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FICHA  FOrMAt IVA  2   (sequência  1)

Fichas de avaliação diagnóstica e formativa

nome :     n . o :     t U rma :  
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Leia com atenção o texto que se segue.

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O   CUBANO   QUE   VEIO    

PAr A   O  FrIO

Em Berlim, um havanês guia os turistas através de uma prisão em que esteve como preso político

através de uma prisão em que esteve como preso político Francisco   Galope,  em  Berlim 29

Francisco   Galope,  em  Berlim

29   de   outubro  de  2009

Gere   as   pausas   entre   frases   como   que a prender a atenção de quem o ouve.  «Quem  entrava  aqui  estava  condenado.   Não  havia  fuga  possível.»

Jorge Luís Vázquez, 50 anos, cubano, 

guia grupos de turistas  através da antiga  prisão de Hohenschönhausen, um antigo  estabelecimento   prisional   de   Berlim,   outrora   operado   pela   temida   polícia  

secreta  da   antiga  r DA,  a  Stasi.

Esta   era   uma   das   17   prisões   para   prisioneiros   políticos   que   existiram   no   território   na   parte   comunista   da   Alemanha   durante  a   Guerra   Fria. Jorge   conta  que   havia   mais   salas   de  interrogatório   do  que   celas,   numa  proporção   de  120   para   103.   A   luz  naqueles  corredores  é fria  e,  estranhamente, ainda  se  sente o cheiro  da ditadura,  sobretudo  nos pisos  superiores 

onde   se  sucedem as   salas   de  interrogatório,  que   têm  o   soalho  revestido   a  linóleo   claro.

também   cheira,   mas  

a   mofo.   «Chamam-lhe   assim   porque,   quando   aqui   entravam,   as   pessoas   desapareciam,   submergiam.   E   nessa   submersão   nunca   dava  para   perceber   se  era  de  dia   ou  de   noite»,   explica  o   guia. Jorge   movimenta   ruidosamente   os   ferrolhos  das  pesadas   portas   de   metal.  Exemplifica   como  os   guardas  

  

faziam   e  imita-lhes   a   voz   de   comando.   «Aqui   deixavas  de   ter   nome   e   passavas   a  ser   um   número.»   Jorge  cerra os   punhos  e  junta-os   delicadamente.   Ajeita  o  cachecol  e   emociona-se   enquanto  conta   a  história  desta  prisão.   Ele   não  é   um   guia  profissional.  Viveu  o  que  aqui   conta   aos  visitantes.   Isto   é,  sofreu-o   na   pele.

 de 80,  se apaixonou  por uma alemã oriental  e  veio viver  para  cá  («São  as  mulheres  que    margem  da  visita com  um  brilho  nos seus olhos  azuis pequenos),  nada fazia  prever  que  

seria  detido   pela  Stasi  para   ser  interrogado.

O  delito  de  Jorge foi  o de  ter-se dado com as  pessoas  erradas. Ou  melhor,  com  homens  e  mulheres  suspei -

Quando,  na  década nos  levam à certa», dirá  à

No   «submarino»,  uma   zona   da  prisão   assim  chamada   por   se   situar   debaixo   da  terra, 

tos de terem contactos com ocidentais, logo potenciais espiões. O azar foi isso ter acontecido numa época e num  lugar   em  que  contar   uma   anedota   podia   ser  considerado  uma  deslealdade   para   com   o   «Estado  de  Operários   e   Camponeses»,  o  que  dava,  obviamente,   prisão.

Bastou  isso para  uma  semana  de  interrogatórios,  de  tortura do  sono,  de  coação psicológica.  E, claro,  para o  

separarem da mulher. Foi deportado para Cuba, onde voltou a ser detido pela polícia política do regime castrista.  Não conseguiram provar nada contra ele e após três dias de interrogatório foi «condenado» a cinco anos de termo  de   identidade  e  residência,   à  proibição  de   deixar   o  país   e  a   uma  perseguição  permanente.

entretanto  convertida   em  museu,   onde  trabalha  atualmente   como  guia.

O   muro   de   Berlim   caiu   entretanto.   E,   depois   dos   cinco   anos,   Jorge   regressou   à  Alemanha   e   à  «sua»  prisão,

FraNCisCo galope ,   «O  cubano  que   veio  para   o  frio»,  Visão,  http://www.visao.pt   (com   adaptações).

Fichas de avaliação diagnóstica e formativa

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responda, por palavras suas e de forma completa, às questões que se seguem.

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e xplique para que servia a prisão de h ohenschönhausen.

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Qual é a importância do facto de, nessa prisão, existirem mais salas de interrogatório do que celas?

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Por que razão se chamava «submarino» a uma determinada zona deste estabelecimento prisional?

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a afirmação « e le não é um guia profissional.» (l. 27) é uma crítica? Justifique a sua resposta.

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Por que motivo diz Jorge que «[s]ão as mulheres que nos levam à certa» (ll. 28-29)?

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e xplicite a relação entre o título e o texto.

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transponha as frases que se seguem para discurso indireto.

a) «Quem  entrava   aqui   estava   condenado.   Não   havia  fuga   possível»,   afirmou   Jorge.   (ll.   8-9)

b) «Chamam-lhe assim   porque,   quando   aqui   entravam,  as   pessoas   desapareciam,  submergiam.  E   nessa   submersão  nunca   dava   para   perceber  se   era   de  dia  ou   de  noite»,   explicou   o   guia.   (ll.   22-23)

c) «Aqui  deixavas   de   ter  nome  e  passavas   a  ser   um   número»,   diziam   os   guardas.   (l.  25)

Fichas de avaliação diagnóstica e formativa

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classifique os deíticos destacados nas frases seguintes.Fichas de avaliação diagnóstica e formativa PA rt E 2 a)  «Quem   entrava   aqui

a)  «Quem   entrava  aqui   estava   condenado.   Não  havia   fuga  possível. »   (ll.   8-9)

b) «Chamam-lhe assim   porque,   quando   aqui entravam,   as   pessoas  desapareciam,   submergiam.»  (l.   22)

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atente nas afirmações que se seguem: todos temos o direito de discordar do poder instituído. a s prisões políticas não deveriam existir.desapareciam,   submergiam.»  (l.   22) iii 1.1    Elabore  um  texto

1.1    Elabore  um  texto  expositivo-argumentativo  de   duzentas  a  trezentas  palavras   em   que   apresente   o  seu  ponto  de   vista   relativamente   às  afirmações   anteriores.  Fundamente-o  recorrendo,   no   mínimo,   a  dois   argumentos   e   ilustrando  cada   um  deles   com,  pelo   menos,   um   exemplo  significativo.