INDICE
CAP I 1 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9 -AS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRA……….……..………… 9 * - Informação como instrumento de gestão …………………………..10 * - Conceito de nformação…………………………………………… .10 * - Requisitos da informação geral…………………………………… 10 * - Informação e gestão………………………………………….…….10 * - Evolução da informação contabilística………………………….…10 * - Contabilidade – missão e objectivos…………………………….…10 * - Sistema de informação contabilística……………………………. ..11 * - Quadros de informação contabilística……………………….……..11 * - Objectivo da elaboração das demonstrações financeiras…………..11 * - Utilizadores da informação contabilística…………………….……11

1.10 * - O Estado como utilizador da informação financeira……………….12 1.11 * - Fluxos da empresa …………………………………………………12 1.11.1* - Tipos de fluxos……………………………………………………..13 1.12 * - Sistema de Normalização Contabilística (SNC)……………………14 1.12.1* - O que é o SNC?..................................................................................14 1.12.2 * - SNC – Aplicabilidade ( Decreto Lei nº 158/2009 de 13/7/2009)…..14 1.13 * - Norma Contabilistica e de Relato Financeiro Pequenas entidades....14 1.13.1 * - Limites para uma empresa ser considerada Pequena Entidade…......15 1.14 * - Instrumentos do Sistema de Normalização Contabilística SNC)…..15 1.14.1* 1.14.2* 1.15 1.15.1 1.15.2 1.15.3 - O que se entende no SNC por demonstrações financeiras? ……… 16 - Reclassificação das Contas POC/SNC ………………..…………..17 - Demonstrações Financeiras - SNC……………………………….. 19 - Balanço ………………………………………………………….... 19 - Demonstração de Resultados ……………………………………... 26 - Demonstração alterações Capital Próprio …………….….…….…. 29 2 A. Financeira – 2010

1.15.2.1 - Rendimentos Gastos e Resultados ………………………………... 26

1.15.4

-Demonstração dos Fluxos de Caixa ………………………………….31

1.15.4.1 - Fluxos de caixa ………………………………………………………31 1.15.4.2 - Demonstração de fluxos de caixa.……….……………………………31 1.16 1.16.1 1.16.2 1.16.3 - Orçamento de tesouraria ……………………………………………..33 - Orçamento de Tesouraria – Elaboração ……………………………..33 - Controlo do orçamento de tesouraria ……………………….………35 - Tesouraria Deficitária vs Tesouraria Excedentária: …….….………..37

1.16.3.1 - Déficit de Tesouraria ……………………………………….…….….37 1.16.3.2 - Superavit de Tesouraria …………………………….…………..……37 1.17 1.18 1.19 1.20 1.20.1 1.20.2 2 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 3.1 3.2 3.2.1 - Regra do Equilíbrio Financeiro Mínimo ………………………….…37 - A importancia do fluxo de caixa (liquidez financeira) ……….……..38 - O Serviço de Tesouraria ……………………………………………. 38 - Análise em função do tempo ………………………………………..39 - Análise estática ……………………………….……………………..39 - Análise dinâmica ………………………………………….………....39 - Rácios …………………………………………………………..……41 - Designação …………………………………………………….…….41 - Racios técnicos …………………………………………….……..….41 - Rácios económicos ………………………………………….……....43 - Rácios financeiros ………………………………………………..…43 - Limitaçoes dos rácios ……………………………………………..…43 - Rácios ………………………………………………………….……45 - Autofinanciamento - vantagens e inconvenientes ……………..……49 - Autofinanciamento, liquidez e disponibilidade ………………..……50

CAP II - RÁCIOS………………………………………………………..…....40

CAP III - ANÁLISE ECONÓMICA……………………………………….....44

3

A. Financeira – 2010

.………52 .....................................Introduçao …………………………………………………......................................2...Descriçao das varias tecnicas de analise ………………………...............1.................. .......................Em percentagens ……………………………………………….. 4.........1 4.b) ........2.........2..... CAP 5 5...........62 ...2 5.......2..2...................................................2 a) 5.......................1......57 .84 ......1 5...........Porque investir no Mercado de Valores Mobiliários.2 4.............78 ......……..... 71 .. 61 .............1..............2 d) 5.........Introdução.....2................................2 5...............Warrants...Principais tipos de Valores Mobiliários ...............84 ....Obrigações........CAP IV -ANÁLISE FINANCEIRA……………………………………..................2 e2) 5........1 4.Obrigações hipotecárias......1 5...c) ....Introdução........................................................................2...Diversificar para melhorar resultados ..Noção de Investimento........ 68 ...........…….....................Investir no Mercados de Valores mobiliarios( ou de Capitais )…....2................. 67 ..2............1 5......... 74 ...............3................66 ........ 66........ 51 4..... 64 ...... 69 ........ Financeira – 2010 5........…......2 e1) 5.....................................2 e3) 5...85 4 A..…........52 ......2.....2...........78 ...2........Em valores absolutos ………………………………………..............Acções..........……….............1....................Introduçao ……………………………………………………....................54 ..........2.... 69 ........................Fundos de Investimento.......Titulos de participação........ 64 ...............................2 e5) 5...........................Evolução dos fundos de investimento em Portugal...........Os rácios na analise financeira ………………………………..2 e4) 5.55 ........Características das Bolsas ...................2 b) 5......52 ......................a) 5.....Mecanismo da alavanca .....Em gráficos …………………………………………………………56 ..1....…..2 4..2 e) 5...............ANALISE DE INVESTIMENTOS.......Como tomar uma decisão de investimento em valores mobiliários..54 .........3 4.............Tecnicas de analise ………………………………………….............Estrutura dos fundos de investimento.........……........1 4.......….2 c) 5............... 66 .................................84 .......

.............1....2.. 90 5......1......Fundos de Índices................d2) ...2........e) ...........2.......................Quanto Às entidades de supervisão..........1........h) .......2.... 97 5..............2....... 92 5.............. i) ..Actividades realizadas pelos Fundos Investimento Imobiliário……........1.99 5 A......................b) ...2 . 90 5.........Noção de Fundo de Investimento Imobiliário..2............1..................................Vantagens.....87 5... 89 5........Quanto a natureza dos activos..................1........2.. 92 5..............1......................2....................1...........1.....g). 97 5.2....2............Constituição do activo dos FII........2......Gestão dos FII.................. 92 5............2..............................h).......1..........1..2.....................1. 86 5..........................2...k) ..........Natureza dos participantes dos FII...............1.Administração dos FII........Fundos de Tesouraria..Fundos Garantidos...1..2...........1............2.......b) .................................d) ........2.........1....Fundos de Acções..............1.....87 5......... 97 5.................... 98 5...............................2. 89 5.........................................................l) .......................................................................................... 86 5..1........i) ..2.......................2........1..Fundos do Mercado Monetáro…..2... 94 5....c) ..................Fundos deObrigações.................................Avaliação dos FII......1............................. 91 5. Financeira – 2010 ...Tipos de Fundos de Investimento Imobiliário quanto capital..2...5.............1. 88 5...........1...2.....................................2............2.. 99 5...........................a) ......1............1.....2.........1................................................ 86 5...........Fundos Mistos..d4) .. 91 5...2..................................................j) .........................1........ 88 5.1..................2......Quanto à forma de remuneração do participante...Classificação dos Fundos de Investimento.......2.1.................................. 92 5.2..d3) ............Estrutura dos Fundos de Investimento...1...............e) ...2.............1.......................2..... 89 5..................Os Fundos de Investimento Imobiliário em Portugal....95 5.....d) ......Quanto ao espaço de actuação.....................Fundo de Investimento Mobiliário (FIM )............1.d1) ...2.................2.............1 .................. 96 5...Fundo de Investimento imobiliário ( FII )...2......1................c) ........1...g) ........1.........1.....d) ............. 88 5........2.........a) .Fundos de Poupança-Reforma/Educação e de Acções…....Fundos de Fundos.......f) ...................2.....................f)...................2.........2.....1..1...............Vantagens fiscais.......2.........

.................4 5...6..........................................9.................Preparação.117 ......Investimento de expansão........117 ........Análise de competitividade..........1.......1..................6 5.........................6............6........3 5........................Critérios de análise................p) ...........Investir no sector produtivo .........Análise financeira.....................7 5......3 5................................... 106 .100 5..........................Métodos de previsão.................................10 5.....2...2 5.........................................................3.................1 5......................................Decisão......Investimentos estratégicos...........................3.....................................................2 5.... 107 ......................................4 5.2.Investir em bens de reserva de valor ......................m)......................108 .................................. 105 ..3 5..........................................110 ....................Classificação devido á interdependência dos projectos......2.11 5.......Capitalização..........3............................109 ...............12 .101 5...........5 5........9 5.............109 ..1 5...........................6............. 106 ....... Fórmula e calculo..............................................2........................1....3 5....................................... 105 ..................................8..............110 .....8.............................................................. 106 ............Identificação....................................8....Investir em imóveis .....................................................................109 .......1 5.............100 5........118 6 A...Elementos a considerar no estudo de um projecto de investimento.......110 ......3................5.... Financeira – 2010 ............Análise económica.....Composição da carteira dos FII.......Calculo da rentabilidade de um Fundo...............................Taxas equivalentes............. 105 .......2............................Execução.8...109 .................................2.................Análise.....2 5..................8..100 5...............Investimento de substituição..............................3........9........1 5..n) ..................Estudo de mercado.............Valor residual do investimento.......o) .............................Investimento de inovação ou modernização....4 5........1..................................... 107 .................. 105 . 106 .Estudo técnico do investimento......... 5.....................8 5.112 ........................2..............8......2 5...................9.....107 ...................... 108 .......2..................Principais etapas de um projecto de investimento..............Classificação dos Investimentos por objectivos…....8.

........ 122 ..16..Externas ...…...2 5...............Business angels ……………………………..6 ......Os meios libertos ou cash-flow de investimento......Internas .......1 5.…........... .....………136 7 A.....9 .................15..........16 5.2 .......12......Valor Actual Liquido.133 5....134 5...16......... 118 .......3 5.......…………135 5...........2....16.........Critérios da análise de investimentos..Período de reembolso....128 .........Titularização de Créditos (Securitization)…......…….............….........16...............Management Buy In………………......…………......16.2....126 .……………….....................................……….....2....16.Fontes de financiamento .15 5......................Fórmula...........Capitalização ..............13 5........……......…...15.…........ 118 ...…………………….............................. 121 .... 118 ..130 5..…….Taxa de Capitalização.....132 5..........2......14.......2...1 5.. Financeira – 2010 .........1 5................………………………………...4 .................................2........... 119 ...................... 123 ................134 5...2..........Garantia Mútua…….……….……..4 5.....1 5..Taxa interna de rendibilidade................………........………......................……...16....16.....7 ..............12..........…......….................................2...............………....…….................15.........Fórmula.......Noção de actualização.2 5.....Franchising …………………………….........16........16...15....................14 5.....10 .1 – Empréstimos Bancários e Obrigacionistas………..........Linha de crédito.......2...........……135 5.............................16..............5 ......................13..................Oferta Pública de Aquisição………..16...................Cash-Flow....................Management Buy Out………......……….........13....2 5.Índice de rendibilidade....….........................8 . 118 .3 ...1 5.........................130 .................... factoring e leasing…………............135 5..........................................Capital de risco………………………….....…………….........5............2..............130 ....………….........2........ 120 ...................131 5....………...... 128 .Calculo da taxa a utilizar......……………………135 5.....

........................................CAP 6 ...................... 141 ..... 145 ............................................................................Factura proforma ..................7 6....Quando facturar .........Como montar o controlo ...................... 141 ..............138 ......10 6........................................................ 139 ............medidas a tomar …............138 ................Factura provisória ...............138 ..As obras em curso no final do ano ................. 139 .......O Auto de Medição ...........8 6................................................................................O I...................................3 6........Noção de empreitada…....Juros de mora .................Cálculo ......... 141 ..............2 6....................9 6.....................................O controlo de garantias bancárias . e as notas de crédito .......................Tipos de factura da empreitada ............ 139 .......................................................................PAPERS..............................................................................Factura comercial ...............................................A.....................situação .............................12 Cap 7 .........138 ............................................6 6........................... 147 8 A............ 139 ....O Pagamento .........................11 6.................................. 143 .................................................1 6.................Garantias ...........V...........5 6......................... Financeira – 2010 ....................................... -CONTROLO FINANCEIRO DE EMPREITADAS.......................4 6...........................Saldos das contas clientes..........138 .................. 142 6........................137 ..

Financeira – 2010 .Cap I 9 A.

.A sua função é proporcionar informação financeira sobre as entidades económicas com o fim de permitir a tomada de decisões face a diferentes alternativas” .Desenvolvimento de sistemas de gestão para um melhor desempenho. 10 A. Credibilidade – permite aos seus utilizadores retirar conclusões idóneas. processos de gestão.1 .Conceito de informação Facto – algo que acontece no mundo real e que pode ser observado. 1.2 . fornecedores. . Economicidade – estar subordinada ao princípio ou lógica do custo-benefício.3 . e relação entre recursos e produção. .“A contabilidade é uma actividade de serviços. .Contabilidade – missão e objectivos: . Informação – respeita a dados ou conhecimentos avaliados para um fim específico. armazenado e sistematizado para futura referência e utilização.Rudimentar: nos primórdios. a situação económica.1 .Informação como instrumento de gestão 1. Dado – facto obtido mediante investigação empírica ou verificação.Informação e gestão: Desafios aos gestores: . clientes.Normalizada e harmonizada: tendências no início do século XXI.5 .Evolução da informação contabilística: . .. 1.Normalizada: final do século passado.Entender a informação como fonte de conhecimento dos negócios. financeira e monetária da organização.Subsistema de informação financeira que a partir dos factos patrimoniais os regista em suportes próprios por forma a dar a conhecer aos múltiplos utilizadores. metodologias.Organizada segundo o método contabilístico: século passado.). . 1.Criação de uma atitude pró-activa para a inovação com todos os “stakeholders” (pessoal.Aumento da qualificação e competência dos seus recursos humanos.. Financeira – 2010 .4 . 1.Requisitos da informação geral Oportunidade – estar disponível no momento em que é necessária. Conhecimento – facto ou dado recolhido de qualquer modo.

1. . 1. .Demonstração das alterações nos capitais próprios .Investidores/Accionistas .Auxiliar a tomada de decisão 1.Sistema de informação contabilística NTABILIDADE 1.8 .Evidenciar o desempenho dos responsáveis da empresa.6 .Fornecedores/Clientes . .Proporcionar informação sobre a posição financeira da empresa.Balanço. Financeira – 2010 . .Demonstração dos resultados.Objectivo da elaboração das demonstrações financeiras .Público/ Administração pública 11 A.7 .Demonstração dos fluxos de caixa.Quadros de informação contabilística: SISTEMA DE INFORMAÇÃO .9 – Utilizadores da informação contabilística .Financiadores/Trabalhadores . a sua situação económica e respectivas evoluções.

Na venda de bens e prestações serviços. GASTO: consiste no valor dos fluxos representativos dos consumos ou utilizações dos meios pela empresa. geram-se portanto novos fluxos (internos): .10 . independentemente da sua utilização ou consumo.Conhecer a situação tributária dos sujeitos passivos. procede-se a um conjunto de transformações dos meios adquiridos pela empresa. Para se assegurarem os fluxos reais externos de entrada dos fornecedores (despesas) 12 A. Para que os bens e serviços sejam postos à disposição dos clientes. uma entrada presente ou futura de meios líquidos para a entidade. . nas vendas e nas prestações de serviços. aumentos nos benefícios económicos da entidade. ou seja. Financeira – 2010 . ou dos seu pagamento.O Estado como utilizador da informação financeira . estamos atentos à forma como ela consome ou utiliza os seus recursos (meios) e gera os seus produtos e serviços.Obtenção de produtos (bens ou serviços aptos a serem vendidos ou utilizados pelos clientes).Fluxos da empresa Com a aquisição de bens e serviços. RENDIMENTO: representa o fluxo representativo da produção de bens.Concorrência (Autoridade da Concorrência) . Ao analisarmos a empresa em função dos fluxos reais internos.Consumos ou utilizações dos meios ou recursos na produção. .Prevenir / evitar a fraude e a evasão fiscal. . uma saída presente ou futura de meios líquidos da entidade. A essa aquisição e respectiva obrigação financeira designa-se Despesa. no direito a receber a contraprestação pecuniária equivalente ao bem que vende. das vendas e da prestação de serviços ou seja.11 . RECEITA: consiste no direito financeiro do vendedor. ou seja. ou seja.Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).1. ou ao serviço que presta. vendas e prestações de serviços.Controlar a matéria tributável / lucro tributável . ou seja. nasce a obrigação de efectuar o pagamento correspondente. 1. A esse venda e respectivo direito financeiro designa-se Receita DESPESA: consiste na obrigação financeira do comprador correspondente a uma aquisição de bens ou serviços. nasce o direito de receber o valor correspondente. diminuições nos benefícios económicos da entidade.Elaborar estatísticas (Instituto Nacional de Estatística) .

Recebimentos Perspectiva Demonstrações Financeiras Demonstração dos Fluxos Caixa .( recebimentos e pagamentos) RECEBIMENTOS PAGAMENTOS RECEITAS DESPESAS Óptica financeira (BAL/DVCP) Balanço Demonstração das Variações do Capital Próprio Óptica económica (DR) Demonstração dos Resultados (Por Natureza ou Funções) Óptica monetária (DFC) Demonstração de Fluxos de Caixa RENDIMENTOS GASTOS 1.Demonstração das Alterações no Capital Próprio . assumimos diferentes perspectivas que são evidenciadas por diferentes demonstrações financeiras: Tipos de Fluxos Fluxos Monetários .Receitas Financeira Fluxos Económicos .Balanço .Demonstração dos Resultados Monetária Fluxos Financeiros .e de saídas para os clientes (receitas) torna-se necessário proceder à correspondente contraprestação pecuniária .Pagamentos .Despesas .Fluxos monetários.Gastos .11.Tipos de fluxos Consoante os fluxos considerados.Rendimentos Económica (por Natureza ou por Função) 13 A.1 . Financeira – 2010 .

um volume de negócios superior a 150.SNC – Aplicabilidade ( Decreto Lei nº 158/2009 de 13/7/2009 ) É obrigatóriamente aplicável às seguintes entidades: .Sociedades abrangidas pelo Código das Sociedades Comerciais .Agrupamentos complementares de empresas e agrupamentos europeus de interesse económico.Empresas individuais reguladas pelo Códiço Comercial . 14 A. industrial ou agrícola.Norma Contabilistica e de Relato Financeiro para Pequenas Entidades Para estas entidades. que permite delimitar e simplificar num único documento.1 .O que é o SNC? Conjunto de normas coerente com as normas internacionais de contabilidade em vigor na União Europeia.1.Cooperativas . 1. O artigo 5ª do Dec. Financeira – 2010 . 1.12 .13 .Sistema de Normalização Contabilística (SNC) O SNC é o novo modelo de normalização contabilística aprovado em Conselho de Ministros a 23 de Abril de 2009.Estabeleciemntos individuis de responsabilidade limitada . exclui a aplicação do SNC às entidades sujeitas à supervisão do: . Esta é uma medida que permitirá a convergência internacional em matéria de relato financeiro.Comissão de Mercado de Valores Mobiliários Ficam dispensadas da aplicação do SNC (artigo 10º) as pessoas que.2 . exercendo a título individual qualquer actividade comercial.PE).consideradas de “menor dimensão” foi especificamente criada uma norma designada Norma Contabiisitica e de Relato Financeiro para Pequenas Entidades (NCRF.Banco de Portugal .Instituto de Seguros de Portugal .Empresas públicas .12. mais acessível e de mais fácil aplicação.000 € 1. não realizem na média dos últimos três anos. Lei. as exigências contabilisticas mais comuns a esse universo.12.

Nota: Qualquer entidade pode optar pela aplicação do conjunto das NCFR. Financeira – 2010 .Instrumentos do Sistema de Normalização Contabilística (SNC • Bases para a Apresentação de Demonstrações Financeiras (BADF) Estabelecem os requisitos globais que permitem assegurar a comparabilidade quer com as demonstrações financeiras de períodos anteriores da empresa quer com as de outras empresas.1 . são consideradas PE e por isso podem adoptar a NCRF-PE.14 . • Código de contas (CC ) Quadro síntese de contas.000 .Total das vendas liquidas e outros rendimentos : € 1. • Modelos de Demonstrações Financeiras (MDF) Publicados em Portaria do Ministério das Finanças e contemplam modelos para as demonstrações financeiras previstas no SNC.Total do balanço : € 500. (lista codificada de contas)) • Normas Contabilísticas de Relato Financeiro (NCRF) • Norma Contabilística e de Relato Financeiro Pequenas Entidades(NCRF-PE) • Normas Interpretativas (NI) Esclarecimentos e orientações 15 A.1.000.13. mesmo que a sua dimensão apenas obrigue à aplicação da NCRF-PE.Número de trabalhadores empregados em média durante o exercício: 20 Portanto as empresas que não ultrapassem nenhum ou que só ultrapassem 1 destes 3 limites.Limites para uma empresa ser considerada uma Pequena Entidade São consideradas Pequenas Entidades (PE) pelo enquadramento do SNC as empresas cuja dimensão não ultrapasse dois dos três limites seguintes: . 1.000 .

Financeira – 2010 .O que se entende no SNC por demonstrações financeiras? No âmbito do novo sistema de normalização contabilística. um conjunto completo de demonstrações financeiras. . é punida com coima de 500€ a 15000€.14. Que riscos corre uma empresa que não cumpra no prazo previsto pela lei o novo modelo de contabilidade e fiscalidade? As empresas que estejam sujeitas ao SNC e que não apliquem qualquer das disposições constantes nas Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro (NCRF) cuja aplicação lhe seja exigível.Um anexo em que se divulguem as bases de preparação e políticas contabilísticas adoptadas e outras divulgadas pelas NCRF.1.Uma demonstração de resultados.Uma demonstração de alterações do capital . 16 A.1 . próprio. .Uma demonstração de fluxos de caixa. inclui: . .Um balanço.

quer todos os activos ou passivos financeiros mensurados ao justo valor. quer estejam em regime de locação financeira. bem como outras operações com terceiros que não tenham cabimento nas contas anteriores ou noutras classes específicas. fornecedores. quer o dinheiro e depósitos bancários.Reclassificação das Contas POC/SNC Com o novo normativo será importante fazer uma reclassificação do sistema POC para o sistema SNC. 2 Contas a Receber e a Pagar (Ex Terceiros) Destina-se a registar as operações relacionadas com clientes. Reservas e Resultados Transitados (manteve nome) Valor aplicado pelos sócios. accionistas.14. (Ex Disponibilidades) Destina-se a registar os meios financeiros líquidos que incluem.1. pessoal. (Ex Existências) Inclui os inventários (existências) e os activos biológicos (animais e plantas vivos). Financeira – 2010 .2 . 17 A. Estado. 3 Inventários e Activos Biológicos. 4 Investimentos (Ex Imoblizações) Bens e direitos com continuidade e permanência e que não se destinam a ser vendidos ou transformados no decurso normal da actividade. como mostrado no quadro abaixo. financiadores. quer sejam da propriedade da própria entidade. 5 Capital. 1 Meios Financeiros Líquidos. bem como os resultados transitados. cujas alterações sejam reconhecidas na Demonstração de Resultados. Os diferimentos e as provisões também são incluídos para permitir o registo dos gastos e dos rendimentos no período a que respeitam.

7 Rendimentos (Ex Proveitos) Os rendimentos são aumentos nos benefícios económicos durante o período contabilístico na forma de influxos ou aumentos de activos ou diminuições de passivos que resultem em aumentos no capital próprio.6 Gastos ( Ex Custos) Os gastos são diminuições nos benefícios económicos durante o período contabilístico na forma de exfluxos ou deperecimentos de activos ou na incorrência de passivos que resultem em diminuições do capital próprio. que não sejam as relacionadas com distribuições aos participantes no capital próprio. 8 Demonstração de Resultados Evidencia a posição económica ou de desempenho da empresa através da relação entre os rendimentos obtidos e os gastos incorridos 18 A. Financeira – 2010 . que não sejam os relacionados com as contribuições dos participantes no capital próprio.

Balanço Informação acerca da posição financeira. É útil .15. O SNC tem uma lógica de entendimento da operação e dos agregados envolvidos. pela sua liquidez e solvência. enquanto que o POC tem a lógica baseada na conta.15 . que é afectada pelos recursos económicos que a entidade controla. Financeira – 2010 .1.Demonstrações Financeiras .Na predição da capacidade da entidade para gerar no futuro caixa e equivalentes de caixa -Na predição de futuras necessidades de empréstimos. 19 A. quer a Médio/Longo Prazo O SNC – Balanço passa a assumir uma forma vertical pelo facto do activo passar de três para apenas uma coluna de valores. sendo colocadas na coluna as quantias líquidas.1. quer a Curto Prazo. de como os lucros futuros e fluxos de caixa serão distribuídos entre os interessados e sucesso que terá em conseguir fundos adicionais . pela sua estrutura financeira.SNC 1.Na predição da capacidade da entidade para satisfazer os seus compromissos financeiros à medida que estes se vencerem.

.Se espera que seja realizado.Activos fixos intangíveis (Nova denominação).Máquinas. São o inverso do anterior. no decurso do ciclo operacional normal da empresa . Activo não corrente.Propriedades de investimento (Novo).É detido essencialmente com a finalidade de ser negociado . .Activos fixos tangíveis (Nova denominação). Podem ser: .Quando se trata de dinheiro ou equivalente (não existindo restrições quanto à sua utilização). 20 A.Activos contingentes (Novo).Se espera que seja realizado num prazo inferior a 12 meses a contar da data do balanço .Activos detidos para venda e unidades operacionais descontinuadas (Novo).Activos biológicos (Novo). . Financeira – 2010 . vendido ou consumido. . Estes activos podem ser: .Activo É um recurso controlado pela empresa como resultado de acontecimentos passados e do qual se espera que fluam para a empresa benefícios económicos futuros BENS E DIREITOS Activo corrente Um Activo deve ser considerado como corrente quando: . Patentes e direitos. .Locações. .

Financeira – 2010 .Balanço Activo 21 A.

Financeira – 2010 .Passivo e Capital Próprio 22 A.

Fornecedores. Passivo não corrente Os passivos não correntes podem ser: . no decurso do ciclo operacional normal da empresa . Capital próprio É o interesse residual nos activos da empresa depois de deduzir todos os seus passivos .Empréstimos concedidos de longo prazo.Passivo e Capital Próprio Passivo É uma obrigação presente da empresa proveniente de acontecimentos passados. ou seja. Activos – Passivos.Obrigações. Financeira – 2010 .Se espera que seja liquidado num prazo inferior a 12 meses a contar da data do balanço Os passivos correntes podem ser: .Se espera que seja liquidado. RESPONSABILIDADE PERANTE OS ACCIONISTAS 23 A. . Passivo corrente Um Passivo deve ser considerado como corrente quando: . .É detido essencialmente com a finalidade de ser negociado .Empréstimos a menos de 12 meses. da liquidação da qual se espera que resulte um exfluxo de recursos da empresa OBRIGAÇÕES Deve-se ter sempre presente a distinção entre uma obrigação presente e um compromisso futuro. Corresponde ao interesse residual.

Exemplo 24 A. Financeira – 2010 .Balanço .

Exemplo 25 A. Financeira – 2010 .Balanço .

Resultados Destina-se a apurar o resultado líquido do período.Na predição da capacidade da entidade para gerar fluxos de caixa a partir dos seus recursos básicos existentes.Valor do imposto estimado para o período. 26 A.1. 1.15. que não sejam os relacionados com as contribuições dos participantes no capital próprio. .Demonstração de Resultados Pretende evidenciar a posição económica ou de desempenho da empresa através da relação entre os rendimentos obtidos e os gastos incorridos. A anterior designação de custos (POC) passa a gastos (SNC).2 . A anterior designação de proveitos (POC) passa a designar-se por réditos ou rendimentos (SNC) Gastos São diminuições nos benefícios económicos durante o período contabilístico na forma de exfluxos ou deperecimentos de activos ou na incorrência de passivos que resultem em diminuições do capital próprio.1 .15.Resultados antes de impostos . Financeira – 2010 .2. que não sejam as relacionadas com distribuições aos participantes no capital próprio. Esta classe fica reduzida a apenas duas contas: .Rendimentos Gastos e Resultados Rendimentos São aumentos nos benefícios económicos durante o período contabilístico na forma de influxos ou aumentos de activos ou diminuições de passivos que resultem em aumentos no capital próprio.Na formação de juízos de valor acerca da eficácia com que a entidade pode empregar recursos adicionais. A sua forma no SNC vai assumir a forma vertical. É útil .

27 A. Gastos e perdas suportadas pela empresa respeitantes ao período. Financeira – 2010 .Demonstração de Resultados Rendimentos (Ex Proveitos e Ganhos) Rendimentos e ganhos obtidos respeitantes ao período. Gastos (Ex Custos e Perdas).

Financeira – 2010 .Demonstração de Resultados 28 A.

3.Demonstração alterações Capital Próprio É um documento que pretende demonstrar. as restantes entidades abrangidas pelo SNC.1. Encontra-se subdividida nas alterações provocadas pelos resultados líquidos. Financeira – 2010 . Excepto as pequenas entidades que estão dispensadas. No fundo. Dá aos utilizadores informação útil de explicação da variação ocorrida na Posição Financeira da empresa. de um exercício económico para o outro. explica como variou o Património Líquido da entidade. pelos detentores do capital e por outras alterações no Capital Próprio. justificar e explicar as modificações ocorridas na composição e valor do Capital Próprio através das respectivas rubricas. são obrigadas a apresentar a demonstração das alterações no capital próprio 29 A.15.

Demonstração alterações Capital Próprio 30 A. Financeira – 2010 .

2 . Financeira – 2010 .15.Da capacidade de uma entidade para pagar aos seus empregados e fornecedores. altamente líquidos que sejam prontamente convertíveis para quantias conhecidas de dinheiro ( maturidade inferior a três meses) e que estejam sujeitos a um risco insignificante de alterações de valor.Os equivalentes de caixa São investimentos financeiros a curto prazo. Os fluxos de caixa são entradas /recebimentos e saídas /pagamentos de caixa e seus equivalentes 1.1 .15.Da capacidade da entidade para gerar caixa.4.Demonstração de fluxos de caixa Serve para avaliar: . 31 A.Demonstração dos Fluxos de Caixa 1. reembolsar empréstimos e fazer distribuições aos seus proprietários.4.15.O dinheiro em caixa e em depósitos á ordem . .4 .Fluxos de caixa Compreende: . satisfazer pagamentos de juros.1.

Financeira – 2010 .Demonstração dos Fluxos de Caixa 32 A.

1 . 1. Para os pagamentos e recebimentos relacionados com o financiamento. despesas e vendas (tesouraria de exploração) deverá ter em conta a contabilidade orçamental e aos valores do ano anterior aplicar a percentagem de crescimento ou diminuição.O orçamento de tesouraria O orçamento de tesouraria corresponde à previsão de todos os recebimentos e pagamentos da entidade mês a mês. assim como todos os encargos financeiros tais como os juros.1. permitindo obter assim o saldo de tesouraria previsional ao longo do ano. vendas e despesas.Orçamento de Tesouraria – Elaboração Para a elaboração do orçamento de tesouraria é necessário conhecer mês a mês as previsões de compras.16 . Na previsão dos investimentos deverá efectuar uma relação pormenorizada de todas os investimentos a efectuar ao longo do ano. é necessário ter em conta a amortização dos empréstimos.16. transferências e investimentos e seu financiamento. Orçamento Tesouraria de exploração: 33 A. Na estimativa das compras. Financeira – 2010 .

o Balanço Previsional e a conta de Exploração Previsional. dão origem ao orçamento de tesouraria. o qual inclui todos os pagamentos e recebimentos previstos na actividade de exploração da empresa. 34 A.Orçamento Tesouraria de Investimentos Orçamento Tesouraria de Financiamento Estes 3 sub-orçamentos. Financeira – 2010 . dos investimentos e do seu financiamento.

Controlo do orçamento de tesouraria O orçamento de Tesouraria é um instrumento indispensável de gestão e controlo financeiro a curto-prazo. Financeira – 2010 . No orçamento de tesouraria é necessário efectuar um controlo periódico dos desvios..16.1. análise das causas que o originaram e a introdução das medidas correctivas.2 . É importante que o gestor financeiro efectue reanálises regulares do orçamento de tesouraria. Exemplo de Orçamento de Tesouraria Anual Recebimentos 35 A.

600 €.300 €. 36 A. O saldo final do ano da tesouraria é positivo em 3. Financeira – 2010 .000 €.500 €). em resultado essencialmente do investimento efectuado de 6. Em Fevereiro o saldo previsional de tesouraria é positivo em 650 €.Exemplo de Orçamento de Tesouraria Anual Pagamentos Jan Fev Total Neste exemplo. verificamos que em Janeiro o saldo previsional de tesouraria é negativo em 1. pelo facto de os recebimentos serem superiores aos pagamentos (verificou-se um aumento de capital de 1.000 € o qual foi apenas financiado nesse mês por 4.

Este facto. Esta tesouraria positiva deverá ser optimizada no sentido de aumentar os resultados por juros recebidos em aplicações ou des€ por pagamento a pronto. crédito bancário a curto prazo (apoio à tesouraria). tais como: empréstimo a curto-prazo.etc. Financeira – 2010 . o estado da tesouraria da empresa ao longo dos vários meses do ano. 1. se o saldo for positivo (superavit) o gestor poderá aplicar esse excedente em aplicações financeiras obtendo assim juros. isto é. etc). necessidades de financiamento e excessos de tesouraria e tomar também as medidas mais convenientes. Deste modo.16.Regra do Equilíbrio Financeiro Mínimo Em complemento à elaboração do orçamento de tesouraria. pois os recebimentos de exploração estarão a financiar um investimento a longo prazo. para evitar situações de ruptura. o gestor deverá ter em conta um aspecto essencial que é a Regra do Equilíbrio Financeiro Mínimo.2 . 1. Assim. se a entidade irá necessitar de mais fundos do que aqueles que são libertados pelos proveitos e custos da empresa e de quando irá necessitar em cada momento. o Orçamento Tesouraria Anual irá prever em dinheiro. É então necessário encontrar formas de antecipar esta situação.1. poderá prever a tempo e horas eventuais faltas de fundos.17 .Déficit de Tesouraria No caso de saldo negativo (deficit) o gestor vai prever a forma de financiamento a curto-prazo. terrenos.16. poderá antecipar pagamentos para obter des€ financeiros. Esta é uma das principais razões da asfixia de tesouraria de muitas organizações. se os investimentos forem superiores ao financiamento de longo-prazo.3.1 .3 . factoring (adiantamento das facturas a crédito). 1. 37 A. a qual será positiva ou negativa. as quais poderão ter prazos médios de pagamento a fornecedores reduzidos ou uma reduzida rotação dos seus stocks. o que implica que o valor das compras já pagas aos fornecedores não tenha ainda sido recebida.3. implica dificuldades imediatas de tesouraria.16. etc. Se esta condição não estiver satisfeita.Tesouraria Deficitária vs Tesouraria Excedentária: O orçamento de tesouraria permitirá ao gestor conhecer mês a mês. Esta regra pressupõe financiar com capitais permanentes (capital próprio ou empréstimos de longo-prazo) os investimentos em imobilizado (equipamentos. negociar alargamento de prazo de pagamentos a fornecedores. Esta situação de tesouraria deficitária é também frequente em organizações saudáveis e rentáveis.Superavit de Tesouraria Inversamente. esta diferença estará a ser paga pela tesouraria corrente.

18 .Este processo engloba as seguintes actividades: Contabilização de documentos bancários Certificação das contas bancárias . dificuldade e incapacidade para assumir os seus compromissos a curto prazo).e. No entanto alguns gestores. e a garantia de que estes se encontram integralmente reflectidos na Contabilidade c) Contabilização de Pagamentos e Recebimentos 38 A. ignoram esta área.A importancia do fluxo de caixa (liquidez financeira) Muitas entidades que reportam resultados positivos têm. problemas de liquidez (i. bem como gerir e incrementar os recursos financeiros disponíveis.Ferramenta de gestão de Tesouraria.Verificação da conformidade dos saldos apresentados nos extractos das contas correntes bancárias. registar os recebimentos e efectuar os devidos registos contabilisticos. Financeira – 2010 . por vezes..esta actividade consiste na realização das seguintes tarefas: Previsão Financeira . que permite fundamentar as decisões de aplicação ou solicitação de fundos Gestão Diária de Tesouraria b) Gestão de Bancos .19 . A fim de se dar um crescimento sustentado das organizações é de extrema importância que os fluxos de caixa (cash flow’s) sejam devidamente planeados e controlados.1. 1. São englobados no serviço de Tesouraria a realização das seguintes tarefas: a) Orçamentação e Controlo de Tesouraria . por diversas razões.O Serviço de Tesouraria Tem como função efectuar/autorizar os pagamentos.

Ex: Fundo de Maneio (do ano X)= Cap.1 .1.20. (do ano X) 1. Ex: Comparação do: F Maneio (do ano X) com o F Maneio (do ano Y) e com o F Maneio (do ano Z) (1) Tema a desenvolver aquando da execução de exercicios práticos 39 A. Facilita a previsão e a tomada de decisões.20 . considerando a variável tempo.20. Analisa a situação da empresa em momentos diferentes. Financeira – 2010 .Permanentes (do ano X) – Activo Fixo.Análise dinâmica (1) Conceito Nesta analise uns elementos referem-se a um período e pelo menos algum elemento a outro período diferente. principalmente as correctivas para remediar uma situação indesejável. sem considerar a variável tempo.Análise em função da variável temporal 1. Refere-se a um determinado momento da vida da empresa e relaciona várias grandezas integrantes do BALANÇO.Análise estática (1) Conceito Todos os elementos de analise estão referidos ao mesmo momento ou período de tempo. Compara valores do balanço (no ano X).2 .

CAP II 40 A. Financeira – 2010 .

2 – Rácios 2. O interesse dos RACIOS reside essencialmente no facto de permitirem comparações intertemporais e interempresas. Um RACIO pode ser expresso com um quociente ou com uma percentagem.000 (1) (2) (1) Horas de trabalho x custo da hora (2) 60 H x 500 u.2 . Ou seja 6. pois reflecte melhor a evolução da produtividade geral . se utilizou 1 unidade monetária referente a factores produtivos.Racios tecnicos São indicadores referentes á produtividade e exprimem a eficiência dos factores produtivos na produção.m. Produção 200. Produçao 200. 2. INDICADOR DE PRODUTIVIDADE DO TRABALHO Para uma melhor análise da medida de eficiência atrás referida. Estas duas grandezas podem ser traduzidas em unidades físicas ou monetárias. INDICADOR DA PRODUTIVIDADE GLOBAL Trata-se de uma razão entre a produção realizada e os facto res utilizados nessa produção. Financeira – 2010 .6 unidades monetárias do produto por cada unidade monetária de salários 41 A.000 -----------------------. por cada 4 unidades monetárias produzidas do bem Y .000 -----------------------------------------. devemos considerar a produtividade do trabalho.6 População activa 30.000 Significa que.1 Designação Designa-se por RACIO um quociente ou uma relação característica entre duas grandezas.= ------------.= 6.= ------------.= 4 Factores produtivos utilizados 50.

42 A. Financeira – 2010 .= ---------------------Resultados previstos Lucro previsto Traduz o grau de alcance dos objectivos previamente fixados. Resultados efectivos Lucro efectivo -----------------------------. Resulta da comparação entre os resultados obtidos e os resultados previstos.INDICADOR DE ECONOMICIDADE Este rácio visa atingir níveis previamente fixados. permitindo correcções futuras ou na execução e/ou na previsão.

Limitaçoes dos rácios Numa altura em que a técnica dos rácios se vulgariza e se utiliza com frequência para quase todos os fins. 43 A.3 .4 – Rácios financeiros São os que analisam os aspectos financeiros. convém alertar que este instrumento tem algumas limitações. etc. vendas intempestivas de existências à data do balanço. a capacidade de autofinanciamento. a capacidade técnica dos quadros. pode ser falseada pelas diferenças das práticas contabilísticas da empresa.5 . a qualidade dos gestores. dois analistas podem calcular um mesmo rácio para a mesma empresa com valores diferentes. 2. dos rendimentos. . Assim.A comparação de rácios entre empresas do mesmo sector.Não existe uma definição normalizada a nível nacional e muito menos internacional de cada rácio. tais como a estrutura financeira. sob pena de se tirarem conclusões no mínimo com pouco significado. a motiva ção. devendo pois ser usado com prudência.Decisões de curto prazo podem afectar profundamente os documentos financeiros e os rácios que lhes estão inerentes. senão mesmo incorrectas. a solvabilidade. a liquidez. Financeira – 2010 . .Rácios económicos Pretendem revelar aspectos da situação económica como a estrutura dos gastos. Algumas das limitações a referir são: . . etc. 2.Os rácios tratam apenas dados quantitativos.2. ou com médias de sector. Não têm em consideração factores qualitativos como a ética. Por exemplo. etc.

CAP III 44 A. Financeira – 2010 .

Quanto mais elevado for.Rácios Analisam a evolução e a formação do lucro e do autofinanciamento .Gastos normais Este rácio exprime a percentagem de remuneração dos capitais próprios da empresa. RENDIBILIDADE NA OPTICA DOS ACCIONISTAS LUCROS DISTRIBUÍDOS LUCRO LIQUIDO --------------------------------------. têm de originar resultados. RENDIBILIDADE DOS CAPITAIS PROPRIOS LUCRO OPERATIVO ----------------------------------.x 100 CAPITAL PRÓPRIO em que Lucro Operativo = Rendimentos normais .X 100 CAPITAL SOCIAL CAPITAL SOCIAL RENDIBILIDADE DOS CAPITAIS TOTAIS (OU ECONOMICA) LUCRO ---------------------------.X 100 ACTIVO (TOTAL) Mede a capacidade que todos os capitais postos á disposição da empresa tem em originar resultados 45 A.Medem a capacidade que todos ou parte dos capitais postos à disposição da empresa. RACIOS DE RENDIBILIDADE DA EMPRESA . Financeira – 2010 .1 .3 – Análise económica 3.X 100 E ----------------------------. maior é a capacidade de autofinanciamento da empresa.

VENDIDAS .EQUAÇAO FUNDAMENTAL DA RENDIBILIDADE DOS CAPITAIS (1) Engloba a: RENDIBILIDADE DAS VENDAS (2) e a ROTAÇÃO DE CAPITAIS (3) LUCRO LUCRO VENDAS LIQUIDAS ------------------------.X 100 PREÇO MÉDIO VENDAS X QUANT.Variação das quantidades vendidas Daqui se infere que o aumento da rendibilidade das vendas é função das variações do preço de custo e/ou de venda.Do lucro obtido por escudo vendido(2) .Do numero de escudos vendidos por cada escudo investido (3) RENDIBILIDADE DAS VENDAS PREÇO MÉDIO VENDAS X QUANT. Financeira – 2010 . VENDIDAS Este rácio define o montante do lucro que se origina por cada 100 unidades monetárias. Pode ser alterado por: .= -----------------------------.Variação do preço de venda .X -----------------------------ACTIVO TOTAL VENDAS LIQUIDAS ACTIVO TOTAL (1) (2) (3) Daqui se infere que a Rendibilidade dos capitais dependerá : .CUSTOS ---------------------------------------------------------------------------------------.Variação do preço de custo . 46 A.

Redução do Activo mantendo vendas constantes . é sinal de uma sã política a preocupação pela gestão deste Activo. O aumento deste rácio dá-se por: .. devem-se reduzir as dívidas dos clientes.Aumento das vendas sem aumento do Activo .ROTAÇAO DO ACTIVO CORRENTE VENDAS LIQUIDAS --------------------------------ACTIVO CORRENTE A rotação deste Activo reveste-se de especial importância. Financeira – 2010 .Aumento das vendas em maior proporção ao aumento do Activo . na medida em que é ele que mais influencia a rotação do Activo Total. Assim. nomeadamente no que diz respeito aos stocks em armazém. Estes devem ser reduzidos ao mínimo de modo a realizar vendas rentáveis com um stock limitado.Aumento das vendas e redução do Activo .ROTAÇAO DOS STOCKS (Tempo médio em meses) INVENTÁRIO (EXISTÊNCIAS) ----------------------------------------------.ROTAÇAO DO CAPITAL OU DO ACTIVO Este rácio indica o grau de utilização dos activos VENDAS LIQUIDAS -------------------------------ACTIVO Representa a relação entre o montante de vendas de um período com o capital investido (Activo). .X 12 VENDAS Exprime o tempo médio de transformação dos Inventários em disponibilidades. 47 A. Por outro lado.

- TEMPO MEDIO DE RECEBIMENTOS CRÉDITOS (CLIENTES) -------------------------------------- X 12 VENDAS Indica qual o prazo médio de transformação dos créditos em disponibilidades. Um rácio alto é, em termos financeiros, desfavorável, mostrando por vezes ineficiência do departamento de cobrança ou falta de poder negocial da empresa perante os seus clientes. - TEMPO MEDIO DE PAGAMENTOS DÉBITOS (FORNECEDORES) ---------------------------------------------- X 12 COMPRAS Mede a velocidade com que a empresa costuma pagar as suas dividas aos fornecedores. Quanto mais baixo o seu valor, menor o grau de financiamento que os fornecedores fazem á exploração. Pode também revelar falta de poder negocial da empresa perante os seus fornecedores. Mas será de referir que um valor muito elevado pode identificar dificuldades da empresa em satisfazer as suas obrigações. ROTAÇAO DO ACTIVO FIXO VENDAS LIQUIDAS ------------------------------------ACTIVO NÃO CORRENTE Tem este rácio a finalidade de comparar o valor do montante das vendas de um período com o valor actual do Activo Não Corrente. A empresa deve vender os Activos Não Correntes com fraca rendibilidade e com poucas perspectivas futuras.

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A. Financeira – 2010

3.2 - Autofinanciamento - vantagens e inconvenientes Considerandos O Autofinanciamento desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da empresa. Permite assegurar o crescimento do activo económico sem recursos a terceiros, sem originar encargos financeiros directos - juros e reembolsos -. O autofinanciamento, além disso, aumenta a faculdade de obtenção de empréstimos por parte da empresa. O AUTOFINANCIAMENTO é o conjunto de recursos financeiros gerados na própria empresa e que são as AMORTIZAÇÕES, RESERVAS, PROVISÕES. As AMORTIZAÇÕES constituem uma verdadeira fonte de financiamento que proporciona disponibilidades á tesouraria e permite novos investimentos. De notar que as AMORTIZAÇOES são para a empresa uma fonte de financiamento muito especial, pois está isenta de impostos. As RESERVAS são constituídas pela fracção de lucro que, por decisão da assembleia geral ou por estatuto, não é distribuída aos accionistas, ficando na empresa para o seu financiamento. Como fonte de financiamento apresentam o inconveniente de recair sobre elas imposto. As PROVISÕES para gastos futuros ou para riscos ocasionados mas não realizados, constituem uma fonte de financiamento isenta de impostos. Importa mencionar que nem todas as PROVISÕES são Autofinanciamento. Com efeito, cada vez que uma provisão é constituída, com vista a fazer face a perdas ou a encargos claramente fixados, a empresa apenas disporá dos fundos por um período muito limitado, pois desaparecerão com a constatação do encargo. Como exemplo, refira-se o caso das provisões para créditos de cobrança duvidosa. Torna-se portanto necessário separar todas as provisões que são apenas encargos a prazo. Em compensação, é preciso tomar em consideração as provisões para depreciação dos títulos de participação ou dos empréstimos a mais de um ano que têm por objecto constatar uma depreciação real e portanto uma perda de capital Vantagens e inconvenientes do AUTOFINANCIAMENTO - Vantagens: Evita que a empresa se endivide de forma exagerada Permite às empresas que não podem ter acesso ao mercado financeiro, libertar os recursos necessários ao seu desenvolvimento. Não origina qualquer encargo de juro e reembolso. 49 A. Financeira – 2010

-Inconvenientes O Autofinanciamento não é gratuito. Tem um custo em juros já que as somas disponíveis poderiam ser colocadas no exterior em aplicações lucrativas.

3.2.1 - Autofinanciamento, liquidez e disponibilidade O autofinanciamento anual (quando positivo) significa um aumento da liquidez da empresa, mas não necessariamente das suas disponibilidades, pois aquela pode ser automática ou deliberadamente absorvida por outras rubricas do activo ( v.g., crédito concedido aos clientes);assim importa distinguir os conceitos de liquidez e disponibilidade A liquidez (entendida como grau de liquidez) de um elemento activo consiste na sua aptidão para se converter a curto prazo em meios monetários (meios financeiros liquidos);a disponibilidade (grau de disponibilidade) de um elemento activo é revelada pela sua aptidão para se transformar imediatamente em meios monetários. O que acabámos de afirmar permite-nos concluir que, quanto maior for o nível do autofinanciamento anual, maior será o grau de liquidez por si gerado, dependendo as variações das disponibilidades (durante o período de referência) dos seguintes aspectos primordiais: - Política de concessão de créditos a clientes - Política de formação de stocks - Política de obtenção de crédito - Política de investimento em capital fixo - Política de distribuição de lucros

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A. Financeira – 2010

Financeira – 2010 .CAP IV 51 A.

4 – Análise financeira 4. e.2 . cuja tradução financeira assenta. 52 A. 4.Introduçao Compete-lhe: A recolha de informações e o estudo por forma a se poder obter um julgamento seguro sobre a situação financeira da empresa. Daqui se infere que cabe á ANALISE FINANCEIRA determinar em que medida são conseguidos os objectivos gerais e particulares que correspondem ao conjunto das tarefas que integram a função financeira Assim a ANALISE FINANCEIRA deve dar resposta a duas questões fundamentais: 1) Em que medida a empresa dispõe dos meios financeiros adequados às suas necessidades operacionais.1 . Não evidencia a trajectória percorrida. a rendibilidade e a produtividade. pois eles correspondem á estrutura de capitais da empresa e á forma como se processou a obtenção dos resultados. O balanço reúne em si todas as consequências da gestão passada. por forma a poder funcionar com independência perante terceiros.1 . Financeira – 2010 . independentemente de ter sido boa ou má. assegurar a sua permanência no mercado e a expansão da actividade. para dar satisfação adequada a todos os que dela participam. mas sim a situação num dado momento. ao mesmo tempo.Introduçao Já se fez referência aos balanços e ás demonstrações de resultados com sendo os elementos que servem de base á análise financeira/económica. no lucro e no valor acrescentado. Estamos perante o estudo do equilíbrio financeiro em geral e da liquidez e solvabilidade em particular. e dos condicionalismos que afectaram a vida da empresa. ou tem possibilidade de vir a deles dispor. Estamos perante problemas relacionados com o grau de eficiência da empresa.Tecnicas de analise 4. respectivamente. 2) Qual a sua aptidão para gerar valor ou rendimento.2.

tem vindo a degradar-se. A empresa BETA que tinha uma situação muito boa. ANALISAR O PRESENTE.Será como que o ponto de partida para o futuro. Financeira – 2010 . RECORRENDO AO PASSADO PARA SE PERSPECTIVAR O FUTURO é o que interessa numa análise financeira. demonstra grande vitalidade e antevê-se uma evolução favorável. Pretende-se com este exemplo chamar a atenção para o principio de que a análise financeira a uma empresa NUNCA deve ser feita somente com o último balanço. BETA. A empresa ALFA apresenta-se estável. GAMA. partindo do principio que se conhece o presente e o passado. com a seguinte evolução: Situação Financeira Muito boa GAMA Boa ALFA BETA Má -3 -2 -1 Anos 0 1 2 No momento actual (Ano 0 ) todas tem uma boa situação financeira. Consideremos as empresas ALFA. mas sim com os balanços de anos sucessivos (geralmente de 3 a 5) 53 A. Assim o balanço e a demonstração de resultados que o apoia servirão de base para a tomada das medidas impulsoras e correctoras que coloquem a empresa numa evolução consentânea com os objectivos que se pretendem alcançar. A empresa GAMA tendo vindo de uma situação difícil.

a fornecedores Clientes Inventários CAPITAL PRÓPRIO Capital realizado Acções próprias Reservas legais Resultados transitados PASSIVO Passivo Não Corrente Provisões Fianciamentos obtidos Passivo Corrente Fornecedores Adiant. Financeira – 2010 . MAPA DE MUTAÇAO DE VALORES 2009 ACTIVO Activo Não Corrente Propriedades de investimento Activos intangiveis Activos fixos tangiveis Activo Corrente Meios Financeiros liquidos Outros activos financeiros Estado Adiant.2.Em valores absolutos Através da comparação do último balanço da empresa com os anteriores. Para o efeito elabora-se o mapa de mutação de valores. 4.1 . Apresenta-se seguidamente um exemplo sucinto do mapa de mutação de valores.2. em termos absolutos.2 . obtém-se uma visão directa e rápida da evolução da situação financeira. de clientes Financiamentos obtidos 2010 + - 54 A.2.Descriçao das varias tecnicas de analise Comparação de balanços e contas de resultados de exercícios sucessivos.4.

2.4. . a fornecedores Clientes Inventários 100 CAPITAL PRÓPRIO Capital realizado Acções próprias Reservas legais Resultados transitados PASSIVO Passivo Não Corrente Provisões Fianciamentos obtidos Passivo Corrente Fornecedores Adiant.2.2.Em percentagens Este método complementa o anterior e neste há todo o interesse em agregar as diversas rubricas nos grupos patrimoniais mais significativos COMPARAÇAO DE BALANÇOS SUCESSIVOS EM PERCENTAGENS 2003 Valor € ACTIVO Activo Não Corrente Propriedades de investimento Activos intangiveis Activos fixos tangiveis Activo Corrente Meios Financeiros liquidos Outros activos financeiros Estado Adiant. Financeira – 2010 . de clientes Financiamentos obtidos 100 55 100 100 100 100 % 2004 Valor € % 2005 Valor € % A.

Cap. Cap.4. Próprio. Financeira – 2010 .3 . 56 A.Em gráficos 2008 2009 2010 Passivo Activo Corrente Activo Corrente Passivo Corrente Activo Passivo Corrente Corrente Corrente Activo Passivo Activo Não Corrente Não Corrente Não Passivo Não Corrente Corrente Activo Não Corrente Passivo Não Corrente Cap. Próprio.2.2. Próprio.

significa: Todo o Capitais Corrente é financiado pelo Passico Corrente. Não há margem de segurança. utilizam-se os Rácios . Financeira – 2010 57 . significa : Estamos perante uma situação favorável.Os rácios na analise financeira No estudo do Balanço. Tudo depende dos prazos de disponibilidade dos elementos do Activo Corrente. significa: Fundo de Maneio negativo. Poderá haver dificuldades de Tesouraria.relações entre os dados contabilísticos. ACTIVO CORRENTE ---------------------------------PASSIVO CORRENTE Se este rácio é < 1 . É uma situação instável. A. LIQUIDEZ E TESOURARIA LIQUIDEZ GERAL Por liquidez entende-se a capacidade que a empresa tem de fazer face aos seus compromissos a curto prazo. Pode no futuro ocasionar problemas como no caso anterior. QUE FAZER ? Diminuir prazo médio de credito a clientes Tentar o aumento do prazo médio de pagamentos aos fornecedores Se este rácio é > 1. Esta situação provoca geralmente dificuldades. QUE FAZER ? Diminuir prazo médio de credito a clientes Tentar o aumento do prazo médio de pagamentos aos fornecedores Recorrer ao crédito bancário Se este rácio é = 1.3. Podem ser expressos sob a forma de quociente ou sob a forma de percentagens. e dos prazos de exigibilidade das dividas do passivo corrente.3 .4.

pelo que as dividas a pagar estão garantidas pelos bens da empresa. LIQUIDEZ REDUZIDA OU DE TESOURARIA ACTIVO CORRENTE – INVENTARIOS (Ex Existências) --------------------------------------------------------------------------------PASSIVO CORRENTE Ao expurgar dos Activoss Circulantes a componente Inventários. As empresa bem geridas apresentam valores compreendidos entre 0. RACIO DE SOLVABILIDADE TOTAL ACTIVO TOTAL --------------------------PASSIVO Para valores > 1 o Activo é > que o Passivo.1. Financeira – 2010 . SOLVABILIDADE E a capacidade de a empresa fazer face aos compromissos a médio e longo prazo. para uma empresa bem gerida.9 e 1. por si só. LIQUIDEZ IMEDIATA MEIOS FINANCEIROS LIQUIDOS -----------------------------------------------------PASSIVO CORRENTE Este rácio revela a capacidade que a empresa tem para liquidar imediatamente os compromissos a Curto Prazo. Torna-se necessário recorrer a outros dois Rácios. 58 A. Para valores < 1 o Activo não tem capacidade de responder pelas dividas a pagar. tirar conclusões determinantes sobre a verdadeira liquidez da empresa. oscilam entre 1.3 e 1.Os valores deste rácio.5. O rácio descrito não permite. estamos a libertálo de um elemento cujo peso é normalmente elevado e que poderia levar a conclusões menos correctas da liquidez .

O rácio de DEPENDENCIA mostra a dependência financeira em relação ao exterior. FINANCIAMENTO DO ACTIVO CORRENTE (CIRCULANTE) O rácio PASSIVO CORRENTE ------------------------------------. o total de capitais alheios (Passivo) aplicados em cada 100 unidades monetárias da Activo. O rácio de AUTONOMIA mostra o total de Capitais Próprios aplicados em cada 100 unidades monetárias do Activo. Inferior a 100 O Activo Corrente foi financiado não só pelo Passivo Corrente. tendo um Fundo de Maneio igual a 0.RACIOS DE AUTONOMIA E DEPENDENCIA FINANCEIRA CAPITAIS PRÓPRIOS AUTONOMIA = ----------------------------------.(Passivo Não Corrente + Cap Próprios) Há uma margem de segurança. ou seja. o FUNDO de MANEIO.X 100 ACTIVO TOTAL Mostram em que proporção a empresa utiliza os meios próprios e alheios que estão á sua disposição. O grau de autonomia varia em consequência da variação do Capital Alheio e/ou do Capital Próprio. mas também por Capitais Permanentes.X 100 ACTIVO CORRENTE Indica o total de unidades monetárias do Passivo Corrente que contribuíram para financiar 100 do Activo Corrente (Circulante). Financeira – 2010 . 59 A. Os dois rácios apresentados são complementares. Este rácio pode apresentar os seguintes valores: Igual a 100 Este valor leva a concluir que o Activo Corrente é igual ao Passivo Corrente .x 100 ACTIVO TOTAL CAPITAIS ALHEIOS DEPENDENCIA = ----------------------------------.

Inferior a 100 Os Capitais Permanentes são insuficientes. 60 A. Se: Igual a 100 Os Capitais Permanentes financiam somente o Activo Não Corrente. Situação perigosa e de dificil resolução. FINANCIAMENTO DO ACTIVO NÃO CORRENTE O rácio CAPITAIS PERMANENTES -------------------------------------------. do Activo Não Corrente. Financeira – 2010 . pelo que parte do Activo Não Corrente está a ser financiado pelo Passivo Corrente.Superior a 100 O Passivo Corrente apresenta um valor superior ao Activo Corrente e financiam parte do Activo Não Corrente. Há que ter cuidado. Não está de acordo com a regra de equilíbrio financeiro mínimo quando diz que os capitais utilizados devem permanecer na empresa num período correspondente pelo menos à duração do elemento activo que financiou.m. Superior a 100 Capitais Permanentes financiam o Activo Não Corrente e parte do Activo Corrente.x 100 ACTIVO NÃO CORRENTE informa o contributo em unidades monetárias dos Capitais Permanentes para o financiamento de 100 u.

CAP V 61 A. Financeira – 2010 .

etc. onde o FACTOR RISCO e o FACTOR TEMPO são igualmente importantes. por exemplo. na sua globalidade. Financeira – 2010 . Claro que se o viajante se aventurar pelo terreno bem cultivado dos “ TITULOS DO ESTADO " terá a seu favor o factor TEMPO que irá favorecer consideravelmente o amadurecimento dos frutos (juros) a colher no final.Análise de investimentos 5. seja. Assim considera-se Investimento a aquisição de uma máquina escavadora ou de uma casa.O terreno a explorar é fascinante e apresenta aspectos variados segundo as possibilidades de cada aforrador. Porém. a viagem é calma e baseada no factor tempo. ou. quanto mais longo for o tempo de aplicação do capital. ou seja. 62 A. O TEMPO e o RISCO O Tempo e o Risco são duas variáveis sempre presentes no investimento. escritórios. "deleitar-se-á" com uma incursão no campo das ACÇOES.). estiver disposto a enfrentar campos minados. no sentido em que quem investe não gasta o dinheiro em bens de consumo (para satisfação imediata de uma necessidade) mas põe-os de parte. Estes recursos financeiros investidos irão transformar-se depois em «activos reais» (máquinas. Para a Economia. Mas também se chama investimento à aquisição de um título de Estado. os únicos investimentos são aqueles feitos em activos reais.1 . fabricas. globalmente. da sua disponibilidade para o risco e do tempo que prevê dedicar à sua estada no país do investimento. o rendimento que se pensava obter em troca da renuncia à utilização do dinheiro para outros fins. Estes activos financeiros são investimentos para quem os faz. a diminuição do preço do título do Estado. aqueles investimentos que se transformam em bens físicos. maior será a probabilidade de incidentes de percurso.. Tudo depende do uso que é feito do dinheiro por quem o pede emprestado. de uma acção de uma empresa. Como é óbvio.5. pois ("compram-se" depósitos bancários). como. O RISCO é representado pela possibilidade de que se verifiquem factos que possam reduzir o prazer da viagem.Noção de investimento Por INVESTIMENTO entende-se a aquisição de bens com vista à sua utilização no processo produtivo e não para satisfação imediata de uma necessidade. Podemos comparar o Investimento a: Uma viagem que empreendemos com espírito de aventura e com o equipamento certo. Se o viajante quiser sentir emoções fortes. Para tal deverá equipar-se contra possíveis abalos telúricos "accionistas" e preparar-se para combater ou abandonar o campo numa retirada mais ou menos estratégica. de um certificado de aforro: e é também investimento simples mente deixar o dinheiro na sua conta corrente.

de matérias primas. existe investimento a partir do momento em que uma despesa é feita com o fim de obter ulteriormente uma receita que lhe seja superior. de matérias para consumo interno. Neste sentido (lato). 63 A. trespasses. traga um LUCRO. não somente as imobilizações. considera-se que INVESTIMENTOS compreendem. Uma receita que constitua a recuperação desta despesa e produza um excedente. mas também as que tem como fim a aquisição de mercadorias. mas todas as operações que consistem em transformar uma soma de dinheiro num elemento destinado a ser utilizado permanentemente pela empresa durante um tempo mais ou menos longo.Os investimentos comerciais (desenvolvimento da rede comercial).Os investimentos em investigação (despesas de pesquisa ou de estudos científicos e tecnológicos). De uma maneira geral.As imobilizações (terrenos. Os investimentos cobrem então: 1. construções. 6. material de transporte mobiliário. 2.Os títulos de participação em outras empresas (aquisição de acções de outras empresas com o objectivo de participação ou controlo). material e apetrechos. 3. bem como as prestações de serviços pelo pessoal ou por terceiros. Financeira – 2010 . licenças e direitos de fabrico).Os investimentos técnicos (estudo e realização de novos processos e protótipos). 4. 5. visto que não compreende sequer a afectação de meios financeiros á substituição de equipamentos Investimento em sentido restrito Toda a despesa de meios financeiros com vista á aquisição de bens concretos duráveis de instrumentos de produção ( equipamentos ) e que a empresa utilizará durante muitos anos com vista á realização do seu objectivo social.Os investimentos intelectuais (despesas de organização e aperfeiçoamento de pessoal).Na linguagem de negócios entende-se por INVESTIMENTO A AFECTAÇAO DE MEIOS FINANCEIROS A MODERNIZAÇAO E A EXPANSAO DOS EQUIPAMENTOS Esta noção é relativamente restrita. quer dizer. Investimento em sentido lato Engloba não só as despesas consentidas em equipamento.

Torna-se então claro que quanto mais alto for o número de actividades constantes do portfolio. 5. e os restantes em acções da Bolsa. se se utilizarem 90% do capital em títulos do Estado. haverá maiores probabilidades de as descidas na cotação de um título serem compensadas por eventuais subidas de outros títulos. mas actividades que. tem de diversificar os investimentos de tal modo que os seus rendimentos não vão todos na mesma direcção. Com efeito. de modo a que o risco seja igualmente dividido. também é preciso calcular os elementos de risco que incidem consideravelmente sobre o rendimento. para limitar as surpresas de acontecimentos inesperados. podendo.1 . A. Porque é importante que exista esta diversificação do investimento ? A resposta é simples: PARA DIMINUIR O RISCO Por conseguinte. logo de inicio. Assim. o segredo de uma boa diversificação consiste na escolha de actividades cujo rendimento não seja igualmente prejudicado por mudanças súbitas da cena económica. Desta forma. e isto é o suficiente para constituir um conjunto de actividades financeiras. porque o investidor típico possui uma conta corrente no banco. Além da média. menor é o risco que o investidor corre. imóveis. se se fala de investimento.5%. Na verdade. simultaneamente privilegiar outras. e pode escolher o campo mais adaptado aos seus recursos para se medir com os factores «TEMPO» e «RISCO». a primeira preocupação deve ser a de criar uma carteira (portfolio) de actividades diversas. tenham reacções opostas.Diversificar para melhorar resultado Uma regra base que deveria orientar o comportamento do investidor é a aplicação do seu capital em actividades financeiras diversas. O limite teórico e prático desta formula é que dificilmente se consegue encontrar um número de actividades que tenham reacções muito diferentes perante um choque externo. Neste momento ele já sabe que tem que calcular os riscos. acções. não é difícil diferenciar os investimentos.1. das quais se espera um rendimento de 15% então a média do rendimento (ponderada) do portfolio será de 10. títulos do Estado.5. Sabemos que as situações imprevistas podem mudar o curso dos acontecimentos e fazer cair as cotações de algumas actividades financeiras.2 O mecanismo da alavanca Voltemos ao investidor que se aventurou no mundo complicado dos investimentos e que quer sair dele da melhor forma possível.([900+150]/100). perante a mesma situação. Sabe que.1. Financeira – 2010 64 . que dão um rendimento anual de 10 %.

pode ser superada por um mecanismo particular que multiplica o rendimento na mesma proporção do capital investido. por isso as aplicações diferentes significam. Esta falta de capital. Financeira – 2010 .Tudo isto é claro. na prática. Valorização dos capitais próprios da empresa através do recurso ao capital alheio. possuir muito capital. mas nem sempre se tem à disposição o capital suficiente para satisfazer todos estes requisitos. no entanto. Estamos perante o EFEITO DE LEVIER OU EFEITO ALAVANCA. Existem limites mínimos para cada investimento. 65 A.

títulos de participação.2 a) Introdução Os mercados de valores são espaços onde um conjunto indeterminado de pessoas pode realizar negócios sobre valores mobiliários.2 – Investir no Mercados de Valores Mobiliários ( ou de Capitais ) 5. dadas aos intermediários financeiros relativamente a qualquer um dos tipos de valor mobiliário.. O seu objectivo é o de permitir às pequenas e médias empresas assegurar financiamento directo juntos dos investidores Em qualquer um destes mercados. Em Bolsa.Mercados Organizados PEX . até há bem pouco tempo existiam. Caracteriza-se ainda por ter obrigatoriamente um mercado de cotações oficias .2 b) Características das Bolsas As Bolsas apresentam as seguintes características: . quer pela entidade gestora do mercado de bolsa. Em Portugal. a compra e venda de valores mobiliários realiza-se através de ordens de compra e ordens de venda.As operações de bolsa realizam-se através de sistemas de negociação adequados.Os valores mobiliários que aí se negoceiam são previamente admitidos à negociação.Outros Mercados Regulamentados Mercado Especial da Divida Pública . Na mesma bolsa podem ser criados mercados diferentes em função das características das operações que aí se realizem. etc. . Por ex. dos valores mobiliários que aí se negoceiem ou mesmo das entidades que os emitem. .criadas.a Bolsa de Valores de Lisboa (BVL) e a Bolsa de Derivados do Porto (BDP) . duas bolsas de valores .. para executarem as ordens recebidas dos clientes. . introduzem ofertas no sistema de negociação bolsista. é permitido o funcionamento dos seguintes mercados para a negociação de valores mobiliários: . sociedades corretoras e sociedades financeiras de corretagem). a sua boa gestão é atribuída a uma sociedade gestora e os negócios só podem efectuar-se através dos chamados membros do mercado (por ex. Financeira – 2010 .São geridas por uma entidade gestora.Mercado organizado mas não regulamentado que iniciou em Setembro de 2003 .Mercados de Bolsa de Valores Mercado regulamentado em que a emissão das ofertas e a conclusão das operações são centralizadas num só espaço .É disponibilizada aos investidores toda a informação relevante quer pela entidade que emite os valores mobiliários. acções.São mercados de acesso público mas apenas através dos membros da bolsa. respectivamente. de acordo com determinadas regras. Os intermediários financeiros que sejam membros do mercado de bolsa. para a negociação de operações 66 A. em Portugal. 5.5. obrigações. .Funcionam regularmente em sessões públicas (normais ou especiais). .

2 c) Porque investir no Mercado de Valores Mobiliários ? À medida que cresce o nível de poupança.Participação de acionistas. As duas primeiras fontes de recursos são limitadas. . as empresas têm condições de investir em novos equipamentos ou no desenvolvimento de pesquisas. Nas segundas. . o respectivo "preço" tenderá a descer.de bolsa a contado e a prazo. por sua vez.Se para um determinado valor mobiliário há mais procura do que oferta. Esse é o esquema da circulação de capital. Assim. Como em qualquer mercado. carecem de mais e mais recursos. . gera aumento de renda. como contrapartida à participação no seu capital. pode afirmar-se que: .Reinvestimento de lucros. As empresas. tornando-o mais eficiente e beneficiente para toda a comunidade. a entrega dos valores mobiliários e o pagamento do preço de compra ocorre imediatamente após a realização do negócio ou num espaço de tempo muito curto. numa Bolsa também o "preço" dos valores mobiliários é fixado em função da sua oferta e da sua procura. e assim por diante.Maior transparência e segurança.Se para um determinado valor mobiliário há mais oferta do que procura. . A poupança individual e a poupança das empresas (lucros) constituem a fonte principal do financiamento dos investimentos de um país.Formação mais adequada de preços. existe uma dilação temporal entre o momento da celebração do negócio e o da entrega dos valores mobiliários e pagamento do respectivo preço. 67 A. Mas é pela participação de novos sócios – os acionistas – que uma empresa ganha condição de obter novos recursos não exigíveis. A negociação em Bolsa de Valores apresenta diversas vantagens: .Empréstimos de terceiros. as empresas utilizam-nas para manter sua atividade operacional. . à medida que se expandem. 5. dada a possibilidade de aí se realizar um número elevado de operações. maior é a disponibilidade para investir. com conseqüente aumento da poupança e do investimento.Maior Liquidez. Financeira – 2010 . Tais investimentos são o motor do crescimento econômico e este. Nas primeiras. presente no processo de desenvolvimento econômico. de tal forma que os investidores "especulam" em torno dessa dilação temporal. o respectivo "preço" tenderá a subir. melhorando seu processo produtivo. .Maior protecção dos investidores. que podem ser obtidos por meio de: . Com os recursos necessários. Geralmente.

A definição de objectivos é importante para proceder à reavaliação periódica do investimento realizado. Financeira – 2010 . Esteja preparado para técnicas de venda agressivas e desconfie de receitas milagrosas para ganhar muito dinheiro em pouco tempo e de forma segura. Pondere a sua decisão O investimento em valores mobiliários deve ser cuidadosamente pensado. que participem do lançamento das ações pretendidas 5.2 d) Como tomar uma decisão de investimento em valores mobiliários Avalie os seus conhecimentos O investimento em valores mobiliários tem consequências directas no seu património: exige não só um acompanhamento permanente mas também determinados conhecimentos técnicos. opte por deixar essa tarefa a cargo de especialistas. Pondere convenientemente as vantagens e desvantagens de investir em determinados valores mobiliários. uma corretora ou uma distribuidora de valores mobiliários. mais confiança e conforto financeiro. 68 A. Se os considerar insuficientes. o investidor deverá procurar um Banco. defina um objectivo de rendibilidade e um limite de prejuízo para um determinado período de tempo. Se pretender adquirir ações de emissão nova. é necessário que o investidor se dirija a uma sociedade corretora membro de uma bolsa de valores. passando progressivamente a investimentos que envolvam maior risco à medida que adquire maior sensibilidade ao risco. ou seja. no mercado primário.O investidor em ações contribui assim para a produção de bens. Como acionista ele é sócio da empresa e se beneficia da distribuição de dividendos sempre que a empresa obtiver lucros. Antes de decidir investir as suas poupanças em valores mobiliários avalie os seus conhecimentos e a sua disponibilidade de tempo. Faça um plano de investimento Antes de tomar qualquer decisão de investimento. mais conhecimento. Não decida sob pressão. Para operar no mercado secundário de ações. Invista progressivamente Opte por uma intervenção gradual no mercado de valores mobiliários: comece por investir em valores mobiliários mais seguros. de acordo com os objetivos definidos pelo aplicador. na qual funcionários especializados poderão fornecer esclarecimentos e orientação na seleção do investimento. dos quais ele também é consumidor. Essa é a mecânica da democratização do capital de uma empresa e da participação em seus lucros.

Conheça os custos Solicite ao seu intermediário financeiro informação sobre todos os custos derivados dos serviços que lhe são prestados.Direito de receber dividendos As acções são convertíveis em dinheiro. 5. Diversificando os seus investimentos os riscos podem compensar-se mutuamente e a carteira ou grupo de instrumentos tende a ter um rendimento menos flutuante. às principais características dos valores mobiliários e aos mercados disponíveis para investir. pela negociação em bolsas de valores. dando atenção às respectivas vantagens e desvantagens." Cada investimento comporta um risco que lhe está associado.Ordinárias Proporcionam participação nos resultados da empresa e conferem ao acionista o direito de voto em assembleias gerais.1) Acções São títulos que representam capital social de sociedades anónimas. Financeira – 2010 . A diversificação implica um menor risco. "não deve colocar todos os ovos no mesmo cesto. Invista regularmente Invista de forma regular. O investidor em acções é um co-proprietário da sociedade anónima da qual é acionista. Haverá momentos em que aproveitará oportunidades e outros em que o mercado não será especialmente atractivo para os investimentos.e.Direito de voto . nomeadamente a relativa às entidades emitentes. Informe-se Recolha e analise toda a informação relevante. São as preferidas pelas empresas para efectuar aumento de capital social . 69 A.Diversifique as suas opções Aplique as suas poupanças em diversos activos financeiros de modo a ficar menos dependente da rendibilidade incerta de um único activo. Evite contrair empréstimos para investir Procure investir com dinheiro que efectivamente lhe pertence e não com dinheiro emprestado. ou seja. a qualquer tempo.Direito de eleger os membros dos órgãos sociais .2 e) Principais tipos de Valores Mobiliários 5. Tipos de Acções . É-lhe conferindo: .2.

em quantidade proporcional às possuídas. na qual os valores são lançados a débito ou a crédito dos acionistas. funcionando como uma conta corrente.com preferência na subscrição . cuja transferência é feita com a entrega da cautela e a averbação de termo. composta de dividendos ou participação nos resultados e benefícios concedidos pela empresa. os direitos que detém. Venda de Direitos de Subscrição Como não é obrigatório o exercício de preferência na subscrição de novas acções. não havendo movimentação física dos documentos.Escriturais Acções que não são representadas por cautelas ou certificados. quando são distribuídas gratuitamente novas acções a seus acionistas. Direitos de Subscrição O direito de aquisição de novo lote de acções pelos acionistas . mediante a incorporação de reservas e lucros. em livro próprio da sociedade emitente. real e contabilístico .. é o valor que consta no certificado de emissão. Parte dela. em bolsa. em contrapartida à estratégia de aumento de capital da empresa. Dividendos A participação nos resultados de uma sociedade é feita sob a forma de distribuição de dividendos em dinheiro.Nominativas Cautelas ou certificados que apresentam o nome do acionista. no caso das acções. identificando novo acionista. advém da posse da ação. . Financeira – 2010 70 .Valor nominal é o que consta no título e. em número proporcional às já possuídas. outra parte advém do eventual ganho de capital na venda da ação. Bonificação em Acções Advém do aumento de capital de uma sociedade. Formas .Preferenciais Garantem ao acionista a prioridade no recebimento de dividendos (geralmente em percentagem mais elevada do que a atribuída às acções ordinárias) e no reembolso de capital. o acionista poderá vender a terceiros. de acordo com os resultados obtidos pela empresa em determinado período . Rentabilidade das acções É variável. O valor nominal. no caso de dissolução da sociedade. A. em percentagem a ser definida na Assembleia Geral Ordinária de Acionistas.

que pode ser diferente do valor nominal. Financeira – 2010 . ou seja. há que subtrair ao valor contabilístico de uma empresa o valor das suas dívidas a curto e a médio/longo prazo assim como o valor contabilístico das acções preferenciais. se estas existirem. dando ao seu titular o direito de receber juros periódicamente e o reembolso do capital no vencimento As Obrigações. coincide com o valor nominal. instituição financeira.Valor nominal: valor inscrito no título. Estado ou entidades públicas.Emitente: empresa.Valor contabilístico de uma acção é outro conceito frequentemente utilizado para valorizar o preço de uma acção. mas dividido em várias partes. São.Preço de aquisição: preço a pagar para se adquirir uma obrigação. destinam-se a investidores mais conservadores face ao risco. ao longo da vida 71 A.-Valor real é o preço pelo qual se compra e vende uma acção no mercado. mas devem manter uma certa relação. devido à vaga de operações de «stock split» que têm ocorrido. um instrumento que se pode situar em termos de nível de risco entre as aplicações mais tradicionais. com a alteração das condições de mercado e a evolução da actividade do emitente. Em termos financeiros trata-se de um erro. e as de maior risco como as acções ou os warrants. Dividindo depois pelo número de acções ordinárias emitidas encontra-se o valor contabilístico da acção. 5. o preço a que são vendidas. Quanto ao valor nominal das acções nacionais constata-se que têm sofrido alterações nos últimos tempos.2. por isso. pois na realidade os investidores têm o mesmo valor. muitas empresas optam por reduzir o seu valor nominal («stock split»). . . transmitindo ao investidor a sensação de que possui mais acções e que estas se encontram mais baratas. Características . O valor de mercado permite a cada momento fazer uma valorização real de cada companhia. em resultado da oferta e procura dos títulos. Consiste numa estimativa do valor de uma acção calculada segundo o balanço de uma empresa: para a calcular. . Frequentemente. O valor nominal e o valor de mercado não têm de coincidir. que valorizam a segurança e a distribuição periódica de rendimentos. as obrigações são emitidas ao par. Esta operação consiste em dividir o valor nominal para incrementar a liquidez do título. uma empresa com um valor nominal muito baixo relativamente à sua cotação dará sempre a ideia de ser mais cara que outra cujos valores estejam mais próximos. Contudo. como os depósitos a prazo. com uma consequente redução no seu valor de mercado. para evitar esta imagem.e2) Obrigações São titulos de crédito que que representam fracções iguais de um empréstimo.

Taxa de juro ou de cupão: é a taxa anual que se aplica ao valor nominal para apurar o montante do rendimento (cupão) da obrigação. pelo que. de valor constante ou crescente.Periodicidade do cupão: frequência de pagamento do juro. . Se supusermos uma taxa de cupão de 5% ao ano.Juro decorrido: tempo que medeia entre o último pagamento de cupão e o momento da liquidação da transacção do título em mercado secundário. Pode ser realizado através de um ou vários reembolsos periódicos.da obrigação. . a todos os obrigacionistas. . . O preço das obrigações é usualmente expresso em percentagem do valor nominal.5 Eur. Caso fosse superior ou inferior denominar-se-ia. diz-se que o seu preço é 98%. Financeira – 2010 . . paga semestralmente. tornando-se superior ou inferior ao valor nominal. Em geral é igual ao valor nominal e nesse caso diz-se que o reembolso é feito ao par. se as obrigações transaccionarem a 98 Eur.22 (assume-se que 180 dias são o número de dias do semestre). transaccionando-se acima ou abaixo do par (a prémio ou a desconto). então o detentor da obrigação receberia juros todos os semestres de 5%/2*100 Eur = 2.Put option: cláusula através da qual o obrigacionista tem a opção de receber antecipadamente o capital da emissão. A cotação das obrigações em mercado secundário não inclui o juro decorrido.Valor de reembolso: é o montante pago pelo emitente ao detentor de uma obrigação que amortiza a dívida contraída. . 72 A.Juro decorrido = Taxa de cupão para o período de cálculo de juro X valor nominal / nº de dias do período de cálculo de juro X nº de dias decorridos desde o último pagamento de cupão até à data de liquidação Exemplo A empresa X emite um empréstimo obrigacionista de 1 milhão de Eur representado por 10 000 obrigações com o valor nominal (VN) de 100 Eur (10 000 * 100 = 1 000 000 Eur). Deverá ser pago pelo comprador da obrigação ao vendedor e não está incluído no preço. . o juro decorrido seria calculado da seguinte forma: 5%/2*160 dias/180 dias*100 Eur=2. respectivamente. reembolso acima ou abaixo do par (a prémio ou a desconto). na maturidade. semestral ou anual.Call option: cláusula através da qual o emitente tem a opção de reembolsar antecipadamente a emissão.Maturidade: data do último reembolso de capital da obrigação.Amortização: reembolso do capital. . o seu preço altera-se. O método mais comum é um único reembolso. que normalmente é trimestral. Neste caso. supondo que passaram 160 dias entre o último pagamento de cupão e a liquidação da aquisição. .

Na data de emissão são conhecidos todos os cash flows originados pela obrigação. .500. até uma determinada data e é 73 A.Obrigações de taxa fixa: a taxa de juro é constante e conhecida até à maturidade do empréstimo. em que o indexante é uma referência das taxa de juro praticadas em mercado (por exemplo. (iii) São emitidas com prazo fixo. índices. e implicará a amortização das mesmas. a um preço pré-definido. . . O rendimento resulta da diferença entre o valor de reembolso e o valor de aquisição da obrigação. (iv)Não podem ser adquiridas ou reembolsadas por iniciativa da instituição emitente antes de decorrido o prazo de dois anos sobre a data de emissão. taxa de juro de mercado. ou seja.Obrigações com warrants: possuem as mesmas características das obrigações tradicionais mas na data de emissão têm associado um warrant. cabaz de acções. podendo ser concedido ao obrigacionista a opção de reembolso antecipado. destinam-se a investidores mais conservadores face ao risco.As obrigações normalmente designadas de obrigações a taxa variável.Obrigações de taxa indexada: o cupão depende da evolução de uma determinada referência (por exemplo. que valorizam a segurança e a distribuição periódica de rendimentos. e as de maior risco como as acções ou os warrants.Obrigações cupão zero: obrigações sem cupão. Este tipo de obrigações é indicado para investidores que não acreditam que as taxas de juro de mercado vão subir a partir do momento da compra das obrigações. (v) O valor nominal das obrigações é de 50 Eur ou múltiplos desse valor. que passamos a discriminar: (i) Apenas podem ser emitidas por instituições de crédito com fundos próprios não inferiores a 2. são um caso especial de obrigações a taxa indexada.000 Eur (ii) Podem ser emitidas de forma contínua ou por séries. A taxa de cupão pode ser fixada no início do período do cupão ou apenas no final. a Euribor). São. o qual não poderá efectuar-se antes de decorridos 12 meses após a data de emissão das obrigações. que vai depender das características do emitente das obrigações e visa reflectir a capacidade do mesmo cumprir com as responsabilidades assumidas (risco de crédito). no momento do pagamento de juro. por isso. Normalmente esta referência é acrescida de uma percentagem. matérias primas). . um instrumento que se pode situar em termos de nível de risco entre as aplicações mais tradicionais.Obrigações de caixa: obrigações com algumas especificidade legais. não pagam juros. . Este warrant confere ao seu detentor o direito de adquirir um determinado número de acções da empresa emitente. como os depósitos a prazo.As Obrigações. Alguns tipos de Obrigações . Financeira – 2010 .

As obrigações convertíveis em acções de uma entidade que não a emitente denominam-se de exchangeables. que visam a dinamização do sector imobiliário e que podem ser admitidas à cotação nas bolsas de valores. de 16 de Abril.18/5= 103. ou seja. político. que visa reflectir a diferença entre a capacidade do emitente e do Estado cumprirem com as suas responsabilidades.6% 5. Estas obrigações.Obrigações convertíveis: obrigações que podem ser convertidas num determinado número de acções do emitente por opção do obrigacionista.2. implícito nas taxas de juro da dívida pública adicionado de um spread. A taxa de actualização destes fluxos reflecte o custo de oportunidade de alternativas de investimento com o mesmo nível de risco das obrigações em causa. O preço das obrigações corresponde ao valor actual dos cupões pagos pelo emitente ao longo do tempo e do capital a reembolsar.17%+1%=4. de 27 de Janeiro. a 5 anos. alterado pelo Decreto-Lei nº 17/95. o risco soberano.17% 5. O Valor de uma obrigação O valor de uma obrigação depende de duas variáveis fundamentais: os níveis de taxas de juro de mercado e a capacidade do emitente cumprir com as suas obrigações. como acontece no caso dos warrants. que são influenciadas pelo risco macroeconómico. A opção de conversão não pode ser transaccionada separadamente da obrigação. trouxe para o panorama financeiro português as obrigações hipotecárias. qual o valor actual da obrigação? Taxa de actualização: 3. Financeira – 2010 . Exemplo: Supondo uma obrigação da empresa X.destacável da obrigação e por isso transaccionável separadamente.e3) Obrigações hipotecárias Introdução O Decreto-Lei nº 125/90. de mercado. conferem aos seus titulares privilégio creditório especial sobre os créditos hipotecários afectos à respectiva emissão. .17% e que o risco de crédito da empresa X implica um acréscimo de 1% à taxa de juro da dívida pública. sectorial e específico do emitente. Sabendo que as taxas da dívida pública em Eur a 5 anos se encontra nos 3. com um valor nominal de 5 Eur e um cupão pago anualmente de 5%. 74 A. actualizados a uma determinada taxa.

Podem emitir obrigações hipotecárias as instituições de crédito ou outras instituições financeiras legalmente autorizadas a conceder créditos, garantidos por hipoteca, para financiamento da construção ou aquisição de imóveis. O prazo de reembolso não pode ser inferior a três nem superior a trinta anos. A taxa de juro pode ser variável ou fixa, devendo, no entanto, os créditos hipotecários afectos à emissão vencer uma taxa de juro do mesmo tipo. As três emissões de obrigações deste tipo realizadas em Portugal foram da iniciativa da Caixa Geral de Depósitos (duas em 1991 e uma em 1996). Foi publicado no passado dia 20 de Março de 2006, o Decreto-Lei nº 59/2006, que estabelece o novo regime aplicável às obrigações hipotecárias, bem como o regime das obrigações sobre o sector público. Neste texto tentaremos dar uma panorâmica, necessariamente genérica e sumária, do referido diploma, referindo, no entanto, apenas as obrigações hipotecárias, que são um instrumento de dívida que permite aos seus emitentes por um lado, a captação de recursos e, por outro lado, a cessão aos investidores do risco inerente aos créditos hipotecários que lhes estão subjacentes. As obrigações hipotecárias são directamente concorrentes das titularizações de créditos hipotecários, apresentando contudo assinaláveis diferenças de regime no que respeita à sua montagem, gestão e intervenientes. Com efeito, nas obrigações hipotecárias pode existir uma relação directa entre o detentor dos créditos hipotecários e os investidores, com a consequente dispensa do envolvimento de veículos de titularização o que faz das obrigações hipotecárias um instrumento financeiro mais flexível e desburocratizado. Quem pode emitir Podem emitir obrigações hipotecárias as instituições de crédito que disponham de fundo próprios não inferiores a € 7.500.000 e que estejam autorizadas a conceder créditos hipotecários, bem como as instituições de crédito hipotecário, uma nova espécie de instituições de crédito criadas com este diploma. A emissão A emissão de obrigações hipotecárias (i) pode ser feita de forma contínua ou por séries e deve ser precedida de deliberação do órgão de administração da entidade emitente, (ii) pode ser realizada por oferta particular, caso em que não estão sujeitas a registo comercial, ou por oferta pública, sendo aplicável o disposto para o efeito no Código dos Valores Mobiliários. As obrigações hipotecárias podem ainda ser admitidas à negociação em mercado, sendo de realçar que são equiparadas a títulos cotados em bolsas de valores nacionais para efeitos de composição das reservas das instituições de segurança social. O respectivo prazo de reembolso não pode ser inferior a dois anos nem superior a cinquenta anos. 75 A. Financeira – 2010

Activos subjacentes As obrigações hipotecárias podem ser garantidas (i) por créditos pecuniários não vencidos e não sujeitos a condições ou onerados que sejam detidos pelas emitentes e que sejam garantidos por primeira hipoteca sobre bens imóveis destinados à habitação ou com fins comerciais situados num Estado membro da União Europeia, (ii) depósitos no Banco de Portugal de moeda ou títulos elegíveis no âmbito das operações de crédito do Eurosistema (iii) depósitos à ordem ou a prazo constituídos junto de instituições de crédito com rating igual ou superior a “A-“ ou equivalente, (iv) ou outros activos de baixo risco e elevada liquidez, a definir pelo Banco de Portugal. No que respeita aos créditos hipotecários, esclareça-se ainda que (i) podem ser afectos créditos com hipotecas de grau inferior desde que os que beneficiem das hipotecas de grau superior estejam também afectos à garantia da mesma emissão, (ii) podem igualmente ser afectos créditos garantidos por fiança de instituição de crédito ou por contrato de seguro, desde que os mesmos beneficiem de garantia hipotecária em condições similares às supra descritas (iii) e o montante de um crédito hipotecário oferecido em garantia de uma emissão não pode ultrapassar o valor das hipotecas, nem 80% ou 60% do valor do bem hipotecado, consoante se trate de imóveis destinados à habitação ou de imóveis para fins comerciais, respectivamente. Já quanto aos restantes activos subjacentes, a soma do seu valor não pode exceder 20% do valor total dos créditos hipotecários e dos outros activos garantes das obrigações hipotecárias. Regime prudencial Como limites prudenciais aplicáveis às emissões de obrigações hipotecárias, a lei impõe (i) que o valor nominal global das obrigações hipotecárias em circulação não pode exceder 95% do valor nominal global dos créditos hipotecários e outros activos que lhes estejam afectos, (ii) que o vencimento médio das obrigações hipotecárias em circulação não pode ultrapassar, em cada momento, o vencimento médio dos créditos hipotecários e outros activos que lhes estejam afectos (iii) e que o montante global dos juros a pagar não deve exceder, em cada momento, o montante dos juros a receber referentes aos créditos hipotecários e outros activos que lhes estejam afectos. A lei permite ainda a realização de operações sobre instrumentos derivados para cobertura de riscos, como sejam riscos de taxa de juro, cambial ou de liquidez, ficando tais instrumentos afectos às respectivas obrigações hipotecárias. 76 A. Financeira – 2010

Regime dos créditos hipotecários Os créditos hipotecários, incluindo os respectivos juros, e os restantes activos que, como vimos supra, podem ser afectos à garantia das obrigações hipotecárias, constituem um património autónomo, não respondendo pelas dívidas da emitente até ao limite das dívidas decorrentes dessas obrigações hipotecárias. Aos titulares das obrigações hipotecárias e às contrapartes das operações sobre instrumentos financeiros derivados é-lhes reconhecido um privilégio creditório especial sobre o património autónomo afecto à emissão, com precedência sobre quaisquer outros credores, não estando este privilégio sujeito a registo. Por seu turno, as hipotecas que garantam os créditos hipotecários afectos às obrigações hipotecárias prevalecem sobre quaisquer outros privilégios creditórios imobiliários. Fica por testar a plena aplicação destas regras sempre que as hipotecas tenham sido constituídas sobre imóveis situados em qualquer outro Estado membro da União Europeia. Dispõe a lei que em caso de dissolução e liquidação da entidade emitente, os créditos hipotecários que lhes estão subjacentes e os restantes activos que lhes estejam afectos, serão separados da massa insolvente e geridos de um modo autónomo em condições a determinar em aviso do Banco de Portugal. Esperamos que o aviso a publicar pelo Banco de Portugal possa, de algum modo, ajudar a resolver a deficiente redacção da norma em questão, pois que não só a referência à massa insolvente que consta da letra da lei nos parece desadequada, porquanto a dissolução e liquidação da entidade emitente poderá ocorrer sem ser num cenário de insolvência, como ainda porque este cenário poderá verificar-se sem que ocorra necessariamente, pelo menos logo desde um primeiro momento, a dissolução e liquidação da entidade emitente. Cessão de créditos hipotecários No caso de uma instituição de crédito autorizada a conceder créditos hipotecários não pretender proceder à cessão de obrigações hipotecárias, mas desejar antes cedê-los a outra entidade para efeitos de emissão de obrigações hipotecárias, prevê a lei uma série de disposições que regulam essa cessão, a qual se opera em termos muito idênticos aos previstos para o mesmo efeito em sede de titularização de créditos. Supervisão e auditor independente É ao Banco de Portugal que compete a supervisão do disposto no novo diploma, sem prejuízo das competências da CMVM no que respeita à aplicação do Código dos Valores Mobiliários às emissões de obrigações hipotecárias. Por outro lado, prevê-se a designação de um auditor independente, registado junto da CMVM, a quem competirá, na defesa dos interesses dos titulares das obrigações, verificar o cumprimentos dos requisitos legais e regulamentares 77 A. Financeira – 2010

Conferem ao seu detentor o direito.2.e. indexados a activos negociados em mercados organizados. não a obrigação.Eleger um representante comum dos detentores de títulos de participação.Receber uma remuneração anual. Financeira – 2010 . que os representa perante a sociedade. de comprar (call warrant) ou de vender (put warrant) o activo subjacente ao qual estão indexados ao preço inicialmente contratado (preço de exercício) e numa data futura igualmente préfixada (data de maturidade).aplicáveis às obrigações hipotecárias.Tomar conhecimento dos negócios das entidades que os emitem. 5. 78 A. 5.Reunir e deliberar em assembleia de detentores de títulos de participação para apreciar assuntos do interesse comum. cuja evolução e comportamento depende da evolução desses mesmos activos. nos mesmos termos previstos para os accionistas. deverá comprar um call warrant. cabendo-lhe elaborar um relatório anual sobre o cumprimento de tais requisitos pela entidade emitente. Tanto a remuneração fixa como a variável são determinadas sobre uma percentagem do valor nominal do título de participação. Tipos de Warrants -Call Warrant Quando um investidor acredita na apreciação de determinado activo.e5) Warrants (direitos) Os warrants são produtos financeiros cotados em bolsa. Os títulos de participação só são reembolsáveis se as entidades que os emitiram o decidirem.2. Os títulos de participação podem ser emitidos por empresas públicas e por sociedades anónimas pertencentes maioritariamente ao Estado. . composta pela parte fixa e pela parte variável. . Direitos que conferem aos seus detentores Os títulos de participação conferem aos seus titulares os seguintes direitos: . Último dia de negociação dos warrants é o 4º dia útil antes da data de maturidade e pode ser consultado nas respectivas fichas técnicas. ou se essas entidades entrarem em falência. . mas nunca antes de terem decorrido 10 anos desde a sua emissão.4) Titulos de Participação Introdução Os títulos de participação são valores mobiliários tendencialmente perpétuos que conferem o direito a uma remuneração com duas componentes: uma fixa e outra variável. Este permite-lhe beneficiar dessa apreciação ao mesmo tempo que lhe limita a perda potencial.

independentemente da apreciação do activo. Financeira – 2010 . uma vez que lhe dá o direito a vender o activo. Características -Activo Subjacente O warrant deriva o seu valor do activo financeiro ao qual está indexado. o investidor não vai comprá-lo por mais do que vale pelo que não exerce o seu direito e perde o prémio. Se o activo se apreciar. A principal diferença reside no facto de o warrant ser um valor mobiliário. o ganho corresponde à diferença entre o valor do activo e 1000 deduzido do prémio. Uma opção tem ainda um conjunto de características standard definidas pela Bolsa onde está cotada. Se o activo se depreciar. Exemplos Práticos Call Warrant Vamos assumir que o investidor comprou um call warrant pelo qual pagou um prémio de 50. Esta é a perda máxima que poderá sofrer. Quanto menor for o valor do activo maior será o ganho do investidor. Neste caso. a compra de um put warrant é o investimento aconselhado. o warrant (call ou put) é semelhante a uma opção. o investidor irá exercer o seu direito: vender o activo por 1000. enquanto as características de um warrant dependem exclusivamente do seu emitente. maior será o ganho do investidor. independentemente da depreciação do activo. o investidor não vai vender o activo por menos do que este vale pelo que não exerce o seu direito e perde o prémio. Esta é a perda máxima que poderá sofrer. 79 A.-Put Warrant Se um investidor quer proteger a sua carteira de eventuais quedas ou beneficiar de desvalorizações do mercado de acordo com uma visão de descida de preços. pelo que não pode ser vendido sem ter sido previamente adquirido. De um ponto de vista financeiro. Quanto maior for a apreciação do activo. Se o activo se apreciar. Put Warrant Vamos assumir que o investidor comprou um put warrant pelo qual pagou um prémio de 50. Se o activo se depreciar. adquirindo o direito a comprar o activo por 1000 (preço de exercício). Este activo é denominado activo subjacente. cotados em Portugal ou em bolsas estrangeiras. Tradicionalmente. os emitentes são bancos de investimento internacionais ou grandes bancos domésticos. adquirindo o direito a vender o activo por 1000. Neste caso. Existem warrants indexados aos mais diversos activos financeiros. o ganho corresponde à diferença entre 1000 e o valor do activo deduzido do prémio. o investidor irá exercer o seu direito: comprar o activo por 1000.

Paridade ou Rácio A paridade representa o número de warrants exercidos por cada unidade do activo subjacente. O preço de exercício é fixado pelo emitente na data de emissão do warrant e não é alterado durante a vida deste -Estilo O warrant pode ser de estilo americano ou de estilo europeu. são necessários 5 warrants. só é possível efectuar o exercício na data de maturidade. Na Euronext Lisbon estão cotados warrants sobre activos tão diversos como acções. O preço de exercício pode sofrer alterações se o activo subjacente for objecto de eventos corporativos que impliquem concentração ou diluição de capital. Porquê investir em Warrants? O investimento em warrants é justificado pelas múltiplas oportunidades que oferece. índices e divisas. nomeadamente. o investidor beneficia de eventuais subidas. Os warrants permitem ainda conceber estratégias de investimento que não seriam possíveis apenas com o investimento directo nos activos subjacentes. sendo de destacar os principais índices de acções mundiais e as acções das maiores empresas europeias e americanas. No caso de ser de estilo europeu. Para além de proteger a carteira de descidas do mercado. criar de forma eficiente uma carteira multi-activos diversificada geograficamente. O investimento directo na maioria destes activos só é possível através de transacções em bolsas estrangeiras. é possível proceder ao exercício ao longo de toda a sua vida. Permite beneficiar tanto de valorizações do mercado (call warrants) como de desvalorizações (put warrants) e. -Preço de Exercício Preço de exercício é o preço pré-definido ao qual o investidor tem o direito de comprar (call warrant) ou vender (put warrant) o activo subjacente. Uma paridade de 1/5 significa que para comprar (call warrant) ou vender (put warrant) o equivalente a uma unidade do activo subjacente. devido à sua maior versatilidade. No caso de ser de estilo americano. Financeira – 2010 . acima de tudo. com custos de transacção associados mais elevados. A diferença entre estes dois estilos prende-se com a data em que o warrant pode ser exercido. O estilo mais comum é o americano. A utilização de warrants para a cobertura de uma carteira de investimento contra movimentos adversos do mercado é um exemplo deste tipo de estratégias. Os warrants tornaram-se num instrumento muito popular para investidores 80 A. permitem alavancar uma determinada posição ou alterar o perfil de risco de uma carteira.proporcionando uma multiplicidade de oportunidades de investimento. Uma menos valia provocada pela queda do preço de um determinado activo pode ser compensada por uma mais valia gerada por put warrants.

o preço de mercado é de Eur7. Exemplo .institucionais e investidores privados que fazem uma gestão moderna da sua carteira de investimento devido à acessibilidade. Estados. por maior que seja e por mais que varie sua produção. outros Instrumentos Financeiros (em função do risco) Baixo Risco Obrigações Títulos representativos de dívida. trigo. uma vez que o detentor do warrant tem o direito a comprar uma acção por Eur 6. Uma commodity costuma ter características muito parecidas com a de outros produtores.Conceito de Alavancagem Um investidor adquire uma acção da empresa XYZ por Eur 6. Produtos Estruturados Títulos. Proporciona um pagamento periódico de juros (a taxa pode ser fixa ou variável) e reembolsa o valor nominal na data de maturidade. que proporcionam um rendimento variável dependente da evolução de um indexante. Face a outros instrumentos de mercado.50. A. Desta forma. o warrant apreciou-se para. Uma pequena variação do activo subjacente pode traduzir-se numa variação significativa do warrant. flexibilidade. Na semana seguinte.e 81 divisas.50 baseado na convicção da valorização da acção a curto prazo. Financeira – 2010 . ou seja. um produtor de soja no Brasil.00. enquanto o risco de crédito está associado à entidade emitente das obrigações. taxas de juro. Uma semana depois. geralmente de capital garantido. Os indexantes mais comuns são acções. os warrants potenciam maiores retornos mas introduzem maiores riscos. Os produtores de commodities são considerados "price takers". não custará menos de Eur 0. Os emitentes são os mais diversos. Trata-se de produtos primários como café.5%. desde empresas.00. são tomadores de preços. além de alguns produtos industriais semi-elaborados como celulose e açúcar. O risco de taxa de juro deriva da data de reembolso do capital e da data de pagamento de cupões. permitindo que sejam cotadas nas Bolsas de Valores. liquidez e alavancagem que proporcionam.50 para Eur 7.00. commodities (Termo em inglês que significa mercadoria. soja. um call warrant indexado à acção XYZ com um preço de exercício de Eur6. o que gerou uma mais valia de 7. aproximadamente. o que corresponde a uma valorização de 100%. pelo menos.00. regiões administrativas ou mesmo câmaras municipais. não podendo individualmente afetar as cotações dos produtos produzidos. milho. muito dificilmente conseguirá determinar os preços mundiais da soja).50. Eur 1. A alavancagem é uma das características pelas quais o investimento em warrants é tão atractivo. positiva ou negativa. Têm risco de taxa de juro e risco de crédito. Nesta caso e. petróleo.00. Qual seria o retorno se o investidor tivesse adquirido call warrants em vez de acções? Com o preço da acção a Eur 6. a acção subiu de Eur 6. Warrants vs.

têm risco associado ao indexante do rendimento variável. cujo perfil de retorno é semelhante ao investimento no activo subjacente. Assume a forma de um contrato standard. incorpora o risco característico das acções atenuado pelo efeito de diversificação. como assumem a forma de valores mobiliários não podem ser vendidos sem terem sido previamente adquiridos. Têm características idênticas às das opções. na maioria dos casos. para além do rendimento variável. Opções Instrumento derivado cujo perfil de retorno está indexado a um activo subjacente 82 A. Tem maturidade definida. com um perfil semelhante a uma transacção a prazo. a crédito ou a débito. Acções Títulos representativos do capital social das sociedades anónimas. O risco é elevado porque não têm garantia de retorno e estão sujeitas a constantes flutuações de preços. Produto não alavancado que está cotado em bolsa e transacciona em contínuo. Warrants Denominação universal para opções titularizadas emitidas por empresas.Para além do risco de uma obrigação tradicional. Financeira – 2010 . Por vezes. é movimentada. Apresentam um perfil de risco equivalente ao das opções. Títulos sem maturidade definida que. proporcionam um rendimento denominado dividendo. Médio Risco Certificados Instrumentos financeiros cujo valor replica o comportamento de um índice ou de um cabaz de acções ao qual estão indexados. Isto é. O risco é equivalente ao de investir directamente no índice ou no cabaz de acções. Alto Risco Futuros Instrumento derivado standard. uma conta margem onde são apuradas as mais e menos valias do dia. No entanto. cotado em mercado organizado. Apresentam o risco associado ao activo subjacente ampliado pelo efeito de alavancagem. cupões fixos. Diariamente. Costumam assumir a forma de uma obrigação de caixa com maturidades que variam entre 2 e 5 anos. pagam.

Acompanhe sempre a evolução do activo subjacente e as tendências do mercado. . Financeira – 2010 . O percurso de uma ordem até à sua execução depende da operacionalidade das vias de comunicação (internet ou telefone) e dos sistemas informáticos que suportam o mercado. que tem por obrigação manter ordens de compra e de venda no mercado. O detentor tem o direito mas não a obrigação de comprar ou vender um determinado activo. poderá não encontrar ninguém que lhos compre. registado na Euronext Lisbon. Por exemplo. Este direito é assegurado pelo vendedor.Risco de Mercado Refere-se ao risco de valorização (desvalorização) do warrant em consequência de variações nas diversas variáveis de mercado. ao mercado ou de não conseguir aferir o estado das ordens previamente enviadas. Riscos inerentes ao investimento em Warrants . . . nomeadamente. .e incorpora uma escolha de exercício por parte do seu detentor. a curto prazo.Determine previamente ganhos e perdas a assumir. por exemplo. Esta obrigatoriedade pode. no entanto.Habitue-se a assumir perdas. no caso de um investidor decidir vender warrants que tenha comprado.Risco de Liquidez Refere-se ao risco de um investidor não encontrar contraparte no mercado. volatilidade implícita. no momento ou na quantidade que pretende negociar.Para todos os warrants autónomos emitidos em Portugal existe um market maker. . taxa de juro e dividendos.Não recorra a crédito para aplicar em warrants. ao efeito de alavancagem e ao comportamento do activo subjacente. ser suspensa temporariamente se. necessitar do capital investido. . a um preço e numa data previamente contratados. O risco está associado ao seu perfil de retorno. activo subjacente. de compra ou de venda.Risco Operacional Refere-se ao risco de não se conseguir fazer chegar a ordem. Recomendações . 83 A. . ocorrer uma a suspensão da negociação do activo subjacente.Não compre warrants se. caso seja necessário.

Unidades de Participação em Instituições de Investimento Colectivo Fundos de Investimento a). proporcionam uma gestão profissional dos fundos e têm acesso a conhecimentos técnicos. Estes fundos são livremente transaccionados dentro da UE ) por parte de todos os estados pertencentes à CEE. Por fim.dispersando o investimento por várias acções”.2.. traduzida num profundo conhecimento dos mercados. sendo que o primeiro fundo de investimento aberto só surgiu em 1924 nos EUA (The Massachusetts Investment Trust).. Em primeiro lugar.unidades de participação (UP) . XIX ( O primeiro fundo de investimento foi criado em 1849 na Suíça (Société Civile Genévoise d’emploi de fonds). o surgimento de um mercado pan-europeu de fundos de investimento teve início com a implementação da chamada directiva UCITS (Undertaking for collective Investment in Transferable Securities” e descreve os fundos de investimento que respeitam à directiva UCITS.Evolução dos fundos de investimento em Portugal A história dos fundos de investimento em Portugal é relativamente recente quando comparada com a de outros países. o enquadramento fiscal dos fundos definido pelo Estatuto dos Benefícios Fiscais) também prevê alguns benefícios para certos tipos ).). e pela primeira vez. Financeira – 2010 . reflete-se. obrigações ou outro tipo de activos (Em imóveis. apresentou uma definição de fundo de investimento como sendo um ”. a gestão profissional da carteira. os fundos têm acesso a mercados que para o pequeno investidor se revelam inacessíveis (Isto é. nomeadamente Suíça. os fundos beneficiam de um enquadramento institucional que concede maior segurança ao investimento (A acrescer a este factor.veículo. se bem que de forma indirecta. o qual. O primeiro fundo americano surgiu em 1894 (Boston Personal Property Trust). em princípio.1 . como sejam a banca telefónica e a internet). para além do acesso ao mercado nacional. ainda que apenas em meados dos anos 60 tenham atingido uma expressão relevante nos EUA. bem como de entidades colocadoras (balcões dos bancos) e meios de comercialização autorizados pela CMVM. em rendibilidades superiores às que seriam obtidas por gestores não profissionais (As Sociedades Gestoras de Fundos de Investimento (SGFI). b) . na sequência da nacionalização do sector 84 A. Em 1975. entidades especializadas que gerem os fundos. o aforrador realiza investimentos. no caso dos fundos de investimento imobiliário). comparativamente às aplicações directas em acções. Reino Unido.Introdução A origem dos fundos de investimento remonta já a meados do séc.que podem ser subscritas junto de uma entidade gestora. com os seguintes aspectos. à escala mundial e numa gama diversificada de activos ). Refira-se que todos estes fundos de investimento eram fechados. prendem-se.5. As principais vantagens da aplicação das poupanças em fundos de investimento (Cada fundo divide-se em partes de características idênticas e sem valor nominal .. o primeiro registo de um fundo de investimento em Portugal ocorreu apenas em Junho de 1964. entre outros.. Na Europa. com inevitáveis efeitos benéficos ao nível da diversificação do risco. tendo sido criado em 1868 o segundo fundo de investimento no Reino Unido (Foreign & Colonial Government Trust). mobiliários ou imobiliários. económicos e financeiros dificilmente acessíveis ao investidor individual). enquanto os Alemães só o fizeram em 1923 (Zickert’sche Kapitalverein). que permite ao investidor de recursos moderados obter as mesmas vantagens que os grandes capitalistas no que respeita à diminuição do risco.. De facto. Em segundo lugar. Alemanha e EUA.

o valor de cada Unidade de Participação ( UP ) calcula-se dividindo o Valor Liquido Global ( VLG ) dos bens que integram o fundo ( liquidez. Eventualmente. entre outras funções. aplicando o seu dinheiro na compra e venda de títulos. tendo o peso do valor líquido global dos fundos (VLGF) no PIB vindo a cair c) . . tendo-se registado uma quebra significativa em 2000. reembolso ou resgate. A actividade da indústria de fundos de investimento em Portugal foi reiniciada em 1986 com o surgimento do fundo Invest. Este crescimento foi mais acentuado até 1998.Estrutura dos fundos de investimento Os Fundos de investimento (organismos de investimento colectivo) são formados por patrimónios autónomos pertencentes a pessoas singulares ou colectivas.Sociedade Gestora . em grande medida resultado do mau comportamento do segmento accionista do mercado de capitais. direitos ou outras aplicações financeiras.Banco Depositário .especializada em mercados financeiros. poderá existir uma terceira entidade: 85 A. valores mobiliários e imobiliários e depósitos a prazo) pelo numero de unidades de participação em circulação. quer em número de fundos constituídos (de 230 no início de 1996. Ainda assim. . no período compreendido entre Dezembro de 1996 e de 2001 assistiu-se a um forte crescimento da indústria. Tratando-se de fundos fechados. designados Unidades de Participação. No ano seguinte surgiram mais quatro fundos e desde então esta actividade ganhou uma importância crescente no nosso país. Financeira – 2010 .O depositário (banco) O investimento efectuado por um fundo de investimento depende de duas entidades: .é a entidade que. que garante o bom cumprimento das políticas de investimento e na qual são depositados os valores que integram o fundo. De facto.A sociedade de gestão. verifica-se desde 1998 uma redução da importância da indústria na economia nacional. que cresceram 22. efectua as subscrições e resgates por ordem da entidade gestora. é responsável pela administração do fundo em representação dos participantes. A ligeira recuperação verificada em 2001 deveu-se principalmente ao dinamismo dos fundos de investimento imobiliário. a gestão pode também ser efectuada por instituições de crédito – situação ainda inexistente em Portugal. onde cada participante é titular de quotas-partes dos valores que os compõem. Os fundos de investimento tem registado um desenvolvimento muito acelerado. Para efeito de subscrição.6% face a 2000. Assim. o valor de cada UP será calculado do seguinte modo : UP = VLG / ( nº de UP em circulação) A estrutura fundamental dos fundos de investimento assenta em : .bancário e da consequente interrupção da actividade no mercado de capitais. quer em termos de volume dos activos sob gestão (64%). as unidades dos fundos existentes foram transformadas em dívida pública. para 306 no final de 2001).

.Entidade de supervisão .Entidade Colocadora .Quanto ao Espaço de Actuação Este critério dá lugar à distinção entre fundos nacionais.Fundos de Capitalização .fundos geridos por entidades domiciliadas em território nacional e que investem principalmente em valores transaccionados em mercados nacionais. gestão efectuada no país de origem).os rendimento gerados são incorporados no valor da UP. existe uma vasta variedade de fundos de investimento consoante o binómio risco/rendibilidade associado e a política de investimento pretendida por cada agente.Natureza dos activos. mas comercializados no espaço financeiro nacional. d) .. d). d). Deste modo. nos termos fixados no regulamento de gestão. Financeira – 2010 . -Fundos Internacionais – fundos geridos por entidades domiciliadas em território nacional mas que direccionam as suas aplicações para valores cotados em mercados internacionais.Fundos Estrangeiros . não havendo lugar à distribuição periódica de rendimento. a sociedade gestora). sendo apenas titulares do direito à percepção dos respectivos proventos.Classificação dos Fundos de Investimento O património de um fundo pertence a uma pluralidade de pessoas singulares ou colectivas denominadas participantes e pode ser aplicado em diversos instrumentos financeiros segundo um princípio de divisão de riscos9.2 .Quanto à Forma de Remuneração do Participante É possível distinguir entre fundos de rendimento e fundos de capitalização: . Assim. internacionais e estrangeiros: .assume as funções normalmente desempenhadas pelo Banco Depositário e exerce a actividade de distribuição por conta da Sociedade Gestora (está sujeita às normas que regem as operações do depositário). com vista a formar uma carteira diversificada de valores mobiliários ou outros valores equiparados. 86 A. . é possível distinguir os fundos de investimento segundo determinados critérios.Espaço de actuação.1 .Fundos de Rendimento – distribuem periodicamente aos participantes os rendimentos gerados.fundos geridos por entidades domiciliadas no estrangeiro (isto é. tais como: . sendo o valor da UP constante ao longo do tempo . e do direito de resgate/reembolso das suas unidades de participação.Fundos Nacionais . Embora os fundos de investimento pertençam aos participantes estes não interferem na sua gestão (mandatando para tal.Forma de remuneração do participante .

com parecer favorável do Banco de Portugal.do que às actividades em si (Relativamente aos FII. é responsável pela autorização da constituição de novos fundos de investimento. 87 A.instituições de crédito e sociedades financeiras . Financeira – 2010 . mediação ou exploração imobiliária. sendo a entidade que assegura a produção regulamentar e exerce a supervisão e o audito institucional do fundo e das entidades gestoras e depositárias respectivas.d). A título de exemplo. implicando algumas alterações importantes com repercussões na própria actividade das Sociedades Gestoras dos Fundos de Investimento Imobiliário .SGFII) do Banco de Portugal -) d). a CMVM.Fundo de Investimento Mobiliário (FIM) . sendo mais dirigidas à supervisão das entidades gestoras . A CMVM é detentora de amplos poderes de supervisão prudencial dos fundos.º 294/95. adoptou-se o critério de supervisão funcional -repartição do controlo com base nas atribuições funcionais da CMVM e .quando o fundo privilegia a aplicação em valores imóveis de raíz ou em valores mobiliários de sociedades cujo objecto principal seja a transacção. As funções do Banco de Portugal são acessórias na actividade dos fundos. os fundos de investimento podem distinguir-se entre mobiliários e imobiliários: .Fundo de Investimento Imobiliário (FII) . a supervisão da sua actividade passou a ser competência da CMVM com a entrada em vigor do Decreto-Lei n.Quanto à Natureza dos Activos Neste âmbito.4 .3 – Quanto às entidades de supervisão A actividade dos fundos de investimento está sujeita à supervisão de duas entidades: a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e o Banco de Portugal (Em lugar do critério institucional -repartição das instituições supervisionadas entre a CMVM e o Banco de Portugal -. de 17 de Novembro.quando o fundo se especializa na aplicação em valores mobiliários transaccionáveis .

Segundo a interpretação da CMVM. nomeadamente obrigações de médio e longo prazo. existe uma diversidade de categorias de políticas de investimento que traduzem diferentes binómios rentabilidade/risco e distintos horizontes temporais. por 70% de acções transaccionadas em mercados nacionais e com um mínimo de 90% dos activos expressos em euro. por 50% de obrigações de taxa fixa. a CMVM poderá não atender exclusivamente a esta metodologia os fundos de acções devem investir uma percentagem mínima de 70% da carteira em acções (De acordo com a classificação da CMVM adoptada antes de 1999. . a saber: . Os FIM podem então diferenciar-se pelo nível de liquidez. Os Fundos de Obrigações investem predominantemente em activos de rendimento fixo.1. cada um deste tipo de fundos divide-se ainda em: . . b – Fundos de Obrigações. simultaneamente sujeitos a um risco superior. esse limite mínimo era de pelo menos 60%. pelo que devem ser encarados como um investimento a longo prazo. risco e rentabilidade potencial.União Europeia – quando o património é composto por um mínimo de 70% de acções transaccionadas em mercados da União Europeia e com o mínimo de 90% dos activos expressos em euro.Fundos de Acções.Taxa Variável – quando não cumprem o critério acima apresentado.Internacionais – restantes fundos. Sempre que existam outras condições objectivas que permitam enquadrar os fundos numa determinada categoria.Taxa Fixa – quando são constituídos. constituídos predominantemente por acções (cotadas ou não).1 – Fundo de Investimento Mobiliário ( FIM ) Relativamente aos FIM. Financeira – 2010 de classificação. De acordo com os critérios de classificação de fundos de investimento mobiliário da CMVM (a partir de 1999 inclusive. Internacionais – quando não se enquadram em nenhum dos anteriores. Por seu turno.2. deste modo. estão normalmente associados a um maior potencial de crescimento e rendibilidade e. no mínimo. 88 A. Os fundos de obrigações podem ser de: .5. quer directa ou indirectamente. que dão ao investidor a possibilidade de escolher aquele que melhor se adequa às suas especificidades.Nacionais – quando o património é composto. assumindo as seguintes categorias: a. apenas definia que os fundos de obrigações deveriam ser predominantemente constituídos por obrigações ) . o seu património deve ser composto no mínimo por 50% de obrigações e não devem investir.Euro – quando detém um mínimo de 90% dos activos expressos em euro .) . no mínimo. em acções ordinárias (A classificação da CMVM adoptada até 1998.) e podem ser subdivididos em três categorias. Os Fundos de Acções.

c – Fundos Mistos; Os Fundos Mistos são fundos que aplicam de forma diversificada, quer em aplicações de rendimento fixo (tesouraria e obrigações), quer em aplicações de rendimento variável (acções). Correspondem a fundos que não cumprem os critérios estabelecidos dos fundos de acções ou de obrigações. De acordo com a CMVM, podem ainda ser sub-divididos em: - Euro – compostos, no mínimo, por 70% de valores transaccionados em mercados da União Europeia e com um mínimo de 90% dos activos expressos em euro; - Internacionais – não cumprem o critério anterior d – Fundos de Tesouraria; Os Fundos de Tesouraria correspondem aos fundos constituídos ao abrigo do Decreto-Lei n.º 276/94 de 2 de Novembro ( A lei exige que sejam considerados fundos
mobiliários abertos ( art.º 52.º n.º1 do D.L. n.º 276/94, de 2 de Novembro, alterado pelo D.L. n.º 323/99, de 13 de

cuja política de investimentos se orienta para aplicações nos mercados monetários numa óptica de muito curto-prazo, isto é, em activos que se caracterizam por uma elevada liquidez, nomeadamente papel comercial, depósitos bancários e valores mobiliários com maturidade inferior a um ano (Este tipo de fundos,
por se tratarem de fundos com investimentos em produtos de baixo risco (volatilidade reduzida), destinam-se a investidores cujo principal objectivo consiste na estabilidade da remuneração e liquidez.).

Agosto),

Este tipo de fundos, sendo reconhecidos como uma categoria de fundos específica, tem de respeitar determinadas imposições legais quanto à composição das suas carteiras, nomeadamente: (i) Deter em permanência, pelo menos 35% do seu activo total investido em valores mobiliários com prazo de vencimento inferior a 12 meses (art.º 53.º n.º3); (ii) Não podem investir o seu capital em acções, em obrigações convertíveis ou obrigações que confiram o direito de subscrição de acções ou de aquisição a outro título de acções, em títulos de dívida subordinada, bem como títulos de participação (art.º 53.º n.º4). Segundos os critérios de classificação de FIM da CMVM, existem fundos de tesouraria ditos: - Euro – menos de 10% da carteira está exposta ao risco cambial - Internacionais- fundos que não cumprem o critério anterior. e – Fundos de Fundos; Os Fundos de Fundos ( Fundos mobiliários abertos (art.º 55.º n.º 3 do D.L. n.º 276/94, de 2 de Novembro) ,categoria constituída em 1995, correspondem àqueles cujo património é composto exclusivamente por participações em instituições de investimento colectivo e por liquidez (Os fundos de fundos, à semelhança dos fundos de tesouraria, são também alvo de imposições legais
mais específicas não podendo, por exemplo, aplicar mais de 20% do seu activo global num único fundo (art.º 56.º n.º2 do D.L. n.º 276/94, de 2 de Novembro, com alterações do D.L. n.º 323/99, de 13 de Agosto)

necessária

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ao movimento normal do resgate das unidades de participação (Dadas

as suas características, estes fundos são detentores de um elevado grau de diversificação. Refira-se ainda que as unidades de participação detidas por estes fundos podem apenas ser de fundos domiciliados em Portugal que sejam fundos abertos comuns, ou de fundos de tesouraria, ou de fundos harmonizados, não podendo ser de fundos imobiliários nem de fundos de fundos (art.º 56.º n.º 1 do D.L. n.º 276/94, de 2 de Novembro).

Existem fundos de

fundos: - Euro – quando mais de 90% das participações em que investem são de instituições de investimento colectivo domiciliados na União Europeia e com um mínimo de 90% dos activos expressos em Euros - Internacionais – não cumprem aquele critério. f – Fundos do Mercado Monetário; Os Fundos do Mercado Monetário são uma figura recentemente introduzida no mercado (em Agosto de 1999) e caracterizam-se basicamente por serem compostos, numa percentagem superior a 85% do seu valor líquido global, por depósitos bancários . g – Fundos de Poupança-Reforma/Educação e Fundos de Poupança em Acções; Os fundos especiais, nomeadamente os Fundos de Poupança-Reforma/Educação (FPR/E) e Fundos de Poupança Acções (FPA), constituem casos particulares dos fundos de investimento mobiliário, apresentando por isso, enquadramentos legal e fiscal específicos (Tratam-se de fundos que se situam entre os fundos abertos e fechados, uma vez que as subscrições são quase sempre possíveis e os resgates, verificadas certas condições, também podem ocorrer) . Os Fundos Poupança-Reforma constituem planos individuais de reforma, complementares aos esquemas de segurança social proporcionados pelo Estado e pelas empresas. Investem principalmente em activos de baixo risco, devendo ser compostos por uma percentagem mínima de 50% de títulos de dívida pública emitidos por prazo superior a um ano. Os Fundos Poupança Acções (enquadrados em Planos de Poupança Acções), constituem um veículo de investimento de médio-longo prazo orientado para a dinamização do mercado accionista nacional e que permite aos participantes usufruírem de benefícios fiscais. Os fundos de poupança acções podem deter uma componente mínima de 75% do seu valor em: i) acções e títulos de participação cotados em bolsa de valores nacional (Representando estas aplicações pelo menos dois terços daquele valor ); ii) unidades de participação de fundos cuja política de investimentos preveja um investimento mínimo de 50% de acções cotadas em bolsa de valores nacional. A parte restante pode ser aplicada em numerário, depósitos em instituições de crédito e aplicações no mercado monetário interbancário (A classificação da CMVM adoptada antes de 1999 apenas definia que os fundos poupança acções teriam que ser constituídos no mínimo por 50% de acções e títulos de participação cotados em bolsa de valores nacional )

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h – Fundos Garantidos; Os Fundos Garantidos correspondem a fundos que, independentemente da sua política de investimentos, têm adstrita uma garantia de capital e um certo perfil de rendimentos (Em 2002 foi aprovado o Regulamento da CMVM n.º 04/2002 onde se encontram estabelecidas as condições para a constituição deste tipo de fundos de investimento ) i – Fundos de Índices. Os Fundos de Índices são fundos cujo objectivo da política de investimento consiste na reprodução integral ou parcial dum índice de valores mobiliários. Do ponto de vista legal, este tipo de fundos foi consagrado no D.L. n.º 276/94, de 2 de Novembro, onde previa a possibilidade dos investimentos em acções que integrassem um índice de bolsa ultrapassarem os limites estabelecidos em relação a uma só entidade. Mais recentemente, com o Regulamento n.º 4/2002, a CMVM veio aprofundar determinados aspectos relacionados com os fundos de índices, nomeadamente a sua política de investimentos e limites, os índices de valores mobiliários elegíveis e a informação a enviar à CMVM. Os agrupamentos de fundos, que não são propriamente uma categoria de fundos mas sim uma modalidade especial de comercialização, podem ser constituídos por dois ou mais fundos de investimento mobiliário abertos (com excepção dos fundos de fundos). Os agrupamentos caracterizam-se principalmente, pelas vantagens que proporcionam no resgate e subscrição simultânea de UP dos fundos que os integram. Os fundos de investimento mobiliário que integram um determinado agrupamento são normalmente designados por “compartimentos” ou “sub-fundos”.

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. e o da construção e obras públicas em particular. Para as empresas.Possibilidade de vender parte do investimento (quotas). na aquisição de imóveis prontos. Os recursos de um FII podem ser aplicados no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários. etc. O governo pretendia com a criação dos fundos de investimento imobiliário aumentar as poupanças ao mesmo tempo que tentava a sua mobilização para investimentos no sector imobiliário.Fundo de Investimento imobiliário ( FII ) a) .Fundimo -.Possibilidade de investir em imóveis sem arcar diretamente com os custos inerentes a esse tipo de investimento (custo c/ escritura. A. na construção de imóveis. permitindo-lhes centrar os seus recursos financeiros na sua actividade principal. diferentemente do investimento directo em imóveis.L. criou legislação específica para o sector (DL nº1/87 de 3 de Janeiro e D. nº 237/87 de 12 de Junho). devendo-se este lapso de tempo ao facto de só em Janeiro de 1987 terem sido estabelecidos incentivos fiscais à actividade dos fundos imobiliários) os primeiros fundos de investimento imobiliário (Fundimo. com vista à recuperação económica do país.Vantagens Os FII oferecem vantagens para os investidores que valorizam a diversificação de seus investimentos.Noção de Fundo de Investimento Imobiliário Os Fundos de Investimento Imobiliário são instituições de investimento colectivo que têm por fim o investimento de capitais recebidos do público em carteiras diversificadas de valores fundamentalmente imobiliários. segundo um princípio de divisão do risco e de maximização dos rendimentos obtidos. traduzindo-se em efeitos positivos nas indústrias de construção e no mercado de arrendamento de imóveis para habitação e para escritórios. com impacto directo na performance económica e financeira.Complemento de rendimento através do aluguer de imóveis.1. c) . procurando incentivar o sector imobiliário em geral. locação ou arrendamento Constituem patrimónios autónomos. os Fundos de Investimento Imobiliário representam um papel importante como fonte de financiamento através da separação entre a propriedade dos activos imobiliários e a gestão.2.5. pertencentes. só em Maio de 1987 aparece o primeiro fundo . Financeira – 2010 92 . Foi assim que surgiram em 1987 (Apesar da legislação que cria os fundos de investimento imobiliário datar de 12 de Julho de 1985. além de : . Captam capitais ao público em geral e aplicam-nos fundamentalmente em operações imobiliárias. naquele que é o seu negócio e no que sabem fazer. designadas por participantes. para posterior alienação.2 . no regime especial de comunhão a uma pluralidade de entidades. b) . e sem ter vínculo direto com inquilino.Os Fundos de Investimento Imobiliário em Portugal O governo. Imovest. ou no investimento em projetos que viabilizem o acesso à habitação e serviços. .).

sendo 16 abertos e 33 fechados. nomeadamente através do crédito à habitação. visavam propiciar aos participantes uma rendibilidade segura e razoável numa perspectiva de médio e longo prazo. lançados numa altura de forte reanimação do mercado financeiro português com o aparecimento de novos produtos alternativos às formas tradicionais de aplicação de poupanças. porventura. O valor total sob gestão era de 5. Crédito Predial Português e Montepio Geral. ao mesmo tempo que contribuíam para a estabilização da poupança de uma larga faixa de aforradores e para a dinamização do mercado de arrendamento. mais atraentes.106 aos fundos fechados. alguns dos quais a perspectivarem formas de remuneração.481 milhões de euros. 93 A. correspondendo 3. Em 30 de Junho de 2003 existiam em Portugal 26 sociedades gestoras de fundos de investimento imobiliário. e situados entre produtos de alto risco e o tradicional depósito a prazo. Imovest e Vip surgiram naturalmente visto que as suas instituições depositárias. inseridos no sector imobiliário.375 aos fundos abertos e 2. Os fundos Fundimo.Geoger e Vip). Caixa Geral de Depósitos. estavam já ligadas ao imobiliário. responsáveis por 49 Fundos de Investimento Imobiliário. Financeira – 2010 . Estes fundos.

Considera-se o imposto eventualmente retido como pagamento por conta.º 6. alínea b) n. alínea c) n.Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) Nos termos do artigo 46º do EBF. Financeira – 2010 . que se constituam e operem de acordo com a legislação nacional. na esfera dos mesmos.5 %.Vantagens fiscais A tributação dos rendimentos obtidos por FII.º 6. artigo 22º do Estatuto dos Benefícios Fiscais EBF). . . 94 A.Outros Rendimentos Aplicam-se as regras estabelecidas para os rendimentos dos Fundos de Investimento Mobiliário por remissão da lei para o regime dos mesmos (Cfr. os prédios integrados em FII. artigo 22º do EBF). artigo 22º do EBF). sem prejuízo da dispensa de retenção na fonte sobre rendimentos prediais obtidos por FII. devidamente documentados (Cfr.Mais-Valias Prediais Estão sujeitas a tributação autónoma à taxa de IRC de 25% sobre metade do saldo entre as mais e as menos valias realizadas apuradas de acordo com o Código do IRS (Cfr.º 1 do artigo 90º do Código do IRC. . depende da natureza dos mesmos: . estão isentos de IMI.d) . A taxa efectiva é. de 12. assim.º 6. que se constituam e operem de acordo com a legislação nacional. alínea a) n.Rendimentos prediais Tributados autonomamente à taxa efectiva de IRC de 20% sobre os rendimentos líquidos de encargos de conservação e manutenção efectivamente suportados. prevista na alínea g) do n.

no âmbito de uma actividade comercial. fora do âmbito de uma actividade comercial. Os lucros distribuídos ao Fundo por uma sociedade com sede ou direcção efectiva no território português. No caso de sujeitos passivos de IRC isentos.º 287/2003. os rendimentos não estão sujeitos a retenção na fonte.º 1/87.Constituição do activo dos FII O activo de um FII pode ser constituído por imóveis e liquidez (Cfr. artigo 25º do Regime). o imposto retido ou devido na esfera no Fundo. bem como os rendimentos resultantes de partilha em consequência da liquidação dessas entidades que sejam considerados como rendimentos de capitais.De acordo com a redacção do artigo 1º do Decreto-lei n. de 12 de Novembro que aprovou o Código do IMT).Participantes residentes em território português Para os sujeitos passivos de IRS. industrial ou agrícola. Os FII estão regulados num Regime jurídico próprio aprovado pelo Decreto-Lei n. A tributação dos rendimentos respeitantes a unidades de participação em FII. podendo no entanto ser englobados. Os imóveis detidos pelos Fundos de Investimento Imobiliário devem estar localizados em Estados Membros da União Europeia.º 60/2002 de 20 de Março (com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n. sendo considerados como proveitos ou ganhos e o montante de imposto retido ou devido na esfera do Fundo tem a natureza de imposto por conta. os rendimentos estão isentos. na esfera dos seus participantes depende do enquadramento fiscal do seu detentor e da respectiva residência fiscal: . Os imóveis que integram o activo de um Fundo de Investimento Imobiliário devem encontrar-se livres de ónus e encargos.º 6 do artigo 31º do Decreto-lei n. industrial ou agrícola. Em caso de englobamento.º 252/2003. são isentas de IMT as aquisições de bens imóveis efectuadas para um FII pela respectiva sociedade gestora. . de 3 de Janeiro ("ex vi " n. 95 A. caso em que o imposto retido ou devido ao próprio Fundo tem a natureza de imposto por conta. também são dedutíveis para efeitos da determinação do lucro tributável em 50%. de 7 de Janeiro).º 13/2005. sujeita e não isenta de IRC. correspondente aos rendimentos das unidades de participação que aqueles tenham subscrito. correspondendo a prédios urbanos ou fracções urbanas. deve ser restituído pela entidade gestora do Fundo e pago conjuntamente com os rendimentos respeitantes a essas unidades. Financeira – 2010 . os titulares das unidades de participação têm direito a deduzir 50% dos lucros colocados à disposição do Fundo por pessoas colectivas sujeitas e não isentas de IRC. Para os sujeitos passivos de IRC e sujeitos passivos de IRS.Participantes não residentes em território português Os rendimentos respeitantes a unidades de participação estão isentos de IRS e de IRC. e republicado pelo Decreto-Lei n. de 17 de Outubro. e) .

fundos de investimento mistos artigo 55º. fundos de investimento fechados objecto de oferta pública de subscrição artigo 46º. b) O activo da sociedade imobiliária seja composto por um mínimo de 75% de imóveis passíveis de integrar directamente a carteira do fundo de investimento. f) . explorados ou alienados.Acrescenta o artigo 25º -A do Regime que o activo de um fundo de investimento pode ainda ser constituído por participações em sociedades imobiliárias desde que preenchidos os seguintes requisitos: a) O objecto social da sociedade imobiliária se enquadre exclusivamente numa das actividades que podem ser directamente desenvolvidas pelos fundos de investimento. O mesmo limite é aplicado às restantes modalidades de FII (Cfr. todos do Regime jurídico dos FII).Administração dos FII A administração dos FII é exercida por uma sociedade gestora de fundos de investimento imobiliário. g) Aos imóveis e outros activos que integrem o património da sociedade imobiliária ou por esta adquiridos. d) A sociedade imobiliária tenha sede estatutária e efectiva num dos Estados membros da União Europeia ou da OCDE no qual o respectivo fundo de investimento pode investir. nos termos do disposto na alínea e). Financeira – 2010 .º 1. As sociedades gestoras adoptam a forma de sociedade anónima. nº 1 e 2 do artigo 6º do Regime jurídico dos FII). e) As contas da sociedade imobiliária sejam sujeitas a regime equivalente ao dos fundos de investimento em matéria de revisão independente. a administração dos fundos de investimento fechados pode ainda ser exercida por alguma das instituições de crédito referidas nas alíneas a) a f) do Regime Geral 96 A. n.º 1.º 1. n. nomeadamente no que respeita a regras de avaliação. n. artigo 38º do Regime. c) A sociedade imobiliária não possua participações em quaisquer outras sociedades. sendo o respectivo capital social representado por acções nominativas (Cfr. conflitos de interesse e prestação de informação. sejam aplicados princípios equiparáveis ao regime aplicável aos fundos de investimento. Porém. artigo 7º do Regime). alínea a). podendo. f) A sociedade imobiliária se comprometa contratualmente com a entidade gestora do fundo de investimento a prestar toda a informação que esta deva remeter à CMVM. transparência e divulgação. fundos de investimento fechados objecto de oferta particular artigo 48º. no entanto. sendo-lhe aplicáveis as regras definidas no presente diploma para as sociedades gestoras e para os fundos de investimento imobiliário que administrem (Cfr. nos fundos de investimento abertos as participações em sociedades imobiliárias não podem representar mais de 25% do activo total do fundo de investimento. ser exercida por uma sociedade gestora de fundos de investimento mobiliário. No entanto.

º 01/2005 da CMVM respeitante aos FII).º 11/2002 da CMVM respeitante à contabilidade dos FII) e ser obrigatório o envio a esta entidade dos relatórios e contas semestrais e anuais dos FII. O capital que os constitui ser variável. designadamente sociedades imobiliárias. Regime jurídico e Regulamento n. a Caixa Central de Crédito Agrícola e as caixas de crédito agrícola mútuo. O FII deverá ter um património mínimo de 5 milhões de euros após um ano da sua constituição. Composto mais por activo de rendimento em vez de activos de investimento. artigo 41º do Regime). Destacamos. com as obrigações a cumprir perante a CMVM (Cfr. não excluindo o Regime do seu âmbito subjectivo nenhum sector de actividade ou forma societária. de 31/12. Regulamento n. g) . no prazo de 12 meses. o FII terá de aumentar o seu capital para o mínimo legal. sociedades de investimento e sociedades de locação financeira (Cfr. instituições financeiras de crédito. residentes ou não em território português. essencialmente. não sendo necessária a sua transacção em bolsa. Destinam-se principalmente ao público em geral e tem duração indefinida. Financeira – 2010 . A subscrição e resgate das unidades de participação é feita junto dos intermediários financeiros. é exigido nos termos do seu regime jurídico a observância de regras específicas nas matérias referentes ao acesso e exercício da actividade e ao seu regime financeiro que se prendem.das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras aprovado pelo Decreto-lei n. -Fundos fechados Os fundos fechados caracterizam-se por possuírem um capital fixo e duração 97 A. Caso o FII venha a ser constituído com capital inferior ao mínimo legal ou no caso de a subscrição inicial de 5 milhões de euros ficar incompleta. As referidas instituições de crédito são as que se seguem: Bancos.º 298/92.Tipos de Fundos de Investimento Imobiliário quanto ao capital Os Fundos de Investimento Imobiliário podem ser: -Fundos abertos Os fundos abertos caracterizam-se pelo facto terem grande liquidez. sendo permitido aos seus participantes subscreverem e/ou resgatarem unidades de participação a qualquer momento.000. ou o património adquirido deverá ter sido investido ou valorizado até aquele montante.º 08/2002 da CMVM com as alterações introduzidas pelo Regulamento n. i) . a título de exemplo.00. As unidades de participação que constituem estes fundos são em número variável. Caixas económicas. as circunstâncias da contabilidade dos FII ser organizada em harmonia com as normas emitidas pela CMVM (Cfr.Natureza dos participantes dos FII Os participantes dos FII podem ser pessoas singulares ou colectivas.Gestão dos FII Não se afigura de grande complexidade a gestão dos FII. no entanto. h) . que disponham de fundos próprios não inferiores a € 75.

incompatibilidades e informações ao mercado. bem como a aceder a activos e à aplicação de capitais anteriormente condicionados. Composto mais por activo de investimento em vez de activos de rendimento. Fundos de Investimento Fechados de Subscrição Particular com menos de 5 investidores passaram a ser. Este tipo de fundos pode ser admitido à negociação em bolsa e. ao nível de informação. Os participantes não interferem na gestão dos fundos. quer essa admissão se concretize ou não. sendo subscritas pelos bancos depositários. sendo uma em número fixo e outra em número variável. -Fundos mistos Os fundos mistos caracterizam-se pela existência de duas categorias de unidades de participação. Destaque-se que estes Fundos passaram a poder adquirir participações em sociedades imobiliárias. mandatando para tal. Menor liquidez que fundos abertos. a elaborar o prospecto.O banco depositário. sem dúvida alguma. Com efeito. podendo eventualmente ser aumentado em condições prédefinidas no regulamento de gestão. e ao eliminar outras exigências jurídicas. as respectivas unidades de participação são sempre negociadas em mercado secundário. a sociedade gestora. designadamente quanto aos limites do endividamento. 98 A.Estrutura dos Fundos de Investimento A estrutura fundamental dos Fundos de Investimento assenta em três entidades: -Os participantes -A sociedade gestora . Financeira – 2010 . O número de unidades de participação é fixado no momento da emissão. converte os FII num instrumento financeiro de investimento colectivo mais flexível. uma alternativa para a estruturação de operações imobiliárias. quer pela credibilidade de que gozam para a captação de recursos quer pelo regime fiscal favorável de que beneficiam. j) . Sublinhe-se que estes fundos deixaram de ter limites de endividamento e não estão obrigados. sendo titulares do direito à percepção dos respectivos proveitos. a recente alteração ao Regime dos Fundos de Investimento Imobiliário Fechados (FII) ao permitir a sua constituição com menos de cinco investidores.definida ( máximo 10 anos ). permitindo-se desta forma o exercício indirecto da actividade imobiliária. como os demais fundos. nem à publicação de relatórios semestrais.

Financeira – 2010 . k) .Actividades realizadas pelos Fundos de Investimento Imobiliário Os Fundos de Investimento Imobiliários . pelo menos. 99 A.Podem desenvolver projectos de construção de imóveis l) . investindo o seu dinheiro em aplicações essencialmente imobiliárias. cuja actividade está sobre a alçada da CMVM . que efectua as subscrições e resgates por ordem da sociedade gestora e que garante o bom cumprimento das políticas de investimento.previamente à sua aquisição e alienação. dois peritos avaliadores independentes.Avaliação dos FII Os imóveis dos Fundos de Investimento Imobiliário devem ser avaliados por.A sociedade gestora é responsável pela administração do fundo em representação dos participantes.Adquirem imóveis para revenda . O banco depositário é a entidade onde está parqueado o capital do Fundo. A avaliação deve ser feita : .Adquirem imóveis para arrendamento ou outras formas de exploração onerosa .

Numerário.Aplicações nos mercados interbancários.Valores imobiliários. . n) . sem entrar em linha de conta com os benefícios fiscais que poderão estar associados ao mesmo. .Critérios de análise A decisão sobre operações de aquisição e de arrendamento de imóveis tem por base critérios de rigor e rendibilidade. .com uma periodicidade mínima de dois anos.Calculo da rentabilidade de um Fundo (sem considerar os benefícios fiscais e a distribuição de rendimentos) Apresenta-se de seguida a forma de cálculo da rentabilidade de um Fundo. O imóvel objecto de análise é avaliado na óptica do rendimento.Depósitos bancários. o) . . .. Obriga ao calculo estimado dos rendimentos liquidos gerados pela propriedade assim como de uma taxa de actualização . Este método permite determinar o valor de mercado e encontrar a remuneração adequada às características da unidade e ao nível de risco de investimento face às condições gerais de mercado.Títulos da dívida pública. abertos ou fechados. Relembra-se que as taxas de rentabilidade calculadas são líquidas de comissões e impostos uma vez que sobre os activos que compõem os Fundos incide IRS.Método do rendimento ( também conhecido como método indirecto ou analitico) Usado para estimativa de propriedades produtivas que podem ser arrendadas com certo valor de renda. só pode ser constituído por: . e será segundo dois de três métodos possíveis : . Financeira – 2010 . sendo a unidade de participação calculada líquida de impostos e comissões do Fundo. Método baseado no conhecimento dos valores dos imóveis semelhantes e transaccionados no mercado local .Composição da carteira dos FII De acordo com a portaria nº 422-B/88 de 4 de Julho o património dos fundos de investimento imobiliário.método comparativo-) o custo de construção do imóvel m) .Certificados de participação noutros fundos de investimento.Método comparativo ( também conhecido como método directo ou sintético) O valor do imóvel é determinado por comparação com outros semelhantes cujo preço de mercado é conhecido.Método do custo ( também conhecido como método de custo de substituição) O valor do imóvel é calculado adicionando ao valor do terreno ( valor de mercado . 100 A.

em ambas as áreas. O modelo de Porter.Taxa Anual Equivalente Liquida . se verifica a existência. pois. de ameaças externas que se traduzem na possibilidade de entrada de novos concorrentes e/ou na entrada de produtos substitutos. a performance das empresas de um sector é influenciada pela intensidade de cinco forças (ver figura nº 1). tendo sido aplicado inicialmente à indústria. por um lado de fornecedores e clientes com todo o seu poder negocial.Diferença de dias entre o momento inicial e o momento final p) . por outro.Valor da UP no momento inicial (UP mais antiga) .Prazo . Fig nº 1 Aplicando-se esta análise aos fundos de investimento imobiliário. Financeira – 2010 .Valor da UP no momento final (UP mais recente) . e.TAEL .UP 1 .Análise de competitividade Segundo Michael Porter.UP 0 . não excluía a hipótese de ser aplicado também aos serviços.TAEL = ((UP 1/ UP 0 ) ^ (365/(Prazo)) em que: . verifica-se: Posição de força dos fornecedores Para os fundos imobiliários existem dois tipos de fornecedores: 101 A.

.) pelas transacções efectuadas e. nomeadamente os ligados ao «fornecimento» de imóveis para os fundos. Quanto ao segundo tipo. O número de participantes nos fundos é normalmente bastante elevado (em 15/12/93 o Fundo VIP contava com 7. entre outros.Os fornecedores de matéria-prima que neste caso são os depósitos bancários. pode tornar-se intransponível. quer da venda. no sentido de obterem melhores condições às sociedades gestoras e aos fundos.420 participantes e no final de 1993 cada participante nãoinstitucional (Em 31/12/93 cerca de 77% das unidades de participação em circulação eram detidas por investidores não-institucionais. Existe um enorme número de barreiras.Os fornecedores de serviços como.. mas como novas sociedades gestoras. etc. evitando assim o aparecimento de novos concorrentes. detidas pelos fundos. É aqui que os grandes obstáculos 102 A. principalmente quando se trata de um arrendamento de várias fracções de um edifício por uma empresa. não têm geralmente qualquer poder negocial. poderão repercutir-se directamente na actividade do fundo. Numa outra perspectiva. que é a situação vivida nos últimos anos. Aqui poderá existir uma certa pressão no sentido de reduzir as rendas a pagar ao fundo.450 unidades) o que não provoca grande pressão. ou seja por pequenos e médios aforradores ) tinha em média 1. a sua influência faz-se sentir no desempenho dos fundos. nomeadamente pela possível perda de clientes (empresas arrendatárias) para outros fundos. quer através da construção. os títulos da dívida pública e os imóveis. Nos fundos de investimento imobiliário os novos concorrentes não são vistos como novos fundos. os mediadores imobiliários. poderemos considerar como clientes dos fundos as empresas que alugam as fracções de imóveis. a sua influência no desempenho do fundo faz-se sentir através do pagamento de comissões (comissão de bolsa. correspondendo a 2.602 unidades de participação. no caso dos mediadores imobiliários. numa conjuntura de grande oferta para uma escassa procura de escritórios. Financeira – 2010 . Existem ainda os fornecedores de material e mobiliário diverso incluindo os equipamentos informáticos e respectivo software que não possuem um grande significado. sendo muito elevada. Posição de força dos clientes Nos fundos de investimento imobiliário os clientes que são os detentores das unidades de participação. destinadas a escritórios. através da sua capacidade negocial junto dos potenciais arrendatários e/ou compradores. Ameaça de entrada de novos concorrentes Esta ameaça mede-se através da existência ou não de barreiras à entrada de novos concorrentes. Quanto ao primeiro tipo. as sociedades corretoras e as bolsas de valores de Lisboa e Porto.499 contos. cada qual apresentando-se com uma intensidade que. Os prazos de entrega e os montantes exigidos pela obra ou pela venda. com uma variação entre um mínimo de 10 e um máximo de 138.

visto que ainda existem bancos que não comercializam fundos imobiliários. nomeadamente para os fundos abertos que procuram dia-a-dia angariar novos subscritores como forma de garantirem uma carteira suficientemente diversificada para minimizar o risco. Assim. a soma do capital social com as reservas seja inferior à percentagem do valor global dos fundos que vier a ser fixada por portaria do Ministro das Finanças. com a imagem da sociedade gestora no mercado quando lança um fundo. a grande barreira à entrada de novos concorrentes. pela entidade depositária/comercializadora. No entanto. a curto prazo. causando possíveis perdas de oportunidades de mercado. Ameaça de chegada de produtos de substituição Para os fundos de investimento imobiliário os produtos substitutos são todos aqueles que se apresentam aos aforradores como produtos ideais para a aplicação de 103 A.000 contos. todos os passos necessários à constituição de uma qualquer sociedade anónima tais como pedido de firma. Quanto à imagem como obstáculo à entrada. por outro. A burocracia que infelizmente ainda afecta todos os sectores produtivos. pedido de número colectivo. que tem a ver com a imagem e confiança que os aforradores têm da entidade comercializadora. etc. Quanto à problemática dos canais de distribuição que é. escritura pública.se apresentam. a imagem não é decisiva. como também não permite que. sem dúvida alguma. -Canais de distribuição -Imagem. o que traz sempre certas demoras. directa ou indirectamente. que não o primeiro no mercado. ao contrário do que se passa com os fundos mobiliários em que o canal de distribuição está muito mais saturado. verifica-se que todas as sociedades gestoras têm como entidade depositária um banco. pode atrasar a constituição de novas sociedades gestoras em muitos meses. embora seja importante. é opinião dos peritos no sector que. a outra. Esta «obrigatoriedade» da existência de um banco como canal de distribuição leva a que muitas sociedades gestoras sejam participadas. por um lado. ouvido o Banco de Portugal.. em situação alguma. o canal de distribuição não é uma barreira intransponível. se considerarmos que a comercialização das unidades de participação é feita também pelas entidades depositárias. podemos então concluir que não é possível a existência de um fundo de investimento que não tenha um banco com todas as suas agências a ele associado. nomeadamente de três grandezas: -Burocracia. autorização do Ministro das Finanças após parecer do Banco de Portugal e. Financeira – 2010 . A imagem pode ser encarada de duas perspectivas: uma. A legislação estabelece ainda que nenhuma sociedade gestora de fundos de investimento imobiliário possa ser constituída com um capital social realizado inferior a 75. A constituição de uma sociedade gestora requer.

fundos de investimento mobiliário. risco e liquidez. Financeira – 2010 . facto que não se pode dissociar do grande aumento do número de fundos a operar no mercado nos últimos anos.depósitos bancários. sendo esta a forma encontrada. o que vai aumentando a rivalidade entre os diferentes produtos.seguros de vida. sendo a sua diferenciação feita quer pelos níveis históricos de performance. tirando daí vantagens nítidas da aplicação em valores mobiliários (dívida pública e depósitos bancários). Cada dia que passa vão surgindo novos produtos financeiros no mercado. o que vai aumentar o leque de produtos alternativos aos fundos de investimento imobiliário.obrigações. criando-se «novas versões» para alguns produtos financeiros. Por outro lado.poupanças. . . Esta situação levava a que todos ou quase todos os fundos procurassem aproveitar o prazo de dois anos que a lei confere para que os rácios de estrutura sejam cumpridos. Apesar de performances passadas não garantirem ganhos futuros. Assim. Os principais produtos substitutos para os fundos de investimento imobiliário são: .tesouro familiar. . também eles sobre-avaliados em relação à situação do mercado imobiliário. 104 A. as rendibilidades históricas dos fundos. quer pelos conhecimentos que os aforradores têm dos produtos. poder-se-á dizer que existem produtos financeiros para todos os gostos em termos de rendibilidade. A tendência no nosso país é para uma maior especialização de produtos. pelos fundos. Esta situação mantida durante muito tempo poderá trazer graves problemas para os fundos caso haja um grande número de resgates ao valor actual da unidade de participação.bilhetes do tesouro.certificados de aforro. quer pelos benefícios fiscais inerentes a esses produtos.acções. . para apresentar rendibilidades competitivas. os aforradores ainda levam muito em consideração aquando da escolha de um produto financeiro. . o que tem como desvantagem a perda de todos os benefícios que o investimento colectivo traz. Rivalidade entre as empresas do sector Nos fundos de investimento imobiliário. . a rivalidade entre fundos tem vindo a aumentar gradualmente. este valor sobre-avaliado não consegue ser alcançado pela venda dos imóveis. existe sempre a possibilidade dos aforradores aplicarem directamente as suas poupanças em imóveis. Actualmente. é frequente referir-se que muitos imóveis estão sobreavaliados. pelo que é grande preocupação destes apresentarem rendibilidades muito próximas uns dos outros. . Paralelamente.

sejam elas quadros. com uma faixa de pessoas que se interessa por esse bem e o compre para além do seu preço original. Assim falamos em: . porque o mercado de arte reserva surpresas agradáveis e ao mesmo tempo imprevisíveis. comportam em si uma fruição estética que é já uma vantagem em si mesma: para mais.Comprar quando os preços estiverem baixos e procurar as acções que estão a subir de uma forma sustentada. em épocas de elevada inflação. Este tipo de investimento é bastante sólido. 5. saber movimentar-se num mercado de baixo risco. 5. o investidor deve : . é aconselhável decidir-se por um sector de baixa vulnerabilidade. Caso goste de arriscar. Decida-se por uma empresa sólida que tenha dividendos constantes. Estes tipos de bens de reserva de valor.Investimento de substituição 105 A. torna-se um BEM DE RESERVA DE VALOR O investimento em obras de arte. mas não tem a possibilidade de prever a quantificação do rendimento. segundo a categoria á qual eles pertencem. as moedas.3 – Investir no sector produtivo A escolha deverá ser cuidadosa. mas com tempos de realização geralmente longos.4 . de um grupo para outro. a compra de acções diferenciadas é a melhor maneira de minimizar o risco de uma carteira. esculturas. Financeira – 2010 . .6 – Classificação dos investimentos por objectivos Esta classificação permite uma apreciação relativa do risco de vários investimentos. constituem um investimento ao abrigo das movimentações de papelmoeda. 5. podem gerar incerteza. Cada objecto que tenha uma consistência económica de base e um mercado preciso. mas na maior parte das vezes geram também valorizações nas cotações. A diversificação de uma carteira. ou seja. Se o horizonte de investimento é limitado no tempo.Bens de reserva de valor Os metais preciosos. O investimento num bem de reserva de valor não se adequa a uma especulação em prazos reduzidos. as obras de arte.5 – Imoveis Os aforradores que se dirijam ao mercado imobiliário para realizar um investimento devem ter uma boa liquidez. está sujeito a leis variáveis. Em termos genéricos. são um bom instrumento de investimento juntamente com os outros bens de reserva de valor típicos: os selos. pode escolher uma empresa cujo controlo não seja muito seguro: as passagens de mão.Dividir o investimento por varias empresas. jóias.5.

A substituição faz-se por equipamento idêntico. São normalmente os mais frequentes.4 – Investimentos estratégicos Este investimento têm por objectivo a promoção de condições favoráveis á prosperidade e êxito dos diversos projectos futuros e consequente desenvolvimento da empresa. 5. 5. .6. aperfeiçoamentos que melhorem a qualidade) ou da elaboração e lançamento de novos produtos.6.Os investimentos constituídos pelas despesas de investigação e desenvolvimento.6. não aumentam a capacidade da empresa e são os que apresentam menos incerteza.Investimento estratégico 5.( simplificações que permitam redução de custos. e tem por objectivo único suprimir a inferioridade do serviço prestado pelo equipamento existente. 5. Estes investimentos aumentam a capacidade da empresa sem modificar a natureza dos produtos.2 – Investimento de expansão Este investimento permite ao empresário fazer face aos desenvolvimentos da procura nos sectores dinâmicos da economia.1 – Investimento de substituição Este investimento destina-se á substituição de equipamentos envelhecidos quer pelo uso quer por obsolescência.Investimento de expansão . quer os investimentos efectuados com vista á melhoria de produtos existentes.. suportados pelas empresas desejosas de continuar na frente do progresso e serem as primeiras a lucrar com as novas técnicas e os novos mercados. Financeira – 2010 . Podemos definir alguns tipos de investimento estratégico: .6. que visam melhorar o bem-estar do pessoal (welfare) e proporcionar um bom clima social e psicológico no seio da empresa. A um acréscimo das despesas corresponde um acréscimo das receitas.Investimento de inovação ou modernização .3 – Investimento de inovação ou modernização Esta categoria engloba quer o investimento destinado essencialmente a baixar os custos. são essencialmente constituídos por factores internos da empresa. nomeadamente os relativos aos equipamentos economizadores de mão-deobra. Na verdade os elementos a considerar no estudo dos projectos. Um investimento de modernização assemelha-se de alguma forma a um investimento de substituição e a um investimento de expansão. 106 A.Os investimentos ligados a preocupações de ordem social.

7 – Classificação devido á interdependencia dos projectos . estamos perante 2 projectos Complementares.Concorrentes Dois projectos denominam-se: Independentes Quando as receitas de um deles não são influenciadas pela realização ou não do outro. formalizando ideias concretas acerca de quais são os projectos prioritários ao desenvolvimento da empresa. Complementares Se um projecto influência positivamente o outro. Torna-se assim necessário fazer um diagnóstico da evolução recente dos sectores de actividade e conhecer quais as necessidades a satisfazer. A. para.8.Complementares . Desenvolve-se a partir de uma tomada de consciência. No caso extremo em que um deles retira o total das receitas do outro eles dizem-se MUTUAMENTE EXCLUSIVOS OU INCOMPATIVEIS ( a aceitação de um implica a rejeição de outro ou outros projectos que formam o conjunto em análise) 5.Identificação Esta é a 1ª etapa. Dependentes Se as receitas de um projecto forem afectadas pela realização do outro.Independentes . ou Quando a aceitação de um projecto depende da aceitação de outro ou outros projectos. em conformidade. se formalizarem as ideias e desenvolverem-se as acções « projectos » que permitirão satisfazer o objectivo de desenvolvimento acima referido.5.Dependentes .8 – Principais etapas de um projecto de investimento 5. Concorrentes Se a influência for negativa os projectos dizem-se Concorrentes.1 . ou Quando a aceitação ou rejeição de um projecto não é influenciável pela aceitação ou rejeição de outro ou outros projectos. Financeira – 2010 107 .

3 – Análise Esta é a etapa que vai permitir a tomada de decisão final quanto á realização ou não do(s) projecto(s).8.8.Preparação Diz respeito aos estudos a levar a cabo para que os projectos a realizar satisfaçam os requisitos técnicos.2 . Estes estudos incidem normalmente sobre os aspectos comerciais. técnicos.A análise financeira sob o ponto de vista da rendibilidade empresarial . sem olvidar o enquadramento institucional.A análise económica sob o ponto de vista da rendibilidade para a colectividade. económicos e financeiros.financeiros. Há duas ópticas de analise a saber: . É a partir da eficácia destes estudos que se constróem as diferentes variantes possíveis de um projecto de investimento. permitindo que os mesmos sejam analisados e se torne rentável a sua realização. económicos. que se pensam levar a cabo. 5. assim como o registo provisional das receitas e despesas de cada uma delas.jurídicos e políticos.5. 108 A. Financeira – 2010 .

controlo de preços. Essas distorções são nomeadamente as restrições ás importações.8. incentivos ás exportações. Este tipo de análise pretende verificar.3. 109 A. e já referidas.2 – Analise económica (sob o ponto de vista da rendibilidades para a colectividade) Esta análise. será aceite ou rejeitado de acordo com a satisfação das perspectivas da entidade promotora.1 –Analise financeira (sob o ponto de vista da rendibilidade empresarial) Tem em vista. taxas de câmbio oficiais. Entende-se por preços de mercado corrigidos.Decisão Após ultrapassadas as três ultimas etapas. 5.8. caso o referido período ter sido bastante longo e tal se justifique. etc. isto é. mas também ter em linha de conta o período de tempo decorrido entre a primeira e a quarta etapa. passa-se á fase seguinte. Estas repercussões. o mesmo poderá ser reconsiderado. os preços de mercado após efectuadas as correcções provocadas pelas distorções que alteram o seu valor real (preços sombra). nos outros sectores da economia são muito difíceis de calcular.3. A Análise Social de um projecto de investimento é pois feita através da comparação entre as receitas e as despesas corrigidas. verificar se os capitais investidos.8. a de execução. o projecto está pronto para a tomada de decisão. etc.Se for aceite. são remunerados e reembolsados de modo a que as receitas geradas superem as despesas realizadas.3. não só no sentido de aprofundar detalhadamente as operações a realizar. montagem de equipamentos. isto é. também designada «Análise Social» ou «Análise Custo-Benefício». Assim. Se for rejeitado. difere da anterior. Contudo. Financeira – 2010 . é necessário ter em conta os custos e benefícios indirectos do projecto. em função das condições actuais e futuras. 5. «efeitos indirectos do projecto». qual o seu contributo para a Economia Nacional. utilizam-se inquéritos aos agentes económicos que mais directamente estäo relacionados com a realização do projecto. promovendo-se novos estudos para a sua concretização. 5.4 . para além das receitas e despesas relacionadas com o projecto. Serão então desencadeadas as acções necessárias para pôr em funcionamento o projecto: construção civil.3 . do calendário de realização.3. para além da viabilidade técnica e financeira do projecto. contratos de funcionamento. num período mais ou menos longo de tempo. Análise Financeira.8. actualizando para o efeito os preços dos bens utilizados.5. na medida em que os dados não são tratados a preços de mercado.Execução Nesta fase procede-se á revisão dos estudos técnicos e financeiros. mas sim a preços de mercado corrigidos. quais as repercussões que a realização do projecto tem nos outros sectores da economia nacional.

Decisões relativas a : . deverá permitir o estabelecimento de previsões sobre a evolução do consumo.sector de actividade em que actua . Em segundo lugar.novos métodos de actuação . que responda ás seguintes questões: .1 – Estudo de mercado O conhecimento do mercado dentro do qual actua uma empresa é de primordial importância para a tomada de decisões relativas a diversos campos da sua actividade.Utilização dos coeficientes técnicos .dimensão do mercado .Estudo da elasticidade .9 – Elementos a considerar no estudo de um projecto de investimento 5. concorrência) e prever a sua evolução com a finalidade de esta aí se movimentar com o máximo de sucesso. 5.2 – Métodos de previsão As previsões de consumos futuros constituem a base de trabalho e de raciocínio na concepção de projectos de investimento.características óptimas do serviço ou bem a fornecer.9. Para a tomada de decisões relativas a diversos campos da sua actividade e para o conhecimento do meio em que se movimenta. logo a exigência de a empresa conhecer o mercado em que actua.alteração na qualidade e no preço de venda de um produto Todo o projecto exige aquisição de factores de produção.novos investimentos . de entre os quais abordaremos: .5.Projecção da tendência Estudo da elasticidade Seja a função Y = f(x) Chama-se Elasticidade. fornecedores. O estudo de mercado. a empresa deve fazer um diagnóstico correcto da situação existente. Existem vários métodos de previsão.9. e é este o objectivo fundamental do estudo de mercado.área que abrange . serve precisamente para conhecer o meio em que se enquadra a actividade da empresa (consumidores. á relação entre a variação relativa de Y e a variação relativa de X: d Y ----Y --------d X ----X E = 110 A. Financeira – 2010 .

rendimento Define-se como a relação entre as variações relativas das quantidades procuradas e as variações relativas do rendimento. for superior a 1.Nos estudos de mercado. Será perfeitamente elástica quando for perpendicular a esse eixo. pois tanto o rendimento como a procura variam no mesmo sentido. uma vez que a procura varia em sentido inverso ao do preço.isto quer dizer que se o preço do bem B aumentar 1% as quantidades procuradas diminuirão 3% Elasticidade procura . há duas elasticidades que tem importância crucial. Poder-se-á ainda falar em procura inelastica infinita quando a curva de procura é representada por uma recta paralela ao eixo dos XX. A procura diz-se ELASTICA quando o valor da elasticidade em módulo. Se a elasticidade-preço do bem B é igual a -3. Uti1ização dos coeficientes técnicos 111 A. Será RIGIDA quando esse valor for menor do que 1. Financeira – 2010 . São elas a Elasticidade procura-preço e a Elasticidade procura-rendimento. dq --q E = ----dp --p Esta elasticidade normalmente tem sinal negativo. Como exemplo temos a procura dos automóveis.preço Define-se como sendo a relação entre as variações relativas das quantidades procuradas e as variações relativas do preço de um bem. Elasticidade procura . Como exemplo temos a procura do pão. dq ----q E = -----dy ----y Esta elasticidade normalmente tem sinal positivo.

determina-se uma função explicita pelo método dos mínimos quadrados.São utilizados habitualmente para analisar a procura de bens intermédios.Calculo da taxa média de crescimento anual em % Conhecidos os consumos no ano t e do ano n.9. tornar-se-á simples extrapolar esse consumo intermédio desde que se conheça a evolução daqueles produtos finais.Estudo tecnico do investimento A . Para projectar uma linha de tendência.Variantes do investimento Ao analisar as alternativas possíveis de investimento num sector. Este método de projecção de tendência é limitado. Financeira – 2010 . verificar-se-ão no futuro. localização e processos produtivos dos investimentos que a poderão satisfazer. . 112 A. uma vez que parte do principio de que as condições que determinaram o crescimento do consumo no passado. Perante a necessidade de responder á procura de um bem ou serviço.3 . Projecção da tendência Procura-se retirar da análise histórica do consumo a sua evolução futura. vários elementos devem ser tomados em linha de conta.-1) x 100 Cn em que: i é a taxa média de crescimento anual Cn é o consumo no ano n Ct é o consumo no ano t 5. o que muitas vezes não acontece. a taxa média de crescimento anual em % é dada por: t-n i = Ct (---. há que definir qual a dimensão. fazendo uma regressão entre os valores recolhidos e os anos a que correspondem. Sendo conhecida a relação histórica entre o consumo de um determinado bem intermédio e os produtos finais para que contribui. Assim só é aconselhável o seu uso para a obtenção da evolução futura do consumo a curto prazo. De notar que os coeficientes técnicos podem-se modificar ao longo do tempo.

Que tipo de energia vai utilizar? Electricidade ou gasóleo? . . entre as quais o investidor tem que escolher. os investimentos devem localizar-se próximo das fontes de energia. menores serão os custos de distribuição. e mesmo o mais importante. Para tal torna-se necessário determinar: .Dimensão do projecto A dimensão de um projecto é função do mercado a satisfazer.Escolha do processo de produção O processo produtivo de um bem ou serviço não é uniforme. de certos equipamentos fortemente automatizados (linha de montagem de automóveis) que não se mostram rentáveis em escalas de operações reduzidas. Existem numerosas possibilidades técnicas. Estas alternativas devem ser analisadas com base nos resultados económicos que apresentam. em certos casos. quanto maior for a procura a satisfazer. Assim. Nestes casos. A solução melhor é aquela que. a fim de minimizar os custos de produção. Assim deverão ser ponderadas na escolha final do projecto. e noutros. por exemplo. Assim.Localização do investimento A localização dos projectos é factor determinante. a melhor solução será investir em várias unidades de menor dimensão.Que qualidade para o bem ou serviço ? Estas diferentes alternativas conduzem a custos de investimento e de exploração desiguais para obter um bem. Lembremo-nos. com menores custos. torna-se necessário comparar alternativas em presença. ..Construção de variantes de um projecto Ao analisar um projecto. das matérias primas e de mão-de-obra qualificada e abundante. mas que se encontram próximas dos locais de consumo É de salientar que muitos projectos não se compadecem com dimensões reduzidas. para o seu êxito. consegue realizar maior volume de vendas. Como exemplo apresentam-se as seguintes : . que possibilitem obter um nível mínimo de actividade. pode ser preferível investir numa grande unidade produtiva que satisfaça a totalidade do mercado. Financeira – 2010 . quanto maior for a proximidade entre o produtor e o consumidor. o investimento só será possível se se conseguir outros mercados (exportação). maior terá que ser a dimensão do investimento. Vários são os factores que podem influenciar a escolha das técnicas para atingir o fim em vista. .Linhas de montagem totalmente automatizadas ou mão-de-obra intensiva? . Por outro lado.Custos de investimento . Contudo.Receitas e custos de exploração das varias variantes 113 A.

Custos de investimento . Financeira – 2010 .No entanto há rubricas que se consideram para qualquer tipo de investimento. Alvenaria. a saber: Despesas preliminares Estudos comerciais Estudos técnicos Estudos económicos e de rendibilidade Análise de possibilidades de financiamento Custo dos terrenos (incluindo escritura) Construção Fundações Estrutura. electricidade e gás Instalação de telecomunicaç5es Estradas e caminhos Vedações Materiais Máquinas e custos de instalação Motores Equipamento eléctrico e de te1ecomunicações Material de transporte Material de manutenção Peças sobresselentes Imobi1izações incorpóreas Licenças Alvarás Trespasses Despesas de estabelecimento Despesas de constituição da empresa Organização de uma rede de distribuição Publicidade Recrutamento de pessoal Formação de pessoal Juros intercalares 114 A. Revestimento e coberturas Sistemas de abastecimento de água.B .Rubricas A determinação das rubricas a incluir nos custos de investimento varia de sector para sector .

.C. D.Seguros. devem ser tomadas em linha de conta no estudo de qualquer projecto. não deverão ser considerados aqui.Amortizações técnicas (critério das quotas constantes) E.Outros gastos administrativos . relacionados com a montante dos financiamentos utilizados.Previsões de custos de exploração Estas previsões (a preços de mercado) serão feitas mediante a atribuição de preços aos recursos a utilizar. Deste modo.Energia e combustível .(Os custos financeiros.Gastos em mão de obra operária e técnica . pois este permite prever com maior ou menor fiabilidade o das vendas. por crédito bancário a curto prazo) ou implicar necessidade da imobilização permanente de capitais próprios ou alheios emprestados a mais de um ano. impostos e arrendamentos . Podemos referir as seguintes rubricas: .Previsão sobre as necessidades de capital circulante Na maior parte das actividades económicas existe um desfasamento entre o momento em que se inicia o ciclo de produção e o momento em que o produto é vendido no mercado.Descrição de despesas técnicas de exploração Compras Matérias de consumo corrente Combustíveis Produtos de manutenção Despesas com pessoal Salários 115 A.Gastos com pessoal de administração . pois.Matérias primas e outros materiais . os quais foram quantificados aquando do estudo técnico. Financeira – 2010 . custos de estrutura e as amortizações. torna-se necessário um certo montante de capital circulante destinado a financiar os custos de exploração e de estrutura até ao escoamento da produção junto dos consumidores Essas necessidades de capital que podem ser financiadas a curto prazo (por crédito de fornecedores. não se relacionam com o investimento propriamente dito).Previsões de receitas e custos As previsões das receitas do investimento são feitas a partir do estudo de mercado. Interessa considerar essencialmente custos directos de exploração.Previsões de receitas e custos de exploração .

gás. Direitos alfandegários I.Compensação dos encarqos Encargos sociais Comissões Remunerações em espécie Impostos e taxas I. telex. Financeira – 2010 .A.S Imposto de selo Taxas municipais Serviços exteriores Rendas Reparações Agua. electricidade Seguros Transportes e deslocações Transporte de pessoal Viaqens e deslocações Despesas de transporte sobre compras e vendas Custos diversos Publicidade Consumos correntes de escrit6rio Telefone.R. correio 116 A.V.

5.Taxa base (anual) n . quando aplicadas ao mesmo capital durante o mesmo período de tempo produzem o mesmo valor acumulado.11 .Taxa equivalente que se pretende calcular i . 5.e m 12 m = --n 117 A. sobretudo através da da venda dos equipamentos no termo da vida útil. Sendo: I .10 . por uma questão de comodidade o valor residual do investimento corresponde ao valor contabilístico liquido (deduzido de amortizações) do activo fixo. etc) teremos a seguinte fórmula para a Taxa Equivalente k I = (1 + i ) – 1 em que 1 K = -. Financeira – 2010 .Período da taxa I (trimestral. Geralmente. semestraal.Valor residual do investimento O valor residual do investimento é constituido pelo montante que se espera recuperar.Taxas equivalentes – Fórmula e calculo Duas taxas dizem-se equivalentes se.

21 ) = 121 € 5. senão em contrapartida de uma remuneração: o JURO. e n = 2 Cn = 100 x (l+0. a equivalência entre o capital que se detém em dado momento o que se poderá dispor ao fim de n períodos. produz juro ao fim de um certo tempo de aplicação. 5.12.2 .Não há equivalência entre a detenção de um capital C hoje e um capital C ao fim de n períodos.12.Capital acumulado teremos a seguinte fórmula para a Capitalização Cn = C x (1 + i) Suponhamos que C = 100 €. Financeira – 2010 2 n . é dada pela relação entre o valor actual do capital.10) = 100 x( l. 5. Na hipótese de uma taxa de juro composta i.1 . e o seu valor acumulado. 5.Noção de actualização A noção de ACTUALIZAÇÃO é amplamente utilizada nos cálculos económicos e financeiros.Taxa de capitalização n . i = 10%. podemos afirmar que o valor actualizado de um capital acumulado é o seu valor actual.Taxa de capitalização Designa-se por taxa de capitalização e representa-se por i.Fórmula Para um dado periodo.5.13 . o incremento apresentado por uma unidade de capital capitalizada durante uma unidade de tempo. Em qualquer investimento.Capital inicial i .13.Capitalização É o mecanismo através do qual um determinado capital aplicado. nenhum detentor de capital prescinde dele ou seja. C.Período (expresso na mesma unidade de tempo da taxa i) Cn .Capitalização .1 .12 . É flexível e resulta da noção de juro composto. Esta constatação é valida na ausência de inflação monetária.fórmula Sendo: C . Cn 118 A. a taxa de juro é o parâmetro que relaciona o valor actual de um capital com o seu valor acumulado em determinada data futura. renuncia á liquidez e/ou á preferência para o presente. Tendo em conta que a actualização é o processo inverso da capitalização.

i = 10% e n = 2 Valor Actual Liquido = 121 x (1 + 0.10) -2 = 100 c 5.2 .= Cn x (1+i) n (1+i) -n -n A expressão (l+i) é o FACTOR DE ACTUALIZAÇÃO que permite obter o valor actual liquido de um capital disponivel na ano n sendo i a taxa de juro.Da taxa interna de rendibilidade desejada. a taxa de actualização i obtém-se pela fórmula 119 A. Por conseguinte a taxa i tenderá para a taxa do ramo. Financeira – 2010 . para os quais se aplica a taxa ia Neste caso. -Se o investimento é financiado por "capitais alheios". superior á taxa de juro paga aos capitais alheios. a taxa i deve ser. para os quais se aplica a taxa ip. sempre.Se o investimento é financiado simultaneamente por capitais próprios e alheios. a taxa i será pelo menos igual á taxa que o investidor poderá obter com um outro investimento de igual risco. . Obtém-se assim uma taxa de actualização ponderada.Do risco do investimento. Suponhamos que o investimento é financiado por: Capitais próprios Cp. .Cn = C x (l+i) donde Cn n C = -------. é necessário considerar os factores mencionados nos dois parágrafos precedentes. Suponhamos que Cn = 121 €. Capitais alheios Ca. nas suas relações quantitativas. .13.Calculo da taxa de juro a utilizar O calculo da taxa tem em conta o modo de financiamento do investimento. A diferença ainda dependerá: .Se o investimento é financiado por capitais próprios.

pode escrever-se também I = X. as retiradas. Cash será sinónimo de tesouraria. Financeira – 2010 . entradas. revelam a taxa real de rendibilidade e facilitam as comparações de projectos que apresentam características diferentes de duração e de rendimento financeiro. tomando em consideração a noção de tempo.Cash flow O "CASH-FLOW" ou " FLUXO DE TESOURARIA" pode ser definido como a corrente das fontes e empregos do dinheiro durante um período determinado.14 . É o fluxo do «available money» . por Y a parte dos capitais alheios. Estas fontes de tesouraria poderão indiferentemente chamar-se entradas em caixa.ip + Ca.do dinheiro disponível.ia em que Cp X = -----------Cp + Ca Ca Y = -----------Cp + Ca e 5. aumentos ou Cash inflow. recursos. diminuições ou Cash outflow. as utilizações. Os métodos baseados na estimativa do cash-flow. contributos. As aplicações de tesouraria serão os desembolsos.ip + Y. origens. disponibilidades. os gastos. «available money» Em inglês. pode escrever-se a seguinte definição: CASH FLOW = CASH INFLOW . 120 A.Cp. caixa. Ela é muitas vezes considerada pelos financeiros nos seus estudos de produtividade relativos á oportunidade de um investimento. uma vez que Cash Flow é uma expressão anglosaxonica.CASH OUTFLOW ou simplificando: CASH FLOW = INFLOW .ia i = ----------------Cp+Ca Se se designar por X a parte dos capitais próprios.OUTFLOW A avaliação do fluxo de tesouraria esperado da realização de um projecto não é uma técnica nova. liquidez. as saídas.

5.14.1 - Os meios libertos ou "cash-flow" do investimento Em termos gerais, o cash-flow (ou meios libertos) de um projecto de investimento é a diferença entre as receitas e as despesas a ele associadas num determinado periodo. Portanto, o cash-flow traduz-se nos recursos financeiros libertados anualmente pelo projecto ao longo da sua vida útil. Estes recursos financeiros poderão ser utilizados na satisfação das necessidades suplementares de fundo de maneio, na remuneração ou reembolso de capitais alheios e na remuneração ou recuperação dos capitais próprios empregues no financiamento do projecto.

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5.15- Critérios de analise de investimentos Iremos estudar os métodos baseados no " Discount Cash- Flow". Basicamente estes métodos assentam por definição em duas concepções: A actualização (Discount) Os quadros de Cash - Flow No que concerne á actualizacao, digamos que uma unidade monetária a receber dentro de 10 anos, vale menos do que uma unidade monetária a receber dentro de um ano. Com efeito, uma unidade monetária recebida hoje (momento zero) poderá ser “colocada” e valerá ao tempo n, o montante n (1+i) unidades monetárias. Assim, a actualização consiste em rebater sobre um mesmo referencial actual (P) um valor estimado (S) através do factor de actualização l ----n (l+i) sendo i a taxa de actua1ização definida. 0 1 2 3 4 P S P = -------n (1 + i) …………… n-1 n S

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5.15.1 - Valor actual liquido O conceito de valor actual assenta no pressuposto que um determinado montante hoje é mais valioso do que o mesmo montante amanhã. De facto essa importância pode ser investida hoje e começar imediatamente a originar rendimentos (por exemplo através de um depósito bancário). O valor actual de uma quantia futura pode ser calculado pela multiplicação dessa mesma quantia pelo factor de actua1ização que é menor do que 1. VA = Factor de actualizaçào x V em que VA = Valor actual e V = Valor da quantia futura

1 Factor de actualizaçào = --------n (l + i) onde “i” é a taxa com a qual estamos a actualizar o valor futuro (i = taxa de actualizaçao) e “n” corresponde ao período. A taxa i é a recompensa exigida pelos investidores pelo facto de aceitarem pagamentos atrasados. O Factor de actua1ização representa o valor actua1 de uma unidade monetária considerada ao fim de certo número de períodos de tempo. Nota: A taxa “i” a utilizar é funçao da estrutura dos capitais a aplicar. O Valor Actual Liquido define-se como o somatório de todos os valores actualizados dos cash-flows associados ao projecto, isto é : n Cp V.A.L. =  ---------- - I P=1 p (1 + i) em que Cp = Cash-flow do mês p i = Taxa de actua1ização mensal n = N° de meses esperados do projecto I = Investimento inicial 123 A. Financeira – 2010

pois remunera o capital aplicado a uma taxa superior á pretendida.Se VAL > 0. =  ------------.Se VAL < 0. Neste caso a taxa a aplicar seria a de actualização correspondente (semestral).I P=1 p (l+i) Note-se que foram considerados periodos mensais. .L. Caso estas não existissem.Dp V.A.Se considerarmos que Cp = Rp . podemos proceder á avaliação do projecto.Se VAL = 0. pelo que só deveria ser adoptado se se tratasse de um projecto obrigatório. 124 A. concluímos que o projecto é financeiramente favorável. . . o projecto poderia ser adoptado por razões de ordem não financeira que o aconselhassem. Financeira – 2010 .Dp em que : Rp = Receitas esperadas para periodo p e Dp = Despesas esperadas para periodo p n Rp . A partir do VAL calculado. o projecto remunera o capital a uma taxa inferior á pretendida.. ( o projecto tem uma rendibilidade igual ao custo de oportunidade do capital) pelo que devem ser procuradas alternativas com VAL superior. o projecto remunera o capital á taxa pretendida. mas poderiam ser quaisquer outros (por exemplo semestrais).

L. -É necessário escolher previamente uma taxa de actualização. Aditividade Considerando 2 projectos independentes A e B VAL (A+B) = VAL (A) + VAL (B) Universalidade O VAL é um critério eficiente em todas as situações em que desejamos comparar projectos alternativos Desvantagens do V. Financeira – 2010 .A. 125 A.A. -As actualizações devem ser referidas ao mesmo ano base para permitir projectos alternativos. -O mérito de um projecto é função da taxa de actualização escolhida.Propriedades do V.L.

Escolhe-se uma taxa de actualização.D = I em que I = Investimento actualizado R = Receitas actualizadas D = Despesas actualizadas ou Rp-Dp  ----------.R. é calculado por interpolação.= 15 % ? Resposta: Significa que os benefícios líquidos esperados permitirão a recuperação do capital investido ao fim de dez anos e que em cada ano remunerarão o capital á taxa de 15 %.R. Se V. O T.I = 0 p=1 p (l+i) n Pergunta : O que significa.L < O escolhe-se uma taxa de actualização inferior.A. uma T.A. I. = 0  . Calcula-se o V.L até que se obtenham V.Líquidos próximos.A.A.L.I.I + R . Poder-se-á dizer que a T.5..L > O escolhe-se uma taxa de actualização superior.D = 0  R . Rendibilidade é a taxa de actualização para a qual o V. Financeira – 2010 .L.I. Recalcula-se o V. Calculo da T.I.15.Liquido.A. de um projecto é nulo.I. mas não está dependente da escolha arbitrária da taxa de juro.R. para um projecto cuja vida se estima em 10 anos.) É também um método baseado na capitalização.A.Taxa interna de rentabilidade (T. Se V.R.A. V.2. 126 A. mas de sinais diferentes.

sabemos que se consumirmos a maçã deixamos de consumir uma laranja – é este o nosso custo de oportunidade Define-se Custo de Oportunidade Capital como sendo a remuneração mais baixa que se está disposto a aceitar para o capital a investir. . todas as satisfações a que um sujeito renuncia são o custo das que obteve.O mérito de um projecto depende da taxa de actualização escolhida. .Requer uma selecção da taxa de actualização.R. 127 A.I. Do ponto de vista económico.Desvantagens do T.É independente do montante de investimento.I. .R . para certos fluxos de fundos ou mesmo não haver nenhum valor (desde que haja investimentos em momentos intermédios da vida útil que tornem negativo o beneficio liquido) . Custo de oportunidade: Benefício da melhor alternativa possível. Se nos deparamos com o consumo alternativo de uma maçã ou de uma laranja.Pode haver mais do que um valor da T. Financeira – 2010 .E um critério inadequado para orientar a selecção de projectos mutuamente exclusivos (incompatíveis).

Periodo de reembolso (PAY BACK) Podemos definir o período de reembolso como o período de tempo necessário ao Cash-Flow de exploração (a partir do inicio da laboração) para cobrir o capital investido excluindo o valor residual (caso haja). Por outras palavras será a determinação do tempo de reembolso do capital investido. It t=p Rt . Assim. 128 A. 5.15.=  ------------t=1 t t=1 t (1 + i) (1 + i) t=p em que t = Período de Reembolso É um método aconselhado quando se conhece previamente o prazo de obsolescência do investimento. elevado não passa de uma análise hipotética a não ser que a massa monetária recuperada no projecto seja investida noutro de igual rendibilidade. da equação que relaciona o Cash-Flow de exploração com o investimento. um projecto pode ter um V.Indice de Rentabilidade Uma desvantagem do critério V. A determinação do tempo do reembolso do capital investido obtém-se pela resolução em ordem ao tempo.R.5. reside no facto de a rendibilidade do projecto não ser referida ao investimento (capital) inicial. Financeira – 2010 . elevado.A. com o capital investido apresentando.L. Estas desvantagens podem ser ultrapassadas com a utilização do índice de rendibilidade. este já relaciona o V.L.4 . ou. quando ocorrem importantes factores de risco. (se houver investimentos em momentos intermédios que tornem negativo o beneficio liquido).3 .L.I. e nÃo ser de qualquer modo atractivo.15. Quanto ao método T. em qeral. quando é conveniente recuperar rapidamente o capital investido (actividade em período de concessão). dado exigir uma grande saída inicial de capital.A. Quanto maior for o i maior será o Período de Reembolso. no entanto duas desvantagens : l) Matematicamente pode não haver nenhum valor para o T.Dt  -------.I.A.I.R. 2) Um valor da T. (Estamos a admitir que o investimento apenas se localiza no primeiro ano).R.

R.Este define-se como sendo o ratio entre os valores actualizados da série de cash-flows gerados pelo projecto investido e o capital actualizado. pois nao recupera o custo do investimento. É de recusar. = ----------------n It  -------t=1 t (1 + i) n Quando IR < 1 o projecto não deve ser aceite. Rt .Dt  -------t=1 t (1 + i) I. 129 A. Anote-se que IR > 1 corresponde a VAL>0 (á mesma taxa de actualizaçao) e TIR superior ao custo de oportunidade do capital. Financeira – 2010 . Quando IR > l entao devemos aceitar o projecto. Quanto maior IR maior a rendibilidade do projecto. Quando IR = 1 o projecto simplesmente recupera o investimento inicial.

pagamentos a fornecedores.5. mais do que definir quanto precisa. Genericamente existem dois tipos de fontes de financiamento ao dispor do empresário: internas e externas.16. Financeira – 2010 . 5. business angels. Por outro lado se uma empresa pretende assegurar o seu desenvolvimento. o empresário tem que definir quais as fontes de financiamento adequadas. A falta de capital.. O autofinanciamento representa o financiamento da empresa por ela própria. Como à medida que o negócio cresce.16. a empresa tem que garantir outras opções de financiamento. essas necessidades de capital tendem a aumentar. quer para o arranque da actividade. Porém.2. pois podemos pensar que o autofinanciamento permite uma determinada autonomia em relação ao mercado financeiro.Fontes de Financiamento Externas Entre as externas há a distinguir o financiamento através de capitais . proceder a um aumento do seu capital. da gestão mais eficiente dos activos (fixos e circulantes) ou do controlo de custos mais apertado. Muitas vezes.16. constituição de inventário. O autofinanciamento constitui um complemento indispensável aos pedidos de empréstimo e se este autofinanciamento é insuficiente a empresa deverá. não deve recorrer a novos empréstimos sem dispor ela própria de um certo financiamento interno. linhas de crédito. ou seja. leasing e factoring) .Fontes de Financiamento Internas Entre as internas destacamos o auto-financiamento através da retenção dos lucros obtidos. empréstimos bancários. 5.Próprios (aumento de capital. não somente para renovar os seus bens de equipamento.Fontes de Financiamento “Desconfie dos que lhe dizem que basta ter uma boa ideia pois o dinheiro não é problema.1. E necessário que uma empresa constitua reservas financeiras.Alheios (créditos de fornecedores. o que por sua vez pode prejudicar o crescimento da empresa. capital de risco e recurso ao mercado de capitais). etc. o dinheiro gerado pelas vendas não é suficiente para cobrir as necessidades de capital – investimento em instalações e equipamento. para a obtenção de recursos externos de que necessite. mas também para reembolsar os empréstimos contraídos. No entanto há cuidados a ter. 130 A. pois a banca não aceita geralmente cobrir a totalidade dos riscos. os recursos que são libertados pelo seu funcionamento. quer sobretudo para o seu crescimento é uma das principais causas para o insucesso das PME”.

como também ao pagamento de juros.Forma de pagamento de juros . sob pena de a empresa vir a enfrentar problemas de tesouraria que.Venda de uma participação no capital da empresa. Normalmente.Taxa de juro nominal . o crédito bancário é uma forma de financiamento adequada se a empresa está moderadamente endividada e manifesta boa capacidade de gerar cash flows.Quando o cash flow da empresa é forte e é seguro -Empréstimos bancários a médio e longo prazo Os empréstimos bancários exigíveis a médio ou a longo prazo são uma fonte de financiamento muito corrente dos projectos de investimento.2. em ultimo caso. poderão comprometer. As características fundamentais dos empréstimos bancários são: . Assim. Os empréstimos bancários podem ser de curto prazo (que implica a amortização da dívida até um ano após a contracção do empréstimo) ou de longo prazo (empréstimos por um período superior a um ano).Reembolso da divida 131 A.16.Expansão de um negócio lucrativo . Empresários com negócios nestas condições podem recorrer a empréstimos bancários para financiarem as suas operações e programas de expansão em condições muito vantajosas sem cederem parte do controlo da empresa. a concretização dos próprios projectos. durante um período de tempo pré-determinado.Financiamento de uma grande aquisição (equipamentos. Quando contrai uma dívida.Vamos centrar a nossa análise nos dois casos mais frequentes: . do que a empresas emergentes. cujas equipas de gestão mantenham boas relações com a instituição e que apresentem planos de negócio que demonstrem capacidade para cumprir o serviço da dívida. fixados com base numa taxa que é aplicada ao valor do empréstimo. A adequada quantificação e estruturação dos empréstimos bancários é muito importante.) . 5. normalmente um banco. Como é natural.1 – Empréstimos Bancários e Obrigacionistas Uma dívida financeira consiste na obtenção de um empréstimo junto de um credor. os bancos são mais receptivos a emprestarem dinheiro a empresas sólidas e já estabelecidas no mercado. a empresa está não só obrigada à restituição do capital emprestado. Financeira – 2010 . ou pelo menos adiar. instalações.Empréstimos financeiros .O prazo de empréstimo . etc. As instituições bancárias tendem a preferir empresas com experiência no negócio. o financiamento bancário pode ser aconselhável nas seguintes condições: .

Ao contrário. A colocação das obrigações nos mercados primários de capitais é geralmente realizada por intermédio de instituições bancárias. obrigações participativas.2. O montante dos empréstimos obrigacionistas não pode. como. o recurso ao financiamento bancário não é aconselhável quando a empresa é demasiado jovem ou não lucrativa. retirar fundos consoante as suas necessidades de A. a médio ou longo prazo. futuros accionistas das sociedades. Vamos referir três formas de financiamento alternativas: -A linha de crédito As linhas de crédito são uma forma de empréstimo bancário flexível.. Financeira – 2010 132 . Os empréstimos obrigacionistas podem ser garantidos por hipotecas de terrenos e edifícios. Estes empréstimos podem atingir montantes relativamente elevados e são reembolsados de acordo com um plano previamente estabelecido. etc. por exemplo. 5. As possibilidades de financiamento através de empréstimos financeiros não se esgotam no empréstimo bancário clássico. dentro de um plafond previamente acordado. consignação de rendimentos ou aval de uma outra entidade de reconhecida capacidade financeira (Estado. mas nada impede que seja a própria sociedade a fazê-lo. em que a instituição credora confere à empresa o direito de. em principio exceder o valor do capital social efectivamente realizado nos termos do último balanço aprovado. terá muitas dificuldades para obter financiamento. orientado para o curto prazo.-Linha de crédito. factoring e leasing. a subscrição de empréstimos obrigacionistas pode representar um certo risco para os investidores. Nas obrigações convertiveis em acções. obrigações convertiveis em acções. a taxa de juro ou o montante de reembolso de capital. económico ou financeiro. os credores tornam-se em determinadas condições.16. Nas obrigações participativas. têm surgido nos mercados internacionais de capitais novas modalidades de empréstimos por obrigações. são indexadas à taxa anual de inflação ou a outra taxa de referência. bancos. mesmo que consiga obter o desejado empréstimo devido ao seu historial de crédito muito positivo. Assim. Nas obrigações indiciadas. pois a relação risco versus retorno de um empréstimo é desinteressante na óptica do banco. Nestes casos. deverão ser-lhe exigidas garantias pessoais que poderão ser incomportáveis. assim como juros demasiado elevados. os credores têm um direito preferencial na distribuição dos lucros futuros das sociedades.2.) Em períodos de inflação ou de conjunturas relativamente indefinidas do ponto de vista político. relativamente usual nas sociedades de razoável dimensão e de reconhecida imagem de solidez financeira. Além disso. as obrigações indiciadas (indexadas).Empréstimos obrigacionistas Os empréstimos por obrigações constituem igualmente uma fonte de financiamento.

normalmente empreendedores que venderam o seu negócio ficando com dinheiro disponível . . que tendem a ser adquiridos em sistema de leasing (ou renting). mediante o pagamento de um valor residual pré-estabelecido. 133 A. recebendo em troca uma comissão. ou não são estratégicos para a empresa. autoriza o utilizador (o locatário) a dispôr do equipamento em troca de pagamentos periódicos.3 -Business angels Finalmente.O leasing O leasing é um instrumento de financiamento ao qual a empresa pode recorrer quando não pretende afectar grandes quantidades de capital para ter acesso a um determinado bem (normalmente tratam-se de bens de equipamento). em negócios sazonais) ou para prevenir o aparecimento de rupturas inesperadas. Ao diferir os pagamentos. tem a desvantagem de não ser proprietária do equipamento. face à carência de fundos próprios e aos problemas decorrentes do crédito.2. Financeira – 2010 . Este tipo de financiamento é sobretudo aconselhável para a aquisição de equipamentos que. que reduz a rentabilidade das vendas. a empresa consegue garantir uma melhor liquidez. o locador pode adquirir o equipamento objecto do contrato. de uma parte do controlo da empresa. Findo o prazo de vigência do contrato. o proprietário do equipamento (o locador).16. ou apenas serão utilizados por um período de tempo limitado. . Um exemplo típico são os automóveis ao serviço da empresa. temos o financiamento por capital. O contrato de factoring consiste na cedência dos créditos da empresa a uma sociedade especializada que se responsabilizará pela cobrança desse crédito. como tal. sejam eles família. tendo por isso que indemnizar a locadora no caso de surgir algum acidente com o equipamento da sua responsabilidade. Este método tem a vantagem da empresa poder realizar os seus créditos sem estar dependente do prazo de pagamento dos clientes. 5. que consiste na troca de dinheiro por uma parcela do capital e. de cobertura das necessidades de curto prazo. No entanto.tesouraria. Num contrato leasing.O factoring É igualmente um instrumento de gestão de tesouraria. ou seja. Numa primeira fase. Estes últimos . As linhas de crédito são especialmente indicadas para fazer face a insuficiências temporárias e previsíveis de tesouraria (frequentes.podem ser uma ajuda preciosa com a sua experiência e know how na gestão de pequenos negócios. Tem a desvantagem do custo associado. amigos ou business angels. que incluem capital e juros. o empreendedor. A factoring adianta uma parcela do valor desse crédito à empresa. pode recorrer a investidores privados. por exemplo.

mediante o pagamento de uma contrapartida financeira. o recurso aos business angels é aconselhável nas seguintes situações: .5 .4 . . mas não quer que a gestão seja influenciada por estranhos. Financeira – 2010 . serviços e modelo de gestão.16.No caso de o empreendedor ter um ou mais amigos com capacidade financeira que acreditam nele e.Capital de risco Ainda em termos de financiamento de capital. os royalties (em regra. contribuindo com a sua experiência.2. O recurso ao financiamento via capital de risco só está ao alcance de negócios que apresentem potencial de crescimento ou um elevado retorno de investimento esperado. o que implica necessidades extra de capital. cabe ao empreendedor explicar como irá garantir uma saída em condições vantajosas.A empresa pretende distribuir parte do seu capital em bolsa num futuro próximo. 5. Esta forma de financiamento é adequada nas seguintes condições: . tendem a assumir um papel de grande colaboração com o empresário. temos o capital de risco. estão disponíveis para investir no projecto. Trata-se de uma forma de financiamento interessante.16.O empreendedor possui uma ideia e uma tecnologia excepcionais. Trata-se de um modelo de desenvolvimento de negócios com base em parcerias.O empreendedor está disponível para partilhar o controlo da empresa com terceiros. Ao criar ou expandir a sua rede de pontos de venda através do franchising.Tipicamente. como garante um parceiro de capital que irá partilhar o risco com o empresário. . Por outro lado.O empreendedor está disponível para aceitar investidores que tenham um interesse pessoal no seu negócio. Tipicamente essa contrapartida inclui o pagamento de um direito de entrada. . os business angels cedem capital a empresas emergentes. uma percentagem sobre as vendas) e uma taxa de publicidade (fundo comum que visa suportar os investimentos na promoção da marca).Franchising Uma opção particularmente indicada para financiar o crescimento da empresa consiste na opção pelo franchising. através do qual uma empresa com um formato de negócio já testado (o franchisador) concede a outra empresa ou empresário (o franchisado) o direito de utilizar a sua marca. Uma vez que o retorno do investidor de capital de risco é a saída do negócio. cuja dimensão é ainda muito pequena para atraírem capital de risco. As sociedades ou fundos de capital de risco tomam participações normalmente minoritárias e temporárias (3 a 7 anos) no capital da empresa. explorar os seus produtos. .2. na medida em que o empreendedor não só assegura os fundos necessários. Então. por isso. 5. que lhe permitiram (ou permitirão) conquistar uma base de clientes de elevado potencial. o franchisador está 134 A.Os montantes de financiamento envolvidos são pequenos e a empresa é recente.

aos seus mutualistas um apoio especializado na escolha das melhores soluções financeiras para a sua empresa. Como. 5.2. 5. as SGM prestam. Além das garantias. em regra.2. Quando são os próprios quadros directivos a adquirir o capital da empresa e assumir a sua gestão. por exemplo. 5. permitindo-lhe obter mais crédito a menor custo. Se o capital for controlado por um conjunto restrito de accionistas. ou de outras razões como.16. o facto de o negócio em causa não se enquadrar na estratégia de crescimento dos actuais detentores do capital. também. em ambos os casos.7 -Management Buy In Quando a aquisição é efectuada por quadros exteriores à empresa utiliza-se a expressão MBI ( Management Buy In ).6 -Management Buy Out Outro caso particular de financiamento ocorre quando alguns quadros (internos ou externos) da empresa resolvem comprá-la.2.16. da constituição de garantias reais (ou pessoais).2.a aceder mais rapidamente a determinados mercados com um menor investimento inicial. a aquisição é feita através de uma oferta pública de aquisição. 5. As garantias prestadas pelas Sociedades de Garantia Mútua (SGM) facilitam a obtenção de crédito em condições de preço e de prazo mais vantajosas. segundo o qual existe uma sociedade que presta um “aval” para os empréstimos bancários de uma empresa. podendo libertar as empresas (e os seus proprietários). Este produto é especialmente vocacionado para as Micro e Pequenas e Média Empresas (PME) e visa promover a melhoria das suas condições de financiamento. os quadros têm baixos recursos financeiros próprios é comum o financiamento incluir elevados níveis de dívida pelo que. Financeira – 2010 . 135 A. A sua anuência pode resultar de uma boa proposta para o preço de venda.9 -Garantia Mútua Um outro caso particular de financiamento bancário é relativo ao conceito de garantia mútua.16.16. a operação só se concretiza com o seu consentimento. as operações se designam genericamente por LBO( Leverage Buy Out). este tipo de operação designase por MBO ( Management Buy Out ).8 -Oferta Pública de Aquisição Quando o capital da empresa vendedora está disperso em bolsa.

Consiste na agregação de créditos com vista à sua alienação por parte do seu detentor inicial (originador) para a esfera da propriedade de uma entidade adquirente (o Special Purpose Vehicle – SPV).2. existe uma outra forma de financiamento que está muito em voga e que se designa por titularização de créditos (securitization). 136 A.16. colocados junto de investidores (normalmente de cariz institucional).10 -Titularização de Créditos (Securitization) Por fim. a qual procede à emissão de valores mobiliários de dívida. Financeira – 2010 . para financiar a aquisição dos créditos.5.

Financeira – 2010 .CAP VI 137 A.

que geralmente a recebe por via aérea.2 .Noção de Empreitada Empreitada é o contrato pelo qual uma das partes se obriga em relação à outra a realizar uma certa obra. de modo a diligenciar apressar as 138 A. efectiva. e estas são a maioria.3 . Por outro lado. dentro de cada especialidade.Umas vezes representa uma factura «simulada».trabalhos decididos .4 .. real.Factura proforma Esta factura tem duas aplicações praticas: .A. quantidade e preço. separar os trabalhos executados que não são objecto de dúvidas . as medições devem ser efectivadas por especialidades de acordo com os capítulos em que se divide o orçamento da obra e. Financeira – 2010 . Convém. por qualidade de trabalho. mediante um preço.trabalhos não decididos. Como elementos constitutivos da factura vêja-se o Art.O Pagamento Entende-se por pagamento a remuneração ou retribuição que cabe ao empreiteiro (contraprestação) correspondente aos trabalhos realizados prestação).6 – Controlo financeiro de empreitadas 6. efectuada já.V. 6.Outras vezes. assim. comprova a veracidade da transacção. sua qualidade. 6.Factura Comercial Documento escrito em que se discriminam as coisas vendidas e entregues.5 .1 .I. mas não expedida .neste caso uma venda real.O Auto de Medição O auto de medição é o documento onde constam as operações inerentes à definição da situação dos trabalhos.daqueles que terão de ser objecto de análise ou negociação posterior par decisão do dono da obra . . 1207ª do Código Civil) 6. perante o crédito que pretende abrir. As medições devem ser efectuadas com a assistência do empreiteiro ou de um seu representante e abrangerão todos os trabalhos executados. 6. ainda quando não se considerem previstos no projecto nem devidamente ordenados e independentemente da questão de saber se devem ou não ser pagos ao empreiteiro.e com ela o comprador. (Art. ela é emitida quando há necessidade de se abrir um crédito . de mercadorias. não correspondendo a qualquer venda.º 35º do C. quando é apenas um documento passado pelo vendedor ao provável comprador que deseja ser ilucidado acerca de preços e condições de venda.

Financeira – 2010 .A) 6. Encontrado o peso real e avisado o vendedor.7 . Nas empresas em que a facturação é feita por computador é possível obter de imediato aquela informação. 33 do C. A facturação será justificada pelos autos de medição correspondentes e os encargos com a revisão de preços pelos cálculos efectuados com base na facturação das situações. Se existir algum lançamento de encomendas cujo valor ultrapasse o limite do crédito estabelecido. b) Para os trabalhos a mais c) Para os encargos com a revisão de preços. nesta fase. no dia em que o cliente está em falta. é então emitida a factura definitiva e ajustado o valor total da mercadoria. preconiza-se a elaboração de três tipos de facturas: a) Para os trabalhos previstos no contrato inicial. a recepção dessa factura pelo comprador torna o contrato positivamente completado e vai vincular ambas as partes ao cumprimento integral das obrigações de cada um dos intervenientes. deve ser escrita a primeira carta de cobrança.Saldos das contas clientes .6 . no aspecto aduaneiro e bancário.9 . Umas das primeiras acções a efectuar. geralmente por preço inferior ao total expedido. Esta modalidade de venda é de certo modo uma prova da ilimitada confiança entre vendedor e comprador. é verificar se o limite de crédito já foi ultrapassado.exigências de importação.(Art. é norma emitir uma factura provisória. 6.Quando facturar Nas empreitadas com autos de medição mensal a factura é elaborada até ao 5º dia útil seguinte ao fim de cada mês. o computador 139 A.V.fazendo claramente a destrinça dos trabalhos por especialidades.8 .I. isto é.Tipos de facturas da empreitada No sentido de facilitar o controlo financeiro e o adequado cálculo dos encargos com a revisão de preços. No 31º dia após o fornecimento.Saldos vencidos de 1 a 30 dias Quando se concede crédito a 30 dias significa que o cliente deverá pagar ao 31º dia após a data de fornecimento da mercadoria. 6.medidas a tomar em funçao da sua idade . 6. que incluirá um extracto da conta. No caso do cliente não pagar o respectivo valor será incluído na coluna das facturas que ultrapassaram aquele período ou seja a coluna das facturas vencidas entre 1 e 30 dias.Factura provisória Quando se transaccionam mercadorias sujeitas a quebra e que segundo o contrato devem ser liquidadas pelo peso real à recepção dos documentos. no qual são assinalados com um asterisco as facturas que já deveriam ter sido liquidadas. Assim.

o que vai permitir a continuidade do esforço de cobranças adequado à antiguidade de cada saldo. O executivo de crédito.Saldos com mais de 90 dias Quando o departamento de cobranças não conseguir receber regularmente os saldos referentes às facturas com esta idade. . Estas decisões dependem muito das políticas de crédito e dos padrões estabelecidos nas empresas. Deve ser enviada uma 3ª carta de cobrança no 61º dia e serem feitos telefonemas no sentido de se obter do cliente pagamentos parciais numa base periódica (semanal. Ao 31º dia o computador listará uma relação das contas que se encontram nestas circunstâncias. sugere-se o envio da 2ª carta de cobrança informando que os débitos já ultrapassaram os 30 dias. devendo os fornecimentos serem feitos a pronto pagamento. Se o extracto continuar a revelar que aquelas facturas ainda não foram liquidadas dever-se-á contactar o cliente e saber a razão do atraso no pagamento. pedindo o respectivo pagamento. deve verificar quais as facturas cuja idade estão a transitar para a coluna dos 31 a 60 dias. caso a encomenda não exceda determinado valor e a antiguidade de saldos daquela conta mostrar que não existem facturas com mais de 30 dias. . obrigando o operador a separar aquele pedido e a encaminhá-lo para o gestor de crédito.rejeitará a encomenda.Saldos vencidos de 61 a 90 dias Os saldos com esta idade são já um problema e requerem um tratamento especial. Quando se fazem novos telefonemas e o cliente não promete pagar. dever-se-á considerar a suspensão do crédito e o não fornecimento de eventuais encomendas que estejam a aguardar aprovação.Saldos vencidos de 31 a 60 dias Não devem ser subestimados os potenciais problemas que esta antiguidade representa. para se constatar se o pagamento a outros fornecedores é igualmente tardio. Financeira – 2010 . deverá ser enviada uma carta final aos clientes estipulando-lhes uma data limite (normalmente mais 10 dias sobre a data 140 A. mensal). ou no caso de prometer não aceitar o envio de cheques pós-datados e a idade dos saldos se aproximar dos 60 dias. Os grandes problemas existentes nas contas inseridas neste grupo são aquelas que começam a ter 50 a 55 dias de atraso. . Aconselha-se a obter uma informação da situação financeira do cliente e do seu comportamento actual na praça. Neste momento. Estas contas nunca são bons presságios pois podem significar que em breve pertencerão ao grupo dos 61 a 90 dias. Contudo existem situações em que o operador pode permitir o fornecimento além do limite de crédito. durante o período que a divida está a ser regularizada. quinzenal. Nesta situação deverá ser feito um telefonema de imediato a todos os clientes que tenham ultrapassado a data de vencimento em 40 ou 50 dias. ao analisar a coluna dos saldos vencidos entre 1 e 30 dias.

tais como "COSEC". o qual entra em contacto com o banco a fim de saber se a mesma já foi mandada cancelar pelo dono da obra. 6. Assim. tal facto deverá ser comunicado ao departamento de controlo de garantias. deverá optar pelos outros meios ao dispor.11 . 141 A. que permita alertar o dono da obra para a necessidade de comunicar ao banco a libertação das garantias. Assim. Financeira – 2010 . deverá ser montado um sistema de controlo da recepção definitiva das empreitadas. o gestor de uma empresa de construção deve levar em consideração tal facto. deverá entrar em contacto com o dono da obra a fim de lhe chamar a atenção para a necessidade de comunicar ao banco o cancelamento da garantia bancária. pois fica com a sua capacidade de financiamento bancário diminuída sempre que solicita uma garantia bancária. na medida em que podem pôr em risco a capacidade de crédito bancário. no caso de a divida não ser paga.O controlo de garantias bancárias Uma garantia representa para o empreiteiro um encargo (pagamento trimestral á banca). além de lhe diminuir o crédito bancário.Como montar o controlo Sempre que se efectua a recepção definitiva de uma empreitada. 6.10 – Garantias bancarias As garantias bancárias merecem por parte do empreiteiro uma atenção redobrada.desta carta) para pagamento e informá-lo que o assunto será passado ao advogado para resolução por via litigiosa. Caso obtenha uma resposta negativa. 6.12 . Companhias de Seguros. Na realidade.

Financeira – 2010 .CAP VII PAPERS 142 A.

sob pena de não se poder regularizar o imposto. dando assim origem à emissão de notas de crédito. e (iii)duplicado ou fotocópia da nota de crédito carimbada e assinada pelo adquirente. devoluções. etc. a regularização do imposto por parte do transmitente só poderá ser efectuada quando a entidade tiver na sua posse prova considerada idónea de que o adquirente tomou conhecimento da regularização. Financeira – 2010 . operações que se traduzem na anulação ou correcção de facturas em virtude de faltas de mercadorias. a redução do valor tributável. Sempre que haja alteração da base tributável os sujeitos passivos estão obrigados (nº 7 do artigo 28º e nº 1 do artigo 71º. Se da alteração da base tributável de uma operação resultar imposto a favor do sujeito passivo pode este efectuar a dedução do imposto até ao final do período de imposto seguinte àquele em que se verificarem tais circunstâncias ou. Conforme já se referiu. por qualquer motivo. Qualquer regularização do IVA implica a existência de prova idónea de que o adquirente dos bens ou serviços teve conhecimento da regularização. Estes documentos. o nº 1 do artigo 28º do CIVA obriga os sujeitos passivos à emissão de facturas ou documentos equivalentes (que devem respeitar os requisitos formais postos pelo artigo 35º) sempre que efectuem transmissões de bens ou prestações de serviços. havendo autorização da Administração Fiscal. têm ainda de observar os procedimentos previstos no artigo 71º do CIVA e no Ofício Circular nº 33 129 de 2 de Abril de 1993. Consideram-se idóneos os seguintes documentos: (i) meio de comunicação escrita do adquirente com referência expressa de que tomou conhecimento da regularização do IVA. nos termos do disposto no artigo 5º do citado artigo 71º. abatimentos ou des€ fora da factura. o Código do IVA permite à entidade transmitente a dedução do imposto liquidado em excesso. contudo. Caso se verifique. para além de terem de respeitar os mesmos requisitos das facturas. até cinco anos. do CIVA) à emissão e contabilização de um documento rectificativo. De acordo com os mecanismos de funcionamento deste imposto sempre que um sujeito passivo procede. à liquidação do IVA poderá o adquirente proceder à dedução do imposto. (ii) nota de devolução com evidência do conhecimento da regularização. Estas situações ocorrem habitualmente depois de efectuado o registo contabilístico das transmissões de bens ou da prestação de serviços. Na actividade empresarial existem. na transmissão de um bem ou na prestação de um serviço. devendo naturalmente proceder à regularização que é obrigatória sempre que resulte imposto a favor do Estado.O IVA E AS NOTAS DE CRÉDITO Como se sabe. caso contrário consideram-se não cumpridas as disposições estabelecidas no artigo 71º do Código 143 A. devendo o adquirente proceder simultaneamente à devolução do imposto deduzido em excesso.

Uma vez que. juntamente com a nota de crédito. isto implica sempre para o cliente a necessidade de proceder simultaneamente à regularização do valor do imposto deduzido. havendo lugar a regularização do IVA. 144 A. para poder proceder à regularização do IVA.do IVA. Nos casos mais complexos sugere-se o envio. criando assim uma situação de imposto a favor do Estado. referindo expressamente a necessidade da devolução das cópias depois de devidamente assinadas e carimbadas. os sujeitos passivos deverão enviar aos seus clientes o original e uma cópia das notas de crédito emitidas. A prática tem demonstrado alguma dificuldade em se conseguir dar cumprimento a estas disposições. Procedimentos a adoptar Nos casos em que a base tributável foi reduzida após efectuado o registo contabilístico das transmissões de bens ou serviços e que geraram imposto a favor do sujeito passivo. Financeira – 2010 . do ofício-circular 33.129 de 2 de Abril de 1993 do SIVA. tornando-se indevida a regularização do imposto. Convém sempre ter presente que apenas se pode proceder à regularização do imposto a favor do sujeito passivo quando o transmitente tiver na sua posse prova considerada idónea de que o adquirente tomou conhecimento da regularização. Deste modo. a existência de suporte documental que demonstre que os clientes receberam comunicação que evidencie o montante do IVA rectificado ou de que foram reembolsados do respectivo imposto é fundamental para a recuperação do imposto. deve este ter especial atenção à referida prova de comunicação da regularização do imposto. Para evitar qualquer situação de dedução indevida do imposto.

Financeira – 2010 . apurando-se assim os resultados proporcionais ao trabalho realizado. pelo menos. no ano N. 145 A. sendo comparados com os custos incorridos. Uma rubrica que apresenta um peso considerável na estrutura do balanço de certas empresas de construção e obras públicas é a das existências (também vulgarmente designadas por stocks ou inventários) cuja valorimetria e contabilização apresenta algumas particularidades. em rigor. o rédito é também reconhecido proporcionalmente à evolução da obra. mas também pelo método do contrato acabado. os proveitos são reconhecidos contabilisticamente. por exemplo. prevêem a possibilidade de os produtos e trabalhos em curso. à medida que a obra progride. 90% dos custos reflectindo assim. se em 31 de Dezembro do ano N a encomenda estiver 90% acabada. só reconhecerá os custos e os proveitos no ano N+1 quando. No caso em que sejam prestados um número indeterminado de acções durante um determinado período de tempo. financeira e patrimonial. os normativos internacionais preferem elegeram o método de percentagem de acabamento em detrimento do método do contrato acabado.AS OBRAS EM CURSO NO FINAL DO ANO No período de encerramento das contas. e respectivos proveitos e custos serem genericamente reconhecidos não só através do método da percentagem de acabamento. nas contas do ano N deveria reconhecer. nos resultados do ano N o efectivo grau de acabamento da obra em 31 de Dezembro. as empresas têm de recorrer a todo um conjunto de procedimentos e princípios contabilísticos por forma a traduzirem nos seus documentos de prestação de contas anuais a sua verdadeira situação económica. o processo de especializar os resultados de uma obra com referência à sua fase de acabamento é usualmente designado por método da percentagem de acabamento. a menos que haja outro método capaz de permitir um melhor apuramento. Por isto. a produção de uma encomenda com entrega e facturação no ano N+1 pelo preço de 100 mil € e custos totais estimados de 60 mil €. Nestes casos. É sobre esta rubrica do balanço. Por este método. pelo método do contrato acabado. As normas nacionais. Neste hipotético caso. a empresa. que iremos abordar. mais concretamente da conta "Produtos e Trabalhos em Curso" e em particular no que respeita ao tratamento contabilístico dos "Contratos de Construção". Alternativamente. o rédito é reconhecido numa base linear durante esse período. Distorção dos resultados É que a utilização do método do contrato acabado poderá causar distorções significativas nos resultados de uma empresa que tenha contratado. relacionados com contratos de construção e de prestações de serviços de carácter plurianual. momento em que são reconhecidos a totalidade dos custos e dos proveitos. existências. Segundo este método (do contrato acabado) o resultado será apurado apenas no final de cada contrato. nomeadamente a Directriz Contabilística nº 3 (DC 3).

de imediato. ou de alterações contratuais. passar a trabalhar-se com os novos custos. bem como os adiantamentos recebidos. o método adoptado deverá ser aplicado em cada período contabilístico. 146 A. . do método da percentagem de acabamento é sem dúvida a de determinar. . porém. os bens ou serviços já adquiridos mas ainda não incorporados na obra. Obviamente que as empresas deverão utilizar o método que melhor se adapte à sua própria especificidade. no caso de obras com carácter marcadamente plurianual. relevando-se assim contabilisticamente a nova realidade. devendo-se excluir do cálculo. qualquer perda esperada no contrato deve ser imediatamente objecto de provisão. Será ainda de referir que. o grau de acabamento corresponde à relação entre os custos incorridos até à data de fecho do exercício e a soma destes custos com os custos estimados para completar a obra. tratamento e controlo que lhes permita imputar e apurar por cada obra em curso os respectivos custos e proveitos. e mais falível.O grau de acabamento A tarefa mais complexa. Por outro lado. com rigor e a cada momento. ser considerados na demonstração de resultados no período em que a alteração seja feita e em períodos subsequentes. a fase de acabamento da obra.O levantamento físico da obra já executada. os pagamentos por conta. qualquer método deverá poder prever: . Financeira – 2010 .A expressão percentual da obra executada em função da obra encomendada. Prudência Sempre que se preveja que os custos de uma obra contratada irão exceder os custos inicialmente estimados deve-se. De igual forma. A este respeito será de salientar que apenas os custos relacionados com a obra já realizada concorrem para o cálculo da percentagem de acabamento. por habitualmente não reflectirem a percentagem de acabamento de obra não deverão concorrer por influenciar o método utilizado. as empresas terão de adoptar um sistema fiável de recolha. Só com uma rigorosa reflexão sobre os efeitos da aplicação dos princípios contabilísticos e das directrizes nacionais e internacionais se pode pretender alcançar o tão divulgado objectivo da transparência das contas. Para isso. Segundo a DC 3. devendo os eventuais efeitos de uma alteração nas estimativas efectuadas.O apuramento a cada momento dos custos e proveitos incorridos. principalmente no final do exercício.

147 A. que se acha da seguinte forma: Tj cj = ----100 sendo: Tj = taxa dos juros de mora em vigor no período da sua aplicação (Tj = Taxa básica de desconto do Banco de Portugal + 1 % ) O pagamento dos juros será feito mediante uma nota de débito enviada ao cliente e. deverá efectuar-se até 30 dias após a sua recepção. tomando para o efeito o tempo decorrido desde o dia seguinte ao da expiração do referido prazo até ao dia fixado na notificação do pagamento.x cj 365 em que: Vj = Valor dos juros de mora a facturar Vp = Valor do pagamento (sem IVA) n = Nº de dias em atraso cj = Coeficiente dos juros de mora em vigor no período da sua aplicação.CALCULO DOS JUROS DE MORA (por atraso no pagamento dos trabalhos executados e das respectivas revisões de preços e eventuais acertos em empreitadas de obras publicas). tem por base a seguinte fórmula: n Vj = Vp x -----. Se o atraso no pagamento exceder o prazo estipulado ou fixado por lei. será abonado ao empreiteiro juros de mora. O cálculo dos juros de mora por atraso no pagamento dos trabalhos executados. Financeira – 2010 .

T.Carvalho.MENEZES. H.C. Caldeira. .Código Civil .NEVES.I. 148 A. Eng. . por ter facultado alguns elementos que integram o presente texto de apoio. "Análise Financeira: Método e Técnicas" Texto Editora . João Carvalho das.BIBLIOGRAFIA * O meu sincero agradecimento ao Prof António Borges do ISCTE Business School e restante equipa docente. Financeira – 2010 . Caldas Manuel Ferreira. "Princípios de Gestão Financeira" Editora Presença .Costa. Hernâni "Controlo Financeiro de Empreitadas" D.4ª Edição" .T. "Prontuário do Bancário .R.

Semanário . Alfredo "Matemática Financeira" Editora Morais .Moura.Colectanea de exercicios resolvidos 149 A.Vida Económica .Lições de Economia .Gonçalves. Francisco Pereira .Pereira.Macroeconomia Colecção Schaun .Mc Graw Hill” .Mapa da posição financeira da obra . Rui .Textos de apoio . (Ex) Banco Português do .Direcção de Estudos Económicos e Marketing – "O Mercado de Capitais" .Análise de propostas .. Financeira – 2010 .Atlântico.

150 A. Financeira – 2010 .

Financeira – 2010 .151 A.

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