ Elemento subjetivo: É o dolo. ▪ Sujeitos: Ativo: Qualquer pessoa. profissão. estado. dados ou indicações concernentes à própria identidade. domicílio e residência: Pena – multa. documento dessa natureza. justificadamente solicitados ou exigidos. passaporte. de um a seis meses. faz declarações inverídicas a respeito de sua identidade pessoal.

e multa.Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal identificador de veículo automotor. de seu componente ou equipamento: Pena .Prestar-se a figurar como proprietário ou possuidor de ação.detenção. § 2º . fornecendo indevidamente material ou informação oficial.detenção. nome que não é o seu: Pena . 311 .Incorre nas mesmas penas o funcionário público que contribui para o licenciamento ou registro do veículo remarcado ou adulterado. 310 . para entrar ou permanecer no território nacional. de três a seis anos. Adulteração de sinal identificador de veículo automotor Art. de um a quatro anos. nos casos em que a este é vedada por lei a propriedade ou a posse de tais bens: Pena . 20 . e multa.Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em razão dela.reclusão. e multa.Usar o estrangeiro. 309 .reclusão.Atribuir a estrangeiro falsa qualidade para promover-lhe a entrada em território nacional: Pena . de um a três anos. a pena é aumentada de um terço. de seis meses a três anos. e multa. Art.Fraude de lei sobre estrangeiro Art. título ou valor pertencente a estrangeiro. Parágrafo único . § 1º .